Últimas indefectivações

sábado, 19 de agosto de 2017

Previsão de uma vida de sucessos

"O Benfica recebe esta noite o Belenenses no Estádio da Luz e o desejo da multidão benfiquista será ver Filipe Augusto entrar em campo o mais cedo possível porque sempre que Rui Vitória lança Filipe Augusto é sinal de que a coisa se resolveu a bem. Na segunda-feira, em Chaves, o nosso Filipe Augusto só entrou aos 90+4 minutos porque o Benfica só conseguiu marcar aos 90+2 minutos e como o árbitro – que, no fim do jogo, até recebeu uma camisola oficial das águias por deferência com a grande penalidade sonegada – concedeu 6 minutos de tempo extra só conseguiram descansar os adeptos do Benfica entre os 90’+4 e os 90’+6. Foi, assim, curto o descanso que nos foi dado no jogo de Trás-os-Montes que nem sequer foi um ‘clássico’. Já o desta noite, sim, é um ‘clássico’ com tudo o que isso implica de imprevisibilidade. Corram, corram. Parece que o Fejsa se lesionou. Mas que grande novidade. Corre, corre, Filipe Augusto.
André Silva estreou-se na quinta-feira em San Siro e marcou dois belos golos deixando os adeptos AC Milan felizes com a categórica apresentação do avançado. Mais contente do que os adeptos do AC Milan – e trata-se de uma plateia exigente – ficou, no entanto, o próprio André Silva. Festejou as proezas com um sorriso largo que não engana. Ficou, assim, aprovada pelos ‘tiffosi’ locais a contratação do jogador português e, melhor ainda, ficou também explicado o sentido da misteriosa frase do director de comunicação do FC Porto – "o melhor ainda está para vir!" – que se referia, como agora se percebe, ao brilhante futuro profissional que inevitavelmente aguarda André Silva depois de ter trocado de patrão. Tomara sobre tantos outros funcionários do futebol português poder vaticinar-se uma vida de êxitos deste quilate a cada mudança de entidade patronal.
Menos de 24 horas depois do encosto ao árbitro de Camp Nou ficou Cristiano Ronaldo a saber que o seu gesto lhe valerá 5 jogos de suspensão. Apreciem como a justiça desportiva espanhola é tão mais célere do que a nossa em matéria de decisões. Esta semana, por cá, houve a decisão do caso do túnel de Alvalade 283 dias depois da rixa tabernal entre os presidentes do Sporting e do Arouca. E até já se pensava que os prazos para a condenação destas inclemências estariam a evoluir para uma aproximação aos ritmos dos patamares disciplinares europeus.
Foi, porém, enganosa a esperança. Enganosa e induzida pelo facto de o castigo a Slimani pela cotovelada em Samaris ter demorado 203 dias a ser conhecido e pelo facto seguinte, tão promissor: o castigo ao mesmo Samaris pelo ‘uppercut’ a Diego Ivo demorou ‘apenas’ 44 dias a ser pronunciado. Deu-se, assim, a entender aos optimistas que estava em curso o progresso. É que de 203 para 44 dias, enfim, é outra aceleração. Agora, com estes 283 dias, voltou tudo a andar para trás. Ou para a frente, como preferirem. Estas conclusões dependem sempre da perspectiva."

Há uma geração rasca no nosso futebol

"Há quem defenda a ideia drástica de erradicar esta gente que tanto usa e abusa de uma espécie de violência doméstica contra o futebol.

Excelente trabalho da redacção de A Bola, contando tudo, ou quase tudo, porque infelizmente, as câmaras que podiam captar o som do que disse o presidente do Sporting ao presidente do Arouca ficaram súbita e surpreendentemente sem som, daquele triste incidente no túnel de Alvalade.
O trabalho, apresentado com rigor ao longo de quatro páginas de abertura do jornal, constituem, por si só, uma das mais importantes e significativas constatações de facto sobre o que bem poderia ser dado como exemplo do lado mais negro de um certo tipo de geração rasca que afunda a credibilidade de dirigentes do futebol português.
O que se ouve nas gravações e que são imputadas ao presidente do Arouca é sintomático de uma atitude de desrespeito e de total desconsideração pelo adversário. O que se apura de actos no acórdão do Conselho de Disciplina, relativos ao presidente do Sporting, vão no mesmo sentido e acrescentam as maiores razões de inquietação. O que depois se pode ler na reacção de Bruno de Carvalho, através do seu famoso facebook, onde se revela uma grosseira e pouco corajosa insinuação que parece ter por alvo o presidente do Conselho de Disciplina é tão lamentável quando significativa da conta que o presidente de um dos três maiores clubes portugueses tem pelos órgãos disciplinares do futebol.
Toda a matéria em que o acórdão disciplinar navega é um charco pestilento, onde impera a ordinarice, a vulgaridade, a afronta.
Não importa avaliar a justiça da pena aplicada a cada um dos principais e tristes protagonistas, porque mais importante é a exposição pública do atraso cultural e civilizacional de quem tem obrigações e deveres públicos pelos cargos que desempenha na liderança de instituições que são seguidas por milhões de cidadãos, muitos deles jovens, em idade de formação e que entendem como exemplo para a vida a ideia de que as diferenças se resolvem pela violência, pela força, pela afronta, pela intolerância, ou pela primária manifestação de uma força animal.
Portanto, a questão essencial não de se saber se as penas aplicadas deveriam ser mais ou menos gravosas. A questão decisiva é a de saber como erradicar este tipo de acções do futebol e que, de facto, são socialmente perigosas. Isto, para evitar falar, pelo melindre que envolve, na visão drástica de quem entende que se devia começar por erradicar todo o tipo de gente que de forma persistente e continuada usa e abusa de uma espécie de violência doméstica contra o futebol português.
Haverá certamente quem defensa que a linguagem do desporto de competição, especialmente nos seus bastidores, é uma linguagem crua, desprovida de preocupações éticas e sociais. Mas não é a mesma coisa a linguagem de cabina, na reserva de uma sala entre um grupo fechado que tem os seus códigos particulares, e a linguagem em zona pública, em especial, preferida por dirigentes máximos de instituições às quais se consagra uma importância e responsabilidade sociais que levam a justificação de benefícios públicos e até certas honrarias de Estado.
Ser presidente, alto dirigente, ou protagonista com grande visibilidade pública num clube de futebol, em Portugal, é uma posição de privilégio. Nem toda a gente está mentalmente preparada para isso. Nem toda a gente percebe que a suposta importância nacional da função não é, de todo, correspondida na realidade. É por isso que dirigentes, jogadores, treinadores, depois de terem conhecido momentos de alta emoção e de verdadeira idolatria popular se deixam cair na mais profunda depressão quando passa o seu tempo e percebem como era efémera e vã essa suposta glória. É que o futebol é, apenas, uma representação da vida.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Vídeo-árbitro só quando dá jeito

"FC Porto joga com o novo sistema a seu bel-prazer.

Talvez por estar embrenhado na leitura dos emails controversos que todas as semanas dá a conhecer no canal televisivo do FC Porto, o director de comunicação azul-e-branco nem se terá apercebido de que no mesmo dia em que o clube punha em causa a verdade da classificação da Liga da temporada passada por ainda não estar oficializado o vídeo-árbitro, ele próprio colocava em questão o referido sistema para atacar a decisão de um golo anulado ao Sp. Braga no jogo contra o Benfica. Seria mais útil e eficaz para a credibilidade do clube um discurso uniforme. Os portistas agradecem, os adversários não teriam motivos, entregues de mão beijada, para escarnecerem.
Também é verdade que outra coisa não seria de esperar quando o ódio se sobrepõe à razão e à falta de senso. E se nas quatro épocas de vitória benfiquista o valor encarnado nunca foi reconhecido e tudo se deveu a "erros de arbitragem" e a "falcatruas", esta época não se poderia esperar outra posição, mesmo com o vídeo-árbitro a funcionar em pleno. E, agora, o debate é saber qual o peso da decisão, se o árbitro nas quatro linhas deve ter preponderância, ou se a palavra final deve caber àqueles que decidem com base nas imagens. E já se preparam mais câmaras e novos ângulos. Tudo bem, mas nem será isso a calar quem pretende arrecadar títulos virtuais."

O saudoso disco rígido

"Jesus nem precisa do disco rígido para saber o que aí vem se a coisa der para o torto.

