Últimas indefectivações

sábado, 9 de novembro de 2019

Sem falhas...

Benfica 6 - 2 Valongo

Mais um triunfo, é verdade que ainda faltam os desafios com os principais adversários, mas a equipa tem estado a dar sinais de consistência...

Meia-dúzia...

Benfica 6 - 2 Quinta dos Lombos

Vitória com sotaque brasileiro, com mais uma festival do Fernandinho... Num jogo, muito complicado, que aos 33 minutos (a 7 minutos do fim) estava 2-2 !!!

Vitoria em Ílhavo...

Illiabum 63 - 72 Benfica
15-19, 12-14, 15-19, 21-20


Jogo sempre controlado... Nesta altura da época, com muitos jogos Europeus pelo meio, e com as lesões, não é fácil fazer a gestão deste tipo de jogos, mas hoje, até tivemos benzinho: com uma péssima percentagem de 3 pontos, e ainda, voltámos a falhar demasiado da linha de lance livre!

Com a confirmação da lesão grave do Barroso (provavelmente a época toda), seria avisado ir ao Mercado, com a provável qualificação para a próxima fase da Europe Cup, os jogos Europeus vão continuar, e com os problemas físicos a não largarem o Hollis, o McGhee e agora o Micah, são demasiados condicionalismos... principalmente nas posições exteriores, onde já estávamos 'curtos'!!

Festa em Infesta...!!!

São Mamede 1 - 3 Benfica
17-25, 15-25, 25-21, 17-25

Desconcentração no 3.º Set acabou por destoar, dos bons desempenhos dos últimos tempos, mas conquistámos os 3 pontos, o que é sempre o mais importante...
Importante, jogadores como o Théo e o Pinheiro, que têm jogado pouco, subam de nível, os jogos mais 'apertados' estão a chegar...
Quinta-feira no Montenegro, temos tudo para seguir em frente...

Empate...

Benfica 1 - 1 Leixões


Primeira 'não vitória' em casa, num jogo que não correu bem... O Leixões, fez uma boa partida, pressionou quase sempre alto, tivemos muitas dificuldades em construir jogo ofensivo... mesmo assim marcámos, e quando no 2.º tempo até desperdiçamos duas excelentes oportunidades para fazer o 2-0, num lance 'estúpido', concedemos um penalty, que acabou por dar o empate final!
Creio que o jogo em Lyon a meio da semana, acabou por condicionar a 'concentração' para este jogo!

Uma Semana do Melhor... de Botas!!!

Benfiquismo (MCCCXLVIII)

Par...

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Amargo de boca

"Perdemos em França com equipa ao alcance do melhor Benfica. Fica a sensação de que a história poderia ser diferente

Vencer o Rio Ave de forma clara foi importante para consolidar a liderança conquistada na semana passada. O campeonato é uma maratona em que vence o mais regular, quem tiver menos percalços, quem conseguir ganhar os três pontos mesmo nas partidas que correm menos bem. No entanto, o jogo contra a boa equipa de Vila do Conde deixou óptimas indicações, sobretudo na segunda parte.
Já o jogo de Lyon, marcado por uma sucessão de infortúnios, muitos por culpa própria, deixa um amargo de boca. Perdemos em França contra uma equipa que estaria ao alcance do melhor Benfica. Fica a sensação de que a história podia ter sido diferente. Dizer que a segunda parte foi melhor consola pouco, porque sabemos que ao intervalo também saiu o melhor jogador do Lyon, Memphis Depay.
Tristezas não pagam dívidas e resta olhar um futuro que tem já amanhã nos Açores um episódio de crucial importância. Para quem não gosta do Benfica e não consegue estar na Liga dos Campeões, resta festejar quando o Benfica não tem êxito. É assim hoje e vamos fazer com que seja por muitos anos. No futebol, como na vida, há dois grupos de pessoas: os que vão na frente e os que vêm a dizer mal. Nós, no Benfica, tratamos de ser do primeiro grupo.
Lideramos com dois pontos de vantagem o campeonato, mas sabemos que os adversários e obstáculos que temos pela frente obrigam a mais. Este ano, já escrevi repetidamente, os dois da frente vão perder poucos pontos. Seria um erro fatal pensar que o rival está menos bem ou que o seu jogo soporífero o afasta da luta. A história mostra que há adversários que nunca desistem e que fazem tudo (literalmente) para vencer. Vai ser uma luta a dois, vencida por quem tiver menos deslizes e nós acreditamos no Benfica.
Nos Açores nem as viagens, nem o cansaço serão motivo para haver outra coisa que não seja o melhor Benfica em busca dos três pontos. Bruno Lage saberá quem tem, e como estão os seus recursos. No último ano foi na deslocação aos Açores que Bruno Lage levantou voo rumo ao êxito e foi no seu regresso que recebeu do presidente o convite para permanecer como treinador principal (na cadeira ao meu lado).
Últimas notas para a magistral participação dos jovens do Benfica na Youth League, neste caso contra um excelente Lyon, que coloca o Benfica muito perto do apuramento. Naquela equipa há presente e há futuro."

Sílvio Cervan, in A Bola

O clube da oposição

"Belo discurso de João Soares, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, proferido no jantar de comemoração do 16.º aniversário do nosso estádio, durante o qual foi realizada uma justíssima homenagem a Mário Dias. Além do testemunho relevante e muito elogioso sobre o papel determinante que Mário Dias teve na epopeia do estádio, João Soares discorreu sobre o Benfica e sobre o benfiquismo. Revelou o empenho do seu filho adolescente na expansão do benfiquismo entre os familiares; relembrou Xanana Gusmão, que usou símbolos benfiquistas para alertar, com eficácia, os portugueses para a situação vivida em Timor-Leste; reconheceu a imensa popularidade do Benfica além-fronteiras e a notável representação internacional do clube. E, finalmente, enalteceu o espírito livre e democrático que sempre norteou o quotidiano do clube, mesmo em tempos de ditadura no pais.
Sobre o último aspecto, João Soares citou José Magalhães Godinho para reforçar o seu argumento: 'O grande clube da oposição é o Benfica'. Magalhães Godinho dedicou grande parte da sua vida a combater o Estado Novo. Integrou vários movimentos oposicionistas e foi alvo de perseguição política e ideológica, sofrendo privações de liberdades. E foi, enquanto se empenhou nestas actividades, o primeiro director do jornal O Benfica, cargo que desempenhou ao longo de cerca de três anos. Basta este simples facto para desarmar os ignorantes e os revisionistas que tentam associar o Benfica ao antigo regime. Não é crível que um tão dedicado combatente antifascista como Magalhães Godinho aceitasse um cargo relevante num clube associado ao regime que, com inegável sacrifício pessoal tanto se empenhava em derrubar. Impossível!"

João Tomaz, in O Benfica

Vermelho vivo

"Primeiro lugar, melhor ataque, melhor defesa, melhor marcador, 27 pontos - número nunca antes atingido pelo Benfica nas primeiras 10 jornadas. Pode dizer-se que a nossa equipa, depois de ultrapassada, com vitórias, uma fase exibicional mais acinzentada, está de novo muito bem encaminhada para a renovação do título. E começa novamente a empolgar os adeptos, na linha do que foi fazendo ao longo da segunda metade da temporada passada.
Desde então, em 29 partidas do campeonato, o Benfica de Lage venceu 27, o que dá um coeficiente de triunfos verdadeiramente notável de 93% algo que nenhum outro técnico conseguiu no clube. E após 2018-19 nos ter trazido a melhor média de golos marcados dos últimos 40 anos, 2019-20 está a trazer uma média de golos sofridos que não encontra paralelo na história encarnada.
O futuro dirá até que ponto este aspecto revela, ou não, um acréscimo de maturidade competitiva. Encontrando o equilíbrio entre as componentes ofensiva e defensiva, teremos seguramente uma equipa mais forte e ganhadora. É esse o desafio para os próximos meses, de forma a que, em Maio, possamos voltar ao Marquês do Pombal.

Mas não é só o futebol profissional que brilha. Na verdade, lideramos também o campeonato feminino, o de sub-23, o de juniores, o de juvenis e o de iniciados. Ou seja, todos!
Comandamos também os nacionais de hóquei em patins, de futsal e de voleibol, e estamos na luta no andebol e no basquetebol.

Esta está, pois, a ser mais uma temporada à Benfica, em todos os tabuleiros.
Há que continuar na mesma senda, para que tudo isto se possa transformar em troféus."

