Últimas indefectivações

sábado, 10 de janeiro de 2026

Treino...

Benfica FM: Marlene...

Terceiro Anel: Bola ao Centro #174 - Uma queda com estrondo!

Um clube não é um onze inicial


"É uma organização complexa, com decisões que produzem efeitos a médio e longo prazo — precisamente o horizonte que o adepto se recusa a ver

A canção faz perguntas como «de que adianta saber as marés, os frutos e as sementeiras»? E estas, acrescento eu, que adianta saber o onze do Benfica, ou se o Manchester United jogou em 3x4x3? Que adianta saber tudo isso e do resto «entender mal»?
Há um título de Carlos Tê que atravessa a nossa vida, desportiva ou não, como algo que ninguém questiona: «A Gente Não Lê». Não lê estatutos, não lê relatórios, não lê programas eleitorais, não lê sinais, não lê o que dizem acionistas. No futebol, vê-se a bola entrar ou não. E decide-se tudo a partir daí.
O adepto, no geral, já devia ser ‘moderno’, perceber mais de «governance» – o termo em inglês é mesmo propositado - mas ainda reduz o clube à equipa de futebol. Pior: reduz tudo ao resultado do último jogo. E ao árbitro. Falar de estratégia é aborrecido, a liderança é um tema para «outros». Importa ganhar no fim de semana. Se ganhou, está tudo bem. Se perdeu, está tudo mal. E assim se constrói uma ignorância confortável, consoante o pontapé na bola chega ao fundo das redes ou, um outro, atinge-nos as canelas: abençoado «biqueiro» que já deu argumento sonoro para o insucesso.
Vamos lá ser sérios: os clubes não falham apenas porque um avançado falha um golo ou porque o árbitro assistente erra um fora de jogo. Falham ou têm sucesso muito antes disso. Pela escolha de líderes, na definição de modelos de gestão. Muitos falham na sustentabilidade financeira, na relação entre futebol profissional e formação, na coerência entre discurso e prática. Falham, sempre, quando vivem acima das possibilidades. Falham quando confundem popularidade com competência. E nada disto entra na discussão de café, nem no voto em assembleia geral.
O adepto, no geral, fala, isto é, opina, sempre como treinador de bancada. Porque é ali que se sente confortável: no terreno, onde acha que sabe tudo. E sabe, de facto, alguma coisa. Sabe como deve jogar a equipa, muito para além do onze titular ou de quem deve entrar e sair no mercado. O adepto, no seu conceito coletivo, é quem dita o estilo, é quem afirma que o Barcelona tem de ser tiki-taka, o Milan pode ser um elegante catenaccio ou que o ManUtd tem mesmo de jogar em 4x4x2 ou 4x3x3, mas nunca em 3xqualquer coisa.
Mas esse conhecimento parcial transforma-se num erro grave quando é usado para decidir matérias estruturais. Um clube não é um onze inicial. É uma organização complexa, com decisões que produzem efeitos a médio e longo prazo — precisamente o horizonte que o adepto se recusa a ver.
Tantas e tantas vezes critica-se a falta de projeto, mas vota-se sem os ler. Reclama-se transparência, ignorando o que já está disponível. No fundo, prefere-se a indignação ao conhecimento. Dá menos trabalho e ainda se expele uns diabos interiores. Enquanto assim for, continuar-se-á a tratar sintomas e a ignorar a doença. A mudar treinadores, a queimar jogadores, a eleger salvadores da pátria. E depois, surpreendidos, os adeptos perguntam outra vez: «Como é que isto voltou a correr mal?» Talvez porque, mais uma vez, «a gente não leu».
Há casos piores ainda, quando dirigentes agem como adeptos e dirigem como se ainda estivéssemos nos anos 90.
Esta semana ter-se-á questionado, numa outra latitude, um treinador por jogar em 3x4x3…quando ele sempre disse que ia jogar em 3x4x3. Há mesmo gente que não lê..."

A culpa da insónia de Mourinho é de todos… menos dele


"Pode o treinador do Benfica aproveitar as noites de insónia para refletir, pois ganhou as eleições para Rui Costa mas arrisca-se a não ganhar mais nada. E está na hora de pensar bem se a culpa é mesmo de toda a gente mas nunca dele mesmo.

Uma volta para um lado na cama, outra volta para o outro, a almofada virada ao contrário, carneiros imaginários para contar… Noites mal dormidas na Margem Sul, no Seixal e em Alcochete. Janeiro e fevereiro como meses decisivos para Benfica e Sporting, os leões porque podem perder a possibilidade do tricampeonato no segundo mês do ano, o Benfica porque pode perder a época toda logo no primeiro de 2026… Não admira por isso que José Mourinho tenha insónias e que Rui Borges tenha de tomar um comprimido para conseguir adormecer e outro para acalmar os nervos de tantas lesões (outra vez) que lhe complicam a vida — e os jogos, sobretudo nas fases finais deles que é quando as pernas faltam e as opções escasseiam.
Bem pode estar José Mourinho preocupado. A Taça da Liga é aquela competição que muitos menosprezam mas que podia dar um fôlego aos encarnados num já decisivo mês de janeiro. Ganhá-la é bom mas perdê-la e sobretudo neste cenário é pior. Por isso percebe-se que o treinador esteja mal dormido, mais ainda quando na quarta-feira se joga a época dos encarnados: uma derrota no Dragão acabará com a temporada das águias. Sim, porque a Allianz Cup vai para o Minho e a Taça de Portugal passaria a ir para outro lado mas não a Luz… e sejamos sinceros, o campeonato é algo que está já a muitos pontos de distância e ainda para mais com dois adversário para recuperar... Ou seja, seguir-se-iam quatro meses sem possibilidades de troféus para ganhar, uma eternidade desesperante para qualquer benfiquista que não se pode contentar apenas com uma Supertaça e a luta pelo segunda lugar (mesmo que valha a Champions).
Bem pode também José Mourinho aproveitar as noites sem sono para refletir, pois ganhou as eleições para Rui Costa mas arrisca-se a não ganhar mais nada. E está na hora de o treinador pensar bem se a culpa é mesmo de toda a gente, jogadores, árbitros, administração (houve ali recados para dentro), mas nunca dele mesmo… Tomemos como exemplo três jogos, que não necessariamente derrotas mas todos com más primeiras partes: Atlético, Sporting e SC Braga — o mesmo discurso do treinador sem nunca um assumir de responsabilidades…
A favor de José Mourinho, só se adormecer um pouco para descansar as ideias e acordar num sonho de vitória no clássico da próxima semana…Ou então, bem me parece que a época do Benfica acaba por aí.
Com poucas horas de sono está também Rui Borges. O treinador do Sporting enfrenta a pior fase desde que chegou a Alvalade em 26 de dezembro de 2024. Mais ainda do que os meses de fevereiro e março de 2025 também marcados pelas lesões. Porque nessa altura ia na frente e agora corre atrás. Chegando ao Dragão no dia 8 do próximo mês a esta distância dos azuis brancos, não lhe resta outra margem que não a vitória: empate faz do tri uma miragem, derrota missão impossível — pode ser que sobre a Taça, fica a luta pela Champions, pode não ficar o último ano de contrato renovado pelo título de 2024/2025…
Mas merece Rui Borges ter um pouco mais de sorte. Mesmo com uma equipa inteira indisponível não se queixa, não se desculpa com árbitros (e há quem o faça mesmo sem razão para tal), procura soluções onde muitas vezes não há. Olhar para o seu ar no banco de suplentes nas fases finais dos jogos com o Gil Vicente e com o Vitória de Guimarães foi ver imagem de resignação e de impotência, porque na hora do cansaço não havia qualidade (nem mesmo quantidade) para refrescar. E com isto tudo, até quem o ajudou foi… Mourinho: a derrota com o SC Braga em Leiria e sobretudo o seu discurso tiveram o dom de meter a derrota leonina para segundo plano e dar espaço para o leão trabalhar tranquilamente em Alcochete."

Amorim é já bem mais do que um fantasma para Mourinho


"Enquanto Mourinho resiste, a imagem de Amorim cresce silenciosa, deixando a decisão mais importante em muito tempo do clube nas mãos de Rui Costa. Chegou o momento dos líderes

Ruben Amorim é muito mais do que um fantasma para José Mourinho. Talvez se lembrem da camada extra de pressão que o Special One criou para Roberto Martínez, com a cumplicidade de Pedro Proença, antes da conquista da Liga das Nações, e como esta se estendeu depois a Bruno Lage, assim que este se fragilizou. Agora, por muito que o negue e talvez até não o sinta, fica desde já debaixo de enorme sombra, exposto por alguém que, apesar do sucedido em Old Trafford, se mostra muito mais solução, sobretudo a médio e longo prazo, e até dispensa aparições públicas para se fazer notar.
O ex-ManUnited não precisa de deixar vestígios de ectoplasma no betão pré-District do estádio para dizer presente. Basta-lhe esperar. Tranquilamente. O seu nome aparecerá em todas as discussões, ainda que tal não garanta que as águias tomem, por fim, a decisão certa. Dependerá sempre de Rui Costa e de ter ou não entretanto aprendido algo em relação aos erros do passado.
Se Mourinho eventualmente ainda for a tempo de arrebatar a Liga, fá-lo-á não só contra todas as probabilidades, mas também por demérito claro dos rivais. Não se trata só da vantagem pontual. Há uma consistência regular nos dragões e pelo menos em muitos momentos nos leões — o que também deve ser alvo de estudo em Alvalade, tendo em conta o ponto de partida de ambas as formações — que os coloca, numa competição longa, um patamar acima. O primeiro troféu de consolação, a Taça da Liga, que Lage celebrou, perdeu-o sem espinhas diante do SC Braga e, dentro de dias, no Dragão, lutará por segunda oportunidade, a Taça de Portugal. Mesmo que vença, ainda faltará um jogo para garantir o Jamor, onde o antecessor teve um dos seus momentos-quase. Há a Liga dos Campeões, com o play-off ainda em aberto porém embates complicados diante de rivais como Juventus e Real Madrid, que dificilmente tirará aos adeptos o sabor amargo de insuficiente. É que aí também Lage chegou aos oitavos.
No pior dos cenários, a época pode acabar já este mês e restarão quatro meses penosos, de autoflagelação, até tudo voltar a animar no mercado, o berço de todos os sonhos. Ainda que queiramos esquecer os resultados e pensar no processo, algo que os resultadistas como Mourinho não gostam de fazer, a verdade é que raramente a equipa deu sinais de evolução, de controlar os encontros como deveria, através de posse de bola proativa, com os jogadores nas posições certas. Nunca conseguiu, porque também nunca quis, fazer crescer a equipa para que no relvado fosse aquilo que deve ser: grande. Com a solidez defensiva de que gosta, embora mandona e dominadora.
Leandro Barreiro, que não é mau jogador, apenas inútil para esse perfil seja em que posição for utilizado, é nada mais do que um pobre grito de eureka! de um técnico que já teve outras ideias e venceu com elas. Experimentar o luxemburguês uma ou outra vez ainda se admite, fazê-lo titular de um Benfica a querer honrar o passado e a aspirar ao sucesso no futuro é aberração. Deixá-lo em campo até ao fim um crime. Olhem para os onzes de Leiria e digam-me: quantos jogadores de equilíbrio tinha cada equipa? Quem pressionou melhor, quem roubou mais bolas? Quem dominou? Quem marcou mais golos?
Recuperei Lage para aqui como o mínimo olímpico de Rui Costa, não porque em algum momento entendi que fosse solução. Mas Mourinho também há muito que é insuficiente. E parece ainda ficar aquém de Lage. A ideia não convence, o processo mostra-se incompleto, mentalmente os seus já não são os mais fortes, os resultados escasseiam, ao contrário das desculpas, que tendem a afunilar para os árbitros e, por fim, para os jogadores. Os mesmos que para si, antes, eram intocáveis. Quando começa a atacar o grupo, precipita-se o fim. Porque para Mourinho a culpa nunca é sua ou do modelo.
Estamos a seis meses do verão. A meio ano de Rui Costa se poder livrar de Mourinho mais barato, como alertou na apresentação. Haverá coragem para fazê-lo? Ou acreditará o dirigente, pela terceira vez, que há sinais suficientes para manter tudo na nova época até se decidir por fim, com todas as provas mas o mercado já fechado. No verão, Amorim terá também cumprido o seu período de nojo por ver colado o seu nome ao pior United do pós-Ferguson — Mourinho continua a ser aquele que obteve melhores resultados depois do adeus do escocês —, e preparado para novo desafio gigantesco.
Não sei se Rui Costa vai ter tempo para esperar o cenário ideal para si, que lhe permitiria lavar mais uma vez as mãos. O de Portugal falhar no Mundial, Proença ter finalmente desculpa para levar Mourinho para a Cidade do Futebol — e que, mais uma vez, está longe de ser a ideia mais correta para esta Seleção e por razões bem semelhantes à dos encarnados —, o que libertaria o presidente para assumir Amorim. Se calhar, terá de antecipar o cenário. Muito já será perdido com este mercado que parece continuar a afastar o plantel do caminho certo.
Não tenho dúvidas de que, se o quiser, Ruben Amorim é a solução para este Benfica como o foi para o Sporting e será para qualquer grande equipa que precise de um rumo. Incluindo um Manchester United tão doente. Digo-o só pelo lado racional, esquecendo se calhar até o que mais será valorizado: a cor clubística. É verdade que na Luz o problema é maior do que o treinador, mas Amorim já era um manager em Alvalade e assumir mais responsabilidades ajudará a todos. Com peso na decisão, poderá fazer de Rui Costa um presidente eficaz. Haverá finalmente alguém que escolha bem os reforços, seja firme na filosofia e liberte a academia.
Num clube habituado a tropeçar em momentos determinantes, a continuidade de José Mourinho será um erro histórico tão evidente como o foi o seu despedimento em 2000. Haverá, contudo, outro pior: voltar a perder Amorim para o rival de Alvalade, onde a falta de resposta de Rui Borges pode também deixar entrar esse fantasma. Rui Costa não poderá adiar muito mais do que o verão: há decisões que definem um clube e não podem ser deixadas ao acaso. Esta pode ser a mais importante da sua liderança — só com ela poderá finalmente consolidar-se."

