O INDEFECTÍVEL
Pelo Benfica! Sempre!
Últimas indefectivações
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Moreira e o futuro
"1. Gonçalo Moreira fez os seus primeiros minutos
na equipa principal do Benfica, “o clube onde praticamente nasceu”, segundo José Mourinho.
Moreira jogou no último domingo um bocadinho
do Benfica-Nacional, que terminou como nunca
podem deixar de terminar os jogos do Benfica na
sua casa, com uma vitória.
2. O resultado foi de 2-0 e pode-se afirmar que foi a
consequência de um primeiro quarto de hora à
Benfica. Andreas Schjelderup marcou logo aos
3 minutos e Rafa marcou aos 14 minutos, fechando
a discussão. O jovem jogador norueguês e o não
tão jovem jogador português, que voltou a casa no
último mercado de inverno, foram assistidos por
Gianluca Prestianni, que deixou, assim, a sua
marca no jogo e no desfecho do jogo.
3. Voltemos a Gonçalo Moreira, o tal jogador por
quem o treinador do Benfica confessou ter “um fraquinho” e que tem vindo a fazer uma temporada
sensacional, jogando em vários escalões das equipas da casa que o formou. Gonçalo, até ao momento da sua estreia na equipa principal, já levava
15 golos apontados e 5 assistências. Há matéria
suficiente para se poder considerar que estamos
perante um “caso” de jogador? Parece que sim.
4. José Mourinho escolheu outras palavras. “Gonçalo Moreira faz parte da pequena elite do Seixal”,
disse o treinador do Benfica no decorrer da conferência de imprensa. E disse mais: “Merece
muito. Tem feito uma época extraordinária em
todos os escalões. É com grande satisfação que
eu e toda a estrutura do Seixal assistimos a este
momento.” Uma coisa é sempre certa nestes
casos: a satisfação do público é igual ou superior
à satisfação dos técnicos e de todos os que contribuem para “fazer” um jogador.
5. Moreira foi o 7.º produto da casa que, nesta temporada, teve a sua estreia na equipa principal.
Depois de Ivan Lima, Rodrigo Rêgo, Tiago Freitas,
José Neto, Banjaqui e de Anísio Cabral, chegou a
vez do jovem nascido em Pedrouços, freguesia da
Maia, há 20 anos.
6. “Não quero ficar por aqui”, foi o que disse o jovem
jogador. Não teve muitos minutos, é certo. Mas o
sonho está cumprido. Gonçalo Moreira fará a
próxima pré-temporada integrado na equipa
sénior do Benfica e, a partir daí, é com ele. Boa
sorte, Gonçalo.
7. No domingo há dérbi em Alvalade. Lamentavelmente, o empate com o Casa Pia roubou ao Benfica
a possibilidade de ir a casa do seu rival histórico
apropriar-se do 2.º lugar da classificação.
O Campeonato não acaba no domingo, e o Benfica
sabe o que tem de fazer para poder chegar ao
lugar que lhe dará a benesse de poder jogar na
próxima edição da Liga dos Campeões."
Leonor Pinhão, in O Benfica
Guardiões goleadores
"COMO TRÊS GUARDA-
-REDES SAÍRAM DA SUA
ZONA DE CONFORTO
E MARCARAM GOLOS
PELO BENFICA.
Ao longo da história do
Benfica, vários guarda-
-redes saíram da sua
área, aventuraram-se
para lá do meio-campo e foram
autores de golos.
Jacinto jogou 3 épocas de
águia ao peito e foi precisamente no seu último ano que marcou
o seu inédito tento. A 17 de
março de 1929, trocou a camisola de guarda-redes pela de avançado, a única vez que o terá feito
pelo Clube, para um jogo particular, composto por elementos
da equipa principal (da qual
fazia parte) e de reservas, frente
ao Paço de Arcos. Jacinto, “o
conhecido guarda-redes vermelho, substituiu Sampaio” no
segundo tempo e marcou um
dos golos da vitória encarnada
por 8-1.
Para Manuel Bento, conhecido pelas suas defesas prodigiosas, enfrentar a baliza adversária era, pelo contrário, uma
“coisa vulgar”. Foi “com a calma
de um artilheiro” que converteu
um penálti num jogo contra o
Sporting, a contar para a Taça
Federação, a 23 de junho de
1977, fechando o marcador
numa vitória de 3 golos sem resposta. O mesmo não se podia
dizer do público, que, não estando “habituado a ver o excelente
guarda-redes marcar golos,
entusiasmou-se um tanto”. Este
foi o único golo que Bento marcou em jogo corrido, ou seja, no
tempo regulamentar ou prolongamento, mas também participou diversas vezes, como marcador, em desempates por grandes penalidades em jogos nacionais e internacionais.
Trubin fez história ao tornar-
-se no primeiro guarda-redes
encarnado a marcar em tempo
regulamentar numa prova europeia. O Benfica estava a um golo
de distância de passar à fase
seguinte da Liga dos Campeões,
nos derradeiros momentos do
desafio com o Real Madrid, a 28
de janeiro de 2026. Era tudo ou
nada quando o guardião das
águias também foi para a área
adversária, num livre, e com
um salto, marcou de cabeça,
fazendo o 4-2. Um jogo inesquecível: “Não sei o que dizer, na
verdade. Não sou o Pavlidis,
que costuma marcar. Para mim
é completamente novo. Tenho
24 anos e foi a primeira vez.
Inacreditável.”
Jacinto, Manuel Bento e Trubin foram alguns dos guarda-redes, dos vários escalões do
Benfica, que bateram diretamente o guardião da baliza adversária. Descubra outros guarda-
-redes encarnados na área 22 –
De Águia ao Peito, do Museu Benfica – Cosme Damião."
