Últimas indefectivações

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Na final...

Benfica 4 - 3 Leões Porto Salvo

Começou demasiado fácil, a equipa adormeceu, os apitos deram confiança ao adversário, e acabámos o jogo apertados! A eliminatória nunca me pareceu em causa, mas o 3.º jogo esteve no horizonte!

O Porto Salvo terminou o jogo, com 1 falta contra assinalada, no ponto de vista dos apitadeiros!!! Repito, uma !!!

Iniciados - 14.ª jornada - Fase Final

Braga 4 - 1 Benfica
Aquino


Provavelmente o adeus ao título, pelo menos já não dependemos só de nós!
Entrada péssima no jogo...

Benguela...

Dizem as coisas e o seu contrário


"ANDAM TODOS AOS PAPÉIS!

1.
Tenho estado fora de Portugal a acompanhar a novela à distância e fora de horas. Também a divertir-me com a caricata forma como se diz e escreve tudo e o seu contrário sobre o processo de contratação do novo treinador do Benfica.

2.
O primeiro problema era o Benfica estar em finais de maio sem treinador contratado e pela frente, a 23 de julho, está agendado o primeiro jogo oficial da nova época - culpa, aliás, do Torreense, que brilhantemente humilhou o Sporting no Jamor. A questão resolveu-se quando descobriram que Farioli foi apresentado no Porto a 7 de julho de 2025 e começou a pré-época a 11, isto é, a menos de um mês do começo da época oficial.

3.
Entretanto, as negociações com Marco Silva, dadas como fechadas, caíram e o próximo treinador do Benfica, qualquer que ele fosse, já tinha o selo de vigésima sétima escolha do clube, pelo que entraria obviamente mais do que fragilizado na época - um desastre anunciado antes mesmo de qualquer jogo se realizar.

4.
Depois foi o anúncio firme de uma barbaridade que correu o mundo: para resgatar Marco Silva, o Benfica iria pagar-lhe - nem mais, nem menos! - 6 milhões limpos por época, um prémio de assinatura de 5 milhões, mais isto e mais aquilo se fosse campeão, horas e horas a encher chouriços televisivos com mais esta loucura em que o Benfica se estava a meter.

5.
Afinal o Marco Silva está fechado, vai até ganhar menos do que o Mourinho, nem prémio de assinatura para amostra vai receber, etecetera e tal. Não têm vergonha na cara. Não seria melhor esperarem pela oficialização do contrato e pela comunicação do Benfica à CMVM para tirarem conclusões?

6.
Último episódio, mais haverão com toda a certeza: se o Mourinho estava acabado, estafado, desatualizado, e ainda o diabo a quatro, o Marco Silva, agora que está "fechado", apresenta um fraco curriculum, não ganhou nada de jeito na carreira, não tem estatuto para o Benfica. Além de isto não ser exatamente verdade, apetece perguntar: o que tinham ganho Rui Borges e Farioli quando chegaram aos clubes mais bem geridos do mundo?

7.
Este post não pretende justificar ou sequer branquear a gestão feita pelo Benfica em todo o processo Mourinho-Marco Silva. Esse balanço far-se-á quando o último episódio da novela for exibido. Por agora, o silêncio do Benfica, fruto da ausência de política de comunicação que tanto tenho criticado, tem sido, afinal, um silêncio de ouro!"

Banha da cobra !!!

Marco Silva é a última vida de Rui Costa


"Marco Silva não resistiu a novo apelo do Benfica e, no meio do caos que tem sido o clube, terá de fazer depressa e bem. Mercado terá de ser cirúrgico, coisa que tem sido rara para os lados da Luz

A sexta temporada preparada por Rui Costa como presidente do Benfica e a décima nova desde que terminou a carreira (2008) e de imediato se tornou diretor desportivo e, mais tarde, administrador da SAD, vai começar com mais um all in, depois de a proposta de renovação feita a José Mourinho apenas para espanhol ver ter obrigado o Benfica a abrir, e muito, os cordões à bolsa para convencer Marco Silva a abdicar da estabilidade do Fulham para um projeto de altíssimo risco na Luz.
O trabalho que deixa para trás nos londrinos é de alto nível, estabelecendo-se na (cada vez mais destacadamente) melhor liga do mundo com orçamentos não tão generosos como grande parte da concorrência, mas Marco Silva sabe que, a partir de agora, nada disso contará. O contexto, acima de tudo, será completamente diferente, e o treinador terá de devolver à Luz identidade e futebol de ataque e empolgante que só com Roger Schmidt, e num pequeno espaço temporal, se viu nos últimos anos.
Para reduzir distâncias para FC Porto e Sporting, aos de dias de hoje muito mais bem estruturados e a trabalhar na antecipação e não na reação, o Benfica terá de fazer um mercado praticamente irrepreensível e certeiro, como os dragões fizeram, há um ano, com Farioli. No Benfica, não tem havido critério a contratar e tem-se pago demasiado por jogadores que não acrescentam, exceção feita a 2022/23.
Então, de caras na equipa entraram Bah, Aursnes, Enzo Fernández e Neres, todos com tremendo impacto, e da formação brotariam António Silva e João Neves. No Seixal não falta talento para o replicar, desde Banjaqui a José Neto ou Gonçalo Moreira, e, se outros valores não se levantarem, nem sequer será necessário entrar em loucuras para cortar as gorduras e reformular o plantel à imagem do treinador.
A melhor notícia que o Benfica podia ter tido em toda esta novela foi o facto de o treinador ter feito finca-pé para ter nas mãos o controlo total sobre o organigrama futebolístico. Não será apenas e só o treinador que se senta no banco, mas terá a chave na mão para alterar métodos, organização e reformular um clube em cacos.
A semana em que Rui Costa prometeu justificações aos benfiquistas sobre mais uma temporada para esquecer já vai com mais de 15 dias, mas convinha que, em tempo útil, o presidente desse um ar de sua graça, apesar de não se esperar mais do que frases feitas, insuficientes para explicar uma novela em que dar mundos e fundos para ter Marco Silva foi o único caminho para não sair dela ainda mais beliscado."

Ranking top ten de treinadores do Benfica


"Não haja dúvida que historicamente o Benfica sempre foi o clube das novelas de verão. Não é que Porto e Sporting não as tenham, mas o Benfica exagera. Porque é o clube mais popular no país e que mais capas de jornais enche e porque tem tido nos últimos 30 anos uma gestão que leva a indecisões e confusões. A deste ano é obviamente o folhetim treinador. Entramos em junho, já passou o tal período dos dez dias e ainda não se sabe se Mourinho fica ou não fica. Aparentemente não fica.
E Marco Silva tem acordo ou rompeu o acordo? Aparentemente tem acordo.
Enquanto não há fumo vermelho sobre o início desta época 26/27 (que parece estar a nascer torta, tal como é habitual, infelizmente), será um desafio interessante recordar antigos treinadores que passaram pelo banco da Luz e colocá-los num ranking, sendo obviamente isto um exercício de opinião pessoal.
É claro que se falássemos sobre toda a História do clube teria de se falar de um Béla Guttmann, Jimmy Hagan ou Svën-Goran Eriksson, mas viajarei no tempo apenas até às primeiras memórias que tenho, isto é, a partir de Toni naquele período entre 1992 e 1994. O que vivi e não o que li ou ouvi contar.

10º Lugar: Jupp Heynckes.
Tem dois pecados capitais gigantescos: Vigo e a dispensa de João V. Pinto. Acaba por entrar nesta lista apenas porque todas as outras opções que ficam de 11º para baixo ainda considero piores. Pelo lado positivo, apenas que fez um trabalho razoável ou vá, o possível com provavelmente a pior equipa de sempre do Benfica. Aquilo era João V. Pinto, Poborsky e Nuno Gomes. Ponto. Aceitemos ainda Enke e Maniche (ainda na versão extremo) na lista dos bons. Mas tudo o resto era assustador: Bruno Basto, Paulo Madeira, Ronaldo, Rojas, Calado, Kandaurov ou Sabry. E isto falando dos titulares. Depois no banco tinha Bossio, Okunowo, Sérgio Nunes, Porfírio ou Tote. Com um plantel a roçar a mediocridade ficou num honroso 3º lugar, tendo uma segunda volta em que venceu Porto na Luz e Sporting em Alvalade, no tal famoso golo do Sabry. Caiu na 4ª jornada da época seguinte, aquele clássico benfiquista.

9º Lugar: Mário Wilson.
O nosso querido bombeiro dos anos 90. Que ajudava o clube sempre que o clube precisava. Já tinha sido campeão em 75/76 e vencido a Taça de Portugal em 79/80. Nos anos 90 Damásio chamou-o três vezes para fazer a transição para outros treinadores. A mais duradoura foi na época 95/96 e que belo trabalho acabou por fazer, depois da destruição de Artur Jorge. Apoiado por Preud'Homme, Ricardo Gomes, Valdo e acima de tudo o «menino de ouro» João Pinto, que nesta temporada marcou 18 golos, conseguiu levar o clube ao 2º lugar e a conquistar a Taça de Portugal, o único troféu do clube em todo o Vietname.