Luís Fialho, in O Benfica

La vie em rose

"Faz quase 30 anos que esta ideia de criar uma onda rosa para alertar o mundo sobre o cancro da mama nasceu nos Estados Unidos da América. Este assassino silencioso, como outros que por aí andam sub-repticiamente minando homens e mulheres incautos, merece combate sem trégua e em toda a linha. Por isso mesmo e preciso chamar a atenção de todos e de todas para a prevenção e detecção precoce do cancro da mama. Com o nível de conhecimento e a tecnologia de que hoje dispomos não há necessidade de que tantas mulheres passem por este flagelo, muitas vezes com consequências traumáticas para a sua autoestima e mesmo, por vezes, pondo em risco a sua própria vida. O caminho é só um e bem conhecido, passa pela prevenção e pela detecção precoce, uma vez que estes, como tantos outros, vencem pelo silêncio e pela desatenção, desenvolvendo-se silenciosamente até estádios de combate difícil, por vezes de não retorno. Mas quando são detectados em estádios embrionários, na sua maioria são tratáveis com grandes taxas de sucesso. Portugal, aliás, é um dos países na linha da frente com uma taxa de sobrevivência aos 5 anos que anda elos 85%, o que faz de nós um dos países de maior sucesso no mundo relativamente ao combate a este tipo de cancro. Esta luta é de todos, e a Fundação Benfica faz a sua parte, apoiando organizações como o IPO e, sobretudo, chamando a atenção do público através de campanhas, aproveitando o poder de comunicação do futebol e o seu longo alcance social que permite atingir franjas da população que normalmente passam ao lado dos cuidados. Mas todos temos que fazer algo, a começar por nós próprios e pelos que nos são próximos. Neste caso da prevenção e detecção precoce até é fácil, a Internet está cheia de informações, e toda a gente tem um smartphone que usa para tudo e mais alguma coisa. Que tal utilizá-lo também para conhecer um pouco mais sobre os sintomas que permitem desconfiar e ir ao médico? É preciso fazer isto com serenidade e sem entrar em ansiedade só porque se leu isto e aquilo, mas é preciso, para que a vida seja como a cantou Piaf... La vie en rose!"

Jorge Miranda, in O Benfica

A sensibilidade do decisor

"A propósito de uma intervenção que tive no início desta semana, sobre as etapas de desenvolvimento dos jovens jogadores de futebol, foram interpretadas de forma diferente algumas das ideias que tentei transmitir. E digo tentei porque quando um emissor fala para tantos receptores a mensagem não chega a todos de forma idêntica. Responsabilidade do emissor, que não conseguiu ser preciso na mensagem ou que a tornou dispersa. Contudo, quando há espaço para questionar o palestrante, não se deve entrar em interpretações que retiram do conteúdo da intervenção ideias diferentes do que foi transmitido. Tal como na teoria económica, as perguntas básicas de «porquê»?, «como», «quem», «onde?», etc, devem estar sempre presentes nesta análise. Os jovens jogadores, principalmente as crianças, necessitam de gostar do jogo. Nada se consegue por imposição, pelo contrário. Portanto, quando a pressão existente para que os clubes de maior dimensão sejam obrigados a vencer em todos os escalões atinge níveis insuportáveis, temos de saber como resolver o problema. Aqui entram os gestores, desportivos ou não, para que o processo tenha regras. O objectivo não é ganhar os campeonatos de crianças, é formar crianças para jogarem, independentemente do nível que atingem em adultos. Por isso é que nem todos podem gerir uma escola, uma academia ou uma equipa de topo. A importância de quem dirige ganha maior dimensão quando consegue que este processo atinja níveis de excelência. Este patamar é um todo, não sendo dirigido exclusivamente para uma elite. A sensibilidade do decisor para compreender as fases de desenvolvimento do praticante diferenciam os processos. A paixão e a emoção com que se vive o fenómeno não podem retirar lucidez a quem decide em última instância. Este é um dos factores diferenciadores e um dos que mais influenciam o processo de aprendizagem e ensino do jogo."

José Couceiro, in A Bola

Mensagens...

"Da saga #DragõesJuntos, a equipa do Polvo presenteia-vos com mais uma demonstração clara da inequívoca união patente entre jogadores e treinador do clube portuense."

O futebol é porco

"Sim, leram bem. O futebol é porco e não mudo a minha opinião. Que, aliás, é extremamente bem fundamentada.
Para mim, nada representa melhor a essência do futebol do que aquela coisa pequenina, feita de borracha, que por mais pontapés que leve jamais se destruirá. O courato.
Quem já foi ao futebol e nunca comeu uma sandes de courato, lamento informá-lo mas não foi ao futebol, foi fazer turismo desportivo. É completamente diferente.
Ir à bola é ir às roulottes e comer couratos, nem que seja só uma vez na vida. É um ritual de passagem, de um estômago saudável para o síndrome do intestino irritável.
Confesso que não compreendo o que leva pessoas adultas a comer o bocado do porco que tem mais semelhanças com o bicho: é gorduroso, tem um cheiro esquisito e pêlos no corpo. Muito parecido comigo quando vou a Paredes de Coura, com a diferença que eu cheiro sensivelmente mais a suíno. 
(Paredes de Coura, note-se, é o sítio perfeito para comer couratos – Paredes de Coura, Paredes de Courato. Fica a dica gratuita.)
O carimbo na pele. Porquê? É uma dúvida que tenho até hoje. A bifana não tem. O bife grelhado também não. Porquê no courato? O que significará? Pêlos aprovados para ingestão humana? Porco aprovado para ingestão de humanos? Confidencial, prova de crime, não tocar? 
A dúvida dilacera-me.
Segundo a Infopedia, courato é, e passo a citar «Pele espessa e dura do porco, utilizada, por vezes, na alimentação».
Aqui a parte a salientar é o «por vezes». Se um dicionário online, local onde se digere imensa porcaria, sabe que o courato deve ser deglutido com parcimónia, imediatamente constato duas coisas: a Infopedia não vai muito à bola, e o seu sistema gástrico é muito melhor do que o meu.
Como o couro do porco se tornou num alimento futebolístico, não faço a mínima ideia. Nem a mãe porca, nos seus melhores sonhos, alguma vez terá pensado que a pele dos seus meninos viesse a ser um best-seller à porta dos estádios.
«Bruno Leitão, tu cuida-te que um dia ainda vais ser grande no mundo do futebol. Vai deitar-te naquela caminha de lama que a tua pele precisa de nutrientes e os senhores vão ter fome antes do jogo.»
Por muito que uma mãe queira o melhor para os filhos, duvido ela tivesse visto tão à frente.
Eu, também não tendo dotes de vidente, experimentei cheio de boa-fé.
Era um dia tristonho, nebulado, e logo aí suspeitei que a coisa não ia correr bem. Com um tempo destes só pode vir goleada ou dores intestinais – pensei cá para mim. Mas tudo bem, arrisquei.
Bem dito e bem feito. A primeira dentada foi um misto de medo e excitação, seguida de pânico e frustração, terminada com choro e gritos pela minha mãe. Não foi bonito de se ver num homem de 25 anos.
Felizmente, onde há couratos há minis, e não há nada que cinco minis seguidas não resolvam. 
Hoje continuo a comer sandes de courato. Porque naquele dia posso ter perdido o orgulho e as papilas gustativas, mas não há motivo nenhum para se desperdiçar boa cerveja."

O mais importante é “ela”

"Sendo atleta, a minha vida profissional e pessoal misturam-se, há uma linha separadora muito permissiva.
Acreditava que a superação e a constante busca de evolução assente em ideais de excelência, amizade e respeito na vida e no desporto simbolizavam a minha felicidade.
E em momentos de preparação para competições assumia a tarefa a realizar e toda a sua envolvência como o mais importante da minha realidade.
É uma existência bastante egoísta quando o sucesso da minha ocupação é dependente inteiramente da minha disponibilidade física e mental para competir a certo nível e, de certa forma, era incentivado a tornar-me um idiota.
Era assim até que “ela” nasceu, depois o expoente máximo do que era mais importante deixou de o ser e passou simplesmente a ser “ela”.
E, para alguém, o mais importante da vida pode ser o trabalho, o futebol ou o carro, o que for. Para mim, é a minha filha. Tive a “benção” de poder escolher e para mim não há dúvidas.
Tanto tempo fora de casa em estágios e competições implica que não me seja possível estar tão presente quanto quero, e penso que grande percentagem do que é ser pai é estar presente, mudar a fralda e tentar “pesar” o bastante para lhe merecer amor, respeito e confiança.
Acredito que essa ligação especial vem do tempo juntos e é um sacrifício enorme ter consciência disso e estar longos períodos longe dela.
Essa distância faz-me apreciar ainda mais o que “ela” é.
E agora, quando estou longe de casa, quero fazer com que valha a pena e conte mais do que nunca, que nada seja em vão.
E raramente tenho um dia mau, não importa se treinos ou competições correm bem ou mal. Ela traz-me de volta à terra todos os dias porque, realmente, não interessa se corro em 29 ou em 30. Saber que quando chegar a casa a minha filha vai sorrir, feliz, faz tudo ficar bem."

