Últimas indefectivações

sábado, 23 de outubro de 2010

Estrias do Jesus

"Não tem sido um começo de época fácil para Jorge Jesus. Por exemplo, desde agosto até à presente data, o técnico do Benfica tem sido severamente criticado por ter contratado o Roberto, e largamente elogiado por ter contratado o Roberto.

Ao mesmo tempo, alguns analistas acusam-no de não estar a conseguir encontrar um discurso adequado às atuais circunstâncias da equipa – esta época, Jorge Jesus continua a falar como o Jorge Jesus, mas obtém resultados como o Quique Flores. Na verdade, é perfeitamente compreensível. É possível que, depois da época que o Benfica fez no ano passado, Jorge Jesus se tenha esquecido por completo do que se diz quando não se ganha um jogo. Porventura, ser-lhe-á mais fácil levar a cabo uma profunda revolução técnico-tática na equipa, de forma a começar a golear de novo sem dó nem piedade os adversários, do que passar a aparecer mais submisso nas conferências de imprensa.

Pessoalmente, sinto-me muito desconfortável a avaliar as decisões de Jorge Jesus. Sei, teoricamente, que é impossível ele tomar sempre a melhor opção. Mas tenho quase tanta confiança em Jorge Jesus como ele tem em si próprio (ou seja, o máximo que se pode ter).

Dito isto, dizer que Jorge Jesus de vez em quando toma uma má decisão é como dizer que a Giselle Bündchen tem estrias. É possível que sim. Mas são estrias com mais sex appeal que certos seios e nádegas; são estrias que mulheres sem estrias invejam; são estrias tão sensuais, que têm a forma de um cinto de ligas."

Não perder o vício !!!




Não quero ser desmancha prazeres, mas apesar da boa exibição, e da goleada, este jogo deixou-me pessimista!!!
A diferença de qualidade entre os atletas neste jogo foi abissal, até na básica acção de patinar, e por isso vencemos, mas quando os jogos forem mais apertados, será muito difícil ganhar jogos com 'este' critério na marcação de faltas!!! Desde da época passada, à 10ª falta dá livre directo, pois bem apesar do desnível evidente o Benfica teve quase a chegar à décima falta ainda na primeira parte!!!

Melhor, mas ainda longe do potencial. O próximo é com o líder...




PS: Alguém sabe porque é que as duas equipas equiparam de preto?!!!

Objectivamente (FPF)

"A demissão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol e a incerteza sobre a escolha do presidente da FPF são dois acontecimentos de extrema importância para o futebol português e que não devem passar ao lado da maior instituição portuguesa que é o Sport Lisboa e Benfica.
A demissão do Conselho de Justiça, que se limitou nos últimos meses a ANULAR todas as decisões do Concelho de Disciplina, comandada pelo juiz Ricardo Costa é preocupante até pelas razões aduzidas - ilegalidade perante a FIFA por não ter sido ainda aprovada a nova regulamentação (principalmente sobre a transição dos árbitros da Liga para a FPF), como se eles não tivessem nada com isso, merece toda a atenção dos órgãos que comandam o futebol português, porque necessitamos de ter uma justiça célere e justa, que acabe com todos os indícios de corrupção - comprovados - e com a impunidade que permite tudo a determinados dirigentes há muito acomodados no futebol português sem serem castigados.
E não falo apenas de dirigentes de clubes. Refiro-me também aos presidentes das várias associações do País que se agarraram ao poder e que elegerão quem lhes prometer eternizar esses mandatos por muito mais anos.
Estas jogadas de bastidores, que não trazem inovação desde há muitos anos, têm de ser desmascaradas e denunciadas com urgência, porque corremos o risco de acordar tarde.
Por mim já não acredito nesta gente que se passeia nos corredores do poder do futebol português anos a mais.
Não dão garantias a ninguém e agora até uma esperançazinha de mudar a presidência da FPF se esvaneceu!
Para Madail ter levado todos os presidentes das associações à Islândia é porque... quer recandidatar-se.
Usam sempre os mesmos truques. Os mesmos argumentos!"
João Diogo, in O Benfica

Concertação

"1. Era esperado: desfilam nomes e levantam-se ameaças à volta da Federação. Enquanto não chegar o dia 2 de dezembro – “o dia da revelação” sobre o Mundial’2018 –, nada de relevante vai acontecer. Porque contra factos não haverá argumentos: os cenários serão os que a FIFA (indiretamente) ditar. Para já atiram-se nomes, mas sem estratégia, sem projetos e sem destino. Sem cobiçar onde se quer colocar o futebol daqui a, pelo menos, dez anos. Esta seria, aliás, uma bela oportunidade para lançar um dos outros desafios do nosso futebol (que nos tem feito refletir nas últimas semanas): a (falta de) concertação entre clubes, jogadores, treinadores e árbitros. O mesmo é dizer entre a Federação, a Liga, as Associações Distritais e as associações representativas de jogadores, treinadores e árbitros. Ou seja, falamos dos agentes que fazem girar o jogo e cujos interesses se cruzam em favor (ou em desfavor) desse mesmo jogo.

2. Disseram-me durante os últimos anos que essa concertação seria impossível de atingir. As ambições pessoais e as sedes cíclicas de protagonismo das “cabeças” dessas organizações seriam obstáculo a essa união de esforços. Julguei então e julgo agora que essa é uma inevitabilidade que necessita de melhor prova. E, na minha ótica, a Liga perdeu uma oportunidade de mudar de ciclo. De facto, desde o Regime Jurídico das Federações de 2008 que é permitido à Liga receber como associados sujeitos para além dos clubes. Cabe depois à sua autonomia estatutária adotar essa possibilidade ou não. Por outras palavras: cabe aos clubes permitir ou não que os treinadores, os jogadores e os árbitros passem a ser associados da Liga. Que, relembre-se, não se denomina “Liga de Clubes” – é Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Que, para além de defender por berço os interesses dos clubes, é uma associação que exerce poderes públicos delegados pelo Estado e pela Federação. É tempo de superar a alusão exclusiva da Liga a uma “associação patronal” – embora o também deva ser, em parte fundamental. Há muito, porém, que esse conceito deveria ter sabido evoluir para a “associação do futebol profissional” – em proveito dos clubes.

3. A revisão dos estatutos da Liga, em agosto de 2010, não acompanhou essa faculdade que a lei proporciona. Devia tê-lo ponderado. Veja um só exemplo. Faz algum sentido que sejam os clubes a decidir em exclusivo os regulamentos nos quais são previstos os castigos para os jogadores, técnicos e árbitros e nos quais se disciplina a arbitragem? Sem qualquer palavra institucional e possibilidade de atender formalmente aos interesses e à legítima vontade de intervenção desses agentes? Para mim, nenhum! Se, na Federação, essa presença assume a qualidade de “sócio ordinário”, mas, historicamente, sem benefício efetivo, na Liga poderia dar-se o passo que a elevaria a força motriz do entendimento entre quem conta para o jogo. Um laboratório de um futebol mais partilhado e transparente para todos, sediado na Rua da Constituição, no Porto. Talvez no futuro, que sempre chega… A sede continuará lá e, certamente, terá espaço para todos!"

