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domingo, 1 de fevereiro de 2026
Tabela de preços especiais para o Benfica !!!
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The People vs. Volskvargas
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Heróis do mar, nobre povo
"Num país tão pequeno vão-se somando os feitos enormes. Que campanha fantástica, mais uma, da Seleção de andebol, a culminar semana europeia de sonho para as nossas cores
O quarto lugar alcançado por Portugal no Mundial de 2025 aguçou a expetativa para este Europeu e a nossa Seleção não nos desiludiu: 5.º e a melhor de sempre em Campeonatos da Europa. Que bravura, que fome de vencer, que grandiosa forma de defender Portugal tiveram, uma vez mais, os nossos Heróis do Mar!
Todos conhecemos o tremendo sucesso português lá fora do futsal e do hóquei em patins, mas, convenhamos, são modalidades de pavilhão que, ao dia de hoje, não têm a expressão e relevância internacional do andebol, sobretudo porque a competitividade está restrita a uma mão apenas de países. No andebol, o caso é diferente, há vários colossos e podemos, hoje, orgulhar-nos de ter uma das melhores seleções do Mundo na modalidade.
Não sei se algum dia chegaremos às medalhas — que bonito seria fazê-lo em casa, quando organizarmos (com Espanha e Suíça) o Euro-2028, se não puder ser já no Mundial do próximo ano —, mas o direito de sonhar já ninguém nos tira. Num país em que, por tradição, o futebol engole tudo o resto, é refrescante poder testemunhar este fenómeno no andebol, assim como a glória de Fernando Pimenta, Isaac Nader, Iúri Leitão, Rui Oliveira, Pedro Pichardo, Diogo Ribeiro ou João Almeida. Perdoem-me os restantes, que são muitos, felizmente.
A histórica prestação da Seleção no Europeu fechou com chave de ouro a semana europeia desportiva para Portugal, depois de Sporting e Benfica, de forma absolutamente épica na Liga dos Campeões, e FC Porto e SC Braga, na Liga Europa, terem assegurado que vão continuar a ter futebol europeu no calendário para lá das fases de liga. É certo que as prestações europeias não podem, nem devem, apagar alguns tropeções nas competições nacionais, nos casos de leões, águias e arsenalistas, mas que importantes foram para (finalmente) ultrapassarmos os Países Baixos no ranking da UEFA e estarmos muito perto de, daqui a duas épocas, voltarmos a ter três equipas na maior prova.
Melhor: a campanha europeia tem sido tão boa que isso até poderá acontecer já na próxima época, através do ranking anual da UEFA. Com menos dinheiro, menos poder nos jogos de bastidores, menos recursos e com discussões a mais por cá sobre árbitros, VAR, milímetros de foras de jogo e comunicados que daí advêm, facto é que este pequenino país, quase esquecido no canto da Europa, continua a ser capaz de se superar contra os maiores do continente..."
O desgoverno da palavra Açores
"São nove ilhas a meio do Atlântico norte, que muito batalham pelo seu desenvolvimento, pela sua autonomia e pelo legítimo direito a serem tratadas com respeito e com equidade. Tem sido assim ao longo dos últimos 50 anos, celebrando justamente agora um estatuto que deve ser cada vez mais trabalhado e moldado por forma a garantir que este pedaço do território português, com características tão únicas quanto exigentes, evolui de modo sustentado e equilibrado.
A ultraperiferia tem destas coisas: fala-se muito da região açoriana nos media nacionais quando troveja, quando a terra treme, quando o mar galga ou quando a desgraça, qualquer que ela seja, bate à porta. Fala-se dos Açores pela elevada taxa de analfabetismo funcional, pelo tráfico de droga acima da média, pelo abandono escolar que importa combater.
Mas as nove ilhas do arquipélago lutam, também, pela sua emancipação cultural e desportiva, áreas em que os governos, transversalmente, quase só aparecem para tirar fotografias com as medalhas ou nas sessões de lançamento das capitais culturais (como acontece, este ano, com Ponta Delgada, a Capital Cultural portuguesa).
