Últimas indefectivações

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

20 Anos Benfica Campus | Episódio 7

Visão: Banjaqui...

ACF: Palhinha...

BF: Patinhos Feios...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Champions: FC Porto, Sporting e outros dados

Observador: E o Campeão é... - Milhões do City vs Ambições do Dragão

Observador: Três Toques - Quem anda com uma caçadeira no seu jato privado?

Tiki-Tasca #13 - "Quem tem o pior ataque do campeonato?”

O Resto é Bola - FC Porto e Sporting aquecem para a Champions com jornada tranquila. Benfica recupera calendário

SportTV: Agora Sim - J5 - Barreiro nos Barreiros

SportTV: Titulares - Uma muralha defensiva vs a máquina de fazer golos

Jogo Pelo Jogo - S04E04 - Palhinha não é médio, é excelente

Oliveira: O RENATO SANCHES FOI REALMENTE UM FLOP?

Futebol à Parte - S02E02 - NOVO HOST, CHAMPIONS E TRANFERÊNCIAS MAIS CARAS

Rabona: Why Was The Transfer Market So Crazy? Two Reasons.

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

SportTV: Grelha de Partida - S04E25 - Magny Cours não é altamente

A Bola Não Mente - A troca por Kawhi destruiu os Clippers?

BolaTV: Afunda - S07E03 - Os maiores Busts

Fisioterapia no desporto: um compromisso global com a saúde dos atletas


"A fisioterapia no desporto vai muito além do tratamento e da recuperação de lesões. Para além de contribuir para uma reabilitação eficaz, os fisioterapeutas assumem um papel essencial na prevenção de lesões, na otimização do desempenho e na manutenção da saúde do atleta ao longo da sua carreira. O grande objetivo de muitos fisioterapeutas é integrar este contexto, acompanhando os atletas ao longo da época e contribuindo para que se mantenham saudáveis e ativos. A intervenção centra-se, sobretudo, na minimização do risco de lesão, permitindo aos atletas treinar e competir de forma segura e consistente ao longo da época.
O Dia Mundial da Fisioterapia é celebrado anualmente a 8 de setembro e destaca o papel desta profissão na promoção da saúde. Uma ideia fundamental é que uma carreira desportiva sustentável começa antes de surgirem lesões.
A prevenção assume, por isso, um papel essencial tanto na proteção da saúde do atleta a longo prazo, permitindo reduzir o risco de lesão, como na prática desportiva segura e consistente. Pode ser dividida em prevenção primária, secundária e terciária. A prevenção primária de lesões em jovens atletas centra-se na promoção da atividade física regular, na utilização de técnicas de treino adequadas e numa correta gestão de carga. A prática de diferentes modalidades desportivas, em vez da especialização precoce, favorece um desenvolvimento saudável e pode reduzir o risco de lesões por sobrecarga e de abandono desportivo.
Apesar da eficácia de vários programas de prevenção, a sua implementação e manutenção a longo prazo continuam a ser um desafio. A colaboração entre atletas, treinadores, pais e profissionais de saúde é fundamental para promover uma prática desportiva segura e minimizar o risco de lesões. Ainda assim, nenhum programa consegue eliminar totalmente esse risco, tornando essencial uma intervenção adequada quando ocorre uma lesão.
A prevenção secundária assume um papel fundamental no acompanhamento de atletas que sofreram uma lesão, apresentam risco de recidiva ou desenvolveram uma disfunção persistente. Na fisioterapia desportiva, procura-se orientar o processo de recuperação, restaurar a função, promover um regresso seguro à prática desportiva, reduzindo o risco de nova lesão e contribuindo para a longevidade da carreira. A reabilitação deve incluir um treino funcional progressivo e adequado. É igualmente importante identificar as causas da lesão ou da recidiva, considerando fatores biomecânicos, fisiológicos e contextuais.
A avaliação deve incluir aspetos como alterações do movimento, excesso de carga de treino ou competição, défices neuromusculares e estratégias de movimento inadequadas. Desta forma, é possível ajustar a intensidade do treino, melhorar o controlo neuromuscular, a estabilidade articular e a capacidade do atleta para suportar as exigências do desporto.
Cada lesão representa uma oportunidade para recuperar, mas também para preparar o atleta para os desafios futuros. O processo não termina com o regresso à competição. A prevenção terciária procura reduzir o risco de novas lesões e preservar a saúde e o desempenho do atleta a longo prazo. Para isso, é fundamental um acompanhamento contínuo e multidisciplinar, com o objetivo de prolongar a carreira desportiva de forma segura e sustentável.
A fisioterapia assume um papel fundamental, através de programas de reabilitação baseados na evidência e de uma gestão adequada e contínua da carga de treino. A educação do atleta sobre gestão de carga, monitorização dos sintomas, recuperação e manutenção da condição física é também essencial para promover a autonomia, reduzir o risco de recidiva e prolongar a carreira desportiva. A manutenção da saúde do atleta deve ser encarada de forma contínua, integrando a prevenção primária, secundária e terciária ao longo da sua carreira.
As lesões são uma realidade frequente no futebol, podendo comprometer o rendimento dos atletas e das equipas. Por isso, conhecer as lesões mais comuns, identificar os principais fatores de risco e implementar estratégias de prevenção é fundamental para reduzir a sua ocorrência e minimizar o tempo em que os jogadores estão afastados da competição.
Embora seja frequentemente associada ao desporto de alto rendimento, a fisioterapia desportiva não se destina apenas aos atletas profissionais. Atletas amadores, praticantes de exercício físico e pessoas que realizam atividade física de forma recreativa também podem beneficiar do acompanhamento e das estratégias da fisioterapia, tanto na prevenção como na recuperação de lesões.
No futebol profissional, são investidos milhões de euros em contratações e salários de atletas. No entanto, estes investimentos podem ser significativamente afetados quando não existe uma estrutura técnica e clínica adequada. Uma boa gestão da saúde dos jogadores, aliada a uma equipa médica qualificada e a uma correta monitorização das cargas de treino e competição, é essencial para manter os atletas disponíveis e prolongar as suas carreiras. Esta realidade é ainda mais relevante nos clubes com menores recursos, onde as estruturas médicas e os profissionais disponíveis podem ser mais limitados.
Há vários fisioterapeutas portugueses com um percurso muito forte no desporto de alto rendimento. A crescente procura por fisioterapeutas portugueses por parte das melhores ligas internacionais demonstra a valorização crescente destes profissionais no contexto do alto rendimento.
Clubes com estruturas altamente desenvolvidas procuram profissionais qualificados, com experiência na prevenção, reabilitação e gestão da saúde dos atletas. Esta realidade cria novas oportunidades para os fisioterapeutas portugueses, que podem encontrar no estrangeiro melhores condições salariais, profissionais e de desenvolvimento de carreira.
Consequentemente, os clubes portugueses enfrentam o desafio de valorizar e reter estes profissionais, reconhecendo a sua importância para a saúde, disponibilidade e desempenho dos atletas. A saída destes profissionais representa não só uma perda de talento, mas também a necessidade de repensar o investimento que os clubes fazem nas suas estruturas clínicas e na valorização dos seus recursos humanos."

