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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Descubram as diferenças

Na UEFA os Italianos lideram a arbitragem... recordo-me bem dos nossos últimos 4 jogos contra o Inter!!!

3x4x3


Segunda Bola


AA9: I Can't Believe This Is Happening...

Rabona: The Match-Fixing Scandal That COULD Destroy Serie A

Open Goal: Derby...

No Princípio Era a Bola - O FC Porto está lançado para ser campeão, o Sporting vai no limite do cansaço e será que Ivanović...

Pre-Bet Show #181 - CAMPEÃO À VISTA E UMA LUTA ACESA PELO SEGUNDO LUGAR 🔥

O Resto é Bola #49 - O escândalo na Taça e no AVS-Sporting, o caso Lukebakio e FC Porto com licença para festejar ⚽️

Jogo Pelo Jogo - S03E38 - AFS avia Sporting

Renascença: Bola Branca - Tertúlia - "Não era ego, era lego": já cheira a título (e ainda o gigante que não tombou)

TNT - Melhor Futebol do Mundo

Rabona: The WARNING that Barcelona Chose to Ignore...

SportTV: NBA - S04E29 - O Shai é de vidro? 😬

Bélgica: Michel Preud’homme, o santo que fechava balizas


"Quando chegou ao Benfica já trazia consigo o peso de uma carreira feita de grandes noites e defesas impossíveis. O Mundial de 1994 foi o momento que o colocou definitivamente no mapa do futebol mundial.

Quem é adepto de futebol e viveu o verão de 1994 com a televisão colada aos olhos sabe a resposta para a pergunta de queijinho: “Qual o guarda‑redes que terminou um Mundial a tentar marcar golo no último suspiro?” O protagonista desse momento icónico foi um gigante de reflexos, serenidade e elasticidade - mais do que em tamanho (1,80m) -, chamado Michel Preud’homme, o belga de olhos azuis e caracóis compridos, que parecia ter íman nas mãos e, por vezes, se aventurava para lá da grande área com uma calma enervante.
A figura de Preud’homme, hoje vice-presidente do Standard Liège, tem algo de paradoxal: um homem de modos suaves, quase aristocráticos, muito reservado no que à vida pessoal diz respeito, que defendia balizas como se estivesse a proteger um tesouro de família. Não foi por acaso que ganhou a alcunha de “Saint Michel”, que se lhe colou à pele em Portugal.
O guarda-redes belga começou no Standard Liège com apenas 10 anos, onde subiu todos os degraus até chegar à equipa principal e tornou-se bicampeão nacional, no início dos anos 80. Porém, foi no KV Mechelen que viveu o capítulo mais improvável da carreira: a conquista da Taça das Taças em 1987/88, vencendo o Ajax por 1-0, um feito que ainda permanece como um dos momentos mais surpreendentes da história recente do futebol belga. No ano seguinte, viria a conquistar a Supertaça Europeia também com o Malines (Mechelen).
Herdeiro de Jean-Marie Pfaff na baliza da Bélgica, Preud’homme já contava com 35 anos quando iniciou a caminhada no Benfica após o Mundial de 1994, numa relação que começou com alguma desconfiança da parte dos adeptos encarnados, devido à idade, mas que terminou numa devoção mútua. O belga nunca escondeu a mágoa de não ter sido campeão pelos encarnados. A Taça de Portugal de 1995/96 foi o único troféu que levantou de águia ao peito, mas o suficiente para cimentar o estatuto de ídolo, tornando-se até hoje um dos guarda‑redes mais acarinhados da história do clube.
Há talvez um outro capítulo, próximo do fim da ligação ao Benfica, que lhe tenha ficado atravessado: em 1996, com 37 anos, recebeu uma chamada inesperada. Do outro lado da linha estava Fabio Capello, recém‑chegado ao Real Madrid, pronto a levá‑lo para o Santiago Bernabéu. Preud’homme recordaria mais tarde que o Real lhe ofereceu três anos de contrato, mas o Benfica travou a saída: “Se não conseguirmos trazer um grande nome, os sócios matam‑nos”, disseram‑lhe. Tentaram contratar José Luis Chilavert. Se o paraguaio chegasse, Preud’homme seguiria para Madrid.
Não aconteceu e o Real acabou por contratar Bodo Illgner, que se tornou campeão espanhol e europeu logo na época seguinte. “Imaginem se eu tivesse ido…”, confessou Michel Preud’homme numa entrevista ao Yahoo.
Quando terminou a carreira de guarda-redes, em 1999, após uma época em que disputou o lugar com Sergey Ovchinnikov, ficou ainda ano e meio como dirigente do Benfica. A seguir enveredou por uma carreira de treinador no Standard Liège, mas passou também por clubes como o Gent, Twente, Al‑Shabab e Club Brugge, tendo conquistado títulos em vários países e consolidando a reputação de técnico metódico e eficaz. Mais tarde, voltou ao Standard como vice‑presidente e diretor desportivo, cargo que continuou a desempenhar mesmo após abandonar o banco. Atualmente, permanece ligado ao clube como figura institucional, mantendo-se uma referência viva do futebol belga.

O Mundial que o transformou em mito
O Mundial de 1994 foi o palco onde se tornou lenda global. As suas defesas contra Marrocos, Holanda e Alemanha foram tão extraordinárias que lhe valeram a primeira edição do Prémio Lev Yashin, atribuído ao melhor guarda‑redes do torneio. Foi precisamente nesse mesmo Mundial que protagonizou um dos momentos mais caricatos, embora menos lembrados: já nos instantes finais da eliminação frente à Alemanha, Preud’homme avançou até à área contrária para tentar marcar o golo do empate. Um guarda‑redes transformado em avançado desesperado, numa imagem que ficou gravada na memória de quem viu.
Mas nem todo o percurso foi perfeito. A carreira de Preud’homme também teve sombras. Em 1984, foi suspenso por seis meses devido ao escândalo de corrupção relacionado com o jogo Standard-Waterschei de 1982, um episódio que raramente surge nas memórias mais românticas, mas que faz parte da sua trajetória.
Ainda assim, nada disso belisca o essencial: Preud’homme foi um guarda‑redes de técnica impecável, reflexos sobrenaturais e uma serenidade que desconcertava avançados. Parou remates de Van Basten, Klinsmann, Lineker ou Bergkamp como quem apaga velas num bolo de aniversário.
Hoje continua a ser visto como um dos maiores guarda‑redes de sempre e, para muitos, o maior da história da Bélgica. Um “santo” sem altar, que fechava ângulos impossíveis e que, por vezes, se aventurava a tentar o impossível do outro lado do campo."

Brasil: Romário, o baixinho que hibernava no frio e tem medo de chihuahua


"A crista de Romário é igual ou maior ao rasto da sua incrível carreira. O avançado que se picava com Pelé, barricava em casa em Eindhoven quando a temperatura ia aos negativos ou pedia a Johan Cruijff dias de folga em Barcelona para ir ao Carnaval foi o goleador do Mundial de 1994, que conquistou com o Brasil. Após a vitória, ainda nem 30 anos tinha, quis regressar ao calor do Rio de Janeiro, onde hoje é político.

Há futebolistas do diz-que-disse, fãs de terem reputação antes de a justificarem. Depois há Romário, o construtor da própria fama. O ‘baixinho’ de alcunha corria de peito para fora, mexia-se com pernas arqueadas e falava barato por cobrar caro se duvidassem dele, hábito nutrido desde cedo. Aos 22 anos, já eriçado o seu pêlo na venta, fez capa da “Placar” com uma destemida premonição: “Garanto que ainda vou impressionar muita gente. Vou fazer 1000 golos.” Promessa arriscada, por todos os motivos e mais alguns, especialmente porque no Brasil mil festejos só o Rei Pelé.
O aviso apareceu em 1988, era o brasileiro um moleque do Vasco da Gama. Em 2007, a mesma revista soprou 45 velas e pô-lo em manchete, ornado com a mesma camisola do mesmo clube carioca e titulado com uma frase mais arrojada do que o próprio era de feitio: “Romário maior que Pelé.” O destaque tinha justificação, o jogador estava prestes a tornar-se milenar nos festejos.
Entre a lenda que construiu e a crista que exibe, qual delas a maior em Romário. Nas redondezas do milénio em golos, o único humano a ganhar três Mundiais ousou recomendar-lhe a ponderação da reforma, deixar as chuteiras em paz. Já era quarentão, o seu rasto bem vincado no futebol, tinha dado pontapés na bola em Espanha, nos EUA, Países Baixos e na Austrália, mas Romário não encaixou a ousadia. “Pelé calado é um poeta”, respondeu, sem timidez em alfinetar o ícone que apesar da língua afiada, respeitava. Quando Zico, outra viga da bola brasileira, sobre ele falou, desmereceu-o através da estima ao ‘Rei’, dizendo “só vejo o Pelé na minha frente” no panteão do futebol com samba.
Lá Romário é um inquilino inamovível. Nascido em Jacarézinho, favela na órbita norte do Rio de Janeiro, o Vasco da Gama cedo pescou a fina técnica do filho de um tingidor de uma fábrica de tintas, seu Edevair, como os brasileiros se referem ao pai, este um pedreiro nas horas vagas para o dinheiro cobrir as idas dos filhos aos treinos de futebol. Mas Romário tinha outro: “Quando eu nasci, o papai do céu olhou para mim e disse: ‘Ele é o cara.’” O progenitor terreno ensinou-lhe cinco mandamentos, não beber vinho nem usar drogas entre eles, travessuras que jurou nunca ter cometido enquanto jogava.
Estas coisas disse-as ao “Players’ Tribune”, o site berço de relatos de vida na primeira pessoa de futebolistas. Bastaria copiar e colar essa auto-biografia assinada por Romário, alérgica a filtros, ébria em histórias caricatas, para se ficar com uma fidedigna ideia da sua figura. De quem ele foi e ainda é.
Tinha acordos com clubes para sair à noite (não nunca, mas quase nunca na véspera de um jogo) e não treinar de manhã. Uma vez, após “resolver” abdicar uma partida do Fluminense para desfrutar de um dia na praia, mudou de ideias, chegou ao balneário ainda com areia nos pés, o treinador foi súbdito, pô-lo a titular, logo alguém teve de sair da equipa e assim privou a família de Marcelo, vindouro craque do Real Madrid, em peso no estádio, de o ver estrear-se pelo clube.
A sua confiança era intergalática - “se é impossível de eu finalizar, passo a bola para outra pessoa; se é quase impossível, eu tento finalizar; essa é a lógica: se eu não conseguir, outro companheiro com certeza não vai conseguir”. Ele era jocoso com as críticas - “Egoísta? Claro que não, cara; se eu marcar um golo, eu ganho, e meu time ganha também; é isso”. E quem lidou com o ‘baixinho’ tinha de ter poder de encaixe, aprendeu a lição Carlos Alberto Parreira, então selecionador do Brasil. Desentendido com Romário, exilando-o por quase um ano da seleção, chamou-o de volta quando a equipa estava em apuros para chegar ao Mundial de 1994.
O melhor é deixá-lo contar, ipsis verbis: “Tiveram que me chamar de volta. E eu não senti a pressão. Eu tava lá pra me divertir, sabe? Pra mostrar para aqueles filhos da p*** da comissão técnica que eles deveriam ter me convocado bem antes. “Pô, quando acabar, eu vou esculachar esses m*****.” Era mais ou menos isso. Pode perguntar a qualquer pessoa que esteve no Maracanã e ela dirá que talvez tenha sido o jogo mais foda que um jogador de futebol já fez, principalmente com a camisa da seleção. Em uma escala de 1 a 10, eu levei 11.”
No último jogo da qualificação, o vai-ou-racha, marcou dois golos ao Uruguai.
Foi impossível o avançado não ir ao seu Campeonato do Mundo, nos EUA, onde fez a mãe, Dona Lita, atirar uma garrafa de vidro ao chão por cada um dos cinco golos do filho, hábito acopolado ao folclore futebolístico do Brasil que conquistou o tetra no torneio. Não esteve em 1998, traído por uma lesão demasiado perto da prova. E hoje não pode ouvir falar em Felipão por o ter ignorado em 2002. A supremacia de Romário ficou reservada a 1994, pendurada ao lado do festejo de embalar um bebé coreografado com Mazinho e Bebeto, colega de ataque que anos depois, em Espanha, diriam ser a melhor arma de provocação: ai de quem sugerrisse ser melhor do que Romário.

Fica com a 10, ordenou Cruijff
Jogaria assim-assim no Valencia, só depois do ano e meio espetacular em Barcelona (39 golos em 65 partidas), na frente da dream team do meticuloso Johan Cruijff, exigente por regra à exceção de com Romário, elogioso da sua “excelência” enquanto jogador “tecnicamente quase perfeito”, disse-o à “Folha de São Paulo” já o avançado se tinha pirado para o calor do Rio, acalorado por ser campeão mundial e redutor do lume da sua ambição. Cruijff obrigou-o a abdicar do número 11, o seu preferido, para vestir o 10 - “na minha equipa, o melhor joga com a 10”, disse-lhe o holandês. Diria mais tarde ter sido o melhor que treinou. E uma das melhores histórias do brasileiro aconteceu lá, com ele.
Os relatos divergem, mas, sendo mais ou menos verdade, Terá sido assim: Romário queria ir ao Carnaval do Rio de Janeiro, comprou o bilhete de avião e pediu a Johan dois ou três dias de folga extra porque a viagem calhava em dia de jogo; o treinador assentiu, mas com a condição de o avançado compensar com dois golos na primeira parte; o brasileiro marcou três, ao segundo já fazia sinais na direção do banco, para Cruijff o substituir.
Tantas são as histórias, tão rocambolescas, que sozinhas caricaturam Romário, senador pelo Rio de Janeiro, hoje a pular entre Brasília e o futevólei em Copacabana, candidato recente a governador da cidade que continua linda ao contrário da estima que terá por Eindhoven, onde contou cinco anos no PSV (128 golos em 144 encontros), arisco ao frio. “Cara, chegou a –17 graus uma vez. Dezessete!! Como alguém ia me criticar por não treinar? Uma vez, passei três dias sem sair de casa. Os caras ficaram preocupados comigo. Eles bateram na minha porta e eu não atendi. Tava hibernando, parceiro!!”, relatou, tão ao seu jeito, no “Players’ Tribune”.
Senhor sem medos aparentes, só um deixou escapar, inusitado como Romário é, receoso de cães pequenos por uma vez, em adolescente, “dois vira-latas e um pequinês” terem “avançado” na sua direção. As cristas murcham, a dele sucumbe perante a raça chihuahua. De novo, parafrasear o original não faz juz. Como Romário dificilmente haverá sucessor, o melhor é citá-lo: “Eu respeito os cachorros. Nunca vou fazer mal a eles. Mas tenho pavor. E detalhe: quanto menor o cachorro, mais medo eu tenho. Um pastor alemão? Eu consigo conviver. Mas um Chihuahua? P*** que pariu, me arrebenta…”"

