Chegou a Benfica FM. A rádio que é mística para os teus ouvidos.
— SL Benfica (@SLBenfica) December 8, 2025
No ar a partir de 11 de dezembro às 19:04.
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O INDEFECTÍVEL
Pelo Benfica! Sempre!
Últimas indefectivações
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
Benfica FM
Ninguém viu?!
António Nobre e Rui Costa expulsaram o Prestianni para impedir a vitória do Benfica mas "esqueceram-se" do Diomande pic.twitter.com/P7ZKmdIzhP
— 🦅🦅🦅 (@AJ1904__) December 7, 2025
O nosso futebol vive momentos decisivos
"É tempo de percebermos se a urbanidade veio para ficar, ou se não resiste a um penálti; de percebermos se os assuntos sérios, centralização e requalificação dos quadros competitivos, têm pernas para andar; e se os árbitros querem dar o passo em frente em segurança, ou se procuram o abismo...
O futebol profissional português continua a enviar-nos sinais contraditórios.
Por exemplo, o mero facto de Rui Costa e Frederico Varandas terem presenciado o dérbi lado a lado, no camarote presidencial da Luz, teve laivos civilizacionais, a que faço referência apenas por não estar habituado a ver manifestações públicas de que quem está do outro lado é adversário, e não inimigo. Neste preciso momento, nada me garante que a situação volte a repetir-se, sendo de tal forma fino o gelo que se pisa que pode não resistir ao peso de um qualquer penálti mal assinalado. Mas seria altamente positivo se o vírus de urbanidade que infetou os líderes de Benfica e Sporting se transformasse em pandemia, que alastrasse a todo o futebol nacional, podendo (e devendo) cada clube manter a sua identidade, defender as suas posições, debater e discordar, sem que para tal tenha de haver relações cortadas e criação de um clima que degrade a imagem do futebol, e coloque portugueses contra portugueses.
Mas, ao invés, os clubes, embora se sentem à mesa da Liga, tardam em entender-se quanto a matérias estruturais de que depende o futuro do nosso futebol, como a centralização e a reformulação dos quadros competitivos. Sei que Ricardo Teixeira está a fazer os possíveis e impossíveis para desatar o ‘Nó Górdio’ que ata a proporcionalidade da distribuição, pós-centralização, dos proveitos da venda dos direitos televisivos dos clubes, e para ser absolutamente franco continuo altamente cético quanto à chegada a bom porto nesta matéria. O que haverá para dividir não é muito, não me parece que qualquer clube aceite receber um euro a menos que seja (isto olhando para trás, porque se olharmos para a frente o otimismo passa de residual a nulo), e a verdade é que o produto que temos para vender (e internacionalizar) é desinteressante e fraço. Aqui chegados, temos duas hipóteses: vamo-nos enganando uns aos outros, dizendo que temos jogos fantásticos, por que se babam as principais cadeias televisivas internacionais; ou então tomamos as medidas que devem ser levadas avante, e que passam, inevitavelmente, pela requalificação dos quadros competitivos, substituindo espetáculos intragáveis por confrontos com outro nível de competitividade. Sem isso, por mais voltas que sejam dadas, nada feito, e mesmo assim, relativamente a outras realidades, já vamos com um atraso muito significativo. Ou seja, para ontem já era tarde...
Na órbita do futebol profissional ainda temos o protesto dos árbitros, contra a violência verbal, e uma ameaça de parar as competições? Mas o que querem, afinal, os árbitros? Nunca foram tão bem pagos, nunca tiveram tão boas condições para desenvolverem o seu trabalho, nunca se sentiram tão seguros e nunca, como agora, receberam tanto apoio tecnológico que os ajuda a minimizar os erros. Então, perante tudo isto, ainda querem ser imunes à crítica, mesmo que vinda dos protagonistas? Desde que estes se mantenham em níveis de urbanidade, insurgindo-se contra decisões concretas, estão, simplesmente, a exercer um direito que constitucionalmente lhes assiste, e devem revoltar-se contra toda e qualquer lei da rolha que queiram impor-lhes.
É assim que os árbitros querem caminhar para a constituição de uma organização autónoma, que lhes aprofunde o profissionalismo?"
Os números que não mentem
"Classificação é bem fiel ao que foi o primeiro terço de campeonato: FC Porto já não deslumbra, mas tem vantagem muito simpática. Sporting de luas e Benfica entre o razoável e o medíocre
Fresca na memória de Francesco Farioli ainda estará, certamente, a hecatombe sem precedentes que sofreu há meio ano, no Ajax, quando perdeu a Eredivisie dispondo de nove pontos de avanço a cinco jornadas do fim, mas não há volta a dar e depois da combinação de resultados da 13.ª jornada, o FC Porto está em posição privilegiadíssima para o título. Cinco pontos de avanço sobre o Sporting e oito sobre o Benfica dão margem de conforto assinalável para o dragão gerir, sobretudo pensando que, no papel, o calendário ser-lhe-á mais favorável na segunda volta, porque, além de Alvalade, já limpou várias das visitas mais complicadas na Liga, como Barcelos, Famalicão ou Moreira de Cónegos.
Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém e será essa a máxima vigente no universo azul e branco, até porque já houve episódios de reviravoltas no campeonato com diferenças pontuais até maiores, mas este dragão está bem e recomenda-se.
O fulgor do arranque do novo FC Porto de Farioli já lá vai, é certo, mas essa poderá até ser a melhor notícia para os ouvidos dos adeptos. Mesmo quando quebrou, a equipa continuou a amealhar pontos atrás de pontos — só o Benfica, num clássico muito fechadinho, os tirou ao FC Porto até agora —, sinal de que Farioli conseguiu incutir aquele espírito tão necessário para se conquistarem títulos.
Mais preocupados terão de estar Sporting e Benfica. Em Alvalade, Rui Borges cortou de vez com o passado de Ruben Amorim e os jogos contra os pequenos têm sido uma formalidade, com um leão soltinho e criativo, virado para a baliza contrária, mas os jogos grandes têm sido, até ver, o seu calcanhar de Aquiles e representaram todos os pontos perdidos até agora. No dérbi na Luz, o Sporting abdicou de jogar na segunda parte e agarrou-se ao pontinho, nem sequer incomodando Trubin depois do intervalo.
Na Luz, José Mourinho insiste, desde há um mês, que a equipa está a melhorar, mas os números são implacáveis e dizem-nos que o setubalense chegou a cinco pontos da liderança, com possibilidade de reduzir para dois (jogo em atraso com o Rio Ave, que empatou) e está a oito agora. Em 2025/26, o Benfica tem mais empates (4) do que vitórias (3) a jogar em casa no campeonato e nenhuma equipa é campeã com números tão medíocres. É verdade que Mourinho não construiu este plantel, que é desequilibrado, e oito pontos de atraso não são irrecuperáveis mas a águia terá de fazer muito mais para poder sequer sonhar."
Para a história
"Escrevo esta crónica a partir de Manila, nas Filipinas, onde testemunhei um dia histórico para o futsal português e para a Federação Portuguesa de Futebol. O resultado da final do Campeonato do Mundo de futsal feminino, o primeiro da história, e a cor da medalha não apagam em nada a extraordinária campanha da Seleção Nacional A feminina de futsal.
A homenagem, amanhã, na Cidade do Futebol, às 11h30, é o reconhecimento mais do que justo a esta Seleção, pela forma como elevou o nome de Portugal e representou o nosso País e todo o Desporto português ao mais alto nível.
Todas as seleções nacionais contam uma história. Esta geração de jogadoras representa uma das mais importantes do futsal português. Um grupo de atletas, superiormente orientada por Luís Conceição e com a coordenação de Jorge Braz, que marcou presença em três finais, entre Europeus e Mundiais. Com uma cultura de vitória construída ao longo de anos, esta Seleção rompeu preconceitos, encheu quadras e inspirou milhares de jovens a praticarem futsal. São a primeira seleção feminina portuguesa a chegar a uma final FIFA e esse facto nunca será apagado: são vice-campeãs do Mundo! Com orgulho.
Esse é o maior legado desta equipa, o de servirem de referência e criarem condições para que mais finais possam ser alcançadas. Parabéns a todo o grupo de trabalho, sem esquecer o papel fundamental de clubes, movimento associativo, autarquias e patrocinadores que têm apostado de forma estratégica no futsal, e que consolidam Portugal como uma das maiores potências na quadra.
Para a Federação Portuguesa de Futebol, é o culminar de um ano histórico, com a presença em seis finais, incluindo dois Campeonatos do Mundo, em apenas dez meses de trabalho desta Direção. Tão importantes como os cinco troféus conquistados, incluindo as vitórias inéditas no Mundial de sub-17 e na Liga Europeia feminina de futebol de praia, foi o crescimento e evolução registados, como no futebol feminino, com a presença no primeiro Mundial de sempre de sub-20.
Está de parabéns toda a comunidade do Futebol — Clubes, Associações Distritais e Regionais, Associações de Classe e Futebol Profissional — pelo trabalho desenvolvido, em conjunto com a FPF, desde a Direção Técnica Nacional, cujo maior estratega é Óscar Tojo, à Unidade de Certificação e Licenciamento, que tem criado condições para clubes mais preparados, melhores jogadores, a base de uma mudança de paradigma e criação de uma cultura de vitória que nos faz ambicionar mais êxitos. Como assinala o presidente Pedro Proença, é mesmo uma questão de hábito: Portugal entra sempre para ganhar. Parabéns à Seleção!"
Dentro do ovo Kinder da FIFA estava a Paz
"No dia 10 de outubro, a venezuelana Maria Corina Machado foi anunciada como vencedora do prémio Nobel da Paz, frustrando as ambições do presidente dos EUA, Donald Trump, que à data julgava merecê-lo depois de ter acabado com sete guerras.
Um mês depois, a FIFA criou, de forma surpreendente e espontânea, um Prémio para a Paz, a fim de homenagear «indivíduos que ajudaram a unir pessoas de todo o mundo, que tomaram medidas excecionais e extraordinárias em prol da paz e, com isso, uniram pessoas em todo o mundo... merecendo, consequentemente, um reconhecimento especial e único». Isto vindo de um organismo que atribui a organização de grandes eventos a países com graves questões relativamente aos direitos humanos, como o Qatar, onde foram bem conhecidos os problemas com as construções dos estádios, e à Arábia Saudita. Mas como os jogos são todos dentro de estádios fechados com ar condicionado, tudo passa.
O prémio seria atribuído no sorteio para a fase final da competição que EUA, México e Canadá vão receber no próximo ano e acabou por ser o segredo mais mal guardado do ano: na sexta-feira passada lá apareceu, surpreendido, Donald Trump para o receber, no Kennedy Center, onde, no meio de várias atuações e convidados, lá se procedeu ao sorteio.
Note-se que além de um troféu de tamanho desmedido com quatro mãos a segurar um globo – que é maior que o troféu mais importante em causa, o de Campeão do Mundo -, havia ainda uma medalha. Tal como na história da coroação de Napoleão, e depois de fazer uma cara surpreendida como quem abre um ovo Kinder, Trump pegou na medalha e colocou-a ele próprio.
A delegação norueguesa disse através do presidente da Federação, o que muito pensaram: «Quando este prémio não tem critérios objetivos, nem júri, nem qualquer ligação à direção, corre-se o risco de ser uma forma disfarçada de politizar a organização.»
Entende-se que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, queira a todo o custo amansar a fera que é Trump, e mantê-lo entretido, sobretudo depois de este já ter dito, por várias vezes, que até gostaria de modificar as cidades-sede, a fim de castigar governadores ou presidentes de câmara do partido democrata.
É a FIFA que tem poder de decisão. «O torneio é da FIFA, a jurisdição é da FIFA, e é a FIFA que toma estas decisões», disse há dias o vice-presidente da entidade que controla o futebol, Victor Montagliani. Mas se pelo meio se encontrar um troféu pacificador, tanto melhor."
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
FPF e VT Markets: a parceria que ninguém consegue explicar
"Esta semana ficámos a saber que a FPF fez uma parceria com a plataforma de trading VT Markets com um slogan ambicioso: 'Invista na excelência'. A FPF utilizou ainda uma comparação entre a «forma credível e de alto desempenho» como opera a plataforma VT Markets e a capacidade de Portugal em produzir futebolistas de classe mundial. A forma como foi apresentada, faz com que esta parceria pareça ser perfeita. Contudo há um pormenor que não se pode ignorar: a VT Markets não tem licença para operar em Portugal nem na União Europeia!!