Tempo de greve geral principalmente ao Andrade

"Uma vez pateta, pateta até morrer. O penteadinho da Foz, veio (mais uma vez) muito ridiculamente falar. Como sempre do Benfica. Entre outros despautérios, a propósito do presidente ter feito um apelo à não comparência da massa adepta do Benfica aos estádios, que não ao Estádio Sport Lisboa e Benfica (é este o nome do nosso Estádio).
Há muito, que defendo tal medida. 'Morram à fome.' Escrevi-o no nosso Jornal e disse-o na BTV, no programa 'Em Defesa do Benfica' feito em parceria com o grande benfiquista e amigo Alberto Miguéns.
Os milhões de benfiquistas, que vivem longe de Lisboa, principalmente os do Norte, se fizerem as contas dos euros gastos nos campos dos adversários, sai-lhes mais caro que vir de 15 em 15 dias a Lisboa. Por exemplo no Leixões 50 euros para ver atrás da baliza. Em Braga mais 50, Guimarães, Paços, Naval, Beira-Mar, etc., etc., dá para virem em excursão e o dinheirinho fica todo no nosso Benfica.
Mas, voltando ao penteadinho da Foz, era bom lembrar-lhe que há uma entrevista do protagonista dos filmes de corrupção do Youtube, dada ao jornal 'A Bola', em que ele diz: 'O Benfica é o único clube que me enche o estádio'. Será por isso que está aflito? É que os adeptos, do agora amigo Braga, pagaram 10 euros há umas jornadas. Não dá para o petróleo, não é? E a mama Oliveiradesportos pode acabar-se de um momento para o outro.
Que nenhum adepto do Benfica compareça no estádio do Andrade!
Em 85 inventaram o dragão, só que o animal chama-se afinal Andrade. É nome de família.
PS: Para a semana o Tavares leva com a escuta de Valentim com LVF, Porque não a põem eles no Youtube, se é a 'mais grave'?"
António Melo, in O Benfica

E isso me envaidece


"Estive ontem mais de duas horas a conversar com um adepto do Benfica. Chama se António Lobo Antunes e é, alem de benfiquista, um grande escritor. Um dos maiores do mundo. Sempre que lhe dão um prémio literário, e já lhos deram quase todos, fica mais prestigiado o prémio do que ele. Tem diplomas, medalhas, vários quadros de grandes pintores que quiseram pintar-lhe o retrato. Creio, por isso, que os leitores não serão capazes de lhe censurar a vaidade se disser que, em casa dele, na parede do quarto, está, emoldura da, a sua ficha de inscrição como sócio do Sport Lisboa e Benfica. Cada um tem as suas honrarias, e a vontade de exibir as maiores é apenas humana. «É extraordinário», disse ele a olhar para a moldura, «como um clube fundado por órfãos da Casa Pia - ao contrário do Sporting, fundado por um Visconde, e do Porto, fundado por banqueiros - consegue...» E, entretanto, faltaram-lhe as palavras.

É extraordinário», limitou-se a repetir. Confesso que fiquei desapontado. Afinal, um grande escritor não fazia milagres: quando alguma coisa era do domínio do indizível, não havia vocabulário, nem talento, nem nada que lhe valesse. Mas, nesse mesmo segundo, Lobo Antunes desmentiu-me. Encontrou as palavras que lhe faltavam, e começou a recitá-las: «Domiciano Barrocal Gomes Cavém. José Pinto de Carvalho Santos Águas. Mário Esteves Coluna. Alberto da Costa Pereira. José Augusto Pinto de Almeida. Ângelo Gaspar Martins. António José Simões da Costa.» Assim mesmo, com os nomes completos e sem hesitações. Mais adiante, nessa mesma tarde, António Lobo Antunes haveria de declamar um poema de Dylan Thomas. Mas não voltou a ser tão poético como naquele momento, à frente de uma ficha amarelecida por mais de 60 anos.
Antes de nos despedirmos, ainda registámos uma coincidência. No dia 23 de Maio de 1990, eu tinha 16 anos e estava a chorar em minha casa; António Lobo Antunes tinha 47 e estava a chorar na dele. Claro, Lobo Antunes é um génio, e eu sou apenas, e só quando consigo, eu. Mas, ao menos naqueles minutos que sucederam à final da Taça dos Campeões (duas ou três horas, no meu caso), a minha sensibilidade foi igual à dele. Não é a primeira vez que o Benfica faz de mim uma pessoa melhor, mas nunca deixa de ser surpreendente.
Feito este curto mas importante parêntesis, para a semana voltarei a dedicar-me às grotescas incongruências de Rui Moreira e Miguel Sousa Tavares, que é para isso que cá estou."


Ricardo Araújo Pereira, in A Bola

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As Vozes do Crime

"Quando a mensagem não agrada, ataca-se o mensageiro. Foi assim em tempos antigos, e no futebol português, muitos séculos depois, a máxima continua a aplicar-se.
Perante a publicação de conversas que expõem, de forma pornográfica, o clima de podridão em que muitos campeonatos nacionais de futebol decorreram, perante a revelação de obscuras manobras de influência e viciação de resultados, o que interessa a alguns puristas deste país é salientar (e castigar) a atitude de quem – decerto indignado com a impunidade que brotou dos tribunais - as trouxe aos nossos incrédulos ouvidos. Perante graves crimes de corrupção, estas virgens ofendidas preocupam-se com pequenos ilícitos processuais, pretendendo, sob as asas do acessório, abafar o essencial.
Aos Ruis Moreiras deste país, pouco importa o conteúdo das escutas. Nada interessa que elas demonstrem, passo por passo, os métodos seguidos, durante anos, pelo seu clube, e que deixem a nu o aspecto central de toda esta questão: a justiça civil portuguesa, mergulhada num mar de insuficiências e equívocos, falhou neste processo. A eles apenas interessa o silêncio. Ou antes, uma cortina de fumo que transforme culpados em vítimas, e crimes graves em coisa nenhuma. Interessa, sobretudo, manter a capa de legitimidade que muitos dos títulos conquistados pelo FC Porto se percebe não merecerem.
As escutas telefónicas não são uma prática simpática, e ninguém gostaria de viver num país em que qualquer conversa pudesse ser escutada sob qualquer pretexto. Mas muito pior do que isso é viver num país em que os crimes ficam invariavelmente impunes, e os seus autores são objectivamente convidados a reincidir, em nome de um sistema ultra-garantístico, de operacionalidade labiríntica, de isenção questionável, e de eficácia nula, que é capaz de absolver mesmo dispondo de provas óbvias diante do seu nariz, virando cinicamente as costas às evidências. Neste caso concreto, nenhum cidadão de boa fé entende como puderam ser desprezadas escutas que já existiam, e provavam claramente os actos em apreço. E quando um sistema de justiça deixa de ser entendido pelo cidadão comum, deixa de cumprir a sua missão. Deixa de ter utilidade. Não serve para nada.
É ilegal a publicação das escutas? Pois que seja. Em face de uma “justiça” entorpecida, decadente e moribunda, quase se torna moralmente legítimo que o cidadão ignore algumas das obtusas normas com que o pretendem afastar da verdade. Há muito que não acredito na justiça em Portugal. Logo, não acredito no equilíbrio ou pertinência das suas vielas processuais, que na maioria das vezes - e suspeito que seja precisamente essa a sua razão de ser – apenas conduzem a becos de impunidade. Mais do que um “Estado de Direito” de fachada, interessa ao país um “Estado de Justiça”, em que a verdade seja devidamente apurada, e o crime seja devidamente punido. O Apito Dourado, e todos os seus contornos, mostram que, lamentavelmente, vivemos muito longe dessa realidade.
De resto, não estamos aqui perante qualquer violação gratuita da privacidade de ninguém. Nenhuma das escutas publicadas revela conversas de teor familiar, ou remete para qualquer circunstância privada da vida dos indivíduos em causa. Todas as escutas tratam de esquemas de favorecimento. Todas tratam de jogos de bastidores. Todas tratam de corrupção desportiva. Todas tratam de crimes. Por isso tanto nos interessam. Por isso tanto interessam ao futebol português, e deviam interessar também aos tribunais.
É em nome da justiça, e, sobretudo, em nome da verdade, que elas devem ser ouvidas, divulgadas, debatidas e comentadas. Há quem as tente desesperadamente silenciar, mas se ainda existem alguns aspectos positivos nesta globalizada sociedade da informação, um deles é precisamente o facto de permitir aos cidadãos fazer ouvir democraticamente a sua indignação, sem que os bloqueios das forças do situacionismo, do medo, ou da subserviência, o possam impedir.
Ninguém nos vai devolver os campeonatos perdidos. Ninguém nos vai ressarcir dos danos directos e indirectos que décadas de vício nos impuseram. Se a justiça não fez o seu papel, se os prevaricadores continuam a rir-se dela, do futebol, do país e de todos nós, pouco mais nos resta do que a revolta. E perante ela, pedirem-nos para tomar em conta aspectos de ilicitude lateral não é mais do que um desprezível insulto à nossa inteligência."