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Lixívia - 5 ---- (26/17) - (-3 jogos)


Tabela Anti-Lixívia
Sporting...... 13 (-2) = 15
Corruptos...15 (+3) = 12
Benfica..10 (0) = 10 (-1 jogo)
Braga....7 (0) = 7 (-2 jogo)

Eles mesmo se quisessem ser honestos, não o conseguiriam! Está no ADN!

O que se passou no Dragay foi muito grave e nem sequer estou a falar do lance mais falado na crítica, a cotovelada do W. Gomes no Kiko, estou a falar dos 90 minutos! Valeu tudo durante 98 minutos!!! Porrada constante, intimidação, protestos e no final um Amarelinho discreto para tentar esconder a encomenda!!!
O Nobre é neste momento um dos piores, um dos mais amedrontados ou pagos pelo Sistema! Vendeu a alma ao diabo e aparentemente está contente com isso! Foram assinaladas 11 faltas aos Corruptos, eles cometeram mais de 25 !!! É impossível discutir um jogo de igual para igual com esta escumalha! E o Moreirense, ao contrário de outros adversários, tentou disputar o jogo, estava organizado na defesa, e tinha a lição bem estudada nas transições, e não tivesse sido a eficácia ofensiva do Moreirense o resultado até podia ter sido outro...

O actual mete nojo do plantel dos Corruptos, mesmo se não tivesse sido expulso diretamente na cotovelada, tinha que ter levado pelo menos 3 Amarelos, o que daria a expulsão! Tudo antes dos Corruptos empatarem o jogo!!!! Para memória futura: acho que a expulsão do jogador do Moreirense foi bem decidida, mas entre os dois lances, existe mais intenção em agredir na cotovelada do W. Gomes do que no lance perto do fim...

Já agora, o golo do empate dos Corruptos, nasce duma sucessão de erros dos árbitros: primeiro na linha lateral e depois na falta assinalada onde nasce o golo: um mergulho descarado, demasiado óbvio para ser considerado um erro humano! Nem sequer foi um mergulho bem dado!!!

O ano passado em Arouca os Corruptos, também tiveram um jogador expulso, e com 10 ainda ganharam tranquilamente. Mas nesse jogo o Arouca estava completamente desorganizado e sem saber o que fazer, o Moreirense neste jogo, sabia perfeitamente o que fazer. Não acredito, que com uma arbitragem limpa, a perderem 0-1, com o golo do empate ilegal a não ser assinalado, os Corruptos nunca dariam a volta ao marcador!!! Eu sei que esta análise é completamente subjetiva, eu sei que estas Tabelas da Verdade, são neste tipo de casos altamente discutíveis, mas esta é a minha Tabela, e esta é a minha opinião!


No dia seguinte, nos Barreiros, o oposto: um Benfica a levar porrada por todos os lados, faltas cínicas constantemente, com agarrões sucessivos. Havia seguramente ordens para travar todos os ataques do Benfica em falta. Sempre que um jogador do Benfica ameaçava uma vantagem, tudo era feito para parar o jogo. Isto foi recorrentemente, sistemático... Tudo porque sabiam que não haveria qualquer consequência disciplinar!!! Aliás no final do jogo, foi o Benfica que acabou com mais Amarelos!!! O facto do Igor Julião não ter visto um Vermelho, após mais de 5 faltas para Amarelo, no mínimo, é nem demonstrativo!!!

Ainda ficou um penalty por assinalar sobre o Prestianni. Para os expert's da intensidade, experimentem levar uma 'braçada' no peito quando estão a correr!!! Nem o Guelho, nem o Manuel Oliveira, que mais uma vez, não viu um penalty descarado a favor do Benfica! Este homem tem uma colação gigante de decisões absurdas contra o Benfica, mas assim garante o tacho como o VAR praticamente para a eternidade!!!

Em relação ao relvado é mais do mesmo nos Barreiros. E se o problema é as condições meteorológicas na Madeira, porque é que a Choupana tem sempre um relvado melhor?!!!

Nos outros dois jogos não houve grandes Casos, em Alvalade, um Nacional sem treinador foi presa fácil, e se não tivesse sido o guarda-redes Italiano tinha sido goleada das grandes!

Em Alverca, mais um jogo do Braga, em simultâneo com o Benfica! Portanto não vi, mas também não ouvi nem li grandes queixas. O penalty assinalado contra o Braga é indiscutível!

Anexos (I):
Benfica
1.ª-Académico(c), E(2-2), D.R. Silva(Mota, P. Miranda), Nada a assinalar
2.ª-Casa Pia(f), V(0-7), Pinheiro(Rui Costa, T. Leandro), Prejudicados, (0-9), Sem influência
(Adiado)
4.ª-Estoril(c), V(2-1), H. Carvalho(Martins, Cidade), Prejudicados, (3-1), Sem influência
5.ª-Marítimo(f), V(0-3), Guelho(M. Oliveira, V. Maia), Prejudicados, (0-4), Sem influência

Sporting
1.ª-Estrela(f), E(2-2), J. Gonçalves(Martins, Cátia T.), Prejudicados, (2-3), (-2 pontos)
2.ª-Guimarães(c), V(3-2), D. R. Silva(M. Oliveira, I. Pereira), Nada a assinalar
3.ª-Alverca(c), V(3-1)Veríssimo(Malheiro Pinto,A.Campos), Beneficiados, Impossível contabilizar
4.ª-Rio Ave(f), V(0-4), B. Costa(Rui Soares, M. Azevedo), Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(2-0), Pinheiro(P. Ferreira, Eiras), Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Alverca(c), V(2-0), Godinho(Esteves, Catarina C.), Nada a assinalar
2.ª-Rio Ave(f), V(0-2), Fonseca(Cláudia R., A. Campos), Beneficiados, (1-2), Impossível contabilizar
3.ª-Arouca(c), V(2-0), Pinheiro(Mota, Bessa Silva), Beneficiados, Impossível contabilizar
4.ª-Académico(f), V(0-2), Nogueira(P. Ferreira, Eiras), Beneficiados, (0-1), Impossível contabilizar
5.ª-Moreirense(c), V(2-1), Nobre(Esteves, Sancho), Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)

Braga
1.ª-Moreirense(f), E(2-2), Bessa(Vasilica, P. Eiras), Nada a assinalar
(Adiado)
(Adiado)
4.ª-Guimaráes(c), V(1-0), Narciso(Rui Costa, T. Leandro), Nada a assinalar
5.ª-Alverca(f), V(1-2), Godinho(Barradas, Babo), Nada a assinalar

Anexos(II)
Penalty's (Favor/Contra):
Benfica
0/0

Sporting
1/0

Corruptos
2/0

Braga
0/1

Anexos(III):
Cartões:
A) Expulsões (Favor/Contra)
Minutos (Favor-Contra = Superioridade/Inferioridade)
Castigados (Favor - Contra):
Benfica
1/0
Minutos:
1 - 0 = +1

Castigados:
0 - 0

Sporting
1/0
Minutos:
8 - 0 = 8

Castigados:
2 - 1

Corruptos
0/0
Minutos:
0 - 0 = 0

Castigados:
0

Braga
0/0
Minutos:
0 - 0 = 0

Castigados:
0-0

B) Amarelos / Faltas assinaladas
Contra (antes dos 60m) / Faltas contra - Faltas a favor / Adversários (antes dos 60m)
Média Faltas/Amarelos - Favor/Contra
Benfica
5(3) / 54 - 57 / 9(4)
Média: 10,8 / 6,33

Sporting
10(6) / 63 - 66 / 11(6)
Média: 6,3 / 6

Corruptos
2(0) / 70 - 44 / 6(4)
Média: 35 / 7,33

Braga
8(3) / 47 - 45 / 9(4)
Média: 5,87 / 5

Anexos (IV):
Com influência (árbitros ou Var's):
Benfica


Sporting
J. Gonçalves - -2
Martins - -2

Corruptos
Nobre - +3
Esteves - +3

Braga


Anexos(V):
Árbitros - Total - (Casa/Fora):
Benfica
D. R. Silva - 1 (1/0)
Pinheiro - 1 (0/1)
H. Carvalho - 1 (1/0)
Guelho - 1 (0/1)

Sporting
J. Gonçalves - 1 (0/1)
D. R. Silva - 1 (1/0)
Veríssimo - 1 (1/0)
B. Costa - 1 (0/1)
Pinheiro - 1 (1/0)

Corruptos
Godinho - 1 (1/0)
Fonseca - 1 (0/1)
Pinheiro - 1 (1/0)
Nogueira - 1 (0/1)
Nobre - 1 (1/0)

Braga
Bessa - 1 (0/1)
Narciso - 1 (1/0)
Godinho - 1 (0/1)

Anexos(VI):
VAR's - Totais - (Casa/Fora):
Benfica
Mota - 1 (1/0)
Rui Costa - 1 (0/1)
Martins - 1 (1/0)
M. Oliveira - 1 (0/1)

Sporting
Martins - 1 (0/1)
M. Oliveira - 1 (1/0)
Malheiro Pinto - 1 (1/0)
Rui Soares - 1 (0/1)
P. Ferreira -1 (1/0)

Corruptos
Esteves - 2 (2/0)
Cláudia R. - 1 (0/1)
Mota - 1 (1/0)
P. Ferreira - 1 (0/1)

Braga
Vasilica - 1 (0/1)
Rui Costa - 1 (1/0)
Barradas - 1 (0/1)

Anexos(VII):
AVAR's:
Benfica
P. Miranda - 1
T. Leandro - 1
Cidade - 1
V. Maia - 1

Sporting
Cátia T. - 1
I. Pereira - 1
A. Campos - 1
M. Azevedo - 1
Eiras - 1

Corruptos
Catarina C. - 1
A. Campos - 1
Bessa Silva - 1
Eiras - 1
Sancho - 1

Braga
Eiras - 1
T. Leandro - 1
Babo - 1

Anexos(VIII):
Jogos Fora de Casa (árbitros + VAR's)
Benfica
Pinheiro - 1
Rui Costa - 1
Guelho - 1
M. Oliveira -1

Sporting
J. Gonçalves - 1
Martins - 1
B. Costa - 1
Rui Soares - 1

Corruptos
Fonseca - 1
Cláudia R. - 1
Nogueira - 1
P. Ferreira - 1

Braga
Bessa - 1
Vasilica - 1
Godinho - 1
Barradas - 1


Anexos(iX):
Jornadas anteriores:
Jornada 2 (-1 jogo)
Jornada 3 (-3 jogos)
Jornada 4 (-3 jogos)

Anexos(X):
Épocas anteriores:

Contas...

‘Ó tempo volta pra trás’, não é?


"Não se trata do regresso aos ‘quinhentinhos’, porque acredito na honestidade do atual quadro de árbitros. Mas o que se está a passar na Arbitragem, devolvida ao corporativismo e à opacidade, representa um retrocesso ao qual a Liga se deve opor publicamente, sob pena de ver degradado o produto que tem para vender…

Os mandatos de José Fontelas Gomes à frente do Conselho de Arbitragem (CA) da FPF foram marcados por um reformismo responsável, que lançou bases, através da introdução (e aprendizagem do uso) da tecnologia, e por uma crescente transparência, suscetível de credibilizar o setor junto da opinião público e torná-lo merecedor de maior confiança por parte dos clubes. Em retrospetiva, foram anos positivos, que culminaram com a apresentação de um projeto, inspirado no que é feito em Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, que visava dotar a arbitragem de uma autonomia a rondar a independência, sob o primado da meritocracia. Fez bem Fernando Gomes quando apoiou Fontelas Gomes, voltou a estar bem Pedro Proença quando o convidou para ser um dos seus vice-presidentes. Sem roturas, respeitando os árbitros, o caminho apontado foi o da modernidade, aliás o único compatível com a desejada internacionalização. Sempre houve - num contexto em que Pedro Proença, então presidente da Liga, não tinha nada a ver com a Arbitragem - a noção de que era de que o ‘plantel’ era genericamente fraco, o que levou, até, que fosse adotada como política a nomeação de árbitros menos qualificados para as quatro linhas, salvaguardados por VAR’s qualificados, que minimizavam os erros. Ao mesmo tempo, um processo intensivo de procura de candidatos em todo o País e cursos sucessivos que visavam melhorar as competências do quadro existente, foi implementado. Não foi um caminho perfeito nem isento de erros, mas, pelo menos, teve o mérito de atenuar o corporativismo e acelerar a transparência.
Quando Luciano Gonçalves sucedeu a Fontelas Gomes (e ambos chegaram à Cidade do Futebol vindos da liderança da APAF), pensou-se que haveria uma evolução na continuidade, que viesse a desaguar num organismo autónomo que blindasse os árbitros de influências externas e não tivesse nada a esconder. Depois de um ano de Primavera, no pós-Fontelas Gomes, o Inverno abateu-se sobre a Arbitragem, que regressou à Idade das Trevas. Mas por que razão deixaram de ser públicas as classificações dos árbitros? Por que razão acabaram as sessões de esclarecimento, que tinham por objetivo fazer pedagogia e aproximar o setor de um público-alvo que passaria a ser mais conhecedor? Por que razão voltámos a ter a Arbitragem sob escrutínio do Ministério Público? Resumindo, tudo por más razões: por medo de se concluir pela impreparação; por medo de explicar as más decisões; por medo de se perder o controlo aplicando, a meritocracia, promovendo os melhores e erradicando os que mostraram não ter qualidade. Na prática, tudo o que temos visto neste setor, remete-nos para uma triste conclusão: o CA não passa de uma APAF com outra sigla; a APAF, como sindicato dos árbitros que é, defende-os sem outra preocupação, cumprindo a sua função; ao CA pede-se mais, pede-se que defenda a Arbitragem, nem que para tal tenha de cortar a direito, separando o trigo do joio entre os árbitros, o que, manifestamente, deixou de fazer. Neste momento há duas APAF’s, uma que faz o seu trabalho, a outra que está a provocar um retrocesso civilizacional, a partir da Cidade do Futebol. E os clubes vivem bem com isto? A Liga, que quer argumentos para internacionalizar o produto que vende, não diz nada? Francamente, se calhar sou eu que estou enganado e o destino da Arbitragem portuguesa passa por ser uma sociedade secreta, obscura nas intenções e opaca na forma, de cuja substância é lícito desconfiar. A prazo, quem são as principais vítimas deste processo que olha o futuro pelo retrovisor? Os árbitros. E mais cedo do que mais tarde vão perceber porquê…

CARTAS
ÁS
Gianluca Prestianni
O jovem argentino assinou nos Barreiros um golo de invulgar qualidade, que coroou uma exibição de grande nível a partir do momento em que passou a jogar nas costas do ponta-de-lança. Marco Silva deve aprofundar esta fórmula, retirando a Prestianni tiques de individualismo.

REI
João Almeida
O décimo lugar na etapa que culminou na subida da Sierra de La Pandera mostrou-nos como os quilómetros que tem vindo a acumular lhe estão a fazer bem. Numa Vuelta horrível para a UEA, João Almeida tem vindo de menos a mais, dando esperança de que o pior tenha passado…

DUQUE
Miguel Oliveira
O que se passa? Ainda é demasiado novo e talentoso para se falar no ocaso de uma carreira que já lhe rendeu cinco vitórias na categoria-rainha do motociclismo, o MotoGP. É falta de confiança? São más escolhas quanto às equipas? Há uma legião de admiradores que quer o Falcão de volta.

CAPA
As sombras mandam na Cidade-Luz
O que se passa com o bi-campeão europeu, a escassos dias de iniciar a luta pelo tri na Champions, proeza que só Real Madrid (duas vezes, Di Stefano e CR7), Ajax (de Cruyff) e Bayern (de Beckenbauer) lograram? Depois de dois empates, à terceira jornada a equipa de Luís Enrique perdeu com o Mónaco no Parque dos Príncipes, lançando dúvidas quanto às alterações introduzidas. Na derrota com o Mónaco, dos ‘novos’, estiveram Akliouche como titular e Ferrán Torres e Godts, como suplentes utilizados. Só.

FOTOLEGENDA
SOLIDÁRIOS
Há quem diga que o melhor do futebol são os jogadores. Infelizmente nem sempre é assim (o match-fixing é a mais recente tentação…), mas é-o em suficientes ocasiões para que se aceite o pressuposto. Adversários no segundo anterior, dragões e cónegos uniram-se em torno do infortúnio de Froholdt, que teve de abandonar em maca o relvado do anfiteatro portista e passar a noite no hospital. Há uma dimensão (por enquanto) de pureza que resvala para ingenuidade, que junta quem se combate dentro das quatro linhas, quando o que está em causa vale mais que o futebol. Uma lição não só para os adeptos, mas também para a sociedade."

Um olhar aos ‘grandes’ no arranque do campeonato


"Após cinco jornadas da Liga, primeira análise aos três 'grandes'. Interessante o que Benfica, FC Porto e Sporting nos têm revelado neste começo de temporada

As cinco primeiras jornadas da Liga Portugal mostraram o acentuar do desequilíbrio competitivo entre os três grandes e os restantes clubes. Um fosso que vai cavando cada vez mais fundo, temporada após temporada, pela escavadora da discrepância orçamental entre uns e outros, e que transforma o campeonato numa corrida a três, em que é altamente desaconselhável a Benfica, FC Porto e Sporting cederem pontos frente aos demais e que, por isso, redobra a importância dos duelos diretos.
Isto não quer dizer que o título venha a decidir-se em dérbis e clássicos. Ocorrerão inevitáveis escorregadelas frente aos restantes, além das que já atrasaram o Benfica, contra o Académico de Viseu, na Luz, e o Sporting, frente ao Estrela, na Reboleira, logo na jornada inaugural. Mas, reforce-se, são resultados pouco ou nada recomendáveis, por se perspetivar esporádicos e pouco desculpáveis, tal a diferença de qualidade entre os grandes e os outros.
Essa disparidade não torna necessariamente o campeonato português pouco competitivo. Em escassos campeonatos europeus principais existem três equipas que lutam pelo título quase até ao fim, praticamente todas as épocas. Mas torna os jogos entre águias, dragões e leões e os clubes mais pequenos pouco interessantes, quase sempre de sentido único, reduzidos, em muitos casos, a uma questão de tempo de resistência das outras equipas.
Essa menor qualidade das equipas não-grandes tem, naturalmente, outra consequência: torna ainda menos interessantes os jogos em que estes se defrontam entre si. Por isso, o campeonato português é nivelado por baixo quando comparado com os principais campeonatos europeus.
No jogo jogado, neste início de temporada, pode aferir-se o seguinte.
O FC Porto manteve a bitola da temporada transata, na sequência de uma atualização cirúrgica do plantel que lhe permite conservar rotinas. Os dragões não praticam um futebol que deslumbre - não o praticaram, de resto, na bem-sucedida época passada - mas jogam mais do que o suficiente para estarem sempre perto da vitória contra os pequenos, condição que promovem com uma atitude competitiva forte, com bastante raras oscilações e ainda menos falhas. Os resultados após cinco jornadas são esclarecedores: só vitórias, todas ou quase todas conseguidas sem sobressaltos.
O Sporting procedeu a uma verdadeira revolução no plantel. Numa perspetiva de fim de ciclo, depois de um bicampeonato, saíram alguns jogadores fundamentais nessa conquista e entraram mais, cuja garantia de substituição equivalente está longe de ser certa. Há valor nos reforços, e alguns entraram diretamente para as primeiras escolhas do treinador, que, por entre críticas vindas das bancadas movidas pela impaciência e por indiscutível falta de empatia com o técnico, que tem feito um trabalho meritório de integração e de estabelecimento de um coletivismo suficientemente competitivo em tão pouco tempo. Isso tem permitido aos leões, por ora, mostrarem virtudes consonantes com as ambições de um candidato ao título.
Quem esperaria que, despojada de metade dos titulares, a equipa mantivesse imediatamente o nível? Quem esperaria que o treinador não precisasse de tempo - e de tolerância dos adeptos para as inevitáveis falhas?
No Benfica, outra revolução, mas mais discreta do que a do Sporting, digamos, que em continuidade, embora com mudanças arrojadas: importantes saídas de jogadores que custaram caro - algo que se repete nas últimas temporadas, mas que, mais do que necessário, se tornou obrigatório - e entradas igualmente significativas, também uma prática costumeira nos anos recentes.
Apesar de só um reforço apresentar valor acrescentado garantido e indiscutível, Palhinha - uma contratação que contrasta, para melhor, com as realizadas pelo clube nas últimas épocas, à exceção do regresso, por sinal nada consensual, de Rafa -, e de se ter encontrado central pendular em Lenglet (substituição direta de Otamendi, mais do que de António Silva), há ainda reforços de algum renome, mas por provar, como Echeverri, concorrente para o pouco influente Sudakov, ou El Karouani, destinado ao lado esquerdo da defesa, que, tal como o direito, estava (está) carenciado.
Ainda assim, a melhoria exponencial do futebol praticado pela equipa resulta, sobretudo, do muito maior rendimento de jogadores que permaneceram. O melhor exemplo é Prestianni, cujo enorme talento, agora aplicado de forma consistente, tem feito toda a diferença. Depois, Rafa, indiscutível pelo mesmo motivo do argentino: talento, classe e diferenciação. E haverá Aursnes melhor do que Barreiro? A isso junta-se a veia goleadora de Pavlidis.
É, portanto, um Benfica que, mais do que através das novidades, parece estar a crescer pela valorização do que já tinha - e que, neste início de época, encontrou nos jogadores que permaneceram uma boa parte das respostas que procurava."

Ricardo Jorge Costa, in A Bola

20 Anos Benfica Campus | Episódio 6

BI: Megafone #292 - Barreiro nos Barreiros, problemas à direita

Os Gloriosos Benfiquistas - S06E14 - Marítimo...

Visão - S08E07 - Tango nos Barreiro"s"

Backstage | #FutsalBenficaFem 3-1 GCR Nun'Álvares | Supertaça 2026

Heliografias !!!!

Sempre os mesmos!!!

Encomenda...

Degredo

Farinha do mesmo saco!

Quem vai combater o novo Apito Dourado, época 2026/2027?

BF: Banjaqui...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O melhor e o pior da jornada 5 da I Liga

Observador: E o Campeão é... - Três clubes na Champions vai isolar ainda mais os grandes?

Observador: Três Toques - Os mamilos de Alcaraz e o guarda-redes que levou com a trave

Liga: Estoril 0 - 0 Arouca

Supertaça ganha


"Em futebol no feminino, o Benfica alcançou a 4.ª Supertaça do seu palmarés, ao ter vencido o FC Porto por 5-1. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Triunfo claro
O Benfica goleou o FC Porto e conquistou, pela 4.ª vez, a Supertaça de futebol no feminino. Este triunfo surge na sequência da dobradinha conseguida na temporada passada. Na mensagem de felicitações, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, sublinha o "percurso extraordinário, construído com talento, competência e uma exigência que se renova a cada época".

2. Outros resultados
Os Juniores ganharam, por 1-2, na visita ao Alverca. Os Juvenis venceram, por 0-4, no reduto do Estoril Praia. Em basquetebol, o Benfica bateu o Sporting por 91-78 no Torneio Internacional de Viana do Castelo.

3. Movimentações do defeso
Anunciada a saída de 6 atletas da equipa feminina de polo aquático do Benfica.

4. Só há um Benfica
Veja as melhores imagens de mais uma edição do "Só há um Benfica", uma iniciativa do Museu Benfica – Cosme Damião.

5. 20 anos do Benfica Campus
Veja o 5.º episódio da série dedicada ao 20.º aniversário do Benfica Campus."

Quando quer, o jogador ganha sempre


"A pressão raramente cai em cima deles, mas conseguem despedir treinadores e massacrar dirigentes até conseguirem o que querem. Muitas vezes, transferirem-se para o rival. Ou jogar como pretendem

Gosto mais de jogadores e treinadores do que de dirigentes. Muitos tratam-nos como mercadoria, e entendem que os verdadeiros adeptos são apenas aqueles que gostam deles.
Nas últimas décadas, os jogadores aperceberam-se do seu poder. Não só de que têm direitos, para lá dos deveres habituais e dos votos de silêncio e de comportamento, que assinam em regulamentos internos. Aperceberam-se também que conseguem ter força para ganhar guerras, dependendo do seu valor.
Quando os jogadores ganham, o clube geralmente perde, mesmo que seja ressarcido. Enzo Fernández, por exemplo, quis sair do Benfica ao fim de seis meses e saiu, agora quis deixar o Chelsea e foi transferido para o Manchester City, o maior glutão inglês. Cem milhões no banco ou na bancada? Nem pensar! Mesmo que o substituto possa não ser tão bom ou até não se adaptar.
Já que falamos do Chelsea lembremos Xabi Alonso. A sua revolução do Real Madrid foi travada pelos jogadores, que viam a mudança como atentado ao seu estatuto, mesmo que tornasse a equipa mais forte e coletiva. Florentino deixou o compatriota a arder sozinho até que se decidiu por Arbeloa. E mesmo com as estrelas mais felizes, os merengues nada ganharam. Em Londres, Alonso iniciou nova revolução. Pode não chegar ainda para bater o Arsenal, porém os blues voltaram a parecer uma equipa.
Ao mesmo tempo que Alonso projetava o novo Real, Ruben Amorim iniciava uma segunda temporada, a primeira desde o início, no Manchester United, tentando levantar um gigante que há décadas não se ergue do chão. Rashford foi emprestado, Mainoo estrebuchou por ser suplente e as velhas glórias não perderam oportunidades para embirrar com o 3x4x3. Com os resultados intermitentes não só o poder do técnico passou a estar ameaçado a partir de cima como um adepto achou que uma promessa capilar poderia desbloquear defesas e vitórias.
A direção cedeu. O manager passou a treinador. Interino uma vez, interino duas ou três, Michael Carrick libertou os jogadores das ideias que os podiam ajudar e a liberdade e alegria reencontradas no caos empurraram o clube até à Champions. Carrick ficou, Mainoo é titular, Rashford regressou. Esta época, em três jogos ganhou um. Entretanto, Amorim pegou noutro gigante e está a conseguir competir. Sem dirigentes que resistam à pressão, não há revolução com final feliz. Mesmo com um bom couro cabeludo."

Isto está mau para os amantes da estética


"Não está grande coisa para os apreciadores da estética e esta semana foi um rombo grande para esse grupo de românticos arraigados, tolos talvez, para quem a arte é tão ou mais importante que um resultado e nem venham com os dados e as estatísticas e a inteligência artificial.
Começou com Lionel Messi a dizer adeus à seleção argentina. Com uma carta escrita à mão, imagine-se, negando a modernidade, ato de profunda afronta ao mundo atual - incrível como um simples papel gatafunhado se tornou numa peça de grande originalidade nesta era de AI slop, em que qualquer prompt num chatbot dá origem à mesma imagem, ao mesmo texto, à mesma falta de individualidade.
Não é o adeus ao futebol, é certo, mas de agora em diante dificilmente haverá jogos históricos para Lionel, aqueles que entram no folclore de uma civilização, que geram histórias, contos, t-shirts estampadas, tatuagens, feriados. Acabaram-se os Mundiais, as Copas Américas, já para não falar de Ligas dos Campeões, onde é que isso já vai. Messi limitar-se-à a fazer reviengas quase de exibição na MLS, entre duas palmeiras ou em qualquer cidade industrial norte-americana, em jeito de turné de despedida, e isto não é qualquer tipo de desmerecimento, apenas a normalidade a acontecer a quem já tem 39 anos e fez tudo o que havia para fazer no futebol. O sol de Miami é um bom sítio para a pré-reforma.
Tal só mudará se, hipoteticamente, Messi ainda quisesse experimentar o futebol argentino, talvez o seu Newell’s Old Boys de Rosario e aí qualquer jogo com River, Boca, principalmente com o arquirrival Rosario Central seria quase uma Champions, assunto para páginas e páginas de jornais, de vox pops nas ruas de Buenos Aires que mais pareceriam um simpósio de filosofia, tema para o ressuscitar do lirismo mais estouvado e os cânticos mais belos vindos dos barras bravas que não dão descanso à goela durante 90 minutos nas bancadas populares.
Mas se fosse para acontecer, talvez já tivesse acontecido. Talvez tudo isso seja demasiado caótico para a mente organizada de Messi. E Messi, como diz aquele menino argentino, Salvi, com o ar mais adulto do mundo, como se estivesse a falar da decisão mais importante da história dos humanos bípedes (e não é?), merece descansar, fez tudo o que era possível e impossível fazer com a bola colada ao pé. Desenhou as mais belas criações e pelo caminho ainda ganhou muito, o que é obra. Mas o tempo não perdoa para as carnes e as articulações até de quem é um artista e a eternidade existe, claro, mas nas nossas memórias.
Se o adeus de Messi era uma inevitabilidade, porque o tempo vive das suas inclemências, outras artes vão desaparecendo e aqui já não por causa do tempo como grandeza física, como medida de duração das coisas, mas o tempo enquanto circunstâncias, estado das coisas, os tempos bobdylianos que estão a-changin’.
O jogo entre Ben Shelton e Stefanos Tsitsipas da 4ª ronda do US Open seria apenas mais um jogo na cadeia de um torneio do Grand Slam se o resultado não tivesse marcado o fim de uma era, um sinal dos tempos, tempo enquanto determinada realidade.
Desde os inícios desses tempos, tenisticamente falando, que em todas as temporadas houve pelo menos um jogador com esquerda a uma mão numa meia-final num dos torneios major, Open da Austrália, Roland-Garros, Wimbledon e US Open. Com a derrota do grego Tsitsipas, essa longa série de 150 anos, que vinha desde 1877, na primeira edição de Wimbledon, terminou. Acabou, finito, puff.
E acabou não porque alguém se reformou, mas porque a modalidade caminha para outros terrenos, onde a força dá mais garantias que o toque de bola, onde a porrada é mais valiosa que a souplesse. Mais do que uma questão do que é inato, vem a estatística: uma esquerda a duas mãos é muito mais eficaz a controlar a bola do que a mais natural pancada a uma mão, mais bela e repentista, graciosa e mágica, também mais imprevisível, para o bem e para o mal. Se Messi fosse tenista, seguramente jogaria com a esquerda a uma mão.
À conta de resultados, retira-se a individualidade e a naturalidade aos atletas. São estes os tempos. No ténis como em outras modalidades. Como disse Roger Federer, mago da esquerda a uma mão, os miúdos já não treinam essa pancada porque praticamente já não há treinadores que a usem. Paulatinamente ela irá desaparecer e com ela uma parte importante da estética no ténis. Isto está mesmo mau para quem ainda procura beleza no desporto."

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Agosto terminou bem


"1. Que máquina. Já não há palavras que cheguem para descrever as proezas de Fernando Pimenta. Talvez a expressão campeão dos campeões seja a que melhor o define. No passado fim de semana conquistou 2 medalhas de ouro no Campeonato do Mundo de Canoagem na cidade polaca de Poznan. Ganhou o ouro nas provas de K1 1000 metros e de K1 5000 metros. Pimenta tem 37 anos, não é um pormenor.

2. Trata-se do maior canoísta do mundo. É português, de Ponte de Lima, e é atleta do Benfica. É um orgulho para o Sport Lisboa e Benfica ter nas suas fileiras desportivas um campeão desta dimensão inigualável. Só na distância de 1000 metros, Pimenta soma agora 10 pódios mundiais com 4 medalhas de ouro, 3 medalhas de prata e 3 medalhas de bronze. É o atleta mais medalhado da história dos Mundiais de canoagem.

3. O presidente do Benfica esteve em Florença por ocasião das comemorações do centenário da Fiorentina, clube que representou durante sete épocas. Foi recebido como um príncipe aquele que, ainda hoje, é considerado o centrocampista “mais sublime” que alguma vez vestiu a camisola “viola”. Em Florença, no final do século passado, Rui Costa fez 277 jogos, 51 golos e 32 assistências. E dali foi para o Milan, onde conheceu as maiores glórias desportivas.

4. João Palhinha foi muito bem recebido no Estádio da Luz na noite de segunda-feira. O Benfica defrontou e venceu o Estoril e Palhinha entrou em campo pela meia hora de jogo para substituir Enzo Barrenechea, que saiu lesionado. O internacional português recebeu uma ovação à Benfica assim que pisou o relvado. 

5. Outra coisa, francamente, não se esperaria e foi desse modo que os adeptos presentes no estádio lhe comunicaram como é bem-vindo na nossa casa.

6. Palhinha fez uma excelente exibição ao ponto de ter sido escolhido como o homem do jogo. No fim, teve palavras bem pensadas e de enorme modéstia perante o prémio que recebeu, salientando a importância do coletivo. E fez promessas. “Vou dar sempre tudo. Estou muito feliz, isto é só o começo”, disse. Acredito que terá sido o começo de uma linda história. Agosto terminou bem, não haja dúvida.

7. Ultrapassados o St. Gallen, o Hearts e o Aarhus, logo se seguiu o sorteio da fase de liga da Liga Europa. Não se pode dizer que o Benfica não teve um sorteio simpático. O adversário com maior nome é o AC Milan, contra quem começamos esta caminhada no dia 16 de setembro, em Milão. Que seja uma longa e proveitosa caminhada."

Benfica News, in SL Benfica

Contra as expectativas


"CAVÉM DEMONSTROU QUE A VONTADE DE VENCER CONSEGUE SUPERAR QUALQUER ADVERSIDADE.

O defeso é sempre um período de entusiasmo para os adeptos. A cada nova contratação renovam-se as aspirações a títulos e alimenta-se a esperança de uma época de sucesso. Sem jogos para ocupar as manchetes, a silly season domina o espaço mediático: multiplicam-se as notícias sobre possíveis reforços, sucedem-se rumores e especulações, e uma infinidade de nomes é associada aos clubes, aumentando a expectativa e o interesse dos adeptos.
No verão de 1955, um dos jogadores que mais fez correr tinta foi Cavém. Inicialmente apontado ao Benfica, esteve muito perto de assinar pelo Vitória FC, mas acabariam por ser os encarnados a vencer a disputa pela sua contratação. A aquisição despertou enorme entusiasmo entre os benfiquistas, ansiosos por ver Cavém atuar de águia ao peito. Contudo, poucos dias depois da assinatura do contrato, o avançado sofreu uma grave lesão no menisco, que obrigou a uma intervenção cirúrgica. Os prognósticos apontavam para uma recuperação prolongada, estimada em vários meses.
No dia seguinte à operação, Cavém mostrou-se otimista numa entrevista à imprensa, afirmando que esperava regressar “lá para dezembro”. Os jornais reagiram com ceticismo, considerando tratar-se de um “excessivo optimismo da sua parte, pois normalmente é muito mais longo o período de restabelecimento”.
O tempo acabaria por lhe dar razão. A estreia pelo Benfica ficou agendada precisamente para o primeiro aniversário do Estádio da Luz, frente ao Valência, a 1 de dezembro de 1955. A rapidez da recuperação surpreendeu os próprios jornalistas: “Se não é recorde, deve andar lá muito perto.”
Perante os espanhóis, Cavém entrou algo condicionado, revelando natural receio nos primeiros minutos e evitando os duelos físicos. Porém, à medida que o encontro avançava, foi libertando o seu futebol, impulsionado pela confiança que lhe transmitia o apoio vindo das bancadas. A sua exibição cresceu de rendimento, apesar de o Benfica ter recolhido aos balneários em desvantagem por 2-1.
A segunda parte começou de forma demolidora para os encarnados. Apenas três minutos após o reatamento, José Águas restabeleceu a igualdade. O Benfica assumiu o controlo da partida e Cavém evidenciava-se cada vez mais. Aos 81 minutos, correspondeu da melhor forma a um cruzamento longo de Salvador e marcou o golo que fixou o resultado em 3-2, selando uma reviravolta memorável.
No rescaldo do encontro, a imprensa foi unânime nos elogios ao avançado, afirmando que “a estreia de Cavém agradou a gregos e troianos”. Destacava-se não apenas a extraordinária rapidez com que superara uma lesão grave, mas também a forma como se adaptara imediatamente ao novo contexto competitivo. A estreia de Cavém representou a afirmação de um jogador capaz de transformar a adversidade em motivação e demonstrou que ele possuía uma das características mais valorizadas na história do Benfica: a capacidade de nunca desistir perante os obstáculos.
Saiba mais sobre este magnífico jogador na área 23 – Inesquecíveis, do Museu Benfica – Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica