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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - FC Porto, Sporting e Benfica arrumam a casa

Observador: E o Campeão é... - Porto parte em vantagem ao segurar o onze campeão?

Observador: Três Toques - Sabalenka e o conjunto "ousado" que deu que falar

Zero: Fantasy - Jornada 5 é jornada de Heróis

DAZN: F1 - Antevisão ao Grande Prémio de Itália

Portugal de ouro


"Regresso a este espaço depois das férias com um artigo que terá menos reflexão e teorização do que outros que aqui tenho apresentado. Esta semana, quero sobretudo celebrar. Não poderia voltar à escrita sem realçar os resultados de Portugal nos Jogos do Mediterrâneo: no momento em que escrevo, são 30 medalhas, distribuídas por pelo menos 11 modalidades, sendo 14 de ouro. E ainda falta cerca de um dia e meio de competição.
A estas conquistas juntam-se as quatro medalhas portuguesas no Mundial de canoagem, em Poznan, com destaque para os dois ouros de Fernando Pimenta, em K1 1000 e K1 5000 metros. Aos 37 anos, Pimenta é um exemplo de sucesso pelos resultados e pela capacidade de continuar a vencer. Uma longevidade competitiva ao alcance de poucos, que daria um artigo por si só. Mas haverá, certamente, outras oportunidades para essa reflexão.
Hoje, os parabéns são para todos. Para os atletas, treinadores, instituições e famílias que tornam estas conquistas possíveis. Estes resultados são uma demonstração clara do potencial de Portugal no desporto. Merecem mais reconhecimento, visibilidade e orgulho do que aquilo que temos visto. Bem sei que poderemos antecipar o que se dirá. «Não são os Jogos Olímpicos», «não são Mundiais», «faltam lá alguns países», «não estavam os melhores atletas de outras nacionalidades», entre outras. Haverá sempre uma comparação para fazer, uma razão para diminuir. Como se o sucesso português precisasse de passar por uma prova adicional para merecer o nosso aplauso. Esta reação faz pensar numa espécie de autodescredibilização coletiva. O viés de confirmação, estudado na psicologia, ajuda a compreender uma possibilidade: tendemos a interpretar a informação de modo a preservar aquilo em que já acreditamos. Se partirmos da ideia de que Portugal tem pouco valor desportivo, talvez seja mais fácil desvalorizar a conquista do que rever essa convicção.
Claro que as competições têm níveis de exigência diferentes. Contextualizar os resultados é legítimo e necessário. Mas, nenhuma medalha deve ser descredibilizada. Muito menos trinta. E ainda espero que venham mais.
Estes resultados também nos devem fazer pensar no que poderia acontecer se o desporto tivesse o espaço que merece na sociedade e na agenda política. Se o reconhecimento se traduzisse em condições para treinar, recuperar, estudar e competir. Se o apoio chegasse a tempo de desenvolver o talento, acompanhando o percurso até ao pódio.
Portugal está a mostrar o que consegue fazer. Mas, e se déssemos ao desporto o seu real valor? E se os nossos atletas tivessem acesso às oportunidades e aos recursos de que dispõem os seus adversários nos países que mais investem no seu desenvolvimento? Do que seríamos capazes?"

Obrigado Diana Silva, obrigado menino Salvador


"A Diana vai ser mãe; o Salvador sofre de doença rara e é obrigado a ser herói antes de ser criança. E nós somos guiados à memória das prioridades.

Costumo dizer, na brincadeira, que, se Deus tivesse atribuído ao homem a responsabilidade da gravidez, a humanidade há muito se teria desaparecido. Por falta de resistência à dor mas também por falta de capacidade para definir prioridades. Um homem consegue transformar uma gota de sangue numa hemorragia fatal ou anunciar a própria morte perante uma simples dor de cabeça. Por outro lado, há uma tese defendida por vários psicólogos segundo a qual, sendo os homens e mulheres mais parecidos do que se pensaria, há algo que os separa: os homens tendem a preferir coisas e as mulheres tendem a gostar mais de pessoas. Nota-se desde a infância, na forma como brincam, e, mais tarde, nas escolhas que fazem: mais homens em engenharia, mais mulheres em enfermagem, por exemplo. Uma tese geral que comporta naturalmente todas as exceções e variantes possíveis.
Foi impossível não ficar de olhos lacrimejantes ao ver a forma bonita, humana, corajosa e feliz com que Diana Silva, 31 anos, internacional portuguesa e jogadora do Benfica, comunicou às companheiras que está grávida. Impossível não me emocionar com as lágrimas delas. Impossível não aplaudir as palavras do treinador Ivan Batista, desejando que decisões como esta deixem de ser vistas como atos de coragem. Durante alguns minutos, aquela equipa não pensou na Supertaça com o FC Porto, na luta por um lugar no onze ou na profissão. Emocionou-se com uma vida que chega. E há momentos em que as pessoas se revelam precisamente assim: na beleza das prioridades que escolhem.
Neste dia 3 de setembro, data que evoca a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, tratado internacional aprovado pela ONU em 1979, Diana tem a justa promessa de que o Benfica estará à altura das suas responsabilidades. Diria até: da sua humanidade. Desejando eu que um dia a Convenção seja apenas uma peça de museu, sem qualquer necessidade de uso.
Por falar em prioridades, é impossível não soltar uma lágrima ao ver Salvador, um menino de seis anos, entrar no relvado da Luz para o jogo com o Estoril, de mão dada com Rafa. Sofre de epidermólise bolhosa distrófica, uma doença rara que torna a pele extremamente frágil. Confesso que quando li sobre a doença até disse uma asneira. Protesto. É tão injusto exigir a Salvador que seja herói antes de ter tido tempo de ser apenas criança. Que tenha de conhecer a dor antes de aprender a brincar. Que aprenda primeiro a injustiça da falta de apoios, de comparticipação ou de um medicamento que já estará disponível noutros países. Ainda assim, enquanto o Salvador e os seus pais continuarem a emocionar-nos e a inspirar-nos, há esperança de que sejamos, afinal, muito melhores do que tantas vezes julgamos ser.
Como escreveu Viktor Frankl, neuropsiquiatra austríaco e a autor do livro Em Busca de Sentido, «quando já não somos capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar-nos a nós próprios». Talvez também seja esse o desafio que histórias como estas nos colocam: um repto para uma mudança interior antes de querermos mudar o mundo. O que, bem vistas as coisas, é missão bem mais espinhosa.
Há sempre uma Diana. Há sempre um Salvador. Pessoas que, sem o saberem, nos devolvem o essencial: a memória das prioridades. Assim saibamos agir a tempo."

O direito à maternidade no desporto


"Quando Diana Silva deu nota ao Benfica de que iria ser mãe, o clube prontamente apoiou a atleta. Felizmente não precisou de litigar, como já aconteceu com futebolistas lá fora: mas caso a portuguessa tivesse que o fazer não faltariam fontes normativas na legislação portuguesa para invocar

Maja Göthberg e Diana Silva são ambas futebolistas profissionais. Mas têm algo mais em comum: as duas, no curso da sua carreira, engravidaram. Só que há uma diferença gritante de percurso: quando Maja informou o Lazio Women da gravidez, o clube recuou nas negociações para renovar o contrato; quando Diana Silva deu nota ao Benfica de que iria ser mãe, o clube prontamente apoiou a atleta, que conta já com 31 anos e tem contrato até 2028.
Maja não se conformou e litigou, primeiro na FIFA e depois no CAS/TAS – o Tribunal Arbitral do Desporto, de Lausanne. O acórdão é bem recente – data de 26 de Maio de 2026 - e foi a primeira vez que o CAS/TAS decidiu que um clube rescindiu unilateralmente o contrato de trabalho desportivo com uma futebolista fruto da gravidez desta. Eis um marco na justiça desportiva internacional, na área da maternidade, depois do ‘Caso Sara Björk Gunnarsóttir’, na FIFA, em 2022, relativo a pagamento de salários durante a gravidez e clarificador quanto ao “dever de cuidado” do clube, e inerente responsabilidade de oferecer um emprego alternativo à jogadora grávida.
Felizmente Diana Silva não precisou de litigar, porque o clube da Luz ofereceu o “apoio necessário desde o início”: “Foi uma notícia inesperada para o clube, mas estou muito feliz pela forma como a estrutura encarou o desafio. (…) Mostra uma evolução no [desporto] feminino em Portugal. Que realmente estamos a ter mais condições de ter a nossa carreira de uma forma normal durante todas as fases da nossa vida.” (jornal ‘Record’, 28.08.2026, p. 23).
O Painel de Árbitros do CAS/TAS foi irrepreensível. Teve em conta o “desequilíbrio entre a crescente vulnerabilidade (física e psíquica) de uma jogadora grávida e os interesses económicos do clube”. Não se deixou levar pelo testemunho do diretor-desportivo do Lazio Women no processo, em concreto a declaração de que o agente da jogadora havia confessado que a gravidez é uma condição “incompatível com o desporto competitivo”, impossibilitando-a se “viajar”, “treinar e jogar”.
E apesar de o clube até ter alegado nem sequer haver um novo contrato assinado, o CAS/TAS encontrou um nexo causal entre o termo do contrato inicial/a não renovação e a gravidez entretanto anunciada. E condenou o clube ao pagamento de uma indemnização. O direito aplicável foi o ‘Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores da FIFA”, que, respetivamente, em 2021 e 2024, introduziu e reforçou medidas de proteção da maternidade das futebolistas, entre outras a determinação de 14 meses como o período de baixa por maternidade; o direito da atleta determinar de forma independente a data de início da baixa e de retomar a atividade após a baixa; o direito da atleta cobrar 2/3 do seu salário durante a baixa; o ónus do clube afastar a presunção de que o despedimento teve por base a gravidez.
Tivesse Diana Silva de litigar, e não faltariam fontes normativas na legislação Portuguesa para invocar. Ainda que a ‘Lei do Contrato de Trabalho Desportivo’ seja omissa na matéria, nem haja também essa normação específica em sede de um Contrato Coletivo de Trabalho, a Constituição e o Código do Trabalho são fontes de proteção das jogadoras trabalhadoras que engravidam e, em particular, se deparam com uma rescisão unilateral fruto da gravidez sem justa causa, ao arrepio, desde logo, da dignidade da pessoa humana, da igualdade real entre homens e mulheres, e da segurança no emprego.
Acresce a vigência do ‘Regulamento do Estatuto, Categoria, Inscrição e Transferência de Jogadores’ emanado da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que, em linha com o da FIFA, é bastante completo, cobrindo matérias como “Resolução do contrato de trabalho desportivo sem justa causa” quando a razão é a gravidez e a consequente “Compensação”; “Direitos da jogadora grávida”, designadamente continuar a prestar serviços ao clube, alternativos ou não, consoante a possibilidade; o “Período de amamentação”, a “Saúde menstrual”; a “Remuneração durante a (…) maternidade (…)”; o clube registar a qualquer momento a jogadora que substitui temporariamente quem engravidou. E note-se que a FPF procura “seguir as melhores práticas internacionais no caso de [a jogadora] representar a seleção” (Sofia Teles, diretora do Futebol Feminino da FPF, ‘A Bola’, 02.09.2026, p. 17).
Mas ainda há estrada para andar, sendo importante reter as palavras de Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (‘Record’, 30.08.2026, p.14): “Num sistema perfeito, além de regular adequadamente este regime, para não deixar ao livre-arbítrio do empregador as tomadas de decisão mais importantes, seria preciso garantir proteção social adequada para os casos em que a atleta decida, em consequência, não retomar a sua carreira, além de apoiar devidamente as atletas que recorrem a tratamentos de fertilidade ou enfrentam uma gravidez de risco, áreas ainda mais complexas do ponto de vista regulatório.”
Por ora vamos celebrar as grandes vitórias fora das quatro linhas, com ou sem litigância. E que muitos exemplos destes se multipliquem, nas diferentes modalidades desportivas. Por um efetivo direito à maternidade no desporto!"

A liquidez que falta ao desporto – e o escrutínio que falta ao seu dinheiro


"O desporto profissional vive uma contradição incómoda: movimenta somas cada vez mais elevadas, mas assenta em receitas estruturalmente instáveis. Direitos de televisão renegociados a cada ciclo, patrocínios que dependem de resultados desportivos, bilheteira sujeita à época e ao calendário, transferências cujo valor oscila com o mercado – nada disto garante a um clube ou a uma federação aquilo de que qualquer organização precisa para sobreviver: liquidez previsível. E é precisamente aí, na gestão do fluxo de caixa entre um ciclo de receitas e o seguinte, que reside o problema mais sério de governação que o setor ainda recusa enfrentar.

Onde a falta de caixa abre a porta ao crime
Quando a liquidez escasseia, as organizações desportivas recorrem a financiamento externo – e nem sempre perguntam de onde vem. Estruturas de investimento opacas, empréstimos de intermediários pouco identificados, comissões de agentes desproporcionadas, patrocínios sem substância comercial: são todos mecanismos que resolvem um problema de tesouraria a curto prazo e criam, em troca, uma porta aberta ao branqueamento de capitais. Não é uma suspeita abstrata. A Europol e o FATF têm identificado repetidamente o desporto, e o futebol em particular, como setor de risco elevado para fluxos financeiros ilícitos, precisamente pela sua dimensão, volume transfronteiriço e opacidade de propriedade.
A União Europeia já tirou consequências disso. O pacote de branqueamento de capitais de 2024 – o Regulamento (UE) 2024/1624, a Diretiva 2024/1640 e o regulamento que cria a Autoridade Europeia AMLA – vai integrar clubes de futebol e agentes desportivos como “entidades obrigadas” a partir de 2029, com deveres de avaliação de risco sobre transferências, comissões de agentes, patrocínios e estruturas de investidores. É um reconhecimento tardio, mas inequívoco, de que o desporto deixou de poder gerir o seu dinheiro sem supervisão externa qualificada.

O exemplo inglês: regular antes, não remediar depois
Nenhum país foi tão longe como o Reino Unido. O Football Governance Act de 2025 criou o Independent Football Regulator (IFR), com poderes de licenciamento, testes rigorosos de idoneidade a proprietários e administradores, exigência de planos financeiros detalhados e poderes de investigação equiparáveis aos de reguladores financeiros como a FCA. O IFR não gere futebol; escrutina quem o financia e como. É essa a distinção que falta na generalidade da Europa continental: a diferença entre um organismo desportivo que se autorregula e um regulador independente, com poderes reais, que responde perante o Estado e não perante os regulados.
A dependência de receitas voláteis não é um detalhe de gestão – é o motor que empurra clubes e federações para financiamento obscuro. É um risco tanto maior quanto mais dependente de financiamento público for uma federação, e mais frágil for o seu modelo de governança, sustentado, na maioria dos casos, por dirigentes benévolos sem os mecanismos de gestão de risco que a escala do problema exige. E financiamento obscuro, sem escrutínio independente, é criminalidade por outro nome. A resposta não é mais um código de conduta voluntário. É um regulador qualificado, com poderes de investigação, autoridade sobre a idoneidade de quem financia o desporto e independência real face aos organismos que supervisiona. Sem isso, continuaremos a discutir sustentabilidade financeira depois de os danos estarem feitos."

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Lixívia - 4 ----- (26/27) - (-3 jogos)


Tabela Anti-Lixívia
Sporting...... 10 (-2) = 12
Corruptos.....12 (0) = 12
Benfica. 7 (0) = 7 (-1 jogo)
Braga....4 (0) = 4 (-2 jogo)

Mais uma jornada onde o selo da arbitragem marcou as dinâmicas dos resultados!

Na Sexta, em Vila do Conde, além da forma suicida como o Rio Ave encarou o jogo, e rapidamente ficou a perder por 0-4, pouco aconteceu...
Existiu um lance em cada área passível de discussão, mas nada foi marcado, bem...
Mas curiosamente o lance na área dos Lagartos, nem sequer foi eleito para Caso por parte dos mérdia!!! O Zalazar sem tentar jogar a bola, mete os braços no corpo do adversário quando este estava a armar o remate... para mim, não é suficiente para falta, mas curiosa a forma como a jogada foi 'apagada'!!!
Na outra área, houve uma Mão não intencional, portanto não foi falta!

No Sábado em Viseu, no primeiro golo dos Corruptos, que desbloqueou a partida, foi obtido após falta ofensiva! Clara... ao contrário do que os expert's tentaram afirmar!!!
Mais uma partida em um único Amarelo para os Corruptos, isto após várias entradas a matar... jogam com total impunidade, pois sabem que nada lhe vai acontecer...

Finalmente na Segunda, dois jogos em simultâneo:
- Não vi o jogo de Braga, mas ninguém se queixou, nem os Vitós, portanto aceito nada ter acontecido de substancial...
- Na Luz, mais uma vergonhosa arbitragem deste Lagarto nojento!
O penalty sobre o Barreiro é descarado, o facto do Tiago Martins continuar a ser nomeado como VAR para os jogos do Benfica, é a prova provada, que existe uma intenção clara de prejudicar o Benfica! Não marcar penalty neste lance, nunca poderá ser incompetência, tem que ser mesmo vontade em ser Ladrão!
Mas o resto do jogo, foi um autêntico festival de anti-Benfiquismo primário!!!
Faltas contra o Benfica, sem qualquer contacto... várias!
Faltas constantes dos canarinhos, principalmente agarrões cínicos, com e sem bola! Cartões nada! Só perto no final, quando o Bah é varrido quando ficaria isolado, se lembrou que tinha Amarelos!!!

O curriculo desta besta com o Benfica é um absurdo, o ano passado foi uma ladroagem constante, e também continua a ser nomeado!!!

Das 40 faltas assinaladas contra o Benfica nestas 3 jornadas, em mais de metade, as faltas não existiram!!! É muito complicado jogar assim...

Anexos (I):
Benfica
1.ª-Académico(c), E(2-2), D.R. Silva(Mota, P. Miranda), Nada a assinalar
2.ª-Casa Pia(f), V(0-7), Pinheiro(Rui Costa, T. Leandro), Prejudicados, (0-9), Sem influência
(Adiado)
4.ª-Estoril(c), V(2-1), H. Carvalho(Martins, Cidade), Prejudicados, (3-1), Sem influência

Sporting
1.ª-Estrela(f), E(2-2), J. Gonçalves(Martins, Cátia T.), Prejudicados, (2-3), (-2 pontos)
2.ª-Guimarães(c), V(3-2), D. R. Silva(M. Oliveira, I. Pereira), Nada a assinalar
3.ª-Alverca(c), V(3-1), Veríssimo(Malheiro Pinto, A. Campos), Beneficiados, Impossível contabilizar
4.ª-Rio Ave(f), V(0-4), B. Costa(Rui Soares, M. Azevedo), Nada a assinalar 

Corruptos
1.ª-Alverca(c), V(2-0), Godinho(Esteves, Catarina C.), Nada a assinalar
2.ª-Rio Ave(f), V(0-2), Fonseca(Cláudia R., A. Campos), Beneficiados, (1-2), Impossível contabilizar
3.ª-Arouca(c), V(2-0), Pinheiro(Mota, Bessa Silva), Beneficiados, Impossível contabilizar
4.ª-Académico(f), V(0-2), Nogueira(P. Ferreira, Eiras), Beneficiados, (0-1), Impossível contabilizar

Braga
1.ª-Moreirense(f), E(2-2), Bessa(Vasilica, P. Eiras), Nada a assinalar
(Adiado)
(Adiado)
4.ª-Guimaráes(c), V(1-0), Narciso(Rui Costa, T. Leandro), Nada a assinalar

Anexos(II)
Penalty's (Favor/Contra):
Benfica
0/0

Sporting
0/0

Corruptos
2/0

Braga
0/0

Anexos(III):
Cartões:
A) Expulsões (Favor/Contra)
Minutos (Favor-Contra = Superioridade/Inferioridade)
Castigados (Favor - Contra):
Benfica
1/0
Minutos:
1 - 0 = +1

Castigados:
0 - 0

Sporting
0/0
Minutos:
0 - 0 = 0

Castigados:
2 - 1

Corruptos
0/0
Minutos:
0 - 0 = 0

Castigados:
0

Braga
0/0
Minutos:
0 - 0 = 0

Castigados:
0-0

B) Amarelos / Faltas assinaladas
Contra (antes dos 60m) / Faltas contra - Faltas a favor / Adversários (antes dos 60m)
Média Faltas/Amarelos - Favor/Contra
Benfica
2(2) / 40 - 36 / 7(2)
Média: 20 / 5,1

Sporting
8(4) / 53 - 59 / 10(5)
Média: 6,62 / 5,9

Corruptos
1(0) / 59 - 32 / 4(3)
Média: 59 / 8

Braga
4(2) / 32 - 34 / 7(3)
Média: 8 / 4,85

Anexos (IV):
Com influência (árbitros ou Var's):
Benfica


Sporting
J. Gonçalves - -2
Martins - -2

Corruptos


Braga


Anexos(V):
Árbitros - Total - (Casa/Fora):
Benfica
D. R. Silva - 1 (1/0)
Pinheiro - 1 (0/1)
H. Carvalho - 1 (1/0)

Sporting
J. Gonçalves - 1 (0/1)
D. R. Silva - 1 (1/0)
Veríssimo - 1 (1/0)
B. Costa - 1 (0/1)

Corruptos
Godinho - 1 (1/0)
Fonseca - 1 (0/1)
Pinheiro - 1 (1/0)
Nogueira - 1 (0/1)

Braga
Bessa - 1 (0/1)
Narciso - 1 (1/0)

Anexos(VI):
VAR's - Totais - (Casa/Fora):
Benfica
Mota - 1 (1/0)
Rui Costa - 1 (0/1)
Martins - 1 (1/0)

Sporting
Martins - 1 (0/1)
M. Oliveira - 1 (1/0)
Malheiro Pinto - 1 (1/0)
Rui Soares - 1 (0/1)

Corruptos
Esteves - 1 (1/0)
Cláudia R. - 1 (0/1)
Mota - 1 (1/0)
P. Ferreira - 1 (0/1)

Braga
Vasilica - 1 (0/1)
Rui Costa - 1 (1/0)

Anexos(VII):
AVAR's:
Benfica
P. Miranda - 1
T. Leandro - 1
Cidade - 1

Sporting
Cátia T. - 1
I. Pereira - 1
A. Campos - 1
M. Azevedo - 1

Corruptos
Catarina C. - 1
A. Campos - 1
Bessa Silva - 1
Eiras - 1

Braga
Eiras - 1
T. Leandro - 1

Anexos(VIII):
Jogos Fora de Casa (árbitros + VAR's)
Benfica
Pinheiro - 1
Rui Costa - 1

Sporting
J. Gonçalves - 1
Martins - 1
B. Costa - 1
Rui Soares - 1

Corruptos
Fonseca - 1
Cláudia R. - 1
Nogueira - 1
P. Ferreira - 1

Braga
Bessa - 1
Vasilica - 1


Anexos(iX):
Jornadas anteriores:
Jornada 2 (-1 jogo)
Jornada 3 (-3 jogos)

Anexos(X):
Épocas anteriores:

Echeverri


A 'surpresa' dos últimos dias do Mercado, acabou por ser o jovem Argentino! Uma pérola muito jovem dos tempos do River, que o Benfica na altura mostrou estar 'atento', mas rapidamente ficou fora da corrida, com o interesse do Manchester City!!! E aqui talvez tenha sido mesmo o problema... quando estes jovens sul-americanos dão o salto directamente para as 'grandes Ligas', principalmente para os Clubes 'grandes' que lutam realisticamente pelos títulos máximos, a adaptação às vezes corre mal! Putos jovens, mas onde o seu estilo de jogo, envolve o físico, até é mais fácil adaptarem-se, agora este tipo de jogadores franzinos habilidosos, é mais complicado...

O talento é indesmentível, mas colocar em prática, a favor da sua equipa, vai ser o desafio do Marco Silva e do Echeverri! E a Luz vai ter que ter paciência!


Vem emprestado, com cláusula acessível de compra, caso as coisas corram bem! Pessoalmente, fico com pena do Gonçalo Moreira, que vai ter que disputar este lugar de opção ao Sudakov, com mais um jogador!!!

Tenho sido um crítico em relação às exibições do Sudakov, para mim tem sido claramente o elo mais fraco do nosso jogo ofensivo! Mas para alguém o substituir vai ter que apreender a 'defender' ou pelo menos a ocupar os espaços como o Sudakov tem feito! Neste momento, a única explicação para esta insistência do Marco no Ucraniano é mesmo a forma como tem equilibrado razoavelmente o meio-campo na pressão! Com o espírito tradicional argentino espero que o Echeverri compreenda rapidamente as suas responsabilidades em campo...

Derrota...

Benfica 1 - 2 Académico
Dinis


Continuamos a jogar pouco e a não ganhar. Hoje, com muitos reforços que têm estado na B, e com alguns recentes contratados, o resultado final foi o 'mesmo'!!!

20 Anos Benfica Campus | Episódio 1

Day One | El Karouani

BI: Mercado...

BI: El Karouani

Pedro Gonçalves, Ríos e o incompreensível


"Um dos melhores jogadores do século do Sporting foi empurrado para sair pela porta pequena; um dos mais caros da história do Benfica ruma à Arábia para empurrar o problema com a barriga

Os mercados de transferências guardam sempre surpresas e destinos improváveis e Pedro Gonçalves e Richard Ríos foram os protagonistas de ontem, último dia da janela de mercado em vários dos principais campeonatos.
No caso do primeiro, finalmente resolveu-se um caso bicudo. Para quem está de fora, é difícil compreender o porquê de o Sporting ter colocado na prateleira um dos melhores jogadores que teve no século 21. A humilhante derrota na final da Taça frente ao Torreense fez estremecer Alvalade e Pote foi um dos riscados na revolução que Varandas e Rui Borges deram ao plantel. Mas o passado não se apaga e Pote, tantas vezes incompreensivelmente esquecido na Seleção, foi um dos obreiros do novo Sporting pós-Alcochete. Neste século ninguém assistiu tantas vezes (58) e só Liedson marcou mais do que ele (97), números que ganham ainda maior peso se tivermos em conta que nem sequer é avançado, antes um faz tudo no ataque e que até podia ser 8.
Na reflexão após o fatídico domingo no Jamor, Pote admitiu que, a partir de março, tinha jogado com o «travão de mão» a pensar no Mundial e a honestidade, tão rara nos futebolistas, terá caído mal. Se Suárez se comportou como comportou e teve defesa intransigente do clube, Pedro foi encostado e colocado no camarote à espera que se abrisse qualquer via na Arábia Saudita. Essa não se abriu e uma Fiorentina sem brilho foi a salvação para um processo feio e demorado.
Há cerca de um ano, no memorando da campanha para as eleições, Rui Costa catalogava o mercado de 2025/26 como um que «todos reconhecem ser dos melhores de que há memória». Por Ríos a águia pagou 27 milhões de euros para agora o emprestar, sem cláusula de compra (!), para o Al Ittihad. A época do colombiano não foi brilhante, mas, ainda assim, deu-lhe os melhores números da carreira (8 golos/6 assistências). É difícil prever que, daqui a um ano, a jogar num campeonato periférico e pouco competitivo, o problema não esteja de volta à Luz.
Rapidamente se percebeu que Ríos não era imprescindível para Marco Silva, mas a saída do médio poderá, se não for ainda colmatada até fecho do mercado, resultar num problema de profundidade. Mais lá para a frente, para o duplo pivô de meio-campo o Benfica tem Palhinha, Manu, Enzo, Aursnes e Leandro Barreiro. Parece curto para uma equipa que quer ser campeã em Portugal e tem legítimas ambições na Liga Europa."

Com público, arte e suor


"Depois de um apuramento convincente para a fase regular da Liga Europa, parciais de 6-2, 7-2 e 6-1 nas pré-eliminatórias, e de um sorteio que só não foi "amigo" na ordem dos jogos ao exigir uma deslocação a Milão a dias da visita ao Dragão, no regresso à Liga, com público (mais de 63 000 pessoas nas bancadas a uma segunda-feira só sublinha o quão idiota foi aquela decisão que se mantém como "filha única"), o Benfica encontrou um Estoril com um treinador que, ao contrário de alguns colegas que jogaram com os nossos rivais neste fim de semana, foi o suficientemente realista para não se deixar ir nas cantigas de não trocar a ideia pela estratégia e, com um "ferrolho" bem montado nos últimos 30 metros, que não desfez nem a perder por dois golos de diferença, criou dificuldades a um Benfica que, compreensivelmente, após oito jogos em pouco mais de um mês, não mostrou a frescura de outros jogos, e teve mesmo de ser "à bomba" que Lenglet resolveu um jogo que estava a ficar perigoso como, por falar em perigo, o muito bom jogador Begraoui demonstrou num dos dois remates que o Estoril fez à baliza. Num jogo em que a notícia, estreia de Palhinha, resulta da única má notícia, a lesão de Barrenechea que estava a jogar bem e não merecia o infortúnio, Marco Silva soube ler bem ao destacar a diferença que fizeram aqueles 60 mil a "agarrar" uma equipa que, por momentos, pareceu reviver alguns "fantasmas" do passado recente. É assim que se interrompe por uma semana o ciclo de jogos de três em três dias que tem sido, e será, a rotina do Benfica. Com arte, suor e, como é suposto, com público, razão de ser de um espetáculo que se quer resolvido dentro do campo e com o maior número de testemunhas possível..."

Até o Nojo !!!

Negócio...

Segredo!

Tudo às escondidas!!!

MisterVi: Mercado...

SportTV: Mercados - Gatti quer o Porto e a Champions 🐲

Zero: Mercado - Gatti quer jogar Liga dos Campeões

BF: Lukebakio...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Toda a verdade sobre o Boavista

Observador: E o Campeão é... - O Sporting vendeu as suas estrelas ao desbarato?

Observador: Três Toques - João Neves troca os luxos por uma carrinha com selo “tuga”

O sonho do Jorge! 🥹❤️

3x4x3


Contratações e barretes...

Contratar é fácil. Construir um plantel é outra coisa


"O mercado de transferências mede-se em milhões. A construção de um plantel mede-se em coerência.
Durante semanas, acompanhámos entradas, saídas, negociações, rumores, valores e decisões tomadas até aos últimos minutos. O mercado fechou e começam imediatamente as avaliações. Quem contratou melhor? Quem gastou mais? Quem conseguiu aquele jogador que parecia impossível?
São perguntas legítimas. Mas talvez não sejam as mais importantes.
Porque contratar jogadores e construir um plantel são duas coisas muito diferentes.
Uma contratação pode entusiasmar adeptos, aumentar expectativas e alterar a perceção sobre a força de uma equipa. Mas um plantel não se constrói pela soma dos nomes que chegam. Constrói-se pela forma como esses jogadores se complementam, pela resposta que oferecem às necessidades do treinador e pela coerência entre aquilo que o clube pretende ser e as decisões que toma.
É aí que começa uma das tarefas mais exigentes de uma direção desportiva.
Antes de procurar jogadores, um clube deve saber exatamente aquilo que procura. Qual é a identidade da equipa? Como pretende jogar? Que características exige cada posição? Que jogadores já existem? Quem precisa de espaço para crescer? Que ativos devem ser valorizados? Qual é a margem financeira? E onde queremos estar daqui a dois ou três anos?
Sem respostas claras, o mercado facilmente se transforma numa sucessão de oportunidades.
E uma oportunidade de mercado nem sempre é uma oportunidade para o clube.
Há jogadores excelentes que podem ser contratações erradas. Porque não encaixam no modelo de jogo, porque ocupam o espaço de um jovem em quem o clube acredita, porque alteram a estrutura salarial ou porque chegam para uma posição já equilibrada.
É por isso que avaliar uma contratação apenas pelo nome ou pelo valor pago é redutor.
A verdadeira pergunta deve ser outra: para quê este jogador? Se a resposta for clara, provavelmente existiu um processo.
Se for difícil encontrá-la, talvez tenha existido apenas uma oportunidade.
Uma boa decisão raramente começa no dia em que surge uma proposta. Começa muito antes: na identificação das necessidades, no acompanhamento dos jogadores, na análise do rendimento, na informação sobre o contexto pessoal e profissional e, cada vez mais, na utilização inteligente dos dados.
Mas, mesmo com toda a tecnologia disponível, continua a existir uma dimensão que nenhum algoritmo substitui totalmente: perceber pessoas.
Um jogador não chega sozinho. Chegam expectativas, ambições, hábitos, personalidade, família e capacidade de adaptação. Chega alguém que vai entrar num balneário onde já existem hierarquias, relações, lideranças e equilíbrios.
E os balneários também se constroem.
Podemos ter vinte e cinco bons jogadores e não ter uma boa equipa. Podemos ter qualidade individual em todas as posições e não conseguir criar complementaridade. Podemos até ter dois excelentes jogadores para a mesma função e descobrir que a presença de ambos criou um problema que antes não existia.
Construir um plantel é também gerir aquilo que cada jogador espera da época.
Nem todos podem jogar. Nem todos podem ser protagonistas. Nem todos aceitarão da mesma forma ficar no banco ou fora de uma convocatória. Por isso, o equilíbrio não é apenas técnico. É competitivo, emocional e humano.
É aqui que treinador e direção desportiva precisam de estar particularmente alinhados.
O treinador deve saber que plantel está a ser construído para executar a sua ideia. A direção deve compreender aquilo de que necessita sem perder de vista algo fundamental: os treinadores passam e os clubes continuam.
Construir exclusivamente para um treinador pode criar dependência. Construir ignorando o treinador pode criar incompatibilidade. O desafio está no meio: proporcionar-lhe jogadores adequados ao seu modelo dentro de uma identidade desportiva que pertença ao clube e seja suficientemente sólida para sobreviver às mudanças naturais do futebol.
Depois existe a formação.
Todos defendemos a importância dos jovens. Mas essa convicção também se testa no mercado.
Se existe um jovem preparado para ocupar determinada posição, contratar mais um jogador para essa função pode retirar-lhe o espaço de que necessita para crescer. Por vezes, a melhor contratação é precisamente aquela que não se faz.
Isto não significa entregar lugares por decreto. A formação deve conquistar o seu espaço através da qualidade e do rendimento. Significa que a política de contratações deve estar ligada ao trabalho desenvolvido na academia. Caso contrário, o clube investe durante anos na formação e, no momento decisivo, fecha a porta que deveria abrir.
Há ainda outra realidade incontornável: a sustentabilidade.
Poucos clubes podem construir sem vender. Particularmente em Portugal, negociar jogadores faz parte do modelo económico. O desafio não está em evitar vendas; está em antecipá-las.
Uma direção desportiva não pode começar a procurar um substituto depois de perder um jogador importante. Deve conhecer previamente as alternativas, acompanhar diferentes mercados, perfis e níveis de investimento. Deve preparar cenários.
O mercado é imprevisível. A preparação não pode ser.
E talvez seja essa uma das maiores diferenças entre contratar e construir.
Contratar é reagir a uma necessidade. Construir é antecipá-la.
Contratar é olhar para o jogador disponível. Construir é perceber se ele melhora o coletivo.
Contratar é fechar uma operação. Construir é imaginar as consequências dessa operação dentro de seis meses, um ano ou três anos.
Por isso, os melhores mercados nem sempre são aqueles que recebem as melhores classificações no dia seguinte ao seu encerramento.
Há contratações que parecem extraordinárias em setembro e deixam de o parecer em dezembro. Outras chegam praticamente sem ruído e tornam-se fundamentais. Há jogadores caros que valorizam ainda mais e jogadores aparentemente baratos que acabam por representar custos elevados. O preço de aquisição é apenas uma parte da equação.
O verdadeiro mercado avalia-se mais tarde.
Avalia-se quando percebemos se o treinador tem soluções complementares. Quando vemos se os jovens encontraram espaço. Quando analisamos se os ativos valorizaram. Quando observamos se a massa salarial continua sustentável. Quando surgem lesões e existem respostas. E quando chegam momentos difíceis e percebemos a qualidade humana do grupo.
Principalmente, quando aquilo que parecia um conjunto de jogadores começa a comportar-se como uma equipa.
O mercado fechou. Os rumores diminuem, os telefones acalmam e as listas de entradas e saídas ficam concluídas.
Agora começa a parte mais importante.
Porque contratar jogadores pode ganhar manchetes.
Construir um plantel é aquilo que pode ajudar a ganhar jogos, criar valor e sustentar um projeto.
E essa diferença não se mede no último dia do mercado.
Mede-se durante toda a época."

Francisco Domingues e a gramática de um golo


"O que Domingues fez não pertence aos domínios da siderurgia. Pertence àquele instante de insensatez em que o cabedal da chuteira preta — ou a fibra de carbono da bota cor-de-rosa-choque, vá — se converte na pelica da luva branca. Se o golaço pertence ao estrondo e à violência da matéria, o que Domingues fez pertence à gramática. Chama-se àquilo um golo de letra

Rio Maior, Domingo, seis da tarde. O horário não é canónico, mas ainda assim aceitável na estação da luz infinita: o sol brilha, os adeptos já foram à Missa, já almoçaram o cozido e seguem para o campo ver a redonda rolar.
A equipa de Moreira de Cónegos, que começou o campeonato com um sólido empate contra o poderoso Sporting de Braga, chega a Rio Maior na condição de visitante do Casa Pia, histórico de Lisboa que, de há uns anos a esta parte, recuperou o estatuto de clube de primeira divisão. O fim de tarde promete. E cumpre.
Francisco Domingues, jovem atleta formado nas escolas do Sport Lisboa e Benfica, marca aquilo que a generalidade da imprensa classificou como “golaço”. Mas a generalidade da imprensa está errada, coisa que sucede frequentemente às generalidades. Golaço não é aquilo. Golaço, segundo aquele tipo de pseudo-etimologia que Abel Xavier consagrou ao ensinar-nos que o treinador “treina a dor”, é um golo com aço. É mesmo. Precisa de força, de impacto, de qualquer coisa que pulverize. Eram assim os golos de Eusébio, ou do Barroso, do Braga. E foi assim o golo do Lenglet anteontem contra o Estoril.
O que Domingues fez, porém, não pertence aos domínios da siderurgia. Pertence àquele instante de insensatez em que o cabedal da chuteira preta — ou a fibra de carbono da bota cor-de-rosa-choque, vá — se converte na pelica da luva branca.
Foi isso. Francisco recebeu a bola à entrada da área. A bola veio um pouco atrás, um pouco fora do sítio, a pedir-lhe que corrigisse a posição do corpo para depois fazer sabe-se lá o quê. É então que dez anos de Seixal se tornam inúteis. Domingues cruza a perna esquerda por detrás da direita e remata. A bola sobe, descreve no ar uma frase inteira e termina no fundo da baliza. Assim, sem emenda — que é como se diz nestas coisas.
Daqui decorre que, se o golaço pertence ao estrondo e à violência da matéria, o que Domingues fez pertence à gramática. Chama-se àquilo “golo de letra”. Que é, como se vê, o tipo de golo mais propício a ser escrito.
O gesto foi inteiramente desnecessário. Ainda bem. O futebol seria insuportável se nele acontecesse apenas o que tem de acontecer. Francisco Domingues podia ter feito o que lhe ensinaram, mas preferiu a solução menos eficiente e mais bela. Tem-se procurado expulsar do jogo tudo quanto não possa ser previsto. Mas, desde o minuto 24 de Domingo, só se fala em premiar como golo do ano precisamente o gesto que não constava de plano algum. Como se o verdadeiro futebol começasse no lugar onde os planos terminam.
E ajuda ser contra o Casa Pia. Facto que os votantes do Prémio Puskás não terão em conta, mas que eu tenho. O Casa Pia merece aquele golo. Por muitas razões. Primeiro por ser dos melhores clubes. E depois por se ter tornado num dos piores.
A identidade do Casa Pia era tudo. O que determinava o amor ao clube não era ter nascido numa certa freguesia ou crescer ao lado de um estádio, mas ter sido aluno da Casa Pia. O clube não precisava de um bairro porque constituía, ele próprio, uma espécie de diocese sem território, formada pelos antigos casapianos. O seu território eram pessoas.
Conta-me o Filipe d'Avillez, que sabe destas coisas e escreveu “Rumo ao Jamor — A verdadeira festa do futebol“, que os casapianos dos últimos anos tinham no clube de futebol o último reduto da identidade da própria instituição. Mas um reduto resiste; não se reproduz.
É difícil não suspeitar que, para quem procura uma plataforma desportiva para os seus negócios, esta espécie de fragilidade não seja um defeito, mas uma vantagem: um nome histórico e uma comunidade já sem força suficiente para determinar o que aquilo deve ser.
A tristeza que é ver o Casa Pia jogar em Rio Maior, a uma hora de distância de Pina Manique, não é a causa de nada: no Domingo passado, aquelas bancadas desoladas, num silêncio de jogo de Covid, eram como um balão vazio, à espera de ser cheio sabe-se lá por que vento.
Está bem, diz o leitor. Mas o Moreirense também tem fundos vindos das Américas. Sim e não: o dinheiro pode vir de sabe-se-lá-de-onde; mas não há em Moreira de Cónegos vivo ou morto que não saiba por que razão o Moreirense existe.
Aquele golo foi, na verdade, um golo contra estes tempos. Um golo de um clube que sabe perfeitamente quem é contra um clube que já não sabe quem há-de ser. E, claro, um gesto desnecessário contra um futebol em que tudo tem de servir para alguma coisa.
Por isso — e não apenas por ser sócio do Moreirense — permitam-me que, depois de uma interrupção para férias, regresse a estas crónicas da melhor maneira: Golo!"

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