Últimas indefectivações

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Vermelhão: Merecíamos um marcador mais descansado...

Santa Clara 1 - 2 Benfica


3 pontos conquistados em São Miguel, com uma boa primeira parte, e um 2.º tempo perigoso, sem que o adversário cria-se perigo relevante, mas com uma vantagem mínima perigosa, concedida escusadamente num golo mal sofrido pelo Trubin!

A nota principal desta sexta-feira 13, foi mesmo o anúncio da lesão do Aursnes, aquele que para mim, estava a ser o consistentemente o melhor jogador do Benfica, desde que começou a jogar na sua posição original! Sendo ainda mais importante, a partir do momento, em que que o Rafa substituiu o Sudakov! O Aursnes, passou a ser o nosso ´8´ e o nosso ´10', além de dividir a posição de '6' com o Barreiro, um verdadeiro 3 em 1 !!!

O Enzo acabou por fazer um bom jogo, os melhores minutos do Enzo, desde da lesão no ombro, mas não tem a capacidade de pensar o jogo como o Aurnses, principalmente no passe vertical, na capacidade de aparecer em zonas avançadas, nem que seja em desmarcações para arrastar os adversários, e na pressão alta.

A surpresa foi o regresso do Araújo à Lateral Direita! Não sei se o Mourinho quis testar algum esquema para o Real Madrid, ou se ficou com medo de apostar no Banjaqui, contra um adversário manhoso, com um jogadores perigosos e rápidos, que caem nas Laterais! O Sidny creio que ficou provado contra o Alverca, que não dá muita confiança como Lateral neste tipo de jogos...

O Santa Clara está a sofrer com o vírus Europeu!!! Várias equipas que se conseguiram qualificar para a Europa (normalmente ficam pelas pré-qualificações), e não estão habituadas a essas andanças, acabam por ter épocas sofríveis, e às vezes, acabam mesmo por descer de divisão! Trocaram recentemente de treinador, e estão de facto numa fase com menos fulgor, mas continuam a ter jogadores com talento... Mas, hoje, o Benfica deu poucas abébias! Tirando o golo, e o respectivo frango do Trubin, conseguiram alguns remates de longe, quase todos interceptados, e pouco mais...

Bem o Benfica, na reacção à perda de bola... e com um Rafa mais entrosado com os colegas, apesar de continuar a achar que o Sudakov neste momento, daria mais à equipa, mas se o Rafa não jogar, nunca ganhará essas rotinas! Mas ao contrário de outros jogos recentes, até fomos eficazes, e num jogo onde até criámos menos oportunidades do que em Tondela, acabámos por marcar mais golos!!!

O Pavlidis, com o golo e a assistência, foi facilmente o MVP, mas também não foi complicado ser eleito o melhor em campo, numa partida, que também ficou marcada, pelo relvado complicado, apesar de estar seco, não ajudando nada os jogadores mais habilidosos. Notas de destaque para o Prestianni e o Araújo... apesar do argentino, mais uma vez, ter 'falhado' um golo cantado, se não tivesse sido o 'azar' do defesa do Santa Clara, teria sido menos um golo!!!

O Trubin, na Ucrânia, jogou de certeza em campos em piores condições, aquele monte de lama na pequena área, é uma armadilha conhecida pelos guarda-redes... Neste tipo de bolas, pede-se uma deslocação lateral, no momento em que se vai agarrar a bola, tem que ter o corpo por 'trás' da bola, em caso de acontecer um ressalto inesperado...

Com a vantagem mínima, e com o Benfica a dar prioridade à defesa, o jogou ficou um pouco mais nervoso, mesmo sem grandes sustos, mas impediu o Mourinho de fazer outra gestão na substituições... Por exemplo, com uma vantagem maior, o Lukebakio teria tido minutos, se certeza!


O jogo ficou marcado, mais uma vez, pela arbitragem absolutamente horrorosa, do Cabeçudo das Caldas, António Nobre! Permitiu praticamente tudo ao Santa Clara, nos últimos 30 metros, não marcou nada a favor do Benfica, perdi a conta às faltas, em zonas perigosas, perto da área dos Açorianos, que ficaram por marcar! E depois, os penalty's, mais uma vez, os penalty's!!! Já percebi que os Expert's só vão admitir que ficou por marcar o penalty sobre o Prestianni! Difícil justificar descalçar o Prestianni sem o seu consentimento!!! Mas houve mais 3! Sim, mais 3 !!!


- Barreiro: sim, o Barreiro ao sentir o contacto, deixa-se cair, mas o defesa coloca os dois braços, no Barreiro, um no peito e o outro no ombro! A intensidade é irrevelante!
- Pavlidis: sim, quando o defesa estica a perna, não existe contacto inicialmente, mas quando o Pavlidis, dá a passada em frente, existe um contacto de joelho, com joelho!!!
- Otamendi: agarrão evidente, sem bola, numa bola parada, que passou em claro à realização... e aos Expert's e até ao próprio Benfica, que não colocou este lance no 'resumo' dos penalty's que ficaram por marcar!


Nos últimos 3 jogos, ficaram 10 penalty's por marcar (4 Tondela, 3 Alverca e 3 Santa Clara), é um número absurdo, que só se explica pela impunidade! Os nossos adversários sabem que é bastante improvável sofrerem um penalty contra o Benfica, sendo assim, actuam de forma descuidada, sem qualquer 'travão' na forma como defendem! O Benfica esta época, estatisticamente, até tem um número aceitável de penalty's a favor, mas quando começaram a fazer algum barulho nas televisões, houve claramente uma 'ordem' para deixarem de marcar penalty's a favor do Benfica... Neste momento, nem com uma fratura exposta no perónio, será penalty a favor do Benfica!


Terça-feira de Carnaval, o reencontro com o Real Madrid na Luz. O jogo será seguramente diferente, nem que seja pela atitude dos Castelhanos, que vão estar picados, na forma como perderam na Luz, em Janeiro! O Lukebakio já está disponível, o Ríos também poderá estar no banco, o Dedic deverá regressar (vamos ver...), e o Aursnes também poderá jogar em sacrifício! Resumindo estamos longe das melhores condições! Os jogadores que têm estrado lesionados à mais tempo, não têm ritmo de jogo, o o Dedic e o Aurnses arriscam-se a jogar sem estarem a 100%, e se jogar contra o Real Madrid nunca é fácil, jogar com debilidades é ainda mais complicado!


Se por um lado é bom os jogadores e os adeptos acreditarem que podem ganhar! A ambição é positiva. É também importante, não pensar que podemos dividir o jogo com o Real Madrid, só poderemos ambicionar verdadeiramente a uma qualificação histórica, jogando nos limites, com inteligência, solidariedade e muita garra! No campo e nas bancadas!



Critérios elásticos


"O Sporting investiu €20,5 milhões em dois jogadores neste mercado de inverno. O Benfica ficou pelos 11. O FC Porto pelos 10. No futebol português, tantas vezes o que pesa não é o investimento, mas a narrativa construída à volta dele.

