Últimas indefectivações

sábado, 11 de agosto de 2012

De dedo em riste

"Jorge Jesus, após um jogo de preparação, de dedo em riste, deu um ralhete a um futebolista seu, Ola John. Foi o escândalo, o horror e a indignação! O país desportivo acordou em choque. Os três molhos de folhas tintadas a que chamam jornais desportivos fizeram do acto capa. Os comentadores teorizaram sobre o treinador carrasco e sobre o jogador vítima. Segundo me pareceu, nunca os jornalistas portugueses tinham visto um treinador a dar um ralhete, em público, a um jogador. Nunca. E o acto chocou-os. E o acto indignou-os. E o acto permitiu-lhes tecer comentários sobre o valor do treinador como homem. No dia seguinte, perguntaram à pobre vítima o que achava do vil verdugo. A pobre vítima, para espanto dos inquiridores, não se achava vítima de coisa alguma. Achava normal e nada de especial que o seu treinador o tivesse corrigido com mais veemência.
Em seguida, apurou-se a forma de acertar no alvo: não era o ralhete que se questionava, era o facto de ter sido em público e não no recato do balneário. Garanto que, perante o alarido causado, se fosse agora, o treinador do nosso Benfica certamente teria feito os reparos longe dos olhares sensíveis dos jornalistas sensíveis. Mas, possivelmente, o treinador em causa terá visto anteriores ralhetes públicos que foram encarados como normais pela chusma que agora se indigna. A título de exemplo, a dita chusma não se indignou quando, no dia 7 de Abril, durante um jogo entre o clube do sr. Salvador e o clube do sr. Costa, o treinador Vítor Pereira, aos 25 minutos de jogo e com o resultado empatado, deu um ralhete, de dedo em riste e aparentemente com ameaças, ao árbitro Olegário Benquerença. Também foi em público, foi transmitido pela televisão em sinal aberto para todo o país e, pelos vistos, também foi um treinador a corrigir alguém do seu clube. Não fez capa de nenhum jornal e a chusma achou normal..."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Parcerias de sucesso...

"1. Pelos vistos, andámos todos a pagar o Centro de Treinos do FC Porto ao longo destes anos! E eu que julgava que aquilo era um 'jeito' da Câmara de Gaia... ou de Luís Filipe Meneses, há muito desejoso de 'saltar' para a autarquia vizinha do Porto. Enquanto o Benfica e o Sporting tiveram de investir a sério nos seus centros de treino do Seixal e Alcochete, respectivamente, e mês após mês têm que pagar a manutenção daquelas úteis infra-estruturas, o FC Porto viu ser-lhe oferecido um centro de treinos de mão beijada e, agora, até viemos a saber que a Fundação PortoGaia, que está na base daquelas instalações, recebeu, entre 2008 e 2010, nada menos de 4,2 milhões de euros de 'apoios financeiros públicos', ou seja, de todos nós... Luís Filipe Meneses, interrogado sobre esses 4,2 milhões (e quando não terá sido pago antes?...), lá explicou que eram as 'últimas prestações' daquele equipamento municipal. E Pinto da Costa, que receber a medalha de ouro daquela cidade no decorrer da cerimónia do 10.º aniversário do centro de treino que o FC Porto passou a ter sem nada gastar, classificou a ligação com a Câmara de Gaia de 'parceria de sucesso'. Pudera...

2. Matias Fernandez foi, ao longo das últimas épocas, menino querido dos adeptos do Sporting e era sempre apontado como jovem jogador de grande potencial e uma grande mais-valia para o clube, susceptível de vir a dar uma grande receita. De repente, foi vendido por 'tuta e meia' (três milhões de euros, pouco mais do que custou), com promessa de mais um milhão e meio caso a Fiorentina venha a ter êxitos na Europa. A notícia, ao contrário do que se esperaria, não foi que o Sporting tinha ficado mais fraco e tinha vendido mal. Não, o que foi dado a entender é que tinha sido um excelente negócio, pois o jogador iria terminar o contrato no final da época e depois sairia a custo zero. Mas não vi escrito, em lado nenhum, que o Sporting falhou (é o termo...) a renovação com o jogador.
Outra: Onyewu, tão elogiado na época passada, está agora com um pé fora do Sporting porque é caro e a muito elogiada política do Sporting, agora, é 'emagrecer a folha salarial'. Mas quem foi que, ainda há um ano, resolveu pagar 900 mil euros/ano ao jogador?
Enfim, naquela SAD tudo parece perfeito. É o que dizem os jornais..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Um "treino" agradável

"1. Gostei da exibição e da atitude da equipa na Eusébio Cup, com o Real Madrid. O resultado fez-me lembrar velhos (e saudosos) tempos. Claro que os 5-2 têm pouco significado, embora o jogo não tenha sido propriamente o treino que Mourinho, sempre com muito mau perder, refere. Mas agradou...

2. Não dá para perceber. Os dirigentes do Sporting andaram toda a semana antes do jogo na Luz - o célebre jogo do fogo nas bancadas - a 'incendiar' os ânimos a propósito da caixa de segurança que o Benfica estreou nesse dia e que não é mais que a utilização de um dispositivo já habitual em muitos estádios por esse Mundo fora. Depois, com dirigentes do Sporting presentes, os seus adeptos, descontentes com a derrota, pegaram fogo às bancadas e o seu não menos célebre vice-presidente, Paulo Pereira Cristóvão, veio com muito infelizes declarações à Imprensa. Passados uns meses, o que se passa? O Sporting ainda não foi julgado pelos actos dos seus adeptos, nem tão pouco foi obrigado a pagar as elevadas despesas a que o Benfica se viu obrigado para repor as bancadas em condições. Os seus dirigentes, que antes incendiaram os ânimos e depois tentaram justificar o injustificável, nada sofreram. E o castigado, por um pequeno arrufo com um dirigente do Sporting, foi... Luís Filipe Vieira. Enfim...

