Últimas indefectivações

sábado, 16 de novembro de 2019

Vitória em Viseu...

Viseu 0 - 4 Benfica

Vitória consistente, a equipa parece estar preparada para a complicadíssima Ronda de Elite da UEFA que vamos ter na próxima semana...

Cabaz...

Benfica 111 - 58 Terceira
19-15, 36-11, 27-11, 29-21

Por acaso, o jogo até começou 'equilibrado' mas no 2.º período tudo mudou...
Além do Barroso, temos o Micah e o Hollis de fora.
O jogo ficou marcado por uma agressão ao Gonçalo Delgado, que passou impune (para não variar... aliás até foi falta contra o Benfica!), mas por acaso até ajudou a espicaçar o Benfica!

Ontem foi anunciada a contratação de um base norte-americano, o Anthony Ireland, jogador que já jogou contra o Benfica na Europa, com boas indicações... Neste momento a questão dos 6 estrangeiros não se coloca com tantas lesões, e se realmente passarmos à próxima fase da Fiba Europe Cup, vamos ter muitos jogos, com muitas viagens, portanto dará para rodar! E estamos claramente a precisar de um base...

Derrota na Croácia...

Nexe 30 - 26 Benfica
(18-12)

Podia ter sido melhor, mas a eliminatória está em aberto para a 2.ª mão...

PS1: Foi o dia do 'quase' para as nossas Judocas, duas derrotas no combate decisivo, retiraram o Benfica do pódio da Golden League, uma espécie de Champions do Judo!

PS2: Parabéns ao Rui Bragança, pela Prata no Open da Roménia de Taekwondo.

O pior jogo da vida de Gabriel

"Gabriel teve nos Açores uma das piores primeiras partes da sua vida e mesmo com a melhoria na segunda metade, não mais conseguiu livrar-se da carga negativa de passes falhados em catadupa. Como principal municiador do passe longo e como primeiro construtor de jogo, a tendência será sempre estar mais exposto ao erro e ás circunstâncias exteriores que impedem o bom funcionamento da equipa: o relvado não ajudou e o Benfica não existiu. Gabriel estava condicionado.
É ele quem efectua mais passes por jogo, com a média a cifrar-se nos 68 passes e na taxa de acerto na ordem dos 77%, notável para quem tanto arrisca no passe vertical mas ainda assim um decréscimo acentuado face ao último semestre da temporada transacta (84%). Foi assim que se tornou inevitável o seu destaque na equipa desde que chegou Bruno Lage, que o protegeu no seu duplo-pivot e não o obrigou a ocupar espaços tão avançados como o 4-3-3 de Rui Vitória exigia nem a definições apressadas no último terço: é ali atrás, sobre a linha do meio-campo que o xerife encarnado gosta de se apresentar ao serviço.
Nos Açores, porém, não foi ele quem chegou para trabalhar. Um duplo? Os números não mentem: a média da eficácia de passe desceu para os 67%, com 13 passes falhados só no primeiro tempo. Gabriel, apesar do que ofereceu em termos defensivos (quatro duelos aéreos ganhos e duas intercepções bem sucedidas), não existiu no plano ofensivo e a equipa ressentiu-se. Com a insistência no passe longo e o final previsível, Pizzi foi obrigado a jogar uns metros mais atrás na procura do apoio ao colega, em movimentos que congestionavam toda a manobra da equipa, já que nem Chiquinho nem Almeida conseguiram compensar na profundidade.
Chico Ramos e Rashid, numa exibição de superação, estiveram também competentes no preenchimento dos espaços e acertaram geralmente nos timmings de pressão, retirando ao ataque do Benfica as ligações pelo corredor central e obrigando a equipa a explorar os corredores como solução para todos os males.
A má forma do brasileiro teve em Ponta Delgada o seu clímax. As condições físicas não parecem as ideais e esperamos que seja uma questão de tempo até voltar à normalidade. O jogo em Leipzig pede o melhor Gabriel para que possa existir o melhor Benfica. Exigem-se os três pontos."

Chalana, a Vida do Génio

Uma Semana do Melhor... do Maia!

Benfiquismo (MCCCLV)

Voando...!!!

Sem prioridades

"Paragem para as selecções tem de servir obrigatoriamente para melhorar o rendimento do Benfica

O Benfica não jogou bem nos Açores, a vitória muito saborosa pode até saber a injustiça na perspectiva dos açorianos, mas vi outro jogo diferente do da crítica. Todas as analises ao jogo mostram um Benfica confrangedor na primeira parte e um Benfica demolidor na segunda. Não concordo nem no todo nem na parte. Na primeira parte, houve alguma falta de acerto, falhámos demasiados passes, a circulação de bola foi lenta, não foi fácil encontrar espaços e o Santa Clara marcou numa das únicas duas vezes que foi à nossa baliza. Na segunda parte, com a troca de Tino por Vinícius, o jogo partiu e o Benfica, criando mais hipóteses de golo, deu também ao Santa Clara muito mais espaço. Ainda não estava feito o 1-1 e os açorianos já tinham tido dois ataques perigosos. O 2-1 nasce no pior momento do Benfica, num erro individual do Santa Clara e, mesmo depois de estar a vencer ao minuto 92, todos os deuses ajudaram quem não vestia de encarnado.
Foi uma vitória muito importante, num grande jogo de Pizzi e Vlachodimos, antes de uma paragem que tem obrigatoriamente de servir para melhorar o rendimento do Benfica. Vamos melhorar e vamos continuar a ganhar. Chegamos em todas as frentes nesta fase da época e acredito estar melhor dentro em breve.
Bruno Lage já abordou o regresso após a paragem das selecções. Quatro jogos, quatro competições e quatro objectivos intactos são as quatro partes duma mesma época. Vizela, RB Leipzig, Marítimo e Covilhã são Taça de Portugal, Liga dos Campeões, Campeonato e Taça da Liga. Não há prioridades, tudo é importante porque somos o Benfica e só a(s) vitórias(s) interessa(m).
Bruno Lage foi esta semana brindado com mais um sucesso estatístico, o melhor início de Liga dos últimos 36 anos, mas a serenidade inteligente do treinador faz com que ele, e nós, prefira uma coisa mais habitual e já conseguida por 37 vezes no Benfica.
Esta semana fica na história com a vergonhosa condenação de Bernardo Silva por um suposto acto racista. Estes polícias de costumes, estes ignorantes atrevidos e imbecis ao confundir uma graça entre amigos com uma acto deplorável, ao misturar o que não pode ser confundido, fazem pior ao futebol que os marginais das claques que insultam vandalizam e radicalizam no discurso e na actividade. A estes pedia-se muito mais.
Uma abraço, Bernardo porque o mundo não é essa gentinha e tu nunca serás confundido."

Sílvio Cervan, in A Bola

'Centravoíce'

"Há vários anos que discordo da ideia de que a partilha equitativa das receitas televisivas resolveria os problemas de competitividade do futebol português. Antes de qualquer argumento, relembram-me sempre que sou benfiquista, o que supostamente me desqualifica nesta discussão. Esquecem-se, no entanto, de que o Benfica seria, a nível interno, o principal beneficiado dessa medida. Para chegar a essa conclusão, basta comparar as receitas obtidas por cada SAD, excluindo as de direitos televisivos, em que as do Benfica são significativamente superiores às dos seus concorrentes directos e 'infinitamente' maiores que as dos restantes clubes. O equilíbrio artificial prejudicaria os maiores clubes, nivelando por baixo, mas haveria menor impacto no maior entre os maiores, o Benfica. Confunde-se competitividade com potencial de receitas. Diz-se que o mercado interno está esgotado, pelo que o crescimento só externamente será possível.
Mas se não forem o Benfica e o FC Porto, com presenças consecutivas na Liga dos Campeões, a darem sinais de vida do futebol português, alguém, para além dos PALOP e de apostadores destemidos, se lembrará sequer de ver os resultados da nossa liga? E ainda as comparações erradas com outras ligas, que não fazem sentido com as mais ricas, nem ajudam à causa da centralização com as mais pobres.
Vejam-se as receitas da Taça da Liga, negociadas colectivamente, compare-se com as da mesma prova noutros países e perceba-se definitivamente que o problema não está na forma de negociação. Comece-se antes por objectivos simples: boas condições para o público em todos os estádios, por exemplo. Ou IVA dos espectáculos desportivos mais baixo, já não seria mau..."

