Últimas indefectivações

sábado, 27 de junho de 2026

Dia 2

O Benfica anda a fingir que não está aqui


"Entre silêncios e manobras de diversão, os dias foram passando desde que se percebeu que Mourinho ia embora. Há um novo treinador (a sério?) mas o silêncio continua. Agora vêm os jogos

O Benfica arrancou ontem com a nova época, mas não se deu muito por isso. Sabemos que é o Benfica, enfim, preferência de mais de metade dos portugueses do continente, das ilhas e do Mundo, mas foi maior a noção dos órgãos de Comunicação Social sobre isso do que propriamente a do clube.
É certo que vivemos ambiente de Campeonato do Mundo de seleções. Acontece que esta prova ainda vai no preâmbulo. Portugal está quase apurado sem ter disputado o terceiro jogo, três quartos das já de si exageradíssimas 48 seleções apura-se para a fase a eliminar, isto foi apenas o aquecimento, pouco entusiasmante, caro para quem o quer ver na TV e, para já, sem grande retorno.
Sabendo nós que o público dos clubes não é necessariamente o da Seleção — o público dos clubes, na verdade, dispensava bem a Seleção e só a quer para dizer mal — esta era a hora de o Benfica assumir a dianteira mediática sem equívocos. Sabemos que a tem, porque a maioria e o povo são quem mais ordena, mas também é preciso cultivá-la.
Aparentemente envergonhado por ter de começar a época tão cedo, o Benfica abdicou de colocar personalidades a falar no primeiro dia do resto da sua vida. 
Barrado o acesso aos repórteres externos e independentes, não vão eles fazer mal a alguém ou retirar algum bocado ao Seixal, enviou umas fotos repetitivas de jogadores de tronco nu a fazerem exames médicos. Não importa se os sorrisos são mais ou menos mecânicos — para o que é bacalhau basta.
Quanto ao novo treinador, expectável âncora de esperança e depósito de desejos e afetos neste recomeço, nem uma foto, nem uma palavra, um sorriso, um aceno. Zero.
Marco Silva sai incógnito de um dia que os benfiquistas — e muitos deles querem mesmo saber mais deste reatamento que do Mundial — anseavam por sentir como o dia 1 de uma nova era.
Desde que se começou a pressentir que Mourinho ia sair e tudo voltaria atrás, o Benfica tem fingido que não está aqui. Entre silêncios e manobras de diversão, os dias foram passando.
Mas agora começou a época e há pouco tempo para pensar. Até ver, só chegou um reforço de 17 anos, mas o central que saiu tem 38 e deixou um enorme vazio.
Não tarda começam os jogos e já não vai dar para fingir que não se anda aqui."

O pardieiro !!!

Os verdadeiros incendiários!!!

Espectáculo!

Prieto...

Bélone...

Zero: Mercado - Maxi cobiçado, Lukebakio com mercado

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Dia 1 do Benfica: quem conta para Marco Silva?

Observador: E o Campeão é... - Brasil x Japão: as pipocas já estão prontas?

Observador: Três Toques - Kubo, Cuadrado e Redondo. Quem tem mais golos no Mundial geométrico?

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #12

Zero: Negócio Mistério - S06E09 - Schurrle

Arranque da pré-época

"O primeiro dia de preparação para a nova temporada em destaque na BNews.

1. Primeiro dia 


 2. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

3. Esclarecimentos do presidente da MAG
José Pereira da Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, explica, em entrevista à BTV, os procedimentos a ter em conta relativamente às duas Assembleias Gerais agendadas para amanhã no Pavilhão N.º 2 da Luz.

4. Final decide-se na negra
No jogo 4 da final do play-off da Liga Placard, o Benfica foi derrotado pelo Sporting por 3-2. A derradeira partida é no próximo domingo, às 20h00, na Luz.

5. Jogos do dia
A equipa feminina de polo aquático do Benfica participa na final eight da Nordic League e é com ambição que aborda esta prova europeia. Em Tenerife, defronta a SS Lazio às 12h30 e o City of Manchester às 19h00.

6. Em busca do trideca
A equipa feminina de hóquei em patins do Benfica tem a possibilidade, amanhã às 14h30 em Gulpilhares, de conquistar o 13. º título nacional consecutivo.

7. Basketball Champions League
Benfica marca presença na ronda de qualificação.

8. Entrevista de despedida
O andebolista Bélone Moreira termina a carreira de águia ao peito.

9. Movimentações nos plantéis
O andebolista Miguel Mendes renova o contrato com o Benfica e, também no andebol, Afonso Mendes regressa às águias. Em sentido contrário, a futebolista Christy Ucheibe deixa os encarnados.

10. Jornal O Benfica
A edição desta semana já está disponível para download no site oficial.

11. Casa Benfica Mortágua
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 25.º aniversário."

A arbitragem do Mundial


"De quatro em quatro anos a cena repete-se: por razões políticas, a FIFA convoca para os Mundiais árbitros de todas as Confederações, muitos deles sem qualidade para estar num certame desta natureza. Invocam os responsáveis que assim é possível manter motivados os árbitros das zonas menos evoluídas futebolísticamente, e dar razões para que surjam, nessas paragens, mais candidatos à função.
Depois da pouca vergonha que foi a arbitragem no Mundial de 2002, realizado na Coreia do Sul e no Japão - ocorreram alguns verdadeiros casos de polícia - o cuidado passou a ser maior e, mais recentemente, com a chegada do VAR, a ajuda exterior (quase sempre, mas nem sempre) permite minimizar os danos. Porém, na fase de grupos, continuamos a ver alguns trabalhos confrangedores, uma espécie de dízima que as equipas têm de pagar em nome da globalização do setor, que não concorre, do ponto de vista desportivo, para a credibilidade do torneio.
A Portugal, para já, calhou um árbitro do Qatar, na partida com o Congo, que andou mais tempo à procura do jogo do que a controlá-lo, sentindo-se que o Princípio de Peter estava ali a funcionar em grande força. No segundo jogo, fomos de mal a pior. O árbitro marroquino tremeu como varas verdes, falhou em lances claros e óbvios que estavam fora do protocolo do VAR, e foi preciso que a tecnologia o fizesse reverter aquele que seria o golo do Uzbequistão, após ter feito vista grossa a uma falta sobre João Cancelo, que até os astronautas que estavam em contacto com Houston, onde o encontro se realizou, devem ter visto.
Para a terceira partida, com a Colômbia - aquele que deve ser o jogo mais difícil de dirigir do Grupo K - a escolha recaiu num árbitro australiano, iraniano de nascença e formação, que tem no currículo, ainda enquanto natural do Irão, a final dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Dirigir a FIFA, e para isso é preciso garantir os votos suficientes para ganhar eleições, é uma missão em grande parte política, que exige manter em grau de satisfação a generalidade dos votantes. Algumas das escolhas para sede das competições mostram isso mesmo (e ainda mais, o FBI que o diga), mas, em minha opinião, onde se nota mais este ‘handicap’ é precisamente na arbitragem, até chegar a fase a eliminar.

