Últimas indefectivações

sábado, 27 de outubro de 2018

Vitória, no regresso à liderança, 'à condição'!!!

Benfica B 3 - 2 Sp Covilhã
Anjos, Benny, Florentino


O jogo não reflecte a superioridade do Benfica durante os 90 minutos! Chegámos ao 2-0, com alguma facilidade e alguma felicidade no 2.º golo... o golo do adversário foi contra a corrente do jogo. No início da 2.ª parte fazemos o 3-1... e a restante 2.ª parte foi um festival de desperdício... O 3-2 de penalty, já nos descontos, foi só para a estatística!

Vitória em Belém...

Belenenses 2 - 3 Benfica

Mais um jogo fora muito complicado, desta vez ficaram de fora o Fits e o Tolrá... Estivemos quase sempre em desvantagem, e só nos últimos minutos, quando apostámos no 5x4 demos a volta ao marcador com dois golos...
O Roncaglio foi expulso com um duplo Amarelo... tal como o ano passado no mesmo local!!!

Depois de Ponte de Sor e Viseu, nova vitória à justa, fora da Luz... Avisos não têm faltado!!!

PS: Curiosamente a nossa equipa feminina de Futsal, também jogou com o Belenenses em Belém... Acabou por vencer mais folgadamente, por 1-6...

Vitória em Guimarães...

Guimarães 71 - 74 Benfica
16-14, 23-20, 15-18, 17-22

Vitória muito difícil, num jogo onde estivemos quase sempre a correr atrás do prejuízo, mas um 4.º período de bom nível, deu para manter a invencibilidade... Ainda sem o Xavi... e hoje sem o José Silva!

Vitória em São Mamede de Infesta

AA São Mamede 1 - 3 Benfica
21-25, 29-27, 13-25, 17-25

O estranho aqui, foi mesmo o Set perdido...!!!

Amanhã, temos novo jogo em Famalicão...

PS: A nossa secção feminina de Voleibol, estreou-se hoje oficialmente, neste regresso à competição, com uma vitória clara...

Os GOA (as claques) e a violência desportiva

"O nosso legislador não teve qualquer prurido e agrediu a Lei Fundamental para salvar o que não carecia de ser salvo: a violência do Desporto geneticamente a cargo das claques, na óptica do legislador.

Instalou-se na cultura mediática a sub-divisão entre claques legais e claques ilegais.
A superficialidade dos analistas, mas acima de tudo, a impreparação técnica dos responsáveis, leva-nos, a todos, a perder de vista o que, verdadeiramente, está em causa.
Comecemos por onde se deve começar: pelo princípio.
E o princípio diz-nos que o legislador cometeu erros primários, quer quando insere a previsão normativa das claques (GOA) no diploma sobre violência no desporto, quer quando consagra a mais perversa responsabilidade objectiva dos Clubes e das S.A.D.’s face ao comportamento ilícito das claques (GOA).
Ora vejamos: o legislador entende que as claques são, geneticamente os agentes da violência, ou seja, empresta-lhes uma vocação estranha ao apoio ao seu emblema, antagónica da festa do desporto e, bem ao invés, consagra o regime legal das claques na “desordem” jurídica, na violência.
De facto, é o legislador que o diz: as claques criam-se para a prática da violência, não visam a festa do desporto.
Mas há mais danos, a cargo do legislador.
O IPDJ (agora a ACVD) têm o encargo de “registar” as claques e, bem assim, os seus membros.
Mas tal registo é estranho ao Clube e à S.A.D., ou seja, o defunto IPDJ sabe o que o Clube e a S.A.D. não sabem. Mas, apesar desse registo no IPDJ também ele não controla, porque não pode, a autenticidade e a actualidade entre os adeptos inscritos nas claques e a realidade, ou seja, aqueles que, de facto, nelas se inserem.
Como se verifica e conclui, nem o IPDJ (ACVD) sabe quem integra as claques e, muito menos, os Clubes e as S.A.D.’s sabem quem são os seus apoiantes integrados em claques.
Facilmente se conclui que o sistema legal em vigor tem a virtualidade de ser um vazio, que é accionado para punir quem se quer, quando se quer, em perfeito tiro ao alvo.
Mas não podemos ficar por aqui.
A Lei manda que os GOA (as claques) se constituam em associações (pessoas colectivas dotadas de personalidade jurídica) e os membros das claques, para o serem, terão de estar nelas inscritos.
O nosso legislador não tropeçou, mas devia, no Art.º 46.º da Constituição da República que diz, nada mais, nada menos que “Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação nem coagido por qualquer meio a permanecer nela”.
Ora se um cidadão quiser integrar um GOA e apara o conseguir terá de integrar uma associação que, por sua vez, teve obrigatoriamente de ser constituída.
O nosso legislador não teve qualquer prurido e agrediu a Lei Fundamental para salvar o que não carecia de ser salvo: a violência do Desporto geneticamente a cargo das claques, na óptica do legislador, como é evidente.
Mas, agora, surge um outro obstáculo: a Lei 103/2015 de 24 de Agosto proíbe o registo dos dados pessoais de cada Cidadão.
Isto significa que, para ser membro de uma GOA, terá de registar os seus dados pessoais, o que a Lei proíbe e a União Europeia impõe que cada Estado observe.
Perante este quadro normativo, anacrónico, ilegal, inconstitucional, o que fazer?
1.ª Hipótese: ilegalizar as claques (os GOA)?
2.ª Encontrar um quadro normativo bem diferente daquele que vigora e promover a adequação da realidade à disciplina desportiva, à adesão organizada, sem colidir com a auto-organização dos adeptos, com a sua auto-regulação, mesmo com a auto-disciplina.
Só então, mesmo só então, a hierarquia das responsabilidades será legitimada, começando pelos dirigentes, passando pelos Clubes e S.A.D.´s e, finalmente, pelo hetero-regulação da ACVD.
No entanto, para alcançar esses objectivos será necessário varrer o pó e a poeira que grassa nos decisores políticos e administrativos e, também, nos comentadores iluminados.
Desde logo e em primeiro lugar, é ostensivo que não é a admissível impôr a constituição de associações, seja por força da Constituição da República, seja por respeito pela protecção dos dados pessoais.
Parece, igualmente, apodíctico, que a previsão legal dos GOA (claques) não pode inserir-se no diploma sobre violência no desporto.
De facto, só mesmo um legislador vesgo é que cairá nessa solução absurda e anacrónica.
Os GOA destinam-se, prima facie, a exaltar o seu emblema, a dar brilho à festa do Desporto, e a colorir a competição (pois é de competição que estamos a tratar).
Isto significa que a previsão normativa que regula a constituição e actividade dos GOA terá de alcançar-se e formalizar-se em diploma legal autónomo, dirigido exclusivamente para tal objectivo e finalidade.
E, nesse diploma, deve consagrar-se a auto-regulação de cada GOA, a sua autodisciplina e a respectiva e consequente responsabilização.
Para se organizar não carecem de criar associações com personalidade jurídica (que, como se viu, seria inconstitucional) mas, tão só, agrupar-se em Comissões de Adeptos, cuja previsão legal se acha nos Art.ºs 199, 200, 201, e 201-A do Código Civil.
Essas Comissões de Adeptos reger-se-iam por estatutos e os actos ilícitos recairiam, em primeira linha, sobre os seus dirigentes e, naturalmente, sobre os autores materiais de actos contrários à ética desportiva e ao fair play.
È minha sensibilidade que deveria ser imposta a qualidade de sócio do Clube a todo o membro do GOA (da claque), como condição sine qua non para dele fazer parte.
E, finalmente, o registo do GOA recairia sobre o Clube ou sobre a S.A.D o que, sem mais indagações, justificaria a imposição legal da responsabilidade supletiva e objectiva emergente de condutas omissivas que lhe fossem assacáveis.
Naturalmente, a IPDJ (a ACVD) não perderiam a sua função reguladora, mas limitada à competência instrutória para municiar as instâncias com competências disciplinar, se a ela houvesse lugar.
Em suma:
1. Não misturemos legalmente claques com violência;
2. Respeitemos a Constituição da República e a Lei;
3. Responsabilizemos os membros das claques por actos ilícitos e que violem a ética desportiva e o fair play;
4. Consagremos os princípios da auto-regulação e da auto-organização;
5. Impunhamos a criação de Comissões de Adeptos de acordo com o Código Civil; 
6. Responsabilizemos, em cascata, os dirigentes dos GOA e, só depois, supletivamente, os Clubes e as S.A.D.’s;
7. Registemos os GOA nos Clubes e nas S.A.D.´s;
8. Obriguemos os membros das claques a serem sócios dos Clubes.
Por esta via, desaparece a ilegalidade e o tiro ao alvo que nos tem envergonhado, ou seja, urge impedir a violência no desporto e responsabilizar quem deve ser responsabilizado: os autores materiais dos actos violentos."

O ocaso de José?

"A última versão de José Mourinho é observada com uma atenção particular. Porque se trata de uma personagem muito diferente daquela a que nos habituámos nos últimos quinze anos. Durante este longo período, conhecemos o homem de Setúbal em versão “Special One”, o treinador que coloca o ego acima da equipa e o torna uma potente força de transformação. Nos últimos tempos, porém, vemos uma versão que oscila entre o irritado e o resignado. E, tanto num caso como no outro, não é o Mourinho que construiu uma imagem e uma marca capazes de o destacar tanto no plano global.
Os acontecimentos da semana passada deram indicações bastante claras de que este seja uma fase de passagem. E para melhor compreender se se trata de uma passagem definitiva ou se é apenas um facto transitório é bom examiná-los. A partir do mais recente: a recusa de muitos jogadores do Manchester United em participar num evento organizado por um patrocinador. A motivar esta clamorosa tomada de posição terá estado o descontentamento dos jogadores com algumas falhas organizativas do clube. Mas não é este o detalhe que mais interessa. Mais importante é o facto de, como rezam as crónicas, Moutinho ter ficado de parte em relação á decisão dos seus jogadores. Os quais teriam, de qualquer modo, sido livres de tomar a decisão, independentemente da posição e da opinião que o treinador tivesse expressado. Mas mantém-se o facto de um treinador, especialmente um com esta personalidade e esta liderança sobre um grupo de jogadores, não ter intervindo numa situação que arrisca tornar-se de difícil gestão nas relações entre o clube e os jogadores.
Esta inércia foi a mesma que Mourinho mostrou na terça~feira á noite, em Old Trafford, na partida perdida pelo Manchester United frente à Juventus. Durante quase todo o jogo, Mourinho esteve de pé, em frente ao banco, de mãos nos bolsos e expressão fixa. Não deixou transparecer uma emoção. Os repórteres presentes nas imediações dos bancos confirmavam a impressão que os tele-espectadores tinham de olhar para os ecrãs: a de um homem distante, quase ausente. Como se fosse um espectador neutro, a passar ali por acaso e que por isso não quisesse incomodar.
O que descrevi até aqui é um Mourinho inerte e quase fatalista. Mas existe também um outro: o Mourinho irritável e pronto para a polémica, semelhante àquele a que estamos habituados. É pena que as suas reacções não estejam à altura do seu passado. Durante a semana passada, o treinador do Manchester United mostrou por duas vezes, em dois contextos diferentes e com dignificados distintos, o sinal do “três” com os dedos. A primeira vez que o fez foi no sábado, no final do jogo em Stamford Bridge entre Chelsea e Manchester United, empatado pelos donos da casa num final de temperatura elevada e emotiva. Após o apito final, o público do Chelsea mostrou reprovação a Mourinho, recordando uma relação que teve momentos de glória mas depois acabou mal. E o treinador do Manchester United exibiu os três dedos para lembrar que com ele à frente da equipa, os Blues ganharam três campeonatos, pelo que os adeptos de Stamford Bridge deviam estar-lhe gratos. 
A cena repetiu-se três dias depois, na parte final do Manchester United-Juventus. Do sector ocupado por adeptos italianos partiram repetidamente cânticos ofensivos para José Mourinho, que a dada altura decidiu responder-lhes, voltando a mostrar três dedos. O significado era agora diferente: referia-se, nesta circunstância, ao triplete que ajudou a conquistar no banco do Inter, em 2009/10: campeonato, Taça de Itália e Liga dos Campeões. Um feito que se tornou mítico para os adeptos interistas e que a Juventus dos sete campeonatos ganhos de seguida nunca conseguiu igualar.
Tanto em Stamford Bridge como em Old Trafford, as mensagens foram claras. Mas resta o facto de ambas terem deixado um sinal pouco assegurador para Mourinho. O sinal de que para responder às polémicas começa a agarrar-se aos sucessos do passado. E isto não é bom. Porque quando nos agarramos às glórias passadas é porque o presente é pobre. E as perspectivas de futuro não são assim tão promissoras."

Jogo Limpo... Seara, Guerra & Fanha... Amesterdão, Legalidades & Manhocises !!!

Benfiquismo (CMXCI)

Na estreia...

Uma Semana do Melhor... à Stikada!!!

Apuramento possível mas menos provável

"Há algo no sentimento de Rui Vitória que gostava que fosse verdade: o sentimento de injustiça e que os jogadores vão mostrar revolta no Jamor

O Benfica mantém um apuramento possível na Liga dos Campeões, mas deixou de ter provável. Ganhar ao Ajax em casa, por mais de um golo, é a única matemática interessante nestas contas com difíceis algoritmos europeus. Há, no entanto, algo no sentimento de Rui Vitória que eu, mesmo desconfiado, gostava que fosse verdade, quando refere que o Benfica (os seus jogadores) ficaram com um sentimento de injustiça, e no próximo jogo (contra o Belenenses) vão mostrar essa revolta. De facto o jogo de amanhã no Jamor é o mais importantes desta semana. Uma vitória, uma boa exibição e três pontos cimentam o maior objectivo da época.
Custou mais o golo de Chaves aos 90+3, que o golo de Amesterdão aos 90+2 (embora ambos evitáveis), até porque na Holanda jogamos melhor. Mas não há vitórias morais, nem meias derrotas, perdemos o último jogo e queremos vencer o próximo.
Grande jogo de Conti em Amesterdão. Não pode um lance menos conseguido apagar um valor mais que seguro.
Em Amesterdão ficou mais claro algo que repito aos meus amigos com frequência: com Vlachodimos na baliza ano passado e este ano lutávamos pelo hexa. Assim vamos ter que segurar o Alemão/Grego mais seis anos para alcançar o mesmo objectivo.
Amanhã frente ao Belenenses jogamos o jogo que na última época começou a ditar a perda do campeonato.
Lembrar o resultado do Restelo da última época, pode evitar problemas no Jamor este ano, onde para o Benfica, ao contrário de outros, ninguém telefona a gritar penalty ao minuto 90+4. Ao contrário do que alguns títulos envenenados sugerem, amanhã não é para poupar, amanhã é para ganhar.
O estádio da Luz festeja 15 anos, e o Benfica pediu vários testemunhos aos jogadores que marcaram a história do estádio. Numa constelação de testemunhos estrelas, Pablo Aimar destaca com palavras mágicas. Disse: «O tempo parece parar quando os adeptos cantam o hino». O astro argentino é um de nós, sente como qualquer um de nós e vive como nós um clube que é também seu. Faz até sentido alguém imortal como Aimar sentir o tempo parado, pois só esses o podem sentir assim... Obrigado Aimar, por isso durante tantos anos cantamos «Pablito Aimar que a glória voltará, como Eusébio e Rui Costa outro 10 imortal». Isto não é só para quem quer, é para quem sente."

Sílvio Cervan, in A Bola

Dois pontos perdidos...

Benfica 3 - 3 Beleneneses


Primeira parte muito má, muito passivos... má atitude em vários jogadores!
Segunda parte totalmente diferente, ouviram das boas no balneário!!!
Tudo somado, o resultado acaba por ser penalizador: sofremos um golo praticamente no primeiro minuto; depois sofremos o 2.º golo num penalty inexistente (a bola ressalta na perna do Ramirez para o braço...); e depois, já a ganhar por 3-2, sofremos o 3.º num frango do Azevedo (quase igual ao golo do Man United na Luz o ano passado com o Svilar)... logo o Azevedo que vinha fazendo excelentes exibições!!!
Mesmo assim, até ao fim falhámos 4 ou 5 golos feitos...!!!

Grandíssimo golo do Tomás Domingos (ex-Belenenses)!!!

Arouca

Desta vez, o sorteio da Taça de Portugal, deu-nos um Arouca (na Luz)... agora na II Liga!!!
O Arouca tem feito uma má época, começou com o Miguel Leal a treinador, mas já mudou para o Quim Machado... Tem um plantel repleto de estrangeiros, especialmente brasileiros...

Como é óbvio temos tudo para passar esta eliminatória, apesar do calendário: o jogo será disputado a seguir a nova paragem para as Selecções (jogos decisivos da Liga das Nações); e antes da ida potencialmente decisiva a Munique (a uma Terça)!!!
Portanto, o jogo deverá ser disputado a uma Quinta, ou uma Sexta, provavelmente sem vários Internacionais (os sul-americanos não devem chegar a tempo, quase de certeza).
Como observámos com o Sertanense, estes 'cenários', com muita rotação no onze, dá quase sempre quebras de rendimento colectivo...

