Últimas indefectivações

terça-feira, 21 de julho de 2026

Durán


É oficial, Durán é jogador do Benfica, por empréstimo, com uma clausula de compra, de 30 milhões! Com os ordenados a serem divididos com o Al Nasr!!! Acaba por ser um risco financeiro baixo... 


Desportivamente, é uma incerteza! O Durán do Aston Villa, seria sempre um dos melhores avançados de sempre a jogar no Tugão! O Durán no Al Nasr até não jogou mal, tendo em conta a conjuntura! Mas na Turquia e na Rússia, duas pequenas lesões pelo meio, acabou por impedir a sua convocação para o Mundial ao serviço da Colômbia!
A minha esperança passa por aí... acredito que ele não gostou de ver o Mundial pela televisão! Acredito que ele quer relançar a sua carreira, um pouco como o seu compatriota fez o ano passado, nos nossos vizinhos!!!


Não sei se o Pavlidis, vai ser vendido, ou se vão rodar, ou até se vão jogar juntos, algo que é perfeitamente possível em muitos jogos do Tugão! Mas são avançados diferentes, muito sinceramente não me recordo dum avançado destas características no Benfica, nas últimas épocas...!!! Um Magnuson, com mais velocidade?!!! Talvez... O calendário vai ser muito duro, com muitos jogos, e com vários jogadores com férias demasiado curtas, é preciso pernas frescas, qualidade e neste caso pontaria!!!

BI: Megafone #289 - Abram alas que chegou o Duran

Terceiro Anel: Durán...

5 Minutos: Durán...

Os Gloriosos Benfiquistas - S06E04 - Villarreal...

Resumo...

Cosmética...

FALTA ORIGINALIDADE AOS GUIONISTAS


"Quando o Benfica contrata um jogador já se sabe que contrata também um monte de defeitos e um monte de problemas.
Na época passada arranjaram uma novela assim que foi anunciada a contratação de Ríos: ai, ai, como seria a relação com Otamendi porque tinham tido um qualquer desaguisado quando ao serviço das respetivas seleções.
Agora, assim que foi dado como certo o empréstimo de Durán, ai, ai que vai fazer faísca com Ríos por causa da ex-namorada de um que casou com o outro.
Convinha um pouco mais de originalidade nestes guiões para encher programas televisivos com intermináveis horas de duração a divagar sobre o Benfica que lhes garante as audiências.
Sabem que mais? Tomara eu que todas as questões com Durán se limitem a uma mulher que era de um e passou para outro - teríamos um Durán que seguramente arrasaria na liga portuguesa. Assim seja."

Quinta-feira, Benfica a sério


"Faça-se justiça a Marco Silva, que tem feito crescer os meios reduzidos que lhe colocaram à disposição. Mas até ter o plantel ‘ideal’, vão passar algumas semanas em que a cobrança permanecerá elevada. Ok, jogo a jogo. Já o FC Porto evoluiu na continuidade e vale a pena chamar a atenção para a revolução em marcha no Sporting.

Na próxima quinta-feira, na Suíça, o Benfica começa a época oficial de 2026/27 com um compromisso prévio (se tudo correr bem aos encarnados ainda terão mais dois, num total de seis jogos), rumo à fase de grupos da Liga Europa.
Houve duas improbabilidades, que se concretizaram, na caminhada da equipa de Mourinho na temporada passada, a primeira foi uma arbitragem adversa em Famalicão, que colocou o Benfica num patamar que certamente não esperaria (e o que vai acontecer ao árbitro, que comprovadamente mentiu no relatório de jogo, e vem agora insurgir-se contra a APAF por não lhe ter dado ainda maior cobertura, quando a questão de fundo é outra: cada vez que entrar em campo, haverá algum clube que acredite nele? Esta é a situação em que se perde a condição de ser juiz seja do que for, e parece que ninguém está a valorizar devidamente…), a segunda, a vitória histórica do Torreense (parabéns reiterados e muita sorte na UEFA!) sobre o Sporting na final da Taça de Portugal, que atirou o Benfica para a necessidade de fazer meia dúzia de jogos europeus com que não deveria estar a contar.
Marco Silva, que estaria à espera de uma resposta mais pronta dos dirigentes encarnados às necessidades da equipa, perante um quadro em que o Campeonato do Mundo entrou na equação, fez o coletivo crescer do encontro (musculado) com o Flamengo, para a partida com o Villarreal, e enfrenta o St. Gallen com os melhores argumentos de que dispõe, em muitos casos fazendo limonada com os limões que tem à disposição.
O Benfica, que não vive no desafogo de outrora - e se calhar, por isso, está a ser mais lento, por mais criterioso, nas escolhas - acertou em cheio quando convenceu Marco Silva a trocar a Premier League pela Liga portuguesa. Mas o treinador não joga, potencia, quanto muito, jogadores, e neste momento da época Marco está a caçar, à falta de cão, com gato, na esperança de, um dia destes, ter à disposição o plantel que lhe foi prometido. Quando se fizer a história desta pré-temporada dos encarnados, chegar-se-á à conclusão de que o Benfica fez a preparação da época recorrendo a jogos internacionais de elevada responsabilidade. O que é o mesmo que andar no arame sem rede. Sem querer parecer arauto da desgraça, espero bem que todas estas circunstâncias sejam chamadas à colação quando forem pedidas contas pelo arranque da época. Porque, mesmo que este ‘desenrascanço’ inicial venha a correr bem, haverá sempre uma fatura a pagar, lá para novembro ou dezembro, que não deve chegar à caixa de correio (ou email…) de Marco Silva.
De forma sumariada, gostava de dizer que o FC Porto tem feito uma evolução na continuidade serena e competente, sem grandes alardes mediáticos, mas reforçando a equipa onde precisa, e criando condições para o aprofundamento do método de Farioli, enquanto que o Sporting, que está a mexer estruturalmente na base, corre riscos quiçá superiores aos que está a antecipar. Aceitando que, nuns casos, as saídas eram inevitáveis, e noutros eram aconselháveis, o que vai ser pedido a Rui Borges está muito para lá do que o treinador foi chamado a entregar, em Alvalade. Admito que, depois de ver os novos jogadores e o encaixe que o técnico apresentará, possa mudar de opinião. Para já, apenas identifico o risco…

CARTAS
ÁS
Tadej Pogaçar
Depois de ter tido o privilégio de ver Eddy Merckx (que entrevistei!) nunca me passou pela cabeça testemunhar o advento de outro ‘canibal’. Pogaçar já não compete contra o resto do pelotão do Tour, a meta dele é a história, porque não se trata de ganhar, mas sim de como se ganha…

REI
Gianni Infantino
Haverá quem goste do prémio que, antes do Mundial, deu a Trump? Muito poucos. Ou que aceite de bom grado a cunha que o presidente dos Estados Unidos lhe meteu? Raros, serão. Mas o Mundial foi um sucesso desportivo e financeiro, e o presidente da FIFA tem a reeleição no bolso…

DUQUE
Gustavo Correia
Este árbitro, depois de se desvincular da APAF, representa o cúmulo do indesejável: alguém que faz do corporativismo uma forma de estar, depois de ter sido desmascarado, pelo Conselho de Disciplina da FPF, que até usou, com ele, critérios incompreensivelmente brandos. Um fardo…

FOTOLEGENDA
NORUEGA
A seleção da Noruega fez um excelente Mundial, em todas as frentes. No âmbito desportivo superaram as expetativas, batendo-se que nem heróis por uma presença nas meias-finais, que acabou por fugir-lhes por muito pouco. E que dizer dos adeptos, em sintonia perfeita com a equipa, com todos a remarem na mesma direção, cativando a atenção dos norte-americanos, que desconheciam que tal ligação existia? Finalmente, apesar de não terem passado dos melhores oito, tiveram direito a uma receção de heróis, mostrando ao Mundo que é possível ter uma abordagem sã ao futebol, valorizando sem alienar, agradecendo, sem cobrar…

CAPA
Zidane contra os egos, o que se segue
Afinal de contas, a final B do Mundial sempre serve para alguma coisa. Por exemplo, para Portugal, a vitória, em 1966, sobre a URSS, valeu à Seleção Nacional a melhor prestação de sempre em Campeonatos do Mundo. Já para a Inglaterra, que depois de vencer em 1966, voltou a um pódio em 2026, foi um bálsamo para o orgulho ferido frente à Argentina. Quanto à França, venha ‘Zizou’, para acabar com a guerra dos egos..."

BTV: Zona Mística - Diogo Rafael...

Entrevista Inês Nunes...

Zero: Mercado - Leão com centrais em risco

BF: Marco...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Espanha bate Argentina: as ilações da final

Observador: E o Campeão é... - Argentina aborrecida, Espanha triunfante com maestro Ferran

Observador: Três Toques - Ferran à Iniesta: Espanha domina e salva o futebol

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #28

BolaTV: Falso Plano #131 - Controlo anti-Pogi

DAZN: F1 - A 6.ª de Antonelli e uma abaixo de Russell

Boavista. "Nenhum clube deve morrer"


"No outro dia, pensei em tomar um antialérgico, mas suspeito que as ciências farmacêuticas ainda estejam aquém no desenvolvimento de uma solução para este problema. Contorço-me com a banal atribuição do distintivo de histórico a clubes que, desportiva e socialmente, nada fizeram para o merecer. Compreendo que seja um termo que o algoritmo aprecia, mas tão vulgar recurso a ele descredibiliza as equipas que verdadeiramente o são, como o Boavista.
As notícias recentes quase fizeram com que a última frase fosse escrita no passado. “O Boavista encerrou atividade.” Os humanos não foram dotados de amabilidade suficiente para comunicarem falecimentos sem causarem dor, mas esta está seguramente entre as maneiras mais rudes de se transmitir informação sobre uma morte.
Há uma diferença entre apoiar um clube por obrigação cultural e dedicar a vida a um símbolo. Quando se adota uma equipa, há mais um membro da família a sentar-se à mesa. No caso do adepto ser casado, convém até avisar a parelha de que está numa relação poliamorosa. Os tempos livres são aqueles escassos momentos em que, além de não haver trabalho, também não há um jogo ao qual é impreterível não faltar.
Desde 1903 que o Boavista é esta paixão incondicional para muita gente. Independentemente do limbo em que se encontra, a eternização dos axadrezados ficou a cabo de um título de campeão nacional (2000/01), um marco contracultural num país viciado em três cores. Ganhou ainda cinco Taças de Portugal e três Supertaças, conquistas cujos respetivos troféus foram incluídos nos bens que o tribunal decretou terem que ser colocados a leilão. Não é, de todo, disso que quero falar.
Preparam-nos para sentir luto por pessoas, algumas delas bastante próximas, nunca por um clube que julgamos ser uma fonte de alegria desde o momento em que o elegemos até ao último dia das nossas vidas. O desaparecimento do Boavista pode deixar uma massa adepta viúva, sem saber o que fazer com as horas anteriormente usadas para ir ver um jogo fora ou com o tempo gasto a inventar novos cânticos. Nem sempre há amanhã para aquilo que damos como garantido. No que a todos nós diz respeito, assistimos ao colapsar de uma parte relevante do futebol português, algo que é revelador da sua saúde.
Infelizmente, a última imagem que teremos do Boavista na I Liga é a de um grupo de jogadores contratados no centro de emprego treinados por um globetrotter. A descida de divisão foi uma completa inevitabilidade e, depois de não se ter conseguido inscrever nos escalões profissionais, o clube acabou no patamar mais rasteiro do futebol distrital, onde também não conseguiu reunir as condições para competir.
Há um ano, o Boavista foi declarado insolvente, mas sobreviveu apesar das dívidas de €150 milhões. No entanto, o clube foi agora impedido de continuar em atividade por falhar o pagamento aos credores, decisão que afeta 1500 atletas e 31 modalidades. Quem já parecia estar a adivinhar tudo isto, incluindo os efeitos malignos da desertora SAD, era a claque. Prevendo o desfecho ruinoso, os Panteras Negras criaram um clube que compete na distrital do Porto e que vai galgando divisões para, um dia, ceder os direitos desportivos ao clube que apoiam e encurtar o caminho de regresso ao topo.
A direção, liderada por Rui Garrido Pereira, tem na manga um plano de recuperação que pretende evitar o triste fado. Por agora, um grupo de sócios, adeptos e encarregados de educação angariou €50.000 e continua a aceitar donativos que permitam evitar que 2026 conste na lápide como o fim dos axadrezados. A propósito do “Movimento Salvar o Boavista”, que já alcançou o estrangeiro, um adepto inglês escreveu: “Estou convicto de que nenhum clube de futebol deve morrer. Os adeptos dão tudo pelos clubes e espero que consigamos impedir a queda deste grande.” Será o fenecer definitivo ou haverá vida além disto?

O que se passou
A jornada inaugural da I Liga já está agendada, mas até lá a pré-época continua. O Benfica deu seguimento aos preparativos para a estreia oficial na nova época. Com o mercado a ter efeitos assinaláveis no plantel, o Sporting também vai aquecendo os motores.
Kimi Antonelli voltou às vitórias em Spa e reforçou a liderança do Mundial de Fórmula 1.
Francisco Cabral, em dupla com Theo Arribage, esteve perto de conquistar o torneio de Bastad, mas perdeu na final.
Numa final 100% portuguesa, Teresa Bonvalot superou Francisca Veselko e venceu o Ballito Pro, etapa do circuito Challenge Series de surf."

Trincão: a promessa fica por cumprir


"Avançado rendeu-se aos milhões do deserto e terá abdicado de uma carreira mais condizente com o potencial que chegou a mostrar. Entretanto, o Sporting acelera uma revolução desportiva de risco

Acredito que Trincão tenha esperado até a um determinado limite, estipulado por ele, por quem o rodeia ou pelo clube que agora o recebe, para saber se conseguiria prosseguir a carreira num emblema de outra dimensão, nomeadamente num dos melhores campeonatos. Quando não havia escapatória, aceitou os muitos milhões em cima da mesa. Não passará obviamente fome, ele e as gerações que lhe sucederem. Não tenhamos pena dele.
Tenhamos sim do exílio do seu futebol para uma liga que, por muitos elogios que receba de quem lá mora ou morou, está longe do interesse que proporciona uma Big 5 e mesmo outros campeonatos periféricos. Com o sim que deu ao Al-Ahli, a caminho de cumprir 27 anos no final do ano, Trincão diz-nos algo como isto: «Esqueçam lá todas as promessas que vos fiz, esqueçam tudo o que prometi enquanto futebolista!»
É verdade que Trincão não transportou para o Wolves e depois para o Sporting o potencial mostrado em Braga e confirmado nos primeiros meses no Barcelona. No entanto, em Alvalade tornou-se, com o tempo, regular e fundamental para os treinadores que o tiveram como trunfo. Foram 47 golos e 51 assistências em 208 partidas, uma ação decisiva a cada 160 minutos de leão ao peito.
O futebolista tem a garantia de que há um selecionador a olhar sempre para a Arábia Saudita, nem que seja porque vem de lá e sempre defendeu essa liga acima do estatuto que realmente tem. Mas também há ainda por lá outros selecionáveis, como Félix, Rúben Neves e, aparentemente, ainda Ronaldo. Só que dificilmente ser jogador do Al-Ahli lhe trará um estatuto maior do que teve até agora na equipa de todos nós. A não ser que Jorge Jesus inverta toda a hierarquia ou alguém abandone, o que a esta distância não parece muito plausível. Ou seja, Trincão não crescerá em notoriedade, apenas assinou um plano de reforma antecipada.
Claro que o dinheiro é um fator fundamental, porém até veria Trincão a terminar a carreira de verde e branco. Serei só eu? Não faz mal. Já no que diz respeito ao Sporting, em Alvalade optou-se por uma revolução quase completa. A direção desportiva, calculo que com o aval do treinador, tem naturalmente esse direito, ainda que não deixem de ser referências que se perdem. O próximo será muito provavelmente Pedro Gonçalves, todavia já se falou em Bragança. É um atrás do outro. Inácio talvez fique como o líder. Mas terá lugares-tenentes suficientes?"

