Últimas indefectivações

sábado, 13 de junho de 2026

Novas regras da FIFA


"A FIFA anunciou, em 10 de junho de 2026, uma reforma do sistema internacional de transferências de jogadores, através da revisão do Regulamento do Estatuto e Transferência de Jogadores (RSTP), com entrada em vigor prevista para 1 de janeiro de 2027.
A alteração regulamentar resulta de um processo de revisão do atual modelo aplicável às transferências internacionais, abrangendo matérias relacionadas com contratos de trabalho desportivo, circulação de jogadores, compensações e direitos dos clubes e atletas.
Entre as principais alterações previstas encontra-se a criação de um enquadramento contratual mais definido, com regras destinadas a aumentar a previsibilidade jurídica das relações entre jogadores e clubes. A nova regulamentação aborda igualmente aspetos relacionados com cláusulas contratuais, mecanismos de compensação e participação dos jogadores nos processos de transferência.
O novo sistema introduz também alterações quanto ao tratamento dos jogadores menores de idade, procurando estabelecer regras específicas para a sua proteção no contexto das transferências internacionais e da formação desportiva. Do ponto de vista jurídico, a reforma representa uma atualização das normas que regulam o mercado global de futebol, estabelecendo novos critérios para a gestão dos vínculos laborais desportivos e para as operações de transferência entre clubes de diferentes associações nacionais.
A entrada em vigor destas medidas implicará uma adaptação dos procedimentos utilizados pelos clubes, jogadores, agentes e demais intervenientes no setor, nomeadamente na elaboração e negociação de contratos e na organização das transferências internacionais.
Com esta revisão, a FIFA estabelece um novo quadro regulamentar aplicável ao sistema de transferências, com o objetivo de uniformizar regras e reforçar a segurança jurídica nas relações existentes no futebol profissional."

Os pequenos sinais que podem antecipar uma lesão


"Quando ouvimos falar de lesões no desporto, a tendência é olhar apenas para o momento em que o jogador cai, leva a mão ao músculo ou articulação e a forma como abandona o jogo. No entanto, a maioria das lesões não começa nesse instante. Começa dias, semanas ou até meses antes. Começa quando o corpo começa a dar pequenos sinais de que algo não está bem. Sempre que o rendimento começa ligeiramente a baixar sem motivo aparente e a recuperação entre treinos e jogos a demorar mais do que o habitual, é sinal de que algo não está bem. É nessas condições que o cansaço se acumula e, quase sempre, esses sinais passam despercebidos a quem está de fora.
Por isso, tenho duas propostas para fazer a quem nos lê. A primeira vou-vos dizer agora: na próxima vez que assistirem a um jogo, experimentem olhar para além do resultado e das estatísticas. Questionem-se se o jogador parece tão explosivo como habitualmente era, bem como se está a chegar atrasado aos lances em que normalmente se antecipava. Estejam também atentos a possíveis sinais de desgaste físico ou emocional e se a linguagem corporal transmite confiança ou fadiga.
Naturalmente, ninguém consegue diagnosticar uma lesão através da televisão. Nem é esse o objetivo. O desafio é perceber que a performance não muda de um dia para o outro, sem razão. Também na nossa vida, existem sinais silenciosos que costumamos ignorar. O cansaço persistente, a falta de concentração, a irritabilidade ou a perda de energia, raramente aparecem sem explicação. Tal como acontece com os atletas, o corpo costuma avisar antes de cobrar. O problema é que estes sinais são frequentemente normalizados.
Num calendário cada vez mais exigente, com competições sucessivas, viagens constantes e a pressão permanente dos resultados, muitos jogadores aprendem a conviver com o desconforto. A sobrecarga raramente resulta apenas de treinar demasiado. Normalmente, é o resultado da soma de vários fatores: pouco descanso, recuperação insuficiente, stress competitivo e acumulação de minutos de jogo.
É precisamente por isso que as equipas técnicas do futebol moderno, fazem a monitorização de vários indicadores de saúde e performance, que vão muito além da condição física visível. A qualidade do sono, o estado de humor, a perceção de fadiga e a capacidade de recuperação, tornaram-se ferramentas essenciais para antecipar problemas, antes que estes se transformem em lesões.
Estas indicações começaram a surgir porque se estuda cada vez mais o futebol, para além da parte técnica e tática. Desde 1998, o Centro de Avaliação e Pesquisa Médica da FIFA (F-MARC) realiza de forma sistemática a monitorização de lesões em todas as competições da FIFA e de futebol dos Jogos Olímpicos. A metodologia aplicada serviu de base para os sistemas de avaliação de lesões de outras federações desportivas.
Com o Mundial de 2026 a iniciar-se, este será um dos fatores decisivos para muitas seleções: a existência ou não de lesões, ao longo da prova. Nesta competição, não tenho receio em afirmar, que muitos jogos não serão ganhos apenas pela qualidade técnica ou pela estratégia. Serão ganhos (ou perdidos), quando a fadiga se começar a sentir na equipa. É precisamente nos últimos 30 minutos que o corpo revela aquilo que acumulou ao longo dos dias, das semanas e dos meses anteriores. Isto tem um nome científico: fadiga neuromuscular. Em termos simples, significa que a comunicação entre o cérebro e os músculos deixa de ser tão eficiente como no início da partida. O jogador continua em campo, continua a correr, mas já não reage com a mesma velocidade nem executa os movimentos com a mesma precisão. As diferenças podem parecer pequenas. Um sprint ligeiramente mais lento. Um atraso de décimos de segundo na reação. Um passe menos preciso. Uma mudança de direção menos explosiva. Mas ao mais alto nível, esses pequenos detalhes fazem toda a diferença. É aqui que Portugal terá de estar atento…
É muitas vezes nos minutos finais que surgem os erros de posicionamento, as perdas de bola evitáveis, os duelos perdidos e, não raras vezes, as lesões musculares. Quando a fadiga aumenta, a capacidade de controlo dos movimentos diminui e o risco de lesão sobe significativamente. A fadiga não surge apenas quando faltam forças para correr. Acontece quando o corpo deixa de conseguir fazer, com a mesma qualidade, aquilo que parecia simples no primeiro minuto. E é aí que muitos jogos (carreiras e também títulos) começam a ser decididos.
O corpo humano possui uma extraordinária capacidade de adaptação, mas essa capacidade tem limites. Nem sempre é uma questão de atitude. Depois de um jogo de alta intensidade, o organismo inicia um processo complexo de reparação muscular, reposição de reservas energéticas e recuperação neuromuscular. Esse processo não termina quando o árbitro apita para o fim da partida. Em muitos casos, prolonga-se durante vários dias. É por isso, que períodos inferiores a 72 horas entre jogos representam um desafio tão exigente para os atletas.
Quando um jogador entra em campo ainda com sinais de fadiga acumulada do encontro anterior, o risco de quebra de rendimento aumenta. Ao mesmo tempo, cresce a probabilidade de surgirem lesões musculares e outros problemas associados à sobrecarga. Não se trata de uma questão de vontade ou de compromisso. Trata-se de fisiologia.
Por muito talentoso ou preparado que seja um atleta, o organismo tem limites biológicos que não podem ser ignorados indefinidamente. A recuperação não pode ser acelerada apenas pela motivação. A gestão dos minutos, da recuperação e da carga competitiva poderá ser tão importante, quanto a preparação tática. Um jogador menos explosivo, mais lento na pressão, menos eficaz nos duelos ou com dificuldades em repetir ações de alta intensidade pode estar simplesmente a revelar aquilo que o calendário lhe retirou: tempo para recuperar.
A minha segunda proposta, não é sobre lesões. É acerca de ganhar. Lembro-me de ir ver a final do Euro-2004, ao Estádio da Luz, com o meu pai. Foi o meu melhor presente até ao dia de hoje. Mas não ganhámos, como bem se lembram. Por outro lado, acredito que foi esse o momento de mudança, para os bons resultados que Portugal tem atingido até agora. Elevou o país com um ambiente incrível entre jogadores e adeptos. Nunca vi o país entender tão bem uma derrota e desculpá-la, como nesse dia. Essa final, serviu para lançar as bases do sucesso atual. Portugal, neste momento, tem tudo para ser campeão. 19 de julho, será o dia Portugal. Para quem festeja o aniversário nesse dia, a minha segunda proposta é essa. Alguém que lance uma onda de apoio extra para ganharmos a competição. Só assim, conseguirão superar o presente do meu pai em 2004."

