"Não, esta crónica não é sobre a
Taça de Portugal masculina da
época passada – que era nossa,
devia ser nossa, mas alguém
exterior ao campo de jogo en -
tendeu encaminhar para outros
destinatários. Também não é
sobre a Taça de Portugal masculina desta temporada, a cuja
final chega uma equipa que não
devia sequer ter passado dos
oitavos, mas a quem, 12 minutos de observação vesga, e uma
subsequente decisão estapafúrdia, ofereceram a eliminatória nos Açores. Não é, ainda,
sobre a Taça de Portugal masculina de há dois anos, em cuja
meia-final foi anulado um golo
limpo a Di María, o qual acabou
por nos impedir de disputar a
final. E cabe aqui um parêntesis
para sublinhar o quanto estas
evocações nos elucidam sobre
a subversão do palmarés futebolístico deste país.
Não. Esta crónica é sobre a
nossa brilhante equipa feminina, e a Taça conquistada no
Jamor, perante mais de 22 mil
pessoas, naquele que foi o primeiro clássico Benfica-FC
Porto da história do futebol
feminino. Dois golos de Caroline
Møller arrumaram a questão
ainda na primeira parte. Houve
algumas oportunidades desperdiçadas, mas o resultado
não se alterou. A Taça é nossa!
A dobradinha é nossa!
O futuro vai dar-nos, um dia, a
real medida e o alcance destas
conquistas. Agora, estiveram
presentes 22 mil pessoas. Não
tenho dúvidas de que, em
breve, estas equipas esgotarão
um estádio. Essa é uma tendência inelutável, que valorizará os
triunfos de quem a entendeu
antes de todos os outros. Desde
que a nossa equipa feminina foi
criada, com a pandemia pelo
meio, somamos já 17 troféus.
E é para continuar.
Do último fim-de-semana, não
podemos deixar de realçar
também a vitória do râguebi,
que, 25 anos depois, voltou a
sagrar-se campeão nacional.
E, não sendo propriamente
novidade, mais um campeonato
de polo aquático feminino – o
7.º consecutivo!"
Luís Fialho, in O Benfica

