Últimas indefectivações

sábado, 7 de maio de 2016

Vitória...

Benfica 97 - 62 Oliveirense
(1 - 0)
19-17, 22-18, 27-12, 29-15

3.ª período muito bom, no ataque e a defender, deu para resolver o jogo!
1.ª parte morna, a defender mal... a percentagem nos Triplos, acabou por ser decisiva! O jogo a meio da semana da Oliveirense também deve ter pesado na forma como decorreu o jogo.
O Radic e o Mário têm que jogar melhor...
Amanhã, temos o jogo 2.

Muito que melhorar...

Leões de Porto Salvo 1 - 2 Benfica

Estamos na Final, mas a equipa não está a entusiasmar... Criamos pouco jogo ofensivo, e permitimos demasiados contra-ataques...
Amanhã com os Lagartos não somos favoritos...

PS: A Final feminina terá os mesmos intervenientes. Já ganhámos às Lagartas este ano (com vários ex-jogadoras do Benfica e nosso ex-treinador...), mas temos que ter cuidado com os contra-ataques...

Dobradinha...

Parabéns às nossas meninas do Rugby que hoje venceram a Taça de Portugal de Sevens, garantindo assim a dobradinha, depois do Tetracampeonato à poucas semanas...
Hoje, na final, vencemos o Sporting por 27-0...

Juniores - 10.ª jornada - Fase Final

Benfica 1 - 0 Paços de Ferreira

Duarte; Buta, Escoval, Borges, Amaral; Pereira, Guga (Lourenço, 88'), Mendes; Dias, Jorginho (Micael, 62'); Alfa

Parece impossível, mas só estamos a 3 pontos da liderança, com 4 jornadas para terminar...

Corruptos ............... 19
Rio Ave ................. 19
Sporting ................ 18
Benfica ................. 16
Guimarães ............. 15
Belenenses .........,... 14
Paços de Ferreira ..... 11
Académica .............. 3

Antes a mala do que Proença

"Por estes dias tanto se falou de malas que mal se falou de árbitros. Eis a novidade da semana. Jornada a jornada desde que o campeonato arrancou não houve descanso para os árbitros quer no Facebook do presidente Carvalho quer nas alocuções, mais primitivas, de Otávio. Antes dos jogos, no meio dos jogos e depois dos jogos, não houve juiz nem bandeirinha que escapasse ao crivo analítico - chamemos-lhe assim - do Sporting.
Esta semana foi mais malas. E malas garantidamente isentas de impostos, assim foram e estarão convencidos os jogadores das equipas adversárias do Benfica. É normal, dizem. Ilegítimo mas normal. Foi-se a fé nos árbitros, instalou-se a fé nas malas e a Liga abriu um inquérito que, com naturalidade, será encerrado sem conclusões por altura dos Santos Populares quando o povo andar mais distraído.
Esta foi também a semana em que os presidentes do Sporting e do Porto confidenciaram com os seus botões - e são botões que nunca mais acabam - um sentido arrependimento formal pelo movimento que encabeçaram e que levou Pedro Proença à presidência da Liga de Clubes. Não é que as coisas administrativas não estejam a correr de feição. Ao contrário do que é suposto acontecer, jogos decisivos da penúltima jornada vão espraiar-se ao longo de três dias em vez de se disputarem rigorosamente à mesma hora como manda a decência e, no mínimo, o bom senso. É o progresso.
Mas neste mês de Maio, por uma questão de superstição, dava mais jeito que Pedro Proença não se tivesse reformado tão precocemente, que não fosse presidente da Liga e fosse ainda árbitro. Em último ano de carreira, o melhor árbitro do Mundo à beira da aposentação despedir-se-ia do futebol português apitando a final da Taça no Jamor para alegria de Pinto da Costa e, já agora, faria também uma perninha no Marítimo-Benfica de amanhã para alegria também de Pinto da Costa, que já elegeu publicamente o nome do clube que quer ver campeão. Sempre eram duas alegrias.
Antes a mala do que Proença, será, no entanto, o sentimento generalizado entre benfiquistas. Mil vezes a mala.
O treinador do Vitória de Guimarães disse que "Portugal vinha abaixo" se a sua equipa tivesse pontuado na Luz. No dia seguinte veio logo abaixo a estátua do nosso rei Sebastião na frontaria da Estação do Rossio. Não sei que interpretação dar a isto. Oh Portugal, hoje és nevoeiro, já dizia o poeta."

Benfiquismo (XCVI)

1922
Primeiro Clube a visitar a Madeira: SL Benfica...

Dimensão única do Benfica

"O resultado obtido frente ao Vitória de Guimarães (para o campeonato) até pode ter sido mais importante, mas eu gostei mais da forma como se venceu o Sporting de Braga no jogo da meia-final da Taça da Liga. Rui Vitória fez opções normais e compreensíveis, geriu um plantel desgastado nesta fase da época, mas quando chegado ao intervalo se viu a perder fez substituições de equipa grande. Foi à campeão buscar ao banco os melhores, correndo riscos, para tentar ganhar o jogo e este título. É assim em equipas de dimensão, as derrotas nunca são justificáveis sem luta. Era mais fácil colocar uns menos utilizados e justificar o desaire, mas Rui Vitória, ao meter Jonas ao intervalo, mostrou que queria ganhar, que sabia o que é treinar um enorme. Foi de vencedor e de quem conhece a ambição e a exigência do Benfica. Há detalhes de suprema importância. Rui Vitória preocupou-se em vencer e não em justificar a derrota. Gostei muito.
Na Madeira, no próximo domingo, jogamos a glória da época. Não há volta a dar ao texto, como sempre aqui escrevi, não se iam perder muitos pontos neste último terço de campeonato. O Benfica tem a vantagem de depender de si, esperemos que assim seja, num campeonato cheio de velhos truques e muitas tricas.
Notável o feito do andebol encarnado (e do ABC) ao chegar a uma final europeia com ambição de a vencer. Depois de ver o futebol nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, o voleibol cair numa meia-final europeia, o futsal na final four da Liga do Campeões e o hóquei em patins ainda a disputar com ambição o título europeu, veio o andebol explicar o quão única é, na Europa, a dimensão do Benfica. Está muito difícil a tarefa de anti-benfiquista, deve ser deprimente essa actividade hoje em dia e andam tristonhos os que a ela se dedicam."

Sílvio Cervan, in A Bola

Gestão...

Benfica 7 - 3 Paço de Arcos
Torra, Rodrigues(2), Adroher(3), Nicolia

Missão cumprida, agora temos a Champions...!!! Não podemos dar tantos contra-ataques com o Barça...!!!

Jogo sempre controlado, apesar de só termos 'apertado' no início da 2.ª parte...
Já agora, golos de belo efeito...!!!
Campeonato está no 'papo', até podemos celebrar sem jogar...!!!

Mesmo assim o grande destaque, tem que ser o regresso do Nicolia, a uma semana da decisão Europeia.


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Passado e Futuro...

