Últimas indefectivações

domingo, 3 de maio de 2026

Vermelhão: Mais uma roubalheira...

Famalicão 2 - 2 Benfica


Toda a gente sabia o que ia acontecer, a choradeira Lagarta esta semana, as normações, para o nosso jogo e o Nobre para Segunda no Alvalixo, a única coisa 'estranha' foi mesmo a entrada a 'matar' do Benfica!!!

O penalty sobre o Ivanovic era 'impossível' o VAR não marcar, agora a expulsão do Pinheiro foi perdoada, o penalty no lance do Andreas deu para fechar os olhos... e com o Benfica a vencer por 0-2, com total controlo do jogo, contra uma das equipas que melhor futebol ofensivo pratica no Tugão, os mesmos que no lance com o Schjelderup na 1.ª parte, não viram nada de grave, resolveram expulsar o Otamendi, em mais um daqueles lances, onde só um jogador do Benfica será expulso em lances similares, estilo Musa!!!

A pisadela existe, mas existe depois dum corte de bola, com o peito do pé, sem carrinho, sem esticar a perna, é um lance completamente normal, onde a dinâmica do movimento dos dois jogadores, acaba numa pisadela! Não me recordo de nenhuma expulsão num lance idêntico no Tugão nos últimos tempos, nenhuma! Temos pisões diretos, sem qualquer contacto na bola, agora com toque na bola, antes da pisadela não me recordo!

O Benfica recuou, o Famalicão pegou no jogo. Ao contrário de outras equipas o Famalicão sabe trabalhar a bola, tem rotinas ofensivas, e num ressalto marcaram... pouco depois, em mais um péssima decisão do ladrão, marcou Canto, quando era Pontapé de Baliza, e na sequência empataram!!!


Não satisfeito, inventou 15 minutos de desconto! A assistência ao Fiscal de Linha durou no máximo 5 minutos! E nesses 15 minutos, que acabaram por ser 16, ainda conseguiu inventar um Amarelo ao Ríos, para o colocar fora da próxima jornada, onde o Benfica está obrigado a ganhar, sem o Otamendi e sem o Ríos, e com o Tomás Araújo provavelmente ainda de fora, com o Enzo provavelmente a fazer de Central, teremos que desfazer o trio de meio-campo, logo contra o Braga, a equipa do Tugão com mais posse de bola!!!!


Quem defender que isto aconteceu por acaso, ou até por incompetência é completamente tapado! Tudo isto foi 'competência' muita 'competência', porque tudo isto foi intencional! Porque este ladrão corrupto fez exactamente aquilo que queria... aliás, só se enganou perto do fim, onde o remate do jogador do Famalicão que devia ter sido expulso na 1.ª parte, bateu nos ferros! Porque ele queria mesmo nesta jornada, voltar a colocar o Sporting no 2.º lugar com acesso à Champions!!!

Aliás, se os iluminados do Conselho de Arbitragem chegarem à conclusão que a arbitragem foi Insatisfatória, será sempre porque o Benfica somou 1 ponto. O objectivo era somar 0 pontos!

O Mourinho tem toda a razão, será um Milagre o Benfica conseguir chegar ao 2.º lugar, um verdadeiro Milagre! Esta gentalha não tem vergonha nenhuma, nem sabem o que isso quer dizer! A cegueira é tão grande, que nem se preocupam com as aparências... E a prova provada, é que este corrupto e o outro corrupto que esteve no VAR (Rui Oliveira, um gajo que chegou à 1.ª categoria, com um cozinhado nos exames escritos que ele chumbou...), não vão ser castigados, nem pelo contrário, vão ser promovidos!!! Até porque um dos 'líderes' desta porcalhada, ainda esta semana na Liga Europa, o Moedinhas Martins, não viu uma agressão, com influência direta numa meia-final Europeia, curiosamente prejudicando provavelmente o 2.º lugar do Tugão, seja ele quem seja!!!

Não vale a pena, destacar jogadores, descrever estratégias e táticas, nem sequer as substituições!!! Como também sei, que o Otamendi será o crucificado pelos Benfiquistas iluminados, nem sequer vou comentar a forma como entrou no lance... Até porque no jogo do título dos Corruptos, só na 1.ª parte, vi 2 jogadores Corruptos a merecerem a expulsão, e nem sequer Amarelo levaram!!!


As declarações do Rui Costa, mais uma vez, têm zero consequências! O Benfica continua sem saber defender-se dos Ladrões. Continuamos sem tomar qualquer medida efectiva...

O jogo com o Braga, sem data marcada (provavelmente na Segunda), com seguramente mais um apitador Corrupto, com um defesa remendada e com o trio do meio-campo desfeito, mesmo com o cansaço Europeu do Braga, será extramente complicado... A Lagartada em condições normais, no seu actual estado de forma, nem sequer ganharia na próxima Segunda com o Guimarães, mas o Nobre estará lá a fazer gestão de estragos!!! Posso mesmo afirmar, que neste momento, só acredito num 2.º lugar, se o Sporting, perder um dos 3 jogos que lhes faltam e isso não será nada fácil...



António Simões | Uma ode à mística do SL Benfica

Empate...

Benfica 5 - 5 Oliveirense

Mantemos a invencibilidade no campeonato, mas não ganhámos, na última jornada da fase regular! O jogo contava para pouco, mas nas vésperas do mata-mata na Champions, a motivação tem que ser espicaçada!!!

Mais um festival do apito, principalmente na 2.ª parte!!! O Zé foi poupado hoje...

Na Final...


Benfica 104 - 76 Oliveirense
25-12, 30-19, 25-26, 24-19

Com os Triplos a entrar (só o Broussard esteve desafinado!), esta equipa é imbatível. A Oliveirense tinha eliminado os Corruptos, mas hoje ficou literalmente a ver navios!
Na Final contra o Sporting, vai ser necessário o Yussuf, mas em condições normais com os restantes jogadores aptos, algo que não aconteceu em vários momentos da época, somos claros favoritos!

Vitória

Águas Santas 25 - 31 Benfica
14-16

Com alguns recuperados vitória relativamente fácil na Maia!!! Mas para a Taça ser minimamente competitiva, temos que recuperar o resto dos jogadores: Valencia, Hedberg e o Mendes!

Vitória jovem...

Torrense 3 - 5 Benfica

Com muita juventude na equipa, na última jornada da fase regular, com muitos jogadores a descansar, vitória em Torres... com uma boa vantagem inicial, com os visitados a reagir, mas com o Benfica a controlar!

Nova derrota...

Benfica 0 - 3 Sporting
18-25, 22-25, 22-25


E provavelmente vamos acabar esta Final sem ganhar um único Set!!!

Juniores - 12.ª jornada - Fase Final

Benfica 6 - 0 Gil Vicente
Kiko Silva(2), Quintas, Zietek, Coletta, Dudu


Meia-dúzia, com a artilharia toda no assador!!! Mas já vamos tarde...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Não há Aliados (para já), mas FC Porto já respira "à campeão"

Ganhar em Famalicão


"Em destaque na BNews, a visita do Benfica ao Famalicão (18h00).

