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quinta-feira, 30 de abril de 2026

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Futebol à Parte #40 - PORTO quase CAMPEÃO, AFS x SPORTING e BENFICA de CHAMPIONS?

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Futebol total no Parque dos Príncipes


"PSG-Bayern de Munique, 5-4. Mas que jogo. Ontem, o futebol venceu. Venceu na sua forma mais pura e mais bela. Sem distrações, sem o ruído que tantas vezes o tenta abafar. Não foram os comunicados, nem as polémicas, nem as apostas, nem o circo paralelo que por vezes insiste em ocupar o palco principal. Foi apenas o futebol, o verdadeiro futebol, a falar mais alto.
Nove golos. Podiam ter sido mais. Um ritmo alucinante. Emoção até ao último segundo. Luis Enrique, técnico dos atuais campeões europeus, confessou no final da partida que este foi o melhor jogo da sua vida enquanto treinador. Uma daquelas noites em que o coração bate mais rápido e nos lembramos do porquê de nos termos apaixonado por este desporto. Porque, no fim de tudo, é isto que o futebol vende. É isto que o torna eterno.
E depois existem os verdadeiros protagonistas. Alguns deles portugueses ou que já passaram pelo nosso Campeonato. Jogadores de topo, com uma qualidade técnica muito acima da média, sem medos, sem amarras. A ir para cima, a arriscar, a desequilibrar. Com dribles que levantam os estádios, arrancadas fabulosas, receções e golos mágicos. Aqueles instantes que fazem um miúdo olhar para o ecrã e pensar: «É isto, Mãe. É isto que eu quero fazer quando crescer».
No Parque dos Príncipes, no memorável palco da Liga dos Campeões, foi dada uma grande resposta para quem insiste em viver preso ao passado. Para quem diz que «antigamente é que era», que já não há magia, que o futebol atual perdeu a alma.
Sim, o futebol está diferente. Mas este desporto não morreu. O futebol reinventa-se. Evolui. Continua a emocionar. Talvez de formas diferentes, mas com a mesma intensidade de sempre.
E enquanto existirem noites assim, jogos assim, jogadores assim… o futebol será sempre inesquecível e apaixonante.
Ontem não foi só um jogo de futebol. Foi um lembrete. Um lembrete de que o essencial ainda lá está. O talento, a criatividade, a coragem e a emoção. De que o jogo ainda pertence aos jogadores que arriscam, que inventam, que fazem algo inesperado quando todos pensam que já viram tudo.
Um lembrete de que não estamos a viver numa era menor, como tantas vezes se diz. E, talvez o mais importante, um lembrete do porquê de gostarmos tanto disto. Daquele sentimento quase infantil de surpresa e entusiasmo. E como alguém muito sábio uma vez me disse, «o futebol é a tua recuperação da infância a cada fim de semana»."

O futebol feminino já não pede espaço — está a ocupá-lo!!


"Durante anos, o futebol feminino na Europa viveu num paradoxo curioso: crescia todos os dias, mas parecia sempre estar à espera de reconhecimento. Como se ainda tivesse de justificar a sua existência.
Hoje, essa fase acabou.
O futebol feminino já não pede espaço. Está, simplesmente, a ocupá-lo.
Os números ajudam a perceber isso, mas não contam toda a história: mais de um milhão de jogadoras registadas na Europa, crescimento constante, mais ligas, mais treinadoras e treinadores, mais investimento. Tudo isso é relevante, mas o mais importante é outra coisa: pela primeira vez há uma estrutura real, há continuidade, já começou a ter mercado e isso muda tudo.
Neste momento o futebol feminino é um produto.
Como em quase tudo no futebol, há um detalhe que faz a diferença: nem todos estão a crescer ao mesmo ritmo.
Olhar para o mapa europeu do futebol feminino é olhar para uma Europa a duas velocidades. 
De um lado, países como Inglaterra, Alemanha, França ou Espanha, onde o futebol feminino deixou de ser um projeto e passou a ser um produto competitivo, mediático e financeiramente relevante. Do outro, uma série de países onde o crescimento existe, mas ainda vive longe das condições necessárias para dar o salto.
E aqui está o ponto central: o crescimento do futebol feminino não depende apenas do talento, nunca dependeu.
Depende de investimento, de visão estratégica e, acima de tudo, de compromisso.
Inglaterra é o exemplo mais evidente. O sucesso da seleção não apareceu por acaso, foi construído com liga forte, exposição mediática e uma ideia clara de desenvolvimento.
A Espanha seguiu um caminho semelhante, muito impulsionado pelos clubes, a França e Alemanha já tinham bases sólidas há décadas.
Já nos países nórdicos, o futebol feminino sempre fez parte da cultura desportiva (já treinei jogadoras desta região e são muito disciplinadas e competitivas).
Ou seja, não há milagres.
Há decisões que têm de ser tomadas no timing certo e depois há outro fator, muitas vezes ignorado: o público.
Durante anos, disse-se que o futebol feminino precisava de mais visibilidade, hoje, a realidade é outra.
Quando há qualidade, competição, quando há contexto, as pessoas aparecem.
Vemos cada vez mais estádios cheios, existindo interesse real (os jogos da nossa seleção têm cada vez mais assistência) neste produto.
O futebol feminino deixou de ser visto como uma versão alternativa.
Está a tornar-se, cada vez mais, uma opção principal (é um motor para milhares de jovens verem o futebol, não como inacessível, mas como um caminho possível para ser felizes, a/o praticante precisa de ser feliz no dia a dia, seja no treino ou no jogo).
O crescimento acelerado pode acentuar desigualdades, aqui pode residir um maior risco, se os países que já estão na frente continuam a investir e os outros não acompanham, o fosso vai aumentar. E isso não é apenas um problema competitivo, é um problema estrutural para o futuro do jogo.
Porque o verdadeiro desafio do futebol feminino europeu não é crescer, isso já está a acontecer, o desafio passa por crescer de forma equilibrada e sustentável.
Se o investimento continuar concentrado, se as oportunidades não forem distribuídas, vamos ter um futebol feminino forte, mas limitado a poucos contextos.
Isso seria um erro, numa fase em que o potencial é claramente global (a globalização também está presente no futebol feminino).
Há poucos momentos no desporto em que se sente que algo está a mudar de forma irreversível. O futebol feminino europeu está exatamente nesse ponto.
Já não é uma promessa. Já não é um projeto.
É uma realidade em construção, rápida, visível e impossível de ignorar.
Hoje, o futebol feminino europeu está a crescer a uma velocidade impressionante, mas esse crescimento não está a acontecer de forma igual.
Vou dar um exemplo de uma realidade que conheço bem.
Talvez seja nos países como Letónia, Lituânia e Estónia que se percebe melhor o verdadeiro desafio do futuro.
Não é fazer o futebol feminino crescer, é garantir que cresce para todos.
As federações têm um papel fundamental para ajudar os clubes e as jogadoras, dar-lhes condições para exercerem o seu papel ativo no futebol feminino.
As jovens praticantes, as jogadoras que jogam em todos os níveis, são o mais importante no futebol. Podemos criar uma melhor sociedade e principalmente melhorar a individualidade com valores que só o desporto lhes consegue passar por tudo aquilo que representa.
Uma das questões que deixo: quem vai acompanhar este crescimento e quem vai ficar para trás?
O futebol é para todos, é um fenómeno global."

