Últimas indefectivações

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Outra Vez, Correia e Oliveira?!

ROAD TO HEXA #1 - O início da caminhada

Fundação: Aursnes vs. Lúcia

Se não sabem gerir calendários, liguem para Inglaterra ou... Façam algo, por favor!


"O anúncio tardio da 33.ª e penúltima jornada é o culminar de uma época de caos logístico. Entre 'feiras' e jogos em pausas de seleções, a Liga 'esqueceu-se' de ser... profissional

Ontem, segunda-feira, dia 5 de maio, a Liga dignou-se, finalmente, a anunciar os horários da 33.ª jornada. O facto de estarmos a meros cinco dias do início da penúltima ronda do campeonato — na qual tanto se decide, da Europa às descidas — e só agora sabermos o calendário oficial é um atestado de incompetência que asfixia a nossa indústria. Esta opacidade logística não é apenas um incómodo; é um desrespeito gritante por quem faz o espetáculo.
Numa época marcada pela renovação das estruturas da Liga, com novas caras e promessas de modernidade, o que vimos foi um retrocesso organizacional sem precedentes. O futebol moderno vive de microciclos de trabalho. Cada hora de treino, cada período de recuperação e cada detalhe nutricional é planeado ao milímetro. Como se pode pedir excelência a treinadores e atletas quando estes vivem na incerteza até à última hora?
O historial desta temporada é um manual de sobrevivência ao caos. Recordamos com amargura o episódio de Arouca, onde o calendário ignorou uma Feira das Colheitas previsível há décadas, obrigando o FC Porto e o clube local a um braço de ferro vergonhoso. Assistimos à revolta legítima do Estoril, forçado a jogar desfalcado em plena pausa de seleções porque «não havia datas». Vimos o Nacional da Madeira ameaçar a falta de comparência por impossibilidades logísticas que a Liga, no seu castelo de vidro, decidiu ignorar.
Se a desculpa é a complexidade das competições europeias ou os direitos televisivos, olhemos para o lado. Na Premier League, o rigor é lei. Em junho, o adepto sabe quem joga com quem; e, com meses de antecedência (normalmente, seis a oito semanas), sabe o minuto exato do pontapé de saída de cada duelo. Lá, entende-se que o futebol é um produto que exige respeito. Aqui, tratamos o calendário como um post-it que se cola e descola ao sabor de conveniências.
A nova estrutura da Liga prometeu profissionalismo, mas entregou amadorismo disfarçado de burocracia. Se a gestão de 34 jornadas ultrapassa a capacidade analítica dos nossos órgãos decisores, o conselho é simples: liguem para Inglaterra. Estudem os modelos que funcionam. Respeitem os microciclos, a logística, os adeptos que viajam e a integridade da competição.
O futebol português não pode continuar a ser gerido com a antecedência de uma marcação de jantar entre amigos. Façam algo, por favor!"

As boas intenções na criação do VAR já estão a arder no inferno


"Ao contrário da expectativa inicial, videoárbitro não eliminou o erro com influência no resultado do jogo, muito menos a controvérsia na análise de muitos dos lances.

O VAR acabou por revelar-se tóxico e os adeptos detestam. A sua introdução, transformou o árbitro na figura central na transmissão de um jogo de futebol.
Ao contrário da expectativa inicial, não eliminou o erro com influência no resultado do jogo, muito menos a controvérsia na análise de muitos dos lances. Retirou até alguma condescendência ao erro e condicionou a explosão de alegria dos adeptos na celebração de um golo — pode ser revertido.
Eliminar o VAR não é a solução. O equilíbrio deverá ser atingido aumentando as decisões tomadas pela tecnologia (linha de golo e fora de jogo). Analisando o nível médio dos jogadores, treinadores e árbitros portugueses, a diferença do nível médio entre os melhores de cada classe é evidente.
Além da barreira cultural ( é precisa coragem para se ser árbitro, o que limita muito o universo de recrutamento), a diferença na exigência do treino na formação e a elevada taxa de abandono no percurso, faz com que apenas tendo uma enorme quantidade na base da pirâmide se conseguirá ter um conjunto alargado de árbitros de qualidade nas competições profissionais.
Mas se a questão do VAR e do nível médio dos árbitros das competições profissionais não se resolve em pouco tempo, a APAF deixar de querer que a classe que representa seja a única que não pode ser criticada numa democracia liberal da União Europeia já é algo que não se pode aceitar e que é urgente. E se uma classe, corporativista, o tenta fazer, compete a quem faz o regulamento disciplinar não permitir essa exceção.
Alguém imaginaria multar um treinador por criticar um seu jogador? E tentar amordaçar essa crítica, só a amplifica. Faz o assunto continuar vivo durante a semana, quando outros já o teriam submergido naturalmente. Querer multar agentes desportivos que criticam árbitros é querer parar o vento com as mãos — em 2026, a crítica já não se circunscreve aos colegas de trabalho e familiares — há dezenas de programas de televisão diários que competem ferozmente por audiências e precisam de polémicas, porque notícias há poucas.

De um grande, a regra é que um treinador só sai vendido ou despedido
Entre um presidente e um treinador a tensão é permanente. Contribuem decisivamente para a estabilidade da relação os resultados, a solidariedade, a lealdade do treinador e um pequeno círculo de pessoas que estão à volta dos dois, filtrando desabafos e ajudando a esbater diferenças de opinião.
É por isso rara a situação em que um treinador de um grande chegue ao fim do contrato. Jorge Jesus (2009-2015, no Benfica) e Vítor Pereira (2013 no FC Porto) foram exceções. O futebol moderno é complexo — quando cada época começa, as receitas correntes são muito inferiores às despesas correntes. Só se equilibra o saldo com vendas de jogadores. Para essas vendas se realizarem, é preciso ter bons jovens jogadores — e que joguem. E que a equipa também esteja bem. A sintonia entre a administração e a equipa técnica é decisiva.
André Villas-Boas renovou contrato com Farioli num momento decisivo da época, e em que a vitória no campeonato não era uma certeza. Ganhou, pelo que todos reconhecem o acerto da decisão. Se Farioli fosse despedido daqui a um ano e meio, iria dizer-se que a renovação tinha sido um erro? O FC Porto ganhou o campeonato na 1.ª volta e na 2.ª não o perdeu.
Farioli não foi campeão no Ajax, mas fez 78 pontos. Na época anterior, o Ajax tinha feito 56, e a duas jornadas do fim esta época tem 55 — pode fazer 61, no máximo. Rui Borges, por exemplo, foi o treinador que mais contribuiu para a subida de Portugal no ranking da UEFA, com o Vitória de Guimarães em 2024/2025 e o Sporting em 2025/2026.
Nas próximas três semanas, vai ter dois jogos da Liga e a final da Taça com o Torreense, que é uma excelente equipa— vai ser um jogo muito difícil de preparar e de ganhar. Nos últimos 15 anos, o Sporting perdeu duas finais que pareciam ganhas antes do jogo: Académica e Aves. E começou o século XXI a ganhar uma final ao Leixões, que jogava no 3.º escalão, apenas por 1-0.
O Torreense vai ser um adversário muito perigoso e mentalizar os jogadores do Sporting da dificuldade do jogo vai ser difícil de conseguir — uns a pensar no Mundial e todos a pensar nas férias. E os adeptos no Jamor a contar com um jogo fácil.Em um ano e meio, Rui Borges conseguir ser campeão nacional, ganhar duas Taças de Portugal e ter chegado aos quartos de final de uma UEFA Champions League será um desempenho excecional.

A disponibilidade da ministra Margarida Balseiro Lopes
A ministra Margarida Balseiro Lopes, nas negociações do orçamento de Estado, conseguiu um valor recorde para o desporto em 2026, aproximadamente 70 milhões de euros. É igual ao da SAD do SC Braga em 2024/25, mas muito inferior ao que será o de 2025/26, com a inclusão dos €32 M da venda de Roger e da receita obtida com a brilhante prestação europeia.
A passagem do Desporto do ministério da Educação para o da Cultura, permite que a disponibilidade e atenção do ministro seja muito maior. Perto de metade do orçamento da Cultura, destina-se à RTP, que é tutelada por outro ministro, António Leitão Amaro. O financiamento da RTP é assegurado através das verbas obtidas com a taxa de contribuição audiovisual, que é paga na conta da luz, mesmo por quem não tem televisão. Sobre esta taxa, de 2,85 euros mês, ainda incide 6% de IVA! Isso mesmo, à taxa acresce IVA. Desde 2016 que a estratégia tem sido deixar que o tempo resolva (não se atualiza o valor da inflação) — o valor já foi reduzido 23% em termos reais.
Se é certo que nenhuma destas habilidades foi perpetrada por este Governo, também não surpreende que não as resolva e que continue tudo na mesma. A disponibilidade da ministra para os temas do Desporto não pode ser desperdiçada."

Alinhamentos...

Critérios...

BF: Reforços...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Alterações em Portugal: as cinco principais mudanças em 2026/27

Observador: Três Toques - Palma em contrarrelógio para encontrar... os equipamentos

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #133

Prata da Casa #49 - Torre OU Jenga, Lances de Prata, Fui Campeão E Agora?

SportTV: Vamos à Bola - SCU Torreense x AD Fafe

SportTV: Quinas - COREIA 2002: QUANDO TUDO CORREU MAL A PORTUGAL

3x4x3


O maior jogo de Portugal em 2030 não se joga no relvado


"Em 2030, Portugal vai jogar um dos jogos mais importantes da sua história recente. E talvez nem se dispute dentro das quatro linhas.
O Campeonato do Mundo que vamos coorganizar com Espanha e Marrocos, o primeiro Mundial transcontinental da história, representa muito mais do que futebol, estádios cheios e noites de celebração. Representa uma oportunidade rara de afirmação e projeção internacional, num tempo em que a reputação dos países se constrói tanto pela narrativa como pelos resultados. Durante algumas semanas, os olhos do mundo estarão sobre Portugal. Mas o essencial não está apenas no que acontece durante os 90 minutos de cada jogo. Está naquilo que se passa antes e fica depois da competição desportiva.
O futebol tornou-se uma das formas mais eficazes de projeção internacional. Os megaeventos desportivos deixaram de ser apenas competição para passarem a ser vitrinas globais de modernidade, capacidade organizativa, hospitalidade, segurança e visão estratégica. É aqui que ganha força o conceito de soft power, desenvolvido pelo politólogo norte-americano Joseph Nye: a capacidade de um país influenciar os outros pela atração, pela confiança e pela legitimidade, e não pela força. A Alemanha percebeu-o em 2006, ao usar o Mundial para projetar uma imagem de abertura e hospitalidade; a África do Sul fê-lo em 2010, ao afirmar-se como nação moderna e capaz de acolher o Mundo; o Brasil reforçou-o em 2014 através da projeção global da sua cultura e diversidade; a Rússia, em 2018, procurou reposicionar a sua imagem externa; e o Qatar, em 2022, mostrou como um megaevento pode simultaneamente ampliar visibilidade e influência, mas também expor tensões reputacionais ligadas à sustentabilidade e aos direitos humanos.
Em 2030, Portugal terá essa mesma oportunidade e essa mesma responsabilidade perante uma audiência global sem precedentes. Mais do que receber jogos, receberá um teste à sua capacidade de transformar exposição internacional em prestígio e confiança duradouros. Um Mundial bem organizado pode fazer mais pela perceção internacional de um país do que anos de campanhas promocionais ou diplomacia tradicional. Pode alterar a forma como milhões de pessoas olham para um destino, reforçar a sua notoriedade e criar uma ligação emocional entre públicos globais e um território.
A capacidade de acolhimento, a segurança, a qualidade urbana, a gastronomia, a paisagem, a cultura e a própria relação do país com o futebol oferecem uma base excecional para consolidar a marca Portugal no mundo. Mas esse acolhimento não se resume às infraestruturas ou à logística. Mede-se também na forma como os residentes recebem quem nos visita, no orgulho com que mostram a sua cidade e no sentimento de pertença a um momento histórico.
É por isso que este impacto não se mede apenas na forma como o mundo nos vê. Mede-se também na forma como os portugueses vivem o país depois de 2030 e na perceção que têm dos benefícios de acolher o evento. Se os residentes sentirem melhorias reais nas acessibilidades, nos serviços, na requalificação urbana, nas oportunidades económicas, na valorização dos territórios e na autoestima coletiva, tornam-se os primeiros embaixadores do sucesso do Mundial.
Quando um megaevento é bem pensado, o legado não termina no apito final, permanece nas cidades, nos serviços, nos espaços públicos e na memória positiva de quem lá vive. Permanece também na forma como um país aprende a organizar-se melhor e a promover a cooperação entre instituições e nações.
O sucesso de 2030 dependerá da capacidade de transformar o Campeonato do Mundo de Futebol num verdadeiro projeto nacional, onde Federação Portuguesa de Futebol, clubes, Liga Portugal, autarquias, setor do turismo, empresas, comunidades locais e cidadãos estejam alinhados em torno de uma visão comum. Esse alinhamento coletivo terá reflexos diretos no próprio ecossistema do futebol português. O Mundial pode acelerar investimento em academias, centros de treino, inovação tecnológica, qualificação de recursos humanos, profissionalização da gestão e valorização internacional dos clubes e das competições nacionais. O legado não deve ficar apenas nos estádios que recebem jogos, mas irradiar para a formação, para o futebol feminino, para os escalões jovens e para os territórios que vivem o jogo longe dos grandes centros. Porque estará em jogo a forma como Portugal se apresenta ao Mundo e melhora a vida dos seus residentes.
Mas há uma nuance essencial: a visibilidade não se transforma sozinha em reputação duradoura. A atenção mediática é apenas o início. O verdadeiro impacto depende da forma como essa atenção é convertida em experiência, narrativa, legado e memória coletiva. Cada transmissão televisiva, cada imagem partilhada por adeptos, cada reportagem internacional sobre a experiência de estar em Portugal e cada comentário positivo sobre mobilidade, organização ou ambiente urbano contribuem para uma construção simbólica que vai muito além do torneio.
O maior legado pode surgir depois do apito final: mais desejo de visita, maior reconhecimento internacional, reforço da confiança externa e uma imagem ainda mais sólida de Portugal enquanto destino turístico e país moderno, aberto e confiável. Num contexto internacional competitivo, essa vantagem pode ter efeitos muito concretos e prolongados.
Há, porém, uma condição que hoje decide a credibilidade de qualquer megaevento: a sustentabilidade. O mundo já não avalia estes acontecimentos apenas pelo espetáculo. Avalia o impacto nas comunidades, a utilidade futura das infraestruturas, a responsabilidade ambiental, a gestão dos recursos públicos e a coerência entre discurso e prática.
Em 2030, Portugal não será apenas observado como organizador. Será avaliado como modelo. E essa avaliação dependerá também da coerência entre ambição internacional e benefícios reais para as populações. A singularidade desta edição aumenta ainda mais a exigência. Portugal dividirá a narrativa global com Espanha e Marrocos, dois países com identidades, posicionamentos turísticos e enquadramentos institucionais distintos. Essa complexidade faz do Mundial 2030 um exercício raro, mas também uma oportunidade única para Portugal afirmar a sua própria narrativa dentro desta coorganização transcontinental. Ser anfitrião é um facto; transformar essa condição em valor estratégico é outra coisa.
Quando faltam apenas quatro anos, a pergunta mais importante não é «vamos ganhar o Mundial?». A verdadeira questão é se Portugal está, já hoje, a fazer tudo o que é necessário para transformar esta oportunidade histórica numa vantagem real, coletiva e duradoura.
É aqui que se decide a diferença entre evento e transformação. O Mundial de 2030 pode ser o palco onde Portugal confirma a sua maturidade institucional, a qualidade dos seus territórios, a força da sua hospitalidade e a capacidade de alinhar desporto, turismo, sustentabilidade e visão estratégica numa mesma narrativa de país. Num tempo em que a reputação se constrói na experiência vivida, cada detalhe contará: mobilidade, segurança, ambiente urbano, eficiência organizativa e legado útil às comunidades. No fundo, o maior troféu que Portugal pode conquistar em 2030 talvez não seja apenas uma taça, mas uma posição reforçada no mapa mental e emocional do mundo."

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Tomas Rosický, o Mozart checo


"Tomas Rosický foi um daqueles futebolistas raros que pareciam jogar com o tempo a um ritmo diferente. Médio elegante, de toque refinado e com uma visão de jogo privilegiada, fez da inteligência em campo a maior arma.
Formado no Sparta de Praga, cedo se percebeu que havia ali algo especial. Ainda muito jovem, já comandava o meio-campo com uma maturidade invulgar, sendo peça-chave na conquista de títulos nacionais. O salto para o Borussia Dortmund confirmou o talento à escala europeia. Na Alemanha, Rosický encantou os adeptos com a capacidade de condução, passes milimétricos, remates de meia distância e golos memoráveis, sendo um dos rostos do título da Bundesliga, em 2001-02.
A classe levou-o até ao Arsenal, onde viveu alguns dos momentos mais marcantes da carreira. Em Londres, sob a batuta de Arsène Wenger, tornou-se símbolo de um futebol fluido e técnico. Houve jogos em que parecia dançar com a bola, como aquele inesquecível golo em Anfield, onde deixou a sua marca com um remate perfeito por cima do guarda-redes.
Podem ver e rever o golo. Remate de primeira, parece fácil. O camisola 7 dos Gunners simplificava o futebol. No entanto, foi também em Inglaterra que o seu percurso ficou profundamente marcado pelas lesões.
Longas paragens, regressos adiados e a frustração constante de não poder estar em campo impediram-no de manter a consistência que o talento merecia. Ainda assim, cada regresso era recebido como um pequeno milagre. E Rosický fazia questão de retribuir com a mesma elegância de sempre, como se nunca tivesse estado ausente.
Pela seleção da Chéquia, foi igualmente uma referência. Capitão e líder, representou o país em Europeus e Mundiais, com o 10 nas costas, e sempre com a mesma entrega e criatividade que o caracterizavam. Era mais do que um jogador. Era o cérebro da equipa, o elo entre a disciplina tática e a inspiração.
No regresso ao Sparta de Praga, já na fase final da carreira, fechou o ciclo onde tudo tinha começado. Não com a explosão física de outrora, mas com a mesma paixão pelo jogo. E até aí Rosický é diferenciado. Prometeu que voltaria a jogar pelo seu clube e cumpriu.
O futebolista checo esteve 18 meses afastado dos relvados após lesões sistemáticas. Ainda assim, a sua frase de despedida, após mais de 600 jogos como profissional, diz tudo:
«Apesar de todos os obstáculos, a minha carreira foi muito bonita. Vivi momentos magníficos, mas também vivi outros muito negativos. Acima de tudo, sou alguém que ama profundamente o futebol e que nunca joguei pela glória ou pelo dinheiro.»
Este futebolista deu-nos magia, precisão e definição. E escreveu mais um belo poema sobre superação."

Escócia: John Thomson, o “príncipe dos guarda-redes” com um destino fatal


"Trabalhou em minas de carvão enquanto adolescente, foi contratado pelo Celtic por 10 libras, muitos opinam que foi o melhor guardião que defendeu as redes dos católicos. No entanto, a sua vida terminou aos 22 anos, na sequência de um choque com Sam English, jogador do Rangers. O multitudinário funeral uniu no luto adeptos dos dois gigantes de Glasgow.

John Thomson cresceu habituado à escuridão. Sabia o que era a claustrofobia do subsolo, a Terra pronta a esmagá-lo, a pouco natural vida a fingir ser uma toupeira.
Vindo ao mundo em 1909, John era de Cardenden, uma comunidade mineira, sítio de gente habituada à dureza que a própria luta pela subsistência implicava. Foi em Cardenden, perto do Mar do Norte, virada para Edimburgo, que se travou o último duelo até à morte registado em solo escocês. Seria em 1826, terminando com um banqueiro, George Moran, morto à custa das feridas de uma bala disparada por David Landela, um mercador.
Naquele local cinzento não havia muito tempo para não se ser adulto. Não ser adulto significava não trabalhar e não trabalhar significava uma despesa adicional. Com 14 anos, John foi para a mina de carvão onde o pai também trabalhava. O dever do adolescente acontecia a 300 metros de profundidade, tendo de desengatar os ganchos das correntes dos vagões que transportavam o carvão da mina para a superfície.
O ofício deu-lhe força nos braços. John não era alto (1,75 metros), a escassez associada ao quotidiano fizeram-no magro, mas o corpo ganhou, lá nas profundezas, calo para outro tipo de desafios.
Quando não estava na mina, Thomson era guarda-redes. A sua mãe, para quem o filho estar a trabalhar na indústria do carvão com 14 anos era algo tão natural como as leis que regem a natureza, não gostava que o rapaz jogasse futebol, muito menos na baliza. Era demasiado perigoso, alegava, preocupada. E premonitoriamente.
A perícia do guardião levou-o a ganhar fama em ligas regionais. Não obstante, seria quase por acaso que chegaria o salto que definiria a carreira de futebolista.
Willie Maley, lendário técnico do Celtic - orientou os católicos de Glasgow durante uns formidáveis 43 anos, entre 1897 e 1940, erguendo 30 títulos -, enviou um olheiro para assistir a um encontro do campeonato local onde John Thomson atuava. A intenção era ver um guarda-redes da equipa adversária, mas seria o talento do rapaz que trabalhava nas minas a fascinar o caça-talentos. Aos 17 anos, o adolescente trocou a vida debaixo da terra por um contrato com o Celtic, que pagou 10 libras ao Wellesley Juniors, modestíssimo emblema, pelo jovem.

Fama e morte
O mineiro feito futebolista rapidamente ganhou estatuto de titular em Glasgow. Na final da Taça de 1927, Thomson ergueria um de dois desses troféus a eliminar que obteria. Eram anos de domínio do Rangers, pentacampeão entre 1927 e 1931, somando a parte protestante da cidade mais um tricampeonato entre 1933 e 1935. Pelo meio o melhor da bola escocesa foi o Motherwell, erguendo um raríssimo título para um conjunto de fora de Glasgow, Edinburgo ou Aberdeen - só sucederia mais uma vez desde o começo do século XX até 2026, com o Kilmarnock em 1965.
A aparente pequena estampa física para defender as redes era compensada por elegância e reflexos. Willie Maley, o dono do banco do Celtic durante 43 anos, sublinhou a “capacidade única de defender os mais potentes remates com suavidade e graciosidade“, agindo sempre com “equilíbrio e beleza“; Desmond White, presidente do clube entre 1971 e 1985 que crescera com John como keeper, classificou-o como “o melhor guarda-redes“ da história dos verde e brancos, realçando a “elasticidade de bailarino“; a imprensa popularizou a alcunha “príncipe dos guarda-redes“ e os adversários várias vezes o aplaudiram, como os ingleses, em Londres, num encontro em 1930.
Já internacional escocês casaria, em 1930, com Margaret Finlay. Os dois planeavam abrir uma loja de vestuário em Glasgow. Nesse mesmo ano, uma espécie de aviso: um embate violento contra um avançado levou-o a perder dois dentes e fraturar o maxilar e várias costelas. A mãe repetiu o pedido dos tempos da adolescência: retira-te, filho.
Thomson continuo a jogar até setembro de 1931. Tinha 22 anos e aí disputaria o 188º e último encontro pelo Celtic. Naquela tarde, 80 mil pessoas deslocaram-se a Ibrox para o Rangers-Celtic. Os tempos eram de enorme agressividade entre os adeptos de ambos os clubes - o Rangers com a sua base protestante, o Celtic, fundado por um padre irlandês, ancorado na comunidade católica -, com violentos conflitos.
Ao começar a segunda parte, um lance fortuito, sem intenção, mancharia o dérbi. Sam English, do Rangers, correu para tentar chegar à bola. No movimento contrário, John Thomson, destemido, saiu aos pés do adversário, cujo joelho acabaria a chorar, com violência, contra a cabeça do guarda-redes.
Há crónicas de jornais que asseguram que, na bancada principal, o impacto gerou um instante de silêncio entre a multidão. No meio do mutismo, escutou-se um grito. Era Margaret Finlay, a mulher daquele jovem de 22 anos, ela própria com apenas 19.
Thomson foi levado de maca. A opinião generalizada, ainda assim, apontava apenas para um choque mais agressivo. No entanto, James Marshall, futebolista do Ranges e estudante de medicina, comentou imediatamente que algo mais sério se passava.
Tinha razão.
A vítima foi levada para o hospital. Sofrera uma fratura do crânio com rotura da artéria temporal direita. Às 17h, sofreu uma convulsão intensa. Foi levado para ser operado de urgência, mas sem êxito. Hora da morte: 21h25.
O funeral do “príncipe dos guarda-redes“ seria um caso raro de união entre adeptos do Celtic e Rangers. Quarenta mil pessoas, muitas do lado protestante de Glasgow, foram às cerimónias fúnebres. O local onde Thomson está sepultado é, ainda hoje, lugar de peregrinação para as gentes do Celtic. Na comunidade onde John cresceu, as crianças de hoje, já sem o hábito de trabalhar em minas quando mal têm barba, disputam, todos os anos, o John Thomson Trophey.
Sam English, protagonista involuntário da tragédia, ficaria profundamente afetado pelo sucedido. Ainda jogaria no Liverpool, sendo dono de um respeitável percurso no futebol. No entanto, ao retirar-se, confessou: “Vivi anos de carreira infeliz e sem alegria a partir daquele momento.”"

Rabona: Real Madrid's locker room crisis is getting toxic...

Falso Plano #122 - Antevisão Giro d'Italia

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Mais uma Lei com interpretações consoante as cores das camisolas!

As diferenças...

Terceiro Anel: Bola ao Centro #199 - DE VOLTA A ESTACA ZERO!! 🦅🔴

Falar Benfica #245 - Empate à mão armada em Famalicão, declarações, Braga e modalidades

BolaTV: Pedro, Pedro, Pedro #17 - FC Porto é o justo campeão

Benfica: continuamos de pé


"O Sporting chega a esta altura a depender de terceiros. O Benfica ainda decide o próprio destino. E agora toda a gente quer explicar porque é que isto aconteceu, como se tivesse caído do céu, como se, mesmo com tantos erros de arbitragem, não tivéssemos percebido durante a segunda volta que isto iria acontecer.
Mas pronto. Vamos fingir que foi uma surpresa.
Durante meses, o discurso foi sempre o mesmo. Estrutura. Planeamento. Consistência. Palavras que soavam bem e que eram repetidas com aquela solenidade toda, como se descrevessem algo inédito e absolutamente extraordinário no futebol português. E enquanto o discurso funcionava, enquanto os resultados apareciam, havia silêncio total sobre tudo o resto. Sobre árbitros. Sobre lances. Sobre os jogos na Madeira, no Estoril, nos Açores, onde as coisas correram bem de uma forma que até os mais crentes acharam graça.
Nada. Distância olímpica. Classe total. «Nós não comentamos essas coisas», diziam no Sporting.
Claro que não comentavam. Não havia necessidade.
O problema é que agora há. Nas últimas semanas, o enquadramento mudou. Passaram a existir explicações externas para as perdas de pontos. Uma mudança que não é apenas circunstancial, é reveladora de algo mais profundo. Quando se exige silêncio quando se ganha e se pede barulho quando se perde, deixa de haver coerência. Passa a haver conveniência. E o critério, esse, ficou algures pelo caminho.
E isso tem um custo. Quando o discurso deixa de ser consistente, deixa também de ser credível.
E o Benfica?
O Benfica esteve ali a fazer o que faz um clube que não está bem, mas também não está morto. Errou, perdeu pontos que não podia perder, teve uma época irregular que não é facilmente defensável. Não escondemos o que não está bem, mas o que aconteceu no último fim de semana, em Famalicão, é, no mínimo, vergonhoso. Um penálti evidente por assinalar que podia colocar o jogo num 3-0, matando-o ali. No mesmo jogo, um golo sofrido que nasce de um canto inexistente. Dois momentos, no mesmo encontro, com influência direta no resultado. E não foram exceção ao longo da época.
Houve outros momentos, menos mediáticos, mas igualmente relevantes. Não explicam tudo, nem retiram responsabilidade à equipa, mas ajudam a perceber porque é que o caminho foi mais irregular do que podia ter sido.
Mas mesmo com tudo isso, a equipa foi fazendo.
Sem grandes celebrações, sem comunicados a explicar o quanto estava a somar. Foi acumulando pontos. Trinta e seis na segunda volta. Mais do que qualquer rival direto. Um número que ficou escondido debaixo de toda a conversa sobre o que o Benfica não estava a conseguir fazer.
Porque quando o Benfica joga bem, não é notícia. É obrigação. Quando joga mal, é conversa todos os dias, a toda a hora. É assim que funciona. O Benfica raramente tem direito ao benefício da dúvida. Ou ganha, ou explica.
E o facto é que agora, nesta fase da época onde já não há quase margem para nada, o Benfica ainda decide o que pode salvar. Não o título, que já está entregue. Mas a Liga dos Campeões. E depender de si nesta altura, com tudo o que aconteceu ao longo do ano, com todos os pontos que ficaram pelo caminho em circunstâncias difíceis de engolir, não deixa de ser caricato.
É menos do que o objetivo inicial. Muito menos. Mas é o que resta.
A esta altura, o Sporting deixou de depender de si porque falhou na gestão, falhou na capacidade de fechar jogos, falhou quando deixou de haver margem para falhar. Pode dizer o que quiser sobre o porquê, pode apontar para fora o tempo que quiser, que o resultado não muda.
Do outro lado, o Benfica tem ainda aquilo que o Sporting já não tem: a possibilidade de resolver por conta própria. Chegou aqui com defeitos, com inconsistências, mas chegou. E isso tem uma explicação objetiva que foi sendo secundarizada ao longo da época: a segunda volta. Enquanto os outros começaram a falhar, a equipa manteve um nível suficiente para se manter dentro do objetivo mínimo. Sem grande ruído, sem narrativa construída à volta disso.
Infelizmente, há épocas em que salvar o essencial já é uma forma de evitar males maiores.
Mudando de tema.
A oferta pública de obrigações do Benfica foi um sucesso, com a procura a exceder a oferta em 1,36 vezes. Ou seja, o empréstimo fixou-se nos 65 milhões de euros, o maior de sempre, enquanto a procura atingiu os 88,1 milhões de euros.
Ao todo, ao longo das duas semanas em que decorreu a oferta pública, 4.831 investidores subscreveram a nova linha de obrigações do Benfica. Foram emitidos 65 milhões de euros em dívida, com uma maturidade de cinco anos, o que permite transformar dívida de curto em médio prazo, mantendo a trajetória de descida da dívida líquida.
O valor inicial que o Benfica pretendia alcançar era de 40 milhões de euros, mas ao segundo dia de subscrição esse valor já tinha sido atingido. A decisão de alargar a operação para os 65 milhões não foi um detalhe técnico. Foi uma resposta direta à procura e, acima de tudo, um sinal claro da confiança dos investidores no clube e na credibilidade da sua situação financeira.
Num momento em que dentro de campo há exigência e pressão, fora dele há validação. Não resolve golos falhados, não corrige pontos perdidos, não ganha jogos. Mas diz que, apesar da turbulência desportiva, o Benfica continua a mobilizar confiança, capital e futuro.
O Benfica não está onde queria estar.
Mas continua de pé."

Sudakov é um herói


"Médio do Benfica podia ter ignorado, podia ter mentido, mas assumiu que realmente perdeu alguma da felicidade que tinha quando jogava futebol; é o primeiro passo para a recuperar

Teria sido muito fácil para Heorgii Sudakov não comentar as notícias vindas da Ucrânia que davam conta de que se sente «esgotado» e «cansado do futebol», que «não sente prazer a fazer aquilo que é a sua vida», segundo relatou o jornalista Mykhailo Spivakovsky, citando fontes próximas do jogador. Teria sido tão fácil ignorar, remeter-se ao silêncio, fingir que não tinha ouvido.
Ou até, talvez ainda mais fácil, atendendo à frequência com que tantos agentes no futebol o fazem, desmentir. Dizer que não, que é tudo mentira, que está entusiasmadíssimo na Luz, a amargar o banco, de onde não sai há quatro jogos, a ver José Mourinho preferir Rafa, Richard Ríos e Leandro Barreiro à sua frente...
Sudakov não foi pelo caminho mais fácil. Horas depois das notícias sobre o cansaço chegarem a Portugal, o médio do Benfica tratou de deixar uma mensagem nas redes sociais, onde explicava o que se passava.
Admitiu que «é normal sentir cansaço — tanto físico como emocional» e que todos os jogadores passam por «períodos difíceis». Não disse que estava farto do futebol, mas reconheceu não sentir «aquele prazer pelo jogo» que já viveu no passado. Garantiu que não iria desistir — «isso não significa que deixei de amar o futebol ou que pretendo parar» — e que iria «fazer tudo para ficar mais forte». Não tentou tapar o sol com uma peneira. E só por isso já é um herói. 
Os problemas de saúde mental começam, finalmente, a ser falados no desporto. Esperar que um jovem de 23 anos saia pela primeira vez do seu país (ainda para mais em guerra), com altas expectativas, e não acuse a pressão do disparate de dinheiro que custou, ou não sofra quando as coisas não correm bem desportivamente, é uma ilusão perigosa.
Sim, Sudakov ganha mais que quase todos os que vão ao Estádio da Luz vê-lo jogar — mas não é imune à frustração, à tristeza. É óbvio que um jogador que desde o fecho do mercado de janeiro só foi titular num jogo, e suplente em 11, não pode sentir a mesma alegria a jogar.
O problema é como ultrapassar isso. Jogar sem alegria tira intensidade, brilhantismo, por isso as possibilidades de voltar a ser titular diminuem; mas sem ser titular, dificilmente é possível recuperar essa alegria...
Mas a época está quase no fim. A próxima é um começo quase do zero, sobretudo se sair da Luz (ou se ficar mas Mourinho sair). Sudakov ainda tem muito para dar ao futebol, e assumir que não se sente tão feliz como já foi no passado foi um importante primeiro passo."

Graves erros de arbitragem em causa


"Nesta edição da BNews, o destaque recai na entrevista concedida à BTV por José Pereira da Costa, Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica.

1. Arbitragem visada
José Pereira da Costa, Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, reitera a indignação manifestada pelo Presidente da Direção do clube, Rui Costa, em relação à arbitragem prejudicial ao Benfica em Famalicão: "Seria irónico, trágico, mas também seria o cúmulo da desfaçatez, se, perante aquilo que se passou no sábado, fosse punido o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, em vez de responsabilizar quem errou: o árbitro e o VAR. É a própria arbitragem que fica em causa com erros daquele tamanho."

2. Comunicado oficial
Leia a informação oficial do Sport Lisboa e Benfica que esclarece que "inexiste qualquer direito de preferência atribuído ao Sport Lisboa e Benfica relativamente à alienação do lote de ações pertencente a José António dos Santos".

3. Sessão de autógrafos
As hexacampeãs de futebol vão estar no relvado do Estádio da Luz, amanhã das 18h30 às 20h00, para uma sessão de autógrafos. 

4. Agenda para 4.ª feira
Às 12h00, os Juniores defrontam o Rio Ave no Benfica Campus.
Às 20h00, no Pavilhão João Rocha, realiza-se o jogo 3 da final do Campeonato Nacional de voleibol entre Benfica e Sporting.
Às 22h00, no Pavilhão Municipal Mário Mexia, em Coimbra, Benfica e Reus disputam os quartos de final da WSE Champions League de hóquei em patins.

5. Atividade do Museu
Veja as melhores imagens da iniciativa "A Melhor Mãe do Mundo", um workshop de pintura de azulejo realizado em parceria com o Museu Nacional do Azulejo."

BF: Dispensas...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Sporting na luta dos milhões

Observador: E o Campeão é... - Confiança do Sporting restaurada? Benfica que se cuide

Observador: Três Toques - O central que "expulsou" CR7 e acabou a época sem cartões

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #132

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Rabona: Carrick has created a huge dilemma for Man United

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Jogo Pelo Jogo - S03E39 - Vasco campeão

SportTV: Europa - S01E17 - Tudo ou nada

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

BolaTV: Fora de Jogo - 90+3 #31 - Flávio Meireles

Segundo Poste - S05E40

SportTV: Grelha de Partida - S04E11 - Semana de São Rali

SportTV: NBA - S04E30 - A culpa foi de Mazzulla? 🤦‍♂️

DAZN: Premier League - R35 - Golos

DAZN: La Liga - R34 - Golos

Austrália: Mark Viduka, a reinvenção tranquila do avançado com um café em Zagreb e que toca guitarra com o filho


"Nas colinas tranquilas de Zagreb, um dos outrora avançados mais temidos da Premier League vive uma rotina improvável dividida entre o balcão do seu café e sessões de guitarra com o filho, muito longe dos holofotes da fama do futebol.

Há jogadores que passam a vida inteira a tentar ser lembrados, mesmo depois de pendurar as chuteiras. Mark Viduka fez o contrário: passou a carreira a marcar golos e, quando tudo acabou, desapareceu com a mesma naturalidade com que se afastava de um defesa depois de o sentar no relvado. Não houve conferência de imprensa, não houve lágrimas, não houve nostalgia. Houve apenas um australiano de ombros largos a fechar a porta do futebol e a abrir outra, bem mais improvável, nas colinas de Zagreb.
O mesmo Viduka que arrastava centrais na Premier League, que levou o Leeds United às meias‑finais da Liga dos Campeões, que no Celtic jogava com serenidade, vive agora num lugar onde ninguém lhe pede autógrafos, apenas café. E ele agradece, mate.
Depois de 2009, Viduka escolheu a vivência que muitos dizem querer, mas poucos têm a coragem de assumir: uma vida pacata. Mudou‑se para a Croácia, terra natal dos pais e da mulher, Ivana, e instalou-se nas colinas a norte de Zagreb, abriu o Non Plus Ultra, um café discreto onde prepara expressos e discute a temperatura da água como quem discute uma final europeia.
Mas a Croácia não é apenas o cenário tranquilo da sua vida atual. Foi também o lugar onde se confrontou com uma realidade dura, quando chegou ao Dínamo Zagreb, em 1995, num período em que o país estava a sair de uma guerra recente. Viduka admitiu anos mais tarde que não tinha noção do que o esperava. O ambiente era pesado, marcado por histórias e cicatrizes que ele, vindo da Austrália, não sabia como processar. Disse que esse choque o marcou profundamente e que foi uma das experiências mais duras da sua carreira.
Já em Inglaterra viveu outro momento difícil. Durante a passagem pelo Middlesbrough, num período em que lidava com lesões, pressão e desgaste emocional, o australiano, que também tem cidadania croata, contou que chegou a pedir ao treinador Gareth Southgate para ir ter com a família porque estava psicologicamente em baixo. O pedido foi aceite, e ele descreveu esse gesto como decisivo para recuperar o equilíbrio. Não dramatizou o episódio, mas reconheceu que precisava parar, respirar e estar com os seus.
Há quem diga que o nome do seu café é uma espécie de piada involuntária: depois de marcar quatro golos ao Liverpool numa só tarde, talvez tenha sentido que já não havia muito mais a provar. Agora, o desafio é outro. Na entrevista ao Daily Mail, em 2021, assumiu que atualmente a sua única pressão é preparar um bom café para os clientes. Alguns deles bem conhecidos. O antigo tenista Goran Ivanišević aparece por lá, Luka Modrić, vizinho e amigo (mas não primo, como muitos pensam), passa de vez em quando e Viduka recebe-os com a mesma calma com que recebia uma bola difícil na área.
Pai de três rapazes, Joseph, Lucas e Oliver, toca guitarra na banda onde o caçula é baterista. “Quando um dos amigos dele não pode ir, eu substituo-o. Usamos a nossa cave. Os vizinhos não estão muito contentes com isso! Eu e os rapazes adoramos os Arctic Monkeys. As letras, meu, são geniais”, confessou na mesma entrevista.
É tudo isto que torna Viduka tão fascinante. Filho de croatas imigrantes na Austrália, deixou a Oceânia aos 19 anos para jogar na Europa e, entre altos e baixos, foi capitão da Austrália no Mundial de 2006. Marcou em Inglaterra como poucos, foi ídolo em Glasgow, Newcastle e Melbourne. Mas nada disso parece ter ficado preso a ele. Não há entrevistas semanais, não há polémicas, não há vontade de regressar ao jogo.
Mark Viduka escolheu uma vida tranquila onde ninguém lhe lembra quem ele foi e isso, curiosamente, parece deixá-lo feliz. Acaba por haver algo de poético na ideia de que um dos avançados mais temidos da Premier League esteja agora mais interessado na torra dos grãos do café ou em tocar guitarra com o filho, do que em ver jogos de futebol."

Com as letras todas


"1. O nosso internacional belga Lukebakio esteve mal no fim de semana passado, reagindo com despropósito à sua mais do que justificada substituição. Demorou 3 dias a assumir o erro e a lamentar o sucedido publicamente através da sua conta na rede social Instagram: “Queria pedir sinceras desculpas pela minha frustração na última partida. Não é típico de mim. Muito obrigado pelo carinho que me demonstraram desde o início e farei tudo o que puder para retribuir em campo.” Contamos com isso, Lukebakio.

2. É um assunto que, provavelmente, merecerá muito espaço, muita discussão lá mais para a frente no calendário, mas que, para já, não passa de um conjunto de especulações debitadas diariamente – de manhã, à tarde e à noite – pela comunicação social.

3. Ainda esta semana, e depois de o Sporting perder 2 pontos em Moreira de Cónegos, resultado que complicou um bocadinho as contas dos autodenominados “tricampeões”, o assunto do dia, melhor, o assunto dos dias todos foi a iminente saída do atual treinador do Benfica para o Real Madrid.

4. É curioso como os jogadores do Benfica não têm o menor problema em proclamar em voz alta quanto desejam a continuação de José Mourinho por oposição a equipas inteiras de comentadores que nem conseguem disfarçar como estão desejosos de ver o ex-Special One pelas costas. “Ex” e cheio de defeitos pela simples razão de que é treinador do Benfica. No dia em que sair da Luz e for treinador de um outro emblema voltará a ser Special One com as letras todas.

5. O colombiano Richard Ríos foi um dos últimos jogadores do Benfica a tocar no assunto. Entrevistado pelo diário espanhol As, respondeu deste modo quando foi questionado sobre a hipótese de poder perder o seu treinador: “Espero que não, espero que continue comigo. Cada dia é uma aprendizagem ao seu lado. Tem um carácter incrível e motiva-nos como ninguém. Nunca se vê que ele perca a ambição. Continua com ela intacta. Isso motiva-me a querer mais.”

6. O Benfica tem 3 jogos para poder chegar à edição de 2026/27 da Liga dos Campeões. O primeiro é já neste sábado, às 6 da tarde, em Famalicão. No futebol nunca há certezas sobre nada, mas estão autorizadas as suposições. Assim sendo, é de supor que ao Benfica não vai faltar a sua gente nas bancadas em Famalicão. Carrega!

7. Na próxima temporada teremos um modelo diferente para a decisão da Taça de Portugal: meias- -finais a uma mão em campo neutro em modelo final four e decisão no Jamor. A parte da “decisão no Jamor” dependerá sempre do nome dos finalistas. É que ainda há quem se abespinhe com o Jamor."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Olha, acordaram…


"O que um empate fora com o último classificado da Liga faz ao carácter. Imagine-se… O já despromovido AFS beneficiou de uma grande penalidade por mão na bola e fez golo contra a melhor equipa do sistema solar, só ao nível da seleção do Brasil de 1982 – por favor, alinhem na ironia. Dois pontos perdidos, adeus ao campeonato dos campos inclinados e descida ao 3.º lugar da classificação a 3 jornadas do fim. O drama, o horror, nem Artur Albarran o poderia sintetizar melhor.
Quando o Nacional ficou a jogar com 10 na Madeira (expulsão absurda), quando foi perdoada a expulsão a um central do Sporting CP em Famalicão, quando foi perdoada uma grande penalidade aos verdes e brancos (e expulsão) no Estoril, quando, contra o Santa Clara, foi tudo permitido para deixar passar o andor de Alvalade, onde andava esta gente? Provavelmente, a comer canjinha ou a balbuciar alguma banalidade sobre transparência no futebol. De repente, lá voltam a sair das tocas ou de debaixo das pedras para se indignarem com a arbitragem. Os mesmos que assobiaram para o lado quando a final da Taça de Portugal da época passada ficou manchada por agressões sem punição, sentem-se agora injustiçados.
Confesso que quase me caiu uma lágrima de ver tanto sofrimento e amuo, mas não de tristeza. Quase chorei de tanto rir com mais esta clara demonstração da proteção que tem sido dada ao clube cujo estádio se situa pegadinho à estação de metro do Campo Grande e à churrasqueira adjacente, o verdadeiro grande ex-libris dessa zona de Lisboa.
Faltam 3 jornadas para o fim do Campeonato e a choradeira não vai parar. Preparem-se para o que aí vem. Ao Sport Lisboa e Benfica só lhe servem 3 vitórias."

Ricardo Santos, in O Benfica

24 Horas à Benfica


"Em apenas 24 horas, entre a tarde/noite de sábado e a tarde/noite de domingo, o Benfica conquistou 4 títulos. Foi, pois, um fim-de-semana pintado a vermelho e branco. Já o merecíamos.
Ainda no sábado, o futebol feminino garantiu o 6.º Campeonato consecutivo. Teria sido o 7.º, não fosse a pandemia. Saem jogadoras, sai a treinadora, e o Benfica continua a ganhar. Fez a festa em Braga, a 2 jornadas do fim, e neste dia 1 de maio todos teremos oportunidade de vitoriar as nossas hexacampeãs no Estádio da Luz, no dérbi diante do Sporting – que, não alterando as contas do título, é naturalmente para vencer.
O domingo foi gordo, com 3 Taças de Portugal. Primeiro, a de hóquei em patins feminino, onde as comandadas de Paulo Almeida confirmaram o favoritismo. Se não me falham as contas, este foi o seu 36.º troféu nacional seguido. O grande desafio do ano será a Champions, e temos razões para acreditar que é desta que o Benfica repete o feito de 2015 e volta a reinar, também, na Europa.
Depois tivemos uma dose dupla de futsal. As meninas ganharam ao Nun’Álvares e vingaram as últimas competições perdidas. Segue-se a reconquista do Campeonato, após a série de 7 títulos consecutivos ter sido interrompida na época passada, precisamente pela equipa agora derrotada.
No sector masculino, e num jogo de alta intensidade e emoção, batemos o Sporting por 6-5, alcançando o 2.º troféu da época, depois da Taça da Liga. No Campeonato, vamos dispor do factor casa para poder repetir o título alcançado há um ano, então com uma vitória no Pavilhão João Rocha na partida decisiva.
O domingo acabou com uma boa notícia: a nossa equipa principal de futebol passou a depender apenas de si própria para marcar presença na próxima edição da Champions League. Faltam 3 jornadas. Não podemos desperdiçá-las."

Luís Fialho, in O Benfica

Golos Inclusivos!


"A educação é um direito constitucional. Portanto, é para todos, ou melhor, devia ser, mas às vezes parece que, por mais que o nosso país evolua, não se consegue livrar das injustiças e alguém acaba sempre por ser excluído. É o que acontece com as crianças e os jovens apanhados nas malhas da deficiência, cujas famílias, escolas e instituições de acolhimento enfrentam um número infindável de barreiras. No entanto, seria injusto não reconhecer as melhorias feitas em Portugal a todos os níveis neste domínio, pois é bem certo que hoje se vive a deficiência de uma forma muito mais digna e integrada do que há uma ou duas décadas. Só que não chega: é necessário bem mais para que se atinja a cidadania plena e se atinjam os ideais constitucionais, e isto em vários domínios, mas muito particularmente na educação e na prática da atividade física, onde o acesso é particularmente limitado no caso dos alunos com deficiência.
Consequentemente, são muitos milhares os alunos com necessidades educativas especiais, num espetro lato desde défices ligeiros a deficiências profundas, que não têm prática desportiva ou atividade física regular na sua escola. Por isso, é preciso atuar e, se não corrigir, pelo menos atenuar este problema, promovendo a prática desportiva nas escolas portuguesas com as adaptações necessárias e adequadas a cada caso.
É o que faz a Fundação Benfica com o projeto “Inclusive Goals”, porque é disso mesmo que se trata: Inclusão!"

Jorge Miranda, in O Benfica