Últimas indefectivações

domingo, 3 de março de 2024

Antevisão...

Tudo dito...

BI: Antevisão - Corruptos...

Reviravolta...

Feirense 1 - 2 Benfica
Varela(2)


Excelente vitória, com o 'regresso' aos golos do Varela, que após a lesão grave, tem andado afastado da baliza! O Henrique também parece 'regressado' à melhor forma...
Pena o penalty desperdiçado pelo Nuno Félix, que teria dado mais tranquilidade na parte final!

Mais um festival do apito, principalmente dum fiscal-de-linha...

Vitória em Albufeira...

Imortal 84 - 95 Benfica
15-25, 23-29, 20-17, 26-24

Regresso às competições, após a paragem para as Seleções, ainda sem o Ivan...

Vitória...

Castêlo da Maia 0 - 3 Benfica
21-25, 21-25, 20-25


Mais uma... desta vez na Maia!

Bem...

ABC 28 - 38 Benfica
14-21

Série positiva mantida, com uma vitória em Braga...

Contas...


"A nossa posição financeira entre os 3 grandes é a melhor! Sem perdões ou calotes. Para garantir a sustentabilidade independente das transferências temos que: cortar 20M em gastos operacionais, reduzir 10M em despesas de pessoal e aumentar receitas em 10M€ com naming e patrocínios."

Onde fica Di María?


"O Benfica saiu vivo graças ao argentino, o maior criativo que temos por cá

Provavelmente, em Rosário, se quiser pensar no futuro do argentino . Os sinais de saída do são alguns, a trajetória inversa na carreira para acabar onde tudo começou fará sentido, mas, até lá, a pergunta: onde fica Di María entre pares?
Já todos argumentaram que Viktor Gyokeres é a contratação da temporada. Justificações acertadas. O sueco mudou o jogo leonino e parece que o Sporting entra sempre a vencer 1-0 com ele. 
Di María não chegou ontem a Portugal. Chegou em 2007. Três anos na Luz fizeram dele, também, produto do futebol português- até pelos parâmetros da UEFA no que respeita à formação de futebolistas. O argentino saiu quase feito, voltou como jogador completo e com currículo raro.
Na folha de títulos de futebolistas estrangeiros, Di María vive entre Casillas, que teve uma passagem com relativo sucesso em Portugal, e Capdevila, que no Benfica pouco mais fez do que, de facto, «passear» o CV. O argentino, diga-se, é muito mais Iker do que Joan.
Troféus são uma medida, o talento outra. Onde fica Di María? Muito dependerá da nossa memória e capacidade de visualizar o que será história.
Ainda fui a tempo de um pouco de Madjer, e depois Balakov, Valdo, Preud’homme, Schmeichel, o inevitável Jardel – e não digam que marcar golos, por si só, não é um talento -, Lucho, Pablo Aimar, e ainda mencionando os naturalizados – Deco o melhor – e toda a Geração de Ouro, precedida de Futre e António Oliveira: não vi este, mas ainda fico admirado cada vez que peço ao Youtube que me mostre o que jogava o antigo selecionador! Di María, no talento , está entre estes.
É esse talento, mais do que o CV, que lhe possibilita aos 36 anos e numa fase final da carreira decidir jogos com regularidade. O Benfica saiu de Alvalade com uma derrota, mas saiu vivo. Graças à qualidade do pé esquerdo, e da cabeça, do ‘Fideo’, o maior criativo que temos por cá.
Até pela perspetiva de negócio, Gyokeres é a maior contratação da época. Já Di María é o maior presente. O ‘Fideo’ nunca será consensual porque, ao contrário de Lucho ou Aimar, não é cavalheiro, nem tem jeitos de nobreza. Tem, antes, aquele engano sul-americano em que muitos talentos são forjados na tentativa de, muito mais do que um jogo, ganhar a vida. Di María chegou a jogar com um cartão falso para, simplesmente, ajudar a equipa dos amigos de bairro a vencer e ser feliz com eles. É rezingão, hiperativo, supertalentoso, campeão do mundo e um gigante. Não deste futebol por aqui jogado, mas na sua dimensão global. Onde fica Di María? A pergunta original aponta ao mundo e, para quem discorda, pode cingir-se ao futebol argentino, esse de Maradona e Messi, onde o Fideo caminha logo atrás deles.
Gyokeres vai deixar saudades em Portugal e terá uma carreira pela frente; Di María vai deixar saudades no mundo inteiro, pela carreira que teve para trás, fruto do seu talento inolvidável, que mesmo aos 36 anos continuou a ser maior do que todos os outros em Portugal 2023/24."

Fazer simples é difícil


"Olhar sobre o Sporting-Benfica da Taça de Portugal e a constatação de que dores de crescimento nesta altura do campeonato são mais dolorosas

Roger Schmidt, em declarações depois do jogo, descomplicou o dérbi de quinta-feira da Taça de Portugal. O Benfica perdeu com o Sporting porque o Sporting foi melhor e marcou dois golos e o Benfica só um, ponto.
É futebol, é preciso «aceitar», defendeu o treinador dos encarnados, mesmo lamentando ele que o árbitro tenha anulado à sua equipa um golo que no seu entender foi «limpo». Simples.
O problema é que, no futebol, como, aliás, em quase tudo na vida, difícil é fazer simples e quem o consegue tem nessa capacidade uma qualidade preciosa. Na época passada, Schmidt pareceu tê-la. Chegou, formou um grupo novo, colocou os jogadores certos a jogar nas posições certas, passou ideias simples à equipa e que quem a via jogar entendia com facilidade; e o Benfica foi campeão nacional.
É verdade que o alemão foi criticado por rodar pouco os jogadores, mas nas respetivas posições, de acordo com as suas características, numa lógica que quase todos percebiam e até aqueles que veem sempre defeitos tiveram de render-se porque o Benfica jogava bem e ganhava.
O que mudou, então? Muita coisa. Os jogadores, a época, mas também a ideia do treinador parece diferente. A meio da temporada ainda não sabemos como joga o Benfica, nem o lugar de algumas peças no desenho que Schmidt idealiza. Ter várias opções e táticas, várias armas, é bom, mas ter continuidade também — numa lógica de treinador de bancada, claro.
Schmidt tem razão, por vezes os outros são melhores e ganham. Também tem razão quando lembra que o Benfica ganha muitas vezes. Mas também é verdade que devemos igualmente aceitar que parte dos adeptos das águias tenha ficado descontente e preocupada por ver a equipa jogar mal em Toulouse, na Liga Europa, e mal contra o Sporting, na Taça de Portugal. Só ganhar não chega no Benfica (e nestes dois jogos até empatou e perdeu…) e Schmidt sabe disso.
Voltando ao dérbi, vimos em campo um Sporting que jogou como uma equipa (bem) trabalhada e um Benfica que (ainda) está a ser trabalhado. E dores de crescimento nesta altura do campeonato são mais dolorosas. Simples."

Há coisas do diabo!!


"Adán fez má figura no último jogo do campeonato. No jogo seguinte, para a Taça de Portugal contra o Benfica, ficou no banco.
Agora, que está a 45 minutos da renovação automática, ter-se-á lesionado com gravidade e poderá ter resto da época em risco no Sporting.
Acontece aos melhores. Os sportinguistas só esperam que Franco Israel não de umas "casas" por aí!! Ou então a comunicação social será conivente com mais esta situação.
A sorte do Adán é não se chamar Vlachodimos... Imaginem só o que seria terem de chamar ao "mestre do treino e da tática" de mau gestor de recursos humanos!!
Rápidas melhoras para o Adán!! 😏"

Vale tudo...

Válido!!!


"🚨 O golo do Chaves, esta noite, é validado quando estão 2 ou 3 jogadores em fora de jogo posicional, estando um ou dois a dificultar a visibilidade do guarda redes do Arouca.
🗣️ Agora já vale, não é senhores ex-árbitros!?"

Menos de 24 horas...


"Não foi preciso esperar muito tempo para mostrar ao mundo a "fantochada" que é o futebol português.
Nem 24 horas passaram e hoje tivemos este golo validado no Chaves - Arouca. Estavam não 1, não 2, mas sim 3(!) jogadores em fora-de-jogo posicional.
Hoje, golo validado. Ontem, golo invalidado.
Vale tudo.
O Benfica incomoda mesmo muita gente."

Golo do Mês: João Neves...

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Visão: Final com o Sevilha...

Futebol com Todos: a beleza tranquila do Manchester City


"Futebol 'made in Pep' é a melhor proposta de jogo da atualidade

Agora que já o confessei publicamente n’A Bola TV, posso deixar escrito: sou um guardiolista convicto.
Na verdade já o tinha escrito antes, mas foi há muitos anos, quando o Barcelona de Messi, Xavi e Iniesta me arrebatou como até então só uma equipa fizera: o Brasil de 1982.
Há quem prefira a vertigem da velocidade, por exemplo. Embora me custe apreender a beleza do jogo defensivo, compreendo que também é uma forma de chegar a vitórias, conforme prova a História (e a seleção italiana de 1982, e mais duas mãos-cheias de equipas italianas e de outros quadrantes, o problema é que nunca perdoei Paolo Rossi e companhia). Tudo respeitável, incluindo os famosos autocarros. Sobretudo do ponto de vista dos treinadores, que dependem dos resultados mais que qualquer outro protagonista.
Enquanto espectador, porém, nenhum futebol me encanta como o que pratica o Manchester City, na senda do made in Pep, a melhor proposta de jogo que conheço e vejo com a mesma sensação de espanto e tranquilidade que sinto perante boa música e boa literatura.

De chorar por mais
A imagem de Coates a confortar João Neves no final do Sporting-Benfica de quinta-feira faz-nos acreditar nas pessoas e no Mundo.

No ponto
João Moutinho, sobre quem já se disse quase tudo, renovou pelo SC Braga até 2025 e vai jogar pelo menos até aos 38 anos. Insosso Após o bom espetáculo da primeira mão é uma pena ter de esperar cinco semanas pelo Benfica-Sporting que decide a presença na final da Taça.

Incomestível
Feio, escusado e ainda por cima imprudente o gesto de Cristiano Ronaldo que lhe valeu um jogo de suspensão na Arábia Saudita."

O homem que salvou o Benfica


"Manuel Vilarinho recebeu anel de platina «por ter na alma a chama imensa»

Numa cerimónia especial e de grande fervor clubista, realizada no sábado passado, no Pavilhão da Luz, a direção do Sport Lisboa e Benfica distinguiu cerca de mil e oitocentos associados, premiando a sua fidelidade com emblemas de ouro (50 anos), de prata (25 anos) e, muito especialmente, homenageando os 43 sócios que completaram 75 anos de filiação. A estes foi-lhes oferecido um anel de platina. E sabem quem estava incluído neste pequeno grupo? Exatamente o meu amigo Manuel Vilarinho. Se calhar o maior benfiquista que conheço. Não só pela paixão de «ter na alma a chama imensa» como, sobretudo, pelo muito que tem dado ao clube, ao longo da vida, numa dedicação sem limites.
Muitos consideram-no «o homem que salvou o Benfica», quando, no ano 2000, sucedeu a João Vale e Azevedo, assumiu a presidência e resgatou o clube de uma crise instalada. Rodeou-se de alguns amigos carismáticos, benfiquistas com poder, para promoverem a união das hostes e, todos juntos, recuperarem a credibilidade e a reconstrução do clube. Assim aconteceu. Durante o seu mandato, de outubro de 2000 a outubro de 2003. Inclusive, de forma arrojada, assumiram a construção do novo Estádio da Luz. Para o Euro-2004. Cujo discurso da inauguração foi, orgulhosamente, por ele proferido.
Como se sabe, Manuel Vilarinho, por decisão própria, fez apenas esse mandato de três anos, dando abertura para Luís Filipe Vieira (que ele chamara para dirigir o futebol) lhe suceder na direção. Todavia, continuou ligado, então como presidente da Assembleia Geral.
Naquele mês de outubro de 2000, a campanha para a presidência do Benfica foi tremenda. A nação benfiquista estava dividida e muitos diziam que, apesar de tudo, Vale e Azevedo estava de pedra e cal. Tanto mais com este a fazer um périplo pelas Casas do Benfica de todo o país, em campanha eleitoral, oferecendo-lhes apoios… Parecia inevitável. Os jornais, as rádios e as televisões davam-no como grande favorito à reeleição.
A BOLA aguardou pela manifestação do último dia da campanha. Centenas de pessoas, grandes figuras do universo benfiquista, todos reunidos num jantar convívio de apoio a Manuel Vilarinho. Eu estava lá a fazer a reportagem para o nosso jornal. Ainda me lembro do nome do rapaz (Horácio Nunes) do catering que me conheceu e veio cá fora trazer-me uma pratada. Que noite aquela. Apercebi-me logo da tremenda força desta candidatura. Entre outros, a presença inesperada de José Águas, o grande capitão dos bicampeões europeus. Que, embora muito doente, fez questão de estar presente (viria a falecer um mês depois). Porém, mais inesperada e decisiva foi a entrada do King Eusébio naquele pavilhão a abarrotar de gente. Ninguém esperava. Foi a loucura: «Ben-fi-ca! Ben-fi-ca! Ben-fi-ca!» Que grande ambiente de benfiquismo. Parecia que estávamos no Estádio da Luz. E todos concordavam que, em véspera das eleições, a presença de Eusébio neste grande jantar de apoio a Vilarinho seria decisiva para a votação.
Manuel Vilarinho venceu com 62% dos votos. Contaram-nos que no dia anterior, por influência do Comendador António Frias, do João Malheiro, de Paulo Valente e de Ribeiro e Castro, King Eusébio tinha faltado ao jantar de apoio a Vale e Azevedo, para o qual estava convidado.
Por acaso, devido à nossa afinidade, também fui marcado para fazer uma grande entrevista ao Manuel Vilarinho, como novo presidente do Benfica. Fomos a sua casa, em Azeitão. Uma mansão com piscina, um campo de futebol e um museu com troféus de caça grossa. Como dizia o seu amigo Horácio Galã: «É uma joia de pessoa. Amigo do seu amigo. Para além do Benfica, a caça é outra grande paixão do Dr. Manuel Vilarinho.»

Na Académica e no Cosmos
O Manuel Vilarinho é meu amigo de infância, rapaz da minha rua. Ele residia no n.º 35 e eu no n.º 61 da Estrada da Torre, no Lumiar; ele do Benfica eu do Sporting. Andava no Colégio Manuel Bernardes, no Paço do Lumiar. Era menino rico, filho do empresário Mário Vilarinho, dos cafés Chave de Ouro. Mas era popular, juntava-se à malta. Em 1962/63, com o Nuno Serra Cruz, o Hernâni Melícias e o Zé Maciel, criámos a Académica do Lumiar, clube de estudantes, com sede no Café da Torre, para rivalizar com o Real, clube de operários, com sede no Vitória Bar, na rua do Lumiar.
Arranjámos mais de cem sócios e jogávamos nos torneios populares. Eu era uma espécie de dirigente/treinador/jogador da Académica. Um clube que desapareceu quando fomos todos para o serviço militar obrigatório. Certo dia, Manuel Vilarinho, teria uns 14/15 anos, afrontou-me: «Óh Vítor! Tenho as quotas em dia e quero jogar.» No jogo seguinte o miúdo foi convocado e realmente tinha algum jeito. Ali no meio-campo, durinho, atrevido… Tinha andamento porque já jogava na equipa do Colégio. Mais tarde, soubemos que também jogou nas equipas da Faculdade de Direito e no Cosmos, nos torneios do CIF. Nesta última, a sua coroa de glória foi ter jogado ao lado do Eusébio e do Simões num torneio do Algarve.