Odgaard, o dinamarquês, a pedalar para os golos

"Avançado de 20 anos está cedido pelo Sassuolo ao Heerenveen Odgaard.

Assim mesmo, sem “E”.
O norueguês Martin Odegaard continua a encantar, agora com a camisola da Real Sociedad, mas desta vez o destaque vai para o dinamarquês Jens Odgaard, que recentemente até foi notícia no Maisfutebol por um fantástico golo de bicicleta ao serviço da selecção sub-21.
É caso para dizer que, aos 20 anos, o jovem avançado vai pedalando a um ritmo moderado pelo sinuoso caminho da afirmação. Como seria de esperar, está ainda a moldar a sua identidade, a nivelar a confiança, mas na presente temporada soma quatro golos em doze jogos pelo Heerenveen, clube ao qual foi emprestado pelo Sassuolo.
Natural de Hillerod, a cerca de 30 quilómetros da capital, Copenhaga, Jens começou a jogar no clube local, o HGI, mas em 2014 foi recrutado pelo Lyngby.
Tinha 17 anos (e 17 dias) quando fez a estreia pela equipa principal, em abril de 2016. O Lyngby estava então no segundo escalão dinamarquês, mas garantiu a promoção à elite, na qual Odgaard somou 17 jogos e quatro golos, em 2016/17
 Foi o suficiente para despertar o interesse de alguns dos principais emblemas europeus, mas foi o Inter a avançar desde logo para a contratação, a troco de dez milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 1,4 milhões de euros).
Não chegou a jogar pela equipa principal nerazzurra, mas festejou o título Primavera (sub-19) antes de ser vendido ao Sassuolo, com o Inter a ficar com opção de recompra válida até 2020 (dez milhões de euros no primeiro ano, quinze no segundo).
Condicionado por algumas lesões, fez apenas um jogo pelo Sassuolo em 2018/19, mas o empréstimo ao Heerenveen está a dar-lhe a possibilidade de jogar mais regularmente, e Jens começa a corresponder com golos.
Os 23 golos em 45 jogos pelas selecções jovens da Dinamarca servem também de cartão de visita, mas essa perspectiva pode ser redutora, tendo em conta a capacidade de trabalho. Odgaard percorre toda a frente de ataque: cai nas alas, abre espaços, usa a estampa física para dar luta aos defesas.
Mas também é justo dizer que Odgaard nasceu virado para a baliza. Até pela facilidade com que se vira para a mesma com a bola, para depois aplicar o forte pontapé de pé esquerdo.
Aos 20 anos ainda é natural que esteja a perceber a melhor forma de usar as suas armas, que esteja ainda a criar uma relação mais forte com a baliza, mas Jens Odgaard tem potencial para ser um avançado muito competente."

O desporto: uma tema fantasma face às realidades

"«As questões desportivas são integradas, de pleno direito, nas ‘questões de sociedade’, com a erupção da violência, da dopagem, da corrupção; fenómenos negativos que não nada têm de específico. Isto é a melhor prova da ‘secularização’ do campo desportivo», refere Christian Pociello, no seu livro “Les cultures sportives” (1995, p. 10).
O campo desportivo apresenta uma autonomia relativa e é submetido às pressões de sociedades em crise e às influências de um mundo agitado. Se os padres não são os melhores colocados para fazer a sociologia da religião, o mesmo se passa para alguns actores associados ao desporto (eleitos, dirigentes, praticantes, pedagogos, etc.). Mas também não é fácil suscitar o interesse dos estudantes (universitários, por exemplo) para uma “cultura sábia” relacionada com o desporto e de uma certa jubilação em conhecer e compreender este objecto de estudo. A pouca participação dos estudantes de Educação Física e Desporto ou áreas relacionadas em eventos científicos (seminários, colóquios, congressos, etc.) é notória. Já colocámos várias hipóteses para este afastamento dos estudantes: o excesso de eventos realizados; os custos financeiros associados aos eventos; as dificuldades pessoais relativamente à ciência; a seriedade dos ensinos politécnico e universitário, com a utilização de uma linguagem não acessível. Outras há que poderiam ser alvitradas. Todavia, como diria Norbert Elias” (1986, p. 25), “o conhecimento do desporto é a chave do conhecimento da sociedade”.
O termo genérico “desporto” abrange um sistema complexo de práticas, de representações e de valores, que participam nos mitos actuais das sociedades contemporâneas. Nascido numa sociedade liberal e parlamentar do capitalismo industrial, o desporto moderno difundiu-se pela quase totalidade do globo terrestre. Foram os ingleses que o “inventaram” e empreenderam esforços para codificar a maior parte dos desportos modernos, explicando o impacto particularmente forte destas práticas nas zonas de influência colonial. Os franceses contribuíram para a sua universalização. Mas o movimento desportivo tem limites na expansão planetária. Existem evidentes irregularidades geográficas da sua implementação nos continentes, na intensidade da prática, na produção de performances e na distribuição de locais de organização de competições internacionais. A questão económica do desporto tornou-se um dado incontornável desse fenómeno mundial. Refugiando-se nos símbolos, sem explicar muito bem o seu significado e o seu futuro, a faculdade de ensinar, de instruir e de formar os povos por um desporto universal é fortemente colocada em questão."

Cadomblé do Vata (Andrades...!!!)

"1. O Dr. J. Marques anda por aí todo enxofrinado porque diz que o "Netflix do Benfica" é uma cópia do FC PortoTV, mas ele que tenha calma porque agora estamos empatados... os azuis e brancos também nos estão a copiar a participação europeia.
2. Ainda no FC Porto, Marega continua de fora por lesã... por castig... por opçã... bem não interessa, para a imprensa, mais importante do que saber as razões da exclusão do elemento mais importante do ataque andrade, é saber porque razão não joga um sérvio que em 3 anos, com 2 treinadores, só foi titular meia época.
3. Amanhã regressamos à nossa piscina com deslocação a casa do Santa Clara... para Bruno Lage, mais importante do que a táctica, a estratégia ou o 11 titular, vai ser explicar aos jogadores que as partidas nos Açores contam como jogos nacionais.
4. Conforme prometido, o relvado que Rui Costa e Tiago Pinto foram escolher à Holanda já começou a ser instalado... se tudo correr com normalidade, em Junho vamos mudar novamente de tapete verde, porque tudo o que fomos buscar aos Países Baixos nos últimos anos, passado pouco tempo ou foi emprestado ou foi vendido.
5. Pedro Boucherie Mendes colocou a circular uma teoria segundo a qual o Benfica perde de propósito na Champions para sabotar o ranking europeu de Portugal e garantir que só o Glorioso se consegue apurar para a competição... não sei com que talher este rapaz anda a comer a sopa, mas por prevenção, a CP devia reforçar as linhas ferroviárias da zona de Lisboa."

Frontalidade!!!


Missão Santa Clara

"Amanhã, às 18 horas (17 horas nos Açores), em Ponta Delgada frente ao Santa Clara, a nossa equipa entrará em campo com o objectivo de somar mais três pontos, sabendo que a liderança isolada bem como os melhores registos do campeonato nos golos marcados e sofridos, ou a série de treze triunfos consecutivos nas deslocações da principal competição nacional, nada contam para o desfecho da partida.
Trata-se de uma difícil deslocação em que, pela frente, estará um adversário valoroso que tem vindo a fazer um bom campeonato, a exemplo do desempenho conseguido na época passada. A ambição, determinação e concentração competitiva habitual da nossa equipa será imprescindível para trazer os três pontos dos Açores.
Este será o sétimo desafio em 23 dias, fechando um ciclo intenso que se pretende com mais uma vitória, atingindo assim o pleno de triunfos nas competições nacionais neste conjunto de jogos. O entusiasmo e a confiança na equipa ficaram bem patenteados na corrida aos bilhetes, cujas filas impressionantes para a aquisição de ingressos são elucidativas quanto à forte implantação do benfiquismo nos Açores.
Seguir-se-á nova paragem para as selecções e a competição regressará no dia 23, com a visita ao Vizela a contar para a Taça de Portugal, o primeiro de oito jogos em 29 dias.
Ao longo do fim de semana serão muitas as equipas em campo a defender as nossas cores. Focando-nos apenas nos jogos em casa, no Seixal teremos os Sub-23 (Leixões, sábado 11h00) e Iniciados (Loures, domingo, 11h00); e, na Luz, sábado haverá os jogos com Quinta dos Lombos em futsal (16h00) e Valongo em hóquei em patins (18h00) nos masculinos, e nos femininos as equipas de futsal e de hóquei em patins jogarão no domingo ante Quinta dos Lombos (15h00) e CA feira (17h30). 
Haverá, portanto, muito Benfica para apoiar, vibrar e ajudar a ganhar. #PeloBenfica"

Antevisão...

