Últimas indefectivações

domingo, 24 de maio de 2026

Só falta mais uma...

Benfica 86 - 61 Oliveirense
17-18, 24-14, 19-16, 25-13

Segunda vitória, no Jogo 2, com um pouquinho mais de replica do adversário, mas com o Benfica a fazer uma gestão grande dos jogadores, chegando ao 4.º período com bastante energia nas pernas!
O problema da mais que provável Final, será o Benfica chegar aos jogos decisivos com pouco ritmo competitivo!

Fim do campeonato

Sporting 34 - 22 Benfica
16-10

Mais uma derrota larga, com muitos erros individuais no ataque...

Neymar: irritante e irresistível


"Brasileiro podia ser maior, podia ter sido imortal, podia ter reescrito os livros do futebol. Mas escolheu outra vida, outro ritmo, o compromisso com a falta de compromisso.

Neymar não é um número, não é uma estatística. É a soma do que podia ter sido e do que decidiu ser. Este ano, 15 jogos e pouco mais de mil minutos no Santos. Uma espécie de ex-jogador em atividade, diriam os dados frios. Mas os dados não contam a história que corre nas ruas do Brasil, nas conversas dos bares, nas praças, nas margens do campo, onde se aprende a arte de tocar a bola como se fosse música.
Ancelotti nunca o tinha chamado. Nunca. E, ainda assim, o nome de Neymar apareceu na lista de convocados. Sem razão desportiva, mas quase como uma reza. E o anúncio do seu nome acendeu uma chama num país que há muito desespera pelo talento de outros tempos. Pela conquista do sexto Mundial. Pela dança de um passado que, olhando para as últimas prestações do Brasil em Mundiais, parece ter sido noutra vida.
Há um prazer estranho que cada adepto tem em amar irritar-se com jogadores como Neymar. Porque podia ser maior, podia ter sido imortal, podia ter reescrito os livros do futebol. Mas escolheu outra vida, outro ritmo, o compromisso com a falta de compromisso. Mesmo assim, quando a bola lhe chega, tudo muda. Um toque, uma arrancada, um sorriso no pé, e aquilo que é previsível, frio, calculado, desaparece. Leva-nos para a rua. Para o futebol que se liberta do laboratório.
O Brasil celebrou a convocatória como se fosse um título. Mais emoção do que razão. Mais mito do que resultado. Porque Neymar não é só talento. É promessa de magia, é lembrança de um futebol que já não existe. Vinícius e Raphinha correm, lutam, tentam, têm algum samba nas botas, mas quando Neymar aparece, há um silêncio de respeito, um reconhecimento instintivo de que aquele momento é só dele.
Este Mundial será o último de Ronaldo e Messi. Dois monstros. Dois dos maiores da história. Os homens que dominaram o futebol durante mais de uma década. A certa altura, dizia-se que Neymar podia ser o herdeiro do trono. Nunca foi, nunca quis, nunca percebeu que brincadeira tem hora e sacrifício é a toda a hora. Sempre foi caprichoso, indomável, mimado. E, ao mesmo tempo, irresistível.
Neymar ri do tempo, das lesões, das expectativas. Para ele, a vida é uma brincadeira. Ainda assim, entre os convocados de Ancelotti, será o único nome que faz o Brasil suspirar, que faz as multidões esquecerem estatísticas e olharem para a bola como quem olha para uma tela em branco.
Num país que viu Pelé, Romário, Ronaldo ou Ronaldinho Gaúcho, entre tantos outros, Neymar é quase uma nota de rodapé na linda e gloriosa história dos craques brasileiros. Não é o maior, não é o mais consistente, não é o que mais trabalha. Mas é aquele que ainda nos lembra que o futebol não é apenas jogo, é sonho.
E, por isso, quando Ancelotti o chama, o país inteiro agradece. Agradece ao menino Ney que já não é menino. Agradece ao artista que nos enfurece. Porque, apesar de todas as festas, lesões e carnavais, ainda é nele que o Brasil encontra aquele futebol descalço, de pó nos tornozelos, e sonho nos pés. O futebol da magia antiga. O futebol que faz o impossível parecer apenas um detalhe mal explicado."

Benfica refém do Real Madrid ou como Klopp e Haaland podem tramar Mourinho


"Futuro do comando técnico encarnado está nas mãos dos sócios... merengues. Se a juventude de Riquelme travar Florentino, as decisões da Luz serão empurradas para junho

O Benfica vive um paradoxo geográfico e temporal que ameaça o planeamento da próxima época. E, enquanto os adeptos desesperam por fumo branco, rezam as crónicas que o futuro do comando técnico das águias não se decide... na Luz, nem sequer em Lisboa, mas sim nos bastidores de Madrid. O que levanta a questão: está o Benfica congelado por um braço de ferro eleitoral no Bernabéu?
A figura central deste tabuleiro é José Mourinho. O Special One não se decide nem permite que o Benfica decida enquanto não houver a certeza absoluta sobre o destino de Florentino Pérez.
Este sábado é o dia D: a junta eleitoral do Real decidirá se aceita a candidatura de Enrique Riquelme. Aos 38 anos, o jovem empresário surge como uma reedição madrilena do fenómeno André Villas-Boas, personificando a mudança e o vento de futuro contra o legado histórico e o statu quo do atual presidente.
Riquelme não vem de mãos a abanar: apresenta como trunfos Jurgen Klopp para o banco e a potência Erling Haaland para o ataque.
Se a candidatura for aceite, como se antecipa em Espanha, o Benfica entra em modo de suspensão profunda. As eleições merengues seriam a 7 de junho e Mourinho, que espera pacientemente para perceber se Florentino mantém o trono, não deverá assinar nada antes disso.
Ou seja, estamos perante cenário surreal: serão os sócios do Real Madrid a definir, indiretamente, quem treinará o Benfica. Se Florentino cair como caiu Pinto da Costa no FC Porto, o castelo de cartas da Luz desmorona-se.
Entretanto, o plano B (na realidade, o A) também joga noutro tabuleiro. Marco Silva, o alvo escolhido para dar uma nova alma ao futebol encarnado, cumpre este domingo a última jornada da Premier League com o seu Fulham. E só a partir de segunda-feira se sentará com a administração londrina para ouvir a proposta de renovação.
Já o Benfica está no meio deste fogo cruzado entre Londres e Madrid, refém de um treinador que espera por um convite Real e de outro que espera por uma clarificação contratual em Inglaterra.
O risco para Rui Costa é imenso. Esperar por Mourinho até 7 de junho pode significar perder Marco Silva para o Fulham e ficar com o mercado de treinadores reduzido a cinzas se o Special One optar por Madrid ou pela Arábia.
Certo é que a Luz não deveria ser sala de espera para sonhos alheios. Entre Klopp poder tramar Mourinho e o Real Madrid ditar o destino das águias, o Benfica arrisca-se a ficar no gelo enquanto os rivais já se preparam afincadamente para o calor do verão..."

Martínez, entre pepinos e tomates


"Selecionar é decidir. É escolher entre múltiplas opções, e considerar imensas possibilidades. Para a fase final de um campeonato do Mundo, um selecionador nacional deverá sempre seguir as suas intuições, alicerçadas na capacidade de leitura, o mais ampla e abrangente possível, das realidades, das influências e dos momentos de cada jogador.
Ao longo de um ciclo — no caso de Portugal, entenda-se o período entre a vitória na Liga das Nações e o momento da convocação para o Mundial das Américas —, muito se altera, muitas das ideias sofrem evoluções positivas ou negativas.
Há uma perceção essencial, e em relação à qual nenhum de nós terá o completo entendimento: a do balneário, das reações, das pausas, dos movimentos, das motivações, das decisões.
Porque, embora subsista uma importante similitude entre clube e seleção (a de que a forma desportiva será sempre um fator imperativo), há um outro fator idêntico que o treinador tem de respeitar: o comportamento individual, a interação, a capacidade de integrar um coletivo, que apenas o tempo de balneário, os momentos em conjunto podem certificar e justificar.
Dito isto, entendo a defesa feita de António Silva, quando a imprudência da juventude do jogador do Benfica o fez filtrar informações classificadas para o exterior. Fez mal, esteve mal, terá sido repreendido por isso.
E exatamente por isso, não entendo que Roberto Martínez tenha agora vindo a terreiro falar desse momento em relação a Silva. Porque esse simples facto detona a suspeita de que terá sido o elemento essencial para a não convocação do defesa do Benfica para o Mundial.
Vou ser ainda mais claro: entendo que António Silva não tem lugar neste grupo de convocados. Mas esta situação cria uma suspeita evitável, um embaraço lamentável, uma fissura na comunicação.
Curiosamente, o caso criado com a ausência do jogador encarnado encobre outros elementos interessantes na convocatória da Seleção portuguesa para o primeiro Mundial organizado por três países, também o primeiro com 48 seleções e, por conseguinte, o primeiro com mais um jogo para quem atinja, pelo menos, as meias-finais.
Quatro guarda-redes. É impressionante o desconhecimento que grassa na esmagadora maioria dos comentadores de redes sociais. O quarto guardião sabe ao que vai: é uma espécie de árbitro de suporte, será um recurso em caso de lesão de um dos três primeiros guarda-redes, e pode — é uma ideia muito defendida pela generalidade dos selecionadores — ser um elemento essencial no treino dos restantes homens da baliza. Portanto, não há nenhuma surpresa na convocação de Ricardo Velho, defendida pelos regulamentos e aconselhada pelo bom senso.
No restante elenco, a polémica do costume, instalada e legitimada pelas temporadas realizadas. Um pouco à semelhança do que acontece com o Brasil, onde é difícil argumentar a não convocação de João Pedro, jogador de ligação entre o meio-campo e o ataque como o escrete parece não ter, e vindo de uma ótima temporada ao serviço do Chelsea.
Aliás, a justificação pública de Carlo Ancelotti é fraca e muito pouco consistente, comparando com a quase obrigação da chamada de Neymar.
Em Portugal, Cristiano Ronaldo é, evidentemente, nome obrigatório. Mas, aqui chegados, ponto de ordem: Cristiano tem uma carreira única. Para muitos, será o melhor jogador da História. Para mim e para muitos outros, será um dos melhores, que é essencial ter memória e rebobiná-la a várias décadas.
O novo campeão saudita será sempre uma referência no balneário, uma motivação excecional para o grupo de trabalho. Mas não é — não pode ser — um titular indiscutível. Será sempre um trunfo dourado para os trinta ou quarente minutos finais, onde, de posse dos seus valores físicos e psíquicos, condicionará adversários. Mas Portugal tem talento, capacidade individual e desafio coletivo suficientes para ter um onze integral e consistente, e para não depender, em campo, de um jogador cujas condições objetivas para a competição não são as mesmas dos seus companheiros.
Estive na final do Euro-2016, em Saint-Denis. Sou dos que pensam que Portugal foi campeão europeu porque Cristiano saiu de campo, ainda na primeira parte. Foi desse fazer das fraquezas forças que, na realidade, saiu a consistência tática e a capacidade de sofrimento suplementar que garantiram o título europeu a Portugal.
Agora, é essencial que Martínez não abra o flanco. Que tenha personalidade. Que perceba o que é mais importante.
Há uma muito talentosa geração de jogadores portugueses à procura da glória. O selecionador de Portugal fala na importância de uma equipa «em crescimento» ao longo da fase final.
Mas é, neste momento, essencial que ele próprio continue a dar, no maior desafio da sua carreira profissional, um sinal de respeito por todos. Pelos jogadores, pela estrutura, pela imensa mole humana que, nas Américas ou à curta distância da atual sociedade de consumo, suportará a Seleção de Portugal.
A nova diáspora (pelo Mundial além-Atlântico e pelos milhões de portugueses que o atravessaram à procura de um futuro melhor…), tem a obrigação de lutar pelo título. Uma incrível geração de jogadores tem essa ambição. Quer fazê-lo e pode fazê-lo, até por Cristiano Ronaldo. Mas nunca bloqueando objetivos por uma idolatria cega, que pode deitar tudo a perder.

CARTÃO BRANCO
Pode ter saído pela porta pequena de Old Trafford. Mas tem fibra e convicções próprias, como se notou no seu curto consulado no comando do Manchester United. Ruben Amorim voltou a mostrar objetivos maiores, quando terá recusado a sondagem do Benfica para ocupar o lugar que vai ser deixado vago por José Mourinho. O treinador que levou o Sporting ao título quer continuar no estrangeiro. Faz muito bem. Hoje, o projeto que os encarnados oferecem estará longe das realidades e das ambições de quem já atingiu outros patamares.

CARTÃO AMARELO
Há muitos meses, aqui aconselhei Rui Costa a não se recandidatar à presidência do Benfica. Tudo parecia inclinar-se para a necessidade de um outro projeto, de uma outra visão e, sobretudo, de um outro talento enquanto gestor. O futuro imediato parece dar-me razão. Ou Rui não previu que Mourinho poderia ser assediado, ou não leu as entrelinhas, ou não compreendeu as ondas que se criavam. O líder encarnado está legitimado pelo sufrágio eleitoral. Isso é determinante e profundamente democrático, num clube que é, ele próprio, um mundo. Mas sai muito mal da fotografia na sucessão de Mourinho, independentemente da solução a que conseguir chegar."

Visão: Análise - Que Época Foi Esta?!

Simples: SL Benfica, época 25/26

Zero: Mercado - FC Barcelona tem Kiwior debaixo de olho

BF: Rui Costa...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Mourinho, a ex de Madrid com Rui Costa no papel de vela

SportTV: Primeira Mão - Convocatória, Final da Taça e play-offs ao rubro 🏆

LiveMode: Mundial #3

ESPN: Futebol no Mundo #567

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Espanha: Joaquín, o folião que bateu recordes de longevidade e levou a Taça do Rei para o altar


"Chamavam-lhe la finta y el sprint, um extremo que agitou o futebol espanhol no início do século. Adiou a saída do seu amado Betis, ao qual regressaria, já veterano, para ser jogador, capitão e acionista. Sempre com uma piada para dizer, é a personificação do andaluz alegre, sem deixar de ser um competidor feroz até para lá dos 40 anos.

No fim da viagem, Joaquín ficou sem saber como reagir. Logo ele, que ao longo de mais de 20 anos sempre tivera mais uma frase, mais uma piada , mais um número. Mais um drible. Mais uma época.
“Não sei estar triste”, murmurou entre as gotas de água que escorriam pela cara. Era 2023, ele à beira dos 42 anos, 24 passados da estreia pelas cores do seus amores. Estava a despedir-se do Joaquín jogador.
Atrás de si estava o estádio Benito Villamarín. “É a minha vida”, disse. E voltou às lágrimas.
Paradoxalmente, concluía em choro a jornada mais alegre do futebol espanhol. Joaquín, o menino do Puerto de Santa María, terra de verão e festa, de calor e carnaval, de Cádiz, da folia. Há muito que adiava o adeus, colocando-se numa posição de invulgar longevidade: atingiu 622 jogos na La Liga, igualando o recorde de Andoni Zubizarreta, representando o Real Betis em 515 ocasiões.
Antes do peso do ponto final, a história foi a de um rapaz de caráter leve, relaxado, filho da alegria da terra. Era o terceiro de oito irmãos, inicialmente queria ser toureiro, mas o jeito com os pés captou a atenção do lado verde e branco de Sevilha. Um tio, de alcunha el chino, era quem mais acreditava no talento do sobrinho, pagando-lhe as viagens entre o Puerto e a capital andaluza. El chino morreria em 2002, Joaquín nunca deixou de mostrar gratidão.
Debutou ainda adolescente pelo Betis, quando o clube estava na segunda divisão. Rapidamente virou sensação, pegando-se-lhe a expressão la finta y el sprint, o drible e a corrida, entusiasmando pelas cavalgadas pela direita. O estilo gozão foi-se tornando imagem de marca, consolidado em mil e uma anedotas que viraram parte do folclore nacional: quando lhe perguntaram um hobby e respondeu ténis, para em seguida confessar que jamais pegara numa raquete; com o seu espanholizado italiano, quando representou a Fiorentina; nas inúmeras vezes em que conduziu o autocarro do Betis.
No verão de 2005, o Betis acabara de conquistar a Taça do Rei. Joaquín casou, a 8 de julho, com Susana Saborido. No altar, mirando o casal, estava o troféu.

Albacete, Mourinho e Coreia
Há alguns paradoxos com Joaquín. Descontraído e quase um futebolista-humorista, mas extraordinariamente competitivo, regular, uma garantia até depois das quatro décadas de vida. Principiou a carreira tendo a velocidade e a potência como grandes argumentos, ainda um jogador da época da fúria espanhola, e concluiu-a mais cerebral, pensando o jogo, técnico, tricotando futebol em zonas centrais; chegou a admitir que, em jovem, saía mais à noite “do que o camião do lixo”, mas jamais se apresentou com um quilo a mais, pouco se lesionou, sendo capaz de fazer mais de 30 partidas em 20 temporadas como profissional.
Era, sobretudo, um apaixonado pelo futebol. Certo dia em que ladrões lhe roubaram a casa, o maior lamento foi terem encontrado o local onde estavam guardadas várias camisolas trocadas com adversários como Ronaldo Nazário, David Beckham e Frank Lampard.
A explosão inicial no Betis parecia levá-lo a uma saída precoce. Falou-se do interesse do Real Madrid galático, houve uma reunião agendada com José Mourinho, tendo o Chelsea como destino. Joaquín faltou ao encontro. Não se imaginava a sair de casa. “Pedi, depois, desculpa ao Mourinho, que me disse que eu fui o primeiro jogador a dar-lhe uma nega”, confessaria, anos depois, à “ESPN“.
Acabaria por deixar a equipa dos seus amores em 2006. Manuel Ruiz de Lopera, presidente de outra época, vindo do tempo dos polémicos dirigentes espanhóis dos anos 90, não queria deixar o extremo ir para o Valencia, pelo que fez valer uma cláusula no contrato do jogador, segundo a qual este era obrigado a aceitar ser cedido à equipa que o Betis decidisse. Lopera determinou que Joaquín, vindo diretamente do Mundial 2006, ia ser emprestado ao Albacete, da segunda divisão.
Aconselhado pelos advogados a apresentar-se, Joaquín fez a viagem da Andaluzia até Castela-Mancha. “Parei em todas as aldeias, as pessoas perguntavam-me o que estava a fazer e ofereciam-me queijo manchego”, lembraria. Chegado ao destino, um notário certificou que o jogador não havia faltado ao compromisso. Lopera deixou-o ir para o Valencia.
Valencia, Málaga, Fiorentina. Meros interregnos na ligação ao Betis, ao qual voltaria, jogando ao mesmo tempo que já era acionista do clube. Sempre competitivo, em dezembro de 2019 apontou um hat-trick, em 18 minutos, contra o Athletic, tornando-se o mais velho da história da La Liga a marcar três vezes num encontro, batendo um recorde de Alfredo Di Stefano, datado de 1964.
A vida do ala ao serviço de Espanha ficou ligada ao polémico embate dos quartos de final do Mundial 2002 contra a Coreia do Sul. Num lance ao seu estilo, assistiu Morientes para um golo que daria a passagem aos europeus, mas a polémica arbitragem do egipcío Gamal Al-Ghandour anulou, erradamente, a jogada. Na decisão por penáltis, Joaquín falharia o castigo máximo decisivo.
A última das 51 internacionalizações por la roja seria no final de 2007. Esteve em dois Mundiais e um Europeu, nas três derradeiras fases finais antes do trio 2008-2010-2012.
Joaquín não fez parte da geração de ouro. Mas a sua qualidade, talento e personalidade contribuíram para desenhar uma La Liga mais forte, fizeram por construir o ecossistema do qual brotaria aquela Espanha gloriosa. Joaquín, tal como Reyes, Valerón, Xabi Prieto, De la Peña e vários outros, não pertenceu à melhor Espanha de sempre, mas, sem eles, o futebol do lado de lá da fronteira não trocaria a fúria pelo toque. Sempre com mais uma piada para dizer, menos quando era para dizer adeus."

sábado, 23 de maio de 2026

Comunicado...

Falta de carater, liderança tosca e submissão a interesses conspícuos. ...

BI: Fórum - O adeus de Otamendi, o novo treinador e a época 2025/2026 🦅

Benfica, Golos, 2025/16

Zero: Mercado - Chegada de Marco Silva ao Benfica ganha força

BF: Jogadores...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - A festa de Ronaldo

Observador: E o Campeão é... - Novela Mourinho. "Falta pulso forte na direção do Benfica"

Observador: Três Toques - Ronaldo faz história: Al-Nassr campeão na Arábia Saudita

Moller: Behind the Scenes of Winning the Taça de Portugal

Zero: Dinheiro - Tiago Simões...

Throne: The Biggest Surprises of Liga Portugal

LiveMode: Portugal - Espanha, 2018

LiveMode: Portugal - Inglaterra, 2006

LiveMode: Portugal - Holanda, 2006

Vários temas benfiquistas


"A atualidade do Benfica na BNews.

1. Convocados
Aursnes e Schjelderup chamados pela Noruega para o Campeonato do Mundo 2026.

2. Distinção
Foi entregue o prémio de Melhor Equipa Técnica da Liga BPI em abril.

3. Entrada com o pé direito
O Benfica ganhou à Oliveirense (98-76) no jogo 1 das meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol.

4. Agenda para sábado
Na Luz, às 15h00, o Benfica defronta a Oliveirense em basquetebol no masculino. E, às 21h00, arranca a final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal no feminino entre Benfica e Nun’Álvares. Em andebol, a equipa masculina visita o Sporting (18h00) e a feminina tem embate no reduto da Academia São Pedro do Sul (18h00).

5. Um palco de excelência
O Estádio da Luz prepara-se para albergar os concertos de Bad Bunny e Iron Maiden.

6. Entrevista
Luís Araújo, treinador dos Sub-19 do Benfica, fala sobre a temporada recentemente terminada.

7. Ajudar quem mais necessita
A Fundação Benfica e a GNR entregaram eletrodomésticos e bens essenciais a idosos e famílias vulneráveis das áreas de Ourém, Tomar e Ferreira do Zêzere.

8. História Agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV. 9. Jornal O Benfica A edição desta semana já está disponível para download no Site Oficial."

História Agora


Sem hipocrisias...

Rabona: Can Arsenal WIN the Champions League? | Arsenal vs PSG Preview

Regresso dos clubes-alma


"Para começo de conversa: o Marítimo (campeão da Liga 2) e Académico de Viseu estão de volta ao patamar superior do nosso futebol. O Torreense vai jogar as decisões da que pode ser a época mais histórica do clube: potencial regresso à Primeira Liga no play-off contra o Casa Pia e um pitstop no Jamor para defrontar o Sporting na final da Taça. Coisa pouca! Descendo um escalão, a luta pelos lugares de acesso ao futebol profissional foi até ao fim e coroou o Amarante com o troféu de vencedor da Liga 3 e a Académica a carimbar um regresso histórico às competições tuteladas pela Liga. Já o Belenenses vai repetir a dose do ano passado, defrontando desta vez o Farense no play-off pela presença na Segunda Liga na próxima temporada. Mais um duelo decisivo e a valer muito entre dois velhos conhecidos.
E, no meio deste movimento de recuperação de identidade do nosso futebol, há ainda espaço para uma nota que merece aplauso: o regresso do Vitória de Setúbal — perdoem-me os sadinos pela designação inevitável — ao Campeonato de Portugal. Um clube que caiu ao fundo do poço por razões administrativas e financeiras, mas que vai dando sucessivas provas de resiliência, sobrevivência e resistência comunitária. Esperemos que nunca mais precise de voltar tão abaixo por motivos que nada têm que ver com o que acontece dentro das quatro linhas.
E pergunta o leitor: o que nos traz de diferente esta informação? Na era dos clubes cada vez mais descaraterizados, sem identidade reconhecida e com incapacidade de cativar público, estas subidas surgem como novo alento para o futebol português, especialmente integradas na urgência de valorização do produto na ótica da discussão da centralização dos direitos televisivos. É diferente comercializar um modelo de entretenimento que ofereça um Caldeirão dos Barreiros cheio, fervoroso e emocionalmente ligado à sua equipa do que uma Vila das Aves ou Rio Maior às moscas, em estádios despedidos de identidade e sem ligação territorial forte. O Marítimo dispensa grandes apresentações. O futebol português precisa da Madeira e a Madeira precisa do Marítimo na Primeira Liga. A capacidade mobilizadora do clube traz à nossa praça algo que não é fabricável artificialmente em departamentos de marketing. Como dizem os catalães sobre o seu Barcelona, é mais que um clube.
É também relevante a possibilidade da Liga poder contar a história de um regresso histórico — e já merecido há muito —, como o do Académico de Viseu, representante de uma zona tantas vezes negligenciada pelo país político e desportivo. Há uma cidade inteira mobilizada em torno de um clube e isso vale ouro numa indústria que precisa desesperadamente de autenticidade. Já a alegria contagiante da época do Torreense, que pode juntar ao Jamor a 8.ª presença na primeira divisão, onde não anda desde 1992, é a prova de que temos excelentes histórias para vender fora do radar habitual dos clubes de sempre que pautam a narrativa dominante. Qualquer campeonato inteligente tem aqui a hipótese de transformar estas histórias em conteúdos com valor mediático e que catapultem a dimensão triangular de como nos tentamos vender.
Quando olhamos para a Liga 3, é inevitável elogiar o trabalho tremendo da FPF na valorização e remodelação das divisões não profissionais do nosso futebol. É uma ideia de sucesso e que tem vindo a ser constantemente aprimorada, com transmissões televisivas de qualidade e a introdução do VAR no Apuramento de Campeão. Amarante, Académica e Belenenses foram os maiores protagonistas desta temporada e chamam à vista pelas molduras humanas que apresentam nos seus jogos. Hoje, existe uma realidade competitiva muito mais apelativa e isso reflete-se no público, no interesse e no envolvimento das comunidades. O Amarante é a prova de que vale a pena acreditar no crescimento sustentado em contraposição com megalomanias disfarçadas de promessas de sucesso. É um percurso que une o melhor que a gestão desportiva tem para oferecer.
Descendo no mapa de Portugal Continental, a Briosa acabou de bater o recorde de espectadores da Liga 3, com 26.356 adeptos presentes no Municipal de Coimbra. É uma casa que faz corar de inveja aos clubes da Primeira Liga e permite um movimento de união da cidade dos estudantes à volta do clube como já não se via há muito. Há poucos fatores tão fortes e essenciais como a simbiose clube-cidade e não há nada de que a indústria precise mais neste momento.
O que une todos estes exemplos é a porta que se abre para funcionarem como válvulas de escape à estagnação do crescimento do nosso futebol. É preciso que os protagonistas e decisores assim o saibam aproveitar. Temos matéria-prima e um país que verdadeiramente vive para o futebol. É o desporto-rei, rainha, príncipe e princesa. Por isso, há que saber capitalizar estas oportunidades em que o relvado é justo perante as comunidades que mais sentem esta paixão.
O futebol português tem passado demasiado tempo focado apenas em ativos financeiros, mercados externos e negociações comerciais, esquecendo-se frequentemente de que o seu maior ativo continua a ser emocional. São estes clubes-alma que alavancam o setor. São estes contextos que criam melhores transmissões televisivas, melhores ambientes, melhores conteúdos digitais e maior ligação entre adeptos e competição.
Todos os players envolvidos têm aqui uma oportunidade rara. É preciso transformar estes regressos em motores de crescimento estrutural. Contar histórias, mostrar cidades e criar conteúdos à volta das comunidades, dos adeptos, da cultura local e da história dos clubes. Portugal tem isso em abundância, só falta muitas vezes saber aproveitá-lo.
Ainda quero acreditar que é possível trabalhar-se em prol de um dos setores que mais contribuí para a internacionalização do nosso país. Vivemos num tempo de decisões estratégicas que irão marcar se nos vamos aproximar das Big-5 ou mirrar progressivamente para a expressão intermédia semelhante à Bélgica, Escócia ou Turquia. Estes clubes fazem-me acreditar que temos as condições para concretizar um futuro mais risonho. Parabéns a todos por esta bela época. Agora, a bola está nas mãos de quem decide."

Aquilo que o futebol português deveria ser


"Bernardo Silva não é caso único, felizmente, mas o emotivo adeus ao Manchester City é pretexto adequado para lembrar os bons exemplos que a carreira do esquerdino tem dado

Bernardo Silva não vai — felizmente — pendurar já as chuteiras, mas o adeus ao Manchester City quase deixa essa sensação de vazio, tão profunda é a marca deixada pelo internacional português no clube pelo qual conquistou tudo: 19 títulos em nove anos.
Quero acreditar que Bernardo, que faz 32 anos em agosto, ainda tem muito para dar ao futebol, mas é provável que já não tenha tempo, pelo menos como futebolista, para escrever um capítulo como este que encerra no próximo domingo.
Para Pep Guardiola o português é uma LENDA — assim mesmo, em maiúsculas —, mas o elogio mais completo dos últimos tempos até veio de outro treinador espanhol do esquerdino.
«Quando falamos no que o futebol português devia ser, é o Bernardo Silva», disse há uns meses o selecionador nacional, Roberto Martínez, destacando a fiabilidade de um jogador que, para além da qualidade técnica, evoluiu constantemente no entendimento do jogo.
Felizmente para o futebol português existem mais Bernardos, desde logo nessa capacidade de aliar habilidade e inteligência, mas o ainda jogador do City tem sido mesmo um exemplo.
Alguém que provou que o talento não tem altura: nem a dos centímetros, nem a da idade. Bernardo chegou mais alto do que aqueles que desconfiaram do seu potencial, ainda nos escalões de formação do Benfica, e que o colocaram várias vezes na porta de saída do centro de treinos do Seixal. Bernardo foi mais além do que aqueles que colocaram de lado entre os crescidos. Revelou-se mais valioso do que julgavam aqueles que esfregaram as mãos à primeira oportunidade de negócio.
Bernardo nunca se deixou diminuir: no Mónaco fez-se príncipe, em Manchester sugere-se uma estátua em sua homenagem. Uma lesão afastou-o do título europeu de 2016, mas nem isso impediu que se tornasse um grande nome da Seleção, com duas Ligas das Nações no rico palmarés.
No meio de tudo isto, Bernardo Silva nunca andou em bicos dos pés. Continua fiel à ética de sempre, por isso respeitado entre colegas e adversários, a encarar tudo com a mesma simplicidade, apesar da profissão privilegiada que tem.
«O pai e a mãe devem sentir-se orgulhosos», chegou a dizer Guardiola.
Felizmente o futebol português tem outros exemplos assim, mas este é o momento de valorizar Bernardo.
Sorte a de quem o levar."

LiveMode: Mundial #2

Canal 11 : Soltinhos - Bernardo Silva

DAZN: Europa - Unai, o Rei da Europa e possível época histórica para o Arsenal

Comercial: Ana Garcia Martins...

Licenciamento para provas


"Com o aproximar do final da época desportiva, começam também a ficar definidas as competições em que cada clube irá participar na temporada seguinte. Para muitas equipas, o cumprimento dos objetivos dentro de campo terá agora de ser acompanhado pela obtenção da licença atribuída pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
O sistema de licenciamento da FPF tem como principal objetivo elevar e uniformizar os padrões de qualidade do futebol português, através de um processo de certificação que avalia os clubes nas vertentes desportiva, organizacional, infraestrutural e económico-financeira. Este modelo assenta no rigor e na exigência do cumprimento de critérios que procuram garantir maior sustentabilidade, transparência e credibilidade nas competições.
Durante toda a época, para que tenha efeitos na temporada imediatamente seguinte, os clubes são chamados não só a confirmar o seu mérito desportivo, mas também a demonstrar capacidade de organização e gestão. O licenciamento assume, por isso, um papel fundamental na preparação da nova época, contribuindo para o fortalecimento das estruturas dos clubes e para a valorização do futebol nacional.
Através deste processo, a FPF pretende continuar a promover melhores condições de gestão, modernização das infraestruturas, equilíbrio financeiro entre os participantes, desenvolvimento da formação e reforço dos princípios de integridade, verdade desportiva e fair-play."

Do Conselho Nacional do Desporto à Cultura da Opacidade


"A minha crónica publicada no Record em novembro de 2025 partia de uma crítica à inutilidade prática e ao excesso de ritualismo no Conselho Nacional do Desporto: muita reunião, pouca consequência, excesso de representação institucional e ausência de verdadeira reforma. O foco era a cultura instalada de inércia, corporativismo e produção de consenso vazio.
Já a peça publicada pelo Observador esta semana revela uma evolução ainda mais preocupante dessa lógica: não basta existir um sistema fechado sobre si próprio, pretende-se agora institucionalizar a opacidade através de deveres de confidencialidade que se prolongam mesmo após o fim das funções dos membros do Conselho Nacional do Desporto.
A questão é séria e merece reflexão pública. O desporto não é uma sociedade secreta. Não é um conselho de administração de uma multinacional tecnológica a proteger propriedade intelectual ou segredos industriais. É uma área de interesse público, financiada direta e indiretamente pelos contribuintes, envolvendo federações com utilidade pública, dinheiros do Estado e representação nacional.
Importar para estas estruturas uma lógica de NDA (“non disclosure agreement”) permanente ou excessiva é um sinal profundamente errado. Mesmo no mundo empresarial, os acordos de confidencialidade possuem limites claros, servem para informação estratégica concreta, não podem impedir denúncias de ilegalidades e não se sobrepõem a direitos fundamentais nem ao interesse público. Em muitas democracias modernas, cláusulas excessivamente vagas ou permanentes são frequentemente consideradas abusivas ou até juridicamente inválidas.
Num órgão consultivo ligado ao desporto nacional, a tentativa de impor silêncio institucional prolongado levanta inevitavelmente uma pergunta: pretende-se proteger informação sensível… ou limitar o escrutínio e a liberdade crítica?
As democracias fortes vivem de contraditório, debate e transparência. O desporto também deveria viver desses princípios, as melhores práticas internacionais de governance desportiva apontam precisamente no sentido oposto: mais transparência; maior accountability; proteção de denunciantes; independência institucional e abertura à crítica construtiva.
Existe aqui um risco político e institucional evidente: quando organismos públicos começam a preocupar-se mais em controlar aquilo que pode ser dito do que em resolver os problemas estruturais do setor, a opacidade substitui inevitavelmente a responsabilidade.
Srª Ministra e Sr. Secretário de Estado do Desporto, quando organismos públicos começam a preocupar-se mais em controlar aquilo que pode ser dito do que em resolver os problemas estruturais do setor, a opacidade substitui inevitavelmente a responsabilidade.
E talvez seja precisamente aí que o desporto português mais precise, urgentemente, de mudar."

Mundial 2026 e justiça desportiva: o CAS em regime de urgência


"A criação de uma divisão ad hoc do Court of Arbitration for Sport (CAS) para o Mundial de 2026 confirma a crescente tendência de especialização e aceleração da justiça desportiva internacional.
A medida, aprovada pelo Board do International Council of Arbitration for Sport (ICAS), não constitui propriamente uma novidade absoluta, já que mecanismos semelhantes foram utilizados em anteriores grandes competições internacionais, incluindo o Mundial do Qatar em 2022 e os Jogos Olímpicos. Ainda assim, o modelo assume particular relevância no contexto do Mundial de 2026, competição que contará com 48 seleções, será disputada em três países e apresentará um calendário competitivo sem precedentes.
O objetivo da divisão ad hoc é claro: assegurar que litígios urgentes relacionados com a competição sejam resolvidos em tempo útil. Em torneios de curta duração, a utilidade prática da decisão depende muitas vezes da sua imediatidade. Um jogador suspenso indevidamente pode perder toda a competição; uma seleção afetada por uma decisão tardia dificilmente conseguirá reparar o dano desportivo sofrido. Neste contexto, a celeridade deixa de ser apenas uma característica processual e passa a assumir-se como elemento essencial da própria justiça desportiva.
As regras aprovadas para o Mundial estabelecem que o painel arbitral deverá proferir decisão no prazo de 48 horas após a apresentação do recurso, prevendo-se apenas, de forma excecional, a possibilidade de extensão desse prazo pelo Presidente da divisão ad hoc «if circumstances so require».
Trata-se de um prazo extraordinariamente curto quando comparado com qualquer sistema jurisdicional tradicional. Em apenas dois dias, os árbitros poderão ter de analisar regulamentos FIFA, apreciar prova documental, ouvir as partes e decidir questões com enorme impacto competitivo, financeiro e mediático.
Apesar de o Mundial decorrer nos Estados Unidos, Canadá e México, o regulamento mantém um elemento estrutural fundamental da arbitragem desportiva internacional: o Seat of the arbitration continuará a ser Lausanne, na Suíça.
Esta opção não é meramente simbólica. Ao fixar Lausanne como sede jurídica da arbitragem, garante-se a aplicação do enquadramento arbitral suíço e preserva-se a ligação institucional ao sistema jurídico que historicamente sustenta o funcionamento do CAS.
Da mesma forma, o regulamento determina expressamente que o painel arbitral decidirá os litígios de acordo com os regulamentos da FIFA e, subsidiariamente, com o direito suíço. Esta referência reforça a centralidade da ordem jurídica suíça no desporto internacional e evidencia a preocupação em assegurar coerência jurisprudencial e previsibilidade decisória.
É precisamente aqui que emerge um dos debates jurídicos mais interessantes em torno deste modelo. Quanto maior for a compressão temporal do processo, maior será também o risco de limitação efetiva do contraditório, da produção de prova e do direito de defesa. Embora o sistema procure garantir eficiência e proteção da integridade competitiva do torneio, permanece a questão de saber até que ponto decisões tomadas sob enorme pressão temporal conseguem assegurar um escrutínio jurídico suficientemente aprofundado.
Ao mesmo tempo, o mecanismo reforça a centralidade do CAS como verdadeira jurisdição global do desporto.
Nas últimas décadas, a justiça desportiva internacional tem evoluído no sentido de uma crescente autonomização relativamente aos tribunais estaduais, privilegiando estruturas arbitrais altamente especializadas, internacionalizadas e adaptadas às exigências do calendário competitivo. O Mundial de 2026 poderá representar mais um passo decisivo nessa consolidação institucional.
Por outro lado, a criação desta divisão ad hoc também poderá influenciar a litigância estratégica durante a competição. Federações, jogadores e equipas técnicas passam a dispor de um mecanismo de reação praticamente imediata perante decisões disciplinares, questões de elegibilidade ou conflitos regulamentares. Num contexto em que o fator tempo pode ser determinante, a estratégia processual tenderá a ganhar importância acrescida.
No fundo, o Mundial de 2026 poderá transformar-se não apenas num marco desportivo, mas também num importante laboratório da justiça desportiva contemporânea.
O verdadeiro desafio do CAS e do ICAS será demonstrar que a rapidez das decisões não compromete a qualidade jurídica das mesmas - e que é possível conciliar eficiência processual, independência arbitral e proteção efetiva dos direitos dos intervenientes num dos maiores eventos desportivos do mundo."

Iraque: Certo como “a testa de Rahdi“, o goleador castigado com 15 horas de pontapés na parede


"Deixou, no Mundial de 1986, o primeiro e único golo marcado pelos iraquianos no torneio e só um desleixo de um árbitro o privou de deixar outro. Ahmed Radhi jogou no clube de um filho de Saddam Hussein, pagou por isso com o corpo e chegou a ser eleito para o parlamento do país onde o seu nome entra numa espécie de ditado popular.

Um coche de desleixo, uma pitada de má vontade, uma mistura assim terá impelido o árbitro a soprar no apito, em 1986, quando a bola já voava, vinda de um canto, rumo à cabeça de Ahmed Rahdi. O avançado saltou, a sua testa rematou e os jogadores mal puderam festejar: o silvo vindo do árbitro achou por bem dar ordem para o intervalo após o canto ser pontapeado, o Iraque não teve um golo e acabaria por perder com o Paraguai na fase de grupos do Mundial, órfão de vitórias.
Teria sido um golo apropriado, inclusive justo, face a um dos trejeitos sociais que se entranhou debaixo da pele do povo iraquiano: por lá é expressão corriqueira dizer, quando algo acontece pela certa, que é como a “testa do Rahdi”. Se ricocheteada na sua cabeça, era convenção esperar um golo.
Mas Ahmed Rahdi, nascido em Bagdade, despediu-se do Campeonato do Mundo da mão de Deus, da meia equipa inglesa driblada, de Maradona furibundo com os inglesas devido às Malvinas, com um singelo golo, o primeiro do Iraque e até hoje único, esquivo às mãos de um guarda-redes não de de somenos. Foi contra Jean-Marie Pfaff e a Bélgica finalista do Europeu meia-dúzia de anos antes que o Iraque amigo da instabilidade deixou uma lembrança no torneio jogado no México.
Uma espreitadela ao guia da “Placard” da época ilustra-o. Estreante na prova, a seleção asiátiva era a única que trocara duas vezes de treinador nos seis meses prévios, indo ao Mundial com Evaristo Macedo no banco, lá chegado a 28 dias do primeiro jogo, sucessor de Edu, irmão do lendário Zico, por sua vez herdeiro do cargo de Jorge Vieira, todos eles brasileiros. Insistente nas graçolas com os “petrodólares”, indicando-os como algo com que o Iraque poderia “desequilibrar” nos jogos, a revista repetiu um aviso: cuidado com o “hábil goleador Rahdi”.
Avançado de labor metódico, conta-se que seguiu o exemplo dos três irmãos mais velhos, futebolistas antes dele em clubes pequenos da capital iraquiana, praticando seis horas por dia. Aos 16 anos, entrou na equipa da Polícia de Bagdade, uma porta de entrada na estrutura da bola do país. Não demorou a alcançar maior destaque. O Al-Zawra'a contratou-o em 1981, ano em um treinador de guarda-redes da seleção o detetou, convencendo o selecionador a percorrer mais de 160 quilómetros de carro para o ver.
Por comparação, era coisa pouca: Rahdi caminhava todos os dias quatro quilómetros para ir aos treinos.
Acabaria por se mudar, à força, para o Al-Rasheed, clube fundado por Uday Hussein, o mais velho dos filhos de Saddam, ditador iraquiano cujos ímpetos muito afetaram o país, o povo e lá mais para o fundo da fila, a carreira de Ahmed. Em 1990, já o avançado tinha conquistado duas Taças do Golfo e sido eleito, em 1988, como o melhor jogador asiático - único futebolista do país a ter esse louro -, o Iraque invadiu o Kuwait. A decisão precipitou a Guerra do Golfo, houve sanções e bloqueios impostos ao regime e, durante anos, a seleção não pôde competir.
Braço do pai mais dedicado ao desporto, Uday Saddam seria, ao longo dos anos, presidente da Federação Iraquiana de Futebol ou do Comité Olímpico do país, dedicando atenção a Ahmed caso a sua equipa ou a seleção perdessem. Já retirado e em 2003, contou à “Associated Press” que o filho do opressor ordenava que o fossem buscar a casa, de carro, para o levarem até ao meio de nenhures para ser espancado e sujeito a castigos militares, como ser obrigado a pontapear uma parede durante 15 horas.
Entre 1993 e 1996 jogou no Catar, fugido ao regime iraquiano e à voraz curiosidade dos adeptos: os satélites ainda estavam proibidos no país, era impossível apontar um ao céu, caçar o sinal certo e receber a transmissão dos jogos do vizinho do Médio Oriente. Deixou as chuteiras em paz aos 35 anos, contava 121 partidas feitas com o Iraque e 62 golos, atrás só dos 78 de Hussein Saeed. Pela seleção com alcunha ‘Leões da Mesopotâmia‘ ainda esteve nos Jogos Olímpicos de Seoul, marcando duas vezes.
Ainda se aventurou na política, sendo eleito para o parlamento do país. Quando o novo milénio se espreguiçou e os EUA levaram ao país a segunda Guerra do Iraque colaborou com os invasores, trabalhando no Comité Olímpico para erguer uma seleção de futebol capaz de ir a Atenas, em 2004, beslicar o mundo com uma surpresa. Nesses Jogos Olímpicos o Iraque acabou no 4º lugar, derrotando na fase de grupos um Portugal com Cristiano Ronaldo de madeixas loiras, por 4-2. Foi, em pequena parte, obra de Ahmed Radhi, falecido em 2000, aos 56 anos, levado pela covid-19."