João Tomaz, in O Benfica

O Benfica e a Europa

"Ponto prévio: é óbvio que nem Bruno Lage, nem eu, nem o caro leitor, estamos satisfeitos com o desempenho europeu da nossa equipa. Importa também lembrar que nada está definitivamente perdido, pois mesmo não dependendo de si próprio, caso ganhe os dois jogos que faltam (o que não é fácil, mas, também não é impossível), o Benfica ainda terá boas hipóteses de se qualificar para os oitavos-de-final. Dito isto, é importante perceber por que motivo uma equipa tão dominadora, e por vezes até empolgante a nível interno, sente tamanhas dificuldades fora de fronteiras. Há que sublinhar, desde logo, a falta de competitividade do campeonato português, onde Benfica e FC Porto ganham sempre, discutindo a maioria dos títulos no confronto directo entre ambos.
Depois há limitações financeiras óbvias, e não estarei enganado se afirmar que o orçamento do Benfica é, de longe, o mais baixo do seu grupo.
Mas há também toda uma matriz cultural alicerçada na história, que empurra a nossa equipa para uma abordagem demasiado ofensiva em todos os campos, quando por vezes é exigível maior dose de calculismo. Dito de outro modo, é preciso assumirmos que, sendo um clube grande, o Benfica é hoje em dia, por vicissitudes várias, uma equipa pequena à escala da Liga dos Campeões, para quem, digamos, um empate não é despiciendo.
Na Champions estão os melhores, e jogam nos limites - o que nem sempre é verdade, por exemplo, na Liga Europa. E se nas provas domésticas a melhor defesa é um ataque demolidor, na maior competição de clubes do mundo a equação investe-se: há que defender bem, não cometer erros e ser eficaz."

Luís Fialho, in O Benfica

Sport Açores e Benfica

"A vitória em Ponta Delgada foi mais uma a somar à fantástica campanha de Bruno Lage ao leme da nossa equipa. Em 30 jogos disputados no Campeonato, o nosso treinador totaliza 28 vitórias, um empate e apenas uma derrota. São números impressionantes e que provam a excelência da nossa equipa técnica e dos dois plantéis das épocas 2018/19 e 2019/20. Outros gostariam de ter vencido o Campeonato e adorariam estar isolados na liderança da Liga. Para que isso aconteça, terão de trabalhar mais e melhor. Chegámos ao 37.º título e só conseguimos alcançar esse objectivo prioritário porque soubemos estar focados e unidos. O 12.º jogador foi decisivo. Como tem sido ao longo das 11 etapas desta Liga. A última deslocação diz tudo acerca da forma como os benfiquistas têm levado a nossa equipa ao colo. A recepção em Ponta Delgada, à porta do Grande Hotel Açores Atlântico, e a despedida, no Aeroporto João Paulo II, foi à Benfica. Os directos televisivos provaram a dedicação, o amor e a fé que os benfiquistas açorianos têm no mais qualificado projecto do SL Benfica. Na hora da despedida, os nossos petizes adeptos, equipados a rigor, proporcionaram mais um momento de grande benfiquismo. Temos um grupo de trabalho excepcional, servido por profissionais íntegros, dedicados e incansáveis. Apesar de ter sido um jogo difícil com a equipa a pagar o final de um ciclo terrível de sete jogos em apenas 23 dias, a verdade é que o apoio permanente que veio das bancadas empurrou Jardel e seus pares para a vitória. Fica o exemplo de benfiquistas que ignoram a vozearia mediática daquelas almas penadas que só sabem atacar o SL Benfica."

Pedro Guerra, in O Benfica

Aproveitem, que passa depressa

"Este é o conselho mais repetido pelos antigos alunos do projecto Para Ti Se não faltares! quando se dirigem aos mais novos nas sessões de lançamento do projecto deste ano lectivo. Do lado de lá, sentados com olhos que brilham e sorrisos que iluminam, estão dezenas de jovens a absorver todos os sinais que lhes satisfaçam a curiosidade do que por aí virá neste projecto fantástico que chegou à escola deles e onde já fizeram a sua primeira conquista: serem os seleccionados do ano. Do lado de cá, directores da escola e da Fundação, responsáveis autárquicos e institucionais demonstram a importância do momento perante os jovens e as suas famílias. Não se mostram enfadonhos e distantes, mas adultos bem-dispostos com mensagens motivadoras que respeitam os jovens enquanto tal, pondo-lhe opções sem obrigação nem discursos punitivos, substituindo a coercividade pela conquista e coroando o reconhecimento com a premiação de desempenho.
A meio, uma equipa de professores, monitores e o mister mostra ao que vem, com ar afável e cúmplice de múltiplas caminhadas, a par com os jovens, transpirando um merecido orgulho em cada um e na equipa que se sente na sala e que inebria positivamente pais e alunos. Já há, entre os monitores, técnicos da Fundação Benfica que foram alunos do Para ti Se não faltares! em anos passados, e os jovens sabem disso. São tratados como técnicos que são e estão lá porque conquistaram o lugar e têm todas as competências para o exercer. Isso reforça ainda mais a veracidade do que afirmamos e faz os jovens acreditar, por efeito demonstrativo e testemunhos na primeira pessoa, que falamos a sério quando dizemos que vemos o seu potencial e investimos nele com confiança. Em suma, a atmosfera é construtiva, e o oxigénio é Benfica. Estão, portanto, reunidas as condições para mais um ano de sucesso, venha ele!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Rigor e equilíbrio

"Falo do que sei - e, por vezes, é preciso dizer o que mais nos custa... - nos dias que vão correndo, cada vez menos o Jornalismo se vai concedendo a si próprio o respeito que, em democracia, lhe deveria ser atribuído. Nestes ambientes do Jornalismo Desportivo, então, em que hoje em dia, já de si, germinaram fulgurantemente tão diversas e desvairadas declinações conceptuais, nem sempre é fácil manter o equilíbrio de análise, e nem sequer, mesmo, a própria correcção de procedimentos a favor do que há de mais essencial na prática jornalística: o respeito pela verdade dos factos e as interpretações que deles devemos fazer, sem preconceitos ou estigmas.
Dir-se-ia que o exercício do Jornalismo de Redacção, sendo obrigatoriamente coligido e exercício em cenário de conjunção, vive, muito naturalmente, da tensão dialética que se estabelece entre o exercício da Liberdade individual e a integração de desempenhos dos jornalistas que, em ambiente colectivo, deve definir o estilo e a marca distintiva de cada órgão de informação.
No entanto, como é hoje bem patente, nos cenários de informação desportiva das televisões, dos rádios e dos jornais, essa prática do Jornalismo sério, que devia ser baseada em princípios tão primordiais, como a ética, e deontologia e o espírito da equidade, deixou de ser respeitada e vivenciada.
A cada dia, a cada jornada do campeonato, em vez da equidade, da deontologia profissional e da ética, campeiam os modelos despudoradas de campanhas negras, de insultuosas gritarias, de rumores insidiosos, de rematadas calúnias e de manhosas opiniões não fundamentadas, como até, de falsas notícias, tantas vezes bolçadas sob a capa dos mais abastardados pretextos de 'defesa' de clubismo, mas afinal completamente espúrios ao espírito do verdadeiro fair play desportivo...
Diante, em face das tristes realidades envolventes que são vergonhosos sinais do tempo corrente, mais orgulho sentimos que o nosso Jornal, ainda mais do que constituir um glorioso ícone do Clube, dadas as circunstâncias se esteja a afirmar como raríssimo bastião de acolhimento ao Jornalismo de verdade, considerando o rigor factual e o equilíbrio informativo que entendemos dever salvaguardar perante quem nos lê, em especial, perante os dedicados leitores Benfiquistas."

José Nuno Martins, in O Benfica

A quanto é que está a tocha este ano?

"Ora pensem lá se a justiça desportiva em Portugal não é uma coisa muito esquisita. É que umas vezes dá-lhe para um lado e outras vezes dá-lhe para o outro. Para o outro lado, obviamente. Por exemplo, ainda esta semana foi comprovado pelas vias oficiais que o preço da tocha nunca é o mesmo de ano para ano. De acordo com o mapa de castigos do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol foi o Sporting multado em 15 mil euros pelo lançamento de tochas da bancada para o relvado por ocasião do jogo com o Vitória de Guimarães em Alvalade no fim do mês passado. O próprio Sporting, e muito bem, veio logo a público condenar o lançamento de "uma tocha" na direcção do seu guarda-redes Renan e o uso de "fumos" no sector A16.
No capítulo das coisas esquisitas da nossa justiça desportiva, este é um caso em que se pode constatar como, de um ano para o outro, o preço da tocha aumentou imenso para os conselheiros da disciplina da FPF. As tochas, no plural, que caíram sobre o guarda-redes Rui Patrício numa tarde de Maio de 2018, atrasando o início de um derby, valeram ao Sporting uma multa de 3.825 euros que, comparada com esta multa de 15 mil euros pela tocha, no singular, que tombou na área de Renan e mais uns fumitos, é a prova provada da suprema inflação da evidência da tocha no quadro disciplinar do futebol português. Se, por defeito, apontarmos para 50 tochas caídas sobre Rui Patrício em 2018 ficou cada tocha a 76 euros, uma multa-pechincha, convenhamos.
A quanto é que está a tocha este ano? – é, portanto, o que os clubes devem perguntar ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol a cada início de temporada. É que não faz sentido que uma chuvada torrencial de artefactos flamejantes sobre o guarda-redes da selecção nacional valha menos 11.175 euros, em termos de coima, do que uma tocha sobre o Renan que até é um rapaz bastante simpático o que nem vem para o caso. Por este caminho, não há jurisprudência que se aguente e isso, isso é que é mesmo um grande problema.
A nossa selecção não joga sempre como jogou anteontem contra a Lituânia porque a nossa selecção não joga sempre contra a Lituânia. Tão simples.
A Federação Inglesa de Futebol suspendeu Bernardo Silva por um jogo e multou-o em 58 mil euros. Está resolvido o caso Conguito que, falando a sério, nunca foi caso nenhum. A Federação Inglesa de Futebol, se calhar, até está convencida de que está a combater o racismo ao punir desta forma o jogador internacional português. Mas não está. Uns, em defesa do "establishment" classificarão de "politicamente correta" a decisão da Federação Inglesa de Futebol. Mas nem sequer é isso, seja lá o que isso for. Mais do que estúpida a decisão da Federação Inglesa de Futebol é que é, por absurdo, a descambar para o vagamente racista. Ou não será? Ora pensem lá."