8º Lugar: Ronald Koeman.
Não se pode dizer que tenha deixado muitas saudades ou que tenha feito um trabalho extraordinário. Em 2005/2006, o Benfica ficou em 3º lugar e foi eliminado da Taça de Portugal nos 1/4 de final. Mas venceu a Supertaça Cândido de Oliveira, venceu o Porto na Luz, venceu no Dragão (coisa que o clube não fazia desde 1991) e, claro, aquela caminhada na Liga dos Campeões. É com ele o incrível 2-1 na Luz ao Man Utd de Alex Ferguson com o improvável herói Beto a marcar o golo da vitória. E depois, nos 1/8 de final, quem esquece o 1-0 ao Liverpool na Luz com o golo do Luisão nos minutos finais e, acima de tudo, aquele épico e incrível 0-2 em Anfield, com golos de Simão e Miccoli? O Benfica caiu depois nos 1/4 de final de forma natural para o Barcelona de Ronaldinho, Deco e Eto'o.

7º Lugar: Bruno Lage.
É um treinador de luzes e de sombras. O que fez na segunda volta de 2018/2019 é absolutamente estratosférico. Pegar no clube a 7 pontos do Porto de Sérgio Conceição e recuperá-los, marcando mais de 100 golos e fazendo a reviravolta no campeonato em pleno Dragão é coisa de sonhos e não de realidade. Só que depois, em 2019/2020, foi sempre em queda (tendo ainda começado com o incrível 5-0 ao Sporting no Algarve para a Supertaça) até ser despedido no pós-covid com resultados miseráveis. E na segunda passagem rondou o sucesso, mas não o alcançou. Segundo lugar no campeonato quando teve um dérbi na Luz para o vencer e derrota na final da Taça de Portugal, mesmo com o desconto do vergonhoso lance com Belotti. Mais outro que depois foi despedido no início da época seguinte. Clássico.

6º Lugar: Toni.
Há o Toni de 1987 a 1989. Venceu um campeonato e chegou à final da Taça dos Campeões Europeus. Mas isso não entra para esta análise. E depois há o Toni de 1992 a 1994. Que é absolutamente épico. Uma Taça de Portugal, um Campeonato e tantos, mas tantos jogos épicos. O 5-2 ao Boavista, o 3-2 ao mesmo Boavista com o Paulo Sousa na baliza, o 4-4 de Leverkusen, o 6-3!! Mas depois há o Toni de 2000 a 2001. Que ficou em 6º lugar, na pior época de sempre e foi despedido a meio de 2001/2002. Por isso fica aqui no meio da lista dos treinadores. Que na lista de símbolos do clube está bem lá mais em cima, atenção. Sr. Toni, sr. Benfica!

5º Lugar: Giovanni Trapattoni.
A Velha Raposa. Que chegou em 2004 para fazer o Benfica campeão e acabar de vez com o Vietname (se é que alguma vez ele acabou). Então por que não está mais acima? Porque recebeu uma equipa já feita por Camacho (Luisão, R. Rocha, Miguel, Petit, Simão, N. Gomes, etc.) e o futebol era miserável. E fomos uns campeões tão sofridos! Apenas 65 pontos, oito empates e sete derrotas! Mas foi campeão. E quase fez a dobradinha. E deixou-nos aquelas frases icónicas como «Graças a Deus temos Simão» ou «Se não consegues vencer, deves procurar não perder». Era um velhinho na altura e 21 anos depois ainda cá anda entre nós. O clube podia e devia tentar homenageá-lo, para saber que não o esquecemos e estamos gratos. Futebol miserável aparte.

4º Lugar: Roger Schmidt.
Aquela época 2022/2023 entra sem problema algum para o lote das melhores épocas do Benfica moderno. Fomos campeões, fomos brilhantes enquanto tivemos Enzo Fernández connosco e ainda todos sonhamos, pela primeira vez nas nossas vidas, com um Benfica na final da Liga dos Campeões. «Só» faltava passar Inter e Milan. Não passámos o Inter, mas vencemos a Juventus duas vezes, demos seis ao Maccabi Haifa e empatámos duas vezes com o PSG de Messi, Mbappé e Neymar. Depois, foi a queda em 2023/2024 com uma época insuficiente até ao clássico despedimento à 4ª jornada da temporada seguinte. Mas, em 2022/2023, jogámos muito à bola logo desde a pré-época e isso é dedo de treinador!

3º Lugar: José Antonio Camacho.
Será talvez esta a escolha mais polémica? Porquê Camacho tão em cima? Pois posso dizer que até hesitei em pôr Camacho no segundo lugar! Mas Rui Vitória venceu muitos mais títulos e Camacho tem uma segunda passagem muito fraca em 2007/2008. Mas é minha opinião que Camacho é o unsung hero do Vietname! Se Vilarinho, Vieira, Simão ou Trapattoni têm méritos, Camacho também os tem e muitos! Chegou em 2002 depois do Benfica ter sido eliminado pelo Gondomar da Taça de Portugal. Veja-se bem os tempos que se viviam. E pela primeira vez desde o Vietname estabilizou um onze e identificou uma espinha dorsal na equipa: Luisão, R. Rocha, Petit, Tiago, Simão, N. Gomes e mais uns quantos. Levou o clube ao segundo lugar e em 2003/2004, no ano do centenário, no ano da nova Luz, no ano do falecimento de Miklos Fehèr, foi novamente segundo classificado (fazendo pontuações de campeão, atenção, só que coincidiu com o super Porto de Mourinho), chegou aos 1/8 de final da Taça UEFA e venceu a Taça de Portugal, derrotando na final o tal Porto do Mourinho. Camacho endireitou o barco do Benfica, após dez anos à deriva.

2º Lugar: Rui Vitória.
Se o acho grande treinador? Não. E a carreira dele pós-Benfica tem mostrado isso mesmo. Se acho que viveu muito à conta do que Jorge Jesus construiu e não é por acaso que foi sempre em queda de época para época? Acho. Mas a verdade é que em três anos e meio venceu dois campeonatos, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças. São muitos troféus. E esteve quase a vencer o Penta, mesmo com aquele desinvestimento todo do Vieira e Bruno Varela na baliza. Também é verdade que conseguiu a proeza negativa de zero pontos na Liga dos Campeões. Mas são muitos troféus, caramba!

1º Lugar: Jorge Jesus.
É uma decisão polémica? Não acho que o seja. Parece-me até bastante óbvia. Os detratores chamarão a atenção para uma segunda passagem falhada. E que na primeira passagem «só» venceu três campeonatos em seis anos, perdeu as duas finais europeias e teve humilhações com o Porto. É verdade. Mas é o treinador com mais títulos da História do clube. São três campeonatos, uma Taça de Portugal, cinco Taças da Liga e uma Supertaça! Ainda levou o clube a duas finais da Liga Europa (todos os outros chegaram sequer perto? Não) e esteve tão perto de as vencer. Um golo nos descontos e uns penáltis batoteiros do Beto. Tivesse Kelvin rematado para fora e estaríamos a falar de quatro campeonatos. Estou a dar muitos ses? Aqui vai a realidade: Jorge Jesus em 2009 foi a maior explosão futebolística no Benfica desde Eriksson em 1982. O Benfica tinha sido muito mais medíocre que sequer bom nos 15 anos antes de Jesus chegar e com ele demos um salto gigantesco. Foi da noite para o dia. Não só em troféus, mas em futebol jogado. Na qualidade, na rapidez e nos golos. E se alguém quebrou a hegemonia do Porto que vencia aos bis, tris, tetras e pentas campeonatos até 2013 foi Jorge Jesus. Olhe-se novamente para o resto da lista e não faz sentido colocar ninguém à frente de Jesus.

Agora que venha Marco Silva e que daqui a uns tempos esteja disparado no primeiro lugar desta lista, é o que se deseja!"

AA9: Mário Silva...

Zero: Mercado - Benfica volta à carga por extremo georgiano

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França: Cantona, o macambúzio que chamou “saco de merda” ao selecionador, pontapeou um adepto e acabou na praia antes de ser ator


"Éric Cantona já era amigo da polémica bastante antes de agredir um adepto do Crystal Palace, em Inglaterra, com um pontapé de kung fu. Dado a frases filosofais e crípticas, o francês já insultara o selecionador do seu país e andara ao soco com adversários e jogadores da mesma equipa. Quando se retirou ainda foi internacional de futebol de praia, ator de cinema e protoganista-mor em anúncios da Nike onde a ideia era ser ele próprio, beneficiando da fama de durão que sempre teve. E acabou a viver em Lisboa.

