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sábado, 8 de agosto de 2026

Esta lei Prestianni calou a boca a muita gente


"Argentino sofreu a falta para o penálti de Pavlidis e marcou golaço, com a bola a viajar em arco. Barrenechea bem melhor e Schjelderup e Jhon Durán entraram para mostrar que, com eles, o Benfica pode subir ainda mais de rendimento

Prestianni (8)
Ei-lo de volta. E voltou em grande. Rápido, intenso e virtuoso, transformando jogadas sem aparente perigo em bolas complicadas para a defesa escocesa. Andou a maior parte do tempo na esquerda, mas, ao longo do tempo, foi trocando de posição com Rafa e Sudakov. Na esquerda, aos 11’, passou por Altena como quem passa por um velhinho e rematou, cruzado, para uma defesa apertada de Reus. Sacrificou-se aos 33', travando Miller junto à área, vendo o cartão amarelo. Pertinho do intervalo, na direita, recebeu de calcanhar a bola do ucraniano. O lance poderia ter sido, de imediato, muito perigoso, mas Mendy derrubou Prestianni e, no penálti, Pavlidis fez o 3-0. Quase em cima da hora de jogo, foi ao chão para recuperar a bola, levantando-se de imediato e rematando, em arco, para o golo. Aliás, para o golaço. Com a entrada de Schjelderup passou, em definitivo, para a direita. Aí, talvez por coincidir com a subida de rendimento do Hearts, foi menos influente. O Benfica cresceu com Prestianni e Prestianni está a crescer com o Benfica. Apareceu frente ao Hearts a lei Prestianni que ajudou a calar a bola a quem pensava que a águia de Marco Silva não teria capacidade para altos voos...

(6) Samuel Soares - Noite histórica para o jovem guarda-redes, pois tratou-se da estreia nas provas europeias, relegando Trubin para o banco. O futuro dirá se foi opção meramente circunstancial de Marco Silva ou se SS veio para ficar. De resto, nas últimas três épocas, números bem razoáveis na equipa principal: 0,45 golos por jogo. Começou por mostrar quão bom é o seu jogo com os pés, embora sempre sem qualquer oposição. Depois, perto da meia hora, dois lances antagónicos: muito bem a sair dos postes na sequência de um canto e a apanhar a bola a dois tempos (28’); mal a sair dos postes, não chegando à bola e permitindo que Mendy cabeceasse à barra. Sem hipótese no golo de Renaud, pois a bola entrou junto ao poste direito.

(6) Bah - Repetiu a abertura que esteve na base do primeiro golo, tal como fizera frente ao St. Gallen. Com os suíços foi Rafa a receber a bola de Bah e a oferecer o golo a Pavlidis; ontem, foi Barreiro a receber a bola do dinamarquês e a dar o golo a Rafa.

(7) Tomás Araújo - Capitão que é capitão é uma espécie de boss. Tomás Araújo começou por dar nas vistas em aberturas longas, teve depois um corte importante no lado direito da defesa e, aos 23’, subiu para, na sequência de um canto de Sudakov, fazer o 2-0 com uma cabeçada fulgurante. Teria ainda, à meia hora, nova tentativa de golo de cabeça, mas o desvio não teve o mesmo êxito.

(6) Lenglet - Um defesa é para defender, mas Lenglet, aos 22’, quis mais e, de muito longe, fez um passe teleguiado para Leandro Barreiro desviar, de cabeça, para grande defesa de Reus. Poderia ter sido mais forte na marcação a Renaud no remate para o 4-1.

(6) Dahl - Intenso a atacar e intenso a defender, teve apenas uma falha no primeiro tempo, quando deixou que Miller fugisse pela direita, obrigando Prestianni a fazer falta e a ver o amarelo.

(7) Barrenechea - Tinha quase um latifúndio vazio perto de si, pois o Hearts nunca colocou alguém a marcá-lo ou, no mínimo, a tentar complicar-lhe a gestão do meio-campo. Assim, sem oposição, passou o tempo a receber a bola e a passá-la. Muitas vezes com perigo. Bem, perto dos 60’, a aventurar-se na área adversária, tentando o passe para Barreiro. Muito bem ainda, pouco depois, a evitar que Cláudio Braga e Kaboré se isolassem, executando um corte precioso.

(7) Leandro Barreiro - A bola foi, obediente, do pé direito de Bah para o pé direito de Barreiro. Este, com visão periférica, reparou que Rafa estava sozinho na área. Colocou a bola, bem suave, no pé direito de Rafa. E este, claro, marcou: 1-0. Mais tarde, recebeu a bola longa de Lenglet e, de cabeça, obrigou Reus a uma defesa apertada.

(7) Rafa - Num dos primeiros toques na bola apontou o 1-0, recebendo a bola dos pés de Leandro Barreiro. Até ao intervalo, andou também pela esquerda e por zonas mais recuadas, usando sempre a sua velocidade de ponta. Andou mais escondido no início da segunda parte e, a caminho do final, ressurgiu. Teve o 6-1 nos pés, mas o remate, aos 90’, saiu ao poste esquerdo. Bem a tabelar com Schjelderup na jogada do penálti do 6-1 final.

(7) Sudakov - Mais leve, mais fresco, mais rápido e também mais envolvido em tarefas defensivas: mais, mais, mais, mais. Começou por dar nas vistas ao minuto 5 numa abertura excelente para o remate perigoso de Barreiro. Era o tiro de partida para o melhor primeiro tempo com a camisola do Benfica. Andou pelo meio e, por vezes, pelo lado esquerdo e teve o segundo grande momento quando foi ao lado direito marcar o pontapé de canto que permitiu a Tomás Araújo o desvio para o 2-0. Por fim, a terminar a etapa inicial, o ponto mais alto: calcanhar brilhante, bem de costas para a baliza, na direção de Prestianni. Mendy derrubou o argentino: penálti. Que Pavlidis transformou no 3-0.

(6) Pavlidis - Fechou julho com quatro golos ao St. Gallen e entrou em agosto a marcar. Fê-lo irrepreensivelmente de penálti, mandando a bola para o meio da baliza: 3-0 aos 42’. Reentrou muito bem na segunda parte, desviando para a baliza deserta o que seria o 4-0, mas Findlay apareceu a tempo de evitar o golo.

(7) Jhon Durán - Entrou para o lugar de Pavlidis e rematou logo, forte e de pé esquerdo, à entrada da área, para uma defesa de Reus. Logo de seguida, talvez de forma surpreendente, foi importante em tarefas defensivas. Muito bem, aos 83', a combinar com Rafa. Ficou com a baliza à mercê, mas, desta vez, o remate saiu para as nuvens. Quase a fechar o jogo, lançou Schjelderup na esquerda, ficou a pedir o passe do norueguês e, quando este surgiu, rematou, fulgurante, de pé esquerdo, para a manita do Benfica. Menos de meia hora em campo, mas a mostrar que é uma belíssima contratação.

(6) Richard Ríos - Entrou bem para o lugar de Barrenechea. Não teve o mesmo espaço para jogar que teve o argentino, mas mostrou poder físico nos duelos a meio-campo e até junto à linha de fundo defensiva. Bem, perto do fim, a combinar com Prestianni e a ir à linha de fundo com um cruzamento perigoso.

(7) Schjelderup - Entrou aos 65’ e andava quase escondido quando, aos 87’, recebeu um passe açucarado de Jhon Durán. Correu, correu, correu e atrasou a bola para o remate fatal do colombiano. O lance tornou Schjelderup num diabo. Pouco depois, de trivela, isolou Rafa, que rematou ao poste. Sacou o penálti que, aos 90+4', transformou no 6-1 final. Meia horinha em campo e a mostrar que continua igual ao Schjelderup da segunda metade da época, quer no Benfica, quer na Noruega.

(-) Manu - Entrou para o lugar de Lenglet e não teve muito trabalho, quase se limitando a ocupar os espaços de maneira eficaz.

(-) Kaminski - Com tanto craque em campo, não teve tempo para mostrar o que vale."

Marco Silva quer impor na Luz um Benfica sem contemplações


"Depois da 'manita' ao St. Gallen, meia-dúzia ao Hearts. Após a noite cinzenta na Suíça, a equipa encarnada tem ido de progresso em progresso, sentindo-se que ainda tem muito caminho a percorrer até atingir o que o seu técnico pretende. Mas a imagem é clara: pressionar, não abrandar a intensidade, e, inevitavelmente, apoiar-se em bons jogadores. Por isso, Marco só pode ser exigente perante a SAD…

Sessenta e seis anos depois de ter iniciado a caminhada para o primeiro título europeu eliminando o Hearts, o Benfica voltou a medir-se com a equipa de Edimburgo, que esteve a um suspiro de se sagrar, na última época, campeã da Escócia, e foi pura e simplesmente arrasador.
Qualquer semelhança entre o rendimento dos encarnados frente aos escoceses, e aquele que (não) mostrou em St. Gallen é pura coincidência, o que vale, por um lado, como reconhecimento dos méritos do treinador; por outro, atendendo ao reforço do plantel, também se percebe que, por muito bom que Marco Silva seja, sem ovos não fará omeletas.
Este jogo, antes de entrarmos no que aconteceu ao longo dos 90 minutos, permitiu perceber algumas coisas, que estarão na ordem do dia nas próximas semanas: Trubin e Lukebakio, dois jogadores internacionais, não entusiasmaram Marco Silva e serão ativos a que o mercado deve estar atento, não tendo sido, por certo, por acaso, que não saíram do banco; depois, apesar da excelência do regresso de Tomás Araújo, a troca de Lenglet por Manu valeu como uma chamada de atenção a Rui Costa para o facto de o Benfica ter de despachar-se a encontrar mais uma solução para o eixo da defesa. Da mesma forma, se não sair mais ninguém do plantel, fica ainda a faltar um médio experiente, que possa juntar-se, com autoridade acrescida, a Barreiro, Ríos ou Aursnes.

Grande Benfica
Contra uma equipa do Hearts construída ao jeito do Moneyball, que se apresentou em 4x4x2, procurando pressionar alto, o Benfica revelou-se intratável, ganhando os lances divididos, desmontando a organização adversária com sucessivas trocas de flancos, e revelando uma capacidade de recuperar a bola num piscar de olhos, que não se via na Luz desde a primeira época de Roger Schmidt. Se é verdade que ter marcado logo aos três minutos foi um elemento galvanizador para adeptos e jogadores, também está colado à realidade o facto de a equipa de Marco Silva ter colorido o relvado da Luz com uma panóplia de argumentos, dos passes longos magistrais em diagonal de Tomás Araújo (especialmente) e Lenglet, à forma como Bah e Dahl se entendiam e complementavam com Rafa e Prestianni, às movimentações do argentino, ficando sempre entre o bom e o mau Sudakov que, apesar de bem protegido e apoiado por Barreiro e Barrechea raramente deu continuidade ao bom futebol que se percebe que tem, mas raramente utiliza.
O primeiro quarto de hora do Benfica sufocou, pura e simplesmente os escoceses, que tinham como única preocupação sobreviver àquela avalanche atacante. Foi preciso esperar 17 minutos, e dois falhanços claros do Benfica para chegar ao 2-0, para que a equipa de Edimburgo conseguisse ligar a primeira jogada com princípio, meio e fim. Foi nessa altura que se viram alguns defeitos enraizados - jogar a bola para trás em vez de fazer receção orientada para a frente, galgando linhas - a que Marco Silva deverá dar atenção, mas esse empertigamento do Hearts provocou uma imediata reação benfiquista, traduzida num cabeceamento de Barreiro (soberbo passe de Lenglet) para grande defesa de Reus (22), seguido do 2-0, na sequência de um canto de Sudakov concluído com uma cabeçada digna de Otamendi de Tomás Araújo. Com a vantagem reforçada, o Benfica voltou a desligar-se da intensidade, o Hearts teve o primeiro pontapé de canto aos 27 minutos e aos 34, uma saída mal calculada de Samuel Soares permitiu a Mendy cabecear ao travessão. O Hearts passou a estar mais confortável no jogo e os encarnados aproveitaram para, depois de um grande entendimento entre Sudakov e Prestianni, verem o argentino a sofrer penálti, que Pavlidis converteu.

Lei (de) Prestianni
Para a segunda parte, os escoceses trocaram Kaboré por Guendouz e passaram a equilibrar melhor a equipa. Assistiram-se então aos dez minutos mais taco-a-taco do encontro, e o Benfica teve culpas próprias nessa circunstância, porque Sudakov executava cada intervenção em câmara lenta, o espaço entre setores aumentou e o Hearts trocou a bola com um à vontade que até ali desconhecera. Estava o jogo nesta fase menos interessante quando Renaud teve um passe arriscado, intercetado por Prestianni, que fez um golo de bandeira.
Aos 4-0, Marco Silva entendeu que era tempo de refrescar a equipa, dando minutos a Ríos (Barrenechea), Schjelderup (Sudakov) e Dúran (Pavlidis). O norueguês foi para esquerda, o argentino transitou para a direita e Rafa foi colocar-se nas costa de Dúran, ao mesmo tempo que Ríos fazia dupla com Barreiro. Na teoria estava tudo bem, mas na prática os encarnados demoraram algum tempo a adaptarem-se ao novo figurino, desuniram-se na manobra defensiva coletiva e o Hearts reduziu para 1-4 (72), voltando a ameaçar, de livre direto, três minutos depois. Foi o canto de cisne dos escoceses que, à medida que os novos jogadores do Benfica iam entrando no jogo, se afundaram irremediavelmente.
Já depois de Durán, egoísta (tinha Schjelderup em ótima posição) ter desperdiçado o quinto golo (83), a equipa de Marco Silva, já com Kaminski no lugar de Prestianni, assinou a melhor jogada da noite, numa transição belíssima, que terminou com uma assistência açucarada de Schjelderup para Durán, que finalizou com classe (87). Mas ainda havia tempo para mais: aos 90 minutos, Rafa, após passe magistral de Schjelderup rematou com estrondo ao poste e aos 90+4 seria o dinamarquês a fazer o 6-1, da marca dos onze metros, após mão de McEntee.Goleada gorda, eliminatória no bolso e, acima de tudo, um progresso nos processos coletivos do Benfica muito assinalável."

LiveMode: Jogo Completo - Hearts