Últimas indefectivações

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Verdíssimo em modo profeta!

Maturidade...

Ouro e Prata...


Na Taça do Mundo de Canoagem no Canadá, mais duas medalhas Benfiquistas para Portugal!
No Sábado o K4 500, com o Gustavo Gonçalves, o João Ribeiro, o Messias Baptista e o Pedro Casinha, terminaram em 2.º, garantindo a Prata...
No Domingo, o Pimenta, arrecadou dois Ouros, com pouco tempo de diferença, primeiro no K1 1000 e depois no K1 5000...

Os Gloriosos Benfiquistas - S06E03 - Flamengo...

A Andreas o que é de Andreas!


"O desnorte de um clube e também de um treinador vê-se quando um jogador com o rótulo de dispensado, que ninguém se dera ao trabalho de compreender antes, apesar do investimento e de um ou outro fogacho, passa a figura, talvez até a melhor jogador de uma equipa. Dá-se um clique e tudo muda? Claro que há sempre quem atire: «Não, mérito do treinador!» Todavia, se nada mudou no comportamento do atleta, que, por muito que o homem do leme acene agora a gosto a cabeça, a participação do momento defensivo é semelhante e os movimentos ofensivos praticamente os mesmos, onde é que esse mérito está?
Schjelderup esteve transferido para o Club Brugge até fazer desabar a defesa do Real Madrid como um baralho de cartas e já não seguiu viagem.
O clique deu-se sim em quem não lhe garantia a continuidade. Porque ao futebolista só o moral que acrescentou foi suficiente para voltar a acreditar. Que já não era só eficaz nos juvenis e nos juniores quando defrontava miúdos da mesma idade, já conseguia vulgarizar adultos e alguns dos melhores. Às vezes, não é preciso mais. Basta reconhecer-se talento e ter paciência, sem preconceitos.
Solbakken partiu para o Mundial com outras preferências, mas quando Andreas serviu duas vezes Haaland na demolição do Brasil também se rendeu às evidências. Schjelderup, também ele a encarnar o espírito viking, não se fez rogado. Assinou um dos golaços do torneio, que o coloca ainda mais em alta.
Depois de o crescimento no Benfica não ter sido cultivado, de ele próprio sentir que a afirmação foi consequência de um acidente, em que praticamente ninguém acreditava, a dívida de gratidão nunca poderia ser tão grande assim. E quando se começa a ouvir falar com frequência de Barcelona e outros ainda diminui mais.
Schjelderup sai em grande do Mundial e não tem razões para renovar. Ou o negoceiam ou absorvem os próximos dois anos até ao fim. Assim, talvez aprendam de vez a lição. Só vale a pena apostar se houver paciência para se tirarem dividendos."

Marco Silva tem tanto, mas tanto, que fazer


"Primeira imagem do novo Benfica não foi a melhor, o que é normal ao fim de apenas duas semanas de trabalho. O problema é olhar para jogadores e achar que a questão não é só física, é de perfil

A primeira imagem pública do Benfica, depois de dois jogos à porta fechada, não foi a melhor. Não se esperava que fosse, em todo o caso — seria até preocupante, mesmo com a estreia oficial na temporada (primeira mão da segunda pré-eliminatória da Europa League, na Suíça, contra o St. Gallen) a apenas 12 dias de distância, que o Benfica tivesse queimado etapas e surgisse já a bom nível contra o Flamengo, com paragem bem menor.
Ainda assim, ficou evidente que Marco Silva tem muito, mas muito, trabalho pela frente.
O primeiro é físico, como é natural nesta fase da temporada: se nas últimas épocas a águia já tem sido pouco intensa, depois de mais de um mês de paragem chegou a ser confrangedora a diferença para o adversário de ontem. O Flamengo sabe pressionar, sabe antecipar-se, sabe sair rapidamente para o ataque. O Benfica, neste momento, só tem duas velocidades: devagarinho e parado.
Não é anormal que assim seja, mas o treinador tem de estar a fazer contas à vida: será que jogadores como Barrenechea ou Sudakov têm neles a capacidade de jogar de forma mais rápida, mais intensa, mais pressionante?; ou o problema não é só da fase inicial da época, e é antes de perfil dos jogadores? (o que, atendendo ao que mostraram na última temporada, nem seria propriamente surpreendente).
Depois vem o resto, as questões táticas, até as técnicas, as escolhas, as decisões sobre quem conta e quem está a mais. É difícil tomar essas decisões numa fase em que tantos jogadores não conseguem responder com o corpo ao que o cérebro pede. Provavelmente, será necessário esperar que melhorem fisicamente para ver como podem corresponder à forma como Marco Silva quer que joguem.
Mas há falhas, como as de António Silva nos dois golos do Flamengo (deixou-se antecipar em ambos), que não podem ser explicadas apenas pela questão física — mesmo que ela contribua para uma capacidade de resposta mais lenta, há também um lado de falta de concentração a que o central do Benfica habituou os adeptos que não será fácil de corrigir.
Ainda sem os mundialistas, a tentar preparar a equipa para dar uma boa resposta daqui a menos de duas semanas mas também em abril e maio do próximo ano, Marco Silva e o Benfica estão numa encruzilhada. Já se percebeu que o novo treinador quer reforços, a começar por um novo seis (Palhinha); mas o que fazer a tantos investimentos do ano passado que não parecem ter o perfil para o futebol do novo treinador?"

Águia: Palhinha...

Zero: Mercado - Trincão com sinal verde para sair do Sporting

BF: Cortes...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Sucessivos casos de arbitragem estão a manchar o Mundial?

Hora do Desporto - S03E08 - Gustavo Capdeville

Partida inaugural de pré-época


"No primeiro jogo de preparação da temporada 2026/27, o Benfica foi derrotado por 1-2 pelo Flamengo num embate em que mereceu melhor resultado. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Evoluir com a preparação
Marco Silva deixa uma mensagem de confiança no grupo de trabalho: "Da parte dos jogadores, tenho visto uma abertura total para aprender e para assimilar rapidamente todos os processos que queremos ver na equipa. A equipa vai dar passos em frente. Não tenho dúvidas disso."

2. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, o golo marcado pelo Benfica ao Flamengo.

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Preparação da equipa B
Num jogo de duas partes de 30 minutos, a Equipa B do Benfica empatou sem golos com o SU Sintrense.

5. Concerto de balneário
TT atuou para as campeãs nacionais de futsal.

6. Taça do Mundo de velocidade
Acompanhe o desempenho na prova dos canoístas do Benfica ao serviço da seleção nacional. Fernando Pimenta conquistou a medalha de ouro em K1 1000 metros. Em K4 500 metros, Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha alcançaram a medalha de prata.

7. World Triathlon Championship Series
Vasco Vilaça conseguiu a prata na etapa de Hamburgo, a 5.ª do circuito, mantendo-se no topo do ranking mundial de triatlo.

