Mais uma vitória, que devia ter sido tranquila, mas não foi... pelos condicionalismos do calendário, com a sobrecarga de jogos, a obrigar uma rotação praticamente total, mas também por um erro parvo numa saída de bola! E foi parvo, não por culpa do Enzo, mas por culpa duma equipa que ainda não percebeu adaptar as decisões de jogo, aos momentos específicos do jogo!
Mesmo sem grande velocidade e com pouca intensidade, a superioridade do Benfica no 1.º tempo foi avassaladora. O adversário só incomodava nas bolas paradas, de resto o domínio posicional do Benfica foi evidente... Marcámos no arranque, e podíamos ter chegado ao intervalo, com uma vantagem segura, mas desperdiçamos alguns golos...
O 2.º tempo, começou de forma parecida, mas com os minutos a passar, com a vantagem mínima, o adversário começou a arriscar um pouco mais, e com o cansaço a aparecer, o jogo ficou perigosamente partido, com contra-ataques para os dois lados...
O Marco observou isso, e acelerou as substituições, com a 'surpresa' Enzo, de regresso após uma paragem longa. Mas foi novamente o Prestianni a fazer a diferença, marcando o 2-0 e teoricamente 'matando' o jogo! Só que momentos depois o 'erro' e o golo do Lech, dando esperanças ao adversário!
Os adeptos ficaram nervosos, e a equipa pareceu querer complicar o que era fácil !!! Mesmo sem grandes oportunidades o Lech foi criando a sensação que podia empatar! Mais uma vez, o Benfica sentiu dificuldades em perceber os tais momentos do jogo: normalmente, os nossos adversários, começam os jogos, pressionando um dos nossos Centrais, o que permite passar a bola entre os Centrais até encontrar o passe frontal ou lateral... Mas quando os adversários, arriscam e colocam mais um jogador na pressão à nossa linha de construção mais 'atrasada', a equipa parece que fica sem saber o que fazer...!!! Arriscar o passe para o 'meio' é sempre arriscado, mesmo em bons relvados, a equipa tem que ter opções no jogo Direto...
O 3-1 só surgiu ao minuto 90, depois de muito desperdício, pelo Sudakov coroando uma excelente exibição, a '8' e depois a '10'!!!
O médio ucraniano foi eleito o MVP com justiça... Ganhámos mesmo um novo '8', para este tipo de jogos. O Manu fez um bom jogo também, mas nos duelos defensivos, não tem a eficácia do Palhinha, mas no passe frontal voltou a demonstrar boa qualidade...
Os Centrais fizeram um bom jogo também, e apesar do domínio do Benfica, tiveram trabalho... sendo que no pior período do Benfica, as 'oportunidades' do adversário, foram remates fora da área, porque não conseguiam ter vantagem na área... O Circati ainda não tem a confiança para os passes médios e longos, mas defensivamente tem estado muito bem...
Regresso do Banjaqui em boa forma, e com pulmão para os últimos minutos. Escorregou, perigosamente num lance, mas esteve bem, principalmente nos duelos defensivos, muitas vezes 1x1, principalmente no pior momento do Benfica! Karouani, começou tímido nas subidas, mas voltou a convencer-me...
O Rafa jogou como um falso Ala, pois só defendeu na Ala, com bola, jogou como um 2.º avançado. Marcou o 1.º e podia ter marcado mais alguns... mas nota-se que perdeu a 'eficácia' nas decisões que teve no início da época! O Echeverri continua a fazer muitas coisas boas, mas no momento do remate está demasiado ansioso, precisa de marcar... O Schjelderup fez um dos melhores jogos, dos últimos tempos, sem ser deslumbrante... Pelo menos percebeu melhor os tempos da partida: arriscar a finta, fazer uma combinação curta, ou simplesmente passar para trás, iniciando a mudança de flanco... algo que na Segunda com o Alverca não conseguiu fazer...
Durán, com um jogo duro, com algumas oportunidades de remate, em zonas laterais, mas 'sem bola' na zona de matador... Alguns adeptos, não gostam da forma de gesticular do colombiano, ou até da forma aparentemente 'infantil', como reage a algumas situações de jogo, mas para mim esses pormenores não são importantes. Ser avançado no Benfica não é fácil, o Pavlidis faz um trabalho incrível, jogamos com Extremos de pé trocado, raramente os nossos avançados têm bolas de encostar na área... O Durán está a adaptar-se melhor do que eu esperava... e ao contrário das teorias, parece-me que está completamente adaptado aos colegas, não cria mau ambiente, é mais um jogador a somar!
12 pontos com 4 jogos, mais 5 pontos, do que o 9.º classificado. Portanto estamos próximo do objetivo, ficar nos 8 primeiros, e evitar o Play-off. Diria mesmo, que uma vitória na Chéquia com o Plzen, e faremos 15 pontos, o que deverá ser suficiente.
Mas antes disso, vamos à Amadora. Com um relvado novo, mas provavelmente com chuva, e com vários Ladrões no apito, anti-benfiquistas até ao tutano, o Rasteira com Cabeça, o Pisa Cabeça, até no AVAR com mais uma Lagarta, e até os Fiscais são Anti's!!!
Vão regressar os titulares: Samu, Bah, Araújo, Lenglet(Circati), Dahl; Palhinha, Aursnes; Lukebakio(Rafa), Sudakov(Echeverri), Prestianni; Pavlidis. Veremos se o Lenglet recupera, o Sudakov com esta exibição pode ter ganho a posição, mas eu voltava a apostar no Echeverri, até porque o jogo vai ter características diferentes, e mesmo se o argentino não tenha pernas para os 90 minutos, o Sudakov podia ser opção para os últimos minutos... A outra dúvida 'existencial' será sempre o Dodi... depende do dia !!!
𝑱𝒐𝒈𝒐 𝒂 𝒋𝒐𝒈𝒐, mas com o troféu da Europa League sempre em mente, diz El Karouani 🏆🦅
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#DAZNEuropa https://t.co/8mwZDeVgeY
Luciano Gonçalves a dar tudo para manter os 13 mil euros mensais que lhe permitem ter uma vida com súbitos sinais exteriores de riqueza. A nomeação da dupla Nobre/Tiago Moedas não é só um provocação ao Benfica. É um pedido de aumento de Luciano, pelos bons serviços prestados.
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) November 5, 2026
"1.
Tudo o que tem intervenção humana está sujeito à incompetência, ao erro e à aldrabice.
2.
Ora a avaliação pelo VAR dos lances de fora de jogo tem vários momentos de decisiva intervenção humana: na escolha do frame, na escolha dos pontos de referência e na colocação das linhas. Todos estes fatores, se mal executados, valem muitos, mas mesmo muitos centímetros no relvado.
3.
Olha-se para as imagens que foram divulgadas de dois lances de fora de jogo da última jornada e não há como não perguntar:
Como é que o jogador do Porto no primeiro golo contra o Académico de Viseu está em jogo 7 centímetros se a imagem aponta para fora de jogo?
Como é que o jogador do Alverca está apenas 5 centímetros fora de jogo se tem o corpo claramente à frente do último defensor do Benfica?
4.
A verdade, que me lembre, é que não vemos disparidades destas acontecerem nos jogos europeus.
5.
É urgente a adoção da tecnologia semi automática do fora de jogo, muito mais fiável, e é urgente a introdução da auditoria independente ao trabalho do VAR, para que o erro não passe impune e a aldrabice possa ser verdadeiramente punida.
6.
O que é que te parece dos dois mais flagrantes lances de fora de jogo da jornada 10 da liga? Houve incompetência, erro ou aldrabice? Ou será que estas duas avaliações - no Dragão e na Luz - estão corretas?"
"A trágica morte de Jesús de Miguel ensina-nos que é tempo de pensarmos duas, três ou quatro vezes antes de aplicarmos termos bélicos como se fossem palavras inofensivas
Tiro, disparo, guerra, batalha, liquidar. Se a inteligência artificial fosse o que já dizem dela, provavelmente dar-me-ia uma lista de quantas vezes usei termos bélicos em textos assinados por mim nos últimos 31 anos, tantos quantos levo de vida profissional. Não estou a queixar-me da minha parca importância para os algoritmos universais (enquanto assim for Aleluia!), antes a conceder que caí — e caio — nesta tentação de transformar a linguagem da guerra e do conflito em forma corrente de comunicar ideias e pensamentos. Como se a Humanidade só soubesse viver em guerra.
Trucidar, bombardear, aniquilar, esmagar. Tudo termos que estamos habituados a ler, ouvir e escrever quando falamos de desporto, sobretudo de futebol. Escrevemos e lemos sem pensar que esta normalização conduz a formatações mentais e interpretativas muito pouco bonitas. Isto parece politicamente correto e é. Mas por alguma razão se chama «correto» a algo que felizmente tem ganho espaço no panorama sócio-político. É WOKE? Não chega a tanto, mas se fosse também estaria bem.
Dizimar, arrasar, matar, bala, canhões. São tantas e tão variadas as aplicações em território aparentemente neutro e inocente que nos esquecemos do verdadeiro significado das palavras. Acontece que cada uma delas — estas e as outras palavras todas — têm um significado literal que por mais que as retiremos do contexto não deixam de transportar com elas. E nós crescemos a ouvir que «trucidar» ou «esmagar» um adversário, se possível com vários «tiros certeiros» durante um jogo, é uma coisa boa. Não é.
Assassino. Esta semana é a mais perigosa das imagens ou analogias que podemos imaginar. Em Espanha, um futebolista morreu na sequência de um choque com outro. Foi um lance muito infeliz numa prática desportiva. Nunca um assassínio. Convido todos a lerem o texto do Jorge Pessoa e Silva, abaixo, para perceberem o que não sei explicar com palavras tão bonitas como as dele.
PS — E não, não vamos colocar aqui o vídeo do momento fatídico."
"Num simples fósforo duas vidas destruídas: a de Jesús de Miguel, que a perdeu, e a de Jesús Owono, condenado a uma psisão perpétua.
Há momentos que expõem, com uma violência absolutamente desconcertante, a ilusão de permanência sob a qual vivemos. A vida pode mudar no tempo exato de riscar um fósforo e apagar num sopro involuntário tudo o que parecia eterno. Como desabafou Alberto Camus, muitas vezes o terrível não é o fim, é a rapidez com que a cortina desce a meio da peça. E desceu tragicamente cedo e rápido na vida de Jesús de Miguel, que esbarrou na morte por um choque num jogo de futebol. Mas também na vida do guarda-redes Jesús Owono, cuja vida ficou marcada para sempre.
Foi imprudente? Claro que foi. Como muitos outros na emoção de um jogo. É assassino? Sabemos que não. Tal como sabemos que a pena maior que Owono vai ter de cumprir nem seria a de morte por negligência como muitos estão a pedir em Espanha. Essa não chegaria a meia dúzia de anos. Pena maior é ter todos os dias a imagem do lance na cabeça. Todos os dias perguntar-se porque abordou o lance daquela maneira. Todos os dias imaginar que um só segundo teria dado outro desfecho. Todos os dias vai adormecer a desejar acordar no dia seguinte e concluir que foi apenas um pesadelo. Todos os dias vai olhar ao espelho e saberá que provocou a morte a uma pessoa.
Já tinha lido sobre Jesus Owono devido a deveres jornalísticos e paixão por África. Aos quatro anos deixou a Guiné Equatorial com a família e mudou-se para o país basco. No futebol revelou-se um talento precoce, com estreia na seleção aos 17 anos, depressa se assumindo como titular e herói nacional. Mas foi a nível pessoal que Jesus Owono me cativou. Pelas reflexões nas entrevistas mais longas e intimistas. Pela forma como aborda a natureza ingrata e isolada da posição. A baliza como metáfora da condição humana: a efemeridade do sucesso; aprender a lidar com o erro sem permitir que o defina; um exercício diário de humildade e confronto com o ego, onde a linha entre ser herói ou vilão dura frações de segundo a ser ultrapassada. A baliza como um lugar de solidão, reflexão e autoconhecimento, onde a mente precisa de estar silenciosa perante o ruído.
Antes da titularidade, o banco de suplentes onde alinhou o pensamento com uma filosofia estoica de aceitar o papel secundário sem ressentimento, aproveitando para melhorar, crescer, saber esperar e respeitar os colegas e as decisões dos treinadores. E também o futebol como uma paixão e profissão, nunca uma identidade.
Owono tem também refletido muito sobre a riqueza da multiculturalidade, no seu caso entre as raízes africanas e a realidade europeia, mas fortemente identitária como aprendeu no País Basco. E assume o dever moral de gratidão, relativizando as pressões do futebol em confronto com as lutas reais de sobrevivência das pessoas. De que lhe vale isso agora? De que forma irá mudar?
Numa fração de segundo, um só fósforo queimou duas vidas. Jesús de Miguel perdeu-a. A vida dos entes queridos mudou para sempre abrindo- se uma cratera infindável de vazios. Cruel. Um absurdo que não se explica. O outro Jesús ficou marcado. Para sempre.
Somos convocados a ser mais do que espectadores desta história. A fazer mais do que partilhar imagens e exigir condenações sumárias. Não estamos na plateia da vida. Estamos no palco. Convocados à titularidade a cada jogo, sabendo que, por vezes, chega ao fim muito cedo e de forma abrupta. Daqui resulta a necessidade de sugarmos o máximo do que a vida tem para nos dar; prepararmos o caminho para podermos dizer um dia «valeu a pena»; tomar a melhor decisão a cada momento. Uma delas será a última."
"O Benfica recebe o Lech Poznan às 20h00 no Estádio da Luz. Este é o destaque da BNews.
1. Somar mais um triunfo
Marco Silva salienta a relevância de um bom percurso na fase de liga da Liga Europa: "Queremos e iremos lutar – e temos vindo a lutar e iremos continuar a fazê-lo – pela qualificação direta. É muito importante não acrescentar dois jogos de play-off a um calendário já muito sobrecarregado da nossa parte."
2. Em busca do sucesso
Kamiński partilha o que sente por defrontar o clube onde foi formado e define a prioridade: "Será um jogo muito especial para mim. Estou aqui pelo treinador, pelo Clube e pela equipa, porque, para mim, o mais importante é o Benfica. Queremos, naturalmente, conquistar algo especial nesta época e precisamos de todos."
3. Chamadas internacionais
Anísio, Aursnes, Bah, El Karouani, José Neto, Prestianni e Schjelderup estão convocados por seleções nacionais.
4. Calendário
O jogo entre Benfica e FC Porto das meias-finais da Taça da Liga é em Leiria, no próximo 5 de janeiro, às 20h15.
5. O sonho do Vasco
Uma iniciativa do Futebol Profissional e da Fundação Benfica.
6. Na 3.ª eliminatória
O Benfica venceu o Pafos por 1-3 e está apurado para a 3.ª eliminatória do caminho dos campeões da UEFA Youth League.
7. Apurado
O Benfica garantiu a qualificação para a próxima fase da EuroCup Women de basquetebol ao vencer o Saarlouis Royals por 52-61.
8. Outros resultados
Em basquetebol no masculino, o Benfica ganhou por 97-76 ao LANDAU Lions na 5.ª jornada da fase de grupos da FIBA Europe Cup.
A equipa feminina de voleibol foi afastada da CEV Volleyball Challenge Cup Women pelo Olympiacos (2-3 na Luz).
A equipa feminina de futebol ganhou por 0-1 na visita ao Torreense.
9. Sessão de autógrafos
As glórias do Benfica Shéu e Carlos Manuel estarão na Benfica Official Store do Vasco da Gama, em Lisboa, entre as 14h00 e as 15h30 de hoje, para uma sessão de autógrafos.
10. Sorteio
Já são conhecidos os adversários do Benfica nos oitavos de final e nos quartos de final da UEFA Futsal Champions League.
11. Entrevista
Em entrevista à Benfica FM, Sofia Moncóvio falou sobre a conquista da Elite Cup."
Contra uma equipa teoricamente muito superior, com uma jogadora muito acima do nível de todas as outras, perder dois jogos por 2-3, após estar em vantagem nos dois... perder hoje, Set's, depois de estar com boas vantagens, já perto do fim do Set, deixa no ar o sentimento de frustração... Mas quando se dá tudo...
Depois do desaire na última jornada, uma vitória, num bom jogo, consistente, desta vez com uma respeitável percentagem nos Triplos e isso fez a diferença...
Na próxima semana teremos na minha opinião o jogo decisivo na Luz. Vamos receber os dinamarqueses do Bakken e se repetirmos a vitória do jogo fora, garantimos a qualificação!
Mais uma vitória Europeia, apesar duma 2.ª parte, bastante fraquinha ofensivamente, mas o fosso cavado no 2.º período foi suficiente para manter a liderança! Mas a equipa mereceu a presença duma Claque nas bancadas, tão longe de casa...!!!
Depois da goleada na Luz, a viagem a Chipre seria sempre tranquila... e ainda marcámos logo de entrada!!! Mesmo sem alguns jogadores, que ficaram em Lisboa...
Na próxima ronda vamos defrontar o Dínamo Zagreb, um adversário dum nível bastante superior ao Pafos.
Gustavo Correia voltou a ser nomeado para apitar um jogo da Primeira Liga. E, mais uma vez, em Famalicão, onde realizou uma das atuações que mais adulterou a verdade desportiva e tirou a Liga dos Campeões ao Benfica. E falsificou um relatorio. Vai apitar o oitavo jogo, esta época
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) November 4, 2026
"Em finais de setembro, Frederico Varandas garantiu que Rui Borges era para continuar no Sporting. Um mês depois, o treinador está de saída e Paulo Fonseca é apontado como sucessor. Pelo meio, jornais e televisões entretiveram-se durante semanas com notícias sobre a continuidade do treinador, críticas ao seu trabalho e informações que iam tornando a permanência cada vez mais difícil.
Varandas, que renovara com Rui Borges até 2028, deixou correr. A confiança anunciada em público não chegou sequer a novembro, o que, para uma garantia presidencial, é um prazo de validade curto.
Segundo as notícias, Rui Borges sentiu-se traído quando percebeu que o presidente já mantinha contactos com Paulo Fonseca. E tem a sua lógica.
Tinha ganho títulos, renovado contrato e ouvido que fazia parte dos planos para o futuro. Enquanto preparava os jogos seguintes, descobriu que esse futuro estava a ser discutido com outro treinador. E ontem o Sporting disputou um jogo da Liga dos Campeões com um treinador interino. Uma situação difícil de conciliar com a imagem de organização e estabilidade que Varandas tanto gosta de cultivar.
Durante anos disseram-nos que no Sporting nada era deixado ao acaso, que as decisões chegavam sempre na hora certa e que Varandas era o modelo da gestão desportiva. Depois de Amorim sair para o Manchester United, vieram João Pereira, Rui Borges e, possivelmente, Paulo Fonseca. Três escolhas para o banco num clube que investiu cerca de 120 milhões de euros em reforços e perdeu vários jogadores importantes da equipa campeã.
Se Fonseca chegar, será o oitavo treinador da presidência de Varandas, contando com os interinos. Amorim ocupou quase cinco anos desse período, o que ajuda a perceber a rapidez com que os restantes passaram por Alvalade.
O mais extraordinário é que isto parece não levantar as dúvidas sobre o projeto desportivo que acompanham quase todas as mudanças de treinador no Benfica. Há comentadores capazes de passar semanas a explicar a falta de estratégia de Rui Costa e que, perante o Sporting, encontram sempre uma razão para justificar a decisão seguinte.
No Benfica, mudar de treinador é sinal de que não existe um projeto. No Sporting, é o projeto que exige mudar de treinador. A diferença não está propriamente nas decisões dos presidentes, mas na facilidade com que alguns comentadores mudam os critérios de avaliação.
Também seria interessante perceber por que razão as remunerações de Varandas despertam tão pouca curiosidade. O presidente viu o seu vencimento aumentar significativamente e os prémios podem elevar, ainda mais, o valor anual recebido. Experimentem imaginar Rui Costa a fazer o mesmo, depois de investir dezenas de milhões em jogadores e de trocar um treinador a quem tinha renovado contrato.
Rui Borges não era um treinador acabado de chegar a Alvalade. Foi escolhido por Varandas, ganhou o campeonato e a Taça de Portugal, renovou contrato e recebeu garantias públicas de continuidade. O presidente podia ter decidido mudar de treinador e assumido essa decisão perante quem contratou. Preferiu deixar que as notícias se acumulassem enquanto, segundo foi noticiado, procurava um substituto. A forma como este processo foi conduzido diz bastante sobre a gestão de Varandas e merecia uma discussão muito mais exigente do que aquela a que temos assistido.
No sábado, o Benfica realizou a sua Assembleia Geral. As contas foram aprovadas por 73,68% dos votos, com um resultado positivo de 23,9 milhões de euros. O clube continua a demonstrar vitalidade associativa e capacidade financeira, mas houve duas matérias nas intervenções de Rui Costa que considero particularmente importantes para o seu futuro: a relação com Pedro Proença e a centralização dos direitos televisivos.
Sobre Pedro Proença, Rui Costa deixou claro que o Benfica não está subordinado ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
O Benfica apoiou a sua candidatura, mas isso não obriga a concordar com todas as decisões que venha a tomar. Também considero acertada a opção de trabalhar nas instituições, apresentando propostas concretas para melhorar a arbitragem, em vez de alimentar uma guerra pública a cada jornada.
O Benfica já apresentou medidas sobre nomeações, avaliação dos árbitros e transparência do VAR. Importa agora que a Federação responda e que as mudanças deixem de ser sucessivamente anunciadas para começarem finalmente a ser concretizadas.
Quanto aos direitos televisivos, a centralização não pode fazer-se à custa do Benfica, responsável por uma parte muito significativa das audiências e das receitas do futebol português. Esperar que o clube aceite perder dinheiro para financiar uma distribuição mais favorável aos outros dificilmente terá apoio entre os benfiquistas. Há quem veja nisto a defesa de um privilégio. Eu vejo a defesa daquilo que o clube vale e gera, e acho que Rui Costa fez bem em afirmar que está disposto a utilizar todos os meios para impedir um acordo que o prejudique.
Uma Liga mais competitiva interessa ao Benfica, mas a competitividade não se constrói penalizando quem mais contribui para o valor comercial da competição. O futebol português precisa de aumentar receitas, melhorar as competições e atrair público. Redistribuir o dinheiro que já existe não resolve, por si só, os problemas financeiros dos restantes clubes.
A centralização deve servir para valorizar o campeonato e criar condições para que todos possam beneficiar desse crescimento, respeitando a dimensão e o contributo de cada um. Rui Costa fez bem em deixar claro que o Benfica não aceitará qualquer modelo apenas para facilitar um acordo. O clube tem peso suficiente para exigir uma negociação que respeite os seus interesses e não deve abdicar dele."
"Depois de mais um jogo tranquilo no qual confirmou a presença na fase final da Taça da Liga, o encontro com o Alverca foi muito mais exigente e precisou de um Benfica diferente daquele que nos tem habituado para ganhar. Não tanto na qualidade de jogo, que foi aparecendo, mas pela forte, surpreendente até, se olharmos para a classificação, oposição de um adversário que soube defender com muitos e atacar com outros tantos, beneficiando da qualidade de três fortes avançados. Não se percebe porque Chiquinho ainda está no Alverca. Puseram à prova um meio-campo que denota algum cansaço (a falta que Enzo Barrenechea e Barreiro fizeram para refrescar mais cedo!) e uma defesa que nem sempre se adaptou à força física de uma equipa que não tem medo de a exibir. Parabéns ao Alverca que, apesar de ter saído sem pontos, proporcionou um excelente jogo, honesto, corrido, de qualidade e que prendeu os espectadores até ao último minuto.
Num jogo em que o apoio do público, ausente no primeiro jogo da Liga, foi essencial, Marco Silva mexeu mais uma vez bem na equipa e a entrada de Echeverri foi importante para dar mais qualidade no último passe e recolocar Prestianni na esquerda, onde se sente melhor. Foi daí e de uma combinação entre os dois que resultou o segundo lance duvidoso na área do Alverca, que, ao contrário do empurrão a Pavlidis, foi sancionado. Uma palavra merecida ainda para o cada vez menos "miúdo" Samuel Soares, que num final sempre difícil e onde um erro pesa, soube manter a tranquilidade e o habitual bom jogo de pés. Quinta-feira há mais na certeza de que, mesmo sendo um jogo diferente, este deu pontos iguais e a mesma crença que a equipa está ainda a crescer."
"Na próxima 6.ª feira Jorge Jesus anunciará os convocados para a Seleção Nacional. O nome de Cristiano Ronaldo será a questão central do anúncio do treinador português.
O nome «Advogado do Diabo» inspira-se na expressão popular, mas sobretudo na antiga figura da Igreja Católica, o «Promotor Fidei». Tinha a função pouco agradável, mas indispensável, de contestar canonizações, procurar falhas e testar provas: impedir que a devoção substituísse o rigor e olhar para além do óbvio. É algo de que o futebol sempre precisa.
Na próxima 6.ª feira conheceremos a nova convocatória de Jorge Jesus (relembro a relação pessoal e profissional que nos une, declaração de interesses que aqui sempre vigorará, quando se imponha). Os factos são conhecidos: CR7 foi sancionado pela FPF com 30 dias de suspensão e 255 euros de multa por ter abandonado, sem autorização, o estágio da Seleção na Dinamarca. A sanção termina antes dos jogos de 14 e 17 de novembro. Por isso pode ser convocado e jogar, se o treinador quiser, o jogador aceitar e ambos forem coerentes com o que assumiram: o interesse de Portugal acima de tudo.
Encontro meia dúzia de razões sólidas para o «Sim»:
1. Seria a reabilitação mais rápida da sua imagem perante a nação;
2. Fecharia o ciclo disciplinar com humildade e respeito, em vez de prolongar uma polémica que extravasou em muito o episódio de ter aquecido e não entrado;
3. Seria uma demonstração de liderança altruísta, com o coletivo acima do mal-estar pessoal;
4. Ronaldo não precisa de provar que é histórico, mas de reconstruir pontes com o povo português, de quem se sente afastado e menos valorizado do que gostaria (e merece). A comparação com Messi e a Argentina dói-lhe, e com algum fundamento emocional. Mas o povo não se reconquista com comunicados: reconquista-se com presença, golos, esforço, generosidade e humildade;
5. Está à porta de marcas e recordes eternos, que viverão muito melhor na História se alcançados com e por Portugal;
6. A melhor resposta às críticas sobre compromisso é comparecer, ajudar dentro e fora de campo e ser exemplo para os mais novos.
E o «Não»? Só encontro uma razão real: o orgulho. Por isso mesmo, deve ser dominado por ambos.
A questão já não é se a relação pessoal voltará a ser a de antes (conhecendo ambos, dificilmente voltará). É se pode existir uma relação profissional funcional entre treinador e jogador, pois o grupo já deu os sinais que devia. Exige-se uma conversa franca, direta e brutalmente honesta: sem intermediários, sem fugas para a imprensa, sem mensagens cifradas.
A FPF, Jorge Jesus e o balneário também têm obrigações. Ronaldo terá de sentir respeitado o seu estatuto de capitão e referência; não se pede a um homem como ele que aceite ser mais um nome na lista. Mas o estatuto não é um cheque em branco: o coletivo está sempre acima do individual. Um capitão é respeitado não porque impõe condições, mas porque aceita as regras do grupo e eleva quem o rodeia."
"Em 2030, o Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA será disputado em três países e dois continentes. Portugal, Espanha e Marrocos serão os anfitriões da competição, com as celebrações inaugurais do centenário do torneio a decorrerem no Uruguai, na Argentina e no Paraguai. Será o evento mais complexo alguma vez organizado no futebol e, para os países anfitriões, um dos maiores programas de investimento público da década: estádios, transportes, segurança, infraestruturas digitais e hotelaria.
Passei grande parte da minha carreira a acompanhar eventos desta dimensão a partir de uma perspetiva diferente. Enquanto Diretora para a Europa da ONU Turismo e, mais tarde, à frente do organismo nacional de turismo de Itália, vi cidades candidatarem-se, vencerem, construírem, celebrarem e, depois, viverem com as consequências. Algumas saíram reforçadas, com novas competências, melhores ligações e uma reputação que continuou a atrair visitantes e investidores durante décadas. Outras ficaram com equipamentos vazios, contratos contestados e cidadãos que ainda hoje associam a palavra «evento» ao desperdício.
O que distinguiu, repetidamente, estes dois desfechos foi a qualidade da governação.
É neste ponto que a integridade no desporto se cruza com a economia dos territórios. Quando falamos de integridade no desporto, pensamos, antes de mais, na manipulação de resultados, no doping, nas apostas ilegais ou nos abusos de poder no seio das federações. Tudo isso é extremamente importante. Mas um megaevento alarga o perímetro da integridade muito para além das quatro linhas. Abrange a contratação pública, o ordenamento do território, as condições laborais, os direitos dos residentes, a gestão da bilhética e da hospitalidade, os fluxos financeiros entre patrocinadores, organizadores e intermediários. Cada uma destas áreas pode reforçar ou comprometer a confiança. E, quando se perde, a confiança deixa marcas duradouras na reputação de um país.
Há três lições que me parecem relevantes muito para além da Península Ibérica e do Norte de África.
A primeira é que a integridade tem de estar incorporada no projeto desde o início, a partir da própria candidatura. As promessas feitas para conquistar o direito de organizar uma competição transformam-se em compromissos perante os cidadãos. Critérios transparentes, orçamentos públicos, regras claras sobre conflitos de interesses e mecanismos de supervisão independente têm custos reduzidos quando são estabelecidos desde o início, mas a sua ausência pode sair muito cara. O momento de instituir estas salvaguardas é antes da assinatura do primeiro contrato.
A segunda lição é que a verificação é mais importante do que as declarações de intenção. É fácil redigir códigos de ética. O que gera credibilidade é a disponibilidade para aceitar uma avaliação independente, com base em padrões comuns. É esta a lógica subjacente aos Standards Universais da SIGA e ao seu Sistema de Avaliação e Verificação Independente (SIRVS): tornar a integridade mensurável, comparável e, por isso, passível de melhoria contínua. As empresas de serviços profissionais, incluindo aquela de que faço parte, têm aqui um papel natural a desempenhar, trazendo para o desporto o mesmo rigor em matéria de garantia de conformidade, gestão de risco e transparência que os mercados já exigem às empresas.
A terceira lição é que o legado é, também ele, uma questão de integridade. Habitualmente, medimos o sucesso de um evento pelo número de bilhetes vendidos, pelas audiências televisivas e pelos visitantes que as cidades anfitriãs recebem durante a competição. Esses indicadores são importantes, mas dizem-nos pouco sobre aquilo que permanece. Um legado digno desse nome traduz-se em infraestruturas que continuam a ser úteis, dinheiros públicos devidamente escrutinados, empresas e comunidades locais que beneficiam, mais jovens a praticar desporto e um país anfitrião cuja reputação sai reforçada depois do apito final, por comparação com o momento anterior ao jogo inaugural. Se queremos resultados diferentes, temos de medir coisas diferentes: o que fica e para quem fica.
Portugal conhece bem o poder do desporto para moldar a forma como um país é visto no mundo. O Euro 2004 continua a ser recordado como um momento de orgulho nacional. Com 2030 no horizonte, Portugal tem a oportunidade de demonstrar, em conjunto com Espanha e Marrocos, que um Campeonato do Mundo pode tornar-se uma referência não apenas no futebol, mas também em matéria de integridade: transparente nas decisões, rigoroso na prestação de contas e generoso no legado que deixa.
A responsabilidade é partilhada. Organismos desportivos, governos, cidades anfitriãs, patrocinadores, operadores de televisão, operadores de apostas e consultores detêm, cada um, uma parcela da confiança que confere valor ao desporto. Nenhum deles consegue protegê-la isoladamente. É precisamente por isso que existe uma aliança como a SIGA: para reunir todos estes intervenientes à mesma mesa, em torno dos mesmos padrões de integridade.
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A confiança é o ativo mais valioso do desporto. Os megaeventos podem multiplicá-la ou consumi-la. A escolha faz-se muito antes do pontapé de saída."