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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Terceiro Anel: Bola ao Centro #236 - FINALMENTE ESTAMOS DE VOLTA!! 🦅🔴

Afinal, o futebol pode ser coletivo


"Jorge Jesus não abdicou das suas ideias, os resultados foram bons e as exibições, solidárias. A posição da FPF face a Cristiano Ronaldo (atenção ao Regulamento Disciplinar) coloca nos ombros do jogador do Al-Nassr o ónus da reconciliação, que, a verificar-se, não passará de um ato de hipocrisia. Tenho pena, mas foi CR7 que escolheu a via da arrogância…

Quatro jogos, quatro vitórias, nos dois terços iniciais da fase de grupos da Liga das Nações, colocaram Portugal, desde já, nos quartos de final da competição de que é campeão em título.
Mas há jogos e jogos e cada um deles é o próprio e a sua circunstância. E como foram diversas as circunstâncias, para Portugal, ao longo destes 360 minutos. Jorge Jesus começou com o modelo de Roberto Martínez e obteve uma vitória justa, mas anémica, sobre o País de Gales; depois, introduziu, em Oslo, as suas próprias ideias, com pressão alta e futebol atacante, de alas bem abertas, e derrotou, fora de portas, a seleção que eliminou o Brasil no Mundial de 2026; seguiu-se a crise com CR7 e a resposta surgiu em forma de grande exibição, solidária e personalizada, que valeu um triunfo em Copenhaga onde, nos últimos anos, só a Espanha passara; e, com um discurso já voltado para colocar nas costas de Ronaldo o ónus de fumar o cachimbo da paz, novo triunfo, no Dragão, frente aos noruegueses, após 90 minutos de trabalhos forçados, que tiveram um acréscimo inesperado com a expulsão infantil de Francisco Conceição.
A Seleção de Portugal foi uma verdadeira equipa, cada um quis saber dos companheiros antes de saber de si próprio, não houve quem recusasse uma corrida para trás, no momento defensivo, e o talento individual e as movimentações coletivas possíveis nesta fase embrionária do trabalho de Jesus foram, naturalmente, de menos a mais ao longo destes quatro jogos. Estamos a assistir ao começo de um novo ciclo? Não tenho qualquer dúvida disso, de olhos postos em 2030.
Felipe Melo, 43 anos, ex-jogador internacional pelo Brasil, com passagens por Espanha, Itália e Turquia, publicou uma reação nas redes sociais, em defesa de Cristiano Ronaldo, onde dizia que nenhum dos outros jogadores da Seleção Nacional lhe chegava aos tornozelos. CR7 respondeu com um ‘gosto’, deixando claro como se via face aos companheiros da turma das quinas. Quando se fala numa forma digna de o jogador do Al-Nassr se despedir da equipa de todos nós, ficou claro que Ronaldo não valoriza essa vertente e insiste em deitar sal na ferida aberta por tudo o que sucedeu depois do Noruega, 1-Portugal, 2.
No fundo, devemos estar gratos a Cristiano Ronaldo por não esconder o que pensa dos companheiros de percurso na Seleção Nacional, o que nos leva a perceber que o mal-estar instalado transcendia em muito Jorge Jesus. Mas mais lhe devemos agradecer o facto de, com este simples ‘gosto’, ter unido ainda mais a turma das quinas, dando-lhe uma motivação extra. Ao mesmo tempo, qualquer tentativa de criar condições para uma saída limpa de CR7, caiu pela base. A não ser que, para o jogo de homenagem (contra a Arábia Saudita, sem dúvida), a Federação Portuguesa de Futebol conceda a Cristiano Ronaldo a faculdade de ser selecionador, treinador e capitão (e mesmo assim terá dificuldade em encontrar dez jogadores que queiram fazer parte da sua equipa). Muito se tem falado do prejuízo para a FPF provocado pelo adeus intempestivo de CR7. Não vejo como, a não ser na virtualidade das redes sociais. No que respeita aos vários contratos em vigor até 2030, a FPF não recebe mais ou menos por ter CR7 (e era sabido que o jogador do Al-Nassr terminaria a carreira em 2027, três anos antes do termo desses compromissos); e a questão dos ‘cachês’ dos jogos particulares, a partir do momento em que a Liga das Nações veio ocupar as datas FIFA consagradas aos embates a feijões, deixou de se colocar. Portanto, o que tem sido dito sobre a influência da marca CR7 nas contas federativas não passa de poeira para os olhos: e tenho a certeza de que os adeptos da Seleção Nacional, que com a qualidade que possui continuará a apurar-se para as grandes competições internacionais, vão continuar ao lado da equipa.
É verdade que o adeus rocambolesco de Cristiano Ronaldo à Seleção provocou uma onda mediática a nível planetário. O que não significa que tenha existido um movimento de solidariedade com o antigo astro madeirense. Pelo contrário. Cristiano Ronaldo constará nos livros da história do futebol como um dos melhores intérpretes de sempre. Mas também será lembrado, em nota de rodapé, como alguém que não teve noção das suas crescentes insuficiências e terminou a carreira como caricatura do gigante que foi. Creio que a Proença e JJ fazem bem em tentar encontrar-lhe um adeus digno à Seleção Nacional, embora me pareça - e talvez esteja enganado - que nem o próprio estará interessado em entendimentos.
Talvez o maior favor que a FPF lhe faça, em nome de tudo o que, desde 2003, representou para Portugal, seja não agir disciplinarmente contra ele junto da FIFA, o que seria absolutamente normal depois da deserção que protagonizou, e dessa forma permitir-lhe que chegue aos desejados 1000 golos. E há uma coisa que parece pacífica: face ao Regulamento Disciplinar da FPF, a situação de Cristiano Ronaldo é, neste momento, de jogador suspenso automaticamente. A FPF está a tentar criar condições para um adeus digno de CR7 à Seleção. Mas é um pouco como a canção de Rui Veloso: na Cidade do futebol sabe-se que Cristiano Ronaldo não gosta, mas mesmo assim quer-se empenhar o anel de rubi, para levá-lo ao concerto do Rivoli.
Do ponto de vista político, o que a FPF (atenção ao Regulamento Disciplinar, repito, que é perentório) está a ensaiar é inteligente, remetendo para CR7 a decisão de querer conversar sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias, na linha, aliás, do que foi dito pelos jogadores, antes e depois do jogo. Porém, parece-me que foram ultrapassadas linhas vermelhas, que tornam qualquer entendimento, que transcenda a hipocrisia, impossível. Imagine-se, por absurdo, que Ronaldo pedia desculpa (alguém antecipa esse cenário?), cumpria a sanção decorrente da deserção de Copenhaga e voltava a ser convocado por Jorge Jesus. Depois do que disse dos companheiros (o ‘gosto’ a Felipe Melo), alguma vez seria bem aceite pelo grupo? E mais: sabia-se que CR7 já não tinha lugar no melhor onze de Portugal há vários anos; logo, será crível que ele viesse para aceitar jogar quando houvesse espaço para o pouco que ainda tem para dar?
Deixemo-nos de eufemismos. Cristiano Ronaldo, com jogo de homenagem ou sem jogo de homenagem, hipotecou o adeus à Seleção Nacional, que tudo o que fez por Portugal justificaria. Estamos perante um ‘citizen Kane’ que vai, mais ano, menos ano, deixar de ter o mundo a seus pés, nos termos que conhecia."

