Últimas indefectivações

domingo, 11 de outubro de 2026

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Marco Silva - Antevisão - Guimarães...

BI: Antevisão - Guimarães...

VARgonha total

O Tugão visto de fora...

Diferenças...

Farsa...

2 minutos... para martelar !!!

Batota...

Concordo !!!

Mais uma festinha !!!

Nesta jogada, foi assinalada falta contra o Marítimo... e não estou a gozar !!!

Inclinações...

Não é cadastro é curriculum... !!!

Nova reviravolta...

Fundão 1 - 2 Benfica

Tal como a semana passada, começamos a perder, com um golo dum ex, mas fomos a tempo de dar a volta, e apesar da perigosa vantagem mínima, aguentámos os 3 pontos... Demonstrámos uma pontaria aos postes significativa, a vitória devia ter sido mais larga...

Vitória...

Benfica 35 - 30 Belenenses
17-14

Regresso às vitórias, depois da derrota na Dinamarca, com muita rotação, novamente, num jogo que pareceu fácil em alguns momentos, mas o Benfica permitiu sempre ao adversário aproximar-se...

Vitória na Croácia...

Zrinski 21 - 41 Benfica
9-19

Nova vitória, esperada, com uma goleada esclarecedora...  E apuramento para a 3.ª eliminatória de qualificação para a EHF European League Women...

BF: Pavlidis...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - A virada do Sporting em Braga esconde as falhas na defesa?

Santa Aliança do Atlis


"Há muito tempo que sabemos que Porto e Sporting estão alinhados!!! Desde que se uniram para levar a cabo, aquele, que a seguir ao Apito Dourado é o maior ato criminoso, envolvendo clubes em Portugal, "Santa Aliança do Altis" de seu nome. Onde Rui Pinto, o hacker criminoso, do qual ao dia de hoje ainda aguardo pela divulgação de toda a informação que ele diz ter recolhido sobre o seu clube e que, de acordo com as suas palavras, "muito o envergonhava"!"

Os Lagartos juram a pé juntos, que isto não existe !!!

Vale bujardas?!!!

Na minha opinião, nem a PJ !!!

Manto...

Consistentes !!!

O complexado!!!

Sensibilidades...

Birra!!!

Nada má ideia...

 

Hoje e para sempre


"O Monumental em silêncio.
Na Argentina, um estádio calado parece um erro. Falta qualquer coisa. Um tambor. Uma garganta. Um homem pendurado nas redes. Um pai que ergue o filho recém-nascido nos braços. Mas nesta noite o silêncio tem gente dentro. Tem dor. Tem nostalgia. Tem milhares de lágrimas prontas a saltar da cara, à espera de um gesto que lhes dê licença.
E ali está Messi. Pela última vez.
Há cânticos. Há aplausos. Há um último golo. Quando chega a hora de o ouvir, porém, o Monumental parece uma casa onde alguém acaba de anunciar que vai embora. Ninguém sabe onde pôr as mãos. Ninguém quer ser o primeiro a mexer na cadeira. Basta um ruído para tornar o último tango numa dança demasiado rápida. Acaba quando o árbitro pergunta ao ator principal se pode terminar. É aí que tudo bate mais forte.
Messi segura o microfone. A bola parece-lhe sempre mais fácil. Com a bola pode inventar uma saída. Encontrar uma passagem entre dois corpos. Dar mais um toque. Ali, cada palavra aproxima-se do fim. Diz que gostaria de voltar durante toda a vida. Chama à despedida o dia mais triste da carreira. E admite que não quer deixar o campo. Um homem que passa a vida a fintar tudo e todos.
Um homem que sabe, sente, pensa que este é o momento. E, mesmo assim, naquele instante, esse homem fica preso.
Durante muitos anos, a Argentina é o lugar onde Messi chega e parece faltar sempre alguma coisa. Onde parece que o culpam por ter saído em criança para a Catalunha. Onde o seu distanciamento do país, a sua forma mais introspetiva de estar, choca totalmente com aquilo a que os argentinos se habituaram em relação a Maradona.
Ganha o Mundial de sub-20, em 2005. O ouro olímpico, em 2008. Depois vêm as finais que se transformam em quartos vazios. Brasil, na Copa América de 2007. Alemanha, no Mundial de 2014. Chile, em 2015. Chile, outra vez, em 2016. Quatro finais. Quatro maneiras de regressar a casa com as mãos vazias.
O futebol dá-lhe quase tudo.
Ele dá muito de volta. Mas o seu país continua a pedir-lhe a única coisa que Messi não consegue entregar. Um homem pode ser o melhor do mundo e mesmo assim sentir-se impotente para travar a tristeza e a fúria dos seus.
Nessa final de 2016, falha um penálti e violentamente criticado por parte de uma nação que nesse momento se polariza, com muitos a olharem para ele como um estrangeiro no próprio país. Perante este cenário de extremos, anuncia a saída da seleção. Já não aguenta. Também os génios têm um limite. Também se sentam no chão. Também confundem o fim de uma noite com o fim de tudo.
Regressa ainda nesse ano. E depois, em 2018... Scaloni.
O novo treinador é uma escolha altamente criticada por aqueles que agora o endeusam na Argentina. Mas traz algo diferente. Não começa pela tática, pelo estilo, pela ideia de jogo. Começa pelo coração. E transmite esse sentimento puro a Messi.
Onde havia peso, saturação e frustração, passa a estar um artista de alma leve. A admiração, respeito e carinho que os colegas de equipa passam a sentir por ele só encontram paralelo na forma como ele também retribui.
Nunca se comporta como alguém mais importante. Nunca concorda com quem diz que os colegas não lhe chegam aos calcanhares. A sua maneira de estar recusa essa distância. O talento dá-lhe soluções que os outros não têm. Não lhe dá o direito de os diminuir.
Em 2021, no Maracanã, chega a Copa América. E em 2022, finalmente, o Mundial. Os deuses do futebol a serem justos com um dos seus maiores milagres. Em 2024, outra Copa América. O rapaz das finais perdidas aprende o peso dos troféus. Em 2026, volta à final do Mundial. Com 39 anos. Perde, e perde bem, contra a Espanha. Mas a história está escrita. Sem precisar de nova vitória.
Voltamos ao Monumental. Ao seu silêncio ensurdecedor.
Na despedida, Messi fala dos colegas. Diz que aquele grupo lhe realiza o sonho de criança. Agradece-lhes. Pede que continuem unidos. Pede aos adeptos que estejam com eles quando vierem os dias difíceis. Conhece esses dias. Conhece a facilidade com que o amor das bancadas muda de nome se a bola não entra.
Os colegas ali. Ao lado dele. Alguns, como Enzo Fernández, a chorar como crianças. E Messi está ao lado deles. Nem acima, nem abaixo. Ao lado. Aqueles homens são a sua equipa. Merecem sempre uma palavra. Especialmente nos momentos difíceis. Um abraço quando falham. Messi amadurece também aí. Percebe que a grandeza pode caber numa relação de igualdade. Que um capitão pode ser extraordinário sem obrigar os outros a sentirem-se pequenos.
Por isso choram. Perdem o homem a quem podem entregar a bola quando tudo se fecha. Perdem também uma presença no pequeno mundo do balneário. Alguém que os defende, que os sente. Perdem um líder, sim. E antes de tudo isso, perdem um amigo que por mais que sofra de fora, por mais que mantenha o contacto, deixou de estar ali todos os dias para os ajudar e inspirar.
A despedida de Messi da seleção argentina não é apenas a merecida homenagem a um dos maiores artistas da história do futebol. Mais importante do que isso: é a celebração de alguém que soube amadurecer dentro de campo. Que consegue deixar a imagem de uma pessoa como as outras. Uma boa pessoa. Simples nos gestos. Genial no ofício.
O Monumental continua em silêncio. Como se ficar calado fosse uma forma de lhe guardar o lugar na equipa. Para sempre."

A Última Ceia de Cristiano Ronaldo não foi em Oslo


"Se Jorge Jesus quisesse afirmar a sua autoridade sobre Cristiano Ronaldo, não teria encontrado melhor ocasião do que a que teve no domingo à noite.
Depois das quatro vitórias e, sobretudo, do prazer de voltarmos a ver a Seleção Nacional jogar como joga agora, poucos reclamam o regresso de Cristiano para além de um jogo de despedida. Ninguém quer que Jesus saia.
Ao contrário do que proclama a vox populi, no futebol não são apenas os resultados que importam. A alegria vivida na noite da derrota na final do Euro 2004 desmente essa ideia.
Queremos um futebol de que nos orgulhemos: corajoso, ambicioso e de qualidade. Se ganharmos, como em 2016, tanto melhor.
O insuportável é a letargia morna e sem sal do último Mundial, jogado a passo, em que nem à RD Congo conseguimos ganhar.
Quando Jesus foi anunciado, esperávamos voltar a ver Portugal praticar um futebol que o mundo admirasse. Quatro jogos depois, acreditamos que o vai conseguir.
Ganhar o Mundial de 2030 seria uma alegria sem divisões, que imortalizaria os seus protagonistas. A probabilidade é baixa, mas não é zero. Com Jorge Jesus, aumentou. O selecionador foi o ponto fraco em 2026 e vai ser o ponto forte em 2030.
Jesus sabe que só dez milhões de portugueses o julgam. Os restantes habitantes do planeta não têm Portugal como primeira Seleção. Cristiano não está nessa situação.
E Jesus sabe, como poucos, que a gratidão pode ser mortal para um treinador. A frase de Estaline, segundo a qual a gratidão é a doença dos cães, traduz uma lógica brutal: só os resultados interessam. A Jesus, só ganhar interessa.
Tivesse menos confiança em si próprio e menos personalidade, depois de quatro vitórias e de perceber que os portugueses estavam do seu lado, a conferência de imprensa de domingo teria sido diferente: cheguei, vi e venci. Cristiano is finished.
Não o fez.
No Benfica, depois de Óscar Cardozo o confrontar de forma desrespeitosa na final da Taça de Portugal, Jesus perdoou. Na época seguinte, ganhou as três provas nacionais e disputou a final da Liga Europa.
Um treinador inseguro teria feito daquele episódio uma questão de autoridade. Jesus preferiu recuperar o jogador e continuar a ganhar.
Quanto ao comunicado de Cristiano Ronaldo, não o li até ao fim, mas não gostei do que li. Também foi demasiado longo, como os quarenta minutos de aquecimento.
A personalidade de Cristiano não é novidade. Os seus defeitos não começaram agora, nem a sua grandeza terminou com um erro.
Pedro Proença poderia ter feito como Pôncio Pilatos: lavar as mãos e deixar à multidão o veredicto final. Jesus ou Cristiano? Hoje, a decisão seria óbvia. Em vez disso, procura uma saída institucional.
A decisão técnica pertence ao selecionador; uma eventual infração disciplinar exige o apuramento dos factos e o respeito pelas competências da Federação. Cristiano revelou ter falado com Proença antes de sair do estágio. Importa saber o que foi dito, em vez de condenar primeiro e perguntar depois.
E o que resolverá um castigo?
Uma semana de discussão mundial, milhões de pessoas polarizadas, a Seleção transformada num campo de batalha e o nome de Portugal a ser enxovalhado pelo mundo inteiro?
Muitos dos que hoje reclamam uma sanção seriam os primeiros a contestá-la quando fosse aplicada. O castigo, em vez de encerrar o caso, vai ampliá-lo.
No recato de um treino, fazer vinte flexões sozinho, com os colegas à volta dele a rirem-se e pagar um almoço a todos não seria uma solução equilibrada e suficiente?
Há uma frase atribuída a um general romano sobre os povos da Hispânia: não se governam nem se deixam governar. A autoria é incerta, mas o retrato é atual.
Perante um problema, a nossa abordagem clássica é encontrar culpados. Nunca perdemos tempo a procurar soluções.
Com Cristiano, descobrimos subitamente defeitos que sempre conhecemos. A personalidade não mudou; mudou a disponibilidade para o criticar. Os golos deixaram de lhe garantir a imunidade.
É agora, mais vulnerável, que precisa, e merece, o nosso apoio. Não para desculpar os erros, mas porque tantas vezes nos deu alegria e orgulho em sermos portugueses.
Admiro-o profundamente e considero, ao mesmo tempo, que já não devia jogar na Seleção. Não há qualquer contradição.
Se Jesus entende que Cristiano pode ajudar a ganhar a Liga das Nações, confio no seu julgamento. Não por ser Cristiano. Por ser Jesus. 
A homenagem a Cristiano não devia ser um jogo de futebol. E seria extemporâneo fazê-la agora. Pense-se nela, naturalmente, mas reserve-se para o final da sua carreira de futebolista.
Roma sabia homenagear os seus generais vitoriosos em vida. Não lhes oferecia uma última batalha no Coliseu: abria-lhes as ruas, para que a multidão os saudasse. Porquê limitar a 50 mil espectadores a homenagem ao português mais conhecido de sempre?
Cristiano foi muito mais importante para Portugal do que Messi para a Argentina. Antes de Messi, a Argentina já tinha conquistado dois Mundiais e tivera Maradona, que disputava com Pelé o reconhecimento como melhor jogador de sempre.
Cristiano levou o nosso nome a todos os continentes e ajudou a transformar a autoestima de gerações. Há cinco séculos, os portugueses deram a conhecer novos mundos à Europa. No seu tempo, Cristiano deu a conhecer Portugal ao mundo.
No Triunfo Romano de César, o desfile que celebrou as suas conquistas, manteve-se a tradição de um escravo segurar uma coroa de louros sobre a cabeça enquanto lhe repetia ao ouvido que era mortal e não um deus.
A homenagem não exigia a ausência de pecados, mas que o homenageado também ouvisse críticas no momento da sua consagração, para não se esquecer de que não era mais do que um homem.
Cristiano será imortal na história do futebol, mas é humano. A sua grandeza não apaga os erros, nem os erros diminuem tudo o que deu ao país.
Cristiano não precisa de uma Última Ceia em Oslo nem de uma despedida à pressa.
Quando chegar o momento, que Portugal o homenageie nas ruas, como Roma fazia com os seus generais: celebrando o extraordinário, sem esquecer o homem."

Cristiano, a glória e o adeus


"Ao falarmos do futuro da Seleção Nacional, dele não faz parte CR7. Aos 41 anos, ele próprio tem absoluta noção de que o seu caminho terminou, e devia ter percebido isso antes de cometer a imprudência (ou fazer a asneira) de abandonar a concentração.

O futebol foi criado no século XVI. Mais de 150 anos de história podem ter mudado o jogo, evoluído as regras e aumentado a visibilidade, mas não substituíram a paixão, a dedicação do adepto e até a devoção máxima, quer quando se trata de clubes, quer, sobretudo, quando estão em jogo seleções. A superlativa razão do coração faz com que tudo seja exacerbado, da exaltação das vitórias ao subterrâneo das derrotas.
Muitos foram os nomes que marcaram a História do jogo, e definir o melhor (ou um grupo de melhores), nunca é tarefa fácil e, muito menos, homogénea nas opiniões.
Portugal tem tido sorte. É um alfobre de grandes talentos, desde Eusébio, claro, a Cristiano Ronaldo, não podendo esquecer, nas páginas brilhantes, nomes como Luís Figo, Paulo Futre ou Fernando Chalana. E muitos, felizmente muitos outros.
O estatuto que Cristiano Ronaldo atingiu tem explicações simples: uma vocação excecional para o trabalho, uma dedicação total à profissão, a exploração de um inato talento para se tornar, provavelmente, no melhor atleta de sempre ao serviço do futebol mundial.
E, claro, a mediatização de toda a sua carreira, alicerçada em grandes clubes internacionais, na transversalidade da comunicação e na utilização sublime do fenómeno em rede.
Cristiano conseguiu tudo, e tem, obviamente, tudo para ficar na História de Portugal, da sua Seleção Nacional, do seu desporto e da sua diplomacia, fazendo muito mais pelo País, nos últimos 23 anos, do que consecutivas rondas à volta de mesas ou visitas oficiais.
Dito isto, todos sabemos que, ao falarmos do futuro da Seleção Nacional A de Portugal, dele não faz parte CR7. Aos 41 anos, ele próprio tem absoluta noção de que o seu caminho terminou, e devia ter percebido isso antes de cometer a imprudência (ou fazer a asneira…) de abandonar a concentração da equipa das quinas na véspera de um tão importante jogo na Dinamarca.
Porque foi, de facto — só consigo concebê-lo e qualificá-lo deste modo — um ato irrefletido, brusco, impetuoso, momentâneo e não cruzado com a sua entourage. Só desse modo se compreende (e mesmo assim muito dificilmente…), que o capitão abandone o barco do modo e nos timings em que o fez.
Cristiano percebeu que não é primeira opção de Jorge Jesus, e quase todos nós já o tínhamos percebido, aos soluços, desde o Mundial 2022 e, de modo bem objetivo e claro, no Mundial das Américas, este ano.
E não vem mal nenhum ao mundo por isso. É o inexorável peso do tempo, o ditame mais forte e certo com que todos nós podemos e devemos contar, em vida.
Jesus entrou para a Federação Portuguesa de Futebol com uma única ideia, se bem o conheço: ganhar. O verbo é o único que o treinador da Amadora continua a conhecer, e é o único que pretende conjugar, no seu consulado com a Seleção portuguesa. E não é o verbo que todo o adepto português mais sente e conjuga, do coração até à boca?
Outra coisa é a gestão do adeus de Cristiano Ronaldo. Os mais inflexíveis apontam, numa primeiríssima análise, a necessidade de uma punição, sobretudo para que não haja abertura de perigosos precedentes. Completamente de acordo, embora o reconhecimento do erro tenha projetado, de imediato, o jogador para uma moldura penal de metade da original.
Agora, poderá ter uma suspensão de 15 dias a três meses e, considerando todas as atenuantes e a dimensão supra-nacional do jogador em causa, é natural que se fique pela zona mais baixa da janela.
Por isso, é forçoso perceber a cautela com que a FPF, designadamente o seu presidente, tem lidado com a situação. Bem sabemos que um silêncio prolongado por demasiado tempo é um espaço comunicacional imediatamente ocupado por fenómenos especulativos e, ganhando lugar, são dificilmente rebatíveis e contraditáveis a posteriori. Porém, a sensibilidade da situação, envolvendo quem envolve, aconselha a outra regra de ouro da comunicação de crise: 'menos é mais', permitindo uma leitura transversal e equidistante, e uma decisão mais ponderada, menos transportada pela espuma dos dias ou pela imensa pressão mediática nacional e estrangeira.
Proença esteve bem na reação, ponderada, equilibrada e, acima de tudo, não extremada. Porque importa garantir a Cristiano uma despedida condigna da Seleção, onde marcou posição, bateu recordes e impôs a presença de Portugal no mundo durante quase duas décadas e meia.
A extraordinária homenagem prestada pela Argentina a Lionel Messi é o melhor exemplo que se pode e deve seguir para a despedida do seu maior rival contemporâneo. Já muitos o escreveram, e sublinho: muita sorte tivemos nós, os adeptos do belo jogo, em poder ser brindados, durante tantos anos, por dois génios tão distintos nas origens, nas personalidades, nas características técnicas e competitivas, mas tão próximos no modo como sempre dignificaram as suas camisolas e honraram o que o mundo lhes concedeu.
Saibamos, portanto, encontrar o ponto de equilíbrio para a grande saída de cena de Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, sendo tão certa a sua despedida da Seleção Nacional — onde um extraordinário grupo de jogadores saberá conjugar o tal verbo de Jorge Jesus, bem notório nos primeiros quatro jogos da Liga das Nações — como a necessidade de ter memória e agradecimento por uma carreira ímpar e notável.
Mas sempre, e isso é, agora, o mais importante, não confundindo gratidão com competição, não misturando emoções e sentimentos, e fazendo do tempo o melhor de todos os conselheiros, na medida certa e na hora exata.

Cartão branco
Conheço o Fernando Eurico há quase quarenta anos. Sei exatamente que uma das suas grandes qualidades é a tentativa de agregação numa boa gestão.
O Fernando é, agora, o responsável máximo pelo setor de desporto da Antena 1, a rádio pública onde comecei a minha carreira, a nível nacional, a 21 de dezembro de 1987.
E também sei dos seus planos: revitalizar, aumentar a abrangência das coberturas, fazer com que a equipa saia cada vez mais das redações e faça o que a telefonia deve fazer: informação global e pessoal. Do longe se faz perto e, por isso, não me surpreendem estes primeiros tempos de mais coberturas no estrangeiros, mais olhares para o interior e para as ilhas, mais rádio próxima do ouvido de todos nós.
Há já dedo do Fernando Eurico. E sei que o melhor ainda estará para ouvir."

Futpedia #30 - FUTDRAFT LEILÃO 💰 VERSÃO LENDAS 👴

A Bola é Minha, Eu é que Sei - S04E08 - ROCKY RONALDO vs JORGE JESUS

Zero: Negócio Mistério - S07E03 - Bruma...

Saúde mental no desporto: da reflexão à ação


"Dos atletas que decidiram parar aos profissionais que trabalham nos bastidores, a saúde mental ganhou visibilidade. Mas estarão as organizações desportivas preparadas para transformar essa preocupação em condições reais de proteção?
Em 2024, Filipe Toledo, bicampeão mundial de surf, decidiu interromper a participação no circuito profissional para cuidar da sua saúde mental. Disse que uma década a competir ao mais alto nível tinha tido um custo e que precisava de parar para recuperar. Este ano, João Fonseca abdicou da digressão asiática de ténis, reconhecendo que precisava de dar tempo ao corpo e à cabeça depois de uma sucessão de lesões. Já em 2022, Declan Rice, internacional inglês e hoje jogador do Arsenal, se tinha tornado embaixador da CALM, uma organização dedicada à prevenção do suicídio, utilizando a sua notoriedade para incentivar outras pessoas a procurar ajuda.
Três atletas, três formas diferentes de reconhecer a importância e contribuir para uma preocupação que se tornou particularmente visível na última década. Já não falamos apenas de atletas que reconhecem dificuldades psicológicas. Falamos também de campeões que decidem parar, de jovens que aprendem a respeitar os seus limites e de figuras do desporto que assumem publicamente a defesa da saúde mental.
Multiplicaram-se as campanhas, os programas de apoio e as recomendações internacionais. Em agosto, o Comité Olímpico Internacional (COI) publicou uma nova declaração de consenso sobre saúde mental no alto rendimento, atualizando a de 20191. A investigação que a acompanha ajuda a perceber a dimensão do desafio.
A meta-analise (72 estudos) que sustenta a este consenso, estima que cerca de um em cada três atletas no ativo reporta sintomas de sofrimento psicológico. Aproximadamente um em cada cinco reporta sintomas de depressão, ansiedade ou perturbações do sono. Os comportamentos alimentares desordenados surgem em mais de um quarto dos participantes2. Saúde mental Saúde mental

Mas os atletas são apenas uma parte desta história.
Os treinadores vivem igualmente sob pressão. São avaliados pelos resultados, tomam decisões difíceis, gerem expectativas e trabalham, muitas vezes, com uma enorme incerteza sobre o futuro. Espera-se que transmitam confiança e estabilidade às equipas, mesmo quando a sua própria estabilidade está a ser posta à prova.
A investigação confirma que o desgaste é significativo. Num estudo longitudinal com 299 treinadores de alto rendimento, quase um quarto apresentava níveis elevados de exaustão no final da época3. A carga de trabalho e a dificuldade em conciliar a profissão com a vida pessoal surgem associadas a maior desgaste. Não se trata apenas de uma questão de resistência individual. As condições em que se exerce a profissão também contam.
Esta realidade estende-se a todo o tipo de profissionais que atuam nos bastidores: médicos, fisioterapeutas, psicólogos, preparadores físicos e outros elementos das equipas de suporte vivem sujeitos a calendários exigentes, viagens constantes, responsabilidades elevadas e à pressão de garantir que tudo funciona quando chega o momento de competir.
Num estudo australiano com 252 treinadores e profissionais de suporte, cerca de quatro em cada dez atingiram o limiar de rastreio para uma possível condição psicológica4, o que faz das preocupações associadas à saúde mental um assunto muito mais abrangente do que simplesmente um tema de atletas.
Na realidade, na generalidade das (poucas) situações em que o apoio existe, ele é especificamente direcionado a atletas – esperamos que treinadores e equipas técnicas cuidem do bem-estar de quem compete, mas nem sempre lhes proporcionamos condições equivalentes.
Quem cuida de quem cuida?
Durante muito tempo, a resposta à saúde mental no desporto concentrou-se sobretudo no indivíduo. Desenvolver competências para lidar com a pressão, gerir emoções, recuperar de um erro ou adaptar-se à adversidade. Tudo isto continua a ser fundamental. O alto rendimento exige preparação psicológica, tal como exige preparação física, técnica e tática.
Mas há uma pergunta que a investigação começou a colocar com maior insistência: e se parte do problema estiver também nas condições em que estas pessoas vivem e trabalham?

O papel das organizações desportivas
O desporto tem sido um enorme impulsionador da visibilidade do tema, inclusive na sociedade. Há mais atletas a falar sobre o assunto, mais investigação, mais programas e maior reconhecimento institucional. É um progresso importante, mas o verdadeiro compromisso não se mede pelo número de campanhas, pelas declarações de princípios ou pela existência de um gabinete de apoio psicológico. Mede-se pelas condições que as organizações oferecem e pela disponibilidade para modificar aquilo que as compromete.
Em 2024, um grupo internacional de especialistas descreveu situações em que psicólogos atendiam atletas no lobby de hotéis durante estágios e competições. Noutros casos, os gabinetes estavam localizados em zonas onde treinadores e dirigentes conseguiam observar quem entrava e saía – as organizações disponibilizavam apoio psicológico, mas não as condições para que o mesmo se pudesse efetivar.
Há uma diferença grande entre querer fazer e fazer de facto. E fazê-lo bem.
Construir uma cultura que proteja a saúde mental dos atletas, treinadores e demais colaboradores obriga a rever práticas de liderança, critérios de avaliação, políticas de confidencialidade, formas de comunicação e decisões organizacionais que se tornaram habituais, antecipando o impacto direto na qualidade dos contextos onde as pessoas desenvolvem a sua atividade.
O próprio processo de seleção e recrutamento do especialista que deverá ser responsável pela área de saúde mental tem levantado sérias questões éticas em muitas organizações, pois a visibilidade dada ao tema trouxe consigo também uma multiplicação de ofertas de apoio de carácter científico e ético duvidoso.
A naturalidade com que outras áreas encaram poder “fazer uma perninha” na área do apoio psicológico, saúde mental e mesmo na área do treino de competências emocionais é verdadeiramente assustadora e resulta, em última instância, no agravamento das condições de saúde mental de quem a eles recorre.
Ter alguém a desempenhar uma função não significa que essa função esteja a ser desempenhada por quem tem legitimidade e preparação para o fazer. E essa responsabilidade começa no recrutamento, e termina na organização que contrata.
Contribuir para ambientes que a protejam é também um dever, proporcional à influência e ao poder de cada um. A responsabilidade de quem dirige uma equipa, um clube ou uma federação não é a mesma de quem está sujeito às suas decisões.
A proposta de Orçamento do Estado para 2027 prevê uma dotação de 76 milhões de euros para o Desporto, quase 30% mais do que a relativa ao corrente ano. Mas saberemos qual a percentagem que será efetivamente canalizada para esta área (se é que haverá alguma)? Não seria expectável que a atribuição desta dotação viesse acompanhada de um compromisso por parte de quem a recebe, definindo que parcela será aplicada neste setor? Será que uma medida deste género é realmente tão inviável de concretizar?
Não, não é.
Precisa é de haver vontade política (diria coragem e visão) no sentido de orientar as organizações desportivas para um rumo que é uma necessidade cada vez mais emergente."

sábado, 10 de outubro de 2026

Piada do Século !!!

CazéTV e LiveMode: o fenómeno que nasceu de graça e está a mudar o futebol português


"Em junho, o jogo de abertura do Mundial 2026, entre México e África do Sul, chegou a acumular cerca de 4,6 milhões de espectadores simultâneos, de graça, no YouTube. Não foi um canal de televisão tradicional a fazer esse número. Foi a CazéTV, um projeto que nasceu de um streamer brasileiro a comentar jogos para a câmara do telemóvel e que, em poucos anos, se transformou num dos ativos mais valiosos do desporto digital mundial. Em 2026, esse mesmo modelo chegou a Portugal, com nome próprio, patrocínio de Cristiano Ronaldo e a ambição declarada de mudar a forma como vemos futebol.
Vale a pena perceber quem está por trás disto, porque a história explica muito sobre para onde caminha a indústria.
Consideremos os dois nomes que dão título a este texto.

A LiveMode, a empresa que ninguém via mas que decide tudo
A CazéTV tem cara, voz e maneira de estar de Casimiro Miguel. Mas quem controla a operação, a marca e os direitos que sustentam o canal é a LiveMode, uma empresa fundada pelos empresários Edgar Diniz e Sérgio Lopes, dois nomes que já conheciam bem o setor: tinham criado, em 2007, o Esporte Interativo, canal que revolucionou a transmissão desportiva no Brasil antes de o venderem, em 2015, ao grupo Turner, hoje Warner Bros. Discovery.
Depois dessa venda, Diniz e Lopes fundaram a LiveMode com um propósito diferente: deixar de ser apenas dona de um canal e passar a ser intermediária na negociação de direitos de transmissão entre detentores de competições, investidores e emissoras. A grande viragem aconteceu com o Mundial do Qatar, em 2022. A LiveMode era agente da FIFA no Brasil para os direitos digitais, um pacote que a Globo, historicamente detentora de tudo, decidiu não disputar. A LiveMode ficou com esses direitos por cerca de três milhões de dólares, uma fração dos noventa milhões anuais que a Globo pagava à FIFA pelo pacote completo. Só que um direito de transmissão vale pouco sem audiência capaz de o rentabilizar, e foi aí que entrou a CazéTV.

CazéTV, a prova de conceito que se tornou indústria
A CazéTV nasceu formalmente em 2022, com Casimiro Miguel como rosto e apresentador, e investimento direto de Diniz e Lopes. O sucesso foi tal que a Copa de 2022 se tornou, para a LiveMode, uma verdadeira prova de conceito: um canal de YouTube conseguia gerar audiências comparáveis, e por vezes superiores, às de uma emissora tradicional, com uma fração do custo estrutural e uma linguagem completamente diferente, mais próxima do adepto comum do que do estúdio de televisão clássico.
O crescimento seguinte foi vertiginoso. O canal ultrapassou os 23 milhões de subscritores, e a estrutura empresarial por trás dele profissionalizou-se a um ritmo equivalente. Em 2024, entraram como sócios a XP Private Equity II e a gestora norte-americana General Atlantic, num investimento estimado à volta dos 450 milhões de reais por uma participação superior a 20 por cento na operação internacional da marca. A CazéTV passou a negociar patrocínios de peso, chegando a fechar onze cotas de patrocínio só para o Mundial 2026, com receita estimada em dois mil milhões de reais, e a somar direitos de transmissão que incluem a fase final da Copa do Mundo de 2026 completa, a Copa do Mundo Feminina de 2027, os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, através de parceria renovada com a Disney+, e ainda a LaLiga espanhola em exclusivo, com sublicenciamento da Premier League junto da ESPN.
Casimiro deixou, entretanto, de ser sócio direto do canal para passar a integrar a holding internacional do grupo, sedeada nas Ilhas Cayman, mantendo-se como embaixador e principal apresentador, mas já não como dono no sentido tradicional. O negócio, hoje, é maior do que a personalidade que o tornou famoso.

Cristiano Ronaldo entra em jogo
Em maio de 2026, a LiveMode anunciou que Cristiano Ronaldo se tinha tornado acionista da LiveMode Cayman, o braço internacional da holding responsável por negociar direitos de transmissão para todas as operações do grupo fora do Brasil, incluindo a própria CazéTV e a nova LiveModeTV em Portugal. Os valores do investimento e a percentagem adquirida por Ronaldo nunca foram divulgados publicamente, mas o próprio grupo descreveu a entrada do jogador como uma validação estratégica do modelo, numa altura em que a empresa se preparava precisamente para o lançamento internacional que teve em Portugal.

LiveModeTV: o modelo brasileiro a falar português
A LiveModeTV chegou a Portugal em 2026, coincidindo com o arranque do Mundial, e seguiu à risca a fórmula que resultou no Brasil: transmissão gratuita no YouTube, financiada por publicidade e parcerias de marca, com uma equipa que junta ex-jogadores e criadores de conteúdo digital à mesa. A operação portuguesa garantiu os direitos diretamente junto da FIFA para transmitir todos os jogos da Seleção Nacional e ainda o melhor jogo de cada dia do torneio, e reforçou o elenco com nomes como Ricardo Quaresma, Ricardinho, o youtuber Movemind e os comentadores Tomás da Cunha e Mário Cagica.
O objetivo, segundo os próprios responsáveis, nunca foi um projeto de um só torneio. Depois do Mundial, a LiveModeTV fechou parceria com a DAZN para transmitir, também no YouTube e também de graça, um jogo por jornada da Premier League e as partidas da Liga dos Campeões a partir das 17h45, além de manter direitos de outras competições como a Taça Intercontinental, a Libertadores e Mundiais de formação. Os planos da empresa passam agora por replicar este modelo noutros mercados europeus, com Espanha, Itália, França e Alemanha já identificados como próximos alvos.

Porque é que isto interessa ao futebol português
A relevância desta história para quem segue o futebol nacional não está apenas no entretenimento que a CazéTV e a LiveModeTV oferecem. Está no que representam para o modelo de negócio que sustenta a transmissão desportiva em Portugal.
Já defendi anteriormente neste mesmo espaço que o interesse pelo futebol português existe, mas que grande parte dele fica preso atrás de barreiras de acesso, preço e fragmentação de plataformas. A LiveModeTV é a prova prática de que um modelo gratuito, financiado por publicidade e construído à volta de criadores de conteúdo em vez de estúdios tradicionais, consegue gerar audiências massivas mesmo em competições de elite. Se um jogo de abertura de Mundial reúne milhões de espectadores simultâneos de graça, a pergunta que qualquer operador de televisão paga em Portugal deveria estar a fazer é simples: quanto tempo mais aguenta o modelo atual, assente em assinaturas fragmentadas, competir com um concorrente que oferece o mesmo produto sem custo direto ao adepto?
Há aqui lições concretas para o setor nacional. O modelo gratuito financiado por publicidade deixou de ser uma curiosidade digital e passou a disputar diretamente audiências com operadores pagos, mesmo em competições de elite com direitos caros. A credibilidade já não depende apenas do estúdio ou da experiência televisiva clássica, e comentadores e ex-jogadores conseguem construir confiança junto do público em formatos mais informais e digitais. A entrada de figuras como Cristiano Ronaldo no acionariato destas empresas mostra algo importante: os próprios protagonistas do jogo já veem este modelo como o futuro comercial da transmissão desportiva, não como uma alternativa marginal. A fragmentação de direitos entre múltiplas plataformas pagas, o problema identificado noutro texto desta série, cria exatamente o espaço de mercado que operadores como a LiveModeTV exploram com um modelo mais simples e acessível. E Portugal tornou-se, com a chegada da LiveModeTV, um mercado de teste para a expansão europeia deste modelo, o que leva a uma pergunta que vale a pena colocar desde já: a Liga Portugal quer ser espectadora desta transformação ou parceira ativa dela?
No fim, a pergunta é inevitável: se um canal de YouTube gratuito já consegue competir de igual para igual com os grandes operadores pagos num Mundial, quanto tempo falta até esse mesmo modelo bater à porta da própria Liga Portugal?"

Decide-te homem!!!

A sério... então não era ao contrário?!

Insano

Fácil !!!

Padrão

D. Monarca - 💣 BARCELONA E TOTTENHAM INTERESSADOS NO CRAQUE DO BENFICA! TRUBIN DEIXA DÚVIDAS...

BF: Echeverri...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Brasil: guerra aberta às apostas online

Observador: E o Campeão é... - Que porta utilizou Ronaldo para deixar estágio da seleção?

Observador: Três Toques - Martínez está a caminho das Arábias?

Económico: "Gianluca Prestianni valorizou muito o plantel do SL Benfica nas contas do Transfermarkt"

A Verdade do Tadeia - 2027/10 - Há tanto tempo!

❤️🦅 MICHEL PREUD’HOMME — HÁ LENDAS QUE O TEMPO NUNCA APAGA! 🦅❤️


"Há jogadores que passam pelo Benfica… e há jogadores que ficam para sempre no coração dos benfiquistas.
Michel Preud’homme foi muito mais do que um guarda-redes. Foi um homem que transformou defesas impossíveis em momentos eternos, que vestiu o Manto Sagrado com orgulho e que, mesmo numa das fases mais difíceis da história recente do nosso clube, nunca deixou de honrar a baliza do Glorioso.
🇧🇪 Antes de chegar à Luz, já era uma figura mundial. No Mundial de 1994, ao serviço da Bélgica, foi considerado o melhor guarda-redes da competição. Mas foi em Lisboa que conquistou um lugar muito especial na memória de tantos adeptos.
Entre 1994 e 1999, disputou 199 jogos oficiais pelo Benfica. Foram noites de sofrimento, defesas milagrosas, mãos que pareciam ter vida própria e uma segurança que fazia acreditar que, enquanto Michel estivesse entre os postes, tudo era possível.
🏆 Conquistou a Taça de Portugal em 1995/96. Mas a sua maior conquista em Portugal talvez tenha sido outra: o respeito, a admiração e o amor de uma massa adepta que nunca esqueceu aquilo que ele deu ao clube.
E há um momento que diz tudo…
No dia da sua despedida, em agosto de 1999, milhares de benfiquistas aplaudiram-no de pé no antigo Estádio da Luz. Não era apenas o adeus a um guarda-redes. Era o reconhecimento de um homem que tinha dado tudo o que tinha pelo emblema que trazia ao peito.
Michel partiu, mas deixou uma marca que não se mede em troféus. Porque há jogadores que conquistam títulos… e há jogadores que conquistam o coração de um povo.
❤️ Saint Michel, para muitos serás sempre um dos nossos!
O futebol muda, as gerações passam, os estádios transformam-se, mas as verdadeiras lendas nunca desaparecem. Continuam vivas nas histórias contadas pelos pais aos filhos, nas memórias dos domingos de futebol e nas lágrimas de quem sente o Benfica muito para além dos resultados.
Porque ser do Benfica é isto: amar aqueles que, mesmo nos momentos difíceis, nunca deixam de nos fazer sentir orgulho.
Obrigado, Michel Preud’homme, por cada defesa, cada emoção e cada momento de paixão pelo nosso Glorioso! 🔴⚪🦅
E tu, benfiquista, também te lembras do nosso Saint Michel?
❤️ Deixa uma palavra de homenagem a esta lenda e partilha para que as novas gerações nunca esqueçam aqueles que honraram o Manto Sagrado!"

Aquecimento


Benfica em várias frentes


"A atualidade benfiquista na BNews, com destaque para o início do processo de renumeração de sócios do Sport Lisboa e Benfica.

1. Renumeração de sócios
O processo previsto nos Estatutos do Sport Lisboa e Benfica decorre até 9 de novembro, prazo para a regularização da situação dos sócios com quotas em atraso.

2. Distinção
Prestianni eleito o melhor jogador de setembro da Liga Betclic pelo Sindicato dos Jogadores.

3. Elogio
Em entrevista à BTV, Rui Vitória, antigo treinador das águias, antevê o desafio com o Vitória SC: "O Benfica, pelo que vi nos últimos jogos com o Marco [Silva], está a apresentar uma qualidade muito boa e vai ser a equipa favorita, obviamente."

4. Petição em defesa do Benfica
Junta-te aos mais de 60 mil e impede o Benfica de perder mais de 20 milhões de euros por ano com a centralização.

5. Agenda para sábado
Na Luz há receções à Sanjoanense em basquetebol no feminino (15h00) e ao Belenenses em andebol no masculino (17h00).
Em andebol no feminino, o Benfica visita o ZRK Zrinski Cakovec na 2.ª mão da 2.ª ronda de qualificação da EHF European League Women. A equipa masculina de futsal tem deslocação ao Fundão (19h30). Em hóquei em patins no masculino há, na Parede, os quartos de final da Taça Jesus Correia com o Murches (16h15). Em voleibol no masculino, meia-final da Taça Ibérica frente ao CV Guaguas na Gran Canaria Arena (19h30). Em râguebi no masculino, o Benfica é anfitrião do Agronomia no Estádio Universitário de Lisboa (17h00). Os Iniciados de futebol atuam no reduto do Farense (11h00).

6. Agenda para domingo
Às 18h00, o Benfica recebe o Vitória SC no Estádio da Luz. Os Juniores visitam o Santa Clara (14h00 locais, 15h00 continentais). Os Juvenis jogam com o Casa Pia no adidas Benfica Campus (16h00). A equipa masculina de basquetebol visita o FC Porto (15h00). As equipas femininas de voleibol, râguebi e polo aquático defrontam o Clube K (15h00 locais – 16h00 continentais –, em Ponta Delgada), o CR São Miguel (11h30, no Estádio Universitário) e o Sporting (14h30, em Algés), respetivamente.

7. Triunfo europeu
O Benfica ganhou, por 81-91, ao Bakken Bears, na Dinamarca, na 1.ª jornada da fase de grupos da FIBA Europe Cup de basquetebol.

8. Entrevista a um campeão do mundo
Vasco Vilaça em entrevista ao jornal O Benfica. "Sou a mesma pessoa", afirma.

9. Contributos internacionais
Quase 40 atletas da formação do Benfica estiveram em ação por seleções nacionais.

10. Mundiais de hóquei em patins
Acompanhe a prestação dos hoquistas do Benfica.

11. Reforço
Camila Rebelo, nadadora campeã europeia em 2024 e vice-campeã europeia em 2026 nos 200 metros costas, passa a representar o Benfica.

12. Captações no râguebi
Open Day no Estádio Universitário de Lisboa, destinado aos escalões de Sub-6 a Sub-18, realiza-se neste sábado, 10 de outubro, e antecede o Benfica-Agronomia Rugby.

13. Protagonista
A entrevistada da semana é Chantal Romão, guarda-redes de polo aquático do Benfica.

14. Museu Benfica – Cosme Damião
Conheça a programação para o último trimestre de 2026.

15. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV."

Rabona: The Derby of the ETERNAL ENEMIES: Panathinaikos vs Olympiacos | Roots of the Rivalry

Os Clubes que se lixem...

SportTV: Reportv - Amarante – Nunca parece de outro lugar

Sem espinha !!!

Candidata a piada do ano !!!

Cristiano Ronaldo: o privilégio maior


"Jesus não inventou novas regras, nós é que andámos hipnotizados, felizmente para ver o mais importante

Cristiano Ronaldo lá falou, «a seu tempo». Não encarou os jornalistas, como Jorge Jesus, mas fez passar um comunicado, seis dias depois de ter abandonado o estágio da Seleção Nacional. Nos dias anteriores falaram muitas pessoas pelo capitão de Portugal, mas também por JJ, para reforçar aquilo que o selecionador ia dizendo e acrescentar aquilo que o técnico não podia transmitir publicamente.
Já percebemos que a diferença entre as duas versões resume-se a semântica, ou pelo menos ao entendimento daquilo que é (ou não) uma promessa, mas o comunicado de Cristiano, por mais sincero que possa ser, não prestou um bom serviço a quem o assinou.
Depois de ter agravado o primeiro erro com outro bem maior, o capitão da Seleção pediu desculpa, assumiu a agravante de ser o capitão a abandonar a equipa, e mostrou-se disponível para voltar, mas perante a «absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador» é inimaginável que volte a trabalhar com Jesus.
A FPF ainda pode jogar com o tempo, e até ganhar algum com o castigo a aplicar, mas ninguém pode acreditar que seja possível voltar a uma convivência não-ficcionada. Seria continuar a varrer para debaixo de um tapete que já nada esconde. O oposto do que fez Ronaldo, ao revelar as oito notas que aprovou para Jesus abordar em conferência de imprensa.
Entre a contabilidade de selfies e o (auto)elogio na referência a Pelé e Maradona - mas não a Eusébio ou Messi -, Cristiano revelou uma realidade que não estava escondida, mas à qual toda a gente foi fechando os olhos, à medida que a lenda ia crescendo.
É normal que a opinião de Ronaldo tenha mais peso do que a de qualquer outro jogador. Que seja ouvido sobre a sua utilização, e até sobre outras escolhas técnicas, desde que essa opinião seja não-vinculativa. Já não é normal que aprove notas para o treinador ler na conferência de imprensa, que nem sequer foram discutidas com o departamento de comunicação da FPF, ou qualquer elemento da estrutura federativa, mas com o diretor desportivo do seu clube, o Al Nassr, e com o Consultor Estratégico da sua empresa, CR7, S.A.
É normal que a presença de Cristiano Ronaldo justifique maior segurança nos estágios, cuidados redobrados na logística. Já não é normal que sua ausência, mesmo quando não era por abandono, já retirasse outros elementos da comitiva.
Cristiano Ronaldo nunca precisou destes privilégios para chegar ao patamar astronómico que alcançou. Foi apenas com talento e capacidade de trabalho que conquistou o estatuto de lenda do futebol, maior embaixador de Portugal no Mundo. Não sei se alguma vez pediu esses privilégios, mas o comunicado mostra que não os dispensou.
Jesus terá a sua culpa - mais do que não seja por ter participado em reuniões que devia ter evitado -, mas a realidade é que não foi ele que veio mudar as regras do jogo. O rendimento de Ronaldo é que já não é suficiente para nos hipnotizar. Felizmente estivemos focados estes anos todos naquilo que mais interessava. Esse foi o maior privilégio."

Renascença: Buraca Radio Show - Big Brother na Bola e Canções para JJ e CR7

Os mandamentos de Cristiano Ronaldo — ou o quero, posso e mando do capitão


"No futebol português há um a.R. e um d.R. (antes de Ronaldo e depois de Ronaldo). O seu lugar na história está garantido. Ninguém lho tira. Talvez por isso seja tão triste vê-lo incapaz de perceber que, por vezes, a maior demonstração de grandeza é saber sair.

Há coisas que, de tão absurdas, parecem inventadas. O problema é quando são escritas, validadas e publicadas.
A carta de Cristiano Ronaldo, em que conta a sua verdade sobre o episódio que marcou o início desta nova era da Seleção, tem muitas coisas discutíveis. Mas há uma que, para mim, ultrapassa todas as outras: os oito pontos que, segundo o próprio, ficaram acordados com Jorge Jesus para serem ditos pelo selecionador.
É preciso não conhecer minimamente Jorge Jesus para imaginar que ele se sujeitaria ao papel de papagaio de quem quer que fosse.
Cristiano Ronaldo é um jogador extraordinário. É, provavelmente, o maior atleta português de sempre. É uma figura de dimensão planetária e ninguém pode apagar aquilo que fez pela Seleção e pelo futebol português. Mas há uma coisa que o estatuto, os golos, os recordes, as internacionalizações e a braçadeira de capitão não conferem a ninguém: o direito de ser speech writer do selecionador. E é exatamente isso que aqueles oito pontos parecem querer fazer.
Não se trata de combinar factos. Não se trata de esclarecer uma decisão. Trata-se de entregar ao treinador um guião para que ele explique, defenda, elogie e, em alguns momentos, quase santifique Cristiano Ronaldo.
Há ali de tudo.
Desde a explicação sobre os 30 minutos que deveria jogar até à comparação com Pelé e Maradona. Desde a justificação para o episódio com os adeptos até à garantia de que Cristiano é o jogador que mais autógrafos dá, mais selfies tira e mais acarinha os adeptos.
Tudo isto deveria sair da boca de Jorge Jesus.
Imagine-se, por um segundo, que Jorge Jesus tinha ido para a conferência de imprensa e lido o ponto 8 tal como está escrito: «Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal.» E depois explicasse que Cristiano é quem mais autógrafos dá, quem mais selfies tira e quem mais acarinha os adeptos.
Seria o quê? Uma conferência do selecionador ou um comunicado do departamento de comunicação de Cristiano Ronaldo?
E mais, no dia em que Jorge Jesus cedesse a Cristiano Ronaldo — ou a qualquer outro jogador — e falasse nestes termos, teria de se demitir. Porque nesse instante perderia a autoridade. O grupo deixaria de estar unido à volta do treinador. Haveria, inevitavelmente, uma revolta no balneário. E Jorge Jesus ficaria sem condições para trabalhar depois de ter branqueado uma deserção e desvalorizado aquilo que, sendo o capitão da Seleção, foi uma má conduta.
O problema não seria apenas o episódio em si. Seria o precedente.
A partir desse momento, qualquer jogador poderia reivindicar para si o direito de definir a narrativa que o treinador deveria transmitir publicamente. E se há coisa que um balneário não tolera é um treinador que abdica da sua autoridade.
Os jogadores da Seleção, diga-se em abono da verdade, têm tido um comportamento exemplar com Cristiano Ronaldo. Não lhe beliscaram a imagem, não o confrontaram publicamente, não alimentaram polémicas. Cristiano tem conseguido preservar a sua condição de líder porque os seus companheiros, até agora, fizeram questão de não a pôr em causa.
É, por isso, sintomático que nenhum tenha sentido necessidade de fazer um único like ou uma partilha daquele comunicado. Talvez seja uma forma silenciosa de dizer alguma coisa.
Jorge Jesus, homem inteligente e experiente, sabe mais a dormir sobre balneários do que os funcionários de Cristiano Ronaldo que redigiram o comunicado — e que Cristiano validou.
E há outra pergunta que a carta deixa inevitavelmente no ar: o que faziam, na tal reunião de terça-feira, dois personagens estranhos à FPF — um fisicamente presente e outro por via digital?
Se Pedro Proença já estivesse em Copenhaga teria permitido? Estou convencido de que não. Até porque uma dessas figuras é alguém que, no passado, enquanto alto dirigente da Federação, não fez outra coisa senão minar o caminho de Pedro Proença enquanto presidente da Liga. Não é um detalhe. É um sinal.
Porque aquilo que este episódio revela não é apenas o conflito entre um jogador e um treinador. Revela, sobretudo, uma determinada cultura de poder que Cristiano Ronaldo foi construindo na Seleção — e, por arrasto, na própria Federação — ao longo de mais de vinte anos.
Durante demasiado tempo, nos corredores do futebol português, ouviu-se dizer que quem mandava na Seleção era Cristiano Ronaldo e que, por consequência, quem mandava na Federação também tinha de levar isso em consideração. A carta parece confirmar que essa cultura de poder era verdadeira e, de certa maneira, ainda não desapareceu.
E há uma ironia particularmente curiosa, é que algumas das pessoas que permitiram que ela se instalasse estão hoje a trabalhar ao lado de Cristiano Ronaldo.
Mas há ainda outra coisa que a carta nos mostra. Se dúvidas tivéssemos de que é assim, fica à vista, mais uma vez, o ego de dimensões galácticas de Cristiano Ronaldo.
A comparação com Pelé e Maradona é quase surreal. Não porque Cristiano não pertença à galeria dos maiores. Pertence. Mas porque a verdadeira grandeza também se mede pela forma como se olha para os outros. Pelé foi um génio dentro de campo e revelou, tantas vezes, uma humildade que o tornou ainda maior fora dele. Maradona foi outra coisa, mais contraditória, mais excessiva, mas ninguém pode negar a sua dimensão histórica.
E depois há o silêncio sobre Eusébio, sobre Luís Figo ou sobre Lionel Messi.
Omitir Eusébio, português e símbolo maior de uma geração, é uma enorme falta de memória. Esquecer Figo, outro português que está na galeria dos maiores da história do jogo, é uma ausência difícil de compreender. E ignorar Messi, o grande rival da sua geração, quando este haveria de se despedir dias depois da seleção argentina com a classe que sempre marcou a sua relação com a camisola nacional, é, no mínimo, mesquinho.
Cristiano Ronaldo não precisava disso. Cristiano Ronaldo não merecia que Cristiano Ronaldo lhe fizesse isso. Porque Cristiano Ronaldo é maior do que isso.
Já escrevi e disse isto várias vezes e não tenho qualquer problema em repeti-lo: Cristiano Ronaldo é credor da nossa admiração e da nossa gratidão. Veio do nada, subiu a pulso, venceu pela força do talento, do trabalho e de uma ambição incomparável.
No futebol português há um a.R. e um d.R. (antes de Ronaldo e depois de Ronaldo). O seu lugar na história está garantido. Ninguém lho tira. Talvez por isso seja tão triste vê-lo incapaz de perceber que, por vezes, a maior demonstração de grandeza é saber sair.
Se tivesse aprendido alguma coisa com Pelé, com Eusébio, com Figo, com Messi — ou até com o próprio Maradona — talvez tivesse percebido que não há necessidade de erguer a própria estátua. As estátuas são os outros que as constroem.
Agora resta-lhe o castigo da Federação, a censura de muitos e, um dia, o regresso à Seleção para a despedida que ainda merece. Mas já não será o adeus que poderia ter sido. Porque os maiores também podem perder-se no labirinto do tamanho do próprio ego. E essa, talvez, seja a única coisa que os oito pontos desta carta conseguiram realmente explicar."

As notas de Ronaldo para Jesus: o que disse o selecionador na conferência de imprensa em Copenhaga e o que faltou dizer


"Antes de deixar o estágio da seleção nacional, Cristiano Ronaldo aprovou um documento onde constava aquilo que Jorge Jesus devia dizer na antevisão do jogo contra a Dinamarca para apaziguar a quezília com o capitão. Pouco conhecido por seguir guiões, o selecionador não tocou em certos temas, raspou noutros e abordou alguns, insuficiente para evitar que o capitão chamasse o seu jato privado para abandonar o estágio

Pela primeira vez em 18 anos, Cristiano Ronaldo tinha acabado de ser suplente não utilizado num jogo oficial da seleção. Paradoxalmente, as águas paradas do jogador com mais internacionalizações de sempre (234) por Portugal agitaram o mundo. Era apenas o início de uma novela que, na realidade, ainda não se sabe como vai terminar.
Sem minutos frente à Noruega depois de ter realizado exercícios de aquecimento durante toda a segunda parte, Cristiano Ronaldo reuniu-se com Jorge Jesus para esclarecer o caso que a imprensa começou a sussurrar aos ouvidos do país. Nesse encontro, terão combinado encerrar o assunto. Para isso, foi entregue ao treinador um documento com oito pontos aos quais se devia referir durante a conferência de imprensa de antevisão ao jogo contra a Dinamarca, em Copenhaga.
A Tribuna Expresso comparou as notas redigidas com auxílio de Simão Coutinho e Tiago Craveiro, pessoas do entorno de CR7, e validadas pelo avançado, com aquilo que Jorge Jesus efetivamente disse. Após o selecionador falar com os jornalistas, Cristiano Ronaldo decidiu abandonar o estágio por considerar que a postura do técnico “não teve nada a ver com a reunião”, sendo pautada pela “agressividade” e por “uma atitude de quero, posso e mando”.

⚖️ “1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele, esta época desportiva, na seleção nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa.”
Jorge Jesus assumiu prontamente ter combinado com Cristiano Ronaldo que o capitão não jogaria em Oslo e Copenhaga. No entanto, nunca revelou existir um plano mais alargado para a gestão do avançado, algo extensível a “esta época desportiva” como o jogador incluiu nas notas.
O selecionador não escondeu terem existido conversas com os jogadores antes do anúncio da sua primeira convocatória, mas o contexto dos diálogos não foi divulgado ou qualificado. Apenas através do comunicado de Cristiano Ronaldo se soube que JJ tinha trocado ideias com o ponta de lança na Cidade do Futebol durante o estágio do Al-Nassr e, mais tarde, em casa de CR7, na véspera do início da concentração da equipa.

❌ “2. Sei o quanto ele vive e Ama a seleção e o peso que tem no mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na seleção há 24 anos consecutivos.”
Dar ao verbo Amar o estatuto de nome próprio usando caixa alta é, como se sabe, o exemplo mais flagrante de conexão romântica. Talvez demonstrações públicas de afeto não façam parte do tipo afeto que Jorge Jesus gosta de demonstrar, pois não transmitiu à audiência que a seleção significava tudo isso para Cristiano Ronaldo. Um taticista tem a sensibilidade de um matemático que não deixa a lógica ser perturbada por perturbações emocionais.
Ainda assim, anteriormente decreveu-o como um “símbolo”, dando exemplos da magnitude do capitão fora do contexto de seleção. “Jogámos em Hong Kong num estádio para 55 mil pessoas [com o Al-Nassr]. No jogo em que ele não jogou, estavam 3000 pessoas, no jogo em que jogou estavam 55 mil.“ As pretéritas demonstrações de apreço pela dimensão não terão sido suficientes para o comandado.

⚖️ “3. O plano que propus ao Cristiano foi aceite.”
Alguns segmentos do comunicado de Cristiano Ronaldo foram redigidos com a clareza da noite.
Caso Cristiano Ronaldo pretendesse ouvir de Jorge Jesus que o capitão se tinha colocado ao dispor das opções do treinador, sim, aconteceu. O técnico remeteu os jornalista para as próprias declarações do jogador na conferência de imprensa de antevisão ao encontro contra o País de Gales.
Nessa circunstância, o maior goleador da seleção disse: “Já tive esta conversa com o mister e o que ele precisar de mim, para jogar, para sair, para entrar ou mesmo não jogar… ninguém tem mais internacionalizações do que eu e isso diz muito do prazer e do gosto que eu tenho em vir à seleção.” Jorge Jesus sublinhou as declarações ao dizer que Cristiano Ronaldo “nunca se negou a nada”.
Porém, se Cristiano Ronaldo pretendia que o treinador se referisse ao tal plano para “esta época desportiva”, com mais além da janela internacional de novembro/outubro, isso não aconteceu. Considerando o ênfase que tem dado ao rendimento — “se estiver a jogar”, “se estiver a marcar” — para justificar a inclusão de jogadores na convocatória, seria contraditório Jesus delinear um plano a tão longo prazo para o mais velho da lista.

⚖️ “4. Ele nunca questionou as minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional.”
Jorge Jesus deixou claro que Ronaldo não colocou em causa as decisões. O sucessor de Roberto Martínez assegurou que Cristiano “nunca se negou a nada”, mas não chegou a utilizar os termos “leal e profissional”. O parafraseamento da nota, pelos vistos, não deixou o capitão satisfeito.
O técnico pôs tão pouco em causa o compromisso do jogador que minutos após a conferência de imprensa estava a engolir as próprias declarações. Com os microfones a escutarem-no, colocou as mão no fogo: “Se hoje forem ver, ele vai treinar. Não se recusou a treinar. Isso é impossível. Vocês acham que algum jogador de nível de seleção nacional se recusa a treinar? Só quem quiser ir embora ou estiver com outras ideias.” Minutos depois, a seleção exercitou-se em Copenhaga sem Cristiano Ronaldo, já a caminho do seu jato.

✅ “5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou.”
Neste aspeto, Jorge Jesus foi inequívoco e cumpriu à risca aquilo a que estava mandatado. “É verdade que combinei com ele”, garantiu. “Trabalhei um ano com o Cris. Conheço completamente as condições físicas dele. Quando havia jogos de três em três dias, o Cris raramente jogava. Além disso, o Cris nunca treina no primeiro e no segundo dia após o jogo.”
Porém, ao contrário do que estava planeado, o camisola 7 acabou por constar da ficha de jogo contra a Noruega, onde foi suplente não utilizado. “Sou treinador e disse ao jogador que o ia levar para o banco. Se precisasse dele 30 minutos, jogava. Se não precisasse, não jogava. Não é o Cristiano que vai mudar as minhas ideias”, assegurou sem ignorar o peso que o “estatuto” do nome em causa exigiu especial ponderação, mas não um diluir das hierarquias. “Quem trabalhou comigo sabe que quem decide sou eu. Na equipa mando eu.”

✅ “6. Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria.”
De facto, Jorge Jesus colocou Cristiano Ronaldo ao nível de dois campeões do mundo. Do mesmo modo, também o ‘rebaixou’, se tivermos em conta esta escala, ao nível de Sadio Mané, senegalês com quem joga no Al-Nassr. As três figuras foram usadas como exemplos de como tratar jogadores com “estatuto”.
Cristiano Ronaldo aprovou que os seus ghostwriters escrevessem uma nota referindo-se a ele na terceira pessoa para que, guiando-se pelo apontamento, o selecionador o equiparasse a dois dos melhores futebolistas de todos os tempos. Assim sendo, Jorge Jesus colocou o elogio encomendado no discurso, mas à sua maneira: “Eu também fui jogador. Não há nenhum jogador que fique contente de aquecer 20, 30 minutos e depois não entrar. Nenhum. Quanto mais o Cri… Tem estatuto. Quanto mais o Pelé, o Maradona… É isso o estatuto, mas depois os direitos são iguais.”
Jorge Jesus tem-se mostrado pouco contrito. Uma das raras ocasiões em que mostrou arrependimento foi sobre este tema. “Mandei-o aquecer aos 45 minutos. Aqui é que fiz mal. Devia tê-lo mandado aquecer 15 ou 20 minutos mais tarde.”

❌ “7. Para encerrar o assunto: eu quero o Cristiano na seleção nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al-Nassr e aqui também.”
Esta mensagem chegou, só que mais tarde, os timings não estiveram em sintonia. Após a fatídica conferência de imprensa que levou Cristiano Ronaldo a abandonar o estágio, Jorge Jesus colocou um tampão no tema e conseguiu não se desbocar em demasia, adiando para o fim da janela internacional mais esclarecimentos.
JJ demonstrou o desejo de contar com Ronaldo apenas após a vitória contra a Noruega, no Estádio do Dragão. “Para mim, está tudo em aberto. O Cris é que tem que decidir a vida dele. Na próxima convocatória, se o Cris estiver a jogar e quiser estar na seleção, por que não [convocá-lo]?” Terá sido tarde demais?

❌ “8. Sobre não ter cumprimentado os adeptos. Já falámos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes reagimos. Foi só isso.”
Diga-se que Jorge Jesus tentou falar sobre este tópico em diversas ocasiões, sendo desviado pelos jornalistas para outras ramificações do tema.
Terminou a conferência de imprensa sem ilibar o capitão por não ter dado a cara junto da bancada na sequência da vitória na Noruega. Por certo, terá assumido como sua a clara resposta que Rúben Dias deu a esse propósito. “Trata-se de um momento de frustração de 10, 15, 20 segundos. Em nada belisca o compromisso que tem tido durante mais de 20 anos com a seleção. Passados cinco minutos, estamos todos a celebrar juntos no balneário uma grande vitória”, disse o central."