Há mercados que se analisam pelos números. Outros analisam-se, sobretudo, pelas reações. E este inverno ficou marcado menos pelo que cada um fez e mais pelo modo como se falou do que cada um fez. No futebol português, tantas vezes o que pesa não é o investimento, mas a narrativa construída à volta dele.
Os factos são objetivos. O Sporting investiu 20,5 milhões de euros em dois jogadores. O Benfica ficou pelos 11. O FC Porto pelos 10. Ainda assim, foi no Dragão que se assistiu ao maior rodopio, quatro entradas e umas quantas saídas, num mês que, segundo a cartilha repetida ano após ano, serve apenas para retoques cirúrgicos, pequenos ajustes, correções pontuais ao que ficou mal resolvido no verão. A teoria é sempre essa. A prática, como se viu, nem sempre acompanha o discurso.
Quando o Benfica ultrapassou os vinte milhões em janeiro passado, a leitura foi imediata e quase unânime. Falou-se em desespero competitivo, em all in, em falha estrutural de planeamento. Disse-se que um clube organizado não precisa de gastar tanto a meio da época. Este ano, com valores praticamente idênticos noutra paragem, o tom foi substancialmente diferente. Análise técnica, contextualização estratégica, explicações ponderadas. O critério, pelos vistos, adapta-se às circunstâncias e, sobretudo, às cores.
O FC Porto apresentou como último reforço um médio de 30 anos. Antes dele tinham chegado um central de 41, um avançado de 26 e um jovem de 17. Um mercado heterogéneo. E é inevitável a pergunta que raramente se faz quando o protagonista veste de azul e branco: o que se diria se fosse o Benfica a construir um mercado com esta lógica? Quantas horas de comentário televisivo seriam dedicadas à falta de planeamento, ao desespero competitivo ou à ausência de rumo?
No Benfica, a contratação de Rafa foi catalogada como um penso rápido, quase um remendo de última hora. Curiosamente, no FC Porto, dois reforços chegaram por empréstimo em poucas semanas e o silêncio foi quase absoluto. Ora, se há solução tipicamente transitória no futebol moderno, é o empréstimo. Mais do que um penso rápido, é uma sutura provisória. Serve para resolver o imediato, raramente para construir o futuro.
Ainda no FC Porto, a renovação de Farioli entra na mesma lógica. Apresentada como visão estratégica, como antecipação inteligente de Villas-Boas, como sinal de estabilidade e confiança num projeto. Recordo bem o que se escreveu quando Rui Costa renovou com Roger Schmidt, tendo ainda dois anos de contrato. Imprudência, precipitação, risco desnecessário, excesso de confiança num treinador que, diziam, ainda tinha muito por provar. Hoje, mesmo com a equipa azul e branca a perder cinco pontos em duas jornadas e a dar sinais evidentes de quebra de rendimento, o tom mantém-se moderado. Não se fala em precipitação. Não se fala em risco. Fala-se em convicção.
Talvez a história venha a ser diferente. Talvez Farioli nem venha a ser campeão uma única vez. Mas uma coisa é certa: a diferença no julgamento já é evidente.
E depois há Alvalade. O capitão ficou de fora frente ao Nacional, sem lesão, sem castigo, sem proposta confirmada. Explicações vagas, declarações que procuram desvalorizar o tema e fechar o assunto rapidamente. A pergunta continua por responder e é simples: por que não jogou Hjulmand? Se não houve recusa, se não houve negociação iminente, se não houve qualquer impedimento disciplinar ou físico, o que justificou a ausência do líder de equipa num jogo oficial? Se fosse com o capitão do Benfica, quantas horas de televisão teríamos dedicado ao tema? Quantas teorias se construiriam? Quantas certezas nasceriam antes mesmo de haver factos?
Vamos agora ao clássico. Esse que tantos anunciaram como decisivo para o título acabou por ser curto de futebol e excessivo em tudo o resto. Dentro das quatro linhas houve pouco para recordar: intensidade irregular, poucas oportunidades claras, demasiada cautela. Fora delas acumulou-se matéria suficiente para regressar a uma velha discussão do futebol português, a de saber se mudam os presidentes mas permanecem certos hábitos.
A tão proclamada lufada de ar fresco que André Villas-Boas prometia trazer teria sido útil, desde logo, no balneário do Sporting, onde o ar condicionado funcionava a temperaturas impróprias e sem possibilidade de regulação.
Vieram depois as cortinas colocadas na bancada dos adeptos leoninos para limitar o apoio, a música em volume elevado a sobrepor-se aos cânticos, as mensagens constantes do speaker lançadas pelo sistema sonoro do estádio, num esforço evidente para controlar o ambiente. Nos minutos finais, a coreografia repetiu-se com os apanha-bolas recolhidos atrás dos painéis publicitários, levando consigo bolas e cones, num expediente antigo, demasiado ensaiado para ser acaso e demasiado conhecido para surpreender quem acompanha o futebol português há tempo suficiente.
No acesso aos balneários, a comitiva sportinguista foi ainda conduzida por um corredor decorado com capas de jornais evocando glórias da casa, quase um museu improvisado para lembrar quem manda naquele espaço. Para quem tem memória longa, foi difícil não recuar aos anos noventa, quando o Benfica chegou a equipar-se em corredores por causa do cheiro nos balneários. Outros tempos, dirão alguns. Talvez. Mas a sensação de repetição foi impossível de ignorar.
O adepto pode discutir opções, criticar mercados, questionar renovações e até relativizar episódios paralelos. Faz parte do jogo. O que já custa mais a aceitar é a elasticidade permanente dos critérios. Quando um investimento é desespero num lado e gestão ponderada no outro, quando uma ausência do capitão gera silêncio aqui e geraria tempestade ali, quando um clássico pobre em futebol mas fértil em episódios paralelos é tratado como simples folclore competitivo, então o problema já não está apenas dentro das quatro linhas. Está na forma como escolhemos olhar para elas. E essa escolha, consciente ou não, acaba sempre por moldar a forma como o futebol é vivido, discutido e, no limite, julgado."

Mourinho já acertou. E agora?


