Últimas indefectivações

domingo, 18 de outubro de 2026

Vitória


Benfica 92 - 67 Oliveirense
21-13, 24-19, 26-18, 21-17

Jogo tranquilo, com todos a contribuir, mesmo com os Triplos a não entrarem... a Oliveirense pareceu-me bastante mais fraca, em relação às últimas épocas!

Supertaça perdida...

Sporting 3 - 0 Benfica
25-22, 25-19, 25-22

Infelizmente, a derrota era esperada. Muitas alterações na equipa, novo treinador, e um plantel desequilibrado. Contratamos três excelentes jogadores, mas temos posições com pouca profundidade... Será esperado durante a época, a equipa subir de rendimento, hoje cometemos muitos erros não forçados, mas mesmo sem o melhor pontuador, o Sporting ganhou naturalmente!

Informações falsas no Correio da Manhã


"O Sport Lisboa e Benfica desmente categoricamente as informações publicadas pelo Correio da Manhã sobre a relação da empresa da ATM com o Clube.
É totalmente falso que a ATM fature cerca de 14 milhões de euros ou que alguma vez tenha faturado 7 milhões de euros ao Sport Lisboa e Benfica. São números sem qualquer fundamento e absolutamente disparatados. A faturação comercial da ATM ao Benfica é uma ínfima fração dos valores apresentados, situando-se bastante abaixo de um milhão de euros.
É igualmente falso que a faturação ao Benfica represente 30 por cento do volume comercial da ATM. Falso e mais uma vez disparatado. Os dados são públicos e a relação comercial com o Benfica representa menos de 2% da faturação anual da empresa.
A ATM presta serviços ao Sport Lisboa e Benfica há quase 20 anos, cumprindo os padrões de qualidade e de mercado definidos pelo Clube. Recentemente, na sequência de um concurso internacional, apresentou as melhores condições técnicas e comerciais, tendo o contrato sido renovado.
A escolha dos órgãos sociais da ATM é da exclusiva responsabilidade da empresa; o Sport Lisboa e Benfica é totalmente alheio a essa decisão.
O Benfica não aceita que falsidades e insinuações sejam apresentadas como factos e recorrerá a todos os meios legais para defender o seu bom-nome e reputação."

Um Benfica mais à Benfica


"Ainda sem ganhar absolutamente nada e com cinco pontos de atraso para o líder FC Porto, diria que esta equipa está mais perto de ser um Benfica à Benfica que, por exemplo, a de Trapattoni

Toni fez 80 anos e só isso obrigaria a todos uma reflexão: o que é um Benfica à Benfica? Há uma ideia que vem desde há muito, talvez se tenha dissipado na modernidade do futebol - é só desse que aqui falo -, mas que vive no imaginário de todo o adepto encarnado que cresceu com o que os antepassados lhe foram passando.
Essa ideia, em termos futebolísticos, é de que o Benfica tem de jogar «p’rá frente». Dizia-me alguém durante o jogo com o Celtic que o Benfica dava sempre a sensação que vai sofrer um golo. A resposta não demorou: mas também dá sempre a impressão que vai marcar.
Ninguém duvida de que os adeptos encarnados tenham ficado encantados da vida com o título de Trapattoni, até porque acabou com o longo jejum de 11 anos sem um campeonato. Mas cumprindo ser Benfica pela vitória, essa versão não foi Benfica na plenitude.
Ainda sem ganhar absolutamente nada e com cinco pontos de atraso para o líder FC Porto diria que esta equipa de Marco Silva está muito mais perto de ser um Benfica à Benfica que aquela de Trap.
Os mesmos jogadores que Mourinho tinha estão hoje num patamar mais elevado. Todos melhoraram com Marco Silva e até a gestão do balneário parece agradar aos futebolistas. Isso vê-se pelo modo como o técnico aborda a questão Trubin/Samuel Soares, mas sobretudo pelas palavras de Jhon Durán sobre Pavlidis ser o titular e merecê-lo.
Os papéis parecem claros e assumidos no plantel, sabendo que as opções podem mudar.
Marco Silva está a recuperar uma identidade que não se via desde o primeiro ano de Schmidt, mas o técnico, e todo o país, sabe que o Benfica para ser o Benfica com que os adeptos sonham, tem não só de jogar um futebol ofensivo como vencer títulos. Se perguntarem a Toni, que esta semana fez 80 anos, talvez vos diga que, às vezes, nem isso chega…"

O respeito não tem clube


"Um treinador ganha o campeonato e na época seguinte aceita ficar no mesmo clube para ser adjunto de outro treinador. Sven-Goran Eriksson regressava à Luz. Toni ficava. Mudava de lugar no banco, mantinha-se no clube por exigência do sueco à direção encarnada. Parece ficção, mas só está ao alcance dos grandes de espírito. Daqueles que sabem olhar para a estrada e ver que recuar não é despromoção, mas uma oportunidade para fazer o caminho com maior solidez.
E não foi por falta de resultados: Toni tinha levado o Benfica à final da Taça dos Campeões Europeus no ano anterior. Estugarda, PSV, penáltis, o azar de Veloso. Quem viveu essa noite sabe quanto tempo pode durar uma bola a caminho da baliza. Toni conhecera a distância entre chegar à final e ganhar a final. Uma distância de poucos metros que se carrega durante uma vida.
Em 1989, conquistou o campeonato. Podia reclamar estatuto, entender o regresso de Eriksson como uma afronta. Nada disso. Ficou.
A humildade tornou-se uma palavra barata. Aparece nas apresentações dos jogadores, nos discursos dos dirigentes, nas entrevistas de quem acaba de ganhar. Toda a gente é humilde diante de um microfone. Mas depois chegam as escolhas. Quem manda. Quem aparece. Quem fica com o mérito. Quem aceita ajudar quando deixa de ser o primeiro nome. Aí, a palavra passa a ter um preço. Toni pagou-o. E é por isso que esse episódio conta mais sobre ele do que muitos elogios que possamos escrever no seu aniversário.
Fez 80 anos esta semana. Nasceu em Mogofores, jogou no Anadia, seguiu para a Académica, clube que ocupou o seu coração antes do Benfica, e chegou à Luz em 1968. Foi colega de homens que já tinham conquistado a Europa, ganhando oito campeonatos e quatro Taças de Portugal como jogador.
No longo percurso de treinador, ganhou mais dois campeonatos portugueses e uma Taça.
Pelo meio de tudo isto, e voltando ao início da história, regressou à final europeia em 1990, como adjunto de Eriksson, diante do Milan em que as águias são derrotadas com um golo de Rijkaard. Em qualquer função, há matéria suficiente para uma homenagem feita de resultados. Mas seria uma homenagem incompleta.
Porque Toni é uma das poucas figuras do Benfica de quem um sportinguista ou um portista pode falar com carinho sem sentir necessidade de se justificar. Isto parece pouco até olharmos à volta. Até ouvir as conversas, ler os comentários e perceber a facilidade com que a discordância se transforma numa acusação.
Há quem passe o dia a exigir respeito pelo seu clube e não consiga pronunciar o nome de um rival sem lhe acrescentar um insulto. Até que aparece Toni e pessoas que não concordam em quase nada encontram alguém que respeitam.
Não precisou de disfarçar o seu benfiquismo para ser uma das figuras mais acarinhadas do futebol português. Nunca houve grande dúvida sobre o clube que o fazia sofrer, sobre a vitória que desejava, sobre o lado em que estava. O respeito dos adversários foi conquistado com essa ligação à vista. É isso que o torna significativo.
O adepto do Sporting ou do FC Porto não precisa de esquecer o Benfica para reconhecer o homem. Consegue ver as duas coisas. O rival e a pessoa. Durante muito tempo, julgámos que esta distinção era elementar. Hoje parece uma qualidade extraordinária.
Toni também lhes ganhou. E ganhou jogos que ficaram a doer. Estava no banco nos 6-3 do Benfica em Alvalade, em 1994, a caminho de outro campeonato. O respeito não nasceu, portanto, da falta de confronto. Nasceu apesar dele.
Um adversário pode levar uma tarde, um título, uma noite de sono. Não tem de levar a capacidade de o tratar com decência. Toni ajudou a preservar essa possibilidade num futebol que tantas vezes parece empenhado em destruí-la. Quis ganhar. Soube continuar a conviver.
Vale a pena pensar no que entregamos às gerações que começam agora a sentir o jogo. Ensinamos os nomes dos jogadores, explicamos as regras, oferecemos a primeira camisola. E depois? Que ideia de adversário lhes deixamos? A de alguém que permite que haja jogo ou a de alguém cuja existência nos ofende?
A forma como falamos de futebol também educa. Educa à mesa, no carro, na bancada. Toni tem sido, ao longo de décadas, uma referência para quem quer amar um clube sem passar a odiar pessoas.
Não foi um homem à margem do futebol, protegido das suas contradições. Foi jogador, capitão, adjunto, treinador principal, dirigente. Esteve dentro. Conheceu o poder, a derrota, o despedimento, o aplauso. A sua maneira de estar tem esse peso: foi posta à prova. É fácil recomendar serenidade quando nada nos acontece. Mais difícil é conservá-la depois de uma vida inteira sujeita ao resultado do próximo jogo.
Toni chegou aos 80 anos com histórias para contar e gente de clubes diferentes disposta a ouvi-las. Esse reconhecimento levou muitos anos a construir.
Chamam-lhe o Toni do Benfica. Com razão. Há nesse nome uma vida de dedicação que ninguém precisa de diminuir para a tornar universal. Mas os seus 80 anos são de mais gente. São de todos aqueles (cada vez menos) que ainda sabem reconhecer no futebol um lugar onde se pode competir, perder a cabeça por um golo e, no fim, apertar a mão de quem nos venceu. Toni pertence ao Benfica. O respeito por Toni atravessa os clubes.
Num tempo em que tantos parecem dedicar a vida a polarizar, Toni é um ponto de união. E essa é a sua maior vitória. Merece, por isso, que todos parem por um instante. E que fiquem do mesmo lado. Para lhe dar os parabéns. Não apenas pelo aniversário, mas por nunca ter permitido que o amor a clube o levasse a ser intolerante com os outros. Parece fácil. Devia ser."

