Últimas indefectivações

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

São as famílias quem paga o Desporto em Portugal


"Hoje paga-se para jogar num clube, pagam-se os equipamentos, os transportes são por conta própria e o apoio médico é zero. O que está a falhar no fomento do Desporto?

A subida de quase 30 por cento da dotação para o Desporto na proposta de Orçamento de Estado que estará em breve a ser discutida na Assembleia da República é uma excelente notícia. Surge no seguimento de um trabalho sustentado, que tem produzido cada vez mais e melhores resultados, muitos deles de verdadeira excelência para o País. Cumpre-me reconhecer que a atuação da ministra Margarida Balseiro Lopes e do secretário de Estado Pedro Dias demonstra, nos últimos meses/anos, uma aproximação importante aos agentes desportivos e ao que realmente faz mexer a máquina.
Estamos, porém, ainda distantes do cumprimento integral do artigo 79.º da Constituição, de acordo com o qual «incumbe ao Estado (...) promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto», considerados «um direito de todos».
Há três/quatro décadas um(a) jovem praticava determinada modalidade, sobretudo coletiva, sem nada pagar aos clubes, era-lhe fornecido equipamento, havia transporte para os jogos fora de casa e apoio médico. No mínimo um(a) enfermeiro(a) ou massagista, em muitos casos a participação de médicos(as).
Hoje, as famílias pagam mensalidades, pagam os equipamentos, levam os filhos e os colegas em transporte próprio para o estádio ou pavilhão onde eles joguem e arriscam ter de pagar consultas por causa de uma contratura, ou, em alternativa, a passarem horas numa Urgência hospitalar sem que isso passe, no final das contas, de um «muito repouso e anti-inflamatório». E depois logo se vê quando está apto para jogar. «Não doer» é insuficiente, bem o sabemos.
Não digo que todos os clubes lucrem com isto. A maioria apenas sobrevive. O corte substancial imposto a dada altura aos apoios autárquicos pode explicar grande parte do problema. Cabe, então, ao governo central dar respostas às famílias."

Os mandamentos da humilhação


"Talvez seja possível dizer, sem risco de errar, que a perceção que Cristiano Ronaldo tem da realidade não coincide com a realidade. E aqui estará o maior problema, como o comunicado dele acabou por provar

Há pouco mais de uma semana, fora de Portugal, em gozo de descanso e de preservação da higiene mental, uma cedência à tentação de espreitar o telemóvel fez-me mergulhar no auge da polémica provocada pelo abandono de Cristiano Ronaldo à Seleção Nacional.
O bombardeamento do algoritmo do X foi de tal forma avassalador que não me entrava na cabeça que alguns dos argumentos e revelações no comunicado de CR7 fossem mesmo verdadeiros. Antes ainda de começar a escrever sobre o assunto — já cá faltava mais um a falar sobre isto — fui obrigado a revisitar o documento.
A saída de Cristiano Ronaldo da Seleção não pode ter sido uma surpresa para alguém, mas é impossível ignorar, sobretudo pela forma como aconteceu, que se tratou de um choque. A mãe Natureza, tão generosa com Cristiano Ronaldo, começara a tocar-lhe com o dedo nas costas, por vezes deu-lhe um ou outro empurrão, alertando-o de que o fim está cada vez mais próximo e, com isso, da impossibilidade de voltar a ser até sombra do que alguma vez foi.
As exibições e o contributo de CR7 na Seleção tinham há muito diminuído e, no entanto, acredito, sinceramente, que muitos, a começar pelo selecionador, ainda o considerassem útil, não como figura central, mas como alguém ainda capaz de fazer a diferença, em campo e fora dele, em circunstâncias especiais.
O papel que lhe estaria reservado dificilmente corresponderia às expectativas de Cristiano Ronaldo. Talvez seja possível dizer, sem correr grande risco de errar, que a perceção que CR7 tem da realidade não coincide com a realidade. E aqui estará o maior problema, como o comunicado acabou por provar.
Quatro dias antes de estalar a polémica, depois da vitória de Portugal sobre a Noruega, em Oslo, num jogo em que CR7 ficou no banco de suplentes e saiu disparado para o balneário depois do apito final, José Manuel Delgado manifestava o desejo, aqui em A BOLA, sem imaginar o que se passaria em Copenhaga, de Cristiano Ronaldo contribuir para o novo ciclo da Seleção, mostrando fora de campo a grandeza ímpar que teve dentro dele. Isso, poderemos lamentar, se for o caso, já não acontecerá.
Como continuo a acreditar que somos mais aquilo que fazemos do que dizemos, no meio disto tudo, quando a poeira assentar, prevalecerá, acima de tudo, o virar de costas de Cristiano Ronaldo à Seleção.
Não tenho razões para duvidar de que o pedido de desculpa aos portugueses e aos companheiros de Seleção é sincero e genuíno. Mas duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. E a publicação do que chamou de notas validadas para Jorge Jesus reproduzir em conferência de Imprensa são reveladoras do outro lado da moeda.
Aquelas notas não são mais que mandamentos de humilhação de alguém que se vê como «exemplar, leal e profissional», da «dimensão de Pelé ou Maradona», que «não recebe lições de amor a Portugal» e que «mais autógrafos e selfies dá».
Admirador do que Cristiano Ronaldo fez para se tornar um dos melhores de sempre e do que fez em campo, consciente de que somos todos iguais mas que há alguns mais iguais do que outros, em situações bem específicas, bem entendido, não preciso de saber mais para formar opinião do que acabou de fazer fora dele. Cada qual vê Cristiano Ronaldo como entende e o que se passou no espaço público, numa espécie de guerra de trincheiras, diz mais de quem o ocupou do que de CR7. Incompreensível nem é alguém pensar mas sim dizer que todos, sem exceção, querem Cristiano Ronaldo de volta à Seleção."

Cristiano Ronaldo: o luto da identidade desportiva


"Este texto não pretende analisar a situação de Cristiano Ronaldo, mas sim utilizar aquilo a que todos assistimos para refletir sobre uma das fases mais complexas da vida de qualquer atleta, o fim de carreira e reconstruir a resposta à pergunta 'quem sou eu?'.

Reconhecer e compreender que o tempo está a terminar pode ser doloroso. Não porque não haja nada depois disso, não porque não se possa continuar no topo em outras áreas, mas porque é necessário fazer o luto da única identidade que se teve até então.
Visto de fora, parece simples: reconhecer que o tempo passou, aceitar um papel diferente e escolher o momento de sair. Mas como se abandona aquilo que nos tornou quem somos? Como se deixa uma profissão quando essa profissão ocupa quase toda a resposta à pergunta 'quem sou eu?' 
A teoria da identidade, desenvolvida por Sheldon Stryker e aprofundada por outros investigadores, ajuda a compreender esta dificuldade. Os papéis que desempenhamos integram a forma como nos definimos. Quando um deles se torna dominante, a sua perda pode afetar o sentido global de quem somos. No desporto, esta perspetiva permite compreender por que razão deixar de competir pode exigir uma reconstrução pessoal que ultrapassa largamente uma mudança de profissão.
Um atleta pode ter família, interesses e projetos fora do desporto e, ainda assim, organizar a sua vida em torno da competição. Os horários, o corpo, as relações, os objetivos e o reconhecimento convergem para esse papel. Durante décadas, é ali que encontra pertença, competência e propósito. Quando esse lugar se altera, pode sentir que perde uma parte da estrutura que o sustentava, existindo espaço para um vazio que será sempre difícil de explicar.
É neste sentido que se fala de luto da identidade desportiva. Um luto pela versão de si que o atleta conheceu, pelo corpo em que confiava, pelo protagonismo que ocupava e pelos sonhos que sempre foram os seus. Esse processo pode começar enquanto ainda compete, à medida que confronta mudanças nas suas capacidades, oportunidades ou funções. Não acontece da mesma forma em todos os atletas, nem segue necessariamente etapas fixas.
Cristiano Ronaldo permite pensar nesta questão com particular intensidade. O futebol tornou-o uma referência mundial e ocupa um lugar central na história que construiu e na forma como é reconhecido. Aceitar que o seu papel pode mudar significa confrontar uma realidade que ultrapassa os minutos de jogo. Como continuar a reconhecer-se quando o lugar que sempre ocupou deixa de estar garantido?
Ronaldo construiu também um império de investimentos. Tem negócios, património e possibilidades de futuro que poucos atletas conseguem reunir. Contudo, possuir alternativas económicas não equivale a encontrar uma identidade com o mesmo significado. Ser proprietário de empresas não reproduz necessariamente a experiência de entrar em campo, decidir um jogo ou sentir que o próprio corpo continua a responder ao desafio. Não podemos saber quanto esses projetos o preenchem, mas a existência desse império não permite concluir que o espaço deixado pelo futebol esteja resolvido. Uma carreira pode estar financeiramente assegurada e a sua transição continuar emocionalmente por preparar.
A teoria da discrepância do self, proposta por E. Tory Higgins, acrescenta uma segunda chave de leitura. Distingue a imagem que temos de quem somos, a imagem de quem gostaríamos de ser e a imagem de quem sentimos que deveríamos ser. A distância entre estas representações pode produzir sofrimento: desilusão e tristeza quando nos afastamos do ideal; tensão e inquietação quando sentimos que não correspondemos às obrigações e expectativas que interiorizámos. No desporto, esta perspetiva permite pensar na distância entre o atleta que uma pessoa reconhece em si no presente e aquele que continua a desejar ser. Acrescem as expectativas que sente ter de cumprir: continuar decisivo, liderar, ganhar e corresponder à imagem que construiu. Quando essas referências deixam de coincidir, aceitar a mudança pode tornar-se emocionalmente difícil. Esta é uma possibilidade de interpretação, não uma conclusão sobre o que Ronaldo sente.
Há ainda um paradoxo. A persistência que ajuda um atleta a chegar ao topo pode dificultar a aceitação de uma nova realidade. Durante anos, aprende a responder às limitações com mais trabalho, a contrariar dúvidas e a provar que consegue. Perante a aproximação do fim, pode continuar a procurar resolver através do esforço uma mudança que também exige reorganizar expectativas. Como se pede a alguém que aceite um limite depois de uma vida inteira a ser premiado por o ultrapassar?
Quando esta transição encontra uma identidade demasiado exclusiva e poucos recursos para lidar com a mudança, os riscos merecem atenção. O desaparecimento das rotinas, dos objetivos e do sentimento de pertença pode alimentar vazio, isolamento e perda de propósito, contribuindo para sofrimento psicológico e dificuldades de adaptação. Não é um destino inevitável, mas também não deve ser desvalorizado por existir dinheiro, reconhecimento ou uma carreira extraordinária.
O sucesso acumulado não substitui a preparação psicológica para viver depois dele, muitas vezes pelo contrário. É necessário que a disciplina, a capacidade de aprender, a liderança e a persistência encontrem novas formas de expressão. Mas essa continuidade precisa de ser descoberta e vivida pelo próprio atleta.
Este texto não pretende analisar a situação de Cristiano Ronaldo, mas sim utilizar aquilo a que todos assistimos para refletir sobre uma das fases mais complexas da vida de qualquer atleta, o fim de carreira e reconstruir a resposta à pergunta 'quem sou eu?'"

FIFA: o dia seguinte a 15 de outubro


"O Conselho da FIFA reúne-se num momento decisivo para a credibilidade da organização. Impõe-se um compromisso inequívoco com o escrutínio independente e uma reforma profunda e duradoura da governação, que se traduza em medidas concretas para recuperar a confiança nas instituições do futebol
O futebol não pode continuar a crescer em receitas e a perder em confiança. Hoje, o Conselho da FIFA tem de assumir um compromisso inequívoco com o escrutínio independente e uma reforma duradoura da governança.
Os olhos do Mundo estão postos em Zurique. Cada um dos 37 membros do Conselho carrega uma responsabilidade perante toda a comunidade do futebol. Alcançar um entendimento político poderá ser difícil. Mas essa dificuldade não pode servir de pretexto para adiar o escrutínio ou esvaziar a reforma. Liderar exige coragem para corrigir o que falha, mesmo contrariando interesses instalados.
É de saudar a pujança financeira da FIFA e a sua capacidade de mobilizar recursos para o desenvolvimento. Esse desempenho merece o reconhecimento devido à instituição e ao seu presidente, enquanto responsável máximo. É, porém, um sucesso partilhado: resulta também do contributo das federações nacionais, dos clubes, das ligas que sustentam a competição semanal, dos jogadores e treinadores que lhe dão vida e dos adeptos que lhe conferem dimensão universal.
A proposta de destinar 6,35 mil milhões de dólares ao desenvolvimento do futebol em 2027–2030, divulgada pela Associated Press e ainda sujeita a aprovação, deve ser apreciada nesse contexto. Os recursos pertencem à FIFA e devem servir a sua missão em benefício de todo o futebol. A sua distribuição é uma responsabilidade institucional, não uma concessão pessoal. Não pode gerar obrigações de gratidão eleitoral. Mais investimento merece apoio. Mais dinheiro exige mais transparência, prestação de contas e escrutínio independente.

Examinar como o poder é exercido
As questões suscitadas pela FIFA Forward Enterprise, pelo Prémio da Paz e pela condução dos processos disciplinares devem ser examinadas pelos seus próprios méritos, com base em provas e respeito pelas garantias processuais. Escrutinar não é condenar antecipadamente. É estabelecer os factos e apurar responsabilidades. Mas explicações isoladas não bastam: a avaliação tem de incidir sobre o sistema que está na origem das decisões.
O exercício da autoridade pelo presidente, a capacidade do Conselho para deliberar e fiscalizar, as responsabilidades do Congresso e do secretariado-geral e a independência dos órgãos de fiscalização e jurisdicionais têm de fazer parte dessa avaliação. Tem de ficar claro quem pode assumir compromissos em nome da FIFA, ao abrigo de que autoridade e sujeito a que controlos. Quem aplica as regras deve poder atuar sem interferências, sobretudo quando estão em causa interesses poderosos.
Depois de mais de trinta anos a criar e a liderar instituições no futebol e no setor desportivo, sei que uma liderança forte é necessária. Mas uma governança eficaz não pode depender da disponibilidade de um líder para aceitar ser questionado. A força de uma instituição mede-se também pela capacidade de limitar o poder de quem a dirige. Importa distinguir regras violadas, mecanismos de salvaguarda que falharam e normas que permitiram decisões sem escrutínio adequado. O cumprimento formal não encerra a análise quando são as próprias regras que oferecem proteção insuficiente.

A independência protege a instituição
Quanto maiores forem as divisões e a desconfiança, maior será a necessidade de um escrutínio que não esteja sob o controlo de nenhuma das partes. Um grupo de trabalho interno pode ajudar a concretizar reformas. Não pode, por si só, garantir a independência da avaliação do sistema em que os seus membros exercem autoridade.
Também a designação de uma entidade externa não garante independência. São indispensáveis uma seleção transparente, a gestão dos conflitos de interesses, um mandato abrangente, acesso efetivo à documentação e aos responsáveis e liberdade para publicar conclusões. A independência tem de existir no mandato, nos meios e na execução, e não apenas no nome.
A análise deve seguir as provas, mesmo quando contrariam as expectativas de quem exigiu o escrutínio. Para a SIGA, este princípio aplica-se a todos: a responsabilização não pode ser exigida apenas aos adversários. A autonomia do desporto não é ilimitada nem incondicional. Sai reforçada quando as instituições prestam contas e corrigem as suas fragilidades.

A reforma tem de mudar as práticas
A direção política, a gestão executiva e a fiscalização devem estar efetivamente separadas. Os órgãos independentes precisam de autoridade, recursos e proteção contra interferências. Ligas, clubes, jogadores e adeptos devem ter representação efetiva e capacidade real para influenciar as decisões que afetam o seu futuro.
Os Standards Universais da SIGA sobre Boa Governança no Desporto estabelecem critérios concretos para avaliar estas exigências. O SIRVS, Sistema de Avaliação e Verificação Independente da SIGA, permite confrontá-los com provas. Em conjunto, oferecem instrumentos para identificar lacunas e verificar se as reformas produzem resultados.
No dia seguinte, o futebol deve conhecer o âmbito da avaliação, as garantias de independência e o calendário de publicação das conclusões. A FIFA deve responder publicamente às recomendações, identificar responsáveis e prazos para as que aceitar e explicar as que rejeitar. A execução e a eficácia das medidas devem ser verificadas de forma independente. Um relatório não pode ser o ponto final da reforma.
Uma eleição decide quem lidera. Não resolve as fragilidades do sistema. Todos os candidatos devem assumir estes compromissos. Quem vencer terá de os honrar.
Para Portugal, anfitrião do Mundial de 2030, a confiança em quem governa a competição tem relevância acrescida. Uma FIFA que não aceite ser responsabilizada fragiliza a confiança em si própria e no futebol que deve servir. O seu futuro exige salvaguardas que nenhum presidente possa contornar e uma responsabilização que nenhuma eleição possa suspender."

Integridade desportiva na América Latina: do esforço individual ao compromisso institucional


"Nas últimas semanas, tenho conversado com representantes de diferentes organizações desportivas da América Latina. Uma perceção tem sobressaído nestes encontros: a governação e a integridade estão a ganhar espaço nas prioridades institucionais, mas nem sempre encontram as condições necessárias para se traduzirem em práticas permanentes.
Estas conversas, realizadas no âmbito dos esforços de aproximação institucional da SIGA na região, têm envolvido interlocutores do Brasil, da Argentina, do Paraguai, do Peru, da Colômbia e da Bolívia. Do futebol ao voleibol, passando pelos desportos aquáticos, pelo judo, pela vela, pelo surf e pelo ténis de mesa, bem como pelo movimento olímpico, as realidades são diversas. Os desafios, porém, apresentam pontos de convergência.
Em algumas destas interações, chamou-me a atenção a realidade dos profissionais responsáveis por conduzir estas transformações. Numa das entidades, uma única pessoa acompanha as áreas da governação, do compliance, da proteção dos atletas e do desenvolvimento institucional. Noutra, o responsável pela integridade procura alargar os programas educativos e aperfeiçoar os mecanismos de denúncia sem dispor de uma equipa dedicada.
Não faltam empenho nem iniciativas relevantes. O desafio está em assegurar que estes esforços encontram apoio institucional, recursos e condições para produzir resultados duradouros.
Esta transformação acompanha uma tendência internacional. O Comité Olímpico Internacional tem desenvolvido orientações para um Desporto Seguro, destinadas a prevenir e a combater situações de assédio, discriminação, abuso e negligência, protegendo a integridade física e psicológica dos atletas. A FIFA, por sua vez, reforçou, no seu Manual de Integridade de 2024, a importância dos responsáveis por esta área, dos mecanismos de denúncia e dos programas permanentes de educação e prevenção da manipulação de competições.
São avanços importantes. Contudo, criar uma função, aprovar um regulamento ou estabelecer procedimentos representa apenas o início de um percurso. É preciso formar profissionais, afetar recursos, assegurar o apoio das lideranças e garantir a continuidade das políticas, incluindo quando ocorrem mudanças nos órgãos de direção.
Esta exigência também se faz sentir fora das estruturas desportivas. Patrocinadores, investidores e parceiros comerciais estão mais atentos à transparência, à gestão de riscos e à capacidade de prestação de contas das organizações com as quais se relacionam.
Neste contexto, a integridade deixa de representar apenas uma obrigação institucional. Torna-se também um fator de confiança, credibilidade e sustentabilidade para o próprio desporto.
É precisamente nesta passagem dos compromissos à implementação que a cooperação internacional pode contribuir. Na SIGA, procuramos apoiar este processo através dos nossos Standards Universais e de instrumentos como o Gap Analysis e o Sistema Independente de Rating e Verificação (SIRVS), que permitem identificar oportunidades de melhoria e avaliar a aplicação de boas práticas.
Este compromisso orienta também a MISSION 100, uma nova iniciativa global da SIGA que procura reunir organizações desportivas, governos, empresas, instituições académicas e sociedade civil em torno de um objetivo comum: tornar a integridade um compromisso institucional permanente, traduzido em padrões, práticas e resultados mensuráveis.
Nos diálogos que tenho mantido, percebo que muitos profissionais procuram mais do que soluções técnicas. Procuram referências, interlocutores e oportunidades para partilhar experiências e enfrentar desafios que, frequentemente, ultrapassam a sua capacidade individual de atuação.
A América Latina reúne organizações em diferentes fases de desenvolvimento institucional. Esta diversidade deve ser encarada como uma oportunidade para aproximar experiências e construir soluções adaptadas a cada realidade.
A integridade não pode depender exclusivamente da dedicação de profissionais isolados. Para se consolidar, precisa de estar incorporada nas estruturas, na cultura e nas decisões das organizações desportivas."

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Excelente vitória...


Benfica 96 - 91 Denizli
28-23, 22-22, 27-17, 19-29

Provavelmente a melhor exibição na Europa nas últimas épocas, consistente, com períodos de bom basquetebol... para ser perfeito, só faltou mais acerto no final período, mas a equipa pareceu-me cansada! Creio que o Okeke mesmo com todas as limitações ofensivas, na recta final tinha sido útil na defesa...

Tudo isto contra um bom adversário, provavelmente o nosso principal adversário neste Grupo... Com estas duas vitórias, contra os dois adversários teoricamente mais complicados, ganhámos alguma folga, ganhando contra as outras equipas, teremos menos pressão na 2.ª volta...



Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Marco Silva - Celtic

Treino...

BI: Antevisão - Celtic

Os Gloriosos Benfiquistas - É para cima deles - S02E16 - Celtic

O Outro Lado: Edu Castro

Estilo

Não é eventualmente... em vez de perderem 2-3, tinham ganho 3-2, fácil !!!

Em ambos os golos que marcaram provocaram as bancadas... e no fim...!!!

Entroncamento em Sevilha !!!

Ausência de peso!

Com regras iguais, é mais complicado !!!

Metade...

Maus hábitos..

Escândalo !!!

Lufada...

Os grandes financiadores da organização Mafiosa!

Benfica Economia: A Estratégia De Mil Milhões Que Poderia Tornar O Benfica No Clube Mais Rico Do Mundo

BF: Reabilitar...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Centralização: Reinaldo Teixeira garante que fosso entre clubes «cai para metade»

Observador: E o Campeão é... - Rui Borges tem unhas e andamento para o Mercedes

Observador: Três Toques - A IA previu o futuro do banco do Chelsea?

Mister: PortuGolaço - Liga Portugal Round 8 Recap

BolaTV: Toni: «Eu sou grande porque estou num clube com a dimensão do Benfica»

Parabéns...

Dueto!

Presidente: Toni...

Benfica FM: Toni...

Seria titular hoje...

TONI, UM GRANDE SER HUMANO


"O Toni é um grande ser humano, à antiga, um companheiro generoso, um amigo do seu amigo, um cidadão com preocupações sociais, alguém sempre disponível para oferecer a sua solidariedade a quem dela possa precisar.
O Toni é um grande Benfiquista: jogou e foi campeão, treinou e foi campeão, foi dirigente também. Como treinador do Glorioso tenho que realçar que das duas únicas vezes em que treinou a equipa do princípio ao fim da época foi campeão, numa delas a fabulosa época 1993-94. Mas mais: em nome do seu Benfiquismo aceitou passar a adjunto na época seguinte a ter-se sagrado campeão. Quem mais o teria feito?
O Toni é o grande contador das deliciosas histórias por que passou ao longo de uma vida cheia. Com muitos outros acontece que vamos ouvindo repetidamente as mesmas histórias, os mesmos episódios; com o Toni não, o manancial é de tal ordem que a cada encontro surge a descrição de novos episódios hilariantes, novas situações caricatas ou até dramáticas, surpreendentes e inéditas revelações sobre o mundo do futebol e os seus protagonistas.
Ao contrário do que muitos podem pensar ou até insinuar, o Toni não aceitou ser vice da FPF para ter um tacho de que não precisa porque a seu tempo cuidou bem da sua vida. O Toni trabalha a sério na FPF: ainda há tempos lhe liguei e estava no estágio da Seleção Nacional feminina de sub-15 de Futsal - imaginem!
O Toni faz hoje 80 anos. Conheço-o há mais de 30 anos e tenho o privilégio de poder dizer que sou seu amigo. Está de parabéns pelos 80 anos, claro que sim, sempre, mas está de parabéns acima de tudo pelo enorme ser humano que é.
UM FORTE ABRAÇO, TONI!"

Prata da Casa #72 - Atão Mas Esse É O País Que Tou A Pensar!?, Game Winners, Hot Takes

Cegueira...


"Alguém teve a coragem de afirmar “o português mais importante da história de Portugal”…um desses idiotas úteis das tv’s que pateticamente colocou Cristiano, não lhe vou chamar Ronaldo porque é uma ofensa ao maior fenómeno futebolístico que vi pisar um relvado, acima de Dom Afonso Henriques, Vasco da Gama, Camões, todos os que efetivamente, não renegando as suas origens, nem sequer vendendo a sua portucalidade por meia dúzia de patacos, deram ao mundo Portugal e “novos mundos ao mundo”.
Mas a sociedade atual gosta de enaltecer patetas, portanto não serei eu que irei mudar isso certamente.
Cristiano tinha tudo para ser efetivamente um dos grandes nomes da sua área, um ídolo de milhões mas que se deixou toldar pelo ego, a sua cegueira retirou-lhe o pedestal de grandeza a que estaria destinado e lamento, após a sua retirada por pouco será recordado, não entra no Olimpo do melhores da modalidade, não está nas páginas douradas do futebol português, nessas não passou de mero escudeiro a bater palmas a partir do banco (e ainda bem que assim foi, caso contrário duvido que o Eder tivesse tido oportunidade de tocar os deuses do futebol).
Tudo acontece por uma razão, e por norma quando se tenta voar muito alto, as asas acabam queimadas!
Um pena, para quem é um ídolo de milhões, não conseguir mostrar ponta de humildade."

A fraqueza de Proença


"A comunicação do presidente da FPF no caso-Ronaldo tem oscilado entre o desastre e a subserviência.
Apesar do processo disciplinar instaurado ao avançado, Pedro Proença apressou-se a abrir a porta do regresso, já para novembro, e a clamar que esse é um desejo de «todos nós».
Não sei a que portugueses se refere Proença, mas não será com certeza aos que privilegiam as regras e o bom senso em detrimento da idolatria.
Quem ouvir o dirigente e ex-árbitro, e desconhecer em detalhe os contornos do processo, pensará que Cristiano é a vítima e não o infrator.
A FPF, na pessoa do atual líder máximo, optou por se entregar aos humores de um homem de 41 anos, incapaz de aceitar as leis da natureza. E da vida.
A fenda disciplinar está aberta. E convida a que outros repitam os intentos do obcecado (pelo golo mil, pela eternidade e glória, pela adulação…) CR7.
Os factos são conhecidos. Foram dissecados, manipulados, avaliados, discutidos e até exibidos em praça pública, para arderem na fogueira de vaidades (não confundir com verdades) no infame e ridículo comunicado produzido pela entourage de Ronaldo – os oito pontos atirados para o colo de Jesus são particularmente constrangedores.
Aqui chegados, há mais perguntas a fazer do que certezas a recitar. Deixo algumas, à consideração da direção da federação.
- O que faziam na intimidade de um estágio da seleção os conselheiros de Ronaldo? Essa é uma prática comum e aceite pelos responsáveis?
- Pedro Proença defende o regresso de Cristiano. A posição é conciliável com a independência do Conselho de Disciplina (CD) da FPF e o seu julgamento?
- Se Jesus aceitar o regresso de Cristiano, a autoridade técnica perante o grupo não fica ferida de morte?
- Que papel desportivo terá Cristiano? Não existe o risco de ser um ativo ingerível e repetir o ato de indisciplina, se não tiver os minutos por si idealizados?
- Que mensagem passa aos restantes companheiros um capitão que abandona o grupo e que, ainda assim, ouve da boca do presidente da FPF o apelo à reconciliação?
Estas cinco perguntas exigem esclarecimentos. A FPF é uma instituição de utilidade pública e não uma empresa cotada em bolsa, em busca de avaliadores de startups e unicórnios.
Perder Cristiano implica uma quebra de receitas e patrocinadores? Com certeza. De seguidores nas redes sociais? Também, pois então.
Tudo isto sucederá/sucederia sempre, em função da dimensão mediática do jogador. Mas, parece-me, acima disso devem estar as regras e a performance desportiva. Essas sim, inegociáveis.
Acabo com as desculpas pedidas por Cristiano e que, nas palavras de alguns experts, servirão de atenuante no castigo a aplicar pelo CD da FPF.
De zero a dez, qual o grau necessário de coragem (e humildade) para clamar por perdão através de um comunicado escrito por outra(s) pessoa(s)?
Quando se exigia um posicionamento firme e irrevogável da parte de Proença na resposta, apenas vi fraqueza.
Afinal, quem manda na FPF? O presidente ou a empresa de um dos jogadores da seleção? Cristiano, o grande, transformou-se. Passou de goleador concreto a economia abstrata.
É uma recessão em corpo de homem. Uma multiplicação de crises.

PS: a grandeza de Cristiano mede-se pelos monumentos edificados em campo. Tremendos, inesquecíveis, extraordinários. Só que essa grandeza passa a ser patética, e indefensável, quando vemos o herói de mil feitos a suplicar por validação através de um briefing pensado para uma comunicação pública do selecionador. Lembrar é a palavra que abraça e conforta. A saudade, a memória, os golos. Cristiano prefere outra: vaidade, o culto da tolice."

O capital compra clubes. Mas quem constrói o futuro?


"Durante décadas, os clubes de futebol foram construídos à volta de uma cidade, de uma comunidade e de uma identidade. Hoje, muitos começam a integrar estruturas internacionais onde o futebol é pensado à escala global. O capital atravessa fronteiras, os jogadores circulam entre continentes e algumas decisões estratégicas são tomadas a milhares de quilómetros dos estádios. Mas há uma pergunta que o futebol português não pode deixar de fazer: quando um investidor compra um clube, está a adquirir uma oportunidade de negócio ou a assumir a responsabilidade de construir o seu futuro?
A resposta não tem de ser uma escolha entre as duas coisas. Um clube pode ser economicamente atrativo e, ao mesmo tempo, desportivamente ambicioso. Aliás, os melhores projetos são precisamente aqueles que conseguem conciliar estas duas dimensões. O problema começa quando uma delas existe sem a outra.
Portugal tem razões para olhar para o investimento internacional com abertura. Temos conhecimento, treinadores qualificados, capacidade de formação, uma cultura futebolística reconhecida e uma posição privilegiada na ligação entre diferentes mercados. Mas também temos clubes com dificuldades financeiras, infraestruturas insuficientes e uma dependência excessiva das transferências de jogadores. Recusar capital por princípio seria ignorar uma oportunidade. Aceitá-lo sem critérios seria cometer outro erro.
O crescimento dos grupos multiclube não é apenas uma mudança na propriedade. É uma mudança na forma de organizar o futebol. Um grupo pode partilhar metodologias, departamentos de análise, informação sobre mercados, competências médicas, tecnologia e processos de recrutamento. Pode criar percursos de desenvolvimento para jogadores e profissionais. Pode permitir que um clube de menor dimensão tenha acesso a ferramentas que, isoladamente, dificilmente conseguiria financiar.
Pensemos no scouting. Durante muito tempo, identificar talento dependia sobretudo de observadores experientes, contactos e capacidade de antecipação. Tudo isso continua a ser decisivo. Mas a escala mudou. Hoje, os dados ajudam a filtrar milhares de jogadores, a observação contextualiza o desempenho e a articulação entre clubes permite planear percursos competitivos. Uma rede internacional bem construída pode transformar o recrutamento numa vantagem estratégica. Desde que não confunda quantidade de informação com qualidade de decisão.
Porque o scouting não se resume a encontrar jogadores baratos para vender mais caro. É conhecer as necessidades de cada equipa, antecipar a evolução do plantel, identificar perfis adequados ao modelo de jogo e perceber o momento certo para contratar, desenvolver ou transferir. O talento só se transforma em valor quando encontra um contexto que o faz crescer.
É aqui que surge a primeira grande exigência: cada clube de um grupo deve ter um projeto desportivo próprio. Integrar uma rede internacional não pode significar abdicar de objetivos, identidade ou ambição. Um clube português não deve aceitar tornar-se apenas uma estação de passagem, onde os resultados são secundários e o calendário de valorização dos ativos determina todas as decisões.
Os adeptos não vivem o futebol através de folhas de cálculo. Vivem-no através de vitórias, derrotas, rivalidades, memórias e pertença. A sustentabilidade financeira é indispensável, mas não substitui a competitividade. Um investidor que não compreenda esta realidade pode adquirir uma sociedade desportiva sem conquistar a confiança de quem lhe dá sentido.
Também não devemos romantizar o passado. A história do futebol português mostra que a identidade de um clube não é protegida por uma determinada nacionalidade do acionista. É protegida por decisões responsáveis, por lideranças que prestam contas e por uma estratégia que respeita a sua comunidade. Há maus projetos com capital nacional e podem existir excelentes projetos com capital estrangeiro. O critério deve ser a qualidade da gestão, não o passaporte do investidor.
A segunda exigência é a autonomia operacional. Um grupo pode definir princípios comuns, mas precisa de dirigentes locais com competência e margem real para decidir. Conhecer a competição, os adversários, o mercado e a cultura do clube é tão importante como dominar ferramentas internacionais. Centralizar tudo pode parecer eficiente no papel, mas o futebol continua a ser profundamente contextual. Uma decisão acertada num país pode ser desastrosa noutro.
A terceira exigência é a transparência. Quem investe deve explicar o que pretende: qual é o horizonte temporal, quanto será aplicado em infraestruturas, que papel terá a formação, quais são os objetivos competitivos e como serão tomadas as decisões sobre jogadores. Os clubes não precisam de promessas grandiosas. Precisam de compromissos verificáveis. E os reguladores devem assegurar que a multipropriedade não compromete a integridade das competições.
Há ainda uma oportunidade que Portugal não pode desperdiçar: utilizar estas parcerias para desenvolver pessoas, e não apenas transferir atletas. Um grupo internacional pode abrir portas a treinadores, analistas, fisioterapeutas, responsáveis de formação e diretores desportivos. A circulação de conhecimento deve funcionar nos dois sentidos. Se exportarmos apenas jogadores e importarmos todas as decisões, estaremos a abdicar de uma parte essencial do nosso potencial.
Defendo, por isso, que a avaliação de um investimento não se esgote no montante anunciado. Devemos perguntar quantos recursos ficam no clube, que competências são criadas, que instalações melhoram, como evolui a formação e se a equipa principal se torna mais competitiva. A verdadeira medida do sucesso não pode ser apenas a rentabilidade de uma transferência ou a valorização de uma participação.
O futebol português precisa de deixar de discutir o investimento como se houvesse apenas duas posições: abrir a porta sem reservas ou fechá-la por receio de perder identidade. Existe um caminho mais exigente e mais inteligente. Atrair capital, estabelecer regras claras, profissionalizar estruturas e preservar a capacidade de cada clube construir o seu destino.
A dimensão do nosso país não deve ser vista como uma condenação à dependência. Pode ser uma vantagem. Temos proximidade entre mercados, tradição formadora e capacidade de adaptação. Com visão, podemos tornar-nos parceiros relevantes em redes internacionais sem deixar de ser protagonistas do nosso próprio futebol.
No fim, a pergunta decisiva não será quantos clubes portugueses passaram a integrar grupos internacionais. Será quantos ficaram melhores depois disso: mais organizados, mais competitivos, mais sustentáveis e mais ligados às suas comunidades.
Porque comprar um clube é uma operação financeira. Construir o seu futuro é uma responsabilidade desportiva. E é nessa diferença que se distingue um investidor de um verdadeiro projeto."

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