O INDEFECTÍVEL
Pelo Benfica! Sempre!
Últimas indefectivações
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Imagens exclusivas...
ERClubite. Não foram capazes de justificar porque recusaram a rádio no FM. Foi isto a CPI toda! pic.twitter.com/tV0RxqBPCp
— Chica-espertice (@followforvides) July 14, 2026
Atualidade do Benfica
"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas do quotidiano benfiquista.
1. Empréstimo
João Veloso vai evoluir no Moreirense.
2. Expectativas de uma boa época
Os Juniores já fazem trabalho de campo.
3. Movimentações do defeso
Anderson Fortes reforça o plantel de futsal do Benfica. A futebolista Matilde Matos assina contrato profissional. E José Silva deixa de representar o basquetebol encarnado após 9 temporadas.
4. Contributo internacional
Gabriela Fernandes ajudou Portugal a vencer o Campeonato da Europa Sub-20 da Divisão B de basquetebol.
5. Chamadas internacionais
Tiago Silva e Tomás Natário Teixeira estão convocados pela seleção nacional de voleibol. Na mesma modalidade, os Sub-19 portugueses contam com quatro atletas do Benfica.
6. Taça do Mundo de velocidade
Fernando Pimenta alcançou duas medalhas de ouro. O canoísta do Benfica está empenhado em obter o apuramento para os próximos Jogos Olímpicos já este ano.
7. Judo – Cerimónia de Graduação
"É um dos momentos mais importantes da época", realça Telma Monteiro, coordenadora do judo do Benfica."
Tomada de decisão
"Exemplos de como os detalhes importam
Tomada de decisão. Além de ser um dos atributos mais importantes do futebol moderno, é também uma das terminologias mais utilizadas por treinadores, analistas e comentadores de futebol. Por norma, associa-se aos momentos com bola, mas também se tomam decisões sem ela. Tal como se tomam decisões a partir do banco de suplentes.
Bernardo Silva e Bruno Fernandes decidiram contestar a decisão do árbitro que havia assinalado falta sobre Mikel Merino. A contestação levou-os a perder o foco durante breves segundos, o suficiente para o mesmo Merino repor rapidamente a bola em jogo. A jogada desenrolou-se, Diogo Dalot focou-se apenas na bola enquanto Rúben Dias decidiu encurtar sobre Ferran Torres. Todos sabemos o que a soma destas decisões sem bola custou a Portugal – um golo e o adeus ao Mundial.
Gabriel Magalhães, velho conhecido de Haaland na Premier League, decidiu afundar para proteger o espaço junto à baliza de Alisson. Sem bola, não orientou os apoios de forma a poder disputar o duelo aéreo e, pior do que isso, focou-se apenas na bola. Perdeu a noção do espaço à sua volta que poderia ser atacado por Haaland, perdendo igualmente a referência na marcação. Schelderup cruzou com conta, peso e medida, o goleador norueguês fez o que melhor sabe e abriu as portas do adeus canarinho ao Mundial 2026.
Sorloth será o rosto mais visível da importância de uma boa tomada de decisão com bola por parte de um jogador. A Noruega vencia por 1-0 e, prestes a fechar a primeira parte, Oddegard isolou Sorloth em contra-ataque. A vantagem numérica e posicional favorável à Noruega pedia o passe de Sorloth para Haaland. O nº 7 norueguês decidiu resolver a jogada individualmente. Perdeu tempo e espaço. Não criou perigo. Minutos depois Bellingham empatava a partida.
No banco, Carlo Ancelotti decidiu lançar Neymar em campo quando ainda havia 0-0 no marcador frente à Noruega. Optou ainda por derivar Endrick para o corredor lateral direito, de modo a não expor Neymar. O Brasil nunca mais criou perigo e Haaland fez o resto.
Thomas Tuchel perdia ao intervalo frente à Noruega. Optou por deixar Rice e Madueke nos balneários, lançando Eze e Saka nos seus lugares. A Inglaterra instalou-se definitivamente no meio-campo ofensivo, operou a reviravolta e obrigou a Noruega a regressar mais cedo a casa.
E ainda que a tomada de decisão possa ser treinada e que o contexto seja fulcral para a mesma, nada importa mais do que a cabeça do decisor. Seja ele jogador ou treinador."
E afinal que portugueses ficam no Mundial até ao fim?
"Estão nas meias-finais do Mundial as quatro melhores seleções — mesmo — e... já agora os 13 melhores árbitros. Um deles é português, embora isso pouco nos orgulhe por cá
Entramos na reta final do 23.º Campeonato do Mundo com a reconfortante sensação de que chegam à fase decisiva as quatro melhores equipas quer do torneio quer da atualidade. Claro que os oitavos de final souberam a pouco aos portugueses, mas patriotismos e preferências à parte será difícil não interpretar o naipe de semifinalistas com uma sensação de justiça apurada. França, Espanha, Argentina e Inglaterra são mesmo as melhores seleções do Mundo nos dias que correm.
Brasil e Alemanha, os outros colossos eliminados, pouco mostraram que justificasse outro fim. Percorrido o mapa de eternos favoritos (e tendo em conta que a Itália não veio sequer a jogo), importa olhar para a segunda linha de candidatos.
Sobre Portugal, que até eliminou a Croácia, há pouco a acrescentar. A Bélgica e os Países Baixos foram mais ou menos iguais a si próprios, ou ao que têm sido nos últimos anos, e o Uruguai há muito que saiu deste lote
Do lado das boas surpresas temos Cabo Verde (à sua escala, que nos nossos afetos é maior e ainda bem), Estados Unidos, Marrocos, Suíça e Noruega.
Se pensarmos que a Suíça, de 2016 para cá e falando de Europeus e Mundiais (a Liga das Nações é uma coisa muito portuguesa, ainda), fez o mesmo que Portugal nas fases finais, sobra então a Noruega como melhor não-semifinalista deste torneio. De longe, diria.
Mas o futebol do Mundial não são só as seleções e aí Portugal tem um motivo de orgulho ao qual liga pouco e se for preciso ainda despreza: neste momento, João Pinheiro e os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia são os únicos portugueses que ainda podem sonhar com a final.
Ao que se sabe é improvável tal acontecer, mas estar entre os 13 árbitros que ficam até ao fim, sendo que oito serão nomeados para os quatro jogos (árbitro e quarto árbitro), é proeza à qual estamos a dar muito pouca importância.
Chamado como árbitro principal para três jogos até ao momento (mais um como quarto árbitro), teve decisões de risco para tomar e tomou-as todas de forma correta, com ajuda do VAR.
Podem contestar-se as regras e os protocolos (eu também tenho um fraquinho nostálgico pelo futebol sem VAR, confesso), mas questionar o que é óbvio perante a tecnologia e as normas existentes não é, de todo, sensato.
João Pinheiro e a respetiva equipa devem orgulhar Portugal, sim. Mesmo que nos preparemos para mais um ano inteiro a dizer mal deles e dos colegas todos, na maioria das vezes como justificação fácil para insucessos e grãos de areia para os olhos dos adeptos."
Há aí algum abraço para Sorloth?
"O futebol é feito de ‘ses’, mas nenhum deles fica para a história, por maior que seja. Não há realidades alternativas, apenas uma, ainda que possa ser formada por várias versões. No intervalo de todas elas, estão os factos, o que deve continuar a ser contado de geração a geração, ainda que com liberdade criativa. Porque é nessa dimensão que habitam os heróis e nós, sem eles, demoramos mais tempo a conseguir ser melhores humanos.