Toni, a liderança de um homem bom


"No futebol, estamos habituados a medir a grandeza pelos títulos, pelas vitórias e pelos lugares ocupados na história... raramente começamos por uma qualidade mais difícil de quantificar: a bondade. Toni completou 80 anos e, entre tantas homenagens merecidas, houve uma expressão que me fez pensar: Pedro Proença chamou-lhe um homem bom. Num universo onde a autoridade tantas vezes se confunde com dureza e a ambição com falta de escrúpulos, talvez este seja um dos maiores elogios que se pode fazer a alguém que passou a vida a liderar.
Ser um homem bom não significa ser um líder menos exigente. Significa compreender que podemos exigir sem humilhar, corrigir sem diminuir e vencer sem esquecer quem nos ajudou a chegar lá. E a carreira de Toni oferece-nos uma oportunidade para refletir sobre essa forma de liderar, cada vez mais necessária num futebol onde os resultados parecem justificar quase tudo.
De Mogofores ao Anadia, da Académica ao Benfica, Toni construiu um percurso extraordinário. Na Luz conquistou oito campeonatos nacionais e quatro Taças de Portugal como jogador. Como treinador principal, voltou a ser campeão, em 1988/89 e 1993/94, venceu a Taça de Portugal e esteve ligado a uma das grandes campanhas europeias do clube, mas os títulos, por mais importantes que sejam, não explicam inteiramente a dimensão de quem os conquistou. Há jogadores e treinadores que ficam na memória pelo que ganharam, outros permanecem também pela forma como fizeram sentir aqueles que trabalharam consigo.
Rui Costa conhece bem essa diferença... ao recordar o título de 1993/94, falou de um Benfica marcado por dificuldades financeiras, divisões no balneário e enorme incerteza - atribuiu a Toni uma parte decisiva do mérito por aquela conquista. Mais do que a competência tática, destacou a disponibilidade de alguém que nunca virou as costas ao clube nos momentos difíceis. Liderar quando tudo corre bem é relativamente simples. Liderar quando faltam recursos, quando a confiança está fragilizada e quando os interesses individuais ameaçam o coletivo exige outra dimensão humana. Exige capacidade para unir, escutar, decidir e fazer com que as pessoas voltem a acreditar umas nas outras.
José Mourinho, numa mensagem de homenagem ao antigo treinador, escolheu também colocar o homem à frente do currículo. Recordou a admiração pelo jogador e pelo treinador, mas destacou, acima de tudo, o privilégio de poder chamar amigo a alguém que considera único. É um testemunho particularmente significativo vindo de uma personalidade que conhece profundamente a exigência da liderança no futebol de alto rendimento. A competência pode conquistar o respeito profissional, mas são os valores, a lealdade e a forma como tratamos os outros que permitem transformar esse respeito em relações duradouras.
Jesualdo Ferreira, que partilhou com Toni muitos anos de amizade e trabalho, resumiu esse reconhecimento numa expressão simples: toda a gente gosta de Toni. À primeira vista, pode parecer um elogio menor num meio tão competitivo - não é. Conseguir preservar relações de respeito e afeto ao longo de décadas, atravessando vitórias, derrotas, decisões difíceis e interesses contraditórios, exige uma consistência de caráter que nenhum resultado desportivo consegue garantir.
João Vieira Pinto acrescentou outra perspetiva ao sublinhar o carinho generalizado que Toni desperta, e há aqui uma questão que merece reflexão: quantos líderes conseguem ser respeitados pela sua competência e, simultaneamente, estimados pela forma como se relacionam com as pessoas? No futebol, como nas empresas ou em qualquer organização, confundimos demasiadas vezes autoridade com distância, exigência com agressividade e liderança com imposição. Toni recorda-nos, através do seu exemplo, que é possível ser firme sem deixar de ser próximo e tomar decisões difíceis sem perder a consideração por quem delas é afetado.
A relação com Sven-Göran Eriksson ajuda a compreender essa dimensão... em abril de 2024, quando o treinador sueco regressou à Luz para uma homenagem, Toni esteve entre aqueles que o receberam. Décadas depois de terem trabalhado juntos, permanecia uma amizade construída sobre confiança e admiração mútua. O futebol é feito de relações intensas, frequentemente condicionadas pela pressão dos resultados. Preservá-las quando já não existem cargos, contratos ou objetivos comuns é, na minha opinião, uma das demonstrações mais genuínas de respeito.
Há ainda um ensinamento particularmente interessante na forma como Toni olha para o próprio percurso. Numa entrevista recente a A BOLA, afirmou que o futebol lhe deu mais do que aquilo que ele lhe ofereceu. Depois de tantos títulos, responsabilidades e homenagens, continua a falar com gratidão, e quando recorda as pessoas que marcaram a sua vida, encontra sempre espaço para reconhecer a influência de outros: a honestidade de Borges Coutinho, a grandeza de Eusébio, os ensinamentos de Mário Wilson e as relações construídas ao longo de várias gerações. A gratidão não diminui as nossas conquistas, muito pelo contrário, dá-lhes contexto e lembra-nos que ninguém chega verdadeiramente longe sozinho.
Também a forma como enfrenta as desilusões merece atenção... Toni admitiu que gostaria de ter regressado ao Benfica para encerrar o seu percurso, mas aceitou que os caminhos fossem diferentes. Deixou uma reflexão tão simples quanto profunda: as mágoas azedam a vida. Num ambiente onde tantas relações terminam em ressentimento e tantas divergências se transformam em conflitos públicos, há uma enorme maturidade em saber seguir em frente sem transformar a frustração em amargura.
Aos 80 anos, Toni continua ligado ao futebol, é diretor na Federação Portuguesa de Futebol e conserva o sonho de acompanhar o Mundial de 2030. A sua maior ambição não está associada a um resultado ou a um troféu... na conversa com A BOLA, explicou que consideraria cumprida a sua missão se tivesse ajudado alguém a acreditar mais em si próprio, a ser mais confiante, melhor profissional e melhor pessoa. É uma definição de sucesso que merece ser estudada por todos os que exercem responsabilidades de liderança, independentemente da área organizacional que esteja envolvido.
Na rubrica «Liderar o Jogo», interessa-me precisamente esta dimensão… liderar não é apenas alcançar objetivos, é criar condições para que os outros cresçam, desenvolvam confiança, descubram capacidades e se tornem melhores. Os resultados são importantes, naturalmente que são, mas uma liderança verdadeiramente transformadora deixa marcas que sobrevivem aos resultados. Está nas pessoas que ajudámos a formar, nas oportunidades que criámos, na confiança que inspirámos e na forma como fomos capazes de conciliar exigência com humanidade.
Toni construiu uma carreira suficientemente grande para ser recordado pelos campeonatos, pelas finais europeias e por décadas de dedicação ao futebol português, mas o testemunho de quem com ele trabalhou revela uma conquista ainda mais difícil: o respeito que permanece quando os jogos terminam, os cargos mudam e os troféus deixam de ser o centro da conversa.
O futebol precisa de treinadores competentes, dirigentes preparados e líderes capazes de vencer, mas precisa, na minha opinião, cada vez mais, de pessoas que não percam a humanidade pelo caminho. Toni mostrou-nos que é possível ganhar sem deixar de ser um homem bom e, no fim, essa também é uma forma de ser campeão."