Ignorar os alertas
Esta parceria, anunciada com pompa e circunstância, causa uma enorme estupefação a quem lida diariamente com corretoras e com os mercados financeiros. Quem trabalha neste setor sabe que os reguladores têm uma enorme preocupação em salvaguardar e proteger os consumidores e investidores, garantir a estabilidade e a eficiência do mercado e prevenir riscos. Como tal, estabelecem um conjunto de pressupostos que têm de ser alcançados pelas entidades que querem ter uma licença ativa num país da União Europeia. Ora é aqui que surge o primeiro entrave. A FPF assinou a parceria no dia 15 de outubro de 2025. Nesta data já eram públicos os alertas dos reguladores do Reino Unido, Dinamarca, Bélgica e Itália. Todos eles alertaram os investidores para não investirem através da plataforma VT Markets, sendo que o regulador do Reino Unido alertou, inclusivamente, para o risco de fraude. Aqui surgem as primeiras questões: A FPF sabia destes alertas? Se sim, preferiu ignorá-los? Ou será que entendeu que as licenças na Austrália ou na África do Sul são suficientes para legitimar uma operação totalmente irregular na Europa?
FPF:
Resposta inconclusiva
A FPF teve a necessidade de emitir um comunicado para responder às dúvidas colocadas pela comunicação social. Nesse comunicado, refere que esta parceria «cumpre escrupulosamente os requisitos legais e de compliance». Aqui a questão que não se percebe é que requisitos serão estes, que contrariam o entendimento dos supervisores europeus, que têm como principal função proteger os cidadãos de riscos financeiros. Será que o departamento de compliance da FPF tem mais experiência, dimensão, capacidade e conhecimento que os compliances dos supervisores europeus do Reino Unido, Dinamarca, Bélgica ou Itália?
FPF: Marca global
Esta questão ganhou novos contornos quando se verificou que existe uma página da VT Markets em português, com imagens de Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Félix e Cancelo. Com poucos cliques qualquer utilizador pode abrir uma conta de trading rapidamente. Será que os jogadores em causa autorizaram a exploração da sua imagem para este fim? Os jogadores sabem que esta plataforma não está licenciada na Europa? Reconhecendo a dimensão da sua marca, será que FPF tem a noção que esta parceria não se limita ao Médio Oriente ou ao Norte de África (conforme mencionado no comunicado), mas a todos os consumidores portugueses e europeus?
FPF: Os grandes riscos
A FPF tem estatuto de utilidade pública desportiva e rege-se pelas leis portuguesas. Tem um peso mediático e uma responsabilidade social que extravasam as suas funções no futebol em Portugal. Ao concretizar esta parceria está a carimbar a VT Markets (que não está autorizada a operar na UE) com o seu selo de credibilidade. Em simultâneo, poderá estar a expor os fãs e seguidores da FPF a uma plataforma que contem riscos indesejados aos olhos dos reguladores europeus. Aqui, mais uma vez, ficam perguntas sem resposta: Se os consumidores aderirem a esta plataforma por confiar na FPF, qual é a entidade a quem estes devem recorrer para defender os seus direitos e interesses? E a quem devem recorrer para os informar, esclarecer dúvidas ou para intervir em casos de práticas abusivas? Qual o mecanismo de proteção dos investidores em caso de insolvência? É o da Austrália? Da África do Sul? O mecanismo português não será de certeza porque, conforme foi referido anteriormente, esta plataforma não tem licença para operar em Portugal. Por fim, existe outro risco importante e que a FPF possivelmente deve ter tido em conta, que é o risco reputacional. Neste caso, a VT Markets traz consigo todo um conjunto de riscos e receios que estão na origem dos alertas de vários reguladores europeus.
FPF tem de ser exemplar
A FPF é uma instituição que tem um enorme peso social. Por esse motivo, tem de tentar ser um exemplo em tudo o que faz. Nesta parceria a FPF não foi exemplar. Ficam muitas questões por responder, embora não me pareça que exista muito interesse em esclarecer a opinião pública. Este caso serve apenas para começar a concordar com a afirmação de Pedro Proença na sua tomada de posse quando referiu que «vamos fazer o que ainda não foi feito». De facto, o que FPF fez neste caso, nunca tinha sido feito…
A Valorizar:
Marco Silva
O Fulham perdeu, mas fez uma grande exibição. A equipa de Marco Silva esteve a perder por 1-5, mas por pouco não empatou frente ao Man City. O destaque está na forma como o fez: com critério, personalidade, organização e com muito controlo emocional.
