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sábado, 6 de junho de 2026

Risco ou oportunidade, o Benfica decide


"José António dos Santos pode ter trazido ao Clube um bom parceiro. Cabe à Direção converter esta possibilidade num negócio em que o Benfica sai a ganhar.

A entrada da Entrepreneur Equity Partners na Benfica SAD não deveria ser motivo de alarme. É uma oportunidade de reforçar o controlo do Clube, aumentar competências, acelerar projetos estruturais e aumentar receita. Isto dependerá menos do comprador e mais da capacidade negocial da direção do Sport Lisboa e Benfica.
Começando pelo mais importante, o Benfica não deve limitar-se a aprovar a venda integral da posição de José António dos Santos. Deve negociar a aquisição direta de 3,013% da SAD, exatamente o que lhe falta para passar dos atuais 63,65% para os dois terços do capital e dos direitos de voto. A 12 euros por ação, são cerca de 8,32 milhões de euros. É um baixo investimento para um elevado retorno.
Concluída esta aquisição, o novo investidor ficará com aproximadamente 13,37% da SAD. Continua a ser o maior acionista minoritário, o que lhe permitirá procurar representação no Conselho de Administração. Este resultado garante o melhor de dois mundos. O Benfica deixa de depender de um acionista minoritário em matérias que exijam maioria qualificada, como alterações estatutárias, e passa a contar com um parceiro que acrescenta valor. Entre os investidores associados ao veículo comprador encontra-se o fundador e CEO da Acrisure, grupo norte-americano de serviços financeiros, seguros e tecnologia, que já investiu em naming rights como o Acrisure Stadium, casa dos Pittsburgh Steelers, e a Acrisure Arena, na Califórnia.
Garantida a proteção institucional, devemos trabalhar com o novo parceiro. O grupo comprador traz experiência em domínios onde o Benfica enfrenta desafios, como financiamento e exploração de infraestruturas desportivas, hospitalidade, eventos e naming rights. Trocando por miúdos, é uma oportunidade de revisitar o Benfica District para o transformar num motor de crescimento do Clube.
A aprovação desta operação deveria acarretar dois compromissos.
Primeiro, um contrato de patrocínio que inclua os naming rights do Estádio da Luz por dez anos, preservando a sua identidade, num valor de referência de 10 milhões de euros por época.
Em segundo lugar, uma parceria para o financiamento, construção e operação do Benfica District, que contemple o rebaixamento do relvado para utilização de um palco retrátil e permita ter o maior palco de eventos em Portugal todo o ano. Um projeto como o Benfica District só faz sentido se maximizar receitas, melhorar a experiência e reforçar a nossa identidade.
As participações do possível novo acionista em clubes como o Bétis ou o Veneza devem ser analisadas com rigor, mas não dramatizadas. Os regulamentos da UEFA e da FIFA já estabelecem mecanismos de proteção competitiva, e a maioria qualificada do Clube fará o resto.
José António dos Santos pode ter trazido ao Clube um bom parceiro. Cabe à Direção converter esta possibilidade num negócio em que o Benfica sai a ganhar. As decisões importantes não se podem adiar. O futuro do Benfica também se joga nas salas de reuniões."

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