Últimas indefectivações

terça-feira, 2 de junho de 2026

Indiscutível...

Aprender com o Arsenal e o PSG


"Numa final, só pode haver um vencedor, e o sucesso sorriu, dos onze metros, aos parisienses. Mas tanto a equipa do Parque dos Príncipes quanto os ‘gunners’ não chegaram a Budapeste por acaso. Adotaram princípios corretos (e o dinheiro nada tem a ver com isso), que podem e devem servir de modelo aos clubes portugueses…

Quando o Sporting está em mutação acelerada, o Benfica continua mergulhado na indefinição e o FC Porto apostou na evolução na continuidade, valerá a pena refletir um pouco sobre a final da Liga dos Campeões disputada no último sábado em Budapeste, e na política dos clubes envolvidos na disputa pela ‘Orelhuda’.
Comecemos pelo Paris Saint-Germain, atual bicampeão europeu: desde 2011, quando a QSI, agora acionista de referência do SC Braga, e com ligações diretas ao Governo do Catar, comprou o clube, os parisienses passaram 13 anos a tentar resolver problemas e ganhar relevância europeia colocando dinheiro em cima dos problemas, esperando assim comprar o êxito desportivo. Demoraram 13 anos a perceber que, por mais Messis, Neymares e Mbapées que tivessem, pagos a peso de ouro, não passavam da cepa torta, sendo apenas Gullivers em Lilliput, quer dizer, no campeonato francês. A relevância do PSG surgiu apenas quando percebeu, muito por influência do homem-forte do seu futebol, o português Luís Campos, que não são os jogadores que ganham as competições, mas sim a equipas. Foi com jogadores que colocam o coletivo acima do ego que a glória sorriu à equipa do Parque dos Príncipes, deixando para trás a guerra de egos e a prevalência dos umbigos de anos anteriores. Quer isto dizer que, no futebol moderno, em qualquer equipa de clube ou seleção, ou correm todos, para trás e para a frente, ou nada feito. Acabou, ao mais alto nível, o tempo das ‘vacas sagradas’, e devemos estar gratos a Luís Enrique e ao PSG por terem tornado esta verdade tão cristalina.
Passemos agora ao Arsenal que, depois dos anos de Arsène Wenger, que ganhou títulos e a seguir viveu dos rendimentos (esteve 22 , eépocas no clube), passou por um período de dúvidas, coincidente com o período de Unai Emery, que nada de bom lhe trouxe. Foi então que, em 2019, os ‘gunners’ decidiram apostar em Mikel Arteta, adjunto de Pep Guardiola no City. Desta feita, ao contrário do que tinham feio com Emery, deram tempo a Arteta, que, sete anos depois, devolveu o histórico emblema londrino à condição de campeão nacional e só perdeu a final da Champions da marca dos onze metros. Num contexto em que toda a gente tem pressa, valeu a pena ao Arsenal manter a cabeça fria mostrar que sabia o que queria e com quem queria. Acabou por realizar a melhor época da sua história.
Juntemos, agora, os ingredientes destes dois percursos, de PSG e Arsenal, para concluirmos que, no futebol, ninguém ganha nada sozinho, por mais Messi, Mbapée ou Neymar que seja, e quem quiser subordinar os interesses coletivos aos desejos individuais está fadado ao insucesso. Mas há mais: o Arsenal mostrou que tinha um rumo, e não lhe faltou convicção para mantê-lo. Depois de alguns insucessos e desilusões, acabou por conhecer uma época de glória interna, tendo ficado a onze metros de ser campeão europeu.
Querem uma fórmula de sucesso para o futebol, onde tudo é demasiado volátil? Esqueçam os nomes e construam equipas. E deem tempo àqueles em quem apostaram. Porque se não souberem o que querem nunca hão de chegar a lado nenhum. Para quem navega sem rumo nenhum vento é favorável.

CAPA
O ‘Monumental’ é a nova casa de Otamendi
Depois de uma passagem pela Europa – FC Porto, Valência, Manchester City e Benfica – onde conquistou 18 títulos, Nico Otamendi regressou à Argentina para ser sucessor, no River Plate, de dois ‘xerifes’ à sua imagem, Roberto Perfumo e Daniel Passarela. Campeão do Mundo e vencedor de duas Copas América pela ‘albiceleste’, a camisola de ‘Los Millonarios’ assenta-lhe bem para fim de carreira.

FOTOLEGENDA
Hugo Viana
A época 2026/27 vai ser particularmente significativa para Hugo Viana, diretor-desportivo do Manchester City, porque só a partir de agora vai terminar o seu ciclo de influência no Sporting e notar-se a sua impressão digital nos ‘citizens’, onde a intervenção de Txiki Begiristain se desvanece, ao mesmo tempo que a marca de Bernardo Palmeiro surgirá mais nítida no Sporting. O antigo médio-esquerdo dos leões está ligado a dois momentos importantes na vida destes clubes, o primeiro, da sua lavra, a contratação Ruben Amorim, e o segundo, por vontade do técnico, o adeus a Guardiola. Novos desafios em Alvalade e no Etihad.

CARTAS
ÁS
Afonso Eulálio
Quando ainda se lamentava a ausência de João Almeida do Giro, onde iria desafiar Jonas Vingegaard, eis que surgiu Afonso Eulálio, primeiro de rosa, depois de branco, mas sempre excelente, a deixar a sua marca, e muitas promessas, na alta roda do ciclismo.

ÁS
Vitinha
O internacional português foi considerado pela UEFA ‘Homem do Jogo’ na final da Champions, o que o deixa em boa posição para ganhar a Bola de Ouro de 2026, onde o Mundial terá muito peso. Parabéns também a Nuno Mendes, João Neves, Gonçalo Ramos e Luís Campos.

ÁS
André Candeias
O avançado algarvio ,de 23 anos, que vai na 15.ª época no Farense, marcou, no estádio de São Luís, ao Belenenses, o golo que haveria de valer à sua equipa a permanência nas competições profissionais. Parabéns ao Farense e, para os azuis do Restelo, o seu dia chegará. "



Benfica, PSG e Cristiano Ronaldo: continuemos a falar de liderança


"Na Luz prefere-se o vazio a partilhar poder. Rui Costa recusa entregar a autonomia que poderia ajudar o clube. E, enquanto Paris ensina mais que futebol, Ronaldo falha no papel de capitão

Quando se negoceia com um treinador a norma é que se perceba rapidamente se as pretensões deste estão ao alcance (ou perto) do clube. Não acredito que, em todos estes dias que se tem falado de Marco Silva como sucessor de Mourinho, Rui Costa não tenha percebido o quão longe estava do técnico desejado e o quão irredutível este também se apresentava nas condições pedidas. Concluo assim que o que o afasta da Luz é a autonomia que querem ou não conceder-lhe. Um maior controlo sobre a massa crítica ao seu dispor, ou seja, a palavra definitiva na entrada e saída de jogadores.
Rui Costa, que enquanto administrador e, depois, presidente, se mostrou pouco competente no assunto, não quererá perder o poder sobre o futebol. E as vistas curtas manifestam-se desde logo ao ponto de nem perceber que isso poderia devolver à equipa uma superior qualidade na decisão e, eventualmente, melhores resultados. O presidente estará a recusar precisamente aquilo que poderia ser a sua salvação. Já o seria com Amorim e acredito que Marco Silva também tenha, pelo menos, essa capacidade de ser o manager que preenche aqueles vazios que esta direção não consegue ocupar.
Podem argumentar que ambas as situações são legítimas, porém diria que a falta de provas dadas funcionará sempre contra Rui Costa. É incrível como, mais uma vez, entre o assumir o próprio destino ou deixar ver o que dá, escolheu não fazer nada. Vamos ouvir que a sua capacidade de negociação foi tão boa que conseguiu metade da verba de entrada na Champions sem fazer nada. Mas as contas far-se-ão no fim. E no fim chegará a resposta à questão que todos agora devem fazer: a que custo? O silêncio tenebroso que acompanha Rui Costa, à exceção das pancadas no padel, sem vir a público, mesmo no ambiente protegido da BTV, diz muito da sua (falta de) liderança. Mesmo que só se esperassem frases-feitas e as promessas de melhoria como resposta a mais uma temporada horrível.
Na Luz, até se podia levantar os olhos da negritude que resulta do esconde-esconde e das janelas fechadas, e se encontrar o exemplo de liderança na era que o PSG está a escrever. Tudo o que o futebol devia ser é-o na relação entre Luis Enrique, Campos e Vitinha e companhia.
E, por falar em líderes, Cristiano, talvez ainda nas nuvens com o seu título saudita, esqueceu-se da conquista dos companheiros de Seleção, a dias do Mundial. Um capitão continua a não ser isto. Não deveria."

Zero: Mercado - Benfica tenta contratar avançado do Wolfsburg

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - As razões para o triunfo do Paris Saint-Germain na Champions

Observador: E o Campeão é... - Cabo Verde pode ser a grande surpresa do Mundial?

Observador: Três Toques - Portugal no topo: Do sucesso no Giro à glória do PSG

SportTV: Primeira Mão - PSG bicampeão e Arsenal amaldiçoado: final da Champions teve de tudo 🤯

Tuga Fut #21

Falsos Lentos - S06E39 - Manuel foi a casita do Bad Bunny

Atividade do fim de semana


"O essencial da vida benfiquista nos últimos dias.

1. Contributos internacionais
Foram vários os jogadores do Benfica em ação por seleções nacionais nos últimos dias.

2. Final igualada
A equipa feminina de futsal do Benfica ganhou, por 1-4 no reduto do Nun'Álvares, o jogo 2 da final dos play-offs do Campeonato Nacional.

3. Em vantagem
Em hóquei em patins, no masculino, o Benfica está na frente das meias-finais dos play-offs com o OC Barcelos por 2-0. Na segunda partida, vitória benfiquista, por 4-5, após prolongamento. No feminino, triunfo das águias, por 4-2, ante a Sanjoanense na partida inaugural das meias-finais do Campeonato.
Em futsal no masculino, o Benfica ganhou por 0-4 ao Leões de Porto Salvo no primeiro encontro das meias-finais dos play-offs.

4. Outros resultados
Em andebol no feminino, vitória do Benfica, por 18-31, no reduto do Gil Eanes. No futebol de formação, os Juvenis bateram o Alverca, por 3-0, e os Iniciados superiorizaram-se ao Sporting por 3-1.

5. Título na formação
Em futsal no feminino, as Sub-19 do Benfica são pentacampeãs nacionais.

6. No topo
Vasco Vilaça venceu a etapa de Alghero (Itália) e comanda o ranking mundial do World Triathlon Championship Series.

7. Bons desempenhos
Vários atletas do Benfica em destaque.

8. Dia olímpico
O protagonista do 3.º episódio desta série da BTV é o nadador Miguel Nascimento.

9. Análise de um título
Em foco o Campeonato Nacional de Juniores B1 de voleibol conquistado pelo Benfica.

10. Benfica Basketball Camp
As inscrições estão abertas.

11. Concerto de balneário
Organizado pela Benfica FM, o concerto de Badoxa presenciado pelos campeões nacionais de râguebi.

12. As Marias
Foi apresentado o livro "As Marias do Benfica – Uma bolada no charco" sobre o notável percurso, durante uma década, da equipa feminina de voleibol benfiquista.

13. Casas Benfica Barcelos e Quarteira
Estas embaixadas do benfiquismo celebraram os respetivos 25.º e 16.º aniversários."

Toma Vitinha, é tua a bola que o João roubou


"Eu me confesso, tinha esta newsletter fisgada para dedicar por inteiro a Vitinha. Reparem: na era dos matulões de estampa no futebol em que pelo jargão dentro entram termos como a “dimensão física” ou a “fisicalidade”, o Paris Saint-Germain ganhou a segunda final seguida da Liga dos Campeões dando a bola, dizendo-lhe “toma, é tua, pensa-a tu”, ao tipo fininho de membros, baixinho em altura, de fraca figura à vista desarmada que tem no coração do meio-campo. Trata-se de uma divergência ambulante, o Vitinha, a quem cometeram o desplante de o batizar com um diminutivo de modo a que o que ele joga, além de extraordinário, ser irónico.
E condigno por reforçar a contradição.
Vitinha joga muitíssimo, uma barbaridade, afinal deram-lhe um pequeno troféu arredondado em forma daquilo que não lhe sai dos pés, feito das estrelas prateadas e iconográficas da Champions, que distingue o melhor jogador da final onde ele, o pequenote irrequieto, lá esteve a pedir a bola sem descanso, a querê-la por defeito que é feitio mesmo perante o antídoto do Arsenal que também foi buscar à ironia um dos seus ingredientes: para tentarem anular a influência do português, os ingleses não o pressionaram além do mínimo exigível quando tinha a bola.
Seria de rir não fosse de gabar. Trocado por miúdos, o Arsenal pôs um jogador na frente de Vitinha perto o suficiente para ele não se sentir à vontade mas longe o quanto baste de maneira a não ser atraído à sua beira e abrir um espaço atrás para o passe entrar.
Outra costela de ironia: tentar diminuir o alcance do jogador conhecido pelo seu diminutivo, que ditador de jogo é se a bola estiver na sua companhia, deixando-o tê-la, preferindo antes tapar as hipóteses de o português a passar a alguém que estivesse numa posição vantajosa. É mau que ele tenha a bola, pior fica se a conseguir passar, eis a lógica. Resultou até deixar de resultar, o PSG deu a volta à estratégia, Vitinha rodeado está de craques, imerso numa equipa fluída que mesmo sem a dinâmica do costume lá se desemaranhou do bloco compacto do Arsenal, por demais defensivo e aborrecido.
Quando o fez em modo cruzeiro, a partir da segunda parte, teve outro português, um mais discreto, no cerne de tudo. Se nos rendermos ao engodo do holofote e atentarmos só ao que o foco ilumina tendemos a não ver o que está literalmente ao lado, e é o caso de João Neves. Quando as cãibras queimaram os músculos de Ousmane Dembélé, o Bola de Ouro que continuamos por descobrir com que pé prefere chutar, do capitão Marquinhos e de Vitinha, tirando-os da partida, prevaleceu em Budapeste a fibra do discreto ladrão de bolas, igualmente pequenino como o conterrâneo do meio-campo, igualmente gigante no quanto joga.
Em João Neves não há cortes de cabelo desbastados ou aparados antes do jogo como é costume nos futebolistas dados a cuidarem da imagem, que fazem de barbeiros convidados de honra dentro dos estágios das equipas. João jogou com a guedelha com que acordou naquele dia, discreto nas funções e simples nas ações durante 120 minutos, uma formiga operária que engana: trabalha tanto, estando tantas vezes no sítio certo, que o seu lado gregário distrai da delicadeza do seu jogo.
Era impossível ignorar o português que joga com a ponta da língua encostada à bochecha a favor do que estica o dedo indicador da mão direita quando se entretém com a bola, cada um com o seu tique. Vitinha ser o tipo que mais passes e toques na bola deu na final da Champions entende-se por João Neves ter sido quem mais vezes roubou a bola, ganhou duelos (no ar) e sofreu faltas na sua equipa. As valias de um ligam às do outro, os seus trejeitos futebolísticos são umbilicais. Não há o Vítor de Santo Tirso, filho de pai jogador, sem o João de Tavira, cuja primeira experiência no desporto veio do andebol.
Outra ironia: como pôde um rapaz baixote, com os pés atolados em jeito, começar por fazer uso das mãos para se recriar com uma bola?
Faço eu ideia, mistério da vida, desta em que hoje o maior dos organizadores de jogo no futebol é Vitinha, exímio a dar um passe mas sem ser só isso, já não como Andrea Pirlo, Sergi Busquets ou Toni Kroos, últimos da geração onde receber para um lado e fingir com o corpo para o outro era o refogado do seu estilo; vergavam jogos à sua vontade usando os engodos da tanta técnica que tinham. Vitinha também, mas corre, farta-se de correr, o golo que marcou não nesta, na anterior final da Champions, é prova disso.
Ele tem algo de irónico assim como João Neves. Já que muito dado a comparações se assume o futebol, ele é uma espécie de sucessor de N’Golo Kanté. O francês era, ainda vai sendo, um destruidor de jogo omnipresente, incansável a cobrir todo o campo; o português encarna essas qualidades, acrescentando bastantes camadas: não se limita a correr, perseguir, disputar duelos, roubar ou desfazer o jogo dos adversários; também joga bastante no resto, excecional no controlo de bola, tentacular a guardá-la, movido por uma cabecinha pensadora com os neurónios em sintonia com os de Vitinha.
Seria ironia suprema que Roberto Martínez, elogiador em entrevista à Tribuna Expresso da “química natural” entre os jogadores, acendedor da brasa que esquenta a sua sardinha gabarola ao lembrar ocasionalmente ter sido quem os juntou pela primeira vez na mesma equipa, não aproveitasse esta telepatia na seleção nacional. Vitinha pensa a bola, João Neves vai buscá-la. Tenho para mim que separá-los deveria ser pecado futebolístico pelo que se vê quando jogam juntos.
Eu não os vejo nos treinos, mas não dá para ver como não dedicar o jogo de Portugal no Mundial aos dois que fazem mexer o melhor meio-campo do futebol europeu. Pode ser que seja por ter visto a final da Champions em Tavira, terra do menos badalado dos médios, atravessada pelo Rio Gilão que rima com João. Ou por ter olhos na cara."

Creaking Cristiano Ronaldo’s presence at World Cup is more a curse than a blessing


"Veterans such as Messi and Modric are much in evidence at the finals, but an obsession with celebrity may undermine Portugal

It turns out that 2022 wasn’t Lionel Messi’s last dance after all. He will turn 39 during the World Cup, but despite concerns over the “muscular overload” that led to him limping out of Inter Miami’s 6-4 win over Philadelphia Union on Sunday, he remains the figure on whom Argentinian hopes rely.
Messi won’t be the only veteran in Canada, the US and Mexico: Cristiano Ronaldo, aged 41, will also be there – inevitably, given how his career and Messi’s seem inextricably bound. So will Luka Modric and Edin Dzeko, plus the goalkeepers Manuel Neuer, Craig Gordon, Guillermo Ochoa and Vozinha, all of whom are 40. And there is one 39-year-old other than Messi: the Japan defender Yuto Nagatomo.
That is seven players aged 40 or older, a remarkable number given that only seven players have previously played at the World Cup having reached that age. The oldest was Essam El Hadary, who played in goal at the age of 45 years and 161 days when Egypt lost to Saudi Arabia in 2018. Both countries were already out and there were some qualms that he had been picked out of sentiment, a tribute to one of the undoubted greats of the Egyptian game, but he saved a penalty and performed well enough to justify selection.
Goalkeepers, not surprisingly, make up the majority of the previous seven. Faryd Mondragón, aged 43 years and 3 days, came on with five minutes remaining in Colombia’s 4-1 win over Japan in 2014. In his case, there was no doubt he was being introduced purely so he could become the oldest player at a World Cup.
There was no such favouritism, though, being shown to Pat Jennings in 1986, Peter Shilton in 1990 or Tunisia’s Ali Boumnijel in 2006, and certainly not to Dino Zoff when he captained Italy to World Cup victory in 1982. He had been heavily criticised after the 1978 tournament, but his late save, plunging on to an Oscar header, was just as vital in the 3-2 win against Brazil as any of Paolo Rossi’s three goals.
The exception is Roger Milla who, after coming out of retirement to inspire Cameroon in 1990, returned in 1994, aged 42, to become the oldest outfielder at a World Cup. He came off the bench against Brazil and Russia, scoring in the latter game, although his side were already 3-0 down and went on to lose 6-1.
But whatever the details, the comparison is striking: there could be more players over the age of 40 at this World Cup than in the 22 previous tournaments put together. In part, that is perhaps because of the expansion of the tournament. Vozinha is a regular for Cape Verde – he’s certainly not going for sentimental reasons – but would his team have qualified for a 32-team World Cup?
And would a team ranked higher than 69th in the Fifa standings be going to the World Cup with a goalkeeper who plays for Chaves in the Portuguese second division? And in part it’s because sports science has improved. Injuries that once would have ended a career can be overcome. Nutrition is far better. Footballers no longer sink double digits of pints every time they get a day off. Understanding of recovery, stretching, prehab and rehab have all improved. While the 500-game rule still seems to hit some players, others are going on for longer. To take just two examples, James Milner, born 1986, and Robert Lewandowski, born 1988, have only recently begun to show signs of wear.
Modric and Dzeko are diminished by age, but they are, fairly clearly, the best Croatia and Bosnia and Herzegovina have to offer in their respective roles. Messi’s case is more questionable – however dangerous he looks in MLS, he is evidently not capable of operating at the highest level in Europe.
But it would be hard to say with any great certainty that Argentina would be better off had he been phased out. It remains just about conceivable, given the nature of international football, that Julian Álvarez and Messi’s clubmate Rodrigo De Paul can again do his running for him and that Messi’s capacity to produce a defence-splitting pass or other moments of inspiration will make it worth the sacrifice.
But Ronaldo is not the player he was. He is not even the player he became after he ceased to be the player he was. He lumbers about in an increasingly small sphere of influence, still decent in the air, still a good finisher, but barely able to move, lacking the explosive power that once made him great. He has won the Saudi Pro League this season, but that is less an endorsement of him than an indictment of the league.
Even at the last World Cup he seemed like a burden. When he was left out for Gonçalo Ramos against Switzerland, Portugal found renewed pace and verve and scored six, Ramos getting three of them. Yet still fans in the stadium called for Ronaldo, the biggest cheers coming as he came off the bench and then marked an obviously offside goal that was swiftly disallowed with his trademark celebration; a part of modern football is obsessed by personality and spectacle.
The danger is that Ronaldo’s presence could mean that a potentially brilliant generation of Portuguese creators is never truly unleashed. That is the irony of the suspension for his red card against Ireland being commuted; it may represent a preposterous injustice as Fifa ensures the biggest names are on the field as much as possible, but it will probably end up hampering Portugal.
There is no doubt Ronaldo is in incredible shape – for a 41-year-old. Nor is it wrong to point out that, Ronaldo aside, Portugal have not produced a world-class centre-forward since Eusébio. But there comes a point at which his immobility makes him an albatross and any halfway competent forward who can move is a better option.
The continued presence of familiar faces may be testament to how much better players are at looking after themselves than they used to be, but, in at least one case, it is also evidence of the modern world’s obsession with celebrity."

Bola na Trave: Chegou a hora de dizer isto!

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - O quintal de Vitinha no bicampeão PSG e um debate sobre a posição 9 da seleção

LiveMode: Retro #15 - Portugal - Brasil, 1966

LiveMode: Mundial #7 - Vitinha Rei da Europa e um "Zidane" no Mundial ⚽️

No Princípio Era a Bola - O golo prematuro que condicionou a final da Champions conquistada pelo PSG - e o que pode Marco Silva dar ao Benfica

The Seleção Podcast - Special Episode: Tony Gonçalves of "The Heart and Hustle of Portugal" Podcast

Afonso Eulálio, o improvável


"Já se aguarda, com ansiedade e também com expectativa, o que se seguirá. A afirmação está feita, mas a responsabilidade, Eulálio sabe-o, aumentou

O Giro de Itália descobriu um talentoso e carismático corredor jovem português e apaixonou-se por ele, pela coragem, superação e ambição. E o sorriso maroto. Não foi apenas a camisola branca, nem o sexto lugar final, nem os nove dias de rosa que impressionaram. Foi a forma como tudo aconteceu. O sorriso quando as pernas ardiam. A leveza quando a pressão apertava. A naturalidade diante das câmaras num desporto em que tantos aprendem a esconder emoções.
Afonso Eulálio apareceu como uma lufada de ar fresco num Giro dominado por Jonas Vingegaard. Sorriu no Passo Giau quando os outros sofriam em silêncio. Atacou quando muitos se limitavam a gerir. E conquistou adeptos muito para lá das fronteiras portuguesas. Dentro destas, muitos ainda não tinham sequer ouvido tal nome.
Talvez porque a história do corredor figueirense seja também a vitória da improbabilidade.
Não estamos a falar de um produto fabricado nas grandes academias do ciclismo europeu. Estamos a falar de um jovem que chegou tarde à estrada, descoberto através de uma pesquisa na internet por um dirigente que acreditou que aqueles resultados no BTT escondiam qualquer coisa mais. Estamos a falar de um corredor que teve de aprender quase tudo já na idade de júnior, quando muitos dos seus rivais acumulavam anos de experiência em pelotão.
E talvez por isso conserve uma autenticidade rara.
O percurso de Eulálio é também uma vitória do ciclismo português. Da passagem súbita do pelotão nacional para o WorldTour, da Volta a Portugal ao Giro de Itália, provou-se que ainda existem atalhos para o talento.
O mais interessante é que este Giro pode nem sequer representar o auge da carreira de Eulálio. Pelo contrário. Parece antes o início de qualquer coisa maior.
Quando José Poeira diz que, no Mundial do Ruanda, percebeu que Eulálio já não era apenas um jovem ao serviço da equipa, mas um corredor capaz de ambicionar mais, está provavelmente a resumir aquilo que todo o ciclismo percebeu nestas três semanas italianas.
Portugal já tinha um grande nome para as classificações gerais, João Almeida, agora pode ter dois. Mas, para já, o mais importante nem é o resultado. É a sensação. A sensação de que apareceu mais um corredor português capaz de ganhar corridas. E ao mesmo tempo conquistar a empatia e a admiração.
Num desporto que tantas vezes se perde em números, watts e algoritmos, Afonso Eulálio lembrou-nos que o ciclismo continua a ser feito de histórias. E a dele está apenas a começar. 
«Foi um sonho viver tudo isto», é a frase que expressa a descoberta da glória no Giro por Afonso e a descoberta de Afonso pela grande Volta italiana. Pelo ciclismo mundial… e pelos portugueses.
Já se aguarda, com ansiedade, mas também com expectativa, o que se seguirá na carreira do corredor de 24 anos. Ainda esta temporada e nas vindouras. A afirmação está concretizada, mas a responsabilidade, Eulálio certamente sabe-o, aumentou. Os olhos do ciclismo mundial vão estar postos nele nos próximos tempos. A confiança que a equipa lhe confere redobra na mesma grandeza dos objetivos futuros. Afonso Eulálio não é um voltista tão completo como João Almeida, nem um portento de força em corridas de um dia como António Morgado. Apesar deste brilharete, vai continuar a procurar espaço e oportunidades."

BolaTV: Entrevista - Pedro Martins

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COI, Kirsty Coventry e a mudança: milhares de milhões em receitas, mas qual o legado para os atletas?


"Costumo dizer que a mudança é a única constante do mundo em que vivemos. Quem não aceita ou não abraça a mudança, quem continua a fazer as coisas da mesma forma esperando resultados diferentes, quem não se prepara nem prepara os outros para a velocidade com que o mundo evolui, quem não arrisca, acaba inevitavelmente por ficar para trás.
Vem isto a propósito das recentes declarações da Presidente do Comité Olímpico Internacional, Kirsty Coventry, quando afirmou que continua a não defender o pagamento aos atletas pela participação nos Jogos Olímpicos, acrescentando que existem outras formas de os apoiar apontando o seu caso pessoal como exemplo, esquecendo as enormes benesses em dinheiro, que o seu País de origem lhe concedeu enquanto atleta.
As declarações geraram debate. Mas, mais importante do que discutir a frase em si, é discutir aquilo que ela deixa por dizer.
Importa, desde logo, não confundir dois temas distintos. O primeiro é o reconhecimento e compensação dos atletas durante a sua carreira desportiva. Podemos discutir se os apoios existentes são suficientes, se deviam ser maiores ou menores, quais os critérios mais justos e como se comparam com os modelos do desporto profissional. Mas estas medidas são, por natureza, transitórias. Têm um princípio e um fim e esgotam-se normalmente quando termina a carreira competitiva.
O segundo tema, muito mais relevante e frequentemente ignorado, é o que acontece depois. A evidência científica disponível aponta para uma realidade consistente: entre 30% e 50% dos atletas de elite e olímpicos reportam dificuldades significativas na transição para o pós-carreira. Entre 10% e 20% apresentam sintomas relevantes de ansiedade, depressão ou sofrimento psicológico após o abandono da competição.
Ao mesmo tempo, os estudos demonstram que os atletas que conseguem desenvolver uma dupla carreira, combinando desporto, formação académica e preparação profissional, apresentam uma adaptação muito mais bem-sucedida à vida após o desporto.
Os números ajudam ainda a enquadrar outra realidade frequentemente esquecida. Em estudos realizados com atletas de alto rendimento, cerca de 26,5% declararam rendimentos anuais inferiores a 15.000 dólares durante a carreira desportiva, enquanto aproximadamente metade afirmou não receber qualquer compensação direta pela participação olímpica.
Perante estes dados, talvez a pergunta mais importante não seja se os atletas devem ou não ser pagos durante os Jogos Olímpicos; talvez a pergunta certa seja: o que acontece aos atletas quando os aplausos terminam?
Porque a verdade é simples: a esmagadora maioria dos olímpicos passará muito mais tempo como ex-atleta do que como atleta, e é precisamente por isso que o debate precisa de mudar.
Importa também colocar esta discussão na sua verdadeira dimensão financeira. O Comité Olímpico Internacional é hoje uma das organizações desportivas mais poderosas e financeiramente sólidas do mundo. No ciclo olímpico 2021-2024, as receitas ultrapassaram os 7,7 mil milhões de dólares, provenientes sobretudo dos direitos de transmissão televisiva e dos programas globais de patrocínio. 74% deste valor foi alocado ao desporto e muito do restante montante foi para alimentar salários chorudos dos Diretores e despesas de staff.
Mais impressionante ainda é o facto de o próprio IOC já ter assegurado cerca de 7,3 mil milhões de dólares em receitas contratualizadas para o ciclo 2025-2028, tendo igualmente garantidos mais de 6 mil milhões de dólares para o ciclo seguinte, demonstrando uma capacidade de geração de receitas e uma previsibilidade financeira raramente vista no panorama desportivo mundial.
Mesmo em anos sem Jogos Olímpicos, o COI continua a movimentar centenas de milhões de dólares. Em 2025, por exemplo, registou receitas próximas dos 650 milhões de dólares e ativos superiores a 6,9 mil milhões de dólares.
Perante estes números, torna-se difícil defender que os desafios relacionados com a transição de carreira, empregabilidade, saúde mental ou qualificação profissional dos atletas resultam de falta de recursos financeiros. A questão passa a ser outra: quais são as prioridades?
Porque se o Movimento Olímpico consegue mobilizar milhares de milhões de dólares em cada ciclo, então também tem capacidade para construir soluções estruturais para aqueles que constituem a sua verdadeira razão de existir, e essas soluções existem.
Passam por programas obrigatórios de preparação para o pós-carreira ainda durante o percurso competitivo. Passam por modelos de dupla carreira verdadeiramente integrados entre federações, universidades e empresas. Passam por programas globais de mentoring entre atletas ativos e antigos atletas. Passam por apoio psicológico estruturado durante os anos mais críticos da transição. Mas, se eventualmente o COI diz que tudo isto já existe, então o desafio passa pela responsabilização dos intervenientes e, sobretudo, pela criação de métricas de acompanhamento do pós-carreira que permitam medir taxas de emprego, níveis de rendimento, qualidade de vida e integração social dos ex-atletas.
Mas talvez exista uma solução ainda mais transformadora, ainda que mais desconfortável para o próprio sistema: o fortalecimento de uma associação mundial de atletas verdadeiramente independente, sustentável e representativa.
A World Olympians Association tem potencial para desempenhar esse papel. Mas, para tal, precisa de se libertar definitivamente das amarras institucionais que ao longo dos anos limitaram a sua capacidade de intervenção e afirmação.
Uma organização de atletas não pode depender exclusivamente daqueles que também deve questionar, sob o risco de se anular e de perverter a sua vocação na defesa dos atletas (ainda não ouvimos o que a WOA pensa sobre o assunto, um silêncio perturbador). Uma organização de atletas deve ter voz própria, estratégia própria e sustentabilidade financeira própria. E essa sustentabilidade pode ser construída através de uma proposta de valor diferenciadora para a sociedade e para as empresas.
Durante demasiado tempo olhámos para os atletas apenas pelo que fizeram nas pistas, nos campos ou nas piscinas. Mas o verdadeiro valor dos atletas vai muito além das medalhas.
Os atletas olímpicos representam liderança, disciplina, capacidade de superação, gestão da adversidade e trabalho em equipa, competências cada vez mais valorizadas por empresas que procuram combinar desempenho económico com propósito social e impacto positivo.
Num mundo onde as organizações são cada vez mais avaliadas pelas suas métricas ESG e pelos seus compromissos de sustentabilidade, os atletas podem desempenhar um papel relevante na construção de programas de liderança, inclusão, bem-estar, educação e impacto social.
Trata-se de uma oportunidade de benefício mútuo, que já pus em prática com muito sucesso em Portugal. As empresas encontram parceiros credíveis para concretizar os seus objetivos sociais, os atletas encontram oportunidades de integração profissional, desenvolvimento pessoal e valorização das competências adquiridas ao longo da carreira desportiva.
Uma verdadeira solução win-win. Curiosamente, a independência financeira dá voz e capacidade interventiva, mas acarreta também um desafio: o receio institucional e o desconforto que uma voz verdadeiramente autónoma pode gerar no sistema.
O Comité Olímpico Internacional, em vez de ver aqui uma ameaça, tem uma oportunidade única, não para controlar esta evolução, mas para a apoiar; não para falar pelos atletas, mas para criar espaço para que os atletas falem por si próprios e façam o seu caminho.
Isso exigirá, de quem decide, inteligência institucional, visão estratégica e, acima de tudo, coragem. Existem hoje cerca de 100.000 olímpicos vivos em todo o mundo sendo que menos de 10% estão no activo. Representam experiência, conhecimento, diversidade e uma enorme capacidade de influência. Não são um problema para resolver; são uma parte fundamental da solução.
Existem dois obstáculos estruturais que continuam a impedir uma resposta eficaz.
O primeiro é que o sistema olímpico tem sido historicamente liderado por antigos atletas que, ao entrarem no sistema, muitas vezes acabam por se afastar das dificuldades reais que eles próprios viveram, tornando-se parte da manutenção do status quo que anteriormente questionavam.
O segundo é que os atletas têm tido dificuldade em construir uma voz coletiva forte, capaz de defender os seus interesses comuns. A ambição individual, a natureza altamente competitiva do desporto e a falta de solidariedade estruturada têm, demasiadas vezes, impedido uma ação coletiva eficaz.
O primeiro desafio é envolvê-los de forma efetiva na construção do futuro do Movimento Olímpico. O segundo é explicar aos atletas que hoje estão no ativo que, mais cedo ou mais tarde, o seu momento inevitavelmente chegará. E quando esse dia chegar, quererão seguramente encontrar respostas para questões que hoje ainda parecem distantes.
Porque o verdadeiro legado do Olimpismo não se mede apenas pelas medalhas conquistadas; mede-se pela forma como cuida dos seus atletas durante a carreira, mas sobretudo pela forma como os acompanha depois dela terminar."

Arábia Saudita: Majed Abdullah foi o “Pelé do Deserto” e rei de Riade antes de Cristiano Ronaldo


"O melhor marcador da história da seleção da Arábia Saudita ainda é, também, a maior figura do Al Nassr. Com a camisola amarela, marcou mais de 300 golos e ganhou seis títulos nacionais. Avançado com técnica, faro de golo e capacidade de drible, no Mundial de 1994 os media ocidentais viram nele uma encarnação de Pelé, ainda que ele não se achasse digno de tal comparação.

Tempos houve em que não era Cristiano Ronaldo o nome gritado no estádio do Al Nassr, que não era o português o combustível da paixão do clube de Riade, que acaba de se sagrar campeão saudita. Majed Abdullah não foi campeão do seu país uma, duas ou três vezes: foram seis os títulos e uma vida dedicada ao Al Nassr, de 1977 a 1998, sem passagens rápidas por outros clubes ou enamoramentos pelo estrangeiro.
Ronaldo, sabemos, adora um bom recorde, mas terá de suar as estopinhas e mais umas quantas camisolas do Al Nassr para apanhar aquele a que chamavam “o Pelé do Deserto”. Nas mais de duas décadas vestido de amarelo, Abdullah marcou qualquer coisa como 259 golos, 320 contando com jogos de preparação. O português, cuja produção é indubitavelmente mais rápida, tem 129 remates certeiros, longe daquele que ainda hoje é visto como uma espécie de figura primordial do futebol saudita, dos tempos do romantismo, sem dinheiro de fundos soberanos, petróleo e quejandos.
Dotado de uma técnica crua e de uma capacidade inata de marcar golos, Majed Abdullah, que até nasceu em Jedá, há 67 anos, e não na capital saudita, foi protagonista em momentos históricos e inéditos do futebol do país, como a qualificação para a estreia em Mundiais, em 1994, e nas duas vitórias na Taça da Ásia, em 1984 e 1988. Em 1984, marcou também o único golo dos sauditas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. É, ainda hoje, o melhor marcador da seleção saudita, com 72 golos em 117 jogos.

Captain Majed
A família de Majed Abdullah mudou-se para Riade para acompanhar o pai, treinador de futebol. Majed até começou na baliza, mas a sua relação com as redes não seria de defendê-las, mas sim de abaná-las. Começou no Al Nassr, onde o pai era técnico, assinando o primeiro contrato aos 16 anos, em 1975. Cinco anos mais tarde seria decisivo para o Al Nassr conquistar o seu primeiro campeonato saudita.
Um verdadeiro rei entre portas, Abdullah mantinha e mantém uma pose discreta. Era homem de poucas falas e muitos golos, com uma aura quase mitológica. Reza a lenda que na adaptação árabe da célebre série “Captain Tsubasa” - que por cá, anos depois de passar a versão original japonesa, recebeu o inexplicável nome de “Oliver e Benji” -, a personagem principal recebeu o nome de Majed em homenagem ao avançado.
Numa era onde o futebol ainda batia à porta da verdadeira internacionalização, o ocidente só apreciou verdadeiramente Abdullah quando o avançado, já numa fase avançada da carreira, ajudou a Arábia Saudita a qualificar-se para o Mundial de 1994, nos Estados Unidos. É daí que vem a alcunha “Pelé do Deserto”, dada pela imprensa internacional ao jogador quando notaram a sua capacidade de drible, de encarar os adversários, o golo fácil e a liderança natural.
O atacante não se achava digno de tal apodo. Seria na fase de grupos desse Campeonato do Mundo, frente à Bélgica, que jogaria pela última vez pela sua seleção.
Daí para cá, e com o futebol da Arábia Saudita noutro patamar mediático, Abdullah tornou-se uma figura silenciosa, mas cuja opinião é ouvida e respeitada. Foi alvo de homenagens e até de uma produção teatral biográfica - “The Flaming Arrow” fala da sua relação com o povo e da sua carreira.
A ascensão de Cristiano Ronaldo como figura do Al Nassr não lhe causou mágoa ou despeito, mas apenas palavras de admiração. Quando o português bateu o recorde de mais golos numa só temporada na Arábia Saudita em 2023/24, sublinhou que era “um exemplo a seguir” e que estava feliz pelas conquistas do capitão da seleção nacional: “A idade tem um papel secundário no desempenho de um jogador quando a paixão está presente”, disse, citado pela imprensa local."

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Só mais uma...

Barcelos 4 - 5 Benfica

Grande vitória, não pela qualidade de jogo, mas pela capacidade de luta! Só uma equipa com  muita fome de títulos, ganhava este jogo!
Com o Barcelos a arrancar com dois golos, praticamente nos primeiros dois remates à baliza, o Benfica foi obrigado a recuperar... conseguimos, empatámos ainda antes do intervalo!
No 2.º tempo, voltámos a ficar em desvantagem por dois golos, e voltámos a recuperar... levando o jogo para prolongamento, onde num Livre Direto, concretizámos a remontada, e ficámos em vantagem pela primeira vez...

O jogo ficou marcado pelas constantes simulações dos jogadores do Barcelos, um espectáculo de mergulho para a piscina!!! Não deixa de ser irónico que o golo da vitória do Benfica tinha sido marcado, após uma falta por simulação do Vieirinha!!!

Juvenis - 16.ª jornada - Fase Final

Benfica 3 - 0 Alverca
Souza, Almeida, Patel


Nova vitória, apesar duma expulsão perto do fim...

Rabona: PSG Make Champions League HISTORY vs Stubborn Arsenal

Os penáltis têm graça e talvez resolvam o problema do Benfica


"Mais um título europeu para quatro portugueses, que mal terão tempo para descansar até entrar em modo Mundial. Entretanto o mercado continua a mexer, mais nuns do que noutros...

Ponto final no futebol europeu de clubes, com o PSG a vencer novamente a Liga dos Campeões, desta vez no desempate por grandes penalidades (bem mais difícil bater o Arsenal do que aquele 5-0 da final do ano passado, frente ao Inter).
Os penáltis são aquele momento que tem sempre imensa graça desde que nos seja indiferente quem ganha e quem perde e acabaram por acrescentar uma pitada de imprevisibilidade a uma partida em que ambas as equipas (e ambos os treinadores) sabiam quase tudo o que tinham de fazer e de evitar que o adversário fizesse.
Neste caso, com Vitinha, João Neves, Nuno Mendes e depois Gonçalo Ramos em campo (mais Luís Campos), os portugueses não estavam assim tão emocionalmente distantes do resultado final. O avançado controlou os nervos para bater - e bem! - o primeiro penálti da tarde, mas o lateral que é quase um especialista desta vez até falhou. Dos dois médios não há nada de novo a dizer: um foi o melhor da partida, o outro também podia ter sido.
Foram mais de 120 minutos para as pernas de muitos jogadores (que já não tinham poucos...) e que vão ter agora algumas horas para descansar, até entrarem em modo Mundial. Vitinha saiu de rastos e quase que aposto que Roberto Martínez fez umas orações na bancada de Budapeste para afastar qualquer lesão (noc, noc, noc - pelo sim pelo não, bati três vezes na madeira).
E já que falo de seleções, a esta distância não vejo equipa potencialmente tão forte quanto a França (o país do agora bicampeão europeu, não só mas também por causa dele).
Mas o Mundial não será o único motivo para nos mantermos atentos durante o verão. O mercado já mexe e as páginas de A BOLA são e serão a confirmação disso mesmo.
O Sporting atacou cedo e Palhinha e Andersen serão os reforços que se seguem. Resta esperar para ver se todas as saídas previstas se concretizam, porque nem sempre as propostas correspondem ao que se esperava. Se houver novela este ano, será por aqui...
O FC Porto começou por resolver as situações mais evidentes, com as saídas já esperadas, e sabe bem o que precisa: dois avançados (um deles será André Silva), um lateral-esquerdo e um médio com função semelhante à que tinha Fofana.
O Benfica faz o que pode enquanto tem treinador mas espera que este assine por outro clube, e tenta assegurar outro que até tem uma bela proposta da atual equipa. Ninguém desempata? Às tantas mais vale ir a penáltis..."

O efeito da vitória do Torreense no futebol português


"A vitória do Torreense na Taça de Portugal não foi apenas um belo capítulo no futebol português, foi também uma lição de humildade, compromisso, foco e concentração. Enquanto uns conseguem superar limitações através da qualidade do seu trabalho, outros continuam a enfrentar problemas financeiros difíceis de explicar ou demonstram incapacidade para preparar o futuro com a antecedência necessária. O triunfo do Torreense deve, por isso, ser analisado de uma forma abrangente. As suas consequências fazem-se sentir muito para além de Torres Vedras e ajudam-nos a refletir sobre o estado atual do nosso futebol.

Luís Tralhão: o rosto da surpresa
O principal responsável por esta época extraordinária do Torreense chama-se Luís Tralhão. A recuperação realizada desde que assumiu a equipa principal demonstra que, mesmo num contexto de pressão e recursos limitados, a competência e preparação continuam a ser um fator decisivo no futebol. A presença no play-off de subida e a conquista da Taça de Portugal não são obra do acaso, mas sim o reflexo de liderança, organização e capacidade de maximizar os recursos disponíveis. O Torreense mostrou que ainda há espaço para a crença, o mérito e para a qualidade do trabalho.

Quando a dívida entra em campo
O sucesso do Torreense surge também numa altura em que o futebol português volta a discutir a importância da sustentabilidade financeira. O caso do Estrela da Amadora, que recentemente solicitou aos seus credores um perdão significativo da dívida para assegurar a continuidade nas competições profissionais, levanta questões que não podem ser ignoradas.
Que leitura fazem desta situação os clubes que procuram cumprir as suas obrigações e gerir os seus recursos de forma prudente? Mais do que analisar este caso concreto, importa perceber se as regras em vigor garantem condições de concorrência equilibradas para todos. A credibilidade das competições depende não apenas do que acontece dentro das quatro linhas, mas também da transparência e do rigor com que são avaliadas estas situações, sendo que a Liga de clubes tem uma palavra a dizer.

A pressão sobre o Sporting
A vitória do Torreense teve ainda outra consequência imediata: aumentou a pressão sobre o Sporting. Perder uma final frente a um adversário de um escalão inferior é sempre um momento de reflexão para qualquer equipa que luta regularmente por títulos. Mais do que a derrota em si, importa analisar a forma como ela aconteceu e as lições que dela podem ser retiradas.
As equipas realmente vencedoras são aquelas que conseguem manter os mesmos níveis de concentração e exigência independentemente do adversário ou do contexto. O hábito de ganhar não se constrói apenas nos grandes jogos, constrói-se diariamente, através de uma cultura competitiva que não permite relaxamentos. A próxima época mostrará se este desaire foi apenas um acidente de percurso ou um sinal de que existem aspetos a corrigir numa equipa que vinha a dar claros sinais de crescimento.

O Benfica e a urgência de decidir
O problema do Benfica não se resume aos seis jogos adicionais que terá de disputar para alcançar a fase de liga da Liga Europa. O verdadeiro problema é que estas exigências surgem num momento de enorme indefinição. A poucas semanas do arranque da nova temporada, continua sem existir uma decisão clara sobre a liderança técnica da equipa. Num clube da dimensão do Benfica, o planeamento da época seguinte deveria estar praticamente concluído nesta fase do ano.
Em vez disso, a sensação transmitida para o exterior é a de uma estrutura que aguarda acontecimentos sobre os quais não tem controlo, adiando decisões que deveriam depender exclusivamente da sua vontade e da sua estratégia. O mais preocupante não é a demora na tomada de decisão, mas sim a imagem de impotência que dela resulta. Os grandes clubes afirmam a sua liderança através da capacidade de decidir, definir caminhos e executar planos. Quando a perceção é a de que os acontecimentos ditam o comportamento da administração e não o contrário, instala-se inevitavelmente a dúvida. A especulação aumenta, a incerteza prolonga-se e a preparação da nova época pode ficar comprometida.
Num contexto já marcado pela ausência da Liga dos Campeões e pela necessidade de disputar mais seis jogos europeus, esta indefinição transmite uma sensação de falta de rumo. Os clubes de topo distinguem-se, muitas vezes, não pelas decisões que tomam quando tudo corre bem, mas pela rapidez e clareza com que atuam nos momentos mais difíceis. O Benfica enfrenta hoje um desses momentos. Quanto mais tempo adiar decisões estruturais, maior será o risco de começar a próxima época condicionado por problemas que deveriam estar resolvidos muito antes do primeiro treino.

A VALORIZAR: JOSÉ FONTE
Teve de sair de Portugal para ser valorizado. Fez uma grande carreira e merece o nosso reconhecimento. Espero que do lado de fora possa ser alguém com um pensamento critico que nos ajude a evoluir na direção certa.

A VALORIZAR: MANCHESTER CITY
As despedidas de Guardiola e Bernardo Silva foram marcantes e inesquecíveis. A forma como o Manchester City se despediu de algumas referências da última década diz muito sobre a cultura e valores que regem o clube.

A DESVALORIZAR: SPORTING
Com mais dias de descanso e de preparação, a perda da final da Taça de Portugal frente ao Torreense é um falhanço inexplicável."

Kanal: Tamos Juntos - Novela ou filme de terror?!

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Uma final aborrecida e Marco Silva vai roer a corda?

BolaTV: O Meu Mundial - Nuno Gomes...

Concerto de Balneário | Badoxa e os campeões de Rugby

Record: Jéssica Silva...

DAZN: The Premier Pub - "Stones e Silva"

Jordan Santos: cair, levantar, acreditar… e voltar a vencer


"Há histórias que não cabem nas estatísticas. Não se medem em golos, troféus ou prémios individuais, medem-se no que deixam para trás: no impacto, na inspiração, no exemplo, no caminho que abrem para outros seguirem. São histórias que vão muito além das conquistas. Contam-se nas quedas, mas sobretudo na forma como se volta a levantar. Foi exatamente isso que encontrei quando conversei com Jordan Santos.

Num desporto feito de areia instável, Jordan construiu uma carreira sólida, recheada de títulos. Mas não foi um caminho linear. Foi feito de insistência, de dúvidas, de dor e de uma capacidade rara de continuar a acreditar quando tudo parece desmoronar.
A paixão pelo futebol de praia nasceu muito cedo. Cresceu junto ao mar, com a praia como cenário permanente:
− Passava os verões inteiros a jogar, de manhã à noite… muitas vezes com adultos.
Desde cedo, habituou-se a cair, a levantar e a lutar. A perder duelos físicos, a enfrentar jogadores mais velhos, a ser posto à prova. Talvez tenha sido aí que tudo começou verdadeiramente. Mais tarde, quando disse que queria ser profissional de futebol de praia, voltou a cair… desta vez no olhar dos outros. Chamavam-lhe louco.
Numa altura em que a modalidade não tinha a expressão que tem hoje, apenas nomes como Madjer, Alan e Belchior conseguiam viver do jogo. Tudo o resto era incerteza. Mas ele escolheu acreditar:
− Achava mesmo que podia ser um deles.
E aqui começa a verdadeira história de superação. Porque acreditar, quando tudo aponta no sentido contrário, é sempre o primeiro passo e muitas vezes o mais difícil.
Com 16 anos, treinava sozinho na praia. Sem aplausos, sem garantias de nada, sem certezas. Apenas com uma convicção: a de que podia chegar lá. Acreditou, insistiu e lutou. 
Aos 17 anos, chega à Seleção Nacional. Mostra o seu valor. Ganha espaço. Cresce. Evolui. E, passo a passo, transforma um sonho improvável numa realidade concreta. Mas a vida e o desporto raramente permitem histórias perfeitas. Depois de atingir o topo em 2019, quando foi considerado o melhor jogador do mundo, voltou a cair. E caiu com força. Lesões graves, recuperação longa, dúvidas inevitáveis:
− No início foi a dor física… depois veio a parte mental. O ‘porquê eu?’
Depois de atingir o topo em 2019, quando foi considerado o melhor jogador do mundo, voltou a cair. E caiu com força. Lesões graves, recuperação longa, dúvidas inevitáveis:
− No início foi a dor física… depois veio a parte mental. O ‘porquê eu?’
Mais recentemente, voltou a enfrentar o mesmo cenário. Outra lesão. Outra paragem. Outra batalha invisível.
− Caí novamente no mesmo buraco. Podia reclamar, desistir ou parar. Mas a minha história já me ensinou demasiadas coisas para acreditar que acaba aqui. Voltar duas vezes torna tudo muito mais difícil. Mas também faz com que voltar a brilhar tenha ainda mais valor. Vou voltar. Mais preparado. Mais forte. E, desta vez, para ficar. Sentia que algo não estava bem. Mas não queria acreditar. Parecia injusto. Improvável. Mesmo assim, como campeão que sou, fui a jogo por Portugal. Sem ligamento. E ainda assim houve vitória e golo.
É aqui que muitas carreiras terminam. Não pela falta de talento, mas pelo desgaste invisível. Mas Jordan escolheu levantar-se outra vez:
− Nunca pensei em desistir.
A frase é simples, mas diz tudo sobre aquilo que ele é feito. Porque não se trata apenas de regressar fisicamente. Trata-se de reconstruir confiança, identidade, propósito. E isso exige mais do que treino. Exige crença.
Hoje, quando fala, sente-se essa transformação:
− Sinto-me mais forte mentalmente… estas quedas ensinaram-me muito.
Talvez seja essa a maior vitória. Porque cair faz parte. Levantar é uma escolha. Enquanto isso, à sua volta, o futebol de praia português continua a crescer. E não é coincidência. É consequência.
Recentemente, Portugal conquistou o Campeonato da Europa de Sub-20, ao vencer a Espanha por 9-3, em Viareggio. Uma vitória que mostra o presente, mas sobretudo o futuro da modalidade. Nessa equipa, surgem novos nomes que começam a escrever o seu caminho: Cristiano, eleito melhor guarda-redes, Pola, distinguido como melhor jogador, e Gonçalo Loureiro, melhor marcador com 11 golos. São sinais claros de crescimento. Mas também de continuidade. Porque antes deles, houve quem abrisse caminho. «Sinto que fiz parte desse crescimento», disse-me Jordan. E disse bem. Hoje, muitos jovens já não veem o futebol de praia como alternativa. Veem-no como destino. E isso deve-se, em grande parte, a exemplos como o dele.
Mas talvez o mais impressionante seja que, no meio de tudo isto, nada parece tê-lo mudado:
− Continuo exatamente a mesma pessoa.
Num desporto onde o sucesso pode facilmente desviar trajetos, Jordan mantém-se fiel às suas raízes. À família, aos amigos, aos valores. E é precisamente aí que encontra força para continuar:
− O que me motiva é a minha família… e a fome de ganhar.
Fome essa que não desaparece com os anos, nem com as conquistas. Pelo contrário, cresce.
No final da conversa, destacou os grandes nomes do futebol de praia português — Madjer, Alan, Belchior, Mário Narciso, Bruno Torres, Bê e Leo Martins, Pedro Mano, Rui Coimbra — e deixou uma mensagem simples, mas poderosa às novas gerações:
− Acreditem em vocês e trabalhem muito.
Mas houve outra frase que me ficou ainda mais:
− O mais importante é sermos melhores do que nós próprios.
Num mundo obcecado com comparações, esta ideia é quase revolucionária. E talvez seja isso que define Jordan Santos. Não apenas o talento. Não apenas os títulos. Mas a forma como enfrenta a queda. Cai. Levanta. Acredita. E volta a vencer. Porque há atletas que não são definidos pelos infortúnios, mas pela forma como insistem em voltar a levantar-se e o Jordan, tantas vezes, já nos mostrou que o verdadeiro triunfo não é nunca cair, é nunca deixar de acreditar que ainda há um caminho para ser trilhado e muito para conquistar."

Haiti: Duckens Nazon, o viciado em golos que pôs um hat-trick à frente da mulher grávida e demorou dois dias a fugir da guerra

"O melhor marcador da história do Haiti vai chegar ao Mundial 2026 sem ritmo. Apesar de estar ligado a uma equipa do Irão, decidiu fugir do país quando viu bombas caírem a 100 metros. A busca por um refúgio não se fez sem peripécias, nomeadamente uma espera de cerca de 35 horas na fronteira com o Azerbaijão que só foi resolvida graças a um cartão SIM virtual. O avançado de 32 anos não compete desde essa odisseia.

Em vésperas de Mundial, era altura de tratar da burocracia. A equipa iraniana do Esteghlal deu dois dias de folga e Duckens Nazon decidiu viajar até França. Internacional pelo Haiti, pretendia usar o descanso para tratar de papelada no país de nascimento, de modo a que tudo estivesse em ordem na altura da convocatória.
Sentou-se dentro do avião. Enquanto o
s procedimentos de embarque decorriam, recebeu uma mensagem de um amigo a jogar em Israel. O colega disse que estava a ouvir o alarme que sinaliza ataques. Duckens considerou-se um sortudo por não estar na mesma situação. Enquanto tinha este pensamento, o capitão mandou toda a gente sair do avião. O espaço aéreo tinha sido fechado.
Voltou ao centro de Teerão, o alvo das investidas dos Estados Unidos e de Israel no final de fevereiro, porque a equipa treinada por Ricardo Sá Pinto estava a organizar a retirada dos jogadores estrangeiros. Pelo caminho, viu bombas caírem a 100 metros. Nazon esperou sete horas pelo veículo que o levou à fronteira com o Azerbaijão e demorou nove horas a completar o percurso. Quando chegou, eram 4h30.
De manhã, carimbaram-lhe o passaporte e preparava-se para seguir caminho. Porém, a travessia não seria assim tão fácil. Supostamente, precisava de um código para continuar. Duckens encontrava-se incontactável e, no Irão, a internet estava em baixo. Com um cartão SIM virtual de que, por acaso, era proprietário, fez um milagre com a pouca rede azeri que conseguia obter. Mesmo com dificuldades, falou com a mulher e acionou o embaixador francês no Azerbaijão. Ainda assim, esteve entalado entre os dois países aproximadamente 35 horas.
Desde aí, não voltou a jogar no Irão, país que, entretanto, suspendeu as competições. Apesar do pouco ritmo competitivo, o nome de Duckens Nazon consta da convocatória do Haiti para o Mundial 2026. Seria difícil que tal não acontecesse. O avançado tem 44 golos em 80 encontros, números que fazem dele o melhor marcador da história da seleção que esteve presente pela última vez no torneio em 1974. Mais seis encontros e isola-se também como o jogador com mais internacionalizações pelo Haiti.
Se tiver decidido escrever crónicas de viagens, certamente que tem material de apetecível leitura. Aos 32 anos, já jogou em oito países. Começou a carreira nos escalões inferiores de França antes de emigrar pela primeira vez. Estava na Índia quando o Wolverhampton demonstrou um súbito interesse no ponta de lança. Acabaria por não se estrear na equipa principal e continuar a carreira em países como Bélgica, Escócia, Bulgária e Turquia.
Durante o drama passado no Irão, a mulher estava a acompanhar a situação à distância. Junto a si, tinha os quatro filhos. Um deles nasceu há menos de um ano. A companheira de Duckens tinha uma cesariana marcada para o dia seguinte ao Costa Rica-Haiti, jogo de qualificação para o Mundial. Porém, o risco de o tempo de vida do bebé começar a contar antes do previsto era alto.
O jogador percebeu que não ia ser titular e decidiu questionar o treinador. Os dois tinham ideias divergentes sobre a situação. O técnico preferia que Nazon entrasse na segunda parte para dar um impulso à equipa. Desagradado, o jogador transmitiu que não estava disponível, porque queria estar junto da mulher durante o nascimento da criança. O selecionador argumentou que a sua presença era “importante para o espírito de equipa” e Duckens reclamou. “Não sou um comediante”, contou em entrevista à FIFA.
Ainda assim, o goleador acabou convencido e comunicou à mulher que ia assumir o risco de não assistir ao nascimento para estar no jogo frente aos costa-riquenhos. Duckens Nazon entrou na segunda parte e marcou um hat-trick, contributo fundamental para o empate (3-3). No final, a esposa entristecida com a decisão acabou por ter companhia na hora H."