Últimas indefectivações

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Ferroviários de Portugal: os bastidores da grande reportagem do zerozero

Observador: E o Campeão é... - As 50 razões para Farioli ficar na história do Dragão

Observador: Três Toques - Bisneto de Mussolini estreia-se a marcar na Série A

Zero: Fantasy - A jornada 10 e as melhores opções

Comercial: O Meu Clube É O Maior - “Gostava de ter jogado pelo Benfica”

Obter o apuramento


"Em destaque na BNews, o comunicado oficial emitido pelo Clube e a receção ao Gil Vicente nos quartos de final da Taça da Liga, às 20h45, no Estádio da Luz.

1. Comunicado oficial
Conheça a posição oficial do Sport Lisboa e Benfica sobre a justificação apresentada pelo árbitro Cláudio Pereira para a expulsão de Jhon Durán no final da partida com o Santa Clara. "A mentira em prejuízo do Benfica não pode continuar a ser um fator de impunidade – nem de promoção – no futebol português", pode ler-se.

2. Lutar por um dos objetivos da época
Marco Silva aponta baterias para o apuramento para as meias-finais da Taça da Liga: "Queremos ganhar o jogo e queremos estar na final four. E, quando nós, Benfica, estamos em competições, é para fazer tudo para as ganhar."

3. Evoluir
Nuno Félix, capitão da equipa B do Benfica, em entrevista à BTV: "Tenho sempre a ambição de crescer."

4. Vantagem larga
Na 1.ª mão da 2.ª eliminatória do caminho dos campeões da UEFA Youth League, o Benfica ganhou por 6-0 ao Pafos.

5. Outros jogos do dia
Na Luz, às 18h30, a equipa feminina de basquetebol do Benfica recebe o Sopron, da Hungria, a contar para a fase de grupos da EuroCup Women. Às 16h00, em futsal no masculino, os encarnados defrontam o ElPozo Murcia na fase principal da UEFA Futsal Champions League. E, às 19h00, em Santo Tirso, arranca a participação benfiquista na Elite Cup de hóquei em patins no masculino perante o Valongo.

6. Outros resultados
Em futebol no feminino, o Benfica foi derrotado, por 3-0, pelo Arsenal na Liga dos Campeões. Em futsal no masculino, empate 4-4 com o FC HIT Kyiv. Em basquetebol no masculino, desaire benfiquista na Suíça ante o Lions de Genève (93-90). A equipa feminina de voleibol perdeu, por 3-2, com o Olympiacos na 1.ª mão dos 32 avos de final da CEV Challenge Cup Women.

7. Sorteio
O Benfica tem embate forasteiro marcado com o GD Aldeia Nova na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal de futebol no feminino.

8. Chamadas internacionais
Cinco basquetebolistas estão convocadas pela seleção nacional feminina de basquetebol.

9. Reforços
Conheça os dois novos elementos do atletismo benfiquista: Miguel Monteiro, campeão paralímpico em Paris 2024, e Lenine Cunha, medalhado nos Jogos de Londres 2012, passam a representar o Benfica."

História Agora...


Um Académico que tem um Rossio


"Quase quarenta anos depois, o Académico regressou à primeira divisão. Bastou um empate contra o Sporting B, no Fontelo. Cinco meses depois, os mesmos viseenses foram a Alvalade enfrentar o Sporting a sério. E ganharam. João Guilherme marcou duas vezes. O Sporting teve a bola. O Académico teve os golos. O que pareceu ser uma divisão justa. Mas, no dia seguinte, verificou-se uma coisa curiosa. A notícia era que o Sporting tinha perdido. Que Rui Borges isto, que os adeptos aquilo. Tudo certamente importante para o Sporting. Só que faltava um pormenor: o Académico tinha ganhado!