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Fundamentalismo? Não obrigado!

"O castigo imposto pela federação inglesa de futebol a Bernardo Silva - um jogo de suspensão, 50 mil libras de multa e presença numa acção educacional individual - representa um rude golpe na luta contra o racismo, porque abre a porta a um fundamentalismo que inevitavelmente concorrerá para a descredibilização de tão nobre demanda. Os tempos andam perigosos e a ditadura do politicamente correcto faz-se sentir nas mais variadas áreas da sociedade, elevando a hipocrisia à categoria de arte, praticada por quem se preocupa apenas com a forma e não com a substância. E, quanto à substância, neste caso de Bernardo Silva, não há quaisquer dúvidas e até a comissão que avaliou a situação concluiu que o tweet do jogador português «não tinha intenção de ser racista ou ofensivo, em nenhuma forma». Então, se não houve intenção racista, muito menos o destinatário do tweet se sentiu ofendido, estamos a falar de quê?
O futebol, de há vários anos a esta parte, tem sido um instrumento eficaz na luta contra a discriminação, seja de raça, de religião, de género ou de opção sexual. As acções, de enorme visibilidade e grande eficácia, começaram no consulado de Blatter (que entre, muitas tropelias também fez coisas dignas de reconhecimento...) e mantiveram-se como bandeira do desporto mais popular do mundo. Mas o futebol, em nome desse tremendo crédito que somou, deve precaver-se contra as investidas radicais, que nunca acabam bem. O que foi conseguido não pode ser desconsiderado pelo medo, que tolhe muitos decisores, de irem contra a horda hipócrita que vive do politicamente correcto."

José Manuel Delgado, in A Bola

Pensar no futuro amanhã

"Os jogos em Portugal são maus, mauzinhos, às vezes péssimos. Este ano, tirando a excepção nacional do V. Guimarães e a europeia do SC Braga, a qualidade exibicional dos restantes quase que roça o indigente. É triste, mas é verdade. A falta de dinheiro em relação aos grandes campeonatos europeus é uma parte da explicação, mas há outros que nada têm a ver com isso. O principal passa por muito poucos se preocuparem com uma estratégia global para o futebol nacional que terá de estar relacionada com a diminuição do fosso dos candidatos ao título para os restantes e isso apenas se fará caso os mais pequenos tenham direito a verbas mais simpáticas provenientes da TV. Há quatro/cinco anos perdeu-se uma oportunidade para que isso tivesse sido feito e a factura chegou agora. Os grandes ficaram com as fatias de leão do bolo e os outros com as migalhas. Cavaram um fosso interno mas na Europa é o que se vê esta temporada, com o Benfica em dificuldades na Champions e o FC Porto a deslizar como há muito não deslizava na via uefeira - falo destes porque são os mais fortes concorrentes ao título. A Liga até pode ser mais ou menos competitiva, mas o ritmo e a intensidade são completamente diferentes para as principais europeias, pelo que as equipas portuguesas, quando chegam aos grandes palcos, padecem de um medo cénico que tanto pode ser suportado na consciências das suas dificuldades como na de enfrentar alguém que se não é melhor do que ele, pelo menos tem quase a mesma dimensão. No fundo, é como os adolescentes se sentem na fase de puberdade, com todos os fantasmas e sombras que lhe assolam a existência, olhando para um futuro incerto no qual, muitas vezes, não preferem pensar com grande profundidade. Mas não há volta e dar e têm de sair do armário. Tal como o futebol português. Tem de deixar de pensar no futuro amanhã. Porque quando chegarem ao futuro, se calhar, a vida e o sucesso já passaram. E ontem já era tarde."

Hugo Forte, in A Bola

A concentração dos melhores

"Nos países de menor dimensão populacional, em que o futebol de formação tem jogadores com potencial, é cada vez mais comum que a composição da selecção A seja composta por elementos de vários clubes. A capacidade económico-financeira dos de maior dimensão permite-lhes contratar os mais capazes, e dessa forma elevar o nível da sua competição interna e também ajudam a elevar a prestação desportiva desses futebolistas, e assim a tornar as selecções nacionais dos de menor dimensão com mais, e melhor, soluções. As competições internacionais de selecção têm hoje mais equilíbrio do que aquele que existia antes desta globalização.
O mesmo já não acontece nas competições internacionais de formação, e muito menos no escalão inicial. Normalmente, nos pequenos países, existe um núcleo mais restrito de clubes que estão representados. Na última terça~feira a selecção de sub-17 iniciou a fase de apuramento para o Europeu da categoria, em Viseu, e apresentou no seu onze inicial jogadores de 8 equipas, 6 nacionais e 2 franceses, sendo que nenhuma delas estava representada por mais que 2 jogadores. Um facto que passou despercebido a muitos, mas que merece a atenção devida. Não para retirar qualquer tipo de dividendos, nomeadamente em relação ao processo de observação de jogadores, antes para percebemos que quanto mais as competições forem equilibradas maiores são as probabilidades de potenciarmos os talentos emergentes. Este talento existe no litoral e no interior, no norte e no sul, dentro e fora de Portugal.
Para termos futuro na competição internacional torna-se fundamental melhor o nosso processo interno. A competição deve ser adequada ao nível do praticante e o mais equilibrada possível. Depois, a concentração dos melhores faz-se no espaço das selecções nacionais."

José Couceiro, in A Bola

Cadomblé do Vata (modo FM...!!!)

"Possivelmente vou surpreender uns ou chocar outros, mas podem parar de matraquilhar nas calculadoras, o SLBenfica está irremediavelmente condenado na Liga dos Campeões 19/20. Neste momento, precisamos de uma conjugação de resultados tão perfeita quanto improvável e colocamos-nos numa situação europeia tão grave que na próxima jornada, para além de ganhar em Leipzig, as nossas esperanças de termos uma ínfima hipótese de seguirmos para os oitavos de final da Champions residem numa vitória russa sobre o Lyon e para mantermos intactas as possibilidades de irmos para a Liga Europa precisamos que o Lyon saia vitorioso da Rússia. Portanto, conforme corra na Alemanha, tanto podemos ser russos desde pequenos ou ter duas costelas gaulesas desde a infância.
Tendo em conta o panorama altamente sombrio que nos aguarda para as duas últimas rondas da competição, não restará ao Glorioso outra opção que não seja "fazer boa figura" e neste caso já nem é "ganhar os dois jogos". A derradeira tarefa para este ano é engolir o orgulho e sacar no mínimo, duas vitórias morais. Entrar em modo "safoda" e jogar à maluca, enfiar o "Manual da Champions Para Coninhas" numa gaveta, partir as grilhetas tácticas, esquecer os calculismos atávicos e entrar em campo como se estivéssemos na festa de aniversário da esposa do Uribe. Muito provavelmente vai dar merda igual à dos últimos 15 jogos, mas na posição em que nos encontramos, já me contento se for uma merda com cheiro diferente.
Assim e porque claramente, o Bruno Lage precisa da minha ajuda, fica aqui o 11 titular para sairmos dos dois últimos jogos com alguma honra e aquela terrível sensação de que aprendemos com os erros e para o ano vamos varrer aquilo:
GR: Odysseas - não só está a fazer uma belissíma temporada, como também fala alemão e eu ainda não estou preparado para ver a nossa baliza entregue a um tipo com uma marreca maior do que a do Iordanov. Para além disso, se houver traulitada, dá sempre jeito ter um russo no banco.
DD: Tomás Tavares - "quer-se d'zer" não vamos andar os 4 jogos a sério a jogar com o puto e depois quando entramos em formato "se é p'á desgraça, é p'á desgraça", é que nos lembramos "ah esperem lá que o Almeida é melhor".
DC: Rúben Dias - neste momento é o nosso CR7. Ele e mais 10. A não ser que o Gabriel esteja ainda azamboado da viagem para os Açores e aí é o Rúben e mais 9.
DC: Ferro - nota-se que sofre um bocado contra avançados fortes fisicamente, mas se vamos acabar isto a participação a desbravar para a loucura, convém ter um gajo lá atrás que quando tem a bola no pé, sabe o códio postal dos colegas mais avançados para lhes a endereçar.
DE: Nuno Tavares - dois Tavares lançam logo a confusão no adversário e começo a achar um desperdício do cacete o Grimaldo ser só lateral. Isso e já estou cansado de ver a nossa pressão sobre a saída de bola do adversário morrer no pirulito "mete a bola no extremo direito que ele ganha de cabeça ao pequenote espanhol".
MD: Pizzi - se não jogar o Bruno Lage é um idiota porque ele é indispensável. Se jogar o Bruno Lage é um idiota porque ele só serve para defrontar o Tondela e o Santa Clara.
TR: Gabriel - não tem metade da capacidade de recuperação de bola do Tino ou do Samaris, mas é o único com arcaboiço físico para enfardar umas favolas em adversários europeus e ficar-se a rir. Isso e ser dos poucos que com bola, não se assusta quando um rival olha para ele.
MC: Grimaldo - "ah e tal adaptações patetas de Football Manager". Certo, mas é o único jogador do Benfica que na Europa domina uma bola pressionado e tem velocidade de raciocínio suficiente para decidir o que fazer com ela. E como é defesa, também tem espírito combativo.
ME: Jota - honestamente, não tenho muita paciência para o Cervi. E também está na altura de saber se dá para contar com o Jota ou se temos que começar já a tratar do empréstimo para Janeiro. Ao menos que vá lá à Champions, faça meia dúzia de reviengas inconsequentes e dê ar de quem vai rebentar com a competição na próxima temporada.
AV: Pequeno Francisco - escusamos de inventar com jogadores fortes fisicamente, porque nada do que temos para lá meter, impõe qualquer respeito aos nossos adversários. Sendo assim, é assumir o handicap físico, bolinha no chão e tentar transplantes de rins.
PL: Raúl: a este nível não se fazem brilharetes com as limitações técnicas de Seferovic nem com a modorra mental que Vinicius demonstrou em Lyon. À falta de melhor argumento, joga por exclusão de partes, mas também porque sabe que a bola é redonda."

Bernardo Silva merece mais protagonismo

"Onde se fala de um rapaz normal a quem aconteceu nascer com um dom extraordinário para jogar futebol

Não há em Portugal outro jogador como Bernardo Silva: não há outro jogador com a inteligência e a técnica refinada de Bernardo Silva.
Por isso, porque é um rapaz normal a quem aconteceu nascer com um dom extraordinário para jogar futebol, o esquerdino pode jogar em qualquer posição e vai fazê-lo bem.
Pep Guardiola, por exemplo, insiste em coloca-lo encostado à linha do lado direito, com liberdade para procurar espaços mais interiores em diagonais cheias de curvas e contracurvas.
Fernando Santos, por outro lado, tem também aproveitado o talento do jogador para fazer o mesmo: coloca-lo a partir do lado direito, para procurar espaços interiores em diagonais.
Essa estratégia, porém, está longe de extrair de Bernardo Silva tudo o que ele tem para dar.
Até por a explosão ser o menor dos talentos, ele ganha muito mais quando arranca de trás com a bola colada ao pé e espaço para inventar, em vez de receber a bola em velocidade no último terço.
O jogo desta quinta-feira com a Lituânia, aliás, tal como já tinha acontecido por exemplo com a segunda parte do jogo com o Uruguai no Mundial 2018, mostraram que Bernardo Silva sobe um ou dois patamares quando joga solto no meio, como 10, recuando dois ou três metros no terreno.
A exibição do jogador do Manchester City frente à Lituânia foi aliás lapidar: jogando com total liberdade, fez um golo, uma assistência e ainda esteve na origem de mais dois golos.
Fez cinco passes chave, criou duas ocasiões claras de golo e teve 94 por cento de precisão de passe.
O que me leva a concluir o óbvio. O Bernardo vai jogar bem em qualquer posição, mas o talento dele não merece apenas palma e boas exibições: merece fantásticas exibições.
Merece ovações. Merece enfim que se respeite um dom excepcional."

Agarra, que é ladrão de golos!

"«Ramsey esticou a perna, roubou o golo a Ronaldo, e pediu-lhe desculpa.»
Esta notícia da semana passada, que passou despercebida à maioria do público, vem revelar dois problemas sérios do futebol: há grandes notícias futebolísticas que passam despercebidas à maioria do público e, mais importante que isso, traz à liça esse flagelo que assola o futebol mundial, que é o roubo de golos entre jogadores.
Antes de mais, roubar é feio. Roubar golos então é horrível, e roubar golos ao Ronaldo é um crime que devia dar pena de prisão à perna do jogador que praticou o furto.
«Perna criminosa de Ramsey, apanhada em flagrante delito a roubar a Cristiano Ronaldo um golo novinho em folha, ainda por estrear, em cima da linha, foi condenada a cinco anos de prisão na cadeia do Linhó. Deverá ficar em regime de isolamento, afastada de pernas que roubam cruzamentos e penaltis, dada a maior gravidade do seu crime.»
E pronto, a ver se fazia outra quando saísse. Era o fazias.
Até porque lá na prisão de pernas aquilo não deve ser bonito. O que não faltam é histórias de violência entre gangues de pernas rivais, pernas violentadas nos chuveiros, ou pernas sodomizadas pela sua perna companheira de cela. Ficava-lhe o ensinamento para a vida e não voltaria a furtar golos, a bandida.
Tudo bem que o Ramsey até pediu desculpa ao Ronaldo, mas isso não apaga o crime. Quando o Ronaldo chegou a casa como é que justificou à Georgina que trazia um golo a menos?
«Ah e tal, quando a bola ía a entrar, o Ramsey e a sua perna larápia roubaram-me o golo, golo esse, vê lá tu, que eu ía trazer para pôr em cima da lareira, que chatice. E cheguei tarde a casa porque tive de ir à esquadra fazer o depoimento contra a perna, môr.»
Ou muito me engano, ou a Georgina não ficou contente.
É então, com profunda revolta, que utilizo este espaço para dar eco a milhares de pessoas que, como eu, gritam basta! Basta deste furtar vilanagem entre colegas de profissão! É uma prática que se tem vindo a generalizar, mas que repudiamos veementemente! E quando se repudia veementemente, é porque é mesmo a sério.
Precisamos de policiamento à entrada das balizas. Urge o destacamento de agentes à paisana dentro da pequena-área. Com estes roubos à perna armada depois admiram-se que haja jogos que acabam sem golos, e que as pessoas deixem de ir aos estádios. Pudera. Se levam os golos também hão de nos levar o dinheiro, os relógios e o resto dos tarecos.
Acima de tudo, isto de roubar golos é chato. Transtorna uma pessoa.
Um jogador treina bem durante a semana, come equilibradamente, deita-se cedo, antes do jogo faz um bom aquecimento, e aos 35 minutos vai abanar as redes adversárias e pumba, já foi! Um jogador com uma perna gatuna dá o golpe e ao intervalo o golo já está à venda no E-Bay. É nojento, é indigno e é dinheiro sujo, seus calhordas!
E atenção: isto são apenas os casos que conhecemos. Quantos golos mais modestos não são surripiados a jogadores das ligas amadoras, por colegas de profissão com pernas com menos escrúpulos, e depois levados para o mercado negro de golos para se fazer sabe-se lá o quê com eles? Só de pensar nisso até fico doente. Há indivíduos que me enojam, pá.
Chega. Basta. É vergonhoso. Até quando vamos tolerar isto? Quanto tempo teremos de ficar à espera até que a FIFA se pronuncie?
Aguardamos ansiosamente uma tomada de posição sua, senhor Gianni Infantino. O futebol assim o exige. E os donos dos golos também."

A um passo da Fase de Grupos da Champions

"O SL Benfica está a apenas uma fase – e a um passo – de conseguir alcançar a Fase de Grupos da Liga dos Campeões de Voleibol, logo na primeira participação na prova. Depois de ultrapassar os bósnios do Mladost Brcko e os montenegrinos do OK Budva, os encarnados têm apenas de ultrapassar o último obstáculo, os croatas do Mladost Zagreb.
Na primeira ronda, o Benfica passou com distinção o Mladost Brcko tanto no jogo em casa como no jogo fora de portas. Os comandados de Marcel Matz venceram ambos os jogos por 3-0 sem dar muitas hipóteses aos bósnios.
A segunda ronda trouxe nova viagem ao Leste Europeu, mas desta vez a Montenegro. No primeiro jogo em Lisboa, os encarnados venceram por 3-0 e ficavam apenas a faltar vencer dois sets para marcar presença na terceira ronda. O Benfica ainda começou a perder o jogo, mas, rapidamente, tomou conta dos destinos do jogo e fechou-o por 1-3.
Agora, na ronda que dá acesso à fase de grupos, os comandados de Marcel Matz têm nova viagem marcada ao Leste Europeu com Zagreb (Croácia) a ser o próximo destino. As águias têm o primeiro jogo em casa e o segundo em solo croata.
O próximo adversário, o Mladost Zagreb, tem a particularidade de também vir da mesma fase do que os encarnados: a primeira ronda de qualificação. Os croatas contam com uma derrota no percurso até aqui, que pouco ou nada conta porque já tinha conquistado o lugar na fase seguinte sem precisarem da vitória.
No primeiro jogo da competição, Marcel Matz, treinador encarnado, disse que a sua equipa «não entrou para brincar». E estamos a ver isto mesmo, porque o Benfica ainda não perdeu qualquer jogo e só concedeu um set numa competição totalmente nova para os encarnados. O treinador brasileiro veio revolucionar a modalidade em Portugal e tem tudo para construir um grande legado do voleibol tanto no clube como no próprio país. Aliás, acredito que já esteja a ser feito.
Esta é uma equipa com muito potencial, que tem valor e também tudo à sua disposição para conseguir estar no lote das melhores equipas da Europa nesta competição. Resta agora ultrapassar “o bloco croata”, conseguir os “sets” necessários para estar na Fase de Grupos da Champions e continuar a escrever história na modalidade."

Universo Paralelo: Águias vencem blues e voltam a voar alto na Europa

"15 de maio de 2013. A Amsterdam Arena – actual Johan Cruyff Arena – era o palco de mais uma final da UEFA Europa League, com mais de 46 mil espectadores nas bancadas.
Os comandados de Jorge Jesus defrontavam uma equipa de estrelas, com o tridente ofensivo Lampard, Mata e Ramires a representar a maior ameaça à baliza defendida por Artur Moraes.
Os primeiros 45 minutos do jogo foram muito disputados a meio campo, com nenhuma das equipas a conseguir assumir o comando do jogo. O metro quadrado estava caro, sendo que os homens de Rafael Benitez utilizavam o contra ataque como a sua principal arma. No entanto, o nulo permanecia ao intervalo.
A segunda parte foi diferente. O Benfica entrou mais pressionante, sendo que nos primeiros dez minutos já tinha feito mais remates do que em toda a primeira parte. O único obstáculo ao assédio encarnado às redes da equipa londrina era Petr Cech, que estava em noite inspirada.
No entanto, ao minuto 68’, César Azpilicueta joga a bola com a mão dentro da área, levando Bjorn Kuipers a apontar para a marca dos 11 metros. Oscar Cardozo assumiu a responsabilidade e colocou os encarnados na frente do marcador.
As “águias” não tiraram o pé do acelerador e acabaram mesmo por dilatar a vantagem com um cabeceamento de Luisão, a passe de Nico Gaitan, já no período de descontos.
Os comandados de Jorge Jesus punham, assim, fim à maldição de Bella Guttman – o último treinador a conquistar um título europeu pelo Benfica, em 1962 -, que durava já há mais de meio século.
A comitiva encarnada, liderada por Luís Filipe Vieira, foi recebida em apoteose no dia seguinte. O tão afamado “Benfica Europeu” voltara, sendo que os encarnados marcavam assim o início de uma nova era na Europa."

Balanço das modalidades colectivas

"Está aí à porta mais um fim de semana bem recheado de jogos das modalidades colectivas de pavilhão e o momento pode ser aproveitado para se fazer um breve balanço.
Nos masculinos, o Futsal é líder da Liga Placard e realiza este sábado o último jogo antes de rumar ao Cazaquistão, a fim de lutar por um lugar na final four da Liga dos Campeões. O adversário é o Viseu 2001. A melhor defesa (16) e o segundo melhor ataque do Campeonato (54) entra em campo a partir das 20h45. Só depois as atenções serão viradas para a Champions League.
A regularidade também é a imagem de marca da equipa de hóquei em patins neste arranque de temporada. Líderes isolados do Campeonato com o melhor ataque (28 golos) e apenas 4 sofridos. Na Liga Europeia, o conjunto treinado por Alejandro Domínguez goleou e também não consentiu nenhum tento na 1.ª jornada (14-0 ao Herringen), cumprindo este sábado (20h00) o encontro com o Sarzana, em Itália, em mais uma ronda internacional.
O Andebol tem igualmente um jogo europeu de extrema importância neste sábado (17h00), após ter regressado às vitórias no início da semana para o Campeonato, prova em que há ainda um longo calendário pela frente e com vários confrontos entre os adversários directos. O objectivo de chegar à fase de grupos da Taça EHF passa por superar os croatas do RK Nexe, conjunto que tem outras armas comparativamente ao Dubrava, afastado na ronda anterior. O jogo da 2.ª mão na Luz, a 23 de Novembro, deverá assumir um carácter decisivo na questão do apuramento.
O Basquetebol, apesar de estar a ter algumas lesões no plantel, é líder na FIBA Europe Cup com três vitórias e uma derrota, estando muito próximo de carimbar a presença na próxima fase da prova. No capítulo interno, a equipa já defrontou aqueles que são considerados os candidatos à disputa do título nacional (Oliveirense, FC Porto e Sporting), tendo um registo de 5 vitórias e 1 derrota, o que lhe permite estar em boa posição para alcançar a liderança – como é desejo – nesta fase regular. Este sábado há mais um jogo, na Luz, desta vez com o Terceira Basket (15h00).
O Voleibol segue 100% vitorioso, facto ainda mais assinalável devido à participação na fase de qualificação para a Liga dos Campeões. A equipa treinada por Marcel Matz não tem tempo a perder e volta a jogar já neste domingo diante do CN Ginástica. O jogo começa às 19h00 e as águias procuram o sétimo triunfo no Campeonato.
As equipas femininas continuam também a vincar bem o seu papel no universo ecléctico do Clube. O Futsal, o Hóquei em Patins e o Andebol estão na frente dos respectivos campeonatos nacionais da 1.ª Divisão, tal como acontece com o Voleibol na 2.ª Divisão. O basquetebol feminino prossegue a sua consolidação relativamente à época transacta para estar bem nos momentos de decisão. Ocupa o 8.º posto, no entanto, tem menos um jogo realizado, a cumprir só na próxima semana.
Neste fim de semana que vem aí, o Hóquei em Patins tem dois jogos para cumprir (sábado às 16h00 em Infante de Sagres e domingo às 18h00 com o Azerede na Luz), enquanto o andebol joga para os 16 avos de final no recinto do ND Santa Joana, num encontro com início marcado para as 15h30 deste sábado.
Para domingo estão reservados os jogos a contar para o Campeonato de voleibol – recepção em casa ao Gueifões pelas 15h00 – de futsal – deslocação ao pavilhão do Sporting pelas 21h00.
Em suma, o nosso ecletismo continua bem activo e pronto para dar muitas alegrias aos Sócios, adeptos e simpatizantes do Sport Lisboa e Benfica. #PeloBenfica.

P.S.: Todas as semanas chegam dezenas de solicitações de órgãos de comunicação internacionais que querem dar a conhecer os segredos por trás do sucesso do trabalho realizado no Benfica Campus. Só nos últimos dias estão programadas visitas do Wall Street Journal, do Bild e da Agencia EFE. O rumo, a visão, o planeamento estratégico e a forma como na prática se concretizou tudo isso, conciliando o crescimento das infraestruturas com a aposta nos recursos humanos e inovação tecnológica, são sempre as áreas mais referidas. Motivo de orgulho para todos os benfiquistas!"

Cervi...

Coluna semanal...

"Uma análise semanal sobre pequenos pontos relacionados com o Benfica que me fui lembrando durante a semana.
1. Yony Gonzalez. Tudo indica que será o primeiro jogador a assinar pelo clube em Janeiro. O Fluminense não está na minha watchlist. Mas o Flamengo está. Vi o FlaFlu há coisa de um mês. O Flamengo venceu por 2-0. Nenhum jogador do Fluminense ficou-me no memória e o Yony jogou nesse jogo. É um jogador com um nível técnico abaixo da média e também não é um jogador que se envolva na construção de jogo. Onde se destaca mais é sobretudo pelo físico. Tem 16 golos marcados esta época, a maior parte deles marcados no Campeonato Paulista. Ou seja, não é um jogador para entrar no 11 titular do Benfica. Na verdade acho até que iria acrescentar menos do que aquilo que alguém da B seria capaz de acrescentar. Apesar de já ter 25 anos, esta eventual contratação tem todo o aspecto de ser mais uma daquelas que compramos, emprestamos e eventualmente tentamos vender mais caro, como o Oscar Benítez (onde temos 4M enterrados empatados numa equipa do México), João Amaral, Luís Fariña (que oferecemos ao Aves), Jorge Rojas ou Francisco Vera (que já nem joga futebol).
2. Mercado de Janeiro. Não me consigo lembrar do último grande reforço do Benfica em Janeiro. Por isso, as minhas esperanças relativas a um/dois bons reforços em Janeiro são limitadas. No entanto, a leitura que faço é que tudo está dependente daquilo que vão ser os próximos dois jogos na Champions League. Se ficarmos em último, o Benfica fica com um jogo por semana até ao final da época, num Campeonato onde tem 10 vitórias em 11 jogos. Os reforços são necessários, mas deixam de ser urgentes neste cenário. Reforços em Janeiro vêm sempre com um premium no preço.
3. Comprar para vender mais caro. Esta estratégia de mercado é muito bem utilizada pela Juventus. E é uma que nós temos andado a tentar seguir. As mais-valias até aparentam existir, apesar de ninguém saber ao certo porque não nos dão os números. Mas a verdade é que o Benfica não tem capital infinito para ter múltiplos projectos a correr simultaneamente. O dinheiro gasto em Cádiz, Caio Lucas e eventualmente em Yony, dava para pagar o salário que o João Félix aufere no Atlético. Não tínhamos os 120M, que também não utilizámos, mas tínhamos um talento geracional que nos garantia outro jogo, tínhamos mais vários milhões em prémios da Champions e eventualmente, para os fãs de grandes vendas, até podia ser vendido mais caro no futuro.
4. Voleibol. A equipa de Voleibol garantiu na Quinta-feira o apuramento para a última fase de Qualificação da Champions League. Batemos o Budva de Montenegro. Vários jogadores estiveram em destaque. Tiago Violas é provavelmente um dos melhores distribuidores do mundo. Talvez se tivesse um serviço mais forte, estaria a jogar numa das melhores equipas do mundo. Hugo Gaspar é a inspiração da história do filme "O Estranho Caso de Benjamin Button". Agora vamos apanhar o Mladost da Croácia. A Croácia tem um ranking mundial pior que Portugal. No entanto esta equipa do Mladost tem um sérvio capaz de fazer diferença que é o Stefan Kovacevic e ainda o Ivan Raic que passou por vários campeonatos de grande nível antes de regressar a Zagreb esta época. O Benfica parte com um ligeiro favoritismo. Mas a ausência de Rapha por lesão pode pesar. Vamos ver se ele recupera a tempo. Se ganharmos, estamos na Fase de Grupos da Champions League. Se perdemos, caímos para a CEV Cup."

Seferovic... Campeão do Mundo... há 10 anos!!!

O Brinco do Baptista #19 - Manual para encontrar O Brinco do Baptista

Fever Pitch #25 - Vizela...

O lado bom da derrota

"Tendemos a lembrar-nos do passado a propósito dos momentos de glória, das recordações do pódio, das comemorações e do prestígio ganho, mas o que nos faz realmente crescer são as dificuldades e sobre esse tema tornei-me especialista.
Todos temos a nossa jornada de heróis, enfrentamos dificuldades, e comigo não tem sido diferente. As incontáveis derrotas ao longo da carreira desportiva, a morte da minha mãe quando tinha apenas 16 anos, as dificuldades financeiras, as lesões em momentos em que me sentia no auge e a depressão por não participar nos últimos Jogos Olímpicos foram os períodos que tive de superar, mas também me fizeram amadurecer e aprender imenso.
Essas circunstâncias mostraram-me essencialmente que tudo na vida é transitório, há muitas perdas inevitáveis e, por isso, é necessário entrega, crença e vontade de lutar com o coração. É aí que reside a satisfação e a vitória estabelecida por mim, e isso nada tem a ver com medalhas ou troféus, mas ao mesmo tempo dá-me forças para trabalhar pelos meus objectivos e fazer tudo o que estiver ao meu alcance para concretizar o sonho de ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos.
O meu valor como pessoa não está entre ganhar e perder. O resultado de uma competição é apenas a combinação de muitas variáveis e do meu desempenho naquele determinado momento. Se perdi não quer dizer que sou uma pessoa ruim ou a que minha adversária é melhor que eu.
Actualmente posso desfrutar das minhas emoções, procuro entender os meus sentimentos e, principalmente, o motivo de os estar a sentir. Não os reprimo. Isso faz com que eu tenha pequenos lutos nas minhas derrotas ou frustrações; mas também consigo adaptar-me às mudanças e rapidamente recuperar o meu equilíbrio de modo a procurar a evolução, incessantemente. Acredito que esse seja um dos caminhos do autoconhecimento.
Por tudo isso, hoje sou capaz de ficar grata por todos os momentos de dificuldade que enfrentei, pois fizeram-me pensar “fora da caixa”, buscar novos caminhos e conhecer pessoas incríveis que me deram a oportunidade de ter experiências enriquecedoras.
Eu sou o motor para criar o meu destino e as dificuldades aparecem como combustível que me faz ir mais além."

Aquecimento... Valido, Bernardo & Matias

Benfiquismo (MCCCLIV)

Preparados...

Vitória em Montenegro...

Budva 1 - 3 Benfica
25-15, 21-25, 23-25, 25-27


Foi mais difícil do que parece: só fizemos 15 pontos no 1.º Set, e no 3.º e 4.º Set's começamos em desvantagem, e só na recta final dos Set's conseguimos passar para a frente...
O facto do Rapha não ter jogado, pode explicar o 'equilíbrio'!!!

Agora, temos os Croatas do Mladost Zagreb. No papel temos tudo para passar, mas nunca se sabe... se mantivermos o nível destas pré-eliminatórias (só perdemos 1 Set em 4 partidas), acredito que vamos passar! Como não podia deixar de ser, temos um calendário 'engraçado': entre a 1.ª e 2.ª mão temos um fim-de-semana com dois jogos, sendo que um, é contra a Lagartada!!!

Benfica: só um terço dá certo

"O Benfica vai contratar mais um extremo no mercado de inverno (Yoni González, do Fluminense) porque Caio Lucas não mostrou qualidade. As contratações falhadas têm sido, nos últimos anos, uma das marcas da SAD liderada por Luís Filipe Vieira. Analisando apenas os últimos cinco verões, desde que, com a saída de Jorge Jesus, o paradigma mudou com uma maior aposta na formação, as águias contrataram 52 jogadores. Deste lote, 14 nunca chegaram a fazer qualquer minuto pela equipa principal: Cádiz, Salvador Agra, Óscar Benitez, Erdal Rakip, Pedro Nuno, Ponk, Patrick, João Amaral, Murillo, Mato Milos, Marçal, Pelé, Arango e Dálcio. Outros dois ainda foram utilizados, saindo da equipa B (Keaton Parks e Kalaica). Sobram 36 que pertenceram ao plantel,que chegaram com esta cadência:
2015/2016: Jiménez, Jovic, Carcela, Grimaldo, Mitrolgou, Taarabt e Ederson;
2016/2017: Rafa, Cervi, Pedro Pereira, Celis, Filipe Augusto, André Horta, Carrillo, Zivkovic, Danilo e Hermes;
2017/18: Krovinovic, Svilar, Gabigol, Chrien, Seferovic e Douglas;
2018/19: Gabriel, Castillo, Conti, Alfa Semedo, Vlachodimos, Corchia, Ebuehi, Ferreyra e Lema;
2019/20: Raul de Tomas, Carlos Vinícius, Chiquinho e Caio Lucas.
Considerando que Zivkovic só num determinado período (em 4x3x3 com Rui Vitória) teve bom rendimento e Taarabt perdeu muito tempo, será consensual dizer que apenas estes foram mesmo reforços: Ederson, Grimaldo, Jiménez, Mitroglou, Rafa, Cervi, Seferovic, Gabriel, Vlachodimos, Carlos Vinícius e Chiquinho.
Ou seja, 11 em 36, uma taxa de aproveitamento de 30,5 por cento. Dito de outra forma: por cada três jogadores contratados, só um dá certo no Benfica."

Fernando Urbano, in A Bola

PS: Carcela teve poucos minutos, mas foi decisivo no título... o Krovi estava a jogar, mas a lesão e a mudança de esquema atrapalharam... Svilar, Ebuehi e o Conti ainda estão cá... e o próprio R.d.T ainda não merece a sentença 'final'... o Taarabt está a jogar... o Gabigol foi um empréstimo...
Portanto 12 em 29, dá quase 50%...
É tão fácil 'brincar' aos números!!!

As longas férias do campeonato

"Pedro Proença esteve na UEFA, numa reunião que envolveu conhecidas figuras internacionais do futebol, para discutir e apresentar propostas que melhorem o jogo e os modelos competitivos. O que quer dizer que o presidente da Liga Portugal esteve no sítio certo para perceber que é urgente mudar a competição profissional no futebol português.
O estado da nação do futebol luso é preocupante e carece dos maiores cuidados. Precisa de encontrar soluções inovadoras, que permitam maior equilíbrio competitivo e melhorem os cansados modelos de negócios; e precisa que se olhe para o calendário de competição com sentido de responsabilidade e vontade de mudança.
Terminada, no final da semana passada, a décima primeira jornada do campeonato maior, a prova só recomeçará no início de Dezembro. Vinte dias de abstinência forçada pela inevitabilidade de jogos da Selecção e pela evitabilidade de jogos das Taças de Portugal e da Liga. O campeonato voltará a arrancar no início do último mês do ano, mas para logo voltar a parar, também por vinte dias, deixando os actores longe do palco do Natal e na passagem de ano, durante a qual, admito, as festas nocturnas não serão tão escrutinadas, mesmo que alguém não resista à tentação de as publicitar numa qualquer rede social perto de si.
De uma coisa estamos nós livres: que o campeonato aqueça demasiado as emoções. Pode ser um factor importante para o sossego da nova autoridade antiviolência que também poderá passar o Natal e o Ano Novo em paz. Só não é um factor importante para a melhoria do futebol português, mas isso também pouco interessa."

Vítor Serpa, in A Bola

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Curriculum...

"É bem provável que muita gente já se tenha esquecido, incluindo o próprio, mas Manuel José, para além de jogador, foi também treinador do Benfica. Diz-me o zerozero.pt que o algarvio tem no currículo um total de 29 jogos a orientar o Maior do Mundo, com um somatório global de 13 vitórias que nem chegam a metade dos jogos dirigidos. Pior que isto, são as 11 derrotas que nos infligiram no reinado do petulante treinador, sendo 8 delas nos últimos 12 jogos.
Haverá certamente quem diga que o indivíduo que actualmente não perde uma oportunidade para rebaixar o Benfica e todos os que trabalham no futebol profissional d'O Clube, teve azar porque entrou a meio de uma temporada que estava perdida e que tanto esta como a que iniciou posteriormente foram na Idade Medieval do Glorioso. Aceito o argumento para a primeira, recuso para a segunda. Manuel José foi o último treinador antes da hecatombe vale-e-azevediana e teve à disposição reforços que vale a pena recordar: o internacional russo Ovchinnikov, o internacional paraguaio Gamarra (escrevi internacional? Erro meu, queria dizer "craque"), Scott Minto, o internacional holandês Taument acabado de sair de Mundial e Europeu pela Laranja Mecânica, o internacional boliviano Sanchez e Nuno Gomes pedidos expressamente por ele e o internacional brasileiro Paulo Nunes que tinha acabado de vencer a Copa América pela canarinha. Luxo em tempos de torneira pinga-pinga.
Durante os Anos do Terror muitos se puderam queixar da falta de qualidade dos plantéis que tinham em mãos. O Manel, que uns bons anos antes de vir mandar bocas foleiras às participações europeias do Benfica, foi eliminado da Taça UEFA pelo fantástico Bastia de França, será dos que menos pode utilizar tal desculpa. Acrescentando apenas Kandaurov, Karel Poborsky e Brian Deane, um tijolo táctico escocês ficou em 2º lugar no campeonato a 9 pontos da liderança, sendo que destes, 8 foram perdidos em 4 jornadas no consulado de D. Manuel, Rei dos Bancos de Suplentes de Portugal e dos Algarves, com currículo repleto de conquistas... no Egipto."

“O Benfica é uma religião, sim, para os benfiquistas. Era, é e será assim. Há crianças que nascem com a camisola do Benfica”

"Chegou a Portugal para jogar no Benfica, ganhou uma Taça UEFA e uma Champions no FC Porto de Mourinho e ainda voltou ao nosso país (do qual tem muitas saudades) em 2008 para dar uma perninha no Belenenses. Jankauskas é o mais português dos lituanos, que um dia foi criticado por trocar a Luz pelo Dragão com uma declaração religiosa pelo meio, e conhece muito bem os dois lados que esta quinta-feira se vão defrontar no Estádio do Algarve (19h45, RTP1). E mesmo que ache altamente improvável a vitória da Lituânia, onde, diz-nos o próprio, o futebol foi completamente esquecido, deixa um alerta a Portugal: cuidado com as bolas paradas

Olá, Edgaras, ou, devo dizer, o mais português dos lituanos.
Ahahaha, talvez, sim. Um dos poucos, pelo menos. Por acaso, na Lituânia conheço algumas pessoas que estão ligadas a Portugal, por o marido ou a esposa serem portugueses. Fiquei muito ligado a Portugal, tenho muito amor pelo país. Para mim Portugal é uma segunda pátria, posso dizer isso. Tenho muitos amigos aí, muitos contactos. Infelizmente não falo diariamente com eles e depois fico com dificuldades para me lembrar da língua...

Mas falas muito bem português.
Custa-me um pouco, mas estou a tentar!

Como é que vais treinando o português?
O melhor treino que tenho é falar com amigos portugueses e às vezes também consigo ler jornais, leio os desportivos. Mas tenho de fazer mais para me lembrar. Se passar duas ou três horas a falar português a língua volta. Agora estou a aprender francês, de forma intensiva.

Ai sim?
Como já falo português, espanhol, inglês, russo, agora falta-me o francês. Falo umas cinco ou seis línguas. Quer dizer, como vocês dizem aí, desenrasco-me!

Vamos agora para o Portugal - Lituânia. Em Vilnius, a Lituânia ainda conseguiu empatar. Em algum momento acreditaste que era possível uma surpresa?
Bom, as surpresas podem sempre acontecer, mas eu sabia que a 2.ª parte ia ser outra música porque Portugal precisava de pontos e empatar com uma equipa com o nível da Lituânia era como se fosse uma derrota. Por isso, eu sabia que iam aumentar a velocidade e o desempenho. Chegou a um momento em que a Lituânia já não aguentou o ritmo e a capacidade técnica e física de Portugal. 

Estavas dividido nesse jogo?
Sim, um pouco. O futebol é um desporto, para mim não há guerras, quem ganha é o melhor. Não fiquei triste porque é normal, Portugal no futebol é muito melhor. Nós só podemos ganhar a Portugal no basquetebol [risos]! No futebol é impossível. Eu sei que havia gente que acreditava, e eu também acredito, mas... é impossível. Quando tens jogadores como o Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, é outro mundo. É claro que nós tentámos, demos tudo e acho que até foi um bom jogo da Lituânia, especialmente na 1.ª parte, quando empatámos e estivemos ali uns 10 minutos quase no mesmo nível. Acho que Portugal foi surpreendido e depois no intervalo tirou conclusões e aumentou um pouco a velocidade. Foi aí que quebrou tudo.

E agora neste jogo de quinta-feira, o que te parece que vai acontecer? Portugal está pressionado.
Sim, está. Eu acho que vai ganhar, mas não vai ser fácil, porque nós também sabemos jogar futebol e a Lituânia vai tentar trazer dificuldades para Portugal. Sei que vão lutar por cada bola. Não vai ser fácil e no futebol as surpresas são possíveis. Mas o favorito é claro e qualquer outro resultado que não seja a vitória de Portugal seria uma surpresa para toda a gente.

Em que aspecto é que a Lituânia pode dificultar a vida a Portugal?
Acho que aqui em Vilnius foi o único jogo em que Portugal sofreu um golo de bola parada, porque os jogadores da Lituânia são altos, físicos e têm agressividade. Por isso acho que Portugal tem de estar atento a isso, às bolas paradas. Porque, tirando isso não somos melhores, nem na técnica nem na tática. Mas nas bolas paradas às vezes tudo depende do carácter, da garra, da paixão.

A Lituânia nunca foi uma potência no futebol, mas agora parece estar mesmo numa grande crise de qualidade. Sendo tu um antigo seleccionador nacional, porque é que achas que não há uma evolução no vosso futebol?
Não estamos a fazer o suficiente para que o futebol cresça. Aqui não há condições boas para crescer: não há um campeonato bom, não há nada, nada. Isto não vai mudar e vai por aí abaixo e já há uns oito anos que é assim. Nos meus tempos de jogador tínhamos muitos jogadores nos campeonatos mais fortes e quando me tornei seleccionador tinha de chamar, sei lá, 16 jogadores do campeonato da Lituânia. Nos meus tempos, quanto muito havia um jogador do campeonato local. E isso faz diferença.

O que é que gostarias de fazer mais pelo futebol da Lituânia?
Eu há 10 anos que falo disto e já estou cansado porque aqui nada muda. O nosso futebol precisa de ajuda do governo, precisa de investimento para melhorar as condições para os miúdos. Vocês viram quando jogaram cá como é o nosso Estádio Nacional. Eu tenho vergonha daquilo. Nada a acrescentar mais: isto é uma vergonha. Não somos capazes de construir um estádio. Eu vi com os meus olhos: o Estádio do Dragão foi construído em 10 meses. E nós, que somos independentes há quase 30 anos, ainda não conseguimos construir um estádio. Temos não sei quantas arenas de basquetebol para 15 mil pessoas e não somos capazes de construir um estádio? É como se este país não precisasse de futebol e isso deixa-me envergonhado cada vez que recebemos uma selecção cá. Mas para o governo é normal, não está nada mal. Eu vi como funciona o mundo do futebol, toda a sua organização, e aqui estamos muito longe.

Ainda vais acabar como presidente da federação...
O presidente da federação é meu amigo [risos]! Jogámos juntos. Ele sabe dos problemas, mas não tem poder suficiente para mudar. Quer dizer, aqui já nem chega mudar, é preciso fazer uma revolução. Destruir tudo e construir de novo, é melhor assim.

Para lá do jogo aí na Lituânia, tens acompanhado a qualificação de Portugal?
Sim, sim. Esta campanha talvez não tenha sido tão feliz, porque a Ucrânia já passou e Portugal precisa agora de ganhar, porque a Sérvia está a apenas a um ponto. Mas Portugal tem uma boa seleção, bons jogadores e tem futuro. É uma seleção muito jovem, mas tem futuro, porque há jogadores de grande nível. E quando ainda tens o melhor jogador da Europa, ou do Mundo até, na equipa, isso dá-te mais confiança.

Quando jogaste em Portugal ainda chegaste a apanhar o Cristiano Ronaldo no Sporting?
Sim, quando joguei no FC Porto lembro-me dele fazer um jogo no Dragão, nós ganhámos. Vi-o a começar, sim. Ele e o Quaresma. Nós falávamos muito sobre eles, porque eram duas grandes esperanças.

E vais acompanhando o campeonato português?
Sim, sem dúvida. Já disse antes, mas Portugal para mim, pá... eu tenho saudades da comida, das cidades, das pessoas, do clima. E tenho muitos amigos e sempre que volto aí, mesmo no estádio do Benfica, sou bem recebido.

Ainda te chateiam por teres saído do Benfica para o FC Porto? E por teres dito que o Benfica era uma religião?
Bem, essas palavras foram um bocado torcidas porque eu disse que o Benfica era uma religião para os benfiquistas. E era assim, é assim e vai ser assim. Há crianças que nascem com a camisola do Benfica! É claro que quando sais do Benfica para o FC Porto muita gente te trata como um traidor e na altura fui tratado mal, fui assobiado, mas é normal. Ser assobiado por 60 mil pessoas não dá prazer a ninguém, nem ouvires certas palavras na rua, mas não estou zangado com ninguém [risos]! O que passou, passou. Quando estive a última vez no Estádio da Luz ninguém me insultou, porque, pá, a gente sabe que isto é futebol. Eu acabei o empréstimo com o Benfica e eles não activaram a opção de compra, até porque o Benfica na altura não era o que é hoje em dia. Estava em transição, não era tão bem estruturado como hoje, um antigo presidente [Vale e Azevedo] até tinha ido para a prisão. Agora é outra coisa, mas na altura o FC Porto era muito mais bem organizado.

O certo é que apanhas se calhar a melhor fase de sempre do FC Porto.
Sim, é provável que sim. Surpreendemos toda a gente. A equipa era recém-construída, com um novo treinador e muitos jogadores sem nome. Não tínhamos nenhuma estrela mundial tirando o Deco, talvez. Ninguém conhecia a equipa e no primeiro ano ganhámos campeonato, Taça UEFA, Taça de Portugal.

E Mourinho, era um treinador diferente?
Sim, era jovem, era humilde, estava muito perto de nós e nunca sentimos que fosse arrogante. Ele não era só o nosso treinador, era também um grande amigo. E essa relação deu frutos, porque nós tínhamos confiança nele, ele dava-nos muita confiança.

Fazes parte das equipas que ganham a Taça UEFA e Champions, mas acabas por falhar as duas finais, primeiro por lesão, depois por opção. Sentes alguma frustração por isso?
É claro que eu queria jogar, mas sempre fui um jogador do colectivo. Só por ganharmos as taças já me sentia feliz. Eu queria jogar, mas o que é que podia fazer? Não podia entrar em campo, tirar o Benni [McCarthy] ou dizer ao José [Mourinho] 'olha, deixa-me entrar'. Infelizmente só onze ou 14 no final do jogo é que podem jogar. Mas eu tentava sempre: não importava se jogava 30 minutos, se jogava cinco minutos, eu tentava sempre qualquer coisa positiva. Ainda conseguia criar uma oportunidade ou até marcar um golo. Dava sempre o máximo e é por isso que sempre tive uma boa relação com adeptos e treinadores. Nenhum dos meus treinadores se queixou do meu empenho, do meu trabalho nos treinos ou comportamento fora de campo. Sempre fui um jogador do colectivo.

Em 2003/04 ainda te cruzaste por alguns meses com o Sérgio Conceição. Tens acompanhado o trabalho dele no FC Porto?
Sim, sentávamos-nos sempre perto um do outro até. Lembro-me bem do Sérgio. Chegou como uma figura, porque tinha tido uma excelente carreira em Itália. Esse ano não foi o melhor da carreira dele, mas acrescentou à equipa. Como treinador, a personalidade dele vê-se na equipa. Ele sempre foi assim, um jogador com muita paixão.

Quando Portugal jogou na Lituânia disseste que o FC Porto era candidato a vencer a Liga Europa. Um par de meses depois, as coisas não estão a correr assim tão bem. Ainda acreditas nesse cenário? 
O FC Porto joga sempre para ganhar. Já o disse muitas vezes, é um clube que foi construído para ganhar. Lembro-me bem de quando o Pinto da Costa entrava no balneário no início da época e dizia que era para ganhar tudo, só falava de vitórias. Nem sempre as coisas saem como queremos, mas sei que o FC Porto vai lutar até onde for possível."

Cérebro e corpo

"Voltou o mito físico. As equipas portuguesas não ganham na Europa? Há um problema de intensidade. Os jogadores mais criativos não garantem vitórias em todos os jogos? Troque-se por robustos, para ganhar duelos. E é ver tantos dos narradores televisivos - até dos muito bons que têm surgido – a sublinhar com entusiasmo e a cada transmissão o “andamento” de uma equipa ou a “potência” de um jogador, como se algum dia Matuidi pudesse valer mais que Pjanic. Leio até que é necessária uma “revolução física” em Portugal e espanto-me, tão longe já estamos do tempo em que o futebol se trabalhava por fatias e como se não fosse verdade o que nos ensina Damásio, que “cérebro e corpo são ingredientes da mesma sopa”. Num certo tempo era a estatura, que os futebolistas cá do rectângulo olhavam alemães e ingleses como se do Gulliver se tratasse. Já não sucede. Depois era a preparação física, com métodos importados que faziam correr mais. Já não há segredos a esse nível e se há coisa que os portugueses exportam é precisamente o saber do treino. Um dos problemas estará mesmo aí, que os melhores treinadores portugueses trabalham quase todos fora do país e a elite, seja qual for a actividade, não passa de uma primeira camada. E sim, há a questão orçamental, que impede maior equilíbrio na Liga, somada a vícios antigos - algum anti-jogo próprio dos latinos ou os concertos de apito próprios dos nossos árbitros - que levam a um tempo útil de jogo que envergonha. Se o problema fosse só de “andamento”, como poderia o Braga ganhar no campo do Wolverhampton ou o Vitória de Guimarães olhar nos olhos o Arsenal e por duas vezes? A questão é bem mais de qualidade que de intensidade.
Para começar, nenhum dos chamados grandes tem sido garantia de espectáculos interessantes. O Benfica foi dominador e rigoroso defensivamente nos Açores? Globalmente sim, como tem sido por regra, no tal registo defensivo que é um paradoxo, quase uma charada: tem uma das melhores defesas da Europa porque não sofre golos em Portugal, mesmo se sofre sempre golos quando joga na Europa. Confuso o suficiente, de facto. Falta intensidade, dizem uns quantos. Acontece que a diferença individual do ano passado para o momento actual tem essencialmente três nomes - Félix, Rafa e (ainda um pouco de) Jonas - e nenhum deles é o protótipo do monstro físico. O FC Porto no Bessa foi intenso e combativo? Foi, como é também quase sempre, mas, nesse como noutros jogos, com futebol mais seguro que formoso, mais competente que criativo, mais rigoroso que inspirador. E não é seguramente por falta de jogadores potentes ou rápidos que a qualidade de jogo portista não tem sido melhor. Aliás, é ver como um jogador do perfil de Nakajima, como de Óliver antes, tenta ir ao encontro de uma ideia de jogo que claramente não caminha ao encontro dele. E o pouco que joga o Sporting não pode ser creditado à fragilidade morfológica de Eduardo e Doumbia nem à falta de robustez dos seus centrais e laterais. Pelo contrário, o melhor que apresenta garante-se na leveza com que a bola circula pelos pés de Bruno Fernandes e Vietto, sendo que nenhum chega a 1,80m, nem provocam juntos qualquer sobrecarga num elevador.
Enquanto isso, talentos óbvios mas sem “arcaboiço” - e esta palavra antiga do futebol ilustra uma certa visão arcaica - como Daniel Bragança, Tiago Dantas ou Fábio Vieira (Vítor Ferreira também serve), esperam que alguém repare definitivamente que lhe sobra em cérebro o que falta no corpo. Outros há que tiveram de esperar menos, em qualquer dos ditos grandes, meteoros que a robustez fez subir depressa mas descer rápido também, pouco depois. O que está a faltar ao campeonato português não se mede em quilos e centímetros. Aliás, simplesmente não se mede, que qualidade será sempre diferente de quantidade. 

Nota colectiva: O Liverpool é talvez a melhor equipa de que me recordo em situações de contra-ataque. Na sombra dos fabulosos Salah e Mané e do coriáceo Van Dijk, a tendência é normalizar os demais. Acontece que também entre os “potentes” reinam os “inteligentes”: há dois laterais de qualidade mas Alexander-Arnold é mesmo extraordinário, porventura o melhor do mundo hoje; e num meio campo que parece de cromos repetidos sobressai uma raridade chamada Wijnaldum, à vez médio defensivo ou ofensivo, a jogar por dentro ou por fora, segundo avançado ou falso 9, o melhor actor secundário que existe num relvado.

Nota individual: Paulo Dybala independentemente do desagrado de Ronaldo, e da dificuldade em conjugá-los que Sarri honestamente assume, ver de novo o melhor Dybala é uma grande notícia para o futebol. Ele faz num palmo o que a tantos custa fazer em metros. E a facilidade com que passa bolas à baliza define os eleitos. Tem Golo? Não, tem muito mais que isso. Tem um talento incrível, também a finalizar."