Últimas indefectivações

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O zero e os sinais


"Depois de uma pré-temporada mais uma vez atípica, agora com mundial de seleções, jogadores a chegar a "conta gotas" e a competir quase no dia seguinte, o Benfica começou hesitante na Europa e, passo a passo, parecia dar sinais de franca melhoria que o primeiro jogo da Liga não afastou, mas que o resultado, muito pior que a exibição, não deixará de pesar. Se o jogo europeu trouxe uma quase qualificação para os play-off, a entrada na Liga foi à porta fechada, sem a força dos adeptos, resultado de uma decisão inédita e contra natura de supostos órgãos do futebol que impedem que a razão de ser do jogo estejam presentes no arranque da Liga.
Outros castigos semelhantes para outros se seguirão, pois a prática que supostamente visa punir é transversal e não se pode admitir que a decisão tenha sido cirurgicamente escolhida para esta ocasião. Ainda assim, milhares de benfiquistas foram receber os jogadores, até jogando bem e dando tudo, não conseguiram manter o tal zero que Marco Silva qualificava como fundamental para os campeões.
A crueldade do futebol, duas bolas à barra e uma ao poste, mais a excelente exibição do Académico e do seu guarda-redes fizeram o resto. A exibição até foi boa, os sinais estão lá, mas a crueza dos números são penalizadores. Outro tipo de sinais, que também penalizam e intensificam-se, são a incompetência dos órgãos da Federação. O campeonato começa com mais uma revogação de um castigo tonto aplicado ao então treinador do Benfica pelo Conselho de Disciplina e continuou na inexplicável nomeação de Gustavo Correia que tem uma difícil relação com a verdade que não o impede de ser premiado com uma nomeação para a primeira jornada depois de ter sido apanhado a mentir num relatório que gerou mais castigos para dirigentes do Benfica."

Às vezes querem fazer-nos passar por tolos


"Episódios no arranque da temporada 2026/27 lembram-nos como o futebol em Portugal parou no tempo; ninguém assume responsabilidades e provavelmente nunca sairemos deste círculo

Um jogo à porta fechada (Benfica-Académico Viseu) no arranque da temporada 2026/27 como punição de atos ocorridos em 2022/23 (quatro anos depois, portanto) e um Estrela da Amadora-Sporting disputado num relvado mau, uma semana depois de a Supertaça Cândido de Oliveira entre o campeão FC Porto e o vencedor da Taça de Portugal, Torreense, ter sido desenrolada num igualmente péssimo piso, pintado a spray de verde à última hora numa tentativa saloia de mascarar a incompetência ou falta de fiscalização.
Felizmente que a Federação Portuguesa de Futebol anunciou, a seguir à realização da Supertaça, que iria tentar obter explicações sobre o que sucedeu num evento organizado... pela Federação Portuguesa de Futebol, na mesma ótica a Liga Portugal garantiu que será «mais rigorosa» a partir de agora na fiscalização dos relvados, situação afinal nunca vista nos estádios nacionais. Afinal, como se percebeu pela justificação oficial, o calor acabou por ser um problema no tapete do José Gomes, visto que a canícula é um fenómeno raro em agosto, como certamente será anormal assistirmos a imperfeições por causa da chuva em novembro, mês habitualmente reservado a banhos de sol.
Já no Benfica assiste-se às queixas da lei e da morosidade, outros de manobras dilatórias que redundaram num castigo de algo que quase já ninguém se lembra. Podem os dirigentes assumir discursos pomposos ou prometedores ou, por outro lado, ouvir-se a ladainha do costume. No futebol em Portugal, regra geral, ninguém assume responsabilidades. É algo cultural e que se explicará pela lógica tribal de um desporto que move paixões exacerbadas e por outro lado na ausência de lideranças fortes e macro, acima de interesses setoriais (clubes, árbitros, adeptos).
O mesmo pode dizer-se na forma como o Benfica atacou o tema do jogo à porta fechada: gastou mais tempo e dinheiro em advogados do que em eliminar, de uma vez por todas, aqueles que prevaricam nas bancadas, mas também nas ruas portuguesas e europeias - é bom lembrar que continua sob alçada disciplinar da UEFA após incontáveis episódios de distúrbios em jogos da Liga dos Campeões. Com os meios disponíveis em 2026, há muito que a questão já podia estar resolvida. Os ingleses resolveram-na há mais de 30 anos, numa escala muito maior e sem videovigilância e digitalização. Porque assumiram os erros e, mais importante, tiveram mesmo vontade de mudar."

Primeiro jogo do campeonato e…


"Gira o disco e toca o mesmo.
Ponto prévio, não gosto de Marco Silva, não o tenho como o super treinador que vão vendendo, tem um ponto positivo, está nas boas graças daqueles que tanto criticaram e bateram nos seus antecessores, e quanto mais não seja, esse é um ponto positivo.
Para mim o treinador é o epicentro do projeto desportivo, se tal não o fosse, na história das conquistas figuravam os nomes de presidentes e dirigentes e não dos treinadores que são pagos a peso de ouro…
“Não tive tempo de escrever tudo…vou continuar agora…”
Continuando..:
Por esse motivo, o treinador precisa de 2/3 anos para implementar um modelo e filosofia, independentemente do presidente, dos diretores do que quer que seja, essa é a única razão para eu defender Marco Silva à frente do Sport Lisboa e Benfica porque para mim não passa do Vitor Oliveira (e muito respeito tenho pelo Vitor Oliveira e todo o seu trabalho ao nível de segunda liga em Portugal que é ímpar em Portugal) da era moderna…porque o Marco rendeu em Inglaterra…mas em equipa do meio para baixo…quando lhe deram algo mais falhou.
Espero que ele olhe para a equipa e que tenhas capacidade para exigir mudança, melhoria em termos defensivos, melhorias nas posições que ganham campeonatos e não jogos, porque é aí que pecamos e muito, na defesa e posição 6."

Fazer Benfica é fazer política


"Apesar de o Benfica já ter começado a época há algumas semanas, só agora arrancou o campeonato e logo de uma forma inusitada: estádio vazio. Um estádio sem pessoas é como cozido à portuguesa sem enchidos, rock sem guitarras, arbitragem sem casos. A experiência é avassaladora, mas não é incomum. Aliás, ainda está na memória de muitos o que vivemos durante a pandemia ou nas penalizações a outros clubes. Ah, não? Bom, parece que, afinal, nisto fomos pioneiros. “Fazer o que não foi feito”, já diz o outro.
Deixemos, por uns momentos, a questão da justiça da pena para outras núpcias, mas creio que somos unânimes em considerar que a resposta do clube foi “aparentemente” tardia — digo que é uma questão de aparência porque um encontro daqueles não se faz de um dia para o outro —, mas deixou-nos a todos impressionados. Mais do que isso, confiantes de que, afinal, é possível receber sempre assim a nossa equipa no nosso estádio. Então, porque não o fazemos mais vezes? Esta é uma das respostas de um milhão de euros, e bem que precisamos do dinheiro para guarda-redes, centrais, laterais, patrões do meio-campo e mais uma posição ou outra.
O dia seguinte ao primeiro empate na nossa fortaleza — enquanto construção militar histórica que serve muitas vezes de ponto turístico, porque, defensivamente, já viveu melhores dias — trouxe-nos mil discussões: faltou golo, pragmatismo, criatividade, homem-golo, basculações, extremos assimétricos, liderança na defesa, Deus no comando. Faltou muita coisa, mesmo sabendo que até fizemos bastante em comparação com anos recentes.
Mas a minha tirada preferida foi que faltou “não misturar política e futebol”. Anos e anos a ver treinadores despedidos, jogadores dispensados, críticas a jornalistas e ataques a árbitros e, afinal, tudo se resolvia transformando o jogo de futebol num mundo asséptico. Mas cuidado com os puristas: o próximo passo é acabar com a bandalheira do cinema, do teatro ou da literatura com leituras políticas, que isso de ver significados e simbolismos em tudo o que vemos não lembra ao Diabo? Posso dizer Belzebu? Será politizar a Besta?
Voltemos então à vaca fria — o que eu deliro com expressões populares, juro. Porra, será isto uma forma de fazer política com a minha escrita? —, portanto, o grande problema do atual Sport Lisboa e Benfica é ter, entre os seus milhões de adeptos, sócios, apaixonados (e até alguns figurantes quando dá jeito), pessoas que têm crenças políticas e ousam levar para as proximidades do seu estádio uma bandeira com as cores de uma melancia.
Reparem: não foi o clube que, institucionalmente, decidiu apoiar um lado de uma das guerras mais mediáticas e problemáticas do último século; o que aconteceu é que um, dois (três, quatro?) adeptos levaram uma bandeira consigo para uma celebração do Benfica. Portanto, bandeiras da Ucrânia, Noruega, Espanha, Brasil, Turquia, Croácia, uni-vos, que na Luz não entram mais. E esqueçam equipamentos de outros clubes, cores ou a total ausência de referências ao nosso vermelho — exceto no nosso terceiro equipamento. A partir de agora, só há uma cor no nosso clube: o vermelho e branco. O que me levou a este desabafo foi a admiração por ver tantas pessoas a confundirem política com partidarismo. Há política em todo o lado. Juntar-se com uns amigos e fundar o melhor clube do mundo é uma decisão política. Sim, o associativismo é uma forma de fazer política porque é um dos expoentes máximos da ideia de comunidade e de fazer algo que não nos serve só a nós, mas a muitos outros para além dos nossos tempos.
Eu sei que pode ser um pouco mind-blowing, contudo, sejam fortes, que o automóvel ainda não parou e as surpresas não ficam por aqui.
Ninguém duvida de que a História é uma ciência social que tem sofrido bastante ao longo dos anos, passando do desprezo à tentativa de controlo e reescrita, da desvalorização dos historiadores à criação de especialistas feitos na internet. Não desvalorizemos o poder das plataformas e dos diferentes formatos: eles permitem chegar a mais pessoas, mas temos de ser curadores e críticos. Não há volta a dar: também na História há muitas histórias por contar ou mal contadas. Faço este preâmbulo para lançar um convite: investiguem e leiam mais sobre a história do nosso clube. Ela é extensa, preenchida e pedagógica. Temos lá vários exemplos de como podemos e devemos ser mais pessoas. E há algo comum a quase todos os momentos: ser do Benfica é fazer política.
A bibliografia sobre clubes e identidade tem crescido muito nos últimos anos, por isso pego numa questão transversal a muitos deles: o que nos faz ser do clube X são as vitórias ou os seus valores? Encontrar a resposta a esta dúvida pode trazer bastante tranquilidade a cada um de nós. Veja-se: se formos de um clube “grande” e tendencialmente vitorioso, é fácil saber se estamos num bom momento: estamos a ganhar? Se formos de um clube onde os nossos valores são a essência, então a pergunta deverá ser: continuamos fiéis aos nossos princípios?
Atenção: esta matriz identitária pode ser tão lata como aspetos geográficos, religiosos, sociais, etc. No fundo, quase sempre política.
Por isso, quando pensamos no que o Sport Lisboa e Benfica é para cada um de nós, também temos de responder a esta questão. Vitórias ou valores? Eventualmente, os dois. Sendo que não existe uma resposta correta, mas existe a adequação à mesma e a gestão de expectativas conforme a escolha. E chegamos então ao átrio do Estádio ou ao cerne da questão: qual é o problema de ter uma bandeira bem no meio das celebrações populares e orgânicas dos adeptos de um clube?
Porque, se um adepto isolado representa um clube, então, meus caros, temos um grave problema. Porque temos racistas, xenófobos, agressores de mulheres, mas também anarquistas, liberais, ecologistas, socialistas, até vegetarianos, e representam-se apenas a si próprios (a menos que estejam equipados ou em funções de representação oficial).
E pluribus unum. O Sport Lisboa e Benfica faz-se de muitos. E isso significa respeitar as diferentes mundivisões dos seus sócios e adeptos, mesmo quando nos custa. Claro que temos direito a opinar que a pessoa X não me representa, que não gosto de a ver como adepta do meu clube, etc. Já o fiz e senti.
Mas o que não devemos fazer é pedir ao clube para impedir essas pessoas de celebrarem o clube, a menos que o façam de uma forma institucional e que os valores defendidos sejam contrários aos do clube.
Porque a derradeira oferenda do Benfica aos seus deve ser esta: a capacidade de aceitar o diferente, sobretudo quando ele está ao nosso lado na bancada."

Guarda-redes...

Tiki-Tasca #9 - Varandas devia ir preso

Zero: Entrevista: Léo Gugiel: «Tive um papel fundamental para a conquista do título»

DAZN: F1 - A pausa de verão chegou .. mas a Fórmula 1 não fica em pausa por aqui 👀

Pre-Bet Show #187 - O CAMPEONATO JÁ COMEÇOU... QUENTE!🔥

Oliveira: Empate...

Oliveira: Jornada...

SportTV: Titulares...

MasterVi: Mercado...

Zero: Mercado - FC Porto pensa em diamante do PSG

BF: Inglês...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Rodrigo Mora na porta de saída: o que se sabe?

Observador: E o Campeão é... - Quem é que deve gastar milhões para melhorar o plantel?

Observador: Três Toques - O treinador que não viu o jogo por causa do Ocean's Eleven

Reembolso a detentores de Red Pass


"O Sport Lisboa e Benfica vai devolver aos sócios detentores de Red Pass que assim o solicitarem o valor relativo ao jogo Benfica-Académico de Viseu, da 1.ª jornada da Liga Betclic 2026/27, que, por determinação da APCVD, foi realizado à porta fechada.
A partir das 10h00 de amanhã, 12 de agosto, e até sexta-feira, dia 14, os sócios com Red Pass podem aceder à App do Benfica e solicitar, se assim o desejarem, o devido reembolso em carteira virtual.
O valor a devolver – 4,7% do valor global do Red Pass e 3,6% do Red Pass Total – é calculado com base na média de jogos das últimas duas épocas e na previsão de jogos a realizar durante a presente temporada (2026/27).
Após a solicitação na App, o valor será creditado no dia 10 de setembro, já depois do período de pagamento da última prestação do Red Pass."

Atualidade benfiquista


"Nesta edição da BNews, são vários os temas relacionados com o Benfica.

1. Reembolso anunciado
Em causa a impossibilidade dos detentores de Red Pass de presenciarem o desafio entre Benfica e Académico de Viseu, que, por determinação da APCVD, foi realizado à porta fechada.

2. Pela Suspensão da Centralização dos Direitos Televisivos
A petição está disponível para subscrição durante 60 dias e pode ser assinada por qualquer cidadão. Em virtude do número limitado de utilizadores em simultâneo, poderão verificar-se dificuldades pontuais no acesso.

3. Estreia vitoriosa noticia destaque
A equipa B do Benfica começou o percurso na Liga 2 2026/27 com um triunfo, por 1-0, ante o Leixões. 

4. Recorde nacional
Diogo Ribeiro estabelece a nova melhor marca portuguesa dos 50 metros mariposa e qualifica-se para a final do Campeonato da Europa.

5. Campeonato da Europa de atletismo
Acompanhe o desempenho de 14 atletas do Benfica participantes no certame.

6. Nota de pesar e solidariedade
"O Sport Lisboa e Benfica e a Fundação Benfica manifestam a sua disponibilidade para ajudar em tudo o que for necessário", pode ler-se em nota dirigida ao povo colombiano e, em particular, às famílias que perderam os seus entes queridos no devastador terramoto que atingiu o país."

3x4x3


Possessivo: Início...

Liga: Golos 1.ª jornada...

Portugal vende jogadores, não vende futebol


"Portugal é um caso raro no desporto mundial. Produz alguns dos melhores jogadores do planeta. Produz treinadores campeões nas maiores ligas do mundo. Produz dirigentes, árbitros e especialistas reconhecidos internacionalmente. Exporta talento de forma consistente há mais de duas décadas.
Mas continua sem conseguir produzir uma liga de classe mundial.
A contradição é evidente. Se o talento fosse o fator decisivo, a Liga Portugal deveria estar hoje muito mais próxima da Premier League, da La Liga ou da Bundesliga. Não está. E isso obriga-nos a colocar uma questão incómoda: o problema do futebol português não é o talento. O problema é o produto.
Basta olhar para os exemplos mais recentes. Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Vitinha, João Neves, Nuno Mendes, Rafael Leão ou Diogo Costa são jogadores que qualquer grande campeonato gostaria de ter. A Seleção Nacional continua a produzir gerações de enorme qualidade e os clubes portugueses mantêm uma capacidade impressionante de formação e valorização de ativos.
O paradoxo é que quase todos os anos essas estrelas acabam por sair. E a saída não acontece apenas porque os salários são mais elevados noutros mercados. Acontece porque os outros campeonatos conseguem oferecer aquilo que Portugal ainda não conseguiu construir: uma plataforma global de visibilidade, entretenimento e negócio.
Durante muito tempo ouvimos que a dimensão do país explicava esta realidade. Hoje essa justificação já não chega. Os Países Baixos têm uma população semelhante. A Bélgica tem uma dimensão comparável. Mesmo mercados mais pequenos conseguem criar competições internacionalmente mais relevantes do que a portuguesa.
A diferença está na forma como encaram o produto. Em Portugal continuamos frequentemente a olhar para a competição como uma soma de jogos. As ligas mais desenvolvidas olham para a competição como uma indústria de entretenimento. Parece a mesma coisa. Mas não é.
A Premier League não vende apenas futebol. Vende histórias. Vende rivalidades. Vende experiência. Vende conteúdos. Vende emoção. Vende espetáculo. E, acima de tudo, vende atenção global. É precisamente aí que está a grande mudança do desporto moderno.
O principal concorrente da Liga Portugal já não é a liga espanhola ou a liga francesa. É o Netflix. É o TikTok. É o YouTube. É qualquer plataforma que disputa o mesmo recurso escasso: o tempo das pessoas.
Enquanto isso, continuamos demasiado dependentes dos resultados dos três grandes para gerar interesse. Quando um produto depende excessivamente de três marcas para sobreviver, tem um problema estrutural. 
As grandes ligas perceberam que o valor não está apenas nos líderes. Está na profundidade do ecossistema. Está na capacidade de transformar clubes médios em histórias relevantes, cidades em destinos, jogadores em personagens e jornadas inteiras em acontecimentos mediáticos.
Portugal ainda está longe dessa realidade.
Temos estádios modernos, clubes históricos, uma tradição futebolística invejável e uma das melhores escolas de formação do mundo. Mas continuamos a ter dificuldades em transformar esses ativos num produto internacional consistente. A experiência digital continua desigual. A exploração comercial permanece limitada. A narrativa global é frágil. E a internacionalização continua a depender mais da exportação de talento do que da valorização da competição.
O mais curioso é que a matéria-prima existe. O futebol português produz jogadores para o Manchester City, PSG, Bayern Munique, Barcelona ou Liverpool. Produz treinadores para os maiores clubes do mundo. Produz conhecimento. Produz competência. Produz reputação. O que não produz à mesma escala é valor interno.
É como uma economia que exporta toda a indústria de ponta e fica apenas com a matéria-prima.
O início de mais uma época deveria servir para pensar precisamente nisso. Não apenas em quem será campeão. Não apenas em quem contratou melhor. Mas sobretudo em que passos estão a ser dados para tornar a Liga Portugal mais relevante, mais atrativa e mais global.
Porque os resultados desportivos continuarão a mudar todos os anos. Os jogadores continuarão a sair. Os treinadores continuarão a ser recrutados pelos mercados mais fortes. Mas a verdadeira questão permanecerá.
Como é possível um país que produz tantos protagonistas do futebol mundial continuar sem conseguir produzir uma liga com a mesma dimensão?
Talvez a resposta seja simples. Portugal aprendeu a formar talento. Ainda não aprendeu a vender o produto."

Precisaremos de um futebol de impacto?


