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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Sporting: a (in)coerência das decisões


"Em maio deste ano, o Sporting renovou contrato com o seu treinador e Frederico Varandas proferiu as seguintes palavras: «Nós não tomamos decisões por marés. Não navegamos à vista ou ao sabor do que estão a dizer ou vão achar. Navegamos com base em convicções e a acreditar em processos de trabalho.»
Agora que se questiona a continuidade de Rui Borges, o que mudou?

Definir o perfil
O treinador é uma das figuras mais importantes de um clube: gere os principais ativos desportivos e tem enorme responsabilidade nos resultados. Escolhê-lo não é fácil, num futebol em que as variáveis mudam rapidamente. Ainda assim, quem define um caminho coerente está mais perto de vencer.
A escolha deve partir de critérios bem definidos: que futebol se quer apresentar? O resultado é mais importante do que a identidade de jogo? Deve ser um fim ou uma consequência do trabalho? Pretende-se um treinador de personalidade forte, que possa gerar choques, ou alguém mais flexível? Que liderança se quer no balneário? Os valores e o comportamento do treinador encaixam na imagem do clube? E que comunicação se espera dele?

Renovação com convicção?
Rui Borges chegou ao Sporting num momento conturbado. Conseguiu agarrar a equipa e conquistar a dobradinha no final dessa época. A época seguinte foi a primeira que iniciou de leão ao peito. Mudou o sistema tático e apresentou um futebol dominador, por vezes alegre e aglutinador. Teve, contudo, dificuldades na gestão da condição física dos jogadores nas fases decisivas da época. Ainda assim, manteve a equipa competitiva nas várias competições, uma exigência de quem treina um clube grande.
Em maio, o Sporting renovou contrato com o treinador. Publicamente, a administração validou o seu perfil e reforçou a confiança.

O que mudou?
Depois da final da Taça de Portugal perdida para o Torreense, a desconfiança dos adeptos em relação a Rui Borges aumentou. Para romper com o passado, a administração leonina entendeu que era o momento de iniciar um novo ciclo, com a saída de vários jogadores determinantes para o sucesso desportivo do Sporting.
As vendas de Hjulmand, Diomande e Trincão, a que se juntou a saída de Morita, representaram uma mudança profunda, com os riscos inerentes à perda de jogadores desta dimensão. Financeiramente, estas operações permitiram equilibrar as contas e criar margem para desenvolver novos projetos, procurando manter o equilíbrio financeiro e desportivo do clube. Desportivamente, permitiram atacar o mercado mais cedo e dar ao treinador a possibilidade de trabalhar com os reforços desde o primeiro dia da pré-época.
Contudo, o Sporting foi mais longe. Deixou sair Pedro Gonçalves e Bragança sem uma contrapartida que justificasse, do ponto de vista desportivo, a importância dos dois jogadores. A sensação que ficou foi a de que foram empurrados para a porta de saída, sobretudo tendo em conta os destinos que acabaram por ter. A explicação para estas saídas nunca foi suficientemente clara. Terá sido pelas lesões recorrentes? Pelos salários elevados? Eram dois jogadores que faziam a diferença em Portugal e constituíam mais-valias para o Sporting.
Com um meio-campo novo para trabalhar e os jogadores disponíveis desde o primeiro dia da pré-época, a administração acreditava ter dado a Rui Borges as condições necessárias para construir uma equipa capaz de voltar a chegar às fases decisivas das competições.
Passadas dez jornadas da Liga e três da Liga dos Campeões, e apesar do voto público de confiança, surgem rumores de que o futuro de Rui Borges poderá depender dos resultados dos próximos jogos. Se isso se confirmar, e forem verdadeiros os contactos para encontrar um novo treinador, a administração ficará numa posição difícil de justificar.
Onde ficam as convicções e os processos de trabalho que sustentaram a renovação de Rui Borges? Está a administração a colocar em causa as competências do treinador apenas cinco meses depois de renovar o contrato? Está a decidir com base nos resultados imediatos ou no perfil e no processo de trabalho que afirmou querer privilegiar?
Se o Sporting não se tivesse deixado empatar no último minuto com o Famalicão, ou se não tivesse permitido que Estrela e Arouca recuperassem de uma desvantagem de dois golos, Rui Borges seria hoje o homem certo no lugar certo? Esperava a administração que o treinador continuasse a jogar da mesma forma que na época passada, apesar de ter jogadores completamente diferentes?
É que ter Trincão não é igual a ter Zalazar…

Comunicar também é liderar
Os treinadores das equipas grandes têm, muitas vezes, quatro conferências de imprensa por semana. São uma oportunidade para acrescentar valor e devem ser preparadas como um jogo. A comunicação reforça a confiança, transmite mensagens e consolida o ADN do clube.
Saber criar um ambiente positivo é fundamental para um treinador com visibilidade. A comunicação é uma das áreas em que Rui Borges menos evoluiu. O seu discurso continua muito redondo e parece não perceber que estes momentos podem proteger e valorizar o seu trabalho. Um treinador de um clube grande pode influenciar a narrativa dos meios de comunicação.
Farioli, por exemplo, numa conferência recente em que estava a ser contestado, falou em «bomba e sangue». No dia seguinte, só se falava dessas palavras e não do futebol apresentado. A declaração ajudou a desviar o foco do futebol praticado pelos azuis e brancos, colocando a mobilização dos adeptos em torno da causa portista no centro da discussão. Farioli conseguiu, assim, influenciar a narrativa.
Neste capítulo, o Sporting e Rui Borges têm falhado. Incluo o clube porque deveria ajudar o treinador a comunicar de forma mais eficaz. Ao não perceber a importância da comunicação para si e para o Sporting, Rui Borges coloca-se numa posição de fragilidade: em vez de controlar a narrativa, é a narrativa que o controla a ele.
Mudar de treinador pode ser uma decisão legítima. O importante é perceber se resulta de uma avaliação do trabalho desenvolvido ou da pressão dos resultados imediatos. Afinal, as convicções e os processos de trabalho também se revelam na forma como se reage às dificuldades. A valorizar: Ricardo (treinador do Famalicão) Dois jogos e dois grandes resultados ao leme do Famalicão. Depois de ter sido um grande capitão por onde passou, será que estamos na presença de um grande treinador? A desvalorizar: António Salvador (presidente do SC Braga) O início de época é a consequência de o presidente do SC Braga estar mais focado em procurar resultados imediatos do que no perfil ideal para treinar a equipa bracarense."

A diferença, na definição do plano da relva, faz toda a diferença, no caso do Tomás está bem tirada, no outro permitiu validar um golo ilegal...

Isto é constante, em todos os jogos do Tugão, para as equipas mais fracas, é impossível vencer jogos, com estes critérios...

Os Gloriosos Benfiquistas - S02E20 - É para cima deles - BENFICA vs Alverca

BF: Renovações e Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - FC Porto faz 10 em 10 no campeonato. E na Champions?

Futsal Feminino: Nun'Álvares 0 - 3 Benfica

Liga: Arouca 1 - 0 Nacional

Liga: Braga 3 - 0 Famalicão

Liga: Marítimo 0 - 2 Santa Clara

Liga: Académico 2 - 1 Rio Ave

BolaTV: Toque de Bola - Histórias sobre Guarda-Redes: da aposta com Maradona à recusa em ser re

Representar é muito mais do que negociar


"Durante muito tempo, quando se falava de um agente de futebol, a imagem era quase sempre a mesma: alguém que negociava contratos, tratava de transferências e procurava o melhor acordo para o jogador. Essa função continua a ser fundamental, mas hoje é apenas uma parte de um trabalho muito mais amplo.
O futebol mudou. Tornou-se mais global, mais competitivo e mais exposto. As carreiras são cada vez menos lineares, os mercados estão ligados entre si e uma decisão pode ter impacto muito para além do relvado. Neste contexto, também o papel de quem representa um jogador tem de evoluir.
Uma transferência não começa necessariamente quando abre o mercado. Muitas vezes, começa meses antes, numa conversa sobre objetivos, numa análise ao momento da carreira ou na avaliação de um contexto que pode não ser o mais evidente. A responsabilidade, no entanto, não termina quando o contrato é assinado. Passa também por acompanhar o jogador, perceber como se integra, como se adapta e se as condições que motivaram a decisão continuam a fazer sentido.
Representar um atleta exige hoje uma visão mais estratégica. É preciso conhecer os clubes, os treinadores, os campeonatos e as dinâmicas de cada mercado, mas também compreender a pessoa que está por detrás do jogador. As suas ambições, os seus receios, a sua realidade familiar e a forma como lida com a pressão.
A experiência de ter sido jogadora ensinou-me que, por vezes, aquilo que parece uma grande oportunidade do lado de fora pode não ser a melhor escolha para quem está dentro. Um contrato mais vantajoso, um campeonato de maior visibilidade ou um clube com um nome mais reconhecido não garantem, por si só, uma evolução positiva. O contexto é determinante.
Também a relação entre atleta e agente tem de acompanhar esta transformação. A confiança não se constrói apenas nos momentos em que há uma negociação para fechar. Constrói-se na transparência, na disponibilidade e na capacidade de dizer aquilo que nem sempre é mais fácil ouvir. Um agente não deve limitar-se a apresentar oportunidades, mas ajudar o jogador a interpretá-las e a tomar decisões informadas.
Essa proximidade deve também traduzir-se na criação de condições para que cada atleta possa trabalhar e evoluir melhor. Através de parcerias com profissionais e entidades especializadas, é possível disponibilizar ferramentas e soluções que respondam às necessidades individuais de cada jogador, seja ao nível da preparação, da recuperação ou do bem-estar. Mais do que procurar respostas iguais para todos, importa perceber o que pode fazer a diferença em cada realidade e garantir que o atleta tem acesso ao apoio certo, no momento certo.
É verdade que o mercado se tornou mais rápido e que a informação circula a uma velocidade difícil de acompanhar. Mas a rapidez não pode substituir a reflexão. Nem todas as decisões têm de ser imediatas, nem todas as oportunidades devem ser aproveitadas. Em determinadas fases, saber esperar pode ser tão importante como saber avançar.
O futebol continuará a mudar. Novos mercados vão ganhar relevância, novas formas de investimento vão surgir e as exigências sobre os jogadores serão cada vez maiores. O trabalho de representação terá, por isso, de ser cada vez mais preparado, próximo e responsável.
No fundo, representar um atleta é estar presente ao longo do percurso, compreender as suas necessidades e contribuir para que tenha as condições certas para evoluir. Uma carreira não se constrói apenas através das decisões que se tomam, mas também da forma como se acompanha cada uma delas."

