Últimas indefectivações

sábado, 6 de maio de 2017

Vitória na Taça... antes da Europa!

Benfica 6 - 3 Barcelos

Com a vitória do Barcelos na Taça Cers, com a festa e o jogo a meio da semana com o Turquel, até pensei que este jogo seria um pouquinho mais fácil... e até podia ter sido, mas os apitadeiros não o deixaram...!!! Trazendo assim, alguma emoção ao jogo!!!

Mas o mais importante foi conseguido, estamos na Final Four da Taça de Portugal.

Agora, o próximo compromisso é a Final Four da Liga Europeia, onde vamos tentar revalidar o título, defrontando nas Meias-Finais o Reus dos 'nossos' Pedro Henriques e Torra, que eliminaram os Corruptos da competição!


Bom arranque...

Benfica 96 - 76 CAB Madeira
29-21, 17-16, 24-22, 26-17

Primeiro jogo do play-off, com uma vitória indiscutível e bem construída... que se mantenha assim, nos próximos dois jogos!

'Jornada' sem surpresas, com os quatro favoritos a vencerem... as Meias-finais se tudo correr normalmente estão 'garantidas'!!!

Negra na Luz !

Sp. Espinho 3 - 1 Benfica
22-25, 25-18, 25-22, 25-23

Gaspar(26), Rapha(16), Zelão(12), Vinhedo(4), Reis(2), Mart(2), Ché(1), Violas, Magalhães, Casas

Até começamos bem... mas desta vez cometemos demasiados erros no 3.º e 4.º Set, nos momentos decisivos! O 2.º Set podia ter sido decisivo, e mais uma vez a arbitragem teve influência... Mas depois tivemos os últimos dois Set's nas mãos e não conseguimos fechar a partida!
Espero que o Honoré seja opção no 5.º jogo... a equipa está a jogar no limite - o Roberto continua a jogar lesionado (hoje notou-se) - e falta-nos o poder na rede do Honoré!

Vitória... antes das decisões!

Benfica 4 - 1 São João

Mais um jogo onde o Benfica demonstrou dificuldades em ultrapassar a defesa baixa adversária! Com muitas oportunidades desperdiçadas... Foram mesmos os forasteiros a inaugurarem o marcador no início da 2.ª parte, mas rapidamente a 'normalidade' voltou...
Fim da época regular, a partir de agora é que vai contar... e por isso, é que hoje demos descanso a alguns jogadores...

Na próxima semana vamos disputar a Final Eight da Taça de Portugal em Gondomar, sendo o adversário dos Quartos-de-final, o mesmo São João!

Nos Quartos-de-final dos Play-off's vamos defrontar a Burinhosa... e em caso de vitória, o vencedor do Braga-Fundão... não vai ser um caminho fácil!

Juniores - 10.ª jornada - Fase Final

Benfica 1 - 2 Guimarães

Azevedo; Cabral, Silva, Nuca, Mangas; Pereira (Pinto, 68'), Mendes, Tavares (Soares, 46'), Vinícius; Dju (Kenedy, 46'), Zidane

Continuam os maus resultados... com a maior parte dos jogadores na B (ou lesionados) já era esperado.

PS: Parabéns aos Iniciados B, que hoje se sagraram Campeões Distritais (a 3 jornadas do fim), prometendo uma boa campanha no Nacional do próximo ano...

VAR - o passado

"É tão correcto como inevitável o videoárbitro (VAR). Deixou de ser uma pergunta de sim ou não para ser uma de quando o como. Já estamos nessa fase, na verdade para lá dela, pelo que se aclama o desembaraço da FPF e se espera que esta medida concreta na arbitragem ajude a resolver o grande problema do futebol português: os dirigentes dos clubes.
Mas estes, se quiserem, podem já iniciar um processo de nova discussão, se porventura com o videoárbitro continuarem a achar-se mais prejudicados do que os outros. Na verdade, o VAR nem sequer é o mais radical que aí anda no desporto em matéria de arbitragem. Será? Ora bem, não creio que possamos esquecer-nos do telespectador-árbitro, que apesar do nome está longe de ser coisa do futuro, pela simples razão de que é coisa do passado. Nos grandes torneios de golfe já tem utilidade, ainda que raramente destacada.
Há um mês, por exemplo, a golfista Lexi Thompson foi notícia numa prova em Rancho Mirage, Califórnia, EUA, quando penalizada em quatro tacadas por reposição manipulada da bola e consequente anotação irregular no cartão de marcação de tacadas; e foi penalizada depois de denúncia de um telespectador.
Como no golfe não há árbitros - no sentido clássico de quem está a seguir os atletas - funcionam princípios de boa-fé. De qualquer forma, casos de falsidade podem ser denunciados pelos espectadores (é raro) ou até pelos telespectadores. Assim, alguém, de casa, enviou um email para o portal Fan Feedback da Ladies Professional Golf Association delatando a reposição ilegal de Thompson, pelo que a golfista, revistas as imagens pelos juízes, foi penalizada, fazendo ecoar a revolta de outros golfistas, incluindo Tiger Woods, que exigiu o fim do efeito prático destas denúncias.
O videoárbitro é o futuro do futebol, o passado do golfe e o nosso fascinante presente."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Intriga, tensão e drama - futebol e cultura

"Nessa tarde, a questão do dia foi colocada pelo Henrique, estudante de Gestão. Tranquilo, totalmente descontraído, afirmava: ‘...então, falamos de quê?Se não falamos de futebol, falamos de quê?’. Há uns anos atrás, esta intervenção ter-me-ia causado uma certa irritação. Hoje, deixa-me a pensar. O tema em causa era desporto e comunicação social. Neste domínio, repetem-se as ideias feitas, uns ao serviço dos outros, outros ao serviço do seu ego, das suas várias perturbações. Os estudos em consideração na aula destacavam problemas sociais expressos nas decisões dos árbitros, na conduta dos jogadores em campo, as atitudes do público, casos concretos ocorridos em pleno jogo e do respectivo tratamento efectuado pelos meios de comunicação social. É possível escrever e transmitir factos, conhecimentos e perspectivas diversos sobre os desportos, sobre os jogos, sobre os participantes directos e indirectos.
O desporto, os desportos, oferece matéria suficientemente rica para que a atenção seja desviada – de forma sistemática - para aspectos que nada possuem de edificante para o desporto em si, para a valorização do desporto e, muito menos, para a sociedade em geral. Enquanto factor de desenvolvimento social, o desporto é um fenómeno fundamental de civilização, próprio das sociedades ocidentais onde o desporto é parte integrante do desenvolvimento que gozam. O fenómeno social desporto pode, e deve, ser analisado e editado com base em interpretações sérias, sólidas, construtivas, socialmente válidas. Factos, conhecimentos, perspectivas podem e devem ser analisados e difundidos com responsabilidade. Cada actor social, integrado no desporto, no teatro, no trabalho, na política, na educação, na técnica, na ciência, possui o dever social de saber que as suas atitudes e manifestações de todos os géneros têm efeitos e impactos que podem, de certeza, deformar em vez de formar, de destruir em vez de construir. O desporto, os desportos, o futebol, face ao seu carácter social – isto é, pelo facto de constituir parte da sociedade (conjunto das relações que estabelecemos uns com os outros) o efeito de transmissão, de reprodução e de contágio, implica a compreensão dos efeitos positivos - ou nefastos - de maneiras de actuar que edificam e fortalecem atitudes adequadas ao desenvolvimento das pessoas que, em conjunto e vivendo em comum, são e fazem a sociedade. Não é necessário ser sociólogo para compreender isso. Basta ser consciente e a consciência não existe sem a sociedade. A consciência (que só os seres humanos têm condições para ter) existe e consolida-se na vida em comum, no jogo de que todos fazemos parte – o jogo social. Um jogo onde, antes da lei, existem princípios, normas e regras, responsabilidades, riscos e consequências. Todos e cada um precisamos de compreender isto. Não é uma responsabilidade apenas dos professores. É uma responsabilidade de todos. Como pagar impostos. Pagamos impostos para que o dinheiro de cada um reverta para o bem e o serviço de todos. E aqui levantam-se os problemas. No caso do desporto, e em particular do futebol, se o foco das transmissões é centrado, e repetido à exaustão, na baixa intriga palaciana de actores e de factos secundários, a atenção é conduzida para o que interessa para nada. E ouve-se o clamor categórico: mas é isso que vende jornais, é isso o que a população quer! Permitam-me que discorde. E que coloque a questão ao contrário, ou seja, já experimentaram oferecer intrigas de qualidade? Aqueles que estudam o desporto, sabem que o jogo em que assenta a oposição entre adversários é constituído por uma estrutura dramática, estrutura esta em que uns e outros estão implicados num processo que é irreversível e único. É esta característica que acentua a tensão, condição essencial ao jogo, uma tensão que hoje em dia aumenta porque os jogos têm de ser ganhos, os campeonatos têm de ser ganhos, os campeonatos internacionais desafiam a vontade de ganhar. Porque há dinheiro em jogo, porque há rivalidades em jogo, porque há a vontade de ganhar, de vencer o adversário.
O que é vencer? perguntava Miguel Esteves Cardoso numa crónica de algum tempo já. Vencer não é ganhar a qualquer custo.
É ser aquele que domina pela qualidade do jogo, pela sorte, pela argúcia, é superiorizar-se na maneira como se ganha. Uns ganham porque remataram à baliza com a máxima precisão, outros vencem porque foram os mais generosos e isso é exaltado. Ganham o respeito dos adversários, ganham o respeito do público. O respeito não se compra, não tem preço. Não é uma questão de sorte. É uma questão de vontade de jogar com respeito pelo adversário, pelo jogo, pelo público, por si próprio. Vale tudo? Não me parece. Não se trata de conversa de académico, trata-se de factos. Além de sermos académicos, antes de nos dedicarmos ao estudo e à observação do que ao desporto respeita, antes de abrirmos a boca ou de escrevermos, aprendemos a ser gente. Aprendemos que há regras, que há escolhas. Não é moralismo, nem é ingenuidade, esta é a base sobre a qual o desporto em geral, e o futebol em particular, se formaram como desporto moderno. Jogos feitos de gente que aprendeu a jogar com o respeito pelas regras. Senão, qual é o interesse? Deixe-se de atirar as culpas para cima do árbitro. É que se não se compreendem as bases fundamentais da vida que todos vivemos, uns com os outros, não há – mas não há mesmo! – video-árbitro que nos valha! Se as regras sociais de que o desporto é uma expressão, um meio, não são compreendidas, corre-se o risco de se avançar para o fundamentalismo da violência. Violência verbal, agressão física, desmoralização de quantos, dentro do desporto, trabalham para uma sociedade melhor. Melhor para todos. Todos responsáveis, obviamente.
Vejamos dois casos concretos. O caso de Mourinho x Eva Carneiro. Na origem do problema, um jogador (Hazard) tombado no campo a 2 minutos para terminar o jogo. De acordo com a comunicação social, todo o caso girou à volta do diz-que-disse do treinador e da médica. Uns a favor do treinador, outros contra o treinador, isto é, a favor da médica. Depois de ouvir, ver e ler notícias, vídeos, ficou no ar a questão: o jogador estava mesmo magoado, a precisar de assistência, ou não? Ninguém sabia. Mas lembro-me de ler que o treinador em causa havia afirmado que conhecia os seus jogadores, que Hazard estava apenas cansado. Em Inglaterra, a imprensa de cordel procurava a oportunidade de vencer o treinador vencedor escrevendo em parangonas bem ampliadas que já não era necessário o Serviço Nacional de Saúde, o NHS. Mourinho é que sabia quando alguém estava doente ou não! Desbragamento total. É conhecida a conclusão do caso. Dado que o jogador integrou a equipa no jogo seguinte, o treinador tinha razão. Hazard não estava lesionado - estava exausto.
O caso recente do Canelas. Logo do Canelas, vila tranquila, um lugar daqueles onde nada acontece. Depois de ouvirmos que tinha havido mais uma agressão a um árbitro (tornou-se normal...) ouvimos várias vezes o nome do jogador, o que ele fez, os 2 minutos de jogo, etc., etc. Do árbitro (José Rodrigues, se não estou em erro), pouco se referiu sobre a sua atitude séria, responsável. É possível tratar das questões do jogo, do desporto, a partir da perspectiva que constrói em vez da forma propícia ao decair do nível. Aproveitar cada jogo, cada situação, para valorizar a sociedade que somos. É isso que no país onde a passagem dos jogos populares a desportos foi conduzida sob as regras da vida colectiva, os comentários antes, durante e após os confrontos desportivos, os desafios de futebol, existe um extremo cuidado em abordar os factos numa perspectiva socialmente pedagógica. A responsabilidade não é só dos professores, ela é de todos e a todo o momento. Todos somos exemplos, e também convém que aqueles que são professores não se esqueçam disso e não sobrevalorizem os conteúdos esquecendo a formação que permite o desenvolvimento do conhecimento e não a sua atrofia. Em vez da subserviência, o sentido crítico, em vez da submissão, o respeito. É que se a subserviência e a submissão se impõem, a autoridade pode confundir-se com o autoritário e despoletar o desrespeito e, na verdade, o ridículo. Medo e respeito não são a mesma coisa, tal como o carácter, a coragem e a frontalidade – cultivadas justamente no desporto, não são manifestações equivalentes. Sendo assim, o desprezo pela autoridade destaca o facto que não há autoridade. No desporto tanto quanto na sociedade. A ignorância instala-se, a maldade domina, as fronteiras entre o mal e o bem desaparecem. E o drama, que deveria ser parte do jogo, o drama de não saber quem ganha e de saber que ‘esse’ jogo não se repete, desloca-se para os arredores do Estádio e mata. No entanto, no desporto a morte simbólica que a derrota traduz, é simbólica. Isto é, corresponde a uma cultura, uma cultura que vive, defende-se e prevalece nos actos e atitudes daqueles que a vivem. Não basta bradar que não há cultura desportiva, que se deve observar o fair-play, defender-se aquilo que designam ‘a verdade desportiva’. A cultura desportiva é a cultura. Quando a ‘cultura desportiva’, de fair-play, não existe, a cultura que se sublinha que falta – é, afinal, aquilo que nos forma e que nos distingue. Ou aquilo que há, é aquilo que somos...como escrevia há mais de uma década Vasco Pulido Valente ao escrever que Portugal será aquilo que o futebol fôr. Bagarre!
Sendo assim, o Henrique tem razão. Se não falamos de futebol, falamos de quê? Vamos falar então, mas a elevar o desporto, a sociedade que somos e que queremos ser, não a desfazê-lo, a desfazer o que somos e que queremos ser. O jogo não está decidido antecipadamente."

Benfiquismo (CDLX)

Golo...!!!

Uma Semana do Melhor... de Macau à Luz !!!

Jogo Limpo... e a voz !!!

Ainda faltam três finais

"No final do jogo do Estoril, Rui Vitória exclamou: «Já só faltam três finais!» Depois do jogo, vividas as emoções, no meu íntimo e de muitos benfiquistas, ia algo de diferente: «Ainda faltam três finais!» Vamos a elas! O nosso futuro escreve-se em 270 minutos.
Domingo, em Vila do Conde, estão os primeiros 90 para redigir, teoricamente os mais difíceis. Se outra razão não houvesse, há a estatística: o Benfica perdeu cinco dos últimos onze jogos nos Arcos. Agora de nada servem as desculpas nem o que está para trás, resta olhar com determinação e qualidade para os três jogos que faltam.
Jonas, mesmo longe do seu melhor, ainda espalha o perfume da sua qualidade. A forma como festejou aquele segundo golo mostra o que sente, o que vibra, o profissional que é e o quanto quer ganhar. Minutos antes de sair, completamente exausto, tinha feito uma recuperação defensiva de 40 metros, num esforço que exemplificou a fibra de um campeão. Os títulos e as conquistas também se fazem de exemplos de sacrifício e de superação. Jonas, para lá do talento, é tudo isso. Nesta fase, o campeão Benfica precisa de ser assim para continuar a ser o campeão Benfica.
Este final de temporada irá ser muito duro dentro de campo e muito sujo fora dele. Temos de estar preparados para a intoxicação e a mentira. Nenhum rival nos cai reconhecer o mérito e nenhum adepto pode vacilar no apoio. Há clubes que se queixam de quem mexe na bola 10 centímetros antes de marcar um livre, num jogo em que beneficiaram de três penalties em quatro minutos. Há clubes que se queixam dos seus jogadores não poderem fazer entrada assassinas nos colegas, sem ser sancionados. Mas diga-se que Dostoiévski já nos havia escrito que «a mentira é único privilégio do homem sobre todos os outros animais». No fundo, os nossos adversários são intelectuais, não são mentirosos."

Sìlvio Cervan, in A Bola

Faltam três finais

"Estamos a sete pontos, no máximo, de conseguirmos o tão almejado tetra. Em criança, fazia-me confusão nunca o termos alcançado. Além da nossa clara superioridade em relação aos adversários, perturbavam-me as cinco oportunidades perdidas, quatro delas consecutivas, nas décadas de 60 e 70, em anos de Mundial (1966; 1970; 1974; 1978). A partir de meados da década de 90, a possibilidade de sermos campeões já era fantasia suficiente, de tão dourados que eram os apitos e de tão reduzida que era, a vários níveis, a nossa capacidade para lutar contra um FC Porto forte no campo e ainda mais fora dele. Estamos, por conseguinte, num período notável da nossa história.
Conhecer e entender as últimas três décadas e o período atribulado que vivemos no final dos anos 90 permite-nos chegar a essa conclusão. A recuperação do clube empreendida a partir do início do milénio foi demorada, mas absolutamente notável. Hoje, ao contrário de no passado, compreendo perfeitamente o alcance da famosa declaração do presidente Luís Filipe Vieira nos festejos do nosso título em 2005, ao afirmar que, então, não estávamos ainda preparados para ganhar.
Agora, não só estamos muito bem preparados para fazê-lo, como estamos também para lidarmos com uma eventual derrota. O saudoso Artur Semedo bem poderia reafirmar convictamente que 'o Benfica nunca perde, às vezes não ganha'. Mais que uma frase feita, trata-se de uma constatação acertada.
E o mesmo se aplica às restantes modalidades, a começar pelo voleibol já neste fim-de-semana. Somente uma vitória nos separa do regresso ao topo da modalidade, e acredito que será conseguida.
Merecemo-la!"

João Tomaz, in O Benfica

Do lado certo

"O que eu me tenho rido nestas últimas duas semanas com mais um acto de desespero dos ainda dirigentes do FC Porto. Depois de ver a sua equipa de futebol acusar a pressão (e perder pontos) ao jogar depois do Tricampeão, ouço-os a falar de uma Liga Salazar. E é com gargalhadas que apetece responder-lhes, apesar de esse nome só me causar reacções contrárias ao riso. Estarão mesmo a falar a sério? Os homens que mandam um clube que mudou a data inauguração do Estádio das Antas para esta poder coincidir com o aniversário do Estado Novo estão mesmo a falar a sério? É certo que levaram 8 a 2 do SL Benfica nesse jogo e talvez por isso prefiram esquecer o momento, mas também já esqueceram o ano de 1928? É que foi nesse ano, mais de 30 anos antes do que a maioria dos outros clubes, que o FC Porto recebeu do Estado o estatuto de utilidade pública. Andam há décadas a querer colar o imagem do SL Benfica ao triste ditador que andou por Portugal durante mais de 40 anos, mas esquecem-se dos seus inúmeros telhados de vidro: dirigentes que foram funcionários da PIDE, que colaboraram durante décadas com Estado Novo, que fizeram as malas em 1974 quando se começou a respirar em Portugal.
Quando penso no desespero destes portistas e outros antibenfiquistas, só posso sorrir e deixá-los entregues à sua ignorância. É que nos desfiles do 25 de Abril e do 1.º de Maio, em Lisboa, foi um prazer ver tantos Benfiquistas anónimos, como eu, na rua.
É bom sinal quando nos incentivamos rumo à História, ao lado certo da História."

Ricardo Santos, in O Benfica

Saber sofrer

"Para quem tivesse alguma dúvida sobre as dificuldades que ainda teremos de enfrentar nesta dura caminhada rumo ao “Tetra”, o jogo com o Estoril terá sido esclarecedor.
Foi preciso sofrer, suar e lutar muito para alcançar os três pontos. E são eles, neste momento, a única coisa que interessa garantir a cada jornada, e em cada campo, sabendo que do outro lado estão equipas empenhadíssimas em travar-nos, com valor para o poder fazer.
Vila do Conde, V.Guimarães e Bessa são as etapas que faltam. Se nos recordarmos da temporada passada, e dessas mesmas partidas (curiosamente, também na recta final da prova), que terminaram todas com o mesmo resultado (1-0), podemos ter uma noção bastante clara daquilo que nos espera.
Se alguém conta com uma capitulação antecipada dos rivais (os de cima, e… os de baixo) também está enganado. Vão fazer tudo, dentro e fora das quatro linhas, até ao fim das suas forças, para evitar que cheguemos ao nosso objectivo.
Há que estar atentos. E há que estar unidos, no apoio incessante à equipa – mesmo quando, num ou noutro momento, o futebol apresentado não for plasticamente aquele de que mais gostamos. O que está em causa é um lugar na história, o que, pela sua relevância, justifica uma união à prova de tudo, sobretudo nos momentos mais difíceis de cada jogo.
Neste Domingo podemos dar um passo extremamente importante. O Rio Ave, pela boa forma que tem exibido, é uma das grandes esperanças de quem nos quer ver falhar. Tem uma equipa forte, que luta pelo apuramento para a Europa. Só um Benfica de fato-macaco poderá trazer os três pontos.
É isso que esperamos."

Luís Fialho, in O Benfica

Mais nove provas

"Tenho escrito nesta coluna sobre o Futebol de Formação do Sport Lisboa e Benfica. Após a brilhante prestação da nossa equipa de Juniores A na UEFA Youth League 2016/17, que muito justamente foi homenageada, ao intervalo, pelos 59 314 espectadores presentes no jogo Benfica x Estoril, esta semana mais uma razão para enaltecer e destacar a excelência do trabalho realizado no Seixal. Anunciada que foi a convocatória para o Mundial de Sub-20, que se irá realizar na Coreia do Sul, entre 20 de Maio e 11 de Junho, a primeira conclusão a tirar é que o SL Benfica lidera, neste momento, o Futebol Formação em Portugal.
Dos 21 eleitos pelo seleccionador Emílio Peixe, destaque para os 9 atletas do SL Benfica - Aurélio Buta, Francisco Ferreira, Rúben Dias, Yuri Ribeiro, Florentino Luís, Gedson Fernandes, Pedro Rodrigues, Diogo Gonçalves e José Gomes. Os nossos principais tiveram apenas 5 (Sporting) e 4 (FC Porto).
Como em todas as convocatórias, foi preciso fazer escolhas. Pessoalmente, espantam-me duas ausências, ambos atletas do nosso clube - Fábio Duarte, o nosso guarda-redes que fez os 11 jogos da campanha notável na Champions dos Juniores A, e sobretudo Heriberto Tavares, um dos jogadores em maior destaque na II Liga e que tem sido o nosso 'matador' na equipa B, com 11 golos marcados. Fábio Duarte e Heriberto Tavares são dois dos maiores talentos do futebol português e mereciam fazer parte da geração que vai tentar repetir os êxitos de 1989 e 1991. Respeito e admiro o trabalho que tem sido desenvolvido pela Federação Portuguesa na área do futebol juvenil, mas a não convocatória de Fábio Duarte e Heriberto Tavares é uma tremenda injustiça."

Pedro Guerra, in O Benfica

PS: Relembro que o Renato Sanches ainda é desta geração... Outro ausente, é o João Carvalho, que provavelmente está 'reservado' para o Euro de Sub-23 (preferia o Joãozinho na Coreia!!!). E ainda temos a ausência do azarado Guga, com mais uma lesão grave... Tendo em conta os outros convocados, até o Pedro Amaral poderia ser opção...
Sendo que jogadores como o Jota ou o Félix, também poderiam ter sido opções... (aliás o João Félix, neste momento, parece ser um mal amado nas Selecções, pois não tem sido convocado para nenhum escalão!!! Muito estranho...)

Zé Golo, de volta aos golos !!!

Sporting B 2 - 2 Benfica B


Com muitas baixas, com muitos Juniores... mesmo assim, acabámos por conquistar um empate!!! Nuno jogo onde o bis do Zé Golo (finalmente...) dividiu as atenções com o 2.º jogo do Hermes, que confirmou novamente as boas indicações ofensivas... notando-se algumas deficiências no processo defensivo!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Futebol... sem veneno !!!

O tribunal do video

"Tudo a favor do videoárbitro, como é evidente; mas estaremos nós culturalmente preparados para o aceitar?!

Devem todos os que andam no futebol, e também os adeptos, naturalmente, entender que o videoáritro vai ser um instrumento para ajudar os árbitros a cometer menos erros. E vão os árbitros ser ajudados pelo videoárbitro e, por isso, conseguir cometer menos erros. Isso parece claro e facilmente compreensível.
O que não podem é todos os que andam no futebol, e também os adeptos, naturalmente, fazer do videoárbitro um instrumento de mais polémica, mais controvérsia, mais desconfiança, mais acusações, mais insinuações, mais suspeições. É preciso compreender que o essencial do videoárbitro não é eliminar do jogo o erro do árbitro; é, repito e sublinho, ajudá-lo a cometer menos erros. O que é bem diferente.
Não sou, nem nunca fui, contra o videoárbitro, entenda-se; mas tenho dúvidas que estejamos culturalmente preparados, no futebol português, muito em particular, para aceitar que vamos deixar de conviver com o futebol de sempre para passarmos a conviver com um novo futebol, aceitando um videoárbitro como penso que ele deve ser aceite.
Custa-me ouvir, por exemplo, falar do videoárbitro como se ele fosse pura e simplesmente eliminar todos os erros do jogo; é atirar areia para os olhos dos adeptos. É demagogia, é irresponsabilidade.
Cabe sobretudo aos dirigentes dos clubes, e das restantes entidades que regulam o futebol, e até aos treinadores, passar a mensagem correcta: o videoárbitro servirá para tentar ajudar os árbitros a julgarem e a decidirem melhor, dando naturalmente com essa melhoria, mais justiça ao jogo, mais verdade, porventura, a alguns resultados, mas não vai o videoárbitro ser o salvador de todas as pátrias do futebol.

Somos latinos, temos o sangue quente, como todos os latinos, e temos culturalmente maior tendência para gostar muito mais do nosso clube do que de futebol. E como gostamos mais do nosso clube do que de futebol distorcemos mais facilmente o que vê a cor dos nossos olhos, consoante sejamos mais encarnados, mais verdes ou mais azuis.
Pior do que isso: boa parte dos mais destacado do nosso futebol facilmente encontra na arbitragem o bode expiatório ideal para eventuais erros na gestão desportiva do clube que defendem. Todos sabemos que os árbitros não são todos muito bons, tal como o não são todos os treinadores ou todos os jogadores. Achei piada, a propósito, ao que disse recentemente Luís Figo sobre a reflexão que fez quanto ao papel de treinador, que o levou aliás a seguir, como se sabe, outro caminho: «Há treinadores muito bons que nunca chegam a ter sucesso, e há treinadores vulgares e até maus que conseguem ganhar muito coisa». Elucidativo.

Volto à questão do videoárbitro e à reflexão segundo a qual sou levado a concluir que a medida agora anunciada para a próxima época não vai acabar com o insuportável clima de escárnio e mal dizer que tem tomado conta do palco onde flutuam apenas Benfica, Sporting e FC Porto.
Vale a pena pensar, então, no seguinte: se hoje é muitas vezes tão contestada a nomeação de determinado árbitro para determinado jogo, o que podemos supor que vai acontecer na próxima época? Vai contestar-se a nomeação do árbitro... e a nomeação do videoárbitro, que vai ser um papel desempenhado também por um árbitro.
Em vez de uma... podemos passar a ter duas contestações por jogo. Muito possível e lamentável se assim acontecer.
Mais: nunca será demais explicar a toda a gente como vai funcionar o videoárbitro para que ninguém se deixe enganar por eventuais ilusionistas da «verdade desportiva».
Tome nota, caro leitor, sobre alguns aspectos da nova medida:
- só o árbitro pode recorrer ao videoárbitro, podendo, é verdade, o videoárbitro dar indicações ao árbitro, sugerindo-lhe uma decisão ou aconselhando-o a ir ele próprio ver as imagens no monitor de TV que deverá passar o próprio árbitro a dispor junto ao 4.º árbitro; mas só o árbitro continuará a ser soberano na decisão;
- o videoárbitro só terá intervenção em quatro acções do jogo: foras-de-jogo em lances que resultem em golo; disciplinar no caso de cartões vermelhos por falta grave que o árbitro, em campo, não identifique; trocas de identidade - o árbitro mostrar cartão ao X e dvia tê-lo mostrado ao Y -, e por fim, os controversos e tantas vezes subjectivos lances de penalty.
Quanto à bola que entra ou não na baliza, já não será necessária intervenção humana porque só a tecnologia se encarregará de dizer ao árbitro se foi ou não golo.

Peguemos apenas nos controversos e tantas vezes subjectivos lances de grande penalidade para esclarecer o seguinte: se o árbitro não sentir, porventura, dúvida em determinado lance não recorre ao videoárbitro; o mesmo acontecerá se o vídeoárbitro também não tiver dúvida - não dará igualmente qualquer indicação ao árbitro. Acontece que em casa, qualquer adepto vai poder continuar a considerar que o lance era para penalty. E quem diz o adepto, diz comentador; e quem diz comentador, diz dirigente!
Agora pense o leitor numa outra situação possível: o árbitro recorre ao videoárbitro, o videoárbitro tem dúvida, o árbitro vai ver pelos seus próprios olhos ao tal monitor e... mantém que o lance não é para penalty ou mantém que é; em casa, o adepto, o comentador ou o dirigente continuam a considerar que é ou não é, mas ao contrário da decisão do árbitro. O que vai o portuguesinho da Silva fazer? Criticar ainda mais o árbitro, acusando-o de não querer ver mesmo tendo à frente dos olhos... a as imagens da televisão! Polémica a dobrar, insinuações a aumentar, suspeições a triplicar.
E já nem falo das imagens poderem não esclarecer claramente o árbitro (que não tem de julgar como o adepto, que regra geral vê apenas o que lhe interessa...) ou dos possíveis casos, legítimos, de o árbitro ficar com uma opinião diferente do videoárbitro.
Em resumo, tudo a favor do videoárbitro, como é evidente; mas é necessário que nos preparemos culturalmente para aceitar que mesmo com videoárbitro vão continuar a existir erros humanos. E diferente interpretações. E subjectivas decisões.

Nesta paróquia onde tantos ralham e muito poucos têm realmente razão, não vai ser fácil explicar ao estimado adepto que as nomeações dos árbitros e dos videoárbitros serão sempre feitas com a boa intenção de contribuir para um bom futebol; que os árbitros e os videoárbitros continuam a ser os árbitros que vemos todas as semanas e não robots infalíveis; e que não valerá a pena exigirmos que tudo seja perfeito porque isso mesmo distorce o espírito de um jogo no qual também os jogadores iludem/enganam os árbitros, e têm por vezes treinadores que os estimulam a isso e dirigentes que os condenam por não o fazerem.
O espírito do jogo move-se também pelo erro (de todos), pela discussão saudável à segunda-feira, pela rivalidade bem entendida; o futebol é um jogo de paixões, de emoções, de luta, de contacto físico, de esperteza e inteligência na forma como se procura superar o adversário no ar ou junto à relva. Não é um jogo de computador.
Por tudo isso, devemos, no fundo, reflectir no seguinte: se vamos ter videoárbitro nos jogos para termos mais polémica, é melhor assumirmos a nossa incapacidade de tornar esta indústria de espectáculo mais competitiva, mais equilibrada e mais rentável.
Tudo a favor do videoárbitro, como é evidente, enquanto instrumento de auxílio aos árbitros e não enquanto instrumento para satisfazer os mais demagogos dirigentes ou os mais incompetentes gestores. Acredito, porém, que antes da medida anunciada do videoárbitro (numa clara tentativa de sossegar o futebol...) muitas outras coisas precisam urgentemente de ser alteradas no futebol português.
A começar por afastar do futebol todos aqueles que o caluniam ou o fazem mergulhar constantemente (e muito ruidosamente) num mar de suspeições, insinuações ou acusações não provadas.
Como não lamentar o que ouvimos esta semana de Fernando Gomes, administrador da SAD do FC Porto (com responsabilidades óbvias) ao insinuar a existência de «mais alguma coisa» e não apenas erro humano nas alegadas más decisões que alguns árbitros possam ter tido (e tiveram!) em prejuízo dos portistas?! Se existe mais alguma coisa, é preciso prová-lo. Se fica provado, o árbitro deve ser irradiado. E se não fica? Irradie-se o dirigente. Haja coragem!"

João Bonzinho, in A Bola

A Casa do Gaiato

"Porventura, o leitor, sabe quem foi Américo Monteiro de Aguiar? Não faz sequer uma pequenina ideia? Não? E se eu lhe disser, por exemplo, que toda a sua obra e vida foi dedicada a acolher, educar e integrar na sociedade jovens com passado problemático? Começa agora a ver uma luzinha ao fundo túnel, não é verdade? Pense só mais um bocadinho. Nunca ouviu falar na Casa do Gaiato? Vê como descobriu! É, sim senhor, é o célebre Padre Américo cujos princípios voltaram a ver a luz do dia, depois do lamentável clima de guerra de palavras e actos no meio desportivo nacional. Mas, perguntará o bom leitor, com toda a propriedade, o que tem a ver o Padre Américo com tão lamentáveis episódios que alguma imprensa estrangeira não hesitou em cobrir de ridículo? Se pensar um bocadinho, verá que tudo tem a ver. Com efeito, depois daquelas cenas tristes da gente vá do meu bairro - foram rios e rios de tinta e cuspo que correram pelos media deste cantinho à beira-mar plantados - assistimos, hoje, a verdadeiros actos de redenção colaborante por parte de alguns dos principais intervenientes em tão lamentáveis incidentes, postura essa a que, certamente, não é estranho o fervor religiosos actualmente sentido e decorrente da visita a Portugal do Para Francisco. Todas as propostas que, desinteressadamente, foram apresentadas por tão magníficos personagens, reflectem a filosofia sempre defendida pelo Padre Américo ao longo de toda uma vida, consubstanciada no lema de que «Não existem rapazes maus».
Mas se, eventualmente, por mero acaso, voltarem a tais comportamentos perversos e desviantes, temos a garantia, pelo menos, de que, um pouco por todo o País, existirá sempre uma Casa do Gaiato para reeducar os prevaricadores. Bem haja, Padre Américo!"

Sérgio Abrantes Mendes, in A Bola

Comandar?!

"Ao longo da História, e um pouco por todo o Mundo, as lutas para chegar ao poder têm intervenientes com visões diferentes do exercício dessas lideranças. Basta observar as eleições presidenciais francesas, perceber o posicionamento de Macron e Le Pen em relação à UE ou as hesitações de Mélenchon para não dar indicação de voto na segunda volta, para ficarmos esclarecidos sobre a forma como pretendem chegar à liderança do país. O sistema presidencialista francês, como todos os sistemas democráticos, mais presidencialistas ou parlamentares, obrigam a escolhas. Por vezes não se trata da opção que mais gostamos, é a possível no momento, e como tal a menos penalizadora. Contudo, há questões em que não se admite essa hipótese, como quando se trata de optar entre a liberdade e o totalitarismo.
No futebol também todo o processo implica escolhas. Não há uma única via para se chegar ao objectivo, seja o da competição, seja de um dos competidores. Para se conseguir melhorar a Liga é necessário perceber que só elevando o nível de todos os concorrentes se poderá atingir esse objectivo. Na verdade, o comportamento dos que pensam em reduzir todos os outros a um nível inferior, para poderem ganhar sempre, tem como consequência não criar valor global na competição. Ou seja, eles próprios se prejudicam pela sua reduzida visão.
Estes comportamentos, nos diferentes países, na versão macro, ou nos diversos sectores de actividade, como o futebol, numa versão micro, têm consequências nefastas. A diferença entre mandar e comandar resume-se, talvez de forma muito redutora, mas verdadeira, em exercer o poder com ou sem conhecimento. Esse é o maior problema das nossas elites dirigentes, pouco humildes, para aceitarem o contraditório. Não é por se fazerem muitas reuniões que se consegue provocar alterações de comportamento de quem não tem respeito pelos adversários. Dos que só querem mandar mas não sabem comandar!"

José Couceiro, in A Bola

O videoárbitro e o que nos falta

"Não sou dos que pensam ser o videoárbitro o remédio para todos os males do futebol português. Mas também não embarco na onda de desconfiança dos que o olham de lado, recusando-lhe méritos ou negando a ideia de que pode ajudar a resolver, pelo menos, parte dos problemas. Acho que o melhor a fazer é dar-lhe o benefício da dúvida. Esperar, analisar os resultados e fazer-lhe uma análise mais consistente. Dito isto, devo dizer que acredito tratar-se de passo muito importante para um futebol mais transparente. E com menos ruído. Porque não eliminando o erro, vai reduzir, se calhar até de forma significativa se for usado de forma inteligente, os jogos resolvidos por lances mal avaliados pelos árbitros. E isso dará aos dirigentes menos moral para utilizarem a arbitragem como bode expiatório para os seus próprios falhanços.
Continuará, é certo, a haver discussão - e os clubes até terão um novo alvo par disparar. Mas esse é um problema que não pode ser resolvido pelo videoárbitro. Para atacar essa faceta - a mais feia - do futebol português só há um caminho: regulamentos mais duros. Já toda a gente percebeu. A pergunta é: estão todos a remar para o mesmo lado? Face ao que se viu esta semana a resposta é óbvia: não! E o que se viu esta semana? Que as propostas apresentadas não passaram (como acontece com tudo...) de mais uma forma de os clubes atacarem os rivais. E não é esse o espírito certo para abraçar tamanha empreitada.
A solução? Os clubes não podem ter todo esse poder nas mãos. Não podem (ou não deviam poder) legislar em causa própria. Porque enquanto o puderem fazer, não há videoárbitro (por mais méritos que tenha) que nos valha. Mas se juntarmos videoárbitro e castigos a sério talvez a coisa mude de figura. Tenhamos a esperança. Um já aí está, o outro talvez não demore."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Disciplina deve estar na FPF

"Depois da excelente decisão da FPF de fazer avançar o videoárbitro, a questão da reformulação disciplinar volta à ordem do dia. Indo directo ao problema de fundo, e porque há demasiados interesses próprios subjacentes ao sentido de voto nas AG da Liga de Clubes, aquilo que faz realmente falta é retirar a disciplina do âmbito da Liga, uniformizando os regulamentos e conferindo a tutela à FPF.
Ao contrário de outras opiniões, não creio que a Liga de Clubes deva desaparecer. A sua missão na organização dos campeonatos profissionais e na promoção de tudo o que tiver a ver com a indústria do futebol é importante e faz todo o sentido que estas estejam entregues aos clubes. Não é à FPF que cabe a definição da evolução do modelo de negócio e é bom que cada macaco fique no seu galho. Por maioria de razão, não devem ser os clubes a meter prego e estopa em questões disciplinares, porque é mais do que sabido que não conseguem evitar uma parcialidade que acaba por inquinar o produto final.
Antes de cada clube andar por aí a propagandear a sua alteração, melhor, melhor será se tomar forma um movimento que vise devolver à FPF a exclusividade em matéria disciplinar.
Volto a uma ideia que tenho repetido amiúde nos últimos tempos: há boas práticas, por esse mundo fora, no futebol, que nunca foram implementadas em Portugal. Tenho a certeza de que o futebol profissional no nosso país pode ser muito melhor, fora das quatro linhas. E ninguém melhor do que a FPF, que tem dado sobras provas de competência e modernidade, para cumprir esse desígnio."

José Manuel Delgado, in A Bola

"Data" !!!

Benfiquismo (CDLIX)

Símbolos...

Aquecimento... vídeos, finais & afins !!!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Contra o tetra (ou o 36... tanto faz) do Benfica... vale tudo

"Estou farto destes pseudointlectuais do futebol que debitam, a cada semana, um ódio e uma vontade de perseguição ao Benfica!

Com o aproximar do fim do campeonato, as estratégias (indirectas e directas) para tentar afastar o Benfica do tetra (ou do 36... tanto faz, embora a eles lhe faça mais mossa o tetra) têm passado os limites da vergonha, da decência e, até, da tolerância exigida a quem é do Benfica. Há resmas de penalties não assinalados a favor de uns e paletes de penalties não marcados contra o Benfica! Há ameaças nos túneis (numa espécie de fetiche de quem joga contra nós)... só divulgadas muitas horas ou dias depois dos jogos acabarem. Há jogadores nossos que deviam ser - no entender desses analistas imparciais - castigados em cada contacto e jogadores deles - também para esses mesmo especialistas que nunca jogaram, apitaram, treinaram ou leram alguma coisa, mas antes veem e escrevem há menos tempo do que cada um de nós sobre futebol - que são duros... porque o jogo é dado a momentos de alguma virilidade.
Estou farto destes pseudointlectuais do futebol, que debitam, a cada semana, um ódio e uma vontade de perseguição ao Benfica!
A inveja, essa razão permanente... escondida na alma lusa... que justifica tanta coisa... Pois, ainda assim - 'e como isso lhes dói...' - o Benfica continua a ganhar! Mas vamos aos 'casos concretos'...

1. ... As ligas 'reais' ou 'da verdade' foram criadas pelos... comentadores?
O jornalismo desportivo 'anti Benfica' descobriu que há ruído a mais no futebol. E descobriu esse crime lesa pátria - por curiosa coincidência - no ano em que o Benfica está perto (mas ainda muito longe, digo eu) do tetra!
Mas será que esta luta pela verdade desportiva só é para ser levada a sério se os seus autores... não forem do Benfica?
Eu poderia passar anos a fio a defender outra classificação que não a real... mas estou impedido do o fazer... por ser do Benfica?
Ou será moralmente admissível a quem incendiou - há tanto tempo - o futebol português (orgulhando-se disso mesmo) vir agora defender a contenção... por ter quem lhe responda com as mesmas armas?

2. ... As notícias de fragilização dos adversários do Porto são da responsabilidade dos... comentadores?
Na semana passada o Porto jogava contra o Chaves. Durante a semana, a notícia foi que o treinador do Chaves estava de saída e que poderia vir a ser substituído por... Jorge Simão!
Esta semana o Porto vai jogar contra o Marítimo.
Pois a notícia que já vimos é que o treinador do Marítimo estará de saída e que poderá vir a ser substituído por... Jorge Simão!
Estranho, não é?
Mas a culpa só pode ser... dos comentadores.

3. ... O Porto apresenta como testemunhas para o caso Brahimi o médico e o treinador adjunto... por causa dos comentadores?
O CD da FPF decidiu aplicar dois jogos de 'castigo' a Brahimi. Ora, o Porto pediu que o castigo fosse anulado indicando como testemunhas... o treinador adjunto e o médico.
Duas personagens do clube conhecidas pelas suas posições equilibradas e por - quer como jogador, quer como médico com lugar no banco desde há anos - serem das pessoas menos conflituosas que o futebol português tem visto.
A punição manteve-se, o que levou o clube deles a desenvolver mais alguns ataques a quem assim decidiu, numa prova de que continua bem vivo - lá para aqueles lados - o princípio de que 'quem não é por mim, é contra mim' (o Dr. Salazar não os larga)!
A culpa - essa - é, por certo, dos... comentadores.

4. ... O Sporting quer que os clubes percam pontos... por causa dos comentadores?
Durante meses enquanto ia à frente, o seu líder repetia as fanfarronices a que nos habituou. 'Olhem bem para nós que não vamos sair do 1.º lugar'... ou 'é importante dar mais luta'... ou 'a medida do meu sucesso? Ser campeão'... ou 'no final do campeonato haveremos de estar a comemorar muitas coisas', foram algumas dessas pérolas, que não devemos deixar cair no esquecimento.
Pois, perdido tudo o que havia para perder, vai de propor que os clubes possam perder pontos por causa da opinião de adeptos.
O ridículo de confundir liberdade de opinião com a vontade de ver o clube dele campeão... tem limites!
Ou será que, também aqui, a culpa é dos... comentadores?

5. ... E o Porto empatou em casa com o Setúbal e com o Feirense... por culpa dos comentadores?
Sabemos, das previsões a cada jornada, que os adversários do Benfica são sempre mais difíceis que os do Porto (ou do Sporting se a luta for com ele).
Antes de cada fim de semana tentam lançar a ideia que o Benfica tem um jogo de dificuldade máxima e que o Porto (ou o Sporting, porque a 'coisa' vai variando) tem a vitória quase garantida!
Ir a Paços de Ferreira é um grande desafio, mas - sabemos agora - tal não se compara com a dificuldade de jogar em casa com o Vitória de Setúbal!
Ou que ir a Alvalade é - sabemos, também agora - bem mais fácil ou pelo menos tão difícil como jogar em casa com o Feirense.
Ora a culpa deste 8 ou 80, desta falência de todas as previsões, está bem de ver, só pode ser... dos comentadores!

6. ... E a designação acintosa, provocadora e falsa da liga 16/17 como Liga Salazar é culpa dos... comentadores?
O recurso à mentira e aos 'chavões' é a arma dos pobres de espírito que perderam tudo, incluindo a razão!
Ou quase tudo, porque a vergonha, essa, nunca perdem!

Já não falo das voltas na tumba que darão muitos dos dirigentes do Estado Novo que ajudaram o Porto ou dos adeptos que, por razões de 'geografia política', eram mais próximos dessas cores!
Ou do que pensariam muitos dos ex-presidentes que poderiam ter tido essas ideias!

Nem sequer sou um purista dessa invocação, mas não fico indiferente à desfaçatez, à falta de memória propositada, à falta de cultura manipuladora, ao revanchismo provinciano, à estupidez falaciosa que tenta induzir em erro quem poderá vir a acreditar numa mentira, transformada em verdade, por ser repetida indefinidamente!
Por mim, podem chamar-lhe 'Salazar'... embora ache estranho que a Liga, tão preocupada noutros casos, com a defesa dos interesses dos patrocinadores, não mexa uma palha para os defender.
Ou que a NOS, tão diligente em achar que a participação de dirigentes num programa televisivo poderia prejudicar a imagem do patrocínio, não se incomode com o facto de um clube que compete nessa mesma liga NOS, e que é patrocinado pela empresa, adultere a designação oficial da mesma...
Só não quero que lhe chamem 'Quinhentinhos', ... ou 'Apito Dourado', ... 'Conselhos matrimoniais nas vésperas de um jogo', ... ou 'Fruta', ... ou 'Calor da Noite'!
Antes Salazar (com culpa... dos comentadores)!

7. ... Ganhar em Vila do Conde
agora, o importante será ganhar em Vila do Conde onde - se o resultado da Madeira, no dia anterior, for a derrota do clube visitado - vai valer tudo, mesmo tudo!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

PS: Permitam-me discordar do ilustre consócio: em Vila do Conde, vai valer mesmo tudo, mas mesmo tudo... e o resultado da véspera na Madeira, é completamente indiferente...!!!

Apenas 3 ligas por decidir

"Estão a terminar os campeonatos dos principais países europeus de futebol. Na Alemanha, a Baviera continua a ter um Munique o seu já pentacampeão. Sem espinhas. Em Itália,a Juventus também passeou, chegando ao seu sexto scudetto consecutivo. Em Inglaterra, o Chelsea caminha, com um outro tropeção, para vencer a Premier League, apenas levemente incomodado pelo surpreendente Tottenham. Na Turquia, o Besiktas segue directo ao triunfo, tal qual o Spartk de Moscovo na Rússia. Na Bélgica o mais frequente campeão - RSC Anderlecht - também irá consumar o seu título. Na Holanda, parece que o Feyenoord vai voltar a ser campeão depois de um jejum de 19 anos, assim contrariando a hegemonia do PSV e do Ajax. Na Grécia o agora hexacampeão Olympiakos já assegurou o 18.º título nas últimas 20 épocas! E, na Suíça, tudo caminha para que o Basileia alcance o seu oitavo título seguido!
Assim restam três campeonatos onde há, ainda duas possibilidades para os vencer: Portugal, Espanha e, mais remotamente, França. O nosso, entre os habituais Benfica e Porto, o mesmo em Espanha entre Real Madrid e Barcelona e, em França, entre o até há pouco  improvável Mónaco e o PSG. Curiosamente, todos separados por 3 pontos, se dermos como adquirida a vitória do Real Madrid no jogo em atraso que se disputa entre a penúltima e a última jornada (o que já teria sido dito por cá em circunstâncias similares!).
Pelo menos, em emoção, o nosso campeonato está entre os primeiros. Já o mesmo não se pode dizer da 2.ª Liga com as subidas meritórias do Portimonense e Desportivo das Aves (parabéns), bem como da surpreendente descida do Nacional, e de um de dois: Tondela ou Moreirense."

Bagão Félix, in A Bola

Videoanalgésico

"Os principais clubes portugueses têm brindado adeptos e curiosos com "pequenos torneios de circunstância" em que interesses próprios e antagónicos se desafiam. O mais recente é o do legislador. O futebol português transformou-se num enjoativo campo de batalha onde todos reclamam e onde vale (quase) tudo para fundar justificações, porque no fim, nas diferentes camadas de objectivos do campeonato, só ganham uns.
E o crescimento da dificuldade de acesso directo à Champions - em 2018/19 só o campeão estará garantido -, ao que se soma a gorda receita extraível da participação na prova e o potencial desequilíbrio competitivo que a mesma pode decretar no plano interno, é um cenário que promete acentuar clivagens e aumentar o volume e a frequência das queixas da elite, se os clubes, na Liga, não aceitarem disciplinar e disciplinar-se depressa e a sério.
No meio da embrulhada, com contas desportivas por finalizar, o presidente da FPF antecipa o videoárbitro, que, como O Jogo noticia, será uma certeza em todos os jogos do campeonato na próxima época. Com decisões-chave que podem oscilar entre 12 e 15 segundos, o futebol de 90 minutos, como o conhecemos, passará à história.
A questão de fundo, no entanto, será perceber até que ponto o público e os clubes estarão mesmo preparados para uma solução analgésica que, sendo boa em tese até para limitar a agitação, "apenas" promete mitigar erros de arbitragem, não os erradicará. E é válida para todos, contra e a favor."

Benfica apoia videoárbitro e felicita FPF

"O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu forte apoio, satisfação e regozijo pela decisão anunciada, nesta manhã, por parte da Federação Portuguesa de Futebol e do Conselho de Arbitragem, da introdução, já a partir da próxima época, do uso do videoárbitro em todos os jogos da Primeira Liga. 
Decisão que coloca Portugal na liderança do processo de introdução das novas tecnologias ao serviço do futebol, acreditando que se trata de um contributo importante para a melhoria da qualidade e relação entre todos os agentes desportivos.
Esta e outras medidas poderão contribuir verdadeiramente para a modernização e defesa da indústria do futebol, não podendo o SLB deixar de realçar a rapidez e eficácia demonstrada pela direcção da FPF em adoptar práticas que de forma eficaz visam credibilizar as competições.
Um exemplo que deveria ser seguido por outros, porque, no âmbito da Liga, só através de contributos e propostas concretas, apresentadas nos seus grupos de trabalho, se poderá contribuir para uma justiça mais célere, eficaz e com penas agravadas para os prevaricadores.
As propostas de cimeiras sem qualquer efeito prático que se vislumbre são um desrespeito a todos os clubes e SAD que ao longo dos últimos anos contribuíram para uma regulação mais eficaz e uma justiça mais forte.
É chegado o momento de menos conversa e mais ação. É chegado o momento de exigir à Presidência da Liga o respeito e o cumprimento das regras por parte de todos, assumindo os seus deveres e responsabilidades.
Entendendo o Sport Lisboa e Benfica que, se forem inviabilizadas as medidas que visem o reforço das penalizações e o respeito pelas decisões jurisdicionais, terá de existir uma intervenção do Governo como garante do respeito pelas regras no futebol português.
Com esta decisão de introdução do videoárbitro com custos a serem suportados pela FPF, o que se enaltece, e com propostas devidamente apresentadas, assim se constrói e se contribui para o futuro do futebol português."


PS: Infelizmente, não partilho do optimismo do meu Clube!!! No actual ambiente do Tugão, a introdução do vídeoárbitro é muito perigoso!!!

Defendo o vídeoárbitro à muito tempo. Em teoria é uma excelente ideia. Acompanho por exemplo a NFL, onde o vídeoárbitro é importantíssimo no desenrolar das partidas...
Agora, no Portugal de hoje, vamos acrescentar uma nova possibilidade de alterar os resultados. Suspeito que a pressão vai continuar e as interpretações mentirosas vão continuar... Recordo por exemplo o Benfica - Sporting desta época: onde no da seguinte, praticamente todos os ex-árbitros defenderam que tinham ficado 2 penalty's por marcar contra o Benfica...!!! Dias depois, o CA da FPF veio desmentir os 'expert's', e afirmou que com o videoárbitro, nenhuma decisão teria sido alterada...!!!
E os agarrões nas bolas paradas?!!! Vão ser todos penalty?!!!

Na NFL existe uma regra simples, que é importantíssima compreender: o vídeoárbitro só pode alterar uma decisão do árbitro de campo, se as imagens forem inequívocas...! Acredito, que no Tugão, a aplicação deste simples princípio, irá dar polémica, todas as semanas...!!!

E já agora, quem serão os vídeoárbitros?!!! Árbitros do actual 'quadro', ou vão 'recuperar' antigos árbitros... quase todos comprometidos, com os Apitos Dourados e afins?!!!

Benfiquismo (CDLVIII)

Este ano, ainda teremos esta...!!!

Lanças... Finais da 'Champions'!!!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Faltam três

"O Estoril foi a equipa que, no campeonato, melhor jogou na Luz. Não merecia ter perdido, mas - para um benfiquista como eu - felizmente perdeu. Fica demonstrado que a mudança de técnico pode ser mesmo decisiva para transfigurar um plantel.
O Benfica segue isolado na frente há 27 jornadas. Sendo uma prova longa, há sempre jogos excelentes com resultados decepcionantes (veja-se o confronto na Luz contra o Porto), mas também existem jogos no máximo medíocres com desfechos bastante positivos. Foi o caso agora. Graças ao imprescindível Jonas.
O Benfica, de facto, jogou pouco. Falhou golos improváveis, mas evidenciou, sobretudo, uma talvez surpreendente tremedeira naquele que seria, em tese, o menos difícil dos jogos restantes. Os primeiros 20 minutos da segunda parte, com uma notável exibição dos estorilistas, mostraram uma equipa encarnada perdida, dominada, mental e psicologicamente exausta. Difícil de compreender, até porque havia jogado bem melhor no principal obstáculo psicológico do anterior domingo em Alvalade (e sem Jonas...).
Para ser tetracampeão, sem a ajuda de terceiros, tem de fazer 7 dos 9 pontos restantes. E tem sobretudo de jogar melhor, sem a habitual mania portuguesa de achar que o relógio mais tarde ou mais cedo tudo resolverá. Para isso é necessário impor-se, começando os jogos como se eles estivessem nos derradeiros minutos, porque é assim que o candidato a um tetracampeonato deve fazer. E acabar com a excessiva lateralização entre os defesas e o guarda-redes, que cansa só de ver durante largos minutos.
Em Vila do Conde está o jogo-chave. A vitória é meio caminho para o almejado tetra. Força Benfica!"

Bagão Félix, in A Bola

PS: «... domingo em Alvalade (e sem Jonas...)»
Pois, Jonas, é sem dúvida o melhor jogador do Campeonato, e nos últimos 30 metros faz a diferença, mas o Benfica com Jonas e Mitro, fica mais permeável no meio-campo, a 1.ª linha de pressão, perde eficácia (em contraste com a dupla Lima/Rodrigo, por exemplo)... e talvez por isso, desde do regresso de Jonas e a saída do Guedes, temos tido jogos onde a equipa 'parece' não ter o controle da partida...!!!

Campeão da democracia

"A 'Liga Salazar' é o último exemplo de uma campanha insidiosa que tenta ligar o Glorioso ao Estado Novo e que é insultuosa para muitos que edificaram um clube eclético, plural e democrático. Vale a pena rememorar os que se fazem esquecidos e esclarecer os ignorantes.
O Benfica nasceu da vontade de um grupo de rapazes lisboetas de origem popular, com pouco recursos. Esse código genético contrastante deixou marcas: enquanto tivemos vários presidentes de meios oposicionistas (Félix Bermudes, Manuel Conceição Afonso, Ribeiro da Costa ou Borges Coutinho), os nossos rivais eram presididos por figuras do regime fascista (Urgel Horta e Ângelo César no Porto; Casal Ribeiro e Góis Mota no Sporting). Não por acaso, após o golpe militar, o Sporting mudava o nome do Estádio para 28 de Maio, para mais tarde inaugurar Alvalade a 10 de Junho, e o Porto inaugurava as Antas no âmbito das comemorações do 28 de Maio; o Benfica, quando se transferiu para a antiga estância, recuperou o nome Campo Grande e fez questão de inaugurá-lo a 5 de Outubro. Mais tarde, a velha Luz abrira a 1 de Dezembro, porque não ficara pronta a 5 de Outubro. Quem conheça um pouco de história não terá dúvidas quanto ao simbolismo das datas. Sintomaticamente, só em 1971 a Luz albergaria um jogo da selecção nacional.
Foi também o Benfica que viu o seu hino - Avante p'lo Benfica - proibido pela censura, numa altura em que os jogadores deixaram de ser vermelhos e passaram a encarnados. Durante a noite negra do fascino, enquanto os sócios benfiquistas elegiam o presidente em eleições directas, que enchiam a antiga sede do Jardim do Regedor, com filas de gente que chegavam até aos Restauradores, no Porto e no Sporting as direcções eram escolhidas por conselhos de ex-dirigentes e notáveis. 
Uma coisa é clara: o Benfica foi o campeão da democracia durante o Estado Novo. Continuamos fiéis a esse espírito, sem culto de presidentes nem revisionismos do número de títulos ou data de fundação."



PS: Para não deixar dúvidas sobre esta tentativa de revisionismo histórico abjecta deixo alguns testemunhos, de gente insuspeita...




Alfredo Barroso, conhecido Sportinguista:
"E, no entanto, nos tempos da outra senhora, o Sport Lisboa e Benfica chegou a ser considerado como uma referência democrática, um oásis onde coexistiam vozes de todas as origens políticas e em que algumas figuras notórias da oposição ao Estado Novo chegaram a ser membros dos órgãos sociais do clube. Digo isto com tanto mais admiração e à vontade, quanto é certo que sempre fui adepto do Sporting Clube de Portugal, o qual, pelo contrário, era conhecido pelas suas notórias ligações ao Estado Novo e foi quase sempre dirigido por figuras mais ou menos proeminentes da extrema-direita do regime salazarista. Para grande desespero de alguns adeptos como eu que, por carolice ou amor à camisola, nunca viraram a casaca, apesar dos dichotes e bicadas (mais que justas) de muitos adeptos do Benfica."

Mudar para ficar tudo na mesma...

"O futebol português anda a ferro e fogo, perdeu o bom senso, abdicou do equilíbrio e esqueceu os princípios básicos do desporto. Perante este estado de coisas, de pouco valerá discutir alterações pontuais a regras disciplinares. Se não houver medidas de fundo, o progresso possível num país que tem excelentes técnicos e executantes e que podia almejar a outro patamar de visibilidade, será sempre uma miragem e a Liga portuguesa continuará a ver fugir (no ranking e não só) os restantes campeonatos. Por onde passa, então, a solução? Pela aceitação, por parte dos clubes, de vários princípios já testados há muito e em funcionamento nos países onde a indústria do desporto é um caso de sucesso. Estou a falar da segurança, tornando os estádios lugares próprios para as famílias; refiro também a qualidade do espectáculo, só possível se forem instalados mecanismos de aproximação orçamental entre os clubes; e, claro está, respeito por uma arbitragem que melhorará com o vídeo-árbitro (que não resolverá todos os problemas) e que precisa de crescer em transparência para ser credível. Preenchidos estes requisitos, poder-se-á então debater a questão da medida das penas para quem agir contra os interesses do futebol. Fazê-lo no estado actual é acrescentar ruído sem que haja um ganho concreto.
O que falta então para que estes passos sejam dados? Vontade. Dos dirigentes. Aquela vontade firme e inequívoca de quem tem convicções fortes. E aqui é que a porca torce o rabo. Todos falam, falam, falam, mas na hora da verdade acabarão refugiados em clichés que são garantia absoluta de que nada vai mudar. Vai uma aposta?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Emoções à solta no (final da época do) futebol: os desafios do treinador

"Invariavelmente, por esta altura do ano, as máquinas calculadoras saem do bolso e clubes e seus treinadores começam a fazer cálculos matemáticos para aferir a manutenção ou, por oposição, a possibilidade de ser campeão.
É uma fase profícua de emoções pois, quem não está no grande palco a protagonizar jogos de verdadeiro 'mata-mata' (expressão tão bem utilizada por Scolari), assumindo a titularidade pelas suas equipas, está também em grande "reboliço" para tentar garantir ainda os minutos de jogo necessários para "cair nas graças" de algum empresário ou clube, para a época que se avizinha. 
Também neste período, muitos atletas e treinadores vêem a sua disponibilidade mental muito (às vezes, demasiadamente) ocupada com cenários em que os contratos se encontram à beira do fim.
Esta é, por essa mesma razão, a fase em que, possivelmente, as competências de liderança de um treinador mais impacto poderão ter na performance da sua equipa, atendendo a que, por lógica, tudo o que tenha a ver com o seu modelo de jogo e cultura táctica, estará já (desejavelmente) assegurada.
Trata-se, por isso, de uma fase onde serão necessárias competências superiores de gestão emocional e gestão motivacional, sendo que, dada a pouca experiência que os atletas em Portugal têm nesta área (contrariamente ao que se assiste na Premier League, por exemplo), a "responsabilidade" desta gestão e optimização recai, quase sempre, sobre o treinador (muitas vezes, ele próprio em "alvoroço emocional").
Como pode, então, um treinador actuar, no sentido de optimizar ou dinamizar uma "atitude vencedora"?
De uma forma um pouco simplista, mas com algumas orientações importantes, a literatura científica aponta para uma actuação focada em:
1 - Fomentar uma atitude de superação, através do seu próprio comportamento. 
Ter plena consciência do seu próprio comportamento verbal e não verbal, procurando criar mensagens claras (de acção) e ser profundamente coerente em termos de comportamento não verbal. Os atletas são extraordinariamente atentos às flutuações emocionais dos seus treinadores e, por essa razão, detectam muito facilmente quando um treinador não acredita num dado resultado (ex: ganhar um jogo, garantir manutenção, assegurar a subida, etc.).
2 - Transformar envolvimento em compromisso e missão.
Este é, possivelmente, um dos maiores desafios, atendendo a que, com o avançar da época, temos já níveis de saturação emocional acumulados, seja por parte de titulares ou suplentes que, nesta fase, começam "naturalmente" a desligar do processo.
Um conhecimento aprofundado dos atletas que se gere, ajuda, neste caso, a criar cenários e propósitos de superação que, dada a fase da época, devem ser focados a curto prazo (semana a semana, jogo a jogo).
3 - Gerir o medo, a descrença e a desilusão.
Esta é uma fase onde, muitas vezes, assistimos a atletas, às vezes equipas, "congelados" em termos de acção, com uma enorme dificuldade em assumir o risco.
De facto, frequentemente, temos os atletas demasiado sobrecarregados com o "fardo" de ganhar (ou não perder), e isso resulta, invariavelmente, numa sobrecarga de ansiedade e inibição em termos do comportamento, pelo que, os atletas que exibem uma taxa de esforço e de entrega superiores devem ser destacados no grupo, bem como aqueles que assumem o papel de "motor da equipa" em campo: é importante que aqueles que "teimam" em resistir não se sintam "sozinhos" em campo.
Igualmente importante será saber manter, dentro da equipa, um espírito em que se reforça e comemora as "pequenas" coisas que correm bem.
4 - Níveis de concentração elevados = níveis de performance elevados.
Se considerarmos que a investigação nos refere que, por hora, temos mais de 2000 pensamentos... e, se juntarmos a isto, uma sensação de "iminente" derrota, fracasso ou erro... podemos facilmente imaginar que, neste tipo de cenário, a predominância de pensamentos disruptivos pode ser enorme, pelo que, uma das melhores estratégias será investir na optimização do processo de concentração dos atletas (e equipa).
Torna-se, por isso, de extraordinária importância, Focar os atletas em acções que controlem (que dependam só de si), Focados no processo(ex: acção táctica definida) e a curto prazo, reforçando sempre os atletas que se mantém neste tipo de registo (independentemente do resultado).
Indiscutivelmente, esta é "aquela" etapa em que um treinador deve "transpirar" uma "máxima" que se traduz em:
"Crer e querer" - ou seja, acreditar genuinamente na capacidade de superação dos seus atletas, para que se comprometa emocionalmente, ele próprio, com a activação da motivação (= querer) da sua equipa.
Agora, o "campeonato" dos Treinadores está, de fato, ao rubro."

Benfiquismo (CDLVII)

Precisamos de muita 'cabecinha'...!!!

105x68... Concentração nos adversários, que contam para o nosso Campeonato!

Vieira, um presidente diferente

"Pinto Da Costa recebeu auxílio inesperado e curioso. O líder leonino, hábil a dizer coisas, disponibilizou-se para o trabalho mais frenético.

Na última sexta-feira, na Casa do Benfica de Grândola, Luís Filipe Vieira em discurso bem estruturado, considerou ser chegada a hora de os órgãos que dirigem o futebol português "assumirem de forma clara a necessidade de se adoptarem regras mais rigorosas e transparentes que protejam a indústria do futebol".
Reclamou uma disciplina desportiva em que as decisões "sejam respeitadas e não impunemente desafiadas". Uma justiça célere com "regras duras e punitivas, que a todos obriguem a necessária reserva, em defesa de todos os agentes desportivos".
Na mesma intervenção, criticou o silêncio do presidente da Liga. Ao fazê-lo, pactuou com o "crescente clima de intimidação e crispação que alguns quiseram trazer para o futebol português" e perdeu autoridade ao "apenas falar agora", numa alusão ao artigo de opinião publicado em A Bola (25 de Abril), no qual Pedro Proença sugerem que se pousem "machados de guerra" e propõe uma cimeira ao mais alto nível para se discutir em local próprio tudo quanto deva ser discutido para o progresso doo futebol profissional.
Em Grândola, Vieira valorizou a grandeza do Benfica, prometeu manter o rumo, avisou que é preciso lutar "contra muitas adversidades" e pediu que se dê pouca conversa a quem pouco importa. Foi um discurso com força e diferente, feito de esperança, de confiança e de paz.

É verdade que Pedro Proença tem revelado astúcia para passar pelos intervalos dos pingos da chuva sem se constipar, não por receio de problemas ou por ausência de ideias para os resolver. Simplesmente, talvez não tivesse avaliado com a prudência devida a complexidade da empreitada a que se propôs, depois de ter triunfado em processo de ruptura quando derrotou Luís Duque em eleições, o candidato do pastel de bacalhau, respaldado no situacionismo em falência que, sem avisar, o deixou cair.
Proença possui inteligência e ambição bastantes para se bater com os sonhadores do regresso a um passado de "triste memória", como alertou Vieira. Além de, confirma com quem ele lida, ser muito competente e de horizontes amplos, todavia cauteloso nos passos que dá, progredindo com a estabilidade que a sua personalidade lhe determina, talvez mais devagar, mas com mais certeza de serem aceites as soluções por si apresentadas.
Não surpreende, por isso, a resposta rápida que foi dada às preocupações do presidente benfiquista, sintetizada também através de A Bola, na sua edição de sábado, em que se notícia que em próxima assembleia geral da Liga irão ser anunciadas medidas que apontam para o agravamento das penas por condutas indevidas dos agentes desportivos, com multas mais pesadas e penas de perdas de pontos para os clubes prevaricadores.
Ficámos a saber também que as propostas de alterações ao regulamento disciplinar foram desenvolvidas em grupos de trabalho que contaram com a participação de quase todas as sociedades desportivas, nomeadamente Benfica, FC Porto e Sporting.

O chamado jogo fora das quatro linhas foi uma artimanha durante anos movida por sinistras influências que exerceu poder e produziu dividendos. É o passado mau a que se refere Vieira. Favores a árbitros, escolhas para jogos e suas classificações, trocas de treinadores, privilegiando os amigos em detrimento dos independentes, sem olhar a competências, enfim uma teia de interesses e conveniências geralmente acautelada à mesa de restaurantes ou no bulício de estabelecimentos nocturnos. Vivia-se no tempo em que a organização do futebol funcionava ao contrário. As decisões eram tomadas em espaços de restauração e similares e depois transmitidas aos gabinetes para execução. Assim, com este despudor, sem ninguém se comprometer, favor para cá, favor para lá. Até um dia... como é público.

Afinal o que está em causa? "Visto pelos seus seguidores como estratega de inigualáveis dotes, Pinto da Costa sabe que a sua grande dor de cabeça se chama Benfica e a possibilidade de o ver campeão pelo quarto ano seguido corresponderá, em definitivo, não só a mudança de ciclo no futebol português como à sua própria capitulação" texto por mim escrito e publicado neste espaço em Julho de 2015.
O que se passou, entretanto? Pinto da Costa adquiriu infinito prestígio durante os 35 anos na presidência do FC Porto e resiste, embora cada vez mais isolado e temendo que o tetra benfiquista seja a antecâmara do fim do seu longo consulado. Temor que explica a estratégia do vale tudo, o ataque aos árbitros e aos seus dirigentes, a vozeirada de comentadores com ou sem cartilha, a boçalidade de dirigentes e outros agentes. Tudo é bem-vindo se ajudar à confusão, à intriga, à manipulação da opinião pública. Tem sido assim nos últimos três anos.
A diferença é que, ao quarto, Pinto da Costa recebeu auxílio inesperado e curioso, embora de muita utilidade, poupando-o de confrontações que a sua idade já não aconselha. O presidente leonino, hábil a dizer coisas, disponibilizou-se para o trabalho mais frenético, convencido de que, com essa parceria, importunaria o vizinho da mesma rua. Em vez de marcar o seu território e lutar por ele com equidistância dos dois rivais optou por cortejar um, pensando, com isso, fragilizar o outro. Falhou. 
Aumentou a gritaria, sim, mas comprometeu o presente e, se calhar, hipotecou o futuro. Há um ano, por esta altura, o título discutia-se entre Benfica e Sporting. Agora, discute-se entre Benfica e FC Porto.

Fernando Guerra, in A Bola