Últimas indefectivações

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Vitória na Madeira...

Marítimo 0 - 4 Benfica

Pauels; Amado(Borges, 79'), Gomes, Blessing, Lund; Csiki(Loução, 78'), Norton(Tristão, 72'); Chandra(Sebastine, 63'), Moller, Nycole; Shao(Dorsin, 63')

Goleada, num relvado complicado, que com a chuva ainda ficcu pior... numa partida, onde conseguiram anular um golo ao Benfica, sem terem imagens para isso, não marcaram um penalty óbvio a favor do Benfica e ainda perdoaram uma expulsão ao Marítimo perto do fim... tudo normal!!!

Além do grande golo da Lund (mais um...), destaque para a estreia oficial da Ana Borges no Benfica, após uma lesão grave que a deixou de fora mais de um ano!!!

Pedro e Carlos...

Resenha #128 - Mozer e Ricardo Gomes...

BI: Voo Picado #40 - Unum, um novo-velho projeto

Jornalismo moderno...

VAR profissionalizou a polémica


"Desde que comecei a ver futebol, na fascinante década de 80, mudaram os jogadores, os treinadores, os presidentes e outros dirigentes dos mais variados clubes e órgãos, os estádios, os relvados, a preparação física, a alimentação, a análise de dados, a forma de treinar, os equipamentos, as competições, as regras e até a maneira de ver os jogos transmitidos com detalhe que nos transporta para o interior das quatro linhas sem sairmos do sofá, além do VAR, o maior avanço civilizacional — digo eu — da história do desporto-rei.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas algo permanece imutável no futebol português — a conversa sobre o trabalho dos árbitros. É preciso melhorar a arbitragem, é preciso formar melhor os juízes, é preciso protegê-los, é preciso responsabilizá-los, é preciso dar-lhes melhores condições, é preciso acabar com a cultura de pressão. E, sobretudo, é preciso falar menos de arbitragem.
Esta última frase repetida vezes sem conta é a mais curiosa. Todos decretam que se fala demasiado de arbitragem, protagonistas em campo e comentadores fora dele. E qual é a solução para resolver o problema de se falar em excesso de arbitragem? Ora… falar ainda mais de arbitragem. Uma tradição, um tema sempre em cima da mesa.
Se pegarmos num jornal de há 40, 30, 20, 10 ou mesmo um ano, bastaria trocarmos as fotografias dos queixosos, contextualizar os reparos e os textos estariam prontos a publicar. «É preciso credibilizar a arbitragem», «é urgente reformar o setor», «os árbitros estão sob demasiada pressão», «não se pode continuar a viver num clima de suspeição», «lá fora nada disto acontece», blá, blá, blá… Tudo isto nos soa familiar.
Antes, discutíamos se o árbitro tinha visto bem. Agora, analisamos se o VAR esteve atento. Depois, se devia ter chamado o árbitro, a seguir se devia ter ido ao monitor, enquanto esmiuçamos a imagem frame a frame. Finalmente, ainda poderá haver espaço para duvidarmos se a linha que alguém desenhou sobre a imagem é a correta. O VAR não matou a polémica, apenas a profissionalizou.
Ironia das ironias, a tecnologia surgiu para reduzir o erro, esse objetivo foi largamente alcançado — é só lembrar o número de erros corrigidos com recurso à videoarbitragem que noutros tempos seriam recordados por décadas — mas qualquer deslize é agora um acontecimento nacional. Eu ainda sou do tempo em que um lance era visto uma vez no estádio e à noite com uma ou duas repetições no Domingo Desportivo, antes de morrer nos dias seguintes num café perto de nós com um jornal a servir de prova desde que validasse a nossa opinião.
Hoje, essas jogadas controversas podem ser vistas em inúmeros ângulos, alta definição, câmara lenta, prato gourmet pronto a servir à apreciação de antigos árbitros, jogadores, treinadores, comentadores e, também, especialistas que operam no lodo das redes sociais.
É possível que, entretanto, tenhamos inteligência artificial a arbitrar os jogos, sensores nas chuteiras, câmaras em cada metro quadrado do estádio e um computador capaz de determinar, ao milímetro, tudo e mais alguma coisa.
E alguém há de dizer: «É tudo muito bonito, mas é preciso melhorar a arbitragem.»"

BolaTV: Omonia...

BF: Sanchez

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Benfica quer renovar com Prestianni. Trubin sai em janeiro?

Bola na Trave: Mezian Soares

Investir no futebol feminino é investir no futuro do futebol


"Durante muitos anos, o crescimento do futebol feminino foi apresentado sobretudo como uma questão de igualdade, visibilidade e reconhecimento. E continua a ser. Mas limitar a discussão a essa dimensão é hoje insuficiente.
O futebol feminino entrou numa nova fase: deixa de ser visto apenas como uma modalidade com potencial de crescimento para se afirmar como um ativo desportivo e económico, capaz de atrair investimento, criar valor e desenvolver modelos de negócio próprios.
A questão já não é saber se vai crescer, mas quem estará preparado para beneficiar desse crescimento.

Da visibilidade ao valor
O Mundial feminino de 2027, no Brasil, será um momento relevante desta transformação. Pela primeira vez, a principal competição internacional feminina será disputada na América do Sul, num país onde o futebol ocupa um lugar central na identidade cultural.
A FIFA pretende ampliar a exposição global através de uma cobertura televisiva alargada e de uma forte presença digital, para aumentar audiências, atrair novos públicos e reforçar o interesse de patrocinadores e parceiros comerciais.
Mas o verdadeiro desafio não será apenas garantir atenção durante algumas semanas. Será transformar essa visibilidade em valor sustentável, capaz de perdurar para lá do torneio.

Quando o mercado começa a acreditar
Fundado em Los Angeles em 2020, o Angel City FC tornou-se um dos casos mais relevantes do futebol feminino mundial. A valorização alcançada em poucos anos demonstra o crescente interesse dos investidores.
Mais importante do que os números é compreender as razões desse crescimento. O clube construiu uma identidade forte, aproximou-se da comunidade, atraiu patrocinadores de referência e criou uma marca capaz de gerar envolvimento para além da competição.
O seu percurso demonstra que o potencial económico do futebol feminino depende cada vez mais da capacidade para criar relevância, proximidade e valor.

O papel dos investidores
A entrada de investidores especializados é outro sinal importante. A Mercury13, por exemplo, tem adquirido participações em vários clubes europeus, apostando na profissionalização da gestão, no desenvolvimento estrutural e na criação de valor a longo prazo.
Esta abordagem parte de uma convicção simples: o futebol feminino pode ser sustentável quando apoiado por visão estratégica, estruturas competentes e gestão profissionalizada.
Nenhum investimento garante sucesso. O capital é apenas o ponto de partida: o desafio é convertê-lo em melhores condições para as atletas, maior qualidade competitiva, experiências relevantes para os adeptos e receitas consistentes.

Uma responsabilidade partilhada
Clubes, ligas, federações, investidores e adeptos têm um papel decisivo. Mais visibilidade atrai patrocinadores; melhores condições elevam a qualidade do espetáculo; uma ligação mais forte aos adeptos aumenta a fidelização; e uma gestão profissional contribui para a sustentabilidade económica.

