Últimas indefectivações

domingo, 2 de agosto de 2026

Obrigado, António Silva!


"Defesa-central Made in Benfica fecha um ciclo marcado pela afirmação na equipa principal do Glorioso, em representação da qual conquistou 4 troféus.

De águia ao peito, António Silva afirmou-se desde cedo no futebol sénior, conquistando um lugar de relevo em representação do Benfica e chegando à Seleção Nacional A de Portugal. Com o Manto Sagrado, o defesa-central – que agora se muda para o Bournemouth, de Inglaterra – disputou 183 jogos, marcou 10 golos e contribuiu para a conquista de 1 Campeonato Nacional, 2 Supertaças e 1 Taça da Liga, escrevendo uma página marcante da sua carreira no Clube.
"Queria agradecer-vos por estes quatro anos… Sempre deixei tudo dentro de campo, nos treinos, sempre tentei contagiar toda a gente para dar o seu melhor, sempre fui uma pessoa muito alegre. Agradecer também ao staff, que foi superimportante para mim, para todos. Eles são aquilo que, para mim, é o coração do Clube. São eles que estão cá, principalmente nos maus momentos. Pedir a vocês, jogadores, que abracem aquilo que o míster [Marco Silva] vos pede. Sou mais um para ajudar-vos, para apoiar-vos, não estando perto de vocês, estou longe, mas vou estar sempre para apoiar-vos. Aquilo que precisarem de mim, estejam sempre à vontade. E espero estar com vocês no Marquês quando formos campeões, é isso que quero! Concretizem todos os vossos objetivos! Sejam felizes porque a vossa felicidade também vai ser sempre a minha felicidade!", disse António Silva no balneário, após o seu último jogo oficial, na mensagem de despedida.
António Silva chegou ao Benfica Campus em 2015/16, depois de ter integrado, em 2014/15, o Centro de Formação e Treino do Clube em Viseu. Natural de Penalva do Castelo, um dos municípios do distrito de Viseu, jogou por Viseu United FC, SC Penalva do Castelo e CF Repesenses. 
Uma vez na academia encarnada, continuou a trilhar um caminho que o levaria a quase 200 jogos pela Equipa A do Sport Lisboa e Benfica. O primeiro título surgiu em 2018/19, quando se sagrou campeão nacional de juvenis.

YOUTH LEAGUE: O PRIMEIRO GRANDE MOMENTO
Três anos depois, em 2021/22, o central voltou a saborear a glória, desta feita em dose dupla. Além da conquista do Campeonato Nacional de Juniores, no dia 25 de abril de 2022 o defesa foi titular na equipa do Benfica que conquistou a sua primeira edição da UEFA Youth League – prova em que foi totalista e apontou 1 golo.
Nessa altura, já António Silva somava minutos pelos Sub-23, escalão em que se estreou em 2020/21, e pela Equipa B, onde debutou em abril de 2022, na Liga 2.
Internacional jovem português, foi um dos vários jogadores da Formação encarnada que realizaram a pré-época com a equipa principal tendo em vista 2022/23, sob o comando de Roger Schmidt.

DE PEDRA E CAL NA EQUIPA A
Os primeiros 2 jogos "a doer" ainda foram feitos na Equipa B, mas a estreia oficial pela Equipa A não demorou muito a chegar. No dia 27 de agosto de 2022, na 3.ª jornada do Campeonato Nacional, frente ao Boavista, no Bessa, então com 18 anos, António Silva realizou os 90 minutos numa vitória por 0-3.
Cimentado o seu lugar na Equipa A, o central fixou-se no onze titular (44 jogos disputados), fazendo com Otamendi uma dupla que ajudaria o Benfica a chegar ao 38.º título de campeão nacional e aos quartos de final da Liga dos Campeões – competição em que marcou o seu primeiro golo de águia ao peito, num triunfo, por 4-3, frente à Juventus.
Além do título nacional, a temporada 2022/23 ficou marcada pela chamada ao Mundial 2022, realizado entre novembro e dezembro, onde efetuou um desafio por Portugal.
A época que se seguiu abriu com a conquista da Supertaça (2-0, frente ao FC Porto), naquele que foi o primeiro de 50 jogos (2 golos registados) disputados nessa temporada, e terminou com a chamada ao Europeu 2024.

NÚMEROS PARA A HISTÓRIA
Já em 2024/25, numa vitória robusta por 5-1 frente ao Gil Vicente, o central Made in Benfica atingiu a bonita marca de 100 jogos pela equipa principal do Benfica, tornando-se o mais novo jogador neste século a consegui-lo.
A temporada não terminou sem que fizesse parte do grupo encarnado que disputou o primeiro Mundial de Clubes, competição em que alinhou em 4 partidas, findando a época com 46 encontros, 2 tentos apontados e com a conquista da Taça da Liga. Pela Seleção Nacional, fez parte do lote de futebolistas convocados que conquistou a Liga das Nações 2025.
O jogo 150 de águia ao peito aconteceu já em 2025/26, na Vila das Aves, frente ao AFS, em partida que o Benfica venceu por 0-3. Antes, em agosto, celebrou a conquista da sua segunda Supertaça, fruto de uma vitória por 0-1 frente ao Sporting. A temporada prosseguiu e António Silva terminou-a com 41 jogos disputados e um golo marcado.
Em 2026/27, capitaneou a equipa benfiquista nos primeiros 2 jogos oficiais da temporada, na ronda de apuramento para a 3.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa. A despedida aconteceu no Estádio da Luz.
Ao todo, somou 183 encontros com o Manto Sagrado – 108 no Campeonato Nacional (7 golos), 33 na Liga dos Campeões (2 golos), 20 na Taça de Portugal (1 golo), 8 na Taça da Liga, 8 na Liga Europa, 4 no Mundial de Clubes e 2 na Supertaça – e 10 tentos apontados. Conquistou 1 Campeonato Nacional, 2 Supertaças e 1 Taça da Liga."

Oficial...

27 Milhões...

Inédito

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica informa os sócios de que o jogo da 1.ª jornada da Liga Portugal, frente ao Académico de Viseu, agendado para o próximo dia 9 de agosto, será disputado à porta fechada, na sequência de uma decisão da APCVD.
O Benfica lamenta profundamente que milhares de sócios e adeptos sejam privados de apoiar a equipa, reiterando o seu firme desacordo com uma medida que penaliza indiscriminadamente todo o universo benfiquista.
Os detentores de Red Pass serão ressarcidos no valor equivalente ao jogo, que ficará disponível na respetiva carteira virtual para utilização futura.
A forma definitiva, bem como a data a partir da qual tal operação poderá ser feita, será comunicada nos próximos dias."

Só bola! Segue jogo🤡

Muito complicado...!!!

Falta contra o Torrense!!!

O edifício que treme ao primeiro áudio


"Os maiores escândalos do futebol raramente começam com um penálti mal assinalado, um cartão vermelho ou resultado inesperado. Começam, muitas vezes, quando alguém grava o que não devia e, do outro lado, surgem as confissões daquelas que ficam encantados com o barulho da própria voz. A partir daí, a manipulação do conteúdo e a explosão do mesmo fazem o resto. Geram mais barulho, mas nada resolvem.
Foi isso que aconteceu, mais uma vez, esta semana. Não foram os áudios de Pedro Proença que abriram uma crise. A crise já existia. Os áudios apenas abriram a porta da sala onde ela vivia. 
É por isso que a discussão nunca deveria limitar-se às frases, ao contexto ou às intenções de quem as pronunciou. Mais ainda quando não há contexto e apenas excertos de conversas editadas. Tudo isso terá naturalmente importância. Mas há uma pergunta muito mais desconfortável do que qualquer transcrição. Porque é que ninguém ficou verdadeiramente surpreendido?
Talvez porque, no fundo, o futebol português tenha desenvolvido uma estranha relação com a verdade. Em público, fala-se de instituições sólidas, competentes e estáveis. Em privado, as conversas são outras. Fala-se de fragilidades, de relações difíceis, de desconfiança, de erros repetidos, de estruturas que já não convencem sequer quem as dirige.
O problema nunca é apenas a existência de duas conversas. Todas as organizações têm uma linguagem pública e outra privada. O problema surge quando a distância entre ambas se torna tão grande que a realidade parece mudar conforme a porta da sala esteja aberta ou fechada. Os áudios revelam precisamente essa distância.
Durante demasiado tempo, o futebol português habituou-se a sobreviver assim. As conferências de imprensa pertencem ao teatro. As conversas de corredor pertencem à realidade. E toda a gente aceita essa divisão como se fosse uma inevitabilidade. Os dirigentes sabem-no. Os árbitros sabem-no. Os clubes sabem-no. Os jornalistas sabem-no. Até os adeptos aprenderam a viver nesse permanente jogo de espelhos.
Talvez por isso a reação tenha sido tão previsível. Houve indignação pelo conteúdo. Houve indignação pela divulgação. Houve o comunicado de Pedro Proença. O que quase não houve foi uma reflexão séria sobre aquilo que os áudios dizem acerca da saúde institucional do futebol português.
Porque, no fim, o problema nunca é um ficheiro de áudio. O problema é um sistema onde um simples ficheiro consegue abalar tantas certezas.
A reação da APAF revela incredulidade. O atual presidente da FPF, então presidente da Liga na gravação dos áudios, foi um dos grandes árbitros portugueses. Parecia o defensor que os homens do apito nunca tiveram. Mas a conversa privada, com gente dos clubes, mostra outro lado. Sentiram os árbitros que, afinal, continuavam a tirar-lhes o chão. Totalmente compreensível. Quando Proença é ouvido a fazer críticas tão duras à arbitragem, aqueles que são acusados de falta de qualidade (sendo essa parte verdade) voltam a sentir-se isolados. Mas de uma forma pior.
Durante anos, o futebol português habituou-se a discutir árbitros quase exclusivamente através da suspeita, insinuação e teoria. Agora, pela primeira vez, a discussão nasce através de alguém demasiado próximo da casa. E, sim, pode ter esta conversa de árbitros sem qualidade para os dirigentes dos clubes e mudar totalmente o discurso quando, nas mesmas salas à porta fechada, fala com os homens do apito. Isso, porém, nunca será suficiente para acalmar os visados.
Também o Benfica sai deste episódio numa posição delicada. Na parte em que Proença parece ameaçar Fernando Seara, então presidente da Mesa da Assembleia Geral das águias, e o próprio clube, da Luz veio apenas silêncio. Algo que passa uma imagem de clube que se amedronta ou que tem razões para se amedrontar.
Num futebol onde cada comunicado costuma ser tratado como uma declaração de princípios, e onde muitos são emitidos por banalidades, a ausência de posição do Benfica serve apenas para dar vida a todo o tipo de interpretações. E, em política desportiva, as interpretações acabam muitas vezes por ganhar mais peso do que os factos. Mas reduzir este episódio a uma disputa entre Proença e Benfica seria desperdiçar a oportunidade de discutir o essencial.
O futebol português vive há demasiado tempo numa permanente lógica de remendos. Resolve crises sem resolver problemas. Troca protagonistas sem alterar comportamentos. Muda presidentes, muda conselhos de arbitragem, muda dirigentes, muda discursos. O edifício, contudo, nunca deixou de assentar em fundações frágeis. E o resultado está à vista.
Sempre que surge uma escuta, uma mensagem, um áudio ou uma fuga de informação, o país futebolístico entra em estado de choque. Discutem-se as palavras durante dias. Analisa-se a forma. Debate-se a legalidade da divulgação. Entretanto, quase ninguém pergunta porque é que aquelas palavras parecem fazer tanto sentido a quem as ouve.
Esse é o verdadeiro drama. Os escândalos do futebol luso não vivem da revelação do inesperado. Vivem da confirmação do esperado. É essa normalização que deve preocupar.
Uma instituição forte não é aquela onde nunca existem conversas incómodas. É aquela onde essas conversas não contradizem a imagem que apresenta ao exterior. Quando a versão privada se torna muito diferente da versão pública, a credibilidade começa lentamente a desaparecer. Não de um dia para o outro. Mas um pouco de cada vez. Um comunicado de cada vez. Uma fuga de informação de cada vez. Um áudio de cada vez.
No final, fica a ideia de que todos parecem conhecer os problemas do futebol português, mas ninguém consegue, ou quer, enfrentá-los. Como se o sistema tivesse aprendido a administrar as suas próprias crises em vez de as resolver.
Os áudios não derrubaram o edifício. Limitaram-se a mostrar que as paredes já estavam rachadas há muito tempo. E um futebol que treme ao primeiro áudio, dificilmente pode continuar a convencer-nos de que os alicerces continuam intactos."

Arbitragem: o centro aguenta a pressão?


"As coisas estão a desmoronar-se e o centro, leia-se a autoridade moral, a confiança institucional e a liderança, deixou de aguentar a pressão.

Yeats não conhecia a arbitragem portuguesa, mas em 1919 escreveu a sentença que hoje serve de epitáfio ao nosso futebol: «Things fall apart; the centre cannot hold». As coisas estão a desmoronar-se e o centro, leia-se a autoridade moral, a confiança institucional e a liderança, deixou de aguentar a pressão.
O futebol português vive num permanente estado de convulsão, mas a sequência de episódios mais recente levou a arbitragem a um ponto de quase rutura e ainda não se sabe como acabará.
O gatilho para esta derrocada foi, como sabemos, a demissão de Duarte Gomes de diretor técnico nacional e os seus motivos e a divulgação de áudios de Pedro Proença, gravados quando ainda era candidato à presidência da Federação. A reação da classe a essas gravações foi imediata e com algum músculo. O boicote à ação de reciclagem e avaliação e a ameaça de não comparência na Supertaça entre FC Porto e Torreense soam a velhos «truques». Porém, o setor foi ferido na sua dignidade e algo teria de fazer.
Como no poema de W.B. Yeats, «a mera anarquia solta-se sobre o mundo», e corre-se o risco de o diálogo dar lugar à chantagem. Iniciar uma nova época neste clima de guerrilha (interna) aberta, por um setor constantemente atacado pelo exterior, é um risco tremendo.
Sem a pacificação urgente da arbitragem e sem um compromisso real de todos os intervenientes, o futebol português continuará em queda livre. Se o centro não aguentar a pressão agora, não haverá VAR nem regulamento capaz de salvar a época e o produto que estará à venda com a centralização de direitos perderá ainda mais valor. Porque o jogo deste sábado pode ser da FPF, mas o impacto vai muito para além deste duelo de início de época.
Esta é a altura de os líderes liderarem, de enfrentarem o problema e não se refugiarem no silêncio ou comunicados inócuos ou terem medo de aparições públicas. O discurso, neste momento, não pode ser só para dentro, em jantares ou almoços prometidos. Pode até apaziguar-se quem apita, mas faltará sempre o repor algum nível de confiança no adepto já de si descrente e na perceção pública porque o primeiro troféu oficial disputa-se hoje.
Como é de regulamento, haverá sempre alguém no papel de juiz. Mas a Supertaça, o jogo, seria apenas a segunda vítima, pois a primeira está encontrada: o Torreense não tem palco mediátio como o FC Porto e devia estar em todas os comentários deste sábado. Não merecia nada disto, não merecia este caos."

