Últimas indefectivações

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Assim também vale !!!

Benfica 5 (8) - (7) 5 Sporting
(Coelho, Kutchy, Silvestre, Higor, Carkinhos, Nunes, Jacaré, Pany)

Vi jogo todo com muitas desconfiança, a incapacidade do Benfica em matar o jogo, a abrir uma vantagem tranquila, sempre que ficávamos com 2 golos de vantagem, eles marcavam imediatamente a seguir, deixou-me com o pé atrás... E o tempo regulamentar deu-me razão, com dois erros individuais no final, permitimos o empate! E no prolongamento a mesma história, vantagem para o Benfica, e nos últimos segundos mais erro, que deu no empate! Mas desta vez, os penalty's caíram para o nosso lado! Seria tremendamente injusto, uma equipa que nunca teve em vantagem em toda a partida, sair do pavilhão com uma vitória! E até tiveram o 5.º penalty para ganhar... mas o puto Carrera, esteve na baliza, e acabou por ser decisivo!


As duas equipas, este ano, estão a cometer mais erros defensivos, nos três jogos, as oportunidades têm sido muitas, decidindo-se quase tudo na eficácia! Hoje, até aproveitámos bem as bolas paradas... mas podíamos ter resolvido as coisas mais cedo!

Esta época tivemos dois jogos horríveis em Alvalade, espero que não se repita... trazer a decisão para a negra, é muito arriscado!

7 títulos Nacionais


Este fim-de-semana decorreu o Campeonato Nacional de Regatas em Linha em Montemor-o-Velho. O Benfica arrecadou 7 Ouros:
K1 200 - Messias Baptista
K1 500 - João Ribeiro
K1 1000 - Fernando Pimenta
K2 500 - João Ribeiro, Messias Baptista1
K4 500 - João Ribeiro, Messias Baptista, Fernando Pimenta, Pedro Casinha
K1 200 - Teresa Portela
K1 500 - Teresa Portela

Pisados na cabeça!

Farsa...

Não atrapalhem...

Roubo!

Vai ficar tudo igual !!!

E estes são só os erros admitidos pelo Rascord!!!

Zero: Mercado - Benfica resiste a assédio turco e segura Pavlidis

BF: Jovens...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Balneário da seleção nacional vive um clima de “paz podre”?

Campeões!


"O Benfica está de regresso aos títulos nacionais no hóquei em patins no masculino e no futsal no feminino. Este é o destaque nesta edição da BNews.

1. Campeões nacionais
O Benfica é campeão nacional de hóquei em patins no masculino pela 25.ª vez. Frente ao Sporting, o Benfica venceu por 3-1 no jogo 3 da final e assegurou o título.
O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, enalteceu o título "três anos depois e com um registo invicto".

2. Campeãs nacionais
Na negra da final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal no feminino, o Benfica ganhou por 4-1 ao Nun'Álvares e sagrou-se campeão nacional pela 8.ª vez.
Na mensagem de felicitações, Rui Costa sublinha que é "com inteira justiça que reconquistamos o título nacional".

3. Equipa técnica anunciada
Saiba quem acompanha Marco Silva na orientação do plantel de futebol profissional do Benfica.

4. Transferência
Gonçalo Oliveira passa a representar o Rennes.

5. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

6. Jogos do dia
No jogo 1 da final do Campeonato Nacional de hóquei em patins no feminino, o Benfica venceu a Gulpilhares por 7-0, na Luz.
Também no Pavilhão Fidelidade, às 21h00, há o jogo 3 da final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal no masculino.

7. Reportagem BTV
Uma viagem pelos Centros de Formação e Treino (CFT) do Clube, onde se replica a metodologia do Benfica Campus.

8. Campeonatos Nacionais de regatas em linha
Acompanhe a prestação dos canoístas do Benfica.

9. Bom desempenho
Reynier Mena alcançou a sua melhor marca do ano nos 200 metros.

10. Casa Benfica Freamunde
Esta embaixada do benfiquismo reabriu as portas com nova imagem."

Há uma febre laranja a arrastar pessoas pelos EUA. A culpa é de um barulhento autocarro dos Países Baixos


"Desde que os Países Baixos chegaram ao Mundial que um autocarro laranja de dois andares anda pelo Texas, nos EUA, atrás da seleção. É um íman de neerlandeses, que o acompanham em cada cidade num cortejo até cada jogo. Em Houston, onde a cor bate certo com a cidade, as notícias da vinda do arraial arrastou milhares de pessoas (norte-americanos ou adeptos neutros) que despertaram cedo só para estarem presentes na romaria - quando chegou ao destino, foram tantos os que seguiram para o estádio como os que apanharam o elétrico para ir embora

