Últimas indefectivações

sábado, 18 de julho de 2026

Vermelhão: Golos bonitos...

Benfica 2 - 0 Villarreal


Vitória, num jogo que acabou por ser um bom aviso para a eliminatória da próxima semana, com os Suíços do St. Gallen! Se defensivamente, a pressão alta parece afinada; com a bola no pé, as ausências estão mesmo a fazer falta!!!

O St. Gallen é conhecido pela pressão alta e asfixiante, e o hoje, o Villarreal principalmente na 1.ª parte, tornou muito complicada a saída de bola do Benfica! Só com as substituições ganhámos mais capacidade de ter a bola... É com recordar que o Benfica neste momento está numa fase de preparação mais avançada, o 3.º classificado da última época da La Liga, começou a pré-época cerca de duas semanas depois do Benfica!


Além do grande golo, volto a destacar o trabalho defensivo do Rafa, 'obrigado' a uma nova função! O Bah também me parece em excelente forma física... Nova boa entrada do Manu, desta vez testado a Central e até pode ser usado, caso exista alguma lesão!

As notícias têm insistindo no interesse no Palhinha, mas o meio-campo do Benfica sem o Aursens, fica sem ideias! O puto Figueiredo tem muito potencial, mas é um puto! A contratação anunciada hoje do Durán, foi surpreendente, e se tudo correr bem, pode ser muito útil, mas creio que ainda nos falta um Central, um Extremo e um Médio ou dois!!!


Além das ausências devido ao Mundial, a outra grande ausência para a Liga Europa, é o Prestianni! Hoje, voltou a ser óbvio, a diferença enorme... sem o Prestianni, parece que ficamos sem ideias, com o Prestianni, criámos desequilíbrios!

Depois do Verdísismo com o os marginais do Flamengo, levámos hoje com o seu amigo do café!!! Inacreditável como mais uma vez, o adversário do Benfica, beneficiou dum disciplinar completamente absurdo... mesmo para jogos particulares!!! Ninguém é assim tão incompetente... a não expulsão no lance do Sudakov, é criminoso!



Central...

Engraçado!!!!

Durán...

Marco Silva e o mais puro caos no Benfica


"Enquanto o técnico tenta ganhar o tempo que já não recuperará quando tiver o grupo completo, o Benfica volta a afundar-se na impreparação e falta de planeamento e rumo

Uma semana é o que falta para o Benfica se estrear na Liga Europa, na Suíça, diante de um Saint Gallen que pode não possuir o mesmo nível de talento individual e coletivo, mas se expressa de forma sempre desconfortável para os adversários: pressão alta e agressiva, e um futebol bem vertical.
A identidade foi maturada durante seis temporadas pelo alemão Peter Zeidler e afinada nos últimos dois anos pelo compatriota Enrico Maassen, que falhou na primeira experiência na Bundesliga, em Augsburgo, e preferiu depois experimentar uma realidade competitiva que lhe permitisse lutar por títulos fora do seu país. O sucesso não lhe voltou a escapar. Sagrou-se duas vezes vice-campeão e conquistou o primeiro troféu em 26 anos para o emblema mais antigo ainda em atividade no país: a Taça.
Há um mês, o Benfica estava atrasado. E, através do seu presidente, não só garantia que o clube não tinha ficado à espera do treinador que ia e daquele que viria como também se desculpava que o mercado estava parado por culpa do Mundial. Rui Costa dizia-o já depois de o Sporting ter revolucionado todo o meio-campo com reforços e de o FC Porto ter resolvido uma das carências da última temporada, com a entrada de André Silva, tranquilizado no restante pelo título de campeão recuperado. Hoje, não há adjetivos para esta pré-época inenarrável das águias, talvez mesmo a pior do presidente encarnado. É o caos absoluto e o pior é que já não surpreende ninguém.
Depois de terem gasto nas últimas épocas o que tinham e o que não tinham em contratações de valor duvidoso ou, pelo menos, pouco enquadradas com o seu contexto, os encarnados tentam fazer a vida de ricos sem dinheiro que a sustente. O poder no mercado é pouco maior do que zero, mesmo com criatividade e estratégia, algo que ainda por cima também não têm. Sem bons resultados, exceção feita a um Schjelderup de dimensão superior que não podem mesmo perder, não há ainda ativos valiosos que possam vender para financiar o reequilíbrio do plantel. Não há um plano. Ou melhor, há: esperar pelo mercado, em vez de ser proativo, e poder colocar tudo em causa com os jogadores que mais ninguém quer. Porque pelos que os outros querem não conseguem lutar, como já acontece com Ibrahima Ba e até Palhinha. Ao mesmo tempo, reza-se para que se encontre quem pague por jogadores inflacionados como Ríos e Barrenechea — que até nem pode sair já porque pode ter de fazer de central — depois da última época.
Lenglet chegou para preencher a vaga de Otamendi. E, em tese, o que os encarnados perdem em agressividade, em duelos e numa ideia muito própria de liderança —, ganham em sobriedade, posicionamento, capacidade de construção e de quebrar linhas de pressão a partir de zonas recuadas. Mas se esse fogo foi apagado, eclodiu outro logo ali ao lado, em António Silva, no qual se juntam, enquanto combustível, um contrato a expirar e uma recusa na renovação à exibição muito frágil diante do Flamengo. Rui Costa sabia disto há meses. Acredito que seja um otimista — e se o é em todos os mercados só pode ser crónico e um problema —, porém é impensável não ter alternativas.
Havia forte probabilidade de o novo vínculo não ser aceite e de a irregularidade reaparecer. Porque não é só mental, é de ‘escola’. Os erros de abordagem na marcação nunca são questões psicológicas e sim falta de preparação. Se na temporada de afirmação os conseguiu camuflar, os adversários começaram a expô-lo a partir daí, sem que nunca ninguém tenha tentado ajudá-lo a resolvê-lo ou pelo menos retirar expressão ao problema. A questão que mais nos interessa agora é: como é possível que Rui Costa não se tenha precavido? A solução nunca pode ser Gabriel Índio, cujo salto de exigência é, para já, bem maior do que as pernas. Há Tomás Araújo, que fisicamente não tem conseguido responder durante uma época inteira. E um setor, que já estava frágil há várias épocas, sem que as águias se tenham preocupado uma única vez com a sua renovação, ainda parece pior.
Mesmo com estas falhas, com o plantel atual, o Saint Gallen não terá muito com que assustar os encarnados. Assim o esperam os adeptos. Afinal, pelo menos na qualidade individual a diferença ainda é significativa. Ainda que diante do Flamengo estivesse longe de parecer uma equipa e houvesse jogadores fora de posição, como Rafa. A equipa criou muito pouco no plano ofensivo tirando os últimos minutos e já em posição de desvantagem no marcador, não conseguiu controlar o jogo em posse e, defensivamente, esteve longe da coesão desejada. Mesmo sendo o primeiro jogo à porta aberta esperava-se já muito mais.
Claro que faltam os mundialistas além dos reforços, e percebeu-se que, nesta fase, já com jogos europeus, o novo técnico procura consistência e tenta assentar no que já tenha sido antes criado, mas a insistência em soluções que já falharam, como Barrenechea e Barreiro no duplo pivot, a manutenção de Dahl numa equipa que se quer projetar pelos flancos e, sobretudo, a inclusão de Rafa onde não há espaço para as suas correrias não deixaram de acentuar o tom cinzento do momento do futebol do clube, numa altura em que as expetativas costumam estar bem mais altas.
Mesmo Kaminski, contratado para rodar com Schjelderup, fazer de Schjelderup se este sair ou dar uma perninha à direita apresenta mais valências para a transição do que para o domínio que Marco Silva disse querer ter.
O técnico tem poucos dias para unir as pontas soltas do grupo desfalcado que tem em mãos e ganhar tempo para ir, em simultâneo, acrescentando massa crítica. Claro que enquanto o treinador ganha essa margem perde exatamente dias preciosos em que poderia estar já a trabalhar no grupo definitivo. Marco não esconde já algum desconforto, mas a verdade é que assinou por baixo da incoerência que sempre existiu. O Benfica não poderia estar mais atrasado para a nova temporada. Já Rui Costa está cada vez mais refém da sua própria narrativa. Uma que só existirá cada vez mais para ele mesmo."

BI: A História Gloriosa | 2004-2014 - Do céu ao inferno

Zero: Mercado - Durán vai reforçar o ataque do Benfica

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Argentina "levada ao colo" no Mundial ou foi apenas sorte?

Observador: Três Toques - Polémica Senegal: médico da seleção é, afinal, ginecologista

Zero: Ataque Rápido - Mundial #7 - Mundial e seleção: conclusões e lançamento

SportTV: Entrevista - José Boto

Zero: Afunda - S06E53 - Descontos, polémicas e jogadores marcantes

A Bola Não Mente - S01E58 - "Preferias Jaylen Brown ou Neemias campeão?"a

Evoluir na pré-época


"Benfica e Villarreal encontram-se hoje no Algarve no âmbito da pré-temporada.

1. Jogo de preparação
O Benfica defronta o Villarreal no Estádio Algarve, num jogo particular com início agendado para as 19h45.

2. Bilhetes esgotados
Já não há ingressos disponíveis para o St. Gallen 1879-Benfica referente à 1.ª mão da 2.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa.

3. Red Pass
A venda de novos lugares aos primeiros sócios da lista de espera decorre até dia 23 de julho.

4. Sorteios
A equipa masculina de andebol e a equipa feminina de basquetebol já sabem quem são os próximos adversários nas respetivas competições europeias de que são participantes. São também já conhecidos os calendários dos Campeonatos Nacionais de andebol no masculino e no feminino.

5. Movimentações do defeso
Gonçalo Meireles junta-se ao plantel masculino de andebol do Benfica. E a voleibolista Bea Santos chega também às águias.

6. História Agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV.

7. 4.º Congresso das Casas, Filiais e Delegações do Benfica
Veja a reportagem da BTV sobre o evento onde foi aprovado o Tratado do Estádio."

Defender os clubes e os investidores


"O desporto português encontra nos clubes a principal mão de obra da formação de atletas. Mais do que simples coletividades, representam a ligação afetiva entre os adeptos e a comunidade. Aqui se cultiva o sentimento de pertença à terra, porta de entrada para a prática desportiva. Um património imenso, que tem de ser reconhecido e cuidado. Nos últimos anos, por força do sucesso na deteção e formação de talento, o futebol português tornou-se uma área atrativa para investidores.
Vários destes investidores têm-se revelado parceiros no desenvolvimento da indústria, com investimentos em infraestruturas e recursos humanos, sem descurar o imenso património e valores dos clubes. Mas nem sempre assim é. Há inúmeros exemplos de investidores cujo impacto nos clubes tem sido nefasto, com vários emblemas históricos a enfrentar enormes dificuldades.
A possibilidade de ver um clube fechar portas é dramática, falamos geralmente de um património humano e cultural que acompanha gerações. Milhares de jovens arriscam perder o local onde praticam desporto, e ficam privados de criar novas memórias, além da evidente ameaça ao património. Estes exemplos levam-nos a reforçar a urgência de proceder a um maior escrutínio quanto à tipologia de investidor que entra no futebol português. Não se trata de limitar, antes de proteger os grandes investidores atraídos por Portugal e criar um enquadramento mais propício à atração de investimento e defesa dos clubes fundadores.
A Federação Portuguesa de Futebol e a comunidade do futebol há muito reivindicam uma alteração legislativa, uma vez que o atual quadro concede a responsabilidade de inspeção ao IPDJ, num modelo reativo e ineficaz, assente em presunções de idoneidade e declarações de compromisso de honra, que permitem apenas uma intervenção posterior, sem a resposta e a defesa necessárias aos clubes e competições em que estes participam.
O escrutínio dos investidores deve estar, assim, no seio do futebol português, através de um órgão independente, capaz de assegurar mecanismos mais eficazes e transparentes na regulação do investimento. Em defesa dos bons investidores, dos clubes e do próprio futebol."

Grandes penalidades falhadas: o que a ciência nos ensina sobre a pressão


"Os desempates por grandes penalidades são dos momentos mais emocionantes e intensos de um Mundial. A investigação científica mostra que estes momentos podem ensinar-nos muito sobre a forma como lidamos com a pressão e como podemos gerir melhor situações de elevado stress.
Marcar uma grande penalidade num desempate após prolongamento, ou noutro momento crucial do jogo, exige que o jogador execute um gesto técnico simples sob uma enorme pressão. A baliza começa a ficar cada vez mais pequena e o resultado depende apenas de marcar ou falhar, sendo que cada remate pode decidir o vencedor do jogo. É tão simples quanto isto, mas por outro lado também tem muita complexidade à volta do que parece ser básico. Além disso, a importância do momento e a existência de inúmeras gravações em vídeo fazem dos penáltis um excelente contexto para estudar o comportamento humano em situações de elevada tensão.
Os conhecimentos obtidos através da análise destes momentos podem ser aplicados a outras circunstâncias do quotidiano, como realizar um exame importante, participar numa entrevista de emprego ou enfrentar qualquer desafio que implique grande responsabilidade.
A investigação sobre as grandes penalidades começou no início dos anos 2000, por Geir Jordet. Nos torneios a eliminar, como acontece nas fases finais do Campeonato do Mundo, as grandes penalidades são utilizadas para decidir o vencedor quando o empate se mantém após o prolongamento. Para o estudo que efetuou foram analisados registos disponíveis na Internet, vídeos de jogos e entrevistas realizadas a jogadores e treinadores. Os resultados desta investigação foram utilizados para ajudar equipas de futebol a prepararem-se para possíveis desempates por penáltis, tanto no Campeonato do Mundo como na UEFA Champions League. Estes conhecimentos foram igualmente aplicados a outras modalidades desportivas, como o golfe, onde serviram de apoio à equipa europeia na Ryder Cup de 2025, através de estratégias para treinar e lidar com a pressão da competição.
Uma das principais conclusões é que os atletas de alto rendimento reagem à pressão de forma muito semelhante às restantes pessoas. A importância do momento pode afetar qualquer um, independentemente da sua experiência. Por exemplo, jogadores profissionais de basquetebol falham mais lançamentos livres nos instantes finais de jogos equilibrados, golfistas erram mais putts quando está em jogo um prémio elevado e tenistas cometem mais erros não forçados nas fases decisivas dos encontros. Nos desempates por grandes penalidades verifica-se o mesmo fenómeno. Quando a pressão aumenta significativamente, o rendimento tende a diminuir. Os jogadores que sabem que um falhanço significa a eliminação imediata da sua equipa ou seleção têm uma probabilidade maior de falhar, comparativamente àqueles cujo erro não tem consequências diretas naquele momento.
Durante muitos anos, a preparação para estes momentos foi insuficiente. Muitos treinadores reconheciam que dedicavam pouco tempo ao treino específico das grandes penalidades e que nem sequer definiam antecipadamente a ordem dos marcadores. Esta falta de preparação aumentava a ansiedade dos jogadores, levando alguns a executar o remate imediatamente após o apito do árbitro, numa tentativa de terminar rapidamente aquela situação de enorme pressão. Já se viu essa situação neste Mundial, quando a Alemanha foi eliminada pelo Paraguai no primeiro desempate por grandes penalidades da competição. Na decisão através da marca dos 11 metros, os alemães desperdiçaram três tentativas e percebeu-se, através de várias imagens televisivas, que houve jogadores que não quiseram assumir a responsabilidade, após pedido do capitão Joshua Kimmich.
Por outro lado, existem outros contextos de maior preparação. Por exemplo, a Associação Inglesa de Futebol lançou, em 2018, o chamado Projeto Penáltis, no qual o objetivo foi abandonar a ideia tradicional de que os penáltis são uma questão de sorte. Graças a esta mudança de abordagem, a seleção inglesa passou de uma das menos bem-sucedidas nos desempates por grandes penalidades, depois de ter perdido seis dos sete disputados entre 1990 e 2012, para uma das mais eficazes, vencendo três dos quatro realizados desde 2018.
Apesar de ser impossível reproduzir integralmente, durante os treinos, a intensidade da pressão vivida num desempate de um grande torneio, esse tipo de preparação continua a ser essencial. Sentir algum nervosismo durante o treino permite aos jogadores adaptarem-se melhor às exigências da competição. Tal como uma vacina prepara o organismo através de pequenas doses, também a exposição gradual à pressão ajuda a desenvolver resistência para enfrentar situações muito mais exigentes.
Outra conclusão importante é que um jogador nunca deve enfrentar sozinho a responsabilidade de marcar uma grande penalidade. Os guarda-redes recorrem frequentemente a estratégias para desconcentrar o marcador, como atrasar a reposição da bola, afastá-la do local da marcação ou movimentar-se constantemente sobre a linha de baliza. No entanto, os melhores executantes não confiam apenas nas suas capacidades individuais, contam igualmente com o apoio dos colegas. Num desempate por grandes penalidades, cada remate envolve toda a equipa. Sentir que se pertence a um grupo e poder contar com o apoio dos outros reduz significativamente os efeitos da pressão.
O que os melhores jogadores do Mundo enfrentam durante os desempates por grandes penalidades é mais um desafio humano do que futebolístico. Messi, neste Mundial, ganhou o estatuto de jogador com mais penáltis falhados em Campeonatos do Mundo, sendo o primeiro jogador a falhar mais que uma grande penalidade na mesma edição. Tem apenas 50% de aproveitamento em Mundiais: em oito cobranças, converteu quatro e falhou também quatro, até ao momento.
Por outro lado, Bruno Guimarães também falhou um penálti no jogo em que o Brasil foi eliminado. A pressão era a mesma: um jogo importante e um momento decisivo pela frente.
A diferença esteve na reação de cada um. Um voltou a assumir a responsabilidade quando teve outra oportunidade. O outro deixou que o erro influenciasse a forma como continuou o jogo.
Messi pediu a bola, logo a seguir a ter falhado e quis voltar a decidir. Enquanto isso, Bruno Guimarães prosseguiu de cabeça baixa, sem energia. Após o jogo comentou que foi o pior dia da sua vida. Mas o erro foi o mesmo do seu colega de profissão. Isto acontece também na vida. Muitas pessoas não desistem porque falharam. Desistem porque começam a acreditar que um erro define quem são. Mas um erro não determina o valor nem a capacidade de cada um. E isso começa nos treinos, desde a pré-época até às finais. Seja de grandes penalidades ou de outro fator decisivo em campo."

Massa na véspera de um jogo: tradição ou estratégia?


"Durante décadas, a imagem do atleta a jantar um generoso prato de massa na noite anterior a uma competição tornou-se quase um ritual. Dos clubes amadores às equipas profissionais, esta prática foi passando de geração em geração, sustentada pela ideia de que «mais massa significa mais energia». Mas continuará esta estratégia a fazer sentido à luz da evidência científica?
Foi no final da década de 1960 que se demonstrou que a quantidade de glicogénio armazenada no músculo influencia diretamente a capacidade para realizar exercício prolongado. Mostrou-se também que uma alimentação rica em hidratos de carbono aumenta significativamente as reservas de glicogénio muscular, lançando as bases da estratégia atualmente conhecida como carb loading (1).
Foi precisamente neste contexto que se popularizou a tradição de consumir um prato de massa na refeição anterior à competição. No entanto, será esta prática suficiente para otimizar o desempenho?
A evidência científica atual demonstra que, durante um jogo de futebol, a depleção progressiva das reservas de glicogénio muscular e hepático constitui um dos principais fatores associados ao aparecimento da fadiga física e mental. Esta diminuição da disponibilidade energética compromete não apenas a capacidade de realizar esforços de elevada intensidade, mas também competências técnicas fundamentais, como a precisão do passe, o remate, o drible, a tomada de decisão e a concentração. Estudos recentes mostram que, após 90 minutos de jogo, os níveis de glicogénio muscular podem atingir valores criticamente baixos, coincidindo com uma redução da distância percorrida em alta intensidade e da qualidade da execução técnica (2). Por isso podemos ver mais erros individuais a acontecer na parte final dos jogos de futebol.
Neste sentido, estratégias nutricionais que aumentem as reservas de glicogénio antes da competição e assegurem um fornecimento adequado de hidratos de carbono durante o jogo permitem atrasar o aparecimento da fadiga e preservar o rendimento físico e técnico. Além de favorecerem a manutenção da velocidade, da precisão do passe e da capacidade para executar ações de elevada intensidade nos momentos decisivos da partida, os hidratos de carbono parecem também desempenhar um papel importante ao nível do sistema nervoso central.
Curiosamente, alguns estudos sugerem que a simples presença de hidratos de carbono na cavidade oral (carbohydrate mouth rinse) pode ativar áreas cerebrais relacionadas com o controlo motor, a motivação e a recompensa, mesmo sem ingestão efetiva da bebida. Esta poderá ser uma das explicações para o facto de alguns atletas realizarem apenas um bochecho com bebida isotónica antes de a expelirem, procurando obter um benefício neurológico durante o esforço (3).

O QUE É ATUALMENTE RECOMENDADO?
As recomendações atuais sugerem uma ingestão diária de aproximadamente 4 a 8 g de hidratos de carbono por quilograma de peso corporal durante o período competitivo, ajustando a quantidade de acordo com a carga de treino. Nas 24 horas que antecedem a competição, esta ingestão deverá aumentar para cerca de 6 a 8 g/kg/dia, com o objetivo de maximizar as reservas de glicogénio muscular (3).
Na prática, este objetivo pode ser alcançado através do aumento das porções de alimentos ricos em hidratos de carbono nas principais refeições, como massa, arroz, batata ou pão, complementando as restantes refeições do dia com fruta, cereais, pão, sumos de fruta ou compotas.
Nas 3 a 4 horas que antecedem o jogo, recomenda-se uma ingestão adicional de 1 a 3 g/kg de hidratos de carbono. Após o aquecimento e novamente ao intervalo, a ingestão de cerca de 30 g de hidratos de carbono pode ajudar a manter a disponibilidade energética durante a partida. No período inicial de recuperação, aconselha-se uma ingestão de aproximadamente 1 g/kg/h, favorecendo a reposição de glicogénio e acelerando a recuperação muscular (3).
Durante a competição devem privilegiar-se alimentos ricos em hidratos de carbono, pobres em gordura e fibra, de fácil digestão e rápida absorção. Entre as opções mais utilizadas encontram-se bananas maduras, gomas desportivas, bolachas pobres em fibra e gordura, bebidas isotónicas e géis energéticos.

ENTÃO, VALE A PENA COMER MASSA NA VÉSPERA?
A resposta é sim, mas com uma nuance importante.
A massa continua a ser uma excelente opção por ser um alimento rico em hidratos de carbono, fornecendo aproximadamente 20 a 25 g de hidratos de carbono por cada 100 g de massa cozida (4). No entanto, a ciência demonstra que o benefício não resulta da massa em si, mas da quantidade total de hidratos de carbono ingerida nas 24-48 horas que antecedem a competição.
Por outras palavras, o prato de massa da véspera continua a fazer sentido, mas não é obrigatório. Arroz, batata, pão, aveia ou outros alimentos ricos em hidratos de carbono podem cumprir exatamente a mesma função. O mais importante é que a estratégia alimentar seja cuidadosamente planeada, individualizada e adequada às exigências da modalidade e do atleta.
Em suma, a tradição tinha fundamento científico. O que mudou foi o conhecimento: hoje sabemos que não é um único prato de massa que faz a diferença, mas sim toda a estratégia nutricional que prepara o organismo para competir ao mais alto nível."

Expresso: O Mundo as seus pés - Um Mundial aos pés de Trump, que ainda não pôs o pé num estádio

A equipa à volta de uma ideia e a equipa à volta de um homem


"Espanha e Argentina: duas fórmulas distintas, mas de sucesso repetidamente comprovado

Naquela acesa e muito interessante troca de bolas com Ricardo Quaresma minutos depois da eliminação da Seleção do Mundial, e concorde-se ou não com o grosso dos argumentos que utilizou, Rúben Dias chamou a atenção para um facto relevante: Portugal não tinha, na sua essência, um conceito de jogo culturalmente enraizado como a Espanha.
Quem o tem – desde que suportado em talento, claro – estará mais vezes perto de ganhar. E é por isso que Espanha ganhou tantas vezes nos últimos 20 anos.
Mas se isso fosse condição única para o sucesso, Espanha e todas as equipas que se munissem de um número substancial de jogadores nascidos e formados em Espanha ganhariam sempre. Não haveria espaço para a arte dos franceses, ou para a alma inesgotável dos argentinos.
Espanha e Argentina são seleções muito diferentes, mas são igualmente representantes de escolhas que nos mostram caminhos distintos e igualmente eficazes para se atingir o sucesso. Uns, porque nunca abandonam as suas ideias vincadas de um jogo coletivo; outros, porque, mesmo quando tudo parece estar prestes a desmoronar, numa deixam de ser um grupo unido à volta de um homem.
Mas há algo em que se fundem: são equipas no sentido mais lato do termo.
Durante este Mundial, muito se debateu sobre as razões do fracasso de Portugal. E com teses situadas por vezes nos antípodas: houve quem alegasse que Cristiano Ronaldo era o problema e quem argumentasse que o problema estava nos restantes jogadores, que teriam boicotado o mais letal avançado do futebol mundial da última década e meia.
Não estou a dizer que Portugal devia ter seguido a receita da Argentina (mas alguma devia ter seguido). Até porque não há comparação possível entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.
Um, aos 41 anos, precisa do trabalho e do talento de uma equipa.
O outro, aos 39, só precisa do trabalho, porque do resto ele ainda consegue tratar.
Podia ser um peso para quem partilha com ele o campo e para quem tantas vezes tem de correr quilómetros por ele, mas o que se vê – sobretudo desde o desbloqueio mental iniciado com a conquista da Copa América em 2021 e completado há três anos e meio no Qatar – é o contrário.
E isso diz muito sobre o tipo de liderança de uma super-estrela, mas também sobre como os outros a aceitam. Porque enquanto Lionel continuar a ser Messi dentro de campo, e a melhorar todos à volta dele, não há como não o aceitar.
A Argentina, depois de anos e anos de frustrações, percebeu como poderia potenciar-se enquanto seleção: à volta de um homem. Espanha, ao fim de 50 anos sem um título internacional, também: à volta de uma ideia.
Duas ideias, ambas válidas. Até ver, goste-se ou não, as melhores para se chegar a uma final de um Mundial.
Portugal também terá de escolher a sua."

O Rei e o Príncipe


"Eu, quando comecei a rascunhar este texto, havia acabado de assistir ao fracasso do Brasil diante da Noruega. Escrevi as primeiras palavras muito antes da confirmação da final entre Argentina e Espanha. Ou seja, não há aqui qualquer impulsividade. Longe disso.
Ainda na fase de grupos, o Mundial de 2026 ficou marcado por diversas discussões. Algumas úteis, outras nem tanto. Teve bastante assunto necessário, mas também muito tema sem sentido. Como de costume, é claro.
Neymar deveria ter sido chamado por Carlo Ancelotti à seleção brasileira? Cristiano Ronaldo tinha condições de ser titular indiscutível da seleção portuguesa? Qual é o papel das bets na forma como o futebol é consumido e comercializado?
Participei de várias "brigas". Mergulhei de cabeça em praticamente todas. Tanto no Brasil, como em Portugal, resolvi "criar" o meu próprio debate. Promovi a seguinte questão: Lionel Messi é o único que pode duelar com Pelé pelo posto de melhor jogador da história?
Para nós, brasileiros, Edson Arantes do Nascimento sempre foi indiscutível. Expoente máximo. Só faltou fazer chover no Santos e na seleção brasileira. Para muitos outros, argentinos ou não, Diego Armando Maradona acabou por atingir o mesmo nível do Rei. Estariam em patamar igual. Benefícios exclusivos?
Admito que nunca comprei totalmente esta versão, apesar de compreendê-la na perfeição. Maradona foi gigante. Dono de uma aura única. Um Deus na Argentina e também na Itália. Razão de pura adoração. Há, inclusive, quem o trate como religião.
Infelizmente, acompanhei pela televisão apenas a (melancólica) reta final da gloriosa carreira do El Pibe de Oro. Por outro lado, "cansei" de ver Lionel Messi. Assisti in loco no Barcelona e na seleção argentina, especialmente na campanha do histórico título mundial em 2022.
Repito: não sabia, no início desta minha escrita, se a Argentina seria ou não finalista da Copa do Mundo de 2026. É completamente indiferente. Isso porque tinha — e continuo a ter — muito bem definido aquilo que quero reforçar.
Para mim (!), Messi ultrapassou a comparação com Diego Maradona. E já havia superado há tempos o confronto direto com o monstruoso adversário geracional, o português Cristiano Ronaldo.
Hoje, independentemente do eventual bicampeonato mundial no próximo domingo, Lionel Messi rivaliza única e exclusivamente com um nome: Pelé. Ainda perde (por pouco) para o Rei, mas o título de Príncipe lhe cai muitíssimo bem."

Lições e ilações


"Scaloni e De La Fuente têm ego, mas têm muito mais cérebro e coração

Faltam dois dias para a grande final do Mundial 2026. Argentina e Espanha garantiram o direito a estar no jogo mais importante da competição com mérito. Seguiram caminhos distintos, mas nos momentos mais importantes souberam ser e fazer o que era preciso para ultrapassar os seus obstáculos.
Não sei se teremos uma Argentina bicampeã ou uma Espanha a dar continuidade à conquista do Euro 2024. Sei, no entanto, que ambas as seleções deixam lições e ilações que levarei para a vida enquanto ser humano e treinador.
Coragem, congruência, convicção e fidelidade. Ser-se convictamente fiel a crenças e ser-se capaz de agir em conformidade com as mesmas é algo cada vez mais raro de se encontrar num campo de futebol. Argentina e Espanha têm sido fiéis ao seu ADN e congruentes na forma como o expõem em campo. Isso requer coragem. Uma enorme coragem para não haver desvios quando a exibição não está a ter qualidade, as individualidades não sobressaem ou o resultado é desvantajoso.
Unidade e mobilização. Representar uma seleção é muito mais do que vestir as cores da bandeira. É transportar os sonhos de milhões que um dia sonharam estar num Mundial. É ser em campo o exemplo vivo dos princípios e valores morais que supostamente norteiam a cultura de um país. É ter a noção de que a unidade em campo pode ter reflexo na mobilização de uma sociedade. Mesmo que por breves horas ou por meia dúzia de semanas. Argentina e Espanha têm um sentido de unidade e uma capacidade de mobilização dentro de campo em prol do coletivo acima da média.
Inteligência e altruísmo. Argentina e Espanha têm selecionadores inteligentes do ponto de vista tático. Não estão presos a nada que não seja o superior interesse dos seus selecionados e do seu país. Daí nunca terem tido problemas em optar por A em detrimento de B. De Paul e Lautaro Martínez foram suplentes anteontem. Pedri e Ferran Torres foram suplentes nos últimos dois jogos. Todos foram chamados a jogo e responderam de forma afirmativa e altruísta, como seria de esperar.
Liderança humana. Scaloni e De La Fuente. Dois mestres na forma como souberam construir um grupo forte do ponto de vista humano, a partir do qual se desenvolveram as respetivas ideias e os respetivos modelos de jogo. Discretos, humildes, inteligentes. Agem como coreógrafos que criam a coreografia, assistem ao bailado e, no final, recolhem aos bastidores. Sabem que os aplausos serão sempre para quem baila. Têm ego, mas têm muito mais cérebro e coração."

Maradona ou Messi? Uma enorme questão que pode resolver-se domingo à noite


"As semelhanças, as diferenças e a forma como a final de domingo, em New Jersey, frente à Espanha, pode mudar a alma simbólico-futebolística de uma Argentina eternamente grata

É uma discussão muito interessante a de tentar perceber quem foi, afinal, o melhor baixinho canhoto argentino a jogar futebol.
Se é apreciador de ambos, seja bem-vindo; se prefere, em absoluto, outros jogadores, bem-vindo seja também; se, porém, é daqueles que odeia gratuitamente só porque prefere Pelé a Maradona ou Ronaldo a Messi, talvez não valha a pena perder tempo a ler este texto, dedicado a todos os que conseguiram, nas últimas duas décadas, dar valor ao privilégio de ver em simultâneo, semana após semana, duas das maiores lendas do futebol mundial. Sim, eles ainda jogam mas há muito que já são lendas.
Mas falemos então de argentinos: Maradona desbravou um caminho. É certo que a Argentina já tinha sido campeã do Mundo em 1978 sem ele (preterido aos 17 anos já depois de se ter estreado como internacional), mas as caminhadas de 1986 e 1990 (final perdida) foram épicas.
Diego Armando tinha, sobretudo fora dos relvados, uma dimensão de pop star, até uma dimensão política, que Messi nunca teve, não terá e, valha a verdade, nunca pareceu interessado em ter.
A personalidade vincada, o gosto pelas beiras dos abismos, a utilização abusiva de drogas, as polémicas, a vida privada, os statements políticos, tantas vezes polémicos (pense-se por exemplo na amizade com Fidel Castro) fizeram de Maradona uma personagem altamente biografável, um sonho para documentaristas ou autores de livros e filmes sobre figuras marcantes.
Lionel tem pouco de sexy, sabe-se quase nada sobre a vida privada, as mansões ou as joias e não se lhe conhecem grandes escândalos para lá de umas divergências fiscais. Casou com a namorada de infância ou adolescência, é muito pouco atraente para lá da magia que espalha pelos relvados.
Além de uma seleção e um País, Diego Armando levou um clube ao colo. O Nápoles até voltou, recentemente, a ser campeão italiano, mas dificilmente voltará ao nível daqueles anos 80/90.
Messi foi muito de um fantástico Barcelona, mas os catalães já eram enormes antes e continuaram a sê-lo depois dele. Visitem-se as duas cidades (que bem valem a despesa) e compare-se a presença de um e outro.
Recentrando atenções no futebol puro e duro, contudo, creio que no domingo algo pode mudar. Se a Argentina perder, continuarão ambos a dividir o trono. Mas se ganhar... Messi poderá ser o novo Dios."

Quando o futebol tem a sua lógica


"Alemanha, Brasil, Uruguai e Portugal são, de forma quase consensual, as grandes desilusões deste Campeonato do Mundo. Parece fácil dizê-lo agora, porém, embora as expetativas estivessem altas, as quatro equipas apresentavam problemas sérios na sua constituição. Na raiz do problema, há uma crise de identidade no futebol teutónico, que atinge a própria matriz genética do jogador, a par de uma fratura geracional, no setor defensivo. A isto, Julian Nagelsmann somou decisões que comprometeram a sua própria liderança, com promessas não cumpridas e a gestão do caso Neuer, por exemplo.
O Brasil teve de incorporar Neymar para aumentar o coeficiente de génio de um Escrete, que não teve um Vinícius Júnior líder que o carregasse até fases adiantadas no torneio. Houve truques, fintas, grandes passes e alguns golos, mas de tamanho desequilibrador espera-se sempre mais. E esse passo de conseguir reunir todos à sua volta, através do foco total no objetivo, ainda não foi dado. Entretanto, Neymar foi um acessório de luxo e pouco mais. «Finished», como quis sentenciar Jorge Jesus. Curiosamente, dos quatro casos, só Ancelotti mantém a fé dos dirigentes.
Já Marcelo Bielsa tentou fazer evoluir o conjunto uruguaio dos duelos individuais e futebol direto para um jogo de posse, mais sustentado. 'El Loco' perdeu-se no excesso de informação, nas escolhas que fez — o acorrentar de Valverde a um flanco, por exemplo — e até na mensagem, e nunca teve a garra charrúa do seu lado nas Américas.
Portugal nunca foi favorito nem sequer candidato, perdido em equívocos e no 'status quo'. O futebol foi pobre e medroso, e nunca houve uma verdadeira equipa que expressasse tanto talento incorporado."

Terceiro Anel: Planeta #14 - MEIAS MUITO DURAS & A GRANDE FINAL!! 🇵🇹🏆⚽️

ESPN: Futebol no Mundo #611

TNT - Convocados...

Zero: Negócio Mistério - S06E18 - Sutter...

Pre-Bet Show - Mundial #10 - MESSI VS YAMAL: O PRESENTE ENFRENTA O FUTURO 🔥

Caderneta de Cromos: NÃO HÁ PALAVRAS PARA MESSI

FIFA: França...

FIFA: Inglaterra...

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Falar Benfica #59 - O jogo de Rugby contra o Flamengo, Villareal, eliminatória LE e comunicado

O futebol não é uma moda


"Fisicalidade introduzida por Farioli resultou no FC Porto, mas o mais importante é a convicção. E a identidade de jogo de Espanha é o melhor exemplo.

Estive a ver na terça-feira os jogos Sporting-Celtic e França-Espanha e dei por mim a pensar que a moda pode ser um risco. Considero que os bons exemplos devem ser seguidos, mas só o devem ser com convicção.
Vem isto a propósito do campeão FC Porto, particularmente como Francesco Farioli transformou num ápice uma equipa perdedora num conjunto vencedor. O italiano tem uma ideia de jogo assente no poderio atlético, na qual a capacidade física tem um peso decisivo.
Com Farioli chegaram Alberto, Bednarek, Kiwior, Froholdt, Pablo Rosario, Luuk de Jong ou Borja Sainz, que se juntaram a outros atletas poderosos fisicamente, como Samu, Alan Varela, Pepê ou Deniz Gul. Num ápice, o dragão tornou-se numa máquina fortíssima, com o treinador escolhido por André Villas-Boas a logo adicionar uma nova palavra ao léxico do futebol português: fisicalidade.
E a fisicalidade caiu em moda e até promete fazer escola. Curiosamente, foi Bruno Lage quem procurou dar o mote, assumindo que pretendia outro perfil de jogadores para o Benfica. Chegaram Manu Silva, Richard Ríos, Barrenechea, Lukebakio ou Ivanovic, mas o treinador não teve tempo para construir uma equipa à sua imagem, acabando despedido numa fase bem precoce da época.
Agora, surge o Sporting a apostar numa estratégia diferente da dos últimos anos, já com muitos reforços e uma base comum: a… fisicalidade. Altimira, Doumbia, Silas Andersen e o próprio Zalazar são jogadores fortíssimos atlética e fisicamente.
Já se percebeu que Rui Borges, enterrada a herança deixada por Ruben Amorim, pretende mudar o figurino da equipa. Quer um leão mais forte, mais agressivo e também com mais fome. É por este ângulo que observo as saídas anunciadas de Trincão, Pedro Gonçalves e Daniel Bragança, que se juntam às inevitáveis de Morita e Hjulmand. Confesso até que não me surpreenderia que mais algum peso pesado se juntasse ao rol, nomeadamente um dos defesas-centrais.
Certo é que o Sporting vai ser diferente e os indicadores que deu no particular com o campeão escocês até foram animadores. Vamos ter um leão mais arrojado, mais rápido e mais combativo, fruto do sangue novo injetado. Nada a opor, obviamente, pois acredito que todos os reforços tenham o selo de Rui Borges, que prepara a transfiguração assente na convicção e nunca por uma questão de moda, embora esta tenha dado excelentes resultados no Dragão.
Já se percebeu que considero que a convicção é fundamental, pois só ela permite criar uma identidade. Como se constatou na meia-final do Mundial, com a Espanha a dar uma lição de futebol à favorita França. O projeto da federação do país vizinho é sólido, sustentado, assente numa ideia de jogo e transversal. O Barcelona criou o modelo e a seleção adotou-o. Com excelentes resultados. Tanto nos escalões de formação como na seleção principal. A promoção de Luis de la Fuente dos sub-21 à La Roja é só o corolário de uma lógica.
A França tem melhores jogadores — o ataque é mesmo extraordinário —, mas quem levou a melhor foi a equipa, a ideia, a convicção."

Zero: Mercado - Juventus na corrida por guardião do Benfica

BF: Tiago...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Argentina mostra estofo para a final

Observador: E o Campeão é... - Messi estrela da companhia ou é só "colinho"?

Observador: Três Toques - Argentina x Espanha: Será que vence a força ou a técnica?

DAZN: F1 - Antevisão ao GP da Bélgica

Terceiro Anel: DRS #57 - VITORIA 250 & SPA FRANCORCHAMPS GP!! 🏎️🏁

Zero: Saudade - S04E46 - Da liga portuguesa para o Mundial: um «onze» de génios e toscos

Preparação intensa


"A pré-época do futebol profissional do Benfica em destaque nesta edição da BNews.

1. Ingressos disponíveis
A venda de bilhetes para o St. Gallen-Benfica da 1.ª mão da 2.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa reabre às 15h00.

2. Intensidade na pré-época
O grupo de trabalho às ordens de Marco Silva continua a preparar-se para a nova temporada.

3. Jogo de preparação agendado
Benfica e Belenenses encontram-se no Estádio da Luz, no dia 24 de julho, às 18h00.

4. Pré-época da B
Em jogo treino com o Lusitano GC registou-se um empate a um golo.

5. Movimentações do defeso
Alexandre Ferreira, internacional por Portugal, reforça o voleibol benfiquista. Na vertente feminina do basquetebol, Inês Faustino renova o contrato e Ana Barreto e Inês Neto juntam-se ao plantel benfiquista.

6. Sorteios
Em voleibol, o Benfica vai participar na CEV Cup no masculino e na CEV Challenge Cup no feminino. A equipa feminina de andebol participa na EHF European League.

7. Chamadas internacionais
Catarina Bernardino faz parte da seleção portuguesa no Mundial Sub-18 de andebol. A mais recente convocatória da seleção feminina Sub-19 de voleibol inclui quatro jogadoras do Benfica. E são 3 os atletas encarnados no Campeonato da Europa Sub-18 de atletismo.

8. Jornal O Benfica
A edição desta semana já está disponível para download no Site Oficial."

Lanças...


História Agora


Prevenir em vez de remediar


"Quando fiz a minha primeira aposta, não estava a pensar em probabilidades nem em integridade. Apostei num cavalo a 33 para 1 porque corria com as cores do meu clube de futebol, o Preston North End.
Ganhou com 12 corpos de vantagem, e aquele momento provocou em mim uma sensação que passaria 17 anos a perseguir. Quando finalmente parei, tinha movimentado 5,6 milhões de euros em 93 contas e perdido quase tudo o que realmente importava. Partilho isto não para despertar compaixão, mas porque é a prova mais clara que tenho de que os danos causados pelo jogo raramente se anunciam — escondem-se à vista de todos, no interior de uma carreira, de um casamento, de uma vida que, vista de fora, parece estar inteiramente sob controlo.
A três dias do apito final, o Mundial entra no seu último acto — e o futebol tem uma oportunidade rara: não a de fiscalizar as apostas depois de o dano ocorrer, mas a de olhar honestamente para aquilo que este torneio nos mostrou sobre prevenção e para o que ainda falta construir antes do próximo.
O torneio gerou um volume extraordinário de apostas, grande parte delas legítima, outra nem tanto — o mercado negro é um risco crescente que nunca foi meramente hipotético.
A polícia francesa foi alertada para um aumento invulgar de apostas internacionais relacionadas com a possibilidade de Elye Wahi, jogador que participou no Mundial, ver um cartão no último jogo que disputou no campeonato nacional antes do torneio, o que desencadeou uma investigação a padrões suspeitos em torno da sua conduta. Casos como este são normalmente enquadrados apenas como um risco de manipulação de resultados. Mas levantam uma questão mais difícil: que formação recebeu esse jogador, e outros como ele, sobre a exposição ao jogo ou sobre integridade muito antes de qualquer investigação ter começado? Os Standards Universais da SIGA abordam, e bem, a ameaça à integridade. O interesse da EPIC situa-se na camada que lhe está subjacente — o bem-estar dos jogadores, das equipas técnicas e dos adeptos dentro de um ecossistema de apostas mais rápido, mais acessível e mais anónimo do que em qualquer outro momento da história.
O jogo online alterou o risco. Está disponível a todas as horas do dia, não exige qualquer transação visível e pode intensificar-se em privado, sem que as pessoas mais próximas se apercebam. A minha própria dependência permaneceu invisível para a minha mulher e para os meus colegas de equipa durante quase uma década — uma característica estrutural da forma como hoje se acede ao jogo e a razão pela qual a prevenção tem de estar incorporada no sistema, e não ser acrescentada posteriormente.
Na EPIC Global Solutions, que fundei depois de cumprir uma pena de prisão relacionada com a minha dependência, o nosso modelo assenta num princípio: a prevenção tem de surgir antes do dano. Cerca de metade da nossa equipa tem experiência vivida de dependência do jogo, e trabalhamos nas áreas do desporto, jogo, serviços financeiros, forças armadas, justiça criminal e educação de jovens, em mais de 30 países.
A nossa parceria com a SIGA é importante para mim a nível pessoal, e não apenas profissional. Os Standards Universais da SIGA e o trabalho de prevenção da EPIC partilham uma convicção: proteger a integridade do desporto e proteger as suas pessoas são uma única missão, observada de dois ângulos diferentes. A SIGA traz um modelo de governação rigoroso para a integridade das competições; a EPIC traz a experiência da linha da frente sobre aquilo que os danos causados pelo jogo realmente são e sobre como intervir antes de um jogador, dirigente ou adepto entrar num território mais destrutivo. Em conjunto, estamos a desenvolver ferramentas, formação e campanhas que tratam a proteção dos atletas como uma questão central de integridade, e não como uma preocupação periférica de bem-estar.
Os danos causados pelo jogo não são definidos pelo valor de uma aposta nem pelo saldo de uma conta bancária, mas pela relação entre o indivíduo e o comportamento. Um jovem jogador de academia que aposta pequenas quantias em segredo pode correr mais perigo do que um adepto abastado que aposta grandes somas de forma recreativa. Isto é verdade em todo o mercado regulado — e ainda mais nos mercados não regulados.
O Mundial foi visto por milhares de milhões de pessoas, muitas delas jovens, que formaram as suas primeiras perceções sobre as apostas ao longo de um mês de marketing associado ao torneio. Quando o troféu for erguido, federações, ligas e operadores terão a oportunidade de adotar um modelo melhor antes do próximo torneio: parcerias transparentes entre entidades de integridade e especialistas em prevenção de danos, formação dirigida aos jogadores antes de os problemas surgirem e uma conversa sobre o jogo que leve a prevenção tão a sério como a deteção.
O jogo existe há 3.000 anos e continuará a existir nos próximos 3.000. A resposta não passa por afastar as apostas do desporto, nem isso seria realista. Passa por reconhecer honestamente o risco e investir na prevenção com a mesma seriedade com que o desporto investe em medidas antidopagem ou de combate à manipulação de resultados. Todas as formas graves de perturbação de jogo com que me deparei, incluindo a minha, terminam num de quatro destinos: falência, rutura de relações, condenação criminal ou — nos piores casos — problemas graves de saúde mental. A prevenção é a única intervenção capaz de interromper esse percurso.
Há quase 15 anos, fiz a minha última aposta. Tudo o que a EPIC faz, e tudo o que a nossa parceria com a SIGA está a construir, nasce do desejo de que menos pessoas percorram a distância que eu percorri antes de alguém intervir. Agora que este Mundial chega ao fim, deixa um indicador claro pelo qual poderemos medir o próximo: proteger a integridade do desporto tem de incluir a proteção de quem o pratica, de quem o apoia e de quem o vê. A prevenção não é uma nota de rodapé da integridade — é o seu alicerce."

O fabuloso destino 'Rojo'


"A Espanha pode não ser campeã do mundo, mas De la Fuente sairá sempre por cima deste Mundial

De todos os semi-finalistas, só a Espanha tinha jogado grandes jogos até agora. França, Inglaterra e Argentina, com maior ou menor nota artística, limitaram-se a cumprir os serviços mínimos para atingir a fase das decisões.
Não chegar a esta fase da prova seria uma desilusão para todos. Terá isso feito a diferença? Em muitos jogos deu a sensação de que os jogadores franceses eram muito melhores. Não havia dinâmica colectiva que lhes fizesse frente porque a diferença era muita. Quando o nível do adversário subiu a equipa não foi capaz de dar resposta. Creio que poucos imaginavam que a Espanha se sobrepusesse desta maneira ao grande favorito. Não temos forma de saber o que seria do jogo se Digne não tivesse cometido penálti sobre Yamal, talvez isso tenha detonado os níveis de confiança dos franceses e tenha agarrado os espanhóis ao seu plano de jogo. No entanto, registe-se como a França praticamente não teve oportunidades de golo nem remates enquadrados, o que numa equipa que começou o jogo com Mbappé, Olise, Barcola e Dembélé é impressionante.
O dado interessante é que isto esteve longe de significar que a Espanha se tenha defendido com unhas e dentes, ou talvez o tenha feito da maneira mais eficiente possível: tendo a bola, gerindo ritmos de jogo, mantendo o adversário longe da baliza. E isto foi suficiente para que os espanhóis tenham concedido apenas um golo durante os cinco jogos da competição.
Luis de la Fuente arrisca-se a passar de ilustre desconhecido a um nome marcante da história do futebol num par de anos. Mesmo sendo a Espanha uma das mais fortes seleções do torneio, é evidente que a subida de rendimento de Rodri e Yamal potenciou o crescimento colectivo da equipa. Por outro lado, substituir Pedri nunca seria uma decisão fácil, e a entrada de Fabián Ruiz catapultou a equipa para outro patamar.
Talvez tenha sido, aliás, parte do problema da selecção francesa. Sentiu-se sempre que Rabiot e Tchouaméni não chegaram para as encomendas. Rodri dominou o meio-campo e teve um papel decisivo na circulação espanhola. Oyarzabal meteu-se muitas vezes por dentro do bloco, arrastou centrais, potenciou entradas em rotura. Novamente: Rabiot e Tchouaméni ou, noutra versão, Rabiot e Koné, foram suficientes quando menos faziam falta. Quando a exigência subiu os problemas estruturais evidenciaram-se.
A Espanha pode não ser campeã do mundo, mas De la Fuente sairá sempre por cima de um Mundial que até foi iniciado aos ziguezagues. Curiosamente, como o último campeão do mundo."

Querer foi mesmo poder


"Para que não subsistam quaisquer dúvidas, sou pela competência e não tenho nenhum ‘parti pris’ contra os treinadores estrangeiros. Antes de andarmos pelo mundo a ensinar futebol, aprendemos sobretudo com os húngaros, ingleses e brasileiros, que nos levaram para patamares superiores. Devemos ter esta consciência e prestar homenagem a quem nos ajudou e nos mantém alerta para não nos deixarmos adormecer. Duas das maiores revoluções do nosso futebol tiveram o brasileiro Otto Glória e o sueco Sven-Goran Eriksson como protagonistas, pelo que só nos fica bem a humildade de reconhecer que adquirir saber, venha de onde vier, é fundamental para evoluir.
Dito isto, e tendo o Campeonato do Mundo no ponto de mira, mais uma vez será um treinador ‘nacional’ a sagrar-se campeão do mundo, Sclaloni ou De la Fuente. E quantas vezes aconteceu isto, desde 1930? Todas! Sim, nunca um treinador 'estrangeiro' se sagrou campeão do mundo. E sabem quantos treinadores 'estrangeiros' estavam nas 48 seleções concorrentes ao Mundial de 2026? Nada mais, nada menos do que 26, sendo as quedas de Ancelotti, Tuchel, Martínez, e Garcia, as mais impactantes.
Mas este Campeonato do Mundo da América do Norte abre-nos outra possibilidade: Lionel Scaloni pode igualar, assim a Argentina derrote a Espanha na final, o italiano Vittorio Pozzo, até agora o único treinador a vencer dois Mundiais consecutivos (1934 e 1938)...
Quanto ao jogo de ontem entre argentinos e ingleses, confesso que comecei a torcer pelos europeus e acabei a desejar a vitória dos sul-americanos. Quis que a Inglaterra chegasse à final, porque são um país de futebol, têm adeptos (uma vez erradicados os ‘hooligans’) que respeitam a integridade do jogo, e puseram de pé o melhor campeonato do planeta, onde atuam cinco dos titulares da Argentina que ontem acedeu à final, em Atlanta. Acabei a querer que a ‘albiceleste’ vencesse porque os apóstolos de Messi juntaram a uma disciplina futebolística europeia, as ‘ganas’ que sempre os caraterizaram. Como dizem os brasileiros, não tiveram ‘sangue de barata’, ou, como dizemos nós, tiveram ‘sangue na guelra’, enquanto que os ingleses de Tuchel, mal se viram em vantagem, levaram o resultadismo à enésima potência, ‘alugaram’ um ‘Double Decker’ que colocaram à frente do magnífico Pickford, e deixaram uma imagem de equipa pequena.

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

Com Jesus isto vai ser bem mais divertido


"A Federação troca o soporífero pela cafeína... Jesus é a bebida energética que a seleção precisava. E se falharmos, será com estilo, será a tentar...

Há muitas maneiras de avaliar a qualidade de um treinador. Posso olhar para os resultados e para a qualidade estética do futebol praticado pelas equipas que comanda. Mas nada é tão completo quanto o que me dizem dele os jogadores por ele treinados. Não me refiro às declarações de atuais jogadores em entrevistas ou conferências de imprensa, mas as de antigos jogadores, em público ou privado, numa fase em que já não dependem do treinador para nada. E deixem que vos diga: em cada 10, cinco consideram Jorge Jesus o melhor treinador que tiveram; quatro entre os dois a três melhores e um diz que é apenas um bom treinador. O trabalho tático, o conhecimento do futebol e a capacidade de tirar rendimento de um jogador e colocar a equipa a jogar muito bom futebol é destacado por todos. Já 10 em cada 10 dizem também que ferve em pouca água; dá reprimendas em público se for preciso – tal como, a seguir, defende o jogador até ao limite; é obsessivo com o trabalho e se tiver de acordar alguém a meio da noite… acorda; é tão perfecionista e tão atento ao pormenor que chega a ser cansativo. Suga. Logo, a larga maioria desses ex-jogadores sempre me contou que à terceira época havia já um desgaste, mantendo-se o respeito e admiração. E não param de falar nele…
Conheci Jorge Jesus em 1998, no Estrela da Amadora. Numa altura em que os treinos aconteciam à porta aberta, bastou-me o primeiro para perceber que era um treinador diferente. A atenção ao detalhe e a qualidade do treino eram evidentes. No final, várias vezes, ficava a falar com os jornalistas. Explicava, debatia, ensinava. Anos mais tarde, num estágio de início de época do SC Braga, assisti a um treino em que uma jogada de ataque, que começou num guarda-redes e acabou num remate para defesa do outro guarda-redes demorou… 45 minutos. Jesus quase de fita métrica na mão a interromper a cada cinco segundos, a corrigir posicionamentos e decisões, a explicar tudo numa lógica de xadrezista.
Aprendi também a gostar de Jorge Jesus pela personalidade. Gingão. Divertido. Às vezes irritante. Umas calinadas no português, uma dose q.b. de arrogância. Tão genuíno. Diz que inventou coisas no futebol. Pablo Aimar concorda. Disse, após ter saído do Benfica, que com Jesus aprendeu coisas que nem sabia que existiam. E Aimar já era Aimar. E tantos outros…
Jesus é um corte com Roberto Martínez. Na personalidade, na independência, até na capacidade de fazer sangue para clarificar. Mas, acima de tudo, na capacidade de colocar a Seleção a jogar. É possível que arranje uma ou outra confusão, alguma incompatibilidade, se espalhe aqui e ali com alguma visão. É o preço a pagar por quem tem personalidade e fervilha de ideias. Pode falhar como outros. Mas falha a construir. Onde Martínez falhou por ausência a mais, Jesus pode falhar por presença a mais. Vai fazer os adeptos acreditar. E em termos de comunicação, trocamos o soporífero pela cafeína. Jesus prende-nos.
Tenho as dúvidas de muitos: uma coisa é treinar um clube, outra a Seleção. Aqui, não tem tempo para vincar novas ideias; aqui tem de partilhar as ideias que defende com as que os jogadores trazem dos clubes. Mas sei que Jesus é um grande treinador. É um personagem. Tem carisma E gosto dele. Pronto.
Esta Seleção, não tenho dúvidas, vai ser muito mais mais competente e… muito mais divertida."

Para português ver: o que é uma verdadeira grande seleção


"«A deceção é grande, mas não apaga tudo de bom que fizemos. Não tiro o mérito à seleção espanhola, que controlou o jogo»
Didier Deschamps, selecionador francês, após derrota com a Espanha na meia-final do Mundial

Didier Deschamps termina aventura de 14 anos como selecionador da França com a eliminação nas meias-finais do Mundial, uma deceção, mais uma, para aquela que foi, provavelmente, a melhor seleção da última década.
E despede-se apenas com um grande título, o Mundial 2018 (ganhou também a Liga das Nações de 2021); mas para quem regularmente coloca Portugal entre as principais seleções do Mundo, atente-se no que a França conseguiu com Deschamps.
Em quatro Mundiais, chegou aos quartos de final (2014), meias (2026), final (2022) e venceu a competição em 2018; nas três eliminações, caiu frente a Alemanha, Espanha e Argentina. Em três Europeus, perdeu em casa a final de 2016 contra Portugal, caiu nos oitavos de 2020 nos penáltis, contra a Suíça, e foi eliminada nas meias de 2024 contra a Espanha. Tirando em 2020, todas as seleções que eliminaram os bleus foram campeãs.
No mesmo período, Portugal não passou da fase de grupos do Mundial em 2014, foi eliminado nos oitavos de 2018 pelo Uruguai, nos quartos de 2022 por Marrocos e nos oitavos de 2026 pela Espanha; e no Euro, após ganhar em 2016, caiu nos oitavos de 2020 com a Bélgica e nos quartos de 2024 com a França.
Não é mau, mas em sete fases finais a Seleção chegou uma vez às meias; a França só não o fez por duas vezes. Só para pôr em perspetiva o que é uma verdadeira grande seleção."