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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A luta da memória contra o esquecimento

"Dia 20 de Janeiro de 1935: o Benfica recebeu o Vitória de Setúbal nas Amoreiras (3-1) para o seu primeiro jogo na história dos Campeonatos Nacionais de futebol. Nada de confundir com Campeonatos de Portugal.

Dizia o Diário de Lisboa na sua edição de 20 de Janeiro de 1935: 'Começou hoje o Campeonato das Ligas, inovação de que há muito a esperar para bem do apuramento do jogo do 'association' em Portugal. Este certame, que interessa a todo o país, divide-se em duas Ligas. A 1.ª Liga inclui os oito melhores classificados do país: 4 de Lisboa, 2 do Porto, 1 de Setúbal e 1 de Coimbra. A 2.ª Liga inclui 32 clubes do pais divididos em 4 zonas e 8 grupos'.
O primeiro Campeonato Nacional estava em marcha.
Nada de confusões com o Campeonato de Portugal que viria a ganhar a designação de Taça de Portugal, por decisão do Congresso da Federação Portuguesa, exactamente por se disputar em regime de taça, isto é, com jogos a eliminar, ao contrário do Campeonato Nacional que se disputava, como vimos, em sistema de 'poule' - todos contra todos.
Nestas  coisas de títulos, cada um pode reclamar para si os que bem entender, sem que o revisionismo histórico faça emergir uma nova realidade. Até eu estou disposto a reclamar para o Recreio de Águeda da minha infância três ou quatro títulos de campeão nacional que, embora não existindo, ficarão bonitos no currículo por mim inventado.
Deixemos-nos de brincadeiras.
Agora que o Campeonato Nacional está de volta (e muitas voltas já deu a designação da prova), é altura ideia para recordar o primeiro jogo do Benfica para esta competição da qual é, destacadamente, o grande açambarcador de títulos.
Acrescente-se que essa primeira edição do campeonato foi ganha pelo FC Porto, com 22 pontos, seguido de Sporting (20) e Benfica (19). Os encarnados conquistariam o Campeonato de Portugal dessa época. E, já agora, as três edições seguintes do Campeonato Nacional.

A pontaria de Valadas
Nas Amoreiras, nesse dia 20 de Janeiro, o Benfica recebeu o Vitória de Setúbal na 1.ª jornada.
Aqui ficam os protagonistas desse jogo histórico:
Benfica - Serzedelos; Gatinho e Gustavo; Albino Esperança e Francisco Costa; Carlos Graça, Xavier, Torres, Rogério e Valadas.
V. Setúbal - Crugeira; Vieira e Cardoso; Carvalho, Aníbal José e Mário Silva; Joaquim Silva, Rendas, Oliveira, Armando Martins e João Cruz.
O áribitro foi David Costa, do Porto.
'Antes do início do encontro, o sr. Dr. Vergílio Paula, perante os dois grupos formados a meio-campo, leu a alucoção que Cruz Filipe escreveu para neste dia de inauguração dos Campeonatos das Ligas ser preferida ais 'teams' concorrentes, chamando-lhes a atenção para o que estes campeonatos representam e pedindo a sua compostura para bem do futebol português'.
Coisa de Estadão, como vêem. E que deveria deixar incomodados os que andam há anos a reclamar contra esta verdade histórica que não pode andar a ser posta em causa gratuitamente.
O jogo, ao contrário do que era esperado, começou num ritmo morno, de futebol jogado em areia seca, queimando os pés.
Muitos repelões, pouca consistência de grupo, pouco colectivismo.
Aos 7 minutos, Valadas a passe de Torres faz 1-0.
O povo, nas bancadas, anima-se.
Os jogadores da águia ao peito também.
Agora são menos timoratos: forçam na busca do segundo golo.
Este surge exactamente sete minutos mais tarde.
Falta sobre Xavier junto à entrada da área sadina. Valdas aplica um pontapé colocado. Crugeira dá a sensação de que não vê a bola partir. Lança-se tarde. Irremediavelmente.
É tempo de o Vitória responder, mas os seus médios não desenvolvem lances de perigo e os seus avançados são apanhados consecutivamente em fora-de-jogo.
Torres também é impedido do 3-0 por via de um 'off side'.
Serzedelo está muito descansado, lá na sua grande-área.
Agora que se disputa a segunda parte, o Vitória tem o vento a seu favor. Durante vários minutos tira proveito das benesses da meteorologia. Força na busca de um tento que o devolva à disputa pelo resultado. Debalde. João Cruz, ainda assim, chuta junto à base do poste.
Nada mais.
Torres, aos 24 minutos da segunda etapa faz o 3-0.
Já ninguém tem dúvidas quanto ao vencedor, se alguma vez as teve.
A cinco minutos do fim, a defesa encarnada facilita: João Cruz isola-se frente a Serzedelo, este procura tapar-lhe os ângulos da baliza, mas o passe é bem medido para Oliveira que só tem de empurrar: 3-1.
'O Benfica ganhou com justiça e poderia ter conseguido um resultado mais confortável - que só não obteve por deficiência de remate, em especial no que refere aos seus interiores que tendo feito bastante jogo falharam nesse capítulo'.
O Campeonato Nacional de futebol dera o seu primeiro passo.
Tantos anos decorreram entretanto...
O importante é nunca esquecer. Como dizia Milan Kundera: 'A liberdade é uma luta constante entre a memória e o esquecimento'."