"Tardou até que o treinador encontrasse o encaixe certo das peças, mas lesão de Aursnes e regressos de Ríos e Lukebakio voltam a baralhar-lhe os planos

O empate no clássico de segunda-feira no dia seguinte ao muito suado triunfo frente ao Alverca reabriu o apetite do Benfica pelo título. Sete pontos para o primeiro lugar continuam a ser distância considerável, que nunca foi recuperada em Portugal com 13 jornadas por disputar, mas o cenário na Luz é francamente mais animador do que há um par de semanas, sobretudo tendo em conta que o FC Porto visita a Luz no início de março.
Não é que o Benfica esteja a deslumbrar, muito longe disso, mas, pelo menos, José Mourinho encontrou, ao fim de muito tempo, o onze base que melhor tem funcionado desde que assumiu o lugar de Bruno Lage, em setembro passado. É certo que o encaixe de Aursnes, Barreiro, Prestianni, Sudakov e Schjelderup atrás de Pavlidis foi forçado por várias ausências no plantel, desde logo Barrenechea, Ríos e Lukebakio, mas a equipa parece ter, finalmente, encontrado alguma harmonia em campo. Resta saber o que irá na mente de Mourinho, agora que o período crítico de lesões parecia ter ficado para trás, exceção feita a Bah, cuja disponibilidade a curto prazo é ponto de interrogação.
As melhorias no coletivo depois de um arranque de 2026 paupérrimo em resultados e exibições foram notórias e em grande parte justificadas pela revolução a meio-campo: Barrenechea e Ríos foram apostas altas do Benfica que, até agora, não corresponderam ao que deles se esperava e a dupla Aursnes-Barreiro tem funcionado largamente melhor do que a sul-americana. Não só pelo trabalho de para-brisas à frente dos centrais, mas porque isso permite à equipa encaixar Sudakov na sua melhor posição e soltar a criatividade de Prestianni e Schjelderup, que, com o tempo de jogo merecido, têm justificado a aposta de Mourinho.
Ríos é o segundo mais caro de sempre e Lukebakio barato não foi, mas, nesta altura, não mexer no que está a funcionar seria o mais aconselhável. A lesão de Aursnes, quando o norueguês tinha recuperado o rendimento da primeira época, volta, contudo, a baralhar as contas ao treinador. Sem falar de Rafa, que certamente não terá vindo para passar muito tempo sentado no banco.

P. S. — Já muito se escreveu sobre as bafientas tradições que o clássico no Dragão trouxe de volta, mas importa perguntar: ainda alguém se surpreende? As paredes do balneário estavam decoradas por motivos turísticos, a televisão com imagens para pressionar Fábio Veríssimo no intervalo foi um erro de interpretação e, no FC Porto-Arouca de 2023, o VAR esteve desligado durante 13 minutos por culpa da MEO. Há coisas que não mudam e os limites no Dragão continuam a ser algo muito difícil de entender."

O que é Aursnes para vós?


"Fredrik Aursnes é primeiro o que querem que ele seja e não precisa de brilhar sozinho: faz toda a equipa parecer melhor. E esta terá de viver sem ele nos próximos tempos

O que realmente vale Aursnes? Esta época, soma três golos e duas assistências. Desde que chegou à Luz, contabiliza 34 remates certeiros e 12 últimos passes em 190 encontros, divididos por 15.653 minutos. Dá uma ação decisiva a cada 340 minutos. A cada 3,8 jogos. Não são números que impressionem, ainda mais porque andou a pisar terrenos mais adiantados do que aqueles em que José Mourinho o quer ver agora.
Dificilmente serão estes os números que sustentam a aposta consistente. Que explicam porque nenhum treinador abdicou do norueguês em campo e porque lhe falta apenas experimentar ser guarda-redes, central e ponta de lança com a camisola dos encarnados vestida. Não só nunca estará obviamente descartado o poder ter acabar de fazer mais uma ou outra posiçã até ao final do contrato, daqui por três épocas e uns poucos meses, como é também normal que o habitual não sabe jogar mal se estenda, no seu caso, a em que posição for.
Não serão também outras estatísticas a defini-lo. Seguramente não os 86% de passes curtos certos, que baixam para 27,8% no meio-campo contrário. Ou os 47% de eficácia nos longos. Ainda menos os 28% de cruzamentos que chegam ao destino procurado. Faz dois desarmes por jogo, recupera uma vez a posse para lá do meio-campo, 4,7 nas duas metades do relvado. Ganha 55% dos dribles que tenta e 51% dos duelos. Eventualmente, talvez os quilómetros percorridos... Mas isso por si só não convenceria quase ninguém que contratasse só pela big data.
Aursnes faz as delícias dos adeptos. É protagonista de piadas, punch line de campanhas de marketing. Não é um driblador ou um criativo nato. Não tem uma técnica de passe brilhante ou um incrivelmente certeiro. Não voa sobre os centrais para cabecear. A sua meia-distância, não sendo má, também está longe de ser fulgurante. Não rouba dezenas de bolas. Não ganha em velocidade. Com bola ou sem esta. A técnica não é o seu forte e há quem seja mais... forte. Não é nada disto e, ao mesmo tempo, é tudo.
Uma ideia parece certeira: faz sempre o colega do lado ser melhor do que é. Se tem Dedic por perto, está lá para colocar o bósnio a jeito, permitindo-lhe massacrar o flanco. Se é Dahl ou Schjelderup, disfarça-se de totem para ajudar a envolver o rival. Já que agora o mandam descer para o lugar para o qual foi contratado, porém raramente desempenhou, será aquele que Leandro Barreiro precisa que seja para que o luxemburguês se vista do 10 que, a dada altura, Mourinho achou que poderia ser o início e o fim de tudo. Se voltar a ser lateral, sê-lo-á como antes, tornando-se tão útil que parecerá que não é preciso mais ninguém, que ele dará sempre conta do recado. Menos que os cruzamentos não saiam sempre perfeitos, ele encontrará um jeito.
Fredrik é, primeiro, o que quiserem que ele seja. Depois, é o que acha que deve ser, mediante o papel que entendem necessário que desempenhe. E isso é entrega. Dedicação. Um homem e uma causa. O verdadeiro exemplo do latim bordado no emblema que tem ao peito. O capitão de um Benfica bem para lá dos que ostentam os habituais símbolos de liderança. Mas um anti-herói, que deixa escapar aquele eu? com sotaque, quase pueril, quando lhe pedem protagonismo.
E, no fundo, é isso que o define. Não os números que se leem em relatórios, nem as estatísticas que aparecem no final de cada encontro realizado, mas a capacidade de ser indispensável sem precisar de brilhar individualmente. Cada passe, cada desarme, cada deslocamento é pensado para que o coletivo funcione melhor — e é essa inteligência silenciosa que faz a diferença quando tudo parece encaixar. Ele sabe sempre o que fazer mesmo que não saiba como fazer. Por isso, está lá para ajudar quem sabe.
Enquanto uns se perdem em estatísticas ou lampejos de genialidade, ele transforma consistência e entrega em vantagem concreta para a equipa. E, se no final de uma época, a balança não mostrar golos ou assistências em abundância, o que aparece a nu é, paradoxalmente, o efeito Aursnes, invisível nos números, mas sentido em todos os setores do campo por jogadores, treinadores, adeptos e até jornalistas. Será para todos, enquanto por cá andar, ele e mais dez.
O que vale Aursnes, portanto, não se medirá apenas em números, golos ou percentagems. Está na paciência com os colegas, na capacidade de interpretar espaços, de cobrir falhas, de criar soluções invisíveis, que só os que jogam ao lado percebem. Vale na quietude com que impõe equilíbrio, na leitura antecipada das jogadas, na entrega sem espetáculo, na forma como simplifica praticamente tudo com ou dois toques na bola. É o tipo de jogador que faz parecer fácil o que seria impossível sem ele, e essa é a sua grande virtude.
O efeito Aursnes manifesta-se em detalhes que escapam ao público — embora ache que o da Luz está há muito convencido —e às estatísticas oficiais. Cada movimento sem bola, cada antecipação, cada troca de posição é calculada para criar linhas de passe, abrir corredores ou neutralizar adversários antes mesmo de serem notados. É essa capacidade de moldar o jogo sem precisar de se mostrar que o torna verdadeiramente indispensável.
No fundo, perguntar «o que realmente vale Aursnes?» é quase uma tarefa tão complicada como tentar medir o vento. Não se vê, mas sente-se e, por vezes, é tão forte que nos faz embalar ou, se for contrário, nos derruba— e quem está ao lado percebe que sem ele, o espetáculo não seria o mesmo. Mais. Para essa mesma pessoa seria tremendamente mais difícil. E é por isso que, no relvado ou fora dele, Aursnes permanece essencial. Não pelos flashes, não pelos números, não pelos elogios fáceis. Mas pelo efeito silencioso, contínuo e profundo que imprime à equipa. Pela entrega que nunca cessa, pelo esforço que ninguém nota, mas que todos sentem em abundância. É o tipo de presença que muda jogos sem precisar de glória, que torna cada colega melhor e transforma o coletivo num organismo quase perfeito. E o Benfica tem agora de aprender a viver sem ele por uns tempos."

