E a saida de jogadores não considerados imprescindíveis e com mercado.
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) June 4, 2026
E assim cai por terra mais uma ladainha dos media e das televisões, de que o Benfica iria fazer uma revolução e que o clube já tinha perdido tempo precioso para preparar o novo plantel.
O INDEFECTÍVEL
Pelo Benfica! Sempre!
Últimas indefectivações
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Ladainhas...
21 dias...
"Florentino Pérez publicou um vídeo, gerado por inteligência artificial, onde José Mourinho aparece como trunfo eleitoral e novo treinador do Real Madrid. A ficção tecnológica apenas acompanha a realidade que já todos conhecemos.
A indignação que o vídeo está a gerar não é equivalente (porque não houve) ao anúncio, feito nos últimos dois dias - em todos os meios de comunicação e sem IA - do novo treinador do SL Benfica, quando, será bom também recordar, ainda há um contrato em vigor com o atual.
Já toda a gente sabe quem será o próximo inquilino do banco do SL Benfica. Conhece-se o nome, o salário e até a duração do contrato. Falta apenas a oficialização. É evidente que existem procedimentos legais e burocráticos que exigem tempo. Mas talvez, se a semana de Rui Costa não durasse 21 dias, tivesse sido possível evitar tanto espanto."
Eleições na Segunda Circular
"Depois das eleições do Real Madrid, que deixaram em suspenso o futuro do Benfica, agora é a luta por votos no Fenerbahçe que pode deixar marca no verão do Sporting
Se as eleições do Real Madrid já tinham deixado em suspenso a preparação da nova temporada do Benfica, agora é a disputa presidencial do Fenerbahçe, marcada também para o próximo fim de semana, que veio agitar o defeso do Sporting.
Luis Suárez foi escolhido como trunfo eleitoral de Hakan Safi, candidato à presidência do emblema turco, e os milhões prometidos terão seduzido o avançado colombiano, pelo menos para início de conversa. O Sporting aponta para a cláusula de rescisão, até porque Suárez, contratado há um ano, não integra o «dossiê fim de ciclo» que a SAD liderada por Frederico Varandas abriu em Alvalade, mas esta cobiça ao Bola de Prata pode deixar marca para além da votação de domingo, mesmo que Safi não seja eleito.
Ainda assim o maior desafio do presidente leonino continua a ser a solução para jogadores que ele próprio empurrou para a porta de saída, mas para os quais a procura do mercado pode não ir bem ao encontro do retorno desportivo que têm dado, ou - mais relevante ainda - da expectativa de encaixe financeiro que a estrutura leonina tenha para esta janela de verão.
Do outro lado da Segunda Circular está tudo à espera das eleições do Real Madrid, mas só uma derrota (inesperada) de Florentino Pérez perante Enrique Riquelme pode baralhar as decisões já encaminhadas. Espera-se que o regresso de José Mourinho à equipa merengue seja confirmado na próxima semana, e assim Marco Silva verá consumada a desejada mudança para o Benfica.
Entre ignorar a renovação pedida publicamente por Mourinho ou ceder às pretensões do técnico, Rui Costa quis tudo e não quis nada, enquanto o Special One geria a comunicação. Embora os sinais da equipa não tenham sido convincentes, é provável que Mourinho deixe novamente a Luz com a sensação de que havia mais para dar, mas o inesperado regresso ao Real - e ao topo do futebol mundial - surge como desforra saborosa.
O desfecho final até pode ser airoso para todas as partes envolvidas, mas não há ninguém que fique bem nos negativos dos retratos desta segunda passagem do técnico setubalense pelo Benfica.
Marco Silva já mostrou capacidade para ocupar o banco da Luz, mas todo o processo da troca de treinador condiciona também a afirmação do antigo técnico do Fulham, ainda que este tenha noção (alguma, pelo menos) do desafio que o espera."
€300 milhões/ano com a centralização
"Quando uma sociedade desportiva recebe a apresentação da Liga sobre a centralização e a receita total anual apenas prevê três cenários (250, 275 e 300 milhões de euros) fica com uma certeza e uma grande esperança — a certeza é que, na pior das hipóteses, a receita anual vai ser de 250 milhões de euros e a esperança é que o valor vai ser superior a 300 milhões de euros.
Em abril de 2025, na tomada de posse, o presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, geriu bem as expectativas. Assumiu que naquele momento a Liga não tinha qualquer proposta — quando viesse a ter, seria sempre superior a zero.
Estão de parabéns o presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, o CEO André Mosqueira do Amaral e as sociedades desportivas que trabalharam arduamente neste dossiê, o número é fantástico. Há mais de um ano, escrevi aqui em A BOLA que, com a centralização, a receita total ia crescer, mas nunca tinha imaginado um valor tão impressionante.
A chave proposta para aprovação na próxima semana ainda é demasiado complexa. Até dia 30 de junho há bastante tempo para partir pedra e conseguir uma chave mais simples e em que se revejam os três maiores, o SC Braga e o Vitória de Guimarães, a classe média-alta da I Liga, a classe média baixa da I liga e toda a II Liga. Unanimidade será impossível, mas haver uma grande maioria a aprovar é importante.
Em vez da proposta da chave, talvez pudessem ter começado por apresentar as propostas que garantem o mínimo dos 250 milhões de euros por ano.
A Liga, local da próxima batalha de Villas-Boas
O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, quando foi eleito, tinha várias batalhas internas para ganhar. Bastava não ganhar uma e perderia a guerra. A financeira (1), a desportiva (2) e a relação com os adeptos (3). Por esta ordem, que o momento que o FC Porto vivia e o expressivo resultado das eleições revelava a hierarquização das prioridades dos sócios. Ganhou todas.
Na próxima época, AVB vai privilegiar novamente a vitória do campeonato — é impossível vencer a Champions. Tem um possível marco histórico no horizonte, ser durante a sua presidência que o FC Porto ultrapasse o Benfica como o clube com mais campeonatos conquistados (38-31 a favor do Benfica, neste momento).
Aventou, no passado, propor uma limitação do número de mandatos aos presidentes do FC Porto, o que é um erro, como se tem revelado em outros setores em que foi adotada — no poder local, por exemplo. Importante seria limitar a idade máxima em que alguém pode ser presidente do FC Porto.
No final dos anos 80, numa crónica de A BOLA sobre Bernard Hinault e os seus Tour de France, contava-se uma história passada no início da sua carreira, em que ainda era um jovem e não tinha ganho a prova. Estava em segundo lugar nessa edição e todos os dias atacava e testava o líder. Numa conversa informal, um jornalista experiente tinha-o aconselhado a gelar o sangue quente, poupar energia e atacar uma única vez. Hinault respondeu-lhe que o primeiro estava muito mais forte do que ele, que só lhe ganharia se o adversário tivesse um dia mau e só saberia se ele estava num dia mau se atacasse todos os dias. Ficou em segundo e depois ganhou cinco edições do Tour.
Em 2011, à saída de uma conferência numa sala do primeiro andar do Altis, encontrei Pinto da Costa. Nessa noite, o FC Porto ia jogar a segunda mão de uma meia-final da Taça de Portugal com o Benfica, com quem tinha perdido no Dragão, por 0-2, na 1.ª mão. Disse-me que o jovem treinador (AVB) estava convencido que iam passar à final. Antero Henrique também acreditava. Alugaram um jato privado para que um jogador sul-americano pudesse chegar a tempo e jogar. O plano era esse jogador dormir até à hora do jogo, mas pediu para ser acordado, almoçou com os colegas e voltou a dormir. O FC Porto ganhou 3-1, passou com a antiga vantagem dos golos fora de casa. Ainda no relvado, o único comentário de Antero Henrique à épica vitória foi «temos de ganhar a final». Ganharam.
A próxima batalha de AVB vai ser liderar a Liga. Tem dois caminhos: converter Reinaldo Teixeira ou um seu candidato vencer as eleições em 2027.
A importância de João Palhinha
Se cada português teria feito uma convocatória diferente, poucos o teriam excluído da convocatória da Seleção Nacional que vai disputar o Mundial.
Pela sua qualidade e por ter características muito diferentes de todos os outros convocados. Experiente, tem 30 anos, foi internacional 55 vezes e já esteve presente em fases finais de Mundiais e Europeus. Foi campeão de Portugal, jogou três anos na Premier League e um na Bundesliga, no Bayern de Munique. Esta época foi decisivo na salvação da descida de divisão do Tottenham, como a exigente imprensa inglesa justamente enalteceu. Tão improvável era a descida, que o facto de ter sido possível nas últimas jornadas dividiu a atenção mediática com a luta pelo título entre o Arsenal e o Manchester City. A forte personalidade e coragem que revelou nos últimos e dramáticos jogos são o seu normal.
Marcou vários golos decisivos, jogou lesionado (apesar de estar emprestado ao Tottenham pelo Bayern e ser ano de Mundial) e até esteve disponível para fazer vários jogos adaptado a central, como naquele que garantiu ao Tottenham terminar a fase de grupos da Champions num dos oito primeiros lugares, evitando o play-off.
As condições atmosféricas em que o Mundial vai ser disputado vão exigir jogadores com caráter e que ultrapassem os limites do humanamente possível (intervalando temperaturas elevadíssimas e interrupções prolongadas sempre que trovejar). A confirmar-se o regresso a Portugal na próxima época, a equipa que o contratar sabe que se no inverno tiver três jogos numa semana, um em casa com o Gil Vicente, dias depois em Old Trafford para a Champions e o último numa fria segunda-feira à noite em Viseu, o João Palhinha vai disputar os 270 minutos dos três jogos com a mesma intensidade e mentalidade vencedora."
Mundial 2026: a grande oportunidade de Portugal
"«Vejo a França em primeiro lugar, por um lado porque sou francês, mas também porque chegámos às duas últimas finais. Espanha, Argentina, Portugal e Inglaterra são candidatos promissores.»
Thierry Henry, antigo internacional francês e atual comentador
Falta uma semana para o início do Mundial, a expectativa vai aumentando e há razões para isso.
Nas casas de apostas, Portugal surge no sexto lugar entre os candidatos; nos cálculos do supercomputador da Opta está até mais acima, em quinto; tem também o quinto plantel mais valioso entre os 48 finalistas.
E sem surpresa, vai sendo apontado entre o lote de principais candidatos. Mas tirando a Liga das Nações da época passada, tem falhado sistematicamente em fases finais depois de vencer o Euro 2016. Depois disso caiu com Uruguai em 2018, Bélgica em 2021, Marrocos em 2022 e França em 2024. Com exceção dos franceses, mas numa competição em que se despediu depois de seis horas seguidas sem conseguir sequer fazer um golo, tudo seleções boas mas teoricamente inferiores. E é bom não esquecer as qualificações em que alterna boas exibições com outras embaraçosas.
No jogo das expectativas, Portugal tem saído a perder. É normal que elas estejam altas, porque Portugal tem, realmente, dos melhores do Mundo — dos melhores laterais aos melhores médios, sobretudo. E quem sabe, num país de pouco mais de 10 milhões, durante quanto tempo isso será realidade?
Esta é, portanto, uma grande oportunidade, talvez a melhor numas quantas décadas, de chegar à final dum Mundial — e, quem sabe, vencer. Convém não a desperdiçar."
Portugal quer ou não ser campeão do Mundo?
"Mundial já começou a ser jogado na cabeça de cada jogador, na cabeça do selecionador. Não se escondam no jogo de palavras. Muito menos do… jogo
Se eu fosse Roberto Martínez haveria de colocar uma frase de Henry Ford no balneário de Portugal: «Se acreditas que consegues ou se acreditas que não consegues, tens razão nos dois casos.». Uma frase que é muito mais do que um jogo de palavras, é a certeza de que todos os caminhos que levam ao sucesso ou ao insucesso começam numa convicção que formulamos na nossa mente. Que somos aquilo em que acreditamos. Por isso, a dias do arranque de mais um Mundial, chegar ou não a dia 19 de julho em condições de ganhar um inédito Mundial depende muito dos jogadores acreditarem se conseguem ou não.
A vitória na Liga das Nações abriu portas a algumas nuances no discurso de Martínez e dos jogadores. Escondem-se menos no jogo de palavras que nos colocam como «candidatos mas não favoritos»; e ainda menos no entediante «jogo a jogo e no fim fazem-se as contas». Vale que eu acho que este discurso tem menos a ver com falta de fé e mais com o receio de que, se não formos campeões do Mundo, o discurso ambicioso se vire contra os seus autores e sirva como baliza de avaliação do trabalho feito, aumentando a sensação de desilusão. O medo que a ambição deixe de ser uma mola impulsionadora e passe a ser um boomerang que vai atingir os autores do discurso. Erro.
A ambição nunca é desmedida. Desmedidos podem ser os objetivos assumidos. Desmedidos porque irrealistas. Porque exagerados. E não há ponta de exagero em Portugal assumir que tem por objetivo vencer o Campeonato do Mundo. Não há quem entenda um pouco de futebol que considere isso irrealista. Pelo contrário.
Porque nenhum discurso ganha jogos e porque nenhuma declaração marca golos, o que eu gostava mesmo era de ver uma Seleção mandona, ousada, de peito feito. Não a demasiado cautelosa e calculista, como que alternando entre o espírito dos Velhos do Restelo e o da Padeira de Aljubarrota.
Haverá adversários fortíssimos, momentos de sofrimento, detalhes que podem decidir destinos. Situações em que tudo parece perdido e um lance trás a salvação. E há também a certeza que este mundial não será jogado apenas nos 90 minutos de cada jogo. O mundial já está a ser jogado. Jogo que começou na cabeça de cada um dos protagonistas.
Ser campeão está longe de ser uma forma de jogar.
Ser campeão está longe de ser a soma dos talentos de uma equipa. Ser campeão é em primeiro lugar uma forma de pensar. Até de respirar. O bafo sente-se. Uma forma de olhar. Penetrante. Até uma forma de sorrir. Desconcertante. Ser campeão é também uma forma de sofrer.
Veja-se a Liga dos Campeões: Vitinha, Nuno Mendes, João Neves e Gonçalo Ramos já eram campeões antes de a final começar. Bastava olhar para eles. E é esse olhar que quero ver nesta seleção. Por respeito por ela própria. Por respeito por nós.
Gostava também de ver desmentida uma tese que me inquieta há muito: Portugal só se transcende na Europa. Ou nos europeus ou nos mundiais jogados perto de casa (3.º em Inglaterra; 4.º na Alemanha). Sempre que joga noutros continentes, o saldo varia entre o medíocre e o mau. Aconteceu no México, Coreia do Sul, África do Sul, Brasil e Qatar.
Podemos não ganhar o Mundial, pode muito bem haver que se mostre mais forte ou tenha a sorte dos momentos e dos detalhes. Mas que seja visível que não ficou nada por fazer, nada por dar, nada por acreditar. Que não ficou nada por ser."
Integridade no Desporto: o Valor da Confiança
"O Campeonato do Mundo da FIFA é muito mais do que uma competição entre seleções. É o maior palco do futebol global, o momento em que o planeta suspende fronteiras, diferenças e conflitos para se reconhecer numa paixão comum. Durante algumas semanas, o futebol mostra a sua força mais pura: unir povos, inspirar gerações e transformar noventa minutos numa memória coletiva.
Mas o brilho do Mundial não pode ocultar a realidade. O futebol atravessa uma encruzilhada histórica. Nunca foi tão poderoso, tão rico, tão global e tão influente. Mas também nunca esteve tão exposto a riscos que ameaçam o seu ativo mais precioso: a confiança.
Corrupção, conflitos de interesse, opacidade financeira, manipulação de competições, apostas ilegais, abuso de poder, défices de boa governação e resistência ao escrutínio independente continuam a desafiar a credibilidade do jogo. E quando a credibilidade vacila, todo o ecossistema fica em risco: atletas, adeptos, clubes, ligas, federações, patrocinadores, investidores e instituições públicas.
O FIFAGate foi o momento de rutura. Expôs ao mundo aquilo que muitos suspeitavam e poucos enfrentavam: que a paixão popular podia ser capturada por sistemas fechados, sem transparência, sem controlo efetivo e sem verdadeira prestação de contas. Não foi apenas um escândalo judicial. Foi um abalo moral. Um aviso brutal de que nenhum poder no desporto é grande demais para cair quando perde a confiança daqueles que deve servir.
Foi nesse contexto que a SIGA nasceu. Não como mais uma voz no coro das boas intenções, mas como uma resposta reformista, independente e global à maior crise de integridade da história do desporto. A nossa missão foi clara desde o primeiro dia: transformar a indignação em ação, os princípios em padrões e a confiança em responsabilidade verificável.
Hoje, a SIGA é a principal coligação mundial para a integridade no desporto. A sua pegada é verdadeiramente global. Reúne organizações desportivas, governos, empresas, universidades, especialistas, juventude e sociedade civil em torno de uma agenda comum: boa governação, integridade financeira, transparência, proteção dos direitos humanos, igualdade, sustentabilidade e avaliação independente.
O progresso alcançado é real. A integridade deixou de ser um tema periférico para ocupar o centro da agenda internacional. A governação deixou de ser linguagem técnica para se tornar exigência pública. A transparência deixou de ser promessa para se tornar critério. E o escrutínio independente deixou de ser incómodo para se tornar indispensável.
Mas não confundamos progresso com missão cumprida.
O futebol continua a enfrentar forças poderosas que preferem a opacidade à verdade, o privilégio à responsabilidade e o silêncio à reforma. Há ainda demasiadas decisões tomadas longe do escrutínio público. Demasiados interesses cruzados. Demasiada resistência à fiscalização independente. Demasiada tentação de tratar a integridade como comunicação, quando ela tem de ser cultura, sistema e compromisso.
A posição da SIGA é clara e inegociável: a integridade não se proclama, prova-se. A independência não se declara, exerce-se. A reforma não se adia, cumpre-se.
O futebol não precisa de menos paixão. Precisa de mais confiança. Não precisa de menos ambição. Precisa de melhor governação. Não precisa de proteger instituições a qualquer custo. Precisa de proteger o jogo, os atletas, os adeptos e as gerações que nele acreditam.
O futuro do futebol não será decidido apenas nos estádios, nas finais ou nos gabinetes de poder. Será decidido pela coragem das suas instituições em serem transparentes, responsáveis e dignas da confiança que milhões nelas depositam.
Porque, no fim, há uma verdade simples: sem integridade, o futebol pode continuar a ser espetáculo, negócio e indústria. Mas deixará de ser aquilo que o tornou universal.
A confiança é o capital mais valioso do desporto. Perdê-la é fácil. Reconquistá-la exige liderança, coragem e reforma. É essa a missão da SIGA. E é esse o desafio maior do futebol."
Bósnia: Miralem Pjanić, o médio que fugiu da guerra e passava 17 horas num autocarro para ver a sua seleção jogar
"Cresceu no Luxemburgo, fez-se jogador em França e Itália, mas nunca esqueceu as origens: o jogador que liderava o meio-campo com a suavidade de um pianista escapou da guerra sempre quis representar a seleção do país onde nasceu, que ajudou a qualificar para um inédito Mundial, em 2014.
Não fosse um ataque de choro, ato absolutamente normal em bebés, e a vida de Miralem Pjanić talvez não fosse a mesma. Talvez não se tivesse tornado futebolista, maestro de meio-campos tão diversos como os de Metz, Lyon, Roma, Juventus ou Bósnia. Talvez não tivesse feito parte da primeira equipa a levar a seleção bósnia a um Mundial. Mais que isso, sabe-se lá até se estaria vivo.
O pai de Pjanić, Fahrudin, era futebolista nas divisões secundárias da Jugoslávia e, percorrendo os estádios do país naquele trágico dealbar dos anos 90, sentia o borbulhar das tensões e do ódio entre as diferentes etnias e nações. A Croácia estava prestes a entrar em guerra pela sua independência, a Bósnia não demoraria muito mais. Com um filho recém-nascido, Fahrudin percebeu que tinha de proteger a sua jovem família. Encontrou uma oportunidade no Luxemburgo, um contrato semi-profissional com o Schifflange, que o ajudaria também a encontrar um trabalho.
Mas sair da Bósnia só seria possível com um documento assinado pelo Drina Zvornik, clube de Fahrudin, que se recusou uma e duas vezes a fazê-lo. Até que a mulher, Fatima, decidiu ela própria tentar. Com o bebé Miralem, de poucos meses, nos braços, apresentou-se nos escritórios do clube, que mais uma vez negou à família o papel que lhes daria a passagem para uma vida nova, mais segura.
Até que, sentindo o desespero da mãe, já em lágrimas, o pequeno Miralem começou a chorar desalmadamente. “Quando comecei a chorar isso teve um efeito tal na secretária do clube que ela finalmente disse ‘OK, dou-vos o documento, mas estou a fazê-lo apenas pela criança'”, contou Pjanić em entrevista ao “The Guardian” em 2018, quando era jogador da Juventus.
No Luxemburgo, os pais revezavam-se nos empregos para que Miralem não estivesse sozinho. Não havia dinheiro para contratar quem cuidasse dele. O pai trabalhava de manhã e à tarde e a mãe fazia limpezas até à noite. “Quando estava com o meu pai e ele tinha de ir para os treinos, levava-me. Foi assim que me tornei fã de futebol”, revelou numa conversa com os meios da FIFA, em março. Enquanto isso, da terra natal, Zvornik, chegavam notícias de massacres, de pessoas obrigadas a deixar as suas casas. Mais de 100 mil bósnios perderam a vida na guerra de independência do país, a maioria muçulmanos como os Pjanić.
A escolha pela Bósnia
Não demorou até Miralem Pjanić deixar de ser um simples pequeno acompanhante do pai nos treinos do Schifflange. Aos 7 anos começou a jogar nas camadas jovens do clube e aos 14 mudou-se para a academia do Metz, de França, a apenas 40 minutos de casa. Estreou-se pelos Grenats aos 17 anos e pouco depois já estava no Lyon, como sucessor natural de Juninho Pernambucano, até no jeito para marcar livres. Seguiram-se cinco temporadas na AS Roma. A meio da sua primeira experiência italiana, foi fulcral a levar a Bósnia a qualificar-se para uma inédita presença num Campeonato do Mundo, no Brasil 2014.
Jogar pela Bósnia não era um dado adquirido. Pjanić cresceu no Luxemburgo e fez-se futebolista em França. Foi internacional jovem nas seleções do grão-ducado e, em 2008, teve uma sondagem por parte de Raymond Domenech, que o queria na seleção francesa. Só que o coração há muito tinha decidido. Desde os tempos em que Miralem apanhava um autocarro e percorria meia Europa para ver a Bósnia jogar.
“Passava 17 horas num autocarro com o meu pai para irmos apoiar a nossa seleção. E, ao viver essa euforia no estádio, o sonho de jogar ali cresceu. Eu tinha uns 11 ou 12 anos na altura e nunca me vou esquecer desses momentos”, narrou à FIFA. Quando foi chamado à seleção principal do Luxemburgo, Pjanić declinou educadamente. “As minhas raízes eram bósnias e em casa sempre seguimos as tradições e costumes do país. Por isso mesmo escolhi a Bósnia. Eu sei de onde venho e onde nasci.”
Apesar de alguns problemas em obter o passaporte bósnio, que obrigou até à intervenção da presidência do país, Pjanić jogou pela primeira vez pela seleção balcânica em 2008. A estreia em Mundiais aconteceu em pleno Maracanã, frente à Argentina.
O problema russo
Em Roma, chamavam-no de Pequeno Príncipe. Juntou-lhe outra alcunha, adotada em Turim: “Pianista”, uma brincadeira entre o som do seu nome e a forma suave e artística como marcava livres e geria o meio-campo. Do clube da capital seguiu para a Juventus, que ajudou a conquistar quatro títulos italianos, numa altura em que era uma das referências da Serie A. A ida para o Barcelona, em 2020, significou um inesperado volte-face: o talento e criatividade de Pjanić, a sua visão e capacidade de drible, não encaixaram no meio-campo blaugrana, contra todas as expectativas.
Seria emprestado ao Beşiktaş, jogou depois no Sharjah, dos Emirados Árabes Unidos e, por fim, em 2024, assinou com o CSKA Moscovo. Não sem polémica.
Em 2022, Pjanić criticou fortemente a federação bósnia por ter aceitado jogar um encontro de preparação em São Petersburgo com a Rússia. O jogo acabaria por não se realizar. Nas suas redes sociais, mensagens emotivas sobre os sons de sirenes que a sua família ouvia na Bósnia surgiam como um implícito apoio ao fim dos ataques russos na Ucrânia. E, dois anos depois, aceitou assinar por um clube russo. Foi acusado de hipocrisia.
De acordo com o portal russo Meduza, ligado à oposição, chegado ao país Pjanić terá dado um passo atrás quando confrontado com declarações antigas. “Nunca disse nada contra a Rússia ou o futebol russo e lamento se as minhas palavras ofenderam alguém. Estou pronto para pedir desculpas”, disse, sublinhando também a vontade de que o futebol russo voltasse a estar presente em competições internacionais.
Talvez por isto Pjanić tenha anonimamente deixado o futebol no fim da época passada. Aos 36 anos, vive discretamente no Dubai, onde está ligado a academias locais e se tem iniciado como empresário. Ajuda falar sete línguas: bósnio, luxemburguês, francês, inglês, alemão, italiano e espanhol.
Mas, essencialmente, diz que ali é apenas “um pai” para o seu filho, chamado Edin, como Džeko, seu amigo e companheiro de sempre na seleção bósnia e que ainda estará no Mundial 2026, no regresso do país a maior cimeira do futebol."
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Na final...
Benfica 4 - 3 Leões Porto Salvo
Começou demasiado fácil, a equipa adormeceu, os apitos deram confiança ao adversário, e acabámos o jogo apertados! A eliminatória nunca me pareceu em causa, mas o 3.º jogo esteve no horizonte!
O Porto Salvo terminou o jogo, com 1 falta contra assinalada, no ponto de vista dos apitadeiros!!! Repito, uma !!!
Iniciados - 14.ª jornada - Fase Final
Braga 4 - 1 Benfica
Aquino
Provavelmente o adeus ao título, pelo menos já não dependemos só de nós!
Entrada péssima no jogo...
Benguela...
Casa do Benfica de Benguela.
— Mighty Edgar (@xinganjeR) June 3, 2026
...
Ser benfiquista aqui na nossa Angola imensa.... pic.twitter.com/epUiYTdAbT
Dizem as coisas e o seu contrário
"ANDAM TODOS AOS PAPÉIS!
1.
Tenho estado fora de Portugal a acompanhar a novela à distância e fora de horas. Também a divertir-me com a caricata forma como se diz e escreve tudo e o seu contrário sobre o processo de contratação do novo treinador do Benfica.
2.
O primeiro problema era o Benfica estar em finais de maio sem treinador contratado e pela frente, a 23 de julho, está agendado o primeiro jogo oficial da nova época - culpa, aliás, do Torreense, que brilhantemente humilhou o Sporting no Jamor. A questão resolveu-se quando descobriram que Farioli foi apresentado no Porto a 7 de julho de 2025 e começou a pré-época a 11, isto é, a menos de um mês do começo da época oficial.
3.
Entretanto, as negociações com Marco Silva, dadas como fechadas, caíram e o próximo treinador do Benfica, qualquer que ele fosse, já tinha o selo de vigésima sétima escolha do clube, pelo que entraria obviamente mais do que fragilizado na época - um desastre anunciado antes mesmo de qualquer jogo se realizar.
4.
Depois foi o anúncio firme de uma barbaridade que correu o mundo: para resgatar Marco Silva, o Benfica iria pagar-lhe - nem mais, nem menos! - 6 milhões limpos por época, um prémio de assinatura de 5 milhões, mais isto e mais aquilo se fosse campeão, horas e horas a encher chouriços televisivos com mais esta loucura em que o Benfica se estava a meter.
5.
Afinal o Marco Silva está fechado, vai até ganhar menos do que o Mourinho, nem prémio de assinatura para amostra vai receber, etecetera e tal. Não têm vergonha na cara. Não seria melhor esperarem pela oficialização do contrato e pela comunicação do Benfica à CMVM para tirarem conclusões?
6.
Último episódio, mais haverão com toda a certeza: se o Mourinho estava acabado, estafado, desatualizado, e ainda o diabo a quatro, o Marco Silva, agora que está "fechado", apresenta um fraco curriculum, não ganhou nada de jeito na carreira, não tem estatuto para o Benfica. Além de isto não ser exatamente verdade, apetece perguntar: o que tinham ganho Rui Borges e Farioli quando chegaram aos clubes mais bem geridos do mundo?
7.
Este post não pretende justificar ou sequer branquear a gestão feita pelo Benfica em todo o processo Mourinho-Marco Silva. Esse balanço far-se-á quando o último episódio da novela for exibido. Por agora, o silêncio do Benfica, fruto da ausência de política de comunicação que tanto tenho criticado, tem sido, afinal, um silêncio de ouro!"
Banha da cobra !!!
Em todo o processo de saida de Mourinho e entrada de Marco Silva, assistiu-se ao mais colossal exemplo de desorientação mediática de que há memória no futebol português. Desde o valor da cláusula ética, ao prazo da sua validade até ao dia de ontem, que obrigou ao monumental recuo
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) June 3, 2026
Marco Silva é a última vida de Rui Costa
"Marco Silva não resistiu a novo apelo do Benfica e, no meio do caos que tem sido o clube, terá de fazer depressa e bem. Mercado terá de ser cirúrgico, coisa que tem sido rara para os lados da Luz
A sexta temporada preparada por Rui Costa como presidente do Benfica e a décima nova desde que terminou a carreira (2008) e de imediato se tornou diretor desportivo e, mais tarde, administrador da SAD, vai começar com mais um all in, depois de a proposta de renovação feita a José Mourinho apenas para espanhol ver ter obrigado o Benfica a abrir, e muito, os cordões à bolsa para convencer Marco Silva a abdicar da estabilidade do Fulham para um projeto de altíssimo risco na Luz.
O trabalho que deixa para trás nos londrinos é de alto nível, estabelecendo-se na (cada vez mais destacadamente) melhor liga do mundo com orçamentos não tão generosos como grande parte da concorrência, mas Marco Silva sabe que, a partir de agora, nada disso contará. O contexto, acima de tudo, será completamente diferente, e o treinador terá de devolver à Luz identidade e futebol de ataque e empolgante que só com Roger Schmidt, e num pequeno espaço temporal, se viu nos últimos anos.
Para reduzir distâncias para FC Porto e Sporting, aos de dias de hoje muito mais bem estruturados e a trabalhar na antecipação e não na reação, o Benfica terá de fazer um mercado praticamente irrepreensível e certeiro, como os dragões fizeram, há um ano, com Farioli. No Benfica, não tem havido critério a contratar e tem-se pago demasiado por jogadores que não acrescentam, exceção feita a 2022/23.
Então, de caras na equipa entraram Bah, Aursnes, Enzo Fernández e Neres, todos com tremendo impacto, e da formação brotariam António Silva e João Neves. No Seixal não falta talento para o replicar, desde Banjaqui a José Neto ou Gonçalo Moreira, e, se outros valores não se levantarem, nem sequer será necessário entrar em loucuras para cortar as gorduras e reformular o plantel à imagem do treinador.
A melhor notícia que o Benfica podia ter tido em toda esta novela foi o facto de o treinador ter feito finca-pé para ter nas mãos o controlo total sobre o organigrama futebolístico. Não será apenas e só o treinador que se senta no banco, mas terá a chave na mão para alterar métodos, organização e reformular um clube em cacos.
A semana em que Rui Costa prometeu justificações aos benfiquistas sobre mais uma temporada para esquecer já vai com mais de 15 dias, mas convinha que, em tempo útil, o presidente desse um ar de sua graça, apesar de não se esperar mais do que frases feitas, insuficientes para explicar uma novela em que dar mundos e fundos para ter Marco Silva foi o único caminho para não sair dela ainda mais beliscado."
Ranking top ten de treinadores do Benfica
"Não haja dúvida que historicamente o Benfica sempre foi o clube das novelas de verão. Não é que Porto e Sporting não as tenham, mas o Benfica exagera. Porque é o clube mais popular no país e que mais capas de jornais enche e porque tem tido nos últimos 30 anos uma gestão que leva a indecisões e confusões. A deste ano é obviamente o folhetim treinador. Entramos em junho, já passou o tal período dos dez dias e ainda não se sabe se Mourinho fica ou não fica. Aparentemente não fica.
E Marco Silva tem acordo ou rompeu o acordo? Aparentemente tem acordo.
Enquanto não há fumo vermelho sobre o início desta época 26/27 (que parece estar a nascer torta, tal como é habitual, infelizmente), será um desafio interessante recordar antigos treinadores que passaram pelo banco da Luz e colocá-los num ranking, sendo obviamente isto um exercício de opinião pessoal.
É claro que se falássemos sobre toda a História do clube teria de se falar de um Béla Guttmann, Jimmy Hagan ou Svën-Goran Eriksson, mas viajarei no tempo apenas até às primeiras memórias que tenho, isto é, a partir de Toni naquele período entre 1992 e 1994. O que vivi e não o que li ou ouvi contar.
10º Lugar: Jupp Heynckes.
Tem dois pecados capitais gigantescos: Vigo e a dispensa de João V. Pinto. Acaba por entrar nesta lista apenas porque todas as outras opções que ficam de 11º para baixo ainda considero piores. Pelo lado positivo, apenas que fez um trabalho razoável ou vá, o possível com provavelmente a pior equipa de sempre do Benfica. Aquilo era João V. Pinto, Poborsky e Nuno Gomes. Ponto. Aceitemos ainda Enke e Maniche (ainda na versão extremo) na lista dos bons. Mas tudo o resto era assustador: Bruno Basto, Paulo Madeira, Ronaldo, Rojas, Calado, Kandaurov ou Sabry. E isto falando dos titulares. Depois no banco tinha Bossio, Okunowo, Sérgio Nunes, Porfírio ou Tote. Com um plantel a roçar a mediocridade ficou num honroso 3º lugar, tendo uma segunda volta em que venceu Porto na Luz e Sporting em Alvalade, no tal famoso golo do Sabry. Caiu na 4ª jornada da época seguinte, aquele clássico benfiquista.
9º Lugar: Mário Wilson.
O nosso querido bombeiro dos anos 90. Que ajudava o clube sempre que o clube precisava. Já tinha sido campeão em 75/76 e vencido a Taça de Portugal em 79/80. Nos anos 90 Damásio chamou-o três vezes para fazer a transição para outros treinadores. A mais duradoura foi na época 95/96 e que belo trabalho acabou por fazer, depois da destruição de Artur Jorge. Apoiado por Preud'Homme, Ricardo Gomes, Valdo e acima de tudo o «menino de ouro» João Pinto, que nesta temporada marcou 18 golos, conseguiu levar o clube ao 2º lugar e a conquistar a Taça de Portugal, o único troféu do clube em todo o Vietname.
8º Lugar: Ronald Koeman.
Não se pode dizer que tenha deixado muitas saudades ou que tenha feito um trabalho extraordinário. Em 2005/2006, o Benfica ficou em 3º lugar e foi eliminado da Taça de Portugal nos 1/4 de final. Mas venceu a Supertaça Cândido de Oliveira, venceu o Porto na Luz, venceu no Dragão (coisa que o clube não fazia desde 1991) e, claro, aquela caminhada na Liga dos Campeões. É com ele o incrível 2-1 na Luz ao Man Utd de Alex Ferguson com o improvável herói Beto a marcar o golo da vitória. E depois, nos 1/8 de final, quem esquece o 1-0 ao Liverpool na Luz com o golo do Luisão nos minutos finais e, acima de tudo, aquele épico e incrível 0-2 em Anfield, com golos de Simão e Miccoli? O Benfica caiu depois nos 1/4 de final de forma natural para o Barcelona de Ronaldinho, Deco e Eto'o.
7º Lugar: Bruno Lage.
É um treinador de luzes e de sombras. O que fez na segunda volta de 2018/2019 é absolutamente estratosférico. Pegar no clube a 7 pontos do Porto de Sérgio Conceição e recuperá-los, marcando mais de 100 golos e fazendo a reviravolta no campeonato em pleno Dragão é coisa de sonhos e não de realidade. Só que depois, em 2019/2020, foi sempre em queda (tendo ainda começado com o incrível 5-0 ao Sporting no Algarve para a Supertaça) até ser despedido no pós-covid com resultados miseráveis. E na segunda passagem rondou o sucesso, mas não o alcançou. Segundo lugar no campeonato quando teve um dérbi na Luz para o vencer e derrota na final da Taça de Portugal, mesmo com o desconto do vergonhoso lance com Belotti. Mais outro que depois foi despedido no início da época seguinte. Clássico.
6º Lugar: Toni.
Há o Toni de 1987 a 1989. Venceu um campeonato e chegou à final da Taça dos Campeões Europeus. Mas isso não entra para esta análise. E depois há o Toni de 1992 a 1994. Que é absolutamente épico. Uma Taça de Portugal, um Campeonato e tantos, mas tantos jogos épicos. O 5-2 ao Boavista, o 3-2 ao mesmo Boavista com o Paulo Sousa na baliza, o 4-4 de Leverkusen, o 6-3!! Mas depois há o Toni de 2000 a 2001. Que ficou em 6º lugar, na pior época de sempre e foi despedido a meio de 2001/2002. Por isso fica aqui no meio da lista dos treinadores. Que na lista de símbolos do clube está bem lá mais em cima, atenção. Sr. Toni, sr. Benfica!
5º Lugar: Giovanni Trapattoni.
A Velha Raposa. Que chegou em 2004 para fazer o Benfica campeão e acabar de vez com o Vietname (se é que alguma vez ele acabou). Então por que não está mais acima? Porque recebeu uma equipa já feita por Camacho (Luisão, R. Rocha, Miguel, Petit, Simão, N. Gomes, etc.) e o futebol era miserável. E fomos uns campeões tão sofridos! Apenas 65 pontos, oito empates e sete derrotas! Mas foi campeão. E quase fez a dobradinha. E deixou-nos aquelas frases icónicas como «Graças a Deus temos Simão» ou «Se não consegues vencer, deves procurar não perder». Era um velhinho na altura e 21 anos depois ainda cá anda entre nós. O clube podia e devia tentar homenageá-lo, para saber que não o esquecemos e estamos gratos. Futebol miserável aparte.
4º Lugar: Roger Schmidt.
Aquela época 2022/2023 entra sem problema algum para o lote das melhores épocas do Benfica moderno. Fomos campeões, fomos brilhantes enquanto tivemos Enzo Fernández connosco e ainda todos sonhamos, pela primeira vez nas nossas vidas, com um Benfica na final da Liga dos Campeões. «Só» faltava passar Inter e Milan. Não passámos o Inter, mas vencemos a Juventus duas vezes, demos seis ao Maccabi Haifa e empatámos duas vezes com o PSG de Messi, Mbappé e Neymar. Depois, foi a queda em 2023/2024 com uma época insuficiente até ao clássico despedimento à 4ª jornada da temporada seguinte. Mas, em 2022/2023, jogámos muito à bola logo desde a pré-época e isso é dedo de treinador!
3º Lugar: José Antonio Camacho.
Será talvez esta a escolha mais polémica? Porquê Camacho tão em cima? Pois posso dizer que até hesitei em pôr Camacho no segundo lugar! Mas Rui Vitória venceu muitos mais títulos e Camacho tem uma segunda passagem muito fraca em 2007/2008. Mas é minha opinião que Camacho é o unsung hero do Vietname! Se Vilarinho, Vieira, Simão ou Trapattoni têm méritos, Camacho também os tem e muitos! Chegou em 2002 depois do Benfica ter sido eliminado pelo Gondomar da Taça de Portugal. Veja-se bem os tempos que se viviam. E pela primeira vez desde o Vietname estabilizou um onze e identificou uma espinha dorsal na equipa: Luisão, R. Rocha, Petit, Tiago, Simão, N. Gomes e mais uns quantos. Levou o clube ao segundo lugar e em 2003/2004, no ano do centenário, no ano da nova Luz, no ano do falecimento de Miklos Fehèr, foi novamente segundo classificado (fazendo pontuações de campeão, atenção, só que coincidiu com o super Porto de Mourinho), chegou aos 1/8 de final da Taça UEFA e venceu a Taça de Portugal, derrotando na final o tal Porto do Mourinho. Camacho endireitou o barco do Benfica, após dez anos à deriva.
2º Lugar: Rui Vitória.
Se o acho grande treinador? Não. E a carreira dele pós-Benfica tem mostrado isso mesmo. Se acho que viveu muito à conta do que Jorge Jesus construiu e não é por acaso que foi sempre em queda de época para época? Acho. Mas a verdade é que em três anos e meio venceu dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças. São muitos troféus. E esteve quase a vencer o Penta, mesmo com aquele desinvestimento todo do Vieira e Bruno Varela na baliza. Também é verdade que conseguiu a proeza negativa de zero pontos na Liga dos Campeões. Mas são muitos troféus, caramba!
1º Lugar: Jorge Jesus.
É uma decisão polémica? Não acho que o seja. Parece-me até bastante óbvia. Os detratores chamarão a atenção para uma segunda passagem falhada. E que na primeira passagem «só» venceu três campeonatos em seis anos, perdeu as duas finais europeias e teve humilhações com o Porto. É verdade. Mas é o treinador com mais títulos da História do clube. São três campeonatos, uma Taça de Portugal, cinco Taças da Liga e uma Supertaça! Ainda levou o clube a duas finais da Liga Europa (todos os outros chegaram sequer perto? Não) e esteve tão perto de as vencer. Um golo nos descontos e uns penáltis batoteiros do Beto. Tivesse Kelvin rematado para fora e estaríamos a falar de quatro campeonatos. Estou a dar muitos ses? Aqui vai a realidade: Jorge Jesus em 2009 foi a maior explosão futebolística no Benfica desde Eriksson em 1982. O Benfica tinha sido muito mais medíocre que sequer bom nos 15 anos antes de Jesus chegar e com ele demos um salto gigantesco. Foi da noite para o dia. Não só em troféus, mas em futebol jogado. Na qualidade, na rapidez e nos golos. E se alguém quebrou a hegemonia do Porto que vencia aos bis, tris, tetras e pentas campeonatos até 2013 foi Jorge Jesus. Olhe-se novamente para o resto da lista e não faz sentido colocar ninguém à frente de Jesus.
Agora que venha Marco Silva e que daqui a uns tempos esteja disparado no primeiro lugar desta lista, é o que se deseja!"
Nascimentos e Seleções !!!
🚨 289 players selected for the 2026 World Cup will NOT be representing the country they were born in. ❌🏆
— Football Tweet ⚽ (@Footballtweet) June 3, 2026
The record belongs to Curaçao. 25 of their 26 selected players were born in the Netherlands. 🤯🇨🇼🇳🇱
France have three players in their squad who were not born in France.… pic.twitter.com/ngMMtisuVT
França: Cantona, o macambúzio que chamou “saco de merda” ao selecionador, pontapeou um adepto e acabou na praia antes de ser ator
"Éric Cantona já era amigo da polémica bastante antes de agredir um adepto do Crystal Palace, em Inglaterra, com um pontapé de kung fu. Dado a frases filosofais e crípticas, o francês já insultara o selecionador do seu país e andara ao soco com adversários e jogadores da mesma equipa. Quando se retirou ainda foi internacional de futebol de praia, ator de cinema e protoganista-mor em anúncios da Nike onde a ideia era ser ele próprio, beneficiando da fama de durão que sempre teve. E acabou a viver em Lisboa.
“Quando as gaivotas perseguem uma traineira é porque pensam que sardinhas serão atiradas ao mar.”
A frase críptica saiu da boca de Éric Cantona em 1995. Dita em pleno tribunal, o francês acabara de ser condenado a uma pena de prisão por dar um pontapé a um adepto do Crystal Palace que descera, esbaforido, uma dezena de filas de cadeiras no estádio para o insultar, acertando-lhe com a sola da chuteira no peito. O provável futebolista mais famoso do país, por certo o melhor estrangeiro a jogar então em Inglaterra, respondia perante a justiça por violentar um homem à beira do relvado e o que teve a dizer foi uma frase entre o filosofal e o piscatório.
Antes da farfalhuda barba, da boina à pintor, Cantona jogava com a gola da camisola ao alto, a fazer continência à figura sargental que vista, um sargento de pavio curto: nos tempos áureos do Manchester United, tinha o crânio rapado de pêlo, o queixo raso em barba.
Enigmático nas suas ações, por costume intempestivo, o pontapé que deu em Sellhurst Park ao adepto, segundos após ser expulso do jogo por uma entrada violenta contra um adversário, é, a par do batalhão de jornalistas a encavalitarem-se na sala do tribunal aquando da sentença, o que engoliu quase por inteiro tudo o que Éric Cantona fez no futebol. Nada que ele arrependa: disse, em 2020, à revista “Four Four Two”, ter sido o momento preferido da sua carreira, lamentando “não lhe ter batido com mais força”.
Mas sua gravitação pela polémica, quando não pela zaragata, viera de bastante antes.
Em 1985, ainda caçula no Auxerre, envolveu-se em confusão durante um jogo frente ao Cournon Le Cedre. O visado adversário foi expulso e, finda a partida, a enfurecida equipa contrária esperou à entrada do balneário para o confrontar; Cantona não foi de modas, saiu disparado a história reteve que privou ao soco com uma dezena de homens até Guy Roux, histórico treinador do Auxerre, cheio de quatro décadas no clube, acabar com a peleia.
Chegado ao Marselha que lhe detinha a paixão de criança desde que ao Velódrome fora, pela mão do pai, admirar as bancadas, coincidindo páginas tantas com um jogo frente ao Ajax de Johan Cruijff e embasbacado-se com o futebol total holandês, Cantona explodiu: futebolisticamente, marcando golos e exibindo a sua aptidão com a bola; e raivosamente, como virou seu apanágio.
Ainda nos seus vinte e poucos anos, diante de câmara e microfone, pouco hesitou ao insultar o selecionador francês por não o convocar para os Les Bleus. “Henri Michel não está longe de ser um saco de merda. Espero que um descobramos que é um dos treinadores mais incompetentes do mundo”, disse em 1987, recusando equipar-se pelo país enquanto o visado, com uns quartos de final do Mundial anterior no currículo, estivesse no cargo. Cantona foi excomungado da seleção durante um ano, sendo perdoado pelo sucessor nos bancos, Michel Platini.
No clube pelo qual torcia, cujo estádio foi buscar o nome ao ciclismo, o avançado conheceu destino semelhante ao que tivera em Auxerre, recebendo guia de marcha quando o presidente soube como, irritado no balneário, invadido pela fúria, Cantona arremassara as chuteiras à cara de um companheiro de equipa. A escapatória foi o Nîmes, equipa humilde, incapaz de serenar a natureza do jogador de olhar sério no cimo da penca pronunciada: por lá se encimou também sobre a polémica, ao atirar a bola contra um árbitro, recusando-se a participar na audiência disciplinar subsequente.
O ‘Le Roi’ de Inglaterra
Castigado foi e criticado se viu pela opinião pública em França, farta das suas raivas, sem vagar para as excentricidades, como esticar um pirete para as bancadas quando não estava embrenhado em confusões. Desencantado com a profissão, Cantona decidiu, aos 25 anos, retirar-se do futebol, para apenas Platini o convencer a desistir da ideia. Outra sábia voz sugeriu-lhe outra decisão: aconselhado pelo psicólogo, atravessou o Canal da Mancha.
O Leeds United acolheu o francês de má fama, ciente do seu pavio curto, igualmente do talento geracional. À primeira época com Cantona, a última antes da Division One ser rebatizada como Premier League, o clube de Yorkshire fez-se campeão inglês ajudado pelos golos vistosos, a postura calma a desembaraçar-se de adversários e a delicadeza do francês a tratar a bola.
A demonstração constante do seu talento não abafou o seu feitio idiossincrático. Éric mantinha-se conflituoso, mas uma Inglaterra nos últimos anos do hooliganismo, ainda de kick and rush no seu futebol e de bancadas esfomeadas por festejar cortes em carrinho ou chutões para fora, aceitava-lhe os defeitos a bem das suas virtudes. Perdoava o trombudo francês pela magia em campo, a que levou Alex Ferguson a cravá-lo aos dirigentes do Manchester United quando soube do amuo de Canton com Howard Wilkinson, treinador do Leeds.
Com ousadia a correr-lhe no sangue, Cantona entregou, em mão, um pedido ao clube para ser vendido ao Manchester United, Liverpool ou Arsenal, um dos três, desfaçatez aproveitada pelo escocês que tentava descolar o seu pecúlio triunfal na cidade-berço da Revolução Industrial. Disposto a aceitar o feitio sinuoso do francês, Ferguson teve a peça que faltava na equipa. Com os golos de Cantona, sobretudo com o requinte técnico que acrescentou ao ataque, o United ganhou quatro vezes a Premier League em cinco anos.
E pela Inglaterra de manuais de história versados em séculos de animosidade com França o jogador ficou conhecido como ‘Le Roi’, o rei.
“Au revoir”
O reinado conheceu o seu fundo, em 1995, com o golpe de kung fu em Matthew Simmons, adepto que provocara Cantona, saber-se-ia mais tarde na audiência judicial, com insultos xenófobos e, mais tarde ainda, teve problemas com a autoridade ao agredir o treinador do filho infantil por não o colocar a jogar. Essas nuances foram suficientes para largas falanges de apoiantes do United assumirem vista grossa quanto ao ato violento do francês, defendendo o avançado que acabaria suspenso pelo clube por quatro meses.
Foi metade do tempo de castigo aplicado pela liga inglesa, além das 120 horas de serviço comunitário que teve de cumprir após recorrer da sentenção de prisão inicial. Recuperado da palmatória, Cantona jogaria ainda mais duas temporadas, até 1997, com o prémio de ser capitão do Manchester United durante a sua última época, sempre fiel ao seu estilo: produzia golos belos com frequência, puxava a gola da camisola para cima, pincelava os jogos com aprumos técnicos ao alcance de poucos.
E retirou-se do futebol aos 31 anos.
Taciturno nas feições, alérgico a entrevistas, deixou um magro rasto na seleção. Resolvidas as quezílias iniciais, sofreu com o resto da sua geração o baixio enfrentado por França durante o final da década de 80 e meados da seguinte, jogando apenas no desastre do Europeu de 1992, onde foi eliminada de um grupo com Inglaterra e Dinamarca, a eventual campeã. Sucumbiu também ao escândalo que foi a não qualificação para o Mundial dos EUA, mas era o capitão gaulês no trilho rumo ao Europeu seguinte, onde não esteve devido à suspensão pelo golpe de artes marciais dado ao adepto do Crystal Palace.
Arrumadas as chuteiras, Éric Cantona evoluiu rumo à figura hoje emanadora de uma aura de carisma que colhe mais admiração do que soslaio. Crescido para os lados, mais rechonchudo debaixo da farta barba, tornou-se ator de cinema - participou no filme “Elizabeth“, com Cate Blanchett - e de teatro e participou em campanhas da Nike, marca que não o largou na reforma, esperta a aproveitar o seu estilo macambúzio, de tipo duro e cru, para ser o laçarote de múltiplos anúncios com futebolistas no ativo. À tirada mítica de “Au Revoir”, quando o francês ainda jogava, seguiram-se muitas outras em que protagonizava um papel quase de provedor de uma forma bonita de tratar o futebol.
Já dentro do seu segundo século de vida, largada a sua dedicação ao futebol de praia, onde jogou em Mundiais com a França e chegou a ser selecionador, Cantona mudou-se para Lisboa, cedente à cidade que chamou “o Rio de Janeiro da Europa“ onde, de boina na cabeça, tenta passar despercebido entre os pais que esperam pelo final do treino dos filhos (ele tem dois com a segunda mulher, acrescidos aos dois que teve com a primeira) numa escolinha de futebol. A par das ocasionais críticas públicas que ainda faz à elitização da modalidade, será essa a sua ligação mais preemente à bola que o teve como uma das estrelas mais ambivalentes."
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