A desvalorizar:
APAF
Um comunicado com uma ameaça de greve, mas que por trás teve uma clara intenção de fragilizar o Presidente da Liga de clubes. Não é desta forma que se contribui para a evolução do futebol português."
Mourinho está a comprar tempo
"Para já, o treinador do Benfica conseguiu anular os rivais no confronto direto; se é curto ou não, dependerá da perspetiva de cada um... e do que o FC Porto fizer hoje em Tondela
José Mourinho não poderia dizer outra coisa tendo em conta que ainda há muitas jornadas pela frente, mas a possibilidade de o Benfica ficar a oito pontos do FC Porto na eventualidade de os dragões vencerem hoje o Tondela deixará as águias a precisar de um deslize alheio monumental para a conquista do título. Acredito no entanto que, com a experiência acumulada em mais de 20 anos de carreira, essa não é, para já, a prioridade do técnico dos encarnados: em primeiro lugar, porque não é algo que depende de terceiros; segundo, porque à medida que o tempo vai passando é notório que o grande objetivo de Mourinho é ganhar tempo, fazer acertos do ponto de vista tático com aqueles que tem e esperar que janeiro lhe traga matéria-prima para começar a construir um Benfica à sua medida.
O que conseguiu, para já, pode ser analisado de duas formas: por um lado estancou feridas, por outro não conseguiu ferir os principais adversários. Analisando os dois confrontos com FC Porto e Sporting, pode dizer-se que o Benfica conseguiu anular os dois rivais, mas não os vergou. Se para um treinador com tanto lastro e objeto de estudo isto poderá parecer pouco, também é justo dizer que está numa luta desigual face a Rui Borges e Francesco Farioli – o tempo (ou a falta dele) é uma variável a ter muito em conta.
Muitos talvez estivessem, a esta hora, à espera de ver uma equipa com mais vertigem, mas isso seria ignorar o que aconteceu nos últimos anos: Mourinho tornou-se um treinador mais prático, em muitos casos trabalhando com menos recursos humanos ou financeiros nas equipas que dirigiu face aos concorrentes internos. No Benfica não se pode dizer que está num clube com menos dinheiro que leões e dragões, mas dirige um plantel mais desequilibrado. E mesmo assim foi a melhor equipa em campo, durante mais tempo, frente ao bicampeão em título.
Isto pode parecer pouco, porque o FC Porto conseguiu-o em Alvalade, mas é na soma de detalhes que José Mourinho tenta erguer alguma coisa minimamente sólida. Como por exemplo a subida de rendimento de Richard Ríos, o travão a movimentos inconsequentes de Dedic e melhor entendimento entre Sudakov e Aursnes.
Tudo isto ainda é curto? É provável, dependendo se o FC Porto realinhar os chacras: o rolo compressor parece estar menos oleado, ainda assim é suficientemente robusto para poder dobrar o ano civil com um estatuto que há muito andava desaparecido na Invicta: aquele que ilumina o caminho."
Atividade do fim de semana
"Esta edição da BNews é dedicada aos jogos de várias equipas do Benfica ao longo do fim de semana.
1. Triunfo merecido
A Equipa B do Benfica venceu, por 2-0, frente à Oliveirense.
2. Vitória tardia, mas justa
Em futebol no feminino, o Benfica ganhou, por 3-2, ante o SC Braga.
3. Outros resultados (masculinos)
Em basquetebol, vitória benfiquista no reduto da Ovarense por 70-96. Em andebol, empate 30-30 na visita ao FC Gaia. Em hóquei em patins, triunfo, por 2-5, no rinque do HC Braga. Em voleibol, sucesso na receção ao CA Madalena (3-0). No polo aquático, desaire na deslocação ao Fluvial Portuense (28-4). Os Iniciados de futebol ganharam por 2-1 ao Farense. Esta manhã, os Juvenis, também frente ao Farense, mas na condição de visitante, empataram por 1-1.