África do Sul: Tshabalala, o dançarino por quem as vuvuzelas tocaram


"Siphiwe Tshabalala foi herói por um dia quando marcou o golo inaugural do Mundial 2010, um remate fulminante que esteve nomeado para o Prémio Puskás. Figura exótica de um torneio que mais parecia uma bomba sensorial, fez a carreira quase toda na África do Sul, razão pela qual nunca mais tivemos notícias desta personagem icónica.

A dois dias do jogo inaugural do Mundial 2010, o primeiro realizado no continente africano, a seleção anfitriã encontrava-se num autocarro panorâmico a acenar às 200 mil pessoas que estavam nas ruas de Joanesburgo numa festa que se espalhou por toda a parte, como se a pessoa responsável pelos convites não tivesse especificado a localização exata do evento. Carlos Alberto Parreira, o brasileiro que treinava a África do Sul, entrou em desespero quando soube do plano que tinha sido preparado sem o seu conhecimento e vociferou com os responsáveis.
O selecionador tinha uma grande desvantagem na preservação do profissionalismo da equipa: os jogadores queriam estar presentes. Foi preciso encontrar um meio-termo e escolheu-se uma espécie de comissão de farra. Alguns jogadores foram, outros ficaram. Siphiwe Tshabalala embarcou no périplo, desdobrando-se em saudações papais. De herói local, rapidamente se tornou ícone internacional.
As cores por todo o lado, os zumbidos das vuvuzelas, o “Waka Waka”. O Mundial 2010 foi toda uma bomba sensorial. A textura das memórias torna-as ainda mais inesquecíveis. Houve o golo de Andrés Iniesta na final, mas houve também a apresentação deste utilizador de um apelido musical e de longas tranças amarradas, figurino exótico adequado para o embaixador a posteriori da competição.
Tshabalala passou a véspera da estreia, contra o México, a ver “Invictus“, inspirando-se no filme que retrata o papel unificador da seleção de râguebi no pós-apartheid durante o Mundial de 1995. Chegado o jogo inaugural, marcou o primeiro golo do torneio, um dos pontapés mais gloriosos que a Jabulani levou. A bola saiu cruzada e ao ângulo da baliza, direitinha para uma nomeação ao Prémio Puskás. O espírito boémio saiu logo da toca.
O festejo coreografado foi tão memorável como aquilo que o motivou. “Golo da África do Sul. Golo de toda a África”, narrava a transmissão inglesa enquanto os Bafana Bafana dançavam sem garfos na barriga ao som dos instrumentos de sopro com efeito de enxame.
‘Shabba‘ foi herói por um dia. O momento marcante não teve repercussão no desempenho global da África do Sul, que se deixaria empatar. Seguir-se-ia uma derrota frente ao Uruguai e uma inócua vitória diante da França. Pela primeira vez, o país anfitrião foi eliminado na fase de grupos. Em 2022, o Catar repetiu o feito.
A carreia de Tshabalala também não atingiu dimensão similar ao feito. Quando começou a fazer parte da seleção ainda jogava na segunda divisão do futebol sul-africano. Disputou o Mundial 2010 já como jogador do Kaizer Chiefs, clube quatro vezes campeão do país, mas distante do poderio do Mamelodi Sundowns. Ficou nessa equipa com nome de banda britânica durante 11 anos sem que o salto chegasse.
Em 2018, mudou-se para o BB Erzurumspor, da Turquia, na única época no estrangeiro. Apesar de não ter feito nenhum anúncio oficial quanto ao final da carreira e, aos 41 anos, recusar apresentar-se como jogador reformado nas aparições públicas, Tshabalala não joga desde 2021.
Tal como em 2010, o jogo inaugural do Mundial 2026 também será um México-África do Sul, um cruzamento que, no passado, levou ao nascimento de uma personagem mítica. Há 16 anos que os Bafana Bafana não estão presentes na competição."

O momento Aursnes em Alvalade


"1. O último dérbi teve o seu momento inesquecível. Um dérbi, qualquer dérbi, é uma soma de muitos momentos. A escolha do momento dos momentos de um dérbi é uma prerrogativa de cada um de nós. Uns escolherão uma situação com que vibraram especialmente, outros escolherão outra que mais lhe agradará recordar pela vida fora. É também para isto que os dérbis servem, para o compêndio das memórias individuais.

2. Falando por mim, o momento inesquecível do último dérbi não foi o golo de Rafa, que nos deu a vitória, nem foi a vitória propriamente dita. O Benfica nasceu para ganhar. Ganhar ao rival mais antigo é sempre uma beleza, e ganhar ao rival mais antigo na sua própria casa é de inquestionável beleza, sobre isto nem há discussão.

3. No entanto, vencer o Sporting no recinto do Sporting, por muito que seja um motivo de regozijo, não é assim um feito de uma enorme raridade. Daqueles feitos que acontecem muito esporadicamente e que justificam festejos extraordinários.

4. O dérbi do último domingo foi o 92.º Sporting-Benfica jogado para o Campeonato na casa do Sporting e foi a 35.ª vitória do Benfica, que igualou o número de vitórias do Sporting sobre o Benfica. O resto são empates.

5. Ou seja, na qualidade de visitante, o Benfica é o pior adversário com que o Sporting pode sonhar na Liga nacional. Não deixa de ser curioso o Benfica ter atingido estes números no domingo, tendo em conta que uma claque do Sporting aproveitou a visita da nossa equipa a Alvalade para desfraldar um pano com os dizeres “nós somos o vosso maior pesadelo”, quando, na realidade, passa-se exatamente o contrário.

6. Voltemos ao que foi, no meu entender, o momento inesquecível deste último dérbi. Ocorreu ao minuto 35 da primeira parte, quando o árbitro da partida mostrou o cartão amarelo ao capitão da equipa da casa, o dinamarquês Hjulmand. Lembram-se? É natural que se lembrem, até por ser uma raridade vermos Hjulmand a ver um cartão amarelo. Mas viu e foi-lhe muito bem aplicado. O jogador, surpreendido, reagiu à punição, erguendo os braços e gesticulando teatralmente durante alguns segundos, ou para provar a sua inocência ou para provar o seu desacordo, vá lá saber-se…

7. O nosso Fredrik Aursnes a tudo assistiu a curta distância e não resistiu a fazer uma imitação perfeita do esbracejar do capitão do Sporting, reproduzindo-lhe os gestos e a cadência. Foi perfeito. E pronto, será este o meu momento inesquecível do dérbi. Aursnes, a espelhar o jogo de braços de Hjulmand perante uma plateia maioritariamente adversa. Só por isto valeu a pena ter visto o jogo na televisão através da Sport TV."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Não se acorda o Rei!


"O CAMPEONATO DO MUNDO DE 1966 CONSOLIDOU A FAMA DE EUSÉBIO, MESMO ENTRE OS SEUS COMPANHEIROS DE EQUIPA

E m julho de 1966, os Magriços rumaram a Inglaterra para disputar a fase final do Campeonato do Mundo. A equipa ficou instalada no Hotel Stanneylands, em Manchester, onde foi hasteada a bandeira portuguesa ao lado da bandeira do Reino Unido, comprovando a hospitalidade de que os portugueses desfrutaram.
O selecionador nacional, Manuel da Luz Afonso, explicou a distribuição dos atletas lusos pelos quartos, assumindo como propositada a divisão de atletas do mesmo clube por quartos diferentes: “Quisemos agrupar jogadores de clubes diferentes, não só para fortalecer os laços de camaradagem […] como para evitar a formação de ‘grupinhos’.” No entanto, havia pares tradicionais, já velhos conhecidos, e assim o benfiquista Eusébio dividiu o quarto com o sportinguista Hilário.
O primeiro susto da comitiva portuguesa surgiu, precisamente, do quarto n.º 22, onde os dois moçambicanos pernoitavam, que acompanhamos pelas palavras de Hilário: “Eu estava já deitado e eis que me dá uma dor terrível nos intestinos. Pensei que a coisa fosse passageira e, já a custo, dirigi-me a uma das casas de banho do hotel na esperança de que se tratasse da vulgar dor de barriga.” Mas quando quis voltar para o quarto, Hilário não conseguia andar, com uma dor tão aguda que mal lhe permitia respirar.
Perante a necessidade de chamar alguém que o ajudasse, o mais natural seria chamar o seu companheiro de quarto, “mas Eusébio dormia tão bem, tão profundamente que não o quis acordar”. Foi então que pegou no telefone e pediu à rececionista que ligasse para o quarto do médico que acompanhava a comitiva, mas a comunicação foi afetada pela linguagem e a rececionista não o conseguiu ajudar. Acabou por ser o fotógrafo do jornal A Bola, Nuno Ferrari, que o acudiu, chamando de seguida o médico da Federação Portuguesa de Futebol, que lhe diagnosticou uma cólica biliar. Apesar de este problema de saúde ser uma incógnita quanto à recuperação, no dia seguinte Hilário já se encontrava muito melhor.
Ultrapassado este percalço, Eusébio continuou o seu sono reparador, e Hilário conseguiu alinhar no primeiro encontro da equipa portuguesa no Campeonato do Mundo de 1966, frente à Hungria, 2 dias depois deste episódio. Portugal venceu o encontro por 3-1 com golos dos benfiquistas José Augusto, que bisou, e Torres. Esta foi, até à atualidade, a melhor prestação da equipa das quinas em Campeonatos do Mundo, alcançando o honroso 3.º lugar, com Eusébio a sagrar-se o melhor marcador da competição.
Saiba mais sobre Eusébio na área 24 – O “Pantera Negra” e Outras Lendas, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

Dia das Trabalhadoras


"Chamam-lhes Inspiradoras, mas é de trabalho que também se deveria falar. Só assim se explica o percurso da equipa feminina de futebol do SL Benfica. As futuras hexacampeãs (pode ser já neste sábado, em Braga, a partir das 18:30) nunca deixaram de mostrar trabalho, mesmo depois de uma mudança da equipa técnica que poderia ter sido problemática. Claro que a inspiração também esteve, e está, presente – e de que maneira –, mas esta aura de hegemonia no futebol português tem de ser associada também ao trabalho, dentro e fora de campo, de uma imensa equipa multidisciplinar. Para que nada lhes falte, dia após dia, e para que as jogadoras possam traduzir em vitórias todo o trabalho que tem sido feito por e com elas.
É por isso que o dia 1 de maio deve ser de agradecimento. É neste Dia Internacional do Trabalhador que vamos ter dérbi na Catedral da Luz. Poderá ser o jogo de consagração de uma equipa que se habituou a ganhar. E nós, com ela, também ganhámos esse bom hábito que faz parte da história do Glorioso. O Estádio do Sport Lisboa e Benfica recebe um SL Benfica-Sporting CP, que se quer de festa e de reconhecimento por um percurso invejável na divisão principal feminina de futebol. Será a partir das 19:00 e parece-me que estamos todos convidados. Mais do que isso – convocados. É tempo de as apoiar, incentivar e festejar pelo que têm feito pelo desporto no feminino em Portugal. Estas mulheres são as faces mais visíveis de um trabalho impressionante de mediatização, suporte e reconhecimento. Eu vou lá estar. E vocês?"

Ricardo Santos, in O Benfica

Um não assunto


"José Mourinho já afirmou, mais de uma vez, que queria ficar no Benfica. Rui Costa já disse que a questão nem se coloca, pois o técnico tem mais um ano de contrato. Porém, quase diariamente, a comunicação social insiste no tema, como se ainda houvesse alguma coisa a esclarecer.
É certo que a época futebolística, pese embora a conquista da Supertaça, pese embora a digna prestação europeia, não foi aquilo que gostaríamos. Quando o Benfica não é campeão nacional, nenhum adepto fica satisfeito.
Esta época teve, todavia, especificidades que a tornaram mais difícil. Não servindo de desculpa para erros próprios – que também existiram –, não ter havido férias nem pré-temporada, a necessidade de estar fisicamente a top nas eliminatórias da Champions, a inevitável saída de jogadores importantes como Carreras e Di María, a demora na adaptação das novas aquisições, paralelamente ao Campeonato quase perfeito do FC Porto e a algumas arbitragens penalizadoras, criaram um caldo que cedo nos afastou da luta pelo título. Acresce que Mourinho chegou em setembro, e não teve intervenção na construção de um plantel formado para o modelo de jogo do anterior treinador. Ainda assim não perdeu qualquer partida – e nas últimas 15 jornadas tem mais pontos que os rivais.
José Mourinho nunca se distinguiu pelo futebol bonito. As suas melhores equipas eram tanques de guerra competitivos. Máquinas de ganhar.
É isso que espero do técnico benfiquista. Para isso é preciso dar-lhe o tempo e o espaço de que necessita. Não tenho dúvidas que, se tal acontecer, mais tarde ou mais cedo o Special One recolocará o Benfica na rota dos títulos.
Tivemos demasiados treinadores nos últimos anos. Não podemos começar novamente do zero. Nem vejo hipóteses de contratar alguém melhor. Também por isso, este é um não assunto."

Luís Fialho, in O Benfica

AWABOT


"Mais uma vez, o Benfica revela a sua dimensão mais humana no futebol e a matriz inovadora em que que se funda, recorrendo à mais moderna tecnologia, através de um robô muito especial, o Awabot, que maravilhou um grupo de beneficiários da AFID com a oportunidade única de conhecer de perto a equipa de juniores do SL Benfica na meiafinal da UEFA Youth League.
O encontro foi muito mais do que simbólico. Por um lado, para estes jovens, muitos deles enfrentando desafios diários fora do campo, a proximidade com jogadores que representam o topo da nossa formação trouxe inspiração, alegria e, acima de tudo, esperança. Ver de perto quem enverga o Manto Sagrado e perceber que o sonho está ao alcance de quem acredita é uma mensagem poderosa que o Benfica continua a transmitir com orgulho. Por outro lado, para os jogadores, foi uma oportunidade de ouro para sentirem a mística benfiquista no seu lado mais profundo, de interconexão humana e solidária, intensa e emotiva, à mistura com a adrenalina do jogo. Tudo isto é reflexo de um trabalho estruturado, consistente e fiel à identidade do clube, construindo, resultado após resultado, o futuro do Benfica e do que melhor existe no futebol europeu.
Assim, fiel a si próprio e centrado nas pessoas e nos valores humanistas, o Benfica continua a construir inclusão, inspiração e talento, no campo e na vida, porque o verdadeiro triunfo vai muito além do marcador!"

Jorge Miranda, in O Benfica

terça-feira, 28 de abril de 2026

Backstage | Sporting CP 5-6 #FutsalBenfica | Final da Taça de Portugal

Os tempos da (in)justiça


"O Benfica, e demais réus, foram absolvidos no caso do «Saco Azul». A Justiça precisou de dez anos para proferir a sentença, uma década de prejuízos reputacionais, danos financeiros e menos-valias económicas e desportivas para o clube da Luz. Irreparáveis e irrecuperáveis. Sem querer alinhar em teorias da conspiração (porque são muitos, anónimos, os que têm justas razões de queixa), pergunto a quem de direito: Não sentem vergonha pela morosidade?

É verdade que a Justiça tem os seus tempos próprios, e há que respeitá-los, para ser conseguida uma sentença justa. Mas também é verdade que há casos, mais complexos, que consomem tempos impróprios, seja por expedientes dilatórios dos acusados, seja por insuficiência de meios, seja ainda pela burocracia tremenda que envolve os processos. Provavelmente, o «caso Sócrates» é o mais impactante, e aquele que coloca a nu as insuficiências do nosso sistema judicial; se houvesse, realmente, vontade de mudar, para melhor, o «Marquês» seria um bom ponto de partida…Falemos então do ‘Saco Azul’, processo que se arrastou durante uma década e que agora terminou com a absolvição do Sport Lisboa e Benfica e de todas as pessoas singulares nele envolvidas. Foi uma grande vitória para o Benfica? Evidentemente. Mas, ao mesmo tempo, quem foi o principal prejudicado, para não dizer, derrotado? Aquele que foi agora declarado inocente, que ao longo de dez anos sofreu danos reputacionais irreparáveis, viu criada à sua volta um clima de suspeição permanente, que abrangeu os mais diversos setores - económicos, financeiros e também desportivos - e gastou uma fortuna num ‘dream team’ de advogados que tiveram vencimento de causa. Se bem virmos, no ‘Saco Azul’, só o Benfica perdeu, porque quem decidiu levar o caso até à barra dos Tribunais, diluiu-se no anonimato, e o Estado, em situações similares, não procede a reparações. Se me perguntarem se acho mal que, perante dúvidas e pistas potencialmente incriminatórias, o caso tenha avançado, tenho de dizer, em tese, que não. Cada um faz o seu trabalho e o juiz decide. O que é intolerável é que tenham passado dez anos até à sentença, porque cada ano que passou foi um dano adicional causado ao Benfica. Poder-se-á falar em Justiça plena na absolvição do Benfica? Não, porque o clube da Luz somou prejuízos em todas as frentes, exceção feita à sentença. Haverá quem queira, mais do que refletir, tomar medidas para que o sistema seja mais expedito? Francamente, depois de tudo o que se tem visto, não creio.
AINDA no âmbito da Justiça, desta vez na órbita da UEFA, foi tornada pública, com celeridade, a sentença do «caso-Prestianni», com a condenação do jogador argentino por ofensas homofóbicas a Vinícius Junior, que o acusou de racismo. Recorde-se que Prestianni sempre recusou ter chamado «mono» ao internacional brasileiro, dizendo que lhe chamou «maricón», insulto, segundo ele, muito comum entre jogadores na Argentina, como, ainda fazendo fé em Prestianni, «cabrón», outra palavra preferencial quando os futebolistas pretendem trocar mimos orais nas ‘canchas’ sul-americanas. Julgo que, se o extremo do Benfica, tivesse dito que em vez de «maricón» tinha chamado «cabrón» a Vinícius Junior, não teria sofrido qualquer sanção. Mas essas são contas de outro rosário (na escala de gravidade dos insultos, colocar em causa a fidelidade da mulher ou do marido ou a honorabilidade da mãe, estão na parte de baixo do ‘ranking’), sendo que não nenhuma dúvida existe quanto à justeza de punir com severidade comportamentos racistas ou homofóbicos. Dissecando a sentença da UEFA - seis jogos - poder-se-á começar por concluir pela dureza da mesma; depois, percebe-se que três desses jogos têm pena suspensa; a seguir relembra-se que Prestianni já não jogou em Madrid, o que deixa dois jogos por cumprir; finalmente, sabe-se que esses jogos incluem a Seleção argentina, o que pode levar, caso Prestianni seja convocado para a «albiceleste», a que o extremo seja utilizado no próximo jogo internacional do Benfica. Depois do impacto mundial que a acusação de racismo feita por Vinícius teve, o que dizer desta saída de sendeiro? E o que pensar de Mbapée, que, além de Vinícius, garantiu ter ouvido a palavra «mono», cujo testemunho foi irrelevante para a sentença (o Benfica já tinha dito que, perante as imagens, era impossível que o francês, à distância a que se encontrava, tivesse ouvido fosse o que fosse…)? E todos os outros que, sumariamente, crucificaram Prestianni na praça pública? É evidente que não percebem a importância do tema, e desconhecem os danos que a sua má utilização pode trazer a uma causa civilizacional.
SEM deixar o tema da Justiça (desportiva), usada como arma de arremesso pelos nossos principais clubes - com destaque, irrecusável para Sporting e FC Porto - já não há paciência para tantas queixas e queixinhas deste teor, que nunca resultam em nada a não ser na descredibilização da imagem do futebol, palco permanente de uma guerrilha que afasta adeptos e investidores, tornando o produto invendável, por estar minado de suspeições. De facto, não há campanha que valha, argumento racional que impere, ou mudança geracional que marque a diferença, se os principais responsáveis não interiorizarem que é possível fazer diferente.
muitos anos, o antigo árbitro internacional e então comentador televisivo, Vítor Correia, afirmou, em direto, na RTP 1: «Desde que vi, num circo, um porco a andar de bicicleta, nada me surpreende.» Lembrei-me de Vítor Correia recentemente, pela atualidade das suas palavras, de há três décadas. Isso aconteceu quando veio a público a notícia de que Paolo Zampolli, enviado especial dos EUA para as parcerias globais, tinha sugerido à FIFA que substituísse o Irão, apurado para o Mundial, pela eliminada Itália. Desde que Trump, irónico, ou não, nunca se sabe, tinha aventado a hipótese de transformar a faixa de Gaza num «resort» turístico, que não ouvia uma enormidade de tão grande calibre. Mas o ridículo da situação sobe a níveis estratosféricos quando se percebe que o ideólogo do modelo é italiano de nascimento - e terá, como principal mérito, ter apresentado Donald Trump à atual mulher, Melanie, quando era dono de uma agência de modelos - e não se apercebeu, entre muitas outras coisas, que um tetracampeão mundial nunca aceitaria estar, ‘por esmola’, num Campeonato do Mundo. Giorgia Meloni e a FIGC foram perentórios na recusa, mas a calamitosa proposta (indecente) ficará para sempre nos anais dos Mundiais de futebol.Confesso que tenho todas as dúvidas quanto à presença do Irão no Campeonato do Mundo, que começa daqui a mês e meio, por tudo e mais alguma coisa, sem esquecer a possibilidade de os Estados Unidos negarem visto a elementos do «staff». Se isso acontecer, e os iranianos ficarem em casa, quem deve substituí-los é quem foi por eles eliminado. Um pouco à imagem do que sucedeu no Campeonato da Europa de 1992, quando a Jugoslávia (que entretanto implodiu), estava apurada para a fase final, e ficou de fora, vindo a abrir vaga para a Dinamarca, que se sagraria campeã europeia.
CURIOSAMENTE, quando o Mundial de 2026 foi atribuído à América do Norte, Gianni Infantino já era presidente da FIFA e Donald Trump presidia aos Estados Unidos, embora o trabalho de sapa tivesse sido feito por Barack Obama e pelo FBI, na sequência dos contornos da atribuição do Campeonato do Mundo de 2022 ao Catar, que colocaram a agência federal norte-americana na senda do «FIFAgate». Oito anos volvidos, Infantino anda no arame sem rede, e Trump movimenta-se como um elefante em loja de porcelanas. Mas, repito o que escrevi há umas semanas, no dia 13 de julho, no Metlife Stadium, em Nova Jersey, haverá um campeão do Mundo de futebol.
ALINHO pela equipa de Arrigo Sacchi, que um dia disse que «o futebol é a coisa mais importante das coisas menos importantes das nossas vidas.» Dito isto, confesso que há coisas que não consigo entender: no que respeita às coisas importantes, que matam centenas de milhares, afetam diretamente muitos milhões, e indiretamente colocam em causa toda a Humanidade, nunca percebi o racional de quem, no eixo Hamas-Irão, ordenou o massacre de dois mil israelitas e o sequestro de muitos outros, abrindo as portas do Inferno no Médio Oriente. No âmbito do futebol, que é ‘apenas’ um jogo (maravilhoso), que desenvolve, é certo, paixões muitas vezes demasiado exacerbadas, agora associado a uma indústria, mas que possui uma matriz essencialmente lúdica, também não percebo as dúvidas que o Benfica parece ter quanto a entregar o seu projeto para o futebol a José Mourinho. São duas situações (incomparáveis na magnitude, a primeira é tão profunda quanto a Fossa das Marianas, a segunda tem a profundidade de uma piscina olímpica), uma por ação, outra por omissão, a primeira fazendo parte das coisas verdadeiramente importantes das nossas vidas, a segunda das coisas mais importantes das coisas menos importantes, cuja compreensão me transcende."

O 'My Way' ferido de Rui Borges


"A Taça, que ainda precisa de ser conquistada, não apagará o cinzento do céu dos sportinguistas. O mundo sabe que o leão está quebrado, sem forças e arrisca falhar até a Champions

A imagem que fica é a de um leão quebrado, na vontade e na força, a arrastar-se penosamente até ao final. Um Sporting que vê o grande rival aproximar-se e não consegue reagir, por não ter forças e por não acreditar ter ainda forças, ideias apenas semelhantes. Porque não o são.
O Arsenal foi uma fatalidade e aplaudiu-se ao se ir para lá do limite. O equilíbrio, o cair por um bocadinho assim. O Benfica ameaçava possível lotaria, tal a força de ambos e a maior frescura no adversário. Caiu para as águias, podia ter caído para qualquer dos lados. O Dragão assumia-se como palco da inevitabilidade, não fosse Rui Silva resgatar a si próprio um último fôlego e Froholdt falhar o encontro com o destino naquele cabeceamento por cima de uma baliza vazia, com a final da Taça no horizonte. E Aves, depois de tanto, um calvário ainda mais íngreme, onde esperava a Lei de Murphy. E, sempre no final, aquele discurso. «Tentámos, mas não conseguimos. Estou muito orgulhoso dos meus jogadores.» Derrotado no tom, fatalista, mensagem que não motiva. Rui Borges precisa mudar. O «Manto Verde» que lançou quer reinventar nova teoria da conspiração? Se quer, falhou também aí pela falta de força.
O Sporting era o favorito à entrada para a nova época. Bicampeão. Atrás do tri. Borges queria que fosse à sua maneira, o que é legítimo. O FC Porto vinha de nova revolução, que tudo abanara. Precisava de tempo, mas ganhar em Alvalade deu-lhe solidez precoce. O Benfica vivia, como vive há anos, no seu mundo, sem liderança, porém teve Mourinho. E mesmo um Mourinho a lutar contra si próprio em certos momentos foi capaz de ir atrás e apanhar o leão. Feriu-o, deixou-o fraco e agora está, a três jogos do fim, perto de lhe roubar a presença nas eliminatórias da Champions. E reforçar um ego especial.
Ainda há pouco ecoava a notícia de um novo contrato para Rui Borges. Mas hoje, a imagem do treinador não é a mesma. Está tão ferido como o seu leão.
Rui Borges mereceu chegar a um grande. Depois de ter reequilibrado a equipa após o adeus de Amorim e conquistado o título mereceu prosseguir. Nem de propósito, tal como O Mundo Sabe Que é uma versão de My Way de Sinatra, também é justo que queira ganhar à sua maneira.Os leões jogaram bom futebol. Foram candidatos. E ainda têm a Taça, para diluir o cinzento que pinta agora o seu céu, mas a temporada não acaba bem. O técnico garante competitividade, mas isso não chega. Também terá de crescer."

Carlos Lopes a 462 segundos de Sabastian Sawe


"Caiu o recorde do Mundo da maratona e logo com um tempo épico: 1.59.30 horas. Pela primeira vez um homem correu 42 quilómetros abaixo de 2 horas

Lembram-se de Carlos Lopes, em abril de 1985, a vencer a maratona de Roterdão em 2.07.12 horas? Sim: o recorde do mundo foi superado por 53 segundos. O jornal francês L’Équipe fez capa com esse feito, catalogando o atleta como extraterrestre. E era. Entretanto, passaram-se 41 anos e a melhor marca mundial dos 42,195 quilómetros caiu 14 vezes. A última foi ontem, em Londres, por Sabastian Sawe. Um queniano, claro. E não é um recorde igual aos outros 13 que se seguiram ao de Lopes. É um tempo mítico: 1.59.30 horas!
O dia 26 de abril de 2026 representa para o atletismo mundial o mesmo que o 20 de julho de 1969 — dia em que Neil Armstrong pisou a Lua — representa para a exploração espacial. Ou o 7 de março de 1876 para as telecomunicações, data em que Alexander Graham Bell patenteou a invenção do telefone, cuja primeira transmissão de voz ocorreu três dias depois. Sabastian Sawe é, pois, uma espécie de mistura entre Armstrong e Bell: o primeiro a fazer algo épico.
Correr a maratona abaixo de duas horas é como, um dia, alguém saltar 2,50 metros em altura, 9 metros no comprimento, baixar de 1.40 m aos 800 metros ou de 26 minutos aos 10.000 metros. Estes 1.59.30 h são um tempo tão épico que, embora o seu recorde tenha já 41 anos, Carlos Lopes demoraria mais 7 minutos e 42 segundos a completar a prova! Ou seja, quando Sawe cortasse a meta, o campeão olímpico de 1984 estaria a mais de dois quilómetros — precisamente a 462 segundos — de distância. Se isto não é épico, o que é ser épico? E não foi só Sawe que foi épico. Também os segundos e terceiros classificados o foram: Yomif Kejelcha fez 1.59.41 e Jacob Kiplimo fez 2.00.28. Ambos correram abaixo do recorde do malogrado Kelvin Kiptum (2.00.35 em Chicago, 2023). Épico, pois, a triplicar: Sawe, Kejelcha e Kiplimo. Lopes, em Londres-2026, seria apenas 13.º!
Há diversos fatores que poderão ajudar a perceber este salto de mais de sete minutos em 41 anos: tipo de treino, evolução dos ténis (solas finas de borracha versus espuma+placa de carbono), melhoria da nutrição/hidratação (água e bebidas isotónicas simples versus hidrogéis de alta concentração), pisos mais adequados, recuperação (repouso e massagem básica versus crioterapia, botas de compressão e dados de sono) e ainda as chamadas lebres.
Há ainda outro fator, claramente menos positivo, que poderá influenciar (e influencia) o rendimento dos atletas de altíssima competição — e que não é de agora: o doping. Quando se trata de um recorde mundial de atletismo, sobretudo na maratona e, sejamos justos, sobretudo com atletas africanos, as dúvidas são sempre algumas. Esperemos, então, pelas próximas semanas para vermos se o recorde do Mundo da maratona será mesmo de 1.59.30. E se a marca de Carlos Lopes, em 1985, está mesmo a 462 segundos do recorde do Mundo da maratona."

Marie-Louise abriu a porta, mas e quando a quiserem fechar?


"Como desfazer história? Union Berlim tomou decisão corajosa, mas agora pede-se que viva com ela; ´Para lá da linha´ é um espaço de opinião

A nomeação de Marie-Louise Eta para treinadora do Union Berlin lançou ondas de choque, orgulho, admiração, fez história ao ser a primeira mulher no cargo na Bundesliga. O clube despediu Steffen Baumgart e nomeou Eta, que já estava na estrutura do clube e se preparava para assumir o comando da equipa feminina.
Dois jogos e duas derrotas depois, frente a Wolfsburgo e Leipzig, o que se pensa? Muitos dirão… ‘agora despedi-la parece mal…’ Mas convenhamos, quanto trabalho terá ela conseguido fazer numa equipa que tem apenas 8 vitórias, sendo que na primeira semana teve a conferência de imprensa mais concorrida da época?
Vincent Kompany, treinador do Bayern, sublinhou uma nomeação que «abre portas», mas em entrevista ao site da Bundesliga, Marie-Louise quer ser tratada como apenas mais um profissional: «Quanto à minha posição, penso que é independente do género e deve centrar-se no desempenho. Seja homem ou mulher, não se trata de fazer uma afirmação, mas sim garantir que essa pessoa é a mais adequada para o cargo.»
A três jornadas do fim, a equipa continua aflita na classificação e vai defrontar Colónia, que também precisa de pontos, e Mainz e Augsburgo, mais confortáveis na tabela apesar de não terem vencido nesta jornada.
A aposta do Union foi tomada com prazo de validade, até final da época, mas verdadeiramente revolucionário seria oferecer já, sem manutenção assegurada, a chance de continuar a treinar a equipa masculina na próxima temporada. Aí sim, poderia ser julgada pelo desempenho e, eventualmente, despedida pela falta de mérito, como se faz com qualquer outro treinador. Portas que se abrem e fecham com naturalidade."

Três taças para o Museu


"Em destaque nesta edição da BNews, as três Taças de Portugal conquistadas ontem pelo Benfica.

1. Taça de Portugal de futsal (masculino)
O Benfica ganhou por 5-6 ao Sporting na final da Taça de Portugal, conquistando a prova pela 9.ª vez.

2. Taça de Portugal de futsal (feminino)
No jogo derradeiro da Taça de Portugal de futsal no feminino, o Benfica derrotou o Nun'Álvares por 1-0, ganhando a competição pela 10.ª vez.

3. Taça de Portugal de hóquei em patins (feminino)
A vitória por 3-2 ante a Stuart Massamá deu o triunfo ao Benfica, pela 12.ª vez consecutiva, da Taça de Portugal de hóquei em patins no feminino.

4. Outros resultados
A equipa B perdeu por 1-2 na receção ao Marítimo. Em voleibol no feminino, o Benfica ganhou por 1-3 no reduto do Sporting no jogo 1 do apuramento dos 3.º e 4.º classificados do Campeonato Nacional.

5. Distinção
Norberto Alves é considerado o treinador do ano da Liga Masculina de basquetebol 2025/26.

6. Presença inspiradora
Tinha Penicheiro, considerada a melhor jogadora portuguesa de basquetebol de sempre, esteve à conversa com cerca de 80 atletas da formação de basquetebol do Benfica.

7. Casa Benfica Mortágua
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 25.º aniversário."

BI: Megafone #286 - Na rota da Champions League

O Benfica Somos Nós - S05E54 - Moreirense...

BolaTV: Pedro, Pedro, Pedro #16 - Sporting e Benfica deixam o FC Porto a depender só de si

BF: Ríos e Ivanovic...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - O problema do Sporting? "Anda a funcionar com pilhas descarregadas"

Observador: Três Toques - Uma maratona, três possíveis recordes

SportTV: Primeira Mão - 🤔 Rumo à final? O sonho europeu do Braga

Benfica FM: Capitã... tem futuro!

Oliveira: Moreirense...

DAZN: F1 - O penso rápido vai funcionar?

DAZN: Premier Pub - A três jornadas do fim… tudo por decidir.

DAZN: Premier League - R34 - Golos...

DAZN: La Liga - R32 - Golos

Chuveirinho #170

Zero: Ataque Rápido - S07E39 - Título é certeza, o resto são dúvidas

Falsos Lentos - S06E34 - Carlos e Diogo Desiludem Manuel

De Letra #40 - ⚽ Froholdt é o MVP da Liga e Torreense no Jamor

Tailors - Final Cut - S05E18 - Daniel Gaspar

Segundo Poste - S05E39 - "Não é certo que o Sporting perca o segundo lugar"

O teste pós-carreira ao Decreto-Lei n.º 272/2009: onde estão os resultados?


"O Decreto-Lei n.º 272/2009 nasceu com uma ambição clara e, à data, até louvável: garantir que os atletas de alto rendimento não fossem deixados à sua sorte no momento mais difícil das suas carreiras, o fim das mesmas . A ideia era simples na teoria e exigente na prática: assegurar que anos de dedicação ao país, muitas vezes com sacrifícios pessoais e académicos evidentes, não terminassem num vazio profissional.
Ao longo dos anos, o legislador foi reforçando este enquadramento. E fê-lo, mais recentemente, com a aprovação da Lei n.º 13/2024, de 19 de janeiro, que veio alterar e densificar o próprio regime. Introduziram-se sistemas de quotas no emprego público, reforçaram-se apoios financeiros no pós-carreira e ajustaram-se mecanismos como a subvenção temporária de reintegração. No papel, o sistema nunca esteve tão completo. O problema continua a ser o mesmo: o papel aceita tudo.
Importa, contudo, quero deixar uma nota de enquadramento político que não pode servir de desculpa. Apesar desta última alteração ao regime resultar de iniciativa do governo anterior, nada justifica a inação do atual executivo, nem tão pouco do IPDJ. Pelo contrário: a continuidade e execução das políticas públicas são um teste à maturidade institucional de um país. A falta de consistência, acompanhamento e responsabilização não é um detalhe é, aliás, um traço típico de contextos menos desenvolvidos, onde se legisla muito e se avalia pouco.
Portugal continua a investir recursos públicos significativos no desporto de alto rendimento. E bem. Mas há um momento em que as luzes se apagam, os pódios deixam de existir e os atletas regressam à vida “normal”. É nesse momento que o sistema devia mostrar se funciona. E é também nesse momento que desaparecem os dados, a evidência e arrisco dizer a própria responsabilidade.
A alteração de 2024 ao DL 272 veio introduzir um elemento particularmente exigente: quotas no emprego público e apoios financeiros reforçados, com efeitos que, na prática, podem abranger atletas que terminaram a carreira antes da entrada em vigor da lei. Ou seja, já não estamos apenas no domínio das intenções. Estamos no domínio da execução. E execução mede-se.
Mas há um detalhe que não é novo e que ajuda a perceber porque continuamos onde estamos. Lembro-me bem de, na altura em que participei em grupos de trabalho e, através da AAOP, termos apresentado propostas concretas para melhorar o sistema. E recordo-me de ter colocado uma pergunta simples — mas incómoda, quase uma pergunta ácida: existe uma base de dados integrada que permita saber quem são os atletas, que percurso tiveram, que apoios receberam e qual foi o seu desfecho no pós-carreira? Existe informação consolidada que permita analisar, cruzar dados e, a partir daí, tomar decisões informadas?
A resposta, na altura, foi a habitual: “não sei”. E, na prática, os resultados existentes eram próximos de zero em muitas dimensões.
E é precisamente esse “não sei” que atravessa o tempo, atravessa diplomas e atravessa reformas. E quando os órgãos públicos não publicam o que sabem, ou não sabem e devem ser naturalmente responsabilizados por essa omissão.
Hoje, com quotas no emprego público e subsídios reforçados, as perguntas são ainda mais exigentes e continuam sem resposta.
Quantos atletas beneficiaram efetivamente deste regime desde janeiro de 2024?
Quantos entraram na Administração Pública através do sistema de quotas?
Em que organismos?
Em que concursos?
Quantos ficaram de fora?
E, no que toca aos apoios financeiros, quantos beneficiaram, com que critérios e com que impacto real na sua reintegração?
A verdade é simples e desconfortável: continuamos sem saber!
Uma visita ao site do IPDJ mostra um sistema bem explicado, atualizado, alinhado com a nova lei. Mas, mais uma vez, falta o essencial: resultados. Não sabemos quantos atletas estão empregados após o fim das suas carreiras, quantos utilizaram os novos mecanismos introduzidos em 2024, quantos ficaram excluídos, nem qual o impacto real destas alterações.
O sistema evoluiu. A lei foi reforçada. Mas a transparência continua parada no tempo, o que levanta um problema estrutural: se não existe uma base de dados integrada, se não há capacidade de análise e extrapolação, então o sistema não está apenas por avaliar , está na prática, cego. E um sistema cego não corrige, não melhora, não aprende.
O que se exige não é complexo. Exige-se que a tutela meça e publique o impacto do regime. Que construa, finalmente, uma base de dados integrada que permita saber onde estamos e para onde devemos ir. Que diga, com dados, quantos atletas beneficiaram das quotas, quantos foram integrados, quantos recorreram aos apoios financeiros e quantos ficaram de fora. Porque a transparência não é um extra é o mínimo que se exige para tomar decisões informadas sobre o dinheiro que é de todos nós.
E importa dizê-lo: se quem tutela o desporto, Ministra, Secretário de Estado, presidentes de diversos Institutos, passassem menos tempo em eventos, inaugurações e momentos de palco, até já com direito a tirar selfies, e mais tempo com as suas equipas a fazer o trabalho estrutural que lhes compete, adotando uma lógica de execução e responsabilização próxima do setor empresarial, provavelmente já teríamos hoje respostas. Respostas sustentadas não em perceções, mas em dados.
Por isso, a pergunta mantém-se, agora ainda mais atual: quem beneficiou, quantos ficaram de fora e se alguém utilizou, de facto, entre outros instrumentos, o sistema de quotas no emprego público?
Senhores governantes, governar não é atualizar leis, é provar que elas resultam. E essa prova, no caso do DL 272, continua por fazer.

Uma Nota Final , inevitável e sentida, sobre os olímpicos no pós-carreira, tantos deles remetidos a um silêncio injusto, longe da visibilidade e da “solidariedade olímpica” tantas vezes proclamada.
A minha singela homenagem a Joaquim Granger, olímpico da ginástica em Helsínquia 52, o mais velho atleta olímpico, que nos deixou aos 97 anos. ainda recentemente, recordo-me bem nas inúmeras interações que tive com este ATLETA, aos 95, mantinha uma energia contagiante: deslocava-se de Linda-a-Velha a Cascais para visitar a nossa associação, percorrendo ainda, com uma vitalidade admirável e a pé, os dois quilómetros entre a estação de comboios e a nossa sede. Sempre com projectos novos, sempre com um sorriso.
Apesar dos diversos apelos á natureza olímpica, que inclui os valores do Respeito Excelência e Amizade , na missa e cerimónia fúnebre, contei 14 olímpicos num universo de mais de 800, dá para pensar. o Joaquim Granger Merecia mais. Muito mais.
Não se esqueçam que a vida é efémera — e também feita de esquecimentos!"