Últimas indefectivações

sábado, 7 de março de 2026

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Pelo Lobo Antunes, Pode Ser?

Eliminação

Sporting 7 - 4 Benfica

Início horrível de partida, oferecendo ao adversário 3 golos, com muitas culpas por parte do Gugiel... sendo que o Pany tem idade para perceber que um golo sofrido, não era pior que uma expulsão e um golo sofrido!

Mesmo assim, com 4-0 no marcador, acabámos por recuperar, 4-2 ao intervalo e 4-3 no início do 2.º tempo, na única jogada em todo o jogo, onde tivemos alguma fortuna!

E se até ao 5-4, apesar das contrariedades, estávamos dentro da eliminatória, com o 6-4 a expulsão do Arthur logo a seguir, o jogo acabou!

Na 1.ª parte, o 4.º golo do Sporting, devia ter sido anulado por falta ofensiva clara, a 6.ª falta do Sporting, devia ter sido assinalada por duas vezes, e acabaram por Amarelar o Arthur por um protesto do mais manso possível; no 2.º tempo, deixaram passar em claro uma enteada assassina sobre o Peléh (isto depois no único do jogo, uma placagem de cabeça ter ficado sem Amarelo!), e depois marcam uma falta que dá o 6.º golo ao Sporting, igual à falta que não marcaram na 1.ª parte, que daria a 6.ª falta do Sporting, e depois expulsam o Arthur com 2.º Amarelo, por novo protesto... que comprado com os protestos da Lagartada, só pode ter sido por gozo!!! Já na 1.ª partida, a arbitragem tinha sido má, muito má, permitindo um jogo muito além da agressividade legítima, beneficiando em muito os Lagartos, hoje, voltámos ao mesmo, com árbitros que pensam que Futsal é primo do Hóquei em Gelo ou algo parecido! E enquanto o palhaço do treinador dos Lagartos, fartou-se de chorar no final do 1.º jogo, mesmo sendo beneficiado, o Benfica volta a ser prejudicado, e cala-se!

Cultura de condicionamento...

Treino...

Benfica em Destaque | 6 de março

Adeptos têm os presidentes que querem


"Mourinho já foi azul, hoje é vermelho; os altos dirigentes são só de uma cor e só fazem o que fazem mediante um mandato popular, incluindo a gritaria

15 de fevereiro de 2004: o Benfica, treinado por José Antonio Camacho, recebe, na 22.ª jornada, no Estádio da Luz, o líder FC Porto de José Mourinho. Ocupa o terceiro lugar, atrás do Sporting, a nove pontos do primeiro. Só a vitória interessa às águias para manter a esperança na conquista do título. Costinha marca para os dragões aos 29’, Simão Sabrosa empata aos 49’. O marcador não sofre mais alterações e o assunto fica praticamente arrumado no que às pretensões dos encarnados diz respeito.
22 anos depois, o cenário é muito semelhante: FC Porto em primeiro, ainda que apenas com sete pontos de vantagem, Sporting em segundo, Benfica a correr atrás dos dois rivais. Mas agora é Mourinho quem está na pele de perseguidor.
Serve isto para recordar a natureza de cada função no futebol e de como as coisas mudam com o tempo. Jogadores e treinadores defendem os seus emblemas numa lógica de profissionalismo. Mourinho ontem era azul, hoje é vermelho mas já foi muitas outras cores; Farioli hoje é azul e certamente amanhã será verde, branco ou amarelo e ainda bem, pois uma carreira é feita de diversidade.
Já os presidentes só têm uma cor. Ao contrário de jogadores e treinadores não podem dar-se ao luxo de jurar amor a um clube e meses ou anos depois beijar outro escudo. A lógica de dependência também é diferente: apesar de se identificarem mais ou menos com a respetiva massa associativa, os técnicos dependem única e exclusivamente dos presidentes, que de uma forma racional ou passional tanto lhes renovam contratos como os mandam embora.
E a quem respondem os presidentes? No modelo de gestão português, não há grandes dúvidas: aos adeptos. Concretamente, aos sócios que os elegem. Portanto, é bom nunca esquecer esta questão elementar: cada vez que vemos André Villas-Boas, Frederico Varandas, Rui Costa ou António Salvador atirarem-se às arbitragens ou criticarem os rivais é porque estão caucionados por uma espécie de mandato popular. Senão, lembrem-se do seguinte: recordam-se do que Villas-Boas era acusado no primeiro ano de mandato? E de Frederico Varandas nos seus primeiros anos no pós-Bruno Carvalho? E de Rui Costa? Isso mesmo, de serem brandos, de não responderem à altura.
Os presidentes, tal como os políticos, não vieram de Marte, representam a cultura em que estão inseridos. Pode vir o mais bem intencionado, que depressa é contaminado pelo contexto. Uma mudança profunda faz-se, por isso, de baixo para cima. Não peçam flores para os outros se no vosso quintal só há pedras.

ELEVADOR DA BOLA
A subir
José Mourinho, treinador do Benfica
Goste-se ou não do estilo, está a criar uma identidade no Benfica. Nenhum jogador regrediu com ele, pelo contrário: Dahl e Schjelderup são dois exemplos de crescimento assinalável. Tem o mérito de não desistir e disso mesmo vai valer-se no clássico.

Estagnado
Francesco Farioli, treinador do FC Porto
O FC Porto mantém a segurança defensiva mas continua com grandes doses de sofrimento, ganhando sempre à tangente. Se é o suficiente para ser campeão, o clássico com o Benfica é um bom tira-teimas. Mas que todos tivessem o seu problema.

A descer
Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem
É a cara da arbitragem em Portugal. A nomeação de Cláudio Pereira para o Sporting-FC Porto da primeira mão da Taça de Portugal foi um risco não calculado e o mau desempenho que teve expõe mais quem o atirou para uma arena que o próprio."

Villas-Boas sabe quem é mais influente


"O ataque ao título não está nas estratégias gastas dos presidentes dos clubes, com os microfones à frente, mas pode (muito bem) estar nas referências ofensivas dos três candidatos

Depois do primeiro de dois clássicos das meias-finais da Taça de Portugal, que deixou o Sporting mais perto do Jamor, vem aí uma jornada de Liga com importância acrescida, de duelos entre os quatro primeiros classificados.
O campeonato avança para o sprint final, e embora seja certo que ninguém ganha nada sozinho no futebol, o momento é propício a uma reflexão sobre as opções de ataque dos três candidatos ao título.
O FC Porto, mesmo sentado na cadeira que os rivais cobiçam, carrega a maior interrogação na frente, já que a evolução de Samu, que começava a oferecer mais soluções à equipa de Francesco Farioli, foi bruscamente travada por uma lesão grave. Não se pode dizer que os dragões tenham sido apanhados completamente desprevenidos, tendo em conta a contratação prévia de Terem Moffi, mas o francês já não terá a sombra do espanhol para ir conhecendo os (en)cantos da Invicta. Será preciso atalhar caminho na adaptação, e se nenhum currículo garante o que quer que seja, o do avançado cedido pelo Nice, embora interessante, não remete imediatiamente para golos em abundância.
Com seis golos em 53 jogos disputados de dragão ao peito, Deniz Gul ainda não deu provas de ser a alternativa natural para uma equipa que sente falta não só da presença de Samu na área, mas também da tal evolução que o espanhol evidenciava na capacidade para jogar longe da área e de costas para a baliza contrária.
Relativamente ao Benfica, a interrogação não está propriamente no estatuto de Pavlidis — 58 golos em 101 jogos —, antes no momento de forma, embora estas fases mais sofríveis e menos clarividentes do grego deixem a pensar se conseguirá atingir um patamar maior de reconhecimento, seja como lenda benfiquista ou goleador numa liga de maior dificuldade.
No caso do Sporting a interrogação não está na qualidade de Luis Suárez — 30 golos esta época, 22 dos quais na Liga, prova em que é o melhor marcador —, nem tão pouco no momento de forma, a avaliar pelos cinco golos nos últimos cinco jogos.
Embora tenha também um trajeto algo irregular, o colombiano é o avançado mais completo da Liga, e parece chegar ao sprint final em grande forma. Neste caso a interrogação está limitada a uma eventual lesão, ou então um hipotético castigo.
Na verdade, Luis Suárez é hoje o jogador mais decisivo da Liga. Como André Villas-Boas bem sabe."

5 Minutos: Diário...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cinco pontos sobre o fim-de-semana escaldante

Observador: E o Campeão é... - Há de novo racismo em torno do jogo Real Madrid-Benfica

Observador: Três Toques - Bale e o trio BBC com Cristiano Ronaldo e Benzema

BolaTV: Lado B #29 - São Rivais em Portugal, colegas na Seleção...

SportTV: Primeira Mão - ⏳ A Reta Final do Campeonato: Quem Tem o Calendário Mais Difícil?

Benfica Podcast #585 - The Classico

Fura Redes: Tomás Araújo: ALL 17 Interceptions – TOP 5 in Champions League 2025/26

Rabona: The Bruno Fernandes problem

Record: Maria João Bettencourt

Benfica FM: Marta Martins...

Muito Benfica para apoiar


"Nesta edição da BNews, o destaque é dado à intensa agenda desportiva do Benfica até domingo.

1. Lutar pela final four
O Benfica visita o Sporting, às 20h00, em jogo da 2.ª mão dos quartos de final da UEFA Futsal Champions League. No primeiro encontro, as águias venceram por 4-3.~

2. Agenda para sábado
No futebol de formação, os Juniores, os Juvenis e os Iniciados visitam, respetivamente, a União de Leiria (15h00), o FC Porto (11h00) e o Belenenses (11h00).
Na Luz, às 20h30, há clássico de andebol no masculino entre Benfica e FC Porto. Às 18h00, em futsal no feminino, o Benfica recebe o Santa Luzia. Às 21h00, a equipa feminina de basquetebol recebe o Clube dos Galitos.
Em Marrazes, às 17h00, o voleibol do Benfica é anfitrião do AA São Mamede, numa partida de cariz solidário.
Em hóquei em patins, a equipa masculina do Benfica visita o Juventude Pacense (17h30) e a feminina desloca-se ao reduto do Gulpilhares (21h00).

3. Agenda para domingo
Às 18h00, o Benfica recebe o FC Porto em jogo englobado na 25.ª jornada da Liga Betclic.
Às 16h00, a equipa feminina de voleibol recebe o Castêlo da Maia. Às 18h30, o Benfica visita o Esgueira em basquetebol no masculino.

4. Últimos resultados
Em hóquei em patins registaram-se duas goleadas benfiquistas. A equipa masculina ganhou, por 10-2, ao Póvoa e a equipa feminina venceu, por 17-0 ante o Parede. Nos Sub-23 de futebol, o Benfica foi derrotado por 3-1 em Braga.

5. Almoço glorioso
Shéu reúne várias glórias do Benfica para um almoço no Benfica Hotel 1904.

6. Protagonista
A hoquista do Benfica Leonor Coelho é a entrevistada da semana.

7. Visita especial
A futebolista camaronesa do Benfica Michaely Bihina fala sobre os seus primeiros passos no Clube em visita ao Museu Benfica – Cosme Damião.

8. Chamadas internacionais
As mais recentes convocatórias das seleções nacionais masculina e feminina de futebol Sub-16 incluem, respetivamente, cinco e quatro atletas do Benfica.
Emanuely de Oliveira está convocada pela seleção feminina brasileira de basquetebol.

9. Uma década do cartão branco
A Fundação Benfica esteve representada no evento que assinalou a introdução do cartão branco no desporto português.

10. Nota de pesar
Faleceu António Lobo Antunes, "referência maior da cultura portuguesa contemporânea".

11. Em destaque
Os principais conteúdos e temas que marcam a agenda do Sport Lisboa e Benfica nas diferentes plataformas do Clube.

12. Casa Benfica Portalegre
Conheça esta embaixada do benfiquismo através da lente da BTV."

Obrigado por tudo, António Lobo Antunes 🦅🤍


António Lobo Antunes: o benfiquista mais sensível


"Morreu António Lobo Antunes e eu volto, sem querer, a uma entrevista radiofónica na Antena 1, a poucas horas da última final da liga dos campeões disputada pelo Benfica e ao seu relato do que foi crescer paredes meias com o Estádio da Luz. Não o de agora, montado às peças em tempo recorde e financiados por fundos de investimento, mas ao outro, que foi crescendo tijolo a tijolo fruto de muito trabalho voluntário e das contribuições suadas da massa adepta encarnada. Do tempo em que miúdos de bola no pé, a meio da semana, podiam se esgueirar e pisar o relvado do estádio e sentir cheias as bancadas vazias como cumprindo uma promessa de qualquer coisa maior do que a própria vida.
Penso nele, no Antonio Lobo Antunes, como descrevia a sua experiência de militar no chamado Ultramar, lá, embrenhado na mata, em Angola, com um gravador tosco a tossir o relato do Benfica para o breu da noite. Segundo ele, de repente, os tiros calavam-se, os insultos calavam-se, a própria morte parecia ganhar vergonha. Ficava só a voz do narrador, “José Augusto ataca pela direita”, e homens sujos, assustados, a escutar como se, naquele instante, Lisboa inteira coubesse num buraco escavado na selva. Durante noventa minutos não havia guerra. Havia faltas, golos anulados, remates por cima. E era como todo um "império" , partido ao meio, respirasse pelo mesmo pulmão.
Ele contava isto sem heroísmo, quase envergonhado, como quem fala de um segredo infantil. Mas nesse pequeno milagre, pôr o relato do Benfica a suspender a barbárie, estava tudo o que precisava de dizer sobre o clube e sobre o seu amor por ele.
Um país em guerra capaz de, por momentos, ficar em paz para ouvir um jogo não é sério, dirão. "- Isso nunca aconteceu!" . Talvez não. Mas talvez fosse a única forma de um jovem oficial do Exército Português António Lobo Antunes continuar vivo enquanto a barbárie lhe dilacerava a consciência.
E veio a sua paixão pelo Eusébio. Para o António Lobo Antunes, Eusébio não era só o melhor de todos, era uma espécie de resposta improvável a uma pergunta que ninguém tinha coragem de fazer. Como é que, desse chão pobre de Moçambique, dessa gente esmagada, nasceu um homem capaz de fazer levantar um mundo inteiro em espanto?! Quando ele falava do Eusébio, a sua voz mudava de temperatura. Havia ali um encantamento que nunca passou. O rapaz que vinha lá de baixo do continente africano, das margens do império colonial, e que entrou pela Europa adentro como um cometa vermelho... e preto.
Imagino o António Lobo Antunes adolescente, encostado ao rádio na, a ouvir o nome “Eusébio” como quem ouve o futuro.
Mais tarde, já médico, já escritor, continuou a carregar esse espanto na voz. Falava do Benfica e de Eusébio como quem fala da sua infância: com ternura, com raiva, com vergonha de sentir tanto, e ao mesmo tempo incapaz de sentir o mesmo, e incapaz de sentir menos.
Hoje, que o perdemos... penso que o Benfica também perdeu uma consciência mais profunda. Não apenas o escritor que se identificava como benfiquista, mas a do homem que sabia que um clube é, às vezes, o último fio que impede os homens de caírem no vazio.
Enquanto houver alguém a pôr um relato do futebol no meio de uma qualquer mata, seja em tempos de paz ou de guerra, o António Lobo Antunes continuará vivo, ali, entre iguais, partilhando uma paixão pelo jogo que é, e será sempre, mais forte que a própria morte."

Sim, já sabemos que histórias bonitas não vendem


"O título é enganador (onde é que já vi isto?). Na verdade, se for mesmo-mesmo bonita uma história pode vender. Sobretudo se se tratar de uma história de celebridades que ninguém conhece mas todos acham que tratam por tu por causa das redes sociais. Se, no final, a princesa casar com o príncipe, em princípio está tudo bem. Mas as histórias positivas do quotidiano não vendem.
Se isto não fosse verdade todos vocês, que estão desse lado a ler o que escrevo, saberiam o que é o Cartão Branco. Confesse, caro leitor: sabia o que é? Se sim, perfeito, peço desculpa. Se não sabia, ajudo: uma espetacular iniciativa num mundo que tem mais guerras hoje do que quando ele (o cartão) foi criado. Há dez anos.

De chorar por mais
Não tenho tema para esta rubrica, confesso. Se alguém encontrar um e se der ao trabalho, o email está lá em cima.

No ponto
O Gil Vicente perdeu com Benfica (e bem) mas já não vai perder o estatuto de melhor notícia desta Liga 2025/26.

Insosso
Ganhe ou perca, Mourinho tem sempre uma palavra sobre arbitragem. E até já mete pedidos de desculpa pelo meio.

Incomestível
FC Porto e Sporting são quem melhor futebol joga em Portugal. Era preciso serem tão maus a relacionar-se?"

Transparência e integridade no futebol


"O International Football Association Board (IFAB) reuniu-se no País de Gales para a realização da assembleia geral anual, que ficará marcada pela aprovação de um conjunto de alterações significativas às Leis de Jogo. As mudanças, que entrarão oficialmente em vigor a 1 de julho, mas que poderão vir a ser aplicadas no Mundial de 2026, confirmam a intenção de tornar mais fluído o desenrolar do jogo e desincentivar perdas de tempo que em nada beneficiam o espetáculo futebolístico.
Comecemos pelo que é mais evidente e necessário: o combate declarado às perdas de tempo útil de jogo. O IFAB aprovou a introdução de contagens decrescentes para os lançamentos laterais e pontapés de baliza, com penalizações claras para quem incumprir os timings de reposição. Se a bola não for reposta em jogo no final da respetiva contagem, o lançamento reverte para o adversário; no caso do pontapé de baliza, a equipa infratora acaba por oferecer um pontapé de canto à equipa oponente. A mesma lógica aplicar-se-á às substituições: o jogador substituído disporá de dez segundos para abandonar o retângulo de jogo, sob pena de o seu substituto ter de aguardar um minuto adicional antes de poder entrar. Estas medidas são, em si mesma
s, um incentivo à celeridade do desenrolar das incidências dentro do relvado. O comum adepto de futebol tem hoje a perceção de que o tempo útil jogado é substancialmente inferior quando comparado com outras modalidades (basquetebol, hóquei em patins, etc.) e que a delonga na avaliação de eventuais lesões, ou os passeios até à linha lateral e os lançamentos propositadamente demorados se tornaram quase ferramentas táticas tão comuns quanto a marcação de um livre previamente ensaiado.
No entanto, há algo de profundamente revelador no facto de ser necessário criar todo um aparato regulamentar para impedir comportamentos que deveriam ser simplesmente desincentivados pelo bom senso e pelo espírito de competição positivo.
O alargamento do protocolo do VAR também mereceu uma reflexão no mesmo encontro. A partir da próxima época, o videoárbitro poderá intervir em casos de segundos cartões amarelos manifestamente incorretos, corrigir situações de confusão com a identidade de jogadores admoestados e, opcionalmente, rever a atribuição errada de pontapés de canto, desde que a análise seja efetuada no imediato. A FIFA confirmou, entretanto, a intenção de aplicar esta última alteração regulamentar no Mundial deste ano. São ajustamentos razoáveis que reconhecem as limitações evidentes do sistema atual, e que ilustram a necessária evolução tecnológica no contexto do futebol.
Ainda assim, a medida mais ambiciosa, e porventura a mais reveladora do sinal dos tempos, é a decisão de avaliar sanções a jogadores que tapem a boca ao falar com adversários ou colegas. O gesto, que se tornou omnipresente nos últimos dias, existe por uma razão óbvia: com a cobertura de câmaras em todos os ângulos do estádio e especialistas em leitura labial sempre atentos nos órgãos de comunicação social, os profissionais de futebol perceberam que qualquer palavra pode transformar-se em parangona noticiosa ou, até mesmo, desencadear um procedimento disciplinar. A prática ganhou maior visibilidade após o incidente que envolveu Prestianni e Vinícius Júnior no jogo da primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, no Estádio da Luz, em que o jogador argentino do Benfica tapou a boca com a camisola enquanto, alegadamente, dirigia palavras insultuosas ao atleta brasileiro, que posteriormente o acusou de insultos racistas. Provavelmente este caso terá funcionado como catalisador para a discussão no âmbito do IFAB.
Subsiste, ainda assim, uma correlação difícil de conjugar entre a evidente necessidade de transparência e privacidade, e a responsabilização e vigilância permanente das ocorrências dentro do terreno de jogo. Com esta decisão, o IFAB assume ab initio que, se os jogadores pretendem esconder o que dizem, é porque dizem algo de condenável. Mark Billingham, diretor-executivo da Federação Inglesa e membro do IFAB, foi ainda mais longe ao afirmar que «há muito poucas circunstâncias em que os jogadores precisam de tapar a boca quando confrontam adversários». É uma posição arrojada, ainda que compreensível, sobretudo num contexto em que o combate ao racismo e a outras formas de discriminação no futebol se assumiu como uma prioridade institucional.
Contudo, não deixa de ser discutível transformar em infração disciplinar um gesto que, na sua essência, é neutro. Tapar a boca não é, em si, ofensivo. O que pode ser ofensivo é o conteúdo das palavras proferidas, e esse conteúdo nem sempre será passível de verificação. Institui-se, assim, uma presunção de culpa baseada na forma e não na substância, o que pode levantar questões até do foro legal. É a materialização da ideia de que onde há fumo há fogo, o que — bem sabemos — poderá conduzir a conclusões injustas, desde logo por comportar o risco de penalizar jogadores que simplesmente pretendem manter conversas legitimas ou comentários privados, seja para coordenar ou corrigir aspetos técnico-táticos do jogo, seja para resolver eventuais desentendimentos menores, sem a necessária exposição mediática.
No seu conjunto, as decisões do IFAB refletem um futebol que tenta, simultaneamente, modernizar-se e moralizar-se. Promover menos tempo morto e mais tempo útil. Menos espaço para comportamentos ocultos e maior transparência.

Sinal mais: FC Porto B
Depois de um início de época muito exigente, recuperação notável do FC Porto B na II Liga. Atualmente no 4.º lugar da competição, com 37 pontos em 24 jogos disputados."

Pedro Proença: um plano sem estratégia


"Um ano depois, Pedro Proença apresenta um plano para 12 anos. Revolucionário? Nem por isso. Mudanças fulcrais? Nada. O futebol português continua à espera de um verdadeiro líder

O primeiro aniversário de Pedro Proença na Federação foi há 15 dias, mais coisa menos coisa, e devem ter-me escapado todos os elogios feitos à obra, já que fotos com o presidente-que-ia-e-vai-mudar-isto-tudo são um bocadinho como era Marcelo com as selfies. Aparece uma debaixo de cada pedra em que tropeçamos. Aqui, mudará o lado de quem a pede e pouco mais.
Um ano depois, ironias à parte, o que há de novo é um plano. A 12 anos. E que apanha Proença entre corridas, como qualquer bom governante que se preze, agora ou bem lá para trás no passado, a fim de chegar a tempo da celebração do sucesso.
É que, ao contrário da quinta anterior, por muito que nunca pudessem ter sido maturados em 365 dias, há agora finalmente vencedores e potenciais vencedores, na formação e nas seleções de futebol, futsal e futebol de praia, a quem pode colar a imagem. Para que UEFA e FIFA vejam. De Portugal, com amor! Na verdade, o dirigente-estrela do futebol português continua a dar tudo para que Infantino e Ceferin o encarem como o herói que acha que é — e que tenta que todos comprem, nem que seja porque tem mesmo de ser. E que pretende fazer virar olhares de admiração de cada vez que aparece atrás de uma porta que se abra.
Na verdade, o Plano, o Estratégico, faz honra ao seu génio. Absorve as conquistas que terão até mais do antecessor do que de si próprio e diz-se embebido de uma cultura de vitória, que só poderá ter sido transplantada há doze meses de um lugar desconhecido para a Cidade do Futebol. Como se o passado recente, ainda com o rosto de uma bruxa não totalmente caçada, tivesse acontecido afinal numa realidade paralela que nada tem que ver com a sua. Uma versão tornada obsoleta da história.
Esse documento de várias centenas de medidas e resoluções, quiçá compradas ao peso e esgotadas no mercado — Uns cinco quilos devem chegar, mas se receber mais avise-me, que venho buscar ou mando cá alguém — promete-nos um admirável mundo novo ao fim de três mandatos. Melhor, a utopia das utopias!
Não deixa de ser irónico que, neste país, onde toda a gente, seja aspirante a Presidente da República, o próprio hóspede do Palácio de Belém ou um mero operário que nem conseguiu terminar a quarta classe, entende que percebe imenso de futebol, Proença acredite que precisemos de uma Universidade do género. Se calhar, é a minha má vontade. Pode ser que seja interessante para as discussões nos cafés, um puxar de galões entre uma meia de leite e um pastel de nata.
No entanto, o mais preocupante é que, tal como antes tinha medido o seu sucesso na Liga com a recuperação financeira do organismo, o que para as necessidades do futebol português vale zero, queira agora apontar para títulos no futebol e derivados o grande objetivo para 12 longos anos. Não posso deixar de sublinhar a receita já aqui falada: agora, que Portugal transpira talento, que a sua formação parece ter ganho algum tempo e espaço para chegar mais bem preparada mais cedo, Proença queira já colher os frutos de um trabalho que chegou bem antes da sua chegada. E se Fernando Gomes também não foi o líder disruptivo que precisávamos, como apontei no seu tempo, pelo menos tem o mérito de ter criado condições para tornar mais forte quem lhe garantia patrocínios e bons acordos: a Seleção.
Também não será despiciendo lembrar que a primeira grande decisão preparada para a Seleção — a substituição de Roberto Martínez por José Mourinho — desapareceu tão depressa quanto surgiu nos bastidores. A vitória na Liga das Nações ofereceu ao espanhol o estado de graça que tornou politicamente impossível mexer. E isso diz muito sobre a forma como se tomam decisões por cá: menos estratégia, mais gestão de momento.
Há algo que Proença sabe mais do que outros. A comunicação e a imagem neste mundo incrível em que vivemos valem bem mais do que a meritocracia. Assim, também como escrevi antes, criou uma máquina de propaganda que trabalha há muitos anos no mesmo sentido, a alimentar-lhe o ego sim, mas também em criar-lhe camadas de profundidade que na verdade não existem. E o documento que apresentou, agora com 300 medidas, inúmeros autoelogios e muitos números de crescimento de praticantes federados, árbitros e adeptos, além da melhoria da componente financeira, é outro exemplo dessa capacidade para vender uma ideia, que não só está longe de depender de si como não explica (porque talvez não saiba) realmente o caminho para se lá chegar. Talvez não o seja para vós, mas isto deveria preocupar-nos a todos. Se é este o plano revolucionário, como o próprio classificou, para 12 anos, tenho muitas dúvidas de que nessa altura estejamos sequer melhor do que estamos hoje.
Se há área em que o presidente da Federação não se pode esconder atrás de planos estratégicos é precisamente no clima que rodeia o jogo. É aqui que se mede liderança. Não deixou de ser sintomático que poucos dias depois do aniversário e mais uns quantos após situações inanarráveis no Dragão, André Villas-Boas e Frederico Varandas tenham voltado a levantar toda a poeira à volta do futebol em Portugal. E quem fala desses terá de lembrar também Rui Costa. Os três têm mostrado declarações e comportamentos pouco dignos, à anos 80, apesar de, supostamente, serem atores de um futebol mais moderno e menos tribal.
O que espero do presidente da FPF é de alguém que lidere na luta contra a constante guerra que vivemos, não tenha medo de tomar decisões difíceis e seja de facto revolucionário num futebol que precisa urgentemente de mudar, ainda mais quando a montra do Mundial 2030 está a chegar. Que saia debaixo do guarda-chuva furado que são os direitos televisivos e não se importe de se molhar. As bancadas têm de encher e para isso a qualidade do futebol tem de melhorar, tal como o ambiente, o conforto e o sentimento de pertença. A justiça não pode ser constantemente bloqueada por providências cautelares, os clubes têm de ser penalizados por falharem obrigações. O campeonato precisa de ser repensado, e não a Taça ou, pela enésima vez, a Taça da Liga ou a Supertaça. As verdadeiras estrelas e os super-heróis são aqueles que inspiram com coragem."

Conflito no Médio Oriente e estabilidade contratual: um novo regime excecional da FIFA?


"A decisão da FIFA de instituir, em 2022, na sequência da invasão da Ucrânia pela Federação Russa, um regime excecional aplicável a jogadores e treinadores vinculados a clubes da Ucrânia e da Rússia constituiu um momento de inflexão no direito internacional do desporto.
Pela primeira vez, a instância reguladora máxima do futebol interveio de forma direta e supracontratual na estabilidade das relações laborais desportivas, criando um mecanismo de suspensão ope regulamentar que representou uma derrogação temporária do princípio do pacta sunt servanda consagrado no Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores (RSTP).
Pese embora a gravidade do cenário, a FIFA absteve-se de qualificar a situação como «força maior», optando por uma engenharia regulamentar autónoma, vertida no Anexo 7 do RSTP, que permitiu a suspensão contratual e a inscrição temporária de jogadores e treinadores noutros clubes - inclusive fora das janelas de transferência - sem ativação automática do regime indemnizatório previsto no artigo 17.º do RSTP.
Face à atual escalada militar no Médio Oriente - envolvendo o Irão e ataques a países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein -, este precedente constitui hoje um parâmetro comparativo incontornável, suscitando a questão da potencial necessidade de uma nova resposta regulatória excecional e análoga.
A suspensão imediata e por tempo indeterminado da liga iraniana, a paralisação de todas as competições no Qatar (ameaçando inclusivamente a Finalíssima entre Argentina e Espanha, agendada para 27 de março em Doha) e o adiamento de jogos da Liga dos Campeões Asiática pela Confederação Asiática de Futebol - a par do encerramento de espaços aéreos e das restrições de mobilidade de atletas, treinadores e árbitros -, evidenciam que o conflito já transbordou o plano geopolítico e abalou o ecossistema competitivo do futebol internacional.

O que a FIFA precisa para intervir?
Ora, foi precisamente em resposta a um quadro de disrupção sistémica que irrompeu o regime instituído pela FIFA para o eixo Ucrânia/Rússia, alicerçado em três pressupostos cumulativos que fundamentaram o seu cariz excecional: (i) a impossibilidade objetiva de execução contratual em território afetado por conflito armado; (ii) o risco sério para a integridade física dos praticantes; e (iii) a necessidade de salvaguardar o direito ao trabalho e a continuidade das carreiras.
No contexto Irão-Golfo, a implementação de um regime excecional dependerá da consolidação de um cenário de verdadeira impossibilidade estrutural.
Enquanto os constrangimentos permanecerem episódicos ou reversíveis, qualquer intervenção regulamentar excecional poderá revelar-se materialmente desproporcionada, por implicar compressão prematura do princípio da estabilidade contratual - pedra angular do RSTP e da lex sportiva - que só admite derrogação mediante fundamentação material particularmente qualificada, ancorada em circunstâncias objetivamente graves e duradouras.
Não obstante, se a escalada militar conduzir à paralisação prolongada das ligas domésticas, à inviabilidade das competições continentais e à retirada sistemática de jogadores estrangeiros, a estabilidade contratual transformar-se-á numa mera ficção normativa. Nesse cenário, o artigo 27.º do RSTP, relativo a «casos não previstos», fornece à FIFA a base jurídica necessária para intervir, legitimando a decisão da instância máxima sobre situações extraordinárias.
Acresce que, a configuração geopolítica do atual conflito afigura-se mais complexa que a frente Ucrânia/Rússia: a sua natureza difusa e regional, envolvendo múltiplas federações e sem delimitação territorial inequívoca, complexifica a definição do âmbito subjetivo de eventual medida excecional. A ausência de um critério uniforme poderá expor a FIFA a críticas por discricionariedade seletiva, com risco de erosão do princípio da igualdade de tratamento.
Neste ensejo, a criação de um novo regime excecional apenas poderá justificar-se mediante demonstração inequívoca de impossibilidade estrutural, objetiva e duradoura de execução contratual. Fora desse perímetro de necessidade qualificada, qualquer intervenção regulamentar arriscará transmutar uma solução de exceção num precedente de erosão normativa."

O combate à violência


"Os acontecimentos recentes no desporto português devem servir como alerta para a necessidade de reflexão séria sobre o combate à violência nos recintos desportivos. O desporto deve ser espaço de celebração, de convivência e de paixão saudável, e não palco para episódios de intolerância, agressividade ou comportamentos que afastam adeptos.
Neste contexto, torna-se fundamental olhar com atenção para os dados. Os relatórios da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) oferecem retrato da realidade nacional. Uma das dimensões que não pode ser ignorada é a melhoria das condições nos recintos desportivos. Estádios e pavilhões mais seguros, confortáveis e preparados para receber adeptos são passo essencial para promover ambiente positivo.
Ao mesmo tempo, é importante tornar os horários das competições mais apelativos, favorecendo a presença de famílias. Impõe-se ainda discussão séria sobre a legislação em matéria de combate à violência, intolerância e xenofobia no desporto. A lei representa instrumento importante, mas deve ser permanentemente avaliada e ajustada à realidade.
Entre os temas que exigem atenção está a questão da pirotecnia, frequentemente presente nos recintos e que levanta desafios de segurança. Outro ponto que merece debate é a eventual criação de sistema de identificação de adeptos, inspirado em boas práticas já utilizadas em provas da UEFA e FIFA. Importa, pois, garantir que esta discussão é feita de forma inclusiva, envolvendo clubes, adeptos, autoridades e organizadores de competições."

sexta-feira, 6 de março de 2026

Zero: Canto - Ganhar ao Porto: muito mais do que um jogo!

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #42 - Vitória Gil Vicente e Clássico

BolaTV: Toque de Bola - S01E14 - Álvaro Magalhães...

BI: Megafone - Voo Picado #16

Zero: Fantasy - S03E25 - A gestão dos clássicos e calendários a aproveitar

Calem-se só um bocadinho, se faz favor


"Clássico não foi bonito dentro de campo, mas isso acontece. Fora dele foi ainda pior e parece não haver meio para, de uma vez por todas, acabar com os joguinhos de acusações

O Sporting-FC Porto de anteontem, dentro de campo, serviu para confirmar duas premissas que já vinham ganhando força nos últimos tempos: depois de começar a época envergonhado nos jogos grandes, Rui Borges evoluiu e muito no plano estratégico e o dragão está em franca queda exibicional. Não é de agora, muitos sinais já tinham aparecido no final de 2025 e a perda da verticalidade de Samu para esticar jogo na frente deixou exposta a falta de ideias que a equipa tem revelado em ataque posicional.
É verdade que o FC Porto ainda vai na frente do campeonato e nada ficou perdido na Taça com a curta derrota em Alvalade, mas a pairar pela cabeça de Francesco Farioli já deverá estar o filme de terror que vivenciou no Ajax há um ano. Apesar de intenso, o duelo de Alvalade foi feiinho em jogo jogado, mas daqui por mais de um mês — mais uma daquelas aberrações... —, no Dragão, haverá outra oportunidade para se ver mais futebol e menos quezílias.
Pior do que o pobre espetáculo dentro das quatro linhas só mesmo o triste regresso a outros tempos do futebol português depois dele. Não conseguimos sair deste ciclo doentio de comentários sobre arbitragens, finas ironias sobre a mesma através do X e newsletters provocatórias. O queixume dos três grandes esta época tem atingido níveis surreais e há um grande problema: ainda estamos em março, com um terço de época pela frente e muito por decidir. Imagine-se onde isto poderá chegar.
Primeiro foi André Villas-Boas, utilizando o feio gesto de Luis Suárez como isco para dar a sua visão das coisas sobre o trabalho de Cláudio Pereira, dias depois de a vitória sobre o Arouca ter caído do céu já perto do final com um penálti sobre Fofana que deixou muito mais dúvidas do que certezas. A lufada de ar fresco que AVB estaria prometida depois de décadas de Pinto da Costa já ficou esquecida há muito tempo, isto sem tirar mérito ao trabalho que o presidente dos portistas tem feito nestes quase dois anos a recolocar os dragões no caminho das vitórias.
A resposta de Frederico Varandas não demoraria, acusando o rival de «estar com medo» de perder o campeonato e questionar. A cada intervenção, Varandas lembra o bicampeonato do Sporting, os três campeonatos em cinco anos no seu legado e realça como o clube tem uma forma de estar «diferente». Não é o que se tem visto.
Há coisas que deviam, definitivamente, fazer parte do passado, mas isso não acontecerá enquanto reinar a impunidade e se punirem comportamentos deste género com penas brandas e multas irrisórias. Alguém ponha mão nisto, por favor."

Cheiro a napalm pela manhã


"A noite fechou com Frederico Varandas a ensaiar uma espécie de cântico, que facilmente será elevado a hino por turba composta de espectadores inocentes a fanáticos de seita

O fim do jogo entre FC Porto e Sporting, da primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, veio lembrar-nos, se fosse preciso, como o futebol português continua a chapinhar, com a indiferença de quem dele deveria zelar, num pântano de acusações graves, suspeitas, desvalorização de comportamentos condenatórios e, sobretudo, completo desrespeito pela integridade do jogo.
A noite fechou com Frederico Varandas a ensaiar uma espécie de cântico, que facilmente será elevado a hino por turba composta de espectadores inocentes a fanáticos de seita. «Cobarde, cobarde, cobarde», atirou o presidente do Sporting, num insulto baixo a André Villas-Boas, mais adequado a outros locais e circunstâncias.
O que terá mudado, então, em pouco mais de 48 horas para que Frederico Varandas passasse a chamar ao presidente do FC Porto, para lá de cobarde, mentiroso, para acusá-lo de medo ou condicionamento dos árbitros, depois de o ter convidado, respeitando o protocolo e simpatia que dedica a dirigentes de outros clubes, fazendo fé nas notícias que foram publicadas, na tribuna presidencial?
No grande esquema das coisas, alguns lances polémicos, erros de arbitragem e uma acusação, que considerou falsa, de que chamou ladrão a um presidente da federação e a dois árbitros.
Frederico Varandas tem, naturalmente, o direito a contestar as afirmações de Villas-Boas, especialmente considerando-se ofendido. Aprendeu, em pouco tempo, como e quando falar e, sobretudo, disso tirar proveito no contexto do futebol português — várias vezes, já aqui escrevi, criticando comportamentos de outros que desvalorizou quando os protagonizou. E, seguramente de forma não inocente, também criou uma narrativa, com óbvios pontos de adesão à realidade, desvalorizando episódios, manifestações ou ações que lhe convém.
Continua a bater na tecla de que o Sporting é diferente, seguramente por ser impoluto, incorrupto, honesto, bastião de ética, corajoso, no fundo um clube de bem, com dirigentes de bem e adeptos e sócios de bem, como se todas as outras gentes fossem o contrário e representassem, em exclusividade, o mal.
A mensagem, na sua totalidade, não deixará, porém, de ter aceitação, por se encontrar com a realidade como, inevitavelmente, se cruzam várias linhas retas concorrentes. Dá um salto imprudente, todavia, quando faz julgamentos de intenção, mesmo que até possa acertar, ao dizer ter encontrado, por exemplo, no medo de Villas-Boas perder o campeonato a justificação para intervenção dele. É desagradável quando fala num tom paternalista para quem está a ouvi-lo e a fazer-lhe perguntas.
Se acredita mesmo que um presidente não tem necessidade de fazer o que Villas-Boas fez quando sente que a equipa é forte e vai ser campeã, então por que também fez o que fez depois de Villas-Boas? Justificou o gesto de Luis Suárez (avançado sugeriu roubo) com o calor do jogo — também posso reconhecer essa atenuante — mas esforçou-se por desvalorizá-lo ao desviar as atenções para um lance anterior.
Frederico Varandas, posto isto, sai como o maior vencedor da noite de terça-feira, por saber, já como especialista, ler e lidar com cada momento do futebol português. Não é pouco. Mesmo que para as outras gentes se tenha sentido o cheiro a napalm na manhã de quarta-feira."

Deviam ir todos comer uma canja


"Nos jogos em Portugal, sobretudo no dérbi de Lisboa e clássicos, já se sabe que é esperada uma terceira parte: mas esta com pouco ambiente de convívio.

A terceira parte. Nos jogos entre amigos, naquelas peladinhas entre o pessoal lá da terra ou entre os colegas de trabalho, muitas vezes a parte mais esperada é a terceira: depois do cansaço, o treino de descompressão e recuperação, com reposição de líquidos e sólidos.
Pois nos jogos em Portugal, sobretudo no dérbi de Lisboa e clássicos, já se sabe que é esperada uma terceira parte: mas esta com pouco ambiente de convívio, antes com queixas sobre arbitragem, críticas e insinuações algumas insultuosas para com os adversários e a anunciarem medidas de secretaria sobre situações passadas no terreno de jogo. É já um clássico.
A terceira parte do Sporting, 1-FC Porto, 0, da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, jogada na zona mista de Alvalade e na sala de imprensa, foi tão intensa como intenso (não necessariamente bem jogado) foi o jogo no relvado. Porventura mais ainda.
Mas começou logo com Francesco Farioli nas zonas de entrevistas rápidas da Sport TV e da RTP e prolongou-se pela conferência de imprensa onde se falou sobre arbitragem e pouco mais…
Na zona mista, André Villas-Boas abriu as hostilidades ainda Rui Borges falava na sala de imprensa, não querendo o presidente do FC Porto saber que um treinador estivesse a falar naquela altura, logo ele que por acaso até foi treinador… Respondeu Frederico Varandas a jogar em casa poucos minutos depois. No clássico do Dragão foi o que foi, no de Alvalade o que se viu…
Foi duro Varandas, muito duro, a certa altura percebeu-se que se esticou muito além do que pensava ir. Não ajudou. Mas respondeu ao que parece ser um hábito adquirido nos últimos tempos pelos azuis e brancos, e já agora pelo Benfica também, de ter um guião em que a as críticas às arbitragens estão sempre lá, com ou sem motivo, com ou sem razão. Estão lá e pronto e se não estiverem os interpretes vão lá parar até inconscientemente.
Veja-se José Mourinho, mestre da comunicação que não resistiu à tentação de reclamar um penálti (desta vez só um, mas mais um) depois da vitória por 2-1 no terreno do Gil Vicente. Fê-lo na flash da TV, voltou a fazê-lo na conferência de imprensa e depois mais tarde em declarações partilhadas pela comunicação do Benfica… «Já tive oportunidade de ver outro ângulo do lance que me pareceu penálti e não se confirma. Peço desculpa pelo meu comentário no final do jogo.» A ânsia da crítica é tanta que depois leva a situações embaraçosas como esta.
E isto acontece desde o início da temporada, em que os encarnados inauguraram a lista de comunicados de 2025/2026 com a arbitragem da Supertaça ainda mesmo antes de o jogo acontecer!
Continuou e continua e a tendência é para piorar à medida que o tempo das decisões se aproxima numa vertigem…
No próximo fim de semana há clássicos, sábado no Minho com um SC Braga-Sporting, domingo na Luz com um Benfica-FC Porto. Jornada importantíssima se não decisiva. E essa, já se viu, começou a ser jogada com antecedência. E até lá a tendência não é para melhorar…
Talvez não fosse má ideia seguirem o que fez Rui Borges no final do clássico da Taça e comessem todos uma canja para aconchegar o estômago e aclarar as ideias. Ganhávamos todos."

Conhecer o António lá onde o morto matou o vivo


"História de um encontro inesperado com um pai que ficou 'órfão' de filha… Na vida, muitas vezes nem o agora pode ser dado como certo.

Na aldeia da Pena, lá Onde o Morto Matou o Vivo - uma história antiga de um funeral que correu mal e o morto caiu da padiola em cima de um dos homens que o carregava acabando por arranjar parceiro para essa última viagem – a digestão de um excelente cabrito faz-se com um encontro inesperado. Um encontro com o senhor António, que ao perceber que eu era jornalista de A BOLA se apresentou como o pai da Elisabete Almeida. Não o conhecia, mas emocionei-me. Porque há quase 18 anos ele estava de rastos a enterrar uma filha de 39 anos.
A Elisabete pertenceu à família A BOLA durante alguns anos, no departamento de fotografia do jornal. Pedi-lhe muitas vezes ajuda. Uma mulher profissional, simpática, bonita e tão jovem, na dupla injustiça de ter uma doença limitadora e, não bastasse, ter morrido de uma outra, fulminante, que nem tempo deu para despedidas. Gostei de conhecer o senhor António esta semana, no meu périplo por São Pedro do Sul, apreciei a paz com que preencheu o vazio que sobrou de ter perdido a única filha. E lembro de outros pais que lidaram com a ordem desnatural das coisas, levando primeiro quem deveria levar no fim.
Dou por mim a pensar no meu filho mais novo. Que me obriga a estudar sobre saúde mental sem chegar a outras conclusões que não os erros que cometi pelo caminho. O que deveria ter reparado e não reparei. Onde estaria quando precisou mais e, acima de tudo, onde não estive. Ele continua a travar a luta dele, eu a minha e a nossa. Nem sempre seguros do que estamos a fazer. Parar é que não é opção.
Um abraço apertado – mais um – ao senhor Alntónio. Repito o que lhe disse no primeiro abraço: gostava da Elisabete. Que tenha encontrado Paz.
Paz é também o que tem procurado o Miguel Lucena, que se junta à conversa a partir de outra mesa. Foi até ele quem me reconheceu. O Miguel passou pela formação do Benfica. No futebol não teve o sucesso que queria, mudou-se para o futsal. Jogou em Os Pelezinhos. Consta que era craque, mas o coração começou a pregar-lhe partidas. Hoje vive sob vigilância apertada, com receio de que um dia a máquina lhe diga que basta. Há planos que não passam disso mesmo. Sonhos abortados precocemente, prioridades que nos colocam no por vezes duro campo das escolhas. Viver é mesmo um ato incerto, caminhar sobre um risco tão ténue que nem mesmo o agora pode ser dado como garantido. Um abraço para o Miguel e o irmão João pela partilha e pela simpatia do que disseram em relação a A BOLA.
De regresso a casa, depois de uns dias a descansar, finalmente tempo para perceber o que se passa no Mundo. Há guerra no Médio Oriente. No futebol, Varandas diz que Villas-Boas não tem categoria para ser presidente do FC Porto, o presidente dos dragões a queixar-se dos jogadores do Sporting e de Varandas. Farioli a acusar os leões de impunidade; Rui Borges – normalmente um paz de alma - a responder que Farioli deve adormecer e acordar a pensar no Sporting.
Nada mudou, por milagre, nos últimos dias. Mas hoje, vou ser muito sincero, hoje em particular não estou com ânimo para estas questões. Amanhã falaremos disso…"

Nota de condolências


"O Sport Lisboa e Benfica manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do escritor António Lobo Antunes, um dos mais ilustres adeptos do Clube, referência maior da cultura portuguesa contemporânea.
António Lobo Antunes manteve ao longo de décadas uma ligação afetiva ao Benfica, que tantas vezes atravessou a sua própria obra e os seus testemunhos públicos. A sua voz singular na literatura portuguesa expressou sempre uma identidade profundamente enraizada no benfiquismo.
Entre as muitas palavras que dedicou ao Clube, permanece particularmente marcante a recordação dos tempos da Guerra Colonial, quando afirmava que "enquanto o Benfica jogava, não havia guerra", sublinhando a dimensão simbólica e emocional que o Benfica representava mesmo nos momentos mais difíceis.
Noutra ocasião, com a ironia e a ambição que marcaram a sua personalidade, confessou um desejo: "Quero ser o Águas da literatura".
Com o desaparecimento de António Lobo Antunes, Portugal perde um escritor maior e o Sport Lisboa e Benfica um adepto cuja genialidade, pensamento e paixão pelo Benfica ficarão para sempre na memória coletiva do benfiquismo.
O Sport Lisboa e Benfica apresenta as mais sentidas condolências à família, amigos e admiradores de António Lobo Antunes, associando-se ao luto de todos quantos reconhecem na sua obra e na sua vida um legado maior da cultura portuguesa."

Lanças...


BF: Khalaili...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cinco desafios para Leonardo Jardim no Flamengo

Observador: E o Campeão é... - O "prémio" de Trincão e o que já mexe no Clássico

Observador: Três Toques - “Madonna dá me a tua camisola (do celta de Vigo)”

BI: Rescaldo - Gil Vicente...

SportTV: Arte - Ricardo Horta...

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca #98 - Anísio vai ao Mundial, Aursnes ficou-se, United foi-se

Throne: The insane league that nobody talks about

Entre o sucesso e o risco: duas faces da alta competição


"A alta competição desportiva ocupa hoje um lugar central na sociedade contemporânea e revela talvez um dos maiores paradoxos do desenvolvimento humano: pode ser simultaneamente uma escola de excelência e um terreno fértil para vulnerabilidades psicológicas. Sim, hoje não me apeteceu escrever sobre os temas quentes do desporto nacional, mas sim refletir mais sobre um dos objetivos do desporto: o desenvolvimento humano.
O percurso desportivo de alto rendimento contribui para o desenvolvimento de competências psicológicas e comportamentais chave. Entre estas competências destacam-se a disciplina, a definição e monitorização de objetivos, a autorregulação emocional, a gestão do tempo, a resiliência perante o fracasso e a capacidade de trabalhar em equipa. Estudos sobre transição de carreira de atletas demonstram que estas competências facilitam a integração no mercado de trabalho e estão associadas a níveis mais elevados de empregabilidade e liderança em contextos organizacionais. Ou seja, de uma forma extremamente positiva, alguns fatores críticos do alto desempenho, como a pressão extrema e constante, mas não só, promovem o desenvolvimento de recursos psicológicos, como a forte orientação para resultados, elevada tolerância à frustração e uma capacidade notável de persistir perante adversidades, que são igualmente valorizados em contextos profissionais de elevada exigência.
Contudo, a mesma intensidade que promove o desenvolvimento destas competências pode também constituir um fator de risco para a saúde mental dos atletas. Nos últimos anos, a investigação em psicologia do desporto tem alertado para a prevalência significativa (entre os 6% e os 34% dependendo da modalidade e momento da carreira) de sintomas de ansiedade e depressão em atletas de alto rendimento. Fatores como a pressão competitiva, o medo da falha, as lesões, a exposição mediática e a instabilidade associada à carreira desportiva são frequentemente identificados como determinantes relevantes. A estes, juntam-se ainda a identidade desportiva (construção da identidade pessoal em torno do desempenho desportivo) e a cultura desportiva, na qual muitas vezes impera uma norma implícita de invulnerabilidade psicológica.
A alta competição continuará inevitavelmente associada à exigência, à pressão e à busca constante pela excelência, porque faz parte, porque é isso que nos apaixona. No entanto, reconhecer que o sucesso desportivo tem duas faces, uma que potencia o desenvolvimento humano e outra que pode gerar vulnerabilidade, permite promover uma abordagem mais equilibrada que facilite aos atletas alcançar o máximo desempenho sem comprometer o seu bem-estar psicológico."

DAZN: F1 - Antevisão GP Austrália...

Entorse do tornozelo: gravidade ou banalidade?


"A entorse do tornozelo é uma lesão muito comum no desporto e não obriga, necessariamente, a paragens longas ou a uma carreira recheada de recaídas mas, para isso, tem de ser valorizada desde o início.
Quando o pé vira de forma brusca, os ligamentos do tornozelo são esticados para além do limite e podem rasgar, sobretudo com rotação interna, lesionando a parte lateral. Estas entorses surgem em mudanças rápidas de direção, saltos e aterragens sobre o pé de um adversário, em modalidades como o futebol, basquetebol, andebol, voleibol ou, por vezes, só com irregularidades no terreno. Estudos em grandes séries demonstram que estas lesões são muito frequentes, provocando paragens desportivas significativas, acumulando um elevado número de dias de ausência, sobretudo em indivíduos jovens.
Clinicamente, as entorses ligeiras dão dor, inchaço moderado e alguma rigidez, mas o doente consegue apoiar o pé com cuidado. Nas entorses moderadas ou graves, a dor é intensa, o tornozelo incha rapidamente, pode surgir hematoma e, muitas vezes, é impossível continuar o exercício ou mesmo caminhar. Dor marcada no momento da lesão, sensação de estalo ou deformidade com suspeita de fratura exigem avaliação médica, habitualmente, com radiografia para excluir fraturas e ecografia/ressonância para pesquisar lesões ligamentares ocultas ou da cartilagem.
Nos primeiros dias, recomenda‑se o princípio POLICE: proteger o tornozelo, iniciar carga dentro do limite da dor, aplicar gelo, usar compressão e manter o membro elevado para controlar o edema. Em vez de imobilizar totalmente o tornozelo, a abordagem atual privilegia o início precoce do movimento e da carga, apoiada por ligadura ou ortóteses. Esta estratégia acelera a recuperação e reduz o risco de rigidez. A maioria das entorses resolve‑se com tratamento conservador e reabilitação adequada. A cirurgia é reservada para roturas graves dos ligamentos laterais, instabilidade marcada ou lesões internas significativas.
A fisioterapia é importante e funciona como uma pré‑época do tornozelo, começando por recuperar a mobilidade e controlar a dor, seguindo-se o reforço muscular e terminando com treino neuromuscular, equilíbrio, saltos, mudanças de direção e gestos específicos da modalidade. Os programas de treino neuromuscular, combinando força, equilíbrio e agilidade, reduzem de forma relevante o risco de nova entorse. O regresso ao jogo só é considerado seguro quando dor, mobilidade, força, equilíbrio, confiança, testes funcionais e capacidade para treinos completos estiverem restabelecidos, sob pena de estar aumentado o risco de recidiva e instabilidade crónica.
Embora não seja possível eliminar todos os fatores de risco, é fundamental investir num bom aquecimento, reforço muscular, treino de equilíbrio, ter em atenção as superfícies e a escolha de calçado adequado. Em atletas com antecedentes de entorse, o uso de tornozeleiras funcionais ou ligadura associado a programas de prevenção é uma boa metodologia para prevenir novos episódios.
A prevenção é mais barata e sempre mais eficaz!"

Eventos desportivos e a promoção de Portugal - Tudo para dar certo!


"Num espaço de apenas nove meses, Portugal recebeu dois Campeonatos da Europa Absolutos de modalidades aquáticas de grande relevância: o Europeu de Natação Artística e o Europeu Feminino de Polo Aquático. Ambos decorreram na emblemática Piscina da Penteada, no Funchal, Madeira.
Reconhecendo a qualidade organizativa da Federação Portuguesa de Natação e a aposta consistente no desenvolvimento destas disciplinas, a European Aquatics confiou a Portugal a realização inédita de dois Campeonatos da Europa Absolutos em menos de um ano — um sinal inequívoco de credibilidade internacional.
Para o público, tratou-se de dois eventos de elevado interesse desportivo. Porém, a sua concretização começou muitos meses antes, cumprindo rigorosamente o exigente caderno de encargos da entidade europeia. O financiamento deste tipo de competições assenta, maioritariamente, no apoio de instituições públicas nacionais e, neste caso particular, também regionais. Os critérios são claros e transparentes; o verdadeiro desafio reside em garantir que o retorno — desportivo e económico — corresponde ao investimento realizado.

O Retorno Desportivo
A organização de um Europeu ou Mundial em território nacional assenta em três objetivos fundamentais:
1. Proporcionar ao público português a experiência única de assistir ao vivo a uma competição de dimensão internacional;
2. Permitir a atletas, treinadores e dirigentes o contacto direto com a elite europeia da modalidade;
3. Criar condições para que as seleções nacionais potenciem o seu desempenho, impulsionadas pelo apoio sempre entusiástico do público português.
Neste domínio, o retorno desportivo é, na maioria dos casos, plenamente atingido — e frequentemente superado.

O Impacto Económico e Mediático
Para além da vertente desportiva, importa analisar o retorno económico e promocional associado a eventos desta escala.
Os dados são expressivos:
• Alcance médio de 350 mil pessoas por notícia;
• Alcance total combinado de 450 milhões de pessoas em todo o mundo (excluindo redes sociais);
• 1.800 notícias publicadas em mais de 120 sites nacionais e internacionais;
• Valor estimado de exposição mediática equivalente a 173 milhões de euros em espaço publicitário;
- 162 milhões de euros em meios internacionais;
- 135 milhões de euros apenas em televisão.
Estes números significam que, para alcançar uma exposição editorial equivalente através de publicidade paga, seria necessário investir 173 milhões de euros. Colocados em perspetiva, os resultados são verdadeiramente impressionantes. Demonstram o papel decisivo que o desporto — e, em particular, estas duas disciplinas aquáticas — pode desempenhar na projeção internacional de Portugal, promovendo simultaneamente o país, a região e as próprias modalidades.

Um Trabalho de Parceria
Este sucesso só foi possível graças ao apoio institucional do IPDJ, da Secretaria de Estado do Desporto, da Secretaria de Estado do Turismo, da Secretaria Regional da Educação da Madeira e da Associação de Promoção da Madeira. O reconhecimento do impacto estratégico destes eventos por parte destas entidades foi determinante.
Para a Federação Portuguesa de Natação, esta é a confirmação de uma estratégia vencedora — desportiva, institucional e promocional. Assumimo-nos como um parceiro estratégico na organização de grandes eventos desportivos internacionais.
Um agradecimento à confiança que a European Aquatics depositou na FPN e uma palavra final de reconhecimento à equipa interna da FPN, cujo profissionalismo e dedicação foram inexcedíveis.
No balanço final, ganha o desporto português, ganham os municípios e as regiões envolvidas, e ganha Portugal — reforçando a sua reputação internacional como destino desportivo, turístico e organizativo de excelência."