Últimas indefectivações

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

O abominável futebol nas neves

"Lisonjeira a derrota por apenas 2-1 do Benfica na Ucrânia frente ao Shakhtar perante 90 minutos de tão pouco futebol. A eliminatória está em aberto, mais culpa do desperdício da equipa de Luís Castro do que dos méritos de um Benfica inofensivo na frente e errático na defesa

Faz frio por estes dias na Ucrânia, o campeonato está parado, paredes de gelo e neve adornam as laterais dos relvados que não vêem ação vai para dois meses. Também faz frio por estes dias no futebol do Benfica, um frio cortante nas últimas semanas, aliás, e é possível que a derrota por 2-1 trazida de Kharkiv, a Donetsk emprestada, seja um resultado lisonjeiro, tal a superioridade do Shakhtar, principalmente na 2.ª parte. Um Shakhtar que, recordemo-nos, não jogava de forma oficial há um par de meses e que mesmo assim ganhou o duelo físico e tático à equipa portuguesa.
Depois de uma 1.ª parte jogada a ritmo quase tão baixo quanto a temperatura, mas em que o Shakhtar foi quase sempre a equipa com mais iniciativa, o início da 2.ª parte colocou desde logo o Benfica em grandes apuros. Mesmo sem esplanar em campo o seu habitual jogo de posse a toda a largura do campo, foi logo imediatamente a seguir ao regresso dos balneários que equipa ucraniana teve mais facilidade em trotar meio-campo defensivo do Benfica adentro, face a geral apatia encarnada. Aos 46’, Junior Morais aproveitou um erro de abordagem de Ferro para rematar, com Vlachodimos a salvar. Cinco minutos depois, foi a vez de Tomás Tavares falhar um corte, com Ismaily a rematar cruzado, rente ao poste.
Não foi à primeira, não foi à segunda, seria à terceira: aos 56’, com todo o espaço do mundo, o ataque do Shakhtar teve autorização para trocar a bola, com Alan Patrick, à entrada da área, a rematar em jeito, colocadíssimo junto ao poste esquerdo de Vlachodimos.
Com o golo do Shakhtar, vislumbrou-se uma tímida reação do Benfica, que aos 67’, graças a uma boa jogada individual de Tomás Tavares, ganhou uma grande penalidade que Pizzi converteu.
Mas os erros individuais voltariam para assombrar o Benfica: aos 79’, Rúben Dias perdeu o duelo corpo-a-corpo com Taíson junto à linha de fundo, o brasileiro deixou para Junior Moraes que de forma imediata cruzou para Kovalenko. O ucraniano rematou cruzado, fora do alcance de Vlachodimos, deixando o Shakhtar de novo com uma vantagem merecida e até escassa face ao futebol quase sempre paupérrimo do Benfica em termos colectivos e aos inúmeros erros individuais, com Florentino, Tomás Tavares, Ferro e Rúben Dias a comprometerem.
À equipa de Luís Castro faltou mais cabeça fria no último terço. Com ela, talvez o Benfica tivesse saído de Kharkiv com a eliminatória definitivamente perdida. Mas o golo de Pizzi, de grande penalidade, num dos poucos remates enquadrados do Benfica durante todo o jogo, dá uma hipótese de redenção à equipa de Bruno Lage. Mas, em Lisboa, é preciso fazer muito mais para a merecer."

Benfica – Curtas, Noite fria na Ucrânia

"Regresso da Europa para o Benfica, e sem que os encarnados se tenham conseguido dissociar do difícil momento interno que atravessam

1º parte
- Benfica no seu habitual 442, com Pizzi a fazer de segundo avançado, e Chiquinho no corredor – Provavelmente por não conseguir o transmontano garantir segurança nos momentos defensivos. Pizzi e Seferovic tentaram sempre fechar o espaço nas suas costas, para que o jogo interior do Shakhtar fosse desde cedo interrompido. Apesar disso foi sempre a equipa de Luís Castro quem foi protagonista, saindo desde trás ligando fases de forma consecutiva;
- Dificuldade do Benfica para chegar e encontrar os seus jogadores mais avançados, sobretudo entre criação e finalização, contando apenas com um remate de Pizzi na 1ºparte, em mais uma exibição pobre em termos de criação;
- Em momento de organização defensiva, Benfica sempre muito curto, linhas juntas, sem muito espaço entre linhas, mas demasiado passivos a encurtar distancias na portador da bola – para além de demasiado frágeis nos duelos… Defender não basta estar bem posicionado se no bom posicionamento não há imposição;
- Demasiado evidente o momento menos bom que Ferro atravessa, sendo demasiado fácil passar por ele, voltou a demonstrar enormes dificuldades quando adversário está em 1×1. enquadrado e em progressão em velocidade;

2ºparte
- Shakhtar mais rápido a circular bola, e com os seus jogadores a recorrerem a mais momentos de condução e drible, com isto os jogadores do Benfica foram demasiadas vezes ultrapassados, obrigados a coberturas sucessivas ao colega ultrapassado e acabaram por suceder oportunidades para finalização por parte dos Ucranianos – Diferença muito notória no talento individual dos diversos jogadores das duas equipas;
- A equipa de Luís Castro , sempre mais competente em org ofe, mas foi através de mais um erro individual que chega ao 2-1, com Rubén a facilitar num lance nada habitual no central do Benfica. 

Destaques
- Alan Patrick – demasiado fácil jogar com ele, encontra soluções, têm chegada apra finalizar, um verdadeiro médio completo;
- Chiquinho – chamado ao corredor, foi sempre dos mais equilibrados, ajudando Tomás, e com critério para sair quando ganhava bola;

Resumo
- É urgente uma revisão da matéria, na equipa de Lage, 4 jogos com exibições menos conseguidas, que ditam resultados que já não se viam algum tempo. Numa fase critica da época, é um Benfica desequilibrado e com demasiados erros individuais, e muita passividade. Será uma tarefa árdua reverter a desvantagem no Estádio da Luz."

FK Shakhtar 2-1 SL Benfica: Derrota gelada que não apaga a esperança

"Não há como escapar. Em Kharkiv o Sport Lisboa e Benfica deu seguimento a mais um ciclo de maus resultados e más exibições. O resultado não é definitivo e abre espaço para o apuramento em pleno Estádio da Luz mas é uma derrota que poderia ter sido bem mais pesada. Independente das escolhas de Bruno Lage para o 11 titular, o que há a evidenciar são as fragilidades do colectivo encarnado que se têm reflectido jogo após jogo.
A primeira-parte trouxe-nos um jogo mais equilibrado com algum ascendente da equipa do FK Shakhtar. Ambas as equipas procuraram ter bola, procuraram construir jogo e evitaram correr riscos. A equipa de Luís Castro foi mais competente neste momento do jogo principalmente por conseguir ter um processo defensivo melhor trabalhado, o que levou a que o SL Benfica só perto do intervalo tivesse conseguido chegar com algum perigo, através de um lance de Pizzi, à baliza de Pyatov. O intervalo trouxe um nulo e uma sensação que se assim que os ucranianos acelerassem as redes encarnadas iriam balançar.
A segunda-parte trouxe-nos velocidade. Durante largos minutos a defesa encarnada teve imensas dificuldades em parar o jogo mais dinamico do FK Shakhar. Mais velocidade na pressão, mais velocidade na troca de bola e maior velocidade nas incursões na defesa encarnada. Vlachodimos salvou enquanto pôde e até não poder mais. Foram 10 minutos até Alan Patrick colocar a equipa da casa em vantagem. Um resulto justo para o que se passava em campo. A equipa encarnada tentou reagir, tentou subir as linhas mas não mostrou grandes qualidades para melhor o seu jogo. Mesmo assim, numa boa jogada de Tomás Tavares, Cervi acabou por ganhar o penalty que Pizzi concretizou para o empate. Um empate que durou 6 minutos até naturalmente surgir o golo da vitória do FK Shakhtar desta vez concretizado por Kovalenko.
Uma vitória justa, uma derrota que poderia ser mais pesada, uma exibição preocupante e uma eliminatória que continua totalmente em aberto. Foi um SL Benfica pouco criativo, com evidentes fragilidades defensivas e somente reactivo ao estado do marcador. Foi um Shakhtar notavelmente ainda à procura de encontrar o seu futebol, com qualidade colectiva e individual mas ainda sem a intensidade que é dada pelo ritmo competitivo.

A Figura
Ismaily Esta é uma distinção muito metafórica. Ismaily fez um excelente jogo e é interessante ver um nome que já andou na segunda linha portuguesa a jogar desta forma a nível internacional. Por outro lado foi a imagem tanto da sua equipa como um exemplo daquilo que também tem faltado ao Benfica – o Grimaldo capaz de fazer a diferença no ataque. Ismaily quando aumentou a velocidade do seu jogo fez abanar todo o lado direito da defesa encarnada. Ismaily ao contrário de Grimaldo, e sem precisar de guarda-costas, conseguiu constantemente criar desequilíbrios na defesa adversária – coisa que o espanhol tão bem fazia antes de andar tão condicionado. E apesar da qualidade ofensiva ainda foi capaz de manter o seu lado defensivo controlado.