"O relógio é uma máquina sem piedade, nunca pára. E digo isto porque, apesar de me parecer tão próximo, já lá vão 14 anos desde que cheguei ao maior Clube Português. Mudou muita coisa no Sport Lisboa e Benfica e muita coisa vai continuar a mudar, mas aquilo que se fez nestes anos é um ganho que já não vamos perder.
Sinto-me orgulhoso porque sei qual foi o ponto de partida, porque vivi o início da recuperação do Sport Lisboa e Benfica, porque testemunhei tudo o que foi feito durante estes 14 anos, mas, principalmente, porque quando olho para trás, nada resta do clube endividado, sem prestígio europeu, sem infraestruturas, sem reconhecimento internacional. O ano que passou foi um ano de muitas emoções.
O ano que estamos a viver poderá ser de novas sensações e de renovadas alegrias, em virtude de muitas conquistas que estão no nosso horizonte. Mas é bom que todos os Benfiquistas tenham a perfeita noção de que não foi fácil chegar aqui. Lembro-me bem dos primeiros tempos quando cheguei ao Estádio da Luz, da falta de credibilidade do clube, do incumprimento com os compromissos assumidos e das dívidas acumuladas de muitos milhões. Lembro-me bem da distância, cada vez maior, entre o clube, os sócios e os adeptos.
Os mandatos que levo na presidência do Sport Lisboa e Benfica obrigam-me a reconhecer a importância de todos quantos continuaram a acreditar na solidez do projecto e no acerto do rumo traçado. Como sempre tenho dito, as conquistas do nosso clube fazem parte do passado, os títulos e troféus ganhos podem ser visitados no Museu Benfica Cosme Damião. É tempo de pensar no futuro, no que temos de fazer, no que já fizemos e podemos melhorar e, finalmente, mudar nas áreas onde não atingimos os resultados desejados. 
Desde o início desta longa etapa, há 14 anos, ficou provado que a estratégia ganha sempre ao improviso e quando as bases são firmes conseguimos ultrapassar as dificuldades com maior segurança. Foi assim quando tivemos de sanear as contas do clube, foi assim com o nosso magnífico Estádio, foi assim com os nossos modernos pavilhões, foi assim com a nossa Academia de excelência, foi assim com a pioneira Benfica TV e foi assim com o nosso inovador e apaixonante museu. Tenho muito orgulho em dirigir um clube que, tendo nascido em Lisboa, fez de Portugal a sua bandeira e de todos os portugueses o seu destino final. Como tenho afirmado ao longo destes anos intensos, o Sport Lisboa e Benfica nunca será um projecto acabado. Sou optimista, mas também sou exigente e sei que teremos mais condições de continuar a ganhar, quanto maior for o apoio e a ligação dos sócios e adeptos ao clube. Tenho imenso orgulho na massa associativa do Sport Lisboa e Benfica pela sua dedicação, empenho, paixão e lealdade. Foram, e são, estas quatro características que nos permitiram atingir um estatuto muito especial - somos a organização desportiva de maior sucesso em Portugal, tanto no Futebol, como nas Modalidades e tanto na perspectiva competitiva, como na vertente económica. Não me tenho cansado de dizer que o que verdadeiramente interessa, e faz do Sport Lisboa e Benfica um clube especial e único, são as pessoas, os seus sócios e adeptos.
Para mim, a prioridade de ontem é a mesma de hoje - os sócios e adeptos. Sem eles nada disto teria razão de ser. O Benfica é hoje um clube admirado, seguido, reconhecido pela inovação, pela modernidade. É um clube global que conseguiu reinventar-se em pouco mais de uma década. Como nunca me canso de dizer, nem me cansarei de afirmar, ninguém é dispensável no Sport Lisboa e Benfica. Isto tem de ficar bem claro na cabeça de todos! O segredo da recuperação do clube, nestes últimos anos, tem sido a estabilidade e a união dos benfiquistas em torno daquilo que é essencial. Os alicerces do Sport Lisboa e Benfica estão nas suas Casas, estão a Norte, estão a Sul. Estão em todo o mundo! O Sport Lisboa e Benfica está onde estiverem os benfiquistas. Este livro é um testemunho sério e apaixonado de alguém que assistiu a muitos dos passos que foram dados ao longo destes anos."

Verdadeira situação patrimonial

"Fonte: Relatório de Auditoria do Sporting. Na (...) o que consta no relatório da auditoria do Sporting sobre a evolução patrimonial. Ora, o Passivo que está evidenciado em 2013 é nada mais, nada menos do que quase 500 milhões de euros! E não estamos aqui a contar com a gestão que se seguiu!
E agora vamos ver duas breves frases que constam do mesmo relatório - não esquecer que o relatório é feito pelo próprio Sporting!
É o que vos damos na (...). Ou seja, o património excluindo o Estádio, resume-se "... a direitos de superfície com três bombas, a Quinta de Alvalade (1 bomba) e um lote Construz (morro Padre Cruz), ou seja, daí a depreciação que os altos responsáveis do Sporting não queriam que acontecesse ao petróleo, pois tem interesse em algumas bombas de gasolina.
Vejamos isto numa imagem do Google na (...).
A verde o que existia em 1995, a preto, é o que existia em 2013. Em 2016 não sabemos o que existe, nem sequer sabemos se existirá alguma coisa em 2020!
E por aqui fica esta semana o escriba.

Ataque cerrado
É inacreditável como se aprendem facilmente todas as manhas do jogo do cinismo e da desconformidade com a verdade.
Há uma particularidade que se deve explicar. Dar o ouro ao bandido é a pior atitude que se pode ter! 
O Benfica e os seus elementos, andam a ensinar como os outros clubes podem desculpar as suas imperfeições.
Uma coisa é analisar os lances e constatar que este ou aquele, foi mais prejudicado ou mais beneficiado. Mas outra coisa completamente diferente é atribuir a esse facto, a responsabilidade pelos seus desaires. Não quero com isto dizer que o Benfica foi mais beneficiado do que prejudicado, que não foi! Mas se o fosse, o paupérrimo desempenho de rivais do Benfica deve-se a outras razões, que não àquelas que efectivamente são a verdadeira Razão!
Tudo isto é fruto do reflexo da sociedade Portuguesa actual.
Hoje em dia, todos aprenderam que o que interessa é mandar vir, mesmo (...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

Assim vai o Futebol português

"De visita à Escócia, foi à distância que vi, pela primeira vez esta temporada, um jogo do Benfica na Luz. Refiro-me ao Benfica-SC Braga, cujo triunfo nos permite disputar, em nove edições da Taça da Liga, a sétima final (e tentar o sétimo título). É uma sensação estranha, que detesto ao ponto de incompreender que a Luz não esteja sempre repleta como tem estado nas últimas partidas do Campeonato Nacional. Cerca de 49500 espectadores de média é interessante e inigualável em Portugal, mas uns 11 mil abaixo do que seria desejável.
Vi o jogo num pub com uns amigos escoceses entusiastas de Futebol. Contei-lhes o que se tem passado em Portugal e comecei por lhes dizer que o presidente do nosso rival "passa a vida" no Facebook a lançar suspeitas infundadas sobre o Benfica. Sorriram.
Mostrei-lhes a agressão do Slimani ao Samaris. Espantaram-se para, logo que lhes revelei a inexistência de um cartão vermelho ou de um castigo após a análise do vídeo, se rirem.
Referi-lhes as poupanças do União da Madeira em Alvalade, seguidas da "infelicidade" do guardião dos madeirenses no primeiro golo do Sporting, e deram umas valentes gargalhadas. Continuei com a descrição do anti-jogo dos nossos últimos adversários e notei que começaram a duvidar se eu estaria a falar a sério.
Finalmente, falei nas poupanças dos nossos adversários antes de nos defrontarem, expliquei-lhes o que é, agora, o jogo da mala, e não obtive qualquer reacção imediata. Até que um deles me disse que, das duas uma, ou estaria a gozar com eles ou já bebera demasiado. Compreendo-os... Nem quero imaginar o que de mim pensariam se lhes falasse no castigo da FPF à nossa equipa de Futsal."

João Tomaz, in O Benfica

Jogo sujo

"Houve o corte de electricidade no Restelo, a zaragata entre jogadores do Marítimo, e os vários indisponíveis do Moreirense, antes das partidas com o Sporting. A poupança de titulares do União em Alvalade, mesmo precisando de pontos. A exibição simpática do Arouca. O penálti de Tonel. Mas se eram necessárias mais evidências de que algo de estranho se passa no nosso Campeonato, esta jornada trouxe-as. E nem falo de penáltis por assinalar.
Vejo Futebol há mais de 40 anos, e não me recordo de uma equipa sem aspirações, fazer o anti-jogo que o Guimarães fez na Luz ao longo da primeira parte. Não esperava, nem queria, facilidades. Mas esperava um adversário a jogar Futebol. O que se viu foi a triste cena de onze almas (mais umas quantas no banco) desesperadas para retirar pontos ao Benfica, não hesitando em recorrer a simulações, provocações, quebras de ritmo, e a uma agressividade muito acima do normal. Até mudaram de táctica, testando-a propositadamente na jornada anterior, à custa de um empate em casa. 
Na Amoreira, um Marítimo também com classificação definida, entrou em campo sem cinco jogadores que tinha em risco de suspensão, poupando-os para a próxima jornada, cedendo pontos que, teoricamente, até lhe seriam mais acessíveis. Porquê? Segundo o treinador, para preparar a próxima época.
Podemos juntar as declarações do presidente do FC Porto, que deixaram claro porque motivo não seria de esperar um desfecho diferente no Clássico.
Os factos falam por si. Não podemos fingir que não vemos. A porcaria está a regressar em força ao Futebol português. E, se nada fizermos, vem para ficar."

