Últimas indefectivações

terça-feira, 31 de maio de 2016

Cérebros e chapéus

"No Sporting, esta época, em Janeiro, no mercado de inverno, mudou-se meia equipa. Entraram Coates, Bruno César, Marvin, Barcos e Schelotto e foi recuperado Rúben Semedo. Há um ano, Marco Silva lamentava-se em voz baixa, falava de reforços e teve como único presente o lesionado Ewerton para colmatar a vaga de Maurício. Mesmo assim venceu para a Taça de Portugal, enquanto este ano o falhanço foi em toda a linha, uma evidência que a ideia luminosa de campeão do segundo lugar mais acentua.

Jesus é bom profissional, isso nunca esteve em causa. Como trabalha, como lida com os jogadores, como os motiva, não sei. Hoje, faz-se tudo às escondidas... Sei é que quando Luís Filipe Vieira, na cerimónia de assinatura de contrato comercial com a Emirates, afirmou que o Benfica teria de recuperar o seu espaço europeu alguma alteração muito importante estaria em marcha: a saída de Jesus. Não o disse, mas foi o que eu pensei. Porquê? Pergunta simples e de resposta rápida, não?... Repare-se no exemplo do Real Madrid. É o maior de todos, não pelo número de Ligas espanholas acumuladas, mas pelas 11 Taças dos Campeões Europeus que já ergueu. Eis a diferença!

O 35.º Campeonato conquistado pelo Benfica foi festejado de forma muito especial pela esmagadora maioria dos adeptos e pelo presidente e pilar principal da organização vencedora. Discreto mas firme, preocupado mas optimista, no seu posto de comando, tomou as medidas que se impunham, em nome do projecto que sustenta o engrandecimento do clube e lhe dá garantias de cintilante futuro. Enfrentou a ira de benfiquistas menos informados ou de frágeis convicções e a incompreensão de humoristas, economistas, analistas, cientistas, comentaristas e afins. Em vários sectores de opinião estabeleceu-se que Luís Filipe Vieira acabara de provocar o colapso da instituição, ao prescindir dos serviços de uma sumidade, a qual, no entanto, com a elevação devida, teve direito ao reconhecimento de méritos pela colaboração prestada durante a longa vigência contratual, apesar de, a partir de determinada altura, por motivos que só não enxerga quem não quiser, se tivesse transformado em travão inibidor da caminhada ambiciosa da águia que era preciso desbloquear, como a temporada ora finda demonstrou. Prova de que Vieira tinha razão e prova também de que quando a vaidade transborda é normal a confusão entre cérebros sem chapéus e chapéus sem cérebros.

O período mais crítico do Campeonato, que correspondeu a preocupante desvantagem pontual, trouxe vagas de maledicência e agitou desgraças imensas. Em contraposição, Vieira alertou a nação benfiquista para o facto de se atravessar uma fase de transição e necessitada de tempo para estabilizar, ao mesmo tempo que anunciou total confiança no novo treinador. O que não se revelou suficiente para acalmar a tempestade, pois nas semanas seguintes não deve ter havido dia em que os canais de propaganda inimiga não adivinharam a inevitabilidade da ruptura...

O Benfica gerou o seu próprio monstro. Cobriu-o de dinheiro por causa da intromissão de alegados emissários, os quais juraram que, a Norte, o FC Porto estaria disposto a pagar o que fosse preciso para o receber, argumento que vingou em 2010, na Luz, com enquadramento televisivo e tudo, e que parece ter voltado a resultar, em Alvalade. Tenho dúvidas sobre a validade do esquema, sobretudo depois de o experiente e hábil presidente portista ter confirmado, sorridente, que é amigo do treinador que se queixa de todos o copiarem e que segue a sua carreira desde os tempos do Amora. Ou seja, para bom entendedor... 

Jesus foi campeão no Benfica em 2010, no ano seguinte ficou a 21 pontos do FC Porto, e em 2012 e 2013, aconteceu o que se conhece... Voltou a ganhar em 2014 e 2015 e como a última recordação é a que mais pesa percebe-se a razão da lamúria, quando resolveu mudar-se para o rival da Segunda Circular, mudança essa que, hoje, enche de gozo a águia e carrega de azia o leão. Para o ano é que é, prometem. Será? Talvez sim, talvez não, depende de vários factores. De toda a maneira julgo justificar-se a seguinte questão: nos anos em que trabalhou no Benfica, dado o forte investimento feito nos diferentes planteis, se tivesse sido ao contrário? Isto é, se Jesus entrasse a ganhar dois Campeonatos, depois perder três e no último ano conquistasse outro, será que a reacção do adepto encarnado seria a mesma? Provavelmente não. Reagiria mais friamente e concluiria que qualquer treinador competente, perante idênticas condições de trabalho, pior não teria feito..."

Fernando Guerra, in A Bola

Espinha dorsal

"Na semana passada, escrevi que, perante propostas como as que têm sido aventadas, o Benfica não deveria tentar segurar jogadores a todo o custo. Seria um erro. O futebol português não tem condições para cobrir ofertas em redor dos 30 milhões e mesmo que estas fossem recusadas, haveria que compensar salarialmente os atletas, pervertendo a coerência que deve existir na folha salarial de um clube.
A questão que se coloca hoje a um clube como o Benfica não é tanto segurar os seus activos, mas saber geri-los de forma a poder continuar a formar equipas vitoriosas.
A diferença do Benfica de hoje face a um passado mitificado não é a entrada e saída de jogadores em catadupa, com pouco amor à camisola. É que, ao contrário do que acontecia, os jogadores do Benfica passaram a ter mercado, quando há uma década ninguém lhes pegava. Esta mudança tem. aliás, um efeito muito positivo: o Benfica passou a ser atractivo para jovens talentos, de outras paragens, que sabem que aqui se podem valorizar.
Agora, como sempre acontece, a chave para o sucesso encontra-se no equilíbrio. O Benfica precisa de encontrar jovens talentos (um substituto para Gaitán, da mesma forma que Gaitán substituiu o, então, insubstituível Di Maria), mas tem também de preservar a espinha dorsal da equipa, de modo a que quem chega encontre elementos de continuidade. Daí que a manutenção no eixo central de Júlio César, Jardel, Fejsa e Jonas deva ser prioridade. Com eles em campo e no balneário, o 36 tornar-se-á mais fácil mesmo que saiam muitos jogadores e entrem outros tantos."

A festa vermelha do fim do mundo!

"Chama-se Filipe Duarte «capitão» do Benfica de Macau que assegurou esta época o tricampeonato da região. Foi jogador do Benfica de Lisboa e rumou ao Oriente depois de ter passado pelo... Oriental.

MACAU - «São muitas as memórias», começa por dizer. «Joguei no Benfica desde os Iniciados de 2.ª ano e fiz a formação até à equipa B sénior, fui campeão pelos Juvenis e Juniores. Para quem vinha de uma equipa pequenina como o Tenente Valdez, representar o Benfica é um sonho para qualquer jogador».
Depois seguiu para o Oriente do Oriente. Foi para Macau por causa da mulher que tinha lá a mãe e de um amigo advogado que já lá vivia. Decisão difícil da qual não se arrepende.
E vai contando: «O Futebol em Macau é diferente de todo o lado por onde passei. Infelizmente nenhum clube tem as suas próprias instalações, todos os campos de treino e estádios são do Governo, por isso não é fácil ter o estádio ou o campo de treino quando queremos. Temos três divisões de Futebol de 11, a I Divisão tem 10 equipas, a II Divisão 10 equipas e a III Divisão 12 equipas. Por isso não é fácil haver instalações e campos para todos treinarem. O Benfica de Macau foi a primeira equipa a ter totalmente profissional, a treinar todos os dias, fazer treino de ginásio, visualização de vídeos das equipas adversárias, etc. Quando cheguei a Macau há cinco anos só haviam duas equipas a lutar pelo título, neste momento temos cinco equipas que apostam para ser campeãs, muito também porque desde o ano passado que o campeão de Macau participa na pré-qualificação da AFC Cup (corresponde a uma Liga Europa da Ásia). Ainda há uma grande diferença das primeiras cinco equipas para as outras cinco equipas, não há o meio termo. Macau tem jogadores com qualidade, se calhar alguns podem jogar numa II Liga de Portugal ou mais».