3. Já aqui o disse e repito. Quando quero comprar sapatos desportivos opto pela Adidas, pois é a marca que apoia o Benfica. O que não quer dizer que não critique a demasiada utilização de equipamentos alternativos e não venha agora aqui mostrar o meu profundo desagrado pela escolha do equipamento da Selecção de Atletismo que estará nos Jogos Olímpicos. Já achei muito mal (apesar de todo vermelho) o equipamento (de outra marca) no Europeu. Agora, a Selecção de Atletismo vai toda de verde, neste caso, não acho bem pelas mesmas razões (Portugal é vermelho e verde e deveria ser obrigatório a camisola ser vermelha e os calções verdes), a que se junta (e aqui é uma questão de gosto pessoal) a cor escolhida. Seria bom que houvesse legislação obrigando a uma uniformização.
Depois, em matéria de golas, rebordos, riscas, etc., cada marca seria livre de escolher. A Adidas esteve muito infeliz neste caso. E a Federação de Atletismo idem."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Super-finalista !!!



Independentemente daquilo que acontecer daqui bocado - às 10:14 da matina!!! -, estes Jogos Olímpicos confirmaram a grande qualidade da Teresa Portela. Participou em 3 provas, e conseguiu 2 Finais A, e uma Final B...
Amanhã, depois daquilo que se passou nas eliminatórias, não é favorita, de todas as 8 finalistas, foi aquela que fez o pior tempo. O programa muito pesado desta semana, pode explicar as dificuldades que a Teresa teve em qualificar-se - a diferença para a Australiana que ficou em 4.º, foi somente de 0.33 seg.!!! -, algo que em competições futuras deve ser equacionado...
Mas as diferenças são pequenas, entre a All-Black Carrington - com o melhor tempo -, e a Teresa, ficaram 1,34 seg. !!! A canoísta da Nova Zelândia é a única 'não europeia', e no último Europeu - em Junho -  a Teresa ganhou o Bronze, nesta prova, atrás da Húngara e da Polaca, mas várias atletas que parecem estar agora em grande forma, não estiveram na Final do último Europeu, como a Ucraniana e a Espanhola, homónima da Teresa!!!
Uma curiosidade: em todas as regatas de K1 que a Teresa participou, ficou sempre em 3º lugar!!! Tanto nos 500m como nos 200m!!! A diferença foi que nos 200m, o tempo que fez foi suficiente para ser qualificada como uma das terceiras com o melhor tempo... Amanhã, se a coincidência voltar a repetir-se, todos ficaremos muito contentes!!!
Força e Parabéns antecipados...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Mais um enorme 6º lugar !!!



Na sua segunda final Olímpica - em dois dias -, a nossa Joana Vasconcelos, voltou a ficar em 6º lugar. A ainda sub-23 canoísta Portuguesa, que representa do Benfica, acompanhada pela mais experiente Beatriz Gomes, desta vez no K2 500m, voltou a competir ao mais alto nível...
Antes destes Jogos, a Canoagem Feminina Portuguesa, nunca tinha conseguido uma Final Olímpica... nesta Final as Portuguesas não eram favoritas, fizeram quase toda a prova em 4.º, mas a meio da prova pensei que seria possível obter uma medalha, já que a embarcação Polaca que estava em 3.º, parecia que ia quebrar - mas tal como elas explicaram no final -, foram as Lusas a quebrar nos últimos 150 metros, e assim, caíram para um muito bom 6.º lugar, ultrapassadas pelas Chinesas e Austríacas...!!! Parabéns às duas...
Antes desta Final Olímpica, a Teresa Portela participou na Final B, do K1 500m, e tal como eu 'pedi', fez aparentemente, uma prova evitando o desgaste, já que amanhã terá outra prova muito importante... Como é seu hábito partiu muito bem, mas depois baixou o ritmo e fez gestão de esforço, terminando em 3.º. Sendo assim, ficou no 11.º da geral, nestes Jogos.
A Teresa é muito forte no K1 200m, o desgaste das muitas regatas que já fez, podem a prejudicar, mas são 'só' 200 metros!!! Força Teresa...!!!

Futebol olímpico e a linha de fronteira

"Para o Brasil este torneio olímpico de futebol muito nos faz lembrar o que a Taça da Liga tem sido nestes últimos quatro anos para o Benfica: um relativo passeio

