O INDEFECTÍVEL
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Últimas indefectivações
sábado, 16 de maio de 2026
Quem rouba a ladrão...!!!
Conta Lá, @ligaportugal pic.twitter.com/R3wyR4Pg0P
— Fever Pitch (@Fever_PitchFC) May 15, 2026
Dani Rojas e a ficção que se torna realidade
"Um dos protagonistas de “Ted Lasso”, uma das séries que me salvou na pandemia, conseguiu um contrato profissional como uma equipa de futebol. Boas notícias. Já o mundo que verá a nova temporada da trama é bem diferente de quando ela apareceu, fresca e otimista, quando achávamos que Trump era um mal de passagem
Cada um teve as suas pequenas salvações durante os confinamentos da pandemia. Eu, que passei os dois sozinha, lembro-me de quão especial se tornou a cervejita que reservava para cada jantar de sexta-feira. Ou da lista das melhores pizzas margaritas de Lisboa que me obcequei a fazer, com muitos e específicos parâmetros de avaliação. Pequenos prazeres em tempos incomuns.
E havia, claro está, à falta de outra, a companhia da televisão. Durante a pandemia houve duas séries que me salvaram. A primeira foi “How To with John Wilson”, uma espécie de canivete suíço, um manual de instruções para momentos específicos da vida. Por exemplo: como fazer conversa de circunstância, como dividir a conta, como cozinhar um risotto perfeito ou, o meu preferido de todos, como montar andaimes, os 28 minutos de televisão que mais me emocionaram nos últimos anos.
John Wilson, etnográfico-mor do novaiorquismo, esteve na última semana em Lisboa para apresentar o seu filme “A História do Cimento” (sim, precisamente, a história do cimento). E eu culpo-vos a todos por ninguém me ter avisado que ele vinha.
E depois houve “Ted Lasso”. Lembrei-me de “Ted Lasso” esta semana porque a ficção verteu para a realidade, à sua escala. Cristo Fernández, o ator que faz de Dani Rojas (“Football is life!”), um dos craques do ficcional A.F.C. Richmond, foi contratado por uma equipa do segundo escalão do futebol norte-americano, o El Paso Locomotive. Não é propriamente a Premier League, mas é um contrato profissional. É uma história bonita, quando elas não abundam.
No verão, a série vai voltar, mas com um plot diferente, focado na equipa feminina do A.F.C. Richmond. Receio é que o espírito da série se tenha perdido para sempre entre os terríveis sinais dos tempos.
A primeira temporada de “Ted Lasso” estreou com o primeiro mandato de Donald Trump a cair de podre, com o ar da mudança a chegar, uma brisa esperançosa de que os anos de trevas estavam a passar e tinham sido apenas um interlúdio enganador. Um mal que se dissiparia, o mundo curar-se-ia naturalmente. Era uma série de comédia otimista e não cínica e, mais, tornava os norte-americanos mais simpáticos aos olhos europeus. Relembrou-nos a todos da importância das palavras de Walt Whitman: sê curioso, não julgador.
Olhando para o mundo hoje, para os Estados Unidos, parece que foi há uma vida e não há apenas seis anos. O interlúdio tornou-se política, ser julgador e não curioso uma forma de estar aparentemente normal, respaldada até por quem manda.
Dificilmente a nova temporada de “Ted Lasso” nos levará de novo para esses dias em que o céu clareava. Que sirva ao menos para dar umas risadas, pronto."
Houston? Soccer nem vê-lo
"Astros para aqui. Astros para ali. Astrologia completa. E não estou nem doido nem ainda afetado pela ultima e gloriosa Missão Lunar. Simplificando: o Houston Chronicle e as suas páginas desportivas, mais preocupados com o team de Baseball da metrópole texana, ligam pouco ao soccer.
A seguir ainda há o famoso draft da NBA e as hipóteses dos Rockets, a famosa marca de Basquetebol. A retirada de PJ Tucker, que o Jornal considera um herói local, pois esteve 14 temporadas na equipa. Um atleta que nunca tendo chegado a um nível superior, ganhou respeito e consideração de todos. E o tal de “ soccer”, esse estranho jogo com os pés mas muitas vezes decidido pelas mãos? O jornal dedica uma crónica à vitoria do Dynamo e aos dois golos marcados por um tal de Jack McGlynn, na vitoria fora sobre o Los Angeles FC!
A um mero mês do início da competição, as nuvens negras acumulam -se e alguns dos receios provocados pela atual situação geopolítica mundial acumulam -se. O Chronicle, como muitos outros periódicos estaduais, preocupa-se com os preços absurdos dos bilhetes, o “dynamic price", que e segundo o Chronicle afasta os simples fans do tal jogo esquisito dos estádios.
O temporariamente intitulado Houston Stadium receberá sete partidas no Mundial. E a montante: nos anos 90 os LA Galaxy jogavam no lendário Pasadena Bowl. Quase todos os fans eram hispânicos e com muito sentido de humor alguém me disse que era para facilitar o trabalho da “Migra”, nome mais fofinho para a inqualificável Ice.
A Oitava sabe que existe algum receio que em 2026 o trabalho da “ Migra” vai ser ainda mais fácil. E fazendo um transfer para as series dos Duffer Brothers, os produtoras da mega famosa Stranger Things), termina mais uma edição especial da Oitava dedicada ao Campeonato do Mundo de FUTEBOL, pedindo emprestado o título de uma das suas séries: Something Very Bad is Going to Happen! Cedo ainda para sentir um mau feeling que esta World Cup pode dar para o torto? Quem sabe, mas em 2030 o Futebol Volta a Casa !!!"
Um dia, tudo mudou
"Sentei-me para escrever este texto poucas horas antes de levantar o meu primeiro troféu como futebolista profissional. Trinta e três anos e um frio na barriga que me faz lembrar dos 13.
Era uma vez uma época que se fez com um início banhado em humildade. A equipa demonstra rapidamente nível de campeão, mas os primeiros jogos são uma sucessão de bolas que batem no poste e... saem.
Fechamos os olhos e estamos no jogo inaugural, em casa, concentração máxima... Expulsão aos 4 minutos de jogo. É difícil imaginar um início mais atribulado. Jogamos, marcamos, e marcamos outra vez; o feeling de campeão. Mas empatamos 2-2. Poucos dias depois, eliminatória da Taça com o Al Shabab, equipa de primeira Liga liderada por Yannick Carrasco. Ao minuto 104 sofremos o golo do empate! Mais uma vez superiores, mas eliminados nos penáltis. No regresso ao campeonato, passamos 45 minutos naquilo que parece um jogo contra juvenis (tal é o nível de campeão que sentimos em campo). Um sólido 1-0 termina 2-3 e mais um banho de água gelada. O jogo mais difícil de digerir da temporada.
O único feeling possível é o de encarar a época por aquilo que estes jogos nos mostravam o que iria ser: um trabalho longo e demorado, cheio de pedras pelo caminho. Pelos vistos, guardámo-las todas. Seguiram-se oito meses de construção do castelo mais alto que esta Liga já conheceu.
No total, podemos falar em nove meses de luxo desportivo no Abha Club: o nosso trajeto fez-se de 28 jogos seguidos (!) sem perder, um domínio sem igual na história deste campeonato e, individualmente, aquele papel de que eu gosto, que me motiva e do qual desfruto — o de liderar um grupo, marcar um ritmo e unir a malta. Curiosamente, a melhor época de sempre veio numa altura em que a minha vida já não se resume apenas às quatro linhas.
Quem não gosta de um bom desafio?
É constante a dicotomia no futebol entre a expectativa dos resultados e a construção de um qualquer caminho de sucesso. A nossa carreira, no seu todo, padece do mesmo mal. A cada final de época, de contrato, tentamos tomar decisões para as quais ninguém nos prepara: o futebol profissional não tem curso de faculdade. Tão-pouco me parece que a indústria queira que o jogador esteja preparado para esses momentos de decisão — fala, aqui, a voz da experiência.
Por trás desta voz está um adepto de psicologia: aquela que dá ferramentas, que gosta de separar bem aquilo que recai ou não sobre a nossa esfera de controlo. Num certo verão, refém daquilo que não, começo um caminho que me traz até esta página, cortesia de A BOLA.
Sempre me fui afastando, tranquilamente, da tradição imposta ao jogador: limitar-se a treinar e a jogar. Nunca fui muito fiel a esse protótipo, mas é curioso que desde os meus primeiros passos conscientes em direção ao Afonso Taira ex-jogador, o sucesso desportivo não me deixa da mão. É chato para os eternos críticos, que depois de uma derrota atiram-se ao pescoço dos que tentam coisas diferentes, mas eu só tenho a agradecer. Quem traz boas intenções começa, sem querer, a perguntar o que queremos fazer depois dos relvados. São pequenos lembretes inocentes de que a idade avança. Se estivermos bem preparados, estes momentos transformam-se apenas na clareza de começar a fazer a transição de carreira bem antes do nosso último golo.
Sou, sim, fiel a caminhos abrangentes. Penso que a minha única especialização em campo é o primeiro toque — tudo o resto na minha vida segue essa influência de interesses pouco individualizados. No relvado, é o coletivo que me inspira. Fora dele, fazendo uma breve visita ao passado, o padrão mantém-se: a licenciatura que escolhi foi em Gestão — possivelmente, um dos cursos menos especializados do cardápio. Caprichosamente, tenho muita dificuldade em responder à pergunta sobre o futuro e, para não destoar, escolhi ser abrangente.
Optei por comunicar porque a voz do jogador profissional tem, quase sempre, data de validade. É feitio — do mundo do futebol, entenda-se. Poucas vozes fazem eco depois da fase dos relvados, ficando pelo caminho muitas ideias, mensagens e histórias que poderiam contribuir para a evolução do nosso desporto. O meu trajeto ditou o Médio Oriente como sede atual futebolística e familiar — o que pode parecer um contrassenso para quem se quer fazer ouvir em Portugal —, mas nunca a minha voz foi tão ouvida.
O meu interesse por futebol, especialmente pelo espaço que ele pode representar para mim no futuro, evolui constantemente e tem ganho formas que também fogem das quatro linhas. Uma das perguntas para as quais não tenho resposta tem a ver com o futebol enquanto produto. Como é que os adeptos do futuro o vão consumir? As perguntas sem resposta são comichões constantes. O formato atual de ver um jogo corrido num estádio ou na televisão parece-me ter muita margem de evolução, e tenho quase a certeza de que o futebol 2.0 terá ao centro uma equipa composta por quem viveu o desporto desde dentro. Por outro lado, tenho em casa uma criança de 6 anos que já se senta a ver futebol como eu próprio nunca fui capaz na minha fase de jogar à bola. Vá-se lá entender a nova geração.
Vivo há três anos na Arábia Saudita e vejo que a visão do futebol como espetáculo está a criar raízes. Observar este fenómeno em primeira mão não apaga aquele ideal de uma noite fria e chuvosa em Stoke, mas o futuro não abranda para ceder passagem. Gosto muito do jogo, de desporto no geral e de tudo o que acontece para alimentar esta engrenagem, mas não ignoro que o mundo gira com a força do poder financeiro, ao contrário do que as leis da física nos tentam dizer. Dito isto, acredito que existe muito espaço para que nós, especialistas na receção e no passe, estejamos em sítios onde não respeitam apenas as velhas tradições do treino ou do agenciamento.
Toda esta preparação na transição de carreira com foco no jogo a jogo pode até ter momentos de investimento sem retorno aparente, mas isso não significa que ele não chegue. Gosto de falar da minha experiência e a verdade é que, recentemente, colhi um fruto que tem tudo a ver comigo: fui convidado para integrar a equipa de gestão de um fundo de venture capital, o COREangels SportsTech, com foco em start-ups europeias de tecnologia para o desporto. Sinto que é um passo importante porque me permite sentir — lá está — que posso contribuir para o desporto da minha vida noutra perspetiva.
Não sei, ainda assim, qual é o timing adequado para dar certo tipo de passos. Estou apenas a atravessar o momento e não a fazer retrospeções, mas se a pergunta fizer comichão a algum leitor, este texto já valeu a pena. No meu caso, os relvados continuam a ser o meu sítio favorito e não penso mudar de habitat em breve. Esta época em Abha foi mais um exemplo de que o futebol são dois dias e regresso agora à primeira frase deste texto.5 de agosto de 2025. Um dia, tudo mudou: a poucas horas de assinar o contrato que me levaria a uma descida de divisão, assino outro que me leva a ser campeão."
O «caso CD Tondela» e os limites da autonomia do futebol
"A recente decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia no chamado «caso CD Tondela» é uma das mais relevantes dos últimos anos para o direito do desporto nacional e tem origem no acordo alcançado entre a Liga Portugal e os clubes das I e II Ligas durante a pandemia da covid-19.
O caso remonta a abril de 2020, quando, no contexto da suspensão das competições provocada pela covid-19, os clubes das I e II Ligas assumiram o compromisso de não contratar jogadores que rescindissem unilateralmente os seus contratos invocando motivos relacionados com a pandemia. O objetivo era claro: evitar um efeito dominó de rescisões que pudesse agravar ainda mais a fragilidade financeira das sociedades desportivas.
A Autoridade da Concorrência entendeu, contudo, que esse acordo constituía uma prática anticoncorrencial no mercado laboral desportivo, considerando tratar-se de um típico acordo no-poach, isto é, um entendimento entre concorrentes para limitar contratações. O litígio acabaria por chegar ao Tribunal de Justiça da União Europeia através de reenvio prejudicial.
E a decisão europeia merece uma leitura cuidadosa.
O Tribunal não declarou automaticamente ilegal o acordo. Pelo contrário, reconheceu que o contexto excecional da pandemia e a necessidade de preservar a integridade das competições desportivas são elementos que podem relevar na análise jurídica. O TJUE admitiu mesmo que o acordo possa revelar-se compatível com o direito europeu da concorrência, desde que o tribunal nacional conclua que a medida foi adequada, necessária e proporcional ao objetivo prosseguido.
Jurisprudência europeia reafirma o futebol profissional como atividade económica
Mas há um ponto essencial que não pode ser ignorado: o Tribunal europeu deixou igualmente claro que estamos perante uma restrição manifesta da concorrência no mercado de contratação de jogadores. E isso é particularmente relevante porque reafirma um princípio cada vez mais presente na jurisprudência europeia - o futebol profissional é uma atividade económica e, como tal, não está imune às regras da concorrência.
A decisão acaba por refletir um equilíbrio interessante. Por um lado, o TJUE reconhece a especificidade do desporto e a realidade extraordinária vivida durante a pandemia. Por outro, recorda que a autonomia regulamentar do futebol tem limites e não pode funcionar como uma exceção permanente ao direito europeu.
E talvez seja precisamente aí que reside o principal impacto deste acórdão.
O futebol europeu habituou-se, durante décadas, a resolver internamente muitos dos seus problemas estruturais. Mas as decisões mais recentes do Tribunal de Justiça demonstram uma crescente intervenção do direito europeu em matérias económicas, laborais e concorrenciais relacionadas com o desporto. O caso do CD Tondela surge como mais um sinal dessa tendência.
O processo regressará agora ao tribunal português, que terá de decidir se o acordo era efetivamente justificável à luz das circunstâncias excecionais da pandemia."
O processo de certificação de entidades formadoras
"A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) voltou a registar um crescimento no número de entidades certificadas no âmbito do processo de certificação de entidades formadoras de futebol e futsal para a época 2025/26. Ao todo, foram certificadas 1.161 entidades com classificação entre uma e cinco estrelas, mais 84 do que na temporada anterior, representando um aumento de 7,8%.
No total, participaram no processo 1.579 entidades, demonstrando a crescente adesão dos clubes e academias a um modelo que procura elevar os padrões de qualidade da formação desportiva em Portugal. Entre as entidades distinguidas, 23 alcançaram a classificação máxima de cinco estrelas, enquanto 74 receberam quatro estrelas, 643 obtiveram três estrelas, 377 duas estrelas e 44 uma estrela.
A estes números juntam-se ainda as entidades reconhecidas como CBFF (Centro Básico de Formação de Futebol e Futsal), fazendo subir para 1.443 o número total de entidades reconhecidas e certificadas, o equivalente a cerca de 91% das candidaturas submetidas.
A certificação assume um papel central no desenvolvimento do futebol e futsal portugueses. O processo avalia critérios fundamentais como organização, recursos humanos, enquadramento técnico, acompanhamento médico, proteção de jovens atletas, infraestruturas e plano formativo. Desta forma, garante-se que os clubes proporcionam ambientes seguros, estruturados e adequados ao crescimento desportivo e pessoal dos praticantes.
A certificação tornou-se também um elemento essencial para a participação nas provas nacionais organizadas pela FPF, sendo um dos critérios de cumprimento obrigatório quer no processo de licenciamento quer, nas provas não sujeitas a esse processo, nas próprias exigências regulamentares."
Cabo Verde: Bebé, o Tiago que foi da rua para Old Trafford
"Vindo da Casa do Gaiato de Santo Antão do Tojal, em Loures, em 12 meses passou de marcar 40 golos em seis jogos num campeonato de futebol de rua para ser contratado por Alex Ferguson, mas “era impossível afirmar-se numa equipa com os melhores jogadores do mundo vindo da terceira divisão”, assumiu. Faria carreira em Espanha, onde de tempos a tempos marca golos com toques de Puskás.
Os guiões dos filmes sobre desporto são quase sempre exagerados. Irrealistas. Aquilo, simplesmente, não acontece.
O rapaz que cresceu numa instituição, jogando à bola na rua, e que subitamente capta a atenção do futebol profissional. Está uns meses num clube da terceira divisão, lidando com salários em atraso, até que chega à I Liga. Bastam umas semanas de pré-época, uma ou outra exibição inspirada, e um colosso do desporto internacional bate-lhe à porta.
Do anonimato para o estrelato. Da rua para o gabinete do mais lendário dos treinadores do seu tempo. Das margens da sociedade para um contrato milionário.
Um guião desadequado para a realidade. Exagerado. É a vida de Tiago Manuel Dias Correia, que no futebol foi sempre Bebé, tirando quando Jesus decidiu que Bebé era demasiado alto para ser Bebé e resgatou o Tiago.
Para os bebés como Tiago, sonhar costuma ter limites. Filho de imigrantes de Cabo Verde, passou a infância ao cuidado de uma avó, longe dos pais. Foi dela a iniciativa de levar Tiago para a Casa do Gaiato de Santo Antão do Tojal, em Loures, na esperança de um percurso de horizontes menos limitados.
Tiago já era Bebé quando, em 2009, brilhou num campeonato de futebol de rua. Uma equipa de jovens portugueses, escolhida pela CAIS, foi disputar um torneio na Bósnia, onde o adolescente da Casa do Gaiato apontou 40 golos em seis jogos. Seria o passaporte para a equipa principal do Estrela da Amadora.
Amadora, Guimarães, Manchester
Em 2009/10, Bebé era um assomo de alegria num Estrela que, atolado em problemas financeiros, caminhava para a extinção. Os salários chegavam quando chegavam, irregulares. Mas a energia, o físico, a força e o remate do jovem de 19 anos valeram um salto inimaginável quando se cresce com limite para os sonhos. Vitória de Guimarães, um lugar na I Liga nacional.
É aqui, no verão de 2010, que a já incrível ascensão de Bebé ganha toques irrealistas. De coisa que não sucede. De sonho que nem se atreve a ser sonhado.
A pré-temporada mostrou uma coisa desconhecida para o futebol português. Um talento por moldar, um talento bruto, selvagem, que conduzia a bola com urgência, para quem o relvado parecia pequeno, passada de sprinter, fôlego de meio-fundista. O objetivo era ganhar um lugar no plantel do Vitória. Era convencer Manuel Machado. Mas as notícias daquele objeto futebolístico não identificado chegariam mais longe.
Um olheiro em Portugal identificou o talento a Sir Alex Ferguson. Houve rumores de intervenção de Carlos Queiroz, então selecionador nacional nos entretantos em que não discutia com as autoridades anti-doping, governamentais ou com pesos-pesados do balneários pós-África do Sul.
Num dia de verão, o choque. Bebé para o Manchester United por €9 milhões. A contratação foi realizada sem que o contratado tivesse passado pelo olhar de Ferguson, sincero ao dizer que jamais vira o futebolista — ainda sem ter sequer uma posição definida, para alguns extremo, para outros segundo avançado, eventualmente médio-ofensivo — em ação.
No dia da apresentação, o jovem apareceu sem as rastas que o caracterizaram durante as efémeras semanas de Guimarães. A razão encontrava-se num recado de Sir Alex, que, ao ver Bebé no seu gabinete pela primeira vez, sugeriu que era preciso uma “mudança de imagem”. O cabelo foi cortado nessa mesma tarde.
Sem acreditar na sua própria realidade, passou de auferir — quando recebia — €1.100 por mês no Estrela para €97 mil no United. Ao receber o primeiro ordenado, pensava que era o pagamento por cinco meses, e não por um.
No entanto, o salto foi demasiado grande. “Foi complicado, vim da terceira divisão, nem joguei em Guimarães e fui para o Manchester. Era impossível afirmar-se numa equipa com os melhores jogadores do mundo vindo da terceira divisão“, diria, anos depois, ao ZeroZero. ”Não me deram tempo", completou ao Sapo Desporto.
Seriam apenas sete jogos pelos red devils, com dois golos. Há quem o rotule de flop, de precipitação, de um dos maiores erros de Ferguson. Para o Bebé da Casa do Gaiato, foi o início de uma carreira profissional, algo impensável pouco antes.
Houve uma passagem redentora pelo Paços de Ferreira, com ajuda de Jorge Costa, seguida do Benfica, o clube do coração, quando Jorge Jesus se recusou a chamá-lo Bebé — “Bebé? É Tiago! Não posso chamar bebé a um homem que tem 1,90 metros“ — e lhe disse: ”Tens um mês para te adaptar ao sistema do Benfica, à tática, se não, vou emprestar-te". Não resultou.
Bebé, que chegaria à seleção de Cabo Verde para fazer 27 partidas, marcando seis golos e sendo importante na caminhada até aos quartos de final da CAN 2023, protagonizaria uma respeitável trajetória em Espanha. Representou Córdoba, Rayo Vallecano, Eibar, Zaragoza e Racing de Ferrol, sempre entre a primeira e a segunda divisões, com 247 encontros divididos pelo dois primeiros patamares do país vizinho. Aos 35 anos, já em declínio, encontra-se no Ibiza, do terceiro escalão.
Foi havendo, ao longo da década de Bebé em Espanha, vislumbres do talento de rua que o levou a Old Trafford. Espécies de memórias futebolísticas daquela explosão de 2010. De tempos a tempos, há um remate feito a 30 ou 35 metros da baliza adversária, um tiro muitas vezes desprovido de sentido tático, selvagem, instintivo, como uma finalização de futebol de rua. São resquícios de outro tempo na vida de Bebé. É certo que muitas dessas ações acabam nas ruas adjacentes aos estádios espanhóis, mas algumas terminem em golos, em Puskás em potência. São lembranças da força e do talento que tornaram real um guião que levaria ao despedimento de quem o apresentasse para a realização de um filme."
sexta-feira, 15 de maio de 2026
5.ª Campeãs Nacionais
16-18, 10-24, 19-20, 22-15
Finalmente, Tricampeás! Foi preciso recorrer ao quinto do jogo, depois da 'branca' do jogo 4 !!!
Não foi uma época fácil, os Lombos foram superiores durante a maior parte da época, mas como tem sido habitual o Benfica começa mal, a Europa atrapalha, mas com umas retificações no plantel, a equipa acaba por melhorar, e temos conseguido chegar ao final das épocas, por cima...
A Nunn foi a MVP das Finais, e fez a diferença esta época... mas a entrada da Bettencourt também trouxe qualidade à equipa...
Parabéns, à secção, às jogadoras e aos treinadores... e já agora, vamos tentar começar a próxima época, com tudo!!!
Início dos Play-off's...
Elétrico 3 - 4 Benfica
Não foi fácil, como era esperado, mas a segunda parte merecia uma diferença maior...
ANDARAM ANOS A FALAR DO JOGO RIO AVE-BENFICA DE 2015/16
"1.
Os sportinguistas nunca engoliram a perda do campeonato 2015/16, para eles o jogo Rio Ave-Benfica foi viciado. Está na hora de desfazer essa mentira, que, por muito ter sido repetida, não virou, como eles queriam, verdade.
2.
Lembrar que o Benfica ganhou por um-zero com um golo tardio, de Jiménez, aos 73 minutos. Foi um jogo dificílimo - quem não se lembra o que sofremos para sair dos Arcos com os três pontos?
3.
O que não diriam eles se o Benfica tivesse ganho por quatro-um com os dois primeiros golos a resultarem de um penálti inventado e de um dos autogolos mais anedóticos dos últimos anos? E ainda tivesse acabado a jogar contra nove, sendo o terceiro golo, que arrumou com o jogo, marcado contra dez?
4.
A verdade sobre a denúncia de três jogadores do Rio Ave de que tinham sido alvo de uma tentativa de suburno por parte de um emissário do Benfica, César Boaventura, foi julgada em tribunal - a Benfica SAD não foi acusada - e foi uma trapalhada de tal ordem que a Relação já devolveu o processo, ordenando ao juiz que ouça as testemunhas indicadas por César Boaventura, que foram inadmissívelmente ignoradas, bem assim que junte ao processo documentos também apresentados por Boaventura e igualmente ignorados pelo juiz. É tácil concluir que o que foi verdadeiramente viciado não foi o jogo, foi o julgamento.
5.
Este processo fez parte de uma cabala para derrubar e desacreditar o Benfica, que seguia imparável desportiva, económica e financeiramente. Depois, seguiram-se os emails e tudo o mais que nós sabemos. Ao ver as contingências do Rio Ave-Sporting da passada segunda-feira, não resisti a escrever este texto, para perguntar aos sportinguistas o que diriam se tudo aquilo se tivesse passado com o Benfica."
Florentino...
"Finalmente um bocadinho para refletir sobre a conferência de imprensa de Florentino Pérez, se não o maior presidente da história do futebol, talvez um dos maiores.
Se é perfeito? Longe disso, errou tanto que dá dó…mas sabem porque erra? Porque é ele que toma decisões, no final do dia é a ele que são apontados os deméritos/defeitos e que raramente são enaltecidos os méritos/virtudes.
Eu sei o que foram os anos do Galaticos/Pavones…das dificuldades todas que os levaram a ganhar 7 Champions…parece fácil…e para isso contaram com melhores do mundo por posição praticante sempre…mas só se destacaram quando deram tempo para um treinador lançar as bases do sucesso…porque nada se faz sem tempo…nós para andarmos demoramos meses/anos…para aprendermos a falar idem…e para ficarmos sábios uma vida ou para os verdadeiros mais do que isso…porque sábios não os há já que estamos em constante ciclo de aprendizagem!
No entanto no universo do futebol isso não existe, qualquer um é expert, qualquer um é melhor treinador mesmo sem ter treinado ou sequer gerido sei lá…as finanças caseiras do que o melhor treinador do mundo…somos experts…então se formos oposição acertamos sempre o Euromilhões à segunda-feira…que máquinas somos…
Bom, posto isto porque assisti a uma conferência onde o presidente do suposto maior clubes do mundo colocou o lugar à disposição avançando para eleições antecipadas…
NUANCES
queres ir a votos no Real Madrid?
15% das receitas globais do clube no último ano tens de caucionar numa conta em Espanha em nome do clubes (podes angariar financiadores para o fazer desde que os descrimines.), falamos de 187 milhões de euros….
Eleições marcadas em 15 dias sem AG’s e o diabo a sete!
Tudo resolvido com a maior celeridade possível, sem fenómenos paranormais, sim paranormais já que só um clube de futebol no mundo tem SEGUNDA VOLTA ELEITORAL…sim…o Benfica tem…💪
Depois o Real foi a votos em JANEIRO, repito, JANEIRO DE 2025…não em Outubro…mas pronto…os trauliteiros democráticos gostam tanto da democracia desde que vençam…e não estou a falar dentro de campo, porque aí como perderam, qualquer derrota ou empate é um regozijo!
A realidade é que Florentino Pérez veio tratar os bois pelos nomes!
Atacou e enfrentou a comunicação social que ele disse estar a soldo, atacou o Barcelona sobre o caso “Negreira”, atacou os ultras do clube…fiquei atónito…
Disse isto tudo e nem sequer teve processos atrás de processo em tribunal levantados pelos próprios adeptos ao serviço da Santa Aliança…sem ter adeptos unidos ao rivais para abater o Benfica…e pah…imaginem viver isso…o homem rebentaria com tudo imagino!
Não, não estou a culpar uma época horrível, e até já faço ponto assente, demitir José Mourinho será um tiro no pé, deixa-lo sair idem!
Roma e Pavia não se fizeram em um dia, e ultimamente apostamos nesse timbre, desde o erro colossal de Vieira em despedir Rui Vitória que a coisa nunca mas entrou nos eixos, daí para a frente até os mega cobiçados pelo Real ( Conceição/ Amorim, Borges, Peixoto, Vasco Botelho da Costa) passaram a dar cartas no mundo do futebol…no entanto este suspira pelo “velho, teimoso e ultrapassado Mourinho…deve ser triunfo eleitoral deduzo através das comunicações dos experts…
Em suma Florentino apontou o dedo sem medo aos Diogo’s, Sofias, Brincas, Mattamouros, Maios, Antunes, etc e etc que passam o tempo com o Benfica na boca ou a ataca-lo…fenómeno da “Santa Aliança” que os protegeu e potenciou…sim Gabriel, tens razão, o árbitros perderam o respeito pelo Benfica…mas eu não quero respeito, exijo isenção!
Enfim…má época de ambos os clubes mas com tantos pontos em comum nas criticas indicadas… deve ser obra do acaso!"
Benfica — do amor não correspondido à surdez
"Como o artigo da jornalista espanhola do ABC que incomodou Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, se pode aplicar, em larga medida, ao Benfica
Se alguém por aí já tiver descoberto a máquina do tempo, faça o favor de mostrar a quem ainda vive nos anos 80 ou 90 a recente conferência de Imprensa de Florentino Pérez. Está lá todo o guião do dirigente que sacode a responsabilidade das costas e dispara contra os inimigos no campo e fora dele, com o requinte vulgar de diminuir uma mulher porque o assunto é futebol e um possível adversário nas eleições por ter pronúncia sul-americana ou mexicana. Todos os que passaram por aqueles anos ouviram, vezes sem conta, aqueles argumentos estafados que, não tenho dúvida, ainda convencem os mais fiéis.
Acompanhei, por dever de ofício, essa intervenção do presidente do Real Madrid. Não gostei. Interessou-me, porém, conhecer o que escreveu essa mulher que, na verdade, não saberá muito de futebol, mas que publicou um texto no jornal ABC de um património que vai muito para lá de uma bola de futebol e 22 jogadores em campo.
Chama-se María José Fuenteálamo e, para lá de jornalista que se dedicou a Economia, Investigação, Educação ou Saúde, é professora na Universidade Complutense de Madrid. Explicou, depois de apanhada de surpresa pela intervenção de Florentino Pérez, que falou do que representa o Real Madrid, como instituição histórica, na sociedade, das suas cores e do desportivismo.
O texto, com riqueza de referências bibliográficas, é uma extraordinária reflexão socioantropológica sobre o momento do Real Madrid, do comportamento de jogadores, dirigentes, sócios e adeptos. Poderia assentar como uma luva no Benfica. Dá-se o caso de que tudo é amplificado pela escala universal do clube da capital espanhola.
Partilhou Fuenteálamo que amigos madridistas estão intrigados sobre qual será o nível dos decibéis da próxima assobiadela no Bernabéu. Como será na Amoreira, sábado, com o Benfica, na última jornada do campeonato? E recorda uma citação do escritor Robert Louis Stevenson: «Ama-me quando menos o mereça, porque será quando verdadeiramente preciso.» Argumenta que nunca se deve deixar só o perdedor porque o vencedor tem tudo. E questiona sobre se o Real merece carinho dos seus neste momento. Também faz sentido por cá, certo?
Real Madrid e Benfica, como outro qualquer clube, não devem respeito aos sócios e adeptos apenas para que sejam apoiados e animados. Fuenteálamo, resumidamente, entende que o Real Madrid deve respeito à sociedade que o observa e deve atravessar os momentos baixos com dignidade. Reclama e sugere que jogadores e dirigentes acompanhem os visitantes aos estádios para tocar a ilusão de sócios e adeptos e sentir de verdade a responsabilidade que têm. Não seria má ideia por cá, pois não?
O Benfica, também em crise desportiva, nem sempre reagiu bem às adversidades — fê-lo apenas através de comunicados, publicações na rede social X ou intervenções do presidente contra as arbitragens. Continuo a dizer que duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo e o Benfica pode queixar-se das arbitragens, mas também reconhecer erros próprios e apresentar soluções que sócios e adeptos possam compreender. O que não pode acontecer é que um gigante se faça surdo perante os assobios. Porque essa surdez, como defendeu Fuenteálamo em relação ao Real, retumba na sociedade.
O maior risco do Benfica é manter-se numa bolha, ignorando tudo o que se passa à volta e, sobretudo, o sentimento de sócios e adeptos. Não tenho forma de prová-lo, mas acredito que uma das razões para Rui Costa ter vencido as eleições foi ter estado ao lado dos benfiquistas e ter falado como um deles. E eles precisam de ouvir Rui Costa. Sem os argumentos de Florentino Pérez."
«As pessoas estão preparadas para ver um jogador chorar?»
"Quando algum famoso como um jogador de futebol assume problemas de saúde mental, muitos reagem em pânico: afinal, pode acontecer a qualquer um de nós... Outros levantam-se do chão... E não há maior grandeza...
Ricardo Lemos lançou a pergunta durante mais recente O Lado Direito do Mister, de A BOLA: «As pessoas estão preparadas para ver um jogador chorar?» A questão nasce num tempo em que cada vez mais futebolistas assumem publicamente problemas de saúde mental ou dramas pessoais difíceis de carregar. Luís Suárez revelou recentemente que não vê as filhas há mais de dois anos, consequência de um litígio com a mãe das crianças. Sudakov admitiu não estar com a cabeça a cem por cento no Benfica nem na profissão, num testemunho que expôs algo tantas vezes escondido: a depressão também entra em campo.
Há uns anos, a pergunta seria outra. Estariam os jogadores preparados para chorar em público? Para assumirem problemas de saúde mental? Hoje o centro da questão deslocou-se para nós, para a sociedade, para a forma como olhamos para quem idolatramos. Porque muitos adeptos continuam a ver os jogadores como figuras suspensas acima da condição humana, seres superiores que existem para transportar multidões para uma espécie de território sem dor. O futebol surge, assim, como uma interrupção do peso da realidade, um instante de evasão coletiva capaz de anestesiar angústias pessoais, contas por pagar, fracassos íntimos e silêncios acumulados. Talvez seja precisamente por isso que há quem se assuste quando um jogador admite fragilidade. Porque essa fragilidade obriga cada um a confrontar-se consigo próprio. Se alguém que ganha bem, é admirado por milhões e é protegido pela fama também sucumbe à tristeza, à depressão ou ao vazio, então ninguém está a salvo, nenhum ser humano é imune.
É um erro recorrente associarmos saúde mental a sucesso profissional e/ou financeiro, a estatuto ou privilégios. O sofrimento é profundamente democrático. E é também um erro recorrente fugirmos destes problemas a qualquer custo, como se viver fosse apenas uma tentativa desesperada de evitar quedas e cicatrizes. Procuramos fórmulas mágicas para não sofrer, em vez de aprendermos a dar sentido ao sofrimento.
Viktor Frankl escreveu que «quem tem um ‘porquê’ suporta quase qualquer ‘como’». E talvez seja isso que tantas vezes nos falta: não a ausência de dor, mas uma razão suficientemente forte para atravessá-la. Porque a coragem e a resiliência vêm do sentido que damos às coisas pelas quais temos de atravessar; vêm da forma como valorizamos e quanto queremos a luz ao fundo do túnel.
Olho para estes e muitos outros jogadores com muito respeito. A vulnerabilidade não lhes retira dimensão; acrescenta-lhes humanidade. E há uma forma de heroísmo que só existe depois da queda. A grandeza não é propriedade dos invencíveis.
Nenhum dos meus heróis passou pela vida sem falhar. Há maior grandeza em quem se levanta do chão do que em quem sobe ao céu. Porque o verdadeiro exemplo não está na ausência de dor, mas na coragem silenciosa de continuar apesar dela. É aí que nasce a admiração genuína: não no talento, não no sucesso, mas na recusa que os medos e as fraquezas ditem destinos, cavando sepulturas de corpos ainda vivos. E porque nem todos têm as mesmas forças para lutar, cabe-me a mim e a si, no esplendor da nossa humanidade, ter dois braços estendidos e não duas mãos fechadas. Não apenas para segurar o outro, mas para que o outro também nos segure…"
Atualidade benfiquista
"São vários os temas nesta edição da BNews.
1. Assembleias Gerais
Em entrevista à BTV, o presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, José Pereira da Costa, explicita os fundamentos e procedimentos das reuniões magnas agendadas para o próximo 27 de junho.
2. Eleito
Schjelderup é o Jogador do Mês da Liga Betclic em abril, tendo sido considerado também o Melhor Jovem e o Melhor Avançado desse mês.
3. Regresso às origens
Diogo Prioste, Gonçalo Oliveira e Olívio Tomé, jogadores das Equipas A e B do Benfica, visitaram o Estádio Universitário de Lisboa, onde trabalha a Iniciação encarnada.
4. Jogos do dia
Em Carcavelos, às 20h30, as equipas femininas de basquetebol do Benfica e do Quinta dos Lombos disputam a negra na final do play-off da Liga Betclic Feminina..
A equipa masculina de futsal do Benfica joga no pavilhão do Eléctrico (21h15), no jogo 1 dos quartos de final do play-off da Liga Placard.
5. Passagem assegurada
No basquetebol masculino, o Benfica está nas meias-finais do play-off da Liga Betclic, ao eliminar o SC Braga. No jogo 2, vitória benfiquista por 79-94.
6. Em busca da Taça de Portugal
A equipa feminina de futebol do Benfica prepara a final da Taça de Portugal, agendada para o próximo domingo, às 17h15, no Estádio Nacional.
Nota ainda para a visita das Inspiradoras às equipas femininas de formação.
7. Concerto de balneário
A estreia de um conceito inédito da Benfica FM: uma surpresa para as hexacampeãs.
8. Distinções
O Sindicato dos Jogadores distinguiu Lena Pauels e Carole Costa com os prémios de Melhor Guarda-Redes e Melhor Marcadora, respetivamente, da Liga BPI.
Arthur integra o Melhor Cinco da fase regular da Liga Placard de futsal.
9. Protagonista
A andebolista Constança Sequeira é a entrevistada da semana.
10. Treinos de captação
Para nascidos de 2018 a 2021, no Benfica Campus, em 21 de junho deste ano.
11. Benfica Faz Bem
Uma iniciativa conjunta da equipa e staff do futsal Benfiquista e da Fundação Benfica.
12. Jornal O Benfica
A edição desta semana está disponível para download."
As novas gerações, as novas competições e o desinteresse pelo futebol
"A Kings League é apenas um exemplo de como a falta de interatividade e dinamismo vão tornando o futebol atual cada vez mais obsoleto.
Durante décadas ninguém questionou o futebol. O jogo começava e o mundo parava, ou pelo menos parecia. Era como se de um ritual se tratasse, quase sagrado, naquele alinhamento entre o apito inicial e a nossa disponibilidade emocional. Hoje, não. Hoje o jogo começa… e alguém muda de aplicação ou de canal ao fim de sete minutos. Não é falta de qualidade. Nunca houve tantos talentos, tanta ciência, tanto detalhe. Mas há uma espécie de cansaço invisível. Jogos demasiado longos para quem vive em modo scroll. Pausas que quebram mais do que constroem. Estratégias que, sendo brilhantes, se tornam previsíveis para quem procura estímulo constante.
O futebol, sem dar por isso, ficou sério demais para um mundo que já não tem paciência para a solenidade. E depois aparecem coisas como a Kings League, meio espetáculo, meio videojogo, e percebemos que o problema não é o interesse, é o formato. Jogos mais curtos, imprevisibilidade assumida, interação constante. Não é melhor nem pior. É diferente. E, sobretudo, é mais próximo da linguagem de quem cresceu a clicar, a reagir e a participar. O mais desconfortável no meio disto tudo é que os miúdos não estão “errados”. Estão apenas noutro ritmo. Para eles, um 0-0 ao intervalo não é tensão, é aborrecimento. Um VAR de três minutos não é rigor, é interrupção. E um jogo que promete emoção e entrega gestão… perde-os.
Podemos chamar-lhes impacientes. Mas talvez sejamos nós que nos habituámos a um tempo que já não existe. O futebol sempre foi mais do que o jogo. Era a conversa antes, a discussão no café, o nervoso miudinho, o golo que ficava para sempre. Era o contexto. O problema é que esse contexto está a desaparecer, substituído por conteúdos infinitos, todos a competir pela mesma atenção.
E quando tudo compete, ganha o mais rápido. Não necessariamente o melhor. Isto não é um manifesto contra o futebol moderno. É um aviso do que vou vendo nos mais jovens, mas também em gente da minha idade que vê os jogos no estádio ao meu lado e que passa parte do tempo agarrada ao telemóvel. A indústria pode continuar a crescer, a faturar, a expandir-se para novos mercados. Mas se perde uma geração, perde o futuro, e isso não se resolve com direitos televisivos.
Ao contrário do que alguns iluminados dizem por aí, o desporto rei não se pode afastar dos adeptos para se tornar excessivamente mercantilista. O que o trouxe até aqui foi precisamente o facto de ser do povo, de estar ao alcance de todos, de juntar gerações e gente de todos os estratos sociais. Com os tempos perdidos pelos jogadores com a condescendência dos árbitro, os resultados empatados em que ninguém vai satisfeito para casa ou a falta do cálice chamado golo, as substituições que não permitem trocas constantes como no futsal ou as suspensões que tiram alguns dos melhores nas finais que todos querem ver, a tempestade vai-se tornando perfeita para entrar na decadência.
A questão não é se o futebol deve mudar. É quanto tempo ainda tem para perceber que já começou a ficar para trás. E há sinais que não fazem barulho. Como as bancadas que ainda estão cheias… mas cada vez mais distraídas e silenciosas. É preciso atenção a novos fenómenos que vão despontando cada vez com maior sucesso.
(...)"
Quando acaba a carreira, quem fica?
"O final de uma época é sempre tempo de balanços. Há títulos, descidas, renovações, despedidas e silêncios. Mas, para alguns atletas, este período traz uma pergunta mais profunda do que qualquer resultado: e agora, quem sou eu sem a competição?
O fim da carreira desportiva é uma das transições mais exigentes da alta competição. Não se trata apenas de deixar de treinar, jogar ou competir. Trata-se, muitas vezes, de perder uma parte central da identidade. Durante anos, o atleta vive organizado em torno de horários, objetivos, convocatórias, rendimento, reconhecimento e pertença a uma equipa. A sua identidade pessoal fica frequentemente fundida com a identidade atlética: ‘Sou atleta’, ‘sou jogador’, ‘sou competidor’. Quando essa estrutura desaparece, pode surgir um vazio difícil de nomear.
A literatura sobre identidade atlética mostra que, quanto mais exclusiva for a identificação com o papel de atleta, mais complexa pode ser a adaptação ao pós-carreira. Esta identidade pode ser fonte de motivação, disciplina e sentido. Mas, quando ocupa todo o espaço psicológico, pode também dificultar a reconstrução de outros papéis: profissional, familiar, social ou pessoal.
Também a teoria das transições de carreira no desporto, trabalhada por autores como Stambulova, ajuda-nos a compreender que terminar a carreira não é um episódio isolado, mas um processo. Envolve perdas, reorganização emocional, redefinição de objetivos e reconstrução de significado. Mesmo quando o fim é planeado, pode implicar luto: pelo corpo que mudou, pelo estatuto perdido, pela rotina que desaparece, pelo aplauso que deixa de chegar.
Para demonstrar a profundidade desta questão e o sofrimento psicológico que o final de carreira pode implicar, alguns estudos indicam que cerca de 29% dos ex-atletas apresentam sintomas de ansiedade/depressão, enquanto a prevalência de consumo problemático de álcool, analgésicos ou outras substâncias pode variar entre 5,8% e 39%, muitas vezes como forma disfuncional de lidar com a dor, o vazio identitário, a perda de rotina, a ansiedade e a difícil adaptação ao pós-carreira.
Por isso, a retirada desportiva não deve ser vista apenas como uma decisão individual ou contratual. Deve ser acompanhada como uma transição psicológica. Clubes, equipas técnicas, famílias e agentes precisam de preparar os atletas não só para render, mas também para mudar. Preparar uma carreira deve incluir preparar o seu fim.
No desporto, fala-se muito de performance, resiliência e superação. Mas talvez a verdadeira medida da alta competição também esteja aqui: na capacidade de ajudar o atleta a continuar inteiro quando deixa de competir. Porque o fim da carreira não deve significar o fim da identidade. Deve ser o início de uma nova forma de existir para além do jogo. E, para que essa transição seja mais saudável, os clubes têm o dever de apoiar os seus atletas ainda durante a carreira, preparando-os para este momento antes de ele chegar. Mas essa responsabilidade não é apenas institucional: a família e as pessoas mais próximas têm também um papel decisivo na escuta, no apoio e na monitorização dos sinais de sofrimento, ajudando o atleta a perceber que continua a ter valor, pertença e futuro para além da competição."
Países Baixos: Andy van der Meyde, o jogador perdido entre álcool, drogas, zebras, strippers e demónios interiores
"Brilhou no Ajax, partilhou ataque na seleção neerlandesa com vários craques, foi contratado pelo Inter e pelo Everton. No entanto, a carreira do extremo despistou-se abruptamente, sucumbindo perante a depressão e o vício
“Vou morrer aqui.“
A frase foi dita ao telefone por Andy van der Meyde, tendo o seu empresário como destinatário. Com 30 anos, o neerlandês estava no apartamento de Liverpool onde vivia com um amigo, ou melhor, onde falecia aos pedaços, destruindo-se entre bebidas e drogas.
As linhas determinantes da sua existência já não eram as laterais do relvado, eram outras, brancas, mas não como cor de uma qualquer camisola. Van der Meyde deixara o Everton há alguns meses, na verdade já abandonara o futebol há algum tempo.
Uma década antes, Andy assumiu-se como mais um produto da inesgotável fábrica de talento do Ajax. Debutou pelo gigante de Amsterdão aos 18 anos, consolidando-se na época principal na explosiva equipa de Ronald Koeman, um coletivo onde o jovem Van der Meyde convivia com Mido e Zlatan Ibrahimovic, rebeldes de causa variada, e com os também infantes Wesley Sneijder e Rafael Van der Vaart.
O caminho parecia natural: Serie A, rumo ao então muito gastador Inter. Van der Meyde sentia-se “quase um Deus”, que “podia fazer o que quisesse”, firmando autógrafos, “como um rei”. “Recebia muito dinheiro, era tudo fácil”, diria, anos depois, à “BBC“.
O Euro 2004, no auge da carreira, é uma boa fasquia para medir o nível do extremo. Titular em quatro dos cinco encontros dos Países Baixos em Portugal, partilhava ataque com Ruud van Nistelrooy e Arjen Robben. No entanto, e sem que ninguém na altura o pudesse adivinhar, a derradeira vez de Andy com a camisola laranja seria no Algarve, contra a Suécia. Tinha 24 anos. Os primeiros demónios surgiriam na época seguinte, a sua segunda em Milão.
A depressão e os escapes
Com o avançar do tempo no Inter, o neerlandês foi jogando cada vez menos. O refúgio, a fuga, foi encontrada na bebida. Passou a sair regularmente, em sentido inversamente proporcional ao rendimento em campo.
O último golo que Van der Meyde festejou na carreira surgiria em Valência, numa partida da Liga dos Campeões. Tinha 25 anos.
No final de 2004/05, para se relançar, surgiu a opção de ir para o AS Monaco. O principado era do agrado de Andy, mas havia um pequeno grande problema: era preciso viver num apartamento, o que era incompatível com os gostos da sua mulher, que chegou a ter 11 cavalos, um camelo e várias zebras. “Não podes ter uma zebra num apartamento, então não fomos para o Mónaco e mudámo-nos para a chuvosa Liverpool”, recorda o futebolista.
A vida no Everton foi caótica. O mais memorável momento de Van der Meyde na Premier League foi ser expulso num dérbi diante do Liverpool apenas seis minutos depois de entrar em campo. Tudo o resto de destacável sucedeu fora dos relvados, numa descida sem travões até aos infernos pessoais.
Na madrugada de 7 de agosto de 2006, o homem que apenas fez 24 partidas em quatro épocas pelo clube deu entrada num hospital com problemas respiratórios. Horas antes estava a beber num bar, alegando que o líquido que ingeria fora contaminado por alguém, contra a sua vontade, e daí os resquícios de substâncias pouco amigas do desporto profissional.
Multado no valor de duas semanas de salário, o neerlandês pediu “compreensão” face à sua situação pessoal. A filha de cinco meses, Dolce, estava hospitalizada desde o nascimento devido a problemas de saúde. Sozinho em Liverpool, nada corria bem a Andy: na semana seguinte, durante um encontro amigável do Everton, assaltaram-lhe a casa, levando, entre outras coisas, um Ferrari, um Mini Cooper e um cão.
As aparições em campo foram sendo cada vez mais esporádicas: 388 minutos jogados na Premier League 2006/07, zero minutos jogados em 2007/08; dez minutos em 2008/09, os derradeiros da carreira profissional.
A certa altura, disse à mulher que tinha de ir uns dias para um hotel, por estar lesionado e precisar de descanso. Uma semana depois, voltou a casa, não para ficar, mas para buscar mais roupa. A mulher desconfiou e tentou segui-lo, sem êxito. Um detetive privado, contratado pela mulher, colocou um localizador no carro do suspeito. Descobriu-se que, na verdade, Van der Meyde estava a viver com uma nova namorada. Era uma stripper, vinda de um mundo muito frequentado pelo de facto ex-jogador, ainda que formalmente com contrato com o Everton.
“Embebedar-me num clube de strip no meio de Liverpool não era uma decisão inteligente“, admitiria o extremo à “BBC“, repetente na prevaricação. Era, na verdade, mais um escape. Sofria de depressão e estava ali - no álcool, nas drogas, na noite - uma rota ”para fugir e não pensar em problemas“. ”Eu tinha muito dinheiro, podia comprar o que quissesse, ter as mulheres que quissesse. Era muito fácil. Descarrilar era muito fácil porque não havia limite.“
A mulher e os filhos afastaram-se. O contrato com o Everton terminou. Mas a vida em Liverpool não. Sem clube, ficou a viver em Inglaterra com um amigo. Aliás, a viver não. A beber, a drogar-se, a frequentar casinos.
Tinha meros 30 anos. Robben, que atuava na ala oposta da sua pelos Países Baixos umas épocas antes, era candidato à Bola de Ouro, encontrando-se a voar pelo Bayern. E ele ali, perdido, a “morrer”.
Chegou a tal chamada ao empresário. Conseguiu-se tirar Andy dali e arranjar um período de treinos com o Ajax. O jogador ainda assinaria com outro grande neerlandês, o PSV, mas nunca jogou. Não voltaria a calçar as chuterias num jogo oficial depois do Everton. Tinha 27 anos na última ocasião em que pisou um relvado como titular.
Após algum tempo de reabilitação, Van der Meyde, recomposto quanto possível, foi ganhando a vida com presenças televisivas e um canal de YouTube. Conseguiu recuperar o contacto com os filhos e em 2014 foi árbitro na Lingerie World Cup (sim, é exatamente aquilo que o nome sugere que é).
Na mente de Andy ficará, sempre, a culpa. “Fui um idiota. Às vezes deito-me na cama e penso ‘porra, meu, tu eras um bom jogador‘. A dado momento, era o segundo melhor extremo da Europa, atrás do Luís Figo. Desperdicei tudo.”"
Estamos nas Meias-finais...
Braga 79 - 84 Benfica
18-22, 18-22, 23-33. 20-27
Segunda vitória, desta vez, com os Triplos a entrarem!
Vamos esperar pelo adversário das Meias, entre a Oliveirense e a Ovarense! Depois da batalha campal no 1.º jogo entre estas equipas, ambas as equipas deviam ter os jogadores castigados, mas como vem aí um confronto com o Benfica, vai ficar tudo em águas de bacalhau!!!
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