Últimas indefectivações

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Bom arranque...

Benfica 98 - 76 Oliveirense
24-17, 29-10, 25-20, 20-29

Vitória tranquila no Jogo 1, das Meias-finais, contra um adversário desfalcado...

Zero: Canto - Época para esquecer, mas o nosso Canto teve um final feliz

Falar Benfica: Conversas Gloriosas #53 - Época 2025/26, médios da equipa e modalidades

BolaTV: Pedro, Pedro, Pedro - S02E06 - Mourinho e o Real Madrid e Amorim afasta o Benfica

DAZN: F1 - Antevisão ao GP do Canadá

Benfica Podcast #595 - Keep, Sell, Loan 25/26

Oliveira: Amorim...

Visão: João Tomás...

Verdade...

Depois dos erros, a obrigação de mudar


"Fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes raramente dá bom resultado. Infelizmente, esta velha máxima explica muito do que foi a época do Benfica. A repetição de erros, dentro e fora de campo, resultou em mais um ano de insucesso desportivo, agravado pela ausência da próxima Liga dos Campeões e do futuro Mundial de Clubes.
Estar fora da Champions fere também as finanças do clube. Falhar esta competição agravará um défice de exploração já elevado e voltará a pressionar a venda de jogadores. Este é o ciclo que temos de quebrar.
O Benfica precisa de recuperar estabilidade para voltar a ser dominante. Em cinco épocas, passaram cinco treinadores e demasiados jogadores sem impacto desportivo ou valorização relevante. É muito tempo sem uma visão clara e duradoura para o futebol.
Há épocas em que se ganha e há épocas em que se aprende. Esta tem que ser de aprendizagem. É nos momentos maus que devemos estar mais unidos, mas isso não significa apoio cego ou negligente. Antes um apoio construtivo, que não abdica do espírito crítico. Todos somos responsáveis por ajudar a corrigir o rumo quando percebemos que seguimos por um caminho perigoso.
O futuro do Benfica exige quatro prioridades.
1. Formação como aposta na equipa principal;
2. Plantel estável e menos rotatividade;
3. Scouting focado em talento acessível e competitivo;
4. Um treinador de projeto, capaz de executar uma ideia de jogo alinhada com a identidade do clube. Sem estabilidade, continuaremos dependentes de vitórias ocasionais.
A próxima época parece um castigo, mas é uma oportunidade. Um projeto desportivo claro e alinhado com uma redução de custos pode servir para recentrar o clube no essencial e garantir sustentabilidade.
José Mourinho disse há dias que, mesmo fazendo tudo bem, isso pode não chegar. Os erros de arbitragem dos últimos anos custaram pontos, títulos e milhões ao Benfica. Se todos temos consciência disto, é fundamental que a reação seja mais do que indignação avulsa. Não podemos esperar pelo próximo ataque ao Benfica. O Benfica deve liderar o debate da transparência: divulgação dos áudios do VAR, avaliação independente, critérios públicos para os árbitros e decisões mais rápidas. Para mudar, é preciso começar agora.
O Benfica tem de fazer mais, sem dúvida. Tem de jogar mais, e jogar melhor. Mas tem de jogar em campos que não estejam permanentemente inclinados. E este combate é para ser travado custe o que custar.
Sou Benfiquista e não posso estar satisfeito. Conquistámos apenas um título nacional nos últimos cinco disputados. É preciso muito mais. A partir daqui, o único caminho admissível é chegar ao 39 já na próxima época e criar as condições para um Benfica consistentemente vencedor e financeiramente forte.
A grandeza do Benfica também se mede na capacidade de aprender com os insucessos. Só voltaremos aos títulos se transformarmos esta época numa oportunidade para mudanças reais."

Benfica: um presidente na sala de espera


"José Mourinho, Marco Silva, Ruben Amorim ou um treinador estrangeiro: a próxima época do Benfica estará a ser preparada sem certezas. Rui Costa vai explicar-se e terá de mostrar que decide

José Mourinho ainda não comunicou ao Benfica a sua decisão, mas por esta altura restam poucas dúvidas de que voltará a Madrid. Há semanas que sabemos que é o preferido de Florentino Pérez, que entretanto poderá usar o treinador como bandeira em eleições (onde é que já vimos isto?), e ainda que o próprio Mourinho tenha evitado o assunto nas últimas conferências de imprensa não será difícil imaginá-lo, na futura apresentação, a dizer que ninguém diz não ao Real Madrid.
Certo é que o campeonato terminou entretanto e o Benfica está a preparar a próxima época sem saber quem será o treinador. Nada de inédito, claro, basta reparar que o atual técnico campeão, Francesco Farioli, até só chegou em julho do ano passado, após um Mundial de Clubes que mudou tudo (sobretudo a opinião do presidente do FC Porto, que antes tinha garantido que Martín Anselmi era para ficar). Afinal, parece que correu tudo bem...
Na Luz, a ordem é para esperar. Rui Costa espera por José Mourinho, mesmo que tenhamos dado conta de alguns avanços para a sucessão. Marco Silva, a hipótese que fomos dando como a mais provável, espera por Rui Costa, sendo pressionado pelo Fulham para renovar. E Ruben Amorim não espera nada, a não ser que uma boa proposta do estrangeiro lhe estrague o planeado ano sabático.
Tudo somado, e conforme A BOLA dá conta na edição de hoje, entra em campo a hipótese de um treinador estrangeiro. Ou seja, ou Mourinho dá a volta e renova, ou Marco Silva diz não ao Fulham e assina, ou um milagre traz Amorim, ou então o mercado estrangeiro vai ter de resolver a equação que tanto preocupa os benfiquistas. Está quase tudo nas mãos dos treinadores enquanto o presidente espera, com diferentes soluções em cima da mesa.
Haverá muitas questões e análises sobre o que têm em comum (ou não) Mourinho, Marco, Ruben e o estrangeiro, mas depois de mais uma época sem o título de campeão, sem o dinheiro da próxima Champions e com mercados de transferências gigantes mas duvidosos, o plano do presidente não pode sofrer hesitações.
Rui Costa prometeu explicações para esta semana, mas afinal vai ter de adiar - à espera de Mourinho, lá está. Quando falar, terá de dar aos benfiquistas uma sensação de segurança na estratégia que terá traçado para a próxima época - é isso que se espera do presidente. Há nomes mais sonantes do que outros para treinar o Benfica em 2026/27, mas pior do que voltar a falhar os objetivos será transmitir a ideia de que não tem mão no que está a passar-se."

Os craques não se medem aos palmos


"«Há 15 anos, quando estava naquela má situação no Benfica em que não jogava porque não acreditavam em mim por causa do meu tamanho, olhar para aquela equipa do Pep em Barcelona, com os tipos pequenos, com Xavi, Iniesta, Messi, Pedro, era uma inspiração»
Bernardo Silva, jogador do Manchester City, aos canais do clube

O título de campeão inglês fugiu anteontem, mas Bernardo Silva despede-se do Manchester City com mais uma Taça de Inglaterra, que, como capitão, ergueu em Wembley já este mês, e como recordista de troféus no clube: 20.
E enquanto prepara a despedida final, ontem, aos canais do City, falou da relação com Pep Guardiola, explicando como, com 15 anos, e à distância, o seu treinador durante quase uma década já era uma inspiração.
É bem sabido que o percurso de Bernardo nas camadas jovens do Benfica ficou marcado por um período em que quase não jogava, por ser demasiado baixo. Como se os craques se medissem aos palmos. Por isso, ver aquele Barcelona de Xavi, Iniesta e Messi permitia-lhe continuar a sonhar.
Ver a carreira de Bernardo — se alguém tiver dúvidas do impacto que teve no City, tão grande ou maior do que tiveram Aguero ou De Bruyne, só para citar dois nomes marcantes dos últimos 15 anos, aconselho a ouvirem a entrevista de Darren Fletcher a Noel Gallagher, líder dos Oasis, e a idolatria com que o músico fala do português —, ou a de João Moutinho, que acabou de renovar com o SC Braga, a menos de três meses de completar 40 anos, prova que o futebol não é só para gente grande e é o desporto mais democrático."

Tal como aconteceu com Di María, Otamendi merecia outra despedida...


"Que a corrente de águas barrentas do La Plata devolva o central argentino à memória do Monumental... Pena uma nova saída da Luz de forma pouco condizente com a dimensão e o que deu durante seis anos.

Quando, muito emocionado, Otamendi desabafa «e agora, vamos para casa» - como que fazendo um esforço para não se esquecer a razão de ter de passar pela emoção profunda e sofrida de se despedir do Benfica e dos companheiros - pareceu-me ouvir um verso de Gardel. «Volver con la frente marchita.. que es un soplo la vida, veinte años no es nada». Otamendi volta a Buenos Aires sem regressar verdadeiramente. Voltar é físico, regressar é viagem emocional e ninguém regressa a um local de onde nunca saiu.
Otamendi seguramente disse até já ao azul vibrante do Tejo. Deixando-se levar pela corrente de águas barrentas do rio La Plata e, na imortalidade de personagens de Jorge Luis Borges, vestindo a pele de herdeiro de um compadrito portenho, mas que usa a alma e não as facas para os duelos. Duelos não de vida ou morte, mas de ser ou não ser.
Jorge Luis Borges, expoente da literatura argentina, sabe do que fala. Também ele nasceu em Buenos Aires, também ele viveu na Europa, também ele voltou sem regressar à capital argentina. No poema Arrabal, termina em exclamação: «yo estaba siempre (y estaré) en Buenos Aires». A memória é mais real do que a distância, ser é mais profundo do que estar.
Nenhum voltar é original, são repetições de uma alma que se melhora. Por isso, Otamendi não volta mais velho. Volta repetido. Talvez até na ilusão de juventude, a de voltar a um lugar onde começou a imaginar-se. Onde tudo é tão verdadeiro quanto simbólico. Onde a catedral da Luz dá lugar à arena do Monumental, uma memória coletiva a gritar ao mesmo tempo. E talvez seja isso que chama por Otamendi: não o River Plate, mas o som. O eco dos antepassados, as memórias que se foram purificando até serem alma.
Otamendi merecia um melhor ‘até já’ do Benfica. Como há um ano o mereceu Di María, que quase saiu incógnito. Por muito que a maioria dos adeptos entenda este fim de ciclo, nada engrandece mais uma instituição, como uma pessoa, do que a gratidão. Otamendi deu tudo. E deu muito. Dentro e fora do campo. O choro compulsivo de Prestianni durante a mensagem de despedida de Otamendi no balneário diz muito desse papel. Tantas vezes o agora ex-capitão deu na cabeça do jovem compatriota, que chegou a estar com um pé e três quartos fora da Luz e terminou a época como indiscutível… Por isto e por tudo, fica apenas a convicção que o Benfica fará em devido tempo a justa homenagem a Di María e Otamendi. Porque há jogadores que pertencem aos jogos e há jogadores que pertencem à memória dos jogos. Há jogadores que pertencem à estatística e outros que pertencem à emoção. Há jogadores que ficam na história e há jogadores que ficam no coração. E há quem ocupe todos estes lugares.
Sinto que devo agradecer a Otamendi. Pelo que deu e pelo respeito que mostrou pelo país que, acredito, será também seu. Para que volte sem regressar. Desejo-lhe a maior felicidade. Desportiva e, acima de tudo, pessoal. Na certeza de que algumas despedidas não são eventos. São apenas formas mais lentas de permanecer."

Benfica FM: Shéu...

Zero: Mercado - Benfica e Sporting na corrida por Yeremay

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Nos bastidores de Farioli: o que não se viu na entrevista

Observador: E o Campeão é... - Liga Europa sem espinhas e o pupilo que "venceu" o mestre

Observador: Três Toques - Que papel vai ter a IA no Mundial 2026?

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #140

Lanças...


Atualidade benfiquista


"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas do quotidiano do Benfica.

1. Convocatórias
Tomás Araújo é um dos convocados por Portugal para o Campeonato do Mundo. Diogo Ferreira foi chamado pelos Sub-21 portugueses. Jaden Umeh integra a mais recente convocatória da seleção A irlandesa. João Rego e outros três atletas do Benfica vão representar Portugal nos Sub-20. Cinco atletas encarnados integram os Sub-18 lusos. E há um convocado pelos Sub-17 da Suécia.

2. Futebol no feminino
São 6 as convocadas por Portugal, entre elas Lúcia Alves, que renovou contrato com o Benfica até 2031. Nota ainda para as 2 convocadas pela seleção Sub-20 brasileira.

3. Últimos resultados
Em futsal, o Benfica apurou-se para as meias-finais dos play-offs ao eliminar o Eléctrico após vencer, por 5-0, o jogo 2. Trajeto igual no hóquei em patins, ao ganhar no reduto da Sanjoanense por 1-2. Os Sub-23 de futebol foram eliminados pelo Santa Clara nas meias-finais da Taça Revelação após desempate nos penáltis.

4. Jogo do dia
O Benfica recebe a Oliveirense em basquetebol (19h00).

5. Protagonista
A basquetebolista Joana Soeiro é a entrevistada da semana.

6. Movimento nas modalidades
No andebol, João Bandeira Lourenço regressa ao Benfica na próxima temporada após empréstimo. Samara Vieira renova o contrato.

7. Parceria técnica
SL Benfica e Malut United FC, da Indonésia, assinam parceria técnica.

8. Partilha de experiências
Diana Silva e Pauleta conversam com atletas femininas de futebol do Benfica sobre conciliar o futebol com os estudos.

9. Bons desempenhos
Bárbara Timo e Rochele Nunes em bom plano no Open de Benidorm de judo. E, no atletismo, houve quatro pódios de atletas do Benfica no Encontro Internacional de Estafetas.

10. Open Day
Realizou-se, no relvado do Estádio da Luz, o Open Day do râguebi benfiquista, destinado a jovens dos 6 aos 16 anos.

11. Sports Science
Realizou-se a 7.ª edição da Conferência de Sports Science, que reúne profissionais de diferentes áreas e modalidades do Benfica.

12. Distinção
A Fundação Benfica foi distinguida pela Federação Portuguesa de Futebol com um Prémio de Responsabilidade Social.

13. Noite Europeia dos Museus
No dia 23 de maio, celebra-se a Noite Europeia dos Museus. Conheça o programa completo do Museu Benfica Cosme Damião."

Zero: Clóvis...

SportTV: Bancada Livre - TOP 5 🏆 FINAIS NO JAMOR

SportTV: ReporTV - Destino: Mundial 2026

Zero: Saudade - S04E37 - De jogadores a treinadores: o mister do FC Porto que morreu depois do treino

Nada de novo em Martínez e Rui Costa


"Já percebemos há muito que Roberto Martinez é um político, no sentido diplomático do termo, de quem explica decisões duras com expressões brandas (e um sorriso, quando possível) e se coloca acima do bem e do mal. Assim aconteceu de novo: não excluiu ninguém, apenas não pôde incluir todos, há quem esteja de fora, mas com pé dentro (se houver lesões), o dia da convocatória era triste (por essas exclusões) mas também feliz (pelo arranque do processo). É tentar unir para reinar, até que os resultados nos dividam.
Por isso, e no concreto das opções, nenhuma surpresa de tomo. Entre os centrais do Benfica escolheu o que tem jogado mais, na opção de Samu ou Palhinha manteve a decisão mais recente, perante os criativos de FC Porto e Sporting (Mora e Pote) preferiu não escolher, na questão dos pontas de lança manteve a tese – que não compro – de que Gonçalo Guedes é a terceira via.
Com a salvaguarda de haver, nos 27 eleitos, opções de qualidade de quase todo o género para lograr opções táticas de sucesso, sublinho duas inconsistências e outras tantas injustiças. No primeiro caso refiro-me aos cinco laterais para quatro centrais e à existência no grupo de dois pontas de lança apenas, sendo a questão de base a mesma.
No centro da defesa há quatro opções, mas duas são de risco por razões físicas: Rúben Dias não joga há meses e Tomás Araújo tem sido de utilização intermitente devido a lesões. Era mais avisado levar um quinto central, quando, ainda por cima, não há um médio defensivo que se adapte facilmente (como podia ser Palhinha e noutros tempos foi Danilo).
No ataque, é fácil perceber que uma pequena lesão ou um hipotético castigo que afaste, mesmo que por pouco tempo, Ronaldo ou Ramos, obrigará a seleção a enfrentar o adversário seguinte sem um número 9 no banco. Também não me parece prudente. A opção seria naturalmente Paulinho, mas o que ficamos a perceber neste 19 de maio é que Paulinho, como Ricardo Horta, nunca foram verdadeiramente opções para a convocatória final. Tê-los incluído, com as idades que têm, na chamada anterior, para depois os descartar, surge-nos hoje mais como uma ilusão para sossegar críticos, mas que apenas adensa a sensação de injustiça, quase crueldade. Nem sempre tentar ser “político” dá bom resultado.
Outro tema da semana é o romance José Mourinho, que vira as costas a uma proposta (tardia) do Benfica para renovar os votos e decide retomar uma relação antiga com o Real Madrid. A minha leitura é linear: Rui Costa não queria verdadeiramente renovar com Mourinho, senão tê-lo-ia tentado mais cedo (e mesmo a contratação inicial foi forçada pelo calendário eleitoral); Mourinho não resistiu à hipótese de voltar ao topo do futebol mundial, o que já lhe parecia vedado depois dos insucessos recentes que acumulou; o presidente do Benfica está preocupado em passar a ideia de que fez tudo para manter um treinador que lhe deu mais fama que proveito, dado haver ainda muita gente no espaço público que se mantém incapaz de criticar Mourinho. E se nunca vão dizer que o técnico (também) falhou, quem foi então? A resposta é óbvia. Ao menos que fique a ideia de que esperou por ele até ao fim.
Acontece que estamos para lá do fim. A época acabou para o Benfica e Mourinho “já está” em Madrid, a definir prioridades e até a sugerir reforços - diz-se em todos os média espanhóis. Enquanto isto, Rui Costa sujeita o Benfica à espera de resposta de um treinador que já não é, enquanto desaguam para os jornais as suas dúvidas sucessivas, fragilizando, desde já, treinadores que tinham tudo para entrar impantes de força na Luz, a começar por Marco Silva. A ser verdade que Rúben Amorim não pretende um regresso imediato à pátria, no que seria outra opção válida e certeira, é do domínio do insondável que Rui Costa não se tenha sentado ainda, ele próprio, com o treinador do Fulham.
Nos tempos que correm, é bem mais um clube como o Benfica – que apesar de toda a sua história não domina sequer o futebol de uma liga periférica - a ter de se esforçar por seduzir um treinador de topo do que o contrário. Acredito que um técnico como Marco, com anos seguidos de sucesso na mais competitiva Liga do mundo, só poderia equacionar tal mudança por estar em fim de contrato e não ter surgido neste momento o emblema inglês que o tornará definitivamente inacessível. Se isto for como os jornais e comentadores deixam perceber, ou seja, a menos que, ao contrário do publicado, Rui Costa esteja a convencer Marco a mudar-se para a Luz, este processo dirá mais do que têm sido as presidências de Rui Costa do que qualquer insucesso nos relvados."

Mais do que um treinador


"No desporto de alto rendimento, o sucesso regular depende de vários ingredientes em simultâneo, em que quase ou todas as peças do puzzle têm de estar num nível elevado para que os resultados surjam.
Posto isto, José Mourinho foi contratado pelo Benfica com o intuito de resolver várias peças do puzzle que a direção do clube considerou estarem a falhar e para os quais entendia que o treinador Bruno Lage não seria, ou não teria, a solução. Na narrativa da direção, Mourinho elevaria os níveis para um patamar de excelência. As alterações surgiriam a tempo das eleições e, independentemente da qualidade ou dos defeitos dos dois treinadores, seria fácil fazer a conta de 1+1:
José Mourinho permitiria várias consequências positivas e, entre elas, uma campanha eleitoral com menos oscilações. José Mourinho, como todos os treinadores com vários anos de carreira e, neste caso específico, com um currículo muito apetrechado, tem um perfil de liderança bem identificado e enraizado. Como treinador, possui um conjunto de competências, mas neste caso, fruto de ter treinado os maiores clubes do mundo em contextos muito exigentes, tem também uma visão holística de como um clube deve estar organizado e uma forte convicção nas suas melhores práticas.
Mourinho chegou ao Benfica numa altura em que o clube demonstrava (e continua a demonstrar) ter uma estratégia pouco robusta e uma cultura organizacional confusa, a juntar às constantes alterações na liderança da equipa de futebol e na direção desportiva, com investimentos elevados e resultados opostos aos pretendidos. E Mourinho não é o tipo de treinador que tem de exigir maior autonomia ou poder. É um treinador que, face à carreira que construiu, tem uma cláusula implícita nos seus contratos verbais: merece ter mais poder e autonomia do que um treinador com uma carreira dita normal.
Mas ter mais autonomia numa estrutura pouco robusta, dispersa e confusa é como ter mais dinheiro numa casa onde se gasta mal ou dar mais tempo a quem não tem horários. Quando se recruta um treinador, a cultura organizacional, a estratégia e os valores devem ser um ponto de partida. E não um ponto a meio ou final consoante o perfil de treinador que se contrata. Quando tentamos enfiar uma peça num local onde a mesma não pertence, é uma questão de tempo. Vencer será um acaso apesar da estratégia ou estrutura e nunca por causa da estratégia ou estrutura.
É desta autonomia que falo, e será um dos pilares para resolver um dos desafios que o Real Madrid terá para o treinador setubalense: ser capaz de resolver algo maior do que ser apenas treinador. É reencontrar aquilo que deve ser a cultura de disciplina e exigência na equipa de futebol. É tentar encontrar novos Modric e Kroos para serem os líderes dentro de campo e em espaços onde ele não está nem pode estar. Não sei responder se Mourinho será ou não o treinador ideal para os problemas táticos atual plantel. Mas quem o contrata fá-lo com a convicção de que terá capacidade para devolver as peças do puzzle que não existiram nos últimos meses: disciplina e completo alinhamento entre treinador e direção.
Isto não significa que os treinadores anteriores fossem maus, nada disso. A direção do Real Madrid admite, com isto, que delega mais uma função no treinador português e que para isso, este tem de ter determinadas competências e que deve assumir a responsabilidade de fazer algo que a direção não conseguiu. Se lhe der autonomia e com ela responsabilidade, poder e significado, Mourinho pode resolver alguns dos problemas na cabeça da direção. Porque a equipa do Real Madrid tem muito mais falta de disciplina, cultura organizacional, rigor e compromisso do que falta de talento, e todos sabemos que ter atletas caros e talentosos, não chega.
No Benfica faltou aquilo que já vinha a faltar nas épocas anteriores e por isso, qualquer que fosse o treinador, o problema seria maior ou menor, mas nunca seria resolvido de modo estrutural. Isto não quer dizer que tudo o que aconteceu de mau foi responsabilidade do clube e tudo o que aconteceu de bom foi responsabilidade do treinador, nada disso. Mas considerar, nos dias de hoje, que o problema do clube encarnado é o treinador é o mesmo que pensar que o problema da economia nacional se resolve passando o pagamento do vencimento de mensal para semanal.
Há um match que não foi feito na Luz: entre a estratégia, a cultura organizacional que o clube gostaria de ter e não a que verdadeiramente tem, o treinador e o perfil de liderança e gestão desse treinador. Isto fará parte do sucesso ou do insucesso de quem chegar à Luz e fará parte do novo desafio de José Mourinho, seja em Madrid ou noutro clube qualquer. Mourinho pode agradar ou não relativamente àquilo que consegue aportar às suas equipas, mas tem duas enormes qualidades que face a estruturas difusas, continuam a ser rainhas: comunicação situacional e uma enorme capacidade de ler o ambiente em redor.
Florentino Pérez, com 26 anos à frente do clube madridista, aposta no português após 13 anos. Desde 2013, o Real Madrid trocou nove vezes de treinador e repetiu dois nomes nesse período: Zidane e Ancelotti. Passados 13 anos, muita coisa mudou. E a maturidade do presidente leva-o a procurar um treinador que gosta de gerir conflitos através do confronto, que conhece bem a casa, conhece a pessoa com quem vai lidar diretamente e com quem já viveu alegrias e deceções.
Mourinho sabe melhor do que ninguém que não pode ser o Mourinho de 2010. Provavelmente, nem o conseguiria ser. O ecossistema do desporto de alto rendimento mudou de forma vertiginosa e exige novas abordagens. O que não mudou, e dificilmente mudará tão cedo, é a base do sucesso de uma organização de topo: liderança eficiente, cultura organizacional robusta e alinhada entre todos, talento e competências, uma excelente estratégia e recursos capazes de responder aos objetivos."

O impacto do desporto no corpo dos jovens


"No futebol de elite, o talento é apenas parte da equação. O corpo em desenvolvimento dos jovens atletas é outro protagonista e a forma como cresce e se adapta pode ditar não apenas o rendimento, mas também a vulnerabilidade a lesões. Estudos recentes sobre futebolistas jovens evidenciam que o perfil de lesões muda conforme a idade e a maturação biológica — um fator muitas vezes esquecido no treino diário.
Nos escalões mais jovens, predominam lesões musculares e problemas ligados ao crescimento ósseo. Os picos de crescimento rápido colocam tensões extraordinárias nos tendões e cartilagens, sendo nesta fase que surgem dores nos joelhos ou pernas, muitas vezes interpretadas como simples desconfortos temporários — canelites. Ignorar estes sinais pode atrasar a recuperação e predispor a lesões mais graves.
À medida que os atletas amadurecem, as lesões ligamentares, sobretudo nos joelhos e tornozelos, tornam-se mais frequentes. A força e velocidade aumentam, o jogo torna-se mais intenso e o corpo, se não estiver preparado, torna-se mais vulnerável. A ciência mostra que programas de prevenção neuromuscular e controlo de carga individualizado reduzem significativamente este risco.
Há ainda diferenças importantes entre géneros. Jogadoras jovens apresentam padrões distintos de lesões, com maior incidência de lesões do ligamento cruzado anterior, refletindo fatores biomecânicos, hormonais e de maturação. Este conhecimento obriga a estratégias de treino e prevenção adaptadas, em vez de aplicar o mesmo modelo que funciona no futebol masculino.
O desafio para equipas técnicas, médicas e performance é gerir a diversidade de maturação dentro de uma equipa: alguns atletas crescem antes, outros mais tarde; alguns ganham força rapidamente, outros desenvolvem coordenação mais devagar. A monitorização individual, avaliações periódicas e comunicação constante com o atleta são ferramentas essenciais para reduzir riscos e garantir o desenvolvimento seguro.
No futebol jovem, proteger o corpo em crescimento é tão importante quanto trabalhar técnica ou tática. Prevenir lesões não significa apenas manter os atletas em campo, mas sim prepará-los para uma carreira longa, saudável e competitiva. Crescer no futebol é muito mais do que ganhar jogos: é aprender a respeitar o corpo que os leva a jogar!"

Tugão à Inglesa!

Alemanha: Harald Schumacher, o guardião do bigode que foi só disputar a bola e acabou vilão odiado em França


"Ainda hoje é inundado com pedidos de entrevista sempre que há um França-Alemanha na fase final de um torneio: vai acedendo porque espera mudar a opinião, pelo menos, de um francês acerca do que fez em 1982. Nas meias-finais do Mundial, embateu violentamente contra Patrick Battison, deixando-o inconsciente, e limitou-se a pegar na bola e esperar, de mãos na anca. O ato fê-lo ficar por diante de Adolf Hitler numa sondagem do L'Équipe sobre as pessoas mais odiadas no país. Schumacher

Podia ser um mito urbano, daquelas coisas que se contam desde os tempos pré-internet, dificilmente verificáveis: em 1982, findo o Alemanha-França das meias-finais do Mundial, o jornal “L’Équipe” ocupou-se com uma sondagem que perguntou aos leitores quem era a pessoa que mais odiavam. O resultado não foi renhido: Harald Schumacher, o guarda-redes da seleção germânica de futebol, acabou à frente de Adolf Hitler.
A cólera gaulesa germinou em Sevilha. O jogo estava empatado, durinho também, as disputas de bola de garras afiadas já eram muitas quando Michel Platini e a sua longa camisola para fora dos calções, a fazer-lhe um saiote, viu Patrick Battiston, esbaforido a correr buraco dentro da defesa alemã. O passe entrou, o francês chegou primeiro à bola e, na fronteira da área, desviou-a do embalado corpo de Schumacher, cuja abordagem à situação falou por cima das palavras que mais tarde dedicaria ao ato.
Ainda a quase dois metros de Battiston, sem hipótese de alcançar a bola, o guarda-redes saltou, virou o corpo, curvou-se ligeiramente. Foi de cóxis e ombro à frente, embatendo em cheio contra o peito e a cara do francês. Ao violento choque não se seguiu um apito do árbitro, nem falta foi.
Battiston caiu inconsciente no relvado, o seu corpo contorcido. Enquanto recebeu assistência, Harald Schumacher prosseguiu com a sua vida: foi buscar a bola, pô-la na linha da pequena área e esperou, de mãos na anca, para bater o pontapé de baliza. Battiston ficaria em coma, perdeu a conta aos dias no hospital, perdeu dois dentes, outros três partidos e uma costela fraturada. Ao sair do relvado deitado na maca, inanimado, enculcada na memória ficou outra imagem: o seu braço inerte, suspenso no ar, a ser amparado por Platini.
Na ressaca da partida, decidida apenas nos penáltis que desataram um 3-3, o guardião alemão deixou um recado aos jornalistas, ainda no estádio, ao saber que o jogador francês, então do Saint-Étienne, estava internado no hospital: “Digam-lhe que lhe pago dois dentes novos.” Eliminados os Les Bleus cheios de talento, com Alain Giresse, Jean Tigana, Louis Fernández, Didier Six ou Bernard Genghini a escudarem Platini, espalhou-se a bílis do povo gaulês pela dita sondagem e, sem freios, contra o guarda-redes da República Federal da Alemanha.
Contaria Schumacher, já retirado e sem bigode, que a federação contratou guarda-costas que o escoltaram durante seis meses, tanta a raiva dirigida à sua pessoa. “Podem imaginar que não se tratou de uma boa experiência. Recebi cartas escritas em francês e em alemão de quem me queria sequestrar-me ou matar os meus filhos”, revelou, em 2014, em entrevista “Le Monde” aquando do reecontro dos países nos quartos de final do Campeonato do Mundo desse ano.
A voragem de pedidos é cíclica, basta as seleções cruzarem-se na fase final de um torneio, ou nem isso. No Mundial do Brasil recebeu “mais de 20 pedidos”, os pretendentes encavalitavam-se na sede do Colónia, onde teve “mais de quatro horas de entrevistas, todas sobre o Alemanha-França de 1982”. Já vice-presidente do clube fiel a ter um bode de estimação para estar abeirado do relvado a cada jogo no seu estádio, Schumacher sabia que “a cada Mundial, as solicitações são massivas”.

Só disputou a bola
Harald Schumacher, simplesmente ‘Toni’ para os alemães, caía característico no olho alheio. De melena farta e encaracolada, bigode suficiente para cofiar, perfilou-se bastante jovem na dianteira da sucessão a Sepp Maier, histórico guarda-redes da Alemanha. Entrou antes do esperado na mannschaft, precipitado pelo acidente de carro que partiu um braço e costelas várias ao homem do Bayern de Munique, íman de incontáveis bolas mas traído pelo alcatrão escorregadio numa noite de chuva inclemente.
Nem dois meses antes, em maio de 1979, Schumacher estreara-se pela República Federal da Alemanha na cidade que se ensina às crianças portuguesas ser a de um rei que já se viu, para facilitar a memorização. Abatido o acidente sobre o lendário guardião germânico, coube a ‘Toni’ assentar na baliza da seleção. No ano seguinte, ganhou por 4-1 à França, em Hannover, o primeiro de quatro cruzamentos entre os dois países nas 76 internacionalizações do homem nascido em Düren, não muito distante de Colónia. Lá vestiu as luvas durante 15 anos, chegou a fazer 213 jogos consecutivos a titular e a Bundesliga escolheu-o, duas vezes, como o melhor jogador.
À violenta entrada com que atingiu Battiston, em 1982, seguiu-se a perseguição dos franceses. Uma semana depois do jogo, quando visitou o adversário no hospital, em Metz, à espera de Schumacher estavam uns 50 fotógrafos e para lá de uma centena de jornalistas, avisados da sua vinda por um amigo do defesa do Saint-Étienne, também ele escriba de um jornal local. O alemão deu meia-volta, mas arrependeu-se. “Arrependo-me de não o ter visitado no hospital. Mas, eventualmente, pediu desculpa ao Patrick e ele aceitou. Esta história devia ter acabado em 1982, mas faz parte da minha vida e tenho de viver com ela”, disse, mais tarde, à rádio francesa “RMC”.
Em 1986, fervilhava em França uma narrativa de revanche, os países voltaram a jogar a meia-final do Mundial, ganhando de novo a Alemanha com ‘Toni’ na baliza.
Perderiam na final contra a Argentina de Diego Maradona comprometida com o destino, a fundo no peda do acelerador com o peso do talento do seu semi-deus. O guardião do bigode seria eleito o melhor jogador com luvas do torneio que repetiu o desfecho de quatro anos antes, quando os alemães, já com a companhia de Schumacher, não puderam no jogo decisivo com o arcaboiço da Itália de Paolo Rossi.
A cada ano o ex-bigode, em conjunto com outros jogadores, celebra na Alemanha a “Noite de Sevilha”, assim guardada na memória coletiva do país. Schumacher chegou a falar do “jogo do século”, o melhor que disputou, sem se retrair no combustível que era a sua força motriz: garante que só tentou disputar a bola com Battiston, guarda “recordações positivas” de um encontro “tão emocionante que causou ataques cardíacos”, onde jogou “duro” porque era “assim que jogava sempre”, com “mentalidade de guerreiro”.
Mas Harald Schumacher tem outro arrependimento, o de não ter ido inteirar-se do estado de Patrick Battiston após a colisão. Por isso não se coíbe de aceder a entrevistas que o auscultam sobre o mesmo: “Fui criado com os valores de honestidade e trabalho, com a ideia de nunca desistir. Foi o que fiz contra a França. Se for capaz de convencer, pelo menos, um francês de que não sou um mau tipo, já terá valido a pena.”"

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Estamos nas Meias-finais...

Sanjoanense 1 - 2 Benfica

Jogo apertado, ao contrário da goleada no Jogo 1, com mais uma actuação da senhora Sílvia Coelho surreal!!!

Eliminados...

Benfica 3 - (1) - (4) 3 Santa Clara
Bernardes, Kiko Silva, JP Gonçalves
(Duarte)


Benfica afastado de mais um título, com uma arbitragem surreal! Acabámos o jogo com 9 jogadores, jogámos quase de 90 minutos em inferioridade numérica, ainda conseguimos levar o jogo para os penalty's, e se os putos não estão obrigados a fazer mais, o Benfica tem que fazer mais!!!

Continuem a idolatrar jogadores em vez do Clube...

Compensa...

Boa pergunta...

Insatisfatório satisfeito !!!

Impunidade...

Tugalândia...

Hello...!!!

BI: Época 2025/16 - Rescaldo

A convocatória de Martínez não é perfeita, mas é inatacável


"Frustração de António Silva, Palhinha, Horta, Pedro Gonçalves ou Paulinho seria, se tivessem sido chamados, a de outros, e talvez até mais justificada

Se eu fosse selecionador de Portugal, a minha lista de 26 convocados para o Mundial não seria esta:
Mas não faria muitas mudanças. E limitando o leque de escolhas aos jogadores que têm estado no radar da Seleção nos últimos tempos, teria poucas ou nenhumas diferenças.
Sim, é frustrante para jogadores como António Silva, João Palhinha, Ricardo Horta, Pedro Gonçalves ou Paulinho ficarem de fora, uns depois de boas épocas, outros acima de tudo pelo trajeto que têm na equipa nacional. Mas se não fossem eles seriam outros, e essa frustração apenas mudaria de personagem.
António Silva merecia estar no Mundial? Não chocaria, mas merecia mais que Tomás Araújo, que nos jogos principais do Benfica, quando esteve disponível, jogou à frente do companheiro de setor?
Palhinha podia estar nos 26? Claro que sim, mas depois do que Samu Costa fez nos dois particulares de março, não será o médio do Maiorca mais capaz de oferecer coisas diferentes à equipa? Paulinho não justificaria mais que Gonçalo Guedes a ida à Seleção? É possível. Mas o argumento de Roberto Martínez, de que, como terceiro avançado, o jogador da Real Sociedad faz mais sentido, porque oferece coisas diferentes dos outros dois — Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos —, é inatacável.
E quanto a Ricardo Horta e Pedro Gonçalves, caberiam perfeitamente na lista, mas em vez de quem? Francisco Conceição? Trincão? João Félix? Pedro Neto? Claro que não. Quanto muito, podiam ir se Martínez não levasse cinco laterais, mas também nesse caso os argumentos do selecionador — de que é uma das posições mais desgastantes, de que com cinco substituições por jogo, calor, fuso horário, pode aproveitar para ir refrescando, de que nesses cinco há muita versatilidade, incluindo pensar em Matheus Nunes como alternativa para o meio-campo, a sua posição de raiz — fazem todo o sentido.
E, na verdade, não vale muito a pena discutir o 23.º, o 24.º ou o 25.º jogadores da convocatória. Seja Nélson Semedo, Samu Costa, Paulinho, Gonçalo Guedes ou Horta, a probabilidade de qualquer um deles jogar minutos significativos no Mundial é reduzida.
O que deve preocupar é saber se, mesmo tendo acertado em cheio na convocatória, ou perto disso, Martínez é capaz de transformá-la numa boa equipa. Porque no apuramento ficaram vários exemplos da Seleção a jogar bem abaixo do seu potencial."

Óscar René Cardozo Marín


"Quando cheguei ao Benfica, ou quando o Benfica chegou até mim, não sei bem, o Cardozo já lá estava. E mesmo assim, o Benfica não era mais dele do que meu. Fez sempre questão de o mostrar.
Quando dei por ele, eu tinha seis ou sete anos e ele vinte e quatro, a idade que eu tenho agora e que está quase a esfumar-se em vinte e cinco. Está, portanto, praticamente descartada a minha chegada meteórica ao Benfica para repetir Cardozo, o que, em boa verdade, foi sonho permanente e letárgico em mim muito tempo. Era o rotineiro e automático “ainda vamos a tempo” quando me sentava em frente ao televisor e jogava vídeo jogos de futebol na pele de jogadores sempre mais velhos do que eu. Claro que tive de deixar de jogar esses jogos. Tive por obrigação de afastar o pensamento de que deveria estar agora a usufruir do meu pico desportivo sem retorno e provocar uma das bancadas em Alvalade com uma knee slide celebration, em vez de ser só mais um crónico-do-9-às-18.
Muito mais do que o jogador distante e pixelizado na TV lá do café, o Cardozo era um sonho latino cristalizado num metro e noventa e dois centímetros. A minha geração quis toda ser Cardozo. Por isso mesmo, é também com alguma mágoa, para além do sentimento de dever cumprido, que nos despedimos dele. Até porque não foram poucas as vezes, talvez sem grande motivo racional, em que o reduzi a um grandessíssimo trator com GPS ou a um camelo em relva sintética ou a um guindaste avariado.
O futebol não escapa às perfídias amargas da vida, por isso, até aqui, só damos mesmo valor às coisas quando as perdemos. Ainda assim, acho que a grande maioria de nós sabia a pessoa (e o futebolista) que vestia a nossa camisola preferida. Com os anos, o futebol ganha em quem o vê uma lucidez estranha e à qual não estamos muito habituados, portanto, com toda a naturalidade, já não adormeço a pensar no Cardozo.
A parte boa é que há coisas que nunca mudam mesmo. Ainda agora, quando ouço os versos de Paulo de Carvalho que dizem “E desde então se lembro o seu olhar/É só para recordar/Os quinze anos e o meu primeiro amor” a minha memória divide-se entre o Cardozo e a minha primeira intensa paixoneta adolescente. Não vos posso dizer quem me fez mais feliz, não vá ela poder vir a ler isto."

Devolvam-me o Benfica do meu pai


"Há épocas más. E depois há épocas que nos fazem sentir órfãos de qualquer coisa. Esta do Benfica foi isso.
O meu pai morreu há uns anos. E a verdade é que nunca soubemos muito bem ser pai e filho. Havia sempre qualquer coisa desalinhada entre nós, como dois homens presos em frequências diferentes, incapazes de encontrar tradução um no outro. Falávamos pouco, discordávamos muito, e carregávamos um silêncio pesado que nenhum dos dois teve coragem de desmontar.
Mas havia o Benfica. O Benfica era território neutro. O único lugar onde as feridas ficavam em suspenso durante noventa minutos. Era ali que encontrávamos paz. Não através de grandes conversas ou abraços cinematográficos, mas através de pequenos rituais: o relato ligado demasiado alto, os comentários nervosos antes dos clássicos, o levantar abrupto do sofá num golo aos noventa. O futebol fazia-nos o milagre raro da harmonia.
O meu pai era do Porto. Nascido e criado no Porto. Jogou profissionalmente no Boavista FC, conheceu balneários, campos pesados e viagens intermináveis num futebol muito diferente deste. Mas o coração dele era do Sport Lisboa e Benfica. Ferrenho. Irracional. Daqueles benfiquistas antigos que não precisavam de justificar o amor ao clube porque o Benfica, naquela geração, era mais do que futebol. Era identidade. E talvez tenha sido por isso que ele me falava tantas vezes dos homens que fizeram o Benfica dele.
Falava-me do Eusébio quase como quem fala de uma figura mítica. Do respeito absoluto que inspirava dentro e fora do campo. Do orgulho de ver um português dominar a Europa com uma humildade rara. Falava-me de Mário Coluna como “o patrão silencioso”, aquele capitão elegante que fazia parecer simples o que era impossível. E depois havia Fernando Chalana. O pequeno génio. O cabelo desalinhado, as meias caídas, os dribles impossíveis. O meu pai sorria de maneira diferente quando falava do Chalana. Como se naquele jogador estivesse condensada toda a beleza despreocupada do futebol antigo.
Essas histórias eram talvez as nossas melhores conversas. Porque quando ele falava do Benfica, desapareciam as tensões entre nós. Já não havia cobranças, nem silêncios pesados, nem incompatibilidades antigas. Havia apenas um homem a recordar felicidade e um filho a ouvi-lo em paz.
Talvez por isso me custe tanto olhar para este Benfica atual. Porque isto já não parece o Benfica que me ligava ao meu pai. Parece uma caricatura cara, vaidosa e vazia. Uma equipa construída com milhões, com um dos maiores investimentos da história recente do clube, mas sem alma, sem liderança e, pior do que tudo, sem compromisso visível com aquilo que significa vestir aquela camisola.
Gastaram-se dezenas de milhões em reforços, em promessas embaladas por campanhas de comunicação impecáveis, em discursos sobre hegemonia e ambição europeia. E no fim sobra uma equipa emocionalmente frágil, incapaz de aparecer nos jogos decisivos, perdida entre exibições medíocres e desculpas recicladas.
E talvez o mais frustrante seja saber que, em raríssimos momentos, esta equipa mostrou que ainda sabe o que é jogar à Benfica. Houve noites isoladas em que apareceu raça, urgência, aquela sensação antiga de que os jogadores percebiam o peso da camisola. Como naquele jogo europeu contra o Real Madrid, quando até o Anatoliy Trubin apareceu como símbolo de desespero e crença, subido à área nos últimos minutos, à procura do impossível. Foram segundos de caos, de coração na boca, de estádio inteiro empurrado pela emoção. E talvez tenha sido precisamente isso que mais custou: perceber que a chama ainda existe algures, mas que passou a ser exceção em vez de identidade.
Porque o Benfica do meu pai não precisava de jogar perfeito. Precisava apenas de jogar com alma.
Este Benfica lembra-me os chamados anos do Vietname. Não apenas pelos resultados, mas pela sensação constante de desorientação. Pela ausência de identidade. Pela ideia de que o clube se tornou uma máquina empresarial que já não sabe alimentar a sua própria mística.
Há dinheiro. Há marketing. Há vídeos épicos nas redes sociais. Mas falta Benfica. E talvez seja isso que mais dói.
Porque eu lembro-me — através do meu pai — do outro Benfica. Do Benfica que fazia um homem esquecer os problemas da vida durante duas horas. Do Benfica que unia gerações inteiras à volta de uma televisão pequena numa sala cheia de fumo e nervosismo. Do Benfica que entrava em campo com jogadores como Pablo Aimar, Javier Saviola, Cardozo ou Luisão e onde, independentemente da qualidade individual, se via entrega, personalidade e respeito pela camisola.
Havia noites na Luz em que o estádio parecia respirar junto. Em que o Benfica era maior do que o futebol. Maior até do que a vitória.
Hoje vejo jogadores que perdem e abandonam o campo com a indiferença burocrática de quem terminou uma reunião de condomínio. Vejo dirigentes que falam como administradores de uma marca e não como guardiões de um património emocional. Vejo adeptos cansados de amar um clube que já não os reconhece. E dou por mim a pensar naquela frase que tantas vezes apareceu em faixas e murmúrios de bancada: “Devolvam-me o meu Benfica.”
Talvez porque o meu Benfica nunca tenha sido apenas um clube. Era também o meu pai. Era aquele raro instante em que conseguíamos existir sem conflito. Cada jogo era uma trégua emocional entre dois homens que nunca aprenderam totalmente a comunicar.
E quando vejo esta equipa sem chama, sem coragem e sem respeito pela dimensão do símbolo que carrega ao peito, sinto que não estão apenas a destruir uma época. Estão a destruir memórias. Porque o futebol nunca foi só futebol. Às vezes era a única linguagem possível entre um pai e um filho."

Zero: Mercado - Sporting pesca talento no futebol italiano

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Análise à convocatória para o Mundial

Observador: Três Toques - Os convocados da seleção e os esquecidos (até na caderneta)

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #141

Fixar número máximo de minutos é inevitável e urgente


"O que distingue o jogador profissional de futebol de um escravo? Teoricamente, o facto de poder deixar de jogar quando quiser e ter alguns direitos laborais

Os adeptos precisam de voltar a ter saudades de ver um jogo de futebol. Hoje, o futebol nunca pára, não há off-season. A NFL, por exemplo, só tem jogos durante sete meses, entre cada temporada há cinco meses sem jogos.
O interesse dos adeptos de futebol está a esmorecer com o excesso de jogos, que resultam em saturação e desinteresse no longo prazo. Os Mundiais, Europeus e Mundiais de Clubes fazem com que a pré-temporada comece antes de acabar a temporada anterior. Há poucas dezenas de anos, em maio, começavam três longos meses em que não havia futebol para ver.
Três vezes por semana, A BOLA trazia algumas novidades. Nos anos de Campeonato do Mundo e da Europa, que eram disputados apenas por 16 e por oito equipas, Portugal não participava — e os jogos eram poucos. No Mundial, os portugueses apoiavam o Brasil. Os desportos que os portugueses seguiam nesses longos verões eram o ciclismo e o hóquei em patins. A Volta a Portugal vivia da rivalidade dos três grandes e dos ciclistas serem portugueses. Sabe quem foi o vencedor em 2025?
Na Volta a França, participava o Joaquim Agostinho, o melhor ciclista português de todos os tempos. Melhor ainda, era a cobertura do jornal A BOLA. Homero Serpa e Carlos Miranda, e alguns jornalistas excecionais, descreviam a evolução da corrida, mas também as cidades e as vilas por onde o Tour passava e contavam histórias sobre os protagonistas ou sobre pessoas anónimas com quem se cruzavam ao pequeno-almoço e ao jantar.
O hóquei em patins era ainda mais entusiasmante. Os jogos passavam na televisão, e quem disputava, e ganhava, os Mundiais e os Europeus era a Seleção Nacional. Não se conseguia ainda ver a bola, mas, pela reação dos jogadores, percebia-se quando tinha entrado na baliza.
O futebol foi inventado em Inglaterra, e era jogado pelos estudantes universitários — a elite rica da sociedade no século XIX. Era um desporto de inverno, porque no verão os jogadores queriam passar férias no sul de França. Ganhavam sempre às equipas formadas por operários, porque estes treinavam à noite, depois de fazerem turnos de trabalho pesado. Apenas quando foi permitido aos jogadores receberem um pagamento, os operários puderam deixar de trabalhar e competir de forma justa — e ganhar.
A igualdade de oportunidades e a meritocracia do futebol foi consequência do profissionalismo. E o descanso nasceu com o jogo. O excesso de jogos também é prejudicial para os jogadores — nunca se investiu tanto em departamentos médicos e de performance e as lesões graves não param de aumentar.
Quem tem mais dinheiro, mais hipótese tem de ganhar. E a procura de receitas fez aumentar o número de jogos em cada época. Até as pré-temporadas passaram a ser definidas em função das receitas que os jogos garantem — todas as equipas que o conseguem, logo na pré-temporada exageram o número de jogos e de viagens intercontinentais. O excesso de jogos está a matar a galinha dos ovos de ouro.

Como se vive na Gaiola Dourada?
O que distingue o jogador profissional de futebol de um escravo? Teoricamente, o facto de poder deixar de jogar quando quiser e ter alguns direitos laborais — muito menos do que a maioria dos trabalhadores. Pode não conseguir ter férias, não tem fins de semana com a família e o horário de trabalho é fixado semanalmente. Entre o Natal e o Ano Novo, não pode meter férias.
Trabalha até à exaustão e é muitas vezes sujeito a pressão psicológica no limite da coação. Ninguém se importa com isso, afinal o jogador é bem pago (os poucos que realmente o são). Mas também ninguém se importa com os pais que não estão com os filhos, os filhos que crescem sem o pai presente no aniversário, os avós que não veem o neto entre o Natal e o Ano Novo. O futebolista foi desumanizado, é apenas um ativo.
A sua formação, muitas vezes iniciada antes dos 14 anos, tem traços evidentes de trabalho infantil — agravado pela separação da família. Seria tolerado pela sociedade que crianças de 13 anos fossem viver para academias de fábricas de calçado ou têxtil? A 300 quilómetros de casa dos pais? Em que o dia fosse ir de manhã à escola e à tarde a aprender a fazer sapatos e camisas? E dormissem em camaratas?

Se dividirmos a Primeira Liga em velocidades, há cinco muito diferentes entre si
Os três maiores, o SC Braga, o Vitória de Guimarães, a classe média alta (Famalicão, Gil Vicente, Santa Clara e alguns outros) e os que lutam pela sobrevivência. Desde que em 1995/1996 a vitória passou a valer três pontos, a época 2025/2026 foi a primeira em que os três maiores fizeram, simultaneamente, 80 pontos ou mais — 88/82/80 (250 no total dos três).
Entre 1995/1996 e 2005/2006, a média dos três maiores foi de 211 pontos, o máximo entre os três foi de 229 e o mínimo de 188. Em 2006/2007, a Primeira Liga reduziu o número de participantes para 16 até ao regresso às 18 equipas em 2014/2015. Neste segundo ciclo (2014-2026), a média de pontos dos três maiores subiu para 241, o máximo foi de 250 pontos e o mínimo de 219.
Reveladora, também, é a análise entre o Vitória de Guimarães e o SC Braga. No primeiro ciclo, cada um ficou cinco vezes à frente do rival — numa das 11 épocas acabaram empatados com 42 pontos. No segundo ciclo de 12 épocas, por 11 vezes o SC Braga ficou à frente do Vitória. (2026/2017). O SC Braga fez uma média de 49 pontos no primeiro ciclo e de 64 no segundo. O Vitória passou de 47 para 50. O crescimento do SC Braga é impressionante (30%), o do Vitória pouco mais do que marginal (6%).
Consolidar o sexto lugar no ranking da UEFA, passa prioritariamente por reforçar a competitividade do Vitória de Guimarães e da nova classe média alta do futebol português, liderada pelo Famalicão. A chave de repartição da centralização, tem de prever um premio extra a quem aceda à disputa das competições da UEFA — só assim vamos conseguir manter o sexto lugar do ranking de forma duradoura."

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Um conto de fadas chamado Vardy


"O que é mais provável acontecer? Um futebolista que está na oitava divisão inglesa com 20 anos ainda conseguir conquistar a Premier League ao serviço do Leicester ou então alguém subir até ao topo do Monte Evereste sem a ajuda de oxigénio suplementar?
Subir ao topo do Monte Evereste sem oxigénio suplementar é uma coisa raríssima e brutalmente difícil, mas que já aconteceu algumas vezes na história. Por outro lado, um atleta sair tão tarde do desporto amador, chegar ao topo do futebol inglês e ainda vencer a Premier League num clube que (quase) todos achavam que iria descer de divisão nessa época é, definitivamente, um conto de fadas. Mas que aconteceu mesmo.
E depois de ter visto o seu mais recente documentário decidi que tinha realmente de escrever sobre este futebolista inglês. Porque a história de Jamie Vardy é fabulosa, sobretudo porque é real. Porque cheira a relva molhada dos campos pequenos, a fábricas no norte de Inglaterra, a noites frias jogadas longe das câmaras e dos milhões.
Vardy não nasceu prodígio. Não cresceu dentro das academias de luxo nem foi apontado como «o próximo grande craque». Foi dispensado em jovem, trabalhou numa fábrica com vários turnos, jogou na oitava divisão inglesa depois de sair do trabalho, cheio de dores nas costas, e percorreu quilómetros e quilómetros num futebol quase invisível para o grande público. Enquanto outros apareciam nas capas dos jornais aos 18 anos, ele lutava simplesmente para poder continuar a jogar.
E talvez seja precisamente isso que torna a sua história tão poderosa. Quando Vardy chegou ao Leicester, muitos pensavam que seria apenas mais um avançado esforçado. Mas Vardy carregava algo que não se ensina: fome. A fome de quem sabe o que custa chegar ali. Cada sprint dele parecia uma resposta aos anos em que ninguém acreditou. Cada golo tinha a força de uma vingança silenciosa contra todas as portas fechadas.
Pelo caminho, ainda quebrou um recorde extraordinário. Van Nistelrooy tinha marcado em 10 jogos consecutivos pelo Manchester United, em 2003. Em novembro de 2015, Vardy igualou esse registo. E uma semana depois ultrapassou-o ao marcar no 11.º jogo seguido, precisamente contra o Manchester United.
E há algo quase poético nisso. Um avançado vindo do futebol amador, da oitava divisão inglesa, a ultrapassar um dos pontas-de-lança mais letais da era moderna. Não foi apenas um recorde estatístico, foi o futebol a gritar que «tudo é possível». E o mais incrível é que o recorde continua de pé até hoje. 11 jogos consecutivos a marcar na Premier League. Absolutamente brutal.
Depois veio o impossível. De novo. A temporada do título da Premier League ao serviço do Leicester não foi apenas uma surpresa desportiva. Foi um milagre moderno. Um grupo desacreditado a desafiar milionários, superestrelas e probabilidades absurdas. Que por pouco não foi despromovido ao Championship na temporada anterior. E no centro desse milagre futebolístico estava Vardy. Muito rápido, faminto, agressivo, emocional e humano. Um jogador que parecia jogar sempre como se ainda estivesse nos campos da oitava divisão, como se tivesse constantemente algo a provar ao mundo.
Porém, há ainda outro detalhe muito bonito nesta caminhada. A estabilidade fora do campo. Vardy teve muitos problemas com o álcool ao longo da sua carreira, mas a relação com Rebekah Vardy trouxe-lhe uma base emocional que muitas vezes é ignorada quando se fala de futebolistas. O talento conta. O treino conta. Mas a paz mental, o apoio em casa, alguém que acredita em ti quando tudo ainda é incerto, isso também constrói carreiras. Há jogadores com mais técnica que se perdem pelo caminho porque lhes falta equilíbrio. No caso de Vardy, sente-se que encontrou um porto seguro precisamente quando a vida começou a acelerar.
O documentário mostra isso muito bem. Por trás do avançado explosivo existe um homem imperfeito, intenso, leal às suas raízes e profundamente marcado pelo passado. E talvez seja por isso que tanta gente gosta dele, mesmo fora do Leicester.
A história de Jamie Vardy lembra-nos que o sucesso não pertence apenas aos escolhidos e aos predestinados. Às vezes, pertence aos teimosos. Aos que continuam quando ninguém está a ver. Aos que caem, trabalham, insistem e chegam lá mais tarde.
E quando finalmente chegam... chegam com uma força impossível de ignorar. Porque, tanto no futebol como na vida, nunca é tarde."