Sacrifício

"Não é fácil pedir a um benfiquista de longe de Lisboa que deixe de ver e apoiar o Benfica ao vivo nas raras oportunidades que tem para o fazer: quando o Benfica joga fora de casa, enchendo estádios por esse País fora. Não é fácil pedir, como não é fácil aceitar o sacrifício. A festa do futebol não é apenas o Estádio da Luz cheio, a transbordar de vibração benfiquista. A festa é também cada visita do único clube português com implantação verdadeiramente nacional - e não só - com uma perspectiva de casa cheia pelos adeptos benfiquistas do Minho à Madeira. Cada deslocação do Benfica representa uma hipótese rara de lotação esgotada... em grande parte pelos benfiquistas, a alimentarem o negócio do futebol, das receitas de bilheteira às audiências da televisão.
Mas será justo que o Benfica, que é o motor do negócio do futebol, alimente com a dedicação dos seus adeptos as negociatas do 'sistema' que rouba a única equipa portuguesa que enche estádios por onde passa?
Não só não é justo, como é perverso. O Benfica que arrasta multidões de adeptos tem na multidão essa arma poderosa para lutar pela verdade desportiva. Custa muito aos adeptos deixarem de seguir o Benfica nos estádios, fazendo de cada jogo fora um jogo em casa. Sem dúvida. Mas ainda vai custar mais aos que directa ou indirectamente se alimentam da mentira no futebol em Portugal - porque são satélites do 'sistema', ou simplesmente porque beneficiam, simultâneamente, com resultados viciados que lhes atribuem pontos roubados ao Benfica e com receitas proporciondas pelos adeptos benfiquistas.
O sacrifício tem contas fáceis de fazer: trocar umas horas de fervor benfiquista dentro de estádios alheios, por um futuro com mais verdade no futebol em Portugal."

João Paulo Guerra, in O Benfica

"Vitórias & Património"

"Não percam, não deixem de ver. Gravem, revejam, estejam atentos à nossa grelha de programação! O apelo tem razão de ser, podem confiar. A Benfica TV exibe em diferentes horários mas com a estreia marcada para todas as terças-feiras, às 21.30, um documentário que ficará na memória de todos quantos sentem o Sport Lisboa e Benfica enquanto seu, enquanto pedaço da sua memória. A actualidade também terá direito de antena no 'Vitórias & Património', não se limitando os documentários às conquistas de décadas passadas.
O Campeonato Invicto, conquistado na temporada futebolística de 1972/1973, preencherá o segundo capítulo desta série. Nesse período, o Benfica conseguiu um feito que permanece inédito no futebol português: a conquista do nacional de futebol sem uma única derrota.
'Vitórias & Património' recria os momentos de incerteza e de alegria vividos pelos jogadores e adeptos, num episódio em que a emoção é a palavra-chave.
Jogadores do nosso contentamento como Augusto Silva, António Simões, Toni, Artur Santos e José Bastos assinaram o livro de presenças na apresentação do novo programa da Benfica TV à comunicação social.
'Vitórias & Património' insere-se nos objectivos directivos do SLB, do presidente, dos Órgãos Sociais, das figuras que fazem respeitar os interesses dos sócios, preservando e documentando com rigor e cuidado a herança benfiquista. É um programa imune a adversários e indiferente a questões menores, faz-se em nome da marca de Portugal no mundo, mesclando a existência e evolução deste Clube com a do País.
Não percam, gravem, revejam, estejam atentos à grelha da Benfica TV."

Ricardo Palacin, in O Benfica

Gostei bastante do primeiro episódio, principalmente da parte onde o Julinho conta que após um jogo, de muito sofrimento, a caminho do balneáreo, deu o melhor soco da sua vida a um adepto que o vinha congratular!!! (se quiserem saber mais, vejam)...

Mais do que um Clube

"Se dúvidas existissem sobre o carácter universal que assume o nosso clube, a recente homenagem aos 33 chilenos que durante 69 dias ficaram soterrados numa mina é a prova cabal que o Benfica é muito mais do que apenas um clube de futebol. As responsabilidades que assumimos no campo social são por demais evidentes e os nossos sócios e adeptos revêem-se nesta politica. Não falo apenas no auxilio a antigos atletas, ajuda financeira aos mais carenciados ou homenagens a título póstumo. Não, o Benfica é mais do que tudo isso. Está acima da importância de cada um, para se projectar definitivamente enquanto instituição secular que visa o auxilio à carência humana.
A Fundação Benfica, é justo aqui referenciá-la, presidida por Carlos Móia, é o exemplo mais significativo do que acabo de escrever. As recentes acções para com as populações da Madeira a todos deixaram orgulhosos e cientes do papel que esta organização representa no universo do Clube.
É pois nesta vontade em ajudar os outros, minimizando as atrocidades terrenas em que muitas vezes somos desprevenidamente apanhados, que desejamos subir mais um dregau. É com orgulho redobrado que digo que faço parte deste património desportivo mas também humano que é o Sport Lisboa e Benfica. E comparar esta realidade àquela que nos consome a cada fim-de-semana, onde costuma pontificar o erro do árbitro, a bola que bate na trave ou a falta de inspiração de determinado atleta, leva-nos a tomar consciência que há muito mais em jogo.
A homenagem que o Benfica fez aos mineiros chilenos, na pessoa do senhor embaixador chileno, foi um dos actos mais bonitos a que assisti e que certamente entrará na História deste Clube.
Nota final: Esperançado em que o Benfica consiga manter o mesmo causal de jogo ofensivo, a mesma intensidade e o mesmo acerto na finalização, de modo a que consigamos sair do Estádio do Algarve de cabeça erguida, com mais três pontos na classificação e a intensificar a pressão 'sobre' o 1.º lugar do Campeonato Nacional."
Luís Lemos, in O Benfica

O indefensável

"O futebol põe as pessoas a dizer coisas extraordinárias. Os mais inteligentes tornam-se básicos, os mais lúcidos mentecaptos, os mais equilibrados talibãs, os mais frontais cordeiros, os mais coerentes demagogos profissionais.

E um excelente exemplo foi buscá-lo recentemente Ricardo Araújo Pereira: Miguel Sousa Tavares e Rui Moreira ficaram danados com as escutas a José Sócrates no caso Face Oculta. Com razão. As escutas só podem ser públicas quando têm como função a persecução da justiça. E a justiça não se faz nos jornais ou no YouTube. Mas sobre as escutas a Sócrates, acrescentou nessa altura Miguel Sousa Tavares: “Uma vez que as conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos.” Rui Moreira explicou este raciocínio, que subscrevo: “Ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências. Diferente é o ato de divulgar e promover escutas ou tentar reabrir, na praça pública, processos já julgados em tribunal.” Mas isso deve aplicar-se aos dois casos. Devemos condenar a divulgação das escutas a Sócrates e a Pinto da Costa. Não podemos ignorar nenhuma delas. Só que quer Moreira quer Sousa Tavares condenam as duas mas decidem ignorar o conteúdo de apenas uma delas.

O que eu não posso ignorar, mesmo que quisesse, é que há um dirigente de futebol que não tem meias-medidas nas suas relações promíscuas com a arbitragem. Queria não saber. Mas sei. Ouvi. E imagino que Rui Moreira e Sousa Tavares ouviram. O problema do futebol é que, ao contrário do que acontece com a política, nunca mudamos de lado. E não mudando, ficamos sem palavras quando o nosso clube se porta mal. O problema de Rui Moreira e Miguel Sousa Tavares é que não ficaram sem palavras. Prestam-se a defender o indefensável."

Quarto poder

"Conseguirei escrever uma prosa onde não lamente uma sucessão de desonras? Nem mesmo depois de o Sporting voltar a encher as medidas, e as balizas, com golos de todos os tamanhos e feitios? É preciso estofo para insuflar esperança no futuro quando os indicadores económico-financeiros cada vez nos enterram mais para uma longa letargia. E quem tem filhos, eu três, que esperança ainda dispõe para os motivar a lutar, a acreditar numa sociedade irresponsável, apostada em deixar para os sucessores o ónus da solução dos seus devaneios?

Caio invariavelmente na recorrência das teses mais nobres. Ética, honra, normas de conduta, respeito e tolerância constam nos mais eloquentes discursos. Estão, no entanto, ausentes da prática. A humanidade focou-se no lucro, no consumo, no espetáculo sem regras, conspurcado de doping em cada poro.

