Últimas indefectivações

sábado, 15 de junho de 2013

Na final...

Tal como eu previ, ontem, a dupla Benfiquista Teresa Portela e Joana Vasconcelos, tinha mais hipóteses nos 200m do que nos 500m da véspera.
Amanhã vamos ter as nossa meninas na Final do K2 200m. A prova é curta, a largada será muito importante, mas muito sinceramente acho que é melhor não esperar medalhas... Eu sei que estamos no início do novo ciclo Olímpico, mas para já não estou a gostar da 'química' desta embarcação. É uma opinião perfeitamente subjectiva, mas temos que encontrar a melhor combinação possível, entre os K1, K2 ou K4, não é fácil fazer várias provas no mesmo fim-de-semana... a Teresa Portela em Londres sabe bem disso!!!
Amanhã também vamos ter o João Ribeiro na final do K4 1000m.

PS1: Parabéns ao João Pereira pelo 8.º lugar no Europeu de Triatlo, excelente resultado, condizente com a boa temporada que está a efectuar. Foi pena a ausência do João Silva lesionado. O Miguel Arraiolos foi 13.º, o Hugo Ventura 29.º, e o Bruno Pais 36.º...

PS2: Muitos parabéns ao Jean-Jaques pela entrada no Hall Fame da FIBA. Reconhecimento totalmente merecido, a um dos melhores Basquetebolistas de sempre a actuar em Portugal... que tivemos o privilégio de observar ao vivo, no antigo Pavilhão n.º2 !!! Pessoalmente, o afundanço na cara do Dominique Wilkins em Almada, será eterno!!!

Eliminados - Fim de época

Valongo 6 - 5 Benfica

Mais uma exemplo de como as regras, em Portugal, em alguns locais, são suspensas temporárias... isto acontece em situações extra-desportivas, e como não podia deixar de acontecer, durante os jogos de várias modalidades, principalmente se a modalidade tiver árbitros!!! Nada de novo portanto... Desde do sorteio da Taça, que era previsível este ambiente... Hoje, começou no aquecimento!!! O álibi para todo este terrorismo, foi o jogo da Luz para o Campeonato, onde vários jogadores do Valongo se lesionaram... mas só acredita nessas histórias quem quiser. Como já escrevi noutras ocasiões, com este adversário: vomitam ódio ao vermelho... Hoje o comportamento animalesco (sim, animalesco) começou no treinador... se por acaso jogarem com os Corruptos na Final 4, vão perder por mais de 8-0, passivamente, como tem sido normal...!!!
Hoje valeu tudo, tudo com a permissividade dos apitadeiros, a quantidade de faltas longe da bola, com cotoveladas, agarrões, rasteiras... jogarem constantemente a bola com os patins (deitarem-se à frente da bola dentro da área...), mais de uma vez, foi sempre a andar... O Benfica foi obrigado a apresentar uma estratégia passiva defensivamente, chegámos mesmo a defender em quase quadrado na 1.ª parte, para evitar contactos, por isso chegámos em vantagem ao intervalo nas faltas (mesmo com todas as faltas perdoadas...), mas no início da 2.ª parte, começou o festival do mergulho e do penalty, e a vantagem das faltas foi-se rapidamente... Nunca conseguimos passar para a frente do marcador, tivemos sempre a correr atrás do marcador. Como hoje o aproveitamento nas nossas bolas paradas foi menor do que no fim-de-semana do título Europeu, perdemos... confirma a tese que para ganhar estes jogos, só sendo perfeito...  Pelo menos 3 dos golos do Valongo (outro foi um auto-golo do Cacau), resultaram de erros dos apitadeiros !!! Metade... Contratem jogadores, treinadores, mudem de dirigentes, e o resultado será o mesmo...

É um fim de época, imerecido, para uma época com o título máximo Europeu, é uma despedida imerecida para alguns jogadores... mas este é desporto que temos. Não basta ser melhor, temos que ser 1000 vezes melhor, e mesmo assim, não sei...

Em países civilizados, gente com comportamentos animalescos na bancada, é identificada, e expulsa dos recintos desportivos, em Portugal dão graça ao jogo!

Adenda: Deixo aqui uma amostra do que se passou... antes, durante e depois do jogo. Repito animais, e podem vir queixar-se para a caixa de comentários à vontade.

1.º jogo da Final


Sporting 5 - 1 Benfica

Jogo equilibrado (0-0 até aos 27min), onde o Benfica demonstrou as debilidades que já se esperava. Defendemos bem, mas não conseguimos ser tão ofensivos como podemos ser... O favorito continua a ser o Sporting, mas como foi provado a diferença não é tão grande como alguns querem fazer passar.
O jogo foi decidido na expulsão do Diece (minuto 33). O nosso jogador perdeu a cabeça, num lance onde ele se esqueceu da nova regra do Futsal: faltas contra o Sporting só nos primeiros 4 minutos, depois vale tudo!!!
Tal com o ano passado, mais um jogador expulso na Final do Play-off... é fácil expulsar jogadores do Benfica, esta época tem sido um festival... se juntarmos os castigos, às ausências por lesão, ou aos jogadores como o Joel que tem jogado bastante limitado, não é fácil de montar uma equipa competitiva.
Voltámos a demonstrar muitas dificuldades no 5x4 a nosso favor. Erros infantis. O último título dos Lagartos, foi ganho, neste pormenor do jogo. Mesmo sendo muito inferiores ao Benfica em jogo jogado na altura - e com muita ajuda dos apitadeiros!!! Hoje, em situação inversa, podendo equilibrar os resultados nesta situação, não conseguimos... Admitindo que nos próximos jogos, vamos levar as decisões para os últimos minutos, sem eficácia no 5x4, ofensivo, ou defensivo, será impossível triunfar...

PS1: Uma nota para o comportamento dos adeptos lagartos, que tiveram mais preocupados com os adeptos do Benfica no Pavilhão, do que em apoiar a sua equipa... típico!!!