Benfica: do Celtic ao PSG, a lista é longa e não fica bem a ninguém


"Queixas, protestos, denúncias, são demasiados casos para tratar cada episódio como se fosse o primeiro. Há aqui um padrão que merece ser investigado.

Celtic, Liverpool, PSG, Maccabi Haifa, Toulouse, FC Porto, Sporting, enfim. A lista de clubes começa a ser demasiado extensa para continuar a ser tratada como episódios isolados.
Desta vez foram os escoceses do Celtic. Relatam revistas excessivas, intimidação policial e dificuldades no acesso ao estádio. Não é propriamente a recordação que se espera levar de uma noite europeia em Lisboa. Logo eles, que têm uma devoção tão grande pela capital.
Algumas das queixas são contra a polícia, outras são dirigidas aos stewards da empresa de segurança que faz as revistas.
Sempre as revistas.
Já houve denúncias na PSP, já houve protestos formais junto da UEFA, já surgiu até um comunicado do Rangers a avisar os próprios adeptos para a agressividade com que se revista as pessoas na Luz.
A fama persegue o Benfica, portanto.
Mas o mais preocupante nem é isso: é que esta história já foi contada demasiadas vezes. E isso, sim, devia preocupar qualquer pessoa decente e responsável. Qualquer pessoa educada, honesta e digna. Porque um adepto não pode ser tratado à partida como um delinquente e uma revista de segurança não pode transformar-se numa experiência humilhante.
Nenhum adepto de bem quer isso.
Claro que a segurança é indispensável. Claro que ninguém quer regressar aos tempos em que assistir a um jogo de futebol podia representar um risco sério.
Mas o que falamos aqui é mais do que apenas isso: é um padrão que merece ser investigado.
O problema, aliás, está longe de ser um exclusivo do Estádio da Luz. O futebol português tem demasiadas vezes uma forma hostil de receber os adeptos visitantes. Mas no caso do Benfica, os relatos têm sido particularmente duros... e repetitivos.
Uma queixa pode ser um incidente. Duas podem ser uma coincidência. Quando a lista parece não ter fim, já se obriga a uma explicação.
Não é razoável tratar cada episódio como se fosse o primeiro."

O bem e o bonito


"Creio ter sido Fernando Santos quem introduziu há uns anos a dicotomia entre jogar bem e jogar bonito, na sequência do Europeu (de 2016) que foi o do nosso contentamento, mas esteve longe de ser o do nosso encantamento. Johann Cruyff, que tem sempre frases melhores que as dos mortais, dizia que «qualidade sem resultados não serve para nada e os resultados sem qualidade são aborrecidos».
O Sporting atual anda algures à procura do equilíbrio entre ambos e Rui Borges, depois de ter reinventado o plantel no verão, decidiu reinventar a equipa. O 4x3x3 utilizado em dois jogos de maior dificuldade, Braga e Lens, acabou por fazer sentido nesse contexto tático específico, já que e defesa estabilizou com Altimira na linha de 5 e, com três médios, Doumbia ganhou metros e liberdade para os percorrer, ao mesmo tempo que Irankunda encontrava um corredor para acelerar, a partir do qual começa a criar com Suárez uma relação que promete estragos.
Contra adversários que pressionam alto e deixam espaço atrás é fácil perceber as vantagens. Falta descobrir a outra metade da experiência: se resulta igualmente bem quando o Sporting tiver 70 por cento de posse, onze adversários atrás da bola e uns 15 metros para jogar em vez de 50. No fundo, sistemas não são soluções, são ferramentas.
E é sempre perigoso concluir que uma chave é ótima porque abriu duas portas difíceis, antes de sabermos se também abre as outras trinta. Parece-me claro que a equipa está menos bonita, longe da qualidade do ano passado e também por ter deixado cair a qualidade entrelinhas de Flávio Gonçalves. Coisa diferente é dizer se está no caminho do bem, eu pelo menos acho mesmo muito prematuro afirmar isso.
Bem e bonito joga o Benfica, mais bonito ainda que bem, dirá a maioria, já que, sobretudo com bola, é a equipa mais entusiasmante da Liga até agora. Isso não significa necessariamente que seja a melhor, distinção importante para não cairmos na confusão anterior, até porque defensivamente tem-se exposto a erros – individuais e coletivos - que perante rivais de topo podem frustrar uma época que promete.
Ainda assim, Marco Silva construiu em pouco tempo uma equipa forte e sedutora, assente nas muitas formas como progride ofensivamente: sabe tanto ligar por dentro como atrair e libertar espaço fora, acelerar por passe ou condução, instalar-se com bola e paciência qb no meio campo do opositor e assim aproximar da baliza contrária os seus jogadores mais decisivos.
O maior mérito do técnico encarnado pode estar aqui: Prestianni à frente dos demais, mas também Schjelderup, Rafa, Pavlidis, Sudakov ou Echeverri não têm de inventar futebol a partir do nada, recebem-no já organizado para poderem acrescentar a parte que não se organiza. Uma boa equipa não é aquela em que o treinador decide tudo. É aquela em que decide o suficiente para que os craques possam decidir bem o resto e fazer do jogo um sítio mais bonito.
Menos formoso, mas sempre seguro segue o FC Porto, sobretudo na Liga doméstica, com Farioli a demonstrar de novo que as suas equipas sabem competir mesmo quando não conseguem seduzir, e que podem ser felizes a partir dessa capacidade para insistir, pressionar e acreditar sempre, que permite ganhar os jogos até quando a inspiração não aparece. Mas crença não é domínio.
O Porto sabe impor sofrimento a quase todos em Portugal, falta-lhe impor futebol a equipas mais fortes - como se viu diante do Bétis - que não entram em pânico quando pressionadas. Individualmente, perdeu por lesão um William Gomes que estava exuberante, mas recuperou entretanto Pietuszewski, o que claramente atenua o dano, pelo indiscutível talento do miúdo polaco mas também porque permite a Pepê estar disponível para mais uma mudança de corredor (não vejo Borja Sainz como boa solução à direita).
Talvez mais importante ainda é o que acontece no centro: Samu está de volta e decerto animado pelo grande golo em Sevilha, enquanto Giménez ganha condição para ser decisivo na área e é muito o que pode acrescentar nesse momento. Com André Silva ainda a lutar pelo espaço, Farioli pode agora decidir sobre quem utilizar quando antes nem rodar podia. O jogo portista dificilmente evoluirá esteticamente, mas a eficácia pode aumentar, e é ela, por regra, que anula qualquer discussão entre bem e bonito.
Uma nota ainda para o caso das últimas semanas. Cristiano Ronaldo abandonou por sua iniciativa um estágio da Seleção. Uns dias depois, e na primeira reação ao caso, o presidente da Federação chegou ao ponto de dizer que todos devíamos prestar uma vénia a quem prevaricou. Sucede que o próprio Ronaldo, mais uns passados, pediu desculpa pelo que fez e até reclamou um castigo (sem atenuantes) para si próprio. Gratidão é uma coisa, subserviência é outra. Não consigo prever como isto irá acabar, mas dificilmente será bem. E até agora não foi nada bonito."