O Fora de Jogo
FlorentinoVários jogadores tiveram uma exibição muito apagada. O Seferovic não apareceu em jogo. O Rúben Dias teve dois erros crassos no lance do 2-1. Florentino não foi pior que os seus colegas mas representou muito daquilo que falhou no jogo do Benfica. Um meio-campo mal trabalhado e no qual este médio-defensivo se sente completamente limitado na ocupação do espaço. Um processo defensivo que permite constantemente um buraco central em frente aos centrais. Uma tremenda falta de criatividade na posse de bola com o Florentino a ser mais um incapaz de segurar a bola e desequilibrar com passes inteligentes e de ruptura. O motor da equipa, o meio-campo, a falhar tanto no processo defensivo como no processo ofensivo. 

Análise Táctica – FK Shakhtar
Luís Castro não apresentou grandes surpresas. Lançou o 4-3-3 esperado e tentou colocar em campo o jogo que já lhe é conhecido. Dois laterais ofensivos a dar largura para os dois virtuosos extremos se soltarem nos seus movimentos. Um ponta de lança em sintonia com as incursões dos virtuososo vindos das alas. Dois centrais com qualidade na primeira fase de construção e devidamente apoiados pelo médio defensivo. E dois médios com qualidade para distribuir a bola, criar apoios e aproximarem-se das zonas de finalização. Marlos e Tyson são os dois craques desta equipa e bem sustentados foram sempre colocando a defesa encarnada em sobressalto.
Notou-se uma FK Shakhtar ainda sem grande capacidade de pressão e aceleração, principalmente para 90 minutos de jogos. Abordaram o jogo de uma forma mais cautelosa e dando mais importância à circulação da bola mas quando aceleraram, na procura do golo, foi quando a qualidade dos seus atacantes destruiu definitivamente a defesa montada por Bruno Lage.
11 Inicial e Pontuações
Pyatov (5)
Bolbat (5)
Krivtsov (6)
Matviienko (6)
Ismaily (8)
Stepanenko (7)
Alan Patrick (6)
Kovalenko (6)
Marlos (8)
Taison (7)
Júnior Moraes (8)
Subs Utilizados
Marcos Antônio (5)
Konoplyanka (-)
Tetê (-)

Análise Táctica - SL Benfica
Bruno Lage não surpreendeu apesar das novidades no 11. Sim, digo-o sem qualquer dúvida – Bruno Lage é neste momento um treinador à deriva. Não se percebe o que procura do jogo, as suas escolhas não favorecem o estilo de jogo que a sua equipa parece pretender praticar e as suas palavras não alinham com o fruto do seu trabalho – o treino. O SL Benfica actuou com o seu já usual 4-2-3-1 onde se insiste na ideia que o extremo da equipa deve jogar defensivamente de forma a proteger o seu lateral. A verdade é Cervi não lança Grimaldo, Cervi condiciona-o.
Quem tem de compensar as subidas do lateral é o médio e o central, algo que não acontece. Um 4-2-3-1 onde o médio mais defensivo tem o seu raio de acção perturbado. Um 4-2-3-1 onde os laterais não dão profundidade e os extremos não dão velocidade ao ataque. Um 4-2-3-1 com o melhor jogador da equipa no banco – Rafa. Um 4-2-3-1 com o melhor ponta de lança e o matador na equipa também no banco – Vinicius. A entrada de Seferovic no papel dá-nos a ideia que Bruno Lage procurou favorecer um futebol de apoio com entrados em tabelas pelo centro do terreno. Mas depois deixa Rafa no banco e remete Cervi para um papel mais defensivo.
Enquanto os ucranianos mantinham um ritmo de jogo mais reduzido a equipa de Bruno Lage foi mostrando intenções de também ela controlar a bola e construir com paciência o seu jogo – mas com total falta de laivos criativos para abrir a defesa adversária. Quando a equipa de Donetsk resolveu atacar com maior determinação a equipa encarnada abanou toda.
11 Inicial e Pontuações
Odysseas Vlachodimos (7)
Tomás Tavares (6)
Rúben Dias (3)
Ferro (4)
Grimaldo (5)
Florentino (3)
Taarabt (5)
Pizzi (6)
Chiquino (5)
Franco Cervi (5)
Seferovic (4)
Subs Utilizados
Vinicius (5)
Rafa (-)
Samaris (-)"

Benfica After 90 - Shakhtar...

Em dia em que se aprovou a eutanásia, eles ficaram todos...

“É difícil curar ou mudar um racista, mas isto tem de deixar de ser normal, já não estamos para papar estas coisas”

“O que aconteceu com o Marega lembrou-me o que ocorreu no Estádio da Luz, num jogo entre o Benfica e o Barcelona, em 2006. Estava com o meu irmão e um grupo de amigos atrás da baliza do Benfica e mal o jogo começa, um grupo que estava ao pé de nós começa a imitar o som de macacos sempre que o Eto’o – que jogava no Barcelona na altura - tocava na bola. Eram pessoas normais, adultos. E não eram das claques. Dissemos-lhes para pararem com aquilo, que não era fixe. E eles responderam que faziam o que quisessem. Em menos de nada começou tudo à batatada e eu agarrei-me a um gajo que se agarrou a mim, caímos para o lanço de baixo da bancada, ele cai por cima de mim e desloquei o ombro. Nunca mais ficou bom e tive de ser operado. Aquilo não durou mais de cinco minutos mas não vi nada do jogo porque tive de ir para o hospital.
Infelizmente, por aquilo que tenho visto, especialmente em campeonatos como o de Itália ou da Rússia, a situação do Marega não me surpreendeu totalmente. O mais espantoso é que em vez de terem sido quatro ou cinco adeptos ter sido tanta gente a ter aquele comportamento. Ele fez o que tinha de fazer e as pessoas têm de perceber que este tipo de comportamento tem de ter consequências graves para quem os comete. Foi mais do que antidesportivo, foi mesquinho e vergonhoso, de uma baixeza incrível. E o Marega não esteve para estar ali a suportar aquilo. Fez bem.
Espero que alguma coisa mude depois disto e que os adeptos que imitaram macacos sejam identificados e castigados. Estamos em 2020, há câmaras por todo lado e se quiserem as autoridades podem identificar os responsáveis. Não digo que sejam banidos para sempre do futebol, mas por uns bons anos sim. Porque não?
Sabendo que existe muito racismo no futebol, como em toda a parte, também acredito que nem todos os que imitam macacos sejam racistas. Eu fui criado num ambiente machista em que era normal fazer piadas sobre gays e se quero ofender um gajo chamo-lhe paneleiro e não sou homofóbico. Por outro lado, não uso esse termo para ofender gratuitamente um gay. Alguns portugueses brancos também foram criados num contexto em que era normal fazer piadas sobre os pretos burros. Eu lembro-me que o Samora Machel morreu e no dia seguinte já se contavam anedotas na escola. Isso não faz de todos racistas, mas o chip está lá.
Para o Marega, ou para quem seja alvo daquele comportamento, isso não faz diferença nenhuma. Vai sentir-se sempre alvo de um insulto racista, com razão para tal, e tem de haver uma sensibilização forte para isto. É difícil curar ou mudar um racista mas isto tem de deixar de ser normal. É inadmissível e já não estamos para papar estas coisas. Tem de parar.”

Violência (no desporto ou fora dele): da inaptidão pessoal à validação social

"O inicio de Fevereiro trouxe, novamente, para o grande palco dos media, o tema da violência e da agressividade no Desporto - muito em particular no futebol (mais recentemente, em direcção a um atleta em particular), mas afinal um tema da sociedade em geral.
Seja qual for o contexto a considerar, na realidade estamos sempre a falar de um exercício de poder e dominância – alguém que de forma manifesta ou subliminar (entenda-se a “agressividade passiva” que passa nas “entrelinhas” mas cumpre o propósito de atingir alguém, muito frequentemente, num exercício de manipulação psicológica) procura impactar o comportamento do outro na forma de subjugação (a curto, médio ou longo prazo – aqui, se estivermos a falar na forma dissimulada que a manipulação pode assumir).
Curiosamente, o impulso agressivo, tal como podemos encontrar nos manuais mais antigos da Psicologia enquanto disciplina científica, cumpre o propósito de garantir a sobrevivência das espécies – com ele se molda o meio, se mata para comer e se adapta para fazer face às diferentes adversidades do contexto.
Por esta razão, não é de facto algo que se pretenda “banir”, mas sim que se aprenda a dirigir de forma construtiva para propósitos concretos, através de um adequado controlo (que pode e deve ser aprendido) dos impulsos ditos “agressivos”. Daqui se pode compreender que, confundir este tipo de expressão com a agressividade e violência gratuita, é o maior dos erros.

A Inaptidão Pessoal
Acontece que cada vez mais se observa um afastamento dos nossos instintos mais primários, onde, tal como se pode observar nos animais ditos “irracionais”, se faz uso do impulso agressivo como um “meio” de sobrevivência (portanto, um meio para um fim específico e, em boa verdade, legítimo), passando a usá-lo como um “fim” em si próprio, que se traduz na agressividade e violência gratuita, que só cabe existir em quem, acima de tudo, acaba por mascarar a enorme fragilidade que sente (sob a forma de auto-estima deficitária e/ou uma noção de competência pessoal, nas diferentes áreas de vida, baixíssima) numa espécie de “coreografia” de dominância – afinal, a única que conhece.
Os comportamentos de violência, de agressividade e de falta de respeito pelos direitos dos outros (humanos ou animais) encontram-se, desta forma, indubitavelmente associados, desde os tempos mais ancestrais, ao exercício de alguém que é deficitário na sua capacidade de regular as emoções que sente, muitas vezes sob a forma de Medo e encontra, por tudo isto, numa sociedade que privilegia o conhecimento técnico e tecnológico, a anestesia ou a hiperadrenalina como os únicos “estados emocionais” (que não o são) reconhecidos, terreno fértil para se alastrar rapidamente, como de se um incêndio de verão se tratasse.