O desporto é um veículo de promoção e de estímulo como poucos outros, pela sua dimensão, pelo alcance transversal da sua mensagem ou pela capacidade de concitar unanimismos como, talvez, nenhuma outra atividade. Por isso, o estímulo financeiro garantido pelos sucessivos governos regionais açorianos aos principais emblemas e nomes do desporto regional, quando em compita nacional, pela utilização do nome do arquipélago nas suas atividades ou camisolas (a comummente chamada legislação da palavra Açores), surge como reflexo natural e absolutamente lógico do reconhecimento de que esse é um modelo win win de relação entre o poder público e os representantes mais meritórios em diversas modalidades.
Até agora, 16 equipas das mais diversas modalidades, e o campeão regional de ralis, beneficiaram de uma verba global anual um pouco superior a um milhão de euros como contrapartida da publicidade efetuada aos Açores nas competições nacionais em que estão envolvidos.
Participações no Campeonato de Portugal, em futebol, na liga profissional de basquetebol, no Nacional de Ralis. Ou a simples organização do Campeonato de Futebol dos Açores, prova que junta as melhores equipas das três associações existentes na região (Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta), e cujas áreas de abrangência correspondem geograficamente aos três antigos distritos açorianos.
As políticas desportivas devem sustentar duas razões matriarcais: a promoção da prática, envolvendo o estímulo à formação e o consequente apoio à despistagem e desenvolvimento do talento humano, com a necessária componente estrutural adjacente; e a projeção da alta competição ou, pelo menos, do rendimento associado a uma prática continuada e sistemática, que se refletirá, no caso açoriano (como no madeirense, no canarino ou no das Baleares), na promoção da imagem para lá das fronteiras insulares, certo da sua dimensão turística, da sua capacidade de congregação de novos mercados e, sobretudo, como ferramenta natural sucessória da primeira prática (mais lúdica e motivacional), apoiando os que se distinguem e vêem nessa evolução a consequência do seu esforço, do seu talento, do seu trabalho e da sua determinação.
Um governo que não reconhece estas duas vertentes ou que, pelo menos, não faz o possível para as incluir nas prioridades de governação, está a passar ao lado da sua missão e a negligenciar uma importante quota-parte dos seus melhores ativos.
Pois é justamente isto que o Governo Regional dos Açores tem passado para a opinião publica nos últimos tempos, num processo gradual de comunicação aos agentes desportivos: o apoio já tradicional e amplamente justificado, como contrapartida pelo uso da palavra Açores nos equipamentos, vai terminar a partir da próxima temporada desportiva, constituindo, obviamente, um rombo muito significativo (na maioria dos casos, decisivo…) nos exercícios orçamentais da generalidade dos clubes que dele faziam, até agora, elemento nuclear do seu planeamento.
É uma gritante falta de visão e de oportunidade. Falta de visão prospetiva e de perspetiva, não entendendo, com esta atitude, o governo açoriano que a atividade de alto rendimento (ou projetada a escalões de competição nacional), significa a pura continuidade das ambições dos jovens praticantes, e é a consequência do talento e da motivação que fazem deles referências nos escalões de formação. Falta de oportunidade na medida em que o corte deste subsídio, sob o falso pretexto de alocação de verbas para o setor formativo, vai não apenas diminuir, senão mesmo coartar todas as possibilidades de sobrevivência de grande parte dos, até agora, beneficiários destas verbas, retirando aos Açores músculo, dimensão representativa e presença regular em palcos distintivos de diversas modalidades, no país e no estrangeiro.
Sempre o disse: um governo que não aposta sistematicamente nos setores culturais e desportivos, negligencia duas áreas nucleares fundamentais, dá um claro sinal de inconsequência nas políticas setoriais que o podem verdadeiramente distinguir e, mais cedo ou mais tarde, será penalizado exatamente por força das atitudes penalizadoras entretanto tomadas.
Espero que, no caso dos Açores, por entre a bruma e as marés, haja um pingo de bom senso e outro de ponderação.
Cartão branco
Excecional a semana das equipas portuguesas nas competições europeias, projetando Sporting, Benfica, FC Porto e SC Braga para patamares de reconhecimento internacional. A prova de que, com garra e vontade, a dimensão competitiva destes quatro emblemas pode ultrapassar barreiras aparentemente intransponíveis, na certeza de que, no futebol, a única certeza surge com os apitos finais e se resume aos resultados. O caminho que se segue, para qualquer uma das equipas, será complexo, mas a ultrapassagem de desafios é o elemento decerto mais motivador para quem representa um país e para quem já conseguiu as proezas que os quatro mosqueteiros atingiram.
Cartão amarelo
A história da dívida existente à Segurança Social, por parte da Federação Portuguesa de Futebol, na sequência da celebração de um contrato com a empresa FEMACOSA, para suportar o vencimento do anterior selecionador nacional, tem de ser rigorosamente apurada, até para salvaguardar o bom nome e a inocência dos intervenientes. A nova Direção da FPF decidiu — e bem — liquidar mais de dois milhões e seiscentos mil euros, mas, para bem do sistema, para transparência da governança e para clarificação de processos, será essencial que as partes se expliquem e que se perceba, no final de todas as contas, a engenharia financeira desnecessária que balizou a relação laboral de Fernando Santos com a federação."
O Brasileirão e a Champions
"Em certa medida, o Brasileirão é mais parecido com uma Champions League do que com um campeonato nacional europeu. Tudo bem, não na qualidade e muito menos no nível de organização — este cronista não quer puxar tanto a brasa à sardinha dele ao ponto de soar ridículo. Mas na, digamos, estrutura, assemelha-se.
Por exemplo, na Champions não há, salvo um Pafos aqui ou um Qarabag acolá, clubes pequenos. Claro que, frente a um PSG, o Sporting vai defender-se muito mais do que atacar, assim como o Benfica, o Galatasaray, o PSV, o Ajax, o Olympiakos quando defrontam tubarões da primeira linha.
Mas algum desses clubes, com títulos às dezenas e adeptos aos milhões, pode ser chamado de pequeno? No máximo, por estarem hoje em campeonatos que são da periferia do futebol, isto é fora das big five, são, continentalmente falando, clubes médios.
No Brasileirão, salvo excepções, como o Mirassol ou o Bragantino, também só há gigantes e médios. Como o Sporting com o PSG, o Coritiba também se vai defender muito mais do que atacar ao defrontar o multimilionário Flamengo. Mas pode chamar-se o Coxa de pequeno? Com 39 taças de campeão do Paraná e em torno de dois milhões de torcedores? Ou o rival Athletico Paranaense? Ou o Bahia e o Vitória? Ou mesmo o Sport, o Náutico e o Santa Cruz, o Ceará ou o Fortaleza, todos eles, por acaso, hoje na série B?
Ou o Remo, que está de volta à Série A depois de 21 anos, passa dos dois milhões de fãs e já ganhou 48 edições do estadual do Pará, um estado onde cabem duas Franças e ainda sobram uns Portugais?
Bom, a propósito do Remo e do tamanho continental do Brasil há mais uma semelhança entre Brasileirão e Champions League este ano: o Leão Azul faz o papel de Kairat Almaty. Com as inevitáveis escalas, a comitiva do Remo demorará oito ou 10 horas a chegar a Porto Alegre para defrontar Grêmio ou Inter. E de carro, só para se ter uma ideia, a viagem é estimada em oito dias a guiar sem parar. Quase a distância e o tempo de Almaty a Lisboa, percorrida pelo Kairat quando foi a Alvalade.
Mas, como o Brasileirão é uma maratona de 38 jornadas e não uma prova de tiro curto como a fase de liga da Champions, o site GE concluiu que o Remo vai dar duas voltas à Terra para disputar o campeonato nacional — quase 100 mil quilómetros!
Se esquecermos, então, os orçamentos dos clubes, a classe dos principais jogadores, o nível de organização da prova, a qualidade dos relvados ou a regularidade das arbitragens, há sim, muito em comum, entre a Champions e o Brasileirão que agora começa.
Nos autores dos golos, também: no Brasileirão, os brasileiros são quem marca mais, logicamente; na Champions de 2026, só os ingleses, com 50, superam os 39 golos de brazucas."
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