Últimas indefectivações

sábado, 30 de maio de 2026

O Benfica Somos Nós - S05E59 - Final de época, parte II

Zero: Ponto Final - Pizzi...

DeLetra #44 - Dantas -⚽ Do Benfica para o Bayern, jogar na Grécia e João Félix

O Cantinho Benfiquista #229 - No Time To Waste

Errar é humano, em inglês!!!

Valor...

Como convencer Marco Silva


"Enquanto não há certezas, a crítica ocupa espaço; José Mourinho ficou sem condições que sejam benéficas para continuar na Luz; o Benfica precisa que Marco Silva sinta que vai ter sucesso

Tudo se vai passando nos bastidores, ninguém assume compromissos de viva voz e a crítica tem ocupado um espaço que está vazio pela ausência de comunicação e certezas de qualquer forma.
As eleições no Real Madrid baralharam tudo, Florentino Pérez tem de garantir que vence e José Mourinho que isso suceda, pois neste momento, e partindo do princípio que a proposta de renovação do Benfica está válida, a permanência na Luz já não seria benéfica.
Rui Costa, portanto, tem de encontrar um sucessor e isso significa convencer Marco Silva que, no meio de tudo isto, está na situação mais confortável. O Fulham quer renovar com ele, oferece um salário considerável e a Premier League, o mercado aonde todos querem chegar. Marco nunca ficará de mãos a abanar, ainda que também o clube londrino deva ter os seus timings para definir o futuro.
Além disso, Marco Silva conhece os números de José Mourinho no Benfica. Sabe quanto o clube estava disposto a pagar para garantir a continuidade do setubalense e sabe ainda que o Benfica não deve adiar muito mais uma decisão sobre o banco. Claro, há o exemplo de Farioli que chegou ao FC Porto bem mais tarde no verão, mas na Luz ainda se joga no campo político e ninguém admite que se chegue às AG de junho sem treinador.
O Benfica tem, portanto, de convencer Marco Silva. Pode até não lhe oferecer o mesmo ordenado que o Fulham, o próprio técnico saberá distinguir as realidades inglesa e portuguesa, mas tem de encontrar-se a nível financeiro com o técnico. Os encarnados ficaram sem o trunfo Champions no imediato, ainda que contem desportivamente na Europa como o Fulham não o faz.
Ao fim de muitos anos em Inglaterra, Marco Silva pode olhar para o Benfica como a oportunidade de conquistar títulos de forma consistente, regressar à Liga dos Campeões como ambição (o contrato nunca será de uma época) o que, caso assim o deseje, o pode recolocar no radar dos maiores campeonatos num patamar acima do Fulham.
Por fim, estrutura. Marco Silva disse-o, do lado do Fulham necessita de ter garantias para lá das financeiras: quer garantias desportivas. Marco Silva escutará a liderança, mas também saberá o que a crítica vai dizendo do Benfica e é, portanto, presumível que exija o mesmo na Luz. Isso pode agitar, de algum modo, a estrutura no Seixal. É preciso que Marco Silva sinta que não vem apenas para ocupar uma cadeira vazia, mas que tem condições para ter sucesso nela."

Luis Enrique podia ser um herói da Marvel


"Pode ser o segundo treinador a vencer duas Ligas dos Campeões consecutivas, depois de Zidane, mas é o 'como' e não o 'quanto' que o aproxima de uma personagem de ficção

Tony Stark podia ser interpretado por Luis Enrique. Arrogante, cínico, desafiador nas conferências de imprensa, vendo os media como uma espécie de inimigo, distribuindo patacoadas que ajudam a construir um escudo à volta da sua equipa. Dentro de portas, porém, não se importa de se expor, exibindo a sua mais pura condição humana, como o fez mais que uma vez em documentários intimistas reveladores uma das personalidades mais complexas e extraordinárias do futebol moderno. A diferença, porém, é que O Homem de Ferro é uma personagem de ficção, ao passo que o espanhol é uma figura real, que por acaso já participou no Iron Man, o que o torna muito mais especial.
Neste sábado, em Budapeste, se vencer o Arsenal, o asturiano tornar-se-á no segundo treinador a conquistar duas Champions consecutivas no formato contemporâneo da prova rainha da UEFA. O primeiro foi Zinédine Zidane, quando o francês ganhou em 2016, 2017 e 2018. Mas não será pelo quanto, antes o como o treinador do PSG poderá ficar na história. Sem querer ser injusto para com Zizou, há uma diferença gigantesca entre os dois: o Real Madrid venceu pela capacidade dos seus jogadores, com Cristiano Ronaldo à cabeça, os de Paris estão a fazê-lo por causa do homem que os comanda a partir do banco.
«Para o ano vou controlar tudo». Esta foi uma das frases que mais vezes recordo do documentário sobre a sua primeira época no PSG, a propósito de não conseguir pôr a estrela Mbappé a defender como o fazem todos os atuais avançados da formação gaulesa. Esta obsessão foi premiada há um ano e a menos que haja alguma surpresa sê-lo-á em 2026. Não tenho muitas dúvidas de que o antigo jogador do Real Madrid e Barcelona vai marcar uma era. Não tem o glamour de Guardiola, mas merece ser objeto de estudo de todos os que gostam de futebol - ou simplesmente dos que aspiram a gerir equipas.
Este PSG tornou-se numa das melhores obras de autor deste século. Junta, na mesma equipa, princípios da escola Barcelona e a verticalidade dos melhores intérpretes do futebol alemão: a procura incessante, ao centímetro, da ocupação de espaços para criar linhas de passe ao futebol vertical e de transições; a construção em superioridade numérica no primeiro terço com a pressão asfixiante; e ainda assim ainda dá tempo e espaço para os seus jogadores usarem a criatividade num caos controlado.
Luis Enrique podia ser um Guardiola e Jurgen Klopp na mesma pessoa, mas já vai sendo o tempo para dizer que a sua marca é tão avassaladora que qualquer comparação soaria a um desaforo, de tão redutora. A forma mais genuína de analisar um treinador é ouvir o que os seus jogadores dizem dele e até hoje não me recordo de ler críticas marcantes. O homem que deseja «controlar tudo» conseguiu criar 11 estrelas de espírito operário; não apenas meia dúzia, mas uma equipa inteira e os seus suplentes. Não me recordo de algo assim.
Come seis ovos por dia, detesta queijo, dorme nu e passou pelo trauma da perda de uma filha de nove anos. Luis Enrique tem todos os traços de um herói da Marvel.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
Bruno Fernandes, médio do Manchester United Foi considerado o melhor jogador da Premier League em 2025/26 e a sua equipa não ficou nos dois primeiros lugares. Isto diz muito sobre a época do internacional português, cuja carreira merece ser também acompanhada de títulos coletivos.

Estagnado
Carlo Ancelotti, selecionador do Brasil Renovou com a seleção brasileira até 2030 ainda antes de iniciar o Mundial 2026, para o qual foi obrigado a chamar Neymar, numa decisão que pareceu ser desconfortável... e forçada para o experiente treinador italiano.

A descer
Míchel Sánchez, ex-treinador do Girona Ficou na história por levar o modesto Girona à Champions dois anos depois de alcançar a subida à LaLiga. Foi ontem despedido na sequência da... descida da divisão da equipa. O preço a pagar por nunca ter pretendido sair pela porta grande."

Benfica e Sporting: a crise alastra em lideranças sem líderes


"Entre a paralisia na Luz e as desculpas em Alvalade, os grandes expõem a sua maior fragilidade: o vazio de rumo estratégico num dirigismo que governa, mas não lidera o jogo

Enquanto os rivais já vão chegando às suas primeiras metas estipuladas para o mercado, o Benfica, que até viu o seu arranque ser antecipado pela conquista da Taça por parte do Torreense, faz chegar aos jornais, de forma direta ou indireta, que acelera na preparação da nova época. Mais do que algo palpável, é a tal palmadinha nas costas, acompanhada de piscar de olho de chico-esperto, que apenas aparece para manter as coisas serenas. Criar pelo menos a dúvida à contestação. Lembra sem lembrar que a preocupação e a imagem de crise e caos são coisas de jornais e jornalistas, que há um timoneiro ao leme e que vai correr bem. E se correr mal, outra vez?
Não há dúvida de que toda a situação foi gerida à-Rui Costa, ou seja, com ausência comunicacional absoluta ou completamente desenquadrada do divulgado quase em uníssono por praticamente todos os órgãos, exceto o canal do clube. Chamemos-lhe realidade. Nomes têm sido muitos, talvez até mais do que o normal. Concretizações zero. Sem treinador, com uma oferta com nomes indisponíveis e poucas opções — ao contrário do que acontecia nos tempos de jogador, não esperem do presidente qualquer rasgo de génio —, também o melhor é que não se concretizem mesmo. A não ser que sejam nomes inequívocos, que joguem em qualquer sistema e façam sua qualquer ideia, todavia para esses não parece que haja assim tanto dinheiro.
Os líderes, os verdadeiros, não os empossados, mas aqueles que têm realmente vocação — e, sim, são raros os que viram presidentes de clubes ou políticos — conseguem olhar para lá do óbvio, ler nas entrelinhas, antecipar problemas e soluções, avistar cenários completos e não apenas o que está perto. Rui Costa teve a oportunidade de controlar a narrativa e o próprio destino. Para isso, precisava de ter a certeza da sua decisão. De ser capaz de encerrar ciclos. Não ao corresponder à abertura de José Mourinho em ficar no pré-Real Madrid, mas precisamente no abrir mão de um técnico que teima em ficar bem abaixo das expectativas que gera, desde que, precisamente, deixou a capital espanhola. A partir do momento em que não tomou o próprio destino entre mãos permitiu o colar de dois futuros, o da Luz e o outro, do Bernabéu, e do qual o emblema português nunca sairá a ganhar. Já está inclusive a perder, bloqueado no tempo, sem poder realmente avançar para a próxima temporada.
Afinal, por 15 milhões, o valor da rescisão (e eventualmente de uma contratação falhada aos dias de hoje), vale a pena abdicar de tanto?
Ridícula foi ainda a oferta posterior, quase em desespero, que só fortaleceu a imagem do Special One. Deteriorando ainda mais a do presidente, ao ponto, provavelmente, de já não se reconhecer no próprio reflexo.
O campeão não se faz só de mercado e o começar mal não quer dizer, só por si, que os encarnados terão mais uma época para esquecer. Só que o problema é esse mesmo «mais» na frase anterior. Rui Costa não chegou hoje, bem pelo contrário. As temporadas, exceção feita à primeira, com Roger Schmidt, e ainda assim com um inverno pouco equilibrado face às saídas, foram todas planeadas de forma insuficiente, com muitos negócios de oportunidade, em vez de apostas cirúrgicas.
Também há, na Luz, muita pressa no que diz respeito à afirmação de jogadores, o que precipita decisões erradas e comprometedoras do futuro. Hoje, se não fosse o Real Madrid, Schjelderup estaria em Bruges. Sem as exibições no Mundial juvenil, Prestianni andaria talvez por algum clube menor a ganhar músculo. A Sudakov, pasme-se, já lhe apontam a porta da saída tantas vezes quantas, antes de tempo, apontaram a Ríos. Falta realmente quem pense o futebol do Benfica.
No entanto, como escrevo há anos, falta antes de tudo um rumo. Que não virá com Rui Costa. Porque não olha para lá de amanhã, não vê além do Estádio da Luz e prefere que as coisas se resolvam por si só do que resolvê-las ele mesmo. Felizmente, Otamendi decidiu sair por si ou o argentino arriscaria bater todos os recordes de longevidade.
A confirmar-se, Marco Silva, cujo bom trajeto é inegável, ainda não percebeu bem onde se irá realmente meter. Quanto mais incapaz for ele próprio de preencher o vazio que irá de certeza encontrar, mais dificuldades terá em descobrir o caminho para o sucesso. Mesmo com Mário Branco, com quem já trabalhou, mas numa realidade tão distante que parece de outro planeta.
De fragilidade para fragilidade. Comunicacional. Mas também de liderança. Uns metros à frente, baixou a crise sobre Alvalade. Avisava eu, há umas semanas, que o Torreense iria determinar o quão fragilizado Rui Borges iria começar a nova temporada. E a festa azul-grená, no Jamor, juntando-se a uma temporada sem títulos e que teve como atenuantes apenas a boa campanha na Champions e o regresso, via 2.º lugar, à prova milionária, fez obviamente disparar a pressão em torno do técnico, que nunca foi realmente consensual para adeptos e críticos. Renovar com o mesmo naquela altura pareceu querer dizer que se confiava no processo independentemente dos resultados, o que não só nunca é verdade em Portugal, como ,depois de os mesmos não terem sido favoráveis, não elimina as questões sobre se mantém a confiança ou não no técnico principal. Fazê-lo agora, sim, seria uma afirmação.
Frederico Varandas veio também a público, naquele seu jeito sem jeito, abrir a porta a um verão movimentado no plantel. Num discurso muito anos-80 — na verdade, deixámo-nos iludir pela forma, o conteúdo infelizmente continua o mesmo —, o presidente do Sporting protegeu o treinador reconduzido e entregou os jogadores às feras, sugerindo já terem a cabeça no Mundial ou noutros lados, usando a palavra «atitude». Como se os futebolistas não tivessem querido ganhar a Taça ou não tivessem sequer querido jogar bem. Como se Pedro Gonçalves e Luis Suárez, aqueles que mais oportunidades tiveram, pudessem ter colocado mais vontade no prato da balança que diz «acertar».
Seria muito mais fácil para estes dirigentes se as suas equipas jogassem sozinhas, sem adversários do outro lado do campo. Aí não teriam mesmo como errar!"

Zero: Mercado - Dragão perto de contratar avançado

BF: Gustavo Sá...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Centralização leva FC Porto a ameaçar com ações judiciais: o que está em causa?

Observador: E o Campeão é... - É justo o Casa Pia manter o lugar na primeira divisão?

Observador: E o Campeão é... - O Escândalo que Destruiu a Seleção. Episódio 1. Um passaporte envenenado

SportTV: Primeira Mão - Champions decide-se e o Torreense não para de crescer

A Verdade do Tadeia - O Mundial vai ao Bar #20 - Kempes e a marmelada peruana

SportTV: Mundial - Realpe...

Na final


"O tema principal desta edição da BNews é o apuramento do Benfica para a final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol.

1. Qualificação em 3 jogos
Em basquetebol, o Benfica ganhou, por 78-86, no reduto da Oliveirense, fechando as meias-finais dos play-offs a seu favor com três vitórias em outras tantas partidas.fu

2. Na frente
Em hóquei em patins, as águias entraram a vencer nas meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional. O triunfo ante o OC Barcelos saldou-se por 3-2.

3. A edificar o futuro
Guilherme Müller, diretor-geral do Benfica Campus, participou na tertúlia sobre o futebol de formação no âmbito da conferência "A Excelência no Futebol", organizada pela Rádio Renascença.

4. Estreia
Jaden Umeh atuou pela primeira vez pela seleção A da Irlanda.

5. Agenda para sábado
Em futsal, no masculino há o início das meias-finais dos play-offs com a visita do Benfica ao Leões Porto Salvo (15h00), e no feminino disputa-se o jogo 2 da final do Campeonato no reduto do Nun'Álvares (18h00).
Às 11h00, há dérbi de iniciados entre Benfica e Sporting no Benfica Campus. A equipa feminina de hóquei em patins recebe a Sanjoanense às 18h00 e, no mesmo horário, a equipa feminina de andebol desloca-se ao pavilhão do Gil Eanes."

Lanças...


História Agora


Rabona: Are Argentina STILL World Cup Favourites?

LiveMode: Martinez...

BolaTV: O Meu Mundial - Inácio...

Zero: Afunda - S06E44 - A batalha Spurs-OKC, os Knicks e o anti-tanking

Aproxima-se o Mundial


"Aproximando-se o início de uma grande competição, as marcas começam a querer associar-se às seleções participantes e ao organizador — ainda que para tal não estejam autorizados.
Os patrocinadores oficiais quer das seleções quer da FIFA — e em concreto do Campeonato do Mundo de 2026 — detêm uma posição privilegiada na promoção dos seus serviços e produtos, dado que lhes são atribuídos direitos exclusivos, nomeadamente quanto à sua apresentação em ações de publicidade, merchandising, transmissões televisivas e todo o tipo de comunicação comercial associada ao evento.
Não obstante, as marcas que ficam de fora procuram formas criativas de aparecer nas ações promocionais e comunicacionais. É neste contexto que surge o marketing de emboscada ou ambush marketing, uma estratégia que consiste em invadir um evento com ações de marketing ou publicidade visando obter indevidamente a mesma visibilidade dada aos patrocinadores.
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Auto Regulação Publicitária (ARP) divulgaram um comunicado conjunto alertando para os direitos e deveres associados à comunicação comercial durante o Mundial de 2026. O objetivo é claro: prevenir práticas de ambush marketing e garantir o respeito pelos direitos comerciais exclusivos da FIFA e dos seus parceiros oficiais.
Neste contexto, a FPF e a ARP sublinham que não devem ser explorados, direta ou indiretamente, quaisquer elementos associados à competição sem autorização prévia e escrita da FIFA e é reforçada a importância de proteger os parceiros comerciais da Seleção Nacional, impedindo associações indevidas por parte de marcas não autorizadas."

Os direitos de formação no futebol português


"O futebol habituou-se a falar de transferências, cláusulas de rescisão e direitos económicos. Mas antes de qualquer transferência há quase sempre uma realidade mais silenciosa: a formação. Antes do contrato profissional e do destaque mediático, houve clubes, dirigentes e estruturas que investiram no jogador sem garantia de retorno.
É por isso que existem os direitos de formação, como reconhecimento jurídico de que formar jogadores tem valor económico. O clube que recebe um atleta já desenvolvido beneficia, muitas vezes, de anos de trabalho realizado por outros. Esse trabalho não deve desaparecer quando o jogador sobe de patamar ou quando passa a gerar valor numa transferência.
Na dimensão internacional, a FIFA Clearing House veio automatizar e centralizar mecanismos que antes dependiam quase exclusivamente da iniciativa dos clubes formadores. No plano nacional, a proteção económica da formação segue uma lógica diferente, menos automatizada e mais dependente da atuação dos clubes, mas encontra no Regulamento do Estatuto, Categoria, Inscrição e Transferência de Jogadores (RECITJ) dois instrumentos essenciais: a compensação por formação e a contribuição de solidariedade.
A compensação por formação é devida, em regra, quando o jogador celebra o primeiro contrato de trabalho desportivo até ao final da época em que complete 23 anos, ou quando volta a adquirir o estatuto profissional nos trinta meses seguintes após ter readquirido o estatuto de amador. Porém, o RECITJ faz depender esta compensação da certificação do clube formador pela FPF, nos termos do Regulamento de Certificação das Entidades Formadoras.
Já a contribuição de solidariedade tem uma lógica diferente, uma vez que não está ligada ao primeiro contrato profissional, mas à transferência de um jogador profissional antes do termo do seu contrato. Nesses casos, os clubes que contribuíram para a formação do atleta têm direito a receber cinco por cento do valor da transferência, proporcionalmente distribuído pelos anos em que o jogador esteve registado entre o ano civil do seu 12.º aniversário e o ano civil do seu 23.º aniversário.
A diferença é simples: a compensação por formação protege o investimento feito até à profissionalização do jogador, enquanto a contribuição de solidariedade permite que os clubes formadores participem no valor económico gerado por uma transferência posterior.

Direitos que exigem atuação
Para os clubes formadores, estes direitos podem ter impacto económico relevante. Para os clubes que profissionalizam ou contratam jogadores, conhecer antecipadamente o regime aplicável permite avaliar encargos, riscos e obrigações futuras. Por isso, o acompanhamento jurídico assume importância não apenas quando já existe litígio, mas também numa lógica preventiva.
O RECITJ regula ainda o funcionamento prático destes direitos. A compensação por formação deve ser paga pelo clube que profissionaliza o jogador no prazo de 30 dias, sendo o valor apurado segundo percentagens distribuídas pelos anos de formação. Já a contribuição de solidariedade deve ser paga pelo clube que regista o jogador transferido, também no prazo de 30 dias após a transferência.
O regulamento prevê ainda um mecanismo arbitral próprio para litígios relacionados com estes direitos, permitindo aos clubes reclamar, junto da Comissão de Arbitragem da FPF, valores que não tenham sido pagos.
Há, contudo, um ponto essencial a considerar: a prescrição. Em ambos os casos, o prazo é de dois anos, contando-se, na compensação por formação, desde o registo do primeiro contrato profissional e, na contribuição de solidariedade, desde a transferência que lhe deu origem.
Há, portanto, um paralelismo evidente entre o plano internacional e o nacional. Internacionalmente, a tendência é para um sistema mais automatizado e centralizado, como sucede com a FIFA Clearing House. A nível nacional, o exercício destes direitos continua a depender, em grande medida, da iniciativa e do devido acompanhamento por parte dos clubes.

O equilíbrio do artigo 59.º
Ainda assim, o RECITJ revela uma preocupação com a realidade concreta do futebol português. Nem todos os primeiros contratos profissionais têm o mesmo significado económico e nem todos os percursos conduzem imediatamente à equipa principal.
É aqui que o artigo 59.º, especialmente nos números 5, 6 e 7, merece atenção. Salvo acordo em contrário, os clubes que celebrem o primeiro contrato de trabalho desportivo com vista à participação no Campeonato Nacional de Sub-23 ficam vinculados a pagar, durante as duas primeiras épocas, apenas 15% da indemnização de formação devida. Para os restantes campeonatos nacionais, o valor é de 30% durante a primeira época. Em ambos os casos, este regime deixa de se aplicar se, na mesma época, o jogador for utilizado na equipa principal em mais de cinco jogos oficiais e por, pelo menos, 45 minutos em cada jogo.
O n.º 7 completa o sistema ao prever que, terminado esse período inicial, o clube que mantenha o jogador ao seu serviço, ou o clube com o qual o jogador venha a celebrar novo contrato de trabalho desportivo, fica vinculado a pagar o valor remanescente da indemnização de formação.
Estas regras revelam uma tentativa de equilíbrio. O regulamento não elimina o direito dos clubes formadores, mas também não transforma a compensação num obstáculo imediato ao primeiro contrato profissional. Há uma fase intermédia em que o jovem passa a profissional, mas o encargo financeiro da formação pode ser faseado enquanto ainda se encontra num contexto de desenvolvimento.
Em suma, formar tem valor e profissionalizar também envolve risco. Por isso, a compensação por formação e a contribuição de solidariedade exigem dos clubes uma leitura preventiva e atempada do regime, tanto para assegurar o exercício dos direitos devidos como para antecipar encargos, riscos e responsabilidades futuras."

Curaçau: Kenji Gorré, o viciado em casinos que apanhava as bolas de Ronaldo e se tornou mental coach


"No Manchester United, Kenji Gorré apanhava as bolas que Cristiano Ronaldo chutava para fora quando estava a treinar livres. Apesar de ter sido dispensado dos red devils por Alex Ferguson, tornou-se um nome conhecido do futebol português. Veio para a Madeira por convite de um ministro e foi nessa fase que se tornou internacional pelo país mais pequeno de sempre a ir a um Mundial.

Alex Ferguson mandou-o entrar no gabinete. O jovem de 18 anos passou a porta acanhado por enfrentar alguém com uma aura infinita e o título de Sir. O treinador tinha algo para partilhar. Kenji Gorré tinha chegado à fase da carreira em que poucos são retidos pela peneira dos grandes clubes, um momento de transição entre a formação e o futebol sénior que pode encrencar a fluidez do percurso.
A lenda do Manchester United fez a cama: elogiou o caráter e o caminho feito pelo jogador até ali. Kenji Gorré foi-se apercebendo do conteúdo progressivamente dramático da conversa. Alex Ferguson chegaria ao ponto que tinha motivado o encontro: o extremo não tinha hipóteses de continuar nos red devils.
Kenji Gorré conteve o choro até ao carro. Nessa zona segura, desfez-se em lágrimas. O clube da sua vida, onde tinha preferido ficar mesmo após o interesse demonstrado por Chelsea e Arsenal, deu-lhe uma nega. De lá partiu para ir somar minutos no Swansea, do País de Gales.
Quando chegou a Inglaterra tinha apenas cinco anos. Nascido nos Países Baixos, foi transportado na bolsa do canguru da carreira do pai. Dean Gorré, também ele jogador, mudou-se do Ajax para o Huddersfield e levou a família a reboque.
Entre os seis e os nove anos, Kenji teve a invulgar possibilidade de jogar ao mesmo tempo pelo Manchester City e o Manchester United. Quando foi obrigado a fazê-lo, optou pelo clube marcado pelos padrões de qualidade elevados estabelecidos pelo homem que o viria a dispensar.
Entre outros aspetos, a cultura manifestava-se na proximidade que os jogadores da formação tinham com os da equipa principal. Ele era demasiado novo para treinar com o rol de estrelas que o Manchester United tinha na altura, algo que viria acontecer mais tarde. No entanto, era maduro o suficiente para se colocar atrás da baliza enquanto Cristiano Ronaldo cobrava livres e apanhava as bolas tergiversadas pelo português.
A mudança para o Swansea permitiu a Kenji Gorré estrear-se na Premier League. Ser um jogador com esse estatuto expô-lo a outras tentações que geralmente tornam falível um jovem com dinheiro. Foi nessa fase de deslumbramento que molhou os pés no vício. Embora não gastasse quantias exorbitantes de uma só vez, deu por si a fazer a roleta girar todos os dias.
“Não eram milhares de libras todos os dias, mas eu perdia cem aqui, duzentas ali. Felizmente, não eram quantias enormes, mas eu sei que era viciado em frequentar casinos”, contou à revista neerlandesa “Voetbal International”. Antes de ter dívidas intoleráveis, leu os sinais ao redor. A relação com a namorada ficou por um fio, acabando remediada graças à revisão de comportamentos.
Kenji Gorré voltaria a encontrar-se com Cristiano Ronaldo. Cruzaram-se inesperadamente no aeroporto da Madeira. Quando aterrou para assinar pelo Nacional, lá estava o busto do internacional português para o receber. No momento da chegada a Portugal, percebeu duas coisas: que CR7 era madeirense e que a Madeira é uma ilha.
A transferência do Swansea para o Nacional contou com intervenção de um ministro. Costinha era treinador da equipa insular e convidou diretamente o atacante para se juntar ao clube. Kenji Gorré ficou particularmente impressionado com o currículo do técnico, vencedor da Liga dos Campeões com o FC Porto.
A mudança drástica de ambiente desbloqueou novas áreas de interesse. Foi na Madeira que se tornou mental coach, tendo mesmo criado um projeto chamado “On The Ball” onde jogadores e especialistas de várias áreas davam palestras a desportistas profissionais em busca de robustecerem conhecimentos. Assim, adotou um mindset para ter um melhor lifestyle e ser a melhor versão de si mesmo, contagiando quem o rodeia com boas energias, de modo a que todos possam desbloquear o seu máximo potencial.
Foi durante o período que passou no Nacional que foi convocado pela primeira vez para a seleção de Curaçau. A aventura chegou ao auge. A ilha do Caribe estará representada no Mundial 2026 e será o país mais pequeno de sempre a participar na competição. Durante a qualificação, Kenji Gorré contribuiu com três golos e uma assistência para essa histórica caminhada.
Atento à diáspora como fonte de recrutamento de jogadores, Curaçau conseguiu um feito significativo que vai testar a equipa num contexto de exigência máxima. Num dos poucos jogos frente a seleções de maior nível que teve oportunidade de realizar, o país fez de bombo da festa na primeira aparição da Argentina após se sagrar campeã do mundo em 2022. A alviceleste encheu-se com sete golos sem resposta.
Durante a carreira, Kenji Gorré explorou também o Nacional e o Boavista, antes de rumar ao estrangeiro. Passou pelo Umm-Salal e atualmente representa os israelitas do Maccabi Haifa."

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Vantagem...

Benfica 3 - 2 Barcelos

Resultado enganador, o Benfica foi superior, mas nos minutos finais, voltámos a sofrer, com os fantasmas das últimas 2 épocas a regressarem, com o VAR a salvar o Benfica em algumas ocasiões, contra um adversário que perdeu a cabeça, com verificou que desta vez, as ajudas arbitrais, não seriam tão grandes, como eles estavam à espera! Compreendo a desilusão!!!
Agora não podemos falhar tantas bolas paradas: 2 penalty's e 1 Livre Direto!!!
Ganhar em Barcelos...

Estamos na Final...

Oliveirense 78 - 86 Benfica
23-15, 23-23, 16-25, 16-23

No 2.º período estivemos a perder por 15 pontos, mas acordámos e na 2.ª parte concretizámos a reviravolta, com o Crandall on fire!!! Num jogo onde estivemos mal nos Triplos, nos Lances Livres, nos ressaltos e só com o Koby a contribuir saltando do banco, e mesmo assim ganhámos!!!
Notou-se a ausência do Makram!

A sério!

Pois...

Monteiro: Have you met Benfica?

BI: Megafone #288 - Mourinho e a época 26/27

BI: Megafone - Voo Picado #28 - Mais sobre o Benfica District

Zero: Mercado - Live - Oliveira...

BolaTV: O Lado Direito do Mister - S02E7 - Fim de ciclo no Sporting e o mérito do Torreense

Zero: Mercado - Esforço por Palhinha e Doumbia fechado

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - FC Porto: finalmente o futsal

Observador: E o Campeão é... - Casa Pia ou Torreense, quem vai garantir a primeira divisão?

Observador: Três Toques - Amarante sobe à Liga 2: "Alex Costa foi o ponto de viragem"

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #146

SportTV: Bancada Livre - O melhor da Champions 25/26

A Verdade do Tadeia: O Mundial vai ao Bar #19 - O futebol total

Atualidade benfiquista


"Esta edição da BNews do Benfica é dedicada à atividade do Benfica nos últimos dias.

1. Centralização dos direitos televisivos
Estará o futebol português a dar um passo em falso?

2. Pré-época 2026/27
Os trabalhos de preparação da nova temporada do Futebol Profissional arrancam a 25 de junho.

3. Convocado
Richard Ríos faz parte dos eleitos da Colômbia para o Mundial 2026.

4. Protagonista
Ivan Baptista, treinador da equipa feminina de futebol do Benfica, é o entrevistado da semana.

5. Entrevistas - Formação
Nélson Veríssimo e Vítor Vinha, respetivamente treinadores das equipas B e sub-23 benfiquistas, analisam a temporada.

6. Jogos do dia
Em hóquei em patins, o Benfica recebe o OC Barcelos às 21h00 na partida inaugural das meias-finais dos play-offs. Em basquetebol, visita à Oliveirense às 19h00 no jogo 3 das meias-finais dos play-offs. Em caso de vitória, os encarnados apuram-se para a final da competição.

7. Sustentabilidade
O Sport Lisboa e Benfica marca presença no Lisbon Future Dialogue. Manuel de Brito, vice-presidente do Clube e vogal do Conselho de Administração da SAD, integrou o painel "Interview: Sports for Sustainability – The Ultimate Challenge".

8. Convocatórias no feminino
Marit Lund chamada pela Noruega. E são 6 as atletas do Benfica na convocatória de Portugal para as partidas de preparação para o Mundial Sub-20.

9. Visitas ao Benfica Campus
O Centro de Formação e Treino do Sport Lisboa e Benfica está aberto a visitas de 6 a 21 de junho.

10. Bons desempenhos
Atletas do Benfica em bom plano.

11. Museu Benfica – Cosme Damião
Museu do Benfica inspira 1200 pessoas na Semana do Passaporte Escolar. E mais de 500 participaram nas atividades inseridas na Noite Europeia dos Museus.

12. Visita solidária
Uma iniciativa conjunta da equipa feminina de basquetebol e da Fundação Benfica.

13. Casa Benfica Penacova
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 24.º aniversário."

Se o encontrar na rua, darei um abraço a Pep Guardiola


"Pep e Bernardo Silva são gigantes pela alquimia com que transformam sonhos em rotina… E eu, por um dia, fui verdadeiramente um citizen…

«Se nos próximos anos me virem na rua, em qualquer parte do Mundo, e forem adeptos do Manchester City, venham dar-me um abraço. Vou precisar disso.» A frase é de Pep Guardiola, no emocionadíssimo discurso de despedida, em pleno relvado do Etihad, no tributo que clube e adeptos lhe prestaram — tal como a Bernardo Silva e John Stones — após dez anos de vida em comum.
Por impulso, adepto do City me senti. Pela maneira rara como soube agradecer. Pela emoção. Pelas lágrimas de quem sente que há locais que passam a ser família. Acredito mesmo que Guardiola precisará desses abraços. Se me cruzar com ele, abraço-o também. Grato.
Para Cícero, filósofo, orador, político e escritor romano do século I a.C., «a gratidão não é apenas a maior das virtudes, mas a origem de todas as outras». Talvez por isso honre tanto quem agradece como quem recebe a homenagem. A gratidão é uma comunhão invisível. O futebol conquista troféus que entram na história; a gratidão pertence a outra matéria — essa que resiste ao tempo e se aproxima da eternidade. Pep e Bernardo são enormes porque se tornaram mestres de uma alquimia misteriosa no futebol: a que transforma sonhos em rotina e vitórias em memória.
De Bernardo Silva se disse que filho de doutor não dava jogador. Houve também quem tenha garantido que era demasiado baixo para triunfar. Para nossa sorte, Bernardo Silva não acreditou. Agora, deixa Manchester ao fim de nove épocas de puro perfume e nem precisa de acreditar quando Guardiola o descreve como um dos jogadores mais inteligentes que treinou. Bernardo sabe-o. Sem vaidade. Devolvendo felicidade a quem o vê jogar. Pena ter sofrido duas grandes injustiças na carreira: a lesão que o afastou do Europeu de 2016 e uma Bola de Ouro que lhe ficam a dever.
A última semana foi muito dada à emoção. Como não me emocionar com a despedida de João Matos? Aos 39 anos, o capitão do Sporting e internacional português anunciou o fim da carreira dedicada ao futsal. Campeão do Mundo e da Europa, três Ligas dos Campeões, colecionador inacreditável de títulos. Mas, nesta hora, é a quantidade e qualidade dos testemunhos que me impressiona. De todo o Mundo; do futsal como de outras modalidades; do desporto como de outras áreas. Levanto-me e bato-lhe palmas. Por respeito.
Impressionou-me uma visita que João Matos fez a A BOLA, há uns anos. Pela serenidade. Pela inteligência calma. Pela forma rara como parecia saber exatamente quem era e o que queria da vida. Talvez seja isso a maturidade: chegar a um ponto em que já não precisamos de provar nada, em que sabemos o peso de todas as coisas.
Emoção também pelo treinador Luís Tralhão e pelo Torreense, pela notável final da Taça de Portugal. Não foi acaso. Não foi sorte. Foi saber. Foi coragem. Foi história. E não, não foi David contra Golias. Em vários momentos o Torreense cresceu até ocupar o campo inteiro. Terra de sonhos para quem lança a semente. O futebol, como a vida, ensina-nos frequentemente onde mora o verdadeiro tamanho das pessoas. Não se mede aos palmos. Mede-se às palmas."

O novo Mundial dos cromos caros e da TV-espetáculo


"Apesar de alguns pesares, vem aí um Mundial de futebol e esse é sempre um tempo especial para quem gosta do jogo.
Os pesares? Além de o preço dos cromos estar pelas horas da morte e desincentivar o colecionismo, teremos pela primeira vez, assumidamente, jogos transmitidos fora da esfera informativa, numa plataforma nova com entertainers e influencers a fazerem de jornalistas.
É certo que já se caminhava para aí, mesmo nas TV convencionais, com a ideia de um espetáculo em vez de um conteúdo informativo e episódios de censura em jogos internacionais (não mostrar episódios de violência, por exemplo). Vai piar mais fino, com perigos inerentes. Mas role a bola!

De chorar por mais
A magia da Taça de Portugal atingiu esplendor histórico com a primeira vitória de uma equipa da segunda divisão. Parabéns.

No ponto
Antes de virarmos a página para as seleções ainda há uma final de Champions que faz crescer água na boca.

Insosso
O impasse vivido no Benfica é desaconselhável para a preparação da nova época. Exigia-se maior firmeza.

Incomestível
A temporada não acabou oficialmente. André Villas-Boas e Frederico Varandas aí estão para nos recordar isso."

Manual de campanha


"As campanhas eleitorais no futebol parecem seguir um manual não escrito. Regra número um: nunca complicar. Regra número dois: repetir conceitos suficientemente vagos para que todos concordem. E assim desfilam os clássicos de sempre: apostar na formação, reforçar o scouting, profissionalizar a estrutura, investir nas infraestruturas, reestruturar a dívida, falar com o investidor, fazer mais com menos. Falta apenas “acreditar nos jovens” para fechar o capítulo introdutório.
Quem já passou por uma campanha percebe rapidamente que tentar explicar cenários financeiros, riscos de gestão ou limites reais do clube raramente compensa. O detalhe transforma-se numa armadilha. Quem explica demasiado vira alvo fácil. Quem simplifica passa entre os pingos da chuva. O manual ensina isso cedo: prometer muito, comprometer pouco.
As sessões de esclarecimento raramente esclarecem tanto quanto se imagina. Quase sempre compostas pelos mesmos, acompanhados das respetivas equipas, numa espécie de assembleia de convertidos. As entrevistas ainda revelam alguma coisa. Já os debates podem ser decisivos, não necessariamente pela qualidade das propostas, mas porque uma escorregadela, num cenário de dispersão de votos, pode mudar tudo.
No caso do Vitória, louvando a coragem dos quatro candidatos e respetivas equipas para avançarem neste contexto - um clube financeiramente pressionado, compromissos imediatos para honrar e uma equipa para construir em cima da pré-época - é preciso mesmo alguém disposto a fugir do manual."

LiveMode: Mundial #6

Zero: Saudade - S04E39 - Cacioli

Coaches: Bruno Lage - Clase Magistral, Benfica, Sporting CP, Supercopa 2019

Renascença: 4ª Conferência Bola Branca: “A Excelência no Futebol”

Liga: Elas - "Sou de Primeira"

DAZN: F1 - Paddock Club - Mercedes a ferver!

TAD: abrir ou adiar?


"A criação do Tribunal Arbitral do Desporto constituiu um dos momentos mais relevantes da modernização da justiça desportiva portuguesa. O Comité Olímpico de Portugal teve, nesse processo, responsabilidades institucionais particularmente exigentes, desde logo porque a própria lei lhe confere responsabilidades centrais na instalação e no funcionamento do TAD.
Assim sucedeu quer no momento da criação do tribunal, com Vicente de Moura, quer posteriormente no processo da sua instalação e consolidação institucional, já sob a liderança de José Manuel Constantino, período durante o qual exerci funções na condução desta matéria.
Foi sempre entendimento deste último que o caminho deveria passar por duas preocupações simultâneas: respeitar plenamente a autonomia do tribunal e prestigiar os seus órgãos de governação, sem nunca abdicar da reflexão crítica sobre aspetos estruturais do modelo, designadamente em matérias como o financiamento e a sustentabilidade institucional do próprio TAD.
É por isso que o documento recentemente apresentado pelo Conselho de Arbitragem Desportiva ao Governo merece atenção séria (ler aqui
https://www.tribunalarbitraldesporto.pt/files/deliberacoes/Comunicacao_CAD_Governo-Alteracao_Lei_do_TAD.pdf).
Não porque resolva os problemas estruturais da justiça desportiva portuguesa — não resolve — mas porque consegue algo que há demasiado tempo faltava neste domínio: sinalizar, com clareza institucional, áreas críticas da atual Lei do TAD e criar condições para reabrir um debate político sério sobre o futuro da justiça desportiva em Portugal.
Durante anos, este debate oscilou entre dois extremos igualmente improdutivos: a resistência quase automática a qualquer alteração do modelo vigente e a tentação de promover reformas tão amplas e densificadas que acabavam bloqueadas pela sua própria dimensão.
O resultado foi conhecido: muita reflexão, pouca consequência legislativa. E demasiada inação governativa.
Também por isso importa retirar lições das tentativas anteriores de revisão. Em vários momentos, o debate aproximou-se excessivamente de soluções demasiado fechadas, quase apresentadas em formato legislativo acabado. Isso reduziu margem de discussão política, aumentou resistências institucionais e dificultou a criação dos consensos mínimos indispensáveis a qualquer evolução séria neste domínio.
O mérito da abordagem agora seguida pelo CAD está precisamente em perceber esse contexto.
O Conselho de Arbitragem Desportiva poderia ter optado por uma revisão global do modelo ou por uma proposta de refundação mais ampla da justiça desportiva portuguesa. Deliberadamente, não o fez. Preferiu um caminho cirúrgico, pragmático e incremental, centrado em alterações concretas e suscetíveis de concretização relativamente imediata, sem colocar em causa a arquitetura fundamental do modelo instituído em 2013.
Essa opção traduz lucidez política e institucional.
Porque há muito que determinadas fragilidades são conhecidas: custas excessivas, constrangimentos processuais, limitações operacionais, dificuldades cautelares, dependências externas, questões de gestão arbitral ou problemas de articulação com a jurisdição administrativa que continuam por resolver.
E o próprio documento reconhece, ainda que implicitamente, que muitas dessas questões estruturais permanecem em aberto. O modelo de financiamento do TAD, a execução efetiva das decisões arbitrais ou a relação entre o tribunal arbitral e os tribunais administrativos continuarão inevitavelmente a exigir reflexão futura mais profunda.
Mas também importa reconhecer uma evidência política elementar: se, neste momento, se tentasse resolver simultaneamente todas as fraturas estruturais do sistema, provavelmente perder-se-ia novamente a possibilidade de qualquer evolução legislativa consequente.
Mais do que apresentar uma proposta fechada, o que este trabalho consegue é criar espaço político para uma decisão informada e para um debate público, sério, aberto e plural sobre o futuro do Tribunal Arbitral do Desporto e o papel que deve desempenhar no sistema jurídico-desportivo português.
E isso reveste-se hoje de crucial importância. Porque matérias desta natureza — com impacto direto na credibilidade da justiça desportiva, na autonomia do desporto e na confiança dos agentes desportivos — não podem continuar a ser condicionadas por agendas discretas de bastidores ou por discussões fechadas sobre si próprias.
Aliás, talvez o maior mérito deste momento resida precisamente aí: criar condições para que todas as perspetivas possam finalmente ser discutidas de forma séria e frontal — incluindo as daqueles que defendem alterações mais profundas ou até uma verdadeira refundação do sistema de justiça desportiva português.
O essencial é que o debate deixe finalmente de ser adiado.
Porque um legislador que se limite a acolher algumas destas sugestões terá certamente feito algo útil. Mas dificilmente terá concluído a reforma estrutural que a justiça desportiva portuguesa continuará inevitavelmente a exigir.
Ainda assim, entre a reforma perfeita que nunca chega e as mudanças possíveis que permitem abrir caminho, talvez seja tempo de escolher maturidade institucional em vez de paralisia.
O debate está finalmente reaberto.
Agora é tempo de decisão política.
E de liderança."

Marrocos: Hassan e os golos que recusaram o Boca Juniors e fizeram Preud’homme insultá-lo


"Tinha de jogar à bola na rua e voltar a casa antes do pai, que não queria os filhos a seguirem pelo futebol. Arrependeu-se quando soube que Hassan Nader tinha jeito e deixou-o ir por ali fora. Chegou a Portugal para ser melhor marcador do campeonato no Farense, onde lhe chamavam ‘o espanhol‘, mas antes disso recusou ir para Buenos Aires, através do dono de uma pizzaria, porque era longe.

Dá para imaginar o bigode de Paco Fortes a estremecer com a diatribe, cheio de tremeliques de irritação.
O autocarro do Farense ia partir, era sábado, de Faro a Aveiro ainda é uma barrigada de quilómetros e convém ir com calma, igualmente com tempo, quando se tem um jogo no dia seguinte. Hassan Nader foi ter com o treinador pois a chegar estava o seu filho, pronto a sair da barriga da mãe nesse dia. O avançado não queria viajar já, preferia esperar pelo parto, o treinador pouco se empatizou. “O Paco a espumar da boca, louco pela minha intrasigência. ‘Vocês, marroquinos, são todos doidos varridos’”, contou, tantos anos mais tarde.
O novelo da confidência ao jornalista Rui Miguel Tovar, publicada no “MaisFutebol”, desenrolou-se a favor do marroquino. O herdeiro veio ao mundo ia a tarde a meio, o pai Hassan viu-lhe as feições, do hospital enfiou-se num carro no mesmo dia e estrada fora acelerou até se juntar à equipa em Aveiro sem que a delonga impedisse a diligência do costume: no domingo jogou a titular e marcou um golo.
Foi um dos 108 que deixou no Farense, onde a sua história se confunde com a do clube abeirado da Ria Formosa e só depois da língua de mar que tem Marrocos lá ao longe.
No país nortenho de África nasceu Hassan Nader, de jeito estimulado para a bola pelas ruas de Casablanca onde não podia perder o tino aos ponteiros do relógio para regressar a casa antes que o pai voltasse do trabalho, insistente em que os filhos se mantivessem à margem do futebol. Hassan ia às escondidas ao clube do bairro, jogava, os golos entravam, mas ai dele se o progenitor soubesse da dedicação que virou séria quando a sua reputação cresceu além quarteirão. “Tornei-me famoso no bairro.” E o pai, sabendo da vida dupla, afinal, achou graça, levando-o às captações do WAC Casablanca.
Ficou num dos grandes de Marrocos mal o viram, mas a primeira aparição no clube entretanto mudado de nome (Wydad) não durou. O pai morreu pouco depois, o pranto desolou Hassan. Saiu do WAC, retornou à equipa do bairro, não quis saber de levar o futebol mais a sério até cumprir 16 anos, idade demasiada para se entrar na formação, não que o tempo que o avançado precisou para o seu luto o prejudicasse.
A pressa pelo golo fez-lhe companhia na equipa principal, onde conquistou duas ligas marroquinas e foi quem mais golos marcou, por três épocas, no principal campeonato do país. Por este tipo de proezas saliva o futebol e aqui Hassan diz que sim, também que não, às benesses do passa-palavra.
O guarda-redes Zaki, dono da baliza de Marrocos e com quem Hassan jogara no WAC, entretanto mudou-se para o Mallorca, falou do avançado aos dirigentes, estes deitaram olho à sugestão e contrataram-no para jogar na maior das Ilhas Baleares. A bola que pôs o clube nas ‘meias’ da Copa del Rey foi chutado por ele, dali foi um pulo rumo à final perdida para o Atlético de Madrid, em 1991, com Paulo Futre a capitão e esse seria o expoente de Nader nas duas temporadas em Espanha, que poderia ter sido um entreposto para Buenos Aires: tinha um vizinho, dono de pizzaria, “com ligações” ao Boca Juniors, que lhe dizia “vais ser o primeiro jogador de cor a jogar no Boca”.
Não foi porque Hassan não quis. Olhou para o mapa e “era muito longe”, contou ao “MaisFutebol” quem então se entretinha mais com o dicionário, devoto a aprender espanhol.

O ‘o espanhol’ que foi o melhor marcador em Portugal
Faro ficava mais em mão. O marroquino rumou ao Algarve e em 1994/95 marcou 21 golos no campeonato pelo Farense, ganhando a Bota de Prata, arrumando-a com jeito na prateleira emocional de quem, um ano antes, estivera no Mundial dos EUA a marcar à Holanda na fase de grupos. Ainda mais especial foi por apenas ter feito mais sete pela seleção em 29 internacionalizações.
Em Portugal conheceu a abundância que compensou a sua parcimónia com Marrocos, em especial ornado com o branco do Farense. O seu faro para estar no sítio certo e rematar à baliza sem grandes diligências, nem delongas com a bola, valeu-lhe 108 golos - 94 só no campeonato - pela equipa com abrigo no Estádio de São Luís, ou o ‘Inferno’ como era conhecido pelo seu ambiente, incluindo a proeza de marcar em casa dos três grandes.
Custou-lhe largar o castelhano e assentar no português sem falar numa mescla dos dois idiomas. “Consegui adaptar-me rapidamente, chamavam-me ‘o espanhol’, mas a língua ajudou-me muito. Encontrei uma grande equipa com grandes jogadores. O estádio estava sempre cheio, tínhamos uma claque que sempre nos apoiava”, resumiria Hassan Nader à “RTP“, ao lembrar um conjunto “de raça e qualidade”. Tão bem se deu no Farense que o Benfica contratou-o em 1995, mas não teve o mesmo sucesso, regressando ao Algarve dois anos depois.
Ao FC Porto marcou um par de golos, ambos nas Antas e no mesmo jogo, contra o Sporting fez um em Alvalade e, quando o adversário foi o Benfica, deixou meia-dúzia de golos nos relvados. Tinha queda para proporcionar desfeitas aos encarnados e três desses remates que o fizeram sorrir ultrapassaram Michel Preud’homme, lenda de luvas que o clube contratara após o mesmo Campeonato do Mundo onde Hassan deixou um golo.
O belga achava pouca graça à veleidade. “O guarda-redes mais engraçado para marcar golos era o Preud’homme. Passava-se completamente. Ouvia-o lá ao longe a dizer ‘marroquino de mer**‘. Era só rir“, descreveu o avançado ao “MaisFutebol”, sem fazer caso dos insultos, guardando o belga como “gente boa”. Gente foi o que Hassan Nader deu também a Portugal: os seus filhos nasceram em Faro, um deles virou futebolista, e é tio é de Isaac, que ainda se atreveu a seguir o exemplo na bola mas acabou a ser campeão mundial dos 1500 metros de atletismo."