O Mundial acabou. A FIFA ganhou outra vez


"No Mundial há sempre uma seleção que levanta a taça. Mas há uma organização que levanta o negócio. Em 2026, a grande vencedora voltou a ser a FIFA.
O Mundial organizado nos Estados Unidos, México e Canadá foi vendido ao mundo como o maior de sempre. E foi. Pela primeira vez, participaram 48 seleções, distribuídas por três países anfitriões, num torneio com 104 jogos entre 11 de junho e 19 de julho. Tudo parece desportivo. Mas tudo é, cada vez mais, económico.
Mais seleções significam mais jogos. Mais jogos significam mais horas de transmissão. Mais horas significam mais inventário comercial. Mais inventário significa mais patrocínios, mais ativações, mais bilhetes, mais hospitalidade, mais conteúdos e mais dados. A bola continua a rolar, mas a máquina está cada vez mais bem desenhada.
A FIFA percebeu antes de muitos aquilo que várias ligas ainda fingem não ver: no desporto moderno, o produto já não é apenas o jogo. O produto é o ecossistema. É a viagem, o estádio, o conteúdo digital, a experiência VIP, o vídeo curto, o patrocinador, o videojogo, a camisola, o algoritmo, o turismo e a emoção convertida em receita.
O Mundial de 2026 é talvez o maior exemplo desta transformação. Não é apenas uma competição entre países. É uma plataforma global de entretenimento com 39 dias de atenção mundial concentrada.
Os números ajudam a perceber a dimensão. No orçamento inicial para o ciclo 2023-2026, a FIFA projetava receitas de 11 mil milhões de dólares, mais 4,5 mil milhões do que no ciclo anterior. Só os direitos televisivos estavam orçamentados em 4,2 mil milhões de dólares, os direitos de marketing em 2,6 mil milhões e a bilhética e hospitalidade em 3,1 mil milhões. Ou seja, mesmo antes de a competição começar, o Mundial já era um negócio de escala planetária.
Depois, as estimativas subiram. Relatórios mais recentes apontam para uma projeção de cerca de 13 mil milhões de dólares no ciclo 2023-2026, muito impulsionada pela expansão do Mundial e pelo novo Mundial de Clubes. Segundo a análise publicada pelo The Guardian, quase 9 mil milhões de dólares deverão ser gerados em 2026, ano do Mundial, tornando esta edição a competição desportiva mais lucrativa da história. A comparação é esclarecedora: os Jogos Olímpicos de Paris 2024 geraram 4,48 mil milhões de euros, cerca de 5,24 mil milhões de dólares. O Mundial joga noutra liga económica.
É por isso que discutir apenas se o novo formato é melhor ou pior para o jogo é ficar a meio da conversa. Sim, há argumentos desportivos: mais países representados, mais histórias, mais mercados envolvidos, mais oportunidades para seleções fora do centro tradicional do futebol. Mas há uma razão ainda mais poderosa: escala. A inclusão é a narrativa. A monetização é o modelo. A FIFA vende democratização, mas cobra por expansão.
A grande genialidade do modelo está aqui: a FIFA não depende verdadeiramente de quem ganha. Os adeptos dependem. Os países dependem. Os jogadores dependem. Os treinadores dependem. A FIFA não. Se ganhar uma potncia histórica, há audiência. Se ganhar uma surpresa, há narrativa. Se cair uma favorita, há drama. Se houver polémica, há atenção. E, no negócio contemporâneo do desporto, atenção é a matéria-prima mais valiosa.
Enquanto os clubes vivem presos à volatilidade do resultado semanal, a FIFA gere um ativo raro: um evento que mobiliza identidades nacionais, marcas globais e audiências massivas ao mesmo tempo. Nenhum clube possui esta combinação. Nenhuma liga consegue juntar, numa só plataforma, emoção nacional, rivalidade global, turismo internacional, marcas multinacionais e direitos televisivos planetários. O Mundial é o único produto desportivo que transforma bandeiras em receitas com esta eficácia.
O problema é que esta vitória económica também deve obrigar o futebol a fazer perguntas mais difíceis. Até onde se pode expandir sem diluir? Quantos jogos cabem na atenção dos adeptos? Em que momento a lógica comercial começa a alterar a essência competitiva? A FIFA ganhou outra vez, mas o futebol precisa de garantir que não perde demasiado pelo caminho.
No futebol moderno, os campeões mudam de quatro em quatro anos. A FIFA ganha sempre."

Um génio demasiado só no adeus perante a justa campeã


"Comentei na redação durante a final que estava a fazer lembrar 1990. Essa Argentina com um Diego Maradona com um joelho desfeito, a ter de comandar uma seleção com muitos elementos de qualidade duvidosa, diante de uma Alemanha com mais talento e também mais equipa. Messi não chegou lesionado ao jogo decisivo com a Espanha, mas os 39 anos pesam em muita coisa. Sobretudo na capacidade que sempre teve de desequilibrar no 1x1, chave-mestra para qualquer esquema tático que lhe aparecia para sempre.
'La Roja' tem os seus melhores jogadores numa fase bem diferente. Tem mais soluções e um grupo de trabalho mais extenso. Mais talento, tudo somado, também. E a ideia mais consolidada, uma identidade que atravessa várias décadas. Foi mais equipa e merece a segunda estrela no símbolo. Não foi sempre claro, mas não teve ninguém à sua altura durante todo o Campeonato do Mundo.
Ainda assim, não é a Espanha superlativa que dominou o mundo de 2008 a 2012, com a conquista de dois torneios continentais e um planetário. É uma 'Roja' diferente, com um processo mais versátil, contudo, menos avassaladora e sufocante. Nunca é fácil reinventar uma ideia que se esgota ao fim de uns anos e, também por isso, este é um belo trabalho de assinatura de Luis de la Fuente, que junta Mundial a Europeu na sua gestão.
Scaloni tentou, Messi tentou. Não sei se o selecionador argentino continuará, tamanha a emoção que carrega em cada desafio e o desgaste que por vezes não consegue impedir de deixar transparecer, porém é impossível não sentir empatia com a personagem e não aplaudir todo o trabalho. O adeus da 'Pulga' poderá ter influência nessa decisão.
A Argentina não foi brilhante na final — e Enzo, ao expulsar-se, ainda complicou mais as coisas —, mas mereceu chegar lá. Foi coração e alma, e também futebol. Só que o desenlace em Nova Jérsia, com tão grande superioridade espanhola, deixa o jogo de bem consigo próprio. Por muito que Léo merecesse outra despedida. Por muitas saudades que já nos provoque."

Penáltis: da sua conversão um cântico de glória… do seu falhanço a agrura da derrota


"Creio já ter merecido em tempos uma intervenção da minha parte na publicação deste tema. Contudo, tendo em atenção a qualidade de excelência prestada pelo doutor Sérgio Nuno no seu artigo de opinião referente ao assunto em causa neste nosso jornal A BOLA, publicada no passado 17 de julho, permitam-me chamar a atenção para algumas anotações complementares, já que tem sido verificado em algumas competições realizadas um dado fundamental, que pela sua conversão, surgir o cântico dos vencedores em glória, e na sua falha o toque a finados dos vencidos. Muitos são os exemplos ao longo do tempo, muito em especial neste Mundial 2026.
Surgem de forma frequente opiniões referentes a esta questão como se de um caso de sorte ou azar se tratasse no êxito para a sua resolução.
Sabemos hoje que a dinâmica do futebol e o seu grau de exigência para o sucesso, tem de estar ancorada de razões que sejam capazes de promover a capacidade de vencer resistências adversas, para a obtenção de níveis elevados de rendimento, para que se atinja o êxito.
Não sendo o futebol uma ciência, são várias as ciências que oferecem um contributo extraordinário para que tal aconteça, tais como: Fisiologia, Psicologia, Nutrição, Treino Desportivo, Estatística, Medicina Desportiva, Biomecânica, etc…, que, associadas a uma planificação e programação cuidada, podem conduzir ao sucesso na competição.
No correspondente ao caso em causa, isto é, na marcação de um penálti, estudos de vários autores como Morris e Franks (1997) e Wisiak (2004), ajustados e confirmados pessoalmente, uma bola que atinja em média uma velocidade de 100 a 120 km/h — 20.83 a 27.73 metros/segundo, demora a percorrer 600 a 400 ms (milissegundos) a ultrapassar a linha de baliza.
Caso o guarda-redes espere pelo remate para reagir, terá um diferencial de 338ms a seu desfavor, pois o seu tempo de reação é de cerca de 700ms, isto é, uma velocidade de reação de 4 metros /segundo, quando para ter tempo de defesa, deveria possuir uma velocidade de 7.7 m/s. Logo, o guarda-redes tem mesmo de se antecipar à saída da bola, pelo marcador, acompanhado do seu poder de intuição ou previsão antecipada do resultado. Pergunto: será possível treinar isto e em que condições o deverá fazer?
Sabemos que os maiores fatores para uma boa tomada de decisão e que podem influenciar a resposta, são: capacidade sensitiva, perceção, memória, atenção e concentração, capacidade de ultrapassar expectativas perante a pressão, capacidade intelectual, autoconfiança, motivação, boa condição física, etc…
Também a experiência acumulada referente aos jogadores marcadores, uma boa leitura da trajetória de corrida, o foco visual (perante níveis de ansiedade elevados, o jogador marcador tem tendência a centrar o seu olhar para as zonas de maior preocupação), a perna de apoio para o remate, a posição da bacia no momento do pré-contacto com a bola, a posição do braço contrário à perna do remate (tendência para um ligeiro ou amplo afastamento lateral), são indicadores a ter em conta no aspeto avaliativo para quem defende.
Ainda do jogador rematador (e também do guarda-redes), deverão estar associadas uma elevada capacidade de concentração, utilizando a capacidade respiratória, imaginação e visualização mental, focalizando de forma antecipada as condições de previsão do êxito, como sentir a bola a bater nas redes, ou na defesa da mesma, os colegas a aplaudir, o estado de graça autenticado com uma palavra/chave, eliminando fatores adversos, considerados como lixo (ruído, resultados negativos, experiências nefastas, condições atmosféricas, informações derrotistas que surgem do exterior…), e remetendo para o seu interior, um pensamento positivo misturado de afeto, que pode ser exemplo de familiares ou de pessoas que fazem parte do código pessoal de regeneração afetiva, pois, como temos dito, o pensamento positivo ajuda de forma extraordinária a concentrar naquilo que se pretende atingir e destruir o que se pretende evitar.
Num ou noutro caso, como atrás referi, deverá apelar ao nível da consciência uma palavra ou frase/chave, que funcionará como garantia de uma testemunha viva, ou âncora para o sucesso. Além do mais, poderá verificar o seu estado de ansiedade somática, analisando o suor de mãos, inquietação corporal momentânea, batimento cardíaco (sabemos que em situações desta natureza, a frequência cardíaca pode registar valores de 160 a 180/minuto… ou mais).
É evidente para se obter estes níveis de prestação, muita qualidade e perseverança no treino (que habitualmente cognominamos de engenharia ambiental, associada a outro palavrão — dessensibilização sistemática), que ainda estará para durar, (cada vez menos tempo do que o previsto), o seu processo de planificação e aplicabilidade.
Penso, por isso, que é preciso tudo fazer para que estas e outras questões que o jogo coloca devam ser resolvidas pelo treino, e que as questões do treino se apliquem no jogo, esse fenómeno que faz transitar para o pódio, o critério da verdade."

Os vencedores do Mundial


"Quando estas linhas entrarem na gráfica, pelo jornal, ou passarem a estar online no site de A BOLA, o vencedor absoluto do Mundial 2026, depois de 104 jogos disputados, estará encontrado, Espanha ou Argentina, embora Keyne, irmão de 3 anos de Lamine Yamal, esteja numa categoria especial de vencedor. Mas interessa-me mais outro tipo de vencedores, aqueles que passaram por Estados Unidos, México ou Canadá e, mesmo não tendo levantado taças, ficaram connosco.
A Escócia só distribuiu amor em Boston (também levou consigo toda a cerveja) e os sul-coreanos sentiram-se em casa no México; os selecionadores Javier Aguirre (México) e Gustavo Alfaro (Paraguai) mostraram-se mestres das conferências de imprensa e num nicho surpreendente, a seleção da Argélia foi adotada em grande comunhão pela sua vila do campo-base, Lawrence, no Kansas, cuja filarmónica local até aprendeu o hino argelino. O Irão lutou como pôde perante uma logística muito difícil, o Japão arrumou, como é costume, a Jordânia deixou doces.
De Cabo Verde para o Mundo, obviamente, Vozinha. O guardião de 40 anos encontrou fama mundial em poucos dias, depois do jogo com a Espanha e 30 dias depois de o campeonato ter começado, já anda entre os consagrados, a fazer jogos de lendas da FIFA em Nova Iorque.
Anunciadas as 48 equipas, muitos diziam ‘para que queremos jogos como o Curaçau-Equador?’ Pois bem, de que outra maneira teríamos tido as 15 defesas do guarda-redes Eloy Room na seleção que, desconfio, tinha as melhores camisolas da competição? E como veríamos Lumumba, o adepto-estátua da RD Congo?
Mas mudando das balizas para a frente, os americanos descobriram Erling Haaland. A jogar sem a pressão de candidato ou favorito, ou candidato a favorito, ou outro rótulo que se calhar Portugal faria bem em adotar, a seleção da Noruega foi avançando na competição relaxada, com um marketing simpático desde o início - das fotos ‘à viking’ até à remada feita em comunhão entre adeptos e mais para a frente com os jogadores no final dos jogos no relvado - com exceção daquele cidadão que pediu rigor histórico e se recusou a fazê-la, umas vez que os vikings não remavam em oceanos, apenas em rios.
Haaland e os companheiros adaptaram-se a tudo, do calor à cultura, momento que culminou com a chegada a Oslo com guanixim empalhado.
Por muito polémica que a organização tenha tido, sobretudo com interferências como o vermelho ao americano Balogun 'perdoado', uma coisa ficou: o hino cantado por todos o jogadores no círculo central é algo que manteria."

Boa companhia...

Top...

Virar as costas à dignidade!!!

A dose da 'Raiva' deve ter sido forte !!!

Cultura!

Dignidade: zero!

Ilustrativo!

Diferenças...

Chuveirinho #181

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - O Espanha-Argentina e o que vem aí com Jorge Jesus

ESPN: Futebol no Mundo #614

TNT - Convocados...

Oliveira: Final...

Quezada: Final...

Observador: Relatório do Jogo - Final...

Rabona: Spain Are CHAMPIONS: La Roja Conquer LIFELESS Argentina | World Cup Day 34

AA9: SPAIN DOMINATE & EMBARRASS ARGENTINA 1-0 | WORLD CUP FINAL

LiveMode: Late Night #23

LiveMode: Live - Final...

BBC: Mundial...

SportTV: Final...

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Quatro casos especiais no Benfica


"O Benfica venceu o Villarreal no último teste antes do primeiro jogo oficial da temporada, marcado para quinta-feira frente ao St. Gallen, na Liga Europa. Mais do que o resultado, o encontro com os espanhóis deixou vários sinais: a convicção de que Marco Silva ainda tem muito trabalho pela frente na construção da equipa e a ideia de que já foram dados alguns passos positivos.
Numa primeira análise a alguns dos jogadores disponíveis do Benfica, ainda sem os jogadores que estiveram no Mundial e reforços por contratar, identifico quatro casos específicos que exigem decisões ponderadas por parte da estrutura do futebol profissional encarnado. O primeiro é Prestianni. O jovem argentino já soma mais de duas épocas no Benfica, sem ainda se afirmar plenamente. São evidentes as suas dificuldades na tomada de decisão no momento da definição, mas importa não esquecer que tem apenas 20 anos e apresenta características diferenciadoras. Frente ao Villarreal, Prestianni entrou e mudou o jogo do Benfica. Deu velocidade à transição ofensiva, trouxe desequilíbrio e encontrou a linha de passe que resultou no golo de Pavlidis — algo que a equipa não tinha conseguido até esse momento, já na segunda parte.
O interesse do Trabzonspor e de outros clubes é compreensível, mas 20 milhões de euros podem ser insuficientes tendo em conta a idade, o potencial e a irreverência do extremo. Na minha opinião, Prestianni ainda pode ser muito útil ao Benfica. Pode não ser titular indiscutível nem cumprir todas as promessas, mas parece um desperdício não explorar melhor o seu talento. Creio que nesta altura fará falta a Marco Silva. Basta recordar o caso de Schjelderup, que passou de dispensável a uma das maiores certezas em poucos meses.

!Prestianni ainda pode ser muito útil ao Benfica."
Os outros três casos que merecem atenção são os jovens Banjaqui, José Neto e Miguel Figueiredo. Banjaqui e José Neto, laterais-direito e esquerdo, respetivamente, mostram qualidade e personalidade para integrar a equipa principal do Benfica. Ambos têm 18 anos e não devem passar a época como terceiras opções — algo que pode ser particularmente evidente no caso de Banjaqui, caso Bah e Dedic se mantenham no plantel. Já José Neto parece ter argumentos suficientes para disputar um lugar com Samuel Dahl.

"Um jogador com o perfil e qualidade de Miguel Figueiredo precisa de competir regularmente."
Por fim, Miguel Figueiredo surge como um caso que, apesar de ainda precoce, merece acompanhamento atento. O médio-centro de apenas 17 anos, observado por Marco Silva na pré-época, demonstrou nos minutos que teve frente ao Villarreal uma qualidade técnica e visão de jogo impressionantes. Um jogador com este perfil precisa de competir regularmente. Dificilmente terá espaço imediato no onze principal do Benfica, mas o cenário ideal passa por ganhar minutos num contexto competitivo mais exigente do que os escalões de formação. Estes quatro jogadores não serão, seguramente, as decisões mais urgentes para Marco Silva, mas podem representar uma parte importante do futuro próximo do Benfica. E, por isso, merecem ser analisados com especial atenção."

A comunicação da pré-temporada


"O FC Porto entra nesta pré-temporada com uma realidade diferente: é campeão nacional. Essa condição permite ao clube partir para a nova época com uma mensagem de confiança e ambição.
A política de comunicação tem seguido precisamente essa linha. O FC Porto abriu as portas da preparação para transmitir uma ideia clara: o campeão está confortável com a sua identidade e quer partilhar essa confiança com quem está fora do campo.
Mais do que mostrar trabalho, o FC Porto está a trabalhar a perceção. Está a criar proximidade, a alimentar o sentimento de pertença e a transformar a pré-temporada num espaço de afirmação.
Há, no entanto, uma dimensão desta estratégia que merece atenção: a exposição pública do presidente. André Villas-Boas tem assumido uma presença muito forte na comunicação do clube. Esteve no centro das imagens do primeiro dia de trabalho, surge com frequência nos conteúdos de bastidores e teve já três intervenções públicas de relevo num espaço de mês e meio.
A presença presidencial faz parte da identidade do FC Porto e pode reforçar uma ideia de liderança e proximidade. Mas, numa estratégia de comunicação, existe sempre uma linha que exige equilíbrio: a mensagem do clube deve continuar a ser maior do que a mensagem da sua principal figura.

Sporting: a mudança sem perder a identidade
O Sporting parte para uma época diferente. Não porque tenha de reconstruir uma identidade, mas porque tem de renovar uma equipa que lhe deu dois títulos nacionais nos últimos três anos.
A pré-temporada surge, por isso, como um momento de transição. Há novos jogadores a integrar, novos equilíbrios a criar e uma necessidade clara: mostrar que a mudança não significa rutura.
A comunicação do clube tem seguido uma linha de equilíbrio, mantendo abertura, mas sem excessos. Os jogadores têm assumido espaço nos meios oficiais, com declarações e interação nas redes sociais, transmitindo uma ideia de normalidade num período de transformação.
Ao mesmo tempo, o silêncio público do presidente e do treinador parece ser uma decisão consciente. A principal atenção mediática está concentrada no mercado e qualquer aparição pública correria o risco de ser reduzida a perguntas sobre vendas, possíveis saídas e reforços. E no mercado, nenhum clube consegue controlar totalmente a narrativa, optando por não alimentar um espaço onde dificilmente conseguiria impor a sua própria mensagem.
O desafio passa agora por garantir que a discussão sobre quem sai e quem chega não ultrapassa a discussão sobre aquilo que permanece. Porque o maior desafio do Sporting não é substituir os jogadores que saíram. É demonstrar que a identidade que os levou a ganhar continua intacta.

Benfica: fechar-se no castelo
O Benfica vive um momento diferente. Os resultados da última época, todo o envolvimento em torno da mudança de treinador, a contestação ao presidente e a necessidade de disputar uma pré-eliminatória de acesso à Liga Europa criam um contexto onde a margem para erro é mínima.
Por isso, o clube optou por uma estratégia de contenção, tendo Marco Silva assumido o principal protagonismo comunicacional de uma pré-temporada marcada por imagens de treinos e bastidores divulgadas nos meios oficiais do clube. E o treinador foi assertivo. Falou da necessidade de reforços e de jogar melhor, deixando ainda um desafio público: estancar as fugas de informação, um ponto onde, defendeu, o Benfica tem de voltar a ser Benfica.
O Benfica fechou-se no castelo. Num momento em que a equipa vai realizar uma pré-temporada em competição, com uma eliminatória europeia pelo meio, o clube escolheu proteger o grupo, reduzir ruído e concentrar a mensagem no essencial. E, no clube, assumem e aceitam esse risco. Porque acreditam que, neste momento, a comunicação mais importante não será feita fora, mas sim dentro do campo.
E isso não é ausência de política de comunicação. É uma decisão de comunicação. No Seixal (e, principalmente, na Luz), sabem que só as vitórias trarão serenidade — e que esse é o único caminho para o Benfica voltar a ser Benfica."

Porque é que já não vemos futebol?


"À medida que o Campeonato do Mundo se aproxima do fim, dei por mim a pensar numa ideia aparentemente contraditória: nunca tivemos tanto futebol à nossa frente. E, paradoxalmente, talvez nunca o tenhamos visto tão pouco.
Há dias fiz a mim próprio uma pergunta estranha. Passei noventa minutos em frente a um jogo de futebol. Mas quantos desses noventa minutos passei verdadeiramente a vê-lo? À primeira vista, a pergunta parece absurda. Claro que vi o jogo. Vi os golos. As oportunidades. As substituições. As decisões do árbitro. Até a publicidade das pausas para hidratação. No final, até sabia as estatísticas. A posse de bola. Os remates. As defesas dos guarda-redes. Os cantos das duas equipas. Os quilómetros percorridos. Os mapas de calor. Mas, quanto mais pensava nisso, mais percebia que talvez tivesse visto apenas aquilo que todos viram. E quase nada daquilo que realmente aconteceu.
Hoje já não vemos apenas futebol. Comentamos futebol. Publicamos futebol. Discutimos futebol. Recortamos futebol. Apostamos futebol. Transformamo-lo em vídeos de quinze segundos — às vezes, menos. Vivemos o jogo em direto, mas muitas vezes deixamos de o observar. Há quem esteja no estádio e olhe mais para o telemóvel do que para o relvado. Há quem publique uma opinião antes de compreender o lance. Há quem critique uma substituição antes de perceber o seu efeito. E há até quem deixe de ver o jogo quando o seu ídolo sai de campo. O caso de Cristiano Ronaldo é particularmente revelador. Segundo um estudo, quando foi substituído no Portugal-Croácia, quase metade dos telespectadores deixaram de acompanhar a partida.
Talvez esse dado diga muito sobre o tempo em que vivemos. Para muitos, o jogo já não é o jogo. É o protagonista. É o momento. É o recorte. É aquilo que cabe no ecrã do telemóvel. Nunca tivemos tanto acesso ao futebol.
Nunca tivemos tanta dificuldade em contemplá-lo. Um jogo continua a durar noventa minutos, mas para milhões de pessoas resume-se ao momento que o algoritmo escolhe. O golo. O erro. A polémica. O meme. O resto desaparece.
Talvez seja por isso que tantos saíram deste Mundial convencidos de que viram tudo, quando, na verdade, viram sobretudo aquilo que as redes sociais decidiram mostrar-lhes.
Ver futebol nunca foi apenas olhar para a bola. É olhar para quem não a tem. Para o lateral que dá largura. Para o médio que fecha uma linha de passe. Para o central que corrige uma cobertura. Para o avançado que arrasta um defesa sem tocar na bola. Para o guarda-redes que orienta a equipa inteira antes de fazer uma defesa. O futebol vive tanto do que acontece como daquilo que está prestes a acontecer. E isso exige tempo. Atenção. Paciência. Tudo aquilo que o mundo moderno parece ter dificuldade em oferecer.
Talvez o exemplo mais evidente desta transformação tenha acontecido neste Campeonato do Mundo. Pela primeira vez, assistimos à introdução de duas pausas obrigatórias para hidratação em todos os jogos. Oficialmente, a medida foi justificada pelas elevadas temperaturas. Mas estas interrupções acabaram também por criar novos momentos de exposição televisiva e comercial, aproximando ainda mais o futebol do modelo dos grandes desportos norte-americanos, onde cada pausa representa uma oportunidade. Dentro das quatro linhas, o efeito também foi evidente. Muitos treinadores passaram a usar esses minutos como autênticas pausas técnicas. Reorganizam posicionamentos, corrigem comportamentos, ajustam a pressão, mudam a estratégia.
É um sinal dos tempos. O futebol continua a ser o mesmo jogo. Mas a forma como o consumimos, interrompemos, analisamos e vendemos está a mudar rapidamente. Durante décadas, o futebol foi uma experiência coletiva. Hoje, tornou-se também uma sucessão de estímulos individuais. Cada adepto vê o seu próprio jogo. Um segue as estatísticas. Outro acompanha os comentários no X. Outro espera pelo vídeo viral. Outro vê apenas o lance polémico. No fim, todos dizem que viram o mesmo jogo. Mas talvez já quase ninguém tenha visto exatamente a mesma coisa.
O futebol habituou-nos a discutir resultados. Mas deveríamos discutir também a nossa forma de olhar. Porque há beleza que não cabe num resumo. Há inteligência que não aparece num clip. Há movimentos que não se tornam virais. Há jogadores que fazem grandes jogos sem protagonizarem um único momento viral. Estamos a ganhar acesso. Estamos a ganhar informação.
Estamos a ganhar velocidade. Mas estamos a perder profundidade. O futebol não precisa apenas de melhores jogadores, melhores treinadores ou melhores árbitros. Precisa também de melhores observadores. Gente capaz de ver para lá do golo. Para lá do erro. Para lá do escândalo. Para lá do ruído.
Enquanto continuarmos apenas à espera do próximo momento viral, estaremos sempre a ver muito pouco do jogo mais bonito do mundo."

Génios dos negócios!!!

Fácil...

É o que acontece, quando a Final não é disputada pelas duas melhores equipas da competição...!!!

Zero: Mercado - Tem quase dois metros e vai reforçar o ataque do FC Porto

BF: Central...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Espanha consegue contornar a garra da Argentina?

Duas maneiras de ganhar um Mundial


"Há finais que simplesmente identificam um campeão para a História. Outras, mais raras, acabam por marcar uma época, não pelo resultado, mas pelo que revelam sobre o caminho que o futebol decidiu seguir. A de domingo, em Nova Jérsia, tem esse aroma. Não sei se ficará na memória pela qualidade do jogo. Sei que ficará pelo que representa.
Espanha e Argentina não são apenas duas grandes seleções que se encontraram no último jogo do torneio. São duas respostas diferentes à mesma pergunta: como se constrói um campeão? Uma responde com a paciência de um arquiteto. A outra, com a obstinação de quem ganhou tanto que deixou de acreditar em derrotas definitivas.
Comecemos pela Espanha, que chega a esta final sem precisar de pedir desculpa a ninguém. Já não é aquela seleção que vivia à sombra de 2010, recitando de cor os nomes de Xavi e Iniesta como quem reza um terço. É outra coisa. Luis de la Fuente construiu uma equipa capaz de mudar de protagonistas sem perder a identidade, e isso, mais do que qualquer nome próprio, é o que deve preocupar os adversários. Fabián Ruiz assumiu o comando do meio-campo e foi decisivo frente à Bélgica; Mikel Merino saiu do banco para marcar a Portugal e voltou a ser determinante mais tarde. Um selecionador capaz de deixar Pedri no banco numa meia-final de um Campeonato do Mundo sem que isso provoque um debate nacional possui algo que muito poucos treinadores conseguem alcançar: autoridade tranquila.
A vitória sobre a França foi muito mais do que uma qualificação para a final. Confirmou que esta Espanha defende tão bem como ataca. Ter sofrido apenas um golo até às meias-finais resume a solidez de uma equipa que, desde o Europeu de 2024, deixou de ser uma promessa para se transformar numa candidata permanente aos grandes títulos. Chegar a esta final com possibilidades reais de conquistar o segundo Mundial da sua história, dezasseis anos depois de Joanesburgo, não é fruto do acaso. É a consequência lógica de um trabalho que ninguém interrompeu a meio do caminho.
E é precisamente aqui que a reflexão começa a incomodar um pouco outros países.
Do outro lado aparece uma Argentina que talvez não jogue melhor do que ninguém, mas que continua determinada a não perder quando realmente importa. Sofreu contra Cabo Verde, contra o Egito, contra a Suíça e sofreu de forma quase indecente frente a uma Inglaterra que esteve a um remate de escrever a sua própria história de redenção. Esteve em desvantagem na meia-final, deu a volta ao resultado, sempre com a assinatura de Messi nas duas assistências da reviravolta. Aos 39 anos, o argentino disputa a terceira final de um Campeonato do Mundo, um feito que, até agora, apenas o mítico Cafu tinha conseguido. Há qualquer coisa de comovente e, ao mesmo tempo, desesperadamente eficaz nesta Argentina de Scaloni: a convicção de que competir bem vale tanto como jogar bonito e de que um título conquistado com sofrimento ocupa exatamente o mesmo espaço na vitrina. Se vencer, será a primeira seleção a revalidar um Campeonato do Mundo desde o Brasil de 1958 e 1962. Não é um pormenor. Demonstra a dificuldade de uma competição que, infelizmente para os amantes do futebol, obriga a esperar quatro anos por uma nova oportunidade.
E Portugal, onde fica no meio de tudo isto?
Cabe-lhe olhar de fora, o que já não é pouco depois do que aconteceu este mês. Há treze meses, em Munique, derrotou esta mesma Espanha na final da Liga das Nações, numa noite resolvida nos penáltis que ainda hoje é recordada com orgulho. Foi a demonstração de que Portugal tem qualidade suficiente para discutir qualquer jogo de igual para igual. Isso continua a ser verdade e ninguém o deve pôr em causa. Mas o futebol tem uma crueldade elegante: não perdoa distrações e os ciclos mudam muito mais depressa do que gostaríamos de admitir. Há poucos dias, nos oitavos de final deste Mundial, foi essa mesma Espanha quem eliminou Portugal, graças a um golo tardio de Mikel Merino, um lance que muito provavelmente colocou um ponto final na carreira internacional de Cristiano Ronaldo. Entre Munique e Dallas passaram apenas treze meses. Tempo suficiente para que tudo mudasse de lado.
A resposta portuguesa a essa eliminação talvez diga mais sobre o país do que a própria derrota. Em vez de dar continuidade a um projeto para que amadurecesse, a Federação mudou de selecionador em poucos dias e apostou em Jorge Jesus, aos 71 anos, para a sua primeira experiência à frente de uma seleção nacional. Pode revelar-se uma boa decisão; o seu currículo fala por si. Mas convém não confundir essa escolha com continuidade. Trata-se de uma rutura motivada pela urgência, exatamente o contrário do que fez a Espanha depois de perder finais ou meias-finais importantes. A Roja manteve o rumo, protegeu o projeto e teve paciência. A Espanha que hoje disputa o título é a mesma que Portugal derrotou na Alemanha e a mesma que, mais tarde, eliminou a equipa portuguesa no Texas. A diferença nunca esteve na qualidade dos jogadores. Esteve na paciência de quem liderou o projeto.
Do talento português já ninguém duvida. A questão continua a ser outra: saber se o país está disposto a esperar o tempo necessário para que um projeto dê frutos ou se continuará a procurar sempre a solução que promete resultados imediatos. É uma pergunta incómoda, mas talvez seja precisamente esta final que nos obrigue a fazê-la.
Para além do resultado, este jogo representa também o confronto entre dois símbolos do futebol contemporâneo: a Europa contra a América do Sul, o campeão do Mundo frente ao campeão da Europa, a capacidade argentina para resistir contra a ambição espanhola de dominar os jogos. É Messi, provavelmente numa das últimas grandes noites da sua carreira, frente a uma geração espanhola que mal tinha começado a ver futebol quando ele já conquistava títulos. Poucas finais reúnem com tanta clareza o fim de uma era e o nascimento de outra em noventa minutos.
Não sei quem vai levantar a Taça do Mundo, nem me atrevo a fazer um prognóstico. O que sei é que há finais que não se limitam a entregar um troféu. Também ajudam a explicar o momento que o futebol atravessa. E esta, estou convencido, será uma delas. Nós, do lado de fora, faríamos bem em olhar menos para o resultado de domingo e muito mais para o processo que, no fim, permite a uma equipa ou a uma seleção alcançar um grande objetivo."

A segunda final em castelhano


"O dia da final do Campeonato do Mundo de Futebol é sempre especial. Mesmo que o ambiente desiluda ou o jogo fique aquém do expectável. E isso, por vezes, acontece. Em relação à festa nas bancadas, devo desde já dizer que, em quatro das cinco finais que vi ao vivo, esta foi muito pobrezinha. O espetáculo envolvente é produzido a pensar nas plateias televisivas e não em quem está no estádio, e, pior ainda, como muitos milhares de ingressos são comprados com grande antecedência, sem que haja ideia de quem vai defrontar-se, já vi, em estádios com capacidade para 80 mil espetadores, haver dez mil apoiantes de cada equipa e 60 mil turistas do futebol que, por muitas fotografias que tirem, tornam o ambiente morno. A única final que vi com vida própria foi o França-Brasil de 1998, porque se disputou em… Paris; às restantes, Alemanha-Argentina (1990), França-Itália (2006), Espanha-Países Baixos (2010) e Argentina-Alemanha (2014) faltou a força de fora para dentro que se esperaria numa final do Campeonato do Mundo.
Quanto ao futebol, e tenho memória de todas as finais a partir de 1966, houve de tudo: polémica que subsiste até aos dias de hoje no Inglaterra-Alemanha (1966); vitória do futebol-arte, no Brasil-Itália (1970); duelo de titãs, Beckenbauer contra Cruyff, (1974); Argentina levada ao colo (1978); Itália sublime depois de Sarriá (1982); Diego Armando ‘Maravilha’ Maradona (1986); futebol resultadista (1990, 1994 e 2006); as cores unidas da França (1998); bom Brasil, vergonha na arbitragem (2002); y viva España (2010); o susto da Alemanha (2014); confirmação gaulesa (2018); e a final nivelada por cima mais equilibrada de sempre (2022).
E hoje? A arte de Messi ou o rigor de Rodri? A generosidade de Alvarez ou a afirmação de Yamal? Sclanoni na história, igualando Pozzo, ou De la Fuente como Vicente del Bosque?
Querem argumentos cabalísticos? Em 2010, antes da vitória de ‘La Roja’ em Joanesburgo, José Mourinho assinou pelo Real Madrid; em 2026, também. Em 2010, a Espanha eliminou Portugal, por 1-0, nos oitavos-de-final; em 2026, também.
‘Fait-divers’ à parte, a verdade é que, em estilos diversos, os (justos) finalistas se equivalem, nesta segunda final em castelhano (a primeira foi o Uruguai,2-Argentina,1, de 1930). Um desejo: o Mundial da América do Norte, que foi tão bem disputado, em palcos de luxo, merece uma final inolvidável.

