Últimas indefectivações

terça-feira, 9 de junho de 2026

Camisola principal apresentada


"Nesta edição da BNews, o destaque é a nova camisola principal do Benfica e a atividade desportiva do Clube, incluindo a conquista da Taça de Portugal de andebol no feminino.

1. Novo Manto
Sagrado Já é conhecida a camisola principal do Benfica para 2026/27.

2. Contributos internacionais
Foram vários os jogadores do Benfica ao serviço de seleções ao longo dos últimos dias.

3. Taça de Portugal conquistada
As pentacampeãs nacionais de andebol ganharam a Taça de Portugal. Frente ao CJ Almeida Garrett, triunfo por 25-34.
Na mensagem de felicitações, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, sublinha que "é um triunfo que engrandece ainda mais o percurso de excelência que a equipa tem vindo a construir e que confirma, uma vez mais, a qualidade, a ambição e o espírito vencedor que caracterizam o Clube".

4. Na frente
O Benfica comanda a final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol. No 1.º jogo com o FC Porto, vitória das águias por 89-73.
Nota para a presença de Neemias Queta, com passagem pela formação do Benfica e o primeiro português a atuar na NBA, acompanhado por Joe Mazzula, o seu treinador nos Boston Celtics, eleito o melhor da presente época na liga profissional norte-americana.
A final prossegue amanhã, às 19h00, na Luz.

5. A uma vitória do título
A equipa feminina de futsal do Benfica ganhou ao Nun'Álvares o jogo 3 da final do Campeonato (no desempate por penáltis) e está a vencer a eliminatória derradeira por 2-1.

6. Outros resultados
Em andebol no masculino, derrota com o Sporting após prolongamento na final da Taça de Portugal (39-41). No futebol de formação, os Juvenis empataram 0-0 com o Rio Ave e os Iniciados empataram 2-2 com o Belenenses.

7. Bons desempenhos
Atletas do Benfica em bom plano.

8. Concerto de balneário
Promovido pela Benfica FM, José Cid atuou para as tricampeãs nacionais de basquetebol."

O Mundial é a vontade de ser criança durante um mês


"Sei sempre que tive um teste no dia 9 de junho de 2006. Não me lembro de que disciplina, mas não me esqueço da data nem da existência de uma avaliação. Porquê? Porque naquele mesmo dia, a 9 de junho, umas horas depois do meu teste, começou o Mundial 2006. Alemanha-Costa Rica, Munique, debaixo do sol bávaro.
O jornal “Record”, que por aqueles tempos eu lia religiosamente (obrigado, mãe), trazia, nos meses anteriores ao pontapé de saída da competição, uma contagem decrescente para o arranque. Faltam 90 dias, 60 dias, 10 dias, é hoje. Para mim, o countdown possuía um duplo significado, ajudando-me a saber quando se concluíam os testes e quando principiava o Mundial.
Era a combinação perfeita. O fim das responsabilidades, arrumar os livros até ao fim do verão, e o começo da diversão. Era o meu primeiro ano no liceu, no quinto ano, e coincidia com o meu primeiro Mundial, porque em 2002 ainda não seguia devidamente a bola.
O Alemanha 2006 arrancou quando eu tinha 10 anos, terminou já comigo tendo 11 voltas ao sol, e foi devorado pelo meu cérebro de menino. As camisolas, a bola, os jogos, os protagonistas. Faltar à aula da tarde para ver o Portugal-México (obrigado, mãe).
No dia da final, fui com a minha família para a praia dos Alteirinhos. Quando a tarde já ia longa, mesmo antes de regressarmos para a nossa casa na Zambujeira do Mar, eu e o meu pai simulámos um desempate por penáltis na areia. “É a final do Mundial”, gritávamos, um era Barthez, outro Buffon. Horas depois, estaríamos, efetivamente, a ver o Itália-França ser decidido daquela forma. Só não imitámos a cabeçada de Zidane.
A partir dali, todos os Mundiais foram uma pequena grande infância vivida durante um mês. É essa a essência deste pedaço de felicidade redonda vivido ao longo de algumas semanas: a vontade de voltar a ser criança, de ver o jogo como se fosse a primeira vez, a primeira eliminação injusta, o primeiro jogador desconhecido a revelar-se, saber onde fica o Equador ou Togo ou Colónia ou Frankfurt. Saber o que foram os Julgamentos de Nuremberga por Portugal ter jogado naquela cidade, travando uma batalha contra os Países Baixos que então todos ainda chamávamos Holanda.
Eis um certo paradoxo: os Mundiais afirmaram-se sempre como este pedaço de infância em retorno, ainda que, por se disputarem de quatro em quatro anos, cada um tenha marcado um momento diferente da minha vida. 2006 e o primeiro ano de liceu. 2010 e os exames para entrar no secundário (exame de Português a 16 de junho, meu dia de anos, dia em que Espanha, surpreendentemente, perdeu contra a Suíça). 2014 e o fim do meu primeiro ano de faculdade. 2018 e o fim da faculdade. 2022, primeiro Mundial como jornalista nesta casa. 2026, primeiro Mundial como pai.
É como se os Mundiais fossem um companheiro que vai observando cada mudança, cada nuance, diferentes fases da vida.
E eis que entra em campo o fim da inocência.
Sim, este vai ser o Mundial MAGA. O Mundial de Trump, do ICE, em que vai competir um país cujo chefe de Estado foi assassinado por um dos anfitriões.
2018 foi o Mundial da Rússia de Putin, o grande amigo da FIFA que teve de deixar de o ser. 2022 foi o Mundial do Catar, dos mortos na construção. Foram Mundiais de sportswashing, de lavagem de imagem, a Rússia a querer ganhar espaço no concerto internacional, o Catar projetando-se como importante jogador de soft power.
Este é o Mundial do anti-sportwashing. Se no sportswashing se pretende lavar imagem, ser simpático, “venham visitar-nos e descobrir como somos maravilhosos”, agora é o oposto disso. Querem visitar-nos? Paguem preços absurdos. Corram o risco de prisão ou deportação. Não levem águas para os estádios. Não vos queremos. A não ser que tenham uns milhares de dólares aí no bolso. Nesse caso, tomem lá este bilhete. Mas não levam águas. E não esperem sorrisos de volta.
Este uso do futebol, e particularmente do Mundial, não é novo. Para ir a exemplos com quase um século de vida, 1934 já foi a competição de Mussolini: transmitido via rádio para diversos países, teve merchandising próprio, bilhetes impressos em papel de alta qualidade, um cartaz oficial desenhado por Filippo Tommaso Marinetti, ideólogo do movimento futurista. Foi criada a Coppa del Duce, um troféu seis vezes mais alto que o Jules Rimet — a taça oficial do torneio — entregue em simultâneo aos vencedores como uma oferenda com a chancela de Mussolini. Em 2022, o Catar faria parecido ao cobrir Messi com o bisht.
O que fazer perante isto? Negar a vontade de ser criança, negar o Mundial? Bem, isso não é possível. Não é possível porque o futebol, para boa parte da humanidade, não é propriamente uma escolha. E aí reside parte do equívoco de quem coloca o futebol na competição por atenção existente, por quem o mete ao barulho com a Netflix ou a HBO ou o TikTok.
O futebol não é uma opção. O futebol acontece-nos, calha-nos. É parte da família. É muito mais religião, uma missa cada domingo porque os pais já iam e os avós já iam e é assim a vida, do que opção racional. Não há como o negar.
O que fazer, então? Pois bem, não deixar que quem se quer apropriar do Mundial, quem quer usar esta fábrica infinita de sonhos, fique sozinho na conversa. Escrutinar. Questionar. Lembrar que este é um património coletivo. Não permitir a usurpação. Ser crítico, mas não sair da sala.
Aí está outro Mundial. Aí estão mais semanas para ser criança. A que se devem essas olheiras hoje, dormiste mal? Não, simplesmente é dia 17 de manhã e houve um Argentina-Argélia às 2 da manhã e um Áustria-Jordânia às 5 da madrugada.
Fechado por futebol, escreveu Galeano. Aberto para ser criança, acrescento eu."

