Últimas indefectivações

sábado, 6 de junho de 2026

Génios da lâmpada fundida!!!

Indicador de qualidade dos plantéis...

Ragnar Aursnes, Bjorrn Schjelderup e companhia...!!!

Mourinho ganha duas eleições e deixa €160 milhões no Benfica


"Ajudou Rui Costa e Florentino no espaço de sete meses. Não deu a partir do banco, tem compensado ao longo do tempo. Ficar com Marco Silva e €15 milhões não é um mau ato de gestão

O famoso vídeo de IA de José Mourinho divulgado em tudo o que era televisão anteontem à noite, em horário nobre, apenas confirmou o que toda a imprensa portuguesa e espanhola foi escrevendo nas últimas semanas: o treinador português é um trunfo eleitoral de Florentino Pérez e a cartada foi jogada num timing cirúrgico. E assim, no espaço de sete meses, Mourinho pode ajudar a eleger os presidentes dos clubes de maior dimensão social de cada um dos países da Península Ibérica: Rui Costa em novembro de 2025 no Benfica (dois meses depois de contratá-lo após o despedimento de Bruno Lage) e Florentino em junho de 2026 no Real Madrid.
Digo-o com convicção, não só pelo que revelam as sondagens mas também pela natureza conservadora dos sócios deste gigante mundial: seria necessário muito mais que contratações sonantes do opositor (com Haaland à cabeça) para tirar do poder o homem que, apesar da idade avançada, ainda representa futuro, inovação e, acima de tudo, segurança.
Mas só um contexto de eleições permite ao magnata que inventou os Galáticos pagar tanto dinheiro ao Benfica para ter o técnico setubalense, cuja contratação será feita quase pelo dobro do valor que custou em 2010, vindo do Inter.
Vale a pena recordar: há 16 anos, Florentino não quis pagar os €16 milhões da cláusula, viajou para Milão e encontrou-se com o presidente Massimo Moratti para obter um desconto. Isto é, o Mourinho acabado de se sagrar campeão europeu pelos nerazzurri, com uma aura absolutamente intacta de vencedor, foi contratado por oito milhões de euros; em 2026, o Mourinho que ficou em terceiro lugar no campeonato português aterra novamente na capital espanhola por €15 milhões, o que faz dele o treinador que mais dinheiro deu a ganhar ao Benfica — €145 milhões em reforços para as suas equipas (de Tiago Mendes a Lindelof) e agora a milionária cláusula. Mesmo que pouco tenha dado ao clube em termos desportivos nas duas passagens pela Luz, o mesmo não se pode dizer no plano financeiro.
Só o tempo dirá se foi um bom negócio para o Real Madrid e para o Benfica. As águias desde cedo perderam o controlo da narrativa a ponto de colocar Marco Silva no papel de segunda escolha, mas é caso para dizer que ter o ex-técnico do Fulham e mais €15 milhões no bolso está longe de ser um mau ato de gestão. Se foi programado ou não, daqui a uns tempos poucos se lembrarão. Desde que a bola não comece a bater outra vez na barra."

Seleção: já sonhamos há tempo a mais


"Portugal encara o Campeonato do Mundo com objetivos por cumprir. O talento que juntou nestes anos assim o obriga. Muitos não terão outra oportuwnidade de tocar o céu