Benfica de Macau galgando a passo e passo
O tema principal da nossa conversa é o Benfica, pois claro! Deixá-lo falar. Hoje, está página é dele: «O Benfica de Macau é uma equipa que começou na IV Divisão e subiu em todos os anos até à I Divisão. Foi aí que eu e outros portugueses (profissionais) chegamos ao clube. O Benfica está há cinco anos na I Divisão. No primeiro ano não ganhámos nada, no segundo ganhámos a Taça, no terceiro Campeonato e Taça, no quarto só o Campeonato e este ano já temos o Campeonato (a Taça ainda está a decorrer). O Benfica de Macau tem um presidente Macaense com descendentes portugueses e faz todo o possível para nos dar todas as condições dentro do quase impossível».
Benfica e Sporting também é uma rivalidade no delta do Rio das Pérolas. «Benfica - Sporting é uma rivalidade, em qualquer parte do mundo!», afirma Duarte. «Aqui não foge à regra, até porque há muitos portugueses em Macau. Não tem a mesma expressão, mas sempre que há um Benfica - Sporting há muita gente a comparecer no estádio».
Filipe Duarte não é apenas «capitão» do Benfica de Macau. Também é internacional pela Selecção do território. «A Selecção de Macau tem vindo a crescer, muito também porque o campeonato tem vindo a subir de nível, e porque neste momento já tem dois portugueses (eu e o Edgar). Não é muito ajudada pelo Governo da região e também não há muita vontade no crescimento do futebol no território (o que é um pouco estranho porque neste momento aqui ao lado na China está a haver um investimento enorme no Futebol). A Selecção aqui é quase uma equipa, treina todas as semanas uma e duas vezes por semana, tem treinador macaense e estrutura macaense. No final do próximo mês temos um apuramento para o campeonato Este-asiático, contra Taiwan, Mongólia e Ilhas Marianas. Empatamos em Março contra a Malásia no meu primeiro jogo oficial numa competição FIFA. Os jogadores macaenses são todos jogadores a part-time, infelizmente. Eu e o Edgar somos os primeiros profissionais a chegar à Selecção de Macau».
E o regresso? Para quando? «Voltar a Portugal vai ser difícil neste momento, enquanto o Benfica de Macau estiver nesta fase de crescimento. Neste momento tenho o sonho de conseguir passar à próxima fase da AFC Cup (entrar na fase grupos). Ainda há muito por conquistar na Ásia, no Benfica e mesmo na Selecção. Tenho a família em Macau, estamos bem aqui. Temos cartão de residência, já temos um pouco da nossa vida aqui. Sou Personal Trainer a part-time, estou nas Escolinhas do Benfica de Macau como treinador e coordenador. Enquanto o Benfica me der todas as condições para continuar a sonhar vou ficar por cá».
Um Benfica diferente. Tão, tão longe, no entanto, tri-campeão!"

Afonso de Melo, in O Benfica

A despedida do 'Capitão Coragem'

"Alas formadas pelas equipas do Benfica, Vitória de Setúbal e FC Porto e aplausos calorosos na despedida de Francisco Ferreira.

Três anos após a sua festa de homenagem, ensombrada pela tragédia do Torino FC realizou-se a festa de despedida de Francisco Ferreira.
A 7 de Setembro de 1952, era chegado o momento que todos esperavam... No Estádio Nacional, formaram-se alas compostas pelos jogadores do Benfica (A e B), Vitória de Setúbal e FC Porto, e milhares de pessoas aplaudiram a entrada do 'maior e mais popular «ídolo» do futebol português', que recebeu desta forma o carinho de todos os presentes na sua festa de despedida. A sua dedicação permitiu que Francisco Ferreira se tornasse 'o símbolo perfeito da popularidade imensa de que goza o seu Clube'.
Comparecem nesta despedida algumas das mais altas individualidades, incluindo o presidente da FIFA, Jules Rimet. Aos discursos proferidos por Ribeiro dos Reis e pelo homenageado, segui-se o encontro principal da tarde, entre o Benfica e o FC Porto. A escolha da equipa adversária foi criteriosa, uma vez que o FC Porto tinha sido a primeira equipa de Francisco Ferreira enquanto jogador da 1.ª categoria de Portugal, com apenas 17 anos. Mas foi no Benfica que 'à medida que o tempo decorria, Francisco Ferreira ia conquistando (...) um lugar de proeminência'.
Ao fim dos primeiros 15 minutos da partida, Francisco Ferreira, juntamente com Rogério - o novo capitão da equipa 'encarnada' - dirigiu-se ao banco para ir buscar o seu substituto, Fernando Calado. Acompanhado pela equipa, Francisco Ferreira deu uma volta de honra ao relvado do Estádio Nacional, 'ouvindo do público os últimos aplausos fortes, entusiastas e sinceros'.
O encontro entre as duas equipas prosseguiu e terminou com a vitória do Benfica por 1-0, com um golo de Corona.
Francisco Ferreira jogou 14 épocas de 'águia ao peito', entre 1938/39 e 1951/52. Conquistou quatro Campeonatos Nacionais, seis Taças de Portugal e um Campeonato de Lisboa. Foi capitão da equipa do Benfica na época 1939/40 e entre 1942/43 e 1951/52. A sua festa de despedida permite-nos perceber que foi um dos atletas mais idolatrados do seu tempo.
Pode saber mais sobre o 'capitão' Francisco Ferreira na área 23. Inesquecíveis do Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

O 'calcio' refém da 'máfia'

"1. A bênção da Santa da Misericórdia à legalização das apostas desportivas on-line é a abertura de uma caixa de Pandora donde poderão sair surpresas desagradáveis. Desde logo porque, sob a capa da legitimidade, permite eventuais operações manifestamente corruptas. Veja-se o exemplo das offshores cuja criação continha em si mesma fins meritórios e, ao invés, se converteram em esconderijos labirínticos de biliões provenientes de toda a espécie de crimes. A prova, mais uma, chega-nos de novo da Itália, onde a Procuradoria de Nápoles reabriu de modo dramático a chaga do calcioscommesse (apostas no futebol), que se considerava encerrado. Desta vez para dissipar em definitivo as poucas dúvidas sobre as ligações que tornam o futebol refém dos clãs mafiosos da camorra. A acção policial centra-se em Avellino, onde alguns jogadores do clube local da Série B são acusados de, com a conivência de colegas de outras equipas, terem intervindo na viciação de resultados em, pelo menos, seis jogos do campeonato. Para já não há indícios de que também os respectivos clubes estejam implicados, mas nada garante que não o possam estar. Tudo isto porque, pela facilidade que oferece, o futebol é o mais cobiçado de todos os ramos de actividade para reciclar dinheiro sujo.
2. É bom ouvir o presidente da FPF prometer um ataque cerrado à corrupção no futebol, bem como à tomada doutras providências que o tornem mais transparente. A meu ver, deveria começar pelo Conselho de Arbitragem que Vítor Pereira deixou desacreditado e num caos. O futebol é uma mercadoria muito especial que exige a aplicação rigorosa das leis penais e desportivas, mas também precisa de ser interpretado com bom-senso, que é uma lei não escrita. A maior das prioridades, porém, seria não transigir com os clubes que tivessem salários em atraso."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Para desmontar mitos e tabus

"Tenho, a partir de hoje, o grato prazer de colaborar com esta casa enquanto seu colunista. E esse privilégio permite-me tentar criar, neste espaço de opinião e reflexão, a oportunidade perfeita para esclarecer todos os que adoram futebol sobre algo que lhes é devido há muito tempo: a explicação sobre como funciona, de um modo geral, o mundo da arbitragem em Portugal.
Nesse sentido, o que se pretende é, de uma forma clara, livre e independente, tentar desmontar um conjunto de mitos e tabus relativamente a este universo. Porque muitas vezes, paz e guerra estão à distância de uma só palavra.
Uma das críticas mais fortes apontadas ao sector é precisamente essa. A de não haver palavras. Apenas falta de comunicação. E que essa opção - de silêncio teimoso - levanta suspeitas e ruídos desnecessários. Mas é importante que se perceba, antes de mais, que esse silêncio obedeceu, desde sempre, a duas regras. Uma por obrigação e outra por estratégia: a primeira resulta de uma imposição regulamentar internacional (a FIFA sempre proibiu intervenções técnicas). Nada a fazer quanto a isso. A segunda resulta de uma lógica facilmente perceptível: se as críticas destrutivas nunca paravam quando alguém do meio falava (fosse para defender uma posição ou para assumir um erro), a única resposta sensata era a de não dizer nada. Compreensivelmente.
Mas o que é certo é que estes são outros tempos. Esta é a era das redes sociais, do imediatismo da informação e das tecnologias, que agora chegam em força ao futebol. Hoje em dia, o silêncio não fala. É mudo. E permite interpretações dúbias, sobretudo se protagonizadas por uma classe constantemente sob suspeição.
O primeiro grande desafio do próximo Conselho de Arbitragem é pois o de vencer esses obstáculos. Da distância e do silêncio.
É o de tentar aproximar-se cada vez mais das exigências que o futebol moderno acarreta. É o de saber comunicar. Com inteligência e com estratégia. É o de abrir as portas da sua casa de forma serena, tranquila e acertada. Ponderada.
Porque o mundo do futebol duvida de tudo o que diz respeito à arbitragem. Duvida de processos classificativos, de critérios de nomeação e de formas de avaliação. Duvida do nomeador, do árbitro e do observador. E as dúvidas tendem a aumentar à medida que o sector tende a fechar-se.
Hoje em dia, muitos dos treinos das equipas são à porta aberta, as contratações são públicas e as conferências de imprensas de treinadores e jogadores abundam. Tudo para esclarecimento de quem verdadeiramente sustenta o futebol: o adepto e os respectivos patrocinadores.
Não faz por isso sentido que uma classe permanentemente sob suspeita seja a única a viver numa obtusa lei da rolha. Para seu benefício, tem que assumir postura precisamente oposta. Porque a partir do momento em que tudo se torne claro e transparente, só será desconfiado quem nunca gostou verdadeiramente de futebol."

