Últimas indefectivações

sábado, 15 de outubro de 2016

Taça Continental, fica na Luz...

Benfica 9 (4) - (5) 2 Barcelos
(3-1)

Basta observar a forma como os jogadores festejaram o triunfo, logo após o apito final, para perceber que esta vitória, valeu mais do que a Taça em disputa! O mau início de época, acabou por ficar reconhecido pelos próprios jogadores, que sabiam que hoje, era necessário começar a 'dar a volta'...

Foi de longe o nosso melhor jogo da época... ainda por cima, sem sofrer golos de 'bola parada' e a marcar golos de 'bola parada' (o inverso do que vinha a acontecer...)!
Além dos golos marcados, estivemos muito melhor a defender, o Trabal foi importante nas 'bolas paradas' (e foram várias), mas em 'jogo jogado' até teve 'pouco' trabalho!!!

O destaque individual tem que ir para o João Rodrigues... arrisco, afirmando que após a lesão prolongada da época anterior, este foi o melhor jogo do João ao serviço do Benfica! O Nicolia não marcou, mas fez 3 assistências... e o mal-amado Tiago Rafael além do golo, ainda fez 2 assistências!

Agora a dúvida que fica no ar é a seguinte: será a equipa capaz de manter este nível de intensidade em todos os jogos?!!! Até porque hoje, apesar de todas as coisas positivas, notou-se alguns 'problemas' na rotação... Aquele jogo totalmente aberto, a meio da segunda parte, quando o Benfica tinha toda a vantagem em 'congelar' o jogo, foi perigoso...!!!

Mais um 'caneco' para o Museu Cosme Damião... Mais um título Europeu (Supertaça Europeia) a 3.ª Taça Continental...

Vitória no Luxemburgo...

Kaerjeng 30 (26) - (31) 33 Benfica
(12-14)

Resultado parecido com a 1.ª mão na Luz, num jogo onde começamos muito bem, nunca tivemos em desvantagem... só permitimos o empate no início da 2.ª parte... e sinceramente, nunca senti a eliminatória em perigo!!!

Nota de destaque para a inspiração ofensiva do Moreno, tem marcado muitos golos ultimamente, parece que tem trabalhado a finalização...; o Terzic continua a melhorar; o Capdeville aproveitando a lesão do Mitrevski fez toda a 2.ª parte na baliza (recordo que é ainda júnior); o André Lima (outro júnior) também tem aproveitado bem os minutos...
Nota negativa, para a total desinspiração ofensiva do Vidrago... todos têm direito a dias maus!!!

Estamos na 3.ª ronda, a última antes da Fase de Grupos, onde vão aparecer alguns 'tubarões' indesejáveis... vamos esperar por um sorteio agradável!!!

Vitória... finalmente!!!

Corruptos 74 - 76 Benfica
15-20, 24-23, 23-15, 12-18

Ganhámos, justamente, mas não é esta vitória que vai resolver todos os problemas que esta equipa tem demonstrado!
Hoje, defendemos melhor, tivemos um jogador muitíssimo inspirado ofensivamente: Hollis... e na parte final, apesar de um erro infantil do Carlos Morais, logo a seguir o Tinsley foi 'amigo' e retribuiu o erro (dois lances livres falhados, após falta 'duvidosa')!!! Além disso a eficácia Triplista dos Corruptos, baixou bastante em relação ao jogo da Supertaça...

Já tinha afirmado que temos melhor plantel esta época... por exemplo o Carlos Morais, voltando a não fazer um grande jogo, acabou por ser o nosso melhor ressaltador... Hoje, também houve mais rotação da nossa equipa, com o Lonkovic a 'ganhar' mais minutos (merecidamente)... Pessoalmente, continuo a achar que o Nuno Oliveira tem que jogar nestes jogos!

Jogadores ao poder é batalha a travar

"Em Portugal, jogador que termina a sua carreira profissional e deseja continuar ligado ao futebol tem de ser treinador. É o que fazem, uns por se sentirem capazes de enfrentar esse desafio, outros por não descortinarem soluções alternativas, e, no entanto, elas existem. O exemplo do Bayern representa o sonho dos sonhos, um caso excepcional em que algumas das suas grandes figuras passaram a preencher altos cargos na gestão e a terem papel determinante na estratégia de crescimento do clube bávaro, como Franz Beckenbauer, que chegou à presidência do conselho de administração, e Karl-Heinz Rummenigge, que lhe sucedeu. Por cá, Rui Costa é o que mais se lhes aproxima, com lugar na SAD do Benfica.
Li em A BOLA que o Barcelona talvez enverede pelo modelo alemão, havendo a expectativa de, em futuro próximo, o 'poder' ser reclamado por referências da sua geração de ouro, conforme foi anunciado por Xavi Hernández, considerando-se os jogadores motivados e preparados para ficarem ao leme da enorme nau catalã.
A eleição de Michel Platini para a presidência da UEFA foi o primeiro grande sinal de mudança, a seguir a uma experiência que o entusiasmou pouco como seleccionador francês. Mostrou ao mundo que o papel de um (ex) futebolista não se esgota no relvado. Estende-se além dele, de aí que se aplauda a decisão do FC Porto em recorrer ao bibota de ouro Fernando Gomes para intervir na área de observação, confiando na sua intuição na descoberta de jovens talentos.
No futebol português, dado a luxos, como escreve João Bonzinho, director de informação de A BOLA TV, a propósito do ostracizado Toni, aceitar que antigos jogadores tomem conta de um clube... talvez daqui a uma eternidade, mas é batalha que a classe tem de travar."

Fernando Guerra, in A Bola

Bola de Ouro para Bob Dylan

" «Eu gosto dos fãs mas não sinto que tenha obrigação de ser um exemplo para eles; não da mesma forma que um jogador de basebol ou de futebol americano. Não tenho de ser desportista, alguém com um comportamento que os outros devem seguir.»
Bob Dylan

Não acho bem bem mal o Nobel da literatura para Bob Dylan. Acho só óptimo tema de conversa, partindo dos argumentos básicos: é um letrista e não um escritor vs é um poeta. Eu acho que consigo manter ambas opiniões e passar a tarde a discutir comigo.
O que é verdadeiramente gracioso neste prémio é que ninguém perdeu por Dylan ter vencido. Não é a Bola de Ouro da FIFA, com a qual há um vencedor e pelo menos um derrotado, o segundo. O Nobel nasce dum mundo inteiro de alternativas. Quando anunciam o da literatura, aposto que todos os grandes escritores do planeta estão a dormir, a noite ou a sesta, sem quererem saber (o próprio Dylan, arrisco, também estaria a dormir...).
Assim, tentar classificar alguém capaz de vencer prémios musicais (Grammy), cinematográficos (Óscar), jornalísticos (Pullitzer) e literários (Nobel) é do mais difícil que pode haver, mas tentar desclassificá-lo, dizer que não merece este ou aquele, é ainda mais.
Fui procurar e parece que Dylan só escreveu uma música sobre desporto: Catfish, que o autor queria publicar no Desire,de 1976, mas acabou nas The Bootleg Series, de 1991, uma compilação de raridades, gravações perdidas, coisas por mostrar. A Catfish era sobre James Catfish Hunter, um jogador de basebol dos Yankees que se celebrizou nos anos 60 por se ter tornado o primeiro free agent multimilionário. A canção, essa, não era assim tão impressionante. Talvez por isso Dylan nunca ganhou nada que se veja no desporto. Lamentavelmente."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Bob Dylan e Diego Maradona