8. Ação concluída com sucesso
Terminou o XII Torneio Triangular de futsal da Fundação Benfica.

9. Até sempre, Manú
O antigo futebolista do Sport Lisboa e Benfica faleceu aos 43 anos."

No lado errado do Mundial


"Dez anos e três dias depois do título europeu português, fica impossível não lembrar que um pormenor ditou a colocação da Seleção Nacional no ramo "certo". Se, há precisamente uma década, termos ficado do lado menos custoso da fase a eliminar (Croácia, Polónia e País de Gales) parece ter aberto o caminho para a surpresa do triunfo luso frente à França na final, desta vez o segundo lugar em grupo perfeitamente acessível para Portugal ter ficado em primeiro fez-nos cair para o lado errado do Mundial. Ter passado a Croácia já foi um susto (o Gana teria sido menos problemático), levar com Espanha nos oitavos já foi demais para um Portugal abaixo do que realmente vale. Alguém duvida que defrontar a Suíça nos oitavos (e depois Argentina e Inglaterra em vez de Bélgica e França) poderia ter proporcionado outro destino? O novo selecionador, Jorge Jesus, pelo menos, nem hesitou: "O primeiro lugar do grupo teria sido importantíssimo." Como na canção de Jorge Palma, a falta de exposição ao risco atirou o então Portugal de Martínez para "o lado errado da noite". Leia-se, no caso, para o lado errado deste Mundial.
A fase a eliminar já nos revelou surpresas excitantes: a execução perfeita de Haaland no segundo golo ao Brasil; os dois golos do Egito (e quase, quase o 3-0) que quase atiraram a campeã do Mundo para fora logo nos oitavos. E confirmações entusiasmantes: Mbappé e Dembelé a alcandorarem a França para o estatuto de principal favorita; os dois golos decisivos de Merino que ofereceram à Espanha vitórias cirúrgicas diante de Portugal e Bélgica, sempre evitando o prolongamento; o extraordinário México-Inglaterra. Depois dos jogaços frente a Brasil, Haiti, Escócia, Países Baixos e Canadá, esperava mais de Marrocos diante da França.
E agora? O França-Espanha não é tanto uma "final antecipada", porque a agulha parece pender para o lado gaulês (só mesmo pelo sub-rendimento de Yamal, Pedri e Williams). Mas não me admirava que quem vencer essa meia-final venha a ser o próximo campeão do mundo.
O Inglaterra-Noruega foi um grande jogo. O golaço de Schjelderup alimentou o sonho nórdico, mas Bellinghham provou, por duas, vezes, que é mesmo um dos melhores avançados do mundo. A Argentina demorou, mas acabou por confirmar favoritismo sobre a Suíça. Dado relevante: ingleses e argentinos vão para as 'meias' com prolongamentos em cima. Franceses e espanhóis não."

Sabe quem é Oleg Salenko?


"Tenho a certeza de que a maior parte das pessoas que estão a ler esta crónica não fazem a mais pálida ideia de quem seja Oleg Salenko, nascido em Leningrado, na União Soviética (atualmente São Petersburgo, Rússia), a 25 de outubro de 1969.
Salenko ostenta um recorde dos Campeonatos do Mundo de Futebol: foi o único jogador, em 96 anos, a apontar cinco golos num só jogo (URSS 6-1 Camarões, disputado a 28 de junho de 1994 em Stanford, Estados Unidos). Como a essa ‘manita’ juntou, na competição, mais um golo, à Suécia, acabou, apesar de ter realizado apenas quatro jogos, como co-melhor marcador (juntamente com o búlgaro Stoichkov, que fez sete jogos) do Mundial de 1994.
Durante esse Mundial, Salenko estava a transferir-se do Logroñés para o Valência, mas a partir daí a sua carreira desvaneceu-se. Até pendurar as botas, em 2001, representou cinco clubes em quatro países diferentes, assinando 25 golos. Porém, ficou na história dos Mundiais, como Eusébio, ao assinar um ‘poker’ quando Portugal perdia (0-3, aos 25 minutos) com a Coreia do Norte em 1966, Just Fontaine ao faturar 13 golos em seis jogos na Suécia, em 1958, ou Andrés Iniesta e Mario Götze que, com golos aos 117 e 113 minutos de jogo, selaram títulos mundiais de Espanha e Alemanha.
Ora, o Mundial de 2026 já consagrou um herói, pela improbabilidade do que conseguiu. Mikel Merino, basco de Pamplona, 30 anos, jogador do Arsenal, está nos Estados Unidos a revelar um toque de Midas que faz com que a bola por ele tocada se transforme em golo (e em ouro, já que aqueles que marcou a Portugal e à Bélgica renderam a ‘nuestros hermanos’ 27 milhões de dólares).
O novo campeão de Inglaterra (1028 minutos jogados em 22 jogos da Premier League, com quatro golos e três assistências) entrou contra Portugal, com 0-0, aos 84 minutos, e marcou aos 90+1; e contra Bélgica, com 1-1, foi a jogo aos 85 minutos, e deu a vitória a Espanha aos 88. Suceda o que suceder no França-Espanha de 14 de julho, em Dallas, Merino já encontrou o seu lugar na história do Mundial da América do Norte.

PS - Haverá, na FIFA, quem se envergonhe, constatando a diferença abismal entre os trabalhos dos árbitros reconhecidamente competentes, e os outros, que entram em campo apenas por razões políticas, para captar votos às suas Confederações?

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

FPF e Seleção com idiomas diferentes


"Se uma Federação vive de credibilidade, uma Seleção vive de paixão. E Jorge Jesus marca o regresso a essa autenticidade.

A maior contratação da Federação não foi apenas um treinador. Foi uma personalidade. Os 24 títulos de Jorge Jesus explicam a escolha. Explicam a competência, a exigência, a capacidade para construir equipas e para ganhar. Mas contam apenas metade da história. A outra metade não se mede em títulos, nem cabe num currículo: mede-se na capacidade de aproximar uma Seleção de um país.
Durante anos, a Federação Portuguesa de Futebol fez o caminho que tinha de fazer. Cresceu, profissionalizou-se, internacionalizou-se e construiu uma comunicação moderna, consistente e credível. Era inevitável. Quanto maior a organização, maior a necessidade de proteger a marca e controlar a mensagem. E fê-lo bem. Mas, se uma Federação vive de credibilidade, uma Seleção vive de paixão. Vive de identificação. Vive daquela capacidade quase irracional de fazer um país inteiro discutir uma convocatória ou uma substituição como se estivesse a decidir o seu próprio destino. É precisamente por isso que reduzir a escolha de Jorge Jesus à dimensão técnica é olhar apenas para metade da fotografia.
Num futebol cada vez mais formatado, onde demasiadas conferências de imprensa parecem sair do mesmo manual, Jorge Jesus continua a soar a Jorge Jesus. Pode trocar uma palavra, inventar uma expressão ou desarrumar os puristas da língua portuguesa, mas nunca trocou uma convicção. Nunca precisou de construir uma personagem — a autenticidade sempre foi a sua melhor forma de comunicar.
Jorge Jesus sempre falou à Amadora. Agora vai falar à Porto, à Chaves, à Vila Real de Santo António, à Funchal ou à Porto Santo, porque falar à Amadora nunca foi uma questão geográfica; sempre foi uma questão de autenticidade. E essa autenticidade cria uma coisa que nenhuma estratégia de comunicação consegue fabricar: identificação.
Os resultados acabarão por dizer tudo. Dizem sempre. Mas há uma coisa que Jorge Jesus já devolveu à Seleção antes de orientar um único treino: voltou a colocá-la no centro da conversa dos portugueses. E, tratando-se da Seleção Nacional, isso está longe de ser um detalhe.
Jorge Jesus é um de nós.
A diferença é que percebe muito de futebol."

Quem lidera Portugal?


"Nas entrelinhas, Jorge Jesus deixou a principal mensagem da sua apresentação: todos terão de pensar primeiro no coletivo e só depois no individual. A começar pelo presidente da FPF.

Depois de vários slogans motivacionais como «habituem-se, viemos para ganhar» ou «vamos fazer o que ainda não foi feito», a realidade é que a prestação da nossa Seleção no Mundial ficou muito aquém das expectativas criadas. A pergunta que todos fazem, e à qual ninguém respondeu, é simples: quem assume a responsabilidade?

