Últimas indefectivações

sábado, 24 de março de 2018

Curta

Benfica 3 - 2 Corruptos

Vantagem curta para o jogo da 2.ª mão, depois de 4 'bolas paradas' desperdiçadas (3 Livres Directos; e 1 penalty)!
Fizemos uma boa 1.ª parte, mas o 2.º tempo foi fraquinho...

Presidente na Terceira

A mente sã já não é mais aquela coisa

"O IPDJ é o organismo estatal incumbido de velar pela aplicação daquele preceito imorredouro – "uma mente sã num corpo são". Num extravasamento das suas funções, o dito IPDJ condenou o playboy automobilístico Fernando Madureira a uma sanção que o interditou de frequentar recintos desportivos por um período de seis meses sem que houvesse mês algum em que Fernando Madureira não fosse visto a frequentar todo o tipo de recintos desportivo. A sua presença, ainda que interdita, foi providencial para que se evitasse uma catástrofe no Estoril quando antecipou o colapso, previsto para o ano de 2098, de uma bancada de betão. Veio agora o Tribunal de Pequena Instância do Porto dar razão ao esperável recurso de Madureira.
Ao IPDJ deu-lhe para gostar de poder castigar o presidente da claque do FC Porto a propósito de um cântico desgraçado sobre a tragédia da Chapecoense contendo uma referência vocal igualmente infeliz para o emblema de um rival. Também não deixa de ser verdade que não faltam cânticos desgraçados e de todas as cores nos nossos recintos o que só vem provar que a "mente sã" é já um atributo de minorias enfezadas. Faça-se, então, a justiça de reconhecer que nem o IPDJ, nem Madureira, nem o Tribunal do Porto podem vir a ser acusados de comportamento errático neste transe. Cumpriram-se as respectivas vocações. Errático, de facto, acaba por ser o comportamento do Porto, o clube de Madureira.
No instante do flagrante musical, o FCP correu oficialmente a "demarcar-se" da cantoria em causa apelando à claque para "que o apoio se mantenha dentro dos limites do bom senso". No recente instante da absolvição judicial apressou-se oficialmente o mesmo FCP a festejar a derrota civil de quem "se rege" pela "perseguição ao FC Porto e às figuras a ele directa ou indirectamente associadas", referindo-se à Mouraria em peso, obviamente. E é nisto que estamos.
O presidente do Benfica anunciou a redução de 100 milhões de euros no passivo do clube. Não andasse o Benfica a oferecer bilhetinhos – 2 milhões de euros espatifados com borlistas, alertou Domingos Soares de Oliveira! – e poderia reduzir o seu passivo em 102, 104 ou mesmo 106 milhões de euros, quem sabe há quantos anos esta pedinchice dura? Já o vizinho Sporting vai gastar a mesma verba – 2 milhões – com a intratável Doyen, decidiu o tribunal. Vale-lhe, ao Sporting, não haver borlas em Alvalade. O dinheiro está disponível. Isto é fazer bem contas.
O anúncio da redução do passivo, o espírito fraternal de Jonas, a homenagem a Nené, as palavras da capitã da equipa de futsal foram momentos altos da festa de aniversário do Benfica. Mas o que terá causado maior euforia entre os adeptos foi o momento em que ficaram a saber que o Rúben Dias tem um irmão mais novo, igualzinho a ele e que também é defesa-central. É que o mais velho para além de estar lesionado já está no "radar do Arsenal", garante a comunicação social. É tudo tão rápido."

Os educadores das cabeças para cima

"A maioria dos políticos portugueses que falam e legislam sobre educação física e desporto não suspeita, sequer, da sua própria ignorância.

Nunca consegui perceber por que razão a classe política portuguesa entende que o tema da educação física e do desporto deve ser entregue a gente que não suspeita, sequer, da sua própria ignorância. É um insondável mistério. Talvez que, no seu todo, a classe política ache, de facto, o assunto inevitável, mas entediante. Tem uma suave consciência de que é politicamente correcto dizer-se que o desporto faz bem à saúde, coisa que o próprio desporto, divertido, se encarrega de colocar em dúvida e, no alto rendimento, até mesmo de desmentir. Porém, intimamente, acha que a vida devia ser exactamente como o Eça a propunha na sua visão mais sonhadora: viver numa quinta com as traseiras para o Chiado, para ter sempre ao pé a salvação de um refúgio na comodidade da civilização urbana.
Recentemente, a comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República reuniu-se para discutir a recorrente questão de saber se deve, ou não, a educação física contar para nota, ou seja, deve ou não a disciplina ser valorizada para contar para a média final do secundário e para acesso ao ensino superior. Não há consenso sobre a matéria, mas há uma indicação de que sim, a educação física deve voltar a ter uma existência formal.
Curiosamente, aqui, o regime manifesta-se plural. O Bloco de Esquerda apresentará uma proposta com essa conclusão, o PC apoia e o CDS também. No meio fica o PS, que sobre esta matéria nunca soube verdadeiramente o que pensar e o que fazer, e o PSD, que está disposto a votar contra.
O alarme não surge, porém, desta particularidade fascinante da criação de uma nova e mais curiosa geringonça para aprovar a maioridade da educação física nas escolas secundárias. Vem da inqualificável argumentação de quem se propõe aprovar e de que se propõe rejeitar.
Por simples pudor prefiro não referir os nomes dos deputados que foram escolhidos pelos seus partidos para penosamente afirmarem o seu desconhecimento, a sua total ignorância sobre o assunto que pretendem legislar.
Vejamos o que nos dia o PSD na explicação do seu anunciado voto contra: diz, pela voz do deputado eleito para dar uma explicação pública, que a educação física «é fundamental, quer para o crescimento físico quer intelectual dos nossos alunos». Bom, mas sendo fundamental, o que pode então levar o PSD a votar contra? O senhor deputado dá uma explicação piedosa: porque «há um conjunto de alunos que na prática não valoriza a disciplina de educação física». O leitor pode pensar que estamos a brincar com assunto sério, mas infelizmente não estamos.
E por que razão o CDS é a favor? Bom, a argumentação consegue suplantar o do representante do PSD em delírio e ignorância. Diz a senhora deputada do CDS que «percebemos e subscrevemos o princípio de que a escola não pode educar apenas da cabeça para cima». Daí, dizemos nós em conclusão legítima, deve passar a educar também da cabeça para baixo.
Admite-se, assim, o ser humano com a complexidade de um pequeno prédio com rés-do-chão e primeiro andar. No piso de cima, a cabeça, suponho que numa única assoalhada; no piso de baixo o corpo, os bracinhos, as perninhas, em assoalhadas mais numerosos. A cabeça e o corpo são, pois, vizinhos. O que se pretende é que se deem bem e que saibam, em conjunto, cuidar do prédio em favor do senhorio que é cada um de nós.
O que ouvimos e lemos é alarmante. A decisão final aponta para uma proposta correcta, mas, pelo que se vê, por mero acaso político. Mas falta compreender e por isso ficará a faltar o essencial: revolucionar a disciplina de educação física, numa perspectiva de adequando conhecimento científico.

A discussão e o unanimismo
É positiva a iniciativa do Sporting de discutir o futuro do futebol, convidando gente qualificada. Faz mal, o Sporting em sujeitar um evento tão importante para o futebol português à dimensão de feita de aldeia. O acontecimento merecia mais e teria mais, não fora a desastrada política interna de comunicação que afasta e agride o livre pensamento e os livres pensadores. É que não faz sentido exigir o unanimismo bruniano e, depois, gastar esforço e dinheiro na pluralidade. Como se o Sporting fosse o todo e não fosse a parte.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Benfiquismo (DCCLXXXVI)

O Costa !!!

Uma Semana do Melhor... Guimarães!

Jogo Limpo... Gala e inimputáveis !!!

Indiferença à miopia inimiga

"Contra o Feirense notou-se a determinação de jogadores e técnicos do Benfica na luta pelo título.

O Benfica venceu, no passado sábado, em Santa Maria da Feira, um jogo de sentido único, em que o resultado poderia ter sido mais dilatado. Não foi uma exibição de luxo, mas tal nunca poderia acontecer naquele sucedâneo de campo de futebol. Ganhar era o fundamental, rumo ao objectivo, e foi conseguido. Ganhámos bem, de forma inteiramente justa, ultrapassado mais uma dificuldade. O Benfica está na luta pelo título, nota-se a determinação de jogadores e técnicos na sua conquista.
Esta semana, na passada quarta-feira, assistimos, no Coliseu, à Gala do Benfica. Até ao fim da época, queremos assistir dentro de campo a um Benfica de gala. Terá de ser assim, para cumprir a vontade de técnicos, jogadores e adeptos. Foi uma gala bonita, pontuada por várias distinções, merecidas e justificadas, que foram da Marlene Sousa do hóquei feminino ao Jonas do Futebol, do treinador Rui Vitória à Inês Fernandes do futsal, que pontuou o Coliseu com um excelente discurso à Benfica, entre tantos outros para quem vive e sente o clube. Momento marcante foi reservado para um dos meus primeiros heróis de infância, o homenagem a Nené. Tamagnini Baptista fez, golo a golo, nos mais de 500 que marcou com o manto sagrado, parte das alegrias da minha juventude. Dez títulos de campeão nacional e sete Taças de Portugal são números impressionantes, e foi muito justa a homenagem prestada a um nome maior da nossa história. Quando apontamos a novos voos, novos títulos e novos recordes é bom ter o farol de quem no passado conseguiu feitos brilhantes.
A paragem para jogos das selecções parece vir em boa altura para o líder do campeonato, seja pela evidente quebra de qualidade nas exibições, seja pelo tempo para recuperar lesionados, seja pela capacidade de distrair guarda-redes adversários na hora de repor a bola em jogo. Nesta fase, mais do que nunca, o Benfica tem de estar focado em si próprio, nas suas capacidades e no seu caminho. Concentrados no rumo, alheios ao ruído, indiferentes à miopia inimiga. A nossa dimensão a isso indica, a nossa história de 114 anos de glória e isso obriga, a vida de Cosme Damião e todos os que lhe sucederam no trabalho de inventar o Benfica a isso nos inspira."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 23 de março de 2018

Hoje, vencemos !!!

