Últimas indefectivações

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Vitória na Gaia...

Carvalhos 26 - 35 Benfica
10-19

Vitória fácil, com muita rotação...

Não posso deixar de notar, que nem nestes tipo de jogos, a estatística muda: o Benfica é sempre a equipa com menos Livres de 7 metros, e mais Exclusões, em todos os jogos!!!

Empate...

Benfica 1 - 1 Moreirense
Kiko Silva


Mais um empate, numa partida onde começamos muito mal, mas depois do golo sofrido acabámos por ficar por cima do jogo, e no final até merecíamos a vitória...

Num fim-de-semana, sem jogos da equipa B, vários jogadores que tem jogado (pouco) na B, 'baixaram'. Com o imperativo de dar minutos a tantos jogadores, o onze acabou por ficar muito desequilibrado... o que transformou o jogo, num 'bonito' espectáculo de contra-ataque dos dois lados!

Com as substituições no 2.º tempo melhorámos... Nota ainda para o regresso do Miguel Figueiredo após lesão...

BI: Megafone #296 - Celtic despachado e crise na oposição

Visão - S08E12 - A vida é bonita | Celtic

Os favores pagam-se...

Novela...

Castigo?

Que seja infinito enquanto dure, pensarão os benfiquistas...


"Talvez nunca nos últimos três anos, como nestes três meses de arranque de 2026/2027, o Benfica tenha dado tanta esperança aos seus adeptos

O enorme Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes completaria hoje, 19 de outubro, 113 anos. Um jovem, portanto. Por outro lado, ninguém me tira da cabeça que, com aquele nome tão longo, seria o parceiro perfeito de João Maria Lobo Alves Palhinha Gonçalves no meio-campo do Benfica.
O poetinha, como lhe chamam no Brasil, fez de tudo na vida: poeta, músico, letrista, ensaísta, diplomata e, sobretudo, boémio. Um pouco como Fredrik Aursnes, outro grande: médio-centro, médio-direito, médio-esquerdo, lateral-direito, lateral-esquerdo, 6, 8 ou 10. Menos boémio, claro. Ou Gianluca Prestianni, o menino de Ciudadela, o homem que faz tudo em campo: poemas, sonetos e baladas, seja à esquerda, à direita ou ao meio. O mais perto de Vinícius que há na Liga.
O nosso Vinícius de Moraes escreveu no Estoril, em 1939, com 26 aninhos, um dos seus versos mais famosos: «Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.» É aqui que quero chegar: Estoril. Onde tudo começou. Para ele e para Marco Alexandre Saraiva da Silva. Não se sabe o que o futuro reserva ao Benfica de Marco. Nem, claro, ao FC Porto de Francesco Farioli ou ao Sporting de Rui Manuel Gomes Borges.
Há, para já, três verdades: o leão está imparável na Europa, o dragão está imparável em Portugal e a águia está imparável a marcar golos e a jogar bom futebol. Os benfiquistas esperam que seja infinito enquanto dure; os sportinguistas e os portistas, posto que pode ser chama, desejam que seja apenas chama.
É aqui, de novo, que quero chegar. Este Benfica, pelo menos o Benfica de julho a outubro, não é samba de uma nota só, como escreveu Vinícius. Nem sequer é samba. É mais tango de Gianluca Prestianni Gross. E de Marco Silva. Fixemo-nos nos últimos três anos. Houve Roger Schmidt, Bruno Miguel Silva do Nascimento (aka Bruno Lage), José Mário dos Santos Mourinho Félix e Marco Silva.
Talvez nunca, como nestes três meses de arranque de 2026/2027, o Benfica tenha dado tanta esperança aos seus adeptos. Está a cinco pontos do intratável FC Porto — e cinco pontos, mesmo a 26 jornadas do final, são muitos pontos. O Benfica, tal como o Sporting, não depende apenas de si para ser campeão. Pode arrancar 26 triunfos até ao final da Liga e, mesmo assim, não ser campeão.
Porém, voltemos a Vinícius. Os adeptos encarnados desejam que este bom futebol do Benfica seja infinito enquanto dure. Porque (empreguemos agora uma máxima futebolística) quem joga bem está sempre mais perto de ganhar. Pode o Benfica deixar de jogar um futebol de encantar já em Nicósia, em dezembro frente ao SC Braga e ao Sporting, ou mesmo nos combates finais de maio de 2027. Porém, Marco Silva fez renascer o que há muito estava adormecido entre os benfiquistas: a esperança.
A esperança que, de novo, perderam os fãs do Manchester United: sete jornadas, uma vitória, quatro empates, duas derrotas. Coitado do Bruno, pá. É fado de uma nota só na triste e cinzenta Manchester."

BolaTV: Trubin vs Samuel Soares e a antevisão ao jogo da Liga Europa do Benfica

BolaTV: Importância de Prestianni e a gestão do plantel do Benfica

BF: Palhinha...

D. Monarca - 👀ALERTA BENFICA! O FUTURO DE BANJAQUI E 3 LATERAIS NA MIRA!

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - França vence Mundial de Hóquei em Patins: as explicações do sucesso

Observador: E o Campeão é... - Será que o FC Porto vai poupar a equipa também na Champions?

Observador: Três Toques - Portugal conquista quatro medalhas nos Mundiais de ciclismo

Liga: Braga 1 - 2 Gil Vicente

Atualidade benfiquista


"A atividade recente do Benfica na BNews.