‘Papoilas saltitantes’ da Luz
A minha memória dos benfiquistas Vilarinhos era ao domingo, depois de almoço, o jardineiro Manel tirava o automóvel da garagem (um Volvo dos caros) e, já na rua, com um pano, esfregava-o até brilhar. Até que aparecia o pai Vilarinho com os filhos Alberto e Manel, entravam na viatura e lá iam eles, pela azinhaga do Paço do Lumiar, o caminho mais curto para irem ver as papoilas saltitantes do Benfica, no Estádio da Luz. Lá se encontravam, nos lugares cativos, com os vizinhos Julião (cambista na baixa) e o filho, Zé Manel Antunes (também companheiro das futeboladas, atual sócio n.º 673 do Glorioso, quase a receber o anel de platina).
Outra conhecida afinidade da família Vilarinho era com a família do benfiquista Armando Machado, dono da famosa Adega Machado, no Bairro Alto. A casa de fados que amiúde frequentavam. Duas famílias que passavam férias nas termas do Vimeiro. Ou na praia de Santa Cruz, onde o clã Vilarinho tinha casa de férias.

«A educação em casa»
Este meu escrito de memórias vem na sequência da homenagem que o Benfica prestou a Manuel Vilarinho, conferindo-lhe o anel de platina pelos 75 anos de associado. Ouvi as suas palavras e fiquei sensibilizado com tanta emoção e tanta felicidade.
«Desde o ano passado que penso. Não posso morrer enquanto não receber o anel», disse, aliviado, o «homem que salvou o Benfica». E continuou: «Adoro isto. Viva o Benfica! A educação em casa era trabalho e Benfica. Estou felicíssimo. Isto está na massa do sangue. Nasci assim. É grande alegria», referiu, emocionado, na cerimónia de entrega, o sócio n.º 618 do Glorioso. Enquanto as bancadas do pavilhão repletas, todos de pé, num longo aplauso, de reconhecimento, ao popular Manuel Vilarinho. Bem merecido!"

Os bastidores de um campeão... a Mãe, a Escola, o Clube, a Federação, o Médico e o Amigo


"Este é um grupo restrito de pessoas com quem falei, a Mãe, Teresa Matos, sempre presente como suporte emocional e companheira de muitos desafios, o Treinador Alberto Silva, Vitor Pardal o Coordenador nacional das UAAREs (Unidades de Apoio ao Alto Rendimento nas Escolas), o Médico Jaime Milheiro, Ana Oliveira, responsável e mentora do projecto Benfica Olímpico, José Machado, o Director Técnico Nacional da Federação Portuguesa de Natação, e o nadador Miguel Nascimento, amigo e companheiro de equipa (perdoem-me se excluí alguém, principalmente os que de alguma forma contribuíram, contribuem e fazem parte deste eco sistema, sintam-se todos incluídos no processo).
Sendo estes também protagonistas, importa explicar, na primeira pessoa, a sua perspectiva, a todos os interessados no desporto de alto rendimento, e por maioria de razão à sociedade, menos conhecedora destes ambientes, que os campeões se fazem e "escrevem" muito nos bastidores, a verdadeira antecâmara do sucesso. Sem eles, a funcionarem de forma articulada, não se cria um supercampeão.
Hoje, a Federação Portuguesa de Natação e o seu atleta Diogo Ribeiro "nadam" literalmente uma onda de sucesso, numa modalidade que é uma referência na capacidade de alinhamento de todos os intervenientes e no exemplo de boas práticas. Resultado desta estratégia que já vem de há quase 10 anos, a FPN tem um grupo de nadadores com créditos firmados e com um conjunto de resultados de grande valia internacional, dos quais destaco a Angélica André, recentemente medalhada nos Mundiais de Doha em águas abertas, o Miguel Nascimento, o Gabriel Lopes, a Diana Durães, a Camila Rebelo, o José Costa, com uma estrela cintilante, o Diogo Ribeiro, duplo Campeão mundial.
Conheço o Diogo, sou fã desde o primeiro minuto deste míúdo fantástico, de sorriso e maneiras simples. Dele, como é normal nestas ocasiões, já se escreveu muito, tudo ou quase tudo. Já muitos tiveram possibilidade de o entrevistar, de dar os parabéns, de lhe concederem as maiores e diversas merecidas honrarias, num País ávido de talentos e resultados. Mas nesta crónica, mais do que perceber o alcance histórico e impacto dos seus resultados, quis centrar-me na equipa multidisciplinar que acompanha o atleta, dar voz a estes protagonistas e identificar as pessoas e entidades que num ambiente alinhado e concertado deram a inspiração, o método, o conhecimento, a infraestrutura, o carinho para, em conjunto, construirem um alicerce sólido e um caminho consistente de sucesso deste talento puro.
Foram colocadas algumas questões no sentido de perceber e contextualizar o aparecimento deste fenómeno da nossa natação, e entender algumas características únicas deste atleta e qual o papel fundamental de cada um dos intervenientes na potencialização das mesmas.