As mulheres não sabem lidar com a pressão


"Questionar árbitras é apenas mais uma camada para mulheres que escolheram uma difícil profissão

Há algumas semanas, no Brasil, a frustração por ter perdido um jogo do Campeonato Paulista, levou um jogador, ligado ao Benfica, a desabafar algo como «um jogo desta dimensão não devia ter sido arbitrado por uma mulher». Gustavo Marques foi imediatamente censurado pela mãe e companheira - pasme-se, mulheres - e pediu desculpa, mas não se escapou a um castigo: foi multado pelo clube e suspenso por 12 jogos.
Mais recentemente, em Roland-Garros a mesma ideia. O ténis é uma modalidade onde regularmente mulheres lideram jogos de homens - a primeira final de Grand Slam julgada por uma mulher só ocorreu em 2007 - mas o tenista paraguaio Adolfo Vallejo acabou sancionado com a multa mais alta da história da prova, no valor de 65 mil euros, após proferir comentários machistas dirigidos à árbitra brasileira Ana Carvalho. Depois de perder com um francês, afirmou que o encontro deveria ter sido arbitrado por um homem, acusando-a de não ter conseguido gerir a pressão do público francês.
Infelizmente, não é com multas, por mais altas que sejam, que este tipo de pensamento vai mudar. Veja-se Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, que se referiu a uma jornalista como «essa menina» e questionou os conhecimentos de futebol de outra profissional da comunicação social. Pela ministra da igualdade, foi chamado de «bafiento», mas é líder do clube mais valioso do mundo.
Ora gerir a pressão, sobretudo sendo árbitras, é algo a que as mulheres estão muito habituadas. A isso juntam o dilema diário do que fazer para o jantar, lembrar constantemente ao companheiro onde se guardam (há anos) as fronhas de almofada ou, mais a sério, ir à noite para o carro sempre com as chaves nas mão, para passar o mínimo de tempo possível do lado de fora da viatura. 
A coragem de decidir ser árbitra, seja para avaliar mulheres como homens, é em si já uma prova de coragem, de alguém que acredita o suficiente em si para projetar confiança e autoridade. Alguém que sabe sempre o que vai fazer para o jantar."

Estão mais seguros no México!

Ninguém vai buscar a bola às silvas !!!

Será assim em todos os jogos?!

Será que a Seleção da Inglaterra passou pelo mesmo escrutínio?!!!

Imaginem se este Mundial fosse organizado num país do terceiro mundo?!!!

Nora Fatehi, Vegedream, Sanjoy, FIFA Sound - Siir Siir (FIFA World Cup 2026™) [Official Music Video]

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Panamá: onde o futebol continua a ser sinónimo de Julio Dely Valdés


"Em Itália chamavam-lhe Manteiga, pela capacidade de se esgueirar entre adversários. Em Espanha, tornou-se num dos melhores estrangeiros do Málaga. Mas, mais que tudo, foi ele que deu a conhecer ao mundo que no Panamá também se jogava futebol.

Há um país que é uma ligação. Uma ligação entre as Américas, uma ligação entre o Atlântico e o Pacífico, uma ligação para o comércio internacional. E nesse país, há um antes e um depois de Julio Dely Valdés. Antes de Julio, o boxe, o basebol e o basquetebol eram a ligação, o futebol não era a ligação. Depois de Julio, o Panamá também passou a ser sinónimo de Dely Valdés. E Dely Valdés passou a ser uma ligação do seu país ao mundo.
Julio Dely Valdés, avançado versátil, mais móvel e chato para os defesas adversários do que um verdadeiro matador, nasceu em Colón, uma das pontas do Canal do Panamá, onde o seu pai trabalhava, em 1967. Se foi ele o primeiro a nascer ou Jorge, o seu gémeo, é um dado biográfico desconhecido. Mas ambos ficariam ligados para sempre, fosse pelos genes, pela data de nascimento ou pelo caminho que ambos trilharam no futebol, ainda que Julio tivesse sido mais bem-sucedido.
Uruguai, Itália, França, Espanha. A carreira internacional de Delyrio, alcunha que lhe deram quando jogava no Nacional de Montevidéu, passou por alguns dos melhores campeonatos mundiais, mas não começou bem. O seu irmão mais velho, Armando, era jogador do Argentinos Juniors quando Julio tentou a sua sorte num teste no clube que formou outro Armando, ou melhor, Diego Armando Maradona. Não ficou.
Mas não deixou a Argentina. Encontrou pouso no Deportivo Paraguayo, clube da comunidade paraguaia de Buenos Aires, na altura no 5º escalão do país, e foi de tal maneira prolífico que do outro lado do Rio da Prata alguém lhe prestou atenção, já o avançado tinha 22 anos. Dely Valdés foi então para o Nacional, para uma primeira experiência como profissional, sagrando-se campeão nacional em 1992.
Cruzar o charco para o Cagliari, de Itália, não foi um acaso. O clube sardo tinha forte presença uruguaia, a começar por Enzo Francescoli, e estava sempre de olho nos melhores talentos saídos do campeonato charrúa. Terá sido mesmo uma conversa com El Principe que convenceu Dely Valdés a assinar pelo clube. Em Itália, ganharia outra alcunha: Manteiga, por passar facilmente pelas defesas adversárias. Mais exageradas terão sido, na altura, as comparações com Marco van Basten, pela sua técnica, que aliava ao poderio físico.
Duas boas épocas no Cagliari valeram-lhe a contratação para o PSG, onde se sagraria campeão da Taça das Taças em 1996. Seguiu para o Oviedo e depois para Málaga, onde se tornou referência para os adeptos e é, ainda hoje, o melhor marcador de sempre, com 47 golos, em igualdade com Salva Ballestra.
Se na Europa, Dely Valdés já era de corpo e alma um embaixador do então desconhecido futebol do Panamá, na seleção tanto ele como o irmão gémeo Julio, que fez carreira no Japão, nunca conseguiram o objetivo final de chegar a um Mundial. E como selecionador ficou perto, mas na qualificação para o Brasil 2014, um golo tardio dos Estados Unidos roubou o lugar de play-off à equipa. “Eu era o treinador principal e o meu irmão o adjunto. Foi muito difícil, estávamos tão perto e ao mesmo tempo tão longe de atingir algo único”, lamentou numa entrevista à FIFA.
Quatro anos depois, foi já como adepto, e à distância, que Dely Valdés viu o primeiro apuramento do Panamá para um Mundial. “Não podia berrar tudo o que queria porque estava em Espanha e o jogo foi durante a madrugada. Teria acordado os vizinhos”, brincou, numa conversa com o “Guardian”.
Como treinador, Dely Valdés assumiu-se como um disciplinador. Talvez venha de casa, ele que relembrou os pais como pessoas “pontuais, sérias e responsáveis” ao “Guardian”. O respeito que granjeou na Europa também lhe deu respaldo para tal. “Usei essa autoridade. Disse na altura a oito ou nove jogadores-chave que ao mais pequeno sinal de indisciplina estavam fora. E com isto os outros ficam a pensar: ‘Se ele corta a cabeça ao um tipo que líder…’”.
Ainda assim, mesmo com toda esta disciplina, o romantismo não abandonou Dely Valdés. Em 2020, foi convidado pela ESPN para escolher aquele que, para si, era o melhor jogador de sempre da América Central. E Dely Valdés optou por Jorge “El Mágico” González, avançado de El Salvador conhecido pela sua técnica e capacidade de drible estonteantes, um mago com a bola a quem a falta de disciplina (e talvez a nacionalidade) não permitiu voos mais altos."

segunda-feira, 8 de junho de 2026

10.ª Taça de Portugal

Almeida Garret 25 - 34 Benfica
16-18

Triplete, numa época longa, onde só faltou uma graçinha Europeia... A equipa está estruturada e tem juventude com muito talento, vamos ver se as conseguimos manter durante muito tempo!

Ingrato...

Benfica 39 - 41 Sporting
17-20
18-15
4-6

Na última partida de muitos jogadores, derrota naquele que terá sido um dos melhores jogos da época, no prolongamento, numa forma muito cruel, depois de várias oportunidades para alargar a vantagem para dois golos de diferença, acabámos mais uma vez por cometer alguns erros infantis e acabamos por perder o caneco!

A revolução no plantel era necessário, falta saber se as decisões vão ser as corretas! Existem jogadores com ambições de jogarem no estrangeiro, mas se o Benfica quiser ser mais competitivo não se pode agradar a todos! As lesões e a veterania em alguns sectores acabou por ser fatal, durante a época e a falta de profundidade retirou as poucas hipóteses de erguer títulos esta época! Com o orçamento disponível exige-se mais... Agora, não será fácil, até porque como se viu também hoje, os apitos também aqui estão controlados...

Uma vitória, faltam duas !!!

Benfica 89 - 73 Corruptos
23-12, 23-15, 28-19, 18-27

Com esta atitude defensiva, vamos limpar a Final!!! Os Triplos até entraram, mas foi na defesa que ganhámos o jogo! E com alguns dos nossos habituais melhores marcadores de 'folga'!!!

Iniciados - 15.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 2 Belenenses
Pisco, Neves


Empate cedido nos descontos longos, depois do golo inaugural no primeiro minuto e outro no final da 1.ª parte!!!

Mentiroso

Benfica: mural da esperança ou da resignação?


"Cumprindo uma tradição antiga, fui ver a final da Liga dos Campeões, com um grupo de amigos, desta vez em Budapeste. Grande estádio, grande organização e grande ambiente. O jogo propriamente dito não foi um dos melhores espetáculos a que já assisti. Mas, ainda assim, venceu a melhor equipa.
Aproveito sempre estas finais para tirar uma foto ao mural onde estão expostas as camisolas dos clubes vencedores da Liga dos Campeões. Mais concretamente, aproveito para tirar uma foto à camisola do meu clube, o Benfica, que ganhou por duas vezes a competição, em sete finais disputadas.
Dois sentimentos me invadem ao olhar para aquele mural. Em primeiro lugar, um orgulho e admiração pelos dirigentes e jogadores dessas épocas. Que audácia, que competência e que determinação foi preciso existir para termos conquistado o que conquistámos!
O segundo sentimento é quão longe, hoje, como sócio e adepto, me sinto desse mural e quão longe me sinto, também, de um dia voltar a chegar próximo de uma final da Liga dos Campeões. E acho que este é o sentimento dominante entre a maioria dos sócios e adeptos do Benfica. Mas será que tem de ser mesmo assim?
Muitas vezes penso o que seríamos hoje se os nossos dirigentes dos anos 60, 70 e 80 se tivessem resignado ao facto de sermos um país pobre, fechado e pequeno e terem aceite ficar pelo fácil, pelo apenas possível e não ousar conquistar o que parecia verdadeiramente impossível.
Mas, felizmente, não aceitaram essa fatalidade, não se resignaram e encontraram soluções para ser grandes, mesmo vindos de um país (geograficamente) pequeno, e deixar-nos um legado imenso! É verdade que o futebol mudou muito, sobretudo após a Lei Bosman e a chegada do capital bilionário, que veio mudar as regras do jogo.
Também é verdade, porém, que as oportunidades neste novo mundo global e aberto aumentaram muito em relação aos anos 60, 70 e 80, em especial para as organizações com a marca, a dimensão e a massa adepta do Benfica.
Ao contrário de outros clubes mais pequenos, a nossa dimensão permite-nos ter opções, fazer escolhas e aproveitar as oportunidades que nos permitam ter novamente esperança de competir ao mais alto nível.
Com a mesma fórmula e também com a mesma organização dos anos 60? Não! Daquela maneira, infelizmente, não é mais possível. Precisamos urgentemente da atitude, da coragem e, em especial, da competência e do inconformismo dos sócios e dirigentes desses anos gloriosos.
Há hoje uma aceitação geral entre nós, sócios, que nos foi incutida e imposta, e que passa por termos de nos resignar a ser um mero entreposto de jogadores, um clube formador dos grandes europeus que ganham títulos, restando-nos ficar a assistir, com nostalgia, ao João Neves e ao Gonçalo Ramos a serem bicampeões europeus com uma camisola de outro clube, ao ponto de já não sabermos se somos sócios do Sport Lisboa e Benfica conquistador de títulos ou se somos sócios do Sport Lisboa e Benfica agente de jogadores.
O facto é que conseguimos ser a Academia mais lucrativa do Mundo nos últimos 10 anos, com quase €600 milhões de vendas de jovens extraordinários formados em casa, mas em termos de títulos ficámos longe dos melhores da Europa e nem sequer fomos o mais ganhador em Portugal nos últimos 10 anos.
Podemos dizer que o SLB agente tem sido mais competente que o SLB clube ganhador de títulos, o que deve levar a uma reflexão sobre o modelo seguido.
Será que tem mesmo de ser assim? Será que não há outras soluções? Claro que há! Só é assim porque vender jogadores é a solução mais fácil. Só funciona assim porque vender jogadores é a solução mais fácil, mais simples e mais conveniente para o mercado em geral. É que vender o João Neves pelo preço a que foi vendido abaixo da cláusula de rescisão não é tarefa difícil e até um adolescente o faria. Basta uma boa comissão ao agente e a qualidade inegável do João Neves faz o resto.
O nosso legado é maior é tudo isto a que assistimos. Precisamos de muito mais. Precisamos de dirigentes que não se limitem a ser compradores/vendedores de jogadores, mas que encontrem soluções económicas e financeiras que nos permitam ter um projeto desportivo estável, consistente e duradouro. Que consigam montar um modelo económico ao serviço do modelo desportivo e não um modelo desportivo ao serviço do modelo económico. No fundo, que nos devolvam a esperança de andar de forma consistente entre os melhores e, eventualmente, ganhar.
Para isso acontecer precisamos de dirigentes que tragam visão e competência das suas vidas profissionais. Que tragam visão estratégica, conhecimento e saber fazer.
Ser presidente ou dirigente do Sport Lisboa e Benfica não pode ser um espaço de experimentalismo ou de aprendizagem assentes em ambição pessoal sem qualquer sustentação de capacidade profissional. Precisamos dos melhores, entre nós, também fora do campo. Os títulos começam a ganhar-se aí, sobretudo num mundo supercompetitivo e cheio de interesses paralelos como é o atual.
Mais uma vez chegamos ao início de época com um novo treinador. Com a época a iniciar mais cedo, com um novo play-off (desta vez da Liga Europa) e, como sempre, na expectativa da entrada e saída de inúmeros jogadores na vaga esperança de que a chegada dos novos milagreiros venha resolver os nossos problemas. Onde é que já vimos isto?
O atual presidente e respetiva Direção estão mais do que legitimados para continuar e não devem ser postos em causa. A bem da estabilidade é isso que deve acontecer. Mas têm de refletir seriamente sobre o passado recente e tirar conclusões sobre o caminho para onde estão a levar o clube. E, mais importante, fazer um exame de consciência e concluir se têm capacidade e energia para alterar o rumo.
Na final da Liga dos Campeões do próximo ano, em Madrid (onde espero voltar a estar presente), gostaria de olhar para aquele mural das camisolas com esperança e não com resignação. Mas tenho consciência de que muita coisa precisa de mudar para voltarmos a ser o clube da superação e dos feitos (quase) impossíveis. Para isso, haja esperança, visão e determinação."