Fever Pitch #24 - Benfica nos Açores...

Ilusão à flor da relva

"À entrada para a época 2019/2020, o SL Benfica adquiriu um sistema inovador de luzes para o novo relvado do Estádio da Luz. Este sistema potencia o crescimento da relva, acelerando o processo da fotossíntese. Permite também que o relvado apresente a mesma qualidade durante todo o ano e uma maior utilização do mesmo, sendo que as luzes irão permitir suprir a falta de luz solar em algumas zonas do relvado.
No entanto, após um problema no sistema de rega, que levou a que o relvado não fosse regado durante dois dias seguidos, em Junho de este ano, o Estádio da Luz prepara-se para receber um novo “tapete” – pela terceira vez em apenas cinco meses -, enquanto a Primeira Liga para devido a mais um compromisso de selecções.
Alvo de críticas por parte de Bruno Lage, o relvado tem causado vários problemas aos encarnados e até há quem aponte o dedo ao rectângulo de jogo por algumas das lesões que têm assolado as “águias”. Após nove jogos realizados no reduto dos encarnados, foram notórias as condicionantes que o terreno impõe quer ao Benfica, quer aos seus adversários. O relvado não permite uma circulação de bola fluída, e o facto de estar “solto” – são vários os tufos de relva que marcam os jogos na Luz – dificulta e limita os movimentos dos jogadores, potenciando também o aparecimento de lesões. 
Agora que o ciclo com este relvado chega ao fim, espera-se que o novo relvado seja condicente com o estatuto, e com as necessidades, que um clube como o Benfica tem."

Benfiquismo (MCCCXLVII)

Campeões...

Aquecimento... Bernardo, Matias & Valido

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Um Novembro longe da Luz

"Após a derrota em Lyon, o Benfica continua um nebuloso mês de Novembro e o seu ciclo de quatro jogos fora de portas: pisou a Luz no fim-de-semana passado, com o Rio Ave, e só lá voltará no dia 30, contra o Marítimo de Nuno Manta Santos. Pelo meio, Santa Clara, Leipzig e Vizela terão de arrumar a casa e preparar a recepção aos comandados de Bruno Lage, que andarão com as malas às costas em atarefadas deslocações.
Os açorianos recebem o Benfica na oitava posição, a três pontos da zona europeia, e querem continuar a sua ascensão classificativa. Depois de uma época transacta tranquila, João Henriques enfrenta agora o desafio da consolidação insular na Liga NOS e a chegada à porta do Top 5, num saudável processo evolutivo de uma equipa bem orientada e com boas individualidades, como Osama Rashid, o farol do meio-campo e indiscutível da equipa.
Tem sido recorrente a aposta do 3-5-2 no campeonato e é possível que o técnico de 47 anos volte a apostar em três centrais, o que oferecerá novos desafios a Bruno Lage, que terá necessariamente de repensar a sua abordagem na manobra ofensiva da equipa. Apesar da má fase em termos de eficácia na finalização, as qualidades de Zé Manuel ou Thiago Santana poderão ser aproveitadas no espaço deixado pelo bloco alto benfiquista.
Depois da insana regularidade de competição, com partidas de três em três dias, o Benfica finalmente terá uma semana de preparação para o encontro seguinte. A viagem até Vizela, para a Taça, servirá como oportunidade para os menos utilizados ganharem ritmo de jogo, ainda que o adversário requeira certas atenções: é o primeiro classificado da Série A do Campeonato de Portugal, conta oito vitórias em nove jogos e tem-se sentido relativamente confortável na prova rainha até agora, na qual se destaca a vitória fora frente ao Casa Pia, por 3-1. Que a famosa festa da Taça se faça apenas fora de campo…
E as viagens terminam em solo germânico, no estádio do terceiro classificado alemão: os homens de Nagelsmann já se impuseram na Luz e é previsível que façam o mesmo na Red Bull Arena, apesar de a partida ser essencial para a continuidade do Benfica na prova, na qual só a vitória interessa para a tão desejada chegada aos oitavos-de-final. Depois de atropelarem o Mainz por 8-0, os alemães foram a São Petersburgo controlar o Zenit num 0-2 relaxado, dada a disparidade em qualidade táctica e individual. Sem Rafa, muito terá de mudar Bruno Lage relativamente aos encontros europeus recentes, se a discussão do resultado for um objectivo.
No último lugar do grupo com três pontos, a única opção do Benfica é trazer a vitória da Alemanha e triunfar na última jornada, quando receber os russos na Luz: mas nem essa optimista previsão será suficiente, caso não haja a conjugação correcta nos restantes jogos do grupo. Leipzig e Lyon contam nove e sete pontos, respectivamente, e dependem apenas de si próprios para avançarem à próxima fase.
O mês antevê-se difícil e fulcral para as aspirações benfiquistas a toda a linha: um descuido em Vizela deita por terra um dos objectivos principais da época e a manutenção do status quo em Leipzig será sinónimo de pesadelo, muito mais traumatizante que as derrotas na Rússia e em França. Tem a palavra a equipa encarnada."

Quando o adversário é mais forte, as dificuldades do Benfica são mais fáceis de assinalar

"Bruno Lage disse-nos, no final da Supertaça, e dos primeiros jogos da Liga, que ainda não era capaz de avaliar a equipa do Benfica. Acrescentou que deveríamos esperar por dez ou onze jogos oficias para que se pudesse fazer uma análise mais fidedigna da performance colectiva e individual do campeão nacional.
Terminada a 4ª jornada da Liga dos Campeões, ao 16º jogo oficial, o balanço para o Benfica continua positivo, excepto nos jogos onde o valor do adversário se equipara ao dos seus jogadores.
Os jogos no campeonato português, pela diferença evidente de qualidade entre as equipas, foram dando para vencer mesmo que com menor qualidade de jogo. Ao fim ao cabo, os melhores jogadores, juntos, mesmo sem treinador, tal é a diferença para os outros, devem tendencialmente ganhar mais vezes.
Como é natural, o Benfica não foi inferior na maior parte dos jogos da Liga; mas foi-o em mais jogos do que o que seria expectável. E aí, mesmo vencendo, tal como na época passada, percebe-se a pouca qualidade da equipa na sua organização ofensiva. É uma equipa pobre em ataque posicional, sem capacidade para romper com os constrangimentos defensivos que lhe são colocados por adversários que defendem com muitas pernas.
Os sinais que ecoavam na época passada, antes do Benfica estar em vantagem nos jogos, tornaram-se gritantes nesta época porque não tem acontecido, regularmente, marcar primeiro do que o adversário, e, sobretudo, marcar cedo. O desconforto passa a durar mais tempo, os jogadores ficam mais impacientes, os adeptos também, e o jogo perde ainda mais qualidade - é uma bola de neve.
(...)
O problema não vem de hoje! Mas começa a ser mais notório, mesmo no nosso campeonato, porque as equipas também já perceberam que o Benfica não se dá muito bem contra equipas que trocam muitos passes no seguimento de uma recuperação de bola. Quem se preocupa em não perder a bola assim que recupera, em não atacar de qualquer forma, em não contra atacar a cada recuperação, tem feito a equipa de Bruno Lage ficar exposta a coisas que não nos passavam pela cabeça antes: a equipa defende muitos lances, durante muito tempo, com apenas seis jogadores (os quatro defesas e os dois médios centro), e tem dificuldade em defender de forma organizada quando o adversário faz variações curtas de corredor com a bola pelo chão.
Na época passada, vimos poucas vezes o Benfica em momentos de organização defensiva por mérito da grande reacção à perda que o seu treinador pedia, mas também por alguma falta de coragem das outras equipas para tentarem sair da pressão com qualidade; hoje, o Benfica joga mais vezes perto da sua baliza, e mesmo com a equipa organizada sente-se muito desconfortável no momento de defender as suas redes. Do ponto de vista colectivo, mesmo nos momentos defensivos, não é uma equipa tão pujante como num passado recente.
Como é claro, o momento de forma de alguns jogadores não ajuda a resolver alguns problemas como dantes; mas isso é consequência de um modelo muito virado para as individualidades, e cuja maior arma ofensiva não é a forma como os jogadores se ligam uns aos outros e as dinâmicas que todos conhecem, mas sim a inspiração individual de cada um dos seus elementos.
De forma demasiado simplista, Bruno Lage atira os seus jogadores para os posicionamentos que ele entende como correctos, e como não quer matar a tomada de decisão dos seus jogadores (como já disse várias vezes), deixa que eles se safem. Isto funcionará sempre que os jogadores escolhidos tiverem qualidade para interpretar o jogo da forma mais correta, sempre que se juntarem jogadores que se conheçam muito bem, e que tenham a capacidade para executar tudo o que imaginam. E como se percebe pela descrição, não há tantos jogadores assim no Benfica, e os que há nunca jogaram todos juntos nesta época.
Por isso, pede-se mais do treinador encarnado. Mais do que vitórias (que são fundamentais), é importante que a sua organização se consiga impor a dos adversários de forma inequívoca - quer por juntar os melhores jogadores no mesmo onze (como na época anterior), ou então por tentar criar caminhos (não apenas posicionamentos, mas também relações colectivas) que façam aparecer o talento de alguns jogadores que hoje parecem ter sumido.
Mais do que a estratégia, a equipa deve encontrar uma coerência nos seus comportamentos que não é colocada em causa pela falta do jogador A ou B.
Claro que os treinadores não são deuses, e que são os jogadores que jogam; mas então, convém colocar os melhores jogadores nas posições que mais os beneficiam dentro da ideia que se quer, e tentar enquadrar os outros para que possam esconder as suas fragilidades.
Caso contrário, e sem que se equacione a mais valia dos jogadores em todos os momentos do jogo e se hipervalorize apenas um aspecto, o risco é de tudo correr bem naquele ponto, a equipa cumprir com a proposta posicional pedida, mas depois não conseguir tirar proveito daquilo que o treinador imaginou para aqueles posicionamentos.
(...)
E não, não é uma questão de diferença de qualidade entre as equipas, porque se assim fosse não estaríamos a ver o Ajax a fazer as carreiras que faz na Liga dos Campeões ao nível de pontos, mas sobretudo ao nível de exibições em casa e fora de adversários melhor apetrechados do ponto de vista individual.
E sim, o Ajax também joga numa liga de pouco ranking em comparação com a espanhola, alemã, italiana ou inglesa. O problema está na diferença entre a forma de jogar de uma equipa e de outra."

O sucesso, segundo JJ

"Quando Ruy Castro, genial biógrafo brasileiro, escreve no DN “Jorge Jesus é nosso”, dos dele, do Flamengo, algo está a acontecer com a chegada do “mister” à pátria em chuteiras. E não, Jesus não passou a ser um treinador perfeito, nem sequer está diferente no essencial dos conceitos tácticos. É certo que melhorou na comunicação, respondendo a provocações tontas com resultados e não com frases de efeito boomerang, mas permanece convencido de que as equipas que treina são sempre as melhores e nem sequer deixou de exagerar nas reprimendas públicas que dá aos jogadores. Na prática, o JJ que os brasileiros descobrem hoje é exactamente o mesmo que os portugueses ficaram a conhecer bem na última década. E é por isso que ganha. Por isso e, já agora, pelo contraste absoluto com um futebol brasileiro que parece acordar de uma letargia táctica de décadas, sacudido com estrondo pelo efeito do tal “mister” de 65 anos e que – coisa pouca, diziam tantos - “só tinha títulos em Portugal”.
O sucesso de Jesus faz-se, sobretudo, de convicções firmes e qualidade de treino. E não é pouco. No universo dos que vacilam quando se altera o vento dos resultados, Jesus é o navegador firme – teimoso até – que acredita sempre na rota que o há-de levar ao destino. No mundo dos que relacionam o êxito com os talentos individuais à disposição, ele é o crente fiel nos méritos do colectivo, que faz de patinhos feios competidores eficazes e dos maiores talentos craques absolutos. No reino dos estrategas, dos que abusam hoje da análise aos rivais para seguirem em cada jogo por um caminho diferente, Jesus é o fiável construtor de um modelo que ao fim de poucas semanas revela a sua impressão digital.
Quando o oiço elogiar o campeonato brasileiro percebo a simpatia do hóspede e a inteligência de valorizar a obra feita. Quando outros vislumbram grande qualidade nas equipas brasileiras, pergunto-me de que falam. É que qualidade de jogadores sempre houve por lá, mas colectivamente, e com licença de algumas intenções elogiáveis de Santos ou Atlético Paranaense, o que mais se vê é mesmo fraco. Seja no Atlético Mineiro, clube histórico com bons jogadores, mas que apresenta um futebol arcaico, num Corinthians que quase só defende e mesmo isso faz mal ou no Fluminense que não exibe ponta por onde se pegue. E ao Grêmio, de sucesso cantado na Libertadores, o Fla deu a lição reclamada pela fanfarronice, sem que o treinador Renato Gaúcho demonstrasse perceber o atropelo táctico de que foi alvo.
E o que mudou foi essencialmente tático, uma vez mais, na forma de defender e de atacar, sempre a partir dos posicionamentos, conceito-chave na forma de trabalhar do treinador português. É perceber onde está agora a linha defensiva do Flamengo e onde se alinhava antes (muito mais recuada, como quase todas no Brasileirão), e numa articulação rigorosa com o precioso contributo do guarda-redes Diego Alves. É atentar às distâncias, tão mais curtas, entre todas as linhas na hora de defender. É ver como Rodrigo Caio (há muito um craque para exportação) mas também Pablo Marí assumem a construção de jogo, atraindo e passando com risco. E que dizer de Arão, sapo feito cisne, que sabe agora os terrenos que pisa, levando a equipa a recuperações de bola sucessivas em terreno contrário. E mais os alas, criativos de talento, a alternarem entre a ocupação de toda a largura do campo e a protecção do corredor central, ou os avançados que dialogam entre recuos de apoio e dilacerantes acelerações. Estes Bruno Henrique e Gabigol parecem hoje capazes de brilhar em qualquer equipa do mundo.
E sim, o Jesus que ganha no Flamengo é o mesmo que perdeu três campeonatos seguidos na Luz, do mesmo modo que não logrou o título maior noutra tripla oportunidade em Alvalade (e só na primeira esteve perto). E ainda não venceu nada no Brasil, apesar de o campeonato local parecer virtualmente ganho. O que já ninguém lhe tira, no entanto, é a certeza de que acrescentou saber e competência ao futebol onde nascem mais talentos por metro quadrado. E se alguns ainda desdenham, com algo de incredulidade e muito de ciúme, Ronaldinho Gaúcho – e de talento sabe ele – diz que o Flamengo tem “um grandíssimo treinador” e o seleccionador Tite reconhece como “é difícil vir de outro país e ter este desempenho”. Ah, e Ruy Castro - volto a ele - até sugere que se JJ “quisesse candidatar-se hoje a presidente do Brasil seria capaz de eleger-se”. E não há como não sentir um pouco de orgulho pátrio em tudo isto.

Nota colectiva: O Vitória de Guimarães apresenta não apenas a mais sedutora como a melhor proposta de jogo da Liga portuguesa. Os homens de Ivo Vieira são os únicos que baseiam o jogo em ataque posicional e os que mais merecem que gastemos duas horas a vê-los crescer. E mesmo as derrotas internacionais foram com futebol de equipa grande, o que só pode ser valorizado por quem veja mais que resultados imediatos.

Nota individual: Sem contar com Cristiano Ronaldo, o avançado universal que também visita as grandes áreas, Gonçalo Paciência é o mais talentoso ponta de lança do futebol português. Não tem a explosão de Rafael Leão nem a combatividade de André Silva, mas toma, por regra, melhores decisões e demonstra recursos - qualidade a segurar a bola, garantia de apoios a quem vem detrás, futebol associativo em permanência – que o recomendam claramente à selecção, principalmente se pensarmos nos tantos talentos que podem gravitar em seu redor."

Vamos falar de trauma? A “lesão“ emocional de André Gomes

"As imagens da lesão de André Gomes no passado fim de semana consternaram o mundo do futebol e, muito em particular, os atletas que com ele co-protagonizaram o incidente – um rápido olhar para a sua expressão facial e postura corporal, facilmente fazem adivinhar o estado de terror e pânico internos que, muito provavelmente, estariam a ser vivenciados.
A necessidade de uma intervenção cirúrgica (quase) imediata e a antecipação de um longo período de reabilitação para recuperar a mobilidade e a funcionalidade tecidular e muscular não deixou, por certo, ninguém surpreendido. A necessidade de uma intervenção (quase) “cirúrgica” para diminuir drasticamente a instalação de trauma emocional e a antecipação de um (desejável) período de treino de competências emocionais, como facilitadores de níveis superiores de eficiência no próprio processo de reabilitação e, até, do retorno à prática – pouco ou nada foi falada.

