Últimas indefectivações

domingo, 14 de junho de 2026

Vantagem

Benfica 3 - 2 Sporting

Vitória apertada, numa partida onde fomos superiores, quase sempre, com os golos do Sporting a aparecerem contra a corrente, mas que obrigou ao Benfica terminar o jogo a sofrer!

Será importante vencer na Quarta, e marcar terreno, levar esta Final para uma potencial negra é muito perigoso!

Marco Silva


"Gosto de Marco Silva. Não precisa de apresentações nem de campanhas de marketing para justificar a sua escolha. É, sem dúvida, um bom treinador.
Mas chega também ao Benfica num dos momentos mais delicados do clube. É o sexto treinador em apenas cinco anos. Um número que, por si só, diz quase tudo o que há para dizer sobre a forma como o futebol do Benfica tem sido gerido.
Marco Silva terá de recuperar uma equipa que vem de uma época dececionante, gerir a pressão permanente de um clube que vive da exigência da vitória e enfrentar uma massa associativa cada vez mais impaciente perante a distância entre o investimento realizado nos últimos anos e os resultados alcançados.
E é aqui que surge a verdadeira questão: quando chegarem as primeiras tempestades, as palavras de apoio de Rui Costa manter-se-ão? É que os discursos de confiança têm sido abundantes e repetidos, treinador após treinador. A paciência, é que não.
Marco Silva merece tempo. Merece condições.
Ontem, Rui Costa assumiu que Marco Silva não era a primeira escolha. É verdade, e isso em nada diminui o currículo de Marco Silva. O que Rui Costa não disse é que a primeira opção foi Ruben Amorim, e não José Mourinho. Há muito tempo que Rui Costa não queria Mourinho. O Real Madrid foi uma bênção.
Dito isto, Marco Silva até podia ter sido a sexta opção. Continua a ser um bom nome e já se percebeu que vive bem com isso. Esperemos que tenha o apoio e uma estrutura competente e capaz à sua volta, algo de que os seus antecessores não tiveram.
Já agora, se o director de comunicação puder fazer prova de vida durante toda a época, e não apenas de ano a ano na aprensentacao dos novos treinadores, isso também ajudará."

Mensagem...

Chamem a polícia...

Rola a Bola - Especial Mundial...

Kanal: Tamos Juntos...

Terceiro Anel: Marco Silva...

Concerto de Balneário | Ana Bacalhau e as Pentacampeãs Nacionais de Andebol

Zero: Mercado - Leão entre Palhinha e Altimira

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Um banho de multidão para Portugal ultrapassar o jetlag

Observador: E o Campeão - Pode o México ser a grande surpresa deste Mundial?

Marco Silva apresentado


"A apresentação do novo treinador do Benfica é o destaque nesta edição da BNews.

1. Ambição
No Museu Benfica – Cosme Damião, Marco Silva partilha o que sente: "A honra, o orgulho e a responsabilidade. É o maior desafio da minha carreira. Quem entra nesta casa tem de acreditar que está aqui para ser campeão." E acrescenta sobre a Liga Europa: "O Benfica tem de ser um candidato. Sem dúvida."

2. A conhecer os cantos à casa
Marco Silva fez a primeira visita ao Estádio da Luz enquanto treinador do Benfica, onde visitou as áreas dos vários serviços de suporte, o espaço onde laboram os meios de comunicação do Sport Lisboa e Benfica e o estúdio da Benfica FM.

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Em vantagem
O Benfica ganhou ao Sporting por 2-1 no jogo 1 da final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal.

5. Em desvantagem
No jogo 3 da final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol, o Benfica foi derrotado pelo FC Porto (87-63). Disputada à melhor de 5, o Benfica perde 1-2.

6. Jogos do dia
Na Luz, às 15h00, começa a final dos play-offs do Campeonato Nacional de hóquei em patins no masculino entre Benfica e Sporting.
Às 21h00, a equipa feminina de futsal do Benfica visita o Nun'Álvares. Em caso de triunfo benfiquista, as águias sagram-se campeãs nacionais.

7. Em destaque em Toulon 
Vários jogadores do Benfica ajudaram Portugal a chegar à final do prestigiado torneio para seleções Sub-20, entre os quais João Rego, que bisou.

8. Campeonatos da Europa de canoagem de velocidade
Acompanhe, no Site Oficial, a prestação dos canoístas do Benfica. Fernando Pimenta alcançou o bronze em K1 1000 metros.

9. Cosme Damião faleceu há 79 anos
A efeméride foi assinalada ontem."

O meio-campo e a fórmula 1+3


"Uma forma de potenciar ao máximo Vitinha, João Neves, Bernardo Silva e Bruno Fernandes

Diz o ditado futebolístico que os jogos se ganham no meio-campo. Independentemente da opção por um estilo de jogo mais direto ou mais associativo, por norma, quem controla melhor as ações sobre o corredor central tende a estar mais próximo da vitória.
Olhando para todas as seleções presentes neste Mundial 2026, parece-me claro que Portugal tem o meio-campo mais inteligente, complementar e potencialmente decisivo de todo o certame.
Um meio-campo capaz de proporcionar inúmeras soluções técnico-táticas a Roberto Martínez, mas que, a meu ver, deveria operar a partir da fórmula 1+3: sendo Vitinha o médio mais defensivo, Bernardo Silva o médio interior direito, Bruno Fernandes o médio centro e João Neves o médio interior esquerdo.
Esta configuração, além de potenciar a utilização de uma dupla de avançados (beneficiando Portugal na chegada às zonas de finalização), seria ideal para extrair o melhor rendimento de cada um dos quatro principais médios da seleção portuguesa. Tanto do ponto de vista individual como do ponto de vista coletivo.
Vitinha e Bernardo Silva seriam os principais dínamos da fase de construção e da fase de criação. Perfilados lado a lado ou em posições mais assimétricas, nos half spaces ou em linhas diferentes mediante o que fosse necessário, seriam garantia de qualidade, critério e limpeza na forma como Portugal sairia a jogar apoiado desde trás.
Bruno Fernandes e João Neves, pese embora as diferentes características e capacidades inatas, têm ambos uma forte apetência para chegar às zonas de finalização. E teriam muito mais liberdade e facilidade em avançar até às mesmas estando menos envolvidos na fase inicial do momento ofensivo lusitano.
Com esta fórmula 1+3, Portugal poderia finalmente passar a ter jogo interior e um ataque posicional que favorecesse as características dos médios lusos, bem como a conexão com a dupla de avançados e a ligação com o jogo exterior dado pela projeção dos laterais.
E no momento defensivo, quem iria defender?
Acredito que melhor forma de defender é saber ter bola e impedir que o adversário a tenha. Com um ataque organizado e posicional funcional, alicerçado por este meio-campo 1+3 inteligente e criterioso, Portugal teria sempre os jogadores bem posicionados e com as distâncias ideais para reagir rapidamente à perda de bola e evitar transições defensivas que obrigassem a correrias de 50 ou 60 metros para trás."

O mês em que voltamos a ser crianças


"Começou o Mundial. Nas próximas semanas, o mundo voltará a parecer maior e mais pequeno ao mesmo tempo. Maior, porque cabem nele todos os sonhos. Mais pequeno, porque cabem todos dentro de uma bola.

Começou o Mundial. E, como acontece, de quatro em quatro anos, o mundo voltou a fingir que é uma aldeia. Durante um mês, as fronteiras tornam-se linhas desenhadas a lápis, as diferenças políticas escondem-se atrás das bandeiras e milhões de pessoas que nunca se cumprimentariam na rua partilham o mesmo nervosismo perante uma bola que rola.
Será o último de Cristiano. O último de Messi. O capítulo final de uma história que nos acompanhou nas últimas duas décadas. Há crianças que aprenderam a ler quando eles já eram os melhores do mundo. Há adultos que envelheceram ao ritmo dos seus golos. E agora chegam aqui como os velhos pistoleiros nos filmes do Oeste. Ainda perigosos. Ainda respeitados. Mas já acompanhados pelo rumor da despedida.
Nenhum Mundial começa apenas no presente. Começa também na memória.Cada adepto transporta consigo um álbum invisível. Pelé a correr numa fita que começa a preto e branco e que continua num filme a cores. Maradona a desafiar a lógica e os deuses. Romário e Bebeto abraçados como dois gémeos de mães diferentes. Zidane a rodopiar em versos escritos num relvado. Os Mundiais não pertencem ao calendário. Pertencem à infância.Talvez seja por isso que continuamos a amá-los. Porque nos devolvem uma versão de nós próprios que julgávamos perdida.
Durante quatro anos somos pessoas demasiado ocupadas para visitar a criança que um dia fomos. Pagamos contas. Cumprimos horários. Fazemos promessas que não cumprimos. Carregamos preocupações que não acabam. Depois chega um Mundial e voltamos a ter dez anos. Voltamos a acreditar que um remate pode mudar uma vida. Que um golo aos 90 minutos pode corrigir uma injustiça antiga. Que o impossível não é uma palavra definitiva.
O Mundial é uma máquina de fabricar a beleza da infância dentro de adultos que se esqueceram como se sonha. E talvez seja por isso que perdoamos tanto. Perdoamos a hipocrisia. Perdoamos os discursos vazios. Perdoamos os dirigentes que falam de igualdade enquanto se ajoelham perante o dinheiro. Perdoamos uma organização que há muito escolheu dormir ao lado do poder. A FIFA muda de cenário, muda de slogan, muda de anfitriões, mas mantém uma estranha vocação para confundir influência com virtude e riqueza com mérito. Sabemos tudo isso.
Sabemos demasiado. Mas também sabemos que existe um instante em que a cerimónia termina, os discursos desaparecem e a bola começa a rolar. Nesse momento, a política perde volume. Não desaparece. Nunca desaparece. Mas fica em silêncio. E então entra em campo a parte mais poderosa da humanidade. A imaginação. Porque o futebol é uma das poucas coisas capazes de unir o sol e a sombra. A beleza e a miséria. O cinismo e a inocência. O negócio e a arte.
Durante um Mundial, um rapaz desconhecido pode tornar-se eterno numa tarde. Um país pequeno pode desafiar um império. Um remate pode transformar-se numa recordação que sobreviverá décadas.
É por isso que continuamos aqui. Não por Infantino. Não pelos patrocinadores. Não pela falsidade e hipocrisia nos bastidores do poder. Estamos aqui por aquele instante raro em que o coração chega antes da razão.
Estamos aqui porque ainda acreditamos nos heróis, mesmo sabendo que são humanos. Estamos aqui porque o futebol continua a ser a mais bela desculpa para sonhar acordado.
E porque, algures entre a corrupção dos homens e a pureza da bola, existe um território onde a infância resiste.
Começou o Mundial. Nas próximas semanas, o mundo voltará a parecer maior e mais pequeno ao mesmo tempo. Maior, porque cabem nele todos os sonhos. Mais pequeno, porque cabem todos dentro de uma bola."

A moda tem quase sempre racional


"O Mundial arrancou e da melhor maneira para aqueles que odeiam as novas modas e, de certa forma, também o futebol moderno. O México colocou-se na frente aos 9' e, assim que a bola entrou, as câmeras foram à procura de Sphephelo Sithole, que tinha cometido o grave erro que tudo precipitou.
Os adeptos do chutão, alguns deles também chutões no seu tempo, terão logo ido às redes sociais mostrar os dentes. Outra vez? — terão perguntado. Amigos, vocês chutavam porque não tiveram um treinador que achasse que poderiam evoluir, estes tiveram, só que, como todos, cometem erros. É tão simples quanto isso.
E o erro nasce da estratégia e não da moda. Hugo Broos, treinador belga da África do Sul, quis dividir os aztecas, criar espaço entre linhas e, sobretudo, projetar os alas. Mas não se joga sozinho e o velho lobo Javier Aguirre terá estudado bem o adversário, apresentando um 4x4x2 no momento sem bola que bloqueava esse atrair para ferir e gerava também um redemoinho pressionante perto da área.
É aí que surge o médio Sithole, de costas para a pressão, sem espreitar o ângulo morto antes de receber. Gatilho para o rival assim que se mostrou ao seu guarda-redes, tornou-se depois presa fácil pelo primeiro toque, realmente deficiente. Daí até ao golo de Julián Quiñones foi tudo demasiado rápido.
A estratégia só se tornou inadequada a partir do momento em que houve contra-estratégia. E a esta os sul-africanos não reagiram. Ronwen Williams estava de frente e podia ter diminuído o risco com um destinatário mais projetado. Ou então chutado para a frente, que, na prática, era também reconhecer que essa batalha estava ganha pelos mexicanos."

Viver na terra do XL


"PALM BEACH — Aterra-se nos Estados Unidos com a ilusão de que o cinema exagera. Duas horas depois de circular pelas avenidas da Florida, a caminho do quartel-general de Portugal, percebe-se que Hollywood é, afinal, um retrato minimalista. Por aqui, a moderação é um conceito europeu sem visto de entrada. Tudo, absolutamente tudo, é desenhado à escala do impensável.
Se na Europa conduzimos carros, aqui os locais tripulam autênticos couraçados de asfalto; as pick-ups normais têm o tamanho de camiões e as motas que rugem junto aos semáforos parecem naves espaciais sobre duas rodas.
É o triunfo do gigantismo norte-americano, uma filosofia de vida onde o tamanho não é apenas um detalhe, mas sim uma declaração de poder.
Esta cultura do excesso estende-se ao prato com uma violência calórica desconcertante. Entrar num restaurante em Palm Beach para pedir um almoço rápido é receber uma bandeja que alimentaria uma equipa de futebol americano da Florida.
As doses são monumentais, os bifes parecem desafiar as leis da física e as bebidas — mesmo o mais inocente café ou refrigerante em tamanho pequeno — chegam à mesa em baldes de plástico que obrigam a usar as duas mãos.
Há um orgulho indisfarçável nesta estética do XL, uma obsessão pelo desperdício que choca o recém-chegado e fascina o cronista.
Até a forma como os americanos comunicam segue esta bitola hiperbólica. Não há conversas em surdina; tudo é projetado com uma expressividade ruidosa, um entusiasmo sonoro onde cada banalidade do quotidiano é saudada como se fosse a descoberta da pólvora.
É neste cenário de proporções bíblicas que a nossa Seleção Nacional vai ter de se movimentar nas próximas semanas. Portugal, um país moldado no detalhe e na contenção, terá de saber manter a identidade no meio deste turbilhão onde o ego e as porções competem pelo mesmo espaço.
Para vencer na América, os comandados de Roberto Martínez não precisam de engolir doses XL, mas vão ter de jogar à escala deste país: gigantes. Vai dar Portugal!"

Será que o torto se endireita?


"1. Omar Artan
Muito já foi dito e escrito sobre o jovem árbitro da Somália. Um dos melhores valores africanos, com imensa experiência internacional, sobretudo ao nível das competições de clubes da CAF, mas também a mostrar qualidades na fase final da CAN-2025, que se disputou há meio ano em Marrocos.
Sem surpresa designado, há três meses, para integrar o contingente continental de juízes para o Mundial. Repito, há três meses. Um tempo de construir sonhos, respirar futebol, preparar corpo e mente para a exigente tarefa de dirigir encontros nas Américas.
Um sonho tornado realidade, que Artan nunca escondeu ser o objetivo de uma vida e de uma carreira profissional.
A FIFA tem, nos seus oficiais, uma das classes mais importantes e decisivas para dignificar as principais competições e, para mais, um Mundial reforçado em número de equipas, de países organizadores, de cidades e de estádios. Tem obrigação de cuidar dos seus árbitros de modo transversal e inequívoco.
Independentemente da intransigência dos processos de admissão de estrangeiros em território dos EUA, competiria sempre ao organismo gestor do futebol mundial a responsabilidade de assegurar que todos os seus integrantes do setor da arbitragem teriam salvo-conduto para ultrapassar burocracias.
Se é verdade que, em comparação com o que sucedeu há oito anos, na Rússia (Vladimir Putin liberou fronteiras para permitir uma verdadeira festa do futebol mundial), Donald Trump fecha o país a sete chaves e coloca em causa a credibilidade do segundo maior evento desportivo mundial (e, atenção, em 2028 o primeiro terá lugar em… Los Angeles!), é igualmente certo que a imagem de Gianni Infantino sai muito chamuscada desta situação. E ainda estamos apenas no terceiro dia de Mundial…

2. Claudia Scheinbaum
Para muitos, terá sido um incidente diplomático. Para todos, foi uma surpresa. E uma bofetada de luva branca à FIFA: a presidente do México não esteve no Estádio Azteca, para a partida inaugural do Mundial, entre a equipa do seu país e a África do Sul. Preferiu, de acordo com o seu gabinete, juntar-se à população mexicana anónima, vendo o jogo e celebrando a vitória da tricolore num centro desportivo comunitário.
É, evidentemente, um sinal, um poderoso sinal dado por Claudia Scheinbaum, num momento em que as relações entre México e Estados Unidos da América já conheceram melhores dias, e em que o Mundial tem acrescentado pepitas de discórdia entre os organizadores, justamente devido à política diversa de admissibilidade de estrangeiros nos respetivos países, para diversas funções na competição.
Scheinbaum já não gostara da atribuição, à sua frente, em Washington, do FIFA Peace Prize a Donald Trump, manifestando visível desconforto.
Encontrou agora, na legitimidade do seu exercício presidencial, o modo ideal de mostrar à FIFA que há múltiplas formas de celebrar o belo jogo. Infantino, sozinho na primeira fila da tribuna, ganhou mais um motivo para começar a questionar algumas das ações pelas quais se responsabiliza.

3. João Pinheiro
Aproxima-se a estreia do mais cotado árbitro português da atualidade. João, Bruno e Luciano, o trio inseparável, será muito brevemente designado para o seu primeiro jogo. A ansiedade sobe, na exata medida e proporção da dimensão mundial da competição.
É natural que, respeitando a neutralidade continental que tem caraterizado Pierluigi Collina, o primeiro encontro da equipa de arbitragem portuguesa seja entre seleções não europeias, o que fará com que Pinheiro regresse ao Chile, onde apitou, o ano assado, na fase final do Mundial de sub-20.
A presença do árbitro português será, evidentemente, bem recompensada do ponto de vista financeiro. É um ponto alto de carreira para profissionais altamente treinados e especializados, com dimensão e visão mundiais, e de alcance global.
Portanto, e na exata medida das previsões financeiras muito favoráveis já reconhecidas pela FIFA, era só o que faltava que os árbitros não fossem bem pagos.
Terão de o ser, e é muito bom que a tripla lusa ganhe ainda mais, com acréscimos previstos para os juízes que dirigirem partidas da fase a eliminar (a partir dos 16 avos de final), porque isso, evidentemente, significaria o prolongar do trilho de sucesso e competência na fase final do Mundial das Américas.
Tudo o que João Pinheiro já conseguiu ilustra bem o princípio de que o esforço e a dedicação, aliados a um profundo estudo teórico e a uma condição física de atleta de alto rendimento, são referência e caminho. Devem ser motivo de orgulho para os portugueses, exatamente como a sua seleção ou os seus ídolos do pontapé na bola. O apito nunca será menos importante.

4. Cristiano Ronaldo
Portugal, nos últimos anos, tem um problema: confunde gratidão com lucidez.
Cristiano Ronaldo, como já múltiplas vezes escrevi e disse, é, para muitos, o melhor jogador da História do futebol e, para todos, será sempre um dos melhores.
É um atleta de eleição, pelo modo como tem gerido a sua carreira e por chegar aos 41 anos com uma vitalidade que muitos trintões (ou até mais jovens…) já não têm para o alto rendimento.
CR7 é uma marca. No campo, fora dele, no marketing, na publicidade, no planeta futebol, nas redes. Incontornável, única, indissociável de um ícone do desporto mundial.
Ninguém o nega, nem tem como negar. Só temos, enquanto amantes do desporto-rei, de nos sentir recompensados por tudo o que o astro madeirense construiu, ao longo da sua brilhante carreira.
Posto e dito isto, do ponto de vista competitivo, Cristiano já não é a mais-valia que, durante muitos anos, constituiu para o onze português. É um pilar de balneário e uma fonte de agregação e motivação, mas isso não quer dizer que tenha de ser titular.
Fica evidente, em diversos momentos de demasiados jogos, que Portugal é mais fluido e oferece diferentes possibilidades de exponenciar características de outros grandes jogadores, quando o avançado do Al Nassr não está em campo.
Será sempre um ótimo trunfo, uma explosão de alegria para a equipa e de respeito para os adversários, se jogar trinta a quarenta minutos. Sublinho: não creio que se justifique, neste momento e com o grupo à disposição de Roberto Martínez, a sua titularidade.
Tenho, porém, quase a certeza que a terá. Mas gratidão não pode, por si só, rimar com lucidez."

Novidade...

Tuga Fut: Mundial #2

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Não é falta de ambição nem excesso de proteção. É formação


"Parece existir a ideia de que ensinar significa eliminar o erro, quando, na realidade, ensinar implica precisamente ajudar a criança a compreendê-lo, aceitá-lo e crescer através dele.

Na formação desportiva existe um erro que se tem tornado cada vez mais frequente: confundir desenvolvimento com rendimento imediato.
Quem coloca a aprendizagem acima da classificação é frequentemente acusado de proteger demasiado as crianças ou de revelar falta de ambição.
No entanto, talvez a questão deva ser outra: será que sacrificar oportunidades de aprendizagem para ganhar mais cedo é realmente ambição?
Colocar o desenvolvimento acima do resultado não significa retirar valor à competição. Os jogos continuam a existir, as equipas continuam a querer ganhar e as derrotas continuam a gerar frustração. Nada disso desaparece.
A diferença está no peso que lhes atribuímos.
Uma derrota continua a ser uma derrota, mas não tem de definir tudo. Um erro continua a gerar frustração, mas não tem de definir a criança nem o seu valor.
Hoje, qualquer contexto onde exista tolerância ao erro, paciência perante o processo ou preocupação com o desenvolvimento individual tende a ser rapidamente interpretado como excesso de proteção. Parece existir a ideia de que ensinar significa eliminar o erro, quando, na realidade, ensinar implica precisamente ajudar a criança a compreendê-lo, aceitá-lo e crescer através dele.
O erro não representa uma falha do processo de aprendizagem; faz parte dele.
Uma criança que experimenta, toma decisões, falha e volta a tentar está exatamente a viver aquilo que deveria viver naquela fase do desenvolvimento. É através dessas experiências que constrói competências, ganha confiança, desenvolve autonomia e aprende a lidar com desafios.
Retirar o erro do processo não acelera a aprendizagem. Muitas vezes, limita-a.
Por isso, tolerar o erro não deve ser confundido com excesso de proteção. Proteger seria retirar a criança da dificuldade, evitar que enfrentasse desafios ou impedir que lidasse com a frustração inerente a qualquer processo de aprendizagem.
Formar é diferente.
Formar implica criar condições para que a criança experimente, falhe, reflita e tente novamente, compreendendo que a evolução raramente acontece de forma linear.
Da mesma forma, não colocar o resultado no centro de tudo também não significa falta de ambição.
Falta de ambição seria desistir de melhorar, aceitar a estagnação ou não exigir evolução.
Quem acredita verdadeiramente na formação quer ganhar e prefere ganhar a perder, como qualquer pessoa competitiva.
A diferença está em não permitir que a vontade de vencer hoje se sobreponha ao desenvolvimento de quem ainda está a aprender.
Porque quando o resultado imediato se torna prioridade, muitas vezes reduzem-se oportunidades, limita-se a experimentação, condiciona-se a tomada de decisão e acaba por se ensinar menos para ganhar mais.
Importa também olhar para uma ambição que muitas vezes passa despercebida: a ambição da própria criança.
A vontade de aprender. De melhorar. De ultrapassar dificuldades. De conseguir amanhã aquilo que hoje ainda não consegue fazer.
Nem sempre a ambição do adulto coincide com a necessidade da criança.
Talvez seja precisamente aí que resida o verdadeiro desafio da formação.
Não ganhar cedo. 
Mas formar crianças que continuem a aprender, a persistir e a gostar do jogo muito depois do resultado final.
Porque talvez o maior sucesso da formação não seja a criança que ganha cedo, mas aquela que continua a querer aprender anos depois."

sábado, 13 de junho de 2026

Marco Silva...


Apresentação oficial do novo treinador, com palavras calmas e ambiciosas, relembrando que o caminho do Benfica faz-se com todos a puxar para o mesmo lado! Algo, que pessoalmente, acho que não vai acontecer...

Não duvido da sua competência técnica, acho que o Benfica vai ter um Futebol mais vistoso, mais mecanizado, com os jogadores nos seus lugares, agora o sucesso vai depender doutros factores...

Primeiros momentos...

Terceiro Anel: Marco Silva...

Visão: React - Marco Silva

79

Vantagem...

Benfica 2 - 1 Sporting

Vitória no 1.º jogo, numa partida equilibrada, mas onde o Benfica esteve na frente do marcador, praticamente desde do início do jogo! Em vantagem, é normal o adversário ter um poucadinho mais iniciativa, e por isso foi mesmo o Sporting que rematou mais à baliza, mas o Benfica podia ter 'matado' a partida várias vezes...

Muito cabecinha para o 2.º jogo, não podemos repetir os erros da Champions...

Horrível...

Corruptos 87 - 63 Benfica
27-13, 20-23, 17-14, 23-14

Jogo mau, mas mesmo muito mau, com percentagem ridículas! Os Corruptos, estão com muito atino nos Triplos, mas isso não desculpa a entrada no jogo a dormir... e depois sempre a correr atrás do prejuízo, sem cabeça!
Exige-se uma reação, rápida e energética, senão temos um fim de época antecipado!

O mais importante...

Porque sim, e porque não !!!

RUI COSTA EXPLICOU-SE EM CONFERÊNCIA DE IMPRENSA


"1.
Rui Costa respondeu diretamente e sem rodeios a tudo o que lhe perguntaram. Se algumas coisas ficaram por esclarecer, foi porque as perguntas não lhe foram colocadas pelos jornalistas.

2.
Arrumou de vez com o assunto Mourinho, que tanta tinta fez correr nas últimas semanas, esclarecendo vários dos pontos em aberto.

3.
Explicou que se Riquelme tivesse ganho não viria daí qualquer problema ao mundo: havia um acordo de cavalheiros e Mourinho não seria treinador do Benfica na época 26/27 sem que isso acarretasse custos para qualquer uma das partes. Sei que isto é absolutamente verdade.

4.
Mesmo que tivesse renovado com Mourinho, e eu critiquei-o por não o ter feito, isso não impediria o treinador de aceitar agora o convite do Real Madrid.

5.
Assumiu erros próprios, mas não explicou quais - e também não lhos perguntaram. Isto era, para mim, o que mais me interessava ouvir da parte de Rui Costa, e tenho pena que Mourinho, que é passado, tenha sido praticamente a única preocupação dos jornalistas.

6.
Arrumado o assunto Mourinho, é hora de olhar em frente. Marco Silva é apresentado amanhã, já tem vindo a trabalhar na preparação da nova época, é bom que lhe sejam dadas todas as condições para atingir o sucesso."

Gloriosos Benfiquistas - S06E01 - Marco Silva...

Terceiro Anel: Rui Costa...

Zero: Mercado - Dragão tem nova cara; Bernardo Silva causa terramoto

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Análise às explicações de Rui Costa

Observador: Três Toques - Mundial arranca com bronca de mãe e lição de Mourinho

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #2

Zero: Entrevista - Chiquinho...

O novo Modric será português


"Tudo indica que Bernardo Silva, que chegou a ser dado como certo em Barcelona, acabe no grande rival Real Madrid. As últimas notícias, mais o desejo do internacional português de resolver a vida antes do Campeonato do Mundo, apontam para aí com alta percentagem de probabilidade. O português ter-se-á sentido mais querido na capital espanhola do que na Catalunha, apesar de o namoro com os culers ser antigo, a julgar pelas notícias ao longo dos últimos anos, e de o seu futebol até encaixar melhor ao lado de gente como Pedri, De Jong, Gavi e Fermín.
Embora José Mourinho deva certamente ter dado o seu aval, a contratação do compatriota ex-City até aparenta ser mais uma decisão do clube do que propriamente de apenas um técnico. É que há muito se fala da quebra que registada nos madridistas a partir do momento em que, primeiro, perderam o alemão Toni Kroos e, depois, o croata Luka Modric, e Bernardo pode ser a melhor solução em anos.
Nenhuma das contratações feitas pelo Real Madrid colmatou a qualidade que ambos acrescentavam à posse e à fase de criação merengue. Nem Tchouaméni, Camavinga ou Bellingham, nem elementos mais antigos no grupo como Valverde ou Ceballos.
Não é crível que Mourinho esteja, nesta fase da carreira, a pensar em voltar a construir uma equipa dominadora, porém Bernardo Silva, pelo que já mostrou em Inglaterra e ao serviço da Seleção Nacional, é transversal a qualquer técnico. Capaz de gerir ritmos, organizar e distribuir, é difícil não encontrar no português um novo Modric ou Kroos, ainda que lhe falte a perícia da bola longa do alemão. E terá todo o Mundial para mostrar o que pode vir a ser ao público espanhol."

Esclarecimentos aos Benfiquistas


"Em destaque nesta edição da BNews, as respostas do Presidente do Sport Lisboa e Benfica em conferência de imprensa dedicada ao balanço da última temporada e às expectativas para a próxima época.

1. Voltar a ganhar
Em conferência de imprensa, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, explicitou as razões para a saída de José Mourinho e para a entrada de Marco Silva e abordou a próxima temporada.
Veja ou reveja no Site Oficial.

2. Apresentação de Marco Silva
Está agendada para hoje, às 17h00, no Museu Benfica – Cosme Damião.

3. Mundial de futebol
Siga, no Site Oficial, todos os resultados e marcadores e ainda o desempenho dos futebolistas do Benfica.

4. Na final
O Benfica está na final dos play-offs do Campeonato Nacional de hóquei em patins no feminino. No jogo 2 das meias-finais, vitória benfiquista por 5-7 no rinque da Sanjoanense.

5. Jogos do dia
Hoje tem início a final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal no masculino. O jogo 1 é na Luz, às 21h00, entre Benfica e Sporting.
E prossegue a final do Campeonato Nacional de basquetebol: às 19h00, no Dragão Arena, Benfica e FC Porto medem forças pela terceira vez na eliminatória derradeira.

6. Agenda para sábado
Na Luz, às 15h00, começa a final dos play-offs do Campeonato Nacional de hóquei em patins no masculino entre Benfica e Sporting.
Às 21h00, a equipa feminina de futsal do Benfica visita o Nun'Álvares. Em caso de triunfo benfiquista, as águias sagram-se campeãs nacionais.

7. Protagonista
A andebolista do Benfica, Mihaela Minciuna, é a entrevistada da semana.

8. Saída anunciada
Jota González deixa de ser o treinador da equipa masculina de andebol do Benfica no próximo 30 de junho.

9. Campeonatos da Europa de canoagem de velocidade
Acompanhe, no Site Oficial, a prestação dos canoístas do Benfica.

10. Benfica internacional
Sub-13 do Benfica Ateitis FA são campeões nacionais do seu escalão na Lituânia.

11. História Agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV."

BolaTV: Entrevista - Thierry Correia

AA9: Mundial - Day 1

Zero: Negócio Mistério - S06E03 - Ochoa

FIFAmente !!!

O exercício 'Portugal'


"Unir as pontas soltas de um sonho exige mais do que talento. Exige um último ato de coragem. Este Mundial é oportunidade única, daquelas que raramente cruzam o destino de uma geração

Este é o meu exercício — e qualquer um de vós terá o seu — sobre aquela que deveria ser a equipa-base de Portugal no Mundial. Dificilmente encontrarão algum condicionamento por gratidão, justiça, estatuto ou clubismo. É uma equipa construída a partir dos convocados de Roberto Martínez, porque já não há outra forma, que tenta responder a problemas recorrentes e não resolvidos da Seleção durante a era do espanhol. E, atenção, lembro que há sempre vários caminhos para o sucesso e, por vezes, várias soluções para um mesmo problema.
O ponto de partida não está na baliza, uma vez que não há neste momento concorrente próximo do nível de Diogo Costa, ainda que ache que o guarda-redes do FC Porto deva trabalhar a linguagem corporal, que por vezes deixa transparecer insegurança. Quantos golos salvaram Schmeichel, Kahn, Buffon graças ao ar ameaçador com que saltavam à bola? Cerra os dentes, miúdo!

UM 'MONSTRO' NO MEIO DA SALA
Começo precisamente pelo 9, porque é aqui que, há muito, reside um dos maiores bloqueios ao crescimento coletivo. Se Martínez não o fez até aqui, muito menos o fará agora, seja em nome da estabilidade do grupo, do núcleo duro ou, simplesmente, por falta de coragem, no entanto, não retirar Cristiano Ronaldo da equação condiciona toda a equipa, da defesa ao ataque.
Com o capitão como avançado-centro e pela necessidade de fomentar algo em que este não é especialista, como o apoio frontal, o jogo interior coletivo — em que contamos com elementos do bicampeão PSG e do Manchester City — enfraquece. O que, paralelamente, obriga a que haja gente que o alimente desde os flancos: extremos. Em tese, Pedro Neto à direita e Rafael Leão à esquerda, com apoio dos laterais Cancelo (ou Dalot) e Nuno Mendes (ou Cancelo) a atacar o meio-espaço entre lateral e central. Seja direto ou após desdobramentos, o objetivo depois é cruzar para Ronaldo, que, para já, é anulado muitas vezes. Ou tem mostrado um decréscimo flagrante de qualidade da finalização.
Apesar disso, CR7 continua muito focado no golo. Na maior parte das vezes coloca-se no desfecho das jogadas. A maioria dos movimentos são feitos a pensar em si próprio e não em libertar espaço para os colegas.
Depois, sem bola, Ronaldo não é pressionante. Ainda o será menos no calor da América do Norte. E as escassas tentativas que lança têm estado desenquadradas do resto da equipa.
Gonçalo Ramos não está no melhor momento de forma, seja mental ou tecnicamente. Mas ainda assim oferece uma maior ligação com os restantes setores e um Portugal a defender com 11. Guedes apresenta uma capacidade de explosão, mobilidade e finalização que não devem ser desvalorizadas e também ele gosta de morder a construção dos adversários. E o próprio João Félix poderá ser um falso 9, pela capacidade que tem de jogar de costas para a baliza e pela inteligência no ataque ao espaço. Ainda que peque no momento defensivo. Na verdade, todas elas parecem melhores soluções.

O TRIÂNGULO IDEAL
Vitinha e João Neves não oferecem qualquer tipo de discussão. São inseparáveis e só um louco os tentará separar. A questão reside no terceiro elemento. Bruno Fernandes é o maior candidato, mas Bernardo Silva faz mais sentido. Um Bernardo com liberdade para aparecer também mais à frente, juntando-se aí sim a Bruno Fernandes, mas que, ao contrário do médio do Manchester United, fala a mesma língua que o duo parisiense. Um Bernardo que acelera no momento certo e não está sempre a querer acelerar.
Há receio de que Martínez veja aqui a necessidade de um médio-defensivo, como Rúben Neves ou Samú, sacrificando João Neves. Ou Bernardo. É necessário coragem para resistir.

ENTRELINHAS E MEIOS-ESPAÇOS
Para a maior parte dos leitores, soará a balelas táticas, mas é muito mais do que isso. Claro que há as bolas paradas, os erros, os remates de longe e as jogadas individuais, porém é aqui que se criam os desequilíbrios.
Se Portugal conseguir pressionar os meios-espaços entre lateral e central e entre centrais, o adversário tem de reagir para evitar o 1x1. O mais provável é que os laterais fechem por dentro, abrindo os corredores. Aí entram Cancelo e Nuno Mendes, com toda a sua qualidade. E com a presença na área assegurada por três ou quatro jogadores e, se o resto dos jogadores respeitar a subida coletiva, com gente à entrada da área.
Se o adversário não juntar o bloco, estará por dentro o espaço a aproveitar.
Claro, esta imagem é estática. Há dinâmicas. Mobilidade.
Se Bruno Fernandes é inegociável como falso-extremo e já discutimos o 9, faltará encontrar o homem da falsa-esquerda. E não há melhor candidato do que João Félix. Pelo momento, mas também pelo perfil, podendo funcionar como segundo homem na área e ainda também definir em passes e movimentos de rotura como ninguém.
Bernardo estará muitas vezes por aqui, podendo criar uma dinâmica própria com Bruno Fernandes.

A FALTA DE FISICALIDADE
Dificilmente também haverá dúvidas sobre os laterais titulares. Cancelo e Nuno Mendes reúnem o favoritismo de quase todos. Se estiverem bem fisicamente, estão muito à frente de todos os outros, e entre os melhores do planeta.
Rúben Dias, com época complicada a nível físico, será o xerife e faltará encontrar o ajudante. Inácio é o melhor a construir, todavia, mostrou-se novamente débil nos duelos físicos. Veiga pareceu mais sólido defensivo e mais limitado no passe. Tomás Araújo tem o mesmo problema que o sportinguista e a mesma versatilidade a construir. Quebra ainda linhas com o transporte e apresenta uma estratégia de contenção mais funcional, podendo fazer derivar Dias para a esquerda. Martínez talvez vá por Veiga, mas, estando bem, Tomás oferece mais. Sobretudo se ganhar confiança.
O exercício aí fica. A oportunidade é única, talvez irrepetível. Iremos lá com coragem. A dar a Portugal para poder dar Portugal!"

A chapada de luva branca do presidente da UEFA


"Decisões como a de nomear o árbitro somali para apitar a Supertaça não podem ser apenas um gesto de marketing; tem de representar outros valores

Há muito tempo que o futebol passou a fazer parte da mais alta e intrínseca geopolítica. E não é um fenómeno apenas deste século. Os mais antigos lembrar-se-ão de ver a Argentina, vivendo uma ditadura, a acolher o Mundial-1978 com a seleção anfitriã a arrecadar o título alavancada no talento de Mario Kempes e noutras situações bizarras a que o contexto não foi alheio.
Mas é indiscutível que os mandatos de Joseph Blatter foram aqueles que elevaram a organização dos Mundiais para esferas muito mais opacas. O mesmo antigo presidente da FIFA que agora se insurgiu com o tratamento dado pelos Estados Unidos ao árbitro somali Omar Artan, enviado para casa por suspeitas de associação a organizações terroristas. Estas ironias fazem parte, no fundo, deste imenso circo: processos suspeitos e investigados na atribuição dos Mundiais da Rússia (2018) e Qatar (2022), envolvendo dirigentes, ministros e até presidentes da república, chutando para canto tudo o que são critérios de transparência.
Só os mais ingénuos acreditam que o futebol poderia funcionar como acelerador de mudança e não a embraiagem. Que a FIFA teria alguma magistratura de influência na administração Trump na relação com os estrangeiros que entram no país. Os gestos, declarações e atitudes do presidente Gianni Infantino só reforçam a ideia de subjugação ao poder, pelo que nada de positivo se poderá esperar nos próximos tempos.
E porque o futebol é uma plataforma geopolítica, a decisão da UEFA em nomear o mesmo juiz africano para apitar a Supertaça Europeia entre PSG e Aston Villa é muito mais que uma provocação aos vizinhos da sede em Zurique; é mais um gesto de afirmação que a Europa tem definitivamente de assumir perante os Estados Unidos. Porque o trumpismo veio para ficar: mesmo após a saída do atual inquilino da Casa Branca (seja lá quando for), as relações com o bloco europeu dificilmente voltarão ao que assistimos nos últimos 80 anos porque há divergências de fundo que antes eram disfarçadas com a arte da diplomacia. Pelo menos Trump tem esse mérito: tirou o filtro. Dele e de uma maioria (também no voto popular) que concorda com os seus métodos e valores. O mundo MAGA.
Os europeus são acusados de serem cínicos e de nunca saírem de cima do muro na forma como lidam com Israel ou como se têm posicionado na guerra entre os EUA e o Irão. Mas este será o resultado de um bloco que é feito de muitas camadas e culturas. Mais do que nunca, gestos como a nomeação de Omar Ortan para o jogo de Salzburgo tem de simbolizar muito mais do que um ato de simpatia."

O país que não devia receber o Mundial


"FIFA não olhou a meios para ter a prova mais lucrativa de sempre. Futebol vai servir para normalizar a América de Trump. No Qatar, pelo menos, houve menos silêncio...

As imagens de jogadores de futebol, treinadores e membros do staff a serem pormenorizadamente revistados à chegada ao Mundial 2026 repetem-se por estes dias (ainda que uns mais do que outros, aparentemente). Nada de anormal nesta América securitária, por muito que os nossos olhos europeus não estejam habituados a isto (felizmente!).
Claro que não basta ser o melhor árbitro de África para entrar nos Estados Unidos para apitar a maior competição do mundo, é preciso passar no rigoroso controlo de segurança, que não é propriamente conhecido por gostar de africanos, somalis, negros. Aconteceu a Omar Abdulkadir Artan e não convém esquecê-lo, sobretudo perante a inação da FIFA. Das autoridades americanas, só uma fonte a garantir que o árbitro terá ligações a alegados membros de organizações terroristas. Já vimos este filme...
Também aconteceu a Aymen Hussein ser interrogado durante sete horas num aeroporto. Foram precisas sete horas para descobrir que o jogador não era, afinal, um outro cidadão com o mesmo nome de quem as autoridades suspeitavam. Aymen Hussein é iraquiano e não é, de longe, nem o primeiro nem o último iraquiano a ser discriminado, confundido, tratado como suspeito de terrorismo neste país só por ter esta nacionalidade. Mas tinha de acontecer a Aymen Hussein, cujo pai foi assassinado pela Al Qaeda e cujo irmão foi sequestrado pelo Estado Islâmico, estando ainda desaparecido. Digo tinha porque tudo isto parece uma inevitabilidade nesta América tão cruel (e racista).
Os próximos dias vão esbater estas histórias, porque o futebol tem esse dom (será dom? Adiante) de nos fazer esquecer das coisas mais importantes entre as mais importantes.
Também antes do Mundial no Qatar foram lembrados os problemas (perdoem-me o eufemismo) desse país e depois a bola começou a rolar e só aquela final fez-nos esquecer tudo. Com a diferença, noto, que nessa altura os protagonistas foram mais ativos. Agora é mais difícil protestar sobre os Estados Unidos de Donald Trump, logo ele que até recebeu um Prémio da Paz das mãos de Gianni Infantino - um troféu enorme, como os homens pequeninos às vezes precisam de receber para se sentirem os maiores.
Os europeus já foram mais defensores da democracia, agora estão reféns desta gente. Os outros têm mais dificuldade, ou menos peso mediático, porque são africanos ou iraquianos. Resta o Irão, que chegou entretanto ao México para lembrar que 168 crianças morreram no ataque americano a uma escola primária. Para elas não há prémios da paz.
Sucedem-se também as notícias sobre a falta de interesse do público em ir ver os jogos da fase de grupos. Os bilhetes são vendidos ao preço do ouro, porque no final disto tudo não interessam os retidos, os expulsos, os discriminados, os que assistem calados. O que vai contar é o quão lucrativa será esta prova. E o quanto irão ganhar poder Infantino e Trump.
Ainda bem que a bola já começou a rolar. Vamos à coisa mais importante entre as menos importantes."