Roberto Martínez: o político
Começo por Martínez. Um gentleman no trato. Educado, respeitador e que rapidamente aprendeu a língua para se integrar. O problema nunca foi o compromisso demonstrado, mas a forma como liderou uma geração de enorme qualidade. As suas palavras e os seus atos criaram quase sempre mais dúvidas do que confiança.
A flexibilidade tática de que tantas vezes falou acabou por ser uma mão cheia de nada. Nos momentos de maior dificuldade refugiou-se frequentemente em lugares-comuns. Frente à Espanha lembrou que Portugal tinha defrontado «uma das favoritas a conquistar o Mundial» e que tinha jogado «olhos nos olhos». As duas declarações transmitiam exatamente a mesma mensagem: vencer aquela Espanha seria quase uma missão impossível.
Este foi um dos maiores erros de Martínez. Nunca percebeu que Portugal tem jogadores para discutir qualquer jogo com qualquer seleção. Que nós também somos favoritos. Depois de uma fase de grupos pouco convincente, afirmou ainda que «era indiferente ficar em primeiro ou em segundo» e que «os três primeiros jogos serviram de preparação».
Mais tarde recordou que consigo Portugal tinha «os melhores números da história». Uma afirmação verdadeira, mas descontextualizada. Grande parte desses números foram construídos frente a adversários de menor qualidade e criaram uma perceção que nunca se confirmou quando o grau de dificuldade aumentou.
Após três anos e meio, o que deixa Martínez? Uma equipa sem identidade, imprevisível e incapaz de entusiasmar os adeptos. Nunca sabíamos que cara ia apresentar em cada jogo. Durante os jogos, muitas das substituições pareciam previamente definidas, independentemente do que o jogo estava a pedir. Disse que todos contavam, mas, na prática, os jogadores de maior estatuto contaram sempre muito mais do que os restantes.

Pedro Proença: a imagem
Se Martínez falhou dentro do relvado, Pedro Proença também falhou fora dele. Depois da rapidez com que apareceu a falar nos momentos de sucesso, como aconteceu após a conquista da Liga das Nações, esperava-se a mesma disponibilidade para explicar o fracasso do Mundial. Não aconteceu. Na derrota preferiu uma mensagem nas redes sociais e só falou à chegada a Lisboa.
A expectativa era que assumisse a responsabilidade juntamente com a equipa técnica e os jogadores. Quando finalmente falou, surpreendeu ao afirmar: «Todos sabem que este treinador não era a minha primeira opção.»
A declaração levanta uma questão inevitável. Depois da conquista da Liga das Nações, Pedro Proença teve oportunidade para mudar de rumo. Não o fez. Pelo contrário, reforçou publicamente a confiança em Roberto Martínez, homenageando-o e, já durante o Mundial, chegou mesmo a dizer: «Somos 28+1» — numa alusão clara a Martínez.
Denoto aqui falta de coerência. Nas conquistas do Europeu e do Mundial de sub-17 (quando tinha acabado de chegar à FPF) não teve qualquer problema em assumir as vitórias como suas, sem reconhecer o trabalho da estrutura anterior.
Na Liga, Pedro Proença destacou-se por uma comunicação forte e uma presença pública constante. Esse modelo ajudou a construir uma imagem de liderança. Na FPF, porém, a realidade é diferente. Aqui não basta criar dimensão mediática. O presidente é inevitavelmente avaliado pelos resultados das seleções e pela forma como reage quando elas falham. É precisamente nos momentos de derrota que se distingue um líder: assume a responsabilidade, explica o que falhou e aponta o caminho. Foi precisamente aí que Pedro Proença falhou. Na FPF, o protagonismo não chega. É preciso ter liderança.

Jorge Jesus: o líder
Jorge Jesus representa muito mais do que uma mudança de treinador. Representa uma nova forma de liderar. Traz autenticidade, confiança, exigência e uma capacidade rara de mobilizar quem o rodeia. A sua forma genuína de comunicar aproxima-o dos jogadores e dos adeptos e cria empatia. Não precisa de discursos preparados para transmitir convicção.
Nas primeiras palavras deixou algumas ideias fundamentais. A primeira é que o rendimento terá de estar acima do estatuto. Vamos deixar de ter um político no banco para passarmos a ter um treinador. Demonstrou também que percebe a qualidade que tem à disposição. Isso demonstra que conhece a responsabilidade do cargo e que Portugal deve olhar muito mais para si do que para os adversários.
Por fim, Jorge Jesus insistiu várias vezes numa ideia que considero decisiva: para ganhar não basta existir qualidade dentro do relvado. É preciso que, fora dele, tudo esteja alinhado. Pela experiência que tem, percebe bem os contextos onde está inserido e sabe que a união não pode existir apenas para as fotografias.
Nas entrelinhas, Jorge Jesus deixou a principal mensagem da sua apresentação: todos terão de pensar primeiro no coletivo e só depois no individual. A começar pelo presidente da FPF.

A valorizar: Olise
É um jogador incrível. Não marca tanto quanto os colegas, mas é determinante para que tudo funcione na seleção gaulesa.

A desvalorizar: Infantino
O dinheiro ou o poder não se podem sobrepor às regras no desporto. A despenalização de Balogun é um grande tiro na credibilidade do futebol mundial."

O poder da empatia


"Um princípio de jogo fundamental

Quando se fala de empatia, a maioria das pessoas pensa na capacidade de compreender os outros. No futebol, acredito que ela vai muito mais longe. Para mim, a empatia é um princípio de jogo.
A minha forma de entender o futebol pressupõe um elevado nível de empatia entre os jogadores. Quem tem a bola guarda o elemento mais importante do jogo. É ele/a que pode criar, decidir e mudar o rumo de uma partida. Por isso, a primeira responsabilidade da equipa é protegê-lo. Proteger quem tem a bola não significa apenas aproximar-se para oferecer uma linha de passe. Significa também movimentar-se para libertar espaços, atrair adversários, criar superioridade ou simplesmente estar disponível para ajudar. Cada deslocação sem bola representa uma mensagem para o colega: «Não estás sozinho.»
É por isso que digo, muitas vezes, que a empatia também se treina. Ao longo da minha carreira tive a oportunidade de conhecer diferentes culturas futebolísticas. Uma das experiências que mais me marcou foi a formação que ministrei na NF Academy, na Noruega. O que mais me surpreendeu não foi a facilidade com que compreenderam os exercícios ou os princípios do modelo de jogo. Foi a naturalidade com que aceitaram uma ideia assente na cooperação permanente. A minha proposta de jogo encontrou uma enorme receptividade porque assentava num valor profundamente enraizado na cultura norueguesa: o coletivo acima do ego individual.
Na sociedade norueguesa existe um enorme respeito pelo outro, pelo seu espaço e pelo contributo que cada um pode dar ao grupo. O protagonismo individual nunca parece estar acima da equipa. E essa forma de viver refletia-se, de forma muito clara, dentro do campo.
Ao acompanhar a seleção da Noruega neste Mundial, reconheço muitos desses comportamentos. Independentemente do resultado final, vejo um grupo emocionalmente equilibrado, tranquilo nos momentos de pressão, solidário sem bola e permanentemente disponível para ajudar o colega. Os resultados não me surpreendem. Nem a forma como jogam.
Estou convicto de que esta seleção representa muito mais do que uma boa geração de jogadores. Representa uma ideia de futebol onde a cooperação potencia o talento e onde a inteligência coletiva vale tanto como a qualidade individual. Num futebol cada vez mais físico, mais rápido e mais estratégico, talvez a maior vantagem competitiva continue a ser profundamente humana. A empatia. As grandes equipas não são aquelas onde cada jogador procura ser o melhor. São aquelas onde cada jogador faz o colega jogar melhor."

O Mundial de 2026 e a reconfiguração do futebol como ativo estratégico global


"Um Mundial não é apenas o momento em que o mundo inteiro se volta para o futebol. É a demonstração de como o desporto se tornou uma indústria global,sofisticada e altamente competitiva.

Hoje, um Mundial é muito mais do que uma prova desportiva. É uma montra global que influencia a valorização de jogadores e clubes, desperta o interesse de investidores, acelera processos de internacionalização e reconfigura o mapa económico do desporto.
O Campeonato do Mundo de 2026, o primeiro coorganizado por três nações (Estados Unidos, Canadá e México) e o maior de sempre, com 48 seleções e 104 jogos, está em pleno curso, e com ele confirmam-se todas as tendências que vinham a redesenhar o futebol enquanto indústria global.
O desporto rei deixou de ser movido exclusivamente pela paixão dos adeptos e pelo bairrismo das comunidades locais para se assumir, de forma descomplexada, como uma das indústrias mais dinâmicas, lucrativas e atrativas do mundo, onde os clubes são cada vez mais encarados como ativos estratégicos de alto rendimento.
A dimensão económica deste Mundial ilustra bem essa transformação. As receitas da FIFA deverão situar-se entre os 11 e os 14 mil milhões de dólares, impulsionadas pelos direitos televisivos, patrocínios globais e programas de hospitalidade. Nos países anfitriões, o impacto económico deverá ultrapassar os 9 mil milhões de dólares, beneficiando setores como o turismo, a hotelaria, os transportes e o retalho. No entanto, o efeito mais relevante produz-se para lá dos relvados com a crescente capacidade do futebol para atrair capital privado, corporativo e institucional.
O Campeonato do Mundo funciona como um poderoso acelerador de visibilidade. Para os jogadores, uma boa prestação pode traduzir-se numa valorização imediata no mercado de transferências. Jovens talentos que chegaram ao torneio praticamente desconhecidos passam a estar no radar dos principais clubes europeus. Historicamente, os períodos pós-Mundial são marcados por investimentos significativos, sustentados não apenas pelo desempenho desportivo, mas também pelo potencial comercial associado à imagem dos atletas.
Contudo, se os jogadores são os ativos mais mediáticos, os clubes são os verdadeiros veículos de criação de valor a longo prazo. O aumento da exposição global do futebol transformou a forma como os investidores encaram estas organizações. Os clubes deixaram de ser vistos como instituições locais e associativas para serem avaliados como plataformas globais de entretenimento, produtoras de conteúdos, agregadoras de comunidades digitais e detentoras de marcas com alcance internacional.
Nesta equação existe um ativo frequentemente subestimado, o adepto. A base de adeptos representa muito mais do que receitas de bilheteira, quotas ou merchandising. Gera turismo desportivo, dinamiza o consumo local, sustenta comunidades digitais e cria oportunidades de monetização que vão muito além do dia de jogo.
A paixão pelo clube constitui, em si mesma, um recurso estratégico de enorme valor. Alimenta audiências fiéis, fortalece marcas e cria ligações emocionais que nenhuma campanha de marketing consegue reproduzir. Para muitos investidores, uma comunidade global, leal e envolvida vale mais do que os números refletidos num balanço financeiro.
Esta profunda mudança de paradigma explica a entrada massiva de capital institucional, fundos de private equity, fundos soberanos de investimento e grandes family offices no capital social de clubes de futebol, particularmente na Europa e, de forma crescente, na América do Norte. O modelo de Multi-Club Ownership (MCO) em que um mesmo grupo investidor detém participações em vários clubes espalhados por diferentes países e continentes — é a prova viva desta abordagem estritamente corporativa, que visa construir redes globais de influência e monetizar comunidades de adeptos à escala planetária.
O objetivo estratégico é claro. Criar sinergias na prospeção de talento jovem, partilhar recursos comerciais e tecnológicos, e capitalizar sobre a soma das bases de adeptos de cada clube para construir uma presença global inigualável. Neste modelo, o adepto de um clube em Lisboa pode tornar-se consumidor de conteúdos, produtos e experiências associados a um clube parceiro em Nova Iorque, em São Paulo ou em Tóquio, multiplicando o valor da rede.
Neste contexto, a intermediação qualificada de oportunidades de investimento tornou-se uma peça-chave do tabuleiro do futebol moderno. Em Portugal, começam a surgir iniciativas pioneiras que procuram estruturar e democratizar o acesso a este mercado, historicamente opaco e restrito a um círculo fechado de intermediários. Plataformas especializadas na avaliação, intermediação, compra e venda de clubes e SAD vêm preencher um vazio crítico, ligando investidores qualificados a oportunidades concretas e validadas.
Um dos sinais mais reveladores desta maturação é a criação do primeiro ranking nacional de valorização das SAD da Liga Portugal, assente num algoritmo financeiro rigoroso que não se limita a analisar balanços contabilísticos, mas que reconhece o plantel de jogadores e o potencial da base de adeptos como fatores determinantes na avaliação global do clube. Esta metodologia é conceitualmente decisiva e diferenciadora. Um clube não vale apenas pelos seus ativos fixos ou pelas receitas de bilheteira, vale, acima de tudo, pelo talento que alinha no relvado, pela dimensão e lealdade da comunidade apaixonada que o segue e pelo potencial de mais-valia que essa comunidade representa para qualquer investidor com visão estratégica de longo prazo.
Em suma, um Campeonato do Mundo não é apenas o momento em que o mundo inteiro se volta para o futebol. É a demonstração de como o desporto se tornou uma indústria global, sofisticada e altamente competitiva. Numa era em que a atenção do público é um recurso escasso, os clubes e os seus adeptos afirmam-se como os principais geradores de valor deste ecossistema. Quando o apito final soar em 2026, a competição desportiva terá terminado. A disputa pelo valor económico, pela influência global e pela capacidade de atrair investimento continuará apenas a ganhar força."

Futebol à Parte #50 - Acabou o Sonho

Oliveira: Palhinha...

Rabona: Haaland's Dream Is OVER as Bellingham SAVES England | World Cup Day 30

AA9: England’s REAL Biggest Enemy Is the Media...

TNT - Convocados...

No Princípio Era a Bola - Scaloni está preso a 2022 e Tuchel a uma visão demasiado técnico-cêntrica, mas haverá um Argentina-Inglaterra nas meias-finais do Mundial

ESPN: Futebol no Mundo #606

LiveMode: Aquece vais entrar #37

Verdíssimo Masterclass...

Prova dos nove...

Não foi azar...

Animais...

MUITO PARA TRABALHAR


"BENFICA 1 - 2 Flamengo

1. Mais do que ver novos jogadores, a minha curiosidade estava virada para a observação das novas dinâmicas que Marco Silva já teria introduzido na equipa nestas (pouquíssimas) semanas de trabalho.

2. Impressionante: estádio do Algarve praticamente cheio (tiveram que abrir as cabeceiras) para um amigável. A inigualável força do Benfica, claro, mas também do Flamengo, que tem uma enorme comunidade de adeptos a viver/trabalhar em Portugal, quem sabe até em maioria nas bancadas.

3. Flamengo, com outro ritmo (está a meio da época), com seis meses de trabalho com Leonardo Jardim, causou muitos problemas ao Benfica, quando chegou o nosso primeiro remate já eles tinham criado vários lances de perigo.

4. Primeira parte teve jogo a alta velocidade, intenso, rasgadinho. Vimos o Benfica com muitas dificuldades para criar lances de perigo. Vimos também um sururu à futebol sul-americano, com o Leonardo Jardim - espantem-se - de cabeça completamente perdida. Vimos ainda os jogadores brasileiros doidos por dar pau no Prestianni, devem ser todos amigos do Vini.

5. Flamengo adiantou-se merecidamente no marcador ao cair do pano, mas logo um penálti a nosso favor, bem sacado por Bah, Bruno Henrique tentou evitá-lo, levou as equipas empatadas para o balneário.

6. Segunda parte, Benfica fez cinco mudanças por volta dos 55 minutos, Flamengo marcou aos 67 e pela festa no relvado, e principalmente nas bancadas, parecia tratar-se da final de uma grande competição. Eu gosto assim, é preparação à séria e mostra muito respeito por quem paga bilhete.

7. A meio da segunda parte a nossa defesa está assim: Banjaqui, Rui Silva, Índio e José Neto. Belo teste para os miúdos: jogar contra os galifões do Flamengo a darem tudo. E também estão em campo o Miguel Figueiredo, o João Rêgo, etecetera. O Seixal é no Algarve.

8. Pena o Prestianni não ter marcado na recarga à melhor oportunidade do Benfica até àquele momento. Para os calar.

9. Depois de um período difícil de adaptação ao jogo, os miúdos começaram a tomar conta do jogo e podíamos ter chegado ao empate, notoriamente em mais uma recarga do Prestianni, esta defendida pelo poste.

10. É bom fazer teste contra equipa supostamente mais forte que o St Gallen. As nossas lacunas ficaram bem à mostra, na defesa, no meio campo, na frente. Bom para Marco Silva trabalhar. Tem muito trabalho pela frente."

Terceiro Anel: Flamengo...

Águia: Flamengo...

BF: Flamengo...

Terceiro Anel: Live - Flamengo

5 Minutos: Live - Flamengo

BI: Live - Flamengo...

domingo, 12 de julho de 2026

Vermelhão: Arranque...

Benfica 1 - 2 Flamengo


Primeiro jogo da pré-época, aberto ao público (já tínhamos feito dois jogos particulares, à porta fechada no Seixal), com pouco tempo de trabalho, sem os Mundialistas (Dedic, Araújo, Ríos, Aursnes, Lukebakio, Schjelderup), e provavelmente, sem 2 ou 3 contratações, que serão necessárias...

O jogo acabou por ter uma intensidade inusitada, para um jogo de pré-época! Um adversário, repleto de atrasados mentais violentos, dentro do campo, e no banco! Usaram o incidente com o Prestianni, para se motivarem, e jogaram um jogo 'amigável', como se fosse uma Final da Libertadores! Tudo isto, com a colaboração do Verdísismo, que permitiu tudo: porrada e protestos constantes, com entradas assassinas, várias com clara intenção de lesionar os jogadores do Benfica, principalmente o Prestianni... Sendo que a fava acabou por calhar ao Umeh, que acabou por sair lesionado!!!

À boleira do Mundial, os sul-americanos, defendem este tipo de futebol! Acusando os Europeus de estarem mal habituados! Este tipo de futebol só é possível com a colaboração dos árbitros, é totalmente contra às regras! Hoje, cumprindo as regras o Flamengo estava a jogar, pelo menos com 9 ao intervalo!!! Ninguém vai ver jogos de futebol, para assistir a batalhas campais! Isto não é jogar duro, isto é não respeitar os colegas de profissão... é ser violento. Jogar para lesionar adversários de profissão é nojento!
 
Nestas condições, não era expectável muitas ilações, coletivas. Fizemos o 3.º jogo da época, contra um adversário que está a meio da sua época, sem mais de metade dos nossos titulares, contra um adversário com muito menos ausências!

Dito isto, será com estes jogadores, que vamos defrontar os Suíços do St. Gallen, talvez o Dedic regresse antes, mas por acaso, a posição de Lateral Direito é a menos necessitada!!! E com estes jogadores, vamos ter alguns problemas! Com o castigo do Prestianni e agora a lesão do Umeh, vamos ter pouquíssimas opções para as Alas, e o meio-campo, sem o Aursnes e o Ríos, também fica bastante curto!


Boas indicações do Lenglet e do Umeh no onze inicial, com o Rafa a trabalhar defensivamente fora de posição. Mas as principais indicações positivas da noite, na minha opinião, aconteceram no 2.º tempo: Kaminski não engana, o toque de bola, e até a forma como passa a bola mostra que é craque e vai ser titular, na esquerda ou no meio!!! Banjaqui e o Zé Neto voltaram a mostrar que estão prontos! Gostei muito dos duelos defensivos do Índio, vem do Brasil com ritmo, portanto fisicamente está melhor que os outros, mas mostrou que os 17 anos, não o vão impedir de ser opção! Quem também mostrou que merece ser titular, é o Manu, excelente entrada... Após as muitas substituições, a equipa ficou um pouco desorientada, mas quando a equipa encaixou, o Figueiredo, também deu excelentes indicações...

Resumindo, bons sinais para a época, com as três contratações e os jovens a mostrarem-se, com as alterações propostas pelo treinador principalmente na pressão, a não serem muito eficazes devido à falta de capacidade física dos jogadores! Agora, alguma preocupação para a pré-eliminatória, porque os jogadores disponíveis devem ser somente estes!

Pesar por Manú


"O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Manú, antigo jogador do Clube.
Manú representou o Benfica com dedicação e orgulho durante a temporada de 2006/07, onde completou 17 jogos.
Neste momento de dor, o Sport Lisboa e Benfica endereça à família, aos amigos e a todos os que com ele privaram as mais sentidas condolências."

Zero: Mercado - Chelsea quer novo guarda-redes e Diogo Costa é o preferido

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Jesus no comando traz a fé que faltava aos portugueses?

Concerto de Balneário | TT e as Campeãs Nacionais de Futsal

Jogo de estreia na pré-época


"Benfica e Flamengo encontram-se hoje no Estádio Algarve, com início da partida agendado para as 19h30. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Apoio à chegada
Benfiquistas marcaram presença nas imediações do hotel onde pernoitou o plantel às ordens de Marco Silva.

2. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

3. Sub-23 já evoluem no relvado
Primeiro treino com bola da pré-época realizado.

4. Movimentações do defeso
Ruben Góis junta-se ao plantel bicampeão nacional de futsal.

5. Agenda
Já há local, data e horário das Supertaças de andebol.

6. Participação máxima
A 2.ª edição do Benfica Basketball Camp teve lotação esgotada.

7. Balanço de época
Em entrevista aos meios do clube, António Machado aborda mais uma temporada de grande sucesso da equipa feminina de polo aquático do Benfica.

8. Taça do Mundo de velocidade
Acompanhe o desempenho na prova dos canoístas do Benfica ao serviço da Seleção Nacional."

Na Seleção Nacional só existe um caminho – o do “Nós”


"Inicia-se agora um novo ciclo na Seleção Nacional com a apresentação oficial de Jorge Jesus como Selecionador Nacional.
Ainda nos Estados Unidos, acompanhei com atenção a conferência de imprensa de Jorge Jesus. Reconheci nas suas palavras princípios que sempre defendi para uma Seleção Nacional forte e vencedora. Há uma ideia que deve estar acima de todas: na Seleção Nacional só existe um caminho – o do “Nós”. É essa união, clara e inegociável, que transforma talento em vitória e equipa em identidade.
Só pode haver uma camisola acima de todas: a de Portugal.
Só pode haver uma bandeira acima de todas: a de Portugal.
Só pode haver um líder: o Selecionador Nacional. Só pode haver um compromisso: servir Portugal com humildade, disciplina, coragem, espírito de equipa e total sentido de missão.
Só pode haver um objetivo: ganhar por Portugal e para Portugal.
Quem anda no futebol há muitos anos sabe que as grandes equipas se constroem com grandes jogadores. Mas sabe também que os grandes títulos só se conquistam quando esses grandes jogadores colocam o coletivo acima das individualidades, o “nós” acima do “eu” e Portugal acima de tudo.
É esse o verdadeiro desafio que começa neste 10 de julho.
Independentemente dos clubismos, das diferenças políticas ou de quaisquer outras divergências, quando joga Portugal somos todos da mesma equipa. Há uma única camisola para defender, uma única bandeira para honrar e um único país para representar.
É isso que todos os portugueses querem ouvir. Mais importante ainda, é isso que todos os portugueses querem ver dentro das quatro linhas.
Desejo a Jorge Jesus e à sua equipa técnica os maiores sucessos nesta missão. Porque o sucesso da Seleção Nacional será sempre o sucesso de Portugal.
Na Seleção Nacional só pode haver um “Nós”.
É por esse “Nós” que se constroem as grandes equipas. É por esse “Nós” que se conquistam os grandes títulos. É por esse “Nós” que todos os portugueses voltarão a acreditar."