NO princípio da semana os jogadores da selecção olímpica de futebol da Coreia do Sul receberam uma promessa oficial do Estado: uma vitória sobre o Brasil nas meias-finais do torneio e ficavam todos livres da tropa.
O jogo foi anteontem. Como seria de esperar, não tardará muito e os futebolistas sul-coreanos lá estarão garbosamente fardados a patrulhar a linha de fronteira com a Coreia do Norte. Ossos do ofício.
Quanto ao Brasil embala agora para aquela que será a sua primeira vitória olímpica na modalidade do futebol. Outra coisa não será de esperar. E já muito tardou, não é?
Para o Brasil este torneio olímpico de futebol muito nos faz lembrar o que a Taça da Liga tem sido nestes últimos quatro aos para o Benfica: um relativo passeio. E como uma olimpíada são quatro anos, está mais do que justificada a analogia.
Aconteceu que os concorrentes directos do Brasil ao ouro do futebol em Londres foram caindo como paspalhos pelo caminho e até a Grã-Bretanha, que jogava em casa e era uma favorita, caiu na eliminatória com os sul-coreanos poupando-se assim ao trabalho de ter de defrontar o superpoderoso Brasil na meia-final do torneio.
- Desta já estamos livres! - disse, com certeza muito aliviado, o presidente do Comité Olímpico lá do sítio.
O Brasil espera, assim, festejar o seu primeiro título olímpico muito brevemente. Vai ser uma festa, merecida. Para o presidente do FC Porto e para os portistas em geral o sucesso da selecção brasileira nos Jogos de Londres é também importante, importantíssimo do ponto de vista da comunicação, que é como se chama agora quando as pessoas falam.
Já faltam poucos dias para o grande evento terminar e, como todos sabemos, os nossos atletas têm tido uma vida difícil em Londres. Excepção feita aos nossos canoístas Pimenta e Silva que, quando já ninguém acreditava arrancaram o segundo lugar na final de K2 1000 metros mais as respectivas medalhas de prata. O país, já de si deprimido, vinha a encolher-se ainda mais com a ausência de galarim, hino e medalhas, como se estas coisas não estivessem todas ligadas. Como se o que custa fabricar um campeão olímpico não valesse uma fortuna.
Até ao brilhante dos nossos canoístas em Londres tudo levava a crer que as únicas medalhas que viriam de avião para Portugal viriam apenas por empréstimo, viajando nas bagageiras de Hulk, Danilo e Alex Sandro, os três jogadores do FC Porto em missão olímpica ao serviço do escrete:
«Que tragam uma medalha para o FC Porto», foram os votos do presidente do FC Porto, recentemente expressos em declarações a O Jogo. Compreende-se pelas mais diversas razões. Desde a valorização da mercadoria (e são logo três activos) à valorização, ainda que substancialmente abusiva, do próprio clube e à propaganda da tradição de resultados de excepção num país onde a regra é a mediania.
O feito não deixará de ser devidamente incensado. Os portugueses, do Minho ao Algarve e ilhas adjacentes , só conseguiram desenrascar duas medalhas na canoa mas lá a Norte, numa pequena aldeia de irredutíveis patriotas festejou-se bravamente a conquista de nem uma, nem duas mas sim de três medalhas.
Portugal, 2 - FC Porto, 3, é este o resultado do jogo olímpico até ao momento. Assim cantará o bardo enquanto se assam dois javalis no famosíssimo olival financiado a 84,4% por dinheiro do Estado.
Não deixará de constituir uma grande falta de respeito pelos nossos atletas olímpicos que fizeram todos o melhor que puderam tendo em conta que não recebem do Estado as mordomias e incentivos com que outros têm sido bafejados ao longo dos anos. Sorte de uns, azar de outros.
Enfim, é desporto ao mais alto nível.

O site Negócios-online avançou com uma notícia não mais do que curiosa. Esta: «A Porto-Gaia, fundação criada em 1999 para construir e gerir o centro de estágio do Futebol Clube do Porto, é uma das que pode ser extinta por ter tido uma das piores avaliações no censo efectuado pelo Governo: 84,4 % das suas receitas provêm de dinheiros públicos. Entre 2008 e 2010, a fundação recebeu 4,234 milhões de euros em apoios financeiros públicos.»
A notícia veio a lume na sexta-feira.
No domingo, o centro de estágio do FC Porto foi palco da festa e da cerimónia do 10. º aniversário da inauguração do dito complexo desportivo e contou com a presença dos dois presidentes, o do FC Porto e o da Câmara Municipal de Gaia.
Houve discursos. O presidente do FC Porto definiu a ligação do clube com a autarquia como «uma parceria de sucesso». Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Gaia optou por uma metáfora de índole conjugal e chamou-lhe «um casamento perfeito».
O presidente do FC Porto também se referiu com palavras de elogio à qualidade dos jogadores de futebol da equipa B do clube.
Sobre a notícia da antevéspera, veiculada pelo Negócios nem uma palavra nem do presidente nem do edil.
Provavelmente porque ninguém lhes perguntou nada sobre o momentoso assunto. Se calhar nem havia jornalistas presentes. Era apenas uma festa. E festa é festa.

ESTÁ mesmo a chegar a época oficial de 2012/2013 e ninguém pode garantir, entre os adeptos dos três grandes, que as suas equipas estão feitas e fechadas ou que ainda vai haver grandes surpresas, entre saídas e entradas, até ao final deste mês de Agosto quando fechar o mercado de Verão.
No Benfica continua a saga do defesa-esquerdo e a novela de Witsel, no Sporting continua Adrien a fazer a vida negra aos seus patrões e no FC Porto continua Álvaro Pereira a demorar muito mais a sair do que os 4 minutos que demorou a decidir entrar pela porta do Dragão. Os presidentes dos três grandes têm sido muito cautelosos nas suas declarações públicas sobre o mercado.
O menos cauteloso de todos, até ao momento, tem sido Pinto da Costa:
«O plantel está completo. Entradas não prevejo nenhumas e, pela realidade, nada nos faz prever que alguém saia. Parece que já saiu meia equipa, a aldrabice não paga IVA...», disse o presidente do FC Porto, afirmando assim, de uma assentada, duas verdades universais.
O plantel está fechado, uma.
A aldrabice não paga IVA, duas.
De qualquer forma e com todo o respeito, acredito menos na primeira verdade universal e mais na segunda verdade universal.