João Palhinha: cada vez mais próximo do Benfica


"Há transferências que fazem sentido muito antes de serem oficializadas. João Palhinha e o Benfica parecem caminhar precisamente nessa direção. Ainda sem qualquer confirmação oficial, os sinais acumulam-se: o Bayern de Munique não pretende manter o internacional português, o jogador procura voltar a assumir um papel central numa equipa competitiva e Marco Silva conhece melhor do que ninguém a forma de potenciar as suas qualidades.
Quando o Bayern investiu mais de 50 milhões de euros na contratação de João Palhinha, poucos imaginavam que, tão pouco tempo depois, o clube bávaro estaria disposto a facilitar a sua saída. Se, numa fase inicial, essa intenção era apenas sugerida através de declarações prudentes, hoje já nem existe qualquer tentativa de esconder a realidade. Christoph Freund, diretor desportivo do Bayern de Munique, deixou cair todas as dúvidas ao assumir publicamente que João Palhinha não entra nos planos para a nova temporada. O dirigente confirmou que o objetivo passa por encontrar-lhe um novo clube e admitiu que, caso permaneça em Munique, dificilmente terá minutos ou um papel relevante na equipa.
No futebol, declarações desta natureza têm um significado muito próprio. Sempre que um dirigente assume publicamente que determinado jogador não conta para o clube, o mercado percebe de imediato que o equilíbrio negocial mudou. O clube vendedor perde margem de manobra, os potenciais interessados sabem que podem negociar em condições mais favoráveis e uma transferência que parecia financeiramente inalcançável pode transformar-se numa verdadeira oportunidade de mercado.
É neste contexto que o Benfica ganha força. Naturalmente, não será o único clube atento à situação. Um jogador com a qualidade e o currículo de João Palhinha desperta interesse em vários mercados. Mas existe um fator diferenciador que pode pesar mais do que qualquer proposta financeira: Marco Silva. Foi sob a orientação do treinador português que João Palhinha viveu uma das melhores fases da sua carreira. No Fulham afirmou-se como um dos médios defensivos mais consistentes da Premier League, transformando-se numa referência da equipa londrina. As suas exibições convenceram um dos maiores clubes do mundo a investir uma verba milionária na sua contratação.
Esse rendimento não surgiu por acaso. Marco Silva soube potenciar as principais virtudes do internacional português: a inteligência tática, a capacidade de recuperação de bola, o equilíbrio que oferece à equipa e uma competitividade contagiante. Mais do que um sistema de jogo, encontrou-lhe um contexto onde o jogador se sentia importante e plenamente valorizado.
Em Munique, esse contexto nunca chegou verdadeiramente a existir. A concorrência intensa, as poucas oportunidades e uma adaptação que nunca se consolidou acabaram por limitar o seu impacto. O empréstimo ao Tottenham permitiu-lhe recuperar minutos, confiança e demonstrar que continua a ser um médio capaz de competir ao mais alto nível.
É precisamente por isso que acredito que o Benfica surge, neste momento, como o destino que melhor responde às necessidades de todas as partes envolvidas. Não há uma confirmação oficial. O negócio não está fechado. Mas todas as circunstâncias começam a alinhar-se… O Bayern quer «livrar-se» do jogador. João Palhinha precisa de voltar a sentir-se importante. E o Benfica procura um médio com características que continuam a ser raras no futebol europeu. Ainda assim, o argumento mais forte continua a ser outro: Marco Silva.
No futebol fala-se frequentemente da importância das contratações. Menos vezes se fala da importância das relações de confiança entre treinador e jogador. Há treinadores que transformam carreiras porque conhecem o atleta para lá das suas qualidades técnicas. Sabem quando exigir, quando proteger e como criar o contexto ideal para que o rendimento apareça naturalmente.
Marco Silva já o fez com João Palhinha. Conhece-lhe as virtudes, conhece-lhe as limitações e sabe exatamente como potenciar o seu futebol. Da mesma forma, João Palhinha sabe o que pode esperar do treinador. Essa confiança mútua pode valer tanto quanto qualquer investimento financeiro.
Naturalmente, nenhuma transferência depende apenas da lógica desportiva. Existem questões económicas, concorrência de outros clubes e negociações que podem alterar o rumo dos acontecimentos. Mas, olhando apenas para o contexto atual, é difícil encontrar um destino que faça mais sentido para João Palhinha do que o Benfica.
Se o negócio se concretizar, os encarnados não estarão apenas a contratar um dos melhores médios defensivos portugueses da última década e que garante um impacto imediato. Estarão, acima de tudo, a devolver um grande jogador a um dos treinadores que melhor soube extrair todo o seu potencial.
Por vezes, as melhores contratações não começam com um contrato. Começam com o reencontro das circunstâncias certas."

Zero: Mercado - Bragança perto da Grécia

BF: Vender...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Maquilhagem e desculpas de Proença não escondem o acne da arbitragem

Oliveira: HORNICEK NO BENFICA E TRUBIN VAI EMBORA?

Benfica em Destaque | 31 de julho

ESPN: Futebol no Mundo #617

Futpedia #20 - MATILDE PINHOL VS EQUIPA FUTPEDIA: QUEM LEVOU A MELHOR? 🤔

Gianni, o reino por um fio…


"Esta é a história aparentemente simples de um negócio que tem tudo para se transformar em riqueza e mais-valia para todos os intervenientes. Mas que, por força de outros valores, por pressão do poder global, da ambição transversal e da cedência anormal, pode descambar facilmente numa das hecatombes mais dramáticas da economia mundial.
Sabe-se, sempre se soube, que o crescimento aparentemente sustentado e controlado do futebol enquanto indústria geradora de fortunas significava vantagem imediata para os mais pequenos e perspetivas de sobre-enriquecimento dos mais cotados. A distribuição de receitas, sobretudo as que advinham dos Mundiais, projetava um robustecimento dos cofres das federações periféricas como dificilmente tinha sucedido até aqui. Com o aumento de seleções apuradas para a fase final de Mundiais, e com o subsequente prémio reforçado, as promessas de Gianni Infantino, enquanto presidente da FIFA, saíram em grande e motivaram o apoio recorrente de muitos países periféricos.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) esteve no topo dos membros que, quase cegamente, se vangloriavam de viagens pagas aos congressos, às reuniões, aos simpósios que, obviamente, pouco ou nada adiantavam presencialmente, mas muito diziam a dirigentes de competência questionável, eleitos sob o pressuposto de uma ampla representação do país ou do continente.
Bem sabemos de onde vem uma parte muito importante dos apoios entretanto granjeados pelo líder do futebol mundial. Tendo almofada financeira mais que suficiente para dividir para reinar, e jogando habilmente com o primeiro Mundial de clubes com 32 equipas, e com o primeiro Mundial de seleções com 48 combinados nacionais, Infantino reuniu uma maioria silenciosa que, quase cegamente, viaja por todo o mundo, pernoita em hotéis de luxo e, claro, diz que sim de olhos fechados a tudo o que surgir de Zurique.
Mas nem todos estão a dormir, e o suíço-italiano que preside à FIFA talvez não contasse com uma tão ampla muralha de contestação à medida mais bem guardada, mas nem por isso a conseguir passar por entre os pingos da chuva.
A criação de uma empresa subsidiária para gestão comercial do Mundial de futebol nunca cheiraria bem a quem tem do jogo uma perspetiva verdadeiramente democrática e abrangente. Ainda que apenas minoritária, a perceção da concessão de uma parcela percentual à iniciativa e aos interesses privados constitui uma força de bloqueio inaceitável, pelo flanco que abre e pelo precedente que deixa. Qualquer investidor não ligado ao futebol (ou que ao jogo esteja conectado, mas com maximização do seu investimento, na perspetiva de lucro) daria sempre prioridade aos resultados financeiros, em detrimento da componente desportiva. De tal modo que a estrutura competitiva e organizativa ficaria sempre dependente, de modo direto ou indireto, das mais-valias realizadas por cada torneio: mais equipas, mais jogos. Mais jogos, mais publicidade e mais transmissões televisivas. Em conjunto, mais dinheiro.
O respeito pelos calendários seria sempre secundarizado, e a UEFA (mas também a Conmebol, a AFC e a Concacaf), de imediato ripostaram, e com a pujança da sua dimensão geográfica e do seu grupo de suporte bem patentes na reação a uma só voz.
Infantino não terá esperado uma tão ampla e ríspida resposta. E reagiu com os pés. Os tiques ditatoriais do líder máximo da FIFA foram notórios, porque a sua verdadeira defesa tem sido a componente financeira. Tudo nas organizações da entidade suprema do futebol mundial tem a ver com dinheiro, com pagamentos, com direitos, com posições. Até no audiovisual a FIFA não parece particularmente preparada para os novos tempos, para a emergência do digital, do consumo em plataforma, dos produtos e dos consumidores segmentados, e da necessidade de adaptação, considerando que a FIFA, até agora, tem maximizado a negociação na base da televisão digital, e que esta, já para o Mundial feminino de 2027 e, muito mais ainda, para o Mundial de 2030, deixará de ser o player de referência, para passar a ser apenas mais uma das integrantes das diversas plataformas de consumo.
O Mundo está a mudar. Nos hábitos e nas consciências. A posição formal da UEFA, pela sua rapidez e contundência, é o primeiro sinal de que o caminho para Infantino, para os que o suportam cegamente e para o futebol do planeta, é tudo menos linear. Por mais profissionais que jogadores e treinadores sejam, são também seres humanos. Ao fim e ao cabo, são eles os verdadeiros protagonistas do jogo, e terão de ser eles os primeiros escutados sobre estas mudanças radicais.
A privatização do jogo nunca será um bom caminho, antes remeterá para uma espécie de reconversão, em que os pilares primaciais voltarão a ser determinantes, para que a qualidade possa subir e as bancadas continuem a estar cheias.
A visão economicista de Infantino estará, portanto, votada ao insucesso. O presidente da FIFA ter-se-á ofuscado com a aparente facilidade geradora de capitais do negócio dos séculos XX e XXI. E a sua bolha, aparentemente impenetrável, começou a ceder, como o comprovam as declarações de Carlos Cordeiro, seu conselheiro nos últimos cinco anos, mas que se sentiu na obrigação de vir a terreiro demarcar-se do novo e arrojado plano.
A História bem nos diz que é sempre assim com os todo-poderosos. Infantino começou, num ápice, a ver o seu reino por um fio…