1. Somar os três pontos
José Mourinho revela o que pretende do grupo de trabalho para o desafio desta tarde: "Quero uma equipa pressionada, quero uma equipa que sinta a pressão, que sinta a responsabilidade. Jogo difícil para nós, jogo difícil para eles. Temos de ganhar. Vamos com a humildade de sermos Benfica e de querermos ganhar."

2. Seja onde for
O apoio ao Benfica na chegada da equipa profissional ao Norte do país.

3. Hexacampeãs ganham dérbi
Em futebol no feminino, o Benfica ganhou, por 3-1, ao Sporting. Após a partida no Estádio na Luz, seguiram-se as celebrações do 6.º título nacional consecutivo e a cerimónia de entrega do troféu.

4. Acervo mais rico
O campeão europeu António Simões doou 16 peças da sua coleção pessoal ao Museu Benfica – Cosme Damião.

5. Outros resultados
No futebol de formação, a equipa B venceu, por 0-1, o Sporting. Os Juvenis ganharam, também por 0-1, mas em Braga.
Registaram-se ainda triunfos de três equipas femininas: em andebol, 19-32 no reduto do Madeira SAD; em hóquei em patins, 3-2 à Gulpilhares; e, em polo aquático, 4-29 e 30-5 ao Sporting, conseguindo o apuramento para a final do Campeonato.

6. Jogos do dia
Além do desafio em Famalicão, estão agendados os seguintes: os Juniores recebem o Gil Vicente (16h00); receções ao Sporting em voleibol (jogo 2 da final dos play-offs às 16h00) e à Oliveirense em hóquei em patins (18h00); visitas à Águas Santas em andebol (18h00) e ao Torrense em futsal (16h00); meias-finais da Taça Hugo dos Santos, em Gondomar, com a Oliveirense (19h00); primeiro jogo da final dos play-offs do Campeonato Nacional de basquetebol feminino no pavilhão do Quinta dos Lombos (18h45); início das meias-finais dos play-offs da Liga Feminina de futsal no Atlético (20h45).

7. Bilhetes para a final da Taça de Portugal
A final da Taça de Portugal de futebol no feminino entre Benfica e FC Porto é no dia 17 de maio, às 17h45, no Estádio Nacional.

8. Benfica Campus Education
Veja as melhores imagens da ação dirigida a treinadores, coordenadores e profissionais do futebol.

9. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV.

10. Jogo das Casas
Veja a reportagem da BTV sobre a homenagem às embaixadas do benfiquismo na partida entre Benfica e Moreirense realizada no passado fim de semana.

11. Casa Benfica Peniche
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 31.º aniversário."

Os envelopes de Villas-Boas


"Pinto da Costa foi um presidente que viveu entre o trono e as masmorras. Entre a competência de escolher grandes treinadores e jogadores e com a capacidade de se mover nas ruas escuras

No filme Traffic, realizado por Steven Soderbergh, existe uma ideia simples que ajuda a explicar o poder. Um governante deixa dois envelopes ao sucessor. No primeiro, a instrução é clara: «Culpa o teu antecessor quando tudo correr mal.» No segundo, ainda mais cínica: «Escreve dois novos envelopes e deixa-os a quem vier depois de ti.» É um ciclo. Uma forma de sobreviver sem nunca resolver verdadeiramente o problema.
André Villas-Boas começou exatamente por aí. Abriu o primeiro envelope. Explicou o presente com o passado. Apontou responsabilidades a Pinto da Costa, falou da herança pesada. Sempre numa tentativa de ganhar tempo e compreensão depois de uma primeira época errante, com dois treinadores despedidos e um plantel que pouco mais podia fazer do que lutar pelo terceiro lugar.
O início foi um labirinto. Escolhas precipitadas, ausentes de tempo, contexto e planeamento, que levaram a uma equipa sem identidade. O poder, quando não tem rumo, transforma-se num eco. E Villas-Boas ecoava dúvidas. A primeira época foi um território de tentativa e erro, onde cada decisão parecia mais um remendo do que uma ideia. Mesmo depois de vencer as eleições, com mais de 80 por cento dos votos, encontrou um clube dividido, desconfiado, preso a hábitos que não se dissolvem com resultados esmagadores nas urnas.
No Porto dizia-se que Pinto da Costa saiu e levou com ele o manual. Os tais mandamentos escritos ao longo dos «40 anos disto», como muitos lhe chamam, que transformaram o clube numa potência nacional e europeia. Um livro secreto, feito de decisões certas no campo e de jogadas subterrâneas fora dele. A verdade é que esse livro nunca saiu do Dragão. Estava lá. Sempre esteve.
Pinto da Costa foi um presidente que viveu entre o trono e as masmorras. Entre a competência de escolher grandes treinadores e jogadores, mas também com a capacidade de se mover nas ruas escuras do futebol português como ninguém. Dominava o jogo e os bastidores. E construiu uma ideia que se tornou cultura.
Villas-Boas percebeu isso. E aprendeu rápido. Muito rápido. De uma época para a outra. Deixou de culpar o passado e começou, aos poucos, a adotar o estilo do seu antecessor. No discurso, na postura, nos sinais. Afinal, é um filho desse Porto. Um herdeiro. Um aluno que não faltava às aulas desde tenra idade. E tudo isso faz com que seja mais continuidade do que rutura.
O Porto será campeão porque foi melhor. Porque acertou no treinador, soube investir bem e construir um plantel competitivo, com mercados, tanto no verão como no inverno, bem superiores aos dos rivais. Mas dentro do clube há a convicção de que isso não chega. De que para ganhar é preciso dominar os dois campos. O relvado e o resto.
Para o bem e para o mal, o Porto voltou. Com toda a sua força. Na qualidade de jogo e nas zonas cinzentas que nunca desapareceram do futebol português. Villas-Boas não alterou o manual. Limitou-se a lê-lo. E a decorá-lo. Ponto por ponto."

Um café e uma dose de bazófia pela manhã


"Nuvens negras que pairam em Alvalade pediam outra gestão do momento, com menos soberba e mais serenidade. Equipa desabou nas decisões como castelo de cartas, mas porquê?