Luís Fialho, in O Benfica

Eles que poupem

"De há umas semanas para cá temos assistido a um triste espectáculo: o do desespero. As equipas que têm defrontado o SL Benfica no seu caminho para a conquista do Tricampeonato jogam como se fosse a partida mais importante das suas vidas. Querem, sabe-se lá porquê, tirar pontos ao Glorioso. Se fosse apenas pela motivação competitiva não estaria aqui a perder tempo com isso, a não ser para aplaudir. Quem gosta de desporto aprecia a competição saudável, o chamado jogo pelo jogo.
Mas não é isso que se está a passar. Há jogadores e equipas do principal Campeonato português que poupam os seus activos pata defrontarem o campeão em título. Colocam em causa as suas carreiras desta época - acessos à Europa ou manutenção na primeira divisão - em troca de alguma coisa de que todos falam, mas ninguém assume.
Já lhe chamaram o Jogo da Mala, com uma alegada quantia de prémio de jogo a avolumar-se no caso de o SL Benfica perder pontos e ceder a liderança à trupe do Lumiar. Não sei se isso será verdade, nem sei se para aqueles lados haverá capital suficiente para sequer pagar os ordenados dos últimos meses. Muito menos dos que faltam para o ano acabar. O que sei é que isso me motiva e deve motivar ainda mais os jogadores e técnicos do campeão em título. Eles que poupem à vontade, eles que se esfolem para ganhar a bola, eles que se remetam ao autocarro frente à baliza. Isso só nos faz mais fortes.
Faltam duas jornadas. Poupem, metam a carne toda no assador porque o petisco será ainda mais saboroso. Não esperamos facilidades, mas é isso que faz de nós o maior Clube de Portugal. E a longa distância dos outros, os coitados que choram e se vendem."

Ricardo Santos, in O Benfica

Ederson e Oblak, casos de estudo

"Portugal tem dado muitos e bons exemplos de capacidade na prospecção e valorização de futebolistas. Ederson, ontem chamado por Dunga ao escrete canarinho que vai disputar a Copa América, é o mais recente caso de sucesso de um jogador que cruzou o Atlântico aos 16 anos para se integrar na formação do Benfica, por cá fez o percurso nas camadas jovens dos encarnados e a via-sacra da tarimba, que o levou a Ribeirão e a Vila do Conde, até ao regresso à casa-mãe onde agarrou com as duas mãos a oportunidade nascida da lesão de Júlio César, antes de Alvalade. Ao exemplo de Ederson, que por si só seria assaz significativo, acresce o de Jan Oblak, que trilhou as mesmas pedras encarnadas do brasileiro. O Benfica descobriu-o, na Eslovénia, aos 17 anos e passou várias épocas a trabalhá-lo de forma competente, com empréstimos que se revelaram muito bem sucedidos. Quando saltou para a ribalta, por lesão de Artur Moraes no Algarve, de imediato se percebeu que estava ali um caso muito sério de predestinação. Não é em vão que, hoje, a generalidade dos analistas internacionais vê no colchonero Oblak um dos melhores guarda-redes do Mundo.
Para fazer frente à esmagadora capacidade financeira dos clubes ingleses, espanhóis, alemães, italianos e franceses (e ainda turcos e russos...) aos emblemas nacionais não resta outra via que não passe pelo binómio prospeção/formação. São estes os valores que temos para manejar e nesta arte já demos sobejas provas de bem trabalhar. Esta é, em minha opinião, a regra a que devemos obedecer. O que não invalida as exceções que pontualmente possam compor plantéis."

José Manuel Delgado, in A Bola

Os dias difíceis de Pinto da Costa

"O contexto em que José Peseiro entrou no FC Porto esteve longe de ser o ideal mas quatro meses depois também já fará sentido concluir que o treinador foi incapaz de resolver o problema que herdou. Se a ideia de contratar Peseiro passava pela habitual qualidade do seu processo de jogo e pela possibilidade de, a partir daí, tornar o futebol dos dragões mais atraente, a verdade é que o plano não funcionou. O FC Porto de José Peseiro é uma desilusão e o pior de tudo é que, pelos vistos, o treinador é a única pessoa que ainda não percebeu o que está a acontecer. Quem é derrotado em metade (!) dos jogos não deve justificar-se com as arbitragens e muito menos dizer que "o FC Porto também merece ser campeão". A equipa perde muito porque joga pouco. Essa é a questão de fundo e é estranho que Peseiro não a entenda. Ou se recuse a entender.
A sucessão de flops em que se têm tornado as escolhas de Pinto da Costa são uma novidade. Os últimos três treinadores que chegaram ao Dragão foram Paulo Fonseca, Lopetegui e, agora, Peseiro. Dificilmente o balanço poderia ser pior e, sejamos claros, falhar três vezes seguidas é um sinal inequívoco de que as coisas mudaram. Em sentido contrário, os rivais de Lisboa passaram a acertar. No Benfica, os últimos anos foram para o longo reinado de JJ, em primeiro lugar, e agora para Rui Vitória. Em Alvalade, e depois da chegada de Bruno de Carvalho, o Sporting teve Leonardo Jardim, de seguida Marco Silva e, por fim, Jorge Jesus. Curiosamente, Jesus, Rui Vitória, Leonardo Jardim e Marco Silva já estiveram todos no radar do FC Porto, em circunstâncias e momentos diferentes. Olhando para o que fizeram e estão a fazer em Benfica e Sporting, de que história estaríamos aqui a falar se algum deles tivesse chegado a ser apresentado, ao vivo e a cores, no Porto Canal?"

Ainda vale tudo

" "Tranquilidade", sugere o Sporting. Voltou do futuro e conhece o campeão?

1. Falando de épocas desportivas (defesos incluídos), o recorde renova-se a cada folha do calendário civil que se vira: a "carga de ombro" mais intensa, espalhafatosa, agressiva, ruidosa e violenta de que há memória na rivalidade construída por Benfica e Sporting dura desde 4 de Junho de 2015, data oficial da mudança de Jorge Jesus da Luz para Alvalade, num processo que originou feridas insaráveis. Na última terça-feira, passados 334 dias na história de remoques cruzados que transformaram o campeonato numa prova do género "vale tudo", Octávio Machado convocou de urgência uma conferência de Imprensa. Nela, o director-geral dos leões, fintando o tema dos alegados incentivos a adversários para travar o rival, começou por recriminar o Benfica, em particular a sua comunicação. "Cria um clima de terror, intimidação e tensão", disse. Depois sugeriu a retirada do seu clube do palco da polémica até ao fim da época: "O Sporting não vai contribuir para criar perturbação ou desestabilização." Porém, pela cadência de ataques e contragolpes vistos, a questão é esta: dá para acreditar na promessa de "tranquilidade"? Só se o Sporting regressou do futuro e, por isso, já sabe que será ele o campeão...

2. Há menos de um mês, em noite de homenagem, Paulo Paraty já se despedia do futebol e da vida, mas não se percebeu - ou não se quis aceitar. Independentemente de ter agradado mais a uns do que a outros ao longo da carreira, aquele ex-árbitro internacional valorizou um bom princípio: a vontade de querer acertar. Que descanse em paz."

João Sanches, in O Jogo

O duelo

"Polémicas à parte, devem o futebol e os adeptos dar graças por esta empolgante luta Benfica - Sporting, das maiores de sempre.

Sim, é verdade que Rui Vitória tem superado todas as expectativas, no sentido em que poucos acreditavam (eu incluído) que conseguisse conduzir a equipa do Benfica até aqui, e que Jorge Jesus tem, no fundo, estado muito igual a si próprio (dentro e fora do campo...), no sentido em que vem fazendo o que se esperava do grande treinador que é e que todos sabem que é. Polémicas à parte, deve reconhecer-se como fantásticos os percursos de Benfica e Sporting esta época, com a diferença (que não é pequena) de o Benfica ter recebido o seu novo treinador com a barriguinha cheia de títulos e uma estrutura muito consolidada nos últimos anos, e o Sporting ter pedido ao seu novo treinador que fosse capaz de construir muita coisa ao mesmo tempo.
Parece evidente ter Jesus encontrado no Sporting a necessidade de criar uma equipa que fosse capaz de competir no topo do campeonato - cumprindo aquilo que realmente prometeu -, mas também novas condições materiais e emocionais absolutamente indispensáveis a quem quer, hoje, discutir títulos em provas de resistência e o Sporting há muito parecia não ter.
Para vencer jogos basta, talvez, talento, mas para vencer campeonatos é preciso muito mais do que isso. E tendo uma equipa muito mais do que talento... até o talento se torna maior.
O Sporting já tinha, na verdade algum talento. Com a chegada de alguns jogadores reuniu ainda mais talento. Chegaram o brilhante Bryan Ruiz e, mais recentemente, a nova muralha leonina formada pelo intenso Schelotto, o magnifico Sebastián Coates, o aplicadíssimo Rúben Semedo e o determinado Marvin Zeegelaar. De todos esse talento e de um diamante em bruto como Slimani fez Jesus fortes competidores e uma equipa de autênticos leões.

Para vencer campeonatos não chega, realmente, ter talento. É preciso mentalidade verdadeiramente competitiva, é preciso compromisso, é preciso trabalhar muito e todos os dias, é preciso concentração total e nunca relaxar, é preciso permanente foco no objectivo, é preciso união, sentimento de equipa, comunhão com os adeptos, é preciso ser solidário, morrer pelo companheiro, sacrificar interesses individuais à força do colectivo, e é preciso que tudo isso junto seja capaz de ajudar a equipa a superar-se sempre que os momentos forem menos bons.
Tudo aquilo que o Benfica demorou alguns anos a construir, bem e de forma estruturada, já neste século, e tudo aquilo que o Sporting está, agora, a criar sobretudo pela mão de Jorge Jesus.
Sempre ouvi dizer que os campeões são, na maioria das vezes, as equipas que vencem mesmo quando não jogam bem. Porque quando as melhores equipas - e os melhores jogadores - jogam bem dificilmente deixam de ganhar.

Foi, na minha opinião, muito graças ao que está, pois, para lá do talento que o Benfica conseguiu reerguer-se e superar a perda de um treinador com a tremenda influência que Jorge Jesus teve na Luz. Nem sempre jogando bem, lá está, nem sempre sendo muito consistente, nem sempre conseguindo superioridade clara, a verdade é que o Benfica tem mostrado esta época como cresceu tanto nos últimos anos, como se tornou numa força de futebol dominante e não apenas pontualmente dominadora, e como se preparou para suceder na realidade ao esmagador FC Porto das duas últimas décadas e meia. Jorge Jesus foi, na Luz, fundamental e decisivo nesse processo (seja o Benfica capaz ou não de o reconhecer agora) e Rui Vitória teve entretanto, no mínimo, o enorme mérito de aproveitar o que lhe pareceu bem e de induzir a equipa a confiar nela própria.
Rui Vitória parece ter apostado forte - e terá acertado - no lado emocional da equipa, na coesão e na força interior, criando-lhe provavelmente a ideia, já aqui o escrevi, de que ela precisaria de jogar pela própria vida e pela honra de ser bicampeã nacional e de lutar para que nada, e ninguém, o pudesse pôr em causa.

Nessa medida, parece Rui Vitória ter sido inteligente. Terá percebido a tempo o que fazer e como fazer para levar a equipa a superar-se muito mais pela força da alma do que pela solidez do próprio jogo, e a verdade é que temos visto muitas vezes este Benfica jogar muito mais como uma equipa ferida no orgulho e atingida no caráter do que propriamente como uma equipa de grande futebol. 
Claro que cada tem treinador tem o seu estilo e a sua forma de conduzir as equipas, mas confesso a minha atracção por treinadores intensos, que se alimentam do jogo e do que querem que os jogadores façam, gosto de ver no campo treinadores como Jorge Jesus ou Diego Simeone, que refilam e se irritam, que corrigem e alertam, que vivem o jogo no limite e estão sempre prontos a intervir, que dão tudo para contagiar as suas equipas, para as empurrar, para as guiar, como autênticos generais querendo o sucesso das suas tropas.
De Rui Vitória, o que vemos é na realidade bastante diferente disso. No banco (e naquela área técnica que limita a acção dos treinadores) Rui Vitória mostra-se mais passivo. Mas também é inegável que mostra, ao mesmo tempo, muita tranquilidade e talvez passe, com esse estado de alma, uma ideia de confiança na equipa.
A esse estilo e a essa confiança juntou-lhe Rui Vitória também a natural auto confiança que foi ganhando à medida que foi vendo a equipa vencer e foi vendo a equipa subir até à liderança do campeonato, até aos quartos de final da Liga dos Campeões e, agora, até à final da Taça da Liga. 
Mérito de Rui Vitória esse compromisso emocional que o Benfica revela. Mas é sério reconhecer que este Benfica alimenta-se hoje, em matéria de futebol, da potência do tal Ferrari de que Jesus falou e que, queira-se ou não, o mesmo Jesus muitíssimo ajudou a construir na Luz.
Polémicas à parte, este é pois um campeonato e uma época destinados a ficar na história do futebol português por terem sido os dois grandes rivais de Lisboa protagonistas de um dos mais empolgantes duelos de sempre.
Só por isso, já devíamos agradecer-lhes.

Sim, também concordo que estas duas últimas jornadas já deveriam ter levado os jogos com influência directa entre si a serem jogados à mesma hora. Na verdade, não consigo realmente perceber porque abandonou a Liga essa medida cautelar, digamos assim. Pegando apenas num exemplo, julgo que não faz muito sentido que os aflitos Tondela e Académica joguem antes do V. Setúbal, uma vez que Tondela e Académica ocupam os os últimos lugares da Liga e, em caso da derrota de ambos (respectivamente nos campos de Paços de Ferreira e SC Braga), já não precise, na prática, o V. Setúbal de se incomodar muito com o seu jogo em Alvalade.
Será assim tão difícil defender o clima de confiança indispensável para que os adeptos se sintam verdadeiramente protegidos na sua paixão pelo futebol?

Comenta-se nos bastidores que o presidente do Benfica não terá gostado nada de ouvir de figuras ligadas ao clube comentários públicos sobre suspeitas privadas. Nomeadamente sobre o confronto de domingo, com o Marítimo. Comenta-se ainda que Filipe Vieira terá decretado silêncio. Fez muito bem. Há limites para tudo!"

João Bonzinho, in A Bola

PS: Até compreendo Luís Filipe Vieira se realmente mandou 'calar' alguns os Benfiquistas antes do jogo da Madeira (até porque em Portugal é normal os criminosos tentarem passar por vitimas... como foi visível naquela 'conversa' do Panelão!), mas é incompreensível do ponto vista jornalístico, criticar ou censurar denuncias, que até foram confirmada indirectamente pelas 'respostas' dos visados...!!!
Mas estes são os jornaleiros que temos... que já passaram todos os limites da decência e da dignidade profissional à muito tempo...

Os outros três heróis da Liga

"Benfica e Sporting transformaram a Liga 15/16 em algo que vai ficar para a história do futebol português. Tem sido um campeonato tão intenso e excitante em relação à luta pelo título que, confesso, nunca dei neste espaço o devido relevo a outras equipas e treinadores que, cada qual à sua maneira e dimensão. foram verdadeiros vencedores. Por isso, o espaço de hoje vai inteirinho, e com a devida vénia, para o Arouca de Lito Vidigal, para o Paços de Ferreira de Jorge Simão e para o União de Norton de Matos.
Lito Vidigal levou o Arouca para patamares impressionantes. Uma equipa que passou as últimas duas temporadas a sofrer até ao fim pela permanência transformou-se rapidamente num credível candidato à Liga Europa, meta agora muito próxima de ser atingida (pode acontecer já nesta jornada). Os 52 pontos estão muito acima daquilo que era normal para esta formação e o facto de somar menos derrotas que o FC Porto é um prémio extra. Lito Vidigal já tinha justificado maior atenção em épocas anteriores. Este ano 'apenas' o confirmou como um dos treinadores a levar mais a sério.
Quando Jorge Simão chegou a Paços de Ferreira revelou a ambição dos 48 pontos (mais um do que a equipa fizera na temporada anterior com Paulo Fonseca). Objectivo cumprido a duas jornadas do fim. Notável. Mais impressionante: pode igualar o máximo histórico do clube (54 pontos conseguidos por Paulo Fonseca). Única frustração: em 12/13, esses 54 pontos bastaram para atingir ao 3° lugar e agora não valem sequer o 4°, nem garantem o 5°. Não é por a história relativa do campeonato negar a Jorge Simão o topo que o Paços deve olhá-lo como um 'segundo', porque no contexto pacense pode e deve ser visto como um 'primeiro' se igualar esse registo.
O União regressou à Liga com o rótulo de candidato à despromoção. tal como o Tondela (que pode voltar hoje à, 2.ª Liga). Norton foi 'torpedeado' pelo próprio presidente e viveu períodos em que parecia estar, todos os dias, à beira do despedimento. Nem isso o quebrou. Manteve a equipa sempre em linha com o objectivo final e pode ganhar neste fim de semana o 'jackpot': o bilhete da Liga 2016/17. Não para ele, desconfio, mas para a equipa ."

Jogos Olímpicos no Catar?

"Sebastian Coe, presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), durante a apresentação do meeting da Liga Diamante a decorrer em Doha, no Catar, questionado sobre a possibilidade deste país organizar uma edição dos Jogos Olímpicos, respondeu insistindo que é importante para o movimento olímpico apoiar a globalização do desporto.
Num momento em que se enfatiza a sustentabilidade na organização dos eventos, a transparência e o respeito pelos direitos humanos, não deixa de ser curioso o argumento da globalização do desporto! A realização da segunda edição dos Jogos Europeus em 2019 está em risco. A Holanda, que tinha sido anunciada como anfitriã acabou por desistir. Foi anunciado no passado mês de Novembro que a Rússia havia sido escolhida para acolher o evento. Decisão que estaria dependente da resolução dos problemas com o doping. A organização dos Jogos Europeus seria dividida entre Sochi, que acolheu os Jogos Olímpicos de Inverno em 2014, e Kazan, palco das Universíadas em 2013.
No entanto, recentemente, o ministro do Desporto russo, Mutko, afirmou: «A Rússia nunca terá enviado uma candidatura para os Jogos europeus», esclarecendo que a Rússia não tem interesse na candidatura e que está «absolutamente ocupada até 2020».
A Brasília havia sido atribuída a organização das 30.ª Universíadas a realizar em 2019. O Brasil, considerando o caderno de encargos e a crise financeira que vive presentemente, desistiu da organização. Neste momento existe a possibilidade de Nápoles, pois parece não haver interessados em cumprir o elevado caderno de encargos desta organização (só a taxa de inscrição são cerca de 23 milhões de euros). 
Vamos pensar no Catar para globalizar o desporto ou apenas porque estão dispostos a garantir aquilo que mais ninguém quer pagar?"

Mário Santos, in A Bola

Benfiquismo (XCVI)

Benfica nos Barreiros... em 1949

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Quem cala, consente? (Não no futebol, onde tudo parece diferente!!!)

"Se me acusassem de pagar para que outros tirassem pontos eu, por mim, desmentiria imediatamente, de forma directa, frontal.

Benfica - Guimarães
1. Na sexta feira, mais de 60 mil na Luz. Nem o facto de ser dia de trabalho, nem o de o horário do jogo ser menos adequado (19 horas), impediu mais uma enchente de alma e mística benfiquistas.
Este Benfica e esta liderança de campeonato também se traduzem nesta onda vermelha que invade o Estádio da Luz e todo o país, de Norte a Sul, onde quer que o Benfica vá.
O colinho... dos adeptos!
Que, não obstante as manobras dilatórias a que já estamos habituados, viram um jogo bem disputado, com a equipa do Benfica a dar uma grande resposta a todas as contrariedades, inclusivamente às físicas. Aliás, a equipa sempre deu grandes respostas nos momentos onde mais lhe foi exigido.
E contra o Vitória não foi excepção.
Soberbos na interpretação e na leitura do jogo, a responder às exigências que o mesmo impunha, traduzidos no espírito e na raça postos em cada lance, até ao último minuto.
Fomos, novamente, a equipa com mais remates, mas sobretudo aquela que quis realmente ganhar!
Perante um adversário fechado, com 5 defesas, o que tornou aquele jogo ainda mais difícil.
E, mais uma vez, fomos o justo vencedor!
Contra tudo e contra todos...
Contra o anti-jogo (simulação de faltas; longos períodos de tempo no relvado, por alegadas lesões, etc., etc., etc.), contra a provocação visando expulsões dos jogadores do Benfica ou contra as entradas muito duras.
Ou seja, uma tentativa clara de desestabilização e de interferência emocional contra os jogadores do Benfica.
Não seria suposto que todo esse excesso de garra e conflitualidade invadisse, teoricamente, uma equipa que já não tem a possibilidade de ir à Liga Europa e que já tem, há algum tempo, a manutenção na primeira liga assegurada.
Só lamento que todo esse excesso de garra existente na equipa do Guimarães, no jogo da passada sexta, contra o Benfica, não tenha sido uma constante ao longo de todo o campeonato.
Porque, assim, certamente estariam noutro lugar da tabela classificativa. Mas esta atitude não é caso único no campeonato português.
Todo o alarido e circo que se monta à volta dos jogos, e, depois, dentro das quatro linhas, em nada beneficia as equipas nem o futebol português. Uma postura que visa desestabilizar o adversário, a todo o custo. Vá lá saber-se porquê...
Coincidências da vida,... ou melhor, coincidências deste (final de) campeonato. Pois, desta vez, essa postura - já banal, a que temos que nos habituar - voltou a pairar sobre o Estádio da Luz.
Sérgio Conceição, após ter sido expulso do banco, e numa reacção de claro confronto e de certa picardia, foi exemplo disso.
E não adianta virem-me com justificações que, nesse jogo, era «mais fácil jogar sem o treinador no banco» ou que «Portugal vinha abaixo se empatássemos ou ganhássemos aqui».
Chega de manobras dilatórias e de estratégias bacocas! Chega de declarações que mais não passam de tentativas de condicionar a arbitragem, no futuro. Deixem-nos jogar!
E não me venham com a lengalenga do costume: que o Benfica está a tentar ganhar de qualquer maneira e que está a ter muita sorte.
De facto, tendo em conta o percurso do Benfica esta época, foi tudo uma questão de... sorte. Sorte em recuperar sete (!) pontos de atraso...
Sorte em chegar aos quartos de final da Liga dos Campeões... ou à final da Taça da Liga.
Sorte pelas lesões de Nélson Semedo, de Luisão, de Fejsa, de Lisandro Lopez, de Júlio César, de Gaitán, de Salvio...
Sorte por jogar contra equipas que fizeram connosco o jogo da vida delas...
Sorte por enfrentar linhas defensivas com imensos jogadores...
Sorte por ter do outro lado guarda-redes que se lesionaram frequentemente...
Como se tudo o que conseguimos se conseguisse só com... sorte!!!

O clássico dos outros
2. Um jogo do qual apenas retive, no final do mesmo, a declaração de que «se o Sporting for campeão será com inteira justiça».
O que demonstra, uma vez mais, a aliança entre os dois clubes, de que tantas vezes falei.
É evidente que, à semelhança do que aconteceu na época passada, em que os adeptos do Sporting queriam que o Porto ganhasse, os adeptos do Porto, este ano, querem que o Sporting ganhe.
Já os adeptos do Benfica, seja em que época for, querem sempre que o Benfica ganhe.
Mas o que dizer a outra declaração de que «o Sporting foi beneficiado em dois jogos... enquanto alguns o não foram só em dois...»?
Confesso que para além de não ser surpresa que os responsáveis máximos do Porto queiram e prefiram um Sporting campeão (pela tacanhez, porque se pensassem estrategicamente, seria outra a opção), não percebo o comentário feito aos beneficiários deste campeonato.
Nem parece que, lá no Dragão, ficaram por marcar duas grandes penalidades a favor da equipa da casa. Ou talvez não percebam - com a idade - que aquela derrota foi, apenas, a confirmação de que o fim vem mesmo a caminho.
E que, para o evitar, teriam que ganhar no sábado passado.
Mas que vai ser triste lá isso vai (mesmo que muitos vejam esse fim com um gáudio imenso...) 

Benfica-Braga
3. Uma reviravolta à Benfica! Sem ter sido uma exibição brilhante, grande segunda parte do Benfica, após algumas rectificações efectuadas pelo treinador,... que não é treinador.
É evidente que após o golo, o Braga dificultou a criação de espaços ao Benfica.
Não obstante, pela capacidade que teve na reacção ao golo sofrido e pela forma como inverteu a história do jogo, o Benfica foi, de longe, a melhor equipa em campo e a única que realmente quis ganhar!
Uma resposta, portanto, com raça de campeão. Onde, para a história fica o sonho concretizado de Lindelof, de jogar ao lado de Luisão, com a camisola do Benfica e em pleno Estádio da Luz.
Segue-se a final, frente ao Marítimo! À procura da 7.ª Taça da Liga - em nove épocas de existência desta competição - que nunca ninguém quer ganhar, mas que, no final, todos querem ganhar.
A Taça que o Benfica sempre valorizou, ao invés dos seus rivais, que sempre (ou quase sempre!) a menosprezaram.
Na última final da época queremos, também, ganhá-la!
E em Coimbra, ao contrário do que querem fazer crer...
Seria uma maldade que faríamos ao futebol português, uma vez que daria a ideia de transacção e de negociata... se a aceitássemos jogar no Funchal. Que fique já marcada, lá, para próxima época.
Mas não a deste ano, porque... em negociatas os especialistas são outros!

Domingo, a penúltima final...
4. só faltam duas finais, mas ainda faltam... 180 minutos!!! Depois do jogo frente ao Vitória de Guimarães, na Luz, e de tudo o que correu em torno dele... e de outros... a próxima final para ganhar - com todo o respeito pelo Marítimo - é na Madeira.
Quero lá saber se, no último jogo, frente ao Estoril, pouparam 5 ou 6 dos seus habituais titulares. Temos que ganhar.
Mais nada!
Eu sei das estranhas coincidências do futebol português, de umas jornadas a esta parte.
Eu sei de que os últimos adversários do Benfica só têm uma preocupação - não sofrer golos.
Eu sei que com todas as suspeitas lançadas, ninguém vem desmentir nada. Talvez porque, no futebol português, não seja verdadeira a afirmação de que... quem cala, consente.
Por mim, se me acusassem de pagar para que outros tirassem pontos ao Benfica ou de me terem prometido pagar para que eu tirasse pontos ao Benfica,... eu, por mim, desmentiria imediatamente, de forma directa, frontal, determinada e sem que restassem quaisquer dúvidas.
Eu sei que - à excepção de Carlos Pereira, Presidente do Marítimo - ninguém fez isso antes.
Mas... só pode ser erro meu.
Talvez porque, no futebol português, ao contrário do que sucede no dia a dia, quem cala... não consente!!! 
Ainda assim, não tenho dúvidas de que se pudessem trocar connosco, trocavam já hoje!
Por nós, temos de continuar iguais a nós próprios: lutar jogo a jogo, com o pensamento focado em cada final.
E no próximo domingo não será excepção.
Digam o que disserem, temos de ganhar, não é?
Então, que o seja.
Deixando a pele em campo, jogando no limite das nossas capacidades, para que se consiga ultrapassar mais um obstáculo.
À Benfica.

Leicester, campeão inglês...
5. Quase um conto de fadas! A equipa que, há 1 ano, lutava para não descer de divisão, sagrou-se, na passada segunda feira, campeã da liga mais competitiva do mundo!
A prova de que o querer e a ambição podem (quase) tudo.
Já agora, o que será mais difícil: o Leicester campeão de Inglaterra ou o Benfica Campeão Europeu, de novo?
Percebem, agora, porque podemos acreditar que poderemos voltar a sê-lo?
Para bom entendedor..."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Bombas

Benfica 3 - 0 Modicus

Não foi fácil, só conseguimos desbloquear o jogo na parte final do jogo... foi preciso usar muita paciência. Por acaso, até acho controlámos melhor o jogo, do que no último fim-de-semana (também com o Modicus), mas o facto de termos muita posse de bola, não se reflectia em muitas jogadas de perigo... E com algumas perdas de bola infantis (Bruno) o Juanjo foi obrigado a 'entrar' no jogo...!!!
Foram precisas duas bombas, muito parecidas, primeiro do Fábio e depois do Patias, para abrir o marcador!
Com os Gaienses a arriscar o 5x4 o Patias 'fechou' a partida!

Após o sorteio já se sabia que nos tinha saído a fava, se quisermos reconquistar a Taça vamos ter que derrotar três equipas da 'primeira metade' da 1.ª Divisão, em 4 dias...

No Sábado, temos as Meias-finais com os Leões de Porto Salvo.

PS: Nas últimos dias temos assistido, sem surpresa, a vários episódios indignos para um Futsal sério e profissional!!! A FPF, está dominada por Lagartos (em vários departamentos), os da 'secção' de Futsal, já perderam a vergonha toda...
- O Benfica foi castigado com 3 pontos, por supostamente ter violado o regulamento das transmissões televisivas. Algo que o Benfica não fez, já que não transmitiu em diferido o Benfica-Belenenses em simultâneo com o jogo dos Lagartos que estava a ser transmitido na RTP... houve 1 minuto de 'intervalo'!!!
Mas mesmo assim, aparentemente por faltar o e-mail (!!!), foi castigado, isto em prejuízo do Leões de Porto e Salvo e em benefício do Belenenses... e indirectamente do Sporting, que assim vai defrontar a equipa que ficou em 9.º lugar no Campeonato, e não a equipa que mereceu ficar em 8.º!!!
- Depois, ficámos a saber, que quando um dos treinadores adjuntos do Sporting, chamou 'filhos-da-puta' aos árbitros, e ameaçou os mesmos com as seguintes palavras: 'vocês não saem daqui vivos' (!!!)... estava somente a ser amável com a equipa de arbitragem, pois o CD não acha que existe razões para o castigar!!!
- Isto numa época, onde os Lagartos, não cumprem os regulamentos, jornada após jornada, no que refere ao número de jogadores formados localmente, que devem estar na Ficha de jogo!!! Pagando, assim uma multa...!!!
Quando nas últimas semanas já foi notícia a contratação para a próxima época, de praticamente uma equipa nova para os Lagartos, repleta de jogadores estrangeiros... sem que exista notícia da saída dos actuais estrangeiros da equipa, sou levado a crer que o Secção de Futsal do Sporting, já sabe quais serão os regulamentos da próxima época (algo normal, até porque parece que são eles que os escrevem...)!!!
E não me admirava nada que o limite de estrangeiros fosse mantido, mas o castigo deverá continuar a ser uma Multa simbólica!!!
Os nossos dirigentes devem estar muito atentos, porque existe uma clara tentativa do Sporting ganhar vantagem em relação ao Benfica, através de truques regulamentares...!!!

No Funchal... agora é que é!

"Madeira (Marítimo e Nacional) vai decidir este fantástico sprint pelo título nacional de futebol. Verdade que V. Setúbal e SC Braga também se intrometem, mas todos apontamos que a chave mestra estará no Marítimo-Benfica, terceiro dia D desta empolgante ponta final.
Sim, o terceiro dia D, em consecutivas jornadas!
1- Rio Ave-Benfica (previsto mais duro obstáculo para o líder, em casa de forte candidato à próxima Liga Europa)
2- FC Porto-Sporting (máximo grau de dificuldade sportinguista, grande possibilidade de escorregadela... fatídica)
3- Marítimo-Benfica (subitamente ainda mais apimentado pela estranhíssima poupança maritimista de 5 titulares no Estoril, apostando a fundo no confronto do próximo domingo que, em termos de classificação, não lhe aquece nem arrefece... - tão mal explicada poupança, porque, de facto, nenhuma boa, ou sequer razoável, explicação seria possível...)
Vila do Conde e Dragão foram provas de fogo superadas. Agora, no Funchal, haverá a grande decisão! Porque ninguém acredita que Benfica ali triunfante venha a espalhar-se na derradeira passada, face ao Nacional, na Luz...
E porque pouquíssimo credível é o outro cenário: que Sporting, derrotando V. Setúbal em Alvalade (imperioso, para além de lógico) e, no dia seguinte, festejando regresso ao 1.º lugar, viesse a entregar o título em casa de SC Braga bem menos forte nas últimas semanas e, nesse confronto, talvez pensando sobretudo na final da Taça de Portugal, imediatamente a seguir.
Logo, pois, por conseguinte, Marítimo, travando ou não o Benfica, colocará ponto final na renhidíssima refrega por este título! Ou a lógica seria espantosa batata!
Logo, pois, por conseguinte, o Benfica (separado do Marítimo por abismo de 47 pontos!) enfrenta dia D, agora sim, definitivo! Tem nas mãos ser tricampeão. Falhar tão à beirinha da meta seria... fragoroso!

Eles não param... E não creio que parem mesmo depois do fecho deste campeonato. Eis o «jogo das malas»; a espectacular descoberta (?!) de monetárias conversas num balneário; os foras de jogo e penalties que existiram ou não conforme a cor de quem os analisa com absoluta cegueira, os erros que só vindos de árbitros são decisivos... (também Pinto da Costa e José Peseiro entraram nessa, apagando apocalipse, já corriqueiro, dos seus defesas centrais e frango de Casillas); o árbitro que até nem foi mal nomeado para o nosso jogo - e correu bem... -, mas cuja escolha, logo a seguir, para jogo do rival, passou a ser de bradar aos céus (!); ainda a tão firme certeza de qual é a melhor equipa ainda que não campeã (melhor em toda a época?), ou a perentória afirmação de que, se o outro levar a melhor, não terá mérito, «foi com muita sorte»; e por aí fora, que eles não se calam no infernal vale tudo!
Mas Octávio acaba de declarar: «não contem connosco para alimentar este clima em que se mete tudo em causa. Apostamos na tranquilidade, nas nomeações e nos quartos árbitros». Muitíssimo curioso!...