PS2: Só para deixar registado, que não mudei de opinião: sou contra o 5x4, uma equipa que em 4x4 não consegue ganhar o jogo, não o devia ganhar em 5x4. Mas como a regra o permite, temos que o saber aproveitar... ou pelo menos devíamos saber.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Salazaritos

"Cerrando-se o pano sobre mais uma época do Futebol português, reina a ordem em todo o País. Estamos habituados a esta ordem desde que os Senhores do Sistema ganhem. Quando não ganham, reina a desordem, voam pedras, afiam-se facas, lançam-se boatos, levantam-se falsos testemunhos, espalham-se suspeições. Assim funciona a lei dos Salazaritos. Obscuros e infames. Antigamente, havia uma voz que gritava: «Quem manda?» E, obedientes, as outras respondiam: «Salazar! Salazar! Salazar!»
Agora não faz falta nem a voz nem a obediência. Todos sabemos quem manda. Todos sabemos a quem eles obedecem.
Ainda há alguns que falam, que lutam, que recusam o silêncio. Ah! O silêncio... Lembram-se: «A uns convinha que falasse. A outros haveria de convir mais o silêncio que só a morte poderia com segurança guardar». A voz, tremida e metálica, ainda fere os ouvidos da gente de bem. E a ameaça velada, sobretudo a ameaça. Reina a ordem em todo o País e o silêncio também. prepara-se a festa canalha na Assembleia Prostituinte e tudo parece estar bem quando acaba bem. Isto é, ganhando aqueles que é suposto ganharem, perdendo aqueles que é suposto perderem. Já ninguém pergunta: «Quem manda?» Todos sabemos quem manda e todos sabemos os nomes dos seus lacaios. Reina a ordem em todo o País...

P.S. - José apresenta-se e diz: «Sou como os descobridores portugueses...» Não sei se Vasco da Gama ganhava 16 milhões por ano, mas tenho a certeza do que o ridículo não mata."

Afonso de Melo, in O Benfica

1.º dia do Europeu de Canoagem

Podia ter corrido melhor o 1.º dia do Europeu de Canoagem, que está a decorrer na Pista de Montemor-o-Velho.
O João Ribeiro, fazendo parte da tripulação do K4 nacional, conseguiu a qualificação directa para a Final do K4 100m, numa prova onde os portugueses saíram muito rápidos, lideraram quase toda a prova, e no final controlando o esforço (aparentemente), conseguiram o 3.º lugar, que nos deu o direito a disputar a Final.
As nossa meninas, Teresa Portela e Joana Vasconcelos, não conseguiram a qualificação para a Final no K2 500m, tanto nas Meias. como na repescagem, ficámos longe... é certo que as provas dos 200m é onde a dupla é mais forte, mas...

O FC Porto perdeu

"Jorge Jesus renovou com o Benfica, a despeito de uma temporada que fica marcada pela negativa na sua fase terminal, de resto a mais dolorosa de que há memória no historial centenário do Benfica. Às vezes, no Futebol, ganha-se milagrosamente; outras vezes, perde-se... milagrosamente. Foi o que aconteceu no Campeonato, dado por sumido, de forma irremediável, pelo nosso principal antagonista.
Vítor Pereira, técnico bicampeão do FC Porto, sem surpresa, recebeu guia de marcha, já substituído pelo treinador que guindou, de forma competente e não menos imprevista, o Paços de Ferreira à Champions, justamente o mesmo adversário que o FC Porto defrontou na derradeira e decisiva jornada da competição. Mera coincidência...
Só que Paulo Fonseca entra no Dragão como segunda escolha. A primeira era Jorge Jesus. Ainda a temporada decorria, ainda as contas não estavam saldadas, já cantos de sereia foram dirigidos ao responsável técnico do Benfica, oriundos da capital nortenha. O FC Porto queria Jesus, fez tudo para recrutá-lo, acenou-lhe com um contrato fabuloso. O fito, mais uma vez, era embaraçar o Benfica e desferir um golpe na auto-estima vermelha. Jesus não foi, Jesus ficou.
Mesmo com a contestação de alguns adeptos, sobretudo após a perda da Taça de Portugal, o treinador manteve-se fiel ao que supostamente terá apalavrado com o presidente do Clube.
Conclusão? O FC Porto perdeu. Só falta mesmo que o Benfica, na próxima temporada, saboreie a vitória. Mas no campo, não nos sombrios, nos infaustos corredores da peguilha, da confusão, da promiscuidade."

João Malheiro, in O Benfica

Paulo Fonseca é escolha acertada

"Definida que foi a renovação com Jorge Jesus sabemos aquilo que podemos esperar. Temos como certo que vamos jogar bem (jogámos quase sempre bem no consulado Jorge Jesus), temos por adquirido que o nosso futebol será bonito, mas ficamos com esperança de ganhar ainda mais vezes. O Benfica precisa de títulos. O Benfica quer mais títulos. Quais? Todos, de preferência. Jorge Jesus é dos primeiros a ter esta consciência e vontade.
Esta semana foi pontuada com várias contratações, a Sérvia parece ser a proveniência de eleição, nada contra, os sérvios são genericamente desportistas com garra, habilidade e muito competitivos (em todos os desportos). Há até um simpatizante do Benfica a liderar o ranking ATP do ténis mundial, e é sérvio. O melhor jogador encarnado na presente época foi um sérvio, mas quanto aos que chegaram só quando os vir jogar, não é o dia da apresentação o que mais me motiva.
As contratações são sempre incertas. Nas saídas há uma despedida obrigatória. Ver Pablo Aimar jogar foi um gosto, ver Pablo Aimar jogar com a camisola do Benfica foi um orgulho. Dos míticos jogadores que vestiram a nossa, Aimar estará para sempre nos escassos números dos mágicos, dos que inebriam, dos que já mais nos esqueceremos. Um dia gostaria de poder dizer aos meus netos: «Mas eu vi Pablo Aimar jogar no Benfica». Aimar foi um exemplo como jogador, exemplo desde o dia em que chegou até ao dia em que partiu. Deixa saudades, deixa um legado e deixa um exemplo.
Não sei se o FC Porto queria Jorge Jesus, não sei se é verdade que o Sporting se antecipou na contratação de Leonardo Jardim, não sei quais os detalhes que faltaram para Mano Menezes ser o treinador azul e branco, mas sei que a escolha de Paulo Fonseca é muito acertada. O futebol que defende, a forma como jogam as suas equipas dá gosto ver. Apostaria que para os seus adeptos será melhor que Vítor Pereira. Uma boa escolha."

Sílvio Cervan, in A Bola

História e historietas

"1. Por motivos de força maior, na semana passada não me foi possível partilhar este espaço com os estimados leitores. Nunca é tarde, porém, para relembrar, e enaltecer, a extraordinária conquista da Liga Europeia de Hóquei em Patins, ocorrida há quase quinze dias, mas ainda bem presente na nossa memória, e no nosso orgulho.
Tratou-se, porventura, do momento mais alto e significativo em mais de um século de ecletismo benfiquista. É verdade que também comemorámos um título europeu de Futsal, mas em Lisboa. É verdade que Nélson Évora foi Campeão Olímpico, mas vestindo as cores do País. No caso do Hóquei, fomos Campeões contra todas as circunstâncias, contra todas as adversidades, contra todas as previsões, e em pleno reconto do nosso grande rival, numa histórica Final entre clubes portugueses.
Tudo estava devidamente preparado para outros festejarem. Mas fomos nós, com crença, e, direi mesmo, com heroísmo, que trouxemos um troféu que ainda não constava na vasta colecção 'encarnada'. Por variadíssimas razões, nunca esquecerei esta vitória, que leva o Benfica ao topo da Europa, numa modalidade que me é tão querida.

2. As últimas semanas foram também marcadas por definições no comando técnico das principais equipas portuguesas de Futebol. No Benfica, saúde-se a coragem de Luís Filipe Vieira ao reconduzir um treinador que nada venceu, mas que tão bem trabalhou a equipa, e tão perto nos deixou da glória. É este o caminho certo, e não aquele para o qual certa comunicação social, sem pingo de inocência, nos queria empurrar. No FC Porto, anote-se a contratação do treinador que orientou o respectivo adversário, na partida que decidiu o título nacional. A tal, some-se a disponibilização do estádio a esse mesmo clube para os jogos internacionais, e a contratação de (pelo menos) um dos seus principais jogadores. Não são insinuações. São factos, que cada um poderá interpretar como muito bem entender. Espero, contudo, que, depois disto, não venham mais falar-nos de Jardéis ou Djaninys."

Luís Fialho, in O Benfica

A nossa Catedral

"1. Muito agradável o Portugal-Rússia de apuramento para o Mundial. Não só pela vitória portuguesa mas também pela forma como a equipa jogou - com grande determinação - e o público apoiou. Foi uma festa... só possível no nosso Estádio, onde couberam mais de 54 mil espectadores. Felizmente, agora, os tempos são outros e a Federação distribui os jogos da selecção nacional pelos vários estádios, consoante a importância dos jogos. Ao ver aquela festa, não deixei, mais uma vez de recordar que apenas 17 anos depois da sua inauguração, o nosso antigo Estádio da Luz, de longe o maior do País, foi pela primeira vez utilizando em jogos da Selecção, enquanto os estádios do Sporting, FC Porto e Belenenses a receberam várias vezes. E isso nas décadas de 50 e 60, quando a maioria dos jogadores da Selecção era do Benfica! E ainda dizem que o Benfica era o Clube do antigo regime...

2. João Moutinho: 'Já fui do Benfica, depois cresci.' Ainda bem que mudou, digo eu. Não queremos como benfiquistas quem tão tristes exemplos tem dado. Acarinhado no Sporting, onde fez grande parte da Formação, fez tudo para sair, com a 'ajuda' do FC Porto, que o foi seduzindo quando ele ainda tinha contrato com o clube de Alvalade. Saiu como 'maça podre'. Agora, diz-se portista desde pequeno, ou quase...

3. Finalmente, surgem no Sporting dirigentes que não se subjugam aos do FC Porto e defendem os interesses do seu clube, não tendo medo de, face à 'habilidade' feita com o transferência de João Moutinho e aos insultos de um vice-presidente portista ao presidente do Sporting, cessarem as relações com a Direcção de Pinto da Costa. Este, para já, está em silêncio mas não tardará muito que tente um gesto de simpatia para com o Sporting. Não lhe interessa mesmo nada ter contra si os dois grandes de Lisboa e o seu verdadeiro problema é mesmo o Benfica...

4. Depois do título europeu de Hóquei em Patins e dos títulos nacionais de Voleibol e Basquetebol, agora foi a vez do Atletismo se sagrar Campeão Nacional pelo terceiro ano consecutivo. O Sporting deu boa réplica, mas o Benfica demonstrou a sua superioridade, ganhando com sete pontos de vantagem. No sector feminino, o Sporting é ainda superior, mas a diferença vai diminuindo ano a ano: 44 pontos em 2011, 37 em 2012, 19 agora. Vamos aguardar..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Pablito

"Sabemos que, nos dias que correm, é cada vez mais difícil traçar os limites da obra de arte. Aceitamos que um objecto não é uma obra de arte que se esgote em si e que a obra de arte transcende o objecto.
O nosso Pablito entrava em campo e todos éramos colocados diante da promessa do desconhecido, do nunca visto, do imprevisível, do incompreensível para quem espartilha o futebol na mediania do diminutivo, do “certinho”. Nas bancadas competia-nos decifrar e compreender a arte assinada pelo nosso Pablito. Ver Aimar a jogar foi ver a possibilidade de observar como a criação artística ultrapassa o objecto artístico. Para nós, na bancada, a assinatura da “obra de arte” dizia apenas Pablito.
Aimar é o nome que fica na história, nos registos escritos. Pablito é o nome dado nas bancadas, nas conversas entre os que, durante cinco anos, tiveram o privilégio de o ver com o “manto sagrado” do Benfica. Aimar é o nome que aparece no placard dos estádios e nas fichas de jogo. Pablito é o nome com que a bancada respondia ao sorriso franco com que concluía a sua participação no jogo. Só quem viu jogar o Pablito pode perceber que, apesar de a bola ser redonda, só alguns a conseguem repetidamente fazer sair redonda dos seus pés. Pablito foi durante cinco anos o maestro com a função de harmonizar o caos. Sucedeu ao nosso Rui Costa, irmanando-se os dois nessa arte suprema que é a de serem individualmente os melhores, exactamente porque eram os que melhor serviam as individualidades que tinham o privilégio de jogar com eles.
Para nós, na bancada, aquele número 10 chamado Pablito foi um dos nossos, um dos benfiquistas. E os nossos ficam sempre connosco."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Chuva de milhões no futebol europeu

"Para onde quer que nos viremos, só se fala em milhões. Ainda ontem, folheando os jornais, ficávamos a saber que o FMI libertou nova tranche de 657 milhões de euros, o Tribunal de Contas recusou visto a 1900 milhões em contratos, o Estado português tem 11 mil milhões no banco e o crédito malparado de famílias e empresas portuguesas vai em 16,57 mil milhões.
Se calhar por estarmos, de certa forma, anestesiados pelos valores que nos são diariamente apresentados, não estamos a levar em devida conta o fenómeno que está a mudar a face do futebol no Velho Continente e que tem como protagonistas os seguidores de Roman Abramovich (Chelsea). São eles, chamando para aqui apenas os de maior relevo, Dmitry Rybolovlev (AS Mónaco), Mansour bin Zayed Al Nahyan (Manchester City), e Tamin bin Haman al-Thani (PSG). Com meios quase ilimitados, alguns dos homens mais ricos do planeta estão a criar uma realidade virtual que, para já, inflacionou preços e fez disparar o mercado de transferências. O Mónaco, depois de Falcao, Moutinho e James Rodriguez está de mira assestada em Cristiano Ronaldo, por uma bagatela (para começo de conversa, 100 milhões...); o PSG, ciumento, aponta a Gareth Bale e a verba referida também é de 100 milhões; o Chelsea vai dar a Mourinho o que o happy one pedir; e o Manchester City também vai abrir os cordões à bolsa para reconquistar o ceptro inglês. Perante isto, os clubes que mais riqueza geram no Mundo - Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique - vêem a sua (sustentada) hegemonia ameaçada por sugar daddies que não há fair play financeiro que detenha.
E os clubes portugueses? Comprar barato, valorizar e vender caro. É a única via..."

José Manuel Delgado, in A Bola

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Transitam, sim senhor !

"Paulo Fonseca, se pensarmos bem, vai ser o Guardiola do FC Porto. Terá de fazer, no mínimo, igual a Vítor Pereira, que ganhou dois campeonatos seguidos. Menos do que isso é estragar.

VÉSPERA de Santo António em Lisboa. Enquanto vão comendo sardinhas, dois populares conversam sobre coisas do futebol. É tudo gritado porque a música do arraial impera e abafa. É tempo dela.
- O que me dizes ao novo treinador do FC Porto?
- Os novos treinadores do FC Porto, quererás tu dizer…
- Como?
- Ouviste muito bem. Os novos treinadores do FC Porto…
- Mas estás a contar com os adjuntos do Paulo Fonseca?
- Não, de maneira nenhuma.
- Oh pá foi o acontecimento desportivo nacional da semana. O novo treinador do FC Porto, o sucessor de Vítor Pereira. Andas a dormir?
- Compreendi-te. Mas o FC Porto esta semana não foi o único clube a ter novos treinadores do FC Porto. 
- Charadas a esta hora é que não, por favor, não me atrases a paciência.
- Por exemplo, o Arouca também teve um novo treinador do FC Porto, o Pedro Emanuel.
- Isso não conta, por amor de Deus.
- E o Paços de Ferreira também teve um novo treinador do FC Porto, o Costinha.
- O Costinha é do Sporting desde pequenino tal como fez questão de o afirmar na sua não muito longínqua passagem por Alvalade.
- Sim, é do Sporting desde pequenino mas, para todos os efeitos, não deixa de ser o novo treinador do FC Porto em Paços de Ferreira.
- Diziam que ia para lá o Jorge Costa.
- Outro, está a ver? Ó próximo campeonato já está todo minado.
- Essa é uma análise que enferma de fanatismo.
- Chama-lhe fanatismo, chama-lhe. E vai o levar o Maniche.
- Quem? Para onde?
- O Costinha vai levar o Maniche como adjunto para a Capital do Móvel.
- Pela tua ótica, portanto, o Maniche engloba-se na categoria de novo treinador-adjunto do FC Porto.
- Sem tirar nem pôr.
- Então nesse caso como classificas profissionalmente o Sérgio Conceição e o Nuno Espírito Santo?
- Transitam para a próxima temporada?
- Transitam, sim senhor.
- Então nesse caso o Sérgio Conceição é o antigo treinador do FC Porto em Olhão e o Nuno Espírito Santo é o antigo treinador do FC Porto em Vila das Aves.
- Oh demência.
- Se calhar devíamos ameaçar desistir do próximo campeonato como fizemos em relação à final da Taça dos Campeões Europeus de hóquei em patins.
- Agora interessas-te por hóquei em patins?
- Somos campeões europeus porque, segundo o próprio treinador do FC Porto, os seus jogadores passaram em claro a noite da véspera da final a ir à internet para ver se o Benfica desistia ou se desistia de desistir.
- Olha que bem pensado.
- E, pensando bem e melhor, o professor Jesualdo Ferreira é o antigo treinador do FC Porto em Braga.
- Basta!
- E o Jorge Jesus é o ex-novo treinador do FC Porto no Estádio da Luz.
- Francamente…E o que me dizes ao antigo treinador do FC Porto ir para a Arábia Saudita treinar o Al-Ahli, um clube mouros…
-… ainda não rescindiu!
- Provavelmente até lhe renovaram o contrato e esqueceram-se de o avisar.
- Provavelmente foi isso mesmo.
E continuaram a conversar pela noite fora sem necessidade de mudar de assunto e quase sempre em desacordo embora fossem do mesmo clube.

