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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Fresco e bem-disposto


"A PRIMEIRA CONQUISTA EM ABSOLUTOS DE LUÍS NAIA, EM ÁGUAS ABERTAS, FOI NO BARREIRO

O caminho da história é palmilhado por grandes e pequenas figuras, perenes e efémeras, de grande ou pequeno impacto. O assombro da sua influência pode ter sido imediato ou levou o seu tempo a manifestar-se, como na história da música houve, por exemplo, Kurt Cobain no rock e Pergolesi na ópera. A geração Orfeu não conheceu artistas que partiram jovens e cuja obra, mais tarde, fez escola na história da pintura e da poesia?
Luís Naia viveu até aos 80 anos, tendo uma vida ligada ao desporto e ao dirigismo. Competitivamente, esteve 6 anos ativo na natação e foi impactante. A sua compleição possante, somada a um afincado treino, dava-lhe uma resistência reservada aos mais fortes. Em 1930, ano em que havia de fazer a sua histórica Travessia do Tejo, no Natal, foi muito elogiado pela imprensa pela sua excelente forma física e pelo desempenho.
No final do verão desse ano, o Clube Naval Barreirense organizou a 3.ª Travessia do Barreiro, prova de águas abertas na bacia do rio Coina, com 2500 metros de percurso. A organização instituiu, através do patrocínio de Alfredo da Silva, histórico industrial fundador e diretor da CUF, 3 medalhas, em vermeil, prata e bronze, para o pódio, e uma taça em liga de prata para o clube “a que pertença o 1.º classificado”.
Assim, no dia 21 de setembro de 1930, reuniram-se 20 nadadores, entre juniores, principiantes e 4 senhoras. Apenas 9 concluíram o percurso. Estavam representados 7 clubes, de Lisboa e do Barreiro, vila que se impunha como centro dinamizador dos desportos náuticos.
Luís Naia destacou-se logo nos primeiros 200 metros. Aos 800 metros, seguia isolado, e foi o primeiro a fazer a passagem sob a ponte que unia o Barreiro ao Seixal. Com um rumo constante, braçadas fortes e superioridade, logo o reconheceram como vencedor antes de percorrida metade da prova. Sem surpresa, volvida 1 hora e 11 minutos, com quase 8 minutos de vantagem, Luís Naia chegou à meta em 1.º lugar, em “esplêndida forma física”, “fresco e bem-disposto”. Foi a sua primeira conquista em absolutos.
O momento mais emocionante da Travessia foi a disputa pelo 3.º lugar, entre Ilda da Costa e Silva e José Amaro. O jornal O Sport de Lisboa foi o único a notar que Amaro, em 4.º, “não chegou verdadeiramente à meta”: “Aproximou-se só e não esteve para mais trabalhos.” A organização recebeu ainda outras críticas, mas a Travessia do Barreiro foi positiva e embelezou o encerramento da época de 1930.
A pequena taça de 24 centímetros, entregue ao Benfica pela vitória de Naia, marca um tempo de grandes transformações da natação portuguesa, na qual o Benfica foi elemento ativo. Conheça mais momentos da participação benfiquista na história da natação portuguesa na área 4 – Momentos Únicos, no Museu Benfica – Cosme Damião"

Pedro S. Amorim, in O Benfica

Vergonha na cara


"Agora, não se esqueçam de ir a correr dar os parabéns aos nossos adversários pelo título nacional de futebol. É mesmo disso que precisamos. Vamos lá ser todos anjinhos e politicamente corretos e encher redes sociais, painéis televisivos, podcasts e crónicas na imprensa com elogios a adversários que, à primeira oportunidade, nos pisam (como no Jamor) e nos roubam (como na espionagem corporativa condenada em tribunal). Depois dos diversos escândalos de arbitragem nas competições masculinas de futebol, era só o que me faltava ver sócios, adeptos e simpatizantes do SL Benfica a parabenizar os alegados vencedores de um Campeonato inquinado desde a primeira jornada.
Ah e tal, a liga de futebol é uma prova de consistência e regularidade… Mentira! É uma competição onde estava há muito decidido quem não interessava que fosse vencedor: o Sport Lisboa e Benfica. Qualquer um, menos o Glorioso, parece ter sido o mote para mais uma época de mentira e frustração.
Dar os parabéns de quê? De terem sido beneficiados com expulsões e grandes penalidades perdoadas? Parabéns pelas falcatruas que lhes permitem ter dinheiro para pagar ordenados? Ou será que temos de lhes dar os parabéns pelos belíssimos jogos de futebol em que, quando se viram aflitos, um amigo com apito ou um vídeo duvidoso os empurrou para a vitória?
Vou aguardar pelas próximas semanas para ver essas manifestações ridículas de um desportivismo de faz de conta, que não se pode aplicar ao futebol português das últimas temporadas. Estou à espera para assistir com vergonha alheia e revolta às figurinhas de quem, abrigado por uma capa hipócrita de desportivismo, passou a temporada inteira a destruir jogadores, treinadores, dirigentes, táticas e tomadas de decisão e políticas de comunicação (algumas erradas e outras incompreensíveis).
Não merecem parabéns, mas sim combate acérrimo. Merecem ser desmascarados e apontados todos os favores de que usufruíram e quem lhes facilitou a vida. Só que isso não dá likes, visualizações ou audiências. O que interessa mesmo é a guerra interna. E enquanto isso, os falidos e os ladrões vão prosperando do jeito que melhor sabem."

Ricardo Santos, in O Benfica

Para ti Se não faltares!


"Para ti Se não faltares! assenta num compromisso direto com os jovens e com o seu objetivo primordial: não faltar à escola, estar presente, aprender, evoluir e aumentar o sucesso educativo. Num tempo em que tantas distrações e dificuldades afastam os mais novos do percurso escolar, este projeto da Fundação coloca o essencial no centro: a assiduidade como primeiro passo para qualquer transformação. Estar na sala de aula é o ponto de partida. Sem isso, nada é possível, mas com apenas isso abre-se um mundo de possibilidades a cada jovem. Mas este compromisso não surge isolado nem imposto, ele é ampliado pela motivação, pela pertença e pela conquista. Ao cumprir com a escola, os jovens ganham acesso à prática desportiva, entram no fascinante imaginário do universo futebolístico oficial e aproximam- -se de um clube que representa ambição, superação e identidade. Ao mesmo tempo, são reconhecidos através de prémios de desempenho que valorizam o esforço, a disciplina e a evolução individual.
Mas como funciona, na prática, este projeto? E porque consegue resultados tão consistentes? A resposta está na simplicidade de um modelo que assenta numa lógica clara, em que responsabilidade gera oportunidade. Por isso, cada jovem sabe que a sua presença na escola não é apenas uma obrigação, mas uma chave que abre portas ao desporto, à integração num grupo, ao reconhecimento entre os seus pares e ao reforço da autoestima. Ao mesmo tempo, o projeto cria um ecossistema de acompanhamento entre escola, treinadores, técnicos e comunidade, que trabalham em conjunto, garantindo que cada jovem não é apenas mais um, mas alguém que é visto, acompanhado e incentivado. O desporto surge aqui como um meio e um instrumento poderoso de disciplina, cooperação e superação.
É esta combinação de exigência clara, recompensa justa, acompanhamento próximo e motivação, que explica a adesão dos jovens e os resultados que conquistam. O trabalho é deles, e o sucesso também, mas o Benfica, através da Fundação, dá um incentivo e uma ajuda preciosa."

Jorge Miranda, in O Benfica