Num mês de abril que só deverá ser lembrado para não ser repetido, o Sporting, num piscar de olhos, viu o mundo desabar e passou de sonhar com o tri com dobradinha e as meias-finais da Liga dos Campeões para ter de se agarrar à final da Taça de Portugal e desejar um deslize do Benfica para que a época não seja um fracasso. A renovação de contrato com Rui Borges estava há muito alinhavada, mas pecou no timing.
A conjuntura no leão é delicada e de pouca consolação servirá aos adeptos ficar a pensar nos ses até à próxima época. Do presidente de um grande clube como o Sporting espera-se mais do que desculpas esfarrapadas e exercícios de futurologia sem nexo para explicar o desabar da equipa em três semanas. Depois do colapso contra Aves SAD e Tondela, tão somente os dois últimos classificados da Liga, já nem a Champions é certa e Rui Borges reconheceu o extremo desgaste da equipa e o peso que as lesões em vários elementos nucleares para gestão do plantel tiveram. Poderia servir de aprendizagem, mas Varandas preferiu entrar no jogo da fanfarronice e da ironia e logo disparou que meia Premier League está louca para levar o departamento médico e de preparação física do clube.
É demasiado redutor olhar assim para o esvaziar do balão da equipa, a quem começaram a faltar as pernas depois do Arsenal e que foi do céu ao inferno naqueles 90 segundos que separaram o golo anulado a Nel e o de Rafa, no dérbi. É muita coisa em sequência para uma equipa só, mas o plantel pouco profundo e que, com Varandas a treinador tinha outra gestão, foi construído por quem? Lesões vão sempre existir e desgaste também, mas convém olhar para a floresta e não para a árvore.
Dos três primeiros classificados, o Sporting, por não ter participado no Mundial de Clubes, foi o único com uma pré-época normal e tem os mesmos jogos de Benfica (52) e mais dois do que o FC Porto. Fará assim tanta diferença? O SC Braga, se chegar à final da Liga Europa, terminará a época com... 61.
Com todas as certezas do mundo, o presidente garantiu, num dos muitos ses, que, se a equipa não tivesse eliminado o Bodo/Glimt, o tricampeonato era dado adquirido. Pois bem, até poderia ter acontecido, nunca saberemos, mas fica por explicar a direta relação entre uma possível eliminação diante dos noruegueses e a perda de (vários) pontos por parte do FC Porto de seguida para entregar a liderança.
Mais: se o Sporting precisou de se esfarrapar para ultrapassar o Bodo/Glimt, a si o deve, porque uma semana antes assinara um jogo ruinoso (0-3) na Noruega. Mas, sim, já sabemos: se o relvado do Bodo/Glimt não fosse sintético, a história teria sido outra."

Até no Basket feminino!!!

Rabona: This is what PEAK attacking football looks like

Throne: They Replayed the Match... And the City Exploded

Irão, 1-FIFA, 0


"O nome desta semana é Mehdi Taj. Pode passar ao lado de muitos amantes do futebol, pode não dizer nada à maioria esmagadora dos leitores, mas protagonizou um episódio que coloca em perspetiva e faz questionar toda a estrutura organizativa do Mundial 2026, a apenas 40 dias do seu início.
Trata-se do presidente da Federação Iraniana de Futebol, que procurou viajar, com uma autorização previamente concedida pelas autoridades canadianas, para Vancouver. É lá o 76.º Congresso da FIFA e, por maioria de razão, sendo o principal dirigente de uma das 48 nações cujas seleções estão apuradas para a fase final do Mundial, Taj chefiava a delegação do seu país.
À partida de Istambul, onde iniciou a viagem intercontinental para o Canadá, tudo esteve bem, e a documentação apresentada era a necessária e suficiente para apresentar às autoridades no destino. Porém, à chegada a Toronto (primeira escala canadiana e onde efetuava os procedimentos de fronteira), Mehdi Taj foi barrado.
A sua anterior condição profissional de comandante do IRGC (o Corpo da Guarda Revolucionária do Irão) incluía o seu nome numa lista de persona non grata no Canadá, considerando-o uma potencial ameaça terrorista à integridade territorial daquele país da América do Norte.
É certo que a segurança nacional é levada muito a sério no Canadá e que qualquer sinal de alerta emitido pelo sistema de fronteira quase funciona como uma decisão final de extradição e, portanto, de regresso à origem.
Estamos, no entanto, a falar de um país que, com os Estados Unidos da América e com o México, vai organizar o maior Mundial de futebol da história, com a previsão de entrada e saída, sobretudo com destino a Toronto (costa leste) e Vancouver (costa oeste), de milhares de cidadãos estrangeiros relacionados com o evento, seja como adeptos, seja como jornalistas ou até – era o caso – como altos dirigentes de uma das federações envolvidas.
A pergunta é simples: se Mehdi Taj possuía uma autorização prévia de viagem, por força da representação do seu país na reunião magna da FIFA, como é possível que os «quase perfeitos sistemas» de imigração de um país com a dimensão e a experiência na matéria, como o Canadá, não tenham refletido essa permissão e tenham criado o primeiro grande embaraço diplomático à FIFA no aquecimento para o Mundial?
Já não bastava a volatilidade discursiva de Donald Trump, também a propósito desta matéria. O presidente dos EUA, ao contrário da tendência de declarações bem recentes, passou agora para o amigo Gianni Infantino a resolução do problema candente relativo à presença da seleção iraniana em competição, a partir de 11 de junho.
Por outro lado, é bom recordar que a equipa iraniana se qualificou há bastante tempo para o grande certame do planeta futebol, sendo uma das apuradas asiáticas de modo direto, sem necessitar (como viria a suceder com o Iraque) do play-off intercontinental. Os jogadores merecem a presença, lutaram por ela onde deviam fazê-lo – nos retângulos de jogo – à volta dos quais o povo do Irão rejubilou com novo apuramento. A equipa asiática, sublinhe-se, esteve nas últimas três fases finais (Brasil em 2014, Rússia em 2018 e Qatar em 2022), treinada por Carlos Queiroz, e é um dos mais poderosos contendores do continente no futebol masculino.
O bloqueio burocrático à entrada em território canadiano do presidente da federação iraniana é muito mais do que um detalhe diplomático atribuível a um lapso do sistema. É o prelúdio do que pode suceder quando, na segunda semana de junho, começarem a chegar adeptos, jornalistas, jogadores, técnicos, staff e dirigentes das quatro partidas do mundo, e é, no essencial, o aquecer ainda mais da batata de Infantino.
Honra lhe seja feita, o suíço que agora é candidato a um terceiro mandato, a começar em 2027, sempre disse (é talvez o seu mais significativo soundbite dos últimos tempos) que o Irão estaria nas Américas para o Mundial, que iria competir e que esse era um direito inalienável do conjunto asiático.
Com o eclodir do conflito no Médio Oriente, as dúvidas, legitimamente, foram-se adensando e o recente período de tréguas no teatro de operações pareceu aliviá-las.
Recordo-me bem do jogo a que assisti em Lyon, no Stade Gerland, entre EUA e Irão, na fase final do Mundial de 1998, em França. A diplomacia do futebol a conseguir o que a diplomacia dos gabinetes jamais pensaria: um encontro direto entre estado-unidenses e iranianos que, mesmo que não se repita este ano por força do alinhamento do sorteio já efetuado, é de novo colocado em cima da mesa sob a forma da inevitabilidade da participação da seleção do Irão no Mundial 2026.
Neste caso, Infantino volta a estar na crista da onda. O embaixador global do futebol que, sem sucesso, tentou um aperto de mão público entre os presidentes das federações de Israel e da Palestina (uma boa tentativa, mas um embaraço de dimensão importante…), terá de pedir desculpas à federação iraniana pela gaffe fronteiriça no Canadá mas, muito mais importante, terá de garantir todas as condições logísticas, competitivas e de segurança à seleção nacional que se deslocará de Teerão.
Não é nada menos do que isso o que o planeta futebol espera, sendo que, neste xadrez geopolítico paralelo, foi o Irão que saiu em vantagem. Está a ganhar por 1-0 e espera a obrigatória reação da FIFA.

CARTÂO BRANCO
Nesta página, que assino há quase dois anos, já algumas vezes critiquei o verbo e a praxis do presidente do Sporting. Desta vez, Frederico Varandas merece uma vénia. A renovação do contrato com Rui Borges e a sua equipa técnica constitui, primeiramente, um ato de gestão que reflete confiança nos homens e no projeto, independentemente do que suceder até ao final da temporada. Mas demonstra também que o médico-presidente sabe que a prevenção pode ser determinante para o tratamento. A montante, blinda a equipa técnica, envia uma mensagem de forte consistência para o balneário, reúne os adeptos em torno de uma ideia, mais do que em volta de um golo ou de uma defesa. Muito bem, Frederico Varandas, esta semana.

CARTÃO BRANCO II
Estão ao rubro as competições europeias. Do lado português, o Sporting de Braga viaja para Freiburg im Breisgau com um golo e muita esperança no regresso à final da Liga Europa. Mas jogos e eliminatórias com tamanho equilíbrio e qualidade, como as da Liga dos Campeões (Bayern-PSG e Arsenal-Atleti, de resultados imprevisíveis), da Liga Europa (Freiburg-Braga e Aston Villa-Nottingham Forest, com tudo em aberto) e da Liga Conferência (Estrasburgo-Rayo Vallecano e Crystal Palace-Shakhtar Donetsk, onde qualquer desfecho é possível), demonstram a vitalidade das três competições organizadas pela UEFA. E são, evidentemente, uma delícia para os adeptos…"

FIFA Clearing House: exigências na compensação por formação


"Durante anos, a chamada compensação por formação e o mecanismo de solidariedade existiam nos regulamentos, mas dependiam, muitas vezes, da iniciativa, capacidade técnica e persistência dos clubes que reclamavam.
A FIFA Clearing House nasceu precisamente para tentar corrigir esse problema.
Implementada em 16 de novembro de 2022, a FIFA Clearing House surgiu para centralizar, automatizar e tornar mais transparente o pagamento das compensações por formação e contribuições de solidariedade devidas aos clubes formadores. A própria FIFA apresenta-a como uma entidade intermediária no processamento desses pagamentos.
A lógica é simples: quando ocorre uma transferência internacional que gera direitos económicos para clubes formadores, o sistema da FIFA identifica o percurso do jogador através do Passaporte Eletrónico do Jogador (EPP), calcula os montantes devidos e emite uma Allocation Statement. A partir daí, a Clearing House recebe os fundos do clube devedor e distribui-os pelos beneficiários.

Clearing House veio promover transparência e proteger clubes formadores
No centro deste sistema está, por isso, o Passaporte Eletrónico do Jogador, uma espécie de histórico clínico da carreira do atleta: onde esteve inscrito, em que datas, com que estatuto e por que clube. O regulamento prevê ainda uma fase de inspeção e revisão, permitindo corrigir omissões ou erros antes do passaporte se tornar final.
Em teoria, é o fim do quem tem direito que reclame. Passa a ser o sistema a identificar, calcular e fazer circular o dinheiro. A Clearing House veio, assim, reorganizar fluxos financeiros que antes podiam escapar ao sistema, promovendo transparência, integridade financeira e maior proteção dos clubes formadores.

Clubes formadores só recebem as verbas após passar no processo de compliance
Mas, para que todo este sistema funcione, é preciso decidir com base em dados fiáveis: documentos, históricos de inscrição, categorias de clubes, datas e avaliações de conformidade. E é precisamente aí que começam os desafios.
A Clearing House funciona como um filtro. Antes de qualquer pagamento, avalia se as partes cumprem requisitos de compliance, incluindo sanções internacionais, prevenção de branqueamento de capitais, corrupção, financiamento do terrorismo, titularidade beneficiária e origem de fundos. No âmbito dessa avaliação, pode solicitar informação e documentação detalhada, sendo que o pagamento só é processado após a aprovação e obtenção de acreditação, a qual tem validade limitada e depende de renovação.
O impacto é particularmente relevante para clubes portugueses. Portugal é um mercado formador e vendedor. Muitos clubes investem em jovens jogadores que depois seguem carreiras internacionais. A eficácia da Clearing House pode significar que clubes de menor dimensão recebam, finalmente, valores que antes eram difíceis de reclamar ou executar.
No entanto, o Regulamento de 2026 deixa avisos importantes. O artigo 16.º recorda aos clubes formadores que ter direito a receber não basta. Se não passarem o processo de compliance, a transação não é processada e o pagamento não é executado. Se a falha persistir, podem mesmo perder o direito à compensação relativa àquela transação.

Cerco também apertou para os clubes devedores
Também as federações nacionais passam a estar sob maior pressão. O artigo 17.º prevê que, se uma federação falhar no fornecimento de informação correta e, por causa disso, um clube afiliado ficar sem receber uma compensação a que teria direito, a própria federação pode ser chamada a restituir esse valor, caso tal falha lhe seja imputável.
Do lado do clube devedor, o cerco também apertou. Recebido o pedido de pagamento, o clube dispõe de 30 dias para pagar integralmente. Se não o fizer, é aplicada uma taxa de 2,5 por cento e concedido um prazo adicional para regularização. Persistindo o incumprimento, podem ser desencadeados processos disciplinares, incluindo multa e até a proibição de registar novos jogadores, que se mantém até ao pagamento integral.

Clearing House não é um mecanismo meramente tecnológico: é um espaço jurídico
Ainda assim, o sistema está longe de ser perfeito. A automatização reduz erros, mas não os elimina. O Passaporte Eletrónico do Jogador depende da qualidade dos dados inseridos pelas federações e clubes. Se o histórico do jogador estiver incompleto, incorreto ou discutível, o cálculo também o será. E, nestes casos, quando o sistema falha, o litígio não desaparece, apenas muda de palco.
A jurisprudência do CAS tem confirmado esta realidade. Em decisões recentes, o tribunal tem sublinhado que o EPP e a Allocation Statement se tornam vinculativos se não forem contestados atempadamente no âmbito do processo de revisão do EPP, não sendo admissível apresentar argumentos ou exceções numa fase posterior.
Isto demonstra que a Clearing House não é um mecanismo meramente tecnológico. É um verdadeiro espaço jurídico, sujeito a contraditório. A automatização não substitui, por isso, a interpretação jurídica.
Há, porém, uma nota essencial: as decisões da Clearing House em matéria de compliance são finais, vinculativas e não admitem recurso. Por isso, os clubes devem tratar esta fase com especial cuidado.