Passados quinze anos...

"Recordo-me de ter aderido imediata o entusiasticamente à proposta da construção de um novo Estádio da Luz, apesar de partilhar, então, os mesmos anseios da generalidade dos benfiquistas, como a eventual perda da identidade ou as dificuldades financeiras prementes após anos de má gestão (e danosa em parte deles) que, eventualmente, se agudizariam face ao elevado investimento necessário. Conhecia bem o estado de degradação do velhinho estádio, colocando de lado a mais simpática, hipótese de remodelação. A propalada partilha de um estádio com o Sporting, motivada por um economicismo, para mim, incompreensível, nunca foi solução, e sempre que a questão se colocou, bati-me ferozmente com quem defendia esse ponto de vista.
O que não vislumbrei na altura é que um estádio é mais que uma mera infra-estrutura (a edificação do Caixa Futebol Campus é também um belo exemplo). Luís Filipe Vieira e Mário Dias, os homens a quem, nessa fase de indefinição, se deve a ousadia da empreitada, bem clamavam por supostos benefícios que julguei não passarem de promessas vãs. Acreditava que evitar que o Sport Lisboa e Benfica se visse, um dia, a contas com intervenções forçadas e muito onerosas que não passariam de remendos era argumento suficiente.
Mas, passados quinze anos, torna-se evidente a diferença entre sonhadores e visionários. Sonhar é fácil. Ter a capacidade para sonhar, implementar o sonho e cumpri-lo é outra conversa. O novo Estádio da Luz foi, de facto, o catalisador prometido para o Benfica moderno, pujante associativa e desportivamente e viável económica e financeiramente preconizado. Sempre fomos o maior clube português, voltámos a ser o melhor."

João Tomaz, in O Benfica

Azia

"Diz-me o dicionário que se trata de uma sensação de ardor no estômago ou de um estado de grande irritação ou de mau humor. Azia, quatro letras apenas e um mal-estar tão grande, que se estende dos relvados aos pavilhões, das pistas às estradas, dos estúdios de televisões regionais às redacções onde o que mais interessa é marrar no vermelho. E já nem vos falo das salas sombrias onde anónimos - que agora são famosos e tremem por causa disso - cometem ilegalidades e teclam mentiras a troco de compensações monetárias que tanto podem passar por uma noite de copos em Budapeste ou por um serviço de quartos de café com leite num hotel manhoso.
A azia que hoje tantos sentem não é causada por comida picante ou avinagrada. É uma condição de saúde física e psicológica que deriva dos resultados das exibições e das convocatórias das selecções nacionais de futebol dos diversos escalões. É causada também pelas apostas e pelos resultados na formação e nas primeiras equipas de voleibol, basquetebol, hóquei em patins, andebol ou futsal - e em ambos os sexos.
Para piorar-lhes a condição, ainda têm de ver os resultados financeiros do marketing e merchadising a passar-lhes pelo inflamado esófago, caindo com estrondo naqueles estômagos vazios há tanto tempo sem petiscar alguma coisa que os satisfaça. E sabem o que é pior?
É que, apesar da existência de sais de frutos, a azia não lhes vai passar tão cedo.
Mastiguem bem e engulam com cuidado, porque a refeição ainda nem vai a meio."

Ricardo Santos, in O Benfica

Entre o céu e o inferno

"Gostaria de informar o leitor da dificuldade que é para mim escrever a crónica desta semana. Redigia-a na terça-feira, no entanto apenas hoje, sexta, é publicada. Ora, o que é que sucede? Neste espaço de tempo decorreu a visita do Benfica a Amesterdão e, uma vez que não nasci com os dotes do Professor Chibanga, no momento em que componho este artigo não faço a mínima ideia se Rui Vitória deve renovar contrato até 2050, blindado por uma cláusula de 200 milhões, ou se Rui Vitória deve ser despedido.
Não sei bem se Vlachodimos é um valor seguro para guardar as nossas redes, quem sabe acima do nível de Ederson, Oblak e Benji Price, ou se Vlachodimos é a versão greco-alemã de Carlos Bossio e deveria ter optado antes por uma carreira na área da construção civil.
Sei lá eu, a esta hora, se o Pizzi é um digno maestro capaz de liderar a orquestra rumo à vitória na Liga dos Campeões ou, então, se é um jogador banal que teria dificuldade em conquistar a titularidade no Arsenal de Crespos, que participa no campeonato do INATEL em Braga. São questões pertinentes, contudo teria de conhecer o desfecho do jogo na Holanda para lhes dar resposta - embora saiba que as mesmas dúvidas se irão colocar repetidamente na véspera de qualquer desafio. Na generalidade, o adepto benfiquista é mesmo assim: eufórico nas vitórias, desesperado nos fracassos.
Até é compreensível em certa medida: o Benfica tem a obrigação de ganhar sempre. Aos meus olhos, por exemplo, esta já é uma época perdida: não será possível amealhar a totalidade de pontos em disputa no campeonato. Mediante essa expectativa, já levo 24 anos de frustração. Enfim, é difícil ser adepto do maior clube dom mundo."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

10 anos

"Cumpriram-se recentemente 10 anos da colaboração ininterrupta deste vosso amigo com este vosso jornal. E assim como não imaginava permanecer por aqui tanto tempo, também terei de fizer que ele passou bastante depressa.
Ao longo deste período pude, a partir da tribuna, festejar 5 Campeonatos, 2 Taças de Portugal, 7 Taças da Liga e 3 Supertaças, ver o Benfica voltar às finais europeias, e assinalar dezenas de títulos nas diversas modalidades. É caso para dizer que me facilitaram o trabalho, pois a exultação dos sucessos foi incomparavelmente mais frequente do que o lamento dos insucessos.
Ainda que de forma extremamente modesta e à medida das minhas capacidades, tem sido uma honra servir o clube. Umas vezes um pouco melhor, outras não tem bem, há algo de que tenho absoluta certeza: em cada momento sempre procurei defender, apenas e só, os interesses do Benfica.
Ao contrário daquilo que os nossos adversários por vezes pretendem fazer crer quando enchem a boca com 'cartilhas' e 'censuras', é importante dizer que, em 10 anos de crónicas semanais, nunca, mas mesmo nunca, recebi qualquer pressão, ou sequer sugestão, nem da direcção do jornal, nem muito menos da direcção do clube, acerca daquilo que poderia ou deveria escrever ou omitir - mesmo nos momentos em que não me eximi de apontar erros, lacunas ou aspectos que me parecia poderem melhorar.
Sempre senti absoluta liberdade para dizer o que queria. E aquilo que eu queira dizer sempre chegou até si, caro leitor, sem qualquer filtro ou cedência.
É assim o Benfica que eu conheço, e que tenho o prazer de servir já lá vão 10 anos."

Luís Fialho, in O Benfica

Criminalidade

"A criminalidade informática é um dos maiores flagelos da sociedade moderna. Há pessoas que fazem desta prática uma forma de vida. O Sport Lisboa e Benfica tem sido alvo da actuação criminosa de gente sem escrúpulos. Graças à perseverança da nossa classe dirigentes, o Glorioso tem sabido defender-se destes ataques torpes e fará sentar no banco dos réus todos aqueles que lhe provocaram prejuízos morais e patrimoniais. Acabámos de obter mais uma vitória judicial. Todos aqueles que andaram a divulgar informação interna e confidencial do nosso clube, em blogues, irão sofrer as consequências.
O Benfica foi vítima do crime de violação da sua privacidade, por via da divulgação de documentos confidenciais. Todos aqueles que difundiram esses documentos, após a primeira divulgação, cometeram um crime. É falso o argumento que se esses documentos estão disponíveis ao público, na Net, podem ser divulgados. Tendo o crime sido cometido através de plataformas informáticas, na Internet, o Benfica viu-se obrigado a agir judicialmente contra essas plataformas, fossem elas quem fossem e de que país fossem. É sabido que maioria dessas empresas está concentrada nos EUA, pelo que para aí foram dirigidos os esforços da nossa competentíssima equipa de advogados. João Correia, José Luís Seixas, Pedro Correia e Miguel Lourenço formam um quarteto com a mesma categoria de André Almeida, Rúben Dias, Jardel e Grimaldo. Graças ao seu profissionalismo e dedicação, os objectivos foram alcançados - as empresas foram intimadas judicialmente a fornecer ao Benfica a informação pretendida."

Pedro Guerra, in O Benfica

Futebol social

"Sou do tempo em que me chamavam à janela para parar de jogar à bola e ir fazer os trabalho de casa. A mim e a todos, de tal maneira que se tornava complicado levar um jogo até ao fim com mesma equipa porque as mães não paravam de gralhar pensando que os filhos não estudavam e só jogavam à bola. Afinal, eu, como tantos outros, não menos do que hoje, estudei, e a bola não me impediu de nada, mas a minha mãe não queria ou talvez não pudesse saber disso.
Hoje faz parte do meu ofício utilizar a bola para fixar os jovens na escola e para os ajudar a desenvolver competências pessoais e sociais importantes para a sua vida. Mas também para atingir patamares de integração social e diálogo intercultural difíceis de conseguir com outras estratégicas. Para promover uma cidadania de valores, para organizar solidariedades e assistir vítimas de tragédias, para combater a pobreza, para o envelhecimento activo jogando futebol a andar, para a prática desportiva daqueles a quem a deficiência ostraciza e para tanto mais...
O que mudou então?
Na realidade, nada! Senão, vejamos:
O gosto das crianças e jovens pela bola é uma constante e prolonga-se pela vida adulta até à velhice.
Os benefícios da prática desportiva para a saúde são os mesmos de sempre.
A capacidade de ligar as pessoas e de estreitar relações sociais entre diferentes, mesmo em situações-limite, mantém-se.
E não é de agora, basta saber um pouco de História e ver o que se passou por exemplo nos campos entrincheirados da Primeira Guerra Mundial com jogos na Terra de Ninguém entre equipas inimigas.
Talvez tenha mudado, isso, sim, a nossa capacidade individual e colectiva de ver que há muito mais no futebol do que o próprio futebol. A sociedade percebeu, finalmente, que existe um futebol social e chegou ao entendimento de todos que as grandes mudanças podem também fazer-se à custa das coisas simples da vida. E uma bola é simples, mas na verdade transforma em brincadeira a forma geométrica da perfeição. Precisamente a esfera na concepção de Aristóteles e Pitágoras, dois homens de visão clara que ajudaram a mudar o mundo..."

Jorge Miranda, in O Benfica

O veludo e a serapilheira

"Não se sabe quem terá dito ou escrito que, com certas pessoas, 'primeiro, vêm sorrisos; a seguir, mentiras; e, por fim, o tiroteio'.
Não é por acaso que a baderna mediática das mais recentes semanas e dos últimos dias confirma a asserção.
Todo o entusiástico acolhimento que os nossos inimigos têm concedido às maliciosas insinuações, às desbragadas falsidades e aos inacreditáveis disparos de canhão boçados (pasme-se!) por alguns Benfiquistas contra os seus próprios correligionários não engana. Pudera! Que melhor 'pratinho de arroz doce' podia ser, assim, servido gratuitamente e de mão beijada, às alarves refeições dos batalhões do antibenfiquismo, do que estes constantes ataques de três 'frasquinhos-de-veneno-com-pernas', ao serviço da sua pequenez e das suas desmedidas ambições, perante a grandeza do Benfica?
Sem, afinal, demonstrarem suficiente consciência do que faziam, começaram a trocar o veludo dos sentimentos pela dureza da mais rude serapilheira das palavras com que verbalizam o seu fel; e, ao se deixarem envolver nas 'canções dos bandidos', parece que sentem gosto em se esfregar nessa lama de uma das mais despudoradas campanhas de ataque que, de fora para dentro, vivemos na centenária história do Benfica. Que lhes faça bom proveito; mas, diante do pasmo geral dos adeptos incrédulos, é certo que cada vez mais perdem as máscaras do bom senso e da credibilidade, gerando crescentes antipatia e repulsa no universo que pretenderiam seduzir.
Diz o povo que a asneira é livre e, num clube construído com base nas diferenças de todos ('E pluribus unum'), mais se aplica a sentença.
Mas tudo tem de ter o seu limite. Como, para nós, e designadamente no nosso contexto e nas presentes circunstâncias, tem de haver balizas para as agendas pessoais; tem de haver contenção nas manifestações de discordância ou nas patológicas pulsões de despeito, de presunção ou de ambição pessoal...

Recomendo a esses que, de uma vez por todas, tenham juízo!
É que, perante o vendaval de alucinados ataques exteriores que se abateu sobre o Benfica, visando denegrir a nossa grandeza histórica e também condicionar e intimidar os frágeis institutos da Justiça portuguesa, depois de 1904, ninguém aqui dentro pode querer 'ser o Benfica'. Nem com base em patranhas e mentiras. Nem com meras manias de grandeza. Nem, muito menos, à força de uns baldes de whiskey..."


José Nuno Martins, in O Benfica

Cadomblé do Vata (especial Amesterdão)

"Vi o Ajax - Benfica através de um canal televisivo holandês chamado VeronicaTV (isto logo à partida é capaz de tirar credibilidade ao que vou escrever a seguir), com comentários pré-jogo, ao intervalo e possivelmente pós-jogo (como deverão perceber, nesta altura o ecrã a minha tv já era só um rectângulo escuro) de um descabelado e de Frank de Boer, que até podia ser o Ronald de Boer, não tenho como saber qual dos dois era... começam a ser demasiadas dúvidas para um parágrafo inicial.
Após uma primeira parte de "Ajax ao ataque e SLB a jogar para o pontinho" como é nota dominante nos comentários ao jogo, foi pedido ao mano de Boer, que elegesse o principal destaque dos 45 minutos iniciais. Este com a pouca experiência que tem de bola, nomeou as oportunidades do SLB. Em rodapé surgia algo como "kansen Benfica" e no ecrã sucediam-se as imagens de jogadores do SLB na área adversária... a jogar para o pontinho. Do que o meu futebolês entendeu do neerlandês grafado nas imagens, foram 10 remates, 4 deles perigosos e 2 enquadrados.
Para início de discussão isto poderia ser suficiente, mas ontem vi a conferência do técnico dos de Amesterdão e não consegui ficar indiferente ao entusiasmo com que se referia a um jogo dividido de "Ajax a atacar e SLB a jogar para o pontinho"..."de cada vez que piscávamos os olhos, o Benfica estava na nossa área... e nós também tivemos oportunidades e isso é muito bom". Que São Eusébio e a Nossa Senhora de Mafalala protejam o pobre Erik ten Hag na visita a Lisboa, de uma turba ameaçadora com faixas em holandês perfeito "Herege: o SLB nunca ataca".
A verdade nua e crua que saiu de terça feira à noite, é que os adeptos do SLB já não conseguem ver além do ódio ao Rui Vitória. O resultado não interessa, a exibição é de somenos e o desinvestimento avultado é pormenor. A Nação Encarnada entaipou os olhos com a cara do treinador do SLB e nada mais interessa. Pode vir um furacão de títulos, que naquelas casas nem uma brisa de Benfica vai entrar. Rui Vitória é aos olhos dos adeptos, uma enorme esponja que absorve todos os problemas do Glorioso. Não sendo inocente das desfeitas do nosso futebol, é apontado como único culpado. O chapéu de chuva perfeito que caiu no colo de LFV.
Ontem acusaram-me de ser "vitoriano". Numa conversa com um benfiquista que respeito muito, ele dava-me razão mas acrescentava "e eu não sou vitoriano, como sabes". Sinto que regredimos 10 anos e voltamos aos anos da catalogação do Benfiquista. O que foi em tempos uma luta "vieiristas / anti-vieiristas" que desfaleceu esmagada pelos títulos, é agora "vitorianos / anti-vitorianos" que nem os títulos conquistados mitiga. Penso seriamente que atingimos aquele momento em que temos de fazer uso da exclamação que continuamente proferimos: ninguém está acima do Benfica. O ribatejano é hoje visto como algo maior do que o Benfica, demitam-no, por favor."

Alvorada... do Gonçalves

Contra factos não há argumentos

"Diz-se que a paciência da massa adepta é normalmente curta, o que se percebe pela vontade de querer que a sua equipa vença. Perdoa algumas falhas, mas o que quer é mesmo a vitória. A qualidade de jogo é esquecida quando a equipa ganha, as falhas individuais fazem parte do jogo se o resultado não é influenciado por esses erros, caso contrário o jogador que cometeu é o responsável pelo resultado negativo e a qualidade de jogo responsabilidade quase exclusiva do treinador. Estas reacções são próprias dos adeptos, fruto da paixão pela equipa e do orgulho no sucesso do emblema. É um quadro normal. O mesmo já não direi de quem tem tempo para reflectir e, por vezes, com uma simples frase cria problemas bem maiores por ser mais adepto do que propriamente responsável.
Todos temos tendência para nos esquecemos que os elementos que marcam a diferença  no jogo se encontram dentro do campo. A sua capacidade é determinante para o sucesso da equipa. Como tal a escolha dos jogadores, e a respectivo formação da equipa, é o momento mais importante da época. Este período, entre épocas, é decisivo para o sucesso futuro. A escolha acertada é a chave do sucesso. Veja-se o que sucedeu este defeso com a nossa maior referência dentro das quatro linhas.
Normalmente temos a tendência de não valorizar devidamente o que, apesar de excepcional, se repete com alguma frequência. O estranho é quando Cristiano Ronaldo está algum tempo sem fazer golos. Agora marcou mais um, que não foi simplesmente mais um. Foi o golo 400 marcado nas Ligas inglesa, espanhola e italiana. São muitos golos em três das Ligas mais competitivas do mundo. Parece tão fácil que este facto não teve o relevo que virá a ter dentro de alguns anos. O mesmo se passou com outros grandes jogadores e goleadores, mas a História (também a de Ronaldo) está feita e nunca pode ser desfeita!"

José Couceiro, in A Bola

Esta crónica não é falsa

"As fake news vão destruir a democracia. E daí? Quem se importa? Que partidos políticos estão a colocar na agenda o combate à praga? Afinal, a quem está a dar o seu dinheiro ou a entregar poder sempre que clica, partilha ou comenta uma notícia falsa?

As fake news são como algum vestuário que se compra nas feiras. Às vezes nem se percebe a diferença. E usamos os artigos sem hesitação, indiferentes se estamos a contribuir para um crime de contrafacção.
E, tal como nas feiras, o embuste só se combate com legislação e acções de fiscalização, mesmo que isso signifique colocar a cabeça no cepo de grandes poderes económicos, de grandes líderes mundiais, de grandes potências. É preciso que os governos e a justiça não se acobardem e que façam algo antes que seja tarde demais para todos nós.
Mais uma vez, assistimos a uma epidemia. Desta vez, durante a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, vários empresários pagaram pela circulação de mensagens falsas contra o candidato Fernando Haddad. Facebook e WhatsApp reagiram. Bloquearam e apagaram.
Mas desenganemo-nos. Enquanto as fake news forem um modelo lucrativo para os emissores, mas sobretudo para os distribuidores, vão continuar a invadir as nossas redes sociais. O modelo funciona para políticos, para empresários, para grupos económicos. Não parece claro que haja de facto vontade política para combater a peste.
E também não chegam boas intenções, por muito mérito que tenham. Por cá, elogie-se, ao menos, a intenção de criar um observatório para os média digitais, que incluirá a monitorização de notícias falsas.
Porque, de resto, até os "influencers" digitais estão mais preocupados com "um até amanhã se Deus quiser" ou com o "beijo imposto do neto ao avô". Vai dar cliques e muitos likes. E essa é a verdade que de momento importa."


PS: É sempre engraçado, quando alguém critica aquilo que faz, sem se aperceber que está a fazer isso...!!!

Morder o Diabo enquanto ele esfrega um olho

"Por muita falta de ideias que o Inter manifeste na procura do golo, a serpente que Spalletti pôs dentro da área ‘rossonera’ nunca deixou de estar em modo de ataque. O jogo pode estar quase parado, num marasmo, mas nunca desliga verdadeiramente, pois na frente ‘nerazzurra’ está um predador que mata à primeira tentativa, seja ela mais ou menos preparada. Aquele é o seu território. Mauro Icardi, ponta de lança do Inter, é uma das figuras mais letais à face da terra e comprovou-o no dérbi de domingo, no Meazza, mordendo o Diabo enquanto ele esfrega um olho.
O Diabo, neste caso, acaba por ser mais personificado em Musacchio, enganado no serpentear do assassino ‘rosarino’, mas há também um movimento decisivo de Vecino (autor do cruzamento) a atrair Romagnoli para a linha lateral do campo, quando Candreva levou Rodríguez para uma zona de nenhures. Atenção a este detalhe importante porque foi a troca de posições defensivas no flanco esquerdo do Milan que fez com que Musacchio tivesse ficado em situação mais vulnerável no 1v1 com a serpente, pois Romagnoli deixou de lá estar para preencher a zona do primeiro poste.
A saída de Donnarumma não foi boa, mas a súbita urgência na linha mais recuada do Milan, inclusive de Musacchio, resulta do facto de Romagnoli ter deixado a zona central (1.º poste) para fechar Vecino junto do flanco porque Rodríguez se deslocou para o meio arrastado por Candreva, o médio-direito do Inter.
Embora o momento de organização ofensiva do Inter não me encante, este lance não foi mal gerado. A equipa de Spalletti luta mais do que joga e não me parece que o treinador de Certaldo queira outra coisa. Mas se, pelo menos, não hesitarem em lançar a bola para Icardi, então não está tudo perdido porque o avançado conserta tudo.
Sem Fabián Ruiz, migrado para Nápoles, mas com Lo Celso, outro esquerdino perfumado, trazido por Serra Ferrer, o Betis também encontrou forma de morder o Diabo em Milão, agora na Liga Europa. Admiro o jogo proposto por Quique Setién e tão cedo não me esqueço da construção que culmina no remate esplêndido de Gio Lo Celso. Na ausência de Guardado, foram Canales e William Carvalho a assegurar a condição técnica do meio-campo do emblema heliopolitano ao lado de Lo Celso e o melhor elogio que podemos fazer é mesmo esse: que a forma de estar do Betis em campo fica na memória.
Importa-me mais isso do que saber se ficam em 5.º, 9.º ou 12.º na tabela final. Pode acontecer que fiquem, pode acontecer que não fiquem. Mas sabem entreter, jogam no campo todo contra qualquer oponente e daqui a vários anos vamos lembrar-nos da alegria e da audácia desta malta e de como jogam com mais estilo do que a maioria.
Nesta semana de provas europeias, regista-se também os dois golos de Guerreiro pelo Dortmund ao Atlético, em menos de meia-hora. Continua a ser a melhor opção de Fernando Santos para lateral-esquerdo, desde que se livre dos impedimentos físicos."

Esperanças Olímpicas: o tempo urge. Paris 2024 é já ali

"A menos de dois anos de Tóquio 2020, começa a ficar cada vez mais definido o grupo de atletas e equipas que poderão garantir a sua qualificação para os Jogos Olímpicos. Alguns deles terão também expectativas de participação em 2024 e 2028. Mas não são os únicos.
Milhares de outros jovens têm o sonho de vir a representar Portugal em Jogos Olímpicos. Este é, aliás, o mais comum dos sonhos entre jovens desportistas.
No entanto, nem sempre o processo de treino está orientado para os objectivos dos atletas a longo prazo. Seja por desconhecimento dos treinadores ou por uma suposta necessidade urgente de vitórias, cometem-se erros nos escalões de formação muito limitadores de elevadas performances a longo prazo, sob o ponto de vista físico, técnico, táctico ou psicológico.
Estudos longitudinais são claros nas suas conclusões ao apontarem uma linearidade muito mais frágil do que se poderia supor entre jovens campeões e os que conseguem elevadas performances enquanto adultos. Décadas depois dos primeiros estudos realizados em algumas das principais ligas mundiais que provaram uma maior incidência de atletas nascidos no primeiro semestre do ano de nascimento em relação ao segundo semestre, continua a verificar-se a mesma tendência nos dias de hoje, provando que os inúmeros erros na detecção e orientação de talentos, que privilegiam geralmente o produto em vez do processo independentemente do nível maturacional dos atletas, não foram ainda ultrapassados.
A ausência de uma filosofia e planeamento a longo prazo para os atletas, tendo em conta as etapas do seu desenvolvimento, adaptados às características individuais dos mesmos e apoiados nas diversas áreas científicas, tem levado à perda de inúmeros talentos que se vêem preteridos nas escolhas de quem decide o seu futuro. Escolhas essas muitas vezes centradas no suposto talento excepcional de um ou outro atleta que frequentemente acaba por não se confirmar, pelo facto das características necessárias para o sucesso ao mais alto nível serem tão diferentes das que permitem o sucesso nos primeiros anos de prática.
Porém, felizmente existem exemplos de processos de treino centrados nas reais necessidades de longo prazo dos atletas e menos nas exigências, a curto prazo, de treinadores, dirigentes, clubes, federações ou pais. Onde o projecto desportivo é integrado no projecto de vida de cada um dos atletas. Em que o conhecimento das diferentes áreas científicas é integrado a partir da intervenção de profissionais especializados e posto à disposição das reais demandas dos atletas.
O Comité Olímpico de Portugal lançou o Projecto de Esperanças Olímpicas visando Paris 2024, onde o destaque nas apostas individuais é substituído por um enfoque no desenvolvimento de projectos de grupos de treino em conjunto com as diferentes federações. O objectivo é a melhoria do processo de treino e o aumento da experiência internacional de elevado nível em contexto de treino, onde a cultura de excelência e de trabalho sustentado em bases científicas sejam a prioridade. Procura-se criar uma dinâmica de equipa através de encontros anuais de Esperanças Olímpicas, onde será possível traçar um perfil geral de cada um dos atletas e implementar um plano de formação de treinadores focado em aspectos fulcrais da transição dos escalões de formação para seniores. Tentar-se-á ainda promover a valorização social dos atletas integrados e o apoio da sociedade local aos mesmos, sinalizando os espaços onde estes treinam.
O tempo urge. Paris 2024 é já ali!"

Salvio 250

Conversas à Benfica - episódio 41

Benfiquismo (CMXC)

Sorriso...

Aquecimento... Aniversário, Sr. Shéu, Amesterdão, Jamor...

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Luz...

FC Porto: 'yes'!

"E foi este campeão russo cabeça de série! O melhor Benfica até agora. Sporting, hoje: noite N...

(...)
Benfica. Face ao grau de dificuldade, em casa de Ajax ambicioso, recheado de jovens talentos - por um triz não venceu, com merecia, na visita Bayern... -, o Benfica, quanto a mim, arrancou a sua melhor exibição nesta 1.ª fase de temporada. Tacticamente forte, com personalidade, lúcido e coeso a defender, expedito, rápido, venenoso nos contra-ataques que sistematicamente desferiu. E tinha potenciais fragilidades do melhor onze que pôde alinhar: inexperiente defesa central (Conti); o outro defesa central (Jardel) chegando de 3 semanas em baixa clínica; pilar do meio campo nas acções defensivas (Fejsa) falhando treinos, em dúvida quase até à última hora. Era de temer Benfica muito retraído. Não o foi. Teve força mental, convicção e destreza táctica para abranger todo o campo. Erik ten Hag, treinador do Ajax: «Foi jogo de 50/50. Logo que perdíamos a bola, o Benfica partia sempre para o ataque. As duas equipas poderiam ter marcado».
Na verdade, marcou o Ajax, felicíssimo ao minuto 90+2... Os tais detalhes... decisivos. Fìfia de Conti, num alívio teoricamente facílimo (global actuação de Conti tal não merecia; até evitou golo sobre risco de baliza) e remate que, embatendo em Grimaldo, mudou trajectória e, assim, tramou Odysseas (excelente exibição - mais uma - do guarda-redes que está sendo a grande aquisição benfiquista para esta temporada). Treinador do Ajax disse verdade: oportunidades de golo também o Benfica teve. E também aí se impuseram outros detalhes...; ou como, amiúde, eficácia muito tem a ver com qualidade individual nos segundos de sim ou sopas. Jonas ultrapassaria tal deficiência? Não. A actual condição física nem lhe permitiria gás para o constante alto ritmo deste renhido confronto/muito bom espectáculo.
Apenas 3 pontos na Champions (vitória na Grécia). Mas sejamos justos: este Benfica nadinha tem a ver com aquele que, desfalcadíssimo desde o tiro de partida, somou hecatombes na Champions de há um ano! - e só na 2.ª metade da época atingiu razoável afinação (até nova baixa clínica do crucial Jonas, nas semanas de sprint pelo título nacional). Este Benfica tem apetrechos (Odysseas, Gedson, Gabriel, crescimento de Rúben Dias, ressurreição de Seferovic e de Rafa, miúdo João Félix a caminho) que esse não tinha.
(...)"

Santos Neves, in A Bola

O terreno de jogo

"A 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, disputada no passado fim de semana, veio levantar de novo o problema da qualidade dos campos em que se disputam as provas nacionais.
Recordemos que nessa prova – a segunda mais importante do calendário –, a 1.ª eliminatória é disputada apenas entre equipas do Campeonato de Portugal (CP) e dos Distritais (D), com sorteio aberto; e as duas seguintes têm sorteio condicionado, com as equipas profissionais a jogarem obrigatoriamente fora da primeira vez que entram, as da II Liga na 2.ª eliminatória e as da I Liga na 3.ª eliminatória.
Na sua estreia, das 14 equipas da II Liga (as equipas B não participam), 12 visitaram equipas do campeonato de Portugal (tendo 5 sido eliminadas) e as outras 2 defrontaram equipas dos Distritais; e as 18 equipas da I Liga jogaram nos campos dos Distritais (2) e as restantes (16) do campeonato de Portugal.
Apesar das naturais diferenças de qualidade dos terrenos de jogo – nomeadamente nas dimensões e na existência de alguns sintéticos –, apenas 2 jogos não puderam ser jogados nos campos dos visitados, curiosamente de dois dos chamados grandes: o Sertanense- Benfica teve lugar em Coimbra e o Loures-Sporting em Alverca; em campos dos Distritais jogaram FC Porto (Vila Real) e Guimarães (Valenciano); e dos restantes até foram eliminados o Portimonense (pelo Cova da Piedade) e o Nacional (Lusitano de Vildemoinhos).
Uma pergunta, porventura inoportuna: será que todos aqueles campos estavam em perfeitas condições para receberem as equipas profissionais?
Mas o tema que hoje aqui nos traz diz respeito às dimensões dos relvados onde se disputam os jogos da I e da II Liga que, em nosso entender, deviam ser todos iguais: 105x70 metros (área de 7.350 m2) ou, no mínimo, 105x68 (7.140 m2), uma vez que esta largura está generalizada, não sabemos bem porquê.
De facto, embora estejam dentro das medidas legalmente definidas, todos sabemos que é muito diferente jogar num terreno de 100x64 m (6.400 m2, Aves e Covilhã), com menos 740 m2 de superfície, ou seja, menos 10% do espaço, naturalmente a permitir defender melhor e com menos esforço.
Mas não são apenas esses (dados do Guia Record 2018-19): com menos largura, Portimonense, Feirense, Aves, Covilhã, Paços de Ferreira, Braga B e Mafra (64m), Chaves, Rio Ave, Benfica B e Arouca (65), Académico de Viseu, Famalicão e Penafiel (66); e com menos comprimento, Chaves, Aves e Covilhã (100m), Mafra (101), Feirense e Tondela (102), Portimonense, Famalicão e Farense (103) e Moreirense (104).
Há apenas 5 estádios com as tais medidas padrão (105x70), obedecendo à regra do terço (2/3), tal com as balizas (7,32x2,44, 1/3): Boavista, Santa Clara, Belenenses (o Restelo, que não está a utilizar), Estoril e Académica (o Municipal); e, curiosamente, alguns até excedem o comprimento, Setúbal e Braga B (107m) e Guimarães, Penafiel e Arouca (106), que poderão ser facilmente acertados.
Entendemos que, para as ligas profissionais, não seria difícil, no prazo de dois ou três anos, conseguir a desejada uniformidade: 105/70, no mínimo 105x68 ou, ainda com alguma tolerância, 103x67, correspondente a uma área de 6.901 m2, menos 3,3% daquele mínimo; e com natural exigência para as equipas que subissem de escalão.
Identicamente, para o Campeonato de Portugal e Distritais (por arrastamento concorrentes à Taça de Portugal), Liga Revelação e Juniores, será de exigir um mínimo de 100x64 metros; e, para Juvenis, Iniciados, Veteranos e Femininos, medidas adaptadas, mas com valores tão próximos quanto possível dos aqui preconizados."

Relatórios dos árbitros

"1 -- Qual a origem da presunção de veracidade dos relatórios dos árbitros e delegados aos jogos nos termos previstos na alínea f) do artigo 13.º do Regulamento Disciplinar da Liga?
A presunção de veracidade atribuída a estes documentos visa agilizar os requisitos probatórios em sede de instrução e acusação do processo disciplinar.

2 -- Em que medida a presunção de veracidade não coarta e prejudica os direitos de defesa dos arguidos em processo disciplinar?
Esta questão impele-nos a uma reflexão sobre a sua coexistência com os princípios do ónus da prova e da presunção de inocência.
A força probatória documental dos relatórios não pode – e não deve – ser interpretada como uma verdade absoluta capaz de per si afastar e anular o princípio da inocência, servindo não raras vezes de fundamento à Instrução e Acusação do PD.
Antes deverá ser considerada como mais um meio probatório, sujeito ao princípio da livre apreciação de prova, e do qual o julgador dispõe para formular a sua convicção relativamente à conduta omitida ou praticada. Certo é que, o ónus da prova dos factos constitutivos da infracção incide sobre o titular do poder disciplinar, e deverá ter por referência os deveres regulamentares violados e não apenas o descrito nos relatórios, não devendo o titular do poder disciplinar imiscuir-se na verificação do efectivo preenchimento dos elementos do tipo de ilícito, objectivos e subjectivos, atinentes à conduta alvo de censura.
Tal não sucedendo, não deverá o julgador concluir pela prática da infracção e aplicação da respectiva sanção ao arguido, sustentado apenas na presunção de veracidade dos relatórios, uma vez que também em sede de processo disciplinar vigora o princípio da presunção de inocência e do in dubio pro reo, do qual decorre que, se o julgador não puder formular um juízo de certeza sobre a prática da infracção pelo arguido, terá de decidir de forma favorável a este."

15 momentos !!!

Parabéns...

Benfiquismo (CMLXXXIX)

15 anos...

Lanças... Reacções...

Contas... Dúvidas... Estádios, Ligas, IRS & Antecipações !!!

Vitória...

Benfica 5 - 2 Sp. Tomar

Jogo tranquilo, apesar do 1/4 nas bolas paradas...!!!
Reforços a darem excelentes sinais...
Neste início de época 'manhoso' este terá sido o jogo mais fácil... vamos ver como vão correr as próximas jornadas...

Jogo ao nível de Champions

"Primeira parte invulgarmente vertical e segundo tempo com menor pressão

Qualidades de Champions
1. Primeira parte de alta qualidade, no que se espera de um jogo de Liga dos Campeões. Duas equipas com estruturas tácticas semelhantes, organizadas em 4x3x3, com níveis de confiança e ousadia suficientes para uma vitória. Ajax e Benfica apostaram ambos, e de forma igual, em dois dos principais momentos de jogo: pressão imediata na primeira fase de construção do adversário e ataque rápido. Isto proporcionou 45 minutos de grande nível, com ambas as equipas a procurarem ganhar a bola numa posição alta do campo, num jogo algo atípico, com muito espaço para transições ofensivas.
O jogo na primeira parte foi invulgarmente vertical, muito partido. Resultou num número grande de oportunidades de golo de parte a parte. Primeira parte muito interessante, mas não era de esperar que o Benfica se expusesse tanto ao ataque do Ajax. Mas como ambas as equipas não baixaram muito os blocos, provocou um jogo com muitas situações no último terço. Restava saber como seria o ritmo no segundo tempo, depois de 45 minutos tão frenéticos.

Perda de pressão
2. Segunda parte diferente, sobretudo pela perda de pressão dos quatro jogadores que alinhavam à frente de Fejsa: Salvio, Gedson, Pizzi e Rafa. Com este bloco menos profundo em campo, a pressionar menos, o Ajax passou a atacar de forma mais permanente, num jogo mais em posse. Daí que os holandeses se tenham aproximado duas ou três vezes da baliza do Benfica. Foi por isso que as duas substituições de Rui Vitória foram as entradas de Gabriel e Cervi para os lugares de Pizzi e Rafa, respectivamente, justamente para refrescar aquela zona e ter frescura no meio-campo do Benfica. O treinador teve essa percepção. Passou a ser menos frequente ver o Benfica a chegar à baliza do Ajax, ao invés do que aconteceu na primeira parte.

Golo trouxe injustiça
3. O mau ataque à bola de Germán Conti, que até estava a ser dos mais regulares do Benfica, acabou por fazer a diferença. O golo do Ajax traz injustiça ao resultado e acaba por condicionar a classificação, no que apuramento diz respeito. Destaco a exibição de três jogadores no Benfica: o guarda-redes Vlachodimos, o médio Fejsa e, particularmente, Seferovic, ao nível ofensivo e defensivo. Foi um jogo ao nível do que se pede na Liga dos Campeões.

Fora de campo
4. À entrada para mais uma jornada das competições internacionais de clubes, e apesar do afastamento precoce do Sporting Clube de Braga, deste em especial mas também do Rio Ave Futebol Clube, que caíram na fase preliminar da Liga Europa, o que resta da representação nacional evidencia até ao momento um desempenho que, não sendo brilhante, também não compromete o objectivo perseguido por qualquer um dos três emblemas que ainda sobrevivem.
Os catorze jogos já realizados resultaram num saldo de oito vitórias, duas derrotas e quatro empates; um quadro aparentemente positivo mas que, ainda assim, reduziu de cinco para três os participantes portugueses.
Os jogos a disputar na presente semana afiguram-se, pois, de importância acrescida para que o grande objectivo da passagem à fase a eliminar venha a constituir-se uma realidade dos anos anteriores e melhorando a nossa prestação global que tem estado longe de um passado de relativo sucesso. O desfecho do jogo de hoje, contudo, não deixa antever grande sucesso."

Manuel Machado, in A Bola

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Minuto Ivanovic em Amesterdão

"Estão complicadas as contas do Benfica para o apuramento para a fase a eliminar da Liga dos Campeões. Ontem, na melhor exibição europeia dos encarnados de há pelo menos dois anos a esta parte, a sorte virou as costas à equipa de Rui Vitória, tornando um empate que se ajustava ao labor de portugueses e holandeses, numa vitória da turma da casa, obtido, não no minuto Kelvin, mas, como se tratava da Arena Johan Cruyff, no minuto Ivanovic. No que concerne à passagem aos oitavos de final da Champions, ao Benfica não resta senão vencer o Ajax na Luz, ficando depois agarrado à calculadora; outra opção remete os encarnados para a Liga Europa, que acaba por saber a poucos num grupo que não era da morte. Para além do futuro na UEFA, o Benfica continua a dar sinais por vezes contraditórios, balançando entre a convicção de Rui Vitória no 4x3x3 e um plantel que sugere outra fórmula. E essa continua a ser a questão de fundo, que vale a pena discutir. Deverá, apesar da din^mica permitida pelo 4x3x3, o Benfica, que joga 90 por cento do tempo em ataque continuado, desaproveitar as armas atacantes de que dispõe e que representam uma fatia importante da massa salarial? E  sem a fórmula vigente aquela que melhor poderá vir a potenciar, para além dos quatro pontas de lança, os talentos emergentes que são pelo nome de João Félix e Jota? Rui Vitória, na sua habitual ponderação, certamente encontrará solução para esta equação intrincada...
Hoje, o FC Porto enfrenta em Moscovo uma equipa russa, adversária directa de Portugal no ranking da UEFA. Um triunfo dos dragões seria, pois, duplamente saboroso..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Bahamas

"1. Os adeptos do Benfica que andaram a gozar com o facto de Jair Bolsonoro ter aparecido com uma camisola do FC Porto não se esqueçam que o agora presidiário Lula da Silva já recebeu uma do Benfica, na Luz.
2. É normal que Neymar tenha estado em Peniche a apoiar Gabriel Medina e que goste de surf, uma vez que é praticante. A diferença é que o faz em cima de um relvado e sem ondas. E aguenta menos tempo em pé.
3. Não me esqueço do comportamento sobranceiro e arrogante de Lopetegui enquanto trabalhou no nosso país, como se fosse o melhor treinador do mundo a trabalhar nas Bahamas (último lugar do ranking FIFA). Pois bem, agora parece um treinador das Bahamas no melhor clube do mundo.
4. Os autores do blogues como Mister do Café e Artista do Dia lembraram-se agora que têm famílias e estão com medo? A divulgação dos e-mails não me diz respeito, e nem sequer sou corporativista, mas não esqueço a forma como andaram a atacar tudo e todos, a torto e a direito, por tudo e por nada. Também eu fui vítima numa ocasião, através de uma construção ridícula. Nunca se lembraram das famílias dos outros?
5. As razões por vezes até podem ser legítimas mas os jogos da Taça de Portugal em casa emprestada dos pequenos são como uma Volta a Portugal em bicicleta só por autoestrada.
6. Estou, portanto, de acordo com Pinto da Costa. Ainda na época passada foi muito bonita a festa da Taça do FC Porto em casa do Lusitano de Évora, no Estádio do Restelo, em Lisboa.
7. Juninho, o herói do Loures que marcou o golo ao Sporting, pediu a camisola de Bruno Fernandes mais ficou com a do Petrovic. Lá diz o povo: quem não tem cão, caça com gato.
8. Disse um dia Jair Bolsonoro que se visse dois homens a beijarem-se na rua partia para a violência. E se esses dois homens forem Conor McGregor e Khabib Nurmagomedov?"

Gonçalo Guimarães, in A Bola

PS: A sério Gonçalo?! Agora já existem 'construções ridículas' com os e-mails?!
Já agora o Mister do Café e o Artista do Dia, têm o mesmo autor, não são autores!!!!

