Últimas indefectivações

domingo, 10 de maio de 2026

Arranque com vitória...

Benfica 90 - 72 Braga
24-19, 22-16. 24-24. 20-14

Início do Play-off, com uma vitória normal, sem o Markam... Apesar da diferença, acabámos o jogo com 11% nos Triplos 3/27!!! Acabámos por 'ganhar' nos Lances Livres!!!

Eliminação...

Benfica 3 - 4 Barcelona

Incrível como é que esta equipa, em praticamente duas épocas, ganha quase todos os jogos nas 'fases regulares', mas quando chega aos jogos decisivos, não ganha um !!!

Mais um filme já visto, procuramos mais o golo, o adversário sempre mais fechadinho, mas a marcar e nós sempre a correr atrás do prejuízo!

Vitória...

Benfica 32 - 29 Corruptos
18-15

Finalmente, uma vitória num jogo grande, numa altura que já não importa, mas é sempre uma vitória! Vários regressados após lesões, algumas prolongadas... mesmo assim, ainda falta o Valencia!

Juvenis - 13.ª jornada - Fase Final

Benfica 8 - 0 Real Massamá
Nunes, Ferreirnha(2), Almeida, Vieira, Gomes, Inoussa(2)


Mais uma goleada...

Iniciados - 12.ª jornada - Fase Final

Estoril 0 - 7 Benfica
Neves(4), Cavaco(2), G. Tavares


Goleada matinal...

Bola na Trave FM: 🚨 Algo Grande Está Prestes a Acontecer

Opiniões daltónicas!

É para ganhar...

O Benfica Somos Nós - União BENFIQUISTA

O silêncio dos protagonistas e o ruído dos figurantes


"O futebol moderno tem uma estranha incapacidade para lidar com o silêncio. O vazio incomoda-o. Obriga-o a pensar. E pensar é perigoso numa indústria que vive da ansiedade, da urgência e da necessidade permanente de fabricar capítulos novos, mesmo quando a história está parada. Por isso, quando se juntam três elementos explosivos — Benfica, Real Madrid e José Mourinho — nasce automaticamente uma novela. Não interessa se existem provas concretas, negociações avançadas ou decisões tomadas. Basta a possibilidade. No futebol, as hipóteses também fazem manchetes.
E esta hipótese específica tem um combustível emocional poderoso. O Real Madrid olha para Mourinho como os velhos impérios olham para antigos generais: homens que conhecem os corredores do palácio, as guerras internas e a pressão impossível de sobreviver sem cicatrizes. Florentino Pérez pode cometer muitos erros, mas raramente esquece quem lhe deu batalhas dignas do tamanho do clube.
E Mourinho deu.
Num tempo em que o Barcelona de Guardiola parecia uma experiência científica destinada a humilhar o resto da humanidade futebolística, Mourinho foi o homem que devolveu resistência ao campeonato espanhol. Não ganhou sempre. Nem podia. Mas devolveu conflito a uma liga que ameaçava transformar-se num monólogo catalão. O seu Real Madrid teve nervo, fúria, personalidade e uma agressividade competitiva que obrigou o Barcelona a deixar de jogar sozinho. Às vezes, no futebol, há treinadores que ganham títulos. Outros ganham respeito histórico. Mourinho conseguiu as duas coisas.
Depois houve este reencontro europeu. O Benfica esmagou o Real Madrid na Luz, no jogo da fase regular, e a memória voltou a dominar Madrid. Não apenas a memória do treinador vencedor, mas a memória do treinador que sabia transformar equipas em estados emocionais. E isso pesa. Mais ainda num clube traumatizado por decisões erradas recentes.
O problema do Real Madrid não tem sido apenas perder jogos e ver o Barça a dominar novamente. É, mais do que isso, a perda de autoridade. A escolha de Arbeloa revelou-se precipitada e a saída apressada de Xabi Alonso agravou ainda mais a sensação de desorientação. O clube ficou sem liderança técnica, sem estabilidade emocional e sem capacidade para controlar um balneário onde cada ego tem o tamanho de uma multinacional. E quando o Real Madrid entra em desordem, procura sempre figuras capazes de impor hierarquia pelo olhar.
Mourinho pertence a essa categoria. Mas uma coisa é o imaginário. Outra é a realidade. E a realidade, neste momento, é simples: não existe nada além do barulho. Jorge Mendes falou com Florentino Pérez? Naturalmente. Mourinho foi tema de conversa? Claro que foi. Como poderia não ser? Mas daí até existir uma negociação concreta vai a distância entre um rumor elegante e uma decisão estrutural.
Mourinho tem contrato com o Benfica. Tem poder dentro do clube. Tem influência junto dos adeptos. E Rui Costa sabe que, mais do que um treinador, contratou uma figura capaz de devolver músculo político e mediático a um Benfica que, nos últimos anos, tem falado demasiado baixo para o tamanho da sua história.
Ao mesmo tempo, Rui Costa também percebe o perigo. A dimensão de Mourinho nunca permite meios-termos. Se sair para Madrid, Rui Costa perde um treinador para o maior clube do mundo. É aceitável. É até defensável perante os adeptos. Mas se Mourinho ficar e voltar correr mal, então o treinador que foi fator decisivo para Rui Costa ganhar as últimas eleições, pode ser aquele que faz com que o mesmo presidente perca as próximas ou até que haja um ato eleitoral antecipado. Contratar Mourinho foi um grande tiro de Rui Costa, mas uma bala que pode fazer ricochete.
Para já, no entanto, entre os protagonistas, reina o discurso curto ou silêncio. Florentino não fala. Mourinho repete que quer ficar. Rui Costa garante estabilidade. E quando os protagonistas não alimentam a narrativa, entram em cena os figurantes. Um deles é Javier Tebas.
O presidente da La Liga manifestou o interesse no regresso de Mourinho, pensando no peso mediático do treinador e na força comercial que o mesmo poderia voltar a dar ao campeonato espanhol. Mas mete-se num assunto que não lhe diz respeito. É presidente da La Liga, não é presidente do Real Madrid.
No fundo, esta novela vive, sobretudo, daquilo que Mourinho representa. Porque o futebol continua apaixonado por regressos. Especialmente pelos regressos dos homens que já sobreviveram ao inferno e conhecem o caminho de volta."

Benfica: quanto Fulham corre nas veias de Marco Silva?


"Mourinho já está de malas feitas e o Benfica terá de escolher novo timoneiro. Marco Silva parece ser quem reúne mais consenso, porém há sempre algo mais para lá de um nome

Nem sempre as equipas são espelhos dos respetivos treinadores. E isso depende precisamente destes e do quanto estão dispostos a alterar na sua conceção do jogo para obter resultados. O trabalho de Marco Silva no Fulham, ao longo destes anos, tem sido extraordinário. É que sobreviver de forma tão tranquila na melhor liga do mundo não é mesmo para todos. Tal como o que fez no Sporting, mesmo sob liderança esquizofrénica, também merece destaque — o que pode levar um de vós a estabelecer um paralelismo do tipo foi bom apesar de... trocando apenas o nome dos presidentes. O que me parece precipitado.
Entre Alvalade e Craven Cottage, houve ainda Olympiakos, Hull e Everton, tendo na Grécia conquistado o único título de campeão nacional. Foram poucas as vezes em que teve a pressão de lutar por um campeonato e a obrigação de ultrapassar blocos baixos criados por outros Fulhams da vida. O que faz com que a resposta à questão É ou não o treinador ideal para o Benfica venha de outra: quanto realmente de Fulham há hoje em Marco Silva? A cultura do Benfica e mesmo a necessidade imposta pela textura da Liga obrigam a uma equipa dominadora em quase todos os jogos.
Ainda que ambas nocivas, há óbvias diferenças entre um presidente que se metia onde não devia como Bruno de Carvalho e um outro que não se quer meter em nada e prima pela não decisão, como tem sido Rui Costa. A Marco Silva, que ainda não sabemos se aceitaria ou não vir agora para a Luz substituir Mourinho, seria pedido um papel de manager. Não o tem tido, embora até tenha sido primeiro diretor desportivo do que treinador e até conte com um apoio que poderia ser importante, o de Mário Branco, com quem trabalhou no Estoril. Embora a exigência esteja longe de ser a mesma, talvez consiga preencher um pouco o vazio. O eco será menor, mas ainda existirá, porque o problema é bem mais profundo do que quem se senta no banco.
Marco Silva pode dizer «não». Pelo benfiquismo e pela qualidade do trabalho, sabe que o comboio Benfica passará outra vez. Talvez até numa situação mais vantajosa. Não será como com outros. E a Premier League é a Premier League. Além disso, há mais uma questão que me parece pertinente, de tão pesada que se tornou. Ainda houve aposta em Mané e em Gelson em Alvalade, mas o Benfica precisa urgentemente de ligar Academia e equipa principal. Será com ele, a quem têm pedido resultados imediatos?"

Rola Bola #67 - 1 Campeao (FC Porto ) 2 Lutam pelo segundo lugar (SCP & SLB)

Kanal: Luanda...

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Mourinho no Real ou no Benfica: quem ainda cai na novela?

Estou farto de gente estúpida


"O 'português da bola' é o cromo típico de uma coleção que tem no comportamento mais básico e quase animalesco um denominador comum sempre que o tema são as arbitragens.

Há uma abissal diferença comportamental entre o latino e o anglo-saxónico, e até entre este e o nórdico. O sul da Europa sempre foi mais acutilante nas discussões, determinado nas reações e, até, radical na expressão das opiniões. Acontece em Itália, na Turquia, na Grécia, em Espanha e, obviamente, em Portugal.
Neste extremo sudoeste da Europa continental, em parceria ibérica, há mesmo uma estranha tradição que prioriza o acessório ao essencial, o fait divers ao nuclear, o espetáculo circundante ao espetáculo consistente e verdadeiramente marcante.
Portugal é, de muito longe, o país da Europa em que mais se fala de árbitros e arbitragens no futebol. Em que rapidamente se esquecem os lances em que avançados falham de baliza aberta, em que médios não cobrem convenientemente, em que defesas não cortam no tempo certo, em que guarda-redes não cumprem os mínimos. E até se desculpam e olvidam rapidamente planos de jogo mal calculados ou substituições tardias e erradas por parte de treinadores e suas equipas multidisciplinares.
Neste particular, abro um parênteses para vos dizer que já lá vai o tempo de um treinador principal, um adjunto e um preparador físico. Admitamos um técnico de guarda-redes. Agora são múltiplas as especialidades, as especificidades, com gente para cada pormenor do treino e com áreas bem definidas de ação, por forma a conceder ao chefe de equipa todos os dados possíveis e imaginários com vista à tomada final de decisão.
Voltemos ao português comum: entre as imperiais e as sandes de couratos, no estádio, ou no remanso do sofá, à média luz e com o televisor a debitar loucos decibéis, fala de tudo e de nada, e, normalmente, escolhe a crítica fácil e básica para atacar os árbitros e as suas decisões. Protesta por tudo, e ainda mais por nada. Conhece de trás para a frente as Leis do Jogo, sabe quantas são, quais são, como se aplicam e quais as exceções de cada uma. E tem uma adenda de palavrões e más educações que não limita ao estádio ou a casa, e transpõe, qual erudito conhecedor, para as redes sociais, elemento diferenciador dos nossos dias, e que, pela globalidade e transversalidade, legitima a verborreia do entendido de sofá.
Há uma condição: a sua equipa perder. Aí abre-se, definitivamente, o livro da sabedoria e jorram os impropérios para os culpados do costume: o árbitro, os assistentes, os VAR, todos juntos ou apenas alguns, o tempo todo do jogo ou apenas em minutos e jogadas definidas.
O português da bola é o cromo típico de uma coleção que tem no comportamento mais básico e quase animalesco um denominador comum.
E uma variável muito curiosa, e de análise antropológica muito interessante: quando não são as equipas ou as seleções a atingirem patamares competitivos de excelência, e são os árbitros a conseguirem-no, é por cunha, por favor ou por compensação de comportamentos anteriores que lá estão. O mérito, essa coisa tão pouco essencial ao sucesso em tantas áreas do país, também nunca estará, evidentemente, em cima da mesa dos comentadores de pacotilha.
Sim, porque a comunicação social também tem amplas e recorrentes responsabilidades neste tipo de comportamento, pela generalização dos programas de opinião em que, invariavelmente, a arbitragem está no olho do furacão, ou pelo espaço dado nas redes a títulos enganadores e usurpadores da realidade, apenas para se conseguir mais um acesso, mais um clique para a estatística da notícia.
Se juntarmos tudo, temos os ingredientes ideais para que, por um lado, o papel dos media esteja subvertido e não seja cabalmente cumprido, e para uma influência nefasta junto do público. O das redes, então, é particularmente valente: uma foto de perfil com florzinhas, uma foto de capa de mural com o pôr do sol, um nome catita (falso, claro, que um pseudónimo é a melhor arma de um cobarde), e aleivosias e idiotices quanto-baste, chegando aos ataques pessoais e de caráter. Tudo, claro, temperado com um português de pacotilha, em que a cada frase correspondem, normalmente, dois erros crassos, de grafia ou de gramática.
Se teve a paciência de me ler desde as primeiras palavras deste texto, decerto conseguiu seguir o meu raciocínio e, na sua mente, imaginar a barriguinha de cerveja ou o cigarrito no canto da boca, os olhos esbugalhados pela perspetiva da valentia anónima de sucesso, e pela quantidade de reações quase imediatas ao ataque mais bem urdido à personalidade e à cidadania plena dos visados.
Se podemos perceber muitos alvos, os árbitros, os que são atletas de alto rendimento, os que tomam cerca de mil decisões em cada noventa minutos, os que são escrutinados ao frame e ao milímetro, os que são acusados de tudo e de tanto, os que são dos melhores da Europa e do Mundo na sua profissão, cada vez mais tecnológica e complexa, os árbitros são mesmo os que mais sofrem.
Visto assim, de longe, Portugal é o pior país para se ser árbitro de futebol, porque há dez milhões de entendidos que nem sequer sabem que, quando a bola vem de um companheiro de equipa e daí não resulta perigo emergente, não há grande penalidade, ou que não se pode dar cartão amarelo a um jogador por uma potencial infração cometida quando houve indicação de uma falta anterior.
Resumindo: estou farto de gente estúpida.

Cartão branco
Excelente presença do Sporting de Braga nas meias-finais da Liga Europa. A inexperiência paga-se caro, e foi justamente isso que sucedeu com Mario Dorgeles, que aprendeu como, no futebol, se passa de herói em Braga a vilão ante o Friburgo. Tivesse ele deixado Beste tentar o golo, e o SC Braga continuaria com onze homens em campo, ainda que eventualmente a perder por 1-0, mas com a eliminatória nivelada. Assim, condenando os minhotos a atuarem praticamente todo o jogo com menos um jogador, a coisa pendeu logo para a casa…
Mesmo assim, Carlos Vicens tem razão para estar orgulhoso: os derradeiros 20 minutos foram a melhor face de um SC Braga cada vez mais perto de um título, de cometimentos que consagrem o emblema como referência do futebol português no estrangeiro, e que continuem a merecer o apoio e a afeição de adeptos únicos, que não largam a equipa por um momento, em qualquer circunstância."

Higuita, o guarda-redes que mudou o futsal


"Há jogadores que defendem jogos. Outros que os decidem. E depois há Higuita, que não só defende e é decisivo, como sobretudo mudou a forma como o jogo é pensado.

Num fim de semana em que o futsal europeu decide o seu campeão de clubes, com o Sporting na final da Liga dos Campeões frente ao Palma Futsal, olhar para Léo Higuita é olhar para uma das maiores transformações de sempre na modalidade. Mais do que um guarda-redes, o brasileiro naturalizado cazaque tornou-se um princípio de jogo.
Durante décadas, o guarda-redes de futsal era visto como o último reduto defensivo. Higuita mudou essa lógica. Transformou a posição num espaço de criação, liderança e influência direta no jogo ofensivo.
Nascido no Rio de Janeiro, como Leonardo de Melo Vieira Leite, encontrou cedo no futsal o palco ideal para uma forma de jogar fora dos padrões tradicionais. O apelido Higuita surgiu pela semelhança com o irreverente guarda-redes colombiano, de futebol, René Higuita. Mas o tempo acabaria por mostrar que o futsal ganharia o seu próprio Higuita com uma identidade própria.
A sua afirmação acontece no Cazaquistão, primeiro no Tulpar e depois no Kairat Almaty. A partir daí, deixa de ser apenas um guarda-redes com participação ofensiva para se tornar uma verdadeira arma tática. A capacidade de jogar fora da área, de criar superioridade numérica e de participar ativamente na construção ofensiva alterou profundamente a forma de entender o jogo. O chamado guarda-redes avançado já existia, mas nunca com esta consistência, coragem e impacto competitivo. Higuita é uma versão 2.0.
Mais do que os golos, muitos deles decisivos, ou as defesas de alto nível, o que distingue Higuita é a influência coletiva. Ele obrigou as equipas a reagir. Obrigou o jogo a evoluir.
As conquistas acompanham essa inovação: múltiplos títulos nacionais, a UEFA Futsal Cup (atual Liga dos Campeões de futsal) e várias distinções individuais, incluindo cinco prémios de melhor guarda-redes do mundo. Pela seleção do Cazaquistão, ajudou a transformar uma equipa emergente numa presença constante entre as melhores da Europa.
Mas o seu verdadeiro legado não está nos troféus. Está na forma como mudou o jogo. Hoje, o futsal moderno já não se entende sem a influência do seu modelo. Os guarda-redes são mais completos, mais técnicos e mais participativos. Muitos cresceram a vê-lo assumir riscos, sair da baliza e decidir jogos com os pés.
Se Ricardinho marcou pela magia e Falcão pela arte, Higuita marcou pela estrutura. Talvez esse seja o maior elogio possível: depois dele, o jogo nunca mais foi o mesmo.
Entre aqueles que melhor o conheceram dentro de campo está Carlos Ortiz, uma das maiores referências da história do futsal mundial. Figura central do Inter Movistar e do Barcelona, onde conquistou quatro Ligas dos Campeões, e antigo capitão da seleção espanhola, com 215 internacionalizações e quatro títulos europeus, Ortiz cruzou-se inúmeras vezes com Higuita ao longo da sua carreira ao mais alto nível do futsal mundial. Sobre o impacto do guarda-redes do Kairat Almaty, não hesita em sublinhar o papel transformador que teve na modalidade: — Foi um verdadeiro pioneiro, juntamente com o Cacau enquanto treinador, na redefinição do papel do guarda-redes. Transformou-o num jogador ativo na construção e na finalização Durante muitos anos, a sua forma de jogar obrigou equipas e treinadores a adaptarem estratégias defensivas especificamente para enfrentar as suas equipas.
Ortiz recorda mesmo uma eliminatória da Liga dos Campeões frente ao Kairat:
— Obrigou-nos a treinar especificamente para o enfrentar. Tivemos que repensar profundamente muitos aspetos defensivos. Tivemos de nos adaptar ao seu estilo de jogo e encontrar novas soluções para o tentar controlar. Preparámos durante três meses uma estratégia de pressão alta pensada especificamente para anular a influência do Higuita no jogo. Curiosamente, sofremos um golo logo na primeira jogada, mas acabámos por vencer o jogo e conquistar o título europeu. A partir desse momento, começámos a utilizar essa abordagem sempre que enfrentávamos guarda-redes com características semelhantes e, mais tarde, acabámos até por adaptá-la à seleção espanhola, porque os resultados eram muito positivos.
Na síntese da sua avaliação, o antigo internacional espanhol deixa ainda uma apreciação clara sobre o legado do guarda-redes: — Uma das lendas do futsal mundial. Um grande guarda-redes que domina aspetos que outros não dominam. Brilhante no jogo com os pés e muito forte entre os postes. Talvez não valorizemos suficientemente o quão bom ele é enquanto guarda-redes por tudo aquilo que acrescenta ao jogo da sua equipa como mais um jogador. A sua forma de jogar obrigou-nos a todos a sermos melhores. Foi um orgulho competir tantas vezes contra ele.
O impacto de Higuita no futsal moderno não se limita às vozes da Europa. Também do outro lado do Atlântico, Marquinhos Xavier, selecionador do Brasil e atual campeão do mundo, destaca o impacto estrutural de Higuita no jogo moderno. Para o técnico brasileiro, enfrentar Higuita exige uma preparação muito específica, tanto no plano tático como mental:
— Enfrentá-lo exige um nível de concentração tática e mental muito elevado. O principal cuidado que a nossa equipa sempre teve era a gestão da ansiedade na marcação. Como ele joga praticamente como um quinto jogador de campo, criando superioridade numérica constante no ataque, a defesa não pode perder a organização nem se precipitar na pressão.
Marquinhos sublinha ainda a importância da leitura de jogo para lidar com a sua influência constante:
— É essencial termos uma leitura muito clara dos momentos: quando pressionar para o forçar ao erro e quando baixar linhas para fechar os espaços de passe e, sobretudo, de finalização, já que ele tem um remate muito potente de média distância. Outro ponto fundamental é a transição defensiva. Qualquer erro ofensivo ou perda de bola pode significar uma aceleração imediata do jogo por parte dele, quer com os pés quer com as mãos. Por isso, o equilíbrio da equipa e a disciplina são fundamentais.
E não tem dúvidas na definição:
— É um guarda-redes revolucionário. Não é apenas um excelente defensor da baliza, com reflexos rápidos e grande envergadura, é também um verdadeiro construtor de jogo. Ele quebrou por completo o paradigma tradicional da posição e obrigou o futsal mundial a adaptar-se a uma nova forma de jogar. A sua principal característica é a coragem aliada à enorme qualidade técnica. Tem uma visão de jogo de um fixo ou de um ala construtor, uma precisão de passe extraordinária e uma confiança inabalável para assumir riscos fora da sua área. Além disso, é um líder nato, que contagia tanto a seleção do Cazaquistão como os seus clubes com uma energia competitiva muito forte. O Higuita não se limita a defender a sua equipa, ele também ataca o adversário. É, sem dúvida, um dos nomes que ficará marcado para sempre na evolução tática do nosso desporto.
Luizinho Cruz, treinador de guarda-redes que trabalhou com Higuita durante cerca de uma década no Kairat e na seleção do Cazaquistão, reforça a mesma ideia. O primeiro contacto, ainda no Brasil, já revelava um perfil fora do comum: confiança, risco e participação ativa no jogo ofensivo. Mas a verdadeira transformação acontece na Europa, onde passa a ser decisivo em equipas de topo:
— Deixa de ser apenas um guarda-redes integrado para se tornar um jogador decisivo. Influencia o ritmo, a posse e a construção. Para o treinador, o segredo está no equilíbrio: — Ele defende e ataca com a mesma intenção competitiva. Com eficácia. Transforma cada intervenção numa vantagem coletiva.
Para o próprio Higuita, o futuro da posição já não é projeção, é realidade:
— O futuro é hoje.
A inclusão do guarda-redes na construção e nas transições tornou-se, segundo o brasileiro, uma exigência do futsal moderno. A participação ativa na criação de superioridade e na progressão ofensiva é já estrutural.
Ao mesmo tempo, reconhece a evolução física da posição:
— O jogo está mais rápido, mais vertical e mais físico. Exige mais velocidade e capacidade de decisão em transição.
Ainda assim, acredita que a evolução será inevitável:
— Dentro de alguns anos, todos os guarda-redes terão de dominar esta função.
No futsal contemporâneo, há quem defenda, quem marque e quem organize. Mas há também quem transforme tudo ao mesmo tempo. Higuita pertence a essa raríssima categoria.
Num jogo cada vez mais rápido, complexo e exigente, não acompanhou apenas a evolução da modalidade: empurrou-a para a frente. E quando um guarda-redes passa a ser também um princípio de jogo, deixa de pertencer apenas à sua posição. Passa a pertencer à história.
Para fechar, e olhando para o palco onde este fim-de-semana se decide mais um campeão europeu, fica também a referência a quem procura escrever a sua própria história: o Sporting CP, liderado por Nuno Dias, chega pela sexta vez consecutiva à final-four da Liga dos Campeões de futsal e já conquistou a prova por duas ocasiões. Num grupo onde se destacam nomes como Zicky, Merlim, João Matos, Tomás Paço e companhia, fica a ambição de voltar a erguer o troféu e trazê-lo novamente para Portugal, num símbolo de continuidade da excelência do futsal nacional ao mais alto nível europeu."

La ética según Mbappé

Estados Unidos: Alexi Lalas, o aspirante a músico tornado comentador populista


"Os longos cabelos e barba ruivas e a personalidade forte, mais do que as qualidades futebolísticas, tornaram o central norte-americano numa espécie de figura de culto após o Mundial 1994, onde fez o primeiros minutos como profissional, aos 24 anos. Antes disso teve uma banda de algum sucesso em Nova Jérsia, numa carreira na música que ainda continua. Mas Lalas é, por estes dias, mais conhecido pelas suas opiniões confrontativas na televisão, onde não recusa a sua afiliação a Trump

Alguns anos antes de surpreendentemente se tornar o primeiro futebolista dos Estados Unidos a jogar na Serie A italiana, então o campeonato mais forte da Europa, Alexi Lalas era, mais que tudo, um aspirante a rockeiro. Na Universidade de Rutgers dividia os estudos de Inglês com o futebol (chegou a ser considerado o melhor jogador universitário a nível nacional em 1991) e pelo meio ainda fundou uma banda, os Gypsies, que se fez grande, pelo menos nos bares e pequenas salas de espetáculo dentro das fronteiras do estado da Nova Jérsia.
Hoje é possível encontrar uma série de discos de Alexi Lalas no Spotify, gravados em nome próprio. O primeiro, de 1996, foge um pouco aos cânones em voga na época: embora esteja presente a imagem que o tornou conhecido, cabelo e barba longos, ruivos, olhar desafiador, há mais rock clássico do que grunge em “Far From Close”.
Mas, é claro, por muito que fosse essa a sua vontade inicial, não foi com a música que Alexi Lalas se tornou conhecido, ainda que o futebol não tenha sido um caminho óbvio. Depois de participar nos Jogos Olímpicos de 1992, um teste no Arsenal traria uma espécie de banho de realidade para o competitivo mas pouco fino central, rapidamente descartado pelo clube de Londres. De regresso a casa, no Michigan, Lalas, filho de um engenheiro e de uma poetisa premiada, Anne Harding Woodworth, viu-se sem música, sem futebol, sem um curso acabado.
Uma chamada de Bora Milutinović, responsável então por arregimentar um grupo de valorosos futebolistas norte-americanos para, dali a ano e meio, em 1994, representarem o país no Mundial por eles organizado, mudou tudo para Lalas. “Quando conheci o Bora era um punk de 22 anos que nunca tinha pensado no seu lugar no mundo”, disse Lalas, em 2015, à revista “FourFourTwo”.
O experientíssimo treinador sérvio conhecia bem as limitações de Lalas, que era lento e não tinha grande técnica, mas não lhe faltava “a personalidade”, como diria Bora ao “LA Times” a dias do arranque desse Campeonato do Mundo que tudo mudou para o soccer, então a viver num vazio entre o fim da NASL, nos anos 80, e uma MLS que ainda não tinha nascido. “É um jovem cheio de vida, gosta de música, de futebol, é muito inteligente. Aprende rápido”, apontou.
Por essa altura, Lalas era uma espécie de empregado a tempo inteiro da federação norte-americana, dedicando-se apenas aos treinos com os compatriotas. Durante o Mundial, mais pela sua figura e atitude do que pelas suas habilidades futebolísticas, tornou-se figura de culto numa equipa dos Estados Unidos bem compacta e que sofria poucos golos. Parecia incrível, mas com 24 anos jogava os primeiros encontros como profissional, e logo num Mundial.

Profissional só na Serie A
Alexi Lalas fez pela primeira vez um jogo enquanto profissional por um clube quando se mudou para o Padova, equipa modesta do fortíssimo campeonato italiano. Ali se manteve duas temporadas antes de virar uma das figuras de proa do arranque da MLS, jogando primeiro pelos New England Revolution e depois pelos MetroStars, Kansas City Wizards e, por fim, Los Angeles Galaxy, com uma passagem pelos equatorianos do Emelec pelo meio.
Depois de deixar o futebol foi general manager de um par de equipas da MLS, com destaque para o período passado nos Galaxy, em que levou David Beckham para Los Angeles. Começou aí também a sua aventura pelo comentariado desportivo, que nos traz até à atualidade. E a como Alexi Lalas, outrora herói do renascimento do soccer se transformou numa das figuras mais polarizadoras dos Estados Unidos.
Depois de emprestar os seus conhecimentos à ESPN, em 2014 Lalas chegou à “Fox“ , explicando de maneira bem ilustrativa o porquê da mudança: “They Godfathered me.” Ou seja, fizeram-lhe uma proposta que ele não podia recusar. Tornar o Padrinho num verbo não seria, no entanto, o maior malabarismo que o antigo central faria com as palavras ou até com as verdades. Nos últimos anos, Lalas tornou-se megafone de algumas das ideias mais absurdas da direita populista norte-americana, num estilo que o próprio assume ser uma construção: mais do que a verdade, Lalas procura o confronto, a divisão como forma de gerar atenção.
Quando a seleção nacional feminina dos Estados Unidos caiu cedo no Mundial de 2023, nos oitavos de final, Lalas acusou a equipa de ser “polarizadora” e de desagradar a uma parte do país à conta do seu posicionamento político, “causas, posições e comportamento”. E que, não ganhando, corria o risco de se tornar “irrelevante”. Terá faltado o essencial olhar para o espelho antes de falar, que também não lhe ocorreu quando sublinhou num dos seus comentários que “o melting pot” é uma “falácia”, argumentando que a diversidade norte-americana não tem sido fantástica para a seleção.
Logo ele, comentador de futebol, que terá seguramente reparado nos sucessos de seleções como França, Alemanha e até a Espanha, logo ele, nascido Panayotis Alexander Lalas, filho de pai grego e que passou parte da infância em Atenas.
Tudo isto terá sido bom currículo para ser convidado para participar na versão norte-americana do concurso A Máscara e também para fazer parte da task force formada pela Casa Branca para acompanhar assuntos do Mundial 2026, onde os Estados Unidos vão comparecer com uma equipa onde não faltarão jogadores das mais variadas origens que construíram o país."

sábado, 9 de maio de 2026

Regresso à Final...

Benfica 5 - 2 Sp. Gijon

Estamos de regresso ao jogo mais importante da Champions, o jogo mais importante na modalidade feminina! E com clareza, fomos superiores, e só algum desperdiçio, principalmente no início do 2.º tempo, deu alguma emoção desnecessária à partida...

Cancella: Jamor 2.0

Isentos!

Benfica Podcast #592 - Bottling Job

AA9: My Portugal Lineup For The 2026 World Cup

Rui Costa e Mourinho numa decisão que pode marcar uma era


"Se Mourinho sair, que seja porque não houve alternativa possível. Nunca porque faltou visão, coragem negocial ou compreensão do valor que estava em jogo

Nos últimos dias ganhou força a ideia de que José Mourinho poderá fechar o seu ciclo no Benfica no final da época. Independentemente da sua veracidade, esta perceção deve ser tratada com seriedade estratégica, sobretudo num Benfica que aprendeu, ao longo das últimas décadas, que decisões emocionais têm custos reais. 
A presença de Mourinho no Benfica ultrapassa claramente o relvado. O treinador transformou-se num ativo de marca, com impacto direto na capacidade do clube gerar valor. A exposição mediática internacional, o reforço do posicionamento global e o efeito de arrastamento sobre patrocínios, receitas comerciais e notoriedade são evidentes, ainda que nem sempre quantificados publicamente. Num mercado futebolístico cada vez mais financeiro, estes fatores não são acessórios. São estruturais.
Quando se discute a eventual saída de uma figura desta dimensão, é tentador reduzir o debate ao sucesso desportivo imediato. Esse seria um erro clássico. Mourinho é também um catalisador de confiança junto de investidores, parceiros e até talentos que veem no Benfica um palco ambicioso. A sua simples associação ao projeto gera expectativas que se traduzem em valor económico, mesmo antes de qualquer resultado final.
Por isso, aceitar com naturalidade um eventual afastamento no final de 25/26 seria um sinal de “curto‑prazo estratégico”. Um clube com a ambição do Benfica deve ir até ao limite para preservar um ativo que reúne não apenas qualidades técnicas ímpares, mas também a capacidade de gerar receitas, reforçar a reputação e criar vantagem competitiva. Não está em causa ceder a uma personalidade, mas sim reconhecer, de forma racional, o retorno financeiro e desportivo de um investimento que acrescenta valor ao projeto como um todo.
Num contexto europeu em que a distância entre clubes se mede cada vez mais em músculo financeiro e capacidade de atração, abdicar voluntariamente desse diferencial seria um luxo irracional. Se Mourinho sair, que seja porque não houve alternativa possível. Nunca porque faltou visão, coragem negocial ou compreensão do valor que estava em jogo."

O Benfica e a perigosa arte de navegar à vista


"A iminente saída de José Mourinho para o Real Madrid serve como o espelho mais nítido da distância que separa o amadorismo emocional do rigor profissional. Enquanto em Madrid se discutem cêntimos e se esgrimem argumentos para evitar o pagamento de uma cláusula de três milhões de euros, na Luz o cenário é de uma passividade gritante. Florentino Pérez gere o Real Madrid com a frieza de quem sabe que cada euro investido exige um retorno desportivo e financeiro, mas entre nós a gestão continua a ser feita de coração nas mãos e olhos postos na próxima manchete de jornal. Se o sucesso bater à porta na próxima temporada - com ou sem Champions, pois a altura da redação deste artigo ainda parece possível lá chegar - será puramente por obra do acaso, pois a estrutura que deveria garantir esse mérito parece ter-se dissolvido numa nuvem de decisões impulsivas.
A diferença de filosofias é abismal e deveria envergonhar qualquer sócio atento. No clube blanco, a racionalidade impera e a negociação por Mourinho é um exemplo de como um clube a sério protege o seu património. Por cá, o Benfica continua a ser um poço sem fundo onde se despejam vinte ou trinta milhões de euros em novos cromos para a caderneta sem qualquer critério aparente. O aparente interesse em nomes como Zalazar ou Felipe Augusto para o plantel mostra que o padrão se mantém inalterado. Contrata-se por impulso, para entreter os adeptos e alimentar uma ilusão de competência, quando na verdade estamos perante uma ausência total de plano.
Chegamos a maio num estado de indefinição que beira a negligência. Não temos um treinador confirmado, não temos um projeto desportivo enunciado e, ainda assim, já andamos no mercado a tentar fechar jogadores. Esta é a negação absoluta do que deve ser a gestão de um clube de elite. Como se pode escolher um ativo de milhões sem saber que sistema tático será utilizado ou que perfil de jogo o futuro técnico pretende implementar? É colocar o carro à frente dos bois e esperar que a inércia nos leve ao destino desejado. Nesta altura, pouco importa se o escolhido será Marco Silva, Rúben Amorim ou qualquer outro nome, porque o problema é estrutural e não apenas individual.
A direção atual parece acreditar que o sucesso se compra a granel, esquecendo que o mérito nasce da organização e do método. Vivemos num clube onde não há rei nem roque, onde o critério desportivo foi substituído pelo marketing da esperança. Enquanto em Madrid se perdem horas para chegar a um acordo que resulte num custo zero, aqui desperdiça-se o futuro em investimentos cegos. Se a próxima época nos trouxer alegrias, que ninguém se iluda, será por sorte e nunca por mérito de quem nos dirige. A gestão desportiva do Benfica tornou-se um exercício de entretenimento para as massas, quando deveria ser a bússola que nos guiava rumo à excelência europeia que tanto apregoamos mas que tão pouco praticamos."

De quantos Zalazares precisa o Benfica?


"Portugal agradece o talento, mas o Benfica já tem Ríos. Trinta milhões são um luxo e a redundância do erro. Mourinho faz as malas, enquanto Rui Costa habita o silêncio

Ao contrário do país, que está bem melhor sem o homónimo, ainda mais quando este acabou exponenciado ao cubo como aconteceu há uns meses, o futebol português e o SC Braga agradecem claramente ter pelo menos um Zalazar, o Rodrigo, a confirmar talento.
É um ótimo médio. Agressivo, bom tecnicamente e impositivo no transporte de bola até ao último terço, onde se destaca pelo perigoso e forte remate. Sinalizou isso perante o clube que mostra interesse na sua contratação e não podemos dizer que não encaixa no que mais José Mourinho procura nos jogos grandes, a transição ofensiva veloz e letal.
Ainda que não haja jogadores iguais e o uruguaio possa ser um pouco mais associativo e até providenciar uma maior ligação, diria que no atual plantel dos encarnados encontra-se pelo menos alguém próximo desse perfil: chama-se Richard Ríos, custou 27 milhões. O SC Braga pede 30M por Zalazar, sensivelmente um ano mais velho.
No 4x2x3x1 de Mourinho, o seu espaço estará ali na posição 10, onde Rafa não tem brilhado e Barreiro serve para questões mais pragmáticas, seja a defender ou a atacar, independentemente do que os números digam depois. Eventualmente, Zalazar poderá explorar um flanco, tal como já lhe aconteceu na Pedreira e até com Ríos na Luz.
Volto aí: fará sentido apostar nele quando tanto se esperou que o colombiano quebrasse as barreiras de uma adaptação que para ele seriam sempre mais altas do que para os demais, tal a falta de escola? Dificilmente. Parece um luxo desnecessário ou até a redundância de um erro.
Trinta milhões parece ser um número gigantesco para o negócio, ainda mais porque, na verdade, não é a peça que falta ao puzzle encarnado. Eventualmente, poderá sê-lo na concepção de José Mourinho, porém mesmo na perspetiva de alguém que afina o seu modelo pelo mesmo diapasão que o Special One haverá posições mais emergentes a reforçar.
O Benfica, que andará a mexer-se no mercado, tantos os nomes que já choveram sem a época ainda ter terminado, vai dando passinhos curtos enquanto um oferecido Mou, que faz passar a mensagem que está pronto para voltar a Madrid — regresso em que parece ter agora começado a acreditar —, não lhe resolve o problema de sempre: tome a decisão por ele, seja esta qual for. Porque, acredito, Rui Costa já não sabe se quer que o treinador fique ou, pelo contrário, saia. A sala de troféus no Museu da Luz parece reduzida a sala de espera para o Bernabéu.
As escolhas no mercado serão fundamentais, seja para o reforço da nova identidade, enquanto conjunto de contra-ataque, ou para a rotura com o paradigma, atrás de uma cultura de equipa grande, com mentalidade ofensiva. O dinheiro da Champions será decisivo. Haverá poucos no grupo que se vendam bem para poder reinvestir.
Mesmo que José Mourinho quisesse, não poderia dar melhor exemplo daquilo que é hoje do que a forma como abordou o jogo em Famalicão após a expulsão de Otamendi — de quem na Luz, de forma inconcebível e até irresponsável, se continua à espera que se decida, enquanto pisca o olho a outro central em pré-reforma, De Vrij, de 34 anos. As substituições e o recuar de linhas tiveram exatamente o efeito esperado. Não por si. As águias ficaram sem a bola e permitiram finalizações aos minhotos. E, com isso, as queixas de arbitragem, legítimas ou não, não servem mais do que cortina de fumo.
Com a tendência do clube em reagir mais por impulso do que planear, de se mexer de forma pesada, quase arrastada, e até conservadora, aceitando quem ninguém quer quando não encontra solução, o tempo que for perdendo com alvos errados pode custar-lhe mais uma vez bem caro. Para já, e percebe-se pelos nomes, Rui Costa segue o plano de Mourinho: um médio de transporte, um ponta de lança de área, um extremo… Nada de centrocampistas de associação, de centrais capazes de romper linhas, de uma construção e fase de criação imunes à pressão. Nada de criatividade, fantasia e génio.
Mourinho vai continuar a querer mais ou menos o mesmo que tem querido nos últimos anos. Controlar os jogos com a bola no pé não é para ele. Dominar em absoluto também. Continua a lutar contra o mundo, que há algum tempo chegou a outras conclusões sobre qual o melhor caminho, reforçadas por um PSG decidido a fazer história. De um Luis Enrique a mostrar que a força de uma ideia, quando se escolhe os jogadores certos e há uma forte coesão coletiva, acaba por dificilmente ter rival. E ainda que na história do jogo andemos muitas vezes em ciclos e círculos, este será o fim da história mais real que provavelmente iremos ver.
Com Sudakov a ser uma incógnita do ponto de vista mental, o Benfica arrisca-se a arrancar a próxima temporada ainda mais longe de se tornar uma equipa dominadora, o que se pode agravar se o Benfica não resistir ao assédio ao brilhantismo de Schjelderup, que viu Mourinho aproximar-se bem mais dele do que ele se aproximou do treinador, ganhando moral depois da bela exibição diante do Real Madrid.
O Benfica não precisa de três Zalazares. Ou de um. Mas talvez desespere por jogadores do mesmo nível com um perfil diferente. Que liguem as pontas soltas da equipa e do grupo, e os façam subir um patamar. Que queiram conquistar e não fazer guerrilha. Talvez até os tenha no Seixal e é preciso não ter medo de olhar para lá, mas se não existirem, que saiba encontrá-los e encaixá-los.
Não terá Mourinho já dado indicações a Rui Costa de que a sua cabeça também já está em Madrid e que o Benfica já só é prémio de consolação? Talvez o técnico já não esperasse um Real na sua vida, mas quando começou a acreditar que havia mesmo hipóteses fez o seu charme. E até está defendido pela falta de convicção do presidente em dizer inequivocamente que o lugar é seu, pelo tempo que quiser. E em dar-lhe o que quer. O pior é que se ficar, além de tudo o resto, também já se percebe que a união não será total. E se sair, ninguém sabe bem quem irá chegar. Para ocupar uma cadeira, no meio do vazio, numa Luz que faz eco. Porque tudo está interligado."

BF: Mourinho...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Portugal sai de cena: as principais notas da época

Observador: E o Campeão é... - Adeus Europa! Braga cai na Alemanha com nota de amador

Observador: Três Toques - Em Madrid, os problemas resolvem-se ao murro e à chapada

SportTV: Primeira Mão - SC Braga fora, Arsenal domina e o futebol não para!

Muito Benfica para apoiar


"A atividade desportiva do Benfica em destaque na BNews.

1. Comunicado oficial
Leia a informação oficial do Sport Lisboa e Benfica acerca da reunião com o grupo de investidores norte-americanos que pretende adquirir uma posição acionista na Benfica SAD.

2. Calendário
O desafio entre Benfica e Braga relativo à penúltima jornada da Liga Betclic é na próxima 2.ª feira, às 20h15, no Estádio da Luz.

3. Sempre bem-vindo
Jonas está de regresso a Lisboa e fez uma visita surpresa a dois atletas do Futebol Adaptado que abordavam o papel da Fundação Benfica, em entrevista à Benfica FM.

4. Jogos do dia
Em Coimbra, a equipa feminina de hóquei em patins do Benfica defronta o Telecable HC, às 19h00, nas meias-finais da WSE Champions League Women.
Na Luz, às 20h00, há o 3.º jogo da final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol no feminino entre Benfica e Quinta dos Lombos.

5. Últimos resultados
O Benfica eliminou o Reus e está nas meias-finais da WSE Champions League de hóquei em patins, onde vai medir forças com o Barcelona, em Coimbra, amanhã às 16h00.
Em voleibol, derrota, por 3-0, com o Sporting. Os encarnados terminaram o Campeonato Nacional na 2.ª posição.
Os Juniores venceram por 2-1 ante o Rio Ave.

6. Sábado preenchido
A Equipa B recebe o Académico de Viseu às 20h30. Os Juvenis são anfitriões do Real SC às 11h00. À mesma hora, os Iniciados visitam o Estoril.
Na Luz, às 11h00, embate com o Atlético em futsal no feminino. Às 15h00, receção ao FC Porto em andebol. Às 17h00, jogo com o Braga em basquetebol.
Em Coimbra, às 16h00, meias-finais da WSE Champions League de hóquei em patins entre Benfica e Barcelona.
No Estádio Universitário de Lisboa, às 17h00, o Benfica recebe o CDUL em râguebi, numa partida que poderá valer o título nacional para os encarnados.
A equipa feminina de andebol visita o CJ Almeida Garrett e pode assegurar o pentacampeonato (21h00). E a equipa feminina de polo aquático disputa o jogo 1 da final do Campeonato Nacional, em Algés, frente ao Fluvial Portuense (13h30).

7. Bastidores
Veja imagens exclusivas do percurso do hexacampeonato de futebol no feminino conquistado pelo Benfica. E veja também como decorreu a sessão de autógrafos no relvado do Estádio da Luz.

8. Protagonista
O futsalista André Correia é o entrevistado da semana.

9. Títulos nacionais na formação em análise
Em foco os Juniores masculinos de voleibol e as Sub-15 femininas de futsal.

10. Reconhecimento
SL Benfica reconhecido como entidade formadora no futsal, tanto no masculino como no feminino.

11. Taça do Mundo de Szeged
Acompanhe a prestação dos canoístas do Benfica.

12. Bons desempenhos
Em destaque a equipa feminina de râguebi no Circuito Nacional de Sevens e os cavaleiros Daniel Pinto e Leonor Coelho.

13. Apoio a quem precisa no Oeste
Uma iniciativa conjunta da Fundação Benfica e da GNR.

14. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de 5.ª feira da BTV.

15. Jogo das Casas
Veja a 2.ª parte da reportagem da BTV acerca do Jogo das Casas."

Aquecimento...


DeLetra #41 - ⚽ Porto Campeão, Mourinho no Real Madrid e Champions

ESPN: Futebol no Mundo #563 - ARSENAL E PSG DECIDEM A CHAMPIONS! PRÉVIA DE EL CLÁSICO

Throne: Watch this if you're not a Porto fan

DAZN: Europa - SC Braga despede-se do sonho europeu

A Federação que não se vê ao espelho


"A Federação Portuguesa de Futebol apresentou ao Governo nove medidas para combater a violência no desporto. Sete são dirigidas aos adeptos. E os dirigentes? É um documento. Mas é também um espelho. E a FPF não se vê nele. Na verdade, vários espelhos em que a FPF não se vê.

Primeiro espelho: o dirigente não existe
Desde 2004, cada vez que alguém mexeu na legislação do combate à violência no desporto, foi sempre na mesma direcção: apertar os adeptos. A Lei 39/2009. O Cartão do Adepto em 2021, que a Iniciativa Liberal revogou no Parlamento. A Lei 40/2023, contra a qual voltámos a votar. Vinte anos. Sempre no mesmo sentido. Sempre o mesmo alvo.
O dirigente que inflamou a semana toda em conferências de imprensa, que tratou o árbitro como inimigo público, que transformou a rivalidade desportiva em guerra declarada, esse não aparece de forma explícita em nenhuma medida. Nem nesta, nem nas anteriores. A lei até o obriga a "usar de correcção e moderação". Não se aplica. Nunca se aplicou. Ninguém é realmente punido.
Isto não é esquecimento. É método.

Segundo espelho: a violência não mora apenas nos grandes estádios
As medidas mais concretas da FPF neste pacote, os bilhetes nominativos, Fan ID, plataformas de controlo de acessos, aplicam-se, na prática, às competições profissionais. Que não são organizadas pela Federação, mas pela Liga Portugal. A FPF propõe medidas sobre aquilo que não gere. E esquece aquilo que é sua responsabilidade mais directa: as outras competições nacionais, mas também as das associações distritais e o futebol de formação. É precisamente aí que ocorre o maior número de incidentes graves. É aí que um árbitro jovem de 20 anos é agredido num campo de terra batida. É aí que muitos pais nas bancadas são o principal foco de violência.
A FPF tem competências, mas abdica delas. Não tem medidas. Não tem vontade.

Terceiro espelho: o presidente é um ex-árbitro
Esta semana, a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol foi ouvida no Parlamento. Forneceu dados: 400 agressões em dez anos, dez só no último mês, a maioria sobre jovens com menos de 25 anos. Adiantou propostas: estatuto do árbitro não profissional e equiparação a agente de autoridade para efeitos sancionatórios, entre outras.
A Federação Portuguesa de Futebol, presidida por um ex-árbitro, respondeu com nove medidas sem uma única linha sobre árbitros. Nem sobre a sua protecção. Nem sobre quem os agride. Nem sobre quem cria o clima para que sejam agredidos, como responsável moral da violência.
Há ironias que são apenas cómicas. Esta é estrutural.
Vinte anos. Sempre a mesma direcção. Sempre o mesmo resultado. A violência persiste. Os dirigentes escapam. E a FPF continua incapaz de se ver ao espelho."

Transferência de menores no processo de formação: «Assinei a ficha e agora?»


"O futebol profissional vive num mundo de desafios, novidades e num rebuliço de milhões. A cada semana, surgem boatos e rumores, esperanças e ambições. Uma sanção cujo fundamento se desconhece; uma providência cautelar cujo desfecho se aguarda com ansiedade.
Os campeonatos profissionais são, em boa verdade, o motor do futebol em Portugal. Enchem estádios e alimentam uma indústria, um fenómeno aparentemente alheio a qualquer crise, guerra ou pandemia.

Existem ilusões criadas em função do rendimento imediato e frustrações alimentadas por jogadores de potencial
Todavia, o futebol e os campeonatos profissionais são o anseio de muitos que, semanalmente, percorrem os balneários dos campeonatos de formação distritais e nacionais. Semanalmente, milhares de jovens lutam pelo sonho, pela oportunidade, pelo ideal. Também neste universo existem transferências, “rumores”, mudanças de treinadores e jogadas ardilosas para captar o próximo “Cristiano” ou reter o “craque” do grupo “A”. Existem ilusões criadas em função do rendimento imediato e frustrações alimentadas por jogadores de potencial. Num fim de semana, o jogador de potencial vê-se frustrado e ultrapassado pelo jogador de rendimento que, “amanhã”, irá assistir, numa qualquer televisão, ao sucesso daquele que era visto apenas como um jogador “de potencial”, o patinho feio que não jogava e que, “afinal”...
Este cenário é corriqueiro, repetitivo e cíclico. Com este desejo asfixiante de minutos, muitas vezes são tomadas decisões pelos encarregados de educação das quais rapidamente se arrependem; ou, no extremo oposto, surgem pais facilmente aliciados pelo desejo premente de equipas rivais que, afinal, rapidamente perdem o encanto. Precipitações movidas pelo desejo de “palco” que, muitas vezes, contrariam o bem-estar de quem mais interessa: a criança.

O modus operandi é simples: algures entre fevereiro e março começam os contactos para vincular os jogadores
Vejamos: é comum os clubes de formação, na ânsia e na pressa de garantir as suas “armas” para a época desportiva subsequente, pressionarem a assinatura da “ficha de inscrição”. O modus operandi é simples: algures entre fevereiro e março começam os contactos para, de certa forma, vincular os jogadores, levando-os a assinar os documentos necessários e criando, assim, a ideia de compromisso definitivo. Na prática, o jogador (e os seus representantes legais) compromete-se, em boa verdade, com o clube, faltando apenas, posteriormente, para concluir o processo de inscrição, o exame médico.
Sem prejuízo de o clube ter nos seus arquivos exames médicos que possibilitem a inscrição do jogador em julho, certo é que se torna vital que os jogadores conheçam os direitos que possuem, ainda que tenham assinado os “papéis”. É igualmente fundamental compreender o que o Regulamento do Estatuto, Categoria, Inscrição e Transferência de Jogadores da Federação Portuguesa de Futebol (RECITJ) confere ao atleta menor sem contrato de formação.

Os Regulamentos garantem ao jogador menor de idade o direito de livremente pôr termo ao vínculo desportivo
Senão vejamos: o n.º 4 do artigo 19.º do RECITJ garante ao jogador menor de idade que não tenha celebrado contrato de formação desportiva o direito de livremente pôr termo ao vínculo desportivo com um clube se, cumulativamente, o clube com o qual foi efetuado o compromisso desportivo ainda não tiver procedido à sua inscrição e tiver sido comunicada a intenção de pôr termo ao compromisso desportivo à associação distrital ou regional geograficamente competente e ao clube com o qual o mesmo foi efetivado.
Por hipótese, até 30 de junho — termo da época desportiva — é possível que o clube ainda não tenha registado o compromisso desportivo para a época subsequente. Nessa medida, o jogador (e os seus representantes legais) pode comunicar a intenção de pôr termo ao compromisso assinado para a época seguinte e que “às pressas” foi convidado a subscrever, permitindo, assim, que a escolha seja feita de forma livre, esclarecida e ponderada, no momento oportuno.

No decorrer da época desportiva, a transferência de jogadores menores de idade poderá ser admitida em situações excecionais
Já no decorrer da época desportiva, a transferência de jogadores menores de idade — reitero, crianças — poderá ser admitida em situações excecionais, designadamente quando o encarregado de educação altere a sua residência para localidade situada a mais de 20 km da anterior e que fique a maior distância da sede do clube ao qual o jogador se encontra vinculado; quando exista acordo expresso ou declaração de dispensa emitida pelo clube de origem, em papel timbrado e com reconhecimento das assinaturas dos respetivos representantes; quando o clube desista da participação na competição do escalão etário do jogador ou seja desclassificado dessa prova; quando, após as quatro primeiras jornadas oficiais do respetivo escalão, o jogador não seja inscrito na ficha técnica de jogo por motivos que não lhe sejam imputáveis; ou, ainda, quando se verifique alteração superveniente das condições constantes do manual de acolhimento que tenham determinado a opção do praticante pelo clube, desde que tal alteração se encontre devidamente comprovada (vide n.º 3 do artigo 19.º do RECITJ).

Os encarregados de educação devem assumir uma postura particularmente vigilante e esclarecida
Esta última motivação para a transferência do menor durante a época desportiva traduz-se numa consequência “imposta” unilateralmente ao clube pela inobservância das garantias anteriormente prestadas. Se esta realidade assume especial importância em momentos de rutura, serve também o presente texto de alerta para os encarregados de educação, que devem procurar conhecer, guardar e reter toda a informação que lhes tenha sido transmitida e garantida aquando da decisão de inscrição no clube A ou B. Nesse momento, devem assumir uma postura particularmente vigilante e esclarecida.
Em suma, importa recordar que o futebol de formação não pode ser encarado apenas como um espaço de captação de talento ou de competição entre clubes. Antes de atletas, estamos perante crianças e jovens em processo de crescimento, cujo desenvolvimento pessoal, emocional, social e académico deve prevalecer sobre qualquer expectativa desportiva imediata. O conhecimento dos direitos conferidos pelo Regulamento do Estatuto, Categoria, Inscrição e Transferência de Jogadores da Federação Portuguesa de Futebol assume, por isso, particular relevância para jogadores e encarregados de educação, permitindo que decisões tão relevantes como a vinculação ou transferência de um menor sejam tomadas de forma livre, consciente e verdadeiramente orientada pelo superior interesse da criança."

Medidas de combate à violência no desporto


"Esta semana, a Federação Portuguesa de Futebol teve oportunidade de reunir com o Governo e apresentar medidas concretas para contribuir no combate à violência no desporto.
Aqui estão as medidas apresentadas pela instituição: Criação de uma plataforma centralizada de controlo de acessos nas competições em que tal seja tecnicamente possível, garantindo rastreabilidade, controlo efetivo de entradas e exclusão de indivíduos interditos;
Introdução de ingressos nominativos (Fan ID) nas competições onde tal seja viável, eliminando o anonimato e reforçando a responsabilização individual;
Aplicação efetiva da medida acessória de apresentação em esquadra para adeptos proibidos de frequentar recintos desportivos, assegurando a eficácia real das sanções;
Reforço das revistas de segurança por parte das forças de segurança em eventos de maior risco, prevenindo a introdução de pirotecnia, armas e objetos proibidos;
Criação de mecanismos de identificação de adeptos pelas forças de segurança em caso de desordem nas bancadas, nos recintos onde tal seja possível, garantindo responsabilização individual;
Ações de prevenção socioeducativa promovidas pela APCVD, organizadores e forças de segurança junto de associações distritais e regionais, associações de classe e clubes;
Mecanismos para maior celeridade processual e efetividade das penalizações, especialmente em matérias relacionadas com violência no desporto, em articulação com o Ministério Público e os tribunais;
Reforço das medidas regulamentares de combate à violência, sensibilizando os clubes para a importância da penalização dos adeptos em caso de comportamentos inadequados;
Valorização e formação contínua dos gestores de segurança, profissionalizando esta função essencial no contexto desportivo."

O rali voltou à minha aldeia e eu, cá longe, quase larguei uma lagriminha


"A primeira vez que fui ao Rali de Portugal devia ter uns 6 anos, meados dos anos 90. Era uma especial à noite, que descia a serra até à aldeia. A fauna era fabulosa. Havia, por exemplo, o “Cornos Luminosos”, tinha uma espécie de fita à volta da cabeça com umas pequenas lanternas e à conta disso ficou assim a alcunha

Há dois anos, o Rali de Portugal regressou à minha aldeia natal. Foram, pelas minhas contas, bem mais de 20 anos de ausência. Na quinta-feira voltou a passar na Ribeira de Fráguas, olho para a televisão, oiço os relatos que me vão chegando, dizem-me que está tudo muito diferente, moderno e tal. Há “zonas espectáculo”, com música, bandas, comes e bebes. Sinto uma pancada de nostalgia e, cá longe, quase larguei uma lagriminha. Quando eu era miúda, o rali era *o* acontecimento. Nem as festas do S. Tiago rivalizavam. Era o único dia do ano em que a minha mãe permitia que eu faltasse à escola, coisa que lhe custava horrores porque não era aquela educação que ela me dava. Mas eu esperava um ano inteiro por aquele dia.
A primeira vez que fui ao Rali de Portugal devia ter uns 6 anos, meados dos anos 90. Era uma especial à noite, que descia a serra até à aldeia. A fauna era fabulosa. Havia o “Cornos Luminosos”, tinha uma espécie de fita à volta da cabeça com umas pequenas lanternas e à conta disso ficou assim a alcunha. E os dois irmãos velhotes, que se apresentaram no rali de fato de treino, camisa e gravata. A ocasião era solene. Também havia os que se mandavam pelas escarpas abaixo para não serem atropelados. Gente muito destrambelhada. E lembro-me vivamente dos discos dos travões em fogo dos Toyota Celica.
Nos anos seguintes, antes do rali ir fazer piões para outras paragens, o espetáculo passou a ser à tarde e era por isso que eu e sensivelmente 90% das crianças das freguesias ali à volta não compareciamos aos nossos compromissos escolares. O meu pai nunca me levou ao futebol, era mais das quatro rodinhas e por isso ao rali não se falhava. A expetativa rebentava quando começavam a passar os carros com os números 000, depois o 00 e por fim o 0, antes dos artistas do pó meterem pé a fundo. E ficava-se até ao fim, que era quando aparecia a mítica Renault 4L de Pinto dos Santos.
Não havia cá food courts, DJs ou coisa que o valha. Cada um levava a sua bucha e cheguei a ver gente a alombar com mesas de cozinha de madeira pelas encostas acima. Lembro-me do ano em que o meu pai deu cabo do cano de escape do pequeno jipe da minha mãe a tentar chegar ao troço e de muita gente ter pensado, pelo barulho, que o rali tinha começado mais cedo. A minha mãe não ficou contente. Mais pelo cano de escape, também por ver as duas filhas e o marido cobertos de pó quando chegámos a casa.
Também houve um lendário ano em que vários carros se despistaram perto do sítio que tínhamos escolhido para ver a especial e de muita gente tentar levar souvenirs para casa. Era vê-los com faróis debaixo do braço, pedaços de portas, um limpa-pára-brisas já meio torto, ao som de um desesperado piloto (austríaco, creio) que só gritava “DON’T TOUCH THE CAR!”. Não resultou. Um rapaz lá da terra teve as suas duas semanas de fama porque conseguiu vender as imagens dos acidentes para um canal de televisão. Eram os tempos das primeiras camcorders, de cassetes, e não dos telemóveis com internet que tornaram tudo menos raro e de mais fácil partilha.
Sinto que tudo era mais apaixonante nesses anos, mas acabo de ver imagens dos ralis dessa época e não sei mesmo como não houve mais tragédias. Há milhares de pessoas empoleiradas mesmo junto aos troços, algumas efetivamente na estrada. Há tangentes milimétricas a pernas, multidões em curvas perigosas. Uma loucura. Talvez as tais “zonas espetáculo”, por muito anódinas que me pareçam agora, sejam mesmo necessárias."