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quinta-feira, 18 de junho de 2026
No Mundial, os jogos ganham-se nos últimos 20 minutos: será Cristiano Ronaldo a jogá-los?
"Ao minuto 75, 90% dos jogos de futebol ainda não têm o resultado definido. E os mais importantes são os últimos 20 minutos. Se esperamos que os primeiros dois primeiros da fase de grupos, com a RD Congo e o Uzbequistão, se decidam antes dos 75 minutos, com a Colômbia e nos 5 jogos que Portugal ambiciona fazer até ganhar a final, só se irão decidir no final.
A escolha dos minutos que Cristiano Ronaldo vai jogar vai revelar a estratégia de Roberto Martínez — é em Ronaldo que vai apostar para ganhar os jogos ou é em Gonçalo Ramos, um super suplente no Paris Saint Germain?
Os minutos decisivos, com as defesas desgastadas e com mais espaço, vão ser jogados por quem? Num jogo que seja decidido nos penáltis, Cristiano vai estar em campo ou já terá sido substituído?
Na final da última Champions League, Dembélé, o Bola de Ouro, saiu aos 90 minutos e Gonçalo Ramos jogou o prolongamento — marcou um dos penáltis que decidiram a Champions.
O que decidirá Roberto Martínez? O que preferiria Cristiano Ronaldo? E Gonçalo Ramos? No Euro 2016, era impossível Portugal ter chegado à final sem Cristiano Ronaldo, mas já não estava em campo quando a ganhámos — não foi menos importante nem festejou menos por isso.
A festa no Marquês de Pombal
A frieza com que o Marquês de Pombal foi reagindo à carreira de Portugal no Mundial 2022 encontra a explicação no que se passava no interior do grupo. Até aos quartos de final, uma meia dúzia de carros terá passado a apitar. Com a derrota frente a Marrocos, a festa não chegou a começar.
Na avaliação que será feita da participação no Mundial que hoje começa para Portugal, Cristiano Ronaldo vai ser sempre o grande protagonista. Se atingirmos a final, será a sua consagração. Se formos eliminados antes, será considerado um fracasso, com a responsabilidade a ser apenas partilhada com o selecionador nacional.
Sebastião José Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, governou de forma autoritária, utilizando os poderes ilimitados que lhe foram conferidos pelo Rei D. José I.
Reconhecido hoje pelo que fez de excepcional, da reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755 ou pela criação e demarcação da primeira região vinícola do mundo, o Douro, o tempo foi permitindo esquecer as suas atitudes sanguinárias. A família Távora, falsamente acusada de perpetrar uma tentativa de atentado ao Rei, foi assassinada de forma cruel. A Marquesa de Távora, foi apenas decapitada.
O marido e os filhos, o mais novo com 22 anos, foram sujeitos a tortura, incluindo terem sido partidos os ossos dos braços e das pernas antes de serem estrangulados. Quando o Rei D. José I morreu, a sua viúva, a Rainha D. Maria I, assumiu o trono e ordenou a revisão do anterior processo judicial. Foi reconhecida a inocência da família — tinha sido sujeita a perseguição política. De imediato afastou o Marquês, que terminou os seus dias ostracizado em Pombal.
Vem de longe a cultura de medo e subserviência dos portugueses ao poder em exercício. Se cair em desgraça, a subsequente expressão pública de repugnância.
Como vivo perto do Marquês de Pombal, participo sempre, muitas vezes sem fazer questão nisso, nas festas de celebração de campeonatos. Este ano, a novidade foi a festa espontânea de umas centenas de adeptos do FC Porto. Essa festa ter sido encarada com naturalidade pelos 99% de lisboetas que não são portistas, confirma que o ambiente entre os adeptos é saudável e foi eliminada a violência no futebol que existia antes do Euro 2004. Que se viva uma grande festa no Marquês, com todos os portugueses unidos no apoio à Seleção Nacional.
Inferno da Luz será a contratação mais importante para o Benfica em 2026/27
O Benfica parte para a época 2026/27 com dois objetivos, ser campeão nacional e, 65 anos depois, voltar a vencer uma competição europeia — hoje só possível em épocas que não disputa a Champions. Se vencer a Liga Europa, todo o grupo ficará imortalizado na história do Benfica.
Na época que agora terminou, o campeão FC Porto fez 88 pontos, 45 no Dragão. O Benfica fez 80, apenas 39 na Luz. A diferença final foi de 8 pontos — 6 deles nos jogos em casa. O Benfica até marcou mais 8 golos que o FC Porto (74-66), mas sofreu mais 7 (25-18) — esta diferença no número de golos sofridos é significativa (+38%).
O inferno da Luz, existia mesmo e empurrava a equipa do Benfica — sobretudo no final de cada uma das duas partes, em que o adversário era encostado à sua área. A pressão era sentida apenas no campo, porque os adversários sempre puderam festejar tranquilamente em todas as bancadas no estádio da Luz.
De Inferno, a Luz tem evoluído a Purgatório. Desde uma assobiadela monumental quando o Qarabag, sem acertar na baliza, fez o primeiro remate num jogo que o Benfica estava a ganhar 2-0 (acabou por perder 2-3) ao vulcão que ajudou a empatar com o FC Porto quando perdia por 0-2. Sobretudo, com o SC Braga, quando o jogo estava empatado e o Benfica precisava de paciência, até marcar um golo para ganhar e se qualificar para a Champions.
O público assobiava constantemente quando o SC Braga tinha a posse de bola (o seu ponto forte) e intranquilizou a equipa — a estratégia do Benfica era aproveitar o cansaço do adversário para ganhar nos últimos 15 minutos (como tinha feito em Alvalade).
Em termos individuais, António Silva foi o mexilhão que se lixou com a má época de Otamendi e a constante irregularidade de Trubin.
Otamendi cometeu erros grosseiros em jogos que custaram pontos e foi expulso irresponsavelmente no jogo decisivo em Famalicão. Em Alvalade, por exemplo, Trubin estava desastrado, nervosíssimo, já tinha sido salvo pela barra num momento infeliz. Depois de defender o penálti, ganhou confiança e o jogo virou.
No ambiente do Dragão e da Luz e nos triângulos Diogo Costa, Bednarek e Kiwior e Trubin, Tomás Araújo/António Siva e Otamendi, o Benfica perdeu o campeonato."
Dez razões para não subestimar a RD Congo
"Portugal inicia hoje a sua caminhada no Mundial frente à República Democrática do Congo. Para muitos adeptos, trata-se de uma estreia acessível. No entanto, quem acompanha o futebol africano sabe que essa pode ser uma perspectiva precipitada.
Ao longo dos últimos anos tive o privilégio de viver o futebol africano por dentro, incluindo uma Taça das Nações Africanas ao serviço da Nigéria. E há uma ideia que ficou clara: África mudou.
As seleções africanas continuam a apresentar intensidade, força física e velocidade, mas acrescentaram organização, experiência internacional e uma confiança competitiva que não existia há duas décadas.
O recente jogo entre Nigéria e Congo, no apuramento para o Mundial, foi um excelente exemplo dessa evolução. O Congo teve mais posse de bola, criou mais oportunidades e apresentou um valor de xG (golos esperados) muito superior ao da Nigéria. Em muitos momentos foi claramente a equipa mais perigosa.
Por isso deixo dez razões para Portugal não subestimar este adversário.
1. Porque sabe jogar com bola. O Congo não vive apenas da transição. Tem capacidade para construir e controlar momentos do jogo.
2. Porque já não sente inferioridade. Esta geração cresceu a competir nos melhores campeonatos do mundo.
3. Porque cria oportunidades. Os números frente à Nigéria mostram uma equipa ofensivamente ambiciosa.
4. Porque tem um líder chamado Chancel Mbemba. O capitão, atualmente no Lille, continua a ser uma referência do futebol africano pela experiência, personalidade e capacidade competitiva.
5. Porque possui um dos laterais mais difíceis de ultrapassar. Aaron Wan-Bissaka, atualmente no West Ham United, é fortíssimo no duelo individual e pode anular muitos dos desequilíbrios portugueses pelos corredores.
6. Porque Meschack Elia pode decidir um jogo. O extremo do Alanyaspor, do Turquia, foi o jogador mais perigoso frente à Nigéria e representa uma ameaça constante na profundidade.
7. Porque Arthur Masuaku acrescenta qualidade. O lateral do Lens combina experiência internacional com uma excelente capacidade de cruzamento.
8. Porque Noah Sadiki simboliza a nova geração africana. O médio do Sunderland, da Bélgica, dá inteligência, critério e capacidade de ligação entre setores.
9. Porque Cédric Bakambu continua a ser perigoso. O avançado do Real Betis conhece bem o futebol europeu e mantém uma capacidade de finalização que exige atenção permanente.
10. Porque acredita verdadeiramente. E esta talvez seja a maior diferença relativamente ao passado. Esta seleção entra em campo convencida de que pode competir com qualquer adversário.
Portugal continua naturalmente a ser favorito. Tem mais profundidade de plantel, mais qualidade individual e mais soluções para resolver momentos difíceis.
Edgar Morin defendia que os sistemas complexos valem mais do que a simples soma das suas partes. O Congo parece ser precisamente isso: uma equipa organizada, competitiva e capaz de superar o valor individual dos seus jogadores.
O primeiro passo rumo à vitória de Portugal neste Mundial passe por compreender essa realidade.
Porque a República Democrática do Congo não veio para participar. Veio para competir e discutir o resultado até ao apito final."
A tartaruga ninja e o ninja que é lebre
"Terão sido alguns os franceses que ontem, antes do jogo, por culpa do Senegal, se lembraram de 2002. Nesse torneio, o jogo foi visto como o embate entre duas Franças, a rica, cheia de craques, coroada quatro anos antes campeã do mundo e logo no Europeu seguinte como melhor equipa do continente, e outra mais pobre, uma espécie de França B, com jogadores que atuavam na primeira liga, alguns filhos de emigrantes nascidos no país, talentos menores com uma vontade enorme de autodeterminação. Claro que o contexto não era completamente favorável aos gauleses, já que Zidane se tinha lesionado num jogo de preparação e falhava desde logo aquele primeiro jogo (e depois o seguinte, para estar no último, mas ainda visivelmente limitado), mas ninguém lhes pode negar o mérito.
Aos 30', Papa Bouba Diop, gigante médio defensivo que jogava no Lens, aparecia na área, após jogada pela esquerda de El-Hadji Diouf, e assinava por baixo da palavra escândalo. A equipa B preparava-se para ganhar à principal e chocar o mundo. Pior! Abalados pelo desaire, os Bleus empatariam com o Uruguai (0-0) e perderiam com a Dinamarca (0-2), dizendo adeus ao Mundial da Coreia e do Japão.
Hoje, a realidade é mais ou menos semelhante. Dos 16 utilizados, cinco futebolistas do Senegal — Koulibaly, Niakhaté, Pape Gueye, Ibrahim Mbaye e Habib Diarra — jogaram pelas equipas jovens francesas. Outros aí nasceram e escolheram o país africano em homenagem aos pais. E continuam com aquela fome de mostrar que não são inferiores.
A primeira parte, em New Jersey, deu muito mais Senegal do que França, mas no segundo tempo os Bleus assumiram finalmente o favoritismo e caíram em cima dos rivais. É que não deixa de haver diferenças substanciais entre Kylian Mbappé, um dos melhores do mundo, e Nicolas Jackson, ou entre Ismaila Sarr e Michael Olise. Claro que há um envelhecido Sadio Mané, mas até o nível de argumentos hoje de Doué e Barcola é superior. E lá a França deu o primeiro aviso ao que vem.
A tartaruga ninja, que pode vestir qualquer personalidade, seja Rafael, Leonardo, Donatello ou Michelangelo, apareceu para resolver, fazer história e piscar o olho aos recordes. Contudo, França tem também um ninja que é lebre, pela velocidade de raciocínio e execução. Um enorme Olise."
Há um(a) Vozinha que avisa Portugal
"Chegou o dia da estreia no Mundial... e não faltam alertas à Seleção para não esperar facilidades, o mais recente dado por Cabo Verde. Mas Roberto Martínez parece já apontar à fase a eliminar
Seis dias depois do início do Mundial, Portugal entra finalmente em campo, para defrontar a RD Congo, esta tarde, a partir das 18h00. Com as casas de apostas e os power rankings dos principais sites de estatísticas a colocarem a seleção lusa entre o 4.º e o 6.º lugares dos maiores candidatos à vitória final, muitos adeptos pensam que a Seleção terá um passeio no parque em Houston. Pura ilusão.
Há, aliás, um(a) Vozinha que avisa Portugal para não esperar facilidades — a do heróico guarda-redes de Cabo Verde, que juntamente com mais dez intrépidos tubarões conseguiu parar a favoritíssima Espanha, na segunda-feira, em Atlanta.
E a Espanha é melhor que Portugal. E a RD Congo, em teoria, é mais forte que Cabo Verde (embora não defenda tão bem). Achar que basta entrar em campo é perigoso, e já outros exemplos foram dados neste Mundial para a necessidade de não subestimar adversários, do empate do Brasil com Marrocos ao empate da Suíça com o Qatar, do empate dos Países Baixos com o Japão ao empate da Bélgica com o Egito, passando pelo empate do Uruguai com a Arábia Saudita (bem, perante este cenário, se calhar nem seria mau para Portugal empatar...).
O problema é que, temo, Roberto Martínez está a dar a passagem à fase a eliminar como dado quase adquirido, e orientou a preparação em função disso. Ele próprio admitiu que haverá dois Mundiais, um da fase de grupos, o outro a seguir.
E a forma como a preparação de Portugal decorreu, não só a circunstância de não ter ensaiado, em jogos de preparação, aquele que se espera que venha a ser o onze titular, mas também o facto de ter sido a última seleção a chegar à América do Norte, nem atingindo os dias recomendados para adaptação à diferença horária, denota que a preocupação é que a Seleção esteja no máximo lá mais para a frente. Estes três jogos da fase de grupos são um prolongamento da preparação; o Mundial a doer começa nos 16 avos de final, parece pensar o selecionador.
Faz todo o sentido... se correr bem. Estamos perante a maior (em número de seleções e duração) competição de sempre, e apontar o auge da equipa logo para os primeiros jogos poderá ter consequências mais para a frente (a final do Mundial é daqui a quatro semanas e meia, a 19 de julho).
Mas há um risco, e ignorar a Vozinha que avisa que a RD Congo não será pera doce é algo a que Portugal não se pode dar ao luxo. Acredito que não o fará, mas estou muito menos confiante que a maior parte dos adeptos."
Este Mundial não mata mas mói
"HOUSTON — Viajar pelos Estados Unidos à boleia de um Mundial é uma experiência colossal, mas que cobra uma fatura física pesadíssima a quem anda no terreno e a quem se prepara para a estreia, como a Seleção Nacional.
Se a imensidão da Florida já nos tinha dado uma noção do gigantismo deste país, a mudança de agulha para o Texas veio confirmar a regra de ouro desta cobertura: este Mundial não mata, mas mói.
As distâncias são monumentais — estamos a falar de um território onde os voos domésticos entre cidades superam facilmente a duração de muitas viagens internacionais na Europa. Para a equipa de reportagem d’A BOLA, a jornada rumo a Houston transformou-se numa maratona de resistência que nos obrigou a abdicar por completo do sono.
O despertador nem sequer chegou a tocar, pois a partida do hotel em Palm Beach aconteceu às duas da manhã. Daí em diante, foi um corrupio frenético: conduzir na escuridão, deixar o carro de aluguer no aeroporto, enfrentar as rigorosas barreiras de segurança americanas, fazer o check-in e embarcar num voo de três horas e meia. Tudo isto gerindo a distorção da distância horária, que agora nos coloca a seis horas de diferença para Lisboa.
A verdade é que os enviados especiais não pregaram o olho, mas o relógio não espera por ninguém e a atualidade exige foco total mal as rodas do avião tocam na pista do Texas.
Chegados a Houston, o carrossel continua a girar a alta velocidade.
Foi preciso correr para o hotel, largar as malas e ir direto ao encontro dos adeptos portugueses que já começam a colorir as redondezas. Daí, o plano apontou para o hotel da Seleção Nacional, o Intercontinental, e, logo a seguir, para o NRG Stadium.
Foi lá que, às 18h45 locais, Roberto Martínez e um jogador projetaram o duelo com o Congo nas conferências oficiais. Pelo meio desta correria louca entre voos, hotéis e estádios, a equipa tentou a proeza de almoçar qualquer coisa rápida.
A fome aperta, o cansaço acumula-se nos ossos, mas a adrenalina de estar no coração do espetáculo é o que nos mantém firmes, felizes e de pé. É o maior espetáculo do Mundo a acontecer aos nossos olhos."
Portugal: os candidatos entre o sonho e o objetivo
"O talento da seleção nacional obriga a elevar a fasquia da ambição, ainda que internamente haja algum desacordo semântico. A estreia é esta quarta-feira, em Houston (18h, SIC/Sport TV1), frente à República Democrática do Congo
Talvez a comitiva portuguesa leve um dicionário na bagagem. Para matar o tempo nos longos dias de espera entre jogos, desafiando o tédio e o calor em Palm Beach, no hotel perto da residência de Donald Trump onde a seleção ficará, jogadores, treinador e presidente podem debater a divergência discursiva que se apoderou do grupo.
Portugal: os candidatos entre o sonho e o objetivo.
Pedro Proença não tem ido com meias-palavras. Diz que a esperança está “no máximo”, que a ambição é “sem limites”, que “não chegar acima dos quartos de final” representará um “torneio muito curto”. Bernardo Silva concretizou a ambição. “Ganhar o Mundial é um sonho, um objetivo e uma grande oportunidade”, classificou o segundo mais internacional da convocatória. No entanto, Roberto Martínez tem apelado ao “realismo”, mencionando que erguer o troféu é “um sonho”, somente passando a objetivo “quando já foi feito”.
Reside maior prudência oratória no espanhol que se senta no banco do que no presidente da Federação. Talvez a ausência de sintonia seja mais um sintoma de um divórcio anunciado, somente adiado pelo êxito na Liga das Nações. Seja como for, a qualidade do plantel obriga a cruzar o Atlântico com o estatuto de candidato a erguer o título na final de 19 de julho.
Datas-chave
Instalado no Grupo K, Portugal é uma das últimas seleções a entrar em campo, estreando-se esta quarta-feira, às 18h, contra a República Democrática do Congo, em Houston. Segue-se o Usbequistão, a 23 de junho, também em Houston, e fecha-se a fase inicial contra o adversário teoricamente mais poderoso, a Colômbia, dia 28, em Miami.
Com os dois primeiros de cada um dos 12 grupos e os oito melhores terceiros seguindo para os 16 avos de final, não aceder ao ‘mata-mata’ representaria um dos maiores descalabros da história do futebol nacional. Caso a participação não seja “muito curta”, citando Proença, haverá, pelo menos, o igualar de 1966 e 2006, as duas únicas ocasiões em que Portugal esteve entre os quatro primeiros.
Justificando-se com os amigáveis disputados em março nos Estados Unidos e no México e com a circunstância de disputar os dois primeiros desafios num recinto fechado, a comitiva somente abandona o estágio na Cidade do Futebol na sexta-feira, já depois de a bola ter começado a rolar no torneio. A opção foi treinar em casa e realizar dois amigáveis em solo nacional. Frente ao Chile e Nigéria, além da grande rotação de jogadores, uma das notas de maior destaque foi o pouco fulgor demonstrado por Cristiano Ronaldo, que se mantém como absolutamente indiscutível para Bob. Diogo Costa, Rúben Dias, Nuno Mendes, Vitinha e Bruno Fernandes também partem com lugar fixo no onze.
Os caminhos de Portugal
A incerteza quanto aos terceiros que avançarão para os 16 avos de final complica as antevisões, mas é possível traçar alguns cenários quanto ao futuro nacional na competição. Se vencer o grupo, Portugal beneficiará de mais tempo de descanso e defrontará, em Kansas City, um terceiro classificado. Seguir-se-ia uma eliminatória em Vancouver, o regresso a Kansas, meia-final em Atlanta e a final em Nova Jérsia. Neste caminho, progredir até aos quartos de final seria, em teoria, um pouco mais acessível, podendo aí haver um histórico embate contra a Argentina de Messi.
Convém sublinhar que estas projeções partem da premissa da lógica a prevalecer e os favoritos a cumprirem, o que frequentemente não sucede. Seja como for, no campeonato das hipóteses, se a seleção for segunda do grupo, terá vida bem mais complexa. Percorreria distâncias maiores, com 16 avos em Toronto, oitavos de final em Dallas e depois indo a Los Angeles, e calharia primeiro contra o segundo classificado do Grupo L (Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá) e depois, possivelmente, frente a Espanha. Caso a equipa de Martínez desiluda e passe como terceira, a logística até proporcionaria uma curta viagem até Atlanta, mas possivelmente para esbarrar logo perante os ingleses.
Para Portugal, uma das metas passará por contrariar a histórica dificuldade face à oposição não europeia. Este século, em Mundiais já houve derrotas com Estados Unidos, Coreia do Sul, Uruguai e Marrocos e empates com Costa do Marfim e Irão. O caminho para o sonho, ou objetivo, ou oportunidade, passa por não ser eurocêntrico."
Vozinha é um de nós e aquelas lágrimas são também as nossas: obrigado, por isso!
"Há um purgatório na terra e quem já teve a infelicidade de passar por ele, sabe do que eu falo. Chama-se Embaixada dos Estados Unidos, na Avenida das Forças Armadas, em Lisboa, e é um teste à resistência humana.
Pelo menos para quem não chega antes das sete da manhã.
Eu cometi esse erro e foram mais de três estoicas horas de pé, sem um banco, uma cadeira, um muro que fosse onde me sentar. De uma fila para a outra, de um controlo para outro, num ritual interminável de mostra papel, mostra passaporte, esvazia os bolsos.
Os telemóveis ficam à porta, o que nos obriga a mergulhar por três horas na Idade Média.
Não deixa de ser giro, durante dez ou quinze minutos: olhamos para o teto e interrogamo-nos como sobrevivemos aos anos oitenta. Depois torna-se um aborrecimento de morte.
Pois há umas semanas, como já disse, calhou-me a mim. Bufava, olha para o relógio, insultava mentalmente a burocracia americana.
Três ou quatro pessoas à minha frente na fila, estava um indivíduo alto, atlético, com umas mãos enormes. Mostrava uma serenidade que roçava o budismo zen. Identifiquei-o rapidamente: era Vozinha, o guarda-redes de Cabo Verde.
E fiquei a olhar para ele, com admiração.
Enquanto todos nós, as cerca de quinze ou vinte pessoas que entravam de cada vez, murmurávamos pragas, ele mantinha-se impávido. Sempre com a mesma expressão no rosto.
Depois de talvez uma hora na rua, ao frio porque daquele lado não bate o sol, após passar pelo primeiro controlo, após mais uma hora na segunda fila à entrada de uma parte antiga do edifício, fomos colocados num corredor. Onde apareceu um senhor, de caneta na mão, a perguntar o motivo da viagem e o que fazíamos na vida, antes de riscar o formulário DS-160.
Vozinha disse que ia em trabalho, por causa do Campeonato do Mundo. Que era jogador da seleção de Cabo Verde. O funcionário da embaixada desejou-lhe boa sorte.
E eu fiquei a imaginar Cristiano Ronaldo durante três intermináveis horas naquela fila. A explicar a um funcionário que era jogador da seleção de Portugal. Ou Ruben Dias. Ou João Félix, Bruno Fernandes, João Cancelo, Diogo Costa.
Impensável, não é?
Pois, impensável para eles, que são megaestrelas. Para Vozinha foi provavelmente mais um dia normal. Por isso o que ele fez ontem, frente à Espanha, deixou-me quase emocionado.
O primeiro herói do Mundial, não foi um jogador qualquer. Foi um de nós. Que, se for preciso, espera três horas de pé, ao frio, ao nosso lado.
Aquelas lágrimas que soltou no fim, quando caiu no relvado, foram as lágrimas de todos nós."
Em nome do dono!!!
ERC diz que é obrigatório o registo da Livemode na entidade reguladora da Comunicação Social: pic.twitter.com/VGiZye64fD
— Cabine Desportiva (@CabineSport) June 16, 2026
Emigrantes?!!!
Os golos do Messi festejados no Bangladesh 🤯#DAZNFIFAWC pic.twitter.com/30jIyUT6h1
— DAZN Portugal (@DAZNPortugal) June 17, 2026
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Comunicado
"O Sport Lisboa e Benfica informa o mercado que o fundo americano Entrepreneurial Equity Partners (EEP) renunciou à aquisição de uma participação qualificada no capital social da Benfica SAD.
Durante o período de tempo previsto no pré-acordo com o Grupo Valouro e José António dos Santos, foram mantidas com o EEP reuniões produtivas e encetada uma troca de informação que conduziu a um entendimento comum entre ambas as partes de que, face ao seu plano de crescimento e investimento em participações minoritárias noutros clubes europeus, o perímetro futuro do EEP poderia colidir com princípios de não concorrência, previstos nos Estatutos da Benfica SAD.
Nesse sentido, para proteção da Benfica SAD e também do EEP, foi consensual a decisão de não entrar no capital da Benfica SAD."
Estragaram os planos ao 'pompiere' Amorim
"Ruben Amorim deixou que Ibrahimovic 'estragasse' os planos para 2026/27: mantém a rotina de lutar por títulos e pode agora também deixar algum espaço para o acaso
Celebrizada por Salvador Sobral - mas cantada anteriormente por Joana Barra Vaz no Festival da Canção de 2018, ano em que Ruben Amorim iniciou a carreira de treinador -, a canção «Anda estragar-me os planos» é banda sonora ideal para o novo desafio do técnico.
Não foi o Benfica, foi outra paixão de infância a baralhar as ideias de Ruben, que abdicou do ano sabático que tinha em mente para aceitar um convite do ilustre AC Milan, clube que tinha o sonho de treinar, conforme revelou em entrevista de 2017, ao Expresso.
As cassetes de Paolo Maldini, Franco Baresi, Ruud Gullit, Frank Rijkaard e Dejan Savicevic talvez tenham influenciado o regresso antecipado aos bancos, já em 2026/27, e se o timing não foi o previsto, o destino segue o planeado, novamente no estrangeiro. Depois de Casa Pia, SC Braga, Sporting e Manchester United, Amorim volta a assumir o papel de bombeiro. O pompiere que vai tentar apagar o fogo numa casa que não vence o scudetto desde 2022 e que, desde então, só conquistou uma Supertaça, sob o comando de Sérgio Conceição, contratado uma semana antes para suceder ao compatriota Paulo Fonseca.
O Milan anda de olho nos treinadores portugueses, está visto, e se o sucesso desportivo não tem sido muito, isso dirá mais do momento do clube italiano do que propriamente da qualidade dos nomes referidos.
Amorim gosta desse contexto, como assumiu ao trocar o Sporting pelo Manchester United, dizendo então que ia para um clube no qual também podia fazer as coisas à sua maneira. A experiência em Old Trafford mostrou que dificilmente encontrará uma corporação como aquela que teve em Alvalade, nomeadamente a nível diretivo.
Só que para lá da questão sentimental, a tal simpatia antiga pelo AC Milan, Amorim sabe que depois de um ano sabático dificilmente teria um convite que permitisse lutar por títulos, como este que agora recebeu. Pelo menos nas principais ligas europeias...
Mas se Amorim deixa Zlatan Ibrahimovic estragar-lhe os planos, se está farto de manhãs mecânicas, tardes tontas e serões serenos, como diz a canção, permita-se também deixar algo ao acaso e quebrar a rotina de alguns anos. Sem renunciar às ideias fortes que sustentaram a ascensão meteórica como treinador, Ruben pode, aos 41 anos, deixar-se levar um pouco pela dança, e não apenas do ponto de vista tático."
Atualidade benfiquista
"Esta edição da BNews é dedicada a diversas notícias da atividade do Benfica.
1. Campeonatos da Europa de canoagem de velocidade
Fernando Pimenta sagrou-se campeão europeu em K1 5000 metros e conquistou o bronze em K1 1000 metros, enquanto Messias Baptista alcançou a prata em K1 200 metros.
Na mensagem de felicitações a Fernando Pimenta, o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, salienta que o Clube "continuará o seu investimento na modalidade."
2. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.
3. Melhor em Toulon
Entre os vários jogadores do Benfica que ajudaram Portugal a vencer o Torneio Maurice Revello para seleções sub-20, em Toulon, João Rego foi o que mais se destacou, tendo sido o melhor marcador e considerado o melhor jogador.
4. Na frente
O Benfica ganhou ao Sporting por 3-2 no jogo 1 da final do play-off do Campeonato Nacional de hóquei em patins.
5. Outros resultados
A equipa masculina de basquetebol foi derrotada pelo FC Porto por 75-71 no jogo 4 da final do play-off e terminou o Campeonato Nacional na 2.ª posição.
No futebol de formação, os Iniciados ganharam por 3-0 ao Tondela.
6. Títulos na formação
O Benfica é campeão nacional Sub-17 masculino de futsal e de Cadetes femininos de voleibol.
7. Concerto de balneário
Ana Bacalhau atuou para as pentacampeãs nacionais de andebol do Benfica.
8. Torneio infantil
O Benfica Campus recebeu cerca de 100 crianças neste domingo, 14 de junho, num torneio que reuniu 15 Benfica Escolas de Futebol dos distritos de Lisboa e de Setúbal."
Sem surpresa...
Escândalo no futsal: a FPF vai meter o futsal do FC Porto directamente na Terceira Divisão em vez de começar nos distritais do Porto como as restantes equipas, através de um alargamento extraordinário.
— ShadowsNGB (@ShadowsNGB) June 16, 2026
A FPF beneficia assim o FC Porto, como sempre, atropelando os regulamentos e…
Centralização: oportunidade estratégica ou mera redistribuição de receitas?
"A centralização dos direitos audiovisuais do futebol profissional português é frequentemente apresentada como uma das reformas mais importantes das últimas décadas para o setor. No entanto, a sua implementação levanta uma questão fundamental: estará o mercado perante um verdadeiro mecanismo de criação de valor ou apenas perante uma nova fórmula de repartição das receitas existentes?
A experiência internacional demonstra que a venda coletiva dos direitos televisivos pode constituir uma poderosa alavanca de crescimento. Os principais campeonatos europeus transformaram este modelo numa ferramenta de valorização comercial, aumentando a capacidade negocial das ligas, reforçando a previsibilidade financeira dos clubes e criando produtos mais atrativos para operadores, patrocinadores e investidores.
Em Portugal, porém, o desafio vai muito além da alteração do modelo contratual.
O sucesso da centralização dependerá da capacidade da Liga em aumentar o valor global do produto que coloca no mercado. Sem crescimento efetivo das receitas, a reforma corre o risco de produzir apenas uma redistribuição dos recursos existentes entre os diferentes participantes da competição.
Nesse contexto, os clubes de menor dimensão tendem a ser os principais beneficiários da mudança. Uma repartição mais equilibrada poderá proporcionar maior estabilidade financeira, reduzir a dependência de receitas extraordinárias e melhorar a capacidade de planeamento a médio prazo. Para muitos destes clubes, a previsibilidade das entradas de caixa representa um ativo tão importante quanto o montante recebido.
Já para os maiores emblemas, a equação apresenta maior complexidade. Habituados a negociar individualmente contratos de elevado valor, os clubes com maior capacidade de gerar audiências poderão enfrentar um potencial efeito de diluição das suas receitas relativas, caso o crescimento global do mercado não compense a perda de poder negocial individual.
A questão central reside, por isso, na criação de valor adicional. E é precisamente neste ponto que surgem os maiores desafios.
O futebol português continua a enfrentar limitações estruturais no plano internacional. Apesar da reconhecida capacidade de formação de talento e da competitividade demonstrada por alguns clubes nas competições europeias, a Liga portuguesa permanece distante dos níveis de exposição mediática alcançados pelos principais campeonatos do continente.
A internacionalização dos direitos audiovisuais continua a representar uma oportunidade por concretizar. A concorrência das grandes ligas europeias absorve uma parte significativa da procura global por conteúdos desportivos, dificultando a valorização dos campeonatos de dimensão intermédia. Consequentemente, a margem para aumentar receitas através da venda internacional de direitos permanece condicionada por fatores de mercado que ultrapassam a própria reforma.
Do ponto de vista dos investidores e financiadores, a centralização poderá, ainda assim, produzir efeitos positivos. Uma estrutura de receitas mais previsível tende a reduzir o risco operacional dos clubes, melhorar indicadores de sustentabilidade financeira e aumentar a visibilidade sobre fluxos de caixa futuros. Estas características são particularmente relevantes num setor historicamente marcado pela volatilidade dos resultados desportivos e financeiros.
Contudo, a reforma apenas atingirá o seu potencial máximo se for acompanhada por uma estratégia comercial robusta. A valorização da marca Liga, a modernização dos formatos de transmissão, o reforço da presença digital e a captação de novos parceiros comerciais serão fatores decisivos para transformar a centralização numa verdadeira operação de crescimento.
Mais do que uma alteração administrativa, o processo representa um teste à capacidade do futebol português para se afirmar como um produto de entretenimento competitivo num mercado global cada vez mais disputado. O objetivo não deverá ser apenas repartir melhor as receitas existentes, mas criar condições para aumentar o valor total gerado pela indústria.
A diferença entre sucesso e fracasso poderá resumir-se a uma única questão: a centralização servirá para dividir o mesmo bolo ou para fazer crescer o mercado?
A resposta determinará não apenas o impacto financeiro da reforma, mas também a competitividade futura do futebol português."
Os americanos estão-se nas tintas para o Mundial
"PALM BEACH - Para quem chega da Europa com a cabeça cheia de futebol, convencido de que o Campeonato do Mundo é o centro de gravidade do planeta, a imensidão da Florida aplica uma cura de humildade instantânea.
Mal pusemos os pés no asfalto americano, percebemos que a nossa armada, as nossas ânsias e até o próprio Cristiano Ronaldo são pouco mais do que uma nota de rodapé invisível na rotina desta gente.
A verdade nua e crua é que os norte-americanos estão-se completamente nas tintas para isto tudo. Enquanto em Lisboa o país para para ver o Vitinha falar ou o Rafael Leão a coxear, aqui a vida corre em formato XL, impávida e serena, focada em desportos com nomes diferentes e em marcas que nós mal arranhamos.
A caminho de Palm Beach, a bordo da nossa viatura de reportagem, sintonizámos as rádios locais e, mais tarde, passámos pelos canais de desporto das televisões. O cenário é desconcertante. O soccer continua a ser um parente pobre, uma curiosidade exótica para preencher espaço enquanto não começam os debates sérios sobre o draft da NFL, as finais da NBA ou as estatísticas infindáveis do basebol.
Portugal instalou-se num resort de luxo, fechou um complexo desportivo com forte aparato policial e montou uma operação logística digna de uma cimeira de chefes de Estado. Mas basta sair do perímetro de segurança para perceber que, para o cidadão comum de Palm Beach Gardens, aquele aparato todo é só um incómodo no trânsito ou um mistério sobre que estrela pop estará hospedada na zona.
Não há cartazes nas ruas, não há febre nas esplanadas, não há camisolas das seleções a desfilar nos centros comerciais. A América consome-se a si própria e ao seu entretenimento doméstico. Este choque de realidades é o mais delicioso combustível para quem escreve.
Enquanto tentamos furar o bloqueio da FIFA para caçar uma história, o empregado do restaurante olha para as nossas acreditações com um encolher de ombros. No império do espetáculo, o desporto-rei do resto do mundo é apenas um figurante que veio passar férias."
O talento não tem idade
"Talento vs idade. Idade vs talento. Dois termos frequentemente utilizados em futebol, mas que nem sempre caminham de mãos dadas.
Apesar de ser comum ouvirmos um treinador dizer que o talento não tem idade, são raros os exemplos de coragem, coerência e congruência por parte dos líderes das equipas técnicas no que toca à aposta segura em jovens talentosos.
Felizmente ainda há quem olhe e veja para lá da data de nascimento dos jogadores. Ainda há quem reconheça que o jovem talento precisa de tempo, espaço e, acima de tudo, palco para poder se afirmar. Como Mohamed Ouahbi e Emerse Faé, seleccionadores de Marrocos e da Costa do Marfim, respectivamente.
Quem assistiu ao Brasil vs Marrocos da jornada inaugural do Grupo C do Mundial 2026 certamente ficou encantado com a exibição de Ayyoub Bouaddi.
O médio-centro marroquino de apenas 18 anos de idade, encheu o campo com e sem bola. Revelou classe e maturidade ímpares em todos os momentos e em todas as fases do jogo. Nunca se escondeu – muito pelo contrário – e procurou ser solução constante ao colega portador da bola, fosse qual fosse o centro de jogo (sobre os corredores laterais ou sobre o corredor central).
À invejável condição física demonstrada ao longo de todo o encontro juntou ainda uma clarividência e um critério na tomada de decisão muito acima da média. Com elevada qualidade técnica. De pé direito ou de pé esquerdo. Sempre de cabeça levantada. A primeira grande exibição individual do Mundial 2026.
No domingo foi a vez de Yan Diomande responder a Bouaddi e dizer que também quer ser o melhor jogador jovem deste Campeonato do Mundo de selecções.
Frente ao Equador, o jovem extremo costa-marfinense de apenas 19 anos foi um autêntico terror para a defensiva equatoriana. Hincapié que o diga. O lateral esquerdo sul-americano foi ultrapassado de todas as maneiras e feitios pelo seu adversário directo e só 'descansou' quando Diomande passou para o flanco oposto.
Ambidestro, forte no 1 vs 1 (tanto em campo aberto, como em zonas mais congestionadas), o extremo da Costa do Marfim protagonizou uma exibição plena de recursos ofensivos: boa relação com a bola, velocidade, mudanças de direcção em ambos os sentidos (para fora ou para dentro), técnica individual apurada, acutilância ofensiva.
Em ambos os casos, Bouaddi e Diomande beneficiaram do ditado que tantos conhecem, mas tão poucos colocam em prática – o talento não tem idade.
Quando assim é, por norma, o campo não mente. E não mentiu…"
Um Diomande de alto quilate
"Dia de Cabo Verde. Diante de uma Espanha a quem muitos juntam o prefixo Super, mas que enquanto não conseguir estender as asas recuperadas — Lamine Yamal e Nico Williams, grandes obreiros do título europeu, jogaram apenas 19 e 3 minutos, respetivamente — dificilmente será assim tão majestosa, os Tubarões Azuis cavaram trincheiras e ergueram barricadas, atrás das quais sofreram e aproveitaram a falta de imaginação que assolou os jogadores da Roja. Ainda tentaram uma ou outra investida no ataque, porém o dia era sobretudo de solidariedade e luta, com o eterno Vozinha a assinar a exibição de uma vida.
É fantástico para um país estreante, e um que nos diz muito, e que agora pode, de forma legítima, aspirar aos oitavos de final, se conseguir manter o foco e a organização para os próximos embates. Sem entrar em deslumbramentos.
Belo jogo foi o Países Baixos-Japão, num confronto de estilos com o ataque e a velocidade como denominador comum, todavia, interessou-me um pouco mais o Costa do Marfim-Equador.
Fortíssimos os africanos na dimensão física do jogo, com os sul-americanos, mais estratégicos e cheios de individualidades, a perderem-se muitas vezes nos momentos de definição. Interessou-me mais porque estava no relvado de Filadélfia um verdadeiro diamante, Yan Diomande, do qual provavelmente já ouviram falar. E as minhas expetivas não saíram defraudadas. Aos 19 anos, o extremo do Leipzig, a jogar desta vez pela direita, algo menos comum, destruiu por completo a compostura de um defesa com a qualidade de Piero Hincapie. Foram inúmeros os duelos ganhos logo desde o arranque, com uma facilidade e simplicidade que faz lembrar Michael Olise. Que, sim, é canhoto e não destro, e procura terrenos interiores poucos pisados desta vez por Diomande. Mas um poderia ser o reflexo do outro invertido no espelho. Pelo menos um pouco.
É mais um daqueles que não precisa do Mundial para provar nada, mas ainda bem que lá está para nos divertirmos a observá-lo. Em breve, o veremos num dos grandes clubes da Europa, não tenham dúvidas!"
É só futebol, mas pode significar para as crianças de Cabo Verde a possibilidade de um futuro melhor
"Cabo Verde tem qualidade individual como nunca, e já não é uma seleção de jogadores amadores. Aqui, hoje em dia, as crianças querem ser como o Vozinha, Stopira, Jovane, ou como o “Pico” (Roberto Lopes). Já não estão apenas ligadas ao futebol pelo sucesso dos mais conceituados astros internacionais porque sentem, pelo apuramento para o Mundial, que também para eles é possível ter sucesso. Essas referências criam esperança e esta é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento da seleção no futuro
Estou em Cabo Verde, ilha de Santiago, na marcante cidade do Tarrafal, utilizada como sede de uma das mais terríveis prisões políticas por parte do Governo colonialista de Salazar - o Campo de Concentração do Tarrafal. Na segunda-feira assistirei à estreia da seleção de Cabo Verde no Mundial 2026, no dificílimo jogo com a congénere espanhola, junto dos habitantes da cidade de Tarrafal.
É só futebol, não é assim tão importante.
Cabo Verde tem qualidade individual como nunca, e já não é uma seleção de jogadores amadores. Aqui, hoje em dia, as crianças querem ser como o Vozinha, Stopira, Jovane, ou como o “Pico” (Roberto Lopes). Já não estão apenas ligadas ao futebol pelo sucesso dos mais conceituados astros internacionais porque sentem, pelo apuramento para o Campeonato do Mundo, que também para eles é possível ter sucesso. Que o sucesso é palpável e está mesmo ali ao lado. Essas referências criam esperança e esta é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento da seleção no futuro.
Com a primeira presença no Mundial de futebol, e vários jogadores a entrar em campo em bons campeonatos da Europa, não se joga só o presente. A febre não vai terminar com a retirada das bandeiras dos carros que aqui fazem furor (como Portugal em 2004 com as bandeiras nas janelas). Quase todos os carros carregam bandeiras como adereço (uma ou duas) e a união à volta da equipa está vincada neste pequeno simbolismo, mas sobretudo na comunicação constante de todos sobre o feito dos Tubarões Azuis - estão todos ansiosos com a estreia.
Independentemente dos resultados, esta geração de jogadores vai e já está a deixar lastro. Há uma crença generalizada nos miúdos e graúdos que ser jogador de futebol profissional é uma realidade também para os cabo-verdianos, e esta é a melhor mensagem de hoje para hoje e também para amanhã.
Quando se diz que “é só futebol, não é assim tão importante”, eu concordo. Estou de acordo com o ser só futebol. Discordo que a possibilidade de se transformar num motor social para milhares, neste caso, e milhões (pensando no passado da modalidade em todo o mundo) não seja importante.
Acalentar e concretizar o sonho de uma vida melhor, por meio do futebol, que pode ter impacto em várias das gerações seguintes; com isso também ajudar a melhorar as condições do país para que no futuro todos tenham mais qualquer coisa no que diz respeito a ter uma vida melhor; aceito que seja só futebol, talvez tenha, porém, a sua importância."
Vergonhoso...
🇺🇾 Con perros detectores y controles de seguridad, así lo recibieron a Uruguay al llegar a Estados Unidos para el partido que en minutos jugará contra Arabia Saudita. pic.twitter.com/4m2gAW8Fqg
— Fútbol y Política (@FutboliPolitica) June 15, 2026
A devoção a Riquelme
"Durante as últimas duas semanas, o universo futebolístico
nacional andou agitado. O Mundial das Américas está à porta,
o melhor marcador do campeonato português vendeu-se (à
revelia da sua equipa) a um
candidato a presidente de um
clube turco e foi aprovada, pela
maioria das equipas da I e II
Liga, a chave de distribuição
dos direitos televisivos. Temas
que dariam boas discussões e
análises profundas, mas infelizmente não houve tempo nem
espaço para tal. É que o tema
principal foram as eleições no
Real Madrid.
Na verdade, as eleições foram
apenas um pretexto para se
poder atacar o SLB. Durante
alguns dias, ouvimos tudo e o
seu contrário por parte dos
especialistas. Na noite de
domingo, com os votos contados, veio a desilusão. Florentino
Pérez ganhou com larga margem (65% contra 35%), José
Mourinho vai treinar os blancos
e chegam 15 milhões de euros
à Luz. Saiu tudo furado aos
apoiantes de Enrique Riquelme,
o candidato desconhecido. Em
especial os apoiantes portugueses de Riquelme, os que estavam a torcer para que o Glorioso fosse afetado pelas eleições
madridistas. Lembro-lhes que
Riquelme só há um: Juan
Román, astro argentino do Boca
Juniors e Barcelona, entre
outros. Por esse, ainda acredito
que valha a pena torcer, mas
não. Os entendidos andaram
semanas a esfregar as mãos, a
desejar e antever fogo e devastação no planeta Benfica, mas
as contas saíram furadas. Condenaram o silêncio dos dirigentes, a postura dos treinadores e
a alegada falta de planeamento,
viraram o bico ao prego e desdisseram-se.
Demonstrando
uma capacidade acrobática
acima da média, pudemos ver
flic flacs à retaguarda nas opiniões como se estivéssemos
nuns campeonatos do mundo
de ginástica. Afinal, era apenas
desconforto e tendinite no cotovelo perante o silêncio do SL
Benfica. Em alguns casos, a
ausência de ruído é uma grande
arma. Foi."
O Mundial
"Na minha infância quase não
havia futebol na televisão. Apenas eram transmitidos alguns
jogos da selecção no estrangeiro, a final da Taça dos Campeões e pouco mais. O Mundial
era, também por isso, uma
festa para os adeptos. Mesmo
sem a participação portuguesa
(em todo o século XX só houve
Magriços e Saltillo), o facto de
durante um mês termos jogos
diariamente na TV era suficiente para viver esse período com
enorme entusiasmo.
Recordo-me vagamente do
Argentina 1978, mas sobretudo
do Espanha 1982, quando
Maradona, Rummenigge, Zico,
Sócrates, Falcão, Platini e
Rossi, entre outros nomes lendários do futebol, fizeram as
delícias de um jovem ávido de
jogos e golos em quantidade
suficiente para alimentar a sua
paixão
Nesse tempo, as principais
selecções eram mais fortes do
que qualquer clube. Havia poucas transferências, e os clubes
tinham limite de estrangeiros –
não se assemelhando sequer
às multinacionais sugadoras
de talento que hoje vemos em
alguns campeonatos. Por isso,
os Mundiais eram o palco para
o melhor futebol, para a revelação de jogadores, e até para as
inovações tácticas. Esse lugar
foi tomado nas últimas décadas pela Champions League e
pelas principais ligas nacionais
da Europa, que durante todo o
ano, e quase diariamente,
vemos na televisão em doses
desmesuradas.
Em parte, o fascínio pelo Mundial já não é, pois, o mesmo.
Vamos ter jogos na televisão
diariamente… como no resto do
ano. Vamos ver equipas cansadas a pedir férias e longe do
fulgor físico e táctico a que
estamos habituados. Algumas
delas longe, muito longe, do
nível técnico dos principais clubes europeus.
Tudo se perdeu? Não. Ganhámos uma selecção portuguesa
candidata legítima ao título de
campeã do mundo – o que em
1978 ou 1982 era absolutamente fantasioso. Veremos se essa
ambição se concretiza."
Luís Fialho, in O Benfica
Jogar!
"Parece uma palavra de brincar e
uma coisa ao alcance de todos:
jogar, simplesmente jogar, estar
entre amigos, dar o máximo,
marcar e celebrar depois em
conjunto a vitória de todos, oferecida pelo sucesso de cada um
à vez. E é mesmo isto que para a
maioria de nós começa quase
com os primeiros passos, no vão
da escada ou no jardim dos
pequeninos, cresce e aprofunda-se na escola, em muitos
casos entra pelos clubes e pela
competição, das escolinhas aos
escalões de equipas competitivas. Tudo isto está do lado bom
da vida, faz-nos sentir bem, edifica a nossa personalidade,
melhora-nos, e liga-nos uns
com os outros tirando daí as
melhores consequências para o
nosso bem-estar. Só que não é
assim para todos: para muitos,
estas dádivas simples da vida
não estão tão ao alcance, mas
felizmente também não são
impossíveis.
Compete, por isso a todos os
que têm o privilégio de uma vida
saudável, garantir que os que a
não têm também possam ter
acesso às melhores coisas que
a vida nos dá. E jogar é uma
delas. É por isso que a Fundação
Benfica desenvolve um projeto
de desporto adaptado e tenta
proporcionar aos jovens o máximo de experiências possível no
plano da prática desportiva e
também da competição. Treinar
no Estádio da Luz regularmente
é um sonho tornado realidade
para estes jovens e famílias,
mas sair a voar pelo mundo e
jogar fora é qualquer coisa de
verdadeiramente extraordinário. É isso mesmo que queremos
proporcionar a estes jovens, e
sabemos bem que eles nos dão
em dobro tudo do que lhes possamos oferecer. E aqui quem dá
e quem recebe é o Benfica!"
Jorge Miranda, in O Benfica
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