Jorge Jesus: «I'm the boss»


"O novo selecionador nacional declarou que não vai «facilitar em nada, nem ter receio de confrontar» quem quer que seja; quem manda é ele, portanto, e é assim que deve ser

Jorge Jesus foi o treinador mais influente em Portugal na segunda década do século XXI. Primeiro, pelo modo como pôs o Benfica a «jogar o dobro»; depois por levar as águias a duas finais europeias e a três campeonatos em seis épocas, mesmo com aquele ajoelhar doloroso no Dragão; também por ter trocado a Luz por Alvalade e ter recolocado o Sporting na luta por um título; mas, sobretudo, por ter influenciado o futebol em campo, com uma vaga de treinadores a segui-lo e uma série de jogadores a «deverem-lhe» carreira.
Inesquecíveis serão também algumas das intervenções em frente às câmaras e as de ontem também entrarão na história.
Já muito se falou dos desafios de Jesus: de ter de se adaptar a uma nova realidade em termos de trabalho, de uma posição mais institucional pelo papel que tem. A tudo isto o técnico respondeu, com algumas ideias em destaque e uma delas muito clara: quem manda é ele.
JJ nunca foi homem de deixar créditos nas mãos de outros e sobre o modo de trabalhar, pois não está com a equipa diariamente, atirou logo que não achava que teria de ser diferente e que não seria por aí que o sucesso não viria. Nos seus tempos menos mediáticos, JJ já dizia que era ele próprio quem desenhava os seus treinos. Indo um pouco contra a corrente de pensamento, Jesus crê que é possível criar um tipo de treino que faça uma equipa vencedora em pouco tempo e sem a ter todos os dias. «O futebol é uma ciência de cada um», frisou, como que a lembrar que ele é único.
 Na declaração inicial, Jesus também referiu que, ajudado por Lourenço Coelho, não vai «facilitar em nada, nem ter receio de confrontar seja quem for» pois quem define o caminho é ele. Era inevitável, fosse JJ ou outro, falar do papel de Ronaldo. Aí, Jesus disse logo que falaria «com o Cris» como falaria com os outros. «Desde que eu perceba até onde ele pode chegar e até onde posso chegar», declarou, para recordar o registo «do Cris», com ele e que ele, JJ, não terá problemas em fazer o que tiver de ser feito: «No ano passado, o Al Nassr fez 50 jogos e ele fez 31. No campeonato, substituí-o 16 vezes. Nunca confundimos o que é ele, o jogador, e o que sou eu, o treinador, e as decisões que tenho de tomar.»
Não pode haver dúvidas, nem para o maior jogador da História do país: quem manda, é ele, JJ. E caso duvidemos, perguntemos a Neymar, a quem ele atirou: «Tu, finish.» Jesus não o disse de forma taxativa, mas disse-o ao longo da apresentação. «I'm the boss»."

A 'Roja' já não passa sem Merino


"Quando Olmo não chega, Lamine e Nico ainda se procuram encontrar depois das lesões e Pedri parece carregar o fardo de uma época longa e desgastante, estão lá De La Fuente e Merino para criar impacto com a substituição decisiva.
Mikel faz-me lembrar os primeiros tempos de Championship Manager, em que descobríamos que em Inglaterra havia muitos jogadores que podiam ser centrais ou pontas de lança, e com bom rendimento nos dois papéis. Ambos eram fisicamente poderosos. Os defesas monolíticos que se transformavam em avançados conheciam na perfeição as manhas de quem os defendia e só precisavam de acertar no momento certo na baliza correta. E podiam subir e baixar no relvado, entre uma posição e outra, consoante a necessidade, sem qualquer problema. Sem necessidade de substituição. Importante, quando só havia duas. Já sabiam ao que iam.
Mikel Merino não fez carreira estrondosa, aliás, está precisamente a viver os seus melhores momentos. Formou-se no Osasuna e jogou pela primeira equipa, porém não se conseguiu impor primeiro no Dortmund e depois no Newcastle. San Sebastián foi porto de abrigo e aí sim, pelos 'txuri-urdin' da Real Sociedad finalmente estabilizou. Arteta viu nele reforço e levou-o para Londres, transformando-se neste jogador híbrido, que tanto se impõe no meio-campo como aparece do nada para atirar a baliza e, muitas vezes, decidir partidas apertadas. E não se importa. Mesmo que jogue menos do que os outros, aproveita bem melhor o tempo. Neste Mundial, De La Fuente, esperto, não o quis moldar. Coloca-o em campo precisamente para ser o mesmo jogador que entra sobretudo durante as segundas partes pelo Arsenal. É um homem com uma missão.
Os portugueses deviam conhecê-lo. Deram-lhe o espaço que nunca poderia ter. Já os belgas, a viver a última oportunidade da sua melhor geração, capitularam de forma ainda mais dramática. Courtois abriu a porta ao 1-0, marcado por Fabián Ruiz. Depois, lesionou-se e Lammens ainda fez pior. E estava lá... Merino!"

Messi ainda mora no impossível


"Quando chegou o apito final do jogo com o Egito, Messi chorou. Não eram lágrimas de campeão. Eram lágrimas de menino. 'Bar Nilo' é o espaço de opinião em A BOLA de Luís Aguilar, comentador desportivo

Os calendários são burocratas. Contam dias, riscam meses, acumulam aniversários. O futebol não. O futebol mede o tempo de outra maneira. Mede-o pelos instantes em que um homem consegue fazer esquecer o relógio. Lionel Messi tem 39 anos. Escrevê-lo parece um ato administrativo. Vê-lo jogar continua a ser um ato de fé. Mas não uma fé em vão. Uma fé que paga em milagres a cada jogo.
Neste Mundial, a Argentina tem mostrado que a sua maior força não se resume ao que Messi faz, mas à confiança que ele distribui. Há equipas que entregam a bola ao melhor jogador. Esta entrega-lhe também a esperança. Quando Messi baixa para receber, os companheiros de equipa respiram melhor. Quando levanta a cabeça, o campo parece crescer. Quando acelera, mesmo sem a velocidade de outros tempos, continua a acontecer um momento de magia.
Contra o Egito, o futebol decidiu recordar-nos que os deuses também sangram. A Argentina esteve encostada ao abismo. Messi voltou a tocar na angústia de quem vê o sonho escapar por entre os dedos. Mas a equipa levantou-se. Não porque um homem a tenha conseguido salvar sozinho, como tantas vezes aconteceu, mas porque todos acreditaram que, enquanto ele permanecesse em campo, ainda existia uma porta aberta para o impossível.
Quando chegou o apito final, Messi chorou. Não eram lágrimas de campeão. Eram lágrimas de menino. O rapaz de Rosário apareceu por um instante atrás do homem que conquistou o mundo. Naquele momento, o futebol devolveu-lhe a infância. Não jogava para ser o melhor. Jogava apenas para não perder aquilo que sempre o definiu: a capacidade de se emocionar. Em cima de todos os títulos, coletivos e individuais, essa é a maior vitória de Messi. Nunca permitiu que o génio expulsasse a ternura.
Vivemos uma época estranha. Uma época em que elogiar Messi parece obrigar a pedir desculpa aos admiradores de Cristiano Ronaldo. Como se a beleza tivesse de escolher uma única morada. Como se o aplauso fosse um bem escasso. Como se a admiração precisasse de fronteiras. É uma pobreza que o futebol nunca mereceu.
Cristiano pertence à mesma galeria dos homens que desafiaram o impossível. Messi apenas ocupa outra parede desse museu. Quem entra no Louvre não escolhe olhar para um único quadro. Caminha devagar. Contempla todos. Sai maior do que entrou.
Mas hoje nem sequer é dia de falar dessa comparação. Hoje é dia de olhar para um argentino que continua a brincar com uma bola como se a tivesse encontrado numa rua perto de casa. Alguém que já marcou golos suficientes para escrever uma enciclopédia, que já levantou taças que podiam encher um museu, que já cravou o seu nome no coração da eternidade. Mas continua a celebrar cada vitória como se fosse a primeira.
Eduardo Galeano escreveu um dia que «o futebol é a única religião que não tem ateus». Messi é um dos seus maiores devotos. Continua a amar o jogo como um principiante. Continua a fazer do futebol, o princípio, o meio e o fim para mergulhar na emoção. Não estamos apenas a assistir aos últimos capítulos de uma carreira. Estamos a ver um homem negociar, jogo após jogo, mais alguns minutos de pureza. Sem adornos, sem camadas, sem as dúvidas e as barreiras do mundo dos adultos. Apenas a bola. Porque, como dizia Maradona, «la pelota no se mancha»."