Talvez por se ter festejado um tanto ou quanto a mais do que teria sido aceitável, à luz do bom senso, o facto de o Sporting ter partido para o sorteio da pré-eliminatória da Liga dos Campeões na condição de cabeça de série – o que, por um conjunto milagroso de circunstâncias, afastou conjuntos como o Liverpool ou o CSKA do caminho dos leões – acabou por ser recebido como decepcionante o empate sem golos com que veio a terminar o jogo de terça-feira, em Alvalade, com o Steaua Bucareste referente à 1.ª mão da tal pré-eliminatória que dará, ou não dará, acesso à ambicionada fase de grupos da prova maior da UEFA. Ambicionada, porém não "obrigatória" como tão bem explicou Jorge Jesus à imprensa. "Obrigatória entre as aspas", disse o treinador, que, mesmo tendo deixado o "disco rígido" do seu computador no Seixal, consegue, ainda assim, ser sempre o mais lúcido dos elementos do staff do futebol sportinguista.
Nesta premente questão europeia – premente porque a questão é dinheiro –, o discurso de Jesus é notoriamente oposto ao discurso do presidente. Bruno de Carvalho diz que é tempo de "o leão mostrar que é o rei da selva" e o treinador diz que só é "entre aspas" que o Sporting tem de se qualificar obrigatoriamente para a selvajaria da Liga dos Campeões, o presidente diz que "o nome" do Sporting não o desobriga de lutar por afastar os romenos e Jesus responde afirmando que os dois emblemas "são do mesmo nível"… Todas estas salutares divergências de opinião serão, normalmente, reduzidas a nada se o Sporting, como se espera, afastar o Steaua e entrar direitinho na Liga milionária.
E, dando razão a Jesus e ao seu optimismo racional, não há motivo para considerar que o 0-0 da 1.ª mão seja, de facto, um mau resultado. Não é, obviamente, um "score" que tenha resolvido a discussão a favor do Sporting – como muita gente inocente tinha como garantido – mas é um resultado mais do que aceitável e até promissor. O Sporting não marcou, é verdade, mas não sofreu nenhum golo, o que lhe dá enorme vantagem se marcar em Bucareste, o que a acontecer não será de todo uma proeza do outro mundo. A bipolaridade dos adeptos – de todos os adeptos de todos os emblemas – é bem mais difícil de contornar do que este nulo de terça-feira. Do triunfalismo perante os acasos que terão ditado um sorteio doce na Europa ao pessimismo destrutivo que passou a imperar consumada que foi a não-goleada prevista, vai um passo, enfim, um passinho de Podence que é, entre todos, o que terá o passo mais curto. Ora isto não é ciência exacta. É um jogo de bola. E Jesus nem precisa do saudoso disco rígido do velho computador do velho emprego para saber o que vem aí se a coisa der para o torto.

O tal Luís Miguel Afonso Fernandes
Eis como o Benfica se tornou num caso de Pizzi-dependência
Foi eleito o melhor jogador da última Liga e ninguém se atreveu a protestar essa eleição porque, de facto, Pizzi foi o melhor jogador da última Liga. Não tem, no entanto, lugar no "onze" de Fernando Santos porque abundarão na selecção nacional centrocampistas capazes de meter a bola à distância e de inventar soluções maravilhosas quando o jogo da equipa emperra. É também notícia pelo seu futebol avesso a picardias e, de tal forma avesso, que não há maneira de ver um cartão amarelo para desgosto e escândalo do comité de decência do nosso futebol onde se abrigam os mais decentes entre os moralizadores do reino. Tem um tique muito próprio que é o de franzir os olhos antes de meter a bola onde quer e uma esquisitice destas devia, no mínimo, ser investigada. No início da semana, em Trás-os-Montes, inventou o lance de que resultaria o golo do triunfo da sua equipa e festejou-o como se não houvesse amanhã. Tudo isto somado e eis como o Benfica se tornou Pizzidependente."

Benfiquismo (DLXV)

Vítor Silva...

Uma Semana do Melhor... Paraíso!

Jogo Limpo... Seara & Guerra

A RTP humilhou os atletas nacionais

"Como só equilibra as audiências com o futebol, a RTP ignorou os Mundiais de Atletismo, enquanto entrega séries e programas aos amigos.

"Foi humilhante" a "ausência da RTP nestes Mundiais", disse ao ‘Record’ o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo. A RTP gasta os nossos milhões em transmissões de bola, mas justificou dizendo que o Mundial era muito caro. Têm uma lata.
Enquanto isso, faz séries fracas ou miseráveis para dar trabalho aos amigos do administrador e do director, insiste em programas sem um pingo de interesse público para pagar a preço de ouro apresentadores inapresentáveis. Funciona em circuito fechado.
O ‘Telejornal’ da RTP1 tem perdido sistematicamente audiência este ano, mais do que os concorrentes no período estival. Já chegou a ter menos de 400 mil espectadores. Não admira que António Costa pressione a Altice para manter a TVI na órbita do governo.
"Love" em baixo: o programa de quadrilhice da TVI, ‘Love on Top’, com concorrentes em biquíni ou de tronco nu, não tem nem um pouco da audiência que os antecessores atraíam desde o ‘Big Brother’. A última edição não chegou aos 250 mil espectadores.
Al Jazeera: a perseguição ao canal de informação baseado no Qatar alargou-se a Israel, que mandou encerrar a delegação no país. Israel untou-se assim às ditaduras do Médio Oriente, como a Arábia Saudita. Mais um ataque à liberdade de expressão.
As séries policiais são um grande êxito das TVs. Agora giram mais em volta da vida pessoal dos protagonistas. ‘Candice Renoir’ (RTP2, AXN) leva vantagem sobre as americanas porque as actrizes não são todas iguais depois do botox e operações à cara.

Tendências
Golpe:
Escutas reveladas pelo ‘Sol’ confirmam o plano global de Sócrates para controlar os media: através dos bancos que controlava (CGD, BCP), do governo, da PT e de empresários pelintras (Vasconcellos), queria dominar, além da RTP, a TVI, a SIC e o ‘Público’, fechar o ‘Sol’ e até despedir o director socratinista do ‘DN’. Era um crime de atentado contra o Estado de direito. Quase um golpe de Estado.

Dentaduras:
Em ritmo acelerado, grandes conglomerados da Internet como a Amazon, o Facebook e o Google lançam-se na compra de direitos de emissão de grandes provas desportivas e na produção de conteúdos televisivos. Este desvio dos conteúdos coloca várias questões, como esta: que conteúdos originais sobram para os generalistas? Concursinhos? Reality chanchadas? Oferta de dentaduras?"

Televisão & Olímpicos equívocos

"Inopinadamente, o Comité Olímpico de Portugal (COP), num comunicado assinado pela chefia, após os resultados obtidos por Nelson Évora e Inês Henriques no Campeonato do Mundo de Atletismo (2017), aproveitou para criticar o "progressivo afastamento do desporto, nas suas mais diversas modalidades, do espaço público televisivo". E, como se este problema não existisse há, pelo menos, vinte anos, a olímpica chefia, em vez de se dirigir à tutela do desporto, completamente a despropósito, pediu à RTP "esclarecimentos" e o "apuramento de responsabilidades".
É claro que “esclarecimentos” e “apuramento de responsabilidades” são de fundamental importância para se perceber o estado em que se encontra uma situação desportiva que permite ocorrências como a da não transmissão pela RTP dos campeonatos do Mundo de Atletismo (2107) onde atletas portugueses até ganharam duas medalhas. Todavia, não se pode aceitar que a questão seja resolvida com um simples “lavar de mãos” através de um pedido à RTP para identificar o responsável e dar as necessárias explicações, por alguém que não tem quaisquer competências sobre a RTP. Até porque, como se sabe, em Portugal, nunca ninguém é responsável por nada nem por coisa nenhuma. Por exemplo, os portugueses, ainda hoje, esperam pelo tradicional Relatório do Chefe da Missão Portuguesa aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016) de maneira a compreenderem como foi possível, com o maior dispêndio de recursos de sempre, acontecerem os mais medíocres resultados desportivos desde os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992). Quer dizer, o que há de sobra no desporto nacional é falta esclarecimentos e apuramento de responsabilidades pelo que, o pedido de esclarecimento e apuramento de responsabilidade da chefia olímpica não passa, à boa portuguesa, de um esforçado exercício de inutilidade, tal como seria também um exercício de inutilidade se a RTP, em 2016, tivesse solicitado ao COP “esclarecimentos” e “apuramento de responsabilidades” relativamente aos fraquíssimos resultados dos portugueses nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016) que a RTP, certamente com lágrimas nos olhos, teve de transmitir.
É bom que se entenda que virar os holofotes da indignação nacional para a RTP só serve para iludir o problema a fim de deixar as verdadeiras causas fora da discussão e, mais uma vez, como já vem acontecendo de há muitos anos a esta parte, acabar tudo por ficar na mesma. Por isso, é necessário ir à verdadeira origem do problema na medida em que a atitude da RTP é, tão só, uma das causas, não sendo sequer a mais importante, do estado lastimoso em que se encontra a organização político-administrativa do desporto nacional. Nesta conformidade, o “rasgar das vestes” do presidente do COP não se coaduna com a indiferença com que o problema tem sido tratado, em especial, durante os últimos cinco anos em que chefiou o COP.
A verdadeira causa pela situação caótica em que o desporto nacional se encontra, da qual resulta o caso RTP, tem a sua origem em 2004-2005 quando, no XV Governo Constitucional, à revelia da generalidade dos agentes desportivos, foi desencadeado um modelo de desenvolvimento do desporto estabelecido protocolarmente entre o COP e o IDP (Instituto do Desporto de Portugal) sob o beneplácito da Secretaria de Estado do Desporto e Juventude que, embora apresentando resultados cada vez mais medíocres no final de cada Ciclo Olímpico, por inércia política, foi sendo prorrogado pelos governos dos diferentes partidos que se foram sucedendo na governação do País. Tratou-se de um modelo de desenvolvimento ultra liberal de características darwinista que, se por um lado, desresponsabilizou o Estado das suas inalienáveis obrigações como, entre outras, a institucionalização de um Subsistema de Alto Rendimento de onde devem resultar as representações nacionais incluindo as Missões Olímpicas, por outro lado, atribuiu ao COP funções que, considerando a lei portuguesa e a Carta Olímpica, ultrapassam a sua vocação e estão muito para além das suas competências e capacidades. Em consequência, foi estabelecida uma desastrosa ruptura com o tradicional paradigma organizacional do Sistema Desportivo português que decorria da institucionalização da Lei 1/90 (Lei de Bases do Sistema Desportivo) aprovada na Assembleia da República por unanimidade dos partidos. A partir de então, na mais completa ausência da tutela estatal, o desporto nacional começou a funcionar em “roda livre” com prejuízos para os portugueses e o País, como agora se verificou, com a falta de comparência da RTP no Campeonato do Mundo de Atletismo (2017).
E agora, só por uma visão pouco ou nada informada, enviesada ou minimalista do fenómeno desportivo se pode, à pressa, atribuir responsabilidades à RTP e, até, subliminarmente, sugerir que a culpa é da Geringonça sem que, no quadro da história recente do desporto nacional, se faça um enquadramento objectivo da situação em causa. Porque, se a falha, em primeira instância, não deve ser atribuída à RTP, quanto à Geringonça, a única coisa que se pode dizer é que ainda não teve coragem para avançar com a prometida Nova Agenda para o Desporto de maneira a alterar este lastimoso estado de coisas.
O que aconteceu foi que, a partir de 2004-2005, as Políticas Públicas, em regime de exclusividade, foram direccionadas para uma lógica ultra liberal com o objectivo de, à custa da subtracção de competências às Federações Desportivas, desencadear um programa de preparação olímpica a fim de criar valor económico e político através da conquista de medalhas olímpicas. O problema é que, ao cabo de três Ciclos Olímpicos, os objectivos falharam completamente pelo que, hoje, o desporto, para além do futebol, como, recentemente, referiu Vítor Serpa, director do jornal “A Bola”, está a funcionar “pelas ruas da amargura”.
Ora, perante este cenário confrangedor, embora a RTP tenha por contrato com o Estado a obrigação de prestar um serviço público, é necessário definir concretamente em que termos é que o deve prestar. Porque, a RTP ao receber por contrato dinheiros públicos está obrigada a respeitar a utilidade dos investimentos que faz. E, para isso, ao contrário de muitas organizações desportivas que não são praticamente controladas e vivem através de processos eleitorais, do ponto de vista democrático, pelo menos duvidosos, a RTP é controlada por um Conselho Geral Independente que é um “órgão de supervisão e fiscalização interna do cumprimento das obrigações de serviço público de rádio e televisão previstas no contrato de concessão celebrado entre a sociedade e o Estado, cabendo-lhe escolher o conselho de administração e respectivo projecto estratégico para a sociedade, bem como definir as linhas orientadoras às quais o mesmo projecto se subordina”. Ora, a este respeito, temos de dizer que gostaríamos muito que, na última revisão dos Estatutos do COP, acontecida em 2016, numa abertura democrática e sadia à sociedade, tivesse sido institucionalizado um órgão semelhante, de modo a que o Movimento Olímpico em Portugal que vive à custa do dinheiro dos portugueses, deixasse de ser gerido em circuito fechado, ao estilo “magister dixit” e sem uma ampla participação efectiva da sociedade portuguesa. Aliás, não seria nada demais na medida em que, até muito recentemente, o COP abria-se à sociedade através da admissão por eleição de membros por cooptação provenientes de diversas origens da sociedade civil. Por exemplo, Francisco Nobre Guedes, uma das mais marcantes personalidades do Movimento Olímpico nacional, em 1957, foi eleito presidente do COP de pois de ter sido cooptado.
Por isso, depois de anos a fio a dormir, ainda mal acordado por dois resultados brilhantes de atletas portugueses num Campeonato do Mundo, reclamar na comunicação social pelo cumprimento de um serviço público que ninguém sabe qual é, revela uma lamentável falta de pensamento estratégico para o desporto nacional. E esta é uma das mais infelizes realidades de um desporto, nas ruas da amargura, a viver à custa das flores produzidas por alguns atletas e treinadores de eleição. Nesta conformidade, a lógica capitalista ultraliberal institucionalizada em 2003-2004, sustentada, em regime de exclusividade, na conquista de medalhas olímpicas, perante os paupérrimos resultados conseguidos nos sucessivos Jogos Olímpicos que se situaram abaixo dos da Coreia do Norte, fazer uma oportunista crítica à RTP, aos olhos da generalidade das pessoas minimamente informadas, não passou de uma medida de diversão. Porque, relativamente ao serviço público por parte da RTP:
(1º) Devido aos sucessivos falhanços olímpicos, do lado da sociedade, não existe suficiente mercado que o sustente;
(2º) Devido à desresponsabilização do Estado, do lado dos governos, não existe a mínima pressão política para o financiar.
Portanto, perante o ingénuo clamor nacional, se existem aspectos úteis que decorrem da ausência da RTP do Campeonato do Mundo de Atletismo (2017) um deles é, certamente, o da RTP ter explicado aos portugueses que, no regime de economia de mercado em que o País vive, ao qual o COP, em 2004-2005, assumiu ser um dos seus “activus”, é o interesse social ou o interesse político que, tal como no futebol, deve sustentar as transmissões de grandes eventos desportivos. Porque, só assim, é garantida a viabilidade económica do projecto através do pagamento directo das pessoas interessadas ou através do suporte financeiro do Estado porque, tal suporte está integrado nas Políticas Públicas em matéria de desporto. O problema é que, desde 2004-2005, o Sistema Desportivo nacional, entre o económico e o social, vive na maior das promiscuidades que lhe corroem a credibilidade sempre que, à pressa, os dirigentes pretendem justificar os desaires de uma situação por eles próprios criada e alimentada.
É claro que a RTP devia ter transmitido o Campeonato do Mundo de Atletismo, contudo, a responsabilidade não é dela por não o ter feito. A responsabilidade é de quem assumiu funções para as quais não tinha nem tem capacidades nem competências e, irresponsavelmente, libertou o Estado de responsabilidades que, no quadro político, económico e social do País, só a ele competem. Em consequência, ao cabo de mais de doze anos de erros, enganos e contradições, parafraseando Oscar Wilde, temos de admitir que os deuses do Olimpo, em 2004-2005, atenderam às preces dos dirigentes porque os queriam castigar. Em conformidade, deram-lhes a alegria das competências e do dinheiro para conquistarem as medalhas olímpicas que, depois, como os deuses já sabiam, os dirigentes não foram capazes de alcançar. E esta é uma das imagens míticas que melhor caracteriza a situação actual do desporto português.
É tempo do governo mudar o rumo aos acontecimentos de modo a, com a máxima urgência, assumir a iniciativa política que ainda lhe resta, a fim de pôr cobro ao regime de funcionamento em roda livre em que o Sistema Desportivo se encontra a viver. Infelizmente, o governo Já não vai a tempo de salvar a Missão Portuguesa aos Jogos Olímpicos de Tóquio (2020) mas ainda vai a tempo de começar a melhorar o Nível Desportivo do País de modo a que possam surgir resultados consolidados na sociedade civil a partir de 2024. Caso contrário, o desporto nacional, para além dos esporádicos resultados desportivos de um ou outro atleta de excepção, vai continuar no mais confrangedor estado de desorientação em que se encontra."

Atletismo via rádio

"O atletismo é uma modalidade televisiva por excelência? É com toda a certeza. O Mundial é uma competição importante? Não há qualquer dúvida. Seria relevante o canal público ter assegurado os direitos de transmissão televisiva? Claro que sim. Podem dizer que estas perguntas e respostas são relativamente fáceis. Mas, na verdade, nada disto se passou durante o mundial. Valeu-nos as intervenções diárias e em directo da Antena 1. Atletismo via rádio ainda é uma tradição.
Os portugueses ficaram privados de ver em directo o salto de Nelson Évora e três dias depois a medalha de ouro e o recorde do mundo de Inês Henriques nos 50 km marcha. Como diz o povo: Acham isto normal? O que está em causa é a ligeireza com que a RTP abordou a questão. Só quando foi pressionada pelas declarações de Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), que considerou "humilhante" a ausência da RTP na transmissão dos campeonatos, é que a estação pública acordou para a realidade. Certamente não estava à espera do telefonema de conforto do Ministro da Educação para com o líder da FPA. Só nessa altura sentiu necessidade de emitir um comunicado, defendendo-se dos custos serem incomportáveis.
Ao certo não se sabe quais os valores que estão em causa. Fala-se que a federação internacional (IAAF) terá pedido cerca de 500 mil euros pelo pacote-base dos mundiais até 2030, números que, entretanto, não foram desmentidos. Ainda não sei o que a RTP vai fazer com os mundiais de canoagem e judo, mas tenho para comigo que o melhor era pedir junto da IAAF os valores certos..."


PS: Independentemente de tudo o resto, não se deve ignorar que a Eurosport, faz parte do grupo Eurovisão, do qual a RTP é um dos parceiros...!!! Se calhar, se a Eurosport tivesse disponível no TDT o 'problema' ficaria resolvido...!!! Mas colocar mais canais no TDT é outra 'novela'!!!

Sabor redobrado em Chaves

"Adeptos do Sporting não têm razão para estar deprimidos com o empate frente ao Steaua, pois o resultado foi bem melhor que a exibição.

O Sporting beneficiou de um salvífico penalty para não perder pontos, em casa, frente ao Setúbal, o FC Porto arriscou em Tondela ter um dissabor nos minutos finais que lhe poderia ter custado dois pontos, e, por fim, o Benfica desperdiçou oportunidades durante 90 minutos, para ir descobrir a luz do túnel da vitória já no tempo de compensação, dando mais sabor aos três pontos da difícil deslocação a Chaves.
Será isto o anunciar de um campeonato onde se vão perder muitos pontos? Não creio. Penso mesmo que qualquer um dos três maiores emblemas irá perder poucos pontos, não me surpreendia se pela primeira vez na história do nosso futebol houvesse três equipas perto ou acima dos 80 pontos nas contas finais. Isto dito redobra o sabor dos três pontos de Trás-os-Montes. O Chaves tem valor e não será fácil lá vencer, mas sobretudo porque o Benfica não merecia perder pontos num jogo em que foi quase sempre superior. Como a justiça em futebol é muito relativa, vencer nesta face é determinante. O Benfica cumpriu em Chaves e tem de cumprir já amanhã, em casa, frente ao Belenenses. Tem de ser encarada com igual seriedade e ambição reforçada a batalha de amanhã, contra uma equipa moralizada pela sua vitória e historicamente difícil. Seria muito bom chegar sem mácula (e um título) à paragem do final do mês.
Os adeptos leoninos deprimiram com o resultado frente ao Steaua, mas não têm razão para isso, pois o resultado é positivo e bem melhor que a exibição. Estou convicto de que o Sporting estará na próxima fase da Champions, até pelas limitações do seu adversário, com a mesma certeza de que se não jogar mais será bombo da festa na fase de grupos.
Faltam 13 dias para o fecho do mercado. São intermináveis para adeptos e treinadores. Os adeptos não manipulados, quase sempre porque querem, acreditam nas suas verdades da forma que lhes é apresentada pelos seus ministros de informação porque gostam. Como nos ensinava um grande escritor inglês, quando insistimos em ver pelos olhos de outros estamos sempre mais perto da mentira que da verdade. Também no futebol cada um escolhe os seus Mohammed Al-Sahaf, na esperança de que no fim, os seus Iraques vão mesmo ganhar a guerra.
Por mim, basta-me, por agora, ganhar amanhã ao Belenenses e ver chegar mais um bom guarda redes."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

'Dura lex sed lex' é a via a seguir

"Nas páginas dois, três, quatro e cinco deste edição de A Bola é recordado o incidente em que se envolveram os presidentes do Sporting e do Arouca, punido com mão pesada pelo Conselho de Disciplina da FPF. Da leitura dos factos resulta alguma perplexidade perante a atitude agressiva e descompensada dos dirigentes, que deveriam ser exemplo de urbanidade e não de primarismo. Este caminho, por mais que agrade às franjas radicais que gravitam em torno dos poderes, nunca será interessante para os clubes, para aquilo que representam, para a história e as responsabilidades que os acompanham.
É tempo de ser colocado ponto final nos discursos beligerantes, sem sentido à luz do que se espera numa sociedade democrática e tolerante em pleno século XXI. Porque para nos afligir já estão demasiado presentes outros temas, da escassa fiabilidade e reduzido discernimento do líder da maior potência mundial, à sanha terrorista que continua a assolar a Europa, como ainda aconteceu nas Ramblas de Barcelona.
O desporto, os clubes que se organizam para a sua prática e para a realização de espectáculos públicos, não podem ser motivo de confronto, ódio e discórdia, não é essa a natureza que lhes subjaz. E quando as coisas descambam, como é público e notório que tem acontecido, nos últimos tempos, em Portugal, há que tomar medidas, fazendo com que os discursos incendiários sejam punidos de acordo com aquilo que está previsto nos regulamentos. E a justificação pode olhar a cores: azuis, verdes, encarnados ou outros devem saber que a dura lex sed lex está em vigor no futebol nacional."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: O Delgado podia ter perfeitamente acrescentado a esta crónica, algo que o artigo d'A Bola demonstra com clareza:
- a punição do presidente do Sporting, só não foi mais 'dura', porque as câmaras de videovigilância, que têm microfones incorporados 'avariaram'!!! Sim, só a câmara, que estava perto do balneário do Arouca, e que captou algumas das palavras do presidente do Arouca...!!! As outras, aquelas que podiam captar as palavras do Babalu, 'avariaram'... e assim o CD da FPF não pode avaliar a sua gravidade!!!
É este tipo de 'estratagemas', que faz do Babalu e dos seus 'Tarecos', nojentos e perigosos...!!!

Legais

"Sorte? 21 remates, uma fez oportunidades de golo, centrais metamorfoseados em Baresis... E dizem eles que fomos bafejados pela sorte em Chaves porque, perante uma excelente equipa, procurámos a vitória incessantemente, dominámos a partida especialmente na segunda parte e apenas conseguimos ganhar com um golo no tempo adicional, como se esse tempo não fizesse parte do jogo. Sorte é ter um Pizzi com visão de jogo extraordinária e rara habilidade para passar a bola em profundidade, um Rafa que seria titular indiscutível em qualquer outra equipa do campeonato e um Seferovic, contratado a 'custo zero', que chegou, tem marcado e vencerá.
Mudando de assunto, quero dizer, aos nossos consócios com as quotas em dia e detentores de Red Pass no piso 0 dos topos sul e norte do Estádio da Luz, que não são ilegais. Era só o que faltava que alguém vos pudesse obrigar a constituírem-se em associação de adeptos organizados.
O ponto 3 do artigo 46.º da Constituição da República Portuguesa é claríssimo: 'Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação nem coagido por qualquer meio a permanecer nela'.
Será que, à semelhança do que acontece noutros clubes, não poderiam encontrar 30 ou 40 pessoas que não se importassem de 'dar o nome' e, assim constituírem uma 'claque'? Eu não o faria! Bem à portuguesa, tornar-se-iam 'legais', mas contornando a lei, que é o que tem sido feito desde que esta entrou em vigor.
A mesma que especifica que 'é expressamente proibido o apoio (...) a grupos organizados de adeptos que adoptem sinais, símbolos e expressões que incitem à violência, ao racismo e à xenofobia (...)'. Chapecoense, Eusébio, SLB, SLB... Portugal é um país de faz-de-conta..."

João Tomaz, in O Benfica

Pequeninos

"Quem anda pelas redes sociais tem de aturar muita estupidez. Além das frases feitas dos escritores motivacionais e das orações para converter ateus, por vezes temos também de ler posts e comentários de portistas e sportinguistas. E aquilo que poderia ser uma bela forma de dar gargalhadas começa a tornar-se um caso patológico de cegueira. Vem isto a propósito das reacções às exibições do SL Benfica nos primeiros jogos a sério.
Li de tudo após as vitórias de Glorioso. Uns refugiaram-se no videoárbitro e até usaram imagens manipuladas para tentar vender o peixe de que o Tetracampeão tinha sido beneficiado. Outros fizeram piadas com a consistência defensiva da nossa equipa de futebol. Coitados, chega a dar pena ver o estado de desespero e que chegaram. Afinal, estamos a falar de adeptos que ou já se esqueceram do que é ganhar ou continuam agarrados a um passado recente de conquistas mais do que duvidosas. Com a cobertura de órgãos de comunicação que não sabem distinguir uma notícia de um post de Facebook, os mensageiros da desgraça estão preparados para uma época de guerrilha de baixo nível. Nada a que não estejamos já habituados.
É por isto que é tão importante estarmos unidos. Ganhámos o Tri com os defesas que entraram em campo na primeira jornada deste ano. Além do tridente atacante Brasil-México-Grécia, temos agora um internacional da Suíça que nos enche as medidas. Continuamos a ter uma média de golos que assusta a concorrência. E, no meio-campo, Pizzi e Fejsa são donos e senhores. Meus amigos, não somos nós quem tem de estar preocupado. São eles, os outros, os derrotados à partida devido à sua pequenez."

Ricardo Santos, in O Benfica

A impunidade

"Como eu previra, a onda de mentiras e de falsas imputações ao Sport Lisboa e Benfica continua. Os directores de Comunicação do FC Porto e do Sporting não têm parado na sua cruzada anti-Benfica. Tudo tem valido para pôr em causa o bom-nome do maior clube português, a honorabilidade dos seus dirigentes, o profissionalismo dos seus futebolistas e até a dedicação dos seus sócios e adeptos.
Os directores de Comunicação dos nossos clubes rivais foram duramente castigados pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). No caso do director portista, cometeu quatro infracções graves - lesão da honra de um árbitro, lesão da honra da arbitragem em geral e, por duas vezes, lesou a honra de um órgão da estrutura desportiva. Apanhou 76 dias de suspensão e teve de pagar uma multa de 4743 euros. O seu homólogo do Sporting também foi penalizado por ter infringido o Regulamento Disciplinar da Liga de Clubes.
Apesar dos castigos, assistimos, quase diariamente, às suas investidas caluniosas e concertadas. Todos nos questionamos como é possível que continuem a poluir o futebol português? Só pode haver uma explicação para semelhante impunidade - a total falta de respeito pelas entidades oficiais.
A Liga de Clubes e a FPF têm de pôr cobro a isto, sob pena de o crime compensar. O mais extraordinário é que estes dois dirigentes têm programas semanais nos seus canais de TV de clube e é nesse palco que lançam os ataques mais torpes e de baixo nível.
O presidente da Federação já avisou que vai tomar medidas. Infelizmente, a Liga de Clubes assiste a todo este clima de impunidade e nada faz."

Luís Fialho, in O Benfica

" - Quem se meter com o Benfica, leva!"

"Aqui há tempos desencadeei uma tempestade mediática na esfera pública, porque, com as consequências de que disponho em matérias da comunicação - e sendo-me remida a jactância... - considerei dever desancar o trabalho de um realizador de futebol na Televisão na transmissão do Serviço Público, por ocasião da Supertaça de 2015.
Não nos bastando as constantes diabrites e aleivosias de que éramos alvo nos canais da empresa de TV desportiva e nos generalistas de Carnaxide e de Queluz de Baixo, aquela estação, com especiais responsabilidades na aplicação dos critérios de equidade essenciais à produção de informação, já então se 'descuidava' mais do que o bom senso aconselharia, em tudo quanto se relacionava com notícias, comentários ou reportagens sobre o Benfica.
Em todo o caso, na altura, foram muito mais os apoios que recebi nas redes sociais do que as expressões de apresada solidariedade que também vi serem prestadas às qualidades profissionais e deontológicas desse meu colega de profissão...
Ora agora, por razões completamente diferentes da natureza técnica dos reiterados erros que então critiquei relativamente àquela transmissão, o mesmo profissional voltou a espalhar-se na execução das suas decantadas competências, com a enviesada leitura que, afinal, parece que costuma fazer - à frente de uma equipa de basbaques profissionais da treta - daquilo que, na realidade, deveria constituir a transmissão realista e eficaz de um jogo de futebol.
É importante que esse rapaz (e os que o acompanham na função) tenha(m) a noção de que a selecção das imagens que chegam a casa do espectador representa, em cada 25 avos do segundo, uma escolha definitiva, inexorável e sem remissão do que, lá no fundo, o mediador considerará como essencial transmitir ao seu público: se for circo, as imagens têm de ser de circo; se se trata de futebol, só o futebol interessa ao espectador.
O que aqui vai, para o realizador mal-realizado e para todos os bufões que desvirtuam as profissões da Comunicação e do Jornalismo, é que, neste tribuna do Jornal O Benfica, não deixaremos de nos manter atentos aos ataques que, seja de que forma ou proveniência for, esses persistam em endereçar de modo mais ou menos evidente, aos nossos atletas, aos nossos técnicos, aos nossos dirigentes ou, como desta vez foi o caso, aos nossos Sócios e Adeptos. Já estou como o outro: '- Quem se meter como o Benfica, leva!' "

José Nuno Martins, in O Benfica

(Des)valorizar

"Jogar num estádio repleto de espectadores, mesmo que a esmagadora maioria sejam adeptos da equipa adversária, sentir esse ambiente fantástico, efectuar um desarme, sair com a bola, lançar um colega, sentir todas essas emoções é algo de fantástico, único e sendo, a primeira vez, inesquecível. Valorizar esta experiência faz parte do processo de crescimento de um jovem jogador, como de uma equipa. Não é mais um jogo, é um jogo marcante de uma vida. Muitos só têm essa vivência ao fim de vários anos de carreira.
Quem, pelo contrário, nunca teve essa oportunidade, nem tão pouco compreende esse momento, não consegue valorizá-lo e entender o que esse jogador vive antes, durante e pós jogo. Algumas análises são tão descabidas, para mais de quem se pensa entendido no fenómeno futebolístico, que reflectem bem o nível de conhecimento do jogo que não têm. Portugal vive uma clubite exacerbada que demonstra a falta de cultura desportiva existente. Tem que se dizer o que politicamente parece correcto para os adeptos dos três maiores clubes de futebol. Os departamentos de comunicação têm cada vez mais influência na análise do jogo e no agendamento dos temas.
Nesta altura, em que se promovem alterações significativas no processo de arbitragem, com a introdução do VAR, estamos num processo, como disse na semana passada, que pode levar a uma descredibilização desnecessária. Mesmo que pontual. Os benefícios do VAR são evidentes. Mas torna-se fundamental proteger os árbitros para credibilizar o sistema. Repare-se na contestação na Bélgica, que se baseia em possíveis omissões. Porque não pensar numa solução em que quem está no campo não seja VAR e vice-versa?! Não é ma inovação. Existe. A omissão não seria do árbitro que vai estar a arbitrar no dia seguinte. Estaria muito mais protegido. O objectivo será sempre criar condições para o sucesso do VAR e da verdade desportiva. (Des)valorizar o erro não é solução."

José Couceiro, in A Bola

Alvorada... no Pragal

Benfiquismo (DLXIV)

Benfiquismo guerreiro...!!!
Fernando Caiado

Aquecimento... Vamos a eles!!!

A lentidão do vídeo, no golo e no Bruno

"Sessenta anos depois do lançamento da vetusta RTP, o futebol chegou à era do vídeo. Temos o vídeo-árbitro, que ainda falha mais do que a RTP, nas suas primeiras décadas – tipo, pedimos desculpa pela interrupção, a emoção e a justiça seguem dentro de momentos –, e chegou agora, nove meses depois dos factos, o vídeo-lóbi. Graças ao vídeo-lóbi, Bruno de Carvalho tem seis meses de castigo para cumprir. A vítima do seu fumo, bacteriologicamente puro, Carlos Pinho, pode continuar a pagar a artificialidade do Arouca ter futebol profissional, mas fica suspenso de todas as outras funções desportivas, durante vinte meses.
Tanto o vídeo-árbitro, como o vídeo-lóbi funcionam mal. Ambos surgem atrasados face ao momento em que devem operar. No caso do vídeo-árbitro, já assistimos a golos que deviam ser validados e não o foram, e a golos que não tinham qualquer dúvida de legalidade, onde a emoção teve de ser contida, enquanto o personagem da arbitragem de campo fazia um rectângulo no ar e, com essa espera, ditava a chegada do sexo tântrico ao futebol.
A bancada quer explodir? O golo é um orgasmo, como dizia o grande Fernando Gomes? Esperem mais um bocado. Desde quando o árbitro não pode anular um golo, por factos de que teve conhecimento superveniente, depois de apitar convicto para o centro? Por que não integra o vídeo-árbitro, na decisão de validação do golo acabado de sair das gargantas, esse papel avalizador, antes desempenhado apenas por qualquer árbitro auxiliar? Os árbitros de campo estão a fazer uma resistência passiva ao vídeo-árbitro, e, de caminho, matam a emoção das bancadas, para não serem contrariados à frente de tanta gente. Volto ao apelo que já fiz nestas páginas: olhemos para os desportos colectivos que já têm este sistema há mais de uma década. Não se pode matar a essência do jogo. A explosão da emoção do golo não pode, como tem sido, regra geral, estrangulada. Se, depois, houver algo a corrigir, que o olho humano não tenha querido ou podido ver, a bola regressa ao local da falta. Simples, como sempre foi. Não podemos trazer para o futebol a angústia do ponta-de-lança depois de colar a bola às redes.
Voltemos ao lóbi-árbitro, mais de nove meses depois dos factos, a justiça desportiva chegou a uma conclusão: culpados. Os dois presidentes dos corredores de Alvalade podem agora recorrer, mas a pena começa já a correr. Era suposto toda a justiça ser célere. Esperar o tempo de gestação de um bebé, para exarar um despacho, mesmo não sendo um aborto jurídico, é tempo de mais. Vídeo-árbitro e lóbi-árbitro precisam de acertar passo com a modernidade e com os interesses do desporto que deveriam servir. Mantenhamos a esperança – hão-de servir.

Nota final: Ver Bruno de Carvalho fora do banco é muito menos grave para os interesses do Sporting do que manter Piccini como defesa-direito."

Árbitro no Sporting e Real Madrid

"Revelo aqui o meu registo de interesses futebolísticos. Quando era mais novo gostava do Benfica e do Eusébio, jogador único. Actualmente não tenho preferência de clube, sigo o campeonato nacional à distância. O meu clube é a selecção nacional. Vi o final do jogo Sporting- Setúbal, depois de ter visto um excepcional jogo da Premier League, Arsenal-Leicester terminou 4-3 a favor do Arsenal. Um jogo fabuloso de emoção e de bem jogado.
O penálti em que Bas Dost foi derrubado dentro da área, já perto do final do jogo, nunca pode ser considerado falta. É um lance em que o defesa mal toca no jogador. O árbitro Bruno Paixão errou clamorosamente. Porque não interveio o VAR? A tecnologia serve para ajudar nestas situações. É por isso, que não aprecio, o campeonato nacional, os grandes clubes são sempre beneficiados. O pior é quando jogam entre si!
Simpatizo com o Sporting e a sua maravilhosa massa associativa, mas não aceito invenções e roubos de bradar aos céus.

No domingo vi o jogo Barcelona - Real Madrid. Um jogo excepcional em que se observa que o Real Madrid é superior a todos os outros. Aliás na final da Supertaça europeia, a superioridade do Real Madrid sobre o Manchester United não foi tão evidente como contra o Barcelona, ainda por cima em Nou Camp.
A síndrome Neymar, ainda paira no ar e, o Barcelona continua deprimido e ferido no seu orgulho. A ideia que tenho é que o Real Madrid não precisa de contratar mais jogadores. O segredo é a gestão do plantel e dar minutos a todos. Zidane ex-jogador consegue interpretar muitíssimo bem o sentir dos jogadores.
A maior contratação do Real Madrid é a renovação de Zidane, sendo uma aposta na estabilidade e continuidade. Zidane chegou a 4 de Fevereiro de 2016, como provisório e remendo e tornou-se indispensável tendo em conta os êxitos conseguidos. Zidane renovou por três anos e de lenda como jogador vai a caminho de lenda como treinador.
O golo espectacular de Ronaldo é sublime e mostra que é capaz de tudo, até ser expulso. O de Asensio é fantástico, mas quem sentencia o jogo é Ronaldo. Desta vez o árbitro, Ricardo De Burgos Bengoetxea prejudicou o Real Madrid (muitas vezes é favorecido). Ronaldo foi mal expulso mas escusava de dar um pequeno toque no árbitro. Não entendo porque se mostra um amarelo por se festejar um golo. É sempre um momento esfuziante de alegria, desde que não se seja incorrecto os árbitros deveriam ser mais permissivos. A simulação de Luís Suárez que deu em penalty é que merecia um cartão amarelo.
O Real Madrid venceu 3-1 o Barcelona, e na volta, 2-0; indo a caminho de fazer história, de novo, esta época."

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Contas... Desfeitas... Dinheiros!

Jornal... 1.ª página!

EliDeus100

Alvorada... Malucos por todo o lado!!!

NetPress... Suspensões

Benfiquismo (DLXIII)

Bucareste

Tempo Corrido... com António Figueiredo

Lanças... Mentiras & afins...

Ouro, besouro e tesouro

"Acho que a defesa está a melhorar na sua eficácia e Seferovic é mesmo um caso de um jogador que parece estar no clube já há alguns anos.

Inês Henriques - Ouro
É gostosamente imperativo (passe o quase paradoxo) que comece esta crónica por Inês Henriques, medalha de ouro na novel prova de 50 Km marcha feminina nos Campeonatos do Mundo e nova recordista planetária. Uma saborosa vitória numa competição duríssima e que só pode ser alcançada com estoicismo, resistência física e psicológica, determinação e muito, muito trabalho e sacrifício na prova e nos treinos. Este feito é ainda mais assinalável (a Bola fê-lo ontem e anteontem como justamente se impunha, não só na capa, como em reportagens) num tempo em que somos submetidos diariamente no totalitário futebol.
Façanha inédita de uma portuguesa que, aos 37 anos de idade, atinge o patamar mais elevado, sem deslumbramentos e sem exibicionismos tontos («Seria impensável vir na capa dos jornais» disse a atleta na chegada a Lisboa).
Atafulhados pelo futebol jogado, mas sobretudo pelo que à sua volta se consome entre gritarias, desvarios e, não raro, pouca-vergonha, é refrescante para a mente e reconfortante para o espírito ver Inês Henriques levantar bem alto o orgulho de sermos portugueses.
Além de um desporto belíssimo, o atletismo é o que dá mais sucessos à lusa pátria. Nos Jogos Olímpicos, nos Mundiais ao ar livre ou pista coberta, nos Europeus, nas taças europeias de corta-mato, temos um extenso rol de atletas exemplares e vencedores. Não há outro desporto com tal produção de medalhados e medalhadas. Não há bandeiras nas janelas por causa destas atletas, nem programas de horas a fio a falar dos seus feitos. Prefere-se uma palermice de um qualquer craque ao enaltecimento do trabalho árduo e da persistência silenciosa de nobres atletas.
Estes acontecimentos despertam-nos para a ideia de que, afinal, sempre há desporto para além do futebol.
Já nesta coluna o disse, mas repito-o. Lamento a ausência de uma televisão portuguesa, em particular da pública, nos Mundiais de atletismo, aqui ao lado, em Londres. Creio que, de há tempos para cá, é a primeira vez que tal sucede. Desta vez, nem sequer foi em longínquas paragens. Mais um contraste com o futebol que tudo engole em orçamentos, custos e publicidade. É decepcionante. Fosse um treino da selecção de futebol e teríamos directos da Cochinchina e jogadores em conferências de imprensa a debitar banalidades.
Já agora, um pormenor: Portugal com 2 medalhas (ouro e bronze) derrotou a Espanha que saiu de Londres como entrou...
Por fim, assinalo a circunstância da escalabitana Inês Henriques ser atleta do Clube de Natação de Rio Maior. Não é do Benfica, não é do Sporting ou de ouro clube e nem sequer entrou na guerra passada para o atletismo de transferências que procuram replicar expressões doentias de aparente rivalidade.
Parabéns, Inês Henriques. E obrigado.

O besouro de uma liga videoformatada
Está concluída a 2.ª jornada do Campeonato. Primeiro facto a registar: para os 16 jogos efectuados foram precisos 10 (!) dias, em estilo gota-a-gota que retira sabor à competição (isso mesmo, competição). Bem sei que há jogos europeus e que a imposição televisiva tudo comanda, mas que diabo, esta salamização das jornadas não será excessiva?
Entretanto, parece que, no nosso futebol, vem ái um novo dialecto: o videoquês. Quer dizer, um linguajar tecnovirtual para todos os gostos e momentos, à escolha de cada um. Sobretudo para aqueles que querem erradicar (uso este verbo literalmente) a naturalidade do erro humano, ainda que o seja por milímetros ou não permitindo sequer margem para dúvidas. Devo começar por dizer que, para mim, o videoárbitro (VAR) tem sido positivo nestas primeiras provas. Desde logo, na parte menos visível, mas mais importante, qual seja a da prevenção inculcada na consciência dos jogadores de que agora há mais olhos (humanos e tecnológicos) a olhar para eles, e traduzida em menos faltas graves ou faltas (farsas) cavadas. Mas também na reposição da verdade indiscutível face a erros dos árbitros de campo (é o caso do golo mal anulado do Porto na 1.ª jornada).
Estas duas semanas também serviram para nos serem dadas mais informações sobre o VAR. Aliás, bom seria que fosse pública toda a regulamentação e funcionamento do VAR, até para que os comentadores de serviço (incluindo ex-árbitros) opinassem com cabal e completo conhecimento deste complementar meio de arbitragem.
Percebi agora que o VAR só deverá intervir em casos de erros grosseiros (ou claros) que não ofereçam quaisquer dúvidas e que violem nitidamente a verdade desportiva. Ou seja, aqueles casos situados na margem da incerteza ou na aceitável interpretação do árbitro principal não deverão ser intervencionados pelo VAR. Parece-me defensável este modo de agir, numa boa tentativa de encontrar a melhor síntese entre a interferência e a fluidez do jogo jogado.
Assim sendo, acho que foi compreensível por exemplo, no Benfica-Braga sancionar a invalidação de um remate do Braga (o fora-de-jogo ou não é uma questão milimétrica) e a não marcação de penálti sobre Jardel (ainda que a sua marcação fosse mais correcta). Já no Sporting-Vitória,a grande penalidade que ofereceu o triunfo aos leões, claramente forçada, está na fímbria da intervenção do VAR. Mas, neste caso, não se levantaram os clamores e as trombetas caso se tratasse de um alegado benefício ao Benfica. No penálti (indiscutível) de Tiba do Chaves sobre Jonas, para que servem tantas câmaras para o VAR) Estavam a dormir?
Creio que, mais do que nos fora-de-jogo que são fundamentalmente uma questão métrica, a principal dificuldade do VAR estará nas faltas merecedoras de grande penalidade, em função das sempre invocadas intensidade e intencionalidade.

A normalidade na luta pelo tesouro da Champions
Terminou a segunda jornada. Na frente, tudo normal, com a boa intromissão do tranquilo Rio Ave. Segundo A Bola de ontem, a circunstância de os 3 grandes fazerem o pleno nas duas debutantes jornadas já não acontecia há 23 anos! Todavia, sofreram para ganhar por um minguado 1-0. Mas, em qualquer dos casos, merecido. O Sporting parece não se ter libertado do fantasma de Alvalade apesar do apoio de um estádio quase repleto. O Porto, que verdadeiramente ainda não teve um teste difícil quer na Liga, quer na pré-época, venceu com um futebol algo baço. Por fim, o Benfica falhou mutos golos, mas jogou com a habitual coesão e ligação diante de um Chaves que será muito difícil de bater no seu reduto. Acho que a defesa está a melhorar na sua eficácia e Seferovic é mesmo um caso de um jogador que parece estar no clube já há alguns anos. Estão empatadas as 3 equipas, mas os jogos do Benfica, foram contra equipas, em teoria, bem mais difíceis.

Contraluz
- Palavra: Prélio.
Em desuso no futebol, significando luta, disputa ou competição (do latim proeliu). Uma alternativa semântica à palavra jogo, depois de esgotadas outros substantivos, tais como encontro, partida, embate ou disputa, umas mais bélicas, outras menos (de facto, um jogo pode ser uma batalha, sobretudo quando se alcandora o adversário à categoria de inimigo).
- Número: 24.
Golos nos jogos dos principais candidatos da Liga inglesa (Man. United, Man. City, Chelsea, Arsenal e Liverpool). Por cá, nos dos três grandes apenas 3 golos. Viva o futebol com golos!
- Lição: «O que eu fiz hoje foi muito duro, mas o que a minha mãe faz todos os dias é muito mais duro»
(depoimento tão belo quanto expressivo de Inês Henriques, em entrevista ao Público, após a medalha de ouro).
- Preferências: (minhas claras)
Arsenal na Inglaterra, Bayern na Alemanha, Barcelona em Espanha, Roma em Itália, Ajax na Holanda. Tudo vermelho ou perto disso..."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

AA34

"Ontem saí de casa mais cedo e fui à pastelaria em frente beber um café. Quem me atendeu foi o André Almeida. Como precisava de fazer tempo, fui dar uma volta ao parque mais próximo e cruzei-me com o jardineiro que estava a cortar a relva. Era o André Almeida. Fez-se hora de ir à loja de costura levantar as calças que tinha deixado há dois dias por causa das bainhas. Estavam impecáveis, agradeci ao André Almeida. No regresso a casa, e por ser a caminho, fui cortar o cabelo. Não tinha marcação, nem sabia se daria, mas o André Almeida atendeu-me.
Esta pequena brincadeira introdutória levanta um pouco o véu sobre o que pretendo defender. Eu sei que o futebol é cada vez mais um desporto de craques e milhões que ofuscam operários e tostões, mas sempre tive e continuarei a ter o máximo respeito e admiração por jogadores como André Almeida. Falo dele porque acho que é um bom exemplo, mas poderia falar de muitos outros que sabem que nunca foram nem nunca serão foras de série, mas nem por isso deixam de ser competentes naquilo que fazem. Não precisam de ser os melhores para serem bons, vencendo as críticas e a desconfiança com muito trabalho.
O leitor pode chamar-me louco, mas eu consigo ver Cristiano Ronaldo quando olho para André Almeida a jogar. Não é no talento, obviamente, tão-pouco na estampa ou pujança física. É na mentalidade. Naquela garra, determinação e ambição como corre a cada bola, do primeiro ao último minuto, mesmo que, instantes antes, tenha sido ultrapassado ou tenha feito um mau centro. Isso aconteceu em Chaves, mais uma vez, e no entanto, com o jogo a chegar ao fim e o Benfica a precisar de marcar, lá andava André Almeida, a encontrar forças no fundo da alma para ir lá acima mais uma vez. E outra, e mais outra...
Sempre com a mesma disponibilidade com que me serviu um café, com que cortou a relva do jardim, com que fez as bainhas das minhas calças e me cortou o cabelo. Há muitos Andrés Almeidas neste mundo. No futebol e na vida."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Como alimentar o bicho

"Uma das coisas que Alex Ferguson sempre quis durante os quase 27 anos que orientou o Manchester United foi ter no plantel maus perdedores. Os tais 'bad losers', entre os quais se incluíam futebolistas como Gary Neville ou Roy Keane, eram garantia que a equipa nunca estava acomodada, que nunca se resignava perante as dificuldades e mantinha sempre intacta a sede de vencer.
Este é também um dos trunfos do Benfica. O clube soma quatro triunfos consecutivos no campeonato, mas conta com uma mão-cheia de jogadores com um alto espírito competitivo e habituados a lidar com a pressão. Rui Vitória falou, antes da estreia no campeonato, em "bicho competitivo". Algo que só se consegue quando se juntam na mesma equipa futebolistas como Luisão, Jardel, Fejsa, Salvio, Pizzi ou Jonas.
Por isso, e apesar de (ainda) não ter preenchido devidamente as lacunas no plantel, em especial com a saída de Ederson, o Benfica deve ser sempre olhado como o alvo a abater pelos rivais. A vitória em Chaves foi obtida nos descontos e de forma algo feliz, mas resultou de uma preserverança e sangue frio próprios de quem anda nestas lutas há muito tempo. Quantas equipas em Portugal conseguiriam marcar um golo daquela forma e naquele momento?
O próprio Jorge Jesus já falou várias vezes da necessidade de dar mentalidade de campeão ao Sporting. O técnico sabe bem qual foi um dos trunfos que teve - por mérito próprio - na Luz, em especial nos dois últimos campeonatos que venceu."

Época nova, vida nova: a relação treinador-atleta

"Enquanto arrancam os diferentes campeonatos, a azáfama que ocupa os clubes é, maioritariamente, a constituição dos plantéis para a época que se avizinha.
Terminada esta etapa, iniciar-se-á uma "longa travessia", que se prende com a estruturação dos pilares fundamentais da relação dos Treinadores com os seus Atletas.
A relação Treinador-Atleta é, desde há muito (ex: Serpa, 1999), um dos grandes focos da investigação em Psicologia do Desporto, dado o reconhecimento inequívoco da sua associação ao Sucesso Desportivo.
Sem entrarmos na discussão dos "estilos de liderança", terreno igualmente fértil na produção de estudos, a especificidade da relação entre treinadores e atletas aponta ser um factor inquestionavelmente associado ao sucesso (ex: estudo realizado com a equipa olímpica Canadiana, em 2008 - Wurther, P.).
De facto, apesar da relação se estabelecer pela existência de um propósito comum (desenvolvimento das capacidades técnicas, tácticas e físicas, com a missão de sucesso) e de uma "paixão" igualmente partilhada (o desporto), a relação estabelecida vai muito para além do ensino e treino destas competências.
E ainda bem.
Em boa verdade, um Treinador (tal como, por exemplo, um professor), assume-se igualmente como o principal propulsor das características de base do atleta e da sua capacidade em "pensar" (e lidar com) a competição.
Por outras palavras, o Treinador acaba por ser o principal actor no cenário da transformação das competências psico-emocionais dos seus atletas/equipa (consideremos o exemplo claríssimo de Scolari, nos primeiros anos em Portugal).
Do lado do Atleta, mesmo que a actuar de uma forma quase indelével e subliminar, a expectativa do mesmo é que o seu Treinador se transforme numa espécie de "cuidador primário", que deverá fornecer segurança e apoio emocional - de facto, enquanto seres humanos, estamos todos condicionados a expectar este tipo de comportamento de quem nos "dirige", em virtude das experiências que se foram acumulando durante a infância (onde a figura de "autoridade" - o adulto - deveria prover estas mesmas necessidades)
O problema surge - seja no desporto ou em outro contexto de realização - quanto tal não sucede. 
Demasiadas vezes, assistimos a este tipo de situação que nada tem a ver com as competências técnico-tácticas do treinador em causa.
Na realidade, não são os seus skills técnico-tácticos que são valorizados pelos Atletas (como elementos diferenciadores), mas a qualidade e nível de compreensão, respeito, confiança e previsibilidade, em termos de comportamento, que existe entre duas pessoas - e, por esta razão, segundo dados mais recentes, os atletas capazes de formar um vínculo próximo com seus treinadores são mais propensos a sentirem-se seguros, desafiando seus limites e assumindo riscos para melhorar sua performance.
A demonstração de cuidado, a comunicação efectiva, bem como um comportamento consistente e transparente tem surgido, assim, como pilares para a construção de relacionamento. A criação de oportunidades para os atletas, tem surgido igualmente, como uma pedra angular da liderança efectiva.
Os Atletas esperam igualdade de oportunidades, atenção direccionada e comprometimento com o seu sucesso pessoal e da equipa.
O lado "ingrato" de tudo isto é que, o Treinador, precisa estar muito centrado em si próprio e na sua missão para, em simultâneo, gerir todo o seu processo emocional... e o do seu plantel, com todas as especificidades únicas de cada sujeito que transporta.
Parece, de facto, uma "missão impossível"...
Quase que poderíamos considerar que sim, contudo (e felizmente), algum Treinadores "teimam" em mostrar-nos que é possível, pelas relações únicas que estabelecem com os seus atletas/equipas e pelos resultados que estas mesmas alavancam.
Por onde começar?
Boa pergunta.
O processo inicia-se, inevitavelmente, pela activação da curiosidade dos treinadores que, não obtendo informação suficiente nos cursos que frequentam (onde recebem pouquíssimas horas no que respeita a Ciências do Comportamento Humano - Psicologia), devem procurar outras fontes de formação/informação (como, por exemplo, um artigo redigido há largos meses neste mesmo espaço).
A literatura científica abunda nesta área e as obras biográficas também (por vezes, transportam conhecimento relevante). Existem já cursos de aprofundamento e, em alguns casos, acompanhamento individualizado (que deverá ser efectuado por um especialista - e não por um "curioso").
Acima de tudo, o "caminho faz-se caminhando", pelo que, o principal acelerador deste processo será, integrar no seu dia-a-dia que, também da sua responsabilidade, é a criação de relações de confiança e de igualdade de oportunidades, no que respeita ao desenvolvimento e optimização das capacidades dos atletas.
Garantidamente que, os níveis de satisfação e commitment irão elevar-se e, com isto, uma maior probabilidade de atingir o "potencial real" da sua equipa."

Alvorada... Guerra

Benfiquismo (DLXII)

Honra...

105x68... Rescaldo...

Lixívia 2

Tabela Anti-Lixívia
Benfica.......... 6 (0) = 6
Corruptos..... 6 (0) = 6
Sporting........ 6 (+2) = 4

Pois é, com ou sem VAR a estória é sempre a mesma!!!

Em Chaves tivemos mais um espectáculo de impunidade, com um critério disciplinar absurdo, sem amarelos para os adversários do Benfica... inclusive com um Vermelho directo perdoado, já depois do golo do Seferovic...
Mas mais inacreditável foi o penalty não assinalado pelo VAR, na rasteira do Tiba ao Jonas. Era quase impossível Jorge Sousa marcar penalty, porque a falta dá-se longe da 'bola'... só se fosse o 4.º árbitro, ou o auxiliar do 'outro lado'!!! Agora, o VAR (Tiago Martins) que tem acesso a todos os ângulos, que não está dependente da Realização da PorkosTV, não tem qualquer desculpa... A falta é evidente... E se inicialmente fiquei com dúvidas se era dentro ou fora da área, rapidamente fiquei sem dúvidas!
Mas não foi o único penalty que ficou por marcar!!!
A carga do Paulinho sobre o Jonas, é 'parecida' com o penalty marcado pelo Paixão no Alvalixo, mas não é 'igual'! Existem várias diferenças: o Paulinho nem sequer tenta jogar a bola de cabeça, ao contrário do Nuno Pinto; o contacto em Chaves dá-se quando o Jonas está no ar, ao contrário do lance no Alvalixo, onde o contacto dá-se com os dois jogadores com os pés no chão; e em Chaves é o defesa que claramente provoca o contacto, quando no jogo dos Lagartos, é um avançado das Osgas, que a correr para um lado e a olhar para o outro lado, que acaba por 'provocar' o contacto...
O lance do Jonas em Chaves, é exactamente igual ao lance do Lindelof e do Bruno César o ano passado, no Sporting-Benfica: jogador do Benfica no ar, a ser desequilibrado intencionalmente, por um defesa, que nem sequer tenta jogar 'a bola'!!! Falta clara... dentro da área: penalty!
Uma nota ainda para a forma como mais uma vez os Benfiquistas que pagaram bilhete foram impedidos de entrar no Estádio, só porque levavam camisolas os cachecóis do Benfica! Os Bilhetes são vendidos para os adeptos em geral... Não são vendas exclusivas a Sócios, portanto nestas circunstâncias, a 'censura' é absolutamente criminosa...

Talvez mais grave do que o penalty salvador marcado pelo Paixão em Alvalade, foi a reacção da descomunicação social desportiva, nas televisões e nos jornais, branqueando, um erro descarado... A estratégia de condicionamento passa pelo branqueamento semanal destes roubos... O 'silêncio' do VAR é escandaloso! Se Bruno Paixão não pediu a 'opinião' ao VAR, num penalty a poucos minutos do fim, é absolutamente indesculpável... Se Hugo Macron Miguel, assumiu que o lance deixa dúvidas, e portanto não poderia inverter a decisão do árbitro do campo, então é no mínimo incompetente porque não conhece as 'manhas' mais básicas do Futebol!!!
ADENDA: O lance entre o Coates e o Venâncio, na minha opinião, está na 'fronteira' daquilo que é 'permitido' fazer em lances de 'bola parada' dentro na área...

Em Tondela, não houve lance dentro da área (o mergulho do Marega foi fora da área...), mas mais uma vez foi notório a maneira como o Veríssimo se está a fazer à 'carreira'!!! Um árbitro conhecido por mostrar muitos Amarelos, resolveu perdoar muitos cartões, quase todos aos Corruptos, especialmente ao cliente do costume: Felipe... Continua, tal como o ano passado, com a 'sorte' de escapar às expulsões, jogo após jogo...

Uma nota ainda, para o Estoril-Guimarães, onde curiosamente o Guimarães, equipa que vai defrontar os Lagartos na próxima jornada, acabou com 9 jogadores! Num jogo apitado, pelo mesmo árbitro que na semana anterior apitou o Benfica-Braga, jogo que ficou marcado por um critério disciplinar muito largo...!!!
No lance da expulsão do Josué, através do VAR, tenho uma opinião diferente: as alterações às leis do jogo, incluíram uma 'tentativa' de acabar com a 'tripla penalização' (expulsão, penalty e castigo no jogo seguinte), basicamente se o Defesa tentar jogar a 'bola' deverá levar Amarelo... No lance específico, a falta existe, o penalty é bem marcado, mas não existe qualquer intenção do defesa em fazer falta (a intenção não interessa no 'campo' técnico, mas interessa no 'campo' disciplinar, após a alteração da interpretação das Leis), é o atacante do Estoril, que inteligentemente, 'muda' a posição do corpo em relação à bola, e acaba por 'provocar' a falta... Pessoalmente, acho que esta foi a primeira vez, onde uma decisão correcta pelo árbitro, acabou por ser erradamente 'invertida' pelo VAR (sendo que foi o próprio Xistra, que alterou a decisão, após visionamento no monitor na linha lateral)!

Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar

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