Últimas indefectivações

domingo, 5 de abril de 2026

Vitória no Barreiro...

Galitos 82 - 108 Benfica
18-29, 26-27, 14-24, 24-28

Regresso do Gameiro e do Makram a tempo inteiro, e do Koby com alguns minutos, mas com o Crandall limitado e ainda sem o Justice!

Juniores - 8.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 2 Sporting


O golo do Umeh não merecia o empate concedido, mesmo a terminar! Mas mais uma vez, não conseguimos vencer um jogo, contra uma equipa muito inferior, principalmente no potencial individual dos jogadores!!!
Mesmo vencendo o título estava complicado, agora é quase impossível...

Juvenis - 8.ª jornada - Fase Final

Benfica 0 - 2 Rio Ave


Resultado inesperado, que praticamente termina com qualquer esperança de revalidar o título! Como é recorrente, nos jogos põs-Seleção as nossas equipas perdem pontos... hoje, praticamente todos os jogadores que começaram no banco, são normalmente titulares!

Iniciados - 9.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 1 Corruptos


A perder praticamente desde início, foi preciso pelos últimos instantes, para concretizar a remontada, num jogo onde estávamos obrigados a ganhar!
Apesar da vitória, ainda estamos a 2 pontos do nosso adversário... mesmo assim, das três categorias, os Iniciados, são aqueles com melhores hipóteses de revalidar o título!

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Mourinho - Antevisão - Casa Pia

Kanal: Tamos Juntos...

Rola Bola #63 - Quem fica de fora do Mundial?

Cotovelada!

No alvo...

Virar as costas à bola!

Depois da "roubadinha" em 2024-25


"ENTREGUEM-LHES JÁ O SEGUNDO LUGAR!

1. Na época passada foi a "roubadinha" com o escândalo maior a ter lugar em vários jogos da liga depois da entrevista do doutor Varandas ao canal do clube e, cereja em cima do bolo, na final da Taça, no Jamor, onde os favores arbitrais foram para além do pisa-na-cabeça do Belotti, foram também o penálti do Hjulmand sobre o Dahl e o segundo golo mal anulado ao Benfica pela dupla Godinho-Martins. Uma VARgonha!

2. Este ano os casos de favorecimento arbitral acumulam-se no campeonatos e na Taça. Depois da expulsão poupada a Gonçalo Inácio em Famalicão, com o jogo empatado; da injusta expulsão do jogador do Nacional na Choupana quando o Sporting perdia; dos erros graves no Estoril na vitória por 2-1 (golo mal validado por fora-de-jogo de posição e penálti perdoado); da expulsão perdoada ao Diomande contra o Alverca, em Alvalade, com o jogo empatado; do jogador do Arouca mal expulso em Alvalade, o Sporting ganhava 1-0; do escandaloso golo resultante de um canto inexistente nos Açores que valeu a vitória; e do penálti de 15 minutos de VAR de novo nos Açores que manteve o Sporting na Taça, assistimos ontem em Alvalade a mais um chorrilho de decisões contrárias à verdade desportiva, todas a favor do Sporting, todas em prejuízo do Santa Clara, todas a garantir os três pontos ao Sporting.

3. Para Rui Borges todos os erros arbitrais a favor do seu clube contam pouco ou nada, para ele o que interessa é ganhar a qualquer custo e depois aparecer nas conferências de imprensa a dizer que as vitórias foram merecidas e justas. Como se uma vitória assente em favores arbitrais pudesse alguma vez ser considerada merecida e justa, mesmo se no jogo-jogado a sua equipa tiver sido (na sua opinião "desinteressada", claro) melhor que o adversário, o que nem sequer foi verdade, por exemplo, no Jamor. 

4. Melhor será decretarem já o segundo lugar para o clube do doutor Varandas e, quem sabe, a Taça de Portugal também. Não vale a pena perdermos tempo a ver jogos, a fazer deslocações inúteis para apoiar a nossa equipa se o jogo está viciado. Rui Borges ficará de consciência tranquila para a história como um treinador com títulos vários. Parabéns!"

Lista, resumida...

Obstrução...

Carícia...

Internacionalização...

Circo...

Shameful !!!

4 de seguida...!!!

O futebol português e o cheiro a lixívia pela manhã


"O futebol português é a cena de Apocalipse Now revisitada todos os dias, sem um final feliz. O que teremos feito nós para merecer tão infernal castigo? E estes dirigentes?

Não sou o primeiro nem esta é a primeira vez que eu próprio uso a expressão de um dos melhores filmes de sempre e a devastidão que retrata para falar do calamitoso e comatoso futebol português. Quando Robert Duvall, na pele do Tenente-Coronel Bill Kilgore em Apocalipse Now atira, diante de um mar de destruição, aquele Adoro o cheiro a Napalm pela manhã, inala o perfume único da vitória a todo o custo, depois de mais uma colina carregada de Charlies ter sido bombardeada durante a noite e antes de avançar para a próxima.
Ele ainda não sabe que aquela sempre foi uma guerra perdida, nunca a irá ganhar, da mesma forma que os restantes tenentes-coroneis do futebol deste lado da barricada não se aperceberam que perderam a batalha antes sequer de darem o primeiro tiro, espero eu, em sentido figurado.
Porque, ao contrário dos norte-americanos, que voltaram a casa destruídos por dentro, mas apenas viveram novos combates nas próprias cabeças, os nossos, e nós com eles, terão de tentar sobreviver na mesma colina queimada, deixada infértil por décadas sem fim. Na verdade, iremos reviver essa cena todos os dias na Liga, como se fosse o nosso castigo no inferno. Basta Villas-Boas lançar as habituais rajadas em todas as direções. Quer ser o melhor filho adotivo que o pai que o renegou poderia ter e honrar um passado com glória, mas nem sempre com métodos honrados, como nos lembra a história, para provar valor a pouco mais do que uma memória.
O futebol português, esse produto que queremos vender lá fora para respirar melhor cá dentro, é uma colina queimada. Com napalm. Ou lixívia, se o estendermos a outras modalidades. O que se tem passado é uma vergonha. Regressámos aos anos 80, com altifalantes do novo milénio. Desrespeita-se a grandeza do clube que se representa. Não percebo. Onde se escondeu o bom-senso?
Varandas, já se percebeu, não gosta de deixar ninguém a jogar sozinho e, com ele em campo, o ruído não deixa ouvir mais nada. A não ser talvez, teclas furiosamente marteladas poucos metros a sul. E, talvez, Rui Costa a ligar a mandar disparar tweets e comunicados enquanto se distraem com o cogumelo nuclear e assim retirar daí algum ganho. É esta a liderança dos grandes. E para muitos deveriam ser os grandes, caso conseguissem caminhar juntos e a direito, a liderar os outros.
Nasci poucos meses antes do 25 de abril, fui embalado enquanto se trauteavam hinos da Revolução. Mas ao futebol esta nunca chegou. A guerra é eterna."

BF: Lesões...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - "O Santa Clara já não pode ver o Sporting à frente"

As birras dos meninos


"Nesta página, e nos últimos vinte meses, já escrevi sobre André Villas-Boas e sobre Frederico Varandas. Fi-lo também sobre Rui Costa, na certeza de que, quando se tem opinião formada sobre os principais dirigentes dos clubes que mais apaixonam o adepto português do futebol, se está sempre sujeito à crítica, à confrontação e ao contraditório.
Tudo isso é legítimo, faz parte do jogo das palavras, das ideias e das argumentações, é o preço a pagar pela exposição de opinião no maior e mais importante título da comunicação social lusa dedicado a matérias desportivas.
Ao longo de todo este tempo, várias têm sido as situações protagonizadas pelos três presidentes passíveis de questionamento, crítica ou contra-proposta. Seja na dialética interna do Benfica que conduziu todo o processo de campanha eleitoral e a ideia de um Benfica District que talvez pareça populista e pouco exequível no prazo de tempo previsto (de molde a garantir o estádio da Luz como uma das sedes portuguesas na fase final do Mundial-2030), seja nos momentos truculentos entre Sporting e FC Porto, que resultaram em carros incendiados, argumentos cruzados e estalar de verniz quase permanente entre líderes que, evidentemente, deveriam ser os primeiros a dar determinado exemplo, e são justamente os primeiros a dar o exemplo exatamente contrário…
Sejamos claros: o desporto e, particularmente, o futebol, é uma indústria global e transversal, que joga com emoções a montante e resultados a jusante do próprio jogo, com rivalidades, com a difícil gestão do que o coração diz e do que a cabeça pensa.
Mas é exatamente por isso, pela globalidade e transversalidade da indústria, que é cada vez mais credor de estratégia fora do campo, na mesa negocial e de entendimento em que tudo se deve decidir por um bem maior, a credibilidade da modalidade, a sua sustentabilidade e, por consequência direta, o seu futuro de médio e longo prazo, acautelada que está a questão do curto prazo com a emoção, semana a semana, da competição e do desfecho imediato de cada parcela de noventa minutos.
Nunca fui apologista do recurso à tutela para mediar conflitos que pertencem e devem geridos (e resolvidos) no âmbito desportivo (naturalmente com a intervenção da justiça desportiva, se disso caso for). A ameaça de escalar desenvolvimentos sobre esta ou aquela queixas circunstanciais sempre me pareceu apoucada, afinal uma espécie de fuga para a frente quando os argumentos falecem.
Villas-Boas e Varandas têm idade para ter juízo. Têm formação académica e profissional, têm currículo desportivo, um escalando os degraus da hierarquia técnica, outro como médico de equipas de alto rendimento. Ambos, como se sabe, chegando à liderança de FC Porto e Sporting, arrastando hordas de adeptos, empolgando com os discursos de campanhas eleitorais mais ou menos disputadas, e assumindo a responsabilidade maior da condução de dois símbolos históricos do futebol e do desporto português.
Aqui chegados, é essencial ter memória. No caso dos dragões, de quatro décadas de muitos sucessos, e que tiraram o clube da esfera regional, projetando-o para lá da cidade e da região, tornando-o num incontornável símbolo de sucesso no país e no mundo.
Quanto aos leões, a truculência de muitas direções e presidentes arrivistas e populistas (de que Bruno de Carvalho será, apenas, o mais recente e eloquente exemplo…), não pode fazer esquecer João Rocha, um Senhor Presidente de dimensão transversal no desporto luso, e cujas componentes éticas e dimensão humana marcaram um período muito importante da história do Sporting Clube de Portugal.
E, já agora, o Benfica, antes da vieirização e de personagens pouco recomendáveis (como João Vale e Azevedo), deu à estampa professores como Borges Coutinho ou João Santos, ícones que, com Fernando Martins, colocavam o seu clube acima de tudo, equilibrando esse princípio com o do respeito e da dignidade perante todos os rivais.
Porque, na realidade, só assim é que faz sentido: não há competição sem opositores, sem organização, sem entendimento e sem perspetivas de crescimento. Um clube só será mais competente na sua estrutura se for gerido com qualidade e conhecimento, mas também se entender que não compete sozinho, e que a desvalorização permanente dos seus adversários e rivais apenas contribui, indiretamente e a longo prazo, para a sua própria desvalorização enquanto instituição.
Uma coisa é a luta dos adeptos em sede de redes sociais ou no apoio às suas cores nos recintos desportivos. É disso que eles vivem, e não será razoável que peça a um adepto muito equilíbrio e equidistância. É adepto, ponto. O limite da sua ação é o entroncamento com a ação do adepto rival, e o respeito pelos direitos de cada um.
Já da parte de dirigentes de topo, é obrigatório outro grau de exigência. De cultura desportiva, de visão global do desporto e do negócio, das potencialidades da indústria, que só pode crescer e se fortalecer se abraçada por todos, traçando, em comum, objetivos de médio e longo prazo, na melhoria dos modelos competitivos, na defesa dos jogadores, na reformulação dos calendários.
Em Portugal, tudo aquilo a que assistimos nos últimos dias parece uma brincadeira de crianças e uma teimosia de miúdos da escola primária. Dos tais que ainda têm de comer muita papa para, algum dia, conseguirem ombrear, na história dos seus clubes e do futebol português, com verdadeiros senhores na arte de liderar instituições centenárias.

CARTÃO BRANCO
João Pinheiro esteve, esta semana, envolvido no último seminário organizado pela FIFA para árbitros europeus com vista ao Mundial-2026. Depois dos trabalhos na italiana Viareggio, orientados pelo italiano Pierluigi Collina e pelo suíço Massimo Busacca, aguarda-se com a maior expetativa a divulgação da lista final de árbitros, árbitros assistentes, árbitros de apoio e árbitros assistentes de vídeo (VAR), que rumarão à América do Norte e à América Central em junho e julho. Posso, hoje, avançar em primeira mão que João Pinheiro estará na fase final do Mundial. Será o regresso de um árbitro central português à prova máxima do futebol mundial após a presença de Pedro Proença, há doze anos, no Mundial do Brasil. Depois disso, apenas Artur Soares Dias esteve na Rússia, em 2018, como VAR. Será um momento alto para a arbitragem portuguesa, a nível internacional, e para o João, o juiz de Braga que, muito justamente, verá realizado um dos seus maiores e mais legítimos sonhos profissionais."

O spa dos horrores


"Quando a liderança desvaloriza, legitima. E quando legitima, perpetua. Não é apenas uma questão de palavras. É uma questão de cultura. E a cultura constrói-se tanto pelo que se diz e se faz como pelo que se aceita.

Há momentos em que o desporto deixa de ser um espelho da sociedade para passar a ser um amplificador das suas piores fragilidades. O episódio ocorrido no jogo de andebol entre FC Porto e Sporting não é, por si só, o centro do problema. É apenas mais um sinal de um ambiente que há muito ultrapassou os limites do aceitável.
O alegado incidente no balneário, suficientemente grave para levar o Sporting a pedir uma audiência governamental, acabou por expor algo maior. Não se trata de um odor tóxico, nem de um jogo. Trata-se de um clima. Um clima que se instalou, cresceu e normalizou. Um clima que já não surpreende. E essa é a parte mais inquietante.
Frederico Varandas foi ouvido pela ministra do Desporto, Margarida Balseiro Lopes, com a intenção de denunciar aquilo a que chamou um «comportamento miserável» dos dragões ao longo da época. Pouco depois, André Villas-Boas passou pelo mesmo gabinete. À saída, escolheu o tom. Um tom leve, quase jocoso, que transformou episódios sucessivos em ruído habitual. Falou em enviar bolas, cones e toalhas para Varandas. E ao bom estilo da ironia de Pinto da Costa, sugeriu que os dragões iriam preparar um spa para receber o Sporting, com camas em condições e toalhas de veludo, reduzindo a questão a uma ironia logística quando o problema é, há muito, estrutural.
É aqui que a história se torna preocupante. Porque quando a liderança desvaloriza, legitima. E quando legitima, perpetua. Não é apenas uma questão de palavras. É uma questão de cultura. E a cultura constrói-se tanto pelo que se diz e se faz como pelo que se aceita.
Os episódios acumulam-se. Uma televisão no balneário de Fábio Veríssimo foi o pontapé de saída. As bolas e os cones que desaparecem durante um jogo importante são a continuação. E até as toalhas de Rui Silva, que foram desaparecendo nesse jogo, lembrando a final da CAN, é algo que André Villas-Boas considera dentro dos limites do desporto.
São vários gestos que, isoladamente, podem parecer irrelevantes, mas que juntos desenham um padrão. Um padrão de pressão, de desconforto, de tentativa de condicionamento. Um padrão que, repetido vezes suficientes, deixa de ser exceção para passar a ser método.
Nada disto é novo. O que é novo é a sensação de regressão. Havia uma expectativa, talvez ingénua, de que uma nova geração de dirigentes trouxesse outra linguagem, outro comportamento, outra responsabilidade. Uma forma diferente de competir fora de campo. Mais transparente. Mais adulta. Mais consciente do impacto que cada gesto tem num país onde o futebol não é apenas um jogo.
Em vez disso, assistimos a uma reedição de práticas antigas, agora com um verniz mais sofisticado, mas com a mesma lógica de fundo. A lógica de que vale tudo desde para vencer. De que a fronteira pode ser empurrada, testada, dobrada.
O problema não é apenas o que acontece dentro dos recintos. É o que acontece fora deles. A normalização. A banalização. A ideia de que faz parte. De que é rivalidade. De que é assim. Como se o desporto tivesse regras diferentes das restantes esferas da vida pública.
Não tem. Não pode ter.
Quando um presidente de um dos maiores clubes do país relativiza comportamentos que colocam em causa a integridade competitiva, está a enviar uma mensagem clara. Não apenas para os adeptos, mas para todo o ecossistema desportivo. A mensagem de que a linha pode ser esticada. Sempre um pouco mais até deixar de existir. Até rebentar.
Entretanto, as instituições observam. Liga, FPF e Governo. Todos com margem para agir. Todos com responsabilidade. E todos, demasiadas vezes, a optar pela prudência silenciosa. Pela gestão do momento. Pela esperança de que o tempo resolva aquilo que a liderança não resolve. É uma estratégia confortável, mas raramente eficaz.
Desta vez, o Ministério Público decidiu avançar com um inquérito, admitindo a possibilidade de crimes de natureza pública antes do jogo de andebol entre as duas equipas. É um sinal. Um sinal claro de que o assunto é sério. Demasiado sério. De que se estão a ser ultrapassadas todas as barreiras do aceitável. E devia servir de motivação para que as autoridades desportivas e governamentais deixassem de assobiar para o lado. Porque o problema não é apenas jurídico. É cultural. E os problemas culturais não se resolvem apenas com processos. Resolvem-se com posicionamento. Com liderança. Com exemplo.
O desporto português não precisa apenas de investigação. Precisa de autoridade. Precisa de consequências. Precisa de um ponto de rutura. Precisa que alguém diga, de forma inequívoca, que há um limite. E que esse limite não é negociável.
Quando a agressividade do futebol começa a contaminar outras modalidades, algo se perdeu. O andebol, como todas as modalidades, deveria ser um espaço de competição limpa, não um prolongamento das guerras de bastidores do futebol. E, no entanto, aqui estamos. A falar de balneários, de odores, de provocações pouco ou nada subtis transformadas em estratégia.
Tão inquietante como o episódio é a reação ao mesmo. Ou a falta dela. É a facilidade com que se desvaloriza. Com que se sorri. Com que se transforma o sério em anedota. Como se tudo isto fosse apenas parte do espetáculo.
Há uma linha invisível que separa a rivalidade da degradação. Alguns clubes estão perigosamente perto de atravessá-la por completo.
E quando isso acontece, o desporto deixa de cumprir a sua função mais básica. Deixa de ser um espaço de confronto leal para passar a ser um território de suspeita permanente, onde tudo se contamina, até aquilo que deveria estar protegido.
Não há vitória que compense. Pelo contrário. Há uma derrota silenciosa, partilhada, que não entra nas estatísticas nem levanta troféus. Uma derrota que se instala devagar, que corrói a confiança, que afasta quem ainda acredita que isto pode ser diferente.
E essa derrota é de todos. Dos dirigentes que alimentam o clima, das instituições que hesitam, do poder político que tarda em agir.
Mas também é de quem olha e aceita.
Porque há feridas que não se veem no fim de um jogo, mas que ficam. E essas são sempre as mais difíceis de sarar."

Paulo Pereira: o homem que acabou com as desculpas no andebol


"Nos últimos dias, o andebol português esteve em foco, mas não pelos melhores motivos. Acusações entre Sporting e Porto levaram mesmo a uma reunião com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes. Não é este o caminho que o andebol e o desporto nacional devem seguir. Há demasiado para valorizar no andebol português…
Durante décadas, habituámo-nos a perder antes de entrar em campo. Perdíamos no discurso. No «somos pequenos». No «eles são melhores». No «fizemos o possível». Criámos uma cultura confortável de resignação, onde a derrota era explicada antes de acontecer. Paulo Pereira, atual selecionador nacional, nunca aceitou isso.
Portugal não precisava de mais talento. Precisava de alguém que acabasse com a desculpa. Paulo Pereira destruiu esse limite cultural autoimposto. Aceitou o contexto, a falta de meios, a dimensão do país, a força dos adversários, mas nunca aceitou que isso fosse um destino. E é aí que começa a verdadeira revolução.
O maior feito de Paulo Pereira não foi ganhar à Dinamarca. Foi fazer com que, antes desse jogo, os jogadores acreditassem genuinamente que podiam ganhar. No desporto de alto nível, tudo começa aí. A diferença entre competir e vencer raramente está apenas no talento. Está na convicção. Na atitude. Na capacidade de entrar em campo sem complexos, sem aquela inferioridade silenciosa que durante anos nos limitou.
O mindset constrói-se com persistência. Com trabalho. Não há atalhos. É preciso melhorar continuamente os processos, na gestão do tempo, na eficácia, no desenvolvimento técnico, tático, físico e mental. É essa disciplina diária que transforma convicção em resultados. Mas há algo mais profundo na forma como Paulo Pereira vê o rendimento e a liderança: − Somos o resultado de duas forças: aquilo que trazemos de casa e aquilo que aprendemos ao longo da vida.
Liderar, explica, é garantir que ninguém se sente invisível. Que todos se sintam úteis, valorizados e parte do processo. Mesmo os conflitos, inevitáveis, podem ser momentos de crescimento.
A proximidade relacional é essencial. Sem ela, não há autoridade. Para exigir, é preciso primeiro criar ligação. Só assim é possível, em determinados momentos, ser mais firme ou até mais autoritário, quando o grupo assim o exige. E essa autoridade não se impõe, constrói-se com competência, preparação e coerência: − Eu nunca entro numa reunião sem estar preparado. Se não estiver, sei que não vou convencer ninguém.
A liderança não é fixa. Ajusta-se. Oscila entre momentos mais democráticos, mais exigentes ou mais diretivos, consoante as circunstâncias, o momento e as necessidades do grupo. É o próprio grupo que vai ditando essa linha. Ao mesmo tempo, a proximidade pode ser desafiante. Há decisões difíceis que têm de ser tomadas. Nesses momentos, a consciência tem de ser o guia: − Nem sempre acertamos, eu próprio cometi erros, mas procuro sempre decidir com base naquilo que acredito ser justo e melhor para o grupo, mesmo quando custa.
Há um episódio que o marcou profundamente. Como adjunto no FC Porto, venceu o Valladolid por 11 golos na primeira mão. Na segunda, perdeu por 12. Eliminado: − Foi como morrer de tristeza.
A frase é reveladora. Mostra alguém que sente o jogo para além do resultado. Alguém que percebe o peso emocional da competição ao mais alto nível. E, ao mesmo tempo, alguém que aprendeu a seguir em frente:
− Com o tempo, fui percebendo que tudo é movimento. Hoje perdemos, amanhã ganhamos, e no dia seguinte temos de continuar. Ora somos despedidos, ora somos convidados para novos projetos. Vivemos entre expectativas, alegrias e frustrações constantes. E é essencial aprender a lidar com tudo isso.
Esta ideia de movimento constante está no centro da sua liderança. Nem dramatiza a derrota, nem se ilude com a vitória. Equilibra. E isso reflete-se na forma como lidera: − Liderar é criar condições para que as pessoas sejam felizes, pensem pela sua própria cabeça e trabalhem para um objetivo comum. Não é controlo absoluto. Não é imposição cega. É exigência com autonomia. É garantir que ninguém se sente invisível. Que todos têm um papel. Que todos contam. É dar espaço, mas alinhar quando necessário. Porque quando surgem desvios, e surgem sempre, o objetivo coletivo tem de prevalecer sempre.
No alto rendimento, há outro fator inevitável… a pressão:
− Os grandes atletas sempre funcionam dentro de uma base de pressão. Grandes atletas e grandes treinadores. Se nós não conseguirmos funcionar num contexto com muita pressão, temos que mudar de atividade. Mas atenção, há a pressão positiva e a pressão negativa. A diferença está no ambiente que se cria.
E há também uma visão clara sobre o erro. E explica:
− Tento transmitir que alguns erros são permitidos. Erros normais do jogo, que acontecem quando as pessoas procuram seguir um plano, mas por vezes exploram alternativas e se equivocam. Às vezes, até tentam ser criativos, e isso para mim é um bom erro. O mau erro, por outro lado, é quando se tenta fazer algo com pouca consistência e baixíssimas hipóteses de sucesso. Esse tipo de erro não é permitido.
O erro, quando bem enquadrado, é aprendizagem. Este detalhe é fundamental. Porque é aqui que se constrói uma equipa que não tem medo de jogar. Uma equipa que arrisca. Que cria. Que cresce. E que entra em campo para ganhar. Aliás, essa ambição nunca foi escondida. Quando Paulo Pereira afirmou que Portugal podia conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos, muitos consideraram irrealista. Mas a equipa esteve perto. Muito perto. E isso expôs algo simples: não era loucura. Era preparação, crença e insistência:
− Quando fazemos bem as coisas, a distância entre ganhar e perder torna-se muito curta.
Esta frase resume o nível em que Portugal passou a competir. E expõe também uma realidade incómoda: Portugal conseguiu resultados de elite com condições que continuam longe de ser de elite. Pavilhões sem as melhores condições, investimento insuficiente, visibilidade mediática residual. E, ainda assim, resultados extraordinários. Isto não devia surpreender. Devia envergonhar. Quando se lembra que o andebol foi das poucas modalidades coletivas portuguesas presentes nos Jogos Olímpicos, não estamos apenas a elogiar, estamos a expor uma contradição nacional. Portugal normalizou o extraordinário. E isso é perigoso. Porque aquilo que é extraordinário, quando não é protegido, desaparece. Seja no desporto ou na vida.
Mas o maior legado do Paulo Pereira não está nos resultados. Está na mudança de mentalidade. Nos jogadores que hoje entram em campo sem pedir licença: Francisco Costa, Salvador Salvador, Martim Costa, Victor Iturriza, etc. Uma geração com talento, sim. Mas, acima de tudo, educada competitivamente. E o próprio acredita que o teto ainda não foi atingido:
− O Francisco Costa pode um dia ser o melhor do mundo. Se ele continuar nesta linha de trabalho, se ele melhorar fisicamente e, com certeza, ele tem a inteligência suficiente para poder continuar a melhorar, ele poderá vir um dia a ser o melhor jogador do mundo. E quando digo o melhor do mundo, falo de ataque.
Isto não nasce por acaso. É cultura. É exigência. É liderança. Paulo Pereira não criou apenas uma equipa. Criou um padrão. Um padrão de exigência, ambição e responsabilidade. E isso levanta uma questão inevitável: estará o andebol português preparado para continuar sem ele, mantendo essa exigência? Talvez a resposta esteja na evolução do próprio:
− Já pensei que liderar era ter pessoas a fazer exatamente o que eu dizia. Hoje acredito no contrário: o líder deve estar ao serviço das pessoas.
Esta mudança diz tudo. Mostra um líder que evoluiu. Que aprendeu. Que se adaptou. E percebeu que, no fim, liderar não é controlar. É potenciar. E, ainda assim, sente que o trabalho não está terminado:
− A sensação que tenho é que há alguma coisa que temos que terminar. Começámos há 10 anos. Tenho contrato até 2028 mas acho que falta acabar alguma coisa. E quando falta acabar alguma coisa, ainda continuamos a ter um propósito forte. E se esse propósito existe, vamos a isso.
O seu estilo de liderança merece, de facto, reflexão. Num tempo em que se valoriza a distância, Paulo Pereira aproxima-se. Envolve-se. Assume o peso. Não romantiza o sacrifício, vive-o. E isso torna-o credível. Criou uma marca «Heróis do Mar» mas, mais importante, criou um padrão. De compromisso. De ambição e de rigor. Paulo Pereira não é apenas o melhor selecionador da história do andebol português. É um espelho raro do que o desporto nacional pode ser quando deixa de ter medo de pensar grande. Educou uma geração para pensar a médio prazo, para controlar emoções, para respeitar o processo, para aceitar a pressão como parte do privilégio de competir, sem complexos, ao mais alto nível e para perceber que representar o país não é um momento, é um compromisso permanente. E, goste-se ou não do seu estilo, há uma verdade incontornável: depois dele, já ninguém pode fingir que não sabe o caminho. E mais do que um treinador, tornou-se um influenciador de comportamentos. Muito antes das redes sociais. Influencia pelo exemplo, pela coerência, pela autenticidade e pela exigência diária.
Essa influência ultrapassa o balneário. Chega aos clubes, aos jovens, aos adeptos. Tornou normal falar de ambição sem medo. De ganhar sem pedir desculpa. E quando um líder eleva de forma consistente o nível do que é aceitável, o impacto deixa de ser pontual. Passa a ser cultural.
Aconteça o que acontecer, o andebol português já não será o mesmo. Porque houve um homem que veio de um tasco reconstruído à força de pontapés nos ratos, que jogou à bola na rua até o chamarem para trabalhar, e que ensinou uma geração inteira a olhar nos olhos de França, Alemanha ou Dinamarca e pensar: eles que tenham cuidado connosco.
Isso não se apaga. Isso fica.
Fica o exemplo que transcende o andebol e o desporto…"

Año X despús de Johan Cruyff

sábado, 4 de abril de 2026

Qual vergonha?! Nem sequer conhecem o conceito !!!

Rapidinha...

Benfica 3 - 0 Leixões
25-21, 25-15, 25-18

Vitória rápida, no primeiro jogo das meias-finais...

Fundação...

Seleção: de jeans e ténis no Azteca


"Portugal não levou o seu melhor futebol a México e Estados Unidos. Algumas ideias que ficam dos dois jogos da Seleção, e o que parece ainda por decidir e eventualmente resolver

Sem Ronaldo, Rúben, Bernardo e Leão, não foi um Portugal trajado de gala aquele pisou o palco do Golo do Século do barrilete cósmico e o magistral punchline de Carlos Alberto, com vernáculo e gestos a apontar para os céus, a pontuar a melhor sentença coletiva da história. Enquanto esses gritos ecoavam, e assim o será para sempre, no betão retocado do Azteca, via-se em campo uma Seleção cinzenta, ainda que tapada por uns trapos vermelhos que a tantos quilómetros se viam desbotados após uma primeira lavagem. Daí para Atlanta, onde pelo contrário nunca foi erguido qualquer altar aos deuses, resultado e exibição melhoraram um pouco.
Havia curiosidade de perceber se alguns jogadores se chegariam à frente, e talvez aí tenha Trincão ficado a apontar para o golo que marcou. A definição do jogador do Sporting ficou patente, falta-lhe contudo o tricotar do extremo que vai chegar ao Mundial já sem contrato com o Manchester City e provavelmente com outro patrão. Terá o leão ganhado o lugar? Arrisco que não, porque na projeção daquilo que Portugal quer ser com o espanhol ao leme, assumindo bola e controlo do jogo, não restam grandes dúvidas de que Bernardo faz parte do plano.
Pior estiveram Ramos, a atravessar mau momento em termos de confiança, e um desastrado e emocionalmente frágil — imagem que teima em não conseguir diluir, sobretudo quando a exigência cresce — Inácio. Razão esta suficiente para Tomás Araújo reivindicar mais atenção, precisando de ter aí a cumplicidade de Mourinho a sustentar a sua afirmação primeiro na Luz e, consequentemente, na Cidade do Futebol.
Numa das muitas conversas que temos, e com quem espero não estar aqui a cometer inconfidências, eu e o Nuno Travassos tirámos conclusões semelhantes. Se João Neves é a melhor companhia para Vitinha e Vitinha é a reserva de clarividência e criatividade da equipa, há questões identificadas no que diz respeito ao terceiro elemento. Bruno Fernandes é absolutamente imprescindível, mas a química com aqueles dois terços do meio-campo campeão europeu não é a melhor.
A linguagem é diferente. Vitinha e João Neves querem escolher o momento certo e o Manchester United pretende acelerar à primeira. Definir. Está completamente viciado nesse momento sempre que se veste de Manchester United e não há nada de mal nisso, apenas precisa de enquadramento diferente. A própria forma de Cristiano Ronaldo abordar os ataques mais associativos, quando de forma errática e quase sempre estéril deixa a companhia dos centrais para se chegar à linha, irá também implorar que Bruno Fernandes ocupe o seu lugar. Logo, talvez até faça mais sentido se se aproximar da área. Uma ideia que cruza com o posicionamento de Bernardo, a cada dia mais médio e menos avançado.
Por que razão não colocar Bernardo mais perto da construção, a dividir despesas e a combinar com Vitinha e João Neves, e Bruno Fernandes a abrir o corredor direito para as sobreposições de Cancelo ou Dalot? Em tese, surgiria melhor química na fase de criação, com os três a falar na mesma língua. E teríamos maior presença no momento da decisão por quem define muito bem, como Bruno Fernandes. Que fez mais duas assistências, assinale-se. Talvez noutros tempos, um Bruno mais paciente, que não sentisse a cada momento que tem de carregar a equipa às costas, fosse possível. Não o é.
Paralelamente, a experiência de Samú terá sido isso, uma forma de perceber da prontidão do médio do Maiorca para assumir a posição 6 no grupo, não necessariamente no 11.
À frente, resta uma vaga. Martínez gosta muito de Pedro Neto. E é verdade que o extremo do Chelsea teve no passado vários azares que o afastaram das fases finais. Só que, neste momento, não é certo que seja ele a partir na frente. Estará no grupo se tudo correr bem fisicamente, mas há um novo João Félix, motivado e sem ter deixado evaporar uma pinga de talento nos desertos da Arábia Saudita — que paradoxalmente lhe devolveu algo minimamente parecido com um rumo —, disposto a baralhar as contas. O 10 conseguiu evitar as miragens e descobrir-se a si próprio em todo o espaço à sua volta.
Entretanto, Rafael Leão, pela época que está a fazer e até pelo deslocamento para o corredor central no Milan, poderá vir a ser um grande ponto de interrogação até ao verão.
Serão eventualmente as hesitações do selecionador, o desejo de não se expor tanto ou a gestão do momento ou da condição física de alguns elementos que o farão decidir-se por Rúben Neves (6-quarterback para aproveitar espaço nas costas da defesa e variações de centro de jogo), Samú Costa/João Palhinha (6 posicional, com forte incidência na recuperação da bola), Gonçalo Guedes (avançado de transição e ataque rápido que brilha no espaço) ou Francisco Conceição (extremo de 1x1).
Paulinho, a rábula das últimas semanas, terá surgido em cena para apenas expor o racional divulgado por Martínez. Nunca teve perfil semelhante a Ronaldo e Gonçalo Ramos, e rapidamente passou de ponta de lança esquecido (como nós dizíamos nos baldios onde jogávamos) a opção com minutos nos dois jogos. Um episódio perfeitamente evitável.
Do mítico Azteca e de Atlanta não chegaram novidades sobre a evolução da maior lacuna da equipa nacional: como transformar os níveis de retenção da posse de bola que a equipa atinge com um ataque posicional efetivo, capaz de ultrapassar blocos baixos. Diante dos mexicanos, Portugal criou muito pouco e, perante os norte-americanos, desequilibrou a partida após uma recuperação de bola a meio-campo e um ataque rápido. Consolidou o triunfo, no segundo tempo, através da bola parada.
É verdade que Vitinha tem e terá papel importante nesse momento, mas é daqueles problemas que só se resolvem de forma coletiva, e talvez até com mais nomes. Mateus Fernandes é uma boa ideia que só necessita de trilhar um pouco de caminho. Tal como Pote e Horta. Pedro Gonçalves ficará à espera do tamanho e estado certos da relva, embora tal como o avançado do SC Braga, e pela forma como leem o espaço, não esteja a ser valorizado o suficiente nesse contexto que nos perseguiu em alguns momentos do apuramento. Fará sentido abdicar deles quando o que entregam é pelo menos parte do que procuramos? Na verdade, Martínez até agora e desde os tempos da Bélgica, e com outros jogadores, nunca encontrou a solução. Será que é desta? A contagem decrescente começou há muito é cada vez mais sonora. A resposta poderá significar uma despedida em glória. Para o selecionador. E para Ronaldo."

Algarve, Varandas e AVB: dois tipos de pressão


"Do fórum da Associação Nacional de Treinadores de Futebol ao gabinete da ministra do Desporto, onde apareceram engravatados e solenes Varandas e Villas-Boas.

Enquanto o país desportivo se ia distrair com visitas ao Governo e ao Parlamento, o Algarve serviu de refúgio para a essência do jogo. Ali, no fórum da ANTF, discutiu-se, entre outras coisas, a metamorfose do treinador, que passou de mestre da tática a gestor de ativos financeiros sob pressão constante. A mudança de paradigma na propriedade dos clubes dominou a intervenção de Nuno Espírito Santo, por exemplo. Mas podia ser aplicada a vários outros treinadores, inclusive alguns da nossa Liga.
A «ditadura dos investidores» trouxe um novo e espinhoso dilema: escolher um 11 por valor de mercado. Como gerir a relação com um proprietário que questiona se o jogador Y, que pode ter uma proposta de saída, vai jogar, quando o treinador já escolheu, e sabe, que o X é o indicado para começar frente ao próximo adversário. Isto pode levar a uma espécie de erosão da autoridade técnica e se a derrota chega ninguém vai perguntar ao dono se ele se sente responsável. Pior do que isso, provavelmente nem se importa, desde que aquele ativo afinal tenha rendido bem e o negócio se faça. O treinador moderno não luta apenas contra o adversário; luta contra a folha de Excel do dono do clube..
A ciência também reclamou o seu espaço. A introdução de dados analíticos no treino já não é uma tendência, mas uma linguagem obrigatória e que cada vez mais dá ferramentas ao treinador para ter mais e melhor informação.
Mas o melhor, na minha opinião, ficou mesmo para o fim. Num bom momento de partilha entre homens com a mesma função, Paulo Fonseca revelou as suas inquietações sobre a evolução das pressões homem a homem. Destacou o FC Porto de Farioli como equipa que muda entre a «perseguição» individual e o rigor da defesa zonal com uma fluidez que desafia qualquer preparação prévia.
Rui Borges também contribuiu com o exemplo prático do que foi todo o ciclo Bodo Glimt, fora e casa, e depois Alverca. Seria ótimo perceber também ao pormenor a diferença de preparação que o Sporting teve, por exemplo, para o Benfica (joga apenas segunda-feira) neste pós-seleções.
Depois de tudo isto, não deixou de ser «enternecedor» ver Frederico Varandas e André Villas-Boas, engravatados e solenes, de visita ao gabinete da Ministra do Desporto para discutir o ‘estado a que chegámos’. Ou que eles chegaram. Nesta semana, debateram-se dois tipos de pressão. Homem a homem e a política. Para a primeira, há quem já esteja a pensar como solucioná-la. Para a segunda, duvido que tenha solução possível, ou que até haja vontade para isso."

Imaginemos copiar a parte boa dos italianos


"Itália tem problemas de fundo que impedem a evolução do futebolista nacional, mas continua com um campeonato forte. Fundamentalmente porque tem adeptos fiéis

Itália vive um psicodrama: se há país cuja paixão pelo futebol é proporcional ao orgulho nos feitos do passado é este fantástico povo e belo território, cuja ausência deixa mais pobre qualquer competição, ainda mais tratando-se um Mundial. São três vezes seguidas a ver navios.
Para quem gosta de analisar causas, a falência do calcio é um rico material de estudo. Porque é o exemplo de como o atavismo ou uma certa prepotência na persistência de ideias ultrapassadas podem levar à derrocada. Há dois motivos estruturais para o falhanço de uma inteira geração de jogadores italianos: um modelo de formação que trava a evolução dos futebolistas quando saem dos juniores e infraestruturas arcaicas que não permitem escalar receitas proporcionais à dimensão do país e da sua economia.
Já visitei muitos estádios em Itália e fiquei surpreendido pelas deficientes condições que a maioria oferece para os padrões modernos, como se o país futebolístico tivesse parado no Mundial-1990. Atualmente, o Juventus Stadium é o único que preenche os requisitos de elite exigidos pela UEFA, ainda assim nenhum dos palcos dos três grandes portugueses fica atrás no conforto, estética ou acessibilidades.
Mas depois há o outro lado: a Serie A continua no top 5 das ligas europeias e sem dar sinais de quebra. Há duas razões fundamentais: a primeira, de ordem financeira; a segunda, e talvez a mais importante, de dimensão social.
Quase metade dos 20 clubes do campeonato (Juventus, Inter, Milan, Roma, Atalanta, Como, Nápoles, Fiorentina e Bolonha) são detidos por multinacionais, seja na tradição dos poderosos grupos familiares ou através de fundos de investimento; e todos os estádios, sem exceção, têm taxas de ocupação elevadas (média de 82 por cento). Ao contrário do que acontece em Portugal (55 por cento), estas médias não são calculadas com base em três ou quatro visitas dos colossos, antes em venda de lugares anuais (os abonnati). Damos o exemplo do Lecce: 19.000 cadeiras vendidas para um recinto com capacidade para 25 mil lugares. Cada clube tem vida própria, portanto.
E a que preços, já agora? Em termos nominais são mais elevados que em Portugal, porém mais baratos se compararmos com o salário médio, já que um italiano gasta 5,4% do seu ordenado pelo preço médio de um bilhete, enquanto um português despende 7 por cento.
Em comparação, Portugal tem modelos de formação superiores, infraestruturas melhores, mas falta gente nos estádios. Imaginemos que daríamos esse salto e até que ponto não se podia ambicionar com algo bem maior. Seleção e talento temos a rodos, falta o resto.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
Bruno Fernandes, jogador da Seleção Nacional
Na ausência de Cristiano Ronaldo, é ele a grande figura da Seleção. Num relvado péssimo, mostrou, nos States, que está em grande forma. Mesmo que estivesse envolvido numa Champions ou Liga Europa, a dedicação seria a mesma. Um craque de cabeça aos pés.

Estagnado
Roberto Martínez, selecionador nacional
Voltou a deixar pontas soltas na forma como geriu a comunicação acerca da utilização de jogadores, exemplo de Paulinho ou agora de Pedro Gonçalves. Decidir é tomar medidas que não são consensuais, embora legítimas.

A descer
Frederico Varandas/André Villas-Boas, presidentes de Sporting e FC Porto
Discutir quem começou primeiro ou quem tem mais razão nesta guerra entre clubes pode levar à esquizofrenia. É tempo de os senadores (se é que ainda os há) aparecerem e lembrarem os seus presidentes de que eles não se representam apenas a si"

Avençados...

BF: Rumores...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - «O futebol da salvação»: como nasceu a reportagem premiada do zerozero?

Observador: E o Campeão é... - Sem Suárez, Sporting "caça" com quem frente ao Santa Clara?

SportTV: Primeira Mão - ⚽ Uma gigante afastada: Itália longe dos Mundiais desde 2014

Muitos jogos para ganhar


"O destaque nesta edição da BNews é a participação de dois jogadores do Benfica numa sessão de autógrafos, na qual Dahl expressa o foco em vencer os jogos por disputar.

1. Lutar até ao fim
Dahl e Ivanovic acarinhados por muitos Benfiquistas em sessão de autógrafos. Em declarações à comunicação social, o lateral partilha a abordagem do plantel às jornadas que restam do Campeonato: "Temos 7 jogos para disputar e são 7 finais muito importantes, por isso vamos lutar até que seja matematicamente impossível."

2. Contrato renovado
Banjaqui renova o contrato que o liga ao Benfica até 2031.

3. Foco no Casa Pia
O grupo de trabalho às ordens de José Mourinho prepara o próximo embate, agendado para segunda-feira, às 20h45, em Rio Maior.

4. Contributos internacionais
O desempenho dos jogadores do plantel profissional de futebol e de formação ao serviço das seleções.

5. Apontar ao hexa
Nycole Raysla, em declarações à BTV após visita à Benfica FM, só pensa na revalidação do título nacional: "Continuamos a trabalhar constantemente em prol do objetivo maior."

6. Últimos resultados
O Benfica obteve vitórias pelas suas equipas masculinas de andebol (35-34 ante o Póvoa AC nos quartos de final da Taça de Portugal) e futsal (1-5 na visita ao Caxinas a contar para o Campeonato).

7. Jogos do dia
Hoje há dois jogos na Luz: às 15h00, a equipa feminina de andebol encontra-se com a Academia São Pedro do Sul nos quartos de final da Taça de Portugal; às 19h00, a equipa masculina de voleibol recebe o Leixões no jogo 1 das meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional.
A equipa feminina de futsal joga às 17h00 no reduto da Novasemente, naquela que é a primeira partida dos quartos de final dos play-offs da Liga Placard.
No Estádio Universitário de Lisboa, às 15h00, o Benfica recebe o Cascais em râguebi.

8. Agenda do fim de semana
No sábado há Benfica-Sporting em juniores (11h00), Benfica-Rio Ave em juvenis (12h00) e Benfica-FC Porto em iniciados (16h00) no Benfica Campus. Em basquetebol, a equipa masculina de basquetebol visita o Galitos (15h00) e a feminina atua no pavilhão do Esgueira (21h00). A equipa feminina de voleibol tem embate na casa do FC Porto (17h00).
No domingo, a equipa feminina de futebol recebe o Torreense às 16h00. A equipa masculina de futsal visita o SCU Torreense (14h00).

9. Protagonista
Agate Sousa, campeã do mundo do salto em comprimento em pista curta, é a entrevistada da semana.

10. Entrevista
A basquetebolista do Benfica, Schaquilla Nunn, fala sobre a recente conquista da Taça de Portugal e do que se pode esperar da equipa feminina de basquetebol do Benfica nos play-offs do Campeonato.

11. Taça das Nações
Acompanhe o desempenho de 9 hoquistas do Benfica na competição ao serviço de várias seleções.

12. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV.

13. Apoie a Fundação Benfica
Sem custos, pode ajudar a Fundação Benfica a ajudar quem mais precisa. É só colocar o NIF 509 259 740 na declaração anual de IRS."

Aquecimento...


BI: Benfica Podcast #586 - Opportunity Missed

BolaTV: Toque de Bola - S01E18 - Luís Boa Morte...

Rabona: Will Real Madrid do it AGAIN? | UCL Quarter-finals PREDICTIONS

Assédio sexual


"No seguimento do nosso artigo da semana passada, referente a alterações regulamentares no seio da Federação Portuguesa de Futebol, e dentro do mesmo enquadramento normativo, tendo presente a evolução das exigências em matéria de integridade e proteção dos agentes desportivos, foram igualmente aprovadas propostas de alteração ao regime disciplinar relativas ao assédio sexual, a vigorar na próxima época desportiva.
Estas alterações incidem sobre o reforço do quadro sancionatório aplicável a condutas de natureza sexual indesejada, com o objetivo de promover um ambiente desportivo mais seguro, respeitador e livre de qualquer forma de intimidação ou abuso.
Em concreto, prevê-se o agravamento das sanções aplicáveis a dirigentes, treinadores ou outros agentes desportivos que adotem comportamentos de assédio sexual, seja sob a forma verbal, não verbal ou física, aumentando-se a moldura disciplinar, de modo a refletir a gravidade destas condutas e o seu impacto na dignidade das vítimas.
Do mesmo modo, são objeto de agravamento as sanções aplicáveis a situações de constrangimento à prática de atos de natureza sexual contra a vontade da vítima, reforçando-se a resposta disciplinar em linha com a política de tolerância zero para este tipo de infrações.
Adicionalmente, é introduzido um maior grau de responsabilização de todos aqueles que, tendo conhecimento de comportamentos suscetíveis de configurar assédio sexual, não atuem de forma adequada à sua prevenção ou repressão, sendo agravadas as consequências disciplinares associadas a atitudes passivas.
Com estas medidas, pretende-se não apenas sancionar de forma mais severa as condutas ilícitas, mas também afirmar um compromisso inequívoco com a proteção da integridade física e moral de todos os intervenientes no fenómeno desportivo, reforçando os mecanismos de prevenção e dissuasão deste tipo de comportamentos."