O Mundial dos guarda-redes


"Os avançados continuam a decidir jogos. Harry Kane continua a marcar. Erling Haaland continua a impor-se. Lionel Messi continua a fazer história. Kylian Mbappé continua a ser decisivo. Mas, neste Mundial, há uma posição que conquistou um protagonismo invulgar: o guarda-redes.
Esta edição da prova está a confirmar algo que o futebol moderno já vinha anunciando há vários anos: os guarda-redes deixaram de ser apenas os últimos homens da equipa. Hoje são, muitas vezes, os primeiros. São os primeiros a construir. Os primeiros a organizar. Os primeiros a orientar. E, sobretudo, os primeiros a transmitir confiança. Durante a fase de grupos vimos vários erros na construção desde trás. A insistência em sair a jogar curto, característica do futebol moderno, expôs algumas equipas e mostrou que a evolução da posição também trouxe novos riscos. Ultrapassada essa fase, o torneio revelou a outra face dessa transformação.
Quando o jogo aperta, quando o adversário domina e quando as oportunidades surgem em catadupa, continua a existir uma qualidade que nenhuma ideia de jogo consegue substituir: a capacidade para defender. E foi precisamente aí que os guarda-redes voltaram a assumir o protagonismo.
Este não tem sido apenas um Mundial das grandes estrelas. Tem sido também um Mundial dos homens da baliza.
O mais interessante é que esta evolução já não pertence apenas às grandes potências do futebol. Também seleções de menor expressão competitiva apresentaram guarda-redes capazes de decidir jogos e de manter as respetivas equipas competitivas durante largos períodos. Eloy Room, por Curaçau. Mohammed Al-Owais, pela Arábia Saudita. Alireza Beiranvand, pelo Irão. E Vozinha, por Cabo Verde.
Mesmo em países onde a tradição futebolística, os recursos e as estruturas de formação continuam distantes das grandes escolas europeias, a posição evoluiu de forma notável. Muitos destes guarda-redes competem hoje em campeonatos estrangeiros, trabalham diariamente com metodologias de treino altamente especializadas e chegam às grandes competições com um nível competitivo que, há duas décadas, seria difícil de imaginar. O resultado está à vista. Jogos cada vez mais equilibrados. Equipas mais competitivas. E guarda-redes capazes de manter seleções «vivas» durante noventa minutos.
Durante muitos anos dizia-se que as seleções de menor dimensão sobreviviam graças aos seus guarda-redes. Este Mundial mostrou-nos algo diferente. Hoje, muitas delas já não sobrevivem apenas por causa deles. Competem graças a eles. E isso explica, melhor do que qualquer estatística, a extraordinária evolução que esta posição conheceu nas últimas duas décadas.
Entre todos, o caso de Vozinha merece um destaque especial. O antigo guarda-redes do Grupo Desportivo de Chaves ultrapassou largamente o impacto desportivo. A consistência ao longo do Mundial e as exibições frente à Espanha e à Argentina de Messi transformaram-no numa das grandes figuras deste Campeonato e conquistaram a admiração de adeptos dos quatro cantos do planeta. Essa notoriedade refletiu-se nas redes sociais. Chegou ao torneio com menos de 50 mil seguidores no Instagram e, durante o encontro frente à Espanha, viu esse número ultrapassar um milhão em menos de noventa minutos. O crescimento continuou de forma impressionante. Hoje soma 28 milhões de seguidores, tornando-se o guarda-redes mais seguido do mundo, à frente de Manuel Neuer (15 M), Thibaut Courtois (17.9 M), Keylor Navas (19.1 M) e Iker Casillas (20.4 M). Mais do que um fenómeno das redes sociais, Vozinha tornou-se o símbolo de uma ideia que este Campeonato do Mundo tem vindo a confirmar: um grande guarda-redes pode projetar uma seleção, inspirar um país e conquistar o reconhecimento do mundo inteiro.
Portugal teve em Diogo Costa o exemplo mais completo desta realidade. Destaco particularmente as suas exibições frente à Colômbia, à Croácia e à Espanha. Foi, na minha opinião, a par de Renato Veiga, o jogador português mais consistente da competição. Em várias ocasiões, foi ele quem manteve Portugal vivo nos jogos.
Muito se falou da infelicidade na eliminação frente à Espanha. É verdade que houve um momento que podia ter mudado o resultado – o remate de Nuno Mendes à trave. Mas também é verdade que, antes disso, Diogo Costa já tinha impedido, por diversas vezes, que o desfecho chegasse mais cedo. Há ocasiões em que chamamos sorte àquilo que, na realidade, foi competência. Aquilo que mais me impressiona em Diogo Costa - e isso percebe-se com enorme facilidade em quem acompanha o FC Porto - nunca foi apenas aquilo que faz. É aquilo que provoca. Quando um guarda-redes transmite confiança, toda a equipa joga de forma diferente. Os centrais arriscam mais. Os laterais sobem mais. Os médios pressionam mais alto. Os adeptos respiram melhor.
Há efeitos no futebol que nunca aparecem nas estatísticas. Não surgem nos mapas de calor. Não entram nos relatórios de desempenho. Mas sentem-se. Diogo Costa é um desses jogadores. Muda o comportamento de uma equipa inteira sem precisar de tocar constantemente na bola. Tecnicamente, representa quase o retrato perfeito do guarda-redes moderno. É rápido entre os postes. Domina o jogo aéreo. Lê a profundidade com inteligência. Sai da baliza no momento certo. É forte no um para um. É especialista na defesa de grandes penalidades. E possui uma qualidade com os pés que lhe permite participar na construção do jogo como se fosse mais um elemento da linha defensiva.
Não é apenas um guarda-redes que evita golos. É um guarda-redes que permite à equipa jogar melhor. Mas reduzir Diogo Costa às suas qualidades técnicas seria profundamente injusto. Porque aquilo que verdadeiramente o distingue não cabe numa ficha de observação. É a serenidade. É a personalidade. É a capacidade de transmitir calma quando todos os outros sentem pressão.
Não é apenas uma perceção portuguesa. Ainda muito antes de assumir definitivamente a baliza do FC Porto, Iker Casillas viu nele o guarda-redes capaz de lhe suceder. Não era um elogio qualquer. Vinha de um campeão da Europa e do Mundo. De um dos melhores guarda-redes da história. Alguém que conhecia e conhece, como poucos, o peso daquela posição.
Hoje, custa-me encontrar três guarda-redes melhores do que Diogo Costa. E, sinceramente, não me surpreenderia vê-lo, num futuro próximo, assumir a baliza de qualquer um dos maiores clubes da Europa. Pela forma como interpreta o jogo, pela qualidade na construção, pela serenidade com que vive os momentos de maior pressão e pela capacidade de decidir partidas, encaixaria naturalmente em equipas como o Paris Saint-Germain de Luis Enrique, onde o guarda-redes é uma peça fundamental na primeira fase de construção; no FC Bayern Munich, quando chegar o inevitável momento da sucessão de Manuel Neuer; ou até no Real Madrid CF, como um dos candidatos naturais a assumir a baliza quando terminar o ciclo de Thibaut Courtois.
Digo-o não porque deseje vê-lo sair do FC Porto. Bem pelo contrário. Enquanto símbolo, capitão e uma das maiores referências do balneário portista, a sua permanência seria, por si só, uma das melhores notícias que os adeptos azuis e brancos poderiam receber. Mas há jogadores cujo talento acaba inevitavelmente por ultrapassar fronteiras. E Diogo Costa pertence, sem qualquer dúvida, à elite dos guarda-redes mundiais.
Quanto à Luva de Ouro, é provável que o prémio acabe nas mãos do guarda-redes da seleção campeã. A história da competição mostra que assim acontece com frequência. Mas, se o critério fosse apenas o impacto que cada guarda-redes teve no percurso da sua equipa, a minha escolha seria outra. Entregá-la-ia ao Bono de Marrocos ou a «nosso» Diogo Costa.
Os golos continuarão sempre a decidir jogos. E acabarão, também, por decidir quem levanta o troféu de campeão do mundo. Mas este Campeonato do Mundo voltou a lembrar-nos uma verdade que o futebol, por vezes, insiste em esquecer: antes de um avançado poder ganhar um Mundial, há quase sempre um guarda-redes que impede que ele seja perdido.
A final de 2022 talvez seja o exemplo perfeito. Todos recordamos a consagração de Lionel Messi. Mas, para que esse momento pudesse existir, houve primeiro uma defesa que mudou a história. Aos 123 minutos, quando Kolo Muani surgiu isolado perante a baliza argentina, Emiliano Martínez fez uma daquelas defesas que valem títulos. Se aquele remate entra, a Argentina provavelmente perde o Mundial. Messi continuaria a ser um dos maiores jogadores de sempre, mas talvez lhe faltasse o troféu que tantos diziam faltar à sua carreira.
Uma defesa alterou o destino de uma final. Talvez até a forma como a história recorda um dos maiores protagonistas do futebol mundial."

