Últimas indefectivações

terça-feira, 7 de julho de 2026

Building 2026/27 | Media Day

Zona Mística: Inês Fernandes

5 Minutos: Kaminski

Operação ‘Apito Desafinado’


"Se a temporada se iniciar com a liderança da arbitragem sob investigação e procurando fazer de conta que o clima de suspeição que a visa não está desde já inculcado nas mentes de adeptos, dirigentes, jogadores e treinadores, o Carnaval não durará três dias, mas 34 jornadas. Que cada um saiba assumir responsabilidades…

É impensável começar a época de 2026/27 do futebol profissional sob o signo da suspeição. Se tal suceder, aberta que foi a caixa de Pandora, a anarquia instalar-se-á e a credibilidade das instituições ficará minada pelo ‘bicho’ da suspeição.
Precisa-se, pois, de ações céleres, quer de quem investiga, quer de quem está em xeque. Iniciar a temporada com este clima irrespirável será a suprema irresponsabilidade. Luciano Gonçalves, eleito presidente do Conselho de Arbitragem depois de uma disputa nas urnas com Jorge Sousa, possui legitimidade própria para o exercício de funções. Porém, após as várias posições vindas a público e a entrada em cena do Ministério Público, é fácil constatar que se encontra numa posição demasiado fragilizada para proceder a nomeações e gerir o setor.
Esta situação não pode passar ao lado da Liga Portugal, que tem o dever de garantir a integridade das competições que tutela, nem sequer dos clubes, que não podem estar sujeitos a movimentarem-se num terreno armadilhado, onde todos desconfiam de todos.
E há, também, a questão dos árbitros, pouco interessados, decerto, em darem a cara dentro das quatro linhas enquanto tudo não estiver em pratos limpos. Porque serão eles, ao primeiro deslize, a subirem ao pelourinho para serem escarnecidos pelos adeptos e vilipendiados pelos clubes.
Já não estranhamos quando, lá para março, começam as queixas dos que querem ser campeões e dos que não querem descer de escalão. Todavia, viver uma situação-limite como esta antes de a competição se iniciar é inédito e não pode ser tolerado, sob pena de o Carnaval, em vez de ter três dias, durar 34 jornadas.
Creio que interessará a todos que as dúvidas sejam dissipadas e, a partir do que se concluir, tomar decisões. A única coisa que não pode suceder, se não quisermos ser alvo da chacota interna e externa, é atirar os árbitros às feras e os clubes à incerteza. Todos os anos são mobilizadas centenas de milhões de euros no futebol nacional e o mínimo que se exige é que os investimentos dos diversos emblemas não fiquem à mercê de situações dúbias. Estou mais do que certo de que, se nada for feito e a decisão passar por vivermos no faz-de-conta, assobiando para o lado, o que demasiadas vezes corre mal irá correr pior.
Vivemos um momento de tal forma delicado que até pode vir a transformar-se numa força regeneradora, assim todos saibam assumir as suas responsabilidades.
No caso vertente, apesar de a Justiça estar a fazer o seu caminho, apurando factos, são os clubes, através da Liga, que estão obrigados a tomar uma posição firme, sob pena de se verem metidos num ninho de cucos.Haverá, pergunto, quem discorde que é impraticável iniciar uma época com a liderança da arbitragem debaixo do fogo certeiro de quem conhece o setor como as próprias mãos, que sempre manteve limpas?
Falta pouco mais de um mês para o ‘kick-off’ da Liga e, até lá, deverá haver uma solução sólida e definitiva. A política de empurrar as coisas com a barriga, que nunca é boa, neste caso, falando-se da arbitragem, será ainda pior.
Tratando-se de um órgão com legitimidade eleitoral e escasseando tempo para que os sócios da FPF possam intervir, deverão ser os clubes a exigir o mínimo dos mínimos, que é a normalidade. Se não o fizerem, se a época começar em regime de ‘bagunça’ na arbitragem, sujeitam-se a ser apanhados numa bola de neve que nunca poderão controlar.

CARTAS
ÁS
Diogo Costa
Antes do início do Mundial, num programa de A BOLA TV, coloquei o guarda-redes do FC Porto como a minha aposta de destaque para a competição. Quatro jogos volvidos acredito ter acertado na ‘mouche’. Estamos perante um dos melhores do Mundo na posição mais ingrata do futebol.

ÁS
Duarte Gomes
O antigo diretor-técnico da arbitragem disse, internamente, tudo o que tinha de ser dito, e, por pudor, foi mais sucinto no comunicado que produziu. Ter, em lugares importantes, homens livres, é meio caminho andado para que quem persiste em andar no arame sem rede se estatele.

DUQUE
Pierluigi Collina
Se é absurdo colocar, num Campeonato do Mundo, árbitros sem qualificação para tal, quando se nomeia para um Paraguai-França de mata-mata o incipiente Andrey Tsapenko, do Uzbequistão, atinge-se o nível da irresponsabilidade. Felizmente os ‘bleus’ não foram atrás das provocações…

CAPA
A maior homenagem aos Tubarões Azuis
A capa do Correio da Baía, do Brasil, mostra bem a consideração do mundo do futebol pelo que Cabo Verde fez no Mundial da América do Norte. Porque o gosto dos caboverdianos pelo jogo tem muito a ver connosco, também porque me sinto grato pelo apoio genuíno que sempre deram à Seleção Nacional, renovo os votos de que a FPF possa ajudar (mais) no desenvolvimento de infraestruras naquele país.

FOTOLEGENDA
DIOGO E ANDRÉ
Há uns meses, no contexto da biografia que escrevi do ‘Forever 20’ dos ‘reds’, foi-me dito pelo Liverpool que pensavam inaugurar o memorial dedicado a Diogo Jota, que não esquecia o irmão, André, por altura do primeiro aniversário do acidente que vitimou ambos em Cernadilla, Espanha. Assim foi. A imortalização, em pedra e bronze, que incorpora camisolas, flores e cachecóis deixados a 3 de julho de 2025 pelos ‘scousers’, está à vista de todos, paredes-meias com Anfield. Confesso que sabia que o Liverpool era um clube grande. Ao longo dos últimos meses aprendi que também é um grande clube."

Só para não haver duvidas

Porta-voz?!


"Muito bem, Frederico Varandas a sair em defesa de quem lhe deu um Bi Campeonato + 1 apuramento para a Champions de mãos beijadas."

Zero: Mercado - Rui Pedro Braz tenta levar Trincão para a Arábia Saudita

BF: Extremos...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Uma desilusão chamada Brasil

Observador: E o Campeão é... - Batalha de Aljubarrota, mas desta vez sem padeira

Observador: Três Toques - Oitavos de loucura: Europa manda e o Brasil chora no sofá

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #18

BolaTV: Entrevista Rodrigo Magalhães...

Zero: Negócio Mistério - S06E13 - Cahil...

DAZN: F1 - Foram 623 dias de espera

BolaTV: Falso Plano #129 - Quem dá o que Pogi, a mais não é obrigado

Porque é que um jogo da Seleção mexe tanto com a economia


"Quando Portugal entra em campo, como ontem contra a Espanha, milhões de portugueses fazem exatamente a mesma coisa: param para ver futebol.
Parece uma afirmação simples. Mas por detrás desse hábito aparentemente banal existe um dos fenómenos económicos mais interessantes do país. O estudo que desenvolvemos no IPAM sobre o impacto económico do Mundial 2026 mostra precisamente isso: um jogo da Seleção não gera apenas emoções, gera também consumo, negócios e atividade económica.
O futebol tem uma característica que poucas atividades conseguem replicar. Consegue mobilizar milhões de pessoas ao mesmo tempo. Quando Portugal joga num Mundial, o impacto sente-se muito antes do apito inicial. Nos dias anteriores, os canais de televisão reforçam a programação, os jornais aumentam a cobertura, as marcas lançam campanhas e as redes sociais enchem-se de previsões, comentários e debates.
Mas é no próprio dia do jogo que a economia acelera. E muito.
Os cafés e restaurantes registam um aumento significativo de clientes. As esplanadas enchem-se. Muitas famílias e grupos de amigos escolhem reunir-se para acompanhar os jogos. O consumo de cerveja, refrigerantes, snacks e refeições aumenta. Supermercados como Continente, Pingo Doce, Lidl ou Auchan sentem esse efeito nas vendas dos dias de jogo. Marcas como Super Bock, Sagres, Coca-Cola ou Sumol beneficiam diretamente desta concentração de consumo.
O fenómeno também se faz sentir dentro de casa. Há quem organize almoços, jantares ou churrascos para acompanhar a Seleção. Outros aproveitam para renovar equipamentos, trocar de televisão ou melhorar a experiência de visualização. São pequenas decisões individuais que, multiplicadas por milhões de pessoas, geram um efeito económico muito relevante.
O estudo mostra que o impacto económico mínimo do Mundial 2026 em Portugal será de cerca de 378 milhões de euros, podendo atingir 945 milhões de euros no cenário mais favorável. E uma parte importante deste valor está diretamente relacionada com o desempenho da Seleção. Quanto mais Portugal avança na competição, mais tempo dura o consumo associado ao evento.
Mas há uma diferença importante em relação aos Mundiais do passado.
Hoje o jogo não se vê apenas na televisão. Vê-se também no telemóvel. Comenta-se no X, discute-se no WhatsApp, partilha-se no Instagram e no TikTok, acompanha-se através do Record, do Maisfutebol, do zerozero ou da RTP Play. O adepto moderno vê o jogo e participa ao mesmo tempo.
Não surpreende, por isso, que cerca de 23% do impacto económico identificado no estudo já resulte de plataformas digitais, redes sociais e criação de conteúdos. Quase um quarto do valor gerado pelo Mundial nasce hoje fora dos estádios e até fora dos ecrãs tradicionais.
Talvez seja essa a maior conclusão do estudo. Um jogo da Seleção já não vale apenas pelos 90 minutos que decorrem dentro das quatro linhas. Vale pelas conversas que gera, pelas compras que provoca, pelos conteúdos que produz e pelo tempo que ocupa na vida dos portugueses.
Quando Portugal joga, não é apenas a bola que entra em movimento. É uma parte significativa da economia que acelera ao mesmo ritmo.
E isso ajuda a perceber porque é que o futebol continua a ser muito mais do que um jogo. É um dos maiores fenómenos de consumo coletivo que existe em Portugal."

Que venha a Espanha

"A Seleção fez com a Croácia, na primeira parte, a melhor exibição neste Mundial. Foi uma equipa equilibrada e sempre com um notável espírito de união e conquista. O jogo exterior melhorou pela forma como foi explorada a profundidade por Rafael Leão e Pedro Neto. Nuno Mendes subiu de produção e o jogo a três nas laterais foi importa
nte para criar situações difíceis de controlar pela defesa croata.
A saída a três na primeira fase de construção (Rúben Dias, Vitinha e Veiga) deu maior segurança e Vitinha assumiu papel decisivo nas decisões da posse. A equipa sempre junta e com as linhas muito próximas tornou possível, no ataque posicional, a presença de mais unidades na área de finalização.
A posse de bola teve mais critério com menos passes perdidos, e a última linha de três muito subida equilibrou a equipa e foi capaz de controlar os momentos de perda da bola sem dar muitos chances à Croácia, pela pressão de mais jogadores em espaço ofensivo mais reduzido.
Na segunda parte entrámos mal, tudo o que foi possível fazer antes muito bem (equipa junta com linhas subidas e com mais fácil recuperação da bola numa posse orientada para a baliza) deu lugar a uma outra equipa mais dispersa e sem capacidade de controlar os espaços defensivos que foram aproveitados pelos croatas para chegarem ao golo e virarem o jogo do avesso.
O golo do empate não trouxe grandes alterações e as substituições não equilibraram a equipa. Em desespero, Roberto Martínez quis ganhar o jogo mas esteve muito próximo de o perder. A saída de Ronaldo e a entrada de Rúben Neves melhorou um pouco.
Sem Ronaldo, foi Gonçalo Ramos quem aproveitou os espaços e o golo brilhante que marcou foi prémio para um jogador pouco aproveitado no clube e na Seleção.
Uma palavra também para Diogo Costa, decisivo nos jogos com Colômbia e Croácia. O seu fantástico trabalho garantiu dois resultados favoráveis: o empate na fase de grupos e a vitória que nos deu os oitavos de final.
Que venha a Espanha... vai dar Portugal!"

Portugal, dia 5


"Tenho dito, e reafirmo, que Portugal pertence a um lote de oito seleções que podem sonhar com o título mundial. A Espanha, também. Um vai ficar pelo caminho, dando ‘falta de comparência’ aos ‘last eight’, que seria o seu ‘habitat natural’.
Será campeão do Mundo, dentro do grupo dos tais mais fortes, aquele que tiver o melhor alinhamento astral, seja nos duelos, seja, até, em eventuais desempates por penáltis. Recordo que ao longo da história Brasil (1994), Itália (2006) e Argentina (2022) venceram as respetivas finais dessa forma, e que Alemanha (1990), França (1998) e Argentina (2022) atingiram as finais depois de terem superado eliminatórias da marca dos onze metros. Também Portugal e Espanha têm um histórico nos desempates por penáltis: perdemos na meia-final do Euro/12 e ganhámos na final da Liga das Nações/25. Neste século, aliás, os confrontos entre portugueses e espanhóis têm sido marcados pelo equilíbrio, mas, desta feita, as exibições de ‘nuestros hermanos’ têm sido mais convincentes, o que revela um bom momento de forma e, também, a necessidade de nos preocuparmos com alguns dos pontos mais fortes da equipa de De La Fuente, nomeadamente a dinâmica do meio-campo. Se, nesse setor, não formos muito equilibrados, disciplinados e competentes, veremos reduzidas drasticamente as nossas possibilidades de chegarmos aos quartos-de-final.
É meu ‘feeling’, sem qualquer ‘inside information’, que tanto Roberto Martinez quanto a FPF já perceberam que o final da participação portuguesa no Mundial é o tempo certo para não prolongarem uma relação que já rendeu uma Liga das Nações. O técnico espanhol, que foi feliz nas substituições operadas na partida com a Croácia, quererá, mais do que ninguém, sair, como se diz na gíria, ‘por cima’. 
Uma coisa, questões técnico-táticas à parte, parece-me certa: a motivação do selecionador e dos jogadores face ao confronto com a Espanha, está na quota máxima, o que é um ótimo sinal. O resto, é futebol, um vai rir, o outro, chorar…

PS - Alemanha, Países Baixos, e agora… Brasil. Há grandes a ir para casa cedo demais. Schjelderup a assistir e Haaland a faturar, desfizeram o ‘escrete’. À hora que escrevo não sei se a Inglaterra passou ou não. E logo, Portugal ou Espanha, um fica pelo caminho.

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

Acabe-se com o fado do acaso!


"Portugal defronta a Espanha refém de um fatalismo que impõe a si próprio. Para lá do estatuto, o bom senso exige a urgência do futebol coletivo. O mesmo que se elogia precisamente ao rival ibérico

Há 23 anos que me tentam matar — é precisamente o tipo de expressão de alguém que leva as críticas como um ataque pessoal, não atende à lógica e não se consegue enquadrar numa ideia de bem maior. Cristiano Ronaldo não é perfeito, como ninguém o é —Maradona foi o mais imperfeito de todos e, ao mesmo tempo, o mais especial; a redoma que colocaram à volta de Messi desde cedo em La Masia, tornou-se uma estufa, roubou-lhe definitivamente uma dimensão mais natural e humana — e tem de perceber, se é que alguma vez o vai entender, que não pode nunca ser superior a uma equipa, qualquer que ela seja, mesmo que a sua dimensão a ultrapasse largamente quando não se juntam.
Pouco depois da estreia, Cristiano era indiscutível até na Seleção, hoje não o é. Isso só tem indiretamente a ver com a idade. Não são os 41 anos, são as consequências dos 41 anos. Pode ainda ter uma idade corporal biológica, graças ao profissionalismo e dedicação, de 23, 25 ou 28 anos, mas não joga como se tivesse essa idade. São coisas diferentes e os números são arrasadores: 1 toque na área apenas frente à Croácia e no penálti. A sua titularidade ou não deveria depender da resposta a uma simples questão: ataca Portugal de forma mais coletiva (e rotativa) e defende melhor logo no momento da pressão com Ronaldo ou Gonçalo Ramos? Infelizmente, temos uma federação a quem não interessa fazer essa pergunta e um selecionador que há muito assinou de cruz. Ninguém quer que Ronaldo se reforme, apenas que não condicione a Seleção com o sim ou o não.
Um Portugal mais coletivo pode perfeitamente hoje perder com Espanha. E até este, desgarrado, não está impedido de ganhar. Aconteça o que acontecer, a ideia que fica é que nada fizemos para ser bem-sucedidos, fomos incapazes de nos tornar mais fortes ao escolhermos os melhores. Ficou tudo entregue ao acaso.
Preocupa não só Ronaldo, mas também a tendência de recuar estrategicamente com mais um médio defensivo — a única vez que o justificava foi precisamente diante da Croácia, ainda que a opção pudesse ter sido mais vertical —quando o nível do adversário sobe. Até as leituras excessivamente positivas de Martínez da primeira parte do último jogo e dos anteriores parecem maquilhadas. Tal como as vezes em que abordou o momento defensivo sem falar no atacante. Só se incomoda a Espanha se dividirmos a bola. E para tal são precisos os jogadores certos. O que ainda não aconteceu na América."

Kylian Mbappé Lottin, o genial 'crème brûlée'


"Quem, monsieur Infantino, é o seu eleito para melhor jogador do Mundial? Cuccittini? O 10 das pampas? Lionel? O capitão da Argentina? Andrés? Messi?

Este Mundial está a ser uma delícia. O golaço absurdo de Sidny Cabral? Sublime cachupa com ovo estrelado e linguiça. Os três jogos loucos de Maxi Araújo? Tiras de assado uruguaio no ponto e um pouco de yerba mate. Mbappé, o genial dos geniais? Mistura de crème brûlée, éclair e, por fim, claro, um petit pain au chocolat. O poder físico, misturado com talento, de Kane? Roast beef, fish and chips e bread and butter pudding na fase de grupos, massa da Cornualha nos 16 avos e, espero, pudim de toffee (sem viagra) para o jogo da última madrugada com o México.
Os golos de Messi e Ronaldo? Roupa velha pós-Natal, mas sempre saborosíssima (cheira-me que para hoje há peixe-espada preto, bolo do caco e poncha em vez de paella). Alemanha? Apfelstrudel já um pouco fora de prazo. Marrocos de Bono, Hakimi, Mazraoui, Amrabat e Brahim Díaz? Impressionante como o kaab el ghazal de 2026 se parece com o de 2022. O Mundial de Vinicius tinha tudo: acarajé, bobó de camarão, canjica, canjicão e mugunzá e, claro, picanha. Mas ontem, em Nova Iorque, apareceu um bacalhau norueguês de cento e noventa e cinco centímetros, nascido em Leeds, a colocar um ponto final no spaghetti de Carlo Ancelotti. O Haaland, meus caros (parece que se diz Rolan), é delícia nórdica.
Mas nem só pelos jogadores e Seleções este Mundial tem sido delicioso. Também pelos jornalistas e, digamos, influencers. É delicioso, imediatamente após o final de cada jogo (pelo menos de Portugal), vermos misturadas perguntas sobre a tática utilizada por Roberto Martínez (por que não Ramos e Ronaldo juntos, a tática RR?) com outras atualíssimas e verdadeiramente pertinentes: como vai ser a futura noite de núpcias do 9 de Portugal; que música ouvem após os jogos; podemos ser aumentados e ter um carro; quem é o jogador mais divertido do balneário? Isto, imediatamente após os jogos, é delicioso. Música para os ouvidos de qualquer um que goste de futebol e da Seleção Nacional.
Deixo aqui algumas perguntas alternativas, igualmente deliciosas, para se fazer aos jogadores no final do jogo com Espanha: Diogo Costa! (nas zonas mistas é melhor gritar porque há muita confusão), já te disseram que esse sinalzinho que tens junto ao nariz é muito sexy? Renato Veiga!, quanto tempo demoras a ajeitar o cabelo? Gonçalo Inácio e Gonçalo Guedes!, já têm escaras nos glúteos? Vitinha!, o teu pai jogava mais do que tu? José Sá!, já alguma vez te confundiram com o Billy Gibbons dos ZZ Top? João Félix!, sabias que a Margarida acabou com o Lando? Pedro Neto!, quem é mais bonito, tu, o Vini ou o Rolan? Mister!, agora que se sabe que já não vai para o Al Nassr, não quer passar pela Insparya e meter uns cabelitos?
Já agora, se algum de vocês (João Pimpim! Nuno Matos!) se cruzar com o Infantino, podem fazer-lhe umas perguntinhas, sff? Sim? Ok, aqui vão. É verdade que torceu pela Argentina no jogo com Cabo Verde? Qual a pegada ecológica maior, a sua ou a de Montenegro e Seguro, juntas? Messi não devia ter sido expulso com a Argélia? Se em vez de ter sido Matanovic a tocar na bola no golo anulado à Croácia tivesse sido o senhor, tinha sido golo, certo? Quem será o seu eleito para melhor jogador do Mundial, mesmo que jogue nada até ao fim do torneio? Cuccittini? O baixinho que joga no Inter Miami? Lionel? O capitão da Argentina? Andrés? O número 10 das pampas? Messi? Para mim, até ver, o genial dos geniais: crème brûlée, éclair e um petit pain au chocolat."

Ounahi, um fenómeno 4x4


"Ounahi. Em 2022, é uma das figuras maiores da seleção marroquina que termina no 4.º lugar, depois de eliminada pela França e de ultrapassar Portugal nos quartos. Azzedine era 8, estrangulava a fase de criação dos rivais e acelerava veloz para o ataque. Quatro anos depois, é um 10, não daqueles mágicos que nos faziam sonhar quando éramos simples imitadores, mas um terceiro médio, a organizar e distribuir mais à frente, mais perto dos avançados ou então a partir dos flancos, sobretudo da direita, e ajudar também na distribuição de tarefas defensivas na zona intermediária. De tração 4x4. É ele quem devolve o rumo aos 'Leões do Atlas' diante de um Canadá em versão 'gegenpressing' — ou o treinador Jesse Marsch não tivesse passado pela 'escola' Red Bull — bem diferente do que derrotaram na Arábia, não só com dois golos fundamentais, mas também ao dizer 'presente', tornando-se porto de abrigo. Depois, faz tudo com naturalidade, com aquele futebol de rua, com ginga sul-americana, que ainda mais o ilumina nos grandes jogos.
A grande questão de Ounahi é que só o vemos de 4 em 4 anos (4x4). Não porque ande por ligas menos mediáticas, mas porque não se afirma em contexto que não a seleção e torneios curtos.
A 17 de dezembro de 2022, Ounahi participa, como suplente utilizado na derrota com a Croácia a contar para o 3.º e 4.º lugares. Pouco mais de um mês depois, a 29 de janeiro de 2023, transfere-se do Angers para o Marselha. Em setembro de 2024, é cedido ao Panathinaikos. E em agosto de 2025, o Girona contrata-o por €6M, menos dois do que o OM tinha gastado na sua aquisição. São 3 golos e 1 assistência em 44 jogos em França, 5 e 7 em 37 na Grécia e 5 e 3 em 23 em Espanha. Mas sem aquele brilho dos predestinados. Aos 26 anos, está no seu 'prime'. Um sério caso de estudo."

