O INDEFECTÍVEL
Pelo Benfica! Sempre!
Últimas indefectivações
segunda-feira, 20 de abril de 2026
domingo, 19 de abril de 2026
Qualificados...
Benfica 36 - 22 Águas Santas
14-9
Com a derrota na 1.ª mão, tínhamos a diferença de 3 golos para recuperar, se o final da 1.ª parte deu esperança, o 2.º tempo, foi totalmente dominado pelo Benfica, acabando por tornar fácil, aquilo que parecia complicado...
Estamos na Final da Taça de Portugal, onde não somos os favoritos, bem pelo contrário... mas 1 jogo, é só um 1 jogo!!!
Na final...
Leixões 0 - 3 Benfica
23-25, 14-25, 16-25
Regresso à normalidade, com o Nivaldo a subir de nível no 2.º jogo após a lesão!
A Final vai ser muito complicada, todos os jogadores vão ter que estar a 100%. O Banderó melhorou bastante nesta fase final, mas não é suficiente... Além do Bloco, a questão do Serviço, tem que melhorar muito, hoje apesar do domínio, só fizemos 3 Ases: 2 o França e 1 um Pombeiro!!!!
Reviravolta...
Remontada na 2.ª parte, depois dum 0-2 ao intervalo, com o Gugiel a facilitar novamente, e com mais uma arbitragem inacreditável dos artistas do costume!!!
Hoje, jogámos sem o Arthur, o Diego e o Coelho!!!
1.ª lugar garantido, a 1 jornada do fim da fase regular, num jogo onde até teria sido 'interessante' dar uma ajudinha a este Leões, na luta pelo 3.º lugar, pois preferia jogar contra o Braga numa potencial Meia-final, do contra estes Leões... e na Taça de Portugal, vamos novamente jogar contra eles!!!
Iniciados - 11.ª jornada - Fase Final
Paços de Ferreira 1 - 1 Benfica
R. Tavares
Dois pontos perdidos, numa jornada onde os nossos dois adversários vão se defrontar, perdemos dois pontos, e podemos ficar a 4 da liderança...!!!
O continente que virou ilha.
"O Sport Lisboa e Benfica atravessa hoje um momento particularmente preocupante do ponto de vista institucional e estratégico. Mais do que resultados desportivos ou ciclos naturais de gestão, o que está em causa é algo mais profundo: a evidente perda de liderança e, mais grave, a erosão da sua capacidade de influência no ecossistema do futebol português.
A recente Assembleia Geral extraordinária da Liga expôs essa fragilidade de forma inequívoca. O Benfica votou contra o processo para a comercialização dos direitos televisivos já no modelo de venda centralizada — e fê-lo sozinho. Isolado. Este facto, por si só, seria impensável há poucos anos. O Benfica sempre foi um clube agregador, com peso, capaz de liderar e mobilizar vontades. Era o “continente” onde muitos outros clubes se reviam e seguiam. Hoje, surge como uma ilha, distante, sem pontes, sem capacidade de arrasto.
Um clube com a dimensão e a história do Benfica não pode atuar de forma reativa, nem dispersa. Precisa de antecipação, de influência consolidada e de uma visão clara sobre o caminho a seguir. Quando essas peças falham, o resultado é este: isolamento, perda de relevância e incapacidade de condicionar decisões estruturais para o futuro do futebol português.
O Benfica deixou de liderar. E, num contexto onde a influência é determinante, deixou também de ser ouvido. Isso não é apenas um sinal de fraqueza momentânea — é um alerta sério sobre a incapacidade como elemento estrutural deste Benfica."
Benfica encostado à parede e a pergunta que continua sem resposta
"Ontem deu-se um passo importante na Liga, mas pensar na centralização é pensar demasiado no telhado quando as fundações ainda falham; no meio disto tudo as águias vão ficando à margem
Nenhuma revolução se faz sem conflito e como era expectável não houve unanimidade na escolha do modelo de comercialização no âmbito da centralização dos direitos televisivos da Liga. Ainda assim, é assinalável que 92 por cento tenham rumado na mesma direção, o mesmo quer dizer que, entre os grandes, apenas o Benfica votou contra.
A posição dos encarnados vem na sequência de outras mais recentes no mesmo sentido, em contraste com o alinhamento de Sporting e FC Porto (desavindos nas guerras de alecrim e manjerona, mas em consonância num tema muito mais estrutural). Ainda ninguém sabe ao certo quanto é que valerá o bolo, a partir de 2028, mas só por milagre os grandes vão manter os valores que auferem atualmente.
A diferença está na forma como cada um aceita a perda no presente e planeia ganhos no futuro. Os encarnados optaram por uma fuga para a frente, abandonando as negociações e pedindo que o Decreto-Lei seja adiado por dois anos, alegando porque este não é o momento certo. A questão é saber: quando será esse momento, à qual obviamente Rui Costa não parece ter resposta.
Isto coloca, portanto, o Benfica encostado à parede: ou se mantém isolado, escudado na sua indiscutível grandeza social (maior que todos os outros) e admitindo cenários disruptivos e populistas que passam por uma saída de Portugal ou mais cedo ou mais tarde será forçado a ir a jogo e aceitar modelos e regras negociados por outros.
Mas mais importante que estados de alma é a pergunta que todos os clubes, do maior ao mais pequeno, deviam fazer: como fazer um produto melhor? Ontem não era dia para discuti-lo, mas dá a sensação de que muitos responsáveis querem apenas empurrar o tema com a barriga, como se a centralização fosse a cura para todos os males.
O número elevado de equipas na I Liga, uma Liga 2 sem capacidade de gerar receitas face às despesas e cuja configuração devia ser discutida, estádios vazios e sem proporcionarem experiências de século XXI aos espectadores e que condicionam transmissões televisivas apelativas, bilhetes proporcionalmente mais caros (em média) face ao poder de compra de outros países europeus, bancadas vazias, regulamentos disciplinares obsoletos e uma justiça desportiva lenta e complexa afastam adeptos e investidores, travando uma internacionalização que, à sua escala, seria possível. Só que isto não ganha votos nem garante eleições..."
Afinal, nada é por acaso…
"O Sporting Clube de Braga aproveitou da melhor forma os recursos naturais — uma massa adepta incomparável e em crescendo quantitativo — e juntou-lhe chama e estratégia.
Há muitos anos, o futebol português resumia-se a um triângulo de virtudes e intenções, com resultados sistemáticos a coroar Benfica, Sporting e FC Porto, numa lógica de repartição de domínio que se prolongou por décadas e afetou (sim, afetou) todos os que, não se revendo na reverência aos três grandes, lutavam para se manter à tona de água e para conseguirem, em determinado momento, algum protagonismo.
Foi assim com o Belenenses, foi também assim com o Boavista, que, no entanto, e com a necessária evolução estrutural, logística e técnica, não conseguiram, por motivos que agora não vêm à colação, manter-se na crista da onda e criar a dinâmica essencial para discutir, de modo consistente e sistemático, o domínio competitivo do futebol português.
No século XXI, é bem diferente o grau de profissionalismo, de exigência e de formação dos diversos agentes, que resulta, naturalmente, numa predisposição muito distinta e numa obrigação muito mais rigorosa de preparação estratégica. No Minho, o Sporting de Braga e, particularmente, o seu presidente dos últimos largos anos, perceberam as necessidades, identificaram os mecanismos e prosseguiram em caminhos bem definidos, de médio e longo prazo, tentando dotar o emblema de condições de base e de musculatura financeira para trilhar rotas de sucesso, continuando a apaixonar e a cativar os seus adeptos, muito ciosos de um regionalismo que nada tem de pequeno ou bacoco, antes serve para afirmar pelo mundo uma ideia de clube de afeição, projetando a região para o país e este para o estrangeiro, sem perder a noção das dimensões relativas e da responsabilidade social acrescida ao longo dos anos.
O Sporting Clube de Braga aproveitou da melhor forma os recursos naturais (uma massa adepta incomparável e em crescendo quantitativo, uma ligação intergeracional notável, uma capacidade de investimento efetiva e uma indomável vontade de progressão) e juntou-lhe chama e estratégia.
Juntou, por exemplo, a crescente notoriedade do futsal ao incremento do futebol feminino, para construir duas equipas muito competitivas em cada âmbito, sendo ambas referências de qualidade e lutando, em cada quadra ou no relvado do estádio Amélia Morais, pelo melhor para as suas cores.
E no futebol, não cristalizando e, com isso, emoldurando na história a campanha que, há década e meia, o levou à final portuguesa da Liga Europa, em Dublin, frente ao FC Porto, voltou à carga como um corredor de fundo, em crescendo nos últimos anos, ganhando a Taça da Liga (qualquer que seja a interpretação e a importância que cada um de nós possa conceder à competição…), sendo sempre uma pedra no sapato dos tais três grandes quando em compita direta, e conseguindo uma sustentabilidade financeira elogiável (e invejável), que lhe confere moral e capacidade para intervir no mercado, regenerar equipas e manter a verve competitiva que se lhe reconhece.
Por isso, a carreira do Sporting Clube de Braga na Liga Europa 2025/2026 só poderá surpreender quem não esteja atento, nos últimos largos anos, ao percurso estratégico moldado pelo empresário António Salvador, ao leme do emblema minhoto. Secretamente, no remanso do balneário, sabe-se agora que a eventual presença na final da segunda mais importante competição para clubes sob a égide da UEFA foi projetada e serviu de emulação e desafio ao grupo de trabalho logo após a conclusão da brilhante fase de liga, com os bracarenses a assegurarem um dos oito primeiro lugares e, consequentemente, o apuramento direto para os oitavos de final.
Se olharmos para o plano estritamente competitivo, veremos o SC Braga com dezoito jogos já realizados na competição, uma vez que nela entrou na segunda pré-eliminatória. Fará certamente vinte e, idealmente, ainda mais um, se conseguir ultrapassar os alemães do Friburgo e chegar à final de Istambul, com Nottingham Forest ou Aston Villa. Ora isto corresponde a uma componente muito significativa da temporada, se considerarmos que a Liga portuguesa compreende 34 jornadas. Portanto, a equipa de Carlos Vicens avança para mais de 55 jogos, seguramente, o que eleva os patamares de resiliência, programação e capacidade de gestão a um nível superlativo.
Mas tudo isto, que se reflete a cada jogo, a cada golo, a cada festejo, só é possível com um amplo respaldo organizativo e de planeamento, com uma estrutura muito profissional e dedicada, e com metas traçadas atempadamente (com anos de antecedência), e meios adequados para se poder atingir os fins.
O futebol de hoje não se compadece (aliás, rejeita-os…) com amadores, por mais bem intencionados que sejam. As estruturas das equipas profissionais, para lá de multidisciplinares, trabalham com um só foco e obedecem a uma só vocação. O SC Braga é bem o exemplo disso, e em variados aspetos e situações dá lições aos tais três emblemas dominadores de antanho no futebol português, que bem poderiam aproveitar algumas das ideias e das práticas que surgem do norte minhoto.
No futebol, diz-se que, apesar da posse de bola não garantir vitórias no campo, deixa quem mais a tem com melhores condições de ganhar um jogo. No futebol de bastidores, uma estrutura pensada, moldada para as necessidades do clube e das competições e a suscitar empenho dedicação, é certamente meio caminho andado para atenuar distâncias e aproximar glória. Afinal, nada, mesmo nada, é por acaso…
Cartão branco
Conheci o Germano Almeida quando ainda ele exercia as suas funções de jornalista de A BOLA. De perto convivemos quando ambos integrámos a equipa de lançamento do Canal 11. Optando por uma ligação consistente à geopolítica e aos seus contornos, o Germano projetou um novo modelo de abordar a atualidade internacional, na forma e no conteúdo, apresentando, no NOW, Guerra e Paz, um diário que nos aproxima do mundo e dos contornos cada vez mais desafiantes da geopolítica que o molda. O exemplo acabado de um talentoso jornalista que, partindo da especialização no desporto, transita para outros ângulos e temáticas, continua o sucesso e desbrava novos horizontes profissionais.
Cartão amarelo
O triunfalismo sempre foi mau, e é ainda pior quando se aplica a escalões de formação. A equipa do Benfica acaba de apanhar um banho de realidade. À quinta presença na Final Four da UEFA Youth League, não consegue, pela primeira vez, a presença na final, sucumbindo, com um claro 1-3, frente aos belgas do Club Brugge. Sublinha-se a presença dos portugueses, outra vez, entre os quatro melhores do futebol jovem europeu. Mas o ambiente que se criou, nos últimos dias, em torno da equipa, pode ter sido o primeiro passo para a débacle frente ao conjunto belga. É sempre difícil equilibrar entre um razoável compromisso competitivo e as obrigações de representação internacional, ficando a ideia de que, com outra tranquilidade, os encarnados talvez pudessem ter, de novo, chegado à final da verdadeira Champions jovem."
Saudade
"Durmo mal. Até janto cedo e religiosamente bebo um chá já na cama, ainda antes das 21h, enquanto ponho a leitura em dia. Despacho normalmente uma média de 50 páginas e, de 'x' em 'x' minutos, vou carregando num botão que regula a intensidade do foco de luz que aponta para o Kobo. Antes de atingir a escuridão absoluta, dou um beijo na minha esposa, que já dorme, e ainda faço uma última festinha na cabeça do sócio PET #262, que se aninhou lá ao fundo. É uma rotina bonita, dizem que as rotinas são aborrecidas. A minha não é. E apago a luz. E depois durmo mal. No trabalho corre tudo bem, a família também está bem, obrigado. Mas durmo mal. Não deveria ser suposto. "É só desporto" — dizem. E o desporto deveria ser alegria e desfrute. Mas o Benfica não é só desporto.
É família, são os amigos, é a emoção das vitórias e o desolar nas derrotas. É a vida a correr bem ou a correr mal. O Benfica é poesia e ação, são quadros no Louvre e graffitis urbanos, é música clássica e rock & roll. O Benfica é Deus e é ciência. Tudo ao mesmo tempo. O Benfica pode ser adjetivado por 8000 palavras do dicionário, mas será sempre insuficiente, porque vai muito além de tudo o que conhecemos e somos capazes de expressar. "O que é para ti o Benfica?" é, ao mesmo tempo, a pergunta mais fácil e mais difícil de responder. É como quando um estrangeiro nos pede para traduzir a palavra "saudade". Sabes o que é? Claro que sei. Então explica, se conseguires, uma palavra que encerra tanto em si mesma. E o Benfica também é saudade. Saudade de tempos que já lá vão. Tempos que marcaram gerações de pais e filhos, avós e netos. "Pai, de que clube é que tu és?", perguntei com 5 anos. "Eu apoio o Benfica." "Então eu também!" Fácil, sem discussão. Se o meu pai é, eu também. E vai ser bom, porque o meu pai nunca se engana. E foi assim que, crescendo ao lado do José de Alvalade, me tornei benfiquista. Vi muitos treinos no Campo Grande. Cruzei-me com Paulinho Cascavel primeiro e Figo mais tarde, o Marlon Brandão era meu vizinho e conheci o roupeiro Paulinho. Vi muitos jogos ao vivo — no setor da Torcida Verde entrávamos grátis até aos 11 anos. Assistia aos treinos do hóquei e de outras modalidades."MAS EU ERA DO BENFICA!" — aplausos.
O Benfica também é saúde. Quando vence e convence, andamos bem. De peito feito. Sorrimos. Estamos confiantes. Quando perde, já a semana vai ser uma merda. "A ver se na 2.ª mão dá para recuperar", dizem uns. "Pode ser que os outros também percam", dizem outros. Mas a semana vai ser uma merda. Antes optava por não ver os jogos do Benfica nas Antas/Dragão. Achava sempre que ou íamos ser prejudicados, ou não íamos entrar com atitude guerreira. A primeira normalmente sucedia, a segunda já aconteceu mais. Dez minutos antes do apito inicial, começava a andar nervoso pela casa: "vejo o jogo, não vejo". Tipo mal-me-quer. E depois não via. Saía, arranjava um plano fora de casa e ficava mais tranquilo. Colocava um cartaz a dizer "Volto já". Sofria menos.
Hoje o meu mal-me-quer é outro.
Sou sócio há 18 anos. Pago as minhas quotas, as do meu sobrinho, cuja ficha deu entrada no dia em que nasceu, e as do meu cão. Nenhum dos três usufrui sequer das instalações. O meu sobrinho vive a 500 km. Eu a 1300. E o meu cão não liga muito a futebol. Não beneficio dos descontos na Repsol nem de outros parceiros. Consola-me viver numa das capitais mundiais do hóquei e, de vez em quando, lá vem o Benfica visitar-nos. Tenho um pavilhão a dois passos de casa — ainda há pouco cá estiveram as nossas meninas. Que alegria! O departamento de sócios tem a minha morada, sabe que vivo aqui, podiam ter avisado — avisam de tantas coisas inúteis. Soube porque vou estando atento, senão passava um sábado com o autocarro do Benfica estacionado ao lado da minha janela e eu na ignorância. De vez em quando vou a Portugal e lá consigo um Redpass amigo. A última vez que usei um RP foi no dia 25 de outubro. Entre voos, comida, bebida e aquela roupa que não precisamos mas compramos na loja: 300 €. Não fui pelo Arouca, fui pelo voto. Tinha um hotel a 30 min de minha casa onde poderia ter exercido o meu direito. Mas tinha de ir a Lisboa votar. Porque ia ser um dia diferente. Pelo simbolismo daquela ocasião, daquela data, daquele contexto. Porque o Benfica estava de volta e iria renascer! Conseguimos! Cheguei ao estádio às 06h50, era o 21.º na fila; às 08h02 já tinha votado. Chovia imenso. Duas sócias atrás de mim: "Oh amigo, abrigue-se aqui nos nossos chapéus". O resto do dia foi um sobe-e-desce de emoções. "Vai ganhar o meu!", "Oh diabo, parece que afinal não", "Pode ser que ainda dê!". Não deu. Não importa discutir quem venceu, o que interessa é pensar na tendência que tem dominado os destinos do Benfica nas últimas três décadas. Caramba, entre tantos potenciais presidentes gloriosos — uns candidatam-se, outros nunca saem do anonimato (mas sabemos que existem!) —, e escolhemos sempre ao lado" Caros sócios, temos escolhido mal. E não pode ser por mero acaso. Podemos enganar-nos uma vez. Duas, vá. Mas assim não.
E este é o ponto principal: para onde é que olham os sócios antes de votar? O que é que quer a maioria? O que procura? O que não procura? Afinal, vencer de forma sustentada é importante, ou já o foi mais? Importa mais ter uma alta faturação e infraestruturas modernas? Como se isso fosse incompatível com ganhar, acrescento eu. Preocupam-nos os estatutos e os valores? Ou chama-nos mais a atenção a camisola do Vhils?Não vemos problema em que se impeçam os adeptos de se aproximar do autocarro e que as roulotes, qualquer dia, estejam em Campolide? Às famílias interessa mais uma fan zone de plástico, sem qualquer espontaneidade? Estamos cómodos com os constantes problemas judiciais? Um Benfica moderno é o Benfica do Kamala e do aburguesar? Um Benfica moderno é um Benfica onde continuamos, de forma absurda, a chamar "Inferno da Luz" ao nosso estádio, quando o ambiente durante os jogos é constrangedor? Onde ninguém vai aos pavilhões?
Será que o sócio-tipo do Benfica mudou e nem demos por isso?
O Benfica está num limbo que apenas o futuro clarificará: esta situação é temporária e, no fundo, ainda continua cá uma essência adormecida? Ou isto já foi para outro lado e não nos apercebemos? Quem tem hoje 14 anos e começa a ter vida ativa no Benfica vê o quê exatamente? Quais são as suas prioridades? Sofre? Chora? Ou é como as duas pessoas que tinha ao meu lado no jogo com o Arouca, que estiveram a ver no telemóvel o Brentford-Liverpool que se jogava à mesma hora? Conseguiram a proeza de estarem ali e não verem em direto nenhum dos cinco golos. Está tudo bem? Se calhar está. Afinal, o estádio propicia esse conforto. E vai na volta estas duas pessoas até estão tão chateadas quanto eu. Mas continuam a ir, nem que seja só para não desistir. Apenas preferem estar ali e fazer outra coisa. Falaram o jogo todo: "E a semana, como é que correu?" Se calhar sofrem menos.
Será que ainda conseguiremos vir a ter direções consecutivas que sigam um projeto e uma identidade à Benfica e não um projeto seu, individual? Um projeto à Benfica. Do Benfica. Para o Benfica! Será que ainda conseguiremos vir a ter atos eleitorais com fim único de dar continuidade ao Benfica, e não porque "este presidente não presta, venha outro"? Um modelo em que as pessoas saibam a responsabilidade que têm nas mãos, saibam o que é que têm de respeitar e de fazer respeitar. Um modelo em que treinadores e jogadores sejam contratados porque encaixam no projeto e nos objetivos a médio-longo prazo, e não por outro motivo qualquer. Um projeto em que quem não respeita o emblema está fora.Um projeto onde cada euro tem um valor imenso. Não podemos ser o Bayern de Munique do sul da Europa? Será que um dia nos livraremos dos parceiros estratégicos, do Ministério Público e de tudo o que deveria estar a milhas de distância do Benfica? Como é que lá chegamos? Difícil. O primeiro e talvez único caminho é o das vitórias. É mais fácil convencer os sócios de um rumo se esse rumo estiver alcatifado de pontos. Mas para isso, antes, é preciso escolher à Benfica. Pede-se aos sócios seriedade nas escolhas e aos candidatos seriedade e responsabilidade nas decisões. O populismo e a demagogia têm de ficar de lado, erradicados para sempre. E isto é válido para as seis candidaturas de outubro e para todas as que aparecerem no futuro. Ninguém é exceção e o escrutínio deve ser constante. Não te apresentes a eleições se não estás convencido de que és capaz de respeitar a memória do Benfica e os seus valores. Não te apresentes a eleições se tens mais objetivos para além do Benfica. Só chegaremos aqui se os sócios souberem que é de facto possível. E quiserem que aconteça. E fizerem por isso. E o exigirem.
Não nos enganemos: a situação é dramática. O Benfica está mal, está muito mal. Está, neste momento, sempre muito mais perto de ser presidido por oportunistas ou de se perder para sempre num qualquer investidor estrangeiro do que de voltar a ser o que era. O momento é já."Ah, mas o investidor estrangeiro não tem de ser um Textor, até pode ser um Al-Khelaifi que nos meta nas finais da Champions de novo." Ok, e queremos isso? É que, se for, digam já, que eu saio na próxima.
Este texto é sobre a minha saúde. Sofro, e não deveria. Mas, se eu chegar à conclusão de que os sócios afinal nem são tão descuidados como eu julgava e que, de facto, pensaram bem e querem mesmo seguir outro caminho, então sou obrigado a deixar isto.
Hoje o meu mal-me-quer é outro: continuar ou desistir.
Não escrevo isto para que tenham pena de mim ou por querer que me digam "não faças isso, o Benfica precisa de todos". Eu não importo. Preocupemo-nos com o Benfica. Façam-me acreditar que ainda é possível salvar o Benfica. Façam isso por mim, pela minha saúde.
Viva ao Sport Lisboa e Benfica."
Média de espectadores....
A numerosas assistências dos estádios portugueses pic.twitter.com/kjf70c3ANk
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) April 18, 2026
Tribunal Arbitral do Desporto: transparência também se mede nos árbitros
"O Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), criado pela Lei n.º 74/2013, nasceu com um objetivo claro: assegurar uma justiça especializada, célere e independente no âmbito do desporto. Ao longo da última década, consolidou-se como uma peça central do sistema, sobretudo no controlo da legalidade das decisões das federações e ligas. Ainda assim, há uma dimensão do seu funcionamento que permanece pouco discutida e que merece reflexão: o nível de transparência na distribuição dos processos pelos árbitros.
Num sistema em que os árbitros exercem funções jurisdicionais, decidindo litígios com impacto direto em carreiras, competições e interesses económicos relevantes, a confiança no funcionamento do tribunal é tão importante quanto a qualidade das decisões. E essa confiança constrói-se, em larga medida, com transparência. Atualmente, embora se conheça a lista de árbitros e seja possível identificar quem decide cada processo, não existe uma informação pública organizada que permita perceber como são distribuídos os processos, quantos são atribuídos a cada árbitro ou com que frequência intervêm em determinados tipos de litígios.
Esta ausência não é irrelevante. A própria arquitetura do TAD assenta na independência e na imparcialidade, reforçada por exigências de natureza deontológica e por regras de prevenção de conflitos de interesses. No entanto, num contexto arbitral, a perceção de equilíbrio na distribuição de processos assume uma importância decisiva. A concentração de processos nos mesmos árbitros, ainda que juridicamente admissível, pode suscitar dúvidas legítimas. E no desporto, como em qualquer outro setor, a perceção pública tem um impacto real na credibilidade das instituições.
A criação de uma lista pública que identifique, ainda que de forma agregada e respeitando a necessária confidencialidade, os processos atribuídos a cada árbitro constituiria um passo relevante nesse sentido. Desde logo, permitiria compreender melhor os padrões de distribuição e aferir o grau de equilíbrio existente. Mais importante ainda, possibilitaria perceber quantas vezes um determinado árbitro intervém em litígios envolvendo a mesma parte, um dado particularmente sensível num universo como o desportivo, onde os intervenientes se repetem e os conflitos são frequentemente recorrentes.
Não está em causa a divulgação de elementos sensíveis dos processos, nem a violação de deveres de reserva. O que está em causa é a disponibilização de informação estrutural que permita escrutinar o funcionamento do sistema e reforçar a confiança dos seus destinatários. A transparência, nestes casos, não é um risco — é um mecanismo de legitimação.
O TAD representa um avanço significativo no direito do desporto em Portugal, trazendo especialização e maior eficiência na resolução de litígios. Mas, como qualquer instância jurisdicional, a sua credibilidade não depende apenas das decisões que profere, depende também da forma como se organiza e se apresenta ao exterior. A transparência na distribuição de processos surge, assim, não como uma exigência excessiva, mas como um desenvolvimento natural de um sistema que pretende afirmar se como moderno, independente e confiável.
Num contexto em que o escrutínio sobre o desporto é cada vez mais exigente, a ausência de informação tende a gerar dúvidas que poderiam ser facilmente evitadas. E num tribunal arbitral, onde a confiança é um ativo essencial, essas dúvidas devem ser prevenidas através de mecanismos simples, proporcionais e eficazes."
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