Duarte Gomes, in A Bola

PS: Por acaso, até não acho que pôr os árbitros a 'falar' vá dar resultados positivos!!! O próprio Vítor Pereira, tentou fazer isso no início dos seus mandatos, mas as agendas próprias e a propaganda dos aldrabões que poluam o Tugão, acabam sempre por interpretar as palavras à sua maneira...!!! Quando temos gente a defender que o atropelamento do Naldo em Arouca, não era penalty, pôr os árbitros a explicar as suas decisões, não vai acrescentar muita coisa... bem pelo contrário!!!

Benfiquismo (CXX)

A última final da geração dos anos 60...
Um jogo onde podiamos ter ganho
nos últimos minutos no tempo regulamentar,
e acabámos por perder no prolongamento...!!!

Manchester United 4 - 1 Benfica
Wembley, 1967/68

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Oficial. Já há decisão sobre os jogos do Benfica

"Tudo como dantes. Jogos do Benfica em casa continuam na Benfica TV. Decisão obriga Meo, que ainda não tem garantido o canal na oferta, a negociar.

A NOS já decidiu sobre o canal que vai transmitir os jogos em casa do Benfica.
“Os jogos do Sport Lisboa e Benfica realizados em casa a partir da época 2016-2017 manter-se-ão no Benfica TV, canal que manterá o seu carácter premium”, informa a operadora em comunicado. Ou seja, praticamente seis meses depois de ter fechado um acordo com o clube da Luz para os direitos televisivos dos jogos durante 10 épocas desportivas e para a distribuição do Benfica TV por 400 milhões de euros, a NOS revela que nada vai mudar no que toca à transmissão dos jogos em casa.
Os jogos fora de casa mantêm-se como até aqui na SportTV, empresa detida a 50% pela NOS e pelo empresário Joaquim Oliveira.
Pressão sobre o Meo aumenta
A decisão aumenta a pressão sobre a PT/Meo para aceitar os termos do acordo fechado recentemente entre a NOS e a Vodafone: é que o Meo ainda não tem assegurado o Benfica TV na sua oferta para a próxima época.
Há cerca de duas semanas, as NOS e Vodafone anunciaram um memorando de entendimento que visa definir a forma como os conteúdos desportivos serão disponibilizados ao mercado. Um acordo baseado na reciprocidade e na não exclusividade dos conteúdos que sejam “actualmente detidos ou venham a ser adquiridos pelas partes, e a comparticipação nos custos (actuais e futuros) associados a estes conteúdos desportivos”.
NOS e Vodafone enviaram ainda cartas convidando Meo e Cabovisão à negociação, mas dentro dos termos definidos pelas duas empresas no memorando de entendimento. Com o acordo com a NOS, a Vodafone de Mário Vaz garantiu o Benfica TV na oferta da operadora, mas o actual acordo entre o Benfica e o Meo termina com esta época desportiva, obrigando a empresa a negociar com a NOS para assegurar o canal na sua oferta, num momento em que o clube acaba de se sagrar campeão nacional.
NOS e Meo têm estado numa intensa disputa em torno dos conteúdos de futebol, tendo o contacto do Meo junto dos clube motivado a entrada da NOS (através da NOS Lusomundo Audiovisuais) a entrar num campo até aqui de Joaquim Oliveira: os direitos de futebol.
NOS garantiu os jogos do Benfica e do Sporting, bem como os direitos de transmissão dos canais dos dois clubes, tendo a Meo fechado com o FC Porto, acordo que inclui o Porto Canal.
As negociações entre a Meo e a NOS em torno do Porto Canal azedaram as relações entre as duas empresas, com a Meo a suspender a emissão do sinal aos clientes da NOS e a operadora liderada por Miguel Almeida a avançar com uma providência cautelar, alegando perdas de cerca de 43 milhões."


PS: Para já parece que esta será a posição oficial da NOS. Mas até ao início do Campeonato em Agosto, ainda poderá haver alterações...
Pessoalmente, agrada-me que os jogos se mantenham na BTV (mesmo que na minha área de residência, não tenha a possibilidade de ter NOS!!!), mas como vou sempre há Luz!!!
Além disso os jogos do Benfica na Luz, na BTV, acabaram sempre com o Benfica Campeão!!! Coincidências...!!!

Omerta

Esperei alguns dias, para perceber até onde vai a vergonhosa cadeia de cumplicidades e amnésia da opinião futebolística no Tugão!
As notícias da condenação do ex-vice-presidente do SCP foram minimalistas. As colunas de opinião que se debruçaram sobre a 'douta' condenação, foram: BOLA!!!
Nada se passou...

Lendo o post anterior, até parece que a Lista única, candidata à FPF, promete, acabar com a impunidade no Tugão, mas como eu não sou ingénuo, não acredito em nada...

O homem que enquanto vice-presidente de um Clube, tentou corromper, ou acreditando na tese da defesa, tentou coagir a equipa de arbitragem, 'extrapolando as suas funções'... foi completamente ignorado, nas milhares horas de debate, com lixo futebolístico, nas nossas televisões!!!
O homem que obteve ilegalmente dados pessoais de praticamente todos os árbitros e árbitros-auxiliares do Tugão, aparentemente para uso pessoal e recreativo, sem qualquer maldade, foi totalmente ignorado pelos mérdias nacionais, tão ávidos de 'sangue' em tantos outros assuntos!!!

O Clube supostamente não pode ser condenado (assim achou a Justiça 'civil'!!!), o mais natural, será a Justiça desportiva chegar à mesma conclusão...!!!
Mas estou curioso, para ler o acórdão, sempre gostei de boas anedotas!!!

Ponto de partida

"Fernando Gomes apresentou o programa de recandidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Escolheu a sede do Comité Olímpico de Portugal para o fazer, opção carregada de simbolismo e muito bem acolhida por José Manuel Constantino.
Os compromissos assentam em quatro pilares essenciais. Transparência e credibilidade, crescimento e competitividade, conhecimento e formação, internacionalização e liderança.
Classificou o momento não como ponto de chegada, mas sim como ponto de partida, afirmando que na vida interessa sempre menos o que já fizemos do que aquilo que nos propomos fazer. Apresentou mais de 100 compromissos para cumprir nos próximos 4 anos, por um futebol mais transparente, ambicioso e sem ter medo do futuro, que de forma tranquila vai revolucionar, de forma transversal, o futebol em Portugal. Em Agosto na Supertaça Cândido de Oliveira será implementado de forma experimental o vídeo árbitro, sendo repetida a experiência nos jogos a partir dos quartos de final da Taça de Portugal.
Fernando Gomes assumiu uma luta sem tréguas aos batoteiros, dizendo que o nosso país não pode ser terreno fácil para os que buscam rendimento ilícito com o desporto. A lei 50/2007, que rege a corrupção deve ser imediatamente revista, passando a ser equivalente a qualquer outro ato de corrupção.
Corrupção é corrupção seja no desporto, nas empresas, no sector público ou privado. Nesta matéria só há um caminho e não dois.
Muita ambição neste novo ponto de partida, também no crescimento de 20% dos praticantes federados e na duplicação das atletas femininas, bem como na construção de um pavilhão para as selecções de futsal na Cidade do Futebol. Um novo caminho com todos até 2020."

Hermínio Loureiro, in A Bola

Benfiquismo (CXIX)

Um dos grandes símbolos da Mística dentro do actual balneário...!

