Últimas indefectivações

domingo, 25 de fevereiro de 2024

3 pontos importantes...

Benfica 2 - 0 Vilaverdense


Regresso às vitórias, num jogo relativamente tranquilo, onde era muito importante vencer, para cavar uma diferença ainda maior para a zona de descida!
Com o regresso do Gustavo à defesa, ganhámos consistência... A primeira titularidade do Henrique após a lesão também foi bom sinal!
Nuno Félix e Pedro Santos, estão a evoluir muito bem... não me admirava que pelo fizessem a pré-época no plantel principal no próximo verão!

Vitória...

Benfica 33 - 26 Águas Santas
16-15

Isto está a correr bem, após a debandada de Inverno!
Destaque para a 'estreia' do Hedberg após a longa lesão... e para os oito golos do Rui Baptista, contra a sua ex-equipa!!!

Três secos...

Benfica 3 - 0 Ac. Espinho
25-21, 25-16, 25-16


Regresso às vitórias tranquilas...

Vantagem quase desperdiçada...

Murches 3 - 4 Benfica

Chegámos aos 0-4 aos 13 minutos, do 1.º tempo, e acabámos á rasca, com um 3-4 perigoso!!!
Isto com mais um festival do apito pelo meio!

Derrota em Espanha...

Vila Sana 2 - 1 Benfica

Derrota, nos últimos segundos, de penalty!
Piso diferente, e jogo mais equilibrado do que devia...

Agora, temos que vencer as outras Espanholas na Luz, no último jogo do grupo...

Entrega de Anéis de Platina e Emblemas de Dedicação 2024

Rakitic...

Missão Renovada #3

Quem marcar, ganha


"O beijo de António Silva em João Neves podia ter sido o beijo de todos os que gostam de futebol. E de pessoas

João Neves decidiu ir a jogo na quinta-feira, em Toulouse, para a Liga Europa, depois de ter dito adeus à mãe, que morrera na madrugada de segunda-feira. O médio do Benfica enfrentou com coragem o adversário francês e só no final do desafio soltou as lágrimas, enquanto agradecia o apoio dos adeptos nas bancadas.
Tem apenas 19 anos, mas em Toulouse, num jogo que certamente foi muito duro para ele, terminou 0-0 e foi até de profunda desinspiração para a equipa (que seguiu em frente na competição, graças ao 2-1 que levava do Estádio da Luz), João Neves voltou a mostrar que é uma das maiores referências desta equipa, do Benfica atual e para todos os que gostam de futebol. Porque não é apenas um jogador de futebol. Ele lembra-nos porque é que nos apaixonámos por este desporto e ajuda-nos a acreditar que há esperança além do produto em que foi transformado para alimentar uma máquina que tritura emoções e pessoas.
A alegria de João Neves a jogar transporta-nos para a rua onde crescemos e fizemos tantos jogos com tantos amigos e agora, quando lá voltamos, parece impossível como couberam ali. João Neves parece um menino feliz com a bola nos pés como nós fomos e é fácil sentir nele o que sentíamos quando as horas passavam ao ritmo dos remates, das fintas, dos cortes, até ser quase de noite e só haver tempo para um último lance e um conclusivo ‘quem marcar, ganha’, porque a janta estava na mesa.
João Neves é João Benfica e é João Futebol. E neste jogo em França comoveu-me. Não pelo drama dele, mas por me fazer sentir lá e principalmente por me fazer lembrar que há coisas na vida mais importantes do que o futebol mas que o futebol foi, é e sempre será das mais importantes da minha.
Há um futuro promissor à espera de João Neves e ele mostra ter as competências para o agarrar, mas desejo que consiga continuar a jogar com a mesma paixão.
O beijo que o companheiro de equipa e amigo António Silva deu em João Neves no final do jogo de Toulouse é o beijo que ele merece de quem gosta de futebol. E de pessoas."