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

O Mundial da exaustão


"Um mês e meio de olhos postos na América. Com o aproximar da época desportiva e a precoce eliminação portuguesa, parece que o tempo distendeu em algum momento. Não se deixem enganar, é mesmo o campeonato do mundo mais longo de sempre.
É o Mundial da exaustão. Exaustão da maratona de jogos, mas também exaustão de jogadores. Numa altura em que se debate o congestionamento dos calendários, este Mundial é business as usual: mais jogos dos melhores jogadores, das melhores equipas. Joga-se de julho a julho.
Falei em business? Este é o Mundial das receitas recorde. Bilhetes a preço de ouro, receitas record de direitos televisivos e patrocínios. Nos Estados Unidos tudo existe em proporções desmedidas. Começa no número de jogos, passa pelas receitas e acaba, claro, na influência política. Balogun e o Irão fizeram correr muita tinta. Talvez não a suficiente.
Este foi o Mundial em que o dinheiro calçou chuteiras. As pausas para hidratação, por entre jogos com tórridos 15 graus, travestiram de futebol uma medida metida a martelo para gerar mais dinheiro. Fez-nos perceber como o jogo e o momento das equipas é volátil: a ideia da pausa ser benéfica para quem estava pior no jogo foi repetida e com fundo de verdade.
Foi o Mundial das histórias de encantar. Vozinha foi o protagonista de um conjunto de selecções que se estrearam na prova. Talvez os jogadores de Haiti, Curaçau e Uzbequistão nunca sonhassem jogá-la. Este foi um dos méritos do alargamento. Embora nem sempre competitivas, foram selecções que trouxeram histórias e sonhos novos ao mundo. Num outro patamar, também a Noruega, nos ombros de Haaland, fez sonhar uma geração de noruegueses com feitos inéditos.
Também foi o Mundial do alargamento da intervenção do VAR. O fora-de-jogo automático é bem-vindo — alguém sente a falta do suplício da introdução de linhas? —, bem como o cronómetro para reposições de bola e substituições. Há números que comprovam o aumento do tempo útil. A lei Prestianni, a possibilidade de reversão de cantos ou de segundos amarelos servem a decência e a verdade desportiva.
Por fim, foi o Mundial do adeus. Pode ser o Mundial, mais um, que reforça a coroa na cabeça de Messi — mais uma Bola de Ouro a caminho? —, mas é o Mundial do provável adeus a Modric, Neuer, Neymar, De Bruyne, James e Van Djik. E claro, Ronaldo. O adeus de Portugal, numa participação muito enublada, deixa uma triste fotografia do melhor futebolista português de sempre. Para desilusão de todos, mas para surpresa de ninguém."

Argentina-Espanha: emoção 'versus' racionalidade


"Afinal de hoje coloca frente a frente aquelas que provaram ser as duas melhores seleções do Mundial 2026. Há algo que une Lionel Scaloni e Luís de la Fuente: ambos tornaram as suas seleções em presenças constantes nas decisões. O que os distingue é a forma como as suas equipas vivem o futebol. De um lado, uma Argentina movida pela emoção. Do outro, uma Espanha que faz da racionalidade a sua principal força.

Argentina: Uma equipa emocional
A Argentina é uma equipa emocional. A paixão que os jogadores demonstram sempre que vestem a camisola albiceleste é incrível. Esta seleção tem tudo aquilo que distingue as grandes equipas: garra, crença, união, qualidade e genialidade.
O mérito de Scaloni está em ter conseguido juntar a estes ingredientes uma boa organização coletiva, agressividade e uma enorme capacidade para ler os jogos. As alterações que promove, durante as competições ou nos próprios jogos, acrescentam quase sempre algo à equipa. Esta é uma seleção que nunca deixa de competir. Mesmo nos momentos de maior dificuldade, continua a acreditar e a lutar. Os jogos frente ao Egipto e à Inglaterra demonstram bem essa identidade. A forma como joga torna-a extremamente difícil de defrontar. A intensidade e a agressividade que coloca em cada lance condicionam qualquer adversário.
Defensivamente, apresenta processos simples, mas muito eficazes. Há entreajuda, compromisso coletivo e uma enorme capacidade para disputar cada bola. Ofensivamente, os argumentos são muitos.
No meio-campo, Enzo Fernández e Mac Allister formam uma dupla extraordinária. Têm visão de jogo, qualidade no passe, remate e capacidade para chegar à área adversária. Defensivamente, são agressivos, inteligentes no posicionamento e muito competentes na recuperação.
Na frente, Julián Álvarez é um avançado muito acima da média. Muitas vezes parece desligado do jogo e, de repente, marca um golo extraordinário ou oferece um passe decisivo que ninguém antecipava.
Depois há um jogador que faz crescer todos os que jogam à sua volta. Um jogador que torna o coletivo mais forte e potencia as qualidades dos colegas. Esse jogador chama-se Lionel Messi.

Espanha: uma equipa racional
A Espanha de De la Fuente chegou à final em todas as competições que disputou: Euro 2024, Liga das Nações 2025 e agora Mundial 2026.
Este percurso diz muito da qualidade do treinador espanhol, que já tinha conquistado um Europeu de sub-19 e um Europeu de sub-21. A liderança de De la Fuente é bem visível. O grupo está sempre acima dos estatutos e as individualidades crescem através do coletivo.
O sistema tático está perfeitamente consolidado, o ADN da equipa é evidente e as variantes surgem naturalmente em função das características dos jogadores que estão em campo. Esta é uma seleção que procura controlar todos os momentos do jogo. Demonstra coragem, organização e maturidade competitiva.
A reação à perda de bola é muito forte porque as linhas estão sempre compactas. Com bola, controla o ritmo do jogo e condiciona os adversários através da posse. Os laterais são competitivos nos dois momentos do jogo. O guarda-redes controla as costas da defesa e os centrais garantem qualidade na construção. No meio-campo, Fabián Ruiz e Pedri oferecem características diferentes.
Fabián acrescenta maior raio de ação, agressividade e capacidade nos duelos. Pedri oferece criatividade, visão de jogo e qualidade na definição. Dani Olmo completa o setor com inteligência na ocupação de espaços, compromisso defensivo e qualidade técnica.
Na frente, Oyarzabal é muito mais do que um avançado. Baixa muitas vezes para criar superioridade no meio-campo, ligar o jogo e abrir espaços para os colegas. É uma peça fundamental desta Espanha. Nas alas, o destaque vai para Lamine Yamal. Mágico, imprevisível e fortíssimo no um para um, decide jogos a qualquer momento.
Mais uma vez, percebe-se o mérito de De la Fuente. O coletivo cria constantemente as condições para que o talento individual apareça. Para o fim fica aquele que melhor representa a identidade desta seleção.
Rodri é o equilíbrio da equipa. Inteligente no posicionamento, criterioso com bola e sempre preparado para interpretar cada momento do jogo. Representa melhor do que ninguém aquilo que é esta Espanha: qualidade, organização, inteligência, compromisso e racionalidade.
O treinador espanhol sabe a importância que tem na equipa e nunca prescindiu dele. Os méritos de De la Fuente estão à vista de todos. Hoje pode acrescentar mais um capítulo a um percurso extraordinário.

A VALORIZAR: LIONEL MESSI
Não seria justo escrever sobre o Mundial de 2026 sem dedicar algumas linhas a Lionel Messi. Aos 39 anos, continua a ser, para mim, o melhor jogador da competição. Já não precisa de estar constantemente em contacto com a bola para dominar um jogo. Gere os ritmos da Argentina como poucos. Sabe quando acelerar, quando pausar, quando aparecer e quando deixar que o coletivo cresça. Continua a ler o jogo antes dos outros e a surgir nos momentos em que a equipa mais precisa. A qualidade técnica continua intacta. Marca golos, oferece assistências e decide jogos com uma naturalidade impressionante. Hoje, interpreta o jogo de uma forma ainda mais inteligente. O posicionamento e a tomada de decisão permitem-lhe continuar a fazer a diferença. Messi lidera de uma forma muito própria. Não precisa de grandes discursos. Lidera pelo exemplo e pela confiança que transmite aos colegas. O coletivo torna-o ainda mais forte e ele torna o coletivo melhor. Representa na perfeição a identidade da Argentina. Joga com a mesma paixão de menino, vibra com cada vitória e assume a responsabilidade nos momentos em que a equipa mais precisa. Independentemente do resultado da final, para mim o melhor jogador deste Mundial está encontrado. Nenhum jogador foi tão decisivo em tantos momentos da competição como o capitão argentino. Como apaixonado pelo futebol, sei que vou sentir saudades da genialidade de Messi.

A DESVALORIZAR: THOMAS TUCHEL
Foi receoso, leu mal o jogo e não ajudou os seus jogadores dentro do relvado. Inglaterra perdeu uma grande oportunidade de voltar a lutar pelo título mundial 60 anos depois."