O Mundial. Vem aí o M-U-N-D-I-A-L. Fomos crianças e tudo era uma descoberta. Os cromos que colecionávamos, por vezes às escondidas, com o dinheiro do lanche, antecipavam o maior momento das nossas pequenas vidas. Pelo menos até que outros interesses se impusessem, vivíamos a sério apenas de quatro em quatro anos. De dois em dois, por vezes, porém os Europeus nunca foram a mesma coisa. Era nessas figurinhas estáticas que descobríamos craques que nunca víramos. Só um ou outro, noite dentro, no Domingo Desportivo.
Era com a caderneta ao lado, sentados como pequenos budas à frente do ecrã, que víamos os primeiros jogos. Era ainda de boca aberta que absorvíamos a bicicleta freestyle, saída de rampa imaginária, de um tal de Negrete ou, antes, a capitulação do favorito dos favoritos num sítio chamado Sarriá. O primeiro Maracanazo de que me lembro, ainda por cima bem longe do Rio. O futebol puxava-nos pelos colarinhos e gritava que não era lógico e a surpresa, mesmo para quem jogava, vinha acompanhada de um murro no estômago.
Hoje, sabemos tudo ou quase. É caro, muito caro, mas temos acesso aos campeonatos bons e até a alguns menos bons, disfarçados de algo de jeito. E a maior invenção também a descobrimos rapidamente: podemos viajar na quântica televisiva se não conseguimos ver antes. E repetir. Nada nos escapa, se quisermos. Já sabemos tudo sobre o terceiro guarda-redes e o avançado que não tem hipóteses, só lá está para fazer número. E, para arrancar o nosso espanto, agora o génio tem de nos fintar também a nós, antes de atirar ao ângulo da baliza que defendemos.
Sabemos que vai ser físico, ainda que o calor nos possa dar tréguas. Haverá momentos aborrecidos e jogos que ninguém quererá ver. Iremos soltar aquele ‘já não há bilhetes’ que reflete todo o sarcasmo que temos dentro. Agora, imaginem os ianques. Imaginem onde o futebol mal pega, por mais que o plantem, para desgraça dos capitalistas da FIFA. E antes devorávamos tudo. Mesmo um Uzbequistão-Congo, sem qualquer obrigação. Perdemos a nossa inocência. Retiraram-nos as nossas saudáveis regressões à infância. E, agora, nem os cromos funcionam como antes.
Portugal parte mais uma vez cheio de sonhos para um torneio que já não tem só a elite. Há também a classe média e estreantes de pouca classe. O Mundial já não é o palco dos deuses. É também o dos mortais e o dos de alta taxa de mortalidade. E, mesmo com tanto talento, arranjamos sempre maneira de continuarmos a ser políticos. Vamos bem para lá do politicamente correto. Somos incapazes de tomar decisões difíceis que beneficiem o coletivo e tornem mais firme o caminho. Mesmo que o futebol dominador na Europa seja precisamente esse.
O treinador há muito que percebeu que de nada lhe valia vestir-se de Guardiola porque o fato não lhe servia. O processo normalizou-se por fim, deixou de querer ser disruptivo. Mas nem por isso melhorou. E ele lá continua porque os jogadores saíram em sua defesa e ganharam por si a Liga das Nações, talvez com receio do retrocesso para uma equipa de contra-ataque.
Sabemos já quase tudo. Que Ronaldo jogará todos os minutos de todos os jogos da fase de grupos, se cumprir na disciplina e fisicamente não capitular. Que, desta vez, a concorrência na equipa até está mais fraca. E que se não mudou quando esta se sentia bem, não será agora que será discutido. Sabemos que serão dez a defender e a atacar até à grande área dos rivais, e que Cristiano vai sentir urticária até tocar a bola junto à lateral, só porque sim. Sem qualquer racional associativo. Sem complemento de alguém na equipa. É apenas o momento de fazer o seu truque. E dar de calcanhar ou de passar sem olhar.
Temos a certeza de que os movimentos que fizer serão a pensar em si, para se libertar a si em vez de algum companheiro. Não será agora, aos 41, que aprenderá novas línguas. E, como tal, andamos longe da máxima força. Mesmo assim, quase todos o colocavam nos convocados e hoje a maioria não tiraria do onze. Oportunidade perdida!
Imaginamos todos a equipa ideal. Aceitemos que só a estratégia e a rotação irão alterar a hierarquia dos laterais e os nomes dos centrais titulares. Que Vitinha e João Neves são um só, embora joguem por quatro, e que não faltará mais ninguém para defender se a equipa alinhar em uníssono. Já que Ronaldo não é um problema para Martínez, haverá quatro nomes para três posições: Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Neto e João Félix. E residirá aqui o equilíbrio e o desequilíbrio, e talvez o segredo do sucesso. Ou a razão do insucesso.
Bruno Fernandes é tão bom que não é fácil entendê-lo como problema. É vítima do contexto. A falta de química futebolística com Vitinha e Neves, sobretudo com o primeiro, é notória. Ambos querem a bola e não jogam no mesmo tom. O diabo vermelho quer acelerar, Vitinha espera pelo momento certo, tanto quanto o faz — e de que maneira — Bernardo Silva. Talvez funcionasse melhor no triângulo do meio-campo. Seria a comunicação perfeita entre o modelo de Luis Enrique e do Guardiola. Entre os melhores interlocutores das duas ideias.
Vitinha-Neves-Bernardo pode ser curto para Martínez, que começou destemido e se tornou inseguro, ao ponto de querer juntar aí outro Neves, o Rúben, ou Samú, o que faria derivar o 15 para lateral direito, como aconteceu na Liga das Nações. Só que, por mais voltas que dê à cabeça, continua a ser criminoso.
Na frente, Bruno Fernandes, já se disse, tem lugar indiscutível. Resta saber onde. Neto tem argumentos se o selecionador quiser manter o 1x1, no entanto, a fortalecida ligação Félix-Ronaldo também carrega peso. Com Neto, Bruno pode alinhar à esquerda. Com o melhor da liga saudita, talvez surja à direita. Em tese, os laterais terão capacidade de chegada, protegidos pelo trio do meio-campo. E com Félix, Bernardo e Bruno a explorar canais e espaço entre linhas, e Ronaldo a colaborar, poder-se-á formar um ataque muito difícil de marcar.
Os sonhos viraram racional. Por defeito profissional, mas não só. Martínez não tem razão. Sonhámos sempre, mesmo quando tudo o que nos sustentava implodiu em Saltillo. É hora agora de cumprir objetivos. E esperar que nos mostrem algo que ainda não tenhamos visto."

Estratégia, essa palavra tão misteriosa


"De vez em quando acontecem fenómenos no desporto que destroem um conjunto de crenças e colocam em causa algumas das nossas certezas absolutas. O Paris Saint-Germain, especialmente desde a chegada do treinador espanhol Luis Enrique e sob a direção desportiva do português Luís Campos, tem sido um desses casos. O clube tem desafiado várias ideias feitas e isso tem-lhe permitido afirmar-se como uma das grandes referências do futebol europeu, apesar de competir numa liga que é considerada a menos exigente entre os chamados Big-5.
Luis Enrique, para lá da sua dramática e inspiradora história pessoal, tem a capacidade rara de nos oferecer autênticas lições sobre liderança, gestão e desempenho sempre que fala. O PSG passou de ser um clube que, durante anos, acumulava eliminações precoces na Liga dos Campeões, apesar de ter estado perto da glória na final disputada durante a pandemia, perdida por 0-1 frente ao Bayern Munique, para uma equipa com uma identidade e cultura completamente diferente.
Durante muito tempo, o desafio do clube parecia resumir-se à gestão de estrelas e fazer dinheiro através da sua gestão de imagem. Messi, Beckham, Mbappé, Neymar, Di María, Cavani e tantos outros fizeram parte de um modelo em que a gestão de egos, estatutos e protagonismos era quase tão importante como a gestão de quem marcava o livre ou a grande penalidade. Hoje, o cenário é outro.
O PSG adotou uma estratégia centrada no todo. Defende e demonstra que o treinador deve ser a principal autoridade ao nível da liderança desportiva e construiu um plantel composto por jogadores mais jovens, com enorme vontade de aprender, evoluir e competir. Um grupo que reconhece que há sempre margem para melhorar, que coloca a equipa acima da individualidade e onde até os maiores talentos participam ativamente nos momentos defensivos como se o talento não bastasse para jogarem. Uma cultura organizacional baseada na ideia de que ninguém é insubstituível.
No desporto, sobretudo devido ao impacto imediato dos resultados, as estratégias costumam ter prazos de validade muito curtos. Para manter uma visão quando os resultados não correspondem às expectativas é necessária uma liderança diferenciadora, muita convicção e uma equipa altamente competente à sua volta. Projetos verdadeiramente duradouros são raros. No futebol, um dos exemplos mais fascinantes continua a ser o Manchester United de Sir Alex Ferguson, uma fonte inesgotável de ensinamentos sobre liderança, cultura organizacional e gestão desportiva.
A dupla dos Luíses conseguiu, para já, algo impensável: colocar grande parte da Europa a admirar o trabalho de um clube que não é um underdog. Um clube que reina sozinho na cidade Luz, que durante anos foi visto como arrogante e excessivamente dependente do poder financeiro do Estado que o sustenta.
Hoje, porém, fala-se de uma equipa recheada de jogadores que fazem babar qualquer apaixonado por futebol. Uma equipa liderada por um capitão que, depois de conquistar um feito que poucos alcançaram (vencer duas Ligas dos Campeões consecutivas) teve como primeira reação apoiar um colega de profissão e demonstrar uma visão já projetada para o próximo Mundial de seleções. Um exemplo de liderança que olha para além do momento.
Fala-se também de um plantel construído com jogadores que custaram muito menos do que algumas das estrelas que saíram. Basta olhar para Nuno Mendes, Vitinha ou João Neves, hoje considerados negócios extraordinários face ao impacto que têm na equipa. Um conjunto com atletas que vence mesmo quando os jogos se prolongam para além dos 90 minutos, com atletas a assumirem responsabilidades independentemente do número de minutos que tiveram ao longo da época.
Quando se ganha, tudo parece mais simples. Mas sabemos que o mais difícil raramente é chegar ao topo; é permanecer lá. Tiago Pinto, atualmente no Bournemouth, disse-me uma vez algo que nunca esqueci: «A maioria dos acidentes quando se vai ao topo acontece na descida da montanha, não na subida.» A frase resume na perfeição a dificuldade de manter o foco, a humildade e a exigência depois de se atingir o sucesso.
Luís Campos, como acontece com muitos portugueses que brilham além-fronteiras, recebe mais reconhecimento de fora do que dentro do próprio país. Um paradoxo que continua a caraterizar parte da nossa cultura, a inveja de quem prefere que os outros caiam do que o esforço de ter que chegar lá acima.
Mas regressando ao essencial: a estratégia e a cultura organizacional.
O caso do PSG demonstra que a estratégia não é apenas um documento, um plano ou um conjunto de objetivos que dura 24 horas. Estratégia é a capacidade de definir objetivo com uma mudança estrutural, criar uma identidade clara e garantir que essa identidade se espalha por toda a organização. Do presidente, do CEO à direção desportiva, até à equipa técnica. Da equipa técnica aos jogadores. Dos jogadores à cultura competitiva diária, que se pode resumir no comportamento do staff médico, técnico de equipamentos e por aí adiante.
Quando existe alinhamento entre visão, liderança, recrutamento (tão importante como quem se repulsa de dentro) e cultura organizacional, os resultados tornam-se uma consequência muito mais provável. Não porque o sucesso esteja garantido, isso no desporto acontece 0,1% na maioria das grandes competições, mas porque todas as peças do puzzle passam a trabalhar na mesma direção.
E talvez seja precisamente aí que reside o verdadeiro mistério da estratégia: não na sua definição, mas na rara capacidade de a executar com consistência (tão difícil) ao longo do tempo."

Risco ou oportunidade, o Benfica decide


"José António dos Santos pode ter trazido ao Clube um bom parceiro. Cabe à Direção converter esta possibilidade num negócio em que o Benfica sai a ganhar.

A entrada da Entrepreneur Equity Partners na Benfica SAD não deveria ser motivo de alarme. É uma oportunidade de reforçar o controlo do Clube, aumentar competências, acelerar projetos estruturais e aumentar receita. Isto dependerá menos do comprador e mais da capacidade negocial da direção do Sport Lisboa e Benfica.
Começando pelo mais importante, o Benfica não deve limitar-se a aprovar a venda integral da posição de José António dos Santos. Deve negociar a aquisição direta de 3,013% da SAD, exatamente o que lhe falta para passar dos atuais 63,65% para os dois terços do capital e dos direitos de voto. A 12 euros por ação, são cerca de 8,32 milhões de euros. É um baixo investimento para um elevado retorno.
Concluída esta aquisição, o novo investidor ficará com aproximadamente 13,37% da SAD. Continua a ser o maior acionista minoritário, o que lhe permitirá procurar representação no Conselho de Administração. Este resultado garante o melhor de dois mundos. O Benfica deixa de depender de um acionista minoritário em matérias que exijam maioria qualificada, como alterações estatutárias, e passa a contar com um parceiro que acrescenta valor. Entre os investidores associados ao veículo comprador encontra-se o fundador e CEO da Acrisure, grupo norte-americano de serviços financeiros, seguros e tecnologia, que já investiu em naming rights como o Acrisure Stadium, casa dos Pittsburgh Steelers, e a Acrisure Arena, na Califórnia.
Garantida a proteção institucional, devemos trabalhar com o novo parceiro. O grupo comprador traz experiência em domínios onde o Benfica enfrenta desafios, como financiamento e exploração de infraestruturas desportivas, hospitalidade, eventos e naming rights. Trocando por miúdos, é uma oportunidade de revisitar o Benfica District para o transformar num motor de crescimento do Clube.
A aprovação desta operação deveria acarretar dois compromissos.
Primeiro, um contrato de patrocínio que inclua os naming rights do Estádio da Luz por dez anos, preservando a sua identidade, num valor de referência de 10 milhões de euros por época.
Em segundo lugar, uma parceria para o financiamento, construção e operação do Benfica District, que contemple o rebaixamento do relvado para utilização de um palco retrátil e permita ter o maior palco de eventos em Portugal todo o ano. Um projeto como o Benfica District só faz sentido se maximizar receitas, melhorar a experiência e reforçar a nossa identidade.
As participações do possível novo acionista em clubes como o Bétis ou o Veneza devem ser analisadas com rigor, mas não dramatizadas. Os regulamentos da UEFA e da FIFA já estabelecem mecanismos de proteção competitiva, e a maioria qualificada do Clube fará o resto.
José António dos Santos pode ter trazido ao Clube um bom parceiro. Cabe à Direção converter esta possibilidade num negócio em que o Benfica sai a ganhar. As decisões importantes não se podem adiar. O futuro do Benfica também se joga nas salas de reuniões."

Quem controlará o futuro do Benfica amanhã?


"O debate em torno da venda da posição de José António dos Santos não deve centrar-se na possibilidade de o Benfica adquirir apenas mais 3% da SAD para atingir os dois terços do capital e dos direitos de voto.
Essa é uma visão curta e insuficiente para a dimensão dos desafios e oportunidades que o Clube enfrenta.
O verdadeiro objetivo estratégico deveria ser outro: recuperar a totalidade dos 16,38% atualmente em alienação e devolver ao Benfica a capacidade de decidir, sem condicionamentos, quem quer ter ao seu lado no futuro.
Comprar apenas 3% pode resolver uma questão estatutária ou de controlo imediato. Comprar os 16,38% resolve uma questão estrutural.
A diferença é enorme.
Mais ainda quando existe informação de que terá sido produzido um parecer jurídico recomendando o veto da operação. Se esse parecer existe e conclui pela necessidade de travar o negócio, então é fundamental perceber porque razão continua a existir pressão para viabilizar a entrada deste veículo na estrutura acionista da SAD.
A questão é simples: quem tem interesse em acelerar esta operação? E porquê?
O Benfica merece total transparência sobre um tema desta relevância.
Ao adquirir a posição integral, o Benfica ganha tempo, flexibilidade e poder negocial para construir uma estrutura acionista alinhada com os seus interesses de longo prazo. Em vez de ficar dependente de um investidor financeiro ou de uma SPV, cuja natureza será sempre maximizar o retorno do investimento, o Clube poderia selecionar parceiros estratégicos e institucionais que acrescentem valor efetivo ao seu projeto.
Uma SPV continuará sempre a ser uma SPV. Não é um parceiro estratégico. Não traz identidade benfiquista. Não garante alinhamento de longo prazo. E quando chegar o momento da saída, o seu objetivo será vender pelo maior valor possível, independentemente das consequências para a estabilidade acionista do Benfica.
O modelo a observar não é o de fundos oportunistas. É o do Bayern Munique.
O Bayern construiu uma estrutura acionista sólida, envolvendo parceiros industriais e institucionais de referência, alinhados com a sua visão estratégica e com o crescimento sustentável do clube. Empresas que não procuram apenas uma mais-valia financeira, mas que reforçam a marca, a competitividade e a projeção internacional da instituição.
Esse deveria ser o caminho do Benfica.
Por outro lado, a tentativa de justificar esta operação através de promessas associadas ao Benfica District merece particular prudência.
O Benfica District continua a apresentar mais perguntas do que respostas. O conceito representa um investimento de enorme dimensão, complexidade elevada e retornos que permanecem por demonstrar.
O risco é evidente: transformar um problema acionista numa oportunidade para ressuscitar um projeto cuja viabilidade económica continua longe de estar consensualizada.
Mais importante ainda, existe uma alternativa muito mais racional e com retorno muito mais previsível: a modernização do Estádio da Luz.
O estádio é já hoje um dos principais ativos do Benfica. Melhorar a experiência dos adeptos, renovar áreas premium e hospitality, aumentar a capacidade, aumentar receitas de matchday, reforçar a oferta comercial, atualizar infraestruturas tecnológicas, instalar piso e cobertura retrateis garantido multifuncionalidade e elevar os padrões de conforto e serviço são investimentos com impacto direto no valor do ativo e na capacidade de geração de receitas.
Ao contrário do Benfica District, que assenta em pressupostos ambiciosos e investimentos de elevado risco, a modernização do estádio representa uma estratégia de valorização patrimonial com retorno mais tangível, mais controlável e mais alinhado com as necessidades atuais do Clube.
O Benfica não precisa de embarcar em projetos megalómanos para crescer. Precisa de fortalecer os seus ativos fundamentais.
O foco deve estar na criação de valor sustentável e não em projetos que podem consumir centenas de milhões de euros, desviar recursos e aumentar o risco financeiro do Clube.
A discussão não deve ser sobre como garantir mais 3%.
Deve ser sobre como recuperar os 16,38%, reforçar a posição do Clube na SAD e construir, com serenidade e visão estratégica, uma base acionista de excelência, composta por parceiros verdadeiramente alinhados com os valores, a identidade e as ambições do Benfica.
Se existe um parecer jurídico que recomenda o veto da operação, então o caminho responsável é simples: suspender qualquer precipitação, esclarecer todas as dúvidas e defender os interesses do Benfica acima dos interesses de qualquer investidor externo.
Porque a questão central não é quem entra hoje. É quem controlará o futuro do Benfica amanhã."

Zero: Mercado - Besiktas não desiste de Pavlidis

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Real Madrid vai a votos: Florentino ou Riquelme?

Observador: E o Campeão é... - Seleção: O teste do Chile e os 150 milhões de Florentino

Obseravdor: Três Toques - Gastar fortunas em papel? A loucura dos cromos da Panini

Bola na Rede: Entrevista - Vítor Martins

Legends - Legacies #1

Zero: Entrevista - Tiago Sineiro

Atualidade benfiquista


"Esta edição da BNews é dedicada à atividade do Benfica nos últimos dias.

1. Contributos internacionais
Vários jogadores do Benfica em ação por seleções.

2. Transferência
Sidny passa a representar o Trabzonspor.

3. Nas finais
O Benfica está nas finais dos play-offs dos Campeonatos Nacionais de futsal e de hóquei em patins.
No hóquei, o apuramento foi obtido após a vitória no jogo 3 das meias-finais frente ao OC Barcelos (4-1). Em futsal, a qualificação foi conseguida com o triunfo no 2.º jogo das meias-finais ante o Leões Porto Salvo (4-3).

4. Outros resultados
Em andebol no feminino, vitória benfiquista, por 35-25, diante do Madeira SAD. Os Iniciados de futebol foram derrotados por 4-1 em Braga.

5. Agenda desportiva
No sábado, às 21h30, há o jogo 3 da final do Campeonato Nacional de futsal no feminino no Pavilhão Fidelidade entre Benfica e Nun'Álvares. Os Juvenis de futebol visitam o Rio Ave (11h00).
No domingo começa a final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol entre Benfica e FC Porto (na Luz às 16h00). Os Iniciados de futebol recebem o Belenenses às 11h00. Em andebol há as finais da Taça de Portugal em Alcobaça. No feminino, o Benfica defronta o CJ Almeida Garrett às 14h00. No masculino, o embate é com o Sporting às 19h30.

6. Título na formação
O Benfica é campeão nacional Sub-19 de futsal.

7. Protagonista
António Aguilar, um dos treinadores dos campeões nacionais de râguebi, é o entrevistado da semana.

8. Bom desempenho
Isaac Nader e Salomé Afonso destacaram-se na etapa de Roma da Liga Diamante de atletismo.

9. Treinos de captação
Em Vila Nova de Famalicão, no dia 4 de julho, para jovens futebolistas nascidos entre 2017 e 2021.

10. Reutilização em foco
O Sport Lisboa e Benfica, representado por Henrique Conceição, Head of Sustainability do Clube, marcou presença no Reuse Portugal Summit 2026.

11. Dia da criança
Este dia foi celebrado no relvado do Estádio da Luz, numa iniciativa conjunta do Sport Lisboa e Benfica e da Fundação Benfica.

12. Jornal O Benfica
A mais recente edição do jornal O Benfica já está disponível para download.

13. Casa Benfica Alpiarça
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 25.º aniversário."

O futebol real que nos liga


"A época terminou, o mercado de transferências volta a incendiar a imaginação e, com ele, renascem os sonhos de uma nova temporada desportiva. Esta, porém, tem um brilho diferente. Há um Campeonato do Mundo à espreita, desses que parecem distantes quando ainda estão longe, mas que de repente surgem no horizonte como se o tempo tivesse decidido acelerar sem pedir licença.
Parece que foi ontem o último Mundial, aquele em que a Argentina se sagrou campeã e Lionel Messi, enfim, fechou o círculo perfeito de uma carreira que já pertencia à eternidade. Mas, sem que quase déssemos conta, passaram quatro anos. Quatro anos de futebol, de mudanças, de promessas, de quedas e de renascimentos. O tempo no desporto, como na vida, não pede autorização. Apenas avança. Quem aproveitou, aproveitou.
Vivemos hoje num mundo estranho, em que a própria realidade parece por vezes negociável. Já não sabemos, tantas vezes, se o que vemos é acontecimento real ou obra da IA, se é registo ou criação, se é verdade ou apenas uma versão suficientemente convincente dela. A tecnologia, com a sua velocidade e ambição, aproximou-nos, mas também nos afastou muito da certeza.
Ainda assim, no meio dessa incerteza digital, o futebol permanece como uma das últimas linguagens verdadeiramente universais e reais. Um golo não precisa de tradução. Uma derrota não precisa de explicação. Uma vitória não precisa de poema. Um abraço após o apito final não exige legenda. Há ali uma verdade simples, quase primitiva, que resiste ao ruído do mundo moderno.
É por isso que, mais do que nunca, importa lembrar o essencial. O futebol vive de emoções genuínas. Da expectativa de um jovem que se consegue estrear na equipa principal, da nostalgia de quem se despede, da esperança que renasce a cada nova época, mesmo depois de todas as desilusões. É um ciclo eterno, mas nunca repetido da mesma forma.
E talvez seja isso que o torna tão humano. Num tempo em que muita coisa é editada ou artificialmente construída, o futebol continua a oferecer momentos que sentimos como reais sem necessidade de confirmação. Alegria, êxtase, frustração, surpresa, pertença. Tudo neste desporto é real e acontece sem guião.
O Mundial que se aproxima será mais um capítulo desta narrativa coletiva que atravessa fronteiras e gerações. E, independentemente dos resultados, ficará sempre a mesma certeza. Enquanto houver jogo, haverá emoção. E enquanto houver emoção, haverá algo profundamente real a ligar-nos uns aos outros."

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

SportTV: Entrevista - Dalot...

Rabona: Cape Verde: A Football Miracle in the Making?

LiveMode: Mundial #11 - James Rodríguez em Polémica e Alterações no Ranking FIFA

LiveMode: Aquece, vais entrar #2 - O Duelo dos Irmãos Doué Deu Que Falar

Observador: O escândalo que destruiu a seleção #4 - 'Portugal inteiro contra vocês'

SportTV: Mundial - Barisic...

A Verdade do Tadeia - O Mundial vai ao Bar #27 - O chilique de Ronaldo

Simples: Mundial - Grupo K

Mundial 2026: até quando pode uma seleção alterar a convocatória?


"Na passada terça-feira, a FIFA divulgou as listas finais dos jogadores convocados para o Campeonato do Mundo de 2026, um dos momentos mais aguardados no período que antecede a competição.
A elaboração destas listas constitui, invariavelmente, um exercício exigente. As equipas técnicas das seleções qualificadas trabalham intensamente nas semanas e meses que antecedem a prova, com vista à identificação do grupo de jogadores que oferece as melhores garantias de desempenho desportivo. Pese embora a convocatória tenda a ser encarada como uma decisão de natureza exclusivamente técnica, a verdade é que a mesma não se esgota numa escolha desportiva, encontrando-se sujeita a um rigoroso enquadramento jurídico consagrado nos regulamentos da FIFA.
No âmbito do processo de convocação, cada federação deve apresentar à FIFA, numa primeira fase, uma lista provisória composta por 35 a 55 jogadores, dos quais pelo menos quatro deverão ser guarda-redes. Esta lista assume natureza exclusivamente interna, não sendo divulgada pela FIFA. Posteriormente, e dentro do prazo fixado para o efeito em circular da FIFA, deve ser submetida a lista final, composta por 23 a 26 atletas - incluindo obrigatoriamente um mínimo de três guarda-redes - a qual apenas pode integrar jogadores previamente incluídos na lista provisória. É esta última que constitui a convocatória oficial para a competição.
É a partir da formalização desta lista final que a margem de atuação das federações se reduz significativamente. A regra é clara: apenas jogadores previamente incluídos na lista provisória podem substituir atletas da lista final, e apenas em situações de lesão grave ou doença grave que impeçam a sua participação na competição. Esta prerrogativa encontra-se, contudo, sujeita a um limite temporal estrito: a substituição apenas pode ocorrer até 24 horas antes do primeiro jogo da respetiva seleção e depende de validação médica, nos termos previstos nos regulamentos da FIFA.
Este regime não é arbitrário. Responde a uma lógica de estabilidade e previsibilidade, prevenindo alterações estratégicas de última hora suscetíveis de afetar a igualdade competitiva. A convocatória para um Campeonato do Mundo não configura um instrumento dinâmico, ajustável em função de circunstâncias supervenientes, mas uma lista fechada, sujeita a exceções estritamente delimitadas.
Existe, todavia, uma exceção relevante: a posição de guarda-redes. Os regulamentos da FIFA permitem a substituição de um guarda-redes em qualquer momento da competição, desde que baseada em lesão grave ou doença grave, mediante recurso a um jogador constante da lista provisória, ficando essa substituição condicionada à verificação dos requisitos médicos exigidos pela FIFA. A solução justifica-se pela especificidade funcional da posição e pelo risco de indisponibilidade simultânea de vários atletas nessa função, suscetível de comprometer o regular desenrolar da prova.
Permanece, ainda assim, uma tensão subjacente entre justiça material e segurança jurídica. Será legítimo impedir a substituição de um jogador impossibilitado por motivo de força maior? Ou deve prevalecer a necessidade de assegurar regras uniformes e previsíveis para todos os participantes?
A FIFA tem optado, de forma consistente, pela segunda solução, opção que se revela coerente com a natureza da competição. O Campeonato do Mundo constitui a mais relevante competição futebolística à escala global. A sua credibilidade depende não apenas da qualidade dos jogadores em campo, mas também da existência de um quadro normativo claro, previsível e uniformemente aplicável a todas as seleções.
Neste contexto, a rigidez do regime não configura um formalismo excessivo, mas antes a expressão de um princípio estruturante do Direito Desportivo: a integridade da competição. Num torneio desta dimensão, a justiça não se constrói por via de soluções casuísticas perante a adversidade, mas pela garantia de que as regras são iguais, claras e estáveis para todos os participantes, do primeiro ao último apito."

O apelo da carnificina que é o Isle of Man TT é real e muito difícil de explicar


"Todos os anos, dezenas de pilotos arriscam a vida nesta série de provas que invade as ruas e montanhas da Ilha de Man. A lista de fatalidades é longa. Para os milhares que assistem às corridas o fascínio é tão intenso como difícil de colocar em palavras. Eu ouso dizer que, por muita culpa que sinta, há muito mundo real naquelas corridas

Há dois eventos desportivos que me deixam com sentimentos ambivalentes quando lhes dou mais um ponto de audiência ou atenção porque, embora muito me entretenham, sinto que estou a contribuir para uma carnificina. Há uma espécie de culpa, lado a lado com o entusiasmo. Não, nem estou a falar de UFC que, meio hipocritamente, assumo, abomino. Falo de jogos de futebol americano, atividade que, sei eu, sabe toda a gente, nomeadamente a ciência e os próprios protagonistas, não faz propriamente bem à firmeza do cérebro.
E falo do Isle of Man TT.
O Isle of Man TT é uma série de corridas de motociclismo que todos os anos invade as estradas e ruas da Ilha de Man, ali entre a Irlanda e a Grã-Bretanha. A corrida tem várias particularidades, a mais tétrica de todas é que nenhuma outra competição desportiva terá uma tão longa página de Wikipedia com a lista de fatalidades. À hora a que escrevo este texto, são 271 vítimas mortais nas mais diversas provas daquele circuito que atravessa vilas, montanhas, lugares onde uma pessoa teria medo de andar a pé, quanto mais numa moto a 300 quilómetros por hora.
Quando reforço o “à hora a que escrevo este texto” é porque há ainda corridas a decorrer e essa lista aumenta sem dar recado. Em 2017 tive a oportunidade de visitar a ilha durante o TT e durante as horas que passei no paddock houve dois avisos de acidente, seguidos, minutos depois, do anúncio de mais uma vítima mortal. A reta que marca o início e o final do circuito é acompanhada pelos túmulos e jazigos do cemitério de Douglas, a capital desta comunidade autónoma. Vários dos pilotos que pereceram na prova estão ali sepultados. A edição de 2025 foi notícia porque não houve qualquer vítima mortal.
Ainda assim, todos os anos dezenas e dezenas de pilotos, muitos deles amadores, gente de classe trabalhadora que não podia estar mais longe dos Valentinos Rossis ou dos Marc Marquéz, apresenta-se para arriscar a vida naquelas mais de 200 curvas espalhadas por 60 quilómetros. E muitos mais milhares pegam nas suas motos e percorrem meia Europa, por estrada e ferry, para assistirem as corridas.
Lembro-me, nesse ano de 2017, de encontrar um grupo de portugueses e tentar perceber com eles, gente bem mais batida que eu, que nem sei andar de moto, o fascínio daquela corrida, a mais perigosa do mundo, um apelo que a mim própria já atingia, tanto quanto o frio gélido, daquele que viaja pelos ossos, que até em junho ali se faz sentir. Talvez tudo aquilo ser tão mundo real, tão pouco artificial, tão imprevisível e sem guião faça parte do apelo. Começa a faltar muito mundo real a outros desportos.
Nenhum me conseguiu dar uma explicação minimamente lógica, há coisas que são mesmo assim, vi-lhes apenas as tentativas, as frases sem terminar, o brilho nos olhos, o tom de quase incredulidade nas palavras de quem ainda parecia meio apalermado, no bom sentido, por aquela explosiva energia cinética de motos arriscando a morte e, demasiadas vezes, indo ao seu encontro. Aqueles pilotos não são muito diferentes de gladiadores e o namoro com o perigo é algo que continua a ser irresistível para muitos seres humanos.
Leio agora que Brad Pitt e Channing Tatum voaram este ano para a Ilha de Man, onde gravaram algumas cenas para um futuro filme sobre o TT, um bocadinho à imagem do que Pitt protagonizou e produziu sobre a Fórmula 1, que não é nenhuma Palma de Ouro de Cannes, mas não deixa de ser entretenimento competente. Mas o TT não é o ambiente controlado da Fórmula 1. Não se corre num circuito, mas sim no meio de povoações, entre vales e estradas que serpenteiam montanhas e fogem de escarpas. E no paddock não há roupa de estilistas e champanhe: há lama, um cheiro omnipresente a fritos que se mistura com fuligem, gente normal de galochas e impermeáveis.
Não sei até que ponto será possível colocar isto numa tela de cinema de forma honesta. E tratar da morte, que ali anda todos os dias de braço dado com os pilotos, sem carga dramática, mas sim com a contenção que lhe é devida, porque aquela gente sabe, abraça e já há muito racionalizou as probabilidades, demasiado altas, de, a cada prova, não voltar vivo."

Assembleia Geral


"De acordo com o artigo 32.º do regime jurídico das federações desportivas (RJFD), as federações desportivas devem contemplar na sua estrutura orgânica, pelo menos, os seguintes órgãos, mesmo que com outras denominações: a) Assembleia geral; b) Presidente; c) Direcção; d) Conselho fiscal; e) Conselho de disciplina; f) Conselho de justiça; g) Conselho de arbitragem.
Também nos termos do RJFD — concretamente do artigo 34.º — a assembleia geral (AG) é o órgão deliberativo da federação desportiva, cabendo-lhe, designadamente: a) A eleição ou destituição da mesa da AG; b) A eleição e a destituição dos titulares de alguns dos órgãos federativos; c) A aprovação do relatório, do balanço, do orçamento e dos documentos de prestação de contas; d) A aprovação e alteração dos estatutos; e) A ratificação dos regulamentos disciplinar e de arbitragem das ligas profissionais; f) A aprovação da proposta de extinção da federação; g) Quaisquer outras que não caibam na competência específica dos demais órgãos federativos.
Ora, precisamente na FPF, sábado, 6 de junho, irão realizar-se duas AG, uma ordinária, outra extraordinária, para duas das finalidades previstas na Lei: a aprovação do plano de atividades e orçamento e a ratificação dos regulamentos disciplinar e de arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Seja através da apreciação e aprovação dos instrumentos de gestão e planeamento da atividade federativa, seja pela ratificação de regulamentos fundamentais para o funcionamento das competições profissionais, estas deliberações refletem o papel central deste órgão na definição das orientações estratégicas, financeiras e regulamentares da federação, garantindo simultaneamente a observância dos princípios de democraticidade, transparência e legalidade."

Usbequistão: Odil Akhmedov, o homem do quase que já não protagonizou a história, mas que poderá ter tido um dedo nela


"Foi seis vezes o melhor jogador do Usbequistão mas também protagonista em algumas das maiores desilusões da seleção do país, que em 2014 e 2018 ficou a um pequeno passo da qualificação para o Mundial. A história chegou já com Odil, um médio versátil, taticamente inteligente, como dirigente da federação de um dos estreantes no Mundial 2026.

Há algo de paradoxal na carreira de Odil Akhmedov, uma das maiores estrelas do futebol do Usbequistão, seis vezes considerado o melhor jogador do país. Paradoxal ou injusto, dependendo das sensibilidades. Akhmedov, um médio completo, fisicamente resistente e taticamente sagaz, esteve presente nas maiores desilusões vividas pela seleção nacional usbeque. A equipa da nação da Ásia Central, membro da FIFA desde 1994 como país independente, bateu na trave em 2014 e 2018, depois de outro falhanço épico em 2006, um par de anos antes da estreia de Akhmedov. E mal o médio se retirou, o Usbequistão conseguiu chegar à ansiada estreia em Campeonatos do Mundo.
Diga-se que é possível que Akhmedov, que cometeu a proeza de ser considerado o melhor jogador da temporada no Anzhi, da Rússia, quando Samuel Eto’o e Roberto Carlos faziam parte da equipa, tenha um dedo neste sucesso, já que mal deixou os relvados assumiu outro posto de responsabilidade, depois de arrumar a braçadeira de capitão: o de vice-presidente de uma federação que não se coibiu de criticar na hora do adeus. Mas já lá vamos.
Odil Akhmedov é fruto da escola do Pakhtakor FC, da capital Tashkent, o mais bem-sucedido clube do Usbequistão. Ali se estreou profissionalmente aos 18 anos e conquistou dois campeonatos antes de se mudar para o na altura muito endinheirado Anzhi. Um suposto interesse do Arsenal, confirmado pelo próprio Akhmedov, que via esse namoro como “uma vitória para todo o futebol usbeque”, não chegou a materializar-se.

Os traumas usbeques
Akhmedov seria campeão da China pelo Shanghai SIPG, em 2018, com Vítor Pereira no banco, mas o sucesso que ia vivendo nos clubes não encontrava paralelo na seleção, onde era líder e capitão.
O trauma vinha já de trás, antes do seu tempo: na 1ª mão do play-off final da fase de qualificação asiática para o Mundial 2006, frente ao Bahrain, o Usbequistão ganhava já por 1-0 quando teve direito a um penálti. Server Djeparov, outro histórico, fez o 2-0, mas o árbitro japonês do encontro vislumbrou jogadores usbeques a entrarem na área e anulou o golo. Pelas regras, o Usbequistão deveria repetir o penálti, mas o juiz da partida, de forma bizarra, marcou livre para o Bahrain.
O Usbequistão pediu que lhe fosse atribuída a vitória por 3-0, mas a FIFA decidiu que o jogo deveria ser repetido. E o Bahrain acabou por passar ao derradeiro play-off internacional com um empate 1-1 em Tashkent e um nulo em casa. Akhmedov terá sido um dos jovens a chorar em casa perante tamanho azar.
Esta foi a desilusão número 1. A desilusão número 2 aconteceu na qualificação para o Mundial 2014, já com Akhmedov em destaque na equipa. Aí, o Usbequistão falhou a presença direta no Brasil por causa de um singelo golo: na última jornada bateu o Catar por 5-1, mas faltou-lhe mais um para ficar à frente da Coreia do Sul no grupo.
E ainda há a desilusão número 3. Na qualificação para o Mundial 2018 bastava uma vitória na última jornada da qualificação para chegar à Rússia. Mas, frente à Coreia do Sul (de novo a Coreia do Sul), o Usbequistão não saiu do nulo. A desilusão número 4 foi menos dramática, já que a antiga república soviética ficou longe do Mundial do Catar. E aí Akhmedov assumiu as responsabilidades, deixou a seleção e fez um raio-x, talvez decisivo para que, agora sem ele - mas talvez com ele -, o Usbequistão tenha garantido uma presença inédita no Campeonato do Mundo.
No adeus, em junho de 2021, Akhmedov deixou frases fortes: “O futebol não pode ser enganado. Se não mudarmos hoje, daqui a quatro anos vamos estar aqui a pedir perdão. Se os interesses do futebol não estiverem acima de todos, não vamos ter resultados”, começou por dizer, sublinhando a dificuldade do país em formar jogadores e a falta de “fundações”.

Estratégia que resultou
Certo é que já com Odil Akhmedov na vice-presidência da federação surgiram os primeiros resultados de um investimento estatal em infraestruturas, nomeadamente com a construção de relvados por todo o país e a renovação de 15 mil campos em escolas, refere a “Reuters“.
O Usbequistão, nação de 35 milhões de pessoas, com uma demografia imberbe, fomentou ainda uma rede de escolas dedicadas ao futebol, apoiando cerca de 65 mil jovens futebolistas, numa estratégia a longo prazo que está a ter efeitos imediatos: a equipa olímpica qualificou-se para Paris 2024, a sénior para o Mundial 2026 e um jogador usbeque chegou pela primeira vez à Premier League: Abdukodir Khusanov, do Manchester City.
Não foi em campo, mas Odil Akhmedov, hoje com 38 anos, conseguiu mesmo travar o ciclo de desilusões do seu país, a primeira nação da Ásia Central a jogar um Mundial. Quatro anos depois, não houve pedidos de desculpas, tentativas de explicar as desventuras, mas sim um momento histórico que não viveu como jogador, mas sim como dirigente."