Diogo: a personalidade de um campeão


"Impressionante atitude num direto televisivo mostrou bem como Diogo Ribeiro encara qualquer desafio sob pressão. Cria a sua forma de o vencer

Vi o Diogo Ribeiro no programa do Ricardo Araújo Pereira e confesso que muito me impressionou pela invulgaridade da atitude. Numa palavra: desarmante. Um daqueles entrevistados que um jornalista deve saber temer. Por muito preparado e experiente que seja o entrevistador, é difícil ler-lhe as emoções e encontrar o caminho certo para tirar o máximo partido do seu pensamento, que, aliás, parece guardado no fundo, muito fundo, da sua personalidade.
Confesso que sempre me apaixonou a relação entre cada ser humano e a sua forma de comunicar. Ao longo da minha vida profissional, acho que encontrei pelo caminho todas as variáveis possíveis e aprendi a perceber que no género jornalístico da entrevista, que vai muito para além de se saber fazer perguntas, é preciso que o entrevistador saiba com quem está a falar, perceba o homem ou a mulher que está diante de si, sabendo neutralizar-se, reduzindo ao mínimo a influência que possa exercer sobre os menos esclarecidos ou os menos fortes psicologicamente, e procurando evidenciar o caráter da personagem que deseja expor ao público na maior dimensão possível da sua verdade.
Percebeu-se, no início, uma certa intimidação do Diogo perante a força comunicacional do Ricardo Araújo Pereira e perante o desconforto de um direto televisivo. Mas tornou-se particularmente significativo a forma como o jovem campeão do Mundo se defendeu do universo estranho em que o colocaram, falando pouco, mostrando-se esfíngico na reação a qualquer piada e deixando sorrisos mais enigmáticos que o de Gioconda.
Parece haver, de facto, uma natureza diferente neste jovem quando se confronta com a pressão. Não se desvia do que é ou do que quer ser naquele momento. Enfrenta o desafio com uma serena determinação e nunca parece perder o domínio das suas capacidades.
É, isto, um campeão. Alguém que tem um dom natural, um talento treinado até à exaustão, mas também alguém que é psicologicamente forte e dominador de espaços. Alguém que, por isso, e como diria Fernando Pessoa, se aproxima mais de um herói do que de um santo e, assim, é mais amado por Deus. 
Diogo Ribeiro tem apenas 19 anos e um mundo inteiro à sua espera. Lembro-me, quando ele era ainda júnior, de ter tido conhecimento das suas primeiras grandes marcas internacionais. Confesso que, nessa altura, não me entusiasmei demasiado. Havia, na minha memória, demasiados casos de jovens promessas da natação portuguesa que, com os anos, começaram a nadar pior e nunca atingiram, nem de perto, as esperanças precocemente anunciadas. Havia, mesmo, quem acusasse os treinadores portugueses de obrigarem jovens ainda em formação a treinarem demais. Também me lembro de ter admitido que o Diogo só poderia evoluir para uma dimensão mundial se fosse acolhido numa boa universidade americana e que, em Portugal, nunca teria as condições necessárias a um campeão da Europa, muito menos do Mundo. Enganei-me e é justo dizê-lo aqui, com a humidade de quem, pelo menos conscientemente, nunca se comportou como um iluminado.
A verdade é que este jovem campeão do Mundo não pára de me surpreender. Desde as suas finais em que, a meio da última piscina, parecia atrasar-se e acabava por galgar metros e metros aos adversários principais, até à atitude de uma inacessibilidade mental que conseguiu fabricar para seu conforto no programa televisivo e passando pela superação das condições espartanas em que vive nas modestas residências do Centro de Alto Rendimento do Jamor."

O maior de todos os tempos?


"Fernando Pimenta, por exemplo, foi nove vezes a melhor pessoa do mundo a desempenhar determinada função

DIOGO RIBEIRO não tem dúvidas sobre o que quer ser no futuro. O nadador português do Benfica saltou para as manchetes deste jornal – e já são três – por conquistar medalhas numa modalidade em que o país dificilmente acreditaria, o que até poderia ser estranho, ou irónico, tamanho mar tem Portugal (eu sei bem a diferença para águas abertas). Mas as condições para vencer não são as naturais de um país. São as de um atleta, conjugadas com a vida em que é forjado.
Não tenho dúvidas de que Cristiano Ronaldo é o maior português da História. Aquele que mais pessoas toca. Mais do que um secretário-geral da ONU, sim; ou do primeiro europeu no Brasil.
Há partes em que Ronaldo e Diogo Ribeiro se cruzam e onde cabem outras figuras da nossa história desportiva. Debruço-me muitas vezes sobre o que, realmente, é mais difícil. Se ser uma estrela da Premier League, Serie A, La Liga ou Bundesliga ou vencer uma medalha com Portugal como bandeira.
Fernando Pimenta não pode ser o maior atleta português de todos os tempos? São mais de cem medalhas na carreira, nove de ouro em mundiais seniores e mais seis em europeus. Claro está, portanto, que o problema não está em Pimenta. Estará, isso sim, na canoagem. Ou talvez no nosso país. Pimenta foi a melhor pessoa no mundo a desempenhar uma função por nove vezes!
O ténis português tem pouca expressão, mas já alguém parou para pensar que Nuno Borges é um dos 50 melhores do mundo naquilo que tem para fazer? Ou que João Sousa esteve entre as 30 melhores pessoas a jogar ténis, no mundo? Quantos de nós estamos nos 50 melhores do planeta a fazer alguma coisa?
Ronaldo, repito, é o maior da história, mas neste país será sempre mais fácil ser futebolista de elite do que atleta de ouro noutra modalidade qualquer.
Essa coisa de o melhor de todos os tempos tem a importância que deixamos. Eu diria que o que é relevante mesmo é o que as coisas nos provocam. Eu, por exemplo, jamais esquecerei aquela última volta de Fernanda Ribeiro em Atlanta 1996. E será mesmo esse o feito maior de Fernanda Ribeiro ou a medalha de bronze em Sydney, por tudo o que a penafidelense passou, foi bem mais difícil do que o ouro nos EUA?
Para mim está claro que maior é o feito quanto maior é a superação. Pode haver tanta glória num segundo lugar como num primeiro e pode haver isso mesmo só por se chegar ao fim.
Diogo Ribeiro quer ser boa pessoa e campeão olímpico. Está tudo bem se não conseguir a segunda, até porque este é um país em que se exige o primeiro lugar nos Jogos Olímpicos quando pouco ou nada se acompanhou nos restantes momentos da carreira. Diogo Ribeiro já venceu duas medalhas de ouro e uma de prata, mas, acima de tudo, passou por cima do que a vida lhe atirou. No desporto ou não, esses são os maiores campeões de todos."

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Visão: Ases do Passado - Simões, Parte II

Benfica, RAP

O que aprendemos na jornada 22 da Liga 23/24


"O Sporting estabeleceu novo marco defensivo da Liga o Benfica parece ter (re)encontrado um “abre-latas”, o Porto definiu novos máximos da equipa em termos de passe e conduções, mas talvez o feito mais impressionante pertença ao bracarense Simon Banza, que conseguiu algo que ninguém antes fez, desde que há GoalPoint. Aqui ficam mais cinco factos da jornada 22 da Liga 23/24, daqueles que apenas o nosso Antunes descobre, para ti.

1. “Leão” fecha a porta para a sua baliza
O Sporting continua a bater recordes. Após tornar-se na equipa mais concretizadora da Europa, agora passou a ser a única da Liga portuguesa com dois jogos nos quais não consentiu qualquer remate enquadrado, ambas as vezes como visitante. O facto de ser a formação do nosso campeonato com menos remates permitidos (7,8), menos disparos consentidos na área (4,1) a mais baixa média de enquadrados permitidos aos adversários (2,5) ajuda a explicar o feito.

2. O “abre-latas” que o Benfica precisava?
David Neres esteve lesionado, é certo, mas já vinha pedindo alguns minutos a Roger Schmidt. Frente ao Vizela, no meio de uma autêntica revolução no “onze” inicial benfiquista, Neres começou a titular e encantou, com dois golos, duas assistências, uma eficácia de remate (golos – xG) de 1,4 e três disparos enquadrados em três tentados. Entre jogadores com mais de 180 minutos no campeonato, só Simon Banza, do Braga, marca ou assiste em menos minutos (63) do que o extremo do Benfica (64).

3. Quem pára Geny?
Quando Rúben Amorim quer manter o “momentum” ofensivo e atacar com tudo, Geny Catamo é uma das armas a utilizar. O ala-direito moçambicano fez um belo jogo em Moreira de Cónegos e foi bem mais um extremo do que outra coisa. Comparando, o Moreirense acumulou um total de sete acções com bola na área leonina. Só Geny assinou 11 destes lances na sua conta pessoal, das 37 dos homens de Alvalade. Quem pára o Geny?

4. Mestres a defender penáltis estão em Portugal
Anatoliy Trubin defendeu uma grande penalidade na recepção do Benfica ao Vizela. Esta é a terceira vez que o guardião “encarnado” trava um castigo máximo na Liga e, com isso, igualou Oliver Baumann, do Hoffenheim, na liderança europeia de grandes penalidades paradas. Luiz Júnior, do Famalicão, surge também no Top 5 com duas defendidas, pelo que é caso para dizer que a Primeira Liga tem alguns dos melhores especialistas na matéria.

5. Banza, a fortaleza voadora
O Braga regressou aos triunfos e fez de tudo para o conseguir, partindo para cima do Farense numa procura desenfreada pelo golo. Para tal recorreu muito aos cruzamentos de bola corrida, tendo realizado 37, que é o quarto valor mais alto num jogo do campeonato 23/24. Com isto, os jogadores bracarenses fizeram 11 remates de cabeça ante os algarvios, novo máximo da prova num só encontro, e Simon Banza, sozinho, fez sete, valor que nunca foi atingido desde que há GoalPoint (2014)."

Futebol com Todos: sobre a vergonha e a cidadania


"Quando um pai grita que um menino de outra equipa «morreu? Enterra-se!» está tudo mal. Mesmo muito mal.

Na mesma semana, dois extremos sobre o que é o desporto (e a vida, e a sociedade), o que é andar no desporto (e na vida, e na sociedade), sobre o que é ser-se ou não, na essência, uma boa pessoa, um bom cidadão e alguém civilizado.
Comecemos pelo melhor, para não descrer de vez na Humanidade: o Sporting venceu o seu jogo do campeonato; Pedro Gonçalves foi falar à TV e as primeiras palavras que teve foram de solidariedade para com momentos difíceis que dois colegas do maior rival e maior adversário na luta pelo título passavam. Mandou um abraço a João Neves e António Silva porque «há coisas mais importantes que o futebol».
Numa excelente reportagem do Sapo Desporto, assinada pelo nosso antigo colega Afonso Trindade de Araújo, ficamos a saber que um pai, durante um jogo de infantis — vou repetir: infantis! — gritou para o relvado que aquele jogo nunca deveria ter sido adiado pela morte de um menino da outra equipa. «Morreu? Enterra-se!».
E assim se enterram, logo pela base, os valores do desporto, da vida e da sociedade.
Os casos de violência no futebol de formação: "Morreu? Enterra-se!"

De chorar por mais
É uma honra ter aqui ao lado o João Almeida Moreira e o Nélson Feiteirona. Queremos A BOLA com mais opinião dos seus jornalistas.

No ponto
Está no texto acima, mas não é de mais realçar a excelente atitude de Pedro Gonçalves ao lembrar-se da dor pessoal de colegas de profissão.

Insosso 
As redes sociais são o demónio, mas são um demónio com que todos temos de lidar. E Pinto da Costa lá apresentou a recandidatura num site.

Incomestível
Não há mortes mais importantes que outras. Mas quando desaparece alguém como Artur Jorge o mundo fica definitivamente mais pobre."

Sobrenatural de Almeida


"No futebol (como na vida) há coisas que simplesmente (ainda) não se explicam: só acontecem

O escritor Nelson Rodrigues inventou uma personagem que, nos longínquos anos 50, pairava sobre os jogos do Flu, clube do coração do autor, e influía, quase sempre negativamente, nos resultados. Chamou-lhe Sobrenatural de Almeida (sem parentesco com o autor deste texto).
Entretanto, na era dos batalhões de analistas de desempenho, dos big data e megadata acumulados, da soma de terabytes com petabytes e ainda mais zettabytes de informação, o Sobrenatural de Almeida, que na conceção original já era um fantasma, corre o risco de morrer outra vez.
No final do jogo entre Palmeiras e Corinthians, de domingo passado, para o Paulistão, o Verdão vencia por 2-0, que podiam ter sido três ou quatro, porque a obra de Abel Ferreira está pronta e a de António Oliveira ainda na fase de terraplanagem, quando o Timão reduziu para 1-2 e se animou.
No entanto, logo a seguir, com as substituições já esgotadas, o guarda-redes corintiano, Cássio, foi expulso e o autor do golo, Yuri Alberto, fraturou uma costela.
Mesmo com nove, porém, aos 90+10’ o Corinthians ganhou um livre a larga distância. Garro, um argentino que se estreava no dérbi paulistano, decidiu então enganar toda a gente, incluindo os companheiros de equipa a quem jurara bombear para a área, e chutar direto para o 2-2, com a contribuição do habitualmente impecável Weverton.
E a seguir, um defesa alvinegro evitou o golo alviverde em cima da linha, já a bola havia passado pelo zagueirão travestido de goleirão Gustavo Henrique.
Minutos depois desta tragicomédia, Abel é confrontado na coletiva com aqueles últimos minutos — o que se passou, o que houve, o que poderia ter sido feito, como evitar no futuro — e, irritado, disse que a partir de agora iria incluir nos treinos exercícios para impedir que acontecessem todos os inexplicáveis acontecimentos que aconteceram.
Claro que há respostas dentro das fronteiras da lógica aritmética para o empate: o Palmeiras de 2023 precisava de rematar menos para marcar o mesmo número de golos que o de 2024 vem marcando e neste Paulistão o clube já perdeu seis pontos por sofrer golos no fim; ou seja, falta melhorar os índices de eficácia barra número de remates e os registos de concentração barra minutos de compensação e todas as demais operações matemáticas que os zettabytes dos computadores dos analistas de desempenho comportarem.
Mas temos, nesta era da informação, de admitir que no futebol (como na vida) há coisas, seja por causa do ritmo das marés, da influência dos astros, das vibrações cósmicas ou lá pelo que for, que simplesmente (ainda) não se explicam: só acontecem. Como aconteceu aquele 4-3 do Palmeiras na casa do Botafogo que virou o Brasileirão do ano passado de cabeça para baixo.
Em suma, na era do big data, o Sobrenatural de Almeida, mesmo fantasma, continua vivíssimo da Silva."

O nariz de Antonio Roma fumegava como um comboio a carvão


"Sanfilippo podia ter nome de menino de coro, mas ninguém como ele para dar cabo da cabeça aos adversários

José Francisco não era fácil de assoar mas, vendo bem, qual é a equipa que quer um avançado fácil de assoar. Tinha nome de acólito, ou de santinho de catequese, Sanfilippo, mas quando pegava na bola e corria para a baliza dava ares de pássaro bisnau. Fininho, enleante, com mais curvas que uma das donzelas de Modgliani, preferia a conclusão malandra, em habilidade, fazia parte da sua idiossincrasia, se pudesse irritar os adversários até estes começassem a chamar-lhe nomes à mãe, à avó, às cunhadas, à vizinha do quinto esquerdo e à porteira, alvoroçava-se como um galo madrugador e arrepiava a crista. No minuto seguinte, estavam os defesas a tentar caçá-lo à patada convencidos de que perseguiam uma ratazana, e o guarda-redes a calcular como lhe acertar em cheio com os punhos na cartilagem da tiroide, e já a bola tinha ido colar-se no fundo das redes enquanto José Francisco arrepanhava os lábios num sorriso escarninho de quem acabou de fazer uma patifaria valente e ficou feliz da vida com ela.
Às vezes, nos treinos, Sanfilippo pedia para ir à baliza. Achava que era um bom keeper mas, se é de José Francisco que falamos, podem estar certo de que o homem se achava bom em tudo. De qualquer forma baseava essa mania com uma palavreado científico de meia-tijela: «É importante perceber a posição de guarda-redes. Nós, os avançados, já sabemos o que vamos fazer. Eles têm de adivinhar…». E como adivinhar o que ia na cabeça de Sanfilippo quando estava perto da baliza adversária e a bola vinha, como por devoção divina, ter com ele? O público do San Lorenzo de Almagro, onde começou, começava a conter as gargalhadas. Depois era a chacota geral quando José Francisco fazia a sua tratantada favorita: enrolar aquele objeto redondinho, do qual gostava tanto, nos calcanhares para, num gesto que parecia simples mas era tudo menos simples, fazê-lo passar sobre a cabeça do adversário e recolhê-lo do outro lado para carimbar o golo suavemente.
Se alguém afinava com Sanfilippo era Roma, que jogava no Boca Juniors. À baliza, claro, essa é fácil de adivinhar. António Roma era um armário vitoriano, sem arrebiques. Parecia feito de pau-ferro. Só mesmo um sujeito com um descaramento divino, daqueles descaramentos queirosianos de fazer o Raposão levar ao estupor da Titi a camisa de noite da prostituta Mary embrulhada em papel pardo, anunciando antecipadamente que era nem mais nem menos do que a verdadeira coroa de espinhos do Cristo, é que poderia pensar sequer em querer dar baile naquela tremenda peça de mobiliário. Sanfilippo era tão ruim que, numa concentração da seleção Argentina, quando resolveu armar confusão, metendo ao barulho o responsável técnico Don Victorio Spinetto. Como dizem os argentinos, Don Victorio gostava de criar um ambiente que envolvesse «los chistes y las jodas». Então Sanfilippo resolveu mesmo dar cabo da cabeça (e que dura era) de Antonio Roma: «Don Victorio, para a semana há um San Lorenzo-Boca Juniors. Vamos combinar uma coisa: se eu marcar dois golos, o Roma para a próxima não vem à seleção; se não marcar você dispensa-me a mim». Spinetto riu a bom rir. Gostava das tramoias de José Francisco, alinhava em tudo o que pudesse alegrar o grupo, dessa vez nem se importou de deixar Roma com as orelhas a deitar fumo e alinhou no desafio. No dia 12 de outubro de 1962, no Estádio Viejo Gasómetro, na Avenida La Plata, Antonio foi direito ao seu adversário antes de começar o jogo e disse-lhe com tanta fúria que lhe cobriu a cara de perdigotos: «¿A quién le vas a hacer dos goles, enano podrido..?». O anão podre fez um ar compungido como se já arrependido do acordo com Don Victorio. Ou cara podre, se quiserem. Mas, cinco segundos (ouviram bem o que escrevi?), cinco segundos após o início do jogo, Sanfilippo tratou de mostrar ao supedâneo Antonio de que material era feito, e não era de pau-ferro, não senhores, era da mais pura platina, já que estávamos na foz rio de La Plata. Recebeu um passe longo, adiantou-se à bola e, sem que ela tocasse o relvado, deu-lhe de calcanhar sempre em corrida, passando-a por cima de Roma com altura suficiente para que o ‘arquero’ matulão não lhe conseguisse tocar nem mesmo saltando e elevando os braços a uns três metros de altura. Depois, claro, foi golo. José Francisco tinha a plena consciência de que deixara todos os parafusos da cabeça de Antonio fora das rodilhas. No final diria: «Me queria poner lejo de él – era mejor que te agarrara un tren». E deixou-se estar, lá pelo meio-campo, esperando que o keeper digerisse toda aquela bílis. O Boca chegou a dar a volta mas, à beirinha do fim, penálti para Sanfilippo marcar. Não foi de calcanhar mas foi golo. Roma soltou um ferro de fazer apavorar hipopótamos. No jogo seguinte da Argentina, Don Victorio chamou os dois. Brincadeiras à parte, não podia dispensar nenhum deles."

6, excerto...

Hora, excerto...