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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

O melhor MVP é o do jogo que fica 0-0


"Recordo-me perfeitamente do primeiro jogo que vi ao vivo. Como não? O cheiro a relva molhada, a bola a ganhar velocidade ao bater no solo, o barulho de cada passe trocado entre os jogadores. Assistia a muito futebol com o meu avô na mesa do café enquanto éramos acompanhados por um cálice de sumo. Quando me estreei no estádio, fascinaram-me os detalhes que não se viam na televisão.
O encontro era um Académica-União de Leiria, disputado em 2010 no Estádio Cidade de Coimbra. A Briosa tinha na frente um jovem promissor chamado Éder, ali apenas com um átomo do reconhecimento que viria a ganhar quando deu a vitória a Portugal na final do Euro 2016. Aliás, poucos se recordarão que abandonou os estudantes sem deixar rasto quando ainda tinha contrato com o clube, razão pela qual na cidade tem uma fama um pouco diferente da que goza no resto do país. Naquele ataque, quem mais me enchia as medidas era o senagalês Sougou, velocíssimo no ataque de uma equipa treinada por André Villas-Boas.
Em criança tem-se um desejo incessante de ver futebol ao vivo. Não importa se é no Calhabé ou no Azteca. Naquele dia, devia ter vindo para casa com a sensação de dever cumprido, mas tal não aconteceu. Fiquei sem saber se os meus tímpanos toleravam os gritos de golo. O resultado foi um inerte 0-0. A experiência ficou incompleta e jurei voltar para testar os limites do meu sistema auditivo. Talvez não estivesse pronto para provar tantas emoções de uma só vez.
O 0-0 é o resultado menos nobre do futebol. Quando se acaba algo da mesma forma como se começa, há algo que fica por cumprir. O entretenimento que se procura num jogo resulta numa piada sem punchline. Toda a preparação feita para que o público usufruísse do auge da experiência foi afinal uma perda de tempo.
Os nulos são um pesadelo para quem elege o homem do jogo. Ainda assim, tenho a teoria de que os melhores MVP’s são os que recebem o prémio de melhor em campo nos encontros que encerram com este resultado. A falta de um golo que torne a seleção óbvia exige o empolar de critérios normalmente desvalorizados, tornando o reconhecimento mais valioso.
Todas as semanas, os comentadores fazem questão de alertar para o facto de estarem a escolher o homem do jogo e não o melhor em campo, tentando criar um dilema lexical entre duas expressões sinónimas. O jogador que decide um encontro é aquele que melhor atua, independentemente das ações mais relevantes que executa serem anteriores ao toque que coloca a bola na baliza. São também esses os momentos que geralmente não têm espaço nos resumos. O reconhecimento não pode depender apenas da capa.
Vivemos na era do individualismo, um momento histórico em que o jogador tem tanta ou mais força do que os clubes. Veja-se o impacto que os comentários de Kylian Mbappé tiveram na China e a antecedência com que começam as campanhas para prémios como a Bola de Ouro. Os louros pessoais são o combustível dessa cultura de exaustiva exploração do que é mais vendável.
Há duas épocas, na final da Taça de Portugal, responsáveis na Federação Portuguesa de Futebol distribuíram pela bancada de imprensa do Jamor papéis em branco para que os jornalistas presentes no Benfica-Sporting votassem no homem do jogo. Fizeram-no a cerca de dez minutos dos 90’, altura em que escrevi o nome de Álvaro Carreras. Não assistiu, nem marcou, mas conteve Francisco Trincão e ainda levou muitas vezes com Geny Catamo. Esteve impecável, tanto que se transferiu para o Real Madrid.
Dez minutos depois dos 90’, na compensação, Viktor Gyökeres forçou o prolongamento. Os votos já tinham sido recolhidos no momento em que o sueco fez o 1-1. Apesar de confortável com a confiança que eu pessoalmente tinha passado ao lateral espanhol, a organização decidiu distribuir novos boletins para o caso de alguém querer alterar o nome indicado para o futebolista que mais se destacou. Afinal, a atribuição do troféu pode influenciar a escolha. É um critério legítimo, mas que não me seduz.
O Sporting acabou por conquistar a Taça de Portugal (3-1, após prolongamento) numa polémica final que continuou a ser jogada no campo das acusações à arbitragem. O eleito foi Conrad Harder que só nas horas extraordinárias do encontro exibiu o seu impacto com um golo e com uma assistência. Ainda assim, não me convenceu mais do que Carreras.
Há muito futebol que é truncado como um vídeo curto para as redes sociais retirado de um conteúdo mais amplo. O juízo desportivo está também ele condicionado pela rendição ao algoritmo. A segmentação do jogo em highlights corre o risco de deixar esquecidos os verdadeiros melhores momentos."

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Não vamos em cantigas


"1. “Ganhámos um jogo muito difícil”, disse o treinador no fim daqueles 90 minutos em São Miguel. O Santa Clara de Petit segue agora na terceira posição da tabela, a par do Sporting. Havia, naturalmente, uma expectativa grande entre os nossos adversários diretos por um tropeção do Benfica na viagem ditada pela 9.ª ronda da maior prova nacional. Não tiveram sorte.

2. A vitória do Benfica nasceu de uma reviravolta no marcador. Foi merecida. A exibição, não tendo sido brilhante do princípio ao fim, teve os seus brilhantismos na segunda parte. A primeira parte foi toda do Santa Clara, que chegou ao intervalo a vencer por 1-0, com justiça face a um Benfica muito abaixo da sua valia. Na segunda parte tudo mudou talvez por o treinador ter procedido a alterações, talvez por o vento ficar a favor, talvez porque a equipa acordou para as suas responsabilidades.

3. Na conferência de imprensa que se seguiu, ouvimos Marco Silva abordar, sem pruridos, a deficiente exibição da equipa na primeira parte. Também em Chipre, na semana passada, o treinador do Benfica não usou palavras doces para se referir à pobre primeira parte que a equipa produziu diante do Omonia. O Benfica marcou antes do primeiro quarto de hora da partida e depois “descansou”. Tanto foi o descanso e tantos os desconchavos que os cipriotas acabaram por empatar o jogo à beira do descanso.

4. Na segunda parte, tudo foi diferente. Tivemos um Benfica compenetrado na importância do jogo e o resultado foi crescendo até à goleada que projetou o nosso emblema para o topo da tabela desta fase da Liga Europa. Na conferência de imprensa veio Marco Silva dizer aos jornalistas que estava contente com o resultado, mas que ficou “furioso” com o golo sofrido e com o desacerto da última meia hora do primeiro tempo.