No Noruega-Inglaterra, mais do que o bis de Bellingham ou o erro de Nyland, expiado com quem mais interessa, mulher e filhos, naquele abraço coletivo em que cada um segurava o próximo para que não caísse ao abismo, o que permanece é a encruzilhada em que Sorloth se despistou. Porque aquele «o que seria se tivesse passado a Haaland, e este feito o 2-0?» ecoou depois a cada rugido dos Três Leões até ao final.
E nós até os protegemos. Se fosse um médio, nada seria mais imperdoável, mas um avançado, que se alimenta dos golos que marca, já tem direito a uma dose considerável de egoísmo. É verdade que a decisão pode ser trabalhada, mas quem decide é quem tem a oportunidade. Um treinador pode escolher o jogador que decide sempre bem e, ainda assim, num jogo, este pode errar.
Sorloth engasgou-se nessa fome num 1x1 forçado, em que O’Reilly só teve de apostar no mais provável. Fechou-lhe o melhor pé e a jogada perdeu-se.
Há quem culpe os dois pontas de lanças em simultâneo. A tal teoria do egocentrismo. Em superioridade, no 2 para 1, Sorloth apostou em si. Ainda não tinha marcado no Mundial, não conseguia lidar com mais dias de ressaca. Todavia, pode não ter sido só isso. Será que o gigante não congelou e se embrulhou na solenidade do momento?
Onde ao lixo da humanidade é permitido sê-lo sem restrições, sucederam-se ameaças e insultos. Ninguém lhe ofereceu um abraço que o sustente sobre o próprio abismo. Sorloth pareceu demasiado egoísta para tê-lo realmente sido."
Os heróis do Mundial
"Um guarda-redes que faz um arquipélago sonhar; um treinador que usa o microfone para não deixar esquecer um genocídio; um mago da bola que combate o racismo sem hesitações. Os heróis de um Mundial nem sempre são os que levam a taça. Às vezes são os que lembram as bancadas de que o futebol continua ligado à vida real e que a maior competição do planeta não serve só para marcar golos.
Vozinha - pequeno no nome, gigante nas redes. Espantou o Mundo e pôs metade dele a torcer por Cabo Verde. Levou um país de meio milhão de habitantes agarrado às luvas e, contrariando todas as probabilidades, defendeu o orgulho nacional como Cesária Évora ou Amílcar Cabral. O nome que tem nas costas vem do tempo em que era menino e levava pancada dos rapazes mais velhos no futebol de rua. Ia de cara trancada de volta para a casa da avó que o criou quando as coisas não lhe corriam bem. Os outros riam-se do mau perder. "Vai lá ter com a avozinha", diziam. E assim ficou: Vozinha. Passaram quase 40 anos desde esses tempos na ilha de São Vicente e hoje a dona Maria já cá não está, mas o resto do Mundo esteve na vez dela. Vozinha não é o rosto da Adidas, não promove casas de apostas, não faz publicidade à Linic nem tem encontros na Casa Branca. Não leva o estilo de vida estratosférico dos ídolos milionários do mundo da bola. É só um homem comum com mãos firmes, que ajudou a seleção que representa a chegar onde nunca antes tinha chegado.
Hossam Hassan - técnico de coragem. Conseguiu interromper o ruído do futebol para lembrar um silêncio ensurdecedor. Enquanto os outros treinadores falavam de esquemas táticos, lesões ou arbitragens, o selecionador do Egito aproveitou os holofotes das conferências de Imprensa para lembrar o horror de Gaza. Não pediu penáltis, pediu humanidade. Não reclamou tempo de compensação, reclamou tempo para olhar para quem continua a viver entre bombas. "Eu imploro, deixem o povo palestiniano viver! É só isso que eles querem", disse antes de defrontar a Argentina. Sabe que o futebol não trava uma guerra, mas também sabe que um Mundial oferece um palco para se ser visto. Ele preferiu ser ouvido.
Kylian Mbappé - craque dentro e fora de campo. Após a derrota do Paraguai para a seleção francesa, a senadora Celeste Amarilla fez um chorrilho de comentários racistas sobre a origem e educação do jogador francês. Chamou-o de "camaronês colonizado" e insinuou que havia crescido na selva, rodeado por macacos. Sem surpresas, Mbappé foi capitão fora das quatro linhas e virou o jogo, apontando o lado da vergonha, da indignidade e do "racismo descarado". "É indigna do seu cargo. Não representa o Paraguai, que demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição", respondeu.
Os campeões escrevem a história do futebol. Os heróis escrevem a história das pessoas."
Vamos a isto!
"1. Terminou sem glória a expedição da equipa da
Federação Portuguesa e Futebol ao Mundial de
futebol. Uma fase de grupos cumprida burocraticamente, um mata-mata com a Croácia em que a
seleção foi quase sempre inferior ao adversário
tendo a seu favor a sorte do jogo, a simpatia do VAR
que anulou três golos aos croatas e, por fim, a
cabeça de Gonçalo Ramos para tudo se acabar na
segunda-feira, frente aos espanhóis, tal como era
de esperar.
2. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol
já tratou de se desresponsabilizar. Fê-lo rapidamente atirando para Fernando Gomes, o seu antecessor, os créditos pela contratação de Roberto
Martínez. “Quando assumimos a FPF, tínhamos
plena consciência de que esta não era a nossa
opção”, disse com aquele oportunismo que o
caracteriza.
3. Realmente foi um grande azar para Pedro Proença
a vitória de há um ano na Liga das Nações que
impediu o despedimento do selecionador nacional
Martínez tal como estava programada. Mas o presidente da FPF não é o sujeito mais azarado destas
digressões da seleção nacional, façamos-lhe justiça, até porque Proença tem, cá por casa, imensas
coisas com que se preocupar, como, por exemplo,
o que fazer com aquele árbitro-mentiroso que vicia
relatórios e que vem atuando sem vergonha na
Liga principal do nosso futebol.
4. Voltemos ao sujeito mais azarado das comitivas
nacionais. Trata-se de Gonçalo Ramos, um jogador
formado no Benfica, normalmente convocado para
as aventuras da seleção. Estreou-se no Mundial do
Catar fazendo um hat-trick contra a Suíça e foi logo
substituído não fosse atrever-se a fazer um
póquer. Depois desse desaforo nunca foi um jogador regularmente titular na seleção.
5. Quando joga, marca, é verdade. Leva 11 golos em
1031 minutos distribuídos por 27 presenças na
seleção. Sem penáltis. Este Ramos é um perigo.
É tão perigoso que não pode ser titular da seleção.
É este o seu azar. E o nosso, claro.
6. Vamos, então, ao que interessa, o Sport Lisboa e
Benfica e às suas atualidades. Neste defeso, por
exemplo, mudou-se de treinador. Saiu José Mourinho a troco de 15 milhões de euros e entrou Marco
Silva, a quem não haverá um único benfiquista que
não deseje as maiores felicidades. Neste momento,
o Benfica tem três jogadores no Mundial. Andreas
Schjelderup e Fredrik Aursnes ao serviço da
Noruega e Dodi Lukebakio ao serviço da Bélgica.
Boa sorte a todos!
7. O primeiro jogo não-oficial da temporada aberto ao
público é um Benfica-Flamengo no Algarve. É uma
bela maneira de arrancar na temporada de
2026/27. Vamos a isto!"
Leonor Pinhão, in O Benfica
Um adeus expectável
"A equipa sénior masculina da
Federação Portuguesa de Futebol encerrou a sua participação
no Mundial 2026. Perdeu com a
Espanha e tudo está dentro da
normalidade. As exibições nos
jogos disputados em Houston,
Miami e Toronto não deixaram
grandes dúvidas: um grupo de
bons jogadores não faz uma
equipa.
Faltou quase tudo em campo,
sobrando sempre muito fora
dele – entrevistas, reels, praia,
fait divers e excesso de confiança. Após a primeira ronda de
jogos, percebeu-se bem quem
tinha unhas para tocar guitarra.
Quem eram os treinadores que
recorriam a todo o plantel e
quem estava sem ideias. Roberto Martínez sai do cargo e também está tudo dentro da normalidade. A ver se o próximo selecionador vai à manicure antes
de entrar ao serviço, porque a
guitarra anda desafinada e há
ali cordas que precisam de ser
usadas. Já chega da cantilena
de dois acordes com que fomos
brindados nos últimos anos.
Dizem que o próximo homem do
leme virá do desemprego,
depois de umas temporadas na
Arábia Saudita. É só uma questão de tempo para se perceber
se Bernardo Silva vai ser convocado para lateral-direito.
Enquanto quase todas as equipas que demonstraram qualidade seguem em competição (um
abraço aos incríveis cabo-verdianos que ficaram pelo caminho), o foco já se vai alterando. O
Sport Lisboa e Benfica voltou ao
trabalho e prepara-se para
estrear a versão Marco Silva
frente ao Flamengo, neste sábado às 19:30, no Algarve. No
fundo, é só isso que importa e é
só disso que estamos todos à
espera. Sim, é um início de
época prematuro, mas pelo
menos que sirva para termos as
alegrias que o Mundial 2026 não
permitiu."
Ricardo Santos, in O Benfica
The End
"Um fabuloso filme de Billy Wilder, realizado em 1950 e chamado “Sunset Boulevard”/“O
Crepúsculo dos Deuses”, mostra-nos uma antiga estrela do
cinema mudo (representada
magistralmente por Gloria
Swanson, ela própria oriunda
desse período), que vive em
isolamento e entra numa espiral de decadência por se recusar a aceitar sair do seu próprio passado.
Lembrei-me várias vezes deste
filme durante o Mundial, ao ver
uma antiga estrela arrastar-se
em campo, sem perceber que o
seu tempo acabou, sem saber
sair de cena, e sem que ninguém, a bem ou a mal, o consiga
convencer da realidade.
Cristiano Ronaldo foi um dos
melhores futebolistas de sempre. É, seguramente, o cidadão
português mais conhecido em
todo o mundo. Arrasta consigo
multidões de fãs (não necessariamente verdadeiros adeptos
de futebol), vende camisolas, dá
audiências, faz girar dinheiro,
ou seja, tudo o que nos dias de
hoje acontece com uma celebridade de âmbito global.
Talvez essa bolha mediática,
essa fama desmedida, ou a
natural bajulação dos que lhe
são mais próximos (e ainda
alguns golos que vai conseguindo no meio de defesas sauditas), não lhe permitam perceber
que, aos 41 anos, já não é o
melhor jogador do mundo, já
não é sequer um dos melhores,
e só com boa vontade podia
caber, ainda, nos convocados de
uma selecção como a portuguesa. E Roberto Martinez revelou
absoluta incompetência na gestão do tema, comprando artificialmente uma paz podre que
levou a equipa portuguesa e ele
próprio a caírem com estrondo.
Sem perdão, atendendo a que
Portugal se apresentava, neste
momento, com um dos melhores plantéis da sua história, e
com legítimas ambições de
alcançar um título mundial.
Ver Portugal perder é sempre
doloroso. Quando percebemos
que o motivo da derrota podia
ter sido evitado, a dor transforma-se em indignação."
Luís Fialho, in O Benfica
Pertencer
"Pertencer a uma comunidade é
fazer parte, contribuir, ser alguém.
Não é coisa pouca ser respeitado e
reconhecido pelos que nos rodeiam e que connosco partilham o
espaço urbano. É certo que as
relações de vizinhança são cada
vez mais difusas, mas nos bairros
sociais mantêm uma força especial, ligando famílias e vizinhos
numa vivência do espaço público
mais intensa do que noutras áreas
urbanas. Por isso, os jovens interagem mais entre si e tendem a
construir a sua socialização sobretudo nesse contexto, o que pode
limitar o contacto com outras realidades e contribuir para alguma
segregação no uso do espaço
comum. Ninguém beneficia de
bairros disfuncionais ou limitadores da vida comunitária. Pelo contrário, os desafios socioeconómicos atuais tornam ainda mais
importante a existência de solidariedades vicinais, familiares e
intergeracionais. E a contribuição
de todos para o bem comum é
determinante. Por isso há que promover um espaço público adequado à convivência positiva e dinamizar a vida comunitária para que
todos possam viver em harmonia.
Viver em família e pensar em
comunidade são condições essenciais para uma vida equilibrada.
Embora se fale frequentemente do
afastamento dos jovens das suas
comunidades, a realidade é mais
complexa.
Na maioria dos casos,
não falta vontade de participar, faltam oportunidades, estímulos e
formas eficazes de concretizar
essa participação. É aqui que a inovação social assume um papel
decisivo, tal como todas as ferramentas capazes de comunicar com
os jovens, motivando-os para a
reflexão e para a ação. Nesse contexto, o futebol tem um poder
único. E quando esse poder se
junta ao prestígio dos seus protagonistas e ao compromisso social
do Benfica, os resultados fazem-se
sentir. É o que acontece há vários
anos através de uma parceria feliz
entre a Fundação Benfica e a Gebalis, que já produziu muitos e bons
resultados na cidade de Lisboa.
Por tudo isto levámos os vencedores da liga Community Champions à ilha da Madeira e, ao
mesmo tempo que lhes proporcionamos justo prêmio, demonstramos localmente o interesse e
potencial deste projeto para que
possa o mesmo ser reproduzido.
Fica o desafio!"
Jorge Miranda, in O Benfica
terça-feira, 14 de julho de 2026
A mediocridade e a cobardia ao serviço de um eterno figurante. 🤫🎻
O Royal, cuja falta de talento é um mistério do futebol, celebrou hoje o seu maior feito: ceifar um miúdo de 18 anos. No Brasileirão assiste aos jogos na primeira fila do banco; contra miúdos, arma-se em leão. A mediocridade e a cobardia ao serviço de um eterno figurante. 🤫🎻 https://t.co/NYA1CUWo5u
— Frederico Leite da Fonseca (@FredericoLFonse) July 12, 2026
Imbecil...
São estes os casos onde a FIFA devia intervir.
— Gordo, Vai à Baliza! (@gordovaiabaliza) July 13, 2026
Há testes de regras que impedem o agressor de jogar durante a ausência do lesionado e se há caso claro é este:
- Um amigável, um miúdo de 18 anos e um experiente imbecil. https://t.co/ISI1HudyqU
Falar de António Silva e lembrar Svilar
"O Benfica tem em mãos um assunto delicado: o que fazer com António Silva? Deixar andar, renovar e emprestar, ou vender? Uma coisa é certa: falta confiança ao jogador, que está a desvalorizar-se. Vamos ver se o clube da Luz aprendeu alguma coisa com a forma como tratou Mile Svilar, hoje um dos melhores guarda-redes do mundo, que na Luz só perdeu tempo.