Uma oportunidade que já chegou
Persistem desafios: desigualdades estruturais, diferenças entre mercados e dificuldades de sustentabilidade em vários projetos. Nem todos os investimentos terão sucesso, mas seria um erro continuar a olhar para a modalidade apenas como uma promessa de futuro.
O investimento já está a acontecer, as audiências crescem e surgem novos modelos de negócio. O mercado começou a identificar oportunidades onde antes via apenas potencial.
O futebol feminino deixou de ser apenas uma aposta no futuro. É cada vez mais relevante no presente da indústria. Quem compreender esta realidade mais cedo estará a investir numa das transformações mais significativas que o futebol conheceu nas últimas décadas.
Investir no futebol feminino já não é apenas uma questão de desenvolvimento desportivo ou compromisso social. É uma decisão estratégica sobre o futuro do próprio futebol."

Quando o sonho acaba, o que vem a seguir?


"O final de carreira deve preparar-se no dia a dia. Se o fizermos, percebemos que o futebol nos pode dar muitas coisas que outras profissões não nos dão.

Nas últimas semanas temos falado muito sobre a forma como Cristiano Ronaldo poderia ou deveria ter preparado a sua saída da Seleção Nacional. O final de carreira é sempre um período muito difícil de gerir.
Como referiu Liliana Pitacho no artigo publicado na última quinta-feira neste jornal, a gestão psicológica desta transição não é fácil. Entendo que os clubes e as organizações que acompanham os jovens atletas deveriam dar mais atenção à preparação do seu futuro para além do futebol, para que o fim da carreira não se transforme num pesadelo.

Carreira curta, futuro longo
Os jogadores profissionais de futebol não ganham todos milhões de euros. São poucos os que conseguem terminar a carreira e viver dos rendimentos. A maioria terá de iniciar uma nova atividade quando deixar de jogar. Ainda assim, um jogador da primeira Liga recebe, em média, mais do que muitas pessoas da mesma idade que desempenham outras profissões. Esta é uma vantagem que não pode ser desperdiçada e que deve ser aproveitada para preparar o futuro.
Por norma, todos ajustamos o nosso estilo de vida aos nossos rendimentos. A questão é que a carreira de jogador profissional de futebol é de desgaste rápido e pode durar apenas 10 ou 15 anos. Com 20 anos de idade, poucos têm esta perceção.
Em Portugal, continuamos a ter uma cultura de investimento pouco desenvolvida. Para um jogador profissional, aprender a gerir o dinheiro e a perceber como pode fazê-lo crescer é tão importante como saber ganhá-lo.
O jogador de futebol vive muito pelo exemplo. Qual é o exemplo que os miúdos veem nos mais velhos? Uma das primeiras coisas que um jovem faz quando começa a ter um rendimento superior é comprar um bom carro, pelo estatuto, pelo sonho que sempre teve ou por qualquer outro motivo.
Não tenho nada contra realizarmos os nossos sonhos. O importante é que sejam enquadrados no nosso património presente e futuro e tenham uma lógica racional. Afinal, um carro não é um investimento, é uma despesa.

Preparar o fim de carreira
«Devemos preparar o fim de carreira.» Oiço frequentemente esta expressão. Hoje em dia, já existe uma maior preocupação com esta difícil transição na vida dos atletas profissionais. Há várias áreas que podem ser afetadas.
A parte psicológica, nomeadamente a perda de uma rotina que se manteve durante anos, é difícil de gerir. Quem joga futebol sabe que o futebol é muito mais do que um jogo. É a camaradagem, o convívio diário, as discussões, os desentendimentos, as palhaçadas e os momentos de muita diversão.
É nos treinos que desabafamos uns com os outros sobre os nossos problemas. A intensidade desta profissão é enorme, a todos os níveis. Existe ainda o mediatismo, que faz muitos jogadores sentirem-se importantes e reconhecidos.
Agora imaginem que, de repente, de um dia para o outro, tudo muda e a luz se apaga. Ficamos em casa e já não vamos para o treino. A carga física pode ser substituída pelo ginásio ou por outra atividade, mas e a adrenalina? O convívio? A rotina acelerada? O propósito do dia a dia?
Outra parte difícil de gerir é a económica. Passamos da certeza para a incerteza. Estamos habituados a receber um salário, em média, superior ao de outras pessoas da mesma idade e, de repente, tudo para.
A realidade é que muitos atletas só se preocupam verdadeiramente com esta questão nos últimos anos da carreira, o que lhes pode provocar ainda mais ansiedade.
Posso dar o meu exemplo. Passei por esta transição de forma precoce. Aos 29 anos, decidi que ia deixar de jogar. Percebi que o mercado de trabalho em Portugal era difícil. Tinha na mão um curso superior valorizado — Economia, na Nova SBE. Teoricamente, tinha um plano B. Na prática, senti-me tão perdido como os outros.
Andei à procura do meu espaço e do meu caminho. Cometi alguns erros que me fizeram crescer muito e desenvolver competências que deveria ter desenvolvido bastante antes. Se há alguma coisa de que me arrependo, não são os erros que cometi, mas sim não me ter preocupado com o processo de transição desde o início da carreira. Pode parecer um paradoxo, mas é claro para mim: se tivesse pensado no final desde o início, as minhas decisões e aprendizagens teriam sido completamente diferentes.
O final de carreira deve preparar-se no dia a dia. Se o fizermos, percebemos que o futebol nos pode dar muitas coisas que outras profissões não nos dão. Temos contactos, experiências, tempo para continuar a crescer noutras áreas e capacidade financeira para investir em nós próprios. O que não podemos é desperdiçar tempo e deixar tudo para os últimos anos.

Do futebol para a vida
O mercado de trabalho em Portugal é rígido. Não é fácil para ninguém entrar numa nova área aos 30 e muitos anos. Pela minha experiência, posso afirmar que a imagem que existe dos jogadores de futebol no mercado de trabalho nem sempre é a melhor. Existe uma desconfiança em relação às suas capacidades. Tudo isto é uma realidade, mas pode ser combatida.
Os jogadores profissionais de futebol desenvolvem capacidades importantes para o mercado de trabalho, como a definição e concretização de objetivos, a aprendizagem contínua, o trabalho sob pressão e a adaptação a novas realidades. Ao longo da carreira, convivem com diferentes tipos de liderança e pessoas de várias nacionalidades, com quem têm de criar relações profissionais e desenvolver empatia. Aprendem a trabalhar em equipa desde pequenos e a reconhecer o seu papel em diferentes contextos.
No futebol, errar faz parte do processo, mas é preciso reagir rapidamente, corrigir e voltar a tentar. É uma capacidade que pode ser muito útil noutras atividades profissionais.
Muitos jogadores, assim como pessoas de fora do futebol, não reconhecem estas características, apesar de serem evidentes. Para as potenciarem, cada um tem de fazer o seu trabalho desde cedo e preparar-se em diferentes áreas, para que, quando o comboio passar pela sua paragem, esteja preparado para o apanhar.

A valorizar: Prestianni
Está a ter um início de época incrível. A consistência que tem mantido jogo após jogo faz dele um jogador imprescindível para Marco Silva.

A desvalorizar: Carlos Vicens
Está a ter um início de época abaixo das expectativas. Nos últimos dois jogos esperava-se outra resposta de um SC Braga que quer lutar por títulos."

Iúri é ouro, 'omnium' de todos


"Ciclista português até já tinha conquistado o título mundial, mas o choro compulsivo de Xangai relembra-nos o sacrifício acumulado daqueles que são verdadeiros campeões sem condições

Não contem comigo para apoiar nacionalismos radicais, mas existem poucas coisas mais emocionantes do que ouvir A Portuguesa entoada por um compatriota no lugar mais alto de um pódio.
Também não contem comigo para classificar portugueses de primeira e de segunda categoria, mas a emoção é ainda maior quando essa conquista surge fora do futebol. Não que tenha a pretensão de fingir que o meu desporto-rei é outro, mas porque isso só faz com que valorize ainda mais quem se torna campeão em qualquer outro desporto, sobretudo a nível individual.
Quando alguém como Iúri Leitão sobe ao lugar mais alto do pódio, a medalha ao peito é de um metal mais puro: ouro de quem tem de garimpar o dobro para conseguir aquilo com que outros só ousam sonhar.
O canoísta Fernando Pimenta, que é do distrito de Viana do Castelo, tal como Iúri Leitão, dizia há dias, na EXPOFUT, que vivia um bocadinho «na sombra do futebol». «Nas modalidades temos de querer mesmo muito e é isso que também nos faz evoluir e alcançar os nossos objetivos», reforçou Vanessa Fernandes, no mesmo painel do evento realizado precisamente na Arena Liga Portugal, no Porto.
Este nem sequer foi o primeiro título mundial de Iúri Leitão, campeão olímpico em 2024 e detentor de seis títulos europeus, mas aquele choro compulsivo, no chão da pista de Xangai, não deixa de ser sacrifício acumulado. Esconde a crónica falta de apoios e de condições de treino, ao mesmo tempo que dá um certo consolo à dedicação de muitos treinadores e dirigentes anónimos, assim como a clubes modestos que investem tudo na missão de colocar estes jovens no bom caminho.
Iúri é novamente campeão mundial de omnium, o latim para «de todos», ou «de tudo». Portugal tem um problema que é cultural, por isso de todos (nós), e mesmo assim forma campeões que fazem de tudo para oferecer títulos que contrariam a lógica das condições que lhes damos."

domingo, 18 de outubro de 2026

Vitória


Benfica 92 - 67 Oliveirense
21-13, 24-19, 26-18, 21-17

Jogo tranquilo, com todos a contribuir, mesmo com os Triplos a não entrarem... a Oliveirense pareceu-me bastante mais fraca, em relação às últimas épocas!

Supertaça perdida...

Sporting 3 - 0 Benfica
25-22, 25-19, 25-22

Infelizmente, a derrota era esperada. Muitas alterações na equipa, novo treinador, e um plantel desequilibrado. Contratamos três excelentes jogadores, mas temos posições com pouca profundidade... Será esperado durante a época, a equipa subir de rendimento, hoje cometemos muitos erros não forçados, mas mesmo sem o melhor pontuador, o Sporting ganhou naturalmente!

Informações falsas no Correio da Manhã


"O Sport Lisboa e Benfica desmente categoricamente as informações publicadas pelo Correio da Manhã sobre a relação da empresa da ATM com o Clube.
É totalmente falso que a ATM fature cerca de 14 milhões de euros ou que alguma vez tenha faturado 7 milhões de euros ao Sport Lisboa e Benfica. São números sem qualquer fundamento e absolutamente disparatados. A faturação comercial da ATM ao Benfica é uma ínfima fração dos valores apresentados, situando-se bastante abaixo de um milhão de euros.
É igualmente falso que a faturação ao Benfica represente 30 por cento do volume comercial da ATM. Falso e mais uma vez disparatado. Os dados são públicos e a relação comercial com o Benfica representa menos de 2% da faturação anual da empresa.
A ATM presta serviços ao Sport Lisboa e Benfica há quase 20 anos, cumprindo os padrões de qualidade e de mercado definidos pelo Clube. Recentemente, na sequência de um concurso internacional, apresentou as melhores condições técnicas e comerciais, tendo o contrato sido renovado.
A escolha dos órgãos sociais da ATM é da exclusiva responsabilidade da empresa; o Sport Lisboa e Benfica é totalmente alheio a essa decisão.
O Benfica não aceita que falsidades e insinuações sejam apresentadas como factos e recorrerá a todos os meios legais para defender o seu bom-nome e reputação."

Um Benfica mais à Benfica


"Ainda sem ganhar absolutamente nada e com cinco pontos de atraso para o líder FC Porto, diria que esta equipa está mais perto de ser um Benfica à Benfica que, por exemplo, a de Trapattoni

Toni fez 80 anos e só isso obrigaria a todos uma reflexão: o que é um Benfica à Benfica? Há uma ideia que vem desde há muito, talvez se tenha dissipado na modernidade do futebol - é só desse que aqui falo -, mas que vive no imaginário de todo o adepto encarnado que cresceu com o que os antepassados lhe foram passando.
Essa ideia, em termos futebolísticos, é de que o Benfica tem de jogar «p’rá frente». Dizia-me alguém durante o jogo com o Celtic que o Benfica dava sempre a sensação que vai sofrer um golo. A resposta não demorou: mas também dá sempre a impressão que vai marcar.
Ninguém duvida de que os adeptos encarnados tenham ficado encantados da vida com o título de Trapattoni, até porque acabou com o longo jejum de 11 anos sem um campeonato. Mas cumprindo ser Benfica pela vitória, essa versão não foi Benfica na plenitude.
Ainda sem ganhar absolutamente nada e com cinco pontos de atraso para o líder FC Porto diria que esta equipa de Marco Silva está muito mais perto de ser um Benfica à Benfica que aquela de Trap.
Os mesmos jogadores que Mourinho tinha estão hoje num patamar mais elevado. Todos melhoraram com Marco Silva e até a gestão do balneário parece agradar aos futebolistas. Isso vê-se pelo modo como o técnico aborda a questão Trubin/Samuel Soares, mas sobretudo pelas palavras de Jhon Durán sobre Pavlidis ser o titular e merecê-lo.
Os papéis parecem claros e assumidos no plantel, sabendo que as opções podem mudar.
Marco Silva está a recuperar uma identidade que não se via desde o primeiro ano de Schmidt, mas o técnico, e todo o país, sabe que o Benfica para ser o Benfica com que os adeptos sonham, tem não só de jogar um futebol ofensivo como vencer títulos. Se perguntarem a Toni, que esta semana fez 80 anos, talvez vos diga que, às vezes, nem isso chega…"

O respeito não tem clube


"Um treinador ganha o campeonato e na época seguinte aceita ficar no mesmo clube para ser adjunto de outro treinador. Sven-Goran Eriksson regressava à Luz. Toni ficava. Mudava de lugar no banco, mantinha-se no clube por exigência do sueco à direção encarnada. Parece ficção, mas só está ao alcance dos grandes de espírito. Daqueles que sabem olhar para a estrada e ver que recuar não é despromoção, mas uma oportunidade para fazer o caminho com maior solidez.
E não foi por falta de resultados: Toni tinha levado o Benfica à final da Taça dos Campeões Europeus no ano anterior. Estugarda, PSV, penáltis, o azar de Veloso. Quem viveu essa noite sabe quanto tempo pode durar uma bola a caminho da baliza. Toni conhecera a distância entre chegar à final e ganhar a final. Uma distância de poucos metros que se carrega durante uma vida.
Em 1989, conquistou o campeonato. Podia reclamar estatuto, entender o regresso de Eriksson como uma afronta. Nada disso. Ficou.
A humildade tornou-se uma palavra barata. Aparece nas apresentações dos jogadores, nos discursos dos dirigentes, nas entrevistas de quem acaba de ganhar. Toda a gente é humilde diante de um microfone. Mas depois chegam as escolhas. Quem manda. Quem aparece. Quem fica com o mérito. Quem aceita ajudar quando deixa de ser o primeiro nome. Aí, a palavra passa a ter um preço. Toni pagou-o. E é por isso que esse episódio conta mais sobre ele do que muitos elogios que possamos escrever no seu aniversário.
Fez 80 anos esta semana. Nasceu em Mogofores, jogou no Anadia, seguiu para a Académica, clube que ocupou o seu coração antes do Benfica, e chegou à Luz em 1968. Foi colega de homens que já tinham conquistado a Europa, ganhando oito campeonatos e quatro Taças de Portugal como jogador.
No longo percurso de treinador, ganhou mais dois campeonatos portugueses e uma Taça.
Pelo meio de tudo isto, e voltando ao início da história, regressou à final europeia em 1990, como adjunto de Eriksson, diante do Milan em que as águias são derrotadas com um golo de Rijkaard. Em qualquer função, há matéria suficiente para uma homenagem feita de resultados. Mas seria uma homenagem incompleta.
Porque Toni é uma das poucas figuras do Benfica de quem um sportinguista ou um portista pode falar com carinho sem sentir necessidade de se justificar. Isto parece pouco até olharmos à volta. Até ouvir as conversas, ler os comentários e perceber a facilidade com que a discordância se transforma numa acusação.
Há quem passe o dia a exigir respeito pelo seu clube e não consiga pronunciar o nome de um rival sem lhe acrescentar um insulto. Até que aparece Toni e pessoas que não concordam em quase nada encontram alguém que respeitam.
Não precisou de disfarçar o seu benfiquismo para ser uma das figuras mais acarinhadas do futebol português. Nunca houve grande dúvida sobre o clube que o fazia sofrer, sobre a vitória que desejava, sobre o lado em que estava. O respeito dos adversários foi conquistado com essa ligação à vista. É isso que o torna significativo.
O adepto do Sporting ou do FC Porto não precisa de esquecer o Benfica para reconhecer o homem. Consegue ver as duas coisas. O rival e a pessoa. Durante muito tempo, julgámos que esta distinção era elementar. Hoje parece uma qualidade extraordinária.
Toni também lhes ganhou. E ganhou jogos que ficaram a doer. Estava no banco nos 6-3 do Benfica em Alvalade, em 1994, a caminho de outro campeonato. O respeito não nasceu, portanto, da falta de confronto. Nasceu apesar dele.
Um adversário pode levar uma tarde, um título, uma noite de sono. Não tem de levar a capacidade de o tratar com decência. Toni ajudou a preservar essa possibilidade num futebol que tantas vezes parece empenhado em destruí-la. Quis ganhar. Soube continuar a conviver.
Vale a pena pensar no que entregamos às gerações que começam agora a sentir o jogo. Ensinamos os nomes dos jogadores, explicamos as regras, oferecemos a primeira camisola. E depois? Que ideia de adversário lhes deixamos? A de alguém que permite que haja jogo ou a de alguém cuja existência nos ofende?
A forma como falamos de futebol também educa. Educa à mesa, no carro, na bancada. Toni tem sido, ao longo de décadas, uma referência para quem quer amar um clube sem passar a odiar pessoas.
Não foi um homem à margem do futebol, protegido das suas contradições. Foi jogador, capitão, adjunto, treinador principal, dirigente. Esteve dentro. Conheceu o poder, a derrota, o despedimento, o aplauso. A sua maneira de estar tem esse peso: foi posta à prova. É fácil recomendar serenidade quando nada nos acontece. Mais difícil é conservá-la depois de uma vida inteira sujeita ao resultado do próximo jogo.
Toni chegou aos 80 anos com histórias para contar e gente de clubes diferentes disposta a ouvi-las. Esse reconhecimento levou muitos anos a construir.
Chamam-lhe o Toni do Benfica. Com razão. Há nesse nome uma vida de dedicação que ninguém precisa de diminuir para a tornar universal. Mas os seus 80 anos são de mais gente. São de todos aqueles (cada vez menos) que ainda sabem reconhecer no futebol um lugar onde se pode competir, perder a cabeça por um golo e, no fim, apertar a mão de quem nos venceu. Toni pertence ao Benfica. O respeito por Toni atravessa os clubes.
Num tempo em que tantos parecem dedicar a vida a polarizar, Toni é um ponto de união. E essa é a sua maior vitória. Merece, por isso, que todos parem por um instante. E que fiquem do mesmo lado. Para lhe dar os parabéns. Não apenas pelo aniversário, mas por nunca ter permitido que o amor a clube o levasse a ser intolerante com os outros. Parece fácil. Devia ser."

