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quarta-feira, 27 de maio de 2026

BolaTV: Fora de Jogo - 90+3 - S03E34 - Valdo

Novelas...

Entre a imoralidade e a 'chico-espertice'

30 dias


"Época terminada. Tempo para repousar, para reflectir... e daí talvez não.

"Obviamente que saio insatisfeito [com esta época]. O Benfica não sendo campeão, deixa-me sempre insatisfeito, como é natural, tal como acontece com todos os Benfiquistas. Uma palavra de apreço para todos os Benfiquistas que aqui estiveram hoje. (…) Isto é o Benfica, e, por isso mesmo, também por esta grandeza, a exigência do Benfica. Dentro dessa exigência, é natural que esta época tenha sido completamente negativa, porque não atingimos os objetivos que queríamos. (…) Finalizando, e como já disse, nesta semana farei o balanço da temporada e falarei aos sócios do Benfica."
— Rui Costa, presidente do SL Benfica, 17 de Maio de 2026

A época do futebol sénior do Benfica terminou a 16 de Maio, e vai recomeçar daqui a um mês. É que graças à vitória do Torreense na final da Taça de Portugal, o Benfica irá entrar na 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa. Com 90.000 pontos de coeficiente UEFA acumulados, o Benfica é, provavelmente, a equipa com melhor ranking de sempre a participar nesta fase de qualificação da prova secundária da UEFA. Para entrar na fase de liga da competição, o Benfica terá de disputar 3 eliminatórias sendo que o primeiro jogo está agendado para 23 de Julho. Por outras palavras, os adeptos irão ver o Benfica em acção 4 dias após o Mundial FIFA. Para quem gosta de futebol, são óptimas notícias. Para quem gosta do Benfica, nem por isso. É que os benfiquistas estavam descontentes com a época que agora terminou, até saberem que afinal têm menos de um mês até começarem a ficar descontentes com a época que se avizinha.
A pré-época do Benfica começa com o Mundial em andamento. Mais precisamente, 2 dias depois do 2.º jogo de Portugal na competição (entre a 2ª-3ª jornada do Torneio). O clube tem 8 jogadores na competição, fora outros que também irão competir em amigáveis ou selecções mais jovens. Ou seja, o treinador não terá toda a equipa à sua disposição no recomeço dos trabalhadores, o que está longe de ser ideal. Mas os problemas não acabam aqui.
Para um treinador que conhece o plantel, este problema não seria tão impactante. O problema está em saber se o Benfica terá um treinador que conhece o plantel. Para isso seria importante definir rapidamente o treinador para a próxima temporada que, relembro, começa daqui a 30 dias. E é esta indefinição que prejudica o Benfica.
Saber quem é o treinador da próxima época é essencial. À falta disso, saber quem não será o treinador da próxima época também seria importante. Mas o futebol sénior masculino do Benfica vive neste limbo, onde o clube se vê refém da decisão do actual treinador em continuar ou não. E a decisão do actual treinador está associada ao resultado das eleições de outro clube. Ou seja, o Benfica está dependente de terceiros para saber como preparar a próxima temporada. E entretanto o tempo vai passando, e potenciais treinadores que o clube tenha em mente para assumirem as rédeas da equipa poderão tomar outros rumos, de outros clubes que já tenham definido o projecto que querem para 2026-27 e os contactem para esse propósito. E quem diz treinadores diz jogadores, visto que é normal, antes de se transferirem, de quererem saber se são uma escolha do novo treinador e que projecto há em mente. O processo de decisão está afastado das mãos do clube. Isto não augura nada de positivo.
Abordado pela RTP no rescaldo da final feminina da Taça de Portugal, o Presidente do Benfica disse que "até prova de contrário", o Benfica ainda tinha treinador. Em jeito de remate, disse igualmente que "em relação a tudo o resto" iria, "durante esta semana, falar aos sócios do Benfica para explicar a época e fazer o balanço". Isto aconteceu a 17 de Maio. Entretanto, não houve qualquer entrevista, não houve qualquer balanço. A justificação é óbvia: o Benfica ainda não sabe quem será o treinador da próxima temporada, porque tal como referido anteriormente, está dependente de outros. E quando não há capacidade de decisão nem controlo do processo em andamento, existe o risco de vir para a televisão fazer promessas que não vão ser cumpridas.
O Benfica acabou uma época onde ficou aquém das expectativas, no 3.º lugar e atrás dos nossos maiores rivais. É o próprio presidente do clube que classifica esta época como "completamente negativa". Eu sou daqueles que acham que mais do que ganhar tudo, tem de haver mínimos olímpicos. E nem me considero tão exigente como alguns dos benfiquistas com quem privo (ou vou lendo por aí). Não exijo que o Benfica tenha sempre de lutar pela Champions. Apesar do coração sentir que sim, não exijo que o Benfica seja campeão todos os anos. Para mim, a cada época que acaba, o Benfica tem de estar em todas as fases de decisão até o mais tarde possível. E é imperativo que no decorrer da época (e não apenas no final), se faça uma análise profunda não só aos resultados, mas sobretudo ao projecto, ganhe-se ou não. É que uma análise implica que se está a pensar nos problemas, em vez de se estar a reagir aos problemas. É inadmissível, a este nível e com esta magnitude financeira, não haver um projecto, uma ideia que se possa defender.
As pessoas que estão à frente de um clube têm obrigação de saber mais de futebol que o comum dos adeptos. Os adeptos querem ganhar a curto prazo, e para muitos, ganhar é a prioridade, jogue-se bem ou não. Quem não ganha tem a cabeça a prémio. Mas quem está à frente do clube tem de pensar para além disso. Tem de mostrar preparação, prever em vez de reagir. Tem de saber controlar os momentos, ter capacidade (e coragem) para certas decisões difíceis. Não pode ceder a terceiros e abdicar do controlo dos acontecimentos. Tem de saber comunicar com os adeptos, fazer-lhes ver que apesar dos resultados, há uma ideia de fundo, um projecto em curso que assegure os benfiquistas que o futuro trará melhores dias. Por outras palavras, os adeptos querem poder acreditar que não se precisam de preocupar mesmo quando a época não corre como esperado. O Benfica tem 30 dias para tomar decisões difíceis e preparar uma nova época que tem obrigatoriamente de ser melhor do que esta. O que leva à seguinte pergunta: a actual direcção causa preocupação?"

O treinador português ainda está na moda?


"Principais técnicos lusos estão na iminência de mudar de ares mas, à exceção de Mourinho, nenhum deverá ser o escolhido para um grande clube do 'top' 5 europeu

Os jogadores são os principais ativos do mercado de transferências, mas as próximas semanas prometem muitas mudanças de treinadores, num daqueles alinhamentos cósmicos e com efeito de roda dentada, com entradas e saídas dependentes e interligadas.
Não é vulgar, por exemplo, termos um defeso com tantos técnicos portugueses de nomeada na iminência de mudar de ares - e alguns disputando os mesmo lugares. Partindo do pressuposto de que José Mourinho tem o futuro reservado (será o Real Madrid, mais semana menos semana) é curioso verificar que Jorge Jesus, Sérgio Conceição, Marco Silva ou Rúben Amorim estão em simultâneo no mercado, numa lista que pode estender-se eventualmente a Nuno Espírito Santo.
O que têm estes homens em comum? Todos passaram pelos três grandes de Portugal e à exceção do (ainda) líder do Fulham só um pode mesmo ser opção para o mercado de topo nacional. Os outros deverão manter-se pelo estrangeiro, mas dificilmente assumirão os principais clubes do Velho Continente, confirmando uma tendência recente: é difícil vermos um treinador português assumir o comando de um gigante de um dos cinco principais campeonatos europeus.
Mourinho será uma exceção e fruto de um contexto muito específico relacionado com a grande proximidade ao atual presidente dos blancos, Florentino Pérez, que busca desesperadamente alguém que ponha um balneário em ordem - é até redutor para Mourinho ser apontado ao lugar apenas e só pela personalidade e menos pelo que pode fazer do ponto de vista puramente técnico, tático e estratégico.
Recordando o que foi a temporada 2025/26, temos apenas os casos de Paulo Fonseca no Lyon (levou a equipa à pré-eliminatória da Champions e esteve muito tempo em zona de acesso direto numa luta em que o PSG não dá espaço à concorrência), Luís Castro que conseguiu o milagre de garantir o Levante na liga espanhola e o trio Marco Silva/Vítor Pereira/Nuno Espírito Santo na Premier League que andou entre o meio da tabela e o fundo (NES não evitou mesmo a descida do West Ham). E depois a experiência falhada de Amorim no Manchester United.
Começa a ser cada vez maior o fosso que separa a tão elogiada escola de treinadores portugueses, por exemplo, da espanhola - de longe, a melhor do mundo na atualidade. Porque o efeito-Mourinho de há 20 anos já passou: agora só abre a porta para ele."

Torreense: André Sabino e a ciência prática das decisões no futebol


"André Sabino, aos 34 anos, representa uma rara combinação entre juventude e maturidade decisional num contexto em que o futebol profissional tende a premiar a reação em detrimento da reflexão. A sua intervenção enquanto Diretor Desportivo do Torreense, observada na participação no programa Futebol Total do Canal 11 a 25 de maio de 2026, impressionou.
André Sabino revelou um perfil profundamente pragmático, orientado para objetivos claros de sucesso sustentado e assente num processo estruturado, sem nunca perder de vista a sensibilidade humana do atleta.
A forma como articula decisões não decorre de impulsos, mas de uma lógica interna coerente em que cada escolha parece servir um propósito maior. No futebol moderno, com a pressão do imediato frequentemente a distorcer prioridades, este tipo de clareza não é apenas uma competência. É um ativo estratégico.
O impacto deste perfil torna-se ainda mais evidente quando se observa o percurso recente do Torreense e a forma como a equipa se posicionou em jogos de alta exigência, incluindo a final da Taça de Portugal frente ao Sporting. Independentemente do resultado, há uma leitura estrutural que transcende o jogo: a construção de uma equipa que responde a uma ideia consistente de competitividade, sustentada por organização interna e pragmatismo coletivo.
Pelo que foi possível observar na sua participação no canal 11, o que distingue André Sabino não é apenas a capacidade de definir objetivos, mas a forma como os traduz em comportamento organizacional. A sua liderança não se impõe pelo ruído, mas pela direção. Não depende da instabilidade emocional do contexto, mas de uma matriz de decisão que privilegia continuidade, adaptação e foco.
Ressaltou também um outro elemento particularmente relevante no seu perfil: a gestão da relação humana dentro do rendimento. Num ambiente em que o atleta é frequentemente reduzido a métrica, a sua abordagem preserva a individualidade sem comprometer a exigência. Esse equilíbrio cria condições para que a performance não seja apenas episódica, mas sustentável.
O que se observa, em última análise, é uma arquitetura de liderança em que a estratégia, processo e pessoas não competem entre si. Complementam-se. E é precisamente essa integração que explica a evolução competitiva do projeto e a sua capacidade de se afirmar em cenários de elevada pressão.
O melhor exemplo desta lógica está na forma como, no programa do Canal 11, André Sabino sublinha a qualidade da equipa integrada que assegura a dimensão física dos atletas. Não é por acaso que a frescura física acontece nos momentos decisivos: ela resulta de uma construção cuidada, em que o detalhe operacional é tratado como parte essencial do desempenho global.
Num futebol cada vez mais acelerado, em que muitos decidem tarde e poucos decidem bem, a diferença está em quem consegue manter coerência quando tudo à volta pede exceção. André Sabino demonstra precisamente essa capacidade de permanência racional e intocável na linha do objetivo, mesmo quando o contexto exige algum improviso. O futuro não tem limites para um jovem como o André Sabino."

Zero: 5x4 - S06E36 - O adeus a uma lenda no meio das decisões

Zero: Mercado - Mourinho quer levar Aursnes do Benfica

BF: Mourinho e Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Surpresas e deceções nos principais campeonatos europeus

Observador: E o Campeão é... - O recorde da vergonha do SCP e o "Coelho" da alegria do SLB

Observador: Três Toques - Bolhas em Fátima e o "Cavaquinho": a Académica está de volta

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #144

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #143

Os americanos e o Benfica


"No passado dia 23 de abril, a Entrepreneur Equity Partners assinou um acordo para a compra dos 16,38% da Benfica SAD detidos pelo Grupo Valouro e pelo seu acionista José António dos Santos, conhecido no universo benfiquista como o rei dos frangos.
Trata-se de um fundo de investimento norte-americano ligado ao desporto e ao entretenimento, com participação na gestão de arenas desportivas e espaços de espetáculo. Com esta operação, investidores americanos passam a deter mais de 21% da SAD encarnada, uma vez que a Lenore Sports Partners já havia adquirido 5,24% do capital em 2025.
Importa, porém, clarificar uma questão essencial: o Benfica clube continua a controlar a SAD. Detém cerca de 67% do capital e é o único titular das ações de categoria A, que conferem direitos especiais. As ações agora adquiridas pertencem à categoria B e não atribuem esses privilégios. Este é um ponto importante.
Os estatutos da SAD foram desenhados precisamente para garantir esse controlo. O clube tem direito de preferência na transmissão das ações, pode amortizar ações de categoria B em determinadas circunstâncias, dispõe de poder de veto nas decisões estruturantes e pode nomear um administrador com direitos reforçados no conselho de administração.
Em resumo: enquanto mantiver a maioria do capital e o controlo dos órgãos sociais, quem manda na SAD é o Benfica. Mas isso não significa que os novos acionistas sejam irrelevantes. Muito pelo contrário.
A SAD está cotada em bolsa, depende de financiamento externo e necessita de preservar credibilidade junto de investidores e credores. Quem investe cerca de 40 milhões de euros não o faz para assistir da bancada. Quer influência, informação e capacidade de participação nas grandes decisões estratégicas.
Aliás, basta olhar para os números: a cotação bolsista recente avaliava a SAD em cerca de 170 milhões de euros, mas esta operação implicou uma valorização próxima dos 250 milhões. Quem paga muito acima do valor de mercado acredita que o ativo vale bastante mais e, como é lógico, espera retorno.
É difícil imaginar que estes investidores estejam interessados apenas nas receitas televisivas ou nas mais-valias desportivas. O potencial do chamado Benfica District, os naming rights do estádio, a expansão internacional da marca ou até futuras operações relacionadas com jogadores deverão fazer parte da equação.
A entrada de acionistas com experiência no mercado desportivo mais sofisticado do mundo pode, aliás, representar uma oportunidade. Os americanos dominam como ninguém a indústria do entretenimento e do espetáculo desportivo. Podem trazer novas competências de gestão, inovação comercial, profissionalização e valorização da marca.
O problema é outro. José António dos Santos há muito dava sinais de querer vender a sua participação. Perante esse cenário, teria sido desejável que a Direção do Benfica tivesse antecipado o processo, procurado investidores alinhados com uma visão estratégica para o clube e conduzido a operação em vez de apenas reagir a ela.
No FC Porto, e também no atual Sporting, dificilmente uma situação destas teria acontecido desta forma. Mais uma vez, a liderança de Rui Costa parece correr atrás dos acontecimentos em vez de os controlar. Reage, adapta-se, tenta limitar danos, mas raramente define o jogo. E tem mais probabilidades de perder.
E no futebol, como na gestão, quem passa o tempo a correr atrás da bola dificilmente consegue controlar o jogo.
O Direito ao Golo desta semana vai para o Torreense. Extraordinária e merecida vitória na Taça de Portugal. Parabéns aos de Torres Vedras pela inédita conquista: um clube da segunda divisão ganhar a Taça não tem precedente! E também para Afonso Eulálio, o ciclista português liderou a Volta a Itália durante nove dias, e está agora no segundo lugar da classificação geral. Fantástico!"

SportTV: Outro Olhar - Momentos históricos que vão deixar saudade

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Do princípio ao fim


"1. Terminou para o Benfica a temporada oficial de 2025/26, que começou tão bem, em pleno verão algarvio, com a conquista da Supertaça na decisão com o Sporting. O Benfica chegou a essa decisão na qualidade de finalista vencido da anterior edição da Taça de Portugal, num jogo inesquecível pelo volume de erros da arbitragem e da videoarbitragem, erros claríssimos que mancharam a final e que adulteraram o resultado do jogo.

2. Sim, foi há um ano que isso aconteceu no Jamor. Alimentou uma semana de conversa pública de todos os participantes e, na semana seguinte, deixou de ser assunto. Consequências não houve. Penalizações aos protagonistas de situações inadmissíveis no relvado também não houve. Suspensões ou afastamento dos protagonistas de decisões inadmissíveis naquela assoalhada no complexo daquilo a que se chama Cidade do Futebol também não houve.

3. Continuou tudo igual no futebol português. E, quando continua tudo igual, é de esperar que os resultados sejam os mesmos. O Benfica não vai estar na final da Taça de Portugal de 2026 e pedem-nos agora que torçamos pelo nosso rival de sempre, no domingo, no Jamor, para evitarmos o incómodo de começar a temporada de 2026/27 mais cedo por conta das pré-eliminatórias e do playoff de acesso à Liga Europa. Pois, pois…

4. Voltemos ao início da conversa. A temporada de 2025/26 começou muito bem com a conquista da Supertaça, mas o balanço só pode ser negativo porque será sempre negativo o balanço quando, numa época desportiva, a equipa principal de futebol do Benfica apenas vence 1 dos 4 troféus internos pelos quais tem de lutar em Portugal. Foi o que aconteceu.

5. O Benfica chegou à antepenúltima jornada no 2.º lugar e perderia esse lugar com uma arbitragem e uma videoarbitragem que o Conselho de Arbitragem da FPF viria a julgar como duplamente “insatisfatórias”. Que uma coisa destas não sirva de consolo a ninguém, por favor. Até porque, na próxima temporada, haverá mais destes momentos. Haverá os que forem necessários.

6. Saiu a lista de convocados para o Mundial. Não é um assunto que diga respeito diretamente ao Benfica, mas não há como não comentar uma explicação do selecionador Martínez sobre as suas escolhas: “António Silva? Não é ele que sai, mas sim o Tomás Araújo que entra.” Pensando melhor, perante semelhante raciocínio… comentem os caros leitores.

7. Parabéns ao futebol feminino do nosso Clube. As hexacampeãs nacionais arrastaram milhares e milhares de adeptos até ao Jamor para as ver conquistar a Taça de Portugal ao FC Porto. Foi tudo à Benfica do princípio ao fim."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Antes dos ídolos, houve Brito


"EM 1942, CARLOS BRITO TORNOU-SE NO PRIMEIRO MOÇAMBICANO A VESTIR DE ÁGUIA AO PEITO

Ser o primeiro de uma terra distante a partir para um palco maior é, ao mesmo tempo, um ato de coragem e um fardo silencioso. Não se leva apenas talento na bagagem, leva-se a esperança de muitos. Cada passe, cada golo, cada erro deixa de ser apenas individual para passar a representar um povo inteiro. Se resulta, abre-se caminho. Se falha, fecha-se uma porta que muitos sonhavam atravessar. É o peso de uma nação nos ombros de um só homem!
Em 1942, Carlos Brito chegou a Lisboa para desafiar o destino e vestir a camisola do Benfica. Vinha de Lourenço Marques, onde representava o Desportivo. Tal foi a honra de ter atraído o interesse dos encarnados que “o seu ‘custo’ terá sido o da passagem para Lisboa”.
A estreia não tardou: na 1.ª jornada da segunda volta do Campeonato de Lisboa, frente ao Atlético. O avançado iniciou o encontro nervoso, querendo desfazer-se da bola rapidamente. Com o passar dos minutos, ganhou confiança e, antes do intervalo, apontou o segundo golo do Benfica. Os encarnados acabaram por vencer por 5-2 e o moçambicano mereceu elogios por parte da imprensa: “É batalhador, não fugindo ao embate com a defesa contrária. Eleva-se muito bem, pulando com facilidade. Não tem, contudo, características de avançado-centro.” Nos jogos seguintes, marcou a todos os adversários distritais: CUF de Lisboa, Fósforos, Sporting e Belenenses.
Manteve o registo nos jogos de preparação para o Campeonato Nacional, mas só foi opção para a competição na 4.ª jornada, frente à CUF. Aproveitando a indisponibilidade de Julinho, apesar da forte oposição do defesa Lino, marcou o primeiro golo da vitória benfiquista por 3-2. Remetido depois para as reservas, apenas voltaria a atuar pela equipa de honra em jogos oficiais na partida da segunda volta, novamente frente à CUF. Esses encontros foram suficientes para integrar a lista de campeões nacionais.
Nas três épocas seguintes, atuou maioritariamente pelas reservas, com aparições esporádicas ao serviço da equipa de honra, que lhe valeram mais um título em 1944/45. Na temporada 1946/47, ingressou no Futebol Benfica, onde permaneceu durante três épocas, regressando depois a Lourenço Marques.
Carlos Brito talvez não tenha sido a estrela maior, mas foi a faísca inicial. Foi ele quem mostrou que o talento africano podia vestir de encarnado e vencer. Por isso, “quando, na Luz, o público se levanta para aplaudir o Costa Pereira, o Coluna, o Eusébio, algumas dessas palmas também são devidas, por direito de conquista, a um homem que teve a coragem” de vir jogar no Benfica. Saiba mais sobre este e outros jogadores do Benfica oriundos de Moçambique na mostra temporária Etnografia do Golo – O Património Cultural de Moçambique no Futebol, patente no piso 2 do Museu Benfica – Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

A Taça é nossa


"Não, esta crónica não é sobre a Taça de Portugal masculina da época passada – que era nossa, devia ser nossa, mas alguém exterior ao campo de jogo en - tendeu encaminhar para outros destinatários. Também não é sobre a Taça de Portugal masculina desta temporada, a cuja final chega uma equipa que não devia sequer ter passado dos oitavos, mas a quem, 12 minutos de observação vesga, e uma subsequente decisão estapafúrdia, ofereceram a eliminatória nos Açores. Não é, ainda, sobre a Taça de Portugal masculina de há dois anos, em cuja meia-final foi anulado um golo limpo a Di María, o qual acabou por nos impedir de disputar a final. E cabe aqui um parêntesis para sublinhar o quanto estas evocações nos elucidam sobre a subversão do palmarés futebolístico deste país.
Não. Esta crónica é sobre a nossa brilhante equipa feminina, e a Taça conquistada no Jamor, perante mais de 22 mil pessoas, naquele que foi o primeiro clássico Benfica-FC Porto da história do futebol feminino. Dois golos de Caroline Møller arrumaram a questão ainda na primeira parte. Houve algumas oportunidades desperdiçadas, mas o resultado não se alterou. A Taça é nossa! A dobradinha é nossa!
O futuro vai dar-nos, um dia, a real medida e o alcance destas conquistas. Agora, estiveram presentes 22 mil pessoas. Não tenho dúvidas de que, em breve, estas equipas esgotarão um estádio. Essa é uma tendência inelutável, que valorizará os triunfos de quem a entendeu antes de todos os outros. Desde que a nossa equipa feminina foi criada, com a pandemia pelo meio, somamos já 17 troféus. E é para continuar.
Do último fim-de-semana, não podemos deixar de realçar também a vitória do râguebi, que, 25 anos depois, voltou a sagrar-se campeão nacional. E, não sendo propriamente novidade, mais um campeonato de polo aquático feminino – o 7.º consecutivo!"

Luís Fialho, in O Benfica

Crescer


"É isso que faz o projeto Para ti Se não faltares!: vai ao encontro dos jovens, desperta a sua atenção, incentiva a sua ambição e esforço, e ajuda cada um deles a crescer dentro do seu ideal de vida. Este projeto acontece na escola porque, na verdade, a escola, com todos os defeitos que muitos teimam em apontar-lhe, continua a ser a grande instituição que alimenta as sociedades com cidadãos que as compreendem, que as fazem funcionar e que lhes dão sentido na sua pertença e identidade.
A escola oferece uma porta aberta para o conhecimento, mas também se posiciona cada vez mais como um complemento da família, como um motor de desenvolvimento económico e um elevador social. É disto que falamos quando pronunciamos, de uma só vez, a palavra escola. Não é coisa pouca, é, na verdade, muito, e os países, as sociedades, em particular a portuguesa, devem à escola muito do que são na atualidade, bem como a preservação da sua memória e projeção no futuro.
Infelizmente, a escola é massificada, porque tem de atingir as massas, e não consegue chegar da mesma maneira a todos, por mais que tente, e tenta muito. Por isso, é preciso aumentar a atratividade da escola, garantir que toca todos da mesma maneira e ajudar esta instituição fantástica a fazer o que faz melhor: desenvolver o potencial de cada um de nós. Mas também é preciso atuar do lado dos jovens para que entendam a importância desta instituição e entendam o inestimável valor que ela tem para cada um destes jovens extraordinários. Ora, é isso mesmo que faz a Fundação Benfica com o projeto Para ti Se não faltares!: pega na bola, junta-lhe o Benfica na sua totalidade, do futebol à mística, vai ao encontro dos jovens e permanece na sua escola, fala com as famílias, incentiva e premeia, ajuda-os a levantar quando tropeçam, e a voar sempre mais alto. É o Benfica a ser Benfica e a dar a Portugal de volta um pouco do tanto que Portugal lhe dá!"

terça-feira, 26 de maio de 2026

Palavras para quê?


"ADORMECEM E ACORDAM A PENSAR NO BENFICA
Eles são os alinhamentos nos programas de televisão, mais os jornalistas, elas são as conversas de café, dos táxis, é uma verdadeira obsessão."

Verdade!

Terceiro Anel: Bola ao Centro #204 - ENTÃO ZÉ, OU VAIS OU FICAS?!!! 🦅🔴

Leão não passou nas Linhas de Torres


"É fantástico como uma só tarde de futebol sem fronteiras pode gerar tantos eventos contraditórios e gerar danos colaterais. O Torreense ganhou a Taça e vai à Liga Europa; e o Sporting, graças ao Aston Villa, entra na Champions, num dos dias desportivamente mais negros da sua história

Começo com uma frase de que gosto bastante, porque é sábia, que recomenda cautela, é suscetível de evitar estados de euforia prematura, e assenta como uma luva no fenómeno do futebol: só a pescada é que, antes de o ser, já o era…
O Sporting entrou no Jamor a pensar que bastava mandar as camisolas a jogo para que Morten Hjulmand recebesse, das mãos do Presidente António José Seguro, a Taça de Portugal, e saiu-se mal. Houve arrogância e sobranceria na forma como o Torreense foi encarado, e essa subestimação da equipa de Luís Tralhão acabou por sair cara aos leões.
Sem querer ser minimamente injusto para com o Torreense, que foi exemplar na entrega e espartano na organização, exigia-se outra atitude à equipa de Rui Borges, que assinou uma das exibições mais displicentes dos últimos anos, dando à turma de Torres Vedras, a cada minuto que passava, mais razões para acreditar. É preciso termos consciência da dimensão histórica do que aconteceu: esta foi a maior surpresa de sempre do futebol português, precisamente por ter ocorrido numa final. O Sporting já tinha sido eliminado da Taça de Portugal por equipas do escalão secundário, mas nunca com o impacto que teve perder no Jamor com o Torreense. Não será por acaso que, desde que se disputa a prova rainha do nosso futebol, nunca uma equipa da II Divisão tinha erguido o troféu. E, perante a diferença abismal entre as forças em presença, o Torreense só ganhou ao Sporting porque a equipa de Tralhão jogou no limite máximo do seu potencial, ao passo que os leões se mantiveram no patamar mínimo daquilo de que são capazes.
Quis o destino que tudo isto acontecesse na tarde em que o Sporting ficou a saber que estava dispensado das etapas preliminares para entrar na Champions, e Portugal ficou a saber que o Torreense será o seu representante, com entrada direta, na Liga Europa. Do efeito dominó gerado no Estádio Nacional resultou também que o Benfica terá de disputar as pré-eliminatórias da Liga Europa e que ao SC Braga acontecerá o mesmo relativamente à Liga Conferência.
E Rui Borges, como sai disto tudo? Tendo renovado contrato há pouquíssimo tempo, depois de uma época em que não ganhou nada, mas chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões e obteve acesso direto ao pote de ouro da UEFA, não há nenhuma razão para pensar que possa haver qualquer volte-face quanto ao seu futuro próximo. Mas, dito isto, vai começar 2026/2027 sob o estigma do Jamor, ou seja, com níveis de tolerância por parte dos adeptos mais baixos do que teria se os leões tivessem cumprido os mínimos frente ao Torreense. Esta conclusão até pode parecer de La Palice, mas não é…
Mas falemos um pouco mais da equipa de Torres, que vai jogar a Liga Europa em casa emprestada e que, se eliminar o Casa Pia (que também anda de casa às costas), fará o mesmo na I Liga. Para quando a exigência (e a ajuda) de infraestruturas mais completas para as equipas que disputam as competições profissionais, evitando-se um choque térmico, muitas vezes fatal, quando mudam de escalão? Sei que não faltaram foliões ao Carnaval de Torres, que aconteceu, fora de época, na noite de ontem, e que trazer aqui estes temas até pode gerar um anticlímax. Mas a proeza do Torreense foi de tal maneira avassaladora que deve servir de um bom ponto de partida para conversas sérias, que, por incómodas, são demasiadas vezes varridas para debaixo do tapete."






Mourinho: bastava querer


"Falta de comunicação empurrou Mourinho para fora de um clube onde parecia querer estar e para os braços de um novo que ainda não o pode assumir

É possível que, quando este jornal chegar às bancas, ou ficar ativo no site de A BOLA, José Mourinho já não seja o treinador do Benfica e tenha assinado regresso ao Real Madrid. Se não for já, podemos imaginar que seja quando estiver a embrulhar peixe, a forrar uma gaiola ou a proteger copos, cumprindo assim, retirando os que ficam em coleções, o seu ciclo de vida.
Mas para haver uma saída, houve uma entrada. Algo que há anos parecia impossível voltar a acontecer em setembro do ano passado, acabou por ser possível num clube que estava à beira de eleições e precisava de um treinador.
Agora, menos de um ano depois, por uma sucessão de episódios de má comunicação, apesar de todos falarem português, Mourinho vai sair - não serve para o Benfica, que não foi capaz de dizer categoricamente que o quer, mas parece ser mesmo o que o Real Madrid precisa. Mas há um requinte: o treinador português, de quem muitos diziam que já nenhum clube de topo quereria e teria de se contentar com migalhas de ligas periféricas, está agora novamente envolvido num processo eleitoral, sendo o trunfo (ainda não assumido) do atual ocupante do cargo.
O rei Florentino tem agora um adversário, pelo que se gerou um efeito dominó invertido - ainda não foi lançado o nome de Mou, o Benfica não pode avançar para o sucessor, mete-se o Mundial e daqui a nada começa a época, sendo que os encarnados são os únicos que terão de começar do zero.
E o lugar está tão frio, que Ruben Amorim, por exemplo, prefere não fazer nada durante uma época inteira, do que assumi-lo. Mas o Benfica volta a precisar de treinador.
Os adeptos poderão pensar: Farioli também começou do zero no FC Porto e veja-se onde está agora. Mas por vezes mesmo copos embrulhados em jornais também se partem numa mudança mal feita."

A justiça poética do Torreense


"Torres Vedras já tinha dado ao país um cardeal-patriarca, antes bispo do Porto. Na família de Manuel Clemente, onde o Torreense é devoção antiga, houve uma fábrica de moagem que ficou na memória coletiva por ter laborado horas extraordinárias, durante a Segunda Guerra Mundial, para assim garantir que o pão nunca faltava.
Na final da Taça de Portugal, quando o nacional-futebolismo dava por adquirido que o Sporting teria o prémio de consolação de uma época falhada e a ditadura leonina não teria oposição à altura, o clube de Torres Vedras fez também História a trabalhar fora de horas.
Não há aqui milagres.
Na verdade, talvez tenha entrado em campo a "justiça poética", expressão com largo historial entre líricos do futebol e prosadores de excelência que tendem a romantizar vitórias dos pequenos contra os grandes num mundo de injustiças, talhado para poderosos. Escritores como Eduardo Galleano, Vázquez Montalbán ou Nelson Rodrigues associavam esse destino improvável a uma espécie de resgate dos invisíveis ou oprimidos, que, intrometidos e insolentes, ousam desafiar a ordem natural das coisas e desforrar-se dos senhores do mundo com heroísmo, talento e graça.
Impossível, pois, não ver na Taça de Portugal ganha pelo Torreense a justiça poética que o futebol reclamava desde que uma arbitragem escandalosa afastou o Santa Clara do caminho do Sporting.
Há também algo de justiça poética numa época em que o presidente dos "leões" exibiu uma desconhecida faceta de rufia, ainda que perfumada, como se fosse o dono da bola de uma elite privilegiada.
Mais importante ainda: como não ver, neste triunfo, a justiça poética para as regiões vítimas da prosa devastadora das recentes tempestades e que aguardam pelo devido auxílio do Estado enquanto reconstroem laços, tetos e amanhãs?
Através do Torreense, o interior enviou à capital a mensagem que só o futebol, por vezes, consegue dar.
Ao celebrar o seu Carnaval tardio, Torres Vedras mostrou aos doutos senhores da governação do país que, por vezes, bastam duas bolas no sítio certo para reduzi-los à imagem que merecem: a de cabeçudos do carro alegórico a que, por preguiça, comodismo e incompetência, também chamam país."

Não há festa como a do Jamor — mesmo para quem perde


"Quem já viveu uma final da Taça, por dentro ou por fora, sabe que é um dia único, mesmo que depois se repita mais vezes para alguns. Espero não ser vivo para vê-la fora do Estádio Nacional

Quando se passam largos minutos para sair de automóvel da mata do Jamor, depois da festa, tendemos a achar, e dizer, que «realmente isto é muito bonito mas não tem condições, blá blá blá». Como se não se passassem largos minutos a sair ou a chegar a estádios altamente evoluídos e construídos para o Euro-2004. É assim a vida (e a lógica): quando se juntam milhares de pessoas num espaço limitado não há milagres, mesmo que deputados da Nação já tenham perguntado a uma ministra porque é que as filas de trânsito são enormes e de repente «chega-se ali e começa a andar» se a polícia aparecer. Não é preciso dizer de que quadrante é este deputado, pois não?
Adiante: não há festa como a do Jamor, e quem já lá esteve sabe do que falo. Não há mau jogo que mitigue o brilho de um dia diferente, vivido de forma única. Claro que um dos lados perde e outro ganha, e a cara de quem ganha nunca será igual à de quem perde. Mas a experiência, mesmo que repetida para os felizardos adeptos dos clubes que mais vezes lá vão parar, é quase sempre boa e feliz. Teremos sempre, obviamente, o triste caso do very light a ensombrar a história da Taça de Portugal, mas como vemos todas as semanas isso poderia (poderá?) acontecer noutro recinto qualquer.
Faz calor e o sol bate e queima ? Sim. As casas de banho não são do melhor? Já foram bem piores. O estacionamento é horrível? Experimentem ir ver um jogo grande ao estádio municipal de Aveiro, construído de raiz fora da cidade, e depois falamos. Quanto tempo se passa para sair de um festival de música, por exemplo? E um dos mais famosos é mesmo ali ao lado.
Espero não ser vivo para assistir à retirada da final da Taça de Portugal do Estádio Nacional. Sei que poderia ser bem mais rentável ter muitos camarotes e é um drama arranjar bilhete para o jogo. Mas ali até vai gente (muita) só para o piquenique, para conviver e depois ver a bola numa TV qualquer, como afinal se faz todas as semanas pelo País fora.
Os próximos dias trarão rios de palavras sobre os deméritos do Sporting, que conseguiu perder a primeira final da história ganha por um clube da segunda divisão. Haverá quem veja o copo da época leonina meio cheio, outros vê-lo-ão meio vazio. Cheio ninguém, claro.
Interessa-me mais, hoje, louvar o mérito do Torreense. Não se chega por acaso ao Jamor e ao play-off da primeira Liga. E é sempre bom confirmar que o futebol é a única modalidade onde David derrota Golias com alguma frequência."

Kanal: Tamos Juntos - E agora?

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DAZN: Premier League - R38 - Golos

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Resumo do fim de semana


"Esta edição da BNews é dedicada à atividade benfiquista mais recente.

1. Últimos resultados (masculinos)
O Benfica venceu a Oliveirense em basquetebol por 86-61 e comanda as meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional por 2-0. No andebol, derrota com o Sporting por 34-22. Os Juvenis de futebol empataram 2-2 com o FC Porto.

2. Últimos resultados (femininos)
Em andebol, as já pentacampeãs nacionais perderam por 26-23 com a Academia São Pedro do Sul. Em futsal, desaire caseiro com o Nun'Álvares no jogo 1 da final do Campeonato Nacional (2-4). Em hóquei em patins, goleada obtida frente à Académica (12-0).

3. Campeão nacional
O canoísta Fernando Pimenta conquistou o título nacional de K1 Short Race.

4. Partilha de experiências
As guarda-redes do plantel sénior de futebol do Benfica estiveram com as colegas de posição da formação encarnada.

5. Estádio da Luz candidato
Em causa as novas sete maravilhas de Portugal.

6. Casa Benfica Braga
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 55.º aniversário."

Falsos Lentos - S06E38 - A Velha Merece Mais Respeito!

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - A final da Taça (e as suas consequências) e o bye bye de Guardiola

No Princípio Era a Bola - Quando achávamos que o futebol já nos tinha contado tudo, o Torreense ganhou a Taça de Portugal sem ser inferior ao Sporting

Var à Sexta #15 - Mundial à espreita!

Bola na Trave: A verdade que ninguém quer dizer!

Zero: Ataque Rápido - S07E43 - Terramoto Sporting, histórico Torreense e Benfica nublado

Tuga Fut #20 - Jamor...

ESPN: Futebol no Mundo #568

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Terceiro Anel: Entrevista na BTV...

DAZN: O Fim de um Ciclo: As Despedidas na época 2025/26 | Lewandowski, Salah, Carvajal, Bernardo Silva..

DAZN: A Despedida: As Homenagens e Discursos de Guardiola e Bernardo Silva

DAZN: F1 - Promessa e Regressos

Argentina: Trinche Carlovich, o mito boémio melhor que Maradona e assassinado por causa de uma bicicleta


"Praticamente não competiu na primeira divisão. Quase não há imagens suas a jogar. Viveu nas catacumbas dos escalões secundários. Mas Bielsa fez-se sócio de um clube só para o ver atuar, Pekerman coloca-o no melhor onze que viu, Valdano classifica-o como “lenda”, Menotti como “um mito”. Não gostava de treinar, não ia a jogos para ir pescar, faltou a uma chamada da seleção. “Voltaria a fazer tudo igual, porque desfrutei muito”, garantiu antes de um fim trágico.

Dizem que esteve temporadas inteiras sem que um adversário lhe roubasse a bola. Contam que tinha como especialidade pessoal o caño de ida y vuelta, o túnel com dois sentidos, fazendo a bola passar por entre os pés do adversário, esperando por ele e repetindo o truque. Descrevem um canhoto alto, encorpado, de caminhar lento, técnica requintada.
Fala-se de mil e uma proezas. Que uma vez o relvado estava empapado, impraticável, e ele passou o desafio jogando a bola no ar, sem a deixar cair, acariciando-a, levando-a no peito, no ombro, dando pequenos toques de joelho. Que certa tarde esqueceu-se dos documentos necessários para jogar e foi a equipa contrária a convencer o árbitro a fazer vista grossa, porque queriam testemunhar o artista.
Asseguram que era um pouco como Riquelme, um pouco como Redondo, com uma pitada de Bochini. É recordado por colegas, por adversários, por floristas, camionistas, polícias, pelo povo de Rosário, a sua cidade, terra onde nasceu em 1946 e onde deixaria de jogar em 1986, um ano antes de lá nascer outro canhoto, chamado Lionel Andrés Messi Cuccittini.
É, sobretudo, um produto da palavra. Da memória oral. Do que se diz. Do conto, do verbo, como uma história passada de geração em geração.
É Tomás Felipe Carlovich, el Trinche. Quase não jogou futebol de primeira divisão. Esteve quase sempre no modesto Central Córdoba, o terceiro emblema de Rosário, distante do Central e do Newell's. Praticamente não sobreviveram filmagens suas em campo. É tanto realidade como imaginação, passado concreto e mitificado.
Filho de um imigrante jugoslavo que foi para a Argentina depois da crise de 1929, el Trinche era o menor de sete irmãos. O talento para jogar futebol, perdão, para jogar à bola, era coisa de potrero, de futebol de rua, de futebol com terra no bolso e orgulho na alma. Pausado, vagaroso. Cheio de particularidades.
Era um solitário. Não gostava de treinar, muitas vezes faltando para ir pescar. Não gostava de fazer estágios. Tinham de o acordar da sesta para ir aos jogos. Nutria o ritual de se equipar sozinho, na lavandaria e não no balneário, porque, dizia, gostava de sentir o silêncio, a tranquilidade. Bebia. Vivia muito de noite.
“Hoje joga o Carlovich?”, tornou-se pergunta-código. Porque, muitas vezes, não jogava. Não estava para aí virado. Tinha ido pescar ou ficado a dormir.
O talento, o enorme talento dos que o recordam, pouco ou nada foi visto na elite. “Ele gostava mais de jogar à bola do que de ser profissional”, diz Cesar Luis Menotti, símbolo do futebol estético, artístico, selecionador da Argentina campeã do mundo em 1978. Ainda que o Trinche não estivesse na primeira divisão, Menotti chamou-o, certo dia, para uma pré-convocatória da seleção, tal era o talento.
Carlovich não apareceu.

O amigável que consagrou a lenda
A natureza oral, de coisa contada e não vista, leva Jorge Valdano a apontá-lo como “lenda”, Menotti como “um mito”. Não são os únicos grandes a admirar el Trinche. Bielsa, durante quatro anos, fez-se sócio do central Córdoba só para o ver jogar semanalmente. Pekerman coloca-no no melhor onze que os seus olhos — que treinaram Messi e Falcao, James Rodríguez e Pablo Aimar, Javier Saviola e Juan Román Riquelme — testemunharam.
O momento mais mitificado da vida do mito deu-se pouco antes do Mundial 1974. A seleção argentina que viajaria até à Alemanha realizou um amigável perante um combinado de futebolistas de Rosario, composto por cinco homens do Central, cinco do Newell's e Carlovich. Com o mais modesto dos jogadores ocupando o centro do meio-campo, as cronistas falaram de “um baile” levado pela equipa nacional, uma dança orquestrada pelo Trinche.
Ao intervalo, dirigentes da federação germânica pediram aos responsáveis do conjunto de Rosario que tirassem Carlovich do campo, para não desmotivar a seleção que iria ao Mundial. A vitória, por 3-1, levou, pela única vez, o boémio para as manchetes da imprensa. Colega de circunstância de Karlovich naquele dia, Mario Kempes, que quatro anos depois seria o grande herói do Mundial 1978, ficou seu fã: “Se fosse profissional, teria tido uma carreira enorme. Não respeitava as regras do profissionalismo.”
Após aquele particular, houve fortes rumores de uma transferência para França, também se especulou com a ida para o New York Cosmos, de Pelé. Nada se efetivou. “Voltaria a fazer tudo igual, porque desfrutei muito”, garante o filho de jugoslavos.
Viveria as últimas décadas com um andar algo manco, fruto das operações à anca. Não conseguia jogar à bola, mas deslocava-se sempre por Rosario em bicicleta, percorrendo as mesmas ruas de sempre. Até 2020, em plena pandemia. Quatro pessoas tentaram roubar-lhe o meio de transporte velocipédico, Carlovich resistiu e acabou com vários golpes violentos na cabeça. Ficou inconsciente, foi levado para o hospital, não sobreviveu.
Meses antes, praticamente na última aparição pública da sua vida, el Trinche encontrou-se com Diego Armando Maradona. El pibe, que não era homem de falsas modéstias nem de elogios vazios, ofereceu uma camisola a Carlovich, com a seguinte firma: “Do Diego para o Trinche, que foi melhor que eu.”"