Final da Taça de Portugal
Benfica 2 - 1 Sporting
1986/87

domingo, 29 de maio de 2016

Estamos mais perto da Final !

Burinhosa 2 - 6 Benfica

A grande vitória do Benfica nas visitas à Burinhosa, é chegar a Lisboa sem nenhuma perna partida!!! Tal é a 'intensidade' colocada em jogo pelos jogadores da casa!!! É incrível a quantidade de pau que esta equipa dá... E mesmo assim chegaram ao fim do jogo a 'chorar'!!! Apesar de vários vermelhos terem ficado no bolso...!!!

O Welton vale 80% do Burionhosa, com o duplo-amarelo mais do que justo, o Benfica acabou por fechar o jogo... Até aí, o jogo estava complicado... Depois, até deu para alguns grandes golos, e jogadas de bom Futsal...
Agora na Luz, temos que 'acabar' as Meias-finais no segundo jogo...



PS: Na outra meia-final o Braga venceu a Lagartada!!!!! Julgo que o Sporting em Odivelas vai dar a volta a eliminatória, com menor ou maior dificuldade... mas este resultado, pelo menos, mostra que não existem invencíveis no desporto...

Tri-Tri !!!

Académica 1 - 5 Benfica

Pelo terceiro ano consecutivo, as nossas meninas do Hóquei conseguiram o Triplete: Campeonato (Tetra), Taça e Supertaça!!!

Depois do título de Campeão ter sido algo 'esquecido' devido ao Tricampeonato do Futebol e ao título Europeu do Hóquei masculino, hoje, mais uma vitória com direito a 'Caneco'!!!

Para a época ser perfeita só faltou o título Europeu, mas algumas saídas em relação ao ano passado, acabou por ser fatal... já se fala em alguns regressos, vamos ver como será! Com este domínio interno, só temos que olhar para a Europa...

3.º lugar

Voltámos a conquistar o 3.º lugar na Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo no sector masculino, numa prova realizada na Turquia, em Mersin.

Não está fácil chegar ao Ouro, os Espanhóis e os Turcos, com alguns 'reforços' estrangeiros acabam sempre por chegar a esta prova muito fortes (o Sporting ganhou no sector feminino usando esse 'esquema' da contratação de estrangeiras para o 'fim-de-semana'!!!)... enquanto isso o Benfica, com 100% atletas da 'casa', ainda temos tido sempre algum azar com ausências importantes e momentos de forma menos bons de alguns atletas, que têm objectivos maiores na época de Verão.
O Nélson por exemplo acabou por desiludir, mas o grande objectivo da época, são os Jogos Olímpicos!

100m: Bruno Barros - 3.º - 10s 51
200m: Bruno Barros - 2.º - 21s 12
110m barr: Rasul Dabó - 4.º - 14s 27
400m: André Marques - 5.º - 49s 01
400m barr.: André de Sá - 3.º - 54s 77
800m: Emanuel Rolim - 2.º - 1m 51s 39
1500m: Hélio Gomes - 2.º - 3m 41s 85
3000m: Hélio Gomes - 2.º - 7m 56s 62
3000m obs.: Luís Borges - 3.º - 8m 55s 55
5000m: Rui Pinto - 3.º - 14m 24s 85
4x100m: equipa - 2.º - 40s 22
4x400m: equipa - 3.º - 3m 12s 62
Peso: Tsanko Arnaudov - 1.º - 20,04m
Disco: Jorge Grave - 4.º - 55,00m
Dardo: Samuel Remédios - 5.º - 43,63m
Vara: Diogo Ferreira - 1.ª - 5,55m
Altura: Paulo Conceição - 2.º - 2,22m
Comprimento: Marcos Chuva - 4.º - 7,42m
Triplo Salto: Nélson Évora - 3.º - 16,00m



Juvenis - 1.ª jornada - Fase Final

Benfica 5 - 0 Braga
Zé Gomes(2), Silva, Soares, Félix


Sem hipóteses, mesmo dando descanso a alguns dos recentes Campeões Europeus, goleámos...
Recordo que recentemente perdemos um Campeonato de Juvenis, devido ao desgaste das Selecções, era muito importante entrar forte...
Apesar da goleada, não gostei de alguma falta de ligação entre os sectores em alguns momentos... o facto de haver jogadores que fizeram a época nos Juniores; outros que ainda são Juvenis de 1.º ano; e ainda alguns jogadores que foram contratados este ano, não ajuda... O Gedson e o Jota em condições normais são titulares!

PS1: Parabéns aos nossos Iniciados A, que depois do título de Campeões, continuam a vencer, desta vez na Holanda num Torneio Internacional com várias equipas com 'canteras' famosas!!!
Em Itália, tivemos uma equipa de Infantis, que chegou à Final do torneio, perdendo depois nos penalty's!

PS2: Em Toulon Portugal terminou em 3.º lugar com muitos Benfiquistas em campo... foi pena aquele 1.º jogo com a Inglaterra, onde não merecíamos ter perdido...

O andor, o santo e os fiéis

"O andor saiu novamente à rua, uns anos depois da epístola original, em procissão lá para os sítios da Ajuda e das suas protecções terrenas. O cetim brilhante, a madeira trabalhada e as flores viçosas não podiam enganar: o santo renovava as suas esperanças e almejava-se atingir o altar das preces. Vigiado pelos acólitos que o santificam com veneração e pelos escriturários das atas da diocese, rogava-se mais uma vez o sacrifício de não se gaguejar com a saliva e - missão treinada sem dó - transmitir sem balbuciar a mensagem renovada aos fiéis. Não só os fiéis das vestes, mas também alguns novos pagadores de promessas, a investir para a função e para a remoção dos desgastados.
A procissão tem o seu momento de maior fervor quando se anuncia o rol de pressupostos do mundo novo. Geralmente aqueles que já deviam ter sido mais do que feitos e plenos e, em cada procissão, aparecem como algo de transcendental aos crentes e aos divulgadores do dia seguinte. Depois alguém se incumbirá de registar que se fez tudo o que se prometeu e dar-se conta da boa nova. Com a graça de quem manda. A santificação beneficia da ignorância e da ausência de memória. Os paroquianos são assim, sempre se pensa que se engolem pela vista, pelos banquetes e pelas obras da diocese. Depois resta afiar as facas. No entanto, os acólitos que enchem de ideias a bula diária não descansam na promessa de fundo: deixar de partilhar o poder com a mais relevante paróquia, com secretária lá para os sítios de cima, que organiza as procissões mais vistosas. Há já quem entenda nessa paróquia que o melhor é entregar as suas procissões a quem folga no cofre e está forte na imagem. Há que forçar a vontade. Há que não deixar sem mão a fé de quem não acredita. Há que alargar a procissão e munir todos por igual com a esperança redentora.
Nota-se quem carrega o andor nos ombros pela primeira vez. Quem troque os olhos com fito e trace a perna em modo incómodo. São os apóstolos cimeiros das confrarias, que vão atrás, ficando à frente. Os paroquianos têm esperança em ver neles uma nova luz, uma outra transparência, uma certa urgência ou um oportuno adiamento ou, apenas e só, uma sorte na nomeação. Sentem que o andor tem caminho. A caminhada ainda vai a meio. O paraíso não deve tardar.
Mais um ciclo se aproxima na Federação do futebol. Com uma agenda escondida, um Estado relapso e a última batalha por fazer. Entre dentes, sussurra-se na procissão da Ajuda: devagar com o andor que o santo é de barro."