É só lagartos em Palm Beach


"WEST PALM BEACH — Caminhar pelas ruas arborizadas de West Palm Beach, nesta contagem decrescente para a estreia da nossa Seleção, é aceitar um convívio diário com uma vizinhança peculiar. Por aqui, a natureza teima em saltar dos canteiros para o asfalto. Há uma invasão silenciosa que salta à vista de qualquer repórter: é só lagartos em Palm Beach.
Desengane-se o leitor mais clubista se pensa que há aqui alguma segunda intenção escondida na frase anterior ou que algum emblema montou sucursal nas imediações do quartel-general de Portugal. Nada disso. Trata-se de uma constatação puramente zoológica, embora a ironia do cenário seja deliciosa demais para ser ignorada por quem respira o nosso futebol.
Estes répteis tropicais transformaram-se nos verdadeiros donos do pedaço. Há-os de todos os tamanhos e feitios. Uns são minúsculos, rápidos como extremos de linha, desaparecendo num ápice entre as fendas dos passeios; outros, mais robustos e imponentes, exibem-se sem pressas sob o sol abrasador, ostentando uma pose aristocrática junto às palmeiras e aos jardins residenciais.
Andam por todo o lado, quase sempre camuflados na vegetação luxuriante da Florida, mas demonstram uma capacidade de adaptação impressionante, estando perfeitamente habituados à coexistência pacífica com os humanos. Olham-nos de soslaio, com uma indiferença felina, antes de recolherem à sombra protetora do seu próprio reino.
Em Portugal, a gíria das bancadas costuma usar o termo com contornos mais belicosos para picar um dos rivais da Segunda Circular. Mas aqui, no asfalto quente da Florida, a palavra despe-se de qualquer carga pejorativa e ganha uma leveza quase poética.
É impossível não sorrir ao ver tamanha proliferação destas criaturas verdes num Estado que serve de base de apoio à Seleção Nacional. Se o bicho é sinal de agilidade e de sobrevivência em ambientes extremos, que esta omnipresença seja um bom prenúncio. Afinal, para cruzar com sucesso esta longa rota americana, Portugal vai precisar de toda a destreza do mundo. O asfalto continua a ferver e, entre répteis e palmeiras, a caravana avança. Vai dar Portugal!"

Marrocos ou Uruguai: as possíveis surpresas


"Ter a oportunidade de trabalhar em vários pontos do planeta é, em muitas situações, uma vantagem. No caso do futebol, permite-nos perceber melhor as especificidades do jogo em países tão distintos como Portugal (claro), Brasil, Qatar ou Coreia do Sul. Gosto de olhar para um jogador, um treinador, uma equipa e fazer sempre uma relação direta com o seu próprio contexto e tentar entender porque adotam determinada ideia ou determinado processo. Há sempre, em qualquer escolha, um motivo que está relacionado com o sítio onde nascemos e crescemos.
O futebol é das coisas mais universais e apaixonantes que existem, mas é fundamental respeitar as especificidades que existem em cada país. De outra forma será sempre difícil entender o choque de propostas (de jogo) e realidades que existem quando 48 seleções/nações se enfrentam na mesma competição.
Acredito que estamos todos muito curiosos para ver o que vai acontecer neste Campeonato do Mundo. É verdade que é sempre assim, a cada quatro anos, mas desta vez ainda mais. Talvez porque nunca tivemos uma prova com tantos participantes e também porque, agora, há seleções estreantes, que conhecemos mal, e que podem trazer incerteza e imprevisibilidade nalguns grupos.
O habitual, até 2022 era termos um Campeonato do Mundo com 64 jogos – incluindo aquele sempre desinteressante duelo para saber quem fica em 3.º e 4.º lugar. A partir de agora, de acordo com o novo modelo da competição, vamos passar a ter 104. São mais 40 jogos!
É difícil prever o impacto que poderá ter esta alteração na qualidade da prova, mas acredito que, neste Mundial 2026, o grande desafio estará na capacidade de adaptação. Porque estamos a falar de competir em três países, com diferentes contextos ambientais. É preciso estar pronto para altitude, calor, frio e variação, também, de humidade. Pela minha experiência no Brasil, sei bem o quão difícil é esta diversidade climática. Quem melhor se adaptar pode tirar uma vantagem importante.
Principais candidatos à vitória? Por ordem alfabética: Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, França e Portugal. De todas estas seleções, só uma ainda não foi campeã do Mundo. Quem sabe se essa “fome de títulos” também não poderá ser decisiva...
Em relação às equipas que podem surpreender e, contra a maioria das previsões, ir muito longe na competição, aposto em duas: Marrocos e Uruguai. A seleção africana já surpreendeu em 2022 e vejo-a com capacidade para voltar a ter uma grande prestação. O Uruguai, esse, tem um selecionador muito experiente (Bielsa) e uma geração que atingiu um estado pleno de maturação."