A Importância de Validar e Intervir em Situações de Potencial Trauma
A razão deste tipo de “negligência” a que assistimos (nas diferentes áreas da nossa sociedade) a tudo o que diga respeito a um possível “trauma emocional” prende-se, infelizmente, com uma razão muito óbvia: para o “senso-comum” (e para qualquer técnico não especializado na área) o trauma emocional não se “vê”, não se “quantifica”... não aparece como uma imagem disruptiva de uma fractura exposta...
Mas, em boa verdade, pode ser essa mesma a vivência interna de quem o vivencia: a de uma fractura exposta. Imagine, agora, alguém com uma fractura exposta, rodeado de uma multidão que, como se de um “filme” se tratasse, não “vê”... não se interessa e não reconhece a dor.
Quase bizarro, certo? – infelizmente, real.
Acidentes semelhantes ao que o André vivenciou, caracterizados por extrema gravidade e onde se experencia uma marcada ameaça à integridade física (que se enquadram no que poderíamos designar por “incidentes críticos de Vida”), revestem-se por uma alteração emocional profunda, com marcada sensação de choque, medo e ansiedade e são, muito frequentemente, os percursores da possível instalação de quadros de stress pós-traumático no futuro.
Problema que frequentemente nos esquecemos: para quem protagoniza o “incidente”, mas também para quem assiste. Por esta razão, no ano em que o atleta Féher faleceu em campo, as imagens mediatizadas da sua morte (projectadas milhares de vezes) tiveram como consequência – e custo para o erário publico – um aumento exponencial de pedidos de exames cardiológicos da população em geral, quintiplicando as suas prescrições.
Neste enquadramento, a ausência de intervenção atempada pode, por isso, levar à manifestação de episódios de raiva, irritabilidade e revolta (ou seja, labilidade emocional), que podem ser amplificados por insónia recorrente e "flashback" (sensação de se estar a reviver tudo de novo), entre outros sintomas, acabando por, pontualmente, comprometer a qualidade de vida, a capacidade em estar bem consigo próprio, com os outros e com o mundo (logo, também com as tarefas associadas à sua profissão).

Resultado
No caso dos Atletas, pode-se observar acentuado decréscimo em termos de performance, resultante não só do receio instalado de uma recorrência em termos de lesão, mas também da perda de motivação e da capacidade em se envolver com o meio, consequência da deterioração da qualidade de descanso, das suas relações pessoais/profissionais e Vida em geral.

Resolução
Recentemente, e no que ao desporto diz respeito, a NBA resolveu tomar medidas “sérias”... ou, por outra, a NBA resolveu passar uma forte mensagem de que todo e qualquer tema relacionado com a Saúde Mental no Desporto deve ser levado seriamente.
Com esse intuito, definiu a obrigatoriedade de contratação de especialistas em Saúde Mental, por parte de Todos os clubes envolvidos na competição. E esta é uma Mensagem Clara.
De resto, a única forma possível de, por exemplo, voltando ao caso específico do André, não só poder ser accionada a intervenção imediata de especialistas em EMDR (uma técnica especializada para o reprocessamento de trauma, diminuindo dramaticamente a sintomatologia emocional disfórica, associada a incidentes críticos de vida) com o André e os outros profissionais que assistiram às dramáticas imagens da sua lesão, mas também poder ser desencadeado um plano de optimização de competências emocionais para o longo período de recuperação que o aguarda.
Assim se trabalha onde o Desporto é, de facto, Profissional."

A juventude é o nosso ouro e o desporto um dos instrumentos vitais da sua valorização

"Investir no desporto é investir no ouro da população portuguesa. As iniciativas do Presidente têm os pés de barro do actual Modelo do Desporto Português. Por analogia com o petróleo verde do eucalipto em que Portugal investe e chega a empobrecer-se, a juventude é o ouro desperdiçado pelas políticas públicas do desporto.
O Presidente da República tem iniciativas em prol da juventude e do desporto. É um hábito antigo do político que se posiciona no desporto com substância, sobressaindo da opinião corrente. As federações terão, na actual Presidência, a personalidade capaz de acompanhar as ambições legítimas do desporto.
A iniciativa presidencial carece de cão (os feitos nas competições de primeira grandeza, a presença efectiva do desporto na sociedade e uma Visão do Século XXI desportivo) e, por isso, caça com gato (os campeões actuais e os maiores do passado). A iniciativa recente que promove encontros entre a juventude e os campeões complementa as medalhas honoríficas que agraciam personalidades do desporto nacional. Subsiste o problema de usar todos os campeões agora no 1.º mandato e, no 2.º mandato, usá-los de novo, porque o Modelo de Desporto Português é incapaz de os renovar e de se afirmar socialmente.
Na busca do melhor negócio, Portugal empurra as responsabilidades públicas com a barriga até ao desaire. Aconteceu nas florestas, bancos, rios, hospitais, comboios e acontece no desporto com impactos negativos na saúde, produtividade, competitividade e bem-estar da população. Quanto desporto e cultura faltarão na vida e na morte das mulheres pelos seus companheiros? Quanto desporto falta ao combate às doenças que se curariam com estilos de vida activos através do desporto? Quantas vidas o país perde por essas mortes e doenças evitáveis? Quantos milhões de euros têm as Finanças de dar à saúde e à segurança social para manter o bem-estar de vida dos carenciados devido às insuficiências da prática desportiva? Quantos milhões de euros a Economia perde pela carência de produtividade e de competitividade dos estudantes e da população activa, devido aos seus baixos níveis de prática desportiva? Etc...
A liderança da política desportiva é um erro, tem disparates e erros e há medo em falar!
O desporto português necessita de um mercado democrático e competente de princípios, conceitos, ideias, contradições, rasgo e risco que funcione efectivamente para além dos governos e das organizações desportivas. Geralmente começam-se as conversas elogiando e dizendo que se é amigo do líder e, pouco a pouco, caem os pecados. A crítica democrática e frontal usando estatísticas e factos está banida do desporto, tal como da sociedade, levando-se de onde menos se esperaria.
O mercado do desporto faliu. Há desafios simples e outros complexos. Vejam-se cinco exemplos.
1. Com Mirandela da Costa, que liderou a administração pública desportiva, e com Luís Santos e José Castel-Branco, que lideraram a criação da Confederação do Desporto nos anos 90, o desporto como um todo fazia-se ouvir e era ouvido pela sociedade portuguesa. Depois perdeu-se essa capacidade desportiva de presença nacional.
2. Lisboa tem um think-tank de ética com um trabalho relevante no debate de projectos desportivos valiosos e deveria debater as opções de futuro do desporto nacional. Atentem-se três dimensões: para a presente legislatura, o PS propôs colocar a prática desportiva dos portugueses entre os 15 primeiros países da Europa, o PCP sugeriu alterar as orgânicas públicas e privadas do desporto e o PSD indicou a criação do plano e de um programa de desenvolvimento e o incremento do financiamento; antes, em 2018, o Papa Francisco publicou a posição da Igreja Católica sobre o desporto, chamada Dar o melhor de si; e, em 2017, um conjunto de federações desportivas concebeu a Plataforma do Desporto Federado. Esta iniciativa associativa terá sido rejeitada por uma das direcções eleita pelas mesmas federações. Será que estas iniciativas de política desportiva pública serão discutidas publicamente?
3. Em 2013 foram nomeadas por uma organização desportiva dezenas de pessoas que, segundo se afirmou, se consideravam ser as melhores. Hoje parece que nenhuma dessas pessoas se distinguiu pela nomeação. Desconhecem-se textos ou factos que associem esses melhores a realizações notáveis no desporto português. Esses melhores são desconhecidos, ou foram esquecidos por terem sido levados na água do banho da organização que os alardeou? Para além desta realidade, e com excepções pontuais, verifica-se que os resultados desportivos se mantêm pouco distintos dos do passado, não se percebendo o contributo dos melhores. Melhores para quê? Melhores em quê? Competência, erudição, amizade, ideologia, partidarismo, capacidade (a)crítica, moda, fait-divers, sound bytes…? Em lugares próprios cada uma terá a sua legitimidade, bastando e devendo afirmar-se com clareza a responsabilidade procurada.
4. Numa licenciatura em desporto na Universidade Lusíada de Lisboa foi perguntado a um aluno que joga em selecções nacionais de râguebi quem foi Raul Martins. “Não sei!” Foi a resposta pronta. Acrescentaram-se outros elementos: foi jogador e capitão das equipas do Técnico, fez parte de selecções nacionais de que foi capitão, foi presidente da Federação de Rugby é líder da cadeia de hotéis Altis. O aluno manteve o desconhecimento, acrescentando que não tinha de saber, o que se concorda, lacto senso. “Então e o pai Fernando Martins, que foi presidente do Sport Lisboa e Benfica de 1981 a 1987, já conheces?” “Sim, conheço!”, disse o aluno. Acrescente-se que na geração de praticantes de râguebi de Raul Martins se encontram Pedro Lynce, Vasco Lynce, José Gaspar Ramos, António Vieira de Almeida, Manuel Castro Pereira, Pedro Ribeiro, Vasco Pinto de Magalhães, com currículos igualmente de excepção.
A matéria relevante da pergunta é que a prática desportiva gera benefícios adicionais, diferenciados e cumulativos para o praticante e para terceiros, não só no curto mas, também, no médio e no longo prazo. A relevância da prática de qualidade é por vezes imperceptível à política desportiva nacional. De um grupo de jovens que ganha o campeonato do seu escalão etário, o que interessará ao empresário Jorge Mendes será o talento precoce de um dos atletas com os quais ganhará euros em contratos entre os clubes onde jogará o talento. Ao decisor público e ao associativo interessará o facto de o grupo constituir um todo com um potencial desportivo, escolar e social acima da média. Eventualmente, como acontece nos bons Modelos de Desporto, alguns anos depois, desse grupo poderão sair vários campeões, que serão cidadãos notáveis, e o valor económico e social associado ao grupo será superior ao do talento, por extraordinário que seja. Encontram-se exemplos no râguebi português.
5. Uma das particularidades inaceitáveis da administração pública no desporto é que desde o topo da pirâmide até ao seu sopé se prefere o simplismo das selfies segundo uma decisão, a que se chama pública e desportiva. Alguém tem de trabalhar e responsabilizar-se por políticas que resultarão a prazo e não no resultado da legislatura salvífica através de actos políticos instantâneos de si próprios. 
Ou seja, os encontros entre campeões e jovens, proporcionados pela Presidência da República, exigem políticas públicas que são complexas e devem ser promovidas a montante pelo Estado, ao longo dos ciclos olímpicos e dos ciclos legislativos a nível nacional e contando com consensos entre os parceiros políticos e desportivos. Esse é o sentido das propostas de Pactos de Regime e que as federações desportivas recearão exigir aos partidos nesta legislatura. Investir no desporto é investir no ouro da população portuguesa.
As iniciativas do Presidente têm os pés de barro do actual Modelo do Desporto Português."