“Quando as gaivotas perseguem uma traineira é porque pensam que sardinhas serão atiradas ao mar.”
A frase críptica saiu da boca de Éric Cantona em 1995. Dita em pleno tribunal, o francês acabara de ser condenado a uma pena de prisão por dar um pontapé a um adepto do Crystal Palace que descera, esbaforido, uma dezena de filas de cadeiras no estádio para o insultar, acertando-lhe com a sola da chuteira no peito. O provável futebolista mais famoso do país, por certo o melhor estrangeiro a jogar então em Inglaterra, respondia perante a justiça por violentar um homem à beira do relvado e o que teve a dizer foi uma frase entre o filosofal e o piscatório.
Antes da farfalhuda barba, da boina à pintor, Cantona jogava com a gola da camisola ao alto, a fazer continência à figura sargental que vista, um sargento de pavio curto: nos tempos áureos do Manchester United, tinha o crânio rapado de pêlo, o queixo raso em barba.
Enigmático nas suas ações, por costume intempestivo, o pontapé que deu em Sellhurst Park ao adepto, segundos após ser expulso do jogo por uma entrada violenta contra um adversário, é, a par do batalhão de jornalistas a encavalitarem-se na sala do tribunal aquando da sentença, o que engoliu quase por inteiro tudo o que Éric Cantona fez no futebol. Nada que ele arrependa: disse, em 2020, à revista “Four Four Two”, ter sido o momento preferido da sua carreira, lamentando “não lhe ter batido com mais força”.
Mas sua gravitação pela polémica, quando não pela zaragata, viera de bastante antes.
Em 1985, ainda caçula no Auxerre, envolveu-se em confusão durante um jogo frente ao Cournon Le Cedre. O visado adversário foi expulso e, finda a partida, a enfurecida equipa contrária esperou à entrada do balneário para o confrontar; Cantona não foi de modas, saiu disparado a história reteve que privou ao soco com uma dezena de homens até Guy Roux, histórico treinador do Auxerre, cheio de quatro décadas no clube, acabar com a peleia.
Chegado ao Marselha que lhe detinha a paixão de criança desde que ao Velódrome fora, pela mão do pai, admirar as bancadas, coincidindo páginas tantas com um jogo frente ao Ajax de Johan Cruijff e embasbacado-se com o futebol total holandês, Cantona explodiu: futebolisticamente, marcando golos e exibindo a sua aptidão com a bola; e raivosamente, como virou seu apanágio.
Ainda nos seus vinte e poucos anos, diante de câmara e microfone, pouco hesitou ao insultar o selecionador francês por não o convocar para os Les Bleus. “Henri Michel não está longe de ser um saco de merda. Espero que um descobramos que é um dos treinadores mais incompetentes do mundo”, disse em 1987, recusando equipar-se pelo país enquanto o visado, com uns quartos de final do Mundial anterior no currículo, estivesse no cargo. Cantona foi excomungado da seleção durante um ano, sendo perdoado pelo sucessor nos bancos, Michel Platini.
No clube pelo qual torcia, cujo estádio foi buscar o nome ao ciclismo, o avançado conheceu destino semelhante ao que tivera em Auxerre, recebendo guia de marcha quando o presidente soube como, irritado no balneário, invadido pela fúria, Cantona arremassara as chuteiras à cara de um companheiro de equipa. A escapatória foi o Nîmes, equipa humilde, incapaz de serenar a natureza do jogador de olhar sério no cimo da penca pronunciada: por lá se encimou também sobre a polémica, ao atirar a bola contra um árbitro, recusando-se a participar na audiência disciplinar subsequente.

O ‘Le Roi’ de Inglaterra
Castigado foi e criticado se viu pela opinião pública em França, farta das suas raivas, sem vagar para as excentricidades, como esticar um pirete para as bancadas quando não estava embrenhado em confusões. Desencantado com a profissão, Cantona decidiu, aos 25 anos, retirar-se do futebol, para apenas Platini o convencer a desistir da ideia. Outra sábia voz sugeriu-lhe outra decisão: aconselhado pelo psicólogo, atravessou o Canal da Mancha.
O Leeds United acolheu o francês de má fama, ciente do seu pavio curto, igualmente do talento geracional. À primeira época com Cantona, a última antes da Division One ser rebatizada como Premier League, o clube de Yorkshire fez-se campeão inglês ajudado pelos golos vistosos, a postura calma a desembaraçar-se de adversários e a delicadeza do francês a tratar a bola.
A demonstração constante do seu talento não abafou o seu feitio idiossincrático. Éric mantinha-se conflituoso, mas uma Inglaterra nos últimos anos do hooliganismo, ainda de kick and rush no seu futebol e de bancadas esfomeadas por festejar cortes em carrinho ou chutões para fora, aceitava-lhe os defeitos a bem das suas virtudes. Perdoava o trombudo francês pela magia em campo, a que levou Alex Ferguson a cravá-lo aos dirigentes do Manchester United quando soube do amuo de Canton com Howard Wilkinson, treinador do Leeds.
Com ousadia a correr-lhe no sangue, Cantona entregou, em mão, um pedido ao clube para ser vendido ao Manchester United, Liverpool ou Arsenal, um dos três, desfaçatez aproveitada pelo escocês que tentava descolar o seu pecúlio triunfal na cidade-berço da Revolução Industrial. Disposto a aceitar o feitio sinuoso do francês, Ferguson teve a peça que faltava na equipa. Com os golos de Cantona, sobretudo com o requinte técnico que acrescentou ao ataque, o United ganhou quatro vezes a Premier League em cinco anos.
E pela Inglaterra de manuais de história versados em séculos de animosidade com França o jogador ficou conhecido como ‘Le Roi’, o rei.

“Au revoir”
O reinado conheceu o seu fundo, em 1995, com o golpe de kung fu em Matthew Simmons, adepto que provocara Cantona, saber-se-ia mais tarde na audiência judicial, com insultos xenófobos e, mais tarde ainda, teve problemas com a autoridade ao agredir o treinador do filho infantil por não o colocar a jogar. Essas nuances foram suficientes para largas falanges de apoiantes do United assumirem vista grossa quanto ao ato violento do francês, defendendo o avançado que acabaria suspenso pelo clube por quatro meses.
Foi metade do tempo de castigo aplicado pela liga inglesa, além das 120 horas de serviço comunitário que teve de cumprir após recorrer da sentenção de prisão inicial. Recuperado da palmatória, Cantona jogaria ainda mais duas temporadas, até 1997, com o prémio de ser capitão do Manchester United durante a sua última época, sempre fiel ao seu estilo: produzia golos belos com frequência, puxava a gola da camisola para cima, pincelava os jogos com aprumos técnicos ao alcance de poucos.
E retirou-se do futebol aos 31 anos.
Taciturno nas feições, alérgico a entrevistas, deixou um magro rasto na seleção. Resolvidas as quezílias iniciais, sofreu com o resto da sua geração o baixio enfrentado por França durante o final da década de 80 e meados da seguinte, jogando apenas no desastre do Europeu de 1992, onde foi eliminada de um grupo com Inglaterra e Dinamarca, a eventual campeã. Sucumbiu também ao escândalo que foi a não qualificação para o Mundial dos EUA, mas era o capitão gaulês no trilho rumo ao Europeu seguinte, onde não esteve devido à suspensão pelo golpe de artes marciais dado ao adepto do Crystal Palace.
Arrumadas as chuteiras, Éric Cantona evoluiu rumo à figura hoje emanadora de uma aura de carisma que colhe mais admiração do que soslaio. Crescido para os lados, mais rechonchudo debaixo da farta barba, tornou-se ator de cinema - participou no filme “Elizabeth“, com Cate Blanchett - e de teatro e participou em campanhas da Nike, marca que não o largou na reforma, esperta a aproveitar o seu estilo macambúzio, de tipo duro e cru, para ser o laçarote de múltiplos anúncios com futebolistas no ativo. À tirada mítica de “Au Revoir”, quando o francês ainda jogava, seguiram-se muitas outras em que protagonizava um papel quase de provedor de uma forma bonita de tratar o futebol.
Já dentro do seu segundo século de vida, largada a sua dedicação ao futebol de praia, onde jogou em Mundiais com a França e chegou a ser selecionador, Cantona mudou-se para Lisboa, cedente à cidade que chamou “o Rio de Janeiro da Europa“ onde, de boina na cabeça, tenta passar despercebido entre os pais que esperam pelo final do treino dos filhos (ele tem dois com a segunda mulher, acrescidos aos dois que teve com a primeira) numa escolinha de futebol. A par das ocasionais críticas públicas que ainda faz à elitização da modalidade, será essa a sua ligação mais preemente à bola que o teve como uma das estrelas mais ambivalentes."