Últimas indefectivações

terça-feira, 17 de março de 2026

Agressão?! Faltou a acção disciplinar... para a puta com o apito!

Entretanto na B: nem sequer foi assinalado falta !!!

Diferenças!!!

Verdadeiro Touro Azul que odeia o Vermelho !!!

A Lagartada do CD anda de peito feito !!!

Patada no adversário sem bola... tudo legal !!!

34.º

Rui Costa tem a palavra


"Estamos a nove jornadas do fim da temporada-zero de José Mourinho no Benfica. A bola está nos pés de Rui Costa, que terá de optar entre um projeto de longo prazo e a vertigem da fuga para a frente. Nos tempos do ‘maestro’, era certo e sabido que o passe seria certeiro. E agora?

É sempre imprudente, quando falamos de futebol, avançar previsões demasiado estreitas, porque não faltam exemplos de improbabilidades que desmentiram as ‘odds’. No entanto, creio que não estarei a ir longe demais se disser que o Benfica tem entre cinco e dez por cento de possibilidades de ser campeão nacional, e entre vinte e cinco e trinta de terminar em segundo. Para chegar a estes números não possuo quaisquer bases científicas de suporte, apenas um ‘feeling’, pessoal e logo subjetivo, que radica no calendário de cada um dos três primeiros e nas sensações que têm deixado.
Será, pois, avisado, que os encarnados (seguindo o lema «espera o melhor e prepara-te para o pior») comecem a trabalhar na temporada de 2026/27, partindo do princípio de que vão jogar a Liga Europa, ou seja, conhecendo as balizas que irão definir o investimento, e sabendo que podem planificar a preparação sem condicionalismos de pré-eliminatórias e ‘play-offs’. Se estes passarem a estar na equação, será, na ótica encarnada, por uma boa causa…
E há Mourinho, um dos melhores treinadores do mundo, que já afirmou a sua disponibilidade para dar corpo a um projeto no Benfica que vá para além da espuma dos tempos.
Será justo que se considere 2025/26 a época-zero de José Mourinho no Benfica, porque já apanhou o comboio em movimento e, essencialmente, porque teve de se adaptar a um plantel que não escolheu. Se, para 2026/27, não lhe faltarem com a estabilidade, e lhe derem os meios (mais na lógica de se enquadrarem no modelo de jogo que pretende, do que olhando para a questão dos custos…), o Benfica não só ficará mais perto do sucesso, como lançará bases para a continuidade que tem faltado.
O percurso do Benfica, nesta fase, não pode considerar-se entusiasmante, embora, ao longo da época, tenham surgido alguns vislumbres do que é possível vir a acontecer, assim os dirigentes mantenham a cabeça fria e acreditem na forma de lá chegar: os jogos, na Luz (onde o Benfica poderá ter hipotecado a Liga ao empatar com Santa Clara, Rio Ave e Casa Pia – juntando-se a estes ‘desastres’ o empate em Tondela) com o Nápoles e, sobretudo, com o Real Madrid, foram francamente bons e podem ser considerados pontos de partida interessantes.
Se Rui Costa tiver lucidez analítica e convicções fortes, tem condições, talvez as melhores de que já dispôs, para dar corpo a um Benfica estruturado, consistente e coerente, capaz de marcar época no futebol nacional.

PORTUGAL NA UEFA
Escrevi, no início da época que, em função dos pontos que Portugal ia perder face à Bélgica no ranking da UEFA (e isso era matéria confirmada), havia a forte possibilidade de vermos a nossa posição enfraquecida no final da temporada. Quando nos vimos sem representantes na fase de grupos na Liga Conferência, o cenário agudizou-se, e só não se tornou verdadeiramente dramático porque aos belgas, com a eliminação do Anderlecht às mãos do AEK, aconteceu o mesmo.
Vieram os jogos e as contribuições de Sporting, FC Porto, SC Braga e Benfica não só revitalizaram as nossas hipóteses, como potenciaram a ambição de recuperar uma posição, relativamente aos Países Baixos (que implodiram!) no ranking da UEFA. Agora, façam o que fizerem leões, dragões e guerreiros, Portugal já garantiu mais um representante na Champions de 2027/28, uma extraordinária notícia para o nosso futebol.
O alerta que fiz no começo da temporada veio a manifestar-se manifestamente exagerado. Enganei-me, e ainda bem que assim foi. Não quer isto dizer que os problemas estruturais do nosso futebol profissional tenham desaparecido, apenas foram, durante algum tempo, varridos para baixo do tapete. Enquanto não se arranjar solução para a revitalização da ‘classe média’, e não houver uma maior aproximação entre orçamentos, andaremos sempre com o coração nas mãos. Não vejo que a primeira situação possa ser resolvida sem uma requalificação dos quadros competitivos; nem que a segunda não dependa da venda centralizada dos direitos televisivos. Não acredito que os clubes queiram a primeira, nem que a centralização venha a verificar-se em termos que mudem seja o que for. Por isso, a luta continuará, numa lógica de três grandes e um outro a crescer, enquanto os restantes emblemas, propriedade de grupos económicos, na maioria mais interessados nas contas do que na coerência do projeto desportivo, vão tentando, mais do que viver, sobreviver.
Há demasiados clubes desenraizados, pelo afastamento dos adeptos provocado pelo mercantilismo, e outros que sobrevivem apenas como barrigas de aluguer. Nesta hora de júbilo pelo facto de passarmos a estar mais bem representados na Champions, talvez não seja pior aproveitar o astral positivo para abordar, com seriedade, todas estas questões, e procurar soluções que vão para lá do umbigo de cada clube.

MUNDIAL 2026
Terei sido a primeira voz a alertar para os efeitos da guerra no Médio Oriente sobre o Mundial de 2026. Ao dia de hoje, a dúvida não reside apenas em saber quem tomará o lugar do Irão. É pertinente questionar se (mesmo com a Gronelândia no congelador, passe a redundância) não haverá outros países dispostos a não estar na América do Norte (e se a Espanha, um dos mais fortes candidatos ao título, disser ‘não’?). E mais: o recente caso da recusa, por parte das autoridades norte-americanas, de vistos a dez jogadores do Mount Pleasant, da Jamaica, que iam disputar um jogo da CONCACAF com o LA Galaxy, não pode ser já um sinal do que está para acontecer, com jogadores, dirigentes, jornalistas e adeptos?

FREDERICO VARANDAS
Sem surpresa, o presidente do Sporting foi reeleito por esmagadora maioria. A estabilidade regressou a Alvalade (muito devido à forma como a questão das claques foi resolvida – honra a Varandas - e ainda à revolução de veludo levada a cabo por Ruben Amorim e Hugo Viana, a que acresceu uma gestão financeira rigorosa – honra a Francisco Zenha -, o rendimento desportivo permitiu, não só no futebol, que os leões voltassem a ser liderantes, e tudo isto teve como consequência não só o aumento da ocupação do estádio de Alvalade como também a mudança das cores das contas do clube, que passaram do vermelho ao verde. Quando pegou no Sporting, ainda iam altas as labaredas do incêndio provocado por Bruno de Carvalho, Varandas demonstrou coragem; à coragem seguiu-se um processo de aprendizagem durante os anos de Marcel Keizer; a cereja no topo do bolo foi o ‘all in’ que representou a contratação de Ruben Amorim ao SC Braga. «E se correr bem?», perguntou então o treinador? Correu mesmo muito bem! E o Sporting, no pós-Amorim, soube preservar as bases do trabalho e manter-se a um nível muito alto (a derrota na Noruega, um epifenómeno, em nada desmente a realidade abrangente atrás descrita).
Faltará, ainda, a Varandas, e talvez isso seja conseguido no mandato que agora inicia, um contributo maior para a normalização das relações entre os principais clubes. Trata-se de um elemento essencial para o desenvolvimento da indústria do futebol que não tem, forçosamente, de colidir com os interesses do Sporting."

Na frente do Benfica a verdade anda ali pelo meio


"O rendimento recente de Ivanovic tem um reverso chamado Anísio, mas compensa o mau momento de Pavlidis e alimenta a discussão relativamente às opções de Mourinho no ataque do Benfica

Com a ajuda de um banco de luxo, pelo menos no que diz respeito ao investimento que implicou, o Benfica lá conseguiu mais um milagre resultadista, agora em Arouca. Uma reviravolta frente à equipa de Vasco Seabra, sustentada numa exibição novamente satisfatória no plano da entrega e da garra — nada a apontar nesse sentido —, mas sofrível, uma vez mais, do ponto de vista da solidez e da clarividência, tanto a nível técnico como tático.
As águias não tiveram José Mourinho no banco, mas ao minuto 73 fizeram de lá saltar quatro jogadores que custaram quase 70 milhões de euros, incluindo Prestianni e Ivanovic, protagonistas do golo da vitória, apontado ao minuto 90+6. O avançado croata, que não marcava para a Liga desde o jogo da primeira volta com o Arouca, confirmou as boas indicações que já tinha deixado frente ao FC Porto, quando assistiu o golo do empate de Leandro Barreiro.
Uma boa notícia para Mourinho, perante a seca de Pavlidis, que já leva mais de 600 minutos sem marcar, e também considerando as exibições de Rafa Silva, que pode ter ainda margem para justificar o regresso à Luz, tendo em conta o tempo que esteve sem jogar, mas que, até por isso, não tem justificado aposta tão insistente do treinador, sobretudo a avaliar pelo rendimento crescente que Sudakov apresentava até ao acerto de contas entre Benfica e Besiktas.
O reaparecimento de Ivanovic tem um avesso, pelo menos se pensarmos em Anísio, salvador despromovido a terceira opção, mas reabre-se a discussão em torno da titularidade na frente de ataque do Benfica.
Talvez não esteja esgotado o crédito de Pavlidis (já a condição física...), mas Ivanovic, embora tenha apenas 22 anos, também merece que se olhe para o passado com consideração. Não tanto na perspetiva do valor que custou ao Benfica, porventura algo inflacionado, mas sobretudo para aquilo que fez na Bélgica, com a camisola do St. Gilloise.
De águia ao peito não será tão fácil vislumbrar espaço para atacar a profundidade, como tanto gosta, mas também não é a jogar a partir de uma ala, como tantas vezes se viu, que o perfil sai favorecido. Ivanovic é um 9, e não teve esse papel assim tantas vezes ao serviço do Benfica. Não sei se será jogador para justificar 22,8 milhões de euros, mas também não acredito que seja assim tão mau quanto já o fizeram querer parecer. A verdade, como tantas vezes, andará algures pelo meio."

A cama de Amorim, a cama de Martínez e a cama de Mourinho


"Após o Mundial, sairá um espanhol para entrar um português, que deixará o lugar onde está a um outro português? Parece bem possível. Resta saber se o 'outro português' está livre ou se anda por Barcelos...

Há uma frase inúmeras vezes proferida, sobretudo por pessoas ligadas ao futebol, sempre que há êxito numa troca de treinadores: os jogadores queriam fazer a cama ao treinador. Talvez seja verdade, mas, na minha infinita ingenuidade, não acredito que um jogador corra x com um determinado treinador quando podia correr x mais qualquer coisa. Ou que remate desenquadrado com a baliza quando podia tê-lo feito de forma enquadrada. De qualquer modo, há coisas estranhas, sim.
Olhemos para o Manchester United. Continua sem arrancar as cinco vitórias que permitam ao pobre do cabeludo rapar a trunfa. Porém, em dois meses e quase meio sem Ruben Amorim, os cordeirinhos viraram lobos: 23 pontos entre as jornadas 21 e 30. Quem fez melhor? Ninguém. O mais próximo é o Arsenal, com 21 pontos. Não há dúvida de que a ‘chicotada psicológica’ está a dar resultado. Pela entrada de Carrick, pela saída de Amorim ou pelos dois fatores?
Após 14 meses em que Ruben Amorim foi implacável na imposição dos três centrais e de alas agressivos, Carrick estancou a hemorragia de maus resultados através, basicamente, da implementação do 4x2x3x1 bem mais fácil, pelos vistos, de assimilar pelos jogadores. Amorim recebeu Heaven (2 milhões de euros) e Dorgu (29) no mercado de janeiro de 2025 e Matheus Cunha (71), Sesko (77, Lammens (21) e Mbeumo (75) no verão de 2025. Total: 275 milhões de euros. Não resultou. O melhor foi a final da Liga Europa perdida para o Tottenham. E, entretanto, ‘despachou’ Garnacho (Chelsea), Rashford (Barcelona), Antony (Bétis) e Hojlund (Nápoles).
A ‘chicotada psicológica’, entre os jogadores, centrou-se no jovem Kobbie Mainoo. Com Amorim nunca foi titular na Premier League e com Carrick (e 1 jogo com Fletcher) passou de apenas 332 minutos até início de janeiro para 874 minutos em 11 jogos. Também Dorgu e Maguire (!) passaram a jogar mais. Ou antes, o dinamarquês passou a jogar menos ‘amarrado’ ao flanco esquerdo e o inglês, ultrapassados os problemas numa coxa, regressou para ser titularíssimo.
Não se sabe, obviamente, o que as oito jornadas finais da Premier League reservam ao United. Terá ainda de defrontar três equipas do top-8 (Chelsea, Brentford e Liverpool), mas, para já, tem confortáveis seis pontos de avanço sobre o 5.º classificado. O que significa que está perto de regressar, em 2026/27, à tão desejada Champions.
A nós, portugueses, talvez interesse mais como chegarão Diogo Dalot e Bruno Fernandes a maio. Mas também ver por onde passará o regresso de Ruben Amorim aos bancos. Talvez o futuro em Portugal venha a ser, após o Mundial, uma espécie de dominó de treinadores: sai um espanhol para entrar um português que cederá o lugar a outro português. Será? Resta saber se o 'outro português' está livre ou se anda por Barcelos..."

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cinco desafios para o novo mandato de Frederico Varandas

Observador: E o Campeão é... - Noite de Óscares? FC Porto vestiu o fato de "campeão"

Observador: Três Toques - O ex jogador já não tem direito de voto

SportTV: Primeira Mão - Estava tudo pronto, mas... 🫢

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #103

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Os Óscares vão à Bola

Zero: Ataque Rápido - S07E33 - Com ou sem Mourinho, o futuro do Benfica

SportTV: Peixinho 🐠

Oliveira: Arouca...

5 Minutos: Live - Voleibol & Futsal...

Falsos Lentos - S06E28 - Ana Guiomar humilha Manuel Cardoso

O Resto é Bola #43 - A tática do Zorlak para o Sporting-Bodo, o ‘Pietushow’ e o herói Ivanovic em Arouca ⚽️

DAZN: The Premir Pub - Bruno e Bernardo na história da Premier League

DAZN: The Premier League - R30 - Golos

DAZN: La Liga - R28 - Golos

DAZN: Bundesliga - R26 - Golos

Central: Nuno Gomes...

Fura Redes: Bento...

Disparidade escaldante


"Quando o recente Benfica-Real Madrid se transformou num jogo de adivinha sobre o que Gianlucca Prestianni tinha dito a Vinícius Júnior, o insulto ‘maricón’ foi apresentado como menos grave do que ‘mono’. Não deveria ser, claro, mesmo que o insulto ‘macaco’ seja evidentemente um substituto para ‘inferior’.
A quantidade de atletas assumidamente homossexuais é muito baixa, mas se alargarmos o especto a toda a comunidade LGBT, as mulheres estão à frente. Assumem-se, mostram-se, casam-se. Veja-se os casos de Marta ou Megan Rapinoe no futebol. No hóquei no gelo, na poderosa NHL, há um caso assumido de um jogador gay, mas quando se olha para o lado feminino, temos Hillary Knight, capitã da seleção americana que se sagrou campeã olímpica nos Jogos de Milão, a pedir a publicamente a namorada, também atleta na equipa de patinagem, em casamento, na véspera do jogo decisivo. Muitas mais vivem livremente a vida pessoal e são exemplo de dedicação profissional.
Nos últimos meses, a série Heated Rivalry (Rivalidade Escaldante) levantou a questão: o que está implicado quando um atleta masculino, num desporto associado à virilidade - ainda que festejos e rituais de balneário impliquem proximidade -, se sente obrigado a esconder a sua sexualidade? Neste mundo imaginado aborda-se a tensão entre a pressão de gerir uma carreira de sucesso e manter uma relação secreta. Foi tal a influência, que os protagonistas saltaram do ecrã e foram convidados a transportar a tocha olímpica em Milão, mas o peso de uma cultura desportiva onde ser gay é um insulto ainda está longe de ser resolvido.
Há muita gente à espera de se sentir vista, ainda um longo caminho a percorrer."

A liderança que nasce na superação


"Num desporto onde o jogo se decide muitas vezes em segundos, e onde um detalhe pode separar a vitória da derrota, a liderança raramente se mede apenas pelas palavras. Mede-se pela forma como se reage às adversidades, pelo exemplo, pela capacidade de assumir responsabilidades e pela coragem de continuar quando tudo parece apontar na direção contrária

A história recente de Pedro Mano, guarda-redes da Seleção Nacional de futebol de praia, é um exemplo claro disso mesmo. Em 2024, na gala dos Beach Soccer Stars, o internacional português foi eleito Melhor Guarda-Redes do Mundo, distinção atribuída após votação dos capitães e treinadores das seleções nacionais da modalidade. Um reconhecimento que surge no mesmo ano em que Portugal voltou a afirmar-se entre as grandes potências da modalidade, conquistando o Campeonato da Europa.
Mas, para compreender verdadeiramente o significado desta distinção, é preciso olhar para além da gala, dos prémios e das estatísticas. Confessou-me o Pedro Mano − Ser eleito o melhor do mundo significou muito para mim. Significou que todo o trabalho feito valeu a pena e que tudo aquilo que fui construindo ao longo do tempo foi bem feito e com bases fortes.
Para o guarda-redes, o prémio não é apenas um reconhecimento individual, mas também coletivo:
− Significa que tenho à minha volta pessoas que me ajudam, que me puxam para cima e que fazem parte deste caminho.
A liderança que hoje Pedro Mano representa na Seleção Nacional não surgiu por acaso. Nem foi construída apenas nos momentos de vitória. Em 2023, o guarda-redes viveu aquele que descreve como o período mais difícil da sua carreira. O rendimento não correspondia às suas próprias expectativas e a frustração acumulava-se. Chegou mesmo a ponderar abandonar a modalidade.
− O momento mais duro da minha carreira foi quando decidi parar. Sentia que o meu futebol não estava a fluir e que estava longe daquilo que eu próprio esperava de mim −, recordou.
Mas desistir acabou por não ser o caminho. A fé, a persistência e a confiança num propósito maior fizeram-no continuar. Revelou-me:
− Houve uma pessoa que me disse que Deus tinha algo grandioso preparado para mim e que, nos dois anos seguintes, eu seria considerado o melhor guarda-redes do mundo. Confiei, continuei a trabalhar e essa promessa acabou por se cumprir.
Mais do que um episódio pessoal, esta história explica muito do exemplo que hoje exerce dentro do grupo. Porque quem já esteve perto de desistir e conseguiu voltar mais forte passa a liderar pelo exemplo.
No futebol de praia moderno, o guarda-redes deixou de ser apenas um último reduto defensivo. É muitas vezes o primeiro organizador ofensivo, um jogador com capacidade para construir, assistir e até marcar golos. Pedro Mano é um dos melhores exemplos dessa evolução. Explicou-me:
− No futebol de praia moderno, o guarda-redes tem uma grande influência no jogo. Vivemos muitas vezes no limite, porque qualquer erro pode resultar em golo. Mas eu sempre gostei de viver nesse limite. É isso que nos torna diferentes e que nos permite fazer a diferença no jogo.
Essa influência também obrigou o guarda-redes português a reinventar-se. Durante muito tempo, o seu pé direito tornou-se uma arma temida pelos adversários, quer nos remates de longa distância, quer na construção ofensiva. Com o tempo, as equipas começaram a tentar neutralizar essa vantagem. A resposta de Pedro Mano foi simples: trabalhar ainda mais. Começou a desenvolver o pé esquerdo com a mesma intensidade e dedicação. Hoje, o resultado é um guarda-redes imprevisível, capaz de decidir um jogo com qualquer dos pés. Já não é apenas o remate forte de pé direito que preocupa os adversários. Agora tanto pode sair um remate, um passe de rutura ou uma assistência com qualquer dos pés. E essa imprevisibilidade tornou-o ainda mais completo. Mas há um detalhe ainda mais interessante nesta evolução: Pedro Mano não quis apenas responder às equipas adversárias, quis antecipar o jogo. Treinar o pé esquerdo foi também uma forma de tornar o seu jogo menos previsível e de aumentar as soluções ofensivas da seleção portuguesa.
Hoje, quando recebe a bola, as equipas adversárias sabem que podem surgir várias decisões diferentes: remate direto, passe vertical, assistência para finalização ou até condução para criar superioridade numérica. Essa versatilidade é uma das razões pelas quais se tornou uma peça tão influente no modelo de jogo da seleção.
Dentro da Seleção Nacional, os colegas sabem bem o impacto que a qualidade técnica do seu guarda-redes tem no jogo da equipa. Léo Martins, destaca sobretudo aquilo que Pedro acrescenta ao grupo fora do olhar do público. Contou-me:
− Aquilo que o Pedro Mano traz para o balneário é confiança. Confiança no grupo, no jogo e na ideia de que tudo pode dar certo. Mesmo quando estamos em desvantagem ele pede a bola e diz: ‘Podem jogar em mim.’
Essa disponibilidade para assumir responsabilidades é, para o jogador português, uma das marcas da liderança do guarda-redes:
− Uma grande equipa começa sempre com um grande guarda-redes. Muitas das conquistas que alcançámos começaram exatamente aí.
Também André Lourenço, companheiro de seleção, reforça essa ideia:
− Ter o Pedro atrás de nós coloca-nos muito mais perto da vitória. A tranquilidade que transmite permite-nos jogar com mais confiança e arriscar mais.
Num jogo onde qualquer remate pode transformar-se em golo, essa segurança faz toda a diferença. Confessou-me o Léo:
− Sabemos que entre os postes está alguém que nos garante estabilidade. Isso permite-nos jogar mais libertos.
Já Bê Martins, eleito por duas ocasiões o Melhor Jogador do Mundo, destaca outra dimensão da liderança do guarda-redes: a forma como ajuda os colegas:
− Ele está sempre disponível para ajudar, sobretudo os mais novos. Antes dos jogos procura falar com eles, esclarecer dúvidas e ajustar detalhes.
Para o internacional português, o prémio de melhor guarda-redes do mundo é uma consequência natural daquilo que Pedro Mano representa:
− Para além de defender, ele acrescenta muito mais ao jogo. Faz assistências, marca golos e ajuda a controlar o ritmo da equipa. Por isso é mais do que merecido ser considerado o melhor do mundo.
Apesar do reconhecimento individual, Pedro Mano garante que a ambição da seleção continua intacta:
− A nossa seleção já ganhou muito, mas isso faz parte do passado. O que nos move é continuar a acrescentar novos títulos à história.
A mentalidade competitiva continua a ser a principal força do grupo. Acrescentou-me:
− Nunca estamos satisfeitos. Mesmo quando ganhamos, continuamos com vontade de ganhar ainda mais.
Essa fome parece infinita e é isso que nos mantém competitivos. Essa cultura foi transmitida pelos jogadores mais experientes ao longo dos anos e continua a marcar a identidade da seleção portuguesa. Hoje, o grupo mistura jogadores experientes com novas gerações, mas a mentalidade mantém-se intacta: competir sempre para ganhar.
A liderança de Pedro Mano não se esgota no que acontece dentro das quatro linhas de areia. Fora do campo, o guarda-redes assume também um papel importante na valorização da modalidade. Apesar do crescimento internacional do futebol de praia, o jogador reconhece que ainda há espaço para evoluir, sobretudo ao nível da profissionalização dos clubes.
− Sinto que o futebol de praia tem vindo a conquistar o reconhecimento que merece, sobretudo por parte das pessoas que estão realmente envolvidas na modalidade. Claro que há sempre espaço para melhorar, mas acredito que uma maior profissionalização dos clubes em Portugal poderia ajudar a modalidade a crescer ainda mais.
Ao mesmo tempo, deixa uma mensagem clara: profissionalismo não depende apenas da estrutura da modalidade:
− O facto de a modalidade não ser totalmente profissional não significa que os jogadores não possam ser profissionais. O profissionalismo depende muito da forma como encaramos o nosso trabalho.
No final, a história de Pedro Mano é também uma história sobre liderança. Não apenas a liderança visível dentro de campo, feita de remates improváveis, defesas decisivas e passes que desbloqueiam jogos. Mas também a liderança silenciosa que nasce da capacidade de superar momentos difíceis, de evoluir e de continuar a trabalhar quando poucos acreditariam. Quando olha para o futuro, o guarda-redes português não fala apenas de títulos:
− Gostava que me recordassem como alguém que marcou uma geração e que ajudou a tornar a nossa seleção mais forte. Alguém que dignificou o nome de Portugal pelo mundo.
Mais do que um prémio individual, ser considerado o melhor do mundo é uma consagração que representa algo maior: a continuidade de uma cultura vencedora que transformou o futebol de praia português numa referência mundial. E nas areias onde tantas histórias se escrevem, a de Pedro Mano já ocupa, com mérito próprio, um lugar entre as mais marcantes.

Nota final: Um muito obrigado ao Pedro Mano, Léo Martins, Bê Martins e André Lourenço por terem colaborado neste artigo."

O tempo dos patrocínios à moda antiga acabou


"As marcas deixaram de pagar por emoções vazias. O patrocínio moderno não vive mais da magia do jogo, vive da prova do retorno. Num mercado global onde o investimento em patrocínio ultrapassou os 115 mil milhões de dólares em 2025, segundo dados recentes da Accio, e onde metade desse crescimento é impulsionado por digitalização e dados, a lógica mudou por completo.
Já não basta aparecer numa camisola ou numa placa qualquer num pavilhão. As marcas querem impacto mensurável, relação direta com o adepto, conteúdos que provoquem comportamento e métricas que expliquem cada euro investido. A Nielsen confirma esta viragem: 72% dos patrocinadores avaliam hoje o sucesso pela profundidade de engagement e pelo alinhamento de valores, e não pela visibilidade isolada.
É um corte radical com décadas de tradição no marketing desportivo, mas é também um sinal claro de maturidade da indústria. Esta mudança tem uma causa simples: os adeptos mudaram. O consumo é fragmentado, social e personalizado. O que conta não é a presença, é a relevância.
É por isso que o futebol, responsável por 41% de todos os patrocínios no mundo e com 67% dos seus adeptos mais recetivos a marcas do que a média global, tornou-se o laboratório ideal para novos modelos de ativação. Mas mesmo no futebol, o retorno já não é garantido pois depende da capacidade de transformar audiência em comportamento.
Ao mesmo tempo, áreas emergentes como o desporto feminino estão a atrair investimento estrutural, não por moda, mas porque o crescimento é real: a WNBA aumentou 31% de base de adeptos em dois anos, segundo a Nielsen, e tornou-se um ativo comercial relevante para marcas que procuram inclusão, progressividade e públicos jovens.
A isto junta-se uma segunda força decisiva: a consolidação dos investimentos. O relatório Global Sponsorship Trends 2025 mostra que as marcas estão a concentrar os seus portefólios em menos modalidades, mas maiores, melhores e mais mensuráveis. E aqui está o ponto crítico: quando as marcas reduzem parceiros, Portugal tem um problema.
Não pela falta de talento ou emoção, mas pela falta de escala e de produto. O país continua a vender patrocínio com discursos de paixão e não com dashboards de performance. Fora do futebol, a maioria das modalidades vive de pequenos apoios porque não oferece aquilo que o mercado pede: dados integrados, ativação digital, CRM, métricas e uma narrativa contínua que ligue o adepto à marca.
No futebol, os três grandes ainda conseguem compensar pela dimensão, mas isso não é sustentável para o ecossistema. E mesmo os grandes terão de se adaptar rápido: no patrocínio moderno, o que vale não é o número de adeptos no estádio, é o que se sabe sobre eles.
A terceira força é a tecnologia. O crescimento explosivo da inteligência artificial no desporto obriga clubes, ligas e federações a repensar o produto. A personalização já não é uma tendência é um requisito. Quando a Accio destaca que o patrocínio digital e as ativações tecnológicas representam 43% de todo o valor gerado em 2025 e que o mercado caminha para 160 mil milhões até 2030 impulsionado por dados e experiências imersivas, o recado é claro: quem não souber operar em dados será invisível para as marcas.
Um patrocínio que não permita medir exposição, conversão e retenção deixa de ser patrocínio e passa a ser um custo emocional. E isso já não tem espaço num mercado profissionalizado. Portugal precisa de acelerar esta transição. O país tem talento, narrativa e emoção, mas falta-lhe indústria.
Continuamos a ver patrocinadores a comprar visibilidade quando o mundo compra performance. Continuamos a negociar propriedades isoladas quando o mercado exige ecossistemas integrados. Continuamos a oferecer inventário quando devíamos oferecer impacto.
O que está em causa não é o futuro do patrocínio, é o futuro da sustentabilidade do desporto português. As marcas já mudaram. Os adeptos já mudaram. Só falta o sistema mudar também. Porque no desporto moderno, emoção sem dados é poesia, mas impossível de financiar. O Record Recomenda para si."

DAZN: F1 - GP da China

segunda-feira, 16 de março de 2026

5.ª Taça da Liga

Benfica 7 - 1 Elétrico

Competência, resume a vitória do Benfica nesta Taça da Liga! É verdade que nas meias-finais, vencemos nas penalidades, onde marcámos todas, mas numa competição curta, demonstrámos concentração, principalmente no processo defensivo! O Porto Salvo esta época, está a jogar a um nível muito alto, mas não tem o nome do nosso principal adversário... os jogadores podiam pensar que com a eliminação do Sporting, a vitória estava no papo, mas isso não aconteceu. Quem viu os jogos, observou um Benfica sempre muito agressivo na defesa... e quando isso acontece, ofensivamente os golos vão sempre aparecer, com a qualidade dos nossos jogadores!

Vitória importante, depois da frustrante eliminação na Champions.

Não é fácil eleger um MVP desta Fase Final, mas destaco a Silvestre. Não porque foi o melhor, mas porque esta época, e nestes jogos em particular, voltou a demonstrar que evoluiu muito e hoje é um dos jogadores mais importantes do plantel. Um jogador que no último Verão, para alguns era dispensável!!!

Já ganhámos Taças, nas penalidades, hoje perdemos...

Benfica 1 (4) - (5) 1 Nun'Álvares
(Sara, Fifó, Janice, Angélica)

Derrota na lotaria, num jogo muito equilibrado, muito físico, com o adversário a rematar mais, mas nas oportunidades reais, tudo muito empatado! Aliás a melhor oportunidade foi mesmo no prolongamento, quando o Nun´Alvares arriscou o 5x4 e a Fifó no contra-ataque sem guarda-redes na baliza, não conseguiu marcar!!!

O jogo feminino está cada vez mais parecido com os homens! Muita velocidade, pouca bola no pé, muito contacto físico, pessoalmente não gosto... e neste caso, nesta secção, obriga a uma renovação na secção nos próximos anos, porque temos algumas veteranas que não vão aguentar esta transição!

Vitória complicada...

Sp. Tomar 2 - 3 Benfica

Estivemos sempre em desvantagem, do 1-0, para o 1-1, para o 2-1, até que finalmente consolidamos a reviravolta para o 2-3 a 6 minutos do fim!
Esta tem sido quase sempre uma deslocações mais complicadas, mas mesmo com as dificuldades, mantemos a invencibilidade...

Final perdida...

Benfica 2 - 3 Sporting
22-25, 28-26, 23-25, 25-21, 21-23

Jogo que podia ter caído para os dois lados, mas quando temos 5 pontos de vantagem na negra (8-3), não podemos perder!

A equipa está mais competitiva do que no início da época, mas ainda não foi suficiente...

Juvenis - 7.ª jornada - Fase Final

Alverca 1 - 1 Benfica
Ferreirinha


Marcámos de penalty aos 84', mas aos 97' minutos, penalty contra o Benfica!

Benfica FM: Ainda bem que tem jeito para a bola!!!

Falar Benfica - Os Rapazes da Gomes Pereira #6

O Benfica Somos Nós - S05E49 - Arouca...

Mourinho e Seixal? Prova de fogo será em 2026/27


"A aposta convicta na formação surge como o caminho mais sensato para garantir a sustentabilidade de um clube, especialmente no contexto do futebol português. No entanto, esta é uma via complexa, onde a pressão constante e a exigência dos adeptos nos grandes clubes condicionam frequentemente as decisões da estrutura e obrigam a alterar o que estava planeado.
Para vencer, tanto internamente como nas competições europeias, torna-se necessário encontrar um equilíbrio delicado entre a irreverência dos jovens talentos e a qualidade superlativa das contratações estrangeiras. No Benfica atual, este dilema é particularmente evidente.
José Mourinho tem acompanhado de perto o talento que brota do Benfica Campus, no Seixal, promovendo vários jovens ao plantel principal e concedendo-lhes minutos de utilização. Contudo, nota-se uma preocupação clara do treinador em não queimar etapas. O objetivo é evitar precipitações que possam comprometer o crescimento dos atletas ou a competitividade imediata da equipa, assegurando, em paralelo, uma gestão eficaz dos egos no balneário.
Embora a visibilidade dada aos jovens demonstre que Mourinho tem noção do quadro geral do clube, lançar nomes de forma definitiva a meio de uma temporada é sempre uma tarefa ingrata. Para que exista uma aposta efetiva naqueles que estão prontos a dar resposta, parece fundamental o planeamento de uma pré-época completa — algo que Mourinho não teve, por ter entrado apenas em setembro.
Se olharmos para o passado recente, treinadores como Bruno Lage ou Roger Schmidt deram palco a figuras como João Félix, Florentino Luís, João Neves, João Rego, Tomás Araújo, António Silva ou Gonçalo Ramos. Já Mourinho, desde a sua chegada, chamou nomes como Rodrigo Rêgo, Banjaqui, José Neto, Anísio Cabral, Kevin Pinto ou, para o jogo de sábado em Arouca, Miguel Figueiredo, mas ainda de forma pontual.
A verdadeira prova de fogo para esta visão estratégica chegará na temporada 2026/27. Será nessa altura que o técnico terá a possibilidade de desenhar um plano desde a raiz, potenciando o entusiasmo dos adeptos e o retorno financeiro que só o Seixal garante. Obviamente, o recrutamento externo continuará a ser vital, mas a realidade financeira exige que jogadores acima dos 20 milhões de euros façam a diferença imediata, mesmo havendo a noção de que os atletas têm tempos de adaptação e de resposta diferentes.
O risco nas contratações deve, porém, ser minimizado, e também não tapar o espaço de progressão aos miúdos da casa. Apostar na formação e continuar a ganhar não é um desafio fácil, mas se fosse, não estaríamos a falar de futebol profissional, do Benfica ou de José Mourinho."

O que o futebol português podia aprender com o Bodo


"O Bodo/Glimt podia ser um grande exemplo para muitos clubes de cidades pequenas em Portugal. Só não é, muitas vezes, porque por cá continuamos a olhar para os clubes como fontes de rendimento ou como plataformas para alcançar estatuto social. Mercado de valores é o espaço de opinião de Diogo Luís, antigo jogador de futebol, economista e comentador

O Sporting saiu da Noruega com uma derrota pesada (0-3). Para chegar aos quartos de final, os leões terão de olhar primeiro para dentro e fazer um jogo quase perfeito frente à equipa sensação da UEFA Champions League. Mas o que faz do FK Bodo/Glimt um caso tão especial no futebol europeu?

Ligação à cidade
O primeiro ponto de partida para um clube crescer de forma sustentada é ter uma base de apoio sólida. O FK Bodo/Glimt está inserido numa cidade com cerca de 50 mil habitantes, a cidade de Bodo. À partida, a dimensão da população podia ser um entrave ao crescimento e ao sucesso do clube. No caso do Bodo/Glimt aconteceu exatamente o contrário. Essa base de apoio, pequena mas extremamente fiel, é hoje uma das maiores forças do clube. Para crescer, os clubes precisam de conhecer os seus pontos fortes e fracos — e saber potenciar uns e compensar outros.
Quem dirige o Bodo percebeu isso desde cedo. Por isso mesmo, o estádio tem apenas cerca de oito mil lugares. Um número aparentemente pequeno, mas ajustado à realidade do clube. Os adeptos estão sempre presentes, sentem orgulho na equipa e identificam-se com a Direção, com o treinador e com os jogadores. Essa ligação cria algo muito poderoso: o futebol torna-se também uma forma de projetar a cidade no mundo. Para termos uma ideia da dimensão, a cidade de Bodo tem praticamente o mesmo número de habitantes que Évora.
Joguei vários anos em Aveiro, uma cidade que hoje tem cerca de 80 mil habitantes. No início dos anos 2000 sentia-se claramente o orgulho e o sentimento de pertença das pessoas em relação ao clube da cidade, o SC Beira-Mar.
Era um clube especial. O problema do Beira-Mar, e de muitos outros clubes espalhados por Portugal, é que quem os dirige muitas vezes não percebe que a sua maior força está precisamente nessa ligação com a comunidade. Em vez disso, transformam-se os clubes em entrepostos de jogadores ou em plataformas para investidores. Os clubes que perdem a ligação com as suas gentes acabam, quase sempre, por ter o destino traçado.

Visão
Perceber que o meio envolvente é determinante para o crescimento sustentado de um clube é fundamental. Um clube não vive isolado: faz parte de uma cidade e de uma comunidade. Quanto mais forte essa ligação, maiores as hipóteses de crescimento.
Para que isso aconteça, é necessário criar condições que tornem a ligação entre o clube e a sociedade o mais forte possível. Aqui entram dois aspetos essenciais. O primeiro tem a ver com quem dirige o clube. Transparência na gestão, boas práticas e respeito pelos adeptos são fatores decisivos. Um clube com este tipo de mentalidade valoriza-se a si próprio, valoriza a cidade que representa e pode transformar-se numa verdadeira bandeira dessa cidade para o país e para o mundo.
O segundo aspeto passa por tornar o clube atrativo do ponto de vista desportivo. Para isso é importante que exista uma identidade clara e que os adeptos se revejam nela. Não existem fórmulas universais: cada clube e cada cidade terão de encontrar o seu próprio caminho. No caso do FK Bodo/Glimt, percebe-se que esse caminho foi trabalhado e consolidado ao longo do tempo.
Hoje os adeptos identificam-se com a forma como o clube é gerido e com a forma como a equipa joga. É uma equipa intensa, agressiva e sempre à procura do golo. O jogo torna-se emotivo e vibrante, e isso faz com que os cerca de oito mil adeptos que cabem no estádio queiram estar presentes jogo após jogo.

Projeto desportivo
O objetivo do FK Bodo/Glimt é ter sucesso desportivo de forma sustentada. O clube não dá passos maiores do que a perna e mantém sempre os pés bem assentes no chão. O facto de vários jogadores regressarem ao clube ao longo dos anos demonstra bem o ambiente de confiança e estabilidade que ali se vive. Muitos encontram em Bodo um contexto onde se sentem confortáveis, valorizados e seguros para evoluir.
O sucesso desportivo do clube não está assente em grandes compras ou vendas de jogadores. Está assente, acima de tudo, numa ideia de jogo clara, que vem sendo trabalhada, afinada e consolidada ao longo dos últimos anos. Muito deste trabalho tem também a ver com a estabilidade da equipa técnica, liderada por Kjetil Knutsen.
No futebol atual é raro ver um treinador permanecer tantos anos no mesmo clube, sobretudo quando começam a aparecer resultados e visibilidade internacional.
Naturalmente, Knutsen terá recebido e continuará a receber propostas mais atrativas financeiramente. Mas a solidez do projeto desportivo do Bodo/Glimt, a estabilidade do clube e a confiança no trabalho desenvolvido parecem compensar essas ofertas. Isso diz muito sobre o tipo de ambiente que foi criado no clube. O perfil de jogador está bem definido e bem identificado.
A base do sucesso está no coletivo. Os jogadores contratados encaixam nas ideias e na filosofia do treinador, do clube e até da própria cidade. Como disse o treinador do Bodo no final do jogo com o Sporting: «O Bodo é isto. Jogamos sempre da mesma forma.»
É evidente que a equipa também estuda os adversários, mas a sua maior força está naquilo que sabe fazer e que tem vindo a consolidar ao longo do tempo. A coragem, a personalidade e até a ousadia que demonstram quando enfrentam equipas de maior dimensão são impressionantes. O treinador e os jogadores que compõem o plantel parecem feitos à medida deste estilo de jogo.
Tudo isto assenta numa forte cultura desportiva, onde os adeptos têm também um papel determinante. Gostam de ver a forma como a equipa joga, gostam de ganhar e gostam de ver a sua cidade nas bocas do mundo. Mas também têm a maturidade para perceber que nem sempre se ganha — e demonstram-no com enorme desportivismo.
Essa forma de estar acaba por reforçar ainda mais a identidade do clube e da cidade. O Bodo/Glimt podia ser um grande exemplo para muitos clubes de cidades pequenas em Portugal. Só não é, muitas vezes, porque por cá continuamos a olhar para os clubes como fontes de rendimento ou como plataformas para alcançar estatuto social.
No Bodo/Glimt, ganhar não é o objetivo principal. Ganhar é apenas a consequência de um trabalho sério, racional e sustentado que vem sendo feito há muitos anos.

A valorizar: Farioli
Nos momentos de decisão está a aparecer o melhor FC Porto.

A desvalorizar: António Miguel Cardoso
A forma como despede treinadores diz muito mais dele do que dos técnicos."

BF: Melhores...

Terceiro Anel: Diário...

Observdaor: E o Campeão é... - O Benfica tem a "semana limpa" e ainda joga assim?

Vitória com alma


"Esta edição da BNews é dedicada à atividade desportiva do Benfica no fim de semana.

1. Luta até ao fim
O Benfica ganhou por 1-2 em Arouca, com o golo do triunfo a ser apontado no tempo adicional.

2. Man of the Match
Os melhores lances de Ivanovic, considerado o homem do jogo.

3. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, os dois golos marcados pelo Benfica ao Arouca.

4. Na final da Taça de Portugal
O Benfica ganhou, por 1-3, ao Vitória SC e está na final da Taça de Portugal de voleibol. O jogo derradeiro é hoje, às 16h15, com o Sporting, em Albufeira.

5. Nas finais da Taça da Liga
Depois da equipa masculina, também a equipa feminina de futsal do Benfica, ao ganhar por 3-0 ao Atlético, obteve o apuramento para a final da Taça da Liga.
A final no feminino, com o Nun'Álvares, é às 14h00. No masculino, com o Eléctrico, é às 18h00. Ambas são disputadas hoje no Multiusos de Gondomar.

6. Outros jogos do dia
Hoje há duas partidas de hóquei em patins: a equipa masculina do Benfica visita o SC Tomar (18h00); a equipa feminina defronta a Escola Livre na Luz (19h00).

7. Outros resultados
No futebol de formação, a Equipa B do Benfica foi derrotada por 1-0 no reduto do Paços de Ferreira e os Juniores ganharam, por 4-0, ante o Famalicão; os Juvenis empataram em Alverca por 1-1.
A equipa masculina de basquetebol venceu, por 106-68, ante o Queluz. E houve vários jogos de equipas femininas: no futebol, empate a dois golos com o Valadares Gaia; em andebol, vitória por 31-25 frente ao CJ Almeida Garrett; em hóquei em patins, goleada por 1-9 no rinque do HC Maia; no polo aquático, apuramento para as meias-finais da Taça de Portugal ao derrotar o Sporting por 5-28.

8. Casa Benfica Castro Verde
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 23.º aniversário."

Ah ah ah ah ah ah MAIS SPORTINGUISTAS EM LISBOA?


"1. Este não é um post sobre sucesso desportivo nesta fase da vida dos dois clubes. Para mim só contam os títulos do futebol e, depois, das modalidades, não me interessam nem alguma vez alguém aqui me viu fazer publicações em gáudio com recordes do Guiness, clube mundial mais lucrativo em vendas ou outros.

2. Este post pretende apenas lembrar à Pitagórica, empresa de sondagens que informou em outubro do ano passado que o Sporting tinha em Lisboa mais adeptos do que o Benfica, coisa que todos sabemos, mesmo que apenas por intuição ou por simples observação da realidade que nos rodeia, não passar de mais uma grotesca conclusão de uma empresa de sondagens - a somar a tantas outras.

3. Só nas mesas eleitorais instaladas nos pavilhões da Luz votaram muito mais sócios do Benfica do que os do Sporting em todo o país.

4. Por mais que a grandeza do Benfica seja universal - e é! -, quem não sabe que o clube tem em Lisboa uma concentração de adeptos tal que impossibilita que qualquer outro clube português se lhe possa alguma vez comparar?

5. Também é escusado alegarem que a sondagem da Pitagórica refer adeptos e os números das eleições dizem respeito a sócios. Porque, em verdade, os sócios emanam dos adeptos e nenhuma sondagem da Pitagórica chegará algum dia a entrevistar, nem de perto nem de longe, a quantidade de sócios que votaram nas eleições dos clubes.

6. Já agora, dos 18.268 votantes das eleições do Sporting, mais de 4 mil não puderam ver os seus votos considerados, facto que também diz muito da grande diferença do nível da organização de uma e outra eleição.

7. Por fim: o superior nível das intervenções de José Pereira da Costa, presidente da MAG do SL Benfica, sobre o andamento e os resultados das eleições, quando comparado com as do seu homólogo do Sporting CP, foram do dia para a noite."

‘Casuals’, mas não casuais


"A violência global baixou e isso é uma boa notícia, mas a violência sectária está a aumentar e é mais perigosa; os clubes estão obrigados a reagir de forma mais musculada e as cores pouco interessam

O mais recente levantamento de casos de violência no futebol em Portugal após a primeira volta do campeonato trouxe boas notícias. Afinal, de acordo com o Ponto Nacional de Informação Desportiva da Polícia de Segurança Pública, o número total de ocorrências diminuiu de 3.096 para 1.951 em comparação com o período homólogo.
Os números detalhados revelam queda acentuada no uso de pirotecnia (de 2.014 para 1.225 casos), registou-se uma redução nas ofensas à integridade física, nas injúrias e ameaças e nos incidentes de incentivo à violência, racismo e xenofobia, dados inquestionavelmente positivos.
Mas o mesmo relatório fala da expansão dos casuals, os adeptos considerados mais perigosos e violentos e que colocam em causa a segurança de uma maioria esmagadora que só pretende ir assistir ao uma partida de futebol.
Não é fácil parar este fenómeno. Os movimentos ultrapassam fronteiras locais e nacionais e o mais recente exemplo ocorreu em Madrid: por causa do comportamento de 30 elementos croatas com ligação às claques do Benfica (o uso da palavra claques não é erro), as forças de segurança espanholas carregaram sobre muita gente inocente.
Esta é uma das maiores injustiças dos movimentos de massas: quando a maioria orgânica é prejudicada por uma minoria pequena, mas com capacidade de organização e mobilização; quando um jogo é interrompido por pirotecnia excessiva em nome da afirmação de um grupo e não do clube que supostamente apoia.
Seja por receio ou por incapacidade, os clubes não têm feito tudo o que podem e devem para afastar de vez quem pouco contribui para o espetáculo e se serve (e pouco serve) o futebol. Atualmente há meios disponíveis para combater de forma mais eficaz quem prevarica mas não se vê uma resposta musculada dos dirigentes (em especial aos três grandes) a cada ato de vandalismo registado no estrangeiro e que tantas vezes tem prejudicado as respetivas equipas pela ausência de apoio (de todos, portanto)nas bancadas.
Pena é que este tema seja tantas vezes tratado de forma sectária, como se os ultras azuis fossem melhores que os vermelhos e verdes e vice-versa. Nunca me canso de dar este exemplo: há uns anos, num dérbi com o Torino, radicais da Juventus exibiram uma tarja que gozava com a tragédia de Superga. No próprio dia, o presidente Andrea Agnelli condenou veementemente a atitude de quem veste as mesmas cores. Tudo isto tem muito a ver, também, com a cultura."

Flamengo, São Paulo e o absurdo


"O despedimento de Filipe Luís pelo presidente do Flamengo correu mundo: afinal, não é comum um treinador ser demitido após uma vitória por 8-0 numa meia-final de um torneio e menos de três meses depois de conquistar os dois principais títulos em disputa na época anterior, o Brasileirão e a Taça dos Libertadores. A ideia que essa decisão alucinante transmite é que, a prazo, todos os protagonistas perdem com a troca.
Filipe Luís, logicamente, perde o emprego. A direção do Fla perde credibilidade, conceito tão caro aos gestores que a encabeçam, além de dinheiro com indemnizações, outro conceito muito caro aos gestores que a encabeçam, e até boa imprensa, mais um conceito muito caro aos gestores que a encabeçam.
E Leonardo Jardim, o substituto de Filipe Luís? Além de perder uma relação conquistada a pulso com o Cruzeiro, a quem se declarara em agosto, o treinador português tem, sobretudo, pouco a ganhar. O que pode fazer Jardim, por melhor treinador que seja, e é-o, para superar o trabalho de Filipe Luís? Tem, no mínimo, de ganhar os difíceis e competitivos Brasileirão e Libertadores, como o antecessor. E ainda acrescentar a Copa do Brasil, que também não é propriamente trivial. Ou a Taça Intercontinental no fim do ano frente a um Real Madrid, Bayern, Arsenal, Paris Saint-Germain ou tubarão que o valha. Tudo isso a jogar um futebol (ainda) mais atraente que o do Mengão de Filipe Luís, caso contrário os mal habituados adeptos vaiam.
Sim, claro, tem a ganhar um salário principesco e arrisca-se a conquistar títulos, se não aqueles todos, pelo menos alguns, como ficou provado no fim de semana passado, quando, com meros 90 minutos de clube, levantou logo uma taça. Veremos. Mas, para já, é a mais absurda troca de comando do futebol brasileiro dos últimos anos. Ou era.
Uma semana depois, Hernán Crespo foi despedido do São Paulo mesmo liderando, surpreendentemente, o Brasileirão a meias com o poderoso Palmeiras e já seis pontos de avanço sobre, entre outros, o citado Fla. Surpreendentemente porque o São Paulo é um gigante que vem sendo prejudicado por gestões ruinosas e fraudulentas consecutivas, como, por exemplo, a de Julio Casares, alvo de impeachment já este ano — Crespo conseguiu manter a equipa, que não é tão valiosa quanto isso, incólume à confusão diretiva.
Bom, mas foi eliminado pelo Verdão na meia-final do estadual. Sim, mas isso foi nove dias antes de a direção decidir agir. Ou seja, numa pausa de 11 dias sem jogos, o São Paulo demitiu o treinador 48 horas antes do desafio seguinte. O Fla agradece: já ninguém fala mais do despedimento de Filipe Luís após um 8-0."