A decisão está nas mãos de Cristiano, se Deus quiser


"Quatro vitórias em quatro jogos são o saldo, até agora, da Seleção de JJ. O momento positivo fica marcado, no entanto, pelo abandono de CR7. Agora resta aguardar que ele decida o que fazer

Portugal terminou o ciclo de quatro jogos da Liga das Nações com quatro vitórias e sinais de crescimento exibicional que empolgaram os adeptos como poucas ou nenhumas vezes nos últimos anos. O momento positivo da Seleção Nacional ficou marcado, no entanto, pelo abandono de Cristiano Ronaldo, cuja versão dos factos está ainda por contar.
Nos últimos dias, começaram a surgir os sinais de mediação da FPF com o objetivo de evitar este final abrupto da maior figura da Seleção. Jorge Jesus não só aprovou a reconciliação como está mesmo interessado em convocar CR7 para os próximos jogos, já em novembro, conforme A BOLA avançou ainda durante o jogo com a Noruega. Afinal, o estatuto ainda vale tudo. Proença falou ontem finalmente, mas só à RTP e apenas para prestar uma «vénia» a Ronaldo. Regulamento? Não se aplica, suponho. Só faltou mesmo pedir desculpa.
Do capitão (sendo assim, não se pode dizer antigo capitão, certo?) ainda nada se sabe sobre a intenção de ouvir (ou não) a outra parte. Os cenários, nesta altura, parecem ser estes: ou CR7 não responde, ou dá uma nega à FPF e a Jesus e este foi mesmo um triste adeus; ou Cristiano acalma os gostos nas redes sociais e a narrativa à sua volta de traição e acede a um regresso, seja ele total ou por via de uma homenagem.
Aguardamos, portanto, a decisão de Ronaldo. Vinte e três anos depois, é ele quem vai escolher como acabar ou prolongar mais um bocadinho esta ligação tão benéfica para todos, muitas vezes mais desportivamente, outras financeiramente. Verdade seja dita: o próprio sempre disse que seria ele a decidir. E como a FPF claramente não está preparada para o fim, será assim tão surpreendente que tenhamos chegado até aqui? É como se o adeus de CR7 à Seleção fosse um permanente aquecer para não entrar.
No meio disto tudo, há uma equipa para gerir e em campo não parece haver grandes motivos de preocupação. Para alguns fãs (ou bots) os jogadores também serão traidores, mas se houver um português desinteressado em ver a qualidade que Portugal apresentou nos últimos jogos então confesso que também me apetece desistir.
A Seleção Nacional está apurada para os quartos de final da Liga das Nações, venceu adversários difíceis e apresentou a elevada nota artística que JJ tanto prometeu - e várias vezes cumpriu. Há motivos para entusiasmo e celebração, mas também há que esperar que quem ficou chateado por não jogar e partiu decida se quer voltar. É uma espécie de ato de fé: o treinador é Jesus, mas o futuro é se Deus quiser."

Sem proteção!!!

Proposta...

Transparência... pessoalmente, sou mais pessimista, enquanto as personagens sejam corruptas, não existe modelo que funcione!!!

Backstage | #VóleiBenficaFem 3-0 PV Colégio Efanor | Jogo de Apresentação

BF: Avançado...

5 Minutos: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Jesus afina um rolo compressor. Ronaldo entra na engrenagem?