Teremos sempre Cabo Verde


"Há momentos que iremos sempre recordar dos Mundiais: o slalom de Maradona à Inglaterra em 86, o golaço de Hagi à Argentina em 94, o "bis" de Ronaldo "Fenómeno" na Final com a Alemanha em 2002, a extraordinária recuperação da França frente à Argentina de 0-3 para 3-3 no Qatar-22, talvez a melhor Final que já vi (de Mundiais e não só), mas que de nada valeu aos franceses, depois dos penalties ganhos pela Argentina.
Este Mundial de tantos jogos já teve alguns momentos inesquecíveis: os penalties do Países Baixos-Marrocos, o "hat-trick" de Dembelé à Noruega, a recuperação da Bélgica frente ao Senegal de 0-2 para 3-2, o voo perfeito de Gonçalo Ramos nos descontos do Portugal-Croácia.
Mas nada que se compare a Cabo Verde, a mais bela história destes EUA/Canadá/México-2026. Essa história bonita já tinha começado com o empate soberbo com Espanha. Mas sobretudo com o extraordinário 2-2 com o Uruguai, polvilhados com dos golaços de Kevin Pina e Hélio Varela. O empate com a Arábia Saudita tinha confirmado a passagem histórica de um estreante à fase a eliminar. Mas o grande momento dos "Tubarões Azuis" foi o jogo com a Argentina.
Cabo Verde não é um derrotado. Ficará sempre na coluna dos vencedores deste Mundial. Jogou sempre positivo, nunca baixou os braços, mostrou qualidade e critério. Adicionou sonho à qualidade que é preciso mostrar a este nível. O golo fabuloso de Sidny Lopes Cabral aos 102, a fazer um 2-2 que fez tremer os argentinos, fez-me lembrar (pelo arco, pela potência do remate, pela posição, pela improbabilidade) o golo de Maniche à Holanda, na meia-final do Euro-2004 (os mais novos que vão procurar ao You Tube).
E agora? França, Espanha e Marrocos foram as três melhores seleções que vi até agora neste Mundial. Os gauleses talvez sejam o principal candidato ao título. Espanha ou Portugal, quem vencer o duelo mais desejado dos "oitavos", lança-se para forte candidatura à vitória final. Marrocos, que junta eficácia com futebol que encanta, reforçou com os 0-3 ao Canadá que é mesmo pretendente ao título mundial (ou, pelo menos, a ser a primeira seleção africana a estar presente numa Final). A Argentina tem de fazer muito mais que do que fez com Cabo Verde para revalidar o título. O Brasil deve ter passado a Noruega (escrevo antes do jogo), mas ainda não mostrou futebol convincente para que o "hexa" seja provável. E se a Inglaterra eliminar o México no Azteca pode mesmo sonhar com o título.
Portugal? Para eliminar Espanha tem de estar melhor em quase tudo o que mostrou até agora. Mas é possível, claro. Num duelo destes, os nossos melhores instintos, geralmente, revelam-se."

Não existem milagres!!!

O Ceferin quer ir para a FIFA...

Santana: Espanha...

BolaTV: Dias de Mundial...

No Princípio Era a Bola - Não é a melhor Espanha, mas é a Espanha e Portugal devia ser capaz de resolver o conflito entre o que precisa e o que vai apresentar

ESPN: Futebol no Mundo #600

ESPN: Futebol no Mundo #599

TugaFut: Brasil...

TNT - Convocados...

AA9: Mundial - Day 25

Rabona: Brazil's WORST World Cup in 36 YEARS & Mexico FALLS | World Cup Day 25

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Espanha...

Terceiro Anel: Live - Espanha

Rabona: Live - Espanha

LiveMode: Live - Espanha...

LiveMode: Aquece vais entrar #33

FIFA: Argentina...

FIFA: Suíça...

FIFA: Egipto...

SportTV: México - Inglaterra

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Benfica: fim de ciclo — oportunidade ou jargão?


"Fim de ciclo é uma expressão recorrente no final de cada época desportiva que tenta manifestar o encerramento de uma fase cuja lógica interna já se esgotou, carregando camadas estratégicas, políticas e simbólicas que tornam o conceito muito mais complexo do que parece à primeira vista.
Numa recente entrevista à BTV do vice-presidente para as modalidades do Benfica, Tomás Barroso afirma: «Quando recebi o convite do presidente Rui Costa para assumir estas funções deixei muito claro e partilhei com ele as minhas preocupações relativamente a alguns ciclos, não só de treinadores, mas de equipas e atletas, que poderiam impactar de forma negativa nos resultados finais da época.»
Neste segmento da entrevista reconhece que, em novembro de 2025, acreditava que treinadores, estruturas técnicas e atletas de diversas modalidades encontravam-se em «fim de ciclo». Ou seja, vários treinadores já não mobilizavam os respetivos plantéis, algumas estruturas técnicas já não acompanhavam a evolução da modalidade e diversos atletas apresentavam pouco potencial de crescimento ou entraram em fase de declínio.
Por outro lado, pode-se também interpretar as palavras de Tomás Barroso relativamente a «fim de ciclo» como um termo neutro e elegante que carrega uma profunda carga estratégica e tática ao funcionar como um eufemismo organizacional que suaviza a narrativa pública ao ser politicamente correto, mas pode revelar que internamente, eventualmente, não houve planeamento estratégico sucessório ou antecipação de tendências.
Funciona como narrativa de transição dando a entender que as saídas não são culpa de ninguém ou de desempenhos, apenas terminaram ciclos de trabalho e dedicação. O que permite preservar a imagem de todos os intervenientes e manter alguma estabilidade comunicacional. Evitando-se termos mais duros como fracasso, erro de gestão ou incompetência.
Como sintoma estratégico é bivalente pois tanto representa a lucidez de um planeamento sucessório para treinadores, estruturas técnicas e atletas, como se passou com o andebol do Benfica em que a sucessão se iniciou em março de 2026 fruto de três épocas muito abaixo das estimativas. Ou ausência de estratégica, como se passou no basquetebol com o tetra campeão Norberto Alves e Marcel Matz no voleibol que em oito épocas venceu 14 títulos, que saem, segundo Tomás Barroso na mesma entrevista, por falta de resultados desportivos.
Pode-se especular que nestes dois casos a liderança foi reativa, agiu quando o ciclo acaba por ausência de títulos, em vez de gerir ciclos de forma contínua e coerente via sucessão refletida e proativa. Haveria fim de ciclo se estes treinadores tivessem sido campeões?
Importante para a liderança do clube é compreender a gestão de ciclos desportivos numa lógica de continuidade e sem a emoção negativa da falta de títulos. Perceber que o sucesso é a soma de pequenas vantagens (por exemplo, atletas diferenciados que trazem valor acrescentado, modelo de jogo, adaptação rápida às novas tendências das fases do jogo, estruturas com elevado conhecimento e capacidade de execução) face aos competidores que são consequências das respostas às perguntas certas que a liderança deve fazer numa lógica de aproveitamento da tendência e do meio ambiente competitivo. Isto significa que durante o surfar de um ciclo há que questionar procurando sinais estruturais (avaliando se a estrutura técnica‑desportiva ainda produz rendimento), competitivos (avaliando se a modalidade acompanha o nível dos rivais e o seu próprio histórico), políticos (avaliando a capacidade da direção e da estrutura para manter estabilidade) e culturais (avaliando a saúde emocional, simbólica e identitária da equipa) que convergem para um ponto em que a continuidade pode deixar de ser racional. Posteriormente, a mudança é inevitável quando destas quatro dimensões pelo menos três apresentam sinais críticos e quando a narrativa dominante já não permite continuidade. O diagnóstico deve ser feito com dados, mas também com leitura política e cultural.
A mudança requer, então, conhecer o caminho a percorrer (estratégia) para se mobilizar e reconfigurar recursos essenciais na rápida exploração do próximo ciclo. Para tal, manter uma base interna estável e coerente (por exemplo, cultura desportiva, competências centrais) enquanto se preserva a flexibilidade para se reconfigurar e investir rapidamente em ativos com elevado potencial, deixar sair aqueles que não mantêm ou acrescentam valor e abandonar o que não funciona são ações táticas viáveis.
Simultaneamente, a liderança do clube precisa de proporcionar estabilidade na mudança, as pessoas precisam de saber que podem contar com o seu líder, compreenderem o que está dentro da estratégia e o que está excluído, haver clareza sobre as relações e como aproveitar e desenvolver as pessoas.
Estas coisas proporcionam estabilidade. Por outro lado, as pessoas precisam de ser pressionadas para evitar a complacência, experimentar coisas novas (por exemplo, métodos de treino, abordagem a variantes do modelo de jogo, novos processos de recolha de dados para decisão) e saírem da zona de conforto sem ficarem fora de pé. Parte da competência da liderança do clube é conseguir fornecer ambos, não se escudar nas equipas técnicas e a dar às pessoas algo em que podem confiar.
Uma das poucas certezas na vida desportiva é a mudança ser uma variável constante com sequência de ciclos e um resultado final que depende do seu melhor aproveitamento tornando o ciclo numa jornada de gestão contínua no aproveitamento de oportunidades e procura de novas pequenas vantagens que articuladas devidamente conduzem ao sucesso evitando deste modo fim de ciclos reativos."

Zero: Mercado - Benfica perto de garantir reforço; Gustavo Sá escapa de Portugal

BF: Fechado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Brasil consegue travar Haaland e México cumpre previsão dos Simpsons?

Tratado do Estádio


Em destaque nesta edição da BNews, a aprovação do Tratado do Estádio, o documento que orienta o desenvolvimento das Casas, Filiais e Delegações do Sport Lisboa e Benfica.

1. Congresso das Casas, Filiais e Delegações
Veja como decorreu a 4.ª edição do Congresso das Casas, Filiais e Delegações do Sport Lisboa e Benfica, encerrado pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Clube, José Pereira da Costa, e conheça o resultado dos trabalhos divididos por sete painéis e o Tratado do Estádio, o documento estruturante e definidor de um novo rumo neste domínio, aprovado pelos congressistas.

2. Eis a alternativa
A camisola do equipamento secundário do Benfica para 2026/27 é branca.

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Treinadores da formação
Saiba quem são os líderes das equipas técnicas dos escalões de futebol de formação do Benfica.

5. Contrato renovado
Rafael Quintas prolonga a ligação ao Benfica.

6. Treinador apresentado
Ricardo Vasconcelos, ex-selecionador nacional, é o novo treinador da equipa feminina de basquetebol do Benfica.

7. Concerto de balneário
Buba Espinho atuou para os campeões nacionais de hóquei em patins."

Concerto de Balneário | Buba Espinho e os Campeões de Hóquei em Patins

Portugal: uma equipa imprevisível


"O Mundial não tem sido convincente para Portugal. Chegamos aos oitavos de final ainda com muitas dúvidas. O jogo frente à Croácia teve bons momentos, sobretudo na primeira parte, mas voltou a expor problemas que têm acompanhado esta equipa e que continuam por corrigir.

Diagnóstico
Somos uma seleção recheada de talento. Roberto Martínez ainda não conseguiu, e talvez nunca o venha a conseguir, transformar tanta qualidade num coletivo dominador, seguro e capaz de transmitir confiança. Quando vemos Portugal jogar, sentimos que tudo pode acontecer, para o bem ou para o mal. Não conseguimos controlar o jogo com bola e nunca sabemos que cara vamos apresentar. Em alguns momentos optamos por pressionar a saída de bola do adversário e assumimos igualdade numérica na última linha. Aqui temos dois problemas. Frente a equipas organizadas, a nossa pressão é descoordenada e raramente resulta. Quando essa primeira pressão é ultrapassada, a linha defensiva fica demasiado exposta. Os nossos centrais não são particularmente rápidos e perdemos demasiadas segundas bolas, ficando desconfortáveis no jogo. É por isso que tantas vezes se diz que Portugal joga melhor contra adversários mais fortes. Simplesmente porque não temos de assumir o jogo, podemos baixar as linhas e explorar o espaço. Com um coletivo que ainda está longe de ser consistente, acabamos por transportar o jogo para a dimensão individual, onde os nossos jogadores conseguem muitas vezes fazer a diferença.

A certeza Diogo Costa
Este está a ser o Mundial de Diogo Costa. Hoje todos temos uma certeza: podemos contar com o nosso guarda-redes. Está, finalmente, a confirmar numa grande competição todo o potencial que sempre lhe reconhecemos. Nos últimos dois jogos foi o melhor em campo, o que demonstra bem a importância que tem tido nesta caminhada. Numa seleção marcada pela instabilidade, na baliza não nos podemos queixar. Pelo contrário. A segurança, a serenidade e a capacidade de decisão que Diogo Costa tem demonstrado foram fundamentais para continuarmos em competição.

O caso de Gonçalo Ramos
Roberto Martínez tem referido que todos contam. No entanto, ninguém percebe porque é que Gonçalo Ramos tem contado tão pouco. Frente à Croácia teve finalmente a oportunidade de jogar na sua posição, depois da saída de Cristiano Ronaldo, e apenas 13 minutos depois marcou o golo da vitória. Gonçalo é um finalizador, mas é muito mais do que isso. É um jogador de equipa. É o primeiro a pressionar e fá-lo de forma coordenada. Sabe movimentar-se, interpreta bem os espaços e participa no processo ofensivo de forma coletiva.
Tendo em conta as dificuldades que Portugal tem sentido, por que motivo Martínez nunca lhe deu mais oportunidades? Acho interessante quando dizem que Martínez teve coragem para tirar Cristiano Ronaldo. A equipa estava descompensada e era necessário reforçar o meio-campo. Martínez fez o que tinha de fazer. Um treinador tem de ter coragem para fazer o certo? Ou tem de ter visão, ler o jogo e perceber, a cada momento, o que cada jogador pode dar à equipa? Para finalizar, realço a capacidade, a determinação e a competência de Gonçalo Ramos. Martínez nunca lhe deu verdadeira confiança ao longo do Mundial-
Nem mesmo quando Portugal vencia por 4-0 frente ao Uzbequistão aproveitou para lhe dar mais minutos e reforçar essa confiança. No final do jogo com a Croácia, Gonçalo disse que se motiva todos os dias, que há dias menos bons e dias melhores, mas que tenta sempre pensar positivo. Frente à Croácia respondeu da melhor forma e foi decisivo para colocar Portugal nos quartos de final. O mérito é todo dele. Nunca teve da parte de Martínez a confiança de que um jogador precisa para ganhar ritmo e crescer numa competição desta dimensão.

O desafio Espanha
Espanha é uma seleção entusiasmante. Coletivamente é forte, tem um ADN próprio e um jogo coletivo bem trabalhado. Tem individualidades que desbloqueiam jogos, mas é o coletivo que cria as condições para que essa qualidade apareça. É uma equipa que se sente confortável em posse, que consegue desbloquear a pressão do adversário e que sabe sair em transições. Assume o jogo, joga com as linhas muito subidas e arrisca com frequência. Essa forma de jogar faz com que os seus centrais fiquem muitas vezes em igualdade numérica com os avançados adversários e tenham de defender muitos metros nas costas.
Esse é, para mim, o ponto mais vulnerável da Espanha. Pode ser também o nosso ponto forte. Este é um enorme teste para Portugal, mas, apesar do grau de dificuldade, temos qualidade individual para conseguir ultrapassar este adversário. Não sei que cara Portugal vai apresentar na segunda-feira. O que sei é como a Espanha vai jogar.

A valorizar: Duarte Gomes
A demissão de Duarte Gomes provocou um terramoto na arbitragem nacional. Analisando os factos, Duarte Gomes soube de uma situação que considerou incompatível com aquilo em que acredita. Procurou esclarecimentos, mas não ficou satisfeito com a explicação que recebeu. Perante isso, tomou a decisão de sair. Expôs internamente tudo o que sabia, a quem de direito, e apresentou a demissão. Percebo que esta tomada de posição possa gerar desconforto e até confusão. Duarte Gomes nunca afirmou que alguém cometeu um crime. Apenas deixou claro que não se revê numa situação que, para si, era demasiado importante para ignorar. Em vez de se agarrar ao cargo, ao salário ou ao estatuto, decidiu sair. Não normalizou aquilo que o deixou desconfortável nem fechou os olhos. Foi coerente com aquilo que sempre defendeu na praça pública. Entrou livre e livre saiu. Arrisco-me a dizer que devíamos ter mais exemplos destes. Duarte Gomes sentiu-se desconfortável e agiu em conformidade. A pergunta que fica é simples: será que mais alguém se sente desconfortável com o que aconteceu?

A valorizar: Cabo Verde
A seleção cabo-verdiana fez um grande Campeonato do Mundo. Orgulhou o seu povo e esteve a um pequeno passo de poder eliminar o atual campeão mundial, a Argentina."

E quem é mesmo Messi na fila do pão?


"Num Mundial em que os mais fortes entre os mais fracos deixaram de apenas tentar resistir para escolherem o sítio e a forma como querem resistir — se o talento ainda afasta as grandes potências dos demais, tem sido a evolução tática a encurtar distâncias —, foi o sentimento de oportunidade de uma vida que elevou Cabo Verde de estreante a grande figura, de um ponto de vista sobretudo romântico. Quem não sofreu nos momentos mais difíceis e festejou nos mais alegres com a equipa de Bubista nestes quatro jogos?
Se o Congo bloqueou Portugal e muitas chatices trouxe a Inglaterra, e se o Paraguai acreditou sempre e eliminou mesmo a Alemanha, também os cabo-verdianos tornaram o embate muito desconfortável para a Argentina. Todos pressionaram, todos bloquearam o corredor central, apresentaram linhas juntas e levaram a batalha o mais possível para os flancos. E Cabo Verde juntou a tudo isto um sentimento imbatível de 'é agora ou nunca', que acrescentou uma confiança tremenda e resultou em alguns dos melhores golos do torneio. Aquele tiro de Sidny ainda veio misturado com bílis, arrancado que foi do fundo do estômago. A testar todas as lógicas e limites.
Os Tubarões Azuis tornaram-se Tubarões Brancos. Foram sólidos na estratégia, num contexto fértil para a superação: a estreia, atletas ainda sem clube, outros perto do final da carreira, seis nascidos em Roterdão e com escola neerlandesa na formação, gente com inúmeras experiências e um pequeno país a levar passos de dança e alegria para as ruas, a milhares de quilómetros de distância ou ali mesmo, carregados de orgulho. A experiência de uma vida levou à oportunidade da carreira. Fez mesmo com que os cabo-verdianos acreditassem, como ouvi durante o jogo: «Quem é mesmo Messi na fila do pão?»"

Alma Tática


"No futebol moderno há cada vez mais informação ao dispor das equipas técnicas. O nível de detalhe patente no futebol ao mais alto nível chega a ser assustador, tantas são as ferramentas e as métricas que procuram limar arestas, ajustar posicionamentos, corrigir comportamentos e aproximar as equipas da perfeição inalcançável. 
O pormenor surge frequentemente nos debates, nas conversas e nas análises futebolísticas. Quantas vezes não ouvimos dizer que o jogo foi decidido por uma questão de pormenor? Que o pormenor X ou Y foi fundamental para que determinado rumo tivesse sido alterado, influenciando decisivamente a história do jogo?
Eu percebo esta obsessão pelo pormenor. Também sou treinador. Adoro a análise de jogo. Também quero controlar tudo até ao mais ínfimo detalhe. E à semelhança do saudoso Mestre Telê Santana também procuro aproximar-me da perfeição, visto saber ser impossível alcançá-la.
Mas também percebo que num futebol cada vez analisado ao milímetro e controlado ao milésimo de segundo, há fatores que não controlamos. Que não devemos sequer controlar. Fatores que são intrínsecos e não extrínsecos. Fatores que, por norma, não se ensinam, pois nascem connosco.
Abel Ferreira fala inúmeras vezes das capacidades volitivas dos seus jogadores na S.E. Palmeiras. Ontem, ao ver Cabo Verde levar a Argentina à exaustão, lembrei-me dele e das suas palavras. Perante a atual campeã mundial de futebol, Cabo Verde presenteou-nos com uma lição de humildade, de querer, de raça, de determinação. Mostrou-nos ser possível transformar probabilidades em possibilidades. Guiou-nos ao longo de 120 minutos por uma narrativa escrita em tons de superação, sublinhada por uma energia inesgotável e assinada por uma crença inabalável. Fez-nos crer que a ausência de talentos individuais capazes de resolver um jogo sozinhos pode ser suprida quando se tem um coração gigante e uma alma ainda maior. Quando se tem um grupo que sabe carregar com orgulho o peso da responsabilidade de representar os sonhos de toda uma nação.
Cabo Verde fê-lo também porque do ponto de vista estratégico e técnico-tático esteve sempre muito bem preparado. Não só ontem, mas ao longo de toda a competição. Mérito total para Bubista e para a sua equipa técnica. Especialmente por ter encontrado na alma a melhor abordagem tática para a sua seleção.
No adeus dos Tubarões Azuis a este Mundial, a minha vénia a quem tanto nos fez sorrir e sonhar: «Não chorem porque acabou…Sorriam porque aconteceu.»"

Cabo Verde, o Mundial começou agora


"Magnífica prestação de Cabo Verde é uma das mais belas histórias a tirar deste Mundial, que tem mostrado o aproximar de africanos e sul-americanos aos europeus

A fabulosa epopeia de Cabo Verde, iniciada a 15 de junho com um nulo imposto à campeã europeia em título, a Espanha, que deixou o planeta de queixo caído, terminou ontem, com contornos dramáticos. Muito mais do que o mérito desportivo, já de si notável, porque nenhuma seleção tinha conseguido encostar a campeã mundial em título às cordas como Cabo Verde o fez, foi um trajeto que mostrou organização, talento que era quase desconhecido e trabalho.
Cabo Verde mostrou que o pequeno arquipélago é muito mais do que o local idílico e tranquilo para as férias de inverno dos europeus e este Mundial poderá (e deverá) ser o catalisador para que fenómenos destes se repitam a breve trecho. Para isso, oxalá que a experiência e o mediatismo que foram ganhos possam ser transformados em melhoria de condições no país.
Só nestes 16 avos de final, Paraguai escandalizou a Alemanha, Marrocos mandou os Países Baixos para casa antes do normal, a RD Congo obrigou Harry Kane a vestir a capa de herói pela enésima vez, os Estados Unidos, mesmo com 10, impuseram-se à Bósnia e a Noruega sofreu a bom sofrer para ultrapassar a Costa do Marfim. Na fase de grupos, mais exemplos houve de como as seleções menos cotadas no papel estão a reduzir para os europeus uma diferença que já foi substancialmente maior. É certo que há fatores que pesam para este aproximar, como o clima e o facto de muitas das seleções top terem os jogadores carregados de jogos nas pernas.
O Mundial não começou agora, como Roberto Martínez disse para desvalorizar uma fase de grupos tenebrosa de Portugal, mas parece notório que houve gestão de esforço de algumas seleções na primeira fase, já que este formato a 48, apesar de poder dar palco de Mundial a vários estreantes, possibilita que até sem ganhar qualquer jogo seja possível carimbar o apuramento para as eliminatórias. Enzo Fernández, por exemplo, o motor ao redor do qual a Argentina se construiu rumo à glória no Qatar-2022, chegou ao torneio com 52 jogos pelo Chelsea, e aos 80 minutos do jogo com Cabo Verde já alongava.
O resultado têm sido duelos bastante mais imprevisíveis e, por isso, espetaculares, do que a teoria poderia indiciar. Tive bastantes reservas sobre o alargar do Campeonato do Mundo a 48 seleções, mas a aposta está a ser ganha e estou certo de que, em 2030, mais Cabo Verdes poderá haver."

Estive quase a partir para a violência e, por isso, peço desculpa


"TORONTO — Os canadianos são, por norma e feitio, um tratado vivo de civilidade. São simpáticos, empáticos, acolhedores e donos de uma boa onda que desarma qualquer viajante mais cético. É o país do sorriso fácil e do civismo exemplar.
Mas, como em qualquer ecossistema perfeito, há sempre uma exceção que confirma a regra e que nos testa os limites da sanidade.
Quinta-feira passada, confesso com alguma vergonha e muita adrenalina ainda no sangue, estive mesmo quase a partir para a violência física. E por isso, antes de mais, peço publicamente desculpa.
Tudo aconteceu no rescaldo daquela avalanche de euforia. Tinhamos acabado de acompanhar o estrondoso e memorável fan walk dos adeptos portugueses pelas ruas de Toronto, um mar de gente que cantava a alma lusa.
Estávamos em direto para os Dias do Mundial, na Bola TV, a tentar digerir a festa antes do embate com a Croácia, quando o destino decidiu colocar-nos no caminho um elemento perturbador.
Um canadiano, visivelmente embriagado e desprovido de qualquer noção de espaço pessoal, decidiu que o nosso direto era o palco ideal para as suas frustrações etílicas.
Foi chato, incómodo e invasivo. Metia-se comigo, tocava-me com insistência, balbuciava disparates incompreensíveis mesmo em cima do microfone.
Quem está no ecrã tem uma armadura invisível: mantive a postura, segurei o tom, fingi que o mundo era um lugar calmo. Mas a televisão tem um fim.
Mal a câmara desligou e perante a ameaça física e a insistência arrogante do indivíduo, o verniz estalou. Peço desculpa aos leitores, mas a compostura deu lugar a uma reação verbal musculada. Estive quase, mesmo quase, a agredi-lo.
Valeu-nos, a mim e ao André Carvalho, o meu incansável companheiro de viagem e repórter de imagem, a pronta intervenção de um grupo de polícias que assistira a tudo de camarote e veio acalmar os ânimos.
Quem me conhece sabe que abomino a violência em qualquer circunstância. Mas a pressão deste Mundial, o stress acumulado e a invasão da nossa dignidade profissional levaram-me ao limite.
Toronto continua a ser um paraíso, mas, quinta-feira, a minha Route 66 tremeu. Desculpem o desabafo, mas o jornalismo também é feito de carne, osso e nervos à flor da pele."

Vergonha!

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