Últimas indefectivações

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Vermelhão: Pavipoker!!!

Benfica 5 - 0 St. Gallen


Depois da seca de golos na 2.ª metade da última época, nada melhor para o Pavlidis e para o Benfica, começar a nova época, com um Poker!!!

Até podem escrever que o Benfica hoje foi eficaz, mas na verdade as oportunidades que criámos, e de facto podiam ter sido mais, não foram jogadas de acaso, foi notória uma tentativa de jogar com sentido... e quando os jogadores chegavam à frente da baliza, na maioria das vezes, estavam em posições de golo... É diferente, quando as oportunidades surgem em jogadas atabalhoadas, ou com os jogadores a terem que passar por vários defesas, antes do remate...

Partida razoável, a repor a normalidade desta eliminatória! Uma semana mais de trabalho, melhor conhecimento sobre o adversário, a recuperação dum jogador importante, e o resultado acabou por ser construído de forma natural... Sem necessidade de recorrer aos 'mundialistas', recentemente regressados aos treinos, ainda sem a rotação necessário para este tipo de jogos...

Destaco a forma com o Marco Silva adaptou a equipa ao adversário! Raramente vamos jogar contra equipas que fazem marcação individual a todo o campo, a todos os jogadores!!! Mas com outros treinadores, muito provavelmente iriamos tentar jogar da mesma forma, hoje, o Benfica mudou o seu esquema habitual na transição ofensiva: com o Enzo a recuar, e com o Barreiro a descair para a Direita, levando consigo os seus marcadores directos, abriu-se um enorme buraco no meio, que permitiu os Defesas fazerem passes diretos, para o Pavlidis, com a equipa a mecanizada, a sair para o ataque...

Também é verdade, que a quebra física dos Suíços também ajudou! Ainda na 1.ª parte, notou-se muito cansaço nas pernas dos nossos adversários. Após o intervalo tentaram jogar da mesma forma, mas foi sol de pouca dura... e com a expulsão o jogo acabou!!!

O Marco no final voltou a referir que ainda falta muito para a equipa jogar o desejado. Em ataque apoiado continuamos de demonstrar falta de criatividade! E a defesa baixa, dá espaços... Nota-se que o treinador quer mais intensidade em todos os momentos do jogo, mas agressividade nos duelos, mas as pernas ainda não dão para muitos minutos!


MVP para o Pavlidis por razões óbvias, mas várias boas exibições, a começar pelas duas ovelhas negras: Enzo e Sudakov, hoje estiveram bem, muito bem até... Bah voltou a fazer um excelente jogo, com muitas piscinas! Continuar a não perceber a antipatia de mutios adeptos do Benfica, pelo Barreiro!!! Jogador fundamental em qualquer plantel... não é um virtuoso, mas é fundamental para o equilíbrio da equipa!


O Rafa e o Kaminski na minha opinião foram os mais discretos, apesar de terem participação direta nos golos!!! O Polaco está a caminho de se tornar o novo ódio de estimação dos adeptos, mas na minha opinião poderá ser muito útil: com o Schjelderup a ser o titular natural naquela posição, será importante ter uma opção, que poderá entrar para fechar o flanco em jogos onde é necessário gerir vantagens curtas... além disso, parece-me claramente um jogador mais confortável em transições rápidas, e isso poderá ser importante em jogos, onde o Benfica tenha uma postura mais recuada...


Arbitragens razoável, mesmo assim ficou um penalty por marcar sobre o Barreiro!


Agora, na Quinta-feira, novamente na Luz, com o Hearts! Por acaso, acho o St. Gallen mais 'chato' do que os escoceses! Fizeram uma grande época na última época, mas este inicio de época tem sido um desastre! Têm um estilo de jogo tipicamente britânico, ao contrário deste estilo Alemão dos suíços! A grande questão será o 11 do Benfica... será que o Marco vai manter o 11, ou vai fazer mudanças, incorporando os 'mundialistas'!!!


Pessoalmente, além do Tomás pelo António, não mudava muito neste jogo na Luz... com uma vitória segura, até poderíamos rodar na 2.ª mão! Hoje, com as substituições, notou-se a quebra de intensidade nos últimos minutos... Falou-se dum particular com o Atlético para os próximos dias, mas aparentemente foi cancelado, acho que seria importante dar alguma rotação aos jogadores menos utilizados! O Ríos entrou mais cedo, e pareceu-me o mais 'em forma', mas o Barreiro tem que jogar com o Hearts!


Despedida de António Silva da Luz, como Capitão, e com uma excelente exibição! Mais um jovem do Seixal, queimado pela descomunicação social, com os Benfiquistas a ajudarem à festa! E com o jogador a optar por não renovar, obrigando o Benfica a vender, porque ele percebeu que no Benfica, iria sempre ser o responsável por tudo...!!!

Os fantoches mudam. O poder permanece

Boa ideia...

Super-competente...

Lembram-se?

Arbitragem: golpe de Estado ou simples cobardia?


"Algo de grave se passa no seio de um setor que ganhou fama e também proveito de corporativista, mas que agora surge dividido.

Chegou a hora de os árbitros se assumirem. Depois das críticas de Pedro Proença, através de áudios publicados nas redes sociais, nada pode ficar como antes no setor. Mesmo que as declarações tenham mais de dois anos e sejam excertos de conversas privadas, o que foi dito pelo então presidente da Liga e atual líder da FPF obriga a uma resposta. Urgente.
Pedro Proença estava então em campanha para a presidência da Federação, reunindo-se com os mais diversos clubes para abordar os temas mais quentes, a arbitragem e a disciplina, e as gravações, obviamente, foram obtidas de forma ilegal. Os áudios são curtos e não estão contextualizados. Percebe-se porquê. Quem os colocou na Internet tinha um único objetivo: fragilizar Pedro Proença.
Curioso é que o atual presidente da FPF estava cheio de razão quando o tema foi a arbitragem. «Os árbitros são fracos, são todos muito fracos. E tu consegues ter três, quatro gajos minimamente competentes... (...) o Artur [Soares Dias], o [João] Pinheiro, metes o tipo do Algarve [Nuno Almeida], e depois metes ali o [Luís] Godinho ou uma coisa qualquer assim... O resto é tudo muito fraco», disse Proença e eu concordo em pleno.
O pior para a arbitragem portuguesa é que Artur Soares Dias e Nuno Almeida já terminaram a carreira, pelo que o leque se reduz a… dois. Isto porque ninguém diferenciado entretanto chegou à primeira categoria. De resto, a nomeação para a Supertaça Cândido Oliveira é elucidativa: André Narciso. O 21.º classificado da época transata, isto numa lista de… 24!
Deselegância com José Fontelas Gomes, então presidente do Conselho de Arbitragem e atual vice-presidente da FPF, à parte e sem entrar no tema dos processos judiciais do Benfica, que são outro tema, o que Pedro Proença disse é grave e obriga os árbitros a pronunciarem-se. Não através de comunicado, como se apressou a fazer a APAF, mas dando a cara.
Sou do tempo em que os árbitros fizeram greve, não de zelo, como no ano passado, mas a recusarem-se mesmo a arbitrar, obrigando a encontrar um voluntário na bancada. A última vez foi em 2011, com todos os juízes solidários com João Ferreira, o nomeado para o Beira-Mar-Sporting, que pediu escusa por falta de condições psicológicas, face às críticas dos leões. Posição legítima, sem dúvida. E agora?
Algo se prepara no seio da arbitragem, até porque ainda está por explicar o que levou à demissão de Duarte Gomes do cargo de Diretor Técnico Nacional de arbitragem, em colisão com o presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves. As suspeitas de ingerência nas nomeações para jogos da Liga estão nas mãos do Ministério Público e também neste particular nem uma… palavra.
Pedro Proença tem de explicar-se, obviamente, mas a arbitragem não pode continuar muda, tem de sair da toca. Seja através de Luciano Gonçalves, seja através de José Borges, o líder da APAF. Algo de grave se passa no seio de um setor que ganhou fama e também proveito de corporativista, mas que agora surge dividido.
Todos exigimos respostas, até para se evitarem especulações. Neste momento, tanto admito que se esteja a preparar um golpe de Estado como aceito que o silêncio se deva a simples cobardia..."

Proença é isto mesmo


"O cliché vale para o futebol português e para aquele que devia liderá-lo e não miná-lo com os seus jogos de influência e conversas que, longe do público, escapam ao politicamente correto

A mancha já ninguém a tira. Foi o que aconteceu em todos os casos anteriores, graves, em que alguém, de forma errada, sim, decidiu publicamente expor uma conversa privada. Os portugueses gostam disto e muito, sabemo-lo há décadas. No entanto, tal como sei que nunca deixo de ser jornalista, mesmo que não esteja em exercício da função e queira estar anónimo naquele momento, também qualquer jogador, treinador ou dirigente tem de perceber que será, perante o tribunal da opinião pública, sempre aquilo por que é reconhecido. Seja na condição de presidente da Liga, candidato à presidência da Federação, presidente no ativo ou até ex-presidente, perante má ou boa-fé.
Protegido pela capa da ilegalidade, que existe, e da má-fé, idem, Pedro Proença nada justificou. Não confirmou, nem desmentiu, que é o mesmo de confirmar, como diz o ditado. E, para mim, pior, não deu a cara, nem que fosse para poder usar a palavra «cobardia» com que acusou (com razão) quem publicou os áudios com outra propriedade. Refugiou-se num comunicado, quando deveria ter aparecido perante os jornalistas, reconhecendo a gravidade do tema, e explicado o que lhe passou pela cabeça para dizer o que disse, contextualizado ou não. Porque por muito que se contextualize, todas aquelas palavras são demasiado más vindas de quem deveria defender o futebol português com unhas e dentes. Ainda por cima de um ex-árbitro, eleito por larga maioria, que tem todo o poder para poder mudar o que está de errado... no que critica. Pelo contrário, criou fissuras talvez irreparáveis nos próximos anos.
Não posso deixar também passar que Proença se acha «competentíssimo» — julgo que foi isso que quis dizer — quando se comparou a um membro da sua direção (e eventualmente ao resto do mundo). Está errado, aliás está tudo errado. Em quase ano e meio, o atual presidente da Federação pairou simplesmente, como costuma fazer, sobre o futebol português. Que está e onde estará tudo na mesma. Os mesmos problemas e as mesmas falhas nas soluções, apesar de a máquina de propaganda que montou querer sempre vender uma imagem que talvez ainda engane uns quantos mais distraídos.
Mesmo que não tenha grande esperança em Proença, como escrevi aqui, reconheço-lhe um desafio. Já se percebeu que a amante ferida vai expô-lo o mais que puder, porém precisa de se descolar da imagem que todos os que não gostavam dele já tinham: qual é a surpresa? Proença é isto mesmo. Como o futebol no cliché."

Pode já não ir para o Atlas, mas marcou golo de 'letra'


"Tiago Gouveia impressionou-me positivamente quando deixou Lisboa a caminho do México. Já depois desta crónica semanal ter sido escrita soube-se que, afinal, abortou a transferência para o Atlas. O que não muda o sentido e o ponto do artigo, que mantenho praticamente na íntegra. Porque é uma reflexão não sobre o Atlas, mas sobre maturidade emocional, inteligência, aprendizagem.

Esta semana fiquei mesmo admirador de Tiago Gouveia. As declarações do agora ex-jogador do Benfica à partida para o México impressionaram-me. Pela lucidez, pela inteligência emocional, pela maturidade. Em resumo, Tiago Gouveia considera-se o principal culpado por não ter vingado no Benfica. Num tom sereno, racional, sem dramas, que convoca mais à aprendizagem de vida do que ao ajuste de contas. Pareceu-me genuíno no agradecimento ao Benfica, às pessoas com quem partilhou tempo, espaço e sonhos. Genuíno nos elogios a Marco Silva. Genuíno na gratidão pelas palavras finais de alento de Rui Costa.
Ao declarar-se como o grande culpado por não ter jogado mais no Benfica, Tiago Gouveia recusa o papel de vítima e assume o controlo da sua própria narrativa. E isto é um ato de emancipação. Nas palavras de Vikor Frankl - famoso neurologista austríaco do século XX, criador da logoterapia, abordagem psicoterapêutica baseada na busca de um sentido para a vida - «a maior liberdade do ser humano é a capacidade de escolher a sua própria atitude diante de qualquer conjunto de circunstâncias.» Em especial se forem adversas. É aqui que se define o sentido para a vida, sendo um excelente pano de fundo a recusa de assumirmos para nós a pele de vítimas. Grilhetas que apenas prendem e nada aprendem.
Reconhecer que não se atingiu o nível esperado sem cair na autocompaixão é o exercício que permite a Tiago Gouveia fechar o capítulo Benfica sem ressentimentos ou fantasmas, entrando de mente limpa num próximo clube. Como se tivesse lido as Meditações de Marco Aurélio. «Não penses que foste prejudicado e não serás prejudicado; não te sintas prejudicado e a dor desaparecerá.» É assumir o controlo sabendo que a perceção pode ser mais real do que a própria realidade. É saber que posso não ter o poder, a força ou a competência para controlar a realidade. Mas tenho o poder, a força e a competência para definir a forma como a realidade me afeta.
«Tenta outra vez. Falha outra vez. Falha melhor.» A frase foi celebrizada pelo genial dramaturgo Samuel Beckett. Este insucesso de Tiago Gouveia está limitado no tempo, no espaço e até num contexto. Nada avalia o que o jogador fez para chegar ao Benfica, menos ainda o que tem para fazer e para escrever numa folha que o próprio tornou imaculadamente branca, sem rasuras ou borrões, ao assumir os erros e refletir sobre os mesmos. Falhar não é o oposto de vencer. Para o homem maduro e emocionalmente inteligente, falhar é mais sinónimo de aprendizagem do que de derrota.
A vitimização é uma bagagem pesada. Quem sai de um clube a culpar os outros leva essa amargura para a etapa seguinte. Tiago Gouveia fez uma limpeza, decidiu partir mais leve e apenas com bagagem de mão. Se algum dia leu Confúcio, aprendeu que «o homem que removeu a montanha começou por afastar as pequenas pedras.». Uma a uma.
Agradeço a Tiago Gouveia a oportunidade que me deu para refletir sobre as minhas próprias escolhas, a forma como eu próprio tenho ou não exercido a liberdade de escolher a atitude certa perante as circunstâncias. É aqui que as decisões fazem toda a diferença. Se não no sucesso ou insucesso, pelo menos na felicidade de uma consciência tranquila."