Tudo o que eu te dou

"1. Pedro Abrunhosa, um dos grandes nomes da nossa música contemporânea, adaptou um dos seus maiores êxitos para hino da nossa selecção para o Europeu de França. Europeu que, desde ontem, desde a final espanhola da Liga dos Campeões, prenderá as nossas atenções. Sem prejuízo de deitarmos o cuidadoso nosso olhar para a Copa América em razão da participação de alguns nomes grandes que nos deliciaram nos nossos relvados ou que, em razão da sua classe, exigem a atenção de qualquer apaixonado adepto do futebol. Com Pedro Abrunhosa, nos nossos estádios e nos estádios de França que vão receber a nossa selecção, não deixaremos de cantar Tudo o que eu te dou. Somos Portugal. Há vinte e três anos que milhões de portugueses cantam esta canção. Não sei quantos milhões foram. Se já foram onze milhões como proclama, e bem, a campanha de envolvimento - «unir e galvanizar», nas sugestivas palavras de Tiago Craveiro - que a Federação Portuguesa de Futebol desenvolveu. De Lisboa a Sintra. De Viseu ao Porto. Da Mêda a Coimbra. Do Funchal a Angra do Heroísmo. O que sei é que esta nova versão de um tema que em cada espectáculo envolve Pedro Abrunhosa com os seus públicos, bem fiéis, vai marcar o arranque deste Verão. Desde já no Dragão. Depois na Luz no final deste estágio de preparação. E, depois, em diferentes estádios de França. E digo diferentes com a convicção de que esta selecção vai longe neste Europeu. Dando tudo. Tudo mesmo!
2. Ao mesmo tempo que as selecções prenderão a nossa atenção não deixaremos de acompanhar este mercado de Verão no que respeita a transferências. As mudanças de treinadores estão a acontecer. Em Manchester será uma disputa entre Mourinho e Guardiola. O que será uma disputa especial no habitual confronto de sete quilómetros entre o City e o United. Entre nós, mais de metade dos clubes da nossa principal Liga mudaram de treinador. Agora é o tempo da composição dos plantéis. Ou, em certos casos, da recomposição dos plantéis. Mas não se pressentindo que os milhões anunciados dos direitos televisivos - em regra apenas após 2018 e sem que se saiba, por ora, o que pensa a Autoridade da Concorrência dos contratos celebrados e que estará a analisar com o seu habitual cuidado e a sua costumada prudência - estejam a ser antecipados! O que significa que, a não ser que haja acesso a mercados financeiros não europeus, os milhões das televisões podem servir apenas de relativa emergência de tesouraria. O que em alguns casos é um imenso alívio e ajuda alguns novos treinadores a momentos de sentida alegria. Mesmo que o empolgamento venha a ser breve! É caso para dizermos, também aqui, que «tudo o que eu te dou» é para um bom arranque de época. E permitam-me que sublinhe, entre todos os novos treinadores, o regresso do José Couceiro ao Vitória de Setúbal. Durante muitas quintas feiras convivi com ele na Bola TV. Para além de ler, todas as semanas, a sua coluna neste jornal. Aprendi muito com ele quer no confronto de ideias quer nos textos aqui inseridos. E testemunho que tem visão, sentido estratégico e, acima de tudo, uma consciente e profunda liberdade de análise. Acerca do jogo e dos seus intervenientes. Acerca do futebol e da sua indústria. Acerca do mundo e das suas questões. Acerca do futebol português no seu todo e dos seus desafios e dos seus constrangimentos. Na certeza, como ele escreveu na passada sexta feira, de que «não há jogador, treinador ou presidente que ganhe sozinho; essa é a lição». Que o José Couceiro, também ele, nos dá!
3. Falemos, agora, daquilo que pode acontecer na participação portuguesa nos próximos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O seleccionador nacional Rui Jorge já deve ter elaborado a lista alargada dos pré-convocados. Mas o que sabemos é que a FIFA, através de uma sua circular, proclama que os Jogos Olímpicos não constam do calendário internacional do futebol «uma vez que possuem uma natureza única e específica». Em face do calendário europeu do futebol em Agosto, sabemos que estão marcadas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões e da Liga Europa. E há muitos clubes que ambicionam marcar presença nas duas fases de grupos destas duas importantes competições europeias. Assim acredito que alguns - serão mesmo só alguns? - não aceitarão facilmente ceder jogadores a diferentes selecções nacionais para o torneio olímpico. Sabendo, até, que, em momento anterior, o Tribunal Arbitral do Desporto entendeu que nenhum clube está sujeito a uma obrigação de cedência de jogadores para participação no torneio olímpico de futebol. Nós conquistámos, após largo tempo de ausência, com muito orgulho, o direito de participar nestes Jogos na modalidade de futebol. Mas importa, agora, que a generalidade dos clubes já têm treinadores para a próxima época, iniciar uma verdadeira negociação diplomática com os clubes detentores dos direitos desportivos e económicos dos jogadores que Rui Jorge, legitimamente, ambiciona levar para a Aldeia Olímpica. Negociação que deve envolver o Comité Olímpico e, também, a Federação Portuguesa de Futebol. Local onde, aliás, o Doutor Fernando Gomes apresentou as linhas estratégicas do seu próximo mandato. E sem se falar, aqui e, da carta aberta que um conjunto de reputados cientistas enviou à Organização Mundial de Saúde no qual se sugere o adiamento ou a mudança de sede dos Jogos - em razão dos casos de zika no Brasil e que poderá tornar a epidemia um problema global. Mas, e regressando aos possíveis convocados, e sem aquela negociação de bastidores pode acontecer que Rui Jorge não tenha, nestes Jogos, todos aqueles que «sonhava ter». «Nem tudo te dou», dirão muitos clubes da Europa às diferentes selecções olímpicas. Mesmo alguns portugueses, acredito. Os nomes dos escolhidos e aceites são, nos próximos tempos, o principal desafio de Rui Jorge. Com a nossa convicção que temos equipa, se completa, para lutar por uma medalha nestes Jogos! Com a nota que o torneio olímpico de futebol começa em dia anterior à cerimónia de abertura destes Jogos que o Rio de Janeiro, mesmo com as crise política, económica e social que atingem o Brasil, quer acolher com todo o orgulho. Com a consciência de que «nem tudo que eu te dou tu me dás a mim»!
4. Como o Pedro Abrunhosa, «eu já sei». «Somos mais fortes. Coragem e ambição. Voamos mais alto. O meu nome é Selecção.» Todas as selecções! Todas mesmo! De Junho a finais de Agosto!"

Fernando Seara, in A Bola

Benfiquismo (CXVIII)

A minha primeira grande desilusão na Luz!!!
Benfica 1 - 2 Sporting
1985/86

História pessoal engraçada, nesta tarde de má memória:
Com o Benfica a jogar mal, um dos parceiros de bancada, critica a equipa,
outro colega em voz alta, 'atira':
'temos um sportinguista no meio da gente'!!!
Ao intervalo, o critico desaparece...!!!
O Benfica perde o jogo, e perde o Campeonato...
quando chegamos ao carro, junto das barracas,
está o 'desaparecido' a emborcar morangueiros (foi assim toda a 2.ª parte)
e no intervalo dos 'penalty's', atira com voz indignada e língua enrolada:
'já me chamaram de paneleiro, já me chamaram de comunista... agora de sportinguista, nunca me tinham chamado!!!'

Em alta...!!!

Agora a sério

"Medidas pela melhoria da integridade do "negócio" impõem outro mercado
A meio da semana que conta as horas para se despedir, Fernando Gomes expôs o programa para governar a Federação Portuguesa de Futebol no mandato que se iniciará em Junho, garantindo que, em nome da transparência, os relatórios dos árbitros das competições profissionais e não profissionais serão tornados públicos na próxima época (após cada jornada), e o mesmo acontecerá com os acórdãos dos órgãos disciplinares.
Além disso, atravessou-se pela aceleração de prazos e diligências processuais, revelando ainda a intenção de publicitar anualmente as transacções de jogadores feitas por intermediários e o dinheiro em causa.
Há muito reclamado, o pacote intervencionista é também uma advertência por antecipação, visando clubes de todos os tamanhos, sim, mas especialmente os grandes, cuja força é capaz de desencadear protestos duradouros e ensurdecedores, na tentativa de remediar fora o que lhes escapa dentro de campo.
O mercado de transferências está aí e este, pelas razões acima reproduzidas, tem tudo para ser diferente, isto é, para suscitar aos responsáveis das principais cores nacionais (não só, mas sobretudo) uma abordagem mais criteriosa e, como gostam de dizer, "cirúrgica" no recrutamento. Porque o escrutínio será maior, a todos os níveis.
Um exemplo: contratar a peso de ouro, em Inglaterra, jogadores com pouca disposição para esforços será péssima ideia. Tal como adicionar avançados que nada acrescentem, ou porque fogem ao modelo ou porque a qualidade lhes foge. Ou ainda, em recurso, contratar uma defesa nova porque a anterior faz nascer amêndoas na garganta."

Gigantes !!!