Adepto confesso de ciclismo, ainda me mantenho inquieto com a lama que avilta Alberto Contador. O grande ausente da cerimónia de apresentação da edição do Tour de 2011. No nosso pelotão a epidemia atinge, há anos, indiscriminadamente. Recentemente, a alimentação ganhou estatuto de bode expiatório para as causas mais variadas que julgam desculpar valores PROIBIDOS.

A convite do jornal “O Jogo”, há não muito tempo, foi convidado um jornalista inglês que garantiu que a corrupção ao mais alto nível enleava os delegados dos comités olímpicos nas atribuições das cidades-sede da competição das competições, entre outras corajosas revelações.

A celeuma causada pela reportagem do “Sunday Times”, do pretérito fim-de-semana, é incapaz de surpreender. A investigação britânica adiantou os nomes de um nigeriano, Amos Adamu, e de um taitiano, Reynald Temarii, cada um com o seu esquema. O africano, membro do comité executivo da FIFA, foi filmado a pedir 570 mil euros para votar favoravelmente numa candidatura. O representante da Oceânia reclamou 1,6 milhões de euros para vender o seu voto. Este último é vice-presidente da FIFA e presidente da Confederação. Joseph Blatter reagiu com a habitual indignação de circunstância e rematou com um: “Querem que feche a porta?” Talvez fosse mais digno. Portas fechadas para limpeza geral. Num momento de eleições da FPF, a cereja para a exoneração de Gilberto Madaíl surgiu pouco depois, quando a candidatura de Portugal e Espanha e a do Qatar, para o Mundial de 2018 foram envolvidas numa investigação sobre suspeitas de negociação para trocar votos.

Com tão pouco tempo para abandonar o cargo, Madaíl honraria os portugueses com uma demissão imediata até ao apuramento de toda a verdade. E, por favor, podem parar de rir. Um dia assistiremos a um ato tão digno. Talvez uns “corninhos” à Manuel Pinho lhe indicassem a porta de saída.

Por fim, gostava de enfatizar a fonte destas notícias. Os jornais ingleses que amiúde são apontados como desonrados atiraram a pedrada no charco e, exemplarmente, remeteram-nos para um dos papéis fundamentais do jornalismo: investigar sem medo dos protagonistas da notícia e dos interesses que os envolvem. Assim se expressa o quarto poder."

Taxas e tachos

"Em Portugal, os clubes deixaram de se preocupar, nalguns casos, com o objeto primacial dos seus estatutos, para dar guarida a um conjunto de pessoas que veem neles uma extraordinária hipótese de se governarem.

A elite política, em lato sensu, durante anos, encheu os bolsos à custa da ignorância/desinformação dos eleitores, alguns dos quais – no plano das elites, sempre – beneficiaram, igualmente, de um conjunto de imparidades, muito bem camufladas pelo sistema financeiro. Pela banca, por organismos estatais e por uma economia paralela transversal ao mercado de trabalho a criar a ilusão de que seria possível perpetuar a artificialidade e a mentira, recorrendo a mecanismos de controlo e fiscalização que, afinal, apenas controlaram e fiscalizaram os impulsos, sempre esporádicos e isolados, da descoberta da verdade.

E eis-nos de tanga, divididos entre a aprovação e o chumbo do Orçamento, certos de que não haverá “golos” suficientes para resolver e atenuar o impacte de uma crise a poder ter um impacte bem menor nas nossas vidas, se não houvesse tanta promessa, tanta demagogia, repito, tanta mentira e tantos truques a cavar desigualdades sociais absolutamente arrepiantes.

O futebol, à escala universal, percorreu o mesmo caminho: campeonatos comprados, árbitros corrompidos, candidaturas compradas e um sistema inimputável de tráfico de influências, a desvirtuar a Verdade Desportiva.

O futebol gastou o que não tinha, inflacionou os passes dos jogadores, proclamou um regime de intermediação que pagou comissões milionárias por jogadores-pernas-de-pau, utilizando off-shores e fugindo à tributação/taxação do Fisco.

Esgotaram-se quase todas as fórmulas receituárias de criação de riqueza. E entrámos no “vale-tudo”. Os clubes deixaram de ser “desportivos” para serem, nalguns casos, bons empregadores, cortando nos “mil euristas” para continuar a pagar altos vencimentos a um conjunto de funcionários ou contratados a prazo, aos quais é preciso juntar a lógica das pornográficas indemnizações. Sem auditorias externas. Entre as taxas e os tachos, há um mundo para regular.

NOTA – O Benfica partiu para a atual edição da Champions com grande optimismo, designadamente declarado pelo seu treinador. Nem Jorge Jesus contabilizou o impacte das saídas de Ramires e Di María e as “não entradas” de Salvio, Jara e Gaitán. Há menos David Luiz, muito menos Maxi e a equipa joga em esforço, assim a modos que “à força do chicote”. Fábio Coentrão não chega para tudo. E a equipa esforça-se mas não tem qualidade para mais. É difícil fazer o reconhecimento da realidade por quem fez um campeonato tão “excecional” na época passada. Daí talvez o nervosismo. Daí talvez a dificuldade de se aceitar que este Benfica é uma caricatura do “Benfica-campeão-nacional”...

NOTA 1 – O presidente da AG da FPF, Avelino Ribeiro, disse (em 15 do corrente) que “os estatutos não consentem eleições intercalares” (para o Conselho de Justiça da FPF). Agora acaba de convocá-las. Quem aceitar este ‘presente envenenado’ (em nome de que princípio?) ficará “marcado para a vida”. Fazem fila os “técnicos-de-Direito-de-vão-de-escada”? A crise é grande, mas..."
Apesar de ser muitíssimo improvável, ás vezes até concordo com o 'dito cujo'!!! É muito raro, mas acontece. Esta cronica é um bom exemplo, discordo da analise ao Benfica, principalmente da 'caricatura', o Benfica não está tão forte como a época passada, é verdade, na Europa a diferença nota-se mais, mas internamente em condições normais, mesmo baixando o nível, deveríamos pelo menos estar na luta pelo titulo até ao final do Campeonato!!! O resto da cronica, subscrevo totalmente...

Sonhei

"HÁ dias, tive um sonho. Numa peregrinação onírica aos programas televisivos sobre futebol, usufruí um Tempo Extra que me permitiu um Prolongamento com Mais Futebol para o Dia Seguinte, dei um Pontapé de Saída no Jogo Jogado, entrei na Zona Mista e, para meu espanto, deparei com o Trio d’Ataque. Nessa altura - eu que até sou hipertenso - passei por Pressão Alta. Extenuado acordei de supetão.
Então lembrei-me do que alguém disse um dia: «A inflação acontece quando a mão fica maior que o bolso.» A proliferação de tantos programas comporta o perigo de a forma se superiorizar ao conteúdo. De tanto excesso, desvaloriza-se o valor.
Claro que há bons jornalistas e bons comentadores. E programas para todos os gostos e desgostos: uns sobre futebol, outros nem por isso. Uns antes, outros depois. Uns sobre o jogo, outros sobre tudo menos o jogo. Uns quase científicos, outros humorísticos. Uns divertidos, outros convertidos. Uns clubisticamente anódinos, outros insuportavelmente tendenciosos. Uns de régua e esquadro, outros de opereta bufa. Uns orientados pela razão, outros conduzidos pela emoção.
Mas o que menos suporto, em alguns deles, é a discussão compulsivamente enviesada à volta da repetição dez ou quinze vezes de um tal lance, falta ou golo. Passam-se horas a fio a falar do desamparado árbitro que errou ou acertou, depois de vistos e revistos em slow motion e imagem parada e ampliada, como se a realidade assim fosse. No fim, sobre o jogo - o tal que é jogado - nem uma palavra.
Nestas alturas, suspiro pela próxima Liga dos Últimos que me diverte e me ensina. É que, afinal, o futebol é genuinamente popular e assim deve continuar. No fundo, o regresso às (boas) origens: «O futebol: esse reino de lealdade humana exercida ao ar livre», como, nesse tempo, bem definiu Antonio Gramsci."
Bagão Félix, in A Bola

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Que surpresa, não estava nada à espera!!!

"Reinaldo Teles, vice-presidente do FC Porto, foi apanhado no meio de uma rusga à casa de alterne Taverna do Infante, na madrugada de sábado. As autoridades encontraram nove mulheres brasileiras escondidas em locais tão estranhos como uma arca congeladora. Estavam todas em situação ilegal no País e cinco foram detidas.