Zero: Mercado - Benfica não desiste de Rafa; Leão na iminência de ter reforço

BF: Esquerda...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Vitória SC vs SC Braga: antevisão de uma final histórica

Observador: E o Campeão é... - Final da Taça da Liga. “O Minho merece esta final”

Observador: Três Toques - Manchester United bate recordes sem Ruben Amorim

SportTV: Primeira Mão - Um fim de semana cheio de finais

Muito Benfica para apoiar


"A atividade desportiva do Benfica em destaque na BNews.

1. Triunfo no dérbi
O Benfica ganhou, por 1-4, ao Sporting no Pavilhão João Rocha em jogo da 4.ª jornada da fase de grupos da WSE Champions League.

2. Desaire caseiro
Na CEV Champions League, a equipa feminina de voleibol do Benfica foi derrotada, por 0-3, pelo Igor Gorgonzola Novara.

3. Agenda para sábado
A equipa feminina de futebol recebe o Rio Ave no Benfica Campus (15h00). Na Luz há jogos de andebol no feminino (ABC às 17h00) e futsal no feminino (Casa do Povo de Freixo às 19h00).
No basquetebol, a equipa masculina é visitante do Vasco da Gama (18h15) e a feminina disputa, em Albufeira, as meias-finais da Taça Federação com o Imortal (16h45). A equipa masculina de futsal visita o Barbarense (13h00 em Portugal Continental). E há dérbi no voleibol, com o Benfica a atuar no Pavilhão João Rocha frente ao Sporting (15h00).
No futebol de formação, os Juniores deslocam-se a Tondela (11h00), os Juvenis têm embate no reduto da Académica (15h00) e os Iniciados visitam o Sporting (10h00).

4. Agenda para domingo
Em hóquei em patins, a equipa masculina atua em Sesimbra (17h30) e a feminina recebe o HC Palau (15h00). Em voleibol, os homens deslocam-se ao recinto do Castêlo da Maia (18h00) e as mulheres visitam o FC Porto (16h00).

5. Participação em torneio internacional
O andebol masculino do Benfica entra no torneio Rencontres Internationales de Handball 2026 nos dias 16 e 17 de janeiro, em França.

