Realmente, não foi tão fácil como o resultado transparece, mas curiosamente com um bocadinho mais de pontaria na 2.ª parte, até podíamos ter marcado mais... Sendo que o Celtic também podia ter marcado mais, foram 6 bolas nos ferros, metade para cada um, e o Trubin ainda foi obrigado a algumas grandes defesas!!!
Alguma rotação, menos daquela que eu julgava, mas o estilo de jogo não mudou... sendo a grande diferença, a troca do Pavlidis pelo Durán! O Colombiano marcou dois golos, jogou bem, para um jogador com poucos minutos com estes companheiros, mas as movimentações 'interiores' do Grego, com boas recepções e bons passes dando seguimento aos lances, não são fácil de replicar, sendo que o Durán tem claramente trabalhado nesse sentido, mas ainda não está no ponto! E sem estes 'apoios' frontais, o Benfica acabou por ficar dependente dos Alas, com o Prestianni em destaque, como tem sido habitual...
A primeira parte foi quase perfeita, ofensivamente. Na defesa demos alguns espaços para remates de longe, e ainda houve aquela jogada da dupla bola nos ferros! Os Escoceses são fraquinhos, mas até conseguiram ter bola durante muito tempo, quase sempre em zonas não perigosas, mas quando se aproximam da área, são objetivos, diretos, e não têm cerimónias...
O penalty aos 5 minutos ajudou é óbvio, e aquelas bolas nos ferros podiam ter escrito outra história, mas a superioridade do Benfica, foi também óbvia, desde dos primeiros minutos. O Celtic só poderia causar problemas nas bolas paradas e no jogo aéreo... Seria sempre um exercício de eficácia do Benfica, e hoje começamos com pontaria...
No 2.º tempo, com as trocas nas Alas do Celtic, não nos conseguimos adaptar. O Amarelo ao Dahl condicionou, mas não foi a principal razão. O Dahl deixou de ter ajudas efectivas, tal como o Bah, sendo que o Bah demonstrou não estar a 100% fisicamente! Esta nova lesão do Banjaqui deu-se numa má altura!
A equipa enervou-se após o 3-1 desnecessariamente, mas de facto houve ali alguns passes fáceis mal feitos, normalmente para contra-ataques potencialmente perigosos, e os jogadores e os adeptos ficaram nervosos, mas nunca senti o resultado em perigo!
Pessoalmente, acho que os nossos defesas, podem melhorar alguns movimentos, mas o 'grande' problema foi referido pelo Marco no final: os duelos defensivos. A maioria dos jogadores do Benfica, tenta jogar 'limpo', fazemos poucas faltas táticas. Isto acontece há vários anos, quase como reação instintiva à forma como os jogos do Tugão são arbitrados pelos 'nossos' Ladrões! Acaba por ser uma reação 'defensiva' para prevenir Cartões... E também reconheço que não é fácil, mudar o 'chip', dum jogo do Tugão para um jogo Europeu... Curiosamente, hoje, disciplinarmente, o apitador parecia um Tuga, na forma como foi mostrando Amarelos aos nossos jogadores!!!!
Hoje, as substituições inicialmente não tiveram um impacto positivo, levou algum tempo a entrarem no ritmo, sendo que as primeiras trocas acabaram por ser feitas, demasiado tarde. Os problemas do Dahl eram visíveis, a ordem devia ter sido dada antes dos 60m.
Prestianni novamente MVP, após o 3-0 notou-se claramente que estava à procura dum golo, natural para um jovem, mas se tivesse continuado na senda das 'assistências', podia ter feito um hat-trick de assistências, ou mais... !!!! Sudakov bem, a jogar simples, para a frente... Gostei de ver o Aursnes na última meia hora, quando vários jogadores já estavam rotos, a jogar como o jogo tivesse acabado de começar!!! A outra boa exibição foi o Trubin! Já percebi que alguns vão culpá-lo no golo sofrido, algo que eu não acompanho, o Tomás tem mais responsabilidades... agora, no resto do jogo, ninguém o pode criticar, muito bem nas bolas de longa distância, bem nos cruzamentos, bem na mancha e apesar de pouco solicitado, bem com os pés, a meter a bola longa com acerto...
Muita fadiga no Palhinha nos últimos 20 minutos (o Enzo está a fazer falta), Bah marcou o golo, mas notou-se estar com pouca chama (os problemas pessoais estão a afectar...), Dahl não se entendeu com o Hassan, o Lukebakio voltou a ter um jogo irritante, com muitas bolas perdidas e más decisões, depois do grande jogo em Milão!
Os Centrais tiveram muitas dificuldades nos duelos físicos, os adversários eram grandes e sabiam usar o corpo e a 'cabeça'... mesmo assim o Tomás esteve um pouco melhor (apesar do golo), o Lenglet esteve quase 1 mês sem jogar, acabou por ter alguns erros posicionais e desta vez, acabou por não ter espaço para usar o passe longo onde normalmente faz a diferença...
O Echeverri voltou a entrar com vontade, o talento é indesmentível, mas desta vez, cometeu alguns erros evitáveis... Apesar de não ter marcado, hoje, gostei da entrada do Schejelderup... tal como o Karouani. O Circati não é defesa direito, e foi 'comido' no primeiro passe longo, mas depois sobe proteger-se... Mas mais uma vez, acabou por ser o Pavlidis a fazer a diferença, marcado um grande golo, mas também a segurar a bola quando era preciso...
✨ Noite europeia em família. https://t.co/CpQEAmC2LN
Com um jogo 'fácil' desde dos primeiros minutos, o grande momento da noite, acabou por não ser o resultado. A homenagem ao Toni ao intervalo, além, de totalmente merecida, foi emocionante, sem grande aparato, mas do fundo alma, de todas as partes!!!
Uma ovação digna do «Senhor Benfica». Muitos parabéns, Toni! 👏 https://t.co/M8Gasy9t9E
Este fim-de-semana de 'descanso' veio mesmo a calhar. O Marco vai finalmente ter uma semana para treinar, com todos os jogadores, com duas deslocações de Avião no horizonte, é bom respirar um pouco... Dito isto, apesar da prioridade neste momento ser o Campeonato, e o jogo nos Açores, com o 3.º classificado Santa Clara, não ser nada fácil, em mais um relvado impraticável, a deslocação ao Chipre não pode ser descurada. Este Omonia tem duas vitórias em dois jogos, vão estar super-motivados, e o relvado também não deverá estar em boas condições. Portanto, mesmo com algumas alterações esperadas, não poderemos facilitar muito...
