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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Olá, eu sou o Prestianni, viva, eu sou o Schjelderup. Nós somos os craques altamente compatíveis do Benfica


"Ambos marcaram, ambos assistiram. O argentno e o norueguês, titulares em simultâneo pela primeira vez, brilharam no 4-0 das águias contra o Moreirense, num triunfo aberto por um penálti de Pavlidis

Dizem os mais sábios que o futebol não é um jogo de soma e subtração, mas sim de multiplicação e divisão. Um bom jogador numa equipa não é apenas mais um, é a introdução de um novo agente capaz de mutiplicar a qualidade total, sendo o inverso, também, verdade.
Não é uma questão de acrescentar ou retirar qualidade. É todo um ecossistema que se multiplica.
O bom momento do Benfica tem sido feito sem recorrer ao uso simultâneo dos dois mais entusiasmantes homens do plantel. Há Prestianni, a voar neste arranque de época, há Schjelderup, quem mais cresceu na temporada passada, mas só fora possível ver a dupla em conta-gotas.
Até Moreira de Cónegos. Marco Silva lançou-os de início pela primeira vez e viu-se uma conexão assinalável, uma compatibilidade quase natural, um entendimento entre quem fala a mesma linguagem, joga o mesmo jogo. Multiplica-se.
Andreas marcou e assistiu. Gianluca assistiu duas vezes e fez um golo notável, um exercício de supremo talento. E o Benfica já vai em seis triunfos consecutivos, goleando o Moreirense por 4-0.
A equipa de Vasco Botelho da Costa, depois da excelente imagem no Dragão, sofreu desde o início com a pujança atacante dos lisboetas. Havia dinâmica, movimentos já padrão, uma equipa que em tempo recorde criou um saber jogar estável e cheio de automatismos.
O 1-0 só foi em cima do intervalo, mas aí já as águias poderiam lamentar-se de muito desperdício. Com Daniel Banjaqui a titular, aproveitando a lesão de Bah, Pavlidis, Rafa ou Dahl foram falhando bolas de golo.
Do outro lado, o Moreirense pouco mais foi fazendo do que atrasar o 1-0. Botelho da Costa falou sobre o desafio, para si e para os jogadores, de jogar a meio da semana, e notou-se um conjunto diminuído face ao passado desafio, para isso contribuindo também a indisponibilidade de João Veloso.
O aguardado 1-0 chegou no tempo de compensação da primeira parte. Alexandre Parsemain não tem encantando pela qualidade goleadora na I Liga e, para piorar, ainda fez uma abordagem imprudente quando estava a defender um canto. Na sequência de longa revisão de VAR foi assinalado penálti, transformado por Pavlidis.
A segunda parte foi o apogeu do Schjelderup-Prestianni, do Andreas-Gianluca, do talento vezes talento. Eles procuraram-se, eles encontraram-se, eles divertiram-se. Eles contornaram até as dificuldades de um relvado em mau estado, um clássico deste campeonato.
Aos 55', Prestianni trabalhou pela esquerda e, em vez de colocar de forma mecânica na área, olhou, deu atrasado e Schjelderup surgiu para marcar. Aos 59', os papéis inverteram-se, mas com toques de solista argentino: Gianluca arrancou, ultrapassou Gilberto Batista, teve notável força física para se manter na jogada e finalizou com precisão. Está imparável.
Marco Silva aproveitou para gerir os minutos de vários titulares. São já seis vitórias seguidas, vindo aí a receção ao Gil Vicente antes das visitas a Milão e Porto, testes de alta exigência.
Fredrik Aursnes, livre de lesão, saiu do banco para fixar o 4-0 final. A assistência? De Schjelderup. Se Marco Silva já vinha construindo um coletivo de respeito, juntar-lhe os craques complementadores, os elementos de multiplicação, pode tornar o Benfica em caso sério."

Um anjo a derramar bênçãos e a consolar corações contritos

"Prestianni foi a figura maior da vitória do Benfica sobre o Moreirense. Num mini-inferno da Luz, ou melhor, num paraíso vermelho no Minho, encarnados, com exibição de alto nível, fazem sonhar adeptos

A reação tão eufórica quanto apaixonada por amor correspondido, como a que se viu desde o apito inicial até à despedida da equipa, foi a melhor prova de que os adeptos do Benfica voltam a acreditar depois de passarem por provações, adversidades ou dúvidas que corroem a fé como a ferrugem o ferro. A equipa de Marco Silva reconquistou essa força para atacar a conquista do título de campeão, confirmou sinais de evolução, suficientes para golear, sem mácula e com exibição de luxo, o Moreirense. Não é um produto acabado, longe disso, afinal ainda ontem se estreou mais um reforço (El Karouani), mas os sinais são tão positivos que o mini-inferno da Luz no Minho se transformou em espécie de paraíso vermelho.
Será quase obrigatório dar o pontapé de saída desta crónica por Gianluca Prestianni, hoje um anjo que derrama bênçãos (um golo e uma assistência, e muito mais do que isso) a atender corações contritos de adeptos pelo passado recente. Foi o avançado argentino, sobretudo, que fez palpitar os corações vermelhos e quem os consolou. Foi acompanhado por outros, como Schjelderup ou Pavlidis, e foi acompanhado depois por todos. O Benfica foi equipa completa, com erros também, claro, da baliza ao ataque.
Os três pontos conquistados neste jogo em atraso da terceira jornada mostraram o Benfica no caminho certo para jogar como gostam sócios e adeptos, à Benfica — entrada fortíssima em campo, utilização de vários recursos no ataque (passes curtos ou longos com vertigem pela baliza, explorando, sobretudo, o corredor esquerdo), linhas adiantadas, recuperação da bola rápida e no meio-campo adversário, velocidade, oportunidades em abundância, embora desperdício a mais para tanta produção.
Aos 10 minutos, o Benfica tinha construído e perdido três oportunidades claras de golo, arrancou logo com Pavlidis aos 36 segundos. Desde aí não parou até ao fim.
Marco Silva apostou, pela primeira vez, em Prestianni e Schjelderup de início, que tinham coincidido em campo nos últimos 30 minutos com o Marítimo. Esse ensaio no Funchal foi positivo e conheceu, agora no Minho, a evolução. O argentino jogou nas costas de Pavlidis, em detrimento de Sudakov, e o norueguês na esquerda — foi por aí que a bola mais andou, sem que o Moreirense encontrasse soluções para travar o impacto dos três.
Já com alguma ansiedade no banco do Benfica, provocada pela sucessão de ocasiões desperdiçadas, o golo chegou depois de intervenção do videoárbitro, depois de Fábio Veríssimo, condescendente disciplinarmente, não ter visto pontapé de Parsemain sobre Lenglet, após cabeceamento do francês num canto. Pavlidis não perdoou — bola para um lado, André Ferreira, que já tinha feito tantas defesas, para o outro. Os números do final da primeira parte diziam tudo sobre o domínio do Benfica — 25 ataques, 72 por cento de posse de bola, 13 remates, seis cantos e 14 cruzamentos.
O Moreirense, apesar de pouco ter conseguido sair para o ataque, foi, na primeira parte, equipa competitiva, intensa e quase imaculadamente competente a defender, mesmo em muitos momentos de aflição. Ameaçou Samuel Soares só uma vez. No segundo tempo, chegou duas vezes à baliza dos encarnados nos primeiros dois minutos, mas o génio de Prestianni — deixou Dinis Pinto pregado ao relvado antes de assistir com tanta classe como tranquilidade Schjelderup para o segundo golo. O avançado argentino derramou mais uma bênção — deixou Gilberto Batista para trás, depois de aguentar carga do rapagão mais alto 21 centímetros, e finalizou à frente de André Ferreira.
Marco Silva começou depois a pensar nos próximos jogos, o primeiro já no domingo, com o Gil Vicente, na Luz, tirou do jogo Prestianni, Barreiro e Pavlidis, para alimentar o desejo de jogar de Durán, Aursnes e Lukebakio.
Já com o Moreirense destruído, houve ainda mais um golo, de Aursnes, com a cortesia de Schjelderup na assistência."

Prestianni e Schjelderup: o novo pesadelo dos defesas

"Argentino e norueguês endiabrados na goleada das águias em Moreira de Cónegos, 3.ª jornada do campeonato

Melhor em campo - Prestianni (8)
Mais um jogo incrível do argentino de 20 anos, desta vez não na posição de extremo, mas ao centro, como número 10, onde até aqui jogava Sudakov. Prestianni voltou a colocar talento, alma e eficácia no jogo e voltou, igualmente, a ser o elemento mais entusiasmante da equipa. Logo no primeiro minuto do jogo colocou Pavlidis na cara do golo, mas o grego estava em posição irregular. Aos 6’, Prestianni rematou para boa defesa de André Ferreira, aos 18’ disparou por cima da trave, aos 28’ fez novo remate em zona frontal à baliza, aos 29’ ofereceu a Schjelderup a possibilidade de rematar com perigo. Voltou a vestir a pele de assistente quando, aos 35’, deixou Dahl em situação perfeita para finalizar e, no intervalo de tanto, Prestianni foi ainda mais: intenso e agressivo na recuperação, inteligente a recuar para receber bola e ligar a equipa. E parecendo difícil, ainda conseguiu melhor: depois de grande jogada ofereceu o segundo golo a Schjelderup e aos 59’ correu meio-campo fora e finalizou com classe, para o terceiro golo das águias.

(6) SAMUEL SOARES - Exibição sólida e segura, entre os postes e também fora deles. Aos 13 minutos percebeu que Parsemain iria ficar isolado e antecipou-se fora da área. Merece destaque o lance, aos 40’, em que o guarda-redes se projetou em voo e a soco, com muita coragem, negando possibilidade de remate potencialmente perigoso, novamente a Parsemain.

(5) BANJAQUI - Estreia absoluta, e a titular, o jovem lateral-direito de 18 anos começou um pouco nervoso, perdendo alguns passes em zona defensiva. Foi crescendo, jogando pelo seguro e sobretudo ganhou atrevimento para se projetar pelo flanco, no ataque. Até final do jogo alternou entre a insegurança e a vontade de mostrar serviço.

(6) TOMÁS ARAÚJO - Esteve perto de marcar de cabeça (36’), mas André Ferreira fez uma grande defesa. Globalmente atento e prático a limpar lances defensivos, mas aos 40’ deixou-se bater em velocidade e não teve força para travar Parsemain; valeu Samuel Soares à equipa.

(7) LENGLET - Primeira parte de grande nível, com o central a juntar a competência defensiva a uma invulgar capacidade no passe longo. Dessa forma, aos 6 minutos descobriu Prestianni solto na área do Moreirense e Pavlidis, aos 15’. Aos 7’ subiu e rematou de cabeça com perigo, fazendo o mesmo aos 38’ e aos 44’; neste último lance ‘ganhou’ penálti para o primeiro golo da equipa.

(5) DAHL - Certinho como um relógio a defender e na segurança do passe, mas com impacto discreto no ataque. Aos 35 minutos teve possibilidade de se destacar, mas falhou incrivelmente o remate, no coração da área, na sequência de grande passe de Prestianni.

(6) JOÃO PALHINHA - Lutou muito no meio-campo, recuperou muitas bolas, dobrou bem os laterais, mas também se precipitou um pouco no passe e perdeu alguns lances. Aos 51 minutos fez um belo passe longo para a velocidade de Prestianni e depois seria o próprio Palhinha a finalizar, com um remate ao lado do poste. Aos 65’ voltou a ter qualidade para lançar Rafa na área.

(6) LEANDRO BARREIRO - Batalhador e contribuição preciosa para uma reação forte à perda da bola. Aos 28 minutos quase conseguia desviar para a baliza do Moreirense um remate deficiente de Prestianni e aos 39’ conseguiu ganhar espaço e com mais qualidade no domínio da bola poderia ter causado muito perigo.

(7) RAFA - Sempre à espreita do espaço para finalizar e influente na circulação de bola. Aos 6 minutos teve grande oportunidade, mas rematou ao lado do poste. Aos 35’ voltou a tentar a sorte, e desta vez foi André Ferreira a travar a intenção. Rafa também foi solidário a defender.

(8) SCHJELDERUP - Estreou-se a titular na Liga. Revelou entendimento perfeito com Prestianni, somando lances, cruzamentos, remates que colocaram em água a cabeça dos defesas do Moreirense. Aos 7 minutos colocou a bola na cabeça de Lenglet e aos 29’ rematou com perigo, ao lado do poste. Aos 42’ o extremo norueguês voltou a ficar perto do golo, num livre direto, aos 55’ marcou mesmo, de primeira, na sequência de novo lance de entendimento com Prestianni. Aos 72’ assistiu, ainda que de forma involuntária, no golo de Aursnes. Até final, Schjelderup continuou a acelerar na direção do golo.

(7) PAVLIDIS - Logo no minuto 1 surgiu solto na área e rematou com perigo, mas estava em posição irregular. Recuou, jogou de costas para a baliza para ligar a transição, esticou a equipa pelas alas, serviu companheiros e procurou espaço para o remate. Aos 45+3’ não tremeu e concretizou o penálti para o primeiro golo.

(6) AURSNES - Entou aos 72 minutos e precisou apenas de mais 6 para marcar o quarto golo da equipa, aparecendo com oportunidade a aproveitar um passe de Schjelderup que nem era para ele. De resto, sem mácula: critério no passe, geometria em favor da equipa. Procura ainda o melhor ritmo.

(5) LUKEBAKIO - Tentou ser influente e teve momentos interessantes no flanco.

(5) DURÁN - Dinâmico e disponível para ser o primeiro defesa. Não teve espaço, nem bola para ser mais influente.

(5) EL KAROUANI - Estreia do lateral-esquerdo ainda com pouco para registar. A defender foi competente, a atacar teve pouco espaço para se projetar.

(—) SUDAKOV - Entrou no final e manteve a ideia da equipa, sem tempo para mais."