Benfica 34 - 32 ABC
(2-2)
(12-12, 16-16, 6-4)

Independentemente do que acontecer na Quarta-feira em Braga, esta equipa merece todos os nossos elogios. Estamos a jogar a um nível, muito superior aquilo que era expectável no início da época!
Depois da roubalheira época, no jogo 3, hoje voltámos a ser vitimas de uma roubalheira descarada...!!! Não foi incompetência, esta gente é mesmo Corrupta. Aquilo que se passou nos últimos 5 minutos do tempo regulamentar é demasiado grave, para ser só um mau dia... E apesar da vitória no final, acho que o Benfica errou: o Benfica não devia ter regressado para jogar o prolongamento.
Nicolau/Caçador são 'amigos' de longa data, nada disto é surpreendente, mas muito sinceramente já não tenho paciência para esta gentalha...
Não deixa de ser engraçado, que o ABC durante a época, até as Meias-finais, foi a equipa com mais exclusões do Campeonato, então nos jogos com os principais candidatos, eram 2 minutos em catadupa... chegados à Final, 'transformaram-se' na equipa menos faltosa no Mundo!!!
Este jogo também serviu para provar, que o Benfica é a equipa que mais vezes sofre Livres de 7 metros, no último segundo das partidas... é uma daquelas tradições!!!
A roubalheira hoje foi tanta, que no prolongamento, em alguns momentos, até me pareceu que alguns jogadores do ABC estavam 'incomodados' com o que se estava a passar!!!

E agora, na negra, além das agressões aos nossos jogadores no Túnel que já aconteceram no jogo 3, cuspidelas constantes para o Banco, dirigentes do ABC em cima da Mesa o jogo todo, simulações constantes... e todos os outros esquemas possíveis e imaginários, os nossos Gigantes têm que perceber que estamos a um jogo de fazer a 1.ª Dobradinha da história do Andebol do Benfica!!!

Sendo que as ameaças à nossa equipa e aos nossos adeptos já começaram... são os famosos 'ambientes' de guerra civil, típicos de países do 3.º Mundo, mas é isso que vamos ter na Quarta, garantidamente...

PS: Decorreu hoje em Lisboa o Campeonato da Europa de Triatlo. João Pereira (6.ª) e João Silva (7.º) 'representaram' o Benfica!
Mais uma vez os nossos triatletas não conseguiram entrar no grupo da frente no segmento de Ciclismo, e assim começaram a Corrida, com mais de 1 minuto de atraso...
No grande objectivo da época, os Jogos Olímpicos, é essencial sair da Natação com os da frente... já são demasiadas provas, onde o resultado final ficou aquém do esperado, devido a esta situação!

sábado, 28 de maio de 2016

Acabou!

Corruptos 93 - 85 Benfica
22-25, 23-14, 21-19, 27-27

Derrota esperada.
A única coisa que me apraz dizer neste momento, é que espero muito sinceramente, que exista capacidade de auto-avaliação suficiente, para perceber que esta secção precisa urgentemente de mudanças profundas.

Esclareço que nada me move contra o Carlos Lisboa, bem pelo contrário, o jogador Carlos Lisboa será eterno... o treinador Carlos Lisboa, num contexto muito especial, também conquistou muitos títulos para o Benfica, mas contexto mudou...!!!

Benfica mais perto de continuar a jogar na BTV

"Jogos na Luz deverão ficar pelo menos mais um ano na BTV para pressionar a MEO a ceder na guerra pelos direitos desportivos. E a NOS estuda entrada de novo accionista na SportTV

Os jogos do Benfica em casa na Liga portuguesa deverão continuar a ser emitidos no canal BTV durante a próxima época. A administração da operadora NOS — que comprou em dezembro os direitos de emissão dos jogos do Benfica e os direitos de distribuição da BTV — não comenta o assunto, mas o Expresso sabe que a decisão está praticamente fechada e que deverá ser anunciada em breve pela NOS e pelo Benfica. 
Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, o plano prevê que o canal continue, por isso, a ser pago durante pelo menos mais um ano e que mantenha, além dos jogos do Benfica, os direitos de emissão das ligas italiana e francesa. Só a Liga inglesa é que sai do canal, por ter sido entretanto readquirida pela SportTV.
Depois de ter fechado o acordo para a compra dos direitos do Benfica e da BTV — num contrato que pode durar até 10 anos e um valor na ordem dos €400 milhões —, a NOS manteve em aberto vários cenários para a emissão dos jogos do clube encarnado. O mais forte era o regresso destes conteúdos à SportTV, canal detido a 50% pela NOS e por Joaquim Oliveira, e de onde o Benfica tinha saído em 2012 depois de recusar €22 milhões/época para renovar o contrato.
Mas o braço de ferro que a NOS está a travar com a MEO para a garantia do acesso a todos os conteúdos desportivos detidos por cada operadora — e que já levou a MEO a suspender o acesso da NOS ao Porto Canal — fez com que a operadora liderada por Miguel Almeida alterasse os seus planos iniciais para os jogos do Benfica.
Na base desta estratégia está o facto de a MEO ter um contrato de distribuição da SportTV assegurado para as próximas épocas, enquanto o contrato de distribuição da BTV termina a 30 de Junho deste ano. Ou seja, se os jogos do Benfica regressassem agora à SportTV, a MEO tinha acesso automático garantido a esse conteúdo. Mas se os jogos do clube encarnado se mantiverem na BTV, a NOS pressiona a MEO a aceitar as suas condições para a partilha de conteúdos desportivos.
Um dos passos centrais nesta estratégia foi dado na semana passada, quando a NOS e a Vodafone divulgaram um acordo para a partilha recíproca de conteúdos desportivos detidos pelas duas operadoras. Um acordo que produzirá os seus efeitos já a partir da próxima época e que, como referia o comunicado, garante que os clientes da NOS e da Vodafone terão acesso à BTV e aos jogos do Benfica em casa “independentemente do canal onde estes jogos sejam transmitidos”.
Com este acordo, que foi elogiado pela Autoridade da Concorrência (AdC), a NOS consegue não só dar sequência à ideia que sempre defendeu sobre os conteúdos desportivos não serem exclusivo de nenhuma operadora como também ‘atar’ a MEO à contingência de aceitar as condições que a Vodafone já aceitou para aceder aos jogos do Benfica caso estes se mantenham na BTV. Caso contrário, os subscritores da MEO deixam de ter acesso aos jogos do Benfica em casa.

Novo accionista na SportTV?
Em paralelo a este dossiê, a NOS está também a avaliar a entrada de novos accionistas no capital da SportTV. A operadora não comenta o assunto, mas o Expresso sabe que a possível dispersão do actual capital detido a 50% pela NOS e por Joaquim Oliveira está a ser estudada e que o tema, embora numa fase embrionária, terá sido abordado com a Vodafone no âmbito das negociações para o recente acordo de partilha de conteúdos assinado pelas operadoras. A Vodafone e a Controlinveste de Joaquim Oliveira também não estiveram disponíveis para comentar.
A dispersão de capital da SportTV por novos accionistas já foi tentada em 2013, quando a NOS (ainda no formato ZON), anunciou um acordo com a PT (na era pré-Altice) para que esta comprasse 25% da sua participação no canal. Nesse acordo, Oliveira manteria a sua participação intacta, mas incluiria no perímetro da SportTV as empresas Sportinveste Multimédia e PPTV, o que implicaria na prática a repartição com a NOS e a PT dos direitos de futebol que então detinha.
O acordo foi no entanto chumbado em 2014 pela AdC, por entender que era “susceptível de criar entraves significativos à concorrência” no mercado de direitos desportivos. Algo que, segundo as fontes ouvidas pelo Expresso, não se colocaria no actual contexto se a dispersão de capital fosse feita com um operador como a Vodafone.
O objectivo da NOS neste plano é encontrar parceiros para uma ampla reestruturação da SportTV, que tem acumulado resultados negativos nos últimos anos. Só em 2015 os prejuízos do canal superaram os €10,3 milhões. No ano anterior tinham sido de €6,2 milhões."

Ainda em 'ressaca' !!!

Corruptos 6 - 2 Benfica

Ainda a recuperar dos festejos do Bi e do título Europeu, o Benfica perdeu a invencibilidade no Campeonato.
Não é grave, mas estas descompressões são perigosas, ainda temos a Taça para vencer...

PS: As meninas venceram por 4-1 o Staurt de Massamá, nas Meias-finais da Taça de Portugal, amanhã temos a Final da Taça, contra a Académica de Coimbra...

Empate...

Benfica 1 - 1 Corruptos

Zoblin; Cabral, Escoval, Ferro, Amaral; Pereira, Lourenço (Zidane),  Mendes; Jorginho (Leo Natel), Dias; Alfa

Muitas ausências, entre lesionados, castigados e jogadores nas Selecções... num jogo fraquinho, onde estivemos na frente, mas permitimos o empate...
Mesmo assim, com o empate dos Lagartos em Belém, os Corruptos são os prováveis Campeões!

Santos e boas maneiras

"A época terminou com Maxi Pereira a falhar o penálti que manteria o Porto vivo no Jamor e houve muito benfiquista que rejubilou com a justiça poética do momento infeliz do uruguaio. Maxi merece fazer da carreira o que entender mas não merecerá, certamente, a inclemência dos benfiquistas porque foi um profissional inquestionável no período em que vestiu a camisola encarnada.
Aliás, foi ele o primeiro jogador do Benfica a vestir a camisola oficial de 2015/16 com o logótipo da Fly Emirates na cerimónia de apresentação do distinto patrocinador. Foi a primeira e a única vez que a vestiu, porque assinaria contrato com o Porto pouco depois. Ainda assim, já portista por opção, levou a camisola do Benfica para as férias gozadas no Uruguai e, quiçá insensatamente, depositou-a aos pés da imagem de Santo Cono, um santo da sua predileção na sua terra natal. Santo Cono nunca falha, essa é que é essa.
No domingo passado o Sporting de Braga levou para casa a Taça de Portugal. Terminada a função, o treinador do Porto não foi especialmente eloquente - nem podia ser, não é?...- mas, registe-se, não deixou de exibir o fair play possível naquela hora aziaga: "Resta-me dar os parabéns ao Braga", disse José Peseiro. E disse muito bem.
Ainda no domínio das coisas bem ditas... a meio da semana o treinador do Benfica multiplicou-se em entrevistas e sempre que questionado sobre a imensa trabalheira que o Sporting deu esta época aos tricampeões nacionais, não se escusou a confessar que, pela sua parte, daria com naturalidade os "parabéns ao Sporting" se, eventualmente, os rivais tivessem terminado o campeonato no primeiro lugar.
Prosseguindo no campo do desportivismo também Iker Casillas, na véspera da final do Jamor, deu os parabéns ao Benfica pela conquista do título. Todo este arraial de boa educação terá começado, há duas semanas, quando o presidente do Benfica elogiou o comportamento da equipa de Jorge Jesus na Liga, dando os parabéns à equipa e aos adeptos de Alvalade.
Foi assim que a temporada oficial fechou no nosso país: um triunfo total das boas maneiras e do respeito pelos adversários a contrastar com o ambiente doentiamente odioso que prevaleceu ao longo de 2015/16. É virtude dos responsáveis péssimos fazer com que os demais surjam como mais do que aceitáveis aos olhos de toda a gente. Foi o que aconteceu."

Benfiquismo (CXVII)

A transbordar...

Ser Benfiquista...

Claramente, a melhor equipa

"A próxima Supertaça será disputada entre Benfica e Sporting de Braga. Houve justiça. Foram as duas melhores equipas da temporada. Com a conquista da Taça da Liga (sete em nove edições) por parte do Benfica, com a goleada de 6-2, e com a vitória do Sporting de Braga no Jamor, reeditando o sonho de 50 anos volvidos, ficou claro o quadro da época.
Um Braga a lutar em todas as frentes internas (caiu apenas na meia-final da Taça da Liga e frente ao vencedor), com uma interessante prestação europeia, que finaliza com a conquista no Jamor, merece esse feito.
O Benfica ganhou o mais importante, o campeonato nacional, fez a melhor prestação europeia das equipas portuguesas, venceu a Taça da Liga, sendo a única equipa a vencer dois títulos nesta época, foi claramente a equipa do ano.
Haverá maré vermelha na Supertaça, troféu pouco importante por si mesmo, mas muito revelador de quem foram os melhores desta temporada. O Benfica está novamente habituadinho a vencer. Oito dos últimos doze títulos nacionais estão no Museu Cosme Damião. Em resumo, o dobro dos outros todos juntos.
Em Coimbra foi uma festa muito bonita, num jogo de goleada e que somou momentos para a eternidade. Quando Nico saí ao minuto 78 lavado em lágrimas por ser a última vez que vestia o manto sagrado, sussurrou-nos no coração aquilo que nós sabemos. Quem por aqui passa, sai apaixonado. Muito bonita a saída do mágico. Como foi reveladora a festa de Renato Sanches. Quase uma hora depois do apito final, o Municipal de Coimbra estava repleto, e a festa continuava sem ninguém sair. Rui Vitória termina a época merecedor de todos os elogios e começará a próxima merecedor credor de todos os créditos.
Que maravilhoso defeso. Enquanto outros gerem as crises nós aguardamos pela data e local da Supertaça, para poder comparecer nos sítios onde se escreve história."

Sílvio Cervan, in A Bola

PS: A Supertaça, será em Aveiro, no dia 7 de Agosto.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Pode acabar amanhã!

Corruptos 98 - 89 Benfica
(2-1)
33-24, 19-25, 22-18, 24-22


Mais do mesmo, e a confirmação que o jogo 2, foi mesmo um acidente (e incompetência dos Corruptos)!
Muito sinceramente, isto o melhor é acabar depressa!!!


Começamos mal, ainda conseguimos equilibrar, mas nos momentos decisivos, fomos ridículos!
Não defendemos, e o ataque é o Cook contra todos (o Cook acabou com 33% nos 2; e 31% nos Triplos; um total de 10/30 nos lançamentos...)!!!
As percentagens da equipa nos lançamentos de 2  é absurda!
O mais incrível, é que depois de tantos erros, até estivemos perto de dar a volta ao marcador!!!!!!!!

Mais uma para o museu

"Compreendo a antipatia pela Taça da Liga demonstrada pelos (chamados) nossos rivais. Em nove edições da competição, triunfámos sete vezes, o que se traduz num palmarés à Benfica, pelo menos aquele sonhado pelos Benfiquistas.
Será este pecúlio reflexo do desdém dos adversários pela prova? Não, evidentemente. É verdade que, em determinadas ocasiões, poderá ter havido um certo desinteresse por parte do FC Porto e Sporting, mas convém notar que, na prática, tem havido, todos os anos, o mesmo "desinteresse" do lado do Benfica. Se prestarmos atenção à estatística, verificaremos que, entre os nossos atletas mais utilizados na competição em 2015/16 (e o mesmo se aplica a todas as temporadas), constam, entre outros, Ederson, Lindelof, Sílvio, Gonçalo Guedes, Talisca, Carcela e Jiménez. Ou seja, e tendo em conta que Ederson e Lindelof ainda não tinham sido utilizados antes do início da fase de grupos, são jogadores que não foram titulares indiscutíveis ao longo da época. Os nossos principais adversários, ao se servirem desta desculpa, não estão mais que a reconhecer que, afinal, os seus propalados grandes plantéis não o são em boa verdade quando comparados com o nosso. Além disso, sendo uma prova em que os maiores clubes disputam cinco jogos para a vencer, é mais importante que a Supertaça, que se limita a uma partida realizada no início da temporada. Por mim, longa vida à Taça da Liga. Os portistas e sportinguistas, se algum dia o seu clube vier a conquistar este título, terão oportunidade de o apreciar. Até lá, reagirão com falso desinteresse e inveja indisfarçável.

P.S.: Portugal campeão da Europa Sub-17 e José Gomes melhor marcador de sempre da competição com sete golos!"

João Tomaz, in O Benfica

Um por todos

"Seria fácil dizer agora que sempre acreditei. Que, também eu, era um entusiasta da aposta na Formação. Que vira com bons olhos a substituição de um treinador campeão. Que olhara sem desconfianças para uma alteração de paradigma, justamente quando começávamos a vencer com regularidade.
Estaria a mentir.
Na verdade, foi com bastante cepticismo que encarei as mudanças do Verão passado. E quando, a poucos dias do Natal, estávamos a sete pontos do Sporting, e a cinco do FC Porto, não apostaria um fósforo na possibilidade do Tri. Não fosse uma carreira europeia prometedora, e dava, nessa altura, a época como morta.
Nada melhor do que ser desmentido pelos factos quando estes superam as nossas melhores expectativas. E este Benfica superou tudo aquilo que eu perspectivara.
Na altura, muitos pensavam como eu. Mas houve um (aquele que interessava, aquele que decidia) que se manteve absolutamente fiel às suas convicções. Que, com grande coragem, insistiu no caminho que sabia ser o melhor para o Clube.
Este título é de muita gente. É de um técnico que, para além de enorme competência, soube manter uma atitude que nos orgulha. É de todos os benfiquistas, mesmo daqueles que, como eu, tinham poucas certezas quanto à forma de lá chegar. Mas este título é, sobretudo, de Luís Filipe Vieira.
O nosso presidente apostou forte. Arriscou muito. E, seguindo a sua convicção, venceu em toda a linha. A obra feita no Benfica já falava por si. Este campeonato, a forma como foi ganho, e tudo aquilo que nos mostrou, tornou óbvia uma certeza: Vieira é o presidente mais marcante dos 112 anos de história do nosso Clube."

Luís Fialho, in O Benfica

Fica, Gaitán!