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

Quando a discussão Messi-Ronaldo vai muito além do futebol


"Tema entrou no parlamento da Austrália. Isto dá para entender as dificuldades de Roberto Martínez. Nunca é só a bola a rolar. Muito menos neste Mundial

Se precisássemos de novas provas de como a questão que nos acompanha há 20 anos é mais discutida do que a paz no Médio Oriente, a emergência climática ou o combate à pobreza, um membro do Parlamento da Austrália acabou de o fazer. País de elevada literacia e o sétimo nos índices de desenvolvimento da OCDE, a sessão que decorreu esta semana na casa do povo merece mais que uma simples nota de rodapé. Ben Small, deputado do Partido Liberal, tomou a palavra para lembrar que o debate entre Messi e Cristiano Ronaldo «é muito mais do que futebol», porque é uma discussão sobre «a essência de caráter».
Recorrendo-se de um estudo publicado em Singapura e levado a cabo em 26 países, Small partilhou, de forma curta e clara, as suas conclusões. «Os que preferem Ronaldo tendem a ser mais conservadores, enquanto os que preferem Messi têm uma pensamento de esquerda», disse. E mostrou imediatamente de que lado está, ele e não só. «A maioria dos australianos tem uma preferência por Cristiano Ronaldo porque ele representa a disciplina, foco e a constante procura de resultados. Os australianos são assim: gostam de trabalhar e ver o seu esforço recompensado», explicou.
Deixando de lado a tradicional retórica parlamentar que é transversal a todos os tribunos das democracias liberais (enquanto as há...), não deixa de ser extraordinário como dois futebolistas mexem com um público que não tem fronteiras e, citando o referido deputado, «vai muito além do futebol». Mas, acrescento, é um reflexo do mundo atual: a incapacidade de as tribos aceitarem o que de bom existe no outro lado da bolha.
Talvez essa seja uma boa explicação para entender a gestão de Roberto Martínez relativamente ao seu capitão, melhor marcador e estrela global: nenhum selecionador levaria um jogador como ele para uma grande competição para o colocar no banco ou numa utilização intermitente. Para que isso fosse uma realidade, teria de ser feito todo um trabalho de comunicação prévio para dentro e para fora, de forma a ir habituando a Seleção, o próprio jogador (se ele o aceitasse, claro) e centenas de milhões de pessoas dos cinco continentes (literalmente) que não querem saber se ele tem 41 anos.
Para muitos portugueses, naturalmente com um olho mais crítico devido à proximidade, isto pode por vezes soar contra-natura e por esse motivo tanto se pediu a cabeça de CR7 após a péssima exibição frente à RD Congo. O que o avançado do Al Nassr fez na partida seguinte, com um bis frente ao Uzbequistão (já é o seu segundo melhor Mundial...) mostrou que o problema afinal não era só ele. Os golos que apontou foram o de alguém que continua a ser letal na finalização - a desmarcação e o vólei no primeiro golo; o remate com a parte de dentro, quase de calcanhar, à saída do guarda-redes, após ganhar nas costas dos centrais no segundo; e uma série de ações curtas que tentaram sempre acrescentar.
Imaginar um Portugal a jogar melhor sem o seu capitão é um exercício tão legítimo quanto o seu contrário... mas não agora. Goste-se ou não, este é o Mundial de Ronaldo. Desfrutar é o melhor remédio.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
João Félix, avançado da Seleção Nacional
Responsável pela melhoria exibicional de Portugal. Com ele, todos à sua volta cresceram. Os pés continuam de veludo, mas agora também mostra os dentes na reação à perda. Com este talento e atitude, é ele e mais dez.

Estagnado
António Silva, central do Benfica
Não teve o crescimento esperado após a época de estreia e a ausência no Mundial foi o reflexo de uma carreira que estagnou. Precisa de um novo estímulo, que até pode muito bem ser no Benfica. Dependerá do contexto.

A descer
Akturkoglu, avançado da seleção da Turquia
É um dos rostos da maior desilusão do Mundial até agora. A Turquia parecia reunir-se de uma geração talentosa, liderada por um treinador resultadista mas com capacidade estratégica. O ex-jogador do Benfica não reagiu bem às críticas dos adeptos e explodiu."

A geometria do talento


"Os relatórios da FIFA validam uma nova ditadura tática do Mundial: um xadrez asfixiante onde o drible capitula e o extremo puro segue o número 10 até ao exílio

O Mundial ainda é só um conjunto de tendências, mas a FIFA entende que já dá para concluir qualquer coisinha. A primeira ideia lançada é que o extremo puro is no more, desapareceu, trocado pelo invertido, um punk anarquista que só quer saber do corredor interior para combinar ou rematar. Não é de hoje, já o era assim nas principais ligas e nos grandes encontros da Champions, mas não podemos esquecer a universalidade de um Mundial com 48 países, que carrega cada sentença com um forte sentido de aldeia global. E, no entanto, é preciso que alguém pise a linha para oferecer largura à sua equipa, porque o ouro passou a estar nos meios-espaços, um de cada lado, entre central e lateral. E porquê essa largura? Para que o lateral contrário seja atraído e se afaste do seu central, e se alargue precisamente esse canal para poder ser atacado. E aí o protagonista pode ser qualquer um, dependendo da sua posição em campo, desde que faça esse movimento vertical: um avançado, um médio, até o ala, se foi o extremo que fez de pivot pisando os limites do campo.
E por que razão o ouro passou a estar aí nesse meio-espaço? Porque quem entrar aí de bola dominada fica muito mais perto da baliza do que se corresse ao largo, o que dá de imediato outra contundência ao gesto de cruzar ou rematar.
A outra conclusão do Technical Study Group após as primeiras rondas fala da obsessão pela construção a três. A que mesmo a favorita França, depois de quase fracassar ao tentar sair apenas com os dois centrais, teve de recorrer, ao recuar um médio para evitar a igualdade numérica na pressão feita pelos seus adversários. A construção a 3 é mais difícil de contrariar pelo espaço que pode gerar no miolo do conjunto que avança para o pressing — sobretudo se não o fizer em bloco — e, se se mantiver depois na fase de criação, poderá igualmente ser útil na rest defence, ou seja, na colocação das pedras para a reação à perda.
A primeira fase de construção é cada vez mais importante, ainda que provoque, muitas vezes, erros graves e torne de imediato a partida desfavorável para os menos fortes. O futebol transformou-se em xadrez 2.0, com um menor número de jogadas, e o campo é o tabuleiro em que a saída é estudada para ligar diretamente a um eventual xeque e à possível vitória.
O que outrora era nuance estratégica de equipas audazes transformou-se, entretanto, em paradigma. As seleções passam os primeiros minutos de cada jogada numa coreografia hipnótica e defensiva, em que um leva a bola e os outros dois jogam com os rivais à apanhada. A ideia é fixar um dos que pressiona, com o passe praticamente no último momento, o que irá libertar depois um ataque rápido e vertical, que pode ser de facto muito perigoso. Ou, pelo contrário, funcionará como no futebol americano, em que se ganham jardas, mas só com uma tentativa. Não há segundo down. Pelo menos nisto, os ianques são quatro vezes mais tolerantes. A não ser que tudo volte a cenário semelhante segundos depois, devido a nova paragem, por falta ou a bola sair do terreno. Quando há qualidade no passe e sobretudo uma boa tomada de decisão, ganha-se segurança, é verdade, e pode desequilibrar-se o jogo, mas reduz-se a vertigem. Se não houver qualidade nessas características, nem sempre o risco compensa, bem pelo contrário.
A campeã do mundo Argentina tem-se mostrado particularmente interessada em retirar o máximo partido desse momento. A ideia é sempre fazer a bola chegar a Messi entre linhas, à frente da linha defensiva, contudo, não necessariamente de imediato. No melhor momento, sim, para que possa desequilibrar. E como tem desequilibrado!
Diante da Áustria de Ralf Rangnick, por exemplo, no jogo que a qualificou para os 16 avos de final, a Albiceleste sentiu dificuldades por culpa da pressão imposta pelos europeus — havia um especialista sentado no banco dos rivais —, mas quando a ultrapassava acumulava situações de golo. Ainda que não tenham sido muitas. Com o baixar do bloco austríaco, na posse da Scaloneta viu-se um autocontrolo incrível, uma gestão da vantagem sem soluços, à espera da estocada final. Ou do gongo. Ninguém tem praticado melhor esse adormecer antes de ferir como a Argentina. Mesmo que corra riscos quando o faz perante margens curtas.
Já perdemos o 10 maestro, que tinha sempre um trono à sua espera na meia-lua, e praticamente o segundo avançado quando a maior parte dos conjuntos joga apenas com um, e agora deixamos fugir o extremo que corre e dribla pelo corredor. Temos o que parte daí em diagonais, seja porque é realmente forte no 1x1 ou por ser aí onde se esconde, o que acontece com os poucos que ainda se parecem com os Maradonas, Platinis, Francescolis, Zicos e Zidanes de antigamente.
Claro que o futebol fica menos romântico, mas segue a sua própria lógica. Se não estivermos a discutir com Pelé nos balneários dos Aliados no 'Fuga para a Vitória' não há dúvidas de que o caminho mais rápido para a baliza é uma reta que atravessa todo o campo. Mesmo que seja o sítio onde estaciona mais gente ou aí se movimenta em permanente hora de ponta. De frente para o golo, para isolar um companheiro ou atirar. Só precisa pensar rápido. Ou mais rápido do que os outros.
O jogo afunilou de forma asfixiante. Trocam-se passes curtos, tabelas milimétricas e rotações mecânicas numa densidade humana que retira qualquer clareza às jogadas. E que muitas vezes as destrói. Expulsámos a largura com bola — já que da outra não se pode abdicar nunca —, chegar à linha de fundo já parece feito de herói. Um miúdo da infantaria que decidiu desafiar as probabilidades. Diabolizámos o cruzamento tenso de largo e transformámos o relvado num labirinto onde o drible individual, tirando algumas exceções, foi banido por decreto dos que tentam anular primeiro o rival, em vez de ultrapassá-lo. O jogo sofre de claustrofobia tática que esmaga o talento. Hoje, até o Brasil é operário — deixem-me esquecer 1994, pelo menos do meio-campo para trás. Um pouco cínico também. E teve de ir ressuscitar Neymar para ter um pouco da fantasia dos velhos tempos."

A força e a técnica no miúdo Manzambi


"Quando ouvíamos Gabriel Alves (um forte abraço, meu caro!) falar da dicotomia da «força da técnica contra a técnica da força» durante os grandes jogos, vivíamos essas palavras como se formassem mundos opostos, inconciliáveis, em permanente choque. O futebolista dotado de boa técnica dificilmente se conseguia impor através da dimensão física, porque raramente a tinha, e ao mesmo tempo um panzer não era capaz de fintar meio mundo, devido à pouca habilidade e, eventualmente, ao alto centro de gravidade.
Olhávamos para os alemães, os mais bem-sucedidos representantes da fisicalidade, e o drible era contranatura. Claro que houve Beckenbauer, Littbarski, Hassler, Overath, Schuster e Netzer, e muitos outros depois da revolução espoletada por Sérgio Conceição em 2000, porém na nossa juventude e início de fase adulta os exemplos eram curtos.
Ao mesmo tempo, víamos os brasileiros e os argentinos no plano oposto: Pelé tinha algum músculo, mas dificilmente o considerariam um tanque, e ainda menos Garrincha, Zico, Sócrates, Rivaldo, Ronaldinho, Tostão, Rivellino, Maradona, Messi, Ardiles, Kempes, Piojo López e mesmo Batistuta, entre tantos outros. Talvez o Fenômeno me faça morder a língua, tantas as vezes que se transformava num comboio serpenteante, todavia a própria alcunha me ajuda a considerá-lo exceção e não regra.
Entretanto, há um suíço chamado Johan Manzambi que é tudo isso. Tem 20 anos e já leva três golos neste Mundial. Conhecemo-lo do Friburgo, mas é pouco provável que lá volte, tal a dimensão que está a ganhar, ele que nem começou como titular. É um portento, com 1,82 metros de altura, que aguenta o choque com todas as barricadas que lhe colocarem no caminho. Controla a bola como poucos. Sabe driblar, passar e finalizar. E a tomada de decisão é muito boa. Ninguém tem uma autonomia tão grande, na Suíça e — desconfio — em mais nenhuma seleção. Vai da sua área à linha de golo. E apenas precisa de inspirar uma vez. Parece."

O Brasil operário de Ancelotti


"O que melhorou após o jogo frente a Marrocos

Quem os viu e quem os vê. O que antes era apenas um conjunto de jogadores vestidos com a amarelinha parece querer dar lugar a uma verdadeira equipa, sólida, conhecedora dos seus defeitos e virtudes, altruísta com bola, solidária sem ela.
A estreia no Mundial 2026 frente a Marrocos foi cinzenta. Deixou mais dúvidas do que certezas. As ilações, pouco positivas, confirmaram que Carlo Ancelotti tem em mãos uma tarefa hercúlea. Não pela ausência de talento (embora muito distante do que se viu em 2006 ou 2002), mas pela inexistência de um coletivo.
O futebol ao mais alto nível já não se compadece com ideias e modelos de jogo que não associam o momento ofensivo ao momento defensivo. Já não permite que uma equipa ou seleção possa dar-se ao luxo de não ter os vários momentos do jogo trabalhados de forma interligada.
O que ficou da exibição descolorida e pouco confiante perante a seleção marroquina foi precisamente isso. Um Brasil coletivamente desligado. Entre sectores e dentro dos próprios sectores. Uma canarinha pouco solidária sem bola, tanto na reação à perda como na transição defensiva. Um escrete nada criativo na posse do esférico. Por uma questão de escolhas iniciais, bem como por causa dos posicionamentos e comportamentos individuais e coletivos pretendidos pelo treinador italiano.
O Brasil não poderia continuar a ser tão pouco agressivo sem bola, especialmente no momento seguinte à perda de bola. Nem poderia continuar a ter um flanco direito sem dinâmicas que garantissem largura, profundidade e jogo interior em simultâneo. Muito menos poderia ter um meio-campo sem capacidade de transporte e chegada a zonas de finalização. Para não falar da incapacidade de criação de espaços e condições para Vini Jr poder atacar esses mesmos espaços.
Ancelotti percebeu que era necessário mudar a mentalidade do seu selecionado. E fez o que tinha de ser feito: alterou a mentalidade a partir de pequenas alterações técnico-táticas.
Entraram Danilo, Rayan e Matheus Cunha. Bruno Guimarães passou a ser um puro box-to-box. O sistema tático manteve-se o mesmo, mas o 1x4x3x3 ganhou capacidade de trabalho sem bola. Ganhou ordem e organização com bola. Ganhou vida. Tal como ganhou Vinícius Júnior, o principal beneficiado desta face renovada dos pentacampeões mundiais.
O Brasil passou a ser mais coletivo. A ser mais competente a atacar porque passou a saber defender, tanto em pressão como em organização. Mérito de Ancelotti e da sua gestão operária."

Mais jogo e menos pausas


"A aposta da FIFA em reduzir os tempos mortos neste Mundial parece revelar-se certeira. Um estudo da BBC revela que não só o tempo útil aumentou, como os períodos de desconto baixaram significativamente.
Longe vai a loucura do Mundial do Catar, em que raro foi o jogo que não passou dos 100 minutos. Se excluirmos os hydration breaks — uma das enésimas cedências do futebol ao capitalismo, mas esta travestida de medida pelo jogo —, temos mais jogo e menos pausas.
Jogadores e regras vivem num permanente jogo de gato e rato: a evolução do futebol é a história de como contornar regras ou usá-las em favor próprio. No entanto, o único pontapé de baliza revertido em canto aconteceu no encontro entre Portugal e a RD Congo. As pausas por lesão parecem em queda — o fantasma de jogar com 10 é um travão relevante —, e os jogadores substituídos têm cumprido os dez segundos obrigatórios para sair do campo.
Começam, assim, a surgir consequências. O número de golos a ocorrer nos últimos 15’ é, neste momento, de 30%. Nas três competições anteriores, os números não tinham chegado a 25%. Podemos afirmar que a diferença é pouco relevante, claro. Principalmente, precisamos de uma análise que envolva toda a competição. Talvez volte a este tema noutro dia, mas o padrão para golos após os 76’ ronda os 20% na alta competição: está estudado que os últimos minutos são terreno fértil para o golo. A fadiga é um acelerador de erros? O rigor táctico perde-se com o passar do tempo? Assumem-se mais riscos na iminência do fim do jogo?
Também o aumento do número de equipas trouxe discrepâncias assinaláveis. Se alguns dos jogos têm um vencedor anunciado, isso tem trazido dilemas de construção de uma identidade colectiva a algumas selecções. Portugal, por exemplo, faz dois jogos muito diferentes, mas estarão arrumados todos os problemas colectivos? As dúvidas surgem porque o adversário é das equipas mais fracas da prova, mas também porque as mudanças na ideia vieram a reboque de alterações individuais.
É um atalho: muda o jogador e a táctica é outra. E ao mudar um jogador, muda a dinâmica colectiva. O jogo melhora com Félix, por exemplo. É o paradoxo da escolha a que se sujeita quem tem muitas e boas soluções do meio-campo para a frente. Ainda assim, louve-se a agressividade e a capacidade acrescida na reacção à perda. A competitividade aumentou, claro.
Contudo, como será quando o nível subir nas fases que se seguem? Mais que isso, a que identidade se agarrará a equipa quando não chegar mudar os intervenientes para trazer coisas novas?"

Miami Vice à espanhola: a cidade onde só se ouve castelhano


"Das ondas da rádio aos outdoors e ecrãs da mítica Ocean Drive, a cidade dourada do sul da Florida despe-se do sotaque norte-americano e assume a sua alma puramente latina 

MIAMI — O sinal de trânsito diz «Stop», mas tudo o resto ao redor grita «Pare». Entrar em Miami, especialmente neste fervilhar mecânico e humano do Mundial 2026, é cruzar uma fronteira invisível onde o inglês passa a ser uma língua secundária.
Na grande cidade dourada do sul da Florida, encontrar um norte-americano de gema converte-se numa tarefa genuinamente árdua, quase tanto como descortinar adeptos nascidos em Portugal no meio da maré de dezenas de milhares de camisolas das quinas que inundaram Houston para os primeiros dois jogos da Seleção.
Aqui, o sotaque que domina as conversas, que dita o ritmo dos outdoors iluminados e que preenche os menus dos restaurantes é o castelhano. O fenómeno espelha-se nas frequências de rádio, onde a salsa e o reggaeton abafam qualquer outra melodia, e estende-se até ao comércio local, onde o «buenos días» surge com a naturalidade de quem está em Bogotá ou em Buenos Aires. Miami não acolhe apenas a América Latina; Miami transformou-se na sua capital afetiva e vibrante.
É, aliás, este calor latino e esta descontração tropical que injetam na cidade um encanto especial e magnético. Como não gostar de Little Havana? Percorrer a mítica Calle Ocho é mergulhar num quadro vivo onde o aroma a café cubano e o som das pedras de dominó a bater nas mesas de madeira do Máximo Gómez Park nos transportam para outra realidade. É um pedaço de história com sabor a pastelito de guayaba, imune à sofisticação dos arranha-céus de vidro do centro financeiro.
Para a Seleção Nacional, que este sábado defronta a Colômbia, este ambiente não é um cenário neutro: é o território perfeito para o futebol de rua. No fundo, este Mundial na Florida joga-se com uma paixão que a Europa tantas vezes racionaliza, mas que Miami faz questão de celebrar a cada esquina, a ferver sob o sol. Portugal pode estar longe de casa na geografia da Route 66, mas o coração desta gente está bem perto do nosso futebol."

Espanha, favorita como tantas outras


"Durante décadas, Espanha foi a seleção das oportunidades perdidas. Um país produtor de gerações extraordinárias de jogadores, mas incapaz de transformar o seu talento em títulos mundiais. Surgia sempre um obstáculo, um detalhe ou uma desculpa.
México 1986, Estados Unidos 1994 ou Coreia/Japão 2002 fazem parte dessa memória coletiva e das minhas recordações de infância. Espanha jogava bem e entusiasmava, mas regressava sempre a casa demasiado cedo. O problema nunca foi a qualidade técnica. Faltava algo muito mais difícil de explicar: a convicção íntima de que podia conquistar o Mundo. Existia, além disso, uma barreira tão psicológica quanto real, simbolizada durante anos pelos malditos quartos-de-final.
Essa mentalidade começou a mudar em 22 de junho de 2008. Nos quartos-de-final desse Euro, Espanha derrotou a Itália na marcação das grandes penalidades. Para muitos, foi apenas uma vitória. Para o futebol espanhol, representou uma autêntica revolução cultural.
Ao eliminar uma das seleções mais competitivas do planeta, Espanha libertou-se dos seus fantasmas. A partir daí, os jogadores deixaram de entrar em campo admirando os adversários e começaram a acreditar, realmente, que podiam vencer qualquer seleção.
Dois anos depois, em Joanesburgo, Iniesta marcou aos 116 minutos da final frente à Holanda e mudou para sempre a história do futebol espanhol. No entanto, esse Mundial também demonstrou uma verdade incontestável: os Campeonatos do Mundo decidem-se nos detalhes.
A defesa de Casillas perante Robben, um ressalto favorável, uma bola ao poste ou um instante de inspiração individual podem definir o destino de uma geração inteira. A história dos Mundiais está repleta desses momentos: o golo de Götze em 2014, a genialidade de Zidane em 1998 ou a consagração de Messi no Qatar.
Hoje, Espanha possui algo que lhe faltou durante décadas: a certeza de que pode voltar a ser campeã mundial. E, no futebol, talvez esse seja o detalhe mais importante de todos. Porque favoritas há muitas, mas os Mundiais acabam, quase sempre, por ser decididos por esses pequenos detalhes que separam os campeões dos restantes."

TNT - Convocados...

No Princípio Era a Bola - O Equador deixou os azares do outro lado da linha e explorou as dúvidas da Alemanha

The Seleção Podcast #112

BolaTV: Dias de Mundial...

LiveMode: Aquece vais entrar #23

AA9: Mundial - Previsões...

AA9: Mundial - Day 15

Rabona: Germany Look BAD Against Ecuador & Japan vs Brazil confirmed! | World Cup Day 15

SportTV: Estádio #6 - Antevisão na Bimby

Observador: Minuto 90 - Plata que vale ouro para Equador

Observador: Minuto 90 - "Os Elefantes" fazem história ao qualificar-se

FIFA: Colômbia...

FIFA: Portugal...

FIFA: Congo...

FIFA: Uzbequistão...

FIFA: Argentina...

FIFA: Jordânia...

FIFA: Croácia...

FIFA: Argélia...

FIFA: Panamá...

FIFA: Inglaterra...

FIFA: Gana...

SportTV: França - Noruega

SportTV: Paraguai - Austrália

SportTV: Senegal - Iraque

SportTV: Turquia - EUA

SportTV: Japão - Suécia

SportTV: Tunísia - Países Baixos

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Dia 1

Domingo temos negra!!!

Sporting 3 - 2 Benfica

Tal como no jogo 2, marcámos primeiro, mas não conseguimos manter a vantagem, e voltámos a sofrer golos de forma quase consecutiva!

As arbitragens nesta Final até tinham estado razoáveis, mas hoje voltaram a inclinar, a não expulsão do Lagarto foi ridícula!

Decidir na Luz, no Domingo...


Objectivo:

Diferenças!

Benfica: pontapé de saída sem preparação


"Não seria de esperar que o Benfica iniciasse a nova temporada com o plantel já fechado, mas é mau sinal quando nem o problema no eixo central da defesa foi minimamente acautelado

O arranque de uma nova época é sempre um momento de expectativa renovada, mas entre os adeptos do Benfica não há razões para grande entusiasmo, até ver.
A troca de treinador gera sempre alguma ilusão, ainda para mais quando concretiza uma ligação que parecia destinada, mas o efeito da chegada de Marco Silva tende a ser atenuado pela desilusão acumulada de três épocas consecutivas sem conquistar a Liga e pela falta de caras novas no centro de treinos do Seixal.
O Benfica ainda não apresentou qualquer reforço, e o mais próximo que tem disso é um central brasileiro que só faz 18 anos daqui por um mês. Para comparar a contratação de Gabriel Índio com a saída de Gonçalo Oliveira seria preciso conhecer devidamente a promessa brasileira lançada pelo português Rui Duarte no Athletic Club, mas o destino de Gonçalo ficou traçado no dia em que foi ultrapassado por Enzo Barrenechea na hierarquia de centrais - ainda que o treinador tenha mudado entretanto. O Benfica não pode deixar de procurar talento fora do Seixal, sobretudo para as posições em que não tenha produção própria - e no caso específico de Gonçalo Oliveira a avaliação da estrutura estaria em sintonia com a do José Mourinho -, mas a venda ao Rennes agrava o problema central no arranque da campanha 2026/27.
Falta menos de um mês para a estreia oficial, e mesmo que seja frente ao modesto St. Gallen, na segunda pré-eliminatória da Liga Europa, o Benfica deveria ter dado já a Marco Silva uma alternativa a António Silva, que até tem pendente a questão da renovação. A presença de Tomás Araújo no Mundial não foi propriamente inesperada, e é difícil acreditar que a saída de Otamendi para o River Plate não tenha sido atempadamente comunicada pelo capitão, ou pelo menos assumida em surdina pela estrutura.
Já deu para perceber que não haverá revolução no plantel da Luz, nem tinha de assim ser, mas o mínimo a esperar é que as prioridades fossem claramente definidas. Nem a complexidade da troca de treinador justifica que tal tenha falhado, uma vez mais.
Já por aqui escrevi que ir às compras com fome dá sempre prejuízo, mesmo que o mercado seja o de transferências. Fazer uma lista de não é precipitação, é preparação. Ter a lista e nada riscar é deixar prolongar a fome, e os adeptos do Benfica estão a chegar ao limite do jejum."

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #56

BI: Megafone - Voo Picado #31 - Mercado de transferências e Red Pass

BI: Mundial #2

Zero: Live - Mercado

Zero: Mercado - Benfica e Sporting sonham com joia do Real Madrid

BF: 1.º Dia...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Vini em grande, Neymar de volta: Brasil é candidato?

Observador: E o Campeão é... - Altimira é o plano B perfeito para a "fuga" de Hjulmand?

Observador: Três Toques - Mitos, golos sem penáltis e o caso da camisola de Casillas

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #11

No Princípio Era a Bola - Vinícius e Ancelotti, a relação que contém a fórmula para o Brasil ser hexa?

Expresso - Assim vamos ter de falar de outra maneira - É outra vez só futebol, futebol, futebol

Zero: Saudade - S04E43 - Neca

Terceiro Anel: DRS #55 - AFINAL HA ESPERANCA & GP!! 🏎️🏁

Nova época


"O começo da pré-época 2026/27 em destaque na BNews.

1. Arranca a pré-epoca
Os trabalhos de preparação do plantel às ordens de Marco Silva já estão em marcha. 

2. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

3. Ambição
Tomás Barroso, vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica com o pelouro das modalidades, faz o balanço da época e projeta o futuro: "O Benfica exige ganhar e vive dos títulos. E é isso que eu quero."

4. Jogo do dia
O Benfica visita o Sporting às 20h30 para disputar o jogo 4 da final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal. Em caso de vitória, o Benfica sagra-se bicampeão nacional.

5. Renovação de contrato
Peter Edokpolor continua de águia ao peito.

6. Saída anunciada
A futebolista Cristina Martín-Prieto deixa de representar o Benfica.

7. Reforço para o andebol
O internacional português Joaquim Nazaré regressa ao Benfica.

8. Campeões nos corredores da Luz
O plantel masculino de hóquei em patins do Benfica visitou vários departamentos do clube."

Lanças...


A moda entrou no desporto. Agora precisa de ajudá-lo a ser melhor


"Ontem, em Cannes, num dos endereços mais icónicos da Croisette, convidei líderes do desporto e das indústrias criativas para uma conversa que raramente acontece nos palcos onde devia acontecer.
A escolha deste momento e deste lugar não surgiu por acaso. 
Três décadas na linha da frente do desporto — inclusive como CEO das Ligas Europeias e das Ligas Mundiais de Futebol, e hoje à frente da SIGA — ensinaram-me uma coisa: as grandes transformações nascem, muitas vezes, de fora para dentro e na intersecção com outras indústrias, outras culturas, outras formas de ver o mundo.
Estamos hoje perante uma dessas transformações.
A Gucci tornou-se parceira principal da Alpine na Fórmula 1 a partir de 2027 — a primeira casa de moda de luxo a assumir esse papel no topo do automobilismo mundial, num contrato estimado em mais de 150 milhões de dólares. A LVMH comprometeu mil milhões ao longo de dez anos com a Fórmula 1. A Louis Vuitton transporta o troféu do Mundial de Futebol numa mala monogramada. A Chaumet desenhou as medalhas olímpicas de Paris 2024. A Berluti vestiu os 1.500 atletas franceses na cerimónia de abertura dos Jogos. A Dior é parceira oficial de indumentária do Paris Saint-Germain. A Ralph Lauren veste a equipa dos EUA nos Jogos Olímpicos, pela nona vez consecutiva. E em Portugal, a Suits Inc veste o Benfica e o FC Porto, afirmando que esta transformação não é apenas global; é também nossa.
A moda e as indústrias criativas instalaram-se no ecossistema do desporto — e vieram para ficar.
O desporto percebeu o que elas trazem para além de receitas: desejo, identidade, relevância cultural, ligação emocional muito além do resultado. E elas perceberam o que o desporto oferece para além de clientes: audiências globais, emoção ao vivo, lealdade genuína, momentos que não se fabricam.
A questão já não é se a moda pertence ao desporto. A questão é o que fará com o poder que passou a ter dentro dele: ser apenas ornamento do espetáculo — ou força de transformação?
Quando liderava as Ligas Europeias e as Ligas Mundiais de Futebol, cedo procurei construir pontes de diálogo com as indústrias criativas. Enfrentávamos ameaças comuns: pirataria digital e canibalização dos direitos de propriedade intelectual. Contrafação de produtos licenciados. Ambush marketing que explorava a visibilidade dos eventos sem contribuir para o seu financiamento. O desporto e a cultura partilhavam os mesmos inimigos. Era óbvio que só juntos teríamos força suficiente para os enfrentar.
Hoje, a luta é diferente — mas a lógica é a mesma.
Se a moda, o luxo e a cultura estão estruturalmente dentro do desporto, o que fazem eles com essa posição? Torná-lo mais atraente? Claramente. Mais lucrativo? Sem dúvida. Mas mais íntegro? Mais transparente? Mais responsável perante os atletas, os adeptos e as comunidades que o sustentam?
Essa é uma conversa diferente. E é precisamente a conversa que a SIGA quer ter.
Importa dizê-lo com clareza: não se trata de atribuir à moda ou às indústrias criativas qualquer superioridade moral sobre o desporto. Também elas enfrentam os seus próprios desafios e têm as suas próprias responsabilidades. A questão não é uma indústria dar lições à outra. É reconhecer que, quando setores com esta dimensão económica, cultural e social se cruzam, também se cruzam responsabilidades.
A integridade no desporto não é um problema técnico. É uma questão de cultura. É a soma das decisões que se tomam quando ninguém está a ver. É o ambiente que se cria dentro de uma federação, de uma liga, de um clube, de um evento. São os valores que se transmitem — ou não — às gerações seguintes.
E é aqui que a moda, o cinema, a música e o entretenimento têm um papel insubstituível. Estas indústrias têm algo que o desporto, sozinho, isolado, preso ao passado, não consegue fabricar: a capacidade de moldar o que é considerado desejável, aspiracional, normal. Podem tornar a integridade, a transparência e a accountability não apenas obrigações — mas valores em que as pessoas se reveem e querem convictamente defender.
O desporto dá à cultura um dos maiores palcos do mundo. Mais de 1.500 milhões de pessoas seguem a Fórmula 1. Mais de 5.000 milhões acompanham o futebol. O Campeonato do Mundo da FIFA e os Jogos Olímpicos são os maiores eventos mediáticos do planeta.
É aqui que a conversa deixa de ser apenas sobre moda, imagem ou visibilidade — e passa a ser também sobre influência, investimento e responsabilidade.
Porque, quando uma marca entra no desporto, não compra apenas exposição mediática. Associa o seu nome, a sua reputação e os seus valores aos atletas, organizações e competições que escolhe apoiar. Cada parceria é uma escolha. E cada escolha transporta uma mensagem sobre os valores que uma marca está disposta a promover, legitimar e financiar.
A responsabilidade que, na SIGA, pedimos às marcas é clara: usem a vossa influência para tornar a integridade mais visível, mais aspiracional e mais central na cultura do desporto. Mas usem também o vosso poder económico para elevar a fasquia antes de investir.
Antes de associar a vossa marca, reputação e credibilidade a uma federação, liga, clube, evento ou atleta, perguntem se essa organização adotou, implementa e cumpre os Standards Universais da SIGA em matéria de integridade, boa governança, transparência e accountability.
Se a resposta for não, não invistam sem exigir primeiro a adoção desses standards. Porque associar a vossa reputação a organizações que recusam padrões independentes de integridade não é uma estratégia de investimento. É roleta-russa reputacional.
Porque um desporto com mais integridade não é apenas um desporto mais ético. É um desporto mais sustentável, mais credível e, em última análise, mais valioso para todos os que nele investem.
A moda ensinou o desporto a vestir-se melhor. Agora pode ajudá-lo a governar-se melhor."

A lei faz de conta e um Baturina real


"Numa Croácia que ainda se agarra à sua Geração de Ouro no protagonismo que concede a Luka Modric, Ivan Perisic e Mateo Kovacic, Martin Baturina é aquele mais expetativas deixa para o presente e para os anos vindouros. O médio de 23 anos dos italianos do Como jogou no último encontro na posição 10 — também pode partir da esquerda para zonas interiores ou pisar o corredor central mais atrás como 8 — e foi uma autêntica dor de cabeça para os panamianos. Completou seis dribles e sofreu sete faltas, o melhor registo de um jovem desde a prestação de Diego Maradona pela Argentina diante da Bélgica em 1982: a mesma taxa de sucesso no 1x1 ofensivo, mas travado ilegalmente menos uma vez do que o Pelusa.
Chega em forma depois de excelente época para ajudar o trio de veteranos a levar a equipa o mais longe possível na fase a eliminar. Para já, os croatas só dependem de si para o primeiro passo: vencer o Gana garante apuramento direto para os 16 avos de final. Talvez não seja má ideia dar a bola a Baturina, que já mostrou ser caso bem sério.
Menos séria é, já se percebeu, a Lei que ganhou o nome de Prestianni, por culpa do incidente com Vinícius Júnior na Liga dos Campeões. Se no castigo ao avançado do Benfica, sem provas, de nada valeu a presunção de inocência, entrega-se agora a decisão de expulsar ou não um jogador à interpretação do árbitro. Que tem de perceber na linguagem corporal de quem põe a mão à boca se a conversa é amigável ou agressiva antes de pegar no vermelho.
A Lei que nasceu do pressuposto de que se alguém tapa a boca coisa boa não diz já foi virada do avesso, de acordo com Pierluigi Collina, chefe da arbitragem da FIFA, ao se admitir que, afinal, pode haver uma conversa inócua que não se quer pública. Certo! Mas será que alguém pensou que um Vinícius Júnior qualquer se pode queixar do nada e retirar proveito? Para já, pelo mesmo gesto, o expulso Almirón é o vilão e o perdoado Bellingham o bom da fita. Ninguém sabe o que disseram, porém isso não interessa nada no mundo da FIFA! "

O nosso adversário não podemos ser nós


"Quando os adeptos veem uma Seleção entrar em campo num Campeonato do Mundo, observam apenas o momento final de um processo que começou muitos meses antes. Os 90 minutos são apenas a ponta visível de um trabalho gigantesco, feito nos bastidores, onde se ganham — ou se perdem — muitas das condições para competir ao mais alto nível.
Tive o privilégio de integrar a equipa técnica da Seleção Nacional e vivi por dentro a preparação para grandes competições internacionais. Posso dizer que muito antes do apito inicial já se disputam jogos decisivos.
Tudo começa logo após a qualificação. O sorteio é um momento determinante. Não apenas porque define os adversários, mas porque influencia toda a preparação seguinte: os locais dos jogos, as deslocações, as condições climatéricas e até a estratégia de estágio.
A escolha do quartel-general da Seleção é uma das decisões mais importantes de todo o processo. O hotel ideal não é apenas aquele que oferece conforto. É aquele que reúne as condições necessárias para que a equipa viva, treine e recupere no mesmo espaço. Ter relvados de qualidade junto ao hotel, evitar deslocações diárias, garantir privacidade e criar um ambiente protegido do ruído exterior pode fazer uma enorme diferença no rendimento coletivo.
Também o fuso horário, a temperatura e as características do país anfitrião são cuidadosamente avaliados. Adaptar o organismo dos jogadores e reduzir ao mínimo os fatores de desgaste é uma prioridade. Em competições deste nível, os detalhes contam tanto quanto os grandes momentos.
Paralelamente, inicia-se um trabalho profundo de observação dos adversários. Analistas e treinadores estudam tudo: sistemas táticos, comportamentos individuais, pontos fortes, fragilidades, tendências dos selecionadores e até a forma como as equipas reagem perante diferentes resultados. Não basta conhecer os adversários; é necessário compreendê-los em profundidade.
Ao mesmo tempo, continua a observação dos nossos jogadores nos respetivos clubes. Muitos atravessam fases decisivas das suas épocas, lutando por títulos ou pela permanência. Nesses momentos é possível perceber aspetos fundamentais: como reagem ao sucesso e à adversidade, que papel assumem dentro das equipas, que capacidade têm para desempenhar diferentes funções e que influência exercem nos colegas.
Depois chegam os estágios de preparação. São períodos intensos, exigentes e extremamente rigorosos. Os jogos particulares são escolhidos de forma estratégica, procurando reproduzir características semelhantes às dos adversários que vamos encontrar na competição. Cada treino, cada reunião e cada decisão têm um objetivo muito claro.
Ao contrário do que muitas vezes se imagina, os estágios não são apenas momentos para ganhar forma física. São, acima de tudo, períodos de construção coletiva. É aí que se consolidam dinâmicas, se reforçam princípios de jogo, se treinam diferentes cenários competitivos e se fortalece a identidade da equipa.
Para os jogadores, existe ainda um fator emocional muito forte: a convocatória final. Poucos momentos geram tanta expectativa. Todos aguardam pela divulgação da lista com a esperança de ver o seu nome entre os escolhidos. Para a equipa técnica, é uma decisão complexa, debatida em conjunto e sustentada por meses de observação e análise.
A partir desse momento, o grupo passa a ter uma missão comum. Criam-se compromissos, definem-se objetivos e alimenta-se um sonho coletivo. Mais do que escolher jogadores, trata-se de construir uma equipa.
Quando a competição começa, o trabalho multiplica-se. Terminado um jogo, a atenção vira-se imediatamente para o seguinte. Enquanto os jogadores recuperam, a equipa técnica analisa o encontro acabado de disputar, atualiza informações sobre o próximo adversário, prepara sessões de treino e ajusta estratégias.
Muitas vezes, esse trabalho prolonga-se pela noite dentro. Existem analistas dedicados exclusivamente ao estudo da nossa equipa e outros focados nos adversários. O objetivo é simples: transformar informação em vantagem competitiva.
Mas, apesar de toda a organização, toda a tecnologia e toda a preparação, há algo que continua a ser decisivo: as pessoas.
O espírito de grupo, a confiança mútua, o respeito entre jogadores e equipa técnica e a capacidade de manter o foco nos objetivos comuns são fatores que frequentemente fazem a diferença entre o sucesso e o fracasso.
As grandes competições colocam uma pressão enorme sobre todos. Surgem críticas, expectativas, opiniões externas e inevitáveis momentos de tensão. É precisamente por isso que a gestão do ambiente interno se torna tão importante. 
Ao longo da minha experiência, aprendi que muitas vezes as maiores ameaças não vêm dos adversários. Surgem quando o grupo perde a sua unidade, quando o ruído exterior entra para dentro da equipa ou quando pequenas decisões começam a fragilizar a confiança coletiva.
Por isso, existe uma regra que considero fundamental em qualquer Seleção Nacional: o adversário nunca podemos ser nós.
Quando existe união, clareza de ideias, compromisso e espírito coletivo, a equipa fica mais preparada para superar qualquer obstáculo. E é precisamente aí, longe dos holofotes e das câmaras, que muitas vezes começa o caminho para as grandes vitórias."