Últimas indefectivações

domingo, 12 de julho de 2026

Vermelhão: Arranque...

Benfica 1 - 2 Flamengo


Primeiro jogo da pré-época, aberto ao público (já tínhamos feito dois jogos particulares, à porta fechada no Seixal), com pouco tempo de trabalho, sem os Mundialistas (Dedic, Araújo, Ríos, Aursnes, Lukebakio, Schjelderup), e provavelmente, sem 2 ou 3 contratações, que serão necessárias...

O jogo acabou por ter uma intensidade inusitada, para um jogo de pré-época! Um adversário, repleto de atrasados mentais violentos, dentro do campo, e no banco! Usaram o incidente com o Prestianni, para se motivarem, e jogaram um jogo 'amigável', como se fosse uma Final da Libertadores! Tudo isto, com a colaboração do Verdísismo, que permitiu tudo: porrada e protestos constantes, com entradas assassinas, várias com clara intenção de lesionar os jogadores do Benfica, principalmente o Prestianni... Sendo que a fava acabou por calhar ao Umeh, que acabou por sair lesionado!!!

À boleira do Mundial, os sul-americanos, defendem este tipo de futebol! Acusando os Europeus de estarem mal habituados! Este tipo de futebol só é possível com a colaboração dos árbitros, é totalmente contra às regras! Hoje, cumprindo as regras o Flamengo estava a jogar, pelo menos com 9 ao intervalo!!! Ninguém vai ver jogos de futebol, para assistir a batalhas campais! Isto não é jogar duro, isto é não respeitar os colegas de profissão... é ser violento. Jogar para lesionar adversários de profissão é nojento!
 
Nestas condições, não era expectável muitas ilações, coletivas. Fizemos o 3.º jogo da época, contra um adversário que está a meio da sua época, sem mais de metade dos nossos titulares, contra um adversário com muito menos ausências!

Dito isto, será com estes jogadores, que vamos defrontar os Suíços do St. Gallen, talvez o Dedic regresse antes, mas por acaso, a posição de Lateral Direito é a menos necessitada!!! E com estes jogadores, vamos ter alguns problemas! Com o castigo do Prestianni e agora a lesão do Umeh, vamos ter pouquíssimas opções para as Alas, e o meio-campo, sem o Aursnes e o Ríos, também fica bastante curto!

Boas indicações do Lenglet e do Umeh no onze inicial, com o Rafa a trabalhar defensivamente fora de posição. Mas as principais indicações positivas da noite, na minha opinião, aconteceram no 2.º tempo: Kaminski não engana, o toque de bola, e até a forma como passa a bola mostra que é craque e vai ser titular, na esquerda ou no meio!!! Banjaqui e o Zé Neto voltaram a mostrar que estão prontos! Gostei muito dos duelos defensivos do Índio, vem do Brasil com ritmo, portanto fisicamente está melhor que os outros, mas mostrou que os 17 anos, não o vão impedir de ser opção! Quem também mostrou que merece ser titular, é o Manu, excelente entrada... Após as muitas substituições, a equipa ficou um pouco desorientada, mas quando a equipa encaixou, o Figueiredo, também deu excelentes indicações...

Resumindo, bons sinais para a época, com as três contratações e os jovens a mostrarem-se, com as alterações propostas pelo treinador principalmente na pressão, a não serem muito eficazes devido à falta de capacidade física dos jogadores! Agora, alguma preocupação para a pré-eliminatória, porque os jogadores disponíveis devem ser somente estes!

Pesar por Manú


"O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Manú, antigo jogador do Clube.
Manú representou o Benfica com dedicação e orgulho durante a temporada de 2006/07, onde completou 17 jogos.
Neste momento de dor, o Sport Lisboa e Benfica endereça à família, aos amigos e a todos os que com ele privaram as mais sentidas condolências."

Zero: Mercado - Chelsea quer novo guarda-redes e Diogo Costa é o preferido

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Jesus no comando traz a fé que faltava aos portugueses?

Concerto de Balneário | TT e as Campeãs Nacionais de Futsal

Jogo de estreia na pré-época


"Benfica e Flamengo encontram-se hoje no Estádio Algarve, com início da partida agendado para as 19h30. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Apoio à chegada
Benfiquistas marcaram presença nas imediações do hotel onde pernoitou o plantel às ordens de Marco Silva.

2. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

3. Sub-23 já evoluem no relvado
Primeiro treino com bola da pré-época realizado.

4. Movimentações do defeso
Ruben Góis junta-se ao plantel bicampeão nacional de futsal.

5. Agenda
Já há local, data e horário das Supertaças de andebol.

6. Participação máxima
A 2.ª edição do Benfica Basketball Camp teve lotação esgotada.

7. Balanço de época
Em entrevista aos meios do clube, António Machado aborda mais uma temporada de grande sucesso da equipa feminina de polo aquático do Benfica.

8. Taça do Mundo de velocidade
Acompanhe o desempenho na prova dos canoístas do Benfica ao serviço da Seleção Nacional."

Na Seleção Nacional só existe um caminho – o do “Nós”


"Inicia-se agora um novo ciclo na Seleção Nacional com a apresentação oficial de Jorge Jesus como Selecionador Nacional.
Ainda nos Estados Unidos, acompanhei com atenção a conferência de imprensa de Jorge Jesus. Reconheci nas suas palavras princípios que sempre defendi para uma Seleção Nacional forte e vencedora. Há uma ideia que deve estar acima de todas: na Seleção Nacional só existe um caminho – o do “Nós”. É essa união, clara e inegociável, que transforma talento em vitória e equipa em identidade.
Só pode haver uma camisola acima de todas: a de Portugal.
Só pode haver uma bandeira acima de todas: a de Portugal.
Só pode haver um líder: o Selecionador Nacional. Só pode haver um compromisso: servir Portugal com humildade, disciplina, coragem, espírito de equipa e total sentido de missão.
Só pode haver um objetivo: ganhar por Portugal e para Portugal.
Quem anda no futebol há muitos anos sabe que as grandes equipas se constroem com grandes jogadores. Mas sabe também que os grandes títulos só se conquistam quando esses grandes jogadores colocam o coletivo acima das individualidades, o “nós” acima do “eu” e Portugal acima de tudo.
É esse o verdadeiro desafio que começa neste 10 de julho.
Independentemente dos clubismos, das diferenças políticas ou de quaisquer outras divergências, quando joga Portugal somos todos da mesma equipa. Há uma única camisola para defender, uma única bandeira para honrar e um único país para representar.
É isso que todos os portugueses querem ouvir. Mais importante ainda, é isso que todos os portugueses querem ver dentro das quatro linhas.
Desejo a Jorge Jesus e à sua equipa técnica os maiores sucessos nesta missão. Porque o sucesso da Seleção Nacional será sempre o sucesso de Portugal.
Na Seleção Nacional só pode haver um “Nós”.
É por esse “Nós” que se constroem as grandes equipas. É por esse “Nós” que se conquistam os grandes títulos. É por esse “Nós” que todos os portugueses voltarão a acreditar."

Jorge Jesus: «I'm the boss»


"O novo selecionador nacional declarou que não vai «facilitar em nada, nem ter receio de confrontar» quem quer que seja; quem manda é ele, portanto, e é assim que deve ser

Jorge Jesus foi o treinador mais influente em Portugal na segunda década do século XXI. Primeiro, pelo modo como pôs o Benfica a «jogar o dobro»; depois por levar as águias a duas finais europeias e a três campeonatos em seis épocas, mesmo com aquele ajoelhar doloroso no Dragão; também por ter trocado a Luz por Alvalade e ter recolocado o Sporting na luta por um título; mas, sobretudo, por ter influenciado o futebol em campo, com uma vaga de treinadores a segui-lo e uma série de jogadores a «deverem-lhe» carreira.
Inesquecíveis serão também algumas das intervenções em frente às câmaras e as de ontem também entrarão na história.
Já muito se falou dos desafios de Jesus: de ter de se adaptar a uma nova realidade em termos de trabalho, de uma posição mais institucional pelo papel que tem. A tudo isto o técnico respondeu, com algumas ideias em destaque e uma delas muito clara: quem manda é ele.
JJ nunca foi homem de deixar créditos nas mãos de outros e sobre o modo de trabalhar, pois não está com a equipa diariamente, atirou logo que não achava que teria de ser diferente e que não seria por aí que o sucesso não viria. Nos seus tempos menos mediáticos, JJ já dizia que era ele próprio quem desenhava os seus treinos. Indo um pouco contra a corrente de pensamento, Jesus crê que é possível criar um tipo de treino que faça uma equipa vencedora em pouco tempo e sem a ter todos os dias. «O futebol é uma ciência de cada um», frisou, como que a lembrar que ele é único.
 Na declaração inicial, Jesus também referiu que, ajudado por Lourenço Coelho, não vai «facilitar em nada, nem ter receio de confrontar seja quem for» pois quem define o caminho é ele. Era inevitável, fosse JJ ou outro, falar do papel de Ronaldo. Aí, Jesus disse logo que falaria «com o Cris» como falaria com os outros. «Desde que eu perceba até onde ele pode chegar e até onde posso chegar», declarou, para recordar o registo «do Cris», com ele e que ele, JJ, não terá problemas em fazer o que tiver de ser feito: «No ano passado, o Al Nassr fez 50 jogos e ele fez 31. No campeonato, substituí-o 16 vezes. Nunca confundimos o que é ele, o jogador, e o que sou eu, o treinador, e as decisões que tenho de tomar.»
Não pode haver dúvidas, nem para o maior jogador da História do país: quem manda, é ele, JJ. E caso duvidemos, perguntemos a Neymar, a quem ele atirou: «Tu, finish.» Jesus não o disse de forma taxativa, mas disse-o ao longo da apresentação. «I'm the boss»."

A 'Roja' já não passa sem Merino


"Quando Olmo não chega, Lamine e Nico ainda se procuram encontrar depois das lesões e Pedri parece carregar o fardo de uma época longa e desgastante, estão lá De La Fuente e Merino para criar impacto com a substituição decisiva.
Mikel faz-me lembrar os primeiros tempos de Championship Manager, em que descobríamos que em Inglaterra havia muitos jogadores que podiam ser centrais ou pontas de lança, e com bom rendimento nos dois papéis. Ambos eram fisicamente poderosos. Os defesas monolíticos que se transformavam em avançados conheciam na perfeição as manhas de quem os defendia e só precisavam de acertar no momento certo na baliza correta. E podiam subir e baixar no relvado, entre uma posição e outra, consoante a necessidade, sem qualquer problema. Sem necessidade de substituição. Importante, quando só havia duas. Já sabiam ao que iam.
Mikel Merino não fez carreira estrondosa, aliás, está precisamente a viver os seus melhores momentos. Formou-se no Osasuna e jogou pela primeira equipa, porém não se conseguiu impor primeiro no Dortmund e depois no Newcastle. San Sebastián foi porto de abrigo e aí sim, pelos 'txuri-urdin' da Real Sociedad finalmente estabilizou. Arteta viu nele reforço e levou-o para Londres, transformando-se neste jogador híbrido, que tanto se impõe no meio-campo como aparece do nada para atirar a baliza e, muitas vezes, decidir partidas apertadas. E não se importa. Mesmo que jogue menos do que os outros, aproveita bem melhor o tempo. Neste Mundial, De La Fuente, esperto, não o quis moldar. Coloca-o em campo precisamente para ser o mesmo jogador que entra sobretudo durante as segundas partes pelo Arsenal. É um homem com uma missão.
Os portugueses deviam conhecê-lo. Deram-lhe o espaço que nunca poderia ter. Já os belgas, a viver a última oportunidade da sua melhor geração, capitularam de forma ainda mais dramática. Courtois abriu a porta ao 1-0, marcado por Fabián Ruiz. Depois, lesionou-se e Lammens ainda fez pior. E estava lá... Merino!"

Messi ainda mora no impossível


"Quando chegou o apito final do jogo com o Egito, Messi chorou. Não eram lágrimas de campeão. Eram lágrimas de menino. 'Bar Nilo' é o espaço de opinião em A BOLA de Luís Aguilar, comentador desportivo

Os calendários são burocratas. Contam dias, riscam meses, acumulam aniversários. O futebol não. O futebol mede o tempo de outra maneira. Mede-o pelos instantes em que um homem consegue fazer esquecer o relógio. Lionel Messi tem 39 anos. Escrevê-lo parece um ato administrativo. Vê-lo jogar continua a ser um ato de fé. Mas não uma fé em vão. Uma fé que paga em milagres a cada jogo.
Neste Mundial, a Argentina tem mostrado que a sua maior força não se resume ao que Messi faz, mas à confiança que ele distribui. Há equipas que entregam a bola ao melhor jogador. Esta entrega-lhe também a esperança. Quando Messi baixa para receber, os companheiros de equipa respiram melhor. Quando levanta a cabeça, o campo parece crescer. Quando acelera, mesmo sem a velocidade de outros tempos, continua a acontecer um momento de magia.
Contra o Egito, o futebol decidiu recordar-nos que os deuses também sangram. A Argentina esteve encostada ao abismo. Messi voltou a tocar na angústia de quem vê o sonho escapar por entre os dedos. Mas a equipa levantou-se. Não porque um homem a tenha conseguido salvar sozinho, como tantas vezes aconteceu, mas porque todos acreditaram que, enquanto ele permanecesse em campo, ainda existia uma porta aberta para o impossível.
Quando chegou o apito final, Messi chorou. Não eram lágrimas de campeão. Eram lágrimas de menino. O rapaz de Rosário apareceu por um instante atrás do homem que conquistou o mundo. Naquele momento, o futebol devolveu-lhe a infância. Não jogava para ser o melhor. Jogava apenas para não perder aquilo que sempre o definiu: a capacidade de se emocionar. Em cima de todos os títulos, coletivos e individuais, essa é a maior vitória de Messi. Nunca permitiu que o génio expulsasse a ternura.
Vivemos uma época estranha. Uma época em que elogiar Messi parece obrigar a pedir desculpa aos admiradores de Cristiano Ronaldo. Como se a beleza tivesse de escolher uma única morada. Como se o aplauso fosse um bem escasso. Como se a admiração precisasse de fronteiras. É uma pobreza que o futebol nunca mereceu.
Cristiano pertence à mesma galeria dos homens que desafiaram o impossível. Messi apenas ocupa outra parede desse museu. Quem entra no Louvre não escolhe olhar para um único quadro. Caminha devagar. Contempla todos. Sai maior do que entrou.
Mas hoje nem sequer é dia de falar dessa comparação. Hoje é dia de olhar para um argentino que continua a brincar com uma bola como se a tivesse encontrado numa rua perto de casa. Alguém que já marcou golos suficientes para escrever uma enciclopédia, que já levantou taças que podiam encher um museu, que já cravou o seu nome no coração da eternidade. Mas continua a celebrar cada vitória como se fosse a primeira.
Eduardo Galeano escreveu um dia que «o futebol é a única religião que não tem ateus». Messi é um dos seus maiores devotos. Continua a amar o jogo como um principiante. Continua a fazer do futebol, o princípio, o meio e o fim para mergulhar na emoção. Não estamos apenas a assistir aos últimos capítulos de uma carreira. Estamos a ver um homem negociar, jogo após jogo, mais alguns minutos de pureza. Sem adornos, sem camadas, sem as dúvidas e as barreiras do mundo dos adultos. Apenas a bola. Porque, como dizia Maradona, «la pelota no se mancha»."

O Mundial dos guarda-redes


"Os avançados continuam a decidir jogos. Harry Kane continua a marcar. Erling Haaland continua a impor-se. Lionel Messi continua a fazer história. Kylian Mbappé continua a ser decisivo. Mas, neste Mundial, há uma posição que conquistou um protagonismo invulgar: o guarda-redes.
Esta edição da prova está a confirmar algo que o futebol moderno já vinha anunciando há vários anos: os guarda-redes deixaram de ser apenas os últimos homens da equipa. Hoje são, muitas vezes, os primeiros. São os primeiros a construir. Os primeiros a organizar. Os primeiros a orientar. E, sobretudo, os primeiros a transmitir confiança. Durante a fase de grupos vimos vários erros na construção desde trás. A insistência em sair a jogar curto, característica do futebol moderno, expôs algumas equipas e mostrou que a evolução da posição também trouxe novos riscos. Ultrapassada essa fase, o torneio revelou a outra face dessa transformação.
Quando o jogo aperta, quando o adversário domina e quando as oportunidades surgem em catadupa, continua a existir uma qualidade que nenhuma ideia de jogo consegue substituir: a capacidade para defender. E foi precisamente aí que os guarda-redes voltaram a assumir o protagonismo.
Este não tem sido apenas um Mundial das grandes estrelas. Tem sido também um Mundial dos homens da baliza.
O mais interessante é que esta evolução já não pertence apenas às grandes potências do futebol. Também seleções de menor expressão competitiva apresentaram guarda-redes capazes de decidir jogos e de manter as respetivas equipas competitivas durante largos períodos. Eloy Room, por Curaçau. Mohammed Al-Owais, pela Arábia Saudita. Alireza Beiranvand, pelo Irão. E Vozinha, por Cabo Verde.
Mesmo em países onde a tradição futebolística, os recursos e as estruturas de formação continuam distantes das grandes escolas europeias, a posição evoluiu de forma notável. Muitos destes guarda-redes competem hoje em campeonatos estrangeiros, trabalham diariamente com metodologias de treino altamente especializadas e chegam às grandes competições com um nível competitivo que, há duas décadas, seria difícil de imaginar. O resultado está à vista. Jogos cada vez mais equilibrados. Equipas mais competitivas. E guarda-redes capazes de manter seleções «vivas» durante noventa minutos.
Durante muitos anos dizia-se que as seleções de menor dimensão sobreviviam graças aos seus guarda-redes. Este Mundial mostrou-nos algo diferente. Hoje, muitas delas já não sobrevivem apenas por causa deles. Competem graças a eles. E isso explica, melhor do que qualquer estatística, a extraordinária evolução que esta posição conheceu nas últimas duas décadas.
Entre todos, o caso de Vozinha merece um destaque especial. O antigo guarda-redes do Grupo Desportivo de Chaves ultrapassou largamente o impacto desportivo. A consistência ao longo do Mundial e as exibições frente à Espanha e à Argentina de Messi transformaram-no numa das grandes figuras deste Campeonato e conquistaram a admiração de adeptos dos quatro cantos do planeta. Essa notoriedade refletiu-se nas redes sociais. Chegou ao torneio com menos de 50 mil seguidores no Instagram e, durante o encontro frente à Espanha, viu esse número ultrapassar um milhão em menos de noventa minutos. O crescimento continuou de forma impressionante. Hoje soma 28 milhões de seguidores, tornando-se o guarda-redes mais seguido do mundo, à frente de Manuel Neuer (15 M), Thibaut Courtois (17.9 M), Keylor Navas (19.1 M) e Iker Casillas (20.4 M). Mais do que um fenómeno das redes sociais, Vozinha tornou-se o símbolo de uma ideia que este Campeonato do Mundo tem vindo a confirmar: um grande guarda-redes pode projetar uma seleção, inspirar um país e conquistar o reconhecimento do mundo inteiro.
Portugal teve em Diogo Costa o exemplo mais completo desta realidade. Destaco particularmente as suas exibições frente à Colômbia, à Croácia e à Espanha. Foi, na minha opinião, a par de Renato Veiga, o jogador português mais consistente da competição. Em várias ocasiões, foi ele quem manteve Portugal vivo nos jogos.
Muito se falou da infelicidade na eliminação frente à Espanha. É verdade que houve um momento que podia ter mudado o resultado – o remate de Nuno Mendes à trave. Mas também é verdade que, antes disso, Diogo Costa já tinha impedido, por diversas vezes, que o desfecho chegasse mais cedo. Há ocasiões em que chamamos sorte àquilo que, na realidade, foi competência. Aquilo que mais me impressiona em Diogo Costa - e isso percebe-se com enorme facilidade em quem acompanha o FC Porto - nunca foi apenas aquilo que faz. É aquilo que provoca. Quando um guarda-redes transmite confiança, toda a equipa joga de forma diferente. Os centrais arriscam mais. Os laterais sobem mais. Os médios pressionam mais alto. Os adeptos respiram melhor.
Há efeitos no futebol que nunca aparecem nas estatísticas. Não surgem nos mapas de calor. Não entram nos relatórios de desempenho. Mas sentem-se. Diogo Costa é um desses jogadores. Muda o comportamento de uma equipa inteira sem precisar de tocar constantemente na bola. Tecnicamente, representa quase o retrato perfeito do guarda-redes moderno. É rápido entre os postes. Domina o jogo aéreo. Lê a profundidade com inteligência. Sai da baliza no momento certo. É forte no um para um. É especialista na defesa de grandes penalidades. E possui uma qualidade com os pés que lhe permite participar na construção do jogo como se fosse mais um elemento da linha defensiva.
Não é apenas um guarda-redes que evita golos. É um guarda-redes que permite à equipa jogar melhor. Mas reduzir Diogo Costa às suas qualidades técnicas seria profundamente injusto. Porque aquilo que verdadeiramente o distingue não cabe numa ficha de observação. É a serenidade. É a personalidade. É a capacidade de transmitir calma quando todos os outros sentem pressão.
Não é apenas uma perceção portuguesa. Ainda muito antes de assumir definitivamente a baliza do FC Porto, Iker Casillas viu nele o guarda-redes capaz de lhe suceder. Não era um elogio qualquer. Vinha de um campeão da Europa e do Mundo. De um dos melhores guarda-redes da história. Alguém que conhecia e conhece, como poucos, o peso daquela posição.
Hoje, custa-me encontrar três guarda-redes melhores do que Diogo Costa. E, sinceramente, não me surpreenderia vê-lo, num futuro próximo, assumir a baliza de qualquer um dos maiores clubes da Europa. Pela forma como interpreta o jogo, pela qualidade na construção, pela serenidade com que vive os momentos de maior pressão e pela capacidade de decidir partidas, encaixaria naturalmente em equipas como o Paris Saint-Germain de Luis Enrique, onde o guarda-redes é uma peça fundamental na primeira fase de construção; no FC Bayern Munich, quando chegar o inevitável momento da sucessão de Manuel Neuer; ou até no Real Madrid CF, como um dos candidatos naturais a assumir a baliza quando terminar o ciclo de Thibaut Courtois.
Digo-o não porque deseje vê-lo sair do FC Porto. Bem pelo contrário. Enquanto símbolo, capitão e uma das maiores referências do balneário portista, a sua permanência seria, por si só, uma das melhores notícias que os adeptos azuis e brancos poderiam receber. Mas há jogadores cujo talento acaba inevitavelmente por ultrapassar fronteiras. E Diogo Costa pertence, sem qualquer dúvida, à elite dos guarda-redes mundiais.
Quanto à Luva de Ouro, é provável que o prémio acabe nas mãos do guarda-redes da seleção campeã. A história da competição mostra que assim acontece com frequência. Mas, se o critério fosse apenas o impacto que cada guarda-redes teve no percurso da sua equipa, a minha escolha seria outra. Entregá-la-ia ao Bono de Marrocos ou a «nosso» Diogo Costa.
Os golos continuarão sempre a decidir jogos. E acabarão, também, por decidir quem levanta o troféu de campeão do mundo. Mas este Campeonato do Mundo voltou a lembrar-nos uma verdade que o futebol, por vezes, insiste em esquecer: antes de um avançado poder ganhar um Mundial, há quase sempre um guarda-redes que impede que ele seja perdido.
A final de 2022 talvez seja o exemplo perfeito. Todos recordamos a consagração de Lionel Messi. Mas, para que esse momento pudesse existir, houve primeiro uma defesa que mudou a história. Aos 123 minutos, quando Kolo Muani surgiu isolado perante a baliza argentina, Emiliano Martínez fez uma daquelas defesas que valem títulos. Se aquele remate entra, a Argentina provavelmente perde o Mundial. Messi continuaria a ser um dos maiores jogadores de sempre, mas talvez lhe faltasse o troféu que tantos diziam faltar à sua carreira.
Uma defesa alterou o destino de uma final. Talvez até a forma como a história recorda um dos maiores protagonistas do futebol mundial."

Martínez, curto cartão de visita…


"O que se pedia ao selecionador talvez fosse demasiado para o perfil diplomata e conciliador. Prova abaixo das expectativas, foi o natural gatilho para a saída.

Roberto Martínez Ser treinador de futebol é estar permanentemente nas bocas do mundo, sujeito à avaliação crítica e ao julgamento transversal.
Ser selecionador de um país, para mais não sendo dele nativo, constitui um desafio acrescentado, em face das naturais paixões que o patriotismo desperta e consolida nas reações de todos e de cada um.
Roberto Martinez não é um novato nestas andanças. Seis anos à frente de um projeto geracional muito significativo, na Bélgica, conferiram ao treinador espanhol a experiência e a consciência suficientes para encarar o desafio português com lastro.
O facto de ter ganho uma Liga das Nações aumentou a bolsa de alguma confiança no seu trabalho, embora todos os indicadores apontassem, desde logo, algum conservadorismo, quer nos nomes habitualmente constantes da lista de convocados, quer nas táticas e opções tomadas ao longo dos jogos.
O que se pedia a Martínez talvez fosse demasiado para o seu perfil diplomata e conciliador. Pedia-se uma equipa portuguesa mais assertiva, mais capaz de assumir nos relvados as responsabilidades que, claramente, tinham sido desenhadas nas declarações dos principais responsáveis, com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol à cabeça.
Fazer melhor do que os quartos de final do Qatar, em 2022, significava, desde logo, o apuramento para as meias-finais como resultado minimamente aceitável, e parecia muito complexo o desiderato, considerando as características do próprio selecionador.
Uma prova muito abaixo das expectativas e, sobretudo, das capacidades declaradas do conjunto de jogadores que estiveram nas Américas, foi o natural gatilho para a saída de Roberto pela porta pequena, que o futebol é mesmo assim, de memória muito curta e diretamente indexada aos resultados.
Da história se recordará, de facto, a vitória na quarta edição da Liga das Nações. Mas o Euro 2024 e, sobretudo, a pobreza exibicional aliada a um discurso por vezes inócuo do responsável técnico, do Mundial 2026, perdurarão e não constituem o melhor cartão de visita, num futuro próximo ou distante, se o treinador espanhol for sondado por uma equipa verdadeiramente de topo no futebol mundial…

Hossan Hassan
É um líder. Talvez seja mesmo o maior nome da história do futebol egípcio. Hossam Hassan, agora entronizado como selecionador nacional dos faraós, é uma figura incontornável no banco de suplentes e fora dele.
Com um caráter muito especial, fogoso, disponível, interventivo, mas também facilmente irascível, Hassan transporta para o combinado africano muito do seu temperamento enquanto futebolista. E os jogadores reconhecem nele um verdadeiro líder, não questionando opções e fazendo do sacrifício individual a força coletiva de uma das melhores seleções do continente.
Não surpreendeu o belo Mundial egípcio. Muito menos, para quem segue com alguma regularidade as motivações do país, dos seus adeptos e dos seus profissionais, o jogo excecional frente à Argentina, que causou suores frios à campeã mundial. 
Sempre, com um nome à cabeça e a servir de farol técnico e tático, mas sobretudo motivacional: Hossam Hassan, o selecionador que, mesmo alicerçando a sua dinâmica em três nomes incontornáveis (Salah, Marmoush e Ziko), soube tirar o melhor partido de um conjunto de jogadores locais (do Al Ahly, do Zamalek e do Pyramids), e levar o combinado africano a uma excelente fotografia, no âmbito da sua participação no Mundial.

Pierluigi Collina
Para muitos, o melhor árbitro da História do futebol. Para todos, um dos melhores, de um grupo restritíssimo de classe e qualidade.
O árbitro da final do Mundial 2002, em Yokohama, entre Brasil e Alemanha, é agora o presidente da Comissão de Arbitragem da FIFA e, por inerência, o principal responsável pela convocação e escala das equipas de arbitragem em todas as competições de dimensão mundial.
Escolheu, certamente, os melhores árbitros, assistentes e videoárbitros para o maior showdown do futebol no planeta, e providenciou todas as condições para que as equipas da Team One tivessem e continuem a ter desempenhos a roçar a excelência.
Ele sabe, melhor do que ninguém, que o fator humano continuará a estar presente a cada momento, em cada tomada de decisão, e influenciará sempre o trabalho dos juízes, quer nos estádios, quer nas cabines à distância.
Por isso, é legítimo o desabafo de quem se sente pessoal e profissionalmente atingido por críticas dos mais diversos quadrantes e origens, muitas delas (quiçá uma significativa maioria…) provenientes de quem não faz ideia das competências, ferramentas e qualidades que cada árbitro teve de exibir até chegar aos palcos de um Mundial de futebol.
Collina, que é humano, indignou-se. E fez bem. Tem, no seu currículo, folhas suficientes para garantir, de per se, um lastro de independência, qualidade, seriedade e rigor no seu trabalho à frente da arbitragem mundial.

Harry Kane
Durante muito tempo, na sua longa passagem pelo Tottenham, era glosado no mundo do futebol pelo facto de, sendo um dos melhores pontas de lança da sua geração, não conseguir ganhar títulos. Os spurs não eram, de facto, a melhor garantia de o poder fazer, até que surgiu a possibilidade de transferência para o Bayern Munique.
Harry Kane, assim se chama o sujeito, via ali escancarar-se uma porta de muito maior visibilidade e dimensão competitiva, e projetou uma segunda fase da sua carreira, à beira dos trinta anos.
Este Mundial é uma espécie de cereja no topo do bolo: com uma Inglaterra competitiva e pragmática, Kane é o seu melhor marcador, é capitão, é dinamizador de jogo e congregador da equipa. Um trunfo em vários domínios, muito bem aproveitado por Thomas Tuchel, o alemão que não esconde a ambição de levar a seleção dos três leões a um lugar de topo na hierarquia mundial.
Pode não conseguir, numa prova que conta com Mbappé, Messi e Haaland, chegar ao topo dos marcadores, mas deixa um rasto de muita qualidade profissional, imenso empenho e determinação, e de total respeito por parte de companheiros e adversários. O que não é nada pouco, e pode até ser suficiente para fazer voltar a sonhar, sessenta anos depois, uma Inglaterra que nunca desaprendeu, em boa verdade, de jogar futebol ao mais alto nível. E tem-no provado do outro lado do oceano Atlântico."

A maior contradição no caso Balogun e o que o telefonema de Trump expõe


"Quando Gianni Infantino sucedeu a Sepp Blatter, apresentou-se como o rosto de uma nova FIFA . Prometeu uma organização mais transparente, mais íntegra, mais independente e mais respeitadora das suas próprias regras.
"Os meus pais são italianos e ensinaram-me a distinguir o bem do mal. Cresci na Suíça alemã, da ordem, da disciplina e da confiabilidade. Depois fui para a Suíça francófona, da liberdade, da igualdade e da fraternidade." Foi assim que Infantino se apresentou aos delegados após a sua primeira eleição, em fevereiro de 2016.
Dez anos depois, é legítimo perguntar: onde está essa FIFA?
O título de um podcast do El País resume melhor do que muitos relatórios aquilo em que a organização se transformou: "A FIFA tem umas regras, mas, se Trump ligar, tem outras."
Já todos conhecemos a história do cartão vermelho mostrado ao avançado "norte-americano" Folarin Balogun e o que se seguiu. O mais irónico é que Balogun é norte-americano apenas por nascimento. Os pais são nigerianos e viajaram para os Estados Unidos quando a mãe estava grávida. Quando quiseram regressar, já não foram autorizados a voar devido ao avançado estado da gravidez. Balogun nasceu, por isso, em Brooklyn, cresceu em Londres e formou-se como jogador no Arsenal.
Ou seja, Trump intercedeu por alguém que por sua vontade, se tivesse nascido hoje, não fosse a decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos que rejeitou a sua ordem executiva contra a cidadania por nascimento, nem sequer seria norte-americano.
Outro detalhe adensa o imbróglio em que Infantino se deixou enredar. Reagindo às acusações de parcialidade na decisão, o presidente da FIFA invocou a independência do Comité Disciplinar. Na verdade, porém, esse Comité não se pronunciou nem reuniu.
O Comité Disciplinar é constituído por 18 membros, mas a decisão foi tomada por apenas um: o seu presidente, o advogado emirati Mohammad Al Kamali.
Porque decidiu sozinho? Porque o presidente do Comité Disciplinar pode fazê-lo em "casos especiais". E não há dúvida de que, para a FIFA de Infantino, um telefonema de Trump cabe perfeitamente na definição de "caso especial".
Dez anos depois da chegada de Gianni Infantino à FIFA, a organização continua demasiado parecida com aquela que o suíço-italiano prometeu deixar para trás em 2016."

BolaTV: Dias de Mundial...

Rola Bola #5 - DESILUSÃO Portuguesa e fim do ciclo Martinez!

No Princípio Era a Bola - Frente a uma Bélgica “à portuguesa”, o plano B de Espanha voltou a funcionar

Oliveira: Jesus...

LiveMode: Aquece vais entrar #37

ESPN: Futebol no Mundo #605

Futpédia #17

TugaFut: Salvador...

TNT - Convocados...

Quezada: Espanha...

Rabona: Nobody's Talking About Spain… Should that SCARE France? | World Cup Day 29

AA9: LAMINE YAMAL'S MESSAGE TO FRANCE...

sábado, 11 de julho de 2026

Algarve...

Explicado, com um desenho!!!

Diferenças...

Exemplos!

Intenções...

Verdade...

UM JOGO À PORTA FECHADA VÁRIAS QUESTÕES PERTINENTES


"1. Só elementos das claques do Benfica utilizam pirotecnia? Nos outros clubes é tudo gente bem comportada? Só castigam o Benfica? E não podiam castigar fechando só o setor onde as tochas são deflagradas?

2. É desta que a direção toma medidas sérias para resolver um problema criado à esmagadora maioria dos sócios por uma ínfima minoria deles? Que mais castigos vão ser precisos serem-nos aplicados para que esta questão seja resolvida de uma vez por todas?

3. Como vai o Benfica compensar os titulares de RedPass para a época 26/27 que já pagaram este jogo sem o poderem ver por responsabilidade que não é sua?"

Zero: Mercado - Trincão mais longe do Sporting, mas não da Europa

BF: Trinco...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Que Jesus teremos na Seleção Nacional?

Observador: E o Campeão é... - 10 anos de Éder e Jesus no comando. Há fé para Portugal?

Observador: Três Toques - Jogo de sentido único: França manda e Marrocos nem deu luta?

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #22

Zero: Negócio Mistério - S06E15 - Omam-Biyik Mundial 90

A Bola Não Mente - S01E56 - Kawhi pode ser suspenso?

A Bola Não Mente - S01E55 - Os 56M de Neemias e as justificações dos Celtics

Atualidade benfiquista


"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas do dia a dia do Benfica.

1. Comunicado oficial
Conheça a posição oficial do Sport Lisboa e Benfica acerca da decisão definitiva da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, que determina a realização à porta fechada de um jogo oficial no seu estádio.

2. Reforço integrado
Kamiński já trabalha no Benfica Campus.

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Época dos Sub-23 apresentada
A equipa sob o comando técnico de Vítor Vinha teve a reunião de apresentação oficial da época 2026/27.

5. Juniores regressam ao trabalho
Avaliações físicas e médicas realizadas.

6. Contributo internacional
Federico Coletta esteve em ação por Itália no Europeu Sub-19.

7. Movimentações do defeso
A futebolista Anna Gasper está de saída do Benfica e vai atuar no Chicago Stars da liga norte-americana. A futsalista Maria Inês também deixa de representar o clube.

8. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV.

9. Casa Benfica Freamunde
Esta embaixada do benfiquismo reabriu portas."

Lanças...


História Agora


Portugal tem um problema com a gratidão


"Portugal foi eliminado do Mundial com um golo nos descontos contra a Espanha. Não há nada de escandaloso e vergonhoso nisto. Jogámos contra uma das melhores equipas do mundo e fomos competitivos até ao fim nesse jogo. E, no entanto, não terminámos todos isto com uma sensação de pouco por um lado, expetável por outro. E porquê? Por que é que não vibramos e sonhamos com este Mundial a 100 por cento? Quando temos dos melhores jogadores do mundo. No papel, das seleções mais fortes presentes nos Estados Unidos.
Nos anos 90 o país punha 120 mil adeptos na Luz para ver os juniores a serem campeões do mundo, ia à loucura com um golo de Rui Costa à Irlanda que nos dava apenas e só apuramento para um Europeu. Durante o Euro 2004 e o Mundial 2006, o Marquês enchia-se como se Benfica ou Sporting tivessem sido campeões em cada vitória do país nessas competições.
20 anos depois o país vê a seleção, torce, vibra, reclama, mas um dia depois da eliminação, já toda a gente encolheu os ombros e partiu para outra. E se calhar podíamos ser agora mais candidatos à vitória do que nessas gerações passadas.
Posso ser polémico? Vibrámos pouco porque na verdade sabíamos que isto não ia correr bem. E porque sabemos que Portugal não era uma verdadeira equipa neste Mundial. Não acho Roberto Martínez um mau treinador, também não é incrível, mas foi a pessoa adequada para dar seguimento ao «show Ronaldo». E antes de criticar a titularidade de Ronaldo, quero deixar claro que também não foi só por ele que fizemos um fraco Mundial. Mas já lá iremos, primeiro Ronaldo.
CR7 é indiscutivelmente uma das maiores figuras de sempre do futebol português. Poderá até ser o maior jogador de sempre e ter ultrapassado Eusébio. E é provavelmente o português mais famoso de sempre. Todo e qualquer um de nós que já foi ao estrangeiro, sabe bem que assim que dizemos Portugal recebemos como resposta Ronaldo. E isso enche-nos de orgulho. Enche-me de orgulho! O lugar na História ninguém lhe tira!
Mas ser titular de Portugal aos 41 anos é uma coisa completamente diferente e absurda. Não faz sentido. Não fez sentido. Basta ver o fraco rendimento que teve. Foi o avançado que menos correu nos 1/16 avos de final, passou o Mundial todo sem fazer um drible, apenas marcou dois golos ao Uzbequistão, mesmo fazendo os 90 minutos em todos os jogos, menos no da Croácia, em que saiu para dar lugar a um Gonçalo Ramos que poucos minutos depois marcou golo.
Reparem, Eusébio em 1977 jogava no Beira-Mar e já não era melhor do que Fernando Gomes, Manuel Fernandes ou Nené. O tempo é implacável, acaba com todos os jogadores, por enormes que tenham sido no seu momento. Ou quando acaba isto? Ronaldo também deve ser titular no Mundial 2030? Não temos então que ser gratos?
Ronaldo jogou por se chamar Cristiano Ronaldo. Se se chamasse João António, teria sido Gonçalo Ramos o titular. Mas é um produto financeiro enorme para a FPF e esta quer explorar o produto até à última gota. E o próprio tem um ego enorme e é incapaz de se olhar ao espelho e dizer «já não dá». Da mesma maneira que certamente está rodeado de familiares e amigos, e nem um tem coragem de lhe dizer «já não dá».
E depois está num país que valoriza muito a gratidão. Foi a mistura perfeita para termos um jogador de 41 anos na frente de ataque, que já pouco acrescenta à equipa, a fazer 90 sobre 90 minutos, enquanto todos os outros jogadores, umas décadas mais novos do que ele, iam saindo.
Amália Rodrigues tem um famoso último concerto no Coliseu dos Recreios em 1994 em que a voz já lhe faltava. Ficou famoso o quanto pedia ajuda ao público para cantar por ela enquanto dizia «obrigado». O tempo já lhe tinha tirado a magnífica voz e alguém lhe devia ter dito para já não fazer aquele concerto, mas pelo menos não estava a tirar o lugar a uma «Mariza» lá atrás. Não prejudicou ninguém. Acabou por ser carinhoso. O público agarrou-a e disse «amamos-te igual e deste tanto a nós, que agora damos nós a ti».
Mas esta insistência em Ronaldo acaba por prejudicar o próprio e toda uma geração maravilhosa de jogadores portugueses que nunca puderam ser uma verdadeira equipa. O futuro dirá quantas entrevistas estes jogadores darão lá mais para a frente quando forem velhotes e tiverem coragem para dizer o porquê de terem rendido tão pouco neste Mundial.
Tal como o Benfica com Rui Costa (e antes Vieira), Portugal confunde gratidão com racionalidade. Temos uma incapacidade enorme de fechar ciclos, de separar as coisas e de aceitar que há momentos e o tempo é implacável com todos. E aqui o que me revolta mais é que este fenómeno tão humano e global, mas que em Portugal é exacerbado, é aproveitado pelas cabeças maquiavélicas dos gabinetes da FPF para passar um pano limpo em algo não tão limpo.
É que Fernando Santos teve o seu destino traçado quando teve a coragem de pôr Ronaldo no banco em 2022 e Roberto Martínez é escolhido por saberem que ia continuar com a marca Ronaldo, o produto Ronaldo a gerar muitos milhões à empresa FPF. Há aqui interesses além do futebolístico. E pouca gente na nossa população refere isto porque ficam inibidos pela tal «gratidão» e muitos dos que sobram não têm coragem de dizer aos outros «o Rei vai nú!».
Este fracasso não apaga Ronaldo. Ronaldo fica na História do futebol português e de Portugal. Sugiro até o seguinte: façam uma estátua do Ronaldo no Estádio Nacional, tal como a que Eusébio tem no Estádio da Luz. Ele merece! Quando acabar a carreira, sejamos gratos nas homenagens. O Ronaldo de tantos golos, de tantas qualificações, do Euro 2016, das duas Ligas das Nações!
Agora talvez isto tudo lhe vá prejudicar um pouco a imagem final, tal como prejudicou na Amália ou em Elvis Presley. Estes momentos finais da carreira de Ronaldo não foram bonitos. E jogadores como Bernardo Silva, Gonçalo Ramos ou Bruno Fernandes devem-se sentir frustrados. Aliás, todo o país se deve sentir.
Que venha agora Jorge Jesus, que este siga em frente neste capítulo Ronaldo, exija mais qualidade e responsabilidade aos restantes jogadores (que também têm que a ter), que voltemos a jogar em equipa e com os 11 jogadores em campo a terem uma disponibilidade física e dinâmica fortíssimas e que a seleção consiga voltar a apaixonar os portugueses. E com Ronaldo a assistir da bancada e Eusébio lá do céu, seremos certamente «muita fortes», como diz o JJ."

Isto não é sobre Cristiano Ronaldo


"Não é sobre Cristiano.
É sobre um selecionador que esteve mais preocupado em proteger o ego de um jogador do que em fazer o que era melhor para a equipa. 
Isto não é sobre Ronaldo.
Mas é sobre um treinador que preferiu ao longo de 450 minutos ter um avançado de 41 anos, da liga saudita, a outro contratado por 74 milhões pelo AC Milan ao PSG.
Isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
Isto é sobre um ponta-de-lança que em cinco jogos não fez um remate de cabeça, um único drible, um passe chave para assistir um colega.
Não, não é só Ronaldo.
É sobretudo uma equipa que ao 45º jogo com este selecionador não é capaz de ter identidade vincada, ADN próprio e prefere jogar um jogo camaleónico e de adaptação ao estilo adversário. A estratégia pontual acima da ideia consolidada.
Isto não é sobre Cristiano, meus caros.
É sobre uma seleção cheia de talento, desperdiçada em erros primários. Vide o golo da Espanha: falta cometida, protestos, desconcentração, Rúben Dias a sair da linha e a criar espaço para o passe de Ferrán Torres. Básico.
Ronaldo foi mais um problema, não foi o único problema.
A que quis jogar Portugal? Ter Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes e Bernardo (mais Félix), jogadores de toque, drible e passe - o coração e a casa das máquinas -, e em momentos de aperto e indefinição lançar a vertigem e os sprints de Leão e Chico Conceição. O estado de ânimo em vez da convicção.
Insisto: isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
Não há uma clarificação no discurso, apenas frases gentis para agradar a gregos e troianos. Dizer que acabar em primeiro ou em segundo lugar no Grupo K é igual, não é só um disparate ou um lapsus linguae. É gozar com a inteligência de quem escuta e sofre com o destino da Seleção Nacional.
Isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
É a necessidade urgente de desenhar o futuro e escolher um líder capaz de fazer a Seleção Nacional exprimir tudo o que sabe, à volta dos melhores elementos: Diogo Costa, Rúben Dias, Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes – mas não o Bruno deste Mundial. Cristiano já não mora aqui há quatro/cinco anos.
Isto já foi sobre Cristiano Ronaldo.
Cristiano é pretérito perfeito, talvez pretérito mais do que perfeito, embora insista em ser presente do indicativo. O tempo verbal faz a maior das diferenças para quem decide e para quem joga.
O futuro na Seleção, mesmo no condicional, não é uma opção aceitável para o CR7.

PS: Jorge Jesus trabalhou na Arábia Saudita e conhece os defeitos e as virtudes atuais de Cristiano. Não me venham com ingratidão. Aqui só me interessa rendimento e competência. Para gratidão há um gabinete na FPF à sua espera e um papel de realce no edifício do futebol português. Isto, claro, se o avançado e acionista do Al-Nassr não optar por continuar a ser um ativo do governo teocrático saudita."

Jorge Jesus? Pensámos mesmo bem nisto?


"Não está em causa o treinador e os seus méritos, mas sim como se encaixa num novo ecossistema que não conhece e num contexto específico, que lhe pede valências que ainda não mostrou

Roberto Martínez. Já muito se escreveu sobre ele, mas deixem-me também encerrar o capítulo e seguir em frente. O espanhol precisou de ser defendido quando os colegas portugueses não o queriam por cá por ser estrangeiro, e ainda por cima logo daqui ao lado, do outro lado da fronteira, e lembro-me que o fiz com ressalvas, lembrando que, apesar de achar que a ideia ofensiva colava melhor com a nossa identidade do que a do seu antecessor — antes de perceber que, afinal, era tão receoso quanto este — também não criava roturas. Era um homem de estatutos e hierarquias.
O medo que começou a ter quando finalmente percebeu que um sistema é mais do que três ou quatro números seguidos, que é preciso ter músculo a cobrir o esqueleto, acabou por aprisionar os jogadores ao modelo: Bruno Fernandes, Vitinha, João Neves, Cancelo, todos eles ficaram amarrados aos defeitos do espanhol. Cumprindo exemplarmente o guião, mesmo que poucas vezes fizesse sentido. Talvez só Nuno Mendes se tenha libertado um pouco, quando teve o físico do seu lado. Terão sido esses mesmos jogadores que o mantiveram no cargo com a conquista da Liga das Nações, sob a ameaça, também ela limitadora, de Mourinho. Admiti então que, finalmente, se poderia construir a partir daí. Enganei-me, porque Martínez não tinha bagagem para tal. Foi um erro de casting tremendo. Se tenho dúvidas que aquela geração belga, com uma defesa tão frágil, fosse realmente de ouro a ponto de conquistar uma grande competição, não tenho dúvidas de que estragou a portuguesa. O melhor grupo de trabalho que algum treinador teve à sua disposição, sim, e o resto é ruído.
Foi um facilitador político. Não foi um selecionador, porque se manteve fiel quase sempre aos de sempre, e ainda menos um bom treinador, com tantos erros básicos que cometeu de abordagem. Foram ainda três anos de comunicação sonsa, embalados pelo sorriso e pelo português esforçado, que nada explicava e tudo embelezava. Nunca teve coragem para dizer a verdade, para tomar decisões difíceis, nunca teve rasgo ou criatividade para mudar um jogo. E será sem saudades que lhe diremos ‘Adeus, até nunca mais!’.
Jorge Jesus é o próximo. E há muito estava decidido que o seria. É o homem do presidente, a sua aposta para vencer e colar a esse triunfo a habitual propaganda que o carregará, acredita, a altos cargos na UEFA ou na FIFA. Porque o sucesso dos governantes não é feito de conquistas profundas e grandes mudanças estruturais, mas de colagem às fotografias certas. De números no Excel. De elogios em círculo, pelos de sempre, porque fazem parte do cargo. Há muito que a demanda por um bem maior não entra no dia a dia de quem manda no futebol em Portugal.
Jesus foi treinador de sucesso durante vários anos em Portugal e, depois, no Brasil e, a um nível muito próprio, na Arábia Saudita. É também um dos maiores influenciadores do jogo português e merecia obviamente o cargo. Ser selecionador assenta-lhe bem. No entanto, isso só por si não o transforma no homem certo no lugar certo.
O JJ revolucionário já não existe. E isso até pode ser pouco relevante para um selecionador, que treina menos dias, tem menos tempo para o trabalho minucioso e para a correção de detalhes. Que tem apenas tempo para tentar unir as pontas soltas. Mas esse não é o perfil de um técnico como ele, obcecado com o jogo. Sobretudo no momento defensivo. Porque no ataque depende muito do talento individual e como este se complementa para criar.
A sua última versão não se impôs em Portugal. Os seus maiores sucessos sempre dependeram da quantidade de talento que tinha ao dispor e nunca voltou a ter tamanha superioridade em relação aos demais. Pior, o bom futebol ofensivo desapareceu. O ataque posicional foi desastroso. A equipa, mal montada no ataque, transitava mal para o momento sem bola. Nunca controlou os jogos. Precisamente críticas que se ouviram a Martínez.
Apesar de mais maduro, não deixa de ser uma bomba-relógio. A sua arrogância já fez com que perdesse um título para Rui Vitória quando disse o que não podia. Já empurrou um polícia por causa de um adepto, foi empurrado por Cardozo no Jamor, mostrou três dedos a Tim Sherwoord, depois de um terceiro golo ao Tottenham, embrulhou-se mil vezes, propositadamente ou não, com o nome de Lopetegui e expôs publicamente o crónico estado físico de Neymar para o resto da carreira. Institucionalmente, é uma dor de cabeça permanente. E já não se trata de um clube, trata-se da representação de um país, com impacto bem maior.
Num momento em que a Seleção vai pedir renovação a pensar no Mundial em casa, o ex-treinador do Al Nassr é mais um que gosta de jogadores feitos. Os do Seixal teriam de nascer dez vezes para poderem vingar quando ele treinou o Benfica. E poucos o conseguiram. Preferiu sempre comprar, sobretudo no Brasil, algo que agora obviamente não poderá fazer. Ainda que possa naturalizar quem ainda escape a um cada vez mais fraco Escrete.
E, no fim disto tudo, ainda está o elefante no meio da sala. Jesus não chega acompanhado, bem pelo contrário, de uma ideia de rotura em relação a Ronaldo, depois de mais um Mundial para esquecer, em que condicionou toda a equipa. Sim, porque se o medo de Martínez acorrentou os jogadores, ter um corpo estranho no ataque ainda mais os bloqueou. Ou acreditamos que todos ao mesmo tempo desaprenderam de jogar assim que pisaram a América? Somos mesmo ingénuos a esse ponto? Nada acontece por acaso.
Foi seu treinador no Al-Nassr e admitiu publicamente que aceitou o convite com o propósito de levar o capitão da Seleção ao título. Gostaria de acreditar, mais uma vez, que essa não é condição sine qua non para que seja a aposta de Proença. Que o racional é finalmente desportivo, que se quer dar continuidade à brilhante formação que temos tido, mas que, num país como o nosso, em que não se aposta nos jovens, não se tem cultura desportiva e se está em permanente guerra sem qualquer respeito pelo produto, não é inesgotável.
Não há, obviamente, muitos nomes em Portugal que tivessem estatuto para o cargo. Mas precisamos de nomes ou competência? Mesmo que o racional seja apenas desportivo, temo que ainda não seja com Jesus que chegaremos lá. Ainda que não devamos julgar por antecipação, há indícios de que é mais uma decisão em que não se olha para o quadro geral e se escolhe alguém mediático a ver se pega. Cá não há De La Fuentes. Em que a ideia certa vale mais do que quem a tem. É ter fé. Porque somos um país de fé. De Fátima. De futebol. E de fado. Raramente de razão."

Substituir um espanhol e tentar jogar o dobro. Onde já se viu isto, Jesus?


"Jorge Jesus chega, aos 71 anos, ao ponto mais alto da carreira. Mais que futebol, uma lição de vida. O desafio: ser 'a' estrutura e ficar quatro anos no mesmo sítio, o que não acontece desde a primeira saída do Benfica

Em primeiro lugar, o homem: atingir, aos 71 anos, o ponto mais alto da carreira de treinador é, antes de mais, uma lição de vida. Jorge Jesus é a prova de que a qualidade não tem prazo de validade e este é um exemplo que pode e deve ser inspirador para qualquer setor de atividade.
O treinador natural da Amadora será o próximo selecionador nacional, em substituição de Roberto Martínez, na sequência de um trajeto atípico e, por isso mesmo, único. Nos primeiros 10/15 anos, todas as duas equipas apresentavam bom futebol, mas em muitos momentos faltava regularidade nos resultados e dessas oscilações resultaram entradas e saídas em clubes que não tinham porventura os mesmos objetivos ambiciosos que ele.
Durante muitos anos prevaleceu um certo preconceito dos três grandes em avançar para Jorge Jesus, daí que seja justo dizer que há um antes e pós-2009, quando Luís Filipe Vieira se tornou o primeiro presidente de um dos grandes a decidir arriscar e contratar um técnico de 55 anos, cuja idade, segundo a moda vigente, já era demasiado avançada para tão ambicioso projeto.
O resto já se sabe: globalmente, o Benfica jogou mais e ganhou mais e a passagem pelo Sporting e o regresso à Luz não causaram danos estruturais do ponto de vista do estatuto, ou seja, nunca mais foi visto como treinador de clube médio ou pequeno, e a decisão de ganhar dinheiro na Arábia Saudita ou prestígio no Brasil, tornando-se num ídolo no Flamengo, é tão legítima como qualquer outra.
Em segundo lugar, a missão: Jesus chega à Seleção num contexto que já o favoreceu no passado e com curiosas semelhanças com a época 2009/10 – também vem substituir um espanhol (à data, Quique Flores) e tem o dever de pôr a equipa a «jogar o dobro». Só ele poderá responder, no campo e no gabinete, como se pode pôr Portugal a jogar melhor (porque é assim que estará mais perto de ganhar), mas este deve ser o momento (fosse quem fosse o sucessor de Martínez) para voltar às raízes e recordarmo-nos de que os grandes desempenhos da Seleção (2016 foi uma exceção porque aquela geração obrigava a um futebol mais resultadista) tiveram sempre como chão comum a criatividade individual. Já nem vou falar da tradição dos extremos mais clássicos, essa posição em vias de extinção, mas de uma forma ou de outra Portugal tem de voltar a encontrar-se consigo próprio e procurar conforto no seu ADN.
Mas para isso terão de ser feitas escolhas, algumas delas eventualmente duras. Jesus tem sido relativamente bem-sucedido nesta área, mas em contexto de clubes, onde se assume não como um treinador «de estrutura», mas sendo ele «a estrutura». Todos sabemos o que isto significa: nunca permite que a sua autoridade seja posta em causa. Ao assinar pelo menos até 2030, não estamos à espera que seja um período de liderança suave na Cidade do Futebol. Até porque desde que saiu do Benfica em 2015 nunca ficou quatro anos no mesmo sítio.
Eis mais uma novidade para um homem de 71 anos. Que, em boa verdade, só parece tê-los no cartão de cidadão.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
Diogo Costa, guarda-redes da Seleção Nacional
Foi o melhor jogador da Seleção no Mundial, o que diz muito de Portugal. Do guardião que errou com Marrocos em 2022 ao dono das redes em 2026 há um mundo a separá-los. Um monstro das balizas.

Estagnado
Cristiano Ronaldo, avançado da Seleção Nacional
Sai do Mundial pela porta pequena porque, tal como se esperava, aos 41 anos não fez a diferença. Mas que não haja confusões: o tempo voltará a lembrar-nos que Ronaldo é uma lenda. Mas de um passado que já não volta.

A descer
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol
Assumiu, no momento da derrota, que Roberto Martínez não era a sua opção, quando teve tempo para fazê-lo em momento de vitória. Se queria sair por cima no adeus ao Mundial 2026, o tiro saiu ao lado."

Dez anos depois…


"«Temos sempre Paris», disse Humphrey Bogart (Rick) a Ingrid Bergman (Ilsa) na obra prima ‘Casablanca’, estreada em 1942. Nós também «temos sempre Paris», na sequência da obra prima, realizada por Fernando Santos, que nos levou ao título europeu: teve em Éder o herói improvável, e em Cristiano Ronaldo a estrela cintilante. Foi há dez anos, e a FPF resolveu assinalar a data com a apresentação do novo selecionador nacional para o período 2026/30, Jorge Jesus, que já foi muito feliz quando sucedeu a um treinador espanhol, Quique Flores, por altura da sua primeira passagem pelo Benfica, circunstância análoga à que vivemos hoje, quando o ex-treinador do Al Nassr passa a sentar-se na cadeira até agora ocupada por Roberto Martínez.
Tal como sucedeu a todos os que o antecederam à frente da Seleção Nacional, e sucederá a todos os que lhe sucederem, JJ vai responder por resultados, num contexto de fasquia bem alta, como se viu pelas exigências tornadas públicas na América do Norte. Antes do Mundial de 2030, para o qual estamos apurados como anfitriões, Jesus estará, como campeão em título, na Liga das Nações 2026/27, que começa já em setembro; segue-se o Europeu de 2028, e a Liga das Nações de 2028/29, que adotará um formato diferente do atual.
Do que acontecer nestas três competições dependerá o estado de espírito com que iremos encarar o ‘nosso’ Mundial, sendo que desde 1998 (França) nenhum anfitrião levanta a Taça (e Brasil e Alemanha já jogaram ‘em casa’).
Mas hoje não é dia para grandes análises, haverá tempo para isso, depois das primeiras palavras de Jorge Jesus, e, sobretudo, após a primeira convocatória para o Portugal-País de Gales que se disputará em Alvalade a 24 de setembro.

PS - Apesar da resistência de Marrocos, de algumas grandes defesas de Bono, e até de tentativas tímidas de surpreender os gauleses, os vice-campeões mundiais mostraram-se demasiado fortes para os norte-africanos, plenos de argumentos e confiança, tudo isto potenciado pelos extraordinários Mbapée, Oliseh e Dembelé. A França está a apresentar credenciais, e daqui a nove podemos estar perante a reedição da final do Catar, embora a Argentina, onde Messi tem justificado a proteção que lhe é dada, tenha tido alguns ‘soluços’ inesperados ao longo da competição…

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"