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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Benfica: fim de ciclo — oportunidade ou jargão?


"Fim de ciclo é uma expressão recorrente no final de cada época desportiva que tenta manifestar o encerramento de uma fase cuja lógica interna já se esgotou, carregando camadas estratégicas, políticas e simbólicas que tornam o conceito muito mais complexo do que parece à primeira vista.
Numa recente entrevista à BTV do vice-presidente para as modalidades do Benfica, Tomás Barroso afirma: «Quando recebi o convite do presidente Rui Costa para assumir estas funções deixei muito claro e partilhei com ele as minhas preocupações relativamente a alguns ciclos, não só de treinadores, mas de equipas e atletas, que poderiam impactar de forma negativa nos resultados finais da época.»
Neste segmento da entrevista reconhece que, em novembro de 2025, acreditava que treinadores, estruturas técnicas e atletas de diversas modalidades encontravam-se em «fim de ciclo». Ou seja, vários treinadores já não mobilizavam os respetivos plantéis, algumas estruturas técnicas já não acompanhavam a evolução da modalidade e diversos atletas apresentavam pouco potencial de crescimento ou entraram em fase de declínio.
Por outro lado, pode-se também interpretar as palavras de Tomás Barroso relativamente a «fim de ciclo» como um termo neutro e elegante que carrega uma profunda carga estratégica e tática ao funcionar como um eufemismo organizacional que suaviza a narrativa pública ao ser politicamente correto, mas pode revelar que internamente, eventualmente, não houve planeamento estratégico sucessório ou antecipação de tendências.
Funciona como narrativa de transição dando a entender que as saídas não são culpa de ninguém ou de desempenhos, apenas terminaram ciclos de trabalho e dedicação. O que permite preservar a imagem de todos os intervenientes e manter alguma estabilidade comunicacional. Evitando-se termos mais duros como fracasso, erro de gestão ou incompetência.
Como sintoma estratégico é bivalente pois tanto representa a lucidez de um planeamento sucessório para treinadores, estruturas técnicas e atletas, como se passou com o andebol do Benfica em que a sucessão se iniciou em março de 2026 fruto de três épocas muito abaixo das estimativas. Ou ausência de estratégica, como se passou no basquetebol com o tetra campeão Norberto Alves e Marcel Matz no voleibol que em oito épocas venceu 14 títulos, que saem, segundo Tomás Barroso na mesma entrevista, por falta de resultados desportivos.
Pode-se especular que nestes dois casos a liderança foi reativa, agiu quando o ciclo acaba por ausência de títulos, em vez de gerir ciclos de forma contínua e coerente via sucessão refletida e proativa. Haveria fim de ciclo se estes treinadores tivessem sido campeões?
Importante para a liderança do clube é compreender a gestão de ciclos desportivos numa lógica de continuidade e sem a emoção negativa da falta de títulos. Perceber que o sucesso é a soma de pequenas vantagens (por exemplo, atletas diferenciados que trazem valor acrescentado, modelo de jogo, adaptação rápida às novas tendências das fases do jogo, estruturas com elevado conhecimento e capacidade de execução) face aos competidores que são consequências das respostas às perguntas certas que a liderança deve fazer numa lógica de aproveitamento da tendência e do meio ambiente competitivo. Isto significa que durante o surfar de um ciclo há que questionar procurando sinais estruturais (avaliando se a estrutura técnica‑desportiva ainda produz rendimento), competitivos (avaliando se a modalidade acompanha o nível dos rivais e o seu próprio histórico), políticos (avaliando a capacidade da direção e da estrutura para manter estabilidade) e culturais (avaliando a saúde emocional, simbólica e identitária da equipa) que convergem para um ponto em que a continuidade pode deixar de ser racional. Posteriormente, a mudança é inevitável quando destas quatro dimensões pelo menos três apresentam sinais críticos e quando a narrativa dominante já não permite continuidade. O diagnóstico deve ser feito com dados, mas também com leitura política e cultural.
A mudança requer, então, conhecer o caminho a percorrer (estratégia) para se mobilizar e reconfigurar recursos essenciais na rápida exploração do próximo ciclo. Para tal, manter uma base interna estável e coerente (por exemplo, cultura desportiva, competências centrais) enquanto se preserva a flexibilidade para se reconfigurar e investir rapidamente em ativos com elevado potencial, deixar sair aqueles que não mantêm ou acrescentam valor e abandonar o que não funciona são ações táticas viáveis.
Simultaneamente, a liderança do clube precisa de proporcionar estabilidade na mudança, as pessoas precisam de saber que podem contar com o seu líder, compreenderem o que está dentro da estratégia e o que está excluído, haver clareza sobre as relações e como aproveitar e desenvolver as pessoas.
Estas coisas proporcionam estabilidade. Por outro lado, as pessoas precisam de ser pressionadas para evitar a complacência, experimentar coisas novas (por exemplo, métodos de treino, abordagem a variantes do modelo de jogo, novos processos de recolha de dados para decisão) e saírem da zona de conforto sem ficarem fora de pé. Parte da competência da liderança do clube é conseguir fornecer ambos, não se escudar nas equipas técnicas e a dar às pessoas algo em que podem confiar.
Uma das poucas certezas na vida desportiva é a mudança ser uma variável constante com sequência de ciclos e um resultado final que depende do seu melhor aproveitamento tornando o ciclo numa jornada de gestão contínua no aproveitamento de oportunidades e procura de novas pequenas vantagens que articuladas devidamente conduzem ao sucesso evitando deste modo fim de ciclos reativos."

Zero: Mercado - Benfica perto de garantir reforço; Gustavo Sá escapa de Portugal

BF: Fechado...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Brasil consegue travar Haaland e México cumpre previsão dos Simpsons?

Tratado do Estádio


Em destaque nesta edição da BNews, a aprovação do Tratado do Estádio, o documento que orienta o desenvolvimento das Casas, Filiais e Delegações do Sport Lisboa e Benfica.

1. Congresso das Casas, Filiais e Delegações
Veja como decorreu a 4.ª edição do Congresso das Casas, Filiais e Delegações do Sport Lisboa e Benfica, encerrado pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Clube, José Pereira da Costa, e conheça o resultado dos trabalhos divididos por sete painéis e o Tratado do Estádio, o documento estruturante e definidor de um novo rumo neste domínio, aprovado pelos congressistas.

2. Eis a alternativa
A camisola do equipamento secundário do Benfica para 2026/27 é branca.

3. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

4. Treinadores da formação
Saiba quem são os líderes das equipas técnicas dos escalões de futebol de formação do Benfica.

5. Contrato renovado
Rafael Quintas prolonga a ligação ao Benfica.

6. Treinador apresentado
Ricardo Vasconcelos, ex-selecionador nacional, é o novo treinador da equipa feminina de basquetebol do Benfica.

7. Concerto de balneário
Buba Espinho atuou para os campeões nacionais de hóquei em patins."

Concerto de Balneário | Buba Espinho e os Campeões de Hóquei em Patins

Portugal: uma equipa imprevisível


"O Mundial não tem sido convincente para Portugal. Chegamos aos oitavos de final ainda com muitas dúvidas. O jogo frente à Croácia teve bons momentos, sobretudo na primeira parte, mas voltou a expor problemas que têm acompanhado esta equipa e que continuam por corrigir.

Diagnóstico
Somos uma seleção recheada de talento. Roberto Martínez ainda não conseguiu, e talvez nunca o venha a conseguir, transformar tanta qualidade num coletivo dominador, seguro e capaz de transmitir confiança. Quando vemos Portugal jogar, sentimos que tudo pode acontecer, para o bem ou para o mal. Não conseguimos controlar o jogo com bola e nunca sabemos que cara vamos apresentar. Em alguns momentos optamos por pressionar a saída de bola do adversário e assumimos igualdade numérica na última linha. Aqui temos dois problemas. Frente a equipas organizadas, a nossa pressão é descoordenada e raramente resulta. Quando essa primeira pressão é ultrapassada, a linha defensiva fica demasiado exposta. Os nossos centrais não são particularmente rápidos e perdemos demasiadas segundas bolas, ficando desconfortáveis no jogo. É por isso que tantas vezes se diz que Portugal joga melhor contra adversários mais fortes. Simplesmente porque não temos de assumir o jogo, podemos baixar as linhas e explorar o espaço. Com um coletivo que ainda está longe de ser consistente, acabamos por transportar o jogo para a dimensão individual, onde os nossos jogadores conseguem muitas vezes fazer a diferença.

A certeza Diogo Costa
Este está a ser o Mundial de Diogo Costa. Hoje todos temos uma certeza: podemos contar com o nosso guarda-redes. Está, finalmente, a confirmar numa grande competição todo o potencial que sempre lhe reconhecemos. Nos últimos dois jogos foi o melhor em campo, o que demonstra bem a importância que tem tido nesta caminhada. Numa seleção marcada pela instabilidade, na baliza não nos podemos queixar. Pelo contrário. A segurança, a serenidade e a capacidade de decisão que Diogo Costa tem demonstrado foram fundamentais para continuarmos em competição.

O caso de Gonçalo Ramos
Roberto Martínez tem referido que todos contam. No entanto, ninguém percebe porque é que Gonçalo Ramos tem contado tão pouco. Frente à Croácia teve finalmente a oportunidade de jogar na sua posição, depois da saída de Cristiano Ronaldo, e apenas 13 minutos depois marcou o golo da vitória. Gonçalo é um finalizador, mas é muito mais do que isso. É um jogador de equipa. É o primeiro a pressionar e fá-lo de forma coordenada. Sabe movimentar-se, interpreta bem os espaços e participa no processo ofensivo de forma coletiva.
Tendo em conta as dificuldades que Portugal tem sentido, por que motivo Martínez nunca lhe deu mais oportunidades? Acho interessante quando dizem que Martínez teve coragem para tirar Cristiano Ronaldo. A equipa estava descompensada e era necessário reforçar o meio-campo. Martínez fez o que tinha de fazer. Um treinador tem de ter coragem para fazer o certo? Ou tem de ter visão, ler o jogo e perceber, a cada momento, o que cada jogador pode dar à equipa? Para finalizar, realço a capacidade, a determinação e a competência de Gonçalo Ramos. Martínez nunca lhe deu verdadeira confiança ao longo do Mundial-
Nem mesmo quando Portugal vencia por 4-0 frente ao Uzbequistão aproveitou para lhe dar mais minutos e reforçar essa confiança. No final do jogo com a Croácia, Gonçalo disse que se motiva todos os dias, que há dias menos bons e dias melhores, mas que tenta sempre pensar positivo. Frente à Croácia respondeu da melhor forma e foi decisivo para colocar Portugal nos quartos de final. O mérito é todo dele. Nunca teve da parte de Martínez a confiança de que um jogador precisa para ganhar ritmo e crescer numa competição desta dimensão.

O desafio Espanha
Espanha é uma seleção entusiasmante. Coletivamente é forte, tem um ADN próprio e um jogo coletivo bem trabalhado. Tem individualidades que desbloqueiam jogos, mas é o coletivo que cria as condições para que essa qualidade apareça. É uma equipa que se sente confortável em posse, que consegue desbloquear a pressão do adversário e que sabe sair em transições. Assume o jogo, joga com as linhas muito subidas e arrisca com frequência. Essa forma de jogar faz com que os seus centrais fiquem muitas vezes em igualdade numérica com os avançados adversários e tenham de defender muitos metros nas costas.
Esse é, para mim, o ponto mais vulnerável da Espanha. Pode ser também o nosso ponto forte. Este é um enorme teste para Portugal, mas, apesar do grau de dificuldade, temos qualidade individual para conseguir ultrapassar este adversário. Não sei que cara Portugal vai apresentar na segunda-feira. O que sei é como a Espanha vai jogar.

A valorizar: Duarte Gomes
A demissão de Duarte Gomes provocou um terramoto na arbitragem nacional. Analisando os factos, Duarte Gomes soube de uma situação que considerou incompatível com aquilo em que acredita. Procurou esclarecimentos, mas não ficou satisfeito com a explicação que recebeu. Perante isso, tomou a decisão de sair. Expôs internamente tudo o que sabia, a quem de direito, e apresentou a demissão. Percebo que esta tomada de posição possa gerar desconforto e até confusão. Duarte Gomes nunca afirmou que alguém cometeu um crime. Apenas deixou claro que não se revê numa situação que, para si, era demasiado importante para ignorar. Em vez de se agarrar ao cargo, ao salário ou ao estatuto, decidiu sair. Não normalizou aquilo que o deixou desconfortável nem fechou os olhos. Foi coerente com aquilo que sempre defendeu na praça pública. Entrou livre e livre saiu. Arrisco-me a dizer que devíamos ter mais exemplos destes. Duarte Gomes sentiu-se desconfortável e agiu em conformidade. A pergunta que fica é simples: será que mais alguém se sente desconfortável com o que aconteceu?

A valorizar: Cabo Verde
A seleção cabo-verdiana fez um grande Campeonato do Mundo. Orgulhou o seu povo e esteve a um pequeno passo de poder eliminar o atual campeão mundial, a Argentina."

E quem é mesmo Messi na fila do pão?


"Num Mundial em que os mais fortes entre os mais fracos deixaram de apenas tentar resistir para escolherem o sítio e a forma como querem resistir — se o talento ainda afasta as grandes potências dos demais, tem sido a evolução tática a encurtar distâncias —, foi o sentimento de oportunidade de uma vida que elevou Cabo Verde de estreante a grande figura, de um ponto de vista sobretudo romântico. Quem não sofreu nos momentos mais difíceis e festejou nos mais alegres com a equipa de Bubista nestes quatro jogos?
Se o Congo bloqueou Portugal e muitas chatices trouxe a Inglaterra, e se o Paraguai acreditou sempre e eliminou mesmo a Alemanha, também os cabo-verdianos tornaram o embate muito desconfortável para a Argentina. Todos pressionaram, todos bloquearam o corredor central, apresentaram linhas juntas e levaram a batalha o mais possível para os flancos. E Cabo Verde juntou a tudo isto um sentimento imbatível de 'é agora ou nunca', que acrescentou uma confiança tremenda e resultou em alguns dos melhores golos do torneio. Aquele tiro de Sidny ainda veio misturado com bílis, arrancado que foi do fundo do estômago. A testar todas as lógicas e limites.
Os Tubarões Azuis tornaram-se Tubarões Brancos. Foram sólidos na estratégia, num contexto fértil para a superação: a estreia, atletas ainda sem clube, outros perto do final da carreira, seis nascidos em Roterdão e com escola neerlandesa na formação, gente com inúmeras experiências e um pequeno país a levar passos de dança e alegria para as ruas, a milhares de quilómetros de distância ou ali mesmo, carregados de orgulho. A experiência de uma vida levou à oportunidade da carreira. Fez mesmo com que os cabo-verdianos acreditassem, como ouvi durante o jogo: «Quem é mesmo Messi na fila do pão?»"

Alma Tática


"No futebol moderno há cada vez mais informação ao dispor das equipas técnicas. O nível de detalhe patente no futebol ao mais alto nível chega a ser assustador, tantas são as ferramentas e as métricas que procuram limar arestas, ajustar posicionamentos, corrigir comportamentos e aproximar as equipas da perfeição inalcançável. 
O pormenor surge frequentemente nos debates, nas conversas e nas análises futebolísticas. Quantas vezes não ouvimos dizer que o jogo foi decidido por uma questão de pormenor? Que o pormenor X ou Y foi fundamental para que determinado rumo tivesse sido alterado, influenciando decisivamente a história do jogo?
Eu percebo esta obsessão pelo pormenor. Também sou treinador. Adoro a análise de jogo. Também quero controlar tudo até ao mais ínfimo detalhe. E à semelhança do saudoso Mestre Telê Santana também procuro aproximar-me da perfeição, visto saber ser impossível alcançá-la.
Mas também percebo que num futebol cada vez analisado ao milímetro e controlado ao milésimo de segundo, há fatores que não controlamos. Que não devemos sequer controlar. Fatores que são intrínsecos e não extrínsecos. Fatores que, por norma, não se ensinam, pois nascem connosco.
Abel Ferreira fala inúmeras vezes das capacidades volitivas dos seus jogadores na S.E. Palmeiras. Ontem, ao ver Cabo Verde levar a Argentina à exaustão, lembrei-me dele e das suas palavras. Perante a atual campeã mundial de futebol, Cabo Verde presenteou-nos com uma lição de humildade, de querer, de raça, de determinação. Mostrou-nos ser possível transformar probabilidades em possibilidades. Guiou-nos ao longo de 120 minutos por uma narrativa escrita em tons de superação, sublinhada por uma energia inesgotável e assinada por uma crença inabalável. Fez-nos crer que a ausência de talentos individuais capazes de resolver um jogo sozinhos pode ser suprida quando se tem um coração gigante e uma alma ainda maior. Quando se tem um grupo que sabe carregar com orgulho o peso da responsabilidade de representar os sonhos de toda uma nação.
Cabo Verde fê-lo também porque do ponto de vista estratégico e técnico-tático esteve sempre muito bem preparado. Não só ontem, mas ao longo de toda a competição. Mérito total para Bubista e para a sua equipa técnica. Especialmente por ter encontrado na alma a melhor abordagem tática para a sua seleção.
No adeus dos Tubarões Azuis a este Mundial, a minha vénia a quem tanto nos fez sorrir e sonhar: «Não chorem porque acabou…Sorriam porque aconteceu.»"

Cabo Verde, o Mundial começou agora


"Magnífica prestação de Cabo Verde é uma das mais belas histórias a tirar deste Mundial, que tem mostrado o aproximar de africanos e sul-americanos aos europeus

A fabulosa epopeia de Cabo Verde, iniciada a 15 de junho com um nulo imposto à campeã europeia em título, a Espanha, que deixou o planeta de queixo caído, terminou ontem, com contornos dramáticos. Muito mais do que o mérito desportivo, já de si notável, porque nenhuma seleção tinha conseguido encostar a campeã mundial em título às cordas como Cabo Verde o fez, foi um trajeto que mostrou organização, talento que era quase desconhecido e trabalho.
Cabo Verde mostrou que o pequeno arquipélago é muito mais do que o local idílico e tranquilo para as férias de inverno dos europeus e este Mundial poderá (e deverá) ser o catalisador para que fenómenos destes se repitam a breve trecho. Para isso, oxalá que a experiência e o mediatismo que foram ganhos possam ser transformados em melhoria de condições no país.
Só nestes 16 avos de final, Paraguai escandalizou a Alemanha, Marrocos mandou os Países Baixos para casa antes do normal, a RD Congo obrigou Harry Kane a vestir a capa de herói pela enésima vez, os Estados Unidos, mesmo com 10, impuseram-se à Bósnia e a Noruega sofreu a bom sofrer para ultrapassar a Costa do Marfim. Na fase de grupos, mais exemplos houve de como as seleções menos cotadas no papel estão a reduzir para os europeus uma diferença que já foi substancialmente maior. É certo que há fatores que pesam para este aproximar, como o clima e o facto de muitas das seleções top terem os jogadores carregados de jogos nas pernas.
O Mundial não começou agora, como Roberto Martínez disse para desvalorizar uma fase de grupos tenebrosa de Portugal, mas parece notório que houve gestão de esforço de algumas seleções na primeira fase, já que este formato a 48, apesar de poder dar palco de Mundial a vários estreantes, possibilita que até sem ganhar qualquer jogo seja possível carimbar o apuramento para as eliminatórias. Enzo Fernández, por exemplo, o motor ao redor do qual a Argentina se construiu rumo à glória no Qatar-2022, chegou ao torneio com 52 jogos pelo Chelsea, e aos 80 minutos do jogo com Cabo Verde já alongava.
O resultado têm sido duelos bastante mais imprevisíveis e, por isso, espetaculares, do que a teoria poderia indiciar. Tive bastantes reservas sobre o alargar do Campeonato do Mundo a 48 seleções, mas a aposta está a ser ganha e estou certo de que, em 2030, mais Cabo Verdes poderá haver."

Estive quase a partir para a violência e, por isso, peço desculpa


"TORONTO — Os canadianos são, por norma e feitio, um tratado vivo de civilidade. São simpáticos, empáticos, acolhedores e donos de uma boa onda que desarma qualquer viajante mais cético. É o país do sorriso fácil e do civismo exemplar.
Mas, como em qualquer ecossistema perfeito, há sempre uma exceção que confirma a regra e que nos testa os limites da sanidade.
Quinta-feira passada, confesso com alguma vergonha e muita adrenalina ainda no sangue, estive mesmo quase a partir para a violência física. E por isso, antes de mais, peço publicamente desculpa.
Tudo aconteceu no rescaldo daquela avalanche de euforia. Tinhamos acabado de acompanhar o estrondoso e memorável fan walk dos adeptos portugueses pelas ruas de Toronto, um mar de gente que cantava a alma lusa.
Estávamos em direto para os Dias do Mundial, na Bola TV, a tentar digerir a festa antes do embate com a Croácia, quando o destino decidiu colocar-nos no caminho um elemento perturbador.
Um canadiano, visivelmente embriagado e desprovido de qualquer noção de espaço pessoal, decidiu que o nosso direto era o palco ideal para as suas frustrações etílicas.
Foi chato, incómodo e invasivo. Metia-se comigo, tocava-me com insistência, balbuciava disparates incompreensíveis mesmo em cima do microfone.
Quem está no ecrã tem uma armadura invisível: mantive a postura, segurei o tom, fingi que o mundo era um lugar calmo. Mas a televisão tem um fim.
Mal a câmara desligou e perante a ameaça física e a insistência arrogante do indivíduo, o verniz estalou. Peço desculpa aos leitores, mas a compostura deu lugar a uma reação verbal musculada. Estive quase, mesmo quase, a agredi-lo.
Valeu-nos, a mim e ao André Carvalho, o meu incansável companheiro de viagem e repórter de imagem, a pronta intervenção de um grupo de polícias que assistira a tudo de camarote e veio acalmar os ânimos.
Quem me conhece sabe que abomino a violência em qualquer circunstância. Mas a pressão deste Mundial, o stress acumulado e a invasão da nossa dignidade profissional levaram-me ao limite.
Toronto continua a ser um paraíso, mas, quinta-feira, a minha Route 66 tremeu. Desculpem o desabafo, mas o jornalismo também é feito de carne, osso e nervos à flor da pele."

Vergonha!

BolaTV: Dias de Mundial...

Futebol à Parte #49 - Antevisão Portugal X Espanha

No Princípio Era a Bola - 40 anos depois da mão de Deus, a Inglaterra vai regressar ao Estádio Azteca para um duelo extremo com o México

AA9: Mundial - Previsões...

AA9: Mundial - Day 24

Rabona: France-Morocco REMATCH AWAITS & Canada's Dream ENDS | World Cup Day 24

LiveMode: Aquece vais entrar #32

SportTV: Estádio #10 - Batalha de São Mamédios

PTM #155 - Modas irritantes & desvantagens do Mundial ser nos EUA

FIFA: Espanha...

FIFA: EUA...

FIFA: Bélgica...

FIFA: Portugal...

SportTV: Brasil - Noruega