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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
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Farioli e Rui Borges mudaram e ganharam
"Italiano acertou ao voltar a juntar Kiwior e Bednarek no centro da defesa; técnico leonino também foi feliz ao recuperar Morita para o onze, o que permite libertar o melhor Hjulmand.
O clássico deu empate e o maior beneficiado acabou por ser o Benfica, que reentrou na corrida pelo título. Podem, agora, dragões e leões lamentarem-se do 1-1 final, mas, sejamos justos, o resultado que mais se justificava era mesmo a igualdade.
Se FC Porto e Sporting ganharam um ponto ou perderam dois só lá para maio saberemos. Para mim, e colocando-me na posição dos treinadores, considero que ganharam.
O último clássico fez-me recordar o anterior disputado no Dragão. O posicionamento das equipas era idêntico, com o líder com quatro pontos de vantagem e, dizia-se, com a possibilidade de em caso de vitória afastar o rival das contas do título. Então, como agora, o receio de perder foi superior à ambição de ganhar.
FC Porto e Benfica terminaram empatados (0-0) e, verificou-se depois, o resultado acabou por ser positivo para ambos. Afinal, os azuis e brancos continuam destacados na liderança e as águias ainda estão na discussão do título, apesar de desde essa 8.ª jornada da Liga terem somado mais quatro empates — Casa Pia, Sporting, SC Braga e Tondela.
O clássico de segunda-feira não foi espetacular, mas acabou por ser rico em termos táticos. Francesco Farioli e Rui Borges surpreenderam no capítulo estratégico e acertaram. O italiano do FC Porto prescindiu do experientíssimo Thiago Silva e recuperou para o centro da defesa a dupla de ferro polaca. Kiwior é o melhor central dos dragões e, apesar de compreender a opção de desviá-lo para lateral-esquerdo, de forma a encaixar no onze os melhores jogadores, a equipa fica bem mais organizada com o ex-Arsenal ao lado de Bednarek, que, não por coincidência, também cresce ao lado do compatriota.
É o chamado jogo de duplas. Nem sempre os dois melhores jogadores fazem a melhor dupla. A melhor dupla sai da melhor articulação das características de dois jogadores e, neste caso, até o tempo joga a favor da dupla Kiwior-Bednarek, que, como sabemos, já vem da seleção da Polónia. Veremos se Farioli resiste ao estatuto — e, a bem da verdade, também à classe — de Thiago Silva e mantém a dupla de ferro do eixo. Para já, com Kiwior lesionado, problema resolvido.
Também Rui Borges se socorreu de uma velha dupla para o clássico do Dragão, recuperando Morita para o onze, juntando-o a Hjulmand. O japonês, que está de saída de Alvalade, em final de contrato, continua a ser um médio de grande qualidade. O parceiro perfeito para o dinamarquês, no tal jogo de duplas. Sou apreciador das qualidades de João Simões, mas Morita dá à equipa um toque extra, dá-lhe outra clarividência, com e sem bola, e liberta o melhor… Hjulmand. Talvez esteja aqui a explicação para o apagamento recente do dinamarquês.
Por falar em duplas, também estou curioso para perceber qual a preferida de José Mourinho para o meio-campo mais recuado do Benfica. Privado dos dois jogadores mais utilizados na posição, Richard Ríos e Barrenechea, devido a lesão, o treinador encontrou em Aursnes e Leandro Barreiro uma excelente combinação, como se viu nos jogos mais recentes. Como diz o povo, não há fome que não dê em fartura e dentro em breve, com as recuperações do colombiano e do argentino, serão inúmeras as opções à disposição de Mourinho.
E então o problema será encaixar em dois lugares Aursnes, Barreiro, Ríos e Barrenechea, para já não chamar à equação Manu Silva, ou, se preferirem, nas cinco posições atrás de Pavlidis todos aqueles médios e ainda Rafa, Sudakov, Lukebakio, Prestianni, Schjelderup e Bruma..."
Que tristes são as tradições do futebol português
"Enquanto na Europa se celebra o fim da ideia egoísta da Superliga, em Portugal perpetuam-se lamentáveis tradições, seguidas de comunicados e guerrilhas institucionais
Em Ibiza, elementos do Podemos, com apoio do PSOE, sugerem a proibição do futebol nos recreios das escolas. Relevemos por agora a parvoíce da ideia e pensemos um pouco mais além: ao afirmarem que o futebol «é tóxico», é provável que estes partidos não estejam a pensar no jogo propriamente dito, mas no que anda normalmente à volta dele. E aí começam a ganhar razão. No que respeita a Espanha também — não esqueçamos uma série de polémicas antigas ou, mais recentemente, a pressão que os meios de comunicação de determinado clube fazem semanalmente sobre as arbitragens.
Mas realmente, olhando para os exemplos de casa e para os do país vizinho, é inteligente aconselhar alguma prudência na abordagem do futebol junto das crianças.
Da tribuna presidencial do Dragão, antes do FC Porto-Sporting, chegou a casa dos portugueses um excelente sinal, quando Frederico Varandas entrou, cumprimentou toda a gente, incluindo André Villas-Boas, e se sentou a dois lugares do dono da casa, ao lado do presidente da Câmara Municipal do Porto. Mas sabíamos, na altura, o que se passava alguns metros abaixo, na vertical, e o que viria a passar-se durante o jogo e na parte final do mesmo.
Alguns metros abaixo, os leões sentiram o incómodo de ver o balneário pejado de fotografias com capas de jornais a exaltar feitos portistas, incluindo por cima dos urinóis. Não sendo a forma mais cortês de receber visitas, convenhamos também que não se trata de um facto grave nem condicionador, até porque o visitante tem acesso ao balneário com tempo suficiente para decorá-lo como quiser. Já a sala habitualmente destinada ao staff leonino fechada ou a alegada temperatura excessiva do ar condicionado parecem configurar situações muito negativas.
Mas pior, mesmo, foi a atitude de pessoas ligadas ao FC Porto que tiraram da baliza a toalha com que o guarda-redes Rui Silva seca as luvas (ironicamente, a última vez que vimos isto foi em território... mouro, na final da CAN) e, ao nível do inclassificável, as bolas de reposição rápida escondidas quando parecia que a equipa da casa ia vencer.
Enquanto se celebra, na Europa, o fim da ideia elitista e egoísta da Superliga Europeia, o futebol português continua a manter as suas piores tradições, com os comunicados da ordem a marcarem a agenda dos dias seguintes. Quando é que avança a centralização de direitos TV, mesmo?..."
Os limites (in)visíveis do Dragão
"O Dragão sempre foi território de combate. Mas há uma diferença clara entre transformar um estádio numa fortaleza competitiva e convertê-lo num campo onde tudo vale para fragilizar o adversário. No último clássico, essa fronteira parece ter ficado para trás
Há coisas que escrevemos com a convicção de quem acredita estar a tocar numa verdade quase imutável. No dia 15 de janeiro, nesta mesma coluna, a propósito do clássico entre FC Porto e Benfica para a Taça de Portugal (1-0), sublinhei que, no Estádio do Dragão, não se joga apenas futebol — sobrevive-se para vencer. Que ali cada duelo é físico e mental, cada bola dividida pesa mais do que o mais elaborado dos esquemas táticos desenhados no quadro.
Disse-o certo de que não era uma impressão circunstancial. Era, e é, uma ideia sustentada por décadas de história do nosso futebol: no Dragão, como antes nas Antas, a equipa da casa construiu uma identidade de combate, de resistência, de intensidade levada ao limite. Uma cultura competitiva que moldou gerações e decidiu campeonatos.
Mas o clássico da última segunda-feira, agora com o Sporting no papel de visitante e o campeonato nacional como pano de fundo, obrigou-nos a olhar para lá da metáfora da batalha. Porque há uma linha — invisível, mas inequívoca — que separa o ambiente fervoroso da intimidação organizada, do desportivismo. E dessa vez a linha não foi apenas pisada. Foi largamente ultrapassada.
Não falamos de pressão das bancadas, que faz parte do espetáculo. Nem da mística do estádio, que intimida porque é grande e ruidoso. De acordo com o Sporting, fala-se dos balneários decorados com mensagens e imagens intrusivas, desprovidas de sentido naquele espaço; de percursos alterados que promovem o contacto entre staff visitante e adeptos locais; de climatização alegadamente regulada ao extremo; de tarjas e colunas de som estrategicamente orientadas para amplificar vaias sempre que os adeptos leoninos levantavam as vozes em apoio à sua equipa.
Mas, mais grave, também de apanha-bolas instruídos para esconder esferas de jogo e retirar toalhas ao guarda-redes contrário. Pequenas coisas? Não. Pequenos sinais de algo maior. De uma lógica que já não é apenas competitiva — é antidesportiva.
A força do FC Porto sempre residiu na sua capacidade de transformar o Dragão num reduto quase inexpugnável pela intensidade, pela crença, pela ferocidade competitiva. Quando essa força precisa de recorrer a expedientes que extravasam o relvado, algo não está bem. Porque aí deixamos de falar de resiliência e espírito guerreiro para entrar no domínio dos golpes baixos, da guerrilha psicológica, da intimidação como método. E isso não engrandece ninguém. Nem o espetáculo. Nem o clube. Nem o futebol português.
Os adeptos portistas estão habituados a orgulhar-se de vitórias conquistadas na raça e na qualidade e não se reveem neste tipo de práticas.
O Dragão não precisa de truques para ser temido. A sua história basta-lhe. O futebol é, sim, uma batalha. Mas há batalhas que se vencem pela superioridade. E outras que, mesmo ganhas, deixam demasiadas marcas para poderem ser celebradas."
O desafio das modalidades em Portugal
"Portugal apresenta-se como um país mono-modalidade, com o futebol como modalidade rainha. Todos os que trabalham direta ou indiretamente no desporto e nas outras modalidades têm plena consciência disso. Encarar este facto como um inimigo é, por si só, um erro gigante e estrutural. Não se pode negar que esta realidade traz desafios, problemas e questões de sobrevivência, mas pode também representar uma oportunidade.
O futebol ocupa vários canais televisivos, faz capas de jornais mesmo quando atletas ou equipas de modalidades conquistam títulos internacionais e, ainda assim, enfrenta dificuldades significativas para suportar as suas despesas diárias. O exemplo da centralização dos direitos televisivos ou da partilha das receitas da UEFA com as equipas da Segunda Liga demonstra que, económica e socialmente, existem dificuldades e incapacidades reais.
As modalidades, em especial os desportos de pavilhão, são maioritariamente disputadas por dois tipos de clubes:
— Clubes multi-modalidades, onde se incluem também os que têm futebol;
— Clubes mono-modalidade, que representam regiões e/ou se tornaram especialistas numa ou duas modalidades.
Os clubes com dimensão e com futebol tendem a ter estruturas mais profissionais nas modalidades, mas estas vivem muitas vezes do orçamento central do clube ou de algum orçamento indireto do futebol, sendo as modalidades tratadas quase como um investimento reputacional e não como ativos estratégicos. Existem depois clubes dependentes de apoios públicos, normalmente com patrocínios reduzidos, que fazem verdadeiros milagres para sobreviver. E, por fim, clubes sustentados pela boa vontade e apoio de uma pessoa ou família em particular, enfrentando as mesmas dificuldades.
De forma geral, as modalidades geram alguma receita direta de bilheteira (baixa), patrocínios geralmente insuficientes e alguma exposição mediática irregular e fragmentada (por exemplo, em finais ou fases decisivas).
Tal como as intempéries, que infelizmente têm assolado o País, terão impactos diretos em toda a sociedade e economia, também provocarão danos significativos nas modalidades. As câmaras municipais serão obrigadas a alocar recursos financeiros a outras prioridades económicas e sociais. Patrocínios e eventos enfrentarão dificuldades em manter-se, seja por danos diretos, seja por impactos indiretos na atividade das empresas.
A necessidade de os clubes encontrarem alternativas aumenta diariamente. Alterações nas regras relativas a patrocínios, um setor televisivo cada vez mais estrangulado financeiramente, uma nova geração com maior ligação a atletas do que a clubes e uma economia nacional de crescimento frágil, que gera menos rendimento disponível, agravam ainda mais o cenário.
As marcas e empresas têm as suas próprias prioridades e, no final do dia, o objetivo é gerar (mais) lucro. Assim, é natural que o investimento se concentre onde existe maior consumo desportivo. Consequentemente, e com a realidade organizacional que temos nos dias de hoje, os patrocínios tenderão a concentrar-se mais no futebol, reduzindo a capacidade de autofinanciamento fora dele.
É necessária maior relevância mediática, maior atratividade comercial e mais público, seja na televisão, seja nos pavilhões. É fundamental um planeamento estratégico que vá ao encontro destes objetivos, tal como aconteceu durante a pandemia, quando existiram algumas aproximações positivas entre as federações e os clubes.
Alguns pontos estruturais:
— O futebol é o elefante na sala, mas pode ser por uma boa razão. Sabemos geralmente a sua época até ao fim. Disputar finais de outras modalidades no mesmo dia e, muitas vezes, à mesma hora, é um erro grave. As épocas das modalidades, que também são planeadas, deveriam sê-lo considerando claramente os dias não. A EuroLeague faz isso, tal como os campeonatos de basquetebol em Espanha, Grécia, entre outros, onde o público é verdadeiramente da modalidade.
— A maioria das pessoas que vai a um pavilhão em Portugal é adepta do clube e não da modalidade. Se a equipa de futebol do clube jogar à mesma hora, muitos preferem ver o jogo de futebol na televisão do que ir ao pavilhão.
— Esta realidade cria enormes dificuldades negociais para clubes e federações na luta por maior mediatismo, o dinheiro, o espaço na televisão e jornais não estica.
— A maioria das federações trabalha em silos. Deveria existir um verdadeiro trabalho em equipa com as cinco. O futsal, apesar de beneficiar de uma federação altamente profissional, enfrenta também desafios internos.
— No futsal existem duas Supertaças, duas finais da Taça da Liga, duas finais da Taça de Portugal e dois play-offs na Primeira Divisão, sendo que o mesmo acontece nas outras modalidades com mais ou menos uma Taça. Estes momentos são oportunidades claras para vender a modalidade, pois normalmente envolvem as melhores equipas e os melhores exemplos desse desporto.
— Quando estes momentos ocorrem no mesmo dia e à mesma hora, algo que é frequente, o adepto não consegue estar em dois locais ao mesmo tempo. Em muitos casos, é o mesmo clube a disputar finais em várias modalidades no mesmo dia, hora, etc. É difícil considerar isto positivo para alguém.
— Podemos apontar o futebol como o grande responsável, mas o problema é muito mais organizacional, com claras repercussões económicas. Sem escala de mercado suficiente, sem coordenação e sem uma narrativa comum, as modalidades continuarão estruturalmente dependentes e progressivamente mais frágeis. Os sucessos das seleções podem esconder isto, mas seria um erro.
É necessário:
— Planeamento conjunto e constante de calendários.
— Estratégia comum de eventos âncora (como já aconteceu com o andebol e o futsal).
— Evitar a luta pelas mesmas audiências, reduzindo a sobreposição entre modalidades.
— Minimizar ao máximo situações em que os adeptos são forçados a escolher que final ou clássico ver, evitando perdas de impacto comercial, turístico e económico.
— Um bom exemplo, o hóquei em patins ou futsal, por norma, terminam as suas épocas depois das restantes modalidades de pavilhão, o que é uma vantagem: existe o normal interesse, mas maior disponibilidade e menor concorrência direta com andebol ou voleibol p.e.
— Usar o YouTube, Instagram, X, Facebook, etc. para um cenário mais amplo de distribuição de conteúdo e diversificar. O YouTube teve mais de 60 mil milhões de USD de receita entre publicidade e subscrições. Um outro bom exemplo é a relação entre a Betclic, o apoio ao basquetebol e o trabalho que estão a fazer com a Liga, que levou mais pessoas consumirem mais a modalidade.
Utilizo novamente uma ideia central: a maior força de cada modalidade será sempre o trabalho coletivo com as outras modalidades."
Tempestade e mau tempo destrói pavilhões e ameaça prática desportiva
"O rasto da tempestade Kristin, aliado a dias de mau tempo, deixou muitos pavilhões desportivos em situação crítica, alguns praticamente destruídos. Coberturas arrancadas, infiltrações, estruturas comprometidas e equipamentos inutilizados obrigaram à suspensão de treinos e jogos de hóquei em patins, afetando clubes e centenas de atletas em todo o país.
A Federação de Patinagem de Portugal está ativa, atuante e solidária junto dos seus clubes, mantendo contacto permanente, acompanhando os danos e prestando apoio sempre que necessário. Em várias regiões, os pavilhões são o principal espaço para a prática do hóquei em patins, modalidade que depende de pisos adequados e de condições seguras para treinos e competições. A indisponibilidade destas infraestruturas compromete não só a atividade de equipas Sénior, mas sobretudo o desenvolvimento de escalões de formação, onde muitos jovens encontram disciplina, convívio e paixão pelo desporto.
A resiliência dos clubes tem sido exemplar, apesar das dificuldades, têm feito tudo para tentar retomar a normalidade, reorganizando treinos, recuperando equipamentos e mantendo viva a modalidade. O receio de que a recuperação dos pavilhões não aconteça rapidamente é crescente, pois a paralisação prolongada pode provocar danos irreparáveis, comprometendo anos de trabalho de clubes dedicados à formação e promoção do hóquei em patins.
Perante este cenário, cresce o apelo a apoios concretos. A reparação e, em casos graves, a reconstrução exige investimento e resposta rápida, garantindo segurança e permitindo o regresso à competição o mais depressa possível.
Mais do que simples edifícios, os pavilhões são o coração do hóquei em patins em Portugal, locais de encontro, formação e paixão. Recuperá-los é devolver aos atletas e às comunidades um ponto de referência vital, garantindo que a modalidade continue a crescer e a inspirar novas gerações."
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Derrota...
13-13
Regresso com derrota depois duma longa paragem, devido às Seleções e ao cancelamento do jogo da Taça com o Avanca!
Sem o Bélone e o Olsen, jogámos mal... Nota ainda para o facto do adversário ter terminado o jogo sem uma única exclusão de 2 minutos! Deve ser recorde!!!
Até ao lavar dos cestos
"Rafa deixa excelente amostra daquilo que ainda vale e que, acredito, pode representar no desejado reforço do ataque. Rafa ou Sudakov, ou Rafa e Sudakov, é uma questão que agora se coloca. Visão de golo é o espaço de opinião de Rui Águas, treinador e antigo avançado internacional português
A muito custo, lá foi cumprida a obrigação semanal do Benfica. Vencer e esperar para ver era um objetivo que parecia acessível, mas que acabaria bem complicado de cumprir. O onze titular trouxe a novidade de Sidny na lateral direita, em função do impedimento físico de Dedic e Banjaqui. A reentrada de Tomás Araújo já era esperada e a escolha de Rafa foi só uma meia surpresa.
A primeira parte seria mais dividida do que se antevia, com o Alverca a ameaçar, conseguindo empatar o jogo e abalar as expectativas benfiquistas quase até final. Schjelderup foi uma das principais unidades do Benfica, pelo muito que criou e pelo golo alcançado que parecia confirmar o favoritismo da equipa. No entanto, o Alverca não esteve de acordo e teve no veloz Chiquinho o grande representante das suas ambições. O ala do Alverca viria a ser um sobressalto frequente para o adaptado Sidny, seu adversário direto.
Na segunda parte, o Benfica partiu com quase tudo à procura do golo. O desejado tudo só chegaria, no entanto, com a entrada de Anísio, que repetiu a proeza à qual só o seu parceiro de escola, Banjaqui, faltou. Antes da entrada do jovem atacante, muito se rematou e falhou. O jovem mágico do Benfica foi herói e, imagino eu, novo recordista mundial. Marcar em dois jogos sem tocar antes na bola só pode ser inédito.
Entretanto, depois de muito tempo sem jogar, Rafa deixa excelente amostra daquilo que ainda vale e que, acredito, pode representar no desejado reforço do ataque. Rafa ou Sudakov, ou Rafa e Sudakov, é uma questão que agora se coloca. Dois jogadores tão valiosos quanto diferentes para Mourinho gerir. Ambos já ocuparam posições mais laterais. Passará por aí uma futura convivência? Soluções e escolhas à parte, agora é esperar, ganhando sempre. Esta é a difícil realidade que importa cumprir. A verdade é que o campeonato se abre quando parecia fechado.
Clássico
A expectativa era elevada em relação ao resultado do clássico e ao que significaria em termos classificativos. O jogo foi fechado, com risco limitado de ambas as equipas até ao primeiro golo. Na ótica do Benfica, as preferências em relação ao que seria um desfecho mais favorável não eram unânimes. O empate final terá sido justo e aceitável. A triste rábula das bolas desaparecidas envergonha quem pretendia modernizar e moralizar (?) o nosso cenário futebolístico, fazendo lembrar velhas estratégias do século passado. Um jogo grande com medidas pequenas.
Variação de posição
A realidade da posição de lateral-direito no Benfica vem sendo entregue a Dedic, talvez a aquisição mais popular da época, e agora a Banjaqui, um jovem que vem respondendo bem às oportunidades. Bah, o anterior titular, continua a sofrer por fora e ainda longe do regresso. Na posição em causa, o jogo com o Alverca trouxe a alternativa de Sidny, a rever, e ainda Aursnes, de regresso pontual (?) à posição, como recurso final.
A propósito de Bah, o Benfica viveu, há cerca de um ano, um duplo abalo que lesionou o seu lateral-direito gravemente e o seu parceiro de infortúnio, Manu Silva, recém-chegado ao clube. O azarado momento afastou os dois jogadores, no intervalo de poucos minutos e com a mesma lesão. Uma macabra coincidência que muito afetou os jogadores em causa, mas que também limitou as opções do plantel então disponíveis.
Atualmente, observa-se um protocolo clínico, que no meu tempo estava longe de existir e que define o tempo obrigatório de recuperação, tendo em conta o tipo de lesões contraídas. Ainda assim, nestas recuperações mais longas e teoricamente semelhantes, o tempo previsto para o regresso é incerto e depende da natureza dos afetados e de alguma sorte, que pode determinar mais ou menos tempo fora de combate. Neste caso, Manu Silva já voltou a jogar, ao contrário de Bah que aguarda ainda por melhores dias. No meu tempo era carne para canhão, bem diferente do cuidado que hoje existe, e os lesionados serviam muitas vezes para a afirmação dos seus recuperadores, sempre apostados em antecipar regressos em tempo recorde.
Sorte e saber
Mourinho, há algumas semanas, revelava a sua estranheza relativamente ao acesso de treinadores desconhecidos aos grandes clubes, sem uma lógica que justifique esse patamar, ao qual deveriam corresponder trajetos de afirmação e mérito no terreno. Faz todo o sentido. Alguns escolhidos, não se sabe quem são nem de onde vieram. Sabemos que as carreiras, melhores ou piores, dos treinadores dependem muito da sua capacidade, mas também, em muitos casos, da qualidade e influência dos seus agentes.
Claro que há quem prove valor e aproveite as oportunidades, mas se não for o caso, haverá sempre uma nova possibilidade, outra e mais outra. Desde logo, por muito bom que um qualquer aspirante a treinador possa ser, ninguém o saberá se não lhe for dada uma possibilidade ou se uma qualquer circunstância não ajudar. Não é propriamente justo, mas é uma realidade difícil de alterar, ainda por cima num meio onde os candidatos são cada vez mais e os clubes não aumentam.
Luís Freire, agora um dos treinadores da FPF, é um exemplo de alguém que subiu por si. Basta olhar para o seu trajeto iniciado nas nossas mais baixas divisões. Sabemos que esta realidade, relacionada com o mérito ou falta dele, não se resume ao futebol, mas a muitas outras atividades.
O sucesso dos jogadores é, ao contrário, mais fiel à justiça. Ninguém faz carreira se não for realmente bom. Os melhores estão nas equipas mais fortes, com poucas variações. O rendimento individual está à vista do público, não depende de terceiros e não é possível esconder."
A suplementação que acompanha os nossos atletas 💪⚽
A suplementação que acompanha os nossos atletas 💪⚽ pic.twitter.com/lulR54kiKc
— SL Benfica (@SLBenfica) February 11, 2026
Atualidade benfiquista
"São vários os temas nesta edição da BNews.
1. O sonho do Adriano
Uma iniciativa conjunta do Futebol Profissional e da Fundação Benfica.
2. Transferência
Ivan Lima passa a representar o GKS Piast Gliwice, da Polónia.
3. Jogos do dia
A equipa masculina de andebol do Benfica visita a Águas Santas a contar para o Campeonato Nacional (20h00). À mesma hora, a equipa feminina de voleibol atua no reduto do SC Braga em partida dos quartos de final da Taça de Portugal.
4. Empate em Portimão
A Equipa B do Benfica empatou 1-1 na visita ao Portimonense.
5. Convocatória
Luca Moraes, jogador da formação do Benfica, está convocado pela seleção Sub-15 do Brasil.
6. Presença muito significativa
São sete as atletas do Benfica que integram a mais recente convocatória da Seleção Nacional feminina de futsal.
7. Bicampeões europeus
Em entrevista à BTV, Salomé Afonso aborda a revalidação benfiquista do título europeu de estafeta mista de corta-mato.
8. Título regional em análise
Entrevista sobre a conquista do Campeonato regional de hóquei em patins Sub-15.
9. Casas Benfica Quarteira e Moura
Representantes destas embaixadas do benfiquismo estiveram na Luz para apoiar o Benfica frente ao Alverca."
"Macacos me mordam"
"Inusitado, quase digno de um filme de Fellini. O que se assistiu no jogo FC Porto–Sporting, envolvendo um espetáculo protagonizado pelos apanha-bolas da equipa da casa, escondendo bolas de forma concertada e alinhada, não fruto de improviso ou devaneio momentâneo, mas de uma mão invisível faz pairar sobre o futebol, e particularmente sobre este clube, práticas antigas que julgávamos banidas do nosso desporto.
Esta nova e jovem classe dirigente dos três grandes do nosso futebol prometia uma lufada de ar fresco, afastando tudo o que de pior traz a clubite inflamada e a paixão levada ao extremo.
Este não é apenas um episódio caricato; é um sinal preocupante de falta de ética e de uma cultura de desmando que, subtilmente, instrumentaliza os mais novos e falha na sua missão pedagógica. Estes jovens são, supostamente, os jogadores do futuro, mas em vez de frequentarem uma escola de virtudes, ensina-se-lhes que vale tudo para ganhar… degradante. O futebol tem esta particularidade: amplifica tudo, a paixão, o entusiasmo, mas também os excessos.
Quando se cruza este momento com episódios recentes e simbolismos que reavivam memórias de fases menos luminosas do futebol português, a reflexão torna-se inevitável. Regressa a perigosa confusão entre resultados e ética, entre vencer e merecer, como se a transparência pudesse ser relativizada quando o objectivo é ultrapassar tudo e todos. Toca-se no fundo não apenas pelo acto isolado, mas pelo que ele representa e pelo padrão que sugere.
Acresce o fenómeno tóxico de certa classe dirigente desportiva, que já extravasa o futebol profissional, onde a opacidade, a retórica defensiva e a ausência de autocrítica corroem a confiança pública. Ninguém está acima de suspeitas, mas a postura de liderança tem um peso simbólico que ultrapassa o campo e molda a percepção institucional.
Importa também olhar para quem tutela o desporto e a cultura. Não basta anunciar planos de desenvolvimento desportivo com pompa e circunstância, ligando-os à saúde e à educação, se nos momentos determinantes não há posições firmes e inequívocas. A Senhora Ministra da Cultura e o Senhor Secretário de Estado do Desporto (ainda por cima alguém oriundo do próprio universo do futebol) têm aqui responsabilidade acrescida.
Senhores governantes: é necessário trocar os lugares reservados nas tribunas por atitude interventiva. É preciso coragem para marcar rupturas claras com comportamentos desviantes e afirmar, sem ambiguidades, que o exemplo conta. Instrumentalizar crianças em idade de formação de personalidade para esconder bolas ou toalhas não é apenas condenável; é um sinal de falência pedagógica. Exige intervenção, mão firme e um simples mas poderoso “Basta”. Porque, se este é o exemplo que queremos para os nossos filhos, então estamos verdadeiramente conversados.
Importa igualmente reconhecer que, em momentos de irracionalidade gerados pela própria paixão do jogo, ninguém está totalmente isento de culpas. Dirigentes, adeptos, comentadores e estruturas, todos, em maior ou menor grau contribuem para o clima que depois se lamenta. É precisamente por isso que o futebol precisa de referências firmes, de memória crítica e de responsabilidade partilhada. Quando a vitória se sobrepõe ao valor e o ruído supera o exemplo, o desporto deixa de ser escola de carácter para se tornar apenas espectáculo de excesso.
E talvez por isso o título não seja mero desabafo humorístico. Num curioso alinhamento de símbolos e coincidências, quando certas figuras associadas à alcunha regressam à ribalta pública, o futebol parece libertar fantasmas que julgávamos encerrados. Não por superstição, mas por fina ironia, fica a sensação de que o grito “macacos me mordam” deixou de ser expressão popular para se tornar espelho involuntário de um ciclo que insiste em repetir-se: mudam-se os protagonistas… e fica tudo na mesma."
Custo-benefício
"O Benfica é provavelmente a equipa com pior taxa de custo-benefício da Europa. Só isto justifica que não perca para o campeonato há 38 jogos consecutivos (!?) e ainda assim se encontre no terceiro lugar de uma Liga onde não perdeu. Esta circunstância torna qualquer jogo, mesmo aqueles em que joga bem como frente ao Alverca, numa "lotaria", até porque, como também aconteceu no domingo, em caso de dúvida há sempre uma interpretação que faz com que o árbitro não veja ou o VAR não possa ver.
Neste jogo tudo terminou bem, com mais um momento "cinematográfico" de Anísio que entrou, correu para a aérea, pediu a bola com o egocentrismo dos grandes pontas de lança, elevou-se e cabeceou batendo um guarda-redes que, como também tem vindo a ser hábito, estava a ser o melhor em campo. Que este miúdo está para além de um epifenómeno de uma boa estória parece evidente e em breve os seus golos não serão notícia, por serem habituais, mas os seus colegas poderiam "colaborar" um pouco mais e marcar mal deixam o adversário sair da área.
Tem razão Mourinho para "dormir mal," pois assim qualquer jogo se torna perigoso e o Benfica vai precisar de melhorar na finalização para fazer o que é preciso - ganhar os 13 jogos até ao final da Liga, agora que o clássico resultou numa diminuição de distâncias para o primeiro e segundo lugares, importa continuar a acreditar. Não será fácil, mas, como sempre acontece no último terço do campeonato, cada vez mais os jogos terão um custo maior. Algo que o Benfica, ao contrário dos rivais, até está habituado..."
Do Dragão ao insulto no Alentejo
"Há um problema em Portugal que não é ético, é estrutural e vai dos estádios aos pavilhões
O futebol tem vindo, há anos, a normalizar um conjunto de maus hábitos nos clubes de topo que, pela força do exemplo, acabam inevitavelmente replicados pelos clubes mais pequenos e, de forma particularmente preocupante, na formação.
O problema não está só na existência desses comportamentos, mas na legitimação pública que lhes é dada, seja por instituições com responsabilidades, seja pelos adeptos, que não se limitam a encolher os ombros, como validam esse comportamento, desde que haja uma vitória. Alguns dos vícios mais enraizados é a cultura da desculpabilização permanente e a constante acusação ao outro. No resultado ao árbitro, noutros comportamentos aos rivais. O que só leva a uma conclusão: todos têm telhados de vidro e nenhuma moral para falar sobre ética.
Não sei quem deu a indicação aos apanha-bolas do FC Porto para recolherem as mesmas quando se jogava a compensação do clássico com o Sporting. Pelo discurso que tem tido, seguramente não terá sido André Villas-Boas. Já agora, não precisa de ser um presidente a ter tal iniciativa, basta dela ter conhecimento e não agir para ser responsabilizado por tal.
Outro hábito nocivo é a banalização da agressividade verbal e institucional. Comunicados inflamados e até ataques pessoais tornaram-se ferramentas estratégicas. Isto resume-se a uma ideia: vale tudo para ganhar. E não há inocentes nesta matéria. O problema é muito maior porque os mais pequenos, sejam eles clubes, jogadores ou adeptos replicam o que veem na TV. «Se fazem na I Liga, porque não podemos fazer nós?»
Esta retórica é copiada com menos filtros e mais fragilidade emocional, criam-se ambientes tóxicos à volta de jogos de iniciados ou juvenis, onde pais, treinadores e dirigentes reproduzem comportamentos inaceitáveis. Num país em que o consumo de futebol é elevado comparado com outras modalidades, é óbvia a influência que o desporto-rei tem no que se passa nos pavilhões deste país. No sábado, no jogo de basquetebol entre leões e dragões, o FC Porto denunciou insultos racistas a dois jogadores e no Alentejo um árbitro foi insultado num jogo de basquetebol de sub-14: foi chamado de «preto» e «macaco».
Não terão a atenção do público como o que se passou no FC Porto-Sporting em futebol, mas se calhar temos de começar a achar que o que se passa com apanha-bolas num campo de I Liga está mais relacionado com o insulto racista num pavilhão, num jogo de camadas jovens, do que realmente achamos. O problema não é apenas ético, mas estrutural. O problema é de nós todos, e não apenas do idiota que aparece no vídeo a chamar coisas que não devia a um ser humano, dentro de um pavilhão onde jogavam miúdos.
O vídeo da publicação abaixo do Instagram (segundo slide) fala por si..."
Demasiado respeito pelos tanques de Farioli
"Perfil muito atlético do FC Porto obrigou Mourinho e Rui Borges a cautelas, mas ao dragão falta imprevisibilidade. E assim todos se anulam uns aos outros. Mau para o espetáculo
Nem sempre o que adeptos, imprensa ou analistas gostam é o mesmo que agrada aos treinadores. Os sportinguistas (e não só…), a precisar de vencer no Dragão para reduzir a distância para apenas um ponto do rival, desejariam ter visto a sua equipa assumir um risco maior de modo a aproveitar o seu enorme potencial ofensivo – é indiscutivelmente a equipa mais perigosa no último terço em Portugal – mas Rui Borges preferiu jogar pelo seguro. Afinal, tinha-se dado mal na primeira volta em Alvalade (perdeu por 1-2) e o FC Porto contava até à data com oito vitórias e um empate (Benfica) em nove partidas no Dragão para a Liga.
Entende-se a decisão do ponto de vista da racionalidade. Em primeiro lugar, porque ainda falta muito campeonato para jogar; em segundo, porque o dragão de Francesco Farioli torna-se ainda mais venenoso quando um adversário se expõe demasiado. Não que seja uma equipa formatada só para transições, isso seria ofensivamente redutor, mas é notório que o FC Porto se tornou mais conservador à medida que foi aumentando a vantagem para os seus rivais, não sendo poucas as vezes em que se vê a equipa a jogar com linhas recuadas seja contra quem for.
Cada treinador tem o seu estilo e Farioli está a dar-se bem com as suas ideias. Mas quando somos convidados a pensar numa única palavra que defina esta equipa, só me vêm à cabeça termos relacionados com aspetos de ordem atlética – a famosa «fisicalidade» que o toscano tanto apregoa, que é com quem diz que este FC Porto corre mais que todos os outros e executa com régua e esquadro as várias jogadas-padrão. Mas há algo que falta, e que mais se nota nas partidas frente aos grandes, incluindo SC Braga: imprevisibilidade. E parece que só dois jogadores estão autorizados a pensar fora da caixa: Gabri Veiga e Rodrigo Mora – e apenas à vez. Não por acaso, tanto no clássico com o Benfica como diante dos bicampeões foi o prodígio português o responsável pela construção dos lances mais perigosos: bola à barra diante das águias e início do lance que resultou no golo de Fofana com os leões.
Agora que perdeu Samu por lesão, um ponta de lança que é a máxima representação da robustez, será interessante perceber até que ponto Farioli não terá de puxar mais pela criatividade de Mora num plantel construído (no verão) e retocado (no inverno) com jogadores cujo perfil é o mesmo: tanques. Impõem respeito – é por isso que nem Benfica nem Sporting ousaram passar-lhes por cima – mas não são proporcionalmente esmagadores. Daí que tenhamos assistido a dois clássicos com o mesmo denominador comum: todos tiveram medo uns dos outros.
ELEVADOR DA BOLA
A SUBIR
Anísio Cabral, ponta de lança do Benfica
Não foram apenas dois golos, foram dois gestos de cabeça que não vemos em mais nenhum jogador do Benfica a exceção de Pavlidis. É importante que o futebol português produza goleadores. O pós-Ronaldo está aí à porta.
ESTACIONADO
Bruno Vicintin, acionista maioritário do Santa Clara
Bruno Vicintin já terá conseguido o que queria (dinheiro do Governo dos Açores) mas a ameaça de sair para o Continente e fundir-se com outro clube ficou no ar. Quando o Vilafranquense se muda para a Vila das Aves, tudo passa a ser possível.
A DESCER
André Villas-Boas, presidente do FC Porto
Prometeu trazer novos ares, mas das duas uma: ou os funcionários não respeitam as suas diretrizes e têm rédea solta no controlo do ar condicionado, TV ou dos apanha-bolas, ou então há uma tentativa de recuperação de práticas que cheiram a mofo. Qual delas a pior."
Tempestade Varandas e Depressão Villas-Boas
"«O nosso tricampeonato, se acontecer, é um terramoto para o futebol português. Assusta muita gente», vociferou Frederico Varandas, em setembro do ano passado.
«Compreendo a esquizofrenia. Entendo a excitação de alguns meios de comunicação social, claramente alinhados de verde. Não podemos deixar de registrar a onda verde propagada pelos meios de Comunicação Social», esbravejou André Villas-Boas, no arranque de fevereiro.
Tenho particular apreço pelos presidentes de Sporting e FC Porto, mas isso não significa abraçar e aceitar calado os seus (desconexos) discursos repetitivos, que, no fundo, acabam por anular um ao outro.
Assim como no nosso cotidiano, a verdade também costuma ser bastante chata no futebol. Sem graça. Sem sal. Mais vale criar - e alimentar - os próprios fantasmas. Acreditar fielmente nas mais diversas teorias conspiratórias.
Em Portugal, não é preciso apenas vencer o Benfica, o FC Porto e/ou o Sporting para ser campeão. É fundamental a construção frequente - e frenética - de adversários imaginários. Os bons e velhos inimigos ocultos.
Ora é a arbitragem, ora é a Liga ou a FPF. Ora é o calendário, ora são as lesões. Ora são os jornalistas, ora são os comentadores. Logo mais, vai ser a Tempestade Kristin ou a Depressão Leonardo. Um pouco de tudo, e tudo misturado.
O irritante «contra tudo e contra todos» está impregnado na essência do futebol português. Não há mérito e trabalho, há privilégios e benefícios. Não há demérito, há perseguição e culpados alheios."
Ruben Amorim sai quando estava tudo a começar
"Os números não mentem. Desde a saída de Ruben Amorim, o Manchester United estabilizou, somou vitórias consecutivas e voltou a ocupar um lugar de destaque na tabela. À superfície, o diagnóstico parece simples: a mudança resultou. Mas o futebol raramente é assim tão linear. E, neste caso, a melhoria imediata diz tanto sobre o presente como sobre o trabalho que ficou para trás.
A tese é desconfortável para quem olha apenas para os resultados. “O Manchester United está melhor porque simplificou, não porque evoluiu”, dizem alguns. Mas essa simplificação só foi possível porque Amorim deixou uma estrutura funcional.”
Durante a sua passagem, o treinador português enfrentou o que todos os seus antecessores enfrentaram. Enfrentou um clube dividido entre a urgência de ganhar e a necessidade de reconstruir. Amorim optou pelo segundo caminho. Trabalhou princípios, rotinas, relações entre setores. Não procurou esconder fragilidades com soluções avulsas. Tentou corrigi-las pela raiz. É um processo que custa tempo. E o United raramente concede tempo a quem não entrega vitórias imediatas.
Após a sua saída, o discurso mudou. Menos complexidade tática, mais liberdade individual, menos preocupação com o processo e mais foco no resultado. A equipa ganhou em eficácia e confiança, sobretudo porque muitos dos comportamentos coletivos já estavam assimilados. A pressão é hoje menos coordenada, mas existe. A organização defensiva é mais pragmática, mas assenta em automatismos trabalhados antes. O jogo ofensivo é mais direto, mas beneficia de jogadores que passaram meses a entender onde e quando ocupar o espaço.
Não é coincidência que o rendimento tenha subido quando o contexto ficou mais simples. Também não é coincidência que isso funcione melhor no curto prazo do que a médio e longo. O Manchester United voltou a ganhar, mas ainda não voltou a saber exatamente quem é.
É aqui que Ruben Amorim sai por cima. Porque o atual sucesso não invalida o seu trabalho. Confirma-o. Mostra que a equipa tinha bases, que havia um esqueleto competitivo à espera de despontar. Amorim não colheu os frutos, mas foi quem preparou o terreno.
No futebol moderno, nem sempre quem constrói é quem recebe os aplausos. Mas, mais cedo ou mais tarde, a diferença entre ganhar hoje e sustentar vitórias amanhã volta a fazer-se sentir. E quando esse momento chegar, talvez Old Trafford perceba que perdeu um treinador não quando os resultados eram maus, mas quando parecia estar tudo a começar."
Sobre lealdade
"O futebol no seu estado mais puro. Quando se toca no céu de uma cidade, de um clube, de uma família, de milhões de adeptos leais e apaixonados. Um amor infinito e categórico. Francesco Totti é o maior símbolo da história da Roma e um dos melhores futebolistas italianos de sempre. Poucos nomes no futebol mundial evocam tanta paixão, compromisso, lealdade e talento como Francesco Totti. Nascido em Roma a 27 de setembro de 1976, Totti não foi apenas um jogador da AS Roma. Foi, e continua a ser, a alma e o símbolo eterno do clube da capital italiana. Numa altura de mudança em que o futebol se viu dominado pelo negócio e pelas transferências milionárias, Totti manteve-se fiel a uma única camisola durante toda a sua carreira profissional, transformando-se num ícone de lealdade e amor à cidade que o viu nascer.
Estreou-se pela Roma no dia 28 de março de 1993, com apenas 16 anos, numa vitória, por 2-0, no terreno do Brescia. E rapidamente conquistou o coração dos adeptos com o seu talento. A jogar como um verdadeiro número 10, daqueles que teimam em desaparecer, Totti combinava classe e criatividade com uma capacidade de finalização notável. Era capaz de decidir os jogos com um toque genial, um passe impossível ou um golo memorável.
Em 1998, herdou a braçadeira de capitão, função que manteve por quase duas décadas. Sob o seu comando, a Roma viveu momentos inesquecíveis, incluindo o título da Serie A, em 2000-01, além de duas Taças de Itália e duas Supertaças Italianas. Porém, mesmo nos anos em que o clube não lutava pelo topo, Totti permaneceu, recusando propostas tentadoras de clubes gigantes do futebol mundial. Para o prodígio italiano, a Roma não era apenas um clube, era uma parte de si mesmo. «Nasci romano, morrerei romano», disse uma vez. E cumpriu.
Ao longo de 25 temporadas, Totti participou em 786 jogos oficiais e marcou 307 golos pela Roma, ambos recordes absolutos do clube. Tornou-se também no segundo melhor marcador da história da Serie A, atrás apenas do falecido Silvio Piola, que chegou a conquistar um Campeonato do Mundo pela seleção italiana, em 1938. Mas os números, embora impressionantes, não capturam a verdadeira dimensão do que Totti representou. Este futebolista foi a conexão entre o futebol romântico e o futebol moderno, o último grande bandiera, símbolo de uma era de fidelidade rara.
Despediu-se dos relvados em maio de 2017, num Olímpico de Roma completamente lotado e rendido às lágrimas. O seu adeus foi mais do que o fim de uma carreira. Foi, sim, o encerramento de um dos capítulos mais românticos da história do futebol. Francesco Totti foi um símbolo de identidade, lealdade e amor eterno a uma cidade e a um clube. Em Roma, há monumentos belíssimos que contam a história do Império Romano. No futebol, há um só monumento que conta a história da AS Roma: Totti, Il Capitano."
Congresso do Futebol Português (III)
"Nas semanas seguintes ao Congresso do Futebol Português, o foco volta-se para a análise detalhada das conclusões e contributos retirados deste evento. Este exercício de reflexão será essencial para identificar caminhos que possam traduzir-se em medidas concretas, sejam elas no âmbito dos regulamentos federativos ou com vista a impulsionar possíveis alterações no quadro legal e regulamentar aplicável ao futebol português.
A ponderação rigorosa dos contributos partilhados no congresso, provenientes de especialistas, dirigentes e profissionais das mais diversas áreas do futebol, permitirá uma adaptação contínua e criteriosa dos regulamentos, garantindo que estes se ajustem adequadamente às necessidades crescentes e dinâmicas do desporto. O objetivo primordial será sempre o mesmo: assegurar que todas as medidas adotadas estejam ao serviço do futebol, contribuindo para o seu desenvolvimento sustentado.
É, igualmente, oportuno recordar que, em conformidade com os enquadramentos legais em vigor, quaisquer alterações regulamentares que venham a ser introduzidas só poderão, salvo situações excecionais — imposição legislativa, judicial ou administrativa —, produzir efeitos na época desportiva subsequente à sua aprovação. Esta solução visa garantir a estabilidade das competições bem como segurança na aplicação das normas.
Assim, todo o processo decorrerá e deve ficar concluído até ao dia 30 de junho, uma vez que a época desportiva se inicia a 1 de julho."
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