Benfica e Mourinho: o fim de uma relação abusiva


"Este domingo marca um momento decisivo: há eleições no Real Madrid e, ao mesmo tempo, o Benfica prepara-se para encerrar um ciclo tão intenso quanto controverso. Um ciclo que começou como um romance promissor com José Mourinho, mas que acabou por revelar desgaste e desequilíbrio.
A mais que provável recondução de Florentino Pérez na presidência do Real Madrid abre portas a um cenário agora inevitável: o regresso de José Mourinho ao clube espanhol. Um desejo do treinador português.
Significa também o fim da sua passagem pelo Benfica, uma passagem tudo menos discreta. Mourinho trouxe intensidade, influência e protagonismo; não apenas, não principalmente no futebol da equipa. Foi determinante na eleição de Rui Costa, assumiu o controlo da comunicação e imprimiu a sua identidade no clube. Em vários momentos, a marca Mourinho pareceu sobrepor-se à própria marca Benfica. Ainda assim, essa perceção nunca se consolidou porque o peso institucional e histórico do Benfica acaba sempre por se impor. Apesar disso, os erros na gestão deste protagonismo foram evidentes.
O Benfica permitiu que o equilíbrio interno se alterasse e que o treinador ganhasse um espaço de poder difícil de sustentar. A pressão do clube, aliada à personalidade forte de Mourinho, criou um ambiente onde o conflito se tornou inevitável. O que parecia um casamento perfeito transformou-se, gradualmente, numa relação desgastante, com sinais de rutura cada vez mais visíveis. Não através de confrontos diretos, mas por meio de tensões subtis, silêncios estratégicos e decisões pouco claras.
Um dos erros mais evidentes da SAD encarnada foi não ter renegociado ou eliminado a cláusula de rescisão de sete milhões de euros após a reeleição de Rui Costa. Essa cláusula acabou por funcionar como uma zona de conforto para Mourinho e como um entrave estratégico para o Benfica. Agora, com o Real Madrid disposto a pagar 15 milhões de euros para garantir o treinador, o cenário financeiro torna-se mais favorável, mas, ainda assim, o atraso provocado pelas eleições no clube espanhol e o silêncio prolongado entre Benfica e Mourinho criaram instabilidade. Essa indefinição dificultou negociações com Marco Silva para a liderança técnica e atrasou decisões fundamentais para a nova época.
Apesar de tudo, o Benfica ainda vai a tempo de reorganizar o seu futuro. Nos próximos dias, o desfecho parece inevitável: Mourinho sairá e abrirá espaço para um novo ciclo liderado por Marco Silva. Este momento representa mais do que uma simples mudança de treinador. É uma oportunidade estratégica para o Benfica recuperar a sua identidade, reforçar a sua estrutura e corrigir erros recentes. Reagrupar, reorganizar e, acima de tudo, não falhar no mercado de transferências serão pontos-chave.
A confiança será determinante. Rui Costa precisa de acreditar na escolha que fez. Qualquer hesitação transmitirá a ideia de fragilidade e incoerência na liderança. E isso seria precisamente o oposto do que o clube necessita: uma gestão sólida, de dentro para fora, e não condicionada por influências externas. O Benfica deve também reconhecer, com realismo, que neste momento está atrás dos seus principais rivais em vários aspetos desportivos, estruturais e estratégicos. Esse reconhecimento não deve ser visto como fraqueza, mas como ponto de partida para uma reconstrução ambiciosa. Será essencial adotar uma abordagem pragmática, sem abdicar da exigência. Recuperar identidade, consistência e competitividade é um processo que exige tempo, convicção e liderança firme.
Tal como acontece após o fim de uma relação abusiva, a recuperação não será fácil. Haverá dificuldades, dúvidas e momentos de instabilidade. Mas cada pequena conquista ajudará a reconstruir o caminho. E cada obstáculo terá de ser encarado como parte do processo — nunca como motivo para desistir."

Benfica: decidir não decidir


"Durante meses, a administração do Benfica assistiu à gestão do processo relacionado com José Mourinho sem o resolver: não decidiu, não liderou e limitou-se a esperar que os acontecimentos produzissem uma solução. Hoje, tudo indica que essa solução está prestes a surgir sob a forma de uma indemnização milionária pela saída do técnico. O desfecho pode até ser favorável do ponto de vista financeiro. O problema é que um bom resultado nem sempre significa uma boa decisão. Há, no entanto, um detalhe que pode destruir toda a narrativa construída nos últimos dias: e se Enrique Riquelme vencer este domingo as eleições do Real Madrid?

A cambalhota de Mourinho
Com todo este enredo, o primeiro a ficar mal na fotografia é José Mourinho. Ninguém se esquece da forma como entrou na Luz. «Quem é o treinador que diz não ao Benfica?», perguntou Mourinho na apresentação. Meses depois, já temos a resposta: o próprio José Mourinho. Mais recentemente, o treinador português decidiu ir ainda mais longe ao afirmar que já não conseguia esconder o seu benfiquismo. Nunca percebi a relevância desta declaração. Um treinador profissional não é contratado para gostar mais ou menos de um clube, mas sim para ganhar. Se foi o próprio Mourinho que decidiu trazer o tema para o debate público, então também terá de aceitar as consequências dessa escolha.
Por isso, é difícil ignorar a ironia dos acontecimentos. Pouco tempo depois de assumir publicamente o seu benfiquismo, a sua imagem surge associada à campanha eleitoral de Florentino Pérez para a presidência do Real Madrid. Surgiu, entretanto, a explicação de que o vídeo terá sido criado através de inteligência artificial. Para mim, isso é irrelevante. Depois da pergunta com que entrou na Luz e depois de ter confessado que já não conseguia esconder o seu benfiquismo, Mourinho tinha apenas duas hipóteses: desmentir o vídeo ou pedir desculpa aos adeptos do Benfica. Não fez nenhuma delas. Assim, sem querer, acabou por confirmar a sabedoria popular: as palavras leva-as o vento.

Administração em espera
A comunicação pode alterar a perceção dos acontecimentos de uma forma incrível. Começo pela cláusula de ética, que o meu amigo André Pipa inteligentemente apelidou de «cláusula de cosmética». A realidade é que esta cláusula no contrato de Mourinho, que deveria ter tido um papel positivo e ético, acabou transformada numa arma que trouxe opacidade, que maquilhou um cenário de afastamento entre as partes e que, mais uma vez, demonstrou a inoperância de uma administração que deixou andar até que as coisas se resolvessem.
Assim, para aqueles que há uns meses defendiam as más exibições da equipa de Mourinho, este episódio será visto como um grande negócio, sobretudo se Florentino Pérez vencer. Para quem analisa o processo de forma mais profunda, o problema é outro: não houve racional evidente nem uma linha lógica de decisão por parte da administração encarnada. Pior do que isso, revela-se algo que tem sido cada vez mais óbvio: a falta de cultura e identidade de clube, bem visível neste episódio em que Mourinho surge associado ao anúncio de campanha de Florentino Pérez.
Percebo a lógica dos 15 milhões que podem entrar nos cofres. Só não percebo como é que um clube como o Benfica abdica de se impor e de pelo menos ameaçar levar o caso à FIFA ou à UEFA, perante a abordagem de um treinador com contrato em vigor por parte do presidente do Real Madrid. Os grandes clubes não hesitam quando a sua história é posta em causa. Neste caso, Rui Costa e a sua administração optaram por não o fazer. Ao não o fazerem, colocaram o encaixe financeiro à frente da afirmação institucional. No limite, se o Benfica reagisse de uma forma dura, os 15 milhões de euros entrariam na mesma, ou talvez mais, e o Benfica ficaria sempre a ganhar algo que aqui não teve: o respeito e uma posição pública à altura da sua história. Ao não o fazer, expõe duas coisas: uma fragilidade institucional que se tem vindo a acentuar e, inevitavelmente, a perceção de uma situação financeira mais pressionada do que o discurso deixa transparecer.

