Últimas indefectivações

quarta-feira, 18 de março de 2026

BF: Otamendi...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - A Premier de Bruno Fernandes

Observador: E o Campeão é... - Dia do tudo ou nada para o SCP: a "perfeição" é possível?

Observador: Três Toques - Ultrapassar limites para provar competência às "inimigas"

BolaTV: 90+3 - S03E24 - Rui Miguel Tovar | Back to 1986 “Não havia ninguém como Maradona”

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #104 - ACREDITA SPORTING, Casamento de Otamendi, Thierry Oh La La

Zero: 5x4 - S06E26 - Semana de penáltis e de mercado fresquinho

Benfica FM: Lúcio bem acompanhado...

Conquista no futsal


"O Benfica ganhou a Taça da Liga de futsal pela 5.ª vez. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Triunfo da Taça da Liga
O Benfica ganhou, por 7-1, ao Eléctrico na final da Taça da Liga de futsal. É a 5.ª vez que as águias conquistam o troféu. Na mensagem de felicitações, o presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, sublinha a "vitória assente no trabalho e no espírito de grupo".

2. Outros resultados
No masculino, o Benfica foi derrotado pelo Sporting no 5.º set da final da Taça de Portugal de voleibol. Em hóquei em patins masculino, triunfo benfiquista por 2-3 no rinque do SC Tomar. No feminino, goleada, por 7-0, ao Escola Livre em hóquei em patins. Na final da Taça da Liga de futsal com Nun'Álvares, desaire após desempate nos penáltis.

3. Galardões Cosme Damião
Não perca, amanhã às 21h00, a cerimónia de entrega dos Galardões Cosme Damião transmitida em direto pela BTV em sinal aberto. 

4. Campeão nacional
Etson Barros, atleta do Benfica, é campeão nacional dos 5 km em estrada."

3x4x3


Segunda Bola


Porque é Andrade.

Pérola do Bessa!

Audio Inacreditável de José Bessa: "Dá-me outra Câmara, não outra, essa também não serve. Obrigado, mas o toque é no pé, vou manter a minha decisão" , de amarelo por simulação
by u/joaobita in PrimeiraLiga

Futebol em Portugal: ‘hat trick’ das queixinhas


"O campeonato não se joga só no campo, joga-se nas transferências de jogadores, nas finanças de cada clube, nos media e nas redes sociais, e também nos órgãos disciplinares.

Caro leitor, sou obrigado a voltar às queixas e aos queixinhas porque o futebol português é, aos dias de hoje, um queixume geral. Repare: o FC Porto queixa-se de Luis Suárez e, por motivos diferentes, de Frederico Varandas. Do lado do Sporting também se queixam, mas menos, apenas e só de Villas-Boas, presidente do FC Porto. A tudo isto junta-se o árbitro Fábio Veríssimo que também parece ter razões de queixa do FC Porto, a quem acusou de denúncia caluniosa, precisamente por o líder do campeonato se ter queixado dele. Um parágrafo inteiro onde o verbo foi repetido várias vezes será digno de queixa de quem me lê. Vamos ver, então, a sua substância e se a lei se aplica.
Luis Suárez, a determinada altura do jogo da Taça de Portugal diante do FC Porto, fez, virado para a bancada, o gesto de roubar presumindo-se que insinuava que a decisão do árbitro prejudicava o Sporting. O árbitro não viu o gesto e não o inscreveu no seu relatório, mas ainda assim o FC Porto fez participação. Este tipo de gesto pode ser punido com suspensão de dois a oito jogos. E, para que a queixa dê início ao processo, ou mesmo para que haja sanção, não é necessário que o gesto conste do relatório do árbitro. O vídeo do jogo serve como prova, neste como noutros casos.
A infração não é das mais graves, nem a insinuação das piores: possivelmente, havendo sanção, o que deve acontecer, será aplicada a suspensão de dois jogos. E dois jogos de suspensão para um dos melhores avançados do campeonato, numa luta tão renhida entre FC Porto e Sporting, pode dar vantagem aos dragões.
O clube da cidade do Porto não ficou por aqui: apresentou também participação contra Frederico Varandas por este ter chamado «mentiroso» e «cobarde» a Villas-Boas. Estas declarações constituem uma ofensa à «honra, consideração ou dignidade» — art.º 130.º do Regulamento da Federação Portuguesa de Futebol. Se for condenado, Varandas será multado e pode ser suspenso durante um ano (n.º 2 do artigo 130.º). Neste caso, como no anterior, não restam dúvidas sobre os factos, já que há gravações. Será apenas uma questão de o Conselho de Disciplina decidir a sanção. Decidirá em tempo útil?
Caro leitor, espere, lembra-se de no primeiro parágrafo ter falado das queixas do Sporting contra Villas-Boas, uma vez mais por causa das declarações prestadas por este? E da queixa do árbitro Fábio Veríssimo por denúncia caluniosa, depois de uma participação do FC Porto contra ele que não procedeu?
Pois bem, em Portugal trabalho não falta aos juízes desportivos. Com exceção da queixa de Veríssimo, o que os clubes fazem é tentar conseguir toda a vantagem possível. O campeonato não se joga só no campo, joga-se nas transferências de jogadores, nas finanças de cada clube, nos media e nas redes sociais, e também nos órgãos disciplinares.
Admitindo que os dirigentes não mudam os seus comportamentos, é difícil evitar tanta queixinha. Importante seria criar um regime — que já existe em certos casos — desencorajador de queixas sem substância: multas pesadas quando não procedem levaria clubes e dirigentes a refrear os seus ímpetos de apontar o dedo. E, claro, multas pesadas também para quem viola as regras.

Direito ao golo
No meio de tantas queixas e participações, vale a pena lembrar que o futebol também se decide dentro de campo. O direito ao golo desta semana vai para o FC Porto. Vencer na Alemanha não é para todos. Está a um passo dos quartos de final da UEFA Europa League e sonhar com a final é legítimo. Parabéns!"

Obstáculos e silêncios


"Na semana em que o Benfica ficou a saber que jogaria dois jogos sem o seu treinador porque, de acordo com o relatório do árbitro Pinheiro, "correu em direção ao meio-campo e pontapeou uma bola que estava no cone (pelo menos esta estava, sublinhado nosso), em direção à bancada (à bancada e não para outro sítio, sublinhado nosso mais uma vez...)" e que "este comportamento despoletou uma reação adversa dos elementos visitantes instalados no banco de suplentes e suplementar, tendo provocado uma altercação entre os elementos dos dois bancos," numa das decisões mais incompreensíveis da história do futebol e depois de outros erros mesmo muito incompreensíveis e que vão desde o pisão na cabeça de Belloti que o VAR Martins não viu, à rasteira com a cabeça que o árbitro Nobre diz ter visto ou ao penálti com a barriga de António Silva que o árbitro Correia assinalou e que, segundo o secretário técnico Gomes, o VAR Bento não podia ter visto por não ser claro e óbvio, o Benfica deslocou-se a Arouca com o peso de todos estes obstáculos e ainda teve de levar com o árbitro Bessa, que considerou "não natural" um jogador saltar à bola e levar com ela, ao mesmo tempo que, juntamente com o VAR Ferreira, achou naturalíssimo que o jogador do Arouca agarre e derrube Pavlidis dentro da área.
É contra estes obstáculos que o Benfica terá de lutar até ao último minuto da compensação e mais aqueles que o árbitro quiser, como o prestimoso Bessa que conseguiu acabar aos 101 minutos, depois de ter dado 6 de compensação e o golo da vitória ter sido marcado aos 90+6..., mesmo sabendo que não terá condições idênticas às dos seus rivais enquanto alguns órgãos da F.P.F se mantiverem em funções. Mais vale, pois, estar calado, não vá o suscetível Conselho de Disciplina considerar que qualquer coisinha ofende o banco contrário, a mascote do adversário ou a prima do tesoureiro do oponente..."

