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terça-feira, 3 de novembro de 2026
segunda-feira, 2 de novembro de 2026
5.ª Elite Cup
Benfica 4 - 2 Sanjoanense
Primero troféu da época, com um plantel mais caseiro, que na Europa terá menos expecativas, mas internamente, temos tudo para continuar a ganhar tudo!
Benfica e Rui Costa: não há nada como ganhar...
"Sócios do Benfica muito críticos em relação à arbitragem, a Proença e à relação/reação do clube a estes assuntos. Presidente destacou «superioridade» em relação a outros neste aspeto...
Rui Costa teve ontem uma Assembleia Geral mais calma do que o habitual no Pavilhão da Luz e muito o deve ao trabalho que Marco Silva tem feito na equipa (após ter sido contratado pelo presidente, pois claro). A ganhar, a jogar bem e com jogadores que outrora causavam dúvidas a valorizar, foi mais fácil enfrentar os sócios, cuja afluência nem foi nada por aí além, pois não é altura para criticar...
Entre novidades apresentadas sobre o emblema e o Benfica District, os benfiquistas que usaram da palavra fizeram muitas críticas à arbitragem, a Pedro Proença e à relação/reação atual do Benfica a estes assuntos sempre polémicos, porque se há tema que cai sempre bem no futebol português, desde que não se vá à frente do campeonato, é este. João Diogo Manteigas, ex-candidato a presidente, entregou mesmo um requerimento para a instauração de um processo disciplinar ao sócio do clube que é nesta altura presidente da FPF. A mensagem dos opositores foi, no entanto, de união. E há poucos assuntos em que o presidente de um grande português esteja mais à vontade do que arbitragem...
Rui Costa voltou a garantir «independência» em relação a Proença e «tolerância zero» na arbitragem. Para isso, prometeu continuar a lutar nas instituições, sem ter muitas intervenções públicas sobre isto: «Não sou um papagaio falante como muitos que aí andam...» O presidente encarnado sublinhou mesmo que se considera «superior» aos adversários neste aspeto, embora saibamos que estamos possivelmente a um clássico de distância de não ser bem assim. Não estar constantemente a falar de árbitros é uma opção muito difícil no futebol português e, embora os comunicados, as newsletters e os tweets sejam grandes aliados dos responsáveis superiores, é precisamente isso que os sócios cobram mais facilmente.
Bem vistas as coisas, e Rui Costa sabe-o e até o disse em parte, mais vale isto e aprovarem as contas do que questionarem o investimento, os jogadores, o treinador e o próprio presidente. Reina a calma na Luz... e assim também é mais fácil ganhar."
Sporting: a (in)coerência das decisões
"Em maio deste ano, o Sporting renovou contrato com o seu treinador e Frederico Varandas proferiu as seguintes palavras: «Nós não tomamos decisões por marés. Não navegamos à vista ou ao sabor do que estão a dizer ou vão achar. Navegamos com base em convicções e a acreditar em processos de trabalho.»
Agora que se questiona a continuidade de Rui Borges, o que mudou?
Definir o perfil
O treinador é uma das figuras mais importantes de um clube: gere os principais ativos desportivos e tem enorme responsabilidade nos resultados. Escolhê-lo não é fácil, num futebol em que as variáveis mudam rapidamente. Ainda assim, quem define um caminho coerente está mais perto de vencer.
A escolha deve partir de critérios bem definidos: que futebol se quer apresentar? O resultado é mais importante do que a identidade de jogo? Deve ser um fim ou uma consequência do trabalho? Pretende-se um treinador de personalidade forte, que possa gerar choques, ou alguém mais flexível? Que liderança se quer no balneário? Os valores e o comportamento do treinador encaixam na imagem do clube? E que comunicação se espera dele?
Renovação com convicção?
Rui Borges chegou ao Sporting num momento conturbado. Conseguiu agarrar a equipa e conquistar a dobradinha no final dessa época. A época seguinte foi a primeira que iniciou de leão ao peito. Mudou o sistema tático e apresentou um futebol dominador, por vezes alegre e aglutinador. Teve, contudo, dificuldades na gestão da condição física dos jogadores nas fases decisivas da época. Ainda assim, manteve a equipa competitiva nas várias competições, uma exigência de quem treina um clube grande.
Em maio, o Sporting renovou contrato com o treinador. Publicamente, a administração validou o seu perfil e reforçou a confiança.
O que mudou?
Depois da final da Taça de Portugal perdida para o Torreense, a desconfiança dos adeptos em relação a Rui Borges aumentou. Para romper com o passado, a administração leonina entendeu que era o momento de iniciar um novo ciclo, com a saída de vários jogadores determinantes para o sucesso desportivo do Sporting.
As vendas de Hjulmand, Diomande e Trincão, a que se juntou a saída de Morita, representaram uma mudança profunda, com os riscos inerentes à perda de jogadores desta dimensão. Financeiramente, estas operações permitiram equilibrar as contas e criar margem para desenvolver novos projetos, procurando manter o equilíbrio financeiro e desportivo do clube. Desportivamente, permitiram atacar o mercado mais cedo e dar ao treinador a possibilidade de trabalhar com os reforços desde o primeiro dia da pré-época.