DAZN: Desporto e Nutrição by Hisense

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Rui Costa...

BI: TEMA QUENTE | Os esclarecimentos de Rui Costa

Verdade!

O crime compensa.

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #55 - Comunicação Rui Costa & Modalidades

BI: Megafone - Voo Picado #29 - Marco Silva...

Zero: Mercado - Pote de saída: Sporting num novo ciclo?

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Quatro pontos sobre a despedida de Portugal antes do Mundial

Observador: E o Campeão é... - O capitão deve ser titular em todos os jogos do Mundial?

Observador: Três Toques - Diogo Jota presente no Mundial através de carta a Robertson

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #1

Highlights | #BasketBenfica 98-102 FC Porto | Final do Play-Off (jogo 2)

Monteiro: HAVE YOU MET BENFICA? | "Yuri Ribeiro disse-me loucuras!"

Bola na Rede: Entrevista - Luís Freire

Zero: Afunda - S06E48 - Knicks históricos! Spurs nas cordas

Terceiro Anel: DRS #54 - SUPER KIMI & CATALUNHA GP!! 🏎️🏁

DAZN: F1 - Antevisão GP de Barcelona

História Agora


O fantoche de Trump


"O L’Équipe não foi nada meigo, na capa desta quarta-feira, com Gianni Infantino, depois da recusa dos Estados Unidos em deixar entrar no seu território o árbitro somali Omar Artan, nomeado para apitar no Campeonato do Mundo.
A dureza da crítica é tremenda e não digo que não seja imerecida, porém o presidente da FIFA é muito mais do que isso, muito mais do que um fantoche. O que não quer dizer que tal seja bom. Não só é ele próprio que se põe a jeito, se aconchega, seduz e ajusta à mão do líder norte-americano, com o forjado e ignóbil prémio Nobel da Paz entregue entre outras regalias, como depois rapidamente ganha pele, osso e carne verdadeira quando assume o legado do organismo em toda a sua extensão e parte para a sedução de novo autocrata.
Esse é um legado de olhos fechados à perseguição política, à violência, ao crime, aos direitos dos trabalhadores e à escravidão, aos simples direitos e valores humanos, em cima dos quais os riquíssimos donos do futebol, a partir de certa altura, começaram a construir um império com regras próprias, sempre faminto para engordar os cofres, aumentando o número de equipas, os patrocínios, os bilhetes ou proibindo garrafas de água de passar os torniquetes, a fim de vender as suas dentro dos estádios.
A escolha dos Estados Unidos, com México e Canadá, fez tanto sentido como a do Qatar ou da Argentina em 1978. A FIFA não quer e nunca quis saber. Só quer saber de si própria. Não da inclusão, da política, dos jogadores ou dos adeptos. Os que realmente querem saber do jogo há muito que não têm poder. Nem conseguem influenciar, quanto mais decidir."

Mundial: Donald Trump e sua quadrilha


"O Mundial do Canadá, do México e dos Estados Unidos ainda não começou e os ecos que chegam de um dos países organizadores já o tornam único... pelos piores motivos.

O Mundial só começa hoje mas sucedem-se casos que traduzem bem os tempos sombrios que vivemos e não por acaso todos a acontecerem nos Estados Unidos, terra de liberdade agora condicionada pela ação dum presidente que tem a sensibilidade dum calhau e que transforma aquela que era tida como a democracia mais sólida num estado a caminhar para o autocrático, se não chegou já a esse destino outrora impensável.
O Mundial do Canadá, do México e dos Estados Unidos (escrevo assim por essa ordem não por ter algo contra o país, que admiro pela grandeza, liberdade, diversidade e pelo contraste, mas deixo-o para último como posição contra quem o governa, alguém desumano, egoísta e já não sei se louco…) ainda não começou e os ecos que chegam de um dos países organizadores já o tornam único.
Considerado o melhor árbitro africano da atualidade, Omar Artan vai falhar o Mundial por lhe ter sido recusada a entrada nos Estados Unidos pelas autoridades norte-americanas no aeroporto de Miami, submetido a interrogatório de 11 horas. Sendo a Somália o seu país de origem, Artan está abrangido pela proibição de entrada de cidadãos daquela nacionalidade naquele país co-organizador do Campeonato do Mundo. A organização ainda tentou reverter a situação recorrendo a um passaporte diplomático, mas o documento foi rejeitado.
Antes do jogo de preparação contra os Países Baixos, a comitiva do Uzbequistão, que integra o grupo de adversários de Portugal, foi surpreendida por uma inspeção de segurança. Toda a equipa teve de entregar as mochilas pessoais, que acabaram amontoadas pelas autoridades para serem controladas e vistoriadas por cães.
O Irão vai realizar o seu estágio no México, embora jogue toda a fase de grupos nos Estados Unidos, medida a que não é alheio o facto de os dois países estarem em conflito. Entretanto, a federação do Irão acusa os Estados Unidos de impedirem a venda de bilhetes a adeptos iranianos, o que constitui uma violação da regra da FIFA que assegura a cada federação o direito a 8 por cento da lotação dos recintos.
A Associação Internacional de Imprensa Desportiva pediu a intervenção da FIFA devido aos obstáculos na atribuição de vistos americanos a jornalistas acreditados para o Mundial 2026, afetando maioritariamente profissionais africanos e iranianos. A associação de imprensa sublinha o impacto dos vistos de entrada única, que impedem os jornalistas de regressar aos EUA caso se desloquem ao México ou ao Canadá para a cobertura dos jogos das suas seleções.
A poucas horas do início do Mundial, a política migratória de Trump e sua quadrilha põe em causa aquilo que a FIFA tanto gosta de propagandear, a universalidade e união entre os povos. Mas quem se pode admirar quando à frente do organismo está um indivíduo que em dezembro, por alturas do sorteio do Campeonato do Mundo, foi lamber as botas do presidente americano e até inventou um prémio da paz para o senhor poder exibir à falta do Nobel. Se o da estupidez existisse candidatos não faltariam…
Apesar de tudo, que comece o jogo e que no dia 19 de julho Cristiano Ronaldo levante a taça. Mas que pense na figura que fez ao ir à Casa Branca em novembro e desta vez afaste Trump dos holofotes, é que não seria a primeira vez que a figura se recusaria a sair do meio dos jogadores, qual emplastro, a levantar um troféu mundial…"

É preciso ter memória, Portugal


"Que a humildade, realismo e noções de história também embarquem amanhã para os Estados Unidos. Seleção nunca se deu bem com altos voos anunciados de fora. E de dentro.

Portugal parte com altas expectativas para o Mundial-2026. É das seleções com mais hype das 48 em prova, seja por causa dos muitos craques mundiais e em boa medida por se tratar do último Campeonato do Mundo de Cristiano Ronaldo. A ambição também tem sido alimentada pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, que não se cansa de colocar essa pressão interna na esperança de reforçar, nas suas palavras, uma cultura de vitória.
Mas convém ter memória. Portugal não se dá, tradicionalmente, com altos estatutos. Em 2002, por exemplo, e na sequência de um extraordinário Europeu que terminou num golo de ouro nas meias-finais, muitas casas de apostas e os mais variados analistas davam a Seleção do Bola de Ouro Luís Figo como uma das favoritas ao título na Coreia do Sul e Japão e o que aconteceu foi uma deceção; em 2018, dois anos depois da conquista do Europeu em França, o Mundial da Rússia ficou aquém do esperado e desejado; e talvez mais relevante: Portugal ainda soma menos vitórias do que não vitórias (empates e derrotas) no conjunto de todas as suas participações em Campeonatos do Mundo. Precisa de mais lastro.
É importante, pois, que a humildade e realismo também embarquem amanhã para os Estados Unidos. Em 22 edições de Mundiais, só oito países conseguiram sair vencedores e desde 2010, com a vitória da Espanha na África do Sul, que não há um novo campeão. O peso da tradição e a lei do mais forte têm vindo a impor-se numa competição que encerra, desta forma, um certo conservadorismo.
Os dois jogos particulares, frente a Chile e Nigéria, não geraram grande entusiasmo, mas em boa verdade esse não é um problema apenas de Portugal, é algo transversal. A França, por exemplo, perdeu frente à Costa do Marfim. Pouco interessa os resultados nesta fase, o fundamental é dar embalagem, rodagem e de certa forma alimentar um espírito de concorrência interno.
Daí que seja importante, fundamental mesmo, Portugal ter marcado quatro golos e nenhum ter sido apontado por Cristiano Ronaldo (Gonçalo Guedes, Bruno Fernandes, Pedro Neto e Francisco Conceição). Depender excessivamente de um jogador com um passado monumental, mas que tem 41 anos, seria um suicídio tático e estratégico. Encontrar o equilíbrio entre o que CR7 dá e tira será uma das chaves do sucesso. No Euro-2024 correu mal, na Final Four da Liga das Nações (em dois jogos) correu bem..."

A identidade nacional para lá das quatro linhas


"Há uma diferença que todos sentimos, mesmo quando não a sabemos explicar: a paixão por um clube e a mobilização em torno da Seleção Nacional pertencem à mesma família emocional, mas não são a mesma coisa. Ambas convocam pertença, memória, ritual, sofrimento e celebração. Ambas nos fazem gritar por onze jogadores como se gritássemos por nós. Mas há nelas uma diferença essencial: o clube é paixão, divide para unir; a Seleção é identidade e comunhão, une apesar das divisões.
O clube é uma identidade escolhida, herdada ou territorializada. É, muitas vezes, a primeira grande pertença simbólica fora da família. Herdamo-lo do pai, da mãe do avô, do bairro, da cidade, da camisola vista na infância, do primeiro jogo no estádio, do primeiro herói. Na psicologia social, Henri Tajfel e John Turner explicaram isto através da teoria da identidade social: uma parte daquilo que somos nasce dos grupos a que pertencemos. O nós constrói-se sempre por oposição a um eles. No futebol de clubes, esse mecanismo é evidente. Ser de um clube é também não ser dos outros e tê-los como rivais. O adepto organiza o mundo em cores, cânticos, rivalidades, injustiças, memórias e feridas.
A Seleção funciona de outro modo. Não apaga as rivalidades clubísticas, mas suspende-as quase na totalidade. Durante alguns dias, o jogador que era insultado passa a ser celebrado, mesmo que continue a não ser a nossa eleição. O defesa do rival transforma-se em nosso. O avançado adversário passa a carregar a bandeira comum e só queremos que marque. É aqui que entra a sociologia da nação. Benedict Anderson chamou às nações «comunidades imaginadas»: não porque sejam falsas, mas porque a maior parte de nós nunca se conhecerá pessoalmente e, ainda assim, imagina-se parte do mesmo corpo coletivo. A Seleção dá rosto, corpo e dramaturgia a essa comunidade imaginada. A bandeira deixa de ser abstração. O hino deixa de ser protocolo. O país passa a ter camisola, onze titulares e banco de suplentes.
Nos clubes, a paixão é mais íntima, mais intensa, mais quotidiana, mais tribal. Vive do hábito, da rivalidade, da classificação, da deslocação fora, da discussão no café, da injustiça arbitral que dura décadas. Na Seleção, a emoção é mais rara e, por isso, mais concentrada. Não há campeonato todos os fins de semana. Há momentos. Há torneios. Há verões. Há noites que ficam. Há penáltis que suspendem a respiração de milhões. Por isso a Seleção não mobiliza apenas adeptos de futebol. Mobiliza avós que não sabem explicar o fora de jogo, crianças que decoram nomes antes de saberem capitais, emigrantes que choram diante de uma televisão num café distante, famílias que raramente vêem jogos de clubes mas que se juntam quando joga Portugal. O clube pede fidelidade semanal; a Seleção convoca pertença existencial. O clube pergunta: de que lado estás? A Seleção pergunta: quem somos nós?
Esta distinção ajuda a perceber por que razão uma vitória da Seleção tem uma carga emocional diferente, pode até ser menos intensa, mas é mais coletiva. Reforça o orgulho nacional. As conquistas da Seleção Nacional não são apenas resultados que nos colocam na frente de uma tabela classificativa, cada vitória, cada taça, cada título é um ritual de reafirmação coletiva, de glorificação de uma nação e é por isso que por algumas horas, um país disperso se reconhece numa narrativa comum.
Émile Durkheim falaria aqui de «efervescência coletiva»: aqueles momentos em que uma comunidade, reunida em torno de símbolos partilhados, sente mais do que a soma dos seus indivíduos. O futebol internacional é uma das grandes máquinas contemporâneas dessa efervescência. A praça, o café, a sala de estar, o estádio e as redes sociais tornam-se extensões do mesmo corpo emocional. A alegria já não é apenas minha, é nossa. A ansiedade também. O golo liberta porque parece libertar um país inteiro. A Seleção, quando vivida no seu melhor, oferece uma forma luminosa de patriotismo, não a superioridade arrogante, mas a alegria de pertencer. Não o ódio ao adversário, mas o orgulho numa história comum e a celebração de uma identidade feita de diversidade, diáspora, sotaques, memórias e contradições.
Em Portugal esta identidade nacional é normalmente exaltada em competições da Seleção Nacional e o nosso tamanho e história podem explicar. Portugal é um país pequeno, antigo e com uma identidade nacional muito consolidada. As fronteiras portuguesas são das mais estáveis da Europa, e isso cria uma ideia de continuidade histórica, onde podemos ser poucos, mas somos nós. No desporto, essa pequena dimensão ganha uma força emocional especial. Quando Portugal bate países maiores, mais ricos ou historicamente mais poderosos, a vitória parece exceder o futebol. É quase uma compensação simbólica. O campo torna-se o lugar onde o país pequeno pode ser grande.
Como se tem ouvido nos últimos dias «Vem Mundial que a taça é nossa, a taça é nossa, de Portugal», e como o povo é quem mais ordena, seja feita a sua vontade!"

Dedicar o Mundial à Rute


"Há pessoas que fazem o caminho das pedras e transformam cada passo num brinde à vida. A esposa de Diogo Jota é uma delas.

Comoveu-me profundamente a carta que Rute Cardoso escreveu a Andy Robertson, capitão da Escócia e antigo companheiro de equipa de Diogo Jota no Liverpool. Robertson dedicou o apuramento escocês para o Mundial à memória do amigo português. Rute respondeu-lhe com palavras de rara beleza: agradeceu o gesto e pediu-lhe que mantivesse viva, durante o Mundial, a memória dos sonhos que ambos partilharam, sabendo que aquele seria o primeiro Campeonato do Mundo de Diogo Jota. E, na verdade, continua a sê-lo.
Quanto mais conheço de Rute Cardoso, mais a admiro. Pelas palavras que diz. Também pelas que escolhe guardar. Pelo recato, pela dignidade, pela serenidade com que tem atravessado o luto. A dor. As perguntas para as quais não encontra respostas. Foi através dela que percebi melhor a beleza daquela relação: uma cumplicidade rara, luminosa, quase improvável em tempos tão apressados. Tão jovens e tão adultos.
Rute não se deixa definir pela tragédia. Define-se pelos valores que partilhou com o homem que ama e que hoje transmite aos filhos. Há pessoas que transformam a dor em amargura; outras transformam-na em legado. Rute escolheu o caminho das pedras. É mais difícil, mas mais belo. Por isso, tenho um pedido a fazer à Seleção: dedique este Mundial não apenas à memória de Diogo Jota, mas também à presença silenciosa de Rute Cardoso. À sua coragem, à inteligência, ao imenso coração, à luta diária para preencher vazios. Enterrar quem mais amamos é talvez a mais dura das derrotas que a vida nos impõe. Levantar-se na manhã seguinte, cuidar dos filhos, honrar a memória de quem partiu e continuar a acreditar no futuro é uma das maiores vitórias que um ser humano pode alcançar.
Quando António José Seguro pediu aos jogadores que jogassem por Diogo Jota e que cuidassem uns dos outros, acredito que é exatamente isso que acontecerá. Porque há equipas que são mais do que um conjunto de atletas; tornam-se famílias. E poucas seleções no mundo possuem um sentido de pertença tão genuíno como a portuguesa. Acreditem no que vos digo. Pelo que vi ao longo da minha carreira de jornalista, com destaque para o Europeu de 2016; pelo que me contam outros jornalistas e jogadores; e pelas informações que fui recebendo por portas travessas de quem me podia contar o que se passava no ciclo privado da seleção.
Brindemos, pois, à Seleção. Brindemos ao Diogo. Brindemos à Rute. E brindemos também a todas as mulheres anónimas que, longe dos holofotes, enfrentam diariamente as suas batalhas, transformando cada gesto, cada escolha e cada passo num brinde à vida. Para Kahlil Gibran, escritor libanês e americano (1883-1931), «quanto mais fundo a dor escava o vosso ser, mais alegria podereis conter.» E talvez seja essa a mais difícil e mais bela vitória dos que veem partir quem amam: continuar a viver de modo que o amor permaneça."

De Eusébio a CR7 na rota de 1966


"WEST PALM BEACH — Hoje as rotativas param para finalmente saudar o arranque oficial do Mundial 2026. É o pontapé de saída na maior aventura planetária do futebol e esta crónica diária assume, desde já, o asfalto da ambição. Batizei este espaço de Route 66 por duas razões magnas que se cruzam na perfeição no mapa da nossa esperança.
Primeiro, pela imensa geografia mítica que molda o imaginário americano: a mais famosa e longa estrada dos Estados Unidos, a Mother Road, que rasga o continente ao longo de quase quatro mil quilómetros. É uma artéria de asfalto lendária que liga quase costa a costa, unindo Chicago a Santa Mónica, na Califórnia, atravessando oito estados americanos e dando vida a cidades como Oklahoma City, Amarillo ou Flagstaff. É o símbolo maior da travessia, do desassossego e da descoberta de um novo mundo.
Segundo, e infinitamente mais importante para a alma lusitana, o número 66 remete-nos diretamente para a nossa própria génese futebolística: o ano de 1966.
Foi o verão em que Portugal se estreou em fases finais de Mundiais e assinou, com o King Eusébio e os eternos Magriços, a melhor prestação de sempre da nossa história, conquistando um honroso e inesquecível terceiro lugar em Inglaterra.
Sessenta anos depois, a coincidência numérica serve de farol espiritual para a armada que amanhã aterra em solo norte-americano.
Esta rota que hoje iniciamos quer ligar a nostalgia romântica daquele passado glorioso à modernidade musculada de um grupo de trabalho que ambiciona, sem falsas modéstias, o topo do mundo. Cruzar a América profunda exige estofo mental, pulmão de aço e uma crença inabalável em cada quilómetro percorrido.
Do calor sufocante e húmido que encontrámos aqui na Flórida aos palcos gigantescos que se seguem no torneio, o caminho será longo e sinuoso, mas o destino final está bem traçado na mente de todos os portugueses. Que a mística dos heróis de 66 guie Cristiano Ronaldo e companhia nesta imensa autoestrada americana rumo à glória. O motor já arrancou. Vai dar Portugal!"

Alguém devia dizer a verdade a Ronaldo


"Mete-se pelos olhos dentro que, apesar da sua longevidade espantosa como jogador, aos 41 anos Ronaldo já não está ao nível que se exige para a titularidade na seleção.

Nos dois jogos de preparação para o mundial, frente ao Chile e à Nigéria, vimos um Cristiano Ronaldo muito diferente daquele que ainda existe na cabeça de muitos portugueses.
Mais lento, menos explosivo, sem a capacidade de ser letal a que nos habituámos. Nalguns momentos foi mesmo desastrado, sempre ineficaz.
Se foi assim com adversários de segunda linha, como será contra uma grande equipa?
Mete-se pelos olhos dentro que, apesar da sua longevidade espantosa como jogador, aos 41 anos Ronaldo já não está ao nível que se exige para a titularidade na seleção. Mas há quem recuse ver o óbvio – ou finja não ver – e continue a olhar para Ronaldo como se ainda fosse o melhor jogador do mundo.
Comentadores, jornalistas, adeptos contribuem para essa espécie de ficção ou de cegueira coletiva.
E, depois, à sua volta todos lhe devem dizer: ‘Tens de jogar’, ‘Tu és fundamental’, ‘És o melhor do mundo’, etc., etc., etc. Até porque Ronaldo é uma marca que gera milhões e com certeza dá milhões a ganhar a muita gente.
Mas alguém devia dizer-lhe a verdade e explicar-lhe que não é bom para ele arrastar-se em campo, falhar golos relativamente fáceis, perder bolas que noutros tempos não perderia.
Por outro lado, esta obsessão coletiva com Cristiano Ronaldo – basta ver os títulos dos jornais – está objetivamente a prejudicar a seleção. Só para dar um exemplo: por que há de ser o jogador que não marca um golo de livre direto há não sei quantos jogos que continua a apontar os livres mais perigosos quando temos excelentes batedores de livres, como Bruno Fernandes? Porque Ronaldo tem recordes para alcançar? Porque quer chegar à marca dos mil golos?
Ou será que nós, portugueses, lhe devemos alguma coisa? A fortuna, as casas, os carros, os fãs, a fama não serão ainda suficientes?!
Ronaldo é o maior futebolista português de sempre, está entre os cinco melhores do mundo de todos os tempos. Não deixaria de o ser se neste mundial começasse alguns jogos no banco, onde poderia ser muito mais útil à equipa. O que já conquistou ninguém lho tira. Mas, se continuar a fazer exibições a este nível, pode sair com a sua imagem muito desgastada. O fosso entre o Ronaldo que existe na cabeça de muitos portugueses e o Ronaldo real aos 41 anos é cada vez maior.
A Seleção Nacional não pode ficar refém de um homem, mesmo que seja o seu maior símbolo, nem pode dar-se ao luxo de andar com ele ao colo, em detrimento do coletivo. Mais do que a tentar bater recordes para sua glória pessoal, Ronaldo mostraria a sua verdadeira grandeza dando lugar a outros jogadores. Também eles merecem ter a sua oportunidade."

A América que lhes deu tudo (ou os portugueses e Donald Trump)


"Atravessaram o Atlântico quando a vida ainda lhes fugia pela algibeira rota dos calções. Tinham cinco, seis anos. Hoje, o sotaque deles é uma valsa curiosa, e fica-lhes bem. Cresceram aqui, trabalharam aqui, integraram-se de forma absoluta na cultura deste lado do Atlântico.
Trazem nos movimentos vagarosos a serenidade de quem já pagou a fatura da vida. Quando lhes pergunto se pensam voltar de vez a Portugal, a resposta é quase sempre a mesma: um sorriso nostálgico, seguido de um abanar negativo de cabeça.
Amam Portugal, adoram os almoços de cozido, bolinhos de bacalhau, pataniscas ou carne à alentejana e emocionam-se com o hino. Mas a terra deles é esta.
Têm a vida toda deste lado e têm sobretudo a família: os filhos e os netos. A pátria é um lugar sagrado, mas a casa - a verdadeira casa -, é onde os netos correm pelo quintal.
O regresso é uma miragem bonita para as férias, não é um plano de vida.
Trazem as mãos calejadas, mas as reformas são boas. Afinal de contas, a América deu-lhes tudo e eles deram tudo à América. E é nessa altura que introduzo o tema que muitos preferem não abordar.
Gosta desta América de Trump?, pergunto.
O tom de voz desce, o rosto fica mais sério. Falar de política é pisar ovos, mas a confissão acaba sempre por sair: os poucos com quem falei sobre isso mais abertamente - afinal de contas, estamos entre amigos -, inclinam-se para Trump.
Não é um apoio cego, longe disso. Fazem questão de sublinhar que não concordam com muitas das suas atitudes, torcem o nariz à forma como fala e criticam as vezes que se contradiz. Mas apesar disso tudo, dizem que era o homem que a América precisava nesta altura.
Não escondo o meu ar de surpresa: eles próprios também foram emigrantes. «Mas nunca fui ilegal», respondem.
Tento fazer de advogado do diabo e falo das guerras. «Quais guerras?», pergunta-me. No Irão, por exemplo. «Mas você falou de guerras, no plural. Que mais guerras ele fez?». Falo da operação na Venezuela, da ameaça sobre Cuba. «E já foram demasiado tarde. Deviam ter acontecido há mais tempo.»
Desisto.
Nisto de política sou apenas um observador, não julgo ninguém. Oiço, aponto e observo. Não há certo nem errado nestas mesas cheias de comida e saudade.
Mas eles têm mais alguma coisa a dizer. Falam do aproveitamento do sistema e dizem que quem trabalha não tem nada a temer. A conversa fica por ali. Sinto que não tenho argumentos para quem atravessou um oceano sem nada, para conseguir alguma coisa da vida."

Um dia destes o Mundial bate-nos à porta


"Aterrei em Miami à espera de ser engolido pela febre do Mundial. Afinal de contas, já não é o primeiro que cubro. Em 2010, na África do Sul, o Campeonato do Mundo estava por todo o lado, e caminhava sempre de mão dadas com danças e festa. Em 2018, na Rússia, pré-guerra senti um país orgulhoso de se mostrar ao mundo e senti os russos com uma genuína vontade de ajudarem. 
 Agora, em junho de 2026, a poucos dias do arranque do maior torneio do planeta, a verdade é que se eu não soubesse ao que vinha, diria que me tinha enganado no trajeto.
Não há um cartaz, não há uma bandeira pendurada numa varanda, não há um anúncio com uma estrela do Mundial numa das dezenas de outdoors que surgem por todo o lado.
Nada.
O Mundial, por aqui, parece um fantasma.
Meto conversa com uma ou outra pessoa. Sim, eles sabem. Já ouviram falar que o soccer vem à cidade. Acenam com a cabeça, dão um sorriso simpático, alguns até já tiveram conhecimento de que Cristiano Ronaldo vai ficar instalado em Palm Beach.
Mas a conversa morre ali. Não há brilho nos olhos e não há entusiasmo nas palavras. Parecem não dar a mais pequena importância ao facto de o mundo estar todo a olhar para eles. O que, de certa maneira, até faz sentido. Os americanos são muito fechados dentro da sua carapaça e estão habituados a viver cada um para si.
Suspiro e aceito a realidade. Não há muito a fazer.
Eles podem ter os maiores estádios, o dinheiro todo e a melhor máquina de entretenimento do planeta, mas sofrem de um problema congénito para o qual a medicina ainda não encontrou cura: uma crónica falta de cálcio no bom-gosto.
Que outra razão pode haver para não se deixarem apaixonar pelo futebol?"

Mundial 2026: o sonho de 48 Nações


"Esta quinta-feira começa o Mundial. E há algo de mágico num Campeonato do Mundo que nenhuma outra competição consegue replicar.
Durante um mês, o planeta parece falar a mesma língua. As diferenças desaparecem. Os fusos horários deixam de importar. Das ruas da Cidade Invicta até aos cafés de Buenos Aires, das avenidas de Casablanca aos bairros de Tóquio, milhões de pessoas acordam, adormecem e sonham ao ritmo de uma bola.
E este Mundial traz-nos uma novidade histórica. Pela primeira vez, 48 seleções chegam à maior montra do futebol. Quarenta e oito bandeiras. Quarenta e oito hinos. Quarenta e oito histórias diferentes. Algumas carregam o peso da tradição. Outras chegam apenas com a coragem de quem ousou acreditar.
É por isso que o Mundial continua a ser especial. Não é apenas uma competição. É uma caderneta de sonhos.
A Argentina chega como campeã do mundo, ainda protegida pela aura de Lionel Messi. Talvez seja o último grande capítulo internacional do génio argentino. Depois de conquistar finalmente o troféu mais desejado em 2022, Messi já não joga para provar nada a ninguém. Joga apenas para desfrutar. E isso pode torná-lo ainda mais perigoso. Defender um título mundial é uma das tarefas mais difíceis do futebol, mas os argentinos sabem que enquanto houver Messi, haverá esperança.
Portugal vive outra história emocional.
Cristiano Ronaldo continua a perseguir o único troféu que falta à sua carreira incomparável. Campeão europeu, duas Ligas das Nações, vencedor de tudo o que havia para vencer a nível de clubes e dono de praticamente todos os recordes de golos imagináveis, Cristiano sabe que um Mundial teria um significado diferente. Seria o final perfeito de uma das maiores carreiras da história do desporto.
Mas Portugal não é apenas Cristiano. É uma geração extraordinária de futebolistas, com o melhor meio-campo do planeta do futebol. João Neves, Vitinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva… Palavras para quê? Temos talento espalhado por todos os setores do campo. É qualidade técnica, maturidade tática, experiência e ambição. O sonho português não vive apenas nos pés do seu capitão. Vive num país inteiro que acredita que chegou realmente a hora.
E depois existe a França.
Talvez nenhuma seleção reúna tanto poder ofensivo. A profundidade do talento francês parece quase injusta. Mbappé, Michael Olise, Dembelé, Cherki, Barcola, Doué… É inacreditável a quantidade de opções de atletas fora de série. Jogadores capazes de decidir jogos em poucos segundos. A França mistura juventude, talento, velocidade, força física e uma cultura competitiva construída ao longo de décadas. É difícil olhar para qualquer lista de favoritos e não encontrar os franceses nos primeiros lugares.
No entanto, os Mundiais raramente pertencem apenas aos favoritos. A verdadeira beleza desta competição está nas surpresas. E as minhas "seleções surpresa" para uma campanha acima das expectativas são as seguintes: Marrocos com o seu incansável capitão Hakimi, o Japão alicerçado no incrível talento de Takefusa Kubo, Ritsu Doan e Kamada, e a Noruega de Haaland, Aursnes, Odegaard e companhia. Já no lote dos grandes favoritos, continuo a colocar Argentina, França, Portugal e Espanha num pequeno degrau acima do restante pelotão.
Mas, na verdade, sempre existiu uma Croácia que ninguém esperava ver numa final. Marrocos que desafia todas as previsões. Uma Coreia do Sul capaz de eliminar gigantes.
Agora, com 48 participantes, as possibilidades multiplicam-se. Há seleções estreantes que chegam sem o peso da pressão e com uma vantagem preciosa. A liberdade de sonhar. Para muitos jogadores, apenas ouvir o hino nacional num Mundial já representa a realização de uma vida inteira. E quando uma equipa joga sem medo, pode tornar-se perigosíssima.
É precisamente aí que nascem as histórias que recordamos décadas mais tarde. O Senegal do Mundial 2002, por exemplo. Que chegou aos quartos de final da competição e que pelo caminho venceu a poderosa França. Quem se lembra do guarda-redes Tony Silva? Ou de Cissé e Diouff na frente? E do golo de Bouba Diop logo no primeiro jogo da seleção senegalesa? Memórias futebolísticas que ficam para sempre.
Porque nós não nos lembramos apenas dos campeões.
Lembramo-nos do avançado desconhecido que marcou o golo impossível. Do guarda-redes que travou uma potência mundial. Da pequena nação que fez um país inteiro acreditar que o impossível era apenas uma palavra. Cabo Verde e Curaçau são bons exemplos disto. Dois estreantes em Campeonatos do Mundo e muitos sonhos bem vivos para a competição que se segue.
Talvez seja isso que torna o Mundial diferente de tudo o resto. Durante algumas semanas, deixamos de falar sobre probabilidades e estatísticas. Falamos sobre esperança. E a esperança não respeita rankings.
Em 2026, quarenta e oito seleções chegam com o mesmo sonho. Algumas sabem que têm qualidade para levantar a taça. Outras sabem que as hipóteses são reduzidas. Mas todas partem do mesmo ponto. A crença de que algo extraordinário pode acontecer, conseguindo encher os habitantes do seu país de pura felicidade.
No fim, apenas uma seleção será campeã do mundo. Mas o verdadeiro vencedor será sempre o futebol. Porque enquanto houver um Mundial, haverá uma criança a imaginar-se na final. Haverá uma cidade inteira a parar para ver um jogo de futebol. Haverá uma família abraçada num sofá pequeno. Haverá um país a acreditar que este pode ser o seu ano.
E talvez seja precisamente por isso que continuamos a amar este torneio."

Rabona: Desafiei um SUPERCOMPUTADOR para uma BATALHA DE PREVISÕES da Copa do Mundo

Throne: My 2026 World Cup Prediction (You Won't Like the Winner)

SportTV: Bancada Livre - Mundial...

Terceiro Anel: Previsões...

LiveMode - Aquece, vais entrar #8

LiveMode - Mundial #12 - Chegou o Dia! Arranca o Mundial FIFA 2026a

DAZN: Mundial - Gerações...

SportTV: Mundial - Pontapé de Saída #1

Zero: Saudade - S04E41 - «O Benfica é dono e senhor no ranking de golos em Mundiais»

FIFA: Canadá...

FIFA: Bósnia...

Simples: 11

Terceiro Anel: Nigéria...

Tudo começa no Azteca, estádio dos estádios da história dos Campeonatos do Mundo, que coroou Pelé e Maradona


"É o único estádio a receber duas finais, em 1970 e 1986, e no Mundial 2026 vai ser a casa do jogo de abertura pela terceira vez. Foi no Azteca, da Cidade do México, que Pelé se tornou tricampeão mundial e Maradona saltou com a sua Mão de Deus, antes de arrancar para o Golo do Século. Não há recinto que aguente tanta história dos Campeonatos do Mundo. É aqui que o Mundial 2026 vai começar, esta quinta-feira, com o México-África do Sul

Há locais que, numa conjugação mágica de propósito e acaso, se tornam página de história, memória coletiva eterna. “Há algo muito especial no Azteca”, disse um dia Pelé sobre o estádio que vai receber, esta quinta-feira, o jogo de abertura do Mundial 2026, entre o México e a África do Sul. Pelé tem as suas razões e não são poucas.
Foi no Azteca, cenário multitudinário, o maior estádio da América Latina, onde cabem mais de 87 mil pessoas, que o brasileiro recebeu o cruzamento de Rivelino para marcar de cabeça o primeiro golo da final do Mundial de 1970 (4-1 à Itália), onde se tornou no primeiro e, até agora, único jogador a sagrar-se campeão mundial em três ocasiões. Dias antes, os italianos haviam ali batido a Alemanha Ocidental por 4-3 nas meias-finais, num duelo com cinco golos no prolongamento e considerado então o Jogo do Século, com direito até a placa comemorativa nas paredes de betão do Azteca.
A história fez-se merecida, depois de tanto suor ali investido. Para erguer tamanha estrutura no bairro de Coyoacán, o mesmo que viu nascer Frida Kahlo, no sul da Cidade do México, foi necessário espartilhar e remover 180 milhões de quilos de rocha naqueles 64 mil metros quadrados de terreno e convocar dez arquitetos, 35 engenheiros e mais de 800 operários. O estádio seria inaugurado em maio de 1966 e cedo ficaria viciado em feitos.
Dezasseis anos depois de Pelé, foi Diego Maradona a fazer do Azteca o seu La Scala, palco de arte, glória, marotice e, porque não, vingança. No México 1986, o Azteca tornar-se-ia o primeiro e único estádio a receber por duas vezes jogos de abertura e a final de um Mundial e voltaria a coroar um dos gigantes do futebol. Foi no ar rarefeito da altitude da Cidade do México que Maradona saltou mais alto, ergueu o braço e tornou eterna a Mão de Deus, nos quartos de final desse torneio, frente à Inglaterra que quatro anos antes humilhara a Argentina na Guerra das Malvinas. Porque nunca é só futebol.
O golo, de tão cheio de malícia como de esperteza, ilegal mas reparador, o mais perfeito exemplo da tão argentina viveza criolla, é o mais lendário da história do futebol. E foi o Azteca que lhe deu guarida.
Não contente, minutos depois da mãozinha marota, e como que querendo mostrar aos terráqueos que com ele tudo era possível, de golos fora da lei a outros passíveis de estarem nos melhores museus de arte, Maradona ziguezagueou por entre meia equipa inglesa, entregando a bola à baliza de Peter Shilton. Chamam-lhe ainda hoje o Golo do Século. Dias depois, El Pibe levantaria ali, no Azteca, a sua taça de campeão mundial, num jogo não menos emocionante: 3-2 frente à Alemanha Ocidental. Foi o 19º jogo de Campeonatos do Mundo a realizar-se no Azteca, um recorde que será engordado a partir desta quinta-feira.
Nos anos que se seguiram, não só de futebol se fez a história do Azteca, onde tocaram Michael Jackson e os U2, e, em 1993, mais de 130 mil pessoas se juntaram para o combate de boxe entre Julio César Chávez e Greg Haugen. Até velórios ali se fizeram, como o do ator e comediante Chespirito, em 2014.
Será por isso algo injusto para a história do futebol que o Estádio Azteca seja, de alguma forma, apenas um ator secundário neste Mundial 2026 tripartido, mas onde há muito mais Estados Unidos do que México e Canadá.
O Azteca é o estádio dos estádios dos Mundiais, agora de cara lavada e reaberto em março com um particular entre México e Portugal. O recinto da capital mexicana ficará, no entanto, mais uma vez na história, recebendo pela terceira vez um jogo de abertura do Mundial. Mas depois do México-África do Sul restam-lhe apenas mais dois jogos da fase de grupos, um jogo dos 16-avos de final e outro dos oitavos de final."

Confiança: o capital silencioso do futebol


"Começa hoje o Campeonato do Mundo de Futebol.
Durante as próximas semanas, milhares de milhões de pessoas acompanharão os mesmos jogos, discutirão os mesmos lances e viverão as mesmas emoções. Num mundo cada vez mais fragmentado por conflitos, polarização, algoritmos e uma competição permanente pela atenção, este é um fenómeno notável.
Poucas instituições conseguem ainda reunir pessoas de diferentes continentes, culturas, gerações e sensibilidades em torno de uma experiência verdadeiramente comum. O futebol continua a consegui-lo.
O Campeonato do Mundo tornou-se um dos raros acontecimentos verdadeiramente universais do nosso tempo. Poucos fenómenos conseguem mobilizar simultaneamente tantas pessoas, em tantos países, durante tanto tempo.
Mas a dimensão do futebol não pode ser explicada apenas pela sua popularidade ou pelos milhões que gera. A sua verdadeira singularidade reside noutra coisa.
Ao longo de mais de um século e meio, o futebol conquistou algo que muitas instituições, públicas e privadas, lutam hoje para preservar: confiança.
Milhões de pessoas investem tempo, emoção e recursos no futebol porque acreditam numa premissa simples: aquilo que acontece dentro das quatro linhas merece ser acreditado.
Acreditam que as regras são conhecidas e aplicadas. Que a competição é legítima. Que o mérito continua a desempenhar um papel decisivo. Que as instituições existem para proteger o jogo e não para se apropriarem dele.
É esta confiança que transforma uma modalidade desportiva numa instituição global. Que sustenta audiências, atrai investimento, mobiliza patrocinadores e gera valor económico. Que permite ao futebol atravessar fronteiras como poucas outras atividades humanas.
A confiança é o capital silencioso do futebol. Invisível na maior parte do tempo. Mas impossível de ignorar quando falta.
Sente-se quando surgem dúvidas sobre a integridade das competições. Quando a transparência dá lugar à opacidade. Quando os mecanismos de supervisão falham. Quando os interesses particulares se sobrepõem ao interesse coletivo.
Nestes momentos, torna-se evidente uma realidade muitas vezes ignorada: a integridade não é apenas uma questão ética. É uma condição de sustentabilidade.
Corrupção, lavagem de dinheiro, evasão fiscal, manipulação de resultados, conflitos de interesse ou má governança não são apenas problemas reputacionais. Constituem riscos sistémicos para a credibilidade do futebol e para o valor social e económico que dele depende.
Durante demasiado tempo, a integridade foi vista sobretudo como resposta à crise. Mas a experiência demonstra o contrário. A confiança não se reconquista no momento da crise. Constrói-se muito antes dela.
Há cerca de 2.500 anos, Sun Tzu observou, e bem, que as batalhas são vencidas antes de serem travadas. O mesmo acontece no desporto. A integridade mede-se pela qualidade das decisões, das regras, dos mecanismos de controlo e da cultura institucional que ajudam a prevenir os problemas antes de eles surgirem.
É por isso que a integridade deve ser entendida como infraestrutura. Tão essencial para o futuro do futebol como os seus atletas, as suas competições, os seus adeptos ou os seus modelos de negócio.
A confiança não se decreta. Conquista-se.
E, no desporto, conquista-se todos os dias — através de decisões transparentes, liderança responsável e compromisso real com os mais elevados padrões de integridade.
É precisamente esta convicção que está na base do trabalho da SIGA.
Se a confiança é o ativo mais valioso do desporto, a integridade não pode depender apenas de boas intenções. Tem de assentar em princípios claros, padrões reconhecidos e mecanismos credíveis de implementação, verificação e certificação.
Foi com esse propósito que a SIGA desenvolveu os seus Standards Universais sobre Integridade no Desporto e o SIRVS (SIGA Independent Rating and Verification System): transformar compromissos em resultados demonstráveis e reforçar a credibilidade das organizações desportivas.
Porque, num setor em que a confiança é essencial, a integridade não deve ser apenas proclamada. Deve ser demonstrada, medida e verificada.
O Campeonato do Mundo que hoje começa produzirá novos campeões. Mas a verdadeira vitória do futebol mede-se por algo mais simples e mais valioso: a confiança que continua a merecer."

Pausas no jogo para hidratação, instruções e... monetização: um jackpot


"No início era a necessidade de dar de beber a atletas que andavam a correr debaixo do Sol com temperaturas por vezes obscenas. As pausas para hidratação foram uma excelente medida tomada no futebol.
Astuto, o mundo do negócio entrou em campo, aproveitando até o novo expediente de mandar sentar guarda-redes para os treinadores darem instruções. Junta-se a pausa para hidratação à pausa técnica e determinam-se três minutos de paragem em cada parte de jogo do Mundial .
Sabe qual é o minuto de publicidade em TV mais caro que há? Talvez estes novos seis minutos passem a concorrer pelo pódio. Junta-se o útil ao agradável.

De chorar por mais
Bruno Fernandes foi verdadeiro capitão: sem desculpar Leão pela expulsão, colocou a união do grupo acima de tudo.

No ponto
A aprovação da chave de distribuição dos direitos TV é um bom sinal, por mais ajustes que sejam necessários.

Insosso
Tudo o que se passou no Benfica e no Real se soube antes. Os clubes já não controlam qualquer fase dos processos.

Incomestível
O Mundial ainda não começou, mas a previsível vergonha trumpista já. Inenarrável o controlo das fronteiras."

Até onde ajudam os dispositivos de monitorização no futebol?


"Dormir melhor, recuperar mais rápido, prevenir lesões. A promessa dos dispositivos de monitorização entrou em força no futebol moderno. Hoje, muitos jogadores chegam ao treino já com dados sobre o sono, frequência cardíaca ou níveis de recuperação. Mas até que ponto esta informação muda realmente o jogo?
A grande vantagem é clara: temos acesso contínuo a indicadores fisiológicos fora do treino e da competição. Qualidade do sono, variabilidade da frequência cardíaca, carga interna — tudo isto ajuda a construir uma imagem mais completa do estado do atleta. Num contexto onde o detalhe faz a diferença, essa informação pode ser valiosa.
Na prática, estes dados permitem ajustar cargas, identificar sinais precoces de fadiga e, em alguns casos, antecipar o risco de lesão. Um jogador que não tem dormido bem e apresenta sinais de recuperação insuficiente, pode necessitar de adaptação no plano de treino. Este tipo de decisão, antes baseada sobretudo na perceção, ganha hoje um suporte mais objetivo.
Mas há um ponto essencial: os dados, por si só, não decidem. A evidência científica demonstra que muitos destes indicadores — como a variabilidade da frequência cardíaca — são úteis, mas altamente sensíveis a múltiplos fatores: stress, viagens, contexto emocional ou até hidratação, ou seja, fora de contexto, podem ser facilmente mal interpretados.
Quem trabalha no terreno percebe que dois jogadores, com dados semelhantes, podem ter respostas completamente diferentes, não esquecendo que a forma como o atleta se sente continua a ser uma das informações mais relevantes.
Outro desafio é o excesso de informação. Mais dados não significam, necessariamente, melhores decisões. Sem uma leitura crítica e integrada, o risco é cair numa dependência tecnológica que complica mais do que ajuda.
No futebol profissional, estes dispositivos são ferramentas importantes — mas continuam a ser isso mesmo: ferramentas. A diferença não está no dispositivo utilizado, mas em quem interpreta os dados e os transforma em decisões úteis.
Contudo, entre números e rendimento, continua a haver algo que a tecnologia ainda não consegue medir totalmente: o contexto."

México: Jorge Campos, o pequeno grande guarda-redes das camisolas escaganifobéticas


"Nasceu numa família de posses em Acapulco e não passou dos 170 centímetros de tamanho, mas isso não evitou que se tornasse num dos mais míticos guarda-redes do final do século passado. Ágil e corajoso, as suas camisolas garridas levaram-no até a um museu de Paris.

Para uma parte significativa dos adeptos de futebol chegará como uma surpresa que a resposta à pergunta “Que futebolista viu uma das suas criações ser exposta no Museu de Artes Decorativas de França em 2024?” seja o nome de um guarda-redes mínimo, com não mais do que 1,70m e que nunca jogou na Europa. Já para quem viu o Mundial de 1994 de ponta a outra, com o entusiasmo febril de quem nada mais tinha naquelas semanas de verão tórrido, o nome Jorge Campos trará consigo algumas das mais nostálgicas recordações de um futebol feito de outras peles e camadas. E outras cores.
Esteve lá sim, exposto na capital da moda, o seu equipamento berrante, com bocados amarelos, verdes, cor de rosa, laranja, como que pintado com marcadores fluorescentes, aqueles para destacar palavras importantes num texto. Foi o próprio Jorge Campos que o desenhou, como desenhou outros equipamentos com que jogou. Aborrecia-o de morte o preto dominante que, na verdade, até usou por uma vez (heresia!) no spot publicitário da Nike em que se juntou a Figo, Rui Costa, Maldini, Kluivert, Ronaldo, entre outros, para derrotar uns terríveis diabinhos, destruídos por fim com a força do pontapé-canhão de Eric Cantona e um “au revoir” que é uma das coisas de que a mitologia do futebol é feita.
Mítico também era Jorge Campos, rapaz nascido numa família de posses junto às águas quentes de Acapulco, no México, e que se tornou professional no Pumas, da capital mexicana, onde a presença de Adolfo Ríos na baliza o levou a assumir inicialmente o papel de avançado. Chegou a marcar 22 golos em 1989/90, antes de fazer marcha-atrás para a baliza, ainda que com Campos para a frente fosse sempre o caminho.
Com 1,70m, tamanho anormalmente atarracado para alguém que tem de defender uma área entre os postes de 2,44 metros de altura e 7,32 metros de largura, Jorge Campos apaixonava pela agilidade, a destreza, a audácia e o destemor ao sair da baliza, pelo atrevimento de pegar na bola e iniciar uma jogada de ataque, sempre vestido com as cores mais garridas e alegres. Para o mexicano não havia amarras que o prendessem à área, o que também lhe valeu uns ocasionais golos sofridos que poderão entrar na galeria dos apanhados do futebol. Sempre de mangas curtas e tamanho vários números acima, voava com a leveza de uma ave canora e não temia o choque ou aferrar-se aos lances mais junto à relva.
Esteve no Mundial de 1994, também no de 1998, onde se vestiu de forma mais comedida. Ainda assim, surpreendeu frente aos Países Baixos ao usar a camisola verde com motivos aztecas do equipamento oficial, com calções azuis. No de 2002 foi convocado, mas não jogou.
Um pequeno pedaço de trivia mais esquecido é que Jorge Campos foi o primeiro estrangeiro contratado para a novíssima MLS, em 1996, ainda a sorver a popularidade que o Mundial de 1994 lhe havia trazido por terras norte-americanas. Jogava pelos LA Galaxy e assim voltou a viver junto ao mar - a primeira paixão do guarda-redes nem sequer foi o futebol, mas sim o surf. Nesses tempos em que intercalava temporadas no futebol norte-americano com a época mexicana, chegou a dizer aos jornalistas que sentia sempre alguma pressão quando jogava, mas nunca como quando se atirava à água com a sua prancha e temia o aparecimento de tubarões."