Martínez, curto cartão de visita…


"O que se pedia ao selecionador talvez fosse demasiado para o perfil diplomata e conciliador. Prova abaixo das expectativas, foi o natural gatilho para a saída.

Roberto Martínez Ser treinador de futebol é estar permanentemente nas bocas do mundo, sujeito à avaliação crítica e ao julgamento transversal.
Ser selecionador de um país, para mais não sendo dele nativo, constitui um desafio acrescentado, em face das naturais paixões que o patriotismo desperta e consolida nas reações de todos e de cada um.
Roberto Martinez não é um novato nestas andanças. Seis anos à frente de um projeto geracional muito significativo, na Bélgica, conferiram ao treinador espanhol a experiência e a consciência suficientes para encarar o desafio português com lastro.
O facto de ter ganho uma Liga das Nações aumentou a bolsa de alguma confiança no seu trabalho, embora todos os indicadores apontassem, desde logo, algum conservadorismo, quer nos nomes habitualmente constantes da lista de convocados, quer nas táticas e opções tomadas ao longo dos jogos.
O que se pedia a Martínez talvez fosse demasiado para o seu perfil diplomata e conciliador. Pedia-se uma equipa portuguesa mais assertiva, mais capaz de assumir nos relvados as responsabilidades que, claramente, tinham sido desenhadas nas declarações dos principais responsáveis, com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol à cabeça.
Fazer melhor do que os quartos de final do Qatar, em 2022, significava, desde logo, o apuramento para as meias-finais como resultado minimamente aceitável, e parecia muito complexo o desiderato, considerando as características do próprio selecionador.
Uma prova muito abaixo das expectativas e, sobretudo, das capacidades declaradas do conjunto de jogadores que estiveram nas Américas, foi o natural gatilho para a saída de Roberto pela porta pequena, que o futebol é mesmo assim, de memória muito curta e diretamente indexada aos resultados.
Da história se recordará, de facto, a vitória na quarta edição da Liga das Nações. Mas o Euro 2024 e, sobretudo, a pobreza exibicional aliada a um discurso por vezes inócuo do responsável técnico, do Mundial 2026, perdurarão e não constituem o melhor cartão de visita, num futuro próximo ou distante, se o treinador espanhol for sondado por uma equipa verdadeiramente de topo no futebol mundial…

Hossan Hassan
É um líder. Talvez seja mesmo o maior nome da história do futebol egípcio. Hossam Hassan, agora entronizado como selecionador nacional dos faraós, é uma figura incontornável no banco de suplentes e fora dele.
Com um caráter muito especial, fogoso, disponível, interventivo, mas também facilmente irascível, Hassan transporta para o combinado africano muito do seu temperamento enquanto futebolista. E os jogadores reconhecem nele um verdadeiro líder, não questionando opções e fazendo do sacrifício individual a força coletiva de uma das melhores seleções do continente.
Não surpreendeu o belo Mundial egípcio. Muito menos, para quem segue com alguma regularidade as motivações do país, dos seus adeptos e dos seus profissionais, o jogo excecional frente à Argentina, que causou suores frios à campeã mundial. 
Sempre, com um nome à cabeça e a servir de farol técnico e tático, mas sobretudo motivacional: Hossam Hassan, o selecionador que, mesmo alicerçando a sua dinâmica em três nomes incontornáveis (Salah, Marmoush e Ziko), soube tirar o melhor partido de um conjunto de jogadores locais (do Al Ahly, do Zamalek e do Pyramids), e levar o combinado africano a uma excelente fotografia, no âmbito da sua participação no Mundial.

Pierluigi Collina
Para muitos, o melhor árbitro da História do futebol. Para todos, um dos melhores, de um grupo restritíssimo de classe e qualidade.
O árbitro da final do Mundial 2002, em Yokohama, entre Brasil e Alemanha, é agora o presidente da Comissão de Arbitragem da FIFA e, por inerência, o principal responsável pela convocação e escala das equipas de arbitragem em todas as competições de dimensão mundial.
Escolheu, certamente, os melhores árbitros, assistentes e videoárbitros para o maior showdown do futebol no planeta, e providenciou todas as condições para que as equipas da Team One tivessem e continuem a ter desempenhos a roçar a excelência.
Ele sabe, melhor do que ninguém, que o fator humano continuará a estar presente a cada momento, em cada tomada de decisão, e influenciará sempre o trabalho dos juízes, quer nos estádios, quer nas cabines à distância.
Por isso, é legítimo o desabafo de quem se sente pessoal e profissionalmente atingido por críticas dos mais diversos quadrantes e origens, muitas delas (quiçá uma significativa maioria…) provenientes de quem não faz ideia das competências, ferramentas e qualidades que cada árbitro teve de exibir até chegar aos palcos de um Mundial de futebol.
Collina, que é humano, indignou-se. E fez bem. Tem, no seu currículo, folhas suficientes para garantir, de per se, um lastro de independência, qualidade, seriedade e rigor no seu trabalho à frente da arbitragem mundial.

Harry Kane
Durante muito tempo, na sua longa passagem pelo Tottenham, era glosado no mundo do futebol pelo facto de, sendo um dos melhores pontas de lança da sua geração, não conseguir ganhar títulos. Os spurs não eram, de facto, a melhor garantia de o poder fazer, até que surgiu a possibilidade de transferência para o Bayern Munique.
Harry Kane, assim se chama o sujeito, via ali escancarar-se uma porta de muito maior visibilidade e dimensão competitiva, e projetou uma segunda fase da sua carreira, à beira dos trinta anos.
Este Mundial é uma espécie de cereja no topo do bolo: com uma Inglaterra competitiva e pragmática, Kane é o seu melhor marcador, é capitão, é dinamizador de jogo e congregador da equipa. Um trunfo em vários domínios, muito bem aproveitado por Thomas Tuchel, o alemão que não esconde a ambição de levar a seleção dos três leões a um lugar de topo na hierarquia mundial.
Pode não conseguir, numa prova que conta com Mbappé, Messi e Haaland, chegar ao topo dos marcadores, mas deixa um rasto de muita qualidade profissional, imenso empenho e determinação, e de total respeito por parte de companheiros e adversários. O que não é nada pouco, e pode até ser suficiente para fazer voltar a sonhar, sessenta anos depois, uma Inglaterra que nunca desaprendeu, em boa verdade, de jogar futebol ao mais alto nível. E tem-no provado do outro lado do oceano Atlântico."