Comunicado do SL Benfica sobre António Silva. pic.twitter.com/LfqT5JSDQB
— Information Glorious - SL Benfica (@InformGlorious2) May 22, 2026
Últimas indefectivações
sábado, 23 de maio de 2026
Comunicado...
Falta de carater, liderança tosca e submissão a interesses conspícuos. ...
Primeiro foi um cartilheiro. Agora Martinez. O que estão a fazer a António Silva representa, com clareza, o que vale a FPF e quem a representa. Falta de carater, liderança tosca e submissão a interesses conspicuos. Pode ser que o karma se encarregue desta gente.
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) May 22, 2026
Vários temas benfiquistas
"A atualidade do Benfica na BNews.
1. Convocados
Aursnes e Schjelderup chamados pela Noruega para o Campeonato do Mundo 2026.
2. Distinção
Foi entregue o prémio de Melhor Equipa Técnica da Liga BPI em abril.
3. Entrada com o pé direito
O Benfica ganhou à Oliveirense (98-76) no jogo 1 das meias-finais dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol.
4. Agenda para sábado
Na Luz, às 15h00, o Benfica defronta a Oliveirense em basquetebol no masculino. E, às 21h00, arranca a final dos play-offs do Campeonato Nacional de futsal no feminino entre Benfica e Nun’Álvares.
Em andebol, a equipa masculina visita o Sporting (18h00) e a feminina tem embate no reduto da Academia São Pedro do Sul (18h00).
5. Um palco de excelência
O Estádio da Luz prepara-se para albergar os concertos de Bad Bunny e Iron Maiden.
6. Entrevista
Luís Araújo, treinador dos Sub-19 do Benfica, fala sobre a temporada recentemente terminada.
7. Ajudar quem mais necessita
A Fundação Benfica e a GNR entregaram eletrodomésticos e bens essenciais a idosos e famílias vulneráveis das áreas de Ourém, Tomar e Ferreira do Zêzere.
8. História Agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira da BTV.
9. Jornal O Benfica
A edição desta semana já está disponível para download no Site Oficial."
Sem hipocrisias...
🚨 𝗖𝗥𝗔𝗭𝗬 𝗙𝗔𝗖𝗧: Not a single Premier League club has congratulated with winning the Premier League title. pic.twitter.com/SYHlU3aEud
— The Touchline | 𝐓 (@TouchlineX) May 22, 2026
Regresso dos clubes-alma
"Para começo de conversa: o Marítimo (campeão da Liga 2) e Académico de Viseu estão de volta ao patamar superior do nosso futebol. O Torreense vai jogar as decisões da que pode ser a época mais histórica do clube: potencial regresso à Primeira Liga no play-off contra o Casa Pia e um pitstop no Jamor para defrontar o Sporting na final da Taça. Coisa pouca! Descendo um escalão, a luta pelos lugares de acesso ao futebol profissional foi até ao fim e coroou o Amarante com o troféu de vencedor da Liga 3 e a Académica a carimbar um regresso histórico às competições tuteladas pela Liga. Já o Belenenses vai repetir a dose do ano passado, defrontando desta vez o Farense no play-off pela presença na Segunda Liga na próxima temporada. Mais um duelo decisivo e a valer muito entre dois velhos conhecidos.
E, no meio deste movimento de recuperação de identidade do nosso futebol, há ainda espaço para uma nota que merece aplauso: o regresso do Vitória de Setúbal — perdoem-me os sadinos pela designação inevitável — ao Campeonato de Portugal. Um clube que caiu ao fundo do poço por razões administrativas e financeiras, mas que vai dando sucessivas provas de resiliência, sobrevivência e resistência comunitária. Esperemos que nunca mais precise de voltar tão abaixo por motivos que nada têm que ver com o que acontece dentro das quatro linhas.
E pergunta o leitor: o que nos traz de diferente esta informação? Na era dos clubes cada vez mais descaraterizados, sem identidade reconhecida e com incapacidade de cativar público, estas subidas surgem como novo alento para o futebol português, especialmente integradas na urgência de valorização do produto na ótica da discussão da centralização dos direitos televisivos. É diferente comercializar um modelo de entretenimento que ofereça um Caldeirão dos Barreiros cheio, fervoroso e emocionalmente ligado à sua equipa do que uma Vila das Aves ou Rio Maior às moscas, em estádios despedidos de identidade e sem ligação territorial forte. O Marítimo dispensa grandes apresentações. O futebol português precisa da Madeira e a Madeira precisa do Marítimo na Primeira Liga. A capacidade mobilizadora do clube traz à nossa praça algo que não é fabricável artificialmente em departamentos de marketing. Como dizem os catalães sobre o seu Barcelona, é mais que um clube.
É também relevante a possibilidade da Liga poder contar a história de um regresso histórico — e já merecido há muito —, como o do Académico de Viseu, representante de uma zona tantas vezes negligenciada pelo país político e desportivo. Há uma cidade inteira mobilizada em torno de um clube e isso vale ouro numa indústria que precisa desesperadamente de autenticidade. Já a alegria contagiante da época do Torreense, que pode juntar ao Jamor a 8.ª presença na primeira divisão, onde não anda desde 1992, é a prova de que temos excelentes histórias para vender fora do radar habitual dos clubes de sempre que pautam a narrativa dominante. Qualquer campeonato inteligente tem aqui a hipótese de transformar estas histórias em conteúdos com valor mediático e que catapultem a dimensão triangular de como nos tentamos vender.
Quando olhamos para a Liga 3, é inevitável elogiar o trabalho tremendo da FPF na valorização e remodelação das divisões não profissionais do nosso futebol. É uma ideia de sucesso e que tem vindo a ser constantemente aprimorada, com transmissões televisivas de qualidade e a introdução do VAR no Apuramento de Campeão. Amarante, Académica e Belenenses foram os maiores protagonistas desta temporada e chamam à vista pelas molduras humanas que apresentam nos seus jogos. Hoje, existe uma realidade competitiva muito mais apelativa e isso reflete-se no público, no interesse e no envolvimento das comunidades. O Amarante é a prova de que vale a pena acreditar no crescimento sustentado em contraposição com megalomanias disfarçadas de promessas de sucesso. É um percurso que une o melhor que a gestão desportiva tem para oferecer.
Descendo no mapa de Portugal Continental, a Briosa acabou de bater o recorde de espectadores da Liga 3, com 26.356 adeptos presentes no Municipal de Coimbra. É uma casa que faz corar de inveja aos clubes da Primeira Liga e permite um movimento de união da cidade dos estudantes à volta do clube como já não se via há muito. Há poucos fatores tão fortes e essenciais como a simbiose clube-cidade e não há nada de que a indústria precise mais neste momento.
O que une todos estes exemplos é a porta que se abre para funcionarem como válvulas de escape à estagnação do crescimento do nosso futebol. É preciso que os protagonistas e decisores assim o saibam aproveitar. Temos matéria-prima e um país que verdadeiramente vive para o futebol. É o desporto-rei, rainha, príncipe e princesa. Por isso, há que saber capitalizar estas oportunidades em que o relvado é justo perante as comunidades que mais sentem esta paixão.
O futebol português tem passado demasiado tempo focado apenas em ativos financeiros, mercados externos e negociações comerciais, esquecendo-se frequentemente de que o seu maior ativo continua a ser emocional. São estes clubes-alma que alavancam o setor. São estes contextos que criam melhores transmissões televisivas, melhores ambientes, melhores conteúdos digitais e maior ligação entre adeptos e competição.
Todos os players envolvidos têm aqui uma oportunidade rara. É preciso transformar estes regressos em motores de crescimento estrutural. Contar histórias, mostrar cidades e criar conteúdos à volta das comunidades, dos adeptos, da cultura local e da história dos clubes. Portugal tem isso em abundância, só falta muitas vezes saber aproveitá-lo.
Ainda quero acreditar que é possível trabalhar-se em prol de um dos setores que mais contribuí para a internacionalização do nosso país. Vivemos num tempo de decisões estratégicas que irão marcar se nos vamos aproximar das Big-5 ou mirrar progressivamente para a expressão intermédia semelhante à Bélgica, Escócia ou Turquia. Estes clubes fazem-me acreditar que temos as condições para concretizar um futuro mais risonho. Parabéns a todos por esta bela época. Agora, a bola está nas mãos de quem decide."
Aquilo que o futebol português deveria ser
"Bernardo Silva não é caso único, felizmente, mas o emotivo adeus ao Manchester City é pretexto adequado para lembrar os bons exemplos que a carreira do esquerdino tem dado
Bernardo Silva não vai — felizmente — pendurar já as chuteiras, mas o adeus ao Manchester City quase deixa essa sensação de vazio, tão profunda é a marca deixada pelo internacional português no clube pelo qual conquistou tudo: 19 títulos em nove anos.
Quero acreditar que Bernardo, que faz 32 anos em agosto, ainda tem muito para dar ao futebol, mas é provável que já não tenha tempo, pelo menos como futebolista, para escrever um capítulo como este que encerra no próximo domingo.
Para Pep Guardiola o português é uma LENDA — assim mesmo, em maiúsculas —, mas o elogio mais completo dos últimos tempos até veio de outro treinador espanhol do esquerdino.
«Quando falamos no que o futebol português devia ser, é o Bernardo Silva», disse há uns meses o selecionador nacional, Roberto Martínez, destacando a fiabilidade de um jogador que, para além da qualidade técnica, evoluiu constantemente no entendimento do jogo.
Felizmente para o futebol português existem mais Bernardos, desde logo nessa capacidade de aliar habilidade e inteligência, mas o ainda jogador do City tem sido mesmo um exemplo.
Alguém que provou que o talento não tem altura: nem a dos centímetros, nem a da idade. Bernardo chegou mais alto do que aqueles que desconfiaram do seu potencial, ainda nos escalões de formação do Benfica, e que o colocaram várias vezes na porta de saída do centro de treinos do Seixal. Bernardo foi mais além do que aqueles que colocaram de lado entre os crescidos. Revelou-se mais valioso do que julgavam aqueles que esfregaram as mãos à primeira oportunidade de negócio.
Bernardo nunca se deixou diminuir: no Mónaco fez-se príncipe, em Manchester sugere-se uma estátua em sua homenagem. Uma lesão afastou-o do título europeu de 2016, mas nem isso impediu que se tornasse um grande nome da Seleção, com duas Ligas das Nações no rico palmarés.
No meio de tudo isto, Bernardo Silva nunca andou em bicos dos pés. Continua fiel à ética de sempre, por isso respeitado entre colegas e adversários, a encarar tudo com a mesma simplicidade, apesar da profissão privilegiada que tem.
«O pai e a mãe devem sentir-se orgulhosos», chegou a dizer Guardiola.
Felizmente o futebol português tem outros exemplos assim, mas este é o momento de valorizar Bernardo.
Sorte a de quem o levar."
Licenciamento para provas
"Com o aproximar do final da época desportiva, começam também a ficar definidas as competições em que cada clube irá participar na temporada seguinte. Para muitas equipas, o cumprimento dos objetivos dentro de campo terá agora de ser acompanhado pela obtenção da licença atribuída pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
O sistema de licenciamento da FPF tem como principal objetivo elevar e uniformizar os padrões de qualidade do futebol português, através de um processo de certificação que avalia os clubes nas vertentes desportiva, organizacional, infraestrutural e económico-financeira. Este modelo assenta no rigor e na exigência do cumprimento de critérios que procuram garantir maior sustentabilidade, transparência e credibilidade nas competições.
Durante toda a época, para que tenha efeitos na temporada imediatamente seguinte, os clubes são chamados não só a confirmar o seu mérito desportivo, mas também a demonstrar capacidade de organização e gestão. O licenciamento assume, por isso, um papel fundamental na preparação da nova época, contribuindo para o fortalecimento das estruturas dos clubes e para a valorização do futebol nacional.
Através deste processo, a FPF pretende continuar a promover melhores condições de gestão, modernização das infraestruturas, equilíbrio financeiro entre os participantes, desenvolvimento da formação e reforço dos princípios de integridade, verdade desportiva e fair-play."
Do Conselho Nacional do Desporto à Cultura da Opacidade
"A minha crónica publicada no Record em novembro de 2025 partia de uma crítica à inutilidade prática e ao excesso de ritualismo no Conselho Nacional do Desporto: muita reunião, pouca consequência, excesso de representação institucional e ausência de verdadeira reforma. O foco era a cultura instalada de inércia, corporativismo e produção de consenso vazio.
Já a peça publicada pelo Observador esta semana revela uma evolução ainda mais preocupante dessa lógica: não basta existir um sistema fechado sobre si próprio, pretende-se agora institucionalizar a opacidade através de deveres de confidencialidade que se prolongam mesmo após o fim das funções dos membros do Conselho Nacional do Desporto.
A questão é séria e merece reflexão pública. O desporto não é uma sociedade secreta. Não é um conselho de administração de uma multinacional tecnológica a proteger propriedade intelectual ou segredos industriais. É uma área de interesse público, financiada direta e indiretamente pelos contribuintes, envolvendo federações com utilidade pública, dinheiros do Estado e representação nacional.
Importar para estas estruturas uma lógica de NDA (“non disclosure agreement”) permanente ou excessiva é um sinal profundamente errado. Mesmo no mundo empresarial, os acordos de confidencialidade possuem limites claros, servem para informação estratégica concreta, não podem impedir denúncias de ilegalidades e não se sobrepõem a direitos fundamentais nem ao interesse público. Em muitas democracias modernas, cláusulas excessivamente vagas ou permanentes são frequentemente consideradas abusivas ou até juridicamente inválidas.
Num órgão consultivo ligado ao desporto nacional, a tentativa de impor silêncio institucional prolongado levanta inevitavelmente uma pergunta: pretende-se proteger informação sensível… ou limitar o escrutínio e a liberdade crítica?
As democracias fortes vivem de contraditório, debate e transparência. O desporto também deveria viver desses princípios, as melhores práticas internacionais de governance desportiva apontam precisamente no sentido oposto: mais transparência; maior accountability; proteção de denunciantes; independência institucional e abertura à crítica construtiva.
Existe aqui um risco político e institucional evidente: quando organismos públicos começam a preocupar-se mais em controlar aquilo que pode ser dito do que em resolver os problemas estruturais do setor, a opacidade substitui inevitavelmente a responsabilidade.
Srª Ministra e Sr. Secretário de Estado do Desporto, quando organismos públicos começam a preocupar-se mais em controlar aquilo que pode ser dito do que em resolver os problemas estruturais do setor, a opacidade substitui inevitavelmente a responsabilidade.
E talvez seja precisamente aí que o desporto português mais precise, urgentemente, de mudar."
Mundial 2026 e justiça desportiva: o CAS em regime de urgência
"A criação de uma divisão ad hoc do Court of Arbitration for Sport (CAS) para o Mundial de 2026 confirma a crescente tendência de especialização e aceleração da justiça desportiva internacional.
A medida, aprovada pelo Board do International Council of Arbitration for Sport (ICAS), não constitui propriamente uma novidade absoluta, já que mecanismos semelhantes foram utilizados em anteriores grandes competições internacionais, incluindo o Mundial do Qatar em 2022 e os Jogos Olímpicos. Ainda assim, o modelo assume particular relevância no contexto do Mundial de 2026, competição que contará com 48 seleções, será disputada em três países e apresentará um calendário competitivo sem precedentes.
O objetivo da divisão ad hoc é claro: assegurar que litígios urgentes relacionados com a competição sejam resolvidos em tempo útil. Em torneios de curta duração, a utilidade prática da decisão depende muitas vezes da sua imediatidade. Um jogador suspenso indevidamente pode perder toda a competição; uma seleção afetada por uma decisão tardia dificilmente conseguirá reparar o dano desportivo sofrido. Neste contexto, a celeridade deixa de ser apenas uma característica processual e passa a assumir-se como elemento essencial da própria justiça desportiva.
As regras aprovadas para o Mundial estabelecem que o painel arbitral deverá proferir decisão no prazo de 48 horas após a apresentação do recurso, prevendo-se apenas, de forma excecional, a possibilidade de extensão desse prazo pelo Presidente da divisão ad hoc «if circumstances so require».
Trata-se de um prazo extraordinariamente curto quando comparado com qualquer sistema jurisdicional tradicional. Em apenas dois dias, os árbitros poderão ter de analisar regulamentos FIFA, apreciar prova documental, ouvir as partes e decidir questões com enorme impacto competitivo, financeiro e mediático.
Apesar de o Mundial decorrer nos Estados Unidos, Canadá e México, o regulamento mantém um elemento estrutural fundamental da arbitragem desportiva internacional: o Seat of the arbitration continuará a ser Lausanne, na Suíça.
Esta opção não é meramente simbólica. Ao fixar Lausanne como sede jurídica da arbitragem, garante-se a aplicação do enquadramento arbitral suíço e preserva-se a ligação institucional ao sistema jurídico que historicamente sustenta o funcionamento do CAS.
Da mesma forma, o regulamento determina expressamente que o painel arbitral decidirá os litígios de acordo com os regulamentos da FIFA e, subsidiariamente, com o direito suíço. Esta referência reforça a centralidade da ordem jurídica suíça no desporto internacional e evidencia a preocupação em assegurar coerência jurisprudencial e previsibilidade decisória.
É precisamente aqui que emerge um dos debates jurídicos mais interessantes em torno deste modelo. Quanto maior for a compressão temporal do processo, maior será também o risco de limitação efetiva do contraditório, da produção de prova e do direito de defesa. Embora o sistema procure garantir eficiência e proteção da integridade competitiva do torneio, permanece a questão de saber até que ponto decisões tomadas sob enorme pressão temporal conseguem assegurar um escrutínio jurídico suficientemente aprofundado.
Ao mesmo tempo, o mecanismo reforça a centralidade do CAS como verdadeira jurisdição global do desporto.
Nas últimas décadas, a justiça desportiva internacional tem evoluído no sentido de uma crescente autonomização relativamente aos tribunais estaduais, privilegiando estruturas arbitrais altamente especializadas, internacionalizadas e adaptadas às exigências do calendário competitivo. O Mundial de 2026 poderá representar mais um passo decisivo nessa consolidação institucional.
Por outro lado, a criação desta divisão ad hoc também poderá influenciar a litigância estratégica durante a competição. Federações, jogadores e equipas técnicas passam a dispor de um mecanismo de reação praticamente imediata perante decisões disciplinares, questões de elegibilidade ou conflitos regulamentares. Num contexto em que o fator tempo pode ser determinante, a estratégia processual tenderá a ganhar importância acrescida.
No fundo, o Mundial de 2026 poderá transformar-se não apenas num marco desportivo, mas também num importante laboratório da justiça desportiva contemporânea.
O verdadeiro desafio do CAS e do ICAS será demonstrar que a rapidez das decisões não compromete a qualidade jurídica das mesmas - e que é possível conciliar eficiência processual, independência arbitral e proteção efetiva dos direitos dos intervenientes num dos maiores eventos desportivos do mundo."
Iraque: Certo como “a testa de Rahdi“, o goleador castigado com 15 horas de pontapés na parede
"Deixou, no Mundial de 1986, o primeiro e único golo marcado pelos iraquianos no torneio e só um desleixo de um árbitro o privou de deixar outro. Ahmed Radhi jogou no clube de um filho de Saddam Hussein, pagou por isso com o corpo e chegou a ser eleito para o parlamento do país onde o seu nome entra numa espécie de ditado popular.
Um coche de desleixo, uma pitada de má vontade, uma mistura assim terá impelido o árbitro a soprar no apito, em 1986, quando a bola já voava, vinda de um canto, rumo à cabeça de Ahmed Rahdi. O avançado saltou, a sua testa rematou e os jogadores mal puderam festejar: o silvo vindo do árbitro achou por bem dar ordem para o intervalo após o canto ser pontapeado, o Iraque não teve um golo e acabaria por perder com o Paraguai na fase de grupos do Mundial, órfão de vitórias.
Teria sido um golo apropriado, inclusive justo, face a um dos trejeitos sociais que se entranhou debaixo da pele do povo iraquiano: por lá é expressão corriqueira dizer, quando algo acontece pela certa, que é como a “testa do Rahdi”. Se ricocheteada na sua cabeça, era convenção esperar um golo.
Mas Ahmed Rahdi, nascido em Bagdade, despediu-se do Campeonato do Mundo da mão de Deus, da meia equipa inglesa driblada, de Maradona furibundo com os inglesas devido às Malvinas, com um singelo golo, o primeiro do Iraque e até hoje único, esquivo às mãos de um guarda-redes não de de somenos. Foi contra Jean-Marie Pfaff e a Bélgica finalista do Europeu meia-dúzia de anos antes que o Iraque amigo da instabilidade deixou uma lembrança no torneio jogado no México.
Uma espreitadela ao guia da “Placard” da época ilustra-o. Estreante na prova, a seleção asiátiva era a única que trocara duas vezes de treinador nos seis meses prévios, indo ao Mundial com Evaristo Macedo no banco, lá chegado a 28 dias do primeiro jogo, sucessor de Edu, irmão do lendário Zico, por sua vez herdeiro do cargo de Jorge Vieira, todos eles brasileiros. Insistente nas graçolas com os “petrodólares”, indicando-os como algo com que o Iraque poderia “desequilibrar” nos jogos, a revista repetiu um aviso: cuidado com o “hábil goleador Rahdi”.
Avançado de labor metódico, conta-se que seguiu o exemplo dos três irmãos mais velhos, futebolistas antes dele em clubes pequenos da capital iraquiana, praticando seis horas por dia. Aos 16 anos, entrou na equipa da Polícia de Bagdade, uma porta de entrada na estrutura da bola do país. Não demorou a alcançar maior destaque. O Al-Zawra'a contratou-o em 1981, ano em um treinador de guarda-redes da seleção o detetou, convencendo o selecionador a percorrer mais de 160 quilómetros de carro para o ver.
Por comparação, era coisa pouca: Rahdi caminhava todos os dias quatro quilómetros para ir aos treinos.
Acabaria por se mudar, à força, para o Al-Rasheed, clube fundado por Uday Hussein, o mais velho dos filhos de Saddam, ditador iraquiano cujos ímpetos muito afetaram o país, o povo e lá mais para o fundo da fila, a carreira de Ahmed. Em 1990, já o avançado tinha conquistado duas Taças do Golfo e sido eleito, em 1988, como o melhor jogador asiático - único futebolista do país a ter esse louro -, o Iraque invadiu o Kuwait. A decisão precipitou a Guerra do Golfo, houve sanções e bloqueios impostos ao regime e, durante anos, a seleção não pôde competir.
Braço do pai mais dedicado ao desporto, Uday Saddam seria, ao longo dos anos, presidente da Federação Iraquiana de Futebol ou do Comité Olímpico do país, dedicando atenção a Ahmed caso a sua equipa ou a seleção perdessem. Já retirado e em 2003, contou à “Associated Press” que o filho do opressor ordenava que o fossem buscar a casa, de carro, para o levarem até ao meio de nenhures para ser espancado e sujeito a castigos militares, como ser obrigado a pontapear uma parede durante 15 horas.
Entre 1993 e 1996 jogou no Catar, fugido ao regime iraquiano e à voraz curiosidade dos adeptos: os satélites ainda estavam proibidos no país, era impossível apontar um ao céu, caçar o sinal certo e receber a transmissão dos jogos do vizinho do Médio Oriente. Deixou as chuteiras em paz aos 35 anos, contava 121 partidas feitas com o Iraque e 62 golos, atrás só dos 78 de Hussein Saeed. Pela seleção com alcunha ‘Leões da Mesopotâmia‘ ainda esteve nos Jogos Olímpicos de Seoul, marcando duas vezes.
Ainda se aventurou na política, sendo eleito para o parlamento do país. Quando o novo milénio se espreguiçou e os EUA levaram ao país a segunda Guerra do Iraque colaborou com os invasores, trabalhando no Comité Olímpico para erguer uma seleção de futebol capaz de ir a Atenas, em 2004, beslicar o mundo com uma surpresa. Nesses Jogos Olímpicos o Iraque acabou no 4º lugar, derrotando na fase de grupos um Portugal com Cristiano Ronaldo de madeixas loiras, por 4-2. Foi, em pequena parte, obra de Ahmed Radhi, falecido em 2000, aos 56 anos, levado pela covid-19."
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Bom arranque...
Benfica 98 - 76 Oliveirense
24-17, 29-10, 25-20, 20-29
Vitória tranquila no Jogo 1, das Meias-finais, contra um adversário desfalcado...
Depois dos erros, a obrigação de mudar
"Fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes raramente dá bom resultado. Infelizmente, esta velha máxima explica muito do que foi a época do Benfica. A repetição de erros, dentro e fora de campo, resultou em mais um ano de insucesso desportivo, agravado pela ausência da próxima Liga dos Campeões e do futuro Mundial de Clubes.
Estar fora da Champions fere também as finanças do clube. Falhar esta competição agravará um défice de exploração já elevado e voltará a pressionar a venda de jogadores. Este é o ciclo que temos de quebrar.
O Benfica precisa de recuperar estabilidade para voltar a ser dominante. Em cinco épocas, passaram cinco treinadores e demasiados jogadores sem impacto desportivo ou valorização relevante. É muito tempo sem uma visão clara e duradoura para o futebol.
Há épocas em que se ganha e há épocas em que se aprende. Esta tem que ser de aprendizagem. É nos momentos maus que devemos estar mais unidos, mas isso não significa apoio cego ou negligente. Antes um apoio construtivo, que não abdica do espírito crítico. Todos somos responsáveis por ajudar a corrigir o rumo quando percebemos que seguimos por um caminho perigoso.
O futuro do Benfica exige quatro prioridades.
1. Formação como aposta na equipa principal;
2. Plantel estável e menos rotatividade;
3. Scouting focado em talento acessível e competitivo;
4. Um treinador de projeto, capaz de executar uma ideia de jogo alinhada com a identidade do clube. Sem estabilidade, continuaremos dependentes de vitórias ocasionais.
A próxima época parece um castigo, mas é uma oportunidade. Um projeto desportivo claro e alinhado com uma redução de custos pode servir para recentrar o clube no essencial e garantir sustentabilidade.
José Mourinho disse há dias que, mesmo fazendo tudo bem, isso pode não chegar. Os erros de arbitragem dos últimos anos custaram pontos, títulos e milhões ao Benfica. Se todos temos consciência disto, é fundamental que a reação seja mais do que indignação avulsa. Não podemos esperar pelo próximo ataque ao Benfica. O Benfica deve liderar o debate da transparência: divulgação dos áudios do VAR, avaliação independente, critérios públicos para os árbitros e decisões mais rápidas. Para mudar, é preciso começar agora.
O Benfica tem de fazer mais, sem dúvida. Tem de jogar mais, e jogar melhor. Mas tem de jogar em campos que não estejam permanentemente inclinados. E este combate é para ser travado custe o que custar.
Sou Benfiquista e não posso estar satisfeito. Conquistámos apenas um título nacional nos últimos cinco disputados. É preciso muito mais. A partir daqui, o único caminho admissível é chegar ao 39 já na próxima época e criar as condições para um Benfica consistentemente vencedor e financeiramente forte.
A grandeza do Benfica também se mede na capacidade de aprender com os insucessos. Só voltaremos aos títulos se transformarmos esta época numa oportunidade para mudanças reais."
Benfica: um presidente na sala de espera
"José Mourinho, Marco Silva, Ruben Amorim ou um treinador estrangeiro: a próxima época do Benfica estará a ser preparada sem certezas. Rui Costa vai explicar-se e terá de mostrar que decide
José Mourinho ainda não comunicou ao Benfica a sua decisão, mas por esta altura restam poucas dúvidas de que voltará a Madrid. Há semanas que sabemos que é o preferido de Florentino Pérez, que entretanto poderá usar o treinador como bandeira em eleições (onde é que já vimos isto?), e ainda que o próprio Mourinho tenha evitado o assunto nas últimas conferências de imprensa não será difícil imaginá-lo, na futura apresentação, a dizer que ninguém diz não ao Real Madrid.
Certo é que o campeonato terminou entretanto e o Benfica está a preparar a próxima época sem saber quem será o treinador. Nada de inédito, claro, basta reparar que o atual técnico campeão, Francesco Farioli, até só chegou em julho do ano passado, após um Mundial de Clubes que mudou tudo (sobretudo a opinião do presidente do FC Porto, que antes tinha garantido que Martín Anselmi era para ficar). Afinal, parece que correu tudo bem...
Na Luz, a ordem é para esperar. Rui Costa espera por José Mourinho, mesmo que tenhamos dado conta de alguns avanços para a sucessão. Marco Silva, a hipótese que fomos dando como a mais provável, espera por Rui Costa, sendo pressionado pelo Fulham para renovar. E Ruben Amorim não espera nada, a não ser que uma boa proposta do estrangeiro lhe estrague o planeado ano sabático.
Tudo somado, e conforme A BOLA dá conta na edição de hoje, entra em campo a hipótese de um treinador estrangeiro. Ou seja, ou Mourinho dá a volta e renova, ou Marco Silva diz não ao Fulham e assina, ou um milagre traz Amorim, ou então o mercado estrangeiro vai ter de resolver a equação que tanto preocupa os benfiquistas. Está quase tudo nas mãos dos treinadores enquanto o presidente espera, com diferentes soluções em cima da mesa.
Haverá muitas questões e análises sobre o que têm em comum (ou não) Mourinho, Marco, Ruben e o estrangeiro, mas depois de mais uma época sem o título de campeão, sem o dinheiro da próxima Champions e com mercados de transferências gigantes mas duvidosos, o plano do presidente não pode sofrer hesitações.
Rui Costa prometeu explicações para esta semana, mas afinal vai ter de adiar - à espera de Mourinho, lá está. Quando falar, terá de dar aos benfiquistas uma sensação de segurança na estratégia que terá traçado para a próxima época - é isso que se espera do presidente. Há nomes mais sonantes do que outros para treinar o Benfica em 2026/27, mas pior do que voltar a falhar os objetivos será transmitir a ideia de que não tem mão no que está a passar-se."
Os craques não se medem aos palmos
"«Há 15 anos, quando estava naquela má situação no Benfica em que não jogava porque não acreditavam em mim por causa do meu tamanho, olhar para aquela equipa do Pep em Barcelona, com os tipos pequenos, com Xavi, Iniesta, Messi, Pedro, era uma inspiração»
Bernardo Silva, jogador do Manchester City, aos canais do clube
O título de campeão inglês fugiu anteontem, mas Bernardo Silva despede-se do Manchester City com mais uma Taça de Inglaterra, que, como capitão, ergueu em Wembley já este mês, e como recordista de troféus no clube: 20.
E enquanto prepara a despedida final, ontem, aos canais do City, falou da relação com Pep Guardiola, explicando como, com 15 anos, e à distância, o seu treinador durante quase uma década já era uma inspiração.
É bem sabido que o percurso de Bernardo nas camadas jovens do Benfica ficou marcado por um período em que quase não jogava, por ser demasiado baixo. Como se os craques se medissem aos palmos. Por isso, ver aquele Barcelona de Xavi, Iniesta e Messi permitia-lhe continuar a sonhar.
Ver a carreira de Bernardo — se alguém tiver dúvidas do impacto que teve no City, tão grande ou maior do que tiveram Aguero ou De Bruyne, só para citar dois nomes marcantes dos últimos 15 anos, aconselho a ouvirem a entrevista de Darren Fletcher a Noel Gallagher, líder dos Oasis, e a idolatria com que o músico fala do português —, ou a de João Moutinho, que acabou de renovar com o SC Braga, a menos de três meses de completar 40 anos, prova que o futebol não é só para gente grande e é o desporto mais democrático."
Tal como aconteceu com Di María, Otamendi merecia outra despedida...
"Que a corrente de águas barrentas do La Plata devolva o central argentino à memória do Monumental... Pena uma nova saída da Luz de forma pouco condizente com a dimensão e o que deu durante seis anos.
Quando, muito emocionado, Otamendi desabafa «e agora, vamos para casa» - como que fazendo um esforço para não se esquecer a razão de ter de passar pela emoção profunda e sofrida de se despedir do Benfica e dos companheiros - pareceu-me ouvir um verso de Gardel. «Volver con la frente marchita.. que es un soplo la vida, veinte años no es nada». Otamendi volta a Buenos Aires sem regressar verdadeiramente. Voltar é físico, regressar é viagem emocional e ninguém regressa a um local de onde nunca saiu.
Otamendi seguramente disse até já ao azul vibrante do Tejo. Deixando-se levar pela corrente de águas barrentas do rio La Plata e, na imortalidade de personagens de Jorge Luis Borges, vestindo a pele de herdeiro de um compadrito portenho, mas que usa a alma e não as facas para os duelos. Duelos não de vida ou morte, mas de ser ou não ser.
Jorge Luis Borges, expoente da literatura argentina, sabe do que fala. Também ele nasceu em Buenos Aires, também ele viveu na Europa, também ele voltou sem regressar à capital argentina. No poema Arrabal, termina em exclamação: «yo estaba siempre (y estaré) en Buenos Aires». A memória é mais real do que a distância, ser é mais profundo do que estar.
Nenhum voltar é original, são repetições de uma alma que se melhora. Por isso, Otamendi não volta mais velho. Volta repetido. Talvez até na ilusão de juventude, a de voltar a um lugar onde começou a imaginar-se. Onde tudo é tão verdadeiro quanto simbólico. Onde a catedral da Luz dá lugar à arena do Monumental, uma memória coletiva a gritar ao mesmo tempo. E talvez seja isso que chama por Otamendi: não o River Plate, mas o som. O eco dos antepassados, as memórias que se foram purificando até serem alma.
Otamendi merecia um melhor ‘até já’ do Benfica. Como há um ano o mereceu Di María, que quase saiu incógnito. Por muito que a maioria dos adeptos entenda este fim de ciclo, nada engrandece mais uma instituição, como uma pessoa, do que a gratidão. Otamendi deu tudo. E deu muito. Dentro e fora do campo. O choro compulsivo de Prestianni durante a mensagem de despedida de Otamendi no balneário diz muito desse papel. Tantas vezes o agora ex-capitão deu na cabeça do jovem compatriota, que chegou a estar com um pé e três quartos fora da Luz e terminou a época como indiscutível… Por isto e por tudo, fica apenas a convicção que o Benfica fará em devido tempo a justa homenagem a Di María e Otamendi. Porque há jogadores que pertencem aos jogos e há jogadores que pertencem à memória dos jogos. Há jogadores que pertencem à estatística e outros que pertencem à emoção. Há jogadores que ficam na história e há jogadores que ficam no coração. E há quem ocupe todos estes lugares.
Sinto que devo agradecer a Otamendi. Pelo que deu e pelo respeito que mostrou pelo país que, acredito, será também seu. Para que volte sem regressar. Desejo-lhe a maior felicidade. Desportiva e, acima de tudo, pessoal. Na certeza de que algumas despedidas não são eventos. São apenas formas mais lentas de permanecer."
Atualidade benfiquista
"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas do quotidiano do Benfica.
1. Convocatórias
Tomás Araújo é um dos convocados por Portugal para o Campeonato do Mundo. Diogo Ferreira foi chamado pelos Sub-21 portugueses. Jaden Umeh integra a mais recente convocatória da seleção A irlandesa. João Rego e outros três atletas do Benfica vão representar Portugal nos Sub-20. Cinco atletas encarnados integram os Sub-18 lusos. E há um convocado pelos Sub-17 da Suécia.
2. Futebol no feminino
São 6 as convocadas por Portugal, entre elas Lúcia Alves, que renovou contrato com o Benfica até 2031. Nota ainda para as 2 convocadas pela seleção Sub-20 brasileira.
3. Últimos resultados
Em futsal, o Benfica apurou-se para as meias-finais dos play-offs ao eliminar o Eléctrico após vencer, por 5-0, o jogo 2. Trajeto igual no hóquei em patins, ao ganhar no reduto da Sanjoanense por 1-2. Os Sub-23 de futebol foram eliminados pelo Santa Clara nas meias-finais da Taça Revelação após desempate nos penáltis.
4. Jogo do dia
O Benfica recebe a Oliveirense em basquetebol (19h00).
5. Protagonista
A basquetebolista Joana Soeiro é a entrevistada da semana.
6. Movimento nas modalidades
No andebol, João Bandeira Lourenço regressa ao Benfica na próxima temporada após empréstimo. Samara Vieira renova o contrato.
7. Parceria técnica
SL Benfica e Malut United FC, da Indonésia, assinam parceria técnica.
8. Partilha de experiências
Diana Silva e Pauleta conversam com atletas femininas de futebol do Benfica sobre conciliar o futebol com os estudos.
9. Bons desempenhos
Bárbara Timo e Rochele Nunes em bom plano no Open de Benidorm de judo. E, no atletismo, houve quatro pódios de atletas do Benfica no Encontro Internacional de Estafetas.
10. Open Day
Realizou-se, no relvado do Estádio da Luz, o Open Day do râguebi benfiquista, destinado a jovens dos 6 aos 16 anos.
11. Sports Science
Realizou-se a 7.ª edição da Conferência de Sports Science, que reúne profissionais de diferentes áreas e modalidades do Benfica.
12. Distinção
A Fundação Benfica foi distinguida pela Federação Portuguesa de Futebol com um Prémio de Responsabilidade Social.
13. Noite Europeia dos Museus
No dia 23 de maio, celebra-se a Noite Europeia dos Museus. Conheça o programa completo do Museu Benfica Cosme Damião."
Nada de novo em Martínez e Rui Costa
"Já percebemos há muito que Roberto Martinez é um político, no sentido diplomático do termo, de quem explica decisões duras com expressões brandas (e um sorriso, quando possível) e se coloca acima do bem e do mal. Assim aconteceu de novo: não excluiu ninguém, apenas não pôde incluir todos, há quem esteja de fora, mas com pé dentro (se houver lesões), o dia da convocatória era triste (por essas exclusões) mas também feliz (pelo arranque do processo). É tentar unir para reinar, até que os resultados nos dividam.
Por isso, e no concreto das opções, nenhuma surpresa de tomo. Entre os centrais do Benfica escolheu o que tem jogado mais, na opção de Samu ou Palhinha manteve a decisão mais recente, perante os criativos de FC Porto e Sporting (Mora e Pote) preferiu não escolher, na questão dos pontas de lança manteve a tese – que não compro – de que Gonçalo Guedes é a terceira via.
Com a salvaguarda de haver, nos 27 eleitos, opções de qualidade de quase todo o género para lograr opções táticas de sucesso, sublinho duas inconsistências e outras tantas injustiças. No primeiro caso refiro-me aos cinco laterais para quatro centrais e à existência no grupo de dois pontas de lança apenas, sendo a questão de base a mesma.
No centro da defesa há quatro opções, mas duas são de risco por razões físicas: Rúben Dias não joga há meses e Tomás Araújo tem sido de utilização intermitente devido a lesões. Era mais avisado levar um quinto central, quando, ainda por cima, não há um médio defensivo que se adapte facilmente (como podia ser Palhinha e noutros tempos foi Danilo).
No ataque, é fácil perceber que uma pequena lesão ou um hipotético castigo que afaste, mesmo que por pouco tempo, Ronaldo ou Ramos, obrigará a seleção a enfrentar o adversário seguinte sem um número 9 no banco. Também não me parece prudente. A opção seria naturalmente Paulinho, mas o que ficamos a perceber neste 19 de maio é que Paulinho, como Ricardo Horta, nunca foram verdadeiramente opções para a convocatória final. Tê-los incluído, com as idades que têm, na chamada anterior, para depois os descartar, surge-nos hoje mais como uma ilusão para sossegar críticos, mas que apenas adensa a sensação de injustiça, quase crueldade. Nem sempre tentar ser “político” dá bom resultado.
Outro tema da semana é o romance José Mourinho, que vira as costas a uma proposta (tardia) do Benfica para renovar os votos e decide retomar uma relação antiga com o Real Madrid. A minha leitura é linear: Rui Costa não queria verdadeiramente renovar com Mourinho, senão tê-lo-ia tentado mais cedo (e mesmo a contratação inicial foi forçada pelo calendário eleitoral); Mourinho não resistiu à hipótese de voltar ao topo do futebol mundial, o que já lhe parecia vedado depois dos insucessos recentes que acumulou; o presidente do Benfica está preocupado em passar a ideia de que fez tudo para manter um treinador que lhe deu mais fama que proveito, dado haver ainda muita gente no espaço público que se mantém incapaz de criticar Mourinho. E se nunca vão dizer que o técnico (também) falhou, quem foi então? A resposta é óbvia. Ao menos que fique a ideia de que esperou por ele até ao fim.
Acontece que estamos para lá do fim. A época acabou para o Benfica e Mourinho “já está” em Madrid, a definir prioridades e até a sugerir reforços - diz-se em todos os média espanhóis. Enquanto isto, Rui Costa sujeita o Benfica à espera de resposta de um treinador que já não é, enquanto desaguam para os jornais as suas dúvidas sucessivas, fragilizando, desde já, treinadores que tinham tudo para entrar impantes de força na Luz, a começar por Marco Silva. A ser verdade que Rúben Amorim não pretende um regresso imediato à pátria, no que seria outra opção válida e certeira, é do domínio do insondável que Rui Costa não se tenha sentado ainda, ele próprio, com o treinador do Fulham.
Nos tempos que correm, é bem mais um clube como o Benfica – que apesar de toda a sua história não domina sequer o futebol de uma liga periférica - a ter de se esforçar por seduzir um treinador de topo do que o contrário. Acredito que um técnico como Marco, com anos seguidos de sucesso na mais competitiva Liga do mundo, só poderia equacionar tal mudança por estar em fim de contrato e não ter surgido neste momento o emblema inglês que o tornará definitivamente inacessível. Se isto for como os jornais e comentadores deixam perceber, ou seja, a menos que, ao contrário do publicado, Rui Costa esteja a convencer Marco a mudar-se para a Luz, este processo dirá mais do que têm sido as presidências de Rui Costa do que qualquer insucesso nos relvados."
Mais do que um treinador
"No desporto de alto rendimento, o sucesso regular depende de vários ingredientes em simultâneo, em que quase ou todas as peças do puzzle têm de estar num nível elevado para que os resultados surjam.
Posto isto, José Mourinho foi contratado pelo Benfica com o intuito de resolver várias peças do puzzle que a direção do clube considerou estarem a falhar e para os quais entendia que o treinador Bruno Lage não seria, ou não teria, a solução. Na narrativa da direção, Mourinho elevaria os níveis para um patamar de excelência. As alterações surgiriam a tempo das eleições e, independentemente da qualidade ou dos defeitos dos dois treinadores, seria fácil fazer a conta de 1+1:
José Mourinho permitiria várias consequências positivas e, entre elas, uma campanha eleitoral com menos oscilações.
José Mourinho, como todos os treinadores com vários anos de carreira e, neste caso específico, com um currículo muito apetrechado, tem um perfil de liderança bem identificado e enraizado. Como treinador, possui um conjunto de competências, mas neste caso, fruto de ter treinado os maiores clubes do mundo em contextos muito exigentes, tem também uma visão holística de como um clube deve estar organizado e uma forte convicção nas suas melhores práticas.
Mourinho chegou ao Benfica numa altura em que o clube demonstrava (e continua a demonstrar) ter uma estratégia pouco robusta e uma cultura organizacional confusa, a juntar às constantes alterações na liderança da equipa de futebol e na direção desportiva, com investimentos elevados e resultados opostos aos pretendidos. E Mourinho não é o tipo de treinador que tem de exigir maior autonomia ou poder. É um treinador que, face à carreira que construiu, tem uma cláusula implícita nos seus contratos verbais: merece ter mais poder e autonomia do que um treinador com uma carreira dita normal.
Mas ter mais autonomia numa estrutura pouco robusta, dispersa e confusa é como ter mais dinheiro numa casa onde se gasta mal ou dar mais tempo a quem não tem horários. Quando se recruta um treinador, a cultura organizacional, a estratégia e os valores devem ser um ponto de partida. E não um ponto a meio ou final consoante o perfil de treinador que se contrata. Quando tentamos enfiar uma peça num local onde a mesma não pertence, é uma questão de tempo. Vencer será um acaso apesar da estratégia ou estrutura e nunca por causa da estratégia ou estrutura.
É desta autonomia que falo, e será um dos pilares para resolver um dos desafios que o Real Madrid terá para o treinador setubalense: ser capaz de resolver algo maior do que ser apenas treinador. É reencontrar aquilo que deve ser a cultura de disciplina e exigência na equipa de futebol. É tentar encontrar novos Modric e Kroos para serem os líderes dentro de campo e em espaços onde ele não está nem pode estar. Não sei responder se Mourinho será ou não o treinador ideal para os problemas táticos atual plantel. Mas quem o contrata fá-lo com a convicção de que terá capacidade para devolver as peças do puzzle que não existiram nos últimos meses: disciplina e completo alinhamento entre treinador e direção.
Isto não significa que os treinadores anteriores fossem maus, nada disso. A direção do Real Madrid admite, com isto, que delega mais uma função no treinador português e que para isso, este tem de ter determinadas competências e que deve assumir a responsabilidade de fazer algo que a direção não conseguiu. Se lhe der autonomia e com ela responsabilidade, poder e significado, Mourinho pode resolver alguns dos problemas na cabeça da direção. Porque a equipa do Real Madrid tem muito mais falta de disciplina, cultura organizacional, rigor e compromisso do que falta de talento, e todos sabemos que ter atletas caros e talentosos, não chega.
No Benfica faltou aquilo que já vinha a faltar nas épocas anteriores e por isso, qualquer que fosse o treinador, o problema seria maior ou menor, mas nunca seria resolvido de modo estrutural. Isto não quer dizer que tudo o que aconteceu de mau foi responsabilidade do clube e tudo o que aconteceu de bom foi responsabilidade do treinador, nada disso. Mas considerar, nos dias de hoje, que o problema do clube encarnado é o treinador é o mesmo que pensar que o problema da economia nacional se resolve passando o pagamento do vencimento de mensal para semanal.
Há um match que não foi feito na Luz: entre a estratégia, a cultura organizacional que o clube gostaria de ter e não a que verdadeiramente tem, o treinador e o perfil de liderança e gestão desse treinador. Isto fará parte do sucesso ou do insucesso de quem chegar à Luz e fará parte do novo desafio de José Mourinho, seja em Madrid ou noutro clube qualquer. Mourinho pode agradar ou não relativamente àquilo que consegue aportar às suas equipas, mas tem duas enormes qualidades que face a estruturas difusas, continuam a ser rainhas: comunicação situacional e uma enorme capacidade de ler o ambiente em redor.
Florentino Pérez, com 26 anos à frente do clube madridista, aposta no português após 13 anos. Desde 2013, o Real Madrid trocou nove vezes de treinador e repetiu dois nomes nesse período: Zidane e Ancelotti. Passados 13 anos, muita coisa mudou. E a maturidade do presidente leva-o a procurar um treinador que gosta de gerir conflitos através do confronto, que conhece bem a casa, conhece a pessoa com quem vai lidar diretamente e com quem já viveu alegrias e deceções.
Mourinho sabe melhor do que ninguém que não pode ser o Mourinho de 2010. Provavelmente, nem o conseguiria ser. O ecossistema do desporto de alto rendimento mudou de forma vertiginosa e exige novas abordagens. O que não mudou, e dificilmente mudará tão cedo, é a base do sucesso de uma organização de topo: liderança eficiente, cultura organizacional robusta e alinhada entre todos, talento e competências, uma excelente estratégia e recursos capazes de responder aos objetivos."
O impacto do desporto no corpo dos jovens
"No futebol de elite, o talento é apenas parte da equação. O corpo em desenvolvimento dos jovens atletas é outro protagonista e a forma como cresce e se adapta pode ditar não apenas o rendimento, mas também a vulnerabilidade a lesões. Estudos recentes sobre futebolistas jovens evidenciam que o perfil de lesões muda conforme a idade e a maturação biológica — um fator muitas vezes esquecido no treino diário.
Nos escalões mais jovens, predominam lesões musculares e problemas ligados ao crescimento ósseo. Os picos de crescimento rápido colocam tensões extraordinárias nos tendões e cartilagens, sendo nesta fase que surgem dores nos joelhos ou pernas, muitas vezes interpretadas como simples desconfortos temporários — canelites. Ignorar estes sinais pode atrasar a recuperação e predispor a lesões mais graves.
À medida que os atletas amadurecem, as lesões ligamentares, sobretudo nos joelhos e tornozelos, tornam-se mais frequentes. A força e velocidade aumentam, o jogo torna-se mais intenso e o corpo, se não estiver preparado, torna-se mais vulnerável. A ciência mostra que programas de prevenção neuromuscular e controlo de carga individualizado reduzem significativamente este risco.
Há ainda diferenças importantes entre géneros. Jogadoras jovens apresentam padrões distintos de lesões, com maior incidência de lesões do ligamento cruzado anterior, refletindo fatores biomecânicos, hormonais e de maturação. Este conhecimento obriga a estratégias de treino e prevenção adaptadas, em vez de aplicar o mesmo modelo que funciona no futebol masculino.
O desafio para equipas técnicas, médicas e performance é gerir a diversidade de maturação dentro de uma equipa: alguns atletas crescem antes, outros mais tarde; alguns ganham força rapidamente, outros desenvolvem coordenação mais devagar. A monitorização individual, avaliações periódicas e comunicação constante com o atleta são ferramentas essenciais para reduzir riscos e garantir o desenvolvimento seguro.
No futebol jovem, proteger o corpo em crescimento é tão importante quanto trabalhar técnica ou tática. Prevenir lesões não significa apenas manter os atletas em campo, mas sim prepará-los para uma carreira longa, saudável e competitiva. Crescer no futebol é muito mais do que ganhar jogos: é aprender a respeitar o corpo que os leva a jogar!"
Tugão à Inglesa!
INCREÍBLE 😅
— Marca Zonal | Data & Fútbol 📊 (@Marca_Zonal) May 20, 2026
Armaron un compilado de 7 MINUTOS con errores arbitrales que favorecieron al Arsenal durante la Premier League 2025/26 😳 pic.twitter.com/9opI7l4eS3
Alemanha: Harald Schumacher, o guardião do bigode que foi só disputar a bola e acabou vilão odiado em França
"Ainda hoje é inundado com pedidos de entrevista sempre que há um França-Alemanha na fase final de um torneio: vai acedendo porque espera mudar a opinião, pelo menos, de um francês acerca do que fez em 1982. Nas meias-finais do Mundial, embateu violentamente contra Patrick Battison, deixando-o inconsciente, e limitou-se a pegar na bola e esperar, de mãos na anca. O ato fê-lo ficar por diante de Adolf Hitler numa sondagem do L'Équipe sobre as pessoas mais odiadas no país. Schumacher
Podia ser um mito urbano, daquelas coisas que se contam desde os tempos pré-internet, dificilmente verificáveis: em 1982, findo o Alemanha-França das meias-finais do Mundial, o jornal “L’Équipe” ocupou-se com uma sondagem que perguntou aos leitores quem era a pessoa que mais odiavam. O resultado não foi renhido: Harald Schumacher, o guarda-redes da seleção germânica de futebol, acabou à frente de Adolf Hitler.
A cólera gaulesa germinou em Sevilha. O jogo estava empatado, durinho também, as disputas de bola de garras afiadas já eram muitas quando Michel Platini e a sua longa camisola para fora dos calções, a fazer-lhe um saiote, viu Patrick Battiston, esbaforido a correr buraco dentro da defesa alemã. O passe entrou, o francês chegou primeiro à bola e, na fronteira da área, desviou-a do embalado corpo de Schumacher, cuja abordagem à situação falou por cima das palavras que mais tarde dedicaria ao ato.
Ainda a quase dois metros de Battiston, sem hipótese de alcançar a bola, o guarda-redes saltou, virou o corpo, curvou-se ligeiramente. Foi de cóxis e ombro à frente, embatendo em cheio contra o peito e a cara do francês. Ao violento choque não se seguiu um apito do árbitro, nem falta foi.
Battiston caiu inconsciente no relvado, o seu corpo contorcido. Enquanto recebeu assistência, Harald Schumacher prosseguiu com a sua vida: foi buscar a bola, pô-la na linha da pequena área e esperou, de mãos na anca, para bater o pontapé de baliza.
Battiston ficaria em coma, perdeu a conta aos dias no hospital, perdeu dois dentes, outros três partidos e uma costela fraturada. Ao sair do relvado deitado na maca, inanimado, enculcada na memória ficou outra imagem: o seu braço inerte, suspenso no ar, a ser amparado por Platini.
Na ressaca da partida, decidida apenas nos penáltis que desataram um 3-3, o guardião alemão deixou um recado aos jornalistas, ainda no estádio, ao saber que o jogador francês, então do Saint-Étienne, estava internado no hospital: “Digam-lhe que lhe pago dois dentes novos.” Eliminados os Les Bleus cheios de talento, com Alain Giresse, Jean Tigana, Louis Fernández, Didier Six ou Bernard Genghini a escudarem Platini, espalhou-se a bílis do povo gaulês pela dita sondagem e, sem freios, contra o guarda-redes da República Federal da Alemanha.
Contaria Schumacher, já retirado e sem bigode, que a federação contratou guarda-costas que o escoltaram durante seis meses, tanta a raiva dirigida à sua pessoa. “Podem imaginar que não se tratou de uma boa experiência. Recebi cartas escritas em francês e em alemão de quem me queria sequestrar-me ou matar os meus filhos”, revelou, em 2014, em entrevista “Le Monde” aquando do reecontro dos países nos quartos de final do Campeonato do Mundo desse ano.
A voragem de pedidos é cíclica, basta as seleções cruzarem-se na fase final de um torneio, ou nem isso. No Mundial do Brasil recebeu “mais de 20 pedidos”, os pretendentes encavalitavam-se na sede do Colónia, onde teve “mais de quatro horas de entrevistas, todas sobre o Alemanha-França de 1982”. Já vice-presidente do clube fiel a ter um bode de estimação para estar abeirado do relvado a cada jogo no seu estádio, Schumacher sabia que “a cada Mundial, as solicitações são massivas”.
Só disputou a bola
Harald Schumacher, simplesmente ‘Toni’ para os alemães, caía característico no olho alheio. De melena farta e encaracolada, bigode suficiente para cofiar, perfilou-se bastante jovem na dianteira da sucessão a Sepp Maier, histórico guarda-redes da Alemanha. Entrou antes do esperado na mannschaft, precipitado pelo acidente de carro que partiu um braço e costelas várias ao homem do Bayern de Munique, íman de incontáveis bolas mas traído pelo alcatrão escorregadio numa noite de chuva inclemente.
Nem dois meses antes, em maio de 1979, Schumacher estreara-se pela República Federal da Alemanha na cidade que se ensina às crianças portuguesas ser a de um rei que já se viu, para facilitar a memorização. Abatido o acidente sobre o lendário guardião germânico, coube a ‘Toni’ assentar na baliza da seleção. No ano seguinte, ganhou por 4-1 à França, em Hannover, o primeiro de quatro cruzamentos entre os dois países nas 76 internacionalizações do homem nascido em Düren, não muito distante de Colónia. Lá vestiu as luvas durante 15 anos, chegou a fazer 213 jogos consecutivos a titular e a Bundesliga escolheu-o, duas vezes, como o melhor jogador.
À violenta entrada com que atingiu Battiston, em 1982, seguiu-se a perseguição dos franceses. Uma semana depois do jogo, quando visitou o adversário no hospital, em Metz, à espera de Schumacher estavam uns 50 fotógrafos e para lá de uma centena de jornalistas, avisados da sua vinda por um amigo do defesa do Saint-Étienne, também ele escriba de um jornal local. O alemão deu meia-volta, mas arrependeu-se. “Arrependo-me de não o ter visitado no hospital. Mas, eventualmente, pediu desculpa ao Patrick e ele aceitou. Esta história devia ter acabado em 1982, mas faz parte da minha vida e tenho de viver com ela”, disse, mais tarde, à rádio francesa “RMC”.
Em 1986, fervilhava em França uma narrativa de revanche, os países voltaram a jogar a meia-final do Mundial, ganhando de novo a Alemanha com ‘Toni’ na baliza.
Perderiam na final contra a Argentina de Diego Maradona comprometida com o destino, a fundo no peda do acelerador com o peso do talento do seu semi-deus. O guardião do bigode seria eleito o melhor jogador com luvas do torneio que repetiu o desfecho de quatro anos antes, quando os alemães, já com a companhia de Schumacher, não puderam no jogo decisivo com o arcaboiço da Itália de Paolo Rossi.
A cada ano o ex-bigode, em conjunto com outros jogadores, celebra na Alemanha a “Noite de Sevilha”, assim guardada na memória coletiva do país. Schumacher chegou a falar do “jogo do século”, o melhor que disputou, sem se retrair no combustível que era a sua força motriz: garante que só tentou disputar a bola com Battiston, guarda “recordações positivas” de um encontro “tão emocionante que causou ataques cardíacos”, onde jogou “duro” porque era “assim que jogava sempre”, com “mentalidade de guerreiro”.
Mas Harald Schumacher tem outro arrependimento, o de não ter ido inteirar-se do estado de Patrick Battiston após a colisão. Por isso não se coíbe de aceder a entrevistas que o auscultam sobre o mesmo: “Fui criado com os valores de honestidade e trabalho, com a ideia de nunca desistir. Foi o que fiz contra a França. Se for capaz de convencer, pelo menos, um francês de que não sou um mau tipo, já terá valido a pena.”"
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