MILE SVILAR, 26 anos, guarda-redes titular da Roma, com quem tem contrato até 2030, está, ao dia de hoje, cotado como um dos melhores guarda-redes do Mundo. Svilar foi um dos maiores erros do Benfica no século XXI. Melhor dizendo, a forma como o clube da Luz manejou o seu desenvolvimento desportivo, foi desastrosa. Chegado ao Seixal com 17 anos, bastava olhar para a forma como jogava para se perceber que estava ali um predestinado, que era preciso fazer crescer sem pressas, dando-lhe confiança através de uma entrada gradual na equipa principal, ou, como sucedeu com Oblak e Ederson, fazendo-o rodar noutros clubes. Os guarda-redes, para quem os erros são sempre ‘fatais’, precisam de aprender a viver com eles, e a Svilar não foi dada, em tempo devido, essa possibilidade. Depois de ter sido o guarda-redes mais jovem a estrear-se na Champions (Benfica,0-Manchester United,1) com 18 anos, a 18 de outubro de 2017, e de, em Old Trafford, ter tido uma noite infeliz, foi-lhe tirado o tapete e retirada a confiança. Seguidamente, andou a perder tempo na Luz, até que em 2022 rumou à Cidade Eterna onde veio a suceder a Rui Patrício na defesa das redes dos ‘giallorossi’.
Mile Svilar, no Benfica
E por que razão estou a recordar Svilar? Porque, com António Silva, o Benfica encontra-se numa encruzilhada em que deve tomar decisões importantes. É público e notório que, depois de uma entrada triunfal, com Roger Schmidt, que o levou a campeão nacional e ao Mundial do Catar, o rendimento do defesa central encarnado tem sido cada vez mais errático, denotando falta de confiança e sendo responsável por falhas comprometedoras. Por isso perdeu a titularidade para Tomás Araújo, esteve ausente da América do Norte e não está a ter o mais promissor dos inícios de temporada.
Abrem-se três vias ao Benfica:
Mantém António Silva no plantel (está na última época de contrato) e deixa que o destino marque a hora; renova contrato com António Silva e coloca-o, fora do País, por empréstimo; ou, pura e simplesmente, vende os direitos desportivos do jogador a outro emblema, recebendo aquilo que o mercado determinar.
A escolha de um destes caminhos depende do estado de alma do jogador e daquilo que o Benfica pensa de uma eventual regeneração que inverta o plano inclinado em que se encontra.
Em minha opinião, para jogador e clube, a pior opção será a primeira, porque nenhum deles controlará a narrativa. A segunda é uma forma séria do Benfica dizer que acredita no regresso de António Silva à sua melhor versão. A terceira, a mais pragmática, será a que evitará que o clube corra riscos e que o defesa faça ‘reset’ à carreira.
Com a quantidade de jogos que tem no horizonte próximo, do ponto de vista do Benfica, este assunto pode ser tratado durante o mês de agosto, o que não obstacularizará qualquer que seja a decisão, nem prejudicará o jogador. O que não deve fazer é o que fez com Svilar, em que perdeu tudo, rendimento desportivo, investimento e, até, credibilidade como um dos clubes do mundo que melhor sabe fazer crescer os jovens.
PS1 - Uma nota mais, relativamente ao Benfica e ao crescimento dos jovens: Daniel Benjaqui, nascido em Lisboa, defesa-direito de 18 anos, campeão da Europa e do Mundo de sub-17 por Portugal, não engana, o futuro pertence-lhe. Fazê-lo crescer até atingir o tremendo potencial que tem, passa a ser responsabilidade de Marco Silva. Acredito que Benjaqui esteja em boas mãos.
PS2 - José Mourinho acreditou em Andreas Schjelderup numa fase difícil da vida do jovem norueguês, evitou a sua saída do Benfica, fê-lo crescer em confiança, testemunhou como o extremo foi importante para os encarnados na fase final da época, e terá sido com orgulho que viu o extraordinário golo que marcou à Inglaterra e, sobretudo, o compromisso defensivo que revelou, uma das teclas mais batidas pelo atual treinador do Real Madrid na interação com Schjelderup. Special One.
Jorge Jesus com Pedro Proença, na Cidade do Futebol
JORGE JESUS nunca teve medo de desafios, e foi através de uma notável capacidade de se reinventar que esteve seis épocas seguidas no Benfica (mais, só Janos Biri, entre 1939 e 1947); foi ainda o destemor que o levou a aceitar liderar o Sporting durante o consulado de Bruno de Carvalho e, cumprido esse ciclo, que começou melhor do que acabou, resolveu aderir a projetos no estrangeiro, sendo o trabalho no Flamengo aquele em que brilhou com maior intensidade. De permeio, cometeu o erro de regressar ao Benfica, uma passo que estava destinado, inevitavelmente, a um estatelanço ao comprido, como aliás sucedeu.
Campeão em Portugal, Brasil e Arábia Saudita, vencedor da Libertadores e duas vezes finalista da Liga Europa, Jorge Jesus, aos 71 anos, não tem de provar nada a ninguém enquanto treinador. O futebol português conhece-o muito bem, nas muitas virtudes e em alguns defeitos, há décadas, não tendo constituído surpresa a sua escolha para suceder a Roberto Martínez. Porém, é minha convicção que Jesus, na liderança da Seleção Nacional, vai ter o maior desafio da sua carreira, não só porque não tem experiência na função, mas sobretudo devido às múltiplas situações que terá de resolver, até ter uma equipa em que se reveja estabelecida.
Depois de 36 anos de carreira, tendo dirigido, alguns por mais de uma vez, 16 clubes diferentes em quatro países, Jorge Jesus já viu de tudo e o seu contrário, e experimentou, nas diversas fases da sua vida profissional, todos os sistemas possíveis e imaginários. Como, enquanto selecionador, não terá problemas de plantel, JJ pode adoptar um sistema base, construir variáveis, e a partir daí proceder a convocatórias que encaixem no que pretende. Felizmente para ele (e para nós, enquanto adeptos da Seleção), a clubite tem cada vez menos interferência no ambiente da turma das quinas, caso contrário, aí sim, Jesus teria um problema, especialmente porque os benfiquistas não gostaram que fosse para o Sporting, e os sportinguistas não gostaram que tivesse regressado ao Benfica.
Quanto aos propósitos anunciados na apresentação como selecionador nacional, Jorge Jesus disse tudo certo, não fugiu a nenhuma questão e foi coerente no plano que apresentou. Vinculado ao que afirmou, deve levar a teoria à prática, tendo como único objetivo o sucesso de Portugal, e sabendo que será julgado pelos resultados que obtiver. Mas, depois de uma vida inteira no mundo do futebol, JJ sabe-o melhor do que ninguém, e, tendo como propósito estar à frente de Portugal no Mundial de 2030, terá consciência de que os testes intercalares - duas Ligas das Nações e um Campeonato da Europa - são de capital importância, não só porque a Seleção Nacional tem um estatuto a defender, como ainda porque a fasquia que a FPF lhe impôs está bem alta.
Aguardemos por setembro e pela primeira convocatória para termos uma ideia do que vai na cabeça de Jesus, que deverá fazer escolhas assertivas perante a abundância de valores acima da média que tem à disposição. Para já, o passado de Jorge Jesus no futebol justifica que, mais do que dar-lhe o benefício da dúvida, tenhamos certezas quanto aos méritos que possui. Se Jesus continuar a ser Jesus (e assim o creio), manter-se-á com convicções fortes (que por vezes escalam para teimosia), preferindo ir ao fundo com as suas ideias, do que flutuar com as ideias dos outros. É esse Jorge Jesus que faz falta a Portugal."
