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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Benfica até ao fim


"1. Jonas esteve na Luz e foi junto ao relvado onde fez coisas mirabolantes que falou para a BTV. “Aqui é a minha casa. Amo este clube. Tomara que o Benfica faça um grande jogo e vença”, disse o extraordinário avançado brasileiro que participou – e de que maneira – em 4 títulos de campeão nacional para o historial do nosso clube.

2. Do nosso clube e do clube dele porque Jonas nunca escondeu a marca que o Benfica nele deixou. “É uma ligação muito forte. Foram os anos mais incríveis da minha vida e vou levar sempre o Benfica no meu coração”, disse na entrevista conduzida por João Martins para o canal de televisão do Benfica.

3. Lamentavelmente não se concretizaram os votos de Jonas para o jogo com o Sporting de Braga que se seguiria dali a momentos e que foi o último jogo realizado na Luz nesta temporada, que começou bem com a conquista da Supertaça ainda no verão e que, daí em diante, se saldou por um acumular de desilusões.

4. Na segunda-feira, com Jonas a assistir – Jonas que marcou 137 golos em 183 jogos com a nossa camisola –, o Benfica não venceu o jogo e somou o seu 6.º empate em casa para a Liga. Voltemos ao brasileiro que chegou ao Benfica a 12 de setembro de 2014 dispensado pelo Valência a custo zero. “Aqui é a minha casa”, foi o que começou por dizer, tocando no coração dos benfiquistas.

5. Falou bem Jonas. A Luz é a casa dele e é a casa de todos os benfiquistas. É a casa onde nos sentimos bem e onde a equipa de futebol se sente bem. Se a equipa de futebol não se sente bem a jogar “em casa” é porque temos um problema. Os 12 pontos perdidos neste ano na Luz são muito eloquentes e alertam para uma questão real que tem de ser resolvida. O Benfica não pode perder campeonatos com os pontos desperdiçados na Luz como aconteceu nesta temporada e em temporadas anteriores.

6. A Luz foi o Inferno da Luz durante décadas a fio. As equipas adversárias temiam só a ideia de entrar em campo. Há muitos relatos sobre este tema feitos por muitos jogadores que nos visitaram. Atualmente não é bem assim que as coisas se passam. O Estádio da Luz não pode ser o Inferno da Luz para o Benfica. Tem de ser o Inferno da Luz para os outros.

7. Empatando com o Sporting de Braga, o Benfica deixou de ser dono do seu destino na luta pelo 2.º lugar e pelo acesso à Liga dos Campeões. Depois do empate em Famalicão, o treinador do Benfica disse que só um milagre permitiria chegar a essa posição. Falta agora uma jornada para o fim da prova e veremos o que acontece em Alvalade e no Estoril no sábado. Se não houver milagre, que haja Benfica até ao fim."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Fartinho disto


"Estou farto de árbitros e arbitragens no futebol português. Não foi preciso a época chegar ao fim e os objetivos do SL Benfica não terem sido alcançados para vir falar no tema e chamar os ditos pelos nomes. Não estive sentadinho à espera das contas finais para poder dizer o que penso sobre o papel decisivo dos árbitros na classificação geral. Estava na cara desde os primeiros jogos da temporada, no verão passado. E nas épocas anteriores, se quisermos ser intelectualmente honestos. A nossa equipa falhou em momentos decisivos, com desperdícios inacreditáveis em frente à baliza ou erros defensivos e táticos que resultaram em golos dos adversários, mas isso faz parte do desporto, de qualquer modalidade. Apesar da azia desses momentos, consigo entender que tudo pode acontecer na alta competição. O que não pode ser decisivo é o papel que as terceiras equipas tiveram, têm e vão continuar a ter nos resultados.
Na noite da passada segunda-feira, só ficou surpreendido quem acordou recentemente de algum coma induzido. Em caso de dúvida, os “profissionais” do apito conseguiram sempre encontrar uma artimanha para anular golos, puxar a régua para foras de jogo milimétricos, interromper jogadas para os lances não se inserirem no protocolo do VAR ou decidir por pontapés de baliza em vez de cantos. São os truques dos artistas para quebrar dinâmicas, inclinar campos, enervar equipas e mudar o sentido dos jogos. Foi desta forma que o Glorioso se viu atirado para o terceiro lugar da classificação e quem disser o contrário está a filtrar a realidade.
Tão chocante como esta postura incompetente dos árbitros é ver benfiquistas a virar o foco das críticas apenas para jogadores, treinadores e dirigentes do Clube. E até para com os benfiquistas que escolheram nas urnas os destinos do Clube. Sim, muitos erros foram cometidos: nas contratações, nas vendas, nas tomadas de posição públicas ou nas decisões institucionais (como o silêncio ou apoio tímido na corrida às presidências da Federação e da Liga), mas isso apaga todo o mal que foi feito à equipa principal de futebol? Não. Os pontos que fizeram a diferença na tabela são explicados com erros cirúrgicos de arbitragem. Basta ver a diferença de critérios das decisões de grandes penalidades, mas tudo isso parece ser esquecido em prol de ódios pessoais. Lamento essa postura, tal como lamento os erros próprios em momentos-chave. A diferença é que uns são propositados e os outros fazem parte do desporto."

Ricardo Santos, in O Benfica

Até ao fim


"Em futebol não há impossíveis. E ao Benfica cabe lutar até ao último segundo, do último jogo, pelo único objectivo que lhe resta – e que dois empates sucessivos deixaram em mãos de terceiros.
O jogo com o Braga foi um retrato fiel do Campeonato. Terminou com um empate, e foram os empates que afastaram a equipa da luta pelo título. Muitos deles, como este, permitidos depois de estarmos a vencer. Muitos deles, como este, fruto de uma preocupante ineficácia diante da baliza adversária. Muitos deles, como este, cedendo golos difíceis de tolerar. Muitos deles, como este, com dedo da arbitragem.
A frustração do adepto dispara agora em todas as direcções. É assim o futebol – ora nos apaixona e faz vibrar de euforia, ora nos deprime e revolta, quando os resultados não são os que desejamos.
Toda a época carece de uma profunda reflexão interna. Houve erros próprios, e fingir que não aconteceram não ajudará o Benfica a encontrar as soluções. Mas as coisas não são a preto e branco, e há demasiadas zonas cinzentas a contribuir para a situação a que chegámos.
A pré-temporada foi atípica, e entre Mundial de Clubes e pré-eliminatórias europeias quase não houve férias. Mudou-se de treinador. Saíram jogadores importantes. Mas nem factores internos ou de contexto podem iludir o que foi a arbitragem ao longo desta época – na sequência, aliás, do que já vinha a acontecer na anterior.
A arbitragem portuguesa bateu no fundo. O próprio VAR transformou-se num instrumento de manipulação, fruto de um protocolo em que o único critério parece ser prejudicar o Benfica. E isto não pode continuar.
Omitir a influência que as arbitragens tiveram nas competições não é justo, e também distorce qualquer análise objectiva que possamos fazer. Talvez o título tenha sido perdido apenas pelo Benfica. O 2.º lugar, não."

Luís Fialho, in O Benfica

Uma bola do tamanho do mundo


"Uma bola tem a forma e o tamanho do mundo. Não parece, porque é pequena, não parece porque é apenas um objeto, não parece porque parece um brinquedo, mas na verdade uma bola é tudo isso e muito mais. Uma bola é um poderoso meio de interação, de comunicação e de interação entre as pessoas. E não só – através de uma bola a espécie humana comunica entre si e também com outras espécies que connosco vivem em simbiose, os animais de estimação, cada vez mais conhecidos como pets. Mas não é da capacidade que esse objeto fantástico tem para nos pôr a falar com os animais de que aqui se trata. Só isso já não seria pouco, é certo, mas quando a podemos utilizar para estabelecer pontos entre os diferentes, para ajudar a pacificar relações e mesmo para reconstruir amizades entre povos, então a pequena esfera chega ao campo dos gigantes e assume verdadeiramente o tamanho e a importância do mundo. Não é por acaso que ao longo da história vimos episódios desconcertantes por entre os horrores da guerra, como por exemplo a famosa partida de futebol das trincheiras da Primeira Guerra Mundial, quando franceses e alemães sedentos de normalidade e paz, por um momento, esqueceram porque os tinham mandado para ali e foram capazes de interagir pacificamente e de lutar com lealdade no relvado sem que ninguém tivesse de morrer. Que dizer ainda da importância política a que o grande jogo pode ascender? São inúmeros os exemplos, mas não esqueçamos, porque não se podem esquecer, os heróis prisioneiros dos campos de concentração nazi que enfrentaram no campo os seus opressores e contra eles conseguiram a vantagem. Uma vantagem que lhes custaria caro, mas que, arriscando a própria vida como se viria a verificar, levantou por instantes a dignidade de um povo, e uma vez mais a bola entrou no campo dos gigantes. Hoje, em escala modesta, mas igualmente importante, cada vez mais clubes instituem fundações para que essa magia da bola possa ser convertida em ação, do combate à exclusão, do combate à xenofobia, do desenvolvimento pessoal e social dos jovens, do envelhecimento ativo, do desporto adaptado, entre um conjunto, cada vez mais difícil de enunciar, de áreas de intervenção e inovação social que ajudam a reduzir as injustiças, a transformar as injustiças sociais e a transformar o mundo para melhor. Uma vez mais, uma bola pequena nos pés de gigantes. E por falar em gigantes, compete à Fundação Benfica cumprir essa nobre missão em nome do Benfica e dos benfiquistas, e essa é a maior honra que alguém pode ter no seu trabalho. Servir o mundo e a humanidade, levantando as cores da sua paixão."

Jorge Miranda, in O Benfica