Quanto mais medimos, menos compreendemos


"Quando avaliamos um jogador mais pelo que corre, pelo que acelera ou pelo volume de trabalho físico do que pelo que entende, antecipa e resolve criativamente, estamos claramente a desviar o foco do que realmente importa no futebol de alto nível. Pensar o futebol é o espaço de opinião de Carlos Carneiro, dirigente desportivo

Nunca se mediu tanto no futebol… e nunca se percebeu tão pouco do jogo. Entre dados, métricas e a ilusão de controlo absoluto, o futebol corre o risco de perder o que nunca conseguiu quantificar: a inteligência do jogo.
Há um paradoxo incómodo no futebol moderno que poucos se atrevem a admitir: quanto mais medimos, menos compreendemos. Nunca existiu tanta informação disponível, nunca se monitorizou tanto o detalhe, nunca se analisou com tanto rigor o comportamento dos jogadores — e, ainda assim, o jogo continua a escapar aos que acreditam que tudo pode ser reduzido a números e explicações objetivas.
Corre-se mais do que nunca. Mede-se tudo: metros percorridos, acelerações, desacelerações, zonas de intensidade, carga interna e externa, número de sprints, ângulos de corrida, frequência cardíaca, consumo de oxigénio e tempo de recuperação. Cada jogador é hoje apresentado como um conjunto de estatísticas, transformado em dashboards interativos, relatórios semanais e análises em tempo real que pretendem justificar o rendimento e antecipar o imprevisível.
Mas justificar não é compreender. Antecipar números não é dominar o jogo. E é precisamente aqui que reside o grande problema do futebol contemporâneo.
O que verdadeiramente decide as partidas raramente cabe num GPS, entra numa folha de Excel ou surge destacado num relatório de performance. O essencial permanece muitas vezes invisível aos olhos de quem procura respostas apenas nos dados: a decisão tomada antes da ação visível; o posicionamento inteligente que evita o perigo antes de ele se materializar; a leitura fina do espaço em função do contexto, dos companheiros e dos adversários; a capacidade rara de saber quando acelerar, quando pausar, quando arriscar e — sobretudo — quando não arriscar. É a inteligência situacional, a perceção do momento certo, a escolha entre várias opções possíveis num milésimo de segundo. Nada disto aparece nos rankings de distância percorrida.
Nada disto lidera as estatísticas oficiais de velocidade máxima ou de intensidade. No entanto, é exatamente isto que separa o jogador comum do jogador verdadeiramente diferenciador, daqueles que mudam o rumo dos jogos com uma simples escolha no momento certo. Ou ainda daqueles que fazem a diferença quando o placard está empatado e o tempo aperta.
Criámos, nas últimas décadas, uma geração de atletas cada vez mais preparada fisicamente: mais rápidos, mais fortes, mais resistentes, mais atléticos em todos os parâmetros mensuráveis. Mas nem sempre mais inteligentes dentro de campo. E esta não é uma crítica aos jogadores em si. É uma crítica profunda ao modelo de formação que os molda desde as categorias de base às prioridades que estabelece nos centros de treino, passando pelo contexto hipercompetitivo e altamente profissionalizado em que se desenvolvem, onde o sucesso imediato muitas vezes se mede por indicadores físicos e não por compreensão tática ou criativa.
Estamos a formar atletas altamente monitorizados desde muito cedo, mas nem sempre verdadeiramente conscientes do jogo. Jogadores habituados desde a infância a cumprir métricas diárias, a responder a estímulos pré-definidos por equipas técnicas e analistas de performance, a executar tarefas táticas específicas repetidas em drills controlados, mas nem sempre treinados para interpretar, em tempo real e sob pressão, o que o jogo lhes exige em cada instante imprevisível e único.
Porque o futebol, na sua essência mais profunda, continua a ser um jogo de decisões. Decisões constantes, tomadas sob pressão extrema, em contextos dinâmicos e caóticos, com informação incompleta, com múltiplas variáveis em jogo e num ambiente de permanente mudança e incerteza.
Decidir bem continua a ser infinitamente mais determinante do que correr muito ou do que ter uma excelente condição física. Porém, decidir bem é mais difícil de treinar de forma sistemática, mais complexo de medir com precisão científica e, sobretudo, quase impossível de quantificar com exatidão em relatórios padronizados. Por isso, tantas vezes é negligenciado, relegado para segundo plano ou tratado como algo que vem por acréscimo no processo de desenvolvimento dos jovens talentos.
Existe um risco real, e ainda pouco assumido abertamente pelos responsáveis do futebol: quanto mais controlamos, estandardizamos e quantificamos todos os aspetos do treino e do jogo. E menos espaço deixamos para a interpretação livre, para a intuição cultivada e para a criatividade genuína.
Sem interpretação profunda não há verdadeira criatividade. E sem criatividade não há surpresa nem imprevisibilidade. Já sem surpresa, o futebol torna-se previsível, excessivamente padronizado, tático em demasia, mecânico e, inevitavelmente, mais pobre, menos emocionante e menos capaz de cativar os adeptos.
Um futebol previsível e controlado perde a sua alma mais autêntica: a capacidade mágica de surpreender, de emocionar, de gerar momentos de génio individual e coletivo que ficam gravados na memória coletiva dos adeptos para sempre.
Os dados são importantes e valiosos. A tecnologia trouxe uma evolução real ao desporto, rigor científico, ferramentas de análise que antes eram impensáveis e uma capacidade de prevenção de lesões e otimização de desempenho que representa um avanço indiscutível. O problema não está na tecnologia em si, nem nos dados. O problema está na forma como nos relacionamos com ela, no peso excessivo e desproporcionado que lhe atribuímos e, também, na tentação de reduzir o complexo ao simples.
Quando o número se sobrepõe ao contexto, quando a métrica se torna mais importante do que a compreensão holística, estamos a simplificar perigosamente um jogo que é, por natureza, complexo, multifatorial e profundamente humano. Quando avaliamos um jogador mais pelo que corre, pelo que acelera ou pelo volume de trabalho físico do que pelo que entende, antecipa e resolve criativamente, estamos claramente a desviar o foco do que realmente importa no futebol de alto nível.
E quando deixamos de treinar deliberadamente a capacidade de decisão, a leitura de jogo e a inteligência tática só porque esses elementos não são facilmente mensuráveis ou quantificáveis em tempo real, estamos a comprometer o cerne do próprio jogo, a sua essência mais pura.
O futebol não precisa de menos ciência. Não precisa de rejeitar o progresso tecnológico. Precisa é de melhor interpretação da ciência.
Precisa de um equilíbrio mais sábio entre o quantitativo e o qualitativo. Precisa de treinadores, analistas, dirigentes e formadores capazes de olhar para os dados sem perder a sensibilidade humana pelo jogo, sem perder o olhar treinado que reconhece o invisível. Gente que compreenda profundamente que nem tudo o que é importante pode ser medido — e que nem tudo o que pode ser medido é verdadeiramente importante no contexto de uma partida de futebol.
Porque, no final, quando a bola rola e o jogo se decide nos detalhes subtis, nas escolhas invisíveis e nos momentos que ninguém controla por completo, não é quem corre mais, quem tem melhores números ou quem cumpre melhor as métricas que vence. Ganha quem pensa melhor. Ganha quem vê o jogo com maior clareza, quem antecipa com mais profundidade e quem toma as decisões certas no momento certo.
Pensar o futebol é, antes de mais, recusar aceitá-lo passivamente como ele nos é apresentado pelos números, pelos relatórios e pelos dashboards coloridos.
Talvez tenha chegado o momento de o futebol — clubes, federações, academias e treinadores — parar para refletir com verdadeira maturidade. Não tanto sobre o que consegue medir com precisão crescente e com tecnologia cada vez mais sofisticada, mas sobre aquilo que, na ânsia de controlo absoluto e de otimização permanente, está a deixar de valorizar, de cultivar e de priorizar no desenvolvimento dos jogadores.
A obsessão pelo controlo total e pela quantificação gera apenas uma ilusão de domínio que não corresponde à realidade caótica, imprevisível e profundamente humana do jogo dentro das quatro linhas. O futebol continuará sempre imprevisível, caótico, cheio de incertezas e maravilhosamente humano.
E isso nunca será traduzido por completo em números, algoritmos ou modelos preditivos, por mais avançados que sejam. Aceitar esta limitação fundamental não é um sinal de retrocesso ou de resistência à modernidade. É, pelo contrário, sinal de sabedoria, de humildade e de profundo respeito pela essência do desporto-rei.
Os melhores jogadores — aqueles que ficam na memória coletiva, que inspiram gerações e que decidem títulos com um toque de génio — não são apenas os que executam tecnicamente melhor ou os que têm os melhores atributos físicos. São os que entendem o jogo com maior profundidade, os que antecipam com mais clareza, os que leem as intenções dos adversários e resolvem problemas complexos antes mesmo de eles se tornarem evidentes para os outros.
Isso não se mede facilmente com sensores, wearables ou software avançado. Mas reconhece-se imediatamente quando acontece dentro de campo. Reconhece-se no brilho do olhar, na pausa certa, na escolha inesperada que desequilibra tudo.
E é isso que o futebol precisa de voltar a valorizar urgentemente."

Álcool nos estádios: entre o reflexo proibicionista e a ilusão liberal


"O debate sobre o álcool nos estádios está, outra vez, preso a dois extremos pouco úteis. De um lado, a proibição quase automática, tratada como solução de segurança. Do outro, a liberalização apresentada como modernização inevitável, com direito a promessas de receita e de melhor comportamento dos adeptos. Nenhuma destas posições, tal como tem sido defendida, responde ao problema.
O proibicionismo tem uma intuição certa: o álcool pode agravar comportamentos de risco num ambiente já de si emocionalmente carregado. Negar isso seria irresponsável. Mas transformar esse risco numa proibição rígida é uma resposta fácil para um problema difícil. Não elimina o consumo — empurra-o para fora do estádio, muitas vezes de forma mais intensa e descontrolada. O resultado é conhecido: concentração de consumo antes da entrada e perda de qualquer capacidade de gestão por parte das entidades organizadoras. Chamar a isto política de segurança é, no mínimo, discutível.
Mas a corrente liberal não é mais convincente. A ideia de que basta permitir para que tudo funcione melhor — com exemplos importados de outros países — é, francamente, ingénua. Os modelos que são frequentemente citados assentam em realidades com níveis de fiscalização, controlo de acessos, profissionalização de stewards e cultura de cumprimento que não são automaticamente replicáveis. Copiar a medida sem garantir as condições não é reformar — é arriscar.
Também o argumento económico tem sido usado com ligeireza. Sim, há receitas relevantes associadas à venda de álcool. Mas desde quando é que a política de segurança em eventos de massa se define por potencial de faturação? Colocar a equação nesses termos é desviar o essencial.
O ponto de falha comum aos dois lados é o mesmo: evitam a pergunta difícil. Não é se devemos proibir ou permitir. É se temos, hoje, capacidade para gerir o risco de forma consistente.
E é aqui que o debate devia começar. Porque o paradigma europeu já mudou — e mudou de forma clara com a Convenção de Saint-Denis do Conselho da Europa. Esta convenção abandonou a lógica exclusivamente securitária e introduziu uma abordagem integrada: segurança, proteção e serviço. Ou seja, não basta controlar — é preciso criar condições para que o comportamento seja gerido, antecipado e enquadrado.
Este novo paradigma não legitima nem a proibição cega nem a liberalização acrítica. Exige outra coisa: capacidade institucional. Exige planeamento, coordenação entre entidades, qualificação de recursos humanos, sistemas eficazes de controlo e, sobretudo, consistência na aplicação de regras.
Portugal ainda está a meio desse caminho. Houve progressos, é verdade. Mas persistem fragilidades evidentes na fiscalização, na atuação preventiva e na responsabilização efetiva de comportamentos de risco. Neste contexto, avançar para uma liberalização sem garantir estas condições não é coragem política — é imprudência.
Por outro lado, manter uma proibição como resposta automática também não resolve. Apenas evita enfrentar o problema de fundo: a necessidade de construir um modelo de gestão do risco que funcione.
Se o debate quiser ser sério, tem de sair deste confronto estéril. Nem o conforto da proibição, nem a sedução da liberalização substituem aquilo que realmente falta: capacidade para regular. E é isso — só isso — que devia estar no centro da decisão."

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Prata da Casa #48 - Big Six de Seleções Que Já Não Existem, Árbitros AI, Ménage em Linha

Transforma: Passa a Bola #221 - "TAÇA ! ÁRBITRO E VAR ÁS ARANHAS, NÃO SOUBERAM QUEM BENEFICIAR"

Monteiro: INSANIDADE TOTAL! Quem disse que os melhores do mundo têm de ser perfeitos?

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Coreia do Sul: Cha Bum-kun, o alienígena sensível com potente pontapé


"Antes de Park Ji-sung e Son Heung-min houve Cha Bum-kun. O primeiro coreano a jogar na Europa aterrou na Alemanha como um extraterrestre em que todos queriam tocar (alguns com força a mais). Na Coreia não acharam graça à carreira internacional que seguiu, deixando para trás o serviço militar, e esteve afastado durante quase dez anos da seleção. Regressou para jogar o Mundial 1986 e enfrentar Maradona.

Quando o Eintracht Frankfurt comemorou 115 anos, o clube alemão espalhou pela cidade imagens das suas lendas. Cha Bum-kun desceu a uma estação de metro e viu-se ao espelho num cartaz. A imagem refletida subtraía mais de quatro décadas ao estado atual. No momento em que a foto foi tirada, as coxas escapadas aos diminutos calções estavam num estado de definição que o tempo esbateu. Lothar Matthäus, impressionado com a robustez, elogiou aquelas pernas. Pelo menos, na versão do coreano.
Arsène Wenger ouviu falar de Cha Bum-kun quando este ainda parecia uma estátua grega. O antigo treinador do Arsenal é natural de Estrasburgo, cidade francesa à beirinha da Alemanha. Todos os fins de semana as notícias do jornal repetiam-se. A Bundesliga, o campeonato do país vizinho, foi tomado por um extraterrestre que fazia parangonas sempre que jogava.
Cha Bum-kun começou a jogar futebol na Coreia, mas quando viu Beckenbauer pela primeira vez sentiu-se “incrivelmente ridículo”, como se na Europa o nível fosse tão avançado que quase parecia outra modalidade. O avançado foi visionário quanto à possibilidade de o empregarem através do jeito para marcar golos, que começou a evidenciar quando, aos 18 anos, se estreou pela seleção nacional.
Nem por isso a barriga parou de roncar. Não tendo acesso a muita comida ao longo da fase mais precoce da vida, quando se mudou para a Alemanha Cha Bum-kun pedia dois bifes ao almoço “mesmo que fosse constrangedor”, porque os jogadores só tinham direito a um. Ter medo do que pensavam dele é apenas um dos muitos receios que esta personagem sentia. A relutância compreende-se pela trajetória inédita que seguiu. Cha Bum-kun foi o primeiro coreano a jogar na Europa e o primeiro asiático com impacto nesse mesmo continente. Os Jogos Asiáticos de 1978 contaram com a presença do Eintracht Frankfurt e o clube alemão negociou no sentido de libertar Cha Bum-kun do serviço militar obrigatório para que o goleador da equipa da força aérea pudesse ser testado em território germânico.
Apesar dos esforços do Eintracht Frankfurt, nesse ano estreou-se pelo Darmstadt, com quem tinha assinado um contrato de seis meses. No entanto, cumpriu apenas um por ter sido forçado a regressar devido às obrigações militares. A relação com as autoridades coreanas nunca foi pacífica. Cha Bum-kun estava mais desejoso por jogar futebol no estrangeiro do que por aprender estratégias de guerra.

Os remates do ‘Cha Boom‘
No ano seguinte, mudou-se em definitivo para o Eintracht Frankfurt. Chegou apenas com o saco de plástico onde levava as chuteiras. O mundo novo assombrou-o. Como um alienígena acabado de chegar à Terra, não saía de casa depois das 22h30 e também não explorava as redondezas para não se expor.
O percurso na Bundesliga dividiu-se entre Eintracht Frankfurt e Bayer Leverkusen, emblemas com os quais conquistou a Taça UEFA. Marcou 98 golos em 308 jogos no campeonato alemão, estabelecendo-se então como o melhor marcador estrangeiro da história da prova. Podia ter sido um registo mais amplo caso estivéssemos perante uma figura mais intrépida. Ao longo da carreira, nunca marcou uma grande penalidade devido aos traumas causados por um erro que teve ao serviço da seleção.
O tétrico Cha Bum-kun compensava com os potentes remates em jogadas corridas, aspeto que lhe valeu a alcunha de ‘Cha Boom‘. Além dos estragos que fazia no ataque, marcou o futebol pela catártica postura. Durante o percurso em solo germânico, viu apenas um cartão amarelo e ensinou a saber perdoar.
Outra grande preocupação de Cha Bum-kun eram as lesões. Um problema físico grave podia deixá-lo sem sustento e levar a um regresso ao país natal. Uma entrada dura de Jürgen Gelsdorf, jogador do Bayer Leverkusen, magoou-o na região lombar. O fim de carreira chegou a ser hipótese. O Eintracht Frankfurt insistiu para que Cha Bum-kun assinasse um processo contra Gelsdorf, mas não o fez por uma questão de “consciência religiosa”.
Enquanto esteve na Alemanha, ‘Cha Boom‘ foi afastado da seleção. Apesar do interregno de quase dez anos, é o jogador mais novo (24 anos e 139 dias) de sempre a chegar às 100 internacionalizações. O regresso, em 1986, coincidiu com a estreia em Campeonatos do Mundo. No México, enfrentou a Argentina de Diego Armando Maradona e saiu derrotado por 3-0. Aliás, a Coreia acabaria por não vencer qualquer jogo e ser eliminada na fase de grupos.
Em 1998, voltou ao Mundial como selecionador. A experiência não fez as vezes da anterior. Após perder os dois primeiros encontros e ainda com um jogo por disputar, Cha Bum-kun foi despedido a meio do torneio."

DAZN: Grelha de Partida - S04E10 - É preciso ter Cautela!

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Treino...

Derrota...

Benfica 1 - 2 Famalicão
Castro(54')


Mais uma derrota, com uma equipa desfalcada e com os jogadores da B, que baixaram, a serem geridos...
Neste momento, é pensar na Taça Revelação!

O sonho do Daniel! ❤️

Zero: Canto - Mulheres À Benfica: um legado de identidade e conquistas

Falar Benfica #244 - Vitória por 4 , Famalicão, Lukebakio, Prestianni, Saco Azul e Rei dos Frangos

Terceiro Anel: Bola ao Centro #198 - EM VELOCIDADE CRUZEIRO RUMO A CHAMPIONS!!!!

Possessivo: PORTO CAMPEÃO? BENFICA EM 2.º?

Oliveira: Horroroso...

BF: Mourinho...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Os heróis e os segredos da subida do Marítimo à I Liga

Observador: E o Campeão é... - Abril, desgraças mil para Rui Borges?

Observador: Três Toques - Até a Ryanair "bate" no Arsenal (mais do que uma vez)

SportTV: Titulares - Rui Borges deve continuar?

Zero: 5x4 - S06E32 - Benfica ganha tudo

Empréstimo obrigacionista bem-sucedido


Nesta edição da BNews, o tema principal é a realização plena do empréstimo obrigacionista emitido pela Benfica SAD, com a procura a suplantar claramente a oferta.

1. Estabilidade e confiança
As Obrigações Benfica SAD 2026-2031, com uma taxa de juro fixa bruta de 4,65% ao ano e uma oferta total de 65 milhões de euros, tiveram uma procura válida de 88,1 milhões de euros, ou seja, 1,36 vezes a oferta.
Nuno Catarino, vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica, sublinha o significado do sucesso da emissão obrigacionista: "Reforça a imagem de confiança dos investidores em relação à Benfica SAD, às suas contas, à solidez financeira, à nossa capacidade de nos adaptarmos, às vezes, a contextos menos positivos na componente desportiva, mas temos tido sempre uma grande disciplina do ponto de vista financeiro, e assim vamos mantê-la para o futuro."

2. Bilhetes esgotados
Já não há ingressos disponíveis para o embate entre Famalicão e Benfica, agendado para o próximo sábado às 18h00.

3. Jogo do dia
Os Sub-23 do Benfica e do Famalicão encontram-se hoje no Benfica Campus às 17h30.

4. Dérbi na Luz
O já hexacampeão nacional de futebol no feminino Benfica recebe o Sporting na próxima 6.ª feira, às 19h00, no Estádio da Luz. Os sócios detentores de Red Pass válido para a época 2025/26 têm entrada gratuita neste desafio.

5. Atividade dos mais jovens
Veja as melhores imagens das jornadas realizadas da Liga Benfica Escolas de Futebol e do encerramento da 15.ª edição da Benfica League.

6. Ação de formação
A ação dedicada ao tema "SL Benfica – Modelo de Prospeção no Futebol de Formação" está agendada para o próximo 1 de maio no Hotel Holiday Inn Porto – Gaia. As inscrições estão abertas até 29 de abril.

7. Êxito na ginástica
O Sport Lisboa e Benfica esteve em foco nos Campeonatos Nacionais de Duplo Mini-Trampolim (DMT) e Tumbling.

8. Bom desempenho
A atividade benfiquista na pesca desportiva teve boas prestações em março e abril."

Uma disciplina para os grandes?


"Sporting, 1-Benfica, 2 foi um jogo grande, importantíssimo para as duas equipas, que decorreu sem grandes casos. Mais, decorreu sem declarações incendiárias dos dirigentes. Houve alguma pirotecnia, mas foi do público. Ou melhor, de algum público, para os lados das claques.
O FC Porto–Sporting, segunda mão da meia-final da Taça, foi mais um jogo que decorreu com normalidade, apesar de alguma polémica relativamente a cartões e expulsões. E pela primeira vez, ao fim do quarto clássico, sem declarações especialmente violentas. Certo, o treinador do FC Porto queixou-se mais uma vez da arbitragem, mas após vencer o Estrela da Amadora por 1-2 o clube da Invicta vai ser campeão, o seu grande objetivo.
Em suma, dois grandes jogos decorreram como devem decorrer, sem grandes incidentes antes, durante ou depois do jogo. Isto é, presumo, o que desejam os adeptos de futebol e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) acaba de dar um passo decisivo nesse sentido ao propor a agravação das sanções disciplinares aos agentes desportivos, aos futebolistas, e aos dirigentes. Mas o pacote disciplinar ainda carece de aprovação, na FPF e depois na Liga Portugal: a FPF tutela a Taça de Portugal e a Supertaça, a Liga o campeonato nacional e a Taça da Liga.
As prioridades estão lá: agravamento médio de 150% nas infrações relativas a agressões e declarações ofensivas contra a arbitragem. Este é um ponto crítico: claramente os árbitros necessitam de mais proteção. Mas também precisam de decisões mais acertadas, certo? Também as penas para as ofensas entre dirigentes vão ser agravadas: por exemplo, Villas Boas e Varandas, que este ano só faltou agredirem-se fisicamente, terão de ter mais atenção ao que dizem. É um ponto crítico: as relações e declarações dos dirigentes podem incendiar os adeptos, criando ambientes propícios a distúrbios. Reforça-se também o combate à violência e à pirotecnia. A interdição dos recintos desportivos, a sanção de derrota ou a desclassificação em casos de coação da arbitragem aparecem. Parece disciplina a sério.
Penso, porque gosto de futebol leal no relvado e fora dele, que são boas notícias, mas atenção: estamos no país das belas leis e do faz de conta. Não é preciso ter só boas leis, é preciso aplicá-las, e isso nem sempre tem sido feito. Por isso, é necessário pesar bem as sanções que vão estar na lei. Sanções pouco graves não têm efeito, sanções demasiado fortes não são aplicadas. Por isso, sentemo-nos e aguardemos, sem grandes ilusões.
Uma nota antes do Direito ao Golo: o Estádio do Boavista vai à praça. Um clube com grande história, que foi importante, que ganhou títulos e foi mesmo campeão nacional, vai ver o seu estádio vendido em hasta pública por um mínimo de €37 M. É triste, mas o Boavista já ressuscitou uma vez, haverá segunda?
O Direito ao Golo vai para o Torreense, que se apurou para a final da Taça de Portugal 70 anos depois, e para o Marítimo, que voltou ao seu lugar na Liga Portugal. E também para António Félix da Costa, piloto de Fórmula E, que já venceu duas corridas este ano."

O momento e as opções


"Com surpresas no onze e no trio de ataque que terminou o jogo em Alvalade, o Benfica não podia ter começado melhor o jogo, com um golo "à nove" do médio Barreiro, depois de uma jogada "à dez" do central António Silva. Numa primeira parte que resultou num bom jogo de futebol, com duas boas equipas focadas naquilo que é o mais importante, o intervalo chegou com a convicção de que na segunda parte o Benfica resolveria o jogo e daria tempo para os adeptos desfrutarem de uma tarde solarenga de futebol. Não foi assim, pois, mais uma vez, a equipa, parece ter-se desligado do jogo e só as oportunas substituições de Mourinho voltaram a dar intensidade à equipa, que, ainda assim, só nos últimos cinco minutos conseguiu acalmar umas já inquietas bancadas. Este jogo, e estas oscilações, podem permitir retirar algumas conclusões para o futuro próximo e as titularidades, improváveis há poucos meses, de Barreiro, Schjelderup, Prestianni e... Ivanovic parecem incontestáveis. Não que as qualidades de Lukebakio, parece sem chama, Rafa, muito tempo parado, e de Pavlidis, sem confiança apesar da vontade de sempre, tenham desaparecido, mas porque o valor daqueles "prováveis suplentes" cresceu muito com o trabalho do treinador. Agora que o Benfica reconquistou o direito a depender apenas de si próprio para conseguir a qualificação para a Champions, o foco deve ser total nos três difíceis jogos que lhe restam, para que possa terminar a época com um cenário mais desanuviado. No próximo fim de semana, em Famalicão, casa de uma das equipas que melhor jogou contra os ditos grandes, será, pois, ocasião para aplicar a velha máxima de que o "futebol é o momento...""

Queremos apenas investidores ou verdadeiros parceiros estratégicos?


"A venda da participação de 16,38% da SAD do SL Benfica por parte de José António dos Santos e do Grupo Valouro a investidores internacionais, ainda dependente de formalidades de natureza estatutária, legal e de compliance, levanta várias questões relevantes, sobretudo tendo em conta a dimensão da posição em causa.
Desde logo, destaca-se a entrada de capital estrangeiro qualificado. A Entrepreneur Equity Partners está associada a executivos com ligações à Oak View Group e à Acrisure, o que sugere tratar-se de investidores não passivos, com potencial para criar valor em áreas como receitas comerciais, infraestruturas e expansão internacional.
Verifica-se também uma reconfiguração do quadro acionista. A saída de um acionista histórico altera equilíbrios, ainda que uma participação de 16,38% não represente controlo. Ainda assim, poderá traduzir-se em influência relevante na governação, dependendo do alinhamento dos novos investidores. Em conjunto com os 5% já adquiridos por outro grupo norte-americano, poderá formar-se um bloco de cerca de 21%, o que tenderá a aumentar a pressão sobre a administração da SAD.
Importa ainda notar que nenhum destes investidores apresenta um perfil clássico do setor do futebol ou do desporto, nem tão-pouco um perfil financeiro tradicional. Trata-se, sobretudo, de especialistas em eventos e exploração de infraestruturas.
A operação pode ser interpretada como um sinal de valorização, refletindo expectativas de crescimento. No entanto, importa distinguir entre uma visão estratégica de longo prazo e uma lógica essencialmente financeira. O perfil identificado sugere uma abordagem de “comprar, valorizar e sair”.
Existem, naturalmente, riscos. Investidores com horizontes temporais mais curtos poderão pressionar para decisões mais orientadas para a vertente comercial, potenciando algum desalinhamento com a identidade do clube. Este movimento insere-se, aliás, numa tendência mais ampla de financiamento do futebol europeu.
Coloca-se, por isso, uma questão estratégica: deveria o Benfica ter recomprado esta participação antes de permitir a sua venda direta a um parceiro institucional e estratégico que acrescentasse verdadeiramente valor?
Na minha perspetiva, a resposta é afirmativa. A não concretização dessa opção pode ser vista como um erro estratégico. No mínimo, exigiria uma reflexão aprofundada. Tal decisão permitiria reforçar o controlo num momento de transição, criar valor numa eventual alienação futura em melhores condições e, sobretudo, escolher um parceiro verdadeiramente alinhado com a visão e ambição do clube.
Acresce que, atendendo à capacidade de endividamento do Benfica e à liquidez atualmente disponível no mercado, não seria, à partida, uma operação difícil de estruturar do ponto de vista financeiro. Não tendo sido essa a via seguida, resta avaliar a eventual existência e exercício do direito de preferência, desconhecendo-se se o Benfica foi devidamente notificado para o efeito.
Mais do que ter investidores, importa ter os parceiros certos. Num futebol cada vez mais global, a gestão do capital é também uma questão de identidade e de futuro.
Fica a reflexão: queremos apenas investidores ou verdadeiros parceiros estratégicos?"

Concordo...

Valores...

O “manto verde” da Comunicação Social está ao rubro!

"Custaram-nos quatro pontos, esta semana". 🤭

Descubram as diferenças

Na UEFA os Italianos lideram a arbitragem... recordo-me bem dos nossos últimos 4 jogos contra o Inter!!!

3x4x3


Segunda Bola


AA9: I Can't Believe This Is Happening...

Rabona: The Match-Fixing Scandal That COULD Destroy Serie A

Open Goal: Derby...

No Princípio Era a Bola - O FC Porto está lançado para ser campeão, o Sporting vai no limite do cansaço e será que Ivanović...

Pre-Bet Show #181 - CAMPEÃO À VISTA E UMA LUTA ACESA PELO SEGUNDO LUGAR 🔥

O Resto é Bola #49 - O escândalo na Taça e no AVS-Sporting, o caso Lukebakio e FC Porto com licença para festejar ⚽️

Jogo Pelo Jogo - S03E38 - AFS avia Sporting

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - "Não era ego, era lego": já cheira a título (e ainda o gigante que não tombou)

TNT - Melhor Futebol do Mundo

Rabona: The WARNING that Barcelona Chose to Ignore...

SportTV: NBA - S04E29 - O Shai é de vidro? 😬

Bélgica: Michel Preud’homme, o santo que fechava balizas


"Quando chegou ao Benfica já trazia consigo o peso de uma carreira feita de grandes noites e defesas impossíveis. O Mundial de 1994 foi o momento que o colocou definitivamente no mapa do futebol mundial.

Quem é adepto de futebol e viveu o verão de 1994 com a televisão colada aos olhos sabe a resposta para a pergunta de queijinho: “Qual o guarda‑redes que terminou um Mundial a tentar marcar golo no último suspiro?” O protagonista desse momento icónico foi um gigante de reflexos, serenidade e elasticidade - mais do que em tamanho (1,80m) -, chamado Michel Preud’homme, o belga de olhos azuis e caracóis compridos, que parecia ter íman nas mãos e, por vezes, se aventurava para lá da grande área com uma calma enervante.
A figura de Preud’homme, hoje vice-presidente do Standard Liège, tem algo de paradoxal: um homem de modos suaves, quase aristocráticos, muito reservado no que à vida pessoal diz respeito, que defendia balizas como se estivesse a proteger um tesouro de família. Não foi por acaso que ganhou a alcunha de “Saint Michel”, que se lhe colou à pele em Portugal.
O guarda-redes belga começou no Standard Liège com apenas 10 anos, onde subiu todos os degraus até chegar à equipa principal e tornou-se bicampeão nacional, no início dos anos 80. Porém, foi no KV Mechelen que viveu o capítulo mais improvável da carreira: a conquista da Taça das Taças em 1987/88, vencendo o Ajax por 1-0, um feito que ainda permanece como um dos momentos mais surpreendentes da história recente do futebol belga. No ano seguinte, viria a conquistar a Supertaça Europeia também com o Malines (Mechelen).
Herdeiro de Jean-Marie Pfaff na baliza da Bélgica, Preud’homme já contava com 35 anos quando iniciou a caminhada no Benfica após o Mundial de 1994, numa relação que começou com alguma desconfiança da parte dos adeptos encarnados, devido à idade, mas que terminou numa devoção mútua. O belga nunca escondeu a mágoa de não ter sido campeão pelos encarnados. A Taça de Portugal de 1995/96 foi o único troféu que levantou de águia ao peito, mas o suficiente para cimentar o estatuto de ídolo, tornando-se até hoje um dos guarda‑redes mais acarinhados da história do clube.
Há talvez um outro capítulo, próximo do fim da ligação ao Benfica, que lhe tenha ficado atravessado: em 1996, com 37 anos, recebeu uma chamada inesperada. Do outro lado da linha estava Fabio Capello, recém‑chegado ao Real Madrid, pronto a levá‑lo para o Santiago Bernabéu. Preud’homme recordaria mais tarde que o Real lhe ofereceu três anos de contrato, mas o Benfica travou a saída: “Se não conseguirmos trazer um grande nome, os sócios matam‑nos”, disseram‑lhe. Tentaram contratar José Luis Chilavert. Se o paraguaio chegasse, Preud’homme seguiria para Madrid.
Não aconteceu e o Real acabou por contratar Bodo Illgner, que se tornou campeão espanhol e europeu logo na época seguinte. “Imaginem se eu tivesse ido…”, confessou Michel Preud’homme numa entrevista ao Yahoo.
Quando terminou a carreira de guarda-redes, em 1999, após uma época em que disputou o lugar com Sergey Ovchinnikov, ficou ainda ano e meio como dirigente do Benfica. A seguir enveredou por uma carreira de treinador no Standard Liège, mas passou também por clubes como o Gent, Twente, Al‑Shabab e Club Brugge, tendo conquistado títulos em vários países e consolidando a reputação de técnico metódico e eficaz. Mais tarde, voltou ao Standard como vice‑presidente e diretor desportivo, cargo que continuou a desempenhar mesmo após abandonar o banco. Atualmente, permanece ligado ao clube como figura institucional, mantendo-se uma referência viva do futebol belga.

O Mundial que o transformou em mito
O Mundial de 1994 foi o palco onde se tornou lenda global. As suas defesas contra Marrocos, Holanda e Alemanha foram tão extraordinárias que lhe valeram a primeira edição do Prémio Lev Yashin, atribuído ao melhor guarda‑redes do torneio. Foi precisamente nesse mesmo Mundial que protagonizou um dos momentos mais caricatos, embora menos lembrados: já nos instantes finais da eliminação frente à Alemanha, Preud’homme avançou até à área contrária para tentar marcar o golo do empate. Um guarda‑redes transformado em avançado desesperado, numa imagem que ficou gravada na memória de quem viu.
Mas nem todo o percurso foi perfeito. A carreira de Preud’homme também teve sombras. Em 1984, foi suspenso por seis meses devido ao escândalo de corrupção relacionado com o jogo Standard-Waterschei de 1982, um episódio que raramente surge nas memórias mais românticas, mas que faz parte da sua trajetória.
Ainda assim, nada disso belisca o essencial: Preud’homme foi um guarda‑redes de técnica impecável, reflexos sobrenaturais e uma serenidade que desconcertava avançados. Parou remates de Van Basten, Klinsmann, Lineker ou Bergkamp como quem apaga velas num bolo de aniversário.
Hoje continua a ser visto como um dos maiores guarda‑redes de sempre e, para muitos, o maior da história da Bélgica. Um “santo” sem altar, que fechava ângulos impossíveis e que, por vezes, se aventurava a tentar o impossível do outro lado do campo."

Brasil: Romário, o baixinho que hibernava no frio e tem medo de chihuahua


"A crista de Romário é igual ou maior ao rasto da sua incrível carreira. O avançado que se picava com Pelé, barricava em casa em Eindhoven quando a temperatura ia aos negativos ou pedia a Johan Cruijff dias de folga em Barcelona para ir ao Carnaval foi o goleador do Mundial de 1994, que conquistou com o Brasil. Após a vitória, ainda nem 30 anos tinha, quis regressar ao calor do Rio de Janeiro, onde hoje é político.