Mecanismo exige profissionalização
O Regulamento de 2026 mostra que o verdadeiro combustível da Clearing House são os dados. A FIFA exige que federações e clubes mantenham registos eletrónicos fiáveis, completos e atualizados.
O mérito da Clearing House está em reconhecer a evidência de que formar jogadores tem valor económico e esse valor deve circular de forma justa. O risco está em acreditar que a tecnologia, por si só, resolve problemas que continuam a ser, em grande medida, jurídicos.
Em suma, o Regulamento de 2026 confirma que a FIFA Clearing House já não deve ser vista apenas como uma plataforma de pagamentos. É hoje um sistema que combina dados, compliance e responsabilidade. Para os clubes formadores, pode ser uma ferramenta decisiva de proteção económica, mas também exige profissionalização: dados corretos, documentação atualizada, resposta atempada e capacidade para cumprir com avaliações de conformidade."

Uruguai: Obdulio Varela, “el negro jefe“ do Maracanaço


"Capitão do Uruguai na final jogada perante 200 mil pessoas, é o expoente máximo do futebolista líder, uma referência quase militar dentro e fora de campo. Comandou uma greve de jogadores antes do Mundial 1950, combateu a descrença dos próprios dirigentes uruguaios antes do encontro com o Brasil e, obtido o título, desapareceu na noite do Rio de Janeiro

O maior coliseu do planeta transbordava de gente, rugia como um vulcão prestes a expelir a violência do centro da Terra, parecia um Adamastor, erguendo-se e precipitando-se para cima da seleção do Uruguai. O Maracanã, símbolo da aposta do Brasil no Mundial 1950, fora construído para aquele momento. Repleto, com 200 mil almas, não pretendia desiludir.
Na ressaca dos horrores da Segunda Guerra Mundial, o futebol mudou-se para uma terra ilesa da destruição. O Brasil engalanou-se, preparando-se para receber e derrotar os visitantes.
O derradeiro encontro da competição, que não a final - o torneio decidiu-se com uma fase de grupos -, enfrentava os anfitriões e a equipa do Uruguai. A 16 de julho de 1950, o começo da segunda parte trouxe o aguardado festejo brasileiro. Friaça, aos 47', colocou os de branco, que ali enterrariam o equipamento daquela cor para abraçar o amarelo canarinho, em vantagem.
O Maracanã, um colosso de proporções épicas, tinha vontade de devorar os uruguaios. Entre o delírio monumental, uma voz aproximou-se do árbitro. “Fue orsái“, foi fora de jogo, reclamou Obdulio Varela, capitão dos que estavam em desvantagem. George Reader, o juiz inglês, não entendeu o protesto em castelhano. Varela, que não falava inglês, exigiu um tradutor. Os próprios companheiros de Obdulio não compreendiam a situação, pois era evidente que o golo fora legal. Os minutos passaram. Chegou o tradutor. Reader e Varela lá dialogaram através do intermediário e, obviamente, o 1-0 foi validado.
Mas Varela já lograra o seu objetivo. Arrefecer o vulcão. Roubar o ímpeto do Brasil. Levar o desafio para um cenário emocional mais calmo, sereno.
Com a liderança firme do seu capitão, o Uruguai chegou ao empate, aos 66', por Juan Schiaffino. Aos 79', Alcides Ghiggia conseguiu o que só seria imitado por Frank Sinatra e por João Paulo II: fazer ouvir o silêncio do Maracanã. O título iria para Montevidéu.

O capitão decidido
Obdulio Jacinto Muiños Varela nasceu pobre. Adotou o apelido da mãe, apagando o do pai, que certo dia desapareceu sem aviso. Aos 8 anos vendia jornais na rua. Descalço, sempre descalço, os sapatos foram um privilégio tardio.
Com ascendência grega, africana e espanhola, transformar-se-ia em referência do Peñarol e da seleção. Num país pequeno, rodeado de gigantes, Jacinto, como chamado pelos amigos, tornou-se o símbolo maior da resistência, da garra, um líder, Napoleão em campo, comandante que contraria as probabilidades.
Nas vésperas do Mundial do Brasil liderou uma greve de jogadores, realizada para reivindicar um conjunto de direitos laborais. Os protestos prolongaram-se, obrigando os futebolistas a arranjar outros trabalhos para obter sustento. Varela, mantendo a posição, recusou ir ao Mundial. Perante a ausência de peso, o Presidente da República foi a casa do capitão convencê-lo, oferecendo um cargo público em troca da presença no torneio. O “negro jefe“, como era conhecido, contrapropôs: iria ao Mundial se o sindicato de jogadores fosse oficialmente reconhecido. Assim foi.
Na manhã do derradeiro jogo da primeira ocasião em que o planeta se juntava em torno da bola depois da paragem pela guerra, o diário brasileiro “O Mundo“, na edição vespertina, apresentava uma fotografia da seleção anfitriã, secundada pelo título: “Estes são os campeões do mundo.“ Varela viu aqueles jornais na receção do hotel e, enfurecido, comprou-os a todos. Levou os exemplares para a casa de banho do seu quarto e urinou em cima da manchete, encorajando os colegas a imitarem-no.
O fogo interior do capitão ganhou dimensões ainda maiores quando, também nas horas prévias ao embate do Maracanã, dirigentes da federação uruguaia comunicaram aos futebolistas que estes já haviam “cumprido“, “feito o suficiente“. “Tentem só não ser goleados“, disseram os responsáveis, muitos optando por nem ir ao estádio.
Obdulio não queria saber daquela mensagem. Para a eternidade ficaram as palavras que, já no gigantesco estádio, dirigiu aos colegas. “Não olhem para cima. Não pensem em toda esta gente. O encontro joga-se cá em baixo e ganha-se com os tomates na ponta das botas. Os que estão fora são de pau. No campo somos onze.“
A frase “los de afuera son de palo“ inscreveu-se no imaginário coletivo do Uruguai, símbolo da equipa que contrariou as probabilidades. 
Erguido o troféu, os dirigentes, aqueles que não acreditavam, colaram-se à glória. Não foram ao jogo, mas foram celebrar para um cabaré. O negro jefe desprezava-os. Vários jogadores compraram umas cervejas, umas sandes e fizeram a sua festa. Obdulio não.
Saiu do Hotel Paysandú, no bairro do Flamengo, e começou por ir para um bar que havia na esquina. A partir daqui, o seu paradeiro ao longo da madrugada de 17 de julho de 1950 faz parte da lenda. Há quem jure que ficou a beber com adeptos brasileiros, serenamente, partilhando as dores do adversário. Outros asseguram que ficou sozinho ao balcão, de olhar perdido, pensando na vida. Uma corrente defende que foi para a zona de Copacabana, só voltando ao hotel já de manhã.
Morreria em 1996, vivendo as últimas décadas discretamente, sem muito dinheiro, aparecendo pouco. Desde aquele dia no Maracanã, Obdulio tornou-se mais mito do que pessoa."

sábado, 2 de maio de 2026

Festa do título!!!

Benfica 3 - 1 Sporting


Com o título já decidido, festa do título de Campeãs na Luz, em mais uma partida onde falhámos muitos golos, sofremos novamente num Livre Lateral estupidamente, mas ganhámos claramente...

Vitória em Alcochete!

Sporting 0 - 1 Benfica
Prioste


Boa vitória que afasta os medos da matemática em relação à manutenção!
O jogo não foi bonito, muito combate, acabámos por marcar na recarga num penalty... Num jogo onde houve 3 penalty's a favor do Benfica, mas só um foi marcado: Cláudio Pereira no apito, com o porco do Bento no VAR !!!

Juvenis - 12.ª Jornada - Fase Final

Braga 0 - 1 Benfica
Almeida


Golo nos primeiros minutos, e aguentámos até ao fim a vantagem...

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Famalicão - Mourinho

BI: Antevisão - Famalicão...

BI: Megafone - Voo Picado #24 - A saga dos bilhetes e das proibições

Manteigas: Assembleias...

O Benfica Somos Nós - È para cima deles #19 - Famalicão...

BF: Entradas...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

SportTV: Primeira Mão - ⏳ O momento chegou… teremos campeão?

O Cantinho Benfiquista #228 - O Destino Nas Nossas Mãos 📱

Operação: Moreirense...

Aquecimento...


O jogo de sonho e a viagem de uma época


"Talvez tenha sido mesmo o melhor jogo que vi na vida, e vi muitos milhares seguramente. O PSG-Bayern teve tudo o que o futebol tem de melhor: talento individual, intenção ofensiva permanente, crença coletiva nos momentos mais difíceis (de ambos os lados), incrível fair-play final, a começar nos treinadores.
Não foi um dia bom para quem aprecia no jogo mais sofrimento que talento, mais defesa que beleza, mais métrica do que estética. Não sei se foi o melhor jogo que vi na vida, mas, assim de repente, não me lembro mesmo de nenhum melhor. E nunca mais é quarta-feira, para os ver a todos em campo outra vez.
Sem terças nem quartas europeias, só quintas, o FC Porto agarrou-se ao campeonato. E a vitória anunciada obriga a admitir que Farioli não se equivocou ao privilegiar a liga doméstica. Quem ganha acaba sempre por ter razão. Mas ninguém me convence de que um pouco mais de risco na eliminatória com o Nottingham não só não teria hipotecado o título nacional como abriria caminho para o regresso portista à glória europeia. Faltou isso e a evolução para um jogar mais sedutor. São os desafios para o italiano no Dragão da nova época: jogar melhor e brilhar na Europa. Além de tentar repetir o título nacional, que não deixa de ser o mais importante.
Os maiores rivais acabam esta época afogados em dúvidas, o que normalmente é prenúncio de entrarão na próxima do mesmo modo. A menos que decidam mudar de planos no imediato, o que não se afigura provável: no Sporting porque já havia renovação anunciada para Rui Borges, no Benfica porque já se percebeu que José Mourinho só sairá se quiser, o que significa se alguém relevante o quiser, mais ainda quando o segundo lugar surge como inesperada redenção de uma época falhada.
Se Mourinho pode acabar melhor que o previsto, Borges deve (não é certo, claro) encerrar a época após desperdiçar os 50 milhões da Champions com empates diante das equipas mais fracas do campeonato. E é inevitável que isso enfraqueça a posição do treinador, a despeito da boa carreira europeia, de uma série de jogos entusiasmantes e do azar com as lesões. Acontece que o leão se colocou vezes demais no fio da navalha da (in)felicidade - sofreu agora golos após os 90 minutos do mesmo modo que umas quantas vezes os obteve - e Rui Borges não deixou de reclamar louros para si próprio, como quando exigiu reconhecimento e respeito após a goleada ao Bodo/Glimt. Na hora da desilusão, o ricochete atinge-o. Tem a palavra Frederico Varandas, que convém que dissipe dúvidas, seja quanto a crença na evolução ou de aposta em revolução.
Foi absurda a contratação de Cristiano Bacci pelo Estrela da Amadora a três jornadas do fim, pelo momento, em que pouco pode acrescentar, pelo contexto, após uma derrota normal frente ao FC Porto (não seria aí que esperava encontrar a salvação) e pelo perfil do técnico, que não tem tido propriamente sucessos e acabava de deixar o Tondela em agonia. Mais que a decisão em si, vale a pena, todavia, olhar o que é comum aos clubes em dificuldades. O Estrela faz Bacci suceder a João Nuno, depois deste ter sucedido a José Faria, e não se vê ponto de contacto entre eles. São insondáveis, pelo menos no plano técnico-tático, as razões que fizeram acreditar ou deixar de acreditar em cada um desses homens.
O AVS também teve três treinadores: José Mota, João Pedro Sousa e João Henriques (mais Fábio Espinho em transição), de novo perfis bem diferentes e sem que se perceba o fio condutor. O resultado está na tabela. No Tondela, idem aspas, com Gonçalo Feio a tentar o milagre sobre a meta, depois das escolhas difusas de Ivo Vieira e Cristiano Bacci. Falta o Casa Pia, que também vai no terceiro andamento, com Álvaro Pacheco, após ter desistido de João Pereira e Gonçalo Brandão. São exatamente essas as equipas em risco de descer, sendo que, das demais 14 - talvez não tenha reparado, eu não tinha -, só mais três mudaram de técnico (e uma só vez cada) nesta época: Benfica, Vitória SC e Santa Clara.
Moral da história: uma época de futebol é como uma viagem. Não adiante trocar de guia quando não há mapa, que isso vai significar perder-se, mesmo que se lhe dê outro nome."

SC Braga, o elogio antes de mais


"A vitória sobre o Friburgo é muito mais do que outro bom resultado europeu que deixa o clube minhoto a porta de outra final europeia

A vitória do SC Braga sobre o Friburgo, na primeira mão da meia-final da Liga Europa, não é apenas mais um bom resultado europeu. A presença por si só nesta fase da prova era já a reafirmação de um projeto que, há muito, deixou de ser promessa para se tornar uma realidade sólida no futebol português e que ganha respeito lá fora.
Pode haver quem não goste do estilo, mas os factos são claros: desde que António Salvador assumiu a presidência em 2003, o SC Braga construiu uma identidade de exigência, visão e capacidade de antecipação no clube. Esta última parte é relevante, porque não foram apenas jogadores contratados e transferidos para Benfica, Sporting e FC Porto, grandes que ainda dominam o nosso ecossistema. Foi também o desenvolvimento de uma formação que tem nomes na atual Seleção A, naquela que é, seguramente, uma das, se não a região mais competitiva no panorama nacional.
Trata-se da criação de uma estrutura que potenciou carreiras de futebolistas, mas também de treinadores. Jorge Jesus, Leonardo Jardim, Paulo Fonseca, Sérgio Conceição ou Ruben Amorim passaram todos pelo clube antes de serem reconhecidos cá e internacionalmente. Há outros nomes, alguns tiros ao lado também, porque não há nenhum clube que acerte sempre.
O 2-1 de ontem abre reais hipóteses de o clube regressar a uma final europeia como em 2010/11, mas não surge como coisa isolada, é consequência direta de um crescimento sustentado: uma cidade desportiva de referência, scouting afinado e uma ambição que já criou uma expectativa de quarto grande, mesmo sem um título de campeão nacional.
O SC Braga merece reconhecimento porque há também um enquadramento mais amplo. Desde a década de 1960, Portugal habituou-se a estar em finais europeias com alguma regularidade (exceções na de 70 e 90) e é pelos minhotos que essa porta se reabre.
Este triunfo frente ao Friburgo e o modo como ele se conseguiu é, por isso, mais do que uma vantagem na eliminatória. É um sinal de maturidade competitiva. O SC Braga mostrou que sabe sofrer, sabe gerir momentos e, sobretudo, sabe que pertence a este palco. E isso, para quem tem de crescer a desafiar probabilidades internas, é talvez o maior elogio que se pode fazer, independentement do que suceda na Alemanha. Se chegar a Istambul, terá pela frente um clube que já foi campeão europeu. Mas um passo de cada vez, como tem feito este SC Braga."

Sporting e Rui Borges: a anatomia de um fracasso


"Os leões falham o 'tri' e não haverá apenas uma só razão que o explique. Tal como não se explica que o seu treinador renove logo agora. Uma gestão de 'timing' sem grande sentido

Pela experiência de quem vem de dois títulos consecutivos, ninguém imaginaria que o Sporting sofresse tamanha erosão nestes momentos finais.
Rui Borges ou os jogadores, ou mesmo todos juntos, equilibraram praticamente a decisão de toda a temporada em dois momentos, próximos entre si, depois de não terem conseguido ultrapassar a derrota no primeiro clássico com o FC Porto.
Nessa primeira fase, não só não tinham conseguido devolver o golpe que lhes tinha sido infligido por uma equipa a consolidar processos criados, como, num contexto de Liga pouco ameaçadora para os grandes como é a portuguesa, a vantagem pontual continuava confortável.
Não se furou a matemática nem a percepção. O favorito mudara de lado. Apesar dos fantasmas de Farioli pela passagem por Amesterdão, era a sua squadra, construída praticamente do zero — rapidamente, mas de forma estruturada, com várias fases e objetivos —, que parecia a mais forte. Mesmo diante de um bicampeão, que apenas tinha perdido a referência no ataque.
Com os portistas em velocidade de cruzeiro, os leões mantiveram passo firme e distâncias, à espera do erro alheio, porém a exigência iria obrigá-los a esforço considerável. O Sporting acreditou que podia mesmo chegar às meias-finais da Liga dos Campeões e não guardou uma gota de suor no corpo. O embate com o Arsenal, em Londres, iria, dessa forma, quebrar-lhes as pernas. No entanto, seria o dérbi com o Benfica, decidido no último fôlego depois de uma oportunidade desperdiçada, a destruir-lhes a alma.
Os verde e brancos passaram de ainda candidatos a terceiros classificados, com desvantagem no confronto direto, e a presença na Liga dos Campeões em risco.
Quebraram de vez depois do golo de Rafa. Desistiram, os braços caíram desamparados, a energia foi-se, sem alma que a amarrasse a músculos, ossos e tendões. Ainda entram em campo, ainda caminham, correm, rematam, todavia já nada parece fazer sentido. Só lhes resta esperar que os corpos vazios voltem a encher-se de vida.
Para trás, fica o planeamento, o mercado, conseguido e não conseguido, a gestão e as lesões, explicação mais recorrente para o que se tem passado. E aí haverá sempre vários temas. Luis Suárez, o único reforço com real impacto — e era aquele cuja herança mais pesada seria para carregar às costas, uma vez que substituía Gyokeres e até vinha de um segundo escalão —, ficou rapidamente sem suplente e, mais tarde, foi necessário recorrer ao jovem Nel. Entretanto, os problemas de Ioannidis, esperado desde a era Amorim, remontam a novembro e é um pouco inexplicável que o clube não se tenha precavido. O risco era grande até pelas circunstâncias da lesão, um problema no joelho.
A Vagiannidis irão colar rótulos e um deles será, certamente, o de erro de casting. A contratação estaria planeada há algum tempo, ao contrário de Faye e Luís Guilherme — um sem garantir rendimento nos treinos que o leve a ser opção para os jogos; e o outro sem exibições consistentes, ainda que possa alegar alguns problemas físicos como álibi —, soluções de recurso, depois de se terem falhado os alvos principais. Yeremay, por exemplo, é um extremo capaz de criar desequilíbrios pela ala e pelo corredor central e, como tal, um namoro antigo e, na falta de capacidade de o resgatar ao Corunha, ainda se tentou Kevin, que o Shakhtar venderia ao Fulham de Marco Silva por 40 milhões de euros.
A comparação com Alisson é que sai pela culatra. Emprestado por 3,5 milhões, começou rapidamente a convencer Antonio Conte e leva três golos em 10 encontros. Se no Sporting a irregularidade era evidente e nada fazia prever adaptação tão rápida ao calcio, a verdade é que não faltará adepto que não abane a cabeça, ainda mais porque a cláusula será exercida e o Sporting ficará sem o extremo de 23 anos em definitivo a troco de mais uns milhões. Em Alvalade, acreditou-se que Luís Guilherme, com ritmo de Premier League, ainda que não titular no West Ham, três anos mais novo, seria melhor negócio. Para já, não se confirma. Em 10 jogos na Liga, não conta com nenhuma ação determinante para golo.
Não tendo um impacto imediato, com Faye a não contar e Quenda com lesão prolongada, o Sporting não ficou a ganhar, bem pelo contrário. Para piorar, também Pedro Gonçalves esteve intermitente, por questões físicas, e Nuno Santos passou meses a fio no estaleiro. Trincão, Catamo, Luis Suárez, só para falar do ataque, jogaram quase sempre. E, como tal, quebraram. Primeiro, fisicamente. Depois, na vertente emocional.
No meio disto tudo, está Rui Borges. Terá dado aval aos reforços, mas não sabemos até que ponto participou ativamente nas contratações. O que sabemos é que sempre os defendeu. Aos reforços e aos outros. E bem.
Também sabemos que conseguiu transformar com eficiência o modelo existente no seu. Soube esperar quando percebeu que as coisas não estavam no caminho certo ainda no primeiro ano, apostou sem dúvidas no segundo. Eficiência em termos de processo, os resultados depois acabam por não demonstrá-lo. E como precisa destes!
O Sporting bicampeão fracassa, logo o treinador campeão Rui Borges também não pode ter sido bem-sucedido. Apostar na sua continuidade é acreditar que aquela competitividade será a norma na próxima época. Mas lesões haverá sempre. É preciso é saber responder nesses momentos. E o próximo mercado, antes disso tudo, promete aumentar a dificuldade, com a saída de jogadores-chave. Hjulmand antes de todos.
Não tenho nada contra a comunicação do técnico, apenas acho que não pode ser monocórdica. Tem-no sido. Com aquele ãhhhhhhhhh que se arrasta e que parece acrescentar indecisão à liderança. E, nesta fase, a mensagem tem de ser o guia. O farol.
Já Frederico Varandas, com tudo para fazer diferente, antes ou depois, num momento mais estável, gere mal o momento da renovação.
Rui Borges começará frágil a próxima temporada, tenha um ou dez meses de vínculo. A Taça e um Torreense a querer fazer história determinarão quão frágil isso será."

Regular o Investimento


"O futebol português tem registado uma crescente atratividade junto de investidores, tanto nacionais como internacionais, impulsionada pelas oportunidades desportivas e económicas que o setor oferece.
A entrada de capital pode assumir um papel relevante na valorização das infraestruturas, no aumento da qualidade competitiva e na afirmação do futebol nacional além-fronteiras.
Ainda assim, a insuficiência de mecanismos rigorosos de verificação da origem dos fundos e da credibilidade dos investidores constitui um fator de risco para a solidez financeira e para a imagem do futebol português.
Experiências internacionais demonstram que práticas de gestão inadequadas e a instrumentalização do futebol para fins ilícitos, designadamente o branqueamento de capitais, são realidades que não podem ser desvalorizadas.
A crescente presença de veículos de investimento e a aquisição de posições em SAD através de estruturas complexas e pouco transparentes reforçam a necessidade de maior vigilância.
Neste quadro, revela-se imprescindível o reforço da capacidade de fiscalização por parte das federações e das autoridades públicas com competência na matéria.
Sendo o investimento um elemento-chave para o progresso do desporto, importa assegurar que o mesmo decorre segundo princípios de integridade, legalidade e transparência.
A preservação do futebol português implica, por isso, uma gestão equilibrada entre a captação de recursos financeiros e a defesa da sua credibilidade desportiva e económica.
Apenas com um enquadramento auto-regulatório robusto será possível promover um desenvolvimento sustentável, sendo que a FPF tem vindo a defender a existência de uma comissão de auditoria composta pela própria FPF, Liga, Sindicato e ANTF."

Possessivo: Diário...

Turquia: Hakan Şükür, o “Touro do Bósforo” que passou de herói nacional a exilado


"Hakan Şükür marcou uma geração inteira de adeptos turcos com golos, títulos e presença. Mas o que construiu nos relvados não o protegeu de uma tempestade chamada Erdogan, que o empurrou para longe do país que o idolatrava.

Nem todos os ídolos desaparecem com o tempo, alguns são empurrados para fora da memória e acabam a viver uma vida tão normal que ninguém acreditaria se não estivesse documentado. Hakan Şükür, que um dia fez a Turquia inteira vibrar, passou de herói nacional a motorista de Uber em Palo Alto, não porque decidiu Hakan Şükür “mudar de ares“ ou fazer um retiro espiritual na Califórnia, mas porque foi perseguido pelo governo de Erdogan.
Comecemos pelo futebol. No Galatasaray tornou‑se sinónimo de golos, títulos e noites europeias que mudaram a perceção internacional do futebol turco. Na seleção, transformou‑se numa referência, autor de momentos que ainda hoje definem a história da equipa nacional. No entanto, tudo o que construiu dentro de campo acabaria por ser engolido por uma vida fora dele que tomou um rumo inesperado.
A alcunha que o acompanhou, “Touro do Bósforo” não nasceu por acaso. Şükür era um avançado que unia força e elegância de forma improvável: 1,91m de presença física, domínio no jogo aéreo, mas movimentos leves, quase subtis, que lhe davam vantagem sobre qualquer defesa. Tornou‑se o maior goleador da história do Galatasaray e do campeonato turco, discutindo números com alguns dos melhores avançados europeus dos anos 90.
O auge internacional chegou no Mundial de 2002, quando a Turquia surpreendeu o mundo ao terminar em terceiro lugar. Şükür assinou o momento mais emblemático dessa campanha, e um dos mais marcantes da história dos Mundiais, ao marcar à Coreia do Sul aos 10,8 segundos, o golo mais rápido de sempre na competição. Há quem demore mais tempo a encontrar as chaves de casa. Fechou a carreira na seleção com 51 golos, em 112 jogos, números que ainda hoje ninguém conseguiu igualar no país.

A fuga e o exílio nos EUA
Mas a vida fora dos relvados seguiu um caminho bem diferente. Depois de se retirar, entrou na política e chegou a deputado pelo partido AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento). Até que, em 2013, desiludido com os escândalos de corrupção e com o rumo político do país, decidiu abandonar o partido de Recep Tayyip Erdogan e tornou‑se deputado independente. Foi o início do fim da sua tranquilidade. “A hostilidade começou aí“, contou em 2020 numa entrevista à revista alemã Focus. A loja da mulher foi apedrejada, os filhos foram importunados na rua e ele próprio recebeu ameaças. Pouco depois, viu todos os seus bens serem congelados.
Muito ativo no outrora Twitter, hoje X, acabou acusado de estar ligado à tentativa de golpe de Estado de 2016, por ter expressado apoio ao clérigo Fetullah Gülen. A Justiça turca indiciou‑o, descreveu‑o como “fugitivo“ e “membro de uma organização terrorista“ e ainda lhe atribuiu uma pena de prisão por “insultos“ a Erdogan. Já não havia retorno.
Saiu da Turquia em 2015 e, no início de 2017, instalou‑se definitivamente nos EUA. A reação do governo turco foi imediata: o pai foi preso durante quase um ano - só foi libertado devido a doença -, e tudo o que lhe restava foi confiscado. “Não me resta nada no mundo, Erdogan tirou‑me tudo“, diria mais tarde.
Nos EUA, tentou recomeçar. Abriu um pequeno café em Palo Alto, mas o negócio durou pouco. Depois de uma fã turca ter sido detida na Turquia por tirar uma fotografia com ele, começaram a aparecer no café pessoas “estranhas“, contou numa entrevista, que tocavam música dombra, um símbolo nacionalista usado pelo partido de Erdogan. O ambiente tornou‑se tão tenso que a polícia e até o FBI chegaram a vigiar o local. O café acabou por fechar. Sem alternativas, passou a conduzir um Uber e a vender livros para sobreviver. Para desanuviar, jogava futebol numa equipa amadora local. E, mesmo ali, continuava a ser o mesmo avançado de sempre: num dos jogos, marcou 11 dos 15 golos da equipa. Há coisas que nem o exílio apaga.
Hoje, é considerado persona non grata até pelo Galatasaray, o clube onde se tornou lenda. Na Turquia, o seu nome foi praticamente apagado do espaço público, como se nunca tivesse existido. Mas ele continua a falar sobre liberdade, política, futebol e tudo o que viveu. “A Turquia é o meu país e eu amo o meu povo“, continua a afirmar. “Sou inimigo do governo, não da nação.“
Vive longe de casa, não renega o passado, mas aprendeu de forma dura que a vida pode mudar tão depressa quanto um avançado turco a marcar num Mundial."