Terceiro Anel: Diário...

No Princípio Era a Bola - Acabou a circulação em U de Martínez na seleção, começou o quase delírio em torno de Ronaldo

Falsos Lentos - S07E03 - Carlos falou com Elma sobre Ronaldo

ESPN: Futebol no Melhor #637

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Futebol à Parte - S02E06 - PIZZI de volta e POLÉMICA RONALDO

Chuveirinho #191

Tailors - Final Cut - S05E41 - Rafael Bracali

DAZN: F1 - A vitória de Max no caos de Sepang

Sem vaselina!!!

Birra aos 41...

Que ofensa tão baixa... e tão merecida!!!

Verdades...

Profecia!

Muito treino!

Cumulo da Parolice !!!

Oremos !!!

Nem com um desenho...

Simples...

Culto...

BnR: Noruega...

Bola na Trave - Noruega...

Área Técnica #28 - O fim do regime!

Observador: Relatório do Jogo - Noruega...

Simples: Noruega...

Oliveira: Noruega...

Terceiro Anel: Noruega...

The Seleção Podcast #121 - What Do We Know After 4 Matches?

AA9: Noruega...

BnR: Noruega...

4 JOGOS = 4 VITÓRIAS


"Jogar com 11 é outra coisa.
Jogar com um 9 que marca golos e é o primeiro defensor da equipa é outra coisa. Ter um treinador que percebe disto e sabe montar uma equipa que joga para a frente, que arrisca e tem um futebol objetivo é outra coisa.
Ter uma equipa que é uma equipa, onde todos jogam para o foco comum, mais solidária, mais igualitária, é outra coisa.
Agora apetece ver Portugal."

Valores...

BI: Voo Picado #39 - Ronaldo bateu com a porta, City em apuros

Antena 3 - Triplo Duplo - João Figueiredo

BolaTV: Clubes de Chelas ‘renascem’ em camisolas que são arte à flor da pele

A saúde oral também entra em campo


"No desporto de alto rendimento, quase todos os detalhes são avaliados. Monitorizam-se cargas de treino, composição corporal, sono, nutrição, recuperação, risco de lesão e disponibilidade competitiva. Contudo, a saúde oral continua frequentemente ausente da avaliação integrada do atleta.
Esta omissão não é coerente com um modelo moderno de gestão da saúde e do desempenho. A boca não funciona isoladamente do restante organismo e uma doença oral não deixa de existir apenas porque o atleta não sente dor.
A Medicina Dentária Desportiva vai muito além da confeção de protetores bucais ou da resposta a um traumatismo durante uma competição. Inclui avaliação clínica, prevenção, tratamento, acompanhamento durante a época, educação para a saúde, gestão do risco nutricional, resposta a situações urgentes e articulação com os restantes profissionais que acompanham o atleta.
A cárie dentária, a inflamação gengival, o desgaste dentário, as infeções, a dor orofacial e os traumatismos podem afetar o conforto, a alimentação, o sono, a concentração e a disponibilidade para treinar ou competir. Isto não significa afirmar que o tratamento dentário melhora automaticamente o rendimento desportivo. Significa reconhecer que um atleta com dor, inflamação ou infeção não se encontra nas melhores condições possíveis de saúde.
Num estudo desenvolvido pelo nosso grupo e publicado na revista Scientific Reports, avaliámos 114 atletas de elite. Os resultados demonstraram que 55,1% apresentavam comprometimento periodontal, predominantemente gengivite, e 47,4% tinham cárie dentária. Mais de metade dos atletas apresentava dois ou mais achados orais em simultâneo.
Um dos resultados mais importantes foi a ausência de uma correspondência clara entre a condição clínica e a perceção dos próprios atletas. Muitos valorizavam a sua saúde oral e não referiam um impacto significativo na qualidade de vida, apesar de apresentarem doença identificada através da observação clínica.
Esta aparente contradição transmite uma mensagem relevante: a ausência de sintomas ou de uma queixa não é sinónimo de saúde. Esperar que um atleta tenha dor para intervir significará, muitas vezes, atuar demasiado tarde. Os resultados reportados pelo atleta são fundamentais, mas devem complementar, e não substituir, a avaliação realizada por profissionais preparados.
Num segundo estudo, publicado na revista Nutrients, foram avaliados 80 atletas, com particular atenção à cárie, ao desgaste dentário erosivo e aos hábitos nutricionais. Metade apresentava cárie e 40% evidenciavam erosão dentária. Cerca de 15% referiram que a sua condição oral já tinha afetado o treino e 12,5% indicaram impacto na competição.
A nutrição desportiva representa um desafio específico. As bebidas desportivas, os géis e outros produtos ricos em hidratos de carbono podem ser necessários para responder às exigências energéticas do treino e da competição. Não compete ao médico dentista eliminar de forma isolada uma estratégia definida para apoiar o rendimento e a recuperação.
A solução passa por trabalhar com o nutricionista e adaptar a prevenção à modalidade, à duração do esforço, à frequência de consumo e ao risco individual do atleta. A utilização adequada de flúor, a redução da frequência de exposição quando nutricionalmente possível, o consumo de água após produtos ácidos ou açucarados e a orientação sobre o momento da escovagem são exemplos de medidas que podem reduzir o risco sem comprometer a estratégia desportiva.
A pré-época constitui uma oportunidade privilegiada para realizar uma avaliação médico- dentária estruturada. Permite identificar focos de doença, estabelecer prioridades e programar tratamentos que podem exigir algum tempo de recuperação antes do início da competição.
Uma extração, uma cirurgia, um tratamento endodôntico ou uma infeção aguda têm consequências diferentes consoante sejam geridos durante a pré-época ou na véspera de um jogo decisivo. Antecipar estes problemas é proteger a saúde do atleta e reduzir a possibilidade de situações evitáveis interferirem com o treino ou com a competição.
Contudo, a avaliação de pré-época não pode ser uma ação isolada. Deve constituir o início de um ciclo permanente: avaliar, identificar o risco, definir prioridades, intervir, acompanhar e reavaliar.
Não é suficiente observar dezenas de atletas, produzir um relatório e não garantir que os problemas identificados são tratados. O rastreio só tem verdadeira utilidade quando existe comunicação dos resultados, um plano preventivo individualizado, acesso a tratamento e uma via de acompanhamento ao longo da época.
Sempre que exista autorização do atleta, a informação clinicamente relevante deve ser articulada com a equipa médica, respeitando a confidencialidade e a autonomia individual. O médico dentista deve compreender a organização do clube e trabalhar em conjunto com médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, fisiologistas e demais profissionais.
Durante a época competitiva, a intervenção deve adaptar-se às necessidades do atleta. Perante uma dor aguda, infeção ou traumatismo, a decisão clínica deve considerar o diagnóstico, a segurança, a medicação necessária, as regras antidopagem e o tempo previsto para a recuperação.
A prevenção do traumatismo também exige mais do que a entrega de um protetor bucal. O dispositivo deve ser indicado de acordo com a modalidade e o risco, confecionado individualmente, confortável, retentivo e revisto ao longo do tempo. As equipas devem ainda saber como atuar perante uma fratura ou avulsão dentária, porque os primeiros minutos podem ser determinantes para o prognóstico.
A avaliação funcional do sistema estomatognático pode igualmente complementar a observação clínica, através da análise da força de mordida, da atividade muscular, da dor, da mobilidade e de outras variáveis. No entanto, estes resultados devem ser interpretados com rigor. A Medicina Dentária Desportiva não pode basear-se em promessas simplistas de aumento do rendimento que não estejam sustentadas por evidência científica.
A tecnologia poderá ajudar a tornar a avaliação mais eficiente. Num estudo de validação realizado com radiografias panorâmicas de 114 atletas, um software assistido por inteligência artificial apresentou concordância completa com a referência clínica em 86% dos casos.
Este resultado demonstra potencial, mas também exige prudência. Foram identificados falsos positivos e limitações na deteção de algumas condições. A inteligência artificial pode funcionar como uma segunda observação e ajudar a sinalizar áreas que necessitam de maior atenção, mas não substitui o exame clínico nem a decisão do médico dentista.
Na Egas Moniz, mais de 500 atletas profissionais já foram avaliados e acompanhados no âmbito da atividade assistencial desenvolvida ao longo dos últimos anos. Atualmente, este trabalho inclui relações protocolares com três equipas da Primeira Liga portuguesa e com estruturas como a Federação Portuguesa de Basquetebol.
A experiência acumulada permitiu desenvolver um modelo que articula assistência clínica, investigação, formação e ligação ao terreno. Permitiu também confirmar que a Medicina Dentária Desportiva exige preparação específica, capacidade de integração e continuidade dos cuidados.
Associar uma marca a um atleta ou a um clube não é, por si só, praticar Medicina Dentária Desportiva. O patrocínio pode ser legítimo e contribuir para aumentar o acesso aos cuidados, mas não substitui a formação, os protocolos clínicos, a integração multidisciplinar, o tratamento e o acompanhamento longitudinal.
Da mesma forma, uma fotografia com um atleta não demonstra a existência de um programa de saúde. A comunicação deve ser uma consequência do trabalho clínico realizado e não o seu substituto. O atleta não pode ser utilizado apenas como veículo de promoção de uma instituição.
Os clubes investem valores muito significativos na contratação, preparação e recuperação dos seus jogadores. Neste contexto, não faz sentido manter a saúde oral como um ponto cego. Integrar uma avaliação médico-dentária na pré-época representa uma medida concreta, preventiva e relativamente simples dentro da gestão global da saúde.
O futuro da Medicina Dentária Desportiva não será construído apenas através de visibilidade. Será construído através de ciência, competência, ética e compromisso continuado com a saúde dos atletas.
A saúde oral também faz parte da saúde. E, no desporto, também entra em campo."

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Coleada na estreia na Taça da Liga...

Braga 0 - 6 Benfica


O Braga, já não é o que era, mas mesmo assim, 0-6, mesmo com muita rotação, é significativo. Nesta altura da época, a rotação Europeia até ajuda, ainda não existe cansaço nas pernas... Bom jogo, com as jovens em realce e as Nigerianas contratadas esta época, com excelentes indicações...

Com a lesão da Pauleta no jogo anterior, hoje foi a Tristão a sair tocada... vamos ter que espera e rezar!!!




Santana: Noruega...

Recompensa...

Falar Benfica - Os Rapazes da Gomes Pereira #11 - Balanço da época, direitos TV, arbitragem e modalidades

BF: Aursnes...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Ainda sem paz, Bruno Fernandes massajou o ego de Ronaldo?

Supertaça conquistada


"Em destaque na BNews, mais um troféu conquistado pela equipa feminina de polo aquático do Benfica e a restante atividade desportiva do Clube.

1. 8.ª consecutiva
A equipa feminina de polo aquático do Benfica ganhou a Supertaça pela 8.ª vez seguida (28-3 ante o CA Pacense).
Na mensagem de felicitações, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, realça o "feito único, ao prolongar para oito o número de conquistas consecutivas nesta competição".

2. Contributos internacionais
Acompanhe a prestação dos futebolistas do Benfica ao serviço de seleções nacionais. Destaque para a estreia a marcar de Prestianni pela Argentina.

3. Últimos resultados (masculino)
O Benfica ganhou ao Sporting, por 84-71, em basquetebol, ao Leões Porto Salvo, por 6-2, em futsal, e ao Santo Tirso, por 38-21, em andebol. Os Iniciados de futebol venceram, por 1-3, na visita ao Belenenses.

4. Últimos resultados (feminino)
Em jogo da fase de grupos da Taça da Liga de futebol, as Inspiradoras deslocaram-se a Braga e golearam por 0-6. Em andebol, o Benfica venceu o ZRK Zrinski Cakovec, por 31-16, na Luz em jogo da 1.ª mão da 2.ª ronda de qualificação da EHF European League Women. Em basquetebol, as águias atuaram no reduto do Sporting e venceram por 63-75.

5. Apresentações no voleibol
Na sexta-feira, o Benfica ganhou, por 3-1, ao Leixões, seguindo-se uma sessão de autógrafos. Hoje é a vez da equipa feminina, com a receção ao PV Colégio Efanor às 18h15 na Luz.

6. Homenagem
A anteceder o encontro com o Sporting em basquetebol, o antigo capitão de equipa Makram Ben Romdhane foi homenageado pelo Clube.

7. Reportagem sobre um feito inédito
A BTV acompanhou o campeão do mundo de triatlo Vasco Vilaça.

8. Supertaça para ganhar
Amanhã, às 17h00 no CAR Jamor, o Benfica procura vencer a Supertaça de râguebi ante o Cascais.

9. Health & Performance Congress
Realizou-se a 4.ª edição deste congresso organizado pelo Sport Lisboa e Benfica, que reuniu mais de 400 pessoas.

10. Desporto inclusivo
Arrancou um novo projeto da Fundação Benfica na área do desporto inclusivo que consiste na prática de futebol para amputados."

Este está quase a ultrapassar o Nuno Luz, no concurso de funcionário da semana!!!

Cristiano Ronaldo, o maior ego de todos os tempos

Cristiano Ronaldo: a importância de saber sair


"Uma semana depois de ter afirmado que Jorge Jesus era a pessoa perfeita para assumir o cargo de selecionador nacional, Cristiano Ronaldo abandona abruptamente o estágio da seleção. A frase proferida por Pimenta Machado há muitos anos aplica-se na perfeição ao que se passou: o que hoje é verdade, amanhã é mentira.

Cristiano Ronaldo: uma carreira extraordinária
Cristiano Ronaldo ganhou por mérito próprio uma cadeira na mesa dos melhores de sempre do futebol. A sua evolução foi incrível. De um extremo desequilibrador, mas muitas vezes inconsequente, transformou-se num jogador letal e objetivo. Está a 21 golos de alcançar a marca dos 1000 na carreira. É o mais internacional de sempre. É o melhor marcador de sempre do Real Madrid e da Liga dos Campeões. A isto juntam-se várias Bolas de Ouro e outros recordes.
A sua evolução trouxe uma nova mentalidade. Muitos seguem o seu exemplo. A preocupação que sempre demonstrou com o seu corpo, alimentação e descanso fez escola. Posso afirmar que, nesta área, há um antes e um depois de Cristiano Ronaldo.

O ego e os 'yes men'
O astro português sempre foi um jogador muito focado. Sempre soube onde queria chegar e quase sempre conseguiu. Acredito que, depois dos 30 anos, se alimentou das dúvidas alheias sobre a sua capacidade para manter um nível tão elevado. Com isto, conseguiu adiar o efeito da idade e contrariar quem duvidava da sua capacidade.
Fora dos relvados, a sua dimensão foi crescendo cada vez mais. Ronaldo e quem está à sua volta tiveram o mérito de criar uma marca globalmente reconhecida. Hoje, Ronaldo é a personalidade com mais seguidores nas redes sociais, o que diz muito sobre a sua influência.
Estes dois fatores podem estar a alimentar-lhe o ego e a fazê-lo perder a noção da realidade.
Refiro isto porque, aos 41 anos, Ronaldo já não é o jogador decisivo e desequilibrador que foi durante grande parte da carreira. Parece-me que Cristiano não tem a mesma perceção de quem o vê jogar. Continua a tentar desafiar quem duvida dele, mas a idade chega a todos, sem exceção.
Para os superatletas é difícil encontrar o momento certo para sair de cena. No caso de Ronaldo, parece-me que esse momento já passou.
O que lhe está a acontecer é também um bom exemplo para todos os grandes atletas perceberem a importância de estarem bem rodeados. Não basta ter yes men. Os verdadeiros amigos são os que dizem as coisas sem receio e nos fazem descer à terra quando é preciso. No caso de Ronaldo, pelo que se tem visto, essa voz parece estar a faltar.

