Últimas indefectivações

sábado, 26 de outubro de 2019

Dezena...

Benfica 10 - Tigres de Almeirim

Bons sinais, em três jornadas sofremos 1 golo e temos feito poucas faltas, bastante diferente das últimas épocas. Ainda é cedo para avaliar com segurança as 'melhorias' na equipa, porque os adversários têm sido acessíveis, mas os indicadores são positivos...

PS: Destaque para a goleada das meninas em França, no primeiro jogo Europeu da temporada, com um 1-17, contra o Noisy Le Grand!!!

Vitória...

Benfica 3 - 0 Viana
25-19, 25-20, 25-20

Zelão(13), Gaspar(12), Japa(12), Honoré(9), Guerreiro(7), Pinheiro(2), Théo, Lopes, Wolfhi, Rapha; Casas

Vitória esperada, numa altura de calendário 'carregado', com novo jogo amanhã e a 2.ª mão Europeia a meio da semana... Altura ideal, para todos jogarem!

Derrota...

Corruptos 87 - 79 Benfica
16-14, 26-21, 30-24, 15-20


Tem sido um início de temporada muito irregular, com jogadores a 'entrarem' ou a 'sair' de lesões, boa ou má atitude defensiva... e agora com jogos Europeus pelo meio...
Mas acabou por ser um jogo 'típico' do Benfica: com os Triplos a não 'entrarem', 'salve-se' o Micah!!!

No Basket, com o play-off final, tudo é relativo... somando a esta exibição um Betinho e um Hollis a 100%, temos valores individuais para sermos melhores que o adversário, mas...

Os 5 melhores momentos que vivi no Estádio da Luz

"Já apanhei poucos jogos da década de 90 mas poucos não foram os momentos que tenho vivido no Estádio da Luz, e não só, desde o ano 2000. Numa altura que tem faltado emoção e grandes vitórias ao Sport Lisboa e Benfica, numa altura em que as bancadas passam a maioria dos jogos em sofrimento pela monotonia de um futebol cada vez menos apaixonante, decidi relembrar-me de grandes momentos que já passei nas bancadas a apoiar o Sport Lisboa e Benfica.
Este é um top momentos no Estádio da Luz vividos de forma muito pessoal e com uma pequena excepção à Luz. Um top 5 que poderia muito bem estar distribuído por um top 10, 15 ou 20.

1. Meia Final, Taça da Liga no Dragão – Este jogo é a excepção nesta lista. Não se passa no Estádio da Luz mas sim no Estádio do Dragão. A 27 de Abril de 2014 o Sport Lisboa e Benfica deslocou-se ao Estádio do Futebol Clube do Porto para disputar um lugar na final da Taça da Liga. Fomos poucos para as bancadas pois era um jogo menor no contexto que o clube vivia. O Sport Lisboa e Benfica iria ali voltar em algumas semanas para o campeonato e Jorge Jesus levava uma equipa secundária para a disputa do jogo. Um clássico menor que mais complicado se tornou com a expulsão de Steven Vitória ao minuto 32. E aí começou a história deste jogo. Parecíamos uma pequena aldeia de gauleses a resistir ao poderio do Império Romano. Conseguimos aguentar o nulo, ir a penaltis e eliminar o Futebol Clube do Porto. Um jogo menor que se transformou numa luta incrível e em festejos sem igual. Jorge Jesus no meio de todos nós a vibrar com aquele pequeno enorme feito. E um cântico que ficou para a memória “Voltaremos voltaremos, voltaremos outra vez, voltaremos ao Dragão, festejar o trinta e três”. Uma noite memorável.

2. Benfica 1 – 0 Sporting, Golo do Luisão – A 14 de Maio de 2005 o Sport Lisboa e Benfica recebeu e venceu o Sporting Clube de Portugal naquele que foi o jogo do título após um jejum de 11 anos. Aos 83 minutos um livre longo do Petit colocou a bola pelo ar na área leonina e aí, numa imagem mítica que ficou para a história, Luisão bate Ricardo nas alturas e com a bola na rede catapulta o Sport Lisboa e Benfica para o título de campeão nacional. Uma festa inesquecível. Desde esse momento até ao apito final e nas horas que se seguiram foi uma brutal festa entre todos os benfiquistas. Os corredores da Luz ainda hoje vibram com a emoção desse momento.

3. Benfica vs Porto, Eusébios – A 23 de Janeiro de 2014 o Sport Lisboa e Benfica recebia o Futebol Clube do Porto debaixo de um tremendo luto. Uma semana de homenagens ao falecido Pantera Negra, uma semana de comoção nacional pela partida de Eusébio. Após tributos nas ruas, no Estádio da Luz e em pleno cemitério, o SL Benfica recebeu e venceu o FC Porto. Foi uma vitória do e para o Eusébio. A união naquele estádio em torno daquele nome é inesquecível. Penso que nunca nas bancadas senti os jogadores tão… transcendentes. O SL Benfica dos 11 Eusébios.

4. Benfica 1-0 Porto – A 20 de Dezembro de 2009 o Sport Lisboa e Benfica recebeu e venceu o Futebol Clube do Porto. Foi um jogo já recheado de uma renovada paixão à volta dos jogos do SL Benfica. O primeiro ano de Jorge Jesus, o primeiro ano deste novo ciclo e o primeiro ano do término da hegemonia azul e branca. Uma noite que nunca mais me esqueci. Chovia a potes, o granizo batia no relvado e nas nossas caras e nós de pé ali atrás da baliza sem nos recolhermos, a vivermos aquele temporal, aquele golo do Saviola e aquele vitória com todos os jogadores. A emoção de um vitória com todo o esforço e sofrimento que aquele rival e temporal nos submetiam.

5. Benfica-Porto, Golo de André Gomes – A 16 de Abril de 2014 o Sport Lisboa e Benfica recebia o Futebol Clube do Porto para disputar um lugar na final da Taça de Portugal. Depois de uma derrota por 1-0 no Estádio do Dragão o SL Benfica chegou ao minuto 80 a vencer por 2-1 mas em desvantagem na eliminatória. É aí que se dá o furacão de emoção nas bancadas da Luz. O André Gomes recebe a bola no bico da área, de costas para a baliza domina de peito, passa a bola por cima do Fernando e finaliza sem hipóteses para o guardião portista. 3-1, festa por toda a Luz e eu só me lembro de estar a correr ao som de gritos de “GOLO” pelos corredores do estádio."

Antevisão...

A substituição mais difícil

"Dificilmente poderia ser dada a Bruno Lage uma notícia pior do que a lesão de Rafa, que irá estar ausente da competição por um período que pode atingir os quatro meses. É o jogador mais desequilibrador do plantel do Benfica, como mostram os 25 dribles bem-sucedidos que já soma na Liga, um registo do qual nenhum outro futebolista se aproxima. Na equipa encarnada, os segundos classificados do ranking de dribles (Taarabt e Grimaldo) somam... dez.
Por ironia do destino, esta grave lesão aconteceu no jogo em que Rafa foi colocado numa posição central, de apoio ao ponta-de-lança, onde rendeu muito enquanto durou. Tendo em conta os problemas que o Benfica tem mostrado para encontrar uma resposta eficiente no ataque, a aposta no camisola 27 poderia ser uma solução interessante, mas que agora não poderá ter continuidade.
É mais um desafio para Lage, que vê pela terceira vez esta época um titular indiscutível forçado a paragem prolongada, depois de Florentino e Gabriel. O técnico tem ao seu dispor um plantel vasto e de qualidade, mas será obrigado a arranjar soluções para fazer esquecer o jogador mais difícil de substituir. É também para isso que lá está. E até agora não se pode dizer que tenha corrido muito mal ao Benfica."

As Águias #46 - Taça e Champions

Saudades da Casinha?!!!


Cadomblé do Vata (VARes!!!)

"Vi ontem Bertrand do Southampton resignado a olhar para o ecrã gigante, onde passava o lance que lhe valeu a expulsão. Hoje assisto ao Inglaterra - Nova Zelândia em rugby, e ouço o árbitro explicar aos ingleses as razões (que honestamente não entendo nada) que o levaram a anular dois ensaios com recurso a imagens colocadas a rodar nos ecrãs gigantes do estádio... Portugal foi pioneiro no descobrimento do VAR, mas enquanto noutros países e modalidades já nele navegam com porta aviões, nós continuamos a passear pela ferramenta com caravelas e naus."

Caso Alverca-Sporting: jurista explica decisão do Conselho de Disciplina

"Como é sabido o processo disciplinar teve origem na queixa apresentada pela Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD, alegando que em virtude de ter sido expulso no fim-de-semana anterior ao jogo da Taça de Portugal, o jogador Luan estaria suspenso preventivamente até à emissão da decisão disciplinar (que só foi decidida no dia seguinte ao jogo), ao abrigo do artigo 38.º do Regulamento Disciplinar da FPF. A decisão que suspende o jogador Luan por dois jogos, por força do disposto no artigo 40.º do mesmo regulamento, seria sempre na competição em que a infracção a sancionar teria resultado; por isso, a sanção aqui em causa seria sempre cumprida no Campeonato de Portugal e nunca na Taça de Portugal.
Assim a solução adoptada pelo pleno da Secção Não Profissional do Conselho de Disciplina da FPF, teria sempre de ter em conta, como teve, que o castigo seria sempre a cumprir no jogo seguinte do Campeonato de Portugal. Isto com base numa interpretação restritiva da norma constante do artigo 38.º do RDFPF (que, aliás, fez), que previa a suspensão preventiva do jogador até à emissão da decisão disciplinar, de acordo com o espírito na qual a mesma teria sido elaborada. 
Ora vejamos:
Como aqui a sanção em causa é em jogos oficiais e não por período de tempo isso impede, nos termos do referido artigo 40.º, que o jogador seja utilizado em jogos oficiais realizados pelo clube durante o período de suspensão. Justifica-se pela necessidade de "tutela da eficácia sancionaria, de molde a impedir que o jogo da mesma competição imediatamente seguinte àquele onde foi praticada a infracção pudesse ser jogado por quem o RDFPF não pretendia que nele alinhasse".
Inexiste portante motivo para o qual o jogador não pudesse ser utilizado em competição diferente daquela em que seria sancionado, motivo pelo qual a suspensão preventiva não poderia impedir o jogador Luan de ser utilizado na Taça de Portugal, mas unicamente no Campeonato de Portugal, caso não tivesse ainda saído a decisão final."

As leituras de Jorge Jesus

"Recebo do Brasil, de amigos meus que por lá deixei, pelos dois anos que lá vivi e pelos vinte e tantos que assiduamente o frequentei – recebo do Brasil notícias de amigos meus, irmanados na mesma admiração incontida pelo (meu amigo também) Jorge Jesus, hoje treinador do Flamengo do Rio de Janeiro. Fui seu adjunto, no Sport Lisboa e Benfica, durante 13 meses; com ele, conversei, sem contar o tempo, acompanhado pelo meu amigo-irmão Homero Serpa e, depois, quando Deus chamou o Homero à sua presença, saudosos da companhia de um ser humano de referência. O Jorge Jesus, como a sua vida copiosamente o assinala, é uma pessoa de uma bondade instintiva. Não lhe faltam críticos mordazes, pelo seu português canhestro, que não prima pela beleza formal da frase, mas ninguém o pode acusar de uma deslealdade, designadamente em relação a um familiar e amigo. O culto que mostra, pelos seus pais, chega a ser comovedor. Quando escrevi o meu livro Crítica da Razão Desportiva, em 2012, a dedicatória, ofereci-a ao Jorge Jesus: “No tumulto da feira de vaidades, que é o futebol, encontrei um homem honesto, sincero e leal para com a honestidade, a sinceridade e a lealdade alheias. E,. sobre o mais, encontrei um treinador de futebol que ressuma e irradia humildade, pois que, sendo um Mestre na sua profissão, é capaz de ultrapassar legítimos egoísmos e preconceitos e escutar e conviver e liderar o trabalho interdisciplinar que hoje distingue o departamento de futebol do Sport Lisboa e Benfica. Porque sou um dos seus adjuntos e portanto um dos seus admiradores e amigos, aqui deixo o meu pobre e sincero preito”. Escrito há sete anos, esta dedicatória continua actual: porque o Jorge Jesus é um Mestre, como treinador de futebol, como pode provar-se com larga cópia de exemplos; porque é o homem com a rara bondade que sempre lhe conheci.
A nossa tão duradoura e continuada amizade recíproca não me cega a uma crítica imparcial, mas julgo-me habilitado (e digo isto, com a necessária autocrítica, ou seja, com a presença constante dos meus limites) a completar, sem chocantes lacunas, o que dele se diz e convictamente se afirma. E volto ao meu livro Crítica da Razão Desportiva (sou autor de 50 livros e opúsculos, sobre o desporto e a motricidade humana): “Quando o Jorge Jesus passa, nos estádios, ou noutros lugares públicos, sócios e simpatizantes do Benfica (e até muitos dos amantes do futebol) erguem-se em borborinho respeitoso. O Luís Miguel Pereira, da SportTV e um erudito no que ao futebol diz respeito, cintilante de chiste e de satisfação (é mesmo benfiquista) já me disse: “O Jorge Jesus, não há dúvidas, faz milagres” (…). Porque tem fundamentos científicos do futebol, que os seus colegas de profissão não têm? Nesse aspecto, julgo que não sabe mais do que os outros. Mas todos os grandes treinadores desportivos que conheci não se distinguiam pela sua epistemologia crítica, em relação às modalidades em que trabalhavam (…). Ora, para mim, a síntese dos vários saberes, que convergem na prática do futebol, só a podem fazer os que sabem o que é o futebol, como actividade humana porque, em qualquer actividade humana tudo está em tudo. Enfim, o futebol é vida e, porque a cultura é a aliança do saber e da vida, necessário se torna viver o futebol, para que alguém possa imbuir-se de uma cultura do futebol” (pp. 71/72). E viver o futebol e senti-lo e amá-lo – ninguém, mais do que o Jorge Jesus, salvo melhor opinião, o faz. E, porque só se sabe aquilo que se vive, o Jorge Jesus sabe muito (muitíssimo) de futebol e está a fazer o milagre (para os olhos de quem sabe ver) de transformar onze jogadores, excepcionais do ponto de vista técnico mas abúlicos, desunidos, descrentes, numa equipa de força e convicção inabaláveis, de irresistível vontade, que não teme cotejo com qualquer equipa de futebol, brasileira ou não - uma equipa em que as qualidades competitivas significam, antes do mais, competência e honestidade profissional.
Maurice Blondel, na sua principal obra, que tenho em tradução castelhana e eu ouso traduzir, assinala: “Nunca se resolve qualquer problema da vida, sem vivê-lo. E uma teoria e um discurso, com os verdadeiros padrões da eloquência, nunca dispensam a experiência e a prática. A ciência sublinha que a prática não pode nunca dispensar-se”. A própria filosofia só é fiável, quando teoriza, em trabalho interdisciplinar com a prática, ou seja, em poucas palavras: partindo da prática. O erro de alguns estudiosos do futebol situa-se na convicção que é possível “saber” teorizando tão-só. Como desde criança tenho vivido muito próximo do futebol e escutado, com atenção e respeito, alguns dos seus principais intérpretes portugueses (e brasileiros e espanhóis); porque fui dirigente, durante quase trinta anos, de um clube de futebol (de 1964 a 1992) – bem cedo senti a necessidade de enxertar, na minha visão de espectador e de estudioso, as reflexões de jogadores e treinadores de futebol, quero eu dizer: dos “práticos” que me acolheram… “para aprender comigo” (dizem eles, por generosa simpatia), para aprender com eles (digo eu, porque é justo e verdadeiro dizê-lo, sem reticências, ou rodeios). No meu périplo, por vários treinadores de futebol, julgo não tombar em erro grave, ao adiantar que foi de “J.J.” que mais ensinamentos colhi. E porquê? Porque sabia mais do que os seus colegas de ofício? Francamente, não sei se sabia mais, se sabia menos, mas o que sabe é de um modo diferente que o sabe e não tem medo de parecer diferente e de manifestar, com frontalidade, que não aceita o nivelamento universal de um certo fraseado que alguns comentadores e jornalistas, por via de regra, utilizam. Ele é ele e a sua circunstância! Para projectos semelhantes, “J.J.” não carreava os mesmos materiais de construção. Pela excessiva confiança no que tem? Pela certeza, que a prática lhe dava, que… quem não pratica não sabe! Foi com Jorge Jesus que mais aprendi? Aprendi isto, antes de tudo: a prática é o critério da verdade! E reforcei a minha crença, nas eternas palavras de Cristo: “Pelos seus frutos os conhecereis”.
Até aqui, neste artigo, nada mais fiz do que salientar as qualidades de Jorge Jesus, um treinador de futebol pouco votado à reflexão especulativa, mas de uma invulgar competência porque radica a sua profissão numa prática que é, afinal, um obsessivo amor pelo futebol. Tem defeitos? “Errare humanum est”. Mas da síntese, entre as muitas qualidades que tem e um ou outro defeito que não pode deixar de ter, nasce um treinador de futebol que faz maravilhas com a sem vaidade de quem pratica banalidades. É um inovador, assim o afiançam os seus jogadores. E Tostão antigo e extraordinário jogador de futebol (hoje, médico oftalmologista e comentador televisivo) observa: “O Flamengo tem um sistema tático mais ousado do que o das grandes equipas europeias. Jorge Jesus é um treinador que gosta de correr riscos”. E adita o jornalista Plínio Fraga, na revista do Expresso, de 2019/10/19: “Tostão acredita que a principal característica do futebol moderno é a marcação no campo do adversário, para a recuperação da bola sem falta. Jogaram assim grandes equipas do passado, como a selecção holandesa de 1974 e jogam assim hoje o Manchester City e o Liverpool”. O meu amigo e prestigiado jornalista brasileiro, Juca Kfouri, como um crente não teme dizer: “Eu corto o braço, se o Flamengo não for heptacampeão brasileiro”. Um dia, se bem me lembro, Jorge Jesus obtemperou a uma insistente pergunta minha: “Não sente mesmo a necessidade de ler um romance de grande beleza e fascínio? Como o Eça, ou o Saramago, por exemplo?”. Ele suspirou, como se se preparasse para uma longa exortação e afirmou: “Eu não leio livros, mas leio, constantemente, o corpo dos meus jogadores e o dos jogadores adversários. E leio ainda as suas movimentações tácticas”. E sorridente rematou: “Como vê, passo a vida a ler… não nos livros, mas no comportamento de pessoas que são jogadores de futebol”. Jorge Jesus, com 66 anos de idade – um dos maiores treinadores do mundo, não tenham dúvidas. Ocorre-me o celebérrimo pensamento de Hegel: “A ave de Minerva só levanta voo ao entardecer”."

Benfiquismo (MCCCXXXIV)

Nas Austrálias!!!

Uma Semana do Melhor... com o Imortal Bastos!

Jogo Limpo... Seara, Guerra, António & Coelho

3.ª Jornada da Liga dos Campeões: A águia ainda sonha em voar alto

"Concluiu-se mais uma jornada da Liga dos Campeões e mais uma vez os craques da bola não desiludiram o adepto do futebol. Reviravoltas ao cair do pano, hat-tricks, recordes batidos, golos de tirar o chapéu e a vitória do representante português. Tudo isto em apenas dois dias de futebol. Destaco, portanto, os melhores momentos desta semana europeia, começando pela vitória suada do Sport Lisboa e Benfica.

Pizzi coloca o Benfica na luta pelos “oitavos”
O Benfica estava em apuros, depois de ter perdido os dois primeiros jogos e chega ao 3.º jogo com zero pontos. Esta vitória era importantíssima para as águias se manterem na luta e para mostrar aos adversários que afinal o Benfica está lá para alguma coisa. A conquista dos três pontos foi crucial, visto que os encarnados ainda têm as deslocações a Lyon e a Leipzig, para além da recepção ao Zenit, ou seja, dois jogos fora dos três que restam.
O Benfica foi feliz logo no início da partida, quando aos quatro minutos, Cervi descobre Rafa que com um tiro insere a bola dentro da baliza do português Anthony Lopes. O Benfica esteve bem na primeira parte e controlou o jogo, tendo ainda mais duas oportunidades para fazer golo até ao apito para o intervalo. Grimaldo fez um grande jogo e foi fulcral com um corte “in extremis” seguido de um remate de Cornet. Salvo Grimaldo, também Tomás Tavares realizou uma bela partida e mostra a Bruno Lage que pode perfeitamente tomar conta do lugar de André Almeida na ala direita.
A segunda parte já não foi tão bem conseguida pelo Benfica e o Lyon estava a criar mais perigo. O golo do empate foi da autoria de Memphis Depay aos 70 minutos da partida e soam os alarmes no Estádio da Luz. O Lyon continuou a ameaçar e Vlachodimos foi obrigado a intervir, salvando as águias de mais um desaire.
Perto do término do encontro, Pizzi veste a capa de herói e, depois de ter enviado uma bola ao ferro de Anthony Lopes, aproveitou no minuto seguinte uma oferta do guarda-redes português, seguida de uma má reposição de bola, e faz o segundo golo do Benfica aos 85 minutos, dando assim a vitória aos encarnados. O Benfica venceu desta maneira o primeiro jogo desta edição da prova e sente-se mais confiante para disputar os restantes jogos.

Robert Lewandowski, o homem que não para de marcar e bater recordes
O avançado do Bayern de Munique está numa forma de outro mundo e não consegue parar de fazer golos. Vai já no 12.º jogo seguido a faturar, sendo que nesses 12 jogos apontou 17 golos. E mais, marcou em todos os jogos que disputou pelos bávaros, à excepção do primeiro, que foi a Supertaça Alemã.
Lewandowski, aos 31 anos, está a fazer o melhor arranque de temporada da sua carreira e promete continuar nesta forma por mais tempo. É um dos elementos fundamentais para o sucesso da equipa esta época e é muito graças a ele que os alemães têm três vitórias em outros tantos jogos na Liga dos Campeões.
Actualmente, é possivelmente o melhor avançado do mundo e está bem encaminhado para conquistar a sua primeira Bota de Ouro, prémio que distingue o melhor marcador da Europa na temporada, contando apenas golos para o campeonato.
De destacar que com os golos ao Olympiacos ultrapassou Raúl González na lista dos melhores marcadores de sempre da Liga dos Campeões, ocupando agora a 5.ª posição nessa lista.

Mbappé, o menino de ouro na elite europeia
A qualidade de Kylian Mbappé é indubitável nos dias de hoje. É um craque da cabeça aos pés e parece que já anda no mundo do futebol há muitos anos. O que sobressai mais é a confiança e o à vontade que tem dentro de campo, ou então a facilidade com que faz golos, ou a explosão repentina que faz levar dois ou três adversários pela frente, ou a técnica para driblar os adversários. Na verdade, são tantas qualidades que nem sei qual é a que sobressai mais.
Mbappé não pisava os relvados desde agosto devido a lesão, voltou recuperado há três semanas atrás, mas não totalmente, fez apenas meia hora contra o Bordéus e contra o Galatasaray, voltou a lesionar-se e falhou a partida contra o Angers. Volta a jogar duas semanas depois, em casa do Nice, entrou aos 83 minutos e o que fez com tão pouco tempo de jogo? Marcou um golo e ofereceu outro a Icardi. Para a Liga dos Campeões voltou a não ser opção de início por Tuchel, até estar completamente bom e entrou aos 52 minutos. Precisou apenas de 31 minutos para marcar três golos ao Club Brugge. 
Kylian Mbappé, com 20 anos e 306 dias, tornou-se no jogador mais jovem de sempre a marcar um hat-trick na Liga dos Campeões, superando Lionel Messi, na altura com 21 anos e 288 dias. 
Geralmente, quando estes jovens jogadores demonstram qualidade, fazem de imediato comparações a Ronaldo ou dizem que vai ser o próximo Messi. Mbappé sempre procurou ser ele mesmo e fazer com que daqui a pouco tempo, já digam a um miúdo: “Vais ser o próximo Mbappé”. A verdade é que sempre questionaram quando Messi e Ronaldo quebrassem de rendimento e tivessem de passar o testemunho a outro jogador quem seria? A resposta pode ser esta. Os números falam por si e o francês aos 20 anos já tem mais hat-tricks do que Ronaldo e Messi juntos com essa idade.

Sterling e o gosto que tomou pelo golo
Raheem Sterling foi possivelmente o jogador que mais evoluiu desde a chegada de Pep Guardiola e este ano tem uma função acrescida, visto que Sané se lesionou no início da temporada e o treinador espanhol, que tanto gosta da rotação, é obrigado a utilizar Sterling mais vezes do que o esperado.
O inglês tinha acabado de fazer 180 minutos pela selecção inglesa, nos dois jogos realizados. Chega a Manchester e não descansa contra o Crystal Palace, no jogo em que apontou uma bela assistência para David Silva. Sai o onze contra o Atalanta e está Sterling outra vez nos escolhidos de Guardiola. Na primeira parte, já tinha feito uma assistência e ganho um pénalti para Aguero marcar. Na segunda parte, em 11 minutos fez três golos e resolveu praticamente sozinho a partida, levando nota 10 e a bola para casa.
Sterling está numa forma soberba e esta época em 13 jogos, já soma 12 golos e cinco assistências ao serviço do Manchester City. Pela selecção nos últimos quatro jogos, leva outros tantos golos.

Paulo Dybala, La Joya é novamente o herói de Turim
Desde a chegada de Ronaldo que Dybala apagou-se um bocado da Juventus e quebrou o seu rendimento. Embora isso tenha acontecido, o argentino era geralmente opção para o antigo treinador Massimiliano Allegri. Atualmente, é estranho pensar que Dybala não é opção assídua para o novo treinador, Maurizio Sarri. É estranho quando se lê que um jogador como Dybala teve a sua primeira titularidade pela Juventus esta época dia 21 de Setembro, um mês depois de começar a época. Tudo isto não é normal, ainda para mais quando se fala de um jogador com a qualidade de Dybala, que já deu tantas alegrias ao octacampeão italiano.
É curioso reparar que quando o argentino joga mais tempo a Juventus até faz exibições melhores, e que mesmo quando entra, em tão pouco tempo, consegue fazer alguma coisa especial. Dybala joga contra a Spal e faz uma grande assistência para Ronaldo. Dybala joga 8 minutos contra o Leverkusen e faz outra assistência para Ronaldo. Dybala joga de início contra o Inter e marca um golo. E esta semana? Dybala volta a ser titular, desta vez contra o Lokomotiv de Moscovo e a Juventus está a perder por uma bola a zero em casa. Dybala aos 77 e 79 minutos resolve a partida com dois golos, um deles um tiro fora de área de tirar o chapéu e outro com uma finalização fantástica de primeira.
Este jogador é dotado de uma qualidade acima do normal e Sarri deve entender que é possível juntar Dybala a Ronaldo, aliás, Cristiano só tem a ganhar com isso. Isto porque vê-se quando ele joga que realmente faz a diferença no jogo da Juventus. Para além disso, como bom profissional que é, nunca se viu Dybala chateado ou a reclamar com o facto de jogar menos. Esperou pela sua oportunidade e pode ser que tenha enchido finalmente as medidas a Sarri."

Não basta?

"Golo do Pizzi contra o Lyon só está ao alcance dos predestinados. Poucos seriam capazes de fazer o mesmo que Pizzi

uma nova realidade mediática que ainda não percebi se é positiva ou negativa. Com o progressivo desaparecimento dos nossos adversários, fica apenas para grande motivo de análise e comentário o Benfica e o AntiBenfica. Dois grandes do panorama desportivo nacional e com vários representantes na comunicação social. Os benfiquistas feridos de um amor pelo seu emblema, os antibenfiquistas cegos pelo ódio e um ressentimento de quem outrora também tinha emblemas próprios.
É neste contexto que analisam a prestação europeia do Benfica da última década, chegando à conclusão de que tem sido muito fraca. O Benfica, durante dez anos, classificou-se consecutivamente para a fase de grupos da Liga dos Campeões mas isso não basta. Nos últimos 10 anos o Benfica tem duas finais europeias, uma meia-final, chegou várias vezes aos quartos de final mas isso não basta. Na última década, mesmo na Liga dos Campeões, chegou aos quartos de final, não havendo nenhuma outra equipa portuguesa a fazer melhor. Ainda assim é pouco e talvez haja alguns momentos em que eu também concorde e exija mais. Se um dia ganharmos a Liga dos Campeões esses artistas vão querer a Taça Libertadores, porque a realidade não lhes estraga as narrativas.
Vencemos os franceses do Lyon, que não perdiam um jogo fora da Liga dos Campeões há três anos, e estamos na luta por uma difícil qualificação. Há outros que só estão na Champions nos delírios jornalísticos das capas de alguns jornais, numa esquizofrenia deliciosa.
No Benfica ganhar é um hábito imperativo, qualquer coisa fora desta realidade é uma inaceitável notícia. O golo de Pizzi é um grande golo só ao alcance de jogadores predestinados. O erro do guarda-redes do Lyon podia cair nos pés de muitos jogadores, mas poucos fariam o que fez o Pizzi. Já agora a melhor defesa também foi de Ody, a melhor jogada também foi do Benfica, a maior oportunidade também foi uma bola ao poste de Pizzi e o vencedor também foi justo. É importante que o Benfica se mantenha na Europa para o AntiBenfica continuar com representantes.
Vencemos o Cova da Piedade para a Taça de Portugal, estamos no sorteio de segunda-feira mas importante mesmo é domingo na difícil deslocação a Tondela o Benfica vencer. Não preocupam nada alguns comentários, preocupa muito a lesão do Rafa. Não preocupam nada estatísticas manipuladas, preocupam muito jogos de três em três dias.

PS - Este Sporting parece a Catalunha, todos têm direitos e opinião e ninguém tem uma solução."

Sílvio Cervan, in A Bola

Nulo, que soube a pouco...

Marítimo 0 - 0 Benfica


Com o jogo da Youth League na Terça, com algumas lesões, tivemos um 11 com várias alterações, mas mesmo assim, o resultado acabou por ser injusto... Não fizemos um grande jogo, mas mais do que o suficiente para vencer... o Marítimo também criou algumas oportunidade, mas o Benfica foi sempre mais perigoso!

O Paulo Bernardo, depois de um início de época, a recuperar de uma lesão grave, está a atingir níveis altos, hoje, só faltou mesmo o golo...!!!

O Tomás Domingos regressou hoje, após longa ausência... mas a ausência do Bernardo Silva, é um mistério! O Bernardo tem sido convocado para a Selecção de sub-19, joga na Selecção, mas no Benfica, esta época, não tem praticamente minutos, em qualquer escalão (e pode jogar em 3 equipas)!!!

Sequeira Andrade

"Sempre que alguém morre, recordo-me do prof. Agostinho da Silva, num dos episódios do Conversas Vadias, a interromper Miguel Esteves Cardoso para o informar de que 'não pode garantir que vamos morrer', e logo acrescentar, assumindo essa hipótese como muito provável, que 'não há dúvida de que temos visto os outros morrer'. Na morte de outrem constatamos a nossa própria mortalidade, e desta vez coube a João Sequeira Andrade, aos 91 anos, recordar-nos dessa (tomada por garantida) inevitabilidade.
O senhor Sequeira Andrade de velho tinha apenas o aspecto e a idade. A jovialidade do seu pensamento, a argúcia do seu raciocínio, a vastidão da sua cultura, o acentuado interesse pelo quotidiano e a constante perspectivação do futuro estavam bem patenteados nas interessantíssimas cartas dirigidas ao seu dilecto 'amigo' Pancrácio, as quais me fez o favor de me as dar a conhecer. Foram 250, e a última iniciava com a despedida do autor, cuja paixão por atletismo se fez notar também no anúncio que ninguém desejaria ler, o de que estaria a chegar à meta da sua vida. Poucas vezes tive o prazer de com ele me relacionar pessoalmente, mas de todas, sem excepção, guardo boas recordações. A simpatia, a educação e o sentido de humor apurado eram constantes. E mais ainda o benfiquismo e a cultura benfiquista, que eu já havia conhecido dos tempos em que colaborou com o jornal O Benfica e que tão bem evidenciados eram nas cartas ao Pancrácio.
Enquanto interessado em aprofundar os meus conhecimentos sobre a história do Benfica, não tenho quaisquer dúvidas de que o contributo de João Sequeira Andrade foi inestimável, e que para sempre o admirarei e estarei agradecido. Até sempre!"

João Tomaz, in O Benfica

Orgulho feminino

"Fomos mais de 12 800 nas bancadas da Luz, no sábado passado. Não houve recorde absoluto de assistência num jogo de futebol feminino em Portugal, mas, em termos de partidas oficiais, este foi o encontro com mais adeptos presentes. Fica a partida de solidariedade por Moçambique no topo das assistências, mas fiquei com a certeza de que será por pouco tempo.
Aquilo a que se assistiu no estádio e nas imediações da Catedral foi uma chapada de luva branca em quem vê o futebol como inimizade, violência e guerra. havia de tudo: famílias inteiras, casais, grupos de amigas e de amigos, adolescentes, crianças, adultos, seniores. Bastava olhar à volta ou ver as imagens transmitidas pela televisão.
Camisolas e cachecóis de ambos os clubes e respeito foram notas dominantes numa tarde histórica que terminou com uma vitória do SL Benfica, tão clara quanto justa.
Claro que, em quase 13 mil pessoas, também houve meia dúzia de acéfalos que continuam a insultar clubes, adeptos e futebolistas rivais, mas a forma como foram abafados pelos restantes espectadores é uma nota que tenho todo o gosto em destacar. O SL Benfica está na vanguarda da mudança de mentalidades no futebol português e para isso precisa de todos nós - adeptos, sócios e simpatizantes que respeitam as diferenças sem que isso afecte a sua paixão pelo clube.
Nesta homenagem à igualdade de género que foi o primeiro jogo oficial do futebol feminino do Glorioso no Estádio da Luz poderíamos ter sido ainda mais nas bancadas. Sim, há outros compromissos que não podem esperar, mas da próxima vez, vocês (os que não estiveram presentes) lembrem-se de que elas merecem. Jogam como ninguém em Portugal, sentem a camisola como poucos e trabalham exemplarmente todas as semanas. Têm dúvidas? Depois da brilhante época passada, esta equipa é líder do campeonato com três pontos de avanço sobre o segundo classificado, tem 41 golos marcados e nenhum sofrido. Em quatro jogos..."

Ricardo Santos, in O Benfica

A liderança pode esperar mais uns dias

"Quarenta anos depois, o campeonato está de volta. Esta pausa deu-me tempo para repousar, limpar o seu quarto, ser pai, organizar o armário da roupa por cores e ainda ser avô. É muito bem pensado da parte da Liga dar este alargado descanso aos adeptos, mas sobretudo aos jogadores. Assim, houve tempo suficiente para o Rafa recuperar daquela tendinopatia no adutor à esquerda, lembram-se? Por outro lado, agora com 66 anos acredito que seja mais difícil para o Rafa recuperar a melhor forma, mas estou convencido de que aquela velocidade assombrosa não desaparece assim de repente em quatro décadas.
Vai arrancar a jornada número 8, e isto de não estar na liderança é angustiante. O lugar do Benfica é no topo da classificação, qualquer outro posto causa uma sensação estranha, nem dá bem para explicar o que é. Tipo aqueles enjoos que uma pessoa nem sabe se são causados pela fome, pelos stress ou pelos debates intermináveis acerca da capacidade de Bruno Lage para elevar a qualidade de jogo da equipa. Não escondo: estou desejoso de ver o Benfica no 1.º lugar. Em todo o caso, não me importo nada de aguardar pela 9.º jornada. Não há problema se o Famalicão se mantiver no topo no final desta ronda. Quem esperou estes quarenta anos também espera mais uma semaninha.
Embora a maioria dos adeptos ache graça à decadência de outros clubes, eu não consigo encontrar motivos de diversão nesses casos. Há um emblema em particular cuja história exige uma participação permanente na luta pelo título - o leitor sabe bem de quem estou a falar. A eliminação da Taça por uma equipa de escalão inferior foi a gota de água, pelo que eu gostaria de deixar aqui registado o meu apoio: força, Tottenham!"

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

O (mau) exemplo

"Não é preciso ir muito longe para vermos um clube de pantanas. Basta atravessar a 2.ª Circular.
As razões para o momento por que passa o nosso vizinho e rival são muitas, e não nos dizem respeito. Mas temos o dever de aprender com o que vemos, e um dos dados a reter é o poder desmesurado que alguns presidentes do Sporting (e não apenas um) conferiram a uma pequena facção radical com mais músculo do que cérebro.
Tenho para mim que as claques são o grande cancro do clube de Alvalade.
Enchem e desestabilizam assembleias-gerais, invadem centros de estágio, impedem treinadores de tornar posse, agridem membros de órgãos sociais, enfim, destroem o clube em razão dos privilégios de que se julgam credores - os quais vão muito para além daquilo que é a pura paixão clubista.
Na nossa casa também existe uma pequena minoria barulhenta, que se faz notar em assembleias-gerais e, sobretudo, no espaço virtual - sendo que aí a mensagem surge amplificada pela utilização de perfis falsos e multiplicados sabe-se lá por quem. Julgam-se donos do Benfica e mais benfiquistas do que os outros, ignorando que o clube é composto por cerca de 230 mil sócios espalhados pelo país pelo mundo, e não por 30 ou 40 jovens imaturos dos arredores de Lisboa.
Até agora, as vitórias e os títulos têm ajudado a conter essas movimentações autodestrutivas. Devemos, porém, estar preparados para o dia em que, por qualquer motivo, dentro de campo a bola bater na trave. Caberá então à imensa maioria dos sócios do Benfica, com maturidade, memória e gratidão, defender o Clube dos maus caminhos que outros tão bem exemplificam."

Luís Fialho, in O Benfica

Um exemplo

"Numa hora de euforia por mais uma vitória na Liga dos Campeões que nos faz sonhar de novo, permitam-me dedicar este triunfo a um homem muito especial - João Sequeira Andrade. Com 91 anos, partiu, deixando um enorme legado. Conheci-o por causa do nosso jornal e jamais esquecerei os seus conselhos sempre lúcidos. Sequeira Andrade respirava Sport Lisboa e Benfica por todos os poros. Aprendi muito com ele e confesso que nas horas mais difíceis o João conseguia apresentar sempre um ar de confiança e entendia que as dificuldades ajudavam-nos a crescer.
Porquê? Porque ele amava o clube do seu coração como poucos. O seu percurso de vida fala por si e a sua dedicação ao SL Benfica fica como um exemplo para todos nós. Sequeira Andrade completaria, no próximo ano, 75 anos de associado do Glorioso e iria receber o tão merecido Anel de Platina. Proposto para sócio por Joaquim Rosales, Sequeira Andrade foi aprovado como associado em Agosto de 1945, com 17 anos de idade. O Atletismo era uma das suas paixões e tornou-se um verdadeiro expert desta modalidade ao ponto de ter exercido funções de grande responsabilidade no Conselho Técnico da Associação de Atletismo de Lisboa e na Federação Portuguesa de Atletismo. Tal como desempenhou funções na Federação Portuguesa de Andebol. No SL Benfica foi secretário da Comissão Central de Fomento e Propaganda, mas seria na direcção do jornal O Benfica que mais se destacou aos olhos dos benfiquistas. Durante mais de dois anos desempenhou-o com muita competência, dedicação e inteligência. À sua família e aos seus amigos, os meus sentidos votos de pesar."

Pedro Guerra, in O Benfica

Um cartão positivo

"O cartão branco, lançado pelo IPDJ para as competições no âmbito da formação em diversas modalidades, tem vindo a crescer em implantação e uso. A ideia é simples e muito funcional: consiste em premiar atitudes excepcionais de fair play por parte de atletas, técnicos, dirigentes e até públicos. Esta valorização positiva e reconhecimento por todos os intervenientes ajuda a criar uma pressão social positiva em torno dos atletas que muito contribui para a sua formação integral. É por isso que o desporto escolar é um grande dinamizador desta iniciativa do PNED - Plano Nacional de Ética no Desporto, levando a ideia de forma activa pelas escolas de todo o país. A Fundação Benfica reconhece a importância estratégica do trabalho educativo e sabe que é por aí o caminho a seguir. Por isso, também, resolveu atribuir um prémio anual à escola cujas equipas vejam exibidos mais cartões brancos em competições do desporto escolar como forma de valorizar o fair play e incentivar as atitudes positivas, individuais e colectivas, no desporto. Desta vez, descemos até ao Algarve, a Vila Real de Santo António, onde o trabalho e o projecto educativo exemplares do Agrupamento de Escolas constrói, dia após dia, uma comunidade escolar ao mesmo tempo ética e competitividade, valorizando o resultado e a atitude, como deve ser no verdadeiro desporto. O kit de material desportivo foi muito apreciado, seja pela sua variedade e dimensão, seja, sobretudo, pelo reconhecimento dos seus méritos por uma instituição tão vasta e prestigiada como o Sport Lisboa e Benfica pela mão da Fundação.
É de manter e vencer jovens! Assim ganham duas vezes..."

Jorge Miranda, in O Benfica

João Sequeira Andrade (1928-2019)

"Deixou-nos, já muito frágil, com os seus formidáveis noventa e um anos que até ao fim viveu João Sequeira Andrade, sempre com o mesmo singular espírito lúcido e vivo e com a dedicação inteira e profunda ao Sport Lisboa e Benfica. Curvo-me perante a sua memória.
Viveu, por sua conta,, setenta e quatro anos de Benfiquismo puro, até poucas semanas antes de ser consagrado com o Anel de Platina - a insígnia que, para si, depois do que eram agora o seu Cartão de Sócio e o Red Pass sob o n.º 426, talvez viesse a ser o mais título importante da sua vida.
João Sequeira Andrade foi o décimo quinto director do nosso Jornal, e na altura cumpriu irrepreensivelmente a sua missão durante centro e vinte edições consecutivas, entre os números 2609 e 2728, que foram publicados de 14 de Outubro de 1992 - ainda o Presidente Jorge de Brito não tinha chegado a metade do seu único e infeliz mandato - até 21 de Janeiro de 1995, quando Manuel Damásio completava o primeiro ano do primeiro dos seus dois erráticos consulados.
O Jornal oficial do Sport Lisboa e Benfica era então publicado às quartas-feiras; tinha um formato diferente (apenas vinte e quatro páginas, mas sete centímetros mais 'comprido') do que é hoje; já era graficamente composto em computador, embora - característica do tempo - constituísse o único meio regular da comunicação oficial do Clube.
Nessa altura ainda não havia SAD, e muito menos estava então criada a SGPS, que só mais tarde ainda - em Fevereiro de 2001 - viria a assegurar o sagrado principio de que o Clube havia de deter para sempre o controlo da Sociedade para o Futebol... Os tempos era outros e bem mais difíceis do que são hoje.
É nessa fase conturbada e desportivamente nada fértil que o experiente jornalista Sequeira Andrade se vê obrigado, pela sua consciência, a aceitar a missão de dirigir o Jornal O Benfica, no seguimento dos serenos mandatos dos seus antecessores directos, José Respício (117 edições) e António Ramos Gomes (interino, 3 números).
Em face do que se passava no universo do Clube e sem grandes motivos para manter olimpicamente o registo sempre elogioso do Jornalismo do semanário, propõe uma decisiva alteração estratégica do modelo: João Sequeira Andrade leva a que a Redacção do Jornal se passe a concentrar de modo prioritário na descrição mais objectiva e enxuta dos jogos, das equipas, dos jogadores e atletas (ah, o seu Atletismo!...), privilegiando a sobriedade descritiva de desempenhos, perfis e resultados dos conjuntos e protagonistas, em detrimento do tom meramente eloquente e predicatório das narrativas dos repórteres e dos espaços de opinião, até então sempre usuais nos textos das primeiras cinco décadas do nosso Jornal. Naquela época tão difícil e incaracterística do Glorioso, essa sábia e hábil intervenção que, com a sua experiência, Sequeira Andrade inculcou na Redacção revelar-se-ia oportuna e decisiva para resgatar o essencial desempenho informativo do Jornal O Benfica e a sua recredibilização junto dos leitores. E, ao assegurar definitivamente um novo registo de rigor quanto aos factos e dados jornalísticos, Sequeira Andrade talvez não imaginasse quão determinante essa sua 'marca de água' viria a tornar-se, relativamente às futuras aventuras do Centro de Documentação e Informação e do próprio Museu Benfica - Cosme Damião, no Grande Benfica do séc. XXI."

José Nuno Martins, in O Benfica

A realidade para lá das vitórias

"A melhor notícia da ronda europeia foi o salto dado por Portugal, no ranking da UEFA, aumentando para mais de um ponto a vantagem sobre a Rússia. Assim, fica mais perto a possibilidade de engrossarmos a contingente na Champions e na Liga Europa, o que representa abrir a válvula da pressão no topo da tabela. Esta boa nova deve ser, porém, complementada com o aprofundamento das conversas quanto à centralização dos direitos televisivos, meio de criar condições para que haja um melhor nível médio no nosso futebol. Porque, apesar dos sucessos de SC Braga (que grande campanha!), Benfica e Sporting (o FC Porto empatou um jogo que podia ter caído para qualquer dos lados e o V. Guimarães não merecia a crueldade por que passou no Emirates), ficou à vista a dificuldade dos nossos clubes em aguentar a intensidade de jogo dos opositores. E isso é algo que se consegue tão mais facilmente, quanto se tenha um bom nível na competitividade interna.
Por razões por demais conhecidas, o jogo de Alvalade concitava atenções generalizadas pelo que podia acontecer dentro e fora do campo. Mais uma vez ficou provado o poder do resultado no futebol. Apesar de ter realizado uma exibição sofrível frente a uma equipa medíocre, o Sporting ganhou e esse facto apaziguou uns e dissuadiu outros, contribuindo para mais uns dias de acalmia no reino do leão. Segue-se o V. Guimarães, e depois o Paços de Ferreira, episódios de uma guerra de nervos em que ninguém quer fazer prisioneiros. Frederico Varandas saiu vencedor do primeiro round, mas a volatilidade do futebol deve impedi-lo de cantar vitória. E permanecer atento..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Cadomblé do Vata (Chinesices...!!!)

"1. Domingos Soares Oliveira disse que "o emblema do Benfica está bom para mim, mas não para quem está na China"... ficamos assim a saber, que em relação ao nosso emblema, os chineses são mais exigentes do que os sportinguistas.
2. Aparentemente, o problema do Glorioso emblema é ter muitas cores e não ter o nome do Benfica lá gravado... portanto, nem tudo é mau para o administrador da SAD do SLB, mesmo que e os sócios não aprovem a mudança de emblema, continuamos a ter mercado junto dos chineses daltónicos e analfabetos.
3. A afirmação de DSO levanta questões quanto à capacidade do departamento de marketing do Benfica... estamos a falar de gente que não consegue vender um clube que equipa de vermelho e tem uma águia dourada, num país com bandeira vermelha decorada com estrelas amarelas.
4. Ainda durante o discurso acerca deste tema fracturante, o homem para quem o emblema "está bom", garantiu que esta questão não está em agenda para o próximo ano... com sorte, deixa-se isto para quando ganharmos o 50º título, metemos 5 estrelas amarelas em cima do emblema e ganhamos 1,400 milhões de adeptos sem mexermos no que é Sagrado.
5. Entretanto, ficou-se hoje a saber que a lesão contraída contra o Lyon, vai obrigar a paragem prolongada do Rafa... esta seria uma boa altura para ele ir à China "apresentar o novo emblema" ao preparador físico do Marega."

Nenhum destaque...!!!


Estádio da Memória

"No aniversário do Estádio da Luz.
O João lembra-se do céu cinzento, da camisola colorida e do sorriso. O sorriso do seu pai. Não esquece aquele dia, nunca.
- Ainda não nasceu o sol, pai. Não quero sair da cama, por favor, pai.
- Cala-te, vai valer a pena, acredita.
- Mas custa tanto, pai.
- Deixa-te de fitas e vai para o banho.
- OK, pai.
O pai prepara-lhe o pequeno-almoço. Corta a fruta, aquece o leite, prepara os cereais, até esconde um pequeno chocolate no casaco para o filho comer na viagem. Deixa o rádio ligado nas notícias e corre para o quarto para escolher a roupa. Pega numa camisola nova, vermelha e macia, daquelas que se guardam no baú, das memórias. O filho aparece-lhe à frente e sorri. Sorriem ambos. Entram no carro 15 minutos à Benfica depois. Está frio. O carro está frio, a cidade está fria, as palavras são frias.
- Onde vamos, pai?
- É surpresa, mas vais gostar muito.
- OK, pai.
Andam mais de uma hora, talvez duas. A cabeça do João cai várias vezes, mas ele insiste que não está a dormir. O Luís entra no jogo e finge que acredita. Chegam a Benfica antes das sete. Está tudo vazio e sereno, no meio do cinzento-escuro que pinta o céu acaba sendo uma manhã bonita. O João agarra a mão do pai e pergunta «estamos mesmo aqui?»
- Sim, é o teu presente.
- Mas é o teu dia, pai.
- O meu dia só existe porque tu existes.
Sorriem. Andam uns metros e aproximam-se do estádio, que ainda está adormecido. Tentam forçar uma porta e nada. Tentam saltar um portão e o resultado é igual. O Luís não está habituado a derrotas, é defeito de clube, diz. Vê um segurança, sussurra-lhe algo, sorriem.
- Consegue-se tudo na vida com um sorriso, ouviste?
- Sim, pai.
Abre-se uma das portas laterais. Vêem um túnel escuro e uma luz. É a metáfora perfeita. Caminham sorrateiramente e entram numa imagem que o João nunca esquecerá: o estádio da Luz vazio, a relva a reluzir e o sol rasgando o topo nascente. Aperta a mão do pai, recebe um beijo na cabeça, e sorri. Um sorriso abre muitas portas.
É o Sport Sorriso e Benfica."

Bruno Lage e a fórmula Jesus

"Jesus conquistou o Brasil. Vai ser campeão, festa que os adeptos do Flamengo andam a adiar desde 2009, e, sabendo-se que Béla Guttmann nunca orientou o clube de Zico, até tem 50% de possibilidades de ganhar a Taça dos Libertadores, depois de ter liderado, a partir do banco, a noite épica dos 5-0 sobre o Grémio, que rendeu o apuramento para a final da competição.

Para os flamenguistas, Jesus é o Messias. Há muito que não se via um Flamengo assim, tudo é euforia e espanto, quando, há apenas seis meses, a contratação do português mereceu críticas duras. Depressa converteu os cépticos. Porque é competente, rigoroso, apaixonado. E fortíssimo na organização defensiva, o segredo para as suas equipas soltarem tanta genialidade no ataque.
Também tem muitos defeitos, menos um: o de permitir ingerências na hora de escolher o onze. No Flamengo, tem um plantel rico, factor indispensável à missão de ressuscitar o gigante. No Benfica também foi um pouco assim, tendo contado com os plantéis mais caros da história das águias, numa altura em que Luís Filipe Vieira já tinha como estratégia apostar nos talentos gerados na barriga do Seixal. Na diferença de ideias para se chegar ao êxito acabou por residir a verdadeira razão para a saída da Luz.
De 2015 para cá, o Benfica manteve, em campo, um modelo muito próximo daquele que Jesus utilizava. Quando Rui Vitória mudou para 4x3x3, perdeu. Vieira chamou Bruno Lage. O técnico usou os "mandamentos" de Jesus (4x4x2) e a coisa correu melhor, também porque recuperou a experiência e a influência de jogadores como Samaris e Pizzi. Anteontem, na vitória milagrosa da Champions, diante do Lyon, Pizzi começou no banco e Samaris nem se viu. O Benfica fez um jogo pobre, não restando dúvidas que, só com os miúdos do Seixal, há de continuar a somar desempenhos medíocres. Bruno Lage tem, nesta altura, um problema de método e de afirmação para resolver, sendo que ao adoptar a estratégia de Vieira na hora de escolher 11 jogadores estará sempre mais perto de perder. Se partir para a ruptura, ganhará mais vezes. E, quem sabe, terá sempre o seu Brasil."


PS: A sério, o Judas permite ingerências na escolha do onze?!
A sério, o Tino, o Rúben, o Ferro e o Tomás não foram dos melhores jogadores com o Lyon?!

Jorge Jesus, o líder espiritual da maior Nação do Brasil

"A “Nação”, como é apelidada a base de apoio do Flamengo, está rendida a Jorge Jesus, que colocou a equipa brasileira na final da Libertadores, algo que já não acontecia há 38 anos. Aos 65 anos, o treinador português está a deixar uma marca indelével no Brasil

Penso que a minha opinião sobre Jorge Jesus já é conhecida: é um treinador fantástico! As equipas pelas quais passa tendem a personalizar a sua ideia de jogo e a cumprir as directrizes a que são obrigadas quase ao milímetro. Se ele assim o é - fantástico -, é-o porque tem o conhecimento que separa os melhores dos bons: o técnico, ou, se quiserem, o táctico.
Poucos têm mais conhecimento táctico do que o treinador do Flamengo, passe o exagero. E são menos ainda os que conseguem operacionalizar de forma tão fiel o que lhes vai na cabeça. Se o jogo dependesse do treinador, seria tudo muito fácil, mas não; o jogo depende do entendimento e posterior reprodução em campo por parte dos jogadores daquilo que o treinador lhes tenta passar. É isto que Jesus oferece como muito poucos: aprendizagem célere dos processos de jogo.
Por isso nunca concordei quando foram dizendo em Portugal que a Jesus faltam aptidões na comunicação. Não concordo, porque percebo que ele consegue transmitir exactamente o que quer, com maior ou menor dificuldade na linguagem. Os jogadores entendem, a equipa técnica e todo o staff do clube entende, os jornalistas entendem e o público que o ouve e dele faz chacota (pelo mau português) também entende.
Nunca ficam dúvidas do que ele quer, quis, ou quererá dizer; e isso, amigos, é comunicar bem: a mensagem passa. As suas conferências de imprensa, que complementam o comportamento da sua equipa em campo, são fantásticas para quem quer saber mais, para quem quer um conhecimento mais profundo do jogo. Foi assim comigo: como à Lázaro, Jesus despertou-me e comecei a andar. Está a ser assim no Brasil: estão todos espantados e a querer perceber como é que um treinador pouco cotado na Europa, em tão pouco tempo consegue uma vantagem tática tão grande em relação a todos os outros.
Há, obviamente, mais treinadores de qualidade no Brasileirão, mas nenhum deles tem a capacidade de priorizar os conteúdos certos no treino para que, no jogo, a sua equipa apresente, regularmente, os comportamentos do seu modelo de jogo.
Como é também evidente, o Flamengo tem qualidade individual acima dos adversários, mas é sobretudo um futebol bem mais evoluído nos momentos defensivos que o distancia dos rivais. Há grande capacidade na transição ofensiva, nas bolas paradas e o ataque posicional, apesar de não ser o mais brilhante, por força da fragilidade tática dos treinadores no Brasil tem funcionado na maior parte dos jogos.
Jorge Jesus, como treinador de grande nível que é, tem bem definido o que quer, quando quer, e como quer. Para o ataque e para a defesa. Para cada uma das onze posições em campo. Sabe do que quer abdicar, e sabe o que é realmente importante para ele. E, por isso, na hora de escolher o seu plantel, de escolher o seu onze inicial, coloca os jogadores a competir dentro daquilo que é a exigência dele.
E o que Jesus mais exige aos seus jogadores é a velocidade a que se cumprem os movimentos ofensivos e defensivos. É uma exigência mental, primeiro, mas, depois da percepção do estímulo, sobretudo física. Com ele, os mais rápidos a ocupar os espaços, os mais agressivos a atacar as linhas de passe que ele quer, vão jogar mais vezes. Os mais fortes a atacar a primeira bola, os mais agressivos no 1x1 (ofensivo ou defensivo), os que jogam constantemente em alta rotação, serão quase sempre os escolhidos.
As primeiras escolhas dele, assim possa escolher, estarão sempre dentro destes parâmetros. Dessa forma, vai desenvolvendo o seu modelo de jogo, no qual a exigência física é fundamental para a concretização da sua ideia. Em Portugal, o actual treinador do Flamengo acabou por esgotar a influência que tinha, por força de um enorme conhecimento que todos passaram a ter dos seus processos, pela forma como marcou os treinadores por cá e todos passaram a olhar para ele como uma referência, e por não ser um treinador tão capaz de furar blocos baixos (e relativamente bem organizados de forma zonal) como os que ele passou a enfrentar.
Na Terra do Samba, por força de um futebol muito virado para as individualidades e pouco focado nas acções colectivas, Jorge Jesus está a ter uma passagem absolutamente arrebatadora, porque tem qualidades que encaixam como uma luva numa escola de futebol que produz os maiores talentos do mundo, mas que do ponto de vista colectivo está 20 anos atrasada no tempo - é caso para se dizer que em terra de cegos quem tem olho é rei!
Jesus promete transformar-se em Messias, o salvador profetizado pela “Nação” do “Mengão”, assim consiga cumprir a expectativa de vitória no Brasileirão e na Libertadores.



Por cá, já distribuía conhecimento há muitos anos... como se comprova nesta “aula” de Março de 2013."

Calma, são só “15 gajos” a dançarem

"Vamos em nove edições do Mundial e os bravos galeses podem tornar-se, apenas, na sexta selecção a jogar uma final, roubando um pouco de marasmo ao torneio se vencerem a África do Sul. Na outra meia-final, as ingleses que, provavelmente, têm a defesa mais fiável da competição, jogam contra a Nova Zelândia, que não derrotam há sete anos e cujo jogo começa no reputado haka, que pode intimidar muita gente, mas não Eddie Jones, o seleccionador inglês: "Nessa altura do jogo, podiam estar a tocar as Spice Girls que eu não reparava"

São muitos tipos musculados, bestas humanas de força, a esbugalharem os olhos, a esticarem a língua para fora, a fazerem caretas assustadoras; dão chapadas no próprio corpo, batem com os pés na relva, sincronizam a brusquidão dos seus gestos e berros de um idioma incompreensível; compondo este cenário e cobrindo-se todos com vestimenta integralmente negra, é verdade que podem assustar. 
Tendo-os a coisa de 10 metros, vociferando gritos guerreiros, minutos antes de um jogo onde o contacto físico não faz cerimónia e senta-se logo à mesa, James Haskell via “15 gajos a dançarem” que lhe davam vontade de “ir para o campo e lutar contra eles”.
Soa a aligeiramento forçado do haka, dança do povo maori, nativo da Nova Zelândia, que os All Blacks fazem, religiosamente, antes de cada encontro. Mas, pensando mesmo como escreve, ou forçando o seu eufemista interior, James Haskell, um pedregulho de flanqueador que somou 77 jogos pela Inglaterra, é da opinião que “a não ser que tenhas o coração do tamanho de uma ervilha”, o enfrentar o haka “devia motivar-te”.
O ritual maori vence ninguém, as vitórias não começam na dança, nem os All Blacks ganharam 80,4% dos jogos contra os ingleses por culpa de um ritual. “Muitas pessoas pensam que é sobre o que estás a fazer aos adversários”, já explicou, mais de uma vez, Kieran Read, capitão da Nova Zelândia, “mas, na verdade, tem a ver com as sensações que retiras de quem tens à tua frente, atrás de ti ou ao teu lado”.
Os neozelandeses incendeiam-se com os gritos, as caretas e os gestos, que despertam reacções, no fundo, crentes que um paradoxo pode ser eficaz: o haka não dá pontos ou ensaios, mas podem-se inventar estratégias para o contrariar.
Os franceses já avançaram contra eles, formados em ‘v’, antes da final do Mundial, em 2011, quatro anos depois de os enfrentarem, na cara, entrando-lhes na cabeça e eliminando-os. Os galeses mantiveram-se imóveis, nem uma pestana mexida, mais de um minuto contado depois do ritual terminar, em 2008, obrigando o árbitro a intervir. Em 1997, o inglês Richard Cockerill deixou-se inflamar, colou a cara a Norm Hewitt, inventou uma provocação à qual ceder e ouviu um companheiro de selecção a tremer a voz: “O que foste tu fazer?”.
As probabilidades dirão que os ingleses presentes no estádio de Yokohama, no sábado (9h, Sport TV2), gastem cordas vocais no “Swing Low, Sweet Chariot”, gritando para abafarem o haka com a canção que elevaram quase a hino do râguebi inglês, unindo-se num uníssono parecido ao de 2012, em Twickenham, como da última vez que ganharam à Nova Zelândia.
O tanque humano que move em Manu Tuilagi estava lá, a marcar dois ensaios, a ser fonte primordial de corridas embaladas com bola a quebrarem a linha da vantagem, como a Inglaterra ainda o tem e espera ter, outra vez. O samoano naturalizado inglês vê o haka como a maioria dos jogadores, “uma honra e um desafio para ser aceite”, vendo os neozelandeses batíveis pela força construída, em quatro anos, pelos ingleses.
O exigente Eddie Jones que lhes pegou, na ressaca do Mundial anterior, entregou o que as expectativas lhe auguraram. A Inglaterra tem a defesa mais sólida do torneio, constante na cobertura de rucks, muralhada contra bolas jogadas à mão, o centro (Tuilagi) mais perigoso em corrida e, com George Ford confirmado a 10 e Owen Farrell desviado para 12, voltará a ter dois aberturas na sua linha de médios.
Em Ford terá o par de mãos mais criativo e improvisador dos ingleses, em Farrell mantém as placagens duras do capitão em campo, neles está a ideia de ter dois organizadores de jogo na equipa, ideia replicada pela Nova Zelândia com Richie Mo’unga a 10 e os sprints explosivos de Beauden Barrett a 15, com mais espaço para embalarem.
É a presença deste neozelandês atleta atrás da linha dos três quartos que aconselha cautela no jogo ao pé dos ingleses. Pontapear muito a bola para fora da área de 22 metros, logo na primeira ou segunda fases, quando pressionados, será depositar-lhe oportunidades para correr contra uma equipa desalinhada.
O truque, se é que os há frente à selecção com tiques de omnipotência e sem pontos fracos evidentes, será tentar atrasá-la na reciclagem da bola. Puxar pelos manos Vunipola e os restantes seis avançados para, nos rucks, impedirem perdas de bola e tentarem emperrar os dois ou três segundos que Aaron Smith, o médio de formação com os braços mais velozes a passar a bola, costuma demorar a esvaziar a bola do chão.
Os avançados que passam a bola como médios, a vertigem como que saem de rucks, o faro com que atacam a mínima desorganização no adversário, a constância com que jogam a abrir, fazem dos All Blacks temíveis máquinas compressoras de râguebi, até para a Inglaterra, mais robótica e menos espetacular do que o primeiro par de anos com Eddie Jones, mas, com George Ford, Owen Farrell, Manu Tuilagi, Billy Vunipola ou Johnny May, sustenta a seleção que maior dano lhes parece poder causar.
Danificados, traumaticamente, ficaram os galeses, há quatro anos, quando sofreram um ensaio com muitos quês de desconcentração infantil, a cinco minutos do fim, nos quartos-de-final do último Mundial.
O número oito Duane Vermeulen ficar com a bola de uma mêlée, fixar o único galês que cobria o lado fechado, passá-la com uma mão, pelas costas, e Fourie Du Preez correr 10 metros para o ensaio parece ser o tipo de erro evitável que o País de Gales aprendeu a evitar.
Há quem lhe chame experiência, outros falarão em maturidade, pode-se ir pelo simples lado da concentração, certo é que, na última competição em que é treinada por Warren Gatland, a selecção galesa é a outsider para conquistar o Mundial. Algures lá em cima, para onde tantas bolas são batidas por Dan Biggar ou Gareth Davies, a gravidade ou os deuses dos azares fizeram descer infortúnios para lhes dificultar um pouquinho mais a vida.
O segunda linha Josh Navidi lesionou-se e não jogará mais. Um tornozelo torcido, durante um treino, roubou-lhes Liam Williams, o arrière das pernas arqueadas, maior motivo que faria os sul-africanos matutarem em dúvida, por segundos, antes de chutarem uma bola à procura de território. No seu caso, há o luxo Leigh Halfpenny para ser erguido do banco, mas, caso Jonathan Davies, um dos centros titulares, não recuperar da lesão, mais costuras terão que ser cozidas na selecção galesa que já chegou remendada (sem Taulupe Fauletau e Gareth Ascombe) ao Mundial.
Lá vão os galeses, desafiadores habituais da má fortuna - em 2015, chegaram a ter oito lesionados -, para a meia-final com a África do Sul, nação do hemisfério sul mais dependente no poderio dos seus avançados, com quem se espera um jogo onde a bola seja pontapeada amiúde, muitos tu-cá-tu-lás em busca de território a serem trocados.
Não é, por definição, um jogo atraente ao olho, mas é provável que, acordar cedo no domingo (9h, Sport TV1), assistirá a muitos pontapés vindos dos médios galeses, reforçados agora pelo pé de Halfpenny, a aliviarem-se de pressão na área de 22 metros. E que tenham a resposta de Faf de Klerk, o formação sul-africano, em tempos elogiado pelas corridas espontâneas com que fugia de trás dos rucks, agora algo criticado tantos chutos dados na bola.
A apetência da África do Sul para afastar os adversários do seu campo, à primeira ou segunda fases de jogadas, com pontapés para fora, ou chutos nas costas das linhas atrasadas, não é causal.
A estratégia fê-los sofrer apenas nove ensaios nos 10 jogos que leva em 2019 (incluindo dois contra a Nova Zelândia) e De Klerk é um fiel apologista: “É verdade que chutamos muito, mas tentamos ler o jogo e encontrar um balanço favorável. É positivo porque ganhamos território. Nem sempre temos um plano de pontapés definido. Lemos o jogo e ouço o que o Handré [Pollard] me diz”.
O abertura dir-lhe-á que continue a chutar à vontade, respeitando o modo de viver da África do Sul, que pode voltar a jogar uma final e prolongar o entediante costume de vermos sempre as mesmas nações a decidirem um Mundial.
É a regra tácita do hábito, pois menor será o espanto quanto mais repetições houver de determinada coisa. Pensamento não escrito, mas dito, o ano passado, por Eddie Jones, que encolheu os ombros e aplicou o raciocínio ao haka: “Na altura do jogo em que acontece, podiam estar a tocar as Spice Girls que eu não reparava”. Enganador ou não, é, pelo menos, um bom disfarce."

O planeta dos Grupos Organizados de Adeptos (um ponto de viragem na história, não só do Sporting, mas, sobretudo, do desporto nacional)

"Comportamentos, por vezes, selvagens e, tantas vezes, irracionais. Em casa, estão à solta. Fora de casa, ficam em jaulas. Não são todos mas são alguns. São demasiados. São demasiados que prejudicam os restantes que nesse grupo são incluídos e rotulados de igual forma. Grupos Organizados de Adeptos, os “GOA” ou as Claques.
Estamos todos familiarizados com estes termos, assim como estamos conscientes de tudo aquilo que significam para além do que consta do seu literal significado. Na teoria, são “conjuntos de pessoas, filiadas ou não numa entidade desportiva, que actuam de forma concertada, nomeadamente através da utilização de símbolos comuns ou da realização de coreografias e iniciativas de apoio a clubes, associações ou sociedades desportivas, com carácter de permanência”. Na prática, não são apenas isso. São muito mais. Por terem aquele significado “no papel”, seriam a estes grupos que a entidade desportiva concederia facilidades de utilização ou cedência de instalações, apoio técnico, financeiro ou material.
A verdade é que estes grupos já não eram só isto no passado e, seguramente, também não o são apenas desde 2009 (Lei n.º 39/2009, de 30 de Julho, estabelece o Regime Jurídico da Segurança e Combate ao Racismo, à Xenofobia e à Intolerância nos Espectáculos Desportivos). São tudo aquilo, mas também, em grande parte, grupos onde emergem associações criminosas de diversa índole, cuja expressão e dimensão permanecem arredadas do conhecimento público até as práticas criminosas atentarem contra a integridade física e moral.
A verdade é que os sucessivos casos que chegam ao nosso conhecimento, mediáticos ou não, não reflectem a pacífica realidade que os conceitos acima transcritos parecem descrever. É tempo de ponderar o que fazer com a verdadeira realidade e deixar de pactuar com uma situação em que as entidades desportivas são como escudos de um leque determinado de pessoas que vivem à margem da lei e que, em excessivo número de situações, nada mais fazem pelo desporto que não seja denegrir a sua imagem.
No passado dia 20 de Outubro de 2019 foi o dia em que o Sporting Clube de Portugal e a Sporting Clube de Portugal - Futebol, SAD informaram os sócios que haviam resolvido os protocolos celebrados com a Associação Juventude Leonina e com o Directivo Ultras XXI – Associação.
O ponto final nesta relação pode ser também um ponto de viragem na história, não só daquela entidade desportiva, mas, sobretudo, do desporto nacional. Pode constituir o mote para combater um problema que ganha contornos de enraizamento incompreensíveis, que levaram a que as entidades desportivas ficassem reféns destes grupos, ao ponto de temer confrontá-los com aquilo que nada mais são do que deveres básicos de vida em sociedade, linhas simples de civismo ou obrigações naturais de um protocolo entre duas partes.
Resta aguardar para saber se outras entidades desportivas têm a coragem de fazer o mesmo."

Marco histórico

"Hoje celebra-se o 16.º aniversário do Estádio da Luz e no próximo dia 31 será realizado um jantar comemorativo desta efeméride, em que também será prestada homenagem a Mário Dias, antigo vice-presidente a quem o Sport Lisboa e Benfica muito deve, nomeadamente, pelo seu empenho, determinação, visão e capacidade de organização neste empreendimento que muitos julgaram impossível face aos inúmeros constrangimentos com que o Clube se debatia à época. O Estádio do Sport Lisboa e Benfica a todos nos envaidece e orgulha e, simultaneamente, nos motiva para que o futuro do nosso Clube seja ainda mais Glorioso.
A decisão da construção de um novo Estádio foi muito difícil, pois opunham-se os lados sentimental e racional. Passados 16 anos, sabemos que os sócios do Sport Lisboa e Benfica tomaram a decisão certa no momento certo. A recuperação desportiva e financeira do Clube está à vista e que não haja dúvidas que esta só foi possível depois de o Benfica ter voltado a ser credível junto dos vários parceiros, fornecedores e instituições.
Já vivemos grandes momentos neste Estádio da Luz, como a celebração de títulos ou o acesso a uma final europeia, além de vitórias memoráveis e golos formidáveis. Foram inúmeras as alegrias vividas, 310 as vitórias (302 em competições oficiais) e a última, frente ao Lyon, foi a ducentésima em competições europeias da UEFA, com o Benfica a tornar-se o oitavo Clube a atingir esta marca redonda, integrando agora um núcleo restrito, o qual integra apenas grandes nomes do futebol europeu: Barcelona (316 vitórias), seguido por Real Madrid (313), Bayern (263), Juventus (259), Liverpool (217), AC Milan (201), Ajax (200) e Benfica (200).
Um aniversário que surge na véspera de mais um fim de semana desportivo, onde todas as atenções estarão centradas na difícil deslocação a Tondela, que já tem lotação esgotada. O objectivo da nossa equipa passa por ganhar a partida e conquistar os três pontos. Se conseguirmos triunfar, será a 13.ª vitória consecutiva em deslocações no Campeonato Nacional (terceiro melhor registo da história do Benfica).
Este será o primeiro de um mini-ciclo de três jogos a contar para o Campeonato Nacional: Tondela, domingo, às 15h00, em Tondela; Portimonense, quarta-feira, às 20h15, na Luz; e Rio Ave, sábado da próxima semana, às 18h00, também na Luz.

P.S.: O Benfica foi destacado no Twitter oficial da UEFA por ter sido o primeiro Clube a usar a hashtag #EqualGame no seu equipamento. Esta iniciativa da UEFA, a que o Benfica se juntou desde o primeiro momento, visa combater a discriminação. Mais uma vez fomos pioneiros numa causa que desde a primeira hora faz parte da nossa identidade."