Últimas indefectivações

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Falar Benfica: 2026/27 - Quem fica e quem sai?

LiveMode: Mundial #4

Juvenis - 15.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 2 Corruptos


Sofremos um golo no arranque, fizemos a remontada, para logo a seguir permitir o empate, isto tudo na 1.ª parte!

Pela primeira vez nesta Fase Final, jogámos com todos os nossos melhores jogadores, o ferro no final impediu a vitória, e os Corruptos acabaram por se sagrar Campeões!

O Benfica não pode esperar mais


"A decisão sobre o próximo treinador do Benfica está por dias — talvez horas —, mas a indefinição arrastou-se demasiado. Para os benfiquistas, este atraso expõe fragilidades numa fase decisiva do planeamento para 2026/27.
Percebe-se a complexidade do contexto, sobretudo com nomes como José Mourinho e clubes como o Real Madrid envolvidos. Ainda assim, o Benfica não podia permitir que a incerteza chegasse a este ponto. Seja Mourinho ou outro treinador, o essencial é decidir — e decidir bem — com um projeto claro que já deverá estar em marcha. O cenário agrava-se quando os principais rivais avançam no mercado de transferências, reforçando plantéis, enquanto o Benfica continua sem liderança técnica definida.
Haverá fatores internos desconhecidos, mas, nesta fase, o esclarecimento prometido por Rui Costa sobre a época passada perde relevância. O foco tem de estar totalmente na próxima temporada. É precisamente aí que os benfiquistas exigem trabalho concreto. Quem assumir o comando da equipa deve encontrar um projeto sólido, sem interferências externas — as mesmas que terão contribuído para as saídas, talvez precipitadas, de Bruno Lage e Roger Schmidt. Com responsabilidade dos treinadores, sim, mas não só.
Paradoxalmente, este momento de instabilidade pode ser uma oportunidade. Uma oportunidade para reavaliar o plantel, dar segundas oportunidades a quem merece e apostar em jogadores com ambição e fome de títulos. Pode também ser o timing ideal para integrar jovens da formação preparados para competir ao mais alto nível.
Talvez seja necessário ajustar expectativas e privilegiar a construção de uma equipa consistente, em vez de uma equipa de nomes. Há qualidade no plantel do Benfica, mas também lacunas evidentes. Ainda assim, o maior risco seria iniciar 2026/27 sob o mesmo clima de dúvida. Mais do que talento individual, o Benfica precisa de recuperar identidade, mentalidade e consistência competitiva. Resta saber se o clube — e os benfiquistas — saberão transformar a incerteza numa oportunidade.

Obrigado, Florentino Pérez e Bernardo Silva
Termino com dois agradecimentos, ainda que tardios: a Florentino Pérez e a Bernardo Silva. Obrigado ao presidente do Real Madrid por quase nunca falar em público, como se conclui pela imagem sexista que deixou na recente conferência que fez para se vitimizar e anunciar eleições antecipadas. E obrigado ao internacional português, estrela mundial, pela lição que deixou numa entrevista recente — «Não, não volto ao Benfica este verão»; «Sim, fui contactado para saberem da disponibilidade»; «Sim, fui eu que recusei voltar agora». Mas alguém fica mal nesta fotografia? Não me parece. Tudo claro e sem pontas soltas. Na comunicação muitas vezes é como no futebol: bom e difícil é jogar simples."

Benfica: o guião de uma época sem controlo


"O ano do Benfica foi desastroso. Têm existido tantos episódios que, por vezes, parece que estamos perante uma verdadeira telenovela.

Episódio 1: Supertaça e Champions
A época começou com a conquista da Supertaça e a qualificação para a fase de liga da Liga dos Campeões. Pelo caminho ficou, entre outras equipas, o Fenerbahçe, de José Mourinho. Apesar do sucesso inicial, um empate frente ao Santa Clara (marcado por uma escorregadela de Otamendi) e uma derrota com o Qarabag serviram de argumento para Rui Costa e a sua administração despedirem Bruno Lage. A ideia que ficou foi a de que estes dois resultados foram o pretexto para trazer um trunfo que garantisse votos nas eleições.

Episódio 2: A chegada do salvador
José Mourinho chegou ao Benfica como o homem que devolveria o clube à glória. Foi também o treinador que, enquanto adversário, dizia que o plantel encarnado era riquíssimo. Rapidamente mudou de opinião. O discurso passou de uma equipa recheada de soluções para um grupo limitado e mal construído.
Na apresentação, Mourinho deixou uma frase que incendiou os adeptos: «Alguém pode dizer não ao Benfica?» Naquele momento parecia impossível. Mourinho, muito mais do que um líder de balneário, transmitia a ideia de ser uma figura capaz de devolver exigência, identidade e até estabilidade emocional ao clube.

Episódio 3: A primeira conquista
A primeira e única conquista de Mourinho não aconteceu dentro das quatro linhas, mas fora delas. A sua chegada teve impacto direto na reeleição de Rui Costa e criou a esperança de que finalmente existiria alguém capaz de reorganizar um clube perdido em várias frentes.
No relvado, esperava-se uma equipa vencedora. Na comunicação, aguardava-se uma estrutura mais preparada para lidar com pressão e crises. No planeamento do futebol, exigia-se mais credibilidade e capacidade de decisão. Mourinho passou rapidamente a ser visto como uma solução global. Uma contratação quatro em um, que acabava por concentrar demasiadas expectativas numa única pessoa.

Episódio 4: O exemplo do Dragão
O Benfica foi ao Dragão para não perder. O próprio Mourinho assumiu isso no final do jogo. O problema é que o Benfica raramente entra em campo, em Portugal, apenas para sobreviver. O objetivo era evitar ficar a sete pontos da liderança. Acabou o campeonato a oito, com a agravante de o FC Porto já ter tirado o pé do acelerador nas últimas jornadas. Ficou uma imagem de um Benfica receoso, curto emocionalmente e demasiado preocupado em limitar danos.

Episódio 5: A Taça da Liga e o mercado
Sem grande evolução exibicional e com resultados europeus inconsistentes, a Taça da Liga parecia a grande oportunidade para Mourinho conquistar o primeiro título no clube. Depois da eliminação do Sporting, o SC Braga surgia como o principal obstáculo. Mais uma vez, o Benfica falhou num momento decisivo.
Seguiu-se o mercado de inverno. Depois de tantas críticas ao plantel, esperava-se uma intervenção forte e criteriosa. A realidade foi diferente. Chegaram Sidny e Rafa, um jogador de 33 anos, parado desde novembro e com um dos salários mais elevados do plantel. A ideia de um projeto sustentado deu lugar à sensação de gestão ao sabor do vento.

Episódio 6: A Noite épica e o caso Vinícius
O grande momento da temporada aconteceu frente ao Real Madrid na Champions. Uma exibição memorável, que terminou de forma épica, com um golo de Trubin a garantir a passagem à fase seguinte da Champions, quando poucos acreditavam.
Mourinho voltou ao centro das atenções mundiais e saiu claramente reforçado. Poucas semanas depois surgiu o caso entre Vinícius e Prestianni.
O Benfica teve aí uma oportunidade para mostrar maturidade comunicacional. Voltou a falhar. Em vez de controlar a narrativa, entrou numa discussão pública sobre versões e interpretações, deixando o nome do clube correr o mundo pelas piores razões.

Episódio 7: A Liga Virtual
Sem conseguir acompanhar os rivais na classificação real, o Benfica apostou grande parte da sua comunicação na crítica às arbitragens. Durante algum tempo, muitos adeptos aceitaram essa narrativa. O problema é que chega sempre um momento em a realidade ultrapassa a ficção. Normalmente, quando um clube passa demasiado tempo a discutir fatores externos é porque deixou de conseguir controlar os internos.

Episódio 8: Quem manda no Benfica?
O último episódio talvez seja o mais revelador de todos. Em março, Mourinho colocou-se à disposição para renovar contrato. Rui Costa respondeu lembrando que ainda existia mais um ano de ligação entre as partes. O tema parecia fechado. Entretanto surgiu o interesse do Real Madrid e o discurso mudou. Mourinho passou a adiar qualquer decisão, afirmando estar totalmente concentrado na luta pelo segundo lugar.
Já a três dias do final da temporada, revelou ter recebido uma proposta de renovação — mais tarde descrita pelo próprio como «uma muito boa proposta» — e anunciou que iria analisar no fim da Liga. Mourinho passou a dispor de todos os elementos decisivos: uma proposta formal, uma janela curta de decisão e a possibilidade de condicionar o futuro imediato do clube.
Num grande clube, isto dificilmente acontece. Os grandes clubes não vivem suspensos de uma decisão individual, por mais influente que seja o protagonista. Definem o seu rumo, antecipam o planeamento e controlam o calendário. Aqui, pelo contrário, o planeamento da próxima época ficou inevitavelmente dependente de uma resposta pessoal.
Num verão ainda condicionado por um Mundial e por um mercado que pode arrancar tarde, essa indefinição ganha mais peso. Talvez seja aqui que a temporada volta ao ponto de partida: um Benfica que começou a época a reagir aos acontecimentos e termina a aguardar, novamente, por uma decisão que não controla. Por fim, para fechar a novela, fica apenas uma última pergunta: será que Mourinho vai dizer não ao Benfica?

A VALORIZAR: BRUNO FERNANDES
Eleito unanimemente o melhor jogador da Liga Inglesa. Uma época fantástica de um jogador excecional. Este feito é ainda maior por o ter sido conseguido num Manchester United em reconstrução. É atualmente o líder indiscutível da nossa Seleção em todas as dimensões: qualidade, personalidade, liderança e exemplo."

O sucesso da época do Sporting depende de um jogo. O do Torreense também


"Sem títulos, o tempo encarrega-se de apagar as memórias das grandes equipas

Pode o sucesso de uma época depender de um jogo? Pode. Talvez seja injusto, mas pode. 
Tome-se o caso do Sporting, que hoje defronta o Torreense na final da Taça de Portugal. Rui Borges, na conferência de imprensa de lançamento, defendeu que os leões fizeram «uma grande época», mesmo antes de saber o desfecho do jogo do Jamor.
Tem razão. O Sporting chegou pela segunda vez na sua história aos quartos de final da UEFA Champions League, e num formato bem mais complicado do que na primeira presença (em 1982/83, quando bastou eliminar Dínamo Zagreb e CSKA Sófia, com apenas uma vitória em quatro jogos, para o conseguir), tendo até terminado a difícil fase de liga nos oito primeiros; acabou a Liga no 2.º lugar (o que vale o apuramento para a Champions), com 82 pontos, os mesmos que lhe permitiram, no ano anterior, sagrar-se campeão; e está de novo na final da Taça. Contas feitas, sim, foi uma bela temporada, talvez não «grande», como diz Rui Borges, mas muito decente.
Só que há outro ângulo com que se pode olhar para a época. No campeonato, o leão tinha a hipótese de chegar ao tri e não o conseguiu; perdeu a Supertaça para o Benfica; foi eliminado na Allianz Cup pelo Vitória de Guimarães; e em sete jogos contra os grandes (quatro contra o FC Porto, três contra o Benfica), só venceu um, o que lhe abriu caminho, na primeira mão das meias-finais da Taça, para o Jamor.
Se, depois disto tudo, perdesse a final da Taça contra o Torreense, um clube da Liga 2, poderíamos realmente falar de uma «grande época»?
Afinal, o que fica no futebol? Acima de tudo, os troféus.
O Benfica 2012/2013 foi uma das melhores equipas deste século em Portugal. Em 56 jogos oficiais, incluindo 15 europeus, só perdeu seis. Hoje, 13 anos depois, alguns adeptos ainda recordam a qualidade daquela equipa, com Luisão, Garay, Matic, Enzo Pérez, Gaitán, Cardozo, Rodrigo… Mas poucos ou nenhuns benfiquistas lembram essa equipa com carinho. Mesmo com seis derrotas apenas, o Benfica não venceu qualquer título. Perdeu o campeonato na penúltima jornada, ao ser derrotado pelo golo de Kelvin no Dragão; perdeu a Liga Europa dias depois, frente ao Chelsea; e ainda viria a perder na final da Taça de Portugal, contra o Vitória de Guimarães. E sem títulos, o tempo se encarregará de apagar a memória de uma grande equipa – nem o Brasil de 1982 será eterno, ao contrário da Itália campeã mundial.
Por isso, para poder olhar para 2025/2026 com respeito, o Sporting precisa mesmo de vencer hoje o Torreense.
Que está numa situação parecida… não tanto em relação à final de hoje, mas em relação à de quinta-feira, com o Casa Pia, na segunda mão do play-off pela última vaga na Liga.
A temporada do Torreense também foi excecional. O apuramento para a final da Taça de Portugal foi histórico e, mesmo que a tarde não corra bem no Jamor, a equipa de Torres Vedras já tem o jogo das expectativas quase ganho – ninguém estranhará que perca contra o vice-campeão nacional, e estar na decisão, atendendo à dimensão do clube, à raridade do feito, ainda para mais estando a jogar a Liga 2, ficará para sempre.
Mas depois deste 2025/2026, terminar sem Taça e sem subida seria tremenda frustração. Também para o 3.º classificado da Liga 2, o sucesso da época depende de um jogo – ou de dois, vá, porque se o Torreense vencer a Taça, todos perdoarão se não subir."

Zero: Mercado - Rafael Leão interessa ao United e o seu substituto pode ser Toni Martínez

BF: Calendário...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Torreense traz o Carnaval e tem um sonho. E o Sporting?

Canal 11 - Soltinhos - Cancelo

Irão: Ali Daei, o engenheiro do golo que cabeceava com a força com que outros chutavam


"Pelo Irão, o possante avançado iraniano marcava golos em barda - foi o primeiro a chegar aos 100 por uma seleção nacional. Mas a passagem pela Europa ficou marcada pelas dificuldades de adaptação, ainda que se tenha tornado uma figura de culto, muito graças ao seu bigode. Nos últimos anos, a oposição à repressão das autoridades iranianas valeu-lhe falta de oportunidades e até uma detenção.

O ano é 2004 e Ali Daei não vai de modas: marca quatro golos à modesta seleção do Laos no encontro de qualificação para o Mundial de 2006. Um póquer, por direito próprio, já é um feito, um dos expoentes máximos do futebol, mas com aqueles quatro golos o avançado iraniano, um dos últimos resistentes do futebol mundial à retirada do frondoso bigode da cara, tornar-se-ia o primeiro jogador da história a chegar aos 100 golos com a camisola de uma seleção.
Cristiano Ronaldo ultrapassaria Ali Daei em setembro de 2020 e não demoraria muito mais a destronar o iraniano do lugar de topo dos maiores artilheiros das seleções nacionais. Ali Daei “ficou-se” pelos 109 golos, Ronaldo já vai nos 143, e ainda a contar. Daei, em 2024, disse numa entrevista aos meios da FIFA que não ficou com ressentimentos, bem antes pelo contrário. “Bater recordes faz parte do futebol e eu fico feliz que tenha sido um jogador como o Ronaldo a fazê-lo. É um jogador excecional, que trabalha muito”, sublinhou o atacante hoje com 57 anos, e que entretanto também já viu Lionel Messi bater a sua centenária marca.
Marcar pela seleção nacional era como respirar para Ali Daei, o primeiro futebolista asiático a jogar na Liga dos Campeões. Em 1997, depois de aleijar as redes do campeonato iraniano com golos em barda no Bank Tejerat e no Persepolis, o Arminia Bielefeld, que lutava para não descer na Bundesliga, resolveu apostar naquele alto e possante avançado. E no seu fiel companheiro: o bigode.
Na Alemanha, Daei marcou pouco, fosse no Bielefeld, no Bayern Munique ou no Hertha Berlim, mas tornou-se figura de culto, com um estilo de gala a jogar de cabeça. Jürgen Röber, seu treinador na equipa da capital, chegou mesmo a dizer que Daei cabeceava com a mesma força com que outros chutavam.
Os dias de Ali Daei na Alemanha não traziam a felicidade, em golos, que vivia quando jogava pela Team Melli, a seleção iraniana - em cinco temporadas no país, marcou apenas 12 em todas as competições, enquanto não parava de faturar pelo Irão. Fora dos relvados, e apesar de apreciado pelos adeptos, tão-pouco se adaptava. No Bayern raramente falava com os colegas, fosse pela barreira linguística como cultural - os costumes ligados à cerveja, tão conhecidos na Baviera, estavam-lhe vedados por causa das suas crenças.
Já no Hertha, disse ao “Tagesspiegel” que continuava a viver “como se estivesse no Irão”, que sentia saudades da família, dos pais e dos irmãos. Depois de uma passagem pelo campeonato dos Emirados Árabes Unidos, regressou definitivamente ao seu país em 2003. Não para exercer o seu curso de Engenharia de Materiais, tirado antes de se dedicar ao futebol, mas para continuar a marcar golos. E mesmo que não tenha sido um avançado profícuo na Alemanha, frisou, já como treinador, que daqueles tempos tinha retirado do país que lhe deu uma oportunidade de jogar na Europa a “disciplina, precisão e os métodos”.

Problemas com o governo
Ali Daei abandonou os relvados em 2007 para logo começar a treinar, além de ter feito um bom pé-de-meia ao criar uma marca de artigos desportivos. No Irão era um rei, um mito, o homem que fez o passe para Mehdi Mahdavikia marcar o golo que derrotou os Estados Unidos no Mundial 1998, na primeira vitória de sempre da Team Melli em Campeonatos do Mundo, histórica e simbólica. Mas os problemas com as autoridades do seu país começaram cedo.
Em março de 2008, o goleador tornou-se selecionador nacional do Irão. E mesmo sendo a figura maior do futebol da nação persa, Daei mostrou-se “surpreendido” com a decisão. Nem um ano depois de ser nomeado, uma derrota por 2-1 frente à Arábia Saudita ditou-lhe o destino: Mahmoud Ahmadinejad, então presidente do país, estava no estádio e não gostou do resultado. Daei foi imediatamente demitido.
Em 2019 denunciou que um dos dirigentes do clube que treinava, o Saipa, era um proeminente membro da Guarda Revolucionária do Irão, acusado de vários assassínios de dissidentes políticos. A partir desse momento deixou de ter convites para treinar no seu país.
Ali Daei foi também um de vários jogadores iranianos que, em 2022, se insurgiram contra o governo no caso de Mahsa Amini, a jovem de 22 anos que morreu sob custódia policial depois de ser detida, acusada de usar o lenço de forma inadequada. O antigo avançado e a família passaram a receber ameaças constantes. “Eu fui ensinado na humanidade, na honra, no patriotismo e na liberdade. O que é que esperam conseguir com estas ameaças?”, questionou na sua página de Instagram.
O iraniano chegou a ser brevemente detido, depois de visitar a cidade natal de Mahsa Amini, e viu o seu passaporte ser confiscado. A sua mulher e filha foram retiradas de um voo com destino ao Dubai, sem uma explicação convincente. No final desse ano, Daei recusou-se a viajar para o Mundial do Catar, onde acompanharia a seleção, ordenando que os governantes do país resolvessem “os problemas do povo iraniano”, em vez de continuarem uma onda de “repressão, violência e detenções”.
As relações com o poder não mudaram daí para cá. Aliás, em março deste ano a autarquia de Teerão anunciou que a Avenida Ali Daei vai mudar de nome. A justificação? O facto do maior futebolista da história do país, marcador de 109 golos, presente em dois Mundiais, não se ter insurgido a favor das autoridades iranianas nos últimos meses, marcados pelos ataques norte-americanos e israelitas."

domingo, 24 de maio de 2026

Só falta mais uma...

Benfica 86 - 61 Oliveirense
17-18, 24-14, 19-16, 25-13

Segunda vitória, no Jogo 2, com um pouquinho mais de replica do adversário, mas com o Benfica a fazer uma gestão grande dos jogadores, chegando ao 4.º período com bastante energia nas pernas!
O problema da mais que provável Final, será o Benfica chegar aos jogos decisivos com pouco ritmo competitivo!

Fim do campeonato

Sporting 34 - 22 Benfica
16-10

Mais uma derrota larga, com muitos erros individuais no ataque...

Neymar: irritante e irresistível


"Brasileiro podia ser maior, podia ter sido imortal, podia ter reescrito os livros do futebol. Mas escolheu outra vida, outro ritmo, o compromisso com a falta de compromisso.

Neymar não é um número, não é uma estatística. É a soma do que podia ter sido e do que decidiu ser. Este ano, 15 jogos e pouco mais de mil minutos no Santos. Uma espécie de ex-jogador em atividade, diriam os dados frios. Mas os dados não contam a história que corre nas ruas do Brasil, nas conversas dos bares, nas praças, nas margens do campo, onde se aprende a arte de tocar a bola como se fosse música.
Ancelotti nunca o tinha chamado. Nunca. E, ainda assim, o nome de Neymar apareceu na lista de convocados. Sem razão desportiva, mas quase como uma reza. E o anúncio do seu nome acendeu uma chama num país que há muito desespera pelo talento de outros tempos. Pela conquista do sexto Mundial. Pela dança de um passado que, olhando para as últimas prestações do Brasil em Mundiais, parece ter sido noutra vida.
Há um prazer estranho que cada adepto tem em amar irritar-se com jogadores como Neymar. Porque podia ser maior, podia ter sido imortal, podia ter reescrito os livros do futebol. Mas escolheu outra vida, outro ritmo, o compromisso com a falta de compromisso. Mesmo assim, quando a bola lhe chega, tudo muda. Um toque, uma arrancada, um sorriso no pé, e aquilo que é previsível, frio, calculado, desaparece. Leva-nos para a rua. Para o futebol que se liberta do laboratório.
O Brasil celebrou a convocatória como se fosse um título. Mais emoção do que razão. Mais mito do que resultado. Porque Neymar não é só talento. É promessa de magia, é lembrança de um futebol que já não existe. Vinícius e Raphinha correm, lutam, tentam, têm algum samba nas botas, mas quando Neymar aparece, há um silêncio de respeito, um reconhecimento instintivo de que aquele momento é só dele.
Este Mundial será o último de Ronaldo e Messi. Dois monstros. Dois dos maiores da história. Os homens que dominaram o futebol durante mais de uma década. A certa altura, dizia-se que Neymar podia ser o herdeiro do trono. Nunca foi, nunca quis, nunca percebeu que brincadeira tem hora e sacrifício é a toda a hora. Sempre foi caprichoso, indomável, mimado. E, ao mesmo tempo, irresistível.
Neymar ri do tempo, das lesões, das expectativas. Para ele, a vida é uma brincadeira. Ainda assim, entre os convocados de Ancelotti, será o único nome que faz o Brasil suspirar, que faz as multidões esquecerem estatísticas e olharem para a bola como quem olha para uma tela em branco.
Num país que viu Pelé, Romário, Ronaldo ou Ronaldinho Gaúcho, entre tantos outros, Neymar é quase uma nota de rodapé na linda e gloriosa história dos craques brasileiros. Não é o maior, não é o mais consistente, não é o que mais trabalha. Mas é aquele que ainda nos lembra que o futebol não é apenas jogo, é sonho.
E, por isso, quando Ancelotti o chama, o país inteiro agradece. Agradece ao menino Ney que já não é menino. Agradece ao artista que nos enfurece. Porque, apesar de todas as festas, lesões e carnavais, ainda é nele que o Brasil encontra aquele futebol descalço, de pó nos tornozelos, e sonho nos pés. O futebol da magia antiga. O futebol que faz o impossível parecer apenas um detalhe mal explicado."

Benfica refém do Real Madrid ou como Klopp e Haaland podem tramar Mourinho


"Futuro do comando técnico encarnado está nas mãos dos sócios... merengues. Se a juventude de Riquelme travar Florentino, as decisões da Luz serão empurradas para junho

O Benfica vive um paradoxo geográfico e temporal que ameaça o planeamento da próxima época. E, enquanto os adeptos desesperam por fumo branco, rezam as crónicas que o futuro do comando técnico das águias não se decide... na Luz, nem sequer em Lisboa, mas sim nos bastidores de Madrid. O que levanta a questão: está o Benfica congelado por um braço de ferro eleitoral no Bernabéu?
A figura central deste tabuleiro é José Mourinho. O Special One não se decide nem permite que o Benfica decida enquanto não houver a certeza absoluta sobre o destino de Florentino Pérez.
Este sábado é o dia D: a junta eleitoral do Real decidirá se aceita a candidatura de Enrique Riquelme. Aos 38 anos, o jovem empresário surge como uma reedição madrilena do fenómeno André Villas-Boas, personificando a mudança e o vento de futuro contra o legado histórico e o statu quo do atual presidente.
Riquelme não vem de mãos a abanar: apresenta como trunfos Jurgen Klopp para o banco e a potência Erling Haaland para o ataque.
Se a candidatura for aceite, como se antecipa em Espanha, o Benfica entra em modo de suspensão profunda. As eleições merengues seriam a 7 de junho e Mourinho, que espera pacientemente para perceber se Florentino mantém o trono, não deverá assinar nada antes disso.
Ou seja, estamos perante cenário surreal: serão os sócios do Real Madrid a definir, indiretamente, quem treinará o Benfica. Se Florentino cair como caiu Pinto da Costa no FC Porto, o castelo de cartas da Luz desmorona-se.
Entretanto, o plano B (na realidade, o A) também joga noutro tabuleiro. Marco Silva, o alvo escolhido para dar uma nova alma ao futebol encarnado, cumpre este domingo a última jornada da Premier League com o seu Fulham. E só a partir de segunda-feira se sentará com a administração londrina para ouvir a proposta de renovação.
Já o Benfica está no meio deste fogo cruzado entre Londres e Madrid, refém de um treinador que espera por um convite Real e de outro que espera por uma clarificação contratual em Inglaterra.
O risco para Rui Costa é imenso. Esperar por Mourinho até 7 de junho pode significar perder Marco Silva para o Fulham e ficar com o mercado de treinadores reduzido a cinzas se o Special One optar por Madrid ou pela Arábia.
Certo é que a Luz não deveria ser sala de espera para sonhos alheios. Entre Klopp poder tramar Mourinho e o Real Madrid ditar o destino das águias, o Benfica arrisca-se a ficar no gelo enquanto os rivais já se preparam afincadamente para o calor do verão..."

Martínez, entre pepinos e tomates


"Selecionar é decidir. É escolher entre múltiplas opções, e considerar imensas possibilidades. Para a fase final de um campeonato do Mundo, um selecionador nacional deverá sempre seguir as suas intuições, alicerçadas na capacidade de leitura, o mais ampla e abrangente possível, das realidades, das influências e dos momentos de cada jogador.
Ao longo de um ciclo — no caso de Portugal, entenda-se o período entre a vitória na Liga das Nações e o momento da convocação para o Mundial das Américas —, muito se altera, muitas das ideias sofrem evoluções positivas ou negativas.
Há uma perceção essencial, e em relação à qual nenhum de nós terá o completo entendimento: a do balneário, das reações, das pausas, dos movimentos, das motivações, das decisões.
Porque, embora subsista uma importante similitude entre clube e seleção (a de que a forma desportiva será sempre um fator imperativo), há um outro fator idêntico que o treinador tem de respeitar: o comportamento individual, a interação, a capacidade de integrar um coletivo, que apenas o tempo de balneário, os momentos em conjunto podem certificar e justificar.
Dito isto, entendo a defesa feita de António Silva, quando a imprudência da juventude do jogador do Benfica o fez filtrar informações classificadas para o exterior. Fez mal, esteve mal, terá sido repreendido por isso.
E exatamente por isso, não entendo que Roberto Martínez tenha agora vindo a terreiro falar desse momento em relação a Silva. Porque esse simples facto detona a suspeita de que terá sido o elemento essencial para a não convocação do defesa do Benfica para o Mundial.
Vou ser ainda mais claro: entendo que António Silva não tem lugar neste grupo de convocados. Mas esta situação cria uma suspeita evitável, um embaraço lamentável, uma fissura na comunicação.
Curiosamente, o caso criado com a ausência do jogador encarnado encobre outros elementos interessantes na convocatória da Seleção portuguesa para o primeiro Mundial organizado por três países, também o primeiro com 48 seleções e, por conseguinte, o primeiro com mais um jogo para quem atinja, pelo menos, as meias-finais.
Quatro guarda-redes. É impressionante o desconhecimento que grassa na esmagadora maioria dos comentadores de redes sociais. O quarto guardião sabe ao que vai: é uma espécie de árbitro de suporte, será um recurso em caso de lesão de um dos três primeiros guarda-redes, e pode — é uma ideia muito defendida pela generalidade dos selecionadores — ser um elemento essencial no treino dos restantes homens da baliza. Portanto, não há nenhuma surpresa na convocação de Ricardo Velho, defendida pelos regulamentos e aconselhada pelo bom senso.
No restante elenco, a polémica do costume, instalada e legitimada pelas temporadas realizadas. Um pouco à semelhança do que acontece com o Brasil, onde é difícil argumentar a não convocação de João Pedro, jogador de ligação entre o meio-campo e o ataque como o escrete parece não ter, e vindo de uma ótima temporada ao serviço do Chelsea.
Aliás, a justificação pública de Carlo Ancelotti é fraca e muito pouco consistente, comparando com a quase obrigação da chamada de Neymar.
Em Portugal, Cristiano Ronaldo é, evidentemente, nome obrigatório. Mas, aqui chegados, ponto de ordem: Cristiano tem uma carreira única. Para muitos, será o melhor jogador da História. Para mim e para muitos outros, será um dos melhores, que é essencial ter memória e rebobiná-la a várias décadas.
O novo campeão saudita será sempre uma referência no balneário, uma motivação excecional para o grupo de trabalho. Mas não é — não pode ser — um titular indiscutível. Será sempre um trunfo dourado para os trinta ou quarente minutos finais, onde, de posse dos seus valores físicos e psíquicos, condicionará adversários. Mas Portugal tem talento, capacidade individual e desafio coletivo suficientes para ter um onze integral e consistente, e para não depender, em campo, de um jogador cujas condições objetivas para a competição não são as mesmas dos seus companheiros.
Estive na final do Euro-2016, em Saint-Denis. Sou dos que pensam que Portugal foi campeão europeu porque Cristiano saiu de campo, ainda na primeira parte. Foi desse fazer das fraquezas forças que, na realidade, saiu a consistência tática e a capacidade de sofrimento suplementar que garantiram o título europeu a Portugal.
Agora, é essencial que Martínez não abra o flanco. Que tenha personalidade. Que perceba o que é mais importante.
Há uma muito talentosa geração de jogadores portugueses à procura da glória. O selecionador de Portugal fala na importância de uma equipa «em crescimento» ao longo da fase final.
Mas é, neste momento, essencial que ele próprio continue a dar, no maior desafio da sua carreira profissional, um sinal de respeito por todos. Pelos jogadores, pela estrutura, pela imensa mole humana que, nas Américas ou à curta distância da atual sociedade de consumo, suportará a Seleção de Portugal.
A nova diáspora (pelo Mundial além-Atlântico e pelos milhões de portugueses que o atravessaram à procura de um futuro melhor…), tem a obrigação de lutar pelo título. Uma incrível geração de jogadores tem essa ambição. Quer fazê-lo e pode fazê-lo, até por Cristiano Ronaldo. Mas nunca bloqueando objetivos por uma idolatria cega, que pode deitar tudo a perder.

CARTÃO BRANCO
Pode ter saído pela porta pequena de Old Trafford. Mas tem fibra e convicções próprias, como se notou no seu curto consulado no comando do Manchester United. Ruben Amorim voltou a mostrar objetivos maiores, quando terá recusado a sondagem do Benfica para ocupar o lugar que vai ser deixado vago por José Mourinho. O treinador que levou o Sporting ao título quer continuar no estrangeiro. Faz muito bem. Hoje, o projeto que os encarnados oferecem estará longe das realidades e das ambições de quem já atingiu outros patamares.

CARTÃO AMARELO
Há muitos meses, aqui aconselhei Rui Costa a não se recandidatar à presidência do Benfica. Tudo parecia inclinar-se para a necessidade de um outro projeto, de uma outra visão e, sobretudo, de um outro talento enquanto gestor. O futuro imediato parece dar-me razão. Ou Rui não previu que Mourinho poderia ser assediado, ou não leu as entrelinhas, ou não compreendeu as ondas que se criavam. O líder encarnado está legitimado pelo sufrágio eleitoral. Isso é determinante e profundamente democrático, num clube que é, ele próprio, um mundo. Mas sai muito mal da fotografia na sucessão de Mourinho, independentemente da solução a que conseguir chegar."

Visão: Análise - Que Época Foi Esta?!

Simples: SL Benfica, época 25/26

Zero: Mercado - FC Barcelona tem Kiwior debaixo de olho

BF: Rui Costa...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Mourinho, a ex de Madrid com Rui Costa no papel de vela

SportTV: Primeira Mão - Convocatória, Final da Taça e play-offs ao rubro 🏆

LiveMode: Mundial #3

ESPN: Futebol no Mundo #567

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Espanha: Joaquín, o folião que bateu recordes de longevidade e levou a Taça do Rei para o altar


"Chamavam-lhe la finta y el sprint, um extremo que agitou o futebol espanhol no início do século. Adiou a saída do seu amado Betis, ao qual regressaria, já veterano, para ser jogador, capitão e acionista. Sempre com uma piada para dizer, é a personificação do andaluz alegre, sem deixar de ser um competidor feroz até para lá dos 40 anos.

No fim da viagem, Joaquín ficou sem saber como reagir. Logo ele, que ao longo de mais de 20 anos sempre tivera mais uma frase, mais uma piada , mais um número. Mais um drible. Mais uma época.
“Não sei estar triste”, murmurou entre as gotas de água que escorriam pela cara. Era 2023, ele à beira dos 42 anos, 24 passados da estreia pelas cores do seus amores. Estava a despedir-se do Joaquín jogador.
Atrás de si estava o estádio Benito Villamarín. “É a minha vida”, disse. E voltou às lágrimas.
Paradoxalmente, concluía em choro a jornada mais alegre do futebol espanhol. Joaquín, o menino do Puerto de Santa María, terra de verão e festa, de calor e carnaval, de Cádiz, da folia. Há muito que adiava o adeus, colocando-se numa posição de invulgar longevidade: atingiu 622 jogos na La Liga, igualando o recorde de Andoni Zubizarreta, representando o Real Betis em 515 ocasiões.
Antes do peso do ponto final, a história foi a de um rapaz de caráter leve, relaxado, filho da alegria da terra. Era o terceiro de oito irmãos, inicialmente queria ser toureiro, mas o jeito com os pés captou a atenção do lado verde e branco de Sevilha. Um tio, de alcunha el chino, era quem mais acreditava no talento do sobrinho, pagando-lhe as viagens entre o Puerto e a capital andaluza. El chino morreria em 2002, Joaquín nunca deixou de mostrar gratidão.
Debutou ainda adolescente pelo Betis, quando o clube estava na segunda divisão. Rapidamente virou sensação, pegando-se-lhe a expressão la finta y el sprint, o drible e a corrida, entusiasmando pelas cavalgadas pela direita. O estilo gozão foi-se tornando imagem de marca, consolidado em mil e uma anedotas que viraram parte do folclore nacional: quando lhe perguntaram um hobby e respondeu ténis, para em seguida confessar que jamais pegara numa raquete; com o seu espanholizado italiano, quando representou a Fiorentina; nas inúmeras vezes em que conduziu o autocarro do Betis.
No verão de 2005, o Betis acabara de conquistar a Taça do Rei. Joaquín casou, a 8 de julho, com Susana Saborido. No altar, mirando o casal, estava o troféu.

Albacete, Mourinho e Coreia
Há alguns paradoxos com Joaquín. Descontraído e quase um futebolista-humorista, mas extraordinariamente competitivo, regular, uma garantia até depois das quatro décadas de vida. Principiou a carreira tendo a velocidade e a potência como grandes argumentos, ainda um jogador da época da fúria espanhola, e concluiu-a mais cerebral, pensando o jogo, técnico, tricotando futebol em zonas centrais; chegou a admitir que, em jovem, saía mais à noite “do que o camião do lixo”, mas jamais se apresentou com um quilo a mais, pouco se lesionou, sendo capaz de fazer mais de 30 partidas em 20 temporadas como profissional.
Era, sobretudo, um apaixonado pelo futebol. Certo dia em que ladrões lhe roubaram a casa, o maior lamento foi terem encontrado o local onde estavam guardadas várias camisolas trocadas com adversários como Ronaldo Nazário, David Beckham e Frank Lampard.
A explosão inicial no Betis parecia levá-lo a uma saída precoce. Falou-se do interesse do Real Madrid galático, houve uma reunião agendada com José Mourinho, tendo o Chelsea como destino. Joaquín faltou ao encontro. Não se imaginava a sair de casa. “Pedi, depois, desculpa ao Mourinho, que me disse que eu fui o primeiro jogador a dar-lhe uma nega”, confessaria, anos depois, à “ESPN“.
Acabaria por deixar a equipa dos seus amores em 2006. Manuel Ruiz de Lopera, presidente de outra época, vindo do tempo dos polémicos dirigentes espanhóis dos anos 90, não queria deixar o extremo ir para o Valencia, pelo que fez valer uma cláusula no contrato do jogador, segundo a qual este era obrigado a aceitar ser cedido à equipa que o Betis decidisse. Lopera determinou que Joaquín, vindo diretamente do Mundial 2006, ia ser emprestado ao Albacete, da segunda divisão.
Aconselhado pelos advogados a apresentar-se, Joaquín fez a viagem da Andaluzia até Castela-Mancha. “Parei em todas as aldeias, as pessoas perguntavam-me o que estava a fazer e ofereciam-me queijo manchego”, lembraria. Chegado ao destino, um notário certificou que o jogador não havia faltado ao compromisso. Lopera deixou-o ir para o Valencia.
Valencia, Málaga, Fiorentina. Meros interregnos na ligação ao Betis, ao qual voltaria, jogando ao mesmo tempo que já era acionista do clube. Sempre competitivo, em dezembro de 2019 apontou um hat-trick, em 18 minutos, contra o Athletic, tornando-se o mais velho da história da La Liga a marcar três vezes num encontro, batendo um recorde de Alfredo Di Stefano, datado de 1964.
A vida do ala ao serviço de Espanha ficou ligada ao polémico embate dos quartos de final do Mundial 2002 contra a Coreia do Sul. Num lance ao seu estilo, assistiu Morientes para um golo que daria a passagem aos europeus, mas a polémica arbitragem do egipcío Gamal Al-Ghandour anulou, erradamente, a jogada. Na decisão por penáltis, Joaquín falharia o castigo máximo decisivo.
A última das 51 internacionalizações por la roja seria no final de 2007. Esteve em dois Mundiais e um Europeu, nas três derradeiras fases finais antes do trio 2008-2010-2012.
Joaquín não fez parte da geração de ouro. Mas a sua qualidade, talento e personalidade contribuíram para desenhar uma La Liga mais forte, fizeram por construir o ecossistema do qual brotaria aquela Espanha gloriosa. Joaquín, tal como Reyes, Valerón, Xabi Prieto, De la Peña e vários outros, não pertenceu à melhor Espanha de sempre, mas, sem eles, o futebol do lado de lá da fronteira não trocaria a fúria pelo toque. Sempre com mais uma piada para dizer, menos quando era para dizer adeus."