Bruno Paixão: não ser bom árbitro (chegou a internacional (!), mas, naturalmente, já não o é) começa na sua arrogante prepotência. Forte foco tem havido na habitual tendência para resmas de cartões amarelos; porém, no recente Benfica-V. Guimarães, não vi onde exagerou (pelo contrário, faltaram dois, um para cada lado). Muito grave, inconcebível, é, no espaço de duas semanas, ter expulsado Jorge Jesus (motivo: «isto é para os dois lados» ) e Sérgio Conceição («isto não é falta», o que Bruno Paixão conseguiu considerar «ato de comportamento irresponsável e difamatório»!!!).
Claro que Jorge Jesus foi punido apenas com leve multa; e o mesmo aconteceria com Sérgio Conceição... se este, no fim do jogo, de cabeça perdida, não tivesse passado ao insulto (óbvio: 25 dias de suspensão). Desorientada, não apenas por culpa própria, anda a arbitragem portuguesa, pressionadíssima, amiúde indecorosamente! Casos como estes de Bruno Paixão tornam-se outra conversa. Ninguém o(s) põe na ordem?"

Santos Neves, in A Bola

Faroeste

"O presidente russo da SAD da União de Leiria foi preso sob suspeita de usar a sociedade para lavagem de dinheiro.
Com todas as reservas inerentes à presunção de inocência, este é mais um triste episódio a juntar a outros e que envolvem sistematicamente ilícitos criminais ligados às SAD. Ele é administradores de SAD acusados de crimes, ele é accionistas ligados ao submundo das apostas ilegais, ele é SAD crónicas devedoras de outras, todo um cortejo de misérias que se vai descobrindo e que, em última análise, prejudicam - e de que maneira! - o futebol português.
Não é sustentável que, por um lado, se aposte no fair play financeiro e no uso de dispositivos tecnológicos para salvaguarda da verdade desportiva, como meio de dignificar as competições, e depois se tolere esta opacidade a nível de quem é o verdadeiro dono das SAD e de onde provem o dinheiro, bem como o aventureirismo e impreparação de muitos dos seus administradores.
É urgente por cobro a esta situação, sob pena de, amanhã, todo o negócio estar sob suspeita, com investidores a irem para outro lado e os espectadores e assinantes a debandarem.
No meu entender, há uma solução muito simples, qual é a de estabelecer um regime de supervisão para as SAD, à semelhança do que acontece em tantos outros sectores, e que se traduziria no seguinte: só poderia adquirir uma participação qualificada numa SAD, quando fizesse prova de quem era efectivamente o último beneficiário desse investimento e da transparência dos fundos; só poderia ser administrador da SAD quem passasse a prova de idoneidade para o cargo.
Na ausência destas ou de outras medidas regulatórias, o futebol fica à mercê de interesses obscuros, que se aproveitam da debilidade dos clubes, dos apertos financeiros, da ganância ou candura de dirigentes desportivos.
Contra mim falo até, porque o meu clube tem como accionista de referência, com quase 30%, alguém a quem a justiça anda a apreender preventivamente património, por suspeita de envolvimento em actividades financeiras ilegais.
Eu sei que é relevante discutir as preferências clubísticas do Bruno Paixão ou as distracções do Artur Soares Dias, mas, acreditem, isto é muito mais importante."

Benfiquismo (XCV)

Juntos, jogadores e adeptos...!!!

1915 em Madrid !!!
Adversário Real Madrid...

Aníbal Santos, Henrique Costa, Herculano Santos, Mário Monteiro, Cosme Damião, Carlos Homem de Figueiredo, Manuel Veloso, Rogério Peres, Leopoldo Mocho, Cândido de Oliveira...

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Ele carrega o Benfica às costas

"César Menotti, esse grande gerador de ideias sobre futebol, entende que há duas formas de ser médio-centro. Diz El Flaco, que viveu sempre à frente do tempo e permanece, aos 77 anos, fonte de inspiração para muitos adeptos, que a tarefa pode executar-se utilizando um cão de guarda ou um cão assassino. O primeiro ataca mal se sente acossado, afugenta os assaltantes e regressa ao posto de trabalho; o outro, desvairado pela agressividade, é capaz de percorrer quilómetros atrás dos invasores, cego ao ponto de fazê-lo apenas para lhes ferrar os dentes - convém recordar que, enquanto vai e não volta, a porta fica aberta, vulnerável às perversas intenções dos potenciais inimigos. Mesmo sem haver um modo ideal para ocupar o espaço - depende da equipa, do seu modelo, das características dos futebolistas e da articulação pretendida entre quem habita a ampla zona onde tudo se concebe e desenvolve-, há estilos que o futebol moderno rejeita liminarmente: o velho trinco chegou ao fim. 
Fejsa é precioso pela visão de 360 graus que identifica os grandes centro-campistas; pela inteligência que lhe permite antecipar acontecimentos e chegar centésimos de segundo antes de ocorrerem; por ser indomável na utilização do corpo nos despiques individuais e no talento para tomar sempre as melhores decisões face ao momento do jogo e ao posicionamento da equipa - é impressionante como raramente se engana quando tem de defender o espaço, atacar a bola ou simplesmente barrar o caminho ao adversário. É uma arte como outra qualquer: está sempre onde deve e age como chefe da segurança e principal responsável pela porta de acesso ao cofre-forte da equipa. Fejsa não alterou o estilo mas aproveitou o tempo e as necessidades tácticas do novo Benfica para, aos 27 anos, expressar-se como nunca. Sem as sucessivas e prolongadas lesões que o têm afetado, mais as dificuldades provocadas pela excelência atingida por Samaris, podia ser uma referência europeia na função.
É menos participativo do que o grego nos processos de aproximação a zonas mais adiantadas e abdica da relevância de William na circulação e distribuição; não tem os dotes de lançador de Xabi Alonso nem a presença e o ímpeto de Danilo na procura da bola; falta-lhe a classe de Matic e o golo de Javi. Mas numa equipa de propensão expansionista que, para ganhar consistência, teve de inserir um todo-o-terreno como Renato Sanches e entregar a Pizzi missão estratégica a partir da direita para o meio, é natural que Rui Vitória se sinta mais confortável com Fejsa. O sérvio depurou a intervenção no jogo e aprimorou cada tomada de decisão interpretando com precisão cada vez maior o papel de avançado dos defesas e libero dos atacantes. Sendo um jogador com poucas (ou nenhumas) aspirações artísticas, é muito mais do que um simples empregado de limpeza; sem magia avulsa para criar desequilíbrios à frente, a noção de unidade e consistência torna-o fundamental. Nos últimos jogos tem sido ele a carregar o Benfica às costas.
Fejsa é a rede salvadora do trapézio que permite aos acrobatas deliciarem plateias com as suas invenções inverosímeis: é o amparo das genialidades de Jonas, das travessuras de Gaitán, da frieza goleadora de Mitroglou, da paixão de Renato Sanches, das invenções de Pizzi, das aventuras de André Almeida e Eliseu... O futebol seria um jogo mais pobre, um espectáculo menos interessante, um negócio mais modesto e um fenómeno inexistente como expressão de arte só com intérpretes tão limitados. Jorge Valdano resume o dilema recordando que o cimento sustenta o mosaico bizantino mas que uma coisa é o cimento e outra o mosaico. Mas fica assim esclarecido que para proporcionar condições à exaltação dos génios que nos enchem a alma, por mais voltas que dermos, o futebol não pode prescindir dos Fejsas desta vida."

Rui Dias, in Record

Parem de mexer no fogo

"Colocar pressão no rival, ainda para mais quando se trata de uma luta para ser campeão nacional, é normal, pode até considerar-se que faz parte do jogo, mas esta guerra declarada entre Benfica e Sporting, fora dos relvados, já ultrapassou muitos limites. Não todos, porque estou desconfiado que o clima de suspeição, de ataques constantes e falta de lucidez na análise dos casos vai continuar mesmo depois de ter sido encontrado o vencedor deste campeonato.
Tudo serve para atacar o outro, e a forma como se amplifica o ponto de vista, tantas vezes torcido, de cada um dos dois clubes, na comunicação social, nas redes sociais, ou nos debates televisivos, molda a realidade de uma forma assustadora.
Depois do que se passou a época passada na festa do Benfica no Marquês de Pombal, que se transformou numa verdadeira batalha campal, e ainda hoje está para se perceber ao certo se foi obra apenas dos adeptos do Benfica ou se outros por lá andaram também a provocar, como podem os dirigentes e responsáveis de um e outro clube não pensar que talvez seja altura pararem de mexer, de forma tão perigosa, com matéria inflamável?
Só esta semana, pessoas com responsabilidades no Sporting e no Benfica já falaram de malas de dinheiro a viajar de clube em clube para ajudar a condicionar resultados, da chuteira de Eliseu na cabeça de um jogador do V. Guimarães, da expulsão de André Almeida, do penalty de Coates no jogo do Sporting com o Porto, de quem é ou não melhor e ouvi, até, Manuel Fernandes, homem do futebol e agora diretor leonino, dizer que se o Benfica ganhar o campeonato será «com muita sorte». E quando perdeu o famoso campeonato do Kelvin, perdeu-o com muito azar? Campeão será campeão. Triste é que muito provavelmente aquele que o perder não dará parabéns ao vencedor."