5. É este o treinador do Benfica. Não recorre a floreados para evitar expressar-se sobre os momentos menos bons. Quando as coisas correm bem, não alinha em fanfarronices nem, muito menos, em desrespeitos pelos adversários. Assim sendo, deve ser encarada como canção de embalar esta modinha que corre por aí, jurando que o Benfica é o principal candidato a conquistar a Liga Europa. Devem estar a fazer confusão. No ano passado, o treinador do FC Porto é que assumiu e engoliu o favoritismo da sua equipa na Liga Europa.

6. Mas, sorte a nossa, Marco Silva não é nenhum Farioli. Nunca lhe ouvirão baboseiras. Por aqui não vamos em cantigas, pois não?

7. É claro que não. Mas vamos à final four da Taça da Liga depois de uma noite de futebol alegre na Luz com vitória sobre o Gil Vicente e golos bonitos para celebrar."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Vata não era só mão


"DO BANCO DE SUPLENTES AO TOPO DA LISTA DE MARCADORES, O GOLEADOR A QUEM BASTAVAM POUCOS MINUTOS PARA FAZER A DIFERENÇA.

Como se motiva um jogador que sabe, de antemão, que não faz parte das escolhas iniciais de um treinador? Se, nos treinos, a única opção é dar o máximo, como se controla a ansiedade nos jogos? A ansiedade de ver os outros entrarem em campo e esperar pela sua vez, sem saber se ela vai realmente chegar. E, quando chega, como se gerem os poucos minutos disponíveis, quando se quer demonstrar tudo aquilo de que se é capaz? Nesse breve intervalo, a perfeição torna-se a meta.
No defeso de 1988, Vata chegou ao Benfica, proveniente do Varzim, despromovido à II Divisão. Apesar dos 11 golos apontados e do interesse do Sporting, a sua contratação foi mal recebida por alguns. “Sei que houve muita gente que riu da minha vinda para o Benfica, mas vou trabalhar e, se o treinador me der uma oportunidade, penso poder calar essas vozes”, disse. A receita estava dada: trabalhar em silêncio e estar preparado para aproveitar a oportunidade.
Nos primeiros cinco jogos amigáveis, Vata não jogou um único minuto. Ao 6.º encontro, frente ao Nacional de Medellín, entrou aos 81 minutos, com o marcador empatado a duas bolas. “Jogada de Paneira, a meter a bola na área colombiana para Vata dominar a bola e rematar imparável com o pé esquerdo”, foi relatado. Tinha acabado de entrar e fez o golo da vitória.
Embora permanecesse como suplente, tornou-se uma das primeiras opções para entrar a partir do banco. No Campeonato Nacional, essa capacidade de agitar o ataque encarnado e mudar o rumo dos jogos revelou-se decisiva.
O Benfica conquistou o título e terminou com o melhor ataque da prova, com 60 golos. Vata contribuiu com 16, conquistando a Bola de Prata. “Pode considerar um quase meio-suplente da equipa, já que, em 38 jogos, perfez, em tempo jogado, vinte partidas e meia. Nestas condições, seria injusto apagar o mérito da proeza, até porque a situação de ‘jogonão jogo’ não seria psicologicamente propícia”, escreveu-se, à altura, no jornal A Bola.
O angolano demonstrou não apenas a sua capacidade goleadora, mas também a capacidade de estar confortável no desconforto: entrar quando o tempo escasseava e transformar poucos minutos numa oportunidade.
Os seus golos ajudaram o Benfica a sagrar-se campeão nacional e garantiram o regresso à Taça dos Clubes Campeões Europeus na temporada seguinte. Em 1989/90, seria determinante para o apuramento dos encarnados para a final europeia, ao marcar, frente ao Marselha, um dos golos mais discutidos da história do Benfica: a “mão de Vata”.
Foi assim que entrou para a memória coletiva. Mas Vata não foi só a mão. Foi um jogador que, com pouco, fez muito e que, tal como tinha prometido, calou as vozes que o criticaram sem lhe terem dado hipótese de se mostrar.
Saiba mais sobre este avançado na área 19 – Águias-Mundi, do Museu Benfica – Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Virada açoriana


"Na semana em que o mundo se concentrou na histórica reviravolta das eleições presidenciais brasileiras, houve outra “virada” que continua a dar que falar – a do SL Benfica em casa do CD Santa Clara. No Estádio de São Miguel não se defrontaram visões opostas da sociedade, como no Brasil. Não foi uma luta de milicianos contra populares, mas foi também um combate disputado até ao último segundo. E mesmo após o apito final, já que a aglomeração de tanta gente no relvado mais parecia um comício de final de campanha.
É destas vitórias que precisamos. Com garra, com luta, no coletivo. Foi essa a receita da equipa de Marco Silva para a segunda parte do encontro da passada segunda-feira: pensar, agir e vencer. Se a agressividade contrária estava nos limites máximos (como se comprovou também no final, com a perseguição a Jhon Durán), era preciso ser inteligente, e os jogadores do Glorioso souberam sê-lo, aproveitando as oportunidades para construir um triunfo precioso em mais uma época de critérios díspares e FC Porto ao colo do VAR.
Estas são as vitórias que ficam na história. Dos países e dos campeonatos. E quando acontecem assim, com “remontadas”, até parece que dão mais gosto. Agora, há que continuar nesta senda e elogiar o comportamento competitivo dos adversários açorianos, que estão a cheirar o terceiro lugar da classificação e a jogar bom futebol. Só os insultos e a violência na derrota é que são de lamentar. Nos Açores e no Brasil."

