"No final de um mês que não deixará boas recordações, e depois de mais um jogo em que a equipa fez mais do que amealhou comprometendo as hipóteses de seguir em frente na Champions, se a um benfiquista fosse concedido o desejo de escrever o guião do jogo frente ao Estrela, muito provavelmente não pediria tanto quanto o jogo deu e que, tudo somado, foi muito mais do que os três pontos correspondentes a uma justa vitória.
Como se não bastasse a goleada, a boa exibição, sobretudo na segunda parte, a estreia prometedora de mais um jovem, que bem esteve Banjaqui, o brilho de uma recente aquisição, muito útil este Sidny Cabral, o regresso redentor aos golos e aos penáltis de Pavlidis, que merece todos os golos que marca pelo suor que deixa em campo, ou até o regresso do filho pródigo Rafa merece os aplausos que recebeu, como se não bastasse tudo isto, aos 84 minutos, os anos que faria o Rei Eusébio naquele mesmo dia, a Luz teve um daqueles momentos que nos lembra que a realidade ultrapassa sempre a ficção. Aquele momento em que o menino Banjaqui cruza e o adolescente Anísio cabeceia para golo, independentemente de ser o início de "uma coisa grande", traz-nos a convicção de que o sonho comanda a vida, como diria António Gedeão e explica a paixão que o futebol gera. Percebemos assim que, como nos ensina o povo, não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe. É com esse ensinamento que o Benfica deve encarar os restantes jogos da temporada, na convicção de que quando Mourinho falava no que ainda há para ganhar, estou em crer que era também nisto em que pensava..."