Nélson Feiteirona, in A Bola

PS: Continua-se a meter tudo no mesmo saco... A denuncia das 'malas' por parte de alguns Benfiquistas, só aconteceu devido à cobardia intelectual dos jornaleiros desportivos, que têm conhecimento das coisas e ficam calados... e alguns até acham 'normal'!
Conferências de imprensa de treinadores e directores, além das entrevistas com alguns jogadores, são colocadas ao mesmo nível do que palavras proferidas em programas de lixo televisivo por simples adeptos ou funcionários secundários...
Frases nas redes sociais, só são 'importantes' quando são ditas por directores de informação; quando é um presidente eleito a usar as mesmas redes (praticamente diariamente...), usando termos reles de atrasado mental, é tudo 'fair game'... etc... etc...

Benfiquismo (XCIV)

Benfica 4 - 3 Torino...
Foi em 4 de Maio de 1949,
que se deu a tragédia de Superga...
faz hoje 67 anos.

No dia anterior, no Jamor, O Gran Torino,
fazia a sua última partida,
num jogo de homenagem ao nosso Capitão Francisco Ferreira,
aqui na foto, com o grande Capitão Mazzola...

terça-feira, 3 de maio de 2016

Cruzando-se como cometas...

"Recordemos mais um Benfica-Bayern: este para o famoso torneio Teresa Herrera. Foi em 1990 - mês de Agosto. Na tarde galega que fervia, os 'encarnados' de Lisboa foram melhores. Tal como haviam sido em paris, em 1972.

Bem sei, bem sei, não precisam de mo recordar: as aventuras europeias entre Benfica e Bayern de Munique têm sido dolorosas para os portugueses. Sei disso tão bem que até tive a oportunidade de ver ao vivo, no outro e neste Estádio da Luz, todas as visitas dos bávaros a Lisboa. Como por acaso também estive do outro lado da Segunda Circular a ver o Sporting ser ainda mais estragado por esse ogre alemão que faz da trituração dos adversários mais frágeis uma espécie de filosofia de vida.
Mas, na passada semana, trouxe até aqui um Benfica-Bayern diferente, jogado em Colombes, Paris, para um torneio internacional: vitória do Benfica (2-1) e exibição de encher o olho, sobretudo de Eusébio e Jordão.
Porque o Futebol entre os grandes clubes do mundo tem um ritmo próprio e universal. De tempos a tempos cruzam-se, como cometas, pouco importa se oficial ou particularmente. É o destino que os obriga: e nada há a fazer contra a poderosa força do destino.
Ora, desta vez recuo menos no tempo. Só até 1990. 17 de Agosto de 1990.
O Benfica participa no famoso veraniego Teresa Herrera.
Como geralmente acontece nesses grandes torneios do cáustico Verão espanhol há quatro equipas em prova - meias-finais e final.
Aos 'encarnados' calha a fava encarnada teutónica - esse mesmo!, o Bayern de Munique.
Em 1990, já o Bayern era Bayern em toda a sua plenitude de grandes conquistas internacionais, ao contrário do que sucedera em 1972, quando ainda não vencera a primeira das suas três taças consecutivas dos campeões europeus.
O Bayern metia medo, tal como hoje mete medo.
E a coragem é, no fundo, a forma de lutar escondendo o medo, deixando-o no fundo de nós mesmos, encarando as nossas virtudes e as nossas imperfeições.
Foi isso que o Benfica fez, em Munique e em Lisboa, ainda agora mesmo...
Foi isso que o Benfica fez no dia 17 de Agosto de 1990, na Corunha.
Sem medo. Nem do adversário nem de si e das suas circunstâncias.
Um Benfica estranho
Vamos ver como jogaram Benfica e Bayern nessa tarde escaldante?
BENFICA - Silvino; William, Samuel, Veloso, Ricardo e Schwarz; Vítor Paneira, Thern e Sanchez; Rui Águas e Isaías.
BAYERN - Aumann; Grahammer, Augen, Kohler e Pfluger; Reuter, Forfner, Effener, Effernberg e Strunz; Wolfart e Brian Laudrup.
Um Benfica pelo menos estranho na sua exposição em campo. Abusando de centrais, o que nunca foi verdadeiramente hábito enraizado para os lados da Luz, embora eu, pessoalmente, e desculpem-me aqui a colherada, sempre tenha tido um apreço especial pelo desenho dos três centrais - desde que sejam mesmo três e não se transformem em cinco teimosos defesas, mas isso são contas de um rosário que não é nada para aqui chamado.
Os 'encarnados' de Lisboa ganharam por 2-1, golos de Schwarz e Águas. Para o Bayern marcou McInnaly, já à beirinha do fim, ele que entrara aos 85 minutos para o lugar de Kohler.
A vitória não teve mais peso porque, na final do torneio, o Benfica viu-se batido pelo Barcelona (0-2). Mas foi uma vitória. Não há muitas vitórias sobre o Bayern de Munique na enorme lista que os 'encanados de águia ao peito' apresentam no seu vertiginoso carrossel internacional que está a dois jogos apenas de atingir a impressionante marca de 400 encontros oficiais para as provas europeias. E, vocês que têm a ternurenta paciência de me ler, sabem que me recuso a reduzir as provas internacionais àquelas organizadas pelos subservientes serviços uefeiros e que nos fazem esquecer competições de brilho intensíssimo como foram, por exemplo, entre outros, a Copa Mitropa ou a Taça Latina.
Benfica e Bayern voltarão a encontrar-se. Inevitavelmente. Faz parte da história dos monstros fazerem frente uns aos outros. Demasiadas eliminações para a Taça dos Campeões (e Taça UEFA), dirão os mais realistas. Verdade indesmentível. Mas também a lição de que, a qualquer momento, em qualquer estádio do mundo, veremos as duas equipas perfiladas lado a lado para mais um confronto que ficará preso como os outros na aldeia branca da nossa memória.
Que seja um jogo de campeões, como foi o último. De campeões e de cavalheiros.
O Futebol precisa disso. A nossa consciência também."

Afonso de Melo, in O Benfica

Das dúvidas

"No futebol uma equipa transforma-se sempre naquilo que os seus homens, do treinador aos jogadores, acreditam que são. Jorge Jesus acredita, empolgado, que talvez não haja no mundo melhor treinador do que ele (vá lá, que haja um ou dois, não sei se não admitirá...) - e se calhar é por isso que Sporting está como está. E também está como está porque Jesus consegue fazer com que todos os seus jogadores acreditem que são muito maiores do que aquilo que são - só porque o têm a ele no banco. (No FC Porto é ao contrário...)
Disso, eu não duvido. Do que duvido (ainda...) é do que Jesus disse após a estrondosa vitória no Dragão: que «o Sporting é a melhor equipa do campeonato». Eu explico (sobretudo o ainda...): jogar bem futebol é jogá-lo pondo em funcionamento a técnica e o arrojo, a tática e a potência, o compromisso e a estética. Isso o Sporting faz melhor que bem - o seu problema é que às vezes não. Também explico: o Benfica pode não jogar assim, mas não ganha pior. Não joga para ganhar concursos de beleza, joga para ganhar jogos de futebol - e para não os perder onde não pode perdê-los. Mostra que uma grande equipa não é apenas o conjunto do somatório dos seus jogadores de 1 a 11 ou de 1 a 16 elevado à potência do seu treinador - é muito mais do que isso. E esse muito mais do que isso está no espírito de compromisso e no carácter com que joga de egos apagados e corações a arder, está no que Rui Vitória foi capaz de fazer: fazer da equipa a principal estrela - sem que a equipa deixe de exaltar as suas estrelas (e não, não são só o Jonas ou o Renato...) E está na fuga ao tiro no pé, no não ser o que o Sporting foi para sua desgraça: uma equipa que tanto pode descobrir a Teoria da Relatividade como falhar uma Regra de Três Simples - que foi o que sucedeu ao empatar com o Paços, o Tondela, o Rio Ave, o Boavista, e ao perder com o União.

PS: Claro: se o Benfica não ganhar ao Marítimo ou ao Nacional e o Sporting ganhar ao Setúbal e ao Braga, então sim: eu perco a dúvida sobre a melhor equipa."

António Simões, in A Bola