"O Mundial de futebol de 2026 terminou há pouco, mas já nos deu muitas razões para parar de acreditar — se ainda o fazíamos — nos seus méritos desportivos. As ingerências de Trump, a fraca figura da FIFA, as denúncias de corrupção, os problemas com o controlo de fronteiras e entradas no país — com expoente máximo no tratamento e condições da seleção do Irão —, ou a excessiva dependência de uma tecnologia com margens de erro superiores a alguns dos offsides assinalados.
A nível nacional, não foi melhor: o fracasso de uma Seleção portuguesa refém da sua grande vedeta — o que é diferente de ser o seu melhor jogador (e não, não querer o Ronaldo 90 minutos em campo não é ser mal-agradecido) —, com um Selecionador que quase não disse uma coisa acertada em todo o mundial, das referências à numerologia ao orgulho em perder 1-0 com Espanha.
A tudo isto junta-se o modelo make the rich richer levado ao expoente máximo, com David Beckham, que já nem joga futebol, mas é dono do Inter de Miami (equipa onde joga Lionel Messi), a liderar nos contratos publicitários com patrocinadores do Mundial e a beneficiar da americanização do futebol, que passou a ter três pausas publicitárias.
Mas não é sobre isto que quero escrever, nem sobre o cartel de patrocinadores liderado por casas de apostas que, tal como acontece na Federação Portuguesa de Futebol, um pouco por todo o Mundo e também noutros desportos, arruínam famílias e vidas de jogadores enquanto nos querem convencer (e aos milhões de crianças que vêm os jogos do Mundial) que apostar é fácil, dá dinheiro e faz sonhos acontecer.
O que pretendo é fazer uma reflexão mais profunda sobre o desporto em geral, mas em especial sobre o futebol como desporto-Rei.
O futebol de seleções era uma espécie de último reduto para os que queriam vibrar com futebol, com grandes jogos, grandes jogadores e grandes golos de forma descomplexada, sem a sombra da monetização, dos casos de corrupção, das manipulações de resultados, dos clubismos exacerbados ou dos vieses criados pela entrada de capital privado na estrutura de capital dos clubes. Para os que queriam apenas amor à camisola, orgulho na seleção e deixar tudo em campo. Hoje, isso acabou.
Mas é quando os sistemas vigentes e os incumbentes falham que as alternativas avançam. Foi quando a economia mostrou que, apesar da criação de riqueza, não era possível evitar a sua má distribuição nem assegurar a inclusão dos mais desfavorecidos, que nasceu a economia social. Foi quando os Bancos falharam na transparência e nos valores que nasceu a Banca Ética. Foi quando as utilities deixaram de ter o objetivo de servir o consumidor e passaram a ter como prioridade maximizar os lucros, que renasceram as cooperativas de energia («renasceram», porque as primeiras tiveram origem na eletrificação onde as elétricas não chegavam). E foi quando as gestoras de fundos falharam em deixar fora dos seus investimentos áreas como armamento, guerra, jogo ou destruição ambiental que nasceu o investimento de impacto.
Será que precisamos de um futebol de impacto? Futebol jogado pelo jogo, pela glória, mas sem faltas simuladas, sem corrupção, sem o 11 inicial condicionado pelos empresários mais influentes... Um futebol em que a equipa e o jogo estão acima do ego (admito, aqui, um viés de português).
Podemos chamar a estas áreas ou setores nicho, mas a verdade é que assumem volumes já muito relevantes: são investidos, anualmente, mais de 50 mil milhões de euros em impacto e há mais de 500 milhões de pessoas que escolheram a banca ética e estruturas cooperativas ou mutualistas. Contudo, estes números ainda representam só as pessoas e empresas que decidiram atuar quanto a uma preocupação. O potencial é gigante.
No futebol também já conseguimos encontrar alguma iniciativas com relevância e com impacto, como o Futebol de Rua da Associação CAIS em Portugal, o A.E. Ramassá na Catalunha (o primeiro clube ONG de futebol em Espanha), o Dragones de Lavapies em Madrid, e torneios como a Homeless Word Cup, focada em combater o problema dos sem-abrigo (que deu origem ao filme The beautiful game), ou a FENIX Cup, para clubes de gestão democrática ou um propósito especial, e outras iniciativas mais institucionais como a Common Goal ou Football for the Goals das Nações Unidas.
Não sei exatamente a que se parecerá o futebol de impacto ou o futebol ético, mas tenho a certeza que será parecido com aquilo que devia ter sido."

Andebol: Os Oito Grandes da Europa e a ascensão portuguesa por detrás deles


"Os últimos cinco anos redesenharam o mapa do andebol europeu de clubes. O Barça construiu uma dinastia e depois teve de a defender; a Alemanha regressou ao topo através do Magdeburg e, mais recentemente, do Füchse Berlin; a Escandinávia produziu uma geração de eternos segundos no Aalborg; e, primeiro em silêncio, depois nem tanto, um clube português subiu até à elite.
Isto não é uma lista de nostalgia. Tomando como espinha dorsal o atual ranking europeu de clubes (à data de junho de 2026, que combina os resultados das últimas épocas na Liga dos Campeões, na Liga Europeia e nas provas continentais), ficam aqui as oito melhores equipas da Europa: como cada uma chegou até aqui nos últimos cinco anos, os resultados que as definem e os jogadores que as sustentam. E depois, porque me importa a mim e ao desporto no meu país, a história por baixo da tabela: a ascensão portuguesa, impulsionada por um motor de formação que continua a alimentar o topo.

1. SC Magdeburg (GER), 692 pontos
O percurso. Nenhum clube percorreu maior distância em cinco anos. O Magdeburg entrou neste período como equipa de Liga Europeia, finalista dessa segunda prova em 2022, e saiu dele como a força dominante da prova maior. Venceu a Liga dos Campeões em 2023 e de novo em 2025, juntou o Mundial de Clubes da IHF em 2024 e alcançou uma terceira Final4 consecutiva em 2026.
Resultados. Campeão da Liga dos Campeões em 2023 (30:29 após prolongamento frente ao Kielce) e em 2025 (32:26 sobre o Füchse Berlin); campeão do Mundo de Clubes em 2024; medalha de bronze em Colónia em 2026. Três presenças seguidas na Final4.
Melhores jogadores. Gísli Kristjánsson e Omar Ingi Magnússon formam o núcleo criativo islandês; o guardião Sergey Hernández assinou uma das grandes exibições de sempre numa final, em 2025. A mão de Bennet Wiegert no comando técnico é a constante.

2. FC Barcelona (ESP), 691 pontos
O percurso. A referência da era, e apenas a um ponto do topo no ranking. O Barça venceu quatro Ligas dos Campeões neste período e ergueu o 12.º troféu em 2026, o padrão pelo qual todos os outros se medem, mesmo numa época em que o ranking em bruto o coloca em segundo. Resultados. Campeão da Liga dos Campeões em 2021, 2022, 2024 e 2026; quarto lugar em 2025. Campeão quase permanente da ASOBAL em casa, com uma época 2025/26 de domínio quase total. Melhores jogadores. O capitão Dika Mem, tricampeão da Liga dos Campeões, comanda o ataque, e a sua saída anunciada para o Füchse Berlin em 2027 dá a este ciclo um travo de fim. Aleix Gómez (antigo melhor marcador da prova) e o guardião Gonzalo Pérez de Vargas continuam ao mais alto nível.

3. Füchse Berlin (GER), 654 pontos
O percurso. A melhor história de ascensão da Europa. Ausente de Colónia durante mais de uma década, o Füchse tornou se campeão alemão em 2025 e chegou depois a duas finais consecutivas da Liga dos Campeões, em 2025 e 2026, perdendo ambas, mas afirmando se como o projeto mais entusiasmante do desporto.
Resultados. Finalista da Liga dos Campeões em 2025 (frente ao Magdeburg) e em 2026 (frente ao Barça); campeão alemão em 2024/25.
Melhores jogadores. Mathias Gidsel, duas vezes Jogador Mundial do Ano pela IHF e detentor de um recorde de golos numa única época, batido em 2026, é a cara do clube e, talvez, do desporto. Lasse Andersson e o guardião Dejan Milosavljev (cujas defesas nos livres de sete metros afastaram o Veszprém em 2026) completam uma coluna vertebral temível, com Mem a chegar em 2027.

4. Aalborg Håndbold (DEN), 572 pontos
O percurso. O estandarte da Escandinávia e o mais doloroso quase da era. O Aalborg chegou à Final4 três vezes neste período e à final por duas, e perdeu ambas as finais para o mesmo adversário, o Barça. Resultados. Finalista da Liga dos Campeões em 2021 e 2024 (ambas frente ao Barça); de regresso à Final4 em 2026, onde terminou em quarto. Um modelo de consistência a que só faltou o troféu. Melhores jogadores. Sander Sagosen trouxe peso de craveira mundial à primeira linha, ao lado do emergente Simon Pytlick e da experiência de Aron Pálmarsson, um núcleo dinamarquês construído para continuar a bater à porta.

5. One Veszprém (HUN), 491 pontos
O percurso. O eterno candidato. O Veszprém passou os cinco anos como presença fixa nas fases decisivas sem conquistar a Liga dos Campeões, mas venceu o Mundial de Clubes da IHF em 2024, ao derrotar o Magdeburg, prova de um plantel que pertence ao topo absoluto.
Resultados. Campeão do Mundo de Clubes em 2024; presença regular na Final4 e nos quartos de final; eliminação nos quartos de final de 2026 decidida apenas nos livres de sete metros, frente ao Füchse Berlin.
Melhores jogadores. Nedim Remili e Hugo Descat conduzem um ataque cosmopolita, com Ivan Martinovic e o guardião Rodrigo Corrales a darem o equilíbrio.

6. HBC Nantes (FRA), 486 pontos
O percurso. O outsider francês que se instalou na elite, por vezes à frente do próprio Paris. O Nantes transformou percursos longos numa presença de pódio, confirmando que já não é surpresa nenhuma.
Resultados. Medalha de bronze da Liga dos Campeões em 2025, ao vencer o Barça por 30:25 no jogo do terceiro lugar; presença repetida nos quartos de final ao longo do período.
Melhores jogadores. O guardião Emil Nielsen está entre os melhores do mundo na sua posição; Aymeric Minne e Théo Monar fornecem o poder de fogo à frente dele.

7. THW Kiel (GER), 462 pontos
O percurso. O gigante silencioso. O Kiel abriu a era como campeão europeu em título (2020) e, embora um regresso a Colónia lhe tenha escapado ao longo destes cinco anos, a excelência continuada na Bundesliga e os percursos longos nas eliminatórias europeias mantêm no bem firme no topo do ranking.
Resultados. Sem Final4 no período, mas com presença constante na fase a eliminar e candidatura permanente ao título alemão; casa de um antigo melhor marcador da prova em Emil Madsen.
Melhores jogadores. Harald Reinkind e Emil Madsen encabeçam um plantel que nunca deixa de se reforçar, apoiado na tradicional disciplina defensiva do Kiel.

8. Sporting Clube de Portugal (POR), 447 pontos
O percurso. É este o salto. Durante quase todo o período, o Sporting foi presença habitual na Liga Europeia e superpotência doméstica. Em 2025/26 deu o passo em frente: uma campanha a sério na Liga dos Campeões, que o levou às eliminatórias de acesso aos quartos de final e o deixou empatado no total com o Veszprém dentro do grupo (64:64), e uma subida até aos oito primeiros da Europa, oitavo no ranking continental, empatado em pontos com o Flensburg e à frente de Szeged, Kielce e até do PSG.
Dez anos da minha vida foram passados a vestir este símbolo, por isso não vou fingir que sou neutro. Mas o número é o número: o Sporting é, neste momento, um clube europeu de elite pelos resultados, e não por sentimento.
Resultados. Acesso às eliminatórias da Liga dos Campeões em 2025/26; vencedor da Taça Challenge da EHF (2010 e 2017); o clube mais titulado da história de Portugal, com 23 títulos de campeão nacional (o mais recente em 2025) e 19 Taças de Portugal.
Melhores jogadores. O capitão Salvador Salvador encarna a identidade coletiva da equipa, construída em torno de uma espinha de internacionais portugueses que cresceram juntos ao longo do percurso das seleções.

Portugal em ascensão
O salto do Sporting para os oito primeiros não é um acaso, e não é a história toda. Por baixo dele existe uma cultura de andebol nacional a atingir um patamar que nunca antes tinha conseguido sustentar.
O FC Porto compete ao mais alto nível, ao lado do Sporting: presença na Liga dos Campeões, campeão nacional por diversas vezes (o 23.º título de Andebol 1 chegou em 2021/22) e 17.º clube do ranking europeu. O eixo Sporting e Porto, aguçado pelo Benfica e pelo ABC de Braga, transformou o campeonato português num verdadeiro terreno de prova, competitivo, e não numa procissão de uma só equipa. É essa qualidade interna que eleva os clubes quando pisam o palco europeu.
E por baixo dos clubes seniores está o motor que mais importa: os resultados da formação. Portugal já não é uma promessa, é uma fábrica. A seleção de juniores chegou à final do Campeonato do Mundo em 2025, cedendo apenas frente à Dinamarca; e conquistou a prata europeia em 2022 (em casa, no Porto) e de novo em 2024, depois de um segundo lugar já em 2010. Um marcador como Francisco Costa, que iluminou o Europeu de juniores de 2022, é exatamente o perfil que agora se gradua para o Sporting, para o Porto e para a seleção principal.
É isto a integração contínua: uma geração de ouro que passa, época após época, dos pódios de formação para as rotações das melhores equipas portuguesas e, cada vez mais, para a própria Liga dos Campeões. O Sporting em oitavo na Europa é a ponta visível de um manancial que se renova sem parar.

A época que aí vem: mais uma grande luta
Tudo aponta para um 2026/27 mais renhido, disputado sob o novo formato da prova.
No topo, Magdeburg e Barça estão separados por um único ponto no ranking, uma corrida ao título em miniatura, o campeão em título contra o campeão recordista, com o Barça a renovar se mesmo enquanto começa a contagem decrescente para a mudança de Dika Mem para o Füchse Berlin em 2027. O próprio Füchse chega com o atacante mais perigoso do mundo em Gidsel e uma primeira Liga dos Campeões como obsessão. O Aalborg continua a perseguir o troféu que já lhe escapou duas vezes em Colónia. Veszprém e Nantes espreitam, prontos a castigar qualquer deslize.
E o Sporting? A missão agora é transformar um lugar entre os oito primeiros num primeiro acesso aos quartos de final da Liga dos Campeões, converter a chegada em permanência. Com o Porto a pressionar ao mais alto nível e uma geração de formação que acabou de alcançar uma final mundial, o andebol português nunca esteve tão bem colocado para forçar a entrada na festa dos grandes.
O mapa foi redesenhado. A próxima época é onde todos lutam para manter, ou conquistar, o seu lugar nele.
Força, e que vença a melhor luta."

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Triunfo à bomba !!!

Benfica 1 - 0 Leixóes
Bernardes(6')


Estreia da nossa equipa B, com uma vitória sofrida, com um grande golo no arranque, mas com o adversário a ser melhor no resto da partida! Um Leixões, repleto de veteranos da I Liga, que fizeram uma pré-época boa, com vários jogos com equipas da I Liga!

A entrada de 4 jogadores que estão a treinar com a equipa principal, não ajuda nos automatismos, até porque estes 4 jogadores estão com poucos minutos, mesmo em particulares... Notou-se uma grande quebra física em vários jogadores na parte final da partida!

Nota negativa para a lesão do Índio, aparentemente grave, que poderá obrigar a uma paragem longa!
A gestão do Nuno Félix poderá ser um entrave na evolução do Quintas! Compreendo a aposta no Nuno Félix, após a lesão, mas o potencial do Quintas é evidente...

A equipa este ano, é bastante jovem, com muitos jogadores a estrearem-se neste escalão. A lesão do Edokpolor também não ajuda, um dos nossos principais desequilibradores...

Visão: S08E03 - O que mais querem? | Hearts MFC, Académico VFC

Os Gloriosos Benfiquistas - S06E08 - Académico

Terceiro Anel: Bola ao Centro #218 - PLAYOFF A VISTA & ARRANQUE MISERAVEL!!

Benfica Podcast #597 - Rollercoaster Week! 6-1 Hearts Destruction & Viseu Stumble 🦅🔴⚪

Depois do jogo à porta fechada na Luz, na 2.ª jornada, temos um castigo ao Casa Pia, que vai impedir, novamente, muitos Benfiquistas de assistirem ao jogo... Coincidência de certeza!

Na 2.ª jornada, o adversário dos Corruptos, já terá um jogador castigado... deve ser recorde!!!

Será...

Ineficaz, anacrónica e desmiolada


"Jogos à porta fechada são um crime de lesa-desporto, cometido pelo legislador. O Benfica perdeu 1,5 milhões com a decisão? Então que fosse punido em 1,5 milhões e as portas se mantivessem abertas. Quem pode falar em justiça quando se trata, por igual bitola, o adepto ‘normal’ e o ‘hooligan’? Noutro âmbito, a centralização continua com muito que se lhe diga…

NÃO vou discutir o mérito da decisão de ordenar que o Benfica-Académico de Viseu se realizasse à porta fechada. Os tribunais não fazem as leis, aplicam-nas, e se queremos encontrar ‘responsáveis’ por esta medida devemos virar-nos para os legisladores.
Estes, ao estabelecerem como sanção o encerramento ao público dos estádios durante os eventos desportivos, prestaram um péssimo serviço, e colocaram-se contra a essência do futebol, que tem nos adeptos o alfa e o ómega. Quando determinaram esta medida não pensaram, ou, se o fizeram, não foram suficientemente profundos e maduros. Recorrer ao império do cimento e à ditadura do silêncio para resolver problemas disciplinares, não só não ajuda nada, como ainda cria uma sensação de revolta que tenderá a piorar a situação. Os adeptos, ‘lato sensu’, não têm culpa das ações de meia dúzia de energúmenos e não podem ser punidos todos pela mesma bitola. E, do que estamos a falar, é, a um tempo só, dos direitos dos adeptos e da essência do jogo, desvirtuado por uma legislação anacrónica, ineficaz e populista.
Peguemos no exemplo do Benfica-Académico de Viseu que trouxe ao Benfica, segundo a comunicação social, prejuízos na ordem dos 1,5 milhões de euros. Partindo do princípio de que os atos praticados, que levaram à sanção de se jogar à porta fechada, não podiam ficar sem punição (e quanto a isto, a doutrina parece-me pacífica), porque não alterar a lei e obrigar o clube prevaricador (que responde pelos ‘hooligans’ que são seus alegados adeptos) a uma sanção de igual valor monetário? Haverá alguém que pense que 1,5 milhões são trocos, seja para quem for? Não me parece. Assim, pela dureza do castigo, haveria eficácia garantida, ou, se quisermos, incentivo para uma maior proatividade quanto a quem tem acesso aos lugares destinados aos sócios e adeptos; e ao mesmo tempo não se assassinaria a natureza do futebol, impedindo a presença de adeptos.
Depois do que passámos durante a pandemia, em que foi preciso sobreviver (fechando, por questões sanitárias, as portas dos estádios), para que a seguir pudéssemos voltar a viver, deveria haver uma sensibilidade maior por parte do legislador, porque essa experiência, embora necessária, não deixou de ser traumatizante. Mas não. O empedernimento quanto à natureza do jogo foi total e, apesar da inquestionável legalidade da medida agora aplicada, ninguém poderá dizer que foi feita justiça. Pensem, pensem melhor, pensem com maior reflexão, e alterem a lei, no sentido de fazerem pagar o clube e não os adeptos. O Benfica ou outro qualquer…

O TEMA da venda centralizada dos direitos televisivos dos clubes está muito longe de ser assunto arrumado. Depois de vários encontros com as lideranças parlamentares, o Benfica avançou com uma petição à Assembleia da República, no sentido de esta matéria ser discutida (e repensada) no Plenário de São Bento. Durante os próximos 60 dias, a petição dos encarnados, que tem em Rui Costa o primeiro signatário, estará em discussão pública; precisa de 7.500 assinaturas para subir ao Plenário para reapreciação da legislação aprovada pelo último governo socialista. Por não me parecer difícil que o Benfica consiga atingir os requisitos legais necessários, o melhor mesmo é não darmos nada como certo e prepararmo-nos para assistir às cenas dos próximos episódios.

FOTOLEGENDA
Há um número mágico no universo da FIFA, o 106, que corresponde ao número de votos necessários para eleger o presidente da instituição, num universo das 211 Federações nacionais que tomarão, em março de 2027, a decisão sobre o sucessor de Infantino. Pelo que se tem visto, o suíço que lidera o futebol a partir de Zurique, está mais do que disposto a ir a jogo e, pelo sistema eleitoral vigente, é tudo menos uma carta fora do baralho. Podemos estar na antecâmara do primeiro grande cisma na FIFA, desde a fundação, em 1904, e essa é uma questão que deve manter a chamada ‘família do futebol’ em estado de alerta máximo.

CAPA
Bernardo nunca viveu uma ‘chicotada psicológica’
Bernardo Silva, ao longo de 13 épocas, conheceu poucos treinadores, nos quatro clubes que representou: Jorge Jesus, Leonardo Jardim, Pep Guardiola e agora José Mourinho. Será, até, um dos poucos jogadores a poder dizer que não sabe o que é uma ‘chicotada psicológica’. Em Madrid, na ‘Casa Blanca’, logo que recupere índices físicos ‘normais’, ‘Mou’ tem-lhe reservado o papel de ‘playmaker’. Um desafio que não irá, por certo, tirar o sono a Bernardo…

CARTAS
ÁS
Demi Vollering
A neerlandesa de 29 anos, ciclista da FDJ United-Suez, venceu pela segunda vez o Tour de France, que juntou a um Giro e a duas Vueltas. Estamos perante uma das maiores desportistas da terceira década do século XXI, numa modalidade que, no feminino, está a viver um ‘boom’ espetacular.

REI
João Almeida
‘Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay…’ Eu sei que a vida de um desportista é assim mesmo, mas no que respeita ao ciclista de A-dos-Francos dá vontade de dizer «basta!». Depois de tudo o que passou não merecia aquela queda na Volta a Polónia. Enfim, venha de lá essa Vuelta.

DUQUE
Luciano Gonçalves
A nomeação de Gustavo Correia, que mentiu no relatório do Famalicão-Benfica da época passada, para o Gil Vicente-Rio Ave ontem disputado, é a prova provada de que o Conselho de Arbitragem não passa de uma extensão da APAF. É corporativo e desprestigia a arbitragem."

A 'rentrée' afinal foi 'reprise'


"Quem esperava grandes novidades (adeptos de Sporting, Benfica e SC Braga) tem, pelo menos por agora, de contentar-se com um filme igualzinho ao que todos vimos em 2026/2027