Cartão branco: António Silva
Subiu rapidamente e, talvez, sem o apoio global que seria necessário. António Silva teve o momento mais discutível com o ausência na convocatória para o Mundial de 2026. Porém, o jovem defesa-central sabe que, no futebol de alto rendimento, a um momento de crise sucede uma oportunidade. E o Bournemouth, batendo-lhe à porta, é irrecusável. Silva deixa a Luz para a Premier League e, honestamente, nenhum clube português, na fase em que o jogador se encontra, poderia ombrear com a proposta dos cherries. É, na minha opinião, um passo em frente na carreira, numa liga global e num clube com condições excelentes. É o suficiente para António Silva encarar este passo com um sorriso nos lábios…

Cartão branco: Franco Baresi
Lembro-me dele como um dos melhores da História. Um líder dentro e fora dos retângulos. Um ídolo, tamanha era a sua influência e a sua imagem junto dos tifosi. E não apenas dos adeptos do AC Milan, mas de todos os que, de um modo ou de outro, seguiram os seus passos. Franco Baresi partiu para a derradeira viagem conhecida com a elegância que sempre exibiu no relvado. Com a discrição que lhe reconhecemos, e com a mensagem de que, para um futebolista de elite, não são necessários recordes ou fogos de artifício mediáticos. Baste uma qualidade acima da média, reconhecida por companheiros e adversários. Sim, deixará saudades, na exata medida da excelência que o marcou enquanto jogador, ex-jogador e ser humano."

sábado, 1 de agosto de 2026

Benfica: Marco Silva comprou paz e tempo


"À tenebrosa exibição na Suíça a águia respondeu com jogo com poucos sobressaltos. Resultado demasiado desnivelado, mas Marco Silva precisava deste balão de oxigénio

Há mais do que um Mundo de diferença entre o Benfica, o 18.º do ranking da UEFA, e o St. Gallen, o 228.º dessa hierarquia, e nada mais natural e previsível haveria do que a águia carimbar com facilidade o apuramento para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa, competição onde, pelo estatuto e pergaminhos do clube, está obrigada a ir muito longe. De anormal nesta eliminatória só o facto de, graças ao horrível jogo na Suíça, o apuramento não ter sido limpinho, mas a goleada de ontem, ainda que por números demasiado largos face ao que o Benfica produziu por conta própria, serviu como um muito necessário balão de oxigénio. No Benfica não há tempo, é certo, mas um trambolhão para a desprestigiante Liga Conferência seria golpe demasiado forte e do qual dificilmente a equipa e Marco Silva recuperariam.
A primeira parte foi mais repartida do que o treinador desejaria e sentiu-se, durante largos minutos, o nervosinho na Luz. Sem bola, a equipa desorganiza-se com facilidade e é lenta a reagrupar-se para defender. Em posse, os processos ainda não estão afinados e, demasiadas vezes até ao intervalo, o Benfica recorreu ao pontapé de Lenglet para a frente após procura de linhas de passe sem sucesso para construção eficaz no primeiro terço. Na segunda parte, e sobretudo após a expulsão de Stanic (57'), o jogo partiu de vez e a diferença nas individualidades veio ao de cima.
A integração dos mundialistas, a tendência será, claro está, melhorar. O critério de Aursnes e Schjelderup levará a equipa para outro nível em posse e o modelo de Marco Silva implora por um '6' que Manu Silva e Enzo não são. Palhinha cairia que nem uma luva, é verdade, mas até quando irá o Benfica esperar que o Bayern e o médio português se decidam? Há um mês de mercado pela frente e o sucesso do Benfica na época poderá depender dele, porque na próxima semana começarão as semanas com jogos de três em três dias e falta qualidade.
Trubin, que não transmite segurança, vai continuar? Dahl será o lateral titular no lado esquerdo? Quanto tempo mais demorará o substituto de António Silva a chegar, depois de o treinador não ter escondido que gostaria que o central continuasse? Schjelderup fica? Sai? E se sair, é Kaminski o escolhido para o lugar? É que, se for esse o caso, a amostra do polaco para ser o dono da titularidade é, até ver, curta.
São demasiadas inquietudes para Marco Silva trabalhar com a época em andamento, mas ontem, pelo menos, comprou alguma paz."

Os Gloriosos Benfiquistas - S06E06 - St. Gallen...

A proposta de Infantino caiu, resta saber se ele também cai!


"Infantino convenceu-se de que se tinha transformado num monarca e de que a sua vontade era lei: acatada e incontestada. Enganou-se.
Sucedem-se críticas públicas de dirigentes de topo da FIFA, demissões e acusações de falta de transparência relativamente ao plano para alienar uma participação nas receitas futuras do Mundial através de uma nova estrutura comercial. A FIFA vive a sua maior crise institucional desde 27 de maio de 2015, quando vários dirigentes foram detidos em Zurique, no escândalo de corrupção que acabaria por precipitar a queda de Sepp Blatter e mudar para sempre a história da organização.
A este propósito, convém destacar a figura de Alejandro Domínguez, presidente da CONMEBOL (Confederación Sudamericana de Fútbol) . Cada líder escolhe o papel que quer desempenhar. Uns representam os interesses das instituições que dirigem. Outros preferem representar os interesses de quem ocupa o poder. Alejandro Domínguez parece ter feito essa escolha há muito tempo.
É uma figura pedante e bajuladora que se transformou na lebre de Infantino. Alguém sem credibilidade, sem carisma e sem estatura intelectual para liderar uma confederação com a história da CONMEBOL, mas com uma enorme necessidade de protagonismo e uma disponibilidade permanente para servir os interesses do presidente da FIFA.
Em 2023, foi o primeiro a anunciar como uma vitória sul-americana a solução encontrada por Infantino para o Mundial de 2030, apresentando-a como o "regresso" do Campeonato do Mundo à América do Sul, quando, na realidade, se tratava apenas da realização de três jogos inaugurais antes de a competição seguir para Portugal, Espanha e Marrocos. Tudo isto num tweet absolutamente decadente em que aparecia a dançar. Horas depois a FIFA confirmava os jogos comemorativos na américa do sul.
Há duas semanas voltou a desempenhar exatamente o mesmo papel, ao antecipar publicamente a proposta de um Mundial com 64 seleções, muito antes da FIFA apresentar oficialmente um estudo para tal alargamento. Domínguez é sempre o primeiro a testar a reação pública às ideias de Infantino e o primeiro a procurar legitimá-las. Age mais como um emissário do presidente da FIFA do que como representante do futebol sul-americano. Acaba por simbolizar uma parte da velha elite dirigente do futebol internacional: demasiado dependente do poder, demasiado conformada com ele e demasiado disponível para o servir.
A UEFA esteve bem e liderou o movimento que travou o projeto de Infantino. Pela primeira vez em muitos anos, o presidente da FIFA percebeu que o seu poder tem limites e que nem todas as suas vontades se transformam automaticamente em decisões. Resta saber se este foi apenas um revés político ou o princípio do fim de um modelo de liderança cada vez mais isolado."