Centralização: distribuir receitas ou criar valor?
"A internacionalização da Liga Portugal não pode limitar-se à venda de direitos televisivos. Exige estratégia comercial global, presença digital, parcerias internacionais e uma marca forte.
Portugal continua obcecado com a centralização dos direitos audiovisuais. O debate resume-se quase sempre à mesma pergunta: quem recebe quanto?
Mas essa é apenas uma pequena parte da equação.
A verdadeira questão deveria ser outra: que futebol profissional queremos construir para as próximas décadas?
Hoje, no futebol profissional da I e II Liga, já não competem clubes. Competem sociedades desportivas, quase todas detidas, total ou parcialmente, por investidores privados e, em muitos casos, por capital estrangeiro. É esta a realidade do setor. Ignorá-la é discutir o futuro com os olhos postos no passado.
Ao mesmo tempo, importa ter coragem para discutir o atual modelo competitivo. Portugal dificilmente dispõe de mais de uma dúzia de sociedades desportivas com dimensão financeira, infraestruturas, massa adepta e capacidade de investimento compatíveis com uma I Liga verdadeiramente competitiva no contexto europeu. Talvez tenha chegado o momento de repensar a organização das competições profissionais, reforçando a qualidade da I Liga e criando uma II Liga mais aberta, sustentável e atrativa para investidores, patrocinadores e adeptos.
O Governo e a Autoridade da Concorrência justificaram a centralização com a necessidade de reduzir as diferenças entre as maiores e as menores sociedades desportivas portuguesas. Esse objetivo pode ser legítimo.
Mas, se o Estado entende que deve reduzir desigualdades dentro de Portugal, porque não demonstra a mesma preocupação em reduzir o enorme diferencial competitivo entre as nossas sociedades desportivas e os seus principais concorrentes europeus?
Queremos aproximar internamente quem mais fatura de quem menos fatura, mas continuamos a aceitar que as maiores sociedades desportivas portuguesas concorram em clara desvantagem fiscal, regulatória e económica perante a maioria das ligas europeias.
É aqui que deveria começar o verdadeiro debate.
Falar de centralização sem discutir o modelo competitivo, a fiscalidade do futebol profissional — IRS, Segurança Social, IRC e IVA —, os seguros de acidentes de trabalho, os lugares em pé nos estádios, a venda de álcool, as receitas das apostas desportivas, o combate à pirataria audiovisual e a simplificação regulatória é discutir apenas uma pequena parte do problema.
Todas estas matérias representam dezenas de milhões de euros por época. O seu impacto potencial é muito superior ao de alguns pontos percentuais na distribuição dos direitos audiovisuais.
Mas criar valor significa também vender melhor o futebol português.
Portugal continua excessivamente focado no mercado interno quando o verdadeiro potencial de crescimento está além-fronteiras.
Existem milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo. São potenciais consumidores de transmissões, plataformas digitais, merchandising, turismo desportivo e experiências ligadas ao futebol português. Continuamos, porém, sem uma estratégia clara para chegar às comunidades portuguesas de primeira, segunda e terceira geração.
Ao mesmo tempo, a internacionalização da Liga Portugal não pode limitar-se à venda de direitos televisivos. Exige uma estratégia comercial global, presença digital, parcerias internacionais e uma marca forte.
Existe ainda uma dimensão que raramente é discutida.
Num futebol cada vez mais global, a contratação de jogadores deixou de ter apenas uma componente desportiva. Tem igualmente uma dimensão estratégica e comercial.
Sem colocar em causa o mérito desportivo, a presença de jogadores provenientes de mercados como os Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, México, Brasil ou países africanos pode aumentar significativamente a visibilidade internacional da Liga, abrir novos mercados para os direitos audiovisuais, atrair patrocinadores e aproximar milhões de novos adeptos do futebol português. As grandes ligas compreenderam esta realidade há muito tempo. Portugal continua, em larga medida, a ignorá-la.
As maiores sociedades desportivas são também aquelas que mais contribuem para a economia nacional. São as que pagam mais salários, mais IRS, mais Segurança Social, mais IRC, mais IVA, mais seguros, mais investimento na formação, mais emprego qualificado e maior projeção internacional para Portugal.
Não são apenas empresas de futebol. São ativos económicos, sociais e culturais estratégicos.
O caso da SL Benfica Futebol SAD ilustra bem esta realidade. Atualmente arrecada cerca de 52 milhões de euros por época em direitos audiovisuais negociados individualmente. Com a centralização poderá perder parte desse valor. Mas se, em simultâneo, fossem implementadas reformas estruturais nas matérias anteriormente referidas, o impacto económico positivo poderia compensar largamente qualquer redução nas receitas audiovisuais.
Existe, contudo, uma dimensão praticamente ausente do debate.
A empresa Liga Centralização, criada para gerir os direitos audiovisuais, poderá futuramente abrir parte do seu capital a investidores ou fundos especializados na indústria do desporto. Existe hoje enorme liquidez internacional disponível para investir no futebol.
Essa entrada de capital pode representar uma oportunidade histórica para modernizar infraestruturas, acelerar a transformação digital, internacionalizar a Liga, reforçar a competitividade das competições e criar valor para todas as sociedades desportivas.
Mas há uma regra básica em economia: primeiro cria-se valor; só depois se vende uma parte desse valor.
Alienar parte do capital da Liga Centralização antes de tornar o futebol português mais competitivo será, muito provavelmente, vender barato um ativo com enorme potencial de valorização futura. Será permitir que investidores capturem uma riqueza que deveria ser criada, em primeiro lugar, em benefício das sociedades desportivas e do próprio futebol português.
A centralização pode ser uma excelente oportunidade.
Mas apenas se fizer parte de uma verdadeira reforma estrutural do futebol profissional português.
Caso contrário, passaremos anos a discutir como repartir um bolo demasiado pequeno, quando aquilo que verdadeiramente deveria preocupar-nos é como tornar esse bolo muito maior.
O futuro do futebol português não se decidirá apenas na forma como distribui riqueza.
Decidir-se-á, sobretudo, na sua capacidade para a criar."
O peso dos campeões
"A hegemonia incomoda. Mas a história do desporto ensina que ela nunca é eterna - e quase sempre é o preço da grandeza
Sempre que um campeão parece inalcançável, instala-se o mesmo debate: estará a competitividade em risco? A pergunta repete-se de geração em geração, como se o desporto devesse garantir equilíbrio permanente e finais ao sprint. Mas a verdade é outra. A história nunca foi escrita pela igualdade constante; foi construída por ciclos de domínio, por atletas e equipas que, durante um determinado período, fizeram melhor do que todos os outros.
É isso que acontece hoje no ciclismo com Tadej Pogacar. A superioridade do esloveno é tão evidente que quase parece banal. No Tour de França, a corrida mais mediática e exigente do calendário, bastou uma etapa de montanha para voltar a cavar uma diferença que faz recordar os dois anos anteriores. Se nada de extraordinário acontecer, o quinto triunfo deixá-lo-á lado a lado com Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain. Conhecendo a sua idade e a forma como continua a vencer, é legítimo pensar que não ficará por aí.
Curiosamente, muitos olham para esta supremacia como um problema, esquecendo que os maiores da modalidade também venceram assim. Merckx ganhou com minutos de vantagem. Hinault fez o mesmo. Indurain transformou cinco Tours consecutivos numa demonstração de força raramente vista. Até Anquetil, cuja última vitória foi decidida por escassos 55 segundos, construiu a sua lenda com diferenças que, noutras edições, ultrapassaram largamente os dez minutos.
Nem é preciso recuar tanto. Jonas Vingegaard interrompeu o primeiro ciclo vencedor de Pogacar em 2022 e 2023, mas também ele o fez sem margem para dúvidas. Chris Froome dominou uma geração inteira. Antes e depois deles houve sempre alguém capaz de impor uma hegemonia, porque o desporto também vive destes momentos em que um talento excecional coincide com uma estrutura de excelência.
Confundir domínio com falta de interesse é esquecer a essência da competição. O objetivo nunca foi garantir alternância artificial de vencedores; sempre foi descobrir quem é o melhor. E quando surge alguém capaz de elevar a fasquia para níveis que os restantes não conseguem acompanhar, o desporto não perde. Pelo contrário, ganha uma referência, um desafio e uma nova página para a História.
As hegemonias não são eternas. Nunca foram. Terminam sempre da mesma forma: aparece alguém melhor, mais forte ou simplesmente mais preparado para inaugurar um novo ciclo. Foi assim com Merckx, com Hinault, com Indurain, com Froome e será, inevitavelmente, com Pogacar.
Até lá, talvez a melhor atitude não seja lamentar a distância para os adversários, mas apreciar o privilégio de assistir, em tempo real, a um dos maiores campeões que o ciclismo alguma vez conheceu."
Benfica!
"Há uma ténue linha que marca a partida de alguém. Hoje, está. Amanhã, nunca mais irá estar. Assim, sem aviso prévio. Sem saber sequer quem vai ser campeão mundial em 2026. Ou, até, perceber se é Marco Silva que vai devolver o sucesso ao nosso clube. Sabendo apenas que Pogacar vai ganhar o Tour – partindo do princípio que não haverá intervenção do imprevisível. O tempo deixou de ser tempo; o futuro e a incerteza deixaram de preocupar quem parte.
Não posso classificar de inveja aquilo que sinto quando vejo filhos a apelidarem os pais de heróis. Quer seja quando partem ou quando saúdam a sua existência. Talvez pena ou tristeza por não poder dizer o mesmo. Poder, até posso. Mas não o diria de forma sincera ou em consciência. Habituei-me a normalizar esse sentimento e a lidar com ele. Não por maldade ou distância. Apenas porque pautei a passagem entre a juventude e a vida adulta com algumas dores de crescimento. Digamos que, mais do que um exemplo a seguir, a figura paternal revelou-se para mim, em alguns aspetos, como uma amostra paradoxal do caminho a levar. Mesmo sabendo que, do lado contrário, o olhar para comigo sempre fosse de orgulho e presença. Talvez até em demasia. É verdade que sempre estive próximo. E nunca verbalizei este sentimento. Até hoje. Mas deixemos essa consternação pessoal de lado.
No entanto, verdade seja dita, há algo que emerge sobre tudo o resto. Algo que sempre fui tendo noção ao longo dos últimos longos anos de mentalização do que poderia acontecer, mais dia, menos dia.
Apesar de todas as curvas da nossa viagem, sempre agradeci a forma como me foi passado o testemunho. O gosto pelo desporto em geral, mas, sobretudo, pelo futebol. E, acima de tudo, pelo nosso Benfica. Nisso, não tenho nada a apontar. Aliás, tenho muito. Foi exemplar a forma como me fez apaixonar pelo vermelho e branco. Desde as precoces idas ao antigo, mas tão presente, Estádio da Luz, somente com dois anos, às cotas que fez questão de assegurar até à maioridade.
Apesar de alguma distância de Lisboa, as romarias ao estádio nos anos 80/90 eram frequentes. Lembro-me que eram os meus dias favoritos, mesmo que ainda fosse uma criança imberbe. Fui, seguramente, mais de uma centena de vezes ao estádio, muitas mais ao antigo que ao atual, e na grande maioria delas acompanhado pelo meu pai. Desde o primeiro dia até hoje, há algo que nunca mudou: sempre que entro no estádio fico automaticamente com “pele de galinha”. Nunca falha. É automático. Não sei explicar. Talvez seja paixão. A paixão que tão bem me soube transmitir.
Nem só de estádio se faz esta história, porque o Benfica acontece em qualquer esquina. Em Leverkusen, quando me escondi com vergonha atrás da porta da sala, depois de não conseguir conter o choro após o quarto golo. Percebendo dias depois que, afinal, os homens também choravam, quando vi as lágrimas a caírem-lhe do rosto, enquanto ouvia as declarações do enorme Senhor Toni, após o 6-3. Ambos na nossa sala, onde sempre víamos os jogos juntos.
As idas ao estádio abrandaram com o passar dos anos – e com a deterioração do poder instalado; mas isso não merece ser discutido, hoje, aqui. Vieram as discussões caseiras. “Devia jogar o Quim”, apontava. “Não, devia ser o Moreira”, retorquia eu. Ou vice-versa, porque sinceramente nem me recordo bem quem defendia o quê. E assim, sucessivamente, à medida que se avançava no campo. Raras eram as concordâncias. Também isso acalmou com o tempo, dando lugar a serena harmonia. Talvez por resignação dele. Ou somente por perceção de que a passagem de testemunho tinha sido passada de forma incólume. Em certo ponto, o mais novo passou a exercer naturalmente um papel de “dono” da razoabilidade benfiquista lá de casa, enquanto o mais velho passava a lidar de forma calma com todos os desfechos e agruras.
Sim, ainda consegui cumprir com o desígnio de o levar ao novo estádio. Vi, agora mesmo, através de uma rápida pesquisa, que já foi em 2016, numa curta e decisiva vitória para o título de 2015/16. Já lá vão 10 anos, embora na minha cabeça pareça que foi ontem. Apesar da dificuldade logística e da exibição não ser condizente com os famosos anos 80, cumpriu-se Benfica nesse dia.
Recentemente, naquele que muitos apelidaram do dérbi do século, mas que rapidamente se tornou na desilusão do século, fiz questão de vermos juntos, à antiga, sabendo que poderia ser das últimas oportunidades de festejarmos juntos. Não conseguimos algo que nos primórdios da minha existência benfiquista parecia tão simples e destinado. De lá para cá, escusado será dizer que as conversas, quer pessoais ou telefónicas, redundavam em grande parte sobre o nosso Benfica. Até ao fim.
Obviamente, que, nesse capítulo, foi um pai exemplar. Tal como também eu tento ser na passagem desta paixão única. Também no lado humano. Sinceramente, nem sei se era de esquerda ou direita – e tão patética que considero essa questão direcional. Sei que era um humanista, acima de tudo. E é só isso que me interessa. Perante a minha experiência interpessoal, nem sequer consigo conceber ou imaginar filhos que não tenham o mesmo clube que os pais. Claro que existem. E nem quero com isto insinuar que deva existir obrigação ou condicionamento. No entanto, costumo dizer que basta, simplesmente, levar uma criança ao Estádio da Luz e ela nunca mais ousará sequer pensar em ter outro clube - embora, não consiga garantir que o atual estádio tenha o mesmo efeito do antigo. No meu caso, olho para trás, e sei bem que, de forma natural, nunca houve espaço para que eu fosse de outro clube. Felizmente.