A operação da PSP e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) visitou de surpresa duas boîtes, mas foi na famosa Taverna do Infante, na Ribeira do Porto, que encontrou maior resistência. O dirigente portista Reinaldo Teles estava presente e terá mesmo assumido uma postura de responsável pela casa. Reinaldo diz que vendeu a casa há alguns anos, mas continua ligado à sua gestão e frequenta habitualmente as noites da Taverna. Segundo o CM soube, quando a polícia e os elementos do SEF entraram instalou-se alguma confusão e as mulheres dispersaram. Nas buscas, os agentes tiveram de procurar nos espaços mais estranhos do estabelecimento, onde acabaram por encontrar nove mulheres escondidas. Duas estavam dentro de uma arca frigorífica, outras em armários e outras dentro de baús e arcas de madeira.

A fuga que maior surpresa gerou aos agentes e elementos do SEF foi uma mulher dentro de um grande saco de plástico preto usado para colocar o lixo. Estava junto a outros sacos.

A situação insólita chegou mesmo a provocar o riso dos agentes. Segundo soube o CM, foi um dos esconderijos mais estranhos que aquelas equipas da PSP e do SEF já viram durante operações semelhantes em casas de alterne. Reinaldo Teles assistiu a toda a operação e terá sido mesmo cordial com as autoridades.

Contudo, contactado pelo Correio da Manhã, o vice-presidente do FC Porto negou ter presenciado a rusga. "Já não sou dono da Taverna do Infante há quase vinte anos e não estive lá nessa noite. Não sei de nada", disse ao CM."
Agora imaginem se isto se tivesse passado com um elemento dos órgãos sociais do Benfica?!!!
Ou mesmo um antigo Presidente?!!!
Será que seria só o Correio da Manhã a dar a noticia, ou as televisões, as rádios, e os jornais (inclusive os desportivos) dariam honras de 'primeira página'?!!!
PS: Um louvor merecido pela criatividade demonstrada em encontrar esconderijos!!!

O melhor exemplo

"Terá perdido, em múltiplas ocasiões, oportunidades de se insinuar junto dos “tribunais populares”, permeáveis ao gesto largo e espalhafatoso, por ser discreto e por ter ganho a calma que os longos anos de futebol e de “casa” lhe valem. Dir-se-á, até, que nos anos mais chegados, desvalorizando a ansiedade pelo golo a favor do jogo em prol da equipa, também se tinha tornado um atleta discreto. Tal não impediu que, em ocasiões distintas e pela voz de comando de sucessivos treinadores, tenha sido chamado a múltiplas missões e a todas elas se tenha entregue com igual fervor e aplicação.

Recordo os momentos em que foi desviado da frente de ataque para a posição de playmaker – com êxito assinalável, tendo em conta a sua técnica e a visão de jogo. Lembro os momentos de sufoco para a sua equipa, em que foi sempre capaz de dar o exemplo e, sem esquecer o seu papel primordial de atacante, apareceu como o primeiro defensor. Evoco, em nome das épocas mais recentes, a sua infinita disponibilidade para uma longa permanência no banco de suplentes – e até na bancada – em nome dos interesses da equipa, sem que se lhe ouvisse um queixume público, sem que reclamasse a antiguidade como um posto, antes mantendo viva e ativa a autoridade natural ganha no balneário e no “grupo de trabalho”, chegando a dar o peito às balas mesmo sem entrar em campo.
Agora, sem fazer ondas nem lançar recriminações contra ninguém, anunciou a disposição de deixar o clube que o fez gente no mundo do futebol e que ele próprio ajudou a engrandecer. Tê-lo-á feito depois de uma prolongada reflexão e por ter concluído que maior do que o seu amor à camisola só há mesmo outro amor: aquele que dedica à sua atividade profissional, que é uma paixão chamada futebol. Mais uma vez, o capitão voltou a ser discreto, limitando-se a defender que ainda se sente à altura de jogar e de partilhar alegrias sobre os relvados.

Chegou a ser um mal amado na equipa, mesmo pelos que reconheciam a sua importância nos equilíbrios no clube. O facto de ser um jogador fino – nada tem a ver com défices de entrega e de alma – levou-o a receber assobios. Hoje, é aceite como símbolo, algo que herda em via direta de alguns dos maiores de sempre no clube que representa. E não é preciso ser adivinho para vaticinar que o Benfica, mesmo em fase de poder e de saúde, vai sentir a falta de um homem – e de um jogador – como Nuno Gomes. Oxalá possa regressar, mais tarde, para continuar a ser porta-bandeira e porta-voz. Apesar da época meteórica que vivemos – no futebol e não só –, das famas e carreiras feitas e desfeitas num ápice, ainda há os que provam ser uma mais-valia continuada. No futebol jogado em Portugal, não conheço melhor exemplo."

João Gobern, in Record

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais do mesmo...




...repetimos os erros do Schalke, voltámos a sofrer golos após erros individuais inaceitáveis, desta vez foi o Carlos Martins.

O jogo estava completamente repartido, não havendo oportunidades de perigo, era o Benfica que mais se aproximava da área. isto mesmo com vários passes errados, tanto em situação defensiva, como em ataque.
Na 'saída de bola' após o primeiro remate perigoso (ao poste) sofremos golo, alguns minutos depois a expulsão 'matou' o jogo.
O Jesus não fez nenhuma substituição defensiva ao intervalo, afinal estávamos a perder, e na recarga a mais uma bola no poste sofremos o segundo golo.

Para quem queria um Benfica mais 'manhoso', podem esperar sentados!!! O Jesus não sabe jogar na retranca, já o ano passado em Liverpool isso ficou provado. Nos últimos anos tivemos treinadores muitos bons a jogar na 'expectativa', mas depois não sabiam jogar em ataque 'continuado', portanto enquanto o Jesus for treinador do Benfica não vale a pena pedir 'cautelas', o Benfica vai sempre assumir o jogo, e se ano passado em Marselha a 'coisa' correu bem, hoje correu mal. Também sinto alguma frustração, porque o jogo pareceu-me ao nosso alcance, mas mais friamente prefiro jogar para ganhar em todos os jogos, do que ficar à espera do 'golinho' salvador(mesmo que isso às vezes resulta)!!!

A qualificação esta ao nosso alcance, dos 3 candidatos, somos nós que vamos jogar em casa nesta segunda volta. Tanto o Lyon como o Schalke vão ser perigosos no contra-ataque, mas com o apoio de todos, podemos passar...

Destaque merecido para Roberto, Coentrão, e o Javi que voltou a fazer 12 km!!!

Não vou falar em pormenor da arbitragem, apesar de terem ficado por marcar, mais 4 livres frontais a favor do Benfica!!! Mas eu por acaso vi o Málaga-Real Madrid do último fim-de-semana, apitado por este senhor. Um jogo onde as agressões foram muitas, principalmente por parte dos jogadores do Málaga, principalmente por um jogador: Wellington!!! E nesse jogo, ninguém foi expulso!!! São os famosos critérios...

Espero que o esforço extra devido á expulsão do Nico, não se faça sentir no Algarve...

Derrota inesperada...




