O INDEFECTÍVEL
Pelo Benfica! Sempre!
Últimas indefectivações
terça-feira, 21 de abril de 2026
A indústria do desporto passou a viver de eventos. Não de épocas!
"Durante muitas décadas, o desporto foi organizado em torno de uma lógica simples e estável: épocas longas, jornadas regulares, rotinas previsíveis e um consumo sustentado pelo hábito. Essa lógica está a desaparecer. O desporto moderno passou a viver de picos e não de continuidade, de eventos e não de processos, de momentos concentrados e não de épocas inteiras.
Hoje, o valor não está em acompanhar tudo, mas em não perder aquele momento especial. E essa mudança tem implicações profundas para ligas, clubes, modalidades, marcas e, naturalmente, para a realidade portuguesa.
O exemplo mais evidente vem do futebol europeu. A UEFA redesenhou há 23 anos a Champions League não apenas para aumentar receitas, mas para criar mais noites de decisão, mais jogos com consequência e mais momentos capazes de dominar a agenda mediática global. A última jornada da fase de liga, com dezenas de jogos em simultâneo, não é uma solução logística: é um produto.
É um evento dentro da época, pensado para gerar emoção concentrada, consumo simultâneo e conversa global em tempo real. O mesmo acontece com finais, sorteios transmitidos como espetáculos televisivos, apresentações públicas de jogadores e até anúncios de calendários. A época continua a existir, mas o valor migrou para os pontos altos.
Esta lógica não é exclusiva do futebol. A Fórmula 1 deixou de ser vista como um campeonato de 20 e tal corridas para se transformar numa sequência de grandes eventos, cada um com identidade própria, narrativa local e ativação comercial específica. A NBA constrói a sua temporada em torno do All-Star Weekend, das finais de conferência, das Finals e, mais recentemente, de formatos intermédios pensados para capturar atenção num mercado saturado.
Até os Jogos Olímpicos, historicamente o maior evento desportivo do mundo, passaram a ser comunicados não como uma competição contínua, mas como uma sucessão de finais, histórias humanas e momentos virais.
Porque é que isto acontece? Porque o mercado da atenção mudou. O consumidor já não organiza a sua vida em função do calendário desportivo; o desporto é que tem de se inserir num ecossistema onde concorre com séries, redes sociais, gaming, música, creators e experiências on-demand. Neste contexto, a regularidade perdeu poder. O que vale é a exceção. O que prende é o evento. O que converte é a sensação de urgência. E é por isso que as indústrias mais bem-sucedidas não tentam vender tudo, mas sim criar momentos que ninguém quer perder.
Em Portugal, esta mudança ainda não foi totalmente assimilada. O nosso modelo continua excessivamente dependente da época regular, das jornadas semanais com pouco impacto fora do público fiel e de uma narrativa centrada no resultado e não no momento. Fora dos jogos grandes, clássicos, derbies, finais ou decisões europeias a maioria dos encontros vive num ruído mediático quase invisível.
Isso não é apenas um problema de exposição; é um problema de produto. Se cada jogo for apresentado como mais um, o mercado vai tratá-lo como mais um. E, num calendário global saturado, mais um é sinónimo de irrelevância.
As marcas, naturalmente, já perceberam isto. O investimento está a deslocar-se para ativações concentradas, eventos âncora, finais, grandes jogos e experiências premium. Patrocinar uma época inteira sem momentos claros de ativação tornou-se ineficiente. O que gera retorno é o evento bem desenhado, com storytelling, experiências no recinto, conteúdos antes, durante e depois, e métricas claras de impacto.
Quando o desporto não oferece esses momentos, perde espaço nos orçamentos. E quando perde espaço nos orçamentos, entra num ciclo de dependência exclusiva do apoio institucional ou do financiamento tradicional.
O risco maior desta lógica é evidente: ao viver de eventos, o desporto pode perder densidade entre eventos. Entre picos de atenção, instala-se o vazio. É aqui que muitos produtos falham. Criam um grande momento e desaparecem durante semanas. O desafio estratégico é outro: aceitar que o valor está no evento, mas garantir que cada evento alimenta o próximo. Não é voltar à rotina antiga, é construir uma sequência inteligente de momentos, cada um com identidade, consequência e narrativa própria. Uma época moderna não é uma linha reta; é uma série de capítulos.
Para Portugal, esta mudança é crítica. Num mercado pequeno, sem escala internacional natural, a única forma de competir é desenhar eventos relevantes, protegidos no calendário e pensados como produtos completos. Jogos decisivos tratados como espetáculos, finais valorizadas, fases finais compactas, janelas mediáticas claras, experiências no estádio que justifiquem a deslocação e conteúdos que prolonguem o impacto do evento para lá do apito final. Continuar a vender “jornadas” quando o mundo compra “momentos” é insistir num modelo que já não corresponde à forma como o desporto é consumido.
Quem continuar preso à lógica da rotina vai cumprir calendário, mas deixar de contar. Porque no desporto atual, já não vence quem dura mais tempo. Vence quem cria momentos que ficam na memória."
35-35 !!!
Derby de Lisboa só em Alvalade para o campeonato nacional:
— O Fura-Redes (@OFuraRedes) April 19, 2026
35 vitórias do Sporting 🟢
22 empates
35 vitórias do Benfica 🔴
Definição de paternidade histórica. pic.twitter.com/6aAaAQ77Cf
TOMEM, EMBRULHEM!!!
"Sporting 1 - 2 BENFICA
Pré-jogo. Quem os ouve já ganharam, vão só cumprir calendário.
(...)
BENFIIIIIIIIICAAAAAAA!!!
00 meio-campo com três, salta Rafa, aposto que com Ríos mais no apoio a Ivanovic, no lugar de Pavlidis para explorar a profundidade. Será assim?
05 o Trubin já deu um frango que não entrou. E já fez uma boa defesa para se limpar.
08 ui, mas que cabeceamento do Ota, merecia golo, era um golão, grande defesa do Rui Silva.
13 Trincão no chão, meio pisão do Aursnes, com o colinho do Sporting na Liga, VAR vai dar penálti, quanto vale a aposta? E o Pinheiro do penálti nos Açores vai concordar, vale uma aposta? Grande TRU-BIN!!! Olha, queriam que fosse repetido, ahahah!
20 na área deles cai o Schjelderup, houve contacto, se fosse o Trincão era penálti, vale a aposta? A Sporttv não repete?
24 Ota mais uma vez nas alturas, bola na mão do japa deles, está de costas, temos pena, isto é penálti, o Pinheiro marcou penálti, claro, nem é preciso VAR! Não está Pavlidis, é o SCHJEL-DE-RUP!!! Um-zero.
30 ui, ui, ui, que o Diomande ia fazendo um autogolo. Que pena!
31 e agora não há toque no calcanhar do Ivanovic? Há VAR para este lance? Não? E o Hjulmand não pára de pressionar o Pinheiro desde o primeiro minuto!
35 estamos a pressioná-los muito bem, a condicionar a saída de bola deles.
36 o Pinheiro amarelou o Hjulman, ena, aguentou 36 minutos!
37 o Maxi Araújo tem tanto de bom jogador como de mau caráter.
44 Trincão caiu sozinho fora da área, escorregou, rematou ao lado, o Hjulmand não pede penálti?
45 + 4 boa primeira parte do Glorioso, a pressionar no sítio certo, a não os deixar sair como gostam, a não nos deixarmos acantonar lá trás.
49 muito obrigado ao poste dreito da nossa baliza que acabou de evitar o empate deles com o Trubin completamente batido.
52 ó Schjelderup! Como é que deixas o redes deles defender este golo mais do que cantadíssimo? Isto tinha que ser o dois-zero, crl!
59 porra, Schjelderup, se estivesses em dia de mira afinada estes três pontos já eram nossos. Agora foi prá malha lateral.
64 bem, agora vi esta bola do japa deles lá dentro, tirou tinta ao poste
67 acabou de sair o Pedro Gonçalves, gostava que ficasse, está em momento de forma zero, só manda vir, mais nada.
70 o Mourinho que mexa na equipa! Estamos a ir abaixo.
72 tanto jogador nosso na área, uns seis ou sete mais o Trubin, como é que o japa cabeceia assim tão fácil, sozinho? Um-um.
75 pisão no Prestianni, não se passa nada, o apitador em cima do lance, não se passa nada
81 ó Barreiro, não me fodas, como perdes este golo, esta trivela de morte do Luke? Assim é impossível ganhar jogos, porra.
83 Lukebakio a fazer gato-sapato do mau caráter outra vez, entrou bem no jogo.
90 mais 5 para metermos um golo.
90 + 1 fora de jogo, golo deles anulado, repetição confirma, siga!
90 + 2 gooooooooloooooooooooo!!! RA-FAAAAAAAA!!! Lindooooooooo!
90 + 6 já está!!! Justo, justíssimo, três pontos para continuar na luta pelo segundo lugar, carrega!!!"
Num dérbi de emoções, o Benfica deu ao Sporting novas lutas com que se preocupar
"Quando o empate já parecia consumado, um último lance de raro brilho deu ao Benfica a vitória em Alvalade por 2-1, afastando o Sporting na luta pelo título e deixando a equipa de Rui Borges com uma nova batalha em mãos: a de proteger a vice-liderança, perdida agora para os encarnados
Até aos derradeiros momentos do jogo, o Sporting-Benfica soou a jogo que ninguém ia ganhar e em que, por isso, toda a gente ia perder. Um último esforço coletivo encarnado já nos descontos, pelo corredor central, num lance rápido mas sem oposição, mudaria a narrativa que já se tricotava, num dérbi ao qual não faltou a emoção das equipas à beira de um ataque de nervos.
A vitória por 2-1 em casa do rival significa que o Benfica ainda respira o ar do 2º lugar, que agora é seu, ainda que à condição. Para o Sporting, se o empate já era uma machadada forte nas esperanças do título, a derrota tornou-se um berbicacho ainda maior: não só o tricampeonato parece agora mais longe como, de supetão, a vice-liderança torna-se numa inesperada luta. A reta final do campeonato não será para cardíacos.
José Mourinho inovou ao chamar Ivanovic à titularidade. Terá pesado a quebra de forma de Pavlidis, mas surpreenderá tamanha mostra de confiança num jogador que nunca a teve por parte do técnico português. Do outro lado, e por falar em confiança, é Vagiannidis que a vai perdendo. Sem Fresneda, Rui Borges voltou a escolher Eduardo Quaresma para o lado direito da defesa, tal como em Londres a meio da semana.
Surpresas não teve o início do jogo, numa abordagem de muita pressão por parte das duas equipas, a provocar erros mútuos. A vantagem numérica a meio-campo do Benfica, com Aursnes, Ríos e Barreiro para limitar Morita e Hjulmand, não resultava em superioridade real: Diomande ia assumindo a dupla função, em cima de Barreiro para equilibrar as dinâmicas do jogo.
Ainda assim, o jogo não estava amarrado, bem pelo contrário. Estava confuso, sim, mas vivo. Do lado do Sporting, Geny Catamo ia ameaçando nova exibição cintilante, algo que não desdenha contra o Benfica. Nos primeiros minutos foi daquele lado direito que foram saindo alguns dos momentos de maior perigo. Aos 5’, num trabalho individual depois de uma bola que o Sporting ganhou ainda em zonas altas, o moçambicano quase enganava Trubin, obrigado o ucraniano a defesa pouco ortodoxa, só com uma mão, depois do remate do extremo ainda desviar num adversário. A trajetória estranha levaria a bola até à barra. No canto, novo duelo entre Geny e Trubin, com vantagem outra vez para o guarda-redes, atento ao remate de meia-distância.
Do outro lado, seria a cabeça de Otamendi a provocar calafrios na baliza do Sporting, bem guardada por Rui Silva. Findos os primeiros 10 minutos, os leões pareciam querer crescer. Quando Aursnes pisou Trincão na área, essa pequena superioridade ameaçava tornar-se em vantagem.
Seguiu-se então um daqueles momentos altamente karmáticos, que o Sporting até conhece bem. Não foi um Bojinov vs. Matias Fernández, é certo, mas as câmaras captaram gulosamente o desconforto de Pote quando percebeu que Suárez se havia apoderado da bola para marcar o penálti. O colombiano, pressionado pelo momento, pelas leis indeléveis daquilo que não se consegue explicar - mas que tem um peso verdadeiro -, rematou frouxo para o lado esquerdo de Trubin.
Não falharia do mesmo ponto a 11 metros da baliza Schjelderup, poucos minutos depois, como se a sina do Sporting tivesse um cruel epílogo. Com o Benfica em vantagem, o jogo mudou porque em vantagem José Mourinho encurtou o espaço entre as bem definidas duas primeiras linhas, recuadas tanto quanto possível. O Sporting, perante a história do jogo, deixou-se domar pelos nervos: a sua dinâmica de ataque, tantas vezes rica em soluções, pareceu perdida face a muros tão juntinhos.
Pote era um aparente oásis entre tantas dificuldades, tal a fineza da sua técnica. Encontrou espaço, sabe-se lá como, entre o mar de pernas encarnadas já nos primeiro minutos da 2ª parte, rematando de pé direito ao poste. Do lado de lá, a Schjelderup era dada demasiada liberdade, com o norueguês a criar perigo aos 52’, quando uma péssima receção de Ivanovic se transformou, lavoisieramente, numa excelente assistência. O remate foi bem travado por Rui Silva.
A necessitar de fazer algo para não perder o jogo, Rui Borges lançou Debast e Vagiannidis, depois tirou Pote, a apresentar alguns sinais de desgaste mas, ainda assim, o mais perigoso do Sporting. A aposta em Debast e nos seus pés surtiria efeito: foi do belga que partiu o cruzamento perfeito que surpreendeu as costas da demasiado alinhada defesa do Benfica, com a entrada levitante de Morita, em cima de Dedic, a dar o empate ao Sporting.
Seria então a vez de Mourinho, até então confortável, mexer, renovando toda a frente de ataque com a entrada de Pavlidis, Rafa e Lukebakio. António Silva iria também no pack, para substituir o lesionado Tomás Araújo. Numa fase crítica de um jogo que ninguém se podia dar ao luxo de perder - mas que também tinham de ganhar -, o Benfica embalou aqui para novo ímpeto. Barreiro ainda estará a questionar-se como desperdiçou, aos 82’, a trivela perfeita que Lukebakio lhe ofereceu e que encontrou o luxemburguês esquecido na esquerda.
Mas foi precisamente nesse espaço que Barreiro seria essencial para a vitória do Benfica.
Já depois de novo período de maior preponderância do Sporting, num jogo nunca controlado por qualquer uma das equipas e sempre de grande emoção - o que tem sido raro em clássicos e dérbis -, um grande momento do corredor central do Benfica, numa sequência de passes entre Aursnes, Richard Ríos e Barreiro, deixou Rafa isolado perante Rui Silva. Mesmo pressionado, o antigo internacional português conseguiu rematar, já em queda, definindo ali mesmo o resultado do encontro e uma mudança na tabela. O Benfica é agora 2º na I Liga, ainda que com mais um jogo que os leões, que só acertam calendário no dia 29, frente ao Tondela. E agora bem mais pressionados.
Em tempos, Rui Borges afirmou que não seriam os jogos grandes, onde o seu score vai sofrendo, a definir o campeonato. O Sporting terminará esta liga sem ganhar qualquer jogo a FC Porto, Benfica e SC Braga. Talvez queria rever a sua posição."
Aursnes abriu as portas, Trubin fechou-as e Rafa escancarou-as
"José Mourinho diz que com o norueguês a música é outra e tem toda a razão. Ucraniano com um momento para mais tarde recordar ao defender o penálti e a entrada do internacional português mesmo ali na fase final do encontro foi crucial para a vitória
O melhor em campo: Aursnes (8)
O norueguês sabe tudo e mais alguma coisa do jogo em termos estratégicos e comprovou-o de novo, como se ainda existissem dúvidas. Mourinho lamentou a ausência do 8 e chegou a dizer que com ele a música é outra e tal deve-se ao facto do escandinavo ter os compassos, saber tocar todos os instrumentos e ainda ter fôlego suficiente para compensar quando algum dos companheiros falha uma 'nota'. Só ficou com a pequena falha de ter cometido penálti sobre Trincão, mas como Trubin defendeu o remate de Luis Suárez acabou por ser um mal menor. E o esquerdino dos leões até se pode 'queixar' do que lhe fez a partir daí, nunca permitindo que se libertasse em demasia. De resto, se para se chegar a uma vitória tem de se abrir várias portas, foi isso mesmo que Aursnes fez. Ah, e desbloqueou na jogada para o segundo golo.
Trubin (8) — Ainda o jogo tinha acabado de despertar e já o ucraniano, embora de forma pouco ortodoxa, tinha feito uma defesa dificuldade a remate de Geny depois da bola ter desviado num companheiro. Ainda titubeou um pouco pelo meio até que teve «aquele momento para mais tarde recordar» quando travou o remate de Luis Suárez no penálti. Momento gigante para qualquer guarda-redes ainda para mais num dérbi que é sempre eterno. Portanto, se Aursnes abriu várias portas, Trubin fechou-as.
Dedic (5) — Não teve a propensão ofensiva de outros encontros o que se percebe porque Mourinho tentou ao máximo bloquear o lado esquerdo do ataque leonino, uma vez que se Pote tem estado desinspirado, Maxi Araújo é sempre uma mota de alta cilindrada. No lance do golo do Sporting, distraiu-se com Morita e o japonês marcou.
Tomás Araújo (6) — Para quem esteve algum tempo parado devido a lesão muscular não se notou por aí além e até teve um corte fantástico a uma incursão de Luis Suárez (66’). É, de longe, o central mais rápido dos encarnados e o jeito que isso dá frente a uma equipa que aposta muito nas diagonais curtas para ganhar amplitude em espaço reduzido.
Otamendi (7) — Foi o primeiro a deixar os adeptos do Benfica com o grito de golo prestes a sair das gargantas (8’) quando num remate de cabeça muito bem colocado obrigou Rui Silva a uma enormíssima defesa. Isto foi no ataque, e cá atrás foi gigante. Por esta hora, Luis Suárez ainda estará a tentar sair-lhe do bolso. E convém não esquecer que é dele o cabeceamento que levou Morita a cometer penálti.
Dahl (6) — Geny Catamo decidiu na fase inicial da partida deixar a cabeça do sueco em água mas até ao intervalo foi-se recompondo. Sem nunca atingir uma bitola muito elevada, fez um jogo de menos a mais.
Richard
Ríos (6) — Muito rotativo a meio-campo mas continua a denotar dificuldades quando os jogos estão mais fechados. Quando este se abriu, já na fase final, foi como se tivesse recebido um cheque de milhões. Com o campo com as vistas mais alargadas, participou na jogada do segundo golo.
Prestianni (6) — Muito dinâmico, sobretudo na primeira parte, começando na direita mas em algumas ocasiões derivando ao flanco contrário para desbloquear a defesa contrária. E no processo defensivo deu uma boa ajuda.
Leandro Barreiro (6) — Importante na primeira fase de pressão à construção do adversário, obrigando sobretudo Gonçalo Inácio a falhar muitos passes. Parece ter quatro pulmões mas a avaliação fica um pouquinho mais baixa porque falhou um golo cantado (82’) a passe de Lukebakio. Porém, ainda deu contributo para o segundo golo.
Schjelderup (8) — Frieza nórdica na conversão da grande penalidade quando o momento estava efervescente. Sempre em altíssima rotação, ainda assinou um cruzamento que por pouco não redundou em autogolo de Diomande (31’) e já na segunda parte poderia ter colocado a vantagem encarnada num mais confortável 2-0 quando fez enorme sprint e rematou cruzado (52’) mas Rui Silva fez uma parada fantástica e o impediu de festejar outra vez. Ainda executou mais um remate perigoso, antes de sair completamente esgotado, percebendo-se perfeitamente porquê.
Ivanovic (6) — Sem qualquer margem para dúvida que foi a grande surpresa preparada por Mourinho para o onze, na sequência do mau momento de Pavlidis. O croata, como se diz na gíria, é um armário, mas com rodas porque tem mobilidade. Não se furta ao choque e salta sempre da pressão à primeira linha de construção contrária. Não dispôs de grandes oportunidades de marcar mas nunca se resignou.
Pavlidis (6) — A seca de golos resultou numa ida para o banco mas quando entrou em campo ainda deu de beber à águia ao participar no lance do segundo golo. Pouco? Muito? O suficiente.
Lukebakio (6) — O belga tem uma forma demasiado individual de abordar o jogo mas a verdade é que despertou um ataque que estava algo amorfo. Pela frente teve o raçudo Maxi Araújo mas não se escondeu.
Rafa (8) — Andavam muitos benfiquistas a mal dizer da contratação do extremo mas desta vez tiveram de engolir as palavras, pois foi o internacional português que decidiu um jogo que — adiante se verá — poderá ser decisivo para chegar aos milhões da Champions.
António Silva (5) — Controlou bem os movimentos contrários.
Enzo (-)"
Mourinho foi ao banco e acabou a bater no peito
"Foi um dérbi de confirmações e que permitiu ao Benfica ultrapassar o rival. Leões têm menos um jogo, mas a luta, agora, é pelo segundo lugar, porque as probabilidades jogam todas a favor do dragão.
José Mourinho terminou o dérbi a apontar para as iniciais que traz ao peito e com três pontos que deixam o Benfica à frente do Sporting. Também deixa o FC Porto com maior probabilidade de ser campeão. O leão tem menos um jogo é verdade, mas terá desperdiçado a derradeira ocasião para um tricampeonato sonhado e, agora, tem de fazer contas aos milhões da Champions, aqueles que o segundo lugar dá acesso.
Este dérbi confirmou várias coisas: o treinador do Benfica nunca tinha perdido frente ao Sporting, o Benfica nunca tinha perdido no campeonato e o Sporting marca sempre. Tudo verdade, num jogo em que ambos os lados podem reclamar ocasiões desperdiçadas e superioridade, porque, de facto, ela foi mudando consoante acontecimentos. No final, não deixa de ser uma ironia que Mourinho, tão crítico tem sido do plantel, tenha ido ao banco buscar Lukebakio, Rafa e Pavlidis para refrescar o ataque. As diferenças para o banco leonino foram evidentes e ditaram o resultado.
Pode dizer-se que o golo de Schjelderup 'estragou' o dérbi. Até ao minuto 27, o jogo foi interessante, sem ser daqueles que estava a ficar na memória coletiva. O leão apresentou-se como esperado, o Benfica de forma surpreendente, por uma gestão que Mourinho não tem feito até aqui. A estrutura, porém, era a habitual, e foi o leão quem primeiro assustou, com Trubin a ser obrigado a uma defesa estranha para a barra.
A esse lance seguiu-se outro de Catamo e o Benfica respondeu quase de modo igual. Aliás, leões e águias equivaleram-se em quase tudo até aos 27 minutos. Em remates perigosos e em penáltis. A diferença, claro está, foi que Schjelderup bateu Rui Silva e Trubin 'bateu' Luis Suárez. Em jogo jogado, o empate parecia acertado, mas como a eficácia faz parte do futebol, o Benfica saiu por cima ao intervalo, porque entre os 27 e os 45 o Sporting teve bola, mas não se passou praticamente nada até que Trincão rematou ao lado e mandou todos para o descanso.
Altura, portanto, para perceber que o Benfica equilibrou os pratos da balança a partir do momento em que Fredrik Aursnes foi titular naquele meio-campo, o que permitiu que Barreiro ajudasse Ivanovic na pressão à defesa leonina para ganhar bola e fazer transição rápida.
O dérbi foi mais dérbi no início do segundo tempo, altura em que Pote atirou ao poste e Schjelderup teve ocasiões para 2-0. Momentos em que não houve controlo do encontro, até que Rui Borges começou as trocas e o Sporting assumiu mais posse, em busca do 1-1. O golo chegou num belíssimo cruzamento de Debast, mas quando se pensava que o leão, campeão em título, se ia atirar ao rival, Mourinho foi ao banco, trouxe um quarteto para campo - António Silva por lesão de Tomás Araújo - e a energia mudou de lado.
Ainda que sem uma superioridade tremenda, o Benfica subiu um patamar. Lukebakio pode só fazer uma coisa, mas a que faz, por norma, faz diferença. Os encarnados cresceram e numa dessas iniciativas o belga deixou Barreiro com vista para o 2-1: o luxemburguês atirou para a bancada.
Rui Borges também percebeu os níveis de desgaste, voltou a fazer trocas e quase era feliz: Bragança rematou ao lado e Nel celebrou um golo que não valeu. Depois, na melhor jogada do encontro, Rafa Silva concluiu para o 2-1, no melhor momento desde que voltou à Luz. Um golo celebrado na bancada vermelha de Alvalade e em todo o Estádio do Dragão."
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Vermelhão: Ainda não acabou!!!
Hoje, calhou para o nosso lado! Esta época, entre outras situações, tem sido extremamente cansativa para o Benfiquismo; para os Benfiquistas! Praticamente tudo o que pode correr mal, dentro e fora do campo, tem acontecido, a quantidade de resultados negativos, com golos concedidos nos últimos instantes das partidas, foram muitos... Hoje, depois da Lagartada ter desperdiçado um penalty, nós marcámos de penalty; e na recta final, depois dum golo anulado aos Lagartos, com um fora-de-jogo 'curto', na resposta, marcamos o golo da vitória... pelo Rafa, o Campeão dos golos falhados, mas que contra o Sporting, normalmente marca sempre o ponto!!!
O Mourinho montou bem a equipa, o trio de meio-campo foi a chave, na pressão, e com um dos médios a baixar para a linha defensiva sempre que era necessário... E com ainda, com os nossos dois jogadores mais molengões sem bola (Schjelderup e Prestianni), a correrem muito em prol da equipa, nas funções defensivas!!! Aliás, ele explicou bem a estratégia, na conferência de imprensa no final do jogo. O esquema ofensivo do Sporting, é muito mecanizado, ainda utilizam as movimentações do Amorim, os jogadores tem muitos minutos juntos, não é fácil jogar de peito feito contra eles... Mas sem espaço nas costas da linha defensiva, têm muitas dificuldades!
E esta consistência defensiva permitiu chegadas com perigo à área adversária, logo desde início. È verdade que aquela defesa pouco ortodoxa (parva) do Trubin, assustou, mas o Benfica entrou bem na partida! Além do penalty e da cabeçada do Otamendi, tivemos outras jogadas, onde faltou a definição... um problema antigo deste Benfica! Com o golo do Andreas, a equipa acabou por recuar demasiado... Acaba por ser normal, com a vantagem no marcador, a responsabilidade era do Sporting. Mas recuámos em demasia... As saídas em contra-ataque deixarem de sair...
No 2.º tempo, voltámos a entrar bem (ao contrário do que é habitual...), mas o Sporting voltou a acertar no poste, após uma perda de bola evitável! Mas até às substituições, era o Benfica que parecia estar mais perto do golo...
Mais uma vez, o Mourinho voltou a retardar as substituições. Foi preciso o Benfica sofrer o golo do empate, para o Mourinho decidir!!!! O Benfica estava a deixar o Diomandé 'sozinho', marcando o Inácio, com o Debast era necessário o Pavlidis, mais fresco, na pressão aos Centrais contrários!
Mesmo assim, após o 1-1, com um Benfica com 4 alterações, com ambas as equipas, à procura da vitória, pois o empate não servia a nenhuma delas, foi o Benfica que voltou a ficar por cima, e mais perto do golo... O golo só apareceu nos descontos, mas podia ter aparecido mais cedo...
Vitória justa, num jogo que podia ter acabado empatado, com mais golos marcados, pelas duas equipas! Com o Benfica em vantagem durante muitos minutos, jogámos mais na expectativa, dando a bola ao adversário, criando a ilusão de domínio por parte da outra equipa, algo que muitas vezes é interpretado como jogar 'mal', mas o Mourinho usou esta estratégia milhares de vezes durante toda a sua carreira, e em Portugal, foi sempre elogiado por isso!!!
Ao contrário do que aconteceu durante toda época, hoje, o Benfica tinha um banco a 'sério'!!! Mesmo com alguns jogadores a recuperarem de lesões recentes, e provavelmente com alguns problemas de ritmo, ou de lesões mal curadas. Hoje, o Mourinho tinha opções, ao contrário da Lagartada, com várias ausências, numa fase da época, com muitos jogos decisivos, para eles! Após a eliminação pelo Real Madrid, com um jogo por semana, parecia que íamos ter finalmente, tempo para trabalhar, e tempo para melhorar, mas as lesões não nos largaram: Aursnes, Araújo e Barreiro... Como se viu hoje, os 3 são jogadores fundamentais neste Benfica!
O Aursnes foi claramente o MVP do Benfica, a jogar e a 'mandar' dentro do campo! O Barreiro cumpriu o seu papel sem reparos, foi faltou aquele golinho no final!!! Os putos nas Alas trabalharam muito! Os Laterais tiveram muitas dificuldades, mas o plano ofensivo do Sporting, passa muito por criar superioridades nas Meias, criando sempre muitos problemas aos Laterais contrários... O Rafa marcou o golo decisivo, mas pareceu-me que a reação imediata do Rafa, nem foi festejar o golo, mas reclamar a marcação dum penalty... que existiu diga-se!!!
Em relação ao Pinheiro, admito que estava à espera de pior, muito pior, mas mesmo assim não compreendo como é que os jogadores do Benfica, quando vão reclamar são 'obrigados' a ficar a 5 metros de distância, com o árbitro aos gritos com eles, a ordenar gestualmente para se irem embora, enquanto do outro lado, podem fazer tudo, com a cara praticamente colada aos árbitros!!!
Pelo Benfica! ✊ pic.twitter.com/DF9qDwgjgg
— SL Benfica (@SLBenfica) April 19, 2026
O penalty do Aursnes, existe é um toque ligeiro o Trincão exagera, mas é falta. A questão da repetição, ou não do penalty, admito que pensei que ia ser repetido, fiquei surpreendido! Aparentemente, por aquilo que foi dito por alguns árbitros no final da partida, a actual regra, obriga a duas situações para os penalty's serem repetidos por invasão da área: que os jogadores da equipa defensiva estejam dentro da área antes do penalty ser batido; e que o defesa que toque na bola, esteja a disputar a bola com um adversário!!! Admito, que desconhecia, esta 'exigência'!!! Sendo assim...
Gigante, Anatoliy 🙌#SCPSLB | #LigaPortugalBetclic pic.twitter.com/agTJBloTUc
— SL Benfica (@SLBenfica) April 19, 2026
Outro lance que merece menção, foi o potencial penalty sobre o Ivanovic: para mim, existe falta, o Croata leva um toque na sola!
Uma nota ainda, para o facto do Morita ter terminado o jogo sem um Amarelo! Inacreditável!!! E ainda o Maxi Araújo, que fartou-se de dar porrada, provocar adversários, ao mesmo tempo que simulava sofrer faltas a cada 2 minutos!!! O lance com o Lukebakio, onde faz pelo menos duas faltas, e depois quando mesmo assim é ultrapassado, atira-se para o chão é revelador do carácter da besta!
🎯 Schjelderup da marca dos 11 metros!#SCPSLB | #LigaPortugalBetclic pic.twitter.com/sdaAw1Kso6
— SL Benfica (@SLBenfica) April 19, 2026
Em condições normais, apesar do Sporting estar virtualmente com uma vantagem de 2 pontos sobre o Benfica, eu diria que com o impacto desta vitória, e do restante contexto Lagarto: eliminação na Champions, e provável eliminação na Taça de Portugal, na próxima Quarta, que o Benfica ainda vai conseguir chegar ao 2.º lugar! Lugar importantíssimo, garantido a possibilidade de conquistar um lugar na Champions na próxima época. Mas todos nós já percebemos que o Sporting, quando está encostado às cordas, com as equipas mais 'pequenas' os apitadores fazem o seu trabalhinho e o Fontelas os promove!!! Além disso tem o calendário, claramente mais fácil...
O golo de Rafa que deu a vitória em Alvalade! 🌟#SCPSLB | #LigaPortugalBetclic pic.twitter.com/4ZkiBscawj
— SL Benfica (@SLBenfica) April 19, 2026
O Benfica, só deve pensar no Moreirense... e depois Famalicão, Braga e Estoril!!! Matematicamente, o 3.º lugar poderá dar acesso à Champions, mas para isso o Braga terá que chegar à Final da Liga Europa, e a Final teria que ser entre o Arsenal e o PSG, algo que até pode ser 'provável' ou não, mas mais importante não está nos nossos pés !!!!
Juvenis - 10.ª jornada - Fase Final
Estoril 0 - 3 Benfica
Nunes, Ferreirinha, Almeida
Sem lesões, sem jogadores nas Seleções, a conversa é outra! Infelizmente, já vamos com 11 pontos de atraso!!!
Vencer
"O Benfica visita o Sporting (18h00) com o objetivo de conquistar os três pontos. Este é o tema principal na BNews.
1. Ganhar o dérbi
José Mourinho sublinha a importância do encontro: "Um dérbi é um dérbi. Não há necessidade de motivações extra, independentemente de classificações, independentemente de objetivos, que são os de sempre: ganhar e, obviamente, respeitar a natureza, respeitar a essência daquilo que é um dérbi."
2. Informações para os adeptos
Dirigido aos benfiquistas que vão apoiar o Benfica ao Estádio José Alvalade.
3. Últimos resultados
Nos masculinos, vitórias benfiquistas em andebol (36-23, ao Águas Santas) e apuramento para a final da Taça de Portugal; em basquetebol (65-107, frente ao Esgueira), futsal (4-2, ao Leões Porto Salvo) e voleibol (0-3, com o Leixões, com qualificação para a final dos play-offs do Campeonato Nacional).
Nos femininos, triunfos em andebol (33-23, Gil Eanes) e hóquei em patins (0-4, Parede).
No futebol formação, os Juvenis ganharam, por 0-3, no reduto do Estoril. E os Iniciados empataram 1-1, em Paços de Ferreira.
4. Mais jogos do dia
Hoje há três equipas femininas em ação: a de voleibol recebe o FC Porto na Luz (15h00); a de basquetebol visita o Basquete Barcelos (14h30); e a de hóquei em patins tem embate no rinque da Sanjoanense (18h00).
5. Contributos internacionais
8 futebolistas do Benfica estiveram ao serviço de seleções femininas.
6. Protagonista
Carlota Milheiro, jogadora de polo aquático do Benfica, é a entrevistada da semana.
7. Inauguração da Benfica Official Store de Vila do Conde
Dezenas de adeptos marcaram presença na inauguração da 12. ª loja oficial do Benfica.
8. Nomeação
1904 Benfica Hotel está entre os destaques dos Prémios Líderes do Turismo, na categoria "Opening of the Year".
9. Casas Benfica
Veja a 1ª parte da reportagem da BTV acerca do jantar de convívio das embaixadas do benfiquismo que antecedeu a cerimónia de entrega dos Galardões Cosme Damião.
10. Em Destaque
Os principais conteúdos e temas que marcam a agenda do Sport Lisboa e Benfica nas diferentes plataformas do Clube."
Sporting-Benfica pode decidir mais do que o título
"O Sporting está a fazer uma boa época, mas ainda não a transformou numa época marcante. Chegou aos quartos de final da UEFA Champions League e continua na luta pela Liga e pela Taça de Portugal. O futebol praticado é atrativo, os jogadores e o treinador estão valorizados e a marca Sporting sai reforçada.
Do ponto de vista financeiro, a época está a ser muito positiva. Entre o mercado (venda de Gyokeres) e o trajeto na UEFA Champions League que terá gerado cerca de €80 milhões, o clube ganhou margem financeira relevante, o que permite aos responsáveis gerir a próxima época com segurança e total foco na vertente desportiva.
Tudo isto são factos, mas a este nível não chega competir bem, é preciso ganhar quando a oportunidade aparece. Se conquistarem o tricampeonato, esta será uma época que ficará na história. Se ficar pela Taça de Portugal e pelo segundo lugar, será uma boa época, mas aquém do que esta equipa mostrou poder alcançar. No futebol, o quase raramente chega. É neste contexto que o Sporting se apresenta no dérbi. Uma derrota praticamente entrega o título ao FC Porto e obriga a equipa a focar-se na consolidação do segundo lugar, ainda que com margem pontual (caso vença o jogo em atraso). Um empate terá um efeito semelhante na luta pelo título, podendo permitir ao FC Porto ganhar uma vantagem difícil de recuperar a poucas jornadas do fim. Ainda assim, o empate deixa o Sporting muito próximo de garantir o segundo lugar e o acesso à UEFA Champions League. A vitória fará com que o Sporting pressione o FC Porto, mantenha o título em aberto e garanta que, no pior cenário, o segundo lugar não foge.
Num jogo desta natureza, a dimensão emocional é inevitável. Mais do que o impacto na classificação, este dérbi mede a capacidade da equipa para lidar com momentos de decisão. Em caso de vitória, o Sporting mostra que está preparado para dar o passo decisivo: transformar futebol atrativo em títulos.
Benfica: só a vitória interessa
Depois de um investimento muito elevado — na ordem dos €140 milhões — o Benfica chega a abril a lutar apenas pelo segundo lugar. Para um clube com a sua dimensão e história, isso significa uma coisa: em termos desportivos, a época é muito negativa, sobretudo tendo em conta o investimento feito e as expetativas que foram criadas.
Do ponto de vista financeiro, o cenário pode ser ligeiramente diferente. Se alcançar o segundo lugar, o Benfica mantém a possibilidade de acesso à fase de liga da UEFA Champions League, e isso faz toda a diferença. A presença na Liga dos Campeões garante um encaixe financeiro fundamental, potencia a valorização de ativos, reforça a marca e ativa bónus contratuais relevantes.
Num clube como o Benfica, onde existe um desfasamento estrutural entre gastos e rendimentos operacionais fixos, falhar a UEFA Champions League (que é um rendimento variável) terá um impacto direto muito negativo e significativo. É neste contexto que o Benfica entra neste dérbi: só a vitória interessa. Um empate ou uma derrota afastam praticamente a equipa do segundo lugar e agravam ainda mais a perceção sobre a má época.
Há, ainda assim, alguns fatores que jogam a favor: uma semana limpa de preparação e um plantel praticamente na máxima força. Para o treinador, este é um teste onde pode demonstrar toda a sua capacidade de responder em momentos de pressão e frente a adversários de elevado nível competitivo. Em função da pouca contundência de Rui Costa quando aborda a continuidade de Mourinho no próximo ano, este jogo poderá ser decisivo para a continuidade ou não do técnico no clube.
Mais do que uma luta pelo segundo lugar, é uma oportunidade de deixar uma última imagem forte, de criar alguma confiança para o futuro e de mobilizar jogadores e adeptos para o final da época. Mas, independentemente do resultado, há uma realidade que não pode ser ignorada: o planeamento da próxima época tem de estar já em curso, assumindo como cenário provável a ausência da UEFA Champions League.
FC Porto: depende de si
O FC Porto chega a esta fase como a equipa mais confortável: é a única que depende apenas de si para ser campeão. A poucas jornadas do fim, essa é uma vantagem competitiva clara — não apenas na classificação, mas sobretudo na forma como a equipa gere a pressão.
Enquanto os rivais vivem de cenários e combinações de resultados, o FC Porto sabe que basta fazer o seu trabalho. Essa simplicidade aumenta o foco, reduz distrações, mas não diminui a pressão. Ainda assim, o que acontecer em Alvalade não será indiferente. Um empate ou uma derrota do Sporting reforçam a posição do FC Porto, aumentam a margem de erro e reduzem a pressão sobre jogadores e adeptos. Pelo contrário, uma vitória do Sporting volta a relançar a incerteza, mantém o nível de exigência no máximo até ao fim e pode fazer pairar sobre todos a lembrança do duro final de época de Farioli no Ajax.
Em paralelo, o resultado deste dérbi terá também impacto emocional na preparação do confronto seguinte entre FC Porto e Sporting. Num ciclo de jogos decisivos, os detalhes mentais tornam-se muitas vezes tão importantes como os aspetos táticos. No final, a realidade é simples: o FC Porto é o único dos três que não precisa de olhar para os outros. E, numa fase decisiva como esta, isso pode fazer toda a diferença.
A valorizar: Carlos Vicens
É nas competições europeias que o melhor SC Braga tem aparecido. Todos percebemos que a equipa tem o dedo do seu treinador. A expetativa está elevada e Vicens pode fazer história em Braga.
A desvalorizar: Real Madrid
Pelo segundo ano consecutivo o Real Madrid não ganha nenhum título. A pressão começa a aumentar."
Sporting-Benfica: o dérbi da margem e do tabu
"À margem do título e do 2.º lugar, o Sporting-Benfica pode reforçar ainda os contornos de duas formas de olhar para o fracasso. E apontar para uma distância que pode continuar a crescer
Qualquer um pode virar uma ideia do avesso quando sabe argumentar e é inteligente. Basta procurar pontos positivos ou e fazer deles a sua perspetiva, que vira então opinião. E como é opinião, todos têm direito à que emitem. Apenas podemos concordar ou não.
Foi o que fez Mourinho, quando comparou o registo do Benfica com o da época transata, dizendo, mais coisa menos coisa, que os encarnados até estiveram na linha habitual, os outros é que andaram acima. Só que o termo de comparação deve ser o presente e não o passado e, tendo as águias precisamente os mesmos adversários que os rivais, obteve rendimento bem aquém. No entanto, se quisermos alinhar pelo mesmo argumento, podemos sempre dizer que o que hoje o treinador considera meia-vitória era para o próprio, nos velhos tempos, pesada derrota, de tão grande se tornou. E se Mourinho baixou o seu grau de exigência, não o estaríamos a respeitar se fizéssemos o mesmo.
O dérbi vem numa altura em que para a Liga tudo estará alinhavado. O FC Porto só por manifesta incompetência falhará o título. E até essa seria desculpável, porque foi no Dragão que mais se mudou. Ainda que a revolução tenha ficado a meio no estilo de liderança do clube, bem distante da classe que a equipa demonstrou, sobretudo no início, no relvado. Villas-Boas modernizou a equipa, porém não percebeu que também ele tem de, pelo menos, parecer moderno.
Sporting e Benfica falharam, muito mais os encarnados, o que não se estranha face à habitual navegação à vista. Rui Borges ainda assim terá mostrado que tem margem de crescimento e, por isso, talvez mereça outra oportunidade, ainda que a possível perda de referências possa fazer disparar a exigência. É preciso não esquecer que partia em posição privilegiada para o tricampeonato.
Olhando para o processo, aí o Sporting continua a parecer mais saudável que o vizinho, que vive o tabu. Apesar do contrato. É que atrás deste estão milhões. Se Mourinho sair agora o Benfica pagará bem menos do que com a época em curso. Só que, paralelamente, se contratar um nome com o seu peso é trunfo em eleições, despedi-lo é o reverso da medalha.
Se acontecer, os holofotes irão virar na direção do gabinete da presidência. Sem solução à vista, porque trabalhar com esta liderança já é só para quem não tem nada a perder, sobressai o denominador comum a Schmidt, Lage e Mourinho: Rui Costa. O presidente inimputável."
A realidade difusa do Benfica
"A conferência de imprensa de antevisão de José Mourinho antes do decisivo jogo com o Sporting, deste domingo, não foi a de um treinador derrotado, nem a de alguém que tenha atirado a toalha ao chão.
Também não foi uma conferência de um Mourinho irritado com aquilo que considera injustiças que prejudicaram a equipa ao longo do campeonato, erros de arbitragem. Foi, acima de tudo, uma conversa com os jornalistas muito pragmática, marcada pela consciência do momento, do que está em causa e até da projeção que, nesta fase, é possível fazer para a próxima temporada.
Por muito significado que possa ter o facto de o Benfica ainda não ter perdido qualquer jogo no campeonato, os nove empates e a distância para o segundo e o terceiro classificados tornam o cenário muito complicado para os encarnados. Mesmo que matematicamente tudo ainda seja possível, poucos, muito poucos, acreditarão que os rivais do Benfica vão tropeçar tantas vezes quantas as águias precisam.
Ainda assim, o que há a fazer, e o que está nas mãos da equipa, será vencer este domingo o Sporting, em Alvalade, também com a consciência de que o rival está a jogar bem e vive um bom momento.
Para estes jogos, como aconteceu quando o Benfica venceu por 4-2 o Real Madrid e se qualificou na fase de liga da Liga dos Campeões, a motivação não pode faltar. A má época está praticamente garantida, mas ainda é possível correr atrás do que pode aquecer o coração dos adeptos e dos jogadores. Sendo, claro, que o segundo lugar continua a ser realisticamente atingível, se o Benfica conquistar os três pontos em Alvalade, num jogo que será determinante para o fecho da temporada.
Neste dérbi, já não pode haver meias palavras, o Benfica jogará o tudo ou nada na corrida pelo segundo lugar da tabela classificativa da Liga; o Sporting joga o tudo ou nada para atacar o primeiro lugar do FC Porto, a conquista do campeonato.
Sobre o futuro no Benfica, embora se vá irritando com a insistência dos jornalistas nas perguntas sobre o tema, Mourinho acabou por admitir que não está em condições de garantir que ficará na próxima temporada. Também aqui o treinador foi pragmático, explicando que a decisão não depende apenas da sua vontade. Nunca dependeria e a responsabilidade da clarificação não deve ser dele.
A vontade de Rui Costa, presidente dos encarnados, será, segundo entendemos das considerações do próprio, respeitar o contrato que existe por mais um ano com o técnico. Mas a verdade é que nem Rui Costa, nem Mourinho, conseguiram dizer claramente e com todas as letras aos benfiquistas: 'Mourinho fica' ou 'Mourinho continua', como entendessem ser a melhor forma de esclarecer o assunto. Creio ser, também aqui, uma questão de pragmatismo. De não fugir à realidade."
Nélson Feiteirona, in A Bola
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