A utilização do Francês, juro, não é fruto de exibicionismo barato. Já tinha uma ideia, mas perguntei a um LLM de IA generativa que palavras corresponderiam às do título no Português de Camões e Pessoa. O resultado comprovou os meus receios de que não caberiam numa linha, como manda o estilo gráfico do jornal de papel para estas rubricas de opinião: rentrée é uma expressão, nem sequer uma palavra — início de temporada ou abertura de época; reprise é reposição (menos mal) ou reentrada em cartaz. Fica portanto em Francês, com a devida explicação. E a justificação de que expressões como estas, utilizadas no campo das artes, são-no porque a alternativa nacional é menos eficaz. Como aquelas palavras inglesas que nos inundam e afogam todos os dias.
Bom, na verdade a explicação não era muito necessária para quem tenha acompanhado minimamente o desenrolar da primeira jornada (a rentrée) da Liga 2026/2027, porque ela foi, sem tirar nem pôr quase nada, uma repetição (reprise, num sentido mais lato) das tendências da época anterior no que aos quatro candidatos ao título diz respeito: primeiro o Sporting, com a sua propensão para querer controlar jogos quando está a ganhá-los, à espera de uma de duas coisas — o apito final ou o(s) golo(s) do (s) adversário (s), neste caso (pela 16.ª vez com Rui Borges) chegaram os golos do adversário e lá se foram dois pontos; depois o Benfica, a jogar bem ou benzinho, a criar muito, a falhar quase tudo e a distrair-se muito mais vezes do que é normal e aconselhável; vem então o SC Braga, habitualmente superior a quase todos os adversários que defronta em Portugal mas capaz, também ele e ainda um pouco mais que os outros, de perder pontos onde e quando menos se espera (desta vez no período de compensação); finalmente o FC Porto, que joga com mais intensidade que brilho, mais segurança que nota artística e... ganha.
Claro que é cedo, muito cedo, mas não deixa de ser assinalável a coincidência de a 1.ª jornada ter três resultados iguais de quem quer recuperar o título ou ganhá-lo pela primeira vez (2-2) e um resultado eficaz e pragmático, construído uma vez mais sobre coesão própria e erros alheios, de quem quer defender esse mesmo título. Para já leva dois pontos de vantagem. É pouco, a procissão vai no adro, tantos jogos que ainda faltam, o primeiro milho, candeia que vai à frente, etc. etc. (agora em Português). Tudo possíveis verdades: mas os argumentos não vão colher durante muito tempo se os rivais do campeão não arrepiarem caminho."

SportTV: Mercados - O adeus de Mora 💎

Zero: Mercado - FC Porto rejeitou proposta por Mora

BF: Stassin...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Os pontos mais marcantes sobre o arranque da Liga Portugal Betclic

Observador: E o Campeão é... - Benfica sem patrão na defesa, FC Porto tem monstro na baliza

Observador: Três Toques - Há quantos anos o Benfica não vence na primeira jornada?

Segundo Poste - S06E01 - "Rui Borges é o responsável do empate do Sporting"

Zero: Ataque Rápido - S09E02 - Dragão na frente, rivais a deslizar: é 25/26?

No Princípio Era a Bola - A consistência do FC Porto, a inconsistência do Benfica e os vícios do Sporting

Tailors - Final Cut - S05E33 - Guillermo Abascal

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - As decisões e os dramas do dia 1 da Liga

O Resto é Bola - Benfica e Sporting frágeis no arranque da Liga (já com polémica). FC Porto convence e aproveita

Antena 3 - Triplo Duplo - Paulo Neta

Liga: Santa Clara 2 - 2 Nacional

Liga: Moreirense 2 - 2 Braga

Liga: Gil Vicente 1 - 0 Rio Ave

Liga: Corrutpos 2 - 0 Alverca

Adesão...

Desperdício penalizador


"Na jornada inaugural da Liga Betclic, o Benfica, apesar das muitas oportunidades de golo criadas, empatou 2-2 com o Académico de Viseu perante as bancadas despidas do Estádio da Luz, mas ainda assim sentindo o muito audível apoio dos Benfiquistas que assistiram à partida na Fan Zone. Este e a petição pública apresentada pela Benfica são os temas em destaque na BNews.

1. Pela Suspensão da Centralização dos Direitos Televisivos
Saiba como pode subscrever a petição pública apresentada pelo Benfica à Assembleia da República. Um maior número de assinaturas reforçará a expressão da petição e a possibilidade de promover uma ampla discussão entre os partidos com representação parlamentar

2. Injusto
Marco Silva aponta a ineficácia ofensiva e os erros defensivos como razões do empate: "Criámos mais do que oportunidades para fazer mais golos. Na 1.ª parte, o jogo devia estar resolvido. Não esteve. Depois tem de vir a solidez da nossa equipa, como equipa grande que somos, porque é muito importante não sofrer golos da forma como sofremos."

3. Passo em falso
Tomás Araújo lamenta o resultado da partida e enaltece os Benfiquistas: “É impensável começar assim um Campeonato, empatar 2-2. Certamente tivemos falta de sorte também, algumas bolas no poste, muitas oportunidades, mas acho que foi muito fácil a forma como consentimos os golos. Os adeptos fizeram-se ouvir os 90 minutos, muito obrigado por isso. E agora é continuar a trabalhar."

4. Man of the Match 
Prestianni, autor de um golo e de uma assistência, foi considerado o Homem do jogo.

5. Apoio extraordinário
Sem público nas bancadas, mas com fervoroso benfiquismo nas imediações do estádio, a receção à equipa foi memorável.

6. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, os dois golos marcados pelo Benfica ao Académico de Viseu.

7. Contributo internacional
Michaely Bihina, guarda-redes do Benfica ao serviço dos Camarões, foi eleita a melhor em campo na vitória frente à Nigéria nos quartos de final do Campeonato Africano feminino 2026.

8. Movimentações do defeso
Luís Silva é reforço do basquetebol benfiquista.

9. Mundial Sub-20 de atletismo
Confira o desempenho dos cinco atletas do Benfica participantes no certame."

Nota de pesar e solidariedade


"O Sport Lisboa e Benfica manifesta a sua solidariedade e expressa condolências a todo o povo colombiano e, em particular, às famílias que perderam os seus entes queridos no devastador terramoto que atingiu o país nesta segunda-feira, 10 de agosto.
Neste momento de enorme desafio e dor, o Sport Lisboa e Benfica faz votos para que sejam concluídos com sucesso todos os esforços para recuperar com vida todos aqueles que se encontrem debaixo dos escombros.
Nas pessoas de Richard Ríos e Jhon Durán, internacionais colombianos ao serviço da equipa profissional de futebol do Clube, o Sport Lisboa e Benfica e a Fundação Benfica manifestam a sua disponibilidade para ajudar em tudo o que for necessário."

Vinte e Um - Como eu vi - Académico

Terceiro Anel: Académico...

Terceiro Anel: React - Rescaldo - Marco Silva - Académico

Observador: Relatório do Jogo - Académico...

Santana: Académico...

BF: Académico...

BI: Rescaldo - Académico

Vermelho no Branco - Académico...

5 Minutos: Live - Académico

UM PASSO ATRÁS


"Benfica 2 - 2 Ac Viseu

PRÉ-JOGO

1. O estádio está interdito aos adeptos? Os adeptos deram a resposta: que bonita foi a chegada da equipa, foi até de arrepiar! E vai uma aposta? Mesmo com um jogo à porta fechada, vamos fechar a época com o maior número de espetadores na Liga.

2. A mesma equipa de quinta-feira. Marco Silva a dizer como é que é, mundialistas no banco, quem trabalhou com ele desde principio da época. É de líder. Gosto.

3. O Ac Viseu já analisou o Benfica em três jogos oficias. O Benfica ainda não teve oportunidade de os ver em jogos a sério. É uma desvantagem. Não, não é desculpa, é só uma constatação. A diferença de valores dos planteis mais do que nos obriga a ganhar.

JOGO (apontamentos escritos em direto e publicados imediatamente após o final)

4. Entrámos a carregar, aos 10 minutos já Pavlidis, muito bem assistido por Prestianni, fez um golão - e vou repetir: fez um golão de levantar o estádio! Mas, dirão, o estádio não está vazio? Levantou-se na mesma para aplaudir a obra prima de Pavlidis - até o silêncio aplaude as obras primas.

5. Prestianni está a jogar muito, que grande jogada culminada com tiraço ao poste. Continua assim que vais faturar, miúdo. Outro que está endiabrado é o... adivinhou: Pavlidis. Agora uma na barra.

