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sábado, 25 de abril de 2026

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Renascença: Bola Branca - Olhá a Bola - Edite Fernandes

Porque é que, romantica e infantilmente, deixei de apreciar o Atlético Madrid


"Se antes o Atletico ensinava a perder, mas a perder de cabeça alçada, depois do combate, do sofrimento, num estádio operário, agora parece acomodado à sua condição de clube que subiu na vida, sem sangue nas veias, jogando mal, sem arriscar, pensando apenas no resultado. E eu, como tenho uma queda para o sentimento quando o assunto é bola, desinteressei-me

Não sei se há algo de racional na minha relação com o Atlético Madrid. É tudo feito de sensações, de contrastes, do meu lugar no mundo naquele momento e naquele espaço específicos, em linha paralela com a própria metamorfose de clube.
Quando os jogos da liga espanhola começaram a ser assunto de televisão aberta em Portugal, ali nos anos 90, não os podia ver nem pintados de cores de colchão porque Simeone, Caminero e Kiko roubavam títulos ao Barça de Cruyff, Figo e Guardiola, depois de Robson e Ronaldo. Nem as camisolas patrocinadas pela Bandai, para mim sinónimo de Super Sentai e de Power Rangers, me fizeram empatizar mais com o Atlético enquanto festejava ferozmente aquele 5-4 na Taça do Rei, em 1997, em que o Barcelona tinha estado a perder por 3-0 antes de recuperar, num dos momentos fundacionais da minha relação com o desporto, porque quem não ama um bom drama?
Assisti, por isso, com alguma indiferença à queda do Atlético à segunda divisão, ao fim da colorida e muy criminosa era de Jesus Gil y Gil. Não me tocou particularmente o regresso à La Liga, duro, não tão fácil como seria de esperar. Mas algo mudou quando, nos dias áureos dos seis títulos na mesma época do Barcelona de Messi e Pep, me mudei para Madrid. Fazia a mesma linha de metro que os adeptos do Atlético em dias de jogos, eu de volta a casa, na Chueca, eles a caminho das estações de Marqués de Vadillo ou Pirámides, mesmo ao lado do Vicente Calderón, estádio de bairro, à antiga, onde se apanhava frio e chuva na cabeça. E onde se sofria.
E também me cruzava com eles na segunda-feira seguinte, quando a cidade ia trabalhar ou se dirigia para as universidades. Não se via uma camisola do Real Madrid, nunca. Já o vermelho e branco do Atlético era omnipresente na vida quotidiana de Madrid, na pele de jovens estudantes e na dos obreros, apaixonados na vitória e na derrota daquele clube que ensinou tanta gente a perder.
O título “Saber Perder” do livro de David Trueba vem desse ensinamento que o Real Madrid, altivo, aristocrático, arrogante, nunca deu aos seus adeptos. A vitória como direito histórico, nunca pela batalha com os mais fortes. E apesar de tal não ser referido no livro, sempre tive a certeza que o clube de Ariel Burano, o puto argentino que chega perdido a Madrid para jogar à bola, era o Atlético.
Neste fluxo de futebol e vida, tornou-se difícil não ficar do lado deles, da mole que tomava o metro orgulhosa da sua camisola do Atlético, mesmo depois de um qualquer desaire. Tornei-me, assim, simpatizante colchonera nos anos seguintes. Vibrei sozinha, já em Lisboa, em frente a um solitário prato de caracóis, com a vitória na Liga Europa em 2010 (passe de Agüero, calcanhar de Diego Forlán), depois em 2012 (Falcao, madre mía), com a liga de 2013/14, em plena guerra Barça-Real Madrid. A empatia chegou finalmente ao minuto 90’+3 da final da Champions desse ano, em Lisboa, depois da cabeçada de Sergio Ramos quando o Atleti já festejava.
Mas algo aí já se transformava, para pior, no Atlético, que já não era o clube que batia os seus recordes de investimento ao dar 20 milhões de euros por Forlán, por Agüero ou Simão Sabrosa. Já era o clube que punha 40 milhões na mesa para levar Falcao do FC Porto. Era o clube que deixava os bairros populares do centro de Madrid para se mudar para um estádio todo modernaço num subúrbio anódino. E em breve, o Atlético tornar-se-ia no clube que pagaria €120 milhões por um miúdo do Benfica que, estava claro desde o início, nunca se daria bem naquele Cholismo das defesas compactas, das transições, dos sacrifícios coletivos, do conforto sem bola.
Aqui entra o lado romântico, infantil de quem não gosta de ver um clube a aburguesar-se, a renunciar, em campo, à sua origem. É uma visão demasiado poética, sonhadora, admito. Mas se antes o Atletico ensinava a perder, mas a perder de cabeça alçada, depois do combate, do sofrimento, num estádio operário, agora parece acomodado à sua condição de clube que subiu na vida, sem sangue nas veias, jogando mal, sem arriscar, pensando apenas no resultado.
A final da Taça do Rei do último fim de semana, perdida sedativamente para a Real Sociedad, foi um quadro cinzento de um clube que, algures no caminho, entregou parte da sua alma ao diabo do futebol moderno. E, assim, não é fácil continuar a simpatizar."

Centralização dos Direitos Televisivos: o futebol português entra na era da equidade


"A recente aprovação, na assembleia geral da Liga decorrida na passada sexta-feira, de um novo modelo de centralização dos direitos televisivos assinala um verdadeiro ponto de viragem no futebol profissional português.
Com mais de 90 por cento dos votos favoráveis entre as 33 sociedades desportivas presentes - destacando-se o voto contra do Benfica e a abstenção do Nacional -, a decisão evidencia não apenas uma confiança coletiva no modelo de comercialização proposto pela Liga, mas também a emergência de uma nova racionalidade coletiva no seio da indústria futebolística: o abandono progressivo do modelo de comercialização individualizada, historicamente assente na força negocial de cada sociedade desportiva, em prol de um sistema de exploração conjunta, regulado e redistributivo, cuja matriz legal já fora traçada pelo Decreto-Lei n.º 22-B/2021.
O regime até aqui vigente consagrou uma lógica de mercado em estado quase puro, onde cada clube negociava autonomamente os seus contratos de transmissão, preservando a autonomia privada e a liberdade contratual. Na prática, porém, esse modelo gerou uma assimetria estrutural de contornos dramáticos: os clubes de maior implantação captaram a esmagadora fatia do valor comercial, enquanto os restantes emblemas se debateram com margens de receita exíguas, comprometendo a sua própria sustentabilidade.
Foi precisamente para corrigir esta clivagem que o legislador interveio, reconhecendo que a fragmentação da oferta audiovisual não só enfraquecia o produto global, como perpetuava desigualdades competitivas incompatíveis com a integridade desportiva.
No essencial, o modelo ora aprovado assenta na criação de um «pacote único» de direitos audiovisuais. Em termos substanciais, deixa de ser cada clube a vender o seu próprio produto, para passar a existir um «produto liga», potencialmente mais robusto, mais previsível e, em teoria, mais atrativo para o mercado audiovisual.
Portugal alinha-se, assim, às principais ligas europeias - como a Premier League, a La Liga ou a Bundesliga -, nas quais a centralização é norma consolidada.~

Melhor sustentabilidade financeira, maior equidade competitiva
Do ponto de vista jurídico, estamos perante um sistema de venda conjunta com subsequente repartição de receitas: cerca de 90 por cento do valor será afeto à Liga e 10 por cento à II Liga.
No principal escalão, a distribuição das verbas proposta pela Liga será feita com base em cinco critérios predefinidos: 44,2 por cento em função do mérito desportivo (classificação final, participações europeias e conquistas em taças nacionais; 33,2 por cento repartidos equitativamente entre todos os 18 clubes; cerca de 3 por cento para as condições para as transmissões televisivas e 1 por cento para a qualidade do relvado, iluminação e condições para o trabalho da comunicação social.
Apesar do aval dos clubes, o modelo carece, ainda, de validação governamental e crivo da Autoridade da Concorrência, para assegurar que a concentração negocial não distorça o mercado.
Certo é que, nos termos do Decreto-Lei n.º 22-B/2021, a centralização assumirá natureza obrigatória a partir das épocas subsequentes a 2027/2028, momento em que os direitos televisivos e multimédia deixarão de poder ser objeto de comercialização individualizada.
Nesta esteira, o que ora se delineia, ultrapassa largamente a mera engenharia de uma venda conjunta de direitos, para se afirmar como a consagração de um novo pacto económico no coração do futebol profissional português.
O modelo proposto não só aproximará Portugal dos padrões das principais ligas europeias, como poderá redefinir as bases de sustentabilidade financeira das competições profissionais, fomentando uma maior equidade competitiva, mitigando assimetrias históricas entre emblemas e contribuindo para um campeonato mais equilibrado, competitivo e, em última instância, mais fiel à própria essência do espetáculo desportivo."

Alterações regulamentares (II)


"No seguimento do anterior artigo sobre este tema, relembramos que foram aprovadas, em reunião de Direção da Federação Portuguesa de Futebol de 23 de março, propostas de alteração ao regulamento disciplinar para a próxima época, com o objetivo de reforçar a segurança e os valores do desporto.
Concretizando tais propostas, que entraram em consulta pública pelo período de 30 dias úteis, verificamos que o documento apresenta um agravamento das sanções disciplinares para a época 2026/27, essencialmente no âmbito de ilícitos disciplinares relacionados com agressões, declarações ofensivas, violência, discriminação, assédio e dívidas salariais.
No que toca a agressões e ofensas à equipa de arbitragem são apresentadas 36 propostas, 3 novas, com uma média agravamento de sanções na ordem dos 150%; No que respeita a declarações ofensivas entre dirigentes são feitas 5 propostas, 1 nova, com uma média agravamento de 158%; quanto ao uso de material pirotécnico trata-se de 34 propostas, 5 novas e uma média agravamento de 89% nas molduras sancionatórias;​ No que respeita a comportamentos discriminatórios foram elaboradas 6 propostas com média agravamento de 64%; Quanto ao assédio sexual e moral são apresentadas 4 propostas de alterações verificando-se uma média agravamento na ordem dos 75%; quanto a medidas de controlo económico, em concreto, em matéria de dívidas salariais existe uma nova proposta para previsão de ilícito disciplinar concreto, sendo adotada a sanção de dedução de pontos.
Estas medidas ora propostas visam proteger os mais elementares valores desportivos e, ao mesmo tempo, garantir a integridade e segurança nas competições."