Atitude irrefletida
Depois de uma vitória importante frente à Noruega, Ronaldo sentiu que não foi respeitado pelo selecionador nacional. Por dois motivos: porque, aparentemente, Jorge Jesus lhe deu a indicação de que iria jogar 30 minutos e porque esteve a aquecer durante muito tempo e não foi utilizado. Para Cristiano Ronaldo, isto foi uma clara falta de respeito.
Reconheço que Jorge Jesus podia ter evitado deixá-lo tanto tempo a aquecer. Contudo, o jogo estava aberto e o selecionador nacional poderia ter pensado colocá-lo em campo se o resultado se tornasse adverso.
Independentemente do que o possa ter deixado insatisfeito, Ronaldo deveria ter tido a noção de que, como capitão e símbolo nacional, nunca poderia abandonar abruptamente um estágio a meio. Ao fazê-lo, demonstrou falta de respeito pelos seus colegas e pelo compromisso coletivo que representa a seleção. Demonstrou também que, neste momento, a responsabilidade de ser capitão parece não ter pesado na sua decisão.
Por muito magoado que pudesse estar, Ronaldo tinha a noção da dimensão mediática que esta atitude iria ter, da pressão que iria criar nos colegas e na seleção e de que o foco deixaria de estar no excelente resultado alcançado para passar a estar apenas em si próprio.
A sua decisão acabou por colocar o seu conflito pessoal acima do interesse coletivo, precisamente o contrário daquilo que se espera de um capitão. Não estou a dizer que Ronaldo não poderia abdicar da seleção. O que estou a referir é que, se o queria fazer, deveria ter esperado pelo dia de hoje, depois do último jogo do estágio, para tomar uma decisão. Pela responsabilidade e dimensão que tem, Ronaldo sabe o impacto mediático que uma atitude destas pode ter nos seus colegas e na seleção.

Jogar ao ataque
Ao fim de alguns minutos, todos perceberam a dimensão mediática do caso. A FPF não só não soube gerir o processo, como ainda não reagiu publicamente. Parece-me que Pedro Proença está a tentar encontrar uma solução que permita uma reconciliação entre JJ e CR e evitar que esta crise deixe marcas mais profundas.
Numa fase inicial, pareceu-me que se tentou colocar Jorge Jesus no centro do problema e passar a imagem de que este foi o responsável pela atitude do jogador português. Ronaldo, por causa do seu ego, transformou um episódio simples, que podia ter sido rapidamente resolvido internamente, numa mancha no seu currículo.
Para piorar, possivelmente quem o aconselha tentou ainda transformar isto num tribunal popular, para que os adeptos tomassem partido por Ronaldo ou por Jorge Jesus. Nada disto faz sentido e nada justifica a decisão que Cristiano Ronaldo tomou.

Como resolver?
Na mensagem que deixou nas redes sociais, CR referiu que iria contar toda a verdade. Não sei que verdade será essa que fez JJ passar de pessoa certa no sítio certo a responsável pela sua saída da seleção. O que me parece é que, para resolver tudo isto, tem de haver bom senso.
Ronaldo sabe que errou ao abandonar o estágio a meio. O primeiro passo é assumir isso internamente. Todos desejamos que este diferendo se resolva.
Tenho dúvidas de que possa regressar em pleno, até porque teria de lidar com o facto de ser a segunda ou terceira opção e já percebemos que, para Ronaldo, isso não é fácil.
Pela sua carreira, pela sua dedicação à seleção nacional e por tudo o que representa para os portugueses, Ronaldo deve uma saída diferente a si próprio.

A VALORIZAR: GONÇALO RAMOS
Fez dois grandes jogos e demonstrou a sua importância na Seleção Nacional, tanto no capítulo defensivo como ofensivo.

A DESVALORIZAR: PEDRO PROENÇA
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol não teve a capacidade para evitar este conflito. A não reação pública é uma estratégia que visa tentar ganhar tempo para permitir uma aproximação entre as partes."

Trump já ligou a Jesus


"Depois da intervenção de Luís Montenegro, só falta mesmo o presidente dos EUA para resolver a 'guerra' na Seleção, mas continua difícil imaginar um acordo de paz verdadeiro