Lídia Jorge, in O Benfica
Memofante emocional
"Acompanho a atualidade do
Sport Lisboa e Benfica há 45
anos, mais coisa, menos coisa.
Foi quando comecei a ter consciência de ser de um clube. Já vi
tudo acontecer ao Glorioso. Vitórias, claro, muitas. Empates que
ficaram atravessados e derrotas que consegui apagar da
memória imediata, mas não da
duradoura. E isto apenas no
futebol, porque, se alargar a
todo o universo eclético do
Clube, são centenas, milhares
de boas memórias com dias históricos e noites épicas.
A dado momento da minha
entrada na vida adulta, tive a
sorte e o privilégio de poder
envergar a camisola do SLB
durante quase 2 épocas. Foi no
atletismo, no final da década de
1990. E é exatamente sobre isso
que vos quero falar nesta semana. Vivi alguns dos momentos
mais emocionantes da minha
curta (e mediana) carreira desportiva quando pude correr de
águia a peito. Conheci gente fantástica, benfiquista e não-benfiquista, e pude sentir e ver como
um clube em ruínas conseguiu
sobreviver ao famoso ‘Vietname’. O orçamento para as deslocações das equipas masculinas
e femininas (nos vários escalões) era insignificante para o
que exigia a alta competição. Ao
ponto de atletas terem de participar em diferentes provas para
se poupar nos custos das deslocações. Algumas vezes, nem
água quente havia nos balneários. Numa ocasião, partilhámos
a sala de musculação com
alguns jogadores do plantel
principal. Foi confrangedor ver
futebolistas profissionais a
levantar menos peso (em exercícios perfeitamente normais)
do que boa parte da equipa feminina de atletismo. O Glorioso não
vivia momentos de glória, procurava sobreviver dentro e fora do
campo. Passaram quase 3 décadas e nem há comparação possível. Há que conquistar mais, sem
dúvida. E mais vezes, deixando
tudo em campo, no pavilhão, nas
pistas, nas piscinas ou onde
quer que o símbolo do SL Benfica esteja presente. Podemos
sempre exigir mais, mas nunca
esquecer a nossa identidade, o
nosso passado e o que passámos para aqui chegar."
Ricardo Santos, in O Benfica
Ganhar
"Infelizmente, o dérbi de domingo não poderá colocar-nos no
1.º lugar da classificação. Em
bom rigor, nem sequer no
2.º (caso o Sporting vença o jogo
que tem em atraso). O título é
uma miragem. O 2.º lugar não
depende de nós.
Como não adianta chorar sobre
leite derramado, há que olhar
para o que ainda está no prato e
lutar até ao fim. Nessa medida,
para além do Benfica carregar
consigo a obrigação de jogar
sempre para ganhar, restam-
-lhe dois objectivos concretos
nesta temporada. Um, muito
importante, o de ainda tentar
chegar ao 2.º lugar do Campeonato, e ao acesso à próxima edição da Liga dos Campeões – da
qual, nos últimos 16 anos, só
ficámos arredados uma vez.
Outro, menos importante, o de
manter a invencibilidade até ao
fim da prova, repetindo os feitos
de 1972/73 e 1977/78.
Face a ambos os objectivos, o
jogo de Alvalade é determinante. É frente ao adversário directo na luta pela 2.ª posição, e é
também a partida teoricamente
mais difícil de entre as 5 que
restam até ao final. Para além
de tudo, trata-se de um Sporting-Benfica, e isso, por si só, é
motivo de entusiasmo para
todos os adeptos de um lado e
do outro, devendo ser também
factor de estímulo para os jogadores que entrarem em campo.
Não foi neste tipo de partidas
que o Benfica comprometeu as
suas hipóteses de ser campeão.
Empatámos os 3 clássicos.
Empatámos igualmente em
Braga. O que nos colocou longe
da liderança foram os 10 pontos
desperdiçados com equipas do
fundo da tabela (abaixo da 11.ª
posição), 8 deles depois de
estarmos em vantagem no marcador. Isso, paralelamente a
algumas boas exibições na
Champions, leva-me a pensar
que o problema do Benfica não
reside tanto na qualidade técnica dos seus jogadores, quanto
na mentalidade com que abordam certos jogos, ou parte desses jogos. Algo a rever para a
próxima época."
Luís Fialho, in O Benfica
Contribuir para a comunidade
"Uma das coisas mais importantes que temos nas nossas vidas é
pertencer, fazer parte de alguma
coisa, ser identificado em grupo,
com símbolos, marcas, costumes
e tradições que anunciam e re -
forçam permanentemente essa
pertença no seio da comunidade
em que nos inserimos. Por isso,
quando dizemos quem somos,
falando de identidade nos seus
aspetos mais profundos, inserimo-nos numa fa mília, num país,
numa religião, num clube, numa
terra e numa comunidade. Numa
palavra: somos gregários, e o
grupo para nós é tudo, durante
toda a vida, mas muito particularmente na adolescência e juventude, em que a pressão dos pares é
tão forte que um jovem pode
valorizar mais a opinião do grupo
do que a sua própria e agir em
conformidade.
É por isso que o projeto Community Champions é tão importante
para a formação pessoal e cívica
dos jovens uma vez que os coloca no centro da ação, a resolver
problemas de toda a comunidade, contribuindo para o bem-
-estar coletivo. Mais importante
ainda porque são jovens muitas
vezes (e tantas injustamente)
conotados com o problema e não
com a solução, mas sobretudo
porque o fazem refletindo em
grupo na identificação de problemas e necessidades comunitárias, projetando ideias e agindo
em conjunto. Esta participação
cívica dos jovens, ao mesmo
tempo que reforça a identidade
grupal e lhes permite ganhar
notoriedade e prestígio social, é
a grande mais-valia do projeto,
e, para isso, a notoriedade e o
prestígio da marca Benfica são
um ativo fundamental!"
Jorge Miranda, in O Benfica
terça-feira, 21 de abril de 2026
Invencibilidade mantida...
Sporting 2 - 2 Benfica
Jogo para cumprir calendário, sem o Roca, onde sofremos golos no início de cada parte, mas onde sem fazer um grande jogo, deu sempre a sensação que o Benfica estava por cima...
Próximo fim-de-semana temos a Final 4 da Taça, com o complicado jogo contra o Barcelos... aliás hoje, até pareceu que havia instruções para lesionar jogadores do Benfica! E no fim, ainda foram chorar os amigos do apito!!!
Triunfo em Alvalade
"O Benfica ganhou, por 1-2, na visita ao Sporting. Este é o tema em destaque na BNews.
1. Vitória merecida
Na opinião de José Mourinho, "o Benfica fez um grande jogo e mereceu ganhar". "Estrategicamente, fez um jogo fantástico. Foi um jogo extraordinário", afirma. O treinador do Benfica elogia a equipa: "Viemos aqui jogar para ganhar, ganhámos. Os jogadores fizeram um ótimo jogo, num ótimo jogo."
2. Força do coletivo
Aursnes salienta a atitude da equipa: "Sofremos juntos e lutámos juntos. No final, conseguimos marcar. São 3 pontos muito, muito bons. Foi uma boa vitória."
3. Man of the Match
Veja os melhores lances de Rafa, autor do segundo golo do Benfica e considerado o Homem do Jogo.
4. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, os dois golos marcados pelo Benfica ao Sporting. E também a grande penalidade defendida por Trubin.
5. Calendário
O desafio entre Benfica e Moreirense relativo à 31.ª jornada da Liga Betclic está agendado para o próximo sábado, às 18h00, no Estádio da Luz.
6. Outros resultados
Os Juvenis ganharam, por 0-3, na visita ao Estoril. E houve três equipas femininas do Benfica em ação: no basquetebol, triunfo em Barcelos (59-70); em hóquei em patins, goleada no rinque da Sanjoanense (0-8); em voleibol, derrota, por 2-3, com o FC Porto.
7. Jogo do dia
Hoje há dérbi de hóquei em patins no masculino entre Benfica e Sporting no Pavilhão João Rocha (21h00).
8. Inscrições abertas
A ação "SL Benfica – Modelo de Prospeção no Futebol de Formação" decorre no próximo dia 1 de maio, no Hotel Holiday Inn Porto – Gaia.
9. Título conquistado
O Sport Lisboa e Benfica é campeão nacional de Esports."
A semana horrível do Sporting: adeus Champions, adeus Liga e... adeus Taça?
"Parece estar definido o sucessor do bicampeão. Em cinco dias, o leão de Rui Borges deitou tudo a perder: caiu na Europa e enterrou o título em Alvalade. A Taça salvará a época?
O futebol tem este condão cruel de elevar heróis ao Olimpo para, logo a seguir, os atirar ao abismo sem rede. O que assistimos este domingo, em Alvalade, foi a certidão de óbito de um bicampeão que parece ter ficado sem pilhas no momento em que a decisão exigia nervos de aço. O Sporting não perdeu apenas o dérbi para o Benfica; o Sporting perdeu a bússola e, muito provavelmente, o resto da época.
Rui Borges, que ainda tem o crédito e o oxigénio de quem devolveu a glória a Alvalade com o segundo título consecutivo, enfrenta agora o espelho mais impiedoso da realidade. Os números não mentem: esta época, o Sporting não venceu um único jogo na Liga contra os quatro primeiros classificados. É um registo anémico para quem ostenta o escudo de campeão ao peito. É a prova de que este leão, quando o rugido dos rivais soa mais alto, tem dificuldades em impor a sua lei. Perder por 1-2 em casa contra um Benfica há muito ferido é uma transferência de poder emocional que pode, inclusive, custar o segundo lugar.
Mas, enquanto em Lisboa se discutem culpas, a Norte o clima é de festa antecipada. O FC Porto cumpriu o seu dever contra o Tondela com a eficácia de quem já sente o metal do troféu nas mãos. O 2-0 foi o ensaio geral para a festa que está montada. Com o champanhe no gelo, o Dragão prepara-se agora para o banquete final.
Já esta quarta-feira, o pesadelo de Alvalade pode completar-se. O Sporting viaja até ao Porto com uma vantagem magra de 1-0, mas quem garante que esta equipa, psicologicamente tocada, terá estofo para aguentar a pressão da segunda mão da meia-final da Taça de Portugal no Dragão?
O cenário é dantesco: em sete dias, os adeptos leoninos podem dizer adeus à Champions, adeus à Liga e adeus à Taça. Seria o triplete da desilusão... Quarta-feira se verá.
Rui Borges ainda tem o balão de oxigénio do passado recente, mas a margem de manobra estreitou-se. O futebol vistoso deu lugar a uma posse de bola muitas vezes estéril, ao mesmo tempo que os índices de eficácia caíram. E, se tombar no Dragão, nem o bicampeonato servirá de escudo para a melancolia que se abaterá sobre o seu reino.
O FC Porto já festeja (e com mérito); o Benfica já morde os calcanhares ao rival; e o Sporting? O Sporting arrisca-se a pagar o preço de uma época desgastante em que tudo se perde na ponta final e em que pouco mais poderá restar do que a vã glória de uma Champions de exceção."
Mourinho e o 'direito' ao começo do zero
"Mourinho voltou a falar e, como quase sempre, não se limitou ao jogo. Em Alvalade, construiu uma narrativa onde o Benfica surge resiliente e os rivais ficam sob suspeita, relançando o debate sobre mérito, contexto e liderança
A conferência de imprensa de José Mourinho após a vitória no Estádio de Alvalade foi mais um daqueles exercícios de comunicação que não deixam ninguém indiferente: assertivo, provocador e, como tantas vezes, cirurgicamente polémico.
O treinador começou por sublinhar que o Benfica ainda não perdeu qualquer jogo na Liga e que, nos cinco confrontos já realizados frente aos três primeiros classificados – faltando apenas medir forças com o SC Braga na Luz – também saiu invicto.
De seguida, José Mourinho começou a adensar o teor do discurso. Fez questão de lembrar que o Benfica não venceu o primeiro jogo do campeonato, ainda que a cronologia mereça rigor: esse empate frente ao Rio Ave (1-1), disputado em atraso (1.ª jornada), surgiu já depois de três vitórias consecutivas e antes de novo empate, nos Açores, diante do Santa Clara. O técnico agarrou-se à ideia essencial: a equipa nunca liderou a prova – «o lugar onde queria estar» – e isso, na leitura do treinador, é fator de desgaste emocional… para os «jogadores». «É uma não motivação», definiu. Daí o elogio à «resiliência» de um grupo que, na prática, viveu sempre em perseguição – do lugar em que queria estar, o primeiro.
Mas Mourinho foi mais longe. Falou de vitórias alheias nos descontos, de penáltis discutíveis e até de lances caricatos, como o de Seko «Fofana, que tropeçou na bola», apontando o dedo ao contexto competitivo. E não poupou o Sporting, deixando a crítica embrulhada num pedido de desculpas protocolar «por estar em casa dele»: demasiados triunfos tardios, poucos por «mérito próprio».
O que Mourinho não disse, mas deixou implícito, é que também ele se inclui nesse exercício de resiliência. Chegou com a equipa no terceiro lugar, a cinco pontos do FC Porto, ainda que com um jogo em atraso, mas a verdade é que não foi capaz de a reposicionar na luta, em que, ressalva, nunca esteve. A mensagem parece clara: há trabalho, há contexto e há margem para um novo começo. Depois do triunfo em Alvalade, o capital simbólico cresceu – e dificilmente será irrelevante para Rui Costa, que terá já uma decisão alinhavada.
Mourinho deverá ter querido transmitir que tem a convicção de que lhe assiste o benefício da dúvida de continuar no Benfica na próxima época e de arrancar para esta em igualdade com os rivais? O treinador tem, no mínimo, o direito de ter essa convicção e de achar merecedor de uma oportunidade partindo do zero.
Aliás, o próprio Mourinho tratou de projetar o futuro, garantindo que contará «sem dúvida» com Andreas Schjelderup «e com todos os bons jogadores». Fica, no entanto, a interrogação: que lugar terão aqueles que foram visados – ainda que sem nomes -- após o empate com o Casa Pia, quando o treinador questionou o caráter competitivo do grupo? A mesma ferida foi reaberta, ao lamentar que esse deslize impeça o Benfica de depender apenas de si para chegar ao segundo lugar.
É aqui que a narrativa de Mourinho ganha contornos mais densos. Continuidade com evolução ou rutura com limpeza de balneário? A resposta ainda não existe, mas a pergunta já está feita – e, conhecendo o protagonista, dificilmente ficará sem consequência. A não ser que ocorra um volte-face, surpreendente, no próximo defeso, e a real e legítima segunda era de José Mourinho no Benfica fique adiada. Quiçá para sempre."
Rei...
O Aursnes a gozar com o Hjulmand 😭 pic.twitter.com/4xEf4ctnOG
— Diogo Oliveira (@souooliveirawdd) April 20, 2026
A indústria do desporto passou a viver de eventos. Não de épocas!
"Durante muitas décadas, o desporto foi organizado em torno de uma lógica simples e estável: épocas longas, jornadas regulares, rotinas previsíveis e um consumo sustentado pelo hábito. Essa lógica está a desaparecer. O desporto moderno passou a viver de picos e não de continuidade, de eventos e não de processos, de momentos concentrados e não de épocas inteiras.
Hoje, o valor não está em acompanhar tudo, mas em não perder aquele momento especial. E essa mudança tem implicações profundas para ligas, clubes, modalidades, marcas e, naturalmente, para a realidade portuguesa.
O exemplo mais evidente vem do futebol europeu. A UEFA redesenhou há 23 anos a Champions League não apenas para aumentar receitas, mas para criar mais noites de decisão, mais jogos com consequência e mais momentos capazes de dominar a agenda mediática global. A última jornada da fase de liga, com dezenas de jogos em simultâneo, não é uma solução logística: é um produto.
É um evento dentro da época, pensado para gerar emoção concentrada, consumo simultâneo e conversa global em tempo real. O mesmo acontece com finais, sorteios transmitidos como espetáculos televisivos, apresentações públicas de jogadores e até anúncios de calendários. A época continua a existir, mas o valor migrou para os pontos altos.
Esta lógica não é exclusiva do futebol. A Fórmula 1 deixou de ser vista como um campeonato de 20 e tal corridas para se transformar numa sequência de grandes eventos, cada um com identidade própria, narrativa local e ativação comercial específica. A NBA constrói a sua temporada em torno do All-Star Weekend, das finais de conferência, das Finals e, mais recentemente, de formatos intermédios pensados para capturar atenção num mercado saturado.
Até os Jogos Olímpicos, historicamente o maior evento desportivo do mundo, passaram a ser comunicados não como uma competição contínua, mas como uma sucessão de finais, histórias humanas e momentos virais.
Porque é que isto acontece? Porque o mercado da atenção mudou. O consumidor já não organiza a sua vida em função do calendário desportivo; o desporto é que tem de se inserir num ecossistema onde concorre com séries, redes sociais, gaming, música, creators e experiências on-demand. Neste contexto, a regularidade perdeu poder. O que vale é a exceção. O que prende é o evento. O que converte é a sensação de urgência. E é por isso que as indústrias mais bem-sucedidas não tentam vender tudo, mas sim criar momentos que ninguém quer perder.