O ADEUS A ANTÓNIO SILVA, QUE VOLTE UM DIA!


"1. Ascendeu muito jovem à primeira equipa, foi logo campeão, disputou Champions com prestações ao mais alto nível perante craques mundiais, a Seleção bateu-lhe à porta, tornou-se um habitual das convocatórias nacionais. Nunca mais foi visto como o menino que ainda era, passaram a exigir-lhe tudo e mais alguma coisa como se de um consagrado se tratasse.

2. Foi muito atacado e nunca bem defendido, virou patinho feio para uma comunicação social ávida de pretextos para atacar o Benfica, muitos adeptos do clube alinharam pelo mesmo diapasão. Julgo que não lidou bem com a situação, difícil para qualquer um, mais ainda para um jovem como ele, a sua evolução acabou por não ter o nível para que a primeira época (22/23) apontava.

3. Aqui chegados, encontrando-se com a carreira numa espécie de beco sem saída após quatro épocas na equipa principal, é bem provável que o melhor passo tenha sido o de dar o salto para o estrangeiro.

4. Como Aktürkoglu há um ano atrás, é preciso relevar o profissionalismo demonstrado pelo António ao alinhar nas duas mãos da eliminatória com o St Gallen. (Ontem, então, fez um belíssimo jogo, o melhor que lhe vi de há muito para cá.) Podem dizer que tendo contrato com o clube só tinha mesmo era que ir a jogo - e eu digo-vos: quantos nas mesmas circunstâncias não viraram as costas ao clube que representavam porque já só pensavam naquele para onde iam jogar?

5. Deixo, enquanto Benfiquista, um agradecimento ao António - mas também um forte desejo: que volte um dia a vestir o Manto Sagrado, é um dos nossos, será sempre muito bem vindo a casa. No imediato, que tenha toda a sorte do mundo na aventura na Premier League, vou segui-lo com toda a atenção, torcerei por ele. Carrega, António!"

Burros!!!

Podem os áudios de Proença surpreender alguém? Absolutamente ninguém!


"Os áudios agora conhecidos não revelam nada de novo; apenas confirmam o carácter e o método de alguém com uma ambição desmedida. Um dirigente que faz da influência um instrumento de poder, que adapta o discurso ao interlocutor e que não olha a meios para atingir os fins.
Fala mal de uns quando está com os outros (mesmo tratando-se da classe onde militou durante anos) e fala mal dos outros quando regressa aos primeiros. Alimenta desconfianças, promove divisões e, sobretudo, recorre à ameaça e à pressão, mesmo quando se trata de matérias que nem sequer dependem da sua vontade ou da sua esfera de competência. Tudo isto é Proença.
Estamos perante um método de atuação profundamente preocupante e incompatível com as funções que hoje ocupa. Proença cria dependências com dinheiro, viagens e promessas; cultiva imprensa amiga através de avultados contratos publicitários e recorre à intimidação sempre que entende ser necessário.
Quando a memória não falha, estes áudios não podem surpreender ninguém. Proença, ainda presidente da Liga, foi denunciado por mandar instalar câmaras de vídeo na mesa de voto numa das suas reeleições; foi também denunciado, num processo que ainda corre no Ministério Público, por espiar Nuno Lobo durante a campanha para a presidência da FPF.
Nem José Sócrates foi 32 vezes à PJ! O problema não está na hipérbole, mas na forma como é utilizada: como instrumento de pressão que transpira chantagem por todos os lados e que não pode ter lugar na liderança de uma instituição como a FPF.
Se o tal "projeto" de que Rui Costa falou resultou deste tipo de ameaças, só resta um caminho a esta direção, porque pior do que a incompetência é a cobardia. Quem cede à chantagem perde a liberdade de decidir e perde a autoridade moral para liderar."

Era engraçado... mas o proençinha já forjou uma desculpa!!!

Potenciais adversários...

Demasiado tempo...

Zero: Mercado - Live

Zero: Mercado - Irankunda faz força para ser leão

BF: Amoura...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Principais notas da noite europeia

Observador: E o Campeão é... - Portugueses cumprem na Europa com "All in" de Pavlidis

Observador: Três Toques - O adeus a Franco Baresi!

Sem Filtros #54 - Tiago Silva...

Comercial: O Meu Clube é o Maior - Rui Miguel Tovar

Zero: Afunda - S06E56 - Notas finais sobre Lebron, Curry e o verão

Os candidatos entre consolidação, reestruturação, refundação e progressão


"Não aprecio clichés, em nada, pelo que no futebol também não. Fujo das ideias repetidas, seja a de que uma equipa que se constrói de trás para a frente, como se pensar o momento defensivo fosse mais relevante que construir o ofensivo; a de que um ala deve respeitar sempre os movimentos em overlap dos laterais, quando a melhor opção é, tantas vezes, não os respeitar; ou que um central rápido garante o controlo da profundidade defensiva de uma equipa, quando a eficácia nessa missão depende de muitos outros fatores e tem sempre uma dimensão coletiva. Nem no futebol nem em qualquer outro setor de atividade está tudo inventado, pelo que repetir fórmulas gastas é, por regra, um obstáculo à descoberta do novo e mesmo, não raras vezes, o caminho para o equívoco.
É por isso que me parece desajustada a ideia de que o campeão parta sempre à frente para uma nova temporada. Percebe-se naturalmente o raciocínio lógico de que a estabilidade sugere continuidade de rendimento alto, e alto terá de ser quando se trata de um campeão em título. Acontece que a realidade não o confirma, já que é mais comum haver mudança de campeão do que não haver. Por exemplo, na Liga portuguesa, nos últimos 40 anos, houve campeão diferente em 24 situações (61,5%) e repetições de títulos em 15 transições apenas (38,5%). Coisa diferente é, avaliando cada um dos candidatos, nas forças e fraquezas, considerarmos que o favorito é o último a ganhar. E é por isso que considero que o FC Porto parte à frente, por estar taticamente em consolidação, frente a um Sporting em reestruturação e um Benfica em refundação. A seguir corre o Braga, em mais uma temporada de progressão.
Os portistas precisam ainda, e claramente, de um lateral esquerdo melhor que os que têm e de um ponta de lança que garanta golos, pelo menos até ao regresso de Samu. Não digo que André Silva não possa dar conta do recado, mas não estou seguro disso. E creio que os dirigentes (e os adeptos) do FC Porto também não. Lateral esquerdo é uma daquelas posições em que a procura é hoje bem superior à oferta. Basta perceber que os três grandes buscam jogadores para essa posição, sendo que o Sporting apenas precisará de um suplente se for bem sucedido na luta para manter essa raridade chamada Maxi Araújo. O FC Porto também luta para manter a jóia Froholdt, mas, se o vender, não só regressará fatalmente ao mercado como já revestiu o meio campo com uma solução tão boa como económica: Hwang In-Beom.
Os grandes de Lisboa enfrentam a época com maior risco, com a diferença de o Sporting optou por mudanças maiores do que estava obrigado e o Benfica está obrigado a mudanças maiores que as já garantidas. Nos leões, era inevitável substituir Hjulmand e Morita, daí a prioridade (certa) dada à contratação de médios. Já as partidas de Pedro Gonçalves e, sobretudo, de Trincão, resultam da vontade dos jogadores, mas percebe-se que o clube não colocou grande obstáculo, apenas preço. E o mesmo, adivinha-se, pode ainda acontecer com Daniel Bragança. Ou seja, a equipa perde de uma vez 5 ou 6 titulares (some-se Diomande), o que obriga à tal reestruturação, metade forçada, metade desejada.
O Benfica está em refundação, desde logo da ideia de jogo, que Marco Silva contrasta mais com Mourinho e Lage do que estes dois entre eles. No que havia de mais estratégico nos antecessores, há muito mais de modelar em Marco. Ou seja, o novo Benfica terá um perfil mais identitário, de ADN reconhecível, do que camaleónico, com nuances sensíveis em cada jogo. E esta é uma mudança essencial, porque força alterações em cascata, da baliza ao ponta de lança, na intenção de construir com risco, criar com critério, definir de diferentes formas e pressionar com eficácia. Não é pouca ambição, mas o Benfica não tem outra escolha que não a de dar a Marco o que ele precisa e decerto reclama. Até porque desta vez, não tenho dúvidas, acertou mesmo na escolha do treinador.
Treinador de qualidade, e de convicções, tem também o Sporting de Braga, e vai ser interessante perceber como crescerá a equipa de Carlos Vicens, com um padrão de jogo maturado e reforços que prometem acrescentar: Travassos, Huseinbasic, Gabriel Silva ou Jonas Wind. Pode não dar para lutar pelo título, mas nem isso excluo, para início de conversa."

Passagem assegurada


"O Benfica, ao vencer o St. Gallen na Luz por 5-0, obteve o apuramento para a 3.ª eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa, na qual defrontará o Hearts, da Escócia. Este é o destaque da BNews.

1. Goleada dá apuramento
Marco Silva enaltece o desempenho da equipa na 2.ª mão da eliminatória frente ao St. Gallen: "Fizemos aquilo que nos competia. Ganhámos um jogo que tínhamos de ganhar para estar na próxima eliminatória. Foi isso que fizemos, de uma forma justa. Fomos mais fortes."

2. Força do coletivo
Para Pavlidis, autor de um póquer e considerado o Man of the Match, o desempenho da equipa foi positivo e os Benfiquistas tiveram um papel importante: "Mostrámos o que podemos fazer, mostrámos como a equipa se deve exibir. Os nossos adeptos ajudaram-nos, agarrámos a vitória e seguimos para a próxima ronda."

3. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, os cinco golos marcados pelo Benfica ao St. Gallen.

4. Bilhetes disponíveis
Na 3.ª eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa, o Benfica mede forças com o Hearts. Ingressos à venda nos locais oficiais do Clube.

5. Informação aos adeptos
Por razões de segurança, encontra-se vedada pelas autoridades a saída do Estádio da Luz para a Avenida Lusíada.

6. Movimentações do defeso
O basquetebolista Eduardo Francisco e a andebolista Joana Semedo renovaram os seus contratos com o Benfica.

7. Sorteios
Conheça o calendário das respetivas fases regulares das vertentes masculinas dos Campeonatos Nacionais de futsal e de hóquei em patins e da Série Sul do Campeonato Nacional de Iniciados.

8. Jornal O Benfica
A edição desta semana está disponível para download no site oficial.

9. História Agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV."

Tailors - Final Cut - Especial - João Nuno - St. Gallen...

Vinte e Um - Como eu vi - St. Gallen...

Terceiro Anel: Rescaldo - St. Gallen - Marco Silva...

Oliveira: St. Gallen...

Terceiro Anel: St. Gallen...

Observador: Rescaldo do Jogo - St. Gallen...

BI: Rescaldo - St. Gallen...

BF: St. Gallen...

Pavlidis, a fiabilidade em pessoa que deu outro ar ao Benfica frente ao St. Gallen


"O mínimo dos mínimos está alcançado. O Benfica continua na rota da Liga Europa após ter ultrapassado o St. Gallen na 2ª pré-eliminatória. Na Luz, os encarnados elevaram o nível exibicional face à 1º mão e venceram com conforto (5-0, 6-2 no agregado) com um poker de Pavlidis. Marco Silva teve oportunidade de reintroduzir os mundialistas que os encarnados tanto precisam

O exame cardíaco padrão de uma época contempla um pico de batimentos lá mais para diante, quando os títulos se decidem. Foi detetada no Benfica uma inversão dessa tendência. Ainda vamos no dealbar da temporada e já as pulsações estão a um ritmo elevado.
Não é um indicador de boa saúde que a 2ª pré-eliminatória da Liga Europa, contra o St. Gallen, tenha mexido com as emoções encarnadas. Para um Benfica na plenitude das capacidades, este casting não devia passar de um registo gratuito na fase seguinte. Como essa não parece ser a condição da equipa de Marco Silva, a gaveta dos sentimentos foi remexida.
O treinador já conhecia o Estádio da Luz como adversário. Nessas circunstâncias deve-se ter sentido mais confortável do que nos instantes iniciais do jogo de estreia no ninho encarnado. Nos primeiros cinco minutos do primeiro jogo da época em casa, o Benfica já estava a ser assobiado.
Na memória dos adeptos estava a exibição desconectada das águias na 1ª mão, situação que deixou o Benfica na ânsia de reverter uma desvantagem de 2-1. A calmaria na circulação de bola não era, no entender da bancada, consentânea com o sentido de urgência que precisava de ser aplicado.
Apesar de tudo, na 2ª mão, o Benfica esteve num nível digno e a vitória por 5-0, que permitiu inverter a eliminatória, assim o indica. Coloquemos os números de parte: Pavlidis transmite desde o primeiro dia da pré-época 2024/25, quando chegou a Portugal, um nível de confiança condizente com alguém a quem poderíamos entregar os nossos bens mais valiosos. Num momento de intranquilidade para os encarnados, surgiu o Sr. Fiabilidade.
O St. Gallen estava assanhado e Trubin funcionava como tubo de escape da troca de passes. Ninguém se metia com o guarda-redes, mas também era quando a bola chegava aos pés do ucraniano que a movimentação emperrava para desagrado das almas revoltas.
Por sorte, Pavlidis cedo colocou um pano ensopado com água morna na cabeça de quem estava a perder as estribeiras. O serviço de concha de Rafa, com o pé debaixo da bola, deixou o avançado grego nas melhores condições para marcar. O Estádio da Luz aliviou a pressão.
Quer Rafa, quer Bah, vilipendiaram o corredor esquerdo dos suíços para tirarem cruzamentos que nem sempre foram acompanhados pela devida agressividade de quem os atacava. A pré-eliminatória estava igualada, mas apenas isso, quando o St. Gallen rematou ao poste. Foi para aproveitar o adiantamento da linha defensiva que Aliou Baldé foi deixado lá na frente. A compostura de Trubin, que muitas vezes esteve perto de se desfazer, sobreviveu a mais um sopro.
O aguerrido Leandro Barreiro roubou a titularidade a Miguel Figueiredo e diluiu-se no Benfica para espalhar o efeito da sua genica. Faltou-lhe, ainda assim, delicadeza nos pés para ser recompensado com um golo. Foi uma coincidência carregada de um ensinamento para o médio que, no mesmo lance, Pavlidis tenha bisado com mais uma finalização aprimorada. Que seja reconhecido o mérito de António Silva, que se inspirou em David Luiz para fazer progressões de vastos metros, por conta de quem ficou um relevante passe interior. Aquele que parece ter sido o último jogo de águia ao peito, foi de um nível que gostaria de ter sempre apresentado.
O dominado St. Gallen, de vez em quando, lá espreitava. Teria sido fatal para o Benfica se Lenglet e António Silva não se tivessem atravessado em frente de Leon Frokaj para impedir a resposta dos helvéticos. Nos instantes finais, o mesmo Frokaj voltou a ter uma grande oportunidade para marcar, expondo debilidades defensivas que não devem ser ignoradas por Marco Silva.
O Benfica, antes de terem sido atingidos os 60’, enfrentou uma catadupa de acontecimentos felizes. Logo após fazer o 2-0, Jozo Stanic foi expulso por cometer falta sobre Pavlidis. Os encarnados passearam até ao final e o resultado não ficou por aí. Um lance confuso envolvendo Bah, junto à linha de fundo, foi inicialmente anulado. O escrutínio do VAR permitiu perceber que nada existia de irregular que pudesse impedir mais um golo de Pavlidis.
Marco Silva começou a reintroduzir os mundialistas. Começou por Ríos e, mais tarde, juntaram-se Schjelderup, Lukebakio e Dedić. Num momento em que o St. Gallen estava decrépito, o Benfica vestiu a melhor versão. A força de Ríos arrancou de imediato uma grande penalidade. Era dia para Pavlidis absorver tudo o que a felicidade tivesse para lhe dar e chegou ao poker. Para complementar, Lenglet também provou o sabor do golo na Luz na sequência de um canto.
Feito o mínimo dos mínimos, que era ultrapassar a 2ª pré-eliminatória da Liga Europa, o Benfica tem agora que fazer o mínimo: ultrapassar os escoceses do Hearts em mais um degrau antes da fase principal da competição. Atenção que eles têm Cláudio Braga."

VENHA DE LÁ O HEARTS


"BENFICA 5 -0 St Gallen

1. Que maravilha o regresso a casa. Saudades dos amigos e do Benfiquismo anónimo, que é o Benfiquismo bom, que corre pela Fanzone. Na foto com o Tó Melo, o Toni Gutierrez, o Jorge e o Tiago Fernandes, estes dois últimos proprietários do restaurante Primeiro Pecado (Charneca da Caparica). Além do muito Benfiquismo que lá se respira, que não é coisa pouca, come-se muitíssimo bem!

2. Diz-se que o St Gallen vem muito desfalcado à Luz. Desfalcados andamos nós desde o arranque da época. Não obstante, seria vergonhoso não seguirmos em frente no acesso à fase de liga da competição. Vamos seguir!

3. O jogo estava aparentemente dividido, mas uma transição com Rafa lançado a assistir o Pavlidis, este na cara do redes pôs, cedo, aos 10 minutos, a eliminatória empatada. Era o que Marco Silva queria e nós também: caminho aberto para a passagem da eliminatória.

4. O jogo a continuar equilibrado, bola cá - com Trubin a impancientar o tribunal - e bola lá - como é que aquele empurrão ao Barreiro na área não foi penálti? -, mas com pouco perigo. Claro que o adversário não é de elevado grau de dificuldade, porém notam-se já alguns princípios do modelo de jogo do Marco Silva, nomeadamente um futebol que atrai atrás para lançar rápido na frente. Pavlidis de longe o melhor nesta primeira meia hora de jogo, seguido de Rafa - está de regresso! - e Barreiro - quantos pulmões é que ele tem? Já Kaminski tem que melhorar muito para justificar 17M€...

5. Quinze minutos mais dinâmicos, jogo melhor, mais perigo nas áreas, uma bola defendida pelo nosso poste, estou-lhe grato. Estatísticas da primeira parte só nos dão vantagem clara na posse de bola e nos cantos. Não chega.

6. Segunda parte a atacar para a baliza grande. Começamos a apertar com eles. São fracos a defender, criamos perigo, Barreiro só com o redes pela frente não fatura, logo de seguida o Pavlidis, em posição idêntica assistido pelo Kaminski, espeta-a lá dentro, este é fera. E vai um deles para a rua com segundo amarelo. Venha de lá o Hearts.

7. Estamos donos do jogo: eles em desvantagem na eliminatória, mas com dez, mal saem lá de trás. Um fora de jogo que não entendi tirou o hat trick ao Pavlidis - uma pena! Ríos lá para dentro - seja bem reaparecido -, Barreiro para o merecido descanso. Ui, espera aí que o VAR dá o golo como válido, isto na Europa é outra coisa: três-zero!

8. O António a querer despedir-se em beleza - está a fazer um belo jogo: que desmarcação para o Ríos, ceifado na área, penálti, toma lá o poker do PA-VLI-DIS!!!! E já aí estão o Lukebakio - bem, que jogada logo que lhe deram a bola! - e o Schjelderup. E vêm lá o Duran e o Dedic. Coitados dos suíços...

9. Sudakov finalmente a mostrar-se e Lenglet a marcar para gáudio dos 60 mil que quase lotaram a Catedral. E logo de seguida o francês safou com corte extraordinário um golo cantado na nossa baliza após defesa incompleta de Trubin.

10. Um jogo de pré-época a doer. Excelente para a equipa se encontrar. Muito boa a segunda parte, mas não vamos ignorar o fraco valor do adversário. Em todo o caso, útil para espantar os fantasmas que qualquer nosso mau resultado faz pairar em tudo o que é programa de comentário."

Nem foi precisa a cavalaria para a goleada acontecer


"Dedic, Tomás Araújo, Aursnes, Ríos, Lukebakio, Schjelderup e Durán começaram no banco, mas houve um enorme Pavlidis (quatro golos) e mais meia dúzia de jogadores em muito bom nível

Era o que faltava, meus caros, o Benfica cair na 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa e frente aos descoloridos suíços do St. Gallen. Mesmo tendo perdido na primeira mão por 1-2, mesmo ainda sem alguns dos mais valiosos jogadores do plantel em alto rendimento, mesmo com Marco Silva a apalpar terreno para perceber, com exatidão, o que é preciso para redimensionar o clube encarnado para o patamar que merece, era o que faltava o 18.º do ranking UEFA ser eliminado pelo 228.º!
Havia em cima da mesa a dúvida, lançada por Marco Silva, sobre quais os jogadores que chegaram mais tarde aos treinos que iriam a jogo. Dedic? Tomás Araújo? Aursnes? Ríos? Lukebakio? Schjelderup? Até mesmo Jhon Durán? O treinador surpreendeu ao não surpreender: nenhum destes sete nomes esteve no onze inicial e, relativamente à primeira mão, houve apenas duas trocas: Manu Silva por Enzo Barrenechea e Miguel Figueiredo por Leandro Barreiro. Surpresa talvez apenas a inclusão do argentino, depois do jogo nada conseguido em St. Gallen. A cavalaria, excluindo Aursnes, ficava no banco.
O Benfica entrou mal no jogo. Parecendo nervoso e com alguns passes errados, permitiu ao St. Gallen, nos primeiros minutos, dar a sensação de que era uma equipa de média dimensão europeia. Os suíços começaram por andar perto da baliza de Trubin e, com o ucraniano sempre muito hesitante a sair da baliza, os adeptos encarnados sofriam um pouco.
Porém, pouco a pouco, com Barreiro a dar maior dinamismo ao meio-campo e com Sudakov muito mais mexido e ousado do que tem sido normal, o Benfica passou a tomar conta do jogo e, mesmo antes de o dominar por completo, chegou ao golo. Bah a executar rapidamente um lançamento lateral na direção de Rafa, este progrediu dez metros e colocou a bola, milimetricamente, ao alcance do pé esquerdo de Pavlidis, o qual, sem ninguém a seu lado, rematou por entre as pernas do guarda-redes, igualando a eliminatória.
E, de repente, tudo melhorou. Bah e Dahl transformaram-se em pequenas setas pelas laterais, Kaminski começava a criar algum perigo através da sua velocidade, Pavlidis segurava bolas à espera de que alguém aparecesse para tabelar, Rafa crescia a olhos vistos e até António Silva ousava entrar com a bola dominada pelo meio-campo e defesa do St. Gallen. Por duas vezes, esteve perto de marcar. Tal como Baldé, que, num lance quase fotocopiado do golo que marcou na Suíça, enviou a bola ao poste direito da baliza de Trubin.
O Benfica dominara 90 por cento da primeira parte, mas o remate de Baldé, em cima do intervalo, não deixava espaço para grandes dúvidas. Era preciso que os encarnados, pós-intervalo, atacassem, sim, mas não pudessem esquecer-se de defender a baliza de Trubin.
Os primeiros minutos da segunda parte foram quase iguais aos primeiros da primeira parte. St. Gallen a aparecer, de novo, muito atrevido e à procura do golo que lhe voltasse a dar vantagem na eliminatória, mas a ousadia durou pouco. Ao minuto 54, Leandro Barreiro andou muito perto do golo e, aos 55’, o 2-0 chegou. No meio da avalancha ofensiva encarnada, Kaminski encontrou Pavlidis sozinho no meio e este, de novo de pé esquerdo, fez o 2-0.
Logo a seguir, Sudakov obrigou Stanic a fazer-lhe um paredão perto do círculo central e o croata viu, de forma justa, o segundo amarelo e consequente vermelho. Em vantagem na eliminatória e com um homem a mais, só um terramoto impediria o Benfica de seguir em frente para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa. E aos 65’, numa jogada com múltiplos toques de múltiplos jogadores, Pavlidis, de cabeça, com assistência de Bah, fez o hat-trick e fechou, com chave de ouro, jogo e eliminatória.
A seguir, Marco Silva começou a meter a cavalaria: Leandro Barreiro por Richard Ríos (66’). E foi mesmo este quem, fugindo pela direita, entrou na área e sofreu falta para grande penalidade. Pavlidis, o herói da noite, transformou-a no 4-0 e no seu quarto golo.
Mais cavalaria logo a seguir: Kaminski por Lukebakio e Rafa por Schjelderup (ambos aos 75’); Pavlidis por Jhon Durán e Bah por Dedic (ambos aos 77’). A partir de então, com quatro golos de vantagem e um homem a mais, a dúvida era apenas uma: até onde subiria o resultado?
Aos 82, foi a vez de Lenglet, após passe atrasado de Lukebakio, fazer golaço de pé esquerdo: 5-0! Por fim, regresso ao princípio: era o que faltava, meus caros..."

Éna, dío, tría, téssera, pénte — as notas do Benfica


"Pavlidis foi o rei da eliminatória

Melhor em campo: Pavlidis (8)
Marcou golos (quatro) para todos os gostos, dois de pé esquerdo, um de cabeça e um de pé direito. Mas, para qualquer treinador, deve ser um gosto ver como foi muito mais que isso. Para lá de finalizador letal, deu-se ao jogo, ocupando por vezes as áreas de Sudakov, quando recuava no terreno, para receber a bola e combinar com os companheiros e permitir a saída de bola. Jogou bem, por isso, de costas para a baliza e ainda mais de frente para o guarda-redes . No primeiro golo, finalizou de primeira com o pé esquerdo; no segundo, recebeu a bola de António Silva, tocou para Kaminski, recebeu com pé direito e disparou com o esquerdo; no terceiro, cabeceou após centro de Bah; no quarto fuzilou com o pé direito no penálti. Éna, dío, tría, téssera. E como houve cinco, então pénte. Percebe-se que é um, dois, três, quatro, cinco em grego, certo?

Trubin (5) — Não passou tranquilidade à equipa, apesar de ter começado bem, agarrando um centro após um canto aos 3’ e defendendo um remate forte, cruzado e perto de Balde. Aos 17’, saiu mal da baliza, Balde ficou com a bola, mas Lenglet salvou o empate. Defesa complicada e apertada para a frente aos 84’.

Bah (5) — Com o St. Gallen distraído, lançamento lateral rápido a servir a velocidade de Rafa, que assistiu Pavlidis no primeiro golo. Também assistiu Pavlidis no terceiro golo, depois de um bom lance ofensivo. Aos 43’ também cruzou para finalização perigosa de Leandro Barreiro. Mas teve vários momentos negativos: aos 13’ foi batido por Balde e permitiu depois o remate perigoso do avançado; aos 17’ perdeu lance de cabeça com Boukhalfa na área; aos 40’ perdeu dois duelos com Balde, que rematou ao poste. Segunda parte mais tranquila.

António Silva (8) — Que bela forma de se despedir da Luz. A partir da meia hora, depois de já ter feito um excelente passe vertical para Rafa, percebeu que a equipa precisava dele a atacar. Aos 35’ arrancou para o meio-campo adversário, quebrou a marcação individual, meteu a bola em Pavlidis e foi recebê-la na área de Rafa, mas Balde cortou o lance. Forte nos duelos individuais, o lance do segundo golo nasce depois de um passe do capitão para Kaminski. Ainda foi protagonista de mais duas arrancadas com bola de fazer inveja a qualquer médio e foi eficaz também a meter bolas longas no ataque. Foi líder quando a equipa precisou. Ah, e esteve perto de marcar num cabeceamento após canto apontado por Sudakov.

Lenglet (7) — Salvou de cabeça o empate (13’), evitou que Hunziker marcasse aos 84’ e falhou o momento de corte a Frokaj que se isolou e falhou na cara de Trubin. Fez dois bons passes para Rafa e Sudakov na segunda parte e fez de avançado ao marcar, com o pé esquerdo, o quinto golo, depois de centro de Lukebakio.

Dahl (5) — Sem grande influência ofensiva na primeira parte, melhorou na segunda, destacando-se num remate de pé direito fora da área para defesa de Dumrath e num bom centro de Sudakov. Leandro

Barreiro (6) — Energético, não deixa qualquer adversário descansado. Aos 19’ queixou-se de ter sofrido penálti e pela área surgiu a finalizar várias vezes, aos 43’ até esteve bem perto de marcar, mas a bola saiu por cima da barra. Andou para a frente e para trás, para a esquerda e para a direita, e aos 54’, isolado por Sudakov, rematou para defesa de Dumrath.

Enzo Barrenechea (5) — Aos 3’ apanhou um susto, deixando escapar Boukhalfa para um ataque perigoso. Demorou a encaixar no jogo, ou seja, onde posicionar-se, que movimentos fazer, quando e onde e como pressionar. Também raramente foi a melhor solução para a saída de bola. Tinha sempre Gortler. Estabilizou depois do intervalo, aos 52’ recuperou uma bola perto da área do St. Gallen e meteu-a logo em Pavlidis, que decidiu mal.

Rafa (7) — Veloz como uma chita, desmarcou-se nas costas da defesa suíça e meteu a bola em Pavlidis no lance do primeiro golo. Aos 19’ isolou Leandro Barreiro com um toque de calcanhar. Aos 45+2’ recuperou a bola e rematou em arco por cima da barra. Aos 53’ cruzou com açúcar, mas Pavlidis e Kaminski não chegaram a tempo para encostar. Aos 65’ isolou Bah no lance do terceiro golo.

Sudakov (6) — Pouco influente na primeira parte, apesar de ter cruzado para cabeceamento perigoso de António Silva. Deu-se ao jogo na segunda parte. Aos 54’, fez um grande passe de trivela a isolar Leandro Barreiro. Três minutos depois foi derrubado por Stanic, que viu o segundo amarelo e o vermelho. Somou ainda três remates. E foi, sobretudo, uma solução ofensiva, mais confiante e com muita vontade de ter influência.

Kaminski (6) — Primeira parte negativa, com más decisões, embora com compromisso defensivo. Subiu muito de rendimento na segunda. Aos 55’ simulou receber a bola, deixou-a para Pavlidis, foi receber mais à frente para fazer assistência para o segundo golo do grego. Sentiu-se melhor quando pisou terrenos interiores.

Ríos (6) — Entrou aos 66’ e pouco depois estava a ser derrubado na área. Com larga área de ação e sem estar pressionado, até pareceu soltinho, apesar de ter poucos dias de trabalho.

Schjelderup (5) — Sem impacto ofensivo, ainda tentou acelerações pela esquerda.

Lukebakio (6) — Entrou cheio de vontade e genica, na primeira jogada deixou Owusu para trás, tirou Okoroji da frente e rematou rasteiro em arco ao lado do poste direito. Fez também a assistência para Lenglet. Manteve o ritmo alto da equipa.

Dedic (5) — Logo no primero lance já estava perto da área com a bola. Aos 90+3’, depois de arrancada, meteu a bola em Lukebakio, que decidiu mal.

Durán (5) — Apenas lhe chegou uma bola, após centro de Lukebakio, que quase nem conseguiu cabecear. Mas também vinha muito alta."