Últimas indefectivações

domingo, 12 de novembro de 2023

Aperitivo...

Benfica 4 - 0 Damaiense


Com muita rotação, vitória tranquila, contra uma das melhores 'fora' as tradicionais!
Nota para o regresso da Seiça, após a lesão, numa altura onde a Carole ainda está de fora...

Agora, Terça, jogo da Champions em Barcelona, onde no passado recente fomos goleados de forma impiedosa! Estamos mais fortes e com menos lesões, mas mesmo assim a ausência da Carole e da Pauleta fazem mossa!


Demasiada gestão!

Carvalhos 3 - 5 Benfica

Entrámos a dormir, e depois da reviravolta, acabámos por gerir, uma vantagem que até não era assim tão grande, de 1-4 chegaram aos 3-4 !!!

Rápido...

Benfica 3 - 0 Santo Tirso
25-15, 25-13, 25-22

Muitas alterações, com uma vitória tranquila...
Com a lesão do Banderó (alguns meses...), o Wohlfi voltou a ser usado a Oposto.

Boa vantagem...

Benfica 34 - 27 Neistin
18-14

Contra uma aguerrida equipa das Ilhas Faroé, vitória na 1.ª mão da 3.ª ronda da EHF European Cup Women. Esperava-se uma vantagem maior, mas algumas exclusões 'extra' das nossas jogadoras, tornaram o jogo mais equilibrado do que inicialmente se pensaria...
Amanhã, na Luz, joga-se a 2.ª mão...

Derrota em Espanha...

Fraga 2 - 0 Benfica

Primeira derrota da época, em Espanha, na 1.ª jornada desta Champions...
O problema da falta de competitividade interna, continua a prejudicar a equipa na Europa! Também é verdade que o piso de cimento não ajudou, mas...

Antevisão...

BI: Antevisão...

A SportTV a prestar MAIS UM serviço ao FC Porto


"Este lance foi pouco antes do lance do golo do empate. Nem uma repetição deu, se quer...
Os jogadores do FC Porto continuaram a jogada e nem deixaram parar a bola e assim não se permitiu que o VAR fizesse o seu trabalho...
A corrupção não é só no Governo. Está aos olhos de todos, com uma estação de televisão pactuar e a dar cobertura a tudo."

Nem uma repetição!

No Princípio Era a Bola #16 - Um Benfica pressionado recebe um Sporting confiante e que vai tentar assumir o jogo

5 minutos: Diário...

Um dérbi em tempos de cólera


"Que venha o dérbi. É certo que, por ele, o mundo e o país não melhoram, mas sempre nos embeleza as vistas e nos areja a alma

Na obra prima do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, é o amor que triunfa em tempos de cólera. Dificilmente o futebol terá esse privilégio, mas ainda assim o futebol ganha, nestes tempos de guerras de dimensão mundial e de desassossegos sociais, uma importância objetiva pelo que constitui de escape a emoções e sentimentos que facilmente poderiam desaguar num mar de ódios, de intolerâncias para com os diferentes e das mais radicais formas de insensatez.
Em Portugal, o dérbi chega num contexto de inquietação e de espanto. Uma crise política profunda, que vem instaurar dúvidas e perplexidades, além de agravar problemas efetivos e reais da sociedade portuguesa, onde tenta sobreviver um povo centenariamente sofredor e que, perigosamente, começa a desconfiar da democracia, precisamente a apenas alguns meses da comemoração dos 50 anos do 25 de abril.
É este mesmo povo que assiste incrédulo e assustado à nova era das guerras em direto, com todo o seu rol de sofrimentos, de angústias e de tragédia.
Desconfiar é, hoje, a arma do povo. Desconfiar de políticos e de instituições, desconfiar da isenção da justiça e dos méritos do sistema educativo, duvidar da efetividade dos seus direitos cívicos e da proporcionalidade dos seus deveres e, sobretudo, duvidar do enxame de comentadores políticos que nos invadem a casa a qualquer hora, alguns dos quais, tão sectários e tão intelectualmente desonestos, que são capazes até de envergonhar, pelo despudor dos seus processos de manipulação mediática, os mais sectários dos comentadores desportivos, mesmo aqueles que nunca despem a camisola dos seus clubes.
Cresce, assim, a ideia de uma verdade de sentido único, conforme os interesses e as opiniões aceites como absolutas. Todos os que pensam diferente são inimigos descartáveis, apóstolos do mal, militantes do dessassosego. O mundo, e com ele os portugueses, radicaliza-se e brutaliza-se.
É neste cenário, que não se apresentará como exagerado, que um jogo apaixonante e impressivo, como é sempre um derbi, se torna de interesse nacional. Porque mesmo na fase em que possa despertar um forte sentimento de rivalidade, mantém os limites de um confronto apenas figurativo. Um jogo entre adversários, até pode ser meramente lúdico, mas é sempre a representatividade cénica de uma luta, de um combate.
Por isso, um jogo, como este Benfica-Sporting, torna-se num acontecimento nacional, que garante uma transversalidade de interesses que não se limita ao universo dos adeptos dos dois clubes.
Noutros tempos, a que o povo na sua sabedoria simples chamava os tempos da Outra Senhora estes jogos de futebol eram estigmatizados como alienantes. Hoje se percebe que nem esses jogos e esses dérbis de outros tempos eram os causadores da incultura popular, como os deste tempo se tornam essenciais para saúde psicológica de um povo infernizado e para a sua necessária descompressão de uma realidade opressiva e traumática.
Dirão alguns livres pensadores, do alto da sua sapiência intelectual, que, ainda assim, apenas falamos de medicar o efeito e não de combater a causa. É verdade, mas não é isso, também, que em situações de crise do corpo e da alma, a ciência médica se propõe fazer?
Que venha o dérbi, com as suas paixões irracionais e ilógicas. Que venha o dérbi com os seus casos e casinhos, bem menos fraturantes que os da política. Que venha o dérbi com todo o seu eufórico cortejo de emoções. É certo que, por ele, o mundo e o país não melhoram, mas sempre embeleza as vistas e areja a alma."

Uma pausa no circo da política


"Depois do tsunami político, vem aí um fim de semana de futebol de altíssima voltagem

O tsunami que virou de pantanas a política portuguesa na última terça-feira tem ocupado, justificadamente, já que é o nosso futuro comum que está em causa, o espaço mediático, baixando a intensidade dos holofotes que incidem sobre um fim de semana que tem tudo para ser marcante para a história da I Liga, ou não houvesse já hoje um Vitória de Guimarães-FC Porto e amanhã um Benfica-Sporting, que podem revelar-se mais importantes do que os três pontos que estão em jogo.
Depois de uma jornada europeia que, apesar da derrota no Bernabéu, não beliscou o SC Braga, permitiu ao Sporting alguma poupança a pensar no dérbi, e ajudou o FC Porto a lamber as feridas deixadas pela derrota caseira frente ao Estoril, foi o Benfica a ficar na situação mais periclitante, depois de uma meia hora inicial em San Sebastián do pior de que há memória na longa e prestigiada história dos encarnados nas competições europeias. Não fora a implosão do Governo de António Costa, ocorrida na véspera do desastre de Anoeta, e a pressão mediática sobre o Benfica, e sobretudo sobre Roger Schmidt, teria elevado a níveis de dramaticidade ainda mais vincados o resultado do dérbi de amanhã.
Hoje, no estádio D. Afonso Henriques, perante um Vitória SC que em caso de triunfo iguala pontualmente os dragões, Sérgio Conceição tem um teste exigente, potenciado pelo desaire frente aos canarinhos, que pôs em polvorosa uma nação portista que começa a contar espingardas de olhos já postos no ato eleitoral que deverá ocorrer em abril (embora junho não seja carta fora do baralho).
Porém, o nível de escrutínio que espera Schmidt será ainda superior, depois do treinador dos encarnados se ter mostrado à deriva no duelo com a Real Sociedad, numa noite em que, mais penalizador para os benfiquistas do que a sua equipa ter perdido, foi, sem dúvida, a forma como perdeu. Se Roger Schmidt não parar para pensar, se não refletir e concluir que se não apresentar uma equipa onde todos corram, para a frente e para trás, terá escassas hipóteses de sucesso, colocando Rui Costa numa posição ingrata.
É provável que, desde já conhecidas as linhas políticas com que nos vamos coser até às eleições de 10 de março de 2024, este seja um fim de semana de futebol de altíssima voltagem..."

Terceiro Anel: Diário...

Quezada - Gelada #12 - Bundesliga; Benfica x Sporting; reta final do Brasilerão

Seleção: assim faz mais sentido


"Um aplauso a Roberto Martínez e, acima de tudo, uma declaração de intenções Ponto prévio: esta até podia não o ser, mas a partir do momento em que foi anunciada, tornou-se a minha lista de convocados.
É um princípio que tenho há muitos anos.
A não ser que Roberto Martínez tivesse deixado de fora Diogo Costa, Bernardo Silva ou Bruno Fernandes, não encontro razões para me divorciar de uma convocatória que globalmente faz sentido.
E tenho este princípio há muitos anos porque verdadeiramente não considero relevante discutir se o 22º convocado é o jogador x ou o jogador y. É relevante para o jogador, claro que sim, mas não me parece que o seja para a seleção.
O que, sim, é relevante para a seleção é a capacidade de o selecionador criar um grupo forte, unido, fraterno e solidário por entre os pingos da chuva: em estágios de uma semana, com jogos e viagens pelo meio.
Acima de tudo não gostava de ver a seleção portuguesa transformada numa espécie de seleção brasileira, que por ter tantas e tão boas opções não consegue criar um grupo forte e estável: desta vez muda quatro, da próxima muda três, a seguir estreia dois e nunca há um trabalho de continuidade.
O passado já nos mostrou que as seleções mais fortes são as que têm a matriz condutora de um clube em particular ou, não tendo essa felicidade por causa das especificidades do futebol moderno, de criarem um grupo estável e forte.
Claro que também acho que Pedro Gonçalves merecia uma chamada, é impossível não o achar, mas admito que Pedro Gonçalves, Ricardo Horta e até Bruma têm características semelhantes: extremos que jogam com o pé trocado, bons em espaços curtos e com exclente capacidade de remate.
Por isso, e porque cada um de nós terá uma ideia diferente, não faz sentido transformar a ausência de Pedro Gonçalves no tópico principal das discussões.
Será mais importante, seguramente, discutir a importância de Portugal criar um grupo raízes fundas e laços fortes: um grupo de jogadores que se conheça, se defenda e se estime, disponível para colocar acima de tudo o bem comum.
Isso só se consegue com tempo, e muitas horas de convívio.
Há no entanto nesta convocatória um caso diferente e que merece o meu aplauso: Matheus Nunes.
Como o próprio selecionador reconheceu, Matheus Nunes tem características diferentes de todos os outros médios. Palhinha, João Neves, Bruno Fernandes, Ruben Neves e até Danilo são jogadores de passe, Bernardo Silva, Otávio e Vitinha têm progressão com bola, mas não são propriamente velocistas, por isso Matheus Nunes acaba por ser o único médio português que acelera o jogo com a bola colada ao pé.
O jogador do Manchester City é um atleta, extremamente rápido, que joga num espaço muito grande de terreno e que pode ser precioso em certos jogos, ou em certos momentos. Por isso gostava de o ver se incluído neste grupo que se quer forte e unido.
Se não o for, tudo bem na mesma.
Afinal de contas, eu só o conheço dentro de campo, e os laços criam-se fora dele."

O silêncio dos inocentes


"Depois de ganhar a Bola de Ouro, em 2019, Megan Rapinoe aproveitou os holofotes para lançar o desafio aos jogadores masculinos: que usassem o palco mediático e todas as plataformas de que dispõem para defenderem e promoverem a igualdade. E chamou-os pelos nomes: «Cristiano, Messi, Zlatan [Ibrahimovic], ajudem-me!». A norte-americana, consagrada então como a melhor jogadora do mundo, queria que as vozes dos homens se juntassem à sua, contra o sexismo no desporto, a homofobia, o racismo.
Até hoje, o que conseguiu? Rubiales beijou Hermoso sem consentimento e só Isco e Borja Iglesias apoiaram de imediato a jogadora espanhola. Josh Cavallo, Jake Daniels e Jakub Jankto assumiram a sua homossexualidade: um australiano, outro numa segunda divisão, o último com uma carreira despercebida na Europa. Atos de valentia individuais, sem repercussão ou apoio da tão poderosa máquina desportiva, que, citando Valdano, acabam por envergonhar o futebol masculino por ainda estar nesta fase. E Vinícius Jr., recém-vencedor do Prémio Sócrates, não se cala perante os insultos racistas que ouve, levando a que finalmente estes comecem a ter consequências.
Rapinoe explicou uma vez porque considerava que o futebol feminino estava muito à frente nestas questões: as mulheres que jogam futebol sentem mais a desigualdade, no salário, nas condições, no machismo, e daí protestarem mais contra isso. Os melhores futebolistas do mundo podiam fazer mais do que tirar fotografias com as colegas de seleção ou vencedoras da Bola de Ouro e entrar em campanhas genéricas? Sim, mas mais do que isso ainda parece perigoso para um jogador (que o digam os que andam a ter problemas nos clubes por apoiarem a Palestina). Porquê? Curiosamente, Megan deu parte da resposta em 2019: «Têm medo de perder tudo? Eles acreditam nisso, mas não é verdade. Quem iria apagar Messi e Ronaldo da história do futebol mundial por uma declaração contra o racismo ou o sexismo?». Da história do futebol nunca, mas pelos vistos os melhores de sempre ainda valem mais (dinheiro, patrocínios, seguidores nas redes sociais...) em silêncio."

Tailors #17 - Luís Filipe...

Uma Semana do Melhor, excerto...

Carlos Manuel, excerto...

Central, excerto...

A Verdade do Tadeia - Flash - Sporting...

El Torito – destroçaram-lhe o fígado mas não lhe dobraram a coragem


"Waldino Aguirre foi um dos grandes jogadores argentinos do seu tempo mas apegou-se demais à liberdade

Em meados de 1952 Waldino Aguirre era um dos mais famosos bêbados da cidade de Rosário, na região de Santa Fé, na Argentina. Despedira-se dos sonhos, tornara-se num incréu, fascinava-se com o universo que encontrava no fundo de uma garrafa de whisky. Cinco anos antes estivera no topo do futebol argentino: por 50 mil pesos fora transferido do Rosário Central para o Racing Club. Dinheiro a rodos. Mas já era infeliz como uma milonga de Piazzola. Um fantasma do que fora. Ficou por uns meses, marcou meia dúzia de golos, foi despachado para o Huracán. Na sua cabeça os monstros escondiam-se a cada canto. Prisioneiro de si próprio. Tinha um admirador especial: Ernesto Guevara de la Serna. O Che. O mesmo Che que descreveu nas suas memórias a forma como Aguirre, defrontando o Boca Juniors, fez a bola passar por sobre a cabeça do defesa De Zorzi e repetiu o movimento frente ao outro central, Marante, para concluir o lance mágico com um sobrerito ao guarda-redes Vacca. “Jode-te Torito! Qué golazo!”, escreveu Ernesto. Estavam ainda ambos vivos. Muito vivos. Detestavam as ditaduras dos militares, estavam dispostos a morrer lutando contra elas. Foi isso que o Destino lhes ditou.
Em Rosário, de joelhos destruídos, Aguirre era uma amostra de homem, procurando no meio do lixo algo que lhe matasse a fome. Todo o dinheiro que lhe surgisse nas mãos por conta da pedinchice era gasto em álcool. E não, não tinha vergonha. Quem olhava de frente para ele reconhecia-lhe na chispa dos olhos: Torito. O Torito que entrava bufando em campo investindo contra as defesas adversárias como se todas elas estivessem cobertas por capas vermelhas. A fúria cegava-o. E, em seguida, a cada gesto de límpida lucidez, fazia o que fez um dia a Musimessi, o guarda-redes do Newell’s Old Boys que, depois de ter sofrido um golo ao ângulo superior esquerdo projetado por um pontapé-de-moinho tão repentino como veloz, se dirigiu ao fotógrafos suplicando: “Digam-me por onde a bola entrou! Não a vi sequer partir. Digam-me por onde entrou!”.
No dia 27 de outubro de 1977, um grupo de polícias da Seleccional 11.ª entrou de rompante pela porta da casa miserável do Barrio Tablada onde vivia Waldino Aguirre. Encontraram-no deitado de borco sobre o seu próprio vomitado. Era um destroço. Foi acusado de estar implicado no sequestro de uma mulher e levado, à força de algemas, para a esquadra mais próxima. El Torito não fazia ideia daquilo que estava a acontecer-lhe. Sentia o frio do ferro nos pulso, ouvia vozes alteradas, não fazia sequer um esforço para não se deixar cair num estado de profunda prostração.
O culpado veio em defesa de Aguirre. Era um ex-prisoneiro que procurava vingar-se do homem que o tinha levado ao cárcere. Torito limitara-se a indicar-lhe onde vivia o mamífero mas a polícia infeta do regime não quis nem saber. Dois animais fardados em fúria levaram-no para o pátio do comissariado. Meio grogue por via das ressacas contínuas, Waldino nem entendeu bem o que se passava. Estava como o guarda-redes Musimessi no dia em que o tinha batido com aquele remate acrobático. Ainda murmurou “Qué pasa?” antes de um punho férreo lhe acertar na boca, lhe desfazer os lábios e partir-lhe três dentes. Foi aí que o cérebro de Torito começou a funcionar. Chegara a hora de pagar todas as desfeitas que, com as suas frases assassinas, proferidas no tempo em que era uma estrela que cintilava inquieta sobre os relvados, tinha atingido o coração do regime. Logo em seguida perdeu a audição – um taco de basebol acertou-lhe numa têmpora. Era um tipo duro, embora enfermado pelo álcool: durante cerca de quatro horas foi brutalmente espancado pelos capangas que havia jurado levá-lo até à morte. Muito convenientemente, um médico comprometido assinou a sua certidão de óbito: ataque cardíaco. Uns anos depois, uma nova autópsia veio a repor a verdade dos factos: o fígado de Waldino tinha sido rebentado pelas pancadas infligidas e os rins também ficaram inutilizados. O sol ainda não tinha nascido no dia 28 de outubro de 1977. A Justiça viria, com os anos, infalível, cair sobre os assassinos Ovidio Miguel Acevedo e Maximiliano Cándido Basualdo. Em sua defesa disseram apenas: “Limitámo-nos a espancar um bêbado miserável que sujava as ruas da cidade…”"