Últimas indefectivações

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Desafio do VAR: decidir mais e complicar menos


"O futebol será mais justo se um lançamento for revertido em segundos do que um lance capital dúbio levar mais de dois minutos a decidir e mesmo assim deixar a dúvida no ar

Decorridos quase oito anos da implementação da videoarbitragem na Europa já há matéria suficiente para perceber o quão importante se tornou esta ferramenta para a verdade desportiva, mas já é igualmente possível antever (ou, pelo pelos, desejar) para onde deverá caminhar o VAR. E fazendo fé de que o interesse do futebol enquanto modalidade e espetáculo esteja acima de tudo e de todos, este extraordinário recurso terá de ser alargado a uma dimensão muito maior. E não só a duplos amarelos e cantos.
Convém voltar à origem: o VAR nasceu para diminuir a clivagem entre más decisões dos árbitros e o que era observado pelo público em transmissões cada vez mais sofisticadas. O valor intrínseco não é (ou nunca deveria ser), uma extensão da especialidade do juiz, mas sim uma garantia de que havia dois pares de olhos bem treinados que observassem o óbvio e garantissem a uma esmagadora de espectadores de que havia justiça em campo.
O VAR só tem sucesso se as pessoas que assistem ao jogo não ficarem com dúvidas. Ou dito de outra maneira: a verdade do VAR decorre de uma perceção pública positiva; só é verdadeiramente útil se o lance gerar pouca discussão a si que lê este texto, independentemente da cor que tem ao peito. Caso seja apenas a verdade de um especialista de arbitragem, mas que só ele e poucos vislumbram, pode até a decisão ser correta na sua essência, mas não resulta se poucos a entenderem. Sabendo, porém, que é um equilíbrio difícil.
Temos vindo a assistir (e não é de agora e nem só em Portugal) ao aumento do complicómetro, como se os videoárbitros quisessem fazer prova de vida. É a altura de simplificar: lances que justifiquem mais do que três ou quatro repetições ou que demorem mais de um determinado tempo (dois a três minutos, por exemplo) é sinal de não é «claro e óbvio» tal como diz o protocolo, logo, é lance para morrer ali e permanecer a decisão inicial. Por outro lado, será o momento de abrir a intervenção do VAR a muitas decisões em tempo real, desde que sejam absolutamente indiscutíveis até para o gato que está consigo no sofá: lançamentos laterais, cantos/pontapés de baliza ou faltas. Bastam três segundos para reverter, sem prejudicar a dinâmica e reforçando a justiça. E manter o poder sempre no juiz de campo.
Posto isto, é caso para perguntar: só um ex-árbitro pode ser VAR? O futuro terá de passar por um formato híbrido: juízes, jogadores, treinadores e até analistas, desde que sujeitos a testes de aptidão como para qualquer outra profissão, podem acrescentar valor, desde que demonstrem conhecer o jogo e tenham bom senso. Que ajudem a descomplicar. No futebol, jogar simples é o mais difícil.

ELEVADOR DA BOLA
A SUBIR
César Peixoto, treinador do Gil Vicente Treinadores que tentam pôr as suas equipas como os grandes há muitos, treinadores que o façam com uma continuidade temporal e consistência há poucos. Cada vez mais cresce a ideia de que César Peixoto está talhado para jogar e treinar um grande.

ESTACIONADO
António Salvador, presidente do SC Braga Tem um passado e obra que falam por si, mas mais uma vez o SC Braga arrisca-se a terminar a época abaixo das sempre ambiciosas expectativas. Como sempre, o treinador é que pagará. A inconsistência no banco é outra das imagens de marca de Salvador.

A DESCER
Liga, competição profissional de futebol Não a pessoa do seu presidente, Reinaldo Teixeira, ou a instituição, mas a competição em si que permite relvados como o de São Miguel, nos Açores, ou que volta a ser marcada pelo ambiente tóxico entre rivais e que ultrapassam a saudável rivalidade."

Cavalheirismo e choque Prestianni-Vinícius Jr.


"A história de um jogo nunca devia estar focada numa situação como a do argentino e do brasileiro; quase nada importou mais, nem mesmo a declaração de Rui Costa

Houve um dia em que o maior ídolo da História do Benfica escondeu nas cuecas a camisola daquele que era o melhor jogador do Real Madrid e sua referência futebolística. Esses eram outros tempos, em que imperavam algumas faltas duras em campo, mas prevalecia o cavalheirismo entre homens de uma mesma batalha.
Havia uma altura, também, em que os jogadores não tinham problemas em falar entre eles sem terem de se esconder atrás de uma mão a tapar a boca ou, como fez Prestianni, atrás de uma camisola. Como disse, e bem, um jornalista espanhol que questionou Mourinho na sala de imprensa, «quem faz isso é porque algo quer esconder».
A acusação sobre o argentino é grave e real, Mbappé afirmou ainda que o alegado insulto foi repetido cinco vezes, e a suspeita aumenta por um gesto de ocultação que se tornou comum nos relvados. À falta de prova concreta, a «verdade» será vista consoante a cor pela qual se torce e por quem se acredita, com uns a argumentarem a espontaneidade e veemência do protesto de Vinícius e outros a lembrarem episódios passados do brasileiro. O que disse Prestianni e o que ouviu Vinícius só eles terão certezas, mas o argentino já não se livra [pelo menos, ver-se-á o que fará a UEFA] da suspeita e o episódio vai acompanhar-lhe toda a carreira, como a de Vinícius Jr é já marcada por situações do género.
Um problema destes, o racismo, não é clubístico, é muito maior do que uma fronteira ou uma nacionalidade, ou modalidade. Ser jovem e inexperiente ou velho e «veterano de guerra» também não dá o direito a ninguém de insultar um outro pela cor da pele.
Aquele cavalheirismo em campo dos tempos de Eusébio e Di Stéfano é uma ilusão nos dias de hoje. Uma «arte» que tanto Real Madrid e Benfica [e não só] apregoaram como valor diluiu-se no tempo, e o que devia ser regra é agora exceção. Os jogadores de Benfica e Real Madrid deviam saber para o que iam, que um encontro destes tem «pedigree», reflete uma nobreza futebolística - mesmo que hoje, os jogadores dos encarnados não sejam tão bons em comparação com os dos merengues como eram na década de 1960. Houvesse um vislumbre de cavalheirismo na Luz e a beleza do golo de Vinícius Jr. não ficaria para segundo plano, assim como a declaração de Rui Costa a afirmar que Mourinho continuará no Benfica.
Ficámos a saber a ideia do presidente para o Benfica. Faltou, e falta, saber se o treinador o confirma."

Empate no antro...

Corruptos 4 - 4 Benfica

Invencibilidade mantida, num jogo ao 'contrário' do anterior! 0-0 ao intervalo, e muitos golos no 2.º tempo, em superioridade numérica ou em bolas paradas!

Com o empate do Sporting em Braga, mantemos os 5 pontos de vantagem. Neste momento temos a Oliveirense em 8.º e os Corruptos em 4.º, portanto a liderança da campeonato, até poderá dar o caminho mais complicado para a Final! Só com o Benfica!

Continuem a alimentar...