Força André...

O maior espectáculo

"Alguém que pensa muito sobre o futebol actual dizia-me que, da mesma forma que a NBA se assume como a melhor competição de basquetebol do Mundo, a UEFA deve assumir o mesmo com a sua Liga dos Campeões em relação ao futebol, sem pruridos ou medo de ofender. É a prova que todos querem jogar, é a prova que todos sonham vencer.
Melhor do que isto não há. E apesar de a fase de grupos se ter tornado mais previsível, devido ao domínio dos grandes tubarões, o espectáculo continua. Só nesta jornada marcaram-se 56 golos em 16 jogos, com apenas um nulo, contribuindo para uma média de golos por jogo que vai em 3,23 desde o arranque (em Liga portuguesa, este ano, fica-se pelos 2,38). Mas não é só de golos que se trata: a Champions tem uma imagem de elite, tem transmissões televisivas uniformes, tem estádios cheios. Tudo faz parte de um enorme espectáculo, o melhor de futebol.
Os calendários e horários não se sobrepõem e ainda é possível assistir a jornadas europeias e jogos nacionais. Mas perante espectáculos como o Chelsea-Ajax, o Dortmund-Inter ou até o D. Zagreb-Shakhtar, quantos anseiam agora pela sexta-feira à noite para ver o Aves-Gil Vicente? Este é o desafio para ligas como a portuguesa: manter a chama dos adeptos, em especial dos mais jovens, acesa. Sem eles, não há futebol profissional."

Benfica na Web Summit

"O Benfica voltou a marcar presença na Web Summit (participou em todas as edições desde que passou a ser organizada em Portugal), naquela que é considerada a maior e mais relevante conferência sobre tecnologia realizada na Europa.
O convite para a participação benfiquista em dois painéis advém do reconhecimento do espírito inovador e empreendedor, neste caso no âmbito tecnológico, aplicado à gestão do clube em diversas áreas.
O administrador executivo da SAD, Domingos Soares de Oliveira, participou num painel subordinado à liderança num ambiente disruptivo, com enfoque no aperfeiçoamento da experiência dos adeptos num contexto de mudança e incertezas. Para Domingos Soares de Oliveira, a relação com os adeptos é a parte mais desafiadora na liderança de um clube.
Neste sentido, na linha do que tem sido feito ao longo da última década (por exemplo, com a BTV, a reformulação do site oficial ou o lançamento da Benfica App), foi anunciado o lançamento, em dezembro, do Benfica Play, um serviço que permitirá, aos benfiquistas, o acesso a conteúdos exclusivos e de acordo com as suas preferências.
Mais uma vez, trata-se de uma aposta num serviço inovador como forma de antecipar o futuro. Esta é a mentalidade que permitiu ao Benfica o assinalável crescimento das receitas e a consolidação do seu projecto desportivo, que se materializa no período com mais títulos a nível nacional, que se tem vindo a acentuar.
Num outro painel, este dedicado exclusivamente à formação do Benfica, enquanto clube que está na vanguarda do desenvolvimento do talento a nível mundial, o antigo jogador Luisão e o director técnico do Benfica Campus, Pedro Marques, abordaram o trabalho que tem sido desenvolvido nesta área e as práticas inovadoras que permitem ao Benfica obter o reconhecimento global da sua competência neste domínio. Da rede de scouting ao Benfica LAB, passando pelo uso da tecnologia de suporte a metodologias modernas, ficou bem patente por que o Benfica tem obtido tão bons resultados também nesta vertente.
Antecipar o futuro e preparar as respostas aos desafios vindouros tem sido a receita que permite ao Benfica ser cada vez mais estável e sólido financeiramente e apto a diferenciar-se, pela positiva, dos seus adversários com os consequentes bons resultados desportivos. O sucesso, no futuro, constrói-se hoje. #PeloBenfica

P.S.: Absolutamente impressionante a fila de benfiquistas, hoje em Ponta Delgada, para a compra de bilhetes para o Santa Clara–Benfica que se realizará no próximo sábado. A dedicação e o apoio dos benfiquistas são formidáveis!"

Benfica Podcast #342 – New improvements, and continued struggles.

Os suplentes de luxo do Benfica europeu

"Uma das consequências da insólita opção de Bruno Lage de não alinhar a melhor equipa do Benfica na Liga dos Campeões é a necessidade de esperar pelos suplentes de luxo para ver a equipa marcar um golo.
Quatro dos cinco golos do Benfica na Champions, em em cada jogo, foram apontados por suplentes e em alguns casos, até, a passe de jogadores igualmente saídos do banco. Suplentes que deviam ter sido titulares, portanto.
Frente ao Leipzig, Rafa e Seferovic entraram aos 76’ minutos: o português fez o passe, o suíço marcou.
Em São Petersburgo, De Tomás saltou do banco aos 80’ e marcou com um remate de longe.
Na recepção ao Lyon, Pizzi substituiu Rafa aos 20 minutos, por lesão, e apontou o tento do triunfo, aproveitando um erro do guarda-redes.
Ontem em Lyon, Seferovic e Pizzi entraram só na segunda parte: o português fez o lançamento e o suíço voltou a marcar.
Normalmente, os suplentes são responsáveis por menos de 20 por cento dos golos de uma equipa de futebol. Aliás, no campeonato, apenas dois dos 23 golos apontados até agora, ambos por Carlos Vinicius, resultaram de substituições.
Neste caso do Benfica “europeu” de Bruno Lage, a percentagem está invertida: 20 por cento dos titulares, 80 por cento dos substitutos.
Dá para concluir que, se os titulares fossem do mesmo nível dos suplentes, talvez a campanha fosse melhor…"

Duas finais

"Perante a derrota ontem com o Lyon, tornam-se decisivos, no âmbito das competições europeias, os dois últimos jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões que o Benfica tem por disputar. O primeiro será na deslocação a Leipzig, onde encontrará o líder do grupo. Depois será a vez da recepção ao Zenit.
O jogo de ontem não poderia ter começado de pior maneira, com um golo sofrido logo aos quatro minutos e, passado pouco tempo, a lesão de Ferro que obrigou a uma substituição. Na segunda parte pôde-se assistir a uma reacção da nossa equipa, conseguindo reduzir a desvantagem, mas que viria a sofrer mais um golo perto do final da partida enquanto procurava o empate.
Terá de ser um Benfica ao seu melhor nível para que possamos vencer as duas “finais” muito importantes para a continuidade das nossas aspirações em termos de competições europeias.
Horas antes, a nossa equipa de Sub-19 fez uma excelente exibição, também em Lyon. O triunfo, por 2-3, pecou por escasso face às muitas oportunidades de golo criadas. Tratou-se de uma vitória importante que nos coloca na liderança do grupo em igualdade pontual com o Lyon, mas em vantagem devido aos resultados dos jogos disputados com os franceses.
Cumpre-nos ainda uma palavra de apreço para a nossa equipa de voleibol, que obteve ontem uma excelente vitória, por 3-0, na primeira mão da 2.ª eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões da modalidade, colocando-se numa excelente posição para a qualificação para a terceira e última eliminatória. E ainda relembrar que hoje à noite será a vez de as nossas equipas de andebol (20h00) e basquetebol (21h30) entrarem em acção, ambas na Luz, no Campeonato Nacional e na FIBA Europe Cup, respectivamente.
Agora o foco está já direccionado para a visita ao reduto do Santa Clara (sábado, 18 horas), à qual se seguirá uma paragem para os compromissos das selecções. Após esta paragem, seguir-se-ão as deslocações a Vizela, para a Taça de Portugal (23/11), e a Leipzig, para a Liga dos Campeões (27/11)."