Contudo, o Sporting foi mais longe. Deixou sair Pedro Gonçalves e Bragança sem uma contrapartida que justificasse, do ponto de vista desportivo, a importância dos dois jogadores. A sensação que ficou foi a de que foram empurrados para a porta de saída, sobretudo tendo em conta os destinos que acabaram por ter. A explicação para estas saídas nunca foi suficientemente clara. Terá sido pelas lesões recorrentes? Pelos salários elevados? Eram dois jogadores que faziam a diferença em Portugal e constituíam mais-valias para o Sporting.
Com um meio-campo novo para trabalhar e os jogadores disponíveis desde o primeiro dia da pré-época, a administração acreditava ter dado a Rui Borges as condições necessárias para construir uma equipa capaz de voltar a chegar às fases decisivas das competições.
Passadas dez jornadas da Liga e três da Liga dos Campeões, e apesar do voto público de confiança, surgem rumores de que o futuro de Rui Borges poderá depender dos resultados dos próximos jogos. Se isso se confirmar, e forem verdadeiros os contactos para encontrar um novo treinador, a administração ficará numa posição difícil de justificar.
Onde ficam as convicções e os processos de trabalho que sustentaram a renovação de Rui Borges? Está a administração a colocar em causa as competências do treinador apenas cinco meses depois de renovar o contrato? Está a decidir com base nos resultados imediatos ou no perfil e no processo de trabalho que afirmou querer privilegiar?
Se o Sporting não se tivesse deixado empatar no último minuto com o Famalicão, ou se não tivesse permitido que Estrela e Arouca recuperassem de uma desvantagem de dois golos, Rui Borges seria hoje o homem certo no lugar certo? Esperava a administração que o treinador continuasse a jogar da mesma forma que na época passada, apesar de ter jogadores completamente diferentes?
É que ter Trincão não é igual a ter Zalazar…
Comunicar também é liderar
Os treinadores das equipas grandes têm, muitas vezes, quatro conferências de imprensa por semana. São uma oportunidade para acrescentar valor e devem ser preparadas como um jogo. A comunicação reforça a confiança, transmite mensagens e consolida o ADN do clube.
Saber criar um ambiente positivo é fundamental para um treinador com visibilidade. A comunicação é uma das áreas em que Rui Borges menos evoluiu. O seu discurso continua muito redondo e parece não perceber que estes momentos podem proteger e valorizar o seu trabalho. Um treinador de um clube grande pode influenciar a narrativa dos meios de comunicação.
Farioli, por exemplo, numa conferência recente em que estava a ser contestado, falou em «bomba e sangue». No dia seguinte, só se falava dessas palavras e não do futebol apresentado. A declaração ajudou a desviar o foco do futebol praticado pelos azuis e brancos, colocando a mobilização dos adeptos em torno da causa portista no centro da discussão. Farioli conseguiu, assim, influenciar a narrativa.
Neste capítulo, o Sporting e Rui Borges têm falhado. Incluo o clube porque deveria ajudar o treinador a comunicar de forma mais eficaz. Ao não perceber a importância da comunicação para si e para o Sporting, Rui Borges coloca-se numa posição de fragilidade: em vez de controlar a narrativa, é a narrativa que o controla a ele.
Mudar de treinador pode ser uma decisão legítima. O importante é perceber se resulta de uma avaliação do trabalho desenvolvido ou da pressão dos resultados imediatos. Afinal, as convicções e os processos de trabalho também se revelam na forma como se reage às dificuldades.
A valorizar: Ricardo (treinador do Famalicão)
Dois jogos e dois grandes resultados ao leme do Famalicão. Depois de ter sido um grande capitão por onde passou, será que estamos na presença de um grande treinador?
A desvalorizar: António Salvador (presidente do SC Braga)
O início de época é a consequência de o presidente do SC Braga estar mais focado em procurar resultados imediatos do que no perfil ideal para treinar a equipa bracarense."
A diferença, na definição do plano da relva, faz toda a diferença, no caso do Tomás está bem tirada, no outro permitiu validar um golo ilegal...
Conseguem notar a diferença? https://t.co/4jMl3BjXqH
— Zé Manel (@ZeManel1904) November 1, 2026
Isto é constante, em todos os jogos do Tugão, para as equipas mais fracas, é impossível vencer jogos, com estes critérios...
Siga siga. https://t.co/EBLISh1F8H
— Cave na Damaia (@cavenadamaia) November 1, 2026
Representar é muito mais do que negociar
"Durante muito tempo, quando se falava de um agente de futebol, a imagem era quase sempre a mesma: alguém que negociava contratos, tratava de transferências e procurava o melhor acordo para o jogador. Essa função continua a ser fundamental, mas hoje é apenas uma parte de um trabalho muito mais amplo.
O futebol mudou. Tornou-se mais global, mais competitivo e mais exposto. As carreiras são cada vez menos lineares, os mercados estão ligados entre si e uma decisão pode ter impacto muito para além do relvado. Neste contexto, também o papel de quem representa um jogador tem de evoluir.
