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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Marco Silva - St. Gallen

Treino...

BI: Antevisão - St. Gallen

Os Gloriosos Benfiquistas - É para cima deles - S02E02 - St. Gallen

Truncado não conta?!!! Nem sempre foi assim...

Preocupante

Estão magoados com o proençinha!

Memórias!!!

Covardes...

Dentes!

Recordam-se...

A gravidade (e a responsabilidade) dos áudios vazados


"É sempre perigoso avaliar, gerir e discutir, sobretudo publicamente, o vazamento de áudios obtidos de forma irregular. Mas também reconheço que eles não podem ser ignorados. Jamais. É de interesse público.
Foram truncados? Há mais? Por que apenas uma parte vazou? Qual é o contexto da conversa? Quem esteve presente? Qual é o real intuito da exposição? Por que a divulgação não aconteceu antes? Por que agora?
O (bom) jornalismo ajuda a responder bastante coisa. Porém, é praticamente impossível solucionar todas as dúvidas. Por isso, todo cuidado é pouco. É preciso ter muita, muita responsabilidade. E bom senso também.
«Os árbitros são fracos, são todos muito fracos. E tu consegues ter três, quatro gajos minimamente competentes...».
A opinião de Pedro Proença sobre a qualidade dos árbitros naturalmente abre um (novo) leque de teorias e fragiliza a arbitragem portuguesa. Entala, inclusivamente, o próprio dirigente. O que fez (ou não) para tornar melhor os profissionais que foram alvos de depreciação?
O mais preocupante dos áudios vazados, muito honestamente, é a parte final. O que foi dito a Fernando Seara, antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica, tem um ar perturbador. É aquilo que realmente importa.
«Queres jogar esse jogo comigo? Das 32 vezes em que fui chamado à Polícia Judiciária, 27 foram processos do Benfica. Sabes onde é que se faz a instrução dos processos? A instrução dos processos é na Liga. Queres jogar esse jogo comigo? Não brinques comigo, c***»
Há aqui uma gritante ameaça ao Benfica ou uma bizarra proteção ao Benfica. Ou (para piorar) as duas situações. Não há outra forma de o interpretar. Independentemente da versão verdadeira, a gravidade acaba por ser a mesma. A tentativa de condicionamento é óbvia.
Sem provas, por enquanto, não vou tomar qualquer partido. Mas claramente não vou fechar os olhos e a boca. Começo por pedir urgentemente um posicionamento dele: Pedro Proença. É o primeiro passo."

Observador - Sem Falta - "Casinhos" ou caos crónico? É preciso reset na arbitragem

As palavras também jogam


"O Sporting já ultrapassou os 100 milhões de euros em reforços e a palavra que mais apareceu foi investimento». Quando era o Benfica a fazer mercados desta dimensão, a palavra escolhida era quase sempre diferente. O Benfica gastava. Gastava muito.

Há palavras que, no futebol português, vão sendo usadas mediante a cor da camisola. Reparei nisso outra vez durante as últimas semanas, quando li e ouvi as análises ao mercado de transferências. O Sporting já ultrapassou os 100 milhões de euros em reforços e a palavra que mais apareceu foi «investimento». Não me choca. Contratar jogadores é investir. Sempre foi.
O que me chamou a atenção foi outra coisa.
Durante anos, quando era o Benfica a fazer mercados desta dimensão, a palavra escolhida era quase sempre diferente. O Benfica gastava. Gastava muito. Gastava acima das possibilidades. Gastava porque precisava de corrigir erros. A discussão começava quase sempre pelo dinheiro. Só depois, se houvesse tempo, se falava dos jogadores, das necessidades do treinador ou da ideia para a época.
Parece um detalhe, mas não é.
As palavras condicionam a forma como olhamos para os factos. «Investir» transmite confiança, ambição e estratégia. «Gastar» desperta imediatamente a ideia de excesso, risco ou desperdício. O valor pode ser exatamente o mesmo. O número de reforços também. A diferença está na perceção que fica em quem lê, ouve ou vê.
O mesmo acontece quando chega a altura de vender.
O Sporting prepara-se para perder um conjunto significativo de titulares. Serão vários jogadores importantes a sair neste mercado. A leitura dominante é a de que se trata do fim de um ciclo. Parece-me uma interpretação perfeitamente aceitável. As equipas mudam, os ciclos terminam e nenhum plantel permanece igual para sempre.
O que já não me lembro de ver foi essa mesma leitura quando o Benfica vendeu vários jogadores importantes também num mercado de verão.
Nessa altura, a conversa era outra.
Falava-se de um plantel enfraquecido.
De uma estrutura incapaz de segurar os seus melhores ativos.
De um clube que tinha perdido capacidade competitiva.
De uma Direção que estava a hipotecar o futuro.
Não me recordo de ouvir, com a mesma frequência, que era apenas o encerramento natural de um ciclo.
É uma diferença que vale a pena assinalar.
Quando uns vendem, estão a renovar o projeto desportivo.
Quando outros vendem, estão a desmontar a equipa.
Quando uns encaixam dezenas de milhões de euros, demonstram inteligência financeira.
Quando outros fazem exatamente o mesmo, é porque foram obrigados a vender.
Os factos mudam pouco. A forma de os contar muda bastante.
Outro exemplo surgiu com Ibraima Ba.
O Estrasburgo desistiu da contratação depois dos exames médicos. Dias mais tarde, o Sporting decidiu avançar para o negócio, investindo ainda mais do que o clube francês estava disposto a pagar. Mais tarde soube-se que o jogador recuperava de uma intervenção cirúrgica.
Pode vir a revelar-se uma excelente contratação. Aliás, desejo que assim seja. Mas isso não impede uma pergunta.
Se este negócio tivesse sido feito pelo Benfica, depois de um clube desistir da contratação na sequência dos exames médicos, a cobertura mediática teria sido exatamente igual? Tenho dificuldade em acreditar.
Imagino dias de debate sobre a competência da estrutura, sobre o departamento médico, sobre o risco assumido e sobre a forma como o processo foi conduzido. Imagino especialistas a perguntar se valia a pena correr aquele risco e comentadores a recordar outros dossiês semelhantes. Talvez esteja enganado. Mas custa-me acreditar que o tratamento fosse exatamente o mesmo.
Também olhei com curiosidade para o caso de Cardoso Varela.
Há poucos meses, André Villas-Boas afirmou publicamente que o futuro do jogador não passava pelo FC Porto. Entretanto, tudo mudou. O jogador regressou e o desfecho acabou apresentado como um sucesso do clube.
Não tenho qualquer problema com isso.
O mercado muda depressa. Os clubes mudam de estratégia. Os dirigentes também podem mudar de opinião. Faz parte do futebol.
O que acho curioso é que nem todas as mudanças de posição são analisadas da mesma maneira.
Há mudanças que revelam inteligência negocial.
Outras revelam falta de rumo.
Há recuos que demonstram capacidade para corrigir um erro.
Outros passam imediatamente a ser sinais de incompetência.
Mais uma vez, a diferença raramente está apenas na decisão. Está na forma como ela é apresentada.
Há quem diga que isto são apenas palavras. Não concordo.
As palavras nunca são apenas palavras. São elas que criam a primeira impressão, que moldam a discussão e que, muitas vezes, condicionam a forma como os adeptos olham para uma contratação, uma venda ou uma decisão de um dirigente.
É por isso que continuo a achar que o comentário desportivo tem uma responsabilidade maior do que às vezes parece reconhecer. Não por ter de elogiar ou criticar mais este ou aquele clube. Mas por aplicar o mesmo critério quando os factos são semelhantes. Se contratar mais de 100 milhões de euros é investir, então que seja sempre investir. Se vender vários titulares representa o fim de um ciclo, então que essa leitura não dependa da cor da camisola.
Se mudar de posição é inteligência, que o seja para todos.
E se for um erro, que também o seja para todos.
No futebol nunca haverá consenso. Nem é isso que se pede. O que se pede é coerência.
Porque os campeonatos decidem-se dentro das quatro linhas.
Mas, cá fora, há jogos que começam muito antes do apito inicial.
E esses também se jogam com palavras."

Proença: um líder nunca despe o fato


"O futebol português continua a ser de fina ironia; último escândalo até nasceu de gravação ilegal, mas relevante

O futebol português tem uma capacidade quase poética para transformar os bastidores num tribunal de praça pública. A publicação de áudios de Pedro Proença (gravados há cerca de dois anos, quando presidia à Liga e candidatava-se à FPF) é apenas mais uma prova da devassa política vigente e, ao mesmo tempo, um olhar íntimo de como jogam as peças no poder.
O tom despretensioso com que Proença desclassifica a qualidade da arbitragem nacional assenta que nem uma luva no ceticismo do adepto comum e mostra que o discurso público é muito diferente do que realmente se pensa. Os cargos ditam posturas e há coisas que, evidentemente, deviam ficar para consumo interno.
Para quem fez da defesa da transparência e da modernização o seu cavalo de batalha, ver a linguagem de bastidores exposta fragiliza a autoridade moral de Proença. Estas declarações dinamitaram o setor, como se vê pelo comunicado da APAF, associação da qual Proença já fez parte e da qual foi, seguramente, seu principal integrante.
A gravação tem algum tempo, é certo, e mesmo que Proença explicasse o que pretendia da arbitragem aos interlocutores, com a publicação dos áudios perde trunfos na imparcialidade institucional e atinge quem tem de garantir a verdade desportiva.
O impacto vai muito além da imagem individual de Proença, porque acerta em cheio na própria estrutura do futebol nacional. Ao classificar os árbitros como sendo, na maioria, medíocres, Proença subscreveu informalmente o discurso corrosivo de clubes e adeptos.
Como podem agora a FPF (e o seu autónomo Conselho de Arbitragem) exigir respeito pelos árbitros, quando se ficou a saber que o próprio presidente verbalizou o mesmo descrédito que dirigentes e adeptos usam como arma de arremesso? A credibilidade do setor e a coesão entre os órgãos sociais ficam seriamente abaladas.
Ainda assim, o detalhe mais revelador está no timing e na intenção. A divulgação de um registo com dois anos, devidamente selecionado e cortado, só pode ser considerado como um ataque cirúrgico e politicamente pensado.
O objetivo é desferir um golpe direto no coração do mandato de Proença, minando a sua liderança no exato momento em que precisa de autoridade para lidar com tudo o que se passa na arbitragem: a demissão de Duarte Gomes e a consequente investigação da Justiça sobre alegadas interferências nas nomeações de árbitros para jogos.
Sabe-se que pelo menos um dos áudios é a gravação de um ato de campanha junto do Benfica. Portanto, há duas entidades, e pelo que se apurou, apenas duas, naquele encontro: a candidatura de Proença e o clube da Luz, representado, pelo menos, pelo presidente da AG, Fernando Seara, a quem Proença fala em tom quase ameaçador. Seara, recorde-se já agora, era apoiante do concorrente de Proença, Nuno Lobo.
E Proença aprendeu agora, de forma dura, a regra de ouro do futebol português: nos corredores do poder, o microfone está sempre ligado e um líder nunca pode despir o fato . O futebol nacional também continua a ser de fina ironia… Sabemos isto porque alguém cometeu a ilegalidade de gravar uma conversa (alegadamente) não autorizada. E, já agora, o clube com quem decorre pelo menos uma das conversas, apoiou o projeto de Proença. Terá ficado convencido, então, com o que ouviu. O Benfica e outros, diga-se."

Zero: Mercado - Médio do Benfica sob os holofotes árabes

BF: Vender para Comprar...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Áudios e comunicados: liderança de Proença em crise?

Observador: E o Campeão é... - Até quando resiste o silêncio de Proença?

Observador: Três Toques - Ronaldo, o novo "menino prodígio" do cinema

SportTV: Entrevista Morato...

Quinhentos anos depois, o futebol voltou a posicionar Portugal como uma marca global


"Enquanto quase tudo divide — a política, as redes sociais, as ideologias ou as gerações — a camisola da Seleção Nacional continua a unir e a representar um país.

A apenas quatro anos de distância, como é que Portugal se vai apresentar no Mundial 2030?
O Mundial 2030 será muito mais do que a maior competição de futebol alguma vez organizada em Portugal. Durante um mês, milhares de milhões de pessoas acompanharão diariamente a competição.
Nunca Portugal dispôs da oportunidade de beneficiar de uma plataforma global desta dimensão.
O futebol deixou de ser apenas um jogo. Transformou-se no maior espaço de representação internacional dos países e, simultaneamente, no último grande espaço de pertença das sociedades. Enquanto quase tudo divide — a política, as redes sociais, as ideologias ou as gerações — a camisola da Seleção Nacional continua a unir e a representar um país.
É precisamente por isso que o Mundial 2030 não será apenas um desafio desportivo. Será uma escolha estratégica: que imagem queremos projetar de Portugal?
No meio de todas as urgências com que diariamente somos confrontados, quem está a liderar a definição dessa estratégia? E quem a vai executar?
O Mundial 2026 deixou conclusões importantes. Além de Espanha, também a Noruega e Cabo Verde foram campeões. Não por terem conquistado o título, mas porque aproveitaram a competição para dizer ao mundo quem eram.
A Noruega recuperou, sem qualquer complexo, a herança viking e transformou-a numa narrativa contemporânea. Os símbolos, a comunicação e os adeptos fizeram da História uma vantagem competitiva.
Cabo Verde fez o mesmo à sua escala. Um pequeno país apresentou-se com a sua alegria, a força da sua diáspora, a coragem de enfrentar os melhores e um enorme orgulho nacional. Milhares de milhões de pessoas passaram a simpatizar com um país que, para muitos, era praticamente desconhecido.
Em ambos os casos, houve uma perfeita sintonia entre as equipas em campo, a forma como disputavam os jogos e a emoção dos adeptos nas bancadas.
Ambos beneficiaram de uma decisão muito criticada quando foi tomada: o alargamento do Mundial. Resultou de razões políticas, financeiras e eleitorais. Mas produziu um efeito inesperadamente positivo.
Sem abdicar do mérito desportivo — porque todas as seleções continuam a conquistar em campo o direito de participar — o Mundial passou a representar muito melhor a diversidade do mundo.
Quando uma decisão tomada pelas razões erradas produz um bom resultado, não deve ser revertida. É natural que a FIFA venha mesmo a aprovar um novo alargamento já para 2030, aumentando as possibilidades que países como a China, a Índia e a Nigéria também possam participar.
Essa evolução acompanha uma transformação muito maior. O Campeonato do Mundo tornou-se o maior palco de representação internacional dos Estados. Durante um mês, milhares de milhões de pessoas descobrem países, constroem imagens, criam simpatias e reforçam sentimentos de pertença através de uma camisola, de um hino e de uma seleção.
Portugal terá, por isso, uma oportunidade irrepetível.
A camisola da Seleção Nacional é hoje o maior símbolo internacional do país. Nenhuma campanha turística, diplomática ou empresarial consegue gerar uma atenção comparável.
A imagem que escolhermos projetar deve ter no centro os Descobrimentos, como expressão daquilo que Portugal teve de mais extraordinário: a coragem de partir, o domínio do mar, o conhecimento científico, a inovação, a capacidade de ligar continentes e de construir pontes entre povos.
Portugal tornou-se universal quando olhou para lá do horizonte. Essa continua a ser a sua maior marca identitária.
Quinhentos anos depois, o futebol voltou a posicionar Portugal como uma marca global.
Mas uma grande narrativa exige instituições à altura.

Arbitragem no congelador...
Num verão particularmente quente, a arbitragem portuguesa precisa, por momentos, de colocar a cabeça no congelador.
A arbitragem não é a doença incurável do futebol português. É o sintoma mais visível de um problema muito mais profundo: a crescente desconfiança, a desordem institucional e a incapacidade de gerar consensos mínimos.
A forma como hoje se olha para um erro de arbitragem acompanhou, aliás, a evolução da perceção que os portugueses foram construindo sobre as suas próprias instituições.
Primeiro, a suspeita de preferência clubística. Depois, as acusações de compadrio, as dúvidas sobre a competência, a ideia de subserviência e as suspeitas de favorecimento na progressão das carreiras.
Hoje, existem investigações criminais em curso relacionadas com alegados atos de corrupção. A Justiça fará o seu trabalho. Mas o futebol tem de fazer o seu.
O verdadeiro problema não é uma pessoa. É o modelo.
Delegar a gestão da arbitragem na associação representativa dos árbitros faz tanto sentido como entregar à Associação Nacional de Treinadores a escolha do selecionador nacional ou confiar ao Sindicato dos Jogadores a elaboração da convocatória da Seleção.
Durante muitos anos acreditou-se que o problema estava nas pessoas. Depois concluiu-se que talvez estivesse na forma como eram escolhidas. A realidade demonstra que o problema está, sobretudo, nas instituições.
As instituições fortes não dependem da virtude dos seus dirigentes. São desenhadas para limitar o poder discricionário, criar mecanismos de escrutínio e garantir que as regras prevalecem sobre as pessoas.
Há alguns anos, a perceção da falta de transparência nas nomeações levou à introdução do sorteio condicionado dos árbitros. Mas a tecnologia evoluiu.
Em breve, a Inteligência Artificial poderá gerar propostas assentes em critérios objetivos, transparentes e auditáveis, deixando ao Conselho de Arbitragem a decisão final, mas exigindo que qualquer alteração seja excecional, fundamentada e pública.
O objetivo nunca será substituir o julgamento humano. Será construir um sistema em que a confiança deixe de depender de uma pessoa e passe a resultar da solidez das regras.
Porque, em 2030, Portugal não apresentará apenas uma Seleção ao mundo. Apresentará, sobretudo, a qualidade das suas instituições, da sua organização e da sua capacidade de transformar o futebol numa expressão do melhor que o país é."

Prata da Casa #61 - Quem é Quem, Who is Who?, Praia Lifestyle, Mercado Ideal

Oliveira: Bola de Ouro...

Sem Filtros #53 - Bruno Baltazar

BolaTV: Entrevista Neemias Queta

O futebol está a destruir a coluna dos atletas?


"O futebol é, sem dúvida, o desporto mais praticado e mais apaixonante em Portugal. Porém, existe uma questão que, raramente, entra em campo: qual é o verdadeiro impacto do futebol na saúde da coluna vertebral dos atletas?
Talvez esteja na altura de sermos diretos, mas também rigorosos. O futebol moderno não é, por natureza, prejudicial para a coluna. Contudo, o contexto atual de exigência física pode torná-lo, progressivamente, mais agressivo se não existir uma abordagem estruturada quanto à prevenção e recuperação.
O futebol mudou e muito.
Hoje, joga-se com maior frequência, intensidade e velocidade, existindo também menos tempo de recuperação.
Um jogador percorre maiores distâncias em alta intensidade, realiza mais sprints e executa mais mudanças bruscas de direção do que há duas décadas.
Do ponto de vista biomecânico, esta evolução traduz-se num aumento das forças repetidas de compressão, flexão e rotação que atuam sobre a coluna lombar. Movimentos, aparentemente simples — travar, rodar, saltar — tornam-se, quando repetidos centenas de vezes por semana, uma fonte importante de carga.
A evidência científica é clara: o problema, raramente, resulta de um gesto isolado, pelo que, na maioria dos casos, desenvolve-se pela acumulação de carga.Quando é excedida a capacidade de adaptação, surgem os primeiros sinais — muitas vezes silenciosos.
Nos escalões de formação, este tema ganha ainda mais importância. A coluna em crescimento apresenta zonas mais vulneráveis e a exposição precoce a cargas elevadas pode aumentar o risco de dor lombar e alterações estruturais. No entanto, é fundamental evitar interpretações erradas: o futebol não é o problema, mas a forma como é estruturado pode sê-lo.
A progressão inadequada da carga, os défices de controlo neuromuscular e a especialização precoce são fatores de risco bem conhecidos.Formar atletas implica também proteger o seu desenvolvimento e essa responsabilidade começa muito antes do futebol profissional. No futebol, jogar com dor é, frequentemente, encarado como um sinal de compromisso.
No entanto, existe uma diferença fundamental entre tolerar o esforço e ignorar os sinais do corpo. A dor lombar recorrente não deve ser encarada como normal. Frequentemente, está associada à sobrecarga mecânica, à fadiga acumulada e a défices de estabilidade do tronco. Quando ignorada, pode evoluir de um problema funcional para uma lesão estrutural mais complexa. A longevidade da carreira do atleta depende, muitas vezes, destas decisões invisíveis.
Grande parte da proteção da coluna não acontece durante o jogo, mas sim no treino. Aqui, é precisamente onde surge um erro comum: valorizar apenas a força visível. O chamado core não é apenas um conjunto de músculos destinado a melhorar a performance estética, mas sim um sistema de controlo que estabiliza a coluna e permite transferir a força de forma eficiente.
Músculos profundos, como o transverso do abdómen e os multífidos, desempenham um papel essencial, embora continuem frequentemente subvalorizados. Sem um controlo adequado, a carga distribui-se de forma ineficiente e a coluna suporta as consequências. Nos últimos anos, as terapias ortobiológicas têm vindo a ganhar destaque na medicina desportiva. Tratamentos como o plasma rico em plaquetas (PRP) procuram modular a inflamação e estimular processos de reparação tecidular.
No contexto da coluna, o seu papel ainda está em evolução, mas pode ser útil em situações selecionadas, sobretudo quando integrado em programas de reabilitação bem estruturados. No entanto, importa evitar expectativas irrealistas porque não substituem o treino, não corrigem a carga e não resolvem tudo, sendo apenas mais uma ferramenta e, como tal, devem ser usadas com critério.
Quando a dor persiste e compromete o desempenho, mesmo após tratamento conservador, a intervenção cirúrgica pode ser necessária. Também nesta área, o futebol evoluiu. Hoje, muitas patologias da coluna podem ser abordadas com técnicas minimamente invasivas, que permitem menor agressão dos tecidos, recuperação mais rápida e um regresso mais precoce à competição. Para o atleta, isto pode fazer toda a diferença, mas o objetivo não é apenas regressar rápido — é regressar bem.
A medicina desportiva moderna permite encurtar os tempos de recuperação como nunca antes. Contudo, isso levanta uma questão essencial: estamos a tratar a causa ou apenas a gerir o sintoma?
Controlar a dor é importante e corrigir o problema é decisivo. Sem isso, o ciclo tende a repetir-se.
O futebol não precisa de ser reinventado, mas pode ser aperfeiçoado através de:
— Monitorização rigorosa da carga;
— Treino específico de estabilidade;
— Estratégias consistentes de recuperação;
— Integração criteriosa de novas terapias;
— Educação desde os escalões de formação.
O futebol moderno está mais rápido, intenso e exigente do que nunca. Porém, essa evolução tem de ser acompanhada por um conhecimento mais aprofundado do corpo do atleta e, em particular, da sua coluna.
O objetivo não é proteger os jogadores do futebol, mas permitir que joguem melhor, durante mais tempo e com menos consequências para a sua saúde futura.
Ignorar o problema não o faz desaparecer, mas compreendê-lo e agir sobre ele pode mudar o jogo.
Estamos a formar atletas cada vez mais rápidos, mas temos de garantir que as suas colunas conseguem acompanhar essa velocidade."

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Gabriel Ìndio


Com algum atraso, aqui está o anúncio oficial da contratação do jovem zagueiro brasileiro! Chegou com 17 anos, fez 18 nos últimos dias, e só agora podia ser apresentado!


Já fez alguns minutos, e muito sinceramente gostei: é rijo, alto, agressivo, e com a bola no pé não é tosco, tem um estilo de posse de bola, pouco ortodoxo, mas sabe jogar... como se viu, no passe para o Olívio para o golo do Durán, contra o Belenenses!

Ainda no Brasil, sofreu um acidente que colocou a carreira em risco, e por isso acabou por sair do Flamengo, e só assim acabou por ficar 'disponível' aos cofres do Benfica. Mesmo assim, não foi barato, mas repito tenho gostado... e até poderá ser opção este ano, na rotação do plantel! Sendo que deverá ganhar algum ritmo, em alguns jogos da B...

Terceiro Anel: Gabriel Índio...

Pois é... então foste empurrado, por quem?!

Ameaças?!

Desdentado ao natural...!!!

Porque será?

Zero: Canto - Sofrimento crónico na ressaca de St. Gallen

Falar Benfica #254 - Derrota na Suíça, amigável e o jogo da 2 ª mão

Oliveira: Campeão?!

Tiki-Tasca #7 - "Suárez é melhor que Liedson

Zero: Mercado - Mastantuono é sonho do Benfica

BF: Cortes...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - NBA: Lebron James em Philadelphia, o que esperar?

Observador: E o Campeão é... - João Pinheiro mostrou que os árbitros deviam falar mais?

Observador: Três Toques - Golo de Sidny Cabral à Argentina é o melhor do Mundial 2026?

A Bola Não Mente - S01E61 - LEBRON NOS SIXERS!

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DAZN: Paddock Clube - Papaia é a melhor fruta para o verão

Renascença: Vasco Ribeiro...

Expresso: Infantino manda os críticos rezar e prepara-se para fazer o que quer na FIFA por muitos anos, dep...

Zeteo: The Real Winner of the World Cup? FIFA

Excluir para preparar para a vida?


"Nos últimos anos tenho sentido que existe uma ideia cada vez mais presente no desporto de formação: a de que excluir também educa. Que deixar uma criança no banco durante um jogo inteiro pode ser uma ferramenta pedagógica importante porque a ajuda a lidar com frustrações, adversidades e injustiças, preparando-a para aquilo que encontrará no futuro.
A intenção pode até parecer positiva, mas a questão que me surge é simples: estaremos realmente a preparar crianças para a vida ou estaremos, muitas vezes, apenas a justificar decisões que têm sobretudo uma lógica competitiva?
Querer ganhar nunca foi um problema. O desporto também é competição, ambição e procura de resultados. O problema surge quando essa procura pela vitória se esconde atrás de um discurso educativo que transforma todas as decisões em oportunidades de aprendizagem.
Se o objetivo principal é competir e ganhar, talvez a maior demonstração de respeito para com as famílias seja assumi-lo desde o primeiro dia. Explicar que existirão crianças com mais espaço, outras com menos, e que o rendimento imediato terá influência nas escolhas. O que me parece difícil de aceitar é receber o compromisso, o tempo, o investimento e o sonho de uma criança sabendo, desde o início, que ela terá muito poucas oportunidades para participar.
Há uma pergunta à qual continuo sem encontrar resposta. Tendo em conta a maturidade emocional de uma criança, a frustração constante de não jogar prepara-a realmente para o futuro ou poderá, em alguns casos, deixar marcas na forma como se vê a si própria?
Um adulto consegue, normalmente, separar uma derrota do seu valor pessoal. Mas será que uma criança consegue fazer o mesmo?
Também me faz pensar outra aparente contradição. Se a intenção é ensinar a lidar com frustrações, porque é que essa aprendizagem parece acontecer quase sempre com as crianças de menor rendimento imediato? As que demonstram maior aptidão não terão também de aprender a lidar com erros, fracassos, rejeições e dificuldades?
Na prática, parece existir uma curiosa distribuição da aprendizagem pela frustração. Uns aprendem no banco. Outros aprendem dentro do jogo. Mas serão estas experiências equivalentes?
A criança que joga erra, toma decisões, falha, sente as consequências das suas escolhas, ajusta comportamentos e tenta novamente. Aprende a lidar com a pressão, com o erro, com a responsabilidade e com a crítica. Cresce através da experiência.
Já a criança que observa durante longos períodos aprende, acima de tudo, a lidar com a ausência de oportunidade. E existe uma diferença importante entre sentir uma dificuldade e desenvolver ferramentas para a ultrapassar.
Talvez seja precisamente dentro do jogo que essa aprendizagem acontece. É aí que a criança falha um passe, perde uma bola, toma uma decisão errada, enfrenta as consequências e procura soluções. É nesse processo que desenvolve persistência, confiança e capacidade de superação.
A verdadeira preparação para a vida talvez não aconteça quando afastamos a criança da experiência, mas quando a colocamos dentro dela.
Porque ninguém aprende a gerir o erro sem errar. Ninguém aprende a lidar com a derrota sem competir. E ninguém aprende a ultrapassar dificuldades sem ter oportunidade de agir sobre elas.
No fundo, talvez a pergunta mais desconfortável seja esta: se acreditamos verdadeiramente que excluir educa, aceitaríamos essa lógica noutros contextos?
Na escola defenderíamos que um aluno com mais dificuldades passasse o dia inteiro sem participar, apenas a observar os colegas, para aprender a lidar com a frustração? Provavelmente não. Procuraríamos dar-lhe mais apoio, mais oportunidades e mais experiências de sucesso. Então porque é que, no desporto, tantas vezes seguimos o caminho contrário?
O desporto pode ser uma extraordinária escola de vida. Mas talvez não seja a exclusão que educa. O que verdadeiramente educa é a oportunidade de participar, errar, aprender e voltar a tentar."

O Tour de France é a aula de marketing que o futebol nunca frequentou


"O futebol gosta de pensar que inventou o negócio do desporto. Não inventou. Em muitos casos, apenas o tornou mais caro. Quem quiser perceber como se transforma competição em território, sofrimento em conteúdo, tradição em turismo e paisagem em valor económico devia olhar com mais atenção para o Tour de France.
A edição de 2026 começou a 4 de julho em Barcelona e terminou a 26 de julho nos Campos Elísios, em Paris. Foram 21 etapas, 3.320 quilómetros, 23 equipas, 184 ciclistas e quase 54 mil metros de desnível acumulado. O percurso atravessou a Catalunha e França, passa por montanha, contrarrelógios, etapas planas, cidades históricas e chegadas míticas como o Alpe d’Huez. Isto não foi apenas uma prova de ciclismo. É uma narrativa itinerante cuidadosamente desenhada para vender um país, uma cultura e uma experiência.
O Tour tem uma vantagem que o futebol raramente consegue explorar: não precisa de estádio para existir. O seu estádio é a estrada. O seu relvado são montanhas, aldeias, vinhas, castelos, pontes, praias e centros urbanos. Cada etapa é um jogo, mas também é um anúncio turístico de várias horas. Enquanto muitos clubes investem milhões para criar conteúdos digitais artificiais, o Tour produz diariamente imagens orgânicas, emocionais e globais. O produto é a corrida, mas o valor está muito para além da corrida.
Os números confirmam esta força. Segundo dados da organização, o Tour de France 2025 atingiu quase 150 milhões de espectadores na Europa, mais de 700 milhões de horas vistas em transmissão direta e 45 milhões de franceses a acompanhar a prova em direto na France Télévisions. No digital, o site oficial registou 33,2 milhões de visitantes únicos e mais de 102 milhões de visitas. Nas redes sociais, os conteúdos oficiais do Tour geraram 1,3 mil milhões de visualizações de vídeo, quase duplicando o valor de 2024.
Isto mostra uma coisa simples: o Tour percebeu que a audiência moderna não se conquista apenas com o resultado. Conquista-se com continuidade. Durante três semanas, há uma história todos os dias. Há heróis, quedas, recuperações, paisagens, sofrimento, estratégia, rivalidades e emoção. O futebol, pelo contrário, vive muitas vezes obcecado com os 90 minutos e esquece tudo o que poderia construir antes, durante e depois. O Tour vende o percurso. O futebol vende o calendário. A diferença parece pequena, mas é enorme.
Há também uma dimensão económica evidente. As partidas fora de França tornaram-se uma peça importante da estratégia comercial. Copenhaga, Bilbao e Florença terão pago cerca de seis milhões de euros cada uma para receber o Grand Départ, segundo fontes citadas pela AFP. Barcelona acolheu a partida de 2026, reforçando essa lógica de internacionalização.
Mesmo as cidades que recebem partidas ou chegadas intermédias pagam centenas de milhares de euros, porque sabem que compram muito mais do que a passagem do pelotão: compram exposição global, turismo, ocupação hoteleira, consumo local e reputação territorial.
Este é talvez o ponto que o futebol português devia estudar. Continuamos a discutir direitos televisivos, horários, arbitragens e contratações, mas raramente pensamos o campeonato como plataforma de território. Quantos jogos da Liga são usados para promover cidades, regiões, património, gastronomia, universidades, empresas ou comunidades locais? Quantos clubes transformam verdadeiramente o dia de jogo numa experiência de consumo, cultura e destino? Quantas vezes a televisão mostra Portugal para além do relvado?
O Tour de France não é perfeito. Tem problemas de sustentabilidade, segurança, desigualdade entre equipas e dependência de grandes patrocinadores. Mas tem uma lição poderosa: um evento desportivo vale mais quando deixa de vender apenas desporto. O Tour vende França. Vende Barcelona. Vende montanha. Vende dor. Vende memória. Vende verão. Vende uma ideia de aventura que começa muito antes da meta e continua muito depois da camisola amarela.
O futebol tem melhores atletas, maiores salários e mais dinheiro. Mas nem sempre tem melhor produto. O Tour de France lembra-nos que o desporto mais valioso não é necessariamente aquele que tem mais estrelas. É aquele que sabe contar melhor a sua história. E nessa etapa, o futebol ainda vai muitas vezes a reboque."

A procissão vai no adro


"1. Perdoem-me voltar a um assunto da época passada, mas já se percebeu que o assunto vai continuar na ordem do dia nesta época e nas épocas vindouras, mantendo-se tudo na mesma num setor específico do futebol português. A arbitragem.

2. Não é necessário falar em nomes. São do domínio público os artifícios da arbitragem do jogo Famalicão-Benfica, que custou ao nosso clube a presença na Liga dos Campeões e, como se não bastasse o prejuízo, são do domínio público os artifícios do relatório do juiz da partida que, referindo episódios que só ocorreram na sua imaginação, viu-se repreendido pelo CD da FPF.

3. Face aos danos causados, a repreensão por escrito será um castigo ridículo na perspetiva dos benfiquistas. Na perspetiva do árbitro em causa e de uma dezena de colegas seus da mesma associação, é um castigo intolerável. Vai daí, zangaram-se as comadres com a APAF por não ter defendido convenientemente o árbitro-protagonista e o seu relatório-imaginativo.

4. Dizem agora que vão sair de sócios da APAF, que é o organismo associativo dos árbitros portugueses. Mais valia não saírem da APAF, onde estão tão bem, e sair da arbitragem, onde estão tão mal.

5. A época oficial ainda não começou em Portugal, mas o Benfica fez 2 jogos de preparação no Algarve e foi presenteado com duas arbitragens medíocres. A procissão vai no adro.

6. O suíço Haris Seferovic foi um dos muitos que passaram por cá e que por cá foram campeões. Hoje tem 34 anos e joga nas Arábias. Foi entrevistado no início da semana por um jornal do seu país a propósito do confronto do St. Gallen com o Benfica na pré-eliminatória de acesso à Liga Europa que teve a sua 1.ª mão na quinta-feira [23 de julho]. Quando Seferovic fala do Benfica sabe do que fala. O suíço, que marcou 74 golos em 188 jogos com a camisola do nosso clube, “explicou” aos seus compatriotas o sentimento benfiquista que impera neste arranque de temporada: “O Benfica está furioso por não se ter classificado para a Liga dos Campeões neste ano. O objetivo deles será o título da Liga Europa.” Absolutamente de acordo, Seferovic. Mas “explicou” outras coisas que o marcaram no Benfica: “Às vezes eu tinha a sensação de que o clube era mais importante para as pessoas do que as suas próprias vidas.” Um abraço para o Seferovic.

7. Jhon Durán é um jovem internacional colombiano que chega ao Benfica por empréstimo, depois de deambular em vários continentes. Vamos acreditar que o Benfica é casa ideal para Jhon Durán ser, finalmente, Jhon Durán."

Leonor Pinhão, in A Bola

Assistências lucrativas


"CAMPEONATO DO MUNDO DE 1966, A PARCERIA ENTRE EUSÉBIO E TORRES FOI BEM-SUCEDIDA E O PRÉMIO FOI REPARTIDO.

No futebol, as equipas entram em campo com 11 jogadores e exige-se que atuem de forma associativa, organizada e sincronizada. Embora existam figuras que se destaquem pela sua qualidade, garra ou personalidade, é a força do coletivo que sustenta o sucesso duradouro. Ainda assim, muitas dessas dinâmicas constroem-se em parcerias decisivas: a solidez da dupla de centrais, a articulação entre laterais e extremos, a complementaridade no meio-campo ou a cumplicidade entre avançados.
Na estreia de Portugal numa fase final do Campeonato do Mundo, em 1966, Eusébio e Torres, companheiros no ataque do Benfica, transportaram essa parceria para a Seleção Nacional. No primeiro jogo, diante da Hungria, aos 89 minutos, na sequência de um canto cobrado por Eusébio, Torres confirmou o triunfo luso por 3-1. Frente ao Brasil, na 3.ª jornada, os papéis inverteram-se: aos 26 minutos, “Jaime Graça apontou o respetivo livre, por alto e cruzado. Na meia-esquerda, Torres elevou-se bem e cabeceou para […] Eusébio, que se antecipou também a Orlando e, com um oportuno golpe, aplicado com a testa, levou o esférico às malhas”.
Nos quartos de final, perante a Coreia do Norte, num dos encontros mais memoráveis da história dos Mundiais, o “Bom Gigante” voltou a ser determinante. Aos 42 minutos, quando se preparava para finalizar isolado, foi derrubado por Shin Yung-Kyoo dentro da área. Da grande penalidade resultante, Eusébio marcou o seu 2.º golo numa partida em que acabaria por assinar um póquer, liderando uma recuperação épica.
Mesmo na derrota das meias-finais, frente à anfitriã Inglaterra, a dupla voltou a sobressair. Após um cruzamento para o 2.º poste, Torres cabeceou com perigo e obrigou Jack Charlton a intercetar a bola com a mão. Eusébio converteu novamente o castigo máximo, alcançando o 8.º golo na competição. No encontro de atribuição do terceiro lugar, diante da União Soviética, Torres conquistou mais uma grande penalidade, prontamente transformada por Eusébio.
Com 9 golos, o avançado sagrou-se melhor marcador do torneio. Contudo, o espírito de parceria foi além das quatro linhas. Ao receber o prémio de mil libras (80 contos) pelo feito, Eusébio cumpriu o pacto estabelecido com Torres, “que nisto dos golos, o que marca mais, conta sempre com o outro”, e deu 10 contos ao “Bom Gigante”. O gesto simbolizou uma amizade e cumplicidade raras, em que o sucesso individual nunca se sobrepôs ao coletivo.
Saiba mais sobre este e outros feitos na área 24 – O “Pantera Negra” e Outras Lendas, no Museu Benfica – Cosme Damião"

António Pinto, in A Bola

Si, se puede


"Acabou o Mundial da América. Do Norte, geograficamente fa - lando. Ganhou a Espanha. E bem. Não só foi a equipa mais competente, como também a que soube usar melhor quase todos os jogadores convocados por Luis de la Fuente. O antigo lateral-esquerdo do Atlético de Bilbau, do Sevilha e do Alavés mostrou-se um gestor de homens e de egos, recorrendo a profissionais de clubes de meio da tabela do campeonato espanhol para compor o ramalhete das oito estrelas do FC Barcelona. Do Real Madrid não foi nenhum, mas conseguiram fechar negócio com Cucurella já ao serviço da seleção. Contas feitas, assim se fez uma equipa e não um conjunto de jogadores. Foi justa a vitória, por muito que estivesse a torcer pela Argentina. As minhas raízes familiares falam sempre mais alto nesses momentos, mas, de facto, o título está bem entregue. Se é assim no que diz respeito ao futebol, a vitória é ainda mais merecida se olharmos para os atuais indicadores sociais e políticos de ambos os países. Aí, a Espanha goleia em vários campos. Do lado ibérico, um país inclusivo, com boas práticas, respeito pela diferença e indicadores de crescimento assinaláveis e elogiados. Na outra metade do terreno, um país liderado por um louco que ouve vozes e está a levar as classes baixa e média argentinas para um poço sem fundo. E a entregar o troféu e a querer ficar na fotografia, outro alucinado. Nem o espetáculo do intervalo, a apelar ao amor global, conseguiu fazer esquecer o cenário de perseguição, mentira generalizada, belicismo e divisão nos EUA de Trump, da ICE e dos seus apoiantes. Os cofres dos organizadores devem ter ficado bem cheios, mas a maioria dos adeptos de coração não pôde lá estar a assistir, com preços proibitivos e vistos de entrada sempre em perigo. A mim, este Mundial não deixa saudades. Foi tudo demasiado plástico e descartável. Valeram Espanha, Argentina, Cabo Verde e Noruega para mostrar paixão e qualidade."

Espanha exemplar


"A merecida vitória da Espanha no Mundial confirma uma verdade muitas vezes esquecida: o futebol é um desporto de equipa.
A Argentina tinha porventura a maior estrela. A França tinha o maior conjunto de estrelas. Outras equipas tinham também as suas individualidades. Portugal teve uma estrela cadente e alguns grandes jogadores espalhados pelo campo sem critério. Aquele que era tido como o grande craque da selecção espanhola, o jovem Lamine Yamal, começou o torneio a recuperar de lesão, e só a espaços mostrou a sua classe. O que a Espanha mostrou sempre, a tempo inteiro, foi um bloco muito sólido, tacticamente bem trabalhado, que em 8 jogos apenas sofreu 1 golo, e que, com as suas movimentações, com rotinas criadas desde há muito (das camadas jovens até à selecção principal), se superiorizou, um a um, a todos os adversários que foi encontrando pelo caminho – entre os quais, como sabemos, a equipa portuguesa. Aliás, já no último Europeu, com o mesmo treinador (um homem bastante discreto), e com um onze praticamente igual, os nossos vizinhos ibéricos haviam levado a melhor. São agora campeões da Europa e do Mundo com todo o mérito.
Uma equipa de futebol assemelha-se a uma máquina, que necessita de 11 peças (e naturalmente de peças suplentes), cada uma com a sua finalidade – as quais, se colocadas nos sítios certos, constroem um todo mais forte do que a soma das partes. Não adianta juntar peças de ouro ou de prata se a máquina não estiver bem desenhada e oleada. Sendo que o desenho perfeito demora tempo a fazer.
Isto é válido também para o nosso Benfica, que precisa agora de desenhar a sua máquina de novo. Para isso, não necessitamos de peças de ouro, mas sim das peças certas. E, naturalmente, de tempo para olear as rotinas, e construir o bloco sólido e ganhador que todos desejamos."

Luís Fialho, in O Benfica

Editorial


"1. “Virar na Luz” é o título de capa deste jornal O Benfica e o mote para o jogo da 2.ª mão com a equipa suíça do St. Gallen. O treinador Marco Silva é elucidativo: “A nossa obrigação é dar a volta, é o que vamos fazer.”

2. Nota de relevo para a reportagem que apresentamos nestas páginas sobre o Benfica Institute for Sport Excellence. Uma plataforma aberta ao conhecimento, à investigação e à inovação. O objetivo passa por partilhar com a sociedade, instituições de ensino e outras organizações corporativas o que de melhor o Benfica sedimenta em termos de desenvolvimento de talento, num saber-fazer que coloca o Benfica Campus como a melhor academia do mundo. Uma iniciativa pioneira num projeto que posiciona o Benfica na vanguarda da formação.

3. Nesta semana, assinalamos igualmente mais um episódio da Zona Mística, com Diogo Rafael. Impressiona a humildade de quem durante 22 anos fez história no Benfica e deixou um legado de dedicação, títulos e benfiquismo. Um percurso imenso que culmina com a entrega ao Museu Benfica – Cosme Damião de vários objetos que simbolizam uma relação especial. Diogo Rafael expressa na entrevista o imenso orgulho que foi ter envergado por mais de duas décadas o manto sagrado. O Benfica será sempre grato a Diogo Rafael por tudo o que nos deu. Para sempre um dos nossos! Vale a pena ler neste jornal e acompanhar nas nossas redes.

4. Ponto de luz para o trabalho com Inês Nunes, neste que é o fim de carreira de uma das atletas mais marcantes do polo aquático do Benfica. A frase-chave de um trajeto notável de uma heptacampeã: a estrutura do Benfica não é comparável à de qualquer outro clube."

Pedro Pinto, in O Benfica

Benfica que junta!


"A dimensão universal do Sport Lisboa e Benfica não se mede apenas pela sua história ímpar, pela estatura das suas figuras mais icónicas, ou pelo número e geografia dos seus adeptos. Mede-se também, como é próprio dos verdadeiramente grandes, pela sua capacidade de transformar a força do seu nome em proximidade, esperança e oportunidades concretas na vida comum.
É por isso particularmente importante que a mão solidária e firme do Benfica se estenda para lá de Lisboa ou mesmo de Portugal, sobretudo para os países de expressão portuguesa, com propósito e força transformadora. Quem o faz é a Fundação Benfica, garantindo aos sócios e adeptos que o seu Benfica, tão vibrante e envolvente nestes países, desenvolve projetos concretos de apoio humanitário e desenvolvimento social, tornando-se parte da sua sociedade civil e atuando com os seus pares em prol de todos. Partilhamos uma língua, uma história comum e uma identidade que aproxima, numa mesma pertença, comunidades separadas por milhares de quilómetros. Essa relação é uma oportunidade e mesmo uma responsabilidade para um clube do povo, que galvaniza o povo e os povos. Uma responsabilidade que pode e deve traduzir-se em cooperação, respeito e compromisso para o futuro.
Cabo Verde ocupa, neste caminho, um lugar especial. Na cidade da Praia iniciou-se neste ano o projeto Djunta Mon, promovido pela Fundação Benfica em parceria com a Fundação Dretu. O próprio nome encerra o essencial: juntar as mãos, mobilizar vontades e construir respostas com as pessoas, e não apenas para as pessoas. Mais do que uma ação humanitária e pontual, que também faz, o Djunta Mon é um projeto de desenvolvimento humano que pretende reforçar competências, criar oportunidades e apoiar crianças, jovens, famílias e comunidades na construção do seu próprio futuro. É esta lógica de continuidade que dá verdadeiro sentido à intervenção social da Fundação Benfica e é nela que radica a essência da Mística Benfiquista: a pertença e a conquista coletiva que valoriza cada um, a procura incessante da melhoria contínua, a verdade e a Justiça.
Quando o Benfica chega a Cabo Verde desta forma, não leva apenas um emblema reconhecido, leva sobretudo valores, responsabilidade e a vontade de estar presente onde a sua história e a sua comunidade também vivem. Porque falar português é também partilhar caminho, e ser Benfica é também juntar as mãos e a forma mais bela de transformar essa pertença em futuro."

Jorge Miranda, in O Benfica