O recente sucesso de Jupp Heynckes no comando do Bayern de Munique tem dado pano para mangas. Mourinho citou-o para justificar o seu regresso ao Chelsea e a possibilidade de se voltar a ser feliz onde já se foi feliz.
Também ouvi a muitos benfiquistas, em defesa da continuidade de Jorge Jesus, dar o exemplo do treinador alemão que, depois de ter perdido tudo no final da época de 2011/2012, acabou por ganhar tudo no final da época de 2012/2013.
E ainda ouvi benfiquistas que, antes pelo contrário, viam em Jupp Heynckes o substituto ideal de Jorge Jesus.
- Ele até fala bem castelhano – foi um dos argumentos apresentados.
- Mas para quê contratar um treinador que fala castelhano se agora o nosso plantel é sérvio? – logo houve quem contrapusesse com mau humor.
No entanto, a mais troante de todas as justificações que ouvi para a aposta do Benfica em Heynckes foi esta:
- Para ele era ótimo porque nem sequer tinha de sair do seu país.
- …
- Sim, ou não somos actualmente um amável colonato da Alemanha?
Adiante para não se meter política no assunto.
O futuro próximo de Pep Guardiola presta-se também a boas e a más comparações com as nossas coisinhas. O treinador catalão vai, precisamente, substituir Jupp Heynckes no Bayern de Munique e tem pela frente a tarefa de, pelo menos não fazer pior do que o seu predecessor.
O que é francamente difícil, para não dizer quase impossível.
- Aliás, o Paulo Fonseca, se pensarmos bem, vai ser o Guardiola do FC Porto – ouvi dizer assim que o antigo treinador do Paços de Ferreira se transformou no novo treinador do FC Porto.
- O Guardiola do FC Porto? – espantei-me naturalmente.
- Sim, vai ter fazer, no mínimo, igual ao Vítor Pereira que ganhou dois campeonatos seguidos sofrendo apenas uma única derrota. Menos do que isto é estragar.
- Está bem visto, sim senhor.

DO século XX português o estadista, o homem político que mais me encanta foi o diletante, sofisticado e helenista republicano Manuel Teixeira Gomes, presidente da República entre 1923 e 1925. Um período curto que o reteve, nas suas próprias palavras, «prisioneiro, aborrecido e enjoado» de um bando de «políticos intoleráveis» que não serviam o país mas que, ainda assim, serviram a Manuel Teixeira Gomes como fonte de inspiração: «procurei estudá-los mais como romancista do que como Chefe de Estado». Sim, o nosso presidente também era escritor.
Teixeira Gomes renunciou ao cargo, foi de Belém a São Bento entregar a sua demissão à assembleia, depois foi de São Bento até casa, fez as malas, meteu-se no primeiro barco que saía do porto de Lisboa – o “Zeus” – e desembarcou no norte de África, em Oran, «iniciando aí, mau grado a velhice, esta grande primavera de liberdade e felicidade qua ainda agora dura», como escreveu numa carta a António Patrício.
Nunca mais pôs os pés em Portugal. Viajou muito e fixou-se, por fim, em Bougie, na antiga Argélia francesa, onde viria a morrer em 1941 na suspirada qualidade do total anonimato que pertencia ao hóspede do quarto n.º 13 do Hotel de L’Etoile, com ampla vista para o Mediterrâneo.
Descobri recentemente num alfarrabista da Rua do Poço dos Negros um livro sobre este nosso Estadista publicado em Lisboa no ano da sua morte e da autoria de Norberto Lopes. Chama-se O Exilado de Bougie e logo me apressei a lê-lo certa de que iria encontrar novas razões para alimentar a minha estima e quase fascínio pela soberba figura paradoxal deste patriota português a quem o país amado aborrecia, aprisionava e enjoava ao ponto de zarpar para sempre e sem remorsos.
E encontrei, claro, muitas das novas razões que procurava. Entre elas, se me permitem, esta: Manuel Teixeira Gomes era fã do Tamanqueiro!
Do antigo presidente da República que bendizia cada final de dia passado longe da Pátria e da I República com um «este já ninguém mo tira!» já falei o suficiente. Do Tamanqueiro vou falar agora. Chamava-se, na verdade, Raul Soares Figueiredo e foi um excepcional futebolista algarvio, primeiro do Olhanense e, depois, do Benfica. Numa carta a José Pontes, Manuel Teixeira Gomes, refere-se-lhe assim:
«Diante dos olhos ainda me perpassam as tardes heróicas; aclamada pela multidão imensa, destaca-se, na luz vermelha do poente, a forma tão juvenilmente obstinada, na sua ubiquidade inverosímil, do Tamanqueiro caindo, erguendo-se, pulando como se a terra lhe servisse de trampolim, sem deixar nunca de sorrir.»
Manuel Teixeira Gomes era também algarvio, nascera em Portimão, e provavelmente o seu alto apreço pelo Tamanqueiro tinha uma forte componente de amor regional. Quero eu dizer que das palavras do Estadista não se pode concluir que fosse um benfiquista de alma e de coração.
No entanto, mais adiante no livro, quando Teixeira Gomes já está instalado no norte de África para nunca mais voltar e escreve a Columbano Bordalo Pinheiro as suas impressões magrebinas, aí é que, na minha enfermada opinião, se desnuda todo um benfiquismo atávico e genial.
Ouçamo-lo:
«A afinidade congénita mais se avigorou e hoje, velho como estou, se tivesse de mudar de nacionalidade, era entre sarracenos que de preferência a buscaria. E tudo me incita a tomar tal resolução!»
A este homem não me importaria de chamar presidente.

PS - Carrega, Toni!"

Leonor Pinhão, in A Bola

Djuricic

Só ontem, Filip Djuricic foi apresentado como jogador do Benfica, em plena Catedral. Com a publicação do Relatório e Contas já tínhamos tido a confirmação, mas agora é extra-oficial... Mas depois de tantas entrevistas que o Filip deu nas últimas semanas, só podia ser oficial!!!
Das contratações anunciadas, este é o jogador que me deixa mais água na boca... Os vídeos do YouTube podem enganar, mas muito sinceramente o toque de bola não engana, creio que temos aqui mais um 10 imortal!!! O controle de bola em velocidade, com a bola bem coladinha ao pé, não é para todos...!!!

Mas apesar da aparente qualidade inquestionável, o encaixe do Djuricic no actual Benfica, não é óbvio: ele pode jogar a extremo - em ambos os lados -, mas não é a sua posição natural; ele pode jogar nas costas do ponta-de-lança, mas o Benfica de Jesus gosta de jogar com 2 pontas-de-lança e o Djuricic não tem por exemplo as características do Lima ou do Rodrigo... Pessoalmente, penso que devemos ainda acrescentar outra opção: posição 8 !!! Se o ano passado o Enzo foi adaptado, porque não o Djuricic?!!! Creio que nos jogos caseiros, com o Matic nas costas, o Djuricic poderá jogar a 8. Recordo que além das excelentes características ofensivas, o Filip também é conhecido pela sua entrega ao jogo, creio inclusive que este ano teve problemas respiratórios numa partida, onde se recusou, a deixar de correr!!! Precisa de ganhar algum músculo, é franzino, mas tem mais de 1,80m... Não aposto, mas a posição 8 é uma hipótese!!!
Em 2010, e em 2011 com o Aimar (mais) disponível, o Jesus apostou algumas vezes, no El Mago a 10 (no lugar do Saviola), atrás do Cardozo, na última época, em alguns jogos importantes foi o Gaitán a jogar nas costas do ponta-de-lança, creio que esse será o aproveitamento mais lógico para o Sérvio (curiosamente tanto o Sulejmani como o Markovic também podem fazer essa posição!!!), sendo assim será de esperar uma utilização mais regular deste esquema, mais conservador, por parte do Jesus (a pedido de muitas famílias, diga-se!!!)...

PS: Só um reparo: falta uma alcunha, ou diminutivo!!! Tudo menos Flipper !!!

Farto defeso

"Terminados os jogos, aí está de volta o esplendor do defeso. Milhões para cá, milhões para lá, tudo num frenesim onde se misturam compras e vendas, comissões, remissões e demissões, familiares, dirigentes e dirigíveis, novos-ricos e velhos pobres, plutocracia e meritocracia. Ah, já me ia esquecendo: e... jogadores.
Quantos milhões ficam algures entre o alfa e o ómega das compras e vendas? Quantas ilusões são oferecidas no mercado das expectativas? Quantos paraísos fiscais beneficiam do efeito multiplicador proporcionalmente inverso ao rigor, exactidão e transparência?
Tudo numa Europa a braços com uma recessão que anda pelos 1,1%. Onde o Banco Central Europeu futebolístico é dominado por uns ilustres e branqueadores desconhecidos que fazem renascer das cinzas clubes adormecidos. Com o beneplácito da UEFA e seus derivados, sempre a recordar os fair play dos jogos e das finanças!
Por esta Europa fora, encaram-se com a maior das normalidades os milhões de transacções e de salários de craques, ao mesmo tempo que minguam os rendimentos das famílias e se crítica asperamente o que pessoas com funções públicas ganham por ano e que não chega ao que alguns jogadores ganham em menos de uma semana.
Mesmo assim, entre os países importadores há uns mais iguais do que outros. A remediada Turquia virou paraíso de jogadores em pré-reforma. Na Espanha parece que não há desemprego. Na Inglaterra, se for preciso muda-se o câmbio da libra esterlina. Em França, é à grande e à russa! Só na Alemanha a racionalidade não se perdeu completamente... De Portugal falarei noutra altura..."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O peso é sempre relativo !!!

Pablo Aimar

"Já aqui escrevi sobre Pablo Aimar, que agora termina o contrato com o Benfica, depois de cinco temporadas. Há mais de um ano, o presidente do clube dirigiu-se-lhe, com toda a justiça, escrevendo: «Há jogadores que deviam ser eternos, e tu és um deles. A camisola do Benfica será sempre tua. Gostaria que o Benfica fosse sempre uma das tuas 'pátrias'.»
Jogador de classe, profissional modelar, homem inteligentemente simples que - como então escrevi - enche os campos com sinfonia e mestria. Um jogador de quem até a relva e a bola devem sentir a diferença de trato.
Muitos jogadores estrangeiros têm passado pelo Benfica. Uns que se recordam com saudade, outros que não deixaram rasto. Aimar pertence ao grupo restrito dos que passam à história do clube como modelos, ícones da excelência e exemplos a seguir. Tal como, entre outros, Valdo, Ricardo Gomes e Preud'homme. 
Por tudo isto, tenho pena do modo triste, quase despercebido, sem luz, como Aimar termina a sua passagem pela Luz. Compreendo que tenho jogado menos por força de lesões e menor fulgurância física, embora tenha para mim que poderia ter sido muito útil em alguns jogos (recordo aqui e tão-só a preferência por Carlos Martins no fatídico jogo com o Estoril). Mas, o que mais me custou, como seu admirador, foi vê-lo entrar nos derradeiros minutos na final da Taça com uma equipa derrotada e já destroçada. Aimar merecia muito melhor...
Como não o pude aplaudir de pé como gostaria de fazer na Luz, escrevo este singelo texto para lhe dizer quanto gostei de o ver no meu clube e agradecer-lhe o perfume do seu futebol e o sorriso de quem é feliz na profissão que muito honra."

Bagão Félix, in A Bola

Enke

Sulejmani

Mais uma confirmação oficial. Miralem Sulejmani - Miki para os amigos, é pouco mais fácil de pronunciar!!! - já vinha sendo anunciado como reforço, à bastante tempo,  mas como foi uma contratação a 'custo zero', sem a anuência do seu antigo clube, o anuncio oficial só podia acontecer muito perto do final do antigo contracto.

Um jogador que aos 18 anos custou 16 milhões de euros, tem que ser talentoso !!! Fez algumas épocas a bom nível no Ajax, mas a lesão grave atrapalhou, com a recusa em renovar, foi atirado para a equipa B... como se pode ver nos vídeos do YouTube, respira futebol, com um pé esquerdo muito acima da média. A interrogação está na sua actual condição física. Depois de tanto tempo fora da competição ao mais alto nível, praticamente ano e meio, com 24 anos, como é que está o Sulejmani? Morfologicamente, nota-se que é um jogador com algumas 'curvas', e a velocidade era uma das suas armas... a motivação não deverá ser um problema, esta aposta no Benfica é decisiva, ele será o mais interessado em relançar a sua carreira, portanto a questão física será fundamental... até porque em termos de posição, também não antevejo problemas, já que pode jogar em praticamente todas as posições no ataque: na direita - com o pé trocado -, no meio - atrás do ponta-de-lança -, ou na esquerda...

PS1: As últimas notícias são muito positivas, a operação do Toni correu bem. Um dos grandes símbolos vivos do Benfiquismo e do desportivismo em Portugal (e eles são tão raros!!!), só pode merecer tudo de bom...

PS2: Hoje, foi anunciado a convocatória para o Mundial Sub-20. Parabéns ao André Gomes, e aos ainda Sub-19 Bruno Varela e João Cancelo. Mas sou obrigado a destacar a não convocação do Ivan Cavaleiro, como vergonhosa... verdadeiramente vergonhosa.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A história do gato vermelho e do rato azul

"Entre 1948 e 1953, o Benfica conquistou quatro Taças de Portugal consecutivas (em 1950 a prova não se disputou). Encerra-se hoje, com a vitória, por 5-0, frente ao FC Porto, a recordação da epopeia...

E o ciclo fecha-se... Já vimos como o Benfica venceu as finais da Taça de Portugal de 1948/49 (2-1 ao Atlético), de 1950/51 (5-1 à Académica) e de 1951/52 (5-4 ao Sporting) - volte a recordar-se que em 1949/50 não se disputou a Taça de Portugal para que se jogasse no Jamor a Taça Latina, que o Benfica também venceu. Falta ver como conquistou o troféu na época de 1952/53, cumprindo com virtuosismo a sua quarta vitória consecutiva na competição.
Ano estranho para o Benfica, que teve três treinadores, Cândido Tavares, Alberto Zozaya e Ribeiro dos Reis, cabendo a este militar, estudioso das tácticas e das regras do futebol, um dos fundadores do jornal «A Bola», dirigir a equipa nos jogos para a Taça de Portugal.
Nesse tempo a Taça jogava-se depois do final do Campeonato, com os jogos sucedendo-se ininterruptamente até ao encontro decisivo do Jamor. Assim, entre 3 de Maio e 28 de Junho de 1953, o Benfica cumpriu o seu destino vitorioso.
A primeira eliminatória é frente ao Vitória de Setúbal (derrota, 2-3, no velho Campo dos Arcos, vitória, por 5-2, no Campo Grande), seguindo-se o Barreirense (duas vitórias encarnadas, 1-0 no Barreiro e 6-0 em casa). As meias-finais disputam-se com o Vitória de Guimarães. Mais duas vitórias, ambas por 3-1, em casa e fora. A Final será frente ao FC Porto, mas já lá vamos.
O ataque do Benfica é temível. Tem Rogério Lantres de Carvalho, o Rogério «Pipi», caso raro de intuição para marcar em jogos da Taça; tem Arsénio, rematador exímio, e já tem José Águas, cabeça de ouro do Futebol em Portugal.
Talvez houvesse alguém capaz de prever uma Final equilibrada no Jamor. Ah! Como caíram por terra tais previsões.
Sobre a relva do Estádio Nacional pareceu existir apenas uma equipa. E vestia de vermelho.

Elogios ao «Mãos de Ferro»
«Se em vez de duas equipas de futebol, mão caprichosa tivesse colocado ontem, no recinto do Jamor, um gato e um rato, o despique teria evoluído e terminado da mesmíssima maneira, salvo, evidentemente, o desfecho admissível, que no caso dos inimigos figadais, sacrificaria, naturalmente, a vida do mais fraco».

Já estão a ficar com uma ideia?
Continuemos a ler: «Tal como faria o felino em face do rato, o Benfica dispôs como quis do adversário, um Futebol Clube do Porto que, mau grado os esforços bem intencionados dos seus dirigentes, chegou ao fim da época como começou. (...) Poucas vezes como ontem a incapacidade portista se terá revelado tão flagrante. Nunca, talvez, a turma se curvou tanto perante um adversário, deixando-se manobrar tão abertamente a ponto de consentir um resultado que ninguém ousaria prognosticar e com a agravante de a marca, apesar de substancial, ainda dar margem para que se especule com a afirmação de que poderia ser bastante pior...»

Esclarecidos?
A Imprensa é unânime em considerar que Barrigana, o «Mãos de Ferro», foi o jogador mais marcante do encontro, impedindo vários outros golos do Benfica.
E o resultado, perguntarão vocês? 5-0, sem discussões! E poderiam ter sido sete, ou oito, ou mais. «O equilíbrio global e o talento individual de alguns elementos assinalaram a exibição que tão cedo não se esquecerá», concluía-se.
Rogério «Pipi», abriu o marcador, aos 34 minutos. Seguiu-se Arsénio, 4 minutos depois. José Águas fez o 3-0, aos 39 minutos. Arsénio fecharia as contas, com mais dois golos, aos 58 e 89 minutos.
Joaquim Fernandes, o «capitão», ergueria a Taça. A quarta consecutiva do Benfica. Mesmo que, já nesse tempo, não servisse de consolo para a perda do Campeonato.
Há coisas que não mudam..."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Markovic

Aquela que tinha todo o potencial para ser mais uma grande novela de Verão do Benfica, terminou abruptamente hoje, com o Benfica a anunciar a assinatura de um contracto com o Lazar Markovic!!! Mesmo assim, para o assunto não morrer totalmente, vamos ficar na dúvida sobre que tipo de contracto que foi assinado!!! O contracto é de 5 anos, mas isso pode não dizer muito... será empréstimo do Chelsea ou será empréstimo do empresário, com cláusula de rescisão baixa?!!! Será tipo Ramires, ou tipo Ola John?!!! Provavelmente só quando o relatório e contas for publicado teremos mais informação, mas até lá muito se vai especular...!!!

Sobre o jogador, parece-me ser indiscutível ter um enorme potencial, a questão será a mesma de sempre: a adaptação será rápida ou lenta?!!!
Pelo que já vi, não me parece ser um extremo - dentro do esquema do Jesus -, vai ser provavelmente utilizado como segundo avançado, por trás de um ponta de lança fixo. Aquilo que o Lima fez nas costas do Cardozo esta época. O Jesus exige aos extremos capacidade de transporte de bola, drible, capacidade de proteger a bola no pé, ajudar a fechar os flancos e a compensar os médios no 'meio'... o  Markovic parece-me um jogador rápido, objectivo, com boa capacidade de passe em velocidade, boa decisão no último passe, gosta de jogar no flanco com o pé trocado para fazer a diagonal, e com remate fácil...
Num 4-3-3 típico - como estava habituado no Partizan - poderia ser usado como extremo, mas no nosso 4-1-3-2 não creio.
Com uma comunidade Sérvia (mais um Esloveno) alargada, creio que os problemas de adaptação vão ser menorizados. As comparações são sempre injustas,  ou incompletas, mas o controle de bola em velocidade faz-me recordar o Simão...


domingo, 9 de junho de 2013

Tri-Campeões


Em três anos muita coisa mudou. Em 2011 quando conseguimos vencer, pela primeira vez, em muitos anos, tudo correu bem. Todos os nossos atletas tiveram prestações muito boas, ninguém se apresentou abaixo do normal... Hoje, conquistámos o Tri, mas nem tudo correu bem!!! Em algumas provas tivemos prestações abaixo do esperado. Mas a actual diferença entre as duas equipas é tão grande, que já nos permite, ter algumas falhas, e mesmo assim vencer, com um relativo à vontade... As contratações do Jorge Grave no Disco, do Hélio Gomes nos 1500m, e do Alberto Paulo nos 3000m obstáculos, foram fundamentais na consolidação da nossa equipa. Admito que quando fui informado do 3.º lugar do Arnaldo nos 200m fiquei preocupado, mas a normalidade imperou.
O Arnaldo Abrantes (nos 400m e nos 200m), e o Jorge Paula (nos 400m barreiras) - a regressar após lesões -, o Tiago Aperta e a estafeta dos 4x400m foram as provas, onde os resultados não foram os esperados. Em sentido contrário a vitória do Paulo Conceição no Salto em Altura, e a vitória do Rui Pinto nos 3000m - derrotando o Olímpico Rui Silva -, foram os dois resultados mais surpreendentes.

Benfica........158
Sporting........151
(...)

No Feminino, voltámos a ficar em segundo. Resultado normal. A ausência de algumas atletas por lesão - Marta Pen por exemplo -, não permitiu ao Benfica fazer mais alguns pontos. Mas mesmo assim a evolução é evidente: em 2011 fizemos 117 pontos, em 2012 fizemos 127, e agora em 2013 fizemos 143, tendo o Sporting nestes três anos feito pontuações entre os 161 e os 164. Estamos cada vez mais próximos...

HOJE
110m Barreiras - Rasul Dabo - 1.º - 13.78s
200m - Arnaldo Abrantes - 3.º - 21.75s
400m Barreiras - Jorge Paula - 2.º - 51.30s
800m - Miguel Moreira - 1.º - 1.52,54m
3000m - Rui Pinto - 1.º - 8.07,73m
3000m Obstáculos - Alberto Paulo - 1.º - 8.44,89m
4x400m - Benfica - 2.º - 3.14,08m
Martelo - Flávio Azevedo - 2.º - 52.92m
Disco - Jorge Grave - 1.º - 57.28m
Altura - Paulo Conceição - 1.º - 2.12m
Triplo - Nelson Évora - 1.º - 16.68m

ONTEM
100m - Ricardo Monteiro - 1.º - 10.40s
400m - Arnaldo Abrantes - 2.º - 48.65s
1500m - Hélio Gomes - 1.º - 3.48,35m
5000m - Rui Pedro Silva - 2.º - 14.22,20m
5000m Marcha - Sérgio Vieira - 2.º - 19.46,77m
4x100m - Benfica -1.º - 40.79s
Vara - Diogo Ferreira - 2.º - 5.20m
Peso - Marco Fortes - 1.º - 18.97m
Comprimento - Marcos Chuva - 1.º - 7.61m
Dardo - Tiago Aperta - 2.º - 69.83m


Cadeira de sonho

"Um dia depois de resolvido o impasse na situação de Jorge Jesus, a Bolsa ter-se-á intrigado com o impasse na situação de Vítor Pereira. Apesar de o novo treinador do Porto estar prometido para dia 12, a CMVM quis esclarecer o rumor sobre a contratação de Paulo Fonseca. Não é frequente a CMVM fazer interpelações a outras SAD cotadas, além do Benfica, o que sempre deixou em aberto esta dúvida: ou o Benfica não presta contas devidamente ou os outros “players” são mesmo certinhos e organizados.
Desta vez, a SAD do Porto também foi investigada. Não informou sobre a substituição do treinador, excepto que ela não estaria regularizada. Não estaria? Bem, não foi isso que disse o presidente do clube. Ele afirmou aos jornalistas que já tem treinador, mas que só o apresentará no dia 12, e declarou à CMVM que não tem treinador nenhum, aparentemente sonegando aos mercados uma informação relevante.
Ter ou não ter treinador, eis uma questão sem importância nenhuma para alguns quadrantes e quase de vida ou de morte para outros. Na Luz, o treinador é tão importante que a dúvida sobre a continuidade de Jesus provocava angústia pela possibilidade de ser ele o próximo treinador do Porto. No Dragão, o treinador não tem importância nenhuma porque se desenvolveu o mito de que qualquer um, lá, pode ser campeão.
Paulo Fonseca preenche os requisitos do perfil de sucesso que tem feito a diferença nestes 30 anos: menos de 45 anos, alguma experiência em clubes de poucos recursos, imagem de competência, discrição e humildade. Mas sobretudo, disponibilidade absoluta para renovar o ciclo, com a vontade de ganhar que dá cabo das expectativas dos rivais. Carne para o canhão.
Realmente, a fórmula Mário Wilson, do antigo Benfica, adequa-se, apesar das excepções de Artur Jorge e José Mourinho, fenómenos que aparecem a cada vinte anos. Os dragões campeões, bicampeões e tricampeões nunca mais ganham um chavo, além de bons contratos, fora da tal cadeira de sonho. Dá que pensar."