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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Bruno Fernandes, o homem que saiu cedo e chegou tarde


"Bruno Fernandes teve dois pequeninos azares: saiu do Sporting em janeiro de 2020 e chegou ao Man. United em janeiro de 2020. Espero que ainda vá a tempo de ser campeão...

Bruno Fernandes completa 32 anos daqui a pouco mais de uma semana. Entre os 30 jogadores mais internacionais por Portugal, apenas três nunca se sagraram campeões nacionais por nenhum dos clubes onde alinharam: Rui Patrício, Bruno Fernandes e William Carvalho. Os três somaram passagens longas pelo Sporting, clube ao qual chegaram demasiado cedo relativamente ao período de regresso aos títulos de campeão.
Os três vestiam de leão ao peito em maio de 2018, quando se registou o episódio mais infame da história do Sporting: o ataque à Academia de Alcochete. Rui Patrício rescindiu e saiu de Alvalade logo a seguir, passando, desde 2018, por Wolverhampton, Roma, Atalanta e Al Ain. Ainda foi a tempo de conquistar, ao serviço do emblema romano, a Liga Conferência. Mas nada mais. William Carvalho saiu na mesma altura e representou, desde 2018, Betis e Pachuca, rumando agora ao Palm City, contando no seu palmarés com a conquista de uma Taça do Rei. Mas nada mais.
Diferente é a história de Bruno Fernandes. Em dois anos e meio no Sporting esteve em 137 jogos e marcou 63 golos. Saiu do Sporting em janeiro de 2020 com uma Taça de Portugal e duas Taças da Liga na bagagem. Saiu, na perspetiva leonina, demasiado cedo: apenas 35 dias depois de ter assinado pelo Manchester United (29 de janeiro), Rúben Amorim assumia o comando técnico do Sporting (4 de março). E a partir daí foi o que se viu em Alvalade: três campeonatos.
Bruno Fernandes está há seis anos e meio no Manchester United. Leva 110 golos em 329 jogos pelos red devils. Se saiu do Sporting demasiado cedo, chegou a Manchester demasiado tarde. Ganhou uma Taça de Inglaterra e uma Taça da Liga. Se tem chegado três anos antes, tinha uma Liga Europa no bolso. Se tem chegado em 2013, era campeão.Nunca chegará ao patamar lendário de Charlton, Best ou Law (anos 60), nem ao de Giggs, Rooney, Cantona, Scholes, Keane, Schmeichel, Robson ou Beckham (fim do século XX e início do XXI). Mas nos últimos seis anos e meio, digam o nome de um jogador mais importante na história do Man. United. Maguire? Não. Pogba? Não. Cavani? Não. Mata? Não. Rashford? Não. Ronaldo? Não. Casemiro? Não. McTominay? Não. Lisandro Martínez? Não. Matheus Cunha? Não. Resumidamente: não, não, não, não, não, não, não, não, não, não.
Não acredito que seja esta época que Bruno Fernandes deixará de integrar o trio Patrício-William-Bruno. Aliás, aos quase 32 anos, dificilmente vencerá a Premier League no Manchester United, a não ser que os red devils aproveitem as falhas de reconstrução de Manchester City e Liverpool, a eventual falha de confirmação do campeão Arsenal e mais falhas na construção de Chelsea e Tottenham. O excecional futebolista que é Bruno Fernandes teve dois pequeninos azares: saiu cedo do Sporting e chegou tarde ao Man. United. Espero que ainda vá a tempo."

Não há surpresas: José Mourinho foi sempre assim


"Treinador português ganhou muito e não se cansa de o dizer. O estilo é sempre o mesmo e resultou quase sempre. Veremos agora em Madrid quem será o vilão, porque sim, tem de haver um...

VI o documentário sobre José Mourinho que está disponível numa plataforma de streaming (no link abaixo pode ler a entrevista ao produtor) e a principal conclusão que retirei é que o próprio tem pouco a dizer sobre si.
Penso que não estarei a ser demasiado redutora se resumir as palavras de Mourinho a «ganhei muitos títulos», «faço tudo para ganhar» e várias formas de culpar outros, sejam eles árbitros, jornalistas, jogadores, donos de clubes, ou até a antiga médica do Chelsea. O estilo é sempre o mesmo: direto, convencido, arrogante até. E a verdade é que há toda uma carreira a provar que isto resultou, como podemos ver não só nas imagens de arquivo, como também nos atletas de renome entrevistados ao longo do documentário, que não poupam elogios à forma como o português os convenceu que iam ganhar, contra tudo e contra todos.
É uma boa oportunidade também para recordarmos como isto resultou rapidamente em clubes que tanto tinham a provar em determinado momento, mas depois deu lugar a saídas, despedimentos e confusões quando o tempo passou e o desgaste era evidente para todos. Mourinho chegou, venceu e depois teve de partir.
As raízes, a família e a personalidade fora dos bancos não foram muito exploradas - e a entrevista de A BOLA ao produtor explica-o: o técnico não quis falar disso. Há também pouco do Tottenham, da Roma, do Fenerbahce e do Benfica, mas ficamos a perceber melhor essas escolhas (a determinada altura, fica claro que Mourinho precisava apenas que gostassem dele).
Agora está de volta ao Real Madrid e, do streaming para a realidade, já vemos o português a defender Vinícius Júnior. Pode ser confuso quando diz praticamente o contrário do que afirmou quando treinava Prestianni, mas não é surpreendente que mude consoante precisa de defender os seus jogadores. Nos últimos dias também advogou a Bola de Ouro para Mbappé, ou não tivesse o francês marcado um hat trick importante para a equipa (e para o treinador). É assim José Mourinho: faz tudo para ganhar. E ganhou de facto muito.
Veremos quem será o vilão da sua segunda estadia em Madrid, pois agora não tem Pep Guardiola ou Casillas, e porque sim, tem sempre de haver um vilão na história de Mourinho. É, aliás, a falar desses vilões que o português mostra mais emoções ao longo do documentário. Provoca, ri, conta um ou outro pormenor novo. Se a intenção do Real foi ir buscar um treinador que derrube o Barcelona, então escolheram o que quer mais isso mesmo."

Mourinho é quem quer ser


"1- José Mourinho é o protagonista do documentário «Mourinho». Abre a sala de troféus, a casa em Setúbal, outras casas pelo mundo, mas vemos ali o verdadeiro Mourinho? Penso que não. Em conversa com Miles Coleman, um dos produtores da série de 3 episódios que pode ser vista em streaming, sabemos que vemos um concentrado do que acedeu a mostrar em horas de entrevista - o treinador, aquilo que o identifica no Mundo, mais do que o homem. Nem mais se poderia esperar, como Mourinho diz, «quiseram fazer um documentário com um treinador ganhador», e foi isso que tiveram. Trata-se de alguém, que habituado a semanas a fio do lado do que tem de dar respostas em conferências de imprensa, sempre teve controlo da narrativa. Quando o assunto foi tática, o Chelsea, o conflito com então dono do clube, Abramovich, houve sorrisos. Quando o assunto era mais íntimo, como a relação com a família - que, chega a dizer, se diverte mais quando ele não está - a morte do pai, ou a ‘maldição’ do terceiro ano, a concha fechava. O verdadeiro Mourinho ele guarda para si, o que por um lado é uma pena, por outro respeito, algo que Miles tinha plena consciência. Refere que em almoços - por exemplo em Setúbal, onde se come bem - Mourinho põe todos a rir. Isso não se vê no documentário, apenas o que o português quis mostrar. Como sempre fez.

2- O anúncio da gravidez da jogadora Diana Silva, do Benfica, foi dado pelo clube, um sinal a registar. Num vídeo, uma nervosa Diana dá a novidade às companheiras de equipa. O treinador Ivan Baptista sublinha «um ato de coragem que não devia ser». É a primeira vez que um grande clube em Portugal lida com esta condição numa atleta, algo sublinhado pela diretora Mónica Jorge, resta saber se a porta se escancara para que mais possam sentir-se à vontade para dar esse passo."

Oliveira: Liga Europa...

ACF: Mónica Jorge...

Segundo Poste - S06E04 - "Benfica obrigado a fazer top-4 nesta fase da Liga Europa"

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - A metamorfose de Farioli e Borges vai dar borboleta?

Zero: Ataque Rápido - S09E05 - FC Porto, Sporting e Benfica: os 'grandes' a crescer

Antena 3: Triplo Duplo - Paulo Marques

O azar de Tadej Pogačar explica porque é que os robôs nunca nos vão roubar o desporto


"Na última semana fui acompanhando com um misto de incredulidade, fascínio, preocupação e, claro, também alguma jocosidade, os feitos dos robôs humanoides nos Jogos Mundiais dos ditos cujos na China, em que máquinas feitas de metal, chips e fios condutores conseguiram a proeza de, por exemplo, correr mais rápido do que Usain Bolt nos 100 metros, saltar mais alto do que o mítico cubano Javier Sotomayor, ainda hoje detentor do recorde mundial do salto em altura, ou jogar uma partida de ténis com um humano.
Por momentos, aterrorizei-me com a possibilidade de aquilo ser “O” futuro, assim com ó grande. Será que daqui a alguns anos o desporto será isto? Será que os feitos das máquinas vão raptar o interesse de quem assiste a uma prova desportiva? Esse momento de trevas esfumou-se num par de segundos, não mais que isso, segundos.
(Isto do ponto de vista meramente desportivo, porque a possibilidade destes humanoides engordarem sem alma ou questões éticas uma máquina de guerra deixa-me para lá de apavorada.)
Deixou de me preocupar porque aos robôs faltará sempre uma condição humana que, no fundo, é o que nos faz ficar agarrados a uma televisão ou de pé num estádio a assistir a uns Jogos Olímpicos ou outra qualquer competição desportiva. Porque dos robôs esperamos que apenas melhorem, apenas façam coisas cada vez mais impressionantes, que se tornem inevitáveis. Dos atletas humanos também esperamos tudo isso, mas sabendo sempre que pode acontecer um dia mau, um azar, uma preparação que correu menos bem, a inclemência do tempo e das naturais fraquezas de quem é feito de músculos e alma e não de fibra de carbono ou placas de titânio. As pessoas não vão ligar desportivamente aos feitos dos robôs humanoides da mesma forma que desprezam um atleta que se dopa.
Tudo isto tornou-se subitamente real quando, este fim de semana, Tadej Pogačar, o mais sobre-humano dos ciclistas, talvez até de todos os desportistas, perdeu uma Volta a Espanha que estava virtualmente conquistada.
À 4ª etapa, logo à 4ª etapa da Vuelta, uma das três grandes voltas de três semanas do ciclismo, a única que falta ao palmarés obeso do curvilíneo Pogačar, escrevi que “só uma calamidade, uma queda, um azar” poderia roubar a sua primeira vitória em Espanha, tal era o domínio avassalador do esloveno, fosse a desferir ataques a 50 quilómetros da meta ou a ser mais rápido que todos os outros contra o relógio.
E essa calamidade, essa queda, esse azar acabou mesmo por acontecer.
Já Pogačar tinha três etapas no bolso e quase quatro minutos de vantagem para uma incapaz concorrência quando, numa anónima etapa em linha, sem qualquer dificuldade, construiu-se uma daquelas sequências de acontecimentos que só é mesmo possível atribuir aos ditames das coincidências. Pogačar ia tranquilamente no pelotão quando resolveu beber água - coisa que os robôs não necessitam. Surgiu então uma pedra, da qual o esloveno se tentou desviar, sem sucesso. Caiu, foi de cara ao chão e as suas capacidades sobre-humanas tornaram-se subitamente mais humanas: de nada vale ter uns pulmões e um coração de grande capacidade e uma mente sólida quando se tem uma fratura na clavícula esquerda, outra numa vértebra e uma concussão. Para tratar de tamanhas mazelas, não bastará mudar uns fios e umas placas, como quando os robôs alucinam e batem contra paredes: serão meses e meses de paragem para um atleta que dominou como quis as últimas temporadas do ciclismo.
Não há, portanto, nunca, em tempo algum, vencedores antecipados no desporto, porque quem o pratica é humano e coisas humanas podem sempre acontecer. O azar de Pogačar explica porque é que o desporto nunca será dos robôs, será sempre dos homens que ganham, mas que também podem falhar, ter uma lesão, um revés inesperado. As histórias de superação, de recuperação, mas também as de queda, de infortúnio e desventura serão sempre muito mais fascinantes para o ser humano do que a evolução tecnológica, por muito que ela faça parte do desporto.
De Tadej Pogačar já escrevemos vezes sem conta sobre os seus feitos, recordes, a forma como revolucionou o ciclismo, a sua fome e capacidade de ganhar em todas as grandes competições, sejam clássicas ou nas grandes voltas. Agora está na hora de contar a história da sua recuperação e regresso. Tudo isto é muito humano, de tudo isto se faz a paixão humana pelos desportos.
E, dentro do azar de uns, abrem-se novas narrativas, daquelas que um robô nunca terá a capacidade de protagonizar. Sem Pogačar, o líder da Vuelta passou a ser Enric Mas, maiorquino que arrancou a temporada com uma exibição pálida na Volta a Itália, que lhe valeu críticas públicas da sua equipa, a Movistar. Agora, quando muitos já o consideravam acabado, aquele que foi em tempos uma das esperanças do ciclismo espanhol pode escrever uma incrível história de resistência e surpresa. Tenta lá isto, robô humanoide."

BolaTV: Falso Plano #137 - A corrida está Mas aberta que nunca

Tailors - Final Cut - S05E36 - Diogo Jesus

Liga: Nacional 2 - 3 Estrela

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Campeão do Mundo, outra vez... e mais uma Prata !!!


Pimenta novamente Campeão Mundial, desta vez nos K1 5000m, um título que já lhe fugia a algum tempo!!!

E no K2 500m, João Ribeiro e Messias Baptista, terminaram em 2.º lugar, conquistando a Prata!

Um Mundial com 4 medalhas para Portugal, excelente participação.

Derrota...

Amarante 1 - 0 Benfica


Primeira derrota da temporada, num jogo onde sofremos cedo, e depois mesmo com mais posse de bola, acabámos por criar pouco perigo, com o adversário a aproveitar as transições, criando mais perigo...
Notou-se a falta do Gonçalo Moreira...

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Marco Silva - Estoril

BI: Antevisão - Estoril

Os Gloriosos Benfiquistas - É para cima deles #S02E09 - Estoril

Verdade...

Agenda...

Energia...


"Há empresas que desaparecem porque o mundo muda e deixa de precisar delas. Há outras que desaparecem, ou estiveram em vias disso, porque, durante demasiado tempo, se esquecem daquilo que as tornou grandes. Com os clubes é exatamente igual.
Hoje parece difícil imaginar, mas a Apple em 1997 era uma empresa em declínio. Anos de decisões erradas, produtos a mais, prioridades a menos e sucessivas mudanças de liderança tinham transformado uma das empresas mais inovadoras do mundo numa organização à procura de uma razão para continuar a existir.
A empresa não tinha deixado de ter talento. Não tinha perdido a sua história, nem recursos. Tinha perdido uma coisa mais decisiva: energia. 
Foi nesse momento que Steve Jobs regressou. E antes do iMac, do iPod ou do iPhone, Jobs recuperou uma coisa que não aparecia nos balanços da empresa: a crença de que a Apple podia voltar a fazer coisas extraordinárias.
O Benfica destes dois últimos meses voltou a transmitir energia e devolveu aos adeptos a crença de que pode voltar ao topo. A comparação com a Apple é propositadamente exagerada, mas nem por isso deixa de haver semelhanças de contexto.
Depois de anos de enorme instabilidade, sucessivos treinadores, investimentos desproporcionados, contratações discutíveis, muitas falhadas, e uma equipa incapaz de transmitir aos adeptos a dimensão do clube, começou a instalar-se algo particularmente perigoso numa grande instituição: a normalização da mediocridade.
É por isso que o trabalho de Marco Silva nestes primeiros meses merece ser olhado para além dos resultados. Herdou problemas do passado e ainda trabalha sobre erros acumulados durante demasiado tempo, mas já conseguiu uma coisa que há poucos meses parecia difícil: recuperou a ambição da equipa. E, numa grande organização, recuperar a ambição pode ser o primeiro passo para recuperar tudo o resto. O Benfica de Marco Silva voltou a transmitir energia.
Isso não significa que tudo mude de repente e que o Benfica volte a ganhar o que deve ganhar. O futebol tem demasiadas variáveis para permitir esse tipo de certezas, mas significa que voltou a parecer possível.
As grandes organizações renascem quando alguém consegue alterar o estado de espírito coletivo e transformar resignação em ambição. Marco Silva está a conseguir fazê-lo, esperemos que tenha companhia dentro da SAD."

Perfect!!!

DAZN: Recap do fim-de-semana...

Benfica, Sporting, FC Porto e mais — não está na hora?


"As últimas semanas no futebol português voltaram a ser marcadas por provocações, mais ou menos disfarçadas, entre os líderes dos principais clubes. Nada de novo, portanto. É natural que presidentes de Benfica, Sporting e FC Porto discordem em temas de fundo que possam contrariar aquilo que entendem ser o melhor para os clubes que dirigem, que debatam e lutem para defender os respetivos direitos.
O que é incompreensível é a insistência em prejudicar aquele que é, afinal, o produto do negócio: o próprio futebol. Há problemas, claro que os há, e não são poucos nem de pouca dimensão. A falta de consciência em algumas tomadas de posição, porém, serve apenas e só — assim parece, pelo menos — para acicatar, provocar e alimentar os adeptos com mensagens que vão exatamente na direção contrária à ideal.
Rui Costa, presidente do Benfica, recusou, e muito bem, comentar as palavras de Frederico Varandas sobre a contratação de João Palhinha — a meu ver, deselegantes, sobretudo para o jogador, quando retira crédito ao valor da contratação pelo facto de o internacional português ter 31 anos.
Não faltam, no entanto, exemplos de presidentes a atacar presidentes, presidentes a bater de frente com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, respostas, comunicados, newsletters oficiais, gravações «filhas de pai incógnito» divulgadas na praça pública, suspeitas relacionadas com árbitros e cúpula dirigente ainda antes do início da nova época… é realmente demais.
Os adeptos desconfiam — na realidade sabem, mesmo que não o possam confirmar —, mas seria preciso tornar tão claro que no futebol nacional se joga quase tanto fora do campo como dentro dele?
Claro que desconheço, e desconhecemos, argumentos, dados importantes e fatores que influenciam, determinam e justificam modos de atuação, mas numa altura em que o foco deveria ser melhorar todo o contexto do futebol nacional, o que prometeu a antecâmara e o arranque de 2026/27 é… mais do mesmo. Os estádios melhoraram? Não. Os relvados? Não. As condições para potenciar as transmissões e o benefício do espetáculo deram passos em frente? Não me parece. Remodelações de quadros competitivos, uma ou outra ideia, mas de concreto a Liga portuguesa inicia uma nova temporada com nada de inovador para oferecer ao público — além da quantidade de caras novas nos plantéis e da expetativa de competição e esperança na conquista de títulos — e carregada com os mesmos defeitos.
O ar fresco que se adivinhava com presidentes novos e jovens, em clubes e instituições, discursos mais arejados, a promessa de uma nova direção para a liga nacional, temo não passará disso mesmo. Para quando a noção de que pode mesmo haver rivalidade e, ao mesmo tempo, uma consciência do bem maior?
Está mais do que na hora de os principais atores — e, já agora, não ficaria mal ao Governo assumir a liderança deste processo — se sentarem na mesma mesa e definirem uma estratégia além dos respetivos umbigos. E nem me chocaria se convidassem a Cindy Crawford e a Angelina Jolie para se sentarem e ficarem só ali, a olhar e sem precisarem de falar, como aquele anúncio de Brad Pitt a uma plataforma financeira. Certamente o tom da discussão passaria a ser mais ponderado e amistoso."

Benfica: sai Trubin, entra Ederson


"O plano que poderá estar a ser criado na Luz

O Benfica tem, a meu ver, um plano para a baliza: encontrar uma solução para Anatoliy Trubin e criar condições para o regresso de Ederson à Luz. Sai Trubin, entra Ederson. A equação é simples de escrever, mas bastante mais difícil de concretizar. Entre a necessidade de encontrar colocação para o internacional ucraniano e o enorme esforço salarial que implicaria recuperar o guarda-redes brasileiro, os últimos dias de mercado prometem transformar a baliza encarnada num dos dossiers mais interessantes até 31 de agosto.
Trubin chegou ao Benfica em 2023 como uma grande aposta de presente e futuro. Custou €10 milhões, mais €1 milhão por objetivos, ficando o Shakhtar Donetsk com direito a 40% de uma futura mais-valia. Tem contrato até 2028 e cláusula de €100 milhões. É, além disso, um dos jogadores com maior peso salarial no plantel encarnado e na Liga.
Três anos depois, o cenário mudou. Com Marco Silva, Samuel Soares conquistou a titularidade e Trubin passou para o banco. Uma decisão técnica, naturalmente, mas que ganha outra dimensão quando falamos de um internacional, de um ativo importante do clube e de um dos salários mais elevados do plantel. E aqui começa o problema…
Não considero que Samuel Soares, neste momento, dê ao Benfica todas as garantias necessárias para assumir, sem discussão, a baliza de uma equipa que tem obrigação de lutar pelo campeonato, Taça da Liga, Taça de Portugal e Liga Europa. Tem 24 anos, conhece a casa, possui qualidade e margem de progressão. Pode até vir a demonstrar que estou errado, mas uma coisa é ter potencial para ser guarda-redes do Benfica, outra completamente diferente é estar preparado para ser, hoje, o dono da baliza do Benfica.
Se Trubin sair, há um nome que surge naturalmente: Ederson.
Há regressos que fazem sentido pela qualidade do jogador. Outros fazem sentido pela história. Este reúne as duas coisas. Ederson conhece o Benfica, conhece a Luz, é amado pelos adeptos e sabe o que significa jogar sob a pressão de ganhar. Foi no clube que se afirmou antes de partir, em 2017, para construir uma carreira extraordinária no Manchester City. Oito temporadas, 18 títulos e uma influência que foi muito além das defesas. Ederson ajudou a transformar a forma como olhamos para o guarda-redes no futebol moderno: deixou de ser apenas aquele que impede golos para ser também o primeiro jogador do processo ofensivo.
Hoje, aos 33 anos, encontra-se numa fase completamente diferente da carreira. Está no Fenerbahçe, mas a experiência turca não terá correspondido inteiramente ao que procurava. Já em maio surgiram notícias dando conta da sua insatisfação e vontade de procurar uma saída depois de apenas uma temporada.
O Benfica representaria algo diferente. Um regresso a uma cidade que adora, a uma casa que conhece, a um clube com o qual mantém uma forte ligação emocional e onde poderia voltar a competir por títulos. Desportivamente, percebo perfeitamente o interesse. Financeiramente, começa outra discussão…
Ederson recebe na Turquia valores completamente fora da realidade portuguesa - cerca de €12 milhões anuais. Mesmo admitindo, como acredito, que esteja disponível para reduzir drasticamente o vencimento para regressar à Luz, continuará sempre a representar um investimento salarial muito significativo. E é aqui que surge a grande pergunta: depois do enorme investimento realizado pelo Benfica para reforçar o plantel, nomeadamente com João Palhinha, haverá espaço financeiro para fazer mais um esforço desta dimensão?
Não me parece que o principal obstáculo seja necessariamente o valor de uma eventual transferência, o problema é o salário. Ederson pode querer regressar e o Benfica pode querer Ederson, mas entre duas vontades existe uma folha salarial que tem de continuar a fazer sentido para ambos.
É também por isto que custa olhar para aquilo que aconteceu recentemente no mercado português. Lukás Hornícek estava no SC Braga. Tem 24 anos, conhece a Liga, estava perfeitamente adaptado ao nosso futebol e, na minha opinião, reúne condições para se tornar num dos melhores guarda-redes europeus nos próximos anos. O Newcastle percebeu o potencial e pagou €30 milhões por ele. Benfica e FC Porto tiveram durante anos, praticamente à porta de casa, um guarda-redes que hoje já está a brilhar na Premier League. Falo de Benfica e FC Porto por razões distintas. No Benfica, a questão da baliza nunca me pareceu verdadeiramente encerrada, apesar das boas exibições que Trubin foi protagonizando — e até de um momento absolutamente improvável e inesquecível como o golo frente ao Real Madrid. No FC Porto, a realidade é outra: Diogo Costa é, na minha opinião, um dos cinco melhores guarda-redes do mundo e está claramente preparado para outros voos. A qualquer momento, um dos gigantes europeus poderá avançar para a sua contratação — e atenção ao Real Madrid. Não incluo o Sporting nesta discussão por uma razão simples: em Alvalade, a baliza está entregue.
Mas há outro caso ainda mais difícil de compreender: Ricardo Velho. Português, internacional, 28 anos, eleito melhor guarda-redes da Liga em 2023/24 e com provas dadas no Farense. Acabou de sair para o Aris de Salónica por um valor próximo dos €3,5 milhões. Como é possível que um guarda-redes internacional por Portugal, na flor da idade, conhecedor do campeonato e disponível por estes valores não tenha despertado maior interesse nos grandes clubes portugueses?
Não estou a dizer que Ricardo Velho tivesse obrigatoriamente de ser o titular do Benfica. Estou a falar de planeamento, antecipação e visão. De perceber que, por vezes, o mercado oferece soluções antes de existir um problema e que esperar pelo problema costuma tornar a solução muito mais cara…
Agora, porém, o Benfica já não está nessa fase. Tem uma decisão para tomar. Trubin perdeu a titularidade. Samuel Soares ganhou espaço, mas, na minha opinião, não oferece garantias suficientes para fechar a discussão. E Ederson reúne quase tudo aquilo que se procura numa solução imediata: qualidade, experiência, liderança, conhecimento do clube, identificação emocional e características perfeitamente adaptadas ao futebol que Marco Silva pretende implementar. Para além de ser um jogador amado pelos adeptos. Há apenas um enorme obstáculo: dinheiro.
É por isso que tudo começa em Trubin. O clube da Luz dificilmente poderá manter um dos seus ativos mais importantes e um dos maiores salários do plantel no banco e, simultaneamente, assumir o esforço financeiro necessário para contratar Ederson. Para uma peça entrar, outra terá primeiro de sair: sai Trubin, entra Ederson. Não significa que seja uma operação simples, muito menos que esteja garantida. O mercado terá de encontrar uma solução para Trubin, Ederson terá de fazer um esforço financeiro muito significativo e o Benfica terá de decidir até onde está disposto a ir para recuperar o internacional brasileiro.
Há uma coisa que me parece evidente: a baliza do Benfica, que nunca foi um tema totalmente encerrado com Trubin, transformou-se agora num problema que exige uma solução urgente, sob pena de comprometer não apenas os objetivos desportivos da equipa, mas também a gestão financeira de um dos ativos mais valiosos. Uma grande ironia desta situação é o facto do Benfica poder acabar por realizar um investimento extraordinário para resolver uma posição para a qual, há poucas semanas, existiam no futebol português soluções como Hornícek e Ricardo Velho.
O mercado de transferências também se faz de oportunidades. Das que aproveitamos e das que deixamos passar e não há tempo para olhar para trás. Trubin é a chave. Ederson é o desejo. E 4 de setembro é o limite…"

Nem todos são Samaris


"É interessante ver como protagonistas nas mesmas funções se adaptam à língua portuguesa; da conferência dos novos donos do E. Amadora aos casos de dois gregos no Benfica

O domínio da língua não decide jogos nem campeonatos, mas não é um mero detalhe: cria empatia e ajuda os protagonistas a ganhar um estatuto superlativo entre os adeptos, especialmente nos períodos áureos. Ao contrário dos nossos vizinhos espanhóis, o futebol português nunca foi demasiado exigente para com os estrangeiros no que respeita à forma como aprendem ou não o idioma local. Seja pela secular tradição de um país aberto ao mundo ou pelo entendimento de que, ao contrário de outras línguas latinas, assumiu-se que é muito mais difícil aprender a dizer bom dia do que buenos días.
Mas depois há as exceções. E quando nos lembramos delas, pensamos de como especiais se tornaram treinadores e jogadores. O esforço de Bobby Robson em usar as 50 palavras que conhecia de português entrelaçadas com o inglês nativo quando treinava o FC Porto (quem não se lembra do célebre «passe precise») ou o pouquíssimo tempo que demorou até Michel Preud’Homme dominar as palavras de Camões e Pessoa.
Vem isto a propósito da recente conferência de imprensa do novo presidente da SAD do Estrela da Amadora, o alemão Johannes Mosmang, num português mais do que esforçado. Não se trata apenas de um ato de relações públicas, revela vontade de aproximação às respetivas cores. E também respeito.
Não há qualquer código de conduta ou regras pré-definidas nestas situações, mas talvez fosse interessante aos clubes, principalmente àqueles que se podem dar ao luxo de o fazer, de exigir contratualmente o domínio mínimo do idioma do país onde trabalham e se expressam. Caso contrário, dependerá sempre de como exigentes são (ou não) as respetivas sociedades desportivas ou da vontade individual em aprender.
Basta recordar os exemplos de Vlachodimos e Samaris. Um esteve cinco anos no Benfica, ou outro seis. Ambos gregos (o guardião nasceu na Alemanha), mas duas formas distintas de ser e estar publicamente: o guarda-redes nunca falou em português, o médio já se atravessava com desenvoltura na sua segunda época na Luz.
Uma carreira não se define pela forma como cada um comunica, mas acredito que é um sinal identitário: Guardiola fez um esforço enorme para aprender alemão antes da sua primeira conferência de imprensa no Bayern e José Mourinho estudou italiano antes de se apresentar no Inter. Dos casos que ajudam a entender a força de um caldo cultural que coloca em perspetiva o lugar de cada um."

FC Porto e Sporting: quando um 'não assunto' se torna um problema


"Mora deixou marcas internas e ninguém quer ficar com o ónus de ter sido o responsável pela venda. Já Varandas sentiu necessidade de justificar o motivo pelo qual não avançou para a contratação de Palhinha.

No futebol existem vários caminhos que nos podem levar à vitória. Cada clube define a sua estratégia e a forma como a coloca em prática. Não tenho dúvidas de que quem dirige os clubes pretende ter sucesso. Sendo o futebol um desporto tão emocional, há decisões que os líderes tomam em consciência, mas que os deixam desconfortáveis. Nestes casos, um não assunto pode tornar-se em algo difícil de lidar.

A venda de Mora
O FC Porto vive duas realidades diferentes. No plano financeiro, ainda atravessa dificuldades, o que obriga a uma gestão muito rigorosa e racional. No plano desportivo, o cenário é mais alegre. O FC Porto voltou a vencer o campeonato num ano que ficou marcado pela chegada de Farioli e pela mudança substancial do plantel. Quando Villas-Boas contratou Farioli, sabia qual o caminho que estava a seguir.
O treinador portista imprime muita intensidade, fisicalidade e disciplina ao seu jogo. Muitas das ocasiões de golo que o FC Porto de Farioli cria surgem na sequência de recuperações altas ou em transições. Os jogadores mais irreverentes e que têm capacidade para desequilibrar no um contra um estão, por norma, nas alas. Num meio-campo que se quer de alta rotação, não há muito espaço para jogadores com perfis diferentes e que tenham como principal atributo a magia. Esta introdução explica a venda de Rodrigo Mora.
No plano financeiro, era fundamental gerar um encaixe substancial que permitisse equilibrar as contas e gerar liquidez para a operação diária ou reforçar o plantel. Na vertente desportiva, todos percebemos que o FC Porto pretendia vender alguém que não tivesse uma enorme influência na forma de jogar da equipa. A escolha óbvia foi Mora e destaco quatro motivos.
O primeiro é que é um jogador diferenciado, com enorme talento e que já demonstrou que pode fazer a diferença. O segundo é que, se analisarmos a forma de jogar de Farioli, dificilmente Mora iria ser um jogador fundamental. Aliás, com a contratação de Hwang, Mora passou para terceira opção. O terceiro é que, por ser um jogador da casa e ter um valor contabilístico de zero, o valor total da transferência entrará na totalidade como mais-valia contabilística, ajudando e muito a equilibrar as contas. O último ponto prende-se com a evolução do jogador. Mora sabia que não iria ser uma opção regular e que teria a possibilidade de ir trabalhar com um treinador que gosta de jogadores com as suas características, num grande clube como a Roma. Foi inclusivamente o maior investimento da história do clube italiano.
Então, se este foi um negócio que agradou a todas as partes, por que motivo tanto Farioli como Villas-Boas sentiram necessidade de se justificar perante os adeptos? Farioli, por exemplo, dedicou 12 minutos de uma conferência de imprensa a falar de Mora. Abordou os minutos que jogou, fez comparações com o jogador que jogava na mesma posição e tentou passar a imagem de que não foi por ele que Mora saiu.
Já Villas-Boas escreveu um editorial em que tentou dispersar este tema com comparações face ao rival Benfica e ao caso da saída de Diego Moreira. A ideia que fica é que um não assunto, desportivo e financeiro, deixou marcas internas e ninguém quer ficar com o ónus de ter sido o responsável pela venda de um miúdo que pode vir a ser um dos melhores do mundo. Só isto justifica a necessidade que tanto Farioli como Villas-Boas tiveram de se justificar através de comparações sem grande lógica.

A Imprensa do Sul
O FC Porto é um clube e uma marca reconhecidos internacionalmente. Se dentro do relvado esse estatuto foi justamente conquistado, fora das quatro linhas o cenário é diferente. 
A gestão de Pinto da Costa sempre fez questão de manter o FC Porto numa ótica regional: o Porto contra o poder de Lisboa! A chegada de Villas-Boas trouxe uma expectativa diferente. Os primeiros sinais foram positivos: uma gestão mais rigorosa e uma preocupação em expandir e gerar valor da marca.
Farioli, numa das últimas conferências de imprensa, foi infeliz na forma como se referiu «à comunicação do sul».
Para os mais fanáticos, este tipo de declarações demonstra que Farioli é um treinador à Porto. Para quem olha para o clube com uma perspetiva mais abrangente, este tipo de declarações não se enquadra no contexto atual. O FC Porto do século XXI é um clube que soube conquistar a Europa e o mundo nos relvados, e que agora se está a modernizar e a desenvolver num ecossistema cada vez mais global e competitivo.
Para que o futebol português se possa desenvolver e crescer, não basta apontar o dedo aos outros. É também determinante que cada um olhe para dentro e para si mesmo, contribuindo para melhorar a cultura desportiva e organizacional. Hoje em dia, os clubes não são avaliados apenas com base nos resultados desportivos. Como tal, nem todos os meios justificam os fins.

João Palhinha
Frederico Varandas sentiu necessidade de justificar o motivo pelo qual não avançou para a contratação de Palhinha. Não é usual ouvir presidentes explicar porque não contratam jogadores. Isto aconteceu porque o jogador acabou por assinar pelo rival Benfica e tinha uma ligação forte aos adeptos, depois de vários anos de grande profissionalismo e utilidade no Sporting.
A explicação até era simples. Varandas explicou que Palhinha não se enquadrava no projeto Sporting e que, pelos valores apresentados, a contratação não fazia sentido. Apesar de isto me parecer básico, é interessante a necessidade que teve de vir à praça pública explicar o processo. 
Acabou até por ser deselegante quando se referiu à gestão do rival, dizendo que «o Sporting não ia gastar tantos milhões num jogador«. Na realidade, qual o motivo que fez com que Varandas tivesse necessidade de se justificar? Parece-me óbvio: o facto de Palhinha ter assinado pelo Benfica e a preponderância que este pode vir a ter na época encarnada.
Para os adeptos não existe disciplina financeira, existem sim títulos e vitórias. A emoção está sempre presente e os líderes nunca vão conseguir controlar esta variável. A sua missão é mais abrangente. Enquanto os adeptos pensam no curto prazo, os líderes devem pensar e agir numa ótica mais alargada. Para os líderes, o importante não é hipotecar tudo para poder vencer um ano, mas sim criar condições para vencer de uma forma mais recorrente.

A VALORIZAR: GONÇALO RAMOS
Marcou grande golo no seu primeiro jogo em San Siro. Começa a justificar o investimento. Jorge Jesus deve estar atento.

A DESVALORIZAR: CARLOS CARVALHA
Chegou com expectativa elevada. A realidade tem sido outra. Hoje tem mais uma oportunidade de dar a volta ao momento negativo."

Falar Benfica #259 - Análise ao sorteio e calendário da Liga Europa

BF: Comunidade #2 - KAROUANI, MERCADO, MARCO SILVA...

Zero: Mercado - FC Porto com duas caras novas para o ataque

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - FC Porto intocável, Benfica corta "gorduras" para fechar a loja

Observador: 17h - 17h. Patrícia Sampaio ganha bronze no Grand Slam de Lausanne

Puskas?!

Liga: Famalicão 0 - 0 Gil Vicente

Liga: Casa Pia 0 - 1 Moreirense

A dose certa de proteína: o que diz a ciência?


"A proteína desempenha um papel fundamental na remodelação muscular, recuperação e adaptação ao treino. Nos atletas, as necessidades proteicas parecem ser superiores às da população sedentária, não apenas para manutenção e aumento da massa muscular, mas também para compensar a maior oxidação de aminoácidos durante o exercício e ajudar nos processos de recuperação.
Os dados mais recentes, apontam para uma ingestão diária de aproximadamente 1,8 g/kg de peso corporal/dia em atletas de endurance. Este valor pode aumentar para cerca de 2,0 g/kg/dia ou mais em períodos de baixa disponibilidade energética, restrição de hidratos de carbono ou durante dias de recuperação. Por sua vez, para uma população mais sedentária, cerca de metade (0,9-1,2 g/kg de peso corporal por dia) poderá ser suficiente.
A distribuição da proteína ao longo do dia também parece ser relevante para maximizar a síntese proteica muscular.

É necessário tomar suplementos de proteína?
Não. Os suplementos não são indispensáveis para atingir as necessidades proteicas. Alimentos convencionais podem fornecer a proteína necessária. No entanto, os suplementos podem constituir uma solução prática e conveniente, sobretudo quando as necessidades proteicas são elevadas ou quando é necessário controlar a ingestão energética. Atualmente existem no mercado muitas opções de alimentos enriquecidos em proteína, como por exemplo os iogurtes proteicos, leites ou barras, além dos outros alimentos proteicos que sempre existiram, como a carne, peixe, ovos, etc…
Por exemplo, se um atleta de 80kg que necessitar de ingerir 160g de proteína por dia, facilmente as consegue atingir sem recorrer a suplementos. Ingerindo uma boa porção de carne ou peixe ao almoço e jantar e, colocando 20g de proteína em 3 lanches diários, por exemplo através da inclusão de ovos, queijo ou iogurtes, facilmente chega a este valor sem recorrer a suplementos de proteína. No entanto, por vezes, poderá ser mais prático usar o suplemento, dependendo das preferências e rotinas de cada um.

Preciso de consumir a proteína logo após o treino para usufruir da 'janela anabólica'?
O conceito de uma janela anabólica extremamente curta, segundo a qual seria obrigatório consumir proteína nos primeiros 60 minutos após o treino, não é sustentado pela evidência científica atual.
A síntese proteica muscular permanece sensível à ingestão proteica durante um período consideravelmente superior a uma hora após o exercício. A ingestão de proteína imediatamente antes ou depois do treino também pode produzir resultados semelhantes.
Assim, a quantidade total de proteína ingerida diariamente parece ser mais importante do que cumprir uma janela temporal rígida. A ingestão pós-treino continua, contudo, a ser uma estratégia prática para atingir as necessidades diárias.
Em suma, mais do que procurar uma quantidade perfeita ou preocupar-se excessivamente com o momento exato da ingestão, o mais importante é garantir uma ingestão de proteína adequada às necessidades individuais, distribuída ao longo do dia e integrada numa alimentação equilibrada. Para a maioria dos atletas, esta estratégia pode ser alcançada através de alimentos convencionais, sem necessidade obrigatória de recorrer a suplementos, embora possam ser utilizados em alguns casos."