Perante isto, resta-me agradecer o legado desportivo, futebolista e, acima de tudo, benfiquista. Obrigado pai, por me teres feito benfiquista. É um chavão, muito usado. Evito chavões, mas não o consigo sentir de outra forma. E, claro, por mais razoabilidade que me tentem mostrar, nunca deixarei de acreditar que irei cumprir o sonho de assistir àquilo que tiveste oportunidade de celebrar por duas vezes. Obrigado! Haverá sempre um Benfica entre nós, que nunca irá desaparecer. Benfica!"
Depois de Ronaldo, quem vende Portugal ao mundo?
"Portugal saiu do Mundial, mas a pergunta mais importante talvez não seja quando voltaremos a ganhar. A pergunta mais difícil é outra: depois de Cristiano Ronaldo, quem vende Portugal ao Mundo?
Durante mais de duas décadas, Portugal teve um privilégio raro no desporto global. Teve uma seleção com bons jogadores, grandes treinadores, clubes formadores e talento espalhado pelas principais ligas europeias. Mas teve, acima de tudo, uma marca planetária chamada Cristiano Ronaldo.
E isso mudou tudo. Ronaldo não foi apenas o melhor jogador português da sua geração. Foi o maior ativo de internacionalização do futebol português. Onde estava Ronaldo, estava Portugal. Onde aparecia Ronaldo, aparecia a camisola da Seleção. Onde se falava de Ronaldo, falava-se de um país pequeno que conseguiu produzir uma das maiores marcas individuais da história do desporto.
O estudo do IPAM sobre o valor da marca CR7 mostra bem a dimensão deste fenómeno. Em 2025, Cristiano Ronaldo atingiu um valor potencial de marca de 850 milhões de euros, o valor mais elevado de sempre desde que o IPAM acompanha esta avaliação. Em 2011, a marca valia 24,5 milhões; em 2020, 200 milhões; em 2025, 850 milhões. Não estamos a falar apenas de evolução. Estamos a falar de uma transformação económica e mediática brutal.
A dimensão digital ajuda a explicar parte desta força. Ronaldo ultrapassou os 1.000 milhões de seguidores nas redes sociais, sendo apresentado no estudo como a personalidade mais seguida do mundo. Só no Instagram, o estudo aponta para cerca de 648 milhões de seguidores; no Facebook, 170 milhões; no X, 114,5 milhões; no YouTube, 73,2 milhões.
Além disso, o número de pesquisas no Google passou de 56 milhões em 2020 para 187 milhões em 2025. Isto significa que Ronaldo deixou há muito de depender dos media tradicionais. Ele próprio é media. Ele próprio é plataforma. Ele próprio é canal de distribuição global.
É por isso que a discussão sobre o pós-Ronaldo não pode ser apenas desportiva. Não basta perguntar quem vai marcar golos. É preciso perguntar quem vai gerar atenção. Quem vai atrair patrocinadores. Quem vai vender camisolas. Quem vai colocar Portugal nas pesquisas, nos feeds, nas campanhas globais, nos conteúdos virais e nas conversas dos mercados que já não veem futebol apenas na televisão, mas em fragmentos permanentes de entretenimento digital.
Portugal tem jogadores extraordinários. Vitinha, João Neves, Nuno Mendes, Rafael Leão, Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Diogo Costa e tantos outros têm qualidade para manter a Seleção competitiva. Alguns jogam nos maiores clubes europeus, outros têm potencial para liderar a próxima década.
Mas há uma diferença entre ter grandes jogadores e ter uma marca global. A Seleção pode continuar forte dentro de campo e ficar mais fraca fora dele. Pode ganhar talento e perder alcance. Pode ter mais soluções táticas e menos magnetismo comercial.
O estudo do IPAM mostra que Ronaldo atinge 88 pontos no Sports Reputation Index, numa escala de 0 a 100, com pontuação máxima nas dimensões receitas e social media, 98 pontos na dimensão social e 91 pontos no palmarés. As dimensões menos pontuadas, media e impacto, são ainda assim elevadas, mas diminuem por estar atualmente numa liga periférica como a saudita.
Isto diz-nos uma coisa importante: mesmo afastado do centro competitivo europeu, Ronaldo continua a ser mais valioso do que quase todos os atletas que estão no centro do jogo.
Este é o verdadeiro problema para Portugal. Não existe sucessão natural para uma marca desta escala. A marca Ronaldo não se substitui por decreto, por talento ou por convocatória. Construiu-se com golos, títulos, rivalidades, disciplina, polémica, família, luxo, redes sociais, patrocinadores, recordes e uma obsessão permanente pela superação. Durante anos, Portugal beneficiou desse ativo sem talvez perceber completamente o seu valor estratégico.
Agora aproxima-se o momento em que a Seleção terá de vender-se sem o seu maior vendedor. E isso exige uma nova estratégia. A Federação, os patrocinadores, os clubes e os próprios jogadores precisam de perceber que o futuro da marca Portugal não pode depender apenas de um sucessor individual. Talvez não exista outro Ronaldo. Talvez o caminho seja construir uma marca coletiva mais forte, mais jovem, mais internacional, mais digital e mais preparada para disputar atenção num mercado global saturado.
Ronaldo colocou Portugal no mapa emocional do futebol mundial. A próxima geração tem talento para continuar a competir. Mas competir não chega. No desporto moderno, quem não comunica, desaparece. Quem não emociona, não fideliza. Quem não cria marca, perde valor.
Depois de Ronaldo, Portugal continuará a ter equipa. A dúvida é se continuará a ter Mundo."
Não haverá ‘novo’ campeão
"Antes do início deste Mundial escrevi que havia um lote de oito ou nove equipas, de valor comparável - com um ligeiro favoritismo para a França - de onde sairia o campeão do mundo de 2026.
Chegados às meias-finais, que nos garantem não haver, em 2026, um ‘novo’ campeão do Mundo (Inglaterra, 1966; Espanha, 2010; França, 1998 e 2018 e Argentina, 1978, 1986 e 2022), verificamos que vão defrontar-se quatro equipas que integravam esse lote. Das outras, a Alemanha, eliminada pelo Paraguai, foi desilusão absoluta; o Brasil, derrotado pela Noruega, também ficou aquém do esperado; e Portugal e Bélgica caíram frente à Espanha, após jogos equilibrados. Marrocos foi uma excelente confirmação e a Noruega a principal nota positiva entre os ‘underdogs’.
Alguma surpresa entre os semifinalistas? Não. Neste século (sete mundiais), será a quarta meia-final da França, a terceira da Argentina, e a segunda da Inglaterra e da Espanha. Entretanto, destas quatro seleções apenas a Inglaterra (finalista do Euro/20, onde perdeu nos penáltis com a Itália), não conquistou qualquer título neste século. A Espanha foi campeã mundial em 2010, campeã da Europa em 2008, 2010 e 2024 e vencedora da Liga das Nações de 2023; a França foi campeã mundial em 2018, conquistou a Taça das Confederações em 2001 e 2003 e a Liga das Nações em 2021; e a Argentina, sagrou-se campeã mundial em 2022, e arrecadou a Copa América em 2021 e 2024.
Podemos estar a caminho da reedição da final de 2022? É uma hipótese bastante consistente, com paralelo apenas nas finais entre Argentina e Alemanha de 1986 e 1990. No México mandou a ‘Albiceleste’, e em Itália a ‘Mannschaft’. Se a Argentina não for campeã do Mundo em 2026, será apenas a segunda vez que uma seleção europeia levanta o troféu do outro lado do Atlântico, depois da Alemanha, em 2014, no Brasil.