Uma transferência não começa necessariamente quando abre o mercado. Muitas vezes, começa meses antes, numa conversa sobre objetivos, numa análise ao momento da carreira ou na avaliação de um contexto que pode não ser o mais evidente. A responsabilidade, no entanto, não termina quando o contrato é assinado. Passa também por acompanhar o jogador, perceber como se integra, como se adapta e se as condições que motivaram a decisão continuam a fazer sentido.
Representar um atleta exige hoje uma visão mais estratégica. É preciso conhecer os clubes, os treinadores, os campeonatos e as dinâmicas de cada mercado, mas também compreender a pessoa que está por detrás do jogador. As suas ambições, os seus receios, a sua realidade familiar e a forma como lida com a pressão.
A experiência de ter sido jogadora ensinou-me que, por vezes, aquilo que parece uma grande oportunidade do lado de fora pode não ser a melhor escolha para quem está dentro. Um contrato mais vantajoso, um campeonato de maior visibilidade ou um clube com um nome mais reconhecido não garantem, por si só, uma evolução positiva. O contexto é determinante.
Também a relação entre atleta e agente tem de acompanhar esta transformação. A confiança não se constrói apenas nos momentos em que há uma negociação para fechar. Constrói-se na transparência, na disponibilidade e na capacidade de dizer aquilo que nem sempre é mais fácil ouvir. Um agente não deve limitar-se a apresentar oportunidades, mas ajudar o jogador a interpretá-las e a tomar decisões informadas.
Essa proximidade deve também traduzir-se na criação de condições para que cada atleta possa trabalhar e evoluir melhor. Através de parcerias com profissionais e entidades especializadas, é possível disponibilizar ferramentas e soluções que respondam às necessidades individuais de cada jogador, seja ao nível da preparação, da recuperação ou do bem-estar. Mais do que procurar respostas iguais para todos, importa perceber o que pode fazer a diferença em cada realidade e garantir que o atleta tem acesso ao apoio certo, no momento certo.
É verdade que o mercado se tornou mais rápido e que a informação circula a uma velocidade difícil de acompanhar. Mas a rapidez não pode substituir a reflexão. Nem todas as decisões têm de ser imediatas, nem todas as oportunidades devem ser aproveitadas. Em determinadas fases, saber esperar pode ser tão importante como saber avançar.
O futebol continuará a mudar. Novos mercados vão ganhar relevância, novas formas de investimento vão surgir e as exigências sobre os jogadores serão cada vez maiores. O trabalho de representação terá, por isso, de ser cada vez mais preparado, próximo e responsável.
No fundo, representar um atleta é estar presente ao longo do percurso, compreender as suas necessidades e contribuir para que tenha as condições certas para evoluir. Uma carreira não se constrói apenas através das decisões que se tomam, mas também da forma como se acompanha cada uma delas."
A Bola de Ouro de um homem comum
"Harry Kane é o novo Bola de Ouro, à boleia de 73 golos em 65 partidas em 2025/26, 61 ao serviço do Bayern e 12 pela seleção de Inglaterra. O pódio do troféu mais desejado completou-se com o francês Kylian Mbappé (Real Madrid) e o espanhol Lamine Yamal (Barcelona). Num futebol em que as estrelas planetárias parecem pertencer a outra dimensão, a consagração do ponta de lança inglês, aos 33 anos, tem um sabor especial.
Harry Kane não precisa de transformar a vida numa montra, de exibir carros de luxo, de cultivar polémicas nas redes sociais ou de fazer de cada aparição pública um acontecimento. É um homem comum, no sentido positivo da expressão. Alguém com quem nos cruzaríamos na rua ou puxaríamos conversa no café sem imaginar que estaríamos na companhia do melhor jogador do mundo.
Uma história que começa longe dos grandes palcos, no leste de Londres, em Chingford. No Ridgeway Park, entre brincadeiras com o pai e o irmão mais velho, nasceu o sonho de ser futebolista. Pelo caminho, a primeira desilusão — aos oito anos, foi dispensado pelo Arsenal, decisão justificada pelos gunners por ser... «gordinho». Um episódio que poderia ter deixado marcas, mas que acabou por ser apenas uma curva apertada numa estrada longa.
Aos 17 anos, estreou-se como sénior no Leyton Orient, seguiram-se o Tottenham e o Bayern, além da seleção dos três leões, sempre a acumular golos e recordes.
Do parque em Chingford ao London Palladium, onde recebeu a Bola de Ouro. Uma viagem extraordinária que explicou em longo discurso com elogios à família, aos clubes, aos treinadores e à comunidade que o viu nascer. É aqui que Harry Kane também se distingue com uma imagem de simplicidade a contrastar com colegas de profissão egocêntricos que vivem numa realidade paralela, rodeados de ostentação, assessores e uma necessidade permanente de protagonismo.
Harry Kane não precisa de nos convencer que é especial. Os golos encarregam-se disso e mesmo assim continua a ser um de nós, como se ainda jogasse no Ridgeway Park. Talvez seja esse, afinal, o seu maior prémio."
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