Últimas indefectivações

sábado, 21 de março de 2026

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica informa que dirigiu, por via formal, um pedido de esclarecimento ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol relativamente às medidas, ilações e consequências desportivas que o Conselho de Disciplina irá retirar da decisão judicial, já transitada em julgado, que condena a FC Porto SAD no denominado caso dos e-mails.
O Sport Lisboa e Benfica recorda que, entre abril de 2017 e fevereiro de 2018, a FC Porto SAD, através do seu então Diretor de Comunicação, utilizou canais oficiais do clube para divulgar, de forma reiterada e pública, conteúdos obtidos ilicitamente, formulando acusações graves de corrupção, manipulação de árbitros e adulteração da verdade desportiva por parte do Sport Lisboa e Benfica – acusações essas que vieram a ser comprovadas em tribunal como falsas e totalmente infundadas, tendo igualmente constituído um grave dano reputacional para as competições nacionais e uma forma direta e grave de condicionamento de agentes desportivos.
Importa igualmente sublinhar que tais condutas foram praticadas no exercício de funções, com conhecimento, validação e apoio público da administração da FC Porto SAD, não se tratando de atos isolados ou excessos individuais, mas antes de uma atuação institucional concertada.
Tendo a decisão judicial transitado em julgado, sem qualquer possibilidade de recurso, e considerando que o Conselho de Disciplina instaurou um processo sobre esta matéria em finais de 2017, sem que tenha havido qualquer desenvolvimento ao longo de mais de oito anos e meio, o Sport Lisboa e Benfica entende que não subsistem, nesta altura, mais quaisquer factos por apurar ou analisar.
Nesse sentido, é imperativo e urgente que o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol esclareça, de forma inequívoca e sem mais delongas, quais as consequências e sanções desportivas a aplicar à Futebol Clube do Porto, SAD, face à gravidade dos factos confirmados e provados em tribunal."

E JÁ VAI TARDE: É HORA DA JUSTIÇA DESPORTIVA DAR A SUA MARTELADA


"Acabaram-se todas as hipóteses de recurso a qualquer instância: a decisão do Tribunal Constitucional tornou a sentença dos emails transitada em julgado.
O Porto vai ter que pagar ao Benfica pela patifaria da divulgação de correspondência privada - e pior: truncaram-na para fazer passar uma ideia que não estava no conteúdo dos emails e violaram segredos de negócio de um concorrente. Tudo gravíssimo!
Isto foi na justiça civil, que ainda tem outro processo relativo à divulgação dos emails já decidido e a aguardar a fixação do valor da indemnização ao Benfica devido aos danos reputacionais causados.
Agora a justiça desportiva, com o trânsito em julgado de uma inequívoca sentença civil, não tem por onde continuar a assobiar para o lado, não tem por onde fingir que isto não lhe diz respeito. Porque diz - e de que maneira!
Esteve muito bem o Benfica no comunicado que fez sair hoje. Assino por baixo tudo o que lá está escrito relativamente às consequências de penalizações desportivas das patifarias já provadas e condenadas. Não podem ficar impunes!"

Subida no 'ranking' foi mérito dos clubes de uma liga cogumelo


"Portugal tem melhores jogadores e treinadores, mas falta criar, semana após semana, bons espetáculos. Não é por acaso que a liga é apenas a oitava na Europa ao nível de assistências

Portugal recuperou o sexto lugar do ranking UEFA e isso é uma boa notícia. Tal como é hábito nestas situações, as palavras de regozijo do presidente da Federação, Pedro Proença, e da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, foram imediatas, ainda que em boa verdade esta tenha sido uma conquista dos mesmos de sempre: os três grandes e o SC Braga, representantes habituais do futebol nacional na Europa.
Há uns tempos, um criador de conteúdos nas redes sociais (creio que alemão) imaginou o que seria uma liga ibérica, não tendo dúvidas em selecionar este quarteto num campeonato de 18 clubes, respeitando mais ou menos a proporção dos dois países (14 para os espanhóis, 4 para portugueses), considerando que esta seria uma liga que competiria com a inglesa como a melhor do Velho Continente.
Trago este exemplo para ilustrar como a opinião pública internacional, e em especial aquela que se move no espaço digital, vê o futebol português. Raramente analisa-o como um todo, apenas de forma segmentada. Benfica e FC Porto com muita projeção, Sporting a fazer o seu caminho consolidado (ainda falta sair de 'Lisboa'), SC Braga com um trajeto consolidado. Quanto ao resto, é um profundo desconhecimento.
Alguns dirão que pouco ou nada se poderá fazer. Que o tecido social em Portugal é desigual e centralizado e o campeonato está fadado a ter o aspeto de um cogumelo, com uma diferença grande do píleo (o chapéu) para a parte mais fina em baixo.
Os últimos sinais também não fazem adivinhar nada de novo. O chumbo no mês passado da distribuição do mecanismo de solidariedade pelos emblemas da Liga 2 foi apenas uma demonstração de uma cultura de décadas, algo que nos Países Baixos, por exemplo, já existe há vários anos.
Mas há outro dado que também vale a pena refletir. Portugal é o sexto do ranking UEFA, é o 6.º nos últimos 20 anos em presenças nos quartos de final da Champions (nove, apenas menos duas que a França) e muito à frente do 7.º, Países Baixos (só duas). Mas ao nível de assistências ocupa um modesto 8.º lugar, com 12.300 pessoas por jogo (já inclui partidas dos três grandes), atrás dos 20.000 da Eredivisie (6.º lugar).
Portugal possui assumidamente melhores jogadores e treinadores, mas falta uma identidade coletiva que observo noutros países que lutam pelo mesmo espaço. Ainda muitos se recordam de um famoso vídeo produzido pela Eredivisie em 2023 usando Boulahrouz como protagonista quando os neerlandeses roubaram o sexto lugar à liga portuguesa. Por cá não houve qualquer resposta, à exceção das declarações institucionais. Pode parecer algo sem importância, mas não é: a força das marcas também se vê nestes detalhes.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
Rui Borges, treinador do Sporting A reviravolta frente ao Bodo/Glimt vai colocá-lo nos livros de história do Sporting. A gestão do grupo, o estudo do adversário e a comunicação foi um tratado. O Arsenal é favorito nos quartos de final, mas não são favas contadas. Garantidamente.

Estagnado
Rui Costa, presidente do Benfica Pode ter razão material nos reparos que fez na Gala Cosme Damião, mas um momento como este exige outra solenidade que não o tradicional rol de queixinhas. Apouca a figura do presidente e do clube.

A descer
Sérgio Conceição, treinador do Al Ittihad Foi para a Arábia Saudita, agarrou no clube campeão, mas os resultados não são famosos: apenas 17 vitórias em 32 jogos, está fora da luta pelo título e foi afastado da Taça do Rei nas meias-finais. Não tem sido feliz nos seus projetos desde que saiu do FC Porto."

Agora imaginem, por um momento, que Portugal até tinha bom futebol


"A imagem projetada pelos principais protagonistas mediáticos do futebol português retiram-lhe boa parte do valor que é intrinsecamente produzido (e curiosamente pelos mesmos...)

Formalmente, Portugal tem uma das oito melhores equipas da Europa, com a presença do Sporting nos quartos de final da UEFA Champions League. Imaginem o que aconteceria se o futebol português fosse bom.
Tem também duas das oito melhores equipas da segunda competição de clubes mais importante da Europa, e estas, sem grande hesitação, sérias candidatas a um lugar na final, que aliás disputaram há 15 anos em Dublin. O que mais seria possível se o futebol português fosse competente?
O Benfica está uma vez mais na fase final a quatro da Youth League. Já a conquistou uma vez, tal como o FC Porto, e em dez edições esteve em mais duas finais. Agora vejam bem: se por acaso vivêssemos num país com um bom futebol — teríamos ganho oito em dez?
A Seleção Nacional de futebol de onze masculino (fiquemo-nos, hoje, pelo futebol de onze), campeã da Europa em 2016 e duas vezes vencedora da Liga das Nações, apresenta-se no Mundial-2026 como candidata assumida à vitória final. Se isto acontecesse num país bom de bola talvez até já pudesse encomendar as faixas.
Dizem os registos oficiais que Portugal também é campeão europeu e mundial de sub-17 em título. Isto num país a sério é que era...
Enquanto tudo isto acontece, três clubes monopolizadores do espaço mediático e mais meia dúzia de aspirantes tentam, a cada dia, denegrir a imagem do futebol português, da Liga portuguesa, da nossa competitividade.
Tudo corre mal — cheio de suspeições e intrigas e aldrabices e injustiças e faltas de equidade. Sobretudo quando não ganhamos.
Nada se faz em prol do futebol nacional, e todavia são os próprios clubes a acompanhar as Seleções Nacionais nos trilhos de um sucesso estatisticamente improvável num país tão pequenito e pouco povoado.
Há uma contradição — não sei se já reparámos — entre o que os principais protagonistas mediáticos apregoam semana após semana e a real correspondência em termos de resultados internacionais, já para não falar de uma Liga com três contendores capazes de a conquistarem a poucas jornadas do fim, como tem sido hábito e não acontece assim tanto pela Europa fora.
É esse ecossistema de maledicência e rivalidade estéril que prejudica o valor-moeda do futebol português. Não a qualidade do trabalho de todos. Juntos."

Homenagem...

BI: Antevisão - Guimarães...

O Benfica Somos Nós - É para cima deles #14 - Guimarães...

Trivela #3 - Pizzi & Rui Porto Nunes

Visão: Contas...

Benfica Podcast #587 - Manco Clutch

Adeus ‘Manitas’


"Parece que o Céu tem uma predileção especial por levar os ‘bons’ do nosso convívio. O Silvino era melhor pessoa do que guarda-redes. E como guarda-redes foi um gigante…

Mais um soco no estômago. O desaparecimento de Silvino Louro, o ‘Manitas’, é uma tragédia que se junta aos desaparecimentos precoces de Manuel Bento e Neno, com quem fiz o meu percurso no Benfica entre 1982 e 1988.
Comecei a jogar contra o Silvino no Campeonato Nacional de Juniores em 1975. Eu pelo Sporting e ele pelo Vitória de Setúbal. Falava-se, na altura, de um miúdo que trabalhava numa padaria, e que tinha umas mãos que davam para tirar o pão do forno, daí a alcunha que o acompanhou. Perdi a conta às vezes em que nos defrontámos, ao longo de cinco épocas (de 1977 a 1982), ele sempre no Vitória sadino e eu representando Belenenses (1977/78 a 1980/81) e Portimonense (1981/82); e mais ainda foram as vezes em que estivemos juntos em inúmeros estágios, de preparação e para jogos, das seleções dos sub-21 aos sub-23.
Seguiu-se o convívio no Benfica, onde ninguém esquece o choque que teve (carregado de razão) com Pal Csernai em 1984/85. No mais, um companheiro sempre leal, frontal, que viria a fazer história ao disputar duas finais da Taça dos Campeões Europeus. Mais, só Costa Pereira. Adeus ‘Manitas’."

Obrigado, Pai, por me teres feito Benfiquista


"Para ser honesto, não me lembro do dia em que decidi ser do Benfica; acho que já nasci com essa vontade. Mas, se houve alguém que teve influência nisso, foi o meu 'velhote' (expressão de carinho).
Quem conheceu o Sr. Tó sabe que ele era pouco expressivo e pouco dado a manifestações emocionais, ao contrário de mim, que sempre fui um abrasado do caraças, especialmente no que toca ao Benfica. Muitos dos nossos momentos de afeto foram vividos à custa do clube.
No tempo em que os jogos eram todos à mesma hora e não passavam na TV, recordo-me dos domingos à tarde numa sala D. Pedro V às escuras, entre refeições. Ele enfiado no escritório, naquela que foi a primeira cabine de som da discoteca, e eu do lado de fora, mesmo logo à porta, a partilharmos o relato. O Sr. Tó com a sua calma característica e eu maluco de ansiedade porque o Benfica nunca mais marcava (ao final de 5 minutos de jogo já assim estava). Quando o golo surgia, era o descanso; naquele tempo, tínhamos um 'Deus' na baliza: o Sr. Manuel Bento.
Lembro-me também, como se fosse hoje, dos famosos 0-2 nas Antas com o bis do César Brito. Teria uns 12 ou 13 anos, sentados num Renault 5 já 'chaveco', na antiga Praça D. Pedro V de terra batida, com as imponentes tileiras como testemunhas de me ver vibrar maluco a cada golo, enquanto o Sr. Tó se mantinha tranquilo, mas a fervilhar por dentro, bem ao seu estilo.
Nem tudo foram vitórias. A primeira lágrima que verti pelo Benfica foi quando o Veloso falhou o penálti. Era mais miúdo, estávamos numa sala do D. Pedro V quase reservada para quem via o jogo. Eu chamava nomes a tudo e a todos sempre que um jogador ficava sem bota a caminho da baliza. No final, de olhos ensanguentados e a lutar contra o choro, o Sr. Tó passou-me a mão pelos ombros, consolando-me à sua maneira. Talvez estivesse mais triste do que eu, mas era o jeito dele. Curioso que foi por causa deste jogo, no dia a seguir, que levou a que anos mais tarde me torna-se sócio. Percebi que a forma de lutar pelo clube que idealizo era essa, mas isso fica para outra história.
Para quem não conhece o contexto: tudo isto foi vivido a mais de 200 km do estádio. Ir à bancada era uma ilusão, mas vivia-se um Benfiquismo puro e sincero, algo que sinto cada vez mais distante e o Benfica era o pretexto de afeto entre pai e filho.
Por isso, sim: obrigado, Pai, por me teres trazido ao mundo e por me teres feito Benfiquista."

Chico-espertice...

Rui Costa: Silvino...

BF: Mudanças...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O ranking e a semana perfeita de Sporting, SC Braga e FC Porto

Observador: E o Campeão é... - Convocatória à portuguesa: CR7 sai da frente e avança Guedes

Observador: Três Toques - O adeus à lenda, Silvino Louro

SportTV: Primeira Mão - 😮 Arsenal no caminho do Sporting… e na pele de Hjulmand!

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #106

Aquecimento...


História Agora


Terceiro Anel: DRS #44 - HARAKIRI DA MCLAREN & SUZUKA GP!! 🏎️🏁

Bebidas energéticas, cáries e desempenho desportivo — uma relação ignorada


"O consumo de bebidas energéticas tornou-se comum entre jovens e atletas, isto porque promete mais energia, concentração e resistência. Aliás, estas bebidas são quase sempre associadas ao desempenho desportivo. No entanto, é fundamental analisar uma consequência importante do seu consumo: o impacto na saúde oral, particularmente no aparecimento de cáries dentárias.
As bebidas energéticas apresentam geralmente dois fatores de risco relevantes para os dentes: elevados níveis de açúcar e elevada acidez. O açúcar alimenta as bactérias presentes na boca, que produzem ácidos capazes de desmineralizar o esmalte dentário. Ao mesmo tempo, a própria acidez das bebidas energéticas contribui para enfraquecer essa camada protetora do dente. Esta combinação cria um ambiente ideal para o desenvolvimento de cáries, sobretudo quando o consumo é frequente ou associado a hábitos de higiene oral insuficientes.
Entre atletas e praticantes de atividade física, e devido ao consumo destas bebidas, a questão pode ser ainda mais problemática. Durante o exercício físico, a produção de saliva tende a diminuir devido à desidratação, sendo que a saliva desempenha um papel essencial na proteção dos dentes, pois ajuda a neutralizar os ácidos e a remineralizar o esmalte. Assim, quando há menos saliva e simultaneamente um consumo elevado de bebidas açucaradas e ácidas, o risco de cáries aumenta de forma muito considerável.
Embora as cáries sejam muitas vezes encaradas apenas como um problema dentário localizado e até de fácil resolução, as suas consequências podem ir além da cavidade oral e podem mesmo influenciar o desempenho desportivo. A dor dentária, por exemplo, pode interferir com a concentração, a qualidade do sono e o bem-estar geral do atleta. Mesmo quando a dor não é constante, episódios de sensibilidade ou desconforto podem afetar o rendimento durante treinos e competições. Por outro lado, infeções associadas a cáries avançadas podem desencadear processos inflamatórios no organismo. A inflamação sistémica pode comprometer a recuperação muscular e aumentar a sensação de fadiga, fatores que são particularmente relevantes para atletas que procuram maximizar o seu desempenho físico.
É por isso fundamental promover uma maior consciencialização sobre os efeitos das bebidas energéticas na saúde oral. Para quem é atleta e consome estas bebidas com frequência, o melhor mesmo é consultar o médico dentista com maior frequência para evitar o aparecimento de cáries ou outros episódios inflamatórios. Existem, no entanto, medidas simples que podem ajudar no processo, como moderar o consumo de bebidas energéticas, evitando a ingestão frequente ao longo do dia, beber água após o consumo e manter uma higiene oral adequada. Pequenos hábitos que podem reduzir significativamente o risco de cáries.
Deixar um alerta sobre a relação entre bebidas energéticas, saúde oral e desempenho desportivo que merece mais atenção que por parte dos atletas, treinadores e profissionais de saúde. Atletas e praticantes de exercício físico preocupam-se frequentemente com nutrição, treino e recuperação, mas a saúde oral é muitas vezes negligenciada. No entanto, dentes saudáveis também fazem parte de um corpo saudável — e podem ser um fator silencioso, mas importante, no caminho para um melhor desempenho desportivo.
E quando chega o momento de subir ao pódio, nada melhor do que poder celebrar a vitória com um sorriso saudável."

Aposta no feminino


"No mês dedicado à celebração dos direitos da mulher e à sensibilização para a importância da igualdade de género, é essencial refletir sobre o papel das mulheres no desporto em Portugal.
Publicada a 15.02.2024 a Lei n.º 23/2024 introduziu, há dois anos atrás, uma mudança significativa no panorama desportivo português ao impor uma maior paridade entre géneros na composição dos órgãos dirigentes das federações desportivas e da liga profissional uma vez que estabelece que, a partir de 2026, a proporção de pessoas de cada sexo nessas estruturas não pode ser inferior a 33,3% — proporção que a FPF cumpre e respeita.
Esta transformação não é apenas sobre estatística, mas também sobre garantir que as mulheres possam participar nas decisões que moldam o desporto nacional. A representação feminina em cargos de poder e influência é essencial para enfrentar as dinâmicas desiguais e eliminar barreiras estruturais que, durante anos, perpetuaram práticas discriminatórias e limitações ao desenvolvimento do desporto feminino.
Paralelamente à maior representatividade em cargos de liderança, é também imprescindível investir na promoção do desporto feminino em todas as modalidades e níveis de competição – os planos apresentados pela FPF ontem para os próximos 10 anos são um bom exemplo.
Com efeito, as mulheres ainda enfrentam desafios em termos de visibilidade, financiamento desigual e estereótipos enraizados. Estas barreiras começam cedo, nos primeiros níveis de iniciação ao desporto. O desporto é um dos maiores espaços de inclusão e superação de barreiras na sociedade.
Garantir que todas e todos tenham oportunidades iguais não é apenas uma questão de princípio, mas uma condição essencial para um futuro mais justo e enriquecedor, onde o desporto se afirma como uma plataforma de transformação social capaz de inspirar gerações."

Devolução do troféu? O caso Marrocos-Senegal na CAN


"O caso recente da final da Taça das Nações Africanas (CAN), que opôs Senegal e Marrocos, trouxe para o centro do debate uma questão tão simples quanto juridicamente complexa: pode falar-se em abandono de jogo sem uma decisão do árbitro nesse sentido?
Em janeiro de 2026, o Senegal venceu Marrocos por 1-0 após prolongamento. Contudo, nos instantes finais do tempo regulamentar, a marcação de um penálti a favor de Marrocos desencadeou protestos que levaram os jogadores senegaleses a abandonar temporariamente o relvado. O jogo foi interrompido, mas acabaria por ser retomado e concluído, com validação do resultado em campo.
Esta semana, a Confederação Africana de Futebol decidiu sancionar o Senegal com derrota administrativa por 0-3, entendendo que houve abandono de jogo. A decisão alterou o desfecho da competição e levantou um problema jurídico relevante, que vai além do caso concreto.
No centro desta controvérsia está uma questão essencial: quem decide, juridicamente, a existência de um abandono de jogo?
À luz das Leis do Jogo da FIFA, essa competência pertence, em primeira linha, ao árbitro, enquanto autoridade máxima em campo, responsável por determinar se estão reunidas condições para a continuação ou conclusão da partida. Se, perante a saída dos jogadores, o árbitro opta por interromper temporariamente o encontro e, posteriormente, retomar e concluir o jogo, tal decisão traduz, necessariamente, a não qualificação da situação como abandono definitivo. Neste contexto, a intervenção posterior de uma entidade disciplinar levanta uma questão delicada: pode um órgão administrativo reconfigurar, a posteriori, a natureza jurídica de um incidente ocorrido em campo, atribuindo-lhe consequências que não foram reconhecidas pela autoridade competente no momento?
A questão não é meramente teórica. O Direito do Desporto admite a intervenção disciplinar sobre factos ocorridos durante o jogo, mas essa intervenção não é ilimitada. Quando implica alterar a qualificação de um evento central - como o abandono - e, por consequência, o próprio resultado da partida, torna-se inevitável questionar os seus limites.
Mais do que discutir quem ganhou em campo ou na secretaria, este caso expõe uma tensão estrutural entre dois planos: o da decisão técnica, tomada no momento pelo árbitro, e o da reavaliação disciplinar, feita posteriormente pelas instâncias competentes. A articulação entre estes dois níveis é essencial para garantir a coerência do sistema.
No limite, a questão que se coloca é simples: pode o Direito reescrever o jogo quando o próprio jogo já foi validamente concluído? A resposta, mais do que jurídica, é definidora do equilíbrio entre autoridade, regulamentação e a própria essência da competição.
Em última análise, este caso revela que o verdadeiro conflito não está apenas no resultado, mas na definição de quem tem autoridade para qualificar juridicamente o que acontece em campo. Quando o árbitro permite que o jogo prossiga e chegue ao seu termo, parece afirmar que não houve abandono; quando uma instância disciplinar conclui o contrário, introduz-se uma rutura entre o momento desportivo e a sua leitura posterior.
Mais do que uma divergência pontual, trata-se de uma tensão estrutural que o Direito do Desporto não pode ignorar. Porque, se aquilo que acontece em campo pode ser reconfigurado depois, então a própria ideia de decisão final torna-se, inevitavelmente, relativa.
Resta agora saber como será resolvida a questão: tudo indica que o Senegal irá impugnar a decisão, cabendo ao Court of Arbitration for Sport (Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça) a palavra final sobre os limites entre o que se decide em campo e o que pode ser reescrito fora dele."

sexta-feira, 20 de março de 2026

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Gozar o Pagode com Godinho

Mais uma vergonhosa decisão...

A justiça fez-se há dois meses; ontem, a CAF manchou o futebol!


"A decisão da Confederação Africana de Futebol de atribuir, administrativamente, o título da CAN a Marrocos, dois meses após o Senegal se ter sagrado campeão em campo, representa um dos episódios mais vergonhosos da história recente do futebol.
A final, jogada em Rabat e com Marrocos como anfitrião, ficou marcada por episódios altamente controversos — decisões arbitrais discutíveis, comportamentos antidesportivos e um ambiente que em nada dignificou a competição. Ainda assim, o Senegal venceu no relvado, numa final épica em que se fez justiça perante o nível de insanidade que tomou conta dos responsáveis da seleção marroquina.
Foi perturbador assistir ao silêncio cúmplice das estruturas superiores do futebol mundial. Gianni Infantino, que tanto gosta de falar de fair play, esteve na tribuna, mas foi incapaz de ter uma palavra de reprovação em relação a tudo o que tinha assistido, o que levanta questões sérias sobre a coerência e a credibilidade da liderança da FIFA. Quando o máximo responsável pelo futebol mundial se abstém de condenar situações que colocam em causa a integridade do jogo, acaba por normalizá-las.
Marrocos, país que se prepara para coorganizar o Mundial de 2030, devia ter sido sinalizado e advertido pela FIFA, porque um evento dessa dimensão exige não apenas capacidade logística, mas também um compromisso inequívoco com os valores do desporto. Acaba por ser tristemente recompensado.
Tal como o Mundial dos Estados Unidos se aproxima com uma estranha sensação de desalinhamento entre aquilo que o futebol sempre representou e o mundo em que vai ser jogado, os sinais que chegam de Marrocos para 2030 são profundamente perturbadores.
A decisão da CAF fragiliza o futebol. Para mim, o verdadeiro campeão da CAN continuará a ser o Senegal, pelo que fez, pelo que resistiu e pela forma como resistiu a tudo o que lhe fizeram durante aqueles 90 minutos. A justiça fez-se há dois meses; ontem, a CAF manchou o futebol! Infantino consentiu!"

Backstage | Inter de Milão 2-3 SL Benfica | UEFA Youth League

Renascença: Jogo da Palavra - Mourinho: "Estava no Barcelona e sou convidado para treinar o Braga. O meu pai diz 'tem juízo'"

BI: Megafone - Voo Picado #18 - Cosme e os benfiquistas extraordinários

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #44 - Arouca, Gala Cosme Damião e recepção Vitória SC

O Cantinho Benfiquista #226 - Better Late Than Never

Central: BENFICA e Porto na FINAL - O QUE ESPERAR!?

BolaTV: O lado do Mister #6 - Rui Borges e o «ovo de pata» e o respeito do Benfica

Rabona: The Champions League was just given a WARNING... | UCL THIS WEEK

BolaTV: Toque de Bola - S01E16 - Manuel Pinto Coelho

Zero: Fantasy - Jornada 27 com Benfica à cabeça; Sporting e FC Porto com gestão?

Indignação performativa


"O permanente “agarrem-me senão eu vou” — para depois ficar tudo na mesma, ou até recuar — passou a ser a marca desta direção do SL Benfica e do seu presidente. Quando um clube com a dimensão do Benfica ameaça, mas não age em conformidade, o efeito é o inverso: o clube fica preso a um ciclo estéril de indignação performativa para consumo externo.
Em maio de 2025, após a final da Taça de Portugal e depois de um erro de arbitragem grosseiro que adulterou o resultado do jogo, o Benfica assumiu uma das posições mais duras dos últimos anos. Anunciou participações disciplinares, exigiu áudios do VAR, ameaçou recorrer a instâncias internacionais e suspendeu — supostamente — a colaboração com processos estruturantes do futebol português. Parecia um momento de rutura. Parecia, mas não foi. Foi um “basta” inflamado, mas absolutamente inconsequente.
Meses depois, já em campanha eleitoral, Rui Costa voltou ao mesmo registo. Falou em evidências, exigiu respostas ao Conselho de Arbitragem e à FPF, denunciou a dualidade de critérios e reiterou a necessidade de “respeito”. O tom era o mesmo. A indignação também. Mas nada mudou. As palavras perderam-se na euforia da vitória eleitoral, enquanto, na Cidade do Futebol, prevaleceu o silêncio e a indiferença em relação às exigências vindas da Luz. O tal “projeto” que se apoiou de forma cega para não ir em “contramão”, atropelou o Benfica de forma dolosa ou negligente, tanto faz!
Apesar de tudo isto, pasme-se, no aniversário do clube - ao mesmo tempo que Rui Costa voltava a exigir respeito - Pedro Proença sentava-se na primeira fila da gala institucional mais simbólica do clube. O Benfica ofereceu palco, honra e centralidade institucional a quem — desde que chegou à FPF — o desrespeita. Não é apenas incoerente. É incompreensível. Tudo isto corrói, de forma ostensiva, a autoridade de qualquer instituição ou líder.
De Rui Costa, Proença já teve o que queria. Talvez daqui a três anos, quando a nova campanha para a FPF se aproximar, volte a dar-lhe importância. Até lá, iremos de “murro na mesa” em “murro na mesa” até ao naufrágio final."

Carta aberta ao Presidente Rui Costa


"Escrevo com o coração nas mãos. Porque a Gala que leva o nome de Cosme Damião não é apenas um serão de troféus; é um rito de memória. É a noite em que reafirmamos quem somos. E nós somos — desde a origem — um clube do povo, livre, fraterno, democrático, que sobreviveu a ventos contrários porque nunca dobrou a espinha dos seus valores. Foi assim com Cosme, fundador, jogador, capitão, treinador e dirigente, que segurou o Benfica quando o tentaram partir. Foi assim com Félix Bermudes, que deu nome, ética e voz à nossa mística. Foi assim com Manuel da Conceição Afonso, operário, anarcossindicalista e presidente, um exemplo de decência e coragem em tempos sombrios.
É por tudo isto que a Gala Cosme Damião tem de ser casa sagrada. A nossa casa. Não um palco para legitimar presenças que afrontam o que defendemos há 122 anos. Este ano, a cerimónia foi até mais reservada à comunicação social — ainda mais razão para que seja um momento identitário, não um desfile de “protocolos” vazios.
Digo-o sem rodeios: não aceito ver representantes de forças políticas extremistas — cujo discurso divide, segrega e diminui — sentados em lugar de honra na nossa noite maior. É uma ferida aberta na memória do Benfica que viu o seu primeiro hino, “Avante, Avante p’lo Benfica”, censurado pelo Estado Novo em 1942 precisamente pela palavra “Avante”, com a carga de liberdade que transportava. Um clube que teve o seu hino silenciado por um regime autoritário não pode normalizar, no seu altar, a presença de quem desfaz por dentro a gramática do respeito e da dignidade humana.
Também me custa — e muito — ver legitimadas, nesta gala, figuras do dirigismo desportivo que tantos benfiquistas têm questionado pela forma como se tem governado o nosso futebol. Não falo de clubites: falo de credibilidade do jogo e coerência com aquilo que o Benfica tem dito e escrito ao longo dos últimos anos. As críticas internas, vindas de benfiquistas com história e responsabilidade, existem - e não nasceram ontem. Não precisamos de transformar a nossa comemoração num ato protocolar que contradiz a nossa própria voz.
Presidente, isto não é diplomacia; é identidade. A nossa Gala Cosme Damião não “tem” de ter convites institucionais. Não é 10 de Junho. Não é um Conselho de Estado do desporto. É a festa da nossa família. Se fosse para convidar por “dever”, então que se convidassem, por igualdade, os presidentes de todas as federações - coisa que nenhum benfiquista de bom senso desejaria. A nossa gala existe para homenagear quem serve o Benfica e para celebrar quem o honra dentro e fora de campo - não para parentalidades de circunstância. (Aliás, ao fechá-la à imprensa, o próprio Clube sublinhou o carácter interno da cerimónia).
Quero que esta carta transporte o orgulho e a dor de quem cresceu a cantar “Ser Benfiquista” — canção erguida em 1953 para juntar milhares e ajudar a construir o Estádio da Luz — sabendo que, antes dela, houve um hino calado pela censura. O Benfica não esquece. E, porque não esquece, não pode abrir as portas do seu coração a quem, pela prática ou pelo discurso, desfigura o que somos: um clube “de todos, um”
Peço-lhe, Presidente, três compromissos simples e firmes:
1. Coerência ética na Gala: que a lista de convidados de honra reflita os nossos valores e o sentido da noite. Não precisamos de “representação institucional” para aplaudir quem nos eleva;
2. Recentrar o critério: a Gala Cosme Damião celebra-se distinguindo atletas, equipas, técnicos, sócios, projetos - e benfiquistas que honram o emblema na sociedade. Ponto;
3. Memória ativa: que, todos os anos, a gala lembre o hino censurado — não por saudade, mas por vigilância. “Avante” não é um slogan; é uma vigilância moral contra a normalização do que nos feriu Sei que liderar o Benfica é caminhar num fio de navalha entre o ruído do país e a grandeza da Luz. Mas liderar é escolher — e, no Benfica, a escolha certa é sempre a que respeita a nossa história e une os nossos. Cosme Damião, Félix Bermudes e Manuel da Conceição Afonso não nos legaram um clube de salamaleques; legaram nos um clube de princípios. É só isso que peço: que a Gala volte a ser um espelho limpo desses princípios.
Porque isto é o Benfica. E o Benfica merece, sempre, o lado certo da história.
Com respeito e franqueza benfiquista,
Um sócio que não abdica dos valores do seu Clube."

Benfica entre pensamentos, palavras, atos e omissões


"O discurso de Rui Costa com Pedro Proença na plateia pode ser interpretado como afronta simbólica ao poder que o Benfica contesta. Mas só palavras serão insuficientes para que exista mudança

A cerimónia de atribuição dos galardões Cosme Damião, no âmbito das celebrações do 122.º aniversário do Benfica, mesmo tendo passado entre os intervalos da chuva, sobretudo depois da qualificação do Sporting para os quartos de final da Liga dos Campeões, deveria justificar uma reflexão que poucos irão ou estarão interessados em fazer.
O presidente do Benfica convidou o presidente da Federação Portuguesa de Futebol à festa para lhe dizer que o maior clube português não aceita o que se está a passar no futebol português. Voltou à Taça de Portugal que, no entender dele, «tiraram» ao Benfica, protestou com o «exemplo gritante», sem especificar, que se passou em Arouca, considerou inqualificável o castigo de Mourinho «por factos que, reconhecidamente, não aconteceram», exigiu respeito e considerou imperativo «lutar com as mesmas armas dos rivais».
Mais do que palavras vãs ou profundas, consoante a interpretação ou gosto de cada um, o discurso de Rui Costa, com Pedro Proença na plateia, pode ser interpretado como uma afronta simbólica ao poder que o Benfica contesta. Isso, em si, não é pouco, nem deveria ser ignorado. Mas, na perspectiva do Benfica, que reclama mudanças, não se pode esgotar no fim da noite em que se entregam prémios.
Rui Costa não terá feito um ato de contrição sobre os erros ou pecados da presidência, embora tenha afirmado que não fugirá da responsabilidade, referindo-se à equipa de futebol, cuja época estará pouco melhor que perdida. Não sabemos, na verdade, o que assumir a responsabilidade significa, mas já será mais fácil adivinhar os pensamentos daqueles que gostam do Benfica e veem a equipa apenas a lutar pelo segundo lugar.
Num momento de dificuldade desportiva e que poderá ter consequências financeiras graves, caso a equipa não participe na próxima edição da Liga dos Campeões, num momento que poderá ser de viragem, com a construção do Benfica District, faltam mais palavras de Rui Costa, ou seja, mais explicações.
Não tenho dúvidas de que o presidente do Benfica só tem a ganhar se esclarecer dúvidas ou contestar críticas, se falar de futebol, do treinador, de jogadores, de árbitros ou presidentes, de golos ou falhanços. Não foi assim que ganhou as eleições?
O desconhecimento daquilo que está a ser feito, para contrariar ou mudar o que entende estar mal no futebol português, e a falta justificações para algumas opções que não são compreendidas são terreno fértil para fazer germinar os piores sentimentos, a contestação e até as teorias da conspiração.
Quanto menor for o espaço para omissões, por outro lado, mais bem preparada estará qualquer Direção para enfrentar os desafios. E, no entanto, as omissões a que assistimos estão longe de poderem ser interpretadas como desafio, insubmissão ou confrontação ao status quo que se pretende mudar, como sinais de tranquilidade, estabilidade, firmeza ou solidez.
O Benfica precisa, ainda, de atos. E já agora que todos, especialmente sócios e adeptos, possam compreender. Já escrevi várias vezes que somos mais aquilo que fazemos do que aquilo que dizemos. O Benfica será também mais aquilo que fizer."

Nenhuma surpresa!

Toto...

Nota de condolências


"O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Silvino, antigo guarda-redes do Clube e da Seleção Nacional, figura marcante de uma geração que muito honrou o emblema ao peito.
Silvino representou o Benfica ao longo de nove épocas, somando 330 jogos oficiais e contribuindo de forma decisiva para a conquista de seis troféus: quatro Campeonatos Nacionais (1986/87, 1988/89, 1990/91 e 1993/94), uma Taça de Portugal (1986/87) e uma Supertaça (1988/89). A sua dedicação, profissionalismo e qualidade entre os postes deixaram uma marca indelével na história do Clube.
Mais do que os títulos e os números, ficará para sempre a memória de um atleta que serviu o Benfica com compromisso, paixão, orgulho e espírito de equipa, elevando os valores que definem o Clube.
O Sport Lisboa e Benfica endereça à família, amigos e a todos os que com ele privaram as mais sentidas condolências."

Na final four

"O Benfica venceu o Inter e está na final four da UEFA Youth League. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Triunfo em Itália
O Benfica ganhou, por 2-3, na visita ao Inter a contar para os quartos de final da UEFA Youth League. Com esta vitória, os encarnados chegam às meias-finais da competição pela 5.ª vez, procurando repetir a conquista de 2021/22.

2. Chamadas internacionais
Otamendi e Prestianni estão convocados pela seleção da Argentina. Schjelderup é chamado pela Noruega.

3. Na final da Taça de Portugal

"Em futebol no feminino, o Benfica apurou-se para a final da Taça de Portugal ao eliminar o SC Braga. Na partida da 2.ª mão, disputada no Seixal, as águias venceram, por 4-1.

4. Apuramento
Em hóquei em patins no masculino, o Benfica ganhou, por 4-6, no rinque do AD Oeiras, qualificando-se para a final four da Taça de Portugal.

5. Convocatória
A mais recente chamada da seleção nacional Sub-23 de futsal inclui três atletas do Benfica.

6. Agenda para sábado
O Benfica recebe o Vitória SC às 18h00, no Estádio da Luz. Quanto ao futebol de formação, os Iniciados também defrontam os vimaranenses, às 11h00, no Benfica Campus. E, à mesma hora, os Sub-23 recebem o Académico de Viseu.
Relativamente às modalidades de pavilhão, na Luz o Benfica é anfitrião do Eléctrico em futsal (15h00), do SC Espinho em voleibol (16h00) e do HC Braga em hóquei em patins (19h30). Há ainda clássico no basquetebol, com o Benfica a visitar o FC Porto (15h00), e deslocação do Benfica ao reduto do ABC em andebol no feminino (17h15).

7. Agenda para domingo
A equipa B do Benfica recebe o Farense, às 18h00. Em râguebi, os encarnados jogam no reduto do CR São Miguel (15h00).
E há as seguintes partidas de equipas femininas: no futebol, visita ao Marítimo (11h00); no basquetebol, deslocação ao BC Barcelos (1500); em voleibol, arranque do play-off na Luz com o Leixões (15h00); e, em hóquei em patins, receção ao Stuart Massamá (19h00)."

Lanças...


🔙 Galardões Cosme Damião 2026. 🦅

BF: Necessidades...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Tarde de sonho, futuro sem limites para o SC Braga

Observador: E o Campeão é... - A épica remontada minhota e o "entrar com tudo" do FC Porto

Observador: Três Toques - 4-0: "O Braga caiu em cima do adversário"

SportTV: Arte - Kika...

Zero: Saudade - S04E28 - Pais e filhos na Seleção Nacional: «Atenção que vem aí um neto Conceição»

O álbum de 12 improváveis que podem ser chamados por Martínez, mas se calhar não vão ser na última convocatória antes do Mundial


"Era justo? Era. Justificava-se? Sim. Teriam espaço na seleção? Seria difícil, mas um conjunto que representa o melhor do país não é suposto que tenha em conta os melhores? Antes da derradeira lista para os dois encontros particulares que servirão de último teste para a convocatória final do Mundial 2026, juntámos uma dúzia de nomes que nunca ou pouco foram tidos em conta por Roberto Martínez neste ciclo

João Carvalho (Estoril Praia)
Ter dois dígitos ao lado do seu nome na hierarquia de assistências da Liga I deveria valer, por si só, uma consideração, por mais pequena que fosse. João Carvalho já ofereceu 10 golos, melhor do que ele ninguém e igual apenas Francisco Trincão, mas temos de salvaguardar as diferenças: o canhoto vive no núcleo do enorme volume de jogo ofensivo do Sporting, o outro é capitão do louvável Estoril Praia quando tem a bola, destemido a embalar jogadores para a frente embora desprovido de talento per capita equiparável ao do bicampeão nacional.
Deambulante por natureza, funciona como um 10 puro a vadiar entre linhas ou um médio interior descaído para a esquerda de modo a, sendo destro, receber a bola com o corpo aberto para a baliza. Vai na terceira época, a segunda consecutiva, no Estoril Praia à caça do 5º lugar no campeonato e o problema maior para esta pretensão de ele captar a atenção de Roberto Martínez, além das contrariedades óticas - estar num clube pequeno/médio atira logo o argumento de não competir no mais alto dos patamares -, é a abundância de opções na seleção para a relva que pisa.
Para passes arriscados no rasgo que esquartejem a organização do adversário há Bruno Fernandes, mestre a lançar jogadores na área, seja à distância ou no passe curto. Não havendo, uns metros atrás existem Vitinha, Bernardo Silva e João Neves, nenhum com passes no pé que indiquem aos jogadores para onde se devem desmarcar mais do que respeitem a desmarcação já feita. Com as devidas distâncias, os pés de veludo de João Carvalho são para fomentar combinações, tabelas e colocarem jogadas a mexer. Se a intenção é ter ideias frescas na cabeça e pés que as executem sem receios, contem com ele.

João Moutinho (SC Braga)
Ele já deu a volta, senão reparem.
Quando irrompeu no Sporting, tinta se dedicou a João Moutinho pela demora em fixar-se como titular da seleção nacional, estreou-se em 2005 e só em 2011, com o mesmo Paulo Bento que o estimara nos leões, assentou no onze, muitos anos contaram-se não tantos quantas internacionalizações o médio acumulou até junho de 2022, quando somente dois minutos contou na última vez que jogou por Portugal. Tinha 35 anos, era a sua 146ª aparição pela equipa nacional, vivalma contestaria a ideia de a sua luz estar a periclitar, mas hoje está com 39 e a tinta ainda não secou, nem pode secar.
Titular do SC Braga a prolongar a sua campanha vistosa na Liga Europa, o requinte nas ações de João Moutinho e a sua requintada consistência de bem jogar mantêm-se intactas, ou talvez mais apuradas, porque a ferrugem no corpo costuma ser um bálsamo para limar a mente e do médio, como ainda recentemente demonstrou no jogo contra o Sporting, oferece um farol de decisões acertadas às jogadas dos minhotos. Não está para grandes correrias, antes para acerta na ação simples que na maioria dos casos é a mais correta.
Moutinho nunca foi chamado por Roberto Martínez, nem uma menção recebeu nas intervenções públicas do selecionador, parece assentar ao quase quarentão a veste de passegeiro que perdeu o comboio. Também teria as suas medidas um papel secundário na seleção, de sombra a Vitinha na função de 6 fazedor de jogo, mais contrutor, para as eventualidades. E seria uma voz experiente e calejada, com sete fases finais vividas. Já sabemos o carinho nutrido pelo treinador em selar a seleção com cadeado de clube, mas este exercício é um de improbabilidades.

Luís Esteves (Gil Vicente)
Meias a meia-haste na canela, manga curta pese o frio, luvas guarnecer as mãos, há todo um cenário de jogador em Luís Esteves enquanto existe como o cérebro de chuteiras postas no cerne do jogo do Gil Vicente que muito tempo andou no 4º lugar do campeonato. Com pinta de número 10, recuou uns metros no campo, atua mais como um 8 por força da lógica: alguém tão extremamente apto para privar com a bola tem de andar sempre perto dela.
Os três golos e as sete assistências não lhe escrevem justiça, o futebol Luís Esteves suplanta uma visão baseada em números e assentaria na seleção também pela lógica, além da teoria: sendo uma seleção para abusar da bola, que a terá bastante mais contra a maioria dos adversários que defrontar, as suas receções orientadas em espaços curtos e aptidão para descobrir gente através do passe, com ambos os pés, seriam valiosas.
Teve formação no Sporting mas de lá saiu ainda nos júniores, trilhando um percurso em equipas de outra dimensão até assentar na I Liga ‘apenas’ aos 25 anos. A sua chamada agora em março, mesmo sem a consequência de chegar ao Mundial, seria outra raríssima demonstração tal qual foi Jota, há uns tempos, de que o sucesso no futebol longe está de assentar em apenas uma via possível.

Ricardo Horta (SC Braga)
Sortudo o metrónomo do Sporting de Braga, ainda se pode gabar de há quase dois anos ter sido o único a quem Roberto Martínez fez questão de telefonar para explicar a sua ausência dos convocados para o Campeonato da Europa, exceção aberta pelo selecionador por o jogador ser “um exemplo”, e mais do que isso, um “sonho taticamente e tecnicamente”, só que a exceção cedo virou a tabuleta pendurada na porta e fechou-se.
Desde novembro de 2023 que Ricardo Horta não joga pela seleção. Desde o dia em que Portugal soube ele é um aparente adorado pelo selecionador que o híbrido atacante, não importa de que zona parta, que espaço ocupe, que função tenha no papel, só tem melhorado. Vai embalado para fixar, em números, a melhor época da sua carreira com 10 assistência e 19 golos, a cinco dos 24 de 2019/20. Entretanto fez-se recordista, é o melhor marcador da história do SC Braga.
Aproveitando a sua relação quinética com Rodrigo Zalazar no clube, mais uma telepatia nutrida pelo capitão minhoto com outro talentoso futebolista dos que vão passando pela equipa, Horta tem afinado uma qualidade especial no seu jogo: a finalização na área ou à sua beira, com remates de primeira. Poucos ou nenhum jogador haverá em Portugal com semelhante nível a golpear uma bola corrida para a baliza.
Está feito um sublime especialista, e não era isso que Martínez pretendia? “Há outros jogadores que são especialistas nas coisas que precisamos nos jogos”, disse o selecionador, em 2024, para justificar a não chamada de Ricardo Horta. Na quarta-feira lá esteve em Braga, viu-o a marcar dois golos de primeira ao Ferencváros, quiçá pensando que será difícil ignorá-lo nas contas para a segunda fase final seguida de uma grande competição.

Rodrigo Mora (FC Porto)
Um pouco mais sortudo, sem ironias embora de lógica inversa, foi o puto-maravilha do FC Porto, que presenciou no último verão a conquista da Liga das Nações sem nela participar em campo, mas pode dizer “eu estive lá”, em Munique, pese a época coletiva desastrosa, a única ponta por onde se pôde pegar na equipa portista esteve em Rodrigo Mora, um pequeno gedelhudo cujo talento se pôs à solta para salvar os dragões em vários jogos e merecer a estreia em convocatórias da seleção principal.
Nesta temporada de molde e estrutura com Francesco Farioli, o esquema base do FC Porto ficou sem a posição natural do adolescente, nascido para ser um 10 ou segundo avançado com soltura para pisar as zonas que pretenda perto da baliza, agora obrigado a ser um médio interior esquerdo para ter minutos. Mora tem-nos tido (mais de 1400), oscila na titularidade, já se esfola a correr em tarefas defensivas, um miúdo a fazer o que tem de fazer em vez do que gostaria de fazer para se manter relevante.
Não o tem sido tanto como era na época passada, anda mais longe da baliza a tocar a bola na lua do meio-campo, de costas para o é gravítico no seu futebol. O atual FC Porto não tem funções que o favorecem naturalmente, a seleção de Martínez pouco as desenha também.

Mateus Fernandes (West Ham)
Pela terceira época seguida está a jogar numa equipa que, em março, corre sérios riscos de descida. Pela terceira época seguida é um dos destaques do campeonato em que se insere.
Decisivo na permanência do Estoril Praia no principal campeonato português em 2023/24, incapaz de evitar o descida do Southampton da Premier League em 2024/25, agora é o West Ham a fonte das arrelias do algarvio. Não obstante, a segunda época do médio na liga mais endinheirada da Europa tem sido ainda melhor, com mais chegada à área, presença física e uma enorme maturidade para quem tem 21 anos.
Há muita concorrência no meio-campo de Martinez, mas poderia dar um registo mais de box to box à seleção nacional.

Gonçalo Guedes (Real Sociedad)
Talvez o comeback do ano a nível de jogadores no radar da seleção. Desde que saira do Valencia para o Wolverhampton, em 2022, não mais apresentara o nível que, no Mestalla, o tornou um dos mais entusiasmantes valores de La Liga, com pouco felizes períodos em Inglaterra, no Benfica e no Villarreal.
No entanto, a atual passagem pela Real Sociedad está a fazer o canterano do Benfica renascer. Na sequência de um arranque suave no País Basco, leva já nove golos, todos apontados desde novembro, e oito assistências. Está com queda para os grandes embates, tendo já marcado no dérbi contra o Athletic - na primeira e na segunda volta -, e perante Atlético e Barcelona.
Soma um golo e três assistências na Taça do Rei, onde o clube de San Sebastián está na final. Soma 32 internacionalizações A, a última delas em junho de 2022, com Fernando Santos, pelo que nunca foi utilizado por Roberto Martínez. Com Francisco Conceição, Rafael Leão, Pedro Neto e Francisco Trincão praticamente fixos nas ideia de Bob, não será fácil para o herói da final da Liga das Nações 2019 marcar presença no segundo Mundial da carreira, após ter feito todos os jogos de Portugal no Rússia 2018.

Tomás Araújo (Benfica)
Estreou-se com Martínez em novembro de 2024, num desafio na Croácia quando o apuramento para a final four da Liga das Nações já estava garantido, no mesmo dia em que Fábio Silva e Tiago Djaló também debutaram. Muito utilizado a lateral direito no Benfica da época passada, quando os problemas físicos o levaram a ser um crónico substituído, só completando os 90 minutos em dois dos últimos 12 jogos que disputou em 2024/25, falharia a fase decisiva da Liga das Nações por “decisão médica“, conforme dito por Martínez na altura.
A presente temporada começou com interrogações físicas para o minhoto. Prova disso é que a sua estreia em 2025/26 deu-se pela equipa B, numa fase em que recuperava a melhor forma. Com apenas duas partidas completas até à segunda metade de outubro, perdeu espaço na seleção, que não mais voltou a representar deste aquela primeira vez há um ano e meio.
Não obstante, os últimos meses do Benfica foram, em certa medida, uma luta que se pode transpor para a seleção nacional. António Silva, de maior histórico por Portugal (18 internacionalizações, presente nos passados Europeu e Mundial), tornou-se habitualmente preterido em face de Araújo, de quem José Mourinho já destacou a finura técnica e a velocidade. Silva está longe de apresentar registos nulos na época, contando 29 titularidades, mas Araújo, que no total até foi opção inicial menos uma vez que o compatriota, chega a esta fase em melhor momento. No eixo da defesa, Rúben Dias, Gonçalo Inácio e Renato Veiga parecem ter presença garantida.

Paulinho (Toluca)
Roberto Martinez já manifestou a intenção de chamar um terceiro homem para o centro do ataque, para além dos óbvios Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos. Ora, se formos a números, ninguém justifica mais essa convocatória do que o canhoto nascido em Barcelos.
Após sair do Sporting na sequência da sua melhor temporada em Alvalade, com 21 golos, o atacante do Toluca tem brilhado no México. Já marcou 54 vezes e assistiu 12 companheiros em 79 encontros desde o verão de 2024, registos fundamentais para ser bicampeão e triunfar na Campeones Cup da CONCACAF, torneio que une equipas do México e da MLS.
Com capacidade associativa, forte no jogo aéreo e até um hábito de pisar relvados do lado de lá do Atlântico, tem razões para sonhar.

Youssef Chermiti (Glasgow Rangers)
Há bem pouco tempo, pensar em Chermiti e Mundial seria assumir que o jogador aceitaria representar a Tunísia, país de nascimento do pai, e assim estar com a equipa norte-africana na competição. Só que, recentemente, o filho de Noureddine Chermiti, treinador de basquetebol que emigrou para a ilha de Santa Maria, nos Açores, no início do século, obteve o direito a entrar no radar de Bob.
Yousseff revelou alergia ao golo durante muito tempo. Três golos em 22 encontros pelo Sporting, zero em 24 pelo Everton, zero nos primeiros oito pelo Rangers. Mas eis que, subitamente, o ponta-de-lança vestiu uma capa de super-héroi nos principais embates na Escócia. Marcou quatro golos em dois embates contra o Hearts, líder do campeonato, hat-trick incluído, e bisou em dois dérbis perante o Celtic, com direito a um brutal golo de bicicleta. Só nestes palcos festejou mais do que em toda a restante carreira.
No total, Chermiti apresenta nove golos em 33 partidas, números que não são de fazer perder a cabeça. Sem o requinte técnico de Fábio Silva e Paulinho, pode ser uma opção a considerar caso se pretenda que o terceiro eleito para o centro do ataque tenha um perfil mais físico, capaz de causar o caos na defesa aderversária em contextos concretos, nomeadamente em forcings finais.

Fábio Silva (Borussia Dortmund)
Outrora uma grande promessa do FC Porto, a carreira do avançado tem sido uma jornada saltitante, pulando de país em país, de campeonato em campeonato. Aos 23 anos, já jogou em Portugal, Inglaterra, Bélgica, Países Baixos, Escócia e Alemanha, onde está agora, no Borussia Dortmund.
A nível sénior, Fábio Silva não se tem conseguido destacar pelos golos. As 10 vezes que marcou pelo Las Palmas, na época passada, catapultaram-no para a Bundesliga, mas no Dortmund ainda só foi titular em oito ocasiões, com dois golos.
Se a baliza adversária se tem afastado de Fábio Silva, outras virtudes se têm aprimorado. O requinte técnico, a ligação com os companheiros e até um certo altruísmo nas movimentações e opções tomadas são fatores a favor de um futebolista que, neste momento, é mais um atacante gregário do que um goleador. A seu favor tem o histórico nas seleções e o conhecimento de grandes palcos, mas perde em méritos recentes face à concorrência.

Raphaël Guerreiro (Bayern Munique)
O lado esquerdo da defesa da seleção teve, durante largos anos, sotaque francês. Guerreiro deu nas vistas na seleção sub-21, à qual assomou como um luso-descendente que mal arranhava o português, e consolidou-se como titular na antecâmara do Euro 2016, onde teve papel de destaque. Titular no Europeu da glória, manteve o estatuto no Mundial 2018, no Euro 2020 e no Mundial 2022.
A ascensão de Nuno Mendes, conjugada com problemas físicos que sempre o limitaram, roubaram espaço ao canhoto, que apresenta 65 internacionalizações A. Justamente para cuidar do seu corpo, e proteger-se de lesões, Guerreiro pediu a Martínez para não o convocar na segunda metade de 2024. A pausa teve efeitos, já que em 2024/25 somou 38 encontros pelo Bayern, com escasso registo de lesões.
Tendo já manifestado disponibilidade para regressar, Raphaël não mais foi chamado. A última vez que vestiu a camisola nacional foi em novembro de 2023, perante a Islândia. No arrasador Bayern de Vincent Kompany, só foi titular nove vezes na temporada, num total de 22 jogos, dividindo os minutos entre a defesa e o meio-campo. Se Bob pretender polivalência, criatividade, qualidade nas bolas paradas e uma alternativa canhota a Nuno Mendes, pode pensar no regresso do baixinho que foi indiscutível como poucos durante largos anos."

O Presidente da República e o mérito desportivo


"Tem-se vindo a reclamar, e bem, uma definição de critérios uniformes para a atribuição das Ordens Honoríficas no Desporto. Estou de acordo: sem prejuízo de haver sempre uma avaliação subjetiva, será útil, na ótica quer do Presidente da República, quer dos potenciais agraciados, encontrar critérios objetivos a adotar

Premiar o mérito dos atletas que representam internacionalmente Portugal e conquistam grandes resultados é um gesto de justiça e de gratidão. E como os feitos dos atletas são construídos com o apoio de outros agentes desportivos, também é fulcral premiar estes. Pelo que fazem pela Pátria, por fazerem entoar o nosso Hino e içar a nossa bandeira. E porque o Desporto deve ser exaltado, no que de superação e valores comporta.
É nesse contexto que o Governo, por portaria, concede prémios monetários, em particular para quem atinja o pódio em Jogos Olímpicos, Jogos Paralímpicos, Jogos Europeus, Jogos Surdolímpicos, Universíadas, Campeonatos do Mundo e Campeonatos da Europa. Para além destes casos que são objetivos, o Governo, no quadro de diploma legal específico, atribui, desde 1951, condecorações pelo reconhecimento de serviços relevantes prestados em favor do desporto nacional: temos a medalha de bons serviços desportivos; a medalha de mérito desportivo; a medalha de honra ao mérito desportivo; o Colar de honra ao mérito desportivo.
A par destes prémios esboçados e pensados para individualidades, coletividades e instituições, nacionais ou estrangeiras, o mérito constitui fundamento, por exemplo, para a regulamentação de ‘bolsas de mérito desportivo’, de ‘sócios de mérito’ e mesmo a antecipação de resultados de mérito já foi invocada para, no quadro da Lei da Nacionalidade, se conceder a naturalização a quem seja chamado a “prestar serviços relevantes ao Estado Português ou à comunidade nacional”. Preside à lógica do legislador a assunção de que há um interesse público subjacente: aliás, a própria Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto prevê que “[a] participação nas seleções ou em outras representações nacionais é classificada como missão de interesse público e, como tal, objeto de apoio e de garantia especial por parte do Estado.”
Os sucessivos Presidentes da República têm, igualmente, agraciado figuras de relevo do desporto nacional, em reconhecimento do seu mérito. Têm-no feito no quadro da competência constitucionalmente atribuída ao Chefe de Estado de, nos termos da lei, conferir condecorações e exercer a função de grão-mestre das ordens honoríficas Portuguesas. Entre muitos outros, nomes como Carlos Lopes, Cristiano Ronaldo, Eusébio, Fernando Pimenta, José Manuel Constantino, Rosa Mota ou Vicente Moura já foram agraciados pelos sucessivos Presidentes, tal como diversos agentes desportivos de percurso notável ligados a federações/seleções nacionais de diferentes modalidades desportivas.
A este propósito, ao longo do tempo, e mais recentemente, sobretudo aquando das recentes eleições Presidenciais, pela voz da Confederação do Desporto de Portugal, e do respetivo Presidente Daniel Monteiro em especial, tem-se vindo a reclamar, e bem, uma definição de critérios uniformes para a atribuição das Ordens Honoríficas ao setor desportivo. Estou de acordo: penso que, sem prejuízo de haver sempre, necessariamente, uma avaliação subjetiva, será útil, na ótica quer do Presidente da República, quer dos potenciais agraciados, encontrar critérios objetivos a adotar.
Da minha parte, deixo aqui, num singelo contributo, uma ideia para a reflexão que se possa vir a fazer: proponho que a clarificação devida se opere no quadro de uma revisão da ‘Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas’, uma vez que esta lei é omissa quanto ao ‘mérito desportivo’, diferentemente, por exemplo, das referências expressas que faz ao “mérito civil”, “mérito literário”, “mérito científico”, “mérito artístico” ou “mérito empresarial” (nas classes de “mérito agrícola”, “mérito comercial” e “mérito industrial”). A já referida paralela legislação referente às condecorações governamentais pode e deve ser um ponto de partida, num exercício de complementaridade e proporcionalidade entre dois órgãos de soberania."