O que é que Viseu tem? Tem um Rossio. O que não é pouco — e é raríssimo. Algumas cidades até têm rossios, mas não são muitas aquelas onde se pode dizer “o Rossio” e toda a gente sabe do que se está a falar. Lisboa é uma. Viseu é outra. E quase que aposto que boa parte dos leitores que beneficiaram do acaso de vir parar a este texto estavam convencidos de que “Rossio” era só o nome de um lugar em Lisboa. Não era. Não é.
Um rossio, mais detalhe medieval menos detalhe medieval, é uma praça — coisa que qualquer cidade portuguesa tem. Quer dizer, tem praças, largos, campos da feira, centros cívicos certamente dignos e até adornados com chafarizes e outros ornamentos da civilização — mas não tem rossios. E, na verdade, não interessa tanto o que um Rossio é quanto aquilo que um Rossio pode significar.
Basta conhecer um viseense. Há nele uma modéstia, uma delicadeza, uma espécie de melancolia de quem está de bem com a vida (um Rossio). O viseense é uma jóia de pessoa. Ao contrário do nortenho, sempre pronto a anunciar os seus triunfos e a defender as suas prerrogativas até às últimas consequências, o viseense vive na melhor cidade da Península Ibérica sem fazer grande caso disso. E quando o vinho que produz, que é o melhor de Portugal, fica fora de moda, continua a dormir descansado. Até na polémica sobre o nascimento de D. Afonso Henriques, que muito provavelmente terá mesmo nascido ali, o homem de Viseu deixa o de Guimarães a falar sozinho. Não é desinteresse pela História, e muito menos desdém pelo cavalheiro vimaranense, que o viseense terá na mais alta estima. É que, depois de Viriato, a fundação de Portugal parece-lhe provavelmente um acontecimento algo tardio.
Considere-se Rodrigo Moura, velha glória viseense e um dos esteios espirituais do clube da cidade. Tinha quinze anos quando anunciou em casa que queria ir jogar para o Lusitano, onde já estava um amigo. O avô, dirigente e adepto ferrenho do Académico, não disse uma sílaba. Levantou a mão. Rodrigo foi jogar para o Académico. Poder-se-ia imaginar um sermão, uma troca de argumentos; nada. Bastou aquela brandura aristocrática, como quem diz: “Passa por mim no Rossio”.
Em 1966, Rodrigo, que era extremo esquerdo, foi internacional no Europeu de juniores, numa selecção capitaneada por Vítor Damas. É difícil imaginar o que terá sido, nos anos 60, um jogador das profundezas beirãs, onde Judas terá mesmo perdido as botas, ser chamado para jogar pela selecção. A proeza valeu-lhe a transferência para o homónimo de Coimbra. Entretanto passou por outros clubes, mas regressou a casa. Em 1977, num jogo da Taça de Portugal contra o Paio Pires, marcou de canto directo. Duas semanas antes, num jogo a contar para a qualificação do Mundial de 78, Manuel Bento tinha sofrido um golo igual num jogo contra a Polónia. O “Record” de então, num rasgo de inspiração, chamou-lhe “golo polaco” — que é como todo o relatador e comentador desportivo devia passar a chamar a todos os golos de canto directo marcados a partir de agora. Se há o golo de letra e o golo de chapéu, se há o chouriço, porque é que não há o polaco?
Quase quarenta anos depois, o Académico regressou à primeira divisão. Bastou um empate contra o Sporting B, no Fontelo. Viseu festejou no Rossio, claro, que é o lugar onde as grandes notícias se tornam assuntos de toda a gente. Ora, cinco meses depois, os mesmos viseenses foram a Alvalade enfrentar o Sporting a sério. E ganharam. João Guilherme marcou duas vezes. O Sporting teve a bola. O Académico teve os golos. O que pareceu ser uma divisão justa.
Mas, no dia seguinte, verificou-se uma coisa curiosa. A notícia era que o Sporting tinha perdido. Que Rui Borges isto, que os adeptos aquilo. Tudo certamente importante para o Sporting. Só que faltava um pormenor: o Académico tinha ganhado!
É o destino dos clubes pequenos. Quando perdem, confirma-se a sua inferioridade. Quando ganham, confirma-se a falta de superioridade dos grandes. Nunca são autores de coisa nenhuma. São a prova dos problemas alheios.
Mas é preciso dizer isto: para todos os efeitos, o que aconteceu em Alvalade não foi um episódio da vida íntima de Rui Borges. E digo-o com todo o respeito. O que aconteceu foi a vitória de um clube que esperou trinta e sete anos para voltar à primeira divisão e, mal chegou, ganhou em casa do Sporting. Um clube de uma cidade onde os homens não sentem necessidade de explicar por que razão são melhores. Um clube que tem um Rossio."

Vitinha: uma estrela que brilha de forma contínua


"Há jogadores que precisam de um grande jogo para serem notícia. Outros precisam de um golo decisivo, de uma assistência ou de um momento de inspiração que se torne viral e percorra o mundo em poucos segundos. Vitinha já não precisa de nada disso para justificar o reconhecimento que conquistou. A sua grandeza não se explica por um instante - explica-se pela forma como transforma a excelência num hábito.
Vitinha é, como se costuma dizer, um craque da cabeça aos pés. Um talento extraordinário, daqueles que nos fazem gostar ainda mais de futebol, mas aquilo que verdadeiramente o distingue não é apenas a qualidade técnica, a relação com a bola ou a capacidade de encontrar soluções onde os outros veem dificuldades. É a inteligência… uma daquelas raras, que lhe permite compreender o jogo antes de muitos dos seus adversários perceberem o que está prestes a acontecer. É normal vermos jogadores que correm atrás do jogo… Vitinha não, vejo-o jogar e fico sempre com a sensação que ele está um passo à frente do próprio jogo que está a disputar. Jornada após jornada na Liga Francesa e, na semana passada, voltou a demonstrá-lo numa das grandes noites da Liga dos Campeões...
O Paris Saint-Germain venceu o Barcelona por 4-2, num encontro entre duas das melhores equipas da atualidade, e o internacional português voltou a assumir um papel determinante. Aos 81 minutos, quando o resultado estava empatado a dois golos e o jogo parecia aberto a qualquer desfecho, Vitinha apareceu para marcar o 3-2. Um golo de enorme importância, mas que representou apenas a expressão mais visível de uma influência que se fez sentir ao longo de toda a partida. Uma semana antes, em Manchester, já tinha brilhado na vitória do PSG sobre o Manchester City, também por 4-2, novamente com um golo. Dois adversários de dimensão mundial, duas vitórias expressivas e duas demonstrações de uma qualidade que deixou de surpreender pela excecionalidade e passou a impressionar pela continuidade.
É precisamente aqui que, na minha opinião, reside a diferença entre um grande jogador e um futebolista verdadeiramente especial. O primeiro é capaz de decidir jogos. Já o segundo consegue influenciar a forma como toda uma equipa joga, pensa e reage. Vitinha pertence cada vez mais a esta segunda “categoria”… não se limita a participar na construção - organiza-a. O médio luso não recebe apenas a bola, dá-lhe sentido e objetividade. Sabe quando acelerar, quando esperar, quando atrair a pressão e quando libertar um companheiro e, faz tudo isto com uma naturalidade que, por vezes, nos leva a esquecer a enorme complexidade das suas decisões.
Luis Enrique não se limitou a reconhecer o talento do português; encontrou uma forma de o colocar no centro da identidade coletiva do PSG. Em fevereiro de 2025, definiu-o como «o médio perfeito». Meses depois, foi ainda mais longe, afirmando não ver nenhum médio melhor do que ele. São palavras particularmente relevantes quando chegam de um treinador que construiu uma equipa assente na intensidade, na mobilidade, na posse de bola e na inteligência coletiva. Luis Enrique não procura jogadores capazes de executar as suas ideias, procura sim futebolistas que as compreendam, interpretem e desenvolvam dentro do campo.
Há, aliás, uma dimensão de liderança nesta relação que merece e deve ser valorizada. Um treinador não desenvolve um jogador apenas por lhe transmitir conhecimentos, desenvolve-o também quando identifica aquilo que o torna diferente, acredita nesse potencial e cria condições para que se manifeste. Vitinha reconheceu publicamente que Luis Enrique chegou a ter mais confiança nele do que ele próprio. É uma afirmação reveladora do impacto que a liderança pode ter na carreira de um atleta. Por vezes, o passo decisivo não está em ensinar alguém a fazer mais, mas em ajudá-lo a perceber tudo aquilo que já é capaz de fazer.
O reconhecimento ultrapassou largamente as fronteiras de Paris. Thierry Henry, na última temporada, depois de assistir à influência do português na eliminatória frente ao Liverpool, afirmou que Vitinha parecia jogar um desporto diferente. O antigo internacional francês não estava a elogiar um drible espetacular ou uma jogada para os resumos televisivos - estava a destacar algo muito mais difícil de encontrar: a capacidade de controlar o ritmo de uma partida. Também Luka Modric, uma das maiores referências do futebol mundial nesta posição, considerou Vitinha um dos melhores médios do mundo, sublinhando a sua visão de jogo e a capacidade de melhorar o rendimento da equipa.
É curioso perceber que o próprio Vitinha identifica Andrés Iniesta e Luka Modric como duas das suas maiores referências - não é difícil encontrar pontos de contacto. A inteligência na ocupação dos espaços, a qualidade da decisão, a serenidade perante a pressão e a capacidade de fazer parecer simples aquilo que é extraordinariamente difícil, mas Vitinha não precisa de ser o novo Iniesta ou o novo Modric. Porquê? Porque o português está a construir uma identidade própria, num futebol cada vez mais físico, acelerado, exigente e complexo. É também por isso que a sua afirmação deve merecer uma reflexão mais ampla sobre a forma como avaliamos os futebolistas porque continuamos, demasiadas vezes, a confundir protagonismo com influência. Os golos, as assistências e os momentos individuais são fundamentais, mas não contam a história completa de um jogo – muito pelo contrário. Há jogadores cuja importância se mede naquilo que fazem com a bola. A influência de Vitinha mede-se igualmente naquilo que permite que os outros façam, na segurança que transmite, nas linhas de passe que cria, no equilíbrio que assegura e na capacidade de transformar onze talentos numa equipa com uma ideia comum.
A sua evolução também nos recorda que o talento, por maior que seja, precisa de contexto, confiança e trabalho para atingir a plenitude. O jogador que saiu do FC Porto para o PSG, em 2022, não chegou imediatamente ao estatuto que hoje ocupa. Cresceu, adaptou-se, ultrapassou dificuldades e encontrou num projeto coletivo o espaço necessário para desenvolver todo o seu potencial. Num futebol cada vez mais impaciente, em que tantas avaliações se fazem ao ritmo de uma jornada, o percurso de Vitinha demonstra o valor de acreditar, trabalhar e evoluir sem perder a identidade.
Para Portugal, há ainda um motivo de orgulho que não deve ser disfarçado. Estamos perante um dos grandes médios do futebol mundial, um jogador que representa o país ao mais alto nível e cuja influência é reconhecida por treinadores, antigos campeões e adversários. Um génio que é nosso - Português. E que, apesar de todo o reconhecimento planetário, continua a demonstrar através do seu exemplo, que o mais importante para si não é ser o centro das atenções, mas ser o centro do jogo.
Vitinha é um futebolista que não precisa de procurar constantemente o brilho individual, porque a sua verdadeira grandeza está na forma como ilumina o jogo coletivo. Os golos frente ao Manchester City e ao Barcelona ficarão nos registos desta Liga dos Campeões, mas aquilo que faz dele um jogador extraordinário acontece muito antes e continua muito depois desses momentos."

DeLetra #58 - ⚽ Rui Borges, Prestianni e José Mourinho no El Clásico

BolaTV: A Bola na América: bastidores de um mundial

Zero: Ataque Rápido - S09E15 - SC Braga e Vitória SC: duas realidades separadas por 3 pontos

ESPN: Futebol no Mundo #644 - HARRY KANE BOLA DE OURO, ZEBRA NA COPA DA LIGA, POLÊMICA COM MBAPPÉ E MAIS

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Rabona: Why Man United Will Choose “Comfortable” Over Conte

Zero: Saudade - S05E07 - Ivkovic, Drulovic, Zahovic e outros ic's: vénia à ex-Jugoslávia

SportTV: Arte - Trezza e Djouahra

Antena 1: Horas Bolas - Cândido Barbosa: "Fiz uns 600 mil kms"

Direito de manifestação: também no desporto?


"Em 2021, a Juventude Leonina apresentou um pedido junto da Câmara Municipal de Lisboa, uma comunicação de manifestação ao abrigo do Decreto-Lei n.º 406/74, de 29 de Agosto, diploma muito referenciado nos últimos dias por força das manifestações em Lisboa e Porto associadas ao direito à habitação. A diligência da claque foi um aviso prévio da iniciativa de concentrar adeptos para comemorar na rua a obtenção do título nacional da principal equipa de futebol do clube leonino

No ano de 2021, a Juventude Leonina, “associação de adeptos” do Sporting Clube de Portugal, apresentou um pedido junto da Câmara Municipal de Lisboa, uma comunicação de manifestação ao abrigo do Decreto-Lei n.º 406/74, de 29 de Agosto, diploma muito referenciado nos últimos dias por força das manifestações em Lisboa e Porto associadas ao direito à habitação.
A diligência da ‘claque’ foi um aviso prévio da iniciativa de concentrar adeptos para comemorar na rua a obtenção do título nacional da principal equipa de futebol do clube leonino. A iniciativa previa a presença de adeptos, a transmissão televisiva de um jogo, a utilização de música e a ocupação do espaço público.
Na sequência, o Ministério da Administração Interna solicitou a emissão de um Parecer ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (CCPGR). Importava determinar se as concentrações de adeptos, enquadradas por estes como manifestações de apoio ao clube, beneficiavam ou não da proteção constitucional do direito de manifestação. A dúvida jurídica estaria em aferir se cabe ou não divisar uma concentração festiva ou comemorativa de natureza desportiva de uma manifestação ‘pura e dura’, se assim podemos simplificar.
Não deixando de reconhecer que a “matéria do direito de manifestação é juridicamente delicada, atendendo à sua proteção jurídica”, aquele ministério avançou logo sua opinião no sentido que que as “comemorações desportivas” não se subsumem ao regime do Decreto-Lei n.º 406/74, de 29 de Agosto.
O CCPGR [Parecer n.º 15/2021, de 17 de Fevereiro de 2022], analisando o Decreto-Lei n.º 406/74, de 29 de Agosto à luz da (aprovada supervenientemente, em 1976, como tanto agora se falou) Constituição da República Portuguesa (CRP), teve outro entendimento. Concluiu, em especial, que “[o] âmbito de proteção constitucional (art. 45.º da CRP) e legal (art. 1.º do Dec.-Lei n.º 406/74) dos direitos de reunião e de manifestação não se restringe a finalidades políticas, sindicais ou religiosas, incluindo outras motivações, nomeadamente desportivas.” Portanto, foi reconhecido que a natureza desportiva da motivação não impede, por si só, que determinada iniciativa beneficie da proteção constitucional conferida ao direito de manifestação pelo artigo 45.º da nossa Lei Fundamental. No n.º 1 deste artigo prevê-se que “[o]s cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização” e do n.º 2 resulta que “[a] todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.”
É verdade que a posição do CCPGR não foi unânime, houve dois votos de vencido. Mas o que fica é uma interpretação maioritária do conceito legal de manifestação que está longe de ser restritiva: o que interpretamos do Parecer é que, ainda que nem toda a concentração de adeptos, espontâneas ou programadas, designadamente para festejar um resultado desportivo, constitua juridicamente uma manifestação, as manifestações desportivas podem beneficiar da proteção do artigo 45.º da CRP. Tal não está excluído: o setor de atividade em causa – in casu o desportivo – não é o decisivo; o que releva são a natureza e a finalidade concretas da iniciativa. Caberá à Câmara Municipal, autoridade administrativa, aferir da efetiva finalidade da iniciativa, verificar do preenchimento dos pressupostos legais do exercício do direito de manifestação. 
Aqui chegados, e antevendo-se, por força dos recentes acontecimentos, uma (necessária) alteração ao Decreto-Lei n.º 406/74, de 29 de Agosto, talvez seja importante fazer o debate sobre a questão em apreço e perceber se e como se justifica que o desporto fique expressamente enquadrado nessa legislação infraconstitucional em sede de direito de manifestação (e também de reunião), quer na via pública, quer porventura no interior de recintos desportivos durante a realização de eventos desportivos. A questão exige diferentes vozes, não é simples nem linear, porquanto o direito de manifestação não é um direito absoluto, é um direito fundamental que pode ser limitado quando colida com outros. Até pode ser que se conclua que fique tudo na mesma, mas debater é sempre salutar. E estão em curso alterações legislativas no setor desporto, que devem estar sintonizadas com a ‘lei geral’.
No mais, siga o desporto! E o desporto é feito de celebrações. Mas, lá está, com limites. E nisso até já há legislação específica, curiosamente espoletada pela mesma comemoração que motivou a presente crónica: desde 2023 que a ‘Lei da Violência no Desporto’ se aplica a “(…) quaisquer acontecimentos relacionados com o fenómeno desportivo, incluindo celebrações de êxitos desportivos.” [artigo 2.º da Lei n.º 39/2009, de 30 de julho, “que estabelece o regime jurídico da segurança e combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espetáculos desportivos”, na redação atualmente em vigor, dada pela Lei n.º 40/2023, de 10 de agosto]."

WSG: Resultados que Merecem Ser Valorizados


"Os WSG realizados no Paraguai voltaram a confirmar Portugal entre as grandes potências mundiais da patinagem. Participando em apenas quatro das doze disciplinas do programa, a comitiva nacional terminou a competição com um total de 9 medalhas e um meritório 11.º lugar entre 91 países participantes.
Num país com pouco mais de dez milhões de habitantes, competir com nações de dimensão geográfica, populacional e capacidade de recrutamento de atletas muito superiores à nossa torna estes resultados particularmente relevantes. Acresce que Portugal alcançou esta posição competindo em apenas um terço das disciplinas integradas nos Jogos, facto que valoriza ainda mais o desempenho coletivo da delegação nacional.
Estes resultados foram construídos por diferentes gerações de atletas e em várias disciplinas. Na Patinagem Artística, Portugal voltou a demonstrar a sua excelência internacional através dos títulos mundiais conquistados por Madalena Costa, João Cruz e Albina Kachur, aos quais se juntaram outras medalhas que reforçaram o desempenho coletivo da seleção nacional. Também a Patinagem de Velocidade e o Hóquei em Patins Sub-19 contribuíram para um balanço global que merece ser reconhecido e valorizado.
Naturalmente, o Hóquei em Patins, pela sua história, tradição e impacto mediático em Portugal, concentra uma atenção muito particular. A medalha de bronze conquistada pela Seleção Nacional sénior não corresponde às legítimas ambições de quem está habituado a lutar pelos títulos mundiais, mas está longe de poder ser considerada um insucesso.
Portugal continua a possuir um dos mais impressionantes palmarés da modalidade, com 16 títulos mundiais, 11 medalhas de prata e 16 medalhas de bronze. A medalha de bronze conquistada acrescenta mais um capítulo a este percurso de excelência e demonstra que Portugal continua a marcar presença entre as melhores seleções do mundo.
É igualmente justo reconhecer o mérito da França, campeã mundial desta edição. Ao mesmo tempo, importa enquadrar o resultado português no contexto competitivo atual. Duas das maiores potências históricas do hóquei em patins, Espanha e Itália, terminaram a competição atrás de Portugal, ocupando respetivamente a 4.º e a 7.º posições. Este enquadramento ajuda a perceber o elevado nível de exigência da competição e reforça o valor da medalha de bronze alcançada pela Seleção Nacional.
A crítica faz parte do desporto. Contudo, a análise dos resultados deve ser feita com contexto, equilíbrio e respeito pelo trabalho desenvolvido por atletas, treinadores, clubes e dirigentes. Os WSG do Paraguai demonstraram, uma vez mais, que Portugal continua a afirmar-se entre as referências mundiais da Patinagem. Valorizar o que foi alcançado não significa abdicar da ambição de fazer ainda melhor no futuro. Significa reconhecer com justiça o mérito de quem diariamente trabalha para honrar Portugal nas maiores competições internacionais."

Integridade no desporto: das regras escritas à responsabilização das organizações


"A integridade é um dos pilares da credibilidade do desporto e da confiança que atletas, adeptos, patrocinadores e instituições depositam nas competições. Nos últimos anos, o setor dotou-se de códigos de ética, regulamentos e mecanismos de supervisão. Subsiste, contudo, um desafio fundamental: garantir que estes instrumentos não ficam apenas no papel e se traduzem em práticas efetivas e verificáveis no funcionamento das organizações.
A experiência italiana constitui uma referência importante. O Decreto Legislativo n.º 231/2001 introduziu a responsabilidade administrativa das pessoas coletivas por determinados crimes cometidos no seu interesse ou em seu benefício, prevendo, simultaneamente, a possibilidade de exclusão dessa responsabilidade mediante a adoção e aplicação efetiva de um modelo de organização, gestão e controlo. Mais de duas décadas de aplicação desta legislação permitiram consolidar um princípio essencial: um modelo só é adequado se assentar numa verdadeira avaliação dos riscos, num sistema coerente de delegação de poderes e procedimentos, num controlo rigoroso dos fluxos financeiros e na supervisão por um órgão dotado de autonomia e independência.
Este princípio assume particular relevância no desporto profissional, hoje um setor económico de primeira grandeza. As transferências de jogadores, as comissões pagas a intermediários, os direitos de transmissão, os patrocínios e as relações com operadores de apostas envolvem fluxos financeiros significativos e, consequentemente, riscos específicos. A corrupção, o branqueamento de capitais, os conflitos de interesses e a manipulação de competições encontram terreno fértil sempre que falta transparência nos processos de decisão e os mecanismos de controlo se revelam insuficientes.
A integridade no desporto não pode, por isso, ser encarada apenas como uma questão de ética individual. É também, e necessariamente, uma questão de governação e de organização institucional. Clubes, ligas e federações têm a responsabilidade de implementar sistemas estruturados que permitam prevenir e detetar irregularidades: identificação e avaliação dos processos de maior risco, segregação de funções, diligência prévia na avaliação de parceiros e outras entidades com quem se relacionam, rastreabilidade das decisões e canais de denúncia que garantam a proteção dos denunciantes.
Há, porém, outro elemento decisivo: a verificação independente. A autoavaliação não oferece às partes interessadas as mesmas garantias que um escrutínio externo. Neste contexto, os Standards Universais desenvolvidos pela SIGA e o seu Sistema Independente de Rating e Verificação (SIRVS) constituem uma referência comum e mensurável em matéria de boa governação, integridade financeira e integridade das apostas desportivas. A certificação obtida pela Liga Portugal representa um sinal importante, que esperamos ver seguido por outras ligas e federações europeias.
Do mesmo modo, as exigências aplicáveis às sociedades cotadas em bolsa ou às empresas que contratam com entidades públicas devem estender-se às organizações que gerem recursos significativos e, acima de tudo, um património de confiança coletiva. Adeptos, patrocinadores e parceiros comerciais são partes interessadas de pleno direito, com interesses legítimos e o direito de exigir níveis adequados de transparência.
O cumprimento das regras não pode, contudo, transformar-se numa mera formalidade. Um sistema de controlo eficaz deve ser proporcional à dimensão de cada organização e aos riscos concretos a que está exposta. Um clube amador e uma liga profissional têm necessidades diferentes, mas ambos precisam de regras claras quanto aos poderes de decisão, à gestão dos recursos e à prestação de contas.
O desporto exige lealdade e respeito pelas regras a todos os seus protagonistas. Por uma questão de coerência, deve exigir o mesmo compromisso às instituições que o governam, através de regras claras, mecanismos de controlo eficazes e órgãos de supervisão verdadeiramente independentes. A integridade não pode limitar-se a uma declaração de princípios: tem de estar presente na forma como as organizações funcionam, ser medida e demonstrada de forma continuada."

DAZN: F1 - Antevisão ao GP da Cidade do México

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Marco Silva - Gil Vicente

Goleada 'tardia' !!!

Benfica 6 - 0 Pafos
Ferreirinha(2), Kiko Silva(3), Pastel


Não é todos os dias, que um  0-0 ao intervalo, acaba com um 6-0, sem expulsões pelo meio!!!
Muito superiores, o 0-0 ao intervalo foi um acidente, com o guarda-redes Cipriota a defender tudo... com a entrada do Ferreirinha, tudo mudou, o puto tem muito potencial... pessoalmente, o ponta-de-lança com mais hipóteses de chegar à equipa principal na formação!

Deslocação a Chipre para cumprir calendário para a semana!

Um dos melhores plantéis dos últimos anos, nesta competição, e o Banjaqui e o Anísio podiam estar aqui!!! Temos tudo para chegar à Final 4 !!!

Derrota em Londres...

Arsenal 3 - 0 Benfica


Já sabíamos que ia ser muito complicado, mas o Benfica podia ter feito mais... jogámos demasiado recuados, e quase nunca conseguimos fugir à pressão alta das adversárias! Independentemente da desvantagem física, a Moller fez um mau jogo... e a Nycole fez falta!!!

Mal menor...!!!

Benfica 4 - 4 Kyiv

Jogo estanho, muito estranho, com o Benfica a sofrer um auto-golo e depois após uma série de erros, mesmo com mais bola e dominando, ficámos com 1-4 no marcador, já na 2.ª parte, e tudo parecia impossível... Sem o Pany e o Arthur castigados, além do Anderson e do Tchuda, o plantel estava curto! Mas os putos não desistiram e já com o 5x4 conseguimos empatar e ainda tivemos hipóteses de concretizar a reviravolta!

O empate é um mal menor, que deixa para 'hoje', contra os El Pozo, a decisão do 1.º lugar do grupo, nas nossas mãos! A qualificação nunca estaria em perigo, pois das quatro equipas, três passam, mas com a 'Sorte' que normalmente temos nos Sorteios, não ficar em 1.º lugar será sempre mais 'perigoso'!!!

Derrota na Suíça...

Geneve 93 - 90 Benfica
28-33, 22-22, 19-14, 24-21

Com as vitórias nas primeiras jornadas, ficámos com uma borla para dar, e hoje acabámos por perder essa 'tolerância', a partir daqui, qualquer desaire (excepto na Turquia), será fatal... e teremos que vencer os Dinamarqueses na Luz!

Até não começamos mal, mas voltámos a estar muito mal nos Triplos... na 2.ª parte os adversários aumentaram a agressividade, os árbitros super-caseiros permitiram tudo, e o Benfica não teve cabeça na recta final... Dominar nos ressaltos e perder o jogo desta forma, é estranho!

Não percebi a utilização do Okeke!

Zero: Canto - Taça da Liga e a "velha" questão: protesto ou para ganhar?

Comunicado


"A indignação manifestada pelo Sport Lisboa e Benfica no final do jogo do Santa Clara por causa da expulsão de Jhon Durán vem a confirmar-se por inteiro dada a justificação apresentada pelo árbitro Cláudio Pereira.
No relatório, entretanto tornado público pela comunicação social, o árbitro afirma que Durán foi provocado e respondeu com palavras impercetíveis, concluindo Cláudio Pereira que essas palavras ajudaram a propagar o conflito generalizado.
Como pode o árbitro atribuir esse efeito a palavras que declara não ter percebido? E como pode sustentar essa versão quando as imagens não mostram qualquer agressividade ou gesto provocatório por parte do jogador do Benfica?
Estamos perante mais um episódio de extraordinária criatividade arbitral, que exige uma investigação rigorosa. Depois do caso de Gustavo Correia, em Famalicão, no qual foi demonstrado que o relatório não correspondia aos factos – e o árbitro mentira deliberadamente –, o Benfica não aceitará que um novo relato manifestamente contrariado pela realidade seja tratado com complacência. Esta nova falsidade tem de ser apurada e sancionada com a gravidade que merece.
O Sport Lisboa e Benfica exige que o Conselho de Disciplina analise este caso com rigor e não volte a assobiar para o lado, sancionando esta conduta injustificável. Exige também que o Conselho de Arbitragem não transforme a repetição de erros graves em prémio através de sucessivas nomeações para jogos da Primeira Liga, como tem acontecido com Gustavo Correia.
A mentira em prejuízo do Benfica não pode continuar a ser um fator de impunidade – nem de promoção – no futebol português."

Confirmação

Quando a realidade ultrapassa a ficção !!!

O futebol português é um poço sem fundo de canalhices e batota

Indesmentível...

O homem do apito resolve!!!

Decidam-se!!!

Prata da Casa #74 - Mete o Pissanov, Instagram de Celebridades, Pitch Invaders

A Bola é Minha, Eu é que sei! - S04E11 - Despedir Já o Rui Borges? Já vem tarde?

O Livro Direto #8 - Varandas é o principal culpado?!

A Vénia - S02E03 - Benfica déroule : jusqu’où cette équipe peut-elle aller ?

Rola Bola - S03E08 - Quiz (O Campeão voltou, Mas será que ganhou?)

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

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Bola de Ouro: qual é a lógica disto?


"A France Football até pode escrever trinta textos para trinta vencedores diferentes, ninguém vai estranhar

Na tarde da gala, o site oficial Bola de Ouro publicou, por engano, três textos a felicitar três vencedores diferentes: Lamine Yamal, Harry Kane e Mbappé.
Perante o burburinho na sala, a organização apressou-se a explicar que não havia batota, era tudo perfeitamente normal: os textos estavam preparados para cobrir os três possíveis vencedores. O que, parecendo que não, se revelou o momento mais transparente da noite.
E é precisamente aí que interessa chegar.
A France Football, no fundo, teve o bom senso de assumir que era capaz de encontrar um conjunto de argumentos para justificar qualquer vencedor. É como Groucho Marx: tem estes princípios, mas se não gostarem, ele arranja outros.
Finalmente fez-se luz, portanto.
É que estava difícil encontrar uma lógica naquela classificação final. Senão, pensem comigo.
Disseram-nos que os portugueses foram prejudicados pelo mau Mundial da Seleção. Vá, aceitemos a regra. Mas se o Mundial pesa tanto, porque é que Lamine Yamal, campeão do mundo, ficou atrás de dois jogadores que não chegaram à final? E como é que Kvaratskhelia foi o melhor jogador do PSG, se nem sequer esteve no Mundial?
Não, calma, o primeiro critério afinal é o rendimento individual: é isso que diz o regulamento da Bola de Ouro.
Então porque é que Fabián Ruiz ficou à frente de Vitinha? Aliás, que explicação pode haver para o patrão de todo o futebol do PSG bicampeão europeu não passar do 14.º lugar? E como é que Cucurella ficou à frente de Nuno Mendes? Já agora, e Bruno Fernandes, eleito o melhor da Premier League e recordista de assistências, não merecia mais do que a 27.ª posição? Quer dizer, o homem fez 21 assistências, será que o júri não viu nenhuma? Ou acha que o rendimento individual podia ter sido melhor? Ao nível, porventura, de um Upamecano?
A verdade é que cada resultado, sozinho, até pode ter uma explicação razoável. Por experiência já sabemos que a France Football arranja argumentos para qualquer um.
Harry Kane ganhou pelos golos. Lamine Yamal perdeu apesar dos títulos de campeão de Espanha e do Mundo. Mbappé ficou no meio sem precisar de nenhum dos dois.
O problema aparece no fim, quando se tenta juntar tudo numa única lógica. Aí damos de caras com a falta de coerência e percebemos que não vale a pena tentar mais. A Bola de Ouro não distingue o melhor do mundo: distingue o mais votado. É no fundo uma espécie de Festival da Eurovisão, mas de smoking. E com um ar menos absurdo, vá."

Os três grandes querem um futebol maior ou apenas ser maiores?


"O futebol português tem três clubes de enorme dimensão, com uma história que merece respeito, milhões de adeptos e uma capacidade de mobilização que ultrapassa fronteiras. Benfica, FC Porto e Sporting são referências incontornáveis do nosso desporto e protagonistas da sua afirmação internacional. Mas talvez tenha chegado o momento de colocar uma pergunta: estarão empenhados em construir um futebol português mais forte ou demasiado concentrados em garantir que continuam a ser os mais fortes dentro dele?
Defender os interesses de um clube é uma obrigação dos seus dirigentes. Mas compreender que esses interesses dependem também da qualidade, da competitividade e da sustentabilidade do futebol onde compete deveria ser uma responsabilidade estratégica.
Durante demasiado tempo, habituámo-nos a discutir o futebol português a partir das rivalidades, das disputas de influência e das vantagens imediatas. Falamos de quem ganha, de quem perde e de quem consegue impor a sua posição. Falamos bastante menos sobre aquilo que estamos a construir em conjunto. Talvez resida aí uma das nossas maiores fragilidades estruturais.
O futebol não é apenas uma competição entre clubes. É um ecossistema de interesses interdependentes.
Nenhum clube, por maior que seja, consegue criar sozinho uma competição valorizada. Precisa de adversários competitivos, estádios com público, organizações credíveis, estabilidade financeira, talento e um produto desportivo capaz de despertar interesse dentro e fora do país.
Os clubes são adversários dentro das quatro linhas, mas também parceiros na construção do espetáculo que procuram valorizar. Esta realidade, aparentemente simples, nem sempre encontra tradução nas decisões estratégicas do nosso futebol.
Um campeonato forte não se constrói apenas com três candidatos ao título. Constrói-se com clubes capazes de competir, investir com responsabilidade, desenvolver jogadores e oferecer contextos desportivos exigentes ao longo de toda a época. A competitividade não é um obstáculo ao crescimento dos grandes. É uma condição para que esse crescimento seja sustentável.
Não se trata de pedir aos clubes de maior dimensão que renunciem à sua ambição. Trata-se de reconhecer que a liderança também se exerce através da capacidade de promover consensos em matérias que ultrapassam os interesses particulares.
A valorização dos direitos audiovisuais, a organização dos calendários, a internacionalização das competições, a sustentabilidade financeira, a formação e a melhoria das infraestruturas deveriam integrar uma agenda estratégica capaz de aproximar instituições que, desportivamente, continuarão sempre a ser rivais.
Naturalmente, não podemos atribuir toda a responsabilidade aos três grandes. Seria uma análise redutora e injusta.
A Liga, a Federação e os restantes clubes têm igualmente responsabilidades na definição de prioridades, na qualidade da gestão e na construção de soluções duradouras. Não podemos exigir uma visão coletiva aos mais poderosos e aceitar que os restantes intervenientes se limitem a reclamar melhores condições sem assumirem compromissos de profissionalização, transparência e sustentabilidade.
Um ecossistema saudável exige direitos, mas também obrigações. Exige solidariedade, mas igualmente responsabilidade. Exige liderança, mas também instituições preparadas para a exercer. É nesta capacidade de conciliar interesses diferentes que se distingue uma organização madura de um conjunto de entidades que apenas partilham o mesmo espaço competitivo.
O verdadeiro desafio não é conseguir que todos pensem da mesma forma. É conseguir que todos reconheçam aquilo que têm interesse em construir em conjunto.
A formação é um exemplo evidente desta interdependência. O percurso de um jogador raramente se esgota numa única instituição. Começa muitas vezes em clubes de menor dimensão, desenvolve-se em diferentes contextos competitivos e pode culminar nos principais palcos internacionais. Cada etapa acrescenta valor.
Quando um clube formador perde capacidade de investimento, quando faltam infraestruturas ou quando os escalões competitivos deixam de oferecer condições adequadas ao desenvolvimento, não é apenas essa instituição que fica prejudicada. É toda a cadeia de valorização do talento que se fragiliza.
O mesmo raciocínio aplica-se à sustentabilidade económica. Uma Liga mais atrativa, competitiva e bem organizada poderá aumentar receitas comerciais, captar investimento, valorizar jogadores e reforçar a sua presença internacional. Mas essa ambição exige continuidade estratégica e uma visão que não se altere em função dos resultados de cada jornada. 
O futebol português precisa de deixar de confundir influência com liderança.
Ter influência significa possuir capacidade para defender uma posição. Exercer liderança significa também mobilizar outros em torno de objetivos que produzam benefícios duradouros. Os três grandes, pela sua dimensão, têm condições privilegiadas para assumir esse papel. Não porque lhes pertença a responsabilidade exclusiva pelo futuro, mas porque dificilmente conseguiremos transformações estruturais sem a sua participação ativa.
Importa que essa liderança seja acompanhada por instituições fortes, mecanismos de decisão transparentes e uma cultura de compromisso que sobreviva às mudanças de dirigentes. O nosso futebol não pode depender exclusivamente da boa vontade momentânea de quem ocupa determinados cargos. Precisa de uma estratégia partilhada, com prioridades claras, objetivos mensuráveis e capacidade de execução.
Talvez esteja na altura de substituir parte da energia dedicada às disputas institucionais por uma discussão séria sobre o futebol que queremos construir na próxima década. Que modelo competitivo pretendemos desenvolver? Como aumentar o valor das competições? Que condições oferecer aos clubes formadores? Como atrair investimento responsável e garantir maior estabilidade às organizações?
Estas perguntas não deveriam pertencer a uma direção, a um clube ou a um mandato. Deveriam integrar um compromisso transversal com o futuro do futebol português.
Não precisamos de eliminar rivalidades. Fazem parte da identidade e da riqueza do nosso futebol. Precisamos de distinguir os momentos em que devemos competir daqueles em que temos a obrigação de cooperar.
Porque a verdadeira dimensão de um clube não se mede apenas pelos títulos que conquista, pelas receitas que gera ou pelos adeptos que mobiliza. Mede-se também pela capacidade de contribuir para o desenvolvimento do contexto em que está inserido.
Benfica, FC Porto e Sporting não precisam de ser menos grandes para que os outros possam crescer. Precisam de compreender que a sua própria grandeza pode ser reforçada por um futebol português mais forte.
O futebol português não precisa apenas de clubes cada vez maiores. Precisa de clubes capazes de tornar maior o futebol português."