Últimas indefectivações

sábado, 11 de abril de 2026

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Valha-me Tame Impala e Rosalía

Campeonatos que se decidem fora de campo


"O Benfica vive hoje numa espécie de contradição permanente. Produz como equipa grande que é, dominante, instalada no meio-campo adversário, capaz de encostar o jogo à área contrária durante largos períodos. Mas depois, quando o jogo acaba, a realidade é outra. Pontos perdidos. Distâncias que não encurtam. Sensação de que falta sempre qualquer coisa no momento decisivo.
Frente ao Casa Pia, voltou a ver-se tudo isto. Setenta e oito por cento de posse de bola, um valor que iguala o máximo da época. Um registo de expected goals de 2.72, entre os mais elevados da temporada. Volume ofensivo, presença constante no último terço, ocasiões suficientes para resolver o jogo com relativa tranquilidade. E, no entanto, mais dois pontos deixados pelo caminho.
Não foi um caso isolado. Frente ao Santa Clara, o filme foi semelhante. Em Tondela, voltou a repetir-se. Jogos onde o Benfica teve bola, teve espaço, teve oportunidades. Jogos onde, olhando apenas para os números, seria difícil justificar outro desfecho que não a vitória. Mas o futebol não se joga em folhas de Excel. Joga-se em momentos. E nesses momentos, o Benfica tem falhado.
Este é o primeiro problema. E é um problema sério. Equipas que querem ser campeãs não podem viver de métricas avançadas. Podem usá-las como suporte, como diagnóstico, como ferramenta de análise. Mas, no fim, o que conta são golos. E o Benfica, em demasiados jogos desta época, produziu muito e concretizou pouco. Falta frieza. Falta eficácia. Falta aquela capacidade de transformar domínio em vantagem, que tantas vezes separa os candidatos dos campeões.
Mas ficar por aqui seria olhar para metade da realidade.
Porque há outro padrão, menos confortável, mais difícil de discutir, mas cada vez mais evidente. Um padrão que não se explica com estatísticas, mas com decisões. Com critérios. Com aquilo que acontece nos momentos-chave dos jogos.
Em janeiro, instalou-se um ruído quase permanente em torno dos penáltis assinalados a favor do Benfica. Criou-se a narrativa, repetiu-se até à exaustão, colocou-se em causa a legitimidade de decisões que, todas elas, eram enquadráveis pelas leis do jogo. O resultado desse ruído viu-se nos meses seguintes. Fevereiro terminou sem um único penálti a favor. Março repetiu o cenário. E frente ao Casa Pia, apesar de vários lances na área adversária que suscitam dúvida, o desfecho voltou a ser o mesmo: zero decisões favoráveis.
Ao mesmo tempo, nos jogos dos rivais diretos, o critério parece variar com uma elasticidade difícil de compreender. O FC Porto resolve um jogo complicado frente ao Arouca com um penálti que levanta sérias dúvidas. Pouco tempo depois, frente ao Famalicão, beneficia de uma omissão num lance claro na sua área. No meio disto, decisões disciplinares que também mereciam outro tipo de análise.
O Sporting, por seu lado, volta a somar três pontos num jogo onde um golo é anulado ao Santa Clara e um penálti por assinalar poderia ter mudado o resultado na fase final. Não é um episódio isolado. É uma repetição que começa a ganhar peso no conjunto da época. Convém ser rigoroso. Nenhuma equipa perde um campeonato apenas por causa da arbitragem. Reduzir tudo a esse fator seria um erro de análise e uma forma fácil de fugir às próprias responsabilidades. O Benfica tem problemas seus, evidentes, sobretudo na eficácia ofensiva e na capacidade de matar jogos quando está por cima.
Mas também convém não ignorar o contexto.
Num campeonato equilibrado, decidido muitas vezes por margens mínimas, os detalhes contam. Um penálti assinalado ou não assinalado. Um golo validado ou anulado. Uma expulsão que acontece ou que fica por mostrar. São momentos que alteram jogos. E jogos que alteram classificações.
E quando esses momentos começam a cair, de forma consistente, para o mesmo lado, a discussão deixa de ser apenas futebolística. Passa a ser estrutural.
José Mourinho, com a frontalidade que lhe é reconhecida, colocou o tema em cima da mesa. Fê-lo sem rodeios, antes do jogo com o Casa Pia. E independentemente da forma, há uma questão de fundo que não pode ser ignorada: a perceção de desequilíbrio está instalada.
Para o Benfica, isto coloca um duplo desafio. Internamente, tem de resolver aquilo que depende de si. Ser mais eficaz, mais clínico, mais capaz de transformar superioridade em golos. Externamente, tem de lidar com um contexto onde nem sempre sente que joga com as mesmas regras que os outros.
E essa é, talvez, a pior combinação possível.
Porque uma equipa pode sobreviver a um dia mau. Pode recuperar de um erro próprio. Pode até ultrapassar uma decisão injusta. Mas quando tudo isso se acumula, quando os sinais se repetem jornada após jornada, o impacto deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.
Os campeonatos não se decidem apenas nos grandes jogos. Decidem-se nestes dias. Nos jogos onde uma bola entra ou não entra. Onde um apito se ouve ou fica em silêncio.
E neste momento, a sensação que fica é simples e inquietante.
O Benfica tem feito muito para ganhar jogos. Nem sempre tem feito o suficiente para os resolver. Mas há jogos em que, mesmo fazendo quase tudo, parece que há sempre algo que falta.
E quando esse algo começa a repetir-se demasiadas vezes, já não estamos apenas a falar de ineficácia."

Mais Rafas e menos Sudakovs (e o que se sabe dos próximos erros de Rui Costa)


"A época do Benfica tem três grandes culpados. Um está no gabinete da presidência, outro no banco e o terceiro lavou as suas mãos quando teve a oportunidade de evitar o abismo

Chegamos a 10 de abril e não há surpresas. Um clube sem rumo dificilmente conseguiria resultados desportivos e financeiros de excelência, tal como uma equipa sem QI considerável só por milagre tridimensional, que afetasse a si e aos dois rivais ao mesmo tempo, conseguiria ser campeã e chegar longe noutros objetivos.
Se alguém está surpreendido é porque não tem andado por aqui. E prefira perder tempo com queixas por ter deixado em Fátima velinhas insuficientes para o milagre ou os malfadados árbitros andarem a fazer das suas.
Neste julgamento, os culpados atropelam-se à vista de todos. Embora, na verdade, todos pareçam inimputáveis. O mais visível é José Mourinho.
O futebol que o Benfica joga não só é o pior em muito tempo, como é ilógico e não promete melhorias. Este plantel, que primeiro elogiou (sim, mental games…) antes de ser por este eliminado para depois desdenhar, assim que o herdou, foi construído com as ideias de alguém que pensa parecido, como é Lage. Nunca se tratou de ter um 11 ou, pior, um plantel novo para o tornar à sua imagem.
Depois, todas as decisões, seja no dia a dia, no mercado ou verbalizadas, vão no sentido de um Benfica ainda mais radical e extremo: acrescentar fisicalidade, velocidade e capacidade de desequilíbrio individual, seja pela relva ou pelo ar. Ou seja, precisamente mais Rafas e Lukebakios do que Sudakovs e Schjelderups. E, eventualmente, o tal pinheiro — foi só há quase 16 anos que Paulo Sérgio pediu um para Alvalade!
Mourinho quer levar a vertigem de Lage ao abismo, quando o conterrâneo, há meses, já tinha percebido que também precisava de jogadores como o ucraniano (faltou-lhe entender que um só não era suficiente).
Depois, onde está o projeto? Todas as decisões são ao dia. Schjelderup ia sair, mas fez ponto em castelo da defesa merengue e ganhou a confiança que procurava para ser hoje o principal desequilbrador. Prestianni era curto, mas foi ao Mundial sub-20. Scaloni começou a olhar para ele e, mais focado e moralizado, cresce a ritmo distinto dos demais. Não foram trabalhados, não estão diferentes, têm, sim, uma maior fé em si próprios.
Entretanto, num momento em que Sudakov também parecia mais influente, Mourinho e o clube avançaram para Rafa. Já então Aursnes e Leandro Barreiro estavam no miolo, fruto das ausências, e a consistência tinha-lhe caído aos pés, por muito que apostasse num 10 luxemburguês. O Special One, que nunca quis nada daquilo, regressará sempre à vertigem à primeira oportunidade.
Falta a formação, que Mourinho vai lançando para que os nomes apareçam no currículo ou enquanto galões no uniforme, mas não por muito tempo em campo. Para o Casa Pia, queixou-se que não havia Dedic… mas ignorar que Banjaqui já reclama o espaço de (pelo menos) Bah é negligência que pode custar caro. Tal como Neto poderia ser hoje mais dinâmico do que Dahl.
Houve tentativas com maior ou menor expressão com Rodrigo Rêgo, João Rego e Ivan Lima, todavia Gonçalo Oliveira não deve ter ficado feliz com a adaptação de Barrenechea num momento que ele, como central esquerdino, poderia aproveitar como rampa de lançamento. Já para não falar dos 21 minutos, distribuídos por dois jogos, que os elogios a Prioste valeram ao próprio, enquanto Gonçalo Moreira, pelo qual há um fraquinho e tem estado em grande na B e na Youth League, ainda nem 1 somou. Anísio, por sua vez, marcou e meteram-no a tirar o curso de bombeiro.
Mesmo Manu, que era tão preciso para a rotação de Enzo quando estava lesionado, agora raramente sai do banco. Mourinho pode ser um génio a comunicar e até agora poderia atirar-me com o que Cruijff dizia: «Se eu quisesse que entendesses teria explicado melhor.» Mas eu não importo. E, por isso, questiono: também se passa o mesmo com os atletas?
Claro que quem vê a big picture, percebe que Mourinho não é solução para resgatar de volta o campeonato, em que o processo será sempre mais importante do que a estratégia pontual, tal como saber ultrapassar blocos baixos e não só especializar-se em transições.
Até na perspetiva de ser perito em finais — ele que tanto critica o Tottenham pelo momento do despedimento — parece esgotado: falhou as meias da Taça da Liga com o SC Braga e com o Vitória Guimarães à espera; foi eliminado da Taça no Dragão nos quartos; e ainda não conseguiu bater FC Porto e Sporting e assim aproximar-se por mérito próprio dos rivais. Já para não falar do empate com o Casa Pia, que voltaria a colocar os encarnados na luta. Emocionalmente, não está lá. Muito menos o futebol jogado deixa promessas que possam ser cumpridas por jogadores mais físicos e velozes. Um futebol que culturalmente nada tem que ver com o Benfica. E, por fim, também não irá abrir espaço para os mais novos.
Para quem não tem estado atento, Mourinho podia, de facto, ter sido jogada de génio: Rui Costa ganharia as eleições, juntava-lhe o título e saía aos ombros dos adeptos. O nome e o passado derrotaram os outros candidatos, que também tinham uma razoável taxa de rejeição, e falhou no resto. Na parte desportiva. Agora, pode virar-se contra si. Mourinho ganhou umas eleições e pode levar a outras.
Talvez passe a 4.ª jornada, mas o futuro está longe de ser risonho. O presidente, com um plantel que já tem pouco por onde alimentar novas compras, sem Champions e com rasto assinalável de más decisões, vai dar a Mourinho armas que vão criar maior fosso entre o que o Benfica é e o que deve ser.
Em sintonia com o treinador, ao símbolo da formação encarnada só resta fechar os olhos e repetir: «Não me interessa jogar ao ataque, o futuro para além do imediato e mesmo o Seixal.» E não irá ver o precipício!
O outro e último responsável, todos sabemos, é coletivo. Os sócios que tiveram oportunidade de mudar e, mesmo com exemplos positivos — se não excelentes pelo menos menos maus do que os antecessores — nos rivais que tinham feito o mesmo, escolheram a continuidade. Pois bem, aí está ela! Em toda a sua dimensão!"

Um cemitério de treinadores?


"QUE PROJETO DESPORTIVO?

1. Todos os últimos treinadores campeões pelo Benfica, responsáveis por 7 dos 8 títulos que vencemos este século, saíram pela porta pequena do clube. Jorge Jesus, Rui Vitória, Bruno Lage e Roger Schmidt foram quase escorraçados. Roger Schmidt e Bruno Lage saíram ainda mal as épocas tinham começado. Os resultados de todas estas mudanças estão à vista: 1 campeonato ganho nas últimas 5 épocas (contando com esta), 3 campeonatos nas últimas 10 épocas (contando com esta). Impõe-se a pergunta: o problema está nos treinadores?

2. Não se fala ou discute neste momento outra coisa que não a continuidade ou não de José Mourinho. Só para referir os casos mais recentes, lembram-se de como foram as novelas que levaram ao inevitável despedimento de Roger Schmidt e Bruno Lage? A comunicação social começa a especular, os adeptos, insatisfeitos, vão atrás, os resultados não ajudam, os treinadores vão de embute. E começa novo ciclo. A quem é que isto interessa?

3. Se Mourinho, com toda a sua experiência e saber, com toda a sua autoridade e liderança, com todo o seu curriculum, não serve para o Benfica, sendo que em setembro, há apenas sete meses atrás, servia, servia até para ganhar eleições, vale a pena perguntar: afinal, quem é que serve para o Benfica?

4. O Benfica tem-se vindo a tornar num incorrigível cemitério de treinadores. Um dia destes nenhum treinador de jeito estará disponível para trabalhar no Benfica.

5. Quantos jogadores que fizeram parte do onze mais utilizado numa época foram vendidos nos últimos quatro anos, desde a época 2021-22? Fiz as contas: foram 17 titulares vendidos. (Veremos quantos se somarão no final desta época.) Mais: quantos jogadores foram nas últimas cinco épocas, desde 2021-22, contratados ou recebidos por empréstimo e não se afirmaram nos onzes mais utilizados ao menos numa época? Fiz as contas: foram 30.

6. O Benfica precisa - urgentemente! - de um projeto desportivo a sério, estável e capaz. Tem, para isso, antes de trocar mais uma vez de treinador, de fazer uma reflexão profunda sobre os erros que tem cometido, elencá-los e assumi-los, sem tibiezas, para evitar continuar a repeti-los. Tem que ser capaz de mudar de rumo ou continuará, inevitavelmente, a ganhar um campeonato de tempos em tempos, provavelmente com os intervalos de tempo a serem cada vez maiores, cada vez mais dolorosos.

7. O Benfica precisa - urgentemente! - de criar uma nova mística, uma cultura de vitória, não pode continuar a ser um clube aburguesado, uma feira de vaidades, um clube com péssimos hábitos de novo rico, conformado com as derrotas, conformado com os títulos conquistados pelos rivais. O Benfica tem que ser capaz de se indignar com as derrotas, tem que ter raiva de ver os adversários a festejar, tem que fazer das tripas coração para ganhar. E, se não ganhar, deixar tudo em campo.

8. Rui Costa foi eleito há pouco mais de cinco meses. Os Benfiquistas foram esmagadores na escolha que fizeram, é escusado estar agora a querer mudar de presidente. É uma responsabilidade de Rui Costa, é uma obrigação de Rui Costa, encontrar o rumo que leve o Benfica ao sucesso continuado. Não restam a Rui Costa mais oportunidades. Estaremos com ele se tomar as decisões que se impõem, jamais para manter as coisas como estão."

Fundação...

Clube: Finanças...

Eleições...

Benfica FM: Cântico - Aursnes...

Benfica FM: Cântico - Schjelderup

Lucro de 29 milhões


"Em destaque nesta edição da BNews, os resultados financeiros relativos ao 1.º semestre de 2025/26 amplamente positivos apresentados pelo Sport Lisboa e Benfica.

1. Resultados positivos no 1.º semestre
O Sport Lisboa e Benfica apresenta 29 milhões de euros de lucro no 1.º semestre de 2025/26.

2. Defesa do Benfica e do futebol português
O Sport Lisboa e Benfica, representado pelo presidente Rui Costa e pelos vice-presidentes Nuno Catarino e José Gandarez, reuniu com grupos parlamentares na Assembleia da República e expôs preocupações do Clube no que concerne ao futebol, nomeadamente em matéria da centralização dos direitos televisivos e outros temas relevantes.

3. Distinção
Gonçalo Moreira foi eleito pelos treinadores o melhor jogador jovem de março da Liga 2.

4. Jogo do dia
Na Luz, às 20h00, há o jogo 2 entre Benfica e FC Porto das meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional de voleibol no feminino.

5. Agenda para sábado
No sábado, no futebol de formação, a equipa B recebe a União de Leiria às 18h00 e os Juniores visitam o Santa Clara às 12h00 continentais. Na Luz há jogos de basquetebol, com a equipa feminina a receber o Esgueira às 11h30 e a masculina a defrontar o SC Braga às 19h00. Às 15h30, há embate com o CH Carvalhos em hóquei em patins no masculino. E a equipa feminina de futsal é anfitriã da Novasemente às 21h00. Fora de portas, a equipa masculina de andebol visita o FC Porto (15h00) e a equipa masculina de voleibol atua no reduto do Leixões (19h00).

6. Sorteios
Próximos adversários nas Taças de Portugal de futsal (masculino e feminino) e andebol feminino já são conhecidos.

7. Protagonista
A basquetebolista Maria João Bettencourt é a entrevistada da semana.

8. Dia olímpico
No 2.º episódio de Dia Olímpico, a BTV acompanha Reynier Mena, velocista do Sport Lisboa e Benfica.

9. Bom desempenho
Diogo Ribeiro conquistou o ouro nos 50 metros mariposa no Open de Estocolmo.

10. Benfica Goalkeeper Experience
A BTV mostra como decorreu a 3.ª edição.

11. Dia especial
Os Sub-15 de futebol do Benfica foram anfitriões de um grupo de rapazes e raparigas – com idades entre os 12 e os 16 anos – da Associação "Bantu a Crescer".

12. Fundação Benfica em ação
A Fundação Benfica, em parceria com a Guarda Nacional Republicana, entregou eletrodomésticos e mobiliário essencial a famílias afetadas pelas tempestades em Alcácer do Sal.

13. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV."

Aquecimento


BolaTV: Pedro, Pedro, Pedro #12 - Episódio especial: A magia das competições europeias

BF: Dahl ao quadrado !!!

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O empate do FC Porto em cinco pontos

Observador: E o Campeão é... - FC Porto: sem um "matador", o azar tem sempre a porta aberta

Observador: Três Toques - Romário tem dois amores

Oliveira: Contratações...

BolaTV: Toque de Bola - S01E19 - Pedro Henriques

Renascença: Pepa...

sexta-feira, 10 de abril de 2026

BI: Megafone #285 - O atirar da tolha e os jogadores que não comem futebol

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #47

Visão: Pringle

Lanças...


- Rubricas... 

Mourinho deixa o Benfica, Rui Costa é o novo treinador


"Palavras do treinador sobre os ativos são a ponta do icebergue de uma gestão confusa do Benfica. E enquanto o barco vai afundando, dispara em todas as direções...

Os números estão longe de dizer tudo no futebol, mas dizer que o Benfica não venceu qualquer um dos últimos três jogos com o Casa Pia será suficiente para perceber que a águia é, definitivamente, a terceira força do futebol em Portugal nesta altura. O caminho das trevas do FC Porto durou apenas uma época, a de transição de 40 anos de Pinto da Costa para André Villas-Boas, e o Sporting está sólido e até já faz peito aos mais poderosos da Europa.
Quando chegou, Mourinho prometeu «meter um dedinho» na equipa, mas nem com o Benfica a jogar de semana a semana e, por isso, com mais tempo para trabalhar, transparece a mínima evolução na equipa. Com bola, o fio de jogo é enfadonho e, ao dia de hoje, dependente do que faz Schjelderup, esse mesmo que só não saiu porque fez a exibição de uma vida frente ao Real Madrid.
E enquanto o barco vai afundando, com mais uma época paupérrima na era Rui Costa depois de mais de 100 milhões de euros gastos, Mourinho segue o seu método habitual de apontar o dedo a tudo e todos. Após o empate com o Casa Pia, o treinador disse, com todas as letras, que queria abdicar de certos jogadores, mas não o faz porque «outros valores se levantam».
O que Mourinho disse é, além de relevante, grave, revela pouco poder do treinador que, em tempos, encostou Casillas, Pogba, Ricardo Carvalho ou Pepe, para tomar decisões que só a ele lhe dizem respeito e deveria obrigar Rui Costa a reagir, porque os problemas não se resolvem fingindo que não existem ou com pífias publicações de revolta no X. Também já Bruno Lage, no famoso áudio da garagem, tinha aflorado esta questão, apesar de, na altura, ter garantido ser tudo «tirado do contexto».
Afinal, quem escolhe quem joga e deixa de jogar no Benfica? Há interesses superiores aos meramente desportivos? Talvez assim se perceba o porquê de Banjaqui, Gonçalo Oliveira, José Neto ou Gonçalo Moreira continuarem à margem, Enzo ser adaptado a central, Sidny Cabral contratado quando há muito boa prata da casa na posição e a renovação com Otamendi, à beira dos 40 anos, ainda ser tema.
Em tempo oportuno escrevi neste espaço que o regresso de Rafa seria nocivo para o coletivo e não é surpresa que, dois meses volvidos, o avançado seja um dos alvos da ira do treinador. Com este negócio só o Besiktas ganhou, ao livrar-se de um grande contrato, e, por outros valores se levantarem, Sudakov saiu da equipa quando, finalmente, dava um ar de sua graça. Este é só um dos inúmeros exemplos de uma gestão sem critério e ao sabor do vento.
É pouco crível que apontar falta de caráter de alguns jogadores para lutar pelo título seja a melhor forma de motivar um plantel de braços em baixo para ainda sonhar com um 2.º lugar que tanta diferença fará no orçamento para a próxima época, mas Mourinho não o fez inocentemente. Rui Costa já sabe que, continuando com o treinador, como parece que fará depois de, ontem, ter empurrado a questão com a barriga — «a continuidade de Mourinho não é questão neste momento», disse em exclusivo a A BOLA — terá de fazer a enésima revolução no plantel e contratar jogadores do perfil (de jogo e de... caráter) que ele quer, com os enormes custos que isso terá."

Chega de desculpas, Mourinho


"Depois do Qarabag, das arbitragens ou do percurso fora de normal dos rivais, agora foram os jogadores. É tempo de assumir responsabilidades.

O Benfica não foi além de um empate com o Casa Pia e não aproveitou a surpreendente igualdade do FC Porto com o Famalicão, o que significou o definitivo adeus dos encarnados ao título. José Mourinho foi o primeiro a reconhecê-lo, logo após a desilusão em Rio Maior. Até aqui tudo normal.
O mais estranho foi o que se seguiu, com o treinador a tecer críticas internas. «Neste momento tinha vontade de não fazer jogar mais alguns jogadores, mas há valores mais altos que se levantam, são ativos e mesmo que eu não quisesse continuar com algum deles se calhar é mais fácil não continuar tentando valorizar do que hostilizando.» Disse e repetiu. Primeiro na flash interview e depois na sala de imprensa. Pelo que não foi uma gafe — algo que Mourinho raramente comete —, e também não acredito que tenha sido uma reação a quente, mesmo considerando o peso desolador do empate.
Mourinho é um mestre da comunicação e tudo o que diz tem um propósito. O special one não tem paralelo no discurso, pelo que há, sim, que descodificar a mensagem. A BOLA logo identificou Rafa, Enzo Barrenechea e Lukebakio como os que mais têm desiludido o treinador, mas também facilmente se percebe que Sudakov e Ivanovic, até pela diminuta utilização, igualmente não o convencem.
Não foi Mourinho a escolher o plantel e é normal que vários jogadores não se enquadrem nas suas ideias de jogo, mas não é normal que o treinador critique publicamente elementos do grupo. Ele melhor do que ninguém sabia que ato contínuo às suas declarações o elencar de nomes ia ser uma prioridade de todo o País. Dito e feito.
Certo é que o título para o Benfica é uma miragem e que o segundo lugar, que vale o acesso à UEFA Champions League, ficou mais distante. Muito pouco para um clube com a dimensão do Benfica.
Os encarnados continuam imbatíveis na Liga, mas já cederam nove empates, oito deles já com Mourinho no comando técnico. É certo que dois foram com o FC Porto e outros dois com Sporting e SC Braga, mas há mais quatro muito penalizadores, daqueles cujos pontos se consideram irrecuperáveis. Com Rio Ave, Tondela e Casa Pia, por duas vezes, voaram oito pontos. Que, como se percebe, fazem agora toda a diferença.
Depois do Qarabag, das arbitragens ou do percurso fora de normal dos rivais, Mourinho critica agora jogadores. Até admito que tenha razão em muitas das queixas, mas entendo que já chega de desculpas. É tempo de assumir responsabilidades. Até porque falhou em várias opções e muitos momentos. As contratações de Rafa e Sidny em janeiro, por exemplo, já têm o seu selo.
Esta época, mesmo que atinja o segundo lugar, está perdida para o Benfica. Logo é tempo de planificar a próxima. E o presidente Rui Costa, em exclusivo a A BOLA, deu-lhe quarta-feira carta branca. «José Mourinho tem contrato por mais um ano, não é uma questão neste momento. Estamos em sintonia.»
Talvez fosse o que Mourinho queria ouvir…"

A inteligência artificial 'desconfia' de José Mourinho


"Mourinho não pode esquecer que em matéria de dar a vida por uma equipa é mais decisiva a liderança do que a personalidade dos comandados... É que até o Gemini ficou confuso quanto ao que relmente pretende o treinador do Benfica.

Embalado por uma declaração de Farioli sobre o futebol português poder ser uma série da Netflix, perguntei ao Gemini que série da Netflix poderia assumir por argumento a conferência de imprensa de Mourinho após o empate com o Casa Pia. E todo o contexto do atual Benfica. Foram declarações duras. Do assumir um oficial adeus ao título, passando por críticas à falta de instinto matador da equipa e à ausência de capacidade de dar a vida em cada jogo, em cada lance, por cada ponto. Daí até ter vontade de não utilizar mais alguns jogadores foi um pequeno passo… Paralelamente, o assumir do desejo de ficar no Benfica na próxima época…
O Gemini sugere-me The House of Cards e termina com uma dúvida: «Mourinho quer ficar para reconstruir o Benfica à sua imagem, ou está apenas a certificar-se de que, se o barco afundar, ele será o único a sair com o colete salva-vidas da 'superioridade moral'?» Perante as dúvidas do Gemini - que, falemos honesto, são as dúvidas de muita gente - resolvi não me meter. Responder seria fazer juízos de valor que José Mourinho — por muito que ele se esteja a borrifar para o que penso — não merece. Tem um currículo de fazer inveja e a convocar ao respeito e à admiração.
Por muito que discorde — e não discordo em tudo — da estratégia de comunicação que seguiu após o empate com o Casa Pia — e que não é virgem, basta lembrar os 9 jogadores que lhe apeteceu substituir no jogo com o Atlético, da Taça, e outras críticas à equipa e a jogadores — não posso ser hipócrita. Várias vezes me queixei do discurso amorfo de Roger Schmidt e Bruno Lage. Quando os jogos corriam mal, falavam até de coisas que nem os adeptos do Benfica tinham visto. Criticar agora Mourinho não faria sentido. Mourinho dá muito mais pano do que a maioria dos treinadores. Tem coisas relevantes para dizer. E é inteligente. E às vezes também dá tiros nos pés. E depois?
O norte-americano Simon Sinek, um dos mais impactantes oradores mundiais, é para muitos a maior autoridade moderna na ideia de que o líder é o arquiteto da dedicação extrema. «Quando os líderes criam um círculo de segurança à volta das suas equipas, as pessoas sentem-se seguras. E quando as pessoas se sentem seguras, elas dão o seu melhor, partilham ideias e, se necessário, sacrificam-se umas pelas outras», desenvolveu Simon Sinek. Para quem «a capacidade de uma equipa não é o reflexo das aptidões dos seus membros, mas sim do quão seguros eles se sentem sob a orientação do seu líder.» No fundo, ouso eu acrescentar, a capacidade de morrer pela equipa depende mais da capacidade de o líder inspirar e da cultura criada numa instituição do que dos atributos psicológicos ou de personalidade de cada um enquanto peça individual. É por isso que, citando uma frase muitas vezes atribuída a Alexandre, o Grande, «um exército de ovelhas lideradas por um leão pode vencer um exército de leões liderados por uma ovelha.»
Naturalmente, há ovelhas e leões que não querem ser liderados, há sempre maçãs que não devem estar no cesto. E sim, Mourinho não deixa de ter razão, às vezes é preciso cortar o mal pela raíz para não contaminar. Mas o que ganha a equipa e o que se ganha em eficácia assumindo essa limpeza em público e sem citar nomes? Mesmo dando de barato que, internamente, Mourinho será claro a apontar o dedo aos alvos, que ganha o Benfica com este anátema que coloca tantos jogadores sob suspeita? Que riscos para um plantel que vê um líder lançar alguns dos seus à fogueira, para mais, sem ser claro sobre os alvos? O que ganha o próprio Mourinho ao assumir que as suas escolhas podem não ser apenas técnicas mas também em função de outros interesses que se levantam por estarem muitos milhões em jogo? Se os alvos forem mesmo Rafa, Lukebakio, Barrenechea e Sudakov, mais de 60 milhões, grosso modo…
Atenção: o diagnóstico de Mourinho não foi mal feito. Como pode o Benfica ter desperdiçado a benesse que o Famalicão lhe deu ao empatar no Dragão? Como pode a equipa estar a vencer e sofrer um golo como sofreu com o Casa Pia? Como podem alguns jogadores parecer que não têm pinga de sangue? Mas e onde fica Mourinho no meio disto tudo?

E o que disse Otamendi? Se calhar mais preocupante...
Ao lado passaram as declarações de Otamendi no final do mesmo jogo, quando o capitão do Benfica frisou que a equipa «tem de ter pensamento de clube grande». Devastadora esta frase, porque corresponde a algo que é o pior pesadelo de muitos os que pensam e sentem o Benfica: um clube que foi perdendo cultura de grandeza, que passa pelos títulos mas também por uma identidade, uma forma de estar. Ser grande é a capacidade de entrar em campo com a convicção das inevitabilidades, sendo vencer a maior delas. Ganhar sem jogar bem; levar tudo à frente se preciso for; cair, aleijar e só lamber as feridas no fim: e, se a derrota um dia chegar, sentir a dor dilacerante.
O Benfica atravessa uma crise identitária? Não nos sócios e adeptos. São o Benfica. É internamente que reside a questão. No rumo, na política, na liderança e na cultura de uma instituição. Discutir isso é mais importante que os desabafos de Mourinho. Até para que não possam ser entendidas como por-se a salvo das culpas. Não é justo nem digno de um treinador com a dimensão de Mourinho.
Então e Rui Costa? Ontem, em declarações a A BOLA, limitou-se a lembrar que Mourinho tem contrato e que está em sintonia com ele. Lamentou o empate e exigiu que a equipa se redima. Tudo em 30 segundos. É uma opção válida deixar Mourinho fazer a despesa da comunicação. Mas o que custará mais a Rui Costa é ser a enésima vez que pede desculpa pela equipa e exige resposta a um desaire. As desculpas também se evitam. Com projeto e liderança."

BF: Revolução?!

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - O bom e o mau do empate do SC Braga

Observador: E o Campeão é... - FC Porto têm tempo para pensar no campeonato e Liga Europa?

Observador: Três Toques - Afinal, onde está Arboleda?

Throne: The Promoted Club Portuguese Football Forgot

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #118

ESPN: Futebol no Mundo #555

«Ai, aaaaaaai, vou dizer à professora...»


"Nas décadas pós-Revolução havia nas salas de aula, nos recreios e nas ruas uma série de personagens-tipo: a gira, o engatatão, o caixa de óculos, o gordo, o dono da bola, o atleta, o mariquinhas, a sonsa, o menino da mamã, o bufo, a graxista, o queixinhas, o preto e até o chinoca.
Passaram os anos e foi com satisfação que me vi pai de duas ex-crianças que não foram estigmatizadas na escola por usarem óculos. E nunca lhes ouvi, nem aos amigos, expressões discriminatórias.
É com redobrada estranheza, portanto, que constato a existência — e a boa saúde — de uma das tipologias: o queixinhas. Está vivo e recomenda-se entre os principais clubes do futebol português.

De chorar por mais
Em exclusivo a A BOLA, Rui Costa disse muito sobre a necessidade de entendimento entre clubes.

No ponto
Estudo sobre mulheres no dirigismo deixa bons sinais, mas há muito caminho para fazer rumo à igualdade.

Insosso
As hipotéticas dispensas do Benfica não dizem muito bem sobre a preparação da temporada, com ou sem Mourinho.

Incomestível
Enzo Fernández parece ter tanto de bom jogador como de desrespeitador dos clubes que lhe pagam ordenados de rei."

Ibracadabra


"«Abracadabra» é uma palavra tradicionalmente ligada à magia. Algo surpreendente, quase sobrenatural. Ao transformar essa palavra em «Ibracadabra», essa associação vai muito além da fonética. Zlatan construiu ao longo da carreira uma persona muito particular. Confiança no limite, quase teatral, frequentemente descrevendo-se como alguém único e superior. Essa autoconfiança, somada ao seu estilo de jogo irreverente e belo, alimenta a ideia de algo mágico. O ponta-de-lança sueco marcou golos altamente improváveis. Remates acrobáticos, golos de longa distância, bicicletas quase impossíveis e lances de pura criatividade que parecem surgir do nada, como quem faz um belo truque de ilusionismo. Uma espécie de «Ibracadabra».
Para mim, Zlatan Ibrahimovic nunca foi apenas um jogador. Foi uma inspiração crua, imperfeita e, ao mesmo tempo, fascinante. Fui crescendo a vê-lo fazer coisas que pareciam desafiar não só os adversários, mas também a lógica. Enquanto muitos aprendiam o futebol de forma metódica, quase previsível, Zlatan parecia inventá-lo a cada toque na bola. E isso, para um jovem a jogar com os seus amigos, era tudo.
Lembro-me de tentar imitar os seus movimentos, aqueles dribles improváveis, as receções quase impossíveis, os remates de ângulo apertado, as acrobacias que mais pareciam cenas vindas diretamente do «Karate Kid». Zlatan jogava com uma confiança quase arrogante. E, durante muito tempo, essa arrogância foi incompreendida. Mas para quem o admirava, ela tinha outro significado. Não era apenas ego, era crença absoluta em si próprio, mesmo depois de sofrer bullying e de ser muitas vezes achincalhado durante a adolescência, ele resistiu.
Num mundo onde tantos jogadores parecem moldados para não errar, ele destacava-se precisamente por não ter medo de tentar o impossível. E, de vez em quando, fazia mesmo acontecer. E nesses momentos, o futebol tornava-se arte.
Dia 14 de novembro de 2012, na Friends Arena, há um jogo para ser contado aos filhos e aos netos. Suécia-Inglaterra. 4-2. Todos os golos da seleção sueca foram marcados por Zlatan, mas o seu pontapé de bicicleta a 40 metros da baliza defendida por Joe Hart, é das coisas mais bonitas que já vi dentro de um campo de futebol. Inventem outra palavra, pois isto não pode ser apenas um golo. Para ver e rever. Quantas vezes quiser.
Quando jogávamos nos pelados ou nos sintéticos, com o nosso amor puro pelo futebol, todos queríamos marcar golos bonitos. Mas, no fundo, o que queríamos mesmo era sentir, nem que fosse por um segundo, aquela confiança inabalável. Aquela sensação de que, independentemente do adversário ou da dificuldade, tudo era possível. Zlatan ensinou-me, sem nunca saber, que tudo está dentro de ti e de que a confiança é um fator altamente diferenciador.
Zlatan sempre foi fiel a si próprio, sem filtros, sem concessões. Não se trata apenas dos golos impossíveis ou das jogadas espetaculares. Trata-se da forma como nos fez sentir. Da forma como fez tantos miúdos acreditarem que o futebol podia ser mais do que um jogo. Podia ser criatividade e ousadia, algo que faz muita falta ao futebol atual.
Há, de facto, jogadores que passam pelo futebol como grandes profissionais. Outros deixam números, títulos, sangue, suor e estatísticas impressionantes. E depois há aqueles raros que se tornam histórias lendárias, quase personagens maiores do que o próprio jogo. Zlatan Ibrahimovic pertence, sem margem para dúvidas, a esse último grupo."

Oliveira: TierList

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O que distingue o nosso atleta, treinador ou dirigente?


"Como é que um país com apenas 10,5 milhões de habitantes (mais 2 ou 3 milhões espalhados pelo Mundo) consegue produzir tanto talento no desporto?
É uma pergunta recorrente que me fazem. Não apenas no futebol, a principal montra, mas no desporto em geral. Há atletas a destacar-se em várias modalidades e nos melhores campeonatos, treinadores e dirigentes a abrir portas em diferentes países e equipas portuguesas a competir com sucesso contra contextos que investem três vezes, cinco ou muito mais.
Ponto de partida: isto é uma excelente notícia. É positivo e motivo de orgulho. E há um fator crítico nisso: alcançamos estes resultados mesmo reconhecendo que não trabalhamos tão bem quanto poderíamos. Mas existe também um elemento de preocupação, com um lado de curiosidade quase enigmático: porque somos fortes em alguns desportos e nas áreas de treino e gestão? O que nos distingue?
Responder a esta questão é decisivo. Em qualquer projeto, a autoanálise permite identificar rapidamente forças e áreas a desenvolver. A minha leitura é que não sabemos, de forma clara, o que nos diferencia, nem como esse diferencial se forma, evolui e sustenta.
Um teste simples: se pedíssemos a cada profissional do desporto em Portugal que escrevesse, num post-it, uma única característica diferenciadora, obteríamos centenas ou milhares de respostas diferentes. Isso indicaria falta de clareza coletiva. E daqui resultam dois problemas: se não sabemos o que nos distingue, dificilmente o conseguimos desenvolver; e torna-se complexo definir estratégia sem um entendimento comum sobre forças, fraquezas e posicionamento.
Escrevi neste mesmo espaço que o desporto, sobretudo fora do futebol, enfrentará dificuldades financeiras recorrentemente. E o atual contexto no Médio Oriente tende a agravar a fragilidade de muitos projetos. O futebol, pela sua dimensão, poderia resistir mais e melhor, mas o tema da sustentabilidade será exposto também em vários clubes e associações.
Apesar disso, existe valor claro para partilhar. Profissionais estrangeiros reconhecem-no. As visitas frequentes a centros de treino em Portugal demonstram interesse não apenas pelas infraestruturas, mas pela integração entre áreas, como a ligação entre departamentos médicos e o desempenho desportivo, por exemplo. Há investigadores portugueses em todo o lado, treinadores em ligas competitivas, dirigentes em mercados como Inglaterra, França, Brasil, Arábia e técnicos de modalidades como basquetebol ou andebol com presença internacional.
O exercício é obrigatório: identificar, estruturar e tornar consciente o que nos permite atingir níveis elevados com recursos limitados e, por vezes, de forma pouco coordenada. Como no Andebol, Atletismo, Judo, Canoagem, Ginástica, etc. Temos uma elevada taxa de exportação de talento per capita. Vemos a Premier League (expoente máximo do futebol) e é raro o jogo que não coloca frente a frente portugueses, seja nos treinadores, atletas, staff médico, scouting, dirigentes de gestão, etc.
O que é interessante é isto: há uma performance acima do esperado face ao orçamento, investimento, população e, desculpem a sinceridade, face à nossa forma de trabalhar. O que nos leva para a seguinte questão: e se trabalhássemos bem, onde estaríamos?
Quanto mais claras forem essas respostas, mais forte será a indústria do desporto em Portugal. Trabalhar identidade, posicionamento e uma lógica de marca Portugal–Desporto é um passo estratégico. Em paralelo, reforçar a cooperação entre profissionais portugueses no estrangeiro aumentará a capacidade de influência e consolidação internacional (aprender com os espanhóis por exemplo).
Isto não seria apagar a identidade individual de cada um. Seria termos algo para trabalhar em todas as federações, entidades relacionadas com o desporto. Seria uma ferramenta poderosa para as universidades, as associações de treinadores, etc.
Se compararmos Portugal com outros países (apenas da Europa) com números similares aos nossos em termos de população ou menores, percebemos três indicadores onde somos diferentes.
Primeiro, e ao contrário de uma Dinamarca, Suíça, Áustria, já para não falar da Eslovénia ou Croácia, temos mais modalidades onde costumamos aparecer no topo. O que somos é mais inconstante, ou seja, há mais dispersão e menos consistência do sucesso.
Segundo, a maioria dos países com a nossa dimensão são a favor da hiperespecialização (é assumido em termos estratégicos) e em Portugal existe mais dispersão competitiva e de investimento. Resta saber sinceramente se é propositado ou fruto da incapacidade que temos de gerir conflitos e, com isto, tentar agradar a muitos.
Terceiro, há um aproveitamento mais difuso do nosso talento e é fruto de um sistema menos estruturado. A excelente notícia é que temos uma margem de crescimento elevado se existir uma estratégia clara e que seja respeitada continuadamente.
Este trabalho não é da responsabilidade de uma entidade só. Provavelmente seria uma discussão interessante a ter/observar entre vários treinadores de diferentes modalidades. O que distingue o treinador português dos outros do Mundo? É algo de modalidade a modalidade ou tem mais de comum? E o dirigente? A verdade é que, no contexto certo, somos altamente competitivos. Temos competências que são negligenciadas em Portugal e depois lá fora fazem-nos brilhar. E os atletas?
Por último, considero que Portugal não tem tanto um problema de talento, mas mais de estratégia e dispersão. Produzimos acima da média com menos recursos. Podemos e devemos considerar isso uma vantagem competitiva, embora ainda pouco estruturada. E é precisamente por isso que o risco é maior: aquilo que não é compreendido, não é replicável, aquilo que não é estruturado, é mais difícil de manter. Parece-me que Portugal continua a ter bons resultados apesar do sistema, mas não por causa dele.
A oportunidade é esta mesmo, conseguir transformar talento numa vantagem.
Se isso acontecer, deixamos de ser um país que surpreende e passamos a ser um país que pode dominar em (algumas) modalidades globais. E neste caso, a verdadeira questão não seria o como foi que chegámos aqui, mas seria até onde podemos ir se, finalmente, tivermos uma estratégia de como e para onde queremos ir."