6. Eles, mesmo a perder, continuam fechados como uma lapa. É que ninguém os tira lá de trás. Nós continuamos a pressionar e a perder oportunidades para o merecido dois-zero. Olhem lá: os ferros da baliza norte não deviam estar connosco? É que já nos tiraram dois golos cantados.

7. Resultado ao intervalo sabe a pouco. E mais não necessito de dizer ou demonstrar.

8. Reentrámos com uma jogada coletiva lindíssima, tinha que ter dado golo. Este Benfica demolidoramente ofensivo está a encher-me as medidas. Só está um-zero? E então? O futebol está lá.

9. Tanto golo perdido e eles empatam num canto em que o Samu não podia ter ficado a meio caminho. Se o um-zero ao intervalo já era injusto, o empate agora ainda é mais, muito mais. Temos 35 minutos mais descontos para garantir os três pontos. Espera aí que o Prestianni já meteu de novo alguma justiça no resultado: que jogada individual, que golo monumental, todo só dele! Lindoooooooo!!! Tiro-lhe o chapéu!

10. Eles têm vindo a chegar à nossa área com demasiada facilidade. Reposicionar o nosso meio-campo é necessário. Porra, eu a escrever e eles a empatarem, de novo de bola parada, desta vez sem quaisquer hipóteses para o Samu.

11. Há por ali uma bola na mão de um defesa deles na área que deixou muitas dúvidas. Para o apitador não foi nada, pode não ter visto, e o VAR?

12. Prestianni continua a querer mostrar como se faz para ganhar este jogo. Agora o redes negou-lhe o merecido bis com grande defesa para canto. Lukebakio, Durán, Schjelderup, todos lá dentro, estamos com a carne toda no assador. Jogadas de perigo, várias, bolas salvas em cima, quase dentro, da linha, etecetera. Golo? Nada!

13. Melhor a exibição que o resultado. Mas o resultado é que vale. Dois pontos desperdiçados em casa com um primodivisionário é péssimo. Muito mau mesmo. As contas fazem-se em maio, mas constroem-se ao longo de toda a época. E arrancámos muito mal na Liga."

O Benfica criou muitíssimo, desperdiçou muito e aproveitou pouco


"Num encontro cheio de ação junto das balizas, as águias cederam um empate (2-2) caseiro contra o regressado Académico de Viseu. Com a Luz sem adeptos, a equipa de Marco Silva teve inúmeras ocasiões de golo, mas foi deixando os visitantes com vida e arranca a I Liga com um tropeção

Pode-se elogiar uma equipa que luta pelo título e que arranca o campeonato com um empate caseiro contra um adversário que pisava a I Liga pela primeira vez no presente século? Claro que sim.
Sem ninguém para aplaudir ou criticar nas bancadas, o Benfica mostrou a evolução que já vive com Marco Silva. Um ataque de combinações e permutas com sentido. Um produto final feito de oportunidades claras de golo. 28 remates, 11 deles enquadrados com a baliza. Gente a crescer de rendimento. Mas...
... do outro lado estava quem entra em 2026/27 com argumentos no ataque. Há o descaramento de Zamora, o critério de Kahraman, os golos de André Clovis. Se o guião do visitante com menos argumentos dita que se deve ser sólido defensivamente, o Académico de Viseu não o foi. Mas conseguiu criar na dianteira e sofrer no fim.
O 2-2 traduz uma bastante entretida noite de futebol em Lisboa. Podia haver goleada ao descanso, acabou com empate no fim. Da capacidade que Marco Silva terá para agarrar nos progressos e não deixar estes pontos perdidos serem mais do que um deslize estará parte do êxito futuro dos encarnados.
Sem público devido a castigo, a Luz tem ares de futebol de pandemia, de bola de Covid, um 2020 em 2026. Os adeptos, do lado de fora, faziam ouvir-se na parte de dentro. O Académico, na I Liga passados 37 anos, certamente desejaria um cenário diferente para apadrinhar o retorno.
O onze do Benfica somente apresentava um reforço. Ainda que Lenglet fosse a única cara nova face a 2025/26, esta já é uma equipa totalmente diferente, uma entidade desportiva transformada, como um homem que entrou num qualquer retiro de metamorfose espiritual. As oportunidades foram-se sucedendo e logo ao descanso a melhor notícia para os visitantes era que o marcador mostrava margem mínima.
O tsunami ofensivo das águias arrancou com dois pontapés de canto, ambos com Ewerton a efetuar as primeiras das oito intervenções que protagonizaria. O 1-0 chegou aos 10', em novo grande lance de Pavlidis, que recebeu de Prestianni e, de pé esquerdou, abriu o marcador.
O remate de Zamora ao poste, ameaçando o 1-1 para o Académico, foi um intervalo na sequência de grandes chances para os da casa. Pavlidis olhava para os colegas e para a baliza, Rafa assumia-se supersónico, Prestianni atuava como quem quer provar algo, mas fazendo-o com cérebro e consequência.
Mas do outro lado mora quem sabe jogar, tem argumentos ofensivos, evidencia boas triangulações e uma fórmula que ainda apresenta o embalo da II Liga. Os viseenses eram frágeis atrás, mas tinham argumentos à frente. Após o intervalo, isso foi evidente. Samuel Soares ainda tirou o 1-1 a Clovis, mas no canto que se seguiu Ruben Pereira, homem de 28 anos a debutar no campeonato de elite e com passagem pelo Seixal, cabeceou para igualar o embate. Falar em sonho cumprido será pouco para o central.
Enumerar as oportunidades que o Benfica foi tendo levaria um extenso lençol de texto. Digamos, em resumo, que Pavlidis mandou ao poste, Prestianni também, que Ruben Pereira salvou no limite um remate de Rafa, que Robinho fez o mesmo com Barreiro, que Ewerton foi brilhando. Havia fluidez e boas combinações, padrões ofensivos nítidos, um ataque que não era só a soma dos seus executantes, mas uma multiplicação, eles ajudando-se e melhorando-se mutuamente.
A equipa forasteira fez o 1-1 aos 55', mas encaixou o 2-1 passados três minutos. Prestianni vai aproveitando uma certa indefinição quanto ao futuro de Schjelderup para viver partindo da esquerda, onde o seu futebol se multiplica. O argentino desequilibra, tendo as suas fintas relação direta com a baliza. O 2-1 foi uma obra de arte.
Talvez tenha sido este o único momento de alguma desconexação do Benfica. O Académico de Viseu já provara a si mesmo ter recursos para marcar e voltou a fazê-lo. André Clovis, homem-golo da II Liga nas campanhas recentes, trouxe para o degrau de cima a sua arte na área e correspondeu da melhor forma a um cruzamento de Robinho.
Os últimos 25 minutos foram algo diferentes. O conjunto de Bruno Pinheiro assumiu que era preciso juntar-se e sofrer. Marco Silva fez uso do seu rico banco, lançando Ríos, Lukebakio e Durán, e o Benfica teve menos critério, mais precipitação, uma nota superior de individualismo. Nesta linha entrou Lukebakio, um extremo de cara ou coroa, de ganhar o jogo ou perdê-lo. Roçou o golo em duas ocasiões, mas continua sem festejar no campeonato.
O Benfica acabaria por não conseguir desfazer o nulo. Uma noite que chegou a dar ares de goleada acabou em desilusão. O desperdício explica parte do empate, a qualidade do Académico de Viseu também, mas, sim, há sinais positivos neste arranque da era Marco Silva."