Em Portugal, esta mudança ainda não foi totalmente assimilada. O nosso modelo continua excessivamente dependente da época regular, das jornadas semanais com pouco impacto fora do público fiel e de uma narrativa centrada no resultado e não no momento. Fora dos jogos grandes, clássicos, derbies, finais ou decisões europeias a maioria dos encontros vive num ruído mediático quase invisível.
Isso não é apenas um problema de exposição; é um problema de produto. Se cada jogo for apresentado como mais um, o mercado vai tratá-lo como mais um. E, num calendário global saturado, mais um é sinónimo de irrelevância.
As marcas, naturalmente, já perceberam isto. O investimento está a deslocar-se para ativações concentradas, eventos âncora, finais, grandes jogos e experiências premium. Patrocinar uma época inteira sem momentos claros de ativação tornou-se ineficiente. O que gera retorno é o evento bem desenhado, com storytelling, experiências no recinto, conteúdos antes, durante e depois, e métricas claras de impacto.
Quando o desporto não oferece esses momentos, perde espaço nos orçamentos. E quando perde espaço nos orçamentos, entra num ciclo de dependência exclusiva do apoio institucional ou do financiamento tradicional.
O risco maior desta lógica é evidente: ao viver de eventos, o desporto pode perder densidade entre eventos. Entre picos de atenção, instala-se o vazio. É aqui que muitos produtos falham. Criam um grande momento e desaparecem durante semanas. O desafio estratégico é outro: aceitar que o valor está no evento, mas garantir que cada evento alimenta o próximo. Não é voltar à rotina antiga, é construir uma sequência inteligente de momentos, cada um com identidade, consequência e narrativa própria. Uma época moderna não é uma linha reta; é uma série de capítulos.
Para Portugal, esta mudança é crítica. Num mercado pequeno, sem escala internacional natural, a única forma de competir é desenhar eventos relevantes, protegidos no calendário e pensados como produtos completos. Jogos decisivos tratados como espetáculos, finais valorizadas, fases finais compactas, janelas mediáticas claras, experiências no estádio que justifiquem a deslocação e conteúdos que prolonguem o impacto do evento para lá do apito final. Continuar a vender “jornadas” quando o mundo compra “momentos” é insistir num modelo que já não corresponde à forma como o desporto é consumido.
Quem continuar preso à lógica da rotina vai cumprir calendário, mas deixar de contar. Porque no desporto atual, já não vence quem dura mais tempo. Vence quem cria momentos que ficam na memória."
35-35 !!!
Derby de Lisboa só em Alvalade para o campeonato nacional:
— O Fura-Redes (@OFuraRedes) April 19, 2026
35 vitórias do Sporting 🟢
22 empates
35 vitórias do Benfica 🔴
Definição de paternidade histórica. pic.twitter.com/6aAaAQ77Cf
TOMEM, EMBRULHEM!!!
"Sporting 1 - 2 BENFICA
Pré-jogo. Quem os ouve já ganharam, vão só cumprir calendário.
(...)
BENFIIIIIIIIICAAAAAAA!!!
00 meio-campo com três, salta Rafa, aposto que com Ríos mais no apoio a Ivanovic, no lugar de Pavlidis para explorar a profundidade. Será assim?
05 o Trubin já deu um frango que não entrou. E já fez uma boa defesa para se limpar.
08 ui, mas que cabeceamento do Ota, merecia golo, era um golão, grande defesa do Rui Silva.
13 Trincão no chão, meio pisão do Aursnes, com o colinho do Sporting na Liga, VAR vai dar penálti, quanto vale a aposta? E o Pinheiro do penálti nos Açores vai concordar, vale uma aposta? Grande TRU-BIN!!! Olha, queriam que fosse repetido, ahahah!
20 na área deles cai o Schjelderup, houve contacto, se fosse o Trincão era penálti, vale a aposta? A Sporttv não repete?
24 Ota mais uma vez nas alturas, bola na mão do japa deles, está de costas, temos pena, isto é penálti, o Pinheiro marcou penálti, claro, nem é preciso VAR! Não está Pavlidis, é o SCHJEL-DE-RUP!!! Um-zero.
30 ui, ui, ui, que o Diomande ia fazendo um autogolo. Que pena!
31 e agora não há toque no calcanhar do Ivanovic? Há VAR para este lance? Não? E o Hjulmand não pára de pressionar o Pinheiro desde o primeiro minuto!
35 estamos a pressioná-los muito bem, a condicionar a saída de bola deles.
36 o Pinheiro amarelou o Hjulman, ena, aguentou 36 minutos!
37 o Maxi Araújo tem tanto de bom jogador como de mau caráter.
44 Trincão caiu sozinho fora da área, escorregou, rematou ao lado, o Hjulmand não pede penálti?
45 + 4 boa primeira parte do Glorioso, a pressionar no sítio certo, a não os deixar sair como gostam, a não nos deixarmos acantonar lá trás.
49 muito obrigado ao poste dreito da nossa baliza que acabou de evitar o empate deles com o Trubin completamente batido.
52 ó Schjelderup! Como é que deixas o redes deles defender este golo mais do que cantadíssimo? Isto tinha que ser o dois-zero, crl!
59 porra, Schjelderup, se estivesses em dia de mira afinada estes três pontos já eram nossos. Agora foi prá malha lateral.
64 bem, agora vi esta bola do japa deles lá dentro, tirou tinta ao poste
67 acabou de sair o Pedro Gonçalves, gostava que ficasse, está em momento de forma zero, só manda vir, mais nada.
70 o Mourinho que mexa na equipa! Estamos a ir abaixo.
72 tanto jogador nosso na área, uns seis ou sete mais o Trubin, como é que o japa cabeceia assim tão fácil, sozinho? Um-um.
75 pisão no Prestianni, não se passa nada, o apitador em cima do lance, não se passa nada
81 ó Barreiro, não me fodas, como perdes este golo, esta trivela de morte do Luke? Assim é impossível ganhar jogos, porra.
83 Lukebakio a fazer gato-sapato do mau caráter outra vez, entrou bem no jogo.
90 mais 5 para metermos um golo.
90 + 1 fora de jogo, golo deles anulado, repetição confirma, siga!
90 + 2 gooooooooloooooooooooo!!! RA-FAAAAAAAA!!! Lindooooooooo!
90 + 6 já está!!! Justo, justíssimo, três pontos para continuar na luta pelo segundo lugar, carrega!!!"
Num dérbi de emoções, o Benfica deu ao Sporting novas lutas com que se preocupar
"Quando o empate já parecia consumado, um último lance de raro brilho deu ao Benfica a vitória em Alvalade por 2-1, afastando o Sporting na luta pelo título e deixando a equipa de Rui Borges com uma nova batalha em mãos: a de proteger a vice-liderança, perdida agora para os encarnados
Até aos derradeiros momentos do jogo, o Sporting-Benfica soou a jogo que ninguém ia ganhar e em que, por isso, toda a gente ia perder. Um último esforço coletivo encarnado já nos descontos, pelo corredor central, num lance rápido mas sem oposição, mudaria a narrativa que já se tricotava, num dérbi ao qual não faltou a emoção das equipas à beira de um ataque de nervos.
A vitória por 2-1 em casa do rival significa que o Benfica ainda respira o ar do 2º lugar, que agora é seu, ainda que à condição. Para o Sporting, se o empate já era uma machadada forte nas esperanças do título, a derrota tornou-se um berbicacho ainda maior: não só o tricampeonato parece agora mais longe como, de supetão, a vice-liderança torna-se numa inesperada luta. A reta final do campeonato não será para cardíacos.
José Mourinho inovou ao chamar Ivanovic à titularidade. Terá pesado a quebra de forma de Pavlidis, mas surpreenderá tamanha mostra de confiança num jogador que nunca a teve por parte do técnico português. Do outro lado, e por falar em confiança, é Vagiannidis que a vai perdendo. Sem Fresneda, Rui Borges voltou a escolher Eduardo Quaresma para o lado direito da defesa, tal como em Londres a meio da semana.
Surpresas não teve o início do jogo, numa abordagem de muita pressão por parte das duas equipas, a provocar erros mútuos. A vantagem numérica a meio-campo do Benfica, com Aursnes, Ríos e Barreiro para limitar Morita e Hjulmand, não resultava em superioridade real: Diomande ia assumindo a dupla função, em cima de Barreiro para equilibrar as dinâmicas do jogo.
Ainda assim, o jogo não estava amarrado, bem pelo contrário. Estava confuso, sim, mas vivo. Do lado do Sporting, Geny Catamo ia ameaçando nova exibição cintilante, algo que não desdenha contra o Benfica. Nos primeiros minutos foi daquele lado direito que foram saindo alguns dos momentos de maior perigo. Aos 5’, num trabalho individual depois de uma bola que o Sporting ganhou ainda em zonas altas, o moçambicano quase enganava Trubin, obrigado o ucraniano a defesa pouco ortodoxa, só com uma mão, depois do remate do extremo ainda desviar num adversário. A trajetória estranha levaria a bola até à barra. No canto, novo duelo entre Geny e Trubin, com vantagem outra vez para o guarda-redes, atento ao remate de meia-distância.
Do outro lado, seria a cabeça de Otamendi a provocar calafrios na baliza do Sporting, bem guardada por Rui Silva. Findos os primeiros 10 minutos, os leões pareciam querer crescer. Quando Aursnes pisou Trincão na área, essa pequena superioridade ameaçava tornar-se em vantagem.
Seguiu-se então um daqueles momentos altamente karmáticos, que o Sporting até conhece bem. Não foi um Bojinov vs. Matias Fernández, é certo, mas as câmaras captaram gulosamente o desconforto de Pote quando percebeu que Suárez se havia apoderado da bola para marcar o penálti. O colombiano, pressionado pelo momento, pelas leis indeléveis daquilo que não se consegue explicar - mas que tem um peso verdadeiro -, rematou frouxo para o lado esquerdo de Trubin.
Não falharia do mesmo ponto a 11 metros da baliza Schjelderup, poucos minutos depois, como se a sina do Sporting tivesse um cruel epílogo. Com o Benfica em vantagem, o jogo mudou porque em vantagem José Mourinho encurtou o espaço entre as bem definidas duas primeiras linhas, recuadas tanto quanto possível. O Sporting, perante a história do jogo, deixou-se domar pelos nervos: a sua dinâmica de ataque, tantas vezes rica em soluções, pareceu perdida face a muros tão juntinhos.
Pote era um aparente oásis entre tantas dificuldades, tal a fineza da sua técnica. Encontrou espaço, sabe-se lá como, entre o mar de pernas encarnadas já nos primeiro minutos da 2ª parte, rematando de pé direito ao poste. Do lado de lá, a Schjelderup era dada demasiada liberdade, com o norueguês a criar perigo aos 52’, quando uma péssima receção de Ivanovic se transformou, lavoisieramente, numa excelente assistência. O remate foi bem travado por Rui Silva.
A necessitar de fazer algo para não perder o jogo, Rui Borges lançou Debast e Vagiannidis, depois tirou Pote, a apresentar alguns sinais de desgaste mas, ainda assim, o mais perigoso do Sporting. A aposta em Debast e nos seus pés surtiria efeito: foi do belga que partiu o cruzamento perfeito que surpreendeu as costas da demasiado alinhada defesa do Benfica, com a entrada levitante de Morita, em cima de Dedic, a dar o empate ao Sporting.