A Mãe Teresa Matos – O testemunho 
Influência do ambiente familiar e parental:
Segundo a Mãe, e de acordo com a sua experiência muito vivida lado a lado com o Diogo (o seu Pai, também atleta federado de handebol, faleceu quando ele tinha apenas 4 anos) "a família tem de fornecer todo o tipo de apoio, seja ele emocional, financeiro, transmissão de valores e orientação.
Um atleta precisa de estar preparado, ou ser preparado para, nos momentos difíceis, não desistir, assim como nos gloriosos não perder o foco e concentração para conseguir continuar o seu caminho sem se ‘perder’". Desta forma, segundo a Mãe, "conseguirá lidar melhor com a pressão que muitas vezes lhes é imposta ao longo da carreira, o que não significa que, mesmo com ajuda, não possam quebrar e precisar de parar um tempo para se recuperarem.
Levantar-se mais cedo para os treinos bidiários, ir levar e buscar aos treinos no final do dia, as competições aos fins de semana, muitas vezes fora de casa, o que implica viagem, alojamento e alimentação para os atletas e para nós, pais, enfim, os clubes não têm apoios, o que torna difícil conseguirem assumir as despesas que uma ‘simples’ competição acarreta.
A prática da modalidade e o desenvolvimento de um atleta requer investimento financeiro significativo em equipamento, treino, viagens e outras despesas relacionadas com a modalidade que praticam, neste caso, a natação, mas que acontece em muitas outras.
Os pais devem saber transmitir valores, como disciplina, trabalho, foco, saber ser e saber estar, saber ganhar e perder, e respeito pelos outros acima de tudo, que são essenciais para o sucesso, tanto no desporto como na vida. São estes valores que moldam a mentalidade do atleta, que antes de ser atleta, é uma pessoa, e vão influenciar a sua forma de ser e estar.
No meu caso concreto, os meus filhos iniciaram a prática da modalidade muito cedo, em escalões diferentes, pois têm três anos de diferença. Foi muito difícil conciliar as idas a provas, muitas vezes fora, as horas que passava nas piscinas enquanto treinavam, pois vivíamos a cerca de 20 minutos da piscina e todos os dias, de manhã cedo e ao final do dia, não era viável, a todos os níveis, fazer tantas viagens por dia. Existem muitas empresas e entidades que podem e devem patrocinar os clubes para que, também estes, possam oferecer melhores condições aos atletas, pois há de certeza muitos talentos escondidos, que não têm as condições exigidas e que poderiam ser excelentes atletas. Que seja o início de outra fase na natação e noutras modalidades.
O papel da escola UAARE no caso do Diogo foi e é fundamental. A escola oferece flexibilidade no horário, um suporte individualizado e colaboração com as federações desportivas, garantindo o sucesso global dos alunos atletas. Pode ser em horários específicos do dia ou a implementação de estratégias e medidas que permitam aos alunos ausências justificadas para participar em competições, estágios e treinos.
A escola promove também outros valores, como disciplina, o trabalho em equipa, resiliência e liderança, que são fundamentais tanto no desporto quanto na vida académica, ajudando os alunos atletas a lidarem melhor com o stress e a pressão que lhes é imposta diariamente, associados ao desporto de alto rendimento e à vida escolar.
O Diogo tem tido, no ensino secundário, numa primeira fase na Escola Secundária Jaime Cortesão, em Coimbra e, depois, na Escola Secundária Fonseca Benevides, em Lisboa, que frequenta neste momento, um apoio fundamental, que impediu que desistisse, pois, de facto, sem estar integrado numa escola UAARE, diria que é praticamente impossível, conseguir conciliar e ter sucesso no desempenho escolar e desportivo e, infelizmente, o «normal» é optarem pela carreira desportiva e deixar para trás a escola ou vice versa.
Enquanto mãe do Diogo, tenho acompanhado, tanto a vida escolar como desportiva e, sempre que possível, estou disponível para ajudar a orientar e incentivar ao longo do seu percurso.
Sinto muitas vezes que a minha presença em competições é necessária, não apenas quando corre bem, pois nessas fases há bastante apoio, que agradecemos, mas sobretudo quando não corre como esperado, em que a nossa presença é fundamental.
Senti precisamente essa necessidade, quando o Diogo participou no Campeonato Mundial de Júniores, em Lima, no Perú, pois sabia que o seu grande objectivo seria o Recorde do Mundo Júnior, na prova dos 50 mariposa. Era o seu último ano nesta categoria, não tinha mais nenhuma hipótese de o alcançar, tendo ficado muito próximo no Europeu, em Roma.
O Diogo iria sem colegas de equipa, um grande apoio, foi acompanhado pelo seu treinador, Alberto Silva, e o fisioterapeuta, Daniel Moedas, e senti que precisava de uma presença extra, que lhe desse ainda mais força para atingir o seu objectivo. E conseguiu, graças ao seu trabalho, foco e determinação, de toda a Equipa Técnica, Clube, FPN, Comité Olímpico, e patrocinadores.
Actualmente, vou comunicando com todos os intervenientes, nomedamente na Escola Secundária Fonseca Benevides, com o Diretor de Turma, Prof. Rui Rodrigues que faz a ponte com os professores das disciplinas. Relativamente ao Clube, Federação, Equipa Técnica e acompanhamento Médico, estamos constantemente em contacto, pois só assim é possível manter o bem-estar físico e mental do Diogo, pois quando se pratica desporto de alto rendimento, só assim se pode garantir uma comunicação eficaz e colaborativa entre todas as partes envolvidas."

A Escola e a abordagem UAARE
Esta frase do Diogo, que reside actualmente no Centro de Alto Rendimento do Jamor, resume da melhor maneira a capacidade e abrangência UAARE e o seu processo poderoso e eficaz.
"Há 4 anos que não entro numa escola, já não me lembro como eram esses dias." E continua... "Estou no 12.º ano, na área de Humanidades, na Escola Secundária de Fonseca Benevides, em Lisboa, onde fui colocado através das Unidades de Apoio ao Alto Rendimento na Escola.
É um programa muito importante para os atletas da minha idade, principalmente. Tenho como colegas bastantes atletas de alta competição e tenho a certeza de que, se não fossem estas unidades de apoio, nenhum de nós estaria a estudar. Tentaríamos viver só do desporto. Não digo que é impossível fazê-lo, mas acho que é preciso, pelo menos, terminar o 12.º ano."
A escola e os professores tentam ao máximo facilitar-me a vida. Percebem o lado de atleta, em que muitas vezes não estou no País e preciso de faltar bastante às aulas, mas é justificável. De resto, é tudo igual: há testes, trabalhos de grupo e trabalhos de casa.
A avaliação não é tão centrada nos testes, porque não temos tanto tempo livre para estudar. É mais dirigida para as tarefas, temos bem mais do que um aluno normal que vá presencialmente à escola, e valem mais do que os testes.
Mas tenho tido boas notas.
Na voz de Vitor Pardal, o mentor e coordenador nacional deste projecto fantástico, alguns dados sobre as UAAREs: actualmente acompanham 11254 alunos-atletas que praticam 56 modalidades desportivas, enquadra-se em 52 federações desportivas, em 300 clubes e interagem com as escolas.
Isto só é possível, segundo Vitor Pardal, com uma rede a nível nacional (25 escolas UAAREs), com equipas de docentes, psicólogos e com professores acompanhantes que articulam todo o processo com a escola (conselhos de turma, diretores, docentes), atletas, famílias, clubes e federações (interlocutores desportivos, treinadores e diretores técnicos nacionais).
Muito haveria para dizer, mas quer os resultados desportivos quer, sobretudo, os resultados escolares comprovam os impressionantes dados UAARE de desempenho desportivo e escolar a nível nacional – 92,68% de desempenho académico (acima da média nacional) e 69% de alunos-atletas sem qualquer negativa.

O TREINADOR
Alberto Silva
Com raízes portuguesas, Alberto Silva, que diz de si próprio "Calm like a bomb" mais conhecido por Albertinho, chegou a Portugal em julho de 2021, com um currículo esmagador que inclui cinco presenças em Jogos, duas medalhas olímpicas (César Cielo e Thiago Pereira), 24 pódios em Campeonatos do Mundo e dois recordes planetários (20,91s de Cielo nos 50 livres, em 2009, e 21,75s de Nicholas Santos, nos 50 mariposa piscina curta, em 2018). Em pouco tempo, revelou-se uma lufada de ar fresco que ainda pode estar só no começo.
A pergunta que lhe fizemos foi de como é que a estrutura mental do atleta é moldada ao longo da carreira?
"O Diogo não teve treinos específicos de preparação psicológica. Procurei sempre criar uma ligação forte baseada no respeito e confiança mútua. Aproveito da minha experiência para ‘contar histórias’ que já aconteceram e mostro o lado bom e ruim de cada decisão, com relação as questões de comportamento diante das dificuldades e/ou fora da esfera direta do treino e competição procuro mostrar a ele como eu fiz no passado ou alguém relevante como referência e no final deixo a decisão com ele, ele terá que aprender seu próprio caminho".
Quisemos também saber qual a influência do treinador e da equipa multidisciplinar que o rodeia no seu rendimento desportivo.
Albertinho diz que "Na perspectiva da equipa multidisciplinar é importante se há uma liderança e se torna ‘interdisciplinar’, onde todos participam e opinam sobre a especialidade de cada um na equipe.
Cabe então ao Head Coach tomar as decisões e organizar os trabalhos.
Com o Diogo não foi diferente, talvez no início ele tenha ficado um pouco confuso com tantas pessoas à sua volta, porém, com organização e método todos puderam ajudá-lo a tirar o máximo das suas capacidades sem sobrecarregar e sem stress desnecessários

O Projecto Benfica Olímpico
Ana Oliveira
O Benfica Olímpico tem como principal objectivo desenvolver e projectar os atletas do Clube com resultados de excelência para a mais importante competição à escala planetária – os Jogos Olímpicos.
O Sport Lisboa e Benfica, como instituição desportiva de referência, tem no seu historial eclético uma ligação ao ideário olímpico desde a sua fundação, com a participação de atletas do Clube nos Jogos Olímpicos.
Segundo Ana Oliveira "Os clubes têm um papel fundamental na construção dos alicerces da prática desportiva, e estabelecem esta ponte entre a escola, as famílias e a prática nas modalidades. Mas nem sempre é suficiente ou algo que permite igualdade de oportunidades para os jovens em todo o nosso território nacional pelo que muitas vezes os campeões acontecem pelo acaso ou quase sempre pelo empenho e determinação das próprias famílias. Não devia ser só assim, mas é".
O Benfica Olímpico e especificamente o projecto de natação no SLB, tal como o próprio reconhece, tem sido muito importante para o desenvolvimento e sucesso do Diogo Ribeiro. É um projecto e uma marca reconhecida nacional e internacionalmente que, para além dos maiores e melhores valores desportivos, disponibiliza ao Diogo e a todos os atletas integrados no projecto um conjunto de ferramentas e oportunidades que, em articulação com o excelente apoio e trabalho que o Diogo realiza na FPN e com a FPN, lhe permite poder focar-se apenas nos seus objectivos com todo o profissionalismo e ambição.
Atraves do Benfica Olímpico, da sua envolvente inspiracional, e da FPN o Diogo dispõe de condições técnicas, estruturais e multidisciplinares de excelência que lhe permitem trabalhar todo o seu talento e potencial, e com trabalho, empenho, motivação e ambição, sonhar o mais alto que um atleta pode sonhar.
Mais resultados e melhores resultados também exigem mais oportunidades e condições, e penso que também aqui podemos ser diferenciados e continuar a potenciar e fazer "crescer" os atletas e treinadores no profissionalismo apoio dado e na ambição

FPN
O Director Técnico Nacional
José Machado
Falei com o Director Técnico Nacional e a pergunta colocada foi qual a influência do treinador e da equipa multidisciplinar que o rodeia no rendimento desportivo do Diogo, e qual a visão e o papel da FPN na criação de condições para atletas e clubes no desenvolvimento estruturado da modalidade, e como se vê na articulação de todos os intervenientes no processo.
"A equipa multidisciplinar permite que todas as valências sejam abordadas diariamente no que respeita à intervenção do Treinador, Fisioterapeuta, Preparador Físico e Biomecânico e numa periodicidade muito aceitável por parte do Médico. O apoio psicológico está disponível e a intervenção é feita sempre que o treinador ache importante.
Nesta fase a visão da FPN é a de criar condições como as referidas para os nadadores que se disponibilizem a integrar os Centros de Treino de modo a que estes nadadores possam usufruir das valências referidas. A opção pela integração nos centros por parte dos nadadores referenciados é opcional, mas na medida do possível o apoio multidisciplinar é disponibilizado quando estes optam por permanecer nos seus clubes"

O Médico
Jaime Milheiro
Jaime Milheiro é licenciado em Medicina pelo ICBAS, da UP desde 1995. Especializou-se em Medicina Física e Reabilitação em 2003 e posteriormente em Medicina Desportiva em 2004. Realizou a sua tese de mestrado na Universidade de Santiago de Compostela em 2010 subordinada ao tema Exercício Físico e Metabolismo Lipídico, estando de momento a efectuar o seu Doutoramento em Ciências do Desporto na FADEUP. A sua tese final está centrada na temática do exercício físico e o hipercortisolismo.
Trabalha na CMEP desde 2010 e integrou a Direção clínica do COP em 2016 no programa de acompanhamento dos atletas olímpicos para os Jogos de Tóquio 2020.
À pergunta - Qual a influência do treinador e da equipa multidisciplinar que o rodeia no seu rendimento desportivo – Jaime Milheiro referiu: "Diria ter um papel fundamental, a carga e recuperação devem-se equilibrar, acompanho o Diogo desde os 14 anos e no meu ponto de vista potenciar a sua recuperação permite-lhe diariamente assimilar o treino prescrito e, assim, tirar a sua melhor rentabilidade a longo prazo. Venho sugerindo ao longo do seu processo de maturação e crescimento uma atitude conservadora em termos de estímulo de treino (reservando-o para o momento certo competitivo) privilegiando pelo contrário o processo de recuperação pós treino, a importância do sono e uma alimentação controlada e saudável. Adicionalmente temos vindo a fazer uma "filmagem" analítica ao longo destes anos, de modo a entender o caminho para o qual o treino nos está a conduzir, corrigindo carências e promovendo equilibrios, tentando assim em conjunto a melhor adaptação e concomitante performance".

O Amigo e "Irmão"
Miguel Nascimento
Diogo Ribeiro tem no colega e amigo Miguel Nascimento, Capitão da Selecção Nacional, uma das suas grandes referências na natação.
"É um prazer e é muito bom ouvir que sou uma referência para o Diogo. Ainda há alguns anos ele era novinho e andava a olhar para mim de maneira 'quero ganhar ao Miguel' e agora ganhou as duas medalhas de ouro no Campeonato do Mundo.
O Diogo é um talento nato, qualidade técnica, sensibilidade, maturidade acima da média. Na hora de competir, parece mais velho que os seus tenros 19 anos. Em ambiente competitivo impressiona a forma como aparenta um certo relaxamento, mas sempre muito confiante e demonstrando uma grande maturidade, que eu considero ponto forte apesar de ser dificil destacar um ponto forte já que é muito bom em várias áreas. Eu sinto que influenciei o Diogo contando com os 10 anos que nos separam, mas também tenho aprendido muito com ele. O meu papel é tentar ajudar e guiá-lo da melhor forma com conselhos e indicando aquilo que me parece o melhor caminho no seu caso. Conto, mesmo quando não estiver na natação, continuar a ajudá-lo e solidificar ainda mais esta nossa amizade. Um talento como ele é muito raro e esse é o meu dever, agora temos um objectivo comum enquanto atletas olímpicos, que é Paris aqui já a um passo!"
Não quis perder a oportunidade de questionar este grupo sobre algumas das características únicas que definem o Diogo enquanto pessoa e atleta, o resultado foi....
Diogo é um ser humano maravilhoso, humilde, genuíno, amigo, lutador e ambicioso, quer sempre mais e não para até conseguir alcançar os seus objectivos.
Tem capacidade de superação, a vontade em querer ser diferente e, melhor, sem passar por cima de ninguém.
É puro, muito amigo e tem com um coração enorme.
Tem capacidade de seguir uma determinada estratégia mesmo nervoso e sob forte pressão.
Tem talento e inteligência porque aproveita todas as oportunidades e ferramentas que lhe dão para potenciar o seu talento e ser o campeão que é. Finalmente, cresce com a pressão e sob pressão.
Para resumir, o que se pretendeu nesta crónica de "por águas nunca dantes navegadas", foi dar voz e relevo a estes protagonistas, guerreiros na sombra do atleta, e apontar alguns dos factores de sucesso que se constroem nos bastidores de um campeão.
Imaginem, num mundo ideal, um País, o nosso, onde se concertassem todos os intervenientes para construir uma estratégia alinhada a longo prazo para o desporto Nacional, com equipas multidisciplinares, profissionais, com a participação da Sociedade Civil, um desporto integrado nas suas várias fases, desde a simples actividade fisica, ao exercico fisico, ao desporto escolar, competição e alto rendimento.....Imaginem!
Usain Bolt disse "Há sempre limites. Eu não conheço os meus." E parece que no caso do Diogo ainda não conhecemos os dele!"

Os Treinadores do Sofá - S03E24 - O Panorama do Jornalismo Desportivo em Portugal c/ Filipa Claro

Uma Semana do Melhor, excerto...

6, excerto...

Ataque, excerto...

Total, excerto...

Sagrado, excerto...

O Benfica Somos Nós S03E42 - Taça...

Visao: Buffon...

