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sexta-feira, 6 de março de 2026
Entre o sucesso e o risco: duas faces da alta competição
"A alta competição desportiva ocupa hoje um lugar central na sociedade contemporânea e revela talvez um dos maiores paradoxos do desenvolvimento humano: pode ser simultaneamente uma escola de excelência e um terreno fértil para vulnerabilidades psicológicas. Sim, hoje não me apeteceu escrever sobre os temas quentes do desporto nacional, mas sim refletir mais sobre um dos objetivos do desporto: o desenvolvimento humano.
O percurso desportivo de alto rendimento contribui para o desenvolvimento de competências psicológicas e comportamentais chave. Entre estas competências destacam-se a disciplina, a definição e monitorização de objetivos, a autorregulação emocional, a gestão do tempo, a resiliência perante o fracasso e a capacidade de trabalhar em equipa. Estudos sobre transição de carreira de atletas demonstram que estas competências facilitam a integração no mercado de trabalho e estão associadas a níveis mais elevados de empregabilidade e liderança em contextos organizacionais. Ou seja, de uma forma extremamente positiva, alguns fatores críticos do alto desempenho, como a pressão extrema e constante, mas não só, promovem o desenvolvimento de recursos psicológicos, como a forte orientação para resultados, elevada tolerância à frustração e uma capacidade notável de persistir perante adversidades, que são igualmente valorizados em contextos profissionais de elevada exigência.
Contudo, a mesma intensidade que promove o desenvolvimento destas competências pode também constituir um fator de risco para a saúde mental dos atletas. Nos últimos anos, a investigação em psicologia do desporto tem alertado para a prevalência significativa (entre os 6% e os 34% dependendo da modalidade e momento da carreira) de sintomas de ansiedade e depressão em atletas de alto rendimento. Fatores como a pressão competitiva, o medo da falha, as lesões, a exposição mediática e a instabilidade associada à carreira desportiva são frequentemente identificados como determinantes relevantes. A estes, juntam-se ainda a identidade desportiva (construção da identidade pessoal em torno do desempenho desportivo) e a cultura desportiva, na qual muitas vezes impera uma norma implícita de invulnerabilidade psicológica.
A alta competição continuará inevitavelmente associada à exigência, à pressão e à busca constante pela excelência, porque faz parte, porque é isso que nos apaixona. No entanto, reconhecer que o sucesso desportivo tem duas faces, uma que potencia o desenvolvimento humano e outra que pode gerar vulnerabilidade, permite promover uma abordagem mais equilibrada que facilite aos atletas alcançar o máximo desempenho sem comprometer o seu bem-estar psicológico."
Entorse do tornozelo: gravidade ou banalidade?
"A entorse do tornozelo é uma lesão muito comum no desporto e não obriga, necessariamente, a paragens longas ou a uma carreira recheada de recaídas mas, para isso, tem de ser valorizada desde o início.
Quando o pé vira de forma brusca, os ligamentos do tornozelo são esticados para além do limite e podem rasgar, sobretudo com rotação interna, lesionando a parte lateral. Estas entorses surgem em mudanças rápidas de direção, saltos e aterragens sobre o pé de um adversário, em modalidades como o futebol, basquetebol, andebol, voleibol ou, por vezes, só com irregularidades no terreno. Estudos em grandes séries demonstram que estas lesões são muito frequentes, provocando paragens desportivas significativas, acumulando um elevado número de dias de ausência, sobretudo em indivíduos jovens.
Clinicamente, as entorses ligeiras dão dor, inchaço moderado e alguma rigidez, mas o doente consegue apoiar o pé com cuidado. Nas entorses moderadas ou graves, a dor é intensa, o tornozelo incha rapidamente, pode surgir hematoma e, muitas vezes, é impossível continuar o exercício ou mesmo caminhar. Dor marcada no momento da lesão, sensação de estalo ou deformidade com suspeita de fratura exigem avaliação médica, habitualmente, com radiografia para excluir fraturas e ecografia/ressonância para pesquisar lesões ligamentares ocultas ou da cartilagem.
Nos primeiros dias, recomenda‑se o princípio POLICE: proteger o tornozelo, iniciar carga dentro do limite da dor, aplicar gelo, usar compressão e manter o membro elevado para controlar o edema. Em vez de imobilizar totalmente o tornozelo, a abordagem atual privilegia o início precoce do movimento e da carga, apoiada por ligadura ou ortóteses. Esta estratégia acelera a recuperação e reduz o risco de rigidez. A maioria das entorses resolve‑se com tratamento conservador e reabilitação adequada. A cirurgia é reservada para roturas graves dos ligamentos laterais, instabilidade marcada ou lesões internas significativas.
A fisioterapia é importante e funciona como uma pré‑época do tornozelo, começando por recuperar a mobilidade e controlar a dor, seguindo-se o reforço muscular e terminando com treino neuromuscular, equilíbrio, saltos, mudanças de direção e gestos específicos da modalidade. Os programas de treino neuromuscular, combinando força, equilíbrio e agilidade, reduzem de forma relevante o risco de nova entorse. O regresso ao jogo só é considerado seguro quando dor, mobilidade, força, equilíbrio, confiança, testes funcionais e capacidade para treinos completos estiverem restabelecidos, sob pena de estar aumentado o risco de recidiva e instabilidade crónica.
Embora não seja possível eliminar todos os fatores de risco, é fundamental investir num bom aquecimento, reforço muscular, treino de equilíbrio, ter em atenção as superfícies e a escolha de calçado adequado. Em atletas com antecedentes de entorse, o uso de tornozeleiras funcionais ou ligadura associado a programas de prevenção é uma boa metodologia para prevenir novos episódios.
A prevenção é mais barata e sempre mais eficaz!"
Eventos desportivos e a promoção de Portugal - Tudo para dar certo!
"Num espaço de apenas nove meses, Portugal recebeu dois Campeonatos da Europa Absolutos de modalidades aquáticas de grande relevância: o Europeu de Natação Artística e o Europeu Feminino de Polo Aquático. Ambos decorreram na emblemática Piscina da Penteada, no Funchal, Madeira.
Reconhecendo a qualidade organizativa da Federação Portuguesa de Natação e a aposta consistente no desenvolvimento destas disciplinas, a European Aquatics confiou a Portugal a realização inédita de dois Campeonatos da Europa Absolutos em menos de um ano — um sinal inequívoco de credibilidade internacional.
Para o público, tratou-se de dois eventos de elevado interesse desportivo. Porém, a sua concretização começou muitos meses antes, cumprindo rigorosamente o exigente caderno de encargos da entidade europeia. O financiamento deste tipo de competições assenta, maioritariamente, no apoio de instituições públicas nacionais e, neste caso particular, também regionais. Os critérios são claros e transparentes; o verdadeiro desafio reside em garantir que o retorno — desportivo e económico — corresponde ao investimento realizado.
O Retorno Desportivo
A organização de um Europeu ou Mundial em território nacional assenta em três objetivos fundamentais:
1. Proporcionar ao público português a experiência única de assistir ao vivo a uma competição de dimensão internacional;
2. Permitir a atletas, treinadores e dirigentes o contacto direto com a elite europeia da modalidade;
3. Criar condições para que as seleções nacionais potenciem o seu desempenho, impulsionadas pelo apoio sempre entusiástico do público português.
Neste domínio, o retorno desportivo é, na maioria dos casos, plenamente atingido — e frequentemente superado.
O Impacto Económico e Mediático
Para além da vertente desportiva, importa analisar o retorno económico e promocional associado a eventos desta escala.
Os dados são expressivos:
• Alcance médio de 350 mil pessoas por notícia;
• Alcance total combinado de 450 milhões de pessoas em todo o mundo (excluindo redes sociais);
• 1.800 notícias publicadas em mais de 120 sites nacionais e internacionais;
• Valor estimado de exposição mediática equivalente a 173 milhões de euros em espaço publicitário;
- 162 milhões de euros em meios internacionais;
- 135 milhões de euros apenas em televisão.
Estes números significam que, para alcançar uma exposição editorial equivalente através de publicidade paga, seria necessário investir 173 milhões de euros. Colocados em perspetiva, os resultados são verdadeiramente impressionantes. Demonstram o papel decisivo que o desporto — e, em particular, estas duas disciplinas aquáticas — pode desempenhar na projeção internacional de Portugal, promovendo simultaneamente o país, a região e as próprias modalidades.
Um Trabalho de Parceria
Este sucesso só foi possível graças ao apoio institucional do IPDJ, da Secretaria de Estado do Desporto, da Secretaria de Estado do Turismo, da Secretaria Regional da Educação da Madeira e da Associação de Promoção da Madeira. O reconhecimento do impacto estratégico destes eventos por parte destas entidades foi determinante.
Para a Federação Portuguesa de Natação, esta é a confirmação de uma estratégia vencedora — desportiva, institucional e promocional. Assumimo-nos como um parceiro estratégico na organização de grandes eventos desportivos internacionais.
Um agradecimento à confiança que a European Aquatics depositou na FPN e uma palavra final de reconhecimento à equipa interna da FPN, cujo profissionalismo e dedicação foram inexcedíveis.
No balanço final, ganha o desporto português, ganham os municípios e as regiões envolvidas, e ganha Portugal — reforçando a sua reputação internacional como destino desportivo, turístico e organizativo de excelência."
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