"Ver as lágrimas de Nico Gaitán no banco de suplentes, em Coimbra, depois de ter feito mais um grande jogo - provavelmente o último - pelo Glorioso fez-me chegar a uma conclusão: eu nunca serei um bom gestor. Por mim, nesse momento, o mágico número 10 nunca mais sairia do SL Benfica. Não haveria 25 nem 45 milhões que me fizessem mudar de opinião. Nem trocas de jogadores, nem pressões dos empresários para ganhar comissões, ou outras complicações.
Um jogador de Futebol dos nossos dias que chora daquela forma e que sente de maneira tão própria a realidade do nosso Clube teria que ser recompensado. Até imagino a conversa: "Então, Nico, que se passa? Não quero sair, estou bem aqui, amo este Clube, a cidade, as pessoas... Pronto, não se fala mais nisso - ficas e ponto final". Eu sei que as coisas não se resolvem assim e que no mundo dos milhões do Futebol muito menos. Mas olho para Nico Gaitán e só me vem à cabeça o pequeno uruguaio que falhou uma grande penalidade ao serviço da sua agremiação desportiva. Esse cinco réis de gente, que se vendeu por um prato de lentilhas envenenadas, representa o oposto de Nico, mas ainda bem que se sente valorizado por lá estar e por continuar a dar-nos alegrias como a do Jamor.
Nico, por mim ficavas cá até pendurares as chuteiras, serias sempre o nosso 10, o nosso abre-latas em caso de necessidade, o nosso coelho a sair da cartola, a nossa arma secreta, o nosso brinca-na-areia, o nosso mago nos clássicos. Nem que nos oferecessem o teu peso em ouro mais três pontas-de-lança, dois médios e um guarda-redes. Por mim, não saías. Por isso é que eu não sou gestor, sou só adepto."

Ricardo Santos, in O Benfica

A ignorância é o vosso calcanhar de Aquiles

"Ao caminhar para o campo de batalha, os combatentes tinham duas características diferentes - os que sabiam tudo sobre os seus adversários e os que julgando saber, afinal não sabiam nada de nada. Vejamos o que nos escreve Sun Tzu no livro Arte da Guerra.

Todas as operações militares são baseadas na Dissimulação
Assim, quando prontos a atacar, devemos parecer incapazes de o fazer; quando nos preparamos, devemos parecer inactivos; quando estamos perto, devemos fazer o inimigo pensar que estamos longe; quando estamos longe, devemos fazê-lo pensar que estamos perto.
Preparar armadilhas para atrair o inimigo, fingir desordem, e acabar com ele.
Se o inimigo é poderoso, prepare-se para o enfrentar.
Se o inimigo for mais numeroso, evite-o.
Se o seu oponente tiver temperamento violento, provoque-o. Finja-se fraco, deixe que ele se torne arrogante. Se ele se preparar com calma, não lhe dê descanso.
Se as forças dele estão unidas, separe-as.
Ataque-o quando ele não está preparado, surja onde não é esperado.
Estas manobras militares devem ser ocultadas, não podem ser divulgadas ou calculadas pelo inimigo.
O general que pretende ganhar a batalha, faz muitos cálculos no seu templo. O general que fizer poucos cálculos, perderá a batalha.
Assim, os cálculos levam à vitória, poucos cálculos levam à derrota. Pobre daquele que não fizer cálculos nenhuns. Atentando neste facto, pode-se prever quem vencerá ou será derrotado.

Foi esta a grande diferença! O inimigo não percebeu nada de nada, sobre a realidade da estrutura institucional do Benfica, nem da forma de funcionamento da mesma instituição. Disse tantas e tantas asneiras que nunca conseguiu compreender que estava a lutar contra uma realidade que o Benfica soube construir e que existiu apenas na imaginação do adversário!
Acreditou que existia uma matilha, quando o que existia era apenas uma química institucional, tácita! 
Acreditou que era melhor, quando afinal era pior, tudo porque os fizeram acreditar que eram muito bons! 
Com o convencimento relaxou-se e isso reflectiu-se no desempenho!
Comeu tudo o que lhe deram para comer, sem saber que estava a cair no engodo que lhe atravessavam no caminho! E muito mais!
Estratégia! Foi uma lição de estratégia meus senhores! A qualidade vem depois dela!"
(...)

Pragal Colaço, in O Benfica

Pensem na vida enquanto sonham com o futebol

"Jogadores sem real noção do fim no mundo que os usa e deita fora
«Gastei 200 mil euros em carros, agora nem 200 euros tenho»

A rubrica Depois do Adeus foi criada pelo Maisfutebol em Junho de 2013 e já contamos mais de trinta histórias de antigos jogadores profissionais que tiveram de garantir a subsistência financeira longe do futebol.
Desta vez fomos à ilha do Faial recolher um testemunho brutal. Um relato desarmante, de culpas assumidas e gastos astronómicos para quem teria mais cedo ou mais tarde de voltar à realidade.
Paulo Morais teve a coragem de admitir onde errou. O antigo guarda-redes encara um cenário de limiar de pobreza depois de viver o sonho.
«Ser jogador de futebol é a melhor profissão do mundo». A expressão é reproduzida vezes sem conta mas quem anda por lá não tem geralmente noção do fim que se aproxima.
O futebol não é vida. É apenas parte dela.
Vai acabar, por vezes sem aviso, e obrigar quem sacrificou anos preciosos a procurar um novo rumo sem recursos académicos ou experiência para tal.
O mundo do futebol usa e deita fora. Seja por velhice ou por uma lesão grave, algo irremediável e inesperado, essa hora vai chegar.
É tão simples e tão evidente que me custa ver jogadores a caminhar para a recta final da carreira sem quaisquer planos para o futuro. «Sinceramente, ainda não pensei muito nisso». Ainda há dias li novamente algo parecido com isto.
Pensem. Pensem na vida enquanto sonham com o futebol. Façam Planos Poupança-Reforma, que a fortuna vai desaparecer de um instante para o outro. Poucos são os que conseguem chegar aos 70 com o que ganharam até aos 35.
Há aqui outra questão, extremamente sensível, que me parece afectar uma percentagem considerável dos que penduram as chuteiras: segue-se uma fase de instabilidade emocional - não raras vezes de depressão - e perturbações na vida familiar.
O divórcio é relativamente comum nessa altura, não há como esconder. E antes que se critiquem as mulheres, perceba-se todo o cenário: geralmente abdicam da carreira para servir de suporte aos maridos e acompanhar os filhos. Quando essa dinâmica muda a relação pode ficar seriamente afectada.
Vão-se entretanto os amigos de circunstância, aqueles que pediam bilhetes e outras coisas com regularidade, que pareciam estar sempre por lá. Vão-se as férias regulares em locais paradisíacos, os topos de gama, a roupa da moda. Podem agarrar-se a essa ilusão por algum tempo, talvez à custa da família, mas o sonho acabou.
Quem se entrega por completo ao futebol – geralmente com a complacência dos pais – com 13/14/15 anos deixa para plano secundário os estudos e acorda duas décadas mais tarde com um álbum de memórias e escassez de soluções.
A síndrome de Peter Pan afecta dezenas, centenas de homens num meio que os atira para um canto quando deixam de ser necessários. Vão-se uns, vêm outros, a bola continua a rolar e esquece-se de quem fez parte do jogo.
Muitos acreditam que ficarão ligados ao futebol, de uma forma ou de outra. Pensam sobretudo em carreiras como treinadores, negligenciando a questão matemática: se em cada plantel há 25 jogadores e 1 treinador, mais um par de adjuntos, nunca haverá espaço para todos os candidatos. Nem a vida como treinador garante um vencimento regular. Alguns destes viram empresários.
Temos assim centenas de antigos jogadores, com maior ou menor currículo, a lutar pela subsistência em outros mundos. Vários aventuram-se em negócios, com o risco que essa opção acarreta, enquanto outros abraçam carreiras e destinos variados.
É possível encontrar Idalécio num restaurante famoso em Inglaterra, Ivo Afonso num mercado do Luxemburgo, Riça a remover amianto na Suíça, Mauro em várias latitudes como comissário de bordo da TAP.
Por cá, Gaspar abraçou a metalomecânica de precisão, Diogo Luís trabalha num banco, Vasco Firmino é médico, Seabra engenheiro. Uns melhor, outros pior, mais ou menos realizados. Mas deram a volta e merecem um enorme aplauso.
Não são excepções. São a regra.
A maioria tem de perceber isto: não continuará eternamente ligada ao futebol. Convém pensar na vida real enquanto se sonha com a bola nos pés."