Mauro: Arbitragem...

Cancella dixit

Cancella e as bitolas!!!

O Benfica Somos Nós - É para cima deles #7 - Santa Clara

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Relvado ou lesão de Aursnes? Qual a maior dor de cabeça?

Observador: Três Toques - A campeã olímpica que saiu dos jogos com ouro... e noivo

SportTV: Primeira Mão - 🤨 E se o fã do Manchester United fosse adepto em Portugal?

Vizak: Liga das Nações...

Ganhar nos Açores


"O Benfica visita o Santa Clara hoje, com o início da partida agendado para as 18h30. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Somar três pontos
José Mourinho só pensa na vitória: "Olhamos para cima, e olhando para cima, somos nós, verdadeiramente, que desesperadamente precisamos de pontos. Viajamos para os maravilhosos Açores com o objetivo de lutar muito, de trabalhar muito, para podermos voltar com os pontos de que precisamos."

2. Bastidores
De Lisboa à receção calorosa em Ponta Delgada.

3. Bilhetes esgotados
Os bilhetes para o jogo Real Madrid-Benfica, da 2.ª mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, estão esgotados.

4. Agenda desportiva
São vários os jogos marcados para amanhã e domingo, com destaque para a partida da equipa B com o Felgueiras no Benfica Campus e quatro embates na Luz: Marítimo às 15h00 em andebol; Vitória SC às 17h00 em basquetebol; Águias de Santa Marta às 19h15 em futsal no feminino; CP Esneca Fraga às 21h00 em hóquei em patins no feminino. Consulte a agenda.

5. Da Nigéria para o Benfica Campus
Christy Ucheibe e Peter Edokpolor, futebolistas encarnados oriundos da Nigéria, falam da sua experiência de águia ao peito.

6. Visita especial
O Rodrigo cumpriu o sonho de conhecer o Estádio da Luz. 

7. Convocatória
A guarda-redes Thaís Lima está convocada pela seleção brasileira de futebol.

8. Reportagem
Conheça em detalhe a formação de futebol no feminino do Benfica.

9. Em busca de títulos
Neste fim de semana realizam-se, no Fórum Braga, os Campeonatos Nacionais de atletismo em pista curta.

10. Protagonista
Inês Severino, hoquista do Benfica, é a entrevistada da semana.

11. Entrevista
Velocista do Benfica, Pedro Afonso partilha os seus objetivos ambiciosos para a carreira desportiva.

12. Título regional
Os Sub-19 de hóquei em patins do Benfica são hexacampeões regionais.

13. Parceria
60 crianças e elementos do staff do Mediterranean College of Sports, parceiro do Benfica em Malta, estiveram no Benfica Campus ao longo de cinco dias.

14. Acervo mais rico
Fotografias e registos pessoais de José Torres foram cedidos por empréstimo da sua filha, Ana Torres, ao Centro de Documentação e Informação do Sport Lisboa e Benfica.

15. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV.

16. Em destaque
Os principais conteúdos e temas que marcam a agenda do Sport Lisboa e Benfica nas diferentes plataformas do Clube."

Águia

Chico-espertice à moda do Porto


"O que aconteceu no Dragão no clássico entre FC Porto-Sporting, e foi visto em todo o lado onde o jogo passou (que bela propaganda para o campeonato), não pode acontecer.

Balneário decorado (com intervenção do Querido mudei a casa recente ou menos recente, não importa), adeptos em interação com adeptos, portas fechadas ou entreabertas ao staff, colunas para abafar adeptos, beijinhos de presidente, ar condicionado abrasador, queixinha contra queixinha… O rol de acusações e contra-acusações no pós-clássico do Dragão é extenso e leva o jogo entre FC Porto e Sporting (1-1) a estender-se por dias desde segunda-feira. O motivo não é, nem podia ser, a qualidade do jogo no relvado mas tudo o que se passou ou se diz ter passado fora dele. Sinceramente não vou por qualquer dos assuntos referidos, porque um clube acusa e o outro defende-se, o que se defende acusa depois e o que acusa passa a defender-se… Um diz e outro desdiz.
Vou pelo que vi. E para isso recuou a outubro de 2024. Na jornada 8 da Liga, na vitória do FC Porto sobre o SB Braga, 2-1 no Dragão, Nico González entregou o prémio de melhor em campo ao jovem apanha-bolas Gonçalo Cruz, que repôs rapidamente a bola para jogo e na sequência Pepê marcou o segundo dos dragões. Não foi a primeira situação do género, lembro-me de há uns bons anos treinadores adversários fazerem referência aos apanha-bolas de Alvalade de rápidos que eram.
Confesso que nessa altura não concordei com o elogio, muito menos com o prémio entregue ao jovem dragão. Porque no fim de tudo, o que está na base é uma chico-espertice, para não dizer batota — não uma baatooootaa, mas uma batotinha. Sim, porque a rapidez a dar a bola para campo acontece quando dá jeito à equipa da casa e a lentidão também quando dá jeito à mesma equipa. Fair-play seria que a rapidez fosse em igual velocidade para a equipa visitante e o exemplo do último clássico revela que até para os apanha-bolas, jovens apanha-bolas, aspirante a futuros jogadores, há uma tática e essa tática não é didática e é ensinada em tenra idade e vai servir de exemplo de que para ganhar vale tudo — não nos poderemos queixar das futuras gerações quando lhe ensinamos esquemas desde cedo…
No final do jogo com o Viktoria Plzen — 1-1 na Chéquia na jornada 7 da Liga Europa, a 22 de janeiro —, o treinador do FC Porto queixou-se de haver muitas bolas em campo. «Acho que o tempo-extra foi curto. Eles perderam muito tempo a cada pontapé de baliza, só havia quatro bolas à volta do campo e numa prova UEFA isto não pode ser permitido», apontou Francesco Farioli.
Ora, numa prova da Liga portuguesa também o que aconteceu no Dragão, e foi visto em todo o lado onde o jogo passou (que bela propaganda para o campeonato), não pode acontecer. Mas Farioli certamente não se incomodou e talvez tivesse oferecido um prémio para melhor em campo a um dos apanha-bola se Luis Suárez não tivesse empatado o jogo aos 90+10’.
Podia ter escrito sobre o balneário decorado, os adeptos em interação com jogadores, as portas fechadas ou entreabertas ao staff, as colunas para abafar adeptos, os beijinhos do presidente leonino, o ar condicionado abrasador, a queixinha contra queixinha… (podia até ter voltado à TV no balneário de Fábio Veríssimo no Dragão, mais um caso, para mim o mais grave, numa casa em se esperava uma lufada de ar fresco em vez de bafio…) E até podia, imagine-se, falar do futebol jogado, que foi pouco. Mas não, escrevi só da chico-espertice que mostra bem o ridículo em que tudo isto se tornou."

