Últimas indefectivações

sábado, 11 de julho de 2026

Algarve...

Explicado, com um desenho!!!

Diferenças...

Exemplos!

Intenções...

Verdade...

UM JOGO À PORTA FECHADA VÁRIAS QUESTÕES PERTINENTES


"1. Só elementos das claques do Benfica utilizam pirotecnia? Nos outros clubes é tudo gente bem comportada? Só castigam o Benfica? E não podiam castigar fechando só o setor onde as tochas são deflagradas?

2. É desta que a direção toma medidas sérias para resolver um problema criado à esmagadora maioria dos sócios por uma ínfima minoria deles? Que mais castigos vão ser precisos serem-nos aplicados para que esta questão seja resolvida de uma vez por todas?

3. Como vai o Benfica compensar os titulares de RedPass para a época 26/27 que já pagaram este jogo sem o poderem ver por responsabilidade que não é sua?"

Zero: Mercado - Trincão mais longe do Sporting, mas não da Europa

BF: Trinco...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Que Jesus teremos na Seleção Nacional?

Observador: E o Campeão é... - 10 anos de Éder e Jesus no comando. Há fé para Portugal?

Observador: Três Toques - Jogo de sentido único: França manda e Marrocos nem deu luta?

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #22

Zero: Negócio Mistério - S06E15 - Omam-Biyik Mundial 90

A Bola Não Mente - S01E56 - Kawhi pode ser suspenso?

A Bola Não Mente - S01E55 - Os 56M de Neemias e as justificações dos Celtics

Atualidade benfiquista


"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas do dia a dia do Benfica.

1. Comunicado oficial
Conheça a posição oficial do Sport Lisboa e Benfica acerca da decisão definitiva da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, que determina a realização à porta fechada de um jogo oficial no seu estádio.

2. Reforço integrado
Kamiński já trabalha no Benfica Campus.

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Época dos Sub-23 apresentada
A equipa sob o comando técnico de Vítor Vinha teve a reunião de apresentação oficial da época 2026/27.

5. Juniores regressam ao trabalho
Avaliações físicas e médicas realizadas.

6. Contributo internacional
Federico Coletta esteve em ação por Itália no Europeu Sub-19.

7. Movimentações do defeso
A futebolista Anna Gasper está de saída do Benfica e vai atuar no Chicago Stars da liga norte-americana. A futsalista Maria Inês também deixa de representar o clube.

8. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV.

9. Casa Benfica Freamunde
Esta embaixada do benfiquismo reabriu portas."

Lanças...


História Agora


Portugal tem um problema com a gratidão


"Portugal foi eliminado do Mundial com um golo nos descontos contra a Espanha. Não há nada de escandaloso e vergonhoso nisto. Jogámos contra uma das melhores equipas do mundo e fomos competitivos até ao fim nesse jogo. E, no entanto, não terminámos todos isto com uma sensação de pouco por um lado, expetável por outro. E porquê? Por que é que não vibramos e sonhamos com este Mundial a 100 por cento? Quando temos dos melhores jogadores do mundo. No papel, das seleções mais fortes presentes nos Estados Unidos.
Nos anos 90 o país punha 120 mil adeptos na Luz para ver os juniores a serem campeões do mundo, ia à loucura com um golo de Rui Costa à Irlanda que nos dava apenas e só apuramento para um Europeu. Durante o Euro 2004 e o Mundial 2006, o Marquês enchia-se como se Benfica ou Sporting tivessem sido campeões em cada vitória do país nessas competições.
20 anos depois o país vê a seleção, torce, vibra, reclama, mas um dia depois da eliminação, já toda a gente encolheu os ombros e partiu para outra. E se calhar podíamos ser agora mais candidatos à vitória do que nessas gerações passadas.
Posso ser polémico? Vibrámos pouco porque na verdade sabíamos que isto não ia correr bem. E porque sabemos que Portugal não era uma verdadeira equipa neste Mundial. Não acho Roberto Martínez um mau treinador, também não é incrível, mas foi a pessoa adequada para dar seguimento ao «show Ronaldo». E antes de criticar a titularidade de Ronaldo, quero deixar claro que também não foi só por ele que fizemos um fraco Mundial. Mas já lá iremos, primeiro Ronaldo.
CR7 é indiscutivelmente uma das maiores figuras de sempre do futebol português. Poderá até ser o maior jogador de sempre e ter ultrapassado Eusébio. E é provavelmente o português mais famoso de sempre. Todo e qualquer um de nós que já foi ao estrangeiro, sabe bem que assim que dizemos Portugal recebemos como resposta Ronaldo. E isso enche-nos de orgulho. Enche-me de orgulho! O lugar na História ninguém lhe tira!
Mas ser titular de Portugal aos 41 anos é uma coisa completamente diferente e absurda. Não faz sentido. Não fez sentido. Basta ver o fraco rendimento que teve. Foi o avançado que menos correu nos 1/16 avos de final, passou o Mundial todo sem fazer um drible, apenas marcou dois golos ao Uzbequistão, mesmo fazendo os 90 minutos em todos os jogos, menos no da Croácia, em que saiu para dar lugar a um Gonçalo Ramos que poucos minutos depois marcou golo.
Reparem, Eusébio em 1977 jogava no Beira-Mar e já não era melhor do que Fernando Gomes, Manuel Fernandes ou Nené. O tempo é implacável, acaba com todos os jogadores, por enormes que tenham sido no seu momento. Ou quando acaba isto? Ronaldo também deve ser titular no Mundial 2030? Não temos então que ser gratos?
Ronaldo jogou por se chamar Cristiano Ronaldo. Se se chamasse João António, teria sido Gonçalo Ramos o titular. Mas é um produto financeiro enorme para a FPF e esta quer explorar o produto até à última gota. E o próprio tem um ego enorme e é incapaz de se olhar ao espelho e dizer «já não dá». Da mesma maneira que certamente está rodeado de familiares e amigos, e nem um tem coragem de lhe dizer «já não dá».
E depois está num país que valoriza muito a gratidão. Foi a mistura perfeita para termos um jogador de 41 anos na frente de ataque, que já pouco acrescenta à equipa, a fazer 90 sobre 90 minutos, enquanto todos os outros jogadores, umas décadas mais novos do que ele, iam saindo.
Amália Rodrigues tem um famoso último concerto no Coliseu dos Recreios em 1994 em que a voz já lhe faltava. Ficou famoso o quanto pedia ajuda ao público para cantar por ela enquanto dizia «obrigado». O tempo já lhe tinha tirado a magnífica voz e alguém lhe devia ter dito para já não fazer aquele concerto, mas pelo menos não estava a tirar o lugar a uma «Mariza» lá atrás. Não prejudicou ninguém. Acabou por ser carinhoso. O público agarrou-a e disse «amamos-te igual e deste tanto a nós, que agora damos nós a ti».
Mas esta insistência em Ronaldo acaba por prejudicar o próprio e toda uma geração maravilhosa de jogadores portugueses que nunca puderam ser uma verdadeira equipa. O futuro dirá quantas entrevistas estes jogadores darão lá mais para a frente quando forem velhotes e tiverem coragem para dizer o porquê de terem rendido tão pouco neste Mundial.
Tal como o Benfica com Rui Costa (e antes Vieira), Portugal confunde gratidão com racionalidade. Temos uma incapacidade enorme de fechar ciclos, de separar as coisas e de aceitar que há momentos e o tempo é implacável com todos. E aqui o que me revolta mais é que este fenómeno tão humano e global, mas que em Portugal é exacerbado, é aproveitado pelas cabeças maquiavélicas dos gabinetes da FPF para passar um pano limpo em algo não tão limpo.
É que Fernando Santos teve o seu destino traçado quando teve a coragem de pôr Ronaldo no banco em 2022 e Roberto Martínez é escolhido por saberem que ia continuar com a marca Ronaldo, o produto Ronaldo a gerar muitos milhões à empresa FPF. Há aqui interesses além do futebolístico. E pouca gente na nossa população refere isto porque ficam inibidos pela tal «gratidão» e muitos dos que sobram não têm coragem de dizer aos outros «o Rei vai nú!».
Este fracasso não apaga Ronaldo. Ronaldo fica na História do futebol português e de Portugal. Sugiro até o seguinte: façam uma estátua do Ronaldo no Estádio Nacional, tal como a que Eusébio tem no Estádio da Luz. Ele merece! Quando acabar a carreira, sejamos gratos nas homenagens. O Ronaldo de tantos golos, de tantas qualificações, do Euro 2016, das duas Ligas das Nações!
Agora talvez isto tudo lhe vá prejudicar um pouco a imagem final, tal como prejudicou na Amália ou em Elvis Presley. Estes momentos finais da carreira de Ronaldo não foram bonitos. E jogadores como Bernardo Silva, Gonçalo Ramos ou Bruno Fernandes devem-se sentir frustrados. Aliás, todo o país se deve sentir.
Que venha agora Jorge Jesus, que este siga em frente neste capítulo Ronaldo, exija mais qualidade e responsabilidade aos restantes jogadores (que também têm que a ter), que voltemos a jogar em equipa e com os 11 jogadores em campo a terem uma disponibilidade física e dinâmica fortíssimas e que a seleção consiga voltar a apaixonar os portugueses. E com Ronaldo a assistir da bancada e Eusébio lá do céu, seremos certamente «muita fortes», como diz o JJ."