Validação Social - Ferramenta de Aprendizagem
Em Portugal, desde há já alguns anos que este tipo de tema vem à praça pública sob forma de debates ou tentativas de medidas de coação que, em boa verdade, se percebe muito rapidamente que não estão a cumprir a sua função – se assim fosse, dificilmente veríamos dois fantoches “enforcados” numa ponte (em clara alusão à equipa de arbitragem e equipa adversária) antes de um grande dérbi nacional, como sucedeu recentemente.
Fenómenos destes e outros (como lançar tochas) acontecem por duas razões:
1) porque podem acontecer, ou seja as medidas de coação não estão a ser eficientes e...
2) porque recolhem validação social seja entre pares ou até nos media que garantiram tempo de antena (e de promoção) por tempo suficiente, para que daqui possa resultar uma noção interna distorcida de “dever cumprido”.
Compreender, contudo, a natureza destes comportamentos (por exemplo, os agora identificados), não é tarefa fácil pois, na realidade, este tipo de “produto” que a sociedade produz, resulta de uma ação global, onde todos temos um papel e uma cota alargada de responsabilidade – seja por participação, seja por conivência, ao não falar e não actuar na direcção contrária.
Alguns exemplos apenas:
- desde a criança que levanta a mão à avó ou mãe e o meio reage com complacência;
- à risota que surge quando essa mesma criança puxa a cauda ao gato ou pontapeia o cão, num claro exercício de instrumentalização de um ser vivo sem empatia pelo sofrimento que possa estar a causar, e a família reage com um “estava a brincar”;
- ou quando responde aos pais ou professores e a consequência surge com um “coitadinho, está com sono”;
- quando se escolhe educar para a competitividade com outro e não consigo próprio (no desporto, na escola com os tão afamados “quadros de honra”);
- quando um colega de turma está a ser vítima de bullying e é mais “cool” ficar do lado do agressor que até é um(a) tipo(a) que diz umas piadas com graça;
- quando o percurso académico valoriza apenas competências cognitivas e não de inteligência emocional, empatia, solidariedade e comunidade;
- quando numa mesa entre amigos alguém se torna mais abusivo a comunicar e o grupo não regula de imediato esse comportamento não permitindo a sua expressão achando apenas que “ele fica assim com uns copos”;
- quando assumimos ainda que “entre marido e mulher não se mete a colher” e, perante a evidência de comportamentos abusivos, escolhemos “fingir não ver”;
- quando nas empresas o director que leva o prémio mais “chorudo” para casa é o que reúne a sua equipa em exercícios de gritaria e humilhação sem fim ou quando pretendemos que colaborem entre si e saibam trabalhar em equipa mas as avaliações de desempenho reflectem apenas o comportamento individual;
- quando observamos nas redes sociais figuras públicas (via media ou rede digital) incitarem o ódio e a agressividade desresponsabilizando-se de todo (ou não tendo a mínima noção) do impacto que possam ter em quem os segue;
- quando se assiste, em prime time, a debates televisivos onde quem grita mais é quem tem mais “likes” (da estação e da audiência) ou, em última análise, até debates na Assembleia onde a falta de respeito impera em muitas apresentações que, por exemplo, deveriam ser imediatamente cessadas. 
Enfim... um sem número de exemplos, todos eles à nossa volta diariamente onde, não intervir é ser conivente e tornar aceitável cada um deles.
Não intervir é, por esta razão, Validar.

Soluções?
Em boa verdade, com os meios tecnológicos necessários, que possibilitem um maior controlo sobre o comportamento das massas, é possível que a violência nos recintos desportivos possa vir a ser correctamente sancionada e ver diminuída a sua expressão, tal como se observou com as medidas implementadas face ao hooliganismo em Inglaterra – para tal, importa que clubes, federações, forças policiais e os diferentes organismos do estado possam reunir à mesma mesa (como o têm feito, talvez de uma forma ainda um pouco "tímida" e pouco colaborativa), no sentido de encontrar medidas verdadeiramente eficientes, do ponto de vista da regulação.
Mas este é um fenómeno muito maior. Extravasa o desporto, ou melhor, encontra-se enraizado na cultura e sociedade em geral, sendo o desporto apenas mais um campo da sua manifestação e que, na realidade, até contribui para que a sua visibilidade aumente e que possam ser consideradas medidas mais abrangentes.
O exemplo do sucedido com o atleta do FC Porto foi mais um exemplo disto mesmo, onde a falta de empatia e solidariedade, a falta de noção de “tribo” e comunidade se viu reflectida num atleta que abandonou sozinho um campo de futebol, permanecendo os restantes atletas em campo (sendo, portanto, “coniventes”). Colegas de equipa que, face ao evento, não tiveram o discernimento de se solidarizar, colegas de profissão (da equipa adversária) que também validaram este tipo de actuação ao não interromper de imediato a sua participação no jogo, adeptos de ambas as equipas que assistiram passivamente a todo este “circo”.. – enfim, todo um conjunto de pessoas que, em boa verdade, validaram no momento um comportamento (racismo) que, imagine-se, em contexto de redes sociais, certamente recriminaram.
A discriminação (entre raças, géneros, de classes, espécies, orientações sexuais, politicas ou religiosas) é tão somente uma “arma” de arremesso e subjugação que uma cultura que teme a diferença teima em promover, muitas vezes, até com a exibição de um “orgulho doentio” que mais não é do que a manifestação da maior das fragilidades: a falta de amor e respeito por si próprio, que só pode terminar na falta de respeito pelo “Outro”.
É na realidade, um “exercício de pequenez”, mas um exercício que pode e deve ser resolvido se enquadrado devidamente na sua verdadeira expressão: gerado geracionalmente por uma cultura que se instalou de forma involuntária e inconsciente, só pode ser combatido com medidas que transcendam todos os sectores da sociedade (do nosso lar, às escolas, clubes, empresas e organismos estatais e outros), também elas geracionalmente planeadas (logo, com expressão a curto, médio e longo prazo) e socorrendo-se de equipas multidisciplinares onde os egos não disputem uma melhor solução a curto prazo, mas sim estabeleçam como missão a possibilidade de vir a encontrar um conjunto de medidas e estratégias sistematizadas que possam erradicar este tipo de comportamentos do DNA de Portugal e dos Portugueses.
Este não é um tema de solução nem fácil nem rápida e, não sendo encarado desta forma, lamentavelmente, o “basta” de Marega será apenas mais uma “moda viral” que, com a brusquidão com que surgiu, também desaparecerá."

Tóquio 2020: estamos preparados!

"Faltam 153 dias para Tóquio ver acender a chama olímpica pela segunda vez na sua história.
O que nos move, o que nos entusiasma na participação de Portugal é concretizar o sonho, a ambição de muitos atletas, de técnicos, de dirigentes que tanto se empenham em confirmar as suas credenciais desportivas numa competição tão especial, que ultrapassa em muito, quer no plano mediático, quer no reflexo das respectivas carreiras, os Campeonatos do Mundo das respectivas modalidades.
Há poucos dias, Helena Cunha, uma atleta olímpica de Ginástica que participou nos Jogos de Roma de 1960, dizia que tinha o sonho de ir aos Jogos Olímpicos desde os oito anos. Esse sonho, mesmo numa altura em que o mediatismo dos Jogos não era o mesmo, era alimentado pelos valores do respeito, da amizade e da excelência. A sua concretização é recordada por todos os atletas olímpicos como o momento mais marcante das suas vidas desportivas.
Em 1960, as aldeias olímpicas ainda eram diferentes para mulheres e homens. O aprofundamento da relação entre os povos, um dos princípios de Pierre de Coubertin, inspirava atletas e colocava o acento tónico no romantismo da participação, mas premiando a competição.
Seguindo a evolução dos tempos, e com o reforço financeiro adequado, a preparação olímpica portuguesa para Tóquio 2020 tem seguido os objectivos a que atletas, treinadores, federações e Comité Olímpico de Portugal se propuseram.
Estamos, por isso, preparados para enfrentar os adversários e entrar com toda a força na dura competição que se fará sentir entre 24 de Julho e 9 de Agosto. Estamos preparados também com os nossos parceiros: empresas, instituições que se associaram há vários anos ao movimento olímpico e que, nesta altura, estão já a celebrar as qualificações dos nossos atletas ou as suas classificações mais relevantes. E que estarão muito junto deles no momento da competição olímpica.
Ontem reunimo-nos com todos os parceiros no Comité Olímpico de Portugal e sentimos a vontade comum de puxarem pela Equipa de Portugal nos Jogos. É um País inteiro que quer sentir o sucesso, que quer respeitar os atletas, que queremos que confirmem, nos Jogos de Tóquio, as marcas com que se apuraram.
O movimento desportivo reclama uma maior autonomia e menor dependência do financiamento público: é com estes parceiros que contamos para cumprirmos o objectivo de um envolvimento nacional, que rasgue com o sistema instalado.
Este sentimento de pertença a um País, de vibrarmos com as prestações desportivas dos nossos atletas, tem de passar de todos os envolvidos no fenómeno desportivo para os dez milhões de corações que não ficarão indiferentes a qualquer momento em que um destes magníficos atletas pisar o pavilhão, a pista, nadar, saltar ou surfar nas ondas do Pacífico.
Esta onda de entusiasmo tem de ser sentida pelos atletas, pelos parceiros, pelos Portugueses. A 100 dias dos Jogos, no próximo dia 15 de Abril, estaremos todos juntos, formaremos a Equipa Portugal e diremos a Portugal inteiro:
Estamos preparados."