As redes sociais são perversas. Por estes dias apareceu-me um artigo sobre um apelo de Donald Trump a Cristiano Ronaldo: «Precisamos de ti». Por momentos pensei que a polémica na Seleção Nacional já tivesse chegado à Casa Branca, onde o capitão de Portugal esteve em novembro de 2025. Afinal o apelo de Trump a Ronaldo era de fevereiro (deste ano), mas não me pareceu assim tão descabido que, depois da intervenção do primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, Jorge Jesus já tivesse recebido um telefonema do presidente dos Estados Unidos da América, vencedor do prémio de paz da FIFA.
Talvez a escala global que a polémica adquiriu seja prova derradeira da dimensão futebolística que CR7 alcançou, mas também reflexo direto da proporção do comportamento do próprio. 
Para já apenas Jorge Jesus teve de explicar o que sucedeu. Falta ouvir Ronaldo, acima de tudo, e também o presidente da FPF, mas até ao momento não surgiu nenhuma versão que justifique a renúncia do capitão quando devia estar em pleno exercício das suas funções. A frustração por ser suplente não utilizado — de um jogo que até nem era para jogar — não justifica virar costas a colegas e adeptos, mesmo que tenha recebido indicação posterior de que afinal jogava 30 minutos, e mesmo que tenha passado muito tempo a aquecer. Isto ao segundo jogo do novo selecionador, que é Jesus mas podia ser Mourinho, Amorim ou Conceição.
Ronaldo não parou para pensar que muitos colegas já passaram pelo mesmo, alguns até porque os treinadores tinham receio de o substituir a ele, incontornável cabeça de cartaz.
Naquele momento ninguém se coloca nos sapatos do outro, muito menos Cristiano, pouco habituado a ser prescindível. Errou, mas é aí que vale o estatuto. Se há alguém com margem para errar é ele, mas depois seria preciso que o capitão, que tantas vezes deu força ao país, soubesse dar parte fraca. Ronaldo insistiu no erro depois de ouvir a conferência do selecionador. Tinha toda a legitimidade para sair, mas foi ele que optou pela porta dos fundos. Ao abandonar o estádio naquela carrinha preta, e não no autocarro, ao lado dos colegas, seguiu uma via de aparente sentido único.
Ninguém ganha com esta guerra, mas é difícil imaginar um acordo que traga verdadeiramente paz à Seleção.
Encontrar solução para uma outra despedida é o mínimo, mas já nem isso terá a dignidade que devia."

O futebol feminino já não está à espera


"Durante muito tempo, falar de futebol feminino significava falar sobretudo dos mercados onde a modalidade já tinha uma história, uma estrutura e um caminho percorrido. Hoje, esse mapa está a mudar.
Cada vez mais jogadoras portuguesas estão a procurar oportunidades fora de Portugal e, mais importante do que isso, estão a encontrá-las em mercados que, até há pouco tempo, tinham uma presença muito mais discreta no futebol feminino.
É uma mudança que tenho acompanhado de perto enquanto agente e que me parece revelar algo maior do que o simples aumento do número de transferências internacionais: o futebol feminino está a ganhar espaço em geografias onde a aposta na modalidade é relativamente recente, mas onde existe uma clara vontade de acelerar o seu desenvolvimento.
A Arábia Saudita é um dos exemplos mais evidentes. Um país que entrou recentemente numa nova fase de investimento no futebol masculino não demorou a perceber que o crescimento da modalidade não podia ficar limitado aos homens. O futebol feminino começou também a ganhar estruturas, competição e investimento, criando novas oportunidades para jogadoras e treinadores.
É particularmente interessante observar este processo porque estamos perante um mercado que está, de certa forma, a construir o seu caminho enquanto outros já têm décadas de história. E isso cria uma dinâmica diferente: existe vontade de aprender, de criar estruturas e de atrair talento e experiência internacional.
A Turquia é outro exemplo. Clubes com enorme tradição no futebol, habituados a grandes investimentos e a uma forte cultura desportiva, estão agora a reforçar a aposta no futebol feminino. Mais investimento significa melhores condições, maior competitividade e, naturalmente, maior capacidade para atrair jogadoras.
E esta tendência não se limita a estes dois mercados. O futebol feminino está a tornar-se progressivamente mais internacional, mais competitivo e mais diversificado. Para as jogadoras, isso significa que o número de caminhos possíveis está a aumentar.
Portugal tem também aqui um papel importante. Temos jogadoras com qualidade, formação e experiência competitiva que podem acrescentar valor a projetos internacionais. E quando uma jogadora portuguesa parte para um novo mercado, não leva apenas o seu talento: leva consigo uma escola, uma experiência e uma forma de entender o jogo.
Tenho acompanhado algumas destas mudanças de perto e há algo que considero particularmente relevante: a internacionalização não deve ser vista apenas como uma consequência do crescimento do futebol feminino. É também uma das suas forças. Quanto mais mercados investirem, mais competição existe. Quanto mais competição existir, maiores serão as exigências. E quanto maiores forem as exigências, maior será também a necessidade de profissionalizar estruturas, melhorar condições e criar projetos sustentáveis.
Ainda há muito caminho a percorrer. Mas talvez uma das mudanças mais importantes dos últimos anos seja precisamente esta: já não estamos a falar apenas de fazer crescer o futebol feminino nos mercados onde ele sempre esteve. Estamos a assistir à entrada de novos protagonistas. E quando novos mercados entram no jogo, o mapa também muda.
Para as jogadoras portuguesas, isso pode significar uma coisa muito importante: mais portas abertas. E, sobretudo, mais possibilidades para escolher onde e como querem construir as suas carreiras."

Cada segundo conta — como eventos desportivos podem ajudar a salvar vidas



"Os grandes eventos desportivos são uma oportunidade para implementar iniciativas de promoção da saúde pública, devido à sua elevada capacidade de mobilização e alcance internacional.
Em Portugal, porém, este potencial continua claramente subaproveitado. Organizamos, recebemos e celebramos grandes acontecimentos desportivos, mobilizamos milhares de pessoas e geramos uma enorme atenção mediática, mas raramente transformamos essa capacidade de mobilização numa verdadeira oportunidade de educação para a saúde e de capacitação da população.
Falta-nos, muitas vezes, uma visão que ultrapasse o resultado desportivo e compreenda que estes eventos podem ser plataformas privilegiadas para promover comportamentos de saúde, prevenir situações de emergência e preparar os cidadãos para intervir quando a vida de alguém está em risco. É precisamente neste ponto que importa olhar para exemplos concretos de outros países e perceber como esta oportunidade pode ser aproveitada.
A campanha Get Trained Save Lives, desenvolvida pelo European Resuscitation Council (ERC) e pela UEFA durante o torneio Euro 2024, demonstra de forma particularmente clara como um grande evento desportivo pode deixar uma marca que vai muito além do campo de futebol. A campanha decorreu durante 2 meses e meio, tendo a sua principal atividade ocorrido durante o campeonato, entre 14 de junho e 14 de julho. O objetivo foi aumentar a sensibilização para a paragem cardiorrespiratória e promover a aquisição de competências básicas de reanimação cardiopulmonar junto de adeptos de futebol, profissionais e equipas envolvidas na competição.
A iniciativa baseou-se em quatro componentes principais: formação interativa autónoma online, formação em reanimação cardiopulmonar dirigida a equipas de futebol, utilização dos meios de comunicação social e experiências presenciais de reanimação cardiopulmonar.
A campanha chegou a quase 200 mil pessoas através das diferentes atividades. A componente online consistia numa experiência interativa de aproximadamente quatro minutos, destinada a pessoas com idade igual ou superior a 12 anos e disponibilizada em 38 idiomas.
Os participantes acompanhavam um cenário de emergência conduzido por jogadores de futebol e respondiam a questões interativas relacionadas com a atuação perante uma paragem cardiorrespiratória. O sistema fornecia comentários e reações às respostas apresentadas. A plataforma tinha também como objetivo incentivar os participantes a procurar formação presencial em Suporte Básico de Vida, disponibilizando uma ferramenta para localizar cursos certificados na sua área de residência.
Contudo, é importante salientar que esta componente não incluía uma avaliação formal. A experiência online deve ser entendida sobretudo como uma ferramenta de educação e sensibilização, e não como substituto de uma formação completa em reanimação cardiopulmonar.
Por outro lado, jogadores profissionais, treinadores, árbitros e outros elementos das equipas participantes no Euro 2024 realizaram sessões interativas de reanimação cardiopulmonar com duração de 45 minutos, denominadas GOAL – GO and Save A Life.
A formação de profissionais do futebol foi considerada particularmente relevante, tendo em conta a ocorrência de paragem cardiorrespiratória súbita em atletas e a necessidade de aumentar a preparação das pessoas que se encontram próximas dos atletas durante treinos e competições.
A campanha também utilizou intensivamente os meios de comunicação social. Um dos principais elementos foi um anúncio televisivo de 30 segundos, no qual jogadores de futebol conhecidos demonstravam ações básicas de reanimação e transmitiam a mensagem de que qualquer pessoa pode salvar uma vida.
O anúncio foi transmitido através das redes de televisão associadas à UEFA, nomeadamente antes e depois dos jogos e durante os intervalos. Também foi apresentado nas Fan Zones, nos ecrãs dos estádios e nas redes sociais.
Também esteve montada uma formação com duração muito reduzida, de aproximadamente cinco minutos, que estava dividida em três fases.
Na primeira fase, denominada Check, Call, Compress, os participantes aprendiam a reconhecer uma paragem cardiorrespiratória, pedir ajuda e iniciar compressões torácicas num manequim. Na segunda fase, era realizada uma competição. Os participantes utilizavam manequins de treino equipados com um sistema de avaliação da qualidade da reanimação, ligado a tablets através de uma aplicação específica. Durante um desafio de 60 segundos, a qualidade das compressões torácicas, nomeadamente a frequência, a profundidade e a descompressão, determinava o movimento de um avatar num jogo com temática futebolística. Quanto melhor fosse o desempenho na reanimação, mais rapidamente o jogador virtual avançava em direção à baliza. Os resultados eram apresentados num quadro classificativo visível aos participantes, criando um ambiente competitivo e simultaneamente educativo.
A preparação para responder a uma paragem cardiorrespiratória não depende exclusivamente do conhecimento técnico. A disponibilidade para intervir e a capacidade de reconhecer uma emergência são igualmente importantes. Obviamente que as sessões breves não substituem uma formação completa. A profundidade da aprendizagem deve ser adaptada ao contexto, ao público-alvo e aos objetivos educativos.
Este tipo de campanha demonstrou que um grande evento desportivo pode constituir uma plataforma para promover a educação em reanimação e aumentar a sensibilização para a paragem cardiorrespiratória. Para além da necessidade de aumentar a formação em reanimação na população em geral, também tem sido proposto a obrigatoriedade de uma espécie de vídeo-árbitro médico, com acesso a várias câmaras para ver o que aconteceu ao jogador e para orientar o procedimento médico.
Grande parte das doenças cardiovasculares pode ser identificada através de uma avaliação médico-desportiva adequada, que pode incluir exames médicos como eletrocardiograma e, quando indicado, ecocardiograma ou prova de esforço. No entanto, existem patologias que podem permanecer silenciosas e cuja primeira manifestação pode ser uma paragem cardiorrespiratória. Por isso, a prevenção não pode limitar-se à realização de exames de rotina. É fundamental valorizar a avaliação clínica especializada e garantir uma maior participação da especialidade médica de Cardiologia no acompanhamento dos atletas. Os cardiologistas devem ser mais procurados e, sobretudo, mais valorizados no contexto da prevenção e estratificação do risco cardiovascular."