Isto não é sobre Cristiano Ronaldo


"Não é sobre Cristiano.
É sobre um selecionador que esteve mais preocupado em proteger o ego de um jogador do que em fazer o que era melhor para a equipa. 
Isto não é sobre Ronaldo.
Mas é sobre um treinador que preferiu ao longo de 450 minutos ter um avançado de 41 anos, da liga saudita, a outro contratado por 74 milhões pelo AC Milan ao PSG.
Isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
Isto é sobre um ponta-de-lança que em cinco jogos não fez um remate de cabeça, um único drible, um passe chave para assistir um colega.
Não, não é só Ronaldo.
É sobretudo uma equipa que ao 45º jogo com este selecionador não é capaz de ter identidade vincada, ADN próprio e prefere jogar um jogo camaleónico e de adaptação ao estilo adversário. A estratégia pontual acima da ideia consolidada.
Isto não é sobre Cristiano, meus caros.
É sobre uma seleção cheia de talento, desperdiçada em erros primários. Vide o golo da Espanha: falta cometida, protestos, desconcentração, Rúben Dias a sair da linha e a criar espaço para o passe de Ferrán Torres. Básico.
Ronaldo foi mais um problema, não foi o único problema.
A que quis jogar Portugal? Ter Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes e Bernardo (mais Félix), jogadores de toque, drible e passe - o coração e a casa das máquinas -, e em momentos de aperto e indefinição lançar a vertigem e os sprints de Leão e Chico Conceição. O estado de ânimo em vez da convicção.
Insisto: isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
Não há uma clarificação no discurso, apenas frases gentis para agradar a gregos e troianos. Dizer que acabar em primeiro ou em segundo lugar no Grupo K é igual, não é só um disparate ou um lapsus linguae. É gozar com a inteligência de quem escuta e sofre com o destino da Seleção Nacional.
Isto não é sobre Cristiano Ronaldo.
É a necessidade urgente de desenhar o futuro e escolher um líder capaz de fazer a Seleção Nacional exprimir tudo o que sabe, à volta dos melhores elementos: Diogo Costa, Rúben Dias, Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes – mas não o Bruno deste Mundial. Cristiano já não mora aqui há quatro/cinco anos.
Isto já foi sobre Cristiano Ronaldo.
Cristiano é pretérito perfeito, talvez pretérito mais do que perfeito, embora insista em ser presente do indicativo. O tempo verbal faz a maior das diferenças para quem decide e para quem joga.
O futuro na Seleção, mesmo no condicional, não é uma opção aceitável para o CR7.

PS: Jorge Jesus trabalhou na Arábia Saudita e conhece os defeitos e as virtudes atuais de Cristiano. Não me venham com ingratidão. Aqui só me interessa rendimento e competência. Para gratidão há um gabinete na FPF à sua espera e um papel de realce no edifício do futebol português. Isto, claro, se o avançado e acionista do Al-Nassr não optar por continuar a ser um ativo do governo teocrático saudita."

Jorge Jesus? Pensámos mesmo bem nisto?


"Não está em causa o treinador e os seus méritos, mas sim como se encaixa num novo ecossistema que não conhece e num contexto específico, que lhe pede valências que ainda não mostrou

Roberto Martínez. Já muito se escreveu sobre ele, mas deixem-me também encerrar o capítulo e seguir em frente. O espanhol precisou de ser defendido quando os colegas portugueses não o queriam por cá por ser estrangeiro, e ainda por cima logo daqui ao lado, do outro lado da fronteira, e lembro-me que o fiz com ressalvas, lembrando que, apesar de achar que a ideia ofensiva colava melhor com a nossa identidade do que a do seu antecessor — antes de perceber que, afinal, era tão receoso quanto este — também não criava roturas. Era um homem de estatutos e hierarquias.
O medo que começou a ter quando finalmente percebeu que um sistema é mais do que três ou quatro números seguidos, que é preciso ter músculo a cobrir o esqueleto, acabou por aprisionar os jogadores ao modelo: Bruno Fernandes, Vitinha, João Neves, Cancelo, todos eles ficaram amarrados aos defeitos do espanhol. Cumprindo exemplarmente o guião, mesmo que poucas vezes fizesse sentido. Talvez só Nuno Mendes se tenha libertado um pouco, quando teve o físico do seu lado. Terão sido esses mesmos jogadores que o mantiveram no cargo com a conquista da Liga das Nações, sob a ameaça, também ela limitadora, de Mourinho. Admiti então que, finalmente, se poderia construir a partir daí. Enganei-me, porque Martínez não tinha bagagem para tal. Foi um erro de casting tremendo. Se tenho dúvidas que aquela geração belga, com uma defesa tão frágil, fosse realmente de ouro a ponto de conquistar uma grande competição, não tenho dúvidas de que estragou a portuguesa. O melhor grupo de trabalho que algum treinador teve à sua disposição, sim, e o resto é ruído.
Foi um facilitador político. Não foi um selecionador, porque se manteve fiel quase sempre aos de sempre, e ainda menos um bom treinador, com tantos erros básicos que cometeu de abordagem. Foram ainda três anos de comunicação sonsa, embalados pelo sorriso e pelo português esforçado, que nada explicava e tudo embelezava. Nunca teve coragem para dizer a verdade, para tomar decisões difíceis, nunca teve rasgo ou criatividade para mudar um jogo. E será sem saudades que lhe diremos ‘Adeus, até nunca mais!’.
Jorge Jesus é o próximo. E há muito estava decidido que o seria. É o homem do presidente, a sua aposta para vencer e colar a esse triunfo a habitual propaganda que o carregará, acredita, a altos cargos na UEFA ou na FIFA. Porque o sucesso dos governantes não é feito de conquistas profundas e grandes mudanças estruturais, mas de colagem às fotografias certas. De números no Excel. De elogios em círculo, pelos de sempre, porque fazem parte do cargo. Há muito que a demanda por um bem maior não entra no dia a dia de quem manda no futebol em Portugal.
Jesus foi treinador de sucesso durante vários anos em Portugal e, depois, no Brasil e, a um nível muito próprio, na Arábia Saudita. É também um dos maiores influenciadores do jogo português e merecia obviamente o cargo. Ser selecionador assenta-lhe bem. No entanto, isso só por si não o transforma no homem certo no lugar certo.
O JJ revolucionário já não existe. E isso até pode ser pouco relevante para um selecionador, que treina menos dias, tem menos tempo para o trabalho minucioso e para a correção de detalhes. Que tem apenas tempo para tentar unir as pontas soltas. Mas esse não é o perfil de um técnico como ele, obcecado com o jogo. Sobretudo no momento defensivo. Porque no ataque depende muito do talento individual e como este se complementa para criar.
A sua última versão não se impôs em Portugal. Os seus maiores sucessos sempre dependeram da quantidade de talento que tinha ao dispor e nunca voltou a ter tamanha superioridade em relação aos demais. Pior, o bom futebol ofensivo desapareceu. O ataque posicional foi desastroso. A equipa, mal montada no ataque, transitava mal para o momento sem bola. Nunca controlou os jogos. Precisamente críticas que se ouviram a Martínez.
Apesar de mais maduro, não deixa de ser uma bomba-relógio. A sua arrogância já fez com que perdesse um título para Rui Vitória quando disse o que não podia. Já empurrou um polícia por causa de um adepto, foi empurrado por Cardozo no Jamor, mostrou três dedos a Tim Sherwoord, depois de um terceiro golo ao Tottenham, embrulhou-se mil vezes, propositadamente ou não, com o nome de Lopetegui e expôs publicamente o crónico estado físico de Neymar para o resto da carreira. Institucionalmente, é uma dor de cabeça permanente. E já não se trata de um clube, trata-se da representação de um país, com impacto bem maior.
Num momento em que a Seleção vai pedir renovação a pensar no Mundial em casa, o ex-treinador do Al Nassr é mais um que gosta de jogadores feitos. Os do Seixal teriam de nascer dez vezes para poderem vingar quando ele treinou o Benfica. E poucos o conseguiram. Preferiu sempre comprar, sobretudo no Brasil, algo que agora obviamente não poderá fazer. Ainda que possa naturalizar quem ainda escape a um cada vez mais fraco Escrete.
E, no fim disto tudo, ainda está o elefante no meio da sala. Jesus não chega acompanhado, bem pelo contrário, de uma ideia de rotura em relação a Ronaldo, depois de mais um Mundial para esquecer, em que condicionou toda a equipa. Sim, porque se o medo de Martínez acorrentou os jogadores, ter um corpo estranho no ataque ainda mais os bloqueou. Ou acreditamos que todos ao mesmo tempo desaprenderam de jogar assim que pisaram a América? Somos mesmo ingénuos a esse ponto? Nada acontece por acaso.
Foi seu treinador no Al-Nassr e admitiu publicamente que aceitou o convite com o propósito de levar o capitão da Seleção ao título. Gostaria de acreditar, mais uma vez, que essa não é condição sine qua non para que seja a aposta de Proença. Que o racional é finalmente desportivo, que se quer dar continuidade à brilhante formação que temos tido, mas que, num país como o nosso, em que não se aposta nos jovens, não se tem cultura desportiva e se está em permanente guerra sem qualquer respeito pelo produto, não é inesgotável.
Não há, obviamente, muitos nomes em Portugal que tivessem estatuto para o cargo. Mas precisamos de nomes ou competência? Mesmo que o racional seja apenas desportivo, temo que ainda não seja com Jesus que chegaremos lá. Ainda que não devamos julgar por antecipação, há indícios de que é mais uma decisão em que não se olha para o quadro geral e se escolhe alguém mediático a ver se pega. Cá não há De La Fuentes. Em que a ideia certa vale mais do que quem a tem. É ter fé. Porque somos um país de fé. De Fátima. De futebol. E de fado. Raramente de razão."

Substituir um espanhol e tentar jogar o dobro. Onde já se viu isto, Jesus?


"Jorge Jesus chega, aos 71 anos, ao ponto mais alto da carreira. Mais que futebol, uma lição de vida. O desafio: ser 'a' estrutura e ficar quatro anos no mesmo sítio, o que não acontece desde a primeira saída do Benfica

Em primeiro lugar, o homem: atingir, aos 71 anos, o ponto mais alto da carreira de treinador é, antes de mais, uma lição de vida. Jorge Jesus é a prova de que a qualidade não tem prazo de validade e este é um exemplo que pode e deve ser inspirador para qualquer setor de atividade.
O treinador natural da Amadora será o próximo selecionador nacional, em substituição de Roberto Martínez, na sequência de um trajeto atípico e, por isso mesmo, único. Nos primeiros 10/15 anos, todas as duas equipas apresentavam bom futebol, mas em muitos momentos faltava regularidade nos resultados e dessas oscilações resultaram entradas e saídas em clubes que não tinham porventura os mesmos objetivos ambiciosos que ele.
Durante muitos anos prevaleceu um certo preconceito dos três grandes em avançar para Jorge Jesus, daí que seja justo dizer que há um antes e pós-2009, quando Luís Filipe Vieira se tornou o primeiro presidente de um dos grandes a decidir arriscar e contratar um técnico de 55 anos, cuja idade, segundo a moda vigente, já era demasiado avançada para tão ambicioso projeto.
O resto já se sabe: globalmente, o Benfica jogou mais e ganhou mais e a passagem pelo Sporting e o regresso à Luz não causaram danos estruturais do ponto de vista do estatuto, ou seja, nunca mais foi visto como treinador de clube médio ou pequeno, e a decisão de ganhar dinheiro na Arábia Saudita ou prestígio no Brasil, tornando-se num ídolo no Flamengo, é tão legítima como qualquer outra.
Em segundo lugar, a missão: Jesus chega à Seleção num contexto que já o favoreceu no passado e com curiosas semelhanças com a época 2009/10 – também vem substituir um espanhol (à data, Quique Flores) e tem o dever de pôr a equipa a «jogar o dobro». Só ele poderá responder, no campo e no gabinete, como se pode pôr Portugal a jogar melhor (porque é assim que estará mais perto de ganhar), mas este deve ser o momento (fosse quem fosse o sucessor de Martínez) para voltar às raízes e recordarmo-nos de que os grandes desempenhos da Seleção (2016 foi uma exceção porque aquela geração obrigava a um futebol mais resultadista) tiveram sempre como chão comum a criatividade individual. Já nem vou falar da tradição dos extremos mais clássicos, essa posição em vias de extinção, mas de uma forma ou de outra Portugal tem de voltar a encontrar-se consigo próprio e procurar conforto no seu ADN.
Mas para isso terão de ser feitas escolhas, algumas delas eventualmente duras. Jesus tem sido relativamente bem-sucedido nesta área, mas em contexto de clubes, onde se assume não como um treinador «de estrutura», mas sendo ele «a estrutura». Todos sabemos o que isto significa: nunca permite que a sua autoridade seja posta em causa. Ao assinar pelo menos até 2030, não estamos à espera que seja um período de liderança suave na Cidade do Futebol. Até porque desde que saiu do Benfica em 2015 nunca ficou quatro anos no mesmo sítio.
Eis mais uma novidade para um homem de 71 anos. Que, em boa verdade, só parece tê-los no cartão de cidadão.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
Diogo Costa, guarda-redes da Seleção Nacional
Foi o melhor jogador da Seleção no Mundial, o que diz muito de Portugal. Do guardião que errou com Marrocos em 2022 ao dono das redes em 2026 há um mundo a separá-los. Um monstro das balizas.

Estagnado
Cristiano Ronaldo, avançado da Seleção Nacional
Sai do Mundial pela porta pequena porque, tal como se esperava, aos 41 anos não fez a diferença. Mas que não haja confusões: o tempo voltará a lembrar-nos que Ronaldo é uma lenda. Mas de um passado que já não volta.

A descer
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol
Assumiu, no momento da derrota, que Roberto Martínez não era a sua opção, quando teve tempo para fazê-lo em momento de vitória. Se queria sair por cima no adeus ao Mundial 2026, o tiro saiu ao lado."

Dez anos depois…


"«Temos sempre Paris», disse Humphrey Bogart (Rick) a Ingrid Bergman (Ilsa) na obra prima ‘Casablanca’, estreada em 1942. Nós também «temos sempre Paris», na sequência da obra prima, realizada por Fernando Santos, que nos levou ao título europeu: teve em Éder o herói improvável, e em Cristiano Ronaldo a estrela cintilante. Foi há dez anos, e a FPF resolveu assinalar a data com a apresentação do novo selecionador nacional para o período 2026/30, Jorge Jesus, que já foi muito feliz quando sucedeu a um treinador espanhol, Quique Flores, por altura da sua primeira passagem pelo Benfica, circunstância análoga à que vivemos hoje, quando o ex-treinador do Al Nassr passa a sentar-se na cadeira até agora ocupada por Roberto Martínez.
Tal como sucedeu a todos os que o antecederam à frente da Seleção Nacional, e sucederá a todos os que lhe sucederem, JJ vai responder por resultados, num contexto de fasquia bem alta, como se viu pelas exigências tornadas públicas na América do Norte. Antes do Mundial de 2030, para o qual estamos apurados como anfitriões, Jesus estará, como campeão em título, na Liga das Nações 2026/27, que começa já em setembro; segue-se o Europeu de 2028, e a Liga das Nações de 2028/29, que adotará um formato diferente do atual.
Do que acontecer nestas três competições dependerá o estado de espírito com que iremos encarar o ‘nosso’ Mundial, sendo que desde 1998 (França) nenhum anfitrião levanta a Taça (e Brasil e Alemanha já jogaram ‘em casa’).
Mas hoje não é dia para grandes análises, haverá tempo para isso, depois das primeiras palavras de Jorge Jesus, e, sobretudo, após a primeira convocatória para o Portugal-País de Gales que se disputará em Alvalade a 24 de setembro.

PS - Apesar da resistência de Marrocos, de algumas grandes defesas de Bono, e até de tentativas tímidas de surpreender os gauleses, os vice-campeões mundiais mostraram-se demasiado fortes para os norte-africanos, plenos de argumentos e confiança, tudo isto potenciado pelos extraordinários Mbapée, Oliseh e Dembelé. A França está a apresentar credenciais, e daqui a nove podemos estar perante a reedição da final do Catar, embora a Argentina, onde Messi tem justificado a proteção que lhe é dada, tenha tido alguns ‘soluços’ inesperados ao longo da competição…

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

Jesus é o senhor que se segue


"Não sabemos como será JJ sem pisar diariamente o relvado, mas é provável que a obsessão pelo detalhe ajudará a compensar o reduzido tempo de trabalho no campo de treino

Dez anos depois da conquista do título europeu, o ambiente em torno da Seleção é de desapontamento, perante a eliminação do Mundial. Depois de ter conseguido dobrar o Cabo das Tormentas do êxito desportivo, em Paris, a equipa das quinas não foi tão conquistadora quanto seria de esperar. É verdade que foram erguidas duas Ligas das Nações na última década, mas a expectativa era mais elevada.
Três Mundiais e dois Europeus depois, a Seleção nem sequer conseguiu chegar a meias-finais, precisamente a meta traçada este ano por Pedro Proença.
O balanço do Mundial 2026 foi mesmo aquém do esperado, e o que desilude não é propriamente a derrota com Espanha, mesmo que seja nos oitavos de final, mas a imagem pálida que a equipa deixou na prova. Diogo Costa foi o único jogador que saiu claramente valorizado — o que diz muito —, e quando é assim a maior desvalorização é a do treinador. Roberto Martínez desiludiu na preparação técnico-tática dos jogos, na gestão dos estatutos e até na comunicação.
Se um grupo que tem alguns dos melhores jogadores do mundo não consegue formar uma das melhores equipas do mundo, então a qualidade não está a ser devidamente potenciada. É verdade que ficou patente a falta de uma identidade coletiva, até em comparação com a seleção espanhola (que já teve isso mais vincado), mas essa realidade não desculpa a pobre dinâmica da equipa das quinas, que até tem vários grupos de jogadores que partilham clube. Esse debate é pertinente, mas quem conhece o futebol português não pode esperar consensos alargados, mesmo que o assunto seja mais para treinadores do que para dirigentes.
Também ninguém estará realisticamente à espera que a escolha de Jorge Jesus para selecionador venha agarrada a um projeto de fundo que chegue à formação. O plano é potenciar o talento que existe, e rapidamente. Não há quem possa garantir resultados, mas a contratação consegue reunir considerável consenso, embora mostre pouca coerência no perfil, tendo em conta que há um ano o alvo era José Mourinho.
Será curioso perceber como será JJ sem pisar o relvado todos os dias, mas a exigência e o cuidado com o detalhe vão ajudar a compensar a falta de treinos.
Veremos também qual será a posição sobre Bernardo Silva (e do próprio jogador), e se a passagem pelo Al Nassr não foi estágio também para gerir o capitão Cristiano Ronaldo na Seleção."

O que é Bono que não acabe rápido


"Não sei se Yassine Bono vai chegar ao próximo Campeonato do Mundo e ajudar esta nova geração marroquina, cheia de talento, a continuar no topo do continente e, cada vez mais, do planeta.
Não é a questão da idade, ainda que comece certamente a pesar na elasticidade e nos reflexos, ainda que para já não pareça, mas sim o nível competitivo que apresentará daqui por quatro anos, sabendo-se que o seu contrato com os sauditas do Al Hilal termina em 2028. Acredito, contudo, que este extraordinário guarda-redes, que defendeu o que pôde perante a cada vez mais favorita França, tudo fará, se estiver ao seu alcance, para dar solidez à causa dos 'Leões do Atlas' em casa. Sim, porque o projeto terá apenas a prova dos nove no Mundial de 2030, que tem como organizadores Espanha, Portugal e precisamente Marrocos.
Foram sete, talvez oito as defesas que fez perante o cerco dos 'Bleus' à sua baliza em Boston. Doué obrigou-o a defender junto à relva, Mbappé fê-lo recuperar o dom da adivinhação no penálti e, depois, seguiu-se o tiro de Digne, que só conseguiu desviar com a ponta dos dedos para o ferro. Na segunda parte, lançaram novas incursões: Doué outra vez e, já depois de Mbappé e Dembélé terem tornado todo o seu trabalho inútil com dois momentos de pura magia, ainda negou a festa a Mateta, por duas vezes, e a Barcola, permitindo aos companheiros lutarem pela honra.
Lutarem para que aquele voo picado, nos 11 metros que separavam um dos maiores candidatos a melhor jogador do torneio do firme Bono, tivesse valido a pena. Em oito tiros anteriores, incluindo desempates, o guardião apenas tinha sofrido golo em dois. Defendera três, dois acertaram em cheio no poste e um saiu ao lado. O quarto que segurou ontem eleva-o ao estatuto de recordista, ao lado de nomes como Sergio Goycochea, Harald Schumacher, Iker Casillas, Danijel Subasic e Dominik Livakovic. Sozinho fez tremer Mbappé, que só pode agradecer o tempo que teve para recuperar o moral e ainda decidir. Não são todos que o conseguem, não é verdade?"

Cabo Verde, morabeza… seu bem acolher!


"Como luz que rasga o horizonte da distância e por indicador indissociável à problemática que ao longo do tempo lidera o pensamento filosófico do Desporto, como movimento na transcendência ou superação, na promoção e desenvolvimento da personalidade, como expressão da vontade e onde é capaz de emergir o sangue, a carne, a emoção, o desejo, a paixão (Sérgio M.), dizia, por indicação ou referência do meu grandíssimo PROFESSOR, foi encontrada a forma de no decorrer duns tempos a esta parte, ( julgo que nove anos), a resposta ao convite de Sua Excelência o Senhor Presidente da República e Governo de Cabo Verde, no momento Doutor Jorge Carlos Fonseca, algumas sessões que decorreram na aula magna do palácio presidencial, no auditório da Federação Cabo-Verdiana de Futebol e no palácio do governo.
O primeiro tema teve como título Na Força do Otimismo a Chama para o Sucesso, onde se procurou enquadrar uma dinâmica propulsora no combate ao pessimismo, provocado por situações de crise onde foram desenvolvidas e exemplificadas as principais fontes para a conquista do êxito.
O tema sequente versou Preparar para Ganhar, onde se procurou caraterizar e desenvolver a evolução do jogo de Futebol, a avaliação e periodização da época desportiva; a observação e análise do jogo e a preparação para a competição, terminando com estratégias de orientação prática mais utilizadas em termos pessoais em equipas que se sagraram campeãs europeias (hóquei em patins e futebol), subidas à 1.ª liga e campeãs, bem como a obtenção do 3.º lugar e o acesso à Liga dos Campeões duma equipa cujos objetivos no início da época se situavam nos processos de manutenção (Futebol Clube Paços de Ferreira com Paulo Fonseca), enquadrando outros estudos obtidos e revelados em trabalhos de campo em clubes que obtiveram êxito.
Outra temática desenvolvida, referiu-se à problemática do Exercício e Atividade Física para a Saúde, anotando as atividades físicas mais representativas no sentido de prevenir e recuperar essas patologias, apresentando exemplos bem significativos.
Outro tema de apresentação e discussão focou-se no tema Lesões — o Pior Inimigo dos Futebolistas, em que foram tidos em atenção os fatores predisponentes para o aparecimento de lesões no desporto; os fatores psicológicos associados à prevenção e recuperação de lesões desportivas; avaliação e diagnóstico psicológico das lesões e estratégias de acompanhamento e recuperação física e psicológica dos atletas lesionados.
Terminamos este ciclo de conferências com referência ao tema Desporto, Cultura, Vida e … Festa, em que foi elaborada a conceção histórica e evolutiva do desporto e da atividade física e a sua relação com o desenvolvimento do jogo como símbolo de solidariedade, tendo como compromisso os jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes e espectadores, apelando aos compromissos do fair play como escola de virtudes de preparação para a vida, noções de amizade, respeito pelo outro, luta contra a batota, doping, comercialização excessiva e corrupção.
A matéria constante dos temas em debate resultaram de publicações por mim efetuadas, e que as editoras Bertrand, Asa e Prime Books muito me prestigiaram, ao tornar público, associada à vida prática e pedagógica na formação de treinadores ou na minha carreira universitária.
Presente um grupo de formandos, envoltos por uma salutar competência no campo afetivo e atencional, renovando a esperança de fazer de cada dia um crescer de entusiasmo. Composto por professores de Educação Física e Desporto, treinadores de várias modalidades, docentes universitários, selecionadores nacionais, atletas olímpicos, magistrados, oficiais militares e outros, fizemos do acordo em estimular e promover a capacidade de reflexão das ideias, uma fórmula de aproximação da cultura científica à cultura humanista.
Perante figuras ímpares duma sociedade onde habita a fidalguia de trato, a civilidade do homem e a nobreza do cidadão, jamais poderei ficar quedo e mudo, impávido e imprevisível.
Deste modo, permitiram-me neste momento evocar o estatuto da grandeza do povo cabo-verdiano que habita no fino recorte do seu olhar. Pelo que me foi dado a perceber, denotava-se-lhe uma invulgar capacidade cultural, cujos traços de identidade roçava a fidalguia, negligenciava a apatia, fortalecia o entusiasmo, pela forma tão elegante e digna e generosa como me recebeu, marcou sem dúvida uma parte bem gravada na história da minha existência.
As visitas guiadas aos espaços dedicados à prática da atividade física e em especial ao Estádio Nacional, denotava-se um apego à explicação do pormenor, vendo reconstruídas valências autenticadas com o amor do coração, mesmo contagiante de quem vê na obra, gente de oiro equipada, para em termos de despedida me presentearem com o símbolo duma tocha olímpica e uma expressão que fará constar no vocabulário do meu coração... morabeza, o seu bem acolher!
Por isso, exaltei com esmerado júbilo a presença dos tubarões azuis neste Mundial, rubricando na história os 16 avos de final na sua estreia na competição, com três empates na fase de grupos e um prolongamento épico com a seleção campeã do mundo em título, a Argentina.
De referenciar a forma gigante como uma estrutura composta de gente simples e humilde fez da bandeira das 10 estrelas douradas, seu símbolo sagrado e que sem conhecer os atalhos para o facilitismo, transportou na alma as pegadas da experiência vivida e ostentou nos olhos as cores da esperança do tamanho do mar!
CANTA MEU IRMÃO, CANTA!"

BolaTV: Dias de Mundial...

LiveMode: LateNight #18

SportTV: Reportv - Eder: Dez anos depois

The Seleção Podcast #117 - Can Jesus Save Portugal?

Quezada: Jesus...

Jesus...

No Princípio Era a Bola - A França dá a sensação de jogar um torneio de pré-época no Mundial e Jorge Jesus pode espevitar um pouco a seleção

Rabona: Mbappé Is ONE Goal From Messi's Record as France Sink Morocco | World Cup Day 28

ESPN: Futebol no Mundo #604

TNT - Convocados...

TugaFut: França...

LiveMode: Aquece vais entrar #36

AA9: Mundial - França...

FIFA: Noruega...

FIFA: Inglaterra...

FIFA: Suíça...

FIFA: Argentina...

SportTV: Espanha - Bélgica

SportTV: França - Marrocos

sexta-feira, 10 de julho de 2026

A 1.ª semana de 2026/27

BI: Megafone - Voo Picado #33 - Afinal quem manda num balneário?

Kaminski: Day 1

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica foi notificado da decisão definitiva da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD), que determina a realização à porta fechada de um jogo oficial no seu estádio.
Em causa, está a utilização de artefactos pirotécnicos por parte de adeptos em 5 jogos disputados na época 2022/23.
Ao longo de todo este processo, o Sport Lisboa e Benfica demonstrou, de forma reiterada e fundamentada, que, enquanto organizador dos eventos, adotou todas as medidas ao seu alcance para impedir a entrada e utilização de pirotecnia no recinto desportivo.
Fê-lo através de apertadas revistas nos acessos ao estádio, do reforço dos mecanismos de segurança e de sucessivos alertas dirigidos aos adeptos antes e durante os encontros.
O Clube esgotou igualmente todos os meios de recurso legalmente disponíveis, sustentando sempre que cumpriu integralmente os deveres que sobre si impendiam e que implementou todas as medidas razoavelmente exigíveis para prevenir este tipo de ocorrências.
Estes argumentos, porém, não mereceram acolhimento nem por parte da APCVD nem das instâncias para as quais foi possível recorrer.
Em consequência desta decisão, milhares de Sócios e adeptos vão ser privados de apoiarem a equipa, penalizando-se um Clube que tudo fez para prevenir os factos que estiveram na origem deste processo.
Interditar um estádio na sua totalidade é, para além de injusto na sua génese, uma medida manifestamente desproporcionada, que lesa o desporto, penaliza o Clube e prejudica dezenas de milhares de sócios e adeptos cumpridores, totalmente alheios aos comportamentos em causa.
Se o objetivo é sancionar e prevenir, então a resposta deve ser dirigida aos setores efetivamente identificados, através da sua interdição ou da redução da respetiva lotação, à semelhança do critério seguido pela UEFA.
O Sport Lisboa e Benfica manifesta ainda a sua profunda preocupação com o grave precedente que tal representa e que contrasta com a ausência de idênticas consequências em situações semelhantes verificadas noutros estádios, envolvendo outros clubes e outros adeptos que não os do Benfica.
A verdade é que, apesar de tudo o que temos assistido ao longo dos últimos anos, o Sport Lisboa e Benfica é o único alvo da aplicação de uma sanção desta natureza, o que muito estranhamos.
O Clube continuará a desenvolver todos os esforços para impedir a utilização de pirotecnia no seu estádio e para garantir as mais elevadas condições de segurança nos eventos que organiza."

Clubite...

Perseguição...

Pífio...

1 jogo à porta fechada e 150 mil euros de multa por mau comportamento de adeptos.

Interdição...

Oliveira: Kaminski...

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #58

BI: React - Zona Mística - Inês Fernandes

Zero: Mercado - Benfica prepara entrada em cena por João Palhinha

BF: Avançados...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Os desafios de Amorim no Milan

Observador: E o Campeão é... - Jesus ou Ronaldo: quem é que vai liderar a seleção?

Observador: Três Toques - Senadora, cocos e Messi: o Mundial fora das quatro linhas

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #21

Zero: Afunda - S06E52 - Decision 2.0: melhor cenário para Lebron

Zero: Saudade - S04E45 - Os melhores «quartos» dos Mundiais e sem Cristiano à mistura

Portugal Football Summit Podcast #6 | Mirwan Suwarso

Renascença: Jogo da Palavra - Calisto...

Explicações insuficientes


"Em audiência parlamentar, a ERC não foi capaz de sustentar satisfatoriamente as razões evocadas para o bloqueio à Benfica FM. Este é o tema em destaque na BNews.

1. ERC criticada
José Gandarez, vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica, salienta que "os deputados, de diferentes forças políticas, reconheceram que o Benfica tem razão", em sede da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, sobre a decisão da ERC relativa ao licenciamento da Benfica FM.

2. Transmissão televisiva anunciada
O Benfica-St. Gallen da 2.ª mão da 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa, agendada para 30 de julho no Estádio da Luz, será transmitido pela BTV, a SIC e a LiveModeTV.

3. Treinador apresentado
Anders Hallberg é o novo treinador da equipa masculina de andebol do Benfica.

4. Sorteios
O Benfica já conhece os adversários da Fase Principal da UEFA Futsal Champions League e das eliminatórias de acesso à fase de grupos da Basketball Champions League.

5. Protagonista
O futsalista Silvestre Ferreira é o entrevistado da semana.

6. Zona mística
Inês Fernandes fala, em entrevista, sobre os 20 anos de águia ao peito recheados de títulos no futsal.

7. Movimentações do defeso
A futebolista Diana Costa renovou o contrato com o Benfica. O voleibolista Francisco Pombeiro deixa de representar o clube.

8. Jornal O Benfica
Pode fazer download da edição desta semana no Site Oficial."

O Matuto e o Futebol de Rua


"O Matuto é um Benfiquista desactivado. Nada anima o Matuto a ver um jogo de futebol. Nem mesmo a obsessão histérico-patriótica pelo Mundial (Copa, no Brasil, por favor).

Na Casa das Pontes os dias seguem plácidos, num olímpico desapego das actividades futebolísticas. Os ipês começam a florir. Os tucanos grunhem no alto das árvores. As pombinhas trocam a penugem por penas respeitáveis. As azáleas vão roseando os arbustos. A piscina lembra um quadro de David Hockney — felizmente, sem as nádegas masculinas. E o Óscar, a lagartixa residente das Pontes, continua a carregar baterias ao sol, indiferente às tragédias da bola.
O Matuto acredita na ordem natural das coisas. Sem futebóis. Sem euforias ronaldescas. Sem patriotismos esféricos.
Nelson Rodrigues dizia que toda a unanimidade é burra. O Matuto nunca percebeu por que razão essa regra deixaria de valer durante noventa minutos e um campeonato do mundo.
Talvez por isso o Matuto tenha deixado de ligar ao futebol. O jogo que conheceu tinha terra nos joelhos, pedras nas balizas e regras que mudavam conforme a gritaria do momento. O futebol moderno parece-lhe uma mistura de bolsa de valores, espectáculo televisivo e religião civil, com mais comentadores do que jogadores.
Nem sempre foi assim. Houve um tempo em que o futebol parecia ao Matuto uma ocupação perfeitamente sensata. É dessa época que vem a pequena história que agora conta, para descanso do coração intoxicado de futebóis do estimado leitor.
Era o Matuto um jovem aventureiro. Corria a década de 70, no século vinte. Da equipa do Matuto faziam parte a fina flor da Aldeia de Paio Pires: o primo Daniel, o Paulinho da Padaria, o Saraiva, o Lino — o Esgrouviado — e o Manecas, suplente de luxo. Do outro lado estava o rival eterno, os Gatos - com fama de raivosos riquinhos meninos da mamã.
O jogo começava sempre com uma animada sessão de pancadaria. Só para aquecer os músculos. Aliás, o aquecimento é uma boa ideia antes dum jogo. A claque (torcedores, no Brasil, por favor) era um rendilhado de cabeças à janela e cotovelos nas varandas. As damas bebericavam Sumol enquanto os cavalheiros bebiam a sua Sagres Mini. O campo de jogo – de terra batida – ficava no fundo dum barranco no meio dos prédios.
O Matuto recorda um jogo suado, a exaustão sob o sol na areia quente e funda, os pontapés acrobáticos, as fintas enganadoras, os golos vitoriosos e a adrenalina a bombar nas veias cálidas. Doce era a companhia dos amigos.
Doce era o Paulinho da Padaria a aparecer ainda a cheirar a pão fresco. Doce era o Lino, que corria como um galgo esfomeado. Doce era a visão das meninas penduradas nas janelas. Doce era fingir que o seu encanto não importava. Doce era a tensão muscular de chutar e a alegria leve de correr. Doce era o gosto da vitória.
O último golo foi a partir dum canto (escanteio, no Brasil, por favor). O primo Daniel tocou curto, o Matuto fez o centro (levantamento, no Brasil, por favor) e o Paulinho da Padaria cabeceou para abanar as redes. Foi épico. Antológico. Lindo. Os Gatos ficaram assanhados. Nunca digeriam bem a derrota. Afectava-lhes o sistema nervoso e alguns princípios básicos da convivência civilizada. Matuto e companheiros fugiram daquele fosso do inferno a sete pés. O Matuto sentiu mais do que viu o sibilar duma faca a enterrar-se na areia. Foi um tal de dar à sola que só visto!
Doce foram esses anos. Como passam os anos. Ultimamente, têm passado tantos anos."

A outra liga do futebol: a batalha silenciosa contra a pirataria


"Só no primeiro semestre de 2024 foram comunicadas 5,3 milhões de transmissões piratas em direto, muitas das quais continuaram ativas mesmo após pedidos de remoção enviados às plataformas digitais.

Quantos jogos de futebol já viu sem pagar, sem pensar nas consequências? Quantos links de streaming ilegais já passaram pelo seu navegador e quantos milhões de adeptos fazem o mesmo em Portugal e na Europa? Existe hoje uma competição paralela ao futebol europeu, onde os campos são invisíveis, os troféus não existem e as regras são ditadas por tecnologia, tribunais e interesses económicos.
É a guerra silenciosa contra a pirataria das transmissões de futebol.
Nos últimos anos, assistir a jogos através de plataformas ilegais tornou-se quase banal. Sites de streaming, serviços IPTV clandestinos e aplicações que prometem acesso a todos os jogos por poucos euros multiplicaram-se. O problema é tão grande que já não se trata apenas de direitos televisivos. Tornou-se um desafio estrutural para toda a indústria do desporto.
Os números ajudam a perceber a dimensão do fenómeno. Só no primeiro semestre de 2024 foram comunicadas 5,3 milhões de transmissões piratas em direto, muitas das quais continuaram ativas mesmo após pedidos de remoção enviados às plataformas digitais. Ao mesmo tempo, relatórios europeus apontam que milhões de adeptos recorrem regularmente a transmissões ilegais, sobretudo via streaming, hoje o método mais utilizado de pirataria digital.
Portugal não escapa a esta realidade. Um estudo citado pela imprensa nacional revela que mais de um terço dos jovens portugueses admite assistir a eventos desportivos de forma ilegal, uma mudança cultural que desafia a forma como se consome futebol. Parte da explicação está nos custos e na fragmentação das transmissões. Diferentes competições estão distribuídas por várias plataformas, tornando o acesso legal mais caro e complicado.
Serviços IPTV ilegais, muitas vezes vendidos através de redes sociais, prometem acesso a dezenas de canais e competições por preços simbólicos e têm conquistado uma base crescente de utilizadores.
Para além da ilegalidade, estes serviços representam também riscos para os próprios utilizadores. Muitas plataformas IPTV clandestinas estão associadas a redes de fraude digital, roubo de dados pessoais ou distribuição de malware. O que parece ser apenas uma forma barata de ver futebol pode transformar-se num problema de segurança digital para milhares de adeptos.
Ao mesmo tempo, os relatórios europeus mostram que o consumo ilegal de desporto online se tornou transversal, refletindo não só a evolução tecnológica, mas também transformações profundas no comportamento dos adeptos.
Em Espanha, a LaLiga tem sido exemplar na ofensiva contra a pirataria. Os clubes espanhóis estimam que possam perder entre 600 e 700 milhões de euros por ano devido às transmissões ilegais. Para reduzir estas perdas, a liga lançou campanhas de sensibilização e reforçou sistemas de monitorização de streams ilegais.
Entre as medidas anunciadas destacam-se recompensas financeiras para denúncias de transmissões ilegais, incluindo pagamentos financeiros por cada denúncia confirmada. Em alguns casos, a estratégia abrange bares que exibem jogos sem licença.
A ofensiva estende-se também à justiça e à tecnologia. O CEO da Cloudflare chegou a ser citado em Espanha em processos relacionados com pirataria de futebol, mostrando que as ligas estão dispostas a pressionar intermediários digitais.
A tecnologia tornou-se uma das armas mais eficazes contra a pirataria. Em Itália, a Serie A utiliza sistemas de inteligência artificial que identificam transmissões ilegais em tempo real, permitindo bloqueá-las poucos minutos após surgirem online. Num desporto em que cada minuto conta, estes bloqueios podem reduzir drasticamente o número de visualizações ilegais.
A nível internacional, a UEFA lançou uma aliança global para combater transmissões ilegais, reunindo ligas, broadcasters e empresas tecnológicas numa estratégia coordenada. Apesar destes esforços, os resultados ainda são limitados. Estudos europeus indicam que a pirataria de eventos desportivos continua a crescer, mesmo após recomendações e novas medidas da Comissão Europeia.
O impacto económico da pirataria vai muito além do acesso gratuito aos jogos. Os direitos televisivos são hoje uma das principais fontes de receita do futebol profissional. Quando os conteúdos são pirateados, todos perdem: clubes, ligas, broadcasters e patrocinadores.
Segundo estimativas da indústria, os setores do media e do desporto perdem milhares de milhões de euros todos os anos devido à pirataria e contrafação, afetando diretamente a sustentabilidade do negócio. Em Espanha, um estudo citado pela Movistar revela que 43% dos adeptos admitem consumir futebol de forma ilegal, evidenciando a dimensão do desafio.
Em Portugal, o impacto económico também é significativo. Estimativas de associações do setor das telecomunicações e do audiovisual apontam para perdas anuais entre 200 e 250 milhões de euros para a economia portuguesa associadas à pirataria digital de conteúdos, incluindo transmissões desportivas, filmes e séries. Este valor reflete não só receitas perdidas para operadores e titulares de direitos, mas também impostos que deixam de entrar nos cofres do Estado.
O combate à pirataria transformou-se numa corrida constante entre criatividade e tecnologia. Sempre que um stream é fechado, outro surge. Sempre que um site é bloqueado, um novo domínio aparece. A guerra é invisível, mas as consequências sentem-se em cada bilhete vendido, em cada assinatura de canal e em cada patrocínio que hesita.
Em Portugal, a Liga Portugal, em estreita coordenação com as operadoras de telecomunicações, tem vindo a assumir um papel cada vez mais central nesta batalha. O combate à pirataria foi, aliás, um dos temas presentes nos programas eleitorais recentes para a liderança da Liga, refletindo a sua crescente relevância estratégica para o futuro do futebol profissional.
Nos últimos meses, têm sido intensificadas reuniões entre a Liga, autoridades competentes e parceiros do setor tecnológico e audiovisual, com o objetivo de alinhar respostas mais eficazes e coordenadas. Destas articulações, espera-se a implementação de novas medidas, tanto ao nível do bloqueio dinâmico de transmissões ilegais em tempo real como no reforço dos mecanismos legais e de fiscalização.
Ao mesmo tempo, a indústria terá também de refletir sobre o próprio modelo de distribuição do futebol. Pacotes mais simples, preços mais acessíveis e plataformas agregadoras podem ajudar a reduzir a fragmentação que hoje empurra muitos adeptos para soluções ilegais.
Mas esta não é uma decisão simples. O modelo atual, baseado em múltiplas subscrições e contratos de longa duração, permite maximizar a receita por utilizador. No entanto, ao elevar o custo total de acesso e aumentar a complexidade, reduz o número de consumidores dispostos a pagar, criando espaço para que a pirataria se torne uma alternativa atrativa.
Num contexto em que assistir ilegalmente a um jogo está à distância de um clique, a questão torna-se inevitável: será mais sustentável ter menos clientes a pagar muito ou muitos clientes a pagar pouco? Soluções como pay-per-view, passes flexíveis ou bundles que agreguem várias competições numa única plataforma poderão representar não apenas uma resposta comercial, mas uma ferramenta eficaz no combate à pirataria.
Mas não basta tecnologia, leis ou parcerias. O fenómeno está profundamente enraizado nos hábitos dos adeptos e na forma como o futebol é distribuído. Poder de compra reduzido, perceção de preços elevados, múltiplas plataformas e fragmentação de conteúdos empurram uma parte significativa do público para a alternativa ilegal.
No fundo, esta é uma das grandes contradições do desporto moderno. Nunca houve tanto dinheiro a circular no futebol, mas nunca foi tão simples assistir a um jogo sem pagar.
A luta contra a pirataria joga-se todos os dias, em milhares de ecrãs espalhados pelo mundo. E o resultado dessa partida poderá definir não apenas o futuro das transmissões televisivas, mas também a sustentabilidade económica do próprio futebol."

Sucesso Digital, Proteção da Propriedade Intelectual e Integridade no Desporto


"Há uma semana, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que tinha encerrado cerca de 400 sites que estavam a transmitir conteúdos pirateados do Mundial, no âmbito da sua campanha “Operation Offsides”. Eventos como o Campeonato do Mundo de Futebol são alvos privilegiados para criminosos que roubam conteúdos de streaming populares. Não existem números públicos fiáveis que indiquem quanto custa a pirataria à FIFA, mas a exposição situa-se, sem dúvida, na ordem dos milhares de milhões de dólares.
Os adeptos de futebol em Portugal estarão familiarizados com a LiveModeTV, um canal de YouTube lançado por uma empresa brasileira de direitos de media desportivos. Os adeptos portugueses podem assistir gratuitamente a transmissões em direto e resumos do Mundial 2026, incluindo todos os jogos da Seleção Nacional portuguesa.
É mais uma prova de que o streaming desportivo através da web e de plataformas móveis como o YouTube continua a transformar o modelo tradicional de transmissão desportiva. As transmissões televisivas não se tornarão irrelevantes, mas têm agora um concorrente sério, à medida que as audiências mais jovens procuram formas mais flexíveis de consumir conteúdos sobre os seus desportos favoritos.
Ao criar uma indústria que oferece enormes oportunidades para as marcas desportivas aumentarem a sua audiência e gerarem receita, o streaming criou também um mercado negro suficientemente grande para atrair uma magnitude semelhante de espectadores em grandes eventos desportivos como o Mundial de Futebol. Por isso, a uma grande oportunidade corresponde uma grande responsabilidade.
O streaming deve ser uma parte fundamental das ambições de crescimento digital de uma marca desportiva. Embora as subscrições sejam normalmente a principal fonte de receita de uma plataforma OTT, um modelo freemium tem os seus benefícios quando a receita é gerada através de publicidade e patrocínio (canais FAST). Monetizar as marcas, não os adeptos.
É uma estratégia concebida para atrair audiências mais jovens, e as marcas desportivas podem recorrer a influenciadores e criadores de conteúdos para complementar tanto a ação em direto como os resumos. Conteúdos atrativos e acessíveis constroem grandes audiências, e grandes audiências geram receita.
O YouTube é frequentemente o ponto de partida, seja diretamente, seja através da venda de direitos a um parceiro. Ambas as opções têm benefícios. Constroem uma audiência digital, proporcionam boa visibilidade e alcance, e geram receita, mas uma marca desportiva que usa o YouTube não tem controlo sobre quem acede a esse conteúdo.
Além disso, uma marca desportiva perde a sua relação direta com os adeptos, como aconteceu com a FIFA neste caso em Portugal. Para ligas e federações desportivas mais pequenas, construir uma ligação profunda com os seus adeptos é absolutamente crítico para o sucesso. As plataformas de terceiros também resultam na perda de controlo, por parte da marca desportiva, sobre a geração de receita, os dados dos consumidores, a experiência dos adeptos com o seu desporto, a representação criativa da sua marca, a originalidade, e um maior controlo e proteção da sua propriedade intelectual.
Este último ponto é muitas vezes subestimado, mas a sua importância não pode ser exagerada. O streaming ilegal está a tornar-se normalizado no mundo do desporto, e o dano económico é enorme. Estimou-se que a pirataria de vídeo custou à indústria do desporto 34 mil milhões de dólares em 2025, enquanto se estima que o streaming desportivo ilegal alimente em 150 mil milhões de dólares o mercado de jogo ilegal. Mais surpreendente ainda é o facto de a aplicação da lei ser, em grande medida, ineficaz. 81% de todos os streams ilegais permanecem ativos durante os eventos desportivos. É um perigo real para a sustentabilidade financeira do desporto, e um ecossistema desportivo financeiramente fragilizado é mais suscetível a violações de integridade.
Então, como podem as marcas desportivas portuguesas equilibrar a oportunidade com a responsabilidade? Portugal surge consistentemente entre os países com as mais elevadas taxas de pirataria da Europa Ocidental. Entre 30% e 50% dos espectadores acedem a streams ilegais quando assistem a jogos de futebol português. A I Liga e os seus broadcasters são os principais prejudicados. As estimativas sugerem que a pirataria de vídeo poderá estar a corroer mais de 70% do potencial valor mediático da Primeira Liga, e estima-se que o impacto financeiro da pirataria de vídeo em todos os desportos em Portugal custe 150 milhões de euros.
Porque devem os adeptos importar-se? Há três considerações principais.
Em primeiro lugar, uma proporção significativa da receita de uma liga desportiva provém da venda de direitos exclusivos de transmissão e streaming. Se existirem streams pirateados disponíveis, o valor desses direitos acaba por diminuir, e valores de direitos mais baixos resultam em menos investimento no desporto. Recursos, instalações, desenvolvimento, inovação, talento e, em última análise, progressão são todos afetados.
Em segundo lugar, se as receitas provenientes dos direitos caírem, as ligas mais ricas e os clubes maiores sobrevivem. São as organizações desportivas mais pequenas que se tornam especialmente vulneráveis e têm dificuldade em manter-se viáveis. Isto aumenta a desigualdade entre equipas e competições e alarga o fosso económico no desporto.
Em terceiro lugar, quando os adeptos se habituam a um ecossistema ilícito, a pirataria torna-se normalizada. Os adeptos desvalorizam as regras e os enquadramentos de licenciamento que são essenciais para a base económica do desporto. Esta mudança cultural corrói a integridade do ecossistema desportivo e torna mais difícil a sustentabilidade a longo prazo.
As marcas desportivas podem colher os benefícios financeiros do streaming, protegendo simultaneamente os seus direitos de propriedade intelectual e a integridade do jogo, através do lançamento da sua própria plataforma OTT. O YouTube é um ótimo ponto de partida, mas deve ser encarado como uma porta de entrada para um sucesso maior. Deve apenas complementar a plataforma OTT própria de uma marca desportiva, não substituí-la. Uma marca desportiva que implemente o seu próprio serviço OTT seguro tem um controlo muito maior sobre quem acede ao seu manifesto e sobre os múltiplos benefícios que pode oferecer:
• Maior proteção da propriedade intelectual e da integridade no desporto
• Controlo total da geração de receita
• Maior valor dos direitos e para investidores
• Forte ligação direta com os adeptos
• Dados e conhecimento sobre os consumidores para ajudar uma marca a compreender e monetizar melhor os seus adeptos
A StreamAMG trabalha, por isso, enquanto parceira e membro da SIGA, para proporcionar às marcas desportivas grandes oportunidades através de plataformas de streaming, mas também maior controlo sobre a sustentabilidade financeira, a justiça e a integridade cultural do desporto. A pirataria continua a ser um dos maiores riscos para a integridade do desporto e um desafio central para a economia dos media desportivos. Não é uma questão marginal e só irá aumentar com a procura, por parte dos consumidores, de conteúdos online gratuitos ou baratos. Estamos aqui para minimizar esse impacto e maximizar a oportunidade."