Afonso de Melo, in O Benfica

Os conquistadores de Montreux

"A equipa de hóquei em patins do Benfica foi a digna representante de Portugal na Taça das Nações.


A Taça das Nações ou Torneio de Montreux é um dos mais antigos e prestigiantes torneios internacionais de hóquei em patins. Na edição de 1962, coube ao Benfica, campeão nacional de 1960/61, ir em representação do seu país. Era a segunda vez consecutiva que a equipa benfiquista participava neste importante torneio suíço. No ano anterior, honraria as cores nacionais ao classificar-se em 2.º lugar. Seria, desta vez, a grande oportunidade de alcançar a tão ambicionava vitória!
A equipa benfiquista iniciou a sua caminhada triunfal com uma surpreendente goleada por 10-2 ao clube italiano Hockey Club Monza, seguindo-se excelentes vitórias frente à equipa francesa do Skating Clube Andomarois e frente à selecção alemã. Os bicampeões nacionais classificaram-se, assim, em 1.º lugar do Grupo B, ficando apurados para a fase final. Nesta próxima etapa, os hoquistas 'encarnados' demonstraram, uma vez mais, a sua extraordinária classe ao derrotar a selecção inglesa e novamente o clube italiano. Chegou a grande final, a 24 de Abril de 1962, na qual o Benfica defrontou a equipa anfitriã, o Montereux HC. Foi um jogo emocionante que terminou com uma fantástica vitória benfiquista por 3-0. Estava conquistado o torneio sem qualquer derrota!
Os 'encarnados' formaram uma verdadeira equipa e enfrentaram todos os adversários com entusiasmo e ambição. A imprensa suíça foi unânime em a catalogar de 'justa e gloriosa vencedora'. A televisão local apelidou os jogadores de 'diabos vermelhos', referindo que 'o carrocel infernal do Benfica reduzia a pó as outras equipas'.
Esteve sempre presente um grande espírito de sacrifício entre todos. 'O Nogueira jogou com suspeita de factura no nariz. O Jorge dava a cara e o peito aos remates. O Urgeiro bateu-se que nem um leão. O Livramento e o Araújo franzinos, mas valentes e lutadores até à última gota. O José Pereira decidido, estoico. O Mário Lopes, remoçado, combativo, um grande «capitão»'. Urgeiro acabaria por ser a grande figura do torneio ao sagrar-se melhor marcador, com um total de oito golos, e ainda foi considerado o melhor médio da competição.
O treinador 'encarnado', Torcato Ferreira, confessou que 'esta vitória, conseguida num país estrangeiro, em confronto com categorizadas equipas, constitui, sem dúvida, a maior alegria da minha vida'.
Pode conhecer mais sobre as conquistas do hóquei em patins benfiquistas na área 3 - Orgulho Ecléctico do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

