Últimas indefectivações

sábado, 4 de julho de 2026

Dia 5

BI: Lenglet...

Um VAR para os donos do VAR


"A polémica entre Duarte Gomes e Luciano Gonçalves mostra que Pedro Proença não está a conseguir reforçar a defesa da arbitragem, ao contrário do que seria de esperar

Ainda sou do tempo em que era preciso esperar pelo início da época para assistir a casos de arbitragem. Agora até a época do caracol convida a tais polémicas, ainda que o foco não esteja propriamente nos homens do apito, pelo menos aqueles que estão ainda no ativo, mas sim em quem os lidera(va).
A demissão do Diretor Técnico, Duarte Gomes, resultante de desavença séria - ao fim de pouco mais de um ano - com Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, deixa evidente que o setor, eterno parente pobre do futebol português, não está com as defesas reforçadas, ao contrário do que seria de esperar, tendo em conta que a representação na estrutura federativa nunca foi tão vincada, desde logo na figura do presidente. 
Mesmo com os jornalistas ali à mão, entre Palm Beach e Toronto, Pedro Proença não teve reação firme e imediata ao caso, mas nem sempre podemos esperar pelos momentos oportunos para dizermos aquilo que queremos, e como queremos. O silêncio não é a melhor forma de afastar a ideia de que os árbitros, por vezes tão corporativistas, podem ser os maiores inimigos de si próprios.
Forte abalo para a liderança de Proença, o caso é também outro abre-olhos para todos aqueles que ainda depositaram fé numa nova geração de dirigentes recrutada no terreno de jogo. Se Rui Costa, André Villas-Boas e Frederico Varandas têm desapontado no relacionamento institucional, agora constatamos que nem os (ex-)árbitros confiam uns nos outros.
Por mais ferramentas que sejam introduzidas, no futebol e no desporto em geral, a reputação da arbitragem será sempre proporcional à integridade e idoneidade daqueles que a representam, dentro de campo ou fora dele.
Os erros fazem parte do jogo, e a suspeita será impossível de erradicar, mas a margem para duvidar da intenção tem de ser mantida num patamar mínimo.
Se a desconfiança vem dos principais responsáveis do setor, entre si, então como podem os árbitros sentir que estão protegidos?
Perante tudo isto, qualquer dia teremos clubes a pedir acesso aos áudios e vídeos das reuniões que os rivais tiveram na Cidade do Futebol, seja com o Conselho de Arbitragem ou com outros responsáveis federativos.
Muito mal estaremos quando for preciso implementar o VAR para controlar precisamente aqueles que são donos do VAR."

Babalu anda a tomar drogas?!!

Papagaios...

Limpeza...

A voz do dono...!!!

Entrevista Paulo Almeida...

Zero: Mercado - Benfica atrás de extremos chileno

BF: Osório...

5 Minutos: Diário

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Portugal sofreu, mas venceu

Observador: E o Campeão é... - A bola tem chip, o Ramos tem golo e o "Ruca" tem sorte

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca . Mundial #17

Zero: Negócio Mistério - S06E12 - Ahn

DAZN: Diogo Jota: O Trajeto e a História | Premier League Stories

Zero: Afunda - S06E51 - Lebron, Brown, Morant etc: os dias loucos

SportTV: NBA - S04E39 - Neemias renova com os Celtics por 4 anos

Prossegue a preparação


"A pré-época futebolística e o Congresso das Casas em destaque na BNews.

1. Lenglet integrado
Continuam os trabalhos de pré-época do plantel às ordens de Marco Silva, o qual já conta com o internacional francês Lenglet.

2. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

3. Congresso das Casas
Em entrevista à BTV, Domingos Almeida Lima, vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica, explicou como vai decorrer o 4.º Congresso das Casas Benfica, que se realizará nos dias 3 e 4 de julho no Estádio da Luz.

4. Tridecacampeonato em análise
Paulo Almeida, treinador da equipa feminina de hóquei em patins do Benfica, fala sobre o 13.º título nacional consecutivo em entrevista à BTV.

5. Movimentações do defeso
Foram anunciadas as saídas do hoquista Lucas Ordoñez e dos basquetebolistas Koby McEwen e Temidayo Yussuf."

A época desportiva


"No passado dia 30 de junho terminou mais uma época desportiva, para a maioria dos desportos organizados em Portugal. Mas, afinal, o que é a 'época desportiva'? Podemos encontrar uma definição no Regime Jurídico do Contrato de Trabalho do Praticante Desportivo (Lei n.º 54/2017, de 14.07), concretamente no n.º 6 do artigo 9.º que refere que «Entende-se por época desportiva o período de tempo, nunca superior a 12 meses, durante o qual decorre a atividade desportiva, a fixar para cada modalidade pela respetiva federação dotada de utilidade pública desportiva».
Com efeito, cada federação desportiva tem liberdade — condicionada ou não pelas respetivas federações internacionais — para determinar o início e fim de cada época desportiva. Tipicamente, a mudança de época, na maioria das federações, ocorre no período do verão. Por exemplo, no futebol e futsal a época desportiva termina a 30 de junho e a seguinte inicia-se a 1 de julho, enquanto no futebol de praia a época tem um período distinto, em virtude das especiais características das competições dessa variante.
Contudo, o fim e início de uma época tem consequências para além das desportivas. Por exemplo, os seguros obrigatórios para a prática desportiva federada têm por referência o período de uma época desportiva, estando diretamente ligada aos próprios registos e inscrições dos atletas, assim como os contratos que jogadores e treinadores celebram com os seus respetivos clubes — sendo a regra a de que o contrato de trabalho desportivo não pode ter duração inferior a uma época desportiva nem superior a cinco épocas.
Também o Regime Jurídico das Federações Desportivas se refere a este conceito quando menciona, no artigo 34.º, n.º 4, que «A aprovação de alterações a qualquer regulamento federativo só pode produzir efeitos a partir do início da época desportiva seguinte, salvo quando decorrer de imposição legal, judicial ou administrativa»."

O perigo da dependência na motivação externa


"Há uma realidade no futebol moderno que me preocupa. Equipas que só despertam quando estão a perder, jogadores que apenas aumentam a intensidade quando sentem o resultado em risco. Como se a frustração fosse o gatilho para competir.
Este Mundial volta a mostrar-nos isso. Bélgica, Inglaterra e outras seleções revelaram momentos em que a urgência do resultado libertou uma versão mais intensa das suas equipas.
A pergunta é inevitável. Porque não competir assim desde o primeiro minuto?
Enquanto treinador, esta é uma reflexão que me acompanha há muitos anos. A psicologia distingue a motivação extrínseca da motivação intrínseca.
A primeira depende do exterior: do resultado, das críticas, dos elogios, dos prémios ou do medo de perder.
A segunda nasce do interior: do compromisso, do orgulho, da responsabilidade e da vontade permanente de melhorar. É esta que procuro desenvolver.
Um jogador que representa a sua seleção nacional não pode depender de estímulos externos para competir. O privilégio de vestir a camisola do seu país deveria ser, por si só, uma fonte inesgotável de motivação.
Competir por Portugal, pela Nigéria ou por qualquer outra seleção é um dos maiores reconhecimentos que um jogador pode alcançar. Quem chega a esse nível não pode esperar pelo sofrimento para encontrar energia.
No alto rendimento, a excelência não pode depender das circunstâncias. Tem de depender da identidade.Da disciplina. Do compromisso com a equipa. Da exigência consigo próprio.
A motivação externa pode iniciar um comportamento. Mas raramente o sustenta. É a motivação intrínseca que permite manter a concentração quando tudo corre bem e continuar a trabalhar quando ninguém está a olhar. Por isso acredito que uma das maiores responsabilidades de uma equipa técnica não é fazer grandes discursos antes dos jogos.
É construir uma cultura onde cada treino tenha significado, cada tarefa tenha intenção e cada jogador compreenda profundamente porque faz aquilo que faz. Porque, no final, a verdadeira liderança não cria dependência. Cria autonomia.
Afinal, o treinador não existe para motivar permanentemente. Existe para ajudar o jogador a construir uma motivação que sobreviva à sua ausência."

Os dois pés numa galera — a contra-crónica dum alternativo Portugal-Croácia


"Nota: este artigo mantém a forma original com que foi publicado na edição impressa do jornal A BOLA. Foi escrito antes de o jogo se realizar.

Quando este texto lhe chegar às mãos, o caro leitor saberá muito mais do que eu possa sequer ter conhecimento quando pressiono à vez cada letra deste teclado. Sabe o resultado, se Portugal passou ou não aos benditos oitavos, se sim como o conseguiu ou, se não, como foi capaz de falhar rotundamente no jogo e nos seus objetivos. Como foi capaz estragar alguns momentos da nossa vida, enquanto os amaldiçoamos por terem gasto o nosso investimento sobretudo emocional, e terem ido passar férias, sem brio ou um pingo de atitude, em vez de deixarem a pele em campo.
Tem argumentos, o leitor, numa escala só sua, para acreditar que se fez ou não uma boa exibição, e ainda se lembra de quem marcou os golos ou de quem teve culpa, se houve, nos sofridos. Aquele que, se não fosse ele, nada feito ou o que dormia em pé, qual burguês novo-rico, que engoliu há muito, não resistindo à gula, a fome de vencer. E, mesmo assim, esta é uma contra-crónica do jogo que poderia ter sido.
O pouco que sei é que o mais provável é que, madrugada dentro cá, noite cerrada em Toronto, se misture canícula com água quente a jorrar de alguma piscina sem manutenção no Olimpo. Troveje e se jogue ao pára-arranca como nos acessos às grandes cidades nas horas de ponta. Se eventualmente correu mal, amigos, então aí há forte probabilidade de a tempestade ganhar para a história o nome de Roberto. Com toda a justiça, reconheça-se. Ele veio mesmo para deixar marca.
Portugal é muito melhor do que esta envelhecida Croácia e, desta vez, os jogadores deixaram-se possuir por aquela arrogância positiva que o técnico desdenhava nas palavras e nos atos. Primeiro, porque se a Seleção estiver envelhecida é porque assim quer, porque não fez a transição a tempo de uma nova geração começar a lidar de forma natural com a responsabilidade e a dimensão que o nosso futebol já possui. Todavia, há muito mais talento individual, ainda que isso não queira dizer tudo, como bem sabemos.
É uma Croácia a esticar, para lá do seu limite elástico, o fim de ciclo, sobretudo em Modric e Perisic. Não pressiona alto. Não ataca em bloco. É frágil no jogo interior com bola, deixa espaço nas entrelinhas sem esta e desmonta-se em quadradinhos na transição defensiva. Corro o risco de acharem que me alimento a sarcasmo, porém acredito que qualquer treinador que viesse para esta partida iria trazer um plano. E que a maior parte, em tese, iria levar a melhor. Os que são amigos de si próprios acredito que escolham a equipa que os deixe mais próximos da vitória.
Tenho a certeza de que Don Roberto teve a sua epifania e imagino-o com as mãos na cabeça de um ajoelhado Cristiano, esse sim de queixo apoiado para não descair mais e a olhar no vazio, como uma criança a quem acabaram de roubar a bola e a atiraram para o telhado para o impedir de brincar. O treinador a tentar fazer com que compreenda, a desfazer-se em desculpas, entre meio-sotaque e meios-sorrisos, lutando contra a birra: «Ele defende melhor, pressiona mais, depois entras quando todos estiverem cansados e vais que ainda marcas um golinho ou dois. É melhor para o teu recorde. No pasa nada! Olha, o Messi… Pronto, pronto, esquece lá o Messi!»
O Rei de Copas levanta-se, abana a cabeça e repete para si próprio e para o quem quer ouvir, até para uma traça gigante, bem familiar, ao longe. «Assim não vamos lá!» Mas já poucos o ouvem. Nem Gonçalo Ramos, que talvez pense já no papel do ponta de lança no 3x4x3.
Atrás de Vitinha, alguém perde a vergonha e questiona. «Jogo eu, mister, certo?» Bernardo olha para o João Neves e faz o reparo. «E eu também! Vens Félix ou ainda estás a pensar no Simeone? Só precisamos de mais um e que o Ramos acorde. Neto, tu não és só bonito, é para jogar bonito! Se não, está aí o Trincão! Vamos, Bruno! Encontraste o tom? Glory, glory, ManUnited… Mister?»
«Ãh… Sim, claro, era o que tinha pensado. Tenho só aqui dez vídeos para mostrar sobre como travar o Baturina e… Onde é que vão todos?» «Não se preocupe, ele é que tem de nos travar a nós!» Isso, garanto, já não percebi quem disse. Mas as paredes tremeram com o grito de guerra. Os adeptos pensaram talvez que tinha sido outro raio.
Portugal pressionou desde o início com 11 jogadores e o bloco baixo croata sofreu muito. Sutalo e Pongracic só conseguiam bater longo. A Modric nunca deixaram a bola descoberta. Kovacic teve de recuar para ajudar, mas é mais homem para levar a bola do que para organizar. Vitinha é tão bom rapaz que ainda pensou de trocar de camisola para que o ídolo não se afundasse com os companheiros, na sua última dança. João Félix teve o espaço que muitos lhe negam e meteu Livakovic desde cedo em trabalhos. Ramos não finalizou com a certeza de Ronaldo, mas agarrou-se à sua força de vontade, moralizou-se a si próprio desde o ponto a que o deixaram cair e deu sempre mais um pouco na jogada seguinte. Foi sempre um apoio, um exemplo e os colegas também estiveram lá para ele. Bruno Fernandes caiu muitas vezes nos metros quadrados que libertava a cada sprint que fazia.
Com um colete de forças a esmagar-lhe o tronco, a Croácia não conseguiu sequer respirar para poder atacar. E quando o resultado ficou seguro, havia gente para controlar a bola. Com Bernardo perto de Vitinha e de Neves, com Bruno a ler nos companheiros o ritmo certo e a juntar-se ao festim, e Félix a segurar a bola de costas para a baliza ou a desequilibrar com um toque. Gonçalo a segurar mais à frente. Guedes a entrar para mudar o registo. Tal como Trincão ou Francisco. Com Leão pronto a morder e a ferir de morte com as suas arrancadas. E Ronaldo, agora sim, disponível para, com a música certa, ter uma dos seus últimos bailes.
Não sei se é bom augúrio ou não, mas chega agora um carro, de vidros abertos por causa do calor, com a música no máximo. Ai, Portugal, Portugal, de que é que estás à espera? Tens um pé numa galera e outro no fundo do mar! O onze já saiu, mas nem preciso olhar. Eu já vi tudo e tenho a certeza de que é este. E, por isso, lá vamos nós defrontar a Espanha nos oitavos de final."

A 'Roja' está cada vez mais viva (e Pedri joga tanto!)


"Pedri joga tanto! E esta Espanha, que não sofre golos, e que, mesmo com apenas uma asa — Lamine Yamal recuperou, Nico Williams lesionou-se novamente e é Álex Baena, um 10 encostado à esquerda, quem abre depois caminho às arrancadas do lateral Cucurella — parece conseguir encontrar sempre o caminho da baliza contrária. Mais uma vez, também com um falso 9: Oyarzabal. E quanto mais se avança no torneio, mais a equipa de Luis de la Fuente ganha força dentro de campo e no estatuto de candidata à vitória final.
Volto a Pedri, que joga enormidades e é o coração mais generoso. O seu futebol tem ligação e continuidade depois, não só em Baena e em Oyarzabal, mas também em Dani Olmo. O médio ofensivo, esse sim com o 10 nas costas, tirou o 'bilhete' que o obriga, jogo após jogo, a ter de provar que deve ser titular, tanto no Barcelona como na 'Roja'. Essa luta junta-se a um percurso difícil: saiu dos sub-16 para a segunda equipa do Dínamo Zagreb e voltou dez anos mais tarde, já depois de ter despontado nos alemães do Leipzig, a troco de mais de 60 milhões de euros.
Ele é fundamental nos desequilíbrios que a Espanha cria a partir do corredor interior, reforçado obviamente com um ex-Bola de Ouro a tentar voltar aos grandes momentos, como é Rodri.
A 'Roja' demonstra, novamente, que não é preciso ter jogadores mais posicionais para se construir um bom ataque posicional, que obviamente é indissociável do seu ADN. Ainda que Pedri jogue tanto (!), Rodri seja um fortíssimo alicerce e Baena se junte a Olmo por dentro, é ainda na frente, na capacidade de Oyarzabal em ler o espaço e o momento, que depois o conjunto desfere os seus golpes. O capitão da Real Sociedad diz sempre presente."

Os limites dos limites


"O Mundial de 2026 representa mais do que uma simples mudança do formato competitivo. Com mais seleções, mais jogos, mais dias de competição e disputado em diferentes contextos competitivos, deixou de ser apenas um evento importante para se tornar uma extensão da lógica de funcionamento e rendimento dos clubes, com os principais atores sujeitos a mais jogos, mais treinos e cada vez menos tempo de paragem, nem que seja apenas para não fazer nada.
A Seleção Nacional, tal como era conhecida, onde os jogadores se encontravam de tempos a tempos, concentrada e dependente de curtos períodos de preparação, mudou para um modelo quase contínuo de gestão do rendimento, partilhado com os clubes.
Hoje, as seleções não se limitam a convocar jogadores para os jogos. Passam elas próprias a gerir atletas ao longo de ciclos prolongados, monitorizam cargas, antecipam fadiga, gerem orçamentos elevados, recursos humanos e planeiam microciclos com base em informação contínua. E, fruto das obrigações e dos objetivos que têm, que não são apenas desportivos, qualquer federação pretende ter sempre os seus melhores jogadores disponíveis, mesmo para encontros de reduzida importância competitiva.
Para se ter uma ideia, existem 15 jogadores do Paris Saint-Germain que estão em competição praticamente ininterrupta desde o Campeonato do Mundo de Clubes disputado nos Estados Unidos, em 2025. Jogaram a final frente ao Chelsea e, poucos dias depois, já preparavam a Supertaça Europeia. Dos 16 jogadores do PSG convocados para este Campeonato do Mundo de 2026, 15 já tinham estado ao serviço do clube francês nessa competição, um ano antes. Do lado do Chelsea, são 10 os jogadores presentes neste Mundial, com a vantagem de não terem disputado a Supertaça Europeia a 13 de agosto, embora tenham iniciado a Premier League apenas poucos dias depois.
Este Mundial, realizado em três países e em condições climatéricas muito diferentes, surge num contexto de saturação física sem precedentes. As temporadas dos clubes são mais longas, os calendários internacionais mais densos e a introdução de novas competições, como o Mundial de Clubes expandido, acrescentou mais uma camada de desgaste.
O futebol é uma das modalidades coletivas mais exigentes do ponto de vista fisiológico. A duração dos jogos, a intensidade das ações, as distâncias percorridas, a exigência física, o risco de lesão e a sucessão de competições fazem com que os atletas terminem cada época acumulando níveis de fadiga cada vez mais elevados.
Os clubes procuram responder a este desafio através de plantéis mais profundos e com maior qualidade, naturalmente, aqueles que o conseguem suportar financeiramente. Já as federações olham com preocupação e pouca tolerância para a indisponibilidade de alguns atletas ou para a resistência dos clubes em libertarem jogadores para jogos considerados menos relevantes, uma vez que também dependem das receitas provenientes dos direitos comerciais, da publicidade, do marketing e da organização de jogos. E no final do dia, o recurso mais valioso continua a ser o mesmo, o atleta e a sua disponibilidade física e mental.
É verdade que as federações evoluíram para organizações profissionalizadas, com departamentos técnicos especializados, unidades de performance, equipas médicas, analistas e estruturas comparáveis às dos melhores clubes. Também elas enfrentam desafios semelhantes aos dos clubes, desde o planeamento estratégico à cultura organizacional, passando pela gestão de processos e de recursos humanos. No fundo, vivem igualmente da capacidade e necessidade de produzir resultados desportivos.
Neste cenário, a performance neste Mundial deixou de depender apenas da qualidade técnica ou tática. A gestão da carga tornou-se um fator competitivo. Este Mundial é uma prova de talento, mas também, uma prova na capacidade de gerir pessoas, recuperação e rendimento ao longo de vários dias. As equipas que conseguirem preservar melhor os seus atletas estarão claramente em vantagem.
A evolução das seleções não pode, por isso, ser separada da transformação das federações. O sucesso vai depender das estruturas, do planeamento estratégico e dos departamentos especializados na performance, em que as áreas do marketing, comunicação e desenvolvimento vão a reboque.
Também nas seleções, o talento isolado deixou de ser suficiente para garantir rendimento sustentado. No limite, o Campeonato do Mundo de 2026 não será conquistado apenas pelos melhores jogadores. Tal como acontece nos clubes, será conquistado pelas estruturas mais preparadas, capazes de transformar um calendário extremo num sistema competitivo eficiente, resiliente e sustentável.
No meio disto, há uma ideia forte e que tem de ser alvo da maior preocupação e foco de todos: a densidade competitiva. Com menos dias entre jogos, menos semanas de férias, viagens constantes, alterações constantes de fuso horário, diferentes temperaturas e humidades, menos tempo para treinar, mais tempo necessário para a recuperação e maior exigência mental pela pressão permanente.
Isto vai aproximar o futebol de modalidades como a NBA ou a Fórmula 1, onde a gestão do calendário é uma vantagem competitiva. O futebol está a aproximar-se do limite da capacidade biológica dos atletas. Já não se trata de saber quantos jogos conseguem fazer, trata-se de perceber qual o rendimento que conseguem manter quando praticamente deixam de existir períodos reais de recuperação. É uma perspetiva mais diferenciadora e sustentada do ponto de vista científico do que a simples contagem de jogos."

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Ranking!

Incrível a quantidade de pessoas que aparentemente preferiam o 'erro humano'!!!

LiveMode: A Estrelinha que Sabíamos Quem Era #04 - Croácia...

BolaTV: Dias de Mundial...

ESPN: Futebol no Mundo #597

LiveMode: Aquece vais entrar #30

SportTV: Estádio #9 - Não é uma estrela é um cometa

O Resto é Bola - Mundial - Cristiano Ronaldo abriu e Ramos carimbou a passagem: Espanha é o próximo alvo no Mundial

Falsos Lentos - Mundial #3 - Diogo Muda de Carreira

Mata Mata - A MELHOR HOMENAGEM A DIOGO JOTA! 🇵🇹❤️ Portugal elimina a Croácia e está nos oitavos

Pre-bet Show - Mundial #7 - O SONHO ESTÁ VIVO!🔥 ARROZ DE CABIDELA VS PAELLA⭐

No Princípio Era a Bola - Roberto Martínez encheu-se de coragem e fez o que devia ser feito para Portugal ultrapassar a Croácia

Zero: Ataque Rápido - Mundial #5 - Sofrer, passar e repensar

Observador: Minuto 90 - Suiça bate recorde antigo com caras novas

TNT - Convocados...

Terceiro Anel: Croácia...

AA9: Mundial - Croácia...

Rabona: I Went to the most INSANE World Cup match… | World Cup Day 22

Quezada: Croácia...

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Croácia...

Observador: Relatório do Jogo - Croácia...

TugaFut: Croácia...

SportTV: Alternativo - Croácia...

LiveMode: Late Night #11

Daizer: Croácia...

Terceiro Anel: Live - Croácia...

FIFA: Canadá...

FIFA: Paraguai...

FIFA: França...

FIFA: Marrocos...

LiveMode: Portugal - Croácia

SportTV: Austrália - Egipto

SportTV: Suíça - Argélia

SportTV: Portugal - Croácia

SportTV: Espanha - Áustria

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Kick-Off


Mais um sorteio, que de sorteio tem pouco, praticamente o mesmo calendário das últimas épocas, principalmente na recta final!!!
Curiosamente, apesar do Benfica ser a equipa teoricamente com mais jogos de pré-eliminatórias Europeias, vamos ter dois jogos consecutivos fora em Agosto, sendo que um deles é em Moreira de Cónegos! Enquanto rivais diretos, sem pré-eliminatórias, tem um Agosto mais tranquilo... Isto a somar, com um fim de época, onde teremos 3 das deslocações mais complicadas de toda a época de forma consecutiva: Famalicão, Braga e Alvalade!!! Se chegarmos à recta final, em igualdade pontual, ou a ter que recuperar, será quase impossível...!!!
E como 'brinde' este ano, temos uma jornada em Setembro, onde iremos ao antro dos Corruptos, numa semana, onde haverá Jornada Exclusiva da Liga Europa, sem Champions, portanto podemos ter um jogo Europeu nas vésperas, e os Corruptos, vão ter uma semana inteira para preparar o jogo!!! Coincidências!!!

1.ª Benfica-Ac. Viseu 18.ª
2.ª Casa Pia-Benfica 19.ª
3.ª Moreirense-Benfica 20.ª
4.ª Benfica-Estoril 21.ª
5.ª Marítimo-Benfica 22.ª
6.ª Benfica-Gil Vicente 23.ª
7.ª FC Porto-Benfica 24.ª
8.ª Benfica-Vitória SC 25.ª
9.ª Santa Clara-Benfica 26.ª
10.ª Benfica-Alverca 27.ª
11.ª Estrela da Amadora-Benfica 28.ª
12.ª Benfica-Famalicão 29.ª
13.ª Nacional-Benfica 30.ª
14.ª Benfica-SC Braga 31.ª
15.ª Rio Ave-Benfica 32.ª
16.ª Benfica-Sporting 33.ª
17.ª Arouca-Benfica 34.ª

PS: Liga 2

1.ª Benfica B-Leixões 18.ª
2.ª União de Leiria-Benfica B 19.ª
3.ª Benfica B-Portimonense 20.ª
4.ª Amarante-Benfica B 21.ª
5.ª Benfica B-Torreense 22.ª
6.ª Académica-Benfica B 23.ª
7.ª Benfica B-Felgueiras 24.ª
8.ª Feirense-Benfica B 25.ª
9.ª Benfica B-Chaves 26.ª
10.ª Farense-Benfica B 27.ª
11.ª Benfica B-AFS 28.ª
12.ª Penafiel-Benfica B 29.ª
13.ª Benfica B-Lourosa 30.ª
14.ª Benfica B-Vizela 31.
 5.ª Tondela-Benfica B 32.ª 
16.ª Benfica B-Sporting B 33.ª
17.ª FC Porto B-Benfica B 34.ª

Até à última gota

ISTO FOI HÁ UM ANO É HORA DE PASSAR À AÇÃO


"1.
Depois de vários escândalos que deram o bicampeonato ao Sporting - a rasteira com a cabeça do Otamendi que virou penálti que o VAR queria reverter mas o senhor Nobre manteve, a câmara de segurança em poste de iluminação a validar golo fora de jogo do clube do doutor Varandas, etecetera -, depois de vários escândalos, escrevia, tivemos na final do Jamor o maior deles desde a implementação do VAR em Portugal. Assim conquistou o Sporting a "roubadinha". Revoltado, Rui Costa desabafou, alguém gravou e o áudio vazou.

2.
A época 25/26 confirmou o pior da segunda metade de 24/25. Ao Benfica, pouco importa para esta explanação se jogou mal ou bem, se cometeu erros de gestão desportiva mais ou menos graves, que cometeu, ao Benfica foi retirada a possibilidade de lutar pelo título, mas principalmente de garantir o segundo lugar e o acesso aos milhões da Champions. Basta lembrar que logo que ascendeu ao segundo lugar entrou em ação um vigarista da arbitragem de nome Gustavo Correia que nos roubou descaradamente, a céu aberto, em Famalicão. Por seu lado, ao Sporting tudo foi dado, e o tudo incluiu um inexistente penálti de 15 minutos nos Açores que será para sempre uma nódoa no curriculum de João Pinheiro. (Felizmente, o Torreense tratou deles no Jamor e assim se fez justiça. Sem pisas na cabeça, sem Godinhos e Martins perderam até com uma equipa da segunda liga.)

3.
O tsunami provocado por Duarte Gomes veio ajudar a destapar um pouco a careca da vergonhosa gestão do presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves. Desengane-se quem achar que tudo se deveu a uma bufice sobre uma nomeação para um jogo do Estrela da Amadora. Muito há para esclarecer: nomeações, avaliações e VARgonhices sem fim têm que ser agora investigadas até às últimas consequências pelo Ministério Público. Ou será que para esta gente só interessam as inconsequentes denúncias anónimas que têm como objetivo único prejudicar o Benfica e o seu bom nome?

4.
Há muito que venho reclamando ações concretas do Benfica na exigência de medidas de gestão da arbitragem que assegurem a verdade desportiva. Esta é mais uma oportunidade - de ouro! - que não pode ser desperdiçada. De nada servem desabafos de bastidor tornados públicos, murros na mesa depois de sermos roubados e o mal estar feito, promessas de tolerância zero ou inóquos comunicados produzidos por uma comunicação que é igual a zero. É hora de passar à ação pela qual milhões de adeptos anseiam e à qual se querem associar. Vamos a isso?"

Bastidores...


"Os jogos de bastidores estão ao rubro, o assalto ao poder levado a cabo pelo SCP durante a fase conturbada do ataque da Santa Aliança do Hotel Altis finalmente começa a mostrar sinais de fraqueza, tudo porque o FCP mostra as suas garras e passou ao ataque pelo domínio da arbitragem nacional.
Aqui sim o governo deveria interferir e desmontar toda esta organização criminosa que há anos decide o campeão nacional em antecipação!
Todo este órgão deveria ser desmontado e refundado com recurso a uma agência internacional, não há base de confiança possível no setor arbitral nacional."

O verdadeiro líder da APAF !!!

O Moço...

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #57

Zero: Mercado - Pérola argentina do Benfica mais perto da Turquia

BF: Destaques...

5 Minutos: Kick-Off...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Época do SC Braga promete

Observador: E o Campeão - Portugal x Croácia: o Mundial começa a sério no mata-mata?

Observador: Três Toques - Mundial: Discussão belga, Kane herói e despedimento à grega

Observador: Minuto 90 - Desvantagem numérica pode significar vantagem no resultado

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Mundial #16

Zero: Saudade - S04E44 - Neca - Parte II

BolaTV: Falso Plano #128 - Antevisão Le Tour de France

Terceiro Anel: DRS #56 - ROLETA RUSSA & SILVERSTONE GP!! 🏎️🏁

DAZN: F1 - Antevisão ao GP da Grã-Bretanha

Integridade no Futebol de Formação: Proteger o Futuro Dentro e Fora das Quatro Linhas


"O futebol de formação é muito mais do que uma etapa de preparação para o alto rendimento. É um espaço de educação, desenvolvimento humano e construção de valores. Milhares de crianças e jovens entram diariamente nos campos de treino com sonhos de sucesso desportivo, mas também com a expectativa de encontrarem um ambiente seguro, saudável e ético. Garantir essa realidade é uma responsabilidade coletiva que coloca a integridade no centro do desenvolvimento do futebol.
Nos últimos anos, a discussão sobre integridade no desporto deixou de estar limitada ao combate à corrupção, à manipulação de resultados ou ao doping. Hoje, o conceito é mais amplo e inclui a proteção da integridade física, mental e emocional dos jovens atletas. Esta visão holística tem sido promovida internacionalmente pela SIGA – Sport Integrity Global Alliance, uma organização independente que reúne entidades desportivas, governos, empresas e especialistas com o objetivo de fortalecer a transparência, a boa governação e a proteção dos participantes no desporto.
No contexto do futebol de formação, a integridade começa pelo reconhecimento de que cada jovem atleta é, antes de tudo, uma pessoa. A pressão para vencer, alcançar contratos profissionais ou corresponder às expectativas de treinadores, dirigentes e familiares pode gerar consequências profundas na saúde mental dos praticantes. Casos de ansiedade, esgotamento emocional, baixa autoestima e abandono precoce da prática desportiva têm sido identificados com crescente frequência em diversos países.
A integridade física é igualmente uma preocupação central. O desenvolvimento biológico dos jovens exige cuidados específicos, cargas de treino adequadas e acompanhamento médico qualificado. Quando a busca por resultados imediatos se sobrepõe ao bem-estar dos atletas, aumentam os riscos de lesões graves, sobrecarga física e impactos negativos que podem acompanhar os jovens ao longo da vida. A proteção da saúde não pode ser encarada como um obstáculo ao rendimento, pelo contrário, pois constitui um dos seus principais alicerces.
Existe ainda uma dimensão da integridade frequentemente esquecida: a equidade. Poucas pessoas são tão sensíveis à injustiça como os jovens. Quando percecionam favoritismos, discriminação, critérios pouco transparentes ou oportunidades condicionadas por interesses alheios ao mérito e ao desenvolvimento pessoal, a confiança nas instituições e nos adultos responsáveis é rapidamente afetada. No futebol de formação, garantir igualdade de oportunidades, valorizar cada atleta pelo seu empenho e potencial, independentemente da sua origem social, condição económica, género, etnia ou influência externa, é um imperativo ético. A integridade constrói-se também através da justiça, da transparência e da convicção de que todos têm o direito de sonhar e de progredir em condições de igualdade.
A SIGA tem defendido que a criação de ambientes seguros deve ser uma prioridade estratégica para todas as organizações desportivas. Isso implica políticas claras de proteção de menores, mecanismos de denúncia acessíveis, formação contínua para treinadores e dirigentes e uma cultura organizacional baseada no respeito e na responsabilidade. A tolerância zero perante abusos, assédio, discriminação ou qualquer forma de violência deve ser um compromisso efetivo e não apenas uma declaração de intenções.
Outro aspeto fundamental é a educação para os valores. O futebol de formação tem um enorme potencial para ensinar respeito, disciplina, trabalho em equipa, inclusão e cidadania. Contudo, esses valores só podem ser transmitidos de forma credível quando são vividos diariamente pelas instituições. Os jovens aprendem tanto através dos discursos como dos exemplos que observam. A integridade, nesse sentido, não é apenas uma norma, é uma prática quotidiana.
Num contexto em que o futebol movimenta recursos económicos cada vez mais significativos, torna-se essencial evitar que os interesses financeiros condicionem o desenvolvimento saudável dos atletas. A profissionalização crescente do futebol juvenil trouxe oportunidades importantes, mas também novos riscos. A proteção dos jovens deve prevalecer sempre sobre objetivos comerciais ou competitivos de curto prazo.
Investir em integridade significa investir na sustentabilidade do próprio futebol. Clubes, federações, escolas, famílias e autoridades públicas partilham a responsabilidade de construir ecossistemas desportivos que promovam não apenas melhores jogadores, mas também melhores cidadãos. O sucesso de um sistema de formação não deve ser medido apenas pelo número de atletas que chegam ao futebol profissional, mas também pela capacidade de garantir que todos os jovens saem dessa experiência mais saudáveis, mais preparados e mais confiantes.
A integridade não é um luxo nem uma tendência passageira. É uma condição indispensável para que o futebol de formação cumpra a sua verdadeira missão social. Ao colocar a proteção física e mental dos jovens no centro das suas prioridades, ao garantir ambientes justos e inclusivos e ao assegurar que todos dispõem das mesmas oportunidades para desenvolver o seu potencial, iniciativas como as promovidas pela SIGA recordam-nos que o futuro do futebol depende, acima de tudo, da forma como cuidamos das pessoas que o constroem desde a infância. Porque formar atletas é importante, mas formar seres humanos íntegros é, em última análise, a maior vitória que o desporto pode alcançar."

A nossa profissão garante um desporto limpo e livre da política


"Caros colegas,
Vivemos num tempo difícil, confuso e violento, mas precisamente por essa razão temos que reagir, encontrar soluções e explorar novas soluções para a nossa profissão, que continua a ser uma garantia para um desporto mais limpo e mais educativo para os jovens.

POLÍTICA
A política tenta sempre infiltrar-se pesadamente no mundo do desporto e por isso também no nosso do Jornalismo. Estamos a viver uma vibrante edição do Campeonato do Mundo de futebol mas a véspera foi impactada pela tempestade política à volta da presença do Irão.
Felizmente, o Irão não foi excluído mas ao mesmo tempo não teve as mesmas condições das outras equipas. Ainda assim consideramos essa presença altamente significativa.

PODER DE MUDANÇA
Gostaria de vos lembrar que há 46 anos, a política tentou destruir a independência do desporto. Lembrem-se do boicote aos Jogos Olímpicos de Moscovo de 1980 e os subsequentes Jogos de 1984 em Los Angeles. Na altura o desporto, e nós Jornalistas desportivos, erguemo-nos contra a interferência política e a nossa ação, combinada com a do mundo do desporto, salvou não só o movimento olímpico, que estava a morrer nos anos 80, mas também o futuro de gerações de atletas.

PARADOXO
Agora encontramo-nos numa situação que não é igual, mas parecida. Temos que reagir firmemente contra iniciativas que procuram poluir o mundo em que vivemos. Toda a gente fala sobre ‘criadores de conteúdo’ e Inteligência Artificial; estas são duas realidades com as quais temos que viver mas sem ser influenciados. Claro que novas tecnologias exigem atenção e temos que as usar inteligentemente, porque é assim que nos podem ajudar.

PROGRESSO
O progresso não pode ser negado, mas nós podemos domesticar novas realidades e torná-las úteis para a nossa profissão. O pessimismo não ajuda; temos que olhar para o futuro com confiança nas nossas capacidades. Não estamos obsoletos, ultrapassados pela tecnologia; de facto, temos ainda um enorme potencial, mas temos que acreditar em nós."

Um esquadrão de ronaldetes não esbarra contra um neurónio


"É tempo de Mundial: esplanadas cheias, patriotas de junho, mãos de panado. Guia-nos Cristiano. O portugalinho rende-se-lhe. É mais que Deus: ensinou Deus a amar. É mais do que a água: ensinou-a ser molhada. É mais do que o fogo: ensinou-o a ser quente. Pode tudo. Desculpa-se-lhe tudo. Professoras, engenheiros e mecânicos: todos o desejam num amor pungente.
Ei-la, a portugalite de rissol e t-shirt da seleção. A inultrapassável parolice de sermos «um», «unidos» e «resilientes». Ai de quem critique Ronaldo, aponte falhas à equipa ou evidencie o óbvio. Ai de quem não partilhe da acéfala febre em torno de um atleta expirado que se julga o Sol e a nós sua corte.
No fundo, os portugueses, tão destreinados na arte de ser livres, são incapazes de um juízo racional só porque o tema outrora lhes fornicou o coração. Não aceitam um símbolo seu em causa pois confundem-no com um ataque ao direito a ir buscar frango para ver a bola.
O óbvio não se lhes evidencia porque o coração faz sombra aos olhos; porque «Deus me livre» se deixamos de amar quem um dia nos fez feliz. Atuam em gangue — «não és português», «não o mereces», «respeita-o!» — e são sempre muito homens, muito machos, muito fortes. Além do atraso cognitivo, partilham a incapacidade de dizer um bom motivo para o senhor estampado nas toalhas de praia estar ainda em campo.
Imagine-se: ser adulto, pagar contas, criar filhos e achar que há seres perfeitos. Pior: imagine-se ser isto tudo e ter como exemplo de vida Cristiano Ronaldo: um homem que, depois de conseguir tudo a pulso, teve a ganância de se vender a um regime que esquarteja pessoas; que fez um acordo em dinheiro para silenciar uma alegada violação; que não pensa senão nos seus números; que só é capaz de dar a cara pela equipa nas vitórias.
Um ronaldete é bimbo prepotente. Rasga as vestes pelo seu pastor e evangeliza a aldeia. Não se importa com uma alegada violação ou com o ídolo ser mascote de um regime sanguinário. Gosta «imenso» do país, mas é-lhe indiferente que a sua melhor geração de futebolistas rasteje diante um narcisista catedrático. Tem a personalidade de um pombo: não o chateia que o treinador não o tire; não o aborrece o «respeitinho» que o portugalinho institucional lhe tem. Todo esse mundo ordeiro e surdino não o irrita: nem se apercebe dele — um um esquadrão de ronaldetes à desfilada não esbarra contra um neurónio.
O direito dos ronaldetes a ver a «última dança» de Ronaldo (vomitei) não é superior ao direito dos portugueses a ter uma seleção nacional livre, em que o treinador e os jogadores não se sintam coagidos a orbitar em torno de uma estrela moribunda: a sua luz já não ilumina, o seu calor não queima, a sua utilidade é nenhuma. E nós, portugueses, lá vamos indo: calados, medrosos, guardando uma esperançazinha de que se ninguém arrebitar muito cachimbo, talvez seja desta. Amorosos como nunca, submissos como sempre."

Olise, o 10 do Mundial


"Há muito que os números 10 perderam espaço no futebol profissional ao mais alto nível. O aproximar das linhas defensivas que promovem a compactação dos espaços e sectores, a crescente preocupação com as coberturas defensivas e o excessivo preenchimento do corredor central tornam praticamente impossível a livre expressão de talento normalmente associada ao verdadeiro n⁰ 10.
Perante a claustrofobia imperativa que resulta de uma organização defensiva cada vez mais coriácea, muitos treinadores optam por jogadores com outras características para a criação e a definição do seu momento ofensivo. Ou então vetam os seus nºs 10 ao ostracismo do corredor lateral, de onde procuram “fugir” sempre que podem, seja por uma questão de dinâmica coletiva, seja por uma questão de necessidade de serem felizes no seu habitat natural – o corredor central.
Felizmente há treinadores que entendem o talento que têm em mãos e que procuram enquadrá-los dentro de uma ideia de jogo que potencie e exponencie a qualidade individual em prol do coletivo.
Didier Deschamps é um desses treinadores. Podemos dizer que tem uma geração talentosa e muitas opções à sua disposição. É um facto. Mas também tem o dom de saber enquadrar Olise dentro do coletivo sem o amarrar do ponto de vista individual.
Ainda que inicialmente tenha tido outra ideia, o selecionador gaulês percebeu que poderia ter uma França ainda mais candidata ao título se reposicionasse o seu ataque. Derivou Dembélé para a direita e centralizou Olise. Com liberdade de movimentos, mas tendo como ponto de partida tático estes posicionamentos.
E imediatamente a França ganhou outro perfume no seu momento ofensivo. Passou a ser mais perigosa. Mais associativa em espaços reduzidos sob pressão. Mais imprevisível em situações de contra-ataque com igualdade numérica ou vantagem posicional. Mais incisiva. Sem perder criatividade. Sem perder objetividade.
Porque Olise joga futebol como se jogasse xadrez. Descobre, in loco, espaços que nós, em campo aberto, não sonhamos existir. Antecipa a jogada três jogadas mais à frente. Tem sempre mais do que uma opção em vista. É generoso. É o espelho da classe, a imagem da souplesse e o espelho de uma França demolidora. Impositiva. Sedenta e faminta de vitórias.
Olise é a prova de que a velocidade e a intensidade que importam são a velocidade de raciocínio e a intensidade mental. Porque antecedem a execução. Porque decidem e definem os momentos. E porque separam os génios dos demais."

Os 'Bleus' caíram na poção do druida


"Quem pára esta França? Ainda que já há meses o suspeitássemos, essa é a primeira pergunta que este Mundial nos deixa, depois do atropelamento da Suécia de Graham Potter. Assente numa exibição monumental de Michael Olise — a melhor até agora no Campeonato do Mundo das Américas — e com um frenético Mbappé a dizer 'esfola' ao mesmo tempo que o colega grita 'mata', os 'Bleus' falharam demais. Foram oportunidades atrás de oportunidades antes e depois do avançado do Real Madrid ter deixado um desta vez enfeitiçado Gyokeres sentado no relvado.
Houve grandes defesas, bolas nos ferros, alívios no último momento, uma ou outra finalização menos clínica, mas sobretudo uma tremenda manifestação de força por parte do conjunto de Deschamps diante de uma equipa organizada, a quem desde o primeiro minuto começou a faltar gente por todo o lado, tal a forma como os gauleses, talvez embriagados depois de caírem no caldeirão da reconstituída poção mágica de Panoramix, faziam voar normandos pelo ar como papel.
Portugal ou Espanha podem cruzar-se com os franceses nas meias-finais e ambos andam bastante longe de tamanho poder de destruição. E, mesmo entre os dois rivais ibéricos, a Seleção de Roberto Martínez é aquela que parece menos coletiva, mais desorganizada no momento da transição defensiva, sobretudo pelo corredor interior. Talvez seja pensar demasiado à frente, mas o selecionador continua a perder tempo quando deveria estar a montar desde o primeiro treino a melhor equipa possível. A mais coletiva, a que funcione em bloco, com todos a saber o que fazer e ajudar o próximo quando este não o consegue.
Ou, se não for antes, Olise, Dembélé, Mbappé, ou Barcola, Doué e outros vão refastelar-se com o candidato-favorito que morreu antes de nascer."

Portugal, dia 4


"A partir da meia-noite, em Toronto, há mata-mata entre Portugal e a Croácia, duas seleções que têm nos quarentões Cristiano Ronaldo e Luca Modric as principais figuras. Inesquecível, a grande equipa do Real Madrid, que tinha no meio-campo Casemiro, Modric e Kroos, e no ataque, Bale, Benzema e CR7, dominadora da Europa e ‘rival’ dos pentacampeões dos tempos de Di Stéfano e Paco Gento. Incontornável, o contributo de Cristiano Ronaldo para a conquista do Euro 2016 e de Luca Modric para a presença croata na final do Mundial de 2018, os dois pontos mais altos destas estrelas ao serviço dos seus países.
Mas o tempo passa, as folhas do calendário parecem árvores outonais, e há um preço a pagar. Diga-se que Modric se ‘defende’ melhor do que Cristiano Ronaldo, porque nunca ancorou o seu futebol na capacidade de explosão, ao contrário do português, que era imbatível nos lances de um-contra-um, e já não é. Das grandes estrelas cadentes que estão no Mundial da América do Norte, acabou por ser o fora-de-série português a ver-se obrigado a alterar mais o seu jogo: sem capacidade de perfuração pelas alas, e sem ser um ativo tóxico para os adversários nos contra-ataques, Ronaldo tem de basear o seu futebol na capacidade de finalização, e para isso precisa que a equipa trabalhe para ele e o eleja como o ‘target player’; Modric sempre foi um jogador de equipa - à imagem de Moutinho, Vitinha ou João Neves - e é mais fácil à Argentina proteger Lionel Messi, porque o primeiro trabalho defensivo (ao contrário do que devia suceder com CR7) não lhe cabe, mas sim a Julián Alvarez ou Lautaro Martinez, algo que no passado era feito por Gonzalo Higuaín.
Na capital do Ontario, logo mais, Roberto Martinez vai ser confrontado com as questões do costume, às quais deverá responder com a fórmula do costume. A equipa de Portugal não deve sofrer alterações de fundo - por exemplo nova aposta em Ruben Neves para equilibrar um meio-campo que vai defrontar jogadores muito experientes, habituados a não perdoar qualquer erro ao adversário - ou uma mexida na esquerda que desse mais garantias defensivas, ou ainda, de forma mais radical (e se não o fez, não irá fazê-lo), optar por Gonçalo Ramos, aumentando exponencialmente a capacidade pressionante da equipa. Vamos ver se mais do mesmo, que até agora soube a pouco, chega para levar de vencida a Croácia…

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

Portugal: aí está a primeira hora da verdade


"Não sei se do ponto de vista técnico-tático-físico-psicológico é corretamente científico falar em dois Campeonatos do Mundo, mas a mensagem de Roberto Martínez passa bem

Trata-se de um título otimista, porque a existência de uma primeira aponta para, pelo menos, uma segunda vez. O que neste caso, está bom de ver, significaria que Portugal vence a Croácia e estará nos oitavos de final noutra hora da verdade.
Não sei se do ponto de vista técnico-tático-físico-psicológico é corretamente científico falar em dois Campeonatos do Mundo, mas a mensagem passa bem e Roberto Martínez não deixou dúvidas sobre o que queria dizer com ela: agora é sempre vai ou racha, mata-mata, bota fora (sem roda), cada um chama-lhe o que quer. 
O espaço para o erro diminui drasticamente e uma noite má significa voltar para casa. Não deveria existir um grande drama em torno disto, mas já sabemos como em Portugal somos dos oitos e dos oitentas. A boa notícia, hoje, é que vamos com as expectativas a 8 e portanto uma eventual desilusão será menor. A má notícia é que não é bom encarar grandes desafios sem o moral em alta. E este moral, se incluir o dos adeptos, tem a sua importância. Claro que não precisava de estar a 80, mas lá está — desconhecemos meios-termos nas emoções sobre a Seleção Nacional.
O jogo de Toronto é decisivo para o que resta do Mundial, e não só no sentido óbvio do resultado. Perder será sempre o pior cenário, mesmo que jogando bem. Isso de nada servirá a uma equipa técnica em fim de ciclo, porque já todos percebemos que vem lá novo selecionador. Ganhar sem jogar bem, porém, será insuficiente para recuperar de vez a confiança no trabalho da equipa das Quinas. Se for tem-te-não-caias vai prevalecer a opinião vigente de que não há estratégia, não há fio de jogo, não há ideias, há jogadores que não deviam jogar e outros que deviam.
Se surgir uma boa vitória será diferente. Claro que os mais entusiastas da técnico-tática continuarão — porventura com acerto e justiça — a destratar Martínez, mas a grande onda pública virará de novo e crescerá rapidamente a caminho dos 80.
Nada disto é novo no futebol, mas é francamente mais vincado na Seleção. Porque no futebol de clubes há sempre uma dama a defender perante os vizinhos que defendem outras cores. Aqui não — teoricamente é tudo da mesma cor, o que dá espaço para explanar muito mais teorias e sapiências. Portugal tem capacidade para bater a Croácia. Mas também tem possibilidade de perder. No final do dia será como sempre: ou a bola entra ou não entra. E estamos cá todos amanhã."

Seleção está partida ao meio


"Tenho dificuldade em perceber as opções de Roberto Martínez e a razão de Ronaldo jogar tão isolado. Por cá, arbitragem a arder. Obrigado, Duarte Gomes.

O verdadeiro Mundial começou agora. No aquecimento, Portugal não foi forte e parte para a corrida não muito bem posicionado. Ainda nada de muito preocupante. Afinal, a meta, espera-se, está muito distante. O pior é que os primeiros testes ficaram longe de convencer e agora escasseia o tempo para afinar a máquina.
À exceção do Uzbequistão, equipa de fórmula 2, a Seleção Nacional deixou muito a desejar, revelando que algo tem de mudar. Tanto contra o bloco baixo da RD Congo ou diante da agressividade da Colômbia, o que vi foi uma equipa partida ao meio. O que antes deste Mundial das Américas se iniciar nunca pensei ser possível. 
Coloquei Portugal no lote de favoritos a vencer o Campeonato do Mundo, a par da muito mecanizada e atual campeã da Europa Espanha, que não abdica de uma identidade muito própria, e da fortíssima França, que detém um ataque fenomenal, o sonho de qualquer treinador. Já a Seleção Nacional tem o melhor meio-campo do mundo, com o trio Vitinha, João Neves e Bruno Fernandes a prometer dominar qualquer jogo.
Já se percebeu que para mim esta fase de grupos foi uma desilusão, mas, claro, tudo pode mudar de um momento para o outro e até considero que Portugal pode encaixar bem na veterana Croácia, tal como na Espanha, nos previsíveis e desejáveis oitavos de final, tal como se viu na última Liga das Nações, que conquistámos.
As opções de Roberto Martínez é que tenho dificuldade em compreendê-las. Não discuto escolhas — entre os meus 26 convocados e os do selecionador só divergiram dois jogadores: Tomás Araújo e Samu Costa; eu teria levado António Silva e Palhinha — já que cada um tem as suas ideias e, em muitas das vezes, a diferença está mais no perfil do que na qualidade de um jogador. O que me preocupa é a forma como a Seleção Nacional joga, já que tenho muita dificuldade em entender a estratégia.
Não entro na discussão se Cristiano Ronaldo deve ou não jogar sempre, até porque parece que não restam dúvidas de que vai..., o que não percebo é a razão de o avançado não ser mais apoiado. O meio-campo, o tal que é o melhor do mundo, tem de estar mais junto do capitão, tanto nas transições ofensivas — as cavalgadas de CR7 que tudo resolviam já pertencem ao passado… —, como nas defensivas: inconcebível o desgaste que o selecionador pediu a Bruno Fernandes para pressionar por todo o corredor central perante um batalhão de colombianos. Isto para já não falar do médio mais agressivo e dinâmico, João Neves, ter começado o último jogo no banco…
Roberto Martínez bem poderia fazer regressar Bernardo Silva à titularidade, possibilitando que a equipa se apresentasse em 4x4x2, com o reforço do Real Madrid a juntar-se ao trio habitual e permitindo que João Félix jogasse na posição preferida, nas costas do ponta de lança. Uma forma também de poupar Bruno Fernandes, mesmo sacrificando-o a fechar o flanco esquerdo, e, simultaneamente, pedindo a dois dos melhores laterais do mundo, João Cancelo e Nuno Mendes, para fazerem o que mais gostam: explorar constantemente os corredores.
No Mundial tenho apreciado também a arbitragem. A qualidade dos juízes e as raras intervenções do VAR. Que foi criado para corrigir erros claros e óbvios. Apenas. Bem ao contrário do que acontece em Portugal, onde cada jogo é uma novela. Agora, começo a perceber porquê. A arbitragem continua a ser um caso de polícia.
A demissão do diretor técnico de Arbitragem, Duarte Gomes, em colisão com o presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, e devido a suspeitas de ingerência nas nomeações para jogos da Liga pode ser uma pedrada no charco. Para já, a FPF remeteu para o Ministério Público os factos relatados. Falta saber o que vai dizer Pedro Proença. Já Duarte Gomes está de parabéns. Obrigado pela coragem."