VERDADE, verdadinha é que o chileno Matías Fernández já saiu do Sporting e já está na Fiorentina. Foi à sua vida como outros irão. No sábado teve o seu primeiro frente-a-frente com a imprensa italiana. Perguntaram-lhe logo quem era o seu ídolo, o seu modelo do jogador. Respondeu sem hesitar: «Maradona e Aimar, do Benfica.»
Matías Fernández não pensa, certamente, voltar a jogar um dia no Sporting. E fique ciente que no FC Porto também passou a ter as portas fechadas. Não lhe bastava dizer «Aimar» como ainda tinha de acrescentar «do Benfica» para que não restassem dúvidas.
Exagero? Não, nem pensar.
O reforço colombiano do FC Porto, Jackson Martínez, acabadinho de aterrar no nosso país contou numa entrevista a O Jogo como foi recebido no aeroporto: «Quando cheguei deram-me as boas vindas e depois falaram-me logo da rivalidade com o Benfica. Era Benfica, Benfica, Benfica...»
Exagerar? Sim. Com IVA ou sem IVA? Vá lá saber-se..."

Leonor Pinhão, in A Bola

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

As medalhas

"Para Portugal, os melhores Jogos Olímpicos foram os de Atenas. No primeiro dia, numa conjugação feliz de mérito e oportunidade, Sérgio Paulinho curou à nascença a habitual virose de medalhite, que costuma inocular pelo orgulho extremoso na passeata da bandeira na Cerimónia de Abertura e irromper em forma de delírios lancinantes de quem não tem a mínima noção da realidade desportiva nacional e internacional, cinco ou seis dias depois, quando se avoluma a contagem de “deceções”, “frustrações” e “desilusões” e a de outras tantas medalhas “falhadas” por um grupo de “privilegiados” que, afinal, ninguém conhecia. Sem uma medalha na primeira semana, antes do início do Atletismo, os nossos proto-heróis olímpicos transformam-se em vergonha nacional – e adeus até daqui a quatro anos.
Os Jogos de Londres coincidiram com as férias do futebol e os portugueses foram obrigados a descobrir, num misto de espanto e ignorância, que há compatriotas capazes de jogar pingue-pongue, pedalar, velejar, remar, pagaiar ou atirar a um nível superior ao que, habitualmente, a maior parte das estrelas da bola praticam o seu desporto, dito Rei.
De quatro em quatro anos, descobrem que cerca de 80 jovens garantiram, por vias insondáveis, o direito a estarem presentes na maior competição, passando à margem das polémicas mediáticas, das más arbitragens ou da desorganização nacional. Em torno do desporto não há debates televisivos por painéis de entendidos, chicotadas psicológicas de treinadores, dirigentes sob escutas policiais ou orçamentos obscenos.
Mas a admiração e respeito que todos os atletas merecem não invalidam a necessidade de reorganizar o movimento olímpico, otimizando os recursos humanos, de enorme valia, que o país já conseguiu gerar e que estão subaproveitados."

Os JO desde do Alentejo (II)

"Depois de diplomas (adquiridos sem equivalências), dois bravos portugueses conquistaram, com brilho, em canoagem, a medalha mínima garantida e colocam-nos no quadro dos 76 países já medalhados.
O que gosto nos JO é do ecletismo universal e do pormenor personalista, ainda que muitas vezes maltratados pela obsessão de vitórias a todo o custo.
O que sempre retenho é o desportivismo da generosidade na vitória e da serenidade no desaire. Este ano, houve a riqueza humana da comoção do atleta dominicano Félix Sanchez, nos 400m barreiras, transportando anos de sofrimento, luta e memória familiar. Houve o francês 2.º classificado dos 3000m obstáculos a pegar literalmente ao colo o queniano vencedor, envoltos numa espécie de bandeira mista. Houve e expressivo depoimento de Jéssica Augusto («Fui um peixinho entre tubarões»), o sorriso tão simples quanto verdadeiro de Dulce Félix após o desfalecimento na meta e o grande exemplo de Clarisse Cruz nos 300m obstáculos. Houve o choro da decepção do sonho de ginastas e a alegria partilhada de vencedoras. Houve o soberbo trajecto da maratona pelas entranhas de uma Londres tão bela quanto acolhedora. Apenas exemplos de deliciosos detalhes que nesta coluna não cabem.
Mas estes JO também deram lugar a batotas. Desde castigadas equipas de badminton que fizeram por perder para influenciar partidas seguintes, até à vergonha no basquetebol em que a Espanha forçou a sua própria derrota contra o Brasil para evitar os EUA antes da final. Ou do argelino que fingiu lesão nos 800m para depois, são que nem um pêro, ganhar o ouro nos 1500m!"

Bagão Félix, in A Bola

Os JO desde do Alentejo (I)

"Sempre que posso tenho acompanhado, no Alto Alentejo, os Jogos Olímpicos na - para mim - mais bela cidade do Mundo. E com a enorme vantagem do mesmo fuso horário. Do que já vi, escrevinho nesta semana apontamentos do que mais me impressionou ou surpreendeu. Tenho presente a notável asserção de Virgílio Ferreira: «o importante não é o que acontece em nós desse acontecer.»
1 - A até agora sofrível representação nacional, se exceptuarmos o ténis de mesa, o 7.º lugar da maratonista Jéssica Augusto e, sobretudo, o magnífico 5.º lugar no double scull com Pedro Fraga e Nuno Mendes. Aqui se pode dizer, quase literalmente, que remaram contra a maré.
2 - O notável jogo de basquetebol entre os Estados Unidos e a Nigéria, onde se marcaram 229 pontos (uma média de 10,48 segundos por ponto dos 156 americanos e os não excepcionais 73 dos africanos!).
3 - O desinteresse de uma modalidade que destoa nos JO: o sacrossanto futebol. A Espanha bicampeã europeia e mundial não marcou nenhum golo contra o Japão, Honduras e Marrocos! Umas meias-finais que além do Brasil tiveram o Japão, a Coreia do Sul e o México. Curioso haver futebol e não râguebi nos JO...
4 - As belíssimas jornadas de ginástica, sobretudo feminina, agora aparentemente com menos crianças exploradas e escravizadas até à alma.
5 - A ausência de transmissão televisiva (pelo menos do que pude observar) de desportos que raramente há a oportunidades de ver fora dos JO. Refiro-me, em particular, ao hóquei em campo. Uma pena, como pena é a sua fossilização em Portugal desde os tempos do quase sempre campeão Ramaldense."

Bagão Félix, in A Bola

Dia Histórico para a Canoagem Portuguesa...



Parabéns ao Emanuel Silva e ao Fernando Pimenta pela conquista da Prata Olímpica no K2 1000m. Não foi uma prova fácil, mantiveram a calma, não exageraram no início, e no final, até podiam ter ganho o Ouro...!!!

As raparigas no K4 500m ficaram em 6º. A diferença para as medalhas foi significativa, mas o 6º lugar Olímpico é um excelente resultado... foi, justamente, ofuscado, pela Prata dos rapazes, mas as 'meninas' devem estar orgulhosas e confiantes para as provas que ainda faltam...
Se a Joana Vasconcelos, amanhã na final do K2 500, com a Beatriz Gomes, não vai ter vida fácil (não são favoritas às medalhas, mas...), a Teresa Portela amanhã na Final B do K1 500 deverá gerir o esforço, porque na Sexta-feira tem as qualificações do K1 200m, prova onde pode chegar longe, se não estiver desgastada...
Aliás, recordo que o Fernando Pimenta conseguiu a qualificação no K1 1000 para estes Jogos, mas a Federação não permitiu que o Fernando fosse ao K1 1000, para não se desgastar, concentrado todas as suas forças no K2 1000. Decisão polémica, que levou inclusive à criação de Petições Públicas... Felizmente o tempo, veio dar razão à Federação. No sector feminino não houve esta preocupação, espero que não seja fatal para a Teresa!!! (agora é fácil falar, mas se calhar a participação no K1 500m era escusada, digo eu...)...



PS: Não tenho a estatística oficial, mas será curioso no final destes Jogos fazer-se o balanço: provavelmente vamos chegar à conclusão que estes Jogos Olímpicos, serão aqueles, com mais Top-8 (finalistas, com direito a Diploma Olímpico), e quase de certeza absoluta, aqueles com mais Top-16 (semi-finalistas)!!! Que alguma vez uma Missão Portuguesa conseguiu!!! Se não forem, será por muito pouco... 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Mais uma boa jornada Olímpica, com as pagaias...!!!

Grande dia para a Joana Vasconcelos que aos 22 anos, conseguiu qualificar-se para mais uma Final Olímpica (já é a segunda...!!!). Com a ajuda da Beatriz Gomes, no K2 500m, fizeram história... numa meia-final (repescagem) muito emotiva, valeu a pena sofrer... Na Canoagem os tempos não são o mais importante, já que as condições mudam rapidamente, mas a nossa tripulação das equipas qualificadas para a Final, foi a que fez o pior tempo, isto não quer dizer que as Medalhas são impossíveis, mas será improvável, até porque a embarcação Chinesa intrometeu-se entre as melhores Europeias... Parabéns às duas !!!

Foi por muito pouco que a Teresa Portela não se conseguiu qualificar para a Final A no K1 500m. Foi 3º na sua série, sendo que as duas primeiras de cada meia-final qualificavam-se directamente. O melhor tempo das terceiras classificadas foi repescada, mas a Teresa fez o pior tempo das três meias-finais!!! (muito injusto comparar tempos, com condições de corrida diferentes)... Assim na Quinta-feira, a Teresa vai disputar a Final B, que vai determinar a classificação Olímpica entre o 9º  e o 16º lugar. Espero que a Teresa estrategicamente não se desgaste na Quinta-feira na Final B nesta prova, já que na Sexta-feira - e no Sábado se tudo correr bem... - vai disputar o K1 200m, prova onde é muito forte, sendo inclusive favorita às medalhas... Hoje, acredito que a Teresa tenha ficado desiludida por ter ficado à beirinha de uma Final Olímpica, mas amanhã vamos ter a Final do K4 500m e no Final da semana o K1 200m, portanto ainda existe muito para conquistar... Força Teresa...

Em 4 provas na Canoagem, Portugal consegue 3 Finais A, e 1 Final B, sendo que ainda pode atingir outra Final A...!!! Esta já é a melhor participação (no geral) de sempre da Canoagem Portuguesa nos Jogos Olímpicos (o 6º lugar do José Garcia em Barcelona, era até agora o 'solitário' melhor resultado...). O potencial sempre existiu, mas a desorganização da modalidade foi um entrave enorme. Chegámos a ter duas Federações em simultâneo!!! As condições naturais de Portugal são excelentes, para a prática da modalidade em todo o País, praticamente todos os profissionais Europeus, passam o Inverno em Portugal: em Ponte de Lima, em Crestuma, em Montemor-o-velho, em Avis, em Mértola...!!! Com um projecto a longo prazo, apoiando os praticantes, Portugal tem condições para se tornar numa potência nesta modalidade, a par da Alemanha e da Hungria... Nos meus tempos de estudante do secundário, formou-se um clube de canoagem na minha escola, e em muito pouco tempo, os resultados desportivos apareceram... basta existir alguma vontade...
O Projecto Olímpico do Benfica tem neste momento 3 Canoístas, pessoalmente acho que a aposta deve ser reforçada... em conversa informal dizeram-me que o protocolo, que o Benfica efectuou aquando da aquisição da Teresa Portela e do João Ribeiro, pode não estar a ser cumprido na totalidade por parte do Benfica!!! Espero que não seja verdade...

O Arnaldo Abrantes foi eliminado nas eliminatórias dos 200m, mas efectuou um bom tempo, novamente abaixo dos 22 segundos, confirmando a boa marca obtida em Lausane recentemente... Ao contrário de outras ocasiões teve alguma sorte na pista, já que o holândes Martina - finalista dos 100m - ficou à sua frente, transformando-se numa excelente 'lebre'!!!
O Arnaldo ainda tem alguns anos de competição pela frente, mas provavelmente o Luís Lopes - comentador da RTP - tem razão: se calhar deveria tentar passar para os 400m!!!

O Bruno Pais terminou a prova do Triatlo em 41º. Estava à espera de um pouco melhor, talvez entre o 20º e o 30º lugar... mas o Bruno não conseguiu 'apanhar' o pelotão na prova de ciclismo, e isso acabou por ser decisivo na sua prestação...

PS1: Uma nota para o excelente 9º lugar do João Silva no Triatlo. O jovem da Benedita, estudante de Medicina com excelentes notas, que tem o enorme azar de ser Sportinguista, fez uma excelente prova, talvez demasiado 'agressivo', devia ter-se 'escondido' um pouco mais no Ciclismo, e no Atletismo aquela saída com os Ingleses foi demasiado temerária!!! Mas se tudo correr bem, ainda terá pelo menos mais 2 Jogos Olímpicos na sua carreira...

PS2: Já que estou numa de elogios, tenho que revelar a extraordinária participação do Hipismo Português. A primeira modalidade a trazer medalhas para Portugal está a ter um Jogos extraordinários... e se nos Saltos pode-se sempre 'criticar' a naturalização da 'amazona' Luciana Diniz; no Dressage, com um cavalo Lusitano, é extraordinária a qualificação para a Final...!!!
Aqui está outra modalidade Olímpica muito mal explorada em Portugal, eu sei que os cavalos de competição são caros, mas mais uma vez as condições naturais do País, a própria tradição Olímpica, deveria obrigar Portugal a participar com regularidade nas grandes competições, com resultados consistentes, inclusive nos competições colectivas...

PS3: Já assisti mais do que uma vez, a jogos da selecção de Voleibol feminino do Japão, inclusive noutras competições. Hoje voltei a ver o confronto com a China. Não tenho dúvida em afirmar que esta equipa, é provavelmente nos desportos colectivos, a equipa que melhor representa o espírito Olímpico!!! A garra e a alegria com qual jogam, é contagiante, espectacular... recomendo a todos!!!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Entrevista a Maxi Pereira



"...
-Nesta casa sabemos bem o nível de exigência e nunca nos demitimos de lutar por todas as provas em que estamos inseridos. Mas não vale a pena apregoar títulos ou conquistas, publicamente, temos sim de estar todos focados em melhorar todos os dias, tendo em vista um objectivo comum, que é ganhar. O nosso primeiro jogo é com o Braga, em casa, e é nesse que temos de estar focados. Não faz sentido estarmos a pensar na última jornada se ainda nem sequer disputámos a primeira. Há uma coisa que os adeptos do Benfica podem contar: vamos lutar pela vitória do primeiro ao último minuto de cada jogo...
-... o actual plantel é melhor que o da época passada...
-Essa não é uma avaliação justa de se fazer...
Não gosto de entrar em comparações. Importante, nesta altura, é estarmos a trabalhar bem, crescendo juntos diariamente para estarmos prontos para o arranque oficial da temporada. Temos um plantel de qualidade, unido e solidário, que está a cimentar a sua qualidade para a exigente época que se aproxima.

ENTRAR A GANHAR NA LIGA
-O Benfica não tem sido particularmente feliz nos arranques do campeonato... e na era Jorge Jesus nunca conseguiu entrar a ganhar...
-Estamos a trabalhar bem, consolidando um estilo de jogo que nos caracteriza e que é uma das nossas imagens de marca, existindo uma identificação muito clara em relação às ideias do treinador. Neste plantel, sabemos o que temos de fazer e existe uma união muito grande entre todos. Estamos a evoluir diariamente para entrarmos bem no campeonato, perante o nosso público, com a certeza que tudo iremos fazer para conquistar a vitória...
-... De onde vem, afinal, tanta energia?
-Quando começa uma época nunca penso se vou fazer 10, 20 ou 50 jogos, mas sim em preparar-me bem para estar em condições para todas as partidas. Não há uma fórmula secreta, mas sim a conjugação de vários factores, que passam por estar sempre disponível para competir, em termos mentais. Adoro estar dentro de um relvado a fazer o que mais gosto.

ELOGIOS A JOÃO CANCELO
-... é para já, o concorrente de Maxi...
-Miúdo com muitas ganas e qualidade, que entrou bem no grupo... rápida integração...


«Sinto muito esta camisola»
Sente-se «orgulhoso e privilegiado» pelo carinho dos adeptos e o percurso no clube
-Apontado por muitos como exemplo que deve ser um jogador à Benfica...
-Não gosto muito de falar de mim... Agradeço a distinção e sinto o carinho das pessoas, mas esta é a minha maneira de ser, tanto num estádio como na vida. Sinto muito esta camisola e este clube, e tenho um enorme orgulho em representá-lo, mas não me vejo como um símbolo. Símbolo é o Eusébio. Mas, é claro, fico muito orgulhoso por sentir o apoio de uma massa associativa que é única e tento sempre retribuir esse carinho, com a certeza de que sempre farei tudo para honrar esta camisola e este símbolo.
-... não imaginava construir um percurso tão marcante.
-Sinceramente não, porque no futebol tudo se passa muito rápido. Agora, olhando para trás, sinto-me um privilegiado por já ter atingido esta marca (206 jogos oficiais). É, de facto, um motivo de orgulho e uma responsabilidade extra para continuar sempre a aplicar-me nos treinos e nos jogos.
-...terminar a carreira no clube.
-Ainda tenho muito para dar. Renovar contrato pelo Benfica foi um sinal claro da confiança das pessoas nas minhas qualidades. Foi um passo conjunto que sempre quisemos dar e que me deixou muito orgulhoso. Adoro estar no Benfica, que é um dos grandes clubes europeus, sinto-me realizado em Portugal e a minha família também gosta muito de cá estar. Não vejo motivos para pensar em sair... mas também ainda não penso em acabar a carreira...

-...
-Um jogador com a qualidade e o carácter de Salvio é sempre bem vindo, especialmente se já está ambientado e sabe da grandeza e nível de exigência do Benfica. O Salvio, assim como todos os jogadores do plantel, irá ajudar-nos a sermos mais fortes. Se vou reeditar a dupla de sucesso com ele? Essa é uma questão para o mister Jorge Jesus..."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

No bom caminho...



As nossas 'meninas' Teresa Portela e Joana Vasconcelos, acompanhadas pela Helena Rodrigues e a Beatriz Gomes, conseguiram qualificar-se directamente para a Final do K4 500m, sem ter que passar pelas respescagens. Nas duas eliminatórias os vencedores tinham acesso directo à Final, Portugal ficou em 2º, mas como foi dos 'não qualificados' a equipa mais rápida, teve acesso directo, à Final.
Depois do mau início dos Jogos para Portugal, antevi que a Canoagem seria a nossa melhor hipótese para conseguir Medalhas... para já as coisas estão a correr bem, mas é preciso lembrar que a Alemanha e a Hungria são as grandes favoritas (quase impossível derrotar estas duas equipas), e que nas repescagens (meias-finais) que se seguiram... que qualificaram a Polónia, a Bielorússia, a Rússia, a Grã-Bretanha e a França para a Final, só as Franceses fizeram pior tempo que as Portuguesas (na Canoagem o vento condiciona muito as marcas, portanto pode não ser significativo...), isto pode dizer que as equipas que foram às repescagens, sabendo que a Hungria e a Alemanha são muito fortes, resolveram poupar-se nas eliminatórias... portanto o '3º lugar' de Portugal no dia de hoje, não faz da tripulação Portuguesa favorita ao Bronze... será muito duro, mas é possível, nesta final Olímpica totalmente Europeia (recordo que recentemente esta equipa ficou em 5º lugar no Europeu, nesta prova, atrás da Alemanha, Bielorússia, Hungria, e Grã-Bretanha).

Amanhã a Teresa Portela vai competir no K1 500m, onde é uma das favoritas à final (recentemente ficou em 3º lugar no Europeu no K1 200m), e a Joana Vasconcelos (com a Beatriz Gomes) também vão competir no K2 500m, onde também são favoritas para chegar à final (recentemente ficaram em 3º lugar nos Europeus no K2 200)... A Canoagem de velocidade ao contrário por exemplo do Remo, é um desporto dominado normalmente pelos Europeus, portanto estes resultados recentes das nossas canoístas dão-nos esperanças...

PS1: No K2 1000m a dupla Portuguesa, Emanuel Silva, Fernando Pimenta, também conseguiu a qualificação para a Final, mas tiveram que ir às repescagens (meias-finais), depois de na elminatória terem sido ultrapassados nos metros finais pela Hungria, depois de um erro infantil do Pimenta!!! E o esforço extra das eliminatórias, podia ter sido fatal nas repescagens (1 hora depois), onde conseguiram o 3º lugar, o último que dava a qualificação!!! Também aqui a Hungria e a Alemanha são as grandes favoritas seguidas da Eslováquia...

PS2: Depois do início desastroso da comitiva Portuguesa nos Jogos, os resultados 'estabilizaram'!!! A Natação (com excepção do recorde nacional do Pedro Oliveira) e o Judo, colocaram uma carga muito negativa em cima da missão Portuguesa (além da derrota do João Monteiro no torneio dos singulares de Ténis de Mesa, a prova do Marcos Chuva no Comprimento e do Ganchinho nos trampolins, e ainda alguns resultados da Vela...), a verdade é que também temos tido vários resultados satisfatórios, com várias classificações nos 16 primeiros (meias-finais), e até nos 8 primeiros (finalistas), com direito a diploma Olímpico... 

Um olhar sobre os Jogos

"Os primeiros dias de competição nos Jogos Olímpicos de Londres não têm trazido boas notícias para o Desporto português. Para além da derrota daquela que era, à partida, a principal estrela da companhia lusa (...), as eliminações têm-se sucedido a ritmo acelerado, e - oxalá me engane - não é expectável que no momento em que o leitor tiver este Jornal em suas mãos, o panorama se tenha alterado substancialmente.
O Futebol, e os seus sucessos relativos (Selecção no Euro 2012, Ronaldo, Mourinho, Benfica na Champions), distraem-nos muitas vezes de um dado objectivo, que competições como as Olimpíadas revelam de forma avassaladora: a nossa pequenez desportiva e não só.
Nem falo das superpotências China, Estados Unidos ou Rússia. Quando vemos países como Quénia, Etiópia, Jamaica, Coreia do Norte, Cazaquistão, ou Geórgia passarem-nos destacadamente à frente, percebemos que algo vai mal por aqui. E creio que tudo começa no praticamente inexistente Desporto Escolar, e nas inultrapassáveis barreiras que um jovem encontra para conciliar os estudos com a prática, a sério, de uma modalidade desportiva. A falta de infra-estruturas, e a hegemonia cultural e mediática do Futebol, fazem o resto. O resultado está à vista.
Noutro plano, os Jogos têm trazido alguns resultados surpreendentes. Phelps, Kitajima, ou Federica Pellegrini mostraram, na Natação, que os seus melhores dias talvez já não sejam estes. Em contrapartida, o veteraníssimo Alexandre Vinokourov - que anunciara o fim de carreira após grave lesão em 2011 -, arrecadou o Ouro no Ciclismo, numa prova cujo perfil fora desenhado à medida do britânico Mark Cavendish. Destaque ainda para a armada chinesa, que não pára de conquistar medalhas; e para a eliminação da Espanha no Futebol.
Em termos televisivos, há que saudar a ampla cobertura da RTP (que tantas vezes tenho criticado a outros propósitos), e lamentar a total inexistência da Sport TV (que tão bem estivera no Europeu), canal desportivo que nem parece sê-lo."

Luís Fialho, in O Benfica

domingo, 5 de agosto de 2012

Um satisfatório 13º !!!


Boa maratona da Marisa Barros, melhorou bastante em relação às últimas Olimpíadas (32ª), não conseguiu melhorar o 9º lugar do ano passado no Campeonato do Mundo, onde tinha sido a 2º Europeia. Desta vez foi 13º, sendo a 6ª Europeia. Quando as Quenianas e as Etíopes atacaram, teve algumas dificuldades, por esta altura chegou a 'correr' no 17º lugar, mas acabou por conseguir recuperar algumas posições, terminando numa posição satisfatória... talvez se tivesse tido uma atitude mais prudente no início, colocando-se mais protegida no meio do grupo, pudesse ter chegado ao final mais folgada... mas as medalhas eram impossíveis...

PS: Prova muito inteligente da Jessica Augusto, que conseguiu um excelente 7º lugar... A Ana Dulce Félix, depois do Ouro, nos 10000m, dos Europeus, acabou por terminar a Maratona em muitas dificuldades, no 21º lugar, mais uma evidência, para a minha teoria, que os Europeus de Helsínquia, não fizeram nada bem aos atletas, que participam nestes Jogos Olímpicos!!!

Objectivamente (Telma)

"Foram muitas as lágrimas que se juntaram às de Telma Monteiro na desilusão que na manhã de segunda-feira as Olimpíadas de Londres trouxeram aos portugueses!
A nossa Telma, Bicampeã do Mundo e Campeã da Europa não conseguiu passar a primeira fase dos Jogos Olímpicos de Londres. Ficou triste e chorou connosco, mas não deixa de ser a judoca mais medalhada e com mais títulos nos últimos cinco anos em todo o Mundo! Por isso não vamos soçobrar perante uma tristeza - que acontece muitas vezes a quem compete ao mais alto nível - e vamos dar todo o apoio à Telma Monteiro para que o «luto» (como ela disse) passe rapidamente e volte às suas grandes actuações nas provas internacionais onde sempre está tão bem a representar o País e o Glorioso SLB!
Parece-me que Telma Monteiro, à semelhança de todos os atletas que vão às Olimpíadas, são demasiado pressionados à conquista de medalhas como se o Mundo acabasse logo ali! Não vale a pena tanto desespero, tantas visitas protocolares aos presidentes de tudo e mais alguma coisa antes da partida e durante os Jogos! Tantas presenças de políticos para se valerem do mediatismo da competição para falarem daquilo que mais lhes interessa! Enfim, vamos tirar o ar do balão, nas calmas, regressemos à Terra e continuemos a nossa vida, nas calmas, como se pede a qualquer atleta que se treina todos os dias de forma intensa para objectivos bem definidos e não pelos objectivos que o mediatismo dos Jogos Olímpicos exige!
Vá lá, calma, que a Campeã do Mundo e da Europa ainda é Telma Monteiro!
Campeã Olímpica este ano ainda não foi, mas daqui a quatro anos ele lá estará de novo para com mais experiência e mais desconcentração (sobretudo isso) possa tentar então o ouro olímpico!"

João Diogo, in O Benfica

Foi injusto e era legítimo sonhar...

"A primeira medalha destes Jogos foi conquistada no Ciclismo de Estrada, para o Cazaquistão e, nos dias seguintes, a queda de alguns gigantes do Desporto mundial, foi a nota principal de toda a Imprensa. Entre eles estão os super favoritos Michael Phelps, na Natação, que foi apurado no limite e terminou em quarto na final dos 400 metros estilos e a nossa Telma Monteiro, segunda no ranking mundial, e que no tatami não conseguiu ultrapassar a primeira adversária. O currículo e momento da carreira de ambos é, sem dúvida, diferente, mas a expectativa e a esperança de todos, relativamente ao ouro olímpico, era a mesma.
Outra diferença, é que na prova de Phelps - apesar do desaire do mesmo - o ouro acabou por ser ganho por outro americano, tendo assim agregado no medalheiro de Obama mais uma medalha. Relativamente a Telma - Capitã de uma Nação - a carga de um País de apenas 11 milhões de habitantes estava toda sobre a atleta benfiquista. Realidades diferentes, atletas diferentes mas, sem dúvida, a mesma desilusão e, no caso de Telma, a queda de um sonho construído em mais de seis anos, onde o talento, trabalho, dedicação, construção de uma carreira de sucesso, nunca foi dúvida para ninguém.
Ainda antes de Telma sair do tatami, o silêncio entre todos que a acompanharam, na esperança de Portugal no Excel London, era geral e as primeiras palavras que surgiram foram de espanto e do quão injusto para Telma estava a ser aquele momento. Telma Monteiro estava indescritivelmente triste e surpreendida e nada nem ninguém, naquele momento, conseguiu encontrar as palavras certas de consolo para que aquele fosse um dos dias mais felizes da sua vida.
Foi injusto, muito injusto e era legítimo sonhar."

Ana Oliveira, in O Benfica