BolaTV: Entrevista Francisca Veselko

«Percentagem do passe»: um conceito que não existe


"Nas conversas de café fala-se, com naturalidade, do «passe» de um jogador. «Vendemos o jogador, mas ficámos com 30 por cento do passe.» A expressão é repetida como se designasse uma realidade jurídica autónoma e divisível. Mas o que é, afinal, esse «passe»?
Na vox populi, o jogador teria um «passe» transacionável, suscetível de ser repartido entre clubes, que manteriam uma percentagem desse ativo para futura negociação. Numa formulação mais sofisticada, fala-se em «direitos económicos»: vende-se 80 por cento dos direitos desportivos e retêm-se 20 por cento. A linguagem muda, a ideia permanece.
Sucede que ambas as formulações induzem em erro.
Para perceber porquê, é útil recorrer a uma analogia societária. Numa empresa dividida em quotas, cada sócio detém uma percentagem do capital social e pode, em regra, dispor livremente dela. Quem tem 30 por cento pode vender 15 por cento a um terceiro e realizar o respetivo valor. A quota é um bem autónomo, fracionável e transacionável per se (salvo cláusulas específicas e direitos de preferência assumidos que por simplicidade da menção no caso em apreço não iremos aprofundar).
No futebol, a lógica é diversa.
Importa ainda sublinhar que, nos termos dos regulamentos aplicáveis, apenas o próprio jogador e os clubes que ele representa ou representou podem ser titulares de direitos emergentes de uma futura transferência. Não é admissível que terceiros estranhos à relação desportiva - pessoas singulares, fundos ou outras entidades - detenham direitos económicos sobre o jogador. Assim, qualquer direito percentual relativo a uma futura transferência tem necessariamente de radicar na esfera jurídica de um clube participante na relação desportiva ou do próprio jogador, não sendo livremente destacável ou atribuível a entidades alheias a esse vínculo.
Ademais, nenhum clube detém «uma parte» do jogador, como quem detém uma quota de sociedade. O que existe é um vínculo contratual e um registo federativo que legitimam o jogador a representar determinado clube. Quando, numa transferência, o clube vendedor «fica com 30 por cento», não está a reter uma fração do jogador, nem um direito autónomo que possa circular independentemente do vínculo contratual.

O que verdadeiramente sucede é mais simples
Imaginemos que o Clube A transfere o jogador X para o Clube B por um milhão de euros, acordando que terá direito a 30 por cento de uma futura transferência. Em rigor, o Clube A vende a totalidade da posição contratual pelo valor fixo e reserva para si um valor adicional, meramente condicional, dependente de um evento futuro e incerto: uma nova transferência onerosa.
Não há aqui «partilha» do jogador. Há um mecanismo de preço variável.
A existência desse direito depende integralmente da subsistência do vínculo do jogador ao Clube B. Se o contrato cessar e o jogador sair a custo zero, o direito do Clube A extingue-se. Se fosse uma verdadeira percentagem de «passe», o Clube A manteria sempre 30 por cento do ativo, podendo transacioná-lo autonomamente, independentemente da relação contratual vigente. Mas tal não acontece.
O chamado «direito económico» não é, pois, um direito real sobre o jogador, nem uma quota fracionável do seu estatuto desportivo. É, isso sim, um direito de crédito eventual: um preço condicional, cuja exigibilidade depende da verificação de um facto futuro - a concretização de uma nova transferência onerosa, temporária ou definitiva.

Direito percentual futuro tem várias dimensões
Aqui chegados, importa ainda esclarecer as várias dimensões que o direito percentual futuro de um clube pode assumir.
Na maioria dos casos falamos de sell-on ou, em português mais corrente, «cláusula de revenda», que será nada mais do que a estipulação de que, numa futura transferência, o Clube B (utilizando o exemplo anterior) deverá pagar 30 por cento da receita total realizada, montante esse que deverá ser pago pro rata temporis com a verificação do pagamento efetuado pelo Clube C (novo clube adquirente do jogador).
Por regra, o cálculo da receita total reduz os valores devidos a clubes terceiros e, na maioria dos casos, os custos de intermediação incorridos na transferência. Ou seja, assume-se que o percentual será apenas aferido depois de deduzidos os custos regulamentares (designadamente o mecanismo de solidariedade) e eventuais custos acessórios (como comissões).

Então e como funciona a percentagem da «mais-valia»?
Existem ainda situações em que os clubes acordam que a percentagem incidirá sobre a «mais-valia» (plusvalia). Quando o direito futuro corresponde a uma percentagem da mais-valia alcançada com a transferência do jogador, entende-se que a receita do Clube A apenas será calculada depois de deduzidos todos os custos incorridos pelo Clube B na aquisição do jogador, incluindo os valores fixos pagos ao próprio Clube A.
Em termos práticos, se o Clube B vender ao Clube C o jogador por um valor fixo e único de um milhão de euros, não conservando o Clube B qualquer direito futuro, o Clube A não terá direito a qualquer valor decorrente dessa transferência e, em consequência, não beneficiará de qualquer receita proveniente de uma eventual cedência temporária ou transferência onerosa futura do jogador do Clube C para um putativo Clube D, porque o seu direito já se extinguiu.
Assim, o «passe» não existe como realidade jurídica autónoma. O que existe é um acordo obrigacional que faz depender parte do preço de um evento futuro. Tudo o resto pertence mais ao léxico popular do que ao direito.

Regulamentos proíbem poder de interferência de terceiros
Explicado assim o conceito, é fácil compreender a razão pela qual os Regulamentos Nacionais e os Regulamentos da FIFA protegem não só quem pode deter direitos de crédito futuro, mas também - e com maior relevância - proíbem expressamente qualquer interferência, indicação ou influência de terceiros na relação laboral e, consequentemente, na sua gestão.
Caso contrário, poder-se-ia abrir espaço a que qualquer clube detentor de um direito futuro tivesse poder para influenciar o percurso de um jogador no clube onde este se encontra vinculado.
O direito a um crédito futuro não se pode confundir com qualquer direito de influenciar, ou sequer de emitir opinião, na gestão de uma eventual transferência (ou da sua não concretização), ainda que exista, maxime, um direito próprio do Clube A associado a essa eventual operação.
Qualquer tentativa - ainda que implícita ou indireta - de exercer influência é considerada ilícito disciplinar, com a correspondente relevância sancionatória."

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Antevisão...

Missão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Santa Clara - Mourinho...

BI: Antevisão - Santa Clara

DAZN: The Premier League - R26 - Golos

Rodrigo...

Parabéns...

Football Talk: SL Benfica...

BI: Megafone - Voo Picado #13 - Identidade de clube, aumento do estádio

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #39

Terceiro Anel: A BATALHA DAS DÉCADAS!! QUAL A DÉCADA MAIS FORTE E QUAIS OS MELHORES JOGADORES DE CADA DÉCADA?! 🦅🔴

BF: Aursnes...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Superliga chegou ao fim sem nunca ter sido jogada

Observador: E o Campeão é... - Bruno Sá vem fomentar a democracia interna no Sporting?

Observador: Três Toques - Avançado da Académica é o melhor em campo e recebe bacalhau

Benfica Podcast #582 - If Only

Visão: Pai e Filho...

Lanças...


História Agora


Farioli e Rui Borges mudaram e ganharam


"Italiano acertou ao voltar a juntar Kiwior e Bednarek no centro da defesa; técnico leonino também foi feliz ao recuperar Morita para o onze, o que permite libertar o melhor Hjulmand.

O clássico deu empate e o maior beneficiado acabou por ser o Benfica, que reentrou na corrida pelo título. Podem, agora, dragões e leões lamentarem-se do 1-1 final, mas, sejamos justos, o resultado que mais se justificava era mesmo a igualdade.
Se FC Porto e Sporting ganharam um ponto ou perderam dois só lá para maio saberemos. Para mim, e colocando-me na posição dos treinadores, considero que ganharam.
O último clássico fez-me recordar o anterior disputado no Dragão. O posicionamento das equipas era idêntico, com o líder com quatro pontos de vantagem e, dizia-se, com a possibilidade de em caso de vitória afastar o rival das contas do título. Então, como agora, o receio de perder foi superior à ambição de ganhar.
FC Porto e Benfica terminaram empatados (0-0) e, verificou-se depois, o resultado acabou por ser positivo para ambos. Afinal, os azuis e brancos continuam destacados na liderança e as águias ainda estão na discussão do título, apesar de desde essa 8.ª jornada da Liga terem somado mais quatro empates — Casa Pia, Sporting, SC Braga e Tondela.
O clássico de segunda-feira não foi espetacular, mas acabou por ser rico em termos táticos. Francesco Farioli e Rui Borges surpreenderam no capítulo estratégico e acertaram. O italiano do FC Porto prescindiu do experientíssimo Thiago Silva e recuperou para o centro da defesa a dupla de ferro polaca. Kiwior é o melhor central dos dragões e, apesar de compreender a opção de desviá-lo para lateral-esquerdo, de forma a encaixar no onze os melhores jogadores, a equipa fica bem mais organizada com o ex-Arsenal ao lado de Bednarek, que, não por coincidência, também cresce ao lado do compatriota.
É o chamado jogo de duplas. Nem sempre os dois melhores jogadores fazem a melhor dupla. A melhor dupla sai da melhor articulação das características de dois jogadores e, neste caso, até o tempo joga a favor da dupla Kiwior-Bednarek, que, como sabemos, já vem da seleção da Polónia. Veremos se Farioli resiste ao estatuto — e, a bem da verdade, também à classe — de Thiago Silva e mantém a dupla de ferro do eixo. Para já, com Kiwior lesionado, problema resolvido.
Também Rui Borges se socorreu de uma velha dupla para o clássico do Dragão, recuperando Morita para o onze, juntando-o a Hjulmand. O japonês, que está de saída de Alvalade, em final de contrato, continua a ser um médio de grande qualidade. O parceiro perfeito para o dinamarquês, no tal jogo de duplas. Sou apreciador das qualidades de João Simões, mas Morita dá à equipa um toque extra, dá-lhe outra clarividência, com e sem bola, e liberta o melhor… Hjulmand. Talvez esteja aqui a explicação para o apagamento recente do dinamarquês.
Por falar em duplas, também estou curioso para perceber qual a preferida de José Mourinho para o meio-campo mais recuado do Benfica. Privado dos dois jogadores mais utilizados na posição, Richard Ríos e Barrenechea, devido a lesão, o treinador encontrou em Aursnes e Leandro Barreiro uma excelente combinação, como se viu nos jogos mais recentes. Como diz o povo, não há fome que não dê em fartura e dentro em breve, com as recuperações do colombiano e do argentino, serão inúmeras as opções à disposição de Mourinho.
E então o problema será encaixar em dois lugares Aursnes, Barreiro, Ríos e Barrenechea, para já não chamar à equação Manu Silva, ou, se preferirem, nas cinco posições atrás de Pavlidis todos aqueles médios e ainda Rafa, Sudakov, Lukebakio, Prestianni, Schjelderup e Bruma..."

Que tristes são as tradições do futebol português


"Enquanto na Europa se celebra o fim da ideia egoísta da Superliga, em Portugal perpetuam-se lamentáveis tradições, seguidas de comunicados e guerrilhas institucionais

Em Ibiza, elementos do Podemos, com apoio do PSOE, sugerem a proibição do futebol nos recreios das escolas. Relevemos por agora a parvoíce da ideia e pensemos um pouco mais além: ao afirmarem que o futebol «é tóxico», é provável que estes partidos não estejam a pensar no jogo propriamente dito, mas no que anda normalmente à volta dele. E aí começam a ganhar razão. No que respeita a Espanha também — não esqueçamos uma série de polémicas antigas ou, mais recentemente, a pressão que os meios de comunicação de determinado clube fazem semanalmente sobre as arbitragens.
Mas realmente, olhando para os exemplos de casa e para os do país vizinho, é inteligente aconselhar alguma prudência na abordagem do futebol junto das crianças.
Da tribuna presidencial do Dragão, antes do FC Porto-Sporting, chegou a casa dos portugueses um excelente sinal, quando Frederico Varandas entrou, cumprimentou toda a gente, incluindo André Villas-Boas, e se sentou a dois lugares do dono da casa, ao lado do presidente da Câmara Municipal do Porto. Mas sabíamos, na altura, o que se passava alguns metros abaixo, na vertical, e o que viria a passar-se durante o jogo e na parte final do mesmo.
Alguns metros abaixo, os leões sentiram o incómodo de ver o balneário pejado de fotografias com capas de jornais a exaltar feitos portistas, incluindo por cima dos urinóis. Não sendo a forma mais cortês de receber visitas, convenhamos também que não se trata de um facto grave nem condicionador, até porque o visitante tem acesso ao balneário com tempo suficiente para decorá-lo como quiser. Já a sala habitualmente destinada ao staff leonino fechada ou a alegada temperatura excessiva do ar condicionado parecem configurar situações muito negativas.
Mas pior, mesmo, foi a atitude de pessoas ligadas ao FC Porto que tiraram da baliza a toalha com que o guarda-redes Rui Silva seca as luvas (ironicamente, a última vez que vimos isto foi em território... mouro, na final da CAN) e, ao nível do inclassificável, as bolas de reposição rápida escondidas quando parecia que a equipa da casa ia vencer.
Enquanto se celebra, na Europa, o fim da ideia elitista e egoísta da Superliga Europeia, o futebol português continua a manter as suas piores tradições, com os comunicados da ordem a marcarem a agenda dos dias seguintes. Quando é que avança a centralização de direitos TV, mesmo?..."

Os limites (in)visíveis do Dragão


"O Dragão sempre foi território de combate. Mas há uma diferença clara entre transformar um estádio numa fortaleza competitiva e convertê-lo num campo onde tudo vale para fragilizar o adversário. No último clássico, essa fronteira parece ter ficado para trás

Há coisas que escrevemos com a convicção de quem acredita estar a tocar numa verdade quase imutável. No dia 15 de janeiro, nesta mesma coluna, a propósito do clássico entre FC Porto e Benfica para a Taça de Portugal (1-0), sublinhei que, no Estádio do Dragão, não se joga apenas futebol — sobrevive-se para vencer. Que ali cada duelo é físico e mental, cada bola dividida pesa mais do que o mais elaborado dos esquemas táticos desenhados no quadro.
Disse-o certo de que não era uma impressão circunstancial. Era, e é, uma ideia sustentada por décadas de história do nosso futebol: no Dragão, como antes nas Antas, a equipa da casa construiu uma identidade de combate, de resistência, de intensidade levada ao limite. Uma cultura competitiva que moldou gerações e decidiu campeonatos.
Mas o clássico da última segunda-feira, agora com o Sporting no papel de visitante e o campeonato nacional como pano de fundo, obrigou-nos a olhar para lá da metáfora da batalha. Porque há uma linha — invisível, mas inequívoca — que separa o ambiente fervoroso da intimidação organizada, do desportivismo. E dessa vez a linha não foi apenas pisada. Foi largamente ultrapassada.
Não falamos de pressão das bancadas, que faz parte do espetáculo. Nem da mística do estádio, que intimida porque é grande e ruidoso. De acordo com o Sporting, fala-se dos balneários decorados com mensagens e imagens intrusivas, desprovidas de sentido naquele espaço; de percursos alterados que promovem o contacto entre staff visitante e adeptos locais; de climatização alegadamente regulada ao extremo; de tarjas e colunas de som estrategicamente orientadas para amplificar vaias sempre que os adeptos leoninos levantavam as vozes em apoio à sua equipa.
Mas, mais grave, também de apanha-bolas instruídos para esconder esferas de jogo e retirar toalhas ao guarda-redes contrário. Pequenas coisas? Não. Pequenos sinais de algo maior. De uma lógica que já não é apenas competitiva — é antidesportiva.
A força do FC Porto sempre residiu na sua capacidade de transformar o Dragão num reduto quase inexpugnável pela intensidade, pela crença, pela ferocidade competitiva. Quando essa força precisa de recorrer a expedientes que extravasam o relvado, algo não está bem. Porque aí deixamos de falar de resiliência e espírito guerreiro para entrar no domínio dos golpes baixos, da guerrilha psicológica, da intimidação como método. E isso não engrandece ninguém. Nem o espetáculo. Nem o clube. Nem o futebol português.
Os adeptos portistas estão habituados a orgulhar-se de vitórias conquistadas na raça e na qualidade e não se reveem neste tipo de práticas.
O Dragão não precisa de truques para ser temido. A sua história basta-lhe. O futebol é, sim, uma batalha. Mas há batalhas que se vencem pela superioridade. E outras que, mesmo ganhas, deixam demasiadas marcas para poderem ser celebradas."

O desafio das modalidades em Portugal


"Portugal apresenta-se como um país mono-modalidade, com o futebol como modalidade rainha. Todos os que trabalham direta ou indiretamente no desporto e nas outras modalidades têm plena consciência disso. Encarar este facto como um inimigo é, por si só, um erro gigante e estrutural. Não se pode negar que esta realidade traz desafios, problemas e questões de sobrevivência, mas pode também representar uma oportunidade.
O futebol ocupa vários canais televisivos, faz capas de jornais mesmo quando atletas ou equipas de modalidades conquistam títulos internacionais e, ainda assim, enfrenta dificuldades significativas para suportar as suas despesas diárias. O exemplo da centralização dos direitos televisivos ou da partilha das receitas da UEFA com as equipas da Segunda Liga demonstra que, económica e socialmente, existem dificuldades e incapacidades reais.
As modalidades, em especial os desportos de pavilhão, são maioritariamente disputadas por dois tipos de clubes:
— Clubes multi-modalidades, onde se incluem também os que têm futebol;
— Clubes mono-modalidade, que representam regiões e/ou se tornaram especialistas numa ou duas modalidades.
Os clubes com dimensão e com futebol tendem a ter estruturas mais profissionais nas modalidades, mas estas vivem muitas vezes do orçamento central do clube ou de algum orçamento indireto do futebol, sendo as modalidades tratadas quase como um investimento reputacional e não como ativos estratégicos. Existem depois clubes dependentes de apoios públicos, normalmente com patrocínios reduzidos, que fazem verdadeiros milagres para sobreviver. E, por fim, clubes sustentados pela boa vontade e apoio de uma pessoa ou família em particular, enfrentando as mesmas dificuldades.
De forma geral, as modalidades geram alguma receita direta de bilheteira (baixa), patrocínios geralmente insuficientes e alguma exposição mediática irregular e fragmentada (por exemplo, em finais ou fases decisivas).
Tal como as intempéries, que infelizmente têm assolado o País, terão impactos diretos em toda a sociedade e economia, também provocarão danos significativos nas modalidades. As câmaras municipais serão obrigadas a alocar recursos financeiros a outras prioridades económicas e sociais. Patrocínios e eventos enfrentarão dificuldades em manter-se, seja por danos diretos, seja por impactos indiretos na atividade das empresas.
A necessidade de os clubes encontrarem alternativas aumenta diariamente. Alterações nas regras relativas a patrocínios, um setor televisivo cada vez mais estrangulado financeiramente, uma nova geração com maior ligação a atletas do que a clubes e uma economia nacional de crescimento frágil, que gera menos rendimento disponível, agravam ainda mais o cenário.
As marcas e empresas têm as suas próprias prioridades e, no final do dia, o objetivo é gerar (mais) lucro. Assim, é natural que o investimento se concentre onde existe maior consumo desportivo. Consequentemente, e com a realidade organizacional que temos nos dias de hoje, os patrocínios tenderão a concentrar-se mais no futebol, reduzindo a capacidade de autofinanciamento fora dele.
É necessária maior relevância mediática, maior atratividade comercial e mais público, seja na televisão, seja nos pavilhões. É fundamental um planeamento estratégico que vá ao encontro destes objetivos, tal como aconteceu durante a pandemia, quando existiram algumas aproximações positivas entre as federações e os clubes.
Alguns pontos estruturais:
— O futebol é o elefante na sala, mas pode ser por uma boa razão. Sabemos geralmente a sua época até ao fim. Disputar finais de outras modalidades no mesmo dia e, muitas vezes, à mesma hora, é um erro grave. As épocas das modalidades, que também são planeadas, deveriam sê-lo considerando claramente os dias não. A EuroLeague faz isso, tal como os campeonatos de basquetebol em Espanha, Grécia, entre outros, onde o público é verdadeiramente da modalidade.
— A maioria das pessoas que vai a um pavilhão em Portugal é adepta do clube e não da modalidade. Se a equipa de futebol do clube jogar à mesma hora, muitos preferem ver o jogo de futebol na televisão do que ir ao pavilhão.
— Esta realidade cria enormes dificuldades negociais para clubes e federações na luta por maior mediatismo, o dinheiro, o espaço na televisão e jornais não estica.
— A maioria das federações trabalha em silos. Deveria existir um verdadeiro trabalho em equipa com as cinco. O futsal, apesar de beneficiar de uma federação altamente profissional, enfrenta também desafios internos.
— No futsal existem duas Supertaças, duas finais da Taça da Liga, duas finais da Taça de Portugal e dois play-offs na Primeira Divisão, sendo que o mesmo acontece nas outras modalidades com mais ou menos uma Taça. Estes momentos são oportunidades claras para vender a modalidade, pois normalmente envolvem as melhores equipas e os melhores exemplos desse desporto.
— Quando estes momentos ocorrem no mesmo dia e à mesma hora, algo que é frequente, o adepto não consegue estar em dois locais ao mesmo tempo. Em muitos casos, é o mesmo clube a disputar finais em várias modalidades no mesmo dia, hora, etc. É difícil considerar isto positivo para alguém.
— Podemos apontar o futebol como o grande responsável, mas o problema é muito mais organizacional, com claras repercussões económicas. Sem escala de mercado suficiente, sem coordenação e sem uma narrativa comum, as modalidades continuarão estruturalmente dependentes e progressivamente mais frágeis. Os sucessos das seleções podem esconder isto, mas seria um erro.
É necessário:
— Planeamento conjunto e constante de calendários. — Estratégia comum de eventos âncora (como já aconteceu com o andebol e o futsal).
— Evitar a luta pelas mesmas audiências, reduzindo a sobreposição entre modalidades.
— Minimizar ao máximo situações em que os adeptos são forçados a escolher que final ou clássico ver, evitando perdas de impacto comercial, turístico e económico.
— Um bom exemplo, o hóquei em patins ou futsal, por norma, terminam as suas épocas depois das restantes modalidades de pavilhão, o que é uma vantagem: existe o normal interesse, mas maior disponibilidade e menor concorrência direta com andebol ou voleibol p.e.
— Usar o YouTube, Instagram, X, Facebook, etc. para um cenário mais amplo de distribuição de conteúdo e diversificar. O YouTube teve mais de 60 mil milhões de USD de receita entre publicidade e subscrições. Um outro bom exemplo é a relação entre a Betclic, o apoio ao basquetebol e o trabalho que estão a fazer com a Liga, que levou mais pessoas consumirem mais a modalidade.
Utilizo novamente uma ideia central: a maior força de cada modalidade será sempre o trabalho coletivo com as outras modalidades."

Tempestade e mau tempo destrói pavilhões e ameaça prática desportiva


"O rasto da tempestade Kristin, aliado a dias de mau tempo, deixou muitos pavilhões desportivos em situação crítica, alguns praticamente destruídos. Coberturas arrancadas, infiltrações, estruturas comprometidas e equipamentos inutilizados obrigaram à suspensão de treinos e jogos de hóquei em patins, afetando clubes e centenas de atletas em todo o país.
A Federação de Patinagem de Portugal está ativa, atuante e solidária junto dos seus clubes, mantendo contacto permanente, acompanhando os danos e prestando apoio sempre que necessário. Em várias regiões, os pavilhões são o principal espaço para a prática do hóquei em patins, modalidade que depende de pisos adequados e de condições seguras para treinos e competições. A indisponibilidade destas infraestruturas compromete não só a atividade de equipas Sénior, mas sobretudo o desenvolvimento de escalões de formação, onde muitos jovens encontram disciplina, convívio e paixão pelo desporto.
A resiliência dos clubes tem sido exemplar, apesar das dificuldades, têm feito tudo para tentar retomar a normalidade, reorganizando treinos, recuperando equipamentos e mantendo viva a modalidade. O receio de que a recuperação dos pavilhões não aconteça rapidamente é crescente, pois a paralisação prolongada pode provocar danos irreparáveis, comprometendo anos de trabalho de clubes dedicados à formação e promoção do hóquei em patins.
Perante este cenário, cresce o apelo a apoios concretos. A reparação e, em casos graves, a reconstrução exige investimento e resposta rápida, garantindo segurança e permitindo o regresso à competição o mais depressa possível.
Mais do que simples edifícios, os pavilhões são o coração do hóquei em patins em Portugal, locais de encontro, formação e paixão. Recuperá-los é devolver aos atletas e às comunidades um ponto de referência vital, garantindo que a modalidade continue a crescer e a inspirar novas gerações."

Renascença - Jogo da Palavra - Martinez...

ESPN: Futebol no Mundo #538

TNT: Melhor Futebol do Mundo...

Zero: Fantasy - Jornada 22: O «problema» Benfica, o caso Samu e as apostas para a jornada

BolaTV: O lado direito do Mister #2 - O clássico que continuou fora do relvado

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Zero: Saudade - S04E23 - Postiga...

Rabona: Will Real Madrid get REVENGE on Benfica? | UCL Play-off PREVIEW

BolaTV: Entrevista Luís Freire