Alvorada... do Guerra

Sobre formação e formação sub

"O 'Seixal' tem sido um caminho exemplar de como tudo pode ser planeado, não de um modo onírico, mas de uma maneira estruturada

1. Há pouco mais de uma semana, Luís Filipe Vieira exprimiu o desejo e o objectivo de não só apostar sustentadamente na formação de jovens atletas, como de continuar a criar as condições técnicas, operacionais e logísticas para tal indispensáveis. De facto, a formação é, de uma maneira cada vez mais indiscutível, o melhor e mais sustentado meio para um clube de um pequeno país progredir e afirmar-se sem sobressaltos ou hiatos. O 'Seixal' tem sido um caminho exemplar de como tudo pode ser planeado, não de um modo onírico, mas de uma maneira estruturada, consistente e ambiciosa. Novos projectos e investimentos foram anunciados, assim ficando criadas todas as condições para mais sucesso. Sucesso não apenas desportivo, mas também de formação de jovens no seu desenvolvimento humano e social.
O presidente do SLB anunciou, também, uma maior estabilização nos quadros do Benfica quanto aos talentos das escolas jovens encarnadas. Espero que tal intenção possa ser passada à prática, ainda que reconheça quão difícil é resistir a transferências que continuam a ser um elemento fundamental para a estabilidade económica e financeira do clube.
Hoje mesmo, o Benfica vai defrontar o Ajax de Amesterdão, talvez o clube mundial que, ao longo de diferentes períodos da sua história, melhor personificou a ideia de escola de formação de jovens futebolisticamente brilhantes e profissionalmente retribuídos. É claro que com o advento da Lei Bosman, o clube holandês entrou em períodos de eclipse no escol do futebol europeu, o que, todavia, não o tem impedido de, ciclicamente, ressurgir com o seu futebol alegre, desenvolto, desinibido e simples praticado por quem foi formado para gostar da sua profissão e não apenas a pensar nos rios de dinheiro que cruzam o território do futebol global.
Voltando ao Benfica - e juntando os bons jogadores saídos da formação a um conjunto de contratações bem-sucedidas - imagino o que seria o plantel se houvesse condições para reter os melhores Sem ser exaustivo, e por memória, cito, do lado da formação (total ou parcial), Bernardo Silva, Ederson, Renato Sanches, Gonçalo Guedes, João Cancelo, Hélder Costa, Lindelof, Nelson Semedo, Oblak, André Gomes, André Horta, etc. Do lado das contratações, Di Maria, Rodrigo, Gaitán, David Luiz, Enzo Pérez, Matic, Ramirez, Javi Garcia, Witsel. A todos estes e outros não citados juntam-se agora João Félix, Gedson Fernandes, João Filipe (Jota), Rúben Dias, Heriberto, Alfa Semedo, Ferro, Pedro Amaral e muitos outros. Que notáveis plantéis se poderiam formar com estes jogadores, a que se juntariam craques do actual plantel desde Jonas a Salvio, Rafa a Pizzi, Fejsa a Jardel.

2. Confesso aqui a minha dificuldade para acompanhar a quantidade de sub-competições que se têm espalhado por esta Europa. São os sub-21, os sub-20, os sub-19, os sub-17, os sub qualquer idade. Ora, se bem entendo, estas equipas não são etariamente estanques. Quer dizer, como a palavra sub indica, apenas fica limitada por cima a idade dos jogadores. Assim, um jogador de 17 anos pode fazer parte dos sub-17, como de sub-maiores que 17. Não que ache mal, mas preferiria que houvesse limites de idade, um inferior e outro superior. Percebo que tal limitação poderia atrasar as oportunidades daqueles que mais se distinguem como bons atletas. Mas também seria uma forma de não acelerar demasiado, o percurso e o stress dos miúdos, de os manter com os pés bem assentes no chão, e de mão queimar etapas que, não raro, acabam por ter consequências danosas para o seu futuro.
Quantas vezes, em A Bola, olho para as notícias das competições internacionais de jovens e não consigo sequer fixar, por um minuto que seja, a evolução das nossas selecções. De repente, vejo-me a confundir uma competição com outra de um escalão inferior ou superior. Continuo a preferir a clássica seriação à portuguesa: juniores, juvenis, iniciados e infantis. Lembro-me, ainda menino, de Portugal ter vencido, pela primeira vez, o campeonato europeu de juniores numa final contra a Polónia (1961, vencendo por 4-0), com alguns jogadores de que bem me recordo em excelente carreiras como seniores, como Serafim (autor dos 4 golos), Simões e Peres. Mas lá está, era a selecção de juniores, ponto final e não uma sub-x, de que hoje certamente já não adivinharia qual a idade x...
Talvez a despropósito, associo esta reflexão a uma situação que esta temporada começou no nosso País. Trata-se da coexistência de algumas equipas B a jogar no 2.º ou 3.º escalões com uma outra formação do mesmo clube a jogar na competição chamada Liga Revelação sub-23 (lá estão outra vez os sub...). Dos grandes, o Benfica é o único clube que está nestes dois campeonatos simultaneamente. Pergunto-me se vale a pena. Bem sei que a equipa B não tem limitações de idade, tanto podendo ter jogadores com mais idade, como ser reforçada com atletas que ainda estão no escalão júnior. O que tenho mais dificuldade em compreender é a lógica dos sub-23. Em bom rigor, um sub-23 também pode jogar na equipa B ou nos juniores, embora o contrário não seja tão frequente (será mesmo possível?). Será que a equipa sub-23 é uma espécie de equipa B2 (ou equipa C?)? Haverá assim tanta necessidade de investir nesta última equipa que, pelo que li, tem jogadores que não são portugueses (no último jogo creio que 4 no onze inicial), ao mesmo tempo que há jogadores portugueses contratados, mas emprestados a equipas onde ás vezes até não jogam?
Talvez as minhas dúvidas resultem do meu limitado conhecimento desta nova competição. Mas o certo é que verdadeiramente nunca vi ninguém explicar cabal e directamente o seu interesse

3. Tivemos a Taça de Portugal este fim-de-semana. Nada fora do esperado. Quanto ao meu Benfica acho que foi sério no modo como encarou o jogo e respeitou o Sertanense. A Taça tem uma característica que a forma, futebolisticamente falando, mais democrática: a possibilidade de equipas menos fortes atingirem a final é muito maior do que no campeonato, no qual a vitória se resume aos do costume. Tratando-se de jogos a eliminar, um liliputiano clube pode sonhar derrubar um gigante porque tudo se concentra na sorte e inspiração de uma partida ou de penáltis.
Das até agora 78 Taças disputadas, houve 24 finalistas diferentes (mas apenas 9 clubes vencedores para além do Benfica, Porto e Sporting), embora só por 5 vezes a final tivesse sido sem qualquer um dos grandes.
Neste século e apesar do aprofundamento da diferença entre clubes, duas equipas do 2.º escalão conseguiram ser finalistas embora vencidos: Leixões (em 2002) e Chaves (em 2010). O maior feito deste mesmo século aconteceu no último troféu, em que o Desportivo das Aves, que se salvou à tangente da despromoção, bateu o Sporting na final.
Quanto ao calendário da Taça de Portugal (lembro-me quando se jogava toda se seguida, após o campeonato...) bom seria que se reduzisse o itinerário errático que, ano após ano, faz apelo à memória para nos recordarmos de eliminatórias perdidas no tempo ou de semanas e semanas entre a primeira e a segunda meia-final.

Contraluz
- Trocas I: nos campos da Taça de Portugal
Em boa hora se estabeleceu que na primeira fase desta competição a equipa de escalão superior jogasse no estádio do oponente. O certo é que, de vez em quando, por motivos que admito justifica´veis, se acaba por jogar num campo neutro, às vezes até longe da terra que ansiava por ver um grande clube lá jogar. Foi agora o caso do Benfica em Sertã e do Sporting em Loures. Bom seria que deixasse de haver motivos para estas alterações.
- Trocas II: Já o FC Porto foi mesmo jogar no campo do Vila Real da divisão distrital. E se estou inteiramente de acordo com a declaração do seu presidente («jogar em campo neutro não era uma festa, era apensa um jogo»), não compreendo a veemência com que criticou (implicitamente o SLB e o SCP) por terem jogado num campo de terceiros. É que, se bem me lembro, em 2017, o Lusitano de Évora - FC Porto foi jogado e... Lisboa (Restelo).
- Crise: Nova derrota do Real Madrid
Sem Cristiano Ronaldo e com o esperado fiasco Lopetegui, a equipa quase se tornou vulgaríssima."

Bagão Félix, in A Bola