"Hoje, na Luz, o Benfica recebe o Celtic numa partida da 2.ª jornada da fase de liga da Liga Europa. Este é o destaque da BNews.
1. Apelo aos adeptos
"Exortamos todos os Benfiquistas a demonstrarem a sua paixão pelo Clube de forma responsável, respeitando integralmente as regras, tanto em Portugal como no estrangeiro", pode ler-se.
2. Somar mais três pontos
Marco Silva estabelece os objetivos do Benfica para este embate e conta com o apoio dos Benfiquistas: "Queremos dar continuidade ao nosso começo e àquilo que têm sido os nossos jogos em casa. Esperar também um apoio dos nossos adeptos. É fundamental para nós. Têm sido claramente o 12.º jogador. Com o apoio deles, é sempre muito mais difícil para os nossos adversários."
3. Fito no triunfo
Sudakov acredita na vitória benfiquista: "O Celtic, tal como o Benfica, é um grande clube e penso que será um grande jogo. Sinto que nos preparámos bem. Espero que consigamos dar tudo, deixar os nossos adeptos felizes e desfrutar do jogo. E, claro, como em todos os jogos, entramos em campo apenas com um objetivo: ganhar."
4. A moeda do azar
Humberto Coelho e Toni recordam a eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus entre Benfica e Celtic decidida favoravelmente aos escoceses por moeda ao ar.
5. Os sonhos da Matilde e do Rodrigo
Iniciativas conjuntas do Futebol Profissional e da Fundação Benfica.
6. Triunfos europeus
No basquetebol, a equipa masculina do Benfica venceu, por 96-91, ante o Yukatel Denizli Basket, e a equipa feminina ganhou, por 69-65, ao Saarlouis Royals. A equipa masculina de andebol saiu vitoriosa do embate com o HCB Karvina (26-35).
7. Parabéns, Toni!
Toni, glória do Benfica, antigo jogador, treinador e dirigente do futebol benfiquista, completou 80 anos de vida. Rui Costa, Presidente do Sport Lisboa e Benfica, enaltece a figura do Clube: "Toni representa muito da história, do simbolismo e da mística do Benfica."
8. Maternidade e futebol de mãos dadas no Benfica
A BTV acompanhou um treino de Diana Silva, futebolista do Benfica ausente da competição por estar grávida.
9. Emirates Lounge
O novo espaço de hospitalidade do Estádio da Luz foi inaugurado na partida que opôs o Benfica ao Vitória SC.
10. Futebol de formação
A equipa B ganhou, por 1-0, ao Felgueiras. Os Sub-23 foram derrotados, por 3-1, pelo Penafiel. E há 10 atletas do Benfica convocados pela Seleção Nacional Sub-15.
11. Contributos internacionais
Várias futebolistas do Benfica ao serviço de seleções nacionais femininas.
12. Visitas ao Estádio da Luz
Passam a ser possíveis também em dia de jogo.
13. Mundiais de hóquei em patins
Acompanhe a prestação dos atletas do Benfica.
14. Andebol no feminino
O próximo adversário do Benfica na EHF European League Women é o Hazena Kynzvart da Chéquia. Nota ainda para as 9 jogadoras benfiquistas convocadas por seleções nacionais."
"O apoio e a paixão dos Benfiquistas são essenciais, mas devem manifestar-se sempre com responsabilidade e respeito pelos regulamentos, nos estádios nacionais e internacionais.
O Sport Lisboa e Benfica expressa, uma vez mais, o seu reconhecimento aos milhares de Benfiquistas que acompanham e incentivam a equipa, em Portugal e além-fronteiras. A dedicação, o entusiasmo e a energia que os nossos adeptos fazem sentir nas bancadas representam uma força indispensável para os jogadores e um importante impulso na procura de vitórias.
Pela importância que este apoio assume, renovamos o apelo a uma atitude responsável por parte de todos os Benfiquistas.
O Sport Lisboa e Benfica está sujeito a uma sanção suspensa nas competições europeias. Neste contexto, o recurso a artigos pirotécnicos ou a adoção de qualquer outro comportamento que viole os regulamentos da UEFA implicará automaticamente a aplicação da penalização, impossibilitando a presença de adeptos benfiquistas no próximo jogo europeu realizado fora de casa.
Queremos que o Benfica continue a contar com o apoio dos seus adeptos em todos os estádios, independentemente do adversário ou da competição. Para que assim seja, exortamos todos os Benfiquistas a demonstrarem a sua paixão pelo Clube de forma responsável, respeitando integralmente as regras, tanto em Portugal como no estrangeiro."
A Liga dos Campeões está a ser a prova de algodão que faltava a este Porto de Farioli. Incensado em Portugal, fragil e sem o auxílio da arbitragem que lhe permite aplicar a famosa raça do Dragoum, como vantagem competitiva. Na Europa, essa vantagem desaparece.
"Talvez tenha sido uma elaboradíssima operação de terapia de exposição intensiva. Talvez alguém do marketing do clube se tenha entusiasmado com a perspectiva de os sócios enfrentarem os seus fantasmas ali mesmo, na Luz, com transmissão televisiva para futura consulta. Em todo o caso, quem quer que tenha tido a ideia de pôr os jogadores do Benfica a posar no pórtico publicitário de uma marca de ovos, precisamente depois de o clube se ter insurgido contra uma canção sobre o animal que os põe, é, quero acreditar, uma criatura superior
A Liga das Nações só regressa em Novembro. É um alívio: está bom tempo, os clubes jogam, os adeptos cantam e o Affair Ronaldo, que virou tudo de pernas para o ar durante quinze dias, foi finalmente devolvido aos parlatórios secundários a que pertence. Tudo está, enfim, no seu lugar. E, para quem ainda não se deu conta disso, nada como uma boa anormalidade para darmos o devido valor à normalidade.
Neste caso, ovos. Ovos? Sim: ovos. Essas formas elementares, primordiais e perfeitas. Esses pequenos milagres da criação, anteriores à filosofia e à Liga das Nações. Ou, na brilhante definição que encontrei escrita no motor de pesquisa Google, “o potencial da vida num recipiente fechado”. Não sei quem escreveu isto, mas queria aproveitar este momento para lhe agradecer por ter resolvido, em sete palavras, um dos grandes mistérios da existência e, sem querer, parte considerável dos problemas do Sport Lisboa e Benfica.
Comecemos pelo princípio. O Benfica jogou (e jogou bem). Também foi fotografado, como normalmente acontece ao onze inicial numa partida de futebol. O problema é que os jogadores foram postos atrás da placa publicitária de uma marca de ovos cujo logótipo é a silhueta de uma galinha. Entretanto, nos ecrãs gigantes do Estádio da Luz, podia ler-se: “Os ovos das galinhas mais felizes de Portugal”.