Fim à violência

"No caso do futebol (mas não só) o que se viu foi o escalar de situações tristes e embaraçosas

Nos últimos anos tenho sido crítico feroz da aparente impotência com que estruturas e organizações de relevo não conseguiram terminar ou, pelo menos, abrandar o aumento da violência física e verbal que assolou o desporto português. É certo que foram várias as mensagens que apelaram, repetida e pacientemente, ao fair play, mas, apesar de bondosas e bem intencionadas, jamais foram verdadeiramente escutadas. Pelo contrário. No caso do futebol (mas não só), o que se viu foi o escalar de situações tristes, embaraçosas e potencialmente graves, daquelas que fazem corar de vergonha todo um país. Um país que ainda é campeão europeu de futebol e que é quase sempre bem-sucedido em muitas outras modalidades, colectivas e individuais. Houve agressões árbitros (até no futsal), insinuações graves no hóquei e no andebol, conflitos no rugby (?) e claro, toda uma panóplia de momentos deprimentes e inesquecíveis no futebol. Vendo isto da lua, como me parece sensato, é caso para dizer que a bota não bate com a perdigota, certo?
Reparem: temos talento individual e colectivo às paletes, organizações de excelência, gestões competentes, mas, vá-se lá saber, insistimos em sujar tudo isso com estratégias, discursos e opções de bradar aos céus! Quase todo o tipo de violência a que assistimos é, não nos esqueçamos, fruto de exemplos que vêm de quem tem responsabilidades directas ou indirectas no jogo. E nós, que até gostamos de bola a sério, jogada no relvado por quem importa, temos de engolir diariamente essas peripécias porque, na verdade, muita gente lhe dá voz. É como se todos soubessem que se trata de um pântano perigoso mas insistem em ser uma das espécies que habitam por lá. Porque no meio de tanto lodo, há quem procure ali alimento garanta a sua sobrevivência. Opções.
Talvez por estar cansado de apelar repetidamente à sensatez e ao desportivismo, o conselho de ministros - naturalmente influenciado pela intervenção oportuna do presidente da FPF no parlamento (em Outubro de 2017) - deu passo importante ao criar a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto. Com ela aprovou também a alteração do regime jurídico do combate à violência, racismo, xenofobia e intolerância nos espectáculos desportivos. Segundo o Governo, a ideia é, em articulação com as forças de segurança e com a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, aumentar a fiscalização nessas matérias.
Haverá, seguramente, maior intervenção para dissuadir comportamentos e para penalizá-los, através da instauração de autos de notícia ou de denúncia. Mais. Reduziu-se o prazo para que as forças de segurança remetem alguns desses autos, procurando tomar a resolução de todos os processos mais célere e eficaz. No fundo, espera-se um escrutínio mais apertado. Espera-se mais medidas dissuasórias e mais coimas. Naturalmente que uma andorinha não faz a primavera e há muito ainda para construir neste caminho, mas foi dado um passo significativo e é importante sublinhá-lo. E é importante porque retira o Estado de uma imagem de inércia, que até então lhe parecia atribuída e que, percebe-se agora, está ultrapassada. Esperamos que com estas medidas (e com o agravamento das sanções desportivas), o comportamento de alguns responsáveis seja um pouco mais ético, saudável e consciente.
Não se pode que sorriam quando perdem ou que silenciem a voz quando se sentem lesados, prejudicados. Apenas que o façam com educação e elevação, nunca esquecendo o peso que as palavras e acções têm. Quem tudo faz para ganhar, está na verdade, mais perto de perder, mesmo que ache que não. A história está repleta de estórias dessas."

Duarte Gomes, in A Bola

Benfiquismo (CMXX)

Fire...!!!

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Vermelhão: a caminho de Salónica...

Fenerbahçe 1 - 1 Benfica



Qualificação garantida, em mais um jogo, onde mais uma vez, sofremos desnecessariamente... Golos feitos desperdiçados, domínio do ritmo do jogo... e quando podíamos ter feito o 0-2, acabámos por sofrer o 1-1...!!!

Gedson com o golo e com mais uma boa exibição, Pizzi, Salvio... Rúben e Jardel com actuações muito positivas. Mas o destaque tem que ir inteirinho para o Fejsa, que além de ter feito 30 anos hoje, jogou com as sequelas de uma gastroenterite... Extraordinário, o homem não pára!!!
Boa entrada do Alfa... depois do jogo com o Guimarães, com a entrada do Alfa a coincidir com o 'desligar' da equipa, era importante voltar a dar indicações positivas...

A única nota preocupante da noite, foi mesmo a lesão do Castillo. Com o Ferreyra a não conseguir marcar, com o Jonas ainda indisponível... com o Seferovic sem ter feito praticamente minutos... com mais 5 jogos nas próximas 2 semanas, é muito importante ter o Castillo disponível! E no próximo sábado, no Bessa, prevendo o habitual festival de porrada, o Castillo seria muito importante estar em campo...

Mais uma arbitragem inenarrável na UEFA... critério dos amarelos, foi de bradar aos céus...!!!

Agora temos o PAOK, que no 'papel' tem um plantel mais acessível, mas é só em teoria, porque por aquilo que vi nos jogos com o Basileia e Spartak de Moscovo, são mais equipa que o Fernerbahçe, aquilo que lhes falta em talento, compensam em atitude... e sabem jogar de forma manhosa no contra-ataque!!! E com o Benfica - Sporting, no meio da eliminatória, vamos a Salónica provavelmente com algum desgaste... por isso, é essencial, 'marcar' a diferença logo na 1.ª mão na Luz...

Passou um pouco despercebido, mas com esta vitória, garantimos a presença na UEFA esta época! Com uma hipotética eliminação hoje, corríamos o risco de ficar de fora, inclusive da Liga Europa... Agora, a Champions, por razões financeiras, desportivas e de prestígio é quase uma 'obrigação'!!! A Liga Europa, além da questão financeira, 'atrapalha' em muito o calendário com os jogos à Quinta...

No Sábado, no Bessa, praticamente sem descanso (treino de recuperação amanhã, com pouco sono... treino normal na Quinta... viagem para Gaia na Sexta... jogo no Sábado), vamos ter um jogo muito complicado... e muito provavelmente, com uma apitadela encomendada!!!

Jonas, zero ídolos mais um

"Depois de todo o suspense, terminou a novela Jonas no Benfica. Jonas fica no clube, facto que foi anunciado pelas redes sociais encarnadas como se tratasse da contratação da década. Sim, a renovação de um jogador de 34 anos é anunciada como se fosse a maior bomba do mercado: é esta a importância de Jonas Gonçalves.

Ponto prévio: os profissionais de futebol profissional apreciam auferir ordenados. Sim, eu sei – isto pode ser chocante, mas é a mais pura das verdades. Os futebolistas levam para casa honorários e, em alguns casos, podem mesmo chegar a ser avultados. Compreendo a indignação perante esta realidade injusta, mas a verdade é que profissionais com características e competências únicas de uma indústria que movimenta milhares de milhões, da qual são os principais protagonistas, recebem algumas centenas de milhar na conta todos os meses. Absurdo!
Posto isto, resta dizer que o valor nominal e as cláusulas contratuais do novo acordo firmado entre o Benfica e o empregado-de-quase-todos-os-meses, Jonas Gonçalves, não me interessam. Não me interessam porque Jonas não se mede pelo ordenado atual, uma vez que em princípio ficaremos sempre em dívida para com o brasileiro. Por outro lado, não é que fosse ilegal que houvesse jogadores no plantel que recebessem mais do que o jogador mais decisivo que a minha geração viu jogar no clube, mas era no mínimo constrangedor.
Temos de ter noção de que Jonas, no primeiro toque na bola que deu, no primeiro jogo do Benfica, fez um cabrito ao adversário. A primeira ação de Chucky Ferreyra num jogo oficial foi falhar uma grande penalidade. Por muito que deseje toda a sorte do Mundo ao argentino (e que supere todas as marcas do brasileiro), compreendo que Jonas, na sua humildade patente, peça o favor de ser valorizado.
Para mim, não importa aqui o valor futuro do jogador. Neste caso, interessa o valor passado. Interessam, para já, os 122 golos marcados com a camisola do Benfica. E nem sequer é uma questão de gratidão, como se poderá alegar nas já-menos-desportivamente-pertinentes renovações de Luisão. Jonas ainda não fez nenhuma época em que demonstrasse ser um encargo para o clube. Pelo contrário, não houve uma que passasse de águia ao peito sem ser absolutamente fulcral.
Nestas alturas, em que os jornais falam de discordâncias entre clube e jogador, muitas vezes com o dinheiro como motivo, adeptos apressam-se a utilizar o mote “zero ídolos”. Para mim, essa é uma posição de quem não gosta de gostar de futebol. Quem tem “zero ídolos” tem pânico de se apaixonar. Quem tem “zero ídolos” não ama pelo medo de ser traído."

VAR avariado

"Se o fanatismo não irá desaparecer por decreto, não será, certamente, um remendo tecnológico mal pensado que o irá diminuir. Senhores da Liga, a bola está do vosso lado.

Em Portugal, a religião de facto funciona por temporadas. E este fim-de-semana começou a de 2018/19.
Neste país à beira-mar plantado, o futebol reveste-se de uma importância dificilmente negável ou comparável a outros países, em que o desporto enquanto actividade social de relevo abrange, normalmente, mais do que uma modalidade, e o apoio popular e destaque dado às equipas não se limita a um trio imutável e intocável. É, no fundo, uma caricatura da nação, em que os melhores ombreiam com a elite mundial, fazendo muito com recursos limitados, mas em que o panorama geral é de mediocridade e, claro, a sempre presente corrupção, já mais portuguesa do que o Fado.
Ainda assim, de vez em quando somos uma terra de pioneiros. Na última década do século XX, dois sistemas tecnológicos partiram de Portugal para conquistar o mundo: o sistema pré-pago de comunicações móveis e a Via Verde. Caramba, torna-se complicado lembrarmo-nos que, há 500 anos atrás, desenvolvemos técnicas e instrumentos que, aliados a uma ambição e audácia louváveis, nos permitiram descobrir meio mundo. E, há um ano, fomos também pioneiros na utilização do vídeo-árbitro (VAR), que prometia acabar com as infindáveis discussões sobre a forma como a equipa daquele nosso amigo fanático havia ganhado no Sábado passado.
No entanto, e como muitas outras bem-intencionadas iniciativas lusas, o VAR foi, no mínimo, pouco pensado. Em vez de eliminar (ou reduzir drasticamente) o erro humano, externalizou-o para um indivíduo fora do campo, observador num monitor em Oeiras, e perdeu-se uma boa oportunidade de mudar significativamente o paradigma futebolístico.
Ora note-se: no futebol, o diálogo atleta-árbitro atinge níveis (em intensidade e conteúdo) dificilmente observáveis noutros desportos de topo – no ténis, por exemplo, quando um dos jogadores discorda da decisão do árbitro, pode contestá-la oficialmente, levando à revisão da mesma e, caso o juiz estivesse correcto, o atleta perde um dos três challenges com que é dotado ao começo da partida. Isto responsabiliza os atletas, previne diálogos inúteis fruto da frustração ao invés da razão – e torna o jogo mais justo.
Mas o ténis é um desporto objectivo, com pouco espaço à interpretação humana. Ora, se uma expulsão ou um penalty raramente são indiscutíveis, o mesmo não se poderá dizer de um fora-de-jogo ou pontapé de baliza/canto. E, se no caso do primeiro, esperamos ainda uma tecnologia infalível de análise, a diferença entre um pontapé de baliza ou um canto é, normalmente, bastante óbvia. Sendo os cantos uma fonte clara de lances de golo (no Mundial’18, por exemplo, registou-se um recorde de 26 golos originados de canto), parece-me óbvio a falta de rigor e possíveis consequências que surgem desta situação.
Outra assimetria clara prende-se com a capacidade tecnológica dos diferentes estádios da I Liga. Enquanto que equipas que joguem em estádios construídos para o Euro2004 beneficiam de condições de topo, mais de 50% das equipas jogam em recintos antigos, onde as possibilidades de filmagem são consideravelmente mais limitadas e, consequentemente, a análise a cada lance será, a priori, condicionada por menos meios disponíveis. Numa época longa e com 34 jogos, não será que esta assimetria de informação pode influenciar a classificação final?
Há algumas décadas, poder-se-ia argumentar que “é só um jogo”; hoje em dia, é um negócio de muitos milhões, com um impacto económico relevante no nosso país, em que meia dúzia de sociedades anónimas facturam quantias exorbitantes com a venda de alguns dos seus activos. E se o fanatismo não irá desaparecer por decreto, não será, certamente, um remendo tecnológico mal pensado que o irá diminuir. Senhores da Liga, a bola está do vosso lado."

Alvorada... do Queirós

Chama Imensa... Nada de novo!!!

Onde páram os milhões?

"O assunto raramente é discutido, mas o facto é que a temporada de 2018/19 marca o início da vigência dos novos contratos televisivos. De um bolo global que não atingia os 100 milhões de euros, os emblemas da 1ª Liga dão um salto para perto dos 200 milhões de euros e têm a garantia de esse fluxo financeiro durar pelo menos uma década. Pela tabela vigente, um clube considerado pequeno passa de 2,2 milhões de euros anuais para 3,6 milhões pela cedência dos seus direitos televisivos no campeonato. Um aumento de dois terços num capítulo vital para o suporte orçamental, enquanto Sp. Braga e V. Guimarães, por exemplo, dobraram, grosso modo, os encaixes.
Tive o prazer de moderar, em representação de Record, um debate entre Pedro Proença e o seu homólogo espanhol, Javier Tebas. O líder de La Liga sublinhou a importância de assegurar uma maior competitividade no campeonato português como pilar para a valorização do produto televisivo. Todavia, o fenómeno da aproximação do Sp. Braga aos grandes criou um fosso preocupante. Só uma vez, em 22 campeonatos a 3 pontos por vitória, a diferença entre o 4.º e o 5.º tinha atingido a dezena de pontos. Em 2017/18, o Sp. Braga ficou 24 pontos acima do Rio Ave!
É impossível esquecer, ainda, que os quatro grandes só perderam pontos em casa, contra rivais de fora desse 'Big 4', à 32ª jornada, quando o Tondela triunfou na Luz. Pelas prestações de Benfica, FC Porto e Sp. Braga, contra V. Guimarães, Chaves e Nacional, o cenário não está para mudar tão cedo. Mas, então, onde foi parar a tal chuva de milhões do bodo aos pobres? Como me dizia um dirigente, "é simples, a maioria recebe mais 1,4 milhões e os grandes auferem mais... 20 milhões". E depois ainda há quem diga que a 1ª Liga é nivelada por baixo."

Benfiquismo (CMXIX)

Boa memória...

Lixívia 1

Tabela Anti-Lixívia
Benfica....... 3 (0) = 3
Corruptos... 3 (0) = 3
Sporting..... 3 (0) = 3

Nova época, tudo velho!!! A palhaçada já começou... Na Supertaça, os mesmos do costume, ladraram, refilaram, intimidaram, inventaram inimigos... tudo branqueado pelas autoridades competentes... e logo na 1.ª jornada, duas expulsões perdoadas aos mesmos Corruptos!!! Conclusão: nada de novo!!!
Além do 'não castigo' ao cão raivoso do treinador dos Corruptos, que aparentemente não tem antecedentes, pois leva sempre a pena mínima dos mínimos!!!

Na Luz, levámos com o Pinheiro, a maior parte dos Benfiquistas ficaram 'contentes' com a arbitragem: eu não!!! E mais tarde confirmei na televisão...
O João Carlos Teixeira fartou-se de distribuir fruta e protestos e nada lhe aconteceu... mas o mais significativo, foram as faltas não assinaladas ao Guimarães, que provocaram ataques perigosos ao Vitória: logo no primeiro ataque, mão na bola do Tallo (foram pelo menos 3 mãos na bola não marcadas, sempre ao Vitória...), nada assinalado e cabeceamento perigoso para boa defesa do Odysseias; agarrão ao Salvio, dá contra-ataque ao Ola John; falta dura sobre o Pizzi... novo ataque do Guimarães, etc.. etc...
Em sentido contrário, quando o Benfica tentava as transições ofensivas rápidas, e o apitadeiro, beneficiou o infractor, ao marcar pelo menos 3 faltas a favor do Benfica, em lances que os jogadores do Benfica, mesmo sofrendo falta, saiam para o contra-ataque...
Podem defender que tudo isto é coincidência... Mas eu já não vou nessa!!!
Este é um daqueles árbitros que neste momento está a fazer o 'curso' da manhosice, e daqui a alguns anos, vamos ter que levar com ele nos jogos mais importantes...!!!
Sim, marcou o penalty sobre o Salvio... mas também se não marcasse?!!! Aliás, na época do Tetra, não marcou o penalty sobre o Carrillo em Setúbal no último minuto... Como marcou este, deve ter percebido que nos lances mais óbvios, é melhor não 'inclinar'!!!

No Ladrão, o mesmo de sempre: Maxi entrada para vermelho, e não levou nada... e o VAR ficou calado (estava 2-0); perto do fim, no lance praticamente igual, o VAR já chamou o apitadeiro para expulsar o jogador do Chaves!!!
Antes do fim, Brahimi voltou a apertar o pescoço a um adversário... nada de novo, já o fez muitas vezes, e nunca foi castigado... Repito, nunca!!!
Para disfarçar, inventaram um suposto penalty contra o Chaves, que teria prejudicado os Corruptos... nada de nova aqui também...
Para mim não existe penalty, existe uma carga com o ombro, o jogador dos Corruptos já estava desequilibrado, com o braço no ar antes do contacto... Este tipo de contactos, fora da área normalmente é falta, mas dentro da área, nunca são marcadas...

Em Moreira de Cónegos, o único lance que me suscitou dúvidas foi o 1.º golo dos Lagartos (1-1), onde parece existir fora-de-jogo no início da jogada, mas não houve uma única repetição esclarecedora... O penalty a favor dos Lagartos foi bem marcado.

Destaco também as nomeações: Tiago Martins é o apitadeiro favorito dos Lagartos, e logo no primeiro jogo fora de casa, lá foi ele, just in case...!!! E o outro favorito para VAR: Hugo Miguel!!!
O Nuno Almeida, nunca na vida, tomará uma decisão 'contra' os Corruptos... depois de toda a intimidação que foi feita fora do campo, este é um daqueles árbitros que deveria estar impedido de apitar os Corruptos... mas mesmo assim ainda meteram o Vasco Santos como VAR!!!

Anexo(I):
Benfica
1.ª-Guimarães(c), V(3-2), Pinheiro(Sousa), Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Chaves(c), V(5-0), Almeida(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar

Sporting
1.ª-Moreirense(f), (1-3), Martins(Miguel), Nada assinalar

Anexo(II):
Benfica:
Pinheiro: 1 + 0 = 1
Sousa: 0 + 1 = 1

Corruptos:
Almeida: 1 + 0 = 1
Vasco Santos: 0 + 1 = 1

Sporting:
Martins: 1 + 0 = 1
Miguel: 0 + 1 = 1

Épocas anteriores: