Últimas indefectivações
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
No Dragão não chega futebol
"No Dragão voltou a ganhar quem estava melhor preparado para enfrentar o fervor da batalha. E quem quis mais foi quem percebeu que ali não se joga apenas futebol. Sobrevive-se, para ganhar
É no Dragão que se separa o futebol jogado do futebol sentido. O Benfica não perdeu apenas jogo decisivo da Taça de Portugal, da época, perdeu - outra vez... - o confronto com a sua própria imagem, sem a noção inabalável do que é jogar num estádio destes como quem entra numa batalha - física e mental — sabendo que cada bola dividida vale mais do que um esquema bonito no quadro tático.
No Dragão voltou a ganhar quem quis mais, quem estava melhor preparado para enfrentar o fervor da batalha. E quem quis mais foi quem percebeu que ali não se joga apenas futebol. Sobrevive-se, para ganhar.
O Porto percebeu isso desde o apito inicial. O Benfica, quando percebeu, já estava a perder. Há derrotas que se explicam por detalhes. Esta explica-se por um vazio. Vazio competitivo, vazio emocional, vazio de liderança dentro de campo. Não basta ter bola se não se sabe o que fazer com ela. Não basta criar se se falha com a leveza de quem não sente o peso do símbolo ao peito. No Dragão, a displicência paga-se caro. Sempre pagou.
O FC Porto fez pouco, é verdade. Mas fez o suficiente. E fez o que tinha de fazer: jogar o jogo que o jogo pedia. Defender como equipa, morder em cada lance, transformar cada canto num momento de perigo e viver do erro alheio. Futebol também é isto. Sobretudo em jogos grandes.
O Benfica, esse, continua à procura de si próprio. Procura uma identidade que não aparece, uma confiança que não existe, uma reação que nunca chega. Janeiro expõe tudo. E os números não mentem: eliminado cedo nas taças, longe do título, irrelevante na Europa. Uma soma de fracassos que já não cabe no discurso da transição, do projeto ou da paciência.
Para o adepto, a época acabou. Acabou emocionalmente, acabou na crença, acabou na esperança. O resto é contabilidade. Para a SAD, para os relatórios, para os 40 milhões da Champions. Para quem está na bancada, isso não aquece nem consola. O futebol vive de vitórias, não de balanços financeiros.
Quanto a Mourinho, o crédito existe — porque o nome pesa e a história conta. Mas o crédito não é infinito. O Benfica não pode normalizar épocas falhadas. Não pode aceitar como destino aquilo que devia ser exceção. Começar a próxima temporada será um direito já conquistado. Legítimo."
Farioli na senda de Amorim ou… Schmidt
"Percebo a decisão de Villas-Boas em renovar contrato com o treinador, mas considero-a precipitada.
André Villas-Boas renovou o contrato com Francesco Farioli, até 2028, pouco mais de seis meses após o treinador chegar ao FC Porto. Uma enorme prova de confiança e também uma jogada de antecipação.
Numa altura em que Farioli já estava a ser apontado à Premier League, primeiro ao Chelsea e depois ao Manchester United, o presidente dos dragões não quis esperar mais e chegou a acordo com o italiano para ampliar o vínculo.
Percebo Villas-Boas. O FC Porto está bem e recomenda-se. O percurso no campeonato é absolutamente fantástico, com uma primeira volta extraordinária, sem derrotas e com 16 vitórias em 17 jogos. Isto depois, convém não esquecer, da desoladora temporada transata, que só poderia terminar como terminou: com o despedimento do erro de casting que foi Martín Anselmi.
Depois de não acertar na escolha do treinador argentino, como também não foi bem-sucedida a aposta em Vítor Bruno, Villas-Boas quis premiar Francesco Farioli, que já convenceu tudo e todos no universo azul e branco.
Esta decisão do presidente dos dragões recordou-me as dos homólogos de Sporting e Benfica. Em 2022, Frederico Varandas renovou contrato com Ruben Amorim, que tinha chegado dois anos antes a Alvalade, por quatro épocas. Ninguém a questionou, até porque o agora ex-treinador do Manchester United foi campeão logo na primeira temporada completa no Sporting e quebrando um longo jejum de 19 anos.
No Benfica, situação idêntica. Roger Schmidt chegou à Luz em 2022 e logo na primeira época conquistou o título nacional. Antes de o celebrar, Rui Costa e o alemão renovaram, em março de 2023, o contrato, também até 2026. Então, a decisão do líder dos encarnados também foi bem aceite por todos.
Tudo, contudo, mudou rapidamente. Com o Sporting a sagrar-se campeão no ano seguinte, Roger Schmidt perdeu créditos na Luz. O segundo lugar soube a muito pouco e o alemão acabou despedido no início da época 2024/2025, tendo o Benfica de o indemnizar. Com muitos milhões, claro, por mais dois anos de contrato.
Já Amorim acabou por não resistir ao encanto da Premier League e rumou a Inglaterra, deixando o Sporting, no qual era endeusado, a meio da época transata. Neste caso, de nada serviu o vínculo contratual entretanto prorrogado, limitando-se os leões a receberem o valor da cláusula de rescisão.
Como já escrevi, percebo a decisão de Villas-Boas, mas considero-a precipitada. Afinal, Farioli estava ligado aos dragões até 2027 e ainda não ganhou nada. Mesmo que ganhe — o mais provável é que vença, pelo menos, a Liga —, como se viu com Ruben Amorim, não é o contrato que impede qualquer tubarão europeu de pescar em Portugal. E se não ganhar, como Rui Costa muito bem sabe…, o problema obviamente agrava-se."
Às vezes dá vontade de 'martelar' um sorteio
"FC Porto intenso, Benfica com objetivos de pé e um desejo pouco secreto para o sorteio das meias-finais da Taça: um Torreense-Fafe e a consequente certeza de um 'não grande' na final do Jamor
Fugiu, a boca de Diogo Costa, para o lado da verdade ao assumir, na flash interview após o clássico de ontem, que «às vezes o trabalho vale mais que a qualidade». Claro que nada é assim tão simples, mas a leitura imediata é certeira: foi na intensidade, no esforço e na forte crença que o FC Porto alicerçou uma importantíssima vitória, que o deixa em excelentes condições de procurar a dobradinha nas principais provas portuguesas.
Foi num pormenor que se decidiu o jogo e isso era expectável. O Benfica, de lição bem estudada, fez quase tudo o que podia ter feito para seguir em frente e manter a chama de um título acesa. Só não marcou, e isso paga-se caro (inacreditável o falhanço de Pavlidis).
Quanto a títulos parecemos, portanto, conversados no que respeita à segunda metade da época encarnada. Só uma enorme hecatombe de FC Porto e Sporting juntos permitiria reunir fatores que levassem os encarnados ao primeiro lugar da Liga. Sobre a UEFA Champions League manda o bom senso que nenhuma equipa portuguesa pense no assunto nas próximas décadas. E a tendência não vai para melhor neste aspeto, mas isso fica para discutir noutra altura.
O Benfica tem, porém, um enorme objetivo ao alcance, pelo que é prematuro anunciar uma espécie de final antecipado de temporada. A diferença entre ficar em segundo ou em terceiro lugar pode determinar muito do futuro da equipa e do clube, e o Sporting está, no limite, à distância de uma vitória no dérbi de Alvalade na segunda volta.
Um eventual apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões não está fora de horizonte e poderá ajudar a construir pensamentos mais positivos para o que falta da época. De qualquer forma, talvez haja uma decisão importante a tomar... já, e não apenas no final da temporada: Mourinho tem, no Benfica, um projeto ou uma missão a prazo? Se for para continuar após o verão há muitos passos em direção ao futuro que podem ser dados entretanto; se a ideia é vencer o mais possível dentro do possível, então teremos os encarnados, em junho, a começar tudo de novo.
Voltando à Taça de Portugal, uma inconfidência de que não me envergonho: gostava que o sorteio de hoje ditasse um Fafe-Torreense nas meias-finais. A ordem é irrelevante, já que ainda se jogarão a duas mãos (felizmente pela última vez).
A certeza de ter uma equipa de escalão inferior no Jamor seria um belo alento para a Prova Rainha."
É a cultura, estúpido!
"Em 1992 surgiu a expressão «é a economia, estúpido!», por James Carville, estratega da campanha de Bill Clinton, como forma de explicar, e sem ser dirigida a ninguém em particular, o que estava a acontecer na sociedade norte-americana e de recentrar o debate no tema que realmente explicava um dos principais problemas do país. Parece-me mais do que apropriado adaptar essa expressão para explicar muito do que se passa em determinados contextos e o impacto da existência (ou inexistência) de uma cultura organizacional e desportiva forte num clube desportivo, tenha ele um cariz financeiro, empresarial ou multifundos muito marcado.
O tema divide-se, à partida, em dois mundos distintos. Existem aqueles que acreditam que o que se passa numa direção, nas reuniões de administração ou nos corredores dos bastidores do clube tem pouca influência no rendimento das equipas dentro das quatro linhas. E existem outros, onde me incluo, que acreditam que é extremamente difícil haver rendimento desportivo consistente dentro das quatro linhas sem uma cultura organizacional forte, sem uma direção, estratégia ou liderança sólidas, focadas nas decisões estruturais e não apenas nas fragilidades momentâneas.
Este é daqueles temas que, em alguns meios ou contextos, nem chega a ser considerado um tema. Não se investe, não se avança para a esquerda ou para a direita sem existir uma relação direta com aquilo que se pretende alcançar, alinhada com a estratégia, o propósito e a cultura organizacional existente, e sem se avaliar se contribui ou não para o que está definido.
Sei, por experiência própria, que a emoção, o impacto da gestão de fora para dentro e as consequências quase sempre imediatas dos resultados no desporto de alto rendimento, particularmente no futebol, em Portugal e em muitos outros países, tendem a destruir e a desorganizar quando se tenta colocar na mesma a estratégia, a cultura, os planos e os resultados. Ou existe uma estrutura sólida e robusta, ou o resultado vai anarquizar tudo ao ponto de fazer com que qualquer montanha-russa pareça insignificante em comparação com aquela mesa.
O que é então uma estratégia e estrutura sólida e robusta num clube desportivo? Antes de mais, nos dias de hoje, designações como clube-empresa ou clube multifundo não deveriam chocar ninguém. Esta é a primeira dimensão a sublinhar: o ecossistema atual é muito diferente. É necessário existir um enorme equilíbrio entre a flexibilidade que a vertente desportiva deve ter com as áreas de negócio, mas, por outro lado, cabe à direção defender, a todo o custo, aquilo que é a dimensão desportiva e de rendimento das equipas, porque esse continua a ser o core de qualquer clube desportivo.
É evidente que o resultado tem e terá sempre muito impacto no dia a dia de um clube. O que não pode, nem deve, permitir é a constante alteração das decisões tomadas ontem. Um plano ou uma estratégia devem ter um caminho definido, com limites claros, mesmo sabendo que não existe uma percentagem exata da flexibilidade a existir.
Por fim, para situações excecionais, medidas excecionais. Mas quando o acaso passa a ser normal, aquilo que deveria ser investimento começa a confundir-se com simples despesa. Não é por se ter que se deve gastar."
No dia de Oxalá, porque não o Candomblé?
"A razão da Inteligência Artificial ver melhor o óbvio do que nós e o recurso a tradições religiosas que serão tão crendice quanto as decisões dos sócios de vários clubes.
A inteligência artificial consegue surpreender-nos. Talvez porque faça melhor do que nós humanos um exercício que nos seria muito útil na vida: saber ver o óbvio. Para esse exercício ser bem feito um dos requisitos essenciais é o profundo controlo das emoções, área onde a inteligência artificial nos vence. Uma inteligência desprovida de emoções está melhor habilitada a ver a solução mais óbvia e, por norma, mais certa. Já para as grandes decisões, a busca do impossível, os grandes saltos da humanidade, a emoção é decisiva porque o petisco é proporcional ao risco.
Para a inteligência artificial, com quem esta manhã trocava dois dedos de conversa – os dois que uso no teclado do computador… - «o problema do futebol português não está no investimento privado, está antes no investimento sem enraizamento, sem regulação e sem compromisso com o clube. Isto enquanto conversávamos sobre o Boavista, que a qualquer momento pode ver decretado por decisão judicial o encerramento de toda a atividade depois de ter falhado um depósito na massa insolvente dos credores. E logo vem à liça o que aconteceu com clubes como Belenenses, Vitória de Setúbal, União de Leiria, Académica – estes a fazer pela vida, evitando a extinção e tentando recuperar – Beira Mar e Desportivo das Aves.
Num futebol onde a emoção, o aventureirismo, o lucro fácil, o experimentalismo, a gestão danosa, mas também a falta de regras, de controlo e de supervisão levaram ao desastre. Como pode um campeão nacional estar a um pequeníssimo passo da extinção? Às vezes encho-me de ímpetos justiceiros e – lá está, também com emoção – exclamo que mandaria prender uma série de pessoas que, ao longo dos anos, destruíram instituições que são também, ou deveriam ser, reservas morais e memórias coletivas.
Eu sei que há casos como o Estoril e, mais recentemente, Casa Pia cujos investimentos externos trouxeram estabilidade e solidez. Lá está, o problema não está no dinheiro nem na nacionalidade do mesmo. Está numa gestão correta, objetivos realistas ou tempo para colher os frutos. Será coincidência serem dois clubes que não tem das maiores massas adeptas?
Os adeptos e sócios são vítimas, mas são muitas vezes também culpados. Deram luz verde a decisões de risco, a saltos no escuro em assembleias gerais inflamadas. Foram no canto da sereia em alguns casos, esquecendo uma velha máxima: se algo parece bom demais para ser verdade há boas hipóteses de… não ser verdade.
Depois de se ter tentado de tudo, talvez os adeptos do Boavista possam experimentar o Candomblé e Umbanda, tradições religiosas de matriz africana. Em várias partes do mundo, não de forma oficial, pratica-se hoje, com maior solenidade, o culto a Oxalá, um dos orixás mais importantes. O orixá da criação, da fé e da espiritualidade, associado à paz, sabedoria, pureza e equilíbrio. Há que usar roupas brancas, rezar e cantar pela paz e prosperidade. Depois, o tempo de recolhimento, o silêncio absoluto. Terminar com uma oferta simples. E esperar pelo resultado.
Crendice? Não maior do que algumas decisões em vários clubes, nos quais os sócios abriram mão do controlo para a darem a investidores que ninguém conhecia. Ou que deram luz verde para decisões despesistas e irrealistas. Ou terem dado o voto a quem foi mais demagogo e prometeu algo que era bom demais para ser verdade. Pelo menos o Candomblé não leva clubes à extinção… Sendo que eu continuo a preferir uma velha máxima que foi transmitida pelos meus antepassados ao meu avô, este ao meu pai e o meu pai a mim: «Vive do trabalho das tuas mãos; não gastes o que não podes pagar; se tiveres de pedir emprestado paga as tuas dívidas sem falhar um único dia; não durmas sem cumprir religiosamente a tua palavra». Se resultou para eles, porque não para mim?"
CAN-2025: fez-se justiça da marca dos 11 metros
"Nas minhas meias-finais na CAN 2024, frente à África do Sul, ao serviço da Nigéria, o jogo levou-nos até às grandes penalidades. É um território especial. Um território onde já não existe plano tático que resolva tudo, nem organização coletiva que substitua a clareza individual. Noventa minutos de tensão controlada, prolongamento vivido no limite e, depois, o momento mais cru do futebol.
Enquanto treinador, sei que os penáltis começam a ser decididos muito antes do apito final. Decidem-se na forma como o grupo é preparado emocionalmente, na confiança que se constrói ao longo do torneio e na leitura que se faz de cada jogador. Quem está preparado aceita o momento. Quem não está sente-o como um peso.
Desde o primeiro dia de estágio, treinámos penáltis de forma sistemática. Registámos todo: executantes, taxas de sucesso, comportamento antes da execução, tempo de preparação, reação após marcar ou falhar. Nada foi deixado ao acaso. Analisámos também ao pormenor os padrões de marcação dos jogadores da África do Sul e partilhámos essa informação com os nossos guarda-redes. Não para sobrecarregar, mas para dar referências claras. Quando o momento chegou, não houve improviso — houve reconhecimento.
O Stanley Nwabali é um craque a defender penáltis, mas sobretudo pela forma como se prepara. Nos treinos, nos momentos competitivos de penáltis, não queria ir embora. Desafiava os melhores marcadores — Lookman, Osimhen, Moses Simon, Iwobi. Procurava dificuldade. Procurava pressão. Cada penálti defendido ou sofrido era mais uma leitura acumulada. É assim que se constrói confiança real. Não no discurso, mas na repetição competitiva.
Neste Marrocos-Nigéria, o elemento de pressão estava claramente do lado marroquino. Jogavam em casa. Estádio cheio. Expectativa nacional elevada. Jogar em casa dá energia, mas retira margem para errar. Cada passe falhado pesa mais, cada minuto sem golo aumenta a ansiedade coletiva.
A emoção é extrema. Para os jogadores, para o banco, para o treinador. Surge uma sensação difícil de explicar: a de pouco controlo. O plano está feito, o trabalho está realizado, mas o jogo entra numa dimensão de 50/50 na sua máxima expressão.
E aqui entra a imprevisibilidade. Desta vez, foi Bono quem deu continuidade a um jogo globalmente mais competente de Marrocos e acabou por ser decisivo. A Nigéria competiu até ao fim, mas Marrocos foi, no cômputo geral, a melhor equipa em campo e venceu com justiça.
No outro jogo, o Senegal foi superior e também merece estar na final. Controlou o ritmo, impôs intensidade e mostrou maturidade competitiva para lidar com um jogo de altíssima pressão.
O futebol de seleções é isto. Duro. Imprevisível. Exigente.
Chegar a uma final não é para todos. Nós conseguimos."
Afinal os doces de Natal influem ou não no rendimento desportivo?
"Após as festas de fim de ano, marcadas por mesas fartas, encontros familiares e horários menos rígidos de treinos, alguns atletas deparam-se com um aumento de peso que não deveria acontecer. Mesmo que os ganhos de peso sejam ligeiros, podem ter impacto no rendimento em campo. Aumento da massa gorda, menor capacidade aeróbia e maior risco de lesão são algumas das consequências apontadas, sobretudo em modalidades desportivas que exigem constante resistência e rapidez de recuperação.
Apesar de ser um fenómeno recorrente após as festividades, o ganho de peso entre futebolistas é considerado controlável. Após o reinício dos trabalhos, os clubes intensificam o controlo físico e ajustam os planos de treino. A chave está na disciplina individual durante as pausas e no rápido retorno aos hábitos profissionais, lembrando que, no futebol de alto rendimento, cada detalhe pode fazer a diferença dentro de campo. Caso contrário, o aumento da massa corporal promove maior sobrecarga sobre as estruturas osteomusculares e os jogadores estarão mais perto de lesão e de um rendimento inferior ao habitual.
Sendo este assunto sensível para muitos, o atacante norueguês Erling Haaland, do Manchester City, ironizou as declarações do técnico Pep Guardiola sobre o possível aumento de peso dos atletas no período de festas. O melhor marcador da atual edição da Premier League seguiu à risca o plano estabelecido, até porque sabia que o técnico iria monitorizar de perto o peso dos jogadores, no sentido de decidir se estavam preparados para o próximo jogo. Quem chegasse com três quilos a mais, sabia à partida que não iria ser convocado. O técnico espanhol sabe bem que baixos níveis de atividade física combinados com a ingestão alimentar acima do gasto energético diário ao longo de períodos prolongados precedem o ganho de peso e promovem o aumento da gordura corporal. Ter o compromisso dos jogadores no contínuo empenho extra-treino no centro de estágios é essencial para o sucesso desportivo de qualquer equipa.
No que diz respeito à pausa para férias de inverno, que nos países europeus coincide com a época natalícia e final do ano civil, a forma como é considerada tem vindo a ser motivo de análise. Estudos científicos referem que equipas de futebol de elite que não têm pausa de inverno perdem em média mais atletas devido a lesão, comparativamente às equipas que têm. Esta análise foi realizada entre 35 equipas profissionais europeias. A carga média de lesões foi de 185,9 dias perdidos/1000 horas (1300 dias perdidos por época) para equipas sem pausa de inverno e 127 dias perdidos/1000 horas (888 dias perdidos por época) para equipas com pausa de inverno. Por outro lado, as equipas sem pausa de inverno tiveram uma média de 1,6 lesões graves por época, ao passo que a incidência correspondente para equipas com pausa de inverno foi de 1,1. Se a fadiga e a falta de recuperação são uma das razões para esta diferença, pode-se especular que as férias de verão são demasiado curtas para uma recuperação total após 11 meses de atividade. O período de preparação de seis semanas antes da época pode também ser demasiado curto para preparar os jogadores a suportar o peso que lhes será imposto durante a época competitiva, especialmente porque muitas equipas de topo dedicam parte da pré-época a digressões promocionais associadas a viagens de longa distância num curto espaço de tempo.
A combinação destes fatores pode explicar porque as equipas sem pausa de inverno e com um curto período de preparação para a pré-época podem ter jogadores cronicamente fatigados e mais lesões como resultado. Faz mais sentido ser como o técnico Guardiola e impor uma cultura individual de responsabilidade, do que não dar uns dias em família e com direito a umas calorias a mais, de forma ponderada.
Devo confessar que os jogadores que mais admiro e dos quais mais desfrutei do gosto de ver e discutir futebol, têm o mesmo nome: Ronaldo. O Cristiano continua preocupado ao milímetro com todos os detalhes que podem interferir com o seu rendimento desportivo e tem o seu nome gravado de forma inequívoca no futebol como um dos melhores de sempre. Para mim, o melhor.
O outro Ronaldo, o Fenómeno, ficou aquém de todo o seu potencial, provavelmente pelos seus sucessivos problemas físicos e excesso de peso na segunda metade da sua carreira. O excesso de peso, aliado às limitações impostas pelas lesões, afetou a regularidade do seu rendimento e obrigou a uma adaptação do seu estilo de jogo. A trajetória de Ronaldo ilustra de forma clara como as exigências físicas do futebol de alto nível podem marcar, de forma irreversível, a carreira de um atleta, mesmo quando se trata de um grande talento.
O futebol praticado atualmente impõe aos jogadores um elevado grau de exigência física, onde a preparação atlética e a alimentação equilibrada assumem um papel central. A velocidade do jogo, a intensidade dos duelos em campo e a crescente quantidade de compromissos competitivos tornam indispensável um controlo rigoroso do peso corporal, essencial para garantir altos níveis de rendimento, acelerar a recuperação entre partidas e reduzir o risco de lesões. Apesar dos avanços na ciência do desporto e no acompanhamento individualizado, persistem casos de futebolistas que revelam dificuldades na gestão do peso. Este fator pode afetar diretamente o desempenho em campo, influenciar a consistência das exibições e condicionar as opções técnicas das equipas. Num contexto cada vez mais profissional, o equilíbrio entre forma física e disciplina alimentar continua a ser um dos grandes desafios do futebol contemporâneo."
COM ESTA ATITUDE NOUTROS JOGOS... ... DA TAÇA JÁ FOMOS À VIDA
"Porto 1 - 0 BENFICA
Pré-jogo 1 - André Villas-Boas e seus apaniguados fizeram bem o trabalho de casa com forte pressão sobre o Fábio Veríssimo, exigindo até a demissão do Conselho de Arbitragem. Como se o Fábio Veríssimo alguma vez os tivesse prejudicado gravemente num jogo - lembram-se de algum lance? Quantos querem desse senhor em decisões altamente prejudiciais para o Benfica?
Pré-jogo 2 - por mais que possam considerar o Porto favorito para o jogo, como explicar que nos programas de debate futebolístico não se tivesse falado de outra coisa se não que a época poderia acabar para o Benfica em caso de ser eliminado da Taça? E se o Porto perder? Não se analisa as consequências?
01 já fizeram três faltas! Isto promete... Já respondemos, queremos uma equipa de barba rija, para cima deles!
10 ainda não se passou nada, só faltas e quezílias. E o Martim a ser assistido porque entrou mal nas costas do Sidny e lixou-se.
11 mão na bola dentro da área do Porto, é ressalto? É! Pelos vistos só com o António Silva é que os ressaltos dão penálti.
15 o Barreiros a marcar o Bednarek num canto? Já estamos em desvantagem... Estão na frente sem terem feito nada.
18 Trubin defende, vem a recarga e defende. Já passou!
25 bem Prestianni, este miúdo joga, transição rápida, toma Sidny... uiiii! Podia ter feito melhor, mas recepcionou mal.
32 a equipa está a bater-se bem, a dar tudo nas bolas divididas, é isso!
40 o Ríos no chão agarrado à clavícula. Vai sair. Menos outro.
45+2 sururu provocado pelo Samu, feito porco. Isto é bom para eles, não se joga à bola.
45+5 tivéssemos metido esta intensidade e entrega no jogo com o Braga e outro galo cantaria.
45+8 fdx, fdx, fdx, que perdida a fechar a primeira parte, o Diogo Costa defende de aflitos com a perna e a recarga do Dedic vai pras nuvens.
55 grande jogo está a fazer o António.
58 Sidny: temos homem pras bolas paradas. Bem, que remate do Tomás, quase, quase. Estamos por cima do jogo. É preciso é criar perigo e marcar!
62 tochas, jogo parado, veremos os minutos extras.
73 o tempo a passar, o Veríssimo vai marcando faltas, as paragens do jogo sucedem-se, agora mais de 2 minutos pro Bednarek sair.
76 neste lance o Barreiro alega que foi pisado. A Sporttv não arranja melhores repetições?
83 paragens, mais paragens, mais paragens, é isto o futebol português.
90 mas como é que o Pavlidis me falha este golo tão cantado? Assim já fomos, fdx. Já não arranjamos mais nenhuma destas. Só mais seis?
90+4 canto claríssimo para nós, dá pontapé de baliza. Nos Açores com os outros foi ao contrário e assim ganharam três pontos.
90+6 acabou e o Veríssimo ainda arranja forma de dar amarelo ao Barreiro. Com esta atitude não teríamos perdido tantos pontos no campesinato. Que seja assim no resto da época."
Com uma goleada de entreajuda, o FC Porto empurrou a época do Benfica para o abismo
"O percurso de sonho de Farioli no FC Porto continua. Os dragões, líderes confortáveis do campeonato, eliminaram o Benfica (1-0) e seguiram para as meias-finais da Taça de Portugal. Num jogo em que até Rodrigo Mora pareceu um trinco sul-americano, os azuis e brancos condenaram os encarnados a um decrépito final de temporada
Toca a campainha. Os alunos entram na aula de Matemática. Abrem o livro de exercícios e deparam-se com um problema.
Amar Dedic tenta avançar pela ala direita. À sua volta, estão cinco adversários do FC Porto. Qual é a probabilidade do jogador do Benfica conseguir progredir?
Nem os mais batoteiros precisam de ir às soluções para responderem que o bósnio não tinha qualquer chance de avançar. O lance até gerou controvérsia e o caldo testou os limites da panela. Reteve-se a musculada captura que o FC Porto fez ao lateral.
Chegou a parecer que a Terra é azul vista do espaço, porque Francesco Farioli tem jogadores espalhados por toda a parte. Foi na vigilância que cada centímetro do campo que os dragões se superiorizaram num clássico em que deram uma goleada de entreajuda para garantirem as meias-finais da Taça de Portugal.
Porque nada flui com naturalidade, nenhum passe é feito sem pensar duas vezes, o Benfica pareceu estar no blind date. Ainda assim, sendo mais letal, até podia ter disfarçado o quão pouco desenvolvida está a sua paixão. É que o caminho na Taça de Portugal é todo ele feito junto à berma do abismo, sujeito ao respeito que o vento tenha pelo perigo de queda. Porém, para os encarnados, fora da luta por qualquer título, era a sobrevivência da época que estava em causa. Pela pouca luta que deram ao tornado, não parecia.
O velcro do medidor de tensão rebentaria se fosse posto a trabalhar no braço dos envolvidos. Pouco depois de ter tocado na bola pela primeira vez, Prestianni tentou vender ao árbitro que Kiwior o tinha agredido e refastelou-se diante do banco do FC Porto. De seguida, Dedic disponibilizou uma gravata a um oponente e não demoraria a que Martim Fernandes começasse a jorrar sangue do nariz após uma involuntária cabeçada de Sidny Cabral.
Os ovos mexidos a fritar no relvado do Dragão beneficiaram o FC Porto. Se o frenesim é muito e a dupla Garbri Veiga-Victor Froholdt tem espaço para conduzir, atenção. O andamento dos dragões era tanto que os ataques eram desenvolvidos em diferentes vagas. Achava o Benfica que tinha conseguido um alívio e lá vinha uma nova onda de jogadores portistas, intratáveis na luta por segundas bolas.
Francesco Farioli desenvolveu um modelo altamente avançado de martelo pneumático. O Benfica não respirou bem nesta nuvem de proatividade a causar uma sensação de impotência em quem era incapaz de acompanhar o ritmo. O FC Porto massacrou sem comiseração. Como a defesa encarnada nada resolvia à primeira, a resiliência azul e branca multiplicava um canto em vários e, assim, após múltiplas tentativas, Bednarek banalizou a presença de Leandro Barreiro, frágil marcador do polaco no lance do 1-0, e desviou de cabeça.
O conforto sentido pelos jogadores encarnados para finalizar foi, até aqui, nulo. A pressão obrigou Prestianni e Dedic a errarem o alvo. O acompanhamento defensivo que Pepê fez a Sidny Cabral quando este ameaçava correr meio-campo sem que o travassem, representou o compromisso geral na defesa da baliza de Diogo Costa.
Gabri Veiga maravilhava-se com a vontade do Benfica discutir o jogo. Quando os seus carregamentos se infiltravam no bloco contrário, o FC Porto sobrepunha-se. Tal circunstância, motivou uma dupla oportunidade que o médio espanhol não concretizou. Na recarga, Trubin impôs-se também perante Froholdt.
José Mourinho apresentou um onze andrajoso. Na ausência do castigado Otamendi, o acompanhante de Tomás Araújo foi António Silva, cuja condição física era uma preocupação. Aursnes, a chave mestra, derivou da direita para o meio e, à falta de melhores opções, Sidny Cabral estreou-se a titular. Em cima do intervalo, Richard Ríos sairia lesionado.
O ajuste passou por encurtar a rédea a Leandro Barreiro e fazer entrar Sudakov. Mesmo mais recuado, o luxemburguês não resistiu à tentação de acompanhar o sucessivo desembaraçar de adversários protagonizado por Prestianni. Nas sobras, Diogo Costa teve que intervir com o pé.
Já Martim Fernandes tinha trocado mil vezes de camisola, tal a quantidade de sangue que continuava a perder para o tecido, quando o FC Porto moderou a temperatura do clássico sem perder a tenacidade nos duelos. Registaram-se apenas dois lapsos: a ressaca de um canto, momento em que Tomás Araújo rematou ao lado, e a liberdade dada a Pavlidis, que falhou um desvio na pequena área em cima do apito final.
Pepê e Pablo Rosario recuavam tanto quanto fosse necessário para compor uma linha defensiva que perdeu Bednarek por lesão, mas que teve sempre a elegância do estreante Thiago Silva. Na primeira vez que o brasileiro passou pelo FC Porto, em 2005, ainda faltavam dois anos para Rodrigo Mora nascer. Aliás, mesmo que o jovem azul e branco tivesse vivido duas vezes, continuava a não ter idade para o ultrapassar os 41 anos do central que arredou Kiwior para o lado esquerdo.
Quando entrou, Rodrigo Mora veio com uma atitude semelhante à de um trinco sul-americano e isso diz tudo sobre o que o FC Porto fez para chegar às meias-finais e o Benfica não."
Um bombeiro chamado Tomás e os 15 centímetros que faltaram a Barreiro
"Defesa limpou diversas jogadas perigosas do FC Porto e teve nos pés a possibilidade de marcar. Pavlidis falhou o que raramente falha. Barreiro precisava de ser mais alto e Sidny Cabral ainda está muito longe do extremo que o Benfica necessita
O melhor do Benfica:
(7) Tomás Araújo
O melhor do Benfica: a defender e a rematar. Sacou imensos cortes frente a diversos adversários (brilhante o que fez, aos 14’, sobre Borja Sainz), mostrando-se imponente em lances rasteiros. Não teve qualquer hipótese de evitar o golo de Bednarek, até porque não era ele quem estava a marcar o polaco. Aventurou-se no ataque quando a hora de jogo se aproximou e teve o golo nos pés, aos 60’ e aos 65’. Primeiro, recebendo passe atrasado de Pavlidis e rematando ao lado e, de seguida, obrigando Diogo Costa a defesa segura. Evitou ainda que remate de Rodrigo Mora criasse perigo ainda mais real, oferecendo o corpo à bola. Tomás Araújo foi o bombeiro que Mourinho precisava e quase foi o incendiário que o treinador necessitava...
(6) Trubin - Abriu o jogo com dupla defesa a remates de Gabri Veiga e Froholdt, mais difícil o segundo, por muito mais perigoso. A cabeçada de Bednarek que decidiu o jogo e a eliminatória leva potência demasiada para que o guarda-redes ucraniano pudesse fazer algo mais do que observar. Leve hesitação perto do intervalo, não saindo da baliza quando a bola sobrevoava a pequena área, com Borja Sainz a desviar com perigo. A segunda parte foi mais tranquila e, já na compensação, recebeu permissão de José Mourinho para subir à área adversária para, num canto, desviar para a cabeça de Pablo Rosario, com a bola a sair por cima.
(6) Dedic - Obrigou a atenção tremenda pela presença de Borja Sainz na esquerda do ataque portista, teve capacidade para pegar muitas vezes na bola e tentar criar perigo junto da área de Diogo Costa. Ameaçou com um remate perigoso de pé esquerdo aos 24’ e, logo de seguida, entrou bem e cedeu a bola a Aursnes, que rematou ao lado.
(6) António Silva - Esteve em dúvida até quase ao início do jogo, mas não deu mostras de qualquer problema físico. Não teve lances de elevado grau de dificuldade pela frente e, quando foi obrigado a impor o físico, impôs. Não teve ponta de culpa no golo do FC Porto (o marcador de Bednarek era Barreiro) e teve ainda dois ou três lançamentos perigosos a tentar servir homens da frente.
António Silva, central do Benfica - Foto Catarina Morais/Kapta+
// Nacional //
Benfica: «Fomos a equipa mais forte em campo»
(5) Dahl - Mediano a defender, mediano a atacar. Não passou por momentos de pânico, mas também não conseguiu ser o lateral que necessita uma equipa da dimensão do Benfica.
(5) Richard Ríos - Nem estava a jogar mal, sem medo de contactos físicos, sobretudo com Pepê, tentando ainda ser atrevido na aproximação à área portista. Porém, em cima do intervalo, caiu desajeitadamente e sofreu lesão, aparentemente com gravidade, no ombro/braço direito. Saiu para entrar Sudakov.
(6) Aursnes - Andou muito tempo no meio do turbilhão dos possantes médios do FC Porto e quase sempre conseguiu passar incólume pelas dificuldades. Formou com Ríos a dupla de médios e perto do intervalo, quando o colombiano saiu lesionado, passou a ser Barreiro o seu parceiro preferencial. Poderia ter rematado melhor, pouco antes da meia hora, mas o remate saiu levemente ao lado.
(6) Prestianni - Entrou bem, caindo inúmeras vezes em cima de Kiwior. Teve remate por cima da baliza aos 11’ e, em cima da meia hora, teve o ponto alto, quando lançou Sidny pelo meio, com o neerlandês a finalizar mal. A partir daí, baixou de rendimento, não mais criando perigo.
(4) Leandro Barreiro - Quando alguém com 1,74 metros aparece a marcar outro de 1,89 metros, em lances de bola parada, a probabilidade de sentir dificuldades é clara. Barreiro marcava Bednarek no canto que deu origem ao 1-0 e, claro, quando a bola saiu do pé de Gabri Veiga e chegou à cabeça do polaco, o luxemburguês foi impotente para evitar o desvio fatal. Tentou antecipar-se no corpo a corpo, mas sem sorte. Quinze centímetros são quinze centímetros. Teve o golo no pé esquerdo já na compensação do primeiro tempo, mas o remate saiu menos forte do que desejaria e Diogo Costa defendeu com facilidade.
(4) Sidny Cabral – Iniciou o jogo numa luta titânica com Martim Fernandes. Perdeu mais duelos do que ganhou e ficam na mira as dificuldades que sentiu, aos 26’, quando recebeu bola profunda de Prestianni e atrapalhou-se na hora de rematar à baliza de Diogo Costa, pressionado por Pepê. Depois de ter jogado 25 minutos frente ao SC Braga, saltando do banco, foi ontem titular pela primeira vez. Está ainda a ambientar-se a uma nova realidade, mas os 108 minutos já realizados de águia ao peito não deixam água na boca dos benfiquistas.
(6) Pavlidis - Não deve ter havido um metro quadrado de relvado que o grego não tenha pisado. É avançado, mas pareceu médio. É avançado, mas pareceu extremo. Remate perigoso a abrir a segunda parte, defendido por Diogo Costa. Correu como poucos, lutou como poucos, mas falhou o que raramente tem falhado em ano e meio de Benfica. Em cima do minuto 90, ia aproveitando cruzamento rasteiro de Schjelderup, mas pareceu atrapalhar-se com a benesse da defesa portista e acabou, na pequena área, por falhar aquilo que, repete-se, raramente falha.
(4) Sudakov – Entrou frio aos 43’ após a lesão de Ríos e frio continuou ao longo do jogo. Não jogou tão encostado ao lado esquerdo, consequência do recuo de Barreiro (que estava a jogar pelo meio), mas não teve ainda momentos de esplendor que levaram o Benfica a contratá-lo no último verão.
(5) Schjelderup – Pouco mais de 25 minutos em campo em que se mostrou agressivo a atacar a bola e que teve como ponto alto a bola rasteira que colocou à disposição de Pavlidis, em cima dos 90’, mas que o grego desperdiçou.
(-) Ivanovic – Menos de dez minutos em campo para, partindo de trás, tentar criar perigo. Não passou disso."
Um dragão adulto é sempre mais difícil de derrubar
"Farioli montou e fez amadurecer em meses um FC Porto antes destroçado. Hoje, gere o jogo como poucos depois de chegar à vantagem. A águia continua a voar baixo e a falhar demais para uma ave de rapina
A imagem a que provavelmente se irá agarrar o Benfica será a de Pavlidis, o goleador da companhia, falhar aquele que seria um dos golos mais fáceis da carreira. Jogavam-se já os descontos, acertar bem na bola significaria o prolongamento, mas talvez o excesso de confiança tenha traído o grego, na sequência de um belo cruzamento de Schjelderup, que só nessa jogada mostrou muito mais utilidade do que Sidny Cabral em toda a partida.
Essa impressão acentuará por certo um ligeiro sentimento de injustiça para os da Luz, que mesmo assim pecaram sobretudo no plano ofensivo, com a escassez de oportunidades flagrantes criadas. A perder por 1-0 desde muito cedo, há a destacar sobretudo um momento na compensação, porém ainda na primeira parte, com Barreiro a obrigar Diogo Costa a intervenção com o pé, antes de Dedic atirar para as nuvens.
BLOQUEAR A SAÍDA PORTISTA
Pressão. É a palavra que define o clássico da Taça. José Mourinho voltou a olhar para as dinâmicas do FC Porto e tentou anulá-las à nascença, logo na saída para a primeira fase de construção. Assim, Prestianni (Kiwior), Barreiro (Bednarek), Pavlidis (Thiago Silva) e Sidny (Martim Fernandes) encaixavam na perfeição, com Aursnes a vigiar Froholdt de perto. Sobrava Pablo Rosario, uma vez que Ríos tinha um comportamento mais conservador na sua missão no duplo-pivot, mas os colegas preferiam bater longo. Às vezes, até ligar com o apoio frontal de Samu.
Do outro lado, a mesma receita, mas uma maior capacidade para meter bola vertical, ainda que sem grande continuidade depois. Aprimeira chance é das águias, aos 11 minutos, com Prestianni a atirar por cima, porém, cinco minutos depois, os dragões já estavam na frente do marcador graças a uma bola parada. Pontapé de canto de Gabri Veiga, Bednarek — superior em tudo no duelo com Leandro Barreiro — a cabecear para as redes de forma fulgurante.
Dois minutos depois, Trubin, por duas vezes, evitava o 2-0, que muito provavelmente acabaria com as pretensões dos encarnados em chegar ao Jamor e talvez o que restava da sua temporada. Gabri Veiga e Froholdt podiam ter feito melhor, valeu o ucraniano.
ACEITAR A VANTAGEM
Francesco Farioli aceitou a vantagem e geriu-a, perante um rival que se mostrou bem agressivo, como o próprio italiano previra. E também como tem acontecido várias vezes na Liga, o FC Porto soube absorver a reação do adversário e, com linhas bem juntas e a tapar a baliza em 5x4x1 com Pablo Rosario entre os centrais, aguentou a baliza a zero. Aí divide a responsabilidade com dois ou três jogadores do Benfica, que não aproveitaram os raros momentos de desconcentração dos dragões.
O FC Porto segue para as meias-finais, o Benfica falha dois objetivos em poucos dias, com a Liga dos Campeões e a Juventus a apresentarem-se como a próxima final na temporada. A crise é oficial."
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