Últimas indefectivações

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Ou será uma questão de cor ?

Bernardices!!!



"O que vale é que a avaliação é sempre da mesma forma quando toca ao Benfica…Ainda há benfiquistas que comprem esta folha de couve???
Nem ao site deles devíamos aceder para não lhes dar cliques para sobreviverem!
Como eles dizem “O cliente tem sempre razão!”"

O Benfica, Pedro e o lobo


"Deixemos Vinícius e Prestianni para mais tardias núpcias, que o ruído ainda é maior que o esclarecimento. Mantenhamo-nos porém na Luz, noite de terça-feira: o Benfica teve razões objetivas de queixa da arbitragem.
Se o que todos vimos não bastasse, atentemos no que também se disse em Espanha: o Real deveria ter terminado o jogo com nove elementos. Acrescento eu: o período adicional da 2.ª parte não chegou para compensar as paragens no episódio de racismo e na expulsão de Mourinho, quanto mais as restantes pausas normais.
Acontece que, de tanto gritar todos os dias que há lobo, o Benfica corre o risco de poucos lhe ligarem, agora que o lobo apareceu mesmo.

De chorar por mais
A época do Gil Vicente pode terminar melhor ou pior, mas já é impossível classificá-la abaixo de notável.

No ponto
Alisson chegou a Nápoles para fazer, logo, o mesmo que já tinha feito no Sporting. Bom negócio ou precipitação?

Insosso
Um corte de relações com a Comunicação Social é sempre injustificável. As razões discutem-se, não se impõem.

Incomestível
Vem aí a meia-final da Taça de Portugal, portanto não se pode passar muito tempo sem os comunicados da ordem."

Rafa veio criar um problema


"Mais do que acrescentar, entrada do avançado no plantel dá a Mourinho uma dor de cabeça que (já) não existia. Golos e assistências Rafa conseguirá sempre, mas a dinâmica da equipa já se ressentiu

No meio do turbilhão que foi o Benfica-Real Madrid e o seu pós, com mais um episódio da longa sequela de casos com Vinícius Júnior como protagonista, pouco se falou de futebol. É pena. Se José Mourinho tinha tido muito mérito na forma como abordou o primeiro jogo contra o Real, na última jornada da fase de Liga, desta vez a equipa não soube desamarrar-se da teia espanhola.
Arbeloa aprendeu com a hecatombe de 28 de janeiro e soube fechar a porta ao Benfica, que pouco conseguiu criar. E, do banco, Mourinho não foi capaz de incutir outro nervo na equipa a partir do banco: Ríos e Lukebakio, sem ritmo para um jogo desta dimensão após tanto tempo parados, pouco ou nada acrescentaram. É certo que todo o contexto, por se tratar, agora, de uma eliminatória a duas mãos, obriga a outras cautelas e há um segundo jogo para jogar, mas há ilações que podem ser tiradas.
E é difícil, com base na meritocracia, encontrar justificações plausíveis para que Rafa tenha passado a ser titular e Sudakov suplente para jogar aos quartos de hora de cada vez, porque a eficácia do jogo do português depende muito da sua capacidade física e essa, depois de várias semanas sem jogar e em greve no Besiktas, está, nesta altura, muito longe de ser a ideal. Na noite de quarta-feira, de gala na Luz, Rafa passou completamente ao lado — e, por isso, a nota 3 na avaliação de A BOLA.
Um brutal contraste com o jogador que saiu há ano e meio e que se tinha tornado num especialista de Champions, carregando a equipa e assumindo a responsabilidade nestes grandes jogos, sobretudo na primeira época de Roger Schmidt (10 jogos, 5 golos e 1 assistência). Não duvido da capacidade individual de Rafa para somar, nos meses que faltam até final da época, golos e assistências e desatar jogos que estejam complicados, mas, já nem falando da razoabilidade do negócio em si, pagando para fazer regressar um jogador que ano e meio antes tinha (legitimamente) recusado renovar para mudar de ares, as peças não estão, por agora, a encaixar.
José Mourinho andou aos papéis durante largos meses, experimentando várias fórmulas que não funcionaram, até que as lesões de Lukebakio e Ríos permitiram descobrir a melhor versão da época do Benfica, com Sudakov nas costas de Pavlidis. Foi assim que a águia se tornou mais equipa, mais imaginativa e encostou o Real às cordas, a 28 de janeiro. Com Rafa, jogador de impulsos ao longo do jogo, a equipa perde clarividência na hora de se organizar no último terço."

Rui Costa, importa-se de repetir?


"Presidente disse que José Mourinho iria continuar no Benfica. Estas palavras, tão importantes, merecem outra pompa e circunstância.

O Benfica está de novo na luta pelo título de campeão nacional, muito por mérito de José Mourinho que conseguiu elevar internamente a fasquia e nunca permitiu que a época terminasse precocemente para os lados do Estádio da Luz, mesmo após as eliminações nas Taças da Liga e de Portugal.
Apesar de ter dado um passo atrás na UEFA Champions League, com a derrota caseira com o Real Madrid, na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final, o Benfica está bem e recomenda-se, apesar da distância no campeonato para os dois primeiros: sete pontos para o FC Porto e três para o Sporting.
Num ápice uma equipa com limitações, como o próprio Mourinho admitiu, deu lugar «um bom plantel, equilibrado, com opções, com miúdos a aparecer a crescer», como frisou o treinador na conferência de antevisão ao jogo com os merengues. Nada mais correto.
Só como opções para as alas do ataque, das quais o special one tanto se lamentou e cuja escassez o levou a lá utilizar Aursnes, Sudakov ou Rodrigo Rêgo, tem agora os reforços Rafa e Sidny Lopes Cabral, mais os recuperados Lukebakio e Bruma, a que se juntam, ao que parece já adaptados à ideia de jogo, Prestianni e Schjelderup. Não há fome que não dê em fartura.
O Benfica tem muitas e boas opções para lutar pelo título até ao fim, bem como preparar o futuro, que no futebol, como se sabe, não pode ir muito além da próxima época. E esta, principalmente se os encarnados não se sagrarem campeões ou mesmo não terminarem no segundo lugar, que dá acesso às pré-eliminatórias da próxima UEFA Champions League, tornar-se-á ainda mais importante.
O mesmo será dizer que terá de ser planificada o quanto antes e, definitivamente, com um projeto claro e sustentado. E aqui a formação não pode ser descurada. Com tanto talento criado no Seixal, o plantel tem de constituído de forma a que os jovens tenham espaço para crescer. É que não basta lançar jovens apenas quando os consagrados estão indisponíveis…
No meio de toda a polémica do alegado caso de racismo entre Vinícius Júnior e Prestianni, quase que passou despercebida uma frase que considero muito importante para o futuro do Benfica. Questionado sobre a continuidade de José Mourinho no clube na próxima época, Rui Costa respondeu: «Sim, vai ficar.»
As palavras do presidente foram proferidas enquanto caminhava em passo acelerado, mas são tão importantes que têm de ser repetidas. O quanto antes e para bem de todos na Luz…"

Carta Aberta, a Prestianni


"Caro Gianluca,
Não te conheço pessoalmente, mas sei que és um jovem com idade para ser meu filho. Tenho até um filho um pouco mais velho do que tu.
Admiro muito o teu talento. Acho que és um prodígio de técnica, que apenas precisa de afinar o remate à baliza (e trabalhares muito) para te tornares um craque de dimensão mundial. Já o escrevi aqui, e não só aqui.
Abomino qualquer tipo de racismo. E sou, com imenso orgulho, sócio e adepto de um clube cuja maior lenda, com direito a estátua á porta do estádio, como tu sabes, é um negro: o grande Eusébio da Silva Ferreira. E cuja segunda maior figura talvez seja outro negro: o grande capitão e líder Mário Esteves Coluna.
Tenho a certeza que tu também não és um racista. Tenho a certeza que, no balneário, respeitas e és respeitado por gente de vários países, de diferentes etnias, e cujo estatuto é definido, não pela cor da pele, mas pela experiência, pela atitude e pelo talento. Na maior parte dos casos é assim o futebol. Felizmente.
Não ouvi o que disseste no relvado. Ninguém ouviu, excepto tu e aquele indivíduo a quem tenho dificuldade em chamar jogador profissional. Outros dizem que ouviram, mas as imagens disponíveis indicam que estão simplesmente a mentir. Para te prejudicar. Para branquear o comportamento miserável do alegado destinatário das tuas palavras.
Estás a ser crucificado por um mundo repleto de hipocrisia. Estás a ser atacado por pessoas que nem sequer estavam no estádio. Algumas nem sequer viram as imagens. Simplesmente, lança-se para o ar a palavra racismo, há um preto e um branco, e a partir daí já não interessa quem tem razão. Um é desde logo culpado e é para decapitar. Outro é desde logo inocente e deve ser beatificado. Mas a vida nunca é a preto e branco. É a cores. Com muitas cores. Como o vermelho da camisola que vestes (e essas são as únicas cores que me interessam). Com muita gente boa e má, sejam brancos, pretos, amarelos ou às riscas.
Podes até ter-te excedido nas palavras. Se aconteceu, vais aprender com o erro, e perceber o meio em que te movimentas, no qual um passo em falso tem efeito exacerbado e por vezes planetário. Eu, quando tinha a tua idade, não teria maturidade para lidar com uma situação deste tipo. Mas tu talvez já a tenhas, e tens o apoio e a protecção do clube, bem como de seis milhões de adeptos que, por boas ou más razões, acabaste de unir em torno de ti.
O que fizeste tu afinal? Tentaste, da forma que, mal ou bem, naquele momento entendeste ser a mais apropriada, defender o clube que representas. Em campo, interpretaste a indignação e o ultraje que adeptos como eu sentiam na bancada, ao ver atitudes nojentas de uma "super-estrela" mimada que - sendo bastante mais velho do que tu, ganhando bastante mais dinheiro do que tu, tendo muito mais responsabilidade do que tu - não tem carácter, nem merecia estar ali a jogar a Champions, ou a representar um clube como o Real Madrid. Em Espanha conhecem-no bem. E mesmo no seu clube, diz-se que há quem esteja farto dele. O problema não é a cor da pele. O problema é mesmo o cérebro, onde existirá pouca coisa. Já leva 21 episódios desta natureza. 21 !!!. Há milhares de futebolistas negros, e só ele (um dos mais ricos, um dos mais privilegiados) é que é sempre a "pobre vítima". Agora até num estádio que tem um negro como símbolo maior.
Tu, Gianluca, tens o meu apoio total e absoluto. Como, estou certo, tens o apoio total e absoluto do clube, do plantel e dos adeptos.
És um miúdo. Desculpa dizer-te isto, mas vejo-te ainda, assim como a alguns dos teus colegas, como uma criança. Tens a vida pela frente, tens um talento incrível que tens de saber aproveitar. Com o tempo e com a maturidade, talvez não te deixes cair em ratoeiras como a que te foi, e está a ser, montada. À semelhança, por exemplo, do que sucede com o teu companheiro Otamendi, como com o teu ex-companheiro Di Maria, ambos campeões do mundo pelo teu país. É neles que tens de pôr os olhos, é o exemplo deles, desde logo de profissionalismo, trabalho e humildade, que tens de seguir. Também de "esperteza", para não cederes a provocações. Para seres tu a ditar as leis. Para defenderes, com tudo, a tua equipa e os teus colegas. Para saberes sair por cima.
Jogas num grande clube. Estamos contigo. Trabalha muito, treina arduamente, joga bem, marca golos, e tenho a certeza de que o mundo acabará por te fazer justiça.
Força Prestianni!
Aceita um Abraço de um grande admirador do teu talento."

Não tapes a boca


"“Ó não, mais uma conversa sobre racismo.”“Não confundam coisas: futebol e política são distintas.”“Os insultos fazem parte, já ouvi pior.”“Não é tão mau como parece.”“Ele não sentiu o que disse.”“Será que ele disse mesmo isto?”“Ele estava a pedi-las.”“Eles estão sempre a provocar-nos, é assim há séculos.”
As frases mudam, mas esta história é antiga. E é também disto que falamos quando pensamos no que aconteceu a 17 de fevereiro, no Estádio da Luz.
A bola esteve cerca de três segundos nos pés de Vinicius Jr até bater no fundo das redes. Três segundos não são nada. Depois vieram os festejos, que pareceram uma eternidade. O tempo, sempre o tempo, a brincar connosco. E, logo a seguir, o inferno que se abateu sobre a Luz.
Bastaram algumas palavras. Escondidas. Talvez ditas em voz baixa. Talvez envergonhadas. E seguiram-se dez minutos de um procedimento obrigatório em casos de racismo (ou suspeita). O estádio reagiu como um organismo vivo. E não foi bonito. Muitos poderão não ter percebido o que se estava a passar. Outros perceberam perfeitamente: um jogador do Benfica acabara de ser acusado de racismo.
Valeram todos os truques retóricos: whataboutismo, ad hominem, falsas equivalências. Tudo serviu para normalizar o inaceitável. Atenção: o Prestianni, como qualquer pessoa acusada, tem direito à presunção de inocência. Acreditarei nisso até ao fim dos meus dias. Mas esse direito não implica desvalorizar quem acusa, muito menos transformá-lo em réu. Há um equilíbrio a ser protegido, chama-se investigação. E era isso que o Sport Lisboa e Benfica devia ter defendido desde o primeiro momento. Não o fez. Demorou horas a fazê-lo. Ou, mais precisamente, a corrigi-lo. Dir-me-ão que são apenas horas, face a séculos de racismo. E talvez tenham razão.
O que mais me dói é perceber que, mais uma vez, destapámos o que já sabíamos. O que se passa nas ruas, nos cafés, nas escolas, nos campos de treino, no supermercado, nas finanças. Em todo o lado. O racismo, incluindo o estrutural, não nasceu ontem. Vive entre nós, em expressões, gestos e silêncios. 
O que custa é perceber que, por cada momento em que parecemos avançar, há outro que prova que mudámos pouco. Isto não é apenas sobre o Prestianni. É sobre as centenas de reações que se seguiram. Amigos que negam. Conhecidos que relativizam. Anónimos que amplificam. Vimos crianças a imitar macacos. Em 2026.
Vimos idosos a fazer sons de primatas (ou talvez apenas estivessem “a falar entre si”). Tudo isto aconteceu no meu estádio. Na minha segunda casa. Repito: isso dói.
E não, isto não é um problema só do Benfica. Nem de Lisboa. Nem do futebol. Nem do desporto. Nem de alguns “energúmenos”. É um problema global, transversal, antigo. Uma doença com séculos, para a qual não encontramos cura porque muitos insistem em não ir ao médico.
Voltando às frases iniciais: haverá sempre uma desculpa pronta para justificar o que se repete à nossa volta. Mas cada desculpa permite que o problema se espalhe mais um pouco. Enquanto houver uma criança a simular gestos de macaco dirigida a um jogador, não haverá Eusébio, Coluna ou Anísio que nos salve. Porque o racismo não se mede pela forma como tratamos os nossos, mas pela forma como tratamos o “outro”. E pela empatia que somos capazes de ter por uma luta que carrega séculos de violência, sofrimento e morte.
Por isso, da próxima vez, não tapes a boca. Porque, hoje, já não basta não ser racista. É preciso ser antirracista. E dizê-lo em voz alta."

Se estivesse inocente dava dois estalos em Vinícius Jr.


"Tenho a certeza de que Prestianni não é racista. Mas admito que possa ter dito uma frase racista. Só ele sabe. Sei que muito do que se passou é de mau gosto... Que a intolerância deve ser com TODAS as formas de discriminação. Se Vinícius tiver razão, Prestianni que peça desculpa; se o argentino falar a verdade, estão a reação do próprio e do Benfica foi muito mole... 

«A ignorância não é apenas ausência de conhecimento, é recusa em compreender», frisa Umberto Eco, cujo décimo aniversário da morte se assinala esta quinta-feira. O escritor, filósofo, professor e semiólogo italiano falava da ignorância como «o terreno mais fértil ao ódio». De resto, «a intolerância nasce frequentemente da ignorância».
Evoco Umberto Eco ao ler e ouvir tudo o que se tem escrito e dito sobre o alegado insulto racista de Prestianni a Vinícius Jr. Racismo é ignorância, sim, mas é também medo de abraçar a diferença e enriquecer com isso; é o exercício ignóbil da ofensa com base numa característica genética. É discriminação. E todas são abomináveis: cor de pele — sejam brancos, negros, vermelhos, amarelos ou castanhos —, religião, orientação sexual, peso, nível económico, etc. Todas as formas de discriminação devem provocar o mesmo grau de indignação.
Não sei se Prestianni chamou «macaco» a Vinícius Jr. Mas digo que não apreciei a reação mole do Benfica — que quer provar em vídeo que os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que disseram que ouviram — nem a defesa de Prestianni — que garante que não insultou o avançado brasileiro e acrescentou que «interpretou mal algo que pensa ter ouvido». Meus amigos, se qualquer um de vós que me lê neste momento fosse injustamente acusado de racismo perante o mundo inteiro e com poder para danificar irremediavelmente a imagem… como reagiriam? A lamentar que possa ter sido mal interpretado? Que ninguém pode ter ouvido? Ou, como filho de boa gente, haveria de sentir o sangue a ferver e dar dois sopapos na cara do mentiroso?
Também não gosto que se acuse Vinícius Jr. de ser uma espécie de rei das queixinhas de racismo... Até poderia ser, mas a única questão é: foi alvo de racismo ou inventou? Tudo o resto é fumo para não se responder ao essencial.
Acredito que Prestianni é racista? Não. Não faz sentido. Tem companheiros negros na equipa, por quem dá tudo em campo. Tem adversários negros e, a ter insultado, terá escolhido apenas um alvo. Acredito que uma pessoa que não é racista pode ter comportamentos racistas — talvez porque não teria gostado da forma como Vinícius Jr. festejou o golo, que os adeptos e jogadores do Benfica terão considerado insultuosa. Se Vinícius Jr. fosse gordo, seria chamado de pote de banha; se usasse óculos, «seria caixa de óculos»; se usasse batom para o cieiro, seria insultado de gay... O facto de ser mais um desabafo e um protesto do que uma tentativa de insulto racista atenua? Nada.
Atenção: o racismo e o antirracismo, por vezes, podem cruzar-se em terreno perigoso: o da intolerância. Este é um caso em que nem é preciso começar a ensinar no infantário que todos os seres humanos são iguais: todas as crianças o sabem até desaprenderem com maus exemplos. O racismo é ignóbil. Também já o senti.
O ator Morgan Freeman perguntava um dia: sabem quando sabemos que o racismo desapareceu? No dia em que não for preciso falar dele. Sonho com o mesmo dia.
Não é do nosso julgamento que Prestianni tem de ter medo: é do da consciência. Se for culpado, que peça desculpa, aprenda e siga em frente — não gosto de sentenças para a vida inteira; se está inocente, a minha solidariedade — é horrível essa acusação."

Provocação não é permissão


"Este artigo não pretende ser mais um que discute se Gianluca Prestianni teve ou não um comportamento racista perante Vinícius Júnior, até porque com o que podemos observar pelas imagens é impossível assegurar se disse ou não disse e exatamente o que disse. Quero, antes, fazer uma reflexão sobre muito do que se tem dito e escrito sobre o tema, não só no contexto desportivo, mas também em toda a reflexão que alguns discursos nos merecem, inclusive do ponto de vista societal. Afirmações essas que para mim merecem tanto ou mais destaque que o ato em si.
Depois do episódio ocorrido terça-feira, 17 de fevereiro, no estádio da Luz no jogo entre Benfica e Real Madrid da primeira mão do play-off de aesso aos oitavos de final da UEFA Champions League, tenho ouvido algumas declarações que colocam o comportamento (por muitos visto como incorreto e provocatório) de Vinícius Júnior como a causa quer do comportamento de Prestianni quer dos próprios adeptos através do arremesso de objetos que se dirigiam ao jogador.
Destaco algumas das afirmações a que me refiro, por exemplo de José Mourinho: «Disse a Vinícius, de modo independente, que quando um jogador faz um golo daqueles sai em ombros. Não se vai mexer com um estádio ou com o coração do estádio do adversário. Como se diz em Espanha, quem faz golos daqueles corta rabo e orelha e não acaba o jogo e ele acabou com o jogo», ou também do treinador quando questionado sobre se o atleta teria contribuído ou incitado o arremesso de objetos por parte dos adeptos: «Sim, acredito que sim. Infelizmente, ele não se contentou em marcar aquele golo espantoso. Quando se marca um golo assim, celebra-se de forma respeitosa. Disse-lhe que a maior figura da história deste clube era negra. A última coisa que este clube é, é racista.»
No mesmo sentido foram as palavras do árbitro inglês Mark Clattenburg: «O problema é que Vinícius não se ajudou muito a si próprio. Tornou as coisas mais difíceis para o árbitro. Marcou um golo maravilhoso e o que tem de fazer é comemorar, mas depois voltar para o seu campo. Tornou esta situação muito, muito difícil.»
O arremesso de objetos contra o atleta é visível e inegável, o ato racista de Prestianni ainda não está devidamente analisado para percebermos a sua exatidão, contudo, e independentemente da sua veracidade ou não (fator que deveria ter levado os intervenientes a acautelarem o seu discurso), uma coisa é certa: colocar a totalidade do ónus do nosso comportamento no outro é demasiado redutor.
A ideia de que o comportamento gera comportamento não está errada, mas cingir o comportamento humano a processos mecanicistas, com todo o desenvolvimento cognitivo do ser humano é minimalista. Esta relação não é direta, até porque podemos e devemos incluir consciência nos nossos processos emocionais.
Ou seja, responsabilizar o comportamento antecedente da vítima para justificar comportamentos de agressão não é correto e é perigoso. Não só no mundo do desporto, mas também, e principalmente enquanto sociedade jamais poderemos aceitar este discurso.
É verdade que o comportamento antecedente e o contexto podem permitir compreender, inclusive do ponto de vista científico, o que gerou determinado comportamento, mas nunca, em tempo ou situação alguma, esse comportamento prévio, por incorreto que possa ser, pode desculpabilizar, justificar ou tornar aceitável um comportamento de agressão, seja verbal ou física.
Não vivemos numa sociedade primitiva, onde os impulsos não são controlados e achamos isso normal, procurando culpados ou responsáveis pelos atos incorretos. Se Vinícius Júnior teve um comportamento provocatório aquando dos festejos do golo, como alegado, pois bem, o mesmo foi castigado pelas leis vigentes, neste caso desportivas, com o respetivo cartão amarelo.
Isso em nada legitima nem desresponsabiliza qualquer ato violento ou agressivo que possa ter sido praticado após esse momento, devendo os mesmos ser igualmente penalizados de acordo com as leis vigentes.
As palavras nunca são neutras, sobretudo quando proferidas por figuras com autoridade e influência pública. No desporto de alta competição, onde milhões observam, repetem e amplificam discursos, a forma como interpretamos e explicamos comportamentos tem impacto real na cultura que construímos.
Questionar um festejo é legítimo, utilizá-lo para normalizar a agressão não é. Quando agentes desportivos deste nível sugerem, ainda que indiretamente, que alguém se colocou a jeito, contribuem para uma narrativa perigosa de diluição de responsabilidade."

UFC?!!!

Resumo...

Sim, já mentiu...

Os inimputáveis

Hermano...

Narrativas...

Soria...

Completo...

Benfica Podcast ##583 - Black and White

BF: Mourinho...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Paulo Fonseca x13: português pode sonhar com títulos no Lyon?

Observador: E o Campeão é... - Como vai decorrer a investigação a casos de racismo na Luz?

Observador: Três Toques - O caso Vini Jr. e as múltiplas reações

Atualidade do Benfica


"São vários os temas nesta edição da BNews, com destaque para a entrevista a Samuel Soares.

1. Na primeira pessoa
Samuel Soares recorda o começo no futebol de rua e revela a sua camisola preferida.

2. Últimos resultados noticia destaque
Ontem realizaram-se duas partidas de hóquei em patins. Nos masculinos, o Benfica empatou 4-4 na visita ao FC Porto. Nos femininos, as águias receberam o CRIAR-T e golearam por 19-0.

3. Jogo do dia
O Benfica visita o Sporting em futsal a contar para a 16.ª jornada da Liga Placard (20h30).

4. Agenda para 6.ª feira
Há clássico de basquetebol na Luz, com o Benfica a receber a Ovarense às 19h00. A equipa feminina de basquetebol atua no reduto do CLIP Teams em partida dos quartos de final da Taça de Portugal (21h00).

5. Informação clínica
A futebolista Lara Martins sofreu uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito e será submetida em breve a intervenção cirúrgica.

6. Seleções jovens
São várias as atletas do Benfica convocadas pelas seleções nacionais femininas de futebol Sub-19, Sub-18 e Sub-17.

7. Sorteios
Em futsal no masculino, o Benfica visita o Torreense nos oitavos de final da Taça de Portugal. E está definido o calendário da fase final do Campeonato Nacional de andebol no feminino.

8. Bom desempenho
O Benfica foi o clube português com melhor performance no Arena Lisbon International Meeting 2026 de natação."

Das cinzas de uma bola de futebol


"O futebol de topo transformou-se em “Fifalândia”: um holograma supranacional que se alimenta de uma paixão que despreza. No próximo Mundial os estádios estarão cheios. Os operadores facturarão como nunca. Mas nos relvados cristalinos da NFL não será bem futebol que se jogará. Será antes o fruto eficiente e desencarnado de uma cegueira por excesso de altitude

O futebol ainda se chama futebol. Mas há cada vez menos rigor nesse nome. Como chamar “Aventura” a um formulário das Finanças. Ou ‘Antonioni’ a um Toninho. O jogo afastou-se de nós. Não por maldade, mas por crescimento descontrolado, como quem padece de gigantismo. Entre o futebol e os adeptos abriu-se um fosso que já não é apenas moral ou sentimental. É um fosso material. Um abismo de dinheiro, de dispositivos, de distância. O futebol de topo tornou-se um impulso caro, um capricho abstracto, uma fantasia irrespirável. E cada vez menos físico.
Escrevo este preâmbulo a pensar no Verão que se aproxima e no Mundial que se jogará nos Estados Unidos, México e Canadá. Será o Mundial perfeito. Perfeito como um Tesla. Confirmará o que já sabemos, mas preferimos guardar para nós: o mais materialista dos desportos transformou-se no mais desmaterializado dos jogos e, ao acontecer em todo o lado, acontece agora em lado nenhum. A ideia não é minha. Num artigo recente da Times Literary Supplement, sob o título cruel de “Money Ball”, o americano Mike Jakeman explica, a partir de dois livros sobre a história do Mundial, como o torneio deixou de precisar de países. Só precisa de um anfitrião, como quem precisa de uma tomada. Depois é ligar à corrente e o aparelho replica o modelo segundo um manual de instruções global, no qual o lugar é acessório e a geografia irrelevante.
Aqui entre nós, que não há quem nos ouça: ninguém com dois dedos de horizonte quer saber do topo. O topo está perdido — e gosta de estar perdido. Inspira-nos muito mais o outro lado do fenómeno. As pessoas não deixaram de precisar do futebol. Continuam à procura da fraternidade, do território e do risco que sempre encontraram nele. E quando já não encontram poiso no cume da montanha, fazem o que os homens sensatos sempre fizeram: descem. Escavam. Procuram no subsolo das ligas inferiores. E encontram.
É isso que explica o novo entusiasmo pelos clubes pequenos. Não só como folclore — porque nisto o folclore é fundamental —, mas como último reduto de materialidade. Lugares onde o futebol tem chão e nome próprio. O caso do Atlético, sobre o qual já escrevi, não é uma excepção, mas um sintoma.
À medida que o futebol global se torna um não-lugar, os adeptos voltam a procurar lugares. Seja onde for. Na Tasmânia, se for preciso. Ou a cinquenta quilómetros de Elvas, em Jerez de los Caballeros. Souberam dessa história? Conto-a em três linhas.
Há cerca de um ano, no podcast Falsos Lentos, começou-se a torcer, em tom de piada privada, por um clube obscuro da quinta divisão espanhola: o Jerez Club de Fútbol, perdido algures na região da Extremadura. A piada começou a crescer, e, às tantas, quando deram por isso, havia não sei quantos autocarros cheios a caminho do vilarejo espanhol, para apoiar o clube local.
Ora, quinhentas pessoas não fazem centenas de quilómetros por uma alucinação colectiva. Quer dizer, até fazem. Mas estes adeptos, mesmo que motivados por um tanglomanglo eficaz, foram em busca de algo tragicamente sério. Saíram de casa à procura de casa. Que é o que todo o homem tem feito desde que Adão nos perdeu o Paraíso. Como despojados da batalha de Tróia que é o futebol moderno, lá foram eles: Ulisses de camisola verde e preta, em direcção a uma Ítaca no Reino de Castela.
Ao emancipar-se do mundo real, o futebol de topo transformou-se no que Mike Jakeman chamou “Fifalândia”: um holograma supranacional que se alimenta de uma paixão que despreza. No próximo Verão os estádios estarão cheios. Os operadores facturarão como nunca. Mas nos relvados cristalinos da NFL não será bem futebol que se jogará. Será antes o fruto eficiente e desencarnado de uma cegueira por excesso de altitude.
Cá em baixo, porém, não queremos saber de eficiência para nada. Interessa-nos a vida que se pode encontrar na Tapadinha, no Carlos Salema, no Abel Alves Figueiredo, no Campo Estrela em Évora, ou até numa aldeia perdida de uma Espanha improvável. Mesmo que suja, mesmo que trapalhona, é outra coisa que se joga. Tecnicamente inferior, é certo — como quase tudo o que vale a pena. Mas com a alma que só os lugares verdadeiros possuem: “Home is where I want to be”, dizia o David Byrne. E dizia bem.
Ontem foi Quarta-feira de Cinzas. Na testa dos católicos impõe-se o pó como quem impõe a morte no corpo que se descobrirá renascido quarenta dias depois. É isso que está aqui em causa. Por isso tenhamos fé, companheiros. Ao contrário das visões mais pessimistas, o que nasce das cinzas de uma bola de futebol não é um produto. É um lugar."

SportTV: Vamos à Bola - Fafe

Sem Filtros #30 - Armando Sá

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Da rua para o relvado | Samuel Soares

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Agora só uma noite perfeita


"Era grande a expectativa a envolver esta nova visita do Real Madrid ao Estádio da Luz para defrontar o Benfica na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Era consensual que o facto de serem dois jogos e o segundo dos quais fora, elevava grandemente a dificuldade deste novo confronto com o gigante espanhol.
As duas equipas tinham, entretanto, cumprido no respetivo campeonato, vencendo os respetivos jogos. Do lado espanhol, a resolução fácil do encontro de receção à Real Sociedad (4-1), permitiu o descanso absoluto de Kylian Mbappé, circunstância bastante inconveniente para o Benfica, por se tratar da principal ameaça do ataque madrileno.
Do lado benfiquista, ao contrário, a ausência de Aursnes era a principal incerteza, que acabaria contrariada pela presença sempre positiva do precioso médio norueguês. Além da desejada integração de Dedic e Aursnes, a escolha de Mourinho voltava a recair em Rafa e não em Sudakov, talvez a única dúvida que subsistia. A velocidade e agressividade de Rafa, que não esteve feliz, terá inclinado para si a preferência do seu treinador.
Quanto ao jogo, foi desta vez bem mais medido taticamente por ambas as equipas, no que diz respeito ao risco, comparado ao jogo anterior, em função das características diferentes do duelo. O respeito tático pelo adversário foi mútuo e bem visível, com as equipas muito juntas, quer na defesa, quer depois na manutenção da posse de bola.
O Real foi mais dominador, com um meio campo que se mostrou mais sólido e agressivo, fundamental para a sua superioridade. Na frente, teve os seus dois avançados a mostrarem-se sempre perigosos mesmo em espaços curtos, apoiados por um setor intermédio agora reforçado por Valverde, um verdadeiro portento que fez diferença.
O único, vistoso e decisivo golo aconteceria logo no reinício da segunda metade por Vinícius Júnior, cujo festejo provocatório acabou por criar uma longa turbulência que em nada ajudou à necessária reação do Benfica.
No seguimento do golo, o avançado brasileiro acusou Prestianni de racismo, algo que a ter acontecido deve ser fortemente criticado. A equipa abanou, mas conseguiu reagir, também pela entrada de Ríos, Sudakov e Sidny Cabral, que animaram a equipa, conseguindo voltar a chegar à frente com mais gente, embora sem criar oportunidades claras.
Nota final para a não amostragem do segundo cartão amarelo a Vinícius, que ainda podia fazer diferença no resultado, em falta claramente merecedora desse castigo. No seguimento acontece a expulsão de José Mourinho, que protestou energicamente, percebendo como importante poderia ainda ser a superioridade numérica no tempo que faltava.
Claro que com este resultado as dificuldades crescem e agora em Madrid procura-se a noite perfeita, como resposta a uma incómoda desvantagem, mas mínima.

Afazeres domésticos
Por cá, enquanto ainda ecoa o escândalo das bolas escondidas, mais uma rábula lusa inesquecível de má, o Benfica vencia nos Açores com alguma segurança, diminuída, embora, por uma intervenção infeliz de Trubin.
Tivemos outro exemplo de como o futebol, e também a vida, nos trazem, em pouco tempo, sentimentos tão opostos. Para alguns dos adeptos, o pobre Trubin regressou à condição de réu vulgar pelo erro cometido, depois de passar por herói imortal, ainda há poucos dias. Nada de novo, portanto. Com a missão então cumprida no campeonato, importava recuperar do desgaste, das emoções e das poças açorianas, antes do complicado teste europeu de ontem.
Quanto ao relvado açoriano, que é o último classificado da Liga no que diz respeito à qualidade, fica mais uma interrogação: Tanto investimento, ano após ano, em jogadores maioritariamente estrangeiros, e por isso teoricamente mais caros, não justificaria alguma renovação do local onde se joga? O arquipélago é lindo, mas o futebol não deixa de ser também um importante veículo de promoção que precisa da melhor imagem.
Os famosos investidores saberão disso ou é-lhes indiferente? E o governo regional, dorme ou não se importa?

Velha escola
Porque há coisas que são cada vez menos admissíveis e ações que devem ser exemplarmente punidas, penso ser um bom motivo para recuperar mais uma história da velha escola, vivida enquanto jogador. Passados tantos anos, voltamos a práticas que, na nossa tenrinha ingenuidade, julgávamos enterradas para sempre. As equipas grandes pedem grandes jogadores, mas também grandes pessoas, que, pelo menos, se respeitem entre si e ao público, através de comportamentos condizentes.
Fui um dos jogadores do Benfica, já lá vão uns anos, que se equipou no corredor de acesso ao balneário visitante do antigo estádio das Antas, também antes de um clássico.
O produto químico que inocentemente alguém tinha derramado antes da nossa chegada ao estádio tornava o ar irrespirável e a nossa presença impossível.
Como agora, imagino que essa feliz e respeitadora iniciativa tenha partido de alguém que nada mandava e que a ideia também lhe tenha surgido sem a ajuda de ninguém...A vantagem em relação ao episódio épico das bolas escondidas é que, dessa vez, como em várias outras, as tropelias aconteciam longe dos olhos do público.

Incompatibilidades
Voltando ao tema dos treinadores e a algo difícil de entender, é como se permite que um mesmo treinador dirija duas equipas, numa mesma época e no mesmo campeonato.
Por exemplo em Itália, por onde passei de raspão como jogador, os treinadores só podiam treinar uma equipa na mesma competição. Nesse âmbito, o clube também estava impedido de oficializar um novo técnico antes de garantir o acordo de rescisão com o anterior.
Não parecendo nada difícil de implementar ou entender, é uma medida lógica que defende o despedido e dá oportunidade a outros, que ainda por cima, são mais que muitos. Ao mesmo tempo, evita incompatibilidades competitivas óbvias, de alguém poder defrontar a equipa que ainda na semana anterior tinha sido sua. Jogar contra e no dia seguinte a favor, faz sentido? Não me parece nada."

Benfica-Real Madrid: ser ou não ser audaz, eis a questão!


"Já se sabia de antemão que o Benfica-Real Madrid não teria quaisquer semelhanças com o último embate entre ambas as equipas.
Em primeiro lugar porque Arbeloa aprendeu com a derrota em Lisboa. O antigo lateral direito madridista fez os devidos ajustes e transformou um conjunto de indivíduos equipados da mesma forma numa equipa equilibrada sem bola, sem que isso limitasse a preponderância ofensiva de Vinícius Júnior e Mbappé.
Depois porque seria expectável uma abordagem encarnada mais estratégica e menos corajosa nesta primeira mão do play-off da UEFA Champions League. Ao contrário do que vimos no 4-2 que ditou a continuidade das águias na maior prova de clubes da Europa, Mourinho apostou mais no equilíbrio e menos no provocar do erro, optando pelas transições ofensivas e não pelo retirar da bola aos espanhóis.
Os cinco minutos iniciais até pertenceram ao Benfica. Agressivos no pressing, rápidos na reacção à perda de bola, com linhas bem subidas e setores compactos, os encarnados conseguiram empurrar os merengues para as proximidades da sua grande área.
Seguiram-se cerca de vinte minutos de algum equilíbrio, com aproximações e remates em ambas as balizas, mas a partir minuto 25 o Real Madrid tomou conta do jogo.
Aproveitando a postura expectante do Benfica, cada vez menos preocupado em provocar o erro e mais interessado em manter-se equilibrado e compacto, os merengues começaram a circular a bola com critério e inteligência.
Com uma Fase de Construção composta por Courtois + Rudiger + Tchouameni + Hujsen, Camavinga abria na esquerda e Trent-Alexander Arnold na direita. Valverde derivava para dentro de modo a se juntar a Guler e Carreras surgia sobre a meia esquerda. Vinícius Júnior e Mbappé deambulavam pela frente de ataque, tendo o francês mais capacidade para descair para o lado esquerdo do que o brasileiro para surgir sobre o lado direito.
Esta configuração em 1x3x5x2 foi fatal para um Benfica em 1x4x4x2 clássico em organização defensiva. Ora porque havia sempre um homem livre sobre a intermediária (tanto por dentro, como por fora), ora porque Camavinga e Carreras sobre a esquerda e Guler e Valverde entre a meia direita e o corredor central promoviam trocas posicionais que dificultavam a tarefa da linha de quatro médios do Benfica.
Outro fator determinante foram as coberturas defensivas do Real Madrid sempre que a equipa se aproximava da baliza de Trubin. Sem referência fixa junto aos centrais encarnados e com muitas unidades sobre o centro do jogo (lado em que se encontra a bola), os merengues tinham sempre duas linhas preparadas para reagir à perda de bola (uma primeira linha composta por médios e uma segunda linha composta pela dupla de centrais).
Ou seja, sempre que o Real Madrid perdia a bola e o Benfica procurava a saída para o contra-ataque, Camavinga, Tchoumameni e Valverde estavam preparados para reagir rapidamente e de forma agressiva sobre o portador da bola.
De nada valeu ao Benfica a aposta em Rafa como 10/segundo avançado. O n.º 27 das águias raramente teve espaço para ser solicitado e os colegas raramente tiveram tempo e espaço para pensar e executar na procura da velocidade do ex-Besiktas.
Mais do que alongar os passes para a transição ofensiva, faltou aos encarnados associarem-se através de tabelas com recurso ao apoio frontal e apoio à retaguarda para sair das zonas de pressão, fosse pelo mesmo centro de jogo, fosse através de variação do centro de jogo e/ou de flanco.
Outra das possibilidades não exploradas foram os contramovimentos de Rafa e Pavlidis. Mas para que isso tivesse sido possível, Barreiro teria de estar menos próximo da sua grande área, Prestianni e Schelderup deveriam estar mais preparados para surgir de fora para dentro nos espaços abertos por Pavlidis e Rafa quando estes baixassem no terreno. Ter mais um médio com capacidade para ter bola de forma temporizada também teria sido importante, mas Sudakov estava no banco de suplentes.
Trubin foi aguentando o 0-0 até ao intervalo com um conjunto de boas intervenções, mas nada pôde fazer no lance do golo de Vinícius Júnior.
O brasileiro aproveitou a ausência de cobertura defensiva a Dedic para rematar para o fundo da baliza encarnada num gesto técnico de excelência. Faltou claramente ao Benfica alguém que ajudasse o seu lateral direito a promover uma situação de 2 vs 1 defensivo sobre o astro canarinho.
A perder, com Prestianni e Rafa em sub-rendimento e sem capacidade para ter posse de bola prolongada em meio-campo ofensivo, Mourinho demorou a mexer na equipa. E quando o fez, retirou Rafa e Schjelderup, que estava a ser muito mais assertivo e criterioso do que Prestianni, pese embora o menor número de acções ofensivas, para lançar Ríos como médio mais ofensivo sobre o corredor central e Sudakov como médio ofensivo sobre a esquerda.
Sem um lateral esquerdo ofensivo e devidamente projectado sobre o seu flanco, o Benfica acabou por centralizar em demasia o seu jogo. Mourinho percebeu a necessidade de explorar ambos os corredores laterais e lançou Lopes Cabral e Lukebakio. Dois aceleradores, dois jogadores com mais propensão para a iniciativa individual do que para a associação colectiva. Apesar da maior presença em meio-campo ofensivo, faltou discernimento ao momento ofensivo encarnado.
Num mundo cada vez mais bipolarizado e incapaz de perceber a riqueza existente na variabilidade de ideias, os pragmáticos dirão que a eliminatória ainda está em aberto e que a abordagem de hoje foi a mais correcta para um play-off a duas mãos. Os que preferem a ousadia à estratégia (os românticos, segundo se lê por aí) dirão que teria sido melhor ver uma abordagem semelhante ao jogo anterior, mesmo que isso implicasse um resultado diferente.
A verdade é que, em poucas semanas, Arbeloa conseguiu melhorar a sua equipa, tornando-a mentalmente competitiva a ponto de se superiorizar a um Benfica que, em Madrid, terá de ser mais audaz e corajoso do que foi esta noite.

Melhor do Benfica: Tomás Araújo

Melhor do Real Madrid: Valverde"

Desafio do VAR: decidir mais e complicar menos


"O futebol será mais justo se um lançamento for revertido em segundos do que um lance capital dúbio levar mais de dois minutos a decidir e mesmo assim deixar a dúvida no ar

Decorridos quase oito anos da implementação da videoarbitragem na Europa já há matéria suficiente para perceber o quão importante se tornou esta ferramenta para a verdade desportiva, mas já é igualmente possível antever (ou, pelo pelos, desejar) para onde deverá caminhar o VAR. E fazendo fé de que o interesse do futebol enquanto modalidade e espetáculo esteja acima de tudo e de todos, este extraordinário recurso terá de ser alargado a uma dimensão muito maior. E não só a duplos amarelos e cantos.
Convém voltar à origem: o VAR nasceu para diminuir a clivagem entre más decisões dos árbitros e o que era observado pelo público em transmissões cada vez mais sofisticadas. O valor intrínseco não é (ou nunca deveria ser), uma extensão da especialidade do juiz, mas sim uma garantia de que havia dois pares de olhos bem treinados que observassem o óbvio e garantissem a uma esmagadora de espectadores de que havia justiça em campo.
O VAR só tem sucesso se as pessoas que assistem ao jogo não ficarem com dúvidas. Ou dito de outra maneira: a verdade do VAR decorre de uma perceção pública positiva; só é verdadeiramente útil se o lance gerar pouca discussão a si que lê este texto, independentemente da cor que tem ao peito. Caso seja apenas a verdade de um especialista de arbitragem, mas que só ele e poucos vislumbram, pode até a decisão ser correta na sua essência, mas não resulta se poucos a entenderem. Sabendo, porém, que é um equilíbrio difícil.
Temos vindo a assistir (e não é de agora e nem só em Portugal) ao aumento do complicómetro, como se os videoárbitros quisessem fazer prova de vida. É a altura de simplificar: lances que justifiquem mais do que três ou quatro repetições ou que demorem mais de um determinado tempo (dois a três minutos, por exemplo) é sinal de não é «claro e óbvio» tal como diz o protocolo, logo, é lance para morrer ali e permanecer a decisão inicial. Por outro lado, será o momento de abrir a intervenção do VAR a muitas decisões em tempo real, desde que sejam absolutamente indiscutíveis até para o gato que está consigo no sofá: lançamentos laterais, cantos/pontapés de baliza ou faltas. Bastam três segundos para reverter, sem prejudicar a dinâmica e reforçando a justiça. E manter o poder sempre no juiz de campo.
Posto isto, é caso para perguntar: só um ex-árbitro pode ser VAR? O futuro terá de passar por um formato híbrido: juízes, jogadores, treinadores e até analistas, desde que sujeitos a testes de aptidão como para qualquer outra profissão, podem acrescentar valor, desde que demonstrem conhecer o jogo e tenham bom senso. Que ajudem a descomplicar. No futebol, jogar simples é o mais difícil.

ELEVADOR DA BOLA
A SUBIR
César Peixoto, treinador do Gil Vicente Treinadores que tentam pôr as suas equipas como os grandes há muitos, treinadores que o façam com uma continuidade temporal e consistência há poucos. Cada vez mais cresce a ideia de que César Peixoto está talhado para jogar e treinar um grande.

ESTACIONADO
António Salvador, presidente do SC Braga Tem um passado e obra que falam por si, mas mais uma vez o SC Braga arrisca-se a terminar a época abaixo das sempre ambiciosas expectativas. Como sempre, o treinador é que pagará. A inconsistência no banco é outra das imagens de marca de Salvador.

A DESCER
Liga, competição profissional de futebol Não a pessoa do seu presidente, Reinaldo Teixeira, ou a instituição, mas a competição em si que permite relvados como o de São Miguel, nos Açores, ou que volta a ser marcada pelo ambiente tóxico entre rivais e que ultrapassam a saudável rivalidade."

Cavalheirismo e choque Prestianni-Vinícius Jr.


"A história de um jogo nunca devia estar focada numa situação como a do argentino e do brasileiro; quase nada importou mais, nem mesmo a declaração de Rui Costa

Houve um dia em que o maior ídolo da História do Benfica escondeu nas cuecas a camisola daquele que era o melhor jogador do Real Madrid e sua referência futebolística. Esses eram outros tempos, em que imperavam algumas faltas duras em campo, mas prevalecia o cavalheirismo entre homens de uma mesma batalha.
Havia uma altura, também, em que os jogadores não tinham problemas em falar entre eles sem terem de se esconder atrás de uma mão a tapar a boca ou, como fez Prestianni, atrás de uma camisola. Como disse, e bem, um jornalista espanhol que questionou Mourinho na sala de imprensa, «quem faz isso é porque algo quer esconder».
A acusação sobre o argentino é grave e real, Mbappé afirmou ainda que o alegado insulto foi repetido cinco vezes, e a suspeita aumenta por um gesto de ocultação que se tornou comum nos relvados. À falta de prova concreta, a «verdade» será vista consoante a cor pela qual se torce e por quem se acredita, com uns a argumentarem a espontaneidade e veemência do protesto de Vinícius e outros a lembrarem episódios passados do brasileiro. O que disse Prestianni e o que ouviu Vinícius só eles terão certezas, mas o argentino já não se livra [pelo menos, ver-se-á o que fará a UEFA] da suspeita e o episódio vai acompanhar-lhe toda a carreira, como a de Vinícius Jr é já marcada por situações do género.
Um problema destes, o racismo, não é clubístico, é muito maior do que uma fronteira ou uma nacionalidade, ou modalidade. Ser jovem e inexperiente ou velho e «veterano de guerra» também não dá o direito a ninguém de insultar um outro pela cor da pele.
Aquele cavalheirismo em campo dos tempos de Eusébio e Di Stéfano é uma ilusão nos dias de hoje. Uma «arte» que tanto Real Madrid e Benfica [e não só] apregoaram como valor diluiu-se no tempo, e o que devia ser regra é agora exceção. Os jogadores de Benfica e Real Madrid deviam saber para o que iam, que um encontro destes tem «pedigree», reflete uma nobreza futebolística - mesmo que hoje, os jogadores dos encarnados não sejam tão bons em comparação com os dos merengues como eram na década de 1960. Houvesse um vislumbre de cavalheirismo na Luz e a beleza do golo de Vinícius Jr. não ficaria para segundo plano, assim como a declaração de Rui Costa a afirmar que Mourinho continuará no Benfica.
Ficámos a saber a ideia do presidente para o Benfica. Faltou, e falta, saber se o treinador o confirma."

Empate no antro...

Corruptos 4 - 4 Benfica

Invencibilidade mantida, num jogo ao 'contrário' do anterior! 0-0 ao intervalo, e muitos golos no 2.º tempo, em superioridade numérica ou em bolas paradas!

Com o empate do Sporting em Braga, mantemos os 5 pontos de vantagem. Neste momento temos a Oliveirense em 8.º e os Corruptos em 4.º, portanto a liderança da campeonato, até poderá dar o caminho mais complicado para a Final! Só com o Benfica!

Continuem a alimentar...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Linchamento a pedido!

Pés de barro...

Concordo

Até estes...

Provocações... e este vídeo não mostra todas.

Caceteiros, arrogantes...

Nenhum Amarelo!!!

Dixit:

SportTV: Europa - S01E01 - Há muito para dizer

BF: Prestianni...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - A vitória do Real Madrid sobre o Benfica em cinco pontos

Observador: E o Campeão é... - UEFA? “É investigar tudo. Jogadores, adeptos, túnel e VAR”

Observador: Três Toques - A atleta que ganhou o ouro de “mãe mais dedicada”

Zero: Negócio Mistério - S05E18 - Jeffrén

Em aberto


"Na 1.ª mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, o Benfica, claramente prejudicado pela arbitragem, foi derrotado por 0-1 pelo Real Madrid. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Comunicado oficial
Benfica demonstra "total espírito de colaboração, transparência, abertura e sentido de esclarecimento" às diligências da UEFA acerca do alegado caso de racismo ocorrido no jogo com o Real Madrid, reafirma "de forma clara e inequívoca, o seu compromisso histórico e intransigente com a defesa dos valores da igualdade, do respeito e da inclusão", reitera que "acredita na versão apresentada por Gianluca Prestianni" e lamenta "a campanha de difamação de que o jogador tem sido vítima".

2. Lutar até ao fim
Para José Mourinho, a eliminatória está em aberto: "Sabemos contra quem jogamos, mas temos uma possibilidade. Enquanto houver uma mínima possibilidade, vamos com tudo. Trata-se de um jogo que estamos a perder 1-0 ao intervalo."

3. Declarações pós-jogo
Dahl vinca que a eliminatória está em aberto: "Lutaremos para nos classificarmos no próximo jogo."
Barreiro alinha pelo mesmo diapasão: "Está 1-0, está tudo em aberto."
Tomás Araújo não vira a cara à luta: "Se for para morrer, vamos morrer de pé."
Lukebakio manifesta confiança: "Já mostrámos que somos capazes de vencer."
E Pavlidis salienta a atitude da equipa: "Procurámos marcar, levar um empate..."

4. Dérbis na Formação
Ontem houve duas partidas entre Benfica e Sporting. Nos Sub-23, as águias venceram por 4-2 no Benfica Campus. Nos Iniciados, em Alcochete, a contenda saldou-se por um empate a uma bola.

5. Entrada positiva
Em andebol, na 1.ª jornada da Main Round da EHF European League, o Benfica ganhou por 40-35 ao HC Vardar.

6. Jogos do dia
Estão agendados dois embates no hóquei em patins. Nos masculinos, o Benfica visita o FC Porto às 20h00. Nos femininos, as águias recebem o CRIAR-T às 21h00.

7. Iniciativa do Museu
Veja as melhores imagens do Carnaval passado no Museu Benfica – Cosme Damião."

Jogo Pelo Jogo - S03E28 - Chicão!

Pre-Bet Show #171 - FIZEMOS O MELHOR XI DA EUROPA 🆚 MELHOR XI DO MUNDO 🥊

DAZN: The Premier Pub - José Sá...

DAZN: La Liga - R24 - Golos

BolaTV: Mais Vale à Tarde Que Nunca #89 - Rochele Nunes

SportTV: NBA - S04E19 - Obrigado, Wemby👏