Últimas indefectivações

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Quatro casos especiais no Benfica


"O Benfica venceu o Villarreal no último teste antes do primeiro jogo oficial da temporada, marcado para quinta-feira frente ao St. Gallen, na Liga Europa. Mais do que o resultado, o encontro com os espanhóis deixou vários sinais: a convicção de que Marco Silva ainda tem muito trabalho pela frente na construção da equipa e a ideia de que já foram dados alguns passos positivos.
Numa primeira análise a alguns dos jogadores disponíveis do Benfica, ainda sem os jogadores que estiveram no Mundial e reforços por contratar, identifico quatro casos específicos que exigem decisões ponderadas por parte da estrutura do futebol profissional encarnado. O primeiro é Prestianni. O jovem argentino já soma mais de duas épocas no Benfica, sem ainda se afirmar plenamente. São evidentes as suas dificuldades na tomada de decisão no momento da definição, mas importa não esquecer que tem apenas 20 anos e apresenta características diferenciadoras. Frente ao Villarreal, Prestianni entrou e mudou o jogo do Benfica. Deu velocidade à transição ofensiva, trouxe desequilíbrio e encontrou a linha de passe que resultou no golo de Pavlidis — algo que a equipa não tinha conseguido até esse momento, já na segunda parte.
O interesse do Trabzonspor e de outros clubes é compreensível, mas 20 milhões de euros podem ser insuficientes tendo em conta a idade, o potencial e a irreverência do extremo. Na minha opinião, Prestianni ainda pode ser muito útil ao Benfica. Pode não ser titular indiscutível nem cumprir todas as promessas, mas parece um desperdício não explorar melhor o seu talento. Creio que nesta altura fará falta a Marco Silva. Basta recordar o caso de Schjelderup, que passou de dispensável a uma das maiores certezas em poucos meses.

!Prestianni ainda pode ser muito útil ao Benfica."
Os outros três casos que merecem atenção são os jovens Banjaqui, José Neto e Miguel Figueiredo. Banjaqui e José Neto, laterais-direito e esquerdo, respetivamente, mostram qualidade e personalidade para integrar a equipa principal do Benfica. Ambos têm 18 anos e não devem passar a época como terceiras opções — algo que pode ser particularmente evidente no caso de Banjaqui, caso Bah e Dedic se mantenham no plantel. Já José Neto parece ter argumentos suficientes para disputar um lugar com Samuel Dahl.

"Um jogador com o perfil e qualidade de Miguel Figueiredo precisa de competir regularmente."
Por fim, Miguel Figueiredo surge como um caso que, apesar de ainda precoce, merece acompanhamento atento. O médio-centro de apenas 17 anos, observado por Marco Silva na pré-época, demonstrou nos minutos que teve frente ao Villarreal uma qualidade técnica e visão de jogo impressionantes. Um jogador com este perfil precisa de competir regularmente. Dificilmente terá espaço imediato no onze principal do Benfica, mas o cenário ideal passa por ganhar minutos num contexto competitivo mais exigente do que os escalões de formação. Estes quatro jogadores não serão, seguramente, as decisões mais urgentes para Marco Silva, mas podem representar uma parte importante do futuro próximo do Benfica. E, por isso, merecem ser analisados com especial atenção."

A comunicação da pré-temporada


"O FC Porto entra nesta pré-temporada com uma realidade diferente: é campeão nacional. Essa condição permite ao clube partir para a nova época com uma mensagem de confiança e ambição.
A política de comunicação tem seguido precisamente essa linha. O FC Porto abriu as portas da preparação para transmitir uma ideia clara: o campeão está confortável com a sua identidade e quer partilhar essa confiança com quem está fora do campo.
Mais do que mostrar trabalho, o FC Porto está a trabalhar a perceção. Está a criar proximidade, a alimentar o sentimento de pertença e a transformar a pré-temporada num espaço de afirmação.
Há, no entanto, uma dimensão desta estratégia que merece atenção: a exposição pública do presidente. André Villas-Boas tem assumido uma presença muito forte na comunicação do clube. Esteve no centro das imagens do primeiro dia de trabalho, surge com frequência nos conteúdos de bastidores e teve já três intervenções públicas de relevo num espaço de mês e meio.
A presença presidencial faz parte da identidade do FC Porto e pode reforçar uma ideia de liderança e proximidade. Mas, numa estratégia de comunicação, existe sempre uma linha que exige equilíbrio: a mensagem do clube deve continuar a ser maior do que a mensagem da sua principal figura.

Sporting: a mudança sem perder a identidade
O Sporting parte para uma época diferente. Não porque tenha de reconstruir uma identidade, mas porque tem de renovar uma equipa que lhe deu dois títulos nacionais nos últimos três anos.
A pré-temporada surge, por isso, como um momento de transição. Há novos jogadores a integrar, novos equilíbrios a criar e uma necessidade clara: mostrar que a mudança não significa rutura.
A comunicação do clube tem seguido uma linha de equilíbrio, mantendo abertura, mas sem excessos. Os jogadores têm assumido espaço nos meios oficiais, com declarações e interação nas redes sociais, transmitindo uma ideia de normalidade num período de transformação.
Ao mesmo tempo, o silêncio público do presidente e do treinador parece ser uma decisão consciente. A principal atenção mediática está concentrada no mercado e qualquer aparição pública correria o risco de ser reduzida a perguntas sobre vendas, possíveis saídas e reforços. E no mercado, nenhum clube consegue controlar totalmente a narrativa, optando por não alimentar um espaço onde dificilmente conseguiria impor a sua própria mensagem.
O desafio passa agora por garantir que a discussão sobre quem sai e quem chega não ultrapassa a discussão sobre aquilo que permanece. Porque o maior desafio do Sporting não é substituir os jogadores que saíram. É demonstrar que a identidade que os levou a ganhar continua intacta.

Benfica: fechar-se no castelo
O Benfica vive um momento diferente. Os resultados da última época, todo o envolvimento em torno da mudança de treinador, a contestação ao presidente e a necessidade de disputar uma pré-eliminatória de acesso à Liga Europa criam um contexto onde a margem para erro é mínima.
Por isso, o clube optou por uma estratégia de contenção, tendo Marco Silva assumido o principal protagonismo comunicacional de uma pré-temporada marcada por imagens de treinos e bastidores divulgadas nos meios oficiais do clube. E o treinador foi assertivo. Falou da necessidade de reforços e de jogar melhor, deixando ainda um desafio público: estancar as fugas de informação, um ponto onde, defendeu, o Benfica tem de voltar a ser Benfica.
O Benfica fechou-se no castelo. Num momento em que a equipa vai realizar uma pré-temporada em competição, com uma eliminatória europeia pelo meio, o clube escolheu proteger o grupo, reduzir ruído e concentrar a mensagem no essencial. E, no clube, assumem e aceitam esse risco. Porque acreditam que, neste momento, a comunicação mais importante não será feita fora, mas sim dentro do campo.
E isso não é ausência de política de comunicação. É uma decisão de comunicação. No Seixal (e, principalmente, na Luz), sabem que só as vitórias trarão serenidade — e que esse é o único caminho para o Benfica voltar a ser Benfica."

Porque é que já não vemos futebol?


"À medida que o Campeonato do Mundo se aproxima do fim, dei por mim a pensar numa ideia aparentemente contraditória: nunca tivemos tanto futebol à nossa frente. E, paradoxalmente, talvez nunca o tenhamos visto tão pouco.
Há dias fiz a mim próprio uma pergunta estranha. Passei noventa minutos em frente a um jogo de futebol. Mas quantos desses noventa minutos passei verdadeiramente a vê-lo? À primeira vista, a pergunta parece absurda. Claro que vi o jogo. Vi os golos. As oportunidades. As substituições. As decisões do árbitro. Até a publicidade das pausas para hidratação. No final, até sabia as estatísticas. A posse de bola. Os remates. As defesas dos guarda-redes. Os cantos das duas equipas. Os quilómetros percorridos. Os mapas de calor. Mas, quanto mais pensava nisso, mais percebia que talvez tivesse visto apenas aquilo que todos viram. E quase nada daquilo que realmente aconteceu.
Hoje já não vemos apenas futebol. Comentamos futebol. Publicamos futebol. Discutimos futebol. Recortamos futebol. Apostamos futebol. Transformamo-lo em vídeos de quinze segundos — às vezes, menos. Vivemos o jogo em direto, mas muitas vezes deixamos de o observar. Há quem esteja no estádio e olhe mais para o telemóvel do que para o relvado. Há quem publique uma opinião antes de compreender o lance. Há quem critique uma substituição antes de perceber o seu efeito. E há até quem deixe de ver o jogo quando o seu ídolo sai de campo. O caso de Cristiano Ronaldo é particularmente revelador. Segundo um estudo, quando foi substituído no Portugal-Croácia, quase metade dos telespectadores deixaram de acompanhar a partida.
Talvez esse dado diga muito sobre o tempo em que vivemos. Para muitos, o jogo já não é o jogo. É o protagonista. É o momento. É o recorte. É aquilo que cabe no ecrã do telemóvel. Nunca tivemos tanto acesso ao futebol.
Nunca tivemos tanta dificuldade em contemplá-lo. Um jogo continua a durar noventa minutos, mas para milhões de pessoas resume-se ao momento que o algoritmo escolhe. O golo. O erro. A polémica. O meme. O resto desaparece.
Talvez seja por isso que tantos saíram deste Mundial convencidos de que viram tudo, quando, na verdade, viram sobretudo aquilo que as redes sociais decidiram mostrar-lhes.
Ver futebol nunca foi apenas olhar para a bola. É olhar para quem não a tem. Para o lateral que dá largura. Para o médio que fecha uma linha de passe. Para o central que corrige uma cobertura. Para o avançado que arrasta um defesa sem tocar na bola. Para o guarda-redes que orienta a equipa inteira antes de fazer uma defesa. O futebol vive tanto do que acontece como daquilo que está prestes a acontecer. E isso exige tempo. Atenção. Paciência. Tudo aquilo que o mundo moderno parece ter dificuldade em oferecer.
Talvez o exemplo mais evidente desta transformação tenha acontecido neste Campeonato do Mundo. Pela primeira vez, assistimos à introdução de duas pausas obrigatórias para hidratação em todos os jogos. Oficialmente, a medida foi justificada pelas elevadas temperaturas. Mas estas interrupções acabaram também por criar novos momentos de exposição televisiva e comercial, aproximando ainda mais o futebol do modelo dos grandes desportos norte-americanos, onde cada pausa representa uma oportunidade. Dentro das quatro linhas, o efeito também foi evidente. Muitos treinadores passaram a usar esses minutos como autênticas pausas técnicas. Reorganizam posicionamentos, corrigem comportamentos, ajustam a pressão, mudam a estratégia.
É um sinal dos tempos. O futebol continua a ser o mesmo jogo. Mas a forma como o consumimos, interrompemos, analisamos e vendemos está a mudar rapidamente. Durante décadas, o futebol foi uma experiência coletiva. Hoje, tornou-se também uma sucessão de estímulos individuais. Cada adepto vê o seu próprio jogo. Um segue as estatísticas. Outro acompanha os comentários no X. Outro espera pelo vídeo viral. Outro vê apenas o lance polémico. No fim, todos dizem que viram o mesmo jogo. Mas talvez já quase ninguém tenha visto exatamente a mesma coisa.
O futebol habituou-nos a discutir resultados. Mas deveríamos discutir também a nossa forma de olhar. Porque há beleza que não cabe num resumo. Há inteligência que não aparece num clip. Há movimentos que não se tornam virais. Há jogadores que fazem grandes jogos sem protagonizarem um único momento viral. Estamos a ganhar acesso. Estamos a ganhar informação.
Estamos a ganhar velocidade. Mas estamos a perder profundidade. O futebol não precisa apenas de melhores jogadores, melhores treinadores ou melhores árbitros. Precisa também de melhores observadores. Gente capaz de ver para lá do golo. Para lá do erro. Para lá do escândalo. Para lá do ruído.
Enquanto continuarmos apenas à espera do próximo momento viral, estaremos sempre a ver muito pouco do jogo mais bonito do mundo."

Génios dos negócios!!!

Fácil...

É o que acontece, quando a Final não é disputada pelas duas melhores equipas da competição...!!!

Zero: Mercado - Tem quase dois metros e vai reforçar o ataque do FC Porto

BF: Central...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Espanha consegue contornar a garra da Argentina?

Duas maneiras de ganhar um Mundial


"Há finais que simplesmente identificam um campeão para a História. Outras, mais raras, acabam por marcar uma época, não pelo resultado, mas pelo que revelam sobre o caminho que o futebol decidiu seguir. A de domingo, em Nova Jérsia, tem esse aroma. Não sei se ficará na memória pela qualidade do jogo. Sei que ficará pelo que representa.
Espanha e Argentina não são apenas duas grandes seleções que se encontraram no último jogo do torneio. São duas respostas diferentes à mesma pergunta: como se constrói um campeão? Uma responde com a paciência de um arquiteto. A outra, com a obstinação de quem ganhou tanto que deixou de acreditar em derrotas definitivas.
Comecemos pela Espanha, que chega a esta final sem precisar de pedir desculpa a ninguém. Já não é aquela seleção que vivia à sombra de 2010, recitando de cor os nomes de Xavi e Iniesta como quem reza um terço. É outra coisa. Luis de la Fuente construiu uma equipa capaz de mudar de protagonistas sem perder a identidade, e isso, mais do que qualquer nome próprio, é o que deve preocupar os adversários. Fabián Ruiz assumiu o comando do meio-campo e foi decisivo frente à Bélgica; Mikel Merino saiu do banco para marcar a Portugal e voltou a ser determinante mais tarde. Um selecionador capaz de deixar Pedri no banco numa meia-final de um Campeonato do Mundo sem que isso provoque um debate nacional possui algo que muito poucos treinadores conseguem alcançar: autoridade tranquila.
A vitória sobre a França foi muito mais do que uma qualificação para a final. Confirmou que esta Espanha defende tão bem como ataca. Ter sofrido apenas um golo até às meias-finais resume a solidez de uma equipa que, desde o Europeu de 2024, deixou de ser uma promessa para se transformar numa candidata permanente aos grandes títulos. Chegar a esta final com possibilidades reais de conquistar o segundo Mundial da sua história, dezasseis anos depois de Joanesburgo, não é fruto do acaso. É a consequência lógica de um trabalho que ninguém interrompeu a meio do caminho.
E é precisamente aqui que a reflexão começa a incomodar um pouco outros países.
Do outro lado aparece uma Argentina que talvez não jogue melhor do que ninguém, mas que continua determinada a não perder quando realmente importa. Sofreu contra Cabo Verde, contra o Egito, contra a Suíça e sofreu de forma quase indecente frente a uma Inglaterra que esteve a um remate de escrever a sua própria história de redenção. Esteve em desvantagem na meia-final, deu a volta ao resultado, sempre com a assinatura de Messi nas duas assistências da reviravolta. Aos 39 anos, o argentino disputa a terceira final de um Campeonato do Mundo, um feito que, até agora, apenas o mítico Cafu tinha conseguido. Há qualquer coisa de comovente e, ao mesmo tempo, desesperadamente eficaz nesta Argentina de Scaloni: a convicção de que competir bem vale tanto como jogar bonito e de que um título conquistado com sofrimento ocupa exatamente o mesmo espaço na vitrina. Se vencer, será a primeira seleção a revalidar um Campeonato do Mundo desde o Brasil de 1958 e 1962. Não é um pormenor. Demonstra a dificuldade de uma competição que, infelizmente para os amantes do futebol, obriga a esperar quatro anos por uma nova oportunidade.
E Portugal, onde fica no meio de tudo isto?
Cabe-lhe olhar de fora, o que já não é pouco depois do que aconteceu este mês. Há treze meses, em Munique, derrotou esta mesma Espanha na final da Liga das Nações, numa noite resolvida nos penáltis que ainda hoje é recordada com orgulho. Foi a demonstração de que Portugal tem qualidade suficiente para discutir qualquer jogo de igual para igual. Isso continua a ser verdade e ninguém o deve pôr em causa. Mas o futebol tem uma crueldade elegante: não perdoa distrações e os ciclos mudam muito mais depressa do que gostaríamos de admitir. Há poucos dias, nos oitavos de final deste Mundial, foi essa mesma Espanha quem eliminou Portugal, graças a um golo tardio de Mikel Merino, um lance que muito provavelmente colocou um ponto final na carreira internacional de Cristiano Ronaldo. Entre Munique e Dallas passaram apenas treze meses. Tempo suficiente para que tudo mudasse de lado.
A resposta portuguesa a essa eliminação talvez diga mais sobre o país do que a própria derrota. Em vez de dar continuidade a um projeto para que amadurecesse, a Federação mudou de selecionador em poucos dias e apostou em Jorge Jesus, aos 71 anos, para a sua primeira experiência à frente de uma seleção nacional. Pode revelar-se uma boa decisão; o seu currículo fala por si. Mas convém não confundir essa escolha com continuidade. Trata-se de uma rutura motivada pela urgência, exatamente o contrário do que fez a Espanha depois de perder finais ou meias-finais importantes. A Roja manteve o rumo, protegeu o projeto e teve paciência. A Espanha que hoje disputa o título é a mesma que Portugal derrotou na Alemanha e a mesma que, mais tarde, eliminou a equipa portuguesa no Texas. A diferença nunca esteve na qualidade dos jogadores. Esteve na paciência de quem liderou o projeto.
Do talento português já ninguém duvida. A questão continua a ser outra: saber se o país está disposto a esperar o tempo necessário para que um projeto dê frutos ou se continuará a procurar sempre a solução que promete resultados imediatos. É uma pergunta incómoda, mas talvez seja precisamente esta final que nos obrigue a fazê-la.
Para além do resultado, este jogo representa também o confronto entre dois símbolos do futebol contemporâneo: a Europa contra a América do Sul, o campeão do Mundo frente ao campeão da Europa, a capacidade argentina para resistir contra a ambição espanhola de dominar os jogos. É Messi, provavelmente numa das últimas grandes noites da sua carreira, frente a uma geração espanhola que mal tinha começado a ver futebol quando ele já conquistava títulos. Poucas finais reúnem com tanta clareza o fim de uma era e o nascimento de outra em noventa minutos.
Não sei quem vai levantar a Taça do Mundo, nem me atrevo a fazer um prognóstico. O que sei é que há finais que não se limitam a entregar um troféu. Também ajudam a explicar o momento que o futebol atravessa. E esta, estou convencido, será uma delas. Nós, do lado de fora, faríamos bem em olhar menos para o resultado de domingo e muito mais para o processo que, no fim, permite a uma equipa ou a uma seleção alcançar um grande objetivo."

A segunda final em castelhano


"O dia da final do Campeonato do Mundo de Futebol é sempre especial. Mesmo que o ambiente desiluda ou o jogo fique aquém do expectável. E isso, por vezes, acontece. Em relação à festa nas bancadas, devo desde já dizer que, em quatro das cinco finais que vi ao vivo, esta foi muito pobrezinha. O espetáculo envolvente é produzido a pensar nas plateias televisivas e não em quem está no estádio, e, pior ainda, como muitos milhares de ingressos são comprados com grande antecedência, sem que haja ideia de quem vai defrontar-se, já vi, em estádios com capacidade para 80 mil espetadores, haver dez mil apoiantes de cada equipa e 60 mil turistas do futebol que, por muitas fotografias que tirem, tornam o ambiente morno. A única final que vi com vida própria foi o França-Brasil de 1998, porque se disputou em… Paris; às restantes, Alemanha-Argentina (1990), França-Itália (2006), Espanha-Países Baixos (2010) e Argentina-Alemanha (2014) faltou a força de fora para dentro que se esperaria numa final do Campeonato do Mundo.
Quanto ao futebol, e tenho memória de todas as finais a partir de 1966, houve de tudo: polémica que subsiste até aos dias de hoje no Inglaterra-Alemanha (1966); vitória do futebol-arte, no Brasil-Itália (1970); duelo de titãs, Beckenbauer contra Cruyff, (1974); Argentina levada ao colo (1978); Itália sublime depois de Sarriá (1982); Diego Armando ‘Maravilha’ Maradona (1986); futebol resultadista (1990, 1994 e 2006); as cores unidas da França (1998); bom Brasil, vergonha na arbitragem (2002); y viva España (2010); o susto da Alemanha (2014); confirmação gaulesa (2018); e a final nivelada por cima mais equilibrada de sempre (2022).
E hoje? A arte de Messi ou o rigor de Rodri? A generosidade de Alvarez ou a afirmação de Yamal? Sclanoni na história, igualando Pozzo, ou De la Fuente como Vicente del Bosque?
Querem argumentos cabalísticos? Em 2010, antes da vitória de ‘La Roja’ em Joanesburgo, José Mourinho assinou pelo Real Madrid; em 2026, também. Em 2010, a Espanha eliminou Portugal, por 1-0, nos oitavos-de-final; em 2026, também.
‘Fait-divers’ à parte, a verdade é que, em estilos diversos, os (justos) finalistas se equivalem, nesta segunda final em castelhano (a primeira foi o Uruguai,2-Argentina,1, de 1930). Um desejo: o Mundial da América do Norte, que foi tão bem disputado, em palcos de luxo, merece uma final inolvidável.

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

O Mundial da exaustão


"Um mês e meio de olhos postos na América. Com o aproximar da época desportiva e a precoce eliminação portuguesa, parece que o tempo distendeu em algum momento. Não se deixem enganar, é mesmo o campeonato do mundo mais longo de sempre.
É o Mundial da exaustão. Exaustão da maratona de jogos, mas também exaustão de jogadores. Numa altura em que se debate o congestionamento dos calendários, este Mundial é business as usual: mais jogos dos melhores jogadores, das melhores equipas. Joga-se de julho a julho.
Falei em business? Este é o Mundial das receitas recorde. Bilhetes a preço de ouro, receitas record de direitos televisivos e patrocínios. Nos Estados Unidos tudo existe em proporções desmedidas. Começa no número de jogos, passa pelas receitas e acaba, claro, na influência política. Balogun e o Irão fizeram correr muita tinta. Talvez não a suficiente.
Este foi o Mundial em que o dinheiro calçou chuteiras. As pausas para hidratação, por entre jogos com tórridos 15 graus, travestiram de futebol uma medida metida a martelo para gerar mais dinheiro. Fez-nos perceber como o jogo e o momento das equipas é volátil: a ideia da pausa ser benéfica para quem estava pior no jogo foi repetida e com fundo de verdade.
Foi o Mundial das histórias de encantar. Vozinha foi o protagonista de um conjunto de selecções que se estrearam na prova. Talvez os jogadores de Haiti, Curaçau e Uzbequistão nunca sonhassem jogá-la. Este foi um dos méritos do alargamento. Embora nem sempre competitivas, foram selecções que trouxeram histórias e sonhos novos ao mundo. Num outro patamar, também a Noruega, nos ombros de Haaland, fez sonhar uma geração de noruegueses com feitos inéditos.
Também foi o Mundial do alargamento da intervenção do VAR. O fora-de-jogo automático é bem-vindo — alguém sente a falta do suplício da introdução de linhas? —, bem como o cronómetro para reposições de bola e substituições. Há números que comprovam o aumento do tempo útil. A lei Prestianni, a possibilidade de reversão de cantos ou de segundos amarelos servem a decência e a verdade desportiva.
Por fim, foi o Mundial do adeus. Pode ser o Mundial, mais um, que reforça a coroa na cabeça de Messi — mais uma Bola de Ouro a caminho? —, mas é o Mundial do provável adeus a Modric, Neuer, Neymar, De Bruyne, James e Van Djik. E claro, Ronaldo. O adeus de Portugal, numa participação muito enublada, deixa uma triste fotografia do melhor futebolista português de sempre. Para desilusão de todos, mas para surpresa de ninguém."

Argentina-Espanha: emoção 'versus' racionalidade


"Afinal de hoje coloca frente a frente aquelas que provaram ser as duas melhores seleções do Mundial 2026. Há algo que une Lionel Scaloni e Luís de la Fuente: ambos tornaram as suas seleções em presenças constantes nas decisões. O que os distingue é a forma como as suas equipas vivem o futebol. De um lado, uma Argentina movida pela emoção. Do outro, uma Espanha que faz da racionalidade a sua principal força.

Argentina: Uma equipa emocional
A Argentina é uma equipa emocional. A paixão que os jogadores demonstram sempre que vestem a camisola albiceleste é incrível. Esta seleção tem tudo aquilo que distingue as grandes equipas: garra, crença, união, qualidade e genialidade.
O mérito de Scaloni está em ter conseguido juntar a estes ingredientes uma boa organização coletiva, agressividade e uma enorme capacidade para ler os jogos. As alterações que promove, durante as competições ou nos próprios jogos, acrescentam quase sempre algo à equipa. Esta é uma seleção que nunca deixa de competir. Mesmo nos momentos de maior dificuldade, continua a acreditar e a lutar. Os jogos frente ao Egipto e à Inglaterra demonstram bem essa identidade. A forma como joga torna-a extremamente difícil de defrontar. A intensidade e a agressividade que coloca em cada lance condicionam qualquer adversário.
Defensivamente, apresenta processos simples, mas muito eficazes. Há entreajuda, compromisso coletivo e uma enorme capacidade para disputar cada bola. Ofensivamente, os argumentos são muitos.
No meio-campo, Enzo Fernández e Mac Allister formam uma dupla extraordinária. Têm visão de jogo, qualidade no passe, remate e capacidade para chegar à área adversária. Defensivamente, são agressivos, inteligentes no posicionamento e muito competentes na recuperação.
Na frente, Julián Álvarez é um avançado muito acima da média. Muitas vezes parece desligado do jogo e, de repente, marca um golo extraordinário ou oferece um passe decisivo que ninguém antecipava.
Depois há um jogador que faz crescer todos os que jogam à sua volta. Um jogador que torna o coletivo mais forte e potencia as qualidades dos colegas. Esse jogador chama-se Lionel Messi.

Espanha: uma equipa racional
A Espanha de De la Fuente chegou à final em todas as competições que disputou: Euro 2024, Liga das Nações 2025 e agora Mundial 2026.
Este percurso diz muito da qualidade do treinador espanhol, que já tinha conquistado um Europeu de sub-19 e um Europeu de sub-21. A liderança de De la Fuente é bem visível. O grupo está sempre acima dos estatutos e as individualidades crescem através do coletivo.
O sistema tático está perfeitamente consolidado, o ADN da equipa é evidente e as variantes surgem naturalmente em função das características dos jogadores que estão em campo. Esta é uma seleção que procura controlar todos os momentos do jogo. Demonstra coragem, organização e maturidade competitiva.
A reação à perda de bola é muito forte porque as linhas estão sempre compactas. Com bola, controla o ritmo do jogo e condiciona os adversários através da posse. Os laterais são competitivos nos dois momentos do jogo. O guarda-redes controla as costas da defesa e os centrais garantem qualidade na construção. No meio-campo, Fabián Ruiz e Pedri oferecem características diferentes.
Fabián acrescenta maior raio de ação, agressividade e capacidade nos duelos. Pedri oferece criatividade, visão de jogo e qualidade na definição. Dani Olmo completa o setor com inteligência na ocupação de espaços, compromisso defensivo e qualidade técnica.
Na frente, Oyarzabal é muito mais do que um avançado. Baixa muitas vezes para criar superioridade no meio-campo, ligar o jogo e abrir espaços para os colegas. É uma peça fundamental desta Espanha. Nas alas, o destaque vai para Lamine Yamal. Mágico, imprevisível e fortíssimo no um para um, decide jogos a qualquer momento.
Mais uma vez, percebe-se o mérito de De la Fuente. O coletivo cria constantemente as condições para que o talento individual apareça. Para o fim fica aquele que melhor representa a identidade desta seleção.
Rodri é o equilíbrio da equipa. Inteligente no posicionamento, criterioso com bola e sempre preparado para interpretar cada momento do jogo. Representa melhor do que ninguém aquilo que é esta Espanha: qualidade, organização, inteligência, compromisso e racionalidade.
O treinador espanhol sabe a importância que tem na equipa e nunca prescindiu dele. Os méritos de De la Fuente estão à vista de todos. Hoje pode acrescentar mais um capítulo a um percurso extraordinário.

A VALORIZAR: LIONEL MESSI
Não seria justo escrever sobre o Mundial de 2026 sem dedicar algumas linhas a Lionel Messi. Aos 39 anos, continua a ser, para mim, o melhor jogador da competição. Já não precisa de estar constantemente em contacto com a bola para dominar um jogo. Gere os ritmos da Argentina como poucos. Sabe quando acelerar, quando pausar, quando aparecer e quando deixar que o coletivo cresça. Continua a ler o jogo antes dos outros e a surgir nos momentos em que a equipa mais precisa. A qualidade técnica continua intacta. Marca golos, oferece assistências e decide jogos com uma naturalidade impressionante. Hoje, interpreta o jogo de uma forma ainda mais inteligente. O posicionamento e a tomada de decisão permitem-lhe continuar a fazer a diferença. Messi lidera de uma forma muito própria. Não precisa de grandes discursos. Lidera pelo exemplo e pela confiança que transmite aos colegas. O coletivo torna-o ainda mais forte e ele torna o coletivo melhor. Representa na perfeição a identidade da Argentina. Joga com a mesma paixão de menino, vibra com cada vitória e assume a responsabilidade nos momentos em que a equipa mais precisa. Independentemente do resultado da final, para mim o melhor jogador deste Mundial está encontrado. Nenhum jogador foi tão decisivo em tantos momentos da competição como o capitão argentino. Como apaixonado pelo futebol, sei que vou sentir saudades da genialidade de Messi.

A DESVALORIZAR: THOMAS TUCHEL
Foi receoso, leu mal o jogo e não ajudou os seus jogadores dentro do relvado. Inglaterra perdeu uma grande oportunidade de voltar a lutar pelo título mundial 60 anos depois."

A melhor final para um Mundial insosso


"Foram 39 dias, e os primeiros 18 só serviram para eliminar Uruguai e Coreia do Sul... Espanha e Argentina entraram como as melhores seleções e, sem surpresas, saem a discutir o título

38 dias longos depois do arranque da prova, chega hoje ao fim o Mundial 2026 com a final Espanha-Argentina, que pouco ou nada tem de inesperado — no início da competição, eram as duas primeiras seleções do ranking da FIFA e, se vencessem os seus grupos, como aconteceu, sabiam que só poderiam encontrar-se na final. Só a França, finalista vencida em 2022, se aproximava, em pontuação e em força da candidatura, atendendo à qualidade dos seus jogadores.
E esse foi precisamente o principal problema, dando-nos um Mundial insosso, pouco emocionante. As melhores seleções, com mais ou menos dificuldade, foram ganhando os seus jogos. Pela primeira vez na História, as quatro primeiras equipas do ranking da FIFA chegaram às meias-finais.
E aquela fase de grupos, a apurar 32 de 48 seleções, com muitas equipas (como Portugal) a garantirem o apuramento logo à segunda jornada mas sem terem vencido os dois jogos, quase só serviu para definir quem jogava contra quem quando começasse o verdadeiro Mundial (como Portugal deveria ter percebido, de forma a poder defrontar a Suíça em vez da Espanha nos oitavos...). Ah, e para Gianni Infantino garantir a reeleição como presidente da FIFA, por ter aberto a porta da fase final a seleções que de outra forma nunca poderiam sonhar estar lá... Das 16 seleções eliminadas, só Uruguai e Coreia do Sul caíram com alguma surpresa.
Houve campanhas entusiasmantes, claro. A de Cabo Verde acima de todas as outras — o campeão mundial moral, a única seleção que defrontou os dois finalistas de hoje e não perdeu com nenhum deles nos 90 minutos (0-0 com a Espanha e, nos 16 avos, 2-3 com a Argentina mas no prolongamento, e por causa dum autogolo) —, mas também as de Noruega e Marrocos.
Mas o Espanha-Argentina é mesmo a final ideal para este Mundial sem sal: o duelo entre a maior estrela do futebol, Messi, tão insosso fora de campo como picante dentro dele, e Lamine Yamal, quase seguramente o seu sucessor; o duelo entre a melhor defesa do Mundo, a da Espanha, e a maior alma do Mundo, a da Argentina.
Mas vendo como os sul-americanos sofreram golos de Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra na fase a eliminar, não percebo como podem aguentar o melhor ataque que já defrontaram; e mesmo com o génio de Messi e o coração de todos, custa-me a crer que encontrem espaço para marcarem pelo menos tantos golos quanto os que sofrerem..."

O elemento Rice na fórmula Tuchel


"Não há treinador que não procure a equipa perfeita, entre balões, tubos de ensaio, bicos de Bunsen, pipetas e constantes ameaças de explosão. Thomas Tuchel ficou muito mal visto (com razão) quando despiu a bata do experimentalismo para colocar quatro centrais numa linha de 5 para defender o 1-0 diante da Argentina nas meias-finais.
No entanto, já sou capaz de entender quando fez alinhar, na maior parte dos jogos, Elliot Anderson e Declan Rice atrás de Jude Bellingham, aquele que mais se assemelhou a um líder, mesmo com Harry Kane sempre presente e em todo o lado. O técnico alemão acreditou que a soma dos três formava um meio-campo inglês imbatível, com dimensão física e inteligência tática superlativas e ainda capacidade de chegada e criatividade. E, na verdade, as primeiras conclusões foram precisamente essas: era um meio-campo poderoso e o principal alicerce da candidatura britânica a levar o troféu novamente para casa, 60 anos depois.
Só que o agora reforço do Manchester City e o médio do Real Madrid foram dos melhores da seleção dos Três Leões no Mundial das Américas, o campeão inglês pelo Arsenal esteve uns furos bem abaixo. O que contrariou a teoria de Tuchel. Porque talvez Rice e Anderson não se tenham conseguido distinguir entre o 6 e o 8, e a divisão de funções prejudicou aquele que se assume como primeiro grande organizador na sua equipa e nos últimos anos na equipa nacional. Na verdade, foram pouco complementares e talvez devesse ter optado por um e juntado um elemento mais criativo ao seu 11. Como sempre, é mais fácil falar depois.
Fosse ou não coincidência, o jogo de ontem com a França, de atribuição do terceiro e quarto lugares, arrancou com um 'statement'. Aos três minutos, Rice adivinhou que Doué ia fazer um passe a cruzar todo o meio-campo. Recuperou a bola e assumiu a transição. À entrada da área, foi novamente o velho Declan. O remate forte e colocado deixou Maignan sem hipótese de reação. Talvez Tuchel tenha mesmo de reconstruir a fórmula."

BolaTV: Dias de Mundial...

LiveMode: Aquece vais entar #41

No Princípio Era a Bola - Espanha ou Argentina, quem vencerá o Mundial? Antevisão de uma final que promete ser épica

ESPN: Futebol no Mundo #613

TNT - Convocados...

Futpedia #18 - HORA DA VINGANÇA! SERÁ QUE É POSSÍVEL VENCER UM GÉNIO?! 🤔

Rabona: England ALMOST Throw It Away: 4-0 Up, Then CHAOS vs France | World Cup Day 33

AA9: WORLD CUP CHARITY MATCH | ENGLAND 6-4 FRANCE

domingo, 19 de julho de 2026

Concerto de Balneário | Bia Caboz, as Tridecacampeãs de Hóquei em Patins e os Bicampeões de Futsal

Benfica: dois 'reforços' a valorizar


"Rafa Silva e Pavlidis marcaram na vitória frente ao Villarreal e dão esperança aos benfiquistas de que, com uma equipa melhor, os jogadores mais valiosos possam voltar a destacar-se

Faltam cinco dias para o primeiro jogo oficial do Benfica em 2026/27 e, do que deu para ver até agora, a equipa está como seria de esperar: em ritmo de pré-época, com reforços ainda à procura de mostrar o que valem e jogadores em campo que entretanto vão sair do clube. Não adianta formar grandes certezas nesta altura, a partir da próxima quinta-feira é que vamos começar a saber o que vale esta águia.
Do amigável de ontem frente ao Villarreal (se bem que, mais uma vez, de amigável teve pouco, com algumas entradas algo escusadas dos espanhóis neste contexto...), fica a sensação que, entre olhar para quem vem ou para quem sai, os benfiquistas poderão desde já agarrar-se ao que já tinham. Os golos de Rafa e Pavlidis, ambos de belo efeito, devem dar esperança de que, se melhores dias vierem, jogadores cuja qualidade está mais do que provada saberão estar à altura para dar mais alegrias aos adeptos. O contexto será determinante, pois claro. Se o treinador conseguir colocar a equipa a jogar bem e a obter resultados positivos, todos serão valorizados - e alguns já sabemos o que isso significa.
Outros, no entanto, nunca mostraram na Luz o que podem - e devem - valer. São os casos de Barrenechea e Sudakov, por exemplo, que já não podem esperar muita paciência dos benfiquistas e têm de provar rapidamente que com Marco Silva vão agarrar a nova oportunidade. Seria expectável vê-los com mais fome nesta altura, porque não há varinhas mágicas que os tornem fundamentais para o Benfica de um momento para o outro. Sabemos que as águias estão à procura pelo menos de um médio defensivo, por isso eles também saberão...
Entretanto, Jhon Durán está a chegar, numa movimentação algo surpreendente da administração de Rui Costa. O valor do avançado colombiano é conhecido na Europa que o viu brilhar no Aston Villa, ainda que com as dúvidas naturais do que se seguiu na curta carreira. A posição não seria a mais prioritária a reforçar, mas Marco Silva queria algo além de Pavlidis e Ivanovic. Confesso que também não conheço muitos adeptos que não fiquem entusiasmados com um bom avançado em qualquer altura ou contexto. Noutros tempos, aliás, este anúncio seria motivo de euforia na Luz. As desilusões acumuladas nos últimos anos trazem consigo alguma contenção, o que até pode jogar a favor do reforço - e da equipa. Se correr bem, Durán trará golos e o empréstimo será visto como o agarrar de uma excelente oportunidade. Se correr mal, digamos que não será a primeira vez."

Zero: Mercado - Ex-Tottenham pode chegar ao Benfica a custo zero

BF: Trincos...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Benfica tem estrutura para conseguir reabilitar Jhon Durán?

Multinacional...

Quando o futebol tem a sua lógica


"Alemanha, Brasil, Uruguai e Portugal são, de forma quase consensual, as grandes desilusões deste Campeonato do Mundo. Parece fácil dizê-lo agora, porém, embora as expetativas estivessem altas, as quatro equipas apresentavam problemas sérios na sua constituição. Na raiz do problema, há uma crise de identidade no futebol teutónico, que atinge a própria matriz genética do jogador, a par de uma fratura geracional, no setor defensivo. A isto, Julian Nagelsmann somou decisões que comprometeram a sua própria liderança, com promessas não cumpridas e a gestão do caso Neuer, por exemplo.
O Brasil teve de incorporar Neymar para aumentar o coeficiente de génio de um Escrete, que não teve um Vinícius Júnior líder que o carregasse até fases adiantadas no torneio. Houve truques, fintas, grandes passes e alguns golos, mas de tamanho desequilibrador espera-se sempre mais. E esse passo de conseguir reunir todos à sua volta, através do foco total no objetivo, ainda não foi dado. Entretanto, Neymar foi um acessório de luxo e pouco mais. «Finished», como quis sentenciar Jorge Jesus. Curiosamente, dos quatro casos, só Ancelotti mantém a fé dos dirigentes.
Já Marcelo Bielsa tentou fazer evoluir o conjunto uruguaio dos duelos individuais e futebol direto para um jogo de posse, mais sustentado. 'El Loco' perdeu-se no excesso de informação, nas escolhas que fez — o acorrentar de Valverde a um flanco, por exemplo — e até na mensagem, e nunca teve a garra charrúa do seu lado nas Américas.
Portugal nunca foi favorito nem sequer candidato, perdido em equívocos e no 'status quo'. O futebol foi pobre e medroso, e nunca houve uma verdadeira equipa que expressasse tanto talento incorporado"

Os campeões do Mundo


"João Pinheiro saberá aproveitar a extraordinária experiência do Mundial para dar ainda maior enquadramento e qualidade à fantástica carreira internacional.

João Pinheiro
Em Portugal, o hábito é contestar. A crítica aos árbitros e às arbitragens apontam, muitas vezes, a razões pessoais, e tornam-se, pela transversalidade das redes sociais e pela sua voracidade, impensáveis e inadmissíveis.
João Pinheiro chega ao Mundial de futebol e conquista uma presença de inegável prestígio e qualidade. Arbitra três jogos (Suíça-Bósnia e Herzogovina, Canadá-África do Sul e Argentina-Suíça) e é quarto árbitro de Danny Makkelie no Marrocos-Haiti.
Enquanto no país se multiplicam, com absolutas responsabilidades da comunicação social, as questiúnculas e críticas, as dúvidas e questões, num país pequenino em tantas coisas e muito pouco virado para o engrandecimento e qualificação dos que, realmente, fazem a diferença quando em cotejo internacional de grandes responsabilidades, João Pinheiro segue o seu caminho, com Luciano Maia e Bruno Jesus, e permanece numa task force de treze árbitros para os jogos finais da competição, após ter obtido excelentes avaliações nas três partidas em que foi árbitro central.
Fica naturalmente sem nomeações para os quatro jogos finais, em que a geopolítica do apito fala mais alto e é importante ser equilibrado nas nomeações. Com ele, também sem jogos, ficam Marciniak, Sampaio, Faghani…
João Pinheiro é um árbitro ainda jovem (38 anos), e consigo aporta a possibilidade óbvia de ser designado para o Mundial de 2030, em Espanha, Marrocos e Portugal. Poucos imaginam a capacidade técnica, física e psíquica necessária para se chegar ao nível de um Mundial.
A esmagadora maioria dos que critica, aliás, nem sabe quantas são as Leis do Jogo. Mas arroga-se o direito de lançar atoardas, tantas vezes sob o anonimato, cobardia permitida pela voracidade das redes sociais.
João Pinheiro é um campeão do Mundo, e saberá, certamente, aproveitar a extraordinária experiência do Mundial da Américas para dar ainda maior enquadramento e qualidade à sua fantástica carreira internacional.

Bubista
Começou por surpreender o mundo com uma qualificação imaculada, num grupo do continente africano que incluía Camarões, Líbia e Angola. A carreira dos Tubarões Azuis no caminho para o Mundial fez da equipa do arquipélago mais a sul da Macaronésia a grande sensação.
Realidade insular, ultraperiferia, dificuldades suplementares em reunir um combinado de prestígio, eram apenas pequenos obstáculos de pormenor para Bubista, o treinador que tudo sabe do futebol do seu país, e que sempre pensou possível o milagre do apuramento.
Imagine-se o que se seguiu nas Américas: bater o pé a três campeões do Mundo (Espanha, Uruguai e Argentina), não está ao alcance de todos. Aliás, é acessível a muito poucos. Pois Cabo Verde entrou nas bocas do mundo pela sua determinação, pela garra, pela capacidade de encarar todos os momentos do jogo como se fosse absolutamente decisivos. E foram. Até projetarem a equipa do arquipélago atlântico do modo mais simples possível: ao mais alto nível do planeta futebol, orientando os adeptos numa lógica de crença e orgulho impensáveis alguns meses antes da aventura mundialista.
Bubista, com um punhado de heróicos cabo-verdianos, é campeão do Mundo. Mostrou a todos, aos seus e ao resto do mundo, que quando se une esforços em torno de um objetivo comum, não há tempo que nos faça esperar, não há baliza que nos faça duvidar…

Marc Cucurella
Há um ano, quando se sagrou campeão mundial de clubes pelo Chelsea, havia já deixado a sua marca inconfundível. Um lateral-esquerdo que se projeta com extremo, que faz da garra e da confiança marca de água, e do seu denso cabelo aviso claro aos adversários.
Marc Cucurella protagonizou uma das mais badaladas transferências do último mercado, trocando os blues de Stamford Bridge pelo Real Madrid. Mas antes de se afirmar no Paseo de la Castellana, volta a provar porque deixou, no último Europeu, Alex Grimaldo no banco: Cucurella é, para todos, um dos melhores laterais do mundo e, para muitos, o melhor.
A raça infindável, a capacidade física invejável, a vontade como joga, são cartões de visita do novo jogador merengue que, na sua seleção, é incontornável figura. Antes mesmo da final, Marc é já um campeão do Mundo, e quer juntar ao escudo de clubes a glória maior na sua seleção.

Lionel Messi
Começam a faltar palavras para falar deste rapaz de Rosário, cidade do futebol e de grandes rivalidades entre Newell’s Old Boys e Rosario Central. Aos 39 anos, a perceção do jogo que Messi demonstra é apenas mensurável na exata proporção da sua humildade.
Sem bola, a sua influência na seleção argentina é ainda maior do que quando a tem nos pés.
Porque procura a posição ideal, percebe os movimentos adversário, encontra linhas de passe e permite, quando a equipa volta a ter bola, uma rápida decisão aos companheiros.
O maior perigo de Lionel é, justamente, quando a sua equipa não tem a posse. Os oponentes reconhecem-no, e sabem que a magia, a qualidade técnica, a visão e a imprevisibilidade fazem o resto.
Marcador, assistente, ou simples elemento de equipa, Lionel Messi traz o puro futebol. Joga na equipa e a equipa joga com ele. Não espera que do céu surja o que quer que seja, nunca aponta para si, antes se integra no coletivo, percebendo exatamente que essa é toda a essência do jogo.
A Argentina joga com alma, com uma condição única que se traduz na presença de espírito e na qualidade de cada jogador transmitida ao todo. É aqui que entra o homem que, à beira dos 40, não precisa voltar para provar absolutamente nada. Porque nunca deixou de estar onde era preciso para levar os seus colegas a patamares de excelência.
Se noutros casos a piada se faz sozinha, com Messi basta, só, a segurança de um extraterrestre: na qualidade de passe, no brilhantismo da finta, na excelência do sentido coletivo, na capacidade de decisão, sempre que é necessário.
É isso que o faz estar junto a Edson Arantes do Nascimento e a Diego Armando Maradona como um dos três Olimpos.
Afinal, Leo é também D10S."

As ‘americanices’


"Tenho o maior respeito pelo sistema desportivo norte-americano, ao mesmo tempo baseado na escola, e sempre capaz de desenvolver eventos profissionais do mais alto nível. Quem tiver dúvidas do que afirmo, dê-se ao trabalho, recorrendo aos resultados dos Jogos de Paris/24, por exemplo, de ver quantos medalhados olímpicos, dos mais diversos países e nas mais díspares modalidades, provieram das Universidades e clubes dos Estados Unidos, onde encontraram meios físicos e apoio técnico para desenvolverem as suas capacidades.
Ou tente perceber o porquê do sucesso da NBA, NFL, NHL ou MLB, Ligas que movimentam todos os anos milhares de milhões de dólares, baseadas em pressupostos relativamente simples: apologia da verdade desportiva, através de um sistema de arbitragem permanentemente escrutinado, onde a meritocracia ganha de goleada ao corporativismo; e criação de equilíbrio entre as equipas, quer pela adoção de tetos salariais, quer pela implementação do sistema do ‘draft’, em que são as equipas com pior classificação as primeiras a escolher os melhores valores disponíveis.
Conseguem ainda, uma coisa mais, os norte-americanos: não sendo um país de futebol (ou ‘soccer’, se fizerem questão), encheram os estádios do Mundial, onde foram batidos recordes de assistência (eu sei que o maior número de jogos é indissociável deste facto, mas mal acabe o Espanha-Argentina será interessante fazer as contas à média de espetadores por jogo), e criaram riqueza através do espetáculo futebolístico, como nunca antes se tinha visto.
Mas uma coisa é respeitar o sistema desportivo norte-americano, adotando, inclusivamente, algumas das boas práticas que comporta, outra é, contra a cultura do futebol, ‘americanizar a martelo’ um jogo nascido em Inglaterra, que nunca rivalizou, do lado de lá do Atlântico, com o basquetebol, o futebol americano, o hóquei no gelo ou o beisebol. Espero que a UEFA abdique das verbas publicitárias criadas pelas chamadas ‘pausas de hidratação’, porque esse ‘time out’ desvirtua o futebol (e de início, refletindo pouco, até vi méritos nessa alteração); espero que nunca mais se copiem os intervalos musicais do Superbowl, como vai acontecer no domingo, mandando às urtigas as regras do futebol, que estipulam em 15 minutos a pausa entre a primeira e a segunda parte; e embora não me cause urticária, vejo como uma ‘americanice’ a entrega de anéis aos vencedores do Campeonato do Mundo. Espero, também, que nunca mais um Chefe de Estado se gabe de ter metido uma cunha ao presidente da FIFA.

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"

Maradona ainda joga


"Os cemitérios existem para os homens. As pátrias guardam os seus heróis noutro lugar. É aí que Diego vive. No coração da Argentina. 

Não é apenas uma memória. É uma presença. Diego Armando Maradona continua a entrar em campo. Sente-se no rumor das bancadas, na pele arrepiada de um hino gritado sem vergonha, na batida dos tambores que anunciam uma batalha e não apenas um jogo de futebol.
A Argentina nunca chega sozinha. Traz sempre uma multidão invisível. Entre todos os fantasmas e símbolos que a acompanham, nenhum pesa tanto como o de Maradona. Mas não pesa como um fardo. Pesa como uma herança. Como um coração suplementar que acelera quando as pernas já não chegam.
Messi deu ao país o Mundial que parecia destinado a fugir-lhe para sempre. No Qatar, levantou a taça e fechou uma discussão que apenas existia para quem não compreende a natureza da gratidão. Mas nem esse triunfo apagou Diego. Pelo contrário. A vitória de Messi devolveu Maradona ao centro da fotografia. Era impossível olhar para aquele grupo de jogadores sem sentir que caminhava acompanhado por alguém que já não podia ser visto, mas continuava a ser reconhecido.
Agora, neste Mundial, a história repete-se. Basta escutar a hinchada argentina. Maradona está em todos os cânticos, nas camisolas, nas bandeiras gigantes que atravessam as bancadas como velas de um navio antigo. Está nas tatuagens, nos murais improvisados, nas lágrimas de quem nunca o viu jogar e, mesmo assim, fala dele como se fosse um parente próximo. Há países que veneram os seus heróis. A Argentina conversa com eles.
Contra a Inglaterra, voltámos a ver Diego em todo o lado. Alguns jogos recusam envelhecer. Carregam dentro de si uma memória que nenhum calendário consegue domesticar. Quando argentinos e ingleses se encontram, é sempre mais do que um jogo.
Voltam os pibes de Malvinas, convocados pela emoção popular para um lugar onde a dor e o futebol aprenderam a falar a mesma língua. Volta o México 86. A Mão de Deus, insolente como uma gargalhada contra o destino, e o Golo do Século, essa corrida em que um homem levou atrás de si um país inteiro e deixou para trás todos os adversários, incluindo a lógica.
É por isso que Maradona ainda joga. Não porque os argentinos se recusem a aceitar a morte, mas porque compreendem que certos génios deixam de pertencer ao corpo sem nunca deixarem de pertencer ao sentimento.
Diego já não precisa de tocar na bola. Outros correm por ele. Outros inventam por ele. Messi fez isso durante anos com uma elegância diferente, sem procurar parecer-se com ninguém. E foi por nunca ter tentado ser Maradona que conseguiu caminhar ao lado dele.
O futebol gosta de medir tudo em números. Golos, assistências, títulos, recordes. Mas há patrimónios que não cabem em estatísticas. Maradona transformou-se numa forma de sentir a Argentina. Enquanto houver um menino a sonhar numa rua de Rosario, de Buenos Aires ou de Jujuy, enquanto uma bancada cantar o seu nome antes do apito inicial, enquanto uma camisola albiceleste acreditar que o impossível pode acontecer, Diego continuará a entrar em campo.
Os cemitérios existem para os homens. As pátrias guardam os seus heróis noutro lugar. É aí que Maradona vive. No coração da Argentina."

Messi e Maradó! A minha heresia é já adorar dois deuses


"A final está quase aí e cresce a discussão. O título acabará com as dúvidas? Há tantas perguntas para as quais não conhecemos resposta e esta pode perfeitamente ser mais uma. Diego não precisou mais do que de 1986 para ser o melhor de sempre e Léo não tem de ganhar amanhã para se afirmar em definitivo como o maior da história. O que resolve o problema de consciência de todo o crente da Igreja Maradoniana. Como eu. E evita comparações injustas.
Messi não teve de lidar com a 'fúria espanhola'. Maradona, sim. Cada relvado desaparecia debaixo da mesa ensanguentada do 'carniceiro' Goikoetxea e ainda teve de escapar da vingança de ‘Gaddafi’, general e carrasco da Juventus e da 'Azzurra', protegido pelo apelido. Gentile era só mesmo para os amigos. Poucos! Hoje, pedem-se expulsões por pisões e pitons cravados no Aquiles, mas na altura não havia esquisitices e uma carreira terminada antes do tempo era apenas dano colateral. Além de que Diego era tão imperfeito quanto especial. Apoiava Fidel, vestia um Che estampado, lutava contra o sistema e, sim, sucumbia à pressão e caía na tentação. E, apesar disso, porque nada disso o protegia, era mágico. Como ele mesmo dizia, ‘la pelota no se mancha’.
Hoje, a 'fúria espanhola' já não existe. Messi, que sempre foi protegido dos carniceiros, já não tem pela frente a Espanha de 'Goiko' ou de Picasso, mas a de Rodri, Olmo, Ruiz, Pedri, Oyarzabal e Gaudí. E ainda bem. Maradona nem por isso. Ficou com o tornozelo com o dobro do tamanho depois de marcar o Golo do Século e eliminou o Brasil quatro anos depois com um joelho desfeito, ao dar o golo a Caniggia.
Estou em paz e saciado. Continuo sem ter visto alguém com o talento de D10S e, a cada drible e genialidade, Léo recupera-o também para a espuma dos dias. «Ho visto Maradona», cantou-se há dias em Nápoles e não foi coincidência. Sei que enquanto a 'Pulga' jogar, o 'Pelusa' estará vivo. E também que Messi, a cópia que mais se aproximou do original, talvez uma versão sua 'mainstream', o ultrapassou largamente. Tornou-se maior, durou infinitamente mais tempo, conquistou mais troféus. Esqueçam! A minha Igreja pode dar-se ao luxo de adorar dois deuses."

3.º Bronze. 4.º Nada. Eu abolia este jogo


"França e Inglaterra defrontam-se hoje

Vou ser claro: o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares não faz sentido no futebol de seleções. Defendo que deve desaparecer. É uma incoerência competitiva.
Durante quatro anos, jogadores, treinadores e federações trabalham com um único objetivo: serem campeões do mundo. Nunca ouvi um treinador iniciar um estágio a dizer que a meta é conquistar a medalha de bronze. Nunca vi uma federação definir o terceiro lugar como objetivo estratégico. Simplesmente porque não o é.
No entanto, quando duas seleções perdem as meias-finais, espera-se que, em apenas três dias, mudem completamente o estado emocional e encontrem motivação para disputar um objetivo que nunca existiu. Isso não é gestão emocional. É uma ilusão.
Podemos falar de profissionalismo, respeito pela camisola e compromisso competitivo. Tudo isso faz parte da responsabilidade de representar uma seleção nacional. Mas não confundamos dever profissional com motivação genuína.
Quem perde uma meia-final do Campeonato do Mundo não está a pensar na medalha de bronze. Está a pensar na final que deixou escapar. É irreal acreditar que, em tão pouco tempo, um treinador consegue reconstruir emocionalmente um grupo para transformar a maior desilusão da competição num novo grande objetivo.
Nunca passei por essa situação. Felizmente, na Taça das Nações Africanas vencemos a África do Sul nas meias-finais e chegámos à final. Mas recordo-me perfeitamente de que uma das grandes motivações era precisamente evitar este jogo. Porque ninguém sonha disputar uma consolação. Sonha disputar o título.
O futebol moderno gosta de criar narrativas para tudo. Também criou uma para este encontro. Diz-se que o terceiro lugar é prestigiante, que fica para a história, que merece ser celebrado.
Não concordo.
O terceiro lugar não é um objetivo. É a consequência de uma derrota na meia-final. E transformar essa consequência numa conquista parece-me uma forma de suavizar aquilo que o desporto de alto rendimento nunca prometeu: conforto para quem falhou o principal objetivo.
Se queremos preservar a essência competitiva do Campeonato do Mundo, então devemos assumir uma ideia simples: o Mundial termina na final.
As duas seleções derrotadas nas meias-finais já demonstraram que pertencem à elite do futebol mundial. Não precisam de disputar mais noventa minutos para decidir quem perdeu menos.
A minha proposta é simples: eliminar o jogo de atribuição do terceiro lugar e reconhecer ambas como semifinalistas do Campeonato do Mundo. nem todas as derrotas precisam de uma medalha. Algumas precisam apenas de ser aceites.
Porque, no fim, nenhum jogador inicia um Mundial a sonhar ser terceiro. Todos começam exatamente com o mesmo sonho: levantar a Taça do Mundo."

SportTV: França - Inglaterra

LiveMode: Late Night #21

BolaTV: Dias de Mundial...

Rola Bola - Mundial #6 - Argentina/Messi remontada historica a final!

ESPN: Futebol no Mundo #612

TNT - Convocados...

LiveMode: Aquece vais entrar #40

No Princípio Era a Bola - O encontro que ninguém quer disputar: faz sentido haver um jogo do terceiro e quarto lugar no Mundial?

Rabona: My World Cup FINAL Predictions: Messi vs Yamal, Who Wins It ALL?

AA9: Mundial - Previsão...

AA9: Mundial - LIONEL MESSI'S 9TH BALLON D'OR IS INEVITABLE...?

FIFA: Argentina...

FIFA: Espanha...

UM PASSO EM FRENTE


"BENFICA 2 - 0 Villarreal

1.
Depois de Fábio Veríssimo contra o Flamengo, temos hoje o António Nobre. Não sei quem escolhe os árbitros para estes jogos, mas se, em fase de preparação, querem já habituar os nossos jogadores para o que aí vem na época oficial, pois fizeram muito bem!

2.
António Silva no 11, Samu na baliza e Kaminski na esquerda da frente. Certo, certo é que não vamos ver no Villarreal a mesma despropositada agressividade que vimos no Flamengo.

3.
Arranque do jogo com o Benfica bem na pressão e nas antecipações, menos bem nos passes no último terço, desperdiçando várias das boas recuperações de bola que conseguiu fazer. Entretanto, o senhor Nobre a não ser nada Nobre no juízo de uma falta mais amarela do que a cor da camisola do homem que ceifou Rafa sem ter a bola ao alcance. É a tal preparação extra. 

4.
Primeira parte tornou-se penosa para os espetadores desde a paragem para hidratação. Se o jogo com o Flamengo foi oitenta em intensidade, este de hoje tem sido para aí oito.

5.
Manu a central para a segunda parte. Para o lugar do António Silva, para rodar com o Langlet? Não, precisamente para o lugar do francês. Que estará na cabeça de Marco Silva? A verdade é que deu conta do recado, Manu é muito competitivo, gosto de jogadores assim.

6.
Já vinha a achar o Rafa um dos que melhor está a entrar na época. A jogada e o chapéu que hoje deu em golo foi uma coisa do outro mundo. Que esteja de regresso ao seu melhor, bem precisamos de um jogador como ele em forma. Outro que tem aparecido bem é o Bah.

7.
Sudakov é que não há meio de justificar o investimento avultado que fizemos nele. Vamos ter paciência enquanto Marco Silva a tiver.

8.
Segunda parte com muitas bolas divididas a resultar em paragens de jogo. E grande domínio da nossa parte.

9.
Pavlidis, que vinha fazendo um bom jogo ali mais ou menos a nove e meio, a ligar jogo, muito associativo, fez um magnífico golo como excelente nove que é. Belo trabalho.

10.
Um passo em frente. Vamos continuar a melhorar com a chegada dos mundialistas e um ou outro reforço. Daqui a uma semana já é a doer."

A pré-época expresso terminou frente ao Villarreal sem que o Benfica ainda esteja seguro de si


"A menos de uma semana da estreia oficial frente ao St. Gallen, o Benfica venceu o Villarreal (2-0) no segundo jogo de pré-época aberto ao público. Os encarnados ainda parecem estar a reler os apontamentos à pressa antes do exame, mas já se percebeu que Marco Silva não é de todo José Mourinho. Não se viu nada de transcendente dos reforços e os jovens da formação foram só assinar a folha de presenças

Foi uma pré-temporada expresso do Benfica. A vitória contra o Villarreal (2-0) foi apenas o segundo amigável à porta aberta e eis que, da próxima vez que entrar em campo, já será para um jogo oficial, contra o St. Gallen.
A menos de uma semana desse encontro, Marco Silva não incorreu numa overdose de substituições ao intervalo e manteve a equipa caracterizada durante a maioria do tempo. Os processos ainda estão enferrujados, mas, pelo menos, os encarnados levam do Algarve mais repetições.
Vangelis Pavlidis teve uma postura particularmente séria. No lance do primeiro golo, baixou, recebeu de costas, rodou e distribuiu numa exibição plena dos seus melhores atributos. Com um chapéu, Rafa adiantou os encarnados (52’). Na demonstração de valências do avançado grego, faltava a finalização, capacidade que ficou patente com um remate em jeito para o fundo da baliza espanhola (76’).
Oxalá o Benfica tivesse tantos adversários no campeonato que quisessem jogar de igual para igual como o Villarreal. Nesse sentido, o jogo foi o teste demasiado fácil à capacidade de imaginação. Ficaram sobretudo alguns laivos de mobilidade e contramovimentos executados na segunda parte quando o adversário da La Liga perdeu energia.

🎨 Pintado de fresco
A marcação zonal e a maneira como o Benfica se especializou na execução da estratégia defensiva era uma das grandes bandeiras de José Mourinho. Marco Silva, 14 anos mais novo, enveredou pela tática em voga. Os jogadores encarnados não precisam de grandes indicações para pressionar. Basta-lhes colocarem o velcro ao jogador mais próximo e irem com ele até ao areal da Quarteira, se for preciso. Os laterais Alexander Bah e Samuel Dahl abandonaram por completo o ponto de partida para condicionarem os extremos em espaço interior. Com referências individuais, em certos momentos, as águias conseguiram causar sufoco aos espanhóis em armadilhas que muitas vezes terminaram em falta.

😍 Convence-me se puderes
Clément Lenglet não é o tipo de defesa imperial que sustente uma equipa como Jan Bednarek fez na vitoriosa campanha do FC Porto. No entanto, mata as saudades que o Benfica tinha de jogar com um central canhoto. Tem qualidade de passe para inventar ligações que batam pressão. O alinhamento com o parceiro não foi total, mas também não vale a pena tornar-se melhor amigo de António Silva, que está em vias de rumar à Premier League. Talvez seja melhor criar química com Gabriel Índio, que esteve pouco mais de cinco minutos no relvado. No lado esquerdo do ataque surgiu Jakub Kamiński que, encostado ao flanco, parece ter pouco a acrescentar ao jogo do Benfica.

🐣 Saídos da casca
A desvantagem de Marco Silva não conhecer o plantel do Benfica, nem mesmo os jogadores com mais estatuto, é a necessidade imperativa de testar quem transitou da época passada e os reforços nos papéis que quer ver desempenhados na sua ideia de jogo. Ao contrário do que aconteceu frente ao Flamengo, encontro em que Jaden Umeh foi titular, não houve espaço entre os titulares para jogadores formados no Seixal que ainda não se tenham estreado oficialmente na equipa principal. A aposta no irlandês não teve continuidade devido à lesão sofrida pelo jovem de 18 anos. Miguel Figueiredo e Rui Silva, lançados aos 81,' entraram apenas para assinarem a folha de presenças.

🖼️ Estado da arte
O Benfica não vai chegar num nível fulgurante à estreia oficial contra o St. Gallen. Apesar da pré-eliminatória da Liga Europa contra os suíços decidir um objetivo tão importante para a dignidade do clube da Luz, a viagem a território helvético não será mais do que um prolongamento da pré-época. A ausência dos jogadores que estiveram presentes no Mundial – Tomás Araújo, Amar Dedić, Richard Ríos, Fredrik Aursnes, Andreas Schjelderup e Dodi Lukebakio – talvez traga melhorias."