Últimas indefectivações

terça-feira, 26 de maio de 2026

Palavras para quê?


"ADORMECEM E ACORDAM A PENSAR NO BENFICA
Eles são os alinhamentos nos programas de televisão, mais os jornalistas, elas são as conversas de café, dos táxis, é uma verdadeira obsessão."

Verdade!

Terceiro Anel: Bola ao Centro #204 - ENTÃO ZÉ, OU VAIS OU FICAS?!!! 🦅🔴

Leão não passou nas Linhas de Torres


"É fantástico como uma só tarde de futebol sem fronteiras pode gerar tantos eventos contraditórios e gerar danos colaterais. O Torreense ganhou a Taça e vai à Liga Europa; e o Sporting, graças ao Aston Villa, entra na Champions, num dos dias desportivamente mais negros da sua história

Começo com uma frase de que gosto bastante, porque é sábia, que recomenda cautela, é suscetível de evitar estados de euforia prematura, e assenta como uma luva no fenómeno do futebol: só a pescada é que, antes de o ser, já o era…
O Sporting entrou no Jamor a pensar que bastava mandar as camisolas a jogo para que Morten Hjulmand recebesse, das mãos do Presidente António José Seguro, a Taça de Portugal, e saiu-se mal. Houve arrogância e sobranceria na forma como o Torreense foi encarado, e essa subestimação da equipa de Luís Tralhão acabou por sair cara aos leões.
Sem querer ser minimamente injusto para com o Torreense, que foi exemplar na entrega e espartano na organização, exigia-se outra atitude à equipa de Rui Borges, que assinou uma das exibições mais displicentes dos últimos anos, dando à turma de Torres Vedras, a cada minuto que passava, mais razões para acreditar. É preciso termos consciência da dimensão histórica do que aconteceu: esta foi a maior surpresa de sempre do futebol português, precisamente por ter ocorrido numa final. O Sporting já tinha sido eliminado da Taça de Portugal por equipas do escalão secundário, mas nunca com o impacto que teve perder no Jamor com o Torreense. Não será por acaso que, desde que se disputa a prova rainha do nosso futebol, nunca uma equipa da II Divisão tinha erguido o troféu. E, perante a diferença abismal entre as forças em presença, o Torreense só ganhou ao Sporting porque a equipa de Tralhão jogou no limite máximo do seu potencial, ao passo que os leões se mantiveram no patamar mínimo daquilo de que são capazes.
Quis o destino que tudo isto acontecesse na tarde em que o Sporting ficou a saber que estava dispensado das etapas preliminares para entrar na Champions, e Portugal ficou a saber que o Torreense será o seu representante, com entrada direta, na Liga Europa. Do efeito dominó gerado no Estádio Nacional resultou também que o Benfica terá de disputar as pré-eliminatórias da Liga Europa e que ao SC Braga acontecerá o mesmo relativamente à Liga Conferência.
E Rui Borges, como sai disto tudo? Tendo renovado contrato há pouquíssimo tempo, depois de uma época em que não ganhou nada, mas chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões e obteve acesso direto ao pote de ouro da UEFA, não há nenhuma razão para pensar que possa haver qualquer volte-face quanto ao seu futuro próximo. Mas, dito isto, vai começar 2026/2027 sob o estigma do Jamor, ou seja, com níveis de tolerância por parte dos adeptos mais baixos do que teria se os leões tivessem cumprido os mínimos frente ao Torreense. Esta conclusão até pode parecer de La Palice, mas não é…
Mas falemos um pouco mais da equipa de Torres, que vai jogar a Liga Europa em casa emprestada e que, se eliminar o Casa Pia (que também anda de casa às costas), fará o mesmo na I Liga. Para quando a exigência (e a ajuda) de infraestruturas mais completas para as equipas que disputam as competições profissionais, evitando-se um choque térmico, muitas vezes fatal, quando mudam de escalão? Sei que não faltaram foliões ao Carnaval de Torres, que aconteceu, fora de época, na noite de ontem, e que trazer aqui estes temas até pode gerar um anticlímax. Mas a proeza do Torreense foi de tal maneira avassaladora que deve servir de um bom ponto de partida para conversas sérias, que, por incómodas, são demasiadas vezes varridas para debaixo do tapete."






Mourinho: bastava querer


"Falta de comunicação empurrou Mourinho para fora de um clube onde parecia querer estar e para os braços de um novo que ainda não o pode assumir

É possível que, quando este jornal chegar às bancas, ou ficar ativo no site de A BOLA, José Mourinho já não seja o treinador do Benfica e tenha assinado regresso ao Real Madrid. Se não for já, podemos imaginar que seja quando estiver a embrulhar peixe, a forrar uma gaiola ou a proteger copos, cumprindo assim, retirando os que ficam em coleções, o seu ciclo de vida.
Mas para haver uma saída, houve uma entrada. Algo que há anos parecia impossível voltar a acontecer em setembro do ano passado, acabou por ser possível num clube que estava à beira de eleições e precisava de um treinador.
Agora, menos de um ano depois, por uma sucessão de episódios de má comunicação, apesar de todos falarem português, Mourinho vai sair - não serve para o Benfica, que não foi capaz de dizer categoricamente que o quer, mas parece ser mesmo o que o Real Madrid precisa. Mas há um requinte: o treinador português, de quem muitos diziam que já nenhum clube de topo quereria e teria de se contentar com migalhas de ligas periféricas, está agora novamente envolvido num processo eleitoral, sendo o trunfo (ainda não assumido) do atual ocupante do cargo.
O rei Florentino tem agora um adversário, pelo que se gerou um efeito dominó invertido - ainda não foi lançado o nome de Mou, o Benfica não pode avançar para o sucessor, mete-se o Mundial e daqui a nada começa a época, sendo que os encarnados são os únicos que terão de começar do zero.
E o lugar está tão frio, que Ruben Amorim, por exemplo, prefere não fazer nada durante uma época inteira, do que assumi-lo. Mas o Benfica volta a precisar de treinador.
Os adeptos poderão pensar: Farioli também começou do zero no FC Porto e veja-se onde está agora. Mas por vezes mesmo copos embrulhados em jornais também se partem numa mudança mal feita."

A justiça poética do Torreense


"Torres Vedras já tinha dado ao país um cardeal-patriarca, antes bispo do Porto. Na família de Manuel Clemente, onde o Torreense é devoção antiga, houve uma fábrica de moagem que ficou na memória coletiva por ter laborado horas extraordinárias, durante a Segunda Guerra Mundial, para assim garantir que o pão nunca faltava.
Na final da Taça de Portugal, quando o nacional-futebolismo dava por adquirido que o Sporting teria o prémio de consolação de uma época falhada e a ditadura leonina não teria oposição à altura, o clube de Torres Vedras fez também História a trabalhar fora de horas.
Não há aqui milagres.
Na verdade, talvez tenha entrado em campo a "justiça poética", expressão com largo historial entre líricos do futebol e prosadores de excelência que tendem a romantizar vitórias dos pequenos contra os grandes num mundo de injustiças, talhado para poderosos. Escritores como Eduardo Galleano, Vázquez Montalbán ou Nelson Rodrigues associavam esse destino improvável a uma espécie de resgate dos invisíveis ou oprimidos, que, intrometidos e insolentes, ousam desafiar a ordem natural das coisas e desforrar-se dos senhores do mundo com heroísmo, talento e graça.
Impossível, pois, não ver na Taça de Portugal ganha pelo Torreense a justiça poética que o futebol reclamava desde que uma arbitragem escandalosa afastou o Santa Clara do caminho do Sporting.
Há também algo de justiça poética numa época em que o presidente dos "leões" exibiu uma desconhecida faceta de rufia, ainda que perfumada, como se fosse o dono da bola de uma elite privilegiada.
Mais importante ainda: como não ver, neste triunfo, a justiça poética para as regiões vítimas da prosa devastadora das recentes tempestades e que aguardam pelo devido auxílio do Estado enquanto reconstroem laços, tetos e amanhãs?
Através do Torreense, o interior enviou à capital a mensagem que só o futebol, por vezes, consegue dar.
Ao celebrar o seu Carnaval tardio, Torres Vedras mostrou aos doutos senhores da governação do país que, por vezes, bastam duas bolas no sítio certo para reduzi-los à imagem que merecem: a de cabeçudos do carro alegórico a que, por preguiça, comodismo e incompetência, também chamam país."

Não há festa como a do Jamor — mesmo para quem perde


"Quem já viveu uma final da Taça, por dentro ou por fora, sabe que é um dia único, mesmo que depois se repita mais vezes para alguns. Espero não ser vivo para vê-la fora do Estádio Nacional

Quando se passam largos minutos para sair de automóvel da mata do Jamor, depois da festa, tendemos a achar, e dizer, que «realmente isto é muito bonito mas não tem condições, blá blá blá». Como se não se passassem largos minutos a sair ou a chegar a estádios altamente evoluídos e construídos para o Euro-2004. É assim a vida (e a lógica): quando se juntam milhares de pessoas num espaço limitado não há milagres, mesmo que deputados da Nação já tenham perguntado a uma ministra porque é que as filas de trânsito são enormes e de repente «chega-se ali e começa a andar» se a polícia aparecer. Não é preciso dizer de que quadrante é este deputado, pois não?
Adiante: não há festa como a do Jamor, e quem já lá esteve sabe do que falo. Não há mau jogo que mitigue o brilho de um dia diferente, vivido de forma única. Claro que um dos lados perde e outro ganha, e a cara de quem ganha nunca será igual à de quem perde. Mas a experiência, mesmo que repetida para os felizardos adeptos dos clubes que mais vezes lá vão parar, é quase sempre boa e feliz. Teremos sempre, obviamente, o triste caso do very light a ensombrar a história da Taça de Portugal, mas como vemos todas as semanas isso poderia (poderá?) acontecer noutro recinto qualquer.
Faz calor e o sol bate e queima ? Sim. As casas de banho não são do melhor? Já foram bem piores. O estacionamento é horrível? Experimentem ir ver um jogo grande ao estádio municipal de Aveiro, construído de raiz fora da cidade, e depois falamos. Quanto tempo se passa para sair de um festival de música, por exemplo? E um dos mais famosos é mesmo ali ao lado.
Espero não ser vivo para assistir à retirada da final da Taça de Portugal do Estádio Nacional. Sei que poderia ser bem mais rentável ter muitos camarotes e é um drama arranjar bilhete para o jogo. Mas ali até vai gente (muita) só para o piquenique, para conviver e depois ver a bola numa TV qualquer, como afinal se faz todas as semanas pelo País fora.
Os próximos dias trarão rios de palavras sobre os deméritos do Sporting, que conseguiu perder a primeira final da história ganha por um clube da segunda divisão. Haverá quem veja o copo da época leonina meio cheio, outros vê-lo-ão meio vazio. Cheio ninguém, claro.
Interessa-me mais, hoje, louvar o mérito do Torreense. Não se chega por acaso ao Jamor e ao play-off da primeira Liga. E é sempre bom confirmar que o futebol é a única modalidade onde David derrota Golias com alguma frequência."

Kanal: Tamos Juntos - E agora?

Zero: Mercado - Lateral esquerdo belga na lista do FC Porto

Águia: Benfica: treinadores, reforços, e o Poeta Aleixo.

BF: 25 de Junho...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Torreense histórico, Sporting arrasado: a análise à final da Taça de Portugal

Observador: E o Campeão é... - A vitória histórica do Torreense frente ao Sporting

SportTV: Primeira Mão - O sonho virou realidade: Torrense vence Sporting e vai à Europa

LiveMode: Mundial Retro #13 - Portugal - Suíça 2022

DAZN: Premier League - R38 - Golos

DAZN: La Liga - R38 - Golos

Resumo do fim de semana


"Esta edição da BNews é dedicada à atividade benfiquista mais recente.

1. Últimos resultados (masculinos)
O Benfica venceu a Oliveirense em basquetebol por 86-61 e comanda as meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional por 2-0. No andebol, derrota com o Sporting por 34-22. Os Juvenis de futebol empataram 2-2 com o FC Porto.

2. Últimos resultados (femininos)
Em andebol, as já pentacampeãs nacionais perderam por 26-23 com a Academia São Pedro do Sul. Em futsal, desaire caseiro com o Nun'Álvares no jogo 1 da final do Campeonato Nacional (2-4). Em hóquei em patins, goleada obtida frente à Académica (12-0).

3. Campeão nacional
O canoísta Fernando Pimenta conquistou o título nacional de K1 Short Race.

4. Partilha de experiências
As guarda-redes do plantel sénior de futebol do Benfica estiveram com as colegas de posição da formação encarnada.

5. Estádio da Luz candidato
Em causa as novas sete maravilhas de Portugal.

6. Casa Benfica Braga
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 55.º aniversário."

Falsos Lentos - S06E38 - A Velha Merece Mais Respeito!

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - A final da Taça (e as suas consequências) e o bye bye de Guardiola

No Princípio Era a Bola - Quando achávamos que o futebol já nos tinha contado tudo, o Torreense ganhou a Taça de Portugal sem ser inferior ao Sporting

Var à Sexta #15 - Mundial à espreita!

Bola na Trave: A verdade que ninguém quer dizer!

Zero: Ataque Rápido - S07E43 - Terramoto Sporting, histórico Torreense e Benfica nublado

Tuga Fut #20 - Jamor...

ESPN: Futebol no Mundo #568

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Terceiro Anel: Entrevista na BTV...

DAZN: O Fim de um Ciclo: As Despedidas na época 2025/26 | Lewandowski, Salah, Carvajal, Bernardo Silva..

DAZN: A Despedida: As Homenagens e Discursos de Guardiola e Bernardo Silva

DAZN: F1 - Promessa e Regressos

Argentina: Trinche Carlovich, o mito boémio melhor que Maradona e assassinado por causa de uma bicicleta


"Praticamente não competiu na primeira divisão. Quase não há imagens suas a jogar. Viveu nas catacumbas dos escalões secundários. Mas Bielsa fez-se sócio de um clube só para o ver atuar, Pekerman coloca-o no melhor onze que viu, Valdano classifica-o como “lenda”, Menotti como “um mito”. Não gostava de treinar, não ia a jogos para ir pescar, faltou a uma chamada da seleção. “Voltaria a fazer tudo igual, porque desfrutei muito”, garantiu antes de um fim trágico.

Dizem que esteve temporadas inteiras sem que um adversário lhe roubasse a bola. Contam que tinha como especialidade pessoal o caño de ida y vuelta, o túnel com dois sentidos, fazendo a bola passar por entre os pés do adversário, esperando por ele e repetindo o truque. Descrevem um canhoto alto, encorpado, de caminhar lento, técnica requintada.
Fala-se de mil e uma proezas. Que uma vez o relvado estava empapado, impraticável, e ele passou o desafio jogando a bola no ar, sem a deixar cair, acariciando-a, levando-a no peito, no ombro, dando pequenos toques de joelho. Que certa tarde esqueceu-se dos documentos necessários para jogar e foi a equipa contrária a convencer o árbitro a fazer vista grossa, porque queriam testemunhar o artista.
Asseguram que era um pouco como Riquelme, um pouco como Redondo, com uma pitada de Bochini. É recordado por colegas, por adversários, por floristas, camionistas, polícias, pelo povo de Rosário, a sua cidade, terra onde nasceu em 1946 e onde deixaria de jogar em 1986, um ano antes de lá nascer outro canhoto, chamado Lionel Andrés Messi Cuccittini.
É, sobretudo, um produto da palavra. Da memória oral. Do que se diz. Do conto, do verbo, como uma história passada de geração em geração.
É Tomás Felipe Carlovich, el Trinche. Quase não jogou futebol de primeira divisão. Esteve quase sempre no modesto Central Córdoba, o terceiro emblema de Rosário, distante do Central e do Newell's. Praticamente não sobreviveram filmagens suas em campo. É tanto realidade como imaginação, passado concreto e mitificado.
Filho de um imigrante jugoslavo que foi para a Argentina depois da crise de 1929, el Trinche era o menor de sete irmãos. O talento para jogar futebol, perdão, para jogar à bola, era coisa de potrero, de futebol de rua, de futebol com terra no bolso e orgulho na alma. Pausado, vagaroso. Cheio de particularidades.
Era um solitário. Não gostava de treinar, muitas vezes faltando para ir pescar. Não gostava de fazer estágios. Tinham de o acordar da sesta para ir aos jogos. Nutria o ritual de se equipar sozinho, na lavandaria e não no balneário, porque, dizia, gostava de sentir o silêncio, a tranquilidade. Bebia. Vivia muito de noite.
“Hoje joga o Carlovich?”, tornou-se pergunta-código. Porque, muitas vezes, não jogava. Não estava para aí virado. Tinha ido pescar ou ficado a dormir.
O talento, o enorme talento dos que o recordam, pouco ou nada foi visto na elite. “Ele gostava mais de jogar à bola do que de ser profissional”, diz Cesar Luis Menotti, símbolo do futebol estético, artístico, selecionador da Argentina campeã do mundo em 1978. Ainda que o Trinche não estivesse na primeira divisão, Menotti chamou-o, certo dia, para uma pré-convocatória da seleção, tal era o talento.
Carlovich não apareceu.

O amigável que consagrou a lenda
A natureza oral, de coisa contada e não vista, leva Jorge Valdano a apontá-lo como “lenda”, Menotti como “um mito”. Não são os únicos grandes a admirar el Trinche. Bielsa, durante quatro anos, fez-se sócio do central Córdoba só para o ver jogar semanalmente. Pekerman coloca-no no melhor onze que os seus olhos — que treinaram Messi e Falcao, James Rodríguez e Pablo Aimar, Javier Saviola e Juan Román Riquelme — testemunharam.
O momento mais mitificado da vida do mito deu-se pouco antes do Mundial 1974. A seleção argentina que viajaria até à Alemanha realizou um amigável perante um combinado de futebolistas de Rosario, composto por cinco homens do Central, cinco do Newell's e Carlovich. Com o mais modesto dos jogadores ocupando o centro do meio-campo, as cronistas falaram de “um baile” levado pela equipa nacional, uma dança orquestrada pelo Trinche.
Ao intervalo, dirigentes da federação germânica pediram aos responsáveis do conjunto de Rosario que tirassem Carlovich do campo, para não desmotivar a seleção que iria ao Mundial. A vitória, por 3-1, levou, pela única vez, o boémio para as manchetes da imprensa. Colega de circunstância de Karlovich naquele dia, Mario Kempes, que quatro anos depois seria o grande herói do Mundial 1978, ficou seu fã: “Se fosse profissional, teria tido uma carreira enorme. Não respeitava as regras do profissionalismo.”
Após aquele particular, houve fortes rumores de uma transferência para França, também se especulou com a ida para o New York Cosmos, de Pelé. Nada se efetivou. “Voltaria a fazer tudo igual, porque desfrutei muito”, garante o filho de jugoslavos.
Viveria as últimas décadas com um andar algo manco, fruto das operações à anca. Não conseguia jogar à bola, mas deslocava-se sempre por Rosario em bicicleta, percorrendo as mesmas ruas de sempre. Até 2020, em plena pandemia. Quatro pessoas tentaram roubar-lhe o meio de transporte velocipédico, Carlovich resistiu e acabou com vários golpes violentos na cabeça. Ficou inconsciente, foi levado para o hospital, não sobreviveu.
Meses antes, praticamente na última aparição pública da sua vida, el Trinche encontrou-se com Diego Armando Maradona. El pibe, que não era homem de falsas modéstias nem de elogios vazios, ofereceu uma camisola a Carlovich, com a seguinte firma: “Do Diego para o Trinche, que foi melhor que eu.”"

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Falar Benfica: 2026/27 - Quem fica e quem sai?

LiveMode: Mundial #4

Juvenis - 15.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 2 Corruptos


Sofremos um golo no arranque, fizemos a remontada, para logo a seguir permitir o empate, isto tudo na 1.ª parte!

Pela primeira vez nesta Fase Final, jogámos com todos os nossos melhores jogadores, o ferro no final impediu a vitória, e os Corruptos acabaram por se sagrar Campeões!

Futebol à Parte #44 - Festa da TAÇA e DESPEDIDA

O Benfica não pode esperar mais


"A decisão sobre o próximo treinador do Benfica está por dias — talvez horas —, mas a indefinição arrastou-se demasiado. Para os benfiquistas, este atraso expõe fragilidades numa fase decisiva do planeamento para 2026/27.
Percebe-se a complexidade do contexto, sobretudo com nomes como José Mourinho e clubes como o Real Madrid envolvidos. Ainda assim, o Benfica não podia permitir que a incerteza chegasse a este ponto. Seja Mourinho ou outro treinador, o essencial é decidir — e decidir bem — com um projeto claro que já deverá estar em marcha. O cenário agrava-se quando os principais rivais avançam no mercado de transferências, reforçando plantéis, enquanto o Benfica continua sem liderança técnica definida.
Haverá fatores internos desconhecidos, mas, nesta fase, o esclarecimento prometido por Rui Costa sobre a época passada perde relevância. O foco tem de estar totalmente na próxima temporada. É precisamente aí que os benfiquistas exigem trabalho concreto. Quem assumir o comando da equipa deve encontrar um projeto sólido, sem interferências externas — as mesmas que terão contribuído para as saídas, talvez precipitadas, de Bruno Lage e Roger Schmidt. Com responsabilidade dos treinadores, sim, mas não só.
Paradoxalmente, este momento de instabilidade pode ser uma oportunidade. Uma oportunidade para reavaliar o plantel, dar segundas oportunidades a quem merece e apostar em jogadores com ambição e fome de títulos. Pode também ser o timing ideal para integrar jovens da formação preparados para competir ao mais alto nível.
Talvez seja necessário ajustar expectativas e privilegiar a construção de uma equipa consistente, em vez de uma equipa de nomes. Há qualidade no plantel do Benfica, mas também lacunas evidentes. Ainda assim, o maior risco seria iniciar 2026/27 sob o mesmo clima de dúvida. Mais do que talento individual, o Benfica precisa de recuperar identidade, mentalidade e consistência competitiva. Resta saber se o clube — e os benfiquistas — saberão transformar a incerteza numa oportunidade.

Obrigado, Florentino Pérez e Bernardo Silva
Termino com dois agradecimentos, ainda que tardios: a Florentino Pérez e a Bernardo Silva. Obrigado ao presidente do Real Madrid por quase nunca falar em público, como se conclui pela imagem sexista que deixou na recente conferência que fez para se vitimizar e anunciar eleições antecipadas. E obrigado ao internacional português, estrela mundial, pela lição que deixou numa entrevista recente — «Não, não volto ao Benfica este verão»; «Sim, fui contactado para saberem da disponibilidade»; «Sim, fui eu que recusei voltar agora». Mas alguém fica mal nesta fotografia? Não me parece. Tudo claro e sem pontas soltas. Na comunicação muitas vezes é como no futebol: bom e difícil é jogar simples."

Benfica: o guião de uma época sem controlo


"O ano do Benfica foi desastroso. Têm existido tantos episódios que, por vezes, parece que estamos perante uma verdadeira telenovela.

Episódio 1: Supertaça e Champions
A época começou com a conquista da Supertaça e a qualificação para a fase de liga da Liga dos Campeões. Pelo caminho ficou, entre outras equipas, o Fenerbahçe, de José Mourinho. Apesar do sucesso inicial, um empate frente ao Santa Clara (marcado por uma escorregadela de Otamendi) e uma derrota com o Qarabag serviram de argumento para Rui Costa e a sua administração despedirem Bruno Lage. A ideia que ficou foi a de que estes dois resultados foram o pretexto para trazer um trunfo que garantisse votos nas eleições.

Episódio 2: A chegada do salvador
José Mourinho chegou ao Benfica como o homem que devolveria o clube à glória. Foi também o treinador que, enquanto adversário, dizia que o plantel encarnado era riquíssimo. Rapidamente mudou de opinião. O discurso passou de uma equipa recheada de soluções para um grupo limitado e mal construído.
Na apresentação, Mourinho deixou uma frase que incendiou os adeptos: «Alguém pode dizer não ao Benfica?» Naquele momento parecia impossível. Mourinho, muito mais do que um líder de balneário, transmitia a ideia de ser uma figura capaz de devolver exigência, identidade e até estabilidade emocional ao clube.

Episódio 3: A primeira conquista
A primeira e única conquista de Mourinho não aconteceu dentro das quatro linhas, mas fora delas. A sua chegada teve impacto direto na reeleição de Rui Costa e criou a esperança de que finalmente existiria alguém capaz de reorganizar um clube perdido em várias frentes.
No relvado, esperava-se uma equipa vencedora. Na comunicação, aguardava-se uma estrutura mais preparada para lidar com pressão e crises. No planeamento do futebol, exigia-se mais credibilidade e capacidade de decisão. Mourinho passou rapidamente a ser visto como uma solução global. Uma contratação quatro em um, que acabava por concentrar demasiadas expectativas numa única pessoa.

Episódio 4: O exemplo do Dragão
O Benfica foi ao Dragão para não perder. O próprio Mourinho assumiu isso no final do jogo. O problema é que o Benfica raramente entra em campo, em Portugal, apenas para sobreviver. O objetivo era evitar ficar a sete pontos da liderança. Acabou o campeonato a oito, com a agravante de o FC Porto já ter tirado o pé do acelerador nas últimas jornadas. Ficou uma imagem de um Benfica receoso, curto emocionalmente e demasiado preocupado em limitar danos.

Episódio 5: A Taça da Liga e o mercado
Sem grande evolução exibicional e com resultados europeus inconsistentes, a Taça da Liga parecia a grande oportunidade para Mourinho conquistar o primeiro título no clube. Depois da eliminação do Sporting, o SC Braga surgia como o principal obstáculo. Mais uma vez, o Benfica falhou num momento decisivo.
Seguiu-se o mercado de inverno. Depois de tantas críticas ao plantel, esperava-se uma intervenção forte e criteriosa. A realidade foi diferente. Chegaram Sidny e Rafa, um jogador de 33 anos, parado desde novembro e com um dos salários mais elevados do plantel. A ideia de um projeto sustentado deu lugar à sensação de gestão ao sabor do vento.

Episódio 6: A Noite épica e o caso Vinícius
O grande momento da temporada aconteceu frente ao Real Madrid na Champions. Uma exibição memorável, que terminou de forma épica, com um golo de Trubin a garantir a passagem à fase seguinte da Champions, quando poucos acreditavam.
Mourinho voltou ao centro das atenções mundiais e saiu claramente reforçado. Poucas semanas depois surgiu o caso entre Vinícius e Prestianni.
O Benfica teve aí uma oportunidade para mostrar maturidade comunicacional. Voltou a falhar. Em vez de controlar a narrativa, entrou numa discussão pública sobre versões e interpretações, deixando o nome do clube correr o mundo pelas piores razões.

Episódio 7: A Liga Virtual
Sem conseguir acompanhar os rivais na classificação real, o Benfica apostou grande parte da sua comunicação na crítica às arbitragens. Durante algum tempo, muitos adeptos aceitaram essa narrativa. O problema é que chega sempre um momento em a realidade ultrapassa a ficção. Normalmente, quando um clube passa demasiado tempo a discutir fatores externos é porque deixou de conseguir controlar os internos.

Episódio 8: Quem manda no Benfica?
O último episódio talvez seja o mais revelador de todos. Em março, Mourinho colocou-se à disposição para renovar contrato. Rui Costa respondeu lembrando que ainda existia mais um ano de ligação entre as partes. O tema parecia fechado. Entretanto surgiu o interesse do Real Madrid e o discurso mudou. Mourinho passou a adiar qualquer decisão, afirmando estar totalmente concentrado na luta pelo segundo lugar.
Já a três dias do final da temporada, revelou ter recebido uma proposta de renovação — mais tarde descrita pelo próprio como «uma muito boa proposta» — e anunciou que iria analisar no fim da Liga. Mourinho passou a dispor de todos os elementos decisivos: uma proposta formal, uma janela curta de decisão e a possibilidade de condicionar o futuro imediato do clube.
Num grande clube, isto dificilmente acontece. Os grandes clubes não vivem suspensos de uma decisão individual, por mais influente que seja o protagonista. Definem o seu rumo, antecipam o planeamento e controlam o calendário. Aqui, pelo contrário, o planeamento da próxima época ficou inevitavelmente dependente de uma resposta pessoal.
Num verão ainda condicionado por um Mundial e por um mercado que pode arrancar tarde, essa indefinição ganha mais peso. Talvez seja aqui que a temporada volta ao ponto de partida: um Benfica que começou a época a reagir aos acontecimentos e termina a aguardar, novamente, por uma decisão que não controla. Por fim, para fechar a novela, fica apenas uma última pergunta: será que Mourinho vai dizer não ao Benfica?

A VALORIZAR: BRUNO FERNANDES
Eleito unanimemente o melhor jogador da Liga Inglesa. Uma época fantástica de um jogador excecional. Este feito é ainda maior por o ter sido conseguido num Manchester United em reconstrução. É atualmente o líder indiscutível da nossa Seleção em todas as dimensões: qualidade, personalidade, liderança e exemplo."

O sucesso da época do Sporting depende de um jogo. O do Torreense também


"Sem títulos, o tempo encarrega-se de apagar as memórias das grandes equipas

Pode o sucesso de uma época depender de um jogo? Pode. Talvez seja injusto, mas pode. 
Tome-se o caso do Sporting, que hoje defronta o Torreense na final da Taça de Portugal. Rui Borges, na conferência de imprensa de lançamento, defendeu que os leões fizeram «uma grande época», mesmo antes de saber o desfecho do jogo do Jamor.
Tem razão. O Sporting chegou pela segunda vez na sua história aos quartos de final da UEFA Champions League, e num formato bem mais complicado do que na primeira presença (em 1982/83, quando bastou eliminar Dínamo Zagreb e CSKA Sófia, com apenas uma vitória em quatro jogos, para o conseguir), tendo até terminado a difícil fase de liga nos oito primeiros; acabou a Liga no 2.º lugar (o que vale o apuramento para a Champions), com 82 pontos, os mesmos que lhe permitiram, no ano anterior, sagrar-se campeão; e está de novo na final da Taça. Contas feitas, sim, foi uma bela temporada, talvez não «grande», como diz Rui Borges, mas muito decente.
Só que há outro ângulo com que se pode olhar para a época. No campeonato, o leão tinha a hipótese de chegar ao tri e não o conseguiu; perdeu a Supertaça para o Benfica; foi eliminado na Allianz Cup pelo Vitória de Guimarães; e em sete jogos contra os grandes (quatro contra o FC Porto, três contra o Benfica), só venceu um, o que lhe abriu caminho, na primeira mão das meias-finais da Taça, para o Jamor.
Se, depois disto tudo, perdesse a final da Taça contra o Torreense, um clube da Liga 2, poderíamos realmente falar de uma «grande época»?
Afinal, o que fica no futebol? Acima de tudo, os troféus.
O Benfica 2012/2013 foi uma das melhores equipas deste século em Portugal. Em 56 jogos oficiais, incluindo 15 europeus, só perdeu seis. Hoje, 13 anos depois, alguns adeptos ainda recordam a qualidade daquela equipa, com Luisão, Garay, Matic, Enzo Pérez, Gaitán, Cardozo, Rodrigo… Mas poucos ou nenhuns benfiquistas lembram essa equipa com carinho. Mesmo com seis derrotas apenas, o Benfica não venceu qualquer título. Perdeu o campeonato na penúltima jornada, ao ser derrotado pelo golo de Kelvin no Dragão; perdeu a Liga Europa dias depois, frente ao Chelsea; e ainda viria a perder na final da Taça de Portugal, contra o Vitória de Guimarães. E sem títulos, o tempo se encarregará de apagar a memória de uma grande equipa – nem o Brasil de 1982 será eterno, ao contrário da Itália campeã mundial.
Por isso, para poder olhar para 2025/2026 com respeito, o Sporting precisa mesmo de vencer hoje o Torreense.
Que está numa situação parecida… não tanto em relação à final de hoje, mas em relação à de quinta-feira, com o Casa Pia, na segunda mão do play-off pela última vaga na Liga.
A temporada do Torreense também foi excecional. O apuramento para a final da Taça de Portugal foi histórico e, mesmo que a tarde não corra bem no Jamor, a equipa de Torres Vedras já tem o jogo das expectativas quase ganho – ninguém estranhará que perca contra o vice-campeão nacional, e estar na decisão, atendendo à dimensão do clube, à raridade do feito, ainda para mais estando a jogar a Liga 2, ficará para sempre.
Mas depois deste 2025/2026, terminar sem Taça e sem subida seria tremenda frustração. Também para o 3.º classificado da Liga 2, o sucesso da época depende de um jogo – ou de dois, vá, porque se o Torreense vencer a Taça, todos perdoarão se não subir."

Zero: Mercado - Rafael Leão interessa ao United e o seu substituto pode ser Toni Martínez

BF: Calendário...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Torreense traz o Carnaval e tem um sonho. E o Sporting?

Canal 11 - Soltinhos - Cancelo

Irão: Ali Daei, o engenheiro do golo que cabeceava com a força com que outros chutavam


"Pelo Irão, o possante avançado iraniano marcava golos em barda - foi o primeiro a chegar aos 100 por uma seleção nacional. Mas a passagem pela Europa ficou marcada pelas dificuldades de adaptação, ainda que se tenha tornado uma figura de culto, muito graças ao seu bigode. Nos últimos anos, a oposição à repressão das autoridades iranianas valeu-lhe falta de oportunidades e até uma detenção.

O ano é 2004 e Ali Daei não vai de modas: marca quatro golos à modesta seleção do Laos no encontro de qualificação para o Mundial de 2006. Um póquer, por direito próprio, já é um feito, um dos expoentes máximos do futebol, mas com aqueles quatro golos o avançado iraniano, um dos últimos resistentes do futebol mundial à retirada do frondoso bigode da cara, tornar-se-ia o primeiro jogador da história a chegar aos 100 golos com a camisola de uma seleção.
Cristiano Ronaldo ultrapassaria Ali Daei em setembro de 2020 e não demoraria muito mais a destronar o iraniano do lugar de topo dos maiores artilheiros das seleções nacionais. Ali Daei “ficou-se” pelos 109 golos, Ronaldo já vai nos 143, e ainda a contar. Daei, em 2024, disse numa entrevista aos meios da FIFA que não ficou com ressentimentos, bem antes pelo contrário. “Bater recordes faz parte do futebol e eu fico feliz que tenha sido um jogador como o Ronaldo a fazê-lo. É um jogador excecional, que trabalha muito”, sublinhou o atacante hoje com 57 anos, e que entretanto também já viu Lionel Messi bater a sua centenária marca.
Marcar pela seleção nacional era como respirar para Ali Daei, o primeiro futebolista asiático a jogar na Liga dos Campeões. Em 1997, depois de aleijar as redes do campeonato iraniano com golos em barda no Bank Tejerat e no Persepolis, o Arminia Bielefeld, que lutava para não descer na Bundesliga, resolveu apostar naquele alto e possante avançado. E no seu fiel companheiro: o bigode.
Na Alemanha, Daei marcou pouco, fosse no Bielefeld, no Bayern Munique ou no Hertha Berlim, mas tornou-se figura de culto, com um estilo de gala a jogar de cabeça. Jürgen Röber, seu treinador na equipa da capital, chegou mesmo a dizer que Daei cabeceava com a mesma força com que outros chutavam.
Os dias de Ali Daei na Alemanha não traziam a felicidade, em golos, que vivia quando jogava pela Team Melli, a seleção iraniana - em cinco temporadas no país, marcou apenas 12 em todas as competições, enquanto não parava de faturar pelo Irão. Fora dos relvados, e apesar de apreciado pelos adeptos, tão-pouco se adaptava. No Bayern raramente falava com os colegas, fosse pela barreira linguística como cultural - os costumes ligados à cerveja, tão conhecidos na Baviera, estavam-lhe vedados por causa das suas crenças.
Já no Hertha, disse ao “Tagesspiegel” que continuava a viver “como se estivesse no Irão”, que sentia saudades da família, dos pais e dos irmãos. Depois de uma passagem pelo campeonato dos Emirados Árabes Unidos, regressou definitivamente ao seu país em 2003. Não para exercer o seu curso de Engenharia de Materiais, tirado antes de se dedicar ao futebol, mas para continuar a marcar golos. E mesmo que não tenha sido um avançado profícuo na Alemanha, frisou, já como treinador, que daqueles tempos tinha retirado do país que lhe deu uma oportunidade de jogar na Europa a “disciplina, precisão e os métodos”.

Problemas com o governo
Ali Daei abandonou os relvados em 2007 para logo começar a treinar, além de ter feito um bom pé-de-meia ao criar uma marca de artigos desportivos. No Irão era um rei, um mito, o homem que fez o passe para Mehdi Mahdavikia marcar o golo que derrotou os Estados Unidos no Mundial 1998, na primeira vitória de sempre da Team Melli em Campeonatos do Mundo, histórica e simbólica. Mas os problemas com as autoridades do seu país começaram cedo.
Em março de 2008, o goleador tornou-se selecionador nacional do Irão. E mesmo sendo a figura maior do futebol da nação persa, Daei mostrou-se “surpreendido” com a decisão. Nem um ano depois de ser nomeado, uma derrota por 2-1 frente à Arábia Saudita ditou-lhe o destino: Mahmoud Ahmadinejad, então presidente do país, estava no estádio e não gostou do resultado. Daei foi imediatamente demitido.
Em 2019 denunciou que um dos dirigentes do clube que treinava, o Saipa, era um proeminente membro da Guarda Revolucionária do Irão, acusado de vários assassínios de dissidentes políticos. A partir desse momento deixou de ter convites para treinar no seu país.
Ali Daei foi também um de vários jogadores iranianos que, em 2022, se insurgiram contra o governo no caso de Mahsa Amini, a jovem de 22 anos que morreu sob custódia policial depois de ser detida, acusada de usar o lenço de forma inadequada. O antigo avançado e a família passaram a receber ameaças constantes. “Eu fui ensinado na humanidade, na honra, no patriotismo e na liberdade. O que é que esperam conseguir com estas ameaças?”, questionou na sua página de Instagram.
O iraniano chegou a ser brevemente detido, depois de visitar a cidade natal de Mahsa Amini, e viu o seu passaporte ser confiscado. A sua mulher e filha foram retiradas de um voo com destino ao Dubai, sem uma explicação convincente. No final desse ano, Daei recusou-se a viajar para o Mundial do Catar, onde acompanharia a seleção, ordenando que os governantes do país resolvessem “os problemas do povo iraniano”, em vez de continuarem uma onda de “repressão, violência e detenções”.
As relações com o poder não mudaram daí para cá. Aliás, em março deste ano a autarquia de Teerão anunciou que a Avenida Ali Daei vai mudar de nome. A justificação? O facto do maior futebolista da história do país, marcador de 109 golos, presente em dois Mundiais, não se ter insurgido a favor das autoridades iranianas nos últimos meses, marcados pelos ataques norte-americanos e israelitas."