Toni, a liderança de um homem bom


"No futebol, estamos habituados a medir a grandeza pelos títulos, pelas vitórias e pelos lugares ocupados na história... raramente começamos por uma qualidade mais difícil de quantificar: a bondade. Toni completou 80 anos e, entre tantas homenagens merecidas, houve uma expressão que me fez pensar: Pedro Proença chamou-lhe um homem bom. Num universo onde a autoridade tantas vezes se confunde com dureza e a ambição com falta de escrúpulos, talvez este seja um dos maiores elogios que se pode fazer a alguém que passou a vida a liderar.
Ser um homem bom não significa ser um líder menos exigente. Significa compreender que podemos exigir sem humilhar, corrigir sem diminuir e vencer sem esquecer quem nos ajudou a chegar lá. E a carreira de Toni oferece-nos uma oportunidade para refletir sobre essa forma de liderar, cada vez mais necessária num futebol onde os resultados parecem justificar quase tudo.
De Mogofores ao Anadia, da Académica ao Benfica, Toni construiu um percurso extraordinário. Na Luz conquistou oito campeonatos nacionais e quatro Taças de Portugal como jogador. Como treinador principal, voltou a ser campeão, em 1988/89 e 1993/94, venceu a Taça de Portugal e esteve ligado a uma das grandes campanhas europeias do clube, mas os títulos, por mais importantes que sejam, não explicam inteiramente a dimensão de quem os conquistou. Há jogadores e treinadores que ficam na memória pelo que ganharam, outros permanecem também pela forma como fizeram sentir aqueles que trabalharam consigo.
Rui Costa conhece bem essa diferença... ao recordar o título de 1993/94, falou de um Benfica marcado por dificuldades financeiras, divisões no balneário e enorme incerteza - atribuiu a Toni uma parte decisiva do mérito por aquela conquista. Mais do que a competência tática, destacou a disponibilidade de alguém que nunca virou as costas ao clube nos momentos difíceis. Liderar quando tudo corre bem é relativamente simples. Liderar quando faltam recursos, quando a confiança está fragilizada e quando os interesses individuais ameaçam o coletivo exige outra dimensão humana. Exige capacidade para unir, escutar, decidir e fazer com que as pessoas voltem a acreditar umas nas outras.
José Mourinho, numa mensagem de homenagem ao antigo treinador, escolheu também colocar o homem à frente do currículo. Recordou a admiração pelo jogador e pelo treinador, mas destacou, acima de tudo, o privilégio de poder chamar amigo a alguém que considera único. É um testemunho particularmente significativo vindo de uma personalidade que conhece profundamente a exigência da liderança no futebol de alto rendimento. A competência pode conquistar o respeito profissional, mas são os valores, a lealdade e a forma como tratamos os outros que permitem transformar esse respeito em relações duradouras.
Jesualdo Ferreira, que partilhou com Toni muitos anos de amizade e trabalho, resumiu esse reconhecimento numa expressão simples: toda a gente gosta de Toni. À primeira vista, pode parecer um elogio menor num meio tão competitivo - não é. Conseguir preservar relações de respeito e afeto ao longo de décadas, atravessando vitórias, derrotas, decisões difíceis e interesses contraditórios, exige uma consistência de caráter que nenhum resultado desportivo consegue garantir.
João Vieira Pinto acrescentou outra perspetiva ao sublinhar o carinho generalizado que Toni desperta, e há aqui uma questão que merece reflexão: quantos líderes conseguem ser respeitados pela sua competência e, simultaneamente, estimados pela forma como se relacionam com as pessoas? No futebol, como nas empresas ou em qualquer organização, confundimos demasiadas vezes autoridade com distância, exigência com agressividade e liderança com imposição. Toni recorda-nos, através do seu exemplo, que é possível ser firme sem deixar de ser próximo e tomar decisões difíceis sem perder a consideração por quem delas é afetado.
A relação com Sven-Göran Eriksson ajuda a compreender essa dimensão... em abril de 2024, quando o treinador sueco regressou à Luz para uma homenagem, Toni esteve entre aqueles que o receberam. Décadas depois de terem trabalhado juntos, permanecia uma amizade construída sobre confiança e admiração mútua. O futebol é feito de relações intensas, frequentemente condicionadas pela pressão dos resultados. Preservá-las quando já não existem cargos, contratos ou objetivos comuns é, na minha opinião, uma das demonstrações mais genuínas de respeito.
Há ainda um ensinamento particularmente interessante na forma como Toni olha para o próprio percurso. Numa entrevista recente a A BOLA, afirmou que o futebol lhe deu mais do que aquilo que ele lhe ofereceu. Depois de tantos títulos, responsabilidades e homenagens, continua a falar com gratidão, e quando recorda as pessoas que marcaram a sua vida, encontra sempre espaço para reconhecer a influência de outros: a honestidade de Borges Coutinho, a grandeza de Eusébio, os ensinamentos de Mário Wilson e as relações construídas ao longo de várias gerações. A gratidão não diminui as nossas conquistas, muito pelo contrário, dá-lhes contexto e lembra-nos que ninguém chega verdadeiramente longe sozinho.
Também a forma como enfrenta as desilusões merece atenção... Toni admitiu que gostaria de ter regressado ao Benfica para encerrar o seu percurso, mas aceitou que os caminhos fossem diferentes. Deixou uma reflexão tão simples quanto profunda: as mágoas azedam a vida. Num ambiente onde tantas relações terminam em ressentimento e tantas divergências se transformam em conflitos públicos, há uma enorme maturidade em saber seguir em frente sem transformar a frustração em amargura.
Aos 80 anos, Toni continua ligado ao futebol, é diretor na Federação Portuguesa de Futebol e conserva o sonho de acompanhar o Mundial de 2030. A sua maior ambição não está associada a um resultado ou a um troféu... na conversa com A BOLA, explicou que consideraria cumprida a sua missão se tivesse ajudado alguém a acreditar mais em si próprio, a ser mais confiante, melhor profissional e melhor pessoa. É uma definição de sucesso que merece ser estudada por todos os que exercem responsabilidades de liderança, independentemente da área organizacional que esteja envolvido.
Na rubrica «Liderar o Jogo», interessa-me precisamente esta dimensão… liderar não é apenas alcançar objetivos, é criar condições para que os outros cresçam, desenvolvam confiança, descubram capacidades e se tornem melhores. Os resultados são importantes, naturalmente que são, mas uma liderança verdadeiramente transformadora deixa marcas que sobrevivem aos resultados. Está nas pessoas que ajudámos a formar, nas oportunidades que criámos, na confiança que inspirámos e na forma como fomos capazes de conciliar exigência com humanidade.
Toni construiu uma carreira suficientemente grande para ser recordado pelos campeonatos, pelas finais europeias e por décadas de dedicação ao futebol português, mas o testemunho de quem com ele trabalhou revela uma conquista ainda mais difícil: o respeito que permanece quando os jogos terminam, os cargos mudam e os troféus deixam de ser o centro da conversa.
O futebol precisa de treinadores competentes, dirigentes preparados e líderes capazes de vencer, mas precisa, na minha opinião, cada vez mais, de pessoas que não percam a humanidade pelo caminho. Toni mostrou-nos que é possível ganhar sem deixar de ser um homem bom e, no fim, essa também é uma forma de ser campeão."

Benfica: do Celtic ao PSG, a lista é longa e não fica bem a ninguém


"Queixas, protestos, denúncias, são demasiados casos para tratar cada episódio como se fosse o primeiro. Há aqui um padrão que merece ser investigado.

Celtic, Liverpool, PSG, Maccabi Haifa, Toulouse, FC Porto, Sporting, enfim. A lista de clubes começa a ser demasiado extensa para continuar a ser tratada como episódios isolados.
Desta vez foram os escoceses do Celtic. Relatam revistas excessivas, intimidação policial e dificuldades no acesso ao estádio. Não é propriamente a recordação que se espera levar de uma noite europeia em Lisboa. Logo eles, que têm uma devoção tão grande pela capital.
Algumas das queixas são contra a polícia, outras são dirigidas aos stewards da empresa de segurança que faz as revistas.
Sempre as revistas.
Já houve denúncias na PSP, já houve protestos formais junto da UEFA, já surgiu até um comunicado do Rangers a avisar os próprios adeptos para a agressividade com que se revista as pessoas na Luz.
A fama persegue o Benfica, portanto.
Mas o mais preocupante nem é isso: é que esta história já foi contada demasiadas vezes. E isso, sim, devia preocupar qualquer pessoa decente e responsável. Qualquer pessoa educada, honesta e digna. Porque um adepto não pode ser tratado à partida como um delinquente e uma revista de segurança não pode transformar-se numa experiência humilhante.
Nenhum adepto de bem quer isso.
Claro que a segurança é indispensável. Claro que ninguém quer regressar aos tempos em que assistir a um jogo de futebol podia representar um risco sério.
Mas o que falamos aqui é mais do que apenas isso: é um padrão que merece ser investigado.
O problema, aliás, está longe de ser um exclusivo do Estádio da Luz. O futebol português tem demasiadas vezes uma forma hostil de receber os adeptos visitantes. Mas no caso do Benfica, os relatos têm sido particularmente duros... e repetitivos.
Uma queixa pode ser um incidente. Duas podem ser uma coincidência. Quando a lista parece não ter fim, já se obriga a uma explicação.
Não é razoável tratar cada episódio como se fosse o primeiro."

O bem e o bonito


"Creio ter sido Fernando Santos quem introduziu há uns anos a dicotomia entre jogar bem e jogar bonito, na sequência do Europeu (de 2016) que foi o do nosso contentamento, mas esteve longe de ser o do nosso encantamento. Johann Cruyff, que tem sempre frases melhores que as dos mortais, dizia que «qualidade sem resultados não serve para nada e os resultados sem qualidade são aborrecidos».
O Sporting atual anda algures à procura do equilíbrio entre ambos e Rui Borges, depois de ter reinventado o plantel no verão, decidiu reinventar a equipa. O 4x3x3 utilizado em dois jogos de maior dificuldade, Braga e Lens, acabou por fazer sentido nesse contexto tático específico, já que e defesa estabilizou com Altimira na linha de 5 e, com três médios, Doumbia ganhou metros e liberdade para os percorrer, ao mesmo tempo que Irankunda encontrava um corredor para acelerar, a partir do qual começa a criar com Suárez uma relação que promete estragos.
Contra adversários que pressionam alto e deixam espaço atrás é fácil perceber as vantagens. Falta descobrir a outra metade da experiência: se resulta igualmente bem quando o Sporting tiver 70 por cento de posse, onze adversários atrás da bola e uns 15 metros para jogar em vez de 50. No fundo, sistemas não são soluções, são ferramentas.
E é sempre perigoso concluir que uma chave é ótima porque abriu duas portas difíceis, antes de sabermos se também abre as outras trinta. Parece-me claro que a equipa está menos bonita, longe da qualidade do ano passado e também por ter deixado cair a qualidade entrelinhas de Flávio Gonçalves. Coisa diferente é dizer se está no caminho do bem, eu pelo menos acho mesmo muito prematuro afirmar isso.
Bem e bonito joga o Benfica, mais bonito ainda que bem, dirá a maioria, já que, sobretudo com bola, é a equipa mais entusiasmante da Liga até agora. Isso não significa necessariamente que seja a melhor, distinção importante para não cairmos na confusão anterior, até porque defensivamente tem-se exposto a erros – individuais e coletivos - que perante rivais de topo podem frustrar uma época que promete.
Ainda assim, Marco Silva construiu em pouco tempo uma equipa forte e sedutora, assente nas muitas formas como progride ofensivamente: sabe tanto ligar por dentro como atrair e libertar espaço fora, acelerar por passe ou condução, instalar-se com bola e paciência qb no meio campo do opositor e assim aproximar da baliza contrária os seus jogadores mais decisivos.
O maior mérito do técnico encarnado pode estar aqui: Prestianni à frente dos demais, mas também Schjelderup, Rafa, Pavlidis, Sudakov ou Echeverri não têm de inventar futebol a partir do nada, recebem-no já organizado para poderem acrescentar a parte que não se organiza. Uma boa equipa não é aquela em que o treinador decide tudo. É aquela em que decide o suficiente para que os craques possam decidir bem o resto e fazer do jogo um sítio mais bonito.
Menos formoso, mas sempre seguro segue o FC Porto, sobretudo na Liga doméstica, com Farioli a demonstrar de novo que as suas equipas sabem competir mesmo quando não conseguem seduzir, e que podem ser felizes a partir dessa capacidade para insistir, pressionar e acreditar sempre, que permite ganhar os jogos até quando a inspiração não aparece. Mas crença não é domínio.
O Porto sabe impor sofrimento a quase todos em Portugal, falta-lhe impor futebol a equipas mais fortes - como se viu diante do Bétis - que não entram em pânico quando pressionadas. Individualmente, perdeu por lesão um William Gomes que estava exuberante, mas recuperou entretanto Pietuszewski, o que claramente atenua o dano, pelo indiscutível talento do miúdo polaco mas também porque permite a Pepê estar disponível para mais uma mudança de corredor (não vejo Borja Sainz como boa solução à direita).
Talvez mais importante ainda é o que acontece no centro: Samu está de volta e decerto animado pelo grande golo em Sevilha, enquanto Giménez ganha condição para ser decisivo na área e é muito o que pode acrescentar nesse momento. Com André Silva ainda a lutar pelo espaço, Farioli pode agora decidir sobre quem utilizar quando antes nem rodar podia. O jogo portista dificilmente evoluirá esteticamente, mas a eficácia pode aumentar, e é ela, por regra, que anula qualquer discussão entre bem e bonito.
Uma nota ainda para o caso das últimas semanas. Cristiano Ronaldo abandonou por sua iniciativa um estágio da Seleção. Uns dias depois, e na primeira reação ao caso, o presidente da Federação chegou ao ponto de dizer que todos devíamos prestar uma vénia a quem prevaricou. Sucede que o próprio Ronaldo, mais uns passados, pediu desculpa pelo que fez e até reclamou um castigo (sem atenuantes) para si próprio. Gratidão é uma coisa, subserviência é outra. Não consigo prever como isto irá acabar, mas dificilmente será bem. E até agora não foi nada bonito."

Quando o futebol português acerta, também é notícia


"Digam o que disserem, proteger os clubes que estão nas competições europeias não é favorecer os grandes: é favorecer-nos a todos

Ponto prévio. Este artigo não deve parecer um agradecimento institucional, porque não é. Afinal de contas, tomar boas decisões também faz parte das obrigações de quem dirige.
Esclarecido este detalhe, convém então avançar para o essencial, para dizer que decisão de dispensar os clubes «europeus» da terceira eliminatória da Taça é uma boa decisão. Simples, sensata e, sobretudo, reveladora de uma ideia que nem sempre parece evidente a toda a gente: o sucesso internacional dos clubes portugueses interessa a todos. 
Mas vamos por partes.
Eu sei que há, naturalmente, quem considere que esta decisão está a destruir o espírito democrático da Taça e que há quem veja nela também uma desigualdade de tratamento.
É legítimo.
Mas convém não esquecer que igualdade não significa necessariamente regras iguais para todos. Tem de significar, isso sim, regras que sirvam a todos. E uma regra que beneficia um clube português lá fora, não está apenas a beneficiar esse clube.
Uma vitória na Europa, recorde-se, vale pontos para o ranking, ajuda a preservar lugares nas competições internacionais, gera receitas e reforça o prestígio de um campeonato que precisa desesperadamente de se valorizar.
Ou seja, quando um clube português ganha na Europa, não ganha apenas para si.
É por isso que proteger a competitividade internacional não deve ser confundido com favorecer os clubes poderosos. Não há aqui nenhum privilégio. Há, ou pelo menos devia haver, uma opção estratégica.
O que nos devolve ao início deste texto. É que se há coisa que aqui no Maisfutebol sempre fizemos com particular entusiasmo, foi criticar os dirigentes. E com razão. Entre calendários absurdos, guerras de bastidores e decisões difíceis de compreender, matéria-prima não nos costuma faltar.
Desta vez, porém, não podemos deixar de elogiar. Sem transformar ninguém em herói, afinal é para tomar decisões sensatas que eles lá estão. Mas sublinhando, sim, que se queremos um futebol português mais competitivo, mais valorizado e mais respeitado internacionalmente, precisamos de decisões como esta.
Que nos beneficiem a todos. Aos clubes que estão nas competições europeias e aos que sonham um dia lá chegar."

Tony: Debate...

Tudo é um exagero em Prestianni

BolaTV: Prestianni...

BF: Transferências...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Rui Jorge vs. Pedro Proença. Está o caldo entornado na FPF?

Zero: Negócio Mistério - Beto no Real Madrid

Futpedia #31 - ESTE EPISÓDIO TEVE AS RESPOSTAS MAIS LOUCAS DE SEMPRE 😂

Vinte e Um - Como eu vi - Celtic...

Letria, a letra fundamental


"Acabei de aterrar em Madrid. Tinha pensado escrever sobre o futebol espanhol, a atractividade da sua liga profissional. Fica para a próxima semana. Porque faleceu o Joaquim Letria.
Quem me conhece, sabe que não sou necrológico, nem das páginas de jornais, nem nas redes sociais. Mas Letria não é um qualquer jornalista. Aliás, ele foi o primeiro, na minha carreira, a demonstrar que era muito mais do que um escriba ou um bem falante.
Relembrar agora Letria é, sobretudo, olhar para um período único da comunicação social portuguesa, em momentos social e politicamente conturbados.
Escrevo aos mais jovens, aos jornalistas cuja memória será menos abrangente e o olhar mais absorvido pela espuma dos dias, pela emergência do falar, mais do que dizer, do contar, mais do que esclarecer.
Porque o jornalismo está, de facto, a atravessar períodos muito complexos. E não se trata, apenas, da emergência da atualidade, da rapidez, das redes, do agora ou nunca. É uma questão ética, deontológica, e que se refere, no essencial, à preparação do jornalista, à sua capacidade de entendimento do real, ao seu momento de definição do que é verdadeiramente importante, e da distinção em relação a tudo o resto.
Em todos estes aspetos, Joaquim Letria era Mestre. Na perceção do essencial, na derivação em relação ao acessório, na confrontação com Cadilhe ou Mário Soares.
Ele (Letria) contou-o em livro: quando o antigo Presidente da República lhe solicitou, antes de uma entrevista de fundo, que não lhe fizesse determinada pergunta… pois foi justamente por essa questão que a entrevista começou.
Entrevistou Cadilhe para uma cadeira vazia. Lançou, tal e qual o jornalismo deve ser defendido, o 'Tal & Qual'. Foi sempre equidistante e independente, mesmo quando foi a França encontrar-se com um dos gurus da comunicação política gaulesa, a propósito do convite para ser porta-voz de Ramalho Eanes.
Os mais jovens devem cultivar a memória de uma História do jornalismo português que não se faz nas secretárias, que não se motiva nos likes, que não se resume aos soundebites, que não resulta, definitivamente, se só pensarmos nas escolhas efémeras.
Esta ideia de um Joaquim Letria que marcou gerações permanece, no sentido ético da profissão. O essencial distinguido do acessório, a capacidade de mostrar um país real, longe da evolução propagada e forçada pelas narrativas políticas, de dar voz aos cidadãos, de com essa voz legitimar a condição mais pura, simples, efetiva e marcante do ser jornalista, é o elemento diferenciador de uma carreira profissional.
Letria sempre o foi. Polémico, distintivo, marcante, desafiante.
E é interessante verificar e testemunhar a evolução do jornalismo português, nos últimos anos, muito por força de dois fatores: a formação académica, na minha opinião deficitária e não efetivamente preparatória dos futuros licenciados para o exercício da profissão, e a não demarcação do jornalismo em relação à emergência das redes, à sua verificação sistemática e à condição de aproveitamento que muitos media e imensos profissionais delas fazem, quantas vezes ao arrepio das mais básicas e elementares bases da profissão.
Tenho — confesso — muitas dificuldades em compreender a adesão de respeitáveis órgãos de comunicação social aos modismos digitais, travestindo notícias, priorizando clickbites em detrimento da seriedade e da verificação prévia das fontes, em duplicado ou em cruzamento triplicado.
Do mesmo modo, não suporto o sensacionalismo para o qual parecem formatados tantos e tantos recém-licenciados, ávidos de ganhar lugares a todo o custo, e incapazes de perceber o que está em causa e como o defender: a credibilidade do jornalismo.
E, neste aspetos, conviria conhecer Joaquim Letria, uma das referências essenciais para se compreender a História e a Memória do jornalismo em Portugal. Sobretudo, no que diz respeito à dignidade, à independência e à equidistância. Valores únicos e sempre suportados pela elementar capacidade de ouvir e escutar, de olhar e ver, de tocar e sentir, de conhecer e perceber.
Hoje, quando soube do passamento físico do Joaquim, percebi que tudo o que escrevesse nesta página teria, forçosamente, a ver com ele, com a sua carreira, com o seu legado.
Faleceu como viveu: discretamente. Tentando inovar, tentando diferenciar, tentando democratizar, tentando humanizar. E é nessa múltipla dimensão, da memória e da consciência, que todos, mas sobretudo todos os jornalistas, o merecemos recordar.
Se o fizermos, estaremos mais próximos de ser melhores, mais justos, mais equilibrados, mais credíveis. Acima disso: mais humanos.

CARTÃO BRANCO
Gosto muito de Roma. Da cidade, da sua história, do modo como convive com o Vaticano. Das suas gentes, da forma como me sinto em casa em qualquer momento e em qualquer recanto da Cidade Eterna. Não me espanta o amor imenso que os tiffosi da AS Roma têm por José Mourinho. Mas o que fizeram, na curva sud do Olímpico, na receção ao Real Madrid, ultrapassa o normal e roça o celestial. Mourinho conseguiu criar, com os adeptos da Roma, uma relação talvez inimaginável à partida. É muito mais do que momentos partilhados entre treinador e adeptos. É umbilical, pessoal e intransmissível. De levar às lágrimas, a homenagem dos tiffosi ao treinador português demonstra que o futebol é muito mais do que um jogo. É a vida. Ela própria, vivida e sentida ao limite.

CARTÃO AMARELO
Sou do tempo em que o hóquei em patins era uma da modalidades mais queridas dos portugueses. Estive no Mundial de San Juan, na Argentina, em 1989, e no de Wuppertal, na Alemanha, em 1997. Conheci os principais protagonistas, heróis, extraordinários praticantes. É constrangedor ver o que se passa com o Mundial no Paraguai. Bancadas vazias, entusiasmo nulo, reflexo direto na dimensão mundial da modalidade, cada vez menor abrangência de algo que, em tempos áureos, enchia pavilhões e mobilizava multidões. É urgente repensar o hóquei em patins, as suas regras, o seu modelo competitivo, sob pena de, dentro de muito pouco tempo, acabar por ser um desporto residual…"

O tempo, o adversário que nem Cristiano Ronaldo conseguiu vencer


"Aquiles foi confrontado com uma escolha: viver uma vida longa e anónima ou morrer jovem, coberto de glória. Escolheu a segunda e, três mil anos depois, continuamos a falar dele.
Aquiles morreu jovem, no auge da sua glória.
Foi o maior guerreiro da Guerra de Troia, quase invencível. Mas a sua superioridade dependia também da juventude, não apenas da força, da coragem ou da proteção dos deuses.
Segundo a mitologia, a mãe mergulhara-o nas águas do rio Estige para o tornar invulnerável, mas, ao segurá-lo pelo calcanhar, deixou uma pequena parte do corpo desprotegida.
Aquiles também conheceu os perigos do orgulho. Humilhado por Agamémnon, o comandante dos gregos, que lhe retirara Briseida, a sua cativa, abandonou o combate.
A sua ausência teve consequências devastadoras para os gregos. Só regressou para vingar a morte de Pátroclo, conquistando a glória que o tornaria imortal.
Segundo a tradição, uma flecha de Páris atingiu-o no calcanhar, pondo fim à vida do maior dos guerreiros.
Cristiano Ronaldo fez uma escolha diferente: quis a glória de Aquiles, mas recusou a brevidade da sua existência.
Durante mais de duas décadas, desafiou adversários, recordes e os limites do corpo humano.
Prolongou a juventude desportiva até aos limites do sobre-humano, mantendo uma capacidade competitiva que parecia incompatível com a passagem dos anos.
Mas até o extraordinário tem limites. O tempo acabou por chegar, muito mais tarde do que qualquer um poderia razoavelmente esperar.
A história do desporto está cheia de heróis que tiveram de enfrentar esta escolha.
Eusébio terminou a carreira longe dos grandes palcos, depois de passar pelo Beira-Mar e pelo União de Tomar.
Muhammad Ali recusou abandonar os ringues quando já não era o mesmo. A sua grandeza permaneceu intacta, mas nos últimos combates já não era o campeão que o mundo admirara.
Michael Jordan teve a despedida perfeita em 1998. Conquistou o sexto título da NBA, marcando o lançamento decisivo. Mas não resistiu à tentação de regressar aos 38 anos, pelos Washington Wizards, onde continuou a ser um excelente jogador, mas em duas épocas não conseguiu sequer atingir os playoff.
Michael Schumacher também teve a oportunidade de abandonar no topo. Despediu-se da Ferrari em 2006, com sete títulos mundiais e ainda capaz de lutar pelo campeonato.
Regressou quatro anos depois, aos 41 anos, pela Mercedes. Em três temporadas não venceu uma corrida e subiu apenas uma vez ao pódio.
Tom Brady, considerado por muitos o maior jogador da história do futebol americano, anunciou a retirada aos 44 anos, depois de conquistar sete Super Bowl.
A despedida durou apenas 40 dias. Voltou para mais uma temporada, antes de finalmente abandonar aos 45 anos.
Outros escolheram sair enquanto ainda podiam vencer. Zinedine Zidane abandonou depois de conduzir a França à final de um Mundial, Pete Sampras despediu-se conquistando o US Open e Nico Rosberg retirou-se poucos dias depois de se tornar campeão mundial de Fórmula 1.
Cristiano escolheu um caminho diferente. Não abandonou no auge, nem se retirou para depois regressar.
Continuou, ano após ano, a desafiar os limites da idade. E conseguiu-o.
Seria injusto condená-lo agora pela mesma ambição que o tornou extraordinário. Foi precisamente por nunca aceitar os limites que se tornou um dos maiores desportistas de todos os tempos.
A determinação que constrói os grandes campeões é também aquela que lhes dificulta a despedida.
Há, contudo, uma diferença fundamental entre Cristiano e alguns destes heróis.
Jordan regressou numa equipa que já não disputava o título e Schumacher voltou numa Mercedes que ainda não era a potência dominante da Fórmula 1.
Ambos continuaram na elite das respetivas modalidades, mas em condições competitivas inferiores às dos seus anos de glória.
Cristiano também aceitou baixar o nível competitivo quando trocou o futebol europeu pela Arábia Saudita. Uma escolha legítima, que lhe permitiu continuar a jogar, marcar golos e prolongar uma carreira sem paralelo.
Mas há uma contradição que não pode ser ignorada: a Seleção Nacional é uma das melhores do mundo.
Portugal tem hoje uma geração de jogadores capaz de competir com os melhores. Não pode subordinar o seu futuro à vontade de um único futebolista, por maior que seja a sua história.
A questão não é saber se Cristiano ainda consegue marcar golos, nem sequer se pode continuar a ser útil à Seleção.
É saber se a sua presença, nas condições que ele pretende, torna Portugal uma equipa melhor.
São perguntas diferentes, que exigem respostas igualmente diferentes.
Também não seria justo exigir-lhe que renunciasse voluntariamente àquilo que sempre definiu a sua existência.
A ambição, a disciplina e a recusa em aceitar a derrota não desaparecem porque o corpo envelhece.
O último grande desafio de Cristiano já não é marcar o golo 1000 ou bater mais um recorde. É aceitar que deixar de ser o melhor jogador de Portugal não significa deixar de ser o maior da sua história.
Aquiles escolheu morrer jovem para que a sua glória fosse eterna. Cristiano Ronaldo quis prolongar a juventude para continuar a conquistar a glória.
Ambos alcançaram a imortalidade, mas há uma diferença entre desafiar os limites e recusar a sua existência.
O tempo acabou por vencer Cristiano Ronaldo. E isso não diminui a sua grandeza. Pelo contrário: demorou mais a vencê-lo do que a todos os outros.
A recusa em aceitar o inevitável não pode prejudicar a memória de tudo o que conquistou."

Aplausos são no final do jogo


"Quando um Governo anuncia a «maior dotação de sempre» para o Desporto, a primeira pergunta deve ser: quanto chega ao terreno? As verbas anunciadas no OE2027 só terão significado se melhorarem as condições de quem faz o Desporto acontecer diariamente. Um Orçamento não se lê pela chamada de capa. Lê-se pelo que permite fazer.
Troquemos as contas por miúdos. As transferências correntes, onde estão incluídos os apoios do IPDJ às federações, passam de 93,8 para 94,1 milhões/€. Um aumento de 0,3%. O Governo prevê uma inflação de 2,9% para 2027.
Para esses apoios valerem em 2027 o mesmo que valem hoje, teriam de rondar os 96,5 milhões. Faltam cerca de 2,4 milhões. É como receber um aumento salarial de 0,3% num ano em que tudo fica 2,9% mais caro. No papel, ganha-se mais. No supermercado, leva-se menos no carrinho.
Para uma federação, esse carrinho chama-se competições, deslocações, arbitragens, treinadores e seleções. Para um clube de base, é a diferença entre abrir mais um escalão ou limitar os existentes. O envelope cresce, mas o dinheiro que chega ao terreno pode encolher. É um Orçamento de continuidade e não de reforço estrutural.
Isto preocupa-nos porque já conhecemos o filme. No ano passado, o anúncio foi semelhante. Saudámo-lo e alertámos para a necessidade de chegar à atividade regular das federações. Ouvimos, depois, de quem está no terreno, que o impacto ficou aquém. Em abril, o próprio Governo reconheceu essa necessidade e anunciou uma verba extraordinária para o efeito. Respondeu a insuficiências, mas não substitui a sustentabilidade e previsibilidade necessárias. Não podemos aplaudir duas vezes o mesmo cenário sem saber o ponto de chegada.
Está em jogo mais do que números. Perdemos demasiados jovens pelo caminho e os escalões juniores e seniores perdem peso relativo no total de federados. Os apoios olímpicos e paralímpicos são fundamentais, mas o alto rendimento começa muito antes: no trabalho invisível dos clubes e nas condições que damos a milhares de jovens para continuarem a competir. E o direito à prática desportiva exige oportunidades de continuidade também para quem nunca chegará ao pódio.
Mas a CDP não se fica pela crítica. Insistimos, por isso, na criação de um Fundo de Desenvolvimento Desportivo, financiado por parte das receitas do Imposto Especial sobre o Jogo Online, sem aumentar o imposto nem pesar no OE2027. Seriam 12 a 15 milhões/ano, para desenvolver as modalidades, com critérios claros e exigentes definidos pelo IPDJ. Uma proposta aprovada por unanimidade pelas federações que voltaremos a levar aos grupos parlamentares.
O debate parlamentar pode transformar um recorde de verba em impacto concreto. Os partidos que celebram as medalhas dos nossos atletas podem agora garantir condições para os percursos que as tornam possíveis. Os aplausos ficam para o final do jogo. Agora, é preciso garantir condições para o jogar."