Há futebolistas do diz-que-disse, fãs de terem reputação antes de a justificarem. Depois há Romário, o construtor da própria fama. O ‘baixinho’ de alcunha corria de peito para fora, mexia-se com pernas arqueadas e falava barato por cobrar caro se duvidassem dele, hábito nutrido desde cedo. Aos 22 anos, já eriçado o seu pêlo na venta, fez capa da “Placar” com uma destemida premonição: “Garanto que ainda vou impressionar muita gente. Vou fazer 1000 golos.” Promessa arriscada, por todos os motivos e mais alguns, especialmente porque no Brasil mil festejos só o Rei Pelé.
O aviso apareceu em 1988, era o brasileiro um moleque do Vasco da Gama. Em 2007, a mesma revista soprou 45 velas e pô-lo em manchete, ornado com a mesma camisola do mesmo clube carioca e titulado com uma frase mais arrojada do que o próprio era de feitio: “Romário maior que Pelé.” O destaque tinha justificação, o jogador estava prestes a tornar-se milenar nos festejos.
Entre a lenda que construiu e a crista que exibe, qual delas a maior em Romário. Nas redondezas do milénio em golos, o único humano a ganhar três Mundiais ousou recomendar-lhe a ponderação da reforma, deixar as chuteiras em paz. Já era quarentão, o seu rasto bem vincado no futebol, tinha dado pontapés na bola em Espanha, nos EUA, Países Baixos e na Austrália, mas Romário não encaixou a ousadia. “Pelé calado é um poeta”, respondeu, sem timidez em alfinetar o ícone que apesar da língua afiada, respeitava. Quando Zico, outra viga da bola brasileira, sobre ele falou, desmereceu-o através da estima ao ‘Rei’, dizendo “só vejo o Pelé na minha frente” no panteão do futebol com samba.
Lá Romário é um inquilino inamovível. Nascido em Jacarézinho, favela na órbita norte do Rio de Janeiro, o Vasco da Gama cedo pescou a fina técnica do filho de um tingidor de uma fábrica de tintas, seu Edevair, como os brasileiros se referem ao pai, este um pedreiro nas horas vagas para o dinheiro cobrir as idas dos filhos aos treinos de futebol. Mas Romário tinha outro: “Quando eu nasci, o papai do céu olhou para mim e disse: ‘Ele é o cara.’” O progenitor terreno ensinou-lhe cinco mandamentos, não beber vinho nem usar drogas entre eles, travessuras que jurou nunca ter cometido enquanto jogava.
Estas coisas disse-as ao “Players’ Tribune”, o site berço de relatos de vida na primeira pessoa de futebolistas. Bastaria copiar e colar essa auto-biografia assinada por Romário, alérgica a filtros, ébria em histórias caricatas, para se ficar com uma fidedigna ideia da sua figura. De quem ele foi e ainda é.
Tinha acordos com clubes para sair à noite (não nunca, mas quase nunca na véspera de um jogo) e não treinar de manhã. Uma vez, após “resolver” abdicar uma partida do Fluminense para desfrutar de um dia na praia, mudou de ideias, chegou ao balneário ainda com areia nos pés, o treinador foi súbdito, pô-lo a titular, logo alguém teve de sair da equipa e assim privou a família de Marcelo, vindouro craque do Real Madrid, em peso no estádio, de o ver estrear-se pelo clube.
A sua confiança era intergalática - “se é impossível de eu finalizar, passo a bola para outra pessoa; se é quase impossível, eu tento finalizar; essa é a lógica: se eu não conseguir, outro companheiro com certeza não vai conseguir”. Ele era jocoso com as críticas - “Egoísta? Claro que não, cara; se eu marcar um golo, eu ganho, e meu time ganha também; é isso”. E quem lidou com o ‘baixinho’ tinha de ter poder de encaixe, aprendeu a lição Carlos Alberto Parreira, então selecionador do Brasil. Desentendido com Romário, exilando-o por quase um ano da seleção, chamou-o de volta quando a equipa estava em apuros para chegar ao Mundial de 1994.
O melhor é deixá-lo contar, ipsis verbis: “Tiveram que me chamar de volta. E eu não senti a pressão. Eu tava lá pra me divertir, sabe? Pra mostrar para aqueles filhos da p*** da comissão técnica que eles deveriam ter me convocado bem antes. “Pô, quando acabar, eu vou esculachar esses m*****.” Era mais ou menos isso. Pode perguntar a qualquer pessoa que esteve no Maracanã e ela dirá que talvez tenha sido o jogo mais foda que um jogador de futebol já fez, principalmente com a camisa da seleção. Em uma escala de 1 a 10, eu levei 11.”
No último jogo da qualificação, o vai-ou-racha, marcou dois golos ao Uruguai.
Foi impossível o avançado não ir ao seu Campeonato do Mundo, nos EUA, onde fez a mãe, Dona Lita, atirar uma garrafa de vidro ao chão por cada um dos cinco golos do filho, hábito acopolado ao folclore futebolístico do Brasil que conquistou o tetra no torneio. Não esteve em 1998, traído por uma lesão demasiado perto da prova. E hoje não pode ouvir falar em Felipão por o ter ignorado em 2002. A supremacia de Romário ficou reservada a 1994, pendurada ao lado do festejo de embalar um bebé coreografado com Mazinho e Bebeto, colega de ataque que anos depois, em Espanha, diriam ser a melhor arma de provocação: ai de quem sugerrisse ser melhor do que Romário.

Fica com a 10, ordenou Cruijff
Jogaria assim-assim no Valencia, só depois do ano e meio espetacular em Barcelona (39 golos em 65 partidas), na frente da dream team do meticuloso Johan Cruijff, exigente por regra à exceção de com Romário, elogioso da sua “excelência” enquanto jogador “tecnicamente quase perfeito”, disse-o à “Folha de São Paulo” já o avançado se tinha pirado para o calor do Rio, acalorado por ser campeão mundial e redutor do lume da sua ambição. Cruijff obrigou-o a abdicar do número 11, o seu preferido, para vestir o 10 - “na minha equipa, o melhor joga com a 10”, disse-lhe o holandês. Diria mais tarde ter sido o melhor que treinou. E uma das melhores histórias do brasileiro aconteceu lá, com ele.
Os relatos divergem, mas, sendo mais ou menos verdade, Terá sido assim: Romário queria ir ao Carnaval do Rio de Janeiro, comprou o bilhete de avião e pediu a Johan dois ou três dias de folga extra porque a viagem calhava em dia de jogo; o treinador assentiu, mas com a condição de o avançado compensar com dois golos na primeira parte; o brasileiro marcou três, ao segundo já fazia sinais na direção do banco, para Cruijff o substituir.
Tantas são as histórias, tão rocambolescas, que sozinhas caricaturam Romário, senador pelo Rio de Janeiro, hoje a pular entre Brasília e o futevólei em Copacabana, candidato recente a governador da cidade que continua linda ao contrário da estima que terá por Eindhoven, onde contou cinco anos no PSV (128 golos em 144 encontros), arisco ao frio. “Cara, chegou a –17 graus uma vez. Dezessete!! Como alguém ia me criticar por não treinar? Uma vez, passei três dias sem sair de casa. Os caras ficaram preocupados comigo. Eles bateram na minha porta e eu não atendi. Tava hibernando, parceiro!!”, relatou, tão ao seu jeito, no “Players’ Tribune”.
Senhor sem medos aparentes, só um deixou escapar, inusitado como Romário é, receoso de cães pequenos por uma vez, em adolescente, “dois vira-latas e um pequinês” terem “avançado” na sua direção. As cristas murcham, a dele sucumbe perante a raça chihuahua. De novo, parafrasear o original não faz juz. Como Romário dificilmente haverá sucessor, o melhor é citá-lo: “Eu respeito os cachorros. Nunca vou fazer mal a eles. Mas tenho pavor. E detalhe: quanto menor o cachorro, mais medo eu tenho. Um pastor alemão? Eu consigo conviver. Mas um Chihuahua? P*** que pariu, me arrebenta…”"

África do Sul: Tshabalala, o dançarino por quem as vuvuzelas tocaram


"Siphiwe Tshabalala foi herói por um dia quando marcou o golo inaugural do Mundial 2010, um remate fulminante que esteve nomeado para o Prémio Puskás. Figura exótica de um torneio que mais parecia uma bomba sensorial, fez a carreira quase toda na África do Sul, razão pela qual nunca mais tivemos notícias desta personagem icónica.

A dois dias do jogo inaugural do Mundial 2010, o primeiro realizado no continente africano, a seleção anfitriã encontrava-se num autocarro panorâmico a acenar às 200 mil pessoas que estavam nas ruas de Joanesburgo numa festa que se espalhou por toda a parte, como se a pessoa responsável pelos convites não tivesse especificado a localização exata do evento. Carlos Alberto Parreira, o brasileiro que treinava a África do Sul, entrou em desespero quando soube do plano que tinha sido preparado sem o seu conhecimento e vociferou com os responsáveis.
O selecionador tinha uma grande desvantagem na preservação do profissionalismo da equipa: os jogadores queriam estar presentes. Foi preciso encontrar um meio-termo e escolheu-se uma espécie de comissão de farra. Alguns jogadores foram, outros ficaram. Siphiwe Tshabalala embarcou no périplo, desdobrando-se em saudações papais. De herói local, rapidamente se tornou ícone internacional.
As cores por todo o lado, os zumbidos das vuvuzelas, o “Waka Waka”. O Mundial 2010 foi toda uma bomba sensorial. A textura das memórias torna-as ainda mais inesquecíveis. Houve o golo de Andrés Iniesta na final, mas houve também a apresentação deste utilizador de um apelido musical e de longas tranças amarradas, figurino exótico adequado para o embaixador a posteriori da competição.
Tshabalala passou a véspera da estreia, contra o México, a ver “Invictus“, inspirando-se no filme que retrata o papel unificador da seleção de râguebi no pós-apartheid durante o Mundial de 1995. Chegado o jogo inaugural, marcou o primeiro golo do torneio, um dos pontapés mais gloriosos que a Jabulani levou. A bola saiu cruzada e ao ângulo da baliza, direitinha para uma nomeação ao Prémio Puskás. O espírito boémio saiu logo da toca.
O festejo coreografado foi tão memorável como aquilo que o motivou. “Golo da África do Sul. Golo de toda a África”, narrava a transmissão inglesa enquanto os Bafana Bafana dançavam sem garfos na barriga ao som dos instrumentos de sopro com efeito de enxame.
‘Shabba‘ foi herói por um dia. O momento marcante não teve repercussão no desempenho global da África do Sul, que se deixaria empatar. Seguir-se-ia uma derrota frente ao Uruguai e uma inócua vitória diante da França. Pela primeira vez, o país anfitrião foi eliminado na fase de grupos. Em 2022, o Catar repetiu o feito.
A carreia de Tshabalala também não atingiu dimensão similar ao feito. Quando começou a fazer parte da seleção ainda jogava na segunda divisão do futebol sul-africano. Disputou o Mundial 2010 já como jogador do Kaizer Chiefs, clube quatro vezes campeão do país, mas distante do poderio do Mamelodi Sundowns. Ficou nessa equipa com nome de banda britânica durante 11 anos sem que o salto chegasse.
Em 2018, mudou-se para o BB Erzurumspor, da Turquia, na única época no estrangeiro. Apesar de não ter feito nenhum anúncio oficial quanto ao final da carreira e, aos 41 anos, recusar apresentar-se como jogador reformado nas aparições públicas, Tshabalala não joga desde 2021.
Tal como em 2010, o jogo inaugural do Mundial 2026 também será um México-África do Sul, um cruzamento que, no passado, levou ao nascimento de uma personagem mítica. Há 16 anos que os Bafana Bafana não estão presentes na competição."

O momento Aursnes em Alvalade


"1. O último dérbi teve o seu momento inesquecível. Um dérbi, qualquer dérbi, é uma soma de muitos momentos. A escolha do momento dos momentos de um dérbi é uma prerrogativa de cada um de nós. Uns escolherão uma situação com que vibraram especialmente, outros escolherão outra que mais lhe agradará recordar pela vida fora. É também para isto que os dérbis servem, para o compêndio das memórias individuais.

2. Falando por mim, o momento inesquecível do último dérbi não foi o golo de Rafa, que nos deu a vitória, nem foi a vitória propriamente dita. O Benfica nasceu para ganhar. Ganhar ao rival mais antigo é sempre uma beleza, e ganhar ao rival mais antigo na sua própria casa é de inquestionável beleza, sobre isto nem há discussão.

3. No entanto, vencer o Sporting no recinto do Sporting, por muito que seja um motivo de regozijo, não é assim um feito de uma enorme raridade. Daqueles feitos que acontecem muito esporadicamente e que justificam festejos extraordinários.

4. O dérbi do último domingo foi o 92.º Sporting-Benfica jogado para o Campeonato na casa do Sporting e foi a 35.ª vitória do Benfica, que igualou o número de vitórias do Sporting sobre o Benfica. O resto são empates.

5. Ou seja, na qualidade de visitante, o Benfica é o pior adversário com que o Sporting pode sonhar na Liga nacional. Não deixa de ser curioso o Benfica ter atingido estes números no domingo, tendo em conta que uma claque do Sporting aproveitou a visita da nossa equipa a Alvalade para desfraldar um pano com os dizeres “nós somos o vosso maior pesadelo”, quando, na realidade, passa-se exatamente o contrário.

6. Voltemos ao que foi, no meu entender, o momento inesquecível deste último dérbi. Ocorreu ao minuto 35 da primeira parte, quando o árbitro da partida mostrou o cartão amarelo ao capitão da equipa da casa, o dinamarquês Hjulmand. Lembram-se? É natural que se lembrem, até por ser uma raridade vermos Hjulmand a ver um cartão amarelo. Mas viu e foi-lhe muito bem aplicado. O jogador, surpreendido, reagiu à punição, erguendo os braços e gesticulando teatralmente durante alguns segundos, ou para provar a sua inocência ou para provar o seu desacordo, vá lá saber-se…

7. O nosso Fredrik Aursnes a tudo assistiu a curta distância e não resistiu a fazer uma imitação perfeita do esbracejar do capitão do Sporting, reproduzindo-lhe os gestos e a cadência. Foi perfeito. E pronto, será este o meu momento inesquecível do dérbi. Aursnes, a espelhar o jogo de braços de Hjulmand perante uma plateia maioritariamente adversa. Só por isto valeu a pena ter visto o jogo na televisão através da Sport TV."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Não se acorda o Rei!


"O CAMPEONATO DO MUNDO DE 1966 CONSOLIDOU A FAMA DE EUSÉBIO, MESMO ENTRE OS SEUS COMPANHEIROS DE EQUIPA

E m julho de 1966, os Magriços rumaram a Inglaterra para disputar a fase final do Campeonato do Mundo. A equipa ficou instalada no Hotel Stanneylands, em Manchester, onde foi hasteada a bandeira portuguesa ao lado da bandeira do Reino Unido, comprovando a hospitalidade de que os portugueses desfrutaram.
O selecionador nacional, Manuel da Luz Afonso, explicou a distribuição dos atletas lusos pelos quartos, assumindo como propositada a divisão de atletas do mesmo clube por quartos diferentes: “Quisemos agrupar jogadores de clubes diferentes, não só para fortalecer os laços de camaradagem […] como para evitar a formação de ‘grupinhos’.” No entanto, havia pares tradicionais, já velhos conhecidos, e assim o benfiquista Eusébio dividiu o quarto com o sportinguista Hilário.
O primeiro susto da comitiva portuguesa surgiu, precisamente, do quarto n.º 22, onde os dois moçambicanos pernoitavam, que acompanhamos pelas palavras de Hilário: “Eu estava já deitado e eis que me dá uma dor terrível nos intestinos. Pensei que a coisa fosse passageira e, já a custo, dirigi-me a uma das casas de banho do hotel na esperança de que se tratasse da vulgar dor de barriga.” Mas quando quis voltar para o quarto, Hilário não conseguia andar, com uma dor tão aguda que mal lhe permitia respirar.
Perante a necessidade de chamar alguém que o ajudasse, o mais natural seria chamar o seu companheiro de quarto, “mas Eusébio dormia tão bem, tão profundamente que não o quis acordar”. Foi então que pegou no telefone e pediu à rececionista que ligasse para o quarto do médico que acompanhava a comitiva, mas a comunicação foi afetada pela linguagem e a rececionista não o conseguiu ajudar. Acabou por ser o fotógrafo do jornal A Bola, Nuno Ferrari, que o acudiu, chamando de seguida o médico da Federação Portuguesa de Futebol, que lhe diagnosticou uma cólica biliar. Apesar de este problema de saúde ser uma incógnita quanto à recuperação, no dia seguinte Hilário já se encontrava muito melhor.
Ultrapassado este percalço, Eusébio continuou o seu sono reparador, e Hilário conseguiu alinhar no primeiro encontro da equipa portuguesa no Campeonato do Mundo de 1966, frente à Hungria, 2 dias depois deste episódio. Portugal venceu o encontro por 3-1 com golos dos benfiquistas José Augusto, que bisou, e Torres. Esta foi, até à atualidade, a melhor prestação da equipa das quinas em Campeonatos do Mundo, alcançando o honroso 3.º lugar, com Eusébio a sagrar-se o melhor marcador da competição.
Saiba mais sobre Eusébio na área 24 – O “Pantera Negra” e Outras Lendas, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica