Últimas indefectivações

sábado, 5 de setembro de 2026

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Nova jornada: quem escorrega?

Observador: E o Campeão é... - O fecho do mercado vai finalmente trazer paz aos plantéis?

Observador: Três Toques - O que está por trás da humilde carrinha de João Neves?

DeLetra #51

Primeiro Toque - Linha Lateral - João Nuno

Rabona: The Transfer Window is CLOSED...But How Were My PREDICTIONS?

TNT: Melhor Futebol do Mundo...

A nobre arte portuguesa de dizer mal


"O português tem uma queda especial para dizer mal de si próprio. Olhar para o desporto hoje e não reconhecer melhorias é doentio. Já agora, há 17 pavilhões no País com ar condicionado

A possibilidade de caracterizar um povo por inteiro é apenas mais uma forma de generalizar, o que como sabemos é extremamente perigoso, pode acarretar injustiças e normalmente até está errado. Sempre ouvi, por exemplo, que «os espanhóis recebem mal os portugueses» e no entanto ando, há muitos anos, a ter provas do oposto de cada vez que passo a fronteira.
Mas quando penso na capacidade de dizer mal de si próprio não consigo deixar de imaginar, imediatamente, um português. Um qualquer de nós. Pode ser a figura do Zé Povinho do Bordalo, que sem deixar de corresponder a um estereótipo não deixa de ter a sua graça.
Recentemente, numa excelente conversa com o José Manuel Delgado, nas plataformas de A BOLA, o presidente da Confederação do Desporto de Portugal chamou a atenção para uma série de problemas incontornáveis. Daniel Monteiro sugeriu o aumento da dotação ao desporto do dinheiro resultante de impostos sobre apostas desportivas, muito bem, e chamou a atenção para carências inacreditáveis em federações menos expostas ou ricas.
Esta é a forma construtiva de criticar e procurar soluções, sabendo todos que Portugal é hoje um país desportivo muito mais rico do que no século passado. A nossa primeira medalha de ouro olímpica ainda não fez 50 anos, e só bem mais tarde começámos, por exemplo, a vencer em modalidades e disciplinas mais técnicas que o fundo e o meio fundo. Isto revela trabalho, treino e algum investimento, ainda que talvez longe do ideal. Há, seja como for, muito mais infraestruturas e os resultados estão à vista.
Pareceu, por isso, desajustado o desabafo do selecionador de basquetebol sobre o calor no pavilhão do Casal Vistoso. Um desabafo, ainda por cima, solto bem à portuguesa, questionando se os governantes trabalhavam em gabinetes sem ar condicionado. Não trabalham (espero) e ainda bem.
A Seleção de basquetebol podia ter escolhido um de 17 pavilhões públicos climatizados ou cinco de ar forçado existentes no País para trabalhar. Além dos que certamente alguns clubes poderiam disponibilizar. Não foi por nada disso que Portugal fez história ao vencer em Espanha dias depois ou perdeu, mais tarde, com a Geórgia.
Não somos a maior potência desportiva do Mundo, da Europa ou sequer da Península Ibérica, mas escusamos de exagerar na crítica gratuita."

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Day One | Echeverri

BI: Echeverri...

20 Anos Benfica Campus | Episódio 2

Terceiro Anel: Bola ao Centro #226 - FECHO DO MERCADO E AMBIÇÃ0 EUROPEIA!! 🦅🔴

BI: Modalidades #185 - Semanada...

Anos 90?!!!

Liberdades !!!

'Guerra' Norte/Sul: lufada de mais do mesmo


"Costuma-se dizer que a política é a arte do possível. Quando se chega ao poder, as ideologias passam a ocupar o canto da primeira gaveta que encontramos e as promessas de renovação encontram lugar nos sonhos de quem as fez. No futebol e em qualquer barco grande de navegar, somos invariavelmente confrontados com esta surpresa para uns e naturalidade para quem trata os bastidores por tu.
Contudo, há situações que espantam mais do que outras. Especialmente quando se apresentaram revestidas de um providencialismo quase perfeito, onde a modernidade reinava e as águas passadas eram apenas isso. Uma candidatura — e um candidato — que juravam vir revolucionar o modus operandi do futebol português, convencendo-nos de que o status quo vigente não era a única forma de dirigir os destinos de um clube no nosso país. Para não correr o risco de fazer o mesmo que o próprio e ser claro a quem me dirijo: André Villas-Boas desiludiu.
Não vem de agora, mas a última semana insuflou este sentimento. Aliás, permitam-me que o diga: até me espantam as reações tímidas às declarações de Farioli sobre a «comunicação social do Sul». O presidente do FC Porto, na sua chamada mensal às tropas na revista do clube, veio reforçar o que julga ser uma cabala coletivamente orquestrada contra os dragões. Há uma sensação, criada há décadas por Pinto da Costa, de que aos responsáveis do FC Porto se deve uma maior tolerância nas declarações e uma interpretação sempre mais caridosa das suas frustrações — ou, melhor dizendo, quando dizem algo que claramente ultrapassa os limites da urbanidade.
Parecem deter algo de superior — estou curioso para entender do que se trata —, quase uma imunidade que lhes permite criticar sem consequências, alimentar suspeitas e construir teorias de conspiração. O mote é conhecido: acentuar a polarização e aumentar a fricção fictícia entre Norte e Sul. É uma divisão que existe muito mais na cabeça de quem a explora do que na sociedade portuguesa e que é perigosamente utilizada para mobilizar as hostes e justificar quase tudo.
É importante perceber que, na comunicação moderna, poucas coisas acontecem por acaso. É cada vez mais difícil olhar para a sucessão de episódios e não identificar uma cultura que permanece. Essa é precisamente a minha desilusão com Villas-Boas: prometeu romper com uma forma de estar e parece ter percebido que é mais fácil vencer este jogo precisamente sob o conforto das regras que prometeu renegar.
É, por isso, que as declarações de Farioli (e do próprio) incomodam mais do que se viessem de uma direção que nunca tivesse feito juras de ser diferente. Porque o treinador não acordou certamente numa manhã de agosto e decidiu que seria um excelente dia para enfrentar essa entidade maléfica e misteriosa chamada «comunicação social do Sul». Aquela organização que, imaginamos por decerto, se reúne nas catacumbas das redações e dos restaurantes da capital para estudar como maldizer sobre o clube da lufada de ar fresco, da gestão moderna e da mudança de paradigma. Só no papel, claro.
E é aqui que entra a imprensa. Tem de existir mais espírito crítico da sociedade civil, mas também da própria comunicação social, sob pena de perder — infelizmente, ainda mais — credibilidade. Os treinadores estrangeiros em Portugal possuem, regra geral, uma tolerância superior aos demais, mas só até ao primeiro erro. A partir daí tornam-se bodes expiatórios fáceis. Schmidt descobriu isso quando questionou a idoneidade de um jornalista numa conferência de imprensa. A reação foi imediata. O treinador do FC Porto parece, por enquanto, gozar de outro estatuto. Talvez porque ainda não tenha conhecido o sabor da derrota. Talvez porque, no futebol português, o medo seletivo continue a imperar mais do que pensamos.
Até a questão da língua dá para uma pequena ironia. Farioli continua a fazer conferências em inglês e ninguém parece particularmente incomodado. É no mínimo digno de salientar que continue a ser pacífico (desta vez) que não queira aprender a língua de Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco ou Agustina Bessa-Luís, apenas para citar alguns dos escritores que colocaram no papel a alma das gentes do Norte que o italiano tanto gosta de apregoar semanalmente. É curioso como, de repente, a exigência linguística também parece ter fronteiras geográficas.
Essas mesmas que parecem ser essenciais para Jan Bednarek, jogador internacional polaco e com provas dadas, que explicou uma curiosidade da vida portista: não pode usar corações vermelhos, no WhatsApp enviam-se corações azuis, não se fala de Lisboa e não se vai a Lisboa, porque o Porto é fantástico e ali todos são felizes. É engraçado. É também revelador.
Quando Lisboa passa a ser uma palavra que não se pronuncia, é grave. Quando o futebol deixa de ser Porto contra Benfica e Sporting e passa a ser Porto contra uma entidade geográfica abstrata que intitulam de Sul, ultrapassa os limites da lógica.
Peço desculpa por informar quem tenta criar narrativas, mas essa divisão é ficção pura. Não tentem fomentar um país onde o Porto tenha de provar diariamente que existe contra Lisboa, nem uma Lisboa obrigada a responder diariamente ao Porto para provar que não é aquilo que dizem dela. As fronteiras têm de ser claras quando começa a necessidade de criar um inimigo. Porque é daí que nasce o resto.
Os apanha-bolas deixam de ser miúdos a correr atrás de uma bola e passam a ser peças de uma guerra psicológica. As toalhas dos guarda-redes tornam-se assunto de Estado. Um balneário demasiado quente ganha estatuto de incidente diplomático. Uma coluna de som, uma televisão, uma porta, um acesso ou um corredor podem transformar-se em capítulos de uma novela surreal.
Não há problema nenhum em ser do Porto. Não há problema nenhum em sentir uma ligação visceral à cidade, à camisola e à história. O problema é quando essa identidade precisa de um inimigo eterno para sobreviver. E é aqui que volto a Villas-Boas. Porque o problema é a distância entre a promessa e a prática.
Um presidente que chegou com a «tolerância zero» para irregularidades na ponta da língua e que apresentou a renovação como uma mudança de cultura deveria ser precisamente aquele que mais depressa percebia que a grandeza de um clube não se mede pela quantidade de inimigos que consegue fabricar. Aliás, o próprio afirmou que a continuidade de Farioli representava a continuidade de «uma forma de estar», assente em rigor, ética e obsessão pelo detalhe. Pois bem. É legítimo perguntar se essa cultura também se aplica à forma como o FC Porto se relaciona com o exterior. Talvez essa seja a verdadeira prova do projeto de Villas-Boas. Aqui não está em causa se consegue continuar a ganhar. É saber se consegue fazê-lo sem precisar de ressuscitar fantasmas. Sem transformar cada banalidade numa batalha cultural. Isso, sim, seria uma lufada de ar fresco.
Porque Portugal é muito maior do que a cultura de cisão que os mesmos de sempre continuam a alimentar. E o futebol português também merece mais. Merece dirigentes capazes de defender os seus clubes sem transformar o país num campo de batalha que só existe nas suas cabeças. E merece, sobretudo, que quem se manifesta incrédulo contra o que chama de faltas de respeito institucional dos rivais, assuma que traz sempre no bolso a velha fórmula do «nós contra eles».
Até porque, quando abrimos a janela à procura da anunciada lufada de ar fresco e continuamos a sentir exatamente o cheiro de antigamente, talvez seja altura de admitir uma coisa incómoda. Não era ar novo. Era mais do mesmo."

A camisola do meu clube não entra em todo o lado


"Se o Mundo fosse perfeito não era preciso criar medidas extraordinárias de segurança, corredores de circulação, caixas de adeptos, traços contínuos na estrada, brigadas de fiscalização, fronteiras, controlos.
Acontece que o Mundo não é perfeito, e por isso não cabe na cabeça de qualquer adepto de um dos chamados grandes entrar na bancada da claque de outro grande com a camisola do seu grande vestida. Era bonito ter um mundo de unicórnios? Era. Mas ele não existe, e por isso um adepto que o faça facilmente será apelidado de «maluco».
Porque lógica há de isto ser diferente em casa dos chamados não grandes? Só por macrocefalia, um dos males do futebol português.

De chorar por mais
A capacidade de Fernando Pimenta já esgotou adjetivos. Vou para o mais banal: é um grande campeão e um orgulho.

No ponto
Quando a teimosia de um treinador resulta, há que dar-lhe mérito: Gabri Veiga é, hoje, fundamental no FC Porto.

Insosso
Daniel Bragança fazer 15 jogos e valer 2,5 milhões é de menos para o potencial dele e para a história no Sporting.

Incomestível
Uma semana em que um dos melhores da história renuncia à sua seleção será sempre uma má semana. Grande Messi."

Uma Liga de quatro e outra de catorze


"Há um versículo de São Mateus que diz «a quem tem, mais será dado», que me ocorreu recentemente a propósito de mais um mercado em que os principais emblemas do futebol português exibiram capacidade financeira inesperada, ou, no mínimo, muita criatividade na gestão de custo e benefício. No período que se encerra esta semana – ainda com possibilidade de retoques até sexta-feira –, os principais emblemas têm todos mais: mais dinheiro investido, mais jogadores, mais soluções. E, teoricamente, menos debilidades nos plantéis, pelo menos que sejam evidentes. 
No fundo, quem já tem vantagem competitiva – provas europeias, receitas crescentes e maior capacidade de investimento - reforça-se mais ainda e aumenta a distância.
O FC Porto precisava de um lateral-esquerdo e de mais um ponta de lança, chegaram Souza e Santi Giménez; o Benfica carecia de um lateral-esquerdo e de mais um médio ofensivo, para somar a um central e a um seis, e acaba de acrescentar El Karouani e Echeverri a Circati e Palhinha; o Sporting procurava outro guarda-redes e uma alternativa a Maxi Araújo, resolveu com Kaique e Zekri, depois das várias aquisições anteriores; o SC Braga reforçou o centro da defesa, aumentou as soluções de meio-campo e juntou Milosevic (depois de Wind) ao lote de pontas de lança. Os quatro estão melhores. E se já eram mais fortes do que os outros, é fácil perceber para que lado cresceu a diferença.
O Sporting foi o único que decidiu trocar parte importante do que funcionava por algo diferente. Às saídas «normais» de Hjulmand e Morita somou-se o franquear de portas a Trincão, Pedro Gonçalves e Daniel Bragança e só no caso do primeiro destes com evidente proveito financeiro. Foi uma revolução assumida, não um acidente de mercado. Rui Borges recebeu médios novos, mais capacidade física, velocidade e verticalidade, mas perdeu talento associativo, rotinas e jogadores que sabiam ganhar juntos.
É por isso também o treinador que tem mais para provar na nova época, agora que a herança de Amorim se esgotou. E tem um problema para gerir chamado Luis Suárez, melhor marcador da última Liga, que admitiu sair, fez um Mundial apagado e se deixou envolver no ruído telenovelesco das redes sociais (e de vários programas de alegado comentário desportivo, valha a verdade).
Entre vários reforços que prometem, a melhor notícia vem do berço de Alcochete e tem o nome de Flávio Gonçalves. Aos 19 anos, joga como quem ainda não aprendeu a ter medo e – não duvido – terá mais cedo que tarde a seleção à vista.
No FC Porto o caminho foi o inverso, de absoluta consolidação, e os primeiros resultados validam-no. Farioli mantém princípios, processos e as peças essenciais de uma equipa campeã e acrescentou o que fazia falta: Souza responde a uma necessidade antiga no lado esquerdo, Giménez aumenta o nível na frente e Gabriel Mec é uma compra particularmente feliz, um talento raro adquirido por um valor que, num tempo de transferências inflacionadas, pode ser considerado uma pechincha.
Já a saída de Rodrigo Mora para a Roma continuará a dividir opiniões e só o futuro ditará se vai ser bem ou mal compreendida. E mais que o rendimento do jovem craque em Itália, pesará o que o Porto possa lograr sem ele e o que retirará das qualidades de Inbeom e do reconduzido Fofana. A incógnita maior, nesta altura, chama-se Samu. Quando regressar, encontrará Giménez com estatuto para jogar e André Silva também na fila.
Não estarei enganado se disser que na garantia dos apoios frontais, essenciais ao processo ofensivo portista, Giménez rapidamente aportará mais do que os outros candidatos à função. Se retomar a veia goleadora que exibiu nos Países Baixos, dificilmente deixará de ser opção principal. Claro que a época é longa, com vários jogos no país e na Europa, mas o cliché de que este tipo de concorrência é um bom problema para treinadores não evita que seja efetivamente um problema.
Até porque há concorrências que fazem crescer e outras que diminuem jogadores, assim com impactam, para melhor ou pior, o ambiente num balneário. Daqui a uns meses descobriremos para que lado cai esta.
O Benfica fez aparentemente o que não conseguiu há um ano: contratar com critério em vez de acumular jogadores caros. Ríos, Ivanovic e Lukebakio são exemplos do desperdício da época anterior, mas, descontada a contratação precipitada e cara de Kaminski, nota-se uma correção de tiro.
Circati e Palhinha trazem a dimensão física que não existia, El Karouani acrescenta capacidade ofensiva, Echeverri tem oportunidade de confirmar o indiscutível talento que carrega. Aqui entra a questão Sudakov, jogador com uma influência no jogo encarnado que não tem tido tradução em golos e assistências, Não é fácil que se perceba isto numa altura em que a torrente já descreu do ucraniano, mas, a despeito de poder render mais e definir melhor, está longe de ser o grande problema da equipa.
Além de dominar como poucos os rudimentos de receção e passe, essenciais para manter posse, Sudakov liga construção a criação, garante pausa e descobre caminhos que favorecem os mais adiantados da equipa. Talvez se perceba melhor que não era um inútil quando, um destes dias, não estiver em campo. Mas Sudakov é um 10 com perfil de 8, um médio, o tal terceiro médio. Por isso, Echeverri será outra coisa, alternativa, um 10 que é mais 9,5, enganche de entrelinhas, próximo da área, capaz de receber de costas, rodar e ligar-se aos avançados, finalizar.
São caminhos diferentes e dificilmente compatíveis, e jogar um outro vai sempre ter impacto no processo encarnado. Para já, o modelo tático garante um jogar de equipa grande, de iniciativa e risco, em claro contraste com o passado recente. Permanece, na Luz, a grande incógnita da baliza, que Trubin perdeu confiança, além do lugar, e, ao dia de hoje, ninguém sabe exatamente o que vale Samuel Soares como guardião de equipa grande.
Em Braga, Carlos Vicens beneficia, como Farioli, de um bom caminho feito e que pode ser aprofundado. O trabalho da época anterior deixou uma identidade reconhecível e o mercado tratou de melhorar o elenco onde era mais curto. Huseinbasic e Tommy Marqués multiplicam soluções no meio, a defesa ganhou alternativas (Barcia, Bajrami, Travassos) e na frente há agora poder de fogo aumentado. A Ricardo Horta, Fran Navarro e Pau Victor juntaram-se Jovan Milosevic e Jonas Wind.
Wind é a minha incógnita, porque tem maturidade, poder físico e um bom histórico goleador na Bundesliga, mas começou condicionado e viu chegar entretanto o promissor sérvio de 21 anos por quem o Braga fez um investimento relevante. E ainda há Fran Navarro, que garante sempre uns quantos golos por ano. É, aliás, essa a diferença essencial entre estas quatro e quase todas as outras equipas: quando lhes falta um jogador têm outro, e quando o outro falha podem ainda ir buscar um terceiro.
Lembramos sempre Cruyff que nunca viu «um saco de dinheiro marcar um golo», mas, se é verdade que num dia feliz qualquer equipa pode surpreender – o Estrela já o fez com o Sporting e o Académico com o Benfica -, competir em 34 jornadas contra plantéis que acumulam este nível de soluções tornou-se outra coisa. O problema da Liga portuguesa não é apenas haver três grandes e um Braga lá perto. É esses quatro estarem cada vez mais longe dos restantes, por muito que aumente também a capacidade de investimento noutros emblemas.
Chega a ser incrível como se fala tanto em dificuldades financeiras dos maiores clubes e nestes momentos, seja por via de compra direta ou de empréstimos (alguns milionários), surja sempre dinheiro para mais um all-in. Lá está: «a quem tem, mais será dado»."

SportTV: Bancada Livre - O 11 COMBINADO ENTRE FC PORTO, SPORTING CP E SL BENFICA

Terceiro Anel: Echeverri...

Santana: Quem é o Claudio Echeverri? O mini Messi do River chega ao Benfica

Benfica Podcast #600 - Time to Go to Work

MasterVi: Mercado...

SportTV: Mercados - Ríos em direção à Arábia 🏜️

Zero: Mercado - Vitória SC agita últimas horas de mercado

BF: Reforços...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - FC Porto, Sporting e Benfica arrumam a casa

Observador: E o Campeão é... - Porto parte em vantagem ao segurar o onze campeão?

Observador: Três Toques - Sabalenka e o conjunto "ousado" que deu que falar

Zero: Fantasy - Jornada 5 é jornada de Heróis

DAZN: F1 - Antevisão ao Grande Prémio de Itália

Portugal de ouro


"Regresso a este espaço depois das férias com um artigo que terá menos reflexão e teorização do que outros que aqui tenho apresentado. Esta semana, quero sobretudo celebrar. Não poderia voltar à escrita sem realçar os resultados de Portugal nos Jogos do Mediterrâneo: no momento em que escrevo, são 30 medalhas, distribuídas por pelo menos 11 modalidades, sendo 14 de ouro. E ainda falta cerca de um dia e meio de competição.
A estas conquistas juntam-se as quatro medalhas portuguesas no Mundial de canoagem, em Poznan, com destaque para os dois ouros de Fernando Pimenta, em K1 1000 e K1 5000 metros. Aos 37 anos, Pimenta é um exemplo de sucesso pelos resultados e pela capacidade de continuar a vencer. Uma longevidade competitiva ao alcance de poucos, que daria um artigo por si só. Mas haverá, certamente, outras oportunidades para essa reflexão.
Hoje, os parabéns são para todos. Para os atletas, treinadores, instituições e famílias que tornam estas conquistas possíveis. Estes resultados são uma demonstração clara do potencial de Portugal no desporto. Merecem mais reconhecimento, visibilidade e orgulho do que aquilo que temos visto. Bem sei que poderemos antecipar o que se dirá. «Não são os Jogos Olímpicos», «não são Mundiais», «faltam lá alguns países», «não estavam os melhores atletas de outras nacionalidades», entre outras. Haverá sempre uma comparação para fazer, uma razão para diminuir. Como se o sucesso português precisasse de passar por uma prova adicional para merecer o nosso aplauso. Esta reação faz pensar numa espécie de autodescredibilização coletiva. O viés de confirmação, estudado na psicologia, ajuda a compreender uma possibilidade: tendemos a interpretar a informação de modo a preservar aquilo em que já acreditamos. Se partirmos da ideia de que Portugal tem pouco valor desportivo, talvez seja mais fácil desvalorizar a conquista do que rever essa convicção.
Claro que as competições têm níveis de exigência diferentes. Contextualizar os resultados é legítimo e necessário. Mas, nenhuma medalha deve ser descredibilizada. Muito menos trinta. E ainda espero que venham mais.
Estes resultados também nos devem fazer pensar no que poderia acontecer se o desporto tivesse o espaço que merece na sociedade e na agenda política. Se o reconhecimento se traduzisse em condições para treinar, recuperar, estudar e competir. Se o apoio chegasse a tempo de desenvolver o talento, acompanhando o percurso até ao pódio.
Portugal está a mostrar o que consegue fazer. Mas, e se déssemos ao desporto o seu real valor? E se os nossos atletas tivessem acesso às oportunidades e aos recursos de que dispõem os seus adversários nos países que mais investem no seu desenvolvimento? Do que seríamos capazes?"

Obrigado Diana Silva, obrigado menino Salvador


"A Diana vai ser mãe; o Salvador sofre de doença rara e é obrigado a ser herói antes de ser criança. E nós somos guiados à memória das prioridades.

Costumo dizer, na brincadeira, que, se Deus tivesse atribuído ao homem a responsabilidade da gravidez, a humanidade há muito se teria desaparecido. Por falta de resistência à dor mas também por falta de capacidade para definir prioridades. Um homem consegue transformar uma gota de sangue numa hemorragia fatal ou anunciar a própria morte perante uma simples dor de cabeça. Por outro lado, há uma tese defendida por vários psicólogos segundo a qual, sendo os homens e mulheres mais parecidos do que se pensaria, há algo que os separa: os homens tendem a preferir coisas e as mulheres tendem a gostar mais de pessoas. Nota-se desde a infância, na forma como brincam, e, mais tarde, nas escolhas que fazem: mais homens em engenharia, mais mulheres em enfermagem, por exemplo. Uma tese geral que comporta naturalmente todas as exceções e variantes possíveis.
Foi impossível não ficar de olhos lacrimejantes ao ver a forma bonita, humana, corajosa e feliz com que Diana Silva, 31 anos, internacional portuguesa e jogadora do Benfica, comunicou às companheiras que está grávida. Impossível não me emocionar com as lágrimas delas. Impossível não aplaudir as palavras do treinador Ivan Batista, desejando que decisões como esta deixem de ser vistas como atos de coragem. Durante alguns minutos, aquela equipa não pensou na Supertaça com o FC Porto, na luta por um lugar no onze ou na profissão. Emocionou-se com uma vida que chega. E há momentos em que as pessoas se revelam precisamente assim: na beleza das prioridades que escolhem.
Neste dia 3 de setembro, data que evoca a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, tratado internacional aprovado pela ONU em 1979, Diana tem a justa promessa de que o Benfica estará à altura das suas responsabilidades. Diria até: da sua humanidade. Desejando eu que um dia a Convenção seja apenas uma peça de museu, sem qualquer necessidade de uso.
Por falar em prioridades, é impossível não soltar uma lágrima ao ver Salvador, um menino de seis anos, entrar no relvado da Luz para o jogo com o Estoril, de mão dada com Rafa. Sofre de epidermólise bolhosa distrófica, uma doença rara que torna a pele extremamente frágil. Confesso que quando li sobre a doença até disse uma asneira. Protesto. É tão injusto exigir a Salvador que seja herói antes de ter tido tempo de ser apenas criança. Que tenha de conhecer a dor antes de aprender a brincar. Que aprenda primeiro a injustiça da falta de apoios, de comparticipação ou de um medicamento que já estará disponível noutros países. Ainda assim, enquanto o Salvador e os seus pais continuarem a emocionar-nos e a inspirar-nos, há esperança de que sejamos, afinal, muito melhores do que tantas vezes julgamos ser.
Como escreveu Viktor Frankl, neuropsiquiatra austríaco e a autor do livro Em Busca de Sentido, «quando já não somos capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar-nos a nós próprios». Talvez também seja esse o desafio que histórias como estas nos colocam: um repto para uma mudança interior antes de querermos mudar o mundo. O que, bem vistas as coisas, é missão bem mais espinhosa.
Há sempre uma Diana. Há sempre um Salvador. Pessoas que, sem o saberem, nos devolvem o essencial: a memória das prioridades. Assim saibamos agir a tempo."

O direito à maternidade no desporto


"Quando Diana Silva deu nota ao Benfica de que iria ser mãe, o clube prontamente apoiou a atleta. Felizmente não precisou de litigar, como já aconteceu com futebolistas lá fora: mas caso a portuguessa tivesse que o fazer não faltariam fontes normativas na legislação portuguesa para invocar

Maja Göthberg e Diana Silva são ambas futebolistas profissionais. Mas têm algo mais em comum: as duas, no curso da sua carreira, engravidaram. Só que há uma diferença gritante de percurso: quando Maja informou o Lazio Women da gravidez, o clube recuou nas negociações para renovar o contrato; quando Diana Silva deu nota ao Benfica de que iria ser mãe, o clube prontamente apoiou a atleta, que conta já com 31 anos e tem contrato até 2028.
Maja não se conformou e litigou, primeiro na FIFA e depois no CAS/TAS – o Tribunal Arbitral do Desporto, de Lausanne. O acórdão é bem recente – data de 26 de Maio de 2026 - e foi a primeira vez que o CAS/TAS decidiu que um clube rescindiu unilateralmente o contrato de trabalho desportivo com uma futebolista fruto da gravidez desta. Eis um marco na justiça desportiva internacional, na área da maternidade, depois do ‘Caso Sara Björk Gunnarsóttir’, na FIFA, em 2022, relativo a pagamento de salários durante a gravidez e clarificador quanto ao “dever de cuidado” do clube, e inerente responsabilidade de oferecer um emprego alternativo à jogadora grávida.
Felizmente Diana Silva não precisou de litigar, porque o clube da Luz ofereceu o “apoio necessário desde o início”: “Foi uma notícia inesperada para o clube, mas estou muito feliz pela forma como a estrutura encarou o desafio. (…) Mostra uma evolução no [desporto] feminino em Portugal. Que realmente estamos a ter mais condições de ter a nossa carreira de uma forma normal durante todas as fases da nossa vida.” (jornal ‘Record’, 28.08.2026, p. 23).
O Painel de Árbitros do CAS/TAS foi irrepreensível. Teve em conta o “desequilíbrio entre a crescente vulnerabilidade (física e psíquica) de uma jogadora grávida e os interesses económicos do clube”. Não se deixou levar pelo testemunho do diretor-desportivo do Lazio Women no processo, em concreto a declaração de que o agente da jogadora havia confessado que a gravidez é uma condição “incompatível com o desporto competitivo”, impossibilitando-a se “viajar”, “treinar e jogar”.
E apesar de o clube até ter alegado nem sequer haver um novo contrato assinado, o CAS/TAS encontrou um nexo causal entre o termo do contrato inicial/a não renovação e a gravidez entretanto anunciada. E condenou o clube ao pagamento de uma indemnização. O direito aplicável foi o ‘Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores da FIFA”, que, respetivamente, em 2021 e 2024, introduziu e reforçou medidas de proteção da maternidade das futebolistas, entre outras a determinação de 14 meses como o período de baixa por maternidade; o direito da atleta determinar de forma independente a data de início da baixa e de retomar a atividade após a baixa; o direito da atleta cobrar 2/3 do seu salário durante a baixa; o ónus do clube afastar a presunção de que o despedimento teve por base a gravidez.
Tivesse Diana Silva de litigar, e não faltariam fontes normativas na legislação Portuguesa para invocar. Ainda que a ‘Lei do Contrato de Trabalho Desportivo’ seja omissa na matéria, nem haja também essa normação específica em sede de um Contrato Coletivo de Trabalho, a Constituição e o Código do Trabalho são fontes de proteção das jogadoras trabalhadoras que engravidam e, em particular, se deparam com uma rescisão unilateral fruto da gravidez sem justa causa, ao arrepio, desde logo, da dignidade da pessoa humana, da igualdade real entre homens e mulheres, e da segurança no emprego.
Acresce a vigência do ‘Regulamento do Estatuto, Categoria, Inscrição e Transferência de Jogadores’ emanado da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que, em linha com o da FIFA, é bastante completo, cobrindo matérias como “Resolução do contrato de trabalho desportivo sem justa causa” quando a razão é a gravidez e a consequente “Compensação”; “Direitos da jogadora grávida”, designadamente continuar a prestar serviços ao clube, alternativos ou não, consoante a possibilidade; o “Período de amamentação”, a “Saúde menstrual”; a “Remuneração durante a (…) maternidade (…)”; o clube registar a qualquer momento a jogadora que substitui temporariamente quem engravidou. E note-se que a FPF procura “seguir as melhores práticas internacionais no caso de [a jogadora] representar a seleção” (Sofia Teles, diretora do Futebol Feminino da FPF, ‘A Bola’, 02.09.2026, p. 17).
Mas ainda há estrada para andar, sendo importante reter as palavras de Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (‘Record’, 30.08.2026, p.14): “Num sistema perfeito, além de regular adequadamente este regime, para não deixar ao livre-arbítrio do empregador as tomadas de decisão mais importantes, seria preciso garantir proteção social adequada para os casos em que a atleta decida, em consequência, não retomar a sua carreira, além de apoiar devidamente as atletas que recorrem a tratamentos de fertilidade ou enfrentam uma gravidez de risco, áreas ainda mais complexas do ponto de vista regulatório.”
Por ora vamos celebrar as grandes vitórias fora das quatro linhas, com ou sem litigância. E que muitos exemplos destes se multipliquem, nas diferentes modalidades desportivas. Por um efetivo direito à maternidade no desporto!"

A liquidez que falta ao desporto – e o escrutínio que falta ao seu dinheiro


"O desporto profissional vive uma contradição incómoda: movimenta somas cada vez mais elevadas, mas assenta em receitas estruturalmente instáveis. Direitos de televisão renegociados a cada ciclo, patrocínios que dependem de resultados desportivos, bilheteira sujeita à época e ao calendário, transferências cujo valor oscila com o mercado – nada disto garante a um clube ou a uma federação aquilo de que qualquer organização precisa para sobreviver: liquidez previsível. E é precisamente aí, na gestão do fluxo de caixa entre um ciclo de receitas e o seguinte, que reside o problema mais sério de governação que o setor ainda recusa enfrentar.

Onde a falta de caixa abre a porta ao crime
Quando a liquidez escasseia, as organizações desportivas recorrem a financiamento externo – e nem sempre perguntam de onde vem. Estruturas de investimento opacas, empréstimos de intermediários pouco identificados, comissões de agentes desproporcionadas, patrocínios sem substância comercial: são todos mecanismos que resolvem um problema de tesouraria a curto prazo e criam, em troca, uma porta aberta ao branqueamento de capitais. Não é uma suspeita abstrata. A Europol e o FATF têm identificado repetidamente o desporto, e o futebol em particular, como setor de risco elevado para fluxos financeiros ilícitos, precisamente pela sua dimensão, volume transfronteiriço e opacidade de propriedade.
A União Europeia já tirou consequências disso. O pacote de branqueamento de capitais de 2024 – o Regulamento (UE) 2024/1624, a Diretiva 2024/1640 e o regulamento que cria a Autoridade Europeia AMLA – vai integrar clubes de futebol e agentes desportivos como “entidades obrigadas” a partir de 2029, com deveres de avaliação de risco sobre transferências, comissões de agentes, patrocínios e estruturas de investidores. É um reconhecimento tardio, mas inequívoco, de que o desporto deixou de poder gerir o seu dinheiro sem supervisão externa qualificada.

O exemplo inglês: regular antes, não remediar depois
Nenhum país foi tão longe como o Reino Unido. O Football Governance Act de 2025 criou o Independent Football Regulator (IFR), com poderes de licenciamento, testes rigorosos de idoneidade a proprietários e administradores, exigência de planos financeiros detalhados e poderes de investigação equiparáveis aos de reguladores financeiros como a FCA. O IFR não gere futebol; escrutina quem o financia e como. É essa a distinção que falta na generalidade da Europa continental: a diferença entre um organismo desportivo que se autorregula e um regulador independente, com poderes reais, que responde perante o Estado e não perante os regulados.
A dependência de receitas voláteis não é um detalhe de gestão – é o motor que empurra clubes e federações para financiamento obscuro. É um risco tanto maior quanto mais dependente de financiamento público for uma federação, e mais frágil for o seu modelo de governança, sustentado, na maioria dos casos, por dirigentes benévolos sem os mecanismos de gestão de risco que a escala do problema exige. E financiamento obscuro, sem escrutínio independente, é criminalidade por outro nome. A resposta não é mais um código de conduta voluntário. É um regulador qualificado, com poderes de investigação, autoridade sobre a idoneidade de quem financia o desporto e independência real face aos organismos que supervisiona. Sem isso, continuaremos a discutir sustentabilidade financeira depois de os danos estarem feitos."