Antes de mais, enfrentemos a questão: como se determina a felicidade de uma galinha? Que instrumentos existem para sondar a sua alma, caso essa alma exista? A galinha é um animal recatado e, tanto quanto se sabe, incapaz de distinguir um bem-estar momentâneo de um duradouro estado de comprazimento. Ainda assim, alguém teve a audácia de declarar que aquelas eram as galinhas mais felizes de Portugal. Nem sequer algumas das mais felizes. As mais felizes. O superlativo relativo de uma condição interior de que os próprios homens sabem tão pouco.
E foi o escândalo. Não consta que alguma daquelas galinhas tenha cometido qualquer irregularidade desportiva. Mas bastou a sua aparição para que o Benfica entrasse, uma vez mais, em estado de emergência moral. Quer dizer, não diria “o Benfica” assim sem mais nem menos. O homem contemporâneo, infelizmente, já não se interessa pelas grandes questões. Mas parece ter havido uma data de almas antigas que não acharam graça nenhuma.
Para piorar, há poucas semanas o Benfica pediu a interdição do estádio do Porto, a propósito de uma cantiga infantil sobre galináceos (e saúde mental) que os portistas quiseram partilhar com os seus adversários. Agora, perante dezenas de milhares de testemunhas, era o Benfica a associar-se à mesma espécie avícola.
Além da magnífica ocasião de zombaria que esta trapalhada publicitária ofereceu aos adversários do Benfica — e todos sabemos que, para os seus adversários, fazer troça do Benfica é a parte mais significativa de apoiar um clube de futebol —, o benfiquista viu-se como num sonho, despido no pátio do liceu, forçado a enfrentar ao vivo e a cores o dilema que lhe tem feito perder cabelo desde 1994: águia ou galinha, Paneira ou Paulão, Benfica ou outra coisa qualquer?
Talvez tenha sido uma elaboradíssima operação de terapia de exposição intensiva. Talvez alguém do marketing do clube se tenha entusiasmado com a perspectiva de os sócios enfrentarem os seus fantasmas ali mesmo, na Luz, com transmissão televisiva para futura consulta. É uma hipótese. Em todo o caso, quem quer que tenha tido a ideia de pôr os jogadores do Benfica a posar no pórtico publicitário de uma marca de ovos, precisamente depois de o clube se ter insurgido contra uma canção sobre o animal que os põe, é, quero acreditar, uma criatura superior. Um desses espíritos providenciais que, sem saberem, fazem mais pela literatura do que vinte feiras do livro nos jardins do Palácio de Belém. É alguém que vê mais longe, é alguém que vê melhor; é, numa palavra, alguém que compreende o ovo.
O ovo: ou o potencial da vida num recipiente fechado. Não há imagem mais eloquente da esperança. Enquanto a casca não se parte, tudo pode acontecer. Sobretudo um campeonato. Imaginem que alguém se aproxima de um ovo e lhe pergunta: “Então, é para ganhar?”
O ovo não responde. Tem a dignidade dos grandes mistérios. Limita-se a existir, magnificamente fechado, com todas as possibilidades da vida lá dentro. O ovo é sábio."
"Hoje paga-se para jogar num clube, pagam-se os equipamentos, os transportes são por conta própria e o apoio médico é zero. O que está a falhar no fomento do Desporto?
A subida de quase 30 por cento da dotação para o Desporto na proposta de Orçamento de Estado que estará em breve a ser discutida na Assembleia da República é uma excelente notícia. Surge no seguimento de um trabalho sustentado, que tem produzido cada vez mais e melhores resultados, muitos deles de verdadeira excelência para o País. Cumpre-me reconhecer que a atuação da ministra Margarida Balseiro Lopes e do secretário de Estado Pedro Dias demonstra, nos últimos meses/anos, uma aproximação importante aos agentes desportivos e ao que realmente faz mexer a máquina.
Estamos, porém, ainda distantes do cumprimento integral do artigo 79.º da Constituição, de acordo com o qual «incumbe ao Estado (...) promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto», considerados «um direito de todos».
Há três/quatro décadas um(a) jovem praticava determinada modalidade, sobretudo coletiva, sem nada pagar aos clubes, era-lhe fornecido equipamento, havia transporte para os jogos fora de casa e apoio médico. No mínimo um(a) enfermeiro(a) ou massagista, em muitos casos a participação de médicos(as).
Hoje, as famílias pagam mensalidades, pagam os equipamentos, levam os filhos e os colegas em transporte próprio para o estádio ou pavilhão onde eles joguem e arriscam ter de pagar consultas por causa de uma contratura, ou, em alternativa, a passarem horas numa Urgência hospitalar sem que isso passe, no final das contas, de um «muito repouso e anti-inflamatório». E depois logo se vê quando está apto para jogar. «Não doer» é insuficiente, bem o sabemos.
Não digo que todos os clubes lucrem com isto. A maioria apenas sobrevive. O corte substancial imposto a dada altura aos apoios autárquicos pode explicar grande parte do problema. Cabe, então, ao governo central dar respostas às famílias."
"Talvez seja possível dizer, sem risco de errar, que a perceção que Cristiano Ronaldo tem da realidade não coincide com a realidade. E aqui estará o maior problema, como o comunicado dele acabou por provar
Há pouco mais de uma semana, fora de Portugal, em gozo de descanso e de preservação da higiene mental, uma cedência à tentação de espreitar o telemóvel fez-me mergulhar no auge da polémica provocada pelo abandono de Cristiano Ronaldo à Seleção Nacional.
O bombardeamento do algoritmo do X foi de tal forma avassalador que não me entrava na cabeça que alguns dos argumentos e revelações no comunicado de CR7 fossem mesmo verdadeiros. Antes ainda de começar a escrever sobre o assunto — já cá faltava mais um a falar sobre isto — fui obrigado a revisitar o documento.
A saída de Cristiano Ronaldo da Seleção não pode ter sido uma surpresa para alguém, mas é impossível ignorar, sobretudo pela forma como aconteceu, que se tratou de um choque. A mãe Natureza, tão generosa com Cristiano Ronaldo, começara a tocar-lhe com o dedo nas costas, por vezes deu-lhe um ou outro empurrão, alertando-o de que o fim está cada vez mais próximo e, com isso, da impossibilidade de voltar a ser até sombra do que alguma vez foi.
As exibições e o contributo de CR7 na Seleção tinham há muito diminuído e, no entanto, acredito, sinceramente, que muitos, a começar pelo selecionador, ainda o considerassem útil, não como figura central, mas como alguém ainda capaz de fazer a diferença, em campo e fora dele, em circunstâncias especiais.
O papel que lhe estaria reservado dificilmente corresponderia às expectativas de Cristiano Ronaldo. Talvez seja possível dizer, sem correr grande risco de errar, que a perceção que CR7 tem da realidade não coincide com a realidade. E aqui estará o maior problema, como o comunicado acabou por provar.
Quatro dias antes de estalar a polémica, depois da vitória de Portugal sobre a Noruega, em Oslo, num jogo em que CR7 ficou no banco de suplentes e saiu disparado para o balneário depois do apito final, José Manuel Delgado manifestava o desejo, aqui em A BOLA, sem imaginar o que se passaria em Copenhaga, de Cristiano Ronaldo contribuir para o novo ciclo da Seleção, mostrando fora de campo a grandeza ímpar que teve dentro dele. Isso, poderemos lamentar, se for o caso, já não acontecerá.
Como continuo a acreditar que somos mais aquilo que fazemos do que dizemos, no meio disto tudo, quando a poeira assentar, prevalecerá, acima de tudo, o virar de costas de Cristiano Ronaldo à Seleção.
Não tenho razões para duvidar de que o pedido de desculpa aos portugueses e aos companheiros de Seleção é sincero e genuíno. Mas duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. E a publicação do que chamou de notas validadas para Jorge Jesus reproduzir em conferência de Imprensa são reveladoras do outro lado da moeda.
Aquelas notas não são mais que mandamentos de humilhação de alguém que se vê como «exemplar, leal e profissional», da «dimensão de Pelé ou Maradona», que «não recebe lições de amor a Portugal» e que «mais autógrafos e selfies dá».
Admirador do que Cristiano Ronaldo fez para se tornar um dos melhores de sempre e do que fez em campo, consciente de que somos todos iguais mas que há alguns mais iguais do que outros, em situações bem específicas, bem entendido, não preciso de saber mais para formar opinião do que acabou de fazer fora dele. Cada qual vê Cristiano Ronaldo como entende e o que se passou no espaço público, numa espécie de guerra de trincheiras, diz mais de quem o ocupou do que de CR7. Incompreensível nem é alguém pensar mas sim dizer que todos, sem exceção, querem Cristiano Ronaldo de volta à Seleção."
"Este texto não pretende analisar a situação de Cristiano Ronaldo, mas sim utilizar aquilo a que todos assistimos para refletir sobre uma das fases mais complexas da vida de qualquer atleta, o fim de carreira e reconstruir a resposta à pergunta 'quem sou eu?'.
Reconhecer e compreender que o tempo está a terminar pode ser doloroso. Não porque não haja nada depois disso, não porque não se possa continuar no topo em outras áreas, mas porque é necessário fazer o luto da única identidade que se teve até então.
Visto de fora, parece simples: reconhecer que o tempo passou, aceitar um papel diferente e escolher o momento de sair. Mas como se abandona aquilo que nos tornou quem somos? Como se deixa uma profissão quando essa profissão ocupa quase toda a resposta à pergunta 'quem sou eu?'
A teoria da identidade, desenvolvida por Sheldon Stryker e aprofundada por outros investigadores, ajuda a compreender esta dificuldade. Os papéis que desempenhamos integram a forma como nos definimos. Quando um deles se torna dominante, a sua perda pode afetar o sentido global de quem somos. No desporto, esta perspetiva permite compreender por que razão deixar de competir pode exigir uma reconstrução pessoal que ultrapassa largamente uma mudança de profissão.
Um atleta pode ter família, interesses e projetos fora do desporto e, ainda assim, organizar a sua vida em torno da competição. Os horários, o corpo, as relações, os objetivos e o reconhecimento convergem para esse papel. Durante décadas, é ali que encontra pertença, competência e propósito. Quando esse lugar se altera, pode sentir que perde uma parte da estrutura que o sustentava, existindo espaço para um vazio que será sempre difícil de explicar.
É neste sentido que se fala de luto da identidade desportiva. Um luto pela versão de si que o atleta conheceu, pelo corpo em que confiava, pelo protagonismo que ocupava e pelos sonhos que sempre foram os seus. Esse processo pode começar enquanto ainda compete, à medida que confronta mudanças nas suas capacidades, oportunidades ou funções. Não acontece da mesma forma em todos os atletas, nem segue necessariamente etapas fixas.
Cristiano Ronaldo permite pensar nesta questão com particular intensidade. O futebol tornou-o uma referência mundial e ocupa um lugar central na história que construiu e na forma como é reconhecido. Aceitar que o seu papel pode mudar significa confrontar uma realidade que ultrapassa os minutos de jogo. Como continuar a reconhecer-se quando o lugar que sempre ocupou deixa de estar garantido?
Ronaldo construiu também um império de investimentos. Tem negócios, património e possibilidades de futuro que poucos atletas conseguem reunir. Contudo, possuir alternativas económicas não equivale a encontrar uma identidade com o mesmo significado. Ser proprietário de empresas não reproduz necessariamente a experiência de entrar em campo, decidir um jogo ou sentir que o próprio corpo continua a responder ao desafio. Não podemos saber quanto esses projetos o preenchem, mas a existência desse império não permite concluir que o espaço deixado pelo futebol esteja resolvido. Uma carreira pode estar financeiramente assegurada e a sua transição continuar emocionalmente por preparar.
A teoria da discrepância do self, proposta por E. Tory Higgins, acrescenta uma segunda chave de leitura. Distingue a imagem que temos de quem somos, a imagem de quem gostaríamos de ser e a imagem de quem sentimos que deveríamos ser. A distância entre estas representações pode produzir sofrimento: desilusão e tristeza quando nos afastamos do ideal; tensão e inquietação quando sentimos que não correspondemos às obrigações e expectativas que interiorizámos.
No desporto, esta perspetiva permite pensar na distância entre o atleta que uma pessoa reconhece em si no presente e aquele que continua a desejar ser. Acrescem as expectativas que sente ter de cumprir: continuar decisivo, liderar, ganhar e corresponder à imagem que construiu. Quando essas referências deixam de coincidir, aceitar a mudança pode tornar-se emocionalmente difícil. Esta é uma possibilidade de interpretação, não uma conclusão sobre o que Ronaldo sente.
Há ainda um paradoxo. A persistência que ajuda um atleta a chegar ao topo pode dificultar a aceitação de uma nova realidade. Durante anos, aprende a responder às limitações com mais trabalho, a contrariar dúvidas e a provar que consegue. Perante a aproximação do fim, pode continuar a procurar resolver através do esforço uma mudança que também exige reorganizar expectativas. Como se pede a alguém que aceite um limite depois de uma vida inteira a ser premiado por o ultrapassar?
Quando esta transição encontra uma identidade demasiado exclusiva e poucos recursos para lidar com a mudança, os riscos merecem atenção. O desaparecimento das rotinas, dos objetivos e do sentimento de pertença pode alimentar vazio, isolamento e perda de propósito, contribuindo para sofrimento psicológico e dificuldades de adaptação. Não é um destino inevitável, mas também não deve ser desvalorizado por existir dinheiro, reconhecimento ou uma carreira extraordinária.
O sucesso acumulado não substitui a preparação psicológica para viver depois dele, muitas vezes pelo contrário. É necessário que a disciplina, a capacidade de aprender, a liderança e a persistência encontrem novas formas de expressão. Mas essa continuidade precisa de ser descoberta e vivida pelo próprio atleta.
Este texto não pretende analisar a situação de Cristiano Ronaldo, mas sim utilizar aquilo a que todos assistimos para refletir sobre uma das fases mais complexas da vida de qualquer atleta, o fim de carreira e reconstruir a resposta à pergunta 'quem sou eu?'"
"O Conselho da FIFA reúne-se num momento decisivo para a credibilidade da organização. Impõe-se um compromisso inequívoco com o escrutínio independente e uma reforma profunda e duradoura da governação, que se traduza em medidas concretas para recuperar a confiança nas instituições do futebol
O futebol não pode continuar a crescer em receitas e a perder em confiança. Hoje, o Conselho da FIFA tem de assumir um compromisso inequívoco com o escrutínio independente e uma reforma duradoura da governança.
Os olhos do Mundo estão postos em Zurique. Cada um dos 37 membros do Conselho carrega uma responsabilidade perante toda a comunidade do futebol. Alcançar um entendimento político poderá ser difícil. Mas essa dificuldade não pode servir de pretexto para adiar o escrutínio ou esvaziar a reforma. Liderar exige coragem para corrigir o que falha, mesmo contrariando interesses instalados.
É de saudar a pujança financeira da FIFA e a sua capacidade de mobilizar recursos para o desenvolvimento. Esse desempenho merece o reconhecimento devido à instituição e ao seu presidente, enquanto responsável máximo. É, porém, um sucesso partilhado: resulta também do contributo das federações nacionais, dos clubes, das ligas que sustentam a competição semanal, dos jogadores e treinadores que lhe dão vida e dos adeptos que lhe conferem dimensão universal.
A proposta de destinar 6,35 mil milhões de dólares ao desenvolvimento do futebol em 2027–2030, divulgada pela Associated Press e ainda sujeita a aprovação, deve ser apreciada nesse contexto. Os recursos pertencem à FIFA e devem servir a sua missão em benefício de todo o futebol. A sua distribuição é uma responsabilidade institucional, não uma concessão pessoal. Não pode gerar obrigações de gratidão eleitoral. Mais investimento merece apoio. Mais dinheiro exige mais transparência, prestação de contas e escrutínio independente.
Examinar como o poder é exercido
As questões suscitadas pela FIFA Forward Enterprise, pelo Prémio da Paz e pela condução dos processos disciplinares devem ser examinadas pelos seus próprios méritos, com base em provas e respeito pelas garantias processuais. Escrutinar não é condenar antecipadamente. É estabelecer os factos e apurar responsabilidades. Mas explicações isoladas não bastam: a avaliação tem de incidir sobre o sistema que está na origem das decisões.
O exercício da autoridade pelo presidente, a capacidade do Conselho para deliberar e fiscalizar, as responsabilidades do Congresso e do secretariado-geral e a independência dos órgãos de fiscalização e jurisdicionais têm de fazer parte dessa avaliação. Tem de ficar claro quem pode assumir compromissos em nome da FIFA, ao abrigo de que autoridade e sujeito a que controlos. Quem aplica as regras deve poder atuar sem interferências, sobretudo quando estão em causa interesses poderosos.
Depois de mais de trinta anos a criar e a liderar instituições no futebol e no setor desportivo, sei que uma liderança forte é necessária. Mas uma governança eficaz não pode depender da disponibilidade de um líder para aceitar ser questionado. A força de uma instituição mede-se também pela capacidade de limitar o poder de quem a dirige. Importa distinguir regras violadas, mecanismos de salvaguarda que falharam e normas que permitiram decisões sem escrutínio adequado. O cumprimento formal não encerra a análise quando são as próprias regras que oferecem proteção insuficiente.
A independência protege a instituição
Quanto maiores forem as divisões e a desconfiança, maior será a necessidade de um escrutínio que não esteja sob o controlo de nenhuma das partes. Um grupo de trabalho interno pode ajudar a concretizar reformas. Não pode, por si só, garantir a independência da avaliação do sistema em que os seus membros exercem autoridade.
Também a designação de uma entidade externa não garante independência. São indispensáveis uma seleção transparente, a gestão dos conflitos de interesses, um mandato abrangente, acesso efetivo à documentação e aos responsáveis e liberdade para publicar conclusões. A independência tem de existir no mandato, nos meios e na execução, e não apenas no nome.
A análise deve seguir as provas, mesmo quando contrariam as expectativas de quem exigiu o escrutínio. Para a SIGA, este princípio aplica-se a todos: a responsabilização não pode ser exigida apenas aos adversários. A autonomia do desporto não é ilimitada nem incondicional. Sai reforçada quando as instituições prestam contas e corrigem as suas fragilidades.
A reforma tem de mudar as práticas
A direção política, a gestão executiva e a fiscalização devem estar efetivamente separadas. Os órgãos independentes precisam de autoridade, recursos e proteção contra interferências. Ligas, clubes, jogadores e adeptos devem ter representação efetiva e capacidade real para influenciar as decisões que afetam o seu futuro.
Os Standards Universais da SIGA sobre Boa Governança no Desporto estabelecem critérios concretos para avaliar estas exigências. O SIRVS, Sistema de Avaliação e Verificação Independente da SIGA, permite confrontá-los com provas. Em conjunto, oferecem instrumentos para identificar lacunas e verificar se as reformas produzem resultados.
No dia seguinte, o futebol deve conhecer o âmbito da avaliação, as garantias de independência e o calendário de publicação das conclusões. A FIFA deve responder publicamente às recomendações, identificar responsáveis e prazos para as que aceitar e explicar as que rejeitar. A execução e a eficácia das medidas devem ser verificadas de forma independente. Um relatório não pode ser o ponto final da reforma.
Uma eleição decide quem lidera. Não resolve as fragilidades do sistema. Todos os candidatos devem assumir estes compromissos. Quem vencer terá de os honrar.
Para Portugal, anfitrião do Mundial de 2030, a confiança em quem governa a competição tem relevância acrescida. Uma FIFA que não aceite ser responsabilizada fragiliza a confiança em si própria e no futebol que deve servir. O seu futuro exige salvaguardas que nenhum presidente possa contornar e uma responsabilização que nenhuma eleição possa suspender."
"Nas últimas semanas, tenho conversado com representantes de diferentes organizações desportivas da América Latina. Uma perceção tem sobressaído nestes encontros: a governação e a integridade estão a ganhar espaço nas prioridades institucionais, mas nem sempre encontram as condições necessárias para se traduzirem em práticas permanentes.
Estas conversas, realizadas no âmbito dos esforços de aproximação institucional da SIGA na região, têm envolvido interlocutores do Brasil, da Argentina, do Paraguai, do Peru, da Colômbia e da Bolívia. Do futebol ao voleibol, passando pelos desportos aquáticos, pelo judo, pela vela, pelo surf e pelo ténis de mesa, bem como pelo movimento olímpico, as realidades são diversas. Os desafios, porém, apresentam pontos de convergência.
Em algumas destas interações, chamou-me a atenção a realidade dos profissionais responsáveis por conduzir estas transformações. Numa das entidades, uma única pessoa acompanha as áreas da governação, do compliance, da proteção dos atletas e do desenvolvimento institucional. Noutra, o responsável pela integridade procura alargar os programas educativos e aperfeiçoar os mecanismos de denúncia sem dispor de uma equipa dedicada.
Não faltam empenho nem iniciativas relevantes. O desafio está em assegurar que estes esforços encontram apoio institucional, recursos e condições para produzir resultados duradouros.
Esta transformação acompanha uma tendência internacional. O Comité Olímpico Internacional tem desenvolvido orientações para um Desporto Seguro, destinadas a prevenir e a combater situações de assédio, discriminação, abuso e negligência, protegendo a integridade física e psicológica dos atletas. A FIFA, por sua vez, reforçou, no seu Manual de Integridade de 2024, a importância dos responsáveis por esta área, dos mecanismos de denúncia e dos programas permanentes de educação e prevenção da manipulação de competições.
São avanços importantes. Contudo, criar uma função, aprovar um regulamento ou estabelecer procedimentos representa apenas o início de um percurso. É preciso formar profissionais, afetar recursos, assegurar o apoio das lideranças e garantir a continuidade das políticas, incluindo quando ocorrem mudanças nos órgãos de direção.
Esta exigência também se faz sentir fora das estruturas desportivas. Patrocinadores, investidores e parceiros comerciais estão mais atentos à transparência, à gestão de riscos e à capacidade de prestação de contas das organizações com as quais se relacionam.
Neste contexto, a integridade deixa de representar apenas uma obrigação institucional. Torna-se também um fator de confiança, credibilidade e sustentabilidade para o próprio desporto.
É precisamente nesta passagem dos compromissos à implementação que a cooperação internacional pode contribuir. Na SIGA, procuramos apoiar este processo através dos nossos Standards Universais e de instrumentos como o Gap Analysis e o Sistema Independente de Rating e Verificação (SIRVS), que permitem identificar oportunidades de melhoria e avaliar a aplicação de boas práticas.
Este compromisso orienta também a MISSION 100, uma nova iniciativa global da SIGA que procura reunir organizações desportivas, governos, empresas, instituições académicas e sociedade civil em torno de um objetivo comum: tornar a integridade um compromisso institucional permanente, traduzido em padrões, práticas e resultados mensuráveis.
Nos diálogos que tenho mantido, percebo que muitos profissionais procuram mais do que soluções técnicas. Procuram referências, interlocutores e oportunidades para partilhar experiências e enfrentar desafios que, frequentemente, ultrapassam a sua capacidade individual de atuação.
A América Latina reúne organizações em diferentes fases de desenvolvimento institucional. Esta diversidade deve ser encarada como uma oportunidade para aproximar experiências e construir soluções adaptadas a cada realidade.
A integridade não pode depender exclusivamente da dedicação de profissionais isolados. Para se consolidar, precisa de estar incorporada nas estruturas, na cultura e nas decisões das organizações desportivas."
Provavelmente a melhor exibição na Europa nas últimas épocas, consistente, com períodos de bom basquetebol... para ser perfeito, só faltou mais acerto no final período, mas a equipa pareceu-me cansada! Creio que o Okeke mesmo com todas as limitações ofensivas, na recta final tinha sido útil na defesa...
Tudo isto contra um bom adversário, provavelmente o nosso principal adversário neste Grupo... Com estas duas vitórias, contra os dois adversários teoricamente mais complicados, ganhámos alguma folga, ganhando contra as outras equipas, teremos menos pressão na 2.ª volta...
#80anosdeToni
The famous Portuguese soccer team, Benfica, arrived in Sydney today for a four match tour of Australia. The team who had been travelling for 48 hours. could hardly manage a smile.During the Press interview. August 13, 1975. (Photo by Antony Matheus Linsen/Fairfax Media via Getty Images).
𝗙𝗲𝘀𝘁𝗲𝗷𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗚𝗮𝗯𝗿𝗶 𝗩𝗲𝗶𝗴𝗮... 𝗲 𝗰𝗼𝗻𝗳𝘂𝘀𝗮̃𝗼 𝗶𝗻𝘀𝘁𝗮𝗹𝗮𝗱𝗮 𝗻𝗼 𝗟𝗮 𝗖𝗮𝗿𝘁𝘂𝗷𝗮 👀
Após o primeiro golo do FC Porto, os jogadores das duas equipas envolveram-se num momento de maior tensão. https://t.co/x5f7r4sLnQ
FC Porto 2026/27:
Jogos em Portugal: 9 jogos - 9 vitórias
Jogos internacionais: 2 jogos - 2 derrotas
Fenómenos do entroncamento. https://t.co/ksE4OKYjq1
As limitações da equipa do Porto, na Champions, notam-se muito. Ainda mais com árbitros estrangeiros com zero tolerancia para jogadores agressivos e um banco desordeiro. Com regras iguais para todos, fica mais dificil Farioli manter o seu nivel de bazófia.
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) October 14, 2026
"O Toni é um grande ser humano, à antiga, um companheiro generoso, um amigo do seu amigo, um cidadão com preocupações sociais, alguém sempre disponível para oferecer a sua solidariedade a quem dela possa precisar.
O Toni é um grande Benfiquista: jogou e foi campeão, treinou e foi campeão, foi dirigente também. Como treinador do Glorioso tenho que realçar que das duas únicas vezes em que treinou a equipa do princípio ao fim da época foi campeão, numa delas a fabulosa época 1993-94. Mas mais: em nome do seu Benfiquismo aceitou passar a adjunto na época seguinte a ter-se sagrado campeão. Quem mais o teria feito?
O Toni é o grande contador das deliciosas histórias por que passou ao longo de uma vida cheia. Com muitos outros acontece que vamos ouvindo repetidamente as mesmas histórias, os mesmos episódios; com o Toni não, o manancial é de tal ordem que a cada encontro surge a descrição de novos episódios hilariantes, novas situações caricatas ou até dramáticas, surpreendentes e inéditas revelações sobre o mundo do futebol e os seus protagonistas.
Ao contrário do que muitos podem pensar ou até insinuar, o Toni não aceitou ser vice da FPF para ter um tacho de que não precisa porque a seu tempo cuidou bem da sua vida. O Toni trabalha a sério na FPF: ainda há tempos lhe liguei e estava no estágio da Seleção Nacional feminina de sub-15 de Futsal - imaginem!
O Toni faz hoje 80 anos. Conheço-o há mais de 30 anos e tenho o privilégio de poder dizer que sou seu amigo. Está de parabéns pelos 80 anos, claro que sim, sempre, mas está de parabéns acima de tudo pelo enorme ser humano que é.
"Alguém teve a coragem de afirmar “o português mais importante da história de Portugal”…um desses idiotas úteis das tv’s que pateticamente colocou Cristiano, não lhe vou chamar Ronaldo porque é uma ofensa ao maior fenómeno futebolístico que vi pisar um relvado, acima de Dom Afonso Henriques, Vasco da Gama, Camões, todos os que efetivamente, não renegando as suas origens, nem sequer vendendo a sua portucalidade por meia dúzia de patacos, deram ao mundo Portugal e “novos mundos ao mundo”.
Mas a sociedade atual gosta de enaltecer patetas, portanto não serei eu que irei mudar isso certamente.
Cristiano tinha tudo para ser efetivamente um dos grandes nomes da sua área, um ídolo de milhões mas que se deixou toldar pelo ego, a sua cegueira retirou-lhe o pedestal de grandeza a que estaria destinado e lamento, após a sua retirada por pouco será recordado, não entra no Olimpo do melhores da modalidade, não está nas páginas douradas do futebol português, nessas não passou de mero escudeiro a bater palmas a partir do banco (e ainda bem que assim foi, caso contrário duvido que o Eder tivesse tido oportunidade de tocar os deuses do futebol).
Tudo acontece por uma razão, e por norma quando se tenta voar muito alto, as asas acabam queimadas!
Um pena, para quem é um ídolo de milhões, não conseguir mostrar ponta de humildade."
"A comunicação do presidente da FPF no caso-Ronaldo tem oscilado entre o desastre e a subserviência.
Apesar do processo disciplinar instaurado ao avançado, Pedro Proença apressou-se a abrir a porta do regresso, já para novembro, e a clamar que esse é um desejo de «todos nós».
Não sei a que portugueses se refere Proença, mas não será com certeza aos que privilegiam as regras e o bom senso em detrimento da idolatria.
Quem ouvir o dirigente e ex-árbitro, e desconhecer em detalhe os contornos do processo, pensará que Cristiano é a vítima e não o infrator.
A FPF, na pessoa do atual líder máximo, optou por se entregar aos humores de um homem de 41 anos, incapaz de aceitar as leis da natureza. E da vida.
A fenda disciplinar está aberta. E convida a que outros repitam os intentos do obcecado (pelo golo mil, pela eternidade e glória, pela adulação…) CR7.
Os factos são conhecidos. Foram dissecados, manipulados, avaliados, discutidos e até exibidos em praça pública, para arderem na fogueira de vaidades (não confundir com verdades) no infame e ridículo comunicado produzido pela entourage de Ronaldo – os oito pontos atirados para o colo de Jesus são particularmente constrangedores.
Aqui chegados, há mais perguntas a fazer do que certezas a recitar. Deixo algumas, à consideração da direção da federação.
- O que faziam na intimidade de um estágio da seleção os conselheiros de Ronaldo? Essa é uma prática comum e aceite pelos responsáveis?
- Pedro Proença defende o regresso de Cristiano. A posição é conciliável com a independência do Conselho de Disciplina (CD) da FPF e o seu julgamento?
- Se Jesus aceitar o regresso de Cristiano, a autoridade técnica perante o grupo não fica ferida de morte?
- Que papel desportivo terá Cristiano? Não existe o risco de ser um ativo ingerível e repetir o ato de indisciplina, se não tiver os minutos por si idealizados?
- Que mensagem passa aos restantes companheiros um capitão que abandona o grupo e que, ainda assim, ouve da boca do presidente da FPF o apelo à reconciliação?
Estas cinco perguntas exigem esclarecimentos. A FPF é uma instituição de utilidade pública e não uma empresa cotada em bolsa, em busca de avaliadores de startups e unicórnios.
Perder Cristiano implica uma quebra de receitas e patrocinadores? Com certeza. De seguidores nas redes sociais? Também, pois então.
Tudo isto sucederá/sucederia sempre, em função da dimensão mediática do jogador. Mas, parece-me, acima disso devem estar as regras e a performance desportiva. Essas sim, inegociáveis.
Acabo com as desculpas pedidas por Cristiano e que, nas palavras de alguns experts, servirão de atenuante no castigo a aplicar pelo CD da FPF.
De zero a dez, qual o grau necessário de coragem (e humildade) para clamar por perdão através de um comunicado escrito por outra(s) pessoa(s)?
Quando se exigia um posicionamento firme e irrevogável da parte de Proença na resposta, apenas vi fraqueza.
Afinal, quem manda na FPF? O presidente ou a empresa de um dos jogadores da seleção? Cristiano, o grande, transformou-se. Passou de goleador concreto a economia abstrata.
É uma recessão em corpo de homem. Uma multiplicação de crises.
PS: a grandeza de Cristiano mede-se pelos monumentos edificados em campo. Tremendos, inesquecíveis, extraordinários. Só que essa grandeza passa a ser patética, e indefensável, quando vemos o herói de mil feitos a suplicar por validação através de um briefing pensado para uma comunicação pública do selecionador. Lembrar é a palavra que abraça e conforta. A saudade, a memória, os golos. Cristiano prefere outra: vaidade, o culto da tolice."
"Durante décadas, os clubes de futebol foram construídos à volta de uma cidade, de uma comunidade e de uma identidade. Hoje, muitos começam a integrar estruturas internacionais onde o futebol é pensado à escala global. O capital atravessa fronteiras, os jogadores circulam entre continentes e algumas decisões estratégicas são tomadas a milhares de quilómetros dos estádios. Mas há uma pergunta que o futebol português não pode deixar de fazer: quando um investidor compra um clube, está a adquirir uma oportunidade de negócio ou a assumir a responsabilidade de construir o seu futuro?
A resposta não tem de ser uma escolha entre as duas coisas. Um clube pode ser economicamente atrativo e, ao mesmo tempo, desportivamente ambicioso. Aliás, os melhores projetos são precisamente aqueles que conseguem conciliar estas duas dimensões. O problema começa quando uma delas existe sem a outra.
Portugal tem razões para olhar para o investimento internacional com abertura. Temos conhecimento, treinadores qualificados, capacidade de formação, uma cultura futebolística reconhecida e uma posição privilegiada na ligação entre diferentes mercados. Mas também temos clubes com dificuldades financeiras, infraestruturas insuficientes e uma dependência excessiva das transferências de jogadores. Recusar capital por princípio seria ignorar uma oportunidade. Aceitá-lo sem critérios seria cometer outro erro.
O crescimento dos grupos multiclube não é apenas uma mudança na propriedade. É uma mudança na forma de organizar o futebol. Um grupo pode partilhar metodologias, departamentos de análise, informação sobre mercados, competências médicas, tecnologia e processos de recrutamento. Pode criar percursos de desenvolvimento para jogadores e profissionais. Pode permitir que um clube de menor dimensão tenha acesso a ferramentas que, isoladamente, dificilmente conseguiria financiar.
Pensemos no scouting. Durante muito tempo, identificar talento dependia sobretudo de observadores experientes, contactos e capacidade de antecipação. Tudo isso continua a ser decisivo. Mas a escala mudou. Hoje, os dados ajudam a filtrar milhares de jogadores, a observação contextualiza o desempenho e a articulação entre clubes permite planear percursos competitivos. Uma rede internacional bem construída pode transformar o recrutamento numa vantagem estratégica. Desde que não confunda quantidade de informação com qualidade de decisão.
Porque o scouting não se resume a encontrar jogadores baratos para vender mais caro. É conhecer as necessidades de cada equipa, antecipar a evolução do plantel, identificar perfis adequados ao modelo de jogo e perceber o momento certo para contratar, desenvolver ou transferir. O talento só se transforma em valor quando encontra um contexto que o faz crescer.
É aqui que surge a primeira grande exigência: cada clube de um grupo deve ter um projeto desportivo próprio. Integrar uma rede internacional não pode significar abdicar de objetivos, identidade ou ambição. Um clube português não deve aceitar tornar-se apenas uma estação de passagem, onde os resultados são secundários e o calendário de valorização dos ativos determina todas as decisões.
Os adeptos não vivem o futebol através de folhas de cálculo. Vivem-no através de vitórias, derrotas, rivalidades, memórias e pertença. A sustentabilidade financeira é indispensável, mas não substitui a competitividade. Um investidor que não compreenda esta realidade pode adquirir uma sociedade desportiva sem conquistar a confiança de quem lhe dá sentido.
Também não devemos romantizar o passado. A história do futebol português mostra que a identidade de um clube não é protegida por uma determinada nacionalidade do acionista. É protegida por decisões responsáveis, por lideranças que prestam contas e por uma estratégia que respeita a sua comunidade. Há maus projetos com capital nacional e podem existir excelentes projetos com capital estrangeiro. O critério deve ser a qualidade da gestão, não o passaporte do investidor.
A segunda exigência é a autonomia operacional. Um grupo pode definir princípios comuns, mas precisa de dirigentes locais com competência e margem real para decidir. Conhecer a competição, os adversários, o mercado e a cultura do clube é tão importante como dominar ferramentas internacionais. Centralizar tudo pode parecer eficiente no papel, mas o futebol continua a ser profundamente contextual. Uma decisão acertada num país pode ser desastrosa noutro.
A terceira exigência é a transparência. Quem investe deve explicar o que pretende: qual é o horizonte temporal, quanto será aplicado em infraestruturas, que papel terá a formação, quais são os objetivos competitivos e como serão tomadas as decisões sobre jogadores. Os clubes não precisam de promessas grandiosas. Precisam de compromissos verificáveis. E os reguladores devem assegurar que a multipropriedade não compromete a integridade das competições.
Há ainda uma oportunidade que Portugal não pode desperdiçar: utilizar estas parcerias para desenvolver pessoas, e não apenas transferir atletas. Um grupo internacional pode abrir portas a treinadores, analistas, fisioterapeutas, responsáveis de formação e diretores desportivos. A circulação de conhecimento deve funcionar nos dois sentidos. Se exportarmos apenas jogadores e importarmos todas as decisões, estaremos a abdicar de uma parte essencial do nosso potencial.
Defendo, por isso, que a avaliação de um investimento não se esgote no montante anunciado. Devemos perguntar quantos recursos ficam no clube, que competências são criadas, que instalações melhoram, como evolui a formação e se a equipa principal se torna mais competitiva. A verdadeira medida do sucesso não pode ser apenas a rentabilidade de uma transferência ou a valorização de uma participação.
O futebol português precisa de deixar de discutir o investimento como se houvesse apenas duas posições: abrir a porta sem reservas ou fechá-la por receio de perder identidade. Existe um caminho mais exigente e mais inteligente. Atrair capital, estabelecer regras claras, profissionalizar estruturas e preservar a capacidade de cada clube construir o seu destino.
A dimensão do nosso país não deve ser vista como uma condenação à dependência. Pode ser uma vantagem. Temos proximidade entre mercados, tradição formadora e capacidade de adaptação. Com visão, podemos tornar-nos parceiros relevantes em redes internacionais sem deixar de ser protagonistas do nosso próprio futebol.
No fim, a pergunta decisiva não será quantos clubes portugueses passaram a integrar grupos internacionais. Será quantos ficaram melhores depois disso: mais organizados, mais competitivos, mais sustentáveis e mais ligados às suas comunidades.
Porque comprar um clube é uma operação financeira. Construir o seu futuro é uma responsabilidade desportiva. E é nessa diferença que se distingue um investidor de um verdadeiro projeto."