Últimas indefectivações

domingo, 31 de maio de 2026

Primeiro passo...

Leões Porto Salto 0 - 4 Benfica

Vitória mais fácil do que seria espectável, só com 0-2 no marcador, o Benfica deu algumas abébias, e o adversário podia ter reduzido, mas o 0-3 matou o jogo...
Agora, na Luz, fechar a meia-final!

PS: Na Final feminina, depois da derrota na Luz, empatamos a Final fora de casa. O jogo foi equilibrado, mas o Benfica foi claramente o mais objetivo! O jogo fica marcado por mais uma arbitragem vergonhosa, já vamos em 3 penalty's assinalados contra, em dois jogos, e nenhum deles devia ter sido marcado! A expulsão da Angélica, que a retira do jogo 3, foi a cereja em cima do bolo!!! O que se passou na bancada a seguir, e a reação da Angélica e da Maria, é o ambiente que se vive no desporto em Portugal, principalmente quando o Benfica está a jogar... um autêntico vale tudo!!!

Iniciados - 13.ª jornada - Fase Final

Benfica 3 - 1 Sporting
Lima(2), G. Tavares


Vitória justa, numa partida onde começamos a perder, e só conseguimos materializar a reviravolta perto do fim...

Apesar da época irregular, estamos na luta! Fundamental ganhar em Braga na próxima jornada...

Segunda vitória, na terceira etapa do circuito Mundial !!!

Parabéns, Campeões Europeus!


"O Sport Lisboa e Benfica felicita João Neves e Gonçalo Ramos pela conquista da Liga dos Campeões, o segundo título europeu de clubes das suas carreiras.
Mais uma conquista de enorme prestígio para dois atletas formados no Benfica Campus, cujo percurso constitui motivo de orgulho para todos os Benfiquistas e um exemplo da excelência do trabalho desenvolvido na formação do Clube.
Ao João Neves e ao Gonçalo Ramos, o Sport Lisboa e Benfica endereça os mais sinceros parabéns por mais este marco nas suas carreiras."

Plantéis....

Que pena!!!

Entre Wembley e o Jamor


"O futebol passa a vida a prometer milagres. A maior parte das vezes não cumpre. É por isso que, quando um acontece, a memória trata de o guardar num lugar especial.
Esta semana chegou à Netflix um documentário sobre Vinnie Jones e o velho Wimbledon. Uma equipa que parecia saída de um romance escrito à pressa, entre cotoveladas e joelhadas. Em 1988, aquele grupo de rebeldes entrou em Wembley para disputar a final da FA Cup contra um Liverpool que era muito mais do que uma equipa. Era uma potência, uma certeza, uma máquina habituada a transformar favoritismo em vitórias. O Wimbledon era apenas uma possibilidade remota.
Noventa minutos depois, o impossível tinha acontecido. John Motson, comentador da BBC, encontrou as palavras que ficariam gravadas para sempre na história do futebol inglês: «The Crazy Gang have beaten the Culture Club.»
Talvez seja essa a função mais nobre das taças. Recordar-nos que o futebol não pertence apenas aos ricos, aos poderosos ou aos habituados a vencer. Pertence também aos que chegam sem convite e recusam sair sem deixar marca.
Dias antes, em Portugal, o Torreense fez algo ainda mais extraordinário do que o Wimbledon. Uma equipa do segundo escalão venceu o Sporting. Venceu o então detentor do troféu. A equipa que tinha sido bicampeã.
Não foi apenas uma vitória. Foi uma interrupção da ordem estabelecida. Um daqueles momentos em que o futebol contraria a lógica para abraçar a imprevisibilidade que lhe dá o seu lado mágico.
Enquanto muitos procuravam explicações para a derrota do favorito, Torres Vedras celebrava o dia mais bonito da sua história desportiva. Foi Carnaval em maio. Havia abraços que demoravam tempo a terminar. Havia lágrimas que não eram de tristeza nem de alegria, mas daquela mistura rara que nasce quando um sonho antigo ganha forma diante dos olhos de cada adepto.
No dia seguinte, como quase sempre acontece por cá, falou-se muito mais do gigante que caiu do que do pequeno que voou. Discutiram-se erros, responsabilidades, estados de alma e futuros incertos. Procuraram-se culpados com a mesma rapidez com que se esqueceram heróis.
É um hábito muito português. O futebol vive sempre aprisionado na narrativa dos três grandes. Com protagonistas imutáveis e figurantes ocasionais. Quando um dos grandes perde, a derrota ocupa o palco inteiro. Quando um dos pequenos realiza uma proeza, recebe apenas o espaço que sobra. Muitas vezes, pouco mais do que uma nota de rodapé.
Mas a beleza desta história não está no sofrimento de quem perdeu. Está na coragem de quem acreditou. Não existe entre nós um Vinnie Jones. Nem um Crazy Gang. Mas há um Stopira, com a mancha vermelha no cabelo, num sinal de rebeldia contra a monotonia. Há jogadores que passaram a vida longe dos grandes holofotes. Há treinadores, como Luís Tralhão, recheados de competência, que trabalham sem microfones a amplificar cada uma das suas palavras. E existem adeptos que atravessam anos inteiros alimentados só pela esperança.
São eles os verdadeiros guardiões da alma do futebol. Porque o futebol não vive apenas dos milhões, das audiências ou das marcas globais. Vive também das pequenas terras onde ainda se vai ao estádio por amor e não por moda. Vive dos campos onde se sonha sem garantias. Vive das equipas que raramente chegam, mas que, quando conseguem, deviam transformar-se numa história jamais esquecida no desporto daquele país e não apenas do clube que alcançou tamanha proeza.
O Wimbledon teve direito ao seu documentário. O Torreense, provavelmente, não terá. Nem mesmo numa plataforma nacional. E bem que merecia, Mas isso não altera o essencial. Durante uma tarde, desafiou o impossível e venceu-o.
E há vitórias que não precisam de uma plataforma de streaming para serem eternas. Basta-lhes um lugar na memória de quem ainda acredita que, de vez em quando, David pode olhar para Golias e recusar-se a ter medo."

Benfica: Bernardo Silva devia dizer tudo de uma vez


"De promessas por cumprir está o futebol cheio e já era tempo de o próprio jogador acabar com o assunto. Está no pleno direito de adiar o regresso, mas meias palavras não chegam

De mês a mês, ou até menos, seja qual for o contexto de uma intervenção pública de Bernardo Silva, o tema Benfica vem, invariavelmente, à baila. Até o jogador já admitiu estar cansado de um tema recorrente ao longo dos últimos largos anos e sobre ele já nem há muito de novo para dizer: Bernardo Silva foi despachado sem qualquer sentido em 2014, Bernardo Silva é benfiquista fervoroso e quer, um dia, voltar.
O grande erro foi, em 2023, ter colocado prazos concretos para que isso viesse a acontecer, garantindo que era seu objetivo regressar com 32 anos. Vai cumpri-los em agosto próximo e ainda não será desta, com o passe na mão, que regressará. O apelo do Barcelona é muito forte e Bernardo está, obviamente, no seu pleno direito de decidir o que quer para a sua carreira. Não querer trocar o brilho da Liga dos Campeões e das melhores ligas europeias pelas cinzentonas pré-eliminatórias para ter acesso à Liga Europa é um argumento totalmente plausível, até porque o internacional português ainda joga como poucos e está bastante longe de estar, sequer, perto da fase descendente.
O Benfica é, hoje, a terceira força em Portugal, a menos de um mês da pré-temporada nem sequer se conhece o treinador, num processo preso por eleições no... Real Madrid. É compreensível que Bernardo não queira correr o risco de o entusiasmo pelo regresso rapidamente ser convertido em cobrança. O médio é, ainda, um jogador notável, mas só funcionaria integrado num contexto de estabilidade e de equilíbrio que os encarnados não conhecem há muito tempo e que fez, por exemplo, com que o retorno de Di María não tenha funcionado em pleno.
Na relação Bernardo-Benfica seria necessário estancar já a ferida que começou a abrir pelas promessas adiadas e isso só poderá acontecer com uma explicação coerente e lúcida por parte do jogador, que devia parar de alimentar o assunto ou, de uma vez, dizer a verdade toda, isto é, explicar, por A+B, porque é que não quer voltar de imediato. Bernardo Silva é um dos maiores talentos que saíram do Seixal, é voz reconhecida dentro do universo do clube e tem estatuto mais do que suficiente para assumir aquilo que quer para a carreira. Já de nada vale estar a remexer num passado que toda a gente conhece e a mágoa por não ter tido a oportunidade que merecia devia estar guardada numa gaveta. É que, ao pisar e repisar-se o assunto, começa a pairar no ar algum cheiro a azedume."

Uma bela Sena de Trunfo


"Cristiano, Messi, Modric, Ochoa, Neuer e Salah terminarão a sua participação em fases finais de Campeonatos do Mundo de futebol, depois de um percurso brilhante, dourado, emoldurado. Livre e Direto é o espaço de opinião de Rui Almeida, jornalista

Conquistar um lugar ao Sol é cada vez mais difícil no planeta Futebol. Se é verdade que a difusão da qualidade e a despistagem do talento é cada vez mais universal, é igualmente certo que a competitividade e a concorrência aumentaram na direta proporção da transversalidade do jogo, da sua globalização e compreensão.
Há gerações inesquecíveis e, quando se fala de futebol ao mais alto nível, importa ter memória. O tempo é o que dele fazemos, e dar tempo ao tempo é o melhor conselho para os mais novos, habituados ao mediatismo e ao imediatismo do consumo direto, sem filtros, mas, também, sem outro registo que não seja o do confronto de números, estatísticas e críticas que não puxam o tempo atrás para as necessárias equivalências.
Di Stefano, Puskas, Pelé, Eusébio, Maradona, Beckenbauer, Cruyff, Ronaldo, Ronaldinho. Eleitos pelos Deuses e nomes indissociáveis do belo jogo, da sua História e das suas memórias. Para esse grupo restrito (que poderia, sublinho, incluir mais meia dúzia de nomes), vão entrar, no Mundial-2026, pelo menos mais seis. Uma meia dúzia dourada que terminará a sua participação em fases finais de Campeonatos do Mundo de futebol, depois de um percurso brilhante, dourado, emoldurado.
Desde logo Cristiano Ronaldo, o miúdo madeirense sonhador que conquistou todos os amantes da bola com um perfil único no futebol internacional: uma incomensurável e inigualável capacidade de trabalho, de sacrifício, de conquista e de motivação geracional. Vi-o, em agosto de 2003, na inauguração do novo Estádio José Alvalade, assinar a exibição maravilhosa, pelo Sporting, que levaria ao êxtase os jogadores do Manchester United e, por osmose, Sir Alex Ferguson. Vi-o no primeiro passo de dimensão internacional de uma carreira que viria a comprovar-se única, criando auréola de sucesso e uma marca que ultrapassou… todas as marcas.
Cristiano, cujo primeiro Mundial remonta há 20 anos, na Alemanha, despede-se nas Américas e, com o eterno rival da sua geração, deixará um registo incomparável. Temos sorte, muita sorte, em ter privado, numa mesma geração, com ele (Cristiano) e com ele (Lionel). Porque Messi também apaga a luz celeste da sua seleção neste Mundial, onde defende o título de campeão do mundo conquistado, há três anos e meio, no Qatar.
Messi e a sua magia marcaram a seleção das pampas nas últimas duas décadas. O argentino foi campeão olímpico, campeão continental sul-americano e campeão mundial, mas foi, sobretudo, o definidor do futebol-talento, das botas de arte, dos golos de antologia e dos passes mais perfeitos do que geometria sobre relva.
A rivalidade com Cristiano (mais por parte dos adeptos de cada um dos génios do que propriamente entre eles…), apimentou vinte anos de espetáculo e fez dos retângulos de jogo denominadores comuns de uma cantata especial, apenas reservada aos mais prodigiosos representantes do jogo.
Como Luka, o rapaz de Zadar que poucas camisolas vestiu e que tantas alegrias deu. Do Dínamo Zagreb ao Milan, passando pelo Tottenham, pelo Real Madrid e, claro, com a quadrícula certa da sua Croácia, com o qual foi vice-campeão do mundo há oito anos e terceiro classificado em 2022. Foi sempre à sua Modric, uma moda de rigor, profissionalismo, influência, ligação entre setores, passes interiores, assistências e algumas finalizações.
Foi sempre ele próprio, representando uma fantástica geração de jogadores croatas que bem elevaram o nome do seu país, para mais sendo herdeiro de uma das mais belas escolas de formação de futebol do Mundo, a da antiga Jugoslávia, nas décadas de 70 e 80 do século passado (haja tempo e memória, claro…).
Mas, aos quarentões Cristiano e Modric e ao quase lá chegado Messi juntam-se, nestas linhas de destaque a eleitos do futebol mundial, outros três nomes (e poderiam ser mais). Guillermo Ochoa, o eterno guarda-redes do México, que, como o português Cristiano e o argentino Lionel, fará em casa o seu sexto Mundial, número quase impossível de atingir, e que bem atesta a consistência e a qualidade dos futebolistas que lá chegam.
Ochoa não tem o mediatismo imediato dos craques de Portugal e da Argentina, mas merece uma especial saudação, ainda que a longevidade e a capacidade competitiva seja apanágio de alguém com o seu específico posto de guarda-redes. Tal como, aliás, Manuel Neuer. O gigante alemão, bem digno de uma estirpe única de guardiões que integra Sepp Maier, Harald Schumacher e Oliver Kahn, está de volta à suprema forma que o alcandorou a posições muito próximas de melhor guarda-redes alemão da História.
Apesar da irregularidade de presenças nos últimos dois anos, o estoicismo e a dimensão de animal de campo do guardião do Bayern Munique lançam-no à titularidade da Mannschaft e prometem uma despedida em grande de um dos nomes que mais marcaram, nos últimos vinte anos, as balizas do futebol mundial.
Permitam uma nota, também, para a despedida de Mohamed Salah. Um ano terrível em Anfield Road, marcado por dissensões internas com o próprio treinador Arne Slot, e terminado com o adeus do egípcio à camisola que mais o distinguiu na carreira (a do Liverpool), finaliza nas Américas com o derradeiro Mundial do jogador mais marcante do Norte de África, na última década.
Um ídolo para os egípcios, porventura mal-amado na África subsaariana, um desequilibrador nato, figura incontornável da história recente dos faraós, e que deixará os principais palcos de seleções à espera de um bom resultado de uma seleção que teima em não explodir nas grandes competições intercontinentais.
Cristiano, Messi, Modric, Ochoa, Neuer, Salah. Uma verdadeira Sena de Trunfos, a quem o futebol ficará eternamente grato.

Cartão branco
O sonho, em Torres Vedras, era a subida de divisão e o regresso ao convívio principal do futebol português. Eis como tudo muda numa semana, e o sonho intermédio (com a presença na final da Taça de Portugal) passa a definitivo, a principal, a histórico.
Eis como Luís Tralhão, promovido a timoneiro a meio da época, transforma um balneário de bons jogadores numa fortaleza para uma bela equipa. Coloca cada um a jogar para todos, cada cabeça a pensar por todas e cada mentalidade a produzir para o grupo.
Esse foi o trunfo e o segredo mais bem guardado de Tralhão e do Torreense, até bater o Sporting e assegurar a presença da fase de liga da UEFA Europa League, garantindo oito jogos na competição europeia.
Pelo meio ficou o primeiro sonho. Mas se a equipa do Oeste o continuar a ser, do modo determinado e eficaz com que se apresentou no Jamor, é bem possível que o tal sonho do regresso ao primeiro nível esteja apenas adiado por uma temporada…"

21 dias depois, o naufrágio anunciado


"Há precisamente 21 dias, lancei aqui neste espaço o artigo "O Benfica e a perigosa arte de navegar à vista". Na altura, critiquei a passividade gritante da Luz perante a iminente saída de José Mourinho e a total ausência de um plano estruturado para o futebol do clube. Volvidas três semanas, a passagem do tempo não trouxe respostas, trouxe apenas a confirmação dolorosa de que o amadorismo continua a reinar. O Benfica de hoje é rigorosamente o mesmo de há vinte dias: parado, amorfo e vergonhosamente ultrapassado pela concorrência direta.
Enquanto Sporting e FC Porto se movem no mercado com a agilidade de quem planeia o futuro, antecipando saídas e fechando contratações cirúrgicas como Zalazar ou Doumbia, na Luz assiste-se a um silêncio ensurdecedor. O plantel continua sem rumo e o próximo treinador permanece no limbo dos anúncios por fazer. Estamos totalmente reféns de umas eleições no Real Madrid para conseguirmos resolver o impasse que bloqueia a preparação da nossa própria temporada.
Os poucos defensores que restam a esta direção, divididos entre a cegueira ideológica e a narrativa oficial dos gabinetes, tentam agora justificar este atraso com uma ilusão financeira. Alimentam a tese de que, devido ao final do prazo da famosa cláusula dos dez dias, o Benfica irá receber uma verba a rondar os quinze milhões de euros pela saída de José Mourinho. Pura ilusão. Tal como afirmei anteriormente, o desfecho será uma saída a custo zero, fruto de um acordo amigável que deixará a estrutura encarnada sem argumentos e sem o dinheiro prometido.
Quando essa saída sem custos se oficializar, a longa espera pela contratação de Marco Silva parecerá ainda mais absurda e ultrajante. Sobre Marco Silva, reconheço as suas qualidades como bom treinador, mas a minha preferência sempre pendeu para um perfil muito mais disruptivo. Este plantel e esta estrutura precisam de um abano profundo, de uma revolução que quebre o marasmo atual. Se Rúben Amorim teria essa capacidade é uma incógnita, mas o meu entusiasmo residia em nomes como Carlos Vicens, que colocou o Sporting de Braga a praticar um futebol de excelência e com uma enorme qualidade europeia.
O futuro próximo do clube permanece cinzento e envolto em incertezas. A única certeza absoluta é a de que, se o Benfica acabar por receber alguma contrapartida na saída de Mourinho, esse valor servirá unicamente para alimentar a roda dos negócios cruzados com Jorge Mendes ou para recebermos jogadores excedentários do Real Madrid. Esta é a triste realidade que esta direção nos reserva: a total submissão aos interesses de terceiros em detrimento do sucesso desportivo do Sport Lisboa e Benfica."

Terceiro Anel: Benficando #8

Terceiro Anel: Análise à época...

Zero: Mercado - Dragões querem jóia africana por 30 Milhões

BF: Schjelderup...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Mourinho "empata" Benfica e André Silva volta a ser dragão?

Miguel Cardoso, Pep e Bernardo, mais os jogadores que a Liga revelou


"Faça-se alguma justiça a Miguel Cardoso, que ganhou a Champions africana, com o Mamelodi Sundowns. Em Portugal foi estranhamente (quase) ignorado um triunfo que surge na linha dos grandes - e foram quatro! - êxitos de Manuel José na mesma prova. Além do técnico trofense, de 54 anos, os médios Nuno Santos (ex-Vitória) e Miguel Reisinho (ex-Boavista) também celebram o êxito do emblema sul-africano.
E assinale-se que o adversário na final, o FAR Rabat, do outro extremo do continente, também era treinado por um português, Alexandre Santos. Os técnicos lusos não param de provar competência, mas a nossa visão eurocêntrica também se mantém uma evidência.
Falando de treinadores, não há como fugir ao adeus de Pep Guardiola ao City, tão criativo e emocionante – também nos vídeos criados a propósito - como muitas das suas conquistas. São 20 troféus em dez anos, e sobretudo uma infindável lista de lições e inovações daquele que - apesar do final menos feliz, que a vitória na FA Cup não compensa a perda de mais uma liga - o futebol há-de consagrar como o melhor treinador da história.
E, com ele, sai Bernardo Silva, talvez o jogador que exemplifica o melhor que tem o guardiolismo – exuberância técnica, entendimento superior do jogo, rendimento permanente para o coletivo por diante dos fulgores individuais e momentâneos – e que ficará entre os mais marcantes de uma década sem comparação na vida do clube azul celeste.
A fechar a época, repito o exercício de identificar os jogadores que me surgem como mais promissores e que não integram já os elencos dos quatro principais emblemas da Liga portuguesa. No melhor FC Famalicão da história, que fechou em quinto lugar a despeito da desilusão europeia, destaco três homens com nítidas aptidões para chegar mais alto: o mais óbvio é Gustavo Sá, naturalmente, mas não duvido de que o central Ibrahima Ba e o médio Mathias de Amorim (a quem vale mesmo a pena dar mais atenção) vão igualmente chegar mais alto.
No Gil Vicente, as pérolas partiram em janeiro, Pablo Felipe (sobretudo este) e Andrew. Mas Santi García ainda vai a tempo de subir uns degraus e interrogo-me sempre sobre o que falta a Tidjany Touré para que o seu talento seja regularmente evidente.
A época do Moreirense permitiu comprovar a qualidade indiscutível de Diogo Travassos (muito bem apanhado pelo SC Braga no negócio Zalazar!), mas vale a pena atentar à afirmação de outro produto da formação leonina, o central Gilberto Batista, e perceber quanto pode crescer a seguir o miúdo Afonso Assis, médio refinado, filho de Nuno Assis.
No meio-campo do Arouca não faltou qualidade. Fukui surge como o mais exuberante e o neerlandês Van Ee mostrou-se particularmente fiável. Trezza não é um talento absoluto, mas é um competidor ao melhor estilo uruguaio e com cheiro de golo raro para um extremo. Também gostei de Djouhara, mas foi intermitente.
Em Guimarães não falta gente com futuro largo, promessas de qualidade de jogo e de mais uns bons negócios, que o clube precisa. O que mais me entusiasmava, o esquerdino Diogo Sousa, já foi pescado em antecipação pelo ótimo scouting do Estrasburgo francês. Mas não duvido de que Strata (um dos bons laterais do campeonato), Mukendi, Saviolo e Camara têm também potencial para mais. E quase no fim surgiu Miguel Nogueira, extremo direito de pé trocado, que roubou o palco a Telmo Arcanjo (de quem também gosto).
No Estoril é uma evidência que Begraoui e Guitane estão acima dos demais (e João Carvalho, apesar de mais velho), mas vale a pena atentar também ao lateral Ricard Sanchez e ao miúdo Peixinho, esquerdino de qualidade e que talvez percebamos melhor na época que vem.
O FC Alverca aposta muito em jovens promissores, pelo que é fácil deixar pistas para seguir: o central francês Meupiyou, o lateral nigeriano Isaac James, ou os médios Rhaldney (jogador feito) e Davy Gui (em quem acabaremos por reparar). Chiquinho já todos conhecemos, mas sugiro dar atenção também ao central brasileiro Kaiky Naves, de posicionamento competente e qualidade de construção muito acima da média.
As restantes equipas brilharam menos, mas isso não impediu que Jalen Blesa se afirmasse como um craque definitivo (e finalizador) na segunda parte da época do Rio Ave (já depois das partidas de André Luiz e Clayton) e Miszta voltasse a demonstrar que é guarda-redes para mais.
No Santa Clara, Gabriel Silva é escolha óbvia, mas vale mesmo a pena reparar também na qualidade do médio Serginho, que aos 26 anos ainda está a tempo de chegar a equipas mais fortes. O Nacional não revelou ninguém, que Chucho já era conhecido de todos e Liziero tem cartaz no Brasil. Mesmo assim, gostei de Matheus Dias, o médio defensivo de 24 anos.
O Estrela vendeu Sidny para o Benfica e Ngom para Itália, mas ainda revelou Lekovic, o central da salvação no jogo de Braga.
No Casa Pia, anoto a evolução de Rafael Brito e no Tondela a confirmação de Bernardo Fontes, ele que regressa a Braga, onde poderá ser sucessor de Hornicek. O Aves foi o primeiro a descer, mas não impediu de fazer subir Pedro Lima até Alvalade (e foi bem perspicaz o Sporting nesta escolha). O outro médio brasileiro, Roni, também deixou pegadas de qualidade e o extremo Perea, jovem colombiano, poderá confirmar bons sinais enquanto cresce e amadurece.
E assim se fecha a época, com palavra de enorme louvor para o Torreense, pela inacreditável e lendária vitória na taça de Portugal. E agora venha o Mundial, que não há momento igual para quem gosta mesmo do mais belo jogo."

BolaTV: Entrevista - Paulo Fonseca

ESPN: Futebol no Mundo #569 - Neymar lesionado, Filipe Luís no Monaco e Palace campeão

Simples: Mundial - Grupo E

Simples: Mundial - Grupo D

Simples: Mundial - Grupo C

Simples: Mundial - Grupo B

Simples: Mundial - Grupo A

A Verdade do Tadeia - O Mundial vai ao Bar #21 - O efeito Havelange

SportTV: Entrevista - Martinez

El fútbol después del fútbol

Throne: How Torreense BROKE Portuguese Football

Chéquia: Jan Koller, o gigante mecânico de tratores que virou goleador e a quem chamavam dinossauro


"Foi parar ao Sparta Praga por acaso e só na Bélgica explodiu como marcador de golos. Com 2,02 metros, Jan Koller começou como guarda-redes, chegou a trabalhar numa oficina mas é, ainda hoje, o melhor marcador da história da seleção da Chéquia.

Na pequena vila de Smetanova Lhota viviam 299 pessoas e um gigante. A caminho dos seus 2,02 metros finais, Jan Koller não passava despercebido na sua terra natal, uma hora e meia a oeste de Praga, onde, diz-se, havia mais vacas do que carros. Koller começou, sem surpresa, a jogar como guarda-redes no clube local e por ali continuou, pouco notado a não ser pelo tamanho, até aos 16 anos, quando se mudou para o não menos modesto Milevsko. Aí um treinador resolveu, num ato de fé, colocá-lo na frente. E dali não mais saiu.
Mas Koller estava ainda longe de imaginar o que aí viria: um título alemão pelo Borussia Dortmund, a titularidade na seleção da Chéquia, o título de melhor marcador da história do seu país, que ainda lhe pertence, com 55 golos em 91 jogos. Nessa altura, o agora avançado ainda ia dividindo os seus dias entre o futebol e um emprego numa quinta, onde arranjava tratores.
O profissionalismo chegou tarde, com apenas 21 anos, já no gigante Sparta Praga, onde começou a jogar por acaso. Num período em que se encontrava na capital checa, precisava de um sítio para continuar a treinar e o clube recebeu-o. Pouco depois deu-lhe um lugar na equipa de reservas. Desses tempos lembrou numa entrevista a um jornal húngaro o seu primeiro carro, “um velho Škoda” que estava proibido de estacionar junto aos automóveis dos restantes jogadores da equipa, “por ser tão feio”. Mas também as dificuldades que sentiu num ambiente em que nem sempre se sentiu bem-vindo: “Tive de aprender praticamente tudo no que diz respeito a ser um futebolista profissional.”
Mesmo sem ser um matador, Koller acabou por ser notado pelo Lokeren da Bélgica, para onde se mudou em 1996, ainda com cabelo. Na última época no clube da Flandres explodiu: 27 golos em 38 jogos. Seguiu-se uma transferência para o Anderlecht, onde continuou a marcar em barda. A imprensa belga cunhou-lhe o apodo “De Helikopter” - o helicóptero - pela forma como pairava acima dos defesas.
Já depois de se ter estreado pela seleção em grandes competições, no Euro 2000, chegou a hora de decidir entre dois grandes campeonatos: a Premier League ou a Bundesliga. O Fulham queria-o em Craven Cottage, mas Koller seguiria para Dortmund, onde já estava o seu jovem compatriota Tomáš Rosický.

O regresso à baliza
No Borussia Dortmund foi campeão logo na primeira época, em 2001/02, num plantel em que conviviam a experiência alemã de Jurgen Kohler e Stefan Reuter com a chispa brasileira de Dedê, Ewerthon ou Márcio Amoroso. E seriam os brasileiros do Dortmund, numa entrevista à ESPN, a revelar que Koller calçava chuteiras número 54. Partiu também do grupo de canarinhos a alcunha pela qual o checo passou a ser conhecido: “Dino”. De dinossauro, claro.
Depois, num tom mais sério, Ewerthon e Amoroso falariam também das qualidades futebolísticas do gigante, que era muito mais do que um cabeceador. De como, apesar da altura e de ser aparentemente desengonçado, Koller conseguia matar bolas no peito na perfeição e criava espaços para os colegas, pensando sempre no coletivo. “Para mim, era o melhor da equipa”, atirou Ewerthon.
No Borussia Dortmund, Koller foi ganhando o estatuto de jogador de culto, mais ainda quando em novembro de 2002 foi chamado a reviver o passado: num encontro frente ao Bayern Munique, Jens Lehmann foi expulso numa altura em que o Borussia já tinha esgotado as substituições. Jan Koller vestiu a camisola de guarda-redes e recuou para a baliza. A sua equipa perdeu por 2-1, mas o checo não sofreu qualquer golo nos 20 minutos em que guardou as redes do Dortmund. Como reconhecimento, foi eleito o guarda-redes da jornada pela revista “Kicker”.
Numa entrevista à mesma publicação, em 2023, Koller recordou a saída algo traumática da Bundesliga, quando em 2006 se mudou para o Mónaco: “A minha família queria uma experiência diferente. Além disso, tínhamos sido roubados cinco vezes em Dortmund e já não nos sentíamos seguros. Eu tinha medo de deixar a minha mulher em casa sozinha quando viajava para os jogos fora.”
No Mónaco não seria tão decisivo quanto em Dortmund ou na seleção da Chéquia, onde fez parelha de luxo com Milan Baroš na frente de ataque no Euro 2004, o pináculo daquela geração que só a Grécia travou nas meias-finais, antes de fazer chorar Portugal. Ano e meio depois voltou à Bundesliga, a um Nuremberga em risco de descer, algo que classificaria mais tarde como “um grande erro”.
Isto porque, de regresso ao Westfalenstadion, e depois de um empate sem golos em casa da sua antiga equipa, Koller foi chamado à bancada sul para receber o carinho dos adeptos do Borussia. Os adeptos do Nuremberga não gostaram, insultaram o jogador e a relação ficou quebrada. Quando se confirmou a descida de divisão, Koller, visto como um dos responsáveis do infortúnio, foi obrigado a meter-se na bagageira do carro da mulher de um colega para escapar da fúria da claque. Com a sua altura, não deve ter sido fácil.
Seguiu-se então uma passagem sem história pela Rússia, no Krylya Sovetov, e pelo Cannes, do terceiro escalão francês, antes do adeus aos relvados em 2012.
Em 2022, foi tema de documentário, de seu nome “Jan Koller - A História de um Rapaz Comum”, ainda que de comum a sua história tenha pouco. Um ano depois, por altura do seu 50º aniversário, revelou à “Kicker” que ser treinador não estava nos seus planos. Trabalhava então como comentador televisivo e como scout em França. Os últimos relatos falam de como tem sido estrela em encontros de lendas do Borussia Dortmund."

sábado, 30 de maio de 2026

O Benfica Somos Nós - S05E59 - Final de época, parte II

Zero: Ponto Final - Pizzi...

DeLetra #44 - Dantas -⚽ Do Benfica para o Bayern, jogar na Grécia e João Félix

O Cantinho Benfiquista #229 - No Time To Waste

Errar é humano, em inglês!!!

Valor...

Como convencer Marco Silva


"Enquanto não há certezas, a crítica ocupa espaço; José Mourinho ficou sem condições que sejam benéficas para continuar na Luz; o Benfica precisa que Marco Silva sinta que vai ter sucesso

Tudo se vai passando nos bastidores, ninguém assume compromissos de viva voz e a crítica tem ocupado um espaço que está vazio pela ausência de comunicação e certezas de qualquer forma.
As eleições no Real Madrid baralharam tudo, Florentino Pérez tem de garantir que vence e José Mourinho que isso suceda, pois neste momento, e partindo do princípio que a proposta de renovação do Benfica está válida, a permanência na Luz já não seria benéfica.
Rui Costa, portanto, tem de encontrar um sucessor e isso significa convencer Marco Silva que, no meio de tudo isto, está na situação mais confortável. O Fulham quer renovar com ele, oferece um salário considerável e a Premier League, o mercado aonde todos querem chegar. Marco nunca ficará de mãos a abanar, ainda que também o clube londrino deva ter os seus timings para definir o futuro.
Além disso, Marco Silva conhece os números de José Mourinho no Benfica. Sabe quanto o clube estava disposto a pagar para garantir a continuidade do setubalense e sabe ainda que o Benfica não deve adiar muito mais uma decisão sobre o banco. Claro, há o exemplo de Farioli que chegou ao FC Porto bem mais tarde no verão, mas na Luz ainda se joga no campo político e ninguém admite que se chegue às AG de junho sem treinador.
O Benfica tem, portanto, de convencer Marco Silva. Pode até não lhe oferecer o mesmo ordenado que o Fulham, o próprio técnico saberá distinguir as realidades inglesa e portuguesa, mas tem de encontrar-se a nível financeiro com o técnico. Os encarnados ficaram sem o trunfo Champions no imediato, ainda que contem desportivamente na Europa como o Fulham não o faz.
Ao fim de muitos anos em Inglaterra, Marco Silva pode olhar para o Benfica como a oportunidade de conquistar títulos de forma consistente, regressar à Liga dos Campeões como ambição (o contrato nunca será de uma época) o que, caso assim o deseje, o pode recolocar no radar dos maiores campeonatos num patamar acima do Fulham.
Por fim, estrutura. Marco Silva disse-o, do lado do Fulham necessita de ter garantias para lá das financeiras: quer garantias desportivas. Marco Silva escutará a liderança, mas também saberá o que a crítica vai dizendo do Benfica e é, portanto, presumível que exija o mesmo na Luz. Isso pode agitar, de algum modo, a estrutura no Seixal. É preciso que Marco Silva sinta que não vem apenas para ocupar uma cadeira vazia, mas que tem condições para ter sucesso nela."

Luis Enrique podia ser um herói da Marvel


"Pode ser o segundo treinador a vencer duas Ligas dos Campeões consecutivas, depois de Zidane, mas é o 'como' e não o 'quanto' que o aproxima de uma personagem de ficção

Tony Stark podia ser interpretado por Luis Enrique. Arrogante, cínico, desafiador nas conferências de imprensa, vendo os media como uma espécie de inimigo, distribuindo patacoadas que ajudam a construir um escudo à volta da sua equipa. Dentro de portas, porém, não se importa de se expor, exibindo a sua mais pura condição humana, como o fez mais que uma vez em documentários intimistas reveladores uma das personalidades mais complexas e extraordinárias do futebol moderno. A diferença, porém, é que O Homem de Ferro é uma personagem de ficção, ao passo que o espanhol é uma figura real, que por acaso já participou no Iron Man, o que o torna muito mais especial.
Neste sábado, em Budapeste, se vencer o Arsenal, o asturiano tornar-se-á no segundo treinador a conquistar duas Champions consecutivas no formato contemporâneo da prova rainha da UEFA. O primeiro foi Zinédine Zidane, quando o francês ganhou em 2016, 2017 e 2018. Mas não será pelo quanto, antes o como o treinador do PSG poderá ficar na história. Sem querer ser injusto para com Zizou, há uma diferença gigantesca entre os dois: o Real Madrid venceu pela capacidade dos seus jogadores, com Cristiano Ronaldo à cabeça, os de Paris estão a fazê-lo por causa do homem que os comanda a partir do banco.
«Para o ano vou controlar tudo». Esta foi uma das frases que mais vezes recordo do documentário sobre a sua primeira época no PSG, a propósito de não conseguir pôr a estrela Mbappé a defender como o fazem todos os atuais avançados da formação gaulesa. Esta obsessão foi premiada há um ano e a menos que haja alguma surpresa sê-lo-á em 2026. Não tenho muitas dúvidas de que o antigo jogador do Real Madrid e Barcelona vai marcar uma era. Não tem o glamour de Guardiola, mas merece ser objeto de estudo de todos os que gostam de futebol - ou simplesmente dos que aspiram a gerir equipas.
Este PSG tornou-se numa das melhores obras de autor deste século. Junta, na mesma equipa, princípios da escola Barcelona e a verticalidade dos melhores intérpretes do futebol alemão: a procura incessante, ao centímetro, da ocupação de espaços para criar linhas de passe ao futebol vertical e de transições; a construção em superioridade numérica no primeiro terço com a pressão asfixiante; e ainda assim ainda dá tempo e espaço para os seus jogadores usarem a criatividade num caos controlado.
Luis Enrique podia ser um Guardiola e Jurgen Klopp na mesma pessoa, mas já vai sendo o tempo para dizer que a sua marca é tão avassaladora que qualquer comparação soaria a um desaforo, de tão redutora. A forma mais genuína de analisar um treinador é ouvir o que os seus jogadores dizem dele e até hoje não me recordo de ler críticas marcantes. O homem que deseja «controlar tudo» conseguiu criar 11 estrelas de espírito operário; não apenas meia dúzia, mas uma equipa inteira e os seus suplentes. Não me recordo de algo assim.
Come seis ovos por dia, detesta queijo, dorme nu e passou pelo trauma da perda de uma filha de nove anos. Luis Enrique tem todos os traços de um herói da Marvel.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
Bruno Fernandes, médio do Manchester United Foi considerado o melhor jogador da Premier League em 2025/26 e a sua equipa não ficou nos dois primeiros lugares. Isto diz muito sobre a época do internacional português, cuja carreira merece ser também acompanhada de títulos coletivos.

Estagnado
Carlo Ancelotti, selecionador do Brasil Renovou com a seleção brasileira até 2030 ainda antes de iniciar o Mundial 2026, para o qual foi obrigado a chamar Neymar, numa decisão que pareceu ser desconfortável... e forçada para o experiente treinador italiano.

A descer
Míchel Sánchez, ex-treinador do Girona Ficou na história por levar o modesto Girona à Champions dois anos depois de alcançar a subida à LaLiga. Foi ontem despedido na sequência da... descida da divisão da equipa. O preço a pagar por nunca ter pretendido sair pela porta grande."

Benfica e Sporting: a crise alastra em lideranças sem líderes


"Entre a paralisia na Luz e as desculpas em Alvalade, os grandes expõem a sua maior fragilidade: o vazio de rumo estratégico num dirigismo que governa, mas não lidera o jogo

Enquanto os rivais já vão chegando às suas primeiras metas estipuladas para o mercado, o Benfica, que até viu o seu arranque ser antecipado pela conquista da Taça por parte do Torreense, faz chegar aos jornais, de forma direta ou indireta, que acelera na preparação da nova época. Mais do que algo palpável, é a tal palmadinha nas costas, acompanhada de piscar de olho de chico-esperto, que apenas aparece para manter as coisas serenas. Criar pelo menos a dúvida à contestação. Lembra sem lembrar que a preocupação e a imagem de crise e caos são coisas de jornais e jornalistas, que há um timoneiro ao leme e que vai correr bem. E se correr mal, outra vez?
Não há dúvida de que toda a situação foi gerida à-Rui Costa, ou seja, com ausência comunicacional absoluta ou completamente desenquadrada do divulgado quase em uníssono por praticamente todos os órgãos, exceto o canal do clube. Chamemos-lhe realidade. Nomes têm sido muitos, talvez até mais do que o normal. Concretizações zero. Sem treinador, com uma oferta com nomes indisponíveis e poucas opções — ao contrário do que acontecia nos tempos de jogador, não esperem do presidente qualquer rasgo de génio —, também o melhor é que não se concretizem mesmo. A não ser que sejam nomes inequívocos, que joguem em qualquer sistema e façam sua qualquer ideia, todavia para esses não parece que haja assim tanto dinheiro.
Os líderes, os verdadeiros, não os empossados, mas aqueles que têm realmente vocação — e, sim, são raros os que viram presidentes de clubes ou políticos — conseguem olhar para lá do óbvio, ler nas entrelinhas, antecipar problemas e soluções, avistar cenários completos e não apenas o que está perto. Rui Costa teve a oportunidade de controlar a narrativa e o próprio destino. Para isso, precisava de ter a certeza da sua decisão. De ser capaz de encerrar ciclos. Não ao corresponder à abertura de José Mourinho em ficar no pré-Real Madrid, mas precisamente no abrir mão de um técnico que teima em ficar bem abaixo das expectativas que gera, desde que, precisamente, deixou a capital espanhola. A partir do momento em que não tomou o próprio destino entre mãos permitiu o colar de dois futuros, o da Luz e o outro, do Bernabéu, e do qual o emblema português nunca sairá a ganhar. Já está inclusive a perder, bloqueado no tempo, sem poder realmente avançar para a próxima temporada.
Afinal, por 15 milhões, o valor da rescisão (e eventualmente de uma contratação falhada aos dias de hoje), vale a pena abdicar de tanto?
Ridícula foi ainda a oferta posterior, quase em desespero, que só fortaleceu a imagem do Special One. Deteriorando ainda mais a do presidente, ao ponto, provavelmente, de já não se reconhecer no próprio reflexo.
O campeão não se faz só de mercado e o começar mal não quer dizer, só por si, que os encarnados terão mais uma época para esquecer. Só que o problema é esse mesmo «mais» na frase anterior. Rui Costa não chegou hoje, bem pelo contrário. As temporadas, exceção feita à primeira, com Roger Schmidt, e ainda assim com um inverno pouco equilibrado face às saídas, foram todas planeadas de forma insuficiente, com muitos negócios de oportunidade, em vez de apostas cirúrgicas.
Também há, na Luz, muita pressa no que diz respeito à afirmação de jogadores, o que precipita decisões erradas e comprometedoras do futuro. Hoje, se não fosse o Real Madrid, Schjelderup estaria em Bruges. Sem as exibições no Mundial juvenil, Prestianni andaria talvez por algum clube menor a ganhar músculo. A Sudakov, pasme-se, já lhe apontam a porta da saída tantas vezes quantas, antes de tempo, apontaram a Ríos. Falta realmente quem pense o futebol do Benfica.
No entanto, como escrevo há anos, falta antes de tudo um rumo. Que não virá com Rui Costa. Porque não olha para lá de amanhã, não vê além do Estádio da Luz e prefere que as coisas se resolvam por si só do que resolvê-las ele mesmo. Felizmente, Otamendi decidiu sair por si ou o argentino arriscaria bater todos os recordes de longevidade.
A confirmar-se, Marco Silva, cujo bom trajeto é inegável, ainda não percebeu bem onde se irá realmente meter. Quanto mais incapaz for ele próprio de preencher o vazio que irá de certeza encontrar, mais dificuldades terá em descobrir o caminho para o sucesso. Mesmo com Mário Branco, com quem já trabalhou, mas numa realidade tão distante que parece de outro planeta.
De fragilidade para fragilidade. Comunicacional. Mas também de liderança. Uns metros à frente, baixou a crise sobre Alvalade. Avisava eu, há umas semanas, que o Torreense iria determinar o quão fragilizado Rui Borges iria começar a nova temporada. E a festa azul-grená, no Jamor, juntando-se a uma temporada sem títulos e que teve como atenuantes apenas a boa campanha na Champions e o regresso, via 2.º lugar, à prova milionária, fez obviamente disparar a pressão em torno do técnico, que nunca foi realmente consensual para adeptos e críticos. Renovar com o mesmo naquela altura pareceu querer dizer que se confiava no processo independentemente dos resultados, o que não só nunca é verdade em Portugal, como ,depois de os mesmos não terem sido favoráveis, não elimina as questões sobre se mantém a confiança ou não no técnico principal. Fazê-lo agora, sim, seria uma afirmação.
Frederico Varandas veio também a público, naquele seu jeito sem jeito, abrir a porta a um verão movimentado no plantel. Num discurso muito anos-80 — na verdade, deixámo-nos iludir pela forma, o conteúdo infelizmente continua o mesmo —, o presidente do Sporting protegeu o treinador reconduzido e entregou os jogadores às feras, sugerindo já terem a cabeça no Mundial ou noutros lados, usando a palavra «atitude». Como se os futebolistas não tivessem querido ganhar a Taça ou não tivessem sequer querido jogar bem. Como se Pedro Gonçalves e Luis Suárez, aqueles que mais oportunidades tiveram, pudessem ter colocado mais vontade no prato da balança que diz «acertar».
Seria muito mais fácil para estes dirigentes se as suas equipas jogassem sozinhas, sem adversários do outro lado do campo. Aí não teriam mesmo como errar!"

Zero: Mercado - Dragão perto de contratar avançado

BF: Gustavo Sá...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Centralização leva FC Porto a ameaçar com ações judiciais: o que está em causa?

Observador: E o Campeão é... - É justo o Casa Pia manter o lugar na primeira divisão?

Observador: E o Campeão é... - O Escândalo que Destruiu a Seleção. Episódio 1. Um passaporte envenenado

SportTV: Primeira Mão - Champions decide-se e o Torreense não para de crescer

A Verdade do Tadeia - O Mundial vai ao Bar #20 - Kempes e a marmelada peruana

SportTV: Mundial - Realpe...

Na final


"O tema principal desta edição da BNews é o apuramento do Benfica para a final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol.

1. Qualificação em 3 jogos
Em basquetebol, o Benfica ganhou, por 78-86, no reduto da Oliveirense, fechando as meias-finais dos play-offs a seu favor com três vitórias em outras tantas partidas.fu

2. Na frente
Em hóquei em patins, as águias entraram a vencer nas meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional. O triunfo ante o OC Barcelos saldou-se por 3-2.

3. A edificar o futuro
Guilherme Müller, diretor-geral do Benfica Campus, participou na tertúlia sobre o futebol de formação no âmbito da conferência "A Excelência no Futebol", organizada pela Rádio Renascença.

4. Estreia
Jaden Umeh atuou pela primeira vez pela seleção A da Irlanda.

5. Agenda para sábado
Em futsal, no masculino há o início das meias-finais dos play-offs com a visita do Benfica ao Leões Porto Salvo (15h00), e no feminino disputa-se o jogo 2 da final do Campeonato no reduto do Nun'Álvares (18h00).
Às 11h00, há dérbi de iniciados entre Benfica e Sporting no Benfica Campus. A equipa feminina de hóquei em patins recebe a Sanjoanense às 18h00 e, no mesmo horário, a equipa feminina de andebol desloca-se ao pavilhão do Gil Eanes."

Lanças...


História Agora


Rabona: Are Argentina STILL World Cup Favourites?

LiveMode: Martinez...

BolaTV: O Meu Mundial - Inácio...

Zero: Afunda - S06E44 - A batalha Spurs-OKC, os Knicks e o anti-tanking

Aproxima-se o Mundial


"Aproximando-se o início de uma grande competição, as marcas começam a querer associar-se às seleções participantes e ao organizador — ainda que para tal não estejam autorizados.
Os patrocinadores oficiais quer das seleções quer da FIFA — e em concreto do Campeonato do Mundo de 2026 — detêm uma posição privilegiada na promoção dos seus serviços e produtos, dado que lhes são atribuídos direitos exclusivos, nomeadamente quanto à sua apresentação em ações de publicidade, merchandising, transmissões televisivas e todo o tipo de comunicação comercial associada ao evento.
Não obstante, as marcas que ficam de fora procuram formas criativas de aparecer nas ações promocionais e comunicacionais. É neste contexto que surge o marketing de emboscada ou ambush marketing, uma estratégia que consiste em invadir um evento com ações de marketing ou publicidade visando obter indevidamente a mesma visibilidade dada aos patrocinadores.
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Auto Regulação Publicitária (ARP) divulgaram um comunicado conjunto alertando para os direitos e deveres associados à comunicação comercial durante o Mundial de 2026. O objetivo é claro: prevenir práticas de ambush marketing e garantir o respeito pelos direitos comerciais exclusivos da FIFA e dos seus parceiros oficiais.
Neste contexto, a FPF e a ARP sublinham que não devem ser explorados, direta ou indiretamente, quaisquer elementos associados à competição sem autorização prévia e escrita da FIFA e é reforçada a importância de proteger os parceiros comerciais da Seleção Nacional, impedindo associações indevidas por parte de marcas não autorizadas."

Os direitos de formação no futebol português


"O futebol habituou-se a falar de transferências, cláusulas de rescisão e direitos económicos. Mas antes de qualquer transferência há quase sempre uma realidade mais silenciosa: a formação. Antes do contrato profissional e do destaque mediático, houve clubes, dirigentes e estruturas que investiram no jogador sem garantia de retorno.
É por isso que existem os direitos de formação, como reconhecimento jurídico de que formar jogadores tem valor económico. O clube que recebe um atleta já desenvolvido beneficia, muitas vezes, de anos de trabalho realizado por outros. Esse trabalho não deve desaparecer quando o jogador sobe de patamar ou quando passa a gerar valor numa transferência.
Na dimensão internacional, a FIFA Clearing House veio automatizar e centralizar mecanismos que antes dependiam quase exclusivamente da iniciativa dos clubes formadores. No plano nacional, a proteção económica da formação segue uma lógica diferente, menos automatizada e mais dependente da atuação dos clubes, mas encontra no Regulamento do Estatuto, Categoria, Inscrição e Transferência de Jogadores (RECITJ) dois instrumentos essenciais: a compensação por formação e a contribuição de solidariedade.
A compensação por formação é devida, em regra, quando o jogador celebra o primeiro contrato de trabalho desportivo até ao final da época em que complete 23 anos, ou quando volta a adquirir o estatuto profissional nos trinta meses seguintes após ter readquirido o estatuto de amador. Porém, o RECITJ faz depender esta compensação da certificação do clube formador pela FPF, nos termos do Regulamento de Certificação das Entidades Formadoras.
Já a contribuição de solidariedade tem uma lógica diferente, uma vez que não está ligada ao primeiro contrato profissional, mas à transferência de um jogador profissional antes do termo do seu contrato. Nesses casos, os clubes que contribuíram para a formação do atleta têm direito a receber cinco por cento do valor da transferência, proporcionalmente distribuído pelos anos em que o jogador esteve registado entre o ano civil do seu 12.º aniversário e o ano civil do seu 23.º aniversário.
A diferença é simples: a compensação por formação protege o investimento feito até à profissionalização do jogador, enquanto a contribuição de solidariedade permite que os clubes formadores participem no valor económico gerado por uma transferência posterior.

Direitos que exigem atuação
Para os clubes formadores, estes direitos podem ter impacto económico relevante. Para os clubes que profissionalizam ou contratam jogadores, conhecer antecipadamente o regime aplicável permite avaliar encargos, riscos e obrigações futuras. Por isso, o acompanhamento jurídico assume importância não apenas quando já existe litígio, mas também numa lógica preventiva.
O RECITJ regula ainda o funcionamento prático destes direitos. A compensação por formação deve ser paga pelo clube que profissionaliza o jogador no prazo de 30 dias, sendo o valor apurado segundo percentagens distribuídas pelos anos de formação. Já a contribuição de solidariedade deve ser paga pelo clube que regista o jogador transferido, também no prazo de 30 dias após a transferência.
O regulamento prevê ainda um mecanismo arbitral próprio para litígios relacionados com estes direitos, permitindo aos clubes reclamar, junto da Comissão de Arbitragem da FPF, valores que não tenham sido pagos.
Há, contudo, um ponto essencial a considerar: a prescrição. Em ambos os casos, o prazo é de dois anos, contando-se, na compensação por formação, desde o registo do primeiro contrato profissional e, na contribuição de solidariedade, desde a transferência que lhe deu origem.
Há, portanto, um paralelismo evidente entre o plano internacional e o nacional. Internacionalmente, a tendência é para um sistema mais automatizado e centralizado, como sucede com a FIFA Clearing House. A nível nacional, o exercício destes direitos continua a depender, em grande medida, da iniciativa e do devido acompanhamento por parte dos clubes.

O equilíbrio do artigo 59.º
Ainda assim, o RECITJ revela uma preocupação com a realidade concreta do futebol português. Nem todos os primeiros contratos profissionais têm o mesmo significado económico e nem todos os percursos conduzem imediatamente à equipa principal.
É aqui que o artigo 59.º, especialmente nos números 5, 6 e 7, merece atenção. Salvo acordo em contrário, os clubes que celebrem o primeiro contrato de trabalho desportivo com vista à participação no Campeonato Nacional de Sub-23 ficam vinculados a pagar, durante as duas primeiras épocas, apenas 15% da indemnização de formação devida. Para os restantes campeonatos nacionais, o valor é de 30% durante a primeira época. Em ambos os casos, este regime deixa de se aplicar se, na mesma época, o jogador for utilizado na equipa principal em mais de cinco jogos oficiais e por, pelo menos, 45 minutos em cada jogo.
O n.º 7 completa o sistema ao prever que, terminado esse período inicial, o clube que mantenha o jogador ao seu serviço, ou o clube com o qual o jogador venha a celebrar novo contrato de trabalho desportivo, fica vinculado a pagar o valor remanescente da indemnização de formação.
Estas regras revelam uma tentativa de equilíbrio. O regulamento não elimina o direito dos clubes formadores, mas também não transforma a compensação num obstáculo imediato ao primeiro contrato profissional. Há uma fase intermédia em que o jovem passa a profissional, mas o encargo financeiro da formação pode ser faseado enquanto ainda se encontra num contexto de desenvolvimento.
Em suma, formar tem valor e profissionalizar também envolve risco. Por isso, a compensação por formação e a contribuição de solidariedade exigem dos clubes uma leitura preventiva e atempada do regime, tanto para assegurar o exercício dos direitos devidos como para antecipar encargos, riscos e responsabilidades futuras."

Curaçau: Kenji Gorré, o viciado em casinos que apanhava as bolas de Ronaldo e se tornou mental coach


"No Manchester United, Kenji Gorré apanhava as bolas que Cristiano Ronaldo chutava para fora quando estava a treinar livres. Apesar de ter sido dispensado dos red devils por Alex Ferguson, tornou-se um nome conhecido do futebol português. Veio para a Madeira por convite de um ministro e foi nessa fase que se tornou internacional pelo país mais pequeno de sempre a ir a um Mundial.

Alex Ferguson mandou-o entrar no gabinete. O jovem de 18 anos passou a porta acanhado por enfrentar alguém com uma aura infinita e o título de Sir. O treinador tinha algo para partilhar. Kenji Gorré tinha chegado à fase da carreira em que poucos são retidos pela peneira dos grandes clubes, um momento de transição entre a formação e o futebol sénior que pode encrencar a fluidez do percurso.
A lenda do Manchester United fez a cama: elogiou o caráter e o caminho feito pelo jogador até ali. Kenji Gorré foi-se apercebendo do conteúdo progressivamente dramático da conversa. Alex Ferguson chegaria ao ponto que tinha motivado o encontro: o extremo não tinha hipóteses de continuar nos red devils.
Kenji Gorré conteve o choro até ao carro. Nessa zona segura, desfez-se em lágrimas. O clube da sua vida, onde tinha preferido ficar mesmo após o interesse demonstrado por Chelsea e Arsenal, deu-lhe uma nega. De lá partiu para ir somar minutos no Swansea, do País de Gales.
Quando chegou a Inglaterra tinha apenas cinco anos. Nascido nos Países Baixos, foi transportado na bolsa do canguru da carreira do pai. Dean Gorré, também ele jogador, mudou-se do Ajax para o Huddersfield e levou a família a reboque.
Entre os seis e os nove anos, Kenji teve a invulgar possibilidade de jogar ao mesmo tempo pelo Manchester City e o Manchester United. Quando foi obrigado a fazê-lo, optou pelo clube marcado pelos padrões de qualidade elevados estabelecidos pelo homem que o viria a dispensar.
Entre outros aspetos, a cultura manifestava-se na proximidade que os jogadores da formação tinham com os da equipa principal. Ele era demasiado novo para treinar com o rol de estrelas que o Manchester United tinha na altura, algo que viria acontecer mais tarde. No entanto, era maduro o suficiente para se colocar atrás da baliza enquanto Cristiano Ronaldo cobrava livres e apanhava as bolas tergiversadas pelo português.
A mudança para o Swansea permitiu a Kenji Gorré estrear-se na Premier League. Ser um jogador com esse estatuto expô-lo a outras tentações que geralmente tornam falível um jovem com dinheiro. Foi nessa fase de deslumbramento que molhou os pés no vício. Embora não gastasse quantias exorbitantes de uma só vez, deu por si a fazer a roleta girar todos os dias.
“Não eram milhares de libras todos os dias, mas eu perdia cem aqui, duzentas ali. Felizmente, não eram quantias enormes, mas eu sei que era viciado em frequentar casinos”, contou à revista neerlandesa “Voetbal International”. Antes de ter dívidas intoleráveis, leu os sinais ao redor. A relação com a namorada ficou por um fio, acabando remediada graças à revisão de comportamentos.
Kenji Gorré voltaria a encontrar-se com Cristiano Ronaldo. Cruzaram-se inesperadamente no aeroporto da Madeira. Quando aterrou para assinar pelo Nacional, lá estava o busto do internacional português para o receber. No momento da chegada a Portugal, percebeu duas coisas: que CR7 era madeirense e que a Madeira é uma ilha.
A transferência do Swansea para o Nacional contou com intervenção de um ministro. Costinha era treinador da equipa insular e convidou diretamente o atacante para se juntar ao clube. Kenji Gorré ficou particularmente impressionado com o currículo do técnico, vencedor da Liga dos Campeões com o FC Porto.
A mudança drástica de ambiente desbloqueou novas áreas de interesse. Foi na Madeira que se tornou mental coach, tendo mesmo criado um projeto chamado “On The Ball” onde jogadores e especialistas de várias áreas davam palestras a desportistas profissionais em busca de robustecerem conhecimentos. Assim, adotou um mindset para ter um melhor lifestyle e ser a melhor versão de si mesmo, contagiando quem o rodeia com boas energias, de modo a que todos possam desbloquear o seu máximo potencial.
Foi durante o período que passou no Nacional que foi convocado pela primeira vez para a seleção de Curaçau. A aventura chegou ao auge. A ilha do Caribe estará representada no Mundial 2026 e será o país mais pequeno de sempre a participar na competição. Durante a qualificação, Kenji Gorré contribuiu com três golos e uma assistência para essa histórica caminhada.
Atento à diáspora como fonte de recrutamento de jogadores, Curaçau conseguiu um feito significativo que vai testar a equipa num contexto de exigência máxima. Num dos poucos jogos frente a seleções de maior nível que teve oportunidade de realizar, o país fez de bombo da festa na primeira aparição da Argentina após se sagrar campeã do mundo em 2022. A alviceleste encheu-se com sete golos sem resposta.
Durante a carreira, Kenji Gorré explorou também o Nacional e o Boavista, antes de rumar ao estrangeiro. Passou pelo Umm-Salal e atualmente representa os israelitas do Maccabi Haifa."