O relógio já se refastelou além das 10 horas, faltam menos de duas para o jogo, mas há elétricos, um após o outro, a buzinarem em vários tons de gravidade - pelos vistos, dispõem de um manancial de buzinadelas - enquanto arrancam em direção ao centro de Houston, a partir da estação mais próxima do NGR Stadium. É onde os Países Baixos vão jogar com a Suécia. Cada carruagem vai recheada até às costuras de gente vestida de laranja, em nenhuma cabe mais uma pessoa. Porém, vão para longe, em sentido contrário à razão que junta magotes de gente alaranjada nesta manhã de sábado.
Há quase tanta gente a encaminhar-se na direção do estádio quanto a que ensanduichada se vê dentro das carruagens, a fazer o percurso inverso. Os que chegam e os que se piram estão todos vestidos de laranja.
Quem abandona tão cedo já teve o que pretendia. Dentro dos elétricos apontados ao regresso à downtown vão americanos, mexicanos, argentinos, colombianos ou portugueses, pessoas que despertaram com os passarinhos, foram em romaria rumo ao campus da Rice University, em concreto para o estádio de futebol americano do seu college, a mais de quatro quilómetros do recinto do Mundial, só para serem engolidos pela reencenação do enorme cortejo que persegue o rasto ao autocarro de dois andares, com música a dar, cornetas a apitar, que acompanha a seleção dos Países Baixos no Mundial.
A febre provocada pelo Oranje Fans é real, sobretudo contagiante. E Houston, a clutch city, assim alcunhada por ter sido anfitriã de alguns apogeus do desporto americano em que uma equipa, encostada à parede, torneou as improbabilidades e acabou por ganhar, encaixa que nem luva na onda: todas as suas equipas vestem de laranja, ou têm algo da cor no seu equipamento. Os Dash do futebol feminino, os Dynamo do masculino, os Texans no futebol à moda americana e os Astros do beisebol, que inclusive usam vários tons de laranja.
Era uma inevitabilidade à espera da chegada do autocarro dos Países Baixos à cidade. Até laranjas são os pesados fatos de astronauta, de corpo inteiro, feitos de tecido grosso no qual é bordado o símbolo da NASA que em Houston tinha o seu Centro Espacial quando o homem olhava para cima, vai a esfera branca cheia de crateras no céu e aspirava a fazer o que Frank Sinatra cantou.
Há uns quantos corajosos, inconscientes por arrasto, que os têm vestidos neste sábado, desejosos por derreterem e se fundirem com o calor infernal da manhã que escalda a Greenbriar Road - são mais de 30 graus, o bafo da humidade cola pingos de suor a qualquer pele. Não demove os milhares que calcorreiam a longa rua atrás do autocarro que apenas uma minoria vê, mas a maioria sabe que passou por ali, barulhento e festivo. Na peregrinação laranja a perder de vista, convocada na página de Facebook onde, na véspera, o autocarro apareceu a posar diante do Space Centar da NASA - “Um pequeno passo o homem, um salto gigante para a Laranja”, foi a desinspirada legenda -, os neerlandeses são um pequeno rodapé.
O arraial rumo ao ponto de encontro, pelas 8h45, movia rápido as pernas de muitos com uma romagem embalada a inglês. “Sinto que estão aqui muitos impostores”, ouve-se um jovem dizer ao grupo de amigos, no seu apurado sotaque norte-americano. Ele e eles não são estranhos ao seu comentário certeiro.
A embalar o predominante laranja, mesmo o pintado nas camisolas da seleção dos Países Baixos de outros anos, de passados torneios, o burburinho de fundo é inglesado. O nativo septuagenário que às tantas surge a pedalar na sua bicicleta e a usar a campainha para as pessoas se desviarem serve de prova de algodão: as cabeças que giram atentas ao ouvirem o sinal, logo se desviando mesmo sem localizarem de onde vem, identificam os neerlandeses. Vêm de um país onde estão programados para as bicicletas estarem primeiro.
Na extensão da estrada que atravessa bairros residenciais de vivendas imitadoras umas das outras, viradas ao passeio, de relva aparada, sem vedações, estão famílias sentadas nesses jardins, pais, mães, filhos e cães a admirarem a parada. Tiram fotografias, filmam, é toda uma ocasião - e vestem algo laranja, o que for. Sentam-se em cadeiras na relva a aplaudir a passagem ou põem-nas na parte de trás de carrinhas pick-up, para terem uma perspetiva sobre o fenómeno peculiar que visita Houston. Escuta-se mais do que uma vez um “howdy y'all!” de pronúncia texana, os locais estavam de sobreaviso.
A delimitar a rota há jipes da polícia estacionados em cada perpendicular da rua. Os agentes sorriem, acham graça, dizem o seu não tem de quê aos obrigados que recebem das pessoas laranja. Não tantos quanto os bombeiros, parqueados com gigantes camiões vermelhos, que bombeiam água contra os calores, pondo chuveiros gigantes ao longo do percurso.
A caminhada demora cerca de duas horas, depende do passo. Há quem dedique paragens para tirar fotografias ou conversar com quem ache graça, é fácil, surge gente mascarada de astronauta, pessoas com cães com adereços, adeptos com camisolas da Colômbia, de Portugal, da Dinamarca, de Curaçau, da Nigéria. Neste Mundial acolhido por estes Estados Unidos de Donald Trump que negam vistos a cidadãos de países participantes, barraram a entrada a um árbitro da Somália e obrigam várias nacionalidades a deixarem depósitos, no mínimo, de cinco mil dólares se quiserem entrar, uma das nações faz comungar várias diásporas.
E a laranja vivo, quase choque, a dar bastante nas vistas, para roçar nos olhos de que se gosta de esquecer de como a história destes Estados Unidos deve páginas e fascículos a pessoas vindas de fora, as que foram escavar as riquezas destes e depois trabalhar nas obras que levaram o betão a arranjar os céus. Muitas mais camisolas haveria por aqui se não fosse o caso.
As da Argentina não faltam, estão nos corpos do casal de idosos equipados dos pés à cabeça com as cores da seleção campeão do mundo, o seu Golden Retriever igual, a indiferença dos três a desfilar na cara da relação que o seu país partilha com os neerlandeses: derrotaram-nos nas finais dos Mundiais de 1974 e 1978, nas meias-finais de 2014 ou nos ‘quartos‘ do Catar.
Nada de grave, pior seria tivessem as suscetibilidades marcado presença, longe de ser o caso: veem-se dezenas de pessoas com camisolas do México a segurar pequenos cartazes com “No era penal!” escrito, alguns até com fotografias coladas a acompanhar a frase popularizada no país após os oitavos de final da edição de há 12 anos, quando a Holanda, ainda era permitido chamar-lhe Holanda, eliminou El Tri do torneio com um penálti assinalado sobre Arjen Robben. Desde que seja laranja pode-se lavar a roupa que se queira - há quem tenha tido a atenção de estampar a frase em t-shirts dessa cor, para a ocasião.
O autocarro já lá vai, onde andamos nem no horizonte se vê, nas redondezas do estádio universitária escutou-se com insistência pessoas a questionarem os agentes da polícia onde estava o veículo, se já tinha partido, se ia com muito avanço, se dava para o alcançar se corressem (antes de caírem para o lado, tal o calor), se havia chance de o ver um pouco mais à frente. Até uns quantos adeptos da Suécia, de camisolas amarelas, cedem à tentação de viver a febre laranja. Uns deles param junto às estátuas em forma de ursos, feitas de arbustos e vestidas com camisolas laranjas, outro exemplo do preparo dos residentes de Houston para receber o cortejo.
Só tinham um cuidado a pedir, posto numa tabuleta diante da instalção artística: “Não alimentem os ursos, por favor.”
Já perto da estação de elétrico onde desagua algo de inusitado, ouvem-se uns assobios misturados com apupos quando surge um grupo de matulões. São cerca de uma dezena de homens enormes, musculados, com roupas pretas e justas, botas da mesma cor; passam em corrida e escoltados por agentes da polícia. Ouvem-se “ICE out!”, audíveis mas ainda assim um pouco contidos. Os visados, supostamente agentes da Immigration and Customs Enforcement, miram os corajosos que se aproximam para assobiar.
Não estavam fardados nem com as armas, nem com as cores beges que há uma semana tinham os vários elementos do Department of Homeland Security, esses identificados, que vigiaram a entrada chegada de adeptos ao estádio de Houston antes do Alemanha-Curaçau.
Desembocada a peregrinação na estação do elétrico onde se vira para seguir caminho para o estádio, está-se no lugar onde o autocarro, umas duas horas antes, pôs a falange a pular e dançar e gritar com melodias berradas por colunas, animando as hostes e gravando os vídeos que se tornam virais nas redes sociais. Assim é o passa-palavra de uma febre. Em Houston, até teve Edwin Van der Sar e Wesley Sneijder, outrora internacionais holandeses, a apanharem boleia no terraço do autocarro.
É também o lugar onde muitos dos milhares de pessoas darão meia volta e seguirão para casa. Vivida a experiência, o futebol era outra coisa. O próximo jogo dos Países Baixos é em Kansas City, se estiverem por lá, já sabem."

Mundial 2026: o tubo de ensaio que o futebol oferece ao futuro


"O Mundial 2026 está a ser um laboratório para testar aquilo que se pretende para o futuro da arbitragem. O objetivo é muito claro: proteger o tempo útil, reduzir interrupções artificiais e aumentar a justiça material das decisões dos árbitros

Os Campeonatos do Mundo sempre foram palco de grandes histórias ao longo das últimas décadas. Mas são também, muitas vezes, o primeiro grande laboratório onde o futebol testa aquilo que pretende ser no futuro.
O Mundial de 2026 não é exceção à regra.
Desta vez, estão a ser estreadas (e aplicadas) várias alterações às Leis do Jogo aprovadas pelo IFAB, para a Época 2026/27. O objetivo é muito claro: proteger o tempo útil, reduzir interrupções artificiais e aumentar a justiça material das decisões dos árbitros.
É uma mudança de paradigma, sobretudo porque já se percebeu que o número de infrações assinaladas em cada partida pesa, mas não é - nem de longe, nem de perto - o primeiro dos motivos a destruir a fluidez de jogo.
Neste caso nem se trata de reinventar o futebol.
Trata-se de tentar corrigir comportamentos que, ao longo dos anos, foram deformando o espetáculo. E a verdade é que, até agora, já vimos nesta competição vários exemplos práticos de como se deve começar a construir a casa.
A primeira e talvez mais visível das mudanças é a nova contagem de cinco segundos para reposições demoradas nos lançamentos laterais e pontapés de baliza.
A lógica aí é simples: se uma equipa deliberadamente atrasa o recomeço, o árbitro faz contagem visual. Se o tempo expirar, perde a posse, concedendo-a ao adversário.
Fácil. Funcional. Eficaz.
Durante décadas, o futebol conviveu com segundos preciosos desperdiçados em gestos aparentemente insignificantes: bolas demoradas nas reposições, caminhadas encenadas, pausas estratégicas para ajeitar a meia ou as caneleiras. Individualmente pareciam sempre pouco, mas todas somadas retiram minutos inteiros aos jogos.
Era aí que o futebol moderno precisava de coragem: não bastava compensar o tempo perdido, quando a irritação do adversário e a quebra do ímpeto já tinha feito o seu papel; era necessário proteger o jogo enquanto ele acontecia. Em tempo real.
Outra novidade importante é a recomendação VAR em segundos cartões amarelos claramente errados.
Esta alteração era necessária.
Até agora, um erro de análise numa segunda advertência errada ficava fora do radar do VAR. Agora não e ainda bem: uma expulsão injusta que a tecnologia deteta, não pode ser negligenciada pela vídeo arbitragem.
Mas até agora, o momento mais discutível deste Mundial aconteceu precisamente numa zona cinzenta da nova redação do texto das leis:
- No jogo entre EUA e Paraguai, o árbitro neerlandês mostrou inicialmente o cartão amarelo a Tim Ream, por falta sobre Miguel Almirón, mas só depois do jogo recomeçar é que o VAR interveio por alegada “identidade errada”. Após revisão, Ream viu o amarelo retirado e Almirón foi advertido por simulação.
O desfecho foi justíssimo. O processo é que levantou questões, porque ali não houve apenas erro de identidade, houve mudança da própria natureza da infração. E isso expôs como algumas alterações legais, ainda que bem-intencionadas, precisam de maturação interpretativa.
Aliás, neste caso, a FIFA acabou por clarificar rapidamente este enquadramento: intervenção e decisão disciplinar correta (mas o jogo devia ter recomeçado com bola ao solo).
No início de cada época, leis novas testam-se e afinam-se, tal como aquela que agora prevê a possibilidade de se corrigir pontapés de canto indevidamente assinalados.
É outra mudança discreta, mas relevante, onde a tecnologia pode fazer o seu papel com rapidez e eficácia.
Quem está no futebol sabe que um canto mal assinalado pode decidir jogos. Os golos de bola parada nascem muitas vezes de erros aparentemente menor. Lembrem-se: o problema nunca é o erro em si, mas a sua consequência.
A novidade aqui é pragmática: só pode haver correção imediata via VAR se isso não atrasar o recomeço. Se o canto for executado rapidamente, segue jogo (e fé em Deus).
João Pinheiro assinalou pontapé de canto (corretamente), corrigindo depois a sua decisão para fora de jogo, por indicação do seu VAR. Decisão justíssima - a irregularidade anterior existiu mesmo -, mas outra em que valerá a pena perceber ouvir o que esclarece a FIFA sobre esta alteração.
É, como sempre, equilíbrio puro entre justiça e legalidade. Entre acerto e fluidez.
O futebol não pode viver refém da obsessão pela perfeição absoluta, mas também não pode continuar a aceitar erros corrigíveis ou comportamentos claramente antidesportivos em nome da tradição e da emoção. Não agora, onde o produto é mais, muito mais do que meramente desportivo.
Repito: equilíbrio.
No fundo, as leis mudam para proteger uma algo essencial: o jogo, o jogador, o espetáculo.
Se todos estiverem alinhados nesse objetivo, a coisa só pode melhorar."

A (laranja) mecânica que podia ensinar umas coisas a Portugal


"Aqui há umas semanas, um supercomputador — um qualquer, já não me lembro qual nem onde — avançava, divulgaram os media, que a final seria entre Países Baixos e Portugal. Sem certezas, tenho na memória que a Laranja vencia. Lembro-me sim que pensei qualquer coisa do tipo 'já não basta fazerem-se passar por nós que agora já acham que sabem mais de futebol.'
Desconheço o racional, que teve certamente a ver com o valor dos jogadores, a sua experiência, as ligas em que jogam e até o passado mais ou menos recente, e os resultados que cada país tem conseguido, no entanto, tenho dúvidas de que o coeficiente teimosia de treinador tenha feito parte dos parâmetros. Mas, pelo menos, é um computador e não um polvo.
Neste momento, ainda que nos falte ver como se comportam os portugueses no segundo encontro, as duas seleções não podiam estar mais afastadas. O que não quer dizer que os neerlandeses ganhassem de caras se defrontassem os portugueses, isso é outra questão.
Ronald Koeman é um bom estratega — viu-se isso quando passou por cá —, mas não é nenhum génio e não inventou a roda. Estruturou-se no 4x3x3 tradicional, ainda que assimétrico, e conta com competência em todos os setores, desde logo uma defesa sólida, com Verbruggen na baliza e Dumfries, Van Hecke, Van Dijk e Van de Ven à frente. No caso do lateral, bem mais à frente, o que pode ser explorado pelos rivais. O meio-campo apresenta o gestor de ritmos De Jong, o 'Pogba-wannabe' Gravenberch e o vertical Reijnders. No ataque, a esquerda é de Gakpo, seja junto à linha ou nas diagonais, e Koeman promoveu o twist decisivo com o deslocamento do goleador Malen para a direita para aproveitar a fisicalidade de um Brobbey com sete vidas entre os centrais. E há ainda um Summerville que mexe sempre quando entra. Ataque posicional com jogadores entrelinhas e triangulações, atrair dentro para explorar fora, transição ofensiva em vertigem. Uma lição para quem queira ver."

Portugal precisava deste choque


"Seleção ainda não encontrou forma de encontrar um ponto de equilíbrio na gestão de expectativas, ao que se junta agora a gestão de balneário. Mas foi bom ter batido com a cabeça na parede

As ondas de choque ainda se fazem sentir por essa opinião pública e publicada fora na sequência da péssima exibição da Seleção Nacional frente à República Democrática do Congo, mas talvez tenha sido bom para todos, desde os adeptos aos próprios jogadores, este banho de realidade para baixar o otimismo exagerado que pode ser muito interessante para o marketing mas que pouco ou nada acrescenta a um grupo de jogadores que tem no seu ADN a pressão de conquistar títulos - não precisam de ser lembrados a toda a hora que desta é que é, eles já têm essa experiência nos clubes que representam.
A história dos Mundiais de futebol mostra-nos que muitos campeões nasceram da adversidade e que se foram moldando em pela competição, numa corrida de trás para a frente. Quem não esquece, por exemplo, que o herói francês Zinédine Zidane em 1998 foi expulso frente à Arábia Saudita num lance em que revelou uma gritante imaturidade, afastando-o do resto da fase de grupos e pondo em risco a equipa? Ou a derrota na estreia da Espanha que viria a ser campeã em 2010? E o mesmo em 2022 com a vencedora Argentina, que bateu de frente contra todos os seus fantasmas após a surpreendente derrota com a Arábia Saudita?
A beleza de um Mundial ou um Europeu é o facto de, ao contrário das competições longas, o tempo ser um aliado de quem precisa urgentemente de mostrar a outra face. Mas este é um Campeonato do Mundo diferente, que por ter 48 equipas obriga a um intervalo maior entre jogos. Se por um lado é positivo porque permite maior descanso físico, por outro pode ser prejudicial a nível mental, especialmente para quem não ganha. Nos Mundiais e Europeus disputados por esta geração (para não falar do que está para trás), cada partida foi disputada com hiatos temporais de três a quatro dias; já entre o jogo da RD Congo e Uzbequistão, será quase uma semana a separá-los. Vale que esta é uma realidade transversal a todas as equipas, se bem que são poucas (talvez Brasil, França, Inglaterra e Argentina) que tenham tanta atenção mediática (já incluindo o universo digital) do que Portugal no Mundial 2026, muito por culpa de Cristiano Ronaldo e da narrativa da Última Dança do avançado do Al Nassr, que tanto alimenta o lado romântico do futebol mas também expõe o fanatismo que excede os mínimos da razoabilidade. Que não haja dúvidas: para a Seleção ter luz e paz, tem de encontrar um ponto de equilíbrio na gestão de balneário e de expectativas. Será que o vai conseguir?"

Messi e Cristiano Ronaldo: o adeus de uma geração


"Este Mundial pode ficar marcado por ser o adeus de alguns dos jogadores que definiram as últimas duas décadas do futebol mundial. A imagem mais marcante surgiu no jogo inaugural da Argentina. Lionel Scaloni emocionou-se ao substituir Messi e, no final, explicou porquê: «Eu chorei porque este é o último Campeonato do Mundo de Messi. Está a acabar e, sempre que penso nisso, começo a chorar. É um privilégio ver este homem jogar.»

Os reis: Messi e Ronaldo
Já dei por diversas vezes a minha opinião sobre a utilização de Ronaldo na nossa Seleção. Atualmente acrescenta pouco quando começa de início. Participa cada vez menos no processo ofensivo, reage pouco à perda de bola e os seus movimentos estão mais orientados para a procura do golo do que para servir o coletivo. Tudo isto não apaga aquilo que foi, pelo contrário.
Talvez seja por isso que olho para este Mundial com a mesma emoção com que Scaloni olhou para Messi ao substituí-lo. Pode ser a última vez que vemos estes dois jogadores num Campeonato do Mundo. No caso de Messi, continua a impressionar a forma como ainda consegue deslumbrar. Se este for realmente o seu último Mundial, será recordado exatamente pelo que sempre foi: um génio do jogo. No caso de Ronaldo, existe o risco de quem não o viu nos seus melhores anos ficar com uma imagem incompleta de um jogador que marcou o futebol mundial durante duas décadas.
É também por isso que é tão importante saber fechar ciclos. Ronaldo ainda pode ser uma peça importante nesta competição, mas provavelmente num papel diferente. Algo semelhante ao que Lukaku fez frente ao Egito: entrar nos últimos 20 ou 30 minutos, agitar o jogo, empurrar a equipa para a frente e enfrentar adversários já desgastados.
Mesmo assim, a última imagem dificilmente fará justiça ao jogador extraordinário que foi durante tantos anos. Seja como for, para quem gosta de futebol, este Mundial pode representar o encerramento de uma era. Durante duas décadas, Messi e Ronaldo dominaram o jogo como poucos na história. Foram as grandes atrações. Alimentaram-se um do outro. Obrigaram-se mutuamente a superar limites que pareciam impossíveis. Quem teve o privilégio de acompanhar as suas carreiras viu a história ser escrita semana após semana.

O Príncipe Modric
Um pouco abaixo dos dois reis das últimas duas décadas surge Modric. Um jogador cerebral, inteligente, dotado de uma visão de jogo e de uma qualidade técnica extraordinárias. Foi rei e senhor na Croácia e tornou-se uma lenda do Real Madrid. Sempre pensou o jogo antes dos outros. Sempre encontrou espaços onde poucos os conseguiam ver. Ao longo da carreira demonstrou uma serenidade rara nos momentos de maior pressão. Modric não corre, desliza pelos relvados.
Num futebol cada vez mais físico e acelerado, foi a inteligência que o distinguiu. Sem ter uma enorme estatura, conseguiu-se sempre impor numa zona do relvado onde as disputas são normais. Provou que o jogo continua a pertencer aos que pensam mais depressa e executam melhor. O adeus de Modric às grandes competições de seleções não deve ser ofuscado por Messi ou Ronaldo. No futebol há espaço para todos, sobretudo para aqueles que são especiais.

O mágico Neymar
Vamos ver se o craque brasileiro se vai conseguir despedir das grandes competições dentro do relvado. Neymar fez uma bela carreira, mas é daqueles jogadores que deixam a sensação de que podiam ter ido mais além. Tinha um talento raro. Foi um dos jogadores mais criativos da sua geração. Havia sempre algo de imprevisível no seu jogo. Um drible, uma finta, um passe ou um gesto técnico que mais ninguém via. Durante muitos anos foi o rosto do futebol brasileiro. Por tudo isso, fica a sensação de que podia ter atingido o nível de Messi ou Ronaldo. O talento estava lá. O que lhe faltou foi ter a mesma dedicação diária à profissão e a mesma obsessão pela excelência que caracterizou os dois grandes rivais desta geração.

O arquiteto De Bruyne
Mais um jogador incrível. Deixou saudades em Inglaterra ao serviço do Manchester City e vai deixar saudades na sua seleção. De Bruyne dentro do campo perdia a aparente timidez. Tem uma visão de jogo inacreditável. Tem a capacidade de tornar as coisas simples. Pensa mais rápido e executa com muita qualidade. Ao longo da carreira afirmou-se como um dos melhores médios da sua geração. Os seus remates fora da área vão deixar saudades, mas sobretudo os passes que mais ninguém via.

Neuer, Dzeko, Salah e Lukaku
Estes quatro também se devem despedir este ano das grandes competições. Neuer teve uma carreira fantástica. Mudou a forma como olhamos para os guarda-redes. A sua capacidade para jogar longe da baliza e participar na construção ajudou a redefinir a posição. Dzeko foi a maior figura da história do futebol bósnio. Um ponta de lança inteligente, competitivo e difícil de marcar, que se afirmou durante muitos anos ao mais alto nível. Salah é o príncipe do Egito. Tornou-se uma referência do Liverpool e uma inspiração para milhões de adeptos no mundo árabe. Foi um dos jogadores mais influentes da sua geração. Lukaku é uma força da natureza. Nem sempre recebeu o reconhecimento merecido, mas foi uma peça determinante da melhor geração belga das últimas décadas. A expressão a técnica da força encaixa-lhe na perfeição.

Harry Kane: subvalorizado
Guardei Harry Kane para o fim. É provável que ainda o vejamos no próximo Mundial, mas esta é uma boa oportunidade para falar de um dos jogadores mais subvalorizados da sua geração.
Parece-me que o futebol nunca lhe deu a dimensão que merece. É um jogador fantástico. É um 10 e um 9 em simultâneo. Tem qualidade de passe, visão de jogo e uma capacidade rara para fazer jogar a equipa. Sabe recuar, ligar setores e organizar como um médio. Ao mesmo tempo, finaliza dentro e fora da área, de pé esquerdo, de pé direito e de cabeça.
Também é o primeiro defesa das suas equipas, sempre disponível para o esforço coletivo. Talvez por não ter o brilho de outros ou por não ter construído a sua carreira rodeado da mesma mediatização, de uma forma injusta, passa muitas vezes ao lado dos holofotes.
Para mim, é o avançado mais completo da atualidade. Quando esta geração for recordada, Harry Kane merece ser lembrado entre os grandes nomes que marcaram esta era.

A VALORIZAR: YAN DIOMANDE
O futebol tem a particularidade de poder mudar vidas. A carta que escreveu para a sua falecida irmã devia ser lida por todos.

A DESVALORIZAR: PEDRO PROENÇA
Não faz sentido o presidente da FPF escrever uma mensagem no seu instagram com o jogo de Portugal a decorrer. Ou ele ou quem lhe gere as redes deviam ter mais cuidado."

‘Better Call Saul’ na vida real: o negócio milionário dos ‘Abogados’ que inunda as estradas de Miami


"MIAMI — Quem se faz à estrada na mítica Route 66 — ou, no nosso caso atual, nas intermináveis intersates (sobretudo a 95) que ligam Miami a Palm Beach — é engolido por uma paisagem urbana que parece saída diretamente de um guião de Hollywood.
Esqueçam os anúncios a hambúrgueres ou ao novo modelo da Ford. Aqui, o rei do asfalto americano veste fato, gravata e promete o paraíso financeiro após a desgraça. Bem-vindos ao festival dos billboards de advogados, a versão real, massificada e em esteróides de Better Call Saul.
Para quem cresceu a ver as peripécias de Saul Goodman, o carismático e trapalhão advogado da série de culto que recorria aos métodos mais bizarros para angariar clientes, o cenário na Florida não é ficção: é um negócio de milhões.
A cada quilómetro, painéis gigantescos competem pela atenção dos condutores com slogans agressivos. «Bateu? Ligue já!», «Não pague se não ganhar!», ou «Culpado? Nós resolvemos».
Nas zonas de Miami e Palm Beach, o fenómeno ganha uma cor muito própria. Dada a imensa densidade da comunidade latino-americana, o inglês cede espaço ao castelhano. O grande destaque das últimas milhas vai para um outdoor hilariante: um advogado de olhar penetrante, ostentando um colossal chapéu de cowboy, mesmo por cima da palavra «ABOGADOS» escrita em letras garrafais. É o marketing de guerrilha no seu esplendor, piscando o olho ao eleitorado hispânico.
Nesta selva jurídica, o filão de ouro são os acidentes de viação. Se há chapa batida, há uma apólice de seguro para espremer. Logo a seguir, surgem os incidentes em áreas comerciais — a típica rasteira no chão molhado do supermercado que, nos EUA, se transforma instantaneamente num processo por negligência e em indemnizações chorudas.
O ambiente em Palm Beach mantém-se de recato absoluto no quartel-general da Seleção, mas basta cruzar a barreira do resort para mergulhar neste ecossistema puramente capitalista. Onde o cidadão comum vê uma tragédia ou um azar na estrada, estes Sauls Goodmans modernos cheios de dentes brancos e poses triunfais veem a oportunidade de uma vida. Se a moda pega em Portugal, o IC19 nunca mais será o mesmo."

Bússola da nossa vida


"Existem várias formas de nos relembrarmos de um ano em específico. De como era a nossa vida, onde estávamos, que cargo ocupávamos, se já tínhamos saído de casa ou apenas de um dia memorável. A minha chama-se futebol. É um retrato fiel do meu crescimento, de todas as fases de vida e, invariavelmente, a memória (seletiva ou não) da minha felicidade está diretamente associada a um resultado desportivo.
O Mundial é o expoente máximo desta realidade. A Copa do Mundo, como dizem os brasileiros, trilha a nossa vida de forma espontânea, funcionando como uma chamada de aviso à navegação de quatro em quatro anos. Obriga-nos a refletir sobre a nossa própria evolução, enquanto nos debruçamos em discussões quase filosóficas sobre as mudanças do jogo e as suas implicações. Todos os Mundiais trazem novidades que assustam e trazem ao de cima todos os impulsos de velhos do Restelo existentes no nosso corpo.
Temos aversão em tocar no que para nós é sagrado. Não é a mudança dentro do relvado que nos preocupa, mas sim a nossa conceção do desporto que nos apaixonou no Mundial exatamente anterior. É a competição da nostalgia, porque não há ninguém que não se recorde do seu primeiro Campeonato do Mundo.
É uma marca que fica e que podemos repetir em loop sem necessidade de recorrer à internet. No meu caso, tenho gravado na cabeça a imagem de Zidane a cabecear violentamente Materazzi numa tarde em Berlim, onde ainda não sabia o que era a Alemanha, mas já sabia o que era o desporto-rei.
Este fenómeno que funciona como educador cultural que nos permite desde criança querer saber mais sobre os países organizadores, conhecer as cidades através dos nomes dos clubes e fazer uma associação direta entre 2010 e África do Sul.
Uma paixão que encontra sentido global durante um mês e nos ajuda realmente a avaliar o estado de maturidade da nossa vida. O Mundial das vuvuzelas coincide com o início da minha consciência desportiva e política.
Na verdade, sempre as associei e para mim vivem de mão dada. Era a crise internacional que chegava a Portugal, Jorge Jesus a revolucionar no Benfica e a minha professora de Inglês — a sul-africana Miss Diane — a fazer-me mergulhar na cultura do país de Mandela, pincelado pela primeira vez que ouvia falar no apartheid.
O golo de Siphiwe Tshabalala — esse nome tão difícil de pronunciar e impossível de esquecer — que me entrou nos poros como um grito de um país tantas vezes neglicenciado. O primeiro não se esquece. Da busca incessante do golo de Ronaldo à Coreia do Norte à mão kamikaze de Suárez ao Gana, ficam momentos icónicos vividos sob o véu da idade que temos quando os assistimos.
É ela que molda a nossa perceção e a intensidade com que vivemos cada momento, como aquela tarde de 11 de Julho de 2010, onde vi aquele golo de Iniesta num campo de férias de surf na costa alentejana. A vitória espanhola custou-me ainda mais depois da dolorosa eliminação da nossa Seleção às mãos do pico do tiki taka, que teve de se socorrer do fora de jogo do golo de Villa.
É no Mundial que vivemos o sabor das primeiras injustiças. Recordo-me sempre do meu pai me contar desde cedo de como o país — quando chegar lá era uma miragem — sofreu com o Brasil de 82 e com a picada mortífera de Itália, que afastou uma das melhores seleções da história da glória. Puxando a fita 4 anos à frente, é o teletransporte para uma vida que não vivi e para o Azteca que já visitei sem lá ter colocado os pés.
Quando o vi no jogo de estreia desta edição, a cabeça foi imediatamente para a voz de Victor Hugo Morales a relatar o tricotar de Maradona pelos jogadores ingleses num golo que serviu para vingar uma guerra e confirmar a justiça poética da Mão de Deus minutos antes. Não consigo descrever racionalmente este fio mental que se forma na minha cabeça, permitindo associações que só fazem sentido porque existe Mundial.
2014, 2018, 2022 e 2026 transformaram-se em anos redondos e de significado indiscutível. São adolescência, os primeiros exames nacionais a contar, a liberdade da universidade e, finalmente, o primeiro ano completo de trabalho.
É a minha vida ao ritmo da redondinha, onde os ídolos que escolhi na infância vão também crescendo e desaparecendo, fascinando e desiludindo. São as histórias que nos marcam, onde Vozinha deixa de ser o veterano guarda-redes do Chaves para passar a herói mundial, fazendo-nos coletivamente acreditar no sonho do elevador social que pode ser o futebol.
E, é por isso, que nunca alinhei particularmente naquele discurso que surge ciclicamente e que nos pede para não deixarmos que o Mundial nos distraia dos problemas do mundo. Como se a paixão pelo futebol exigisse uma suspensão do pensamento crítico ou uma neutralidade impossível perante aquilo que nos rodeia. O futebol nunca precisou dessa autorização. A abstração dos 90 minutos é uma das suas maiores virtudes e sempre existirá. Não é preciso pedi-la.
O que o Mundial faz é precisamente o contrário: obriga-nos a contextualizar o tempo em que vivemos. Daqui a décadas, dificilmente nos lembraremos dos vencedores dos agora 12 grupos ou dos marcadores dos oitavos de final. Mas saberemos exatamente onde estávamos. Recordaremos o país que discutia determinados temas, a cidade onde vivíamos, as pessoas que estavam à nossa volta e as preocupações que carregávamos. O Mundial funciona como um marcador temporal, uma espécie de termómetro que nos permite medir a nós próprios.
Em 2030 e em Portugal, quero ser capaz de descrever este Mundial 2026 sem começar pelo vencedor. Quero dizer que foi o Mundial do primeiro ano completo de uma nova fase da vida, de novas responsabilidades, de novas rotinas e, depois sim, da tão esperada conquista. Quero que seja o Mundial que associo imediatamente a uma palavra ou estado de espírito.
É essa a beleza desta competição. Enquanto os jogadores lutam por levantar o troféu mais desejado do planeta, nós vamos silenciosamente construindo o nosso próprio álbum de memórias. A taça vai mudando de geografia. As recordações, essas, vivem em todo o lado. São a bússola da nossa própria vida."

Ego, fotografias e viagens



"Vai aceso o debate sobre Cristiano Ronaldo na Seleção. Normal num país onde a opinião é livre e o futebol é um assunto de Estado vivido de forma intensa e muitas vezes irracional. Mas há um outro debate que devia estar a ser feito e não está: em que é que se transformou a FPF de Pedro Proença?
Quando se é presidente da Federação e se publicam quatro fotografias nas redes sociais já com o jogo da Seleção a decorrer, não estamos a falar apenas de uma total falta de noção ou bom senso; é o retrato perfeito de alguém para quem o jogo é secundário. É o ego e a exaltação da imagem que contam.
Falemos tb da última fotografia de Proença ao lado dos pais de Diogo Jota. Não se trata de discutir o momento, mas o contexto. Para aqueles pais, cada jogo da Seleção é hoje um momento inevitável de memória, saudade e dor. O sorriso de Proença revela total incapacidade para compreender o significado daquele instante. É o sorriso de quem vive apenas para a imagem e em função da imagem. A FPF de Proença é ele, depois ele e, finalmente, ele!
E só isso explica o extraordinário e inédito feito que este conseguiu no final da Taça de Portugal: Houve mais vídeos de Proença postados nessa noite que do Torreense. Ninguém na FPF com bom senso?
É nisto que se transformou a FPF, uma instituição que deixou de servir o futebol português para servir o seu presidente, com a permissão daqueles que se “vendem” por algumas mordomias.
Realizar uma reunião da Direção da Federação em Houston, durante o Mundial, é mais um sinal do novo-riquismo provinciano que se instalou na Cidade do Futebol. Isto, mais a comitiva itinerante de delegados e presidentes de associações de futebol que durante 4 dias se passeiam por Houston.
O futebol português ganha zero com estes milhares de euros gastos em viagens e estadias, mas Proença ganha. Consolida relações de dependência, distribui favores e reduz a margem de escrutínio. Foi assim que Proença chegou à Federação e é assim que se pretende manter nela.
Ilegal? Provavelmente não, mas imoral.
Mais, o resultado dos generosos contratos publicitários celebrados pela Federação com grande parte dos órgãos de comunicação social está à vista. Raramente se encontra uma análise crítica, uma pergunta incómoda ou uma investigação séria sobre os custos, os excessos e as opções que têm marcado esta gestão.
A FPF beneficia do estatuto de utilidade pública. Administra recursos que pertencem, em última análise, ao futebol português e não aos seus dirigentes. Talvez não fosse má ideia alguém no Governo (talvez o IPDJ) interessar-se por este desvario."

True!

Terceira Parte #5 - Seleção Portuguesa, Europa vs América do Sul e João Baião

BolaTV: Dias de Mundial...

No Princípio Era a Bola - Países Baixos e Alemanha: duas equipas com muito mais potencial ofensivo do que defensivo. E o regresso de Cabo Verde

ESPN: Futebol do Mundo #585

LiveMode: Mundial #22

LiveMode: Aquece vais entrar #18

AA9: Mundial - Day 10

Rabona: Germany vs Ivory Coast, Netherlands vs Sweden | Day 10 World Cup Daily Recap

Terceiro Anel: WORLD CUP 2026 - BEST AI PROMO EVER!! 🏆⚽️ - unknown artist: AMAZING 👏🏽👏🏽👏🏽

FIFA: Áustria...

FIFA: Argentina...

FIFA: França...

FIFA: Iraque...

FIFA: Noruega...

FIFA: Senegal...

FIFA: Argérlia...

FIFA: Jordânia

FIFA: Bélgica - Irão

FIFA: Espanha - Arábia Saudita

FIFA: Tunísia - Japão

FIFA: Equador - Curaçau

domingo, 21 de junho de 2026

25.ª Campeões Nacionais

Benfica 3 - 1 Sporting

Campeões, com uma época invicta no campeonato, nenhum indicador podia ser mais esclarecedor!!! Eu até acho que os Lagartos, entraram nesta Final sabendo que seria quase impossível vencer o Benfica! A atitude que os jogadores demonstraram nestes três jogos da Final, foi exemplar!!!

As derrotas na Taça e na Champions, ainda hoje, são difíceis de aceitar, mas não temos outro remédio do que tentar fazer a época perfeita, para o ano!!!

Com a despedida do Ordoñez e do Chiquinho, ainda vamos ficar com o plantel mais novo... o futuro tem tudo para ser nosso! Podemos de devemos ambicionar a abrir um ciclo dominador no hóquei...

8.ª Campeãs Nacionais

Benfica 4 - 1 Nun'Álvares

Reconquista concretizada, numa Final muito complicada, com muitos obstáculos pelo caminho: lesões e arbitragens e ainda os postes!!!

Hoje foi o nosso melhor jogo, merecíamos uma vitória mais larga, e mais cedo... os golos decisivos só apareceram na parte final do jogo! Foi necessário muito coração!

A equipa reagiu à perda do título na última época... e reagiu aos penalty's inventados e principalmente à expulsão da Angélica e da Inês Matos e os respetivos castigos!!!

Iniciados - 18.ª jornada - Fase Final

Corruptos 2 - 1 Benfica
Aquino


Despedida com derrota, após duma vantagem inicial...

NÚMEROS ESTRATOSFÉRICOS EUSÉBIO É ETERNO


"Este post não é para dizer quem é melhor.
É só para lembrar que Eusébio, tantas vezes injustamente esquecido, foi um jogador absolutamente fabuloso. Teve números estratosféricos na carreira e no único Mundial em que participou arrasou por completo: nove golos em seis jogos! Mais uma assistência, pelo que também os números de participação direta para golo (pdg) são extraordinários.
E é por estarmos a viver mais um Mundial que é altura de tirar pela enésima vez o chapéu ao nosso inesquecível King."

Cassiano Klein e a coragem de mexer no que parecia definido


"Quando um treinador chega a um grande, sobretudo a um grande que vive há anos à sombra de uma hegemonia rival, não lhe basta treinar bem. Tem de convencer. Tem de mexer em hábitos instalados. Tem de tocar no orgulho do balneário sem o ferir. E, acima de tudo, tem de ganhar.
Cassiano Klein chegou ao Benfica com esse peso às costas e respondeu da melhor forma possível: conquistou o campeonato nacional e juntou-lhe ainda a Taça da Liga logo na primeira época. Na presente temporada voltou a deixar a sua marca ao conquistar a Taça de Portugal e continua na luta pela Liga Placard, numa final de play-off frente ao Sporting, que regista, para já, uma igualdade a um jogo.
Só isso já justificaria o reconhecimento. Mas o caso de Cassiano Klein merece uma análise mais profunda do que aquela que os títulos, por si só, permitem.
O Benfica precisava de um abanão. Não apenas tático, mas emocional. Precisava de recuperar a convicção de que podia voltar a discutir o poder no futsal português sem entrar em campo com a sensação de ter sempre algo a provar. E foi precisamente isso que Cassiano trouxe: devolveu competitividade, retirou peso mental e reintroduziu uma ideia fundamental nas equipas vencedoras: os jogos grandes não são um problema, são uma oportunidade.
No futsal moderno, como disse Ricardinho:
− Um treinador não muda apenas a tática, muda a mentalidade da equipa.
É precisamente nessa dimensão que identifico o maior impacto de Cassiano Klein. O Benfica não mudou apenas na organização do jogo; mudou na forma como compete, reage à pressão e enfrenta os momentos decisivos. Curiosamente, o próprio treinador brasileiro rejeita a ideia de transformação imediata baseada apenas no discurso. Para Cassiano, tudo começa na confiança humana:
− A confiança nasce de uma escolha de ser leal e procurar ajudar as pessoas no momento em que mais precisam. No desporto e na vida, é muito fácil ter pessoas próximas nas horas boas. Mas é quando as coisas ficam difíceis que percebemos em quem podemos confiar.
Penso que foi precisamente essa visão que esteve na base de uma das decisões mais inteligentes da sua chegada ao Benfica: entrar no balneário sem ideias pré-concebidas nem preconceitos sobre o grupo que encontrou. Assumiu-me:
− Ouvi muitas coisas negativas e positivas sobre este grupo, mas preferi fazer a minha própria análise. O que todos vimos foi a grandeza deste grupo. Tenho muita gratidão e orgulho em dividir o balneário com eles.
Mas importa sublinhar algo essencial: nenhum treinador transforma uma realidade sozinho. O sucesso de Cassiano Klein nasce também de um alinhamento coletivo que importa valorizar. Desde logo, da sua equipa técnica. No futsal, o trabalho há muito deixou de pertencer apenas ao treinador principal. A preparação física, a análise de adversários, o treino específico e o detalhe estratégico resultam de uma estrutura, de uma equipa multidisciplinar. Quando existe alinhamento na ideia e na metodologia, o treinador ganha consistência e a equipa ganha identidade.
Depois há a própria estrutura do clube. O Benfica continua a ser uma organização sólida no futsal, com estabilidade, exigência e condições de trabalho de topo no futsal mundial. Quando um treinador encontra um contexto que acredita no projeto e lhe oferece suporte para implementar ideias, as probabilidades de crescimento aumentam significativamente.
E depois há os jogadores. São eles que transformam conceitos em realidade dentro de campo. São eles que executam, competem, assumem riscos, tomam decisões e resolvem jogos. Cassiano define essa ideia de forma particularmente interessante:
− Ninguém consegue vencer sozinho um jogo. É impossível um jogador ganhar a cinco adversários. Tudo o que falamos e treinamos é sobre ligação na defesa e no ataque. Isso é inegociável.
Essa noção coletiva acabou por se tornar uma das marcas mais evidentes deste Benfica. Uma equipa mais agressiva sem bola, emocionalmente mais disponível para competir e muito mais intensa nos momentos de pressão. O próprio treinador admite que essa mudança foi construída diariamente:
− Fomos desafiando os jogadores a fazer coisas diferentes. A ser mais agressivos defensivamente e melhores sem bola. E criámos uma competição muito forte nos treinos, porque é aí que vejo acontecer grande parte do crescimento das equipas.
Nesse contexto, faz todo o sentido recordar uma ideia frequentemente defendida por Jorge Braz:
− As grandes equipas não são apenas talento. São compromisso diário.
Esse compromisso, que é construído no treino, na exigência e na cultura competitiva, parece hoje uma das imagens de marca da equipa encarnada.
Também André Lima já destacou várias vezes aquilo que muitos treinadores brasileiros acrescentam ao futsal europeu:
− Os treinadores brasileiros trazem intensidade, exigência e uma cultura de treino muito forte.
E esse perfil encaixa claramente naquilo que Cassiano Klein tem vindo a demonstrar: intensidade competitiva, exigência permanente e coragem para mexer em zonas de conforto. Curiosamente, quando questionado sobre as diferenças entre o futsal brasileiro e o português, Cassiano evita comparações simplistas:
− Não vejo muitas diferenças. São dois países fortíssimos na modalidade. Portugal tem enorme riqueza tática e competir nestas duas ligas é uma grande aprendizagem.
Talvez seja por essa visão que se explique, também, a facilidade com que se adaptou ao contexto competitivo português.
Há ainda um fator impossível de ignorar: os adeptos. O futsal do Benfica vive muito da energia emocional das bancadas. Nos jogos grandes, nos momentos difíceis e nas fases decisivas, esse apoio transforma-se numa força competitiva real. Quando treinador, jogadores, estrutura e adeptos caminham na mesma direção, cria-se algo difícil de travar. E talvez aqui esteja outra das ideias mais fortes deixadas por Cassiano Klein. Ao contrário da obsessão moderna pelo jogo do fim de semana, o treinador brasileiro coloca o foco quase exclusivamente no processo:
− Não penso nos jogos. Penso no treino seguinte. Toda a gente quer vencer competições, mas o verdadeiro desafio é levantar-se todos os dias depois das derrotas e continuar. O que vejo nos vencedores é que continuam independentemente do que acontece. 
Treinadores que passam sem deixar marca raramente geram debate. Já aqueles que alteram dinâmicas e desafiam rotinas tendem sempre a dividir opiniões. No caso de Cassiano Klein, parece evidente que estamos perante um treinador que não passa despercebido. Possivelmente é por isso o seu nome comece já a surgir entre os treinadores mais reconhecidos do futsal internacional, não apenas pelos títulos conquistados, mas pela forma como conseguiu alterar o estado competitivo de uma equipa.
Joel Rocha disse um dia:
− Treinar não é apenas preparar o jogo, é preparar pessoas.
É precisamente aí que reside a essência do impacto de Cassiano Klein. Clareza na mensagem. Coragem na mudança. Capacidade para fazer um grupo acreditar mais em si próprio. Quando um treinador consegue isso, deixa de estar apenas a orientar uma equipa. Passa a transformar uma cultura competitiva.
O futsal português ganha com treinadores assim. Treinadores com ideias, personalidade e coragem para mexer no guião. Porque os campeonatos não se fazem apenas de talento; fazem-se também de quem consegue devolver ambição, convicção e identidade competitiva a um grupo. Cassiano Klein fez isso no Benfica. E fê-lo da forma mais difícil, mudando aquilo que muitos julgavam já demasiado enraizado para ser transformado."

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