Sobre este Mundial, temos visto grandes jogos, disputados em estádios magníficos com relvados excelentes e bancadas a transbordar de público. A nódoa (além de arbitragens inenarráveis, de que o França-Paraguai foi o expoente máximo) caiu no pano da FIFA (e não haverá detergente que a limpe) pela forma como foi gerido o caso/Balogun, criando-se a perceção de um Infantino às ordens de Trump.
Voltarei a este tema: Mundial com 48 seleções, ok, com 64 é desrespeitar a competição e os adeptos.
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"
O Mundial começa agora
"A vitória da Argentina desta madrugada consumou algo inédito: os quatro primeiros do ranking FIFA são os quatro sobreviventes da prova. Ao contrário dos anos anteriores, em que Croácia ou Marrocos, por exemplo, se intrometeram na fase final, desta vez os favoritos estão em prova e a postos para a decisão.
A organização também abriu caminho a esta supremacia, evitando que os 'tubarões' se encontrassem. Talvez o encontro mais parecido a um jogo entre candidatos tenha sido o Portugal – Espanha (embora não tenha parecido um jogo entre forças iguais). A Bélgica ajudou a dar à Espanha o percurso mais duro de todos. A Argentina, sempre em sofrimento, bateu Cabo Verde, Egipto e Suíça. Inglaterra afastou México, Congo e Noruega. França enfrentou Suécia, Paraguai e Marrocos. Cair frente a estes adversários seria uma desilusão tremenda. Como diria Martínez, o Mundial começa agora.
A Argentina vai dependendo de Messi para desequilibrar, embora seja uma equipa dotada individualmente, mesmo sem ele. As debilidades quando cede a iniciativa são claras, e podem ser ainda mais expostas com a subida de nível do adversário. Scaloni chega a esta fase apesar dos problemas, não por ter sido capaz de resolvê-los.
Mesmo com a Wonderwall cantada em plenos pulmões, as críticas de Tuchel à exibição inglesa não deixaram de se ouvir. A verdade é que as condições atmosféricas não eram as ideais e os noruegueses já tinham demonstrado que não estavam para brincadeiras. O pouco espaço que deram entrelinhas, com Kane poucas vezes capaz de receber, limitou a chegada a zonas vitais. Valeu o dedo de treinador, bem como o banco inglês. Saka, Eze e Spence deram novas soluções a Tuchel, contra uma Noruega extenuada.
A Espanha, apesar do caminho mais difícil, superiorizou-se sempre. Ainda que alguns jogadores não pareçam estar nas melhores condições físicas, a equipa encontra soluções colectivas para os problemas. Sente-se que é a única equipa que foi exposta a uma exigência superior. Fará isso a diferença?
Deixo a França para o fim por ser a mais forte candidata. Apesar de algumas dificuldades contra blocos baixos, a supremacia individual é clara e nunca esteve em risco de eliminação. Dembélé e Mbappé são os símbolos de uma equipa que é a melhor em quase todos os sectores e com o melhor banco da prova. Talvez seja muito novo, mas não lembro de uma selecção com tantas soluções de elite. A pressão está nos ombros de Deschamps."
Jesus abre a porta a Rodrigo Mora e João Palhinha
"As novas ideias para a Seleção, com a era Jorge Jesus, vão abrir espaço para um jogador com as características do portista e para um médio com o perfil do homem desejado pelo Benfica
Não que fosse necessário dizê-lo, mas assim ficou tudo em pratos limpos: com Jorge Jesus, a Seleção vai jogar de forma diferente e com uma estrutura tática semelhante a todas as suas equipas que treinou nos últimos 10/15 anos, situando-se entre um 4x2x3x1e um 4x4x2 (para trás estão os tempos dos três defesas, quando quase ninguém os usava em Portugal).
Isto significa que do ponto de vista da arrumação das peças, há duas posições que prometem novidade: o médio defensivo e o segundo avançado. Ainda estamos longe de 24 de setembro, data do primeiro jogo da Seleção na era JJ, mas é legítimo analisar já este cenário à luz do que se passa no arranque das equipas nacionais e do mercado de transferências. E vale a pena concentrar em dois nomes: Palhinha e Rodrigo Mora.
Parece óbvio que João Félix deixará a ala esquerda e vai fixar-se onde nunca devia ter saído: jogando atrás do avançado (Cristiano Ronaldo, Gonçalo Ramos ou ainda um outro que possa vir a merecer a chamada), onde teve os seus melhores momentos da carreira, quer no Benfica e agora no Al Nassr, onde foi treinado precisamente pelo treinador português. Mas este também poderá ser um lugar para o qual o jovem médio/avançado do FC Porto encaixaria, do ponto de vista teórico, como uma luva.
Para tal, terá um enorme desafio pela frente: conquistar um lugar no onze inicial dos campeões nacionais. Nunca será nessa posição, porque Francesco Farioli tem outra ideia tática, mas há princípios do técnico italiano que podem e devem ser assimilados para próprio crescimento, não só para se assumir como um indiscutível nos azuis e brancos mas também para bater à porta de Portugal com outro estatuto: a reação à perda, a capacidade de ligar em toques curtos e maior objetividade nas transições ofensivas. Aliando isso com o talento que possui, antevê-se uma frescura na Seleção.
Quanto à posição 6, penso que se abrem portas novamente para um jogador com um perfil mais físico. Tem sido assim em todas as equipas de Jorge Jesus. E por isso é natural que Palhinha volte a ganhar um estatuto entretanto perdido, a ponto de ter ficado fora do Mundial disputado no continente americano. Não que uma coisa esteja relacionada com a outra, mas a escolha que o médio formado no Sporting fizer neste mercado de transferências poderá ser também direcionada para esse objetivo pessoal. Ser titular num grande português como o Benfica terá, no atual contexto, um peso ainda maior."
A aranha em fuga do labirinto
"Julián Álvarez parece em fuga constante, uma em que é, ao mesmo tempo, Minotauro e presa, aranha morta e viva que também podia ser de Schrödinger, presa no mesmo labirinto, como se fosse a tal caixa fechada.
Escapou uma vez. Então Pep, que o tinha seduzido, com futebol e resultados, a seguir tão jovem para Inglaterra, disfarçou-se de Ariadne, sensibilizado pela frustração, e ajudou-o a sair das encruzilhadas do Etihad.
Mais do que ganhar dinheiro, troféus e títulos, que virão por acréscimo, queria expressar-se. E conseguiu-o em Madrid. Se Guardiola tinha colocado o poder de destruição de um viking à sua frente, General 'Cholo', seu compatriota, colocara-o à frente do batalhão. Só que se jogar antes era tudo, passou a não bastar. A forma tornou-se importante, a prata e o estar em finais, fundamental. Só aí se apercebeu onde tinha entrado, como tantos outros antes, para ficar novamente retido, sem saber por onde ir, no meio daquelas paredes brancas e vermelhas, sempre iguais e monótonas. E de Ariadne, por quem suspirava todos os dias, nenhum sinal.
Há sempre, contudo, uma forma de escapar. Através da mente. O sonho de conquistar mais um Mundial, outro para Léo, para Diego, para a Argentina. E a aranha teceu o fio para se encontrar a si própria. É verdade que foi preciso esperar pelos 'quartos' para a termos a corpo inteiro, novamente mortífera, mas valeu a pena. Aquele tiro derrubou o Minotauro e a aranha deste lado da caixa está bem viva.
Julián sabe que ainda terá de encontrar a saída do labirinto. Mas há um momento único para saborear por inteiro. E um bebé na bancada para ainda adormecer."
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