4. Outros resultados (femininos)
No embate com o União Sportiva em basquetebol, triunfo do Benfica por 75-69. Em polo aquático, vitórias nas visitas ao Lousada XXI (2-31) e ao Fluvial Portuense (10-14). Em râguebi, derrota com o RC Bairrada/RC Tondela, por 22-26.
5. Jogos do dia
Às 14h00, o Benfica visita o Agronomia em râguebi. Os Juniores recebem o União Leiria às 15h00. Em andebol no feminino, embate na Luz com o CS Madeira às 16h30. Também na Luz, mas às 19h00, é a vez da equipa feminina de hóquei em patins receber o CENAP. À mesma hora, em voleibol no feminino, há dérbi com o Sporting no Pavilhão João Rocha."
Cliver Sánchez é craque. Apostem nele!
"Sem acreditação para a final da Libertadores, um jovem peruano de 15 anos subiu ao topo de uma montanha e relatou o Palmeiras-Flamengo. Era o início de um conto de fadas que emociona...
A saga de Cliver Huamán Sánchez, peruano de 15 anos que se lançou em viagem de 800 quilómetros ao longo de 18 horas de autocarro para relatar a final da Taça dos Libertadores da América, é muito mais do que uma curiosidade que viralizou. Em tempos de fakenews e desinformação despudorada, é um episódio inspirador do que significa amar verdadeiramente o jornalismo e o futebol. Um adolescente recupera, na inocência dos verdes anos, a essência desta profissão — a paixão genuína de contar uma história mesmo perante obstáculos (in)ultrapassáveis como a falta de uma acreditação para entrar no Estádio Monumental, onde o Flamengo ergueu o troféu após vencer o Palmeiras (1-0).
Com o sonho de fazer carreira no jornalismo desportivo, não desistiu e subiu até ao topo de Cerro Puruchuco, a montanha que circunda Lima e miradouro privilegiado para adeptos sem bilhete espreitarem o encontro. Improvisou, então, um estúdio ao ar livre e via TikTok — munido só de um telemóvel fixo num tripé e de um microfone, de fato com uma bandeira da cidade natal de Andahuaylas nas costas, à boleia do Pol Deportes, projeto pessoal que encanta nas redes sociais — produziu um hino ao romantismo que emociona.
No negócio da comunicação, é hoje em dia decisivo estar atento a métricas, cliques, visualizações e algoritmos, sob pena de as empresas não resistirem. Cliver lembra-nos, porém, que a base de tudo é a entrega, o brio, a vontade indómita de informar. E foi isso que mostrou aos quase 47 mil espectadores que o acompanharam em direto, enquanto o vídeo que mostra toda a façanha já soma mais de 12 milhões de visualizações no TikTok.
«Cumprimos a promessa de narrar a decisão da Libertadores», congratulou-se, eufórico, junto dos seguidores, incrédulo com a recetividade.
Sem tecnologia de última geração ou produção grandiosa a apoiá-lo, apenas ele — a sua voz, a sua emoção, a sua coragem — operou o milagre. Uma aventura de superação, de entrega, de amor puro. Não esteve no relvado que consagrou Danilo com um cabeceamento eterno, mas viveu cada momento como se estivesse. E transmitiu essa energia a milhares de pessoas.
«És o reflexo do peruano que se esforça todos os dias e que contribui para o desenvolvimento do país. Estou muito orgulhoso de ti. A vida e o futebol vão dar-te o lugar que mereces. Quero que estejas comigo na cabine e vais narrar alguns minutos», elogiou Peter Arévalo na transmissão da L1MAX, durante o intervalo do Sporting Cristal-Alianza Lima, quatro dias depois, na primeira mão das meias-finais do campeonato do Peru.
Uma jornada gloriosa para Cliver, que ainda recebeu de oferta uma edição especial da camisola do clube local oferecida por Julio César Uribe, antigo selecionador e internacional peruano. Também Paolo Guerrero, avançado de 41 anos que brilhou no Bayern, Hamburgo, Corinthians e Flamengo, entre outros, presenteou o jovem com uma camisola dos forasteiros. Na quarta-feira, assistirá no Bernabéu ao Real Madrid-Manchester City a convite do canal Latina Televisión, duelo de gigantes da fase de liga da Champions.
Quem não souber o que é um conto de fadas, pergunte a Cliver Huamán Sánchez. Ele está a escrevê-lo ao vivo — e nós temos a sorte de o testemunhar."
Proteção do talento jovem: o desafio jurídico das transferências de menores no espaço europeu
"Num cenário cada vez mais competitivo e globalizado, o futebol profissional tem revelado jovens talentos que se destacam precocemente. Multiplicam-se os casos de atletas que, ainda em idade júnior, conquistam espaço nas equipas principais e assumem papéis decisivos em competições de alto nível, provando que a idade não é barreira para o sucesso.
Esse protagonismo inicial desperta, inevitavelmente, o interesse de emblemas estrangeiros que procuram assegurar, desde cedo, as futuras promessas.
Porém, esse ímpeto colide com uma das normas basilares da FIFA: o artigo 19.º do Regulamento sobre o Estatuto e a Transferência de Jogadores (RSTP), que, em regra, proíbe as transferências internacionais de jogadores com menos de 18 anos, admitindo apenas exceções estritamente delimitadas.
Tal proibição não é uma imposição burocrática, mas uma opção de política desportiva global, que visa prevenir fenómenos de exploração, migrações desportivas precárias e situações de desproteção social.
Entre as exceções previstas destacam-se: a mudança de residência dos pais para o país do novo clube por motivos alheios ao futebol; a residência do jogador a menos de 50 km da fronteira e inscrição em clube situado até 50 km dessa fronteira, não excedendo 100 km entre residência e clube. No contexto europeu, acresce ainda o cumprimento de requisitos atinentes ao percurso académico e a garantia de condições de treino de excelência, a possibilidade de transferência de jogadores entre os 16 e os 18 anos dentro da União Europeia ou do Espaço Económico Europeu.
É nesta exceção europeia que se trava um dos mais delicados e decisivos desafios do futebol contemporâneo. A convergência normativa entre o regime FIFA e os princípios fundamentais da livre circulação de trabalhadores e da igualdade no mercado interno europeu - consagrados na jurisprudência emblemática do Caso Bosman e reforçados pelo diálogo institucional entre a Comissão Europeia e a FIFA - permitiu desenhar um equilíbrio: a mobilidade antecipada torna-se possível, porém condicionada a um robusto sistema de garantias materiais e procedimentais que assegurem o interesse superior do jovem atleta.
Na prática, a proteção deste superior interesse traduz-se num modelo de controlo particularmente rigoroso e exigente: o clube que pretende inscrever o atleta menor deve apresentar, paralelamente ao pedido de transferência internacional, um dossier detalhado que comprove, de forma clara e objetiva, a garantia de formação desportiva de qualidade, integração escolar que assegure uma alternativa de carreira fora do futebol, condições de alojamento dignas e estáveis, assim como um sistema estruturado de tutoria e acompanhamento pessoal ao longo de todo o período de formação.
O processo de compliance é submetido a um duplo escrutínio hierárquico. Antes de chegar à FIFA, as federações nacionais certificam a integridade do pedido, sob pena de devolução imediata. Ultrapassada esta triagem preliminar e confirmada a conformidade integral com os requisitos regulamentares, o processo é remetido à Players' Status Chamber do Football Tribunal da FIFA, instância decisória competente para a deliberação final. A homologação proferida por este órgão confere plena validade jurídica à transferência internacional de menor, dotando-a de eficácia «erga omnes» no ordenamento desportivo internacional.
No entanto, cumpre não olvidar que as consequências da não conformidade poderão ser severas. O incumprimento poderá implicar não só indeferimento do pedido, mas também sanções disciplinares para os clubes, incluindo proibições temporárias de registo de novos jogadores.
A «porta europeia» não é, portanto, uma abertura de mercado, mas um corredor estreito reservado a clubes que demonstrem compromisso sério com a formação integral do atleta menor. Atua como um modelo que transcende o mero rendimento desportivo, impondo aos clubes padrões de responsabilidade social e ética, garantindo que os objetivos competitivos dos clubes coexistam com superior interesse do jovem atleta, equilibrando o direito à livre circulação com a salvaguarda dos seus direitos fundamentais. Nesta esteira, promove-se uma cultura de sucesso sustentável, onde o talento floresce num ambiente protegido, ético e socialmente responsável."
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