Quando o futebol português acerta, também é notícia


"Digam o que disserem, proteger os clubes que estão nas competições europeias não é favorecer os grandes: é favorecer-nos a todos

Ponto prévio. Este artigo não deve parecer um agradecimento institucional, porque não é. Afinal de contas, tomar boas decisões também faz parte das obrigações de quem dirige.
Esclarecido este detalhe, convém então avançar para o essencial, para dizer que decisão de dispensar os clubes «europeus» da terceira eliminatória da Taça é uma boa decisão. Simples, sensata e, sobretudo, reveladora de uma ideia que nem sempre parece evidente a toda a gente: o sucesso internacional dos clubes portugueses interessa a todos. 
Mas vamos por partes.
Eu sei que há, naturalmente, quem considere que esta decisão está a destruir o espírito democrático da Taça e que há quem veja nela também uma desigualdade de tratamento.
É legítimo.
Mas convém não esquecer que igualdade não significa necessariamente regras iguais para todos. Tem de significar, isso sim, regras que sirvam a todos. E uma regra que beneficia um clube português lá fora, não está apenas a beneficiar esse clube.
Uma vitória na Europa, recorde-se, vale pontos para o ranking, ajuda a preservar lugares nas competições internacionais, gera receitas e reforça o prestígio de um campeonato que precisa desesperadamente de se valorizar.
Ou seja, quando um clube português ganha na Europa, não ganha apenas para si.
É por isso que proteger a competitividade internacional não deve ser confundido com favorecer os clubes poderosos. Não há aqui nenhum privilégio. Há, ou pelo menos devia haver, uma opção estratégica.
O que nos devolve ao início deste texto. É que se há coisa que aqui no Maisfutebol sempre fizemos com particular entusiasmo, foi criticar os dirigentes. E com razão. Entre calendários absurdos, guerras de bastidores e decisões difíceis de compreender, matéria-prima não nos costuma faltar.
Desta vez, porém, não podemos deixar de elogiar. Sem transformar ninguém em herói, afinal é para tomar decisões sensatas que eles lá estão. Mas sublinhando, sim, que se queremos um futebol português mais competitivo, mais valorizado e mais respeitado internacionalmente, precisamos de decisões como esta.
Que nos beneficiem a todos. Aos clubes que estão nas competições europeias e aos que sonham um dia lá chegar."

Tony: Debate...

Tudo é um exagero em Prestianni

BolaTV: Prestianni...

BF: Transferências...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Rui Jorge vs. Pedro Proença. Está o caldo entornado na FPF?

Zero: Negócio Mistério - Beto no Real Madrid

Futpedia #31 - ESTE EPISÓDIO TEVE AS RESPOSTAS MAIS LOUCAS DE SEMPRE 😂

Vinte e Um - Como eu vi - Celtic...

Letria, a letra fundamental


"Acabei de aterrar em Madrid. Tinha pensado escrever sobre o futebol espanhol, a atractividade da sua liga profissional. Fica para a próxima semana. Porque faleceu o Joaquim Letria.
Quem me conhece, sabe que não sou necrológico, nem das páginas de jornais, nem nas redes sociais. Mas Letria não é um qualquer jornalista. Aliás, ele foi o primeiro, na minha carreira, a demonstrar que era muito mais do que um escriba ou um bem falante.
Relembrar agora Letria é, sobretudo, olhar para um período único da comunicação social portuguesa, em momentos social e politicamente conturbados.
Escrevo aos mais jovens, aos jornalistas cuja memória será menos abrangente e o olhar mais absorvido pela espuma dos dias, pela emergência do falar, mais do que dizer, do contar, mais do que esclarecer.
Porque o jornalismo está, de facto, a atravessar períodos muito complexos. E não se trata, apenas, da emergência da atualidade, da rapidez, das redes, do agora ou nunca. É uma questão ética, deontológica, e que se refere, no essencial, à preparação do jornalista, à sua capacidade de entendimento do real, ao seu momento de definição do que é verdadeiramente importante, e da distinção em relação a tudo o resto.
Em todos estes aspetos, Joaquim Letria era Mestre. Na perceção do essencial, na derivação em relação ao acessório, na confrontação com Cadilhe ou Mário Soares.
Ele (Letria) contou-o em livro: quando o antigo Presidente da República lhe solicitou, antes de uma entrevista de fundo, que não lhe fizesse determinada pergunta… pois foi justamente por essa questão que a entrevista começou.
Entrevistou Cadilhe para uma cadeira vazia. Lançou, tal e qual o jornalismo deve ser defendido, o 'Tal & Qual'. Foi sempre equidistante e independente, mesmo quando foi a França encontrar-se com um dos gurus da comunicação política gaulesa, a propósito do convite para ser porta-voz de Ramalho Eanes.
Os mais jovens devem cultivar a memória de uma História do jornalismo português que não se faz nas secretárias, que não se motiva nos likes, que não se resume aos soundebites, que não resulta, definitivamente, se só pensarmos nas escolhas efémeras.
Esta ideia de um Joaquim Letria que marcou gerações permanece, no sentido ético da profissão. O essencial distinguido do acessório, a capacidade de mostrar um país real, longe da evolução propagada e forçada pelas narrativas políticas, de dar voz aos cidadãos, de com essa voz legitimar a condição mais pura, simples, efetiva e marcante do ser jornalista, é o elemento diferenciador de uma carreira profissional.
Letria sempre o foi. Polémico, distintivo, marcante, desafiante.
E é interessante verificar e testemunhar a evolução do jornalismo português, nos últimos anos, muito por força de dois fatores: a formação académica, na minha opinião deficitária e não efetivamente preparatória dos futuros licenciados para o exercício da profissão, e a não demarcação do jornalismo em relação à emergência das redes, à sua verificação sistemática e à condição de aproveitamento que muitos media e imensos profissionais delas fazem, quantas vezes ao arrepio das mais básicas e elementares bases da profissão.
Tenho — confesso — muitas dificuldades em compreender a adesão de respeitáveis órgãos de comunicação social aos modismos digitais, travestindo notícias, priorizando clickbites em detrimento da seriedade e da verificação prévia das fontes, em duplicado ou em cruzamento triplicado.
Do mesmo modo, não suporto o sensacionalismo para o qual parecem formatados tantos e tantos recém-licenciados, ávidos de ganhar lugares a todo o custo, e incapazes de perceber o que está em causa e como o defender: a credibilidade do jornalismo.
E, neste aspetos, conviria conhecer Joaquim Letria, uma das referências essenciais para se compreender a História e a Memória do jornalismo em Portugal. Sobretudo, no que diz respeito à dignidade, à independência e à equidistância. Valores únicos e sempre suportados pela elementar capacidade de ouvir e escutar, de olhar e ver, de tocar e sentir, de conhecer e perceber.
Hoje, quando soube do passamento físico do Joaquim, percebi que tudo o que escrevesse nesta página teria, forçosamente, a ver com ele, com a sua carreira, com o seu legado.
Faleceu como viveu: discretamente. Tentando inovar, tentando diferenciar, tentando democratizar, tentando humanizar. E é nessa múltipla dimensão, da memória e da consciência, que todos, mas sobretudo todos os jornalistas, o merecemos recordar.
Se o fizermos, estaremos mais próximos de ser melhores, mais justos, mais equilibrados, mais credíveis. Acima disso: mais humanos.

CARTÃO BRANCO
Gosto muito de Roma. Da cidade, da sua história, do modo como convive com o Vaticano. Das suas gentes, da forma como me sinto em casa em qualquer momento e em qualquer recanto da Cidade Eterna. Não me espanta o amor imenso que os tiffosi da AS Roma têm por José Mourinho. Mas o que fizeram, na curva sud do Olímpico, na receção ao Real Madrid, ultrapassa o normal e roça o celestial. Mourinho conseguiu criar, com os adeptos da Roma, uma relação talvez inimaginável à partida. É muito mais do que momentos partilhados entre treinador e adeptos. É umbilical, pessoal e intransmissível. De levar às lágrimas, a homenagem dos tiffosi ao treinador português demonstra que o futebol é muito mais do que um jogo. É a vida. Ela própria, vivida e sentida ao limite.

CARTÃO AMARELO
Sou do tempo em que o hóquei em patins era uma da modalidades mais queridas dos portugueses. Estive no Mundial de San Juan, na Argentina, em 1989, e no de Wuppertal, na Alemanha, em 1997. Conheci os principais protagonistas, heróis, extraordinários praticantes. É constrangedor ver o que se passa com o Mundial no Paraguai. Bancadas vazias, entusiasmo nulo, reflexo direto na dimensão mundial da modalidade, cada vez menor abrangência de algo que, em tempos áureos, enchia pavilhões e mobilizava multidões. É urgente repensar o hóquei em patins, as suas regras, o seu modelo competitivo, sob pena de, dentro de muito pouco tempo, acabar por ser um desporto residual…"

O tempo, o adversário que nem Cristiano Ronaldo conseguiu vencer


"Aquiles foi confrontado com uma escolha: viver uma vida longa e anónima ou morrer jovem, coberto de glória. Escolheu a segunda e, três mil anos depois, continuamos a falar dele.
Aquiles morreu jovem, no auge da sua glória.
Foi o maior guerreiro da Guerra de Troia, quase invencível. Mas a sua superioridade dependia também da juventude, não apenas da força, da coragem ou da proteção dos deuses.
Segundo a mitologia, a mãe mergulhara-o nas águas do rio Estige para o tornar invulnerável, mas, ao segurá-lo pelo calcanhar, deixou uma pequena parte do corpo desprotegida.
Aquiles também conheceu os perigos do orgulho. Humilhado por Agamémnon, o comandante dos gregos, que lhe retirara Briseida, a sua cativa, abandonou o combate.
A sua ausência teve consequências devastadoras para os gregos. Só regressou para vingar a morte de Pátroclo, conquistando a glória que o tornaria imortal.
Segundo a tradição, uma flecha de Páris atingiu-o no calcanhar, pondo fim à vida do maior dos guerreiros.
Cristiano Ronaldo fez uma escolha diferente: quis a glória de Aquiles, mas recusou a brevidade da sua existência.
Durante mais de duas décadas, desafiou adversários, recordes e os limites do corpo humano.
Prolongou a juventude desportiva até aos limites do sobre-humano, mantendo uma capacidade competitiva que parecia incompatível com a passagem dos anos.
Mas até o extraordinário tem limites. O tempo acabou por chegar, muito mais tarde do que qualquer um poderia razoavelmente esperar.
A história do desporto está cheia de heróis que tiveram de enfrentar esta escolha.
Eusébio terminou a carreira longe dos grandes palcos, depois de passar pelo Beira-Mar e pelo União de Tomar.
Muhammad Ali recusou abandonar os ringues quando já não era o mesmo. A sua grandeza permaneceu intacta, mas nos últimos combates já não era o campeão que o mundo admirara.
Michael Jordan teve a despedida perfeita em 1998. Conquistou o sexto título da NBA, marcando o lançamento decisivo. Mas não resistiu à tentação de regressar aos 38 anos, pelos Washington Wizards, onde continuou a ser um excelente jogador, mas em duas épocas não conseguiu sequer atingir os playoff.
Michael Schumacher também teve a oportunidade de abandonar no topo. Despediu-se da Ferrari em 2006, com sete títulos mundiais e ainda capaz de lutar pelo campeonato.
Regressou quatro anos depois, aos 41 anos, pela Mercedes. Em três temporadas não venceu uma corrida e subiu apenas uma vez ao pódio.
Tom Brady, considerado por muitos o maior jogador da história do futebol americano, anunciou a retirada aos 44 anos, depois de conquistar sete Super Bowl.
A despedida durou apenas 40 dias. Voltou para mais uma temporada, antes de finalmente abandonar aos 45 anos.
Outros escolheram sair enquanto ainda podiam vencer. Zinedine Zidane abandonou depois de conduzir a França à final de um Mundial, Pete Sampras despediu-se conquistando o US Open e Nico Rosberg retirou-se poucos dias depois de se tornar campeão mundial de Fórmula 1.
Cristiano escolheu um caminho diferente. Não abandonou no auge, nem se retirou para depois regressar.
Continuou, ano após ano, a desafiar os limites da idade. E conseguiu-o.
Seria injusto condená-lo agora pela mesma ambição que o tornou extraordinário. Foi precisamente por nunca aceitar os limites que se tornou um dos maiores desportistas de todos os tempos.
A determinação que constrói os grandes campeões é também aquela que lhes dificulta a despedida.
Há, contudo, uma diferença fundamental entre Cristiano e alguns destes heróis.
Jordan regressou numa equipa que já não disputava o título e Schumacher voltou numa Mercedes que ainda não era a potência dominante da Fórmula 1.
Ambos continuaram na elite das respetivas modalidades, mas em condições competitivas inferiores às dos seus anos de glória.
Cristiano também aceitou baixar o nível competitivo quando trocou o futebol europeu pela Arábia Saudita. Uma escolha legítima, que lhe permitiu continuar a jogar, marcar golos e prolongar uma carreira sem paralelo.
Mas há uma contradição que não pode ser ignorada: a Seleção Nacional é uma das melhores do mundo.
Portugal tem hoje uma geração de jogadores capaz de competir com os melhores. Não pode subordinar o seu futuro à vontade de um único futebolista, por maior que seja a sua história.
A questão não é saber se Cristiano ainda consegue marcar golos, nem sequer se pode continuar a ser útil à Seleção.
É saber se a sua presença, nas condições que ele pretende, torna Portugal uma equipa melhor.
São perguntas diferentes, que exigem respostas igualmente diferentes.
Também não seria justo exigir-lhe que renunciasse voluntariamente àquilo que sempre definiu a sua existência.
A ambição, a disciplina e a recusa em aceitar a derrota não desaparecem porque o corpo envelhece.
O último grande desafio de Cristiano já não é marcar o golo 1000 ou bater mais um recorde. É aceitar que deixar de ser o melhor jogador de Portugal não significa deixar de ser o maior da sua história.
Aquiles escolheu morrer jovem para que a sua glória fosse eterna. Cristiano Ronaldo quis prolongar a juventude para continuar a conquistar a glória.
Ambos alcançaram a imortalidade, mas há uma diferença entre desafiar os limites e recusar a sua existência.
O tempo acabou por vencer Cristiano Ronaldo. E isso não diminui a sua grandeza. Pelo contrário: demorou mais a vencê-lo do que a todos os outros.
A recusa em aceitar o inevitável não pode prejudicar a memória de tudo o que conquistou."

Aplausos são no final do jogo


"Quando um Governo anuncia a «maior dotação de sempre» para o Desporto, a primeira pergunta deve ser: quanto chega ao terreno? As verbas anunciadas no OE2027 só terão significado se melhorarem as condições de quem faz o Desporto acontecer diariamente. Um Orçamento não se lê pela chamada de capa. Lê-se pelo que permite fazer.
Troquemos as contas por miúdos. As transferências correntes, onde estão incluídos os apoios do IPDJ às federações, passam de 93,8 para 94,1 milhões/€. Um aumento de 0,3%. O Governo prevê uma inflação de 2,9% para 2027.
Para esses apoios valerem em 2027 o mesmo que valem hoje, teriam de rondar os 96,5 milhões. Faltam cerca de 2,4 milhões. É como receber um aumento salarial de 0,3% num ano em que tudo fica 2,9% mais caro. No papel, ganha-se mais. No supermercado, leva-se menos no carrinho.
Para uma federação, esse carrinho chama-se competições, deslocações, arbitragens, treinadores e seleções. Para um clube de base, é a diferença entre abrir mais um escalão ou limitar os existentes. O envelope cresce, mas o dinheiro que chega ao terreno pode encolher. É um Orçamento de continuidade e não de reforço estrutural.
Isto preocupa-nos porque já conhecemos o filme. No ano passado, o anúncio foi semelhante. Saudámo-lo e alertámos para a necessidade de chegar à atividade regular das federações. Ouvimos, depois, de quem está no terreno, que o impacto ficou aquém. Em abril, o próprio Governo reconheceu essa necessidade e anunciou uma verba extraordinária para o efeito. Respondeu a insuficiências, mas não substitui a sustentabilidade e previsibilidade necessárias. Não podemos aplaudir duas vezes o mesmo cenário sem saber o ponto de chegada.
Está em jogo mais do que números. Perdemos demasiados jovens pelo caminho e os escalões juniores e seniores perdem peso relativo no total de federados. Os apoios olímpicos e paralímpicos são fundamentais, mas o alto rendimento começa muito antes: no trabalho invisível dos clubes e nas condições que damos a milhares de jovens para continuarem a competir. E o direito à prática desportiva exige oportunidades de continuidade também para quem nunca chegará ao pódio.
Mas a CDP não se fica pela crítica. Insistimos, por isso, na criação de um Fundo de Desenvolvimento Desportivo, financiado por parte das receitas do Imposto Especial sobre o Jogo Online, sem aumentar o imposto nem pesar no OE2027. Seriam 12 a 15 milhões/ano, para desenvolver as modalidades, com critérios claros e exigentes definidos pelo IPDJ. Uma proposta aprovada por unanimidade pelas federações que voltaremos a levar aos grupos parlamentares.
O debate parlamentar pode transformar um recorde de verba em impacto concreto. Os partidos que celebram as medalhas dos nossos atletas podem agora garantir condições para os percursos que as tornam possíveis. Os aplausos ficam para o final do jogo. Agora, é preciso garantir condições para o jogar."

sábado, 17 de outubro de 2026

Golos...

Zero: Canto - "Messiani" na noite do Sr. Toni

Números...

Bem lembrado, os famosos assobiadores não desapareceram !!!

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #70 - Os 4-1 ao Celtic, o jogo no Chipre e as modalidades

Terceiro Anel: Bola ao Centro #239 - DE TANGO EM TANGO!! 🦅🔴

Os Gloriosos Benfiquistas - S06E21 - Celtic

BF: Pilares...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Mais, menos e assim-assim: o rescaldo da jornada europeia

Observador: E o Campeão é... - Benfica goleia, Porto erra e o Torreense cai de pé?

Observador: Três Toques - Vitinha, ídolo dos amantes de Cerelac... e o Vitinho

BolaTV: Toque de Bola - Histórias insólitas de arbitragem que não existiriam com o VAR

Primeiro Toque - Linha Lateral - Sérgio Vieira...

Throne - The Football Season That Will NEVER Happen Again

Chiringuito Futsal #2

Amor Pódio #3 - António Félix da Costa - Automobilismo

SportTV: NBA - S05E02 - Previsões para o Este 🍀

Build: Inside BENFICA's €295M Estadio Da Luz EXPANSION

Triunfo merecido


"O Benfica ganhou por 4-1 ao Celtic na 2.ª jornada da fase de liga da Liga Europa. Este é o tema principal da BNews.
1. Goleada bem conseguida
Para Marco Silva, o resultado reflete o que se passou em campo: "Uma vitória totalmente justa da nossa equipa. E uma primeira parte de muito bom nível, mesmo. Pela capacidade que tivemos para criar oportunidades, fazer os golos e dominar totalmente. Fez parecer que o jogo era mais fácil do que na realidade era." 

2. Objetivo cumprido
Durán lembra a mentalidade do grupo de trabalho: "Se jogamos, tem de ser para ganhar. E queremos ganhar, trabalhamos para isso. Passo a passo, vamos jogando e fazendo tudo o que temos de fazer para estar na luta."
Prestianni realça a exibição e a vitória: "Conseguimos jogar bem e conquistar três pontos importantes em casa."
Bah salienta o triunfo alcançado: "Tínhamos simplesmente de fazer o nosso jogo, e foi isso que fizemos na primeira parte. Não senti que tivesse sido um jogo fácil, embora o possa parecer. Mas fizemos uma boa exibição."
Echeverri enaltece o percurso inicial na prova e quer mais: "A equipa está a trabalhar muito bem. Estou muito feliz por termos vencido estes dois jogos e isto é apenas o início."

3. Toni acarinhado
Quase 60 mil nas bancadas cantaram os Parabéns à glória do Benfica, Toni, que anteontem completou 80 anos de vida.

4. Agenda para sábado
Há três dérbis com o Sporting neste dia: em Viseu, às 16h00, os dois clubes disputam a Supertaça de voleibol no masculino; às 15h30, em Torres Vedras, joga-se a meia-final da Taça Jesus Correia de hóquei em patins no masculino; e, às 15h00 no adidas Benfica Campus, é a vez dos Juniores de futebol. Na Luz há jogo de basquetebol no masculino entre Benfica e Oliveirense (17h00), seguido pelo embate no futsal no feminino entre Benfica e Santa Luzia (19h00). As equipas femininas de andebol e de basquetebol e a masculina de râguebi têm deslocações ao Alavarium (19h00), CAB Madeira (11h00) e CDUP (16h30), respetivamente.

5. Agenda para domingo
A equipa feminina de futebol do Benfica visita o Marítimo às 11h00. À mesma hora, os Juvenis deslocam-se ao reduto do Real SC. No feminino, Benfica e CJ Almeida Garrett encontram-se em andebol às 17h00 na Luz. Há ainda as deslocações em basquetebol (CDE Francisco Franco, 16h00), voleibol (PV Colégio Efanor, 15h00) e râguebi (Sport CP, 15h00). Em Algés, às 14h30, o Benfica recebe o Lousada em polo aquático.

6. O outro lado
Conheça um lado mais íntimo de Edu Castro, o treinador da equipa de hóquei em patins do Benfica.

7. Mundiais de hóquei em patins
Acompanhe a prestação dos atletas do Benfica no certame.

8. Jornal O Benfica
A edição desta semana está disponível para download no site oficial.

9. Casa do Benfica da Covilhã
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 60.º aniversário."

Prestianni e Pietuszewski vão disputar a nossa 'Bola de Ouro'


"Os dois meninos de Benfica e FC Porto têm tudo para fazer desta 'batalha' uma outra forma de assistir ao duelo entre dois velhos rivais. Mas será por pouco tempo

A eleição do próximo Bola de Ouro da France Football está aí à porta e é nestes momentos que cada adepto de futebol idealiza para si quem é o melhor jogador do mundo (ou, para ser rigoroso, quem foi o melhor num determinado período de tempo). Mas serve também para pensarmos no que é - ou deveria ser - a definição da hierarquia de valor de um futebolista. Por outras palavras, o que nos faz gostar de mais de um jogador em detrimento de outro.
Num campeonato como o português, naturalmente que o tribalismo impede de ver as coisas com clareza. Só muito à força quem sente vermelho acha que o azul é melhor ou vice-versa. Se até na por vezes patética dicotomia Messi-Ronaldo se assiste a argumentos que pertencem ao domínio do irracional, muito mais vincada é a incapacidade de clarear as ideias e assumir o óbvio quando o objeto da discussão envolve a proximidade e rivalidade.
Claro que houve sempre exceções: Gyokeres, Hulk, Falcao, Aimar, Saviola, Liedson, Jardel, Deco ou João Vieira Pinto (isto só para ficarmos no século XXI) eram tão bons que qualquer pessoa que goste de futebol, a custo ou não consoante a cor porque torcem, tinha de admitir a superioridade e talento de futebolistas que ficaram (e ficarão) nas prateleiras mais altas do arquivo da bola lusa.
Na temporada em curso, é justo dizer que esse estatuto pertence, para já, a Gianluca Prestianni. Pelo ritmo que emprega ao jogo do Benfica, pela a rapidez de movimentos, velocidade de execução ou relação com a baliza, o internacional argentino reúne as características do que deve ser, afinal, o melhor que pisa os relvados: os jogadores por quem o adepto paga o bilhete, que lhe arranca um sorriso além da reação apaixonada, enfim, que o faz chegar a casa satisfeito.
Numa era em que os extremos parecem ser cada vez mais formatados, assistir à evolução deste menino de 20 anos é um renovar de esperança: aquele que assume o 1x1 sem medo de errar mas não se esquece do compromisso defensivo; que se encosta à direita e também sabe jogar à antiga, pelo carril. Mérito dele, mas também de Marco Silva, que como qualquer treinador que gosta de ganhar com nota artística fomenta a criatividade individual de cada um. Conhecer e implementar o processo, sim; deixar que depois a inspiração faça o resto, também.
Mas não é o único. Porque no FC Porto outro menino, dois anos mais novo, ainda vai a tempo de chegar-se ao argentino nesta corrida muito especial. Ainda sem o ritmo ideal após duas lesões musculares (há mesmo que ter cuidado aos 18 anos...) Pietuszewski resolveu o jogo na Madeira diante do Marítimo porque antes do estupendo remate em arco sob pressão já havia feito aquilo que se vai vendo pouco por estes relvados: o gosto pelo duelo individual, deixar as basculações para os outros e partir para cima dos defesas com uma certa insolência que contrasta com um futebol cada vez mais mecanizado.
O extremo polaco é uma pérola e uma dádiva para o FC Porto, que deve ser protegida no seu crescimento na razão direta do enorme talento que possui. Tal como foi Prestianni no Benfica num contexto muitíssimo pior (aqui e ali ainda se ouvem assobios pelos resquícios do caso Vinícius), num trabalho desenvolvido internamente com ele, nomeadamente na mudança de atitude em campo - abandonou as simulações e a tendência para o jogo belicoso, agora tem a objetividade de um alemão com a ginga das canchas sul-americanas. Um mix explosivo.
Se nada de anormal ocorrer até lá, acredito que as grandes páginas deste campeonato serão escritas por estes dois jovens talentosos que se assemelham na forma de jogar e até na posição que ocupam. E que por via da natureza vendedora dos grandes em Portugal, serão sol de pouca dura: um já está num caminho ascendente e regular (Prestianni), o outro para lá caminha (Pietuszewski). É desfrutar enquanto se pode, seja em que tonalidade for."

O 'hermano' do melhor jogador da época entre equipas portuguesas


"A crescente consistência do Benfica está também nas alternativas que Marco Silva vai ganhando, mas para lá do 'bis' de Durán há uma promessa que parece querer mostrar a sua melhor versão

O minuto 90+1 da receção ao Celtic diz muito sobre este Benfica de Marco Silva. Se o cabeceamento à trave de Tomás Araújo representa uma mentalidade ofensiva constante - mesmo sabendo que foi a segunda vaga de um lance de bola parada -, o sprint defensivo posterior, protagonizado por cinco ou seis jogadores, deixa bem patente uma entrega inegociável, até quando o marcador assinala um 4-1 favorável.
A desvantagem na Liga não deixa margem para deslumbramentos, e a vitória em Milão até representa mais do que esta, mas o jogo com o Celtic foi mais uma prova de consistência. As águias estão a ganhar altitude, e isso só pode ignorar quem não tira os olhos do chão.
No fim prevalece sempre a lei dos resultados, mas de caminho é justo elogiar o processo. É preciso recuar consideravelmente no tempo para encontrar um Benfica tão próximo daquela que deve ser a sua identidade coletiva, o que tem valorizado o individual de forma inegável.
Melhor jogador da época entre as equipas portuguesas, até ver, Prestianni personifica bem esta imagem, mas Marco Silva tem sido sagaz a consolidar outras opções. 
Dodi Lukebakio pode não ter aproveitado esta oportunidade, depois do bom rendimento apresentado na seleção belga, mas Durán respondeu positivamente, e em dose dupla, embore continue com uma tomada de decisão algo egoísta.
Desta vez Echeverri não teve participação direta em golos - ao contrário dos dois jogos anteriores que disputou -, mas o rendimento continua bastante promissor, dentro daquele estilo à Saviola que recua um pouco mais no terreno. Entende-se a prudência do técnico, até porque El Diablito tem desiludido no futebol europeu, mas que jeito daria a Marco Silva contar com a melhor versão deste hermano de Prestianni."

Quando o desporto universitário também é turismo


"Os recentes resultados das Seleções Nacionais Universitárias mostram a qualidade e a dedicação dos nossos estudantes-atletas. Das medalhas conquistadas no futsal, futebol de praia e karaté às prestações na canoagem, no remo e nos desportos de praia, Portugal tem afirmado a sua presença nos grandes palcos internacionais. Mas estes resultados são também uma oportunidade para projetar o nome de Portugal além-fronteiras.
Quando recebemos em Portugal eventos como os Campeonatos do Mundo Universitários de Orientação, em Vila Real, e de Desportos de Praia, na Figueira da Foz, recebemos estudantes, treinadores, dirigentes e delegações de todo o Mundo. Durante vários dias, estes visitantes conhecem os nossos territórios, a nossa cultura, o nosso património, a nossa gastronomia e a nossa hospitalidade. O desporto torna-se, assim, uma porta de entrada para descobrir Portugal.
É nesta ligação que encontramos uma dimensão cada vez mais relevante. O turismo desportivo. Um participante num campeonato não é apenas um atleta, é também um visitante, um consumidor de experiências e, potencialmente, um futuro visitante de Portugal. As memórias que leva, as imagens que partilha e as histórias que conta contribuem para a forma como o nosso país é conhecido e reconhecido internacionalmente.
Os grandes eventos desportivos permitem ainda levar visitantes a territórios que, muitas vezes, ficam fora dos circuitos turísticos tradicionais. Geram movimento na hotelaria, na restauração, no comércio e nos serviços, aproximando o desporto das comunidades locais. Cada competição pode, por isso, transformar-se numa oportunidade de mostrar a diversidade e a riqueza do território português.
Da mesma forma, cada estudante-atleta português que compete no estrangeiro leva consigo muito mais do que uma camisola. Leva Portugal, a sua universidade e a sua academia. É, muitas vezes, um verdadeiro embaixador do País, contribuindo para aproximar culturas e mostrar uma geração que estuda, compete e representa Portugal nos mais elevados níveis internacionais.
O futuro do desporto universitário deve passar também por esta capacidade de levar Portugal ao Mundo e trazer o Mundo a Portugal. Queremos mais estudantes-atletas portugueses nos grandes palcos, mas também mais competições internacionais no nosso país. Porque quando o desporto cria oportunidades para competir, conhecer, viajar e regressar, todos ganhamos. Os estudantes-atletas, as universidades, os territórios e Portugal."

