Últimas indefectivações

sábado, 3 de outubro de 2026

SportTV: Futebol Arte - Gonçalo Ramos

BolaTV: Vasco Vilaça...

Boa memória...

No alvo !!!

Do Século...

Com a FPF em pré-bancarrota sem o Velho, as probabilidades do Desdentado, saltar para a UEFA desaparecerem...

Pois... Euro2000 continua a ser a melhor Seleção que eu vi jogar!!!

O Profeta não tem espelhos !!!

Pois... mas foste contratar um deles, novamente!!! Ainda bem...!!!

Falta de vergonha no focinho !!!

Parece que o Orçamento da FPF, que o Benfica votou contra, vai 'rebentar' pelas costuras!!!

Ou então, foi um maluquinho com dinheiro!!!

Indignados da Wish !!!

Coincidência do cara**** !!!

Karma divino !!!

Tadinho!!!

Excelente oportunidade para identificar as pessoas que necessitam de ser internadas num hospício !!!

Verdade

Memórias...

Cristiano vs Jesus: tudo isto é fado


"Um narcisista é incapaz de reconhecer erros, assumir culpas, sentir empatia. Possui um ego desmesurado, embora frágil.
Na Casa Branca ou na Seleção Nacional, o diagnóstico é semelhante.
Tudo isto é fado, tudo isto é triste.
Os mundos de Cristiano, Jesus e Proença são semelhantes na escassa destreza emocional e na abundante altivez. Não excluo nenhum deles da síndrome narcísica.
Nesta endogamia, porém, não podemos perder de vista a função objetiva de cada um. O papel que lhes cabe representar, principalmente por estar em causa o futebol de Portugal.
Qual é o debate que verdadeiramente importa? Fujamos das investidas histéricas dos partidários da ‘eterna gratidão’, pois o passado não é uma garantia de sinecura, seja qual for a dimensão da personagem.
Se Cristiano foi um gigante desportivo, a exigência deve ser-lhe proporcional.
O que pretende viver o avançado ao serviço da Seleção? Um casamento de conveniência, uma relação que lhe sirva de meio para agigantar a lenda?
Aos 41 anos - 42 em fevereiro -, Ronaldo deveria trajar as vestes de sábio ancião, conselheiro ponderado dos mais imberbes, ombro amigo nos frágeis e desamparados.
Num outro mundo, num mundo em que Cristiano tivesse transitado para um estado de maturidade e grandiloquência, eu perceberia a sua presença e bons auspícios dentro da comitiva nacional.
Sucede que Cristiano Ronaldo, lamentavelmente, é o causador, o instigador-mor, de tudo o que deveria ajudar a serenar. Castiga-se quando não marca, amua se não joga os minutos por si idealizados, foge dos holofotes se corroído pela azia.
«Tenho a certeza que sim. Jorge Jesus foi uma escolha perfeita.»
«Tudo o que mister precisar, para jogar, para sair, entrar, ou não jogar, o orgulho que tenho de representar Portugal é igual.»
«Espero que corra tudo bem com o Jorge Jesus. Se lhe correr bem, corre a todos nós.»
A 23 de setembro, numa conferência de imprensa que mais parecia um espetáculo de variedades, Cristiano deixou estas e outras frases aos portugueses.
Quatro dias depois, em Oslo, não foi utilizado e amuou. Não se juntou aos colegas de equipa e recusou cumprimentar os adeptos portugueses.
Um capitão, um bom capitão, não faz isto. Aguenta, respira fundo. Se tem algum incómodo a resolver, resolve-o na discrição da intimidade.
As notícias chegadas do norte da Europa resumem assim o conflito:
1. Jesus terá combinado com Cristiano a titularidade nos dois jogos em casa: Gales e Noruega
2. Jesus terá dito a Cristiano que jogaria 30 minutos em Oslo
3. Cristiano aqueceu para entrar na Noruega e não entrou
4. JJ justificou-se e disse que o jogo se tornou difícil para um avançado com as características de Ronaldo
5. Ronaldo sentiu-se desrespeitado e o ambiente ficou irrespirável
6. O sinal de emergência chegou a Lisboa, Pedro Proença meteu-se no avião e percebeu a dimensão da confusão.
Cristiano tem sido isto há mais de quatro anos. No mínimo. Um embaraço tático, uma nulidade em campo, um vazio em termos comportamentais. A nossa referência mundial é uma preocupação para quem a gere, quando devia ser um descanso, um conforto, um aliado.
As culpas não são só dele. Se Jesus lhe prometeu meia-hora na Noruega, errou – nenhum treinador de elite sabe o que um jogo vai ditar, tamanhas são as variáveis.
E se Jesus ceder à pressão e adaptar as suas ideias às manias de Ronaldo, voltará a errar.
A melhor forma de homenagear o legado insuperável de Cristiano é tratá-lo como um homem, com maiúsculas, exigindo-lhe sabedoria, comprometimento e respeito pelas hierarquias.
A permanente desculpabilização e o medo de perder o ativo milionário - e os sponsors associados -, são a pior traição a esse legado.

PS 1: o cachimbo da paz fumado a três a altas horas da madrugada sueca (Malmo é o local do quartel-general) não torna este deplorável momento menos deplorável. A ferida foi aberta, é feia e deixará marcas na epiderme da seleção.

PS 2: já depois de publicado este Campo Pelado, Cristiano Ronaldo achou boa ideia abandonar o treino, o estádio e afastar-se do grupo da Seleção. Mais um capricho de um futebolista incapaz de perceber e aceitar a lei da vida. E do futebol."

CR7: o elefante continua na sala


"Uma vitória, por boa que seja como foi esta (e a de há dias na Noruega), não é suficiente para apagar o efeito da saída de Cristiano Ronaldo. É pena, talvez, mas é a verdade. Saibamos viver com ela

A cara de quem ganha nunca é igual à cara de quem perde. Esta é uma — entre várias e mais ricas do que achamos — das máximas de futebolês que aprendemos quando entramos neste mundo. Podemos reservar para mais tarde outros exemplos.
Jorge Jesus tem absoluta razão quando afirma que só as vitórias alimentam os bons momentos de um treinador e de uma equipa.
Felizmente para Jesus, mas sobretudo para Portugal, a Seleção venceu com categoria na Dinamarca e está no bom caminho para os quartos de final da Liga das Nações, que já conquistou duas vezes, com os mal-amados Fernando Santos e Roberto Martínez.
Vinte e quatro horas, contas por alto, depois de o maior símbolo de sempre do futebol português ter abandonado o estágio da Seleção, uma boa exibição e três pontos bastaram para que essa parecesse uma nota de rodapé. Não é, e não vai ser. E as ondas que vão também voltam, quem sabe coisas sobre o mar percebe esta dinâmica. 
É relativamente fácil limitar perguntas nas conferências de imprensa, até porque tudo sucede em direto e sem tempo para grandes desvios. Ainda assim, Jesus quis responder a uma questão técnico-tática colocada fora da ordem de trabalhos e, se não tivesse sido impedido, ia responder à segunda, por acaso a mais interessante, sobre a obra de arte que foi o quarto golo.
Percebe-se que para Jesus e a FPF (em parte) o mais importante sejam os jogos, o de ontem e o de domingo. Afinal isto anda tudo a reboque de resultados.
Mas os portugueses sabem o que lhes interessa discutir nesta altura. E isso não é, seguramente, a prestação técnico-tática da Seleção.
Evidentemente ficamos, de forma geral, satisfeitos pelas três vitórias em três jogos. E vamos gostar de estar na fase das decisões da Liga das Nações se essa presença se confirmar. Mas precisamos, todos, de explicações para a saída de Cristiano Ronaldo do estágio, para aquilo que parece ter sido um adeus definitivo à Seleção do — repito — maior e mais impactante símbolo de sempre de Portugal. Sim, escrevi Portugal e foi de propósito.
Uma vitória por 4-2 na Dinamarca não é feito de menorizar, e a exibição foi suficientemente boa e segura para descansarmos quanto à parte desportiva.
Não finjam, porém, que o elefante saiu da sala. Não foi por ter ganho ontem que a Seleção conquistou o interesse das pessoas nestes dias. É pena, mas é assim."

O dia em que Jesus pôs fim ao Cristianismo


"Antes de tudo, uma palavra: Obrigado, Cristiano! Obrigado por tudo.
Cristiano Ronaldo foi o melhor jogador da história do futebol português. Foi um dos melhores jogadores de sempre do futebol mundial. Foi um dos maiores atletas da história do desporto. Foi uma força competitiva extraordinária e uma das maiores histórias individuais de superação que Portugal alguma vez produziu.
E nós tivemos o privilégio de assistir a tudo isto.
Vimos nascer o rapaz magro e irrequieto da Madeira. Vimos o menino do Sporting transformar-se em jogador. Vimos Manchester, Madrid e Juventus. Vimos as Bolas de Ouro, os golos, os títulos, as lágrimas, as derrotas, as remontadas, os recordes e aquela capacidade quase absurda de fazer tantas vezes o impossível.
Vimos Cristiano Ronaldo tornar-se Cristiano Ronaldo. E vimos um português chegar ao topo do mundo num país onde, demasiadas vezes, a mediocridade parece ser apresentada como destino.
Nada do que está a acontecer agora pode apagar isso.
Mas há uma palavra que se tornou particularmente importante nos últimos dias: foi. Cristiano Ronaldo foi o melhor. Já não é. E a culpa não é dele, é da ditadura do tempo. Isto não é uma crítica. É a vida. É o futebol.
O problema começa quando se pretende que o passado continue a mandar no presente. Porque o passado é importante. É a memória, a identidade, a história. Mas não entra em campo.
Se Cristiano Ronaldo fosse norueguês, alguém imaginaria Haaland no banco apenas porque Ronaldo foi o melhor jogador do mundo? Se fosse francês, Mbappé teria de sair do onze porque Cristiano já esteve no topo? Se fosse inglês, Kane perderia a titularidade pelo mesmo motivo? Claro que não.
Então porque haveria de ser diferente por ser português?
A Seleção Nacional não é um museu. Não é um monumento a Cristiano Ronaldo. É uma equipa de futebol. E, numa equipa de futebol, joga quem o treinador entende que deve jogar. Foi isto que Jorge Jesus, e bem, decidiu lembrar a toda a gente, incluindo a Cristiano Ronaldo.
E é por isso que, neste momento, há que reconhecer a coragem do treinador.
Não porque todas as decisões de Jorge Jesus sejam, por definição, certas — isso só o campo pode demonstrar — mas porque há uma coisa essencial na sua postura: a tentativa de colocar sempre os interesses da equipa acima dos estatutos individuais.
O próprio Jesus explicou que deixou Cristiano Ronaldo aquecer "mais tempo do que devia" e que foi por isso que o jogador ficou zangado. Para quem conhece o treinador, isto parece uma tentativa pouco habitual de ser surpreendentemente humilde e de resolver o problema com o jogador a bem e com respeito.
Depois, em Copenhaga, veio a frase que incendiou o Cristianismo: «Na equipa mando eu.» E outra, igualmente óbvia: »As regras são iguais para todos.»
Ora aí está. Finalmente. Uma equipa onde manda o treinador. Que conceito revolucionário.
Jorge Jesus não acabou com Cristiano Ronaldo. Acabou com a ideia de que existe um jogador acima da equipa. Acabou com a ideia de que o passado pode garantir automaticamente o futuro. Acabou com a ideia de que o tamanho da lenda determina o tamanho do onze.
Não determina. E não deve determinar.
Cristiano Ronaldo foi demasiado grande para precisar disso. E é precisamente isto que mais me incomoda nesta história. Aquilo a que temos assistido nos últimos dias não é digno de uma lenda como Cristiano Ronaldo. Não é digno da sua carreira. Não é digno do capitão da Seleção Nacional. E, sobretudo, não é justo para ele próprio. Porque Cristiano Ronaldo construiu a sua carreira precisamente contra o privilégio. A sua grandeza nasceu do trabalho, da disciplina, da obsessão pela superação, da vontade de ser melhor e da recusa em aceitar limites. Aquele menino queria ganhar o lugar, não queria que lho dessem.
E talvez seja essa a ironia mais cruel de todas. A humildade de menino que foi transformada em força de trabalho, capacidade de superação e traço de caráter parece ter-se perdido pelo caminho, esmagada pela dimensão gigantesca da máquina CR7. A marca. O império. Os contratos. Os milhões. A exposição permanente. O personagem.
Tudo isso pode ter tornado mais difícil aceitar aquilo que todos os grandes atletas acabam por enfrentar: o tempo ganha sempre. Não há dinheiro que o compre, não há estatuto que o suspenda. não há Bola de Ouro que o atrase. Cristiano Ronaldo não consegue comprar o elixir da eterna juventude. E ainda bem. Porque é isso que torna o desporto humano e fez dele um exemplo.
Cristiano Ronaldo foi o melhor de sempre. Já não é. E, dizer isto, não diminui Cristiano Ronaldo. Diminui-o, isso sim, tentar negar o óbvio.
Por isso, o que mais me custa nesta história não é o banco, a substituição ou a discussão sobre quem joga. É ver uma lenda transformar aquilo que deveria ser o capítulo final de uma carreira extraordinária numa discussão sobre autoridade, estatuto e poder.
Cristiano Ronaldo merecia sair pela porta grande. Ainda merece. Mas, sair pela porta grande, não significa necessariamente sair quando queremos.
Às vezes significa saber quando chegou o momento. E isso também é grandeza. Pelé não deixou de ser
Pelé quando deixou de jogar. Maradona não deixou de ser Maradona. Eusébio não deixou de ser Eusébio. Federer não deixou de ser Federer. Carlos Lopes e Rosa Mota não deixaram de ser quem foram.
O tempo não lhes retirou a grandeza. Retirou-lhes apenas o presente. Cristiano Ronaldo também merece essa distinção.
Por isso, este é o momento de lhe dizer obrigado. Um obrigado enorme, daqueles que não cabem numa camisola, numa estátua ou numa cerimónia. Obrigado pelos golos. Obrigado pelos títulos. Obrigado pelas lágrimas. Obrigado pelas noites impossíveis. Obrigado por ter levado Portugal ao topo. Obrigado por ter mostrado a milhões de crianças que o talento sem trabalho não chega. Obrigado por ter provado que um rapaz da Madeira podia chegar onde quase ninguém imaginava. Obrigado por tudo aquilo que foi.
Quanto ao presente, é tempo de estar com Jorge Jesus, com a equipa e com o staff técnico da Federação. Não contra Cristiano Ronaldo. Mas a favor da Seleção Nacional. Porque a Seleção tem de poder existir para além de qualquer jogador. E Jorge Jesus tem de poder ser treinador.
Quem fala em »traição» parece esquecer quem é Jorge Jesus. O treinador tentou explicar, em Oslo, aquilo que tinha acontecido e reconheceu que deixara Cristiano Ronaldo a aquecer mais tempo do que devia. Isso não é uma declaração de guerra. É uma tentativa de resolver o problema. Depois, em Copenhaga, foi claro: na equipa manda o treinador e as regras são iguais para todos. É assim que funciona uma equipa.
Quem não aceita isto, por maior que seja o seu estatuto, não percebe o que é uma hierarquia. E, muito menos, o que significa ser capitão da Seleção Nacional.
Desportivamente, Portugal já mostrou, frente à Noruega, que consegue ganhar sem Cristiano Ronaldo no onze.
Mas ninguém se iluda. Daqui para a frente, os resultados vão contar mais do que nunca.
Cada vitória será usada para justificar Jesus. Cada derrota voltará a trazer Cristiano Ronaldo para o centro da discussão. Cada golo de um avançado será comparado com os golos de CR7. Cada jogo menos conseguido levantará a pergunta inevitável: «E se Cristiano estivesse em campo?»
É uma armadilha, tão injusta quanto seria responsabilizarmos Cristiano Ronaldo por, sob a sua liderança, Portugal nunca ter sido Campeão do Mundo. E é por isso que a equipa tem de jogar futebol e Cristiano Ronaldo tem de decidir, com serenidade, como quer escrever os últimos capítulos da sua história.
Porque ainda pode escolher. Pode sair como uma lenda. Pode permitir que o seu último grande legado seja também uma lição: até os melhores têm de aceitar que o tempo passa.
Cristiano Ronaldo foi o melhor de sempre. E isso ninguém lhe tira.
Foi um privilégio vê-lo nascer, crescer e conquistar o mundo. Foi um privilégio ser português enquanto ele vestia a camisola das quinas. Foi um privilégio testemunhar uma carreira que dificilmente voltaremos a ver.
Obrigado, Cristiano, mas agora deixa a Seleção jogar. Deixa Jorge Jesus ser treinador. Deixa os outros jogadores crescerem. E deixa que a tua vida seja aquilo que merece ser: uma história extraordinária, não uma guerra pelo direito a continuar a ser aquilo que já foste.
Porque o futebol não é uma cerimónia de homenagem. É um jogo. E o jogo seguinte nunca se joga ontem.
Talvez tenha sido o dia em que Jesus percebeu isto, que pôs fim ao Cristianismo."

