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quinta-feira, 26 de março de 2026
Os 15 anos da guerra fria entre a FPF e a Liga (2012/2026)
"A Liga Portuguesa de Futebol Profissional, fundada em 1979, organiza o principal campeonato desde 1995. Estruturalmente alinhada com a Federação Portuguesa de Futebol até 2011, a eleição de Mário Figueiredo, a 6 de janeiro de 2012, iniciou um ciclo de desalinhamento de 15 anos.
Reinaldo Teixeira é o presidente da Liga desde abril de 2025 e será reeleito para um novo mandato até 2031. Se os próximos cinco anos da sua liderança forem semelhantes ao primeiro, a FPF e a Liga vão completar um ciclo de 20 anos de Guerra Fria.
As sociedades desportivas, diplomaticamente, conseguem sempre evitar tomar parte da contenda, e são capazes até de apoiar em simultâneo dois líderes que se digladiem (o que ainda não é o caso atual).
Uma única vez tomaram partido e demitiram o presidente da Liga de forma fulminante — porque estava iminente a falência da Liga.
A ameaça mais evidente de não haver, neste momento, um entendimento entre a FPF e a Liga será um acordo de venda dos direitos televisivos pior do que seria possível, com perda de receita para os clubes. Se não fosse este o momento da centralização, o que por si só torna inevitável o alinhamento estratégico, um ciclo de cinco anos poderia passar depressa? Atentemos a dois períodos recentes.
O ciclo 1999-2004
Em 1999, numa rara convergência e sintonia entre o poder político, FPF, Liga e clubes, Portugal ganhou a organização do Europeu de 2004. Estávamos no 11.º lugar do ranking da UEFA e só tínhamos duas presenças na fase final do Mundial (1966 e 1986). Em cinco anos, foram construídos ou remodelados 10 novos estádios.
No início de 2022, Ernie Walker, o então presidente da Comissão de Estádios da UEFA, em visita a Portugal declarava: «É admirável o que se passa. Nunca nenhum país do mundo construiu 10 estádios num tão curto espaço de tempo (...) É incrível o que se passa em Portugal. No início havia algum ceticismo, a situação era mesmo algo dramática, mas já vimos que é possível alcançar os objetivos.»
Estes novos estádios, deram um grande impulso ao futebol português, aumentando muito as assistências, a segurança, mas também as receitas do dia de jogo. Benfica, FC Porto, Sporting, SC Braga e Vitória de Guimarães, como estariam hoje sem estes novos estádios? O estádio de Faro, embora não tenha uma equipa residente, é uma mais-valia enorme na região, são lá realizadas 150-200 atividades durante cada ano, e foi um investimento muito rentável — está pago desde 2024.
Os estádios do Bessa, Aveiro e Leiria, em graus diferentes, foram a sombra deste magnífico evento, devido ao seu custo (resultado da dimensão exagerada da lotação) e à inesperada perda de competitividade das equipas residentes (Boavista, Beira-Mar e União de Leiria).
Este ciclo de cinco anos, 1999-2024, impulsionou muito a competitividade do futebol português, que dele ainda hoje beneficia.
O declínio estrutural entre 2009 e 2014
Em 2009, foi aprovado o regime jurídico do seguro desportivo, uma pesada responsabilidade que agravou em mais de 10% os custos salariais com os jogadores.
Em 2012, o IVA dos bilhetes subiu de 6 para 23% e a taxa de IRS passou de 42% para 48% (mais 5% para rendimentos acima de 250.000 euros brutos, sendo que o salário médio na Primeira Liga era de 390 mil euros em 2024).
Como o mercado de jogadores é global, este agravamento exponencial da carga fiscal resultou numa grande desvantagem competitiva.
Outro golpe profundo na competitividade das equipas portuguesas foi dado em 2014 — a proibição dos fundos de investimento deterem direitos económicos de jogadores de futebol.
Com os novos estádios e o investimento partilhado com fundos de investimento na aquisição dos melhores talentos sul-americanos, Portugal conseguiu ter sete equipas presentes em finais da Champions e da Liga Europa entre 2003 e 2014. Em 11 finais, Portugal venceu três. Das 22 equipas que as disputaram, sete vezes foram portuguesas (32%). Desde que foi decretada a proibição, nem mais uma vez uma equipa portuguesa esteve numa final europeia.
Em cinco anos, a perda de competitividade das equipas nacionais foi gigantesca e, institucionalmente, nada se fez para o evitar.
Ao misturar combate à violência com ameaças à liberdade de expressão, a APAF está a dar passos firmes na direção errada.
Desde 2016 que o líder da APAF (associação de classe dos árbitros, o sindicato) transita diretamente para presidente do Conselho de Arbitragem da FPF. Embora não seja incompatível ou ilegal, gera legítimas dúvidas. Seria expectável que o líder da Associação dos Treinadores, escolhesse o próximo selecionador nacional?
Insistirem em querer ser a única classe profissional em Portugal que não pode ser criticada, é uma causa perdida. Uma pretensão irrealista e imoral num país democrático, em que os líderes das instituições são difamados diariamente, num país que pertence à União Europeia e se orgulha da liberdade de expressão. Como podem, em 2026, insistir em sanções devido a desabafos, a quente, no fim de um jogo?
A APAF deve evoluir e abandonar soluções irrealistas para problemas sérios, e dedicar a sua atenção em medidas que resolvam os problemas e não em procurar títulos de notícias que, além de efémeros, até podem ser considerados ofensivos para outros agentes desportivos, como os treinadores ou os jogadores.
Por exemplo, definir que a imagem da transmissão não se pode focar no árbitro principal no momento em que o VAR está a analisar um lance seria uma medida positiva.
Os intermináveis minutos que o árbitro principal é focado, enquanto aguarda por uma decisão do VAR, são uma pressão gigantesca. Sabe que a imagem está parada nele, enquanto aguarda saber se tomou uma decisão correta ou errada. Se é chamado a verificar a imagem, a corrida é um suplício. Os espectadores iam preferir ver e ouvir em directo quem está no VAR a analisar o lance — a ser filmado de costas."
Da hedionda ICE aos blues texanos
"CNN Internacional. Caos nos aeroportos americanos. Nem de propósito: as imagens das filas, agentes (curiosamente, nenhum caucasiano) da hedionda ICE a «passear». Pertenciam ao Aeroporto George Bush ou, se quiserem, Internacional de Houston, por onde muitos fãs portugueses terão de passar.
Conheci bem o Aeroporto mais frequentado dos USA. Provavelmente será uma surpresa para muitos, mas esse titulo pertence ao gigantesco hub de Atlanta, onde estive várias vezes. O George Bush fica a Norte e a cerca de 30 km da área citadina da, em geral, divertida e animada Houston. E há muito para fazer: por exemplo, visitar o Space Center.
Para os fãs de blues e música ao vivo, a proposta da Oitava é o muito Tejano local de nome House of Blues, situado na Caroline Street. Se virem um barbudo parecido com Billy Gibbons dos ZZ Top, pode ser que…
Para terminar esta primeira volta pela zona de divertimento da colossal cidade de Houston, sugiro uma visita ao único Rooftop Cinema Club onde, rodeados pela Skyline e uma iluminação alucinante, podem ver Cinema ao ar livre - uma experiência intensa para preparar o apoio à nossa Seleção.
Os luso-americanos concentram-se na Costa Leste e na Califórnia! Para muitos, Houston vai ser o primeiro contato com a «tal» América ! Vamos que Vamos? Sim!!!"
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