Seria então a vez de Mourinho, até então confortável, mexer, renovando toda a frente de ataque com a entrada de Pavlidis, Rafa e Lukebakio. António Silva iria também no pack, para substituir o lesionado Tomás Araújo. Numa fase crítica de um jogo que ninguém se podia dar ao luxo de perder - mas que também tinham de ganhar -, o Benfica embalou aqui para novo ímpeto. Barreiro ainda estará a questionar-se como desperdiçou, aos 82’, a trivela perfeita que Lukebakio lhe ofereceu e que encontrou o luxemburguês esquecido na esquerda.
Mas foi precisamente nesse espaço que Barreiro seria essencial para a vitória do Benfica.
Já depois de novo período de maior preponderância do Sporting, num jogo nunca controlado por qualquer uma das equipas e sempre de grande emoção - o que tem sido raro em clássicos e dérbis -, um grande momento do corredor central do Benfica, numa sequência de passes entre Aursnes, Richard Ríos e Barreiro, deixou Rafa isolado perante Rui Silva. Mesmo pressionado, o antigo internacional português conseguiu rematar, já em queda, definindo ali mesmo o resultado do encontro e uma mudança na tabela. O Benfica é agora 2º na I Liga, ainda que com mais um jogo que os leões, que só acertam calendário no dia 29, frente ao Tondela. E agora bem mais pressionados.
Em tempos, Rui Borges afirmou que não seriam os jogos grandes, onde o seu score vai sofrendo, a definir o campeonato. O Sporting terminará esta liga sem ganhar qualquer jogo a FC Porto, Benfica e SC Braga. Talvez queria rever a sua posição."
Aursnes abriu as portas, Trubin fechou-as e Rafa escancarou-as
"José Mourinho diz que com o norueguês a música é outra e tem toda a razão. Ucraniano com um momento para mais tarde recordar ao defender o penálti e a entrada do internacional português mesmo ali na fase final do encontro foi crucial para a vitória
O melhor em campo: Aursnes (8)
O norueguês sabe tudo e mais alguma coisa do jogo em termos estratégicos e comprovou-o de novo, como se ainda existissem dúvidas. Mourinho lamentou a ausência do 8 e chegou a dizer que com ele a música é outra e tal deve-se ao facto do escandinavo ter os compassos, saber tocar todos os instrumentos e ainda ter fôlego suficiente para compensar quando algum dos companheiros falha uma 'nota'. Só ficou com a pequena falha de ter cometido penálti sobre Trincão, mas como Trubin defendeu o remate de Luis Suárez acabou por ser um mal menor. E o esquerdino dos leões até se pode 'queixar' do que lhe fez a partir daí, nunca permitindo que se libertasse em demasia. De resto, se para se chegar a uma vitória tem de se abrir várias portas, foi isso mesmo que Aursnes fez. Ah, e desbloqueou na jogada para o segundo golo.
Trubin (8) — Ainda o jogo tinha acabado de despertar e já o ucraniano, embora de forma pouco ortodoxa, tinha feito uma defesa dificuldade a remate de Geny depois da bola ter desviado num companheiro. Ainda titubeou um pouco pelo meio até que teve «aquele momento para mais tarde recordar» quando travou o remate de Luis Suárez no penálti. Momento gigante para qualquer guarda-redes ainda para mais num dérbi que é sempre eterno. Portanto, se Aursnes abriu várias portas, Trubin fechou-as.
Dedic (5) — Não teve a propensão ofensiva de outros encontros o que se percebe porque Mourinho tentou ao máximo bloquear o lado esquerdo do ataque leonino, uma vez que se Pote tem estado desinspirado, Maxi Araújo é sempre uma mota de alta cilindrada. No lance do golo do Sporting, distraiu-se com Morita e o japonês marcou.
Tomás Araújo (6) — Para quem esteve algum tempo parado devido a lesão muscular não se notou por aí além e até teve um corte fantástico a uma incursão de Luis Suárez (66’). É, de longe, o central mais rápido dos encarnados e o jeito que isso dá frente a uma equipa que aposta muito nas diagonais curtas para ganhar amplitude em espaço reduzido.
Otamendi (7) — Foi o primeiro a deixar os adeptos do Benfica com o grito de golo prestes a sair das gargantas (8’) quando num remate de cabeça muito bem colocado obrigou Rui Silva a uma enormíssima defesa. Isto foi no ataque, e cá atrás foi gigante. Por esta hora, Luis Suárez ainda estará a tentar sair-lhe do bolso. E convém não esquecer que é dele o cabeceamento que levou Morita a cometer penálti.
Dahl (6) — Geny Catamo decidiu na fase inicial da partida deixar a cabeça do sueco em água mas até ao intervalo foi-se recompondo. Sem nunca atingir uma bitola muito elevada, fez um jogo de menos a mais.
Richard
Ríos (6) — Muito rotativo a meio-campo mas continua a denotar dificuldades quando os jogos estão mais fechados. Quando este se abriu, já na fase final, foi como se tivesse recebido um cheque de milhões. Com o campo com as vistas mais alargadas, participou na jogada do segundo golo.
Prestianni (6) — Muito dinâmico, sobretudo na primeira parte, começando na direita mas em algumas ocasiões derivando ao flanco contrário para desbloquear a defesa contrária. E no processo defensivo deu uma boa ajuda.
Leandro Barreiro (6) — Importante na primeira fase de pressão à construção do adversário, obrigando sobretudo Gonçalo Inácio a falhar muitos passes. Parece ter quatro pulmões mas a avaliação fica um pouquinho mais baixa porque falhou um golo cantado (82’) a passe de Lukebakio. Porém, ainda deu contributo para o segundo golo.
Schjelderup (8) — Frieza nórdica na conversão da grande penalidade quando o momento estava efervescente. Sempre em altíssima rotação, ainda assinou um cruzamento que por pouco não redundou em autogolo de Diomande (31’) e já na segunda parte poderia ter colocado a vantagem encarnada num mais confortável 2-0 quando fez enorme sprint e rematou cruzado (52’) mas Rui Silva fez uma parada fantástica e o impediu de festejar outra vez. Ainda executou mais um remate perigoso, antes de sair completamente esgotado, percebendo-se perfeitamente porquê.
Ivanovic (6) — Sem qualquer margem para dúvida que foi a grande surpresa preparada por Mourinho para o onze, na sequência do mau momento de Pavlidis. O croata, como se diz na gíria, é um armário, mas com rodas porque tem mobilidade. Não se furta ao choque e salta sempre da pressão à primeira linha de construção contrária. Não dispôs de grandes oportunidades de marcar mas nunca se resignou.
Pavlidis (6) — A seca de golos resultou numa ida para o banco mas quando entrou em campo ainda deu de beber à águia ao participar no lance do segundo golo. Pouco? Muito? O suficiente.
Lukebakio (6) — O belga tem uma forma demasiado individual de abordar o jogo mas a verdade é que despertou um ataque que estava algo amorfo. Pela frente teve o raçudo Maxi Araújo mas não se escondeu.
Rafa (8) — Andavam muitos benfiquistas a mal dizer da contratação do extremo mas desta vez tiveram de engolir as palavras, pois foi o internacional português que decidiu um jogo que — adiante se verá — poderá ser decisivo para chegar aos milhões da Champions.
António Silva (5) — Controlou bem os movimentos contrários.
Enzo (-)"
Mourinho foi ao banco e acabou a bater no peito
"Foi um dérbi de confirmações e que permitiu ao Benfica ultrapassar o rival. Leões têm menos um jogo, mas a luta, agora, é pelo segundo lugar, porque as probabilidades jogam todas a favor do dragão.
José Mourinho terminou o dérbi a apontar para as iniciais que traz ao peito e com três pontos que deixam o Benfica à frente do Sporting. Também deixa o FC Porto com maior probabilidade de ser campeão. O leão tem menos um jogo é verdade, mas terá desperdiçado a derradeira ocasião para um tricampeonato sonhado e, agora, tem de fazer contas aos milhões da Champions, aqueles que o segundo lugar dá acesso.
Este dérbi confirmou várias coisas: o treinador do Benfica nunca tinha perdido frente ao Sporting, o Benfica nunca tinha perdido no campeonato e o Sporting marca sempre. Tudo verdade, num jogo em que ambos os lados podem reclamar ocasiões desperdiçadas e superioridade, porque, de facto, ela foi mudando consoante acontecimentos. No final, não deixa de ser uma ironia que Mourinho, tão crítico tem sido do plantel, tenha ido ao banco buscar Lukebakio, Rafa e Pavlidis para refrescar o ataque. As diferenças para o banco leonino foram evidentes e ditaram o resultado.
Pode dizer-se que o golo de Schjelderup 'estragou' o dérbi. Até ao minuto 27, o jogo foi interessante, sem ser daqueles que estava a ficar na memória coletiva. O leão apresentou-se como esperado, o Benfica de forma surpreendente, por uma gestão que Mourinho não tem feito até aqui. A estrutura, porém, era a habitual, e foi o leão quem primeiro assustou, com Trubin a ser obrigado a uma defesa estranha para a barra.
A esse lance seguiu-se outro de Catamo e o Benfica respondeu quase de modo igual. Aliás, leões e águias equivaleram-se em quase tudo até aos 27 minutos. Em remates perigosos e em penáltis. A diferença, claro está, foi que Schjelderup bateu Rui Silva e Trubin 'bateu' Luis Suárez. Em jogo jogado, o empate parecia acertado, mas como a eficácia faz parte do futebol, o Benfica saiu por cima ao intervalo, porque entre os 27 e os 45 o Sporting teve bola, mas não se passou praticamente nada até que Trincão rematou ao lado e mandou todos para o descanso.
Altura, portanto, para perceber que o Benfica equilibrou os pratos da balança a partir do momento em que Fredrik Aursnes foi titular naquele meio-campo, o que permitiu que Barreiro ajudasse Ivanovic na pressão à defesa leonina para ganhar bola e fazer transição rápida.
O dérbi foi mais dérbi no início do segundo tempo, altura em que Pote atirou ao poste e Schjelderup teve ocasiões para 2-0. Momentos em que não houve controlo do encontro, até que Rui Borges começou as trocas e o Sporting assumiu mais posse, em busca do 1-1. O golo chegou num belíssimo cruzamento de Debast, mas quando se pensava que o leão, campeão em título, se ia atirar ao rival, Mourinho foi ao banco, trouxe um quarteto para campo - António Silva por lesão de Tomás Araújo - e a energia mudou de lado.
Ainda que sem uma superioridade tremenda, o Benfica subiu um patamar. Lukebakio pode só fazer uma coisa, mas a que faz, por norma, faz diferença. Os encarnados cresceram e numa dessas iniciativas o belga deixou Barreiro com vista para o 2-1: o luxemburguês atirou para a bancada.
Rui Borges também percebeu os níveis de desgaste, voltou a fazer trocas e quase era feliz: Bragança rematou ao lado e Nel celebrou um golo que não valeu. Depois, na melhor jogada do encontro, Rafa Silva concluiu para o 2-1, no melhor momento desde que voltou à Luz. Um golo celebrado na bancada vermelha de Alvalade e em todo o Estádio do Dragão."
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