"Geniais as personagens de um e a autenticidade do outro

Apanhar conversas a meio pode criar situações embaraçosas. Ontem terá acontecido a mais gente ligar o rádio e ouvir um fórum sobre Bob Dylan, mudar de estação e estar a passar uma música dele. O pensamento torna-se fatalista e brejeiro: mais um que pendurou as botas sem festa de homenagem. A seguir fica-se mentalmente envergonhado porque o que está a acontecer é, mesmo e só, a festa de homenagem. Dylan ganhar o Prémio Nobel da Literatura é uma surpresa, mas ao longo do dia vai-se sabendo mais coisas. Quem percebe desses assuntos nunca se surpreende e explica: o nome já havia sido cogitado outras vezes para tal honraria.
Foi igualmente notícia o lançamento de mais uma autobiografia de Maradona. Por momentos, fazia sentido na cabeça a rebeldia misturada em letra de forma, as histórias é que não, excepção feita à genialidade de ambos.
Dylan tem uma obra multifacetada, um percurso incoerente e de negação, mas as palavras cantadas e escritas foram sempre guiadas pelo brilhantismo. Esse foi o escritor, o poeta a quem a Academia sueca atribuiu o Nobel. O cidadão que em 2004 plasmou numa biografia ser dono de armas e querer "pegar fogo" aos hippies não conta; contabilizam-se as personagens criadas ao longo da vida e os hinos cantados. Foi Dylan quem escreveu: "O mundo era absurdo... eu tinha poucas coisas em comum com uma geração que não conhecia e da qual se supunha que era um dos porta-vozes."
Do homem do pontapé na bola, com passado tortuoso e penitências várias, leu-se: "Quando morrer quero voltar a nascer e ser futebolista. E quero voltar a ser Diego Armando Maradona. Sou um jogador que deu alegrias às pessoas e isso chega-me e sobra." A nova biografia começa assim: "Fala-vos Diego Armando Maradona, o tipo que marcou dois golos à Inglaterra e um dos poucos argentinos que sabe quanto pesa a Taça de campeão do mundo..."
Um Nobel para Diego, que nunca quis deixar de ser Maradona."

Benfiquismo (CCL)

Início da caminhada Europeia de 82/83
1-0, na Luz; e vitória por 2-1 em Sevilha...
...que terminou com o amargo Anderlecht!!!

Susto na Taça...

1.º Dezembro 1 - 2 Benfica


Muito complicado, muito parecido com o jogo com o Vianense na época anterior, na mesma eliminatória da Taça de Portugal!!!

Nestes jogos existe sempre a expectativa de goleada, mas a realidade é diferente: o Benfica vem de 10 dias, com o plantel repartido com as Selecções; depois dá-se minutos a jogadores menos utilizados, que têm falta de ritmo...; e depois ainda existe a ultra-motivação do outro lado... Tudo isto misturado, dá quase sempre em jogos equilibrados!
O Benfica entrou a tentar dominar, e foi isso que aconteceu, mesmo que tivesse criado poucas oportunidades, pois faltou 'peso' na área... Com os minutos a passar, a confiança no adversário aumenta, a nossa capacidade de recuperar a bola alta diminui, e os contra-ataques vão-se tornando mais perigosos... Mesmo assim o Ederson raramente foi chamado a intervir.
Marcámos no arranque do 2.º tempo, numa excelente jogada do Danilo... mas pouco depois, num erro do Celis, o árbitro marca penalty contra o Benfica (por acaso o Ederson toca na bola... o contacto é posterior... Já agora, com as novas regras, neste tipo de lances, onde o defesa 'tenta' jogar a bola, nunca pode ser Vermelho!!!).

A partir daqui, o jogo ficou ainda mais perigoso... A falta de entrosamento era notória, e nem a entrada de alguns dos habituais titulares parecia 'resolver' a partida!
Até que, mais uma vez, no último dos descontos, o Luisão marca... e o jogo acaba!


Uma nota para a quantidade industrial de porrada que o Benfica levou!!! O Malheiro é um dos afilhados do 'desdentado'... hoje, passou a jogo a avisar os jogadores o 1.º Dezembro, que para a próxima levavam Amarelo... Houve jogadores que receberam 3 avisos!!!
O positivo deste jogo, foram os minutos do Danilo e do Zivkovic... acredito que vão acabar a época, como titulares.
O negativo continua a ser a atitude do Carrillo... Em relação ao Celis, quando foi anunciada a sua contratação, vi alguns minutos dum jogo na Copa América, e fiquei assustado... mas podia, ter sido um jogo mau! Infelizmente, está a confirmar que não é jogador para o Benfica... e não é por falta de atitude!!! Neste momento, o Pêpê (Pedro Rodrigues), já me dá melhores garantias do que o Celis... e até o Gilson!!!.

Na próxima Quarta-feira temos um jogo muito importante em Kiev, para mim é mesmo decisivo! E mesmo que alguns dos lesionados recuperem até Quarta (Jardel, Horta, Rafa, Samaris, Jiménez...), vão chegar obviamente com pouco ritmo, devido às longas paragens... Mais um quebra-cabeças para o Rui Vitória resolver!!!

O meu Benfica

"O Benfica vai a eleições e eu apoio e integro a Direcção presidida por Luís Filipe Vieira pelo quarto mandato consecutivo (dos cinco do presidente). Mas o meu apoio não é só pelo que foi feito e conquistado: estádio, pavilhões, piscinas, centro do Seixal, títulos no futebol de novo de acordo com o nosso palmarés e pergaminhos, títulos nas modalidades com um ecletismo vencedor que é real, não é panfletário.
Este fim de semana, quando via a final de futsal, dei comigo a pensar que o troféu em si não tinha valor transcendente, mas a presença numa Supertaça significa que se foi das duas melhores equipas na modalidade na última época. Pois bem, este início de época disputámos a Supertaça de futebol, basquetebol, voleibol, futsal, hóquei em patins e andebol. Percebem do que estou a falar? No topo em tudo e em todas. A ganhar em todas as modalidades. Como nunca ninguém conseguiu nem se aproximou. Era disto que eu tinha saudades e só por isto vale a pena continuar. Porque quando subiu a bandeira portuguesa ao mastro olímpico com Vanessa, o Nelson ou Telma era também de um projecto de apoio olímpico que vestia de vermelho e branco. Sei que não vamos ganhar sempre, nem vamos ganhar tudo, mas sei também que, hoje, vamos sempre lutar por vencer tudo, e por isso estamos muito perto de vencer muitas vezes. Esta obsessão da vitória, moldada por critérios de excelência, é o meu Benfica, o Benfica que me foi legado pelo meu avô e pelo meu pai,e aquele que alimenta o meu sonho dia a dia, só por ele vale a pena. Todos os dias o balanço me favorece - o que dou ao Benfica é muito menos do que o que o Benfica me dá a mim, a nós, a todos os benfiquistas que o sentimos assim, com esta limitada paixão.
Li que o Rui Cunha saiu do Benfica, mas é uma inverdade, o Rui Cunha é parte integrante e vitalícia do Benfica, e é com ele que vamos festejar juntos todos os muitos títulos de todas as modalidades, por muitos e bons anos.
Quero ganhar, mas é logo ao 1.º de Dezembro."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória contra os Carneiros !!!

Derby County 0 - 2 Benfica B
Joãozinho, Heri


Terceira participação da Premier League International Cup, iniciada com uma vitória convincente...!


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Contra factos...

"O Diário de Notícias publicou, no fim-de-semana passado, um artigo sobre a contagem de títulos nacionais de futebol. Para tal recorreu a historiadores que, como seria de esperar, desmentiram a tese revisionista, nascida no Lumiar, que procura simultaneamente sonegar as quatro primeiras edições do Campeonato Nacional, então denominado Campeonato da Liga (Benfica 3; FC Porto 1), e fazer do Campeonato de Portugal a prova precedente do Campeonato Nacional (Sporting 4; FC Porto 4; Benfica 3; Outros 6). No mesmo artigo é referido o silêncio da FPF relativamente ao assunto, escusando-se a esclarecer a situação.
Esta atitude é incompreensível, mas darei uma ajuda, recorrendo ao relatório da própria Federação Portuguesa de Futebol publicando em 1938: 'Por virtude da reforma a que se procedeu no Estatuto e Regulamentos da Federação, os Campeonatos das Ligas e de Portugal passaram a designar-se, respectivamente, Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal'.
Talvez avisados de que, passados quase 80 anos, haveria do futebol português, os redactores do relatório da FPF acerca do ano de 1938 repetiram, por outras palavras, o que escreveram no parágrafo anterior: 'O campeonato da 1.ª Liga passou a ser Campeonato Nacional 1.ª Divisão'.
Será esta prova documental suficiente para encerrar o assunto? Infelizmente, creio que não e nem sequer tentarei perceber as razões, pois não sou psiquiatra nem sequer investigador de métodos de manipulação de massas...

P.S. José Gomes fez uma bela exibição em Santos, só se lamentando a grande penalidade desperdiçada. Um dia há-de marcar, a alcunha 'Zé Golo' não surgiu por acaso."

João Tomaz, in O Benfica

Só coisas boas

"Um fim de semana de paragem no campeonato nacional de futebol pode ser uma coisa muito aborrecida. Principalmente para quem só pensa em futebol. Não é o meu caso. É certo que o SL Benfica jogou um particular no Brasil com o Santos FC, mas essa foi apenas mais uma prova do imenso prestígio do maior clube português. O homenageado foi Léo, mas poderiam ter sido Eusébio e Pelé. Ou simplesmente a arte do futebol. Foi bonito. Tão bonito como nenhum dos nossos jogadores se ter lesionado nessa partida nem nos encontros da selecção nacional.
Então, como eu dizia, sábado e domingo sem campeonato pode ser um problema se não tivermos um gosto eclético. Tendo uma paixão pelo clube e pelas muitas modalidades que o SL Benfica apresenta, tudo fica mais simples. Peguemos, por exemplo, no futsal. É uma das modalidades mais queridas dos portugueses, tem milhares de adeptos e dá azo a grande espectáculos nos pavilhões. Foi o que se passou no fim de semana passado, com a disputa nas duas Supertaças nacionais, em masculinos e femininos. Em ambos os casos, vitória do SL Benfica pela diferença mínima frente aos campeões em título. E num dels, perante um adversário ao nível do Glorioso, com um historial de peso na modalidade, um clube que apostou forte em grandes profissionais e que vive o desporto também como um viveiro de formação de seres humanos e atletas. Parabéns ao FC Vermoim pela excelente campanha no futsal feminino. Da partida masculina, o destaque vai inteirinho para o brasileiro Elisandro, que se estreou da melhor forma com a camisola vermelha: três golos e uma taça para o Museu Benfica - Cosme Damião. Limpinho!"

Ricardo Santos, in O Benfica

O nome é Gomes

"Para quem siga com atenção o futebol jovem do Benfica, não é certamente novidade o surgimento de José Gomes, aos 17 anos, no nosso plantel principal, com minutos e protagonismo.
Não sendo eu um observador muito regular dos jogos da formação, nem mesmo assim me escapou aquele miúdo, com movimentos felinos e fato pela baliza, que terei visto pela primeira vez aos seus 14 anos. Logo me impressionou. Desde então, a cada jogo que via das suas equipas (sub-15, Sub-17 ou Sub-19), rapidamente o procurava, seguindo todos os seus pormenores, arrancadas, movimentações, desmarcações e golos. Não era preciso ser especialista para perceber tratar-se de um talento raro. De um possível fora-de-série. Mais do que Renato Sanches, mais do que Bernardo Silva, foi José Gomes o jovem da 'cantera' do Seixal que mais cedo me saltou à vista. Talvez por ser ponta-de-lança - sendo essa a minha espécie predilecta no mundo do futebol.
Beneficiando das lesões de Jonas e Jiménez, chegou agora à equipa principal. Mas isso para ele não pode ser um ponto de chegada. É, sim, o ponto de partida.
Com a sua idade,e com todo um trabalho que ainda tem pela frente, dentro de uma década tanto poderá estar no Real Madrid como no Real Massamá. A diferença é muito ténue, e não faltam exemplos para o comprovar. O caminho é estreito, e qualquer desvio será fatal.
Depende dele, do seu trabalho, da sua humildade, do seu empenho em cada treino, dos cuidados a ter fora do campo, da sua vontade de aprender mais e mais, de melhorar todos os detalhes. Cada dia conta. Talento não lhe falta. Enquadramento também não.
A bola é tua, Zé."

Luís Fialho, in O Benfica

Quantas estradas deve um homem...

"O futebol sempre teve o condão de despertar paixões, levando a que a emoção se sobreponha à razão. Mas para tudo há um tempo e um modo. E há ma medida certa que, se ultrapassada, torna o belo em feio, o puro em impuro. A verdade é que, na interdependência da vida em sociedade, «ninguém é livre. Até os pássaros estão presos ao céu».
Ontem, Luís Filipe Vieira, um líder que em muitas ocasiões se guia pela frase «se você precisa de alguém para confiar, confie em você mesmo» apresentou a equipa que vai acompanhá-lo no próximo mandato à frente do Benfica. Ao longo dos últimos 13 anos, Vieira conseguiu levar à prática a ideia de que «a melhor coisa que você pode fazer por uma pessoa é inspirá-la», criando a vaga de fundo que devolveu o clube fundado por Cosme Damião ao topo do desporto nacional.
Desde que é presidente, Luís Filipe Vieira foi capaz de aceitar que «a felicidade não está na estrada que leva a algum lugar. A felicidade é a própria estrada», e foi por isso que se empenhou com insuperável militância na transformação do emblema encarnado, que recebeu ainda ferido pela terra queimada de Vale e Azevedo.
Quando chegou, o líder benfiquista podia pensar que «quando não se tem nada, não há nada a perder». Hoje, as coisas são diferentes. O Benfica é tricampeão, tem o Seixal em laboração de qualidade e joga, em todas as modalidades, para o título. Por isso precisa de procurar as melhores respostas para os novos desafios. E estas, provavelmente «estão a soprar no vento...»

PS - A negro, excertos da obra poética de Bob Dylan, novo Prémio Nobel da Literatura."

José Manuel Delgado, in A Bola

Permitam-me discordar

"Há tempos cruzei-me com uma história curiosa de um cronista brasileiro. Dizia ele que, numa conversa corrente, um amigo lhe dava conta detalhadamente de um crime qualquer.
«O mundo está cada vez mais violento», sentenciava.
O cronista discordava.
«Já leste sobre as crueldades da Idade Média? Já estiveste em Auschwitz? O mundo nunca foi tão pouco violento como agora. O homem é que nunca esteve tão bem informado.»
No fundo, caríssimos, é isto: depende tudo da perspectiva. Para quem não esteve numa Gulag e só viveu neste nosso tempo, é fácil pensar que isto agora está muito mau.
Mesmo que já tenha estado bem pior.
Ora vem esta conversa a propósito do futebol português e de uma perspectiva optimista.
O sucesso do último verão, com títulos europeus e finais de competições internacionais, encheu o peito do futebol nacional de orgulho: os protagonistas do jogo estão cada vez mais empertigados e altivos, quase, quase deixando escapar uma certa arrogânciazinha.
Tornou-se banal ouvir treinadores, dirigentes e até comentadores puxar dos galões para perguntar em que actividade é que Portugal tem um sucesso semelhante? Ou para dizer que só no futebol é que o nosso país consegue estar entre os melhores do mundo.
Nesta altura peço licença para dizer: permitam-me discordar.
Mas antes disso deixem-me só contar outra história. Tenho um amigo francês que vem a Portugal com regularidade. Gosta de futebol, é adepto do PSG, pensa mudar-se para cá e recusa ter um clube português porque só consegue gostar do Paris, como lhe chama.
É no fundo um tipo como nós.
No início do último verão veio a Lisboa com outros amigos franceses. Como sempre a conversa foi parar ao futebol e ele sentiu-se na obrigação de avisar os compatriotas.
«Há algo que têm de saber: em Portugal o futebol é a coisa mais importante do mundo.»
Nessa altura dei comigo a pensar que sim, que aquele francês não andava longe da verdade. Damos uma importância ao jogo que provavelmente não damos a mais coisa nenhuma e gostamos de citar pelo menos duas vezes ao dia o inglês Bill Shankly: que o futebol não era uma questão de vida ou de morte, é mais importante do que isso.
Não seguimos, certamente, mais nenhum fenómeno com tanta atenção, não nos irritamos tanto com mais coisa nenhuma, nem nos desgastamos assim com mais nada. Também nada nos tira do sério com tanta facilidade como o futebol: para o bem ou para o mal.
Quantas vezes não condicionamos a nossa vida porque dá este jogo ou aquele programa?
Para nós o futebol é realmente o elemento mais importante do mundo. E é, nesse sentido, injusto compará-lo com qualquer outra coisa.
Quando alguém perguntar em que outra actividade o país tem tanto sucesso internacional, o melhor é responder que faz sentido que seja assim: é no fundo um nexo de causalidade. Afinal de contas, a que outra actividade o país dedica tanto tempo, entusiasmo e carinho?
Por isso, lá está, permitam-me discordar: essa perspectiva está distorcida. Porque a nenhuma outra actividade Portugal dedica tanto de si."

Benfiquismo (CCXLIX)

Um Alverca 0 - 2 Benfica
... para a Taça de Portugal,
em 1985

Eu vou votar em Luís Filipe Vieira

"Sou do Benfica e isso me envaidece. Por isso, vou continuar a querer que o Benfica ganhe sempre e que os nossos rivais percam...

Eu vou votar em Luís Filipe Vieira. Porque nunca, quis concorrer contra ele, ... nunca, sequer, anunciei essa disponibilidade, em tempo algum, ... nunca concorri contra ele, ... e - a não ser que queira que o Benfica jogue de azul ou verde... ou coisa parecida - nunca concorrerei contra ele.
Ele vai continuar Presidente do Benfica, como o é há 13 anos, e eu vou continuar sócio do Benfica, como sou desde que nasci, em 23 de Agosto de 1958, ... há 58 anos.
Como fui até 3 de Julho de 2009, vendo todos os jogos em casa e muitos fora...
Não consigo estar sem ser!
Empenhado e a dar a cara!
Sem medo de dar o peito às bolas, porque como ouvi dizer, ... «se não tens coragem, não adianta ter vontade!»
Há quem consiga estar por estar!
Eu não!
Como não consigo ser como outros, ... eternos defensores de convicções alheias.
Sei da especulação que por ái vai andar, como medito em tudo o que leio (achei tanta graça a um artigo de um tal Redmoon, no 'Novo Geração Benfica')!
Mas, como quem andou na política 30 anos (embora nunca a tenha frequentado, enquanto fui Vice Presidente do Benfica, não me aproveitando, por isso, dessa visibilidade para outros fins), tenho sempre presente uma grande verdade:
«Saber estar a romper a tempo, correr os riscos de adesão e da renúncia, eis a política que vale a pena» (Francisco Sá Carneiro).
E, recorrendo - mais uma vez - ao conforto de outra citação, ainda e também de Francisco Sá Carneiro, nunca me importei de pode dizer:
«Nunca estive tão sozinho e nunca tive tanta certeza de ter razão».
O que nem sequer é o caso, ... e a vida dá tantas voltas...
Sei que nos Dragões Diário, no Comunicação SCP, nas casas de alguns comentadores e até em casas onde era pressuposto isso não acontecer, pelo cartão de sócio que exibem (o que é diferente de ser...), se abrirão garrafas de champanhe.
Mas, porque sou do Benfica, ... e isso me envaidece, ... vou continuar a querer que o Benfica ganhe e eles - os meus e nossos rivais e adversários de sempre - percam.
Mais, se poddível, do que quando por lá andava.
Começando, já, pela concretização do Rumo ao 36!
Porque, nós, os sócios, queremos, e o Presidente, que vai continuar, merece!
Podendo contar comigo para as lutas que valem a pena!
Sem ter lugares, porque só quem não tem convicções precisa de lugares por se bater por aquilo em que acredita!
Como lhe disse, na terça feira passada, numa conversa a sós, que não vou esquecer (e que acabou com um abraço a um grande amigo que, passados estes sete anos, deixo, na Presidência do Sport Lisboa e Benfica)!
O tempo tudo resolve!
E hei-de comemorar o terceiro título de Campeão Europeu do Benfica, daqui a poucos anos, com outro grande abraço, no estádio onde isso se concretizar, a Luís Filipe Vieira!
Ou, porque e como diria Mário Wilson... «O valor ais alto que se levanta chama-se Benfica»."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Dos campeonatos

"Em disputa estava a Taça das caraíbas - e por estranho capricho decerto se colocou no regulamento:
- Jogo ganho no prolongamento através do golo de ouro deve ser qualificado como vitória por 2-0, independentemente do resultado com que ele fechar...
Barbados tinha de vencer Granada por pelo menos dois golos, de outro modo finalista seria Granada. Estava a ganhar por 2-0 - e, aos 87 minutos, Granada reduziu para 2-1. Presumindo que, em três minutos, mais fácil do que ir em busca do 3-1 seria procurar o golo de ouro no prolongamento  - um jogador de Barbados fez, o golo na própria baliza que pôs o placard em 2-2. Claro, logo se percebeu também - que ainda havia outra hipótese. Que se Granada fizesse autogolo - perdendo por 3-2, não lhe escaparia a final de pronto. O que aconteceu, pois? Dois emocionantes minutos em que os 11 jogadores de Barbados se puseram dentro da baliza de Granada a evitarem, em afã, que um granadino pusesse, sorrateiro ou não, a bola na sua própria baliza. Conseguiram-no - e, no prolongamento, também conseguiram o golo de ouro que levou Barbados à final - e, na final, à conquista da Taça.
O caso virou exemplo de como a «esperteza criativa» (sem que o carácter importe...) pode dar a volta à realidade - no futebol ou na vida. Ao ouvir Bruno de Carvalho afirmar que o Sporting não foi 18 vezes campeão nacional, foi 22 (esses quatro seriam os Campeonatos de Portugal de 1922/23, 33/34, 35/36 e 37/38) alguém me diz que é mais uma forma muito dele de «esperteza criativa» - e eu acho que não, que é um absurdo. Ou, então pior: o topete de quem não sabe (ou não quer saber...) que o Campeonato de Portugal (que nunca se fez em poule, sempre se fez a eliminar...) passou em 1938/39 a Taça de Portugal - ano em que o Campeonato da I Liga, mudando-se-lhe a denominação, passou a Campeonato Nacional da I Divisão (andando, depois, por outras denominadas, sem nunca deixar de ser o que é: o campeonato, o único que dá campeões...).

António Simões, in A Bola

Ética e exemplariedade

"Há muito desporto para além do futebol. E deveria haver sempre mais ética para além dos resultados. Se em muitas modalidades tem  havido uma assinalável e irrepreensível atitude de atletas e dirigentes, o futebol tem potenciado, por excesso, balbúrdia e violência verbal. Programas televisivos há que têm contribuído para esta degradante evolução, numa guerra de audiências onde vence a vozearia, a má-educação, a insinuação e a transformação de um qualquer jogo numa guerra.
Promover o sentido ético do futebol não rende, num tempo em que a turba quer contenda e sangue. Atenção, porém: está-se no limiar de consequências imprevisíveis, seguramente com a culpa a morrer solteira.
Sobre ética, há, todavia, uma boa notícia que merece ser enfatizada. Há dias, o Instituto Português do Desporto e Juventude, através do Dr. José Carlos Lima, coordenador do Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED), recebeu em Viena o Prémio Fair-Play SPIRIT Award 2016, atribuído pelo European Fair Play Movement (que representa 42 países).
Foi uma atribuição muito honrosa e responsabilizadora de um trabalho persistente, pedagógico, solidário, estimulante e de despertar de consciência. Já aqui falei, há tempos, na feliz ideia do cartão branco, inédito na Europa. Sei que o PNED vai também avançar com a bandeira da ética como certificação dos clubes sobre boas práticas a nível do fairplay.
Muito mais haveria a dizer sobre o significado deste reconhecimento exemplar. E bom será que o PNED não seja apenas notícia de brevíssimos rodapés ou mesmo não notícia. Consulte-se o sítio www. pned.pt e, talvez, o leitor tenha uma boa e edificante surpresa."

Bagão Félix, in A Bola

Lanças...

Rubén Dias...

André Horta...

