Últimas indefectivações

domingo, 2 de agosto de 2026

Obrigado, António Silva!


"Defesa-central Made in Benfica fecha um ciclo marcado pela afirmação na equipa principal do Glorioso, em representação da qual conquistou 4 troféus.

De águia ao peito, António Silva afirmou-se desde cedo no futebol sénior, conquistando um lugar de relevo em representação do Benfica e chegando à Seleção Nacional A de Portugal. Com o Manto Sagrado, o defesa-central – que agora se muda para o Bournemouth, de Inglaterra – disputou 183 jogos, marcou 10 golos e contribuiu para a conquista de 1 Campeonato Nacional, 2 Supertaças e 1 Taça da Liga, escrevendo uma página marcante da sua carreira no Clube.
"Queria agradecer-vos por estes quatro anos… Sempre deixei tudo dentro de campo, nos treinos, sempre tentei contagiar toda a gente para dar o seu melhor, sempre fui uma pessoa muito alegre. Agradecer também ao staff, que foi superimportante para mim, para todos. Eles são aquilo que, para mim, é o coração do Clube. São eles que estão cá, principalmente nos maus momentos. Pedir a vocês, jogadores, que abracem aquilo que o míster [Marco Silva] vos pede. Sou mais um para ajudar-vos, para apoiar-vos, não estando perto de vocês, estou longe, mas vou estar sempre para apoiar-vos. Aquilo que precisarem de mim, estejam sempre à vontade. E espero estar com vocês no Marquês quando formos campeões, é isso que quero! Concretizem todos os vossos objetivos! Sejam felizes porque a vossa felicidade também vai ser sempre a minha felicidade!", disse António Silva no balneário, após o seu último jogo oficial, na mensagem de despedida.
António Silva chegou ao Benfica Campus em 2015/16, depois de ter integrado, em 2014/15, o Centro de Formação e Treino do Clube em Viseu. Natural de Penalva do Castelo, um dos municípios do distrito de Viseu, jogou por Viseu United FC, SC Penalva do Castelo e CF Repesenses. 
Uma vez na academia encarnada, continuou a trilhar um caminho que o levaria a quase 200 jogos pela Equipa A do Sport Lisboa e Benfica. O primeiro título surgiu em 2018/19, quando se sagrou campeão nacional de juvenis.

YOUTH LEAGUE: O PRIMEIRO GRANDE MOMENTO
Três anos depois, em 2021/22, o central voltou a saborear a glória, desta feita em dose dupla. Além da conquista do Campeonato Nacional de Juniores, no dia 25 de abril de 2022 o defesa foi titular na equipa do Benfica que conquistou a sua primeira edição da UEFA Youth League – prova em que foi totalista e apontou 1 golo.
Nessa altura, já António Silva somava minutos pelos Sub-23, escalão em que se estreou em 2020/21, e pela Equipa B, onde debutou em abril de 2022, na Liga 2.
Internacional jovem português, foi um dos vários jogadores da Formação encarnada que realizaram a pré-época com a equipa principal tendo em vista 2022/23, sob o comando de Roger Schmidt.

DE PEDRA E CAL NA EQUIPA A
Os primeiros 2 jogos "a doer" ainda foram feitos na Equipa B, mas a estreia oficial pela Equipa A não demorou muito a chegar. No dia 27 de agosto de 2022, na 3.ª jornada do Campeonato Nacional, frente ao Boavista, no Bessa, então com 18 anos, António Silva realizou os 90 minutos numa vitória por 0-3.
Cimentado o seu lugar na Equipa A, o central fixou-se no onze titular (44 jogos disputados), fazendo com Otamendi uma dupla que ajudaria o Benfica a chegar ao 38.º título de campeão nacional e aos quartos de final da Liga dos Campeões – competição em que marcou o seu primeiro golo de águia ao peito, num triunfo, por 4-3, frente à Juventus.
Além do título nacional, a temporada 2022/23 ficou marcada pela chamada ao Mundial 2022, realizado entre novembro e dezembro, onde efetuou um desafio por Portugal.
A época que se seguiu abriu com a conquista da Supertaça (2-0, frente ao FC Porto), naquele que foi o primeiro de 50 jogos (2 golos registados) disputados nessa temporada, e terminou com a chamada ao Europeu 2024.

NÚMEROS PARA A HISTÓRIA
Já em 2024/25, numa vitória robusta por 5-1 frente ao Gil Vicente, o central Made in Benfica atingiu a bonita marca de 100 jogos pela equipa principal do Benfica, tornando-se o mais novo jogador neste século a consegui-lo.
A temporada não terminou sem que fizesse parte do grupo encarnado que disputou o primeiro Mundial de Clubes, competição em que alinhou em 4 partidas, findando a época com 46 encontros, 2 tentos apontados e com a conquista da Taça da Liga. Pela Seleção Nacional, fez parte do lote de futebolistas convocados que conquistou a Liga das Nações 2025.
O jogo 150 de águia ao peito aconteceu já em 2025/26, na Vila das Aves, frente ao AFS, em partida que o Benfica venceu por 0-3. Antes, em agosto, celebrou a conquista da sua segunda Supertaça, fruto de uma vitória por 0-1 frente ao Sporting. A temporada prosseguiu e António Silva terminou-a com 41 jogos disputados e um golo marcado.
Em 2026/27, capitaneou a equipa benfiquista nos primeiros 2 jogos oficiais da temporada, na ronda de apuramento para a 3.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa. A despedida aconteceu no Estádio da Luz.
Ao todo, somou 183 encontros com o Manto Sagrado – 108 no Campeonato Nacional (7 golos), 33 na Liga dos Campeões (2 golos), 20 na Taça de Portugal (1 golo), 8 na Taça da Liga, 8 na Liga Europa, 4 no Mundial de Clubes e 2 na Supertaça – e 10 tentos apontados. Conquistou 1 Campeonato Nacional, 2 Supertaças e 1 Taça da Liga."

Oficial...

27 Milhões...

Inédito

Comunicado


"O Sport Lisboa e Benfica informa os sócios de que o jogo da 1.ª jornada da Liga Portugal, frente ao Académico de Viseu, agendado para o próximo dia 9 de agosto, será disputado à porta fechada, na sequência de uma decisão da APCVD.
O Benfica lamenta profundamente que milhares de sócios e adeptos sejam privados de apoiar a equipa, reiterando o seu firme desacordo com uma medida que penaliza indiscriminadamente todo o universo benfiquista.
Os detentores de Red Pass serão ressarcidos no valor equivalente ao jogo, que ficará disponível na respetiva carteira virtual para utilização futura.
A forma definitiva, bem como a data a partir da qual tal operação poderá ser feita, será comunicada nos próximos dias."

Só bola! Segue jogo🤡

Muito complicado...!!!

Falta contra o Torrense!!!

O edifício que treme ao primeiro áudio


"Os maiores escândalos do futebol raramente começam com um penálti mal assinalado, um cartão vermelho ou resultado inesperado. Começam, muitas vezes, quando alguém grava o que não devia e, do outro lado, surgem as confissões daquelas que ficam encantados com o barulho da própria voz. A partir daí, a manipulação do conteúdo e a explosão do mesmo fazem o resto. Geram mais barulho, mas nada resolvem.
Foi isso que aconteceu, mais uma vez, esta semana. Não foram os áudios de Pedro Proença que abriram uma crise. A crise já existia. Os áudios apenas abriram a porta da sala onde ela vivia. 
É por isso que a discussão nunca deveria limitar-se às frases, ao contexto ou às intenções de quem as pronunciou. Mais ainda quando não há contexto e apenas excertos de conversas editadas. Tudo isso terá naturalmente importância. Mas há uma pergunta muito mais desconfortável do que qualquer transcrição. Porque é que ninguém ficou verdadeiramente surpreendido?
Talvez porque, no fundo, o futebol português tenha desenvolvido uma estranha relação com a verdade. Em público, fala-se de instituições sólidas, competentes e estáveis. Em privado, as conversas são outras. Fala-se de fragilidades, de relações difíceis, de desconfiança, de erros repetidos, de estruturas que já não convencem sequer quem as dirige.
O problema nunca é apenas a existência de duas conversas. Todas as organizações têm uma linguagem pública e outra privada. O problema surge quando a distância entre ambas se torna tão grande que a realidade parece mudar conforme a porta da sala esteja aberta ou fechada. Os áudios revelam precisamente essa distância.
Durante demasiado tempo, o futebol português habituou-se a sobreviver assim. As conferências de imprensa pertencem ao teatro. As conversas de corredor pertencem à realidade. E toda a gente aceita essa divisão como se fosse uma inevitabilidade. Os dirigentes sabem-no. Os árbitros sabem-no. Os clubes sabem-no. Os jornalistas sabem-no. Até os adeptos aprenderam a viver nesse permanente jogo de espelhos.
Talvez por isso a reação tenha sido tão previsível. Houve indignação pelo conteúdo. Houve indignação pela divulgação. Houve o comunicado de Pedro Proença. O que quase não houve foi uma reflexão séria sobre aquilo que os áudios dizem acerca da saúde institucional do futebol português.
Porque, no fim, o problema nunca é um ficheiro de áudio. O problema é um sistema onde um simples ficheiro consegue abalar tantas certezas.
A reação da APAF revela incredulidade. O atual presidente da FPF, então presidente da Liga na gravação dos áudios, foi um dos grandes árbitros portugueses. Parecia o defensor que os homens do apito nunca tiveram. Mas a conversa privada, com gente dos clubes, mostra outro lado. Sentiram os árbitros que, afinal, continuavam a tirar-lhes o chão. Totalmente compreensível. Quando Proença é ouvido a fazer críticas tão duras à arbitragem, aqueles que são acusados de falta de qualidade (sendo essa parte verdade) voltam a sentir-se isolados. Mas de uma forma pior.
Durante anos, o futebol português habituou-se a discutir árbitros quase exclusivamente através da suspeita, insinuação e teoria. Agora, pela primeira vez, a discussão nasce através de alguém demasiado próximo da casa. E, sim, pode ter esta conversa de árbitros sem qualidade para os dirigentes dos clubes e mudar totalmente o discurso quando, nas mesmas salas à porta fechada, fala com os homens do apito. Isso, porém, nunca será suficiente para acalmar os visados.
Também o Benfica sai deste episódio numa posição delicada. Na parte em que Proença parece ameaçar Fernando Seara, então presidente da Mesa da Assembleia Geral das águias, e o próprio clube, da Luz veio apenas silêncio. Algo que passa uma imagem de clube que se amedronta ou que tem razões para se amedrontar.
Num futebol onde cada comunicado costuma ser tratado como uma declaração de princípios, e onde muitos são emitidos por banalidades, a ausência de posição do Benfica serve apenas para dar vida a todo o tipo de interpretações. E, em política desportiva, as interpretações acabam muitas vezes por ganhar mais peso do que os factos. Mas reduzir este episódio a uma disputa entre Proença e Benfica seria desperdiçar a oportunidade de discutir o essencial.
O futebol português vive há demasiado tempo numa permanente lógica de remendos. Resolve crises sem resolver problemas. Troca protagonistas sem alterar comportamentos. Muda presidentes, muda conselhos de arbitragem, muda dirigentes, muda discursos. O edifício, contudo, nunca deixou de assentar em fundações frágeis. E o resultado está à vista.
Sempre que surge uma escuta, uma mensagem, um áudio ou uma fuga de informação, o país futebolístico entra em estado de choque. Discutem-se as palavras durante dias. Analisa-se a forma. Debate-se a legalidade da divulgação. Entretanto, quase ninguém pergunta porque é que aquelas palavras parecem fazer tanto sentido a quem as ouve.
Esse é o verdadeiro drama. Os escândalos do futebol luso não vivem da revelação do inesperado. Vivem da confirmação do esperado. É essa normalização que deve preocupar.
Uma instituição forte não é aquela onde nunca existem conversas incómodas. É aquela onde essas conversas não contradizem a imagem que apresenta ao exterior. Quando a versão privada se torna muito diferente da versão pública, a credibilidade começa lentamente a desaparecer. Não de um dia para o outro. Mas um pouco de cada vez. Um comunicado de cada vez. Uma fuga de informação de cada vez. Um áudio de cada vez.
No final, fica a ideia de que todos parecem conhecer os problemas do futebol português, mas ninguém consegue, ou quer, enfrentá-los. Como se o sistema tivesse aprendido a administrar as suas próprias crises em vez de as resolver.
Os áudios não derrubaram o edifício. Limitaram-se a mostrar que as paredes já estavam rachadas há muito tempo. E um futebol que treme ao primeiro áudio, dificilmente pode continuar a convencer-nos de que os alicerces continuam intactos."

Arbitragem: o centro aguenta a pressão?


"As coisas estão a desmoronar-se e o centro, leia-se a autoridade moral, a confiança institucional e a liderança, deixou de aguentar a pressão.

Yeats não conhecia a arbitragem portuguesa, mas em 1919 escreveu a sentença que hoje serve de epitáfio ao nosso futebol: «Things fall apart; the centre cannot hold». As coisas estão a desmoronar-se e o centro, leia-se a autoridade moral, a confiança institucional e a liderança, deixou de aguentar a pressão.
O futebol português vive num permanente estado de convulsão, mas a sequência de episódios mais recente levou a arbitragem a um ponto de quase rutura e ainda não se sabe como acabará.
O gatilho para esta derrocada foi, como sabemos, a demissão de Duarte Gomes de diretor técnico nacional e os seus motivos e a divulgação de áudios de Pedro Proença, gravados quando ainda era candidato à presidência da Federação. A reação da classe a essas gravações foi imediata e com algum músculo. O boicote à ação de reciclagem e avaliação e a ameaça de não comparência na Supertaça entre FC Porto e Torreense soam a velhos «truques». Porém, o setor foi ferido na sua dignidade e algo teria de fazer.
Como no poema de W.B. Yeats, «a mera anarquia solta-se sobre o mundo», e corre-se o risco de o diálogo dar lugar à chantagem. Iniciar uma nova época neste clima de guerrilha (interna) aberta, por um setor constantemente atacado pelo exterior, é um risco tremendo.
Sem a pacificação urgente da arbitragem e sem um compromisso real de todos os intervenientes, o futebol português continuará em queda livre. Se o centro não aguentar a pressão agora, não haverá VAR nem regulamento capaz de salvar a época e o produto que estará à venda com a centralização de direitos perderá ainda mais valor. Porque o jogo deste sábado pode ser da FPF, mas o impacto vai muito para além deste duelo de início de época.
Esta é a altura de os líderes liderarem, de enfrentarem o problema e não se refugiarem no silêncio ou comunicados inócuos ou terem medo de aparições públicas. O discurso, neste momento, não pode ser só para dentro, em jantares ou almoços prometidos. Pode até apaziguar-se quem apita, mas faltará sempre o repor algum nível de confiança no adepto já de si descrente e na perceção pública porque o primeiro troféu oficial disputa-se hoje.
Como é de regulamento, haverá sempre alguém no papel de juiz. Mas a Supertaça, o jogo, seria apenas a segunda vítima, pois a primeira está encontrada: o Torreense não tem palco mediátio como o FC Porto e devia estar em todas os comentários deste sábado. Não merecia nada disto, não merecia este caos."

João Palhinha: cada vez mais próximo do Benfica


"Há transferências que fazem sentido muito antes de serem oficializadas. João Palhinha e o Benfica parecem caminhar precisamente nessa direção. Ainda sem qualquer confirmação oficial, os sinais acumulam-se: o Bayern de Munique não pretende manter o internacional português, o jogador procura voltar a assumir um papel central numa equipa competitiva e Marco Silva conhece melhor do que ninguém a forma de potenciar as suas qualidades.
Quando o Bayern investiu mais de 50 milhões de euros na contratação de João Palhinha, poucos imaginavam que, tão pouco tempo depois, o clube bávaro estaria disposto a facilitar a sua saída. Se, numa fase inicial, essa intenção era apenas sugerida através de declarações prudentes, hoje já nem existe qualquer tentativa de esconder a realidade. Christoph Freund, diretor desportivo do Bayern de Munique, deixou cair todas as dúvidas ao assumir publicamente que João Palhinha não entra nos planos para a nova temporada. O dirigente confirmou que o objetivo passa por encontrar-lhe um novo clube e admitiu que, caso permaneça em Munique, dificilmente terá minutos ou um papel relevante na equipa.
No futebol, declarações desta natureza têm um significado muito próprio. Sempre que um dirigente assume publicamente que determinado jogador não conta para o clube, o mercado percebe de imediato que o equilíbrio negocial mudou. O clube vendedor perde margem de manobra, os potenciais interessados sabem que podem negociar em condições mais favoráveis e uma transferência que parecia financeiramente inalcançável pode transformar-se numa verdadeira oportunidade de mercado.
É neste contexto que o Benfica ganha força. Naturalmente, não será o único clube atento à situação. Um jogador com a qualidade e o currículo de João Palhinha desperta interesse em vários mercados. Mas existe um fator diferenciador que pode pesar mais do que qualquer proposta financeira: Marco Silva. Foi sob a orientação do treinador português que João Palhinha viveu uma das melhores fases da sua carreira. No Fulham afirmou-se como um dos médios defensivos mais consistentes da Premier League, transformando-se numa referência da equipa londrina. As suas exibições convenceram um dos maiores clubes do mundo a investir uma verba milionária na sua contratação.
Esse rendimento não surgiu por acaso. Marco Silva soube potenciar as principais virtudes do internacional português: a inteligência tática, a capacidade de recuperação de bola, o equilíbrio que oferece à equipa e uma competitividade contagiante. Mais do que um sistema de jogo, encontrou-lhe um contexto onde o jogador se sentia importante e plenamente valorizado.
Em Munique, esse contexto nunca chegou verdadeiramente a existir. A concorrência intensa, as poucas oportunidades e uma adaptação que nunca se consolidou acabaram por limitar o seu impacto. O empréstimo ao Tottenham permitiu-lhe recuperar minutos, confiança e demonstrar que continua a ser um médio capaz de competir ao mais alto nível.
É precisamente por isso que acredito que o Benfica surge, neste momento, como o destino que melhor responde às necessidades de todas as partes envolvidas. Não há uma confirmação oficial. O negócio não está fechado. Mas todas as circunstâncias começam a alinhar-se… O Bayern quer «livrar-se» do jogador. João Palhinha precisa de voltar a sentir-se importante. E o Benfica procura um médio com características que continuam a ser raras no futebol europeu. Ainda assim, o argumento mais forte continua a ser outro: Marco Silva.
No futebol fala-se frequentemente da importância das contratações. Menos vezes se fala da importância das relações de confiança entre treinador e jogador. Há treinadores que transformam carreiras porque conhecem o atleta para lá das suas qualidades técnicas. Sabem quando exigir, quando proteger e como criar o contexto ideal para que o rendimento apareça naturalmente.
Marco Silva já o fez com João Palhinha. Conhece-lhe as virtudes, conhece-lhe as limitações e sabe exatamente como potenciar o seu futebol. Da mesma forma, João Palhinha sabe o que pode esperar do treinador. Essa confiança mútua pode valer tanto quanto qualquer investimento financeiro.
Naturalmente, nenhuma transferência depende apenas da lógica desportiva. Existem questões económicas, concorrência de outros clubes e negociações que podem alterar o rumo dos acontecimentos. Mas, olhando apenas para o contexto atual, é difícil encontrar um destino que faça mais sentido para João Palhinha do que o Benfica.
Se o negócio se concretizar, os encarnados não estarão apenas a contratar um dos melhores médios defensivos portugueses da última década e que garante um impacto imediato. Estarão, acima de tudo, a devolver um grande jogador a um dos treinadores que melhor soube extrair todo o seu potencial.
Por vezes, as melhores contratações não começam com um contrato. Começam com o reencontro das circunstâncias certas."

Zero: Mercado - Bragança perto da Grécia

BF: Vender...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Maquilhagem e desculpas de Proença não escondem o acne da arbitragem

Oliveira: HORNICEK NO BENFICA E TRUBIN VAI EMBORA?

Benfica em Destaque | 31 de julho

ESPN: Futebol no Mundo #617

Futpedia #20 - MATILDE PINHOL VS EQUIPA FUTPEDIA: QUEM LEVOU A MELHOR? 🤔

Gianni, o reino por um fio…


"Esta é a história aparentemente simples de um negócio que tem tudo para se transformar em riqueza e mais-valia para todos os intervenientes. Mas que, por força de outros valores, por pressão do poder global, da ambição transversal e da cedência anormal, pode descambar facilmente numa das hecatombes mais dramáticas da economia mundial.
Sabe-se, sempre se soube, que o crescimento aparentemente sustentado e controlado do futebol enquanto indústria geradora de fortunas significava vantagem imediata para os mais pequenos e perspetivas de sobre-enriquecimento dos mais cotados. A distribuição de receitas, sobretudo as que advinham dos Mundiais, projetava um robustecimento dos cofres das federações periféricas como dificilmente tinha sucedido até aqui. Com o aumento de seleções apuradas para a fase final de Mundiais, e com o subsequente prémio reforçado, as promessas de Gianni Infantino, enquanto presidente da FIFA, saíram em grande e motivaram o apoio recorrente de muitos países periféricos.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) esteve no topo dos membros que, quase cegamente, se vangloriavam de viagens pagas aos congressos, às reuniões, aos simpósios que, obviamente, pouco ou nada adiantavam presencialmente, mas muito diziam a dirigentes de competência questionável, eleitos sob o pressuposto de uma ampla representação do país ou do continente.
Bem sabemos de onde vem uma parte muito importante dos apoios entretanto granjeados pelo líder do futebol mundial. Tendo almofada financeira mais que suficiente para dividir para reinar, e jogando habilmente com o primeiro Mundial de clubes com 32 equipas, e com o primeiro Mundial de seleções com 48 combinados nacionais, Infantino reuniu uma maioria silenciosa que, quase cegamente, viaja por todo o mundo, pernoita em hotéis de luxo e, claro, diz que sim de olhos fechados a tudo o que surgir de Zurique.
Mas nem todos estão a dormir, e o suíço-italiano que preside à FIFA talvez não contasse com uma tão ampla muralha de contestação à medida mais bem guardada, mas nem por isso a conseguir passar por entre os pingos da chuva.
A criação de uma empresa subsidiária para gestão comercial do Mundial de futebol nunca cheiraria bem a quem tem do jogo uma perspetiva verdadeiramente democrática e abrangente. Ainda que apenas minoritária, a perceção da concessão de uma parcela percentual à iniciativa e aos interesses privados constitui uma força de bloqueio inaceitável, pelo flanco que abre e pelo precedente que deixa. Qualquer investidor não ligado ao futebol (ou que ao jogo esteja conectado, mas com maximização do seu investimento, na perspetiva de lucro) daria sempre prioridade aos resultados financeiros, em detrimento da componente desportiva. De tal modo que a estrutura competitiva e organizativa ficaria sempre dependente, de modo direto ou indireto, das mais-valias realizadas por cada torneio: mais equipas, mais jogos. Mais jogos, mais publicidade e mais transmissões televisivas. Em conjunto, mais dinheiro.
O respeito pelos calendários seria sempre secundarizado, e a UEFA (mas também a Conmebol, a AFC e a Concacaf), de imediato ripostaram, e com a pujança da sua dimensão geográfica e do seu grupo de suporte bem patentes na reação a uma só voz.
Infantino não terá esperado uma tão ampla e ríspida resposta. E reagiu com os pés. Os tiques ditatoriais do líder máximo da FIFA foram notórios, porque a sua verdadeira defesa tem sido a componente financeira. Tudo nas organizações da entidade suprema do futebol mundial tem a ver com dinheiro, com pagamentos, com direitos, com posições. Até no audiovisual a FIFA não parece particularmente preparada para os novos tempos, para a emergência do digital, do consumo em plataforma, dos produtos e dos consumidores segmentados, e da necessidade de adaptação, considerando que a FIFA, até agora, tem maximizado a negociação na base da televisão digital, e que esta, já para o Mundial feminino de 2027 e, muito mais ainda, para o Mundial de 2030, deixará de ser o player de referência, para passar a ser apenas mais uma das integrantes das diversas plataformas de consumo.
O Mundo está a mudar. Nos hábitos e nas consciências. A posição formal da UEFA, pela sua rapidez e contundência, é o primeiro sinal de que o caminho para Infantino, para os que o suportam cegamente e para o futebol do planeta, é tudo menos linear. Por mais profissionais que jogadores e treinadores sejam, são também seres humanos. Ao fim e ao cabo, são eles os verdadeiros protagonistas do jogo, e terão de ser eles os primeiros escutados sobre estas mudanças radicais.
A privatização do jogo nunca será um bom caminho, antes remeterá para uma espécie de reconversão, em que os pilares primaciais voltarão a ser determinantes, para que a qualidade possa subir e as bancadas continuem a estar cheias.
A visão economicista de Infantino estará, portanto, votada ao insucesso. O presidente da FIFA ter-se-á ofuscado com a aparente facilidade geradora de capitais do negócio dos séculos XX e XXI. E a sua bolha, aparentemente impenetrável, começou a ceder, como o comprovam as declarações de Carlos Cordeiro, seu conselheiro nos últimos cinco anos, mas que se sentiu na obrigação de vir a terreiro demarcar-se do novo e arrojado plano.
A História bem nos diz que é sempre assim com os todo-poderosos. Infantino começou, num ápice, a ver o seu reino por um fio…

Cartão branco: António Silva
Subiu rapidamente e, talvez, sem o apoio global que seria necessário. António Silva teve o momento mais discutível com o ausência na convocatória para o Mundial de 2026. Porém, o jovem defesa-central sabe que, no futebol de alto rendimento, a um momento de crise sucede uma oportunidade. E o Bournemouth, batendo-lhe à porta, é irrecusável. Silva deixa a Luz para a Premier League e, honestamente, nenhum clube português, na fase em que o jogador se encontra, poderia ombrear com a proposta dos cherries. É, na minha opinião, um passo em frente na carreira, numa liga global e num clube com condições excelentes. É o suficiente para António Silva encarar este passo com um sorriso nos lábios…

Cartão branco: Franco Baresi
Lembro-me dele como um dos melhores da História. Um líder dentro e fora dos retângulos. Um ídolo, tamanha era a sua influência e a sua imagem junto dos tifosi. E não apenas dos adeptos do AC Milan, mas de todos os que, de um modo ou de outro, seguiram os seus passos. Franco Baresi partiu para a derradeira viagem conhecida com a elegância que sempre exibiu no relvado. Com a discrição que lhe reconhecemos, e com a mensagem de que, para um futebolista de elite, não são necessários recordes ou fogos de artifício mediáticos. Baste uma qualidade acima da média, reconhecida por companheiros e adversários. Sim, deixará saudades, na exata medida da excelência que o marcou enquanto jogador, ex-jogador e ser humano."