Últimas indefectivações

sexta-feira, 15 de março de 2024

Vermelhão: Qualificação...

Rangers 0 - 1 Benfica


Vitória na Escócia, com qualificação como prémio, num jogo onde se lutou mais do que se jogou bem, com muita chuva e vento pelo meio!

A diferença entre as duas equipas é abismal, o potencial do Benfica é muito superior, em condições 'normais' esta eliminatória teria sido decidida, com uma 'goleada', mas mesmo com um Benfica a jogar pouquinho, chegou!

Controlámos menos a 1.ª parte, o Tino e o Neves não conseguiram 'mandar' na bola, jogámos demasiado recuados, e tivemos muitas dificuldades em passar do meio-campo. Com as 'linhas' mais juntas, acabámos por ser mais solidários junto da nossa área, e isso acabou por ser fundamental no resultado final. Mesmo assim, criámos as melhores oportunidades... As duas jogadas mais perigosas do Rangers no jogo, uma foi um 'quase'-frango do Trubin e no 2.º tempo, uma bola que desviou no Aursnes!

No 2.º tempo, entrou o Tengstedt, que de facto é o melhor avançado na pressão, ajudando bastante o meio-campo... Chegámos ao golo, em puro contra-ataque, logo a seguir à entrada do Kokçu, e partir daí o jogo foi completamente nosso! O Rangers arriscou nas substituições, e perdeu qualidade, mas o Benfica passou a jogar praticamente com um trio no 'meio', e soubemos gerir melhor a bola!

Sendo que podíamos e devíamos ter matado o jogo, com mais um golo, na recta final...

O melhor jogador foi claramente o Tino! Num jogo de muita luta, a precisar de muita ocupação de espaços, nas costas dos companheiros, o Tino esteve nas suas sete quintas!

As vitórias dão confiança, e este Benfica precisa de vencer muitos jogos para recuperar a confiança! Agora, esta qualificação, desportivamente, no contexto da luta pelo Campeonato, é terrível! Podem querer desvalorizar a sobrecarga do calendário, mas continuar a jogar Quinta/Domingo, enquanto os adversários têm uma semana para preparar as partidas, pode-nos sair muito caro! O Roger está obrigado a fazer muita rotação, como aconteceu com o Estoril, e como provavelmente vai fazer em Rio Maior, com o Casa Pia! Agora, no regresso após as Seleções, vamos ter uma sequência terrível: Chaves (Sábado), Sporting Taça (Quarta), Sporting Campeonato (Domingo), Liga Europa (Quinta)...!!!

A única nota da arbitragem, foi mesmo a forma como nos 'interromperam' a celebração do golo (mais uma vez...)! Pessoalmente, ao vivo, 'avisei' a todos ainda antes da bola entrar, que o Rafa estava fora-de-jogo...! Mas quando passou a primeira repetição, mudei logo de ideias! Sem confiança nenhuma nos árbitros e nos VAR's, fiquei com medo... E pela 2.ª vez na época, celebrámos o golo da vitória, pela segunda vez!!!

São menos de 72 horas, até Rio Maior, com a viagem de regresso de Glasgow. Não tem chovido nos últimos dias, mas suspeito que o relvado não esteja em grandes condições. Espero algumas alterações, por exemplo a titularidade do Kokçu... Mas mais do que os nomes dos jogadores, é preciso mentalizar os jogadores, que este Casa Pia, com este novo treinador, tem ganho os jogos, quando joga em contra-ataque puro (Guimarães e Arouca), e que para os mais esquecidos, nos 'roubou' 2 pontos na 1.ª volta! E já agora a equipa de arbitragem é mais um conjunto de avençados do sistema Corrupto!

Amanhã no sorteio, venha o diabo e escolha! Não existem adversários fáceis, e existem alguns muito, mas mesmo muito complicados! É verdade que independentemente dos 'nomes' tudo depende muito das apostas de cada equipa, e da forma como gerem os seus objetivos nos seus respectivos campeonatos, e neste momento, só o Liverpool está 'apertado' na luta pelo título máximo interno; o Bayer tem uma vantagem boa, e os outros têm na Liga Europa, uma oportunidade de salvar a época! O AC Milan, está longe do Inter, mas tem a Champions praticamente garantida, vai de certeza apostar tudo na Europa...; ao contrário da Atalanta que ainda aspira à qualificação direta para a Champions! Tal como a Roma, que está a jogar muito melhor sem o Mourinho, mas não tem a Champions garantida! O West Ham está objetivos internos, ganhou a Conference League o ano passado, e vai apostar tudo na Liga Europa... e apesar do nome menos sonante, têm uma dos plantéis mais caros do 'Mundo'; o Marselha, também melhorou muito com a troca de treinador, e tem claramente objetivos no campeonato, não estando muito longe da qualificação direta para a Champions!

Dito isto, o Marselha parece-me ser claramente a 'opção' menos má (mais uma grande ambiente, contra uma equipa de muita luta...); a minha 2.ª opção é o West Ham, somente porque o Benfica tem um bom currículo contra este tipo de equipas inglesas... Ao contrário do que acontece com as Italianas e as Alemãs!!! Não quero jogar contra ex-jogadores, portanto Liverpool e Bayer são para evitar... E já agora, se o Benfica não seguir em frente, que Final seja entre o Darwin e o Grimaldo, para que o 2.º lugar na Liga portuguesa, tenha entrada direta na Champions!

Desvantagem...

Barcelos 4 - 2 Benfica

Semana complicada, com duas lesões a retirarem jogadores da equipa: Manrubia e Nicolía, e com a 1.ª mão dos Quartos de final da Champions, num pavilhão tradicionalmente muito complicado para o Benfica!
Na Luz, a reviravolta é possível, mas não vai ser fácil, ainda por cima sem as bolas paradas do Nicolía!

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Que Rangers é este?

Ganhar em Glasgow


"O Benfica tem a oportunidade de carimbar a passagem aos quartos de final da Liga Europa, hoje, às 17h45, em Glasgow, frente ao Rangers. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Equipa com adeptos é uma equipa com mais força
O presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica salienta a importância dos adeptos junto da equipa, lembra a disciplina "firme e draconiana" da UEFA e deixa um apelo aos Benfiquistas: "Temos de ter a capacidade de mostrar o nosso amor ao Clube, e o amor ao Clube significa comportamento impecável, fundamentalmente pelo seguinte: eu quero continuar a ver cachecóis, a força, a fé, o grito, o 'Carrega, Benfica!', o nosso hino, em todos os estádios. E é isso que lhes peço. A equipa estará connosco, importa nós estarmos com a equipa, porque uma equipa com adeptos é uma equipa com mais força."

2. Jogar bem e vencer
Roger Schmidt espera "um jogo mais aberto comparativamente ao da semana passada", refere o caráter decisivo da partida e considera o ambiente propício para um grande espetáculo: "Começamos do zero e o vencedor avança aos quartos de final. É muito simples. Relativamente ao ambiente, nunca aqui estive, mas já ouvi falar dele. É uma enorme motivação para o Rangers, mas também para nós. Estamos prontos para fazer um bom jogo e dar tudo para passar à ronda seguinte."

3. Foco na qualificação
Otamendi revela a abordagem do grupo de trabalho ao jogo: "Teremos de ter personalidade para jogar num estádio assim. Temos de jogar o nosso futebol, sem medo de nada e tratar de fazer o que treinámos durante a semana. É uma partida de qualificação e queremos fazê-lo da melhor forma possível para avançarmos e continuarmos na Europa, que é o que mais importa neste momento."

4. Todos à Luz
É já na próxima terça-feira, dia 19 de março, às 20h00, que o Benfica recebe o Lyon, no Estádio da Luz, a contar para a 1.ª mão dos quartos de final da Liga dos Campeões. Pauleta e Marie Alidou partilham o entusiasmo e a motivação para a eliminatória e pedem o apoio dos Benfiquistas.

5. Noite europeia de hóquei em patins
O Benfica visita o Óquei de Barcelos, às 21h00, em partida referente à 1.ª mão dos quartos de final da WSE Champions League. Nuno Resende não esconde a ambição benfiquista na prova: "É a 1.ª mão de uma eliminatória que dá acesso à final four. É um objetivo nosso. Esperamos um jogo de grau de dificuldade elevado."

6. Benfica em peso na convocatória
Dos 22 convocados para a Seleção Sub-18, 10 pertencem aos quadros do Benfica, o clube mais representado.

7. Iniciativa solidária
A Fundação Benfica e o Hospital da Luz juntaram esforços para a angariação de donativos em prol de três instituições de solidariedade social, a Ajuda de Berço, a Operação Nariz Vermelho e a Associação Salvador."

Marcos Leonardo marcou, e agora?


"Se em tempos a rotação no onze titular do Benfica era apenas uma miragem nas constituições de Roger Schmidt, a exigência do calendário fez com que as surpresas no onze inicial fossem mais e mais recorrentes.
No jogo frente ao Estoril, o técnico lançou Marcos Leonardo de início pela primeira vez desde que o avançado chegou a Lisboa, e, naquele que foi o seu oitavo jogo para o campeonato, o brasileiro faturou pela quinta vez na época, o que resulta numa média de um golo a cada 35 minutos, sensivelmente.
É verdade que nenhum dos golos marcados pelo ponta-de-lança se caracteriza pela sua dificuldade de execução ou pela sua extravagância ao olhar dos adeptos, porém, também é verdade que a sua presença no momento exato para finalizar, motivada por boas movimentações e boa leitura de jogo, vão mostrando aos poucos a sua qualidade em vários níveis.
A grande questão que se coloca após esta partida é se existirá verdadeiramente uma oportunidade para a continuidade do progresso do atleta. Terá o jovem de 20 anos mais oportunidades como titular do Benfica ou vai voltar novamente à utilização forçada nos minutos finais dos encontros?
Ao longo dos últimos tempos assistimos a uma mudança sistemática no que diz respeito ao homem mais adiantado no terreno de jogo das águias. Recordemos:
Numa primeira fase da época, entre a saída de Gonçalo Ramos e a demorada adaptação de Arthur Cabral, foi Musa que assumiu a posição, no entanto, as exibições do croata também foram descendo de nível após alguns jogos e a aposta de Roger Schmidt passou então por Tengstedt, que após o golo frente ao Sporting na Luz, mereceu mais oportunidades por parte do técnico alemão.
O avançado dinamarquês subiu novamente o caudal ofensivo das águias e protagonizou vários momentos de destaque na frente de ataque, tanto a assistir tanto a finalizar, algo que foi melhorando após alguns jogos. Para azar da equipa do Benfica, que parecia embalar de novo no sistema do ano anterior, Tengstedt lesionou-se, e, à boleia do calcanhar decisivo em Salzburgo, Arthur Cabral assumiu o papel principal na frente.
A partir desse momento, Arthur Cabral mostrou mais confiança, mais habituação à equipa e ao estilo de jogo, e consequentemente, mais golos. Mesmo tendo chegado a marcar em quatro jogos consecutivos, numa das melhores fases da época para os encarnados a nível exibicional, Roger Schmidt decidiu mudar o sistema de jogo remetendo o avançado para o banco de suplentes e apostou num sistema sem ponta-de-lança, apesar dos três homens à sua disposição para a posição.
Depois do esperado insucesso desse modelo e da utilização de Tengstedt e Arthur Cabral não surtirem efeito nos jogos frente a Sporting, Porto e Rangers, Roger Schmidt colocou Marcos Leonardo de início na receção ao Estoril, e como é sabido, o jovem brasileiro efectivamente faturou. Tendo isso em conta, e face ao histórico registado ao longo da época, a sua aposta como titular do Benfica nos próximos jogos pode ser uma realidade a encarar, contudo, pelos mesmos motivos mencionados, basta um jogo em branco para que o processo se repita novamente.
A inconsistência de Roger Schmidt na constituição das equipas tem sido algo recorrente nos últimos jogos, fazendo parecer que há sempre algum aspeto a melhorar. No que diz respeito à posição de ponta-de-lança, a resposta à inconsistência pode mesmo passar por Marcos Leonardo.
Marcos Leonardo não é o avançado mais móvel, porque o é Tengstedt, e também não é aquele com melhor poder de finalização, porque esse pertence a Arthur Cabral, contudo, Marcos Leonardo combina um conjunto de fatores que o tornam o mais completo e o mais eficaz nos momentos derradeiros. Há que ter em conta que o jovem chegado apenas em janeiro ao Benfica é já o terceiro melhor marcador da equipa no campeonato, um dado que é tanto surpreendente como revelador do merecimento da continuidade de Marcos Leonardo na frente de ataque dos encarnados.
Posto isto, resta aguardar pelos próximos jogos para perceber de que forma Marcos Leonardo se apresenta como uma aposta imediata nas águias, ou se, à semelhança de outros colegas, é visto apenas como um produto para o futuro do Benfica."

Uma questão de camuflagem


"A Federação Portuguesa de Futebol aprovou, recentemente, a alteração dos formatos competitivos dos campeonatos nacionais de seniores femininos, sendo a redução de 12 para dez equipas na Liga BPI, a partir da época de 2025/2026, uma das principais medidas. Concordo… apenas em parte. Em teoria até parece uma medida positiva. Mas na prática não vai resolver os problemas do futebol feminino, apenas camuflá-lo.
Sem dúvida de que a medida impulsionará a competitividade da Liga. Com menos lugares disponíveis, os clubes saberão o quão difícil será regressar se descerem. Terão forçosamente de investir para se manterem ao mais alto nível. E isso, inegavelmente, resultará no aumento da qualidade dos planteis.
Mas é uma falácia dizer-se que essa redução, por si só, resolverá os problemas inerentes à sobrecarga do calendário competitivo. Numa altura em que existem tantas lesões e jogadoras a queixarem-se do excesso de jogos (entre clubes e seleções), a redução de equipas na Liga equivale a uma diminuição de quatro jogos por época no campeonato. Ou seja, o efeito é quase nulo. Sabendo-se que na próxima época teremos duas equipas na Champions feminina e na seguinte três, o desejável seria que a reformulação atingisse também provas como a Taça da Liga ou a Supertaça.
Por outro lado, sinto também que vai continuar a existir uma luta entre os ditos grandes e os restantes clubes. Isto é, mais uma vez estaremos a pedir que os clubes, sozinhos, profissionalizem os seus planteis, numa liga amadora. Continuamos a tentar dar a volta à rotunda e a construir a casa pelo telhado. Sem atacar o verdadeiro problema, que só se resolve com a profissionalização e um acordo coletivo de trabalho. Permitindo, desta forma, que as jogadoras tenham condições de trabalho dignas nos seus clubes tanto a nível desportivo como de proteção no desempenho da sua atividade, que é o futebol.
Ao mesmo tempo é necessário perceber como o investimento de €7,8 M, já anunciado pela FPF tendo em vista as duas próximas épocas, irá dividir-se entre competições de clubes e seleções. E quais as condicionantes para este apoio ser realizado. É que a última vez que a Federação efetuou investimento semelhante, o grosso do bolo ficou nas seleções e os clubes apenas com algumas migalhas."

O elefante no meio da Luz


"O Benfica contratou três laterais-esquerdos, adaptou um central e quem aí joga é Aursnes

Éramos miúdos e as parvoíces perseguiam-nos mais do que as miúdas, que tentávamos encurralar mais ou menos na mesma medida que a uma bola na única baliza ainda erguida, ali no intervalo entre o segundo toque e a falta a vermelho. O pre-sen-te! gritado desde corredor de pouco valia. Ou as desculpas quando se levavam recados para casa para que voltassem assinados. Houve o tempo das charadas quando nos perguntavam do meio de nada Sabes qual é o cúmulo da força? É dobrar uma esquina! E riam-se tão irritantes quanto matracas porque não sabíamos ou entretanto nos esquecêramos da resposta, de tanto queijo que comíamos. Tínhamos avós sábios.
Não sei se já mais velho, nas idas ao café antes de montarmos defesa no bilhar, que para nós era snooker, e mostrarmos classe nos dardos criando o molde para o Luke Littler, depois de uma Cuba Libre paga com trocos que sobravam e que nos esticava a adolescência quase até ser dia, as charadas tinham evoluído e havia uma particularmente famosa: Como metes um elefante num frigorífico em três tempos? É simples, pá! Abres a porta do frigorífico, metes o elefante e fechas a porta!
A simplicidade fazia parte da nossa vida e era fácil perceber que nunca a conseguiríamos transportar para a idade adulta e para a realidade futebolística. Não parece haver frigorífico grande o suficiente no Estádio da Luz para esconder o elefante que aparece sempre que o Benfica entra em campo esta época. E não necessariamente ali. Vemo-lo em cada estádio em que a equipa se apresente.
Os encarnados contrataram três laterais-esquerdos, um por empréstimo, já aí jogou e por vezes ainda joga um central adaptado que bateu no fundo das estatísticas dos dribles sofridos, mas é Aursnes, que foi reforço para o meio-campo e se destacou sobretudo como falso extremo, o melhor de todos, não sendo bom, porém, o suficiente. À direita, um paquiderme mais pequeno, talvez descendente do primeiro, também não passa facilmente despercebido quando Bah, de tempos a tempos, sente problemas físicos e, mais uma vez, é o bom do norueguês quem tem de ir apagar o fogo. O tal de Aursnes que, por não estar à frente, não pode contribuir para estabilizar o problema mais vezes identificado: a falência da pressão e da reação à perda.
Não sei de quem é a culpa do tamanho do elefante ou do frigorífico, contudo todos terão a sua responsabilidade por os continuarmos a ver. Schmidt assumiu ou aceitou, tal como a direção decidiu, adiou ou não se preocupou o suficiente com o tema. Que, já se percebeu, pode contribuir para muito do sucesso ou insucesso da época. Mesmo que o culpado já todos o tenham encontrado antes sequer de ser chamado a sentar-se no banco dos réus.
Nesses pelados de antanho, se o gordo ia à baliza, o segundo menos magro era lateral-esquerdo. Gastaram-se milhões em Jurásek, mas não funcionando, o Benfica não pode resolver o problema como nós o fazíamos. Com um qualquer. E, ainda por cima, o elefante vem sempre com uma bela memória."

Todos os anos a mesma coisa...


"Se os tubarões europeus atacarem será impossível ao Benfica manter João Neves, o maior talento português do clube desde João Félix ou Bernardo Silva, ambos transferidos em fase precoce de desenvolvimento do seu gabarito (mais evidente no jogador do City) e em que ainda se encontra, sem dúvidas, também o camisola 87

A época aproxima-se do fim e uma após outra a mesma questão sucede-se na berlinda da atualidade dos clubes grandes em Portugal, ainda que se conheça a resposta e as razões que a tornam inalterável. Poderão manter estes os seus jovens prodígios, salvaguardá-los da voracidade dos tubarões europeus?
A resposta é não. E sabem-se os motivos da inevitabilidade. O equilíbrio das contas, tão precário devido ao estrutural desnivelamento entre receitas muito inferiores às despesas. Porque mesmo até em anos subsequentes a excecional encaixe financeiro – ainda e sempre através de venda de jogador(es) —, os gastos em contratações e em salários constituem fator de descompensação.
E se na eventualidade de uma receita avultada permitir ano seguinte sem necessidades, impõe-se em última instância a vontade de sair do jogador, para onde multiplicará, várias vezes, o salário e por projetos de carreira mais ambiciosos (dimensão do clube de destino, da liga, de conquista de títulos europeus).
Tomando como exemplo o Benfica, ser-lhe-á impossível manter a pérola emergente João Neves, o maior talento português do clube desde João Félix ou Bernardo Silva, ambos transferidos em fase precoce de desenvolvimento do seu gabarito (evidente no jogador do City) que ainda encontra, sem dúvidas, Neves. Se os tubarões atacarem em força, será impossível, uma inevitabilidade. 
Ninguém pense que a sua venda dependerá da vontade do Benfica (dos seus dirigentes), mas de imperativos financeiros, ainda que com dinheiro fresco das vendas caríssimas de Gonçalo Ramos ou de Enzo Fernández, e em último caso a vontade do jovem médio. Mesmo após João Neves, há dois dias, ter-se assumido um romântico com paixão pelo jogo e de ainda não ver o futebol como uma profissão. Seja lá o que quererá dizer..."

Schmidt no papel de Hamlet


"Um estimado e fiel leitor enviou-me há dias um e-mail a contar que não dormiu bem na noite da goleada do Benfica no Dragão. Na manhã seguinte, decidiu ir ao ginásio por entender que lhe ia fazer bem. E reparou que havia mais gente e mais silêncio no ginásio do que o normal. Não lhe foi difícil concluir que havia mais benfiquistas como ele… Se Roger Schmidt estivesse também naquele ginásio, talvez sentisse no silêncio de rostos fechados a razão de ter sido colocado no centro do palco no papel de Hamlet: «Pedir ou não desculpa, eis a questão...»
Schmidt respondeu que não tinha de o fazer e justificou: não fez de propósito. Discordo. Se tivesse sido goleado de propósito, não era um pedido de desculpa que os adeptos ficariam à espera, mas da carta de demissão… Na ausência dela, o despedimento sumário com justa causa e em ambos os casos com pedido de indemnização. Um pedido de desculpa não se impõe apenas quando se comete um erro deliberado ou negligente e do qual nos arrependemos, mas também quando desiludimos pessoas que contam connosco, confiam em nós e que são a razão da grandeza da instituição que Schmidt representa. A chave da discussão não está na análise objetiva dos erros e no elencar de graus de culpa, mas no impacto emocional que esses erros têm nos outros, mesmo sendo Schmidt a primeira vítima. E isso só é possível quando nos colocamos na pele do outro. Chama-se a isso empatia.
Dito isto, deveria Roger Schmidt ter pedido desculpa? Não. Confuso? Passo a explicar: não há pedido de desculpa que cumpra o papel de apaziguamento sem sinceridade do autor e autenticidade da mensagem. Seria pior a emenda... Entre não ser simpático ou ser falso, Roger Schmidt tomou a opção certa. Porque a verdadeira razão para não ter pedido desculpa foi assumida na conferência de imprensa seguinte: não faz parte da sua personalidade pedir desculpa por ter perdido um jogo que correu mal mas tentou vencer.
Roger Schmidt tem direito a ser como é, a agir segundo a sua consciência, personalidade e até cultura. Tem direito a não se identificar com certas latinidades. Tem direito a mostrar enfado com algumas perguntas dos jornalistas. Tem o direito a considerar injustas as críticas dos adeptos. Tem o direito a dizer que não ouviu os assobios, não viu os lenços brancos e — quando se torna impossível não ver e ouvir — pedir aos adeptos que o contestam que fiquem em casa. Tem é de estar ciente que os adeptos também têm direito ao mesmo e estar disponível para aceitar as coisas boas e más das decisões, opiniões a comportamentos que toma, aceitar até não ser compreendido e não ser amado. Nem sempre se pode ter o melhor de todos os mundos.
Após o empate do Benfica com o Rangers, Roger Schmidt falou em «boa exibição». E o que disse o capitão Otamendi?: «Temos de sair desta situação de merda em que lamentavelmente estamos». Schmidt tem direito a acreditar e defender na sua análise. Não pode é estranhar que os adeptos se tenham identificado mais com Otamendi. Que nem teve de pedir desculpa, bastou mostrar que está a sofrer, revoltado e com vontade de dar a volta. Sentiu o que os adeptos sentem.
Otamendi também no papel de Hamlet: «Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e setas com que a fortuna, enfurecida, nos alveja, ou insurgir-nos contra um mar de provocações e em luta pôr-lhes fim?»"

Dor de cotovelo


"Jorge Jesus é recordista mundial de vitórias seguidas, mas também de pontos numa edição do Brasileirão

«É tudo time de cachorro, é o au não sei quê, o au não sei quê, para fazer de conta que têm futebol. É um timeco batendo um recorde de um timeco, isso não tem importância nenhuma»
Flávio Prado, jornalista brasileiro, comentando o recorde mundial de Jorge Jesus, na Jovem Pan Esportes

Jorge Jesus já está oficialmente no livro de recordes do Guinness depois de, na terça-feira, ter chegado à 28.ª vitória seguida no comando do Al Hilal. Nunca, na história, um clube conseguira estar tantos jogos consecutivos a ganhar, em todas as competições, e o feito teve, naturalmente, repercussão mundial. Mais ainda no Brasil, onde o trabalho de Jorge Jesus no Flamengo ainda faz suspirar muitos adeptos do Mengão.
Mas há quem desvalorize o feito. Quando JJ chegou à vitória 27, igualando a marca do The New Saints, Flávio Prado disse na Jovem Pan Esportes que a marca não tinha importância — por ter sido alcançado na Arábia Saudita e superando a marca de um clube de Gales. É certo que a liga saudita não está no topo mundial, mas caramba, compará-la à de Gales é como comparar o Vasco da Gama do Rio de Janeiro com o de Sines.
E sendo certo que o investimento estatal em quatro clubes desequilibrou a competição interna, mesmo assim há jogadores como Ronaldo, Otávio, Brozovic, Sadio Mané, Benzema, Mahrez, Firmino, Rakitic ou Carrasco do outro lado. Tomara o Brasil. Aliás, há um ano, antes de Jesus voltar, o Al Hilal eliminou o Flamengo nas meias-finais do Mundial de Clubes.
E, de qualquer forma, se é tão fácil conseguir algo assim numa liga fraca, porque é que nunca ninguém o fizera? Nem na Arábia Saudita, nem noutro lado qualquer. Aliás, a seguir a Al Hilal e TNS, as duas melhores sequências são do Ajax, com provas europeias pelo meio...
Tudo isto soa a dor de cotovelo. Porque em 19 edições do Brasileirão com o formato atual, o recorde de pontos numa época é dum português — Jorge Jesus."

Moeda ao ar


"Sérgio Conceição casa na perfeição com o FC Porto, partilham a mesma natureza, para o bem e para o mal

O FC Porto deixa a Liga dos Campeões pela porta da frente e discutiu a passagem aos quartos de final com o líder da Premier League até ao desempate por penáltis. Não é coisa pouca, mesmo que de pouco consolo possa servir a quem razões teve para acreditar que tudo poderia ter sido ainda melhor.
Já ninguém, nos dias que correm, arrisca sequer admitir o valor de uma espécie de vitória moral, jogadores e treinador serão os primeiros a desprezá-la e, no entanto, seja esse o sentimento depois do adeus em Londres à competição ou outro qualquer, podemos ter a certeza de que alimentará os dragões para novos triunfos e conquistas.
Aqui chegados é impossível ignorar que é a Sérgio Conceição que se deve atribuir o mérito maior. Três títulos de campeão, duas Supertaças, três Taças de Portugal, uma Taça da Liga, duas presenças nos quartos de final e três nos oitavos de final da Champions e sete anos depois de ter tomado conta da equipa, não haverá muitas dúvidas de que já deu mais ao clube do que recebeu, mesmo com erros pelo caminho, que os houve, mesmo que venha um presidente dizer que todos os jogadores contratados tiveram o aval do treinador, o que custa muito a acreditar.
Emergiu, nestes sete anos, o trabalho de um treinador sob o constrangimento de uma situação financeira pouco transparente e ainda menos saudável. Houve soluções para os desafios que poderiam fazer vacilar os menos bem preparados e, esta época, num contexto em que o FC Porto esteve mais vulnerável do que nunca, desportiva e politicamente, por haver pela primeira vez alguém que ameaça o poder, Sérgio Conceição transformou, emocional e taticamente, a equipa para não apenas resistir como também reagir a circunstâncias que deitariam abaixo os mais fortes.
Sérgio Conceição casa na perfeição com o FC Porto, partilham as características da mesma natureza de não desistir, de lutar contra as contrariedades, reais ou imaginárias, do trabalho, da dedicação, do amor, da explosão, da franqueza.
Mas, como se viu em Londres, no desentendimento depois do fim do jogo com o treinador do Arsenal, há o outro lado da moeda, do mau comportamento, do mau perder, do insulto, da vitimização, do desdém, das expulsões em campos de futebol.
Poderá ter o treinador do FC Porto motivos para estar chateado com Arteta, talvez nos provocasse uma reação ainda pior, mas o ato deliberado de confrontação só o diminui, quando deveria ter saído daquele palco apenas engrandecido e louvado.
Já muitos tropeçámos na teoria de que só conhecemos realmente a verdade de uma criança, de alguém embriagado ou de alguém irritado. E não foram poucas as vezes que todos já vimos, no exercício da profissão, o comportamento de Sérgio Conceição quando está chateado. Seria injusto, porém, reduzi-lo a isso. Saberá a maioria que tem um grande coração, que até não gostará que se saiba o bem por trás do pano da fama. É uma personalidade fascinante.
Com Sérgio Conceição dificilmente sabemos o que esperar. É quase como atirar a moeda ao ar. Cara ou coroa?"

Galeno escolheu bem...


"Matheus Nunes tem o Euro-2024 em risco. Já Galeno pode muito bem disputar a Copa América

Galeno foi convocado para a seleção do Brasil ao mesmo tempo que está na lista de pré-convocados de Roberto Martínez para a Seleção Nacional, que amanhã divulga os eleitos para os próximos jogos de preparação. O extremo do FC Porto é elegível para as duas seleções, pois possui dupla nacionalidade - chegou a Portugal em 2016. Aos 26 anos está no auge da carreira, como mostrou na Liga dos Campeões. Já não é um menino e chegou a hora de definir os contornos da carreira. Nos últimos dias deu a entender que vai escolher o país-natal. E bem, digo eu.
Há muito que nos habituámos a ver o Brasil como uma grande potência mundial. Diz-nos a História que é mesmo a maior. Não por acaso, do outro lado do Atlântico dizem que todo o mundo tenta e só o Brasil é penta. Não há forma de contestar. Contudo, o escrete hoje em dia já não é o mesmo. Na qualificação para o Mundial-2026 acabou de sofrer três derrotas consecutivas, o que levou a CBF a substituir Fernando Diniz por Dorival Júnior. A canarinha ainda tem craques de dimensão mundial, como Neymar ou Vinícius Júnior, mas, admitamos, não é a mesma potência que maravilhou todos os amantes de futebol.
Já a Seleção Nacional está cada vez mais forte, com os jogadores portugueses a serem cada vez mais influentes nos principais campeonatos. A começar, claro, por Inglaterra, mas também em Espanha, França e Itália. Mesmo na Alemanha ou na... Arábia Saudita. Conseguir um lugar atualmente entre os eleitos de Roberto Martínez é mesmo muito difícil. Mais do que ver o nome na lista do escrete.
Galeno acaba de ser chamado para o lugar de Gabriel Martinelli - o extremo do Arsenal está lesionado. Bem mais fácil do que ser convocado para a Seleção Nacional, não concorda? E isto também considerando que para a posição dele as lesões também lhe desbravassem o caminho. De Diogo Jota ou Ricardo Horta. É que ainda há Rafael Leão, João Félix ou Pedro Neto!
Galeno fez bem em escolher, como tudo o indica, o Brasil. Veja-se o caso de Matheus Nunes. O luso-brasileiro fez a opção contrária. Na lista de Brasil e Portugal, escolheu a Seleção Nacional. Representa o Manchester City, o atual campeão europeu, é um médio moderno, muito completo, que defende e ataca e até marca golos, mas está com muitas dificuldades em encontrar espaço nas escolhas de Roberto Martínez. De 26 jogadores. Quanto mais de 23... O mesmo será dizer que tem o Euro-2024 em risco. Já Galeno pode muito bem disputar a Copa América..."

História Agora

Atypical: Life...

Zero: Saudade - S02E28 - Artur Jorge: um Rei da cultura e das boas maneiras

Lanças, excerto...

Central, excerto...

Total, excerto...

Total, excerto...

Total, excerto...