Últimas indefectivações

sábado, 4 de julho de 2026

Dia 5

BI: Lenglet...

Um VAR para os donos do VAR


"A polémica entre Duarte Gomes e Luciano Gonçalves mostra que Pedro Proença não está a conseguir reforçar a defesa da arbitragem, ao contrário do que seria de esperar

Ainda sou do tempo em que era preciso esperar pelo início da época para assistir a casos de arbitragem. Agora até a época do caracol convida a tais polémicas, ainda que o foco não esteja propriamente nos homens do apito, pelo menos aqueles que estão ainda no ativo, mas sim em quem os lidera(va).
A demissão do Diretor Técnico, Duarte Gomes, resultante de desavença séria - ao fim de pouco mais de um ano - com Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, deixa evidente que o setor, eterno parente pobre do futebol português, não está com as defesas reforçadas, ao contrário do que seria de esperar, tendo em conta que a representação na estrutura federativa nunca foi tão vincada, desde logo na figura do presidente. 
Mesmo com os jornalistas ali à mão, entre Palm Beach e Toronto, Pedro Proença não teve reação firme e imediata ao caso, mas nem sempre podemos esperar pelos momentos oportunos para dizermos aquilo que queremos, e como queremos. O silêncio não é a melhor forma de afastar a ideia de que os árbitros, por vezes tão corporativistas, podem ser os maiores inimigos de si próprios.
Forte abalo para a liderança de Proença, o caso é também outro abre-olhos para todos aqueles que ainda depositaram fé numa nova geração de dirigentes recrutada no terreno de jogo. Se Rui Costa, André Villas-Boas e Frederico Varandas têm desapontado no relacionamento institucional, agora constatamos que nem os (ex-)árbitros confiam uns nos outros.
Por mais ferramentas que sejam introduzidas, no futebol e no desporto em geral, a reputação da arbitragem será sempre proporcional à integridade e idoneidade daqueles que a representam, dentro de campo ou fora dele.
Os erros fazem parte do jogo, e a suspeita será impossível de erradicar, mas a margem para duvidar da intenção tem de ser mantida num patamar mínimo.
Se a desconfiança vem dos principais responsáveis do setor, entre si, então como podem os árbitros sentir que estão protegidos?
Perante tudo isto, qualquer dia teremos clubes a pedir acesso aos áudios e vídeos das reuniões que os rivais tiveram na Cidade do Futebol, seja com o Conselho de Arbitragem ou com outros responsáveis federativos.
Muito mal estaremos quando for preciso implementar o VAR para controlar precisamente aqueles que são donos do VAR."

Babalu anda a tomar drogas?!!

Papagaios...

Limpeza...

A voz do dono...!!!

Entrevista Paulo Almeida...

Zero: Mercado - Benfica atrás de extremos chileno

BF: Osório...

5 Minutos: Diário

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Portugal sofreu, mas venceu

Observador: E o Campeão é... - A bola tem chip, o Ramos tem golo e o "Ruca" tem sorte

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca . Mundial #17

Zero: Negócio Mistério - S06E12 - Ahn

DAZN: Diogo Jota: O Trajeto e a História | Premier League Stories

Zero: Afunda - S06E51 - Lebron, Brown, Morant etc: os dias loucos

SportTV: NBA - S04E39 - Neemias renova com os Celtics por 4 anos

Prossegue a preparação


"A pré-época futebolística e o Congresso das Casas em destaque na BNews.

1. Lenglet integrado
Continuam os trabalhos de pré-época do plantel às ordens de Marco Silva, o qual já conta com o internacional francês Lenglet.

2. Mundial 2026
Siga, no Site Oficial, o desempenho dos futebolistas do Benfica e todos os resultados e marcadores.

3. Congresso das Casas
Em entrevista à BTV, Domingos Almeida Lima, vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica, explicou como vai decorrer o 4.º Congresso das Casas Benfica, que se realizará nos dias 3 e 4 de julho no Estádio da Luz.

4. Tridecacampeonato em análise
Paulo Almeida, treinador da equipa feminina de hóquei em patins do Benfica, fala sobre o 13.º título nacional consecutivo em entrevista à BTV.

5. Movimentações do defeso
Foram anunciadas as saídas do hoquista Lucas Ordoñez e dos basquetebolistas Koby McEwen e Temidayo Yussuf."

A época desportiva


"No passado dia 30 de junho terminou mais uma época desportiva, para a maioria dos desportos organizados em Portugal. Mas, afinal, o que é a 'época desportiva'? Podemos encontrar uma definição no Regime Jurídico do Contrato de Trabalho do Praticante Desportivo (Lei n.º 54/2017, de 14.07), concretamente no n.º 6 do artigo 9.º que refere que «Entende-se por época desportiva o período de tempo, nunca superior a 12 meses, durante o qual decorre a atividade desportiva, a fixar para cada modalidade pela respetiva federação dotada de utilidade pública desportiva».
Com efeito, cada federação desportiva tem liberdade — condicionada ou não pelas respetivas federações internacionais — para determinar o início e fim de cada época desportiva. Tipicamente, a mudança de época, na maioria das federações, ocorre no período do verão. Por exemplo, no futebol e futsal a época desportiva termina a 30 de junho e a seguinte inicia-se a 1 de julho, enquanto no futebol de praia a época tem um período distinto, em virtude das especiais características das competições dessa variante.
Contudo, o fim e início de uma época tem consequências para além das desportivas. Por exemplo, os seguros obrigatórios para a prática desportiva federada têm por referência o período de uma época desportiva, estando diretamente ligada aos próprios registos e inscrições dos atletas, assim como os contratos que jogadores e treinadores celebram com os seus respetivos clubes — sendo a regra a de que o contrato de trabalho desportivo não pode ter duração inferior a uma época desportiva nem superior a cinco épocas.
Também o Regime Jurídico das Federações Desportivas se refere a este conceito quando menciona, no artigo 34.º, n.º 4, que «A aprovação de alterações a qualquer regulamento federativo só pode produzir efeitos a partir do início da época desportiva seguinte, salvo quando decorrer de imposição legal, judicial ou administrativa»."

O perigo da dependência na motivação externa


"Há uma realidade no futebol moderno que me preocupa. Equipas que só despertam quando estão a perder, jogadores que apenas aumentam a intensidade quando sentem o resultado em risco. Como se a frustração fosse o gatilho para competir.
Este Mundial volta a mostrar-nos isso. Bélgica, Inglaterra e outras seleções revelaram momentos em que a urgência do resultado libertou uma versão mais intensa das suas equipas.
A pergunta é inevitável. Porque não competir assim desde o primeiro minuto?
Enquanto treinador, esta é uma reflexão que me acompanha há muitos anos. A psicologia distingue a motivação extrínseca da motivação intrínseca.
A primeira depende do exterior: do resultado, das críticas, dos elogios, dos prémios ou do medo de perder.
A segunda nasce do interior: do compromisso, do orgulho, da responsabilidade e da vontade permanente de melhorar. É esta que procuro desenvolver.
Um jogador que representa a sua seleção nacional não pode depender de estímulos externos para competir. O privilégio de vestir a camisola do seu país deveria ser, por si só, uma fonte inesgotável de motivação.
Competir por Portugal, pela Nigéria ou por qualquer outra seleção é um dos maiores reconhecimentos que um jogador pode alcançar. Quem chega a esse nível não pode esperar pelo sofrimento para encontrar energia.
No alto rendimento, a excelência não pode depender das circunstâncias. Tem de depender da identidade.Da disciplina. Do compromisso com a equipa. Da exigência consigo próprio.
A motivação externa pode iniciar um comportamento. Mas raramente o sustenta. É a motivação intrínseca que permite manter a concentração quando tudo corre bem e continuar a trabalhar quando ninguém está a olhar. Por isso acredito que uma das maiores responsabilidades de uma equipa técnica não é fazer grandes discursos antes dos jogos.
É construir uma cultura onde cada treino tenha significado, cada tarefa tenha intenção e cada jogador compreenda profundamente porque faz aquilo que faz. Porque, no final, a verdadeira liderança não cria dependência. Cria autonomia.
Afinal, o treinador não existe para motivar permanentemente. Existe para ajudar o jogador a construir uma motivação que sobreviva à sua ausência."

Os dois pés numa galera — a contra-crónica dum alternativo Portugal-Croácia


"Nota: este artigo mantém a forma original com que foi publicado na edição impressa do jornal A BOLA. Foi escrito antes de o jogo se realizar.

Quando este texto lhe chegar às mãos, o caro leitor saberá muito mais do que eu possa sequer ter conhecimento quando pressiono à vez cada letra deste teclado. Sabe o resultado, se Portugal passou ou não aos benditos oitavos, se sim como o conseguiu ou, se não, como foi capaz de falhar rotundamente no jogo e nos seus objetivos. Como foi capaz estragar alguns momentos da nossa vida, enquanto os amaldiçoamos por terem gasto o nosso investimento sobretudo emocional, e terem ido passar férias, sem brio ou um pingo de atitude, em vez de deixarem a pele em campo.
Tem argumentos, o leitor, numa escala só sua, para acreditar que se fez ou não uma boa exibição, e ainda se lembra de quem marcou os golos ou de quem teve culpa, se houve, nos sofridos. Aquele que, se não fosse ele, nada feito ou o que dormia em pé, qual burguês novo-rico, que engoliu há muito, não resistindo à gula, a fome de vencer. E, mesmo assim, esta é uma contra-crónica do jogo que poderia ter sido.
O pouco que sei é que o mais provável é que, madrugada dentro cá, noite cerrada em Toronto, se misture canícula com água quente a jorrar de alguma piscina sem manutenção no Olimpo. Troveje e se jogue ao pára-arranca como nos acessos às grandes cidades nas horas de ponta. Se eventualmente correu mal, amigos, então aí há forte probabilidade de a tempestade ganhar para a história o nome de Roberto. Com toda a justiça, reconheça-se. Ele veio mesmo para deixar marca.
Portugal é muito melhor do que esta envelhecida Croácia e, desta vez, os jogadores deixaram-se possuir por aquela arrogância positiva que o técnico desdenhava nas palavras e nos atos. Primeiro, porque se a Seleção estiver envelhecida é porque assim quer, porque não fez a transição a tempo de uma nova geração começar a lidar de forma natural com a responsabilidade e a dimensão que o nosso futebol já possui. Todavia, há muito mais talento individual, ainda que isso não queira dizer tudo, como bem sabemos.
É uma Croácia a esticar, para lá do seu limite elástico, o fim de ciclo, sobretudo em Modric e Perisic. Não pressiona alto. Não ataca em bloco. É frágil no jogo interior com bola, deixa espaço nas entrelinhas sem esta e desmonta-se em quadradinhos na transição defensiva. Corro o risco de acharem que me alimento a sarcasmo, porém acredito que qualquer treinador que viesse para esta partida iria trazer um plano. E que a maior parte, em tese, iria levar a melhor. Os que são amigos de si próprios acredito que escolham a equipa que os deixe mais próximos da vitória.
Tenho a certeza de que Don Roberto teve a sua epifania e imagino-o com as mãos na cabeça de um ajoelhado Cristiano, esse sim de queixo apoiado para não descair mais e a olhar no vazio, como uma criança a quem acabaram de roubar a bola e a atiraram para o telhado para o impedir de brincar. O treinador a tentar fazer com que compreenda, a desfazer-se em desculpas, entre meio-sotaque e meios-sorrisos, lutando contra a birra: «Ele defende melhor, pressiona mais, depois entras quando todos estiverem cansados e vais que ainda marcas um golinho ou dois. É melhor para o teu recorde. No pasa nada! Olha, o Messi… Pronto, pronto, esquece lá o Messi!»
O Rei de Copas levanta-se, abana a cabeça e repete para si próprio e para o quem quer ouvir, até para uma traça gigante, bem familiar, ao longe. «Assim não vamos lá!» Mas já poucos o ouvem. Nem Gonçalo Ramos, que talvez pense já no papel do ponta de lança no 3x4x3.
Atrás de Vitinha, alguém perde a vergonha e questiona. «Jogo eu, mister, certo?» Bernardo olha para o João Neves e faz o reparo. «E eu também! Vens Félix ou ainda estás a pensar no Simeone? Só precisamos de mais um e que o Ramos acorde. Neto, tu não és só bonito, é para jogar bonito! Se não, está aí o Trincão! Vamos, Bruno! Encontraste o tom? Glory, glory, ManUnited… Mister?»
«Ãh… Sim, claro, era o que tinha pensado. Tenho só aqui dez vídeos para mostrar sobre como travar o Baturina e… Onde é que vão todos?» «Não se preocupe, ele é que tem de nos travar a nós!» Isso, garanto, já não percebi quem disse. Mas as paredes tremeram com o grito de guerra. Os adeptos pensaram talvez que tinha sido outro raio.
Portugal pressionou desde o início com 11 jogadores e o bloco baixo croata sofreu muito. Sutalo e Pongracic só conseguiam bater longo. A Modric nunca deixaram a bola descoberta. Kovacic teve de recuar para ajudar, mas é mais homem para levar a bola do que para organizar. Vitinha é tão bom rapaz que ainda pensou de trocar de camisola para que o ídolo não se afundasse com os companheiros, na sua última dança. João Félix teve o espaço que muitos lhe negam e meteu Livakovic desde cedo em trabalhos. Ramos não finalizou com a certeza de Ronaldo, mas agarrou-se à sua força de vontade, moralizou-se a si próprio desde o ponto a que o deixaram cair e deu sempre mais um pouco na jogada seguinte. Foi sempre um apoio, um exemplo e os colegas também estiveram lá para ele. Bruno Fernandes caiu muitas vezes nos metros quadrados que libertava a cada sprint que fazia.
Com um colete de forças a esmagar-lhe o tronco, a Croácia não conseguiu sequer respirar para poder atacar. E quando o resultado ficou seguro, havia gente para controlar a bola. Com Bernardo perto de Vitinha e de Neves, com Bruno a ler nos companheiros o ritmo certo e a juntar-se ao festim, e Félix a segurar a bola de costas para a baliza ou a desequilibrar com um toque. Gonçalo a segurar mais à frente. Guedes a entrar para mudar o registo. Tal como Trincão ou Francisco. Com Leão pronto a morder e a ferir de morte com as suas arrancadas. E Ronaldo, agora sim, disponível para, com a música certa, ter uma dos seus últimos bailes.
Não sei se é bom augúrio ou não, mas chega agora um carro, de vidros abertos por causa do calor, com a música no máximo. Ai, Portugal, Portugal, de que é que estás à espera? Tens um pé numa galera e outro no fundo do mar! O onze já saiu, mas nem preciso olhar. Eu já vi tudo e tenho a certeza de que é este. E, por isso, lá vamos nós defrontar a Espanha nos oitavos de final."

A 'Roja' está cada vez mais viva (e Pedri joga tanto!)


"Pedri joga tanto! E esta Espanha, que não sofre golos, e que, mesmo com apenas uma asa — Lamine Yamal recuperou, Nico Williams lesionou-se novamente e é Álex Baena, um 10 encostado à esquerda, quem abre depois caminho às arrancadas do lateral Cucurella — parece conseguir encontrar sempre o caminho da baliza contrária. Mais uma vez, também com um falso 9: Oyarzabal. E quanto mais se avança no torneio, mais a equipa de Luis de la Fuente ganha força dentro de campo e no estatuto de candidata à vitória final.
Volto a Pedri, que joga enormidades e é o coração mais generoso. O seu futebol tem ligação e continuidade depois, não só em Baena e em Oyarzabal, mas também em Dani Olmo. O médio ofensivo, esse sim com o 10 nas costas, tirou o 'bilhete' que o obriga, jogo após jogo, a ter de provar que deve ser titular, tanto no Barcelona como na 'Roja'. Essa luta junta-se a um percurso difícil: saiu dos sub-16 para a segunda equipa do Dínamo Zagreb e voltou dez anos mais tarde, já depois de ter despontado nos alemães do Leipzig, a troco de mais de 60 milhões de euros.
Ele é fundamental nos desequilíbrios que a Espanha cria a partir do corredor interior, reforçado obviamente com um ex-Bola de Ouro a tentar voltar aos grandes momentos, como é Rodri.
A 'Roja' demonstra, novamente, que não é preciso ter jogadores mais posicionais para se construir um bom ataque posicional, que obviamente é indissociável do seu ADN. Ainda que Pedri jogue tanto (!), Rodri seja um fortíssimo alicerce e Baena se junte a Olmo por dentro, é ainda na frente, na capacidade de Oyarzabal em ler o espaço e o momento, que depois o conjunto desfere os seus golpes. O capitão da Real Sociedad diz sempre presente."

Os limites dos limites


"O Mundial de 2026 representa mais do que uma simples mudança do formato competitivo. Com mais seleções, mais jogos, mais dias de competição e disputado em diferentes contextos competitivos, deixou de ser apenas um evento importante para se tornar uma extensão da lógica de funcionamento e rendimento dos clubes, com os principais atores sujeitos a mais jogos, mais treinos e cada vez menos tempo de paragem, nem que seja apenas para não fazer nada.
A Seleção Nacional, tal como era conhecida, onde os jogadores se encontravam de tempos a tempos, concentrada e dependente de curtos períodos de preparação, mudou para um modelo quase contínuo de gestão do rendimento, partilhado com os clubes.
Hoje, as seleções não se limitam a convocar jogadores para os jogos. Passam elas próprias a gerir atletas ao longo de ciclos prolongados, monitorizam cargas, antecipam fadiga, gerem orçamentos elevados, recursos humanos e planeiam microciclos com base em informação contínua. E, fruto das obrigações e dos objetivos que têm, que não são apenas desportivos, qualquer federação pretende ter sempre os seus melhores jogadores disponíveis, mesmo para encontros de reduzida importância competitiva.
Para se ter uma ideia, existem 15 jogadores do Paris Saint-Germain que estão em competição praticamente ininterrupta desde o Campeonato do Mundo de Clubes disputado nos Estados Unidos, em 2025. Jogaram a final frente ao Chelsea e, poucos dias depois, já preparavam a Supertaça Europeia. Dos 16 jogadores do PSG convocados para este Campeonato do Mundo de 2026, 15 já tinham estado ao serviço do clube francês nessa competição, um ano antes. Do lado do Chelsea, são 10 os jogadores presentes neste Mundial, com a vantagem de não terem disputado a Supertaça Europeia a 13 de agosto, embora tenham iniciado a Premier League apenas poucos dias depois.
Este Mundial, realizado em três países e em condições climatéricas muito diferentes, surge num contexto de saturação física sem precedentes. As temporadas dos clubes são mais longas, os calendários internacionais mais densos e a introdução de novas competições, como o Mundial de Clubes expandido, acrescentou mais uma camada de desgaste.
O futebol é uma das modalidades coletivas mais exigentes do ponto de vista fisiológico. A duração dos jogos, a intensidade das ações, as distâncias percorridas, a exigência física, o risco de lesão e a sucessão de competições fazem com que os atletas terminem cada época acumulando níveis de fadiga cada vez mais elevados.
Os clubes procuram responder a este desafio através de plantéis mais profundos e com maior qualidade, naturalmente, aqueles que o conseguem suportar financeiramente. Já as federações olham com preocupação e pouca tolerância para a indisponibilidade de alguns atletas ou para a resistência dos clubes em libertarem jogadores para jogos considerados menos relevantes, uma vez que também dependem das receitas provenientes dos direitos comerciais, da publicidade, do marketing e da organização de jogos. E no final do dia, o recurso mais valioso continua a ser o mesmo, o atleta e a sua disponibilidade física e mental.
É verdade que as federações evoluíram para organizações profissionalizadas, com departamentos técnicos especializados, unidades de performance, equipas médicas, analistas e estruturas comparáveis às dos melhores clubes. Também elas enfrentam desafios semelhantes aos dos clubes, desde o planeamento estratégico à cultura organizacional, passando pela gestão de processos e de recursos humanos. No fundo, vivem igualmente da capacidade e necessidade de produzir resultados desportivos.
Neste cenário, a performance neste Mundial deixou de depender apenas da qualidade técnica ou tática. A gestão da carga tornou-se um fator competitivo. Este Mundial é uma prova de talento, mas também, uma prova na capacidade de gerir pessoas, recuperação e rendimento ao longo de vários dias. As equipas que conseguirem preservar melhor os seus atletas estarão claramente em vantagem.
A evolução das seleções não pode, por isso, ser separada da transformação das federações. O sucesso vai depender das estruturas, do planeamento estratégico e dos departamentos especializados na performance, em que as áreas do marketing, comunicação e desenvolvimento vão a reboque.
Também nas seleções, o talento isolado deixou de ser suficiente para garantir rendimento sustentado. No limite, o Campeonato do Mundo de 2026 não será conquistado apenas pelos melhores jogadores. Tal como acontece nos clubes, será conquistado pelas estruturas mais preparadas, capazes de transformar um calendário extremo num sistema competitivo eficiente, resiliente e sustentável.
No meio disto, há uma ideia forte e que tem de ser alvo da maior preocupação e foco de todos: a densidade competitiva. Com menos dias entre jogos, menos semanas de férias, viagens constantes, alterações constantes de fuso horário, diferentes temperaturas e humidades, menos tempo para treinar, mais tempo necessário para a recuperação e maior exigência mental pela pressão permanente.
Isto vai aproximar o futebol de modalidades como a NBA ou a Fórmula 1, onde a gestão do calendário é uma vantagem competitiva. O futebol está a aproximar-se do limite da capacidade biológica dos atletas. Já não se trata de saber quantos jogos conseguem fazer, trata-se de perceber qual o rendimento que conseguem manter quando praticamente deixam de existir períodos reais de recuperação. É uma perspetiva mais diferenciadora e sustentada do ponto de vista científico do que a simples contagem de jogos."

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Ranking!

Incrível a quantidade de pessoas que aparentemente preferiam o 'erro humano'!!!

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