Terceiro Anel: Reflexão...

Zero: Mercado - Gilberto Mora no Benfica: cenário possível ou irrealista?

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cinco explicações sobre o novo braço-de-ferro entre a FIFA e a UEFA

Observador: E o Campeão é... - A "obrigação" do Benfica e a curta reação de Proença

Observador: Três Toques - Bem vindo de volta, Gaitán

Informação aos adeptos


"Por razões de segurança, uma das saídas dos adeptos do Estádio da Luz após o final do jogo, tanto hoje como nas futuras partidas, será feita em exclusivo pela ponte do Alto dos Moinhos, conforme imagem abaixo, encontrando-se vedada pelas autoridades a saída para a Avenida Lusíada."

Apelo aos adeptos do SL Benfica


"O Sport Lisboa e Benfica renova o agradecimento aos milhares de Benfiquistas que acompanham a equipa, jogo após jogo, no Estádio da Luz, em Portugal e no estrangeiro. O apoio incondicional, a paixão e o entusiasmo dos nossos adeptos constituem uma força ímpar e um contributo decisivo para o sucesso do Clube.
Precisamente por reconhecermos a importância desse apoio, apelamos ao sentido de responsabilidade de todos os Benfiquistas.
O Sport Lisboa e Benfica encontra-se sob pena suspensa nas competições europeias. Assim, qualquer utilização de pirotecnia ou outro comportamento que viole os regulamentos da UEFA implicará, automaticamente, a execução dessa sanção, impedindo a presença de adeptos do Benfica no jogo seguinte disputado fora de casa.
Nenhum Benfiquista quer ver o Benfica privado do apoio dos seus adeptos. Nesse sentido, apelamos a todos os adeptos que apoiem o Benfica com paixão, mas igualmente com responsabilidade e respeito pelas regras, tanto em Portugal como além-fronteiras."

Seguir em frente


"O Benfica defronta o St. Gallen, hoje na Luz às 20h00, com o objetivo do apuramento para a 3.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa. Este e o apelo aos Benfiquistas que vão apoiar o Benfica nesta partida são os temas em destaque na BNews.

1. Apelo aos adeptos
Leia o apelo do Sport Lisboa e Benfica aos Benfiquistas que estarão na Luz para ajudar o Benfica a ganhar: "Apoio com paixão, mas igualmente com responsabilidade e respeito pelas regras, tanto no Estádio da Luz como nos outros recintos em Portugal e além-fronteiras." Recorde-se que o Benfica se encontra sob pena suspensa nas competições europeias.

2. Ganhar
Marco Silva aponta à qualificação para a ronda seguinte da Liga Europa e conta com o apoio dos Benfiquistas: "Espero um apoio constante à equipa e um estádio capaz de empurrar a equipa para a frente, um ambiente à Benfica no Estádio da Luz, que nos permita fazer aquilo que estou muito convicto de que vamos conseguir: virar a eliminatória e seguir em frente."

3. Contrato renovado
Diogo Ferreira estende a ligação às águias até 2031. "Quero alcançar coisas muito boas pelo Benfica", afirma o jovem guarda-redes.

4. Apresentação
Gabriel Índio assina contrato com o Benfica até 2031. "Estou muito feliz por fazer parte da história deste clube imenso na Europa e no mundo", vinca.

5. Informação clínica
Jaden Umeh foi submetido a uma intervenção cirúrgica.

6. Transferências
Henrique Araújo passa a representar o Casa Pia. Gustavo Varela transita para o Monza.

7. Treinador anunciado
Ainars Bagatskis é o novo treinador da equipa masculina de basquetebol do Benfica.

8. Treinadora apresentada
Marina Teixeira assume o comando técnico da equipa feminina de andebol do Benfica.

9. Movimentações do defeso
Em andebol no feminino, Patrícia Rodrigues prolonga a ligação ao Benfica, e juntam-se ao plantel Line Ellertsen, Lovísa Thompson e Vakare Damuleviciute. E o voleibolista Valerii Todua deixa de representar o Clube.

10. Inspiradoras
Já é conhecido o calendário da Liga BPI 2026/27. Nota ainda para a assinatura de contrato profissional de Carolina Simões.

11. Informação
O atleta Etson Barros inicia um programa de recuperação numa clínica especializada no Algarve, tendo em vista a reabilitação motora, nutricional e sensitiva.

12. Nomeação
Estratégia de sustentabilidade do Benfica integra a shortlist dos Sport Positive Awards nas categorias Transformation e Report of the Year."

Lanças...


História Agora


Excelência procura excelência


"Durante muitos anos, a aquisição de clubes esteve associada sobretudo a empresários locais, adeptos apaixonados ou investidores que procuravam notoriedade. Esse paradigma mudou e com ele, quem investe procura outro tipo de aquisição.
Hoje coexistem vários modelos de investimento. O mais conhecido é o Multi-Club Ownership, com os grupos como o City Football Group, a Red Bull, a BlueCo ou a Eagle Football, que procuram criar sinergias entre vários clubes através de uma estratégia comum de scouting, desenvolvimento de talento, tecnologia e gestão.
Existem outros modelos e talvez o mais usual seja mesmo o Private Equity. Nestes casos, o objetivo é adquirir um clube ou uma participação, aumentar o seu valor através da melhoria da gestão e da performance e, posteriormente, vender esse ativo com o maior retorno financeiro possível. O clube passa a ser visto prioritariamente como um investimento e temos vários casos em que os clubes vão passando de uns donos para outros.
Há ainda holdings operacionais, Family Offices e investidores estratégicos que olham para o desporto como uma plataforma de negócio, integrando clubes, academias, media, tecnologia, merchandising, eventos ou entretenimento. Independentemente do modelo, existe uma realidade que veio para ficar, o nível de exigência aumentou de modo considerável.
Os investidores deixaram de ser apenas pessoas ligadas ao futebol. Encontramos hoje fundos que investem simultaneamente em clubes da NBA, NFL ou Fórmula 1, famílias como os Pozzo (Udinese e Watford) e empresas tecnológicas que aplicam no desporto os mesmos critérios de análise utilizados noutras indústrias ou áreas da economia.
Por outro lado, o processo de aquisição tornou-se mais sofisticado. Os potenciais investidores exigem mais e melhor informação financeira, modelos de governance, indicadores de performance, estratégia desportiva, qualidade das academias, estrutura organizacional, planos de desenvolvimento e processos internos robustos. O gabinete dos clubes terá de aproximar-se cada vez mais da exigência e do dia-a-dia do mundo empresarial.
E do que se vai vendo, esta evolução colocará uma maior exigência sobre dirigentes e administrações em termos das suas capacidades. Muitos clubes continuam a serem geridos com modelos de gestão pouco sofisticada e do outro lado, o perfil dos investidores evolui rapidamente.
Ao mesmo tempo, o próprio conceito de ativo desportivo ou de ativo no desporto mudou. Já não se compra apenas um clube, tenta-se ver mais além. Compra-se uma marca, uma comunidade de adeptos, direitos comerciais, uma cultura organizacional, propriedade intelectual, capacidade de gerar conteúdo e potencial de crescimento internacional.
Grupos como a RedBird Capital, a Arctos Sports Partners ou a BlueCo demonstram que o desporto passou definitivamente a integrar as carteiras de investimento de longo prazo e por vezes, até com objetivos de deixar um legado. Esta transformação obrigará a elevar o nível da gestão desportiva e a pior parte é que alguns dirigentes acreditam que esta mudança ainda está para chegar, quando na realidade, já começou há vários anos.
Quem investe procura excelência e sabe que encontrar organizações bem estruturadas é difícil num ecossistema com muitas zonas cinzentas entre o associativismo e as SAD’s. Em sentido inverso, muitos clubes incapazes de gerar riqueza procuram desesperadamente investidores, mesmo que não o afirmem. Clubes que usam os mesmos procedimentos há décadas, num dos setores de negócio que mais muda e a uma velocidade impressionante.
Não significa isto que os clubes desaparecerão. Tal como diria Darwin, é provável que se assista a uma espécie de seleção natural dos clubes melhor preparados. E tal como acontece em qualquer mercado competitivo, sobreviverão aqueles que conseguirem adaptar-se melhor e mais rapidamente e nas mais variadas áreas que hoje compõem um clube.
Talvez por isso, assumo que sou daqueles que defende que deveríamos falar muito mais sobre os casos de má gestão e esmiuçar as razões, torná-las públicas. Não para expor pessoas, embora existem denominadores comuns, mas para aprender com as más práticas.
Como adeptos, continuamos a ser muito menos tolerantes e muito exigentes aos erros técnicos dos atletas, enquanto anos de decisões de gestão pouco competentes são facilmente esquecidos por um golo ou uma bola que bate na trave e entra.
A verdadeira vantagem competitiva já não está apenas no talento dentro das quatro linhas, é para esquecer essa ideia. O que conta cada vez mais e permite que esse talento dentro do campo valha mais, é a qualidade da liderança, da estrutura e da gestão. É aí que se decidirá uma parte crescente do sucesso das organizações desportivas, ter as pessoas certas nos lugares certos. E quem compra quem perceber cada vez mais que tipo de cultura vai encontrar ou se será possível criar a sua."

Um biquíni para o Rafael Leão


"Há cinco anos, a seleção norueguesa de andebol de praia foi multada em 1500 euros por recusar jogar de biquíni, como determinava o regulamento do Europeu, que dizia que a parte de baixo devia «ser justa ao corpo e com um recorte na direção do topo da perna», com largura máxima lateral de 10 centímetros!
A multa (re)acendeu a polémica, já que, no caso dos homens, os mesmo regulamentos permitiam o uso de calções compridos. Apesar da ameaça de desqualificação, as norueguesas conquistaram o bronze, milhares de mensagens de apoio e até a cantora Pink anunciou que estava capaz de pagar a multa. Nessa altura, a equipa alemã de ginástica artística apresentou-se no Europeu de fatos de corpo inteiro, decisão apoiada pela federação.
Estas histórias não são únicas nem novas, mas esta semana, a European Broadcasting Union — entidade que regula as transmissões televisivas — publicou um documento chamado 'Raising the Bar', com regras para acabar com a sexualização das atletas nas transmissões. Assim, simples e sem rodeios.
O diretor executivo não fugiu ao assunto e disse que a escolha dos ângulos da câmara e da montagem continua a ser um problema em muitas transmissões desportivas. As regras entram em vigor já nos Europeus de Atletismo de Birmingham, em agosto, e acabam os planos contrapicados, as repetições obsessivas de certas partes do corpo, e os comentadores passam a ter de falar de técnica, não de estética. Felizmente e finalmente caminhamos para acabar com o Ronaldo de saias ou as miúdas jogam bem!. É preciso isto tudo? Sim, é preciso e não é exagero.
Há dias, Rafael Leão, o internacional português que tem 27 anos — e não o meu querido avô Belmiro ou o meu avô Henrique, criados em outros mundos e outros tempos — publicou nas redes sociais, e apagou pouco depois, com críticas de todos os lados, uma mensagem que deixa claro como certas cabeças precisam de melhores lentes e objetivas fotográficas para ver o Mundo: «Raparigas, o Mundial acabou, podem parar de fingir que percebem de futebol.»
As adeptas entusiasmadas nas bancadas, as atletas em pista são imagens bonitas? Claro que são, mas não quando o espetáculo desportivo passa para segundo plano porque o foco está no decote ou no cabelo das mesmas.
Isto tem nome e não é bonito: pervcam. É o hábito de transformar qualquer mulher que apareça num evento desportivo em algo que merece ser observado de vários ângulos, não como parte do espetáculo. Na bancada, o estrago é simbólico: reduz uma mulher adepta a uma imagem de consumo, como fica claro nas palavras eruditas de Rafael Leão. Numa atleta, é ainda pior, porque o alvo é o corpo de quem está a competir, a dar o seu melhor profissionalmente.
Closes em câmara lenta a pernas, cintura, glúteos não explicam nada do jogo. Trocam a leitura do gesto técnico pela imagem do corpo, e escolhem fazer isso exatamente quando ela está a mostrar do que é capaz. A câmara nunca é inocente, quem escolhe o enquadramento está sempre a decidir o que merece ser visto, e isso é sempre uma opinião disfarçada de imagem.
Uma opinião que molda outras opiniões, que perpetua imagens e representações como aquela que tem Rafael Leão. As regras chegam tarde, mas chegam, e, já agora:
— Jorge Jesus, pode, por favor, dar um biquíni ao Rafael Leão no próximo jogo?"

Josimar ou Vozinha?


"Quando tudo se conjugava para um tapete vermelho na nova etapa da carreira do homem das luvas dos Tubarões Azuis, eis que o Direito surgiu. E ao contrário daquilo para que o Direito deve em regra servir, surgiu para criar obstáculos. No Colo Colo, Vozinha terá de usar, na camisola, o seu nome de nascença e não a alcunha que o tornou conhecido

Antes do Mundial de Futebol poucos pelo Mundo fora sabiam quem era o guarda-redes da seleção nacional de Cabo Verde, o Vozinha. Mesmo em Portugal, onde Vozinha chegou a alinhar pelo Desportivo de Chaves, o guardião era pouco ou nada conhecido. Vozinha não é o nome civil do jogador – no assento de nascimento consta Josimar Évora Dias -, mas sim um ‘nome de guerra’, uma espécie de ‘nome artístico’ que o jogador usa para a sua arte de jogar futebol. E a escolha recaiu em Vozinha como um tributo e uma consequência de uma infância e juventude muito ligadas à avó que o criou.
O brilhantismo de Vozinha no Campeonato do Mundo exponenciou vertiginosamente o número de fãs seguidores nas redes sociais do atleta, com isso atraindo o interesse de clubes e patrocinadores. Com naturalidade, Vozinha assinou há dias um contrato de trabalho desportivo com o Colo Colo, clube do Chile, e a marca Vozinha reveste-se já de um enorme valor comercial.
Quando tudo se conjugava para um tapete vermelho na nova etapa da carreira do homem das luvas dos Tubarões Azuis, eis que o Direito surgiu. E ao contrário daquilo para que o Direito deve em regra servir, surgiu para criar obstáculos. Ao jogador, ao clube, aos patrocinadores, aos fãs, até a Cabo Verde enquanto país. Diria mesmo, que até cria obstáculos ao próprio autor da norma, porquanto retira valor comercial à sua própria competição.
Falamos de um regulamento emanado da Associação Nacional de Futebol Profissional (ANFP) do Chile, que prevê, desde logo, os seguintes requisitos para as camisolas dos jogadores que participam numa competição sob a égide daquela entidade: “Para a identificação do jogador, o sobrenome paterno e/ou materno deve ser impresso na parte superior das costas da camisola, com caracteres de 5 a 5,5 cm de altura; a inicial do primeiro nome também pode ser incluída”. Mas o problema vem depois: “Não são permitidos apelidos ou nomes artísticos. (…)”. E problema porquê? Porque esta solução normativa impede que na parte traseira da camisola conste Vozinha. Pode sim ficar Josimar Évora ou Josimar Dias.
Com o devido respeito, e salvo melhor opinião, discordo do sentido e alcance de uma norma como a transcrita.
Não se trata de uma norma que enquadre a publicidade nas camisolas, e que com isso também evite marketing de emboscada.
Não estamos ainda perante uma norma que procure evitar a aposição nas camisolas – inclusive as interiores – de mensagens de natureza política ou religiosa.
Estamos, isso sim, em face de uma norma que, sem fundamento aparente, acaba por restringir a exploração comercial da marca Vozinha, por afetar os direitos de personalidade de um cidadão que se tornou numa figura pública com enormes notoriedade e visibilidade.
Num exercício de proporcionalidade, bastaria a exigência de que na inscrição/registo federativo do jogador constasse o seu nome completo, mas já permitindo uma espécie de ‘nome desportivo’ na parte detrás da camisola. Ou, como se encontra no Regulamento de Competições da nossa Liga, se acolher “o nome a inscrever na camisola pelo qual são conhecidos [os jogadores].” E, quando necessário, particularmente por razões de tamanho/espaço da camisola e igualdade entre todos os atletas, fazer-se constar o nome abreviado do jogador. Mas uma proibição como a que resulta do regulamento chileno não me parece sequer necessária.
Lê-se que o Colo Colo, para não sair prejudicado no merchandising das camisolas, equaciona vendê-las com Vozinha nas costas, mas na competição cumprir o regulamento. Também se lê que antes de tudo o clube busca obter uma exceção junto da ANFP - seria uma solução ´à medida’, uma ‘norma fotografia’, escrita ou não escrita, assumidamente esboçada para resolver uma ‘identidade pessoal’ num caso concreto. Em todo o caso, em minha opinião, o ideal seria mesmo uma alteração ao regulamento, aí sim com natureza geral e abstrata.
Aguardemos para ver como acaba. No entretanto, resta-nos desejar a maior das sortes ao Josimar, que é como quem diz, ao Vozinha. Que bem merece!"

Antena 1 - Postal do Dia - Diego Armando Maradona

Depois do maior Mundial de sempre, o maior teste à FIFA


"Não tenho por hábito pronunciar-me sobre tudo e mais alguma coisa que acontece na vida institucional do Futebol. Faço-o apenas quando se impõe, em circunstâncias verdadeiramente excecionais, sempre que os factos ultrapassam largamente o episódio que lhes deu origem e convocam questões fundamentais sobre o exercício do poder, a independência das instituições, a boa governança e a integridade do Desporto.
É esse o caso.
Esta reflexão é feita a título estritamente pessoal, com total independência e sem alinhamento com qualquer fação, coro ou conveniência. Não vincula a SIGA, nem qualquer outra instituição, organização ou pessoa para além de mim próprio. Não me move o propósito de atacar ou defender protagonistas, muito menos o de alimentar uma controvérsia passageira. Move-me uma convicção simples: reconhecer méritos não exige silêncio perante aquilo que suscita legítimas interrogações, do mesmo modo que o exercício responsável da crítica não se confunde com hostilidade. 
O escrutínio sério não pertence a nenhum campo. Não é um instrumento de combate, mas uma exigência da boa governança, uma condição da legitimidade e um pressuposto indispensável da confiança. Quando estão em causa instituições com responsabilidades globais, capacidade para influenciar o futuro do Desporto e decisões suscetíveis de afetar milhões de pessoas, o silêncio nem sempre é prudência. Pode, por vezes, tornar-se complacência.

O MAIOR MUNDIAL DE SEMPRE
O Campeonato do Mundo de 2026 ficará na história como o maior de sempre. Pela primeira vez, 48 seleções participaram na fase final; três países acolheram conjuntamente a competição; milhões de adeptos atravessaram fronteiras, encheram estádios e acompanharam um torneio que confirmou, uma vez mais, a extraordinária capacidade do Futebol para mobilizar povos, culturas e gerações.
A Espanha sagrou-se campeã do mundo, mas o grande vencedor foi também o próprio Futebol. A dimensão desportiva, económica, mediática e social do evento superou tudo o que anteriormente fora alcançado. O Mundial consolidou-se como a maior plataforma global do Desporto e como um dos acontecimentos mais influentes da sociedade contemporânea.
Esse sucesso merece ser reconhecido. Gianni Infantino assumiu a presidência da FIFA num dos períodos mais difíceis da história da organização, quando a sua credibilidade estava profundamente abalada por investigações, escândalos de corrupção e uma crise institucional sem precedentes. Desde então, a FIFA recuperou capacidade financeira, reforçou a sua influência internacional, aumentou substancialmente os recursos distribuídos às federações nacionais, expandiu as suas competições e alargou a presença global do Futebol. O Campeonato do Mundo de 2026 representa, em larga medida, a culminação desse processo. Seria intelectualmente desonesto não o reconhecer.
Mas o verdadeiro teste de uma instituição não começa quando conquista o sucesso. Começa quando tem de demonstrar que é capaz de exercer, com responsabilidade, o poder que esse sucesso lhe proporcionou. Existe uma diferença essencial entre poder e liderança: o poder mede-se pela capacidade de decidir, influenciar e mobilizar recursos; a liderança mede-se pela forma como esse poder é exercido, pelos limites que voluntariamente aceita e pela disponibilidade para prestar contas.
Terminada a celebração do maior Campeonato do Mundo de sempre, começa agora o maior teste da FIFA: demonstrar que a extraordinária força económica, política e institucional que hoje detém é acompanhada por padrões igualmente elevados de boa governança, independência, integridade, transparência e prestação de contas.

MÉRITO, EXPERIÊNCIA E EXIGÊNCIA
Conheço bem Gianni Infantino. Muito bem. Há mais de 25 anos. Ao longo de uma década e meia decisiva para a evolução do Futebol Europeu, exerci funções como CEO das Ligas Europeias, enquanto Gianni desempenhava responsabilidades de primeiro plano na UEFA. Trabalhámos diretamente em alguns dos mais importantes dossiers estratégicos do Futebol Profissional Europeu, num quadro de diálogo institucional permanente entre a UEFA, as ligas, os clubes e os jogadores.
Conheci, por isso, muito antes de chegar à presidência da FIFA, o jurista, o negociador, o administrador e o político do Futebol. E digo-o com inteira objetividade: é um profissional de exceção, um administrador de excelência e um profundo conhecedor das realidades políticas, económicas e institucionais do Futebol mundial.
Na relação de deve e haver entre nós, não há contas por saldar. Nunca houve. Não me move qualquer ressentimento, divergência pessoal ou propósito de ajuste de contas. O que aqui escrevo resulta exclusivamente da minha leitura dos factos, da experiência acumulada ao longo de mais de três décadas dedicadas ao Futebol e da convicção de que, quanto maior é o poder exercido por uma instituição, maior deve ser o grau de exigência a que ela própria se submete.
Reconhecer os méritos de Gianni Infantino não obriga a concluir que a obra está terminada. Pelo contrário: é precisamente porque a FIFA é hoje mais forte, mais influente e mais poderosa do que nunca que se torna legítimo exigir-lhe padrões ainda mais elevados de governança, integridade, transparência e prestação de contas.
As grandes instituições não se distinguem apenas pela dimensão das suas conquistas. Distinguem-se, sobretudo, pela capacidade de aceitar o escrutínio, corrigir as suas vulnerabilidades e demonstrar que ninguém está acima dos princípios que elas próprias exigem aos outros. É aqui que, em meu entender, começa a próxima etapa da evolução da FIFA.

PROXIMIDADE POLÍTICA, DISTÂNCIA INSTITUCIONAL
O Presidente da FIFA tem, necessariamente, de manter um diálogo permanente com governos, chefes de Estado e líderes políticos. Nenhuma organização desportiva global consegue organizar competições desta dimensão, garantir condições de segurança, assegurar regimes de vistos, coordenar infraestruturas ou mobilizar recursos públicos sem uma relação institucional estreita com os poderes públicos.
O problema nunca esteve nessa proximidade. Surge quando ela, ainda que inteiramente legítima, pode suscitar dúvidas sobre a independência das decisões da própria instituição. Quanto maior é a exposição pública dessa relação, maior é o dever de transparência; quanto maior é a proximidade ao poder político, maior deve ser a distância institucional.
Foi neste contexto que ocorreu o caso disciplinar relativo ao internacional norte-americano Folarin Balogun.
Vamos aos factos.
O jogador foi expulso num encontro da seleção dos Estados Unidos, ficando automaticamente suspenso para o jogo seguinte. Pouco depois, o Presidente dos Estados Unidos anunciou publicamente ter contactado o Presidente da FIFA a propósito dessa expulsão. Subsequentemente, o órgão disciplinar competente suspendeu a execução da sanção, permitindo que o jogador participasse no encontro seguinte.
A FIFA esclareceu que a decisão tinha fundamento nas suas normas disciplinares. Admitamos, por isso, que existia base regulamentar para a solução adotada. Mas essa constatação não encerra a questão. É precisamente aí que ela começa.
Não é possível determinar, com base nos elementos publicamente conhecidos, se aquele contacto teve alguma influência, direta ou indireta, na decisão posteriormente adotada. Mas também não é possível ignorar a circunstância em que ocorreu, nem a perceção que inevitavelmente criou.
Um contacto desta natureza, a propósito de uma matéria disciplinar pendente, exigia especiais cautelas institucionais. E, uma vez tornado público, passou a exigir da FIFA uma explicação clara, rigorosa e verificável sobre a forma como a independência do processo foi integralmente salvaguardada.
Quando uma intervenção política é anunciada publicamente e, pouco depois, é adotada uma decisão coincidente com a pretensão manifestada, não basta afirmar que o regulamento permitia essa solução. É indispensável explicar por que motivo aquele poder foi exercido, quem desencadeou o procedimento, quais os critérios aplicados e em que medida a decisão é consistente com a prática disciplinar da própria FIFA.
A questão não reside apenas na legalidade da decisão, mas na confiança que ela é capaz de inspirar. A independência da justiça desportiva não pode limitar-se a existir: tem de ser visível, demonstrável e capaz de resistir, sem ambiguidades, ao escrutínio público.

AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE E ESTADO DE DIREITO
A FIFA exige, justamente, que as suas federações-membro sejam independentes de interferências governamentais indevidas. Quando entende que um governo ultrapassou os limites admissíveis, não hesita em suspender uma federação ou impedir a participação de um país nas suas competições.
Esse princípio é essencial. Protege o Futebol da instrumentalização política e constitui um dos pilares da autonomia do Desporto. Mas os princípios só têm verdadeira autoridade quando são aplicados de forma universal.
A FIFA não pode ser forte com os fracos e fraca com os fortes.
Uma organização que exige independência às suas federações-membro tem de demonstrar, com o mesmo rigor, que as suas próprias decisões permanecem protegidas de qualquer influência externa, independentemente do país, do Governo ou da personalidade em causa.
A autonomia do Desporto constitui uma conquista civilizacional. Permite que as organizações desportivas regulem as suas competições, preservem a especificidade do fenómeno desportivo e resolvam, com independência, matérias que lhes são próprias. Mas autonomia nunca significou ausência de responsabilidade, muito menos imunidade ao escrutínio.
A autonomia não coloca as organizações desportivas acima da lei, nem as dispensa do cumprimento dos princípios fundamentais do Estado de direito. Pelo contrário: é precisamente porque lhes são reconhecidos poderes regulatórios, disciplinares, económicos e, em muitos casos, quase jurisdicionais, que sobre elas recai um dever acrescido de transparência, fundamentação, imparcialidade e prestação de contas.
A autonomia do Desporto não é um privilégio. É uma responsabilidade, e essa responsabilidade cresce na razão direta do poder exercido. Não basta decidir bem; é necessário demonstrar que se decidiu de forma independente, imparcial e transparente. É essa demonstração que sustenta a confiança — e é a confiança, mais do que qualquer regulamento ou sanção, que constitui o verdadeiro fundamento da autoridade institucional.

O ESCRUTÍNIO COMO FATOR DE LEGITIMAÇÃO
Existe ainda uma tendência, demasiado frequente, para encarar o escrutínio independente como uma ameaça à autonomia das organizações desportivas. É um erro. Nas democracias modernas, nenhuma instituição reforça a sua legitimidade procurando reduzir o escrutínio a que está sujeita.
Os bancos centrais reforçam a sua credibilidade através da independência e da transparência das suas decisões. Os tribunais legitimam-se pela fundamentação pública dos seus acórdãos. As empresas cotadas conquistam a confiança dos mercados através de auditorias independentes, mecanismos de controlo interno e rigorosos deveres de prestação de contas. Não existe razão para que o Desporto siga um caminho diferente.
Quanto maior é a relevância pública de uma organização, maior deve ser a sua disponibilidade para demonstrar que os processos de decisão obedecem aos mais elevados padrões de governança, integridade e transparência. A FIFA conquistou uma posição de liderança singular no panorama desportivo internacional. Essa posição confere-lhe direitos, mas, sobretudo, impõe-lhe responsabilidades.
É precisamente por isso que acredito ter chegado o momento de dar um novo passo: não imposto por terceiros, nem motivado pela pressão mediática, mas voluntário, consciente e estrategicamente inteligente. A verdadeira liderança não espera que a confiança lhe seja concedida; constrói-a, aceitando por iniciativa própria mecanismos independentes de avaliação, verificação e prestação de contas.
As grandes instituições distinguem-se, não pela ausência de controvérsias, mas pela forma como lhes respondem. Os momentos de maior afirmação institucional raramente coincidem com períodos de tranquilidade. São, quase sempre, consequência da capacidade de enfrentar dúvidas legítimas com transparência, independência e sentido de responsabilidade.
A FIFA encontra-se perante um desses momentos. Não porque esteja em causa a legitimidade da sua liderança, nem porque os extraordinários resultados alcançados nos últimos anos devam ser ignorados. Pelo contrário: é precisamente porque consolidou a sua posição como a mais poderosa organização desportiva do mundo que lhe pode — e deve — ser exigido um padrão de governança correspondente à dimensão da sua influência.
A confiança não se preserva pedindo que as instituições sejam acreditadas. Constrói-se demonstrando, de forma permanente, que as decisões resistem ao mais exigente escrutínio. É essa a diferença entre autoridade formal e autoridade moral: a primeira decorre dos estatutos; a segunda conquista-se todos os dias.

DA EXIGÊNCIA À AÇÃO
Esta reflexão não é apenas sobre a FIFA, nem sobre um episódio disciplinar. É sobre a credibilidade das instituições que governam o Desporto mundial.
O Futebol tornou-se um fenómeno económico, social, cultural e político de dimensão planetária. As decisões das suas organizações têm impacto muito para além das quatro linhas: influenciam atletas, clubes, patrocinadores, investidores, governos e centenas de milhões de adeptos. Quanto maior é esse impacto, maior deve ser a responsabilidade.
As grandes instituições não são julgadas apenas pelos sucessos que alcançam, mas pela forma como exercem o poder, pela transparência com que explicam as suas decisões e pela disponibilidade para se submeterem, voluntariamente, ao mesmo nível de exigência que reclamam dos outros. É isso que distingue uma organização poderosa de uma instituição verdadeiramente líder.
A FIFA deveria, por iniciativa própria, submeter os seus sistemas de governança, integridade e transparência a uma avaliação verdadeiramente independente, conduzida segundo critérios públicos, objetivos e verificáveis.
Existem hoje instrumentos capazes de assegurar esse escrutínio. Entre eles encontram-se os Universal Standards on Sport Integrity e o SIRVS — SIGA Independent Rating and Verification System — desenvolvidos precisamente para avaliar, de forma independente e imparcial, a qualidade dos sistemas de governança das organizações desportivas.
A adoção desses padrões e a submissão voluntária a um processo independente de avaliação não constituiriam uma cedência, nem uma resposta defensiva perante os críticos. Constituiriam uma afirmação de liderança.
Se a FIFA está convicta da robustez dos seus sistemas, uma avaliação verdadeiramente independente apenas poderá reforçar a sua credibilidade. Se existirem aspetos suscetíveis de melhoria, tanto melhor: serão identificados, corrigidos e transformados em novos fatores de confiança.
A reforma das instituições não se faz contra elas. Faz-se com inteligência, coragem, perseverança e sentido institucional. As organizações mais fortes não são as que recusam o escrutínio, mas as que o acolhem como instrumento de melhoria contínua, reforço da legitimidade e consolidação da confiança.
Enquanto CEO Global da SIGA, seria incoerente permanecer em silêncio perante uma questão que convoca precisamente os princípios que a organização existe para promover: boa governança, integridade, transparência, independência, responsabilidade e prestação de contas. Isso não transforma esta reflexão numa posição institucional da SIGA. É apenas o exercício de uma responsabilidade pessoal, decorrente de mais de três décadas dedicadas ao Futebol e da convicção de que as instituições se fortalecem quando aceitam confrontar-se com os mais elevados padrões de exigência.

O MAIOR LEGADO
O maior Campeonato do Mundo de sempre já pertence à História. O maior teste à FIFA pertence ao futuro.
Não será medido pelo número de espectadores, pelas receitas comerciais ou pela dimensão das suas competições. Será medido pela capacidade de demonstrar que o crescimento do seu poder foi acompanhado pelo fortalecimento da sua governança; que a influência conquistada foi acompanhada por igual independência; e que a confiança que reclama assenta numa cultura de transparência, responsabilidade e prestação de contas.
Será também medido pela disponibilidade para explicar, de forma clara e rigorosa, as decisões que suscitam legítimas dúvidas, e pela determinação em assegurar que os princípios exigidos às federações-membro são observados, com igual rigor, no centro do seu próprio poder.
Conheço Gianni Infantino há tempo suficiente para saber que não lhe faltam inteligência, visão estratégica, capacidade de trabalho ou determinação. Precisamente por reconhecer a profunda transformação que liderou na FIFA, acredito que este é o momento de dar o passo seguinte.
Organizar o maior Campeonato do Mundo de sempre foi uma extraordinária realização. Garantir que a FIFA se torna também uma referência mundial em governança, integridade e transparência seria um legado histórico.
Porque o poder nunca justifica menos escrutínio. Justifica sempre mais.
E depois do maior Campeonato do Mundo de sempre, esse é, verdadeiramente, o maior teste à FIFA."

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Marco Silva - St. Gallen

Treino...

BI: Antevisão - St. Gallen

Os Gloriosos Benfiquistas - É para cima deles - S02E02 - St. Gallen

Truncado não conta?!!! Nem sempre foi assim...

Preocupante

Estão magoados com o proençinha!

Memórias!!!

Covardes...

Dentes!

Recordam-se...

A gravidade (e a responsabilidade) dos áudios vazados


"É sempre perigoso avaliar, gerir e discutir, sobretudo publicamente, o vazamento de áudios obtidos de forma irregular. Mas também reconheço que eles não podem ser ignorados. Jamais. É de interesse público.
Foram truncados? Há mais? Por que apenas uma parte vazou? Qual é o contexto da conversa? Quem esteve presente? Qual é o real intuito da exposição? Por que a divulgação não aconteceu antes? Por que agora?
O (bom) jornalismo ajuda a responder bastante coisa. Porém, é praticamente impossível solucionar todas as dúvidas. Por isso, todo cuidado é pouco. É preciso ter muita, muita responsabilidade. E bom senso também.
«Os árbitros são fracos, são todos muito fracos. E tu consegues ter três, quatro gajos minimamente competentes...».
A opinião de Pedro Proença sobre a qualidade dos árbitros naturalmente abre um (novo) leque de teorias e fragiliza a arbitragem portuguesa. Entala, inclusivamente, o próprio dirigente. O que fez (ou não) para tornar melhor os profissionais que foram alvos de depreciação?
O mais preocupante dos áudios vazados, muito honestamente, é a parte final. O que foi dito a Fernando Seara, antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica, tem um ar perturbador. É aquilo que realmente importa.
«Queres jogar esse jogo comigo? Das 32 vezes em que fui chamado à Polícia Judiciária, 27 foram processos do Benfica. Sabes onde é que se faz a instrução dos processos? A instrução dos processos é na Liga. Queres jogar esse jogo comigo? Não brinques comigo, c***»
Há aqui uma gritante ameaça ao Benfica ou uma bizarra proteção ao Benfica. Ou (para piorar) as duas situações. Não há outra forma de o interpretar. Independentemente da versão verdadeira, a gravidade acaba por ser a mesma. A tentativa de condicionamento é óbvia.
Sem provas, por enquanto, não vou tomar qualquer partido. Mas claramente não vou fechar os olhos e a boca. Começo por pedir urgentemente um posicionamento dele: Pedro Proença. É o primeiro passo."

Observador - Sem Falta - "Casinhos" ou caos crónico? É preciso reset na arbitragem

As palavras também jogam


"O Sporting já ultrapassou os 100 milhões de euros em reforços e a palavra que mais apareceu foi investimento». Quando era o Benfica a fazer mercados desta dimensão, a palavra escolhida era quase sempre diferente. O Benfica gastava. Gastava muito.

Há palavras que, no futebol português, vão sendo usadas mediante a cor da camisola. Reparei nisso outra vez durante as últimas semanas, quando li e ouvi as análises ao mercado de transferências. O Sporting já ultrapassou os 100 milhões de euros em reforços e a palavra que mais apareceu foi «investimento». Não me choca. Contratar jogadores é investir. Sempre foi.
O que me chamou a atenção foi outra coisa.
Durante anos, quando era o Benfica a fazer mercados desta dimensão, a palavra escolhida era quase sempre diferente. O Benfica gastava. Gastava muito. Gastava acima das possibilidades. Gastava porque precisava de corrigir erros. A discussão começava quase sempre pelo dinheiro. Só depois, se houvesse tempo, se falava dos jogadores, das necessidades do treinador ou da ideia para a época.
Parece um detalhe, mas não é.
As palavras condicionam a forma como olhamos para os factos. «Investir» transmite confiança, ambição e estratégia. «Gastar» desperta imediatamente a ideia de excesso, risco ou desperdício. O valor pode ser exatamente o mesmo. O número de reforços também. A diferença está na perceção que fica em quem lê, ouve ou vê.
O mesmo acontece quando chega a altura de vender.
O Sporting prepara-se para perder um conjunto significativo de titulares. Serão vários jogadores importantes a sair neste mercado. A leitura dominante é a de que se trata do fim de um ciclo. Parece-me uma interpretação perfeitamente aceitável. As equipas mudam, os ciclos terminam e nenhum plantel permanece igual para sempre.
O que já não me lembro de ver foi essa mesma leitura quando o Benfica vendeu vários jogadores importantes também num mercado de verão.
Nessa altura, a conversa era outra.
Falava-se de um plantel enfraquecido.
De uma estrutura incapaz de segurar os seus melhores ativos.
De um clube que tinha perdido capacidade competitiva.
De uma Direção que estava a hipotecar o futuro.
Não me recordo de ouvir, com a mesma frequência, que era apenas o encerramento natural de um ciclo.
É uma diferença que vale a pena assinalar.
Quando uns vendem, estão a renovar o projeto desportivo.
Quando outros vendem, estão a desmontar a equipa.
Quando uns encaixam dezenas de milhões de euros, demonstram inteligência financeira.
Quando outros fazem exatamente o mesmo, é porque foram obrigados a vender.
Os factos mudam pouco. A forma de os contar muda bastante.
Outro exemplo surgiu com Ibraima Ba.
O Estrasburgo desistiu da contratação depois dos exames médicos. Dias mais tarde, o Sporting decidiu avançar para o negócio, investindo ainda mais do que o clube francês estava disposto a pagar. Mais tarde soube-se que o jogador recuperava de uma intervenção cirúrgica.
Pode vir a revelar-se uma excelente contratação. Aliás, desejo que assim seja. Mas isso não impede uma pergunta.
Se este negócio tivesse sido feito pelo Benfica, depois de um clube desistir da contratação na sequência dos exames médicos, a cobertura mediática teria sido exatamente igual? Tenho dificuldade em acreditar.
Imagino dias de debate sobre a competência da estrutura, sobre o departamento médico, sobre o risco assumido e sobre a forma como o processo foi conduzido. Imagino especialistas a perguntar se valia a pena correr aquele risco e comentadores a recordar outros dossiês semelhantes. Talvez esteja enganado. Mas custa-me acreditar que o tratamento fosse exatamente o mesmo.
Também olhei com curiosidade para o caso de Cardoso Varela.
Há poucos meses, André Villas-Boas afirmou publicamente que o futuro do jogador não passava pelo FC Porto. Entretanto, tudo mudou. O jogador regressou e o desfecho acabou apresentado como um sucesso do clube.
Não tenho qualquer problema com isso.
O mercado muda depressa. Os clubes mudam de estratégia. Os dirigentes também podem mudar de opinião. Faz parte do futebol.
O que acho curioso é que nem todas as mudanças de posição são analisadas da mesma maneira.
Há mudanças que revelam inteligência negocial.
Outras revelam falta de rumo.
Há recuos que demonstram capacidade para corrigir um erro.
Outros passam imediatamente a ser sinais de incompetência.
Mais uma vez, a diferença raramente está apenas na decisão. Está na forma como ela é apresentada.
Há quem diga que isto são apenas palavras. Não concordo.
As palavras nunca são apenas palavras. São elas que criam a primeira impressão, que moldam a discussão e que, muitas vezes, condicionam a forma como os adeptos olham para uma contratação, uma venda ou uma decisão de um dirigente.
É por isso que continuo a achar que o comentário desportivo tem uma responsabilidade maior do que às vezes parece reconhecer. Não por ter de elogiar ou criticar mais este ou aquele clube. Mas por aplicar o mesmo critério quando os factos são semelhantes. Se contratar mais de 100 milhões de euros é investir, então que seja sempre investir. Se vender vários titulares representa o fim de um ciclo, então que essa leitura não dependa da cor da camisola.
Se mudar de posição é inteligência, que o seja para todos.
E se for um erro, que também o seja para todos.
No futebol nunca haverá consenso. Nem é isso que se pede. O que se pede é coerência.
Porque os campeonatos decidem-se dentro das quatro linhas.
Mas, cá fora, há jogos que começam muito antes do apito inicial.
E esses também se jogam com palavras."