1. O sonho do Pedro e o sonho do Carlos
Uma iniciativa conjunta do Futebol Profissional e da Fundação Benfica.

2. Outubro Rosa
Vários elementos da equipa B do Benfica visitaram a Unidade Funcional de Senologia do Hospital Garcia de Orta no âmbito da campanha Outubro Rosa, dedicada à sensibilização para a prevenção e o diagnóstico precoce do cancro da mama.

3. Comunicado oficial
"O Sport Lisboa e Benfica desmente categoricamente as informações publicadas pelo Correio da Manhã sobre a relação da empresa da ATM com o Clube", pode ler-se.

4. Goleada na Madeira
A equipa feminina de futebol do Benfica ganhou, por 0-4, na visita ao Marítimo.

5. Últimos resultados (formação)
Nos Juniores, o Benfica venceu o Sporting por 4-0. Nos Juvenis, triunfo benfiquista no reduto do Real SC por 0-2.

6. Últimos resultados (masculino)
Em basquetebol, o Benfica ganhou à Oliveirense por 92-67. Em hóquei em patins, derrota com o Sporting por 6-4 nas meias-finais da Taça Jesus Correia. Em voleibol, desaire na Supertaça com o Sporting (0-3). Em râguebi, vitória, por 18-36, na visita ao CDUP.

7. Últimos resultados (feminino)
O Benfica registou vitórias em andebol (15-36 com o Alavarium e 33-20 ante o CJ Almeida Garrett), basquetebol (63-88 no reduto do CDEFF), futsal (4-1 frente ao Santa Luzia) e voleibol (0-3 em casa do PV Colégio Efanor). E sofreu desaires em basquetebol (83-73 no pavilhão do CAB) e râguebi (30-14 no Sport CP).

8. Jogos do dia
Os Sub-23 do Benfica recebem o Moreirense, às 17h00, no adidas Benfica Campus. E, em andebol no masculino, as águias visitam a AD Carvalhos (21h00).

9. Mundiais de hóquei em patins
Confira a prestação de 13 atletas do Benfica participantes no certame.

10. Nota de pesar
"O Sport Lisboa e Benfica manifesta profundo pesar pelo falecimento de Joaquim Letria, figura de referência do jornalismo português e assumido benfiquista."

11. Sport Montreal e Benfica
Esta filial canadiana do Benfica reabriu portas."

Possessivo: Sonhos...

O melhor do mundo é um adolescente


"Tricampeão espanhol. Campeão do mundo e da Europa. Seis troféus pelo clube, dois pela seleção. 37 internacionalizações A, 11 golos. 162 jogos pelo Barcelona, 58 golos, 55 assistências. Presente no melhor onze da Liga dos Campeões, no melhor onze do Europeu, na equipa do ano da FIFA.
Estes registos seriam suficientes para justificar que um trintão teve uma excelente carreira. Seriam números que explicariam o percurso de um futebolista de elite ao longo de muito tempo a competir.
Bem, estes números são de Lamine Yamal, de apenas 19 anos. São as estatísticas do melhor jogador do mundo, um adolescente transformado no melhor executante da modalidade desportiva mais popular da história da humanidade. Ser o melhor do mundo não significa que Lamine Yamal vá ganhar a Bola de Ouro, galardão a entregar na próxima segunda-feira. O prémio pode ser do espanhol, sim, que seria o seu mais jovem vencedor, mas também pode ir para Harry Kane, Kylian Mbappé, Lionel Messi.
Ser o melhor do mundo não significa, sequer, que Lamine Yamal vá ganhar a Bola de Ouro em 2027, a seguinte, ou a de 2028, ou que devesse ter em sua casa a de 2025, quando foi segundo. É algo mais profundo e constante do que isso.
Lamine Yamal é o melhor do mundo e isso é mais do que as circunstâncias de um prémio que depende de votos, de campanhas, de uma eliminatória que se vence ou se perde. É o melhor do mundo no sentido em que Lionel Messi foi o melhor do mundo durante cerca de década e meia, por muito que a Bola de Ouro tenha ido, justamente, parar várias vezes às mãos de Cristiano Ronaldo durante esse período. Mas isso não destronava Messi do estatuto do melhor que havia num relvado.
Com a saída de cena do argentino da elite, já fora da seleção e tendo já disputado todos os jogos mais relevantes da sua vida, em modo de pré-reforma a brilhar na MLS, o melhor é um adolescente que tem o hábito de dormir no autocarro antes dos encontros, por mais importantes que sejam. O menino que, quando marca, faz o sinal do código postal de Rocafonda, o seu bairro, mais um astro da bola vindo da pobreza, da dificuldade, da necessidade.
Ninguém joga tanto tão regularmente quanto o canhoto do Barcelona. Ninguém é tantas vezes tão decisivo, gerando um campo magnético que atrai para si as linhas com que se viram desafios de pernas para o ar.
Só nas últimas semanas houve este golaço ao Betis, um lance em que se vai de zero a golo graças a Lamine, como um feitiço com toques de alquimia, transformando o nada em ouro. Houve esta jogada contra o Galatasaray, o tipo de criação que é imitada e imitada em escolas, em recreios, em jardins, em parques, uma obra com um toque de fantasia adolescente, que fascina os mais novos, crentes no futebolista como um herói de banda desenhada, Lamine como Batman ou homem-aranha. Já repararam quantas crianças têm camisolas com o nome de Yamal escrito?
Pela Espanha, na recente janela internacional, marcou contra Croácia, Chéquia e Inglaterra, sempre nos seis minutos iniciais. Vive com pressa e depressa, Yamal, finta o tempo, domina-o. Antes disso, pelo Barcelona, já bisara três vezes em golos e outras três em assistências em 2026/27.
Um dos maiores méritos da seleção campeã do mundo foi ter triunfado em Nova Jérsia mesmo com o seu artista fisicamente diminuído, incapaz de se expressar ao melhor nível durante o torneio nas Américas. Mas, antes e depois do torneio, Lamine Yamal vai provando que, em matéria de ser colossalmente bom antes dos 20 anos, talvez só Pelé — rei do Mundial 1958 com 17 anos — se lhe compare na história do futebol.
Num jogo cada vez mais de padrões e repetições, um futebol com toques de inteligência artificial, mecânico e mecanizado, o melhor do mundo é um toque de criatividade, de imperfeição, de invenção anti-Chat GPT, o não-Claude. De sair fora da lógica. Ele próprio o disse, numa maravilhosa entrevista: “Penso nele [no defesa que o tenta travar] como um robô, tentando parar-me. Os robôs podem ser quase perfeitos, mas os humanos terão algo que os robôs não têm”.
O trono que foi de Lionel é de Lamine, La Masia produzindo fenómenos que usam a base do cânone do Barça para depois jogarem segundo as suas regras, fluindo dentro das bases que a formação lhes deu. Messi que banhou Yamal quando este era criança, numa espécie de passagem de testemunho cinematográfica, quase impossível de acreditar. O espanhol, por certo, pediu ao pai, durante muitos anos, para não mostrar ao mundo aquela fotografia, protegendo-se de comparações. Queria ser Yamal, não o futuro Messi.
Lamine Yamal ganhou o Europeu de 2024 entre trabalhos de casa e trabalhos de casa, um exame do secundário num dia, um golo histórico à França no seguinte. Depois disso já transformou La Liga no seu parque de diversões, deixou pedaços de arte na Liga dos Campeões, subiu ao topo do planeta nos Estados Unidos. Joga, diverte, diverte-se. E ganha, ganha muito. Com ou sem Bola de Ouro, com ou sem um prémio circunstancial, é o melhor jogador de futebol que há."

A Taça dos sonhos continua


"O equilíbrio desta eliminatória da Taça de Portugal é um sinal de inspiração para o futebol português. Seis equipas da Liga, em 14, foram eliminadas e chega aos 1/16 avos uma das distritais

A presente edição da Taça de Portugal tem uma aura especial e diferente, apesar de tudo, de todas as anteriores: a Prova Rainha sempre foi o palco dos sonhos dos mais pequenos, mas como estamos lembrados — e se não estivéssemos a performance do Torreense na UEFA Europa League disso se encarregaria —, a época passada permitiu a subida ao Olimpo do Jamor, pela primeira vez, de uma equipa de escalão secundário. E logo frente a uma das três potências dominadoras do futebol português e, por conseguinte, com elevado número de Taças de Portugal conquistadas.
Sabemos, diz-nos a história de quase 90 edições, que será muito difícil repetir o feito de há meses dos homens do Oeste. Mas além de permanecerem sonhos de pé à partida para os 1/16 avos de final, é de assinalar o equilíbrio vigente nos 1/32 avos disputados no fim de semana que passou.
Entraram em acção nesta eliminatória 14 equipas da Liga Betclic. Os representantes de Portugal na Europa (entre os quais o afamado Torreense) só chegam na próxima.
Sanjoanense (Nacional), Aves SAD (Moreirense), Fátima (Ac. Viseu), Tondela (Alverca), Mafra (Santa Clara) e Paredes (Famalicão) eliminaram seis destas 14 equipas, quase metade, e só Estoril e Arouca, por exemplo, sabem o que passaram para seguir em frente. Mais: em 27 jogos, apenas dois terminaram com mais de um golo de diferença.
Aos seis chamados tomba-gigantes (assumindo o termo apenas para quem afasta equipas da Primeira Liga) há a somar os feitos de Atlético, Vianense e Leça, equipas da Liga 3 que afastaram formações da Liga 2, e o sobrevivente Olhanense, único representante dos campeonatos distritais ainda em prova (às vezes parece mentira falar assim do Olhanense, que ainda ontem estava na principal Liga).
Nem tudo são maus sinais na competitividade do futebol português. E a Taça dos sonhos continua."