Ricardo Santos, in O Benfica

Predestinani


"Não restam muitas palavras para definir a qualidade, o crescimento competitivo e o impacto de Gianluca Prestianni na equipa – com apenas 20 anos, é já (a meu ver, de forma clara) o melhor jogador da liga portuguesa.
O seu talento nunca enganou. Desde que foi lançado por Roger Schmidt, viu-se que tinha algo diferenciado, só ao alcance dos predestinados. Havia, porém, aspectos a melhorar, o que era natural num tão jovem atleta: a capacidade física e a resistência ao choque; a definição, que muitas vezes terminava com remates desenquadrados.
É notório o trabalho que jogador e equipa técnica têm realizado nesses domínios. E hoje Prestianni leva 10 golos e 6 assistências em 16 jogos – 11 golos e 7 assistências em 18 partidas, se contarmos com a selecção argentina.
A um talento inato, juntou uma capacidade de definição notável. Também capacidade de choque, de explosão e uma velocidade supersónica. Transformou-se num verdadeiro craque. E julgo não arriscar muito ao prever que dentro de um par de anos possa vir a tornar-se um dos melhores do mundo.
Pelas suas declarações públicas, também percebemos que deixou de ser uma criança. Sabe onde está e o que diz. Vai evidenciando uma majestática imunidade face às reiteradas provocações e agressões que sofre em quase todos os campos. Nesse particular, talvez o caso Vinicius, com a repercussão planetária que atingiu, o tenha ajudado a amadurecer. E a reconhecer o apoio que o Clube e os benfiquistas lhe prestaram, ao qual vai respondendo semanalmente com grandes exibições, assistências e golos.
Infelizmente, o futebol moderno dita que Prestianni acabará por viajar para um campeonato mais forte e mais rico do que a cada vez mais fraca liguinha portuguesa. Desfrutemos en - quanto cá está. E quando um dia sair, que saia com a faixa de campeão."

Luís Fialho, in O Benfica

Fazer Cidade


"Ainda há quem insista em retratar os jovens como desinteressados e alheados da realidade e, portanto, acomodados, passivos e indiferentes à vida coletiva. Nada mais errado ou injusto, mas é preciso criar as condições mínimas para a participação cívica dos jovens e, para isso, não é preciso muito: basta ver, ouvir e acreditar neles.
O projeto Community Champions League, promovido pela Fundação Benfica em parceria com a Gebalis, mostra precisamente isso: quando encontram espaço e responsabilidade, os jovens querem participar e sabem fazer acontecer. O projeto desenrola-se no dia a dia dos bairros lisboetas e os jovens que querem participar, e são muitos os que querem, sabem que para isso não basta juntar amigos e entrar em campo. Em primeiro lugar é preciso organizar equipas, construir consensos, afirmar lideranças e mobilizar recursos. Depois, é preciso, sobretudo, olhar em redor, compreender os problemas da comunidade, ouvir os vizinhos, identificar necessidades e imaginar soluções capazes de melhorar a vida de todos. Ver, pensar e agir: o desafio é tão exigente fora das quatro linhas como dentro delas.
É por isso que este projeto está muito para além da ocupação dos tempos livres e utiliza o poder do futebol, que aproxima e mobiliza, para promover cidadania, regeneração social e novas formas de afirmação positiva dos jovens. E isso acontece porque, ao assumirem iniciativas concretas, os jovens reforçam a confiança em si próprios e nos outros, recuperam relações de vizinhança e ajudam a reconstruir o sentido de comunidade. Depois, tem de haver e há, naturalmente, muito e bom futebol, competição, entusiasmo, vitórias e derrotas. Mas há também uma lição maior que se constrói e assimila no espírito de equipa, na liderança, na solidariedade da equipa e na capacidade de superar dificuldades, seja no campo, seja na rua. E assim se parte do futebol para a vida.
A Fundação Benfica e a Gebalis procuram ajudar a que os jovens não sejam apenas destinatários de oportunidades, mas autores da mudança nas comunidades a que pertencem. Por isso nos orgulhamos tanto do projeto Community Champions League, que não se limita a acontecer na cidade, mas ajuda efetivamente a fazer cidade."

Jorge Miranda, in O Benfica

Editorial


"1. Vai merecer destaque nas plataformas de comunicação do Benfica, da BTV às redes, da App ao jornal O Benfica, e serão várias as iniciativas que ao longo das próximas semanas prometem aprofundar e obrigar a repensar um tema que vai ser decisivo para o futuro do futebol português. O Benfica lançou o desafio da petição contra a centralização dos direitos televisivos e os sócios e adeptos responderam de forma concludente e massiva. Esta centralização, que ameaça fazer o Benfica perder mais de 20 milhões de euros anualmente, mobilizou os benfiquistas e expôs a realidade de um modelo económico que está ultrapassado. Mais: afigura-se fatídico para a competitividade do futebol nacional, porque a maioria dos clubes, para não dizer a totalidade, vai perder dinheiro – o Benfica mais do que todos. Numa altura em que o digital renova e reinventa caminhos alternativos, a insistência num modelo convencional que tão maus resultados deu em França, na Holanda ou na Bélgica é um suicídio e exige uma profunda reflexão. E um arrepiar de caminho, rápido e incisivo, abrindo espaço para outras soluções. A discussão será em primeiro lugar na Assembleia da República e não ficará exclusivamente por aí. Os próximos capítulos serão interessantes e irão mobilizar- -nos a todos numa causa da mais elementar justiça. E não vale a pena acenarem com muitos milhões – com uma “chapelada à Infantino”, a vender encapotadamente o capital social da Liga Centralização a um qualquer fundo de emergência – para, depois dos primeiros anos e da quimera inicial, os clubes verem as suas receitas afundadas de forma avassaladora e definitiva. Esta centralização, tal como está, não serve e tem de ser repensada e redefinida. Os próximos capítulos serão interessantes de seguir.

2. Este sábado é dia de Assembleia Geral Ordinária e de discussão do Relatório de Gestão, das contas consolidadas e individuais relativas ao exercício de 2025/26. Mais uma oportunidade para um amplo espaço de debate e essência benfiquista, com uma forte participação dos sócios no Pavilhão n.º 2 e à distância, em qualquer ponto do país ou do mundo, através da transmissão em direto no site ou na App, colocando igualmente questões e interpelando os órgãos sociais. Uma oportunidade para exercer a cidadania benfiquista em toda a sua plenitude, num dia que se espera à Benfica! Participe, dê a sua opinião, vote. O Sport Lisboa e Benfica será tanto mais forte quanto maior for a participação dos seus sócios e mais abrangente for a sua dinâmica associativa. Essa foi e será sempre a matriz histórica e fundacional do Clube."

Pedro Pinto, in O Benfica

BolaTV: Domínio d'A Bola #4 - Rescaldo do Benfica, sai Borges e entra Fonseca, e a ascensão de Gabri Veiga

Bola na Trave: Alverca

Oliveira: Alverca

Simples: Alverca

Terceiro Anel: React - Rescaldo - Marco Silva - Alverca

Terceiro Anel: Alverca

Observador: Relatório do Jogo - Alverca

Observador: Relatório do Jogo - Alverca

Vinte e Um - Como eu vi - Alverca

BF: Alverca

BI: Rescaldo - Alverca

Terceiro Anel: Live - Alverca

5 Minutos: Live - Alverca

VALERAM OS TRÊS PONTOS


"Benfica 1 - 0 Alverca

PRÉ-JOGO
1. Bem, que onze ofensivo aquele que o Marco Silva escalonou para hoje, estão lá todos!

2. Que lindo ver no relvado tantos craques que vi e aplaudi nos bons velhos tempos desde as bancadas da velha Luz.

JOGO
3. Dez minutos tipo treino: uns só atacam, outros só defendem. Um lance de muito perigo protagonizado por Bah, remate com pé esquerdo rasteiro, difícil para o redes do Alverca. 
Lenglet ja fez uns três passes de longa distância a virar jogo com enorme precisão - a dar mostras de um dos atributos que lhe era atribuído quando foi contratado.

4. Muito domínio, mas zero de grandes oportunidades até aos vinte e cinco minutos. E são eles que à primeira descida marcam... O VAR a examinar, está a demorar, tanto tempo, se forem linhas à Porto, nunca se sabe. Golo anulado, fora de jogo! Melhor assim...

5. Não estamos inspirados na frente, que é o nosso ponto forte, e o Alverca está a fechar-se muito e bem. Querem ver que isto vai a zeros para o intervalo? Vem apoio das bancadas - e algum nervosismo também.
Schjelderup e Pavlidis ainda não entraram em campo e a primeira parte está a acabar.

6. Quase adormeci - e estou com dúvidas se foi do jogo ou do jetleg de sete horas que ainda não normalizei. Talvez das duas coisas juntas. Temos que acelerar na segunda parte. Marco vai mudar jogadores?

7. Vim com expectativas de mais uma goleada, aqui chegados já só quero os três pontos, meio a zero chega.
Voltámos com Echeverri para o lugar de Schjelderup, Prestianni para a esquerda. Parece-me bem.

8. Echeverri muito bem a mudar de direção em velocidade na área e a sofrer penálti de falta indiscutível. Vamos Pavlidis. UM-ZERO! 50 minutos, estamos na frente. Como vão eles jogar agora? Vamos ter mais espaços?

9. O Bah tem feito grandes jogos, mas hoje...
A nossa pressão também não está a funcionar como a temos visto noutros jogos.
Também estamos a falhar muitos passes, erros não forçados, como se diz no ténis.
Eles estão a ir cada vez mais à nossa área. E cada vez que lá vão o meu pacemaker desata a funcionar.

10. Quantas faltas já sofreu o Prestianni?
O tribunal a puxar pela equipa. Muito bem. É que isto está longe de estar resolvido. 54.082 na Luz. A sofrer.
Echeverri egoísta. Era só dar ao Pavlidis. Miúdo, tens o resto da época para marcares. Hoje, agora, temos é que arrumar com o jogo, OK?

11. A gerir o jogo, mas vamos criando algum perigo. E o segundo golo?
Já agora: para quando um golo de canto?
Eles vão somando cantos e nós, na bancada, ansiedade. Mais três minutos.

12. Importante ganhar jogos menos conseguidos.
Hoje valeram os três pontos.
Quinta-feira há mais na Catedral."

Jaime Cancella de Abreu, in Facebook

Com uma camisola das antigas, o Benfica serviu-se da juventude para o difícil desafio que foi o Alverca


"Frente aos ribatejanos, e usando uma camisola vintage, o Benfica arrancou uma das mais difíceis vitórias da época (1-0). A ligação Gianluca Prestianni e Claudio Echeverri foi essencial para, por uma vez, encontrar um erro na sempre organizada defesa da equipa de Sérgio Ferreira. O penálti marcado por Pavlidis volta a deixar os encarnados a cinco pontos do líder FC Porto

Com uma camisola daquelas, quase que se entra a ganhar. Tem peso, histórico, estético, as mangas compridas, os números como antigamente. Sem nomes, porque alturas houve em que, em campo, o coletivo suplantava qualquer veleidade individual, porque o indivíduo se reconhecia ao longe.
Foi com uma réplica da camisola vermelha viva da época 1980/81 que o Benfica se apresentou para o jogo com o Alverca e lá bonitos iam eles. Mas a carga da elástica não deu super-poderes à equipa de Marco Silva, que teve nos ribatejanos um dos
desafios mais complicados da época.
A vitória curta, por 1-0, com um golo de penálti, é um retrato real de um jogo em que os encarnados sofreram sempre com a organização defensiva da equipa de Sérgio Ferreira, antes de precisarem de cerrar os dentes para segurar uma frágil vantagem nos últimos minutos, num jogo partido.
Talvez aí a camisola tenha dado essa tal aura, o embalo necessário em dias em até o que tem corrido bem parece não sair. E ela caiu melhor na pele dos miúdos que nasceram já aquele jersey era um maravilhoso clássico vintage.
Gianluca Prestianni e Claudio Echeverri nasceram no mesmo mês e no mesmo país em 2006 e seria numa ligação entre ambos que o Benfica conseguiu desbloquear o jogo. A entrada do segundo, ao intervalo, para o lugar de Schjelderup, parece ter dado vida ao primeiro, que tem no lado canhoto a sua via primordial, de onde lhe saem as melhores obras. Na 1ª parte, a jogar no meio, Prestianni foi um dos que mais tentou, mas também um dos mais tapados pela rigoroso processo do Alverca - outro foi Pavlidis, desaparecido até marcar o golo da vitória.
O jogo, diga-se, até começou com um Alverca de peito feito, a tentar surpreender logo à entrada. O Benfica respondeu aos 5’ com um remate de Bah, que Matheus Mendes defendeu com classe, sujando os calções para ir buscar aquela bola rasteira com selo de golo. Mas essa seria a única oportunidade flagrante dos encarnados na 1ª parte.
Apareceram algumas boas combinações, nomeadamente pela esquerda, entre Schjelderup, Dahl e Prestianni, e o Benfica conseguia, numa fase inicial da construção, com poucos toques e as já reconhecíveis dinâmicas entre os jogadores, encontrar linhas de passe. A muralha do Alverca, bem junto à área, impedia que o fluxo atacante continuasse.
A equipa do Ribatejo ia testando as suas forças. No jogo direto, Chiquinho dava trabalho a Lenglet e Dahl, ganhando muitas bolas nos duelos com os defesas. Mas com poucas consequências, é certo. Aos 25’, o Alverca ainda festejou, num livre lateral ensaiado, com Figueiredo a aparecer sem marcação para um remate que teve oposição milagrosa de Samuel Soares. Na recarga Bojang marcou, mas estava adiantado.
Ao intervalo, Marco Silva fez entrar Claudio Echeverri e seria recompensado pelo jovem argentino, que abanou o jogo. Depois do golo, inventado por Prestianni e Echeverri, rasteirado na área por Sergi Gómez, e convertido aos 11 metros por Pavlidis (10º golo da temporada na I Liga), seria sempre dos dois miúdos os momentos de maior sobressalto para um Alverca que nunca se desconfigurou, nem nunca descaiu fisicamente.
Os últimos 25 minutos seriam assim de sobrevivência para o Benfica, com dificuldades claras em controlar as bolas longas do Alverca, com Chiquinho a ter depois a companhia de Vivaldo Semedo na frente de ataque. O ex-Wolverhampton e Mallorca seria displicente num par de remates e o marcador ficar-se-ia por um único magro golo e uma vitória sofrida do Benfica, que mantém-se assim a 5 pontos do FC Porto na tabela da I Liga."

Mesmo quando há pouco... há Pavlidis: as notas do Benfica


"Avançado só fez dois remates e, mesmo assim, deu a vitória ao Benfica. Echeverri entrou para agitar a equipa. Prestianni sente-se como peixe na água... na esquerda. Lenglet foi o patrão da defesa

Melhor em campo: Pavlidis (7)
Não foi a exibição mais cintilante, longe disso, mas não tremeu na hora da verdade. Rematou, com frieza, para o centro da baliza, na marcação do penálti que valeu a vitória. Houve poucas oportunidades, poucas situações de finalização, mas, como se viu, vai sempre havendo Pavlidis, desta vez para conquistar três pontos. Foi um jogo exigente, quase sempre a jogar de costas para a baliza. Além do penálti, só teve mais um remate, já de ângulo fechado na área, depois de a bola lhe ter sobrado de um ressalto, mas o alvo não foi atingido. Mesmo com dificuldades, conseguiu desbloquear três vezes o ataque, na função de referência para combinação, para três lances junto à área do Alverca. Ainda não tinha marcado aos ribatejanos. Das equipas da Liga, já só lhe falta o Marítimo.

Samuel Soares (6) — Tocou na bola, pela primeira vez, de cabeça, obrigado a sair da área. Aos 25' desviou para o poste esquerdo um remate de Figueiredo e não evitou que Bojang fizesse a recarga para golo. Mas o lance foi anulado por fora de jogo. Mais em ação na segunda parte, segurando remates de Figueiredo, Matheus França e Chiquinho. Agarrou centros e socou uma vez a bola num canto. Também teve de recorrer ao jogo com os pés: bom passe, sob pressão, para Dahl aos 56'.

Bah (6) — Quase marcou, após mau alívio de Isaac James, aos 5', num remate rasteiro de pé esquerdo que obrigou Matheus Mendes a reagir como um gato e desviar para canto. Pouco antes já tinha cabeceado após um canto, ameaça que repetiu aos 84'. Cortou vários ataques do Alverca e colaborou com Lukebakio no ataque.

Tomás Araújo (6) — Jogo tranquilíssimo, até porque poucas vezes foi chamado a intervir na área de ação. Não precisou de fazer dobras a Lenglet. Utilizou o recurso dos passes longos apenas duas vezes, e bem, quando serviu Echeverri e Prestianni.

Lenglet (7) — Iniciou muitos ataques, alguns com passes longos a procurar Lukebakio e Prestianni. Mas sai do jogo marcado pelo bom desempenho no combate que travou com Dawda — na antecipação, na aplicação do físico, pela relva e pelo ar, saiu-se quase sempre bem. Viu um cartão amarelo por falta sobre Chiquinho, por travar um contra-ataque ameaçador. Prevaleceu, aí, a inteligência e a experiência. Foi patrão da defesa.

Dahl (5) — Apanhou Chiquinho pela frente e teve o maior dos desafios, muitas vezes entregue a ele próprio. Aos 25', na marcação de um livre, deixou Figueiredo escapar, Bojang marcaria, mas o golo seria anulado por fora de jogo. Nunca virou a cara à luta e tentou sempre contribuir ofensivamente.

Aursnes (5) — Pareceu soltinho e foi muito prático e vertical no início do jogo. Mas os minutos foram passando e foi perdendo influência no momento ofensivo. Contra a muralha ribatejana, esteve muitas vezes perto dos defesas e, por isso, sem causar impacto. Na missão defensiva, apoiou Palhinha, mas também precisou de ajuda. Os dois contra o mundo chegou ontem, pode não chegar noutro dia.

Palhinha (6) — Com muita área para cobrir, foi acumulando recuperações de bola, até no meio-campo adversário, e cortes, ajudando a equipa a defender adiantada. Simples a entregar a bola, ainda tentou marcar, num cabeceamento por cima da barra. Também cometeu erros — aos 72' foi batido por Chiquinho à entrada da área, aos 89' teve perda de bola comprometedora.

Lukebakio (5) — Terá de fazer mais e melhor para ganhar o lugar. Não teve a capacidade para desequilibrar, não se viram os movimentos da linha para o centro. Cobrou um livre por cima da barra e rematou fraco uma vez à figura. Nota para um lance aos 23': corte sobre Chiquinho, como um central, depois de um canto do Benfica.

Prestianni (7) — Jogou a primeira parte no apoio a Pavlidis e aos 20' abria os braços por sentir que o jogo lhe estava a passar ao lado, apesar de dois bons lances individuais. Após o intervalo, na esquerda, sentiu-se melhor. Depois de arrancada pela esquerda, serviu, de trivela, Echeverri, que foi derrubado na área. Aos 81' quase marcou num remate cruzado e rasteiro de pé esquerdo. É a partir da linha que se sente como peixe na água.

Schjelderup (4) — Para lá de uma boa combinação com Dahl e Prestianni, pouco mais lhe saiu, falhou no drible e no remate.

Echeverri (7) — Explosivo e agitador, sofreu penálti, tentou várias vezes o remate, sofreu faltas (duas castigadas com amarelos a Chiquinho e Ian Luccas) e nunca se deu à marcação. Importante para acelerar o jogo no último terço e para abrir espaços, foi solução para finalizar e permitir que outros finalizassem.

Rafa (5) — Serviu de letra, na área, Echeverri, que rematou por cima da barra. Foi o melhor em 21 minutos. Não teve oportunidade de explorar a velocidade.

Manu (—) — Chamado à ação na compensação, posicionou-se ao lado de Aursnes.

Durán (—) — Perdeu a bola antes de o árbitro apitar para o final.

Kaminski (—) — Trinta e oito dias depois de se ter lesionado, voltou a jogar."

Às vezes também é preciso saber conduzir um veículo utilitário


"A máquina de golos de 2026/2027 teve uma noite diferente, diante de um Alverca mais uma vez bastante organizado e capaz de discutir espaços e tempos frente a um grande

O Benfica venceu o Alverca por 1-0, retoma vantagem segura no segundo lugar da Liga e desta vez foi obrigado, por um adversário muito organizado, a abdicar de notas artísticas e goleadas. Soube chegar à vantagem, que no final se justifica, mas também defender-se nos minutos finais, algo a que está pouco habituado. O Alverca quase não chegou a criar uma verdadeira oportunidade de golo, mas a verdade é que o Benfica também não, com exceção de dois lances ainda na primeira parte. Vamos lá a factos.
Há muito tempo que um bloco de apontamentos não ficava tão vazio até à chegada do intervalo. Aos cinco minutos, sem ter havido sequer tempo para se perceber a tendência do jogo, Alexander Bah encontrou forma de rematar à entrada da área e proporcionou a Matheus Mendes uma belíssima defesa. A tal oportunidade encarnada que referimos acima.
Se a bola tivesse entrado tudo poderia ter sido diferente, claro. Assim como teria sido se o Benfica tivesse cavalgado esse lance e tivesse posto em prática o espírito esfomeado com que tem abordado os jogos recentes. Recordemos as outras notas do bloco: aos 25 minutos o Alverca, em bola parada muito inteligente, chegou ao golo, mas o último homem a tocar na bola estava em fora de jogo. Antes a bola embateu no poste, e aí não haveria irregularidade. A tal oportunidade dos ribatejanos. Aos 42 Lukebakio conseguiu chutar à baliza, mas foi fraquinho para Matheus agarrar sem problemas.
O que nos diz isto sobre o jogo até ao intervalo? Que o Alverca se encaixou bem nas dinâmicas do Benfica. Trazia-las bem estudadas e nem precisou, até então, de encostar autocarros à área. Preencheu os espaços e anulou as principais peças encarnadas à primeira ou em dobras preciosas. Prestianni jogou pelo meio e teve os seus momentos habituais de magia, sim. Schjelderup atiçou algumas brasas pela esquerda, sim. Lukebakio ia tentando forçar, é certo. Mas tudo ia sendo anulado pelos ribatejanos, que na realidade quase nem deixaram Pavlidis tocar na bola no sítio onde é realmente letal — a área.
O Alverca já tinha causado mossas e aborrecimentos em Alvalade e no Dragão. Sai dos três terrenos mais difíceis da Liga com três derrotas, mas talvez fique na memória de qualquer um deles como o adversário mais complicado até ao momento.
Valeu ao Benfica, além de uma igualmente meritória organização que já vem de há vários jogos, uma chave argentina que veio do banco desbravar o momento do jogo, logo aos quatro minutos da segunda parte. Echeverri entrou para o lugar de Schjelderup, Prestianni foi para onde tem sido mais feliz — a esquerda — e foi de lá que serviu o compatriota para ele receber e ser carregado na área. Penálti, Pavlidis, golo.
Podia ter sido o móbil para a aceleração e o regresso do Benfica mandão, mas o Alverca não deixou. Não soçobrou, não se desorganizou e continuou a manter os donos da casa em sentido, algo que faria até final.
A dada altura, quando se entrou no último quarto do jogo, chegou a ver-se os ribatejanos dominarem o jogo, terem mais bola e afoitarem-se para perto da área de Samuel Soares. Já se disse que nada disto resultou em reais oportunidades de golo, mas as ameaças existiram e os benfiquistas sentiram. Sobretudo na bancada, razão pela qual terão ido buscar forças para, na contrariedade, acentuarem o apoio à equipa e fazerem da Luz, nos minutos finais, o tal inferno de que tanto se fala.
O Alverca não o sentiu, pelo que se foi vendo, mas certamente os próprios jogadores da casa terão acusado a responsabilidade e fizeram o que tinham a fazer, até final, para manter a vantagem. Foi um daqueles jogos em que entrar com moral em cima ou moral em baixo pode fazer a diferença... e neste caso fez para melhor, vistas as coisas pelo lado do Benfica."

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Vermelhão: Sofrido, mas justíssimo...

Benfica 1 - 0 Alverca


Depois da importante vitória em São Miguel, nova vitória importantíssima, principalmente porque não jogámos bem, e para ter ambições a títulos, todas as equipas têm que conquistar os 3 pontos, nestas circunstâncias! Com o Benfica a fazer uma época bastante positiva, mas com poucos jogos em sofrer golos, vencer jogos, por 1-0, é um excelente sinal... Contra um adversário, de bloco baixo, com 5 defesas, estratégia que o Benfica tem demonstrado mais dificuldades em ultrapassar! È preciso paciência para ultrapassar estes adversários, e muita 'cabecinha' na construção do jogo, pessoalmente, e sei que haverá muita gente que não vai concordar, mas o Enzo, com a capacidade de passe que tem, fez muita falta hoje...

A vitória na última época, já tinha sido à rasca, com um milagre do Anísio, e hoje contra um adversário que teve mais de uma semana para preparar este jogo, o Benfica, com um calendário sobrecarregado voltou a sentir muitas dificuldades em dar velocidade e intensidade ao jogo!

Logo nos primeiros segundos da partida, fiquei com sensações negativas! E a 1.ª parte confirmou, um Alverca muito compacto, com muitas jogadores atrás da linha da bola, com duas linhas muito baixas, com vários jogadores fortes fisicamente, que tiveram autorização para dar porrada até ao fim... e talvez o grande 'segredo' estratégico, a povoar com muitos jogadores as zonas dos nossos Alas: o Schjelderup chegou a estar sozinho para 4 jogadores!!!!!

O Benfica tentou variar o flanco, com passes longos, mas raramente acertou. Os nossos Alas e o Pavlidis, também não são jogadores para receber a bola em profundidade, e isso permitia o Alverca jogar de forma mais compacta! Só o Prestianni, no meio, onde tem rendido menos, conseguiu receber e virar-se para a 'frente' com a bola controlada, e isso aconteceu poucas vezes!

No final do jogo, perguntaram ao Marco, porque efectou as substituições tão tarde na 2.ª parte, ele respondeu com 'educação', não pode admitir em público, que as opções no banco, para 'fechar' jogos em que estamos com uma vantagem mínima são poucas... Mas, para quando estamos a perder ou empatados, e precisámos de dar outra imagem ofensiva, temos opções... e ao intervalo, tudo mudou...

O jogo estava mesmo a pedir o Echeverri, adivinhei a substituição antes do anúncio, não era complicado... e os primeiros minutos do 2.º tempo, desmontaram completamente a defesa do Alverca. O Echeverri tem 'cabeça' de '10', a forma como recebe e passa em zonas mais recuadas, e depois como 'ataca' a área, é completamente diferente do Prestianni... Ganhámos o penalty, marcámos, e podíamos ter marcado mais alguns... aquele passe 'não feito' do Diablito para o Pavlidis, foi criminoso... e logo a seguir o Prestianni também ficou a centímetros do golo!


Mas com os minutos a passar e o 2-0 não aparecer o jogo ficou mais nervoso. Com as substituições o Alverca conseguiu pressionar alto, junto da nossa área, e o Benfica não conseguiu sair a jogar com tranquilidade. Um dos problemas neste momento no plantel, é a falta de opções para o meio-campo, as lesões do Enzo e do Barreiro, estão a sobrecarregar o Palhinha e o Aursnes...

Agora, apesar do Samu ter feito algumas defesas em remates de longe, o Alverca não teve uma única oportunidade de golo, além da jogada do golo anulado, num Livre Lateral!!! E não estou a dizer que foram incompetentes nas saídas de bola, pois não foram... conseguiram descobrir muitas vezes, o jogador livre nas costas dos nossos Médios, e ganharam muitas segundas bolas quando tentavam jogar direto para o ponta-de-lança!!! Mas com maior ou menor dificuldade os nossos Defesas conseguiram resolver as coisas, mesmo perdendo demasiados ressaltos!!!

O Echeverri foi eleito o MVP pelo Benfica, vários órgãos de comunicação social elegeram o Prestianni, e o pessoal das estatísticas elegeu o Aursnes!!! Pessoalmente, acho que o Prestianni mesmo com metade do jogo 'fora de posição' foi o jogador que fez a diferença... sendo que a entrada do Echeverri foi fundamental. O Aursnes na 1.ª parte foi dos piores, mas na última meia hora, foi o melhor!!! Já é uma tradição, o Bacalhau quando todos os jogadores ficam cansados, ele mantém-se fresco e faz sempre o último terço das partidas em grande plano...


O Tomás também fez um bom jogo, a defender e na construção ofensiva... o Bah com o Lukebakio à frente, fica condicionado nas suas subidas... o Dahl, com a função mais complicada, a marcação ao Chiquinho, ganhou umas e perdeu outras, mas voltou a fazer uma exibição positiva! Um jogador que fez os 90 minutos, na última segunda, com o Gil Vicente!

O Palhinha voltou a fazer um jogo abaixo do normal, muitas vezes surpreendido com jogadores nas costas, e perdeu algumas bolas divididas... foi o Aursens que segurou a equipa na parte final! Schjelderup com um mau jogo, principalmente, porque não conseguiu ler as situações onde estava em clara inferioridade numérica e em vez de 'iniciar' a mudança de flanco, arriscava ir contra o 'muro'!!! O Lukebakio sem os golos do jogo anterior, mesmo assim além do Prestianni foi um único jogador na 1.ª parte que conseguiu ultrapassar adversários... mas recebeu quase sempre a bola, a 'recuar', quase nunca de frente para a baliza...


O Pavlidis marcou o penalty, mas fez um mau jogo. Nunca foi ameaça na profundidade e das poucas vezes fez de Pivot, até porque o Alverca povoou muito essa área, e a estratégia do Benfica, era outra, não deu continuidade! Dito isto, voltou a dar tudo, a pressionar e muitas vezes a recuar para ajudar o meio-campo...

Echeverri excelente entrada, mas má decisões em frente da baliza... falta alguma calma, parece muito ansioso no momento do remate, ou do passe 'final'!!! Rafa, lutou, mas... Os outros, entraram nos descontos, para perder tempo...


O penalty foi bem marcado... No golo anuado o AVAR (outro Super-Dragay fanático, João Bessa Silva!) perdeu uma eternidade à procura duma Linha qualquer que permitisse o golo, mas não encontrou... os 5 cm anunciados, são uma treta! Mais de 30 cm seguramente... Ele bem tentou!!!

Por incrível que pareça, até acho que o árbitro tentou apitar bem, no ponto de vista técnico tentou ter um critério largo, e fez isso para as duas equipas, algo que normalmente nos jogos do Benfica nunca acontece, por isso tenho que o reconhecer! Mas falhou rotundamente no critério disciplinar, o Bojang tinha que ser Expulso, o próprio Chiquinho, com tantos protestos por tudo e por nada, devia ter sido Expulso! A patada sobre o Aursnes do Gui, podia ter sido um Vermelho Direto (nem Amarelo deu!!!) e o penalty sobre o Pavlidis é claro... ou pelo menos devia ter sido claro para o VAR (Luís Ferreira, advogado de defesa dos acusados do Apito Dourado!), existe um claro 'agarrão' antes do salto do Pavlidis, no ombro/braço, que para qualquer pessoa com o mínimo conhecimento futebolístico, sabe que condiciona completamente o salto... e não existiu fora-de-jogo!

Agora, menos de 72 horas de descanso, e temos jogo da Liga Europa, na Luz, contra uma equipa acessível, mas que é Campeã do seu País, que teve mais tempo entre jogos, e que está habituada a jogos mais físicos! O Marco está obrigado a rodar e se tivesse todos os jogadores disponíveis a rotação ainda seria maior: Trubin; Banjaqui, Circati, Araújo, Karouani; Manu, Aursnes; Rafa, Sudakov, Schjelderup; Durán!

O jogo de Domingo na Amadora, é outra armadilha em perspectiva! A prioridade, neste momento é claramente o Campeonato. O objetivo de ficar nos oito primeiros na fase de grupos da Liga Europa, não depende do jogo de Quinta. Existe previsão de chuva, pouca mas chuva, para o próximo fim-de-semana, o relvado da Amadora foi mudado, mas não podemos confiar...

PS: Camisola de 81: simplesmente linda, merecia uma vitória!!!


Estilo...

Homenagem...

Linda!

Os árbitros, o trigo e o joio


"Depois de Gustavo Correia, no Minho, Cláudio Pereira, nos Açores. Se os dirigentes da arbitragem não perceberem a gravidade destas situações e não atuarem em conformidade, são cúmplices. Se os dirigentes dos clubes não se revoltarem contra estas situações, que mais cedo ou mais tarde tocam a todos, merecem-nas…

Por se tratar de uma questão que ultrapassa o meramente conjuntural, creio valer pena manter vivo na opinião pública o tema dos relatórios dos árbitros, depois do que aconteceu com Cláudio Pereira em Ponta Delgada ter adensado as preocupações decorrentes do que fez Gustavo Correia em Famalicão.
O árbitro de qualquer modalidade desportiva, enquanto juiz, tem deveres de imparcialidade e isenção e, sobretudo, não devem subsistir quaisquer dúvidas quanto à relação que mantém com a verdade. Se houver a perceção - infelizmente fundada, aliás - de que há árbitros que manipulam, a frio, num relatório escrito (não se tratando de uma má decisão tomada no calor de um jogo), a realidade, ficcionando situações das quais decorrem sanções disciplinares para terceiros; e se, esses árbitros, continuarem a exercer funções ao mais alto nível, desculpabilizados, com argumentos débeis, pelas mais altas instâncias; a consequência será a descredibilização do setor, através de inevitáveis (e injustas) generalizações, que colocam todos no mesmo saco. Para mim, estamos perante uma situação de claridade cristalina: quem mente (comprovadamente!) num relatório não pode ser árbitro, porque perde a legitimidade e fica desprovido de condições para que as suas decisões continuem a ser vistas pelas lentes da boa-fé. Quem toma decisões disciplinares de forma irresponsável (assumir que o que um jogador disse lhe foi impercetível - até podia estar a rezar uma Avé Maria - e mesmo assim, por intuição?, expulsá-lo, não pode ser desculpado, porque, de facto, o problema nunca esteve na forma como caraterizou a respetiva alegada infração, mas sim nas razões que o levaram a tomar a decisão.
Repare-se que nos casos de Gustavo Correia e Cláudio Pereira não se está a falar de interpretação de um lance, de desvalorização de um alerta do VAR, ou, até, de um erro de arbitragem. O que está em causa é muitíssimo mais preocupante porque denota a existência de um vírus que pode propagar-se e destruir uma classe. Este alerta, penoso para quem o faz, não é contra os árbitros, é em favor deles, de todos aqueles - a esmagadora maioria - que não caminham por estas estradas de realidade virtual (chamemos-lhe assim…).
É obrigação do Conselho de Disciplina da FPF não branquear, como fez com Gustavo Correia, uma situação de gravidade extrema; é obrigação do presidente do Conselho de Arbitragem da FPF não encontrar desculpas inverosímeis para o «impercetível» de Cláudio Pereira. Se a via for esta, sem que se responsabilize quem prevarica, o joio continuará misturado com o trigo, e quem perde é a seara.
A Arbitragem só ganhará credibilidade na medida em que se tornar mais transparente. Não será por acaso que em Espanha se iniciou um projeto-piloto que permite aos árbitros prestar declarações no final dos jogos. Os adeptos merecem isso e muito mais, têm direito a que a opacidade seja erradicada, o corporativismo deixe de ser um peso nos pés que puxa para o setor para o fundo, e que a meritocracia seja aplicada e explicada. Resta falar da posição dos clubes perante estes casos-limite. Não pode ser só o emblema que se sente lesado a arcar com as despesas da contestação. Por tratar-se de um estado de coisas que mais cedo ou mais tarde tocará a todos, justificar-se-ia uma posição conjunta, através da Liga. É impossível falar na integridade da competição pela qual a Liga Portugal é responsável, quando convivemos com casos destes e vemos que acabam por ser tratados como se se revestissem de normalidade absoluta. O que é uma gritante mentira. Nada disto é normal, nada disto faz parte dos princípios basilares da arbitragem.

CARTAS
ÁS
Paulo Fonseca
À imagem de Marco Silva, um regresso a Portugal que se saúda vivamente. Paulo Fonseca é, ao dia de hoje, um dos treinadores do futebol europeu de primeira linha, que procurará, no Sporting, emular Ruben Amorim, desenvolvendo um projeto que perdure no tempo. Excelente escolha.

ÁS
Rodrigo Mora
A afirmação do fantasista português em Roma é uma realidade, e os três golos que leva na Serie A, dois deles obtidos nas últimas duas jornadas, provam-no, assim como a utilização crescente no plano inicial de Gasperini. Mora tem de ganhar mais estaleca física: talento tem de sobra.

REI
Rui Borges
Enriqueceu o currículo em Alvalade, e deixa o nome associado a um dos títulos nacionais dos leões. Merecia, pela frontalidade que sempre demonstrou, ter sido tratado com mais elevação na hora da despedida. A forma como foi deixado a queimar-se em lume brando deixou a desejar.

CAPA
Mourinho, Fonseca, Conceição, Amorim
O triunfo concludente no seu primeiro ‘Derby Della Madonnina’ (quarto técnico luso a vencer este jogo histórico) deu a Ruben Amorim fôlego para encarar com ânimo renovado o que tem pela frente na Serie A, onde lhe pedem que fique numa das primeiras quatro posições. No mesmo dia, percebeu-se que o problema do Manchester United vai muito para lá do treinador (e isto tem a ver com Amorim…). O que têm grandes nomes do desporto mundial, como Tiger Woogs, Lance Armstrong, Michael Phelps, Ryan Lochte, Oscar Pistorius, Michael Vick, Wayne Rooney, Magic Johnson, OJ Simpson, Kobe Bryant, Ben Johnson ou Neymar Jr., a ver com Kylian Mbapée? Todos eles, a determinado momento, por razões de ordem diversa que impactaram na sua imagem pública, viram patrocinadores virarem-lhes as costas.

FOTOGALERIA
Kylian Mbapée / China
O que se passa entre a principal estrela do Real Madrid e a República Popular da China, volta a alertar para o facto de atletas que ao mesmo tempo são marcas globais, deverem estar atentos a diferenças culturais e sensibilidades diversas, sob pena de serem penalizados e provocarem danos colaterais (como está a suceder com La Liga). Certo? Errado? É o mundo que temos…"

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - As razões para o domingo agitado em Alvalade

Observador: E o Campeão é... - Bye bye, Rui Borges. Bem-vindo, Paulo Fonseca?

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Borges, Varandas e Paulo Fonseca: ideias e factos

Zero: Ataque Rápido - S09E16 - Sporting em polvorosa

Falsos Lentos - S07E07 - Batáguas rói Japonesa

Canal 11 - Soltinhos pelo Mundo - Gonçalo Ramos

Tailores - Final Cut - S06E01 - Miguel

Chuveirinho #195