Benfiquismo (MCDXLIX)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Vermelhão: Frio de leste...

Shakhtar 2 - 1 Benfica


Eliminatória em aberto, apesar da derrota, numa partida onde o Benfica de 'Dezembro' (na altura do sorteio...), teria ganho 'facilmente'!!!
Fizemos algumas alterações (eu teria feito mais: Grimaldo, Taarabt e Pizzi...), tentámos mais uma vez gerir o jogo, com um ritmo baixo (a pensar sempre no próximo jogo... o de Barcelos, e a 2.ª mão na Luz!!!), o Shakhtar até ia tendo mais bola, mas o maior perigo, vinha nos momentos onde o Benfica 'subia', e os Ucranianos/Brasileiros partiram em contra-ataque!!! O Pizzi 'trocou' com o Chiquinho, para 'poupar' o Pizzi aos trabalhos defensivos... mas, acabamos por ser inferiores, e o resultado até não foi nada mau!!!
Mesmo assim, sem jogar bem, a criar poucas oportunidades, o jogo até parecia semi-adormecido, com o Ody a fazer uma boa defesa (além do lance do golo anulado...), mas no início da 2.ª parte ficámos em desvantagem...
Até reagimos bem, o Shakhtar pareceu 'recuar' e apostar tudo no contra... e numa jogada 'estranha', lá chegámos ao empate, num penalty... que ainda agora não percebi !!! (não me pareceu haver fora-de-jogo, nem do Cervi, nem do Tomás... se o fora de jogo foi do Cervi supostamente não haveria lugar a penalty... - apesar de existir uma regra, que eu não concordo, que mesmo existindo fora-de-jogo, se o defesa fazer falta, deverá ser assinalado o penalty!!! Ironicamente, no ataque anterior, pareceu-me existir fora-de-jogo do Sefe...!!!)
Mas logo a seguir, uma 'branca' do Rúben deitou tudo a perder! Neste fase menos boa do nosso processo defensivo, o Rúben tem sido claramente o nosso pilar, às vezes parece ser o 'único' defensor, mas hoje acabou por fazer 'merda'!!!
Daqui até ao final (72'), creio que não houve mais remates à baliza!!! Nos dois lados!!! O Shakhtar 'rebentou' (falta de ritmo) e foi defendendo a vantagem mínima, e nós não tivemos capacidade de fazer o pressing final...
Hoje vou fazer a análise individual ao contrário, em vez do MVP, destaco o 'inverso': actualmente jogar com o Seferovic ou jogar 10 é exactamente a mesma coisa!
Analisando este jogo isoladamente, com este 1-2 fora, até não seria uma 'desgraça', mas na sequência dos maus resultados nas últimas semanas, e da forma como sofremos o 2.º golo, ficamos com o sabor da frustração na boca... mesmo tendo jogando abaixo do nosso potencial!
E se o Shakhar chegou a este jogo menos sobrecarregado com minutos, a falta de ritmo notou-se nos últimos minutos, onde o Benfica podia e devia ter aproveitado! Até porque para a semana, na Luz, o Shakhtar terá mais 'ritmo'... e mais perigoso ainda: este Shakhtar gosta de jogar em contra-ataque, têm conseguido os seus melhores resultados a jogar fora... e nós teremos um jogo, mais minutos, mais cansaço, mais viagens, e mais uma Final na Segunda!!!

A fragilidade defensiva do Benfica em 5 factos

"O Benfica está a defender mal, diz a vox populi, e isso colocou a liderança da Liga definitivamente em risco. E existem boas razões para essa conclusão, tão óbvias que não carecem de análise GoalPoint para a fundamentar, começando nos sete golos sofridos nas últimas seis jornadas (mais dois do que no total das 15 rondas anteriores) e terminando nas duas últimas derrotas consecutivas, frente a Porto e Braga.
Não faria muito sentido pegarmos neste tema se não apostássemos em aprofundá-lo, procurando perceber, com recurso aos dados, se a referida permeabilidade defensiva “encarnada” se limita a encontros de maior grau de dificuldade disputados recentemente ou se já se vinha manifestando ao longo do tempo, mesmo que nem sempre reflectida no marcador final. E uma vez esclarecida essa dúvida, seria hora de identificar algum padrão – ou nome(s) – relacionáveis com o cenário analisado. Pegámos na lupa e na calculadora, e aqui estão os resultados.

O Benfica é mais permeável do que gostaria desde o início da Liga.
O Benfica sofreu apenas três golos no decurso das primeiras dez jornadas da Liga, concentrados em dois jogos. Dois desses tentos surgiram no naturalmente especial frente-a-frente perante o Porto, a única derrota “encarnada” no primeiro terço da competição. Fora isso sobraram oito “clean sheets” que, certamente, criaram a ilusão de que o campeão nacional apresentava uma solidez defensiva invejável. Conclusão precipitada…
Cruzando os golos sofridos pelos “encarnados” com os golos que estatisticamente deveriam ter sofrido (Expected Goals contra), percebemos que o Benfica apenas sofreu mais golos do que seria de esperar à sexta jornada, na vitória por 2-1 frente ao Moreirense.
Os números exactos são tão específicos quão curiosos: nas dez primeiras jornadas o Benfica sofreu apenas os tais três golos, mas, em boa verdade, permitiu aos adversários oportunidades que, estatisticamente, corresponderiam a cerca de oito tentos, que apenas não sucederam por mérito do seu guardião Vlachodimos (curiosamente talvez o nome mais “ameaçado” durante o mercado de verão) e/ou falta de eficácia dos protagonistas adversários.
Já no que toca às 11 jornadas recentes o cenário é mais equilibrado, embora igualmente preocupante, confirmando os problemas defensivos do campeão. O Benfica sofreu nove golos nos últimos 11 encontros, permitindo cerca de 12 Expected Goals.

O Benfica é a equipa mais driblada da Liga
Este é, provavelmente, o facto mais surpreendente e anormal para uma equipa que, não só lidera a Liga, como ainda se apresenta como a menos batida. O Benfica permite uma média de 11,3 dribles por encontro aos adversários, um registo que nenhuma outra equipa supera, pela negativa. E sendo certo que, reduzindo a análise a dribles consentidos no terço defensivo, o cenário se atenua, a verdade é que os “encarnados” apresentam, ainda assim, o quinto pior registo da Liga, com 4,4 dribles permitidos nas imediações da sua área, uma média não muito distante dos 5,0 com que o Famalicão encabeça este ranking evitável.
Curiosamente, e ao contrário de outros pormenores que partilhamos nesta análise, este é um factor negativo que não sofre grande evolução ao longo da época, ou seja, os maus indicadores mantêm-se. Ainda assim destacamos dois pormenores preocupantes para as “águias”:
- O FC Porto é o grande “carrasco” do Benfica também neste capítulo, com nada menos do que 41(!) dribles somados nos dois confrontos directos, sendo que no último, dos 20 que os “dragões” totalizaram, 15(!) foram concluídos já no terço defensivo benfiquista (75%).
- Sendo verdade que esta fragilidade se vem mantendo constante ao longo da época, a média de dribles consentidos já no terço defensivo aumentou, de 4,0 nas primeiras dez jornadas para 4,7. Ou seja, o Benfica permite no geral o mesmo número (excessivo) de dribles, mas está a permiti-los mais perto da sua baliza, nas últimas dez jornadas.
- Nenhum jogador permite mais dribles a cada 90 minutos do que Julian Weigl (2,3), aos quais junta ainda 1,9 faltas cometidas por desarmes falhados. No último terço, onde o registo do alemão é de 0,8 dribles consentidos por jogo, juntam-se-lhe Tomás Tavares (1,3) e Grimaldo (0,9) entre as principais vítimas da “fantasia” adversária. Curiosamente ou não, este é um trio que tem sido titular nos últimos jogos.

O Benfica permite cada vez mais remates…
Os números não deixam dúvidas. O Benfica vem permitindo cada vez mais remates aos adversários. Este facto traduz-se numa conclusão tão simples como conclusiva:
- Nas primeiras dez jornadas os adversários precisavam de somar cerca de 27 remates para marcar um golo ao Benfica. Nas últimas dez conseguem violar as redes “encarnadas” uma vez a cada 14 disparos.

…em especial dentro da sua área
Mas se o total de remates pode ser considerado um indicador insuficiente, a quantidade de disparos que uma equipa permite dentro da sua área já dirá algo mais sobre a eventual existência de um problema defensivo e a sua evolução, dada a maior perigosidade associada a essas situações.
A tendência de agravamento dos problemas defensivos “encarnados” resulta clara, mais uma vez. O Benfica permitiu uma média de quatro remates na sua área por jogo, findas as dez primeiras jornadas. Esse registo, já pouco animador, saltou para os 6,4 nos dez últimos encontros, uma média que coloca o conjunto de Lage num modesto 7º lugar do ranking das equipas que permitiram menos acções deste tipo, no mesmo período.

O que mudou a partir da 10ª jornada?
É ponto assente que o Benfica dá sinais, desde o início da época, que é bem menos sólido defensivamente do que o número de golos sofridos na Liga vinha sugerindo, e que muito deve aos méritos do seu guardião, já aqui destacados.
Chegados a esta altura não faltam teorias, entre adeptos e especialistas. Uns atribuem maior responsabilidade aos centrais Rúben Dias e Francisco Ferro, face aos sinais de insegurança. Outros apontam às laterais, destacando a propensão ofensiva e suposta inspiração defensiva de Grimaldo ou referindo a lateral-direita como um eterno ponto fraco a colmatar. Outros ainda referem um meio-campo que nunca se terá refeito totalmente do natural ocaso de carreira de Fejsa, com alguns ainda a torcerem o nariz à entrada directa do reforço Weigl nas escolhas de Lage.
No meio disto tudo uma coisa é certa: a prolongada ausência de Gabriel Pires não irá certamente melhorar o cenário aqui quantificado, tendo em conta os méritos que lhe destacámos recentemente, insuficientes para, sozinho, estancar os registos identificados nesta análise.
Não colocamos de parte qualquer uma destas explicações ou até mesmo outras, mas optamos por manter-nos no papel de “municiadores de factos”. O que mudou então no Benfica, a partir da 10ª jornada, momento em que registamos o agravamento das fragilidades defensivas do Benfica?
Muito mudou certamente, entre apostas, lesões e novidades, mas apenas uma se manteve permanente desde então: a 11ª ronda coincidiu com os últimos 45 minutos disputados pelo “trinco” Florentino Luís na Liga. O médio foi substituído ao intervalo da visita ao Santa Clara, constituindo uma das opções de “choque” de Bruno Lage na tentativa de virar um resultado adverso, o que viria, aliás, a conseguir. Curiosamente, Florentino terminou esse encontro com o maior registo numa “disciplina” que tanta falta faz ao Benfica desde então: intercepções de passe (somou quatro).
Após essa substituição, Florentino não só não disputou qualquer minuto na Liga como apenas foi opção não utilizada no banco em duas ocasiões, tendo regressado apenas na recente disputa da meia-final da Taça de Portugal.
O “eclipse” de Florentino Luís, enquanto opção para Bruno Lage, poderia não passar de um pormenor se não registasse os seguintes méritos à 10ª jornada, véspera do seu “congelamento”: 
- Florentino era, de forma destacada, o jogador benfiquista que mais passes antecipava e interceptava (4,3 a cada 90 minutos)
- Entre os jogadores mais utilizados (+450 minutos) apenas Rafa Silva batia o médio na cadência de desarme. Florentino seguia com uma média de 3,3 desarmes.
- O jovem médio era o segundo jogador “encarnado” que mais recuperações de posse garantia, cerca de nove a cada 90 minutos jogados. Acima dele apenas um jogador, e outro “desaparecido”: Andreas Samaris, com dez recuperações a cada jogo completo, nos cerca de 300 minutos jogados.
- Apesar do fulgor defensivo que os seus números apresentavam, Florentino era, entre os médios com maior propensão para o apoio defensivo, aquele que cometia menos faltas (apenas uma a cada 90 minutos, Samaris e Taarabt, por exemplo, aproximavam-se das três).
- Apenas um jogador batia o “trinco” no menor número de posses perdidas a cada 90 minutos e o seu nome (e posição) diz tudo sobre os méritos do jogador “desaparecido”: Vlachodimos. O “trinco” perdia apenas 6,7 posses a cada 90 minutos e, sendo certo que, na sua posição, é de esperar um bom desempenho nesta matéria, convém sublinhar que o seu registo batia qualquer médio-centro ou defensivo “encarnado” e até ambos os centrais.
- Caso pense que a pecha de Florentino estaria no contributo ofensivo desengane-se: mesmo sem brilhar nessa matéria, o jovem somava um registo idêntico ao de Gabriel Pires, na hora de contabilizar passes para finalização: cerca de um passe para remate a cada dois jogos.
- Florentino Luís apresentava o quarto melhor GoalPoint Rating do Benfica 6.26, entre jogadores com mais de 450 minutos disputados.
Nem tudo eram “rosas” no desempenho de Florentino (exemplo: a eficácia na disputa de duelos aéreos defensivos é um claro ponto de melhoria). No entanto, tendo em conta o momento do jogador à 10ª jornada, torna-se difícil perceber o “eclipse” a que foi votado nas opções, sendo a sua ausência o único factor constante desde o intensificar dos desequilíbrios defensivos de uma equipa que não hesita em expor-se defensivamente na procura da baliza contrária.
Mais do que apontar outros “culpados”, a verdade é que nenhum dos protagonistas, escolhidos desde então para a sua vaga foram capazes de replicar as virtudes específicas de Florentino e estancar os sinais de alarme que aqui partilhámos.
Bastará então relançar Florentino na titularidade para resolver o problema? Dificilmente a resposta passará apenas por aqui, não só porque o “congelar” de Florentino apenas agravou sintomas que já se vinham sentindo, como também pela necessidade do próprio jogador recuperar ritmo e confiança provavelmente perdidos, prioridades que ficaram patentes na última vez que foi chamado a jogar (Taça de Portugal).

Os números confirmam que Bruno Lage tem um problema complexo a debelar, daqueles que decidem campeões.
Os factos mostram também que este é um cenário que se manifesta desde o início da época e que pode ter sido agravado por opções que apenas quem está no comando poderá explicar.
O que é certo é que fica mais uma vez provado que o recurso complementar aos analytics permite analisar, complementar e, por vezes, antecipar diagnósticos decisivos ao sucesso no apito final."

O Brinco do Baptista #30 - Futebol é política!

"Somos Porto"... de patins!!!

Modalidades - Meio da semana...

Aposta Europeia

"Será daqui a poucas horas (17h55) que o Benfica regressará às competições europeias na presente temporada, desta feita para disputar o apuramento para os oitavos de final da Liga Europa com o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. A partida é referente à primeira mão da eliminatória e será jogada em Kharkiv (a segunda mão será no Estádio da Luz, dia 27).
Tanto a nossa equipa como a ucraniana transitaram da Liga dos Campeões, o que faz antever equilíbrio na contenda. Acresce que o Shakhtar é orientado por Luís Castro que, além de ser português e, por conseguinte, conhecer bem o futebol nacional, é um técnico reconhecidamente competente.
O objectivo benfiquista na Liga Europa passa por chegar o mais longe possível, sabendo-se que o campeão em título ucraniano e actual líder destacado do seu campeonato não será certamente um adversário fácil. O histórico dos encontros entre ambos os clubes é curto, Benfica e Shakhtar encontraram-se apenas duas vezes em competições oficiais. Foi na fase de grupos da Liga dos Campeões da temporada 2007/08, na qual fomos derrotados, por 0-1, na Luz, e vencemos na Ucrânia, por 1-2.
Conforme afirmou Bruno Lage ontem em conferência de Imprensa de antevisão ao jogo, há a ambição e determinação de fazer um bom jogo e prosseguir na competição. O nosso treinador manifestou ainda a vontade de alcançarmos um bom resultado e "mais do que isso, a equipa tem de ser sólida e consistente".
Estamos convictos que a nossa equipa será capaz de demonstrar a competência que todos lhe reconhecemos e que conseguirá trazer um resultado que lhe permita encarar o jogo na Luz com optimismo relativamente à qualificação para a eliminatória seguinte.
Força Benfica!"

Alcochete? É sempre em frente

"Vamos supor que não sei onde fica Alcochete. O mínimo é que o leitor me chame uma besta de 145 patas porque toda a gente sabe onde fica Alcochete. Tem toda a razão. Que cidadão português com o mínimo de noção de geografia não sabe onde fica Alcochete? 

mesmo quem chumbou no jardim-escola. Por acaso passei em Alcochete alguns dos dias mais felizes da minha vida, em 2004. Não por acaso, houve algumas infelizes vítimas da violência mais bacoca e mais infame que passaram lá algumas das horas mais assustadoras e macabras das suas vidas.
Agora vamos supor que preciso de falar com um árbitro que vai dirigir um jogo importantíssimo do clube do qual sou presidente 48 horas antes de esse jogo começar e necessito de ter uma conversa com ele sobre as amantes do pai, que estão a pôr em causa a fidelíssima relação que tem com a senhora sua mãe.
Penso para com os meus botões: deixa-me convidar o mamífero para vir cá a casa tomar um cordial e cordialmente darmos à taramela sobre os desvios lúbricos do seu progenitor. De repente deparo-me com uma questão praticamente irresolúvel. Supostamente, vivo em Alcochete e não faço a mínima ideia onde diacho fica Alcochete. Problema do quilé, diria o meu velho mestre Assis Pacheco.
Estou completamente encalacrado enquanto tento explicar ao senhor árbitro, raladíssimo com a divergência paternal, a forma mais simples de aparecer no meu chalé. Que ideia a minha ter resolvido vir parar com os costados a Alcochete, esse lugar que nem figura no mapa da nação! Dou voltas ao bestunto.
Do alto desta inteligência vetusta, carregada de uma ironia a que só alguns iluminados têm acesso, grito “eureka!”, como Arquimedes na banheira. Faço de conta que Alcochete fica na Madalena, sítio abençoado, tão fácil de encontrar. “É sempre em frente! Sempre em frente, sr. árbitro!” À sorrelfa, a Judiciária escuta tudo. Mas talvez também não saiba onde fica Alcochete..."

Os contrastes ibéricos

"Lá, em Espanha, como cá, Liga ao rubro, um ponto entre os primeiros, rivais eternos. E lá como cá seguem os da capital na frente, com vantagem de um ponto. Falta jogar-se, por lá, o super dérbi, é uma das diferenças, mas há-as maiores, nestes duelos da recôndita Ibéria que seguem a par. No país vizinho, a chegada de Queique Setién ao Barcelona acentuou o contraste entre os candidatos. Há agora um mar que os separa. Já Benfica e Porto serão mais as duas margens de um mesmo rio, feito mais de aceleração que de pausa, de aposta na transição ofensiva que no ataque posicional. E há essa curiosidade reveladora de ser o Porto, sempre visto, e justamente, como equipa que assume a objectividade como um fim e a aceleração como um meio, ser, ainda assim, a equipa com mais tempo de posse de bola, em média, por jogo. Mais do que indicar qualquer alteração no jogar dos dragões, que só pontualmente se vislumbra pela escolha de uns jogadores em vez de outros – como agora com Sérgio Oliveira a dar o que Danilo não consegue -, é o atestado definitivo de que ninguém em Portugal faz do jogo de posição uma convicção e da posse paciente um caminho preferido. Nem o Benfica, obviamente. É claro que o Porto vive melhor se houver duelos e o Benfica se os evitar, e que os dragões assumem uma aceleração mais musculada, enquanto as águias a buscam de modo mais criativo. Onde o Porto é ataque ao espaço, o Benfica é drible em progressão. Numa sinédoque: onde o Porto é Marega, o Benfica é Rafa. O Porto, por ver Marega (mas também Soares ou Zé Luís) cede facilmente à tentação lançamentos longos, não raras vezes prematuros ou mesmo inúteis. O Benfica, por ter Rafa (ou Cervi), antecipa progressões em posse desde zonas recuadas, que retiram associação ao jogo e acrescentam risco à perda. Em Espanha, o jogo é de contrastes. Por cá está longe de ser de espelhos, mas há mais traços comuns às duas faces da luta pelo título.
O regresso às origens em Camp Nou reabriu um fosso conceptual. Enquanto o Real Madrid acumula craques no plantel como contentores de carga num porto de mar, o Barcelona reaproxima-se da forma ortodoxa com que construiu as suas melhores equipas. Desde o fim do reinado Guardiola (e Tito Vilanova) que não se via um Barça tão à Barça, filho assumido da escola cruyffiana, feito de risco máximo desde o guarda-redes. A propósito, Ter Stegen bateu um recorde de quase 15 anos, ao protagonizar 69 passes no jogo com o Getafe. Isto prova a qualidade incrível do jogo de pés do alemão, mas, principalmente, o regresso em força da tal ideia fundadora, que Valverde não cultivou, Luis Enrique contornou e Tata Martino nunca entendeu. Agora, a um Real Madrid tipo piloto habituado a traçados sinuosos e em velocidade máxima, capaz de improviso criativo e risco total com a meta à vista, volta a responder um Barcelona paciente, do género caçador experimentado que sabe não ter muitas munições, pelo que prepara o tiro de modo a não falhar. De um lado está Zidane, especialista em puzzles valiosos, mestre da sobriedade, que não criou o quadro mas busca o desenho final com paciência de Job, ora acrescentando uma peça ora trocando outra. Do outro surge Quique Setién, ainda mais artesão admirado que pintor consagrado, mas criador de obra original a partir das ideias em que acredita e das técnicas que domina. Simplificando: uma ideia que emerge dos jogadores enfrenta jogadores que se enquadram numa ideia. E será ainda mais estimulante perceber quem ganha.
Claro que o futebol é rico porque não se esgota nas convicções, nas mesmo nas melhores. Há caminho por fazer, com dureza de calendário e eventuais lesões, encruzilhadas em que pode ser decisiva a profundidade dos plantéis. E aí, o Real leva vantagem clara. A ideia é o mais importante na construção de um jogar, mas a sua concretização é protagonizada por homens, e isso nunca vai mudar. Messi é o melhor, destacado, mas é só um neste duelo. Basta vez as equipas mais recentes que apresentaram, para ser difícil que contra nomes haja argumentos. No Real, Hazard voltou ao onze e Bale também foi titular. Com isso, e com a afirmação do impressionante Fede Valverde, só no banco houve lugar para Eder Militão, Mendy, Modric, Isco, Jovic e Vinícius júnior. E nem sequer lá couberam James Rodríguez, Nacho, Rodrygo, Mariano Díaz, Lucas Vasquez, mais o longamente lesionado Asensio. E Odegaard, um dos nomes do ano em Espanha, contratualmente merengue, só encontra espaço crescer em San Sebastián. Não há outro plantel sequer parecido no mundo. Se a tática fosse um exercício menor e o jogo um somatório de individualidades, como muitos o vêem, o título podia ser entregue por correio expresso em Chamartín. Na mesma jornada, o banco do Barça tinha os laterais Nelson Semedo e Firpo, mais Rakitic e Vidal. Os outros eram cidadãos anónimos, puxados à pressa da equipa secundária, como o central/médio uruguaio Ronald Araujo e o atacante albanês Ray Manaj. Não é com estas alternativas que se luta, ao mesmo tempo, por uma Liga espanhola e uma Champions. Nem Messi será suficiente, mesmo que se acredite que, a caminho dos 33, ainda é capaz de estar em campo nos jogos todos.
Claro que Griezmann brilha mais na liberdade de movimentos que lhe é dada agora, que Ansu Fati é uma bênção dos céus para reencarnar gestos que foram de Pedro Rodríguez e Braithwaite é, pelo menos, a alternativa que as lesões de Suarez e Dembelé tinham tornado inexistente. Adapto de Camões: para tanta ambição, tão curta a manta. Mas não garanto quem ganha. E é nisso que o futebol nunca nos falha.

PS: É admirável, emocionante mesmo, que Quique Setién tenha escolhido Vítor Damas entre os seus quatro futebolistas de sempre, um por sector, a par de Beckenbauer, Iniesta e Cruyff. Há memórias que valem mais que todos os prémios.

Nota coletiva: Borussia de Dortmund o dinheiro não é tudo e a Champions chegou para o provar com abundância, seja na goleada da Atalanta sobre o Valência ou na vitória do Leipzig no terreno do Tottenham, ambas resultantes de superioridade evidente. E o Borussia de Dortmund é rico, mas não se compara ao PSG, que subjugou. E foi mais que o brilho renovado do miúdo Haland. Houve construção de qualidade atrás, com Hummels e o impressionante Zagadou, capacidade de parar e jogar em simultâneo no meio, com Witsel e Can, aceleração com critério nas alas, por Hakimi (um dos melhores laterais do mundo, sem reservas) e Guerreiro, criatividade em espaço amplo para Sancho, o Hazard mais novo e ainda o menino Reyna, Giovanni que é filho de Claudio, americano de 17 anos apenas, que já não se pode perder de vista. Dortmund é um espectáculo, no relvado como na bancada.

Nota individual: Jack Grealishparece um jogador antigo, saído daquelas imagens do futebol inglês enlameado dos anos 70 e 80. Meias em baixo, movimentos sinuosos, agarra a equipa do Aston Villa e carrega-a com ele para o ataque. Cai preferencialmente sobre a esquerda, a partir de onde ensaia dribles, acrescenta desequilíbrios sucessivos e procura espaço para finalizações de pé direito à entrada da área. Nado e criado, desde os 6 anos, no histórico clube de Birmingham, é, aos 24, capitão e ídolo definitivo dos adeptos do clube de que sempre foi adepto. Guia táctico e emocional do conjunto treinado por Dean Smith, vai com 9 golos em 28 jogos na Premier League e dele dependerá, em muito, a capacidade dos villans de evitarem o regresso imediato ao Championship, de onde emergiram há alguns meses apenas."

Eriksson - Um homem de futebol nunca pára!

"Um dos treinadores mais conceituados do mundo...
Sven-Goran Eriksson! 72 anos!
O sueco que chegou a Portugal no início da década de 80 do século passado!
Imediatamente, revolucionaria o futebol português, ao fazer o Benfica voltar a uma final europeia...14 anos depois!
Perdê-la-ia e partira para Roma e daí para Florença!
Voltaria ao Benfica para viver três épocas sublimes...pontuadas pela presença na final da Taça dos Campeões Europeus de 1990, perdida perante o Milan...o super Milan dos holandeses!
Voltaria a sair de Portugal, para correr mundo! 
Para ganhar mais títulos... em Itália, em Inglaterra!
Depois, outro desafio: abraçar os desafios das selecções... primeiro a Inglaterra, onde com uma fantástica equipa morreu sempre na praia... duas vezes graças a Portugal e às mãos de Ricardo no Europeu de 2004 e no Mundial de 2006.
Depois no México, na Costa do Marfim... tais aventuras levá-lo-iam a aventurar-se em outros continentes, a conhecer outros modos de viver o futebol como na China, na Malásia, nos Emirados Árabes Unidos! Entretanto, viveria outras aventuras como no Leicester, ou nos escalões inferiores ingleses no Notts County.
No pretérito ano apareceu ao comando da selecção das Filipinas na Taça da Ásia... um homem do futebol jamais recusará um desafio por mais inusitado que seja!
Por isso, Eriksson abraçará, agora, um novo desafio...será no Botafogo de João Pessoa, um clube do terceiro escalão brasileiro, e que irá reformular todo o seu futebol, graças aos conhecimentos do sueco. O treinador deverá ser o manager do clube, com os poderes de controlar todos os escalões de formação da agremiação brasileira.
Tal hipótese surgiu pelo próprio treinador, que apresentou uma proposta de investimento ao Botafogo PB, para desenvolver e crescer a equipa.
Um homem do futebol nunca deixa de sonhar..."

O panda do futebol

"Sim, ele existe e chama-se «Brinca n’Areia».
O «Brinca n’Areia» é o panda do futebol moderno: uma espécie em vias de extinção, de seres fofinhos que nos divertem nos relvados, e dos quais eu serei a sua Greta. Farei greve de fome à porta da FIFA se for preciso, mas no que depender de mim estes magos da revienga inconsequente nunca acabarão.
Infelizmente o futebol actual deixou de ter lugar para os «Brincas n’Areia», artistas que encantam multidões com o seu virtuosismo técnico e falta de objectividade.
Atletas que tanto nos sacam um emocionado «Olé!», como logo a seguir um enfurecido «Ó pá, passa a bola!». Mas essa é a sua génese e a sua beleza.
Porquê rematar quando se pode fintar novamente um jogador que já se fintou três vezes? Porquê marcar golos quando se pode dar baile? Porquê atacar quando se pode fintar meia equipa adversária e pôr as bancadas em delírio?
A realidade é que tudo isto já não se usa. Agora o que interessa é a construção desde a defesa, a construção em posse e a construção apoiada até à área. Ora isto já não é futebol, é o «Mega-Estruturas» do National Geographic.
O futebol mudou.
Antes os jogadores brincavam n’areia, agora comem a relva.
Antes faziam vírgulas, agora querem os três pontos. 
Antes faziam trivelas, agora fazem transições.
Antes metiam cuecas, agora metem gelo no jogo.
O que antes era magia, agora é cada vez mais um bocejo.
Não contem comigo para isto. Por mim este futebol sem alma não vingará, em honra dos «Brincas n’Areia» ainda existentes em Portugal, em Espanha ou no Brasil.
O que vamos dizer ao Rodinei Maravilha, médio do Santos Capivara que vem cheio de vontade de partir os rins aos adversários?
«Rodinei, quando o lateral fizer o overlap pela linha, preciso que bascules por dentro e faças a compensação ao pivot na zona central em bloco médio-baixo, pronto para sair em transição ofensiva com um passe de rutura para o eixo da defesa.»
Depois de o Rodinei se suicidar, quem é que vai explicar à sua família que ele faleceu devido a complicações táticas? Eu não tenho coragem para dar essa notícia a uma mãe. Preferia dizer que ele tinha sido colhido pela máquina de cortar a relva, sempre era mais digno.
Não, os «Brincas n’Areia» não podem desaparecer, a bem do desporto-rei. Porque o futebol sem fintinhas desnecessárias e sem números de circo não seria futebol, seria o campeonato da Islândia. 
Por isso lanço o apelo aos Cristianos Ronaldos, aos Messis, aos Ibrahimovics e aos Salahs: por favor, procriem com mulheres palhaças. Os brinca n'areia ficam assegurados."

O caso Marega e o comunicado do Conselho de Disciplina da FPF

"Nos últimos dias assistimos a dezenas de manifestações a enaltecer o comportamento de Marega contra o ódio e discriminação racial, a que me associo.

Considero que tal jogador, de forma exemplar e digníssima, com a sua atitude, gritou revoltado que não ia tolerar que o fizessem menos que humano. Todos somos devedores da sua coragem de dizer basta! Como afirmava há dias um grande amigo meu, isto não é futebol, é civilização!
Marega lançou o debate sobre um grave problema e obrigou-nos a encará-lo de frente. Sinalizou que os árbitros não cumpriram as instruções da FIFA e da UEFA para punir o racismo dentro de linhas. Promoveu a discussão sobre o que aconteceria se a equipa do FC Porto se solidarizasse e abandonasse o campo. Aguardamos a punição dos autores dos insultos e coros raciais, bem como se discute se poderá ou não existir sanção para o clube, pelo comportamento ilícito dos adeptos.
A propósito desta última questão, e no furacão da pressão mediática sobre o tema, fui surpreendido com um comunicado do Conselho de Disciplina da FPF. Por muito respeito e consideração que tenho pelo Prof. Dr. José Manuel Meirim, insigne jurista, e pelo órgão a que preside, considero que o comunicado é descabido.
Em primeiro lugar, entendo que qualquer órgão com funções jurisdicionais tem um dever de reserva, uma restrição na liberdade de expressão que tem como fundamentos a imparcialidade, equidistância, neutralidade e confiança social nas decisões que pode vir a proferir.
As considerações tecidas em tal comunicado podem ser entendidas como pré-juízos relativamente à matéria que poderá ter de vir a decidir.
Uma coisa seria, porventura, justificar a decisão no final do processo, o que a título excepcional poderia considerar-se admissível, outra bem diferente é publicitar que o CD poderá ter as mãos atadas ou lavar já as ditas como Pilatos antes mesmo de o processo lhe ser submetido e de estar na posse de todos os factos concretos.
Pela brevidade da crónica, ressalvando o respeito pela jurisprudência actual do CD em relação ao art. 113.º do Regulamento Disciplinar da Liga, que trata de comportamentos discriminatórios em função da raça, religião ou ideologia, não acho que exista falência das normas disciplinares e que seja difícil fazer prova de uma situação de promoção, consentimento ou tolerância por parte de um clube ou uma sociedade desportiva.
Tal resulta expressamente de acórdãos do anterior CD, presidido então pelo Juiz Conselheiro jubilado, Dr. Herculano Lima, em que foram punidos por este mesmo artigo 113.º o Leixões (em mais que um processo), o Nacional da Madeira e o Chaves.
Explicando a nossa opinião, somos defensores que perante manifestações impróprias dos adeptos, o clube tem de demonstrar que esgotou todos os meios que tinha ao seu alcance, por exemplo, que através da instalação sonora do estádio exortou os mesmos a cessar um comportamento que atenta contra a dignidade da pessoa humana em função da raça e origem étnica; que falou com o Oficial de ligação aos adeptos e forças de segurança, que solicitou que fossem identificados os adeptos prevaricadores, etc.
Ou seja, de uma vez por todas, há que dignificar o espectáculo futebol e os clubes tem de ter um comportamento pró-activo na prevenção da violência, racismo, xenofobia e intolerância no desporto. Constituem deveres gerais dos clubes (art. 19.º do Regulamento Disciplinar) observar uma conduta conforme aos princípios desportivos de verdade, lealdade, retidão, probidade em tudo o que diga respeito às relações de natureza desportiva e social.
Ora, a confirmar-se o que já foi noticiado de que o coro racista, insultos e comportamento discriminatório é visível nas gravações das câmaras de videovigilância, que os relatórios da polícia, do árbitro e do delegado ao jogo também confirmam tais comportamentos, que são negados pelo clube, parece-me que não se demonstra que o clube tenha cumprido de forma exaustiva e compreensiva todos os deveres que impendem sobre si.
Um qualquer clube que ignore comportamentos impróprios de adeptos e que não aja no sentido de preveni-los poderá estar a "tolerar" comportamentos discriminatórios que é uma das previsões do art. 113.º do Regulamento Disciplinar. Os adeptos são a força viva de qualquer desporto e, em particular, de qualquer clube, mas não podem sentir que se podem comportar à margem da lei e que ficam impunes e como a violência e os comportamentos racistas são a negação do desporto, cabe ao clube, lembrar-lhes isso mesmo durante o jogo se necessário for e aplicando sanções aos seus sócios que tenham comportamentos criminosos ou desviantes.
No limite, há que acabar com a lógica pecuniária de multar os clubes e aplicar uma sanção de perda de pontos nas classificações desportivas, porventura, a única sanção que prejudicará o verdadeiro amante e adepto desse clube."

Benfiquismo (MCDXLVIII)

O caminho...

Liderança...

Benfica 7 - 2 Juventude Viana

Vitória tranquila, e liderança isolada, num momento importante da época... Mais 3 pontos do que os Lagartos, e mais 4 do que os Corruptos! Na próxima jornada vamos a Valongo, onde tradicionalmente as dificuldades são superlativas, dentro e 'fora' das regras!!!

Adeus à Champions... novamente com sinais positivos!

Tours 3 - 1 Benfica
25-23, 22-25, 25-23, 25-17


Despedida Europeia, com mais uma boa exibição, num jogo onde acabámos por perder por detalhes... no 1.º Set foram duas 'chouriçadas' para os Franceses, na fase decisiva, que desequilibraram o marcador para o outro lado!!! E no 3.º Set ficámos a 'centímetros'!!!

Compreendo a titularidade do Pinheiro, num regresso a um Clube que ele representou, mas se calhar com o Violas...!!!

Goleada...!!!