De exportadores de talento a campeonato desvalorizado


"Agora que as competições europeias já arrancaram, a Primeira Liga está a todo o vapor e já vivemos um daqueles clássicos em que a paixão tantas vezes fala mais alto do que a razão, talvez seja este o momento certo para olhar para lá do próximo jogo e pensar no futuro do futebol português.
Portugal é uma das maiores potências mundiais na formação e exportação de talento futebolístico. Exportamos jogadores, treinadores, dirigentes e especialistas de scouting para os principais palcos internacionais, mas continuamos sem transformar essa excelência individual numa valorização coletiva da nossa Liga — uma das maiores contradições do futebol português.
Os exemplos são claros. O recente vencedor da UEFA Champions League contava com quatro portugueses: Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos. O Manchester City contava com Bernardo Silva e Rúben Dias como referências, Bruno Fernandes é capitão do Manchester United e recordista em assistências nessa liga, Pedro Neto e Geovany Quenda representam o Chelsea. Cristiano Ronaldo continua a ser um fenómeno global no Al-Nassr e João Félix mantém projeção internacional. Portugal é, de facto, uma fábrica de talento.
Mas não exportamos apenas jogadores. José Mourinho construiu uma carreira histórica nas maiores ligas, Jorge Jesus venceu em Portugal, no Brasil e no Médio Oriente, Abel Ferreira tornou-se símbolo de sucesso no Palmeiras e Carlos Queiroz mantém prestígio no futebol de seleções. Rúben Amorim chegou à Premier League e à Serie A após revolucionar o Sporting e nomes como Paulo Fonseca, Leonardo Jardim, Vítor Pereira, Marco Silva e Nuno Espírito Santo confirmam a qualidade da escola portuguesa de treino.
Também na gestão e no scouting surgem referências: José Boto no Flamengo, Luís Campos com passagens por Lille e PSG, Hugo Viana contratado pelo Manchester City, Pedro Ferreira no Nottingham Forest e Paulo Araújo com percurso entre Barcelona e FC Porto.
Perante este cenário, a questão é inevitável: por que não está Portugal no top-5 do ranking UEFA? A resposta não reside apenas na dimensão económica, mas sobretudo na forma como tratamos o nosso produto.
O futebol português vive num clima constante de suspeição. Jornada após jornada, multiplicam-se comunicados, conferências e debates centrados em arbitragens e alegadas influências. Em vez de promovermos a competitividade da Liga, promovemos a desconfiança. E nenhum produto cresce quando os seus próprios protagonistas insistem em desvalorizá-lo.
As consequências são claras. Uma Liga cuja credibilidade é posta em causa, perde valor junto de investidores, patrocinadores e operadores televisivos. Com menos receitas, os clubes são forçados a vender cedo os seus melhores jogadores. Pelo contrário, uma Liga mais valorizada permitiria reter talento, aumentar a competitividade europeia e somar mais pontos no ranking UEFA.
As principais ligas europeias perceberam que a valorização coletiva é essencial. Em Inglaterra, Espanha ou Alemanha há rivalidade, mas raramente se coloca em causa a legitimidade das competições.
Portugal precisa de mudar esta cultura. Defender o futebol português não é abdicar da rivalidade, é perceber que uma Liga mais forte beneficia todos. Temos talento para estar entre os melhores, mas falta-nos muitas vezes a capacidade de proteger e valorizar aquilo que é nosso. Talvez tenha chegado o momento de Portugal, além de convencer o Mundo, começar também a convencer-se a si próprio."

Novo Regulamento FIFA: jogadores também lucram com as transferências


"Alterações a partir de janeiro de 2027 prometem mudar panorama do mercado

A partir de 1 de janeiro de 2027, o Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores da FIFA (RSTP) passará a contemplar expressamente um direito de participação dos jogadores nas compensações financeiras pagas pela sua transferência, consagrando uma garantia obrigatória para aqueles que aufiram remunerações mais reduzidas.
O novo artigo 21ºBis estabelece, desde logo, o princípio da liberdade contratual, permitindo que clubes e jogadores acordem uma participação do atleta no valor da sua transferência, em termos definidos entre as partes.
Contudo, introduz também uma regra especial para os jogadores cuja remuneração fixa anual seja inferior a 150.000€ ilíquidos. Nas transferências internacionais definitivas, estes passam a ter direito a receber 5% do valor fixo da transferência efetivamente recebido pelo clube de origem, independentemente de tal participação ter sido previamente acordada. Importa ainda ressalvar que esta disposição apenas será aplicável aos contratos celebrados a partir de 1 de janeiro de 2027.
O regulamento admite a renúncia parcial a este direito, mas apenas quanto à parcela dos 5% que exceda o maior de dois valores: a remuneração fixa correspondente ao último ano de contrato ou 2,5% da compensação fixa da transferência. Pretende-se, assim, assegurar que a liberdade negocial não esvazia a proteção conferida ao jogador.
A nova regra não é, porém, absoluta. O nº 3 do artigo 21ºBis estabelece exceções, designadamente quando a legislação nacional ou um contrato coletivo de trabalho validamente negociado proíbam essa participação ou, pelo contrário, já consagrem um mecanismo semelhante de participação económica dos jogadores nas transferências, independentemente de a obrigação de pagamento recair sobre o clube de origem ou sobre o clube adquirente. Esta última exceção visa evitar a aplicação cumulativa de regimes jurídicos que reconheçam aos jogadores direitos de participação económica de natureza equivalente.
É precisamente neste ponto que a alteração assume particular interesse no contexto português.
O Contrato Coletivo de Trabalho celebrado entre a Liga Portugal e o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (CCT) já prevê um mecanismo desta natureza. O artigo 32º-A, nº 5 estabelece que os jogadores abrangidos pelo regime transitório de remuneração mínima previsto para a época 2026/2027 terão direito a receber 12% do montante líquido da transferência, quando esta ocorra na época 2027/2028.
Importa, contudo, compreender o alcance desta última disposição. O regime transitório estabelece remunerações mínimas específicas para os jogadores das competições abaixo da Liga Portugal 1, variando em função do escalão competitivo e de determinadas condições. O direito aos 12% encontra-se associado aos jogadores que aufiram a remuneração mínima prevista nesse regime, não abrangendo, em princípio, todos os jogadores que participem nessas competições.
Assim, embora ambos os regimes reconheçam aos jogadores o direito a uma participação económica nas transferências, diferem não só nas percentagens estabelecidas, mas também nos critérios que determinam quais os jogadores abrangidos.
Esta diferença suscita uma questão: poderá a existência do mecanismo previsto no CCT afastar a aplicação dos novos 5% da FIFA relativamente a todos os jogadores, mesmo àqueles que não beneficiam do direito aos 12%?
A resposta exige uma interpretação cuidada do artigo 21ºBIS, nº 3. A FIFA não exige que os mecanismos nacionais estabeleçam percentagens iguais, nem que a obrigação de pagamento recaia necessariamente sobre o clube cedente. O elemento essencial parece residir na existência de um direito efetivo do jogador a participar economicamente na sua transferência definitiva.
Nesta perspetiva, será defensável que um jogador abrangido pelo direito aos 12% previsto no CCT português não possa reclamar cumulativamente os 5% estabelecidos pela FIFA, por se encontrar preenchida a exceção regulamentar.
Diferente será a situação de um jogador que, embora aufira uma remuneração superior à mínima prevista no regime transitório do CCT, tenha uma remuneração fixa anual inferior a 150.000 euros. Neste caso, parece existir fundamento para reconhecer a aplicação do direito aos 5% previsto pela FIFA, desde que estejam preenchidos os restantes pressupostos regulamentares.
A reforma introduzida pela FIFA vem, assim, reforçar a preocupação de assegurar que os jogadores participam no valor económico gerado pelas suas transferências. O verdadeiro desafio estará em determinar os limites dessa proteção e a forma como o novo regime internacional deverá articular-se com os direitos já reconhecidos em cada ordenamento nacional."