Petrobilionários sem hipocrisia


"JJ tem desafios e um projeto mas não esconde o principal motivo para ter ido para a Arábia Saudita

"Às vezes ouço jogadores na Europa a dizer que não compreendem porque é que os jogadores vêm para cá… porque vão ganhar mais dinheiro. E os jogadores que vão para Inglaterra? Vão de graça?"
Jorge Jesus, Treinador do Al Hilal

Quando foi Cristiano Ronaldo, foi porque ninguém o queria. Quando se seguiram Benzema ou Firmino, foi porque era o novo el dorado para jogadores em fim de carreira. Quando a liga saudita enfim começou a convencer futebolistas no auge da carreira, como Rúben Neves ou Gabri Veiga, aí sim soaram os alarmes.
Esta semana, Jorge Jesus não esteve com hipocrisias — sim, só há uma razão para jogadores rumarem à Arábia Saudita: o dinheiro. Para muitos, três anos de contrato equivalem ao que ganhariam durante toda a carreira se ficassem na Europa, por isso não são apenas os veteranos que aceitam rumar ao Médio Oriente. E, como o treinador português — que já tinha estado na Arábia Saudita quando o país só criava petromilionários, em vez de petrobilionários... — lembrou, quem sonha ir jogar para Inglaterra fá-lo só pela competitividade do campeonato, mesmo que vá perder dinheiro?
Até haverá quem o faça — quem tem muito, quem não precisa, quem valoriza a vida fora do centro de treinos, quem acredita tanto em si próprio que acha que vai valorizar-se ainda mais e conseguir um contrato ainda melhor anos depois (nem que seja para a própria Arábia Saudita). É perfeitamente legítimo que um jogador recuse o Médio Oriente por princípios relacionados com os Direitos Humanos. Também é compreensível que haja quem ponha o dinheiro à frente de tudo o resto. O que me tira do sério é a hipocrisia de quem diz que foi para a Arábia «pelo desafio» ou «pelo projeto». Isso JJ não faz, por muito que vencer a Champions asiática ou jogar o Mundial de Clubes seja aliciante."

sábado, 2 de março de 2024

De Bruyne e de todos nós


"Não há quem veja um jogo de futebol como o extraordinário médio internacional belga

Não há como não adorar Kevin de Bruyne. Há ali qualquer coisa de Kaká, talvez pitadas do Laudrup mais velho e até trejeitos do non-flying dutchman Bergkamp, que ainda mais força conferem à já de si impositiva expressão de que o cérebro é, sem dúvida, o músculo mais forte do corpo.
Bem exercitado, como sempre parece estar, carrega com facilidade um elevado quociente de inteligência. É por isso que vê com nitidez ultra HD o que o mais ninguém vislumbra e quando, por acaso, o quase impercetível movimento ao longe nos arbustos não passa despercebido a uma ou a outra alminha, não haverá neste mundo gente mais veloz a decidir. Ou o faça com tão apurada destreza de cirurgião.
Usar um bisturi com os pés não é para todos, não se iludam. Muito menos fazê-lo com tamanha naturalidade.
Kevin não é comparável a qualquer outro Pelé que não tenha nascido ruivo e mesmo que só a nível mental ocorra essa ginga capaz de descer slalons gigantes em drible reconhecida aos Zicos e Cruijffs da nossa idolatria, esses dignos sucessores do mais famoso filho de Três Corações, aquele cabelo cor de cenoura não escapa à associação que estes de bom grado aceitaram.
São 11 assistências em 12 jogos e um City que ganha clarividência, parece recuperar o rumo e se empolga novamente. Com ele, o Haaland exterminador volta a ser implacável e o I’ll be back resmungado é agora repetido após cada golo, como se ele próprio não fizesse ideia de como parar. A decisão sobre as suas ações deixou de ser sua, é o belga quem manda. E ele o robô indestrutível que obedece a punhos de marioneta.
Um passe de De Bruyne é uma inevitabilidade pronta a acontecer, um furacão num dia sem vento, que se levanta de debaixo dos pés de um Tsubasa de carne e osso, pronto a levar tudo à frente, o goleador incluído, até à linha de golo. É o punch line de uma boa história. A moral de uma lenda. Uma obra de arte digna do Louvre.
O corpo tem-no desiludido, cedendo em momentos que o poderiam ter elevado ainda mais, ao ponto de quase conseguir bater às portas do Olimpo. E em nenhuma vez foi o cérebro, mas sim os outros músculos a ceder, aliando-se aos deuses do azar ao jogo, ciumentos do papel que o primeiro ganhou na sua vida.
Exercitados como sempre, os seus neurónios chegaram rapidamente a um consenso sobre o não dito aos milhões de petrodólares que ameaçavam chover desde a Arábia Saudita, do Al Hilal de Jorge Jesus. Sabe que a Europa ainda não se cansou dele e que ele próprio ainda tem a descobrir inúmeros caminhos ainda não desbravados até o golo. Talvez venha mesmo a fazê-lo um dia no meio do deserto, tornando-se no maior descobridor de oásis da história, mas esperemos que não seja tão cedo, mesmo aos 32 anos e a um ano do final de contrato com os citizens.
Daqui a décadas, talvez o encontremos ao virar da esquina, já velho sábio, de barba branca e vestes de eremita, a dar conselhos às gentes sobre as grandes decisões da vida."

«Ensaio sobre a estupidez»


"«Vi jovens com braços e pernas amputadas, mas nada se compara à visão de mente amputada. Para isto não há próteses». Al Pacino em ‘Perfume de Mulher’

Trânsito parado junto à Ponte 25 de Abril. Um condutor com automóvel grande procura meter-se num espaço onde eu duvido que coubesse um Smart. Fiquei a apreciar o prato, esperando um qualquer ato de ilusionismo, mas a física foi mais forte que a magia e o atrevido chocou de lado com outro veículo que estava parado. Por sorte, a física a cinco quilómetros por hora não dá para grandes estragos.
O candidato a ilusionista, percebendo que estão duas mulheres de meia idade no outro veículo, sai do automóvel e insulta-as com a indignação do macho latino que ainda acredita que o lugar delas é na cozinha. Acreditou que as duas mulheres cairiam em si e pediriam desculpa pela ousadia de terem saído de casa, mas mediu mal os insultos à condição feminina e não contou que aquelas duas mulheres há muito tivessem posto no caixote do lixo o calendário do ano da graça de 1234. Saíram ambas do automóvel e brindaram-no com um belo par de estalos! E ficou a saber-se que o homem tinha mais jeito para os 100 metros fuga do que para o ilusionismo... Por momentos, naquele trânsito, deixei de ouvir buzinadelas e só ouvi gargalhadas. Não consegui agradecer às senhoras.

Ninguém consegue calar Gigi Becali?
Lembrei-me deste incidente que testemunhei há alguns anos ao ler a notícia de mais um destempero de Gigi Becali, o presidente do FCSB — antigo Steaua de Bucareste, da Roménia —, cujo único favor que nos presta é lembrar-nos que em matéria civilizacional temos ainda um longo caminho a percorrer. A prova de que todo o ser humano é útil, se não servir para mais nada pode servir para mau exemplo…
Gigi Becali não gostou do trabalho do VAR no jogo com o Botosani, do campeonato romeno. O FCSB até o venceu, mas terminou o jogo com nove jogadores devido a duas expulsões. E culpou o VAR, no caso Cristina Trandafir.
«Quando colocas uma mulher no VAR e é ela quem diz que é cartão vermelho… Como pode uma mulher aproximar-se de um homem para tomar decisões? Está tudo maluco?», atirou Gigi Becali. Eu aqui tenho de concordar… O mundo só pode estar maluco por ainda termos de lidar com personagens como Gigo Becali! A prova que só dois tipos de homem lidam mal com decisões tomadas por mulheres: os misóginos e os incompetentes.
[Pena não ter ficado com o contacto das duas senhoras da ponte 25 de Abril...]
Se tivesse ficado por aqui, Gigi Becali já teria feito de si má figura o suficiente, mas como o homem há muito perdeu a noção do que é o ridículo — hoje estou a usar muitos eufemismos — decidiu dizer mais: «O jogo é arbitrado por homens. E ela, coitada, não percebe. Se ela tivesse inteligência… mas é mulher. Como pode uma mulher dizer a um homem que ele é burro e ela é que é inteligente?».
Uma boa pergunta… E como até um relógio parado tem razão duas vezes por dia, de facto uma mulher não pode dizer a um homem que é um burro. Está provado cientificamente que o burro é um animal inteligente e, acima de tudo, de grande caráter.
Gigi Becali gastou imenso latim para resumir tudo numa frase: «Se é mulher… fique em casa.» Para completar o ramalhete, só faltou mesmo acrescentar que a mulher só deve dirigir-se a um homem em três situações: perguntar se quer uma cerveja; informar que o almoço está pronto; reiterar que… não lhe dói a cabeça!
Mas atenção, Gigi Becali garante que ama as mulheres. Que daria a vida pela esposa e filhas. Perdoem-me o humor negro, mas então porque é que não dá?

E se o VAR fosse negro?
Vasculhando um pouco, percebo que Gigi Becali é o cardápio completo da ementa dos horrores. Misógino, homofóbico, racista, xenófobo, intolerante.
Sabendo isto, vamos só fazer um pequeno exercício: em vez de uma mulher no VAR estava um árbitro negro. Peguem em tudo o que disse Gigi Becali e substituam a palavra mulher pela palavra negro e troquem a conclusão «se é mulher, fique em casa» por «se é negro, que fique na cubata…». A reação das pessoas seria a mesma?
No segundo caso até a FIFA já se teria metido ao barulho e as sanções seriam tão duras quanto justas. Ouviríamos muitos discursos, justos, contra o racismo. Mas no caso de Cristina Trandafir sinto tudo muito calmo.
O meu ponto é que, em matéria de civilização, não há valores de primeira e de segunda. Não podemos deixar a nossa capacidade de indignação depender da moda ou da capacidade dos discriminados fazerem ouvir o justo protesto contra a discriminação. Todas as formas de discriminação merecem igual nível de indignação.
Se o Gigi Becali acredita que o lugar da mulher é em casa; que lugar do negro é numa cubata em África; ou que o lugar do homossexual é num hospital psiquiátrico até se converter; eu tenho de gritar bem alto que o lugar do Gigi Becali pode ser em muitos sítios, menos o de convívio em sociedade… Se pensarmos bem, o mal da sociedade está menos nos energúmenos que dizem barbaridades e mais no silêncio dos homens justos.

'Homem Lendo Uma Carta a Uma Mulher'
Tal como não gosto de me deitar sem antes tentar resolver mal entendidos ou situações desagradáveis, não gosto de terminar uma conversa com notas tristes e negativas. Por isso, volto a olhar para uma obra prima do pintor Pieter de Hooch, que entre 1663 e 1665 pintou Homem Lendo Uma Carta A Uma Mulher. Como em qualquer forma de arte, cada um interpreta à sua maneira.
Eu vejo um homem submisso, gentil, cuidadoso, lendo mensagens de amor ou contando novidades… Mas o que me impressiona mais é o semblante da mulher. Sereno, embevecido, maternal, poderoso. Mas também algo condescendente. Porque a mulher mede-nos bem à distância. A a nossa sorte é a mulher ser generosa o suficiente para aceitar pagar por nós bem mais do que aquilo que realmente valemos."

Inimigos de ocasião


"Se a equipa está em crise, que se desvalorize, é fantasia do inimigo. Se alguém sente o ‘status quo’ ameaçado, que se valorize, é o inimigo

A propósito do aniversário dos 120 anos do Benfica e de um mergulho em edições antigas de A BOLA, um regresso a um passado ainda recente na longa linha do tempo mas, provavelmente, já esquecido pela larga maioria de nós suscitou reflexão que partilho.
Já vai a caminho dos 70 anos a inauguração do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, numa celebração para a qual contribuíram mais de três mil atletas de 54 clubes.
Portugal era um país atrasado, nesse ano de 1954 morreram 5.338 pessoas de tuberculose, das quais 656 crianças com menos de cinco anos, 29.943 portugueses (isto só números oficiais) emigraram para o Brasil, país que mais acolheu aqueles que deixaram Portugal em busca de uma vida melhor, havia 6.275 médicos e 3.095 enfermeiros no País e 34.942 beneficiários da Caixa Geral de Aposentações.
Estamos longe, aí concordamos todos, de sermos um país na linha de desenvolvimento humano, social, cultural e económico, mas o caminho do progresso foi-se fazendo.
Em 2021 ainda morreram 151 pessoas por tuberculose, ainda emigraram cerca de 12 mil pessoas para o Reino Unido (então o país que mais portugueses acolheu), em 2022 havia 60.390 médicos e 81.799 enfermeiros e 648.357 beneficiários da Caixa Geral de Aposentações.
Em 1954, o FC Porto foi o convidado de honra do Benfica para a inauguração do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, retribuindo a gentileza aos encarnados, que estiveram na inauguração, dois anos antes, do Estádio das Antas.
«O FC Porto prometera que viria à inauguração do Estádio do Benfica - e a gente do Norte não falta à palavra. Ei-lo em verdadeira massa, a desfilar perante milhares de benfiquistas agradecidos pela deferência. Foram 100 os atletas que desceram à capital», lia-se em A BOLA do dia 2 de dezembro de 1954.
O Sporting teve «a representação mais numerosa» e os leões «foram recebidos com vibrantes ovações e sinceros vivas». A Direção dos leões, presidida por Góis Mota, desfilou no estádio novinho em folha para «cumular a gentileza».
Se desapareceram alguns dos males de um país agrilhoado pela ditadura, também desapareceu, nalguns casos, o melhor do espírito desportivo.
O processo civilizacional, nos nossos dias, parece ameaçado, terá mesmo retrocedido, não apenas no Desporto mas também na política. Mas, voltando ao Desporto, que é disso que falamos, figuras que por cá andam há tanto tempo continuam a alimentar e reforçar práticas e mentalidades que casam pouco ou nada com os nossos dias.
Se há agressões e medo em assembleias gerais, que se desvalorize, até parece que se andou aos tiros, se a equipa de futebol está mal, que se desvalorize, são fantasias inventadas pelos inimigos, se alguém se sente ameaçado no status quo, então que se valorize, são coisas de inimigos.
São, no fundo, coisas de outros tempos. Há 70 anos talvez ninguém pensasse nelas. Veremos se demorarão muito a desaparecer. Já não teremos de esperar assim tanto para saber."

O coletivo e o individual no dérbi (e a afirmação incompleta do leão)


"Um balão para Gyokeres é um contra-ataque letal e uma bola na ‘canhota’ de Di María vale meio golo. O processo leonino continua sólido, mas podia ter dado empate

Um dérbi é um jogo à parte, todos o sabemos. Há quem mesmo diga que um dérbi é um dérbi e vice-versa, fechando o conceito como uma serpente que engole a própria cauda pela eternidade. Ouvimo-lo desde crianças e, por mais velhos que sejamos, nunca conseguiremos encontrar qualquer prova em contrário. Mais: quanto maior a grandeza das equipas que se defrontam mais se isola o dérbi que as opõe dos demais, mesmo que nesses haja rivalidade mais profunda e tenha deixado sedimentos resistentes nas ampulhetas da História.
Os onze jogadores que estão simultaneamente em campo formam um tecido coletivo, que quanto mais coeso mais impenetrável se torna ao que o rodeia. Só que existe sempre um contexto. O futebol é muito mais do que dois conjuntos em choque frontal. São 90 longos minutos, há níveis divergentes de confiança e de qualidade de atletas e técnicos, estratégias aproximativas ou disruptivas, bolas paradas e erros inesperados, incidentes e acidentes, dias bons e menos bons - todos os intervenientes são humanos - e ainda, claro, o fator sorte.
Por norma, a equação que melhor explica um jogo é aquela que lembra que os melhores definem melhor, logo estão mais perto de marcar, e a equipa que está mais perto de marcar também o estará de vencer. Ou seja, quando se tem melhores jogadores dificilmente o tecido coletivo lhes resiste. Curiosamente, o que se passou em Alvalade, não foi a equipa que todos reconhecem como a que mais talento possui a impor-se e sim a que parece ter o seu processo mais bem definido e consolidado, mesmo que por vezes este assente muito na capacidade de explosão de uma única unidade, Gyokeres, capaz só por si só de transformar um alívio para a frente numa transição de aspeto letal.
A explicação não é tão simples assim. Os encarnados reequilibraram na última meia-hora assentes nos seus mecanismos de pressão e contrapressão, que só resultam se forem coletivos, embora tenham tido a natural ajuda da definição de Di María, que assistiu para o 2-1 e, por pouco, não empatou a partida, numa jogada anulada por fora de jogo posicional de Tengstedt. E se o Benfica tem esse reconhecimento público de reunir melhores jogadores, o que dizer dos erros não forçados que se viram um pouco por todo o campo, com passes de risco que serviram de catalisadores para inúmeros contra-ataques leoninos, e péssimas abordagens que encaminharam o jogo para perto da baliza de Trubin?
Não é claro para mim que o Benfica tenha um onze muito melhor do que o do Sporting - ao contrário do plantel, em que aí sim a profundidade é evidente - e algumas unidades estão claramente abaixo do nível exigido para o estatuto da equipa que representam. Falo de Otamendi e a falta de noção na contenção de alguém tão físico como Gyokeres, ou de Rafa, que se virava sempre com a expetativa de ter um espaço que nunca lhe iriam dar, perdendo a bola, e até da descompensação de um grupo ao nível do lateral-esquerdo, que obriga Aursnes a fazer a posição apenas de forma sofrível quando a exigência naturalmente dispara e tem um adversário focado no espaço nas suas costas.
Parece-me, portanto, redutor que se ache que este Sporting seja apenas resultado do processo coletivo - e basta comparar esta equipa agora com Gyokeres com a do ano passado que não o tinha - e que o Benfica conte apenas com individualidades.
O Benfica até entrou melhor no encontro, embora por pouco tempo. Nesse período de 10 minutos, saiu sempre de forma limpa da pressão leonina e, por outro lado, manteve os leões em alerta na sua primeira fase de construção. No entanto, bastou um primeiro esticão para as costas de Aursnes para que a partida virasse. A partir daí, o Sporting foi melhor, muitas vezes muito melhor, e esticou esse controlo até à hora de jogo. O golo de Gyokeres teve essa consequência, depois de as águias entrarem com ideias mais firmes após o intervalo.
O conjunto de Rúben Amorim falhou, no entanto, o knockout e ficará por se saber o que teria acontecido se o 2-2 tivesse sido válido, numa altura em que chegou a parecer, tal como o rival antes disso, um castelo de cartas a desmoronar-se. É um grande se, todavia o momentum tinha mudado de lado.
A entrada de Morato não resolveu os problemas defensivos, porém ajudou a que Aursnes ganhasse influência no ataque pelo lado contrário. O mesmo aconteceu com Di María na esquerda, onde não estão os seus terrenos preferidos porque daí não consegue atirar à baliza, mesmo que tenham sido esses os canais por onde desbaratou a defesa francesa na final do Campeonato do Mundo e também por ali se aproxime mais da zona de decisão. A partida começou a virar com o argentino a dar largura e a apontar os cruzamentos para o vazio entre Israel e a sua defesa. E podia ter chegado.
Coube a António Silva contrapor o posicionamento mais agressivo por parte do Benfica com uma vigilância tremenda a Gyokeres. O jovem central português escreveu um tratado sobre como conter o melhor avançado do campeonato. Um exemplo que deveria ter sido copiado e aplicado logo a começar pelo colega do lado.
Atrás, mas como menos um jogo realizado e ainda com uma receção ao Benfica na luta pelo título, o leão perdeu uma oportunidade de afirmação que o 2-1 não lhe garante. Primeiro, porque na meia-final, as águias saem vivas de Alvalade. Depois, não é resultado que pareça abalar animicamente o rival para o clássico do Dragão, no qual o Sporting também é particular interessado. E, por fim, os da Luz até podem alegar a sensação, porque é sempre a última que fica, que poderiam ter ferido o conjunto de Amorim nesta primeira mão.
Havia muito mais do que um simples jogo a disputar esta noite. Pelo domínio que teve, o Sporting falhou a totalidade da mensagem, mesmo ganhando. Já o Benfica volta a resistir, mantém-se na luta e pode agora pensar no Dragão."

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Taça...

Quezada: Gelada - Bruno Andrade...

Tailors - Final Cut - António Barbosa...

Vota...

Eliminatória em aberto


"Nesta edição da BNews, o destaque recai na 1.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal disputada entre Benfica e Sporting. A desvantagem mínima na eliminatória (2-1) remete a decisão para a Luz. E também o lucro de 18 milhões de euros apresentado pela Benfica, SAD relativo ao 1.º semestre da presente temporada.

1. Decisão remetida para a Luz
Na opinião de Roger Schmidt, houve duas partes distintas e as meias-finais estão por decidir: "Na primeira metade, na frente não estivemos dentro do jogo. Na segunda parte, com o 2-0, estivemos bem, ganhámos duelos decisivos e foi assim que nos mantivemos em jogo. Marcámos o primeiro golo, depois o segundo, com dois bons momentos de ataque, mas, infelizmente, o árbitro invalidou. Mostrámos uma boa mentalidade e estamos em jogo."

2. O caminho para a final passa pela Catedral
João Mário considera que "está tudo em aberto" e revela o estado de espírito do grupo de trabalho em relação à contenda: "Temos um jogo em casa para tentar reverter a situação, para conseguir chegar à final da Taça de Portugal. Estamos confiantes."
O autor do golo validado do Benfica, Aursnes, considera que "foi um jogo duro entre duas boas equipas" e refere que "a primeira parte [da eliminatória] está terminada, e agora falta mais um jogo".

3. Lucro de 18 milhões de euros
Nos resultados apresentados pela Benfica SAD relativamente ao 1.º semestre de 2023/24, sobressai o lucro de 18 milhões de euros registado, os 106,4 milhões de euros de rendimentos operacionais (excluindo transações de atletas), o que corresponde ao segundo melhor desempenho de sempre nos primeiros seis meses, os 180,4 milhões de euros de rendimentos totais, o crescimento do ativo em 2,8% acompanhado de uma redução do passivo de 0,6% e o reforço dos capitais próprios para cerca de 131 milhões de euros, um incremento perto dos 16% relativamente ao final do exercício anterior.

4. Triunfo em Espanha
Já apurado para os quartos de final da WSE Champions League de hóquei em patins, o Benfica ganhou na última jornada da fase de grupos, por 0-3, no rinque do CP Calafell.

5. Jogo do dia
Há dérbi de voleibol no feminino com o Sporting, às 19h30, no Pavilhão João Rocha.

6. Agenda de sábado
A equipa B de futebol visita o Feirense às 14h00. Em basquetebol, o Benfica joga no reduto do Imortal (15h00) e a equipa feminina recebe, à mesma hora, o Galitos. Em voleibol, os encarnados têm encontro marcado em casa do Castêlo da Maia (17h30). No andebol, deslocações ao ABC com início marcado para as 15h00 no masculino e ao Gil Eanes às 18h00, no feminino. A equipa feminina de futsal atua no pavilhão do Tebosa (18h00).

7. Momento de história
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV."