Últimas indefectivações

quarta-feira, 4 de março de 2026

Prestianni: fora de jogo à presunção de inocência?


"Eis o que se sabe sem suposições: o Benfica jogou contra o Real Madrid em Lisboa. Vinícius marcou o magnífico golo da vitória do Real. Festejou com gesto ordinário para os adeptos do Benfica. E depois insultou Prestianni. Logo a seguir, desatou a correr e disse ao árbitro que o extremo argentino lhe tinha chamado «mono», macaco em português.
O árbitro acionou o protocolo anti-racismo, o jogo esteve suspenso, e só retomou alguns largos minutos depois. Prestianni negou sempre ter chamado macaco a Vinícius. Mbappé diz que ouviu o jogador do Benfica, que tinha a camisola à frente da boca, chamar macaco ao astro brasileiro cinco vezes. Mbappé, claro, é do Real Madrid e tem interesse em apoiar Vinícius na suspensão de Prestianni. Mas Mbappé estava longe do internacional jovem pela Argentina quando isso aconteceu. Aliás, também Vinícius estava a uns metros de Prestianni, que terá falado através da camisola, que abafa naturalmente o som. E, claro, no relvado o ruído de fundo é enorme, por força dos sons emitidos pelos 64.876 espectadores.
Em resumo, é impossível provar o que disse ou não disse o futebolista argentino. E daqui não é possível sair. E, sem qualquer evidência, e mesmo depois de o jogador ter afirmado não ter cometido qualquer ato de racismo, a UEFA julgou-o na praça pública e, ao suspendê-lo por um jogo, declarou-o culpado. E o Benfica perdeu em Madrid por 2-1. Nunca saberemos como seria sem o caso Prestianni, mas sabemos que o Benfica foi claramente prejudicado pela UEFA.
Na Idade Média, e noutras idades das trevas, também era assim. As pessoas acusadas pelos poderosos, ou noutros casos pelas multidões, eram consideradas culpadas e tinham de provar a sua inocência. Ora, a prova da inocência é chamada prova diabólica, por ser impossível de fazer. Por isso existe a presunção de inocência, a necessidade de provar a culpa de alguém. Até essa prova ser feita, todos somos inocentes, mesmo que do crime mais vil.
Diga-se que Vinícius é um extraordinário jogador e já foi vítima de racismo. O artigo 14.º do Regulamento Disciplinar da UEFA diz o seguinte: quem «insultar a dignidade humana de uma pessoa (…) por quaisquer motivos, incluindo cor da pele, raça, religião, origem étnica, género ou orientação sexual, incorre numa suspensão de pelo menos 10 jogos ou outro período especificado (…)». Ninguém tem dúvidas de que chamar macaco a alguém viola este artigo. Como ninguém tem dúvidas que o racismo é altamente censurável. E que chamar, como Vinícius fez — quanto a isso os especialistas em leitura labial estão certos —, burro e cagão de m****, também viola o artigo 14.º. E é também injurioso. A UEFA decidiu, pois, que insultos provados são menos sérios do que insultos não provados nem ouvidos por terceiros, desde que estes sejam raciais.
E o regulamento da UEFA permite, de facto (art.º 49.º), este tipo de medidas preventivas e nem sequer obriga a «(…) ouvir as partes e/ou os inspetores de ética e disciplina (…)». Ou seja, a UEFA cumpriu as regras à letra? Sim mas decidiu mal. Mesmo as medidas provisórias exigem indícios fortes da prática da infração. Que não existem. Tão grande é o embaraço que o presidente da FIFA veio sugerir que tapar a boca deve dar cartão vermelho!
Se de facto houvesse vídeos, gravações ou testemunhos credíveis, a decisão aceitar-se-ia. Deste modo, não. E pior, esta decisão condiciona fortemente o inquérito que existirá. A tendência para condenar Prestianni será muito forte, nem que seja para a UEFA não ficar mal vista pela decisão que tomou sem ouvir ninguém. Até agora ninguém sabe (e não creio que venha a saber-se) se o argentino proferiu algum insulto racista. O que fica é que Vinícius acusou Prestianni. E, por isso, sem provas nenhumas, o jovem jogador tem a sua carreira prejudicada. Chamar justiça a isto é grave.

Direito ao Golo
O Direito ao Golo esta semana é do Benfica. Jogar diante do Real Madrid nunca é fácil. Jogar após tudo o que aconteceu, ainda menos. Perdeu, é verdade, mas não foi inferior ao adversário no jogo jogado. Chegou a silenciar o Bernabéu. Um silêncio que na Luz teria dado muito jeito."

BolaTV: Prestianni: fora de jogo à presunção de inocência

'Subintendimento' histórico


"Algumas notas breves antes de abordar em maior detalhe o assunto que dominou o espaço público braguista. Ocorreu mais um dérbi do Minho pleno de emoção dentro do relvado, fazendo corar de vergonha aqueles que se dizem protagonistas dos maiores espetáculos de futebol em Portugal. Não há dérbi como este e a equipa de Carlos Vicens conseguiu, finalmente, sair por cima no que ao resultado diz respeito, com muita responsabilidade atribuível à sua qualidade ofensiva, com particular destaque para um estrondoso Rodrigo Zalazar e a (mais uma vez) um superlativo Ricardo Horta.
Admitindo a existência de justiça no futebol, fica cada vez mais difícil imaginar que estes dois nomes não estejam presentes no Mundial-2026. Recuperado o quarto lugar, confirmado na Madeira após uma difícil vitória sobre o Nacional, segue-se um exigente mês de março, de alta rotação, em que serão disputados os oitavos de final da UEFA Europa League. 
Ora, não ignorando o elefante na sala, e porque apenas agora tenho a oportunidade de, publicamente, abordar o assunto, transito de temática e irei focar-me na polémica decisão da Polícia de Segurança Pública (PSP) no sábado, dia 21 de fevereiro. Após várias semanas de trabalho árduo e incansável, sócios e adeptos do clube construíram um impressionante tifo, cuja exibição estava programada para o momento da entrada das equipas em campo no dérbi, com as devidas autorizações da Liga Portugal e Cruz Vermelha. Uma tela de grande dimensão, tanto física como simbólica, que procurava representar e enaltecer a história da região, «Da Bimilenar povoação, precursora de tal Tradição».
Eis que, a um par de horas da sua exibição, a PSP, na pessoa do Sr. comandante da Divisão Policial, subintendente André Carvalho, tomou a ignóbil e fria decisão de cortar o cordame que seria responsável pela elevação da lona, sob a ignorante justificação de que «não se vislumbra que a coreografia (…) se enquadre no apoio aos clubes e sociedades desportivas intervenientes». Nada mais errado. E perspetivando uma ainda maior exposição da mensagem, eis que a transcrevo na íntegra na sua versão original (em latim), seguida de respetiva tradução: «Priusquam nomem daretur, iam terra erat. Priusquam urbs esset, iam populus erat. Ex gentibus antiquinis nata est Bracara Avgvsta, ubi arma, fides et terra unum facta sunt.» «Antes de ter nome, já era terra. Antes de ser cidade, já era povo. Destas gentes antigas nasceu Bracara Augusta, onde armas, fidelidade e terra se uniram numa só.» Não só era evidente a referência à cidade de Braga, às suas origens e a algumas figuras da sua história — Brácaros, Romanos, Hermerico, Paulo Osório, São Martinho de Dume, Visigodos, Dom Paio Mendes e Dom Gualdim Pais —, mas também na tela constava um escudo que recuperava o primeiro símbolo oficial do Sporting Clube de Braga. Um défice de entendimento histórico por parte do subintendente André Carvalho, que, além do mais, abriu um precedente perigoso no que diz respeito à liberdade de expressão e à liberdade para apoiar.
Na sequência desta lamentável decisão surgiram, ainda, os conhecidos e violentos comportamentos de alguns agentes de autoridade, no caso da PSP, que, de forma grotesca e simples, agrediram, sem motivo aparente, e entre outras pessoas, uma mulher idosa, octogenária. Um abuso de autoridade que é demasiado recorrente e que aporta a estes eventos uma sensação de insegurança que não devia existir… Quem nos protege da polícia? Parece lógico e mandatório que os factos, que estão documentados, sejam esclarecidos e que as devidas conclusões sejam tiradas, para que os responsáveis sejam adequadamente punidos.
Em resposta, surgiu, com demasiada hesitação (o primeiro comunicado publicado foi apagado horas mais tarde), um comunicado do Comando Distrital de Braga da PSP no qual é introduzida uma original (chamemos-lhe assim) justificação, relacionada com a proximidade entre os materiais coreográficos e artefactos pirotécnicos. Ora, facilmente se compreende que, caso tivesse sido essa a verdadeira justificação para os factos ocorridos, as ditas fontes de calor seriam rapidamente desconsideradas em detrimento da exibição da tela. Destaca-se negativamente a rapidez com que ocorreu a mudança na justificação da decisão, fragilizando de forma impactante a credibilidade de uma instituição desta responsabilidade.
Nota final para a louvável iniciativa do SC Braga de lançamento para venda de camisolas com o referido tifo, cujos lucros serão doados para apoiar o processo de reabilitação do Fernando Jorge, sócio do clube que foi vítima de um acidente em julho de 2025, do qual ainda recupera. Cada vez mais 'Um Clube. Uma Cidade.'"

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Bluff, macarena e burocracia: antecipação do Mundial de Fórmula 1

Irão: os impactos da guerra no futebol


"O que hoje parece ser do âmbito de uma geopolítica distante será, mais depressa do que imaginamos, uma bomba nos relvados europeus, e Portugal não terá como se esconder, muito pelo contrário.
Quando os Estados Unidos, a potência global que embarcou nesta escalada contra o Irão, se preparam para receber o próximo Mundial, a mensagem da FIFA permanece clara: o futebol continua disponível para legitimar quem projeta conflitos e instabilidade, desde que passe um cheque robusto e garanta o espetáculo, por mais grotesco que seja. Mas isso tem um preço!
Um conflito prolongado no Médio Oriente significa energia mais cara, inflação persistente, empresas a conter gastos. Menos dinheiro para patrocínios, menos margem para contratos milionários, menos folga para aventuras financeiras dos investidores habituais, quer árabes quer americanos, tanto na Premier League como na aquisição de SAD's em Portugal. Na prática: orçamentos mais curtos, folhas salariais comprimidas, transferências mais modestas. E uma Europa que se habituou a viver à boleia de capital externo, muito dele oriundo precisamente da região agora em chamas, pode descobrir, de repente, que não é sustentável sem este fluxo financeiro.
Para Portugal, a fragilidade é dupla. Por um lado, clubes estruturalmente dependentes de vendas e de receitas televisivas serão empurrados para uma austeridade ainda maior: vender mais cedo, vender mais barato, aceitar propostas de fundos e investidores cujo único critério é a rentabilidade imediata. Por outro, o fecho, ainda que parcial, da torneira do dinheiro do Golfo, e de parcerias da Liga e da FPF com as dos países do Médio Oriente, retira margem de manobra aos emblemas, atletas, técnicos e empresários, que viam nesses mercados uma tábua de salvação.
Se o futebol europeu entrar em modo defensivo, a Liga portuguesa será sempre um dos primeiros elos a ceder pela sua enorme exposição, nomeadamente à Liga Saudita.
E Israel? A sua permanência na UEFA, já de si um contorcionismo político, ganha contornos grotescos quando colocada em paralelo com a devastação regional. A normalização competitiva da seleção é dos clubes de Israel no espaço europeu (jogos, deslocações, transmissões, conferências de imprensa) funciona como uma anestesia política e mediática para o seu papel na sua esfera regional. Transforma um actor militarmente agressivo no médio oriente num “europeu como os outros”.
No entanto, esta integração artificial tem consequências práticas. Em cenário de escalada, aumentam riscos de segurança, as deslocações tornam-se mais complexas, e os jogos podem ser adiados ou deslocados. Os clubes e atletas portugueses podem ser chamados a competir num quadro marcado por alertas diplomáticos, contestação pública e dilemas éticos: é aceitável defrontar seleções ou equipas de um país que promove uma guerra aberta com os seus vizinhos enquanto se fala de “respeito pelos valores do jogo”?
O resultado final é um futebol europeu encurralado entre dependência financeira e cobardia política. Se nada mudar, Portugal continuará a jogar dentro deste tabuleiro viciado: economicamente vulnerável, moralmente amarrado a decisões alheias, desportivamente utilizado como figurante num espetáculo onde quem bombardeia também organiza Mundiais e coleciona lugares numa confederação que não é as sua. E isso, mais cedo do que tarde, acabará por se sentir não só nos balanços e nas SAD, mas na própria credibilidade do futebol no coração do público."

Anatomia de uma rutura: a neurobiologia da queda de Filipe Luís no Flamengo


"O futebol, na sua camada mais superficial, é um jogo de números e táticas. No entanto, para quem observa as dinâmicas de poder e desempenho sob a ótica do comportamento humano, a demissão de Filipe Luís do comando do Flamengo revela um padrão clássico de colapso cognitivo e sistémico. A saída do técnico não é um erro de percurso isolado, mas o resultado inevitável de um ambiente onde a hubris (a soberba) e a dissonância entre a expectativa da direção e a realidade do balneário atingiram um ponto de rutura.
Como foi recentemente reportado, o processo de erosão começou muito antes do apito final. A direção do clube já manifestava questionamentos profundos, o que sinaliza um fenómeno de contágio emocional negativo dentro da estrutura decisória. Quando a cúpula de uma organização perde a confiança antes de um evento crítico, ela cria um ambiente de "stress antecipatório" que permeia o grupo. Neurocientificamente, isto compromete a performance: a pressão externa constante ativa a amígdala cerebral dos intervenientes, prejudicando o córtex pré-frontal, responsável pelas decisões racionais e estratégicas sob pressão.
O grande vilão desta narrativa, porém, parece ser o viés da soberba. O Flamengo, ao longo da última época, permitiu que uma autoconfiança desmedida se transformasse num obstáculo cognitivo. A crença de que o talento individual e o peso histórico bastariam para subjugar o Campeonato Carioca revelou-se uma falha de julgamento severa. No comportamento de alta performance, a soberba atua como uma barreira à aprendizagem; ela impede a equipa de reconhecer vulnerabilidades, criando uma zona de conforto perigosa que, quando confrontada com a realidade, gera frustração e paralisia.
O "peso do Carioca" não foi apenas desportivo, foi psicológico. O que deveria ser um processo de maturação tornou-se uma âncora de cobrança desproporcional. Filipe Luís, apesar da sua inteligência tática, viu-se preso num ecossistema onde a gestão de egos e a instabilidade política da direção sobrepuseram-se ao planeamento técnico.
Em suma, a demissão é o preço de uma fatura acumulada por erros de perceção.
O Flamengo não falhou apenas por questões de campo; falhou porque a sua estrutura não soube gerir a dopamina do sucesso passado, transformando-a numa arrogância que cegou a análise do presente. Quando a soberba domina o processo decisório, a conta chega — e, invariavelmente, é o elo mais visível da corrente que acaba por ceder."

Benfica FM: Golo Schjelderup...

Mourinho deu xeque-mate quando chamou Bah a jogo


"Perante as dificuldades que um excelente Gil Vicente lhe estava a colocar, o treinador do Benfica leu bem o jogo, tapou o flanco esquerdo dos galos, e manteve a sua equipa equilibrada. A vantagem de não se importar com o que os outros possam dizer...

Em vésperas de uma jornada apimentada, que acolhe a ida do Sporting a Braga e a viagem do FC Porto à Luz, o Gil Vicente-Benfica assumiu uma importância extra, por afetar diretamente as ambições de ambas as equipas, os encarnados ainda à procura do acesso direto à Champions (ou algo mais) e os galos à procura do poleiro europeu.
Há que dizer que, sem deslumbrar pela qualidade do futebol praticado, o jogo de Barcelos esteve longe de desiludir, porque durante quase toda a partida as equipas estiveram ligadas à corrente e bateram-se com intensidade. E se digo em quase toda a partida é porque o Benfica entrou sem conseguir construir jogo na primeira parte, e teve um recomeço absolutamente apático, que resultou no golo da equipa de César Peixoto.
Na metade inicial, com as equipas a apostarem em sistemas semelhantes (4x2x3x1), a estratégia dos minhotos começou por confundir o Benfica. Após um início em que criavam a primeira muralha defensiva a meio do meio-campo das águias, mantendo a equipa muito junta, os gilistas, a partir dos oito minutos, assumiram sem complexos uma pressão alta que lhes deu o controlo da partida e obrigou o Benfica a esquecer-se de que tinha meio-campo, esticando bolas na frente, difíceis para Pavlidis ou Rafa, que tinham, contudo, o condão, de evitar perdas de posse comprometedoras no primeiro terço.
O Benfica demorou mais de um quarto de hora para mostrar algum conforto e foi um lance trabalhado entre Pavlidis e Rafa (18), superiormente defendido por Lucão, que soou como toque a rebate dos encarnados. Mesmo penalizados por um duplo pivot muito abaixo das necessidades do conjunto de Mourinho – Aursnes pelas limitações físicas que eram evidentes e Barreiro por nunca ter encontrado a intensidade que fizesse dele o motor da equipa – a turma da Luz acabou por assenhorar-se das operações a partir da meia hora, graças à dinâmica de Schjelderup e Rafa, e esteve perto de marcar por duas vezes no minutos 34 - Lucão e Zé Carlos opuseram-se com brilho – mas não falhou ao minuto 35, após um canto de Aursnes e uma cabeçada ao segundo poste de António Silva.
Os encarnados estiveram, três minutos volvidos, muito perto de ampliar a vantagem, mas uma bola que embateu no peito de Pavlidis, após grande cruzamento de Dahl, fez estremecer o travessão.
Fazendo um jogo de menos a mais, o Benfica chegou com justiça ao intervalo em vantagem, mas metia-se pelos olhos dentro que o jogo continuava em aberto, sobretudo porque os gilistas se mostravam ágeis e muito apoiados nos ataques rápidos e a dupla Aursnes/Barreiro não chegava para as encomendas: se ia não vinha, e vice-versa...

Benfica apático 
Sem que César Peixoto ou Mourinho tivessem aproveitado o intervalo para mexer nas equipas, a verdade é que o segundo tempo começou sob o signo do galo: o Gil tinha mais intensidade, ganhava as segundas bolas e as bolas divididas, enquanto que o Benfica parecia que tinha tomado um Valium no descanso. Aos 50 minutos, Aursnes chegou ao fim, sendo substituído por Barrenechea, a solução mais conservadora, própria de quem não quer deitar fora a vantagem, mas no minuto seguinte, num lance pouco menos que caricato, o Gil empatou, com Héctor a fazer a bola entrar lenta, lentamente na baliza de Trubin, apanhado em contra-pé e sem argumentos, do alto dos seus dois metros, para dar a volta ao texto.
Logo a seguir, a ‘virada’ podia ter sido completa, após uma falha de marcação do Benfica num pontapé de canto (55'), que Héctor aproveitou para cabecear, obrigando Trubin à defesa da noite. A reação encarnada, que teve em Schjelderup o principal e mais inconformado protagonista, tomou forma aos 62 minutos, quando o nórdico fez a bola atravessar a face da baliza de Lucão, sem que Rafa ou Pavlidis a empurrassem para o fundo da baliza. Mas quando Peixoto e Mourinho mexeram nas equipas, aos 68 minutos, era impossível prever para que lado ia cair o jogo. Costuma dizer-se que as substituições são como os melões, só depois de abertas é que se sabe se são boas, e neste caso Mourinho ficou com a peça mais doce: Ríos (saiu Barreiro) entrou bem, dinamizou a equipa e deu coerência ao meio-campo, num regresso à dupla com Barrenechea, agora sim com pernas para andar, e Lukebakio tornou mais posicional o ataque do Benfica, que corria o risco de se perder na desgarrada. Do outro lado, Joelson e Carlos Eduardo não acrescentaram muito, embora o ala desse muito que fazer, como mais à frente se verá.
Foi já com um Benfica ‘acordado’ e regenerado com um novo motor, que Schjelderup tirou um coelho da cartola, assinando um golo de belíssimo efeito (73), com a bola a entrar de baixo para cima, ao primeiro poste.
Foi então que José Mourinho brilhou. Percebeu que tinha de travar um flanco esquerdo gilista muito incisivo (Konan/Joelson) e não foi de modas: meteu Bah (saiu Schjelderup e Lukebakio foi para a esquerda), em tese para tapar Konan, e com isso deu mais conforto a Dedic e travou as investidas mais perigosas dos donos da casa. César Peixoto ainda refrescou a equipa com Santos e Fernández, mas o Benfica estava bem organizado e ia ameaçando, especialmente com Rafa e Lukebakio, ampliar a vantagem. Konan ainda obrigou Trubin a uma defesa vistosa, mas o Benfica, que na segunda parte, em termos de estar vivo no jogo, passou do péssimo ao excelente, não deixou fugir os três preciosos pontos em disputa, que tornam ainda mais emocionantes os grandes jogos da próxima jornada."

Pavlidis em todo o lado e Schjelderup no sítio certo


"Os encarnados bateram o Gil Vicente na 24.ª jornada Liga. Prestianni foi titular, mas faltou alegria ao jogo do argentino

A figura - Andreas Schjelderup (7)
O extremo norueguês fez uma exibição adulta, na forma como garantiu perigo constante pelo corredor esquerdo e também como ajudou Dahl a defender. Aos 34 minutos Schjelderup rematou de cabeça com muito perigo e poderia ter sido feliz, não fosse o bom corte de Zé Carlos, defesa com quem travou um duelo muito interessante, perdendo e ganhando duelos ao longo do jogo. Aos 62', o extremo das águias bailou e cruzou com muito perigo, mas Rafa e Pavlidis não acreditaram e esfumou-se excelente oportunidade de golo. Schjelderup foi inconsequente em mais um par de lances até que, aos 73 minutos, novo bailado nórdico e um remate fulminante que Lucão foi incapaz de suster. Correu muito atrás dos três pontos e mereceu o grande golo e o destaque deste jogo.

(5) TrubinMostrou segurança em vários momentos, como no remate de Agustin (2'), no cabeceamento de Héctor Hernández (51') e num remate do avançado espanhol (56'), mas ficou a sensação de que poderia ter feito melhor no golo do mesmo Hernández (52') — pareceu querer antecipar e acabou por não tapar o espaço mais óbvio. Finalizou a exibição com grande defesa a remate de Konan (90') e algumas más decisões na reposição de bola com os pés.

(6) Dedic Ligado à corrente, mas com menos voltagem que o habitual. Agustin deu-lhe algum trabalho e também Luís Esteves, quando caiu na direita, mas Dedic manteve rigor defensivo. No ataque tentou o desequilíbrio, poucas vezes teve sucesso, mas lutou para fazer a diferença. Cruzou bem para Rafa tentar o remate no lance em que a bola sobrou para Schjelderup marcar golo (73').

(6) António Silva Tentou o passe longo e defendeu com competência, à exceção de um remate que Héctor Hernández fez livre de marcação (56'), parecendo na zona que caberia ao central guardar. Marcou de cabeça o primeiro golo, que deu nova alma à equipa.

(6) Otamendi Sempre no caminho da bola, pelo ar e junto à relva. Foi dos primeiros a tentar empurrar a equipa, na forma como apertou na marcação mais à frente. Falhou a marcação a Hernández, é verdade, mas o principal pecado nesse lance não foi dele, tendo sido apanhado desprevenido.

(5) DahlGanhou e perdeu duelos com Murilo e fez crescer a exibição com um bom remate (34') para defesa de Lucão e um cruzamento para Pavlidis enviar à trave (38').

(4) Leandro BarreiroSentiu dificuldades para lidar com a qualidade de Luís Esteves e a velocidade de, por exemplo, Konan. Foi dele a primeira e capital distração no lance do golo do Gil, quando deixou fugir Santi García para receber o lançamento lateral de Esteves — García depois cruzou e Héctor Hernández finalizou. Remou contra o Gil, mas muitas vezes de forma desconexa.

(4) Aursnes Sempre muito clarividente no passe e solidário na recuperação da bola, mas sem fulgor para fazer crescer a equipa, ou pernas para a segurar.

(5) Prestianni O compromisso defensivo do costume, mas desinspirado nas ações ofensivas e alguma aparente falta de alegria. Foi ele quem recuperou a bola que mais à frente permitiu a Rafa rematar com perigo (18') e se esforçou para cruzar para remate de cabeça de Schjelderup (34').

(5) Rafa Muitas vezes de costas para a baliza, teve pouca bola, ou demasiado longa. Fez um bom remate para boa defesa de Lucão (18'), mas teve pouco envolvimento e resultado.

(6) Pavlidis Baixou muito para ter bola e funcionou também como um dos melhores médios do Benfica, além do trabalho que fez na frente. Ofereceu a Rafa uma boa oportunidade (18'), teve movimentação decisiva no golo de António Silva, rematou (de peito, aos 38') à trave e lançou Schjelderup no segundo golo. Faltou mais qualidade na definição de lances de potencial perigo. E foram vários.

(5) Barrenechea Deu alguma geometria ao jogo, mas sem capacidade para mandar no meio-campo e estancar o Gil.

(5) Richard Ríos A energia e capacidade de choque que levou para campo foram importantes para ligar a equipa.

(4) LukebakioTentou deixar marca, mas não conseguiu. O drible ainda não lhe sai e teve poucos minutos de jogo para ganhar confiança e poder crescer, sobretudo porque com a entrada de Bah passou para o corredor esquerdo, onde parece menos confortável.

(5) Bah Fisicamente muito intenso, deu-se ao jogo sem constrangimento e marcou posição no flanco direito, especialmente perigoso para o Benfica."

VENHA DE LÁ O PORTO!


"Gil Vicente 1 - 2 BENFICA

Pré-jogo 1.
Provavelmente a mais difícil visita a Barcelos desde que me lembro de acompanhar o Benfica. O Gil Vicente está a fazer um campeonato de enorme qualidade, basta lembrar o magnífico jogo que fizeram na Luz - a melhor equipa nacional que por lá passou esta época.

Pré-jogo 2.
Equipa de arbitragem com a dupla João Gonçalves (árbitro) e Tiago Martins (VAR) que anulou em Braga um golo limpinho por suposta falta de Ríos completamente inventada. Assim voaram dois pontos que muita falta nos fazem agora.

Pré-jogo 3.
Não podendo jogar com o equipamento principal, gosto de ver a equipa toda de vermelho ou toda de branco.

LA LA LA
LA LA LA LA
FORÇA BENFICA
VENCE POR NÓS

00 Mourinho a optar pelo seu onze ideal, com António no lugar do Tomás e o regresso de Prestianni - ausente por castigo dos dois últimos jogos.
15 nada de especial a assinalar para além do Trubin já se ter aplicado a um bom remate de jogador do Gil, Gil que vai pressionando bem a nossa saída de bola, vai-nos criando dificuldades, é uma equipa muito bem trabalhada pelo César Peixoto
18 finalmente uma boa jogada, com perigo a sério, da nossa parte: excelente remate de primeira do Rafa para boa intervenção do redes deles, um pouco mais desviada e não teria hipóteses. A ver se tomamos conta do jogo, isto tem estado equilibrado demais para o meu coração
22 amarelo poupado ao Santi Garcia: mocada no Otamendi sem que a bola estivesse ao alcance, não se entendem os critérios deste apitador, quase de seguida marca ao Schjelderup uma falta inexistente
30 fracota meia-hora da nossa parte, várias más decisões e passes falhados na zona ofensiva, muito jogo direto, isto não está fácil
33 acordámos! Duas jogadas de golo em menos de nada, carrega, olhem lá, este centro em esforço do Prestianni foi incrível
34 já está, um-zero: AN-TÓ-NIO!!! Belo golpe de cabeça na sequência de um canto, belo regresso à titularidade, atravessa um belo momento de forma de há muitos jogos para cá
37 mais uma excelente jogada corrida dos nossos e a barra a defender um golo feito do Pavlidis - é caso para dizer: que galo!
45+1 vantagem merecida, justa, mais jogadas de golo, mais oportunidades, o Gil acabou por criar mais dificuldades para a nossa construção do que a construção deles para a nossa baliza. À luz dos números - fui espreitar o SofaScore - a nossa vantagem é também justificada.
48 Aursnes no chão, problema dos grandes para nós, é um jogador fundamental, arruma o meio-campo, vai sair
51 eles entraram com tudo e já empataram, a nossa defesa a assistir ao espetáculo num lançamento lateral, golo muito consentido, inadmissível para amadores, quanto mais para este nível
56 eles continuam em cima de nós, cantos, grande defesa de Trubin, que Benfica é este que regressou das cabines?
61 nossa senhora, ninguém mete o pé a este centro do Schjelderup, a bola correu toda a pequena área do Gil, era só empurrar, só encostar, que perdida!
72 SCHJEL-DE-RUP!!! Atravessa grande momento, grande ação individual dentro da área, nunca se sabe se vai para dentro, para o pé direito, ou para fora, para o esquerdo, o defesa defendeu dentro, ele foi por fora, pé esquerdo ao ângulo mais próximo, dois-um, lindoooo!
81 não é por nada, mas gostava de ver o jogo correr de forma mais continuada no meio-campo deles
87 agora uma entrada ao Lukebakio, bola zero, parar um contra ataque perigoso desta forma deveria dar vermelho, amarelo é pouco para este tipo de faltas
89 porra, que susto, que remate do meio da rua, que defesa do Trubin, um golo deles agora era um desastre 90 mais 4 para o sofrimento
90+4 A-CA-BOU!!! Vencer era fundamental em vésperas de receber o Porto. Campo difícil, adversário dos melhores da liga, vitória arrancada com muito esforço, muita entrega, nem sempre o melhor futebol, mas os três pontos, o mais importante, não fugiram."

O Benfica foi a Barcelos angariar fundos para a viagem ao topo da classificação virtual


"Um Benfica bipolar teve o melhor momento no final da primeira parte e passou pela pior fase no início da segunda. O Gil Vicente reagiu ao golo inaugural de António Silva, mas os encarnados reforçaram a presença no ataque. Sem uma grande quantidade de oportunidades, Schjelderup concretizou a que teve (2-1). No regresso de Prestianni ao onze inicial, existiram, como quase sempre, razões para duvidar das capacidades de sedução da equipa de José Mourinho

A mola que impulsionou o Gil Vicente para o 5º lugar da I Liga foi a coragem na aplicação da patenteada ousadia ofensiva. César Peixoto implementou uma identidade, matéria através da qual a equipa de Barcelos poderia ser reconhecida até mesmo se jogasse à paisana.
Tudo o que os gilistas têm em excesso, o Benfica tem em defeito. Tanto que, discursivamente, também existem flutuações. José Mourinho recorda o resultado quando joga mal e ganha, mas releva a exibição quando não ganha e, supostamente, joga bem. O que importam os paradoxos quando se tem uma classificação virtual feita por especialistas independentes de todas as entidades do mundo exceto do Benfica?
Não é novidade que as capacidades de sedução dos encarnados têm que ser revistas. Só ali pouco antes do intervalo, a exibição motivou algum interesse. O golo de canto de António Silva, que esteve perto de ser evitado em dois momentos por Elimbi e Buatu, deu ao Benfica uma sobranceria desajustada.
César Peixoto, inclusivamente, queixou-se da demora de Amar Dedic na execução de um lançamento junto da área técnica do Gil Vicente. Apesar do recurso a métodos deselegantes, quando a bola estava em jogo e quando não estava, o Benfica rematou à barra. Samuel Dahl, com a força do cruzamento, obrigou Pavlidis a desviá-la como se o seu peito fosse uma tábua.
Os traços de personalidade mais vincados pertenciam ao Gil Vicente. Na pujança de Ghislain Konan, os minhotos rompiam cordas. Na agilidade de Murilo, escolhiam momentos de ataque. No início da segunda parte, o Benfica foi apanhado em visita à sua realidade virtual e Luís Esteves, que tem dos pés mais respeitáveis da I Liga, fez uma reposição manual que desbloqueou o empate. O dez obreiro Santi García encontrou Héctor Hernández e a vantagem foi anulada. Trubin evitou logo de seguida o bis do espanhol.
Sem médios viris, José Mourinho montou um onze de roda baixa. Leandro Barreiro compunha a falta de centímetros com a ansiosa busca pela recuperação e tinha um viveiro de pulgas – Schjelderup, Prestianni e Rafa – nas imediações.
O tumultuoso Gianluca Prestianni praticou futebol à vista de todos pela primeira vez desde que o mundo se colocou a arrazoar quanto à culpabilidade ou inocência do argentino no caso Vinícius. A certo ponto, ignorou as incumbências que tinha à direita do ataque para interromper uma saída do Gil Vicente. Pelas medições do palmómetro, os adeptos encarnados dão razão ao jovem de 20 anos. Talvez esse tenha sido o melhor momento de um regresso discreto.
A acumulação de átomos no último terço não suscitou combinações frenéticas quando era mais necessário que elas surgissem. O Gil Vicente atolou-se no seu meio-campo, confiando no aparecimento de oportunidades para contra-atacar que não existiram. Apesar de parecerem estar a querer partir o muro com um espanador, os encarnados foram rentáveis. Dedic desencantou um cruzamento que ficou a pingar na área. Zé Carlos foi apanhado numa ilha com Schjelderup e, no um para um, o norueguês disparou para o 2-1.
Os jogos em que o Gil Vicente intervém ganham estatuto para poderem ser considerados grandes. A equipa de César Peixoto tem recursos para, frente aos candidatos ao título, dividir o encontro e apresentar-se como possível vencedor. Contra o Benfica, não foi diferente. Os períodos de domínio alternados indicaram um equilíbrio que passou despercebido ao resultado (2-1) e as águias vão para o clássico a sete pontos do FC Porto."

Simples: Gil Vicente...

Observador: Relatório do Jogo - Gil Vicente...

Terceiro Anel: React - Rescaldo - Mourinho - Gil Vicente

Terceiro Anel: Gil Vicente...

BF: Gil Vicente...

5 Minutos: Live - Gil Vicente

terça-feira, 3 de março de 2026

Vermelhão: Ressaca Europeia, resolvida com um Galo norueguês !!!

Gil Vicente 1 - 2 Benfica


Quase 50% dos pontos perdidos pelo Benfica esta época, foram em jogos pós-Champions! Este ainda tinha mais dois factores perigosos: a Eliminação Europeia e a qualidade do Gil Vicente! Normalmente, após eliminações Europeias, as equipas tem uma fase de transição para refocar nos outros objetivos, além das questões físicas... e até o ritmo de 1 jogo por semana, em vez dos dois, às vezes cria alterações de rotinas negativas, numa fase inicial! O Gil tem feito um bom campeonato, e nos jogos com os 'grandes' tem sido uma das equipas que melhor futebol pratica...

A este cenário, temos que somar as ausências por lesão (Sudakov e Bruma...), e os jogadores que apesar de estarem na ficha de jogo, não estão a 100%: Aursnes e Lukebakio! No caso do Sudakov, apesar da chegada do Rafa, na minha opinião o Ucraniano tem feito muita falta nos últimos jogos, inclusive nas partidas com o Real...

O Benfica acabou por dominar grande parte do jogo, a excepção foram mesmos os primeiros minutos da 2.ª parte! Foi um jogo com cautelas, o Benfica não quis fazer um jogo de muito esforço físico, havia claramente uma estratégia de gestão do esforço, mas quase nunca permitimos chegadas com perigo do adversário! Optámos cedo, pelas bolas longas, algo raro noutras partidas. O Gil é muito forte na pressão na zona central, para isso sobe as linhas, e para evitar perdas de bola perigosas, tentámos recorrentemente colocar a bola nas costas da linha defensiva do Gil. Mesmo com um Pavlidis, que não é um avançado habituado a este tipo de jogo, conseguimos criar algum perigo... e mais importante, não demos bolas 'grátis' ao adversário!

Se nos primeiros 25 minutos, não criámos muito perigo, nos minutos que antecederam o 1.º golo, criámos excelentes oportunidades... havia 'cheiro' de golo! Chegou de Canto, mas já chegou tardio... Foi o António, que marcou, mas o Pavlidis sem tocar na bola, foi fundamental, merecia nem que fosse, um 'meio' golo!!!

Como já referi, a equipa entrou desconcentrada no 2.º tempo, a substituição do Aursnes não ajudou, e numa sucessão de bolas paradas, com vários jogadores a errarem, incluindo o Trubin, permitimos o empate! O Trubin redimiu-se pouco depois com uma excelente defesa em mais um Canto... e a partir daí, só deu Benfica, até ao grande golo do Schjelderup! Justíssimo que tenha sido o mini-bacalhau a marcar... A aproveitar, o pé esquerdo! O futuro sucesso do Schjelderup vai depender muito da capacidade que ele vai ter de melhorar o pé esquerdo, com o estilo de finta interior que ele tem, pode tornar-se numa espécie de Chalana Norueguês!!!!

Com as substituições e com a vantagem mínima do Benfica, o jogo ficou perigoso. O Joelson criou alguns problemas ao Dedic, a entrada do Bah ajudou a chegar o flanco. Mas apesar de tudo, quem criou mais perigo na parte final, até foi o Benfica, com saídas rápidas, que deveriam ter mais bem aproveitadas!


Sem grandes exibições individuais, eu daria o título de MVP ao Schjelderup novamente, porque marcou o golo decisivo, ainda fez uma assistência, e criou bastante perigo, apesar de não ter sido o jogo onde ele foi mais consistente, ultimamente! O Pavlidis também fez um bom jogo... Tal como toda a linha defensiva! Notou-se mais cansaço no meio-campo, o Aursnes condicionado e o Barreiro, jogaram com as pilhas em baixo...


O Prestianni notou-se alguma falta de alegria, o que se compreende, mas o Mourinho quis lhe dar confiança! Acabámos o jogo com a dupla Enzo/Ríos a dupla que jogou mais tempo na 1.ª metade do Campeonato, e voltámos a ter alguns deslumbres dos problemas do Ríos em 'não perder' a bola em zonas perigosas! O Rafa tentou o golo Olímpico que acabou por ser uma semi-assistência, mas continua a demonstrar pouco entrosamento com os colegas... e hoje, até teve espaço! Mas por acaso defensivamente, parece 'ligado' à equipa!


A arbitragem deste 'porco' voltou a ser tendenciosa! No lance que o Mourinho se queixou de penalty (lance que deu o Canto, do 1.º golo), apareceu no final da partida, no Juízo Final da SportTV um ângulo que não foi mostrado na transmissão em direto, que mostra que o corte foi feito com o peito! Agora, no critério disciplinar foi uma vergonha total! Perdoou vários Amarelos ao Gil, num suposto critério largo, mas ao Otamendi foi logo à primeira! Estes gajos não perdem uma oportunidade para empurrar o Benfica para trás! Por exemplo, no golo do Gil Vicente, fiquei com dúvidas se o Canto inicial foi bem marcado, e depois permitiu que o lançamento lateral fosse marcado mais de 5 metros à frente, do local onde a bola saíu... e já nos descontos, voltou a permitir que o Gil tivesse marcado uma falta rapidamente, longe do local onde a falta foi assinalada! Resumidamente: tentou, mas não conseguiu!!!


Agora, uma folga e 4 dias para preparar o Clássico! Os Corruptos estão a jogar mal e porcamente, mas têm um estilo de jogo, que se adapta a este tipo de jogos, onde vão apostar tudo nas transições rápidas, e na agressividade (muito provavelmente com um Verdíssimo da vida, a permitir tudo!).


Do lado do Benfica, aquilo que me preocupa são as questões físicas, principalmente o Aursnes. O Mourinho já percebeu que o meio-campo do Benfica, com ou sem o Aursnes, é o dia e a noite! E por isso, tem arriscado jogar com ele, mesmo condicionado, mas numa partida muito física, como se espera, não sei qual será a melhor opção...!!!


Uma questão importante


"RENOVAR COM MOURINHO?

1. Todos os projetos desportivos têm a ganhar com a estabilidade. Não vale a pena ir buscar exemplos, eles abundam, mas vale lembrar que o Benfica tem pago um preço elevado por ter uma grande rotação de treinadores e jogadores, por não estabilizar o seu grupo de trabalho.

2. Mourinho tem qualidade comprovada como treinador, tem experiência para dar e vender, tem liderança, tem comunicação, tem, portanto, muito para dar ao Benfica.

3. Mourinho é Benfiquista - tinha já 50 votos nas últimas eleições -, gosta de trabalhar no clube, tem firme vontade de projetar o clube para outros patamares.

4. Mourinho entrega-se totalmente à tarefa, dorme no Seixal, conhece de perto o trabalho da formação, fala com todos, abre os treinos aos treinadores das camadas mais jovens, interliga com Veríssimo para a gestão dos jogadores que andam entre a equipa principal e a B.

5. Eu apoiaria Rui Costa se tomasse a decisão de renovar com Mourinho até ao final do mandato, até ao final da época 2028-29. O Benfica precisa de um treinador de projeto e parece-me que Mourinho reúne todas as condições para ser o nosso treinador de projeto.

6. Rui Costa foi muito criticado por ter renovado com Roger Schmidt sem que este tivesse conquistado alguma coisa pelo Benfica - a verdade é que veio a ser campeão, pelo que o argumento caiu pela base. Acresce que o seu posterior despedimento, que não interessa agora discutir, não trouxe mudanças significativas nos resultados da nossa equipa de futebol.

7. Mourinho é um treinador que não receia a guerra, é um treinador de combate, o Benfica tem que mudar de postura perante tudo aquilo a que assistimos no futebol português - o último exemplo é o vergonhoso penálti assinalado aos 88 minutos no Dragão que salvou o Porto da perda de pontos no confronto caseiro com o Arouca. Porém, só vale a pena ter um treinador guerreiro se todo o clube for capaz de o acompanhar - a não ser assim nem vale a pena equacionar a renovação."

A moral (de vidro) de Infantino


"Dirigente acha que basta expulsar todos os jogadores que tapam a boca quando falam para irradicar um grave problema estrutural de toda a sociedade. É só a FIFA e o mundo à parte em que vive

Gianni Infantino surge agora a censurar e a pedir a expulsão de jogadores por taparem a boca quando falam em campo, acreditando que se trata sempre de insultos — no rescaldo do caso Prestianni-Vinícius — e fá-lo investido numa súbita autoridade moral sobre transparência e exemplo. O problema é que o edifício de onde discursa, a mesma FIFA que sempre compactuou com regimes ditatoriais e seus crimes, é alto demais. Inimputável devido a um volume de negócios tremendo e ainda impenetrável naquele ecossistema de regras próprias. É impossível ver, a olho nu, os extensos telhados de vidro que o cobrem.
Desde que assumiu a presidência, em 2016, a governação de Infantino tem sido acompanhada por rasto persistente de polémicas. A mais evidente está nos Mundiais organizados em países sem respeito pelos direitos humanos. O torneio de 2022 no Qatar ficou marcado pelas denúncias sobre as condições de trabalhadores migrantes. Seguiu-se a confirmação da Arábia Saudita como anfitriã de 2034, decisão amplamente criticada por organizações internacionais devido à repressão política, restrições à liberdade de expressão e discriminação de mulheres e comunidade LGBT+. A de 2018 na Rússia, embora decidida antes da sua eleição, faz parte do legado que defende.
A nível interno, foi investigado pela própria comissão de ética nos primeiros meses de mandato. Mais tarde vieram a público encontros não declarados com o procurador-geral suíço, que levantaram dúvidas sobre transparência. Houve ainda demissões no comité de governança e críticas de centralização de poder, enquanto a prometida nova FIFA se assemelhava cada vez mais à antiga.
Entretanto, multiplicaram-se decisões controversas: a expansão do Mundial de Clubes, contestada pelos sindicatos; a crescente proximidade a líderes políticos; a perceção de que a neutralidade institucional nem sempre é prioridade; o prémio da paz para Trump...
Nada disto constitui, por si só, crime provado. Mas forma um padrão. Um que fragiliza qualquer tentativa de posar como guardião da pureza do jogo. Quando o responsável repreende atletas por proferirem palavras suspeitas em campo, talvez se devesse lembrar de que lidera uma organização cuja credibilidade foi testada — e continua a ser — muito para lá de um gesto feito entre as quatro linhas. Que ninguém está a tentar apagar.
É legítimo exigir transparência. Mas nunca esqueçamos que começa no topo."

BI: Antevisão - Gil Vicente...

BolaTV: Pedro, Pedro, Pedro #6 - Quando passas da Champions para o campeonato não podes baixar o nível

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Novas regras na arbitragem: o que vai mudar?

Observador: E o Campeão é... - Benfica joga cartada decisiva na época, em Barcelos

Observador: Três Toques - Conflito Irão. Clubes foram afetados?

SportTV: Primeira Mão - 🔥 Sporting e Porto Vencem… e Vem Aí Novo Clássico!

Da simbiose entre clube e treinador


"Começo com um desabafo fora do tópico: quando será que os comentadores de futebol em direto abandonam a expressão “troca por troca”? Percebe-se a ideia, de que não se mexe no sistema, no desenho tático, mas ninguém troca por trocar, que diabo. Ou melhor, se algum treinador o faz está na profissão errada, mais valia, se a questão é de fezada, ou de ver se resulta A só porque B não deu (ou está cansado), dedicar-se ao tarot. Mexer numa unidade é sempre alterar uma dinâmica da própria equipa e, por consequência, impactar no jogo. Neste tempo em que as substituições se multiplicaram, há mais vezes duas e três trocas em simultâneo. Querem acreditar – eu sei que sim, porque veem jogos como eu – que até nesses momentos, de quase revolução num onze, há quem continue a ver “troca por troca”?
Hugo Oliveira não é um treinador mediático, ou ainda não é, e a maioria nem se lembrará à primeira do nome do homem que leva o Famalicão no sexto lugar da Liga, prolongando uma estabilidade de comando técnico como há algum tempo não se via por lá. O clube foi mais uma vez astuto a identificar competência e o técnico tem sabido entender o rumo da sociedade, e não há sucesso sem isso. É fácil – e até justo, por ser verdade - associar os bons resultados do Famalicão a uma gestão competente que permite plantéis de qualidade. Bem menos justo é relacionar o rendimento – e a regularidade - da equipa apenas a essa valia individual, até porque está reduzida, sobretudo no ataque, por via da lesão grave de Aranda e, mais tarde, da saída de Zabiri. Sou suspeito porque o conheço bem e há muito lhe sigo as pisadas, mas não tenho dúvidas de que o antigo adjunto de Marco Silva (era mais que um treinador de guarda-redes) acabará por ter bem mais atenção, e reconhecimento, do que tem tido.
Já repararam em Diogo Sousa, o miúdo esquerdino do meio campo do Vitória que acaba de completar 20 anos? As saídas de Handel ou Tiago Silva podem ter reduzido -acredito que reduziram mesmo - as ambições da equipa, mas abriram caminho à afirmação de miúdos de grande potencial. Gonçalo Nogueira, dois anos mais velho, também tem igualmente muito para dar, mas Diogo parece-me talento para voos ainda mais altos, pela qualidade com bola, a facilidade com que decide bem sob pressão e o modo como se insere no ataque na intenção de finalizar. Será provavelmente o próximo bom negócio do clube e a prova de uma aposta acertada da atual gestão vitoriana quanto ao modelo para recuperar o emblema da crise financeira grave e crónica. Até porque há, na mesma linha de aposta, outros nomes que prometem claramente, como Saviolo, Mukendi, Camara ou Strata. Mas é também mais uma evidência de que, para que estas opções (arriscadas) resultem, é obrigatória uma coerência entre as metas do clube e o perfil do treinador. Se outros elogios não merecesse, e merece, Luís Pinto justificava esse, o da coragem de apostar em jovens, quando tantos se desculpariam com a “falta de maturidade” dos seus homens. E a audácia não se fica por aí, que é ver este Vitória, em cada jogo, a enfrentar de olhos nos olhos mesmo os adversários mais poderosos. Um treinador corajoso conquista-me sempre mais que um timorato.
Por falar em simbiose clube-treinador, o zénite desse potencial concretiza-se no fenómeno Bodo/Glimt. Nos confins da Noruega, em pleno Ártico e numa cidade de 55 mil habitantes (os mesmos de Sesimbra, Caldas da Rainha ou Amarante), nasceu a mais recente história de encantar do futebol mundial. Estava na segunda liga norueguesa em 2017. Do ano seguinte para cá, com o mesmo treinador no comando - Kjetil Knutsen – e sem nenhum investidor milionário a despejar dinheiro no Pólo Norte, ganhou quatro campeonatos locais em seis possíveis e acaba de chegar aos oitavos de final da Liga dos Campeões, vencendo o Inter de Milão por duas vezes e não apenas no sintético de Bodo.
O segredo do sucesso está em três pilares, simples de assimilar, exequíveis em qualquer latitude, mas que dificilmente vemos concretizados de modo convicto e duradouro: identidade, processo e pertença. Ou seja, o clube tem um projeto que parte de um perfil de jogo e de jogadores. O treinador confia num processo de treino e jogo e dá-lhe sequência, resistindo ao apelos de saída que duram desde os primeiros sinais de sucesso. Os jogadores são identificados pelo que podem acrescentar e claramente vinculando a essa ideia, que é tática mas também de clube. Dois exemplos: na equipa que entrou em Milão, para voltar a surpreender a Europa só havia dois estrangeiros no onze; e entre os nove noruegueses voltou a brilhar acima dos demais Jens Petter Hauge, o talento que não explodiu nas passagens prematuras por Milan ou Eintracht Frankfurt, mas que exibe um repertório espetacular já há uns anos de amarelo vestido.
Estes noruegueses sensacionais são o próximo obstáculo europeu do Sporting. Rui Borges está avisado. Desde a goleada à Roma de Mourinho em 2021 que os mais atentos ao futebol europeu sabem que algo diferente acontece na zona boreal. Na época passada, o Bodo ganhou ao FC Porto e depois ao SC Braga, e só terminou na meia final da Liga Europa. Na Champions em curso já bateu, além do Inter, o Manchester City e o Atlético de Madrid. Como os recursos não são comparáveis, só a competência pode explicar. Dando de novo razão a Cruijff, que nunca viu um saco de dinheiro ganhar no futebol."

Somar três pontos


"O Benfica entra em campo, hoje às 20h15, em Barcelos para defrontar o Gil Vicente. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Real vs. virtual
José Mourinho salienta a qualidade da equipa do Gil Vicente e lamenta a influência de vários erros de arbitragem na pontuação de cada candidato ao título: "Já sabemos que vai ser um jogo difícil pelo adversário. Esperemos que seja só difícil pelo adversário, mas é seguramente um jogo difícil. Na classificação virtual, há uma diferença fundamental. A real é a real, mas tenho também de me agarrar à virtual, e a virtual é uma motivação para nós, porque sabemos perfeitamente aquilo que tem acontecido."

2. Bastidores
A chegada da comitiva benfiquista ao Norte do país.

3. Parabéns, Benfica!
O plantel do futebol profissional cantou os parabéns ao Sport Lisboa e Benfica.

4. Resultados da formação
A equipa B empatou 1-1 no reduto do Penafiel. Os Sub-23 sofreram um desaire na deslocação a Famalicão (4-0). Os Juniores ganharam, por 0-2, no campo do Gil Vicente. Os Juvenis venceram por 3-0 ante o Sporting. Os Iniciados triunfaram, por 3-1, frente ao SC Braga.

5. Outros resultados
Nos masculinos, o Benfica ganhou em andebol (ABC, 30-35), futsal (Fundão, 6-4), hóquei em patins (Riba d'Ave, 4-5) e voleibol (Castêlo da Maia, 1-3) e foi derrotado em polo aquático (CA Pacense, 10-15).
Nos femininos, vitórias benfiquistas: em basquetebol (União Sportiva, 68-77), futsal (Leões Porto Salvo, 4-2), hóquei em patins (CP Manlleu, 0-5), polo aquático (Cascais WP, 29-7) e voleibol (Braga, 2-3). Em râguebi, derrota com o Sport CP/CRAV (34-12).

6. Reportagem especial
O trajeto de Paulo Almeida no Benfica, treinador da equipa feminina de hóquei em patins e antigo hoquista do Clube.

7. Contributos internacionais
Thaís Lima estreou-se pela seleção brasileira de futebol. E Ana Clara Oliveira venceu o Sul-Americano Sub-20.

8. Open day futsal
Cerca de 100 jovens, dos 6 aos 13 anos, participaram no evento realizado no Pavilhão Fidelidade.

9. Iniciativas do Museu
A BTV acompanhou o passeio guiado pela cidade de Lisboa por alguns dos locais emblemáticos da história do Benfica. E veja ainda as melhores imagens de mais uma edição do Benfica Quiz Night."

Cante Alentejano | 122 Anos do Sport Lisboa e Benfica

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Enquanto cada um puxa para o seu lado, o desporto português encolhe


"Portugal é um país pequeno a tentar sustentar um sistema desportivo grande e esse choque de escala está a ficar cada vez mais evidente. Temos talento, história, clubes com marca internacional e modalidades com resultados relevantes, mas continuamos a operar como um arquipélago de interesses e não como uma indústria coordenada.
Num mundo onde a atenção é a moeda e a escala decide quem sobrevive, a fragmentação não é um detalhe administrativo: é o principal travão ao crescimento do desporto em Portugal. Os números mostram que há base. Portugal tem cerca de 800 mil praticantes federados, e este facto devia ser o gatilho para um salto comercial e mediático, mas não tem sido.
Pelo contrário: enquanto os atletas aumentam, o número de clubes diminui e o sistema continua a competir por recursos escassos, como pavilhões, tempo de televisão, orçamento de patrocinadores e atenção dos adeptos. É o retrato típico de um mercado com procura, mas sem modelo. A consequência é simples: desperdiçamos valor porque cada clube/associação/federação tenta “salvar-se” sozinha. O Governo assiste a tudo isto de forma passiva e insiste em usar modelos e financiamento do passado.
No futebol, a escala ainda disfarça o problema. A Liga Portugal regista mais de 3,7 milhões de espetadores por época, mas sabemos também que a grande maioria desses espectadores se concentraram nos jogos em casa dos três grandes. Isto é força, mas também é risco: significa que o ecossistema depende de um triângulo e que o resto da pirâmide vive num permanente “modo sobrevivência”. Quando a sustentabilidade de uma liga é condicionada por três marcas, o sistema inteiro fica mais frágil a crises desportivas, mudanças de performance e alterações no consumo.
Fora do futebol, a fragmentação é ainda mais penalizadora. Temos modalidades com massa crítica relevante como o voleibol com cerca de 60 mil federados, o andebol com 48 mil e o basquetebol com 30 mil, mas a capacidade de transformar essa base em produto é limitada por falta de coordenação.
As próprias federações admitem o óbvio: faltam infraestruturas, faltam condições e há “rutura de espaços de pavilhão”, com instalações degradadas e uma oferta incapaz de acompanhar a procura. Quando voleibol, andebol, basquetebol ou a patinagem enfrentam o mesmo problema e continuam a atacá-lo separadamente, o país perde duas vezes: perde eficiência na operação e perde poder na negociação com marcas, media e Estado.
O mesmo acontece na comercialização. O mercado português está cheio de pequenos patrocínios, muitos deles construídos como “apoios” e não como investimentos, porque as propriedades são vendidas isoladamente, sem escala, sem continuidade e sem capacidade de entregar dados consolidados.
Mas há sinais de que a escala funciona quando existe: o Placard mantém naming relevante no andebol e no hóquei em patins e a Solverde.pt reforçou a aposta no voleibol feminino. O que falta é transformar estes bons exemplos em lógica de indústria: pacotes integrados, calendários coordenados, inventário digital partilhado e métricas de retorno uniformizadas.
Uma marca não quer apenas aparecer; quer saber quanto gerou, a quem chegou, que comportamento mudou e que vendas influenciou. Sem dados, sem consistência de produto, a maioria das modalidades continua a vender pouco, não porque valha pouco, mas porque se apresenta de forma pequena.
Os produtos desportivos precisam de ser modificados para competir pela atenção num mercado saturado. Em Portugal, além de modificarmos produtos, temos de modificar a arquitetura do sistema. Precisamos de mais cooperação entre federações, mais projetos comuns com autarquias e mais plataformas partilhadas de bilhética, conteúdos e dados.
O desporto português não tem dimensão para funcionar como 40 negócios independentes a disputar a mesma carteira de patrocinadores e os mesmos minutos de emissão. A pergunta certa não é “quem ganha hoje”, é “quem cria escala amanhã”. Porque a fragmentação é confortável para quem gere o presente, mas é fatal para quem quer ter futuro."