Como não vi o jogo não me posso pronunciar, mas a estatística, indica mais exclusões para o Benfica, e mas 7 metros para o Águas Santas, isto num jogo apitado pelos 'famosos' irmãos Martins (que por algum motivo estranho não nos largam!!!)...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sem Tréguas XXIV

Pólvora Seca

Após a divulgação no YouTube do segundo 'pacote' das Escutas do Apito Dourado, os defensores dos criminosos, além do argumento da suposta 'ilegalidade', voltaram a repetir: '...e a famosa escuta do Vieira?!!!...' !!!
Como a defesa do Benfica, e de LVF neste tema tem sido frouxa, inclusive nos blog's, sinto-me obrigado a explicar mais uma vez a história desta Escuta:
É irónico mas esta história começa com mais uma choradeira Lagarta!!! Dias da Cunha era o Presidente, e o Sporting achou-se muito prejudicado com uma arbitragem para o Campeonato (tentei saber qual foi o árbitro mas não encontrei essa informação). Isto aconteceu logo nas primeiras jornadas do Campeonato. A escandaleira feita por Dias da Cunha foi tanta, que os Lagartos exigiram ao CA da Liga dirigido por Luís Guilherme, que o tal árbitro fosse VETADO para jogos do Sporting(!!!), situação que foi aceite pelo CA da Liga, algo 'normal' na altura.
O tempo foi passando, e o árbitro em causa nunca mais foi nomeado para jogos do Sporting, até que numa eliminatória da Taça de Portugal, Pinto de Sousa, Presidente do CA da FPF nomeou o dito árbitro para um jogo dos Lagartos!!! Imaginem, Dias da Cunha explodiu, logo no momento da nomeação 'ladrou', e 'ladrou', e 'ladrou', tudo isto antes do jogo!!! (nesta época o Sporting jogou com o 1.º de Dezembro, e depois no segundo jogo para a Taça foi eliminado pelo Setúbal, não sei qual destes foi o jogo onde isto se passou, se alguém tiver essa informação agradecia)
Pinto Sousa alegou 'falta de comunicação' entre o CA da Liga, e o CA da FPF, mas a nomeação estava feita, tinha sido tornada pública e não podia ser alterada. Dias da Cunha não se calava, e como era hábito nestas ocasiões de muito 'ruído', o sempre prestável Presidente da Liga (Major Valentão) meteu-se ao 'barulho', e deu uma extraordinária conferência de impressa!!! Dizendo, alto e bom som, que a partir daquele momento para evitar a nomeação de árbitros 'vetados' pelos clubes, para os jogos da Taça (devido à tal 'falta de comunicação' entre Luís Guilherme e Pinto de Sousa), Pinto de Sousa iria perguntar aos clubes envolvidos, antes das nomeações serem feitas, 'autorização' para fazer as nomeações!!! Por incrível que pareça, isto foi dito publicamente!!! Recordo-me que fiquei duplamente chocado: primeiro porque como é óbvio o nomeador não tem que perguntar nada a ninguém, e em segundo lugar porque os jornalistas presentes, e mais tarde os comentadores desportivos, acharam este anuncio do Major, 'NORMAL'!!!
Tudo isto que descrevi até agora foi público, é somente uma questão de memoria.
Como foi admitido mais tarde, todos os Presidentes dos Clubes que continuaram a disputar a Taça nesse ano foram contactados por Pinto de Sousa, com uma única excepção, LVF!!!
Como pode ser 'lido' na Escuta, LVF recusava-se a receber telefonemas de Pinto de Sousa, assim o Presidente do CA da FPF, utilizou João Rodrigues, ex-dirigente do Benfica, e ex-Presidente da FPF para INFORMAR o Benfica, das nomeações para os jogos do Benfica, sendo que para a meia-final com o Belenenses o escolhido deveria ser Paulo Paraty. Mais uma vez a 'falta de comunicação' entre o CA da Liga, e o CA da FPF estragou os planos a Pinto de Sousa!!! Luis Guilherme nomeou o Paraty para um jogo do Belenenses para o Campeonato, impedindo uma nova nomeação para a Taça, assim à última hora, era necessário encontrar outro árbitro para o Belenenses-Benfica.
É possível confirmar no processo, que mais uma vez Pinto de Sousa tentou por várias vezes, contactar LVF directamente, e LVF recusou-se sempre a atendar as suas chamadas. Então Pinto de Sousa recorre ao sempre prestável Major!!! Telefona ao Presidente da Liga, explica a situação, e pede-lhe o favor de contactar o Presidente do Benfica.
Aqui ficam os dois telefonemas, o primeiro de Valentim Loureiro para Luís Filipe Vieira, e depois a 'conclusão' de Valentim Loureiro para Pinto de Sousa (retirei estas 'escutas' de um site Corrupto, portanto devem ser 'verdadeiras'):

"...
Luís Filipe Vieira (LFV) - Eu não quero entrar em esquemas nem falar muito... (...)
Valentim Loureiro (VL) - Eu penso que ou o Lucílio... o António Costa, esse Costa não lhe dá... não lhe dá nenhuma garantia?
LFV - A mim?! F.., o António Costa? F... Isso é tudo Porto!
VL - Exacto, pronto! (...) E o Lucílio?
LFV - Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio!
VL - E o Duarte?
LFV - Nada, zero! Ninguém me dá!... Ouça lá, eu, neste momento, é tudo para nos roubar! Ó pá, mas é evidente! Mas isso é demasiado evidente, carago! Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João esse é militar... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty! Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência de ninguém (...) à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty, por causa do Belenenses.
..."

"...
Pinto de Sousa - A única coisa que eu tinha dito ao João Rodrigues é o seguinte... É pá, há quinze [dias] ou três semanas, ele perguntou-me: "Quem é que você está a pensar para a Taça?"... Eu disse: "Estou a pensar no Paraty"...
VL - Bem, o gajo está f... (...) O Paraty então não consegues, não é?
PS - O Paraty não pode ser. (...) Até para os árbitros restantes, diziam assim: "É pá, que diabo, este gajo tem tantos internacionais e não tem mais nenhum livre, pá?!". (...)
VL - Eu nem dá para falar muito ao telefone, que ele começa para lá a desancar. (...) Mas qual é o gajo que o Porto não quer?! O Porto quere-os todos, pá! Qualquer um lhe serve!
PS - É... Por acaso é verdade...
VL - O Porto quer lá saber disso!
PS - Se é o Lucílio... Se fosse o Lucílio, era o Lucílio, se fosse o António Costa, era o António Costa...
VL - Ao Porto qualquer um serve!
..."


É inacreditável, que alguém tente usar estas conversas contra Luís Filipe Vieira, e contra o Benfica, a conclusão mais óbvia que se pode tirar destas conversas, é que tanto o Major Valentim Loureiro, como Pinto de Sousa, dois dos principais 'actores' em todo o processo Apito Dourado confirmam, nas suas próprias palavras que todos os árbitros 'servem' o FC Porto, repito todos os árbitros estão controlados pelo FC Porto, TODOS...!!!

Tenho pena que esta escuta ainda não tenha sido colocada no YouTube, porque a irritação na voz de LVF em toda a conversa seria bastante reveladora. Pessoalmente, quando o Major começou a falar de árbitros, acho que LVF deveria ter desligado o telefone, mas tentar transformar esta conversa num 'arranjo' a favor do Benfica, é o cumulo do ridículo. Quando LVF confrontado com o cardápio de árbitros, responde que não está interessado na escolha de árbitros, que todos os árbitros 'são para roubar', quando o Major CONCORDA com estas afirmações, e quando Pinto de Sousa confirma tudo!!! E depois ainda querem passar a ideia que esta Escuta incrimina o Benfica?!!!
Esta Escuta, como o LVF já afirmou numa entrevista televisiva, só ajuda a corroborar todas as 'suspeitas', que toda a arbitragem era (e continua a ser) controlada pelo Padrinho...
Prova-se que com o devido contexto, esta Escuta não incrimina o Benfica ou seu Presidente, nem ao nível disciplinar (justiça desportiva), nem a nível criminal, nem sequer moralmente. Chegamos também à conclusão que houve uma tentativa reiterada de 'empurrar' LVF para os 'esquemas', algo que foi sempre recusado.
Relembro que os Corruptos nem sequer tentaram contextualizar as 'suas' Escutas!!! A sua defesa foi sempre a ilegalidade das Escutas. Só no caso do Augusto Duarte após várias versões sempre desmentidas, acabaram por usar a absurda desculpa do 'aconselhamento matrimonial'!!!
Nós sabemos que nestes esquemas criminosos a melhor estratégia para todos manterem o silêncio, é envolver toda a gente nos 'cozinhados', ficando todas as personagens com o 'rabo preso'!!! Agora depois de tudo o que LVF disse, e fez, durante todo o processo Apito Dourado, alguém acredita que existe algum facto desconhecido do público que o possa comprometer?!!!
Parece-me evidente, se houvesse alguma coisa, isso já tinha sido tornado público. Assim continuam a atirar 'areia para os olhos' dos ignorantes, sendo esta Escuta um bom exemplo...!!!

É ainda necessário uma gritante deficiência intelectual, para em cima de tudo isto, comparar esta Escuta (que repito não tem nada de incriminatório contra o Benfica), com as dezenas ou centenas de conversas, envolvendo Pinto da Costa, ou os seus ajudantes, em todo o processo Apito Dourado, em jogos da Taça, e do Campeonato, em jogos do Porto, em jogos de outros clubes, em conversas com Juízes, membros do CD e do CJ, delegados aos jogos, observadores, árbitros, putas e vinho verde, etc...

Uma última nota, recordo-me perfeitamente deste jogo com o Belenenses, vi o jogo no Estádio da Luz, tinha assistido nessa tarde a um jogo da UEFA Futsal Cup com uma equipa Croata onde jogava o Jarni, e até recordo-me do Rodizio ao jantar!!! O jogo decorreu sem nenhum incidente, o Benfica ganhou o jogo facilmente, o Belenenses foi presa fácil.
O curioso é que para a final no Jamor, o Benfica-Corruptos foi apitado pelo Lucílio Baptista, um dos árbitros que LVF na Escuta disse que era Corrupto!!! (parece que o Lucílio foi a segunda opção, porque os Corruptos queriam o Martins dos Santos!!!) Deixo aqui algumas imagens dessa final, não ficam dúvidas o Benfica tinha mesmo o árbitro comprado!!!(eheheheh):

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Mais um 'Animal', que se assume !!!

O Boronha publicou um texto, escrito por um dos demissionários membros do CJ da FPF. O assunto principal são os estatutos da FPF, mais exactamente a sua ilegalidade...
Mas o senhor João Carrajola Abreu não se conteve, e tem uma frase elucidativa(!!!), assim é fácil identificar quem nomeou esta besta para o lugar:
"...Era famosa a forma como diversos desembargadores resolviam os recursos a favor dos clubes de Lisboa, nomeadamente o SL Benfica, no antigo regime e até ao fortalecimento do associativismo no norte do país..."
Com ignorantes corruptos como estes no órgão de recurso mais importante do futebol Português, fica explicado como o CJ, contra todos os principais básicos do Direito, decidiu o caso das Pedradas de Alcochete, fica explicado também como a decisão do CJ 'arrasou' o castigo do Hulk e do Sapunaru, que o CD da Liga tinha decidido...


O silêncio perante estas atordoadas, não é aceitável, estes discípulos dos sermões de Sousa Tavares, e dos Moreiras, têm que receber troco!!! É com estas mentiras repetidas à exaustão, que os Corruptos conseguem reescrever a História.




PS: Reparem bem nos comentários a este post colocado no Futebol Portugal por um Benfiquista. Chegam a apelar a um bloqueio a todos os bloggers e comentadores Benfiquistas, isto supostamente para o blog ficar menos faccioso!!!

106 anos

Realizado por RedLifeBenfica

domingo, 17 de outubro de 2010

Após a derrota na Terceira, uma vitória em São Miguel !!!




À espera de uma vitória honesta


"Estragon Moreira sentado no chão, tenta descalçar uma bota. Não consegue. Tenta outra vez, sem sucesso. Desiste.

EM - Nada a fazer.

Entra Vladimir Sousa Tavares.

VST - O meu amiguinho, como é que está? Quero dar-te os parabéns, pá. Foi preciso muita coragem para fugir do Trio s'Ataque, não te deixaste intimidar pelo Vasconcelos.

EM - Claro que não. Só me deixo intimidar pelos Super Dragões.

VST - Fizeste bem em pisgar-te. Nós não comentamos escutas.

EM - Nunca!

VST - Era só o que faltava!

EM - Não compactuamos com ilegalidades.

VST - E as escutas são ilegais.

EM - Escutas? Quais escutas? Não sei de escutas nenhumas!

VST - Ah, ah, ah! É isso mesmo!

Silêncio.

EM(embaraçado) - Eu já as ouvi.

VST - A sério?

EM - Foi sem querer. Fui ao Youtube procurar uma música da Lady Gaga e quando dei por mim estava a ouvir o Pinto da Costa e o António Araújo a combinarem entregar fruta ao Jacinto Paixão. Fiquei com algumas dúvidas, sabes...

VST - Ó! Por causa de uma frutinha? É uma simpatia. Para proteger o árbitro do escorbuto.

EM - Mas o António Araújo chama-lhe fruta para dormir.

VST - Óbvio! Depois do exercício, o corpo está cheio de adrenalina e custa a adormecer. Antes de me deitar como sempre um Kiwi.

EM - Então não achas que fruta é código para prostitutas?

VST - Claro que não! Conheces alguém que se refira a pessoas como frutas? É absurdo!

EM - Por acaso ainda na minha última crónica chamei melancia ao Quintela...

VST - Apre, Rui! Pareces os nossos adversários! Preferem interpretar uma conversa sobre entregas de fruta a árbitros como corrupção, em vez de a interpretarem como o que é: uma conversa banal sobre bem-estar dos árbitros. Há coisa mais natural do que um presidente de clube preocupar-se com a saúde de um árbitro? Ele até ofereceu uma viagem ao Calheiros, para descansar!

EM - Sim, tens razão. Mas é que...

VST - Ouviste mais, foi?

EM - A ida do Augusto Duarte a casa do Pinto da Costa...

VST - Essa foi explicada: o Augusto Duarte tinha urgência em pedir ao Pinto da Costa para interceder junto do seu pai, para que largasse a amante que tinha em Lisboa. Normalíssimo.

EM - Pelas conversas o Augusto Duarte não tem urgência nenhuma. Nem é ele que quer ir. Até prefere ir ver o seu Braguinha. E trata o Pinto da Costa por «chefe de caixa».

VST - Que é uma expressão carinhosa entre amigos. Nunca ouviste dizer és um chefe de caixa do carago?

EM - Pois. Mas é esquisito: dias depois ele ia apitar o Beira-Mar - Porto.

VST - Que já não contava para nada! já éramos campeões!

EM - Não, ainda não éramos.

VST - Mas tínhamos uma equipa fabulosa, que ia ser campeã europeia. O Baía...

EM - Por acaso dessa vez jogou o Nuno.

VST - O Paulo Ferreira, que vendemos por 20 milhões!

EM - Nesse jogo alinhou o Secretário.

VST - O Deco!

EM - Não, jogou o Ricardo Fernandes.

VST - McCarthy?

EM - Maciel.

VST - Não interessa. Não houve roubalheira. Os 3 juízes do tribunal d'O Jogo dizem que não houve.

EM - Por acaso era 4 e dizem que o Secretário devia ter sido expulso aos 15 minutos.

VST - Não dizem, não.

EM - Dizem, dizem.

VST - Como é que sabes?

EM - Fui ver ao arquivo d'O Jogo.

VST - Mas eu acho que não dizem. Acreditas mais no que vem n'O Jogo ou no que eu digo que vem n'O Jogo?

EM - Em ti, claro. Deixei de confiar n'O Jogo desde que ouvi uma escuta do Pinto da Costa a ditar noticias ao António Tavares-Teles, por causa do castigo do Deco.

VST - Ouviste muitas conversas que não devíamos conhecer...

EM - Como diz um amigo meu, mas conhecemos. Eu também acho que não devíamos conhecer, mas conhecemos. E uma vez que as conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos. Eu, pelo menos, não posso.

VST - Que amigo teu disse essa estupidez?

EM - Tu, Disseste ao 1.º Ministro, quando lhe perguntaste sobre as escutas que o envolviam.

VST - É diferente. Uma coisa é o destino do país, outra coisa é o que realmente importa, como o FCP. Aí há que respeitar o direito à privacidade. Lembras-te quando me roubaram o computador?

EM - Sim.

VST - Entrei em casa e estava o ladrão a meter tudo no saco.

EM - E tu?

VST - Antes que conseguisse reagir ele disse então não se bate à porta? Não se respeita a privacidade? Achei que ele tinha razão, portanto saí.

EM - E depois?

VST - Depois bati à porta, mas ele já não respondeu. Deve ter saído pela janela.

EM - Ficaste lixado, não?

VST - Claro. Não gosto de violar a privacidade das pessoas.

EM - Estou a falar do computador.

VST - Ah! Claro, isso também foi desagradável...

EM - Devias tê-lo impedido.

VST - A minha entrada foi ilegítima.

EM - A casa é tua!

VST - Mas a privacidade é dele. Já diziam os Founding Fathers, na Constituição Americana, que uma das verdades que temos como evidentes é que não se podem comentar escutas captadas em investigações sobre corrupção no futebol (eles dizem soccer), mesmo naquelas em que se combinam crimes.

EM - Pensei que isso das verdades tidas como evidentes era na Declaração de Independência.

VST - Ah! Confundi as duas. E agora? Vão dizer que eu, na ânsia de passar por culto e de sustentar os meus argumentos à força, dou calinadas!

EM - Já sei! Falamos com o Pinto da Costa e ele convence o relator da Constituição Americana a fazer umas alterações, para ficar como tu dizes! Como fez com o delegado do Sporting - Porto, que alterou o relatório para o Mourinho não ser castigado!

VST - Genial, presidente da Associação Comercial do Porto, genial!

Entra Godot

Godot - Olá! O que é que estão a fazer?

EM - À espera de uma vitória desportiva alcançada honestamente.

Godot - Ui! Vou-me sentar, então.

FIM"
Zé Diogo Quintela (sportinguista), in A Bola



Discurso exemplar

Carlos Móia, na Casa do Benfica de Ovar, sua terra natal, fez um discurso para repetir até a voz cansar!!! Deixo algumas citações:

Naquele tempo, ser Benfica era escolher simbolicamente a liberdade. Enquanto os nossos adversários tinham a dirigi-los homens da Legião, deputados da União Nacional, magnatas e burocratas enfeudados no salazarismo, nós, no Benfica, tínhamos presidentes que tinham sido operários e sindicalistas, que tinham sido deportados e perseguidos pela PIDE, que não se resignavam à ditadura, antes pelo contrário

Não, o Benfica nunca foi o clube do regime, foi sempre o clube que o regime teve de suportar a contragosto e de que, depois, se apoderou para, na sua propaganda, lhe parasitar a glória.”

Acusaram-nos de sermos ridículos por ameaçarmos não jogar no Dragão se não nos derem condições de segurança. Ridículos? Só assim, levando essa nossa luta para além dos 3 pontos que estão em jogo, poderemos ganhar o que é preciso ganhar: a batalha por um futebol mais respirável, menos subterrâneo. Onde a viagem a um estádio não se transforme na vertigem de uma intifada com meia dúzia de aprendizes de talibãs escondidos a rirem-se dos vidros partidos, dos desaforos, dos insultos, do sangue talvez

in Record

Rival ou Inimigo?

"Perante o silêncio cúmplice com que a Direcção do SCP e a maioria dos comentadores afectos ao clube de Alvalade acompanharam, nestes últimos anos, os castigos do processo do Apito Final e as absolvições do Apito Dourado, muitas vezes me tenho perguntado: será que já não há sportinguistas decentes, que não confundem o RIVAL com o INIMIGO?

Nestes últimos anos, depois de Dias da Cunha ter denunciado o SISTEMA e ter chamado os bois pelos nomes, a cumplicidade com o FCP por parte das direcções que se lhe seguiram (Filipe Soares Franco e, agora, Bettencourt) foi demasiado evidente: o inimigo era o Benfica e tudo o que servisse para atacar o Glorioso era bem-vindo, nem que para isso tivessem que pactuar com a batota e associar-se ao clube cujo presidente se gaba de ter deixado Bettencourt de mão estendida e lhes levou o Ruben Micael, o Moutinho e mesmo o treinador que eles julgavam que iam exibir este ano como um D. Sebastião: o Villas-Boas. E tudo o Porto levou!

A cumplicidade era tão grande que houve quem julgasse que a sigla SCP queria dizer Sporting Clube do Porto! Até ao ano passado, o SCP calou-se: não comentou os escandalosos resultados do Processo, não falou das escutas, pactuou com arbitragens indecentes, porque teve o segundo lugar garantido, e porque alguns sportinguistas sem brilho nem brio preferiam um segundo lugar várias vezes do que um primeiro de vez em quando! Desde que o Benfica ficasse atrás! Esta cegueira e esta obsessão reduziram o nosso grande rival a um clube de bairro, mergulhado numa crise de onde não se vê como vão sair, condenado a disputar um lugar na Europa ao Braga, ao Vitória de Guimarães ou ao Marítimo.

Mas, desde o ano passado, a coisa ganhou foros de delírio. Perante a evidência de um futebol brilhante, um treinador vitorioso e uma equipa confiante e ganhadora, que passeava a sua superioridade e sua classe pelos relvados, e que, sem batota, teria deixado os outros clubes muitos pontos atrás, era preciso arrasar o RIVAL, apoiando a vergonhosa campanha do FCP, matraqueada todos os dias com mentiras repetidas sobre os túneis e o andor, e que, à falta de argumentos, ressuscitava a indecorosa campanha contra o Calabote e reeditava a caluniosa campanha do “Clube do Regime”!
Nos tempos da Guerra Fria, os comunistas chamavam, com desprezo, aos que os apoiavam sem pedir nada em troca os “Idiotas úteis”. E, desde o ano passado, houve comentadores que se prestaram miseravelmente a essa vassalagem.

Ora, de há umas semanas para cá, quiçá por efeito da divulgação das novas escutas, houve alguns sportinguistas que acordaram e devolveram a decência à instituição: foi o caso do Jorge Gabriel, do Daniel Oliveira, do Alfredo Barroso e do José Diogo Quintela, que assinaram nos jornais e proclamaram na rádio que as escutas os indignavam e que, ao contrário do que outros vendem, a equipa do Sporting também foi prejudicada por arbitragens viciadas que a afastaram do título em épocas recentes. Aleluia! É tempo de os sportinguistas, mesmo que a sua Direcção se cale, perceberem que só poderão voltar a ser um grande clube quando a VERDADE DESPORTIVA voltar ao futebol, e isso implica aliar-se ao Benfica na luta pela independência dos órgãos que irão superintender à Arbitragem e à Disciplina e à decência dos seus membros, na próxima estrutura da Federação!

Sem isso, os nossos clubes vão continuar a ter que redobrar o esforço desportivo e financeiro para ganhar no campo contra todas as forças que, dentro e fora dele (a violência à volta dos estádios, os corredores do poder, os túneis, o apito e as bandeirinhas) fazem todos os possíveis para incendiar Lisboa e manter o poder no Norte.
ACORDEM LEÕES! OU SERÁ QUE ACHAM QUE, PARA ELES, VOCÊS NÃO SÃO MOUROS?!"

António Pedro Vasconcelos, in Master Groove

O Fraco Rei

"Nunca fui de participar nas aventurosas peripécias da vida interna dos clubes. Parece-se demasiadas vezes com o pior da política e falta-lhe o melhor. Mas, ao ouvir Dias Ferreira tão desconfortado como a promoção da assembleia geral, pensei o mesmo que muitos sócios: “Ai não me queres lá? Então agora é que vou mesmo!” E fui. Pela primeira vez na minha vida. Habituado a outros campeonatos, perturbou-me o papel que uns rapazes de umas claques podem ter numa assembleia supostamente democrática. E o meu espanto é que, apesar de tudo, isto era pouco habitual no Sporting. As derrotas explicam o desespero e a irracionalidade. Mas não é só isso. Citando o bom Camões, um fraco rei faz fraca a forte gente.

E o fraco rei falou. A todas as críticas responde com vitimização, a todos os desaires responde com culpas de terceiros, à evidências dos factos responde com uma cegueira obstinada e perante o abismo responde com a inevitabilidade do passo em frente. Exige a união dos sportinguistas. A união não se exige. É conquista de boas lideranças. A união que segue o líder fraco para o desastre existe apenas nas manadas. Não são os sócios indignados que fragilizam o Sporting perante os clubes rivais. São os resultados desportivos e financeiros.

Os clubes nascem e morrem. E se nada se fizer para travar este desastre, o Sporting tem os dias contados. Mesmo que os seus funcionários não vistam ganga e os seus dirigentes usem jargão empresarial para tentar explicar os resultados do seu amadorismo. Bettencourt estará à frente do Sporting até 2013. Temo que um dia destes tenhamos de fazer uma escolha: ou o seu mandato não sobrevive ao Sporting ou o Sporting não sobrevive ao seu mandato."


Daniel Oliveira(sportinguista), in Record