Perante isto, Proença nada diz, Luciano Gonçalves não se demite, ninguém investiga os árbitros e ex-árbitros mencionados.
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) September 29, 2026
Faz parte da valorização da Centralização de direitos de tv?
Não dá para recuarmos a Godinho e Tiago Martins na final do Jamor?
Queremos todos acreditar que o… pic.twitter.com/J0ovQywUsi
O INDEFECTÍVEL
Pelo Benfica! Sempre!
Últimas indefectivações
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Não se passa nada...
Coincidências...
O presidente do Oeiras Futsal queixou-se de um alegado padrão das equipas de formação do Benfica, a propósito dos incidentes num jogo de sub-13. Para entender as declarações de Pedro Boiça, talvez seja relevante dizer que se trata, também, do treinador de sub 13 do Sporting.
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) September 29, 2026
FC27 - Benfica... feminino!
🎮 As nossas jogadoras dão as boas-vindas ao jogo mais popular do mundo.
— SL Benfica (@SLBenfica) September 29, 2026
Joga agora #FC27.@easportsfc pic.twitter.com/xYSmopmANk
Peço desculpa João, mas isto é melhor comédia nacional... nem os Gatos conseguiriam imaginar um cenário mais surreal !!!
ah ah ah https://t.co/tOEDvW0TSe
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) September 29, 2026
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) September 29, 2026
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) September 29, 2026
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) September 29, 2026
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) September 29, 2026
Péssima estreia...
Benfica 24 - 31 Torrelavega
14-17
Entrada horrível na Europa, com um mau jogo, com uma péssima entrada (2-9), acabámos por colocar o jogo com 3/4 golos de diferença a maior parte da partida, mas chegados à recta final, voltámos a ter uma branca, numa altura onde a falta de rotação voltou a ser um problema! Se para a maioria das equipas do Tugão, conseguimos cavar as diferenças na intensidade e velocidade nas transições, contra equipas mais fortes, as debilidades do plantel são evidentes...
A geração dos nossos filhos
"Chamaram criminosa à geração dos nossos filhos e ninguém os defendeu. Podemos estar entre os melhores do mundo sem pedir licença nem nos sentirmos menores por sermos portugueses. Nós é que não cumprimos a nossa parte.
Num recente congresso sobre o futebol português, um dos oradores afirmou que estamos a formar uma «geração de criminosos», que considera normal roubar no digital.
Todos temos frases infelizes e o objetivo deste texto não é promover o linchamento digital de quem a proferiu. Mas a crítica que diariamente se faz à geração dos nossos filhos tem de ser desmascarada e combatida.
A pirataria é ilegal. Prejudica o futebol, o cinema, a música, os livros e a imprensa — se ninguém pagar pela informação, um dia deixará de existir quem possa produzi-la.
Se o problema atingiu a dimensão que nos dizem, por que razão não o resolvemos?
Os operadores de telecomunicações ocupam uma posição central no acesso à Internet e recebem as mensalidades dos clientes, incluindo daqueles que utilizam os seus serviços para consumir conteúdos ilegalmente.
Se a pirataria é praticada através do acesso à Internet, não fará sentido discutir uma contribuição sobre esse acesso destinada a compensar os meios e os produtores de conteúdos afetados, ajudando a garantir a sua sobrevivência e a dos seus trabalhadores?
Dissemos aos nossos filhos para estudar. Estudaram. Para aprender línguas, tirar licenciaturas e mestrados, fazer Erasmus e prepararem-se para competir num mundo global. Fizeram-no.
E estão tão bem preparados que competem no mercado de trabalho global com os melhores do mundo, sem o complexo de inferioridade de serem portugueses, como a camisola 7 da Seleção Nacional já lhes tinha ensinado com Figo e Ronaldo.
Duas gerações que ajudaram a normalizar uma ideia que hoje parece evidente, mas nem sempre foi: podemos estar entre os melhores do mundo sem pedir licença nem nos sentirmos menores por sermos portugueses.
Nós é que não cumprimos a nossa parte.
Quando comparamos as condições que encontrámos com aquelas que lhes estamos a deixar, teremos autoridade para dar lições?
Portugal sempre foi um país de emigrantes. Durante décadas emigraram sobretudo aqueles a quem a pobreza não permitira estudar.
Hoje partem também médicos, engenheiros, investigadores, gestores e outros jovens altamente qualificados em cuja formação o país investiu durante vinte anos.
A nossa geração conseguiu, com exceções e dificuldades, ter uma sequência relativamente normal para a vida: trabalhar, sair de casa dos pais, constituir família, comprar casa e ter filhos.
Para demasiados dos nossos filhos, essa sequência deixou de ser possível. Podem ter um mestrado, trabalhar a tempo inteiro e não conseguir arrendar uma casa. Depois criticamo-los porque viajam, uma das poucas formas de realização que ainda conseguem pagar.
Passar um fim de semana em Londres é possível. Arrendar um T1 em Lisboa, não.
Não é falta de ambição. É a diferença entre um objetivo concretizável e outro praticamente inalcançável.
Há uma expressão para aquilo que estamos a fazer: egoísmo intergeracional.
A nossa geração utiliza a sua posição económica, política e demográfica para preservar as vantagens de que beneficiou, deixando a conta à seguinte.
Beneficia de um Estado social que os nossos filhos ajudam hoje a financiar e continua a ocupar grande parte dos lugares onde são tomadas as decisões que determinarão quanto eles pagam, quanto recebem e com que idade poderão reformar-se.
Transformamos as vantagens circunstanciais da nossa geração em virtudes pessoais e as dificuldades estruturais da geração seguinte em defeitos de caráter.
Nós comprámos casa porque éramos responsáveis; eles não compram porque preferem viajar. Nós trabalhávamos; eles querem qualidade de vida. Nós constituímos família; eles adiam os filhos. Nós poupávamos; eles gastam.
É uma narrativa confortável, falsa e profundamente injusta.
Edmund Burke escreveu em Reflections on the Revolution in France, publicada em 1790, que a sociedade é uma parceria entre os vivos, os que morreram e aqueles que ainda estão por nascer.
Esquecemo-nos da última parte da parceria.
Hoje, os nossos filhos trabalham, pagam impostos e descontam para financiar o Estado social e as pensões das gerações anteriores, sem saberem em que condições se reformarão numa sociedade muito mais envelhecida.
E ainda nos surpreendemos porque saem tarde de casa, têm filhos mais tarde, emigram ou gastam algumas centenas de euros numa viagem.
Não são uma geração de criminosos, preguiçosos ou irresponsáveis.
Precisam que sejamos justos, até porque a nossa geração não realizou nenhuma das grandes ruturas históricas que transformaram Portugal.
Não fomos nós que combatemos na Guerra Colonial. Não fomos nós que lhe pusemos fim e conquistámos a democracia. Quando chegámos à idade adulta, outros tinham feito a parte mais difícil: Portugal vivia em paz e em liberdade.
Também não fomos nós que negociámos a adesão à Comunidade Económica Europeia. Recebemos um país integrado na Europa e beneficiámos dos fundos que ajudaram a construir infraestruturas, escolas, hospitais, redes de água e saneamento, modernizar empresas e qualificar portugueses.
Estudar, trabalhar, viajar ou criar uma empresa olhando para a Europa passou a fazer parte do nosso horizonte natural.
A geração anterior entregou-nos um país incomparavelmente diferente daquele que tinha recebido: sem guerra, democrático, europeu e muito mais desenvolvido.
Nós recebemos essa herança.
Vamos entregar aos nossos filhos um país melhor do que aquele que recebemos dos nossos pais?
Um país onde trabalhar lhes permita sair de casa, estudar continue a compensar, constituir família seja um objetivo realista e emigrar seja uma escolha, não a melhor forma de transformar qualificações em qualidade de vida.
Uma geração não deve ser avaliada apenas pelo que conquistou para si, mas pelo que deixa à seguinte.
Antes de julgarmos a geração dos nossos filhos, está na altura de a nossa geração prestar contas à deles."
Gravidez não é cartão vermelho
"Uma futebolista anuncia ao clube que está grávida, como aconteceu agora no Benfica. Pode continuar a jogar? Pode, se a sua saúde e os médicos o permitirem. Pode o clube afastá-la só porque vai ser mãe? Não. Tem proteção especial? Também não. Mas precisa, não concorda, caro leitor?
A Lei n.º 54/2017 regula o contrato de trabalho desportivo e manda aplicar, subsidiariamente, as regras gerais do trabalho compatíveis com o desporto. A atleta tem direito a consultas pré-natais e à proteção da sua saúde. Se a atividade oferecer riscos, o clube deve adaptar as condições, atribuir-lhe tarefas compatíveis ou dispensá-la de trabalhar.
Depois do parto, há licença parental inicial de 120 ou 150 dias, que pode ser partilhada com o pai, e dispensa para amamentação. A FIFA exige, para as futebolistas, pelo menos 14 semanas de licença de maternidade e apoio médico e físico no regresso. E se o clube quiser despedi-la enquanto está grávida? Em Portugal, é preciso solicitar um parecer prévio à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego. Sim, tenha consciência: a gravidez não é justa causa.
O Regulamento da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) garante alguns direitos às jogadoras grávidas: o artigo 41.º prevê o direito a «continuar a prestar serviços ao clube», eventualmente em funções «alternativas»; a possibilidade de «determinar livremente a data da licença de maternidade» e o direito a «regressar à atividade desportiva».
Como se vê, há uma tentativa de melhorar o regime legal. Mas parece evidente que as jogadoras precisam de mais apoio e melhores soluções legais. O trabalho desportivo tem especificidades muito grandes: ter um filho não pode ser um ato de coragem. Tem de ser um ato normal. O Sindicato dos Jogadores entregou, em fevereiro de 2023, uma proposta à FPF.
Há três anos que a bola está, pois, dentro da área da FPF.
Há ainda outra questão: o contrato de trabalho desportivo tem prazo. Se este acabar, caduca, sem renovação automática, mesmo durante a maternidade. Isso não dá ao clube licença para usar a gravidez como critério para não renovar. Mas será difícil provar discriminação, caso exista. Difícil para as profissionais, não é?
Ter um filho não pode significar perder a carreira. A jogadora tem direito a voltar ao campo; o clube tem o dever de a tratar como profissional, antes e depois de ser mãe. E Portugal precisa de mais crianças.
O Direito ao Golo vai para Vasco Vilaça, ganhou ontem, em Pontevedra, o Campeonato do Mundo de triatlo, e ainda para Jorge Jesus e a Seleção Nacional. Dois jogos, duas vitórias. Impossível começar melhor."
Coisas habituais
"1. Não há campeões em setembro. Ninguém é campeão e ninguém deixa de ser campeão nesta altura
do ano. Não sirvam estas considerações básicas de
consolo, porque não é essa a intenção. O Benfica
terá de fazer o seu campeonato com o olhar posto
nos 3 pontos, jornada a jornada, apenas isso.
2. O treinador do FC Porto ganhou na oratória. Atirou
com o conceito das “coisas estranhas” e viu-se, no
decorrer do jogo, como árbitros e video árbitros
tudo fizeram para que nada de estranho acontecesse. Fez bem Marco Silva ao recusar-se a entrar
neste lamaçal.
3. Nesse sentido, pode dizer-se que o clássico foi um
repertório de clássicos. Houve momentos em que o
decorrer do jogo até forneceu a sensação de estarmos numa festa temática dos anos 90.
4. Na primeira parte, por exemplo, os donos da casa
fizeram 9 faltas e receberam 1 cartão amarelo.
Os visitantes fizeram 6 faltas e receberam 3 cartões amarelos e um cartão vermelho. Há jogos,
nomeadamente entre os emblemas mais importantes, que ficam para a História ligados a um episódio, a uma conjuntura, a uma jogada, a um jogador, a uma frase… Falaremos sempre do
FC Porto-Benfica “do César Brito” ou do Sporting-
-Benfica “do João Vieira Pinto” ou do Benfica-
-FC Porto “do golo do Saviola”.
5. Este último clássico bem pode ficar para a História
como o jogo da “dualidade de critérios”, que foi a
expressão mais usada por todo o país mal o árbitro deu por terminados os seus trabalhos. Crianças de tenra idade recém-iniciadas no gosto pela
bola, anciões que veem futebol há décadas e décadas, gente de todas as profissões e condições que
se interessa pelo fenómeno desportivo independentemente das suas afeições clubistas, analistas
profissionais, analistas amadores e o próprio presidente do Benfica, não houve quem não utilizasse
o chavão da “dualidade de critérios” para resumir
os acontecimentos da noite de domingo.
6. No fim do FC Porto-Benfica “da dualidade de critérios”, o treinador do Benfica apresentou-se na sala
de imprensa e recusou-se a dar troco ao treinador
do FC Porto. “Venho de uma cultura diferente”,
disse. Deve ser, de facto, um retrocesso civilizacional, depois de quase uma década a trabalhar
em Inglaterra, voltar a Portugal e constatar que
nada mudou.
7. Vem aí mais uma pausa no Campeonato por força
das seleções. O Benfica dá 17 jogadores às suas
respetivas equipas nacionais. Três deles –
Samuel, Araújo e Palhinha – foram chamados por
Jesus, o que faz do Benfica o clube português que
mais contribui para a seleção nacional. Isto é que
já não era habitual."
Leonor Pinhão, in O Benfica
A despedida do Bom Gigante
"JOSÉ TORRES REALIZOU
O SEU ÚLTIMO JOGO
PELO BENFICA EM JULHO
DE 1971, DEPOIS
DE 12 ÉPOCAS NA LUZ.
A 21 de julho de 1971, jogou-se a final da Taça
Ribeiro dos Reis. Empurrada para a equipa
de reservas, a importância da
prova já não fazia jus ao nome
que ostentava. O Benfica disputou a final da prova, com a sua
equipa de reservas, frente ao
Sporting de Braga, no Estádio
do Restelo, “muito bem emoldurado de público”.
José Torres era o capitão
da equipa e, como alguns dos
seus companheiros, realizava
o seu último jogo com a
camisola do Benfica. Neste
dia, “Torres não quis abandonar o Benfica sem deixar
saudades entre os benfiquistas. Atrás, à frente, bolas na
trave, um golo, enfim… Torres”. Marcou o primeiro dos
3 golos encarnados, de
cabeça, aos 10 minutos da
segunda parte, e foi com orgulho
e emoção que, no final do
encontro, levantou mais um troféu para o clube que representou
durante 12 épocas.
Aos 33 anos, José Torres deixava o Benfica para representar
o Vitória Futebol Clube. Mas a
despedida do Bom Gigante não
podia ficar assim! Então, José
Torres foi homenageado no
Estádio da Luz, a 31 de julho de
1971, antes do jogo amigável
frente ao Arsenal. O elogio ao
jogador foi lido por Osvaldo
Branco, vice-presidente da Direção, e, de seguida, Torres alinhou no seu lugar habitual e
jogou, durante dois minutos, “no
ataque que tantas vezes conduziu e fez brilhar”. Seguiu-se a despedida
para sempre, “sublinhada com os quentes, sinceros e demorados aplausos dos
que sempre o acarinharam e incitaram”.
O amor de José Torres ao Benfica foi descrito da melhor forma
por Osvaldo Branco,
quando, no elogio ao
jogador, referiu a resposta de Torres ao ser
questionado sobre a
sua dispensa do Benfica: “Se eu no decurso de
12 épocas ajudei a resolver tantos problemas
futebolísticos ao Benfica, pois se o Benfica de
mim precisa para a resolução de mais um, pode
contar com a minha colaboração.”
José Torres conquistou 9 Campeonatos Nacionais, 4 Taças de Portugal e 3 Taças de Honra,
marcou 284 golos em
347 jogos pela equipa
principal e, em 1962/63,
conquistou a Bola de
Prata, por ter sido o
melhor marcador do Campeonato Nacional, com 26 golos.
Saiba mais sobre o Bom
Gigante na área 23 – Inesquecíveis, do Museu Benfica – Cosme
Damião."
Marisa Manana, in O Benfica
Campo inclinado
"Prestianni foi pontapeado, esbofeteado, ficou a sangrar e acabou por ser ele a ver o cartão
amarelo. Lenglet tocou com a
ponta dos dedos na orelha de
um adversário e foi expulso.
Estas situações retratam bem o
“Clássico” do Estádio do Dragão,
onde, uma vez mais, a arbitragem impeliu o Benfica para a
derrota – fazendo lembrar tantas outras ocasiões do passado,
designadamente nos tempos do
“Apito Dourado” e do antigo
Estádio das Antas.
Não foram esses os únicos
momentos em que a dualidade
de critérios se fez sentir. Tal
aconteceu em quase toda a partida. O FC Porto parece ter recuperado velhos métodos de jogo
subterrâneo, carregado de provocações, simulações e agressões, e tudo isso foi sendo permitido por Miguel Nogueira.
Pelo contrário, ao Benfica o juiz
aplicou um critério bastante
restritivo. Ora, num jogo destes,
se uma equipa pode ser agressiva (ou mesmo violenta) na disputa dos lances, e a outra não
pode sequer respirar, mesmo
sem penáltis nem golos anulados, a influência da arbitragem
no resultado é clara. É este o
paradigma da chamada arbitragem “habilidosa”.
Numa jornada extremamente
importante, em que o Benfica
podia assumir a liderança, ou,
pelo contrário, ficar a 5 pontos
de distância do primeiro lugar,
foi para esta última situação que
nos empurraram. Infelizmente,
nem as suspeitas de corrupção
que mancham o Conselho de
Arbitragem dos pés à cabeça
têm alterado uma tendência que
se vem acentuando ao longo
dos últimos anos. Perdemos
uma Taça de Portugal como perdemos, vimos 9 grandes penalidades por assinalar a nosso
favor na época passada e este
Campeonato parece ir no
mesmo caminho. Assim, de
facto, é difícil.
O Benfica tem tentado jogar
futebol. Acontece que a liga portuguesa não se ganha a jogar
futebol. Se havia dúvidas, este
“Clássico” dissipou-as."
Luís Fialho, in O Benfica
Ao serviço de todos!
"Cumpre-se o Desporto e eleva ao
máximo expoente a sua função
social quando consegue chegar a
todos e não apenas aos mais
jovens, aos mais talentosos ou aos
que têm melhores condições para
o praticar. Quando é capaz de chegar, também, a quem encontra na
idade, na deficiência, na condição
económica ou no seu percurso de
vida obstáculos à participação. É
neste princípio basilar e simples
que assenta muito do trabalho
desenvolvido pela Fundação Benfica, com o desporto adaptado a
demonstrar diariamente que a
deficiência não deve significar
afastamento da prática desportiva, sendo, pelo contrário, o desporto um poderoso instrumento
de autonomia, participação e reconhecimento social.
Também o envelhecimento ativo
ocupa um espaço cada vez mais
importante nos projetos de desporto inclusivo da Fundação, com
enfoque na saúde e na cidadania,
numa sociedade envelhecida
como a nossa em que é imperativo criar oportunidades para que
as pessoas continuem fisicamente ativas, socialmente envolvidas
e integradas nas suas comunidades. Mas o papel do desporto
inclusivo não se esgota aqui. Com
refugiados e pessoas em situação de particular vulnerabilidade, assume ainda outra dimensão quando, através duma simples bola, uma equipa e regras
partilhadas, podem criar-se de
forma ágil e segura relacionamentos, confiança, sentimento de
pertença e comunidade.
Esta capacidade de incluir, que
torna o desporto verdadeiramente transformador, amplifica-se quando um clube com a
dimensão do Benfica usa o seu
poder de mobilização e comunicação ao serviço das pessoas:
de todas as pessoas!"
Jorge Miranda, in O Benfica
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Portugal regressou ao futuro
"Ao ganhar na Noruega deixando Cristiano Ronaldo no banco, Jorge Jesus permitiu que se visse como pode ser diferente a abordagem ao jogo da Seleção Nacional. Neste fim de ciclo de um dos melhores jogadores de todos os tempos, o render da guarda deve ser feito com elevação, sem confundir gratidão com subserviência. Cabe a CR7 um papel ativo neste processo, seja titular, seja suplente...
GRANDE vitória de Portugal em Oslo, ao dia de hoje um dos mais difíceis palcos do futebol europeu para os forasteiros. Depois dos três pontos anémicos conseguidos em Alvalade frente a um País de Gales que já viu melhores dias, Jorge Jesus apresentou alterações de fundo na equipa nacional e a vida correu-lhe bem. Mas será justo resumir tudo ao facto de Cristiano Ronaldo ter visto o jogo do banco? Qualquer explicação que se apoie apenas num pilar será sempre inconsistente, daí que quem quiser, de forma simplista, ir por aí, vai mal.
O que está em causa é muito mais profundo e tem a ver, sobretudo, com a forma como Portugal, com onze jogadores na plenitude das suas capacidades físicas, consegue pressionar alto, prejudicando a qualidade da saída de bola dos adversários, e recuperando a posse mais cedo. Esta forma de jogar, mais de acordo com os padrões das grandes equipas, não permite que dez façam o trabalho de onze, só funciona se houver articulação, solidariedade e entrega.
Com Cristiano Ronaldo, Portugal começa o trabalho defensivo dez metros depois do meio-campo; sem ele, o ataque à bola é feito à entrada da grande área do opositor. Atenção: isto não é um pormenor, é um pormaior, porque mexe nos fundamentos de jogo! Quero com isto dizer que, aos 41 anos, e sem a disponibilidade física de outrora, Cristiano Ronaldo já não deve ser convocado? Pelo que pode aportar nos 15 ou 20 minutos de alta intensidade que ainda tem nas pernas; pelo efeito motivador que, se estiver com ‘animus bonus’, pode gerar nos companheiros; e pelo impacto que tem sobre os adversários, CR7 pode continuar a ser útil a Portugal, sem que se fique com a ideia de que a Seleção Nacional lhe está a pagar, dando-lhe a titularidade, 23 anos de bons serviços à Pátria.
Será que Cristiano Ronaldo aceita a realidade como acabei de descrever, ou sente que ainda deve ser ele mais dez no onze das quinas? Só o próprio pode responder a esta questão.
Escrevi, após o triunfo sobre Gales, que esta Liga das Nações será uma competição de transição para Portugal, que já não tem um jogador que leve a equipa às costas. Gostava que CR7 contribuísse para o novo ciclo, mostrando fora do campo a grandeza ímpar que teve dentro dele.
AO CONTRÁRIO dos confrades latinos, os portugueses têm o péssimo hábito de menosprezar os seus feitos. Se estamos à frente de um ‘ranking’ internacional é porque não é fiável; se nos atribuem galardões de excelência, é porque a coisa não é séria; e se dizem que somos um dos países mais seguros do mundo, só pode ser porque não leem os tablóides cá do burgo. A esta autoflagelação nem os Descobrimentos escapam, independentemente de, de facto, termos aberto novos mundos ao Mundo, porque a sanha negativista obriga a que a História seja treslida, explicando realidades do século XV com os parâmetros do século XXI. No Desporto não é diferente, como a Liga das Nações mostra: se vencemos a competição duas vezes, é porque não é de alto nível; e nem o facto de todas as Seleções apresentarem o que têm de melhor, e os estádios estarem a abarrotar, criando audiências televisivas de ‘top’, inverte esta vertigem pela mediocridade. Para os descrentes militantes dos nossos momentos de excelência, ainda no âmbito da Liga das Nações, o exuberante Inglaterra-Espanha pode ser um bom motivo de reflexão, embora não haja pior cego do que aquele que não quer ver…
CARTAS
ÁS
Vasco Vilaça
Em 2020 foi prata, cinco anos depois ficou com o bronze, ontem não deixou fugir o ouro: Vasco Vilaça, triatleta do Benfica, é o novo campeão do Mundo da exigente especialidade. Nove anos depois, o português, de 26 anos, reeditou o sucesso de 2017 no Mundial de juniores…
ÁS
João Félix
Jorge Jesus, ex-treinador do Al-Nassr, tem razões para se sentir orgulhoso do trabalho que fez com João Félix em Riade, devolvendo-o, tirando o melhor dele, ao caminho de que nunca devia ter sido desviado. Não estamos perante uma Fénix renascida, mas de um Félix renascido.
DUQUE
Roberto Mancini
A Bélgica, de Mark van Bommel, foi a Roma derrotar a Itália de Roberto Mancini por 0-2, na primeira jornada da Liga das Nações. Adensam-se assim as suspeitas de que a crise da Squadra Azzurra, ausente de Mundiais desde 2014, vai muito para lá de quem está com a batuta.
CAPA
Manchester City e o futuro do futebol
Apesar de terem sido dadas como provadas, pela Premier League, 114 das 115 acusações que pendiam sobre o Manchester City, tenho dúvidas fundadas de que a punição dos ‘citizens’ ultrapasse um puxão de orelhas. Entre o que será apurado nas instâncias de recurso e o que já estará prescrito - para além do que o músculo financeiro dos ‘blues’ representa para a economia do futebol - não me surpreenderá que a montanha venha a parir um rato.
FOTOLEGENDA
UEFA
O Israel-Irlanda disputado ontem em Debrecen, Hungria, foi transformado num ato político quando os irlandeses decidiram não cumprimentar os adversários, baixar a cabeça durante o hino israelita e usar um fumo negro, que representou o luto pela população de Gaza. A UEFA, para lá das exceções políticas que ‘abençoa’, tem-se mostrado inflexível com os movimentos autónomos, como foi o caso. Será este um momento de inflexão da UEFA? Ou vem aí uma punição severa aos irlandeses? Ou, ainda, será que a posição de Israel, no futebol europeu, vai ser revista em baixa em Nyon? Como sempre as perguntas são fáceis, as respostas é que são difíceis (e incertas…)."
Tudo no bolso...
Ao dizer que não se vai passar nada e que o Conselho de Disciplina só vai perder tempo, Villas Boas demonstra que, pelos vistos, não tem apenas os arbitros no bolso, tambem tem os membros do Conselho de Disciplina.
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) September 28, 2026
JJ E A UTILIZAÇÃO DE CR7
"1.
Jorge Jesus explicou que utilizaria o "Cris" em função do que o andamento dos jogos determinasse ou pedisse. Poucos acreditaram no que disse, mas o jogo com Gales já tinha dado uma primeira indicação: o "Cris" foi substituído antes dos 70 minutos. Por que nunca o fez Martinéz se era do interesse da equipa?
2.
Ontem, perante uma Noruega intensa, com forte componente física, que joga a grande velocidade, JJ deixou o "Cris" no banco. Revelou que lhe tinha dito que provavelmente entraria por volta dos 60 minutos, mas o jogo determinou - e todos vimos porquê - que não saísse no banco. Por que nunca o fez Martinéz se era do interesse da equipa?
3.
Tiro o chapéu - que foi brilhantemente executado por Gonçalo Ramos - a Jorge Jesus. A Seleção precisava iniciar - com urgência - o desmame do "Cris".
4.
O capitão não foi capitão no final do jogo, desapareceu rapidamente do relvado rumo ao balneário. Jorge Jesus disse que tinha que falar com ele para saber o que se tinha passado. Também em relação a estes gestos egocentristas se pede - com urgência- um desmame."
A raiva de Samu, o coração dos 'citizens' e a tradução de Mourinho
"A raiva é uma emoção que pode aparecer quando nos apercebemos de que os nossos limites estão a ser desrespeitados. A solução é simples: respirar fundo e contar até cinco. Eu, se fosse 'citizen', respirava fundo, contava até 100, engolia e digeria a raiva e fazia análises ao coração
Hoje, 28 de setembro, comemora-se o Dia Mundial da Raiva. Façamos de conta que é o Dia Mundial da Raiva emoção e não, como é, o Dia Mundial da Raiva doença viral. A raiva é uma emoção que, em maior ou menor grau, nos afeta a todos.
Ronaldo, por exemplo, sentiu raiva por ter saído ao minuto 65 do jogo com o País de Gales, mas não teve outro remédio que não fosse engoli-la e digeri-la;
Trubin pode sentir raiva por ter passado de titular a suplente no Benfica, mas não tem outro remédio que não seja engoli-la e digeri-la;
Samu podia ter sentido raiva (sabe-se lá de quê e porquê), mas o melhor que tinha a fazer era engoli-la e digeri-la e não descarregá-la nas costas de Bah;
Ronaldo sentiu raiva por ter saído do meio dos defesas uns milésimos de segundo antes e, assim, ter visto um golo anulado, mas não teve outro remédio que não fosse digeri-la e engoli-la;
Pablo Rosario exteriorizou raiva positiva após ter evitado, com o cocoruto, o golo do Benfica, mas, neste caso, nem a engoliu nem a digeriu: saiu, de forma positiva, no mesmo instante;
Bah sentiu raiva por ter sentido o pequeno murro de Samu a bater-lhe nas costas e talvez o melhor fosse engoli-la e digeri-la antes que lhe fosse mostrado (como foi) o cartão amarelo;
Alberto pode sentir raiva por ainda não ter sido chamado à Seleção Nacional, mas o melhor que tem a fazer é engoli-la, digeri-la e continuar a trabalhar;
Lenglet pode sentir raiva de André Silva e de si próprio, mas o melhor que tem a fazer é digerir a raiva e engoli-la;
Os sportinguistas podem sentir raiva por terem ficado, num ápice, sem Diomande, Hjulmand, Morita, Francisco Trincão, Pedro Gonçalves e Daniel Bragança, mas o melhor que têm a fazer é engoli-la e digeri-la, esperando que, até maio, ela se desfaça completamente.
A raiva, dizem os especialistas, é uma emoção natural e saudável, que pode aparecer quando nos apercebemos de que os nossos limites estão a ser desrespeitados. A solução é simples: respirar fundo e contar até cinco. No caso dos sportinguistas, o ideal é contarem um pouco mais.
Amanhã, 29 de setembro, comemora-se o Dia Mundial do Coração. É preciso um coração enorme, com aurículas e ventrículos em perfeito estado, para que o sangue flua na direção correta e não aconteça aquilo a que os médicos chamam refluxo. Ou seja, grosso modo, o sangue voltar para trás.
Deve ser o que estão a sentir os adeptos do Manchester City. O clube está a ser acusado de 114 infrações e pode ficar sem alguns dos títulos conquistados nos últimos 17 anos. Ou seja, de novo grosso modo, os títulos podem voltar para trás e ser redistribuídos. Eu, se fosse citizen, respirava fundo, contava até 100, engolia e digeria a raiva e fazia análises ao coração.
Depois de amanhã, 30 de setembro, é o Dia Mundial da Tradução. Faz sentido. Há oito anos, se tudo se provar, o Man. United de Mourinho teria sido campeão. A raiva que Mou sentiu em 2018 e que lhe terá feito mal ao coração poderá agora ser traduzida na sua quarta Premier League."
Bem-vindo, Irankunda
"Quando aparece um jogador com uma técnica de remate assim vêm-nos à memória especialistas de livres diretos que deixaram herança mas não herdeiros.
Uma das novidades mais agradáveis nos muitos jogos internacionais de seleções disputados por esse mundo fora nesta paragem das provas de clubes foi a exibição de Nestory Irankunda, o extremo do Sporting que surpreendeu a seleção do Brasil no primeiro de dois jogos entre a Austrália e a canarinha. Além da velocidade, habilidade individual no um para um e a imprevisibilidade de movimentos exteriores e interiores, saltou à vista a execução soberba de um livre direto, numa técnica de remate que cada vez se vai assistindo menos e que por isso deve ser exaltada a bem do futebol espetáculo.
Porque uma das consequências de termos hoje um futebol mais intenso, rápido e atlético foi precisamente a redução de golos de livre direto. E o quase desaparecimento dos grandes especialistas. De acordo com a plataforma de dados Opta, entre 2014 e 2022 foram marcados menos 75 golos de livre direto nas cinco principais ligas europeias; só em Inglaterra assistiu-se a uma queda de 50 por cento nos golos de livre direto de 2013/14 para 2022/23 (39-19); entre 2018 e 2023 na Serie A, apenas três jogadores conseguiram marcar mais de três golos de livre direto em todo esse período, comparado com 14 jogadores entre 2005 a 2010; no Real Madrid do tempo de Cristiano Ronaldo a equipa exibia uma média de 6,1 golos de livre por época, tendo passado para 1,6 após a saída do internacional português; e dados publicados em Inglaterra mostram que os especialistas tendem a baixar para metade a eficácia à medida que vão ficando mais velhos, sendo o próprio CR7 a prova disso mesmo: passou de um temível a mediano cobrador de livres (1 golo em 60 tentativas nas fases finais de Europeus e Mundiais).
Em termos globais, os motivos para a queda destes números está também numa das revoluções da modalidade: os dados e as ferramentas de estudo. No caso dos guarda-redes assistiu-se a uma evolução tremenda: a taxa de defesas no lado aberto (o que não está tapado pela barreira) passou de 68 por cento em meados de 2000 para 84% na atualidade; e todas as equipas, sem exceção, entre 2000-2010 e 2010-2020, baixaram 38 por cento o número de faltas na zona frontal.
Em suma, hoje não há uma aposta no treino massivo e intenso de livres porque a probabilidade de sucesso é menor. E assim evita-se castigar mais os joelhos, por exemplo.
Sempre que aparece um Irankunda da vida é um pedaço de um outro futebol que vem sempre à memória."
Campeão do mundo
"Em destaque na BNews, a conquista da World Triathlon Series por Vasco Vilaça e o triunfo benfiquista na Supertaça de basquetebol no feminino.
1. No topo
Vasco Vilaça é o campeão do mundo de triatlo ao terminar na 2.ª posição a última etapa da World Triathlon Series, realizada em Pontevedra. Em declarações à BTV, o triatleta reconhece a importância do seu clube neste sucesso: "Sem o Benfica, não teria tido as pessoas que fizeram possível aguentar esta pressão e estes momentos."
Na mensagem de felicitações, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, considera Vasco Vilaça a "referência maior de uma modalidade que o Benfica apoia desde há vários anos".
2. Troféu conquistado
A equipa feminina de basquetebol do Benfica venceu, por 73-31, ante o GDESSA, e alcançou a 4.ª Supertaça do palmarés benfiquista.
O Presidente do Sport Lisboa e Benfica salienta que "o foco e a união conduziram à reconquista de mais um troféu".
3. Contributos internacionais
Acompanhe a prestação dos futebolistas do Benfica ao serviço das seleções.
4. Outros resultados
Em futsal, a equipa masculina empatou 3-3 na visita ao Sporting e a equipa feminina também registou um empate na deslocação ao Leões Porto Salvo. Em andebol no masculino, triunfo benfiquista no reduto do ABC (34-39). No futebol de formação, os Iniciados derrotaram o Alverca por 5-1.
5. Embates europeus na Luz
Amanhã, às 19h45, o Benfica recebe o BM Torrelavega na Luz a contar para a 1.ª jornada da fase de grupos da EHF European League.
Na 4.ª feira é a vez da equipa feminina de futebol de jogar com o Bayern Munique no Estádio da Luz (20h00) numa partida referente à 2.ª jornada da fase de liga da Liga dos Campeões.
6. Distinção
O segundo golo de Marit Lund em Turim foi considerado o melhor da 1.ª jornada da fase de liga da Liga dos Campeões de futebol no feminino.
7. Chamadas internacionais
Hoquistas do Benfica convocados pela Seleção Nacional A feminina e pela Seleção Nacional Sub-19 masculina."
Manchester City e o poder de comprar uma realidade
"Nos Jogos Paralímpicos 2024, Filipe Marques ficou a uma posição de conquistar uma medalha no triatlo. É uma distância demasiado curta para não remoer nas perdas de tempo marginais que, se eliminadas, podiam ter contribuído para o esvanecer da distância.
O quarto lugar na categoria PTS5 foi mais tarde modificado. Um ano e meio depois, o atleta que se tinha apoderado da prata foi desclassificado. Um teste de doping positivo levou o Comité Paralímpico Internacional a pedir ao brasileiro Ronan Cordeiro a medalha de volta. Assim, a classificação foi ajustada e o português ascendeu ao pódio.
A revisão não foi um motivo suficientemente forte para que se voltasse a organizar uma cerimónia. As memórias definitivas que Filipe Marques guarda de Paris 2024 são de frustração. O atleta do Sporting viu-se privado do momento de aclamação que eterniza os vencedores e os que mais perto deles ficaram.
Este fim de semana, o triatleta de 28 anos conquistou o bronze nos Mundiais de Pontevedra e admitiu que a medalha alcançada na capital francesa foi pouco saboreada. Aliás, ainda não a tem. “Esta emoção é reflexo de muito trabalho. Acho que é a primeira vez que acabo uma prova assim. Diria que foi a mais especial. Claro que nos Jogos foi mais especial, mas eu não vivi isto no dia, vivi mais tarde”, reagiu após concluir a distância sprint em Espanha.
A sensação de vencer é um impulso que não pode ser congelado para usar mais tarde. É quando o corpo ainda tem sinais do esforço que faz sentido usufruir de um festejo que acende zonas de euforia inacessíveis em dias banais. Ganhar é um sentimento de libertação instantâneo, não um registo histórico que certifica uma boa posição na prova.
A integridade é fundamental para preservar a essência de um triunfo.
Existiam 115 acusações contra o clube relacionadas com a violação de regras financeiras da Premier League. O Manchester City foi considerado culpado em 114, segundo o “The Athletic”. Os ingleses ainda pode recorrer e há várias possibilidades quanto às sanções. Os castigos podem passar por multas, dedução de pontos ou exclusão da Premier League. Seria preciso uma medida excecional, mas a perda de títulos também se pode aplicar.
As erráticas ações dos cityzens ocorreram entre 2009/10 e 2022/23. Foi durante esse período que cresceram os dentes ao tubarão. Inflado pelo milhões do Abu Dhabi Group, o clube conquistou 20 títulos nesse interregno e estabeleceu uma era de domínio: ganhou uma vez a Liga dos Campeões, sete a Premier League, três a Taça de Inglaterra, seis a Taça da Liga e três a Supertaça.
A travessia gloriosa do Manchester City não passou de uma ficção. As vantagens indevidas retiraram credibilidade aos feitos e ajudaram a construir uma realidade que favoreceu o vilão. O doping financeiro impulsionou uma era dourada que, afinal, foi apenas uma farsa. Mesmo que se proceda à correção do palmarés, a conduta desonesta impediu outros de celebrarem no calor do momento, como deve ser, e isso é irreparável.
Fazendo revisionismo, a seca de campeonatos do Liverpool podia ter durado apenas 24 anos em vez de 30. O Manchester United podia ter conquistado a Premier League mais três vezes, consagrando-se como a maior potência do século em Inglaterra. Ainda assim, os casos mais lamentáveis são os dos clubes com menor assiduidade na luta por títulos. Em 2010/11, o Manchester City superou o Stoke City na final da Taça de Inglaterra. Do mesmo modo, bateu o Sunderland no jogo decisivo da Taça da Liga 2013/14.
Às vezes, temos motivos para deixarmos de acreditar no desporto enquanto lugar justo. Os fãs de Lance Armstrong, a quem foram retirados sete títulos da Volta a França devido a um escândalo de doping, têm experiência com o desapontamento. Qualquer distorção, seja de que tipo for, afeta a credibilidade. Não é o que desejamos."
Voltamos aos anos 90?
"Ponho os fones, arranco o Spotify e toco a rádio anos 90. Pareceu-me bem, depois de ter lido isto: «Oasis em digressão e o Man. City na League 2. Os anos 90 estão de volta».
Uma referência, claro, ao castigo ainda por confirmar, de que o clube foi considerado culpado de 114 de 115 acusações elaboradas pela Premier League. Não sabe qual o castigo, mas fala-se em perda de pontos, de títulos e até expulsão da prova, com muitos a esfregar as mãos por ver o menino rico finalmente em apuros. Não consigo evitar pensar nos adeptos que, depois de anos a ser o parente pobre de Manchester, estavam por cima em todos os aspetos: dinheiro, títulos, jogadores, que podem começar a fugir em debandada.
Entre esses adeptos há gente famosa, como o músico Noel Gallagher, mas que também 'sente como a gente', e que vibra tanto nas bancadas como nos camarotes, onde em 2022 até partiu o nariz ao festejar com o pai de Rúben Dias. Pediu a quem manda para pensar nas pessoas, «o que quer que tenha acontecido nos escritórios», que vão ser danos colaterais.
Ele mesmo, como isto dá a volta, vai protagonizar nova digressão com a sua banda, Oasis, concertos para os quais é praticamente impossível conseguir bilhetes - primeiro acesso a eles - num processo kafkiano de mails e códigos imprescindíveis para acesso a fila virtual - depois a preços razoáveis. Comprar entrada para um concerto não tem nada a ver com os anos 90, em que havia filas e pronto. Parece que não se pensa nas pessoas. Apetece mesmo ‘look back in anger’."
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