O futebol como palco do poder global


"O futebol, hoje, já não pode ser lido apenas como um jogo. É um dos poucos fenómenos globais onde desporto, economia, política e cultura se cruzam de forma permanente e cada vez mais visível. Entre decisões institucionais, dinâmicas financeiras e disputas de influência internacional, o futebol transformou-se num espelho das tensões do mundo contemporâneo.
A expansão do futebol enquanto espetáculo global tornou-o também numa ferramenta de influência entre Estados e instituições. A organização de grandes competições ou investir em clubes de elite deixou de ser apenas desporto. Passou a ser uma forma de projetar imagem, influência e legitimidade internacional.
Este fenómeno é frequentemente descrito como soft power, a capacidade de um país influenciar outros através da atração cultural em vez da força. No futebol, isso traduz-se na utilização de super eventos, clubes e estrelas como veículos de diplomacia indireta. A FIFA assume aqui um papel central, regulando competições e gerindo equilíbrios delicados entre interesses desportivos, económicos e políticos, enquanto a UEFA desempenha esse papel no contexto europeu.
O Mundial, em particular, tornou-se muito mais do que uma competição. É um palco onde países se apresentam ao mundo, reforçam posições estratégicas e disputam visibilidade global. Esse processo transforma o futebol num espaço inevitavelmente político, mesmo quando se apresenta como neutro.
A edição de 2026, disputada nos Estados Unidos, no Canadá e no México e vencida pela Espanha na final, tornou este argumento ainda mais visível: pela primeira vez, a FIFA aplicou um sistema de preços dinâmicos à venda de bilhetes, o que levou entradas na fase de grupos a ultrapassar os milhares de euros e o bilhete mais barato da final a superar os dois mil euros, gerando críticas de adeptos, treinadores e até uma queixa formal junto da Comissão Europeia.
Um torneio pensado para unir o mundo à volta de um jogo tornou-se, também ele, um estudo de caso sobre até que ponto o espetáculo pode ser esticado antes de deixar de ser acessível a quem lhe deu origem.
Em vários casos recentes, o futebol europeu tem sido diretamente atravessado por conflitos históricos, políticos e até militares que extravasam o contexto desportivo.
O exemplo mais evidente é o da Rússia e Ucrânia. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, a Rússia foi suspensa de competições internacionais pela UEFA e FIFA, afetando clubes e seleção nacional, uma suspensão que se mantém em vigor para a equipa principal e para os clubes nas provas europeias, incluindo o ciclo 2026/2027. Ainda assim, o processo já não é estático: em julho de 2026 o Comité Olímpico Internacional levantou provisoriamente a suspensão ao Comité Olímpico Russo, e a FIFA convidou a seleção sub-15 russa para o Mundial da categoria, em outubro, no Azerbaijão, o primeiro regresso oficial da Rússia a uma competição da FIFA desde 2022.
O próprio presidente da FIFA já se mostrou publicamente favorável a um regresso gradual, começando pelos escalões de formação. A Ucrânia, por sua vez, continua impedida de jogar em território próprio, e assim continuou mesmo depois de não se ter apurado para o Mundial 2026, ao perder no play-off europeu frente à Suécia; toda essa fase decisiva foi disputada em Espanha, por razões de segurança, com o futebol a assumir também um papel de representação nacional em contexto de guerra. Neste caso, a decisão institucional foi direta e imediata, mostrando que em cenários extremos o futebol europeu não se mantém neutro, ainda que a forma como esse afastamento é gerido continue, ela própria, a evoluir.
Nos Balcãs, o caso da Albânia e Sérvia mostra outro tipo de tensão. Não existe uma guerra ativa entre os dois países, mas sim um conflito histórico e identitário profundo, muito ligado ao Kosovo e às guerras da antiga Jugoslávia. O episódio de 2014 num jogo em Belgrado, interrompido após a entrada de um drone com símbolos políticos, expôs como rapidamente o futebol pode tornar-se palco de conflito. Desde então, a UEFA reforçou mecanismos de separação e segurança, evitando confrontos diretos entre seleções sensíveis.
Por outro lado, o caso da Grécia e Macedónia do Norte é mais diplomático e identitário. Durante anos, a disputa sobre o nome Macedónia condicionou o reconhecimento internacional da seleção. O Acordo de Prespa em 2018 resolveu o impasse político e permitiu a normalização da presença da seleção nas competições da UEFA e da FIFA. É um exemplo claro de como decisões diplomáticas podem desbloquear impasses desportivos e reintegrar países no sistema competitivo europeu.
Nestes contextos, FIFA e UEFA não são apenas organizadoras de competições, mas também mediadoras indiretas de conflitos internacionais.
O seu papel manifesta-se em três dimensões principais. Primeiro, na regulação e exclusão, como acontece com suspensões de federações em situações de guerra ou violações graves, ou na definição de regras que impedem confrontos entre países politicamente sensíveis.
Segundo, na mediação indireta de tensões, através da separação de seleções em sorteios e da gestão de calendários e segurança em jogos de risco político.
Terceiro, na pressão diplomática e simbólica, já que decisões sobre torneios, competições e posicionamentos institucionais acabam por ter impacto político, mesmo quando não são apresentados como tal.
Ainda assim, este papel é frequentemente criticado por ser reativo e dependente da pressão externa, intervindo muitas vezes apenas quando o contexto já se tornou insustentável. Para além da dimensão política e simbólica, estes conflitos têm também impactos económicos relevantes no ecossistema do futebol.
Em primeiro lugar, há efeitos diretos na exclusão de mercados. A suspensão de seleções ou clubes, como no caso da Rússia, retira receitas de competições internacionais, reduz visibilidade mediática e afeta contratos televisivos, patrocínios e direitos comerciais. Isto cria um efeito em cadeia que não se limita ao país sancionado, mas também às próprias competições, que perdem audiências e potencial de mercado.
Em segundo lugar, existe impacto na organização de eventos. Jogos considerados de alto risco político implicam custos acrescidos em segurança, policiamento e logística. Em alguns casos, podem obrigar mesmo a jogos à porta fechada ou em campo neutro, o que reduz receitas de bilheteira e impacto económico local.
Em terceiro lugar, há consequências no valor de marca dos próprios torneios. Conflitos internacionais associados ao futebol podem afetar a perceção global das competições, influenciando decisões de patrocinadores e investidores, que procuram ambientes estáveis e previsíveis.
Por fim, estes contextos também afetam o mercado de transferências e a mobilidade de jogadores, sobretudo quando há sanções, instabilidade política ou restrições legais, o que pode alterar fluxos económicos entre ligas e clubes.
Outro eixo central desta transformação é a crescente financeirização do futebol. O acesso ao espetáculo tornou-se progressivamente mais caro, acompanhando a lógica global da experiência premium.
A introdução de modelos de preços dinâmicos em grandes competições internacionais, como se viu de forma particularmente evidente no Mundial 2026, tem levado a aumentos significativos no custo dos bilhetes, afastando parte do público tradicional e gerando críticas sobre elitização do jogo. O futebol, enquanto produto global, parece cada vez mais orientado para maximizar receitas, mesmo que isso altere a sua relação histórica com os adeptos.
Para além da economia e da política internacional, o futebol continua a ser um espaço onde questões sociais emergem com força. Racismo, desigualdade, inclusão e identidade cultural são temas recorrentes que atravessam jogos, estádios e redes sociais.
Apesar das campanhas institucionais, episódios de discriminação continuam a surgir, revelando que o futebol não está isolado das dinâmicas sociais mais amplas. Pelo contrário, muitas vezes amplifica-as, precisamente pela sua visibilidade global.
Ao mesmo tempo, o futebol funciona como espaço de representação coletiva. Clubes e seleções tornam-se símbolos identitários, capazes de mobilizar emoções, pertença e até conflitos simbólicos entre comunidades.
A questão central talvez não seja se o futebol continua a ser apenas desporto, mas sim até que ponto isso ainda é possível.
Hoje o futebol é simultaneamente uma indústria multimilionária, uma ferramenta de influência geopolítica, um palco onde conflitos internacionais e históricos se projetam como Rússia e Ucrânia, Albânia e Sérvia, ou Grécia e Macedónia do Norte, um sistema regulado por entidades como FIFA e UEFA que atuam como mediadores indiretos de tensões políticas, um espaço de impactos económicos relevantes associados a sanções, exclusões e instabilidade, um espaço de disputas sociais e um espetáculo cultural global.
Estes exemplos mostram que o futebol não apenas reflete o mundo. Muitas vezes amplifica as suas tensões, ajuda a gerir memórias históricas ou a estabilizar relações diplomáticas, mas raramente é neutro.
No fim, o futebol continua a ser o mesmo em essência. Vinte e dois jogadores, uma bola, um objetivo. Mas o mundo à sua volta tornou-se irreconhecivelmente mais complexo, e é isso que o transforma num dos fenómenos mais relevantes da sociedade contemporânea."

Quatro medalhas, uma certeza e um país por pedalar


"Portugal voltou a brilhar nos Mundiais de ciclismo de pista. Quatro medalhas em Xangai confirmam a excelência de uma modalidade que continua a merecer muito mais atenção do que aquela que lhe dispensamos. E Iúri Leitão voltou a mostrar que os campeões não precisam de ser descobertos duas vezes

Há países que descobrem os seus heróis quando estes sobem ao pódio olímpico. Portugal descobriu Iúri Leitão em 2024, com o ouro conquistado em Paris, ao lado de Rui Oliveira, no madison. De repente, um país desportivamente inculto ficou a saber que existiam bicicletas sem travões e disciplinas chamadas omnium, scratch e madison. Nomes esquisitos, regras difíceis de entender à primeira e corridas que parecem desafiar a lógica de quem só conhece o desporto pela televisão.
Pois bem: dois anos depois, continuamos a ter razões para prestar atenção.
Em Xangai, Portugal conquistou quatro medalhas nos Mundiais de pista, confirmando resultados de excelência a que, felizmente, nos vamos habituando. Esperemos que bem. Porque, quando o sucesso se repete, deixa de ser acaso e passa a ser sinal de competência, trabalho e talento. A questão é saber se temos a ambição de transformar estes resultados numa tradição duradoura. No centro desta história está, inevitavelmente, Iúri Leitão. Mais um título mundial para um corredor especial, carismático e de enormíssimo talento, capaz de aliar potência, inteligência e uma notável capacidade de decidir quando mais importa. Há campeões que ganham medalhas; outros conseguem também despertar um país. Iúri pertence às duas categorias.
Mas seria injusto reduzir a Xangai ao brilho de um só nome. Quatro medalhas são o retrato de uma seleção que merece reconhecimento e de uma modalidade que justifica investimento, visibilidade e continuidade.
Talvez esteja na altura de deixarmos de achar o scratch estranho, o omnium incompreensível e o madison uma extravagância. Afinal, também aprendemos a gostar daquilo que nos ensinaram a ver.
Portugal tem campeões. Tem resultados. Tem talento. Falta-lhe, por vezes, olhar para eles antes de chegarem ao ouro olímpico.
Que estas quatro medalhas sirvam, portanto, para mais do que festejar. Que nos ensinem a olhar para a pista. Porque os campeões já lá estão. Nós é que, demasiadas vezes, ainda vamos a meio da volta."

DAZN: The Premier League - Jornada 7 - Golos

DAZN: Bundesliga - Jornada 6 - Golos

BolaTV: Domínio d'A Bola #2 - Europa dos portugueses a ritmos diferentes

DeLetra - ⚽ ON TOUR BY XTB #1 - Torreense vs. Sunderland

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Os gigantes da Taça e o Brasileirão

Falsos Lentos - S07E05 - Manuel Cardoso comete Crime!

No Principio Era a Bola - Na Europa, o FC Porto procura validação, o Sporting solidifica-se a partir do guarda-redes e o Benfica acumula alternativas

TugaFut: Semanada #5

A Verdade do Tadeia #2017/11 - A Europa e a Taça

Feira dos Três - Feira da Bola #3

Chuveirinho #193

Zero: Ataque Rápido - S09E12 - Mourinho e Amorim: próximos do sucesso?

Tailors - Final Cut - S05E43 - Carlos Padrão

O Resto é Bola - ⚽ As noites europeias de FC Porto, Benfica e Sporting

Segundo Poste - S06E11 - “O nível sobe, o FC Porto de Farioli desce”

DAZN: F1 - Max centrou todas as atenções em Portimão

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Vitória na Madeira...

Marítimo 0 - 4 Benfica

Pauels; Amado(Borges, 79'), Gomes, Blessing, Lund; Csiki(Loução, 78'), Norton(Tristão, 72'); Chandra(Sebastine, 63'), Moller, Nycole; Shao(Dorsin, 63')

Goleada, num relvado complicado, que com a chuva ainda ficcu pior... numa partida, onde conseguiram anular um golo ao Benfica, sem terem imagens para isso, não marcaram um penalty óbvio a favor do Benfica e ainda perdoaram uma expulsão ao Marítimo perto do fim... tudo normal!!!

Além do grande golo da Lund (mais um...), destaque para a estreia oficial da Ana Borges no Benfica, após uma lesão grave que a deixou de fora mais de um ano!!!

Pedro e Carlos...

Resenha #128 - Mozer e Ricardo Gomes...

BI: Voo Picado #40 - Unum, um novo-velho projeto

Jornalismo moderno...

VAR profissionalizou a polémica


"Desde que comecei a ver futebol, na fascinante década de 80, mudaram os jogadores, os treinadores, os presidentes e outros dirigentes dos mais variados clubes e órgãos, os estádios, os relvados, a preparação física, a alimentação, a análise de dados, a forma de treinar, os equipamentos, as competições, as regras e até a maneira de ver os jogos transmitidos com detalhe que nos transporta para o interior das quatro linhas sem sairmos do sofá, além do VAR, o maior avanço civilizacional — digo eu — da história do desporto-rei.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas algo permanece imutável no futebol português — a conversa sobre o trabalho dos árbitros. É preciso melhorar a arbitragem, é preciso formar melhor os juízes, é preciso protegê-los, é preciso responsabilizá-los, é preciso dar-lhes melhores condições, é preciso acabar com a cultura de pressão. E, sobretudo, é preciso falar menos de arbitragem.
Esta última frase repetida vezes sem conta é a mais curiosa. Todos decretam que se fala demasiado de arbitragem, protagonistas em campo e comentadores fora dele. E qual é a solução para resolver o problema de se falar em excesso de arbitragem? Ora… falar ainda mais de arbitragem. Uma tradição, um tema sempre em cima da mesa.
Se pegarmos num jornal de há 40, 30, 20, 10 ou mesmo um ano, bastaria trocarmos as fotografias dos queixosos, contextualizar os reparos e os textos estariam prontos a publicar. «É preciso credibilizar a arbitragem», «é urgente reformar o setor», «os árbitros estão sob demasiada pressão», «não se pode continuar a viver num clima de suspeição», «lá fora nada disto acontece», blá, blá, blá… Tudo isto nos soa familiar.
Antes, discutíamos se o árbitro tinha visto bem. Agora, analisamos se o VAR esteve atento. Depois, se devia ter chamado o árbitro, a seguir se devia ter ido ao monitor, enquanto esmiuçamos a imagem frame a frame. Finalmente, ainda poderá haver espaço para duvidarmos se a linha que alguém desenhou sobre a imagem é a correta. O VAR não matou a polémica, apenas a profissionalizou.
Ironia das ironias, a tecnologia surgiu para reduzir o erro, esse objetivo foi largamente alcançado — é só lembrar o número de erros corrigidos com recurso à videoarbitragem que noutros tempos seriam recordados por décadas — mas qualquer deslize é agora um acontecimento nacional. Eu ainda sou do tempo em que um lance era visto uma vez no estádio e à noite com uma ou duas repetições no Domingo Desportivo, antes de morrer nos dias seguintes num café perto de nós com um jornal a servir de prova desde que validasse a nossa opinião.
Hoje, essas jogadas controversas podem ser vistas em inúmeros ângulos, alta definição, câmara lenta, prato gourmet pronto a servir à apreciação de antigos árbitros, jogadores, treinadores, comentadores e, também, especialistas que operam no lodo das redes sociais.
É possível que, entretanto, tenhamos inteligência artificial a arbitrar os jogos, sensores nas chuteiras, câmaras em cada metro quadrado do estádio e um computador capaz de determinar, ao milímetro, tudo e mais alguma coisa.
E alguém há de dizer: «É tudo muito bonito, mas é preciso melhorar a arbitragem.»"

BolaTV: Omonia...

BF: Sanchez

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Benfica quer renovar com Prestianni. Trubin sai em janeiro?

Bola na Trave: Mezian Soares

Investir no futebol feminino é investir no futuro do futebol


"Durante muitos anos, o crescimento do futebol feminino foi apresentado sobretudo como uma questão de igualdade, visibilidade e reconhecimento. E continua a ser. Mas limitar a discussão a essa dimensão é hoje insuficiente.
O futebol feminino entrou numa nova fase: deixa de ser visto apenas como uma modalidade com potencial de crescimento para se afirmar como um ativo desportivo e económico, capaz de atrair investimento, criar valor e desenvolver modelos de negócio próprios.
A questão já não é saber se vai crescer, mas quem estará preparado para beneficiar desse crescimento.

Da visibilidade ao valor
O Mundial feminino de 2027, no Brasil, será um momento relevante desta transformação. Pela primeira vez, a principal competição internacional feminina será disputada na América do Sul, num país onde o futebol ocupa um lugar central na identidade cultural.
A FIFA pretende ampliar a exposição global através de uma cobertura televisiva alargada e de uma forte presença digital, para aumentar audiências, atrair novos públicos e reforçar o interesse de patrocinadores e parceiros comerciais.
Mas o verdadeiro desafio não será apenas garantir atenção durante algumas semanas. Será transformar essa visibilidade em valor sustentável, capaz de perdurar para lá do torneio.

Quando o mercado começa a acreditar
Fundado em Los Angeles em 2020, o Angel City FC tornou-se um dos casos mais relevantes do futebol feminino mundial. A valorização alcançada em poucos anos demonstra o crescente interesse dos investidores.
Mais importante do que os números é compreender as razões desse crescimento. O clube construiu uma identidade forte, aproximou-se da comunidade, atraiu patrocinadores de referência e criou uma marca capaz de gerar envolvimento para além da competição.
O seu percurso demonstra que o potencial económico do futebol feminino depende cada vez mais da capacidade para criar relevância, proximidade e valor.

O papel dos investidores
A entrada de investidores especializados é outro sinal importante. A Mercury13, por exemplo, tem adquirido participações em vários clubes europeus, apostando na profissionalização da gestão, no desenvolvimento estrutural e na criação de valor a longo prazo.
Esta abordagem parte de uma convicção simples: o futebol feminino pode ser sustentável quando apoiado por visão estratégica, estruturas competentes e gestão profissionalizada.
Nenhum investimento garante sucesso. O capital é apenas o ponto de partida: o desafio é convertê-lo em melhores condições para as atletas, maior qualidade competitiva, experiências relevantes para os adeptos e receitas consistentes.

Uma responsabilidade partilhada
Clubes, ligas, federações, investidores e adeptos têm um papel decisivo. Mais visibilidade atrai patrocinadores; melhores condições elevam a qualidade do espetáculo; uma ligação mais forte aos adeptos aumenta a fidelização; e uma gestão profissional contribui para a sustentabilidade económica.

Uma oportunidade que já chegou
Persistem desafios: desigualdades estruturais, diferenças entre mercados e dificuldades de sustentabilidade em vários projetos. Nem todos os investimentos terão sucesso, mas seria um erro continuar a olhar para a modalidade apenas como uma promessa de futuro.
O investimento já está a acontecer, as audiências crescem e surgem novos modelos de negócio. O mercado começou a identificar oportunidades onde antes via apenas potencial.
O futebol feminino deixou de ser apenas uma aposta no futuro. É cada vez mais relevante no presente da indústria. Quem compreender esta realidade mais cedo estará a investir numa das transformações mais significativas que o futebol conheceu nas últimas décadas.
Investir no futebol feminino já não é apenas uma questão de desenvolvimento desportivo ou compromisso social. É uma decisão estratégica sobre o futuro do próprio futebol."

Quando o sonho acaba, o que vem a seguir?


"O final de carreira deve preparar-se no dia a dia. Se o fizermos, percebemos que o futebol nos pode dar muitas coisas que outras profissões não nos dão.

Nas últimas semanas temos falado muito sobre a forma como Cristiano Ronaldo poderia ou deveria ter preparado a sua saída da Seleção Nacional. O final de carreira é sempre um período muito difícil de gerir.
Como referiu Liliana Pitacho no artigo publicado na última quinta-feira neste jornal, a gestão psicológica desta transição não é fácil. Entendo que os clubes e as organizações que acompanham os jovens atletas deveriam dar mais atenção à preparação do seu futuro para além do futebol, para que o fim da carreira não se transforme num pesadelo.

Carreira curta, futuro longo
Os jogadores profissionais de futebol não ganham todos milhões de euros. São poucos os que conseguem terminar a carreira e viver dos rendimentos. A maioria terá de iniciar uma nova atividade quando deixar de jogar. Ainda assim, um jogador da primeira Liga recebe, em média, mais do que muitas pessoas da mesma idade que desempenham outras profissões. Esta é uma vantagem que não pode ser desperdiçada e que deve ser aproveitada para preparar o futuro.
Por norma, todos ajustamos o nosso estilo de vida aos nossos rendimentos. A questão é que a carreira de jogador profissional de futebol é de desgaste rápido e pode durar apenas 10 ou 15 anos. Com 20 anos de idade, poucos têm esta perceção.
Em Portugal, continuamos a ter uma cultura de investimento pouco desenvolvida. Para um jogador profissional, aprender a gerir o dinheiro e a perceber como pode fazê-lo crescer é tão importante como saber ganhá-lo.
O jogador de futebol vive muito pelo exemplo. Qual é o exemplo que os miúdos veem nos mais velhos? Uma das primeiras coisas que um jovem faz quando começa a ter um rendimento superior é comprar um bom carro, pelo estatuto, pelo sonho que sempre teve ou por qualquer outro motivo.
Não tenho nada contra realizarmos os nossos sonhos. O importante é que sejam enquadrados no nosso património presente e futuro e tenham uma lógica racional. Afinal, um carro não é um investimento, é uma despesa.

Preparar o fim de carreira
«Devemos preparar o fim de carreira.» Oiço frequentemente esta expressão. Hoje em dia, já existe uma maior preocupação com esta difícil transição na vida dos atletas profissionais. Há várias áreas que podem ser afetadas.
A parte psicológica, nomeadamente a perda de uma rotina que se manteve durante anos, é difícil de gerir. Quem joga futebol sabe que o futebol é muito mais do que um jogo. É a camaradagem, o convívio diário, as discussões, os desentendimentos, as palhaçadas e os momentos de muita diversão.
É nos treinos que desabafamos uns com os outros sobre os nossos problemas. A intensidade desta profissão é enorme, a todos os níveis. Existe ainda o mediatismo, que faz muitos jogadores sentirem-se importantes e reconhecidos.
Agora imaginem que, de repente, de um dia para o outro, tudo muda e a luz se apaga. Ficamos em casa e já não vamos para o treino. A carga física pode ser substituída pelo ginásio ou por outra atividade, mas e a adrenalina? O convívio? A rotina acelerada? O propósito do dia a dia?
Outra parte difícil de gerir é a económica. Passamos da certeza para a incerteza. Estamos habituados a receber um salário, em média, superior ao de outras pessoas da mesma idade e, de repente, tudo para.
A realidade é que muitos atletas só se preocupam verdadeiramente com esta questão nos últimos anos da carreira, o que lhes pode provocar ainda mais ansiedade.
Posso dar o meu exemplo. Passei por esta transição de forma precoce. Aos 29 anos, decidi que ia deixar de jogar. Percebi que o mercado de trabalho em Portugal era difícil. Tinha na mão um curso superior valorizado — Economia, na Nova SBE. Teoricamente, tinha um plano B. Na prática, senti-me tão perdido como os outros.
Andei à procura do meu espaço e do meu caminho. Cometi alguns erros que me fizeram crescer muito e desenvolver competências que deveria ter desenvolvido bastante antes. Se há alguma coisa de que me arrependo, não são os erros que cometi, mas sim não me ter preocupado com o processo de transição desde o início da carreira. Pode parecer um paradoxo, mas é claro para mim: se tivesse pensado no final desde o início, as minhas decisões e aprendizagens teriam sido completamente diferentes.
O final de carreira deve preparar-se no dia a dia. Se o fizermos, percebemos que o futebol nos pode dar muitas coisas que outras profissões não nos dão. Temos contactos, experiências, tempo para continuar a crescer noutras áreas e capacidade financeira para investir em nós próprios. O que não podemos é desperdiçar tempo e deixar tudo para os últimos anos.

Do futebol para a vida
O mercado de trabalho em Portugal é rígido. Não é fácil para ninguém entrar numa nova área aos 30 e muitos anos. Pela minha experiência, posso afirmar que a imagem que existe dos jogadores de futebol no mercado de trabalho nem sempre é a melhor. Existe uma desconfiança em relação às suas capacidades. Tudo isto é uma realidade, mas pode ser combatida.
Os jogadores profissionais de futebol desenvolvem capacidades importantes para o mercado de trabalho, como a definição e concretização de objetivos, a aprendizagem contínua, o trabalho sob pressão e a adaptação a novas realidades. Ao longo da carreira, convivem com diferentes tipos de liderança e pessoas de várias nacionalidades, com quem têm de criar relações profissionais e desenvolver empatia. Aprendem a trabalhar em equipa desde pequenos e a reconhecer o seu papel em diferentes contextos.
No futebol, errar faz parte do processo, mas é preciso reagir rapidamente, corrigir e voltar a tentar. É uma capacidade que pode ser muito útil noutras atividades profissionais.
Muitos jogadores, assim como pessoas de fora do futebol, não reconhecem estas características, apesar de serem evidentes. Para as potenciarem, cada um tem de fazer o seu trabalho desde cedo e preparar-se em diferentes áreas, para que, quando o comboio passar pela sua paragem, esteja preparado para o apanhar.

A valorizar: Prestianni
Está a ter um início de época incrível. A consistência que tem mantido jogo após jogo faz dele um jogador imprescindível para Marco Silva.

A desvalorizar: Carlos Vicens
Está a ter um início de época abaixo das expectativas. Nos últimos dois jogos esperava-se outra resposta de um SC Braga que quer lutar por títulos."

Iúri é ouro, 'omnium' de todos


"Ciclista português até já tinha conquistado o título mundial, mas o choro compulsivo de Xangai relembra-nos o sacrifício acumulado daqueles que são verdadeiros campeões sem condições

Não contem comigo para apoiar nacionalismos radicais, mas existem poucas coisas mais emocionantes do que ouvir A Portuguesa entoada por um compatriota no lugar mais alto de um pódio.
Também não contem comigo para classificar portugueses de primeira e de segunda categoria, mas a emoção é ainda maior quando essa conquista surge fora do futebol. Não que tenha a pretensão de fingir que o meu desporto-rei é outro, mas porque isso só faz com que valorize ainda mais quem se torna campeão em qualquer outro desporto, sobretudo a nível individual.
Quando alguém como Iúri Leitão sobe ao lugar mais alto do pódio, a medalha ao peito é de um metal mais puro: ouro de quem tem de garimpar o dobro para conseguir aquilo com que outros só ousam sonhar.
O canoísta Fernando Pimenta, que é do distrito de Viana do Castelo, tal como Iúri Leitão, dizia há dias, na EXPOFUT, que vivia um bocadinho «na sombra do futebol». «Nas modalidades temos de querer mesmo muito e é isso que também nos faz evoluir e alcançar os nossos objetivos», reforçou Vanessa Fernandes, no mesmo painel do evento realizado precisamente na Arena Liga Portugal, no Porto.
Este nem sequer foi o primeiro título mundial de Iúri Leitão, campeão olímpico em 2024 e detentor de seis títulos europeus, mas aquele choro compulsivo, no chão da pista de Xangai, não deixa de ser sacrifício acumulado. Esconde a crónica falta de apoios e de condições de treino, ao mesmo tempo que dá um certo consolo à dedicação de muitos treinadores e dirigentes anónimos, assim como a clubes modestos que investem tudo na missão de colocar estes jovens no bom caminho.
Iúri é novamente campeão mundial de omnium, o latim para «de todos», ou «de tudo». Portugal tem um problema que é cultural, por isso de todos (nós), e mesmo assim forma campeões que fazem de tudo para oferecer títulos que contrariam a lógica das condições que lhes damos."