A Bola de Ouro de um homem comum


"Harry Kane é o novo Bola de Ouro, à boleia de 73 golos em 65 partidas em 2025/26, 61 ao serviço do Bayern e 12 pela seleção de Inglaterra. O pódio do troféu mais desejado completou-se com o francês Kylian Mbappé (Real Madrid) e o espanhol Lamine Yamal (Barcelona). Num futebol em que as estrelas planetárias parecem pertencer a outra dimensão, a consagração do ponta de lança inglês, aos 33 anos, tem um sabor especial.
Harry Kane não precisa de transformar a vida numa montra, de exibir carros de luxo, de cultivar polémicas nas redes sociais ou de fazer de cada aparição pública um acontecimento. É um homem comum, no sentido positivo da expressão. Alguém com quem nos cruzaríamos na rua ou puxaríamos conversa no café sem imaginar que estaríamos na companhia do melhor jogador do mundo.
Uma história que começa longe dos grandes palcos, no leste de Londres, em Chingford. No Ridgeway Park, entre brincadeiras com o pai e o irmão mais velho, nasceu o sonho de ser futebolista. Pelo caminho, a primeira desilusão — aos oito anos, foi dispensado pelo Arsenal, decisão justificada pelos gunners por ser... «gordinho». Um episódio que poderia ter deixado marcas, mas que acabou por ser apenas uma curva apertada numa estrada longa.
Aos 17 anos, estreou-se como sénior no Leyton Orient, seguiram-se o Tottenham e o Bayern, além da seleção dos três leões, sempre a acumular golos e recordes.
Do parque em Chingford ao London Palladium, onde recebeu a Bola de Ouro. Uma viagem extraordinária que explicou em longo discurso com elogios à família, aos clubes, aos treinadores e à comunidade que o viu nascer. É aqui que Harry Kane também se distingue com uma imagem de simplicidade a contrastar com colegas de profissão egocêntricos que vivem numa realidade paralela, rodeados de ostentação, assessores e uma necessidade permanente de protagonismo.
Harry Kane não precisa de nos convencer que é especial. Os golos encarregam-se disso e mesmo assim continua a ser um de nós, como se ainda jogasse no Ridgeway Park. Talvez seja esse, afinal, o seu maior prémio."

VAR à Sexta #23 - Especial Halloween- Era Rui Borges perto do fim?

Hora do Desporto - S03E13 - À Conversa Com... Lenine Cunha

BolaTV: Falso Plano #142 - Prémios falso plano: Parte I

domingo, 1 de novembro de 2026

Grandes golos...

Benfica 3 - 1 Chaves


Vitória na recta final, com dois grandes golos, numa partida complicada, mas onde o nosso talento apareceu no momento certo...

Uma nota para arbitragem, desta vez, apesar de alguns erros naturais, não apitou com aquela raiva anti-benfiquista do costume! O lance do penalty contra o Benfica, com outro tinha sido assinalado... No golo anulado ao Chaves, por fora-de-jogo, não compreendi os quase 5 minutos necessários!!!

1.º lugar

Tigers 1 - 7 Benfica

Sabíamos que tínhamos que ganhar por 4 golos, antes da partida começar, e rapidamente conseguimos a vantagem...

Depois do empate na 1.ª jornada, as cosas ficaram complicadas, mas conseguimos... Já agora os Ucranianos, ganharam ao El Pozo!!!

Jornada interessante...

Portimonense 72 - 86 Benfica
19-16, 19-27, 16-14, 18-29

Vitória no Algarve, depois da viagem à Suíça, sem o Broussard, em mais um jogo onde a percentagem de Triplos foi baixa...

Derrota dos Corruptos em Ovar, deixou a liderança tri-partida, ainda é cedo para previsões finais... mas será sempre importante ter a vantagem de jogar em casa na negra nos Playoff's !!!

Vitória sobre o Vitória...

Guimarães 25 - 37 Benfica
16-19

Importante regressar às vitórias fora de casa, após o desaire na Madeira...

Tranquilo...

Benfica 3 - 0 Clube K
25-16, 25-8, 25-15


Jogo muito fácil...

Eliminados...

Benfica 1 - 2 Barcelos

Jogo típico onde a equipa que assumiu o jogo, acabou por perder, contra a equipa que basicamente só defendeu e aproveitou as poucas chegadas à baliza adversária para marcar...

Detalhes... importantes, mantendo a identidade, não esquecendo a história

Só faltava o 'indignómetro' interminente

Jhon Durán: a verdade foi tomar banho


"No futebol português, até o silêncio devia levar advogado. Nunca se sabe o que pode dizer. Uma pessoa está calada e já vai a caminho do túnel. Outra abre a boca, ninguém percebe o que disse, mas o relatório percebe tudo. Sobretudo a necessidade de justificar o cartão que já saiu do bolso.
Jhon Durán foi expulso por Cláudio Pereira no final do Santa Clara-Benfica. No relatório, surgem palavras impercetíveis à equipa de arbitragem. Palavras que terão ajudado a propagar o conflito. Não se percebe o conteúdo. Percebe-se a culpa. É uma capacidade extraordinária. Como condenar um livro sem conseguir ler o texto.
Convém fazer uma pausa. Um gesto pode ser ofensivo sem legenda. Uma provocação não precisa de palavrões. Mas um relatório precisa de factos. Da descrição concreta do que aconteceu. Se o árbitro não percebeu as palavras, não pode pedir-nos que aceitemos a ofensa por intuição. O cartão vermelho não é um teste de fé.
Também nos Açores, em abril de 2025, o mesmo árbitro expulsou Conrad Harder. Entre as explicações apareceu um «yeah» provocatório. Cláudio Pereira descreveu também um salto sobre um adversário e atribuiu ao então jogador do Sporting o início do conflito. O resto das palavras não lhe foi percetível. Já havia, portanto, dificuldades de receção. A emissão dos cartões funcionava bem.
Harder cumpriu um jogo de suspensão. Meses depois, o Tribunal Arbitral do Desporto anulou o castigo por violação do direito de defesa. Não decidiu que todos os gestos eram inocentes. Decidiu que o processo não respeitara esse direito. A diferença interessa. Como interessa o calendário. Quando a decisão chegou, o jogo já estava cumprido. A justiça devolveu-lhe uma presença que já lhe tinha sido tirada.
Antes disto, houve Sérgio Conceição num jogo do FC Porto em Paços de Ferreira. E houve Nuno Almeida. Segundo contou o treinador, o árbitro explicou-lhe que o expulsara pela cara. Ficou para a história «o olhar fulminante». É preciso atribuir a versão a quem a contou. E, mais tarde, o próprio árbitro negou essa versão. Mas também não é difícil imaginar um futebol em que a expressão facial constitui matéria disciplinar. Alguns treinadores teriam de entrar de costas.
Conceição nunca foi um menino de coro. Nunca precisou de o ser para ter direito a uma expulsão bem fundamentada. É esse o problema dos antecedentes. Dão muito jeito a quem tem preguiça de examinar o presente. Já gritou antes. Deve ter gritado agora. Já insultou antes. Deve ter insultado agora. Uma reputação transforma-se numa folha de cadastro. Depois basta preencher a data.
Mário Branco também não precisa de auréola. No caso de Famalicão, os insultos não foram a parte desmentida pelo diretor geral do Benfica. A falsidade estava na aproximação física que Gustavo Correia descreveu e que as imagens de videovigilância contrariaram. O dirigente não se aproximou nem foi travado por polícias ou assistentes. Aquela cena existia no relatório. Nas imagens, não.
O árbitro manteve inicialmente a versão. Depois reconheceu um lapso de identificação. O Conselho de Disciplina não deu como provada a intenção de falsear os factos. Deu como violados os deveres de rigor, exatidão e verdade.
Consequência? Essa tal repreensão. Cabe numa palavra. Já os efeitos de um relatório falso, têm outro tamanho. E podem ser nefastos para o visado.
Nada disto limpa o ambiente em que trabalham os árbitros. O futebol português produz suspeita em quantidade industrial. Uma semana trabalha um dos grandes. Na seguinte trabalham dois. Quando é preciso, trabalham os três. Mudam os comunicados. Mantém-se a fábrica. O erro de quem apita, quando existe, serve para explicar a derrota, desvalorizar a vitória alheia e preparar a próxima jornada.
Os três grandes ocupam a conversa toda. Os programas. As capas. Os corredores onde se decide. Até a indignação precisa de FC Porto, Benfica ou Sporting para ter direito a horário nobre. O resto do futebol espera. Se um clube de menor dimensão é prejudicado, ninguém quer saber. Falta-lhe gente suficiente a gritar para que o prejuízo exista na discussão pública.
Neste ruído, o árbitro entra em campo com a sentença preparada por milhões de adeptos. Há insultos. Há ameaças. Há dirigentes que confundem liderança com licença para intimidar. Há treinadores que fazem do quarto árbitro um empregado do seu mau humor. Defender a arbitragem desta violência é uma obrigação. Não exige que se defenda toda a frase escrita por um árbitro.
Também dentro do setor falta proteção. Falta quem ajude a corrigir sem abandonar. Quem exija rigor sem transformar cada erro numa execução pública. Mas proteger um árbitro não pode significar proteger uma versão contra os factos. Isso deixa-o mais sozinho na decisão seguinte. E entrega aos incendiários o fósforo de que precisavam.
Jogadores, treinadores e dirigentes abusam. Muitas vezes. Não abusam por decreto em todas as ocasiões. Alguns árbitros parecem esquecer essa diferença quando se sentam a escrever. O apito já acabou. Há tempo. Há uma cadeira. Há a possibilidade de dizer: «Não vi bem, não ouvi. Enganei-me.»
Em vez disso, por vezes, aparece a literatura. O jogador cumpre. O treinador cumpre. O relatório fica. A verdade desaparece."

O futebol português deve enterrar o machado de guerra


"Houve um tempo, já distante, em que ser campeão nacional era o objetivo único e último de uma época desportiva. Ganhar significava conquistar um título, entrar para a história e proporcionar aos adeptos a alegria de serem os melhores.
Com o crescimento exponencial das receitas da Liga dos Campeões e a dependência financeira que os clubes rapidamente desenvolveram dessas verbas, ser campeão passou também a significar arrecadar dezenas de milhões de euros.
Num futebol excessivamente dependente das receitas provenientes da venda de jogadores e das competições da UEFA, não ser campeão deixou de representar apenas uma derrota desportiva.
O adversário deixou de ser apenas um concorrente desportivo e passou a ser encarado como uma ameaça à própria sobrevivência económica.
Foi assim que a rivalidade se transformou em hostilidade e a competição deu lugar a um estado de guerrilha permanente, que há demasiado tempo carateriza o futebol português.
Mas Portugal prepara-se para ser um dos três países anfitriões do Mundial de 2030.
Uma oportunidade histórica para mostrar ao mundo a nossa cultura, afirmar a capacidade de organização do país e promover um turismo de maior qualidade, capaz de atrair visitantes com maior poder de compra.
Uma oportunidade que não podemos desperdiçar e que, provavelmente, não voltaremos a ter até ao final deste século.
O futebol português não pode querer apresentar-se ao mundo como anfitrião de uma grande celebração universal e continuar a viver, dentro de portas, num ambiente de ressentimento e hostilidade permanente.
Os adversários não são inimigos.
E o futebol, que tantas vezes reproduz os piores defeitos da sociedade portuguesa, pode desta vez dar um exemplo das suas melhores virtudes.

Uma 'Team of Rivals' no futebol português
Em 1860, Abraham Lincoln conquistou a nomeação presidencial do Partido Republicano, derrotando vários adversários que, um ano depois, já eleito presidente dos Estados Unidos, surpreendentemente convidou para integrarem o seu Governo.
Em vez de os afastar, inclui-os. Esta decisão ajudou-o a conduzir o país durante a Guerra Civil americana e a preservar a União, o grande objetivo da sua presidência.
Lincoln reconhecia o valor dos seus adversários e sabia que muitos deles se consideravam mais preparados do que ele para exercer a presidência. Tinham disputado o mesmo lugar, defendido projetos diferentes e recusado apoiá-lo.
Mas compreendeu que o país precisava também do talento daqueles que o tinham combatido.
A reconciliação exigia, porém, dois movimentos igualmente indispensáveis: Lincoln tinha de convidar os seus antigos adversários e estes tinham de aceitar.
Nenhum dos gestos seria natural. O primeiro exigia grandeza de quem tinha vencido; o segundo, humildade de quem tinha sido derrotado. 
Mas foi precisamente essa capacidade de colocar um objetivo comum acima das rivalidades pessoais que tornou a decisão de Lincoln um exemplo para a História.
Cento e sessenta e cinco anos depois, salvaguardadas todas as proporções, o futebol português precisa de aprender com Abraham Lincoln.
Até 2030, o futebol português precisa de uma paz assente no respeito, na confiança e na capacidade de Federação Portuguesa de Futebol e Liga trabalharem em conjunto, apesar das divergências.
A dependência financeira dos clubes exige reformas estruturais que a reconciliação, por si só, não resolve. Mas nenhuma reforma será possível num ambiente em que todos guerreiam todos.
E não haverá paz sem reconciliação.
O futebol português também tem demasiadas pessoas afastadas por terem estado do lado vencido de uma disputa ou por não se terem alinhado com quem venceu.
Não se trata de distribuir lugares pelos derrotados, nem de substituir os leais pelos adversários. Trata-se de compreender que o mérito não depende da lealdade pessoal e que a competência não desaparece quando alguém discorda de quem venceu.
Quem dirige o futebol português deve escolher os melhores, não apenas aqueles que estiveram ao seu lado.
Jorge Jesus é um exemplo de como o mérito deve prevalecer sobre a conveniência de escolher personalidades mais consensuais.
Uma personalidade forte, independente e longe de ser conhecida pela docilidade do seu feitio.
Não pode ter sido escolhido pela facilidade de relacionamento ou pela disponibilidade para concordar com quem manda, mas, simplesmente, por ter sido considerado o melhor para a função.
E é precisamente esse o princípio que deve orientar a escolha de quem serve o futebol português: procurar os melhores, mesmo quando são difíceis, incómodos ou discordam de nós.
A responsabilidade não pertence exclusivamente aos vencedores. Também os vencidos têm de estar disponíveis para a aceitar, colocando o interesse coletivo acima dos ressentimentos pessoais.
A reconciliação não exige que ninguém abdique das suas convicções, nem que os adversários deixem de competir. Exige apenas que compreendam que há objetivos comuns mais importantes do que as suas rivalidades.
O Mundial de 2030 oferece-nos um desses objetivos.
Será uma oportunidade para mostrar ao mundo o melhor de Portugal. Mas seria igualmente importante que nos ajudasse a descobrir o melhor de nós próprios.
Se o futebol português, onde os interesses económicos são tão elevados e as rivalidades tão profundas, conseguir enterrar o machado de guerra, talvez o país descubra que também é possível fazê-lo.
E essa seria uma das mais importantes vitórias de Portugal no Mundial de 2030. Mesmo que não seja dentro das quatro linhas."

Análise corretíssima... a projeção do ombro no solo, devia estar ao nível do pé... tão fácil manipular !!!

Mais um...

Esta agressão foi só uma de várias...

Palavras de respeito duma ex-adversária...

Coincidência...

Com muitos anos de atraso !!!

Realidade supera a Fiçao !!!

Boa ideia !!!

Lanças...


- Rubricas...

Durán (“gr&%rssst%&€@xxzyxwqt”) e… Varandas-de-ouro


"São muitas as ‘palavras impercetíveis’ do futebol português, como aquelas que o jogador do Benfica, Jhon Durán, terá dito já com o jogo nos Açores finalizado e captadas pela equipa de arbitragem chefiada por Cláudio Pereira e que ditaram o cartão vermelho mostrado ao avançado colombiano. Ninguém conseguiu determinar aquilo que Durán disse de tão duro, mas aqui fica a revelação em primeira mão: ‘gr&%rssst%&€@xxzyxwqt’.

1. Sim, estamos habituados no futebol português a muitas palavras imperceptíveis, a meias palavras, a silêncios convenientes e também a muito ruído. Vivemos numa sociedade em que se criticam as coisas que não acontecem e que deviam acontecer. Em Portugal, como noutros países, os problemas estão identificados, como o da habitação, mas os sucessivos governos não tomam medidas que permitam aos jovens ambicionar ter casa para poderem deixar de viver debaixo das telhas dos pais, até que se chega ao tempo do protesto e da troca de argumentos mais certeiros ou mais virulentos, a partir dos quais quase sempre se misturam alhos com bugalhos e, normalmente, nada se resolve, nada ou pouco muda.

2. Perdoe-se-me a comparação (porque estamos perante macro problemas que afetam a população face a uma atividade que gera as suas próprias riquezas e misérias-de-diamante), mas com a arbitragem e as questões que afetam há décadas o futebol português passa-se o mesmo que vemos no setor da habitação: sabem-se as causas que geram os fenómenos antissociais e colocam a indústria do futebol num patamar, até, de inconstitucionalidade (no limite), e nada se faz para reduzir ou anular as suas entropias.

3. Aquilo que Durán (não) disse («gr&%rssst%&€@ xxzyxwqt») não poderia ser vertido para um relatório como «palavras impercetíveis», porque se não se tem a noção, objetivamente, daquilo que é dito, então não se pode presumir. Até porque, no meio da confusão, e como desejava Marco Silva, não foram disponibilizadas imagens que justificassem a amostragem de cartões vermelhos. Teria de ser através das palavras. Mas se as palavras (de um colombiano) foram impercetíveis, como se pode inferir ou presumir, subjetivamente, que elas tiveram caráter insultuoso ou para adversários ou para algum membro da equipa de arbitragem?…

4. Ainda se podia dar o caso que uma palavra – uma palavra que fosse –, devidamente identificada e vertida em relatório, pudesse desencadear, no campo, a posteriori, uma cena de pancadaria ou confrontos entre adversários, e nesse caso, sim, a penalização seria devida, mas nem isso aconteceu, e portanto um árbitro não deve justificar uma expulsão através de uma fundamentação vaga e sem qualquer tipo de solidez.
(À hora em que escrevo este texto ainda não sei qual foi a decisão do CD da FPF, mas apesar dos árbitros beneficiarem da jurisprudência de serem protegidos pelas instâncias disciplinares, através daquilo que reportam, estamos perante um caso muito específico em que se justifica a despenalização. Do que se viu e em função do que se reportou, um cartão amarelo justificaria a aplicação da figura de «comportamento incorreto»).

5. Este episódio não ajuda nada a evitar aquilo que parece cada vez mais iminente: a queda ou suspensão do Conselho de Arbitragem. Ninguém fala, mas é preciso estar atento aquilo que se vai passar este sábado na AG da FPF, durante a qual não me surpreenderia que se gerasse um movimento para tentar tirar Luciano Gonçalves do cargo. São demasiadas as críticas: primeiro, as de fações da própria arbitragem que ambicionam poder; depois ou simultaneamente as de André Villas-Boas, que defende a suspensão temporária do cargo , em nome da «credibilidade das competições» e é de elementar reconhecimento que o FC Porto anda há dois anos a pedir a implementação das tecnologias do fora-de-jogo semiautomático e da linha de golo, para além de um investimento mais célere na melhoria das condições que alguns estádios apresentam, nomeadamente para não se duvidarem de foras-de-jogo de 1 cm; há ainda as queixas de António Salvador e o posicionamento documentado do Benfica de Rui Costa em relação aos macro problemas da arbitragem, colocando-se Frederico Varandas e o Sporting numa posição mais conservadora…

6.…E por falar em Frederico Varandas e em posições mais conservadoras, o presidente do Sporting tem mais em que pensar porque a equipa mais representativa dos leões já perdeu 9 pontos neste campeonato (no qual o FC Porto não perdeu nenhum) e o seu treinador, Rui Borges, não está a conseguir gerir desportivamente aquilo que lhe foi oferecido para fazer face a uma transição que se adivinhava dura, em função da saída de jogadores tão proeminentes como Hjulmand, Trincão, Pedro Gonçalves, Diomande e Morita, já para não falar de Quenda e Daniel Bragança, cada qual com as suas especificidades. No futebol, e como dizia muito bem Rui Borges na antevisão do jogo com o Casa Pia, «não há tempo», deixou de haver tempo, e, portanto, essa coisa de pedir tempo deixou de ser argumento e nem o adeptos estão para aí virados, numa indústria de milhões, porque também não lhes dão tempo para pagar as suas contas, em contextos bem mais adversos.

7. No futebol, e como se viu no Sporting, a transição de Gyökeres para Luis Suárez foi quase imediata, como acontece em muitos casos e noutros não, quando a hemorragia é grande, como vemos em Alvalade, a dificuldade de adaptação pode ser maior, mas os treinadores hoje são mais gestores de tempo, de calendários e de lideranças porque, de uma forma geral, todos sabem como jogar em bloco baixo ou mais alto, escolher zonas de pressão e privilegiar a importância da intensidade e da ocupação dos espaços. Não é tanto por aí. A propósito de gestão de calendários, o Sporting acedeu correr o risco de jogar com o Marítimo 45 horas e 40 minutos depois de ter perdido em casa com o Ac. Viseu, risco calculado em função da mudança radical de ‘onze’ para poder contar com jogadores mais frescos nestes jogos que se seguem esta sexta-feira com o Casa Pia, em Rio Maior; Shakhtar, na terça, em Londres, e com o Moreirense, no dia 7, em Alvalade.

8. Rui Borges sabe que está em risco e nada justifica que seja mal tratado, nem ele nem a sua família, como agora denunciou, por estar a atravessar uma fase menos boa no comendo do Sporting. Os ciclos duram o que duram, parece-me que Rui Borges perdeu o controlo da equipa e das dinâmicas e tem, no limite, até ao dia 7 para as recuperar. O jogo a seguir dos ‘leões’ é apenas no dia 25, com o Manchester United, e nesse data se não recuperar as ditas dinâmicas, o Sporting já pode ter outro treinador.

9. Depende também da sensibilidade de Frederico Varandas, que gosta muito de ir contra a maré, como se viu quando o presidente dos ‘leões’ decidiu renovar o contrato a Rui Borges sem necessidade nenhuma. Convicção e ideias firmes são uma coisa; teimosia é outra. Parece demasiado evidente que os jogadores do Sporting não acreditam ou deixaram de acreditar na proposta do seu treinador. Como dizia no artigo da semana passada, a falta de liderança em Alvalade, na cabina, é transversal.

10. E essa ‘falta de liderança’ ou hesitações no comando presidencial não serão toleradas pelos sócios como já foram noutros tempos. É que, hoje, o Sporting tem um presidente-banhado-a-ouro. Um presidente que, em 2025-26, recebe 776 500€ brutos da SAD (300 00€ fixos e 476 500 em variáveis) e que viu agora o seu salário aumentado em 18,7% (passando para 356 000€) para estar em condições de receber cerca de 890 000€ esta época, se cumprir objetivos, não pode estar ao sabor de estados de espírito. Uma sociedade aberta cotada em bolsa tem também responsabilidades em termos de proporcionalidade dos proventos e o que se passa no Sporting merece reflexão. Prefiro presidentes remunerados a não remunerados, mas é preciso ter a noção das realidades. E o futebol distancia-se muito depressa delas.

EXAME
HARRY KANE
19
‘Bola de Ouro’ depois de uma época (25-26) de grande rendimento. Merecido!

PRESTIANNI
17
O jogador do Benfica que mais evoluiu

FPF
10
Pré-convocatória sem nomes?!!! A pensar…

RUI BORGES
8
O Sporting perdeu a confiança. E agora?"

Liga: Corruptos 4 - 0 Estoril

Futpedio #33 - A FUT TENABLE CHEGOU 🔥

BF: Marco...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Sporting vence, Rui Borges a prazo. Segue-se Paulo Fonseca?

Zero: Negócio Mistério - S07E06 - Rijkaard no Sporting

Bola na Trave: Gil Vicente...

Nos Açores, mobilidade não é luxo


"Já lá vai o tempo em que Portugal era Lisboa e o resto paisagem. Bonita, sim, diversa também, mas paisagem. A consciência de uma realidade muito diversa, de um país multifacetado e de uma riqueza dificilmente mensurável para uma tão pequena dimensão geográfica foi chegando com a multiplicação e diversificação da informação, e com a certeza de que, do ponto de vista do desenvolvimento sustentado, o conceito de justiça era cada vez mais percebido e adotado: justiça não é tratar tudo por igual; é tratar igual o que é igual, e diferente o que é diferente.
Daí que a discriminação positiva deva imperar, sempre que falamos de um todo com partes distintas, e seja ainda mais significativa e determinante quando aludimos às regiões autónomas, também elas, por sinal, bem diferentes entre si.
Porque a verdadeira dupla insularidade, a real ultraperiferia só é notória nos Açores, considerando que a Madeira, mais próxima geograficamente do território continental (e até da costa africana!…), se concentra numa ilha principal (com dez municípios), e num Porto Santo muito atraente, do ponto de vista turístico, mas bem resumido em termos de superfície.
Portanto, os Açores concentram, em si, problemas de gestão que se multiplicam por nove ilhas, por uma descontinuidade geográfica que assume, na sua génese, uma dupla insularidade, tão distintos, porém complementares e essenciais, são os desafios da governação.
No desporto (e no futebol em particular), a dimensão arquipelágica encerra a divisão em três associações distintas (Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta), herdando a antiga divisão administrativa digital, sobretudo por questões que se prendem com o conhecimento do terreno, a implantação de medidas específicas para cada associação e, admitamos, uma rivalidade regional dificilmente ultrapassável.
Por isso, quando, do ponto de vista competitivo, se tem no Santa Clara a ponta do icebergue, importa não reduzir a medida e a compreensão da realidade açoriana à visibilidade que é dada pela SAD presidida por Bruno Vicintin, desde logo porque ela representa apenas a cidade de Ponta Delgada e a ilha de São Miguel, mas essencialmente porque está longe de concatenar a verdadeira realidade do futebol e do desporto açorianos.
É necessária uma visão de perspetiva sobre o arquipélago, percebendo que é muito distinto pugnar pelo desenvolvimento sustentado em nove ilhas de realidades muito díspares. Instalações, técnicos credenciados, desafios competitivos, estruturas organizadas. Por isso — também por isso — o desporto escolar assume uma vertente determinante no desenvolvimento do ecossistema desportivo açoriano, sendo, muitas vezes, porta de entrada e saída para a atividade física, e pólo aglutinador de jovens, despistagem de talentos e progressão de aprendizagens.
Unir as ilhas é essencial. Falamos de uma região que se estende por mais de seiscentos quilómetros, da ilha mais oriental (mais próxima do território continental), Santa Maria, ao extremo mais ocidental, geograficamente situado já na placa tectónica americana (a ilha das Flores), com uma diversidade de 19 concelhos em nove ilhas (quatro delas — Faial, Graciosa, Santa Maria e Corvo — monoconcelhias). E a unidade consegue-se com ligações frequentes, garantidas pela SATA Air Açores, tantas vezes em condições atmosféricas muito adversas e em situações de necessidade extrema, como o abastecimento de bens essenciais ou o transporte de doentes.
De há alguns anos a esta parte, o Governo dos Açores projetou uma medida estruturante: a chamada Tarifa Açores, aplicada a residentes, e que, na génese, constituía uma ferramenta essencial da mobilidade inter-ilhas, facultando viagens aéreas de ida e volta a um preço condicionado não superior a 60 euros. Quer os movimentos internos na região, quer a capacidade de proteção ao passageiro residente, eram motivos mais que suficientes para justificar a medida, aplaudida por todos os quadrantes políticos e, sobretudo, saudada pela generalidade da população açoriana, sendo que, do ponto de vista social e (também) desportivo, muito auxiliou a que se ascendesse a um patamar antes dificultado pelos elevados preços das ligações.
Se olharmos ao conceito de mobilidade, rapidamente percebemos que, nos Açores, em pleno Atlântico norte, a quase meio caminho entre a Europa e a América, essa ideia ganha foros de essencial, qual respiração garantida para mais de 250 mil habitantes. Já não abordo — pelo menos aqui e agora — as ligações com o exterior, resumidas à Azores Airlines e à TAP Air Portugal, num contexto económico cada vez mais difícil e exigente, e com repercussões diretas que não se resumem à simplicidade dos dados estatísticos, mas encontram eco e respaldo numa significativa diminuição do número de desembarques e dormidas, generalizado a todas as ilhas do arquipélago, mas com especial incidência, claro, nas que se constituem como principais receptadoras do mercado turístico.
Ora, aqui chegados, a correção dos preços para residentes das viagens aéreas inter-ilhas, plasmada na proposta de orçamento regional para 2027, de 60 para 70 euros, é pouco razoável e, até, para determinadas franjas da população, alarmante. Dez euros (em sessenta) representa, para todos mas, concretamente, para as associações de modalidades com múltiplos desafios competitivos nas diversas ilhas, um aumento dificilmente comportável, talvez definitivamente limitativo de uma normal e saudável capacidade de intercâmbio e desafios para dirigentes e praticantes, e de estímulos para o desenvolvimento das próprias atividades.
Aplica-se ao desporto mas, genericamente, a todas as atividades económicas desenvolvidas nas nove ilhas açorianas, e é uma medida que, a confirmar-se, é um importante retrocesso na mobilidade, na facilidade de ligação e na mensagem enviada pelos responsáveis políticos, mesmo sabendo as implicações financeiras no orçamento muito limitado de uma região como os Açores.
O dinheiro público tem múltiplas vertentes, e a sua aplicação também. Afinal, olhando à atual proposta de orçamento regional, acabamos por verificar que, como tantas vezes no futebol, também na política e nas suas opções estruturantes, o que hoje é verdade, amanhã é mentira.

Cartão vermelho: CAF
A CAF (Confederação Africana de Futebol) não se entende. Ora é a manutenção da regra de desempate por golos fora, ora é o imbróglio, administrativo com a definição do campeão africano (Senegal ou Marrocos), ora é o sorteio com duas equipas angolanas (Petro de Luanda e Wiliete de Benguela) no mesmo grupo da Liga dos Campeões. E, agora, é o regresso à periodicidade bienal da CAN (Taça de África das Nações), depois de ter ficado oficialmente definido o caráter quadrienal da competição.
Por mais que Patrice Motsepe, o milionário sul-africano que preside à organização, tente demonstrar alguma visão e ideia de futuro, é muito difícil acreditar nos projetos da CAF, tantas, tamanhas e tão frequentes são as contradições no seu seio…"