Illiabum 86 - 101 Benfica
16-18, 22-30, 24-27, 24-26

Pois, hoje já deu para vencer...!!!
Os Triplos deles não 'entraram' todos, nós tivemos uma percentagem de Triplos melhor... e ganhámos! Mesmo assim defensivamente, podemos e devemos fazer mais...

Nesta 1.ª jornada, da 2.ª fase, a vitória da Oliveirense no antro Corrupto, vem reforçar a ideia de que será a Oliveirense o nosso grande adversário...!!!

Delgada ironia

"José Manuel Delgado, no jornal A Bola, destacou, e bem, o Illiabum, vencedor da Taça de Portugal de basquetebol. Irónica foi, creio que inadvertidamente, a sua observação final: 'O Benfica deverá fazer uma análise profunda quanto à relação custo-benefício, no basquetebol e não só'. Ou seja, o director-adjunto de A Bola, que até há poucos anos se alardeava de ser o 'jornal de todos os desportos' e cujo canal de televisão transmitiu a final a oito da referida competição, recomenda-nos que (por perdemos uma taça!??!) repensemos o investimento 'no basquetebol e não só'.
Convém referir que o basquetebol, na última década, é a modalidade de pavilhão que mais retorno desportivo deu ao clube (30 das 44 provas disputadas, incluindo sete, possivelmente oito, Campeonatos Nacionais). Mas, mais do que reconhecer o sucesso desportivo, importa aquilatar a vontade dos sócios do SLB, e esta é soberana e inequivocamente favorável ao forte investimento extrafutebol. Assim o têm dito as votações esmagadoras em Luís Filipe Vieira, cuja visão de clube se opõe àquela redutora dos futeboleiros, assim como a recusa determinada dos sócios, há cerca de quinze anos em Assembleia-Geral, num tempo de míngua de títulos generalizada, especialmente no futebol, da proposta de Manuel Vilarinho que visava o desinvestimento total nas ditas 'amadoras'. Já para não referir os diversos benefícios dessa aposta, o respeito pela tradição e história do clube e até os seus estatutos...
Ou então percebi mal e o que o Delgado nos sugeriu, julgando o Benfica no lado errado da Segunda Circular, é a aposta desenfreada e irresponsável para tudo tentarmos ganhar no imediato, porventura hipotecando o futuro..."

João Tomaz, in O Benfica

Pausa higiénica

"Há quem diga que esta pausa no campeonato vem mesmo a calhar. Discordo, mas não vou amuar nem fazer birra se pensarem de maneira diferente. Discordo porque esta equipa de futebol do SL Benfica só está bem a jogar. É no campo que temos marcado todas as diferenças e ainda não estamos no primeiro lugar porque, além da existência de outras equipas, temos sempre de enfrentar as dualidades de critérios, os adiamentos forjados e os favores a conselheiros matrimoniais. Com lesões ou castigos, superámos sempre as adversidades. Surgiram novos jogadores a mostrar o seu valor e recuperámos outros que andavam apagados. É assim que se constrói uma equipa: nas dificuldades e com um espírito de união que não se compra.
Vejam as imagens das celebrações dos golos pelos nossos suplentes em Santa Maria da Feira, Paços de Ferreira ou Portimão. Aquilo não é a fingir, não é para as câmaras de televisão apanharem. Aquilo é ao que sabe a vitória nas papilas emocionais de campeões, bicampeões, tricampeões e tetracampeões. Este é o único caminho que conhecemos, o do jogo a jogo.
Aqueles homens estão imunes à mentira quem vem dos mentirosos, à corrupção que vem dos corruptos e aos desejos da derrota que nos chegam dos eternamente derrotados. Só assim chegamos ao Penta. Só juntos e imunes, jogadores, treinadores e adeptos. Percebem agora por que razão sou contra esta pausa? Isto só favorece quem está fora de ritmo. Nós estamos no ritmo certo."

Ricardo Santos, in O Benfica

Quinze dias a bocejar

"Não há maior aborrecimento do que estas pausas no campeonato. À excepção, talvez das exasperantes filas na Loja do Cidadão. Entre uma e outra, é difícil, optar pela delonga mais enfadonha. Sobreviver duas semanas sem o Jonas ou ser forçado a chegar ao nível 400 do Candy Crush enquanto aguardamos que chegue a vez do ticket 458? Complicado, bem sei. Ainda assim, creio que os interregnos no campeonato são mais beneméritos deste indesejado epíteto, uma vez que a tediosa espera para renovar o Cartão de Cidadão não interfere com o calendário do Benfica. Não havendo outra solução, que remédio tenho eu a não ser resignar-me. É uma dor bem profunda, estar 15 dias privado daquele friozinho na barriga que se manifesta intensamente 24 horas antes do jogo, mas pelo menos há uma ligeira atenuante: continua a haver futebol. Torna-se, portanto, menos agoniante preencher este vazio. Venham daí, então, as selecções. Portugal está recheado de talento e estou certo de que será bem representado no Campeonato do Mundo.
Na antecâmara da Copa, estes particulares serão uma oportunidade para perceber que jogadores poderão cravar o seu nome na convocatória final. Algumas dúvidas poderão ficar parcialmente desfeitas. Cada adepto tem as suas preferências, mas devemos respeitar qualquer decisão. O futebol português será, certamente, honrado com dignidade. Como tal, não irei perder pitada dos próximos compromissos internacionais. Vou estar pregado ao ecrã a assistir às actuações da Sérvia, da Suíça e do México, absolutamente convicto de que Zivkovic, Seferovic e Raúl Jiménez não deixarão ficar mal vista a Liga Portuguesa."

Pedro Soares, in O Benfica

Berrem mais

"O futebol português está a tornar-se um lugar irrespirável. Tudo começou com o alimentar de uma guerra norte-sul que só servia as ambições de poder de alguns. Depois veio o Apito Dourado, quando para ganhar valia tudo, desde receber árbitros em casa nas vésperas de jogos, até espancar jornalistas não-alinhados.
Quando as coisas pareciam acalmar, chegou à presidência do nosso rival lisboeta um guerrilheiro lunático e mimado, para quem o caminho do sucesso passa por insultar o Benfica e os benfiquistas. Sucesso não alcançou, mas o resto não tem faltado.
Como se não bastasse, apareceu um sinistro director de comunicação mais a norte, com uma antiga e irrefreável azia anti-benfiquista, a atacar-nos por todos os meios - mesmo se criminosos, como a sistemática divulgação de correspondência privada, roubada sabe-se lá por quem. Tudo isto encontrou um caldo mediático no qual as televisões se digladiam por uma migalha de audiência, perdendo o rigor e a compostura; e um caldo de justiça em que o Ministério Público investiga com inusitado zelo tudo o que aparece nos jornais, como o inqualificável “caso” Centeno evidenciou.
Não tenho grandes esperanças de que as coisas venham a melhorar, sobretudo enquanto o Benfica continuar a vencer. Título a título, tem sido uma tradição (Estoril, túnel, colinho, vouchers e agora mails). Quatro títulos seguidos, o barulho aumenta. Pouco importa. O que nos seduz e apaixona passa-se dentro do campo. Aí, ganhámos 0-2, estamos a dois pontos da liderança, e só dependemos de nós para chegar ao “Penta”.
De resto, podem continuar a berrar que nós já nem ouvimos."

Luís Fialho, in O Benfica

Gala das Quinas?

"A III Gala das Quinas tinha tudo para ser uma grande acontecimento. João Tralhão foi, justamente, eleito o Treinador da Formação. Leonardo Jardim foi o Treinador do Ano. Nada me move contra o treinador do Mónaco, cuja competência é conhecida. Rui Vitória estava nomeado e seria, naturalmente, o vencedor, uma vez que na época 2016/17 conquistou três das quatro provas internas - Campeonato, Supertaça e Taça de Portugal. A nível europeu, passou a Fase de Grupos da Champions e na época anterior, em que conquistara o primeiro Campeonato, atingiu os quartos-de-final. O pior que pode haver na vida é a injustiça. A pergunta que deixo é esta: o que precisa de conquistar Rui Vitória para a FPF o reconhecer?
Mas as injustiças não se ficaram por aqui. Na eleição do onze do ano, apenas três jogadores do Campeão Nacional - Nélson Semedo, Pizzi e Jonas. O FC Porto e o Sporting meteram quatro jogadores cada um. Aqui, as perguntas são várias: E Luisão? E Lindelof? E Grimaldo? E Fejsa? E Salvio? E Cervi? E Mitrolgou? Ou Raúl Jiménez, esse matador que resolve jogos e tem sido decisivo na conquista de títulos?
Perguntei a quem de direito quais foram os critérios para ser escolhido quem vence a Liga Francesa e não quem conquistou a Liga Portuguesa. A resposta que obtive foi extraordinária - a votação do Treinador do Ano resultou dos votos de todos os treinadores e do público! Quanto ao onze, foi-me explicado que a responsabilidade foi do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. Ou seja, para que Rui Vitória seja eleito Treinador do Ano pela FPF e os jogadores do SL Benfica integrem em maioria o onze, terão de conquistar a Liga dos Campeões!"

Pedro Guerra, in O Benfica

Mais que futebol

"Nos dias 21 e 22 de Março realizou-se em Paris a 10.ª Conferência Internacional da EFDN - European Football for Development Network, a que a Fundação Benfica pertence desde os seus primórdios. Uma organização com mais de cinquenta clubes, pelo sonho de um adepto holandês que conseguiu, com paixão, dedicação e persistência, empreender uma verdadeira plataforma europeia de cooperação social entre os clubes.
Já passou pela Luz esta conferência, faz um ano, mas desta vez a deslocação foi a França: Parque dos Príncipes, estádio igualmente grandioso, do Paris Saint-Germain, um dos templos do futebol europeu!
Presentes quase todos os grandes da Europa, Real Madrid, Barcelona, Chelsea, PSG, Ajax, Feynoord, Tottenham, Galatasaray, Inter de Milão e por aí fora...
Público? Pouco! A conferência é à porta fechada e não se joga ali desporto que atraia multidões.
Hoje é a vez de se juntarem as fundações dos maiores clubes europeus, não para competir, mas para cooperar em prol do desenvolvimento e da justiça social, da tolerância, dos valores europeus e da sociedade que queremos hoje e para o futuro. Aqui, os heróis são os povos; os adversários - a pobreza e o radicalismo; o público - as famílias e pessoas de bem; o árbitro, a nossa consciência individual e colectiva.
É de valores e do jogo da vida que se trata, e, quando assim é, as bandeiras dos clubes são verdadeiros bastiões que se erguem para o futuro a mostrar que há muito mais que futebol no futebol, que é esse o verdadeiro poder do nosso jogo!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Singular determinação. Impressionante unidade.

"O desempenho da nossa equipa principal de futebol no campeonato da Liga está a constituir, afinal, um verdadeiro exemplo do melhor Benfiquismo. Podemos, mesmo, considerar que a perseverança e consistência do trabalho de técnicos, atletas e administrativos neste torneio já permitiram retomar e consolidar idênticos modelos de produtividade aos que, ao longo da nossa história de cento e quatorze anos, estabeleceram a incontestável fortaleza do Benfica no cenário desportivo nacional.
Apesar da nossa condição de tetracampeão, a época de 2017/18 estimava-se atípica, a todos os níveis. Em primeiro lugar, no plano das complexas circunstâncias externas, decorrentes dos desesperados ataques que os rivais do Campo Grande e do Mercado da Fruta faziam incidir, com baixeza, sobre as nossas hostes; mas, também, pelos esforços e reforços que haviam despejado (e continuam a desferrar, à tripa-forra) nos balneários deles. Mas, igualmente, a nível interno, pelo estremecimento que a implantação de novas estratégias consideradas oportunas, convenientes e adequadas ao específico universo do nosso futebol, eventualmente pudesse causar.
E causou, de facto. No arranque da época, depois de termos dispensado, a excelentes valores, diga-se, elementos importantes do grupo de trabalho para aventuras noutras plagas, o rendimento de alguns jogadores e da própria equipa estremeceu, na Champions e nas duas competições secundárias. Os Benfiquistas andavam apreensivos.
Mas, passadas umas semanas, eis que tudo está diferente. À nossa frente, está hoje, literalmente, aquilo que os nossos jogadores e o staff do futebol principal entenderam que teria de estar: o pentacampeonato encontra-se, por fim, à exclusiva mercê da sua própria ambição e à medida da ansiedade e do amor-próprio de todos os Benfiquistas.
Perante todas as difíceis circunstâncias determinadas pelo contexto, o que nos falta agora é apenas que todos saibamos manter o foco no objectivo essencial. E que, apesar de todos os obstáculos, ardis e provocações que nos voltem a ser lançados ao caminho, consigamos conservar a singular determinação e a impressionante unidade que sempre caracterizaram o Benfica e os Benfiquistas nos momentos mais difíceis da nossa história (mais que) centenária."

José Nuno Martins, in O Benfica

Rafa 50

José Bastos, Artur Moraes e Nené...

"O Benfica aproveitou a Gala do 114.º aniversário para juntar ex-campeões nacionais de futebol ao serviço do clube e quase cinco dezenas de antigas glórias marcaram presença no Coliseu dos Recreios. Entre eles, sentados na mesma zona da plateia, estiveram dois guarda-redes, campeões de águia ao peito em anos muito dispares: José Bastos (herói da Taça Latina) ajudou o Benfica a chegar ao título nacional de 1949/50 e esteve no Coliseu ostentando uns invejáveis quase 88 anos, com lucidez imaculada e o porte garboso de sempre; Artur Moraes, 51 anos mais novo que Bastos, foi campeão pelo Benfica entre 2013 e 2015 e também fez questão de não faltar à Gala de 2018. A intemporalidade desta comunhão deve fazer parte do ADN de qualquer clube que perceba que é impossível construir o futuro sem honrar o passado.
Na mesma linha de rumo insere-se a homenagem a Nené, um dos mais extraordinários jogadores da história encarnada, símbolo para muitas gerações. A ligação de Nené ao Benfica já vai nuns emblemáticos e ininterruptos 52 anos, uma vida inteira em que se confunde o individuo com a instituição. Nené sempre foi um homem de família; aliás, de famílias. Porque àquela que construiu com a mulher, Tina, junta-se a relação familiar e indissolúvel que tem com o Benfica.
Estes dois exemplos, José Bastos e Artur Moraes lado a lado e Nené, uma vida de dedicação à causa benfiquista, representam o cimento de que o Benfica mais necessita para ultrapassar tormentas e borrascas.
Nas horas mais complicadas, buscar inspiração nos princípios fundadores será sempre medida acertada."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Uma simples 'curiosidade': o Delgado é neste momento, nos cargos de chefia, dos 3 diários desportivos, o único Benfiquista!!!
Se acrescentarmos, os jornais generalistas, as rádios e as televisões e as suas respectivas secções de desporto, nos lugares de chefia, não encontro um único Benfiquista!!!
Num país onde a maioria da população é Benfiquista, parece que não é fácil encontrar um Benfiquista, competente, para um lugar de chefia na comunicação social desportiva!!!!

7 jogos, 21 pontos

"Este fim-de-semana será o último sem jogos da Liga de futebol. A partir da próxima quinta-feira inicia-se a 28.ª jornada, e assim um período de 7 jogos decisivos para a maioria das equipas. Estão em causa 21 pontos, tão decisivos para quem luta pelo título, pelo possível lugar europeu ou pela permanência. Serão sem dúvida jogos de enorme tensão, em que o equilíbrio emocional das equipas e de todos os seus membros vai ser posto à prova. Não adianta lembrar os lapsos de terceiros ou os erros próprios, mas também não os devemos esquecer. Há equipas muito mais penalizadas do que outras, até porque as maiores penalizações estão concentradas. Mas quem se concentrar no passado, mesmo que recente, e não tiver como prioridade os 7 jogos finais, tem muito mais probabilidades de perder. Não há tempo para olhar para trás, mesmo que seja muito doloroso. Essa revolta tem que ser direccionada para recuperar e repor a verdade desportiva posta em causa. A memória no futebol em Portugal acaba normalmente pouco depois do fim do jogo. A maioria permite que o campeonato seja uma prova a três, esquecendo que todos os outros têm muito mais a ganhar ou perder do que esses clubes mais poderosos. Há muitos jogadores, e também treinadores, a jogar o seu futuro, e quando digo futuro digo a sua vida profissional. Óbvio que isso é um assunto que não interessa ser debatido porque não tem retorno. Interessa a poucos. Mas devia interessar à maioria. Só promovendo o equilíbrio e retirando esta carga excessiva de pressão sobre os jogadores se pode ter mais qualidade. Estamos num caminho perigoso, de desconfiança, quase inquisitório, que ao não ser combatido irá provocar problemas muito graves.
A luta por estes 21 pontos será um dos maiores testes ao futebol português. Todos devemos estar concentrados, dentro e fora do campo, para que não aconteça nada de grave."

José Couceiro, in A Bola

Como uma força que ninguém pode parar: Manchester United cria equipa feminina e junta-se a tendência europeia

"Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Chelsea, Inter de Milão e Manchester United. Na última década, estes foram os únicos clubes a conquistar a Liga dos Campeões, atingindo aquilo que é considerado o auge do futebol europeu no masculino.
Destes clubes, em 2018, só dois - Real Madrid e Inter - não têm equipa feminina de futebol.
Porque, esta quinta-feira, o Manchester United fez o que há muito teimava em não fazer, apesar de até ter formação feminina até aos 16 anos: criou uma equipa feminina.
"É com satisfação que anunciamos que vamos criar a nossa primeira equipa feminina profissional, que participará na WSL2 [2ª divisão inglesa]", explicou o CEO do Manchester, Ed Woodward, no site do clube. "A equipa feminina terá de ser construída à imagem e com os mesmos princípios que a equipa masculina, oferecendo às nossas jogadoras da formação um caminho para o futebol ao mais alto nível no clube", acrescentou.
A 22 de Março de 2018, o Manchester junta-se ao século XXI - era mesmo o único clube da Premier League sem equipa feminina, enquanto os rivais Manchester City, Chelsea, Arsenal e Liverpool já dominam o futebol feminino no país e na Europa.
O orçamento de cerca de €5 milhões, de acordo com a Sky Sports, será uma gota no oceano de euros do clube e permitirá manter uma equipa com jogadoras de alto nível - as miúdas formadas no United, até agora, tinham de procurar nova equipa a partir dos 16 anos, e é por isso que as jovens inglesas Izzy Christiansen e Ella Toon jogam no City; Ellie Fletcher e Emily Ramsey jogam no Liverpool; Fran Kitching joga no Chelsea; e Katie Zelem joga na Juventus.
O Manchester United acompanha, assim, uma tendência global: praticamente todos os principais clubes europeus já têm futebol feminino.
Em Espanha, Barcelona e Atlético de Madrid (recentemente, mais de 22 mil pessoas assistiram ao primeiro jogo feminino no estádio Wanda Metropolitano) lutam pela hegemonia, enquanto o Real Madrid vai ponderando como começar a equipa, segundo o presidente Florentino Pérez; na Alemanha, Bayern de Munique, Wolfsburgo e Werder Bremen dominam, faltando apenas o Borussia Dortmund entre os ditos 'grandes'; em França, há PSG, Lyon e Marselha; em Itália, a Juventus é a mais recente entrada numa liga que já tem Roma e Fiorentina; e, em Portugal, Sporting e Sporting de Braga dominam uma Liga Allianz que também tem Estoril e Boavista - o Benfica irá entrar na 2ª divisão em 2018/19 e o Vitória de Guimarães deverá fazer o mesmo.
Em 2016, o 12º Europeu feminino foi disputado pela primeira vez por 16 selecções (anteriormente, a prova tinha apenas 12 participantes), incluindo Portugal, e bateu recordes de audiências televisivas e de assistências, com a final conquistada pela Holanda a ser presenciada por cerca de 30 mil adeptos. 
Em 2017, aliás, o futebol feminino na Europa cresceu em praticamente tudo: o número de mulheres federadas aumentou 7,5%, de acordo com os dados da UEFA, passando de 1.270 milhões de jogadoras para 1.365 milhões; o número de profissionais e semi-profissionais também aumentou, de 1680, em 2013, para 3572; e o número de equipas jovens também aumentou, passando de 21.285, em 2013, para 35.183.
Em Portugal, nunca houve tantas mulheres a jogar futebol: são 4284 jogadoras federadas, segundo os dados da Federação Portuguesa de Futebol - e a maioria é jovem, ou melhor, muito jovem. 2696 das federadas são juniores, ou seja, têm 19 ou menos anos. O que quer dizer que o melhor delas ainda está para chegar.
Como uma força que ninguém pode parar."

Duas semanas negras

"Atravessamos, de momento, um período triste para qualquer adepto de futebol. Se qualquer interrupção das competições de clubes já é má, uma paragem para jogos de selecções de carácter não oficial numa altura crucial das temporadas de qualquer equipa só pode ser encarada de forma negativa. As cerca de duas semanas sem futebol de clubes são e vão continuar a ser negras e exigem uma reflexão por parte das instituições que gerem o desporto-rei internacional.
Ao contrário do que é habitual, esta é uma decisão que prejudica, de forma geral, os clubes de maior dimensão e qualidade um pouco por toda a Europa. Porquê? Porque são eles que costumam chegar a Março com mais jogos realizados, com mais competições por decidir e, para 'piorar', têm os melhores jogadores, o que faz com que tenham mais ausências nas paragens internacionais. É comum ver jogadores regressarem a Portugal ou aos países dos clubes apenas um ou dois dias antes do próximo compromisso oficial, aterrando com cansaço e com os horários completamente trocados e dando enormes dores de cabeça aos respectivos treinadores.
Certo, representar o país é (ou devia ser) o ponto alto da carreira de qualquer jogador de futebol. Contudo, quem paga milhões de euros aos atletas e quem mais precisa deles nesta fase são os clubes, pelo que é algo injusto arriscar uma lesão e sobrecarregar as pernas dos jogadores por dois jogos de preparação cujo resultado pouco ou nada importa. Imaginemos que Cristiano Ronaldo se lesiona com gravidade e falha o resto da temporada, 'abandonando' o Real Madrid na Liga dos Campeões, o maior objectivo da época. Seria uma baixa muito mais pesada para o clube espanhol do que para a Selecção Nacional caso falhasse os próximos encontros. O mesmo pode ser aplicado a vários jogadores de vários clubes e de muitas selecções.
Entenda-se: isto não é, nem de perto nem de longe, um ataque à Selecção Nacional ou a qualquer outra equipa que representa um país. Percebe-se o lado dos seleccionadores - querem limar as arestas necessárias para, depois, chegarem à lista final dos jogadores que vão levar à Rússia. Por isso mesmo, Rúben Dias pode ter comprometido a ida ao Mundial com a lesão que o afastou dos jogos de preparação contra o Egipto e a Holanda, mas não quer dizer que o tenha feito; se fizer uma ponta final de excelência no Benfica, dificilmente não será chamado por Fernando Santos, que já demonstrou empatia para com o defesa. Os últimos meses de 2017/18 com a camisola do clube são muito mais importantes que os dois encontros dos próximos dias.
Arranjar outro período para encaixar estes jogos de preparação é outro problema, e ,aí, estou solidário com a FIFA e com as selecções. Mais tarde, era pior. Mais cedo, era igualmente mau. Sendo assim, seria de considerar uma maior compreensão por parte dos seleccionadores. Fernando Santos já o fez e a saída de Fábio Coentrão da convocatória é prova disso. O jogador do Sporting não apresentou qualquer lesão clínica, mas, informou a Federação Portuguesa de Futebol, estava com queixas. Estivéssemos a falar do Mundial ou de um jogo importante e Fábio Coentrão, provavelmente, não teria regressado ao clube, mas Fernando Santos teve em conta a condição física do lateral (é a temporada que mais tem jogado nos últimos anos) e o momento do Sporting (está a disputar três competições) e permitiu tal dispensa.
Resumindo, esta paragem é má para os adeptos e péssima para os clubes. Os primeiros não gostam de jogos de preparação sem interesse competitivo da Selecção Nacional e preocupam-se mais com o que fazem ou deixam de fazer os jogadores do clube que apoiam, enquanto os segundos têm o desejo que os jogadores joguem pouco ou, se possível, nada. As selecções precisam destes jogos, mas não tanto como os clubes precisam dos jogadores em condições."

E os tratadores de relva ingleses, pá?

"É o ar condicionado do trabalho, é o vizinho que deixa o carro em segunda fila, é o amigo que mete o pacotinho de açúcar vazio debaixo da chávena, é a mulher que não tirou a roupa da corda e começou a chover, é a piscadela de olho do José Rodrigues dos Santos a fechar o Telejornal.
A verdade é que nos irritamos muito.
Mais do que qualquer outra coisa, temos uma tendência alarmante para nos irritarmos. Com isso desgastamo-nos, ficamos cansados e vemos as tensões a subir.
Valeu a pena? Claro que não. Mas nós não sabemos desfrutar. Chateamo-nos por dá cá aquela palha - sobretudo se a palha vier molhada -, e sorrimos pouco perante a vida.
Ou o futebol.
Nós, portugueses, levamos tudo demasiado a sério. As coisas tornam-se um caso de vida ou de morte, quando no fundo deviam ser deixadas para trás porque estão moribundas.
Ora vem esta conversa a propósito da diferença em relação aos britânicos. Quem olha para Inglaterra, vê um futebol espirituoso. Provavelmente porque aquela gente afastou a violência dos estádios, erradicou a fúria, desviou a agressividade e afugentou a hostilidade.
Os ingleses querem ganhar antes de tudo o mais, claro, mas querem também desfrutar: divertir-se com o futebol. Ver a equipa a jogar bem, por exemplo.
O que nos leva ao estado actual do futebol inglês: cheio de treinadores estrangeiros.
Nesta altura, quase todos os grandes clubes ingleses têm treinadores que não são britânicos: Manchester City, Manchester United, Tottenham, Liverpool, Chelsea e Arsenal. Só o Everton resiste a esta tendência, sendo que, talvez por isso, é o único que não está nos seis primeiros lugares, a lutar por um apuramento para as competições europeias.
O primeiro treinador britânico na classificação da liga inglesa é Sean Dyche, no sétimo lugar, ao comando do modesto Burnley.
Mas há mais. Na liga inglesa há nove treinadores das ilhas britânicas, e cinco deles estão nos últimos cinco lugares da classificação. Para além destes ainda há mais dois a lutar por não descer (Brighton e Bournemouth) e dois a meio da tabela (Everton e Burnley).
Para quem se orgulha de ter inventado o futebol moderno, para quem já foi doze vezes campeão europeu de clubes, para quem deu ao mundo Bill Shankly, Bob Paisley, Brian Clough, Bobby Robson ou Alex Ferguson, devia ser duro olhar para estes números.
Mas a verdade é que os ingleses parecem pouco importar-se com isso.
É verdade que há uma ou outra discussão, é verdade que aparece sempre quem diga que a culpa é dos novos donos de clubes que chegam do estrangeiro, mas é verdade também que os próprios treinadores ingleses admitem estar desactualizados.
O futebol inglês evoluiu, modernizou-se, tornou-se mais continental e menos britânico, mas fê-lo sobretudo às costas dos técnicos estrangeiros.
Os treinadores ingleses não acompanharam o movimento.
Por isso irrita pouco as pessoas que os treinadores estrangeiros tenham tomado conta do futebol inglês. Eles querem é divertir-se, e se possível ganhar muitas vezes.
O futebol inglês tornou-se mais bonito e disputado por melhores jogadores.
Manteve aquele tão típico desportivismo, aquele respeito pelo jogo, aquela quantidade admirável de emoção, mas tudo embrulhado numa qualidade técnica que desconhecia por completo.
Que os treinadores britânicos não façam parte deste quadro, é apenas um pormenor.
Até porque os ingleses têm, em compensação, os melhores tratadores de relva do mundo.
Não se irrite, não é uma piada de mau gosto. É verdade. Grandes clubes como o Real Madrid, o Atlético Madrid ou o PSG têm hoje à frente das equipas de tratamento da relva especialistas ingleses. São os melhores do mundo nisso.
Diga lá que eles não fazem melhor em sorrir com isto tudo..."

Canarinha: o feeling existe

"Tem a Canarinha capacidade para se bater consistentemente com os melhores do planeta e assumir-se como candidata legítima à conquista da Jules Rimet já no dia 15 de Julho, no Luzhniki? Os 1-7 do ‘Mineirazo’ ainda conferem um espectro altamente assombroso para a população brasileira, que inibe a muita gente a vontade de sonhar mais alto. No entanto, já passaram quatro anos e quase tudo mudou nos sinais manifestados em campo, designadamente no compromisso e na cultura de merecimento que Tite instaurou, com reflexos indisfarçáveis no plano técnico de jogo.
O jogo-teste da selecção brasileira contra a Rússia, hoje à tarde, no Luzhniki, em Moscovo, marca um ponto de viragem na preparação de Tite. Sem Neymar, a estrela do PSG que se lesionou no pé durante o clássico contra o Marselha, o seleccionador prometeu a titularidade a Douglas Costa do lado esquerdo, garantindo a outra réplica-supersónica (Willian) no flanco direito. Com isto, Tite também pretende trabalhar mais situações de ataque na exploração da largura do campo, que será um detalhe importante para eliminar as dificuldades parciais contra equipas que defendam com uma linha mais recuada de cinco: no Mundial, poderemos ter Inglaterra, Bélgica, Argentina, Alemanha e Espanha com esse desenho, entre outras. Ainda que Cherchesov tenha de lidar com desfalques brutais no eixo defensivo da Sbornaya, os russos deverão ter os tais cinco elementos a defender em linha no terço defensivo, à frente de Akinfeev.
Há um dado engraçado para hoje. Alisson, guarda-redes que tem sido uma fera na baliza da Roma nesta época em que substitui Szczeszny, vai tornar-se o 15.º homem da vigência-Tite a vestir a braçadeira de capitão da Canarinha. Isso transmite a ideia de partilha de responsabilidade, acrescentando o sentimento de importância e de equidade que Tite quer inculcar em cada um dos elementos, sem que haja uns a pensar que estão acima de outros. Do onze que vai iniciar em Moscovo, só Douglas Costa e Gabriel Jesus não tiveram esse “privilégio” da braçadeira. 
Tacticamente falando, um dos pontos de maior curiosidade para o desafio no palco que também vai servir de abertura e final do torneio é a perspectiva de ver o desempenho de Coutinho na zona central do meio-campo. Não vai jogar na direita, como tem sido habitual, em virtude da coexistência simultânea com Neymar e com a aposta recorrente em Renato Augusto para uma das posições do meio-campo central.
Ficando Casemiro como guarda-costas e Paulinho como o fiel interior-direito, resgatando a fiabilidade que Tite já lhe conhecia dos velhos tempos no Pacaembu, Coutinho vai criar jogo numa posição mais interior (centro-esquerda), como fazia frequentemente no Liverpool e como tende a fazer mais vezes no Barça na pele de Iniesta. Na Canarinha, a equipa-tipo tem vindo a contemplar Renato Augusto nos últimos meses, que é outro fiel corinthiano de Tite, no meio-campo ofensivo central. Uma vez que Neymar é dono da extrema-esquerda, isso tem empurrado Coutinho para a faixa direita do sistema habitual de 4-3-3, ainda que com natural propensão para flectir para o meio.
Mas, numa perspectiva futura, quando Neymar estiver recuperado, será a manutenção de Renato Augusto no onze-base do Brasil tão essencial, a ponto de sacrificar parte da dinâmica de Coutinho e de inviabilizar a utilização de Willian? A lesão do grande artista potenciou a mudança na linha atacante, mas Tite deve estar bem mentalizado para tirar Coutinho da direita e o colocar no meio. Willian é mais “agudo” (expressão de Tite) e está a jogar barbaridades no Chelsea: oferece uma aceleração tremenda nas incursões pelo flanco direito, servindo de complemento à criatividade de Coutinho e de Neymar, que prolongam mais o contacto com a bola.
Hoje, mesmo podendo não estar a um nível tão deslumbrante como Alemanha e Espanha, o Brasil é uma das selecções mais bem organizadas. Tite deu-lhe consistência e há legitimidade dentro da equipa para pensar em chegar às derradeiras eliminatórias do Mundial. Importa saber em que estado irá Neymar regressar depois da lesão, mas o panorama é animador porque há uma série de concorrentes viáveis para quase todas as posições. Veja-se Gabriel Jesus e Firmino. E até Willian José, ponta de lança aprimorado nas Canárias e em San Sebastián, entrou na corrida, com a arma secreta do jogo de cabeça formidável para serviços ocasionais. O feeling existe."

Photo...!!!

Benfiquismo (DCLXXXV)

Paris...

Aquecimento... Futebol

quinta-feira, 22 de março de 2018

Grandeza de Jonas

"No momento de receber o galardão Cosme Damião que o distinguiu como jogador do ano do Benfica, Jonas fez questão de subir ao palco com todos os companheiros de equipa. Quando o nós está acima do eu, é meio caminho andado para o sucesso de um grupo.
Vieira ignorou as polémicas em que o Benfica está envolvido e que tanto têm manchado o nome do clube. Fez bem num momento tão solene como a gala, mas não poderá fazê-lo noutras ocasiões. Já Bruno de Carvalho não dá tréguas e voltou a atingir o Benfica no combate que trava pela transparência, mantendo-se fiel ao desígnio que o anima.
As palavras seguintes desta saída, destinam-se a duas pessoas que vestiram a camisola do Record. E são palavras de gratidão. Uma é para o Nuno Farinha que durante os últimos onze anos, integrou a direcção do Record, valorizando o título com a qualidade do seu trabalho. Vivemos juntos bons e maus momentos. Como todos aqueles que exercem cargos de direcção, esteve exposto a ataques, alguns deles cruéis, que podem magoar mas que, ao fim do dia, nos fazem mais fortes. A outra palavra de gratidão é para Ana Maria Valente, cujo trabalho invisível no Record deixa uma marca de rigor e competência tão grande quanto a sua energia, o seu brio e o seu empenho. Obrigado!"


PS1: Babalu e o seu 'combate' pela transparência!!!! A sério?!!! O António Magalhães agora também faz stand-up comedy?!!!!

PS2: Como não podia deixar de ser, o único Benfiquista com cargo de Direcção no Rascord, foi-se embora...; um dos avençados Lagartos, foi promovido!!!

Alvorada... do Martins

Super Flash: Jonas

Melhor sequência da época ajuda águias em fase decisiva

"Ao ganhar em Santa Maria da Feira (2-0), o Benfica conseguiu a sua melhor sequência de resultados da temporada, elevando para sete o número de jogos consecutivos a vencer. Desta forma, o conjunto de Rui Vitória continua a pressão ao líder FC Porto, sabendo que para alcançar o tão desejado penta só depende de si mesmo, já que o atraso de 2 pontos pode ser transformado em vantagem aquando do embate entre os dos primeiros, na jornada 30, na Luz. Isto, claro, se até lá os dois emblemas forem continuando a ganhar ou, em alternativa, se fizerem o mesmo número de pontos.
Antes das águias, só os dragões – logo nas primeiras sete rondas da competição – haviam logrado uma sequência de sete triunfos esta época, sendo de realçar que o Sp. Braga, na próxima jornada, também pode repetir o feito. Para tal, os minhotos ‘só’ precisam de ultrapassar, em casa, o Sporting. 
Na actual sequência, o Benfica não se limitou a somar os 21 pontos em disputa. Os encarnados marcaram sempre mais do que um golo (à média de 3,42 por jogo), remataram mais do que qualquer outra formação (19 vezes por encontro), fecharam bem os caminhos para a sua baliza (permitiram escassos 5 ‘tiros’ por duelo aos opositores) e viram Bruno Varela estabilizar entre os postes (apenas 3 golos sofridos, sendo que nos três últimos jogos não encaixou nenhum, algo que sucede pela primeira vez na temporada).
Por outras palavras, quando restam sete rondas para o final da prova, o Benfica parece estar no seu melhor momento. Contudo, a vantagem ainda está do lado do FC Porto e, claro, convém não esquecer o Sporting. Os leões ainda vão receber o Benfica e podem, antes, beneficiar do embate entre águias e dragões. A luta prossegue dentro em breve...

Sabia que...
- O Chaves vai na sua pior sequência da época? Os flavienses perderam os últimos três jogos, algo que não sucedeu a nenhuma outra formação.
- O Feirense parece ter ficado alérgico aos empates? Depois de ter registado igualdades nos dois primeiros jogos da época, nunca mais a equipa de Santa Maria da Feira voltou a terminar uma partida sem ganhar ou perder.
- 24 é o total de golos mais comum por jornada? A ronda 27 foi a sexta a registar esse total. Antes, o mesmo verificara-se nas jornadas 1, 5, 6, 8 e 24.
- As duas únicas expulsões da jornada foram de jogadores do Feirense? Tiago Silva e Briseño foram os ‘contemplados’ e fizeram com que o Feirense fosse a sexta equipa a ter mais do que um elemento expulso no mesmo encontro.
- O Sp, Braga foi a única equipa a marcar mais de uma vez antes do intervalo? Foram duas, na vitória, por 4-1, em Chaves."

Gabinete de crise, precisa-se

"Na gala da noite de ontem, Vieira comportou-se como homem responsável e líder elevado. O seu discurso não guardou nem uma frase para as polémicas judiciais que assolam o clube. O Benfica ganha com respeito por todos os rivais, leu o presidente das águias.
O gabinete de crise lançado há pouco mais de uma semana já está a produzir efeitos benéficos para o clube da Luz. Luís Bernardo lidera o grupo e terá chamado para a equipa Almeida Ribeiro. Este último é um quadro de altíssima qualidade, como demonstrou ao serviço do gabinete de José Sócrates. Arguto analista de informação, frio e racional na análise de qualquer conjuntura, membro da alta escola do SIS, Almeida Ribeiro é o melhor reforço de inverno do Benfica. Com Luís Bernardo formou uma dupla de grande qualidade, ao serviço de um primeiro-ministro que o futuro mostrou cheio de defeitos graves. Mas, enquanto jornalista incómodo para qualquer Governo, pude testemunhar o profissionalismo, a visão saudável do jogo democrático, destes dois quadros de qualidade, que agora se reencontram no combate aos múltiplos fogos descontrolados na comunicação do clube da Luz. Se Vieira souber dar-lhes o poder que justificam, a casa da águia começará rapidamente a ser arrumada. O excelente discurso de ontem parece ser já um sintoma destes novos tempos de estratégia clarividente na porta 18. Porém, ninguém poderá esperar milagres de prestidigitação. As coisas são o que são. No plano judiciário, Paulo Gonçalves está numa posição muito frágil, à beira do precipício, e parece querer agarrar a mão de Vieira na queda.
Bruno de Carvalho não tem emenda possível e volta a atacar os fundamentos de um balneário saudável e ganhador. A forma como entrou na polémica com Adrien só pode causar dano na ligação entre presidente e plantel do Sporting. Os jogadores olham para aquelas fotos do seu antigo capitão e para os recados juntos de Bruno e não poderão deixar de pensar, um dia posso ser eu. Um dia talvez se saiba exactamente por que não saiu William Carvalho do Sporting, no passado verão. E, exactamente, o que fez abortar a venda. Mas estamos todos recordados das palavras desbragadas de Bruno de Cravalho a garantir que William lhe devia a carreira. O que, para lá de injusto, é ridículo. 
Agora é Adrien que, na visão deste ditador de pacotilha, não se poderia queixar de ter sido sujeito a um tratamento draconiano por parte do seu clube de sempre, que o levou a estar sem poder jogar até ao Janeiro passado. Adrien foi educado e ponderado no seu lamento. Bruno respondeu como sempre faz. Como se todos fossem seus servos, sem direito à reserva e ao bom nome. Com este presidente, o Sporting também vai precisar de um gabinete de crise."


PS: A hipocrisia da gentalha do Cofina, quando fala do Paulo Gonçalves e dos 'fogos descontrolados', é uma das coisas mais asquerosas que este canto à beira-mar plantado produziu ultimamente!!!

Gala... principais discursos

Carneirada? Sim, somos nós...

"Lembra-se daquele filme no qual Dustin Hoffman fabricava uma guerra porque o negócio da guerra é apetecível e porque politicamente era interessante para certas pessoas? Não tem importância se não se recorda, o que importa realmente é que a ficção foi largamente ultrapassada pela realidade, facto inegável perante notícias como as que dizem que o Facebook permite que os dados dos seus utilizadores sejam manipulados.

empresas especialistas em manipulação e propaganda política que, não apenas nos filmes com teorias de conspiração, prevêem comportamentos e tendências e encaram a população como... não há outra forma de o dizer, portanto aí vai, uma carneirada capaz de se deixar enganar com os engodos mais simples. Todos achamos que somos inteligentes, bem formados, temos bom gosto e somos moralmente corajosos e esclarecidos e, por isso mesmo, iremos negar essa possibilidade de manipulação.
Ontem alguém me dizia: “eu uso as redes sociais mas não embarco naquilo”. A mesma pessoa, há cerca de duas semanas, lamentou a morte de Umberto Eco, a circular por aí como uma novidade, apesar de ser uma postagem com mais de um ano. Não abriu a informação, leu as gordas e lamentou a morte do autor de O Nome da Rosa. Desde que frequento as redes sociais, o Vasco Granja já morreu uma dez vezes. Há sempre quem se comova e apresente as condolências com um sentido de oportunidade digamos que estranho.
Estes episódios são exemplos quase que inocentes de como não filtramos nem analisamos a informação distribuída nas redes sociais. Lemos as gordas e comentamos. Publicamos fotografias da nossa vidinha feliz e partilhamos notícias que nos importam e que podem ajudar a criar um perfil de quem somos, do que gostamos, no limite, daqueles em quem podemos votar. Se nos atirarem areia nem coçamos os olhos. Aceitamos.
Assim mesmo se explica que a campanha para a Presidência dos Estados Unidos tenha conquistado tantos adeptos, os mesmos milhões que votaram no senhor Trump. Teriam as pessoas a noção exacta daquele em quem estavam a votar? O mais certo é a resposta ser: não. Só assim se entende a percentagem de latinos e afro-americanos que votaram neste 45º Presidente dos EUA. É inegável que o senhor não é fã de nenhuma destas componentes da sociedade.
O Parlamento Europeu convidou Mark Zuckerberg a explicar como se podem – ou não – manipular os dados pessoais dos cerca de 500 milhões que utilizam o Facebook. Até ao momento em que escrevo esta crónica, o senhor todo-poderoso das redes sociais não deu uma resposta. O convite surge por causa das notícias (divulgadas pelo London Observer e pelo New York Times) que correram mundo rapidamente: uma empresa com sede no Reino Unido, a Cambridge Analytica, usou informação do Facebook para auxiliar a eleição de Donald Trump, em Novembro de 2016. Há uma violação clara dos direitos das pessoas? Pois.
A dita cuja empresa que, alegadamente, terá manipulado os dados, recusa as acusações (Então? Estavam à espera do quê?) e afirma-se disponível para ajudar em qualquer investigação. A verdade é que existem relatos – embora indirectos – de que a empresa se especializou em criar situações online com objectivos específicos, seja fazer ganhar eleições, seja fazer cair políticos corruptos. As investigações levarão a eternidade do costume, entretanto, as redes sociais - e outras empresas às quais damos os nossos dados, bancos, lojas, etc, etc - continuarão a dar-nos de comer e nós iremos comer às suas mãos, obedientes e de olhos fechados.

[Nota: Mark Zuckerberg já falou da situação da Cambridge Analytica, quer num comunicado na rede social Facebook, quer numa entrevista à CNN]"


PS: Não deixa de ser engraçado como muitos portugueses analisam a 'novela Trump' com todas as suas causas e consequências, principalmente a forma como as estratégias de manipulação de comunicação que resultaram na sua eleição (e continuam a 'resultar'...), mas depois ninguém, ou quase ninguém, tem a coragem ou a clarividência, de admitir que em Portugal, numa dimensão diferente, as mesmas formas de manipulação são aplicadas, principalmente neste ataque difamatório ao Benfica!!! 

Deram cabo do futebol

"Outro dia, na papelaria onde compro os jornais, um homem dizia para outro que um dirigente de um clube estrangeiro qualquer vinha a Portugal falar com eles. “Eles” não eram o que falava e o que estava a ouvir, mas o Sporting. O mesmo fenómeno se passa entre os benfiquistas e os portistas: a ideia que somos todos um clube. “O Benfica somos todos nós” é uma frase que eu, benfiquista, já ouvi arrepiado. Porque eu não sou o Benfica nem o Benfica sou eu. Eu não sou mais que eu próprio, e o Benfica apenas um clube que aprecio, influenciado pelo meu avô, que nem ia aos jogos. Nada mais.
É importante que as pessoas tenham hobbies. O problema é que o único hobby que a grande maioria tem é o futebol. Não há jardinagem, colecção de selos, leitura, pesca, passeios ao ar livre, nadar na praia ou no rio, ver hóquei em patins, que os valha. Só o futebol. E centenas de milhares de pessoas a pensarem e a discutirem a mesma coisa dá nisto: uma irracionalidade que alimenta dirigentes desportivos que, juntamente com os seus comentadores, precisam do ambiente crispado e podre em que vivem.
O facto de tanta gente gostar de futebol está a estragar o futebol porque são demasiados os que vivem o chamado desporto-rei como se não existisse mais nada na face da Terra. E os poucos que não alinham nesta paródia ficam alheados: não têm conversa possível. Quem não tem uma opinião sobre os emails do Benfica, o equilíbrio mental do Bruno de Carvalho ou o ar de malandro do Pinto da Costa não tem conversa, não tem escapatória. Podem até gostar de futebol, mas isso só já não chega. 
Um desporto que vingou devido às suas regras lineares, o ser tão simples que não dá azo a discussão: é correr e chutar a bola que o guarda-redes está lá para a tentar apanhar; é o jogo de equipa, a estratégia, o espírito de camaradagem entre os jogadores, a capacidade de puxarem uns pelos outros e não se deixarem afetar pelo mau dia de um. O grupo a apelar ao melhor de cada um, escondendo o pior. Os golos e as grandes defesas, mais os jantares em frente ao televisor, o beber umas cervejas com os amigos enquanto se vê o jogo. Agora, para o conseguir e ter assunto é preciso saber de processos judiciais que eu, jurista, sei que não vale a pena comentar.
Naturalmente, a única forma de alimentar esta loucura é com mais loucura. A discussão vive da discussão, o ódio do ódio. Sem os emails, o Bruno de Carvalho e o Pinto da Costa, os comentadores desportivos ficam com pouco para dizer: foi golo; grande defesa; belíssima jogada; excelente passe; grande treinador. Cinco minutos depois, o programa terminava e os canais noticiosos podiam dar o que se esperava que dessem: notícias. Informação. Mas isso já é pedir muito. Assim como assim, fiquem-se pelos chutos na bola, sff."

Lançamento lateral

"Porque é que o lançamento lateral é feito com as mãos?
Será que, ao longo de bem mais de um século, ninguém terá reparado nessa anomalia?
Do original inglês, o football é, por definição, jogado com os pés; excepção feita ao guarda-redes, que até usa equipamento diferente, mas cada vez tem mais restrições ao uso das mãos.
Nos primórdios do jogo, terá sido a forma expedita de resolver incidentes sem importância: a bola saiu do campo, "que chatice, eh pá, bota depressa cá para dentro", o que era feito de qualquer maneira, até com as mãos…
Com o tempo, em vez de cortarem o mal pela raiz, os eméritos legisladores conseguiram transformar esse simples movimento num acto complexo, objecto de uma série de normas, a exigir especialistas que, a par de alguma habilidade com os pés, também tenham força e destreza para colocarem a bola longe, com as mãos.
E assim, em vez de uma reminiscência cada vez menos justificável no Séc. XXI, o lançamento lateral tornou-se, porventura, um predicado a justificar exorbitantes contratações de vulgares backs…
O lançamento lateral com os pés traria várias vantagens, a primeira das quais a de ser executado no local exacto em que a bola saiu do terreno de jogo – e não 10 ou 15 metros à frente, como tantas vezes sucede.
Regra distintiva do Futsal (será que vai passar a ser com as mãos?), estranhamente não acontece no Futebol de praia, também com normativo recente.
Para além de maior variedade na construção de ataque planeado, em jogo directo permitiria maior rapidez de execução e de colocação da bola junto da baliza, com mais oportunidades de golo.
Esta alteração exigiria a reformulação da Lei 15 e aconselharia também a do pontapé de canto (Lei 17).
De facto, com o lançamento executado com os pés ao longo de toda a linha lateral, o pontapé de canto deixaria de fazer a diferença, pelo que se justificaria passar a ser executado noutro ponto da linha de fundo.
Afigura-se local adequado a intersecção dessa linha com a de grande área: bem mais perto da baliza, proporcionaria novas soluções de ataque, quer através de jogo directo, quer de outras opções criativas, com natural aumento do número de golos.
Mas isso já é outra questão, a exigir análise específica."

Se você é um desses idiotas, isto é claramente para si

"O meu pai faz anos a 23 de Março. Que é como quem diz, sexta-feira. Sei que ele acompanhou muitos jogos meus, desde que comecei no basquetebol. Foi uma adolescência inteira, foi andebol depois e futebol mais tarde. Por fim, futsal. Já adulto, com responsabilidades.
Não sei especificar a que jogos ele foi ou em quais não esteve. Mas tenho certeza absoluta disto: estava lá quando o filho dele foi expulso, num dérbi regional.
Não era a primeira ocasião em que o filho do sr. Ferreira era expulso. Mas era inédito vir para a rua daquela forma. Foi a única vez que me disse alguma coisa sobre o que eu fiz a jogar.
Já Francisco José Martin é um tipo que diz quase sempre alguma coisa sobre o que vê em campo. E faz anos a 23 de Março. Sexta-feira, portanto.
Francisco é Frank, já agora. Filho de exilados cubanos na Florida, foi o primeiro norte-americano da família.
Chegou a ser porteiro de discoteca até que um tiroteio o levou a mudar de vida. Tornou-se treinador. Primeiro no liceu, por fim universitário.
O meu pai nunca foi porteiro de discoteca. Pelo contrário, trabalhou numa farmácia e foi agente de seguros. O que é praticamente o oposto, não é? Também nunca foi treinador de coisa alguma. Mas para além do dia de aniversário, partilha algo mais com Frank Martin, o head coach da equipa de basquetebol da University of South Carolina: o facto de não ser um desses idiotas quando o filho está em campo.
Frank Martin fala de basquetebol no vídeo seguinte. Mas fala por todos aqueles ligados ao futebol, ao andebol, ao badminton, a todas as modalidades; fala por todos aqueles que domingo após domingo são verdadeiros heróis, como um dia li por aqui. Fala por todos os pais que têm de ouvir um outro na bancada. Fala para que os idiotas se calem. Esta semana celebrou-se o Dia do Pai. Eu tenho a felicidade de celebrar o meu a triplicar. Pelo 19 de Março, pelo 23 de Março e por ele ter sido muito como Frank Martin.
«Eu sei disto: sou, se calhar, o treinador mais irrequieto que vocês provavelmente já viram quando a minha equipa está a jogar. Vou ver os meus filhos jogarem, e não digo «boo». Eu não agito os braços, não tento treinar meus filhos. Com todo o devido respeito devido por todos aqueles pais, eu provavelmente sei mais sobre basquetebol do que a maioria deles, OK? Mas eu sento-me na bancada e não digo uma palavra. Há dois tipos a arbitrar um jogo de infantis numa manhã de domingo. Quanto é que eles podem estar a ganhar pelo jogo? 20 dólares (16€) por jogo? Eu costumava fazer isso. Eu costumava ganhar 12 dólares para jogos sub-10, 15 dólares para 15 anos e 17 ou 18 dólares para jogos de liceu. OK, então, num domingo de manhã em vez de estar na igreja, esses tipos estão aí, a tentar ganhar alguns trocos, pagar as contas, alimentar as famílias.»
«Vocês acham que eles realmente se importam com quem vence um jogo de infantis? Vocês, realmente, acham que eles sentaram-se, em casa, e disseram: “Oh, mal posso esperar para arbitrar esse jogo de amanhã, porque essa equipa, mal posso esperar para apanhar aquele miúdo de 10 anos e envergonhá-lo na frente de pessoas.” Vocês acham mesmo que é isso que eles estão a fazer? Eu não tento dizer aos meus filhos como eles devem jogar. Sabem o que eu digo aos meus dois miúdos quando eles chegam ao pé de mim… "Por que é que me estás a perguntar, pá? Não sou eu que te treino, vai falar com o teu treinador.” “ Mas ah - “não fales sobre o teu treinador à minha frente, porque se estiveres a falar, então não jogas basquetebol.” Não entendes porque não jogaste melhor? Vai falar com teu treinador. Eu não sou teu treinador, sou teu pai. Alguém desrespeita-te, então eu estou aqui. Se tu fracasses, bem, lida com isso, eu vou ajudar-te a recuperar. Mas não venhas falar comigo sobre treinar. Eu faço isso para viver, pá. Não vou criticar um tipo que te está a tentar ajudar.”»
«Agora, a outra parte – aquilo era sobre os árbitros. Vocês acham que esses treinadores que treinam crianças, infantis, estão a ganhar algum dinheiro? Vá lá, há alguém que está a perder tempo pessoal, num domingo, de graça, para ajudar os filhos de outras pessoas e, ainda assim, vamos ter os adultos nas bancadas a gritar obscenidades para os árbitros? A criticar todas as decisões que o técnico toma? Gritando com as crianças, - eles têm 10 anos, pá! Como se eles fossem um LeBron James e um Dwyane Wade a jogar as Finais da NBA!»"

Benfiquismo (DCCLXXXIV)

Vamos a eles...!!!

Lanças... Ataque !!!

Gala Cosme Damião 2018

quarta-feira, 21 de março de 2018

Números e sonhos

"O FC Porto em 27 jogos teve 12 deles arbitrados por juízes da Associação do Porto, ou seja, 45%!

Benfica melhor
... E faltam 7 jornadas para terminar o Campeonato e 3 jornadas para o importante, mas não necessariamente decisivo Benfica - Porto. O Benfica passou com distinção em Santa Maria da Feira, dominando do primeiro ao último minuto, num relvado difícil como alguns poucos que ainda há em 2018 na principal competição portuguesa. Em termos de consistência de jogo, foi dos melhores encontros do Benfica, mantendo-se sempre por cima. A equipa está confiante, os seus movimentos são fluídos, os jogadores estão em excelente condição física e em forma apurada.
Curioso e talvez surpreendente depois de um primeiro terço do campeonato menos conseguido é o facto de o Benfica ter, à mesma 27.ª jornada, mais 3 pontos do que tinha na época anterior (igual número de empates, 5 e menos uma derrota, 1), com mais 14 golos marcados (71 contra 57), aparentemente com uma equipa com menos soluções do que antes. A diferença que explica a razão pela qual o Benfica não é líder está, pois, no melhor campeonato que o Porto está a fazer em comparação com 2016/17. Já quase estatisticamente relevante é a circunstância de Rui Vitória ter começado menos bem os três campeonatos que leva à frente da equipa e os terminar em notável ascendência.
Voltando ao jogo com o Feirense, alguns apontamentos: Raul Jiménez deve ser o melhor 12.º jogador não só do Benfica (a par com Mantorras, lembram-se?), como, creio, da maioria das equipas europeias. Desta feita, um autêntico furacão marcando o golo e desbloqueando o resultado meio minuto depois de ter entrado e fazendo uma brilhante e inteligente assistência para o golo de Rafa. O golo não foi por acaso, resultou da enorme determinação com que sempre entra em campo, sem amuos ou tergiversações por estar no banco, e com o instinto matador numa oportunidade em que a maioria dos jogadores nas mesmas circunstâncias não visaria a baliza. Rafa voltou a ser um desequilibrador. Marcou, expulsou e imprimiu sempre o fundamental num jogo de futebol que é a velocidade. Pena o azar dos remates aos postes e ainda alguma indefinição quando chega ao momento final da concretização. Pizzi voltou e, com ele, a geometria do passe e a boa visão de jogo colectivo. Às vezes, dá a ideia de que não é tão fundamental como isso, mas basta comparar com a falta que fez no jogo contra o Desportivo das Aves. Por fim, saliento André Almeida, que está um senhor lateral-direito, não apenas a defender, mas sobretudo a atacar e a assistir colegas. Pena que o seleccionador nacional não o tenha escolhido para os próximos jogos de Portugal. Sou de opinião que o mereceria, não só pela excelente forma que atravessa, como também por ser um jogador bastante útil pela sua polivalência.

Concentração arbitral
Dei-me ao trabalho de fazer uma pequena contabilidade da nomeação de árbitros no campeonato nacional. Por mera curiosidade pessoal. Mas confesso, agora, que fiquei algo surpreendido com alguns aspectos estatísticos, no que se refere aos juízes que arbitraram os jogos dos três grandes. Foi assim nas 27 jornadas já realizadas:
Distribuição dos árbitros por jogos dos 'grandes'
Benfica: Ass. Porto - 9; Ass. Lisboa - 5; Ass. Braga - 3; Ass. Castelo Branco - 3; Ass. Setúbal - 2; Ass. Évora - 2; Ass. Leiria - 1; Ass. Faro - 1; Ass. Vila Real - 1
FC Porto: Ass. Porto - 12; Ass. Lisboa - 4; Ass. Braga . 3; Ass. Castelo Branco - 3; Ass. Leiria - 3; Ass. Setúbal - 1; Ass. Évora - 1
Sporting: Ass. Lisboa - 8; Ass. Porto - 6; Ass. Évora - 4; Ass. Braga - 3; Ass. Castelo Branco - 3; Ass. Leiria - 1; Ass. Setúbal - 1; Ass- Faro - 1
Os números valem o que valem e, como todos sabemos, podem ser torturados até ao limite, neste caso em função do nosso subjectivismo e preferências clubistas. E bem sei que as Associações estão diferentemente representadas em termos de números de árbitros.
Deixo, apenas, aqui algumas perplexidades de, chamemos-lhes, assimetrias geográficas. O FC Porto em 27 jogos teve 12 deles arbitrados por juízes da Associação do Porto, ou seja, 45%! Já o Sporting é o preferido para nomeações de árbitros da associação geográfica de Lisboa: 8 em 27 (30%) e o menos contemplado com arbitragens do Porto. O Benfica é, dos 3 clubes, o único em que a Associação distrital a que pertence não ocupa o primeiro lugar, que é avantajadamente preenchido pela AF Porto. Haverá algum critério para assim ter sido ou é fruto do acaso? Podemos tirar alguma conclusão destes números ou estaremos a especular injustamente? Cada um que responda por si.
Curiosa é também a circunstância de só o Benfica ter sido escolhido para ser arbitrado por juízes de todas as Associações representadas. Uma única nota para o número de Castelo Branco (9 vezes) que se deve a um único árbitro: Carlos Xistra.

Champions: mais do mesmo
Nada de novo, nos quartos-de-final da Champions, competição glamorosamente destinada a atribuir títulos, dinheiro e honrarias aos do costume. Desta vez, lá estão 3 equipas espanholas (sem o Atlético de Madrid, que calhou na fava ao resistente Sporting na Liga Europa), 2 italianas, 2 inglesas e o obrigatório conjunto alemão do Bayern. Só falta o francês PSG. O melhor jogo (eliminatória, diria mesmo) foi o Juventus - Tottenham, com os italianos mais felizes e os ingleses mais empolgantes. Pessoalmente, gostei que a equipa de Turim tivesse passado por uma única e forte razão para continuar a ver jogar nesta competição o grande e eterno guarda-reeds, Gianluigi Buffon. Um senhor no mundo de fantasias e ardis que é o futebol contemporâneo. Pena não estar no Campeonato do Mundo depois da eliminação da sua squadra azzurra.
Repare-se a concentração das equipas nos últimos sete anos de Champions (ou seja, desde 2011):
Países representados nos 'Quartos' da Champions:
2011/12: Espanha(2); Alemanha(1); Inglaterra(3); França(0); Itália(1); + Shakhtar
2012/13: Espanha(3); Alemanha(2); Inglaterra(0); França(1); Itália(1); + Galatasaray
2013/14: Espanha(3); Alemanha(2); Inglaterra(2); França(1); Itália(0); + (0)
2014/15: Espanha(3); Alemanha(1); Inglaterra(0); França(1); Itália(1); + FC Porto
2015/16: Espanha(3); Alemanha(2); Inglaterra(1); França(1); Itália(0); + Benfica
2016/17: Espanha(3); Alemanha(2); Inglaterra(1); França(0); Itália(1); + (0)
2017/18: Espanha(3); Alemanha(1); Inglaterra(2); França(0); Itália(2); + (0)
Total: Espanha - 20 (35,7%); Alemanha - 11 (19,6%); Inglaterra - 9 (16,1%); França - 6 (10,7%); Itália - 6 (10,7%); Outsiders - 4 (7,1%)
Mais de um terço de equipas espanholas, este ano com o Sevilha a entrar depois de eliminar o Man United. A Itália é quase sinónimo de Juventus e o mesmo se diga do PSG em França. Fica-nos o prémio de consolação, pois que tirando os 'cinco', Portugal surge logo a seguir com duas entradas dos dois principais clubes portugueses.
Salvo qualquer tropeção nos sorteios (foi o caso do Real Madrid - PSG) não é preciso ser adivinho para saber quem atinge esta fase da competição. O resto é o warm-up dos favoritos e umas massas para arrecadar nas fases anteriores pelos outros clubes. Já lá vai o tempo em que equipas portuguesas, holandesas, escocesas, sérvias, romenas, etc. podiam aspirar a erguer a orelhuda.

Grande illiabum
O Illiabum Clube venceu a Taça de Portugal em basquetebol, derrotando, com todo o merecimento, o mais que favorito Benfica que havia afastado o FC Porto. Um feito histórico para o clube da minha terra natal Ílhavo, e do qual fui, até há meses, presidente da Mesa da Assembleia-Geral. Quis mais uma vez que o sucesso fosse contra o meu Benfica, tal como havia acontecido em 1992 na Supertaça. Seria a sua 21.ª Taça, mas para o Illiabum seria e foi a primeira! Não sei se a soma de todos os salários do Illiabum chegarão ao salário do jogador pior pago no plantel da Luz. Para vencer o campeão nacional foi necessária muita garra, determinação e engenho. O basquetebol de Ílhavo já há muito merecida este título inédito, depois de ao longo dos seus 74 anos de história ter conquistado muitos títulos nas categorias ao Illiabum Clube (sou o sócio n.º 137), ao actual e anterior presdientes Pedro Rosa Novo e Artur Aguiar. A semana passada havia jantado com este último e falámos da 'utopia' que seria a vitória ilhavense. Uns dias depois a 'utopia' tornou-se realidade.

Contraluz
- Frase: «Ninguém se compara a mim»
Ronaldo dixit. Fez-me lembrar Oscar Wilde quando disse (neste caso à polícia) que nada tinha a declarar a não ser o seu talento. Ronaldo é de facto quase incomparável, mas falta o quase.
- Decepção: Grandes jogos da equipa feminina de hóquei em patins do Benfica na final four da Liga Europa, onde perdeu na final com as espanholas de Gijon. Foi pena, mas o técnico e brilhante ex-jogador encarnado Paulo Almeida e a equipa pentacampeã nacional prestigiaram o SLB.
- Vergonha: Os petardos recorrentes.
Mas não será possível erradicar esta estúpida e cretina forma de apoiar uma equipa de futebol? As multas, claro está, pagas pelos clubes, leia-se pelos sócios que não atiram petardos, nada resolvem. Do lado dos apoiantes do Benfica que são useiros e vezeiros nesta prática não haverá maneira de prevenir estes abusos?"

Bagão Félix, in A Bola