Jorge Jesus na Seleção: a diversão estava prometida...


"Quando Pedro Proença escolheu Jorge Jesus para Selecionador Nacional nasceu em mim uma certeza: as paragens de Seleção — confessem, ninguém gosta verdadeiramente —iam passar a ter pelo menos mais piada do que realizar dois ou três jogos com seis ou sete conferências de imprensa insípidas, umas lesões a chatear os clubes e um «então até à próxima, se possível só na fase final, que é quando a malta gosta da Seleção».
Confesso, porém, que não esperava tanta densidade novelística em tão poucos dias. Previa que dois egos como os de Jesus e Ronaldo pudessem colidir neste contexto, mas mais devagarinho. Afinal aconteceu tudo à primeira. Que se seguirá?

De chorar por mais
Portugal entrou a todo o gás na Liga das Nações. Ganhar à seleção da moda é obra. Com mais ou menos sorte.

No ponto
Despeço-me, pelo menos por agora, desta coluna quinzenal. O Hugo Vasconcelos vai escrever mais, o que é bom.

Insosso
A arbitragem portuguesa não sai bem na fotografia depois das revelações específicas de Duarte Gomes.

Incomestível
Tudo o que envolve este caso de CR7 e da Seleção é absolutamente lamentável. Espero que não termine aqui."

Glória, tempo e talvez uma despedida. Sim, falo de Cristiano Ronaldo


"Acompanhei de perto as suas ligas, Champions, e aplaudi o ser Bola de Ouro por cinco vezes. Nessa altura celebrava todos os seus sucessos, e não tinha medo nem vergonha de o dizer aos quatros ventos, chamando-lhe “meu ric’menine”. Mas crescemos ambos, ou pelo menos um de nós.
Se há dois ou três dias vemos desfilar painéis de comentadores e posts de treinadores de bancada, uns lamentando a marca Cristiano Ronaldo que escapa a tanta gente por entre os dedos, outros despedindo-se não vá ser mesmo desta, também quero dizer uma coisa ou outra.
Sou apenas uma adepta de futebol e do jogador que Cristiano (posso também dizer “o Cris”?) já foi. Vi os seus primeiros jogos como senior, em Alvalade, ainda no estádio antigo. Assisti com muita, ainda que fugaz esperança, ao jogo com o Manchester United, que o catapultou para os palcos que todos conhecemos e acompanhámos.
Gostei muito do seu Euro 2004, tive a sorte de estar na meia-final e ver o seu golo frente à Holanda (eu não me acostumo aos Países Baixos, mas aqui fica a emenda), e dos torneios seguintes. Acompanhei de perto as suas ligas, Champions, e aplaudi o ser Bola de Ouro por cinco vezes. Nessa altura celebrava todos os seus sucessos, e não tinha medo nem vergonha de o dizer aos quatros ventos, chamando-lhe “meu ric’menine”. Mas crescemos ambos, ou pelo menos um de nós.
Quando o Euro 2016 caiu finalmente para Portugal, já eramos mais a torcer, a agradecer-lhe, e mais ainda a celebrar um Portugal finalmente campeão da Europa, que luxo. Depois de uma final dramática, com um herói improvável em Éder, desculpem a expressão, “matar o borrego” que sempre foi a França, ainda soube melhor.
Sabemos que é conhecido de um lado ao outro do globo, no último Mundial ficou ainda mais evidente a sua popularidade, com hordas de fãs em euforia à sua espera, gritando mal põe um pé no relvado, ainda no aquecimento. Hordas essas que invadem perfis de instagram do Portugal e jogadores da seleção de futebol, com o irritante “pass the ball to Ronaldo”. Por cá, sempre esteve longe de ser consensual, ainda que muitos portugueses de várias idades, credos e clubes diferentes o admirem.
Nos últimos anos, o tempo começou finalmente a notar-se. Não me interpretem mal, tomara muitos chegarem aos 38, 39 ou 40 anos com a preparação, a disciplina e a vontade de Cristiano Ronaldo. Em 2018, com 33 anos, ainda marcou de bicicleta em Turim, o que levou o próprio Buffon a perguntar-lhe a idade, depois daquele gesto técnico irrepreensível. Mas os anos passam, e por muito extraordinário que tenha sido, já não tem os 20 ou mesmo os 30 anos de outrora.
Não é de hoje, há já uns anos me interrogo sobre a forma como Cristiano Ronaldo imaginaria o fim da sua carreira. Numa profissão que, sabemos, raramente chega aos 40 anos, muito menos a de um avançado, sempre me intrigou a sua aparente dificuldade em lidar com o fim. Porque nos habituou à ideia de que havia sempre mais um objectivo, mais um recorde, mais uma meta por alcançar. Como se a linha de chegada desandasse sempre mais um pouco. Só mais uma época, só mais um Mundial, mais um Europeu, mais uma competição, qualquer uma. Sempre mais um desafio no horizonte. Se para muitos de nós é estranho imaginar o futebol sem Cristiano Ronaldo (e aqui devo admitir que não vejo a Liga Árabe. Tomara eu conseguir ver as ligas europeias que gostava de acompanhar, não tenho tempo nem interesse nesse novo mundo do futebol), suspeito que para ele essa ideia continue difícil de conceber.
Eu não sei se acabou por aqui, tão pouco tenho certezas sobre o que foi falado, ou sobre o que aconteceu no estágio. Sei que Jorge Jesus não é Martinez. Sei que estamos a falar de dois egos enormes, que se entenderam na Arábia, mas não tinham de se entender na Selecção. E sei que as vozes insatisfeitas com a defesa das cores de Portugal por Cristiano Ronaldo têm aumentado de ano para ano.
O que me custa não é que se discuta se ainda deve jogar, ser titular, ou mesmo ser convocado. Isso faz parte do futebol. E sejamos sérios: ninguém está à espera que Cristiano Ronaldo se transforme numa espécie de mascote da equipa nacional, convocado em nome da história ou da gratidão. Poupem-nos, a mim e a ele, a isso.
Custa-me que seja assim. Que abandone um estágio, seja lá pelo que for, que confirme que é um capitão quando corre bem, mas quando as coisas não lhe agradam, a liderança seja a primeira a ficar para trás. Que a maturidade que a idade e a experiência deveriam trazer, só apareça quando tudo lhe corre de feição. Custa também confirmar que sempre esteve tão preparado para a competição, e tão pouco para um fim que um dia terá de chegar. E só eu sei quanto me custa escrever isto hoje."

BF: Prestianni...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Quatro pontos sobre o triunfo de Portugal

Observador: E o Campeão é... - Sem Ronaldo, Portugal dá lição coletiva na Dinamarca?

Observador: E o Campeão é... - Sem CR7, Portugal dá espectáculo e Jesus faz mesmo milagres

Observador: Três Toques - Seleção ganha na Dinamarca, mas perde 1 milhão no Instagram

Backstage MD2 | SL Benfica 0-3 Bayern Munique | UWCL

Muito Benfica para apoiar


"Em destaque nesta edição da BNews, a aprovação, em Assembleia Geral, do Relatório e Contas 2025/26 da Benfica SAD e os próximos compromissos desportivos, entre os quais duas Supertaças.

1. Relatório e Contas aprovado
O Relatório e Contas do exercício 2025/26 da Benfica SAD foi aprovado em Assembleia Geral de acionistas com 100% dos votos emitidos.

2. Contributos internacionais
Acompanhe a prestação de vários futebolistas do Benfica ao serviço das seleções, entre os quais se conta agora Dahl, chamado pela Suécia.

3. Sábado preenchido na Luz
Às 15h00, a equipa feminina de andebol do Benfica defronta o Zrinski Cakovec na 1.ª mão da ronda de qualificação para a fase de grupos da EHF European League Women. Às 17h00 há Benfica-Sporting em basquetebol no masculino. Às 19h00 é a vez de a equipa masculina de andebol atuar frente ao Santo Tirso. E, às 21h15, em futsal no masculino, as águias defrontam o Leões Porto Salvo.

4. Outros jogos no fim de semana
No sábado, às 15h00 em Felgueiras, o Benfica disputa a Supertaça de polo aquático no feminino com o CA Pacense. À mesma hora, no futebol de formação, os Iniciados visitam o Belenenses às 15h00.
No domingo começa a Taça da Liga de futebol no feminino com o Benfica a deslocar-se ao reduto do SC Braga (11h00). E a equipa feminina de basquetebol tem dérbi com o Sporting no Pavilhão joão Rocha (11h30).
Na segunda-feira é a vez de a equipa masculina de râguebi lutar pela conquista da Supertaça no Jamor ante o Cascais (17h00).

5. Apresentação aos sócios 
A equipa masculina de voleibol do Benfica tem embate com o Leixões, hoje, às 20h15, no Pavilhão n.º 2 da Luz. Após o jogo há sessão de autógrafos. A entrada é gratuita.

6. Desaire por números exagerados
O Benfica perdeu por 0-3 com o Bayern Munique em jogo da fase de liga da Liga dos Campeões Feminina. Ivan Baptista considera a exibição positiva até ao golo inaugural: "Sem dúvida que [os números do resultado] foram penalizadores para aquilo que fizemos, pelo menos durante 70, 75 minutos. Acusámos o primeiro golo. Desapontado pela derrota, mas muito orgulhoso por aquilo que foi a entrega, o compromisso e a audácia das jogadoras."

7. Convocatórias
Várias futebolistas e futsalistas do Benfica integram as mais recentes convocatórias de seleções nacionais.

8. Protagonista
A entrevistada da semana é Marta Martins, basquetebolista do Benfica.

9. Parceria renovada
SL Benfica e WiZink renovam parceria estratégica por mais cinco anos.

10. Título regional
O Benfica sagrou-se campeão regional de Lisboa em paintball.

11. Jornal O Benfica
A edição desta semana está disponível para download no Site Oficial.

12. Casa Benfica Vila de Rei
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o seu 20.º aniversário."

FOI UM GRANDE JOGO DE FUTEBOL


"O primeiro jogo do resto da vida da Seleção Nacional. Há um ano, levámos ali um banho de bola e perdemos por um-zero. Hoje Portugal fez um belo jogo, não levou nem deu banho de bola, diga-se, mas foi sempre mais perigoso do que a Dinamarca e justificou a vitória.
Bem, e o que jogou Gonçalo Ramos! E Nuno Mendes, Vitinha, Bruno Fernandes e Ruben Dias! E o João Félix que em menos de nada faturou mais um golo.
Num quadro difícil dados os antecedentes do jogo, contra um adversário de qualidade, num estádio complicado, a resposta foi fantástica.
Três jogos, três vitórias, apuramento praticamente garantido, excelente trabalho de Jorge Jesus na forma como geriu os jogadores à sua disposição e em pouco tempo, praticamente sem treinos, colocou a Seleção a jogar um futebol menos rendilhado, mais ofensivo e muito mais objetivo. Nota final: ter Carlos Daniel a comentar em direto os jogos da Seleção é um enorme upgrade relativamente aos restantes comentadores da RTP. Que continue!"

A Verdade do Tadeia 2027/09 - Como Portugal está diferente

AA9: Cristiano Ronaldo… Is This Really The End?

Rabona: The Brutal Reality Of Ronaldo's Exit From Portugal

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Ronaldo vs. Jesus

Tji: Ronaldo...

Simples: PORTUGAL DÁ SHOW NA DINAMARCA! Como Nasceu o 4-2? | Análise Tática

Santana: (dia 1) Portugal sem o CAPITÃO (Ronaldo)

Cristiano Ronaldo alvo de processo disciplinar?


"A saída do capitão do estágio da Seleção Nacional abriu, para além da polémica desportiva, uma questão de natureza disciplinar que não pode ser ignorada

Cristiano Ronaldo praticou um ilícito disciplinar.
Dos elementos que são conhecidos publicamente, resulta que o jogador abandonou o estágio por sua iniciativa. Minutos antes, Jorge Jesus tinha afirmado, em conferência de imprensa, que Cristiano Ronaldo iria participar no treino. Pouco depois, o jogador deixou as instalações da Seleção e, posteriormente, confirmou que havia decidido abandonar o estágio, remetendo para mais tarde a explicação das razões que o levaram a fazê-lo.
Não conhecemos ainda toda a verdade dos acontecimentos e, por isso, qualquer conclusão definitiva seria prematura. Mas existe uma questão que pode ser colocada desde já: o que determina o Regulamento Disciplinar da FPF perante um abandono de um estágio da Seleção?
O artigo 160.º é claro ao estabelecer que o jogador regularmente convocado que abandone ou não compareça injustificadamente a treino, jogo ou atividade das seleções nacionais é sancionado com suspensão de um a seis meses e, sendo profissional, com multa entre 5 e 10 UC. O mesmo artigo determina ainda a suspensão preventiva automática do jogador.
Assim, o ponto essencial será saber se o abandono ocorreu e, sobretudo, se existe uma justificação juridicamente atendível. O artigo 165.º poderá igualmente ser chamado à discussão, caso os factos venham a demonstrar uma violação das regras de funcionamento da Seleção, uma desobediência a ordem legítima ou uma conduta suscetível de prejudicar o bom nome da FPF ou de Portugal.
Há, porém, uma questão incómoda: deverá ser instaurado um processo disciplinar a Cristiano Ronaldo?
É uma decisão de grande melindre, que deve naturalmente ser ponderada. Um processo disciplinar poderá contribuir para extremar posições e tornar mais difícil uma eventual reconciliação entre o jogador, o selecionador e a Federação. A FPF não pode, por isso, deixar de considerar as consequências institucionais da decisão que vier a tomar.

O Conselho de Disciplina da FPF deve - nos termos do Regulamento - agir e abrir processo disciplinar
Mas essa ponderação não pode transformar-se numa decisão de conveniência. A justiça disciplinar existe para apreciar condutas à luz das normas aplicáveis, e não para decidir se, num determinado momento, dá mais ou menos jeito aplicá-las.
E é precisamente aqui que importa recordar a natureza e as competências do Conselho de Disciplina da FPF. Trata-se do órgão a quem está cometida a função disciplinar, devendo exercer as suas competências com independência relativamente ao poder executivo da Federação. Não cabe, por isso, a considerações de natureza política ou de mera conveniência institucional substituir-se à apreciação disciplinar que compete ao órgão próprio.

A Direção da Federação tem obrigação Regulamentar de instaurar Processo Disciplinar
Sem prejuízo da aparente obrigação Regulamentar do Conselho de Disciplina em agir perante o insólito caso que assolou a seleção nacional, certo é, que a Direção da Federação Portuguesa de Futebol tem também a obrigação regulamentar de participar os factos ocorridos ao Conselho de Disciplina e, por essa via, impulsionar a instauração de processo disciplinar a Cristiano Ronaldo.
Veja-se a propósito o Art. 233 n.º 3 do Regulamento Disciplinar onde é translucido que «[o]s titulares dos órgãos sociais e os dirigentes da FPF (...) são obrigados a participar ao Conselho de Disciplina da FPF quaisquer factos que sejam suscetíveis de constituir infração disciplinar e de que tenham tomado conhecimento no exercício ou por causa do exercício das suas funções».
Caso a Direção da FPF não o faça está a violar frontalmente os Estutos da mesma, nomeadamente a alinea a) do Art. 27. O que obrigatoriamente, na sua omissão, originará responsabilidades e consequências disciplinares para os órgãos sociais que, tendo conhecimento, escolham nada fazer.

Ricardo Carvalho já foi anteriormente alvo de processo disciplinar pelos mesmos motivos
E há um precedente que não pode ser completamente esquecido. Em 2011, Ricardo Carvalho abandonou o estágio da Seleção e foi instaurado um processo disciplinar, tendo posteriormente sido afastado da equipa nacional por um ano. As circunstâncias e o enquadramento regulamentar eram diferentes, mas o episódio demonstra que a FPF já considerou que o abandono unilateral de um estágio podia justificar uma resposta disciplinar.
É precisamente por isso que a aplicação das regras deve ser coerente. Não significa tratar situações diferentes como se fossem iguais. Significa que o estatuto, a notoriedade ou a importância de um jogador não podem, por si só, determinar uma resposta disciplinar diferente.
Cristiano Ronaldo tem uma importância extraordinária na história da Seleção Nacional. O próprio Regulamento prevê, aliás, como circunstância atenuante a prestação de serviços relevantes ao futebol. Mas uma coisa é essa circunstância ser considerada na determinação da eventual sanção; outra, completamente diferente, é entender que o estatuto do jogador pode afastar a aplicação das regras.
Se houver uma infração, deve ser apreciada pelos órgãos competentes, com respeito pelo contraditório e pelo direito de defesa. Se houver uma justificação válida, deverá ser ponderada. E, se não houver, deverão retirar-se as consequências previstas regulamentarmente.
A justiça deve ser cega. Não no sentido de ignorar as circunstâncias concretas de cada caso, mas no de não distinguir as pessoas a quem as regras se aplicam. Cristiano Ronaldo tem um percurso absolutamente excecional na Seleção Nacional e os serviços que prestou ao futebol são inquestionáveis. Mas esse estatuto não o coloca acima das regras.
Se vivemos num Estado de Direito, ninguém está acima da lei. Nem mesmo Cristiano Ronaldo."

Primeiro Toque - Linha Lateral - Franclim Carvalho — O Modelo, a Liderança, o Método

Zero: Afunda - Especial - E se Curry tivesse sido trocado para os Bucks?

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Da integridade do jogo


"Inglaterra espera com ansiedade o castigo que será aplicado ao Man. City por violações financeiras num período de nove épocas. Ainda podemos acreditar que lá alguma coisa acontece

O espaço mediático desportivo em Inglaterra está a ser dominado pelo anúncio de que o Manchester City foi considerado culpado, em julgamento de uma comissão independente, depois de acusação da Premier League, de 115 violações das regras financeiras. Não é para menos. É um ataque à integridade do jogo, considerado, por isso, da maior gravidade. Desconhece-se qual o castigo que será aplicado, admite-se que não será meigo, apesar de o City ter clamado inocência e anunciado o recurso.
A investigação arrancou em dezembro de 2018 e a primeira acusação da Premier League foi produzida em fevereiro de 2023. Foi, depois, criada uma comissão independente que analisou os milhares de documentos, os fundamentos da acusação e a contestação do City. Houve, naturalmente, expedientes jurídicos dilatórios que fizeram arrastar o processo. E, no entanto, a conclusão chegou. Não se brinca com coisas sérias.
O espaço mediático em Inglaterra foi dominado, ali para o meio do mês de setembro, pelo golo, em fora de jogo, que deu a vitória do City sobre o Man. United, em Old Trafford. No mesmo dia, a Pro Ref, empresa independente responsável por gerir, treinar, nomear e avaliar os árbitros e árbitros assistentes do futebol profissional em Inglaterra, esclareceu que houve um erro. Howard Webb, chefe lá dos árbitros, admitiu que o VAR cometeu um erro grave. Videoárbitro e assistente de videoárbitro foram para a jarra, essa instituição tão em desuso em Portugal. A consequência do erro foi imediata. Também aqui não se brinca com coisas sérias.
Em Portugal, o ex-Diretor Técnico Nacional da Arbitragem, Duarte Gomes, deu uma extraordinária entrevista, conduzida por Alexandre Pereira, a A BOLA, na qual, sem poder dizer tudo, revelou muitos dos males da arbitragem, nomeações ou pressões sobre árbitros, práticas, pelo menos, duvidosas de dirigentes do setor. Vale a pena espreitar o site de A BOLA para ler com atenção a entrevista.
Duarte Gomes colaborou nove anos com A BOLA e não consigo contar as vezes que trabalhei diretamente com ele. Sempre me mereceu (e continua a merecer) a maior consideração e, no entanto, aqui o critiquei em novembro, no âmbito de uma conferência de Imprensa com Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, a propósito do que disse sobre o penálti assinalado a António Silva com o Casa Pia. Essa forma de comunicar, anunciada como transparente, depressa desapareceu. Não sem antes Luciano Gonçalves ter anunciado que jarras são para as flores. Ou, acrescentaria, para esses bárbaros ingleses.
Voltando à entrevista de Duarte Gomes, é praticamente impossível não questionarmos argumentações e comportamentos atribuídos a Luciano Gonçalves, deixando claro que suspeição está longe de ser acusação e muito menos condenação. Seria o que mais faltava, ainda vivemos num Estado de Direito.
Fica mais complicado perceber, dito isto, os motivos para Luciano Gonçalves se manter em silêncio. Se a continuidade no cargo, depois de tudo o que se disse e se sabe, é um problema de consciência — e ninguém tem o direito de fazer julgamentos de consciência — o presidente do Conselho de Arbitragem só faria bem em esclarecer toda a situação, mesmo considerando os constrangimentos decorrentes de a Justiça ter pegado no caso. O mesmo se aplica ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença.
O que está em causa, aqui como em Inglaterra, é a integridade do jogo, bem mais precioso para todos os que ainda vamos gostando de futebol. Se não for defendido, então largos dias continuarão a ter, por cá, 100 anos.

Queixas
O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, considerou a queixa do Benfica no Conselho de Disciplina (CD) da FPF contra Samu como «frustrações naturais», «métodos criativos para arranjar maneiras de suspender jogadores» e «condicionamento de jogadores». Foi isso que sentiu e procurou fazer quando apresentou queixas contra Luis Suárez ou Morten Hjulmand no CD?"

Óscar de melhor realizador para André Villas-Boas


"Ao nível da criatividade, o que se tem passado no Estádio do Dragão é forte candidato a ganhar estatuetas, tanto no argumento como nas categorias mais técnicas…

Não fosse a polémica em volta de Cristiano Ronaldo e ainda hoje, 11 dias depois do clássico entre FC Porto e Benfica (3-1), se estaria a fazer o rescaldo do encontro, não sobre o futebol jogado, mas sobre tudo o resto, uma terceira parte que no Dragão teima em ser uma autêntica festa, às vezes de horrores, e não apenas uma festinha como aquela que André Villas-Boas viu de Samu a Bah.
Acho que se enquadra nas frustrações, cada um busca os métodos mais criativos para arranjar maneiras de suspender jogadores do FC Porto para outros jogos. Evidentemente que nada se vai passar, porque são atos que escapam naturalmente ao juízo dos árbitros no minuto de jogo. Se calhar o VAR não tinha as imagens para analisar a festinha que o Samu fez ao Bah da forma correta e também de pouco adiantaria, porque seguramente não seria uma expulsão
Diz o presidente dos azuis e brancos que «seguramente não seria uma expulsão», curiosa certeza num jogo em que gesto de Lenglet mereceu amarelo (segundo), sendo uma festinha bem mais suave…
Não é difícil pegar numa declaração de um presidente de clube ou de outra pessoa qualquer e encontrar contradições, é até natural e todos o fazemos, mas importa recordar ao líder portista, a falar do pedestal de quem venceu o jogo, que também ele no passado usou a mesma tática que agora aponta com dedo acusatório, basta recuar à segunda metade da época passada, nem é preciso sair de 2026, para nos lembrarmos da queixa pelos dragões apresentada ao Conselho de Disciplina contra Hjulmand por suposta agressão do capitão do Sporting a jogador do Aves SAD Tiago Galletto, aos 115 minutos do jogo dos quartos de final que os leões venceram por 3-2. Ou participação disciplinar contra Gonçalo Inácio, na sequência de um lance com William Gomes ocorrido nos minutos iniciais do clássico da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal entre leões e dragões.
Não terão sido estes dois exemplos menos criativos do que os criticados agora por Villas-Boas, que a nível de criatividade tem no clube que lidera um candidato a muitos Óscares: de melhor montagem e edição para quem pensou em colocar vídeo em loop no balneário do árbitro Fábio Veríssimo; do melhor guarda-roupa para as camisolas do Atlético de Madrid levadas por adeptos em lugares estratégicos; de melhor som para o sistema de abafar os cânticos das claques adversárias; do melhor argumento adaptado no roubo das toalhas a Rui Silva, algo visto na final da CAN; de melhor banda sonora para a música das galinhas que se ouviu na instalação sonora do Dragão no final do jogo com as águias… Enfim, um argumento todo ele digno de estatueta.
A interpretação de Samu no referido lance com Bah também mereceria Óscar para melhor ator, dada a forma veemente como um jovem espanhol de 22 anos já vestiu a pele do contra tudo e contra todos que Villas-Boas resolveu recuperar quando na chegada à presidência prometia uma lufada de ar fresco.
A direção de elenco também nestes tempos parece que está bem entregue a Francesco Farioli, há pouco mais de um ano em La Famiglia Portista, conceito adotado pelos dragões com a chegada do italiano para o comando técnico, e que desde a «imprensa do sul» ao discurso sobre arbitragens já incorporou todos os clichés e stranger things herdados do velho FC Porto pelo novo FC Porto."

VAMOS COMEÇAR PELA ARBITRAGEM


"Porque aderi ao Unum

1. Porque é entre eleições, quando o objetivo primário da caça ao voto não está em cima da mesa, que se podem - e devem! - fazer as melhores reflexões e apresentar as melhores propostas para o Clube e para o futebol português.

2. Porque o objetivo do Unum não é criticar, ninguém vai ler ou ouvir críticas dirigidas aos dirigentes do Clube ou às suas decisões. O objetivo único do Unum é estudar os assuntos mais relevantes, debatê-los abertamente e, por fim, propor medidas concretas.

3. Porque os temas que irão ser sucessivamente tratados me são particularmente gratos: o primeiro a ser colocado à discussão de todos, já na próxima terça-feira, dia 6, é um conjunto de 17 medidas muito concretas para reestruturar e reformar a arbitragem em Portugal. A verdade desportiva das competições tem que ser garantida e isso está hoje longe de acontecer - como todos sabemos.

4. Porque o Unum não pretende constituir-se como facção ou grupo oposicionista - se assim fosse não contaria com a minha participação. A direção do Clube foi e continuará a ser convidada a participar nos trabalhos de reflexão e na elaboração das propostas finais com medidas concretas sobre os temas em discussão.

5. Porque o Unum é plural e está totalmente aberto à participação de qualquer Benfiquista que pretenda envolver-se no objetivo de ajudar a fazer do Benfica maior e melhor.

6. Porque o Unum reune, à partida, um conjunto de pessoas com competências e valências várias, comprovadas nas respetivas vidas profissionais, conjunto de pessoas esse que tem independência suficiente para não precisar do Benfica ou ter como objetivo promover-se através do Benfica.

7. Porque o Unum não é limitativo das opções de ninguém que a ele adira: continuarão a ver-me na defesa do Benfica onde quer que eu possa ser chamado a intervir, nomeadamente nas noites de terças e sextas feiras no canal V+, por certo mais bem preparado sobre os temas em que participe no âmbito do Unum - o da arbitragem será já disso um bom exemplo."

ÁNGEL DI MARÍA — UMA CARREIRA ESCRITA NOS GRANDES MOMENTOS 🇦🇷❤️


"Há jogadores que passam pelo futebol.
Há jogadores que ganham títulos.
E depois há aqueles que parecem nascer para aparecer quando a história está prestes a ser escrita.
Ángel Fabián Di María Hernández pertence a essa última categoria.
Hoje, já no ocaso de uma carreira extraordinária, o “Fideo” olha para trás e vê uma história que começou muito longe dos grandes estádios europeus: começou em Rosario, onde chegou ao Rosario Central com apenas 7 anos e onde se estreou na equipa principal aos 17. Em 2007, partiu para o Benfica. O resto é uma viagem pela elite absoluta do futebol mundial.
Benfica.
Real Madrid.
Manchester United.
Paris Saint-Germain.
Juventus.
Benfica novamente.
E, finalmente, Rosario Central. Uma carreira de 20 temporadas, seis clubes e centenas de jogos ao mais alto nível. Segundo os dados mais recentes disponíveis, soma mais de 500 jogos de liga, mais de 120 golos e cerca de 170 assistências nas principais competições nacionais contabilizadas pelo FBref.
Mas os números, por si só, não explicam Di María.
Porque Di María nunca foi apenas um extremo.
Foi velocidade.
Foi técnica.
Foi inteligência.
Foi sacrifício.
Foi assistência.
Foi golo.
Foi capacidade para jogar em várias posições.
E, acima de tudo, foi um jogador para os grandes momentos. 

O HOMEM DAS FINAIS
Poucos jogadores na história tiveram uma relação tão especial com as grandes decisões.
Em 2007, campeão mundial Sub-20.
Em 2008, campeão olímpico em Pequim — e autor do golo da vitória na final contra a Nigéria.
Em 2014, protagonista do Real Madrid que conquistou a Champions League, numa final em que foi eleito Homem do Jogo.
Em 2021, marcou o único golo da final da Copa América contra o Brasil, no Maracanã.
Em 2022, marcou na Finalíssima contra a Itália.
E depois chegou o momento máximo:
a final do Campeonato do Mundo de 2022.
Contra a França, no Qatar, Di María sofreu o penálti que Messi transformou em golo e, minutos depois, marcou ele próprio o 2-0.
Mais uma final.
Mais um momento decisivo.
Mais uma vez, Ángel Di María.
A FIFA contabiliza três golos e duas assistências de Di María em 18 jogos de Mundiais, disputados em quatro edições: 2010, 2014, 2018 e 2022.
E talvez seja precisamente aí que reside uma das maiores singularidades da sua carreira:
quando a bola pesava mais, Di María parecia correr ainda mais.

A ALBICELESTE E UMA GERAÇÃO DOURADA
Pela Argentina, Di María construiu uma das páginas mais bonitas da história recente da seleção.
Foram 145 internacionalizações, 31 golos e 32 assistências, segundo os dados da CONMEBOL.
E os títulos dizem quase tudo:
🏆 Mundial Sub-20 — 2007
🥇 Jogos Olímpicos — 2008
🏆 Copa América — 2021
🏆 Finalíssima — 2022
🏆 Campeonato do Mundo — 2022
🏆 Copa América — 2024
Seis grandes conquistas com a Argentina.
E há um detalhe extraordinário: Di María marcou em todas as finais que a Argentina venceu na era Scaloni em que teve participação direta no jogo decisivo — contra o Brasil em 2021, contra a Itália em 2022 e contra a França no Mundial de 2022. A própria CONMEBOL destacou essa característica ao despedir-se internacionalmente do jogador.
Por isso, quando se fala do renascimento da Argentina, é impossível contar essa história apenas através de Messi.
Messi foi o génio.
Di María foi um dos seus grandes companheiros de batalha.
E, durante anos, foi também aquele jogador que aceitava fazer o trabalho menos glamoroso para que outros pudessem brilhar.

O TALENTO QUE NUNCA SE ESCONDEU ATRÁS DO EGO
Talvez uma das características mais bonitas da carreira de Di María tenha sido precisamente essa.
Nunca precisou de ser o centro de tudo.
Podia marcar.
Podia assistir.
Podia correr 50 metros para recuperar uma bola.
Podia jogar aberto.
Podia jogar por dentro.
Podia ajudar defensivamente.
E fazia-o.
Num futebol cada vez mais individualista, Di María construiu uma carreira baseada também na generosidade futebolística.
Era um jogador capaz de aceitar o sacrifício pelo coletivo.
E talvez seja por isso que a sua história seja tão especial.
Porque não foi uma carreira construída apenas com estatísticas individuais.
Foi construída com momentos que deram títulos aos outros.

DO ROSARIO PARA O MUNDO… E DO MUNDO DE VOLTA A ROSARIO
Há ainda outra dimensão que torna a história de Di María particularmente bonita.
Depois de conquistar praticamente tudo na Europa, voltou.
Não para um clube qualquer.
Voltou para casa.
Em 2025, depois de 18 anos, regressou ao Rosario Central, o clube onde tinha crescido e começado a sua carreira profissional.
E não regressou simplesmente para receber homenagens.
Continuou a competir.
Em 2025, Rosario Central terminou no topo da tabela anual argentina e foi reconhecido como campeão da Liga 2025.
Em 2026, já aos 38 anos, continuou a marcar, assistir e decidir jogos.
E em setembro de 2026 aconteceu mais um capítulo extraordinário: Di María marcou dois golos na vitória por 3-1 sobre o Estudiantes na final da Supercopa Internacional, ajudando o Rosario Central a conquistar mais um troféu.
É difícil imaginar um final mais simbólico.
O rapaz que saiu de Rosario para conquistar a Europa regressou à sua cidade para continuar a ganhar.

29 TÍTULOS NA EUROPA. E AINDA MAIS NA MEMÓRIA.
Antes do regresso à Argentina, a CONMEBOL contabilizava 29 títulos conquistados por Di María, incluindo a Champions League e o Mundial de Clubes pelo Real Madrid.
Na Europa, ganhou praticamente tudo:
🏆 Champions League
🏆 Mundial de Clubes
🏆 Campeonatos nacionais
🏆 Taças nacionais
🏆 Supertaças
Foi campeão em Portugal, Espanha e França.
Foi protagonista no Real Madrid.
Foi uma das grandes figuras da história recente do Paris Saint-Germain.
E mesmo quando mudou de clube, a sua qualidade permaneceu.

SERÁ DI MARÍA O TERCEIRO MAIOR ARGENTINO DE SEMPRE?
Esta é uma discussão inevitável.
Messi e Maradona ocupam, para a esmagadora maioria dos argentinos e dos amantes do futebol, um lugar absolutamente singular na história do país.
Depois deles, começa uma discussão muito mais aberta.
E há quem coloque Di María nesse terceiro lugar, pela longevidade, pelos títulos, pela importância na seleção, pelo peso nas finais e pela carreira de elite construída durante duas décadas. Essa avaliação foi publicada, por exemplo, na sequência da sua despedida da seleção em 2024.
Não é uma classificação oficial — e dificilmente poderia existir uma classificação objetiva deste tipo.
Mas é perfeitamente legítimo perceber por que razão o nome de Di María entrou nessa conversa.
Porque são poucos os argentinos que podem apresentar uma combinação semelhante de:
talento + longevidade + títulos + seleção + Champions + Mundial + ouro olímpico + protagonismo em finais.
E, sobretudo, são poucos os que podem dizer:
“Eu marquei nas maiores finais da minha geração.”

O ÚLTIMO CAPÍTULO
Agora, no crepúsculo da carreira, talvez seja altura de olhar para Di María não apenas como o extremo veloz que corria pela esquerda.
Mas como aquilo que realmente se tornou:
uma lenda.
Um jogador que saiu de Rosario ainda menino.
Que atravessou a Europa.
Que vestiu algumas das maiores camisolas do mundo.
Que caiu.
Que foi criticado.
Que perdeu finais.
Que sofreu lesões.
Que continuou.
Que voltou a perder.
E que continuou novamente. 
Até chegar ao ponto mais alto.
Campeão da América.
Campeão do Mundo.
Campeão olímpico.
Campeão europeu.
E, finalmente, de volta ao clube que lhe ensinou a amar o futebol.
Di María não precisou de ser sempre o protagonista.
Mas quando a história chamou por ele… ele apareceu.
E talvez essa seja a melhor definição de Ángel Di María:
não foi apenas um jogador que ganhou títulos. Foi um jogador que ajudou a escrever alguns dos momentos mais importantes da história do futebol argentino.
Do pequeno “Fideo” de Rosario ao campeão do mundo.
Do menino que sonhava com o futebol ao homem que conquistou quase tudo.
Obrigado, Ángel.
Por cada corrida.
Por cada assistência.
Por cada golo.
Por cada sacrifício.
Por cada final.
E, sobretudo, por nunca ter deixado de jogar pelos outros.
Ángel Di María.
Um dos grandes.
Um dos inesquecíveis.
Um homem das finais. ❤️⚽"

BF: Tomás...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cristiano, The End: a cronologia de um escândalo

Observador: E o Campeão é... - O adeus de Ronaldo à Seleção é culpa de Jorge Jesus?

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Zero: Saudade - S05E03 - Rui Bento - Parte I

Cristiano Ronaldo, Dorian Gray e Nureyev


"Deixemo-nos de minudências e passemos, desde já, à questão de fundo: este Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, não tinha lugar na Seleção de Portugal. Podia contribuir com carisma, experiência e alguns minutos, para o grupo de Jorge Jesus. Contudo, um ego desmesurado não o deixou ver a realidade e fê-lo sair pela porta dos fundos…

Nos últimos 23 anos, Cristiano Ronaldo jogou 268 vezes pela seleção A de Portugal, num total de 21.110 minutos, que renderam, além de 164 golos, um Campeonato da Europa e duas Ligas das Nações. Números fantásticos e muito provavelmente irrepetíveis, de um jogador que ficará na história do futebol mundial como um dos melhores de sempre, ao lado de Pelé, Maradona e Messi. Mas como não há bela sem senão, Cristiano Ronaldo não soube envelhecer, não percebeu que devia ter dito adeus à Seleção em 2022, e manteve a presunção de que continuava a ser, em termos desportivos, quem um dia havia sido. Nos últimos quatro anos, apesar da conquista da Liga das Nações com Roberto Martínez, Ronaldo foi mais problema do que solução para a turma das quinas, mantido ligado à máquina da titularidade em função dos proventos que a sua fama ainda permitia arrecadar.
Estou particularmente à vontade para falar sobre este tema porque, após o Mundial do Catar, publiquei um longo artigo em A BOLA sobre este assunto que tinha por título «Cristiano Ronaldo, obrigado e adeus.» Obrigado, porque nunca tive memória curta e sei o que devemos a CR7, que durante anos a fio andou com a Seleção às costas, sendo o principal responsável pelas receitas que entraram na FPF; adeus porque era visível a olho nu que o que a mente queria o corpo já não acompanhava, e a fabulosa geração que cresceu à volta de um Ronaldo transformado em eucalipto rendia muito aquém do potencial que tinha.
Há uns meses, após o Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá, comparei Cristiano Ronaldo a Rudolf Nureyev, o príncipe dos bailarinos clássicos, que após ter brilhado no São Carlos voltou, anos depois, a Lisboa, para atuar no Coliseu dos Recreios: na primeira vez esplendoroso, na segunda, penoso.Infelizmente, como Dorian Gray, mas sem retrato, não aceitou a lei escrita pelo tempo, e quis ser, como cantaram Dylan e os Alphaville, jovem para sempre.
À medida que os anos passaram, a relação de CR7 com a bola, que chegou a ser íntima, foi-se deteriorando, à custa de tanta musculação, e a velocidade, atributo que o fazia competir com Usain Bolt, desapareceu. Surgiu então uma versão caricatural de um ex-grande jogador, empenhado em mostrar que os anos não passavam por ele, sem entender que só era mantido à tona internacionalmente pelos seguidores que tinha nas redes sociais e pelo número de camisolas que continuava a vender.
Do espanto que provocou quando começou a dar nas vistas no Sporting, à entusiasmante jornada no Manchester United - Sir Bobby Charlton dizia que cada vez que lhe passavam a bola levantava-se de imediato porque sabia que algo de extraordinário ia acontecer -, à conquista do mundo em Madrid e a duas excelentes épocas em Turim, seguiu-se um declínio que se iniciou na última época na Serie A, prosseguiu na segunda passagem em Old Trafford, e encontrou refúgio na Arábia Saudita, longe dos tempos em que era protagonista, com Lionel Messi, no maior dos clássicos de Espanha. Mas não foi só no Al-Nassr que CR7 encontrou um ambiente propício.
Também na Seleção Nacional, apesar de não ter rendimento desportivo que o justificasse, continuou a ser navio-almirante, com direito a tudo: no Mundial de 2026 só não jogou dez dos 450 minutos realizados por Portugal!

A ERA JESUS
Quando Jesus, vindo do Al-Nassr, onde tinha sido campeão da Arábia Saudita com Cristiano Ronaldo como capitão de equipa, sucedeu a Roberto Martínez na Cidade do Futebol, houve quem pensasse que a Seleção Nacional continuaria a ser CR7 mais dez. As primeiras declarações de ambos apontaram nesse sentido, Jesus a reconhecer o estatuto de Cristiano e a evidenciar a importância que ele tinha no grupo e CR7 a dizer que estava disponível para tudo pela Seleção: jogar, ser suplente ou entrar quando o treinador entendesse.Porém, estou certo de que há muito Jorge Jesus tinha percebido que nenhuma Seleção levantaria taças a jogar apenas com nove jogadores de campo, exatamente o que sucedia quando Cristiano Ronaldo não se envolvia no trabalho defensivo, obrigando a equipa a recuar e marcar à zona, nem tinha produtividade atacante, por falta de velocidade, destreza técnica e reflexos.
No primeiro jogo de Jesus, Ronaldo foi titular, e jogou ao nível que pode, pouco; no segundo, ficou no banco, Gonçalo Ramos marcou o golo da vitória, e o caldo entornou-se muito rapidamente.Haverá quem perca tempo em busca de explicações para este facto, se foi o que Jesus fez, se foi o que Jesus disse, ou se foi o ego insuflado de Cristiano Ronaldo a tramá-lo. Não é relevante.
A única coisa verdadeiramente importante é que o tempo de Ronaldo passou e, manifestamente, o capitão do Al-Nassr não joga o suficiente para ser titular de Portugal, e só se deveria admitir a sua inclusão no grupo alargado se estivesse disposto a somar, juntando carisma e experiência, e não a subtrair, como sucedeu no momento em que virou as costas à equipa e aos adeptos em Oslo.Hoje há jogo em Copenhaga, e embora o impacto do dia mais louco do futebol português - 30 de setembro de 2026 - tenha sido grande, caberá aos jogadores escalados por Jesus começarem a provar uma verdade universal do futebol: ninguém ganha nada sozinho, chame-se como se chamar. Sempre grato pelo que Ronaldo fez, ciente de que (para lá do marketing) era já um peso que puxava Portugal, desportivamente, para o fundo, lamento esta saída pela porta dos fundos. Mas a sensação com que fico é a de que Ronaldo e a bolha onde vive pensam que se trata do mesmo jogador que um dia, a 19 de novembro de 2013, na Friends Arena de Solna, ganhou lugar no panteão dos melhores de sempre…"