Benfica 32 - 12 Boavista
(16-9)

As boas exibições europeias, finalmente traduzidas numa exibição categórica internamente... mesmo rodando!

Antevisão...

Sempre Benfica!

"É fácil ser adepto fervoroso quando tudo corre bem; o mais significativo desse fervor é num momento mais difícil e doloroso

1. O Benfica perdeu, no seu reduto, contra o SC Braga para o campeonato nacional. Já não acontecia há 65 anos, era eu uma criança.
Sobre o jogo falarei adiante. Um desaire do meu Benfica perdura-me a alma, sem cuidar da anestesia. Uma vitória do meu Benfica alimenta-me mais do que o mais calórico dos alimentos e anima-me mais do que uma mão cheia de antidepressivos. Na vitória,  meu amor ao clube é partilhado, mas na derrota o mesmo afecto toma a forma de solidão. E, como acontece com a pessoa amada, o seu verdadeiro teste concretiza-se nos momentos difíceis.
É em horas mais tristes que vejo o meu clube como um privilégio de coração e uma cumplicidade que afasta todas as outras circunstâncias. Seja na vitória, seja no desaire, o Benfica aconchega-me dentro de mim e eu dentro dele, num sentimento de pertença mútua, sem personagens, sem fronteiras, sem outras referências. Apenas a imanência de o Benfica estar dentro de mim e eu dentro do Benfica.
Basta pensar os olhos pelas redes sociais para perceber como estranhamente convergem as naturais hossanas de adeptos de clubes rivais com certas críticas a quente de pessoas que se dizem benfiquistas. Até posso perceber a decepção e a raiva nos momentos que se seguem a derrotas, como a de sábado, só não aceito que alinhem com o radical clube do anti-Benfica e contribuam para uma atmosfera de desalento e de derrotismo quiçá bastante exagerados.
No futebol, nada é definitivo. No futebol, e durante uma época, há momentos de intenso júbilo vitorioso e depressivo tempo de insucesso. No futebol, há momentos de sorte (e o Benfica já os teve) e momentos de azar (que também já os sofreu). No futebol, há tendências para o exagero quando se vence e se está na dianteira e para o bota-baixismo diante de um desaire. No futebol é fácil congregar na vitória, mas é mais decisivo unir perante a derrota. Os benfiquistas estão, pois, confrontados com este desafio: continuando na rota do título ainda que, agora, sem margem de erro, devem apoiar a equipa e não se deixarem contaminar por algum desalento, tantas vezes induzido por vias travessas.
No futebol a opinião é movediça, demasiado conjuntural, ao sabor do momento, cheia de hipérboles abonatórias ou de amplificações destrutivas. Há pouco mais de uma semana, toda a gente falava de um Benfica hegemónico, de um Porto em crise prolongada, de um desnível entre a capacidade do SLB e tudo o resto, de uma estratégia segura e duradoura, de uma competição não competitiva, de Bruno Lage sólido. Agora, tudo inverteu. Afinal, no campeonato há há abundante competitividade no nosso cantinho futebolístico, o Benfica deixou de ser o clube da vanguarda, o Porto é um prodígio de sabedoria e capacidade, Sérgio Conceição é, abrasivamente, o rei da união portista. Isto tudo dito pelos mesmos intérpretes sem pestanejar. E quem sabe se daqui a algum tempo não voltarão ao ponto de partida.
Em suma: é fácil ser adepto fervoroso de um clube quando tudo corre bem; no entanto, o mais significativo desse fervor é estar ao lado do clube num momento mais difícil e doloroso. Como, aliás, tem sido bem audível no apoio nos campos de futebol.

2. Sobre o jogo da Luz, começo por referir que foi um dos melhores jogos deste campeonato, sobretudo na primeira parte. O Braga foi feliz, mas lutou por sê-lo. É; inegavelmente, uma equipa magnífica que em menos de um mês, venceu os cinco jogos com os ainda chamados grandes, sendo que ganhou na Luz e no Dragão. Claro que teve alguma felicidade em momentos decisivos desses encontros, mas trata-se de um plantel (sim, também com um excelente banco) valioso que, financeiramente, custa muito menos do que o dos três clubes referidos. Além disso, descobriu Rúben Amorim, um jovem, sagaz e educado técnico, com consciência da transitoriedade inerente ao futebol, e que, de facto, revolucionou o espírito, a estratégia e a coesão do futebol do Braga.
O Benfica poderia ter resolvido o jogo a seu favor nos primeiros trinta minutos, onde se superiorizou ao adversário. Desta feira, faltou-lhe a eficácia letal que tem caracterizado a sua acção em jogos anteriores. Percebe-se que a equipa está algo cansada (ou melhor, alguns atletas) e - ao contrário do que parecia há tempos - existem posições sem uma alternativa adequada. É o caso da posição de lateral-esquerdo, onde Grimaldo precisaria de descansar em algumas partidas, de um outro defesa-central, sendo que Ferro está manifestamente em baixa de forma, e de alternativas fortes no meio-campo. Estes são os pontos que me parece terem sido menos bem tratados no mercado de Janeiro. Faltou contratar um defesa-central à altura das exigências e um lateral-esquerdo (digo isto, no pressuposto de haver razões para a não utilização de Nuno Tavares, que desapareceu do radar após o início da temporada, ainda que jogando na direita). Foi um azar - obviamente não previsível - emprestar Gedson, quando, dias depois, Gabriel se viu impossibilitado de jogar durante um longo período. Bom seria ter agora a opção de Zivkovic que, pelos vistos, se sente bem em receber um farto salário sem grande trabalho. Já Samaris talvez merecesse ser mais bem aproveitado, tendo em atenção a importância que teve na reconquista no ano passado, precisamente por causa de uma lesão prolongada do mesmo Gabriel. Por fim, repito o que já aqui escrevi:deixar sair Salvio, um jogador que, embora irregular, era capaz de resolver jogos complicados e contratar Caio Lucas, um brinca-na-areia que logo se viu que não passava disso, foi incompreensível.

3. Gabriel. Mais do que a sua falta (muito grande, mesmo) no plantel do Benfica, importa atender à pessoa, agora que está confrontado com uma situação clínica delicada. Nesta coluna, quero expressar os meus votos de total recuperação, sabendo, de antemão, dos cuidados clínicos, pessoais e familiares que o clube lhe está a prestar. Enquanto sócio e adepto do clube, e no plano desportivo, estou-lhe grato pelo seu impecável profissionalismo, pela sua competência e pela sua entrega e disponibilidade em campo. Gabriel tem sido um jogador azarado. Esta é a sua terceira incapacitação prolongada nas duas épocas que leva de águia ao peito. Quis o destino que a última acção desta temporada tenha sido o terceiro golo marcado ao Famalicão no último minuto, o qual verdadeiramente permitiu ao Sport Lisboa e Benfica estar na final da Taça de Portugal.

4. O Manchester City foi duramente castigado pela UEFA, não só em termos pecuniários, como o sobretudo pela sua exclusão das provas europeias (neste caso, leia-se da Champions) por batotas financeiras e contratuais que lhe permitiu fugir ao espartilho do fair play financeiro. Tenho pena desta situação, sobretudo pelo Bernardo Silva, brilhante jogador, e por Pep Guardiola, grande treinador. Mas, ao mesmo tempo, fiquei satisfeito pelo facto de esta decisão provar que não há clubes acima das regras. Quanto aos factos em que se baseou a sentença. nada que seja surpreendente neste mundo global do futebol, onde a ganância e a aldrabice andam de mãos dadas. Coincidência ou não (vide também o PSG e outros clubes), trata-se de um clube adquirido por um magnata de petrodólares e de outros rendimentos fáceis, o que talvez nos deva fazer pensar sobre este tipo de aquisições feitas mais em nome do endeusado dinheiro do que do futebol. O futuro o dirá...

5. Tratando-se embora de uma classificação não oficial, A Bola faz o escalonamento dos árbitros nos seus jogos da temporada. Como já estamos para lá do meio da época, este ranking tende a esbater a subjectividade de cada apreciação e dá uma boa ideia do desempenho arbitral. E o que constatamos ao ver a classificação? Os piores árbitros (de uma lista de 16) são os gurus oficiais e sempre designados para os jogos mais decisivos, Jorge Sousa e Artur Soares Dias, a uma grande distância do melhor (João Pinheiro). Por coincidência, estes dois árbitros treinam no centro de estágios da Maia, alvo de pressões e sevícias a que, porém, ninguém com responsabilidades liga. Para bom entendedor..
Nesta lista dos primeiros 16 árbitros, é também sintomático não aparecerem dois juizes que, na minha opinião, são a expressão da pior arbitragem que temos de suportar através de um incompetente Conselho de Arbitragem: o inefável Fábio Veríssimo e o envieado Tiago Martins agora remetido mais no esconderijo do VAR, onde continua inspirado.

P.S. Abominável, a todos os títulos, o que aconteceu com o jogador Marega, numa vergonha perpetrada por indivíduos que jamais deveriam estar num estádio de futebol. Aplaudo a reacção imediata das entidades que supervisionam o futebol, esperando que, desta feita, saibam tomar as medidas punitivas e, sobretudo, preventivas que se impõem. Mas não bastam comunicados. E, nesse momento, recordo também os insultos racistas a Nélson Semedo, também em Guimarães, em 2017, sem qualquer reacção mediática e sem a decida punição."

Bagão Félix, in A Bola