Últimas indefectivações

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A anca é importante no desporto e pode ser tratada sem cirurgia?


"A resposta é simples: sim. Quando pensamos em lesões desportivas, lembramo-nos quase sempre do joelho ou do tornozelo, ficando a anca, muitas vezes, esquecida. No entanto, é uma das articulações mais solicitadas em quase todos os desportos.
Por exemplo: imagine um remate, um sprint ou um salto — a força nasce nas pernas, mas tem de passar pelo tronco. A anca é a ponte de ligação entre as duas partes, sendo ela que transmite a força entre o tronco e os membros.
A anca possibilita três coisas ao atleta: estabilidade para o corpo não oscilar, amplitude de movimento, para correr, rodar e chutar com liberdade e potência, ao transformar o esforço dos músculos em gesto eficaz. Quando a anca falha, todo o movimento fica comprometido. Frequentemente, as dores no joelho ou na coluna começam numa anca que não funciona bem.
O conflito femoroacetabular da anca ocorre quando os ossos da articulação chocam durante o movimento, podendo lesar o labrum, o anel de cartilagem que estabiliza e veda a articulação. Também temos as tendinopatias, ou seja, a inflamação e o desgaste dos tendões em redor da anca, podendo ambas estar associadas a artrose precoce — desgaste da cartilagem que protege o osso.
As consequências são conhecidas: dor, perda de força e menos mobilidade. No início, o atleta sente apenas desconforto, mas com o tempo poderá ser obrigado a reduzir o treino. Em casos mais graves, poderá mesmo ter de se afastar da prática que ama.
Aqui, entram as abordagens mais recentes — denominadas ortobiológicas — porque usam as substâncias do próprio corpo, ou semelhantes, para auxiliar na recuperação dos tecidos.
O Plasma Rico em Plaquetas (PRP ou Super PRP) obtém-se através de uma pequena quantidade de sangue colhida do próprio doente, sendo, posteriormente, tratada para concentrar as plaquetas, que, por sua vez, libertarão os fatores de crescimento que estimularão a reparação dos tecidos. Os mais eficazes são os de alta concentração e com plaquetas acima dos 5/8 biliões.
O ácido hialurónico é uma substância que já existe naturalmente na articulação e funciona como lubrificante e amortecedor. Quando injetado, pode melhorar a função articular e aliviar a dor.
As células estaminais derivadas do tecido adiposo abdominal são outra via, colhendo-se a partir da própria gordura abdominal e podem ajudar na regeneração dos tecidos.
Nenhum destes tratamentos é uma cura mágica: não substituem o exercício, nem a reabilitação, nem a cirurgia, quando necessária, mas podem ajudar a preservar a saúde da articulação e adiar o desgaste.
Estas opções podem prolongar a saúde da anca, assim como permitir a continuação da prática desportiva, mesmo em alta competição. Porém, não são para todos. A indicação deve ser sempre avaliada caso a caso, por um médico especialista, depois de um diagnóstico rigoroso.
A anca merece a mesma atenção que damos ao joelho. Cuidar dela é cuidar de toda a carreira desportiva. Proteja a sua anca!"

Indiscutível Aursnes


"1. Com as saídas de Otamendi e de António Silva, viu-se o Benfica na necessidade de refazer a sua lista de “capitães”. Foi Marco Silva quem anunciou os nomes dos 5 jogadores escolhidos para o cargo. Fredrik Aursnes, Tomás Araújo, Samuel Soares, Clement Lenglet e Leandro Barreiro serão, por esta ordem, os donos da braçadeira. Digo “por esta ordem” porque foi por esta ordem que o treinador do Benfica os nomeou perante os jornalistas na conferência de imprensa que antecedeu o jogo com o Académico de Viseu.

2. Fredrik Aursnes é o nome indiscutível para suceder a Otamendi como primeiro “capitão” da equipa principal de futebol do nosso clube. Chegou ao Benfica em 2022/23 e logo impressionou os adeptos e os técnicos pelo seu conjunto de qualidades. Que o nosso primeiro “capitão” norueguês fique connosco por muito mais tempo e que o seu consulado como líder da equipa e do balneário seja repleto de sucessos. Aursnes sabe bem o que é preciso para dar títulos ao Benfica. Que os seus companheiros o sigam nesta caminhada.

3. Tomás Araújo capitaneou o Benfica nestes primeiros jogos oficiais em que Fredrik Aursnes esteve fora da equipa e fê-lo com a naturalidade própria de um jogador formado na casa que chegou aqui por mérito e entrega. Os nomes dos outros 3 “capitães” podem ter surpreendido. Trata-se de um dos guarda-redes, o que poderá denunciar vantagem sobre os outros guarda-redes, um estrangeiro acabado de chegar – e que foi capitão na primeira parte do jogo na Escócia – e um discreto luso- -luxemburguês antivedeta que os últimos treinadores do Benfica não dispensam.

4. A Liga começou muito mal para o Benfica com um empate na Luz frente ao recém-primodivisionário Académico de Viseu. Escrevo, assim, “recém-primodivisionário”, um palavrão pomposo do nosso futebolês, para não ter de escrever mais diretamente e sem rodeios linguísticos que o Benfica empatou em casa e perdeu 2 pontos contra uma equipa acabadinha de subir da 2.ª à 1.ª Divisão.

5. É um facto que custa sempre registar, embora comece a ser um imperdoável costume este de o Benfica perder pontos com equipas que, na época anterior, disputavam o escalão inferior. Nas últimas 5 temporadas aconteceu por 6 vezes. Já chega, não?

6. O melhor momento do nosso jogo na casa do Hearts foi a reação ao golo escocês. O Benfica demorou um minuto a empatar o jogo depois de ter sofrido um golo à entrada do último quarto de hora. Coube ao belga Lukebakio atirar com a bola para o fundo da baliza do adversário, impedindo uma derrota que seria inadmissível.

7. No caminho para a Liga Europa segue-se o Aarhrus da Dinamarca. Mas antes há o jogo com o Casa Pia. Agora é tudo a sério."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Festival da Solidariedade, um tributo às modalidades


"O DESPORTO-REI CRIOU UM DIA EM QUE O DESPORTO FOI REI.

O desporto é por natureza justo. Não promete facilidades, nem concede privilégios. Em campo, no pavilhão ou nas pistas, só triunfam os que ousam ir mais além: os que resistem, os que lutam, os que acreditam até ao fim. Qualidade, esforço, garra e ambição são os fatores que distinguem carreiras de sucesso das que ficam aquém.
Ainda assim, persiste uma desigualdade: certas modalidades vivem na sombra de outras. O futebol, em grande parte do mundo, assume-se como o expoente máximo e o principal foco mediático. Mas houve um dia em que esse equilíbrio foi desafiado.
O treinador da equipa de honra do Benfica, Otto Glória, e os futebolistas Artur, Naldo, Calado e Monteiro decidiram inverter a lógica dominante e devolver protagonismo às modalidades. Assim nasceu o Festival da Solidariedade, cuja principal missão era “galardoar os atletas que mais se distinguem nas restantes modalidades”, premiando os melhores de ambos os géneros com um troféu.
A 22 de novembro de 1955, viveu-se muito mais do que um espetáculo no Pavilhão dos Desportos. Viveu-se a essência do Benfica. Num ambiente vibrante e imprevisível, os atletas encarnados quebraram rotinas e superaram fronteiras. Os futebolistas surpreenderam tudo e todos com um sarau de ginástica. Após este número, defrontaram a equipa de andebol numa partida de basquetebol, vencendo por 16-5.
Costa Pereira, experiente na modalidade, confirmou a sua qualidade. Pegado, Mário João e Bastos emergiram como grandes revelações. E, no plano mais leve, Ângelo e Calado brilharam no humor, “os dois eternos enfant gaté”.
Seguiram-se dois jogos de andebol: primeiro, um empate a três bolas entre o atletismo e o hóquei em patins; e, depois, novo empate, desta feita a duas bolas, entre o râguebi e a luta. No futebol de salão, o basquetebol venceu o voleibol por 1-0, num encontro tão renhido que deixou no ar o desejo de uma desforra.
Foi assim, num ambiente de genuíno desportivismo, que os atletas ofereceram ao público a certeza de que incarnam “a mística que é a razão própria da legenda gloriosa do nosso Benfica: E pluribus unum”. Uma mística feita de união, orgulho e identidade.
Saiba mais sobre as modalidades benfiquistas na área 3 – Orgulho Eclético, do Museu Benfica – Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Portugal dos pequeninos


"Um dos jogadores polacos da equipa de André Villas-Boas confessou, sem vergonha na cara, que não lhe é permitido usar emojis de corações vermelhos nas suas publicações nas redes sociais. E que não deve falar de Lisboa ou, sequer, visitar a capital portuguesa. Daria para rir, se não fosse profundamente triste. A lufada de ar fresco, que os especialistas preconizavam com a chegada do novo presidente do FC Porto ao poder, é, afinal, a continuidade de uma realidade provinciana. Depois de já ser público que chuteiras e peças de roupa vermelhas estavam vedadas a jogadores e funcionários do clube para sempre ligado ao Apito Dourado, vem agora esta confirmação da pequenez de mentes de quem gere um clube de impacto nacional que, na verdade, nunca deixou de ser o veículo de uma mentalidade tacanha e ultrapassada.
Com um quarto do século XXI já vivido, é lamentável este tipo de atitudes e de pensamentos que só fomentam ódio, violência, divisão e perseguição. Haver quem pense assim não me espanta – basta ver o estado a que chegámos enquanto sociedade ocidental. O que surpreende é a facilidade com que se admite este sentimento latente de inferioridade, sem receio de cair no ridículo, mas não só caindo, como mergulhando – com todo o gosto – neste comportamento acéfalo. Pouco mais de 300 quilómetros separam Lisboa da segunda maior cidade portuguesa (ou terceira, se contarmos com Paris e os seus portugueses e lusodescendentes), mas há – pelo menos – uns quantos anos-luz a separar a clarividência dos dirigentes portistas da realidade. Estas são as batalhas que lhes dão vida. Não é de hoje, vem do tempo de Lisboa a arder, do avião da Chapecoense, do estádio de Oeiras, dos enforcados nas pontes, das bolas de golfe no relvado, das agressões a Pizzi, dos balneários empestados, dos árbitros de férias no Brasil, do café com leite ou dos negócios ilícitos da guarda pretoriana. Mas está tudo bem, quem joga com o estádio interdito somos nós."

Ricardo Santos, in O Benfica

Viver!


"No Special Adventure Camp a aventura é para todos, porque todos vivem uma experiência extraordinária, transformadora e inesquecível. É assim para os técnicos que treinam e acompanham os jovens, porque são levados a descobrir recantos da natureza humana que desconheciam e que, em boa verdade, ninguém conhece verdadeiramente. Nem sempre é fácil porque é desafiador, intenso e ocupa todos os minutos de cada dia, mas no final a ligação que se estabelece e o sentido de missão elevam-se ao máximo e recompensam com bem-estar e completude todos os esforços. É também assim para os pais e famílias, porque ver os seus filhos de mala aviada e passaporte na mão, rompendo pelo avião adentro para voar sonhos, tal como os filhos dos outros, parece irreal. Tão irreal como aqueles dias só para si, livres de obrigações e de canseiras, para gozar cada minuto na certeza de que estão felizes, bem entregues e a viver a aventura das suas vidas.
Mas é sobretudo assim para os jovens, claro, porque as limitações que têm não raro os condenam a uma vida monótona, marcada pela regularidade e por um dia a dia monótono e bem perto da porta. Veem o mundo pelos ecrãs e pelos estímulos dos terapeutas, mas ambicionam e conquistam pouco. Aqui é ao contrário, como se entrassem pelos ecrãs e partissem de avião à procura desse mundo distante e cheio de novidades que lhes enche a alma. Vão em equipa, equipados à Benfica e querem conquistá-lo, ambicionam vencer e lutam por isso no campo. Celebram a vitória e choram como ninguém a derrota. Numa palavra: vivem!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Editorial


"1. Na capa deste jornal O Benfica, o destaque vai por inteiro para a passagem ao play-off da Liga Europa, já com o foco no jogo de segunda-feira, diante do Casa Pia, em Rio Maior. Próxima Missão é o tema que abre as páginas iniciais deste jornal, dando o mote para o regresso do Campeonato. Desta vez, já com o apoio dos adeptos dentro do estádio e junto ao relvado.

2. O Presidente do Benfica explicitou-o sem meias-palavras: perante uma decisão injusta e um precedente perigoso aberto pela APCVD, em face de uma medida desproporcionada que mata a essência do futebol com um estádio vazio, o Benfica foi deixado sozinho pelas instâncias que deveriam cuidar de defender a competição – Liga e Federação Portuguesa de Futebol. Numa altura decisiva para um tema estratégico como os direitos televisivos em Portugal, é um mau princípio e augura tempos pouco auspiciosos para o que aí vem

3. Também por isso, tem sido um sucesso a petição lançada pelo Benfica na plataforma da Assembleia da República destinada a suspender o processo de centralização dos direitos televisivos em Portugal. Promover a sua revisão, com outras condições e outros pressupostos, é imperativo para defender a competitividade do futebol português no panorama internacional e, sobretudo, garantir o que tem sido prometido desde o início: que nenhum clube vai sair prejudicado. E sem “manobras” como as que procuraram fazer com o Mundial, com a abertura do capital da Liga Centralização a privados. Trata-se de um ativo exclusivo dos clubes, que dele não devem abrir mão. Quanto mais sócios, adeptos e cidadãos em geral se juntarem a esta petição, mais próximo estaremos de trilhar um caminho diferente e de maior valor para o futebol português e para todos os clubes nacionais. Todos! Tal como se lê na capa, uma coisa é certa: o Benfica vai lutar até ao fim pelos seus direitos.

4. Em destaque ainda nesta edição do jornal O Benfica, a reportagem sobre a expansão da rede Benfica Official Stores, que conta já com 13 lojas físicas e uma online. O propósito passa por levar até junto de cada adepto a paixão Benfica. Um crescimento e uma estratégia que têm sido bem-sucedidos, sobretudo quando se atenta no volume anual de camisolas. O futuro traz ainda mais ambição."

Pedro Pinto, in O Benfica

Benfica FM: Golo...

Eficácia...

SportTV: Titulares - Casa Pia...

Operação: Casa Pia

Terceiro Anel: React - Rescaldo - Marco Silva - Casa Pia

Terceiro Anel: Casa Pia

Santana: Casa Pia...

Observador: A Força da Técnica e a Técnica da Força - Casa Pia

O Cantinho Benfiquista #233 - 7 Up

Vermelho no Branco - Casa Pia... e afins!

BF: Casa Pia

BI: Rescaldo - Casa Pia

Terceiro Anel: Live - Casa Pia

5 Minutos: Live - Casa Pia

VENCER E CONVENCER


"Casa Pia 0 - 7 Benfica

PRÉ-JOGO

1. Por mais absurdo que possa parecer, o Casa Pia tem sido uma autêntica 'besta negra' do Benfica nas últimas três épocas, se não reparem: 6 jogos, 2 vitórias, 3 empates, 1 derrota. Hoje é absolutamente obrigatório ganhar - não me venham com a história de que as contas se fazem em maio porque as contas de maio fazem-se a somar pontos semana a semana.

2. A equipa base do Marco Silva neste início da época para dentro do campo. Boa sorte, rapazes!

3. Antes do jogo, espetacular convívio no restaurante Cem Gramas do grande Benfiquista Paulo, ali bem à beirinha do estádio. E a maté vermelha nas bancadas? Incrível! No dia em que usarmos a arma dos adeptos não irem aos jogos fora de casa cai esta vergonha de centralização.

JOGO (apontamentos escritos em direto e publicados imediatamente após o final do jogo)

4. Allez, allez, allez, Benfica allez. Ambiente lindo nas bancadas. Prestianni com a ajuda de alguém que não sei quem foi, nem interessa, foi carambola, e já lá mora o primeiro. Melhor começo era impossível. Oĥ, SLB, SLB, SLB, força SLB.

5. Vamos matar o borrego, ai vamos, vamos: assistido pelo Pavlidis - o grego joga muito! -, o Rafa, em grande forma, mandou meter dois-zero no marcador do estádio, acontece que, acreditem, não existe marcador de tempo ou resultado! Bela entrada no jogo, sim senhor.

6. Cada vez que um jogador escorrega - e vão escorregando muito - é um tufo daqueles que se solta do relvado. Relva de caca, relva até perigosa, isto no futebol português não interessa para nada. Entretanto continuamos a criar jogadas de golo. O nosso processo ofensivo, o que está melhor neste início de época, a mostrar serviço.

7. Casa Pia não consegue criar perigo, Benfica entrou em modo de gestão. Sudakov precisa de um golo para ganhar confiança, mas crl, tem que aproveitar ao menos uma oportunidade. Prestianni é que vai pintando a manta toda na ala esquerda: a atacar, muito, o jogo é quase todo carrilado por ele, e a defender também! Ouvi falar numa proposta de muitos milhões: proibido vender!

8. Pa-vli-dis!!! Entrada na segunda parte tal e qual a primeira - e vão três. Bem, mais uma grande jogada do Prestianni já podia ter acabado no quarto. O Pavlidis já tratou do assunto: quatro-zero! É hora de rodar a equipa: poupar estes para quinta-feira e dar oportunidades a outros. Mas não, o Pavlidis tratou do hat trick que dá o cinco-zero! Este nem por oitenta camelos pode ser vendido!

9. Já perdi a conta aos golos, agora um na própria baliza para dar para todos os gostos. Crl, o Durán acabou de entrar e já faturou, aquele pé esquerdo é fogo! Isto vai acabar aos quantos? E dentro da área deles vale tudo para tirar a bola aos nossos. Alô, João Pinheiro? No meio campo marcas faltas iguais...

10. Eles já só querem tirar a bola da área, biqueirada pra frente para ver se o tempo passa, se isto acaba só nos sete. E têm a ajuda do João Pinheiro que marca tudo contra nós e quase nada, faltas até mais evidente, contra eles.

11. Equipa tem vindo a subir visivelmente de forma de jogo para jogo. Gosto de muita coisa, gosto da intensidade ofensiva que nos põe a atacar logo que recuperamos a bola, gosta da rápida reação à perda, gosto da forma como eles não andam ali ó improviso, tudo taticamente muito bem arrumado, hoje - pudera! - gostei de tudo!

12. Quinta-feira é casa cheia! Carrega, Benfica!!!"

O Benfica teve pressa a enterrar, à goleada, o seu trauma com Rio Maior


"Nas duas épocas anteriores os encarnados não tinham ganhado em Rio Maior, no dérbi (supostamente) de Lisboa, mas, desta vez, cedo começaram a desmontar o frágil Casa Pia, sem piedade: o Benfica marcou dois golos na primeira parte e cinco após o intervalo, vencendo (0-7) com uma farta goleada. Pavlidis fez um hat-trick em sete minutos, o seu quinto ao serviço do clube

Mais uma época, mais um dérbi de Lisboa que deixou de ser lisboeta. É só um jogo, já que transladado foi para a região oeste e assim continuamos, o Casa Pia com a casa em obras sem que as obras comecem, tendo uma casa postiça a 90 quilómetros do seu estádio. Equivale a uma viagem a rondar uma hora, lá teve o Benfica de se fazer à auto-estrada em vez de arrepiar caminho até Pina Manique, pela 2ª Circular, num espirro de minutos.
Ir a Rio Maior equivalia a carga pesada, Marco Silva ainda era londrino quando os encarnados não ganharam nas últimas duas visitas. O passado não calça chuteira, jogam os jogadores que têm mini-traumas, mas desta feita não pareceu: também num rápido atchim o Benfica marcou apressado, aos 3’, graças a um serpenteio de Gianluca Prestianni da esquerda para o centro, rematando a bola que fez ricochete em David Sousa, desviando para a baliza.
O Benfica cedo se calcetava na partida. O golo tricotou-o na esquerda com a sintonia entre Georgiy Sudakov, um 10 deambulante com o novo treinador, de preferência nos espaços centrais mais virados para a esquerda, e Prestianni, o endiabrado rente-à-relva que acelera, encara o adversário e reativo é a evadir-se de corpos. A equipa procurou sempre um dos dois, em qualquer bola, sem se fazer de rogada.
Esta versão do Benfica é vertical, quer a bola para a jogar adiante, de preferência em gente a espreitar a profundidade - ajuda ter os defesas centrais que tem, de bom pé -, não precisa de ir devagarinho, de passe curto em toque curto, para se refastelar no meio-campo adversário. E monta armadilhas. Num lançamento lateral do Casa Pia, à direita, Rafa fez-se lesto a roubar Rochinha, olhou para a frente, tocou em Pavlidis, recebeu a bola de volta e picou-a (14’) sobre o corpo de André Gomes, guardião formado nos encarnados.
Voltaria à caça depois, emulando o roubo num arremesso com as mãos do lado oposto. Prestianni ficou com a sobra, correu para a entrada da área e serviu Sudakov, demasiado gentil a denunciar o jeito que ia dar à bola no pontapé. Era macio o Casa Pia nesses momentos, como entupido se mostrava a progredir no campo: pelo centro, ‘Seba’ Pérez tinhas as vias tapadas para filtrar passes e os poucos que ligava sucumbiam a Henrique Araújo, errático a jogar em apoio, incapaz de dar continuidade à jogada.
Os anfitriões apenas se aproximavam da área por fora, com cruzamentos. Um deles, com um ressalto pelo meio, deixou Gabi a bater de pé canhoto a bola que tocou no poste esquerdo da baliza de Samuel Soares, homem que encara os próprios postes, levanta as mãos ao céu, fecha os olhos e se dedica à oração antes de cada parte do jogo. Eram dois os guarda-redes com escola de Seixal em campo.
De novo o Benfica se adiantou à pressa, mal a segunda parte conheceu apitos, quando Sudakov, no meio de corpos vestidos de preto, virou-se por duas vezes entre linhas e, na segunda, deixado à vontade pelos adversários, serviu Pavlidis para o grego rematar com intento, aos 47’. Foi o desatar das grilhetas do avançado rico em pólvora esta época, marcando pelo quarto jogo consecutivo.
O primeiro do goleador leve nos pés brotou de uma perda de bola do Casa Pia pouco após a recuperar, desorganizado e suave a contestar as intenções do Benfica. Um par de minutos volvidos, outra perda culminou com Vangelis e os seus pézinhos a sapatearem na área que nem bailarina a desviar-se de mobília: o segundo golo foi de cetim, dois adversários fintados antes do remate em jeito. E aos 54’, tão gritante a cratera entre defesas e médios dos anfitriões, que Tomás Araújo encontrou Rafa e o português lançou Pavlidis.
Em três passes se completou o hat-trick de sete minutos do providenciador-mor do Benfica. São já nove golos esta temporada para o grego que Marco Silva, terraplanado o Casa Pia, inofensivo o adversário, pôs a descansar no banco. Entrou Jhón Durán, bruto colombiano, dador do seu corpanzil à área onde deu uma referência à equipa para trocar passes dentro do retângulo em torno da baliza com farto à-vontade.
Seria o avançado a marcar a sétima bofetada dada a um frágil adversário (61’), quase inerte com as suas pretensões de gerir a bola, construir apoiado de trás e ter calma a avançar no campo, mas traída pelo desfasamento entre jogadores, a falta de coesão e a gritante passividade a reagir ao que o jogo oferecia. Com uma chapada na bola, Durán festejou após os encarnados reclamarem uma segunda bola, mais outra; e fê-lo depois do sexto golo, este vindo de um cruzamento de Samuel Dahl desviado na esquerda (58’) por Lawrence Ofori para a sua baliza. O Casa Pia era trucidado.
Não haveria um Benfica tão molesto na meia-hora final, mas nem por isso menos capaz de tal. Sem piedade pelo adversário, Marco Silva lançou Scheljderup e as suas mudanças de direção para a esquerda, deixou Prestianni para se aproximar do norueguês e pôs Dodi Lukebakio na direita, para frustração própria do treinador - gesticulou com desagrado quando o belga, numa jogada ao ralenti, perfilado com a última linha do Casa Pia, se deixou ficar em posição de fora-de-jogo antes de receber um passe longo de Richard Ríos. Já estava 0-7, mas o técnico não amainou na exigência.
Vimo-lo a instruir, pedir coisas, chamar este e corrigir aquele até ao fim, cirandando à frente do banco de suplentes para afinar a equipa que refrescou ao longo da segunda parte, acautelando a partida de quinta-feira, na Luz, contra o Aarhus da Noruega para o play-off da Liga Europa. Para lá chegar a equipa terá de regressar do dérbi supostamente de Lisboa pela auto-estrada rumo a Lisboa, uma ironia que já vai na quarta época de vida. Desta vez, o Benfica voltou de Rio Maior sem traumas. Ganhou um o Casa Pia, destroçado sem dó."

Águia insaciável trucidou um anémico ganso


"Dois golos ao intervalo e mais cinco entre os 47 e 61 minutos. O Casa Pia nunca teve oxigénio para tentar equilibrar o que tão desequilibrado estava e em cima da mesa chegou a estar a hipótese de o Benfica reeditar o 10-0 ao Nacional de 10 de fevereiro de 2019...

Imagine-se um elefante a pisar uma formiga. O pequenino inseto não tem hipótese de sobreviver sob a pata pesada do mamífero, pois não? Aconteceu mais ou menos isto em Rio Maior. O Benfica entrou sem piedade no jogo e sem piedade continuou na maior parte do tempo. O Casa Pia, esse, tentou sobreviver face aos ataques mortíferos que foi sofrendo, mas nunca o conseguiu, acabando esgotadíssimo, sem oxigénio e impotente para evitar que o resultado se fosse transformando de uma derrota aceitável numa goleada impressionante: 7-0.
O Benfica, porém, não teve culpa da fragilidade do Casa Pia. Defesas e médios pareciam de porcelana e o ataque, se existiu, não se viu. O primeiro ar de graça dos encarnados surgiu logo em cima dos 150 segundos de jogo. Prestianni recebeu a bola, fez uma curta simulação e rematou cruzado. A bola, a dar início à noite amarga dos gansos, embateu em David Sousa, enganando por completo o guarda-redes André Gomes.
Era um excelente ponto de partida para as águias. Desbloquear tão cedo o jogo quando, dentro de três dias, receberiam o Aarhus não era bom: era ótimo. Mas, claro, havia 87 minutos pela frente e era preciso que o Benfica não descansasse em cima da vantagem e, por outro lado, que o Casa Pia não se descontrolasse.
Mas descontrolou-se. Ou foi obrigado a descontrolar-se pelo ímpeto do Benfica. Dez minutos depois, aos 14', Rochinha perdeu a bola perante a maior impetuosidade de Rafa. Este cedeu-a a Pavlidis, que a recolocou na frente do camisola 27. Rafa correu, correu, correu e, quando se aproximou de André Gomes, picou-lhe a bola, que ainda tocou na cabeça do guarda-redes antes de entrar.
Um minuto depois do 2-0, o Benfica passou pelo seu único susto, quando Gabi Pereira, num remate meio enrolado, acertou no poste direito de Samuel Soares. Seria o início de uma potencial reviravolta?
Não, não seria. O jogo entrou, então, numa fase de rame-rame. O Benfica, pensava-se, passaria a controlar as incidências, deixando o tempo correr. Só aos 36' voltou a haver perigo junto de André Gomes: Sudakov rematou fortíssimo e o guarda-redes, esticando-se quase até aos limites, evitou o 3-0.
O intervalo chegou e acreditou-se que a segunda parte bem poderia ser mais do mesmo daquilo que se passara no pós-2-0: jogo controlado pelo Benfica, bola a rodar entre a maioria dos seus jogadores, sempre à espera que chegasse o último apito de João Pinheiro para que Marco Silva começasse, de vez, a pensar no Aarhus.
Quem acreditou nessa teoria depressa percebeu que se equivocara. A reentrada em cena do Benfica foi trucidante: aos 47', 3-0 por Pavlidis; aos 49', 4-0 por Pavlidis; aos 53', 5-0 por Pavlidis; aos 58', 6-0 por Ofori (autogolo ao tentar intercetar um cruzamento de Dahl); aos 61', 7-0 por Jhon Durán. O hat-trick do grego do Benfica, então, foi fulminante: seis minutos e 33 segundos para o atingir. Impressionante!
Era o tal elefante a pisar a formiga e a torcer a robusta pata quando sentia o corpo do inseto. Com sete golos marcados até à hora de jogo, começaram a estar em cima da mesa as recordações de 10 de fevereiro de 2019: Benfica 10-0 Nacional. Havia em campo um homem que se lembrava muito bem desse jogo de há mais de sete anos: Rafa, que apontou, nessa noite histórica na Luz, o 9-0.
O Benfica estava muito modificado relativamente ao início do jogo (Manu, Ríos, Lukebakio, Durán e Schjelderup nos lugares de Tomás Araújo, Barrenechea, Pavlidis, Sudakov e Rafa), mas continuava a excitar-se com o cheiro a medo e a ineficácia que via nos corpos e nos olhos dos adversários.
E assim continuou por mais meia dúzia de minutos: insaciável, voraz, devorador. Até que, ao sétimo golo, tendo o Benfica terminado a sua obra, descansou — como vem na Bíblia. Nem chegou a ultrapassar os 7-0 à B SAD em novembro de 2021, os 7-2 ao Farense em março de 1984 e os 7-1 ao Olhanense em maio de 1974, as últimas vezes em que, para a Liga, os encarnados tinham marcado mais de seis golos fora de casa."

Pavlidis em noite escaldante, Rafa e Prestianni 'calientes'


"Três golos e uma assistência para o avançado grego que esteve endiabrado em... 59 minutos. Avançado português foi mais 'modesto': golo e assistência. Ala/extremo argentino está num bom momento de forma

O MELHOR EM CAMPO
8 PAVLIDIS O avançado grego de 27 anos voltou a demonstrar que é um caso sério no que a golos diz respeito. Mas não só, como se viu ao minuto 14', quando assistiu Rafa para o então segundo golo dos encarnados. Sempre ativo e à procura de espaços, aos 44' encontrou-os e obrigou André Gomes a sensacional defesa, mas estava fora de jogo. Em jogo (e de que maneira) esteve na fase inicial da segunda parte: aos 47' recebeu passe de Rafa e no coração da área não perdoou, tal como aconteceu dois minutos depois, bis após fantástico trabalho individual. Aos 54' aproveitou cruzamento de Barreiro para, de pé direito, encostar para o quinto golos das águias e terceiro da conta pessoal. Com a vitória no bolso e encontro para a Liga Europa na quinta-feira, foi substituído aos 59' pelo colombiano Jhon Durán.

5 SAMUEL SOARES O guarda-redes português de 24 anos voltou a ser opção inicial (relegando Trubin para o banco) e aos 15' sofreu enorme susto ao ver a bola rematada por Gabi Pereira acertar no poste direito. E se a primeira parte foi tranquila, a segunda foi ainda mais tranquila.

5 BAH Com Dedic transferido para o Newcastle, o dinamarquês de 28 anos foi aposta no onze e por certo não imaginaria uma noite tão tranquila. Defensivamente sem problemas, procurou, nem sempre com sucesso, combinar com os companheiros.

5 TOMÁS ARAÚJOO internacional português de 24 anos e capitão dos encarnados não foi sujeito a muito trabalho, já que o Casa Pia foi quase inexistente a nível ofensivo. E com a vitória no bolso, deu, ao minuto 59, o lugar a Manu.

5 LENGLET O experiente central francês de 31 anos tem bom toque de bola e aos 13' fez sensacional passe para Prestianni. Praticamente de folga a nível defensivo, apareceu aos 59' para receber a braçadeira de capitão.

6 DAHL O back esquerdo de 23 anos deu nas vistas aos 11' com um corte providencial no interior da área. Também de folga a nível defensivo, tem uma nota superior aos restantes companheiros de setor porque esteve no sexto golo, ao cruzar da esquerda para o desvio decisivo de... Ofori, que marcou na baliza errada.

5 BARRENECHEA O médio defensivo argentino de 25 anos fechou bem os espaços na sua área de ação e beneficiou da falta de comparência do Casa Pia a nível ofensivo. Noite, pois, descansada.

6 LEANDRO BARREIRO O luxemburguês de 26 anos tentou a sorte aos 7', mas o remate, à entrada da área, saiu fraco e à figura de André Gomes. Estava dado o mote para exibição de bom nível.

7 RAFA O velocista português de 33 anos começou por ameaçar com um remate à entrada da área e aos 14' fez mesmo o segundo golo. Recuperou a bola e voltou a recebê-la de Pavlidis para, na cara de André Gomes, picá-la sobre o keeper. Nem sempre decidiu bem, mas acertou aos 47', quando descobriu Pavlidis para o 3-0. Saiu, aos 5-0, aos 59'. Quinta-feira há jogo europeu...

6 SUDAKOV O médio criativo ucraniano de 23 anos revelou... criatividade aos 20', passe sensacional para Rafa (que tentou assistir Pavlidis). Já aos 36' podia e devia ter feito (muito) melhor, remate no coração da área para defesa de André Gomes. Tem belos pormenores, mas falta-lhe consistência para voar mais alto.

7 PRESTIANNI O extremo/ala argentino de 20 anos atravessa belo momento de forma e logo ao terceiro minuto deixou marca no jogo, remate à entrada da área com David Sousa a trair André Gomes com um desvio de cabeça. Aos 12' entrou na área pela esquerda, rematou, mas o tiro saiu muito por cima. Já aos 49' o remate à entrada da área não passou nada longe do poste esquerdo da baliza de André Gomes. É um perigo quando embala, mas não embalou para exibição como as já vistas esta temporada.

6 JHON DURÁN Entrou aos 59' e não demorou muito a festejar, já que aos 61' recebeu a bola de pé esquerdo à entrada da área e disparou para o fundo da baliza de André Gomes.

5 MANU Entrou aos 59' e foi para o lugar de Tomás Araújo, ou seja, para central. E não foi sujeito a muito trabalho.

5 SCHJELDERUP Também foi lançado aos 59' (para o lugar de Rafa) e deu água pela barba à defesa (já dizimada e desmotivada, diga-se) dos anfitriões. Algumas incursões perigosas pela esquerda.

5 RICHARD RÍOS Foi aposta a partir dos 67' e ganhou um pouco mais de ritmo.

4 LUKEBAKIO Foi o último jogador a sair do banco. Fê-lo ao minuto 78, a tempo de um ou outro raide."

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Vermelhão: Sete que só valem três!!!


Casa Pia 0 - 7 Benfica


Terceira goleada da época, desta vez no Tugão, o que não deixa de ser importante para desmontar a narrativa que já estava a ser montada, de que o Benfica só ganhava contra as 'fáceis' equipas Europeias, na cabeça de alguns, muito inferiores às nossas equipas da metade de baixo do Tugão!!!!

Somámos só 3 pontos, mas pareceu que estávamos a vingar os pontos perdidos nos últimos confrontos!!! Além da vontade de mostrar trabalho ao treinador, notei alguma revolta nos jogadores na forma como nos últimos 2 jogos, desperdiçamos muitos golos, e neste jogo, apesar da goleada, a 1.ª parte, voltou a ser um show de desperdício!!! Tudo isto, em mais um péssimo relvado...

O Marco voltou a apostar no onze mais rodado na pré-época, praticamente com todos os mundialistas no banco, e apesar do talento e potencial individual dos jogadores que não estavam no onze, neste momento, esta configuração pareceu-me de facto, a equipa mais forte do Benfica, neste momento! Com o jogo de Quinta com o Aarhus, esperava alguma rotação, mas provavelmente a rotação vai mesmo acontecer na Liga Europa e não no Tugão!

Entrada a matar com um golo, com desvio, e aos 15 minutos, 0-2! O jogo só não 'morreu' neste momento, porque o Benfica ainda não transmite confiança defensiva, na gestão de resultados (e os nossos vizinhos, também têm perdido vantagens grandes...), e por isso todos pedíamos mais golos... Mas isso só aconteceu, no arranque da 2.ª parte, e logo de enfiada.... no hat-trick mais rápido do Tugão, de sempre!!!!!!!


O Casa Pia, começou a jogar recuado, mas com uma Linha de 4 na defesa, e acabou por dar muito espaço. Um treinador novo, que não seguiu a 'norma' de 'dois autocarros' contra o Benfica, acabou por 'facilitar', mas hoje com as dinâmicas ofensivas que o Benfica está a construir, dificilmente alguma estratégia defensiva do Casa Pia, iria resultar!!!

O Prestianni voltou a estar muito activo, sem o hat-trick do Pavlidis, seria o MVP para a maioria, mas apesar de todos os desequilíbrios que criou, e do golo que marcou, decidiu quase sempre mal, agarrando-se demasiado à bola...  


Pavlidis continua com a veia goleadora e isso é meio caminho andado para o Benfica vencer... além disso, está melhor quando funciona como Pivot e a equipa está mecanizada para isso...

A dupla Barreiro e Enzo, neste momento para o Tugão, está muito bem... Falta o Aursnes e o Ríos, mas esta dupla dá garantias e mesmo na eventualidade de contratar mais um médio defensivo, o Enzo tem que ficar no plantel! Às vezes, quando o pessoal faz as contas de cabeça na construção do plantel só pensa no 11 titular, mas o Benfica precisa de dois 11 titulares!!!


Nota positiva para o Samu, que hoje no 1.º tempo, mostrou muita segurança nos cruzamentos, um dos aspectos onde é superior ao Trubin... tal como o controlo da profundidade e no jogo com os pés!

Vai parecer que estou a embirrar, mas o Sudakov continua a ser o elo mais fraco desta organização ofensiva!

Acho que a gestão durante a partida, do Marco, a pensar no jogo Europeu de Quinta, foi curta, as duas últimas substituições podiam ter sido mais cedo... o risco de algum jogador se lesionar, e ficarmos a jogar com 10, com o 0-7 não seria problema!


O cúmulo da noite, não foi a goleada! Foi, novamente, o apitador Pinheiro!!! Dois penalty's e vários Cartões perdoados, aos casapianos, ainda na 1.ª parte! Quando expulsão o Central do Casa Pia, já deviam ter ido para a Rua pelos menos outros dois!!! A não marcação de faltas a favor do Benfica, nos últimos 30 metros, já é uma imagem de marca... A não marcação da falta sobre o Sudakov, que em muitos jogos seria um Vermelho direto, com ele próximo, com visão perfeita sobre o lance, é a prova provada, que o homem é mal intencionado!


Agora dois jogos Europeus, se seguida, com algum tempo para preparar a 2.ª mão, mas na Luz, vamos ter muito pouco tempo! Não acredito em muitas alterações, uma ou duas! O Aarhus parece-me extremamente acessível, é uma equipa muito jovem, com alguns lesionados, mas têm uma daqueles avançados, que não será fácil marcar, tal como aquele Baldé do St. Gallen, que nos marcou um golo e ainda acertou nos ferros algumas vezes!!! Importante, em todos os sentidos, garantir um resultado confortável na Luz...



Mentirosos!

Mentiroso!

MasterVi: Mercado...

Zero: Mercado - Melhor marcador do Championship na mira do Sporting

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cristiano Ronaldo: o fim está anunciado

Observador: E o Campeão é... - Rodrigo Mora sofre de "síndrome João Félix"?

Observador: Três Toques - O futebol do povo regressou com nova "salgalhada"

Sirvam o Benfica. Não se sirvam dele


"“Respeitem, sempre, o dinheiro do Clube. É dinheiro de gente simples e humilde. É dinheiro do esforço de gente pobre que dá, porque gosta muito do Benfica. Sirvam-no. Não se sirvam dele!”
Joaquim Ferreira Bogalho - 20º Presidente do Sport Lisboa e Benfica, o do Estádio da Luz.
Leio tantas vezes esta citação que é curioso me faltarem detalhes sobre ela. Por exemplo, os que o tempo poderá ter apagado: não é clara a data nem contexto em que foi proferida, embora possamos alvitrar: talvez já após a epopeia que levou à inauguração do Estádio da Luz, em algum discurso solene.
Não sou historiador, mas parece-me plausível. Certamente por nos remeter ao legado de Ferreira Bogalho e como se edificou uma catedral assente no esforço e devoção de um clube que conhecia e respeitava muito bem os seus valores fundadores. Não sou de intervir fora do grupo da bola. Por norma, não considero que o assunto do dia de cada dia mereça a minha posta de pescada. Não porque a considero mais exclusiva ou menos válida. Seja por pequenez, pequenez de espírito ou até falta de espírito, não é defeito, é feitio, o que não me diminui o direito à indignação! Então, desta vez, é de rajada. Considerem talvez um desabafo ou mesmo um pedido de ajuda.
Incomodou-me profundamente ler na manhã de 11/08/2026 que “os sócios com Red Pass podem aceder à App do Benfica e solicitarem, se assim o desejarem, o devido reembolso em carteira virtual”:
- Não se identifica motivo para não solicitar o reembolso. Afinal, todos vimos na TV que não estava lá ninguém e, atendendo às filas de espera para novos RP dos últimos anos, (no mínimo) muita gente pagou para assistir àquele jogo; - Conhecemos a realidade do país e o Benfica, pela sua dimensão e dispersão, naturalmente acaba a ser uma amostragem dessa realidade personificada na população e, neste caso, no universo de sócios, mais concretamente os detentores de RP. Facilmente entendemos que um RP é (no mínimo) um esforço financeiro que não está ao acesso de todos e representa certamente e para muitos um sacrifício: sai mesmo muito caro ir à bola, é um luxo;
- Não posso deixar de singularizar a forma como o “reembolso” pode ser solicitado: via app. Bem depois, por meio de um asterisco, esclarecem que esta solicitação pode afinal ser via Linha de Apoio do Benfica ou na loja no estádio. Esta adenda já chegou com menos pujança aos meios de comunicação e à espuma dos dias. É de esperar que, por menor literacia digital, (no mínimo) muitos sócios com mais idade tenham (no mínimo) dificuldades em aceder a este “reembolso”. Invocando novamente a premissa de Benfica enquanto amostragem da realidade nacional, estamos perante um número significativo de vulneráveis a esta situação. Não vejo que o argumento enfraqueça com um asterisco que não coube em nenhuma SMS (no mínimo), daquelas como as da Glassdrive, Norauto, Europcar, loja Damatta, Repsol, Sana, Suits inc. (Olha! E assim do nada, lembrei-me daquilo do sacrifício de ir à bola!) ou apelos à votação virtual para apreciação do District.
- O “reembolso” ser efetuado via wallet virtual também merece o meu comentário: o dinheiro veio da minha wallet, aquela tenho no meu bolso, que suporta as minhas outras despesas, e cai na wallet virtual. Subentendem mais uma vez que a wallet virtual passou a ser a tal wallet que temos no bolso. O dinheiro jamais sairá do mesmo sítio, é um circuito, portanto. Não me resta então derivar para o tema do “fraseamento”. Assim sendo, “reembolso” é um termo discutível, quando muito é um crédito. Este “erro de engano”, perante tudo o em cima exposto, não me parece um pormenor insignificante, no limite (ou mesmo no mínimo) é ironia;
- O cálculo dos 4,7% e 3,6% simplesmente aparece enquanto O resultado final. Indicam que é suportado por uma média e uma previsão para o primeiro jogo do campeonato. O valor é então este porque “foi o que deu aqui na conta que a gente fez”, e terminam as explicações dando lugar a opacidade (no mínimo);
- Por fim, 3 dias para solicitar o “reembolso” se assim o entendermos é (no mínimo) muito curto. 3 dias a contar “já amanhã às 10h”. Transmite a ideia de tentativa bem- sucedida para a redução da exposição do clube a um risco, que se trata na verdade de um reembolso devido.
Por ignorância não me prenuncio sobre a legalidade. Provavelmente nada disto é juridicamente má-fé, mas toda esta fricção não tem como não ser entendida como intencional. Boa-fé não será, muito menos à Benfica.
Não compreendo qual o peso de uma mais-valia para que todo o modelo de “reembolso” esteja desenhado para reduzir o seu valor em prol da otimização da operacionalidade financeira. Sugere que a filosofia e espírito do modelo não prioriza ressarcir os seus sócios. Até porque não se pode considerar isto uma “perda” exclusiva do clube.
O nosso grandioso passado mostra-nos marcas de superação de dificuldades a todos os níveis com a ajuda da boa vontade e até mecenato ou voluntariado dos sócios e adeptos, à Benfica. Foi isto que nos ergueu para o maior de Belém, de Lisboa, de Portugal e do mundo, de campo em campo para uma catedral, um palmarés e uma Mística.
Este episodio dá boleia à validação do chavão: “este clube trata os seus sócios como clientes. Se os sócios tratassem o clube como empresa, dificilmente seriam clientes satisfeitos”. Tenho esperança que muitos concordem e se identifiquem com isto. Que o episodio sirva para uma reflexão mais sustentada que isto. Estamos a perder todos mínimos exigíveis.
“Cada adepto gasta 22 euros por jogo. Queremos chegar aos 40 euros em cinco anos”
Nuno Catarino em 2025 - 3º diretor financeiro do 34º Presidente do Sport Lisboa e Benfica, o do District.
VIVA O BENFICA!
Um Benfiquista dos 100%"

Vencer em Rio Maior


"O Benfica joga hoje, às 20h15, em Rio Maior, frente ao Casa Pia. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Sempre focados em ganhar
Marco Silva sublinha a mentalidade competitiva exigida ao grupo de trabalho: "Todos os jogos terão de ser de atenção obrigatória e vistos, como eu tenho vindo a falar, quase como finais, porque pontos perdidos nunca é bom para nós. Não os podemos encarar de outra forma."

2. Receção carinhosa
A comitiva benfiquista foi bem recebida à chegada a Alcobaça.

3. Últimos resultados
A equipa B venceu, por 1-2, no reduto do União de Leiria. Os Sub-23 terminaram a participação na Otten Innovation Cup em 5.º lugar. Os Juniores empataram sem golos no reduto do Oriental. Os Juvenis ganharam, por 1-2, em Alverca.

4. Campeã africana
A jogadora do Benfica, Michaely Bihina, ao serviço dos Camarões, sagrou-se campeã de África de futebol e foi considerada a Melhor Guarda-Redes da edição 2026 da Taça das Nações Africanas Feminina. Na mensagem de felicitações, Rui Costa, presidente do Sport Lisboa e Benfica, salienta que "é a segunda vez que uma futebolista do Clube conquista a Taça das Nações Africanas."

5. Movimentações do defeso
No basquetebol masculino, Aleksander Dziewa e Jhonathan Andrade continuam de águia ao peito, e Luke Barrett é reforço.

6. Media Day
O plantel masculino do futsal benfiquista cumpriu a ação de pré-época. Lúcio Rocha, à BTV, refere a abordagem coletiva: "Trabalhamos para continuar a ganhar e melhorar dia após dia. Treinamos no limite, mas é isso que nos faz ser melhores."

7. Pré-época
A equipa masculina de futsal do Benfica venceu, por 6-1, o Leões Porto Salvo num jogo-treino. No andebol, a equipa masculina ganhou, por 36-32, ante o Proin Triana, e a equipa feminina participou no VIII Torneo de Balonmano Femenino Elite, em Villacelama.

8. Campeonato da Europa de atletismo
Confira o desempenho de 14 atletas do Benfica participantes no certame. Fatoumata Diallo alcançou o bronze nos 400 metros barreiras.

9. Campeonato da Europa de natação
Diogo Ribeiro estabeleceu o novo recorde nacional nos 50 metros livres.

10. Arranque da pré-época
A equipa de Iniciados Sub-14 do Sport Lisboa e Benfica deu o pontapé de saída para a temporada 2026/27."

O 'lukaquartista' de Ruben Amorim


"Modric é bússola, barómetro, altímetro, termómetro, anemómetro e até higrómetro. Sorte tem Ruben Amorim de o ter no Milan, mesmo aos 41 anos

A idade é um número, dizem. Pepe tinha 41 anos quando decidiu terminar a carreira. Cristiano Ronaldo tinha 41 quando decidiu que ainda não era hora. Manuel Neuer completará 41 dentro de seis meses e apenas abdicou da Mannschaft. Luka Modric está a 23 dias de chegar aos 41 e continua a ser tudo no Milan (agora) de Ruben Amorim: bússola, barómetro, altímetro, termómetro, anemómetro e até higrómetro.
É preciso perceber onde estão o norte e o sul? A resposta é dada por Luka. Temos de avaliar como está a pressão antes do derby della Madonnina? Luka. Indicações para jogar em cima dos Pirenéus ou ao nível do mar? Luka. Perceber como se deve jogar a 40 graus ou a zero graus? Luka. Vamos jogar em Vila do Conde e temos de lidar com muito vento? Luka. Está imensa humidade e é necessário aprender a lidar com ela? Luka.
Luka é tudo. É passado, é presente e, até ver, é futuro. Quem o vê a jogar no Milan com o número 14 nas costas (que já foi de Cruyff, Thierry Henry e Xabi Alonso) não vê um quarentão, a não ser que olhe para as rugas que aparecem no rosto magro. Vê um médio que consegue usar microscópio e telescópio com a mesma facilidade.
Luka começou como trequartista (Dínamo Zagreb, Zrinjski Mostar ou Inter Zapresic). O homem que anda, sobretudo, pelo último terço do campo. Era um trequartista que trabalhava, corria e suava e que, ao mesmo tempo, controlava o ritmo do jogo com elevadíssima precisão no passe longo e curto e também com triveladas ao nível das de Ricardo Quaresma.
Com os anos — sejamos livres na conotação —, recuou um pouco no terreno e tornou-se uma espécie de duequartista (Tottenham e já um pouco no Real Madrid), o homem que anda muito perto do círculo central, sem recear avançar ou recuar para qualquer das áreas. Aliava trabalho e passes milimétricos a inteligência tática, leitura de jogo e interceções e recuperações de bola. Agora, no Milan, já não é um trequartista nem um duequartista. Se quisermos continuar na anarquia linguística, é uma espécie de tuttoquartista. O homem que anda por onde quiser. Joga a 6, a 8, a 10, a 7 e, se preciso for, pode jogar entre os dois centrais, utilizando microscópio e telescópio.
Há uns anos largos, em julho de 2011, tive a felicidade (juntamente com o então meu camarada Miguel Cardoso Pereira) de entrevistar um dos génios do futebol mais lúcidos e inteligentes com quem tive o prazer de me cruzar: Pablo César Aimar Giordano. Às tantas, perguntamos-lhe: Como cataloga Messi: dez, nove, 11, 7 ou um pouco de tudo? A resposta: «Bem, ele organiza e finaliza. Faço-vos uma pergunta: Maradona era um dez?». Sim, era, respondemos. Argumentação de Aimar: «… mas não só. Organizava e finalizava, fazia tudo.» E Messi?, perguntámos. Resposta desconcertante: «Messi? Sinceramente, nem sei o que é Messi. Só há uma coisa que sei: Messi joga de Messi.»
É assim, plagiando Aimar, que vejo Modric: «Sinceramente, nem sei o que é Modric. Só há uma coisa que sei: Modric joga de Modric.» Obrigado pela ajuda, Pablo. Modric não é trequartista, duequartista ou tuttoquartista. Luka joga de lukaquartista. Sorte a de Amorim."

Pista aberta para o novo Bernardo


"Treinador do FC Porto não levanta obstáculos à saída de Mora, mas Villas-Boas sabe que precisa encher os cofres ao mesmo tempo que esvazia a ilusão dos adeptos relativamente ao jovem dragão

Não será Francesco Farioli a confiscar o passaporte a Rodrigo Mora, seguramente. O treinador do FC Porto chegou a sugerir aeroportos fechados e estradas cortadas para impedir a saída de Diogo Costa — com humor à mistura, claro está —, mas no caso do jovem avançado até é capaz de vestir a farda de motorista para o levar ao Sá Carneiro.
Não quer dizer que o italiano despreze o futebol de Mora, mas nunca olhou para Rodrigo como um encaixe óbvio no desenho tático idealizado e estabilizado: foi visto sempre como demasiado ofensivo para jogar no lugar de Gabri Veiga, ao meio, e demasiado interior para roubar o lugar a Borja Sainz ou Oskar Pietuszewski na esquerda.
Esta perspetiva, tão discutível quanto legítima, saiu reforçada pela conquista do título. Por mais que tenha ficado a sensação que Mora podia ter sido mais protagonista do que foi, Farioli acabou a época com poderes reforçados. Junto dos adeptos e do presidente André Villas-Boas, um antigo treinador com conhecimento para avaliar as opções do treinador, mas noção suficiente para não questionar as mesmas, pelo menos diretamente.
Não restam dúvidas de qual a saída ideal para todas as partes envolvidas, mas é preciso atingir um patamar financeiro que abafe o lamento dos adeptos. Ironicamente, o destino mais provável para Mora é Itália. A Roma, de Gasperini, avançou de forma convicta, nas últimas horas surgiu a possibilidade de um desvio na rota. O Milan não deixa ninguém indiferente, como atesta o ano sabático de Ruben Amorim, e o técnico português poderia apresentar-se como solução interessante, não só pelo conhecimento que tem do potencial do jogador, como também pelo eventual encaixe no inegociável 3x4x2x1 que pede dois jogadores por dentro, no apoio ao ponta de lança.
Ainda que o valor da transferência venha a ser muito superior aos 15 milhões de euros que o Mónaco pagou por Bernardo Silva, como se prevê, haverá muito adepto do FC Porto a partilhar o sentimento que ainda atormenta tantos benfiquistas, mais de uma década depois da saída do esquerdino que se tornou um dos melhores jogadores do mundo.
Nenhum produto da formação portista entusiasmou tanto quanto Rodrigo Mora, pelo menos nos últimos anos, e essa expectativa é difícil de esvaziar, mas Villas-Boas sabe bem que encher os cofres ao mesmo tempo ajuda sempre a compensar."

Os jovens ainda gostam de futebol?


"Há uma pergunta que começa a inquietar quem trabalha na indústria do desporto: os adeptos estão a abandonar o futebol? A resposta é não. Mas estão a abandonar a forma tradicional de o consumir.
Durante décadas, a relação entre adepto e futebol era simples. Comprava-se um jornal, via-se um resumo televisivo ou acompanhava-se um jogo completo ao fim de semana. Hoje, essa lógica desapareceu. O futebol continua a ocupar uma parte importante da vida das pessoas. O problema é que já não ocupa o mesmo formato, nem o mesmo tempo, nem o mesmo espaço.
As novas gerações não cresceram a esperar pelo resumo de domingo à noite. Cresceram num mundo de consumo instantâneo, personalizado e fragmentado. Para muitos jovens, um vídeo de 30 segundos no TikTok compete diretamente com um jogo de 90 minutos. Não porque gostem menos de futebol, mas porque aprenderam a consumir tudo de forma diferente.
A Premier League percebeu esta mudança antes de quase toda a gente. Hoje é transmitida em 189 países e chega a uma audiência potencial de 4,7 mil milhões de pessoas. Mais importante ainda, a competição já não se limita à televisão tradicional. O seu ecossistema distribui conteúdos em streaming, plataformas digitais, redes sociais, aplicações móveis e formatos curtos adaptados aos novos hábitos de consumo.
Esta transformação não é exclusiva do futebol. Está a acontecer em toda a indústria do entretenimento. Netflix, YouTube, TikTok, Twitch, Spotify e videojogos disputam diariamente o mesmo recurso: atenção. E a atenção tornou-se o ativo mais valioso do desporto.
Durante muito tempo acreditou-se que o principal concorrente de um jogo de futebol era outro jogo de futebol. Hoje sabemos que não é verdade. O verdadeiro concorrente de um clássico pode ser uma série da Netflix, um influenciador digital, um podcast ou simplesmente um scroll infinito nas redes sociais.
É precisamente por isso que os clubes começaram a produzir mais conteúdos do que nunca. Em muitos casos, uma equipa publica dezenas de peças digitais por dia. Bastidores, entrevistas, golos, reações, curiosidades, memes, podcasts, documentários e transmissões exclusivas fazem hoje parte integrante do produto.
O futebol deixou de vender apenas jogos. Passou a vender atenção permanente.
Os números ajudam a perceber esta realidade. O sucesso global da Premier League, da NBA, da Fórmula 1 ou mesmo do fenómeno crescente do desporto feminino está diretamente ligado à sua capacidade para estar presente muito para além do momento competitivo. A Fórmula 1 continua a crescer porque transformou pilotos em celebridades globais e corridas em acontecimentos culturais. O desporto feminino continua a ganhar espaço porque compreendeu a importância do storytelling e da distribuição digital.
O adepto moderno não desapareceu. Está apenas espalhado por dezenas de plataformas.
O problema é que muitos dirigentes continuam a medir o sucesso apenas pelos espectadores presentes no estádio ou pelos minutos vistos em televisão. Essa visão já é insuficiente. Um jovem que vê apenas os golos, segue os jogadores no Instagram, comenta vídeos no TikTok e acompanha podcasts sobre futebol continua a ser consumidor de futebol. Apenas o faz de forma diferente.
Esta mudança cria desafios importantes. Como manter a relevância dos jogos completos? Como transformar conteúdos curtos em fidelização de longo prazo? Como monetizar consumidores que passam mais tempo em plataformas digitais do que diante da televisão?
Os próximos anos serão decisivos para responder a estas perguntas. Os vencedores não serão necessariamente os clubes com mais títulos. Serão os que melhor compreenderem as novas formas de consumo. Porque a grande ilusão do futebol moderno é pensar que perdeu adeptos.
Na realidade, os adeptos continuam cá. O que mudou foi a forma como nos encontram. E a maior ameaça para o futebol não é que os jovens deixem de gostar de desporto. É que o futebol continue a procurá-los no sítio errado."

Transforma - Passa a Bola #225 - "A INCOMPETÊNCIA VARIADA ESTÁ DE VOLTA"

Zero: Ataque Rápido - S09E03 - Um leão em brasas, um dragão em gelo