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sexta-feira, 22 de maio de 2026

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Zero: Saudade - S04E37 - De jogadores a treinadores: o mister do FC Porto que morreu depois do treino

Nada de novo em Martínez e Rui Costa


"Já percebemos há muito que Roberto Martinez é um político, no sentido diplomático do termo, de quem explica decisões duras com expressões brandas (e um sorriso, quando possível) e se coloca acima do bem e do mal. Assim aconteceu de novo: não excluiu ninguém, apenas não pôde incluir todos, há quem esteja de fora, mas com pé dentro (se houver lesões), o dia da convocatória era triste (por essas exclusões) mas também feliz (pelo arranque do processo). É tentar unir para reinar, até que os resultados nos dividam.
Por isso, e no concreto das opções, nenhuma surpresa de tomo. Entre os centrais do Benfica escolheu o que tem jogado mais, na opção de Samu ou Palhinha manteve a decisão mais recente, perante os criativos de FC Porto e Sporting (Mora e Pote) preferiu não escolher, na questão dos pontas de lança manteve a tese – que não compro – de que Gonçalo Guedes é a terceira via.
Com a salvaguarda de haver, nos 27 eleitos, opções de qualidade de quase todo o género para lograr opções táticas de sucesso, sublinho duas inconsistências e outras tantas injustiças. No primeiro caso refiro-me aos cinco laterais para quatro centrais e à existência no grupo de dois pontas de lança apenas, sendo a questão de base a mesma.
No centro da defesa há quatro opções, mas duas são de risco por razões físicas: Rúben Dias não joga há meses e Tomás Araújo tem sido de utilização intermitente devido a lesões. Era mais avisado levar um quinto central, quando, ainda por cima, não há um médio defensivo que se adapte facilmente (como podia ser Palhinha e noutros tempos foi Danilo).
No ataque, é fácil perceber que uma pequena lesão ou um hipotético castigo que afaste, mesmo que por pouco tempo, Ronaldo ou Ramos, obrigará a seleção a enfrentar o adversário seguinte sem um número 9 no banco. Também não me parece prudente. A opção seria naturalmente Paulinho, mas o que ficamos a perceber neste 19 de maio é que Paulinho, como Ricardo Horta, nunca foram verdadeiramente opções para a convocatória final. Tê-los incluído, com as idades que têm, na chamada anterior, para depois os descartar, surge-nos hoje mais como uma ilusão para sossegar críticos, mas que apenas adensa a sensação de injustiça, quase crueldade. Nem sempre tentar ser “político” dá bom resultado.
Outro tema da semana é o romance José Mourinho, que vira as costas a uma proposta (tardia) do Benfica para renovar os votos e decide retomar uma relação antiga com o Real Madrid. A minha leitura é linear: Rui Costa não queria verdadeiramente renovar com Mourinho, senão tê-lo-ia tentado mais cedo (e mesmo a contratação inicial foi forçada pelo calendário eleitoral); Mourinho não resistiu à hipótese de voltar ao topo do futebol mundial, o que já lhe parecia vedado depois dos insucessos recentes que acumulou; o presidente do Benfica está preocupado em passar a ideia de que fez tudo para manter um treinador que lhe deu mais fama que proveito, dado haver ainda muita gente no espaço público que se mantém incapaz de criticar Mourinho. E se nunca vão dizer que o técnico (também) falhou, quem foi então? A resposta é óbvia. Ao menos que fique a ideia de que esperou por ele até ao fim.
Acontece que estamos para lá do fim. A época acabou para o Benfica e Mourinho “já está” em Madrid, a definir prioridades e até a sugerir reforços - diz-se em todos os média espanhóis. Enquanto isto, Rui Costa sujeita o Benfica à espera de resposta de um treinador que já não é, enquanto desaguam para os jornais as suas dúvidas sucessivas, fragilizando, desde já, treinadores que tinham tudo para entrar impantes de força na Luz, a começar por Marco Silva. A ser verdade que Rúben Amorim não pretende um regresso imediato à pátria, no que seria outra opção válida e certeira, é do domínio do insondável que Rui Costa não se tenha sentado ainda, ele próprio, com o treinador do Fulham.
Nos tempos que correm, é bem mais um clube como o Benfica – que apesar de toda a sua história não domina sequer o futebol de uma liga periférica - a ter de se esforçar por seduzir um treinador de topo do que o contrário. Acredito que um técnico como Marco, com anos seguidos de sucesso na mais competitiva Liga do mundo, só poderia equacionar tal mudança por estar em fim de contrato e não ter surgido neste momento o emblema inglês que o tornará definitivamente inacessível. Se isto for como os jornais e comentadores deixam perceber, ou seja, a menos que, ao contrário do publicado, Rui Costa esteja a convencer Marco a mudar-se para a Luz, este processo dirá mais do que têm sido as presidências de Rui Costa do que qualquer insucesso nos relvados."

Mais do que um treinador


"No desporto de alto rendimento, o sucesso regular depende de vários ingredientes em simultâneo, em que quase ou todas as peças do puzzle têm de estar num nível elevado para que os resultados surjam.
Posto isto, José Mourinho foi contratado pelo Benfica com o intuito de resolver várias peças do puzzle que a direção do clube considerou estarem a falhar e para os quais entendia que o treinador Bruno Lage não seria, ou não teria, a solução. Na narrativa da direção, Mourinho elevaria os níveis para um patamar de excelência. As alterações surgiriam a tempo das eleições e, independentemente da qualidade ou dos defeitos dos dois treinadores, seria fácil fazer a conta de 1+1:
José Mourinho permitiria várias consequências positivas e, entre elas, uma campanha eleitoral com menos oscilações. José Mourinho, como todos os treinadores com vários anos de carreira e, neste caso específico, com um currículo muito apetrechado, tem um perfil de liderança bem identificado e enraizado. Como treinador, possui um conjunto de competências, mas neste caso, fruto de ter treinado os maiores clubes do mundo em contextos muito exigentes, tem também uma visão holística de como um clube deve estar organizado e uma forte convicção nas suas melhores práticas.
Mourinho chegou ao Benfica numa altura em que o clube demonstrava (e continua a demonstrar) ter uma estratégia pouco robusta e uma cultura organizacional confusa, a juntar às constantes alterações na liderança da equipa de futebol e na direção desportiva, com investimentos elevados e resultados opostos aos pretendidos. E Mourinho não é o tipo de treinador que tem de exigir maior autonomia ou poder. É um treinador que, face à carreira que construiu, tem uma cláusula implícita nos seus contratos verbais: merece ter mais poder e autonomia do que um treinador com uma carreira dita normal.
Mas ter mais autonomia numa estrutura pouco robusta, dispersa e confusa é como ter mais dinheiro numa casa onde se gasta mal ou dar mais tempo a quem não tem horários. Quando se recruta um treinador, a cultura organizacional, a estratégia e os valores devem ser um ponto de partida. E não um ponto a meio ou final consoante o perfil de treinador que se contrata. Quando tentamos enfiar uma peça num local onde a mesma não pertence, é uma questão de tempo. Vencer será um acaso apesar da estratégia ou estrutura e nunca por causa da estratégia ou estrutura.
É desta autonomia que falo, e será um dos pilares para resolver um dos desafios que o Real Madrid terá para o treinador setubalense: ser capaz de resolver algo maior do que ser apenas treinador. É reencontrar aquilo que deve ser a cultura de disciplina e exigência na equipa de futebol. É tentar encontrar novos Modric e Kroos para serem os líderes dentro de campo e em espaços onde ele não está nem pode estar. Não sei responder se Mourinho será ou não o treinador ideal para os problemas táticos atual plantel. Mas quem o contrata fá-lo com a convicção de que terá capacidade para devolver as peças do puzzle que não existiram nos últimos meses: disciplina e completo alinhamento entre treinador e direção.
Isto não significa que os treinadores anteriores fossem maus, nada disso. A direção do Real Madrid admite, com isto, que delega mais uma função no treinador português e que para isso, este tem de ter determinadas competências e que deve assumir a responsabilidade de fazer algo que a direção não conseguiu. Se lhe der autonomia e com ela responsabilidade, poder e significado, Mourinho pode resolver alguns dos problemas na cabeça da direção. Porque a equipa do Real Madrid tem muito mais falta de disciplina, cultura organizacional, rigor e compromisso do que falta de talento, e todos sabemos que ter atletas caros e talentosos, não chega.
No Benfica faltou aquilo que já vinha a faltar nas épocas anteriores e por isso, qualquer que fosse o treinador, o problema seria maior ou menor, mas nunca seria resolvido de modo estrutural. Isto não quer dizer que tudo o que aconteceu de mau foi responsabilidade do clube e tudo o que aconteceu de bom foi responsabilidade do treinador, nada disso. Mas considerar, nos dias de hoje, que o problema do clube encarnado é o treinador é o mesmo que pensar que o problema da economia nacional se resolve passando o pagamento do vencimento de mensal para semanal.
Há um match que não foi feito na Luz: entre a estratégia, a cultura organizacional que o clube gostaria de ter e não a que verdadeiramente tem, o treinador e o perfil de liderança e gestão desse treinador. Isto fará parte do sucesso ou do insucesso de quem chegar à Luz e fará parte do novo desafio de José Mourinho, seja em Madrid ou noutro clube qualquer. Mourinho pode agradar ou não relativamente àquilo que consegue aportar às suas equipas, mas tem duas enormes qualidades que face a estruturas difusas, continuam a ser rainhas: comunicação situacional e uma enorme capacidade de ler o ambiente em redor.
Florentino Pérez, com 26 anos à frente do clube madridista, aposta no português após 13 anos. Desde 2013, o Real Madrid trocou nove vezes de treinador e repetiu dois nomes nesse período: Zidane e Ancelotti. Passados 13 anos, muita coisa mudou. E a maturidade do presidente leva-o a procurar um treinador que gosta de gerir conflitos através do confronto, que conhece bem a casa, conhece a pessoa com quem vai lidar diretamente e com quem já viveu alegrias e deceções.
Mourinho sabe melhor do que ninguém que não pode ser o Mourinho de 2010. Provavelmente, nem o conseguiria ser. O ecossistema do desporto de alto rendimento mudou de forma vertiginosa e exige novas abordagens. O que não mudou, e dificilmente mudará tão cedo, é a base do sucesso de uma organização de topo: liderança eficiente, cultura organizacional robusta e alinhada entre todos, talento e competências, uma excelente estratégia e recursos capazes de responder aos objetivos."

O impacto do desporto no corpo dos jovens


"No futebol de elite, o talento é apenas parte da equação. O corpo em desenvolvimento dos jovens atletas é outro protagonista e a forma como cresce e se adapta pode ditar não apenas o rendimento, mas também a vulnerabilidade a lesões. Estudos recentes sobre futebolistas jovens evidenciam que o perfil de lesões muda conforme a idade e a maturação biológica — um fator muitas vezes esquecido no treino diário.
Nos escalões mais jovens, predominam lesões musculares e problemas ligados ao crescimento ósseo. Os picos de crescimento rápido colocam tensões extraordinárias nos tendões e cartilagens, sendo nesta fase que surgem dores nos joelhos ou pernas, muitas vezes interpretadas como simples desconfortos temporários — canelites. Ignorar estes sinais pode atrasar a recuperação e predispor a lesões mais graves.
À medida que os atletas amadurecem, as lesões ligamentares, sobretudo nos joelhos e tornozelos, tornam-se mais frequentes. A força e velocidade aumentam, o jogo torna-se mais intenso e o corpo, se não estiver preparado, torna-se mais vulnerável. A ciência mostra que programas de prevenção neuromuscular e controlo de carga individualizado reduzem significativamente este risco.
Há ainda diferenças importantes entre géneros. Jogadoras jovens apresentam padrões distintos de lesões, com maior incidência de lesões do ligamento cruzado anterior, refletindo fatores biomecânicos, hormonais e de maturação. Este conhecimento obriga a estratégias de treino e prevenção adaptadas, em vez de aplicar o mesmo modelo que funciona no futebol masculino.
O desafio para equipas técnicas, médicas e performance é gerir a diversidade de maturação dentro de uma equipa: alguns atletas crescem antes, outros mais tarde; alguns ganham força rapidamente, outros desenvolvem coordenação mais devagar. A monitorização individual, avaliações periódicas e comunicação constante com o atleta são ferramentas essenciais para reduzir riscos e garantir o desenvolvimento seguro.
No futebol jovem, proteger o corpo em crescimento é tão importante quanto trabalhar técnica ou tática. Prevenir lesões não significa apenas manter os atletas em campo, mas sim prepará-los para uma carreira longa, saudável e competitiva. Crescer no futebol é muito mais do que ganhar jogos: é aprender a respeitar o corpo que os leva a jogar!"

Tugão à Inglesa!

Alemanha: Harald Schumacher, o guardião do bigode que foi só disputar a bola e acabou vilão odiado em França


"Ainda hoje é inundado com pedidos de entrevista sempre que há um França-Alemanha na fase final de um torneio: vai acedendo porque espera mudar a opinião, pelo menos, de um francês acerca do que fez em 1982. Nas meias-finais do Mundial, embateu violentamente contra Patrick Battison, deixando-o inconsciente, e limitou-se a pegar na bola e esperar, de mãos na anca. O ato fê-lo ficar por diante de Adolf Hitler numa sondagem do L'Équipe sobre as pessoas mais odiadas no país. Schumacher

Podia ser um mito urbano, daquelas coisas que se contam desde os tempos pré-internet, dificilmente verificáveis: em 1982, findo o Alemanha-França das meias-finais do Mundial, o jornal “L’Équipe” ocupou-se com uma sondagem que perguntou aos leitores quem era a pessoa que mais odiavam. O resultado não foi renhido: Harald Schumacher, o guarda-redes da seleção germânica de futebol, acabou à frente de Adolf Hitler.
A cólera gaulesa germinou em Sevilha. O jogo estava empatado, durinho também, as disputas de bola de garras afiadas já eram muitas quando Michel Platini e a sua longa camisola para fora dos calções, a fazer-lhe um saiote, viu Patrick Battiston, esbaforido a correr buraco dentro da defesa alemã. O passe entrou, o francês chegou primeiro à bola e, na fronteira da área, desviou-a do embalado corpo de Schumacher, cuja abordagem à situação falou por cima das palavras que mais tarde dedicaria ao ato.
Ainda a quase dois metros de Battiston, sem hipótese de alcançar a bola, o guarda-redes saltou, virou o corpo, curvou-se ligeiramente. Foi de cóxis e ombro à frente, embatendo em cheio contra o peito e a cara do francês. Ao violento choque não se seguiu um apito do árbitro, nem falta foi.
Battiston caiu inconsciente no relvado, o seu corpo contorcido. Enquanto recebeu assistência, Harald Schumacher prosseguiu com a sua vida: foi buscar a bola, pô-la na linha da pequena área e esperou, de mãos na anca, para bater o pontapé de baliza. Battiston ficaria em coma, perdeu a conta aos dias no hospital, perdeu dois dentes, outros três partidos e uma costela fraturada. Ao sair do relvado deitado na maca, inanimado, enculcada na memória ficou outra imagem: o seu braço inerte, suspenso no ar, a ser amparado por Platini.
Na ressaca da partida, decidida apenas nos penáltis que desataram um 3-3, o guardião alemão deixou um recado aos jornalistas, ainda no estádio, ao saber que o jogador francês, então do Saint-Étienne, estava internado no hospital: “Digam-lhe que lhe pago dois dentes novos.” Eliminados os Les Bleus cheios de talento, com Alain Giresse, Jean Tigana, Louis Fernández, Didier Six ou Bernard Genghini a escudarem Platini, espalhou-se a bílis do povo gaulês pela dita sondagem e, sem freios, contra o guarda-redes da República Federal da Alemanha.
Contaria Schumacher, já retirado e sem bigode, que a federação contratou guarda-costas que o escoltaram durante seis meses, tanta a raiva dirigida à sua pessoa. “Podem imaginar que não se tratou de uma boa experiência. Recebi cartas escritas em francês e em alemão de quem me queria sequestrar-me ou matar os meus filhos”, revelou, em 2014, em entrevista “Le Monde” aquando do reecontro dos países nos quartos de final do Campeonato do Mundo desse ano.
A voragem de pedidos é cíclica, basta as seleções cruzarem-se na fase final de um torneio, ou nem isso. No Mundial do Brasil recebeu “mais de 20 pedidos”, os pretendentes encavalitavam-se na sede do Colónia, onde teve “mais de quatro horas de entrevistas, todas sobre o Alemanha-França de 1982”. Já vice-presidente do clube fiel a ter um bode de estimação para estar abeirado do relvado a cada jogo no seu estádio, Schumacher sabia que “a cada Mundial, as solicitações são massivas”.

Só disputou a bola
Harald Schumacher, simplesmente ‘Toni’ para os alemães, caía característico no olho alheio. De melena farta e encaracolada, bigode suficiente para cofiar, perfilou-se bastante jovem na dianteira da sucessão a Sepp Maier, histórico guarda-redes da Alemanha. Entrou antes do esperado na mannschaft, precipitado pelo acidente de carro que partiu um braço e costelas várias ao homem do Bayern de Munique, íman de incontáveis bolas mas traído pelo alcatrão escorregadio numa noite de chuva inclemente.
Nem dois meses antes, em maio de 1979, Schumacher estreara-se pela República Federal da Alemanha na cidade que se ensina às crianças portuguesas ser a de um rei que já se viu, para facilitar a memorização. Abatido o acidente sobre o lendário guardião germânico, coube a ‘Toni’ assentar na baliza da seleção. No ano seguinte, ganhou por 4-1 à França, em Hannover, o primeiro de quatro cruzamentos entre os dois países nas 76 internacionalizações do homem nascido em Düren, não muito distante de Colónia. Lá vestiu as luvas durante 15 anos, chegou a fazer 213 jogos consecutivos a titular e a Bundesliga escolheu-o, duas vezes, como o melhor jogador.
À violenta entrada com que atingiu Battiston, em 1982, seguiu-se a perseguição dos franceses. Uma semana depois do jogo, quando visitou o adversário no hospital, em Metz, à espera de Schumacher estavam uns 50 fotógrafos e para lá de uma centena de jornalistas, avisados da sua vinda por um amigo do defesa do Saint-Étienne, também ele escriba de um jornal local. O alemão deu meia-volta, mas arrependeu-se. “Arrependo-me de não o ter visitado no hospital. Mas, eventualmente, pediu desculpa ao Patrick e ele aceitou. Esta história devia ter acabado em 1982, mas faz parte da minha vida e tenho de viver com ela”, disse, mais tarde, à rádio francesa “RMC”.
Em 1986, fervilhava em França uma narrativa de revanche, os países voltaram a jogar a meia-final do Mundial, ganhando de novo a Alemanha com ‘Toni’ na baliza.
Perderiam na final contra a Argentina de Diego Maradona comprometida com o destino, a fundo no peda do acelerador com o peso do talento do seu semi-deus. O guardião do bigode seria eleito o melhor jogador com luvas do torneio que repetiu o desfecho de quatro anos antes, quando os alemães, já com a companhia de Schumacher, não puderam no jogo decisivo com o arcaboiço da Itália de Paolo Rossi.
A cada ano o ex-bigode, em conjunto com outros jogadores, celebra na Alemanha a “Noite de Sevilha”, assim guardada na memória coletiva do país. Schumacher chegou a falar do “jogo do século”, o melhor que disputou, sem se retrair no combustível que era a sua força motriz: garante que só tentou disputar a bola com Battiston, guarda “recordações positivas” de um encontro “tão emocionante que causou ataques cardíacos”, onde jogou “duro” porque era “assim que jogava sempre”, com “mentalidade de guerreiro”.
Mas Harald Schumacher tem outro arrependimento, o de não ter ido inteirar-se do estado de Patrick Battiston após a colisão. Por isso não se coíbe de aceder a entrevistas que o auscultam sobre o mesmo: “Fui criado com os valores de honestidade e trabalho, com a ideia de nunca desistir. Foi o que fiz contra a França. Se for capaz de convencer, pelo menos, um francês de que não sou um mau tipo, já terá valido a pena.”"