6. Convocadas
Várias futebolistas do Benfica chamadas por seleções jovens."

BI: Rescaldo - Braga

Zero: Entrevista - Tiago Araújo

BolaTV: Toque de Bola - S01E06 - Inácio

O visto que trava o reforço


"No futebol português, a janela de transferências é um sprint de alta tensão: 33 dias entre os inícios de janeiro e fevereiro para reforçar plantéis, inscrever talentos e disputar competições europeias. Mas um sprint que pode tropeçar na fronteira aeroportuária, onde a Polícia de Segurança Pública pode transformar um contrato assinado em bilhete de regresso.
Sucedeu há dias: um atleta profissional, com vínculo a uma sociedade desportiva participante nas competições profissionais, contrato de trabalho, termo de responsabilidade da entidade empregadora e meios de subsistência comprovados, viu recusada a entrada em Lisboa por declarar intenção laboral sem visto adequado.
A Liga Portugal, atenta ao risco iminente na presente janela de inverno, alertou os clubes num memorando que expõe a fratura sistémica pós-SEF.
A extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras pelo Decreto-Lei n.º 41/2023, de 02 de junho, dividiu competências: à Unidade de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da Polícia de Segurança Pública coube o controlo fronteiriço (Lei n.º 55-C/2025, de 22 de julho); à AIMA, as autorizações de residência.
O Protocolo celebrado em 24 de julho de 2024 - entre a AIMA, a Unidade de Coordenação de Fronteiras e Estrangeiros, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e a Federação Portuguesa de Futebol (entre outras federações desportivas signatárias), - visou agilizar a autorização de residência para atletas profissionais das I e II Ligas que entrem legalmente em território nacional (dispensa de visto, curta duração ou turismo), no mês anterior ou durante as janelas de inscrições, mediante contrato e termo de responsabilidade subscrito pela sociedade desportiva contratante.
Mas eis o busílis: a PSP interpretou que a declaração laboral à chegada invalida a dispensa de visto, exigindo título de longa duração para «residir/trabalhar». O entendimento da PSP foi de que o protocolo agiliza o pós-entrada; não autoriza a entrada quando o agente fronteiriço vem com intenção profissional.

Cronómetro contra burocracia
Um visto de trabalho pode demorar até dois meses a ser emitido. Tal prazo afigura-se sobejamente incompatível com uma janela de transferências, cuja duração varia entre cerca de um mês no mercado de inverno e dois meses no mercado de verão.
A janela de inverno, com menos do que cinco semanas, é assim um fósforo aceso numa poça de gasolina administrativa. Extracomunitários enfrentam consulados saturados; comunitários (UE/EEE), dispensados de visto, passam a arriscar o mesmo destino ao confessarem o contrato ao controlo de passaportes.
Acresce que a FIFA é inequívoca ao estabelecer que qualquer contrato de trabalho celebrado com um jogador não pode ficar condicionado à obtenção de visto de trabalho. Por isso, quaisquer obrigações assumidas pelos clubes que venham a ser recusadas ou temporariamente inviabilizadas por razões relacionadas com a concessão do referido visto deverão, ainda assim, ser integralmente cumpridas.

Corredor verde já
O futebol profissional reclama a consagração de um regime excecional de natureza célere, adequado à sua especificidade económica e aos inerentes calendários desportivos, em alinhamento com a sua reconhecida relevância no plano económico e internacional de Portugal.
Urge criar um «corredor desportivo» verdadeiramente integrado e compatível com a realidade do futebol profissional.
A solução poderá passar por criar uma plataforma digital partilhada entre Liga, FPF e AIMA, permitindo a submissão simultânea de contrato de trabalho e termo de responsabilidade para emissão de visto provisório em meras 72 horas ou criar um visto especial e um fast-track consular, adaptado à realidade profissional das I e II Ligas, à semelhança dos regimes acelerados já existentes para setores estratégicos como a cultura e a investigação científica.
Sem uma mudança normativa específica, os clubes arriscam-se a continuar reféns de interpretações administrativas e de limitações legais que travam decisões e comprometem planeamentos desportivos.
O futebol profissional exporta talento, anima estádios e enche arcas fiscais. A União Europeia reconhece o desporto como «interesse geral» (Tratado TFUE, art. 165.º), justificando exceções migratórias. Enquanto Portugal não alinhar a política de entradas com a dinâmica competitiva do seu futebol, continuará a desperdiçar talento à porta de embarque - derrotado não pela tática, mas pelo visto que nunca chegou."