Últimas indefectivações

terça-feira, 14 de julho de 2026

BI: Fórum - Os primeiros jogos e reforços da época 2025/2026 🦅

Águia: António Silva de saída | Urgente um Central 🚨 | Prestianni pede aumento?! | Reforços

BI: Mundial #5

Pre-Bet Show - Mundial #9 - QUEM VAI FAZER HISTÓRIA NAS MEIAS DO MUNDIAL?⭐

A mediocridade e a cobardia ao serviço de um eterno figurante. 🤫🎻

Imbecil...

Benfica FM: Salvio...

Falar de António Silva e lembrar Svilar


"O Benfica tem em mãos um assunto delicado: o que fazer com António Silva? Deixar andar, renovar e emprestar, ou vender? Uma coisa é certa: falta confiança ao jogador, que está a desvalorizar-se. Vamos ver se o clube da Luz aprendeu alguma coisa com a forma como tratou Mile Svilar, hoje um dos melhores guarda-redes do mundo, que na Luz só perdeu tempo.

MILE SVILAR, 26 anos, guarda-redes titular da Roma, com quem tem contrato até 2030, está, ao dia de hoje, cotado como um dos melhores guarda-redes do Mundo. Svilar foi um dos maiores erros do Benfica no século XXI. Melhor dizendo, a forma como o clube da Luz manejou o seu desenvolvimento desportivo, foi desastrosa. Chegado ao Seixal com 17 anos, bastava olhar para a forma como jogava para se perceber que estava ali um predestinado, que era preciso fazer crescer sem pressas, dando-lhe confiança através de uma entrada gradual na equipa principal, ou, como sucedeu com Oblak e Ederson, fazendo-o rodar noutros clubes. Os guarda-redes, para quem os erros são sempre ‘fatais’, precisam de aprender a viver com eles, e a Svilar não foi dada, em tempo devido, essa possibilidade. Depois de ter sido o guarda-redes mais jovem a estrear-se na Champions (Benfica,0-Manchester United,1) com 18 anos, a 18 de outubro de 2017, e de, em Old Trafford, ter tido uma noite infeliz, foi-lhe tirado o tapete e retirada a confiança. Seguidamente, andou a perder tempo na Luz, até que em 2022 rumou à Cidade Eterna onde veio a suceder a Rui Patrício na defesa das redes dos ‘giallorossi’. Mile Svilar, no Benfica
E por que razão estou a recordar Svilar? Porque, com António Silva, o Benfica encontra-se numa encruzilhada em que deve tomar decisões importantes. É público e notório que, depois de uma entrada triunfal, com Roger Schmidt, que o levou a campeão nacional e ao Mundial do Catar, o rendimento do defesa central encarnado tem sido cada vez mais errático, denotando falta de confiança e sendo responsável por falhas comprometedoras. Por isso perdeu a titularidade para Tomás Araújo, esteve ausente da América do Norte e não está a ter o mais promissor dos inícios de temporada.
Abrem-se três vias ao Benfica:
Mantém António Silva no plantel (está na última época de contrato) e deixa que o destino marque a hora; renova contrato com António Silva e coloca-o, fora do País, por empréstimo; ou, pura e simplesmente, vende os direitos desportivos do jogador a outro emblema, recebendo aquilo que o mercado determinar.
A escolha de um destes caminhos depende do estado de alma do jogador e daquilo que o Benfica pensa de uma eventual regeneração que inverta o plano inclinado em que se encontra.
Em minha opinião, para jogador e clube, a pior opção será a primeira, porque nenhum deles controlará a narrativa. A segunda é uma forma séria do Benfica dizer que acredita no regresso de António Silva à sua melhor versão. A terceira, a mais pragmática, será a que evitará que o clube corra riscos e que o defesa faça ‘reset’ à carreira.
Com a quantidade de jogos que tem no horizonte próximo, do ponto de vista do Benfica, este assunto pode ser tratado durante o mês de agosto, o que não obstacularizará qualquer que seja a decisão, nem prejudicará o jogador. O que não deve fazer é o que fez com Svilar, em que perdeu tudo, rendimento desportivo, investimento e, até, credibilidade como um dos clubes do mundo que melhor sabe fazer crescer os jovens.

PS1 - Uma nota mais, relativamente ao Benfica e ao crescimento dos jovens: Daniel Benjaqui, nascido em Lisboa, defesa-direito de 18 anos, campeão da Europa e do Mundo de sub-17 por Portugal, não engana, o futuro pertence-lhe. Fazê-lo crescer até atingir o tremendo potencial que tem, passa a ser responsabilidade de Marco Silva. Acredito que Benjaqui esteja em boas mãos. 

PS2 - José Mourinho acreditou em Andreas Schjelderup numa fase difícil da vida do jovem norueguês, evitou a sua saída do Benfica, fê-lo crescer em confiança, testemunhou como o extremo foi importante para os encarnados na fase final da época, e terá sido com orgulho que viu o extraordinário golo que marcou à Inglaterra e, sobretudo, o compromisso defensivo que revelou, uma das teclas mais batidas pelo atual treinador do Real Madrid na interação com Schjelderup. Special One. Jorge Jesus com Pedro Proença, na Cidade do Futebol

JORGE JESUS nunca teve medo de desafios, e foi através de uma notável capacidade de se reinventar que esteve seis épocas seguidas no Benfica (mais, só Janos Biri, entre 1939 e 1947); foi ainda o destemor que o levou a aceitar liderar o Sporting durante o consulado de Bruno de Carvalho e, cumprido esse ciclo, que começou melhor do que acabou, resolveu aderir a projetos no estrangeiro, sendo o trabalho no Flamengo aquele em que brilhou com maior intensidade. De permeio, cometeu o erro de regressar ao Benfica, uma passo que estava destinado, inevitavelmente, a um estatelanço ao comprido, como aliás sucedeu.
Campeão em Portugal, Brasil e Arábia Saudita, vencedor da Libertadores e duas vezes finalista da Liga Europa, Jorge Jesus, aos 71 anos, não tem de provar nada a ninguém enquanto treinador. O futebol português conhece-o muito bem, nas muitas virtudes e em alguns defeitos, há décadas, não tendo constituído surpresa a sua escolha para suceder a Roberto Martínez. Porém, é minha convicção que Jesus, na liderança da Seleção Nacional, vai ter o maior desafio da sua carreira, não só porque não tem experiência na função, mas sobretudo devido às múltiplas situações que terá de resolver, até ter uma equipa em que se reveja estabelecida.
Depois de 36 anos de carreira, tendo dirigido, alguns por mais de uma vez, 16 clubes diferentes em quatro países, Jorge Jesus já viu de tudo e o seu contrário, e experimentou, nas diversas fases da sua vida profissional, todos os sistemas possíveis e imaginários. Como, enquanto selecionador, não terá problemas de plantel, JJ pode adoptar um sistema base, construir variáveis, e a partir daí proceder a convocatórias que encaixem no que pretende. Felizmente para ele (e para nós, enquanto adeptos da Seleção), a clubite tem cada vez menos interferência no ambiente da turma das quinas, caso contrário, aí sim, Jesus teria um problema, especialmente porque os benfiquistas não gostaram que fosse para o Sporting, e os sportinguistas não gostaram que tivesse regressado ao Benfica.
Quanto aos propósitos anunciados na apresentação como selecionador nacional, Jorge Jesus disse tudo certo, não fugiu a nenhuma questão e foi coerente no plano que apresentou. Vinculado ao que afirmou, deve levar a teoria à prática, tendo como único objetivo o sucesso de Portugal, e sabendo que será julgado pelos resultados que obtiver. Mas, depois de uma vida inteira no mundo do futebol, JJ sabe-o melhor do que ninguém, e, tendo como propósito estar à frente de Portugal no Mundial de 2030, terá consciência de que os testes intercalares - duas Ligas das Nações e um Campeonato da Europa - são de capital importância, não só porque a Seleção Nacional tem um estatuto a defender, como ainda porque a fasquia que a FPF lhe impôs está bem alta.
Aguardemos por setembro e pela primeira convocatória para termos uma ideia do que vai na cabeça de Jesus, que deverá fazer escolhas assertivas perante a abundância de valores acima da média que tem à disposição. Para já, o passado de Jorge Jesus no futebol justifica que, mais do que dar-lhe o benefício da dúvida, tenhamos certezas quanto aos méritos que possui. Se Jesus continuar a ser Jesus (e assim o creio), manter-se-á com convicções fortes (que por vezes escalam para teimosia), preferindo ir ao fundo com as suas ideias, do que flutuar com as ideias dos outros. É esse Jorge Jesus que faz falta a Portugal."

Centralização: distribuir receitas ou criar valor?


"A internacionalização da Liga Portugal não pode limitar-se à venda de direitos televisivos. Exige estratégia comercial global, presença digital, parcerias internacionais e uma marca forte.

Portugal continua obcecado com a centralização dos direitos audiovisuais. O debate resume-se quase sempre à mesma pergunta: quem recebe quanto?
Mas essa é apenas uma pequena parte da equação.
A verdadeira questão deveria ser outra: que futebol profissional queremos construir para as próximas décadas?
Hoje, no futebol profissional da I e II Liga, já não competem clubes. Competem sociedades desportivas, quase todas detidas, total ou parcialmente, por investidores privados e, em muitos casos, por capital estrangeiro. É esta a realidade do setor. Ignorá-la é discutir o futuro com os olhos postos no passado.
Ao mesmo tempo, importa ter coragem para discutir o atual modelo competitivo. Portugal dificilmente dispõe de mais de uma dúzia de sociedades desportivas com dimensão financeira, infraestruturas, massa adepta e capacidade de investimento compatíveis com uma I Liga verdadeiramente competitiva no contexto europeu. Talvez tenha chegado o momento de repensar a organização das competições profissionais, reforçando a qualidade da I Liga e criando uma II Liga mais aberta, sustentável e atrativa para investidores, patrocinadores e adeptos.
O Governo e a Autoridade da Concorrência justificaram a centralização com a necessidade de reduzir as diferenças entre as maiores e as menores sociedades desportivas portuguesas. Esse objetivo pode ser legítimo.
Mas, se o Estado entende que deve reduzir desigualdades dentro de Portugal, porque não demonstra a mesma preocupação em reduzir o enorme diferencial competitivo entre as nossas sociedades desportivas e os seus principais concorrentes europeus?
Queremos aproximar internamente quem mais fatura de quem menos fatura, mas continuamos a aceitar que as maiores sociedades desportivas portuguesas concorram em clara desvantagem fiscal, regulatória e económica perante a maioria das ligas europeias.
É aqui que deveria começar o verdadeiro debate.
Falar de centralização sem discutir o modelo competitivo, a fiscalidade do futebol profissional — IRS, Segurança Social, IRC e IVA —, os seguros de acidentes de trabalho, os lugares em pé nos estádios, a venda de álcool, as receitas das apostas desportivas, o combate à pirataria audiovisual e a simplificação regulatória é discutir apenas uma pequena parte do problema.
Todas estas matérias representam dezenas de milhões de euros por época. O seu impacto potencial é muito superior ao de alguns pontos percentuais na distribuição dos direitos audiovisuais.
Mas criar valor significa também vender melhor o futebol português.
Portugal continua excessivamente focado no mercado interno quando o verdadeiro potencial de crescimento está além-fronteiras.
Existem milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo. São potenciais consumidores de transmissões, plataformas digitais, merchandising, turismo desportivo e experiências ligadas ao futebol português. Continuamos, porém, sem uma estratégia clara para chegar às comunidades portuguesas de primeira, segunda e terceira geração.
Ao mesmo tempo, a internacionalização da Liga Portugal não pode limitar-se à venda de direitos televisivos. Exige uma estratégia comercial global, presença digital, parcerias internacionais e uma marca forte.
Existe ainda uma dimensão que raramente é discutida.
Num futebol cada vez mais global, a contratação de jogadores deixou de ter apenas uma componente desportiva. Tem igualmente uma dimensão estratégica e comercial.
Sem colocar em causa o mérito desportivo, a presença de jogadores provenientes de mercados como os Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, México, Brasil ou países africanos pode aumentar significativamente a visibilidade internacional da Liga, abrir novos mercados para os direitos audiovisuais, atrair patrocinadores e aproximar milhões de novos adeptos do futebol português. As grandes ligas compreenderam esta realidade há muito tempo. Portugal continua, em larga medida, a ignorá-la.
As maiores sociedades desportivas são também aquelas que mais contribuem para a economia nacional. São as que pagam mais salários, mais IRS, mais Segurança Social, mais IRC, mais IVA, mais seguros, mais investimento na formação, mais emprego qualificado e maior projeção internacional para Portugal.
Não são apenas empresas de futebol. São ativos económicos, sociais e culturais estratégicos.
O caso da SL Benfica Futebol SAD ilustra bem esta realidade. Atualmente arrecada cerca de 52 milhões de euros por época em direitos audiovisuais negociados individualmente. Com a centralização poderá perder parte desse valor. Mas se, em simultâneo, fossem implementadas reformas estruturais nas matérias anteriormente referidas, o impacto económico positivo poderia compensar largamente qualquer redução nas receitas audiovisuais.
Existe, contudo, uma dimensão praticamente ausente do debate.
A empresa Liga Centralização, criada para gerir os direitos audiovisuais, poderá futuramente abrir parte do seu capital a investidores ou fundos especializados na indústria do desporto. Existe hoje enorme liquidez internacional disponível para investir no futebol.
Essa entrada de capital pode representar uma oportunidade histórica para modernizar infraestruturas, acelerar a transformação digital, internacionalizar a Liga, reforçar a competitividade das competições e criar valor para todas as sociedades desportivas.
Mas há uma regra básica em economia: primeiro cria-se valor; só depois se vende uma parte desse valor.
Alienar parte do capital da Liga Centralização antes de tornar o futebol português mais competitivo será, muito provavelmente, vender barato um ativo com enorme potencial de valorização futura. Será permitir que investidores capturem uma riqueza que deveria ser criada, em primeiro lugar, em benefício das sociedades desportivas e do próprio futebol português.
A centralização pode ser uma excelente oportunidade.
Mas apenas se fizer parte de uma verdadeira reforma estrutural do futebol profissional português.
Caso contrário, passaremos anos a discutir como repartir um bolo demasiado pequeno, quando aquilo que verdadeiramente deveria preocupar-nos é como tornar esse bolo muito maior.
O futuro do futebol português não se decidirá apenas na forma como distribui riqueza.
Decidir-se-á, sobretudo, na sua capacidade para a criar."

O peso dos campeões


"A hegemonia incomoda. Mas a história do desporto ensina que ela nunca é eterna - e quase sempre é o preço da grandeza

Sempre que um campeão parece inalcançável, instala-se o mesmo debate: estará a competitividade em risco? A pergunta repete-se de geração em geração, como se o desporto devesse garantir equilíbrio permanente e finais ao sprint. Mas a verdade é outra. A história nunca foi escrita pela igualdade constante; foi construída por ciclos de domínio, por atletas e equipas que, durante um determinado período, fizeram melhor do que todos os outros.
É isso que acontece hoje no ciclismo com Tadej Pogacar. A superioridade do esloveno é tão evidente que quase parece banal. No Tour de França, a corrida mais mediática e exigente do calendário, bastou uma etapa de montanha para voltar a cavar uma diferença que faz recordar os dois anos anteriores. Se nada de extraordinário acontecer, o quinto triunfo deixá-lo-á lado a lado com Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain. Conhecendo a sua idade e a forma como continua a vencer, é legítimo pensar que não ficará por aí.
Curiosamente, muitos olham para esta supremacia como um problema, esquecendo que os maiores da modalidade também venceram assim. Merckx ganhou com minutos de vantagem. Hinault fez o mesmo. Indurain transformou cinco Tours consecutivos numa demonstração de força raramente vista. Até Anquetil, cuja última vitória foi decidida por escassos 55 segundos, construiu a sua lenda com diferenças que, noutras edições, ultrapassaram largamente os dez minutos.
Nem é preciso recuar tanto. Jonas Vingegaard interrompeu o primeiro ciclo vencedor de Pogacar em 2022 e 2023, mas também ele o fez sem margem para dúvidas. Chris Froome dominou uma geração inteira. Antes e depois deles houve sempre alguém capaz de impor uma hegemonia, porque o desporto também vive destes momentos em que um talento excecional coincide com uma estrutura de excelência.
Confundir domínio com falta de interesse é esquecer a essência da competição. O objetivo nunca foi garantir alternância artificial de vencedores; sempre foi descobrir quem é o melhor. E quando surge alguém capaz de elevar a fasquia para níveis que os restantes não conseguem acompanhar, o desporto não perde. Pelo contrário, ganha uma referência, um desafio e uma nova página para a História.
As hegemonias não são eternas. Nunca foram. Terminam sempre da mesma forma: aparece alguém melhor, mais forte ou simplesmente mais preparado para inaugurar um novo ciclo. Foi assim com Merckx, com Hinault, com Indurain, com Froome e será, inevitavelmente, com Pogacar.
Até lá, talvez a melhor atitude não seja lamentar a distância para os adversários, mas apreciar o privilégio de assistir, em tempo real, a um dos maiores campeões que o ciclismo alguma vez conheceu."

Benfica!


"Há uma ténue linha que marca a partida de alguém. Hoje, está. Amanhã, nunca mais irá estar. Assim, sem aviso prévio. Sem saber sequer quem vai ser campeão mundial em 2026. Ou, até, perceber se é Marco Silva que vai devolver o sucesso ao nosso clube. Sabendo apenas que Pogacar vai ganhar o Tour – partindo do princípio que não haverá intervenção do imprevisível. O tempo deixou de ser tempo; o futuro e a incerteza deixaram de preocupar quem parte.
Não posso classificar de inveja aquilo que sinto quando vejo filhos a apelidarem os pais de heróis. Quer seja quando partem ou quando saúdam a sua existência. Talvez pena ou tristeza por não poder dizer o mesmo. Poder, até posso. Mas não o diria de forma sincera ou em consciência. Habituei-me a normalizar esse sentimento e a lidar com ele. Não por maldade ou distância. Apenas porque pautei a passagem entre a juventude e a vida adulta com algumas dores de crescimento. Digamos que, mais do que um exemplo a seguir, a figura paternal revelou-se para mim, em alguns aspetos, como uma amostra paradoxal do caminho a levar. Mesmo sabendo que, do lado contrário, o olhar para comigo sempre fosse de orgulho e presença. Talvez até em demasia. É verdade que sempre estive próximo. E nunca verbalizei este sentimento. Até hoje. Mas deixemos essa consternação pessoal de lado.
No entanto, verdade seja dita, há algo que emerge sobre tudo o resto. Algo que sempre fui tendo noção ao longo dos últimos longos anos de mentalização do que poderia acontecer, mais dia, menos dia.
Apesar de todas as curvas da nossa viagem, sempre agradeci a forma como me foi passado o testemunho. O gosto pelo desporto em geral, mas, sobretudo, pelo futebol. E, acima de tudo, pelo nosso Benfica. Nisso, não tenho nada a apontar. Aliás, tenho muito. Foi exemplar a forma como me fez apaixonar pelo vermelho e branco. Desde as precoces idas ao antigo, mas tão presente, Estádio da Luz, somente com dois anos, às cotas que fez questão de assegurar até à maioridade. Apesar de alguma distância de Lisboa, as romarias ao estádio nos anos 80/90 eram frequentes. Lembro-me que eram os meus dias favoritos, mesmo que ainda fosse uma criança imberbe. Fui, seguramente, mais de uma centena de vezes ao estádio, muitas mais ao antigo que ao atual, e na grande maioria delas acompanhado pelo meu pai. Desde o primeiro dia até hoje, há algo que nunca mudou: sempre que entro no estádio fico automaticamente com “pele de galinha”. Nunca falha. É automático. Não sei explicar. Talvez seja paixão. A paixão que tão bem me soube transmitir. Nem só de estádio se faz esta história, porque o Benfica acontece em qualquer esquina. Em Leverkusen, quando me escondi com vergonha atrás da porta da sala, depois de não conseguir conter o choro após o quarto golo. Percebendo dias depois que, afinal, os homens também choravam, quando vi as lágrimas a caírem-lhe do rosto, enquanto ouvia as declarações do enorme Senhor Toni, após o 6-3. Ambos na nossa sala, onde sempre víamos os jogos juntos.
As idas ao estádio abrandaram com o passar dos anos – e com a deterioração do poder instalado; mas isso não merece ser discutido, hoje, aqui. Vieram as discussões caseiras. “Devia jogar o Quim”, apontava. “Não, devia ser o Moreira”, retorquia eu. Ou vice-versa, porque sinceramente nem me recordo bem quem defendia o quê. E assim, sucessivamente, à medida que se avançava no campo. Raras eram as concordâncias. Também isso acalmou com o tempo, dando lugar a serena harmonia. Talvez por resignação dele. Ou somente por perceção de que a passagem de testemunho tinha sido passada de forma incólume. Em certo ponto, o mais novo passou a exercer naturalmente um papel de “dono” da razoabilidade benfiquista lá de casa, enquanto o mais velho passava a lidar de forma calma com todos os desfechos e agruras.
Sim, ainda consegui cumprir com o desígnio de o levar ao novo estádio. Vi, agora mesmo, através de uma rápida pesquisa, que já foi em 2016, numa curta e decisiva vitória para o título de 2015/16. Já lá vão 10 anos, embora na minha cabeça pareça que foi ontem. Apesar da dificuldade logística e da exibição não ser condizente com os famosos anos 80, cumpriu-se Benfica nesse dia. Recentemente, naquele que muitos apelidaram do dérbi do século, mas que rapidamente se tornou na desilusão do século, fiz questão de vermos juntos, à antiga, sabendo que poderia ser das últimas oportunidades de festejarmos juntos. Não conseguimos algo que nos primórdios da minha existência benfiquista parecia tão simples e destinado. De lá para cá, escusado será dizer que as conversas, quer pessoais ou telefónicas, redundavam em grande parte sobre o nosso Benfica. Até ao fim.
Obviamente, que, nesse capítulo, foi um pai exemplar. Tal como também eu tento ser na passagem desta paixão única. Também no lado humano. Sinceramente, nem sei se era de esquerda ou direita – e tão patética que considero essa questão direcional. Sei que era um humanista, acima de tudo. E é só isso que me interessa. Perante a minha experiência interpessoal, nem sequer consigo conceber ou imaginar filhos que não tenham o mesmo clube que os pais. Claro que existem. E nem quero com isto insinuar que deva existir obrigação ou condicionamento. No entanto, costumo dizer que basta, simplesmente, levar uma criança ao Estádio da Luz e ela nunca mais ousará sequer pensar em ter outro clube - embora, não consiga garantir que o atual estádio tenha o mesmo efeito do antigo. No meu caso, olho para trás, e sei bem que, de forma natural, nunca houve espaço para que eu fosse de outro clube. Felizmente.
Perante isto, resta-me agradecer o legado desportivo, futebolista e, acima de tudo, benfiquista. Obrigado pai, por me teres feito benfiquista. É um chavão, muito usado. Evito chavões, mas não o consigo sentir de outra forma. E, claro, por mais razoabilidade que me tentem mostrar, nunca deixarei de acreditar que irei cumprir o sonho de assistir àquilo que tiveste oportunidade de celebrar por duas vezes. Obrigado! Haverá sempre um Benfica entre nós, que nunca irá desaparecer. Benfica!"

Terceiro Anel: Bola ao Centro #211 - UM ARRANQUE AGRI-DOCE!!! 🦅🔴

TugaFut: Mercado...

Águia: Bayer facilita Palhinha | Umeh para até Out. | Sudakov "Sem dores" | Prestianni reage

BF: Ideias...

Zero: Mercado - Leão continua a desmontar a equipa

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - As notas da primeira aparição pública do Benfica

Observador: E o Campeão é... - Rajoy ataca e mercado nacional ferve: quem escapa ao caos?

Observador: Três Toques - Os quatro gigantes: quem vai agarrar a final do Mundial?

Tailors - Final Cut - S05E29 - Miguel Prates...

DAZN: F1 - Troca do ano?

Depois de Ronaldo, quem vende Portugal ao mundo?


"Portugal saiu do Mundial, mas a pergunta mais importante talvez não seja quando voltaremos a ganhar. A pergunta mais difícil é outra: depois de Cristiano Ronaldo, quem vende Portugal ao Mundo?
Durante mais de duas décadas, Portugal teve um privilégio raro no desporto global. Teve uma seleção com bons jogadores, grandes treinadores, clubes formadores e talento espalhado pelas principais ligas europeias. Mas teve, acima de tudo, uma marca planetária chamada Cristiano Ronaldo.
E isso mudou tudo. Ronaldo não foi apenas o melhor jogador português da sua geração. Foi o maior ativo de internacionalização do futebol português. Onde estava Ronaldo, estava Portugal. Onde aparecia Ronaldo, aparecia a camisola da Seleção. Onde se falava de Ronaldo, falava-se de um país pequeno que conseguiu produzir uma das maiores marcas individuais da história do desporto.
O estudo do IPAM sobre o valor da marca CR7 mostra bem a dimensão deste fenómeno. Em 2025, Cristiano Ronaldo atingiu um valor potencial de marca de 850 milhões de euros, o valor mais elevado de sempre desde que o IPAM acompanha esta avaliação. Em 2011, a marca valia 24,5 milhões; em 2020, 200 milhões; em 2025, 850 milhões. Não estamos a falar apenas de evolução. Estamos a falar de uma transformação económica e mediática brutal.
A dimensão digital ajuda a explicar parte desta força. Ronaldo ultrapassou os 1.000 milhões de seguidores nas redes sociais, sendo apresentado no estudo como a personalidade mais seguida do mundo. Só no Instagram, o estudo aponta para cerca de 648 milhões de seguidores; no Facebook, 170 milhões; no X, 114,5 milhões; no YouTube, 73,2 milhões.
Além disso, o número de pesquisas no Google passou de 56 milhões em 2020 para 187 milhões em 2025. Isto significa que Ronaldo deixou há muito de depender dos media tradicionais. Ele próprio é media. Ele próprio é plataforma. Ele próprio é canal de distribuição global.
É por isso que a discussão sobre o pós-Ronaldo não pode ser apenas desportiva. Não basta perguntar quem vai marcar golos. É preciso perguntar quem vai gerar atenção. Quem vai atrair patrocinadores. Quem vai vender camisolas. Quem vai colocar Portugal nas pesquisas, nos feeds, nas campanhas globais, nos conteúdos virais e nas conversas dos mercados que já não veem futebol apenas na televisão, mas em fragmentos permanentes de entretenimento digital.
Portugal tem jogadores extraordinários. Vitinha, João Neves, Nuno Mendes, Rafael Leão, Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Diogo Costa e tantos outros têm qualidade para manter a Seleção competitiva. Alguns jogam nos maiores clubes europeus, outros têm potencial para liderar a próxima década.
Mas há uma diferença entre ter grandes jogadores e ter uma marca global. A Seleção pode continuar forte dentro de campo e ficar mais fraca fora dele. Pode ganhar talento e perder alcance. Pode ter mais soluções táticas e menos magnetismo comercial.
O estudo do IPAM mostra que Ronaldo atinge 88 pontos no Sports Reputation Index, numa escala de 0 a 100, com pontuação máxima nas dimensões receitas e social media, 98 pontos na dimensão social e 91 pontos no palmarés. As dimensões menos pontuadas, media e impacto, são ainda assim elevadas, mas diminuem por estar atualmente numa liga periférica como a saudita.
Isto diz-nos uma coisa importante: mesmo afastado do centro competitivo europeu, Ronaldo continua a ser mais valioso do que quase todos os atletas que estão no centro do jogo.
Este é o verdadeiro problema para Portugal. Não existe sucessão natural para uma marca desta escala. A marca Ronaldo não se substitui por decreto, por talento ou por convocatória. Construiu-se com golos, títulos, rivalidades, disciplina, polémica, família, luxo, redes sociais, patrocinadores, recordes e uma obsessão permanente pela superação. Durante anos, Portugal beneficiou desse ativo sem talvez perceber completamente o seu valor estratégico.
Agora aproxima-se o momento em que a Seleção terá de vender-se sem o seu maior vendedor. E isso exige uma nova estratégia. A Federação, os patrocinadores, os clubes e os próprios jogadores precisam de perceber que o futuro da marca Portugal não pode depender apenas de um sucessor individual. Talvez não exista outro Ronaldo. Talvez o caminho seja construir uma marca coletiva mais forte, mais jovem, mais internacional, mais digital e mais preparada para disputar atenção num mercado global saturado.
Ronaldo colocou Portugal no mapa emocional do futebol mundial. A próxima geração tem talento para continuar a competir. Mas competir não chega. No desporto moderno, quem não comunica, desaparece. Quem não emociona, não fideliza. Quem não cria marca, perde valor.
Depois de Ronaldo, Portugal continuará a ter equipa. A dúvida é se continuará a ter Mundo."

Não haverá ‘novo’ campeão


"Antes do início deste Mundial escrevi que havia um lote de oito ou nove equipas, de valor comparável - com um ligeiro favoritismo para a França - de onde sairia o campeão do mundo de 2026.
Chegados às meias-finais, que nos garantem não haver, em 2026, um ‘novo’ campeão do Mundo (Inglaterra, 1966; Espanha, 2010; França, 1998 e 2018 e Argentina, 1978, 1986 e 2022), verificamos que vão defrontar-se quatro equipas que integravam esse lote. Das outras, a Alemanha, eliminada pelo Paraguai, foi desilusão absoluta; o Brasil, derrotado pela Noruega, também ficou aquém do esperado; e Portugal e Bélgica caíram frente à Espanha, após jogos equilibrados. Marrocos foi uma excelente confirmação e a Noruega a principal nota positiva entre os ‘underdogs’.
Alguma surpresa entre os semifinalistas? Não. Neste século (sete mundiais), será a quarta meia-final da França, a terceira da Argentina, e a segunda da Inglaterra e da Espanha. Entretanto, destas quatro seleções apenas a Inglaterra (finalista do Euro/20, onde perdeu nos penáltis com a Itália), não conquistou qualquer título neste século. A Espanha foi campeã mundial em 2010, campeã da Europa em 2008, 2010 e 2024 e vencedora da Liga das Nações de 2023; a França foi campeã mundial em 2018, conquistou a Taça das Confederações em 2001 e 2003 e a Liga das Nações em 2021; e a Argentina, sagrou-se campeã mundial em 2022, e arrecadou a Copa América em 2021 e 2024.
Podemos estar a caminho da reedição da final de 2022? É uma hipótese bastante consistente, com paralelo apenas nas finais entre Argentina e Alemanha de 1986 e 1990. No México mandou a ‘Albiceleste’, e em Itália a ‘Mannschaft’. Se a Argentina não for campeã do Mundo em 2026, será apenas a segunda vez que uma seleção europeia levanta o troféu do outro lado do Atlântico, depois da Alemanha, em 2014, no Brasil.
Sobre este Mundial, temos visto grandes jogos, disputados em estádios magníficos com relvados excelentes e bancadas a transbordar de público. A nódoa (além de arbitragens inenarráveis, de que o França-Paraguai foi o expoente máximo) caiu no pano da FIFA (e não haverá detergente que a limpe) pela forma como foi gerido o caso/Balogun, criando-se a perceção de um Infantino às ordens de Trump.
Voltarei a este tema: Mundial com 48 seleções, ok, com 64 é desrespeitar a competição e os adeptos.

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

O Mundial começa agora


"A vitória da Argentina desta madrugada consumou algo inédito: os quatro primeiros do ranking FIFA são os quatro sobreviventes da prova. Ao contrário dos anos anteriores, em que Croácia ou Marrocos, por exemplo, se intrometeram na fase final, desta vez os favoritos estão em prova e a postos para a decisão.
A organização também abriu caminho a esta supremacia, evitando que os 'tubarões' se encontrassem. Talvez o encontro mais parecido a um jogo entre candidatos tenha sido o Portugal – Espanha (embora não tenha parecido um jogo entre forças iguais). A Bélgica ajudou a dar à Espanha o percurso mais duro de todos. A Argentina, sempre em sofrimento, bateu Cabo Verde, Egipto e Suíça. Inglaterra afastou México, Congo e Noruega. França enfrentou Suécia, Paraguai e Marrocos. Cair frente a estes adversários seria uma desilusão tremenda. Como diria Martínez, o Mundial começa agora.
A Argentina vai dependendo de Messi para desequilibrar, embora seja uma equipa dotada individualmente, mesmo sem ele. As debilidades quando cede a iniciativa são claras, e podem ser ainda mais expostas com a subida de nível do adversário. Scaloni chega a esta fase apesar dos problemas, não por ter sido capaz de resolvê-los.
Mesmo com a Wonderwall cantada em plenos pulmões, as críticas de Tuchel à exibição inglesa não deixaram de se ouvir. A verdade é que as condições atmosféricas não eram as ideais e os noruegueses já tinham demonstrado que não estavam para brincadeiras. O pouco espaço que deram entrelinhas, com Kane poucas vezes capaz de receber, limitou a chegada a zonas vitais. Valeu o dedo de treinador, bem como o banco inglês. Saka, Eze e Spence deram novas soluções a Tuchel, contra uma Noruega extenuada.
A Espanha, apesar do caminho mais difícil, superiorizou-se sempre. Ainda que alguns jogadores não pareçam estar nas melhores condições físicas, a equipa encontra soluções colectivas para os problemas. Sente-se que é a única equipa que foi exposta a uma exigência superior. Fará isso a diferença?
Deixo a França para o fim por ser a mais forte candidata. Apesar de algumas dificuldades contra blocos baixos, a supremacia individual é clara e nunca esteve em risco de eliminação. Dembélé e Mbappé são os símbolos de uma equipa que é a melhor em quase todos os sectores e com o melhor banco da prova. Talvez seja muito novo, mas não lembro de uma selecção com tantas soluções de elite. A pressão está nos ombros de Deschamps."

Jesus abre a porta a Rodrigo Mora e João Palhinha


"As novas ideias para a Seleção, com a era Jorge Jesus, vão abrir espaço para um jogador com as características do portista e para um médio com o perfil do homem desejado pelo Benfica

Não que fosse necessário dizê-lo, mas assim ficou tudo em pratos limpos: com Jorge Jesus, a Seleção vai jogar de forma diferente e com uma estrutura tática semelhante a todas as suas equipas que treinou nos últimos 10/15 anos, situando-se entre um 4x2x3x1e um 4x4x2 (para trás estão os tempos dos três defesas, quando quase ninguém os usava em Portugal).
Isto significa que do ponto de vista da arrumação das peças, há duas posições que prometem novidade: o médio defensivo e o segundo avançado. Ainda estamos longe de 24 de setembro, data do primeiro jogo da Seleção na era JJ, mas é legítimo analisar já este cenário à luz do que se passa no arranque das equipas nacionais e do mercado de transferências. E vale a pena concentrar em dois nomes: Palhinha e Rodrigo Mora.
Parece óbvio que João Félix deixará a ala esquerda e vai fixar-se onde nunca devia ter saído: jogando atrás do avançado (Cristiano Ronaldo, Gonçalo Ramos ou ainda um outro que possa vir a merecer a chamada), onde teve os seus melhores momentos da carreira, quer no Benfica e agora no Al Nassr, onde foi treinado precisamente pelo treinador português. Mas este também poderá ser um lugar para o qual o jovem médio/avançado do FC Porto encaixaria, do ponto de vista teórico, como uma luva.
Para tal, terá um enorme desafio pela frente: conquistar um lugar no onze inicial dos campeões nacionais. Nunca será nessa posição, porque Francesco Farioli tem outra ideia tática, mas há princípios do técnico italiano que podem e devem ser assimilados para próprio crescimento, não só para se assumir como um indiscutível nos azuis e brancos mas também para bater à porta de Portugal com outro estatuto: a reação à perda, a capacidade de ligar em toques curtos e maior objetividade nas transições ofensivas. Aliando isso com o talento que possui, antevê-se uma frescura na Seleção.
Quanto à posição 6, penso que se abrem portas novamente para um jogador com um perfil mais físico. Tem sido assim em todas as equipas de Jorge Jesus. E por isso é natural que Palhinha volte a ganhar um estatuto entretanto perdido, a ponto de ter ficado fora do Mundial disputado no continente americano. Não que uma coisa esteja relacionada com a outra, mas a escolha que o médio formado no Sporting fizer neste mercado de transferências poderá ser também direcionada para esse objetivo pessoal. Ser titular num grande português como o Benfica terá, no atual contexto, um peso ainda maior."

A aranha em fuga do labirinto


"Julián Álvarez parece em fuga constante, uma em que é, ao mesmo tempo, Minotauro e presa, aranha morta e viva que também podia ser de Schrödinger, presa no mesmo labirinto, como se fosse a tal caixa fechada.
Escapou uma vez. Então Pep, que o tinha seduzido, com futebol e resultados, a seguir tão jovem para Inglaterra, disfarçou-se de Ariadne, sensibilizado pela frustração, e ajudou-o a sair das encruzilhadas do Etihad.
Mais do que ganhar dinheiro, troféus e títulos, que virão por acréscimo, queria expressar-se. E conseguiu-o em Madrid. Se Guardiola tinha colocado o poder de destruição de um viking à sua frente, General 'Cholo', seu compatriota, colocara-o à frente do batalhão. Só que se jogar antes era tudo, passou a não bastar. A forma tornou-se importante, a prata e o estar em finais, fundamental. Só aí se apercebeu onde tinha entrado, como tantos outros antes, para ficar novamente retido, sem saber por onde ir, no meio daquelas paredes brancas e vermelhas, sempre iguais e monótonas. E de Ariadne, por quem suspirava todos os dias, nenhum sinal.
Há sempre, contudo, uma forma de escapar. Através da mente. O sonho de conquistar mais um Mundial, outro para Léo, para Diego, para a Argentina. E a aranha teceu o fio para se encontrar a si própria. É verdade que foi preciso esperar pelos 'quartos' para a termos a corpo inteiro, novamente mortífera, mas valeu a pena. Aquele tiro derrubou o Minotauro e a aranha deste lado da caixa está bem viva.
Julián sabe que ainda terá de encontrar a saída do labirinto. Mas há um momento único para saborear por inteiro. E um bebé na bancada para ainda adormecer."

Curiosidades...

BolaTV: Dias de Mundial...

Chuveirinho #180

LiveMode: Mundial #27

Terceiro Anel: Planeta #12 - POLEMICA NOS QUARTOS & MEIAS FINAIS! 🇵🇹🏆⚽️

Zero: Negócio Mistério - S06E16 - Gyan

SportTV: Casual Friday #4 - "Se fossemos nós, o gesto era outro" 😅

Rabona: My World Cup Semi-Finals Predictions: Who Reaches the FINAL?

No Princípio Era a Bola - Os melhores, os piores, a surpresas e as desilusões: um (primeiro) balanço do Mundial 2026 antes das meias-finais

AA9: FRANCE vs SPAIN Semi Final | PREVIEW & PREDICTION

ESPN: Futebol no Mundo #607

TNT - Convocados...

Oliveira: Bola de Ouro...

Segundo Poste - Mundial #5 - "Jorge Jesus vai sentar Cristiano Ronaldo?"

FIFA: Espanha...

FIFA: França...

BolaTV: Dias de Mundial...

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Verdíssimo em modo profeta!

Maturidade...

Ouro e Prata...


Na Taça do Mundo de Canoagem no Canadá, mais duas medalhas Benfiquistas para Portugal!
No Sábado o K4 500, com o Gustavo Gonçalves, o João Ribeiro, o Messias Baptista e o Pedro Casinha, terminaram em 2.º, garantindo a Prata...
No Domingo, o Pimenta, arrecadou dois Ouros, com pouco tempo de diferença, primeiro no K1 1000 e depois no K1 5000...

Os Gloriosos Benfiquistas - S06E03 - Flamengo...

A Andreas o que é de Andreas!


"O desnorte de um clube e também de um treinador vê-se quando um jogador com o rótulo de dispensado, que ninguém se dera ao trabalho de compreender antes, apesar do investimento e de um ou outro fogacho, passa a figura, talvez até a melhor jogador de uma equipa. Dá-se um clique e tudo muda? Claro que há sempre quem atire: «Não, mérito do treinador!» Todavia, se nada mudou no comportamento do atleta, que, por muito que o homem do leme acene agora a gosto a cabeça, a participação do momento defensivo é semelhante e os movimentos ofensivos praticamente os mesmos, onde é que esse mérito está?
Schjelderup esteve transferido para o Club Brugge até fazer desabar a defesa do Real Madrid como um baralho de cartas e já não seguiu viagem.
O clique deu-se sim em quem não lhe garantia a continuidade. Porque ao futebolista só o moral que acrescentou foi suficiente para voltar a acreditar. Que já não era só eficaz nos juvenis e nos juniores quando defrontava miúdos da mesma idade, já conseguia vulgarizar adultos e alguns dos melhores. Às vezes, não é preciso mais. Basta reconhecer-se talento e ter paciência, sem preconceitos.
Solbakken partiu para o Mundial com outras preferências, mas quando Andreas serviu duas vezes Haaland na demolição do Brasil também se rendeu às evidências. Schjelderup, também ele a encarnar o espírito viking, não se fez rogado. Assinou um dos golaços do torneio, que o coloca ainda mais em alta.
Depois de o crescimento no Benfica não ter sido cultivado, de ele próprio sentir que a afirmação foi consequência de um acidente, em que praticamente ninguém acreditava, a dívida de gratidão nunca poderia ser tão grande assim. E quando se começa a ouvir falar com frequência de Barcelona e outros ainda diminui mais.
Schjelderup sai em grande do Mundial e não tem razões para renovar. Ou o negoceiam ou absorvem os próximos dois anos até ao fim. Assim, talvez aprendam de vez a lição. Só vale a pena apostar se houver paciência para se tirarem dividendos."

Marco Silva tem tanto, mas tanto, que fazer


"Primeira imagem do novo Benfica não foi a melhor, o que é normal ao fim de apenas duas semanas de trabalho. O problema é olhar para jogadores e achar que a questão não é só física, é de perfil

A primeira imagem pública do Benfica, depois de dois jogos à porta fechada, não foi a melhor. Não se esperava que fosse, em todo o caso — seria até preocupante, mesmo com a estreia oficial na temporada (primeira mão da segunda pré-eliminatória da Europa League, na Suíça, contra o St. Gallen) a apenas 12 dias de distância, que o Benfica tivesse queimado etapas e surgisse já a bom nível contra o Flamengo, com paragem bem menor.
Ainda assim, ficou evidente que Marco Silva tem muito, mas muito, trabalho pela frente.
O primeiro é físico, como é natural nesta fase da temporada: se nas últimas épocas a águia já tem sido pouco intensa, depois de mais de um mês de paragem chegou a ser confrangedora a diferença para o adversário de ontem. O Flamengo sabe pressionar, sabe antecipar-se, sabe sair rapidamente para o ataque. O Benfica, neste momento, só tem duas velocidades: devagarinho e parado.
Não é anormal que assim seja, mas o treinador tem de estar a fazer contas à vida: será que jogadores como Barrenechea ou Sudakov têm neles a capacidade de jogar de forma mais rápida, mais intensa, mais pressionante?; ou o problema não é só da fase inicial da época, e é antes de perfil dos jogadores? (o que, atendendo ao que mostraram na última temporada, nem seria propriamente surpreendente).
Depois vem o resto, as questões táticas, até as técnicas, as escolhas, as decisões sobre quem conta e quem está a mais. É difícil tomar essas decisões numa fase em que tantos jogadores não conseguem responder com o corpo ao que o cérebro pede. Provavelmente, será necessário esperar que melhorem fisicamente para ver como podem corresponder à forma como Marco Silva quer que joguem.
Mas há falhas, como as de António Silva nos dois golos do Flamengo (deixou-se antecipar em ambos), que não podem ser explicadas apenas pela questão física — mesmo que ela contribua para uma capacidade de resposta mais lenta, há também um lado de falta de concentração a que o central do Benfica habituou os adeptos que não será fácil de corrigir.
Ainda sem os mundialistas, a tentar preparar a equipa para dar uma boa resposta daqui a menos de duas semanas mas também em abril e maio do próximo ano, Marco Silva e o Benfica estão numa encruzilhada. Já se percebeu que o novo treinador quer reforços, a começar por um novo seis (Palhinha); mas o que fazer a tantos investimentos do ano passado que não parecem ter o perfil para o futebol do novo treinador?"

Águia: Palhinha...

Zero: Mercado - Trincão com sinal verde para sair do Sporting

BF: Cortes...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Sucessivos casos de arbitragem estão a manchar o Mundial?

Hora do Desporto - S03E08 - Gustavo Capdeville

Partida inaugural de pré-época


"No primeiro jogo de preparação da temporada 2026/27, o Benfica foi derrotado por 1-2 pelo Flamengo num embate em que mereceu melhor resultado. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Evoluir com a preparação
Marco Silva deixa uma mensagem de confiança no grupo de trabalho: "Da parte dos jogadores, tenho visto uma abertura total para aprender e para assimilar rapidamente todos os processos que queremos ver na equipa. A equipa vai dar passos em frente. Não tenho dúvidas disso."

2. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, o golo marcado pelo Benfica ao Flamengo.

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Preparação da equipa B
Num jogo de duas partes de 30 minutos, a Equipa B do Benfica empatou sem golos com o SU Sintrense.

5. Concerto de balneário
TT atuou para as campeãs nacionais de futsal.

6. Taça do Mundo de velocidade
Acompanhe o desempenho na prova dos canoístas do Benfica ao serviço da seleção nacional. Fernando Pimenta conquistou a medalha de ouro em K1 1000 metros. Em K4 500 metros, Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha alcançaram a medalha de prata.

7. World Triathlon Championship Series
Vasco Vilaça conseguiu a prata na etapa de Hamburgo, a 5.ª do circuito, mantendo-se no topo do ranking mundial de triatlo.

8. Ação concluída com sucesso
Terminou o XII Torneio Triangular de futsal da Fundação Benfica.

9. Até sempre, Manú
O antigo futebolista do Sport Lisboa e Benfica faleceu aos 43 anos."

No lado errado do Mundial


"Dez anos e três dias depois do título europeu português, fica impossível não lembrar que um pormenor ditou a colocação da Seleção Nacional no ramo "certo". Se, há precisamente uma década, termos ficado do lado menos custoso da fase a eliminar (Croácia, Polónia e País de Gales) parece ter aberto o caminho para a surpresa do triunfo luso frente à França na final, desta vez o segundo lugar em grupo perfeitamente acessível para Portugal ter ficado em primeiro fez-nos cair para o lado errado do Mundial. Ter passado a Croácia já foi um susto (o Gana teria sido menos problemático), levar com Espanha nos oitavos já foi demais para um Portugal abaixo do que realmente vale. Alguém duvida que defrontar a Suíça nos oitavos (e depois Argentina e Inglaterra em vez de Bélgica e França) poderia ter proporcionado outro destino? O novo selecionador, Jorge Jesus, pelo menos, nem hesitou: "O primeiro lugar do grupo teria sido importantíssimo." Como na canção de Jorge Palma, a falta de exposição ao risco atirou o então Portugal de Martínez para "o lado errado da noite". Leia-se, no caso, para o lado errado deste Mundial.
A fase a eliminar já nos revelou surpresas excitantes: a execução perfeita de Haaland no segundo golo ao Brasil; os dois golos do Egito (e quase, quase o 3-0) que quase atiraram a campeã do Mundo para fora logo nos oitavos. E confirmações entusiasmantes: Mbappé e Dembelé a alcandorarem a França para o estatuto de principal favorita; os dois golos decisivos de Merino que ofereceram à Espanha vitórias cirúrgicas diante de Portugal e Bélgica, sempre evitando o prolongamento; o extraordinário México-Inglaterra. Depois dos jogaços frente a Brasil, Haiti, Escócia, Países Baixos e Canadá, esperava mais de Marrocos diante da França.
E agora? O França-Espanha não é tanto uma "final antecipada", porque a agulha parece pender para o lado gaulês (só mesmo pelo sub-rendimento de Yamal, Pedri e Williams). Mas não me admirava que quem vencer essa meia-final venha a ser o próximo campeão do mundo.
O Inglaterra-Noruega foi um grande jogo. O golaço de Schjelderup alimentou o sonho nórdico, mas Bellinghham provou, por duas, vezes, que é mesmo um dos melhores avançados do mundo. A Argentina demorou, mas acabou por confirmar favoritismo sobre a Suíça. Dado relevante: ingleses e argentinos vão para as 'meias' com prolongamentos em cima. Franceses e espanhóis não."

Sabe quem é Oleg Salenko?


"Tenho a certeza de que a maior parte das pessoas que estão a ler esta crónica não fazem a mais pálida ideia de quem seja Oleg Salenko, nascido em Leningrado, na União Soviética (atualmente São Petersburgo, Rússia), a 25 de outubro de 1969.
Salenko ostenta um recorde dos Campeonatos do Mundo de Futebol: foi o único jogador, em 96 anos, a apontar cinco golos num só jogo (URSS 6-1 Camarões, disputado a 28 de junho de 1994 em Stanford, Estados Unidos). Como a essa ‘manita’ juntou, na competição, mais um golo, à Suécia, acabou, apesar de ter realizado apenas quatro jogos, como co-melhor marcador (juntamente com o búlgaro Stoichkov, que fez sete jogos) do Mundial de 1994.
Durante esse Mundial, Salenko estava a transferir-se do Logroñés para o Valência, mas a partir daí a sua carreira desvaneceu-se. Até pendurar as botas, em 2001, representou cinco clubes em quatro países diferentes, assinando 25 golos. Porém, ficou na história dos Mundiais, como Eusébio, ao assinar um ‘poker’ quando Portugal perdia (0-3, aos 25 minutos) com a Coreia do Norte em 1966, Just Fontaine ao faturar 13 golos em seis jogos na Suécia, em 1958, ou Andrés Iniesta e Mario Götze que, com golos aos 117 e 113 minutos de jogo, selaram títulos mundiais de Espanha e Alemanha.
Ora, o Mundial de 2026 já consagrou um herói, pela improbabilidade do que conseguiu. Mikel Merino, basco de Pamplona, 30 anos, jogador do Arsenal, está nos Estados Unidos a revelar um toque de Midas que faz com que a bola por ele tocada se transforme em golo (e em ouro, já que aqueles que marcou a Portugal e à Bélgica renderam a ‘nuestros hermanos’ 27 milhões de dólares).
O novo campeão de Inglaterra (1028 minutos jogados em 22 jogos da Premier League, com quatro golos e três assistências) entrou contra Portugal, com 0-0, aos 84 minutos, e marcou aos 90+1; e contra Bélgica, com 1-1, foi a jogo aos 85 minutos, e deu a vitória a Espanha aos 88. Suceda o que suceder no França-Espanha de 14 de julho, em Dallas, Merino já encontrou o seu lugar na história do Mundial da América do Norte.

PS - Haverá, na FIFA, quem se envergonhe, constatando a diferença abismal entre os trabalhos dos árbitros reconhecidamente competentes, e os outros, que entram em campo apenas por razões políticas, para captar votos às suas Confederações?

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

FPF e Seleção com idiomas diferentes


"Se uma Federação vive de credibilidade, uma Seleção vive de paixão. E Jorge Jesus marca o regresso a essa autenticidade.

A maior contratação da Federação não foi apenas um treinador. Foi uma personalidade. Os 24 títulos de Jorge Jesus explicam a escolha. Explicam a competência, a exigência, a capacidade para construir equipas e para ganhar. Mas contam apenas metade da história. A outra metade não se mede em títulos, nem cabe num currículo: mede-se na capacidade de aproximar uma Seleção de um país.
Durante anos, a Federação Portuguesa de Futebol fez o caminho que tinha de fazer. Cresceu, profissionalizou-se, internacionalizou-se e construiu uma comunicação moderna, consistente e credível. Era inevitável. Quanto maior a organização, maior a necessidade de proteger a marca e controlar a mensagem. E fê-lo bem. Mas, se uma Federação vive de credibilidade, uma Seleção vive de paixão. Vive de identificação. Vive daquela capacidade quase irracional de fazer um país inteiro discutir uma convocatória ou uma substituição como se estivesse a decidir o seu próprio destino. É precisamente por isso que reduzir a escolha de Jorge Jesus à dimensão técnica é olhar apenas para metade da fotografia.
Num futebol cada vez mais formatado, onde demasiadas conferências de imprensa parecem sair do mesmo manual, Jorge Jesus continua a soar a Jorge Jesus. Pode trocar uma palavra, inventar uma expressão ou desarrumar os puristas da língua portuguesa, mas nunca trocou uma convicção. Nunca precisou de construir uma personagem — a autenticidade sempre foi a sua melhor forma de comunicar.
Jorge Jesus sempre falou à Amadora. Agora vai falar à Porto, à Chaves, à Vila Real de Santo António, à Funchal ou à Porto Santo, porque falar à Amadora nunca foi uma questão geográfica; sempre foi uma questão de autenticidade. E essa autenticidade cria uma coisa que nenhuma estratégia de comunicação consegue fabricar: identificação.
Os resultados acabarão por dizer tudo. Dizem sempre. Mas há uma coisa que Jorge Jesus já devolveu à Seleção antes de orientar um único treino: voltou a colocá-la no centro da conversa dos portugueses. E, tratando-se da Seleção Nacional, isso está longe de ser um detalhe.
Jorge Jesus é um de nós.
A diferença é que percebe muito de futebol."

Quem lidera Portugal?


"Nas entrelinhas, Jorge Jesus deixou a principal mensagem da sua apresentação: todos terão de pensar primeiro no coletivo e só depois no individual. A começar pelo presidente da FPF.

Depois de vários slogans motivacionais como «habituem-se, viemos para ganhar» ou «vamos fazer o que ainda não foi feito», a realidade é que a prestação da nossa Seleção no Mundial ficou muito aquém das expectativas criadas. A pergunta que todos fazem, e à qual ninguém respondeu, é simples: quem assume a responsabilidade?

Roberto Martínez: o político
Começo por Martínez. Um gentleman no trato. Educado, respeitador e que rapidamente aprendeu a língua para se integrar. O problema nunca foi o compromisso demonstrado, mas a forma como liderou uma geração de enorme qualidade. As suas palavras e os seus atos criaram quase sempre mais dúvidas do que confiança.
A flexibilidade tática de que tantas vezes falou acabou por ser uma mão cheia de nada. Nos momentos de maior dificuldade refugiou-se frequentemente em lugares-comuns. Frente à Espanha lembrou que Portugal tinha defrontado «uma das favoritas a conquistar o Mundial» e que tinha jogado «olhos nos olhos». As duas declarações transmitiam exatamente a mesma mensagem: vencer aquela Espanha seria quase uma missão impossível.
Este foi um dos maiores erros de Martínez. Nunca percebeu que Portugal tem jogadores para discutir qualquer jogo com qualquer seleção. Que nós também somos favoritos. Depois de uma fase de grupos pouco convincente, afirmou ainda que «era indiferente ficar em primeiro ou em segundo» e que «os três primeiros jogos serviram de preparação».
Mais tarde recordou que consigo Portugal tinha «os melhores números da história». Uma afirmação verdadeira, mas descontextualizada. Grande parte desses números foram construídos frente a adversários de menor qualidade e criaram uma perceção que nunca se confirmou quando o grau de dificuldade aumentou.
Após três anos e meio, o que deixa Martínez? Uma equipa sem identidade, imprevisível e incapaz de entusiasmar os adeptos. Nunca sabíamos que cara ia apresentar em cada jogo. Durante os jogos, muitas das substituições pareciam previamente definidas, independentemente do que o jogo estava a pedir. Disse que todos contavam, mas, na prática, os jogadores de maior estatuto contaram sempre muito mais do que os restantes.

Pedro Proença: a imagem
Se Martínez falhou dentro do relvado, Pedro Proença também falhou fora dele. Depois da rapidez com que apareceu a falar nos momentos de sucesso, como aconteceu após a conquista da Liga das Nações, esperava-se a mesma disponibilidade para explicar o fracasso do Mundial. Não aconteceu. Na derrota preferiu uma mensagem nas redes sociais e só falou à chegada a Lisboa.
A expectativa era que assumisse a responsabilidade juntamente com a equipa técnica e os jogadores. Quando finalmente falou, surpreendeu ao afirmar: «Todos sabem que este treinador não era a minha primeira opção.»
A declaração levanta uma questão inevitável. Depois da conquista da Liga das Nações, Pedro Proença teve oportunidade para mudar de rumo. Não o fez. Pelo contrário, reforçou publicamente a confiança em Roberto Martínez, homenageando-o e, já durante o Mundial, chegou mesmo a dizer: «Somos 28+1» — numa alusão clara a Martínez.
Denoto aqui falta de coerência. Nas conquistas do Europeu e do Mundial de sub-17 (quando tinha acabado de chegar à FPF) não teve qualquer problema em assumir as vitórias como suas, sem reconhecer o trabalho da estrutura anterior.
Na Liga, Pedro Proença destacou-se por uma comunicação forte e uma presença pública constante. Esse modelo ajudou a construir uma imagem de liderança. Na FPF, porém, a realidade é diferente. Aqui não basta criar dimensão mediática. O presidente é inevitavelmente avaliado pelos resultados das seleções e pela forma como reage quando elas falham. É precisamente nos momentos de derrota que se distingue um líder: assume a responsabilidade, explica o que falhou e aponta o caminho. Foi precisamente aí que Pedro Proença falhou. Na FPF, o protagonismo não chega. É preciso ter liderança.

Jorge Jesus: o líder
Jorge Jesus representa muito mais do que uma mudança de treinador. Representa uma nova forma de liderar. Traz autenticidade, confiança, exigência e uma capacidade rara de mobilizar quem o rodeia. A sua forma genuína de comunicar aproxima-o dos jogadores e dos adeptos e cria empatia. Não precisa de discursos preparados para transmitir convicção.
Nas primeiras palavras deixou algumas ideias fundamentais. A primeira é que o rendimento terá de estar acima do estatuto. Vamos deixar de ter um político no banco para passarmos a ter um treinador. Demonstrou também que percebe a qualidade que tem à disposição. Isso demonstra que conhece a responsabilidade do cargo e que Portugal deve olhar muito mais para si do que para os adversários.
Por fim, Jorge Jesus insistiu várias vezes numa ideia que considero decisiva: para ganhar não basta existir qualidade dentro do relvado. É preciso que, fora dele, tudo esteja alinhado. Pela experiência que tem, percebe bem os contextos onde está inserido e sabe que a união não pode existir apenas para as fotografias.
Nas entrelinhas, Jorge Jesus deixou a principal mensagem da sua apresentação: todos terão de pensar primeiro no coletivo e só depois no individual. A começar pelo presidente da FPF.

A valorizar: Olise
É um jogador incrível. Não marca tanto quanto os colegas, mas é determinante para que tudo funcione na seleção gaulesa.

A desvalorizar: Infantino
O dinheiro ou o poder não se podem sobrepor às regras no desporto. A despenalização de Balogun é um grande tiro na credibilidade do futebol mundial."