Marco Silva e a lógica da sobrevivência
Analiso esta contratação em três planos: financeiro, desportivo e de sobrevivência. Do ponto de vista financeiro, a questão é simples. Os clubes portugueses não têm dimensão para sustentar os valores que o Benfica pagou a Mourinho e que, ao que tudo indica, irá pagar a Marco Silva. Nada disso tem a ver com a qualidade dos treinadores. Tem a ver com a realidade dos clubes e com a forma como os recursos são distribuídos face aos objetivos desportivos. Um treinador não pode ser pago como se estivesse num contexto de receitas que o clube não tem. Essa discrepância acaba sempre por ter consequências noutras áreas.
No plano desportivo, parece-me uma escolha acertada. Marco Silva representa um modelo diferente de jogo: equipas com posse, dominadoras, mais próximas do ADN Benfica do que um futebol de transição e reação (como era com Mourinho). Nesse sentido, a escolha faz sentido. O contexto com que Marco Silva entra na luz deu-lhe força negocial. Resta saber se irá conseguir ter um papel determinante na composição do plantel e na gestão do Seixal, numa estrutura do futebol que não se tem mostrado unida. É no terceiro plano que a decisão se torna mais interessante: o da sobrevivência. A sensação que fica é que estas escolhas não são apenas desportivas: são também políticas. Nomes que ajudam a estabilizar o ambiente, a reduzir o ruído e a garantir aceitação imediata junto dos adeptos.
O problema é quando esse critério começa a pesar tanto como o critério desportivo. Aí a decisão deixa de ser apenas sobre o que é melhor para a equipa e passa a ser também sobre o que é mais confortável para a administração. Rui Costa ainda vai a tempo de corrigir erros do passado — nas decisões e na composição da sua equipa diretiva. A questão é saber se o fará.

A valorizar: Portugueses do PSG
O PSG conseguiu aquilo que poucos acreditavam. Em dois anos é bicampeão europeu. Muito mérito para Luís Campos e Luis Enrique que criaram uma identidade e cultura onde se destaca o respeito e o compromisso entre todos. Os nossos quatro jogadores chegam à seleção motivados e com enorme confiança."

11 anos depois...!!!

João Diogo Manteigas // A época desportiva 25/26 e as próximas AGs

Zero: Mercado - Marco Silva quer cara conhecida no Benfica

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Benfica espera por Madrid para entregar as chaves de casa

Highlights | A conquista do Campeonato Nacional pelos Sub-19 do #FutsalBenfica

O Chile que não é a Colômbia e Portugal que ainda não se escreve com todas as letras


"Portugal está ainda algo distante do seu potencial e da consistência que se exige a um campeão do mundo. O jogo com o Chile serviu para pouco, mas agora todos os próximos minutos contam.

Chega ao fim o Portugal-Chile. O embate de um candidato ao título mundial com o último classificado da zona sul-americana de apuramento, que já não vê uma fase final desde 2014 e atravessa uma crise geracional, provocada pela quebra de investimento na formação, pelo esticar para lá dos limites da geração de ouro e até pelas consequências de uma pandemia que não deu futuro a muitos de 17, 18 e 19 anos. Termina 2-1 diante da falsa-Colômbia, com uma erosão acelerada nas bancadas a partir dos 60', quando estas perceberam que Ronaldo não tinha voltado do intervalo e começaram a pesar na balança o tempo que ganhariam se saíssem mais cedo. Então, porque lá foram?
Para Martínez, a Seleção esteve bem. Mesmo que na primeira parte tenha criado apenas duas oportunidades, uma num canto, por Rúben Dias, e outra num lance rápido de Rafael Leão, que embateu no poste. Em que, por cúmulo, perto do fim, o mesmo Leão, aquele que mais precisava de moral, de aumentar níveis de confiança, depois de uma época a avançado-centro, a ser alvo de muitas críticas e a pensar em mudar de ares, tenha sido expulso. Perdeu a cabeça, confirmando o dificil momento que atravessa. Imagino que saiba que precisaremos dele.
Com 10 para 10, o jogo tornou-se caótico. A razão de ser perdeu-se. Com espaço, Portugal marcou dois golos, por Guedes e Bruno Fernandes, porém podia ter marcado mais. E ainda consentiu um. Também poderia ter sofrido mais. Mas a questão que fica é: será que teríamos vencido 11 para 11? Nunca iremos saber.
É apenas o primeiro ensaio e não há dramas. Faltavam ainda jogadores que serão ou terão de ser certamente nucleares, como João Neves e Vitinha. Logo, é certo que iremos melhorar. Até que ponto, não o sabemos. E o jogo do Jamor não mostrou que estamos no bom caminho. Ou nos desviámos para um mau. A partir do momento em que abriu o espaço, as duas equipas desataram a correr para a baliza adversária e a que conseguiu marcar mais vezes foi aquela que tinha mais talento.
Há relacionamentos que precisavam de ser continuamente trabalhados e não estão hoje melhores. Leão e Cancelo ainda esboçaram entendimentos, mas do outro lado Conceição e Semedo quase não ligaram um ao outro. O meio-campo foi demasiado heterogéneo e há que ver Bernardo com João Neves e Vitinha no meio, e Bruno mais à frente. Por isso, para que serviu realmente o jogo? E em que é que Colômbia e Chile são parecidos?"

Rabona: They waited 40 years & now they'll face ARGENTINA!

LiveMode: Aquece, vai entrar #3 - Chile

FIFA: Preview Series | Episode 4: "Height Of A Nation"

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A Verdade do Tadeia: O Mundial vai ao Bar #29 - Zidane de cabeça baixa

Simples: Chile

Tunísia: Francileudo dos Santos, a aposta do Presidente que festejou com outra bandeira


"Nascido no Brasil, obteve a nacionalidade pouco antes da CAN 2004. Apto a jogar, marcou um dos golos da final que valeu à Tunísia o primeiro título. Em vésperas do momento mais alto, o Mundial 2006, lesionou-se num jogo amigável. Tratou o problema como se estivesse perante uma rutura muscular, mas, na verdade, foi um ligamento do joelho a ceder. De qualquer modo, graças ao poder de uma injeção, entrou em campo.

A ida para a Tunísia foi um erro de interpretação. Francileudo dos Santos estava no Standard Liège, onde não se deu bem, e o empresário falou-lhe num país que ele não conhecia. Julgou que o representante o estava a convidar a prosseguir a carreira na Turquia. A semântica confundiu-o, mas não o fez reverter a decisão de deixar a Bélgica.
Acabou por assinar com os tunisinos do Étoile du Sahel e, inesperadamente, desbloqueou um leque de oportunidades nada previsíveis à nascença. Chegou com o estilo de sempre. O crucifixo preso ao pescoço pendia para fora da camisola e demorou algum tempo a perceber que o motivo da estranheza com que os muçulmanos o olhavam era o colar. Não foi o único aspeto da sua vida que levou tempo a ajustar. Com o passar das semanas também percebeu que tomar banho descascado era ousado demais.
O treinador do Étoile du Sahel era Jean Fernández, que lançou Zinedine Zidane no Cannes. Francileudo revelou uma veia goleador digna da Liga Francesa. Assim, acompanhou o técnico na mudança para o Sochaux. Durante o percurso do clube, desde a Segunda Divisão até à Taça UEFA, o avançado reuniu interessados. Não só clubes, mas também países se renderam ao jogador nascido em Zé Doca, uma cidade no estado brasileiro do Maranhão.
Faltavam apenas três semanas para a CAN quando Francileudo despachou as burocracias para obter a nacionalidade. Pelos vistos, na Tunísia continuaram a acompanhar o seu progresso e quiseram integrá-lo na equipa que participou na Taça das Nações Africanas, em 2004. Por cumprir o requisito de ter vivido no país durante dois anos, o Presidente da República concedeu-lhe o passaporte.
No Sochaux não ficaram agradados com a convocatória. Os dirigentes defenderam que a ligação de Francileudo à Tunísia era nula, algo que o jogador contrapunha com o facto de o filho ter nascido no país. Na verdade, a equipa francesa só não queria ficar sem aquele que marcou 17 vezes em 35 jogos nessa temporada. No entanto, o golo mais importante foi marcado na final da CAN 2004, contra Marrocos, a primeira competição que a Tunísia conquistou.
‘Leudo‘ não festejou o título mais importante na carreira. Mesmo assim, não deixou de ter outros momentos de sucesso. Perto do final dessa mesma época, conquistou a Taça da Liga, frente ao Nantes, com menor protagonismo pessoal do que o título obtido na seleção. Involuntariamente, centrou atenções quando celebrou com uma bandeira do Brasil. Os adeptos tunisinos ficaram ofendidos com o esquecimento da nacionalidade futebolística que tinha assumido nesse ano. Francileudo assumiu que errou ao não ter em conta o país que representava.
O castigo chegaria mais tarde, penalizando-o excessivamente. A Tunísia fazia os últimos retoques antes do Mundial 2006 num jogo amigável. Em cima da hora, Francileudo lesionou-se. Restava pouca margem para se pôr intacto para o torneio. Em 20 dias, fez três ressonâncias, tal a incógnita em relação ao problema que tantas dores lhe causava. A lesão começou a ser tratada como uma rutura muscular e o tratamento seguiu esse caminho até os especialistas perceberem que, na verdade, era uma lesão no ligamento do joelho.
Francileudo não tinha condições mínimas para participar no Mundial. Com esforço e uma injeção, estreou-se contra a Ucrânia. Foram 11 minutos que nunca mais ninguém esqueceu e dos quais todos lhe falavam quando, no final da carreira, regressou a Zé Doca para trabalhar no departamento da câmara municipal."