Grimaldo vs. Salvio

Nem sépia torna bonito o futebol do Facebook

"Diz-se que a vida das pessoas é muito melhor no Facebook do que fora dele. Se assim for, é precisamente o contrário do futebol.
O futebol do Facebook é mil vezes pior do que o futebol a sério. Não se safa nem com filtro sépia. Ninguém que goste do futebol a sério dá um gosto ao futebol do Facebook. Quanto muito, escolhe aquele bonequinho com a boca aberta. Seja de espanto ou de horror.
Se as pessoas, muitas vezes, maquilham no Facebook os problemas da vida lá fora, o futebol cá de fora deveria maquilhar no terreno os problemas do futebol do Facebook. Mas nem sempre consegue. 
Ainda recentemente passaram-se horas em horário nobre a discutir o que vinha numa página desta rede social. E o tudo inclui a mensagem, a forma, os critérios que podem levar a mesma a excluí-la, o potencial interesse dos autores e acabando no autor em si, que, como se sabe, nunca saiu do campo da suposição.
Da minha parte, peço desculpa, mas o futebol do Facebook pouco (ou nenhum) interesse me desperta.
Na verdade, não peço desculpa. E explico porquê.
Não me lembro de uma jogada de génio do futebol no Facebook. De um corte limpo. De uma saída a jogar perfeita. De um remate ao ângulo. De uma defesa impossível que afinal não o é.
Não me parece que haja um único miúdo na rua que, antes de começar a jogar e enquanto coloca as pedras que fazem de baliza, diga que quer ser aquele senhor que escreveu aquele comunicado brilhante com farpas certeiras no rival ou o outro que respondeu à letra ao roubo descarado de que está a ser alvo. Normalmente querem ser Jonas, Adrien ou André Silva.
O futebol do Facebook nunca me arrancou um arrepio. Uma emoção, sequer. É um monte de letras, escritas a ódio, seja qual for a cor da caneta.
É por isso que não compreendo como o rescaldo pareça despertar ainda mais interesse do que o futebol a sério. Como não entendo que um senhor de gravata possa ser o maior destaque desportivo num jornal. Ou como não entendo que o adepto que cresceu a idolatrar os artistas da relva perca agora tempo com os da secretaria. E já sabem que artista é das palavras portuguesas com duplo sentido, não é?
Juntar 22 jogadores num relvado começa a aparentar ser apenas um pormenor no bolo em que se transformou o futebol português. Um pretexto para que políticos da bola, expressão que acabo de cunhar, tenham espaço para medir intenções, históricos, perspectivas, ângulos de visão, comunicados, número de adeptos, malas, vouchers, apitos. O que for.
Desde que não seja futebol a sério.
Porque no futebol do Facebook há espaço para tudo menos para a estreia do Gelson na selecção, para os hat-tricks do Diogo Jota e do André Silva ou para o crescimento de Grimaldo. É outro futebol. Outro desporto.
Há coisas que nem o golo do Eder consegue mudar."

Guardiola, partidário radical da nossa causa

"O processo está em andamento, imparável. O mundo junta-se a esta causa, as Chuteiras Pretas sacodem a poeira, são engraxadas e voltam a brilhar.
Não há coincidências. Depois de dois números desta rubrica, Pep Guardiola percebeu que não está sozinho. Idealista, sonhador, quiçá o derradeiro moicano do futebol romantizado, o espanhol terá lido o espaço Chuteiras Petras e ganho coragem para tomar uma decisão drástica. E definitiva.
A partir de agora, sentenciou Pep, nenhum jogador das camadas jovens do Manchester City está autorizado a calçar botas coloridas.
O mantra imposto pelo mais fiel seguidor de Johan Cruijff é simples e encontra eco neste cantinho do Maisfutebol: na busca pela excelência desportiva, os jovens executantes devem concentrar-se no futebol e banir todos os adereços potencialmente desviantes.
A notícia foi publicada pelo Manchester Evening News, jornal de forte influência na região, e acolhida com agrado de forma unânime. Para onde Pep vai, vão também as suas ideias. De jogo, naturalmente, mas não só.
Guardiola tem o condão de acreditar no que defende. E de passar com clareza as suas mensagens ao grupo que comanda. Isso é particularmente evidente nesta transição de Munique para Manchester.
Em poucas semanas, o treinador espanhol tinha absoluto controlo sobre o comportamento da equipa. Um ventríloquo, um mestre na arte de manusear marionetas. O que Pep decide, a equipa faz.
Ser um bom treinador é isto. Acreditar num código, levar o plantel a agarrar essas ideias e a partir daí manuseá-lo com arte e rigor. Se nesse código estiver previsto um futebol atraente, ainda melhor.
E, sim, é muito mais difícil trabalhar uma equipa para ser forte na posse de bola, no passe curto, na movimentação constante, do que organizar 11 homens competentes no processo defensivo e nas saídas rápidas para o ataque. Isso até uma boa equipa dos distritais consegue ensaiar em dois treinos semanais.
Pep Guardiola, o melhor treinador do mundo, gosta de Chuteiras Pretas e percebe tudo o que isso significa dentro do complexo laboratório que é um clube profissional de futebol.
É infalível? Felizmente, a modalidade não contempla essa palavra.

PS: Pedrinho (Paços Ferreira), um soldado de botas pretas De duas em duas semanas, este espaço destacará um futebolista profissional que resista ao avanço do mau gosto na escolha das chuteiras. 
Depois de Rafael Assis (D. Chaves), hoje é a vez de elogiar Pedrinho, talentoso médio contratado pelo Paços Ferreira ao Freamunde. Aí está ele, de Chuteiras Pretas na imagem que se segue, descoberto por dois jornalistas do Maisfutebol (Sara Marques e Adérito Esteves) em diferentes estádios da nossa Liga.
Parabéns, Pedrinho!"

Guardiola proíbe internet no Manchester City

"No início desta semana surgiu uma notícia, no mínimo, curiosa, na imprensa internacional. Pep Guardiola, com o intuito de reforçar a comunicação "frente-a-frente" e o espírito de equipa, lançou um conjunto de medidas para promover maior aproximação entre os seus atletas e, para isso, solicitou que em determinadas áreas específicas do clube fosse bloqueado o acesso à internet.
Na realidade, se pararmos um pouco para analisar, a actual população de atletas pertence àquilo que alguns autores (ex: Strauss & Hove, 2000) designam como Geração Milénio. A maioria dos investigadores e demógrafos, identifica esta geração a partir do ano de nascimento de 1980 até 2000 e, por esta razão, uma elevadíssima percentagem dos grandes nomes do desporto, pertencem efectivamente a esta geração.
Sabendo antecipadamente que o desenvolvimento de um atleta não ocorre da mesma forma que um individuo não atleta - muitos autores consideram os atletas mais evoluídos do ponto de vista de competências como resistência à frustração, motivação, capacidade de sacrifício, tomada de decisão, entre outras... Contudo, inversamente menos hábeis em competências sociais ou maturidade emocional - ainda assim, naturalmente que, estando expostos aos mesmos estímulos que outros indivíduos também nascidos dentro desta "geração milénio", acabam por partilhar com eles muitas características.
A propósito deste artigo, iremos debruçar-nos apenas sobre alguns traços desta "geração milénio".
Na realidade, estamos perante uma geração que, comparativamente a todas as outras, mais acesso teve à educação (algo que facilmente se observa quando se anda no terreno, pois enquanto que há mais ou menos 20 anos, e a título de mero exemplo, um atleta no seu último ano de juniores em futebol, se tivesse o 9.º ano de escolaridade seria já um caso de sucesso - hoje em dia, estão muitas vezes a acabar o 12.º ano e a entrar para a Universidade), logo, é mais diferenciada cognitivamente e que, tendo nascido na “era digital”, é claramente mais evoluída em termos tecnológicos, fundamentando, muitas vezes, as suas relações, com recurso a este tipo de ferramentas.
Facebook, Instagram e outros acabam por substituir as histórias que se contam horas a fio numa mesa de café... Messenger, Whatsapp e outros substituem um telefonema ou um encontro pontual para “saber das novidades”.
São, por isso, a geração mais digitalmente conectada mas, curiosamente, também a que se encontra, muitas vezes, emocionalmente menos habilitada e mais isolada.
Ferramentas digitais criam uma “realidade virtual” de que temos muitos “amigos”/conhecidos mas, lentamente (e naturalmente) vão delapidando a nossa confiança em saber estar com o outro e em criar relações de entre-ajuda, cooperação e confiança no outro e, mais grave ainda, vão comprometendo, acima de tudo, a nossa capacidade de Empatizar, atendendo a que as relações se vão estabelecendo com um “espelho” que é um qualquer “ecrã” e não o rosto de uma pessoa.
Ou seja, QI (inteligência cognitiva) a subir e QE (inteligência emocional) a descer!
É que, numa qualquer interação desagradável... o recurso ao “delete” ou ao “unfriend” ou ao “block” resolve o assunto muito mais rapidamente... do que ter que “levar” com um humano que teima em contra-argumentar e só se vai embora quando bem lhe apetecer!
Mas sim, nem tudo é mau e a era digital e as ferramentas em questão Se Bem Utilizadas (e sim, há muitas pessoas que o sabem fazer), podem ser uma fortíssima alavanca de crescimento e diferenciação. O problema reside em que, na maioria das situações, esta não é a realidade e, muito frequentemente, as pessoas acabam por ficar “reféns” da sua “vida digital”.
Mas voltemos ao Guardiola (sim, porque teríamos muito por onde ir, a partir deste tema): afinal, o que pretende este treinador?
É curioso que, num dos relatos acerca deste tema, um dos entrevistados (claramente admirador dos métodos deste treinador) refere-se a uma das estratégias dizendo: “Ele Força-nos a Tomar o Pequeno Almoço e a Almoçar Juntos no clube".
Não, na realidade ele não “força”... da mesma forma que não “pune” ao retirar o acesso à internet em determinadas zonas do centro de estágio.
Na realidade, ele Cria Condições de Treino, para que os Skills que sente que estejam em Défice possam ser trabalhados, elevando-os para um patamar diferente.
O que este treinador faz é, questionando a “ordem natural das coisas” que tem à sua volta, jogar com todos os elementos para fazer o seu grupo melhorar em termos da qualidade das interacções interpessoais e da própria dinâmica de grupo (e, consequentemente, em termos de desempenho!).
É uma realidade: o contexto “lá fora” treina os nossos atletas (ou, já agora, os seus colaboradores... ou, os seus filhos...) num conjunto de skills cognitivos muito importantes. Por isso, fica aqui o seu desafio da semana:
“Aí dentro” (do clube, da empresa, da sua família), o que pode fazer para, à semelhança de Guardiola, potenciar os skills socio-emocionais dos demais?"

Benfiquismo (CCXLVIII)

Vale Vermelho...

Adroher on fire !!!

Riba d'Ave 4 - 8 Benfica

Vitória, apesar dos 4 golos sofridos... num jogo muito atípico, onde o Benfica marcou todas as 'bolas paradas', e o nosso adversário falhou 'todas'!!!!!!! Era bom que fosse sempre assim...!!!
O jogo não teve transmissão televisiva, mas a tal questão dos 4 golos sofridos, não me deixa descansado...

Agora concentração na 2.ª mão da Continental com o Barcelos... e apesar do golo de desvantagem, o segredo para a vitória, está na 'defesa'!!!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Normal...

Benfica 85 - 64 Guimarães
23-14, 19-10, 24-22, 19-18

Regresso normal às vitórias...
Este campeonato vai ser muito desequilibrado, talvez a Oliveirense, o CAB, o Galitos ou o Lusitânia, possam fazer uma ou outra surpresa, mas os 'finalistas' estão encontrados!!!

Entrada com goleada...

Benfica 7 - 1 Azeméis

Elisandro a fazer a diferença logo deste início, mas quando o Bebé 'frangou' (agora até tem graça...!!!), o Benfica 'tremeu' um pouco, permitindo alguns ataques perigosos aos adversários... Mas com o 3-1 antes do intervalo, tudo ficou mais calmo...
Mas o jogo ainda não estava 'fechado', só o 4.º golo a meio da segunda parte 'encerrou' a contenda!!!

Ainda existe muito que melhorar, o entrosamento do Elisandro com os jogadores que estiveram no Mundial, ainda não está no patamar ideal... Mas a equipa já joga claramente para o Pivot brasileiro.
Aliás, um dos factores decisivos da época, será a capacidade dos jogadores adaptarem-se à presença do Elisandro em campo; no no banco; temos que variar, com eficácia, entre jogar em 3:1 ou em 4:0...

Quando recomeça a Liga?

"A UEFA põe e dispõe. Em tudo. Ou quase tudo. Mas, agora é dos calendários que falo. São as datas do defeso do Verão, do defeso pós Pai Natal (e entre as duas, o permanente desassossego que lemos sobre este ou aquele jogador), das semanas de interrupção das competições nacionais, das horas de início de jogos, estranhas ou sujeitas a publicidade compulsiva, como, por exemplo, na Liga Europa, onde se começa 5 minutos depois da hora certa (20 horas).
Desta vez parou-se, para se disputarem partidas de apuramento para o Mundial da Rússia. A nós, depois de um jogo de preparação decisivo contra a poderosa equipa gibraltina, calham-nos dois desafios para igualar ou ultrapassar recordes e conhecer terras distantes. Os andorrenhos, coitados, acabaram com 9 atletas e nós acabámos a ver quantos golos falhávamos, para além dos 6 marcados. As Ilhas Féroe (ou Faroé), pertencestes ao reino da Dinamarca, com 50.000 habitantes lá tentaram, sem êxito, fazer das tripas (do atum e baleia que por lá abundam) coração de vikings de segunda categoria. Tudo muito excitante.
Em particular, os 3 grandes de Portugal fornecem jogadores em jeito de Nações Unidas em viagens de circum-navegação. Quanto ao meu clube, a única preocupação é saber se não vêm directamente para a enfermaria.
Como se não bastasse, vai haver, entrementes, uma não menos emocionante eliminatória da Taça de Portugal, já com os clubes da 1.ª divisão, mas só a jogar com equipas de escalões abaixo (ainda que sempre nos campos destes, o que, como nova regra, é de aplaudir).
Se a memória não me atraiçoa, depois parece que recomeça o campeonato."

Bagão Félix, in A Bola

Os Donos da Bola mataram a bola (ou porque odiamos as segundas-feiras)

"Aconteceu ontem à noite:
O comentador disse que tinha provas do que tinha dito na semana passada – e estava ali para apresentá-las, doesse a quem doesse, em nome da verdade, etcetera. “Não tenho medo”, garantiu ele à jornalista, que atravessou o corredor da TV onde trabalha para perguntar ao outro comentador o que achava ele daquilo tudo.
No caminho, a jornalista falou da “tensão no ar”, que era muita e quase tangível, ao ponto de a estação se ter visto obrigada a pôr os homens em salas opostas em nome da segurança - não fossem eles pegarem-se, subentenda-se.
“Estou aqui, calmo, à espera do que ele tem para me mostrar”, respondeu à repórter.
Um chama-se André Ventura, o outro é Paulo Andrade.
O primeiro tinha para mostrar ao país do futebol e dos portugueses, enfim, ao mundo em geral, que há uma claque que tem por hábito interferir nas AG de um certo e determinado clube. E o segundo iria perguntar ao primeiro porque raio falava ele dos outros clubes (e não do dele), e que isso enquadrava uma clara desobediência às recomendações do seu próprio presidente.
Rame-rame e lenga-lenga entrecortada com dotes de oratória e truques de argumentação, como o de responder com uma pergunta. O acusado passa a acusador.
O que interessava na CMTV fabricar um acontecimento, empolando o áudio do prestador de provas do Benfica e os argumentos do sócio que não fora à AG do Sporting porque um familiar seu fizera anos.
O canal deu tudo - e não desiludiu.
Mas não foi o único.
Noutro lado, à mesma hora, na TVi24, José de Pina tapou a cara com um tecido branco, porque Vieira tinha amordaçado os comentadores do Benfica – e todos sabemos que Pedro Guerra é um deles. Mas Pina, adepto do humor físico, também pôs um boneco do pinóquio à frente do portátil e, sempre que lhe cheirava a mentira, fez soar um alerta igual ao que se ouve quando o concorrente dá uma resposta errada nos concursos da TV. Chamou-lhe simplesmente “Alerta Pinóquio.”
E Pedro Guerra chegou a falar dos pais de Pina (que não o tinham educado para aquilo), do “mentiroso” Bruno de Carvalho, e do bom nome do Benfica. De Manuel Serrão, pouco, porque o que está a dar é o Pina e o Guerra.
Também à mesma hora, na SIC Notícias, discutiu-se o Facebook do Sporting, a candidatura de Vieira e a lealdade dos comentadores a Vieira, a comunicação dos clubes, e por aí fora. Um bocadinho mais sóbrio do que os outros, talvez pela natureza dos próprios intervenientes, mas com os mesmos conteúdos, como se não houvesse outros sobre que falar.
Mas havia.
Portugal tinha vencido as Ilhas Faroé por 6-0, André Silva marcara três, João Cancelo chegara ao terceiro em três jogos, Ronaldo abichara mais um recorde, Gelson partira dois pares de rins e até João Moutinho fizera um golo-de-fino-recorte-técnico, como diziam os antigos. E é a esses tempos antigos que podíamos voltar, a lugares saudáveis e higiénicos como o Domingo Desportivo, que nos ensinou a gostar de bola. Deixámos de gostar dela, salvo erro, quando apareceu o programa Os Donos da Bola.
Hoje, quando lhe perguntarem porque odeia as segundas-feiras, responda-lhes que não se aprende nada à segunda-feira."

Benfiquismo (CCXLVII)

O trio maravilha...!!!

PS: Sim, a Taça do 'meio', também é oficial:

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Grande líder ou talvez não

"O problema de BdC é ver aproximar-se o quadro eleitoral sem conquista desportiva relevante para apresentar ao fim de quatro anos de mandato.

O 'jogo falado' não é um factor de perturbação do jogo jogado. Pelo contrário, contribui para a valorização do espectáculo, através da análise, do comentário e do debate. Foi assim no passado, é assim no presente e será assim no futuro. As dúvidas que se têm levantado dirigem-se mais ao estilo do discurso e à linguagem utilizada, talvez resultado de inovadoras e agressivas estratégias de comunicação, admite-se que eficazes e com objectivos precisos, embora difíceis de avaliar para o cidadão comum. Além de, nesta conflitualidade clubista, pairar o perigo do mau recurso às redes sociais, transformando-as em vazadouro de insultos, ódios e invejas, uma prática condenável, mas respaldada no anonimato e em páginas ditas oficiais que ora deixam de o ser, ora aparecem, ora desaparecem.
O problema não reside, pois, no futebol, mas sim nas pessoas e nas atitudes que elas tomam, devendo acentuar-se que nenhuma mal virá ao mundo se não for ultrapassada a fronteira da razoabilidade e, sobretudo, de respeito pelo próximo como se impõe em sociedade civilizada.
Acredito ter sido em obediência a este princípio basilar que Luís Filipe Vieira não só apelou ao silêncio como pediu aos benfiquistas para falarem dos problemas do seu clube e se absterem de referâncias a outros emblemas, no caso particular o Sporting. Disse mais: «Servimos e vivemos o Benfica e não vivemos os outros. Respeitamos os outros, mas vivemos o nosso Benfica».
Em qualquer país do mundo moderno esta posição do presidente benfiquista, além de oportuna e até pedagógica, teria sido aplaudida, com o desejo de captar seguidores em outros clubes. No entanto, para mal dos nossos pecados, a reacção foi precisamente a oposta da que seria expectável, entre gente de bem: não a que grita, mas a que, embora com a liberdade de discordar, patrocina o consenso.

Em concreto, o presidente leonino não só não bateu palmas, nem tinha de bater, obviamente, como se aproveitou do apelo do homólogo benfiquista para emitir uma resposta que em nada ajuda ao desanuviamento do ambiente de tensão que se pretende eliminar. «Quando se tem uma liderança séria, se é respeitado e se trabalha com uma equipa leal e coesa não é preciso fazer apelos», disse.
Adivinhando-se que a situação não vai dar sinais de melhoria, por uma questão de personalidade do próprio líder leonino e, principalmente, por ver aproximar-se o quadro eleitoral sem nenhuma conquista desportiva relevante para apresentar ao fim de quatro anos de mandato, o mais prudente seria fazer o que pode Vieira: cada um trata de si, sem ligar ao que se passa em casa do vizinho. A sugestão é sensata e poderia funcionar como ponto de partida para um novo ciclo, de coabitação pacífica, mas o problema não se resolve quando as pessoas rejeitam o diálogo e preferem a confrontação permanente, a propósito de tudo e de nada. Aliás, ajudando as memórias mais débeis, deve recordar-se que o primeiro alvo do líder leonino foi o FC Porto e o seu presidente, ao qual chegou a referir-se de uma forma, julgo, por todos considerada reprovável. Insistiu e, não obtendo resposta, virou as baterias para o outro lado da Segunda Circular, pela razão simples de se localizar lá o elo mais forte e não a norte, como imaginou de início.

Para não subsistirem dúvidas, convém esclarecer que uma coisa é a história e a grandeza da instituição Sporting, outra, incomparavelmente diferente, a política seguida pelo seu líder, o qual terá feito promessas demasiadas sem possibilidade de as cumprir. Por outra lado, os adeptos dos grandes clubes, e não só, já aprenderem que a seguir a um colapso desportivo se inventam, geralmente, manobras de diversão para se desviar a atenção dos adeptos daquilo que não interessa a quem manda; ou será que ainda haverá alguém sem se dar conta que esta poeirada surgiu na sequência do inesperado empate em Guimarães, da forma como ocorreu, e da alteração que provocou na tabela, com o pujante Sporting, como tem sido rotulado, igual em pontos ao problemático FC Porto, a recuperar a sua identidade, e três abaixo do Benfica, que lidera, apesar da grave crise de leões que o tem prejudicado?

Mesmo sem Jonas, sem Jiménez, sem Mitrolgou e sem Rafa, que chegaram a estar incapacitados em simultâneo, desde o começo da temporada, mesmo em condições tão adversas, a verdade é que Rui Vitória não vacilou e Nuno Espírito Santo, cercado por críticas ao seu trabalho, regularmentarmente, está em segundo.
É aqui, e só aqui, que se localiza a dor de cabeça do líder leonino. Dor que não consegue controlar e para a qual só existe um remédio: ser o melhor no campo em vez de querer sê-lo fora dele. Para ser o melhor em campo se calhar tem de incomodar menos o treinador, porque considerar-se o culpado pelo resultado em Guimarães em nome de uma grande liderança pessoal, enfim, dá para sorrir... A não ser que, sendo um presidente de banco se dê o caso de não resistir à tentação de emitir palpites... Atrevimento que, garantidamente, Jorge Jesus não permitiria."

Fernando Guerra, in A Bola

Não insistam! O «Buda» não morre!

"Podem dizer que o Mário Wilson não voltará do mundo para onde partiu, mas a gente não acredita. À sua maneira foi eterno. Tranquilo, calmo, pacífico como um oceano.

Eu sei, eu sei. Dizem: morreu Mário Wilson. E a gente não acredita porque pensávamos que Mário Wilson era eterno, assim uma espécie de avô de nós todos, calmo, pacifico, tranquilo. O mundo a seus pés.
Chamaram-lhe, um doa, o Buda. Pela barriga, pela forma arrastada de falar, pela certeza de cada frase. Que frase» Mário Wilson falava sentenças, não frases. Era correcto e amigo, conselheiro e bondoso. Houve gente menor que lhe quis fazer guerras imundas e ele ficou lá no alto, sobre os insultos - uns vergonhosamente racistas, como os de José Maria Pedroto que fez sempre questão em ser seu inimigo, como se o «Velho Capitão» pudesse ter inimigos.
Um dia chegou ao Benfica, depois de ter sido treinador de uma equipa da Académica, formada por jogadores/estudantes, que tanto treinavam como andavam na incontornável farra coimbrã, e que mesmo assim foi segunda classificada do campeonato, e disse. «Aqui qualquer um se arrisca a ser campeão». Ele foi campeão. De Portugal uma só vez, maldita seja a ironia. Da vida, foi sempre campeão. Até na morte.
Todos terão uma palavra a dizer sobre Mário Wilson. Ele mexeu com toda a gente que vive do futebol e em redor do futebol nem que seja por uma frase, por um gesto, por algo que não sabemos ao certo explicar o que é mais fica cá dentro, bem no fundo, naquele lugar dos momentos eternos.
Falem de saudade, mas a saudade é pouco. O «Velho Capitão», com a sua alcunha que ressoa a livros de Robert Louis Stevenson, era único. Único na sua forma de estar, na sua forma de ser para quem o rodeava, pela forma de reagir às circunstâncias. O Benfica contou sempre com ele. Chamaram-lhe também o «Bombeiro». Estava pronto, disposto. A cada aflição de treinador que saía, Mário Wilson trazia a calma de uma serenidade intrínseca. Resolvia problemas, ouvia os outros, ia sendo ele mesmo na voragem dos dias que atropelam a simplicidade dos seres humanos.

Foi para cada um de nós cada um de si
Quando chegou a Lisboa vinha para o Sporting. Deram-lhe o lugar de Peyroteo, esse marcador faminto de golos que decidira afastar-se por falta de dinheiro, mas não era fácil tomar o lugar de uma lenda. Foi campeão, ponta-de-lança meio esquecido pelos anos que passaram entretanto, mas aquele não era, definitivamente, o seu lugar. Instalou-se em Coimbra. A Lusa Atenas era perfeita para o crescer das suas filosofias. Ganhou espaço, ganhou tempo, ganhou uma personalidade sem comparação. O «Velho Capitão» - foi assim que o conheceram. Entrava nos cafés, esses centros conimbricenses de teoria do jogo inventado pelos ingleses, e todos o respeitavam. Mário Wilson era Mário Wilson e ponto final.
A velhice trouxe-lhe uma aura que não é possível definir. Todos o víamos como um amigo, como um parente sábio, como alguém que, de uma forma ou de outra, fazia parte das nossas vidas. Dizem que ele morreu, neste dia 3 de Outubro de 2016, a poucos dias de cumprir 88 anos. Dizem, mas a gente não acredita. O «Buda» não morre! É inteiro na sua presença infinita. Tentaremos lembrá.lo e também não será possível. Cada um o lembrará à sua maneira. Por que ele foi para cada um de nós cada um de si."

Afonso de Melo, in O Benfica

Superstição com barbas

"A história dos pelos faciais que venceram o histórico rival e que se tornaram 'um óptimo talismã para os jogos decisivos'.

Foi ao balneário do Estádio da Luz que Roland Oliveira fotografou três jogadores do Sport Lisboa e Benfica no momento em que se barbeavam: Era domingo, dia 10 de Abril de 1960. O Benfica acabara de disputar a 24.ª jornada do Campeonato Nacional, frente ao Sporting. Cavém, Mário João e Neto foram os protagonistas e o momento, esse, não era o dum barbear qualquer.
Dias antes, intrigados pela 'barba (...) exageradamente crescida para um jogador da bola' que os três futebolistas apresentavam, os jornalistas questionaram: 'Doença de pele?', 'Não havia dinheiro para as lâminas'? Cavém explicou:
'É cá uma promessa. (,,,)
- E você Mário João?
- Desculpe mas não posso responder.
- Será uma questão de fé?
A sorrir retorquiu:
- Talvez...'.
Tudo começou em Viana do Castelo, após o jogo da 1.ª mão dos oitavos de final da Taça de Portugal, a 27 de Março. Foi aí que Cavém fez a barba pela última vez, dizendo que não voltaria 'a barbear-se antes de realizado o encontro com o Sporting'. Segundo explicou, 'tinha sonhado que se deixasse crescer a barba, ganhava o desafio. Os colegas imitaram-no, simplesmente'. Estava 'reunida a trindade benfiquista dos barbudos'!
Ontem, inicialmente, não gostou da ideia foi o treinador. Segundo Mário João, 'Béla Guttmann não gostava muito que os jogadores usassem barba. Mas quando lhe explicámos do que se tratava, aceitou. Era muito surpresticioso! A partir daí, passou a zelar por elas', E recorda ainda: 'A barba incomodava-me a dormir por isso, um dia, depois de um treino, decidi fazê-la. Béla Guttmann, ao ver-me de lâmina na mão, começou aos gritos e proibiu-me terminantemente'.
Eis que chegou o tão ansiado Benfica-Sporting. 'De automóveis, de autocarro, de eléctrico, de bicicleta, a pé...', quarenta mil pessoas rumaram ao Estádio da Luz para assistir ao dérbi. No final, a vitória foi 'encarnada' e 'abraçados (os três jogadores) exclamavam:
« -Já podemos fazer a barba!
- Deu sorte, viram?»'
A superstição de Cavém revelou-se auspiciosa e as suas barbas 'passaram a ser um óptimo talismã para os jogos decisivos'. De face barbada venceu o Barcelona e o Real Madrid e tornou-se bicampeão europeu.
Até 15 de Outubro, pode ver esta e outras fotografias na exposição Ronald Oliveira, na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Benfiquismo (CCXLVI)

Começa esta semana a caminhada para o Jamor...
Inauguração 1944

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

As contas do Benfica Clube

"Na (...) a estrutura do Sport Lisboa e Benfica (clube), vista pela perspectiva de consolidação do Clube, e não da SAD. Ora, isto não tem nada que saber! O Sport Lisboa e Benfica detém 50,01% da Benfica Multimédia, 98% da Benfica Seguros, 99,99% da Benfica SGPS, sendo que a Benfica SGPS possui 23,65% da Benfica SAD, o clube detém ainda 50% da Clínica Benfica, sendo os outros 50% detidos pela Benfica SAD. O clube possui também 100% da Benfica parque e 57,14 da Benfica Rugby.
Por sua vez, a Benfica SAD detém 100% da Benfica Estádio, 100% da Benfica TV, 1,27 da Benfica Seguros e 0,01% da Benfica Multimédia.
Portanto, está aqui tudo. No Sporting, como veremos a seu tempo, não está!
Mas continuemos com o Universo Benfica.
Na pág. 54 do relatório e contas 2015/16 aprovado por maioria no passado dia 20/09/2016, escreveu-se o seguinte:
«Os resultados da actividade isolada do Sport Lisboa e Benfica, isto é, excluindo os efeitos da incorporação dos resultados das participadas do Clube através do Método de Equivalência Patrimonial, registaram pelo sétimo ano consecutivo resultados positivos de 5,6 milhões de euros, sendo também de salientar o facto de os resultados da actividade operacional individual do Clube serem também positivos pelo décimo ano consecutivo».

Ou seja, o Benfica Clube individualmente - o que significa que existe um Benfica Clube consolidado - tanto faz que seja pelo método da incorporação de resultados das participadas, como por outro método qualquer, inclusive um que eu cá sei, que é tudo consolidação, teve lucros!
Toda esta lógica de bons resultados do grupo Benfica é também visível se virarmos a nossa análise para os rendimentos operacionais do Benfica Clube, exactamente como os reproduzimos na (...).

Existe uma fonte de receita fundamental - as quotizações dos sócios, e mais quatro fontes de receitas principais - merchandising, publicidade/patrocínios, inscrições e royalties.
Este artigo vai continuar com a análise do passivo, cujo valor é quase todo contabilístico, como se verá. Explicaremos essa situação de forma detalhada no próximo artigo.
Tomei agora conhecimento do falecimento de Mário Wilson. Como já escrevi em outros artigos, as únicas certezas que existem na vida são a morte e os impostos. A diferença é que a nossa mente e o nosso coração eternizam e guardam o que de melhor acontece na vida. Pessoas existem que ficarão para sempre guardadas num espaço especial, que morre connosco, mas que parece ficar para sempre no Universo. Talvez o facto de ter sido jogador e treinador dos estudantes de Coimbra, num momento em que tudo tinha nível, tenha tornado este homem numa lenda de Velho Capitão, pacato, brincalhão, mas responsável, sem ferir ninguém,
Descansa em paz, Mário Wilson."
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

PS: Quem quiser conhecer a estrutura do Activo do Benfica (clube), leia este excelente artigo do Benfica Eagle, no NGB... mais um excelente artigo!