Não, levar três equipas à Liga dos Campeões não é uma grande proeza do futebol português


"O Marquês de Pombal enche-se de multidões em delírio. Escuta-se o abrir desenfreado de garrafas de champanhe. António José Seguro marca o arranque da sua vida em Belém decretando feriado nacional. Fazem-se canções que gravam na memória esta data dourada da vida nacional.
1143, 1640, 1820, 1910, 1974, têm companhia. 12-03-2026. O dia em que garantimos o sexto lugar do ranking UEFA, voltando a levar três equipas à Liga dos Campeões.
Mas… não há aqui algo familiar? Não estivemos já aqui antes?
Façamos um ponto prévio. Não é preciso fechar o champanhe, podemos bebê-lo enquanto colocamos alguma ordem na conversa.
Ponto prévio: a hierarquia da UEFA, que ordena as ligas e determina as vagas que estas têm nas provas continentais, funciona através da soma dos pontos que os clubes de cada país realizam, que são depois divididos pelo total de clubes que esse campeonato tem em competição naquela época em concreto. Para apurar o total, olha-se às cinco épocas mais recentes. Uma vitória — seja na Liga dos Campeões, Liga Europa ou Liga Conferência — vale dois pontos (um se forem pré-eliminatórias), um empate equivale a um ponto (0,5 se for uma pré-eliminatória).
Há, ainda, pontos extra segundo a posição em que se conclua as fases de liga, sendo esse valor maior na Liga dos Campeões, mais pequeno na Liga Europa e ainda menor na Liga Conferência. Adicionalmente, por cada ronda da Liga dos Campeões que se vá alcançando ganham-se 1,5 pontos, cifra que na Liga Europa é de um e na Liga Conferência de meio ponto.
Regressamos ao momento em que algo nos soava familiar. Portugal, até aqui em sétimo neste coeficiente, a saltar para sexto.
Bem, parece um déjà vu porque o é: em 2016/17, 2017/18 e 2018/19, a I Liga ocupava a sétima posição; em 2019/20, 2020/21 e 2021/22 passou para sexto; em 2022/23, 2023/24 e 2024/25 resvalou para sétimo; agora ascende de novo ao estatuto glorioso.
Talvez não esteja aqui em causa uma revolução liberal, o fim da monarquia, a inauguração de um regime em liberdade. É, na verdade, um movimento pendular, repetitivo.
Em 2025/26, Portugal fez mais pontos do que os Países Baixos, tal como somara mais em 2024/25 e 2023/24. Em 2021/22 e 2022/23 somou menos, em 2020/21 pontuou mais. Ampliemos a mirada aos anos em que era a Rússia, e não a Eredivisie, o rival neste confronto. Em 2016/17 e 2017/18, o país de Leste esteve melhor que a I Liga. Em 2018/19 e 2019/20, foi Portugal a superiorizar-se.
O que une todos os anos, com exceção de 2023/24, em que Portugal fez mais pontos do que o adversário na busca pelo sexto lugar? O nosso campeonato não ter três equipas na Liga dos Campeões. Em alguns deles — 2020/21 e 19/20 — nem duas teve.
E porquê?
Bem, para o explicar é recorrer ao ponto prévio e juntar-lhe dois pontos intermédios.
Ponto intermédio um: FC Porto, Sporting, Benfica e SC Braga são responsáveis pela esmagadora maioria do engordar do score europeu do nosso futebol.
Ponto intermédio dois: o quarteto acima indicado é bem mais capaz de ganhar encontros e de avançar rondas estando na Liga Europa, e não na Liga dos Campeões.
Bingo. Juntando o ponto prévio aos intermédios, constatamos que a matemática dita que quanto mais equipas tivermos na Liga dos Campeões, menos vamos pontuar. Ou, pelo menos, tem sido essa a tendência, que poderá ser mitigada caso o novo formato de liga permita amealhar mais. Veremos no futuro, mas a tendência no passado é evidente e auto-explicativa.
Liga Europa, mais pontos. Mais equipas na Liga Europa, mais pontos. Excluindo 2020/21, época de provas continentais condicionadas pela pandemia, quais as campanhas em que Portugal pior esteve? 2016/17 e 2017/18. O que as une? Benfica, FC Porto e Sporting na Liga dos Campeões e, portanto, com piores resultados.
É por isto que considerar a subida no ranking, e consequente apuramento de três equipas para a Liga dos Campeões, como uma grande proeza nacional não faz sentido. Tê-la como grande meta da direcção da Liga Portugal não faz sentido. É um mero produto aritmético, repetitivo e, além do mais, resultado de pontuar mais em torneios piores.
Seria mais produtivo olhar a sinais de preocupação. Tais como: subir um lugar no ranking significa ter seis participantes europeus, e não cinco. E o verdadeiro drama nacional é o contributo que os clubes fora daqueles quatro (não) têm. Rio Ave 2020/21, Paços de Ferreira e Santa Clara 2021/22, Gil Vicente 2022/23, Arouca e Vitória SC 2023/24, Santa Clara 2025/26: todos incapazes de chegar às fases de grupos/de liga.
A honrosa exceção foi o Vitória SC 2024/25, que atingiu os oitavos de final da Liga Conferência. A bela campanha do clube de Guimarães, ainda assim, colocou-no na fase em que, este anos, encontramos conjuntos como o Rijeka, da Croáciam, ou o Sigma Omoluc, checo. Portugal nunca conseguiu ter um representante nos quartos de final da Liga Conferência e essa falta de profundidade competitiva da I Liga deveria levar a séria reflexão.
Claro que, com estes resultados, ter menos equipas por que dividir os pontos beneficia Portugal. Mais uma razão para se pontuar mais estando em sexto do que em quinto.
As derradeiras campanhas trouxeram boas prestações europeias, e veremos o que esta semana apresenta, mas há dados preocupantes: desde a última vez que Portugal esteve numa meia-final Europeia, representado pelo Benfica na Liga Europa 2013/14, já neerlandeses, ucranianos, escoceses, gregos, austríacos, belga, suíços e suecos lá estiveram. E não, isto não é só efeito da Liga Conferência, na medida em que o Ajax foi à meia-final da Liga dos Campeões, o Dnipro e o Rangers estiveram na final da Liga Europa, onde RB Salzburg e Bodø/Glimt atingiram as meias-finais.
Mais do que festejar feitos vazios, era bom regressar à realidade.
Para terminar. Nas 20 últimas épocas completas, oito equipas portuguesas — podem ser nove amanhã — estiveram nos quartos de final da Liga dos Campeões. Já na Liga Europa, esse número é 17, podendo chegar a 19 esta semana. Claro que, quando se tem mais equipas na divisão de prata, se está mais acima.
Querem que Portugal faça mesmo um brilharete no ranking? Convençam Sporting, Sporting de Braga, FC Porto e Benfica a não jogarem Liga dos Campeões. Como assim? Bem, em 2010/11, a I Liga foi o melhor campeonato da Europa neste coeficiente. Nessa época, este quarteto jogou, a partir de fevereiro, Liga Europa, com Benfica nas meias-finais e SC Braga e FC Porto na decisão de Dublin.
O champanhe sabe bem, mas talvez o presidente Seguro vá a tempo de desmarcar o feriado nacional de exultação.

O que se passou
Na I Liga, o FC Porto superou com conforto o Moreirense. Já o Benfica sofreu em Arouca, mas ganhou.
Após 22 anos de espera, o Europeu de râguebi em que Portugal pode participar volta a ser da seleção nacional.
Jonas Vingegaard foi ao Paris-Nice impor autoridade.
Uma vez, outra vez, a 15.ª vez: Duplantis superou o seu próprio recorde do mundo.
Semana europeia com resultados contrastantes: o Sporting perdeu contra o Bodø/Glimt, que tem um guarda-redes que viveu na Madeira, e terá de dar a volta em casa, tal como o SC Braga, batido pelo Ferencváros. Melhor esteve o FC Porto, que venceu, na Alemanha, o Estugarda.
O Vitória SC e a instabilidade, uma relação de amor. Luís Pinto, o herói da conquista da Taça da Liga em janeiro, foi despedido.
O hino da Rússia voltou a ouvir-se nos Jogos Paralímpicos de inverno. Em Milão-Cortina também há irmãos que brilham, medalhados que agradecem ao ChatGPT e Akari Fukunishi, a conseguir um lugar raro para uma mulher."

O futuro não se adivinha mas prevê-se


"Queimei a língua, como dizem os brasileiros de quem fez afirmações e logo foi desmentido pela realidade. Escrevi há uns dias, na crónica anterior, sobre a simbiose entre clubes e treinadores e como exemplo fui lembrar-me do Vitória SC. Erro meu e de mais ninguém. Já devia ter percebido pelos antecedentes que desde que António Miguel Cardoso é presidente o comando técnico vitoriano é uma placa giratória de critério insondável.
Quis acreditar que poderia ser diferente desta vez, afinal Luís Pinto projetava miúdos de talento no lugar dos consagrados que debandaram (João Mendes, Manu Silva, Tiago Silva, Handel, por exemplo) e de permeio tinha acrescentado às vitrinas (apenas) o terceiro troféu nacional sénior da história centenária do clube. Como digo, o erro foi meu. O rodízio de técnicos anterior, em que avultam a dispensa apressada de Daniel Sousa e o estranho despedimento de Luís Freire, eram indícios firmes do que se seguiria. Como em tanto da vida, o futuro é impossível de adivinhar, mas não tão difícil de prever.
Valha que também falei do Famalicão, agora encostado ao Gil Vicente no quinto lugar e que, ironicamente, foi a Guimarães nesse pós-chicotada do vizinho reforçar a candidatura europeia. E do Bodo/Glimt também, que, para mal do Sporting e do futebol português, provou de novo que no futebol nada é mais forte que uma ideia de clube feita identidade em campo.
Os leões ainda podem dar a volta, até porque individualmente têm mais argumentos, mas, até por isso, a qualidade de jogo do Bodo, sobretudo nos momentos com bola, é um espanto. Claro que Rui Borges se equivocou no plano de jogo - chegou a ser exasperante ver Berg receber a bola livre e organizar sem pressão toda a primeira parte - mas dificilmente imaginamos qualquer equipa portuguesa fazer aos leões o que os noruegueses conseguiram.
É ver a mobilidade treinada, os alas nas entrelinhas e até no corredor contrário, os laterais recorrentemente em zonas de finalização, a capacidade de ligar o campo à largura e de multiplicar linhas na profundidade, a preocupação permanente em não passar por passar, mas em passar para progredir, para chegar, até que seja fácil finalizar. É um tiki-taka a sério, dos que encantam e valem golos. É bom que haja quem resgate essa ideia, a que mais sucesso garantiu no século em curso, agora que o seu criador, Pep Guardiola, parece crente de outra confissão ou pelo menos agnóstico do belo jogo.
Ver o City entrar em Madrid com Doku, Semenyo e Haaland ao mesmo tempo (mais Savinho, embora este seja diferente), deixando no banco Cherki e Foden, não é apenas entrar nas razões de uma derrota copiosa (frente a um adversário que está longe de empolgar), é sobretudo a desilusão de ver Guardiola render-se, invertendo o que o seu jogo tinha de melhor. Ao render-se ao físico e à aceleração - quando contratou um avançado com o perfil de Haaland, quando quis fazer de Stones médio, quando inventou quatro centrais na linha defensiva - colocou em declínio o projeto mais ganhador (de seis títulos de campeão em sete anos) a que a Premier League já tinha assistido.
Mais uma vez, os sinais estavam lá. O génio de Pep ainda pode ajudar a reverter a eliminatória com o Real, mas já difícil crer que terminará em consagração o incrível trajeto que deixará em Manchester. E os sinais disso já se acumulavam há uns anos.
Em Portugal, perante o impacto imediato de Francesco Farioli no FC Porto, não faltou quem lembrasse o terrível final que viveu na época passada nos Países Baixos. O fantasma do Ajax ainda não se esfumou de vez, mas o título está cada vez mais perto do Dragão. Além da competência do treinador e da coerência com que o plantel foi construído, houve uma decisão mais recente, já de 2026, que marcará o provável (para já só isso, provável) sucesso portista: o reforço do plantel na abertura de mercado.
Quantos clubes, com a época a correr tão bem, não teriam evitado mexer no plantel em nome da estabilidade, da coesão do grupo ou de mais oportunidades para os jogadores da formação? Arrisco que poucos acrescentariam quatro jogadores com ambição de titularidade. Ao juntar ao grupo Thiago Silva, Fofana, Pietuszewski e Moffi não só reforçou a ambição (também europeia) e a competição interna, como acrescentou soluções que faltavam e antecipou a resposta a problemas como a lesão de Samu.
Há uma velha lição da gestão que os portistas levaram à risca e que, se o sucesso se confirmar, também o explicará em boa parte: quando é que é necessário mudar? Antes que seja necessário."

Trasnforma: Passa a Bola #217 - “ARBITRAGEM A ROU(VAR), MAS OS DEUSES A CONTRARIAR“

Pre-Bet Show #175 - 3 SURPRESAS NA CONVOCATÓRIA DE PORTUGAL

SportTV: Titulares - Será que o Sporting CP consegue dar a volta à eliminatória?

No Princípio Era a Bola - Os profetas da queda física do FC Porto estão a falhar e Ivanović não é um 9, mas dá muito jeito ...

Basticast #102 - Mozer

A Vénia #14 - Mourinho, l’homme de la situation ?

Jogo Pelo Jogo - S03E32 - João Palhinha...

Futebol à Parte #34 - REMONTADA LEONINA NA CHAMPIONS?

Segundo Poste - S05E33 - "Rui Borges não é treinador para os três grandes"

Rabona: The REASON why Bayern desperately NEEDED Luis Diaz

BolaTV: Afunda - S06E34 - Cenários de expansão e o caminho dos Lakers

SportTV: NBA - S04E23 - Não há recordes inquebráveis 😤

Impacto fisiológico das interrupções VAR: uma perspetiva médica emergente


"A introdução do Vídeo Assistant Referee (VAR) constituiu uma evolução relevante na precisão das decisões arbitrais e na proteção disciplinar dos atletas. Contudo, a análise do impacto destas interrupções no contexto fisiológico do jogo permanece escassa, apesar de existirem fundamentos teóricos que justificam a reflexão científica.
O futebol é caracterizado por um padrão intermitente de esforços de elevada intensidade, exigindo repetidas ações de sprint, aceleração e desaceleração, frequentemente, próximas dos limites funcionais do sistema músculo-tendinoso. A eficiência destas respostas depende da manutenção de um estado contínuo de ativação neuromuscular, no qual a temperatura muscular, o recrutamento motor e as propriedades mecânicas tendinosas desempenham um papel determinante.
A evidência fisiológica demonstra que reduções modestas da temperatura intramuscular podem comprometer a capacidade de produção de força e potência, além de alterar a rigidez musculotendinosa e a eficiência do ciclo alongamento-encurtamento. Paralelamente, períodos de inatividade são associados a diminuição transitória da excitabilidade neural e da coordenação intermuscular, fatores reconhecidos na modulação do desempenho explosivo e, potencialmente, na suscetibilidade a lesões.
As revisões VAR introduzem pausas competitivas que podem prolongar-se por vários minutos, frequentemente, após sequências de elevada exigência metabólica e emocional. Durante estas interrupções, verifica-se uma redução progressiva dos parâmetros fisiológicos de ativação, criando uma transição abrupta entre estados de esforço máximo e reinício competitivo, frequentemente, sem oportunidade formal para reativação muscular estruturada.
Estudos sobre estratégias de aquecimento e reaquecimento em modalidades intermitentes demonstram que breves períodos de atividade neuromuscular, durante interrupções competitivas, podem atenuar perdas funcionais transitórias. No futebol, contudo, a aplicação sistemática destas estratégias é condicionada pelo enquadramento regulamentar e pela imprevisibilidade temporal das decisões VAR.
Contudo, importa salientar que a literatura epidemiológica atual não estabelece uma relação causal entre a implementação do VAR e a incidência de lesões. Ainda assim, a plausibilidade biomecânica e fisiológica sugere que este fenómeno merece investigação prospetiva, particularmente, num contexto em que a densidade competitiva e as exigências físicas do jogo continuam a aumentar.
A evolução do futebol tem sido marcada pela integração de inovação tecnológica orientada para a justiça desportiva. A incorporação de conhecimento fisiológico na análise destas alterações regulamentares poderá representar um passo adicional na promoção da segurança e sustentabilidade do rendimento atlético."

Compromisso


"1. Longe de mim a ideia de atribuir responsabilidades pelo resultado frustrante do último clássico aos indivíduos presentes nas bancadas que, nos instantes iniciais do desafio, atiraram com “fumos” para o relvado, interrompendo o jogo durante largos minutos. Lamentavelmente, não é a primeira vez que acontece, nem será, certamente, a última vez que aconteça dado o aparente à-vontade com que se repetem estes atos.

2. Houve, no entanto, quem acusasse os lançadores de fumo, provocadores diretos da interrupção do jogo, de responsabilidades no desenlace da partida. “Estávamos a pressioná-los e logo veio a fumarada para interromper o jogo…” Quem não ouviu coisa assim ou semelhante nas horas e nos dias que se seguiram ao desfecho do clássico? A desilusão poderá levar a raciocínios ínvios, mas convém não perder a lucidez.

3. O Benfica falhou a vitória e os 3 pontos – o único resultado pretendido no jogo com o FC Porto – porque não soube ser, de forma consistente, melhor do que o seu adversário. Podemos, é verdade, discutir eternamente se o lance que envolveu Pavlidis na área adversária e que terminou com o nosso grego estatelado na relva seria ou não merecedor de grande penalidade.

4. A discussão é válida, como são todas as discussões à volta de um jogo de futebol, mas, neste caso específico, um lance duvidoso no fim de um jogo importante para a decisão do título, é pueril pensar-se que alguma vez o árbitro ou o VAR se decidiriam pela sanção máxima a favor do Benfica. Como é que chegámos aqui? Esta é, sem dúvida, a questão.

5. O nosso norueguês Andreas Schjelderup foi eleito o Homem do Jogo do Benfica-FC Porto. Já tinha sido eleito o Homem do Jogo no Gil Vicente-Benfica, o desafio que antecedeu o clássico. E, no desafio anterior, o Benfica-AFS, também Andreas Schjelderup tinha sido eleito o Homem do Jogo. Em resumo, nos 3 últimos jogos a contar para o Campeonato, o jovem norueguês foi sempre eleito o melhor jogador em campo. São estas as boas notícias da nossa equipa de futebol.

6. É difícil não concordar com o treinador do Benfica. “Considero difícil a recuperação de 7 pontos”, disse José Mourinho, no domingo à noite, no rescaldo do clássico. Façamos votos para que essa dificuldade não consinta na instalação de um espírito de “cumprir calendário”.

7. O próximo compromisso do Benfica é já no sábado, em Arouca. Escolhi a palavra “compromisso” no lugar da palavra “jogo” ou “desafio”, porque, no Benfica, é de compromisso que se trata. Um compromisso com o nome e com a reputação."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Uma Águia na pele de Lobo


"DIOGO GAMA FOI O ÚNICO RAGUEBISTA DO BENFICA A INTEGRAR A SELEÇÃO NACIONAL NO MUNDIAL DE 2007, EM FRANÇA

O râguebi português teve a sua primeira presença num Campeonato Mundial em 2007. Essa exposição dos jogadores, até então mais recatada, a uma assistência de milhares, transformou o olhar português perante a modalidade. Entre os 30 convocados pelo selecionador Tomás Morais estava Diogo Gama, atleta do Benfica, que fora campeão nacional em 2000/01.
Sorteado no Grupo C, Portugal jogou contra 4 seleções entre 9 e 25 de setembro, encontrando o haka da Nova Zelândia à 2.ª jornada. Estanciados em Saint- -Étienne, tiveram o primeiro jogo em Lyon, com a Escócia (D 10-56). A solenidade da estreia espelhou-se no silêncio que os jogadores, geralmente expansivos, assumiram durante toda a viagem.
O segundo jogo era o mais aguardado. O capitão Vasco Uva assumiu ser positivo se Portugal perdesse “por menos de 100”. Foi no final desse jogo contra a Nova Zelândia (D 13-108) que Diogo Gama se manifestou pela primeira vez. Após os 80 minutos, revelou-se o espírito fraterno do râguebi em dois momentos: o convívio das duas seleções no balneário português, onde ficaram “bebendo umas cervejas”, e uma partida de futebol, com 7 lusos contra 8 kiwis. “Com a bola redonda a conversa foi outra”, e Portugal venceu por 3-1, com um golo de Diogo Gama.
Mas a estreia do centro de 26 anos em campo aconteceu frente à Itália (D 5-31), na 3.ª jornada, no Parque dos Príncipes, em 19 de setembro de 2007, como suplente. Entre a assistência encontrava-se Pedro Pauleta, avançado português que alinhava pelo PSG.
Na deslocação a Paris, Diogo Gama foi homenageado pela Casa Benfica local. Em tom de desabafo, considerou que ao Benfica seria proveitoso ter umas segundas linhas neozelandesas, e que haveria de falar com João Queimado, presidente da secção, para se refletir sobre o assunto.
O último jogo, frente à Roménia (D 10-14), foi uma despedida com direito a algumas tropelias. Sem possibilidade de seguir para playoffs, a seleção embarcou numa viagem de 600 quilómetros de comboio até Toulouse. Na véspera, a World Rugby (então IRB) trocou alguns nomes dos convocados lusos, confusão gerada pelo facto de a lista ser ditada por telefone, uma vez que a internet do hotel, em Chambon-surLigne, não estava a funcionar.
Para Diogo Gama ficou ainda a amizade travada com os dois seguranças de elite que acompanharam os portugueses em toda a jornada, numa onda contínua do espírito de “carinho e pragmatismo” entre os Lobos, que seriam homenageados no Estádio da Luz no intervalo do dérbi frente ao Sporting, no dia 29 de setembro.
O benfiquista participou num momento histórico do râguebi português, que ditou mudanças profundas na orgânica da modalidade no país. Conheça mais sobre a história do râguebi do Benfica no panorama internacional na área 2 – Joias do Ecletismo, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

A falta que faz um dicionário


"Furto, desfalque, desvio, subtração, surripianço, golpe, rombo, ladroagem, ladroíce, pilhagem, pirataria, espoliação, usurpação, rapina, rapinagem, rapinação, saqueio, abafo, afano, abafação, despojo, despojamento, gamanço, gatunice, palmanço, empalmação, escamoteio, escamoteação, esbulho, chulice, exploração, apropriação indevida, assalto e gatunagem. Dicionários da língua portuguesa, ferramentas linguísticas da internet e Inteligência Artificial são as fontes de todos os sinónimos de roubo acima elencados. Foi aquilo que pesquisei no Google às primeiras horas da manhã da passada segunda-feira. Mal refeito do que aconteceu pouco tempo antes do apito final do Clássico, foi isso que me veio à cabeça: roubo em todas as suas formas, derivações, sentidos latos, estritos e figurados. Nada de novo.
À incapacidade de finalização e erros defensivos da equipa do Sport Lisboa e Benfica somou- -se a tradicional proteção aos prevaricadores do costume. Se as duas primeiras são responsabilidade inteiramente nossa, a última não está nas nossas mãos, por mais tomadas de posição que se possam ter.
É inconcebível que uma ferramenta que surgiu para melhorar o futebol (e continuo a defendê-la) não seja utilizada para esclarecer dúvidas. É que nem se vai ver as imagens. Não se questionam sequer os contactos físicos entre jogadores num momento decisivo da partida e do Campeonato.
Na jogada corrida, e digo-o de forma totalmente honesta, não me pareceu falta para grande penalidade. Na primeira repetição em plano mais apertado, não tive dúvidas: o guarda-redes mete o pé no avançado, impedindo-o de chegar à bola. Durante dois segundos, na minha cabeça, acreditei que o VAR iria chamar a atenção do árbitro e pedir-lhe para ver as imagens. Ao terceiro segundo, lembrei-me do que têm sido os últimos anos em Portugal e aquilo que foram as décadas de 1980 e 1990. Roubo, uma palavra com mais de 30 sinónimos e um número ainda maior de culpados."

Ricardo Santos, in O Benfica

A luta continua


"O resultado do clássico não foi aquele de que o Benfica precisava para se reposicionar na luta pelo título. Era necessário ganhar, não fomos além do empate.
Infelizmente, pagámos um preço demasiado elevado pelas debilidades físicas de Fredrik Aursnes (ausente do jogo) e Leandro Barreiro (ainda entrou a tempo de selar o 2-2), que vinham constituindo a mais sólida e eficaz dupla de meio-campo benfiquista nesta temporada.
Não aproveitámos a oportunidade para reduzir distâncias para a liderança, na única jornada em que dependíamos só de nós para o fazer. A matemática permite sonhar, mas a realidade diz-nos que o primeiro lugar é agora uma miragem.
Porém, o Campeonato não acabou. Há outros objectivos para alcançar. A possibilidade de disputar a próxima edição da Champions League, essa sim, ainda depende apenas de nós, e não a podemos desperdiçar. Chegar lá é extremamente importante, quer do ponto de vista desportivo, quer, sobretudo, do ponto de vista financeiro – do qual dependerá também a capacidade de investimento face à próxima temporada. Faltam 9 jogos, há que os ganhar. Apesar do 3.º lugar que o Benfica ocupa na tabela classificativa, a verdade é que ainda não perdeu qualquer partida no Campeonato. Há mais de um ano que não perde na prova, totalizando 40 jogos consecutivos sem sofrer derrotas – naquela que é já a 5.ª maior série de imbatibilidade da história do futebol português. Valha isso o que valer, seria interessante manter este registo até ao fim. A acontecer, seria a 3.ª vez na história do Clube, depois de 1973, com Jimmy Hagan, e de 1978, com John Mortimore.
Amanhã é imperioso vencer em Arouca. E depois continuar a vencer. No fim, se farão as contas a uma época bastante atípica e condicionada por vários factores – que haverá tempo para analisar."

Luís Fialho, in O Benfica

Ação climática


"O Benfica tem uma estratégia de sustentabilidade, e a Fundação alinha naturalmente com essa estratégia no que respeita ao desenvolvimento social e humano, envolvimento das comunidades e educação ambiental. Mas porquê tudo isto num clube de futebol? É importante compreender, nos dias de hoje, que a transformação climática e os seus impactos têm de ser combatidos por todos, e não basta, infelizmente, trabalhar apenas a prevenção, é preciso passar à ação concreta, seja na minimização de riscos e danos, seja na reposição de ativos ambientais tão importantes para o suporte da vida humana.
O Benfica, pioneiro de sempre, entendeu isso de forma exemplar e criou uma estratégia de sustentabilidade que assenta metaforicamente em “ganhar em todos os campos”. Essa estratégia, que não podia deixar de se chamar Redy, é um compromisso total e global do universo Benfica para com os três pilares da sustentabilidade. Ou seja, para com as questões ambientais, sociais e de governance, que constituem, no seu conjunto, um triângulo virtuoso do qual queremos que resultem impactos positivos em todas estas dimensões, alinhadas com os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas.
Às vezes olhamos para estas medidas de política, e parecem- -nos tão distantes e abstratas, que desvalorizamos. Mas, no caso da sustentabilidade, as notícias diárias e os nossos próprios olhos veem acontecer, a toda a hora e em toda a parte, o que há alguns anos era para todos inconcebível. A mudança climática não é uma miragem, está a acontecer, e não é uma coisa longínqua, é mesmo aqui na nossa casa, em cima da nossa cabeça. Por isso, é preciso meter mãos à obra, todos e em toda a parte.
E por isso também o Benfica dá o exemplo, fazendo e motivando os outros a fazer. É daí que vem esta ideia e este projeto de reflorestar as zonas ardidas, que está no terreno desde 2018 e que agora se amplia com a força redobrada do Clube e da SAD."

Jorge Miranda, in O Benfica

terça-feira, 17 de março de 2026

Agressão?! Faltou a acção disciplinar... para a puta com o apito!

Entretanto na B: nem sequer foi assinalado falta !!!

Diferenças!!!

Verdadeiro Touro Azul que odeia o Vermelho !!!

A Lagartada do CD anda de peito feito !!!

Patada no adversário sem bola... tudo legal !!!

34.º

Rui Costa tem a palavra


"Estamos a nove jornadas do fim da temporada-zero de José Mourinho no Benfica. A bola está nos pés de Rui Costa, que terá de optar entre um projeto de longo prazo e a vertigem da fuga para a frente. Nos tempos do ‘maestro’, era certo e sabido que o passe seria certeiro. E agora?

É sempre imprudente, quando falamos de futebol, avançar previsões demasiado estreitas, porque não faltam exemplos de improbabilidades que desmentiram as ‘odds’. No entanto, creio que não estarei a ir longe demais se disser que o Benfica tem entre cinco e dez por cento de possibilidades de ser campeão nacional, e entre vinte e cinco e trinta de terminar em segundo. Para chegar a estes números não possuo quaisquer bases científicas de suporte, apenas um ‘feeling’, pessoal e logo subjetivo, que radica no calendário de cada um dos três primeiros e nas sensações que têm deixado.
Será, pois, avisado, que os encarnados (seguindo o lema «espera o melhor e prepara-te para o pior») comecem a trabalhar na temporada de 2026/27, partindo do princípio de que vão jogar a Liga Europa, ou seja, conhecendo as balizas que irão definir o investimento, e sabendo que podem planificar a preparação sem condicionalismos de pré-eliminatórias e ‘play-offs’. Se estes passarem a estar na equação, será, na ótica encarnada, por uma boa causa…
E há Mourinho, um dos melhores treinadores do mundo, que já afirmou a sua disponibilidade para dar corpo a um projeto no Benfica que vá para além da espuma dos tempos.
Será justo que se considere 2025/26 a época-zero de José Mourinho no Benfica, porque já apanhou o comboio em movimento e, essencialmente, porque teve de se adaptar a um plantel que não escolheu. Se, para 2026/27, não lhe faltarem com a estabilidade, e lhe derem os meios (mais na lógica de se enquadrarem no modelo de jogo que pretende, do que olhando para a questão dos custos…), o Benfica não só ficará mais perto do sucesso, como lançará bases para a continuidade que tem faltado.
O percurso do Benfica, nesta fase, não pode considerar-se entusiasmante, embora, ao longo da época, tenham surgido alguns vislumbres do que é possível vir a acontecer, assim os dirigentes mantenham a cabeça fria e acreditem na forma de lá chegar: os jogos, na Luz (onde o Benfica poderá ter hipotecado a Liga ao empatar com Santa Clara, Rio Ave e Casa Pia – juntando-se a estes ‘desastres’ o empate em Tondela) com o Nápoles e, sobretudo, com o Real Madrid, foram francamente bons e podem ser considerados pontos de partida interessantes.
Se Rui Costa tiver lucidez analítica e convicções fortes, tem condições, talvez as melhores de que já dispôs, para dar corpo a um Benfica estruturado, consistente e coerente, capaz de marcar época no futebol nacional.

PORTUGAL NA UEFA
Escrevi, no início da época que, em função dos pontos que Portugal ia perder face à Bélgica no ranking da UEFA (e isso era matéria confirmada), havia a forte possibilidade de vermos a nossa posição enfraquecida no final da temporada. Quando nos vimos sem representantes na fase de grupos na Liga Conferência, o cenário agudizou-se, e só não se tornou verdadeiramente dramático porque aos belgas, com a eliminação do Anderlecht às mãos do AEK, aconteceu o mesmo.
Vieram os jogos e as contribuições de Sporting, FC Porto, SC Braga e Benfica não só revitalizaram as nossas hipóteses, como potenciaram a ambição de recuperar uma posição, relativamente aos Países Baixos (que implodiram!) no ranking da UEFA. Agora, façam o que fizerem leões, dragões e guerreiros, Portugal já garantiu mais um representante na Champions de 2027/28, uma extraordinária notícia para o nosso futebol.
O alerta que fiz no começo da temporada veio a manifestar-se manifestamente exagerado. Enganei-me, e ainda bem que assim foi. Não quer isto dizer que os problemas estruturais do nosso futebol profissional tenham desaparecido, apenas foram, durante algum tempo, varridos para baixo do tapete. Enquanto não se arranjar solução para a revitalização da ‘classe média’, e não houver uma maior aproximação entre orçamentos, andaremos sempre com o coração nas mãos. Não vejo que a primeira situação possa ser resolvida sem uma requalificação dos quadros competitivos; nem que a segunda não dependa da venda centralizada dos direitos televisivos. Não acredito que os clubes queiram a primeira, nem que a centralização venha a verificar-se em termos que mudem seja o que for. Por isso, a luta continuará, numa lógica de três grandes e um outro a crescer, enquanto os restantes emblemas, propriedade de grupos económicos, na maioria mais interessados nas contas do que na coerência do projeto desportivo, vão tentando, mais do que viver, sobreviver.
Há demasiados clubes desenraizados, pelo afastamento dos adeptos provocado pelo mercantilismo, e outros que sobrevivem apenas como barrigas de aluguer. Nesta hora de júbilo pelo facto de passarmos a estar mais bem representados na Champions, talvez não seja pior aproveitar o astral positivo para abordar, com seriedade, todas estas questões, e procurar soluções que vão para lá do umbigo de cada clube.

MUNDIAL 2026
Terei sido a primeira voz a alertar para os efeitos da guerra no Médio Oriente sobre o Mundial de 2026. Ao dia de hoje, a dúvida não reside apenas em saber quem tomará o lugar do Irão. É pertinente questionar se (mesmo com a Gronelândia no congelador, passe a redundância) não haverá outros países dispostos a não estar na América do Norte (e se a Espanha, um dos mais fortes candidatos ao título, disser ‘não’?). E mais: o recente caso da recusa, por parte das autoridades norte-americanas, de vistos a dez jogadores do Mount Pleasant, da Jamaica, que iam disputar um jogo da CONCACAF com o LA Galaxy, não pode ser já um sinal do que está para acontecer, com jogadores, dirigentes, jornalistas e adeptos?

FREDERICO VARANDAS
Sem surpresa, o presidente do Sporting foi reeleito por esmagadora maioria. A estabilidade regressou a Alvalade (muito devido à forma como a questão das claques foi resolvida – honra a Varandas - e ainda à revolução de veludo levada a cabo por Ruben Amorim e Hugo Viana, a que acresceu uma gestão financeira rigorosa – honra a Francisco Zenha -, o rendimento desportivo permitiu, não só no futebol, que os leões voltassem a ser liderantes, e tudo isto teve como consequência não só o aumento da ocupação do estádio de Alvalade como também a mudança das cores das contas do clube, que passaram do vermelho ao verde. Quando pegou no Sporting, ainda iam altas as labaredas do incêndio provocado por Bruno de Carvalho, Varandas demonstrou coragem; à coragem seguiu-se um processo de aprendizagem durante os anos de Marcel Keizer; a cereja no topo do bolo foi o ‘all in’ que representou a contratação de Ruben Amorim ao SC Braga. «E se correr bem?», perguntou então o treinador? Correu mesmo muito bem! E o Sporting, no pós-Amorim, soube preservar as bases do trabalho e manter-se a um nível muito alto (a derrota na Noruega, um epifenómeno, em nada desmente a realidade abrangente atrás descrita).
Faltará, ainda, a Varandas, e talvez isso seja conseguido no mandato que agora inicia, um contributo maior para a normalização das relações entre os principais clubes. Trata-se de um elemento essencial para o desenvolvimento da indústria do futebol que não tem, forçosamente, de colidir com os interesses do Sporting."

Na frente do Benfica a verdade anda ali pelo meio


"O rendimento recente de Ivanovic tem um reverso chamado Anísio, mas compensa o mau momento de Pavlidis e alimenta a discussão relativamente às opções de Mourinho no ataque do Benfica

Com a ajuda de um banco de luxo, pelo menos no que diz respeito ao investimento que implicou, o Benfica lá conseguiu mais um milagre resultadista, agora em Arouca. Uma reviravolta frente à equipa de Vasco Seabra, sustentada numa exibição novamente satisfatória no plano da entrega e da garra — nada a apontar nesse sentido —, mas sofrível, uma vez mais, do ponto de vista da solidez e da clarividência, tanto a nível técnico como tático.
As águias não tiveram José Mourinho no banco, mas ao minuto 73 fizeram de lá saltar quatro jogadores que custaram quase 70 milhões de euros, incluindo Prestianni e Ivanovic, protagonistas do golo da vitória, apontado ao minuto 90+6. O avançado croata, que não marcava para a Liga desde o jogo da primeira volta com o Arouca, confirmou as boas indicações que já tinha deixado frente ao FC Porto, quando assistiu o golo do empate de Leandro Barreiro.
Uma boa notícia para Mourinho, perante a seca de Pavlidis, que já leva mais de 600 minutos sem marcar, e também considerando as exibições de Rafa Silva, que pode ter ainda margem para justificar o regresso à Luz, tendo em conta o tempo que esteve sem jogar, mas que, até por isso, não tem justificado aposta tão insistente do treinador, sobretudo a avaliar pelo rendimento crescente que Sudakov apresentava até ao acerto de contas entre Benfica e Besiktas.
O reaparecimento de Ivanovic tem um avesso, pelo menos se pensarmos em Anísio, salvador despromovido a terceira opção, mas reabre-se a discussão em torno da titularidade na frente de ataque do Benfica.
Talvez não esteja esgotado o crédito de Pavlidis (já a condição física...), mas Ivanovic, embora tenha apenas 22 anos, também merece que se olhe para o passado com consideração. Não tanto na perspetiva do valor que custou ao Benfica, porventura algo inflacionado, mas sobretudo para aquilo que fez na Bélgica, com a camisola do St. Gilloise.
De águia ao peito não será tão fácil vislumbrar espaço para atacar a profundidade, como tanto gosta, mas também não é a jogar a partir de uma ala, como tantas vezes se viu, que o perfil sai favorecido. Ivanovic é um 9, e não teve esse papel assim tantas vezes ao serviço do Benfica. Não sei se será jogador para justificar 22,8 milhões de euros, mas também não acredito que seja assim tão mau quanto já o fizeram querer parecer. A verdade, como tantas vezes, andará algures pelo meio."

A cama de Amorim, a cama de Martínez e a cama de Mourinho


"Após o Mundial, sairá um espanhol para entrar um português, que deixará o lugar onde está a um outro português? Parece bem possível. Resta saber se o 'outro português' está livre ou se anda por Barcelos...

Há uma frase inúmeras vezes proferida, sobretudo por pessoas ligadas ao futebol, sempre que há êxito numa troca de treinadores: os jogadores queriam fazer a cama ao treinador. Talvez seja verdade, mas, na minha infinita ingenuidade, não acredito que um jogador corra x com um determinado treinador quando podia correr x mais qualquer coisa. Ou que remate desenquadrado com a baliza quando podia tê-lo feito de forma enquadrada. De qualquer modo, há coisas estranhas, sim.
Olhemos para o Manchester United. Continua sem arrancar as cinco vitórias que permitam ao pobre do cabeludo rapar a trunfa. Porém, em dois meses e quase meio sem Ruben Amorim, os cordeirinhos viraram lobos: 23 pontos entre as jornadas 21 e 30. Quem fez melhor? Ninguém. O mais próximo é o Arsenal, com 21 pontos. Não há dúvida de que a ‘chicotada psicológica’ está a dar resultado. Pela entrada de Carrick, pela saída de Amorim ou pelos dois fatores?
Após 14 meses em que Ruben Amorim foi implacável na imposição dos três centrais e de alas agressivos, Carrick estancou a hemorragia de maus resultados através, basicamente, da implementação do 4x2x3x1 bem mais fácil, pelos vistos, de assimilar pelos jogadores. Amorim recebeu Heaven (2 milhões de euros) e Dorgu (29) no mercado de janeiro de 2025 e Matheus Cunha (71), Sesko (77, Lammens (21) e Mbeumo (75) no verão de 2025. Total: 275 milhões de euros. Não resultou. O melhor foi a final da Liga Europa perdida para o Tottenham. E, entretanto, ‘despachou’ Garnacho (Chelsea), Rashford (Barcelona), Antony (Bétis) e Hojlund (Nápoles).
A ‘chicotada psicológica’, entre os jogadores, centrou-se no jovem Kobbie Mainoo. Com Amorim nunca foi titular na Premier League e com Carrick (e 1 jogo com Fletcher) passou de apenas 332 minutos até início de janeiro para 874 minutos em 11 jogos. Também Dorgu e Maguire (!) passaram a jogar mais. Ou antes, o dinamarquês passou a jogar menos ‘amarrado’ ao flanco esquerdo e o inglês, ultrapassados os problemas numa coxa, regressou para ser titularíssimo.
Não se sabe, obviamente, o que as oito jornadas finais da Premier League reservam ao United. Terá ainda de defrontar três equipas do top-8 (Chelsea, Brentford e Liverpool), mas, para já, tem confortáveis seis pontos de avanço sobre o 5.º classificado. O que significa que está perto de regressar, em 2026/27, à tão desejada Champions.
A nós, portugueses, talvez interesse mais como chegarão Diogo Dalot e Bruno Fernandes a maio. Mas também ver por onde passará o regresso de Ruben Amorim aos bancos. Talvez o futuro em Portugal venha a ser, após o Mundial, uma espécie de dominó de treinadores: sai um espanhol para entrar um português que cederá o lugar a outro português. Será? Resta saber se o 'outro português' está livre ou se anda por Barcelos..."

BF: Mercado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cinco desafios para o novo mandato de Frederico Varandas

Observador: E o Campeão é... - Noite de Óscares? FC Porto vestiu o fato de "campeão"

Observador: Três Toques - O ex jogador já não tem direito de voto

SportTV: Primeira Mão - Estava tudo pronto, mas... 🫢

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #103

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - Os Óscares vão à Bola

Zero: Ataque Rápido - S07E33 - Com ou sem Mourinho, o futuro do Benfica

SportTV: Peixinho 🐠

Oliveira: Arouca...

5 Minutos: Live - Voleibol & Futsal...

Falsos Lentos - S06E28 - Ana Guiomar humilha Manuel Cardoso

O Resto é Bola #43 - A tática do Zorlak para o Sporting-Bodo, o ‘Pietushow’ e o herói Ivanovic em Arouca ⚽️

DAZN: The Premir Pub - Bruno e Bernardo na história da Premier League

DAZN: The Premier League - R30 - Golos

DAZN: La Liga - R28 - Golos

DAZN: Bundesliga - R26 - Golos

Central: Nuno Gomes...

Fura Redes: Bento...

Disparidade escaldante


"Quando o recente Benfica-Real Madrid se transformou num jogo de adivinha sobre o que Gianlucca Prestianni tinha dito a Vinícius Júnior, o insulto ‘maricón’ foi apresentado como menos grave do que ‘mono’. Não deveria ser, claro, mesmo que o insulto ‘macaco’ seja evidentemente um substituto para ‘inferior’.
A quantidade de atletas assumidamente homossexuais é muito baixa, mas se alargarmos o especto a toda a comunidade LGBT, as mulheres estão à frente. Assumem-se, mostram-se, casam-se. Veja-se os casos de Marta ou Megan Rapinoe no futebol. No hóquei no gelo, na poderosa NHL, há um caso assumido de um jogador gay, mas quando se olha para o lado feminino, temos Hillary Knight, capitã da seleção americana que se sagrou campeã olímpica nos Jogos de Milão, a pedir a publicamente a namorada, também atleta na equipa de patinagem, em casamento, na véspera do jogo decisivo. Muitas mais vivem livremente a vida pessoal e são exemplo de dedicação profissional.
Nos últimos meses, a série Heated Rivalry (Rivalidade Escaldante) levantou a questão: o que está implicado quando um atleta masculino, num desporto associado à virilidade - ainda que festejos e rituais de balneário impliquem proximidade -, se sente obrigado a esconder a sua sexualidade? Neste mundo imaginado aborda-se a tensão entre a pressão de gerir uma carreira de sucesso e manter uma relação secreta. Foi tal a influência, que os protagonistas saltaram do ecrã e foram convidados a transportar a tocha olímpica em Milão, mas o peso de uma cultura desportiva onde ser gay é um insulto ainda está longe de ser resolvido.
Há muita gente à espera de se sentir vista, ainda um longo caminho a percorrer."

A liderança que nasce na superação


"Num desporto onde o jogo se decide muitas vezes em segundos, e onde um detalhe pode separar a vitória da derrota, a liderança raramente se mede apenas pelas palavras. Mede-se pela forma como se reage às adversidades, pelo exemplo, pela capacidade de assumir responsabilidades e pela coragem de continuar quando tudo parece apontar na direção contrária

A história recente de Pedro Mano, guarda-redes da Seleção Nacional de futebol de praia, é um exemplo claro disso mesmo. Em 2024, na gala dos Beach Soccer Stars, o internacional português foi eleito Melhor Guarda-Redes do Mundo, distinção atribuída após votação dos capitães e treinadores das seleções nacionais da modalidade. Um reconhecimento que surge no mesmo ano em que Portugal voltou a afirmar-se entre as grandes potências da modalidade, conquistando o Campeonato da Europa.
Mas, para compreender verdadeiramente o significado desta distinção, é preciso olhar para além da gala, dos prémios e das estatísticas. Confessou-me o Pedro Mano − Ser eleito o melhor do mundo significou muito para mim. Significou que todo o trabalho feito valeu a pena e que tudo aquilo que fui construindo ao longo do tempo foi bem feito e com bases fortes.
Para o guarda-redes, o prémio não é apenas um reconhecimento individual, mas também coletivo:
− Significa que tenho à minha volta pessoas que me ajudam, que me puxam para cima e que fazem parte deste caminho.
A liderança que hoje Pedro Mano representa na Seleção Nacional não surgiu por acaso. Nem foi construída apenas nos momentos de vitória. Em 2023, o guarda-redes viveu aquele que descreve como o período mais difícil da sua carreira. O rendimento não correspondia às suas próprias expectativas e a frustração acumulava-se. Chegou mesmo a ponderar abandonar a modalidade.
− O momento mais duro da minha carreira foi quando decidi parar. Sentia que o meu futebol não estava a fluir e que estava longe daquilo que eu próprio esperava de mim −, recordou.
Mas desistir acabou por não ser o caminho. A fé, a persistência e a confiança num propósito maior fizeram-no continuar. Revelou-me:
− Houve uma pessoa que me disse que Deus tinha algo grandioso preparado para mim e que, nos dois anos seguintes, eu seria considerado o melhor guarda-redes do mundo. Confiei, continuei a trabalhar e essa promessa acabou por se cumprir.
Mais do que um episódio pessoal, esta história explica muito do exemplo que hoje exerce dentro do grupo. Porque quem já esteve perto de desistir e conseguiu voltar mais forte passa a liderar pelo exemplo.
No futebol de praia moderno, o guarda-redes deixou de ser apenas um último reduto defensivo. É muitas vezes o primeiro organizador ofensivo, um jogador com capacidade para construir, assistir e até marcar golos. Pedro Mano é um dos melhores exemplos dessa evolução. Explicou-me:
− No futebol de praia moderno, o guarda-redes tem uma grande influência no jogo. Vivemos muitas vezes no limite, porque qualquer erro pode resultar em golo. Mas eu sempre gostei de viver nesse limite. É isso que nos torna diferentes e que nos permite fazer a diferença no jogo.
Essa influência também obrigou o guarda-redes português a reinventar-se. Durante muito tempo, o seu pé direito tornou-se uma arma temida pelos adversários, quer nos remates de longa distância, quer na construção ofensiva. Com o tempo, as equipas começaram a tentar neutralizar essa vantagem. A resposta de Pedro Mano foi simples: trabalhar ainda mais. Começou a desenvolver o pé esquerdo com a mesma intensidade e dedicação. Hoje, o resultado é um guarda-redes imprevisível, capaz de decidir um jogo com qualquer dos pés. Já não é apenas o remate forte de pé direito que preocupa os adversários. Agora tanto pode sair um remate, um passe de rutura ou uma assistência com qualquer dos pés. E essa imprevisibilidade tornou-o ainda mais completo. Mas há um detalhe ainda mais interessante nesta evolução: Pedro Mano não quis apenas responder às equipas adversárias, quis antecipar o jogo. Treinar o pé esquerdo foi também uma forma de tornar o seu jogo menos previsível e de aumentar as soluções ofensivas da seleção portuguesa.
Hoje, quando recebe a bola, as equipas adversárias sabem que podem surgir várias decisões diferentes: remate direto, passe vertical, assistência para finalização ou até condução para criar superioridade numérica. Essa versatilidade é uma das razões pelas quais se tornou uma peça tão influente no modelo de jogo da seleção.
Dentro da Seleção Nacional, os colegas sabem bem o impacto que a qualidade técnica do seu guarda-redes tem no jogo da equipa. Léo Martins, destaca sobretudo aquilo que Pedro acrescenta ao grupo fora do olhar do público. Contou-me:
− Aquilo que o Pedro Mano traz para o balneário é confiança. Confiança no grupo, no jogo e na ideia de que tudo pode dar certo. Mesmo quando estamos em desvantagem ele pede a bola e diz: ‘Podem jogar em mim.’
Essa disponibilidade para assumir responsabilidades é, para o jogador português, uma das marcas da liderança do guarda-redes:
− Uma grande equipa começa sempre com um grande guarda-redes. Muitas das conquistas que alcançámos começaram exatamente aí.
Também André Lourenço, companheiro de seleção, reforça essa ideia:
− Ter o Pedro atrás de nós coloca-nos muito mais perto da vitória. A tranquilidade que transmite permite-nos jogar com mais confiança e arriscar mais.
Num jogo onde qualquer remate pode transformar-se em golo, essa segurança faz toda a diferença. Confessou-me o Léo:
− Sabemos que entre os postes está alguém que nos garante estabilidade. Isso permite-nos jogar mais libertos.
Já Bê Martins, eleito por duas ocasiões o Melhor Jogador do Mundo, destaca outra dimensão da liderança do guarda-redes: a forma como ajuda os colegas:
− Ele está sempre disponível para ajudar, sobretudo os mais novos. Antes dos jogos procura falar com eles, esclarecer dúvidas e ajustar detalhes.
Para o internacional português, o prémio de melhor guarda-redes do mundo é uma consequência natural daquilo que Pedro Mano representa:
− Para além de defender, ele acrescenta muito mais ao jogo. Faz assistências, marca golos e ajuda a controlar o ritmo da equipa. Por isso é mais do que merecido ser considerado o melhor do mundo.
Apesar do reconhecimento individual, Pedro Mano garante que a ambição da seleção continua intacta:
− A nossa seleção já ganhou muito, mas isso faz parte do passado. O que nos move é continuar a acrescentar novos títulos à história.
A mentalidade competitiva continua a ser a principal força do grupo. Acrescentou-me:
− Nunca estamos satisfeitos. Mesmo quando ganhamos, continuamos com vontade de ganhar ainda mais.
Essa fome parece infinita e é isso que nos mantém competitivos. Essa cultura foi transmitida pelos jogadores mais experientes ao longo dos anos e continua a marcar a identidade da seleção portuguesa. Hoje, o grupo mistura jogadores experientes com novas gerações, mas a mentalidade mantém-se intacta: competir sempre para ganhar.
A liderança de Pedro Mano não se esgota no que acontece dentro das quatro linhas de areia. Fora do campo, o guarda-redes assume também um papel importante na valorização da modalidade. Apesar do crescimento internacional do futebol de praia, o jogador reconhece que ainda há espaço para evoluir, sobretudo ao nível da profissionalização dos clubes.
− Sinto que o futebol de praia tem vindo a conquistar o reconhecimento que merece, sobretudo por parte das pessoas que estão realmente envolvidas na modalidade. Claro que há sempre espaço para melhorar, mas acredito que uma maior profissionalização dos clubes em Portugal poderia ajudar a modalidade a crescer ainda mais.
Ao mesmo tempo, deixa uma mensagem clara: profissionalismo não depende apenas da estrutura da modalidade:
− O facto de a modalidade não ser totalmente profissional não significa que os jogadores não possam ser profissionais. O profissionalismo depende muito da forma como encaramos o nosso trabalho.
No final, a história de Pedro Mano é também uma história sobre liderança. Não apenas a liderança visível dentro de campo, feita de remates improváveis, defesas decisivas e passes que desbloqueiam jogos. Mas também a liderança silenciosa que nasce da capacidade de superar momentos difíceis, de evoluir e de continuar a trabalhar quando poucos acreditariam. Quando olha para o futuro, o guarda-redes português não fala apenas de títulos:
− Gostava que me recordassem como alguém que marcou uma geração e que ajudou a tornar a nossa seleção mais forte. Alguém que dignificou o nome de Portugal pelo mundo.
Mais do que um prémio individual, ser considerado o melhor do mundo é uma consagração que representa algo maior: a continuidade de uma cultura vencedora que transformou o futebol de praia português numa referência mundial. E nas areias onde tantas histórias se escrevem, a de Pedro Mano já ocupa, com mérito próprio, um lugar entre as mais marcantes.

Nota final: Um muito obrigado ao Pedro Mano, Léo Martins, Bê Martins e André Lourenço por terem colaborado neste artigo."