"A PRIMEIRA CONQUISTA
EM ABSOLUTOS DE LUÍS
NAIA, EM ÁGUAS ABERTAS, FOI NO BARREIRO
O caminho da história é
palmilhado por grandes e
pequenas figuras, perenes e efémeras, de grande ou pequeno impacto.
O assombro da sua influência
pode ter sido imediato ou levou o
seu tempo a manifestar-se, como
na história da música houve, por
exemplo, Kurt Cobain no rock e
Pergolesi na ópera. A geração
Orfeu não conheceu artistas que
partiram jovens e cuja obra, mais
tarde, fez escola na história da
pintura e da poesia?
Luís Naia viveu até aos 80
anos, tendo uma vida ligada ao
desporto e ao dirigismo. Competitivamente, esteve 6 anos ativo
na natação e foi impactante.
A sua compleição possante,
somada a um afincado treino,
dava-lhe uma resistência reservada aos mais fortes. Em 1930,
ano em que havia de fazer a sua
histórica Travessia do Tejo, no
Natal, foi muito elogiado pela
imprensa pela sua excelente
forma física e pelo desempenho.
No final do verão desse
ano, o Clube Naval Barreirense organizou a 3.ª Travessia do Barreiro, prova de
águas abertas na bacia do
rio Coina, com 2500
metros de percurso.
A organização
instituiu, através do patrocínio de Alfredo
da Silva, histórico
industrial fundador e diretor da
CUF, 3 medalhas,
em vermeil, prata
e bronze, para o
pódio, e uma
taça em liga
de prata para
o clube “a
que pertença o 1.º classificado”.
Assim, no dia 21 de
setembro de 1930, reuniram-se 20 nadadores, entre
juniores, principiantes e
4 senhoras. Apenas 9 concluíram o percurso.
Estavam representados 7 clubes,
de Lisboa e do
Barreiro, vila
que se impunha
como centro
dinamizador
dos desportos
náuticos.
Luís Naia
destacou-se
logo nos primeiros 200
metros. Aos
800
metros,
seguia isolado, e foi o
primeiro a fazer a passagem sob
a ponte que unia o Barreiro ao
Seixal. Com um rumo constante,
braçadas fortes e superioridade,
logo o reconheceram como vencedor antes de percorrida metade
da prova. Sem surpresa, volvida
1 hora e 11 minutos, com quase
8 minutos de vantagem, Luís
Naia chegou à meta em 1.º lugar,
em “esplêndida forma física”,
“fresco e bem-disposto”. Foi a sua
primeira conquista em absolutos.
O momento mais emocionante
da Travessia foi a disputa pelo 3.º
lugar, entre Ilda da Costa e Silva e
José Amaro. O jornal O Sport de
Lisboa foi o único a notar que
Amaro, em 4.º, “não chegou verdadeiramente à meta”: “Aproximou-se só e não esteve para mais
trabalhos.” A organização recebeu ainda outras críticas, mas a
Travessia do Barreiro foi positiva
e embelezou o encerramento da
época de 1930.
A pequena taça de 24 centímetros, entregue ao Benfica pela
vitória de Naia, marca um tempo
de grandes transformações da
natação portuguesa, na qual o
Benfica foi elemento ativo.
Conheça mais momentos da participação benfiquista na história
da natação portuguesa na área 4
– Momentos Únicos, no Museu
Benfica – Cosme Damião"
Pedro S. Amorim, in O Benfica