PS: Esta foi a newsletter de ontem, que me 'passou' completamente ao lado! Deve ter sido por causa da ressaca!!!

Benfiquismo (MCCCXLVI)

No feminino...

Lanças... Ferreira, Antunes & Vicente

Estado e Estádio da Luz

"Por vezes, perguntou-me se tenho mais nostalgia do anterior e velhinho Estádio da Luz ou se, tendo de escolher, daria o voto ao actual palco

1. Dizia Vergílio Ferreira que «o tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou». Foi desta notável síntese da noção dentro de nós da corrida do tempo que me lembrei na passada quinta-feira no jantar comemorativo do 16.ª aniversário do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, mais popularmente conhecido e reconhecido como o Estádio da Luz, ou, em versão laica, como a Catedral. De facto, o tempo voa e o jogo inaugural em 2003 contra o Nacional de Montevideu, a que pude assistir, parece que foi ontem. E, no entanto, tantas sensações e exaltações por lá já vivi e testemunhei. Por vezes, perguntou-me se tenho mais nostalgia do anterior e velhinho Estádio da Luz e do seu temido e empolgante terceiro anel ou se, tendo de escolher, daria o meu voto ao actual palco. Vim em 1965 para Lisboa e para a universidade. Tinha 17 anos e a então Luz foi para mim um êxtase, eu que até aí apenas conhecia o campo da Académica, no Calhabé, e o Mário Duarte, em Aveiro. Por lá, vi o meu Benfica ser campeão muitas vezes. Por lá, vi jogos europeus inesquecíveis. Lá, suportei tardes de sol impenitente, quando os jogos eram quase todos às 15 ou 16 horas, e chuvadas que me molharam até ao tutano dos ossos. Lá, tive o privilégio insubstituível de ver jogar atletas notáveis que, para não ser injusto com nenhum, sintetizo aqui no esplendor do rei Eusébio. Lá, vivi noites europeias que moldaram o meu benfiquismo irredutível e inalienável. Lá, vi jogos decisivos contra os rivais, onde o desassossego da incerteza do desfecho era salutarmente partilhado com a rivalidade entre amigos que acabava sadiamente ao mesmo tempo do apito do árbitro, sem o azedume e o mal-estar que hoje é dominante. Ontem, como hoje, ir ao Estádio da Luz é um bom paradoxo: uma ansiedade gostoso, que me liberta. Um privilégio e um aconchego. Uma cumplicidade e uma pertença. Um espaço sem limites nos limites de um tempo. A imanência de, mais impressivamente, o Benfica estar dentro de mim e eu dentro do Benfica. Sempre como se fosse a primeira vez, abraço a Luz e sou por ela abraçado.
Dezasseis anos decorridos sobre a inauguração do novo e belo estádio. quais foram os momentos mais marcantes para mim? Elejo três. O jogo decisivo contra o Sporting, em 14 de Maio de 2005, quando Luisão marcou o golo da vitória e nos levou ao título que acabou com o mais longo jejum da história do clube. O segundo, a vitória sobre o Porto (2-0) na caminhada para o título de 2013/14, três dias depois da morte de Eusébio, numa tarde invernosa, num ambiente de luto, de saudade e de gratidão infinita que ali convergiram para lhe oferecer o mais lindo ramo florido do seu féretro. E, evidentemente, os sete títulos que lá festejei entre amigos, conhecidos, consócios de todas as idades e de todas as proveniências próprias do universalismo benfiquista. E dentre estes, os mais saborosos: o do tetra e o da reconquista.
Aqui expresso, como benfiquista, o grato reconhecimento devido ao principal obreiro do novo estádio: Mário Dias. Sei que houve muitas pessoas que para ele contribuíram. Mas realçar o trabalho, a competência, a perseverança de Mário Dias é da mais pura justiça. Um homem simples, de carácter, que serviu o Benfica até aos limites de impensável, nunca se servindo dele, justo, conhecedor, delicado, leal, o que é tão mais de salientar quanto, nos dias de hoje, na sociedade portuguesa, de vêem medrar personagens impreparadas, oportunistas que confundem as suas actividades com beneficio próprio, sem provas de vida, sem sentido deontológico do dever e da responsabilidade. A decisão do presidente do SLB de homenagear Mário Dias foi uma justíssima e eloquente decisão. E hoje bem podemos dizer que o Estádio da Luz tem sido, entre muitos outros avanços patrimoniais e de boa gestão, um elemento decisivo para a notável inversão do ciclo menos vitorioso e cinzento em que o clube se encontrava nos anos que o precederam.

2. Foi tornado público o Relatório e Contas da Benfica SAD do exercício concluído em 30-06-19. Um exaustivo e claro documento, que nos fornece todos os elementos para uma análise da situação da Sociedade. Espero que a fanfarronice com que certa gente discorre sobre a situação económica e financeira do clube dê lugar a juízos baseados no documento oficial entregue na CMVM.
Neste limitado espaço, cinjo-me a um breve roteiro de síntese do que, na minha leitura, considero mais relevante:
- O capital próprio (116,2 milhões (M) de euros) ultrapassou o montante do capital social, situação inédita no panorama nacional. Aliás, o valor acumulado do aumento do capital próprio foi nos últimos 6 exercícios superior a 140 M;
- Nos últimos 6 anos, a convergência do êxito desportivo e financeiro: 5 vezes campeão e um total de resultados acumulados de 136,2M:
- Os gastos com pessoal e honorários face às receitas (descontadas as relativas às transacções de direitos de atletas) continuam claramente abaixo do limite imposto pelas regras de fair play financeiro da UEFA. De facto, sendo este de 70%, nunca nesta década na SAD benfiquista se ultrapassaram os 60%.
- Já o resultado com transacções de direitos de atletas atingiu, desde 2010/2011, o valor acumulado de 544,9M (média anual de 60,5M). De realçar que estes valores não são o valor bruto das alienações, mas o produto líquido, ou seja depois de serem deduzidos o valor líquido contabilístico (isto é, o valor da aquisição deduzido das amortizações já realizadas), bem como as comissões (8,9$ das vendas brutas) e outros encargos. Estes valores ainda não consideram a transferência de João Félix, que teve lugar já no exercício que está a decorrer;
- O activo atingiu o valor icónico dos 500M e o passivo tem vindo a descer sendo agora de 384,6M (menos 70,9M do que há 3 anos, ou seja uma melhoria de 15,5%);
- Quanto ao passivo, tem havido uma significativa alteração da sua estrutura, designadamente com redução da dívida de curto prazo e da dívida bancária. Esta, aliás, é quase residual representando apenas 9% da dívida financeira, quando ainda há 3 anos era de 70%. A dívida bancária e obrigacionista líquida passou para 124,6M, ou seja apenas 40% do valor de há 4 anos;
- Verifica-se, pela primeira vez, uma dívida líquida inferior aos rendimentos operacionais, excluindo transacções de direitos de atletas (75,2%). Se considerarmos a totalidade dos proveitos, representa 47,3%, quando há apenas 2 anos, ultrapassava os 100% e há 4 anos era de 167%;
- Os rendimentos operacionais chegaram aos 165M, sem considerar a alienação de jogadores. Como se lê no relatório, esta evolução muito positiva é principalmente «justificada pela entrada em vigor do novo critério de distribuição de prémios nas competições europeias da UEFA, para o ciclo 2018/2021». Eis, pois, um ponto crucial na sustentação futura do nível alcançado. Por isso, como já aqui referi em outra crónica, estamos perante uma das equações fundamentais da gestão da SAD: ter um plantel não só à altura de vencer as provas nacionais, como também por forma a apresentar resultados europeus retributivos. Por outras palavras, estamos perante uma interdependência entre cá e lá. É que ganhar por cá é decisivo para manter a receita da Champions, e fazer boa carreira nesta é meio-caminho andado para ganhar nas provas nacionais.

3. Segundo os resultados de uma sondagem efectuada no mês passado, o Benfica continua a ser o clube com mais adeptos e simpatizantes. Com larga e absoluta maioria de 46%, quase tanto como os seus directos rivais têm em conjunto (Porto com 24,7% e Sporting com 23,8%). Aquela percentagem equivale a 4,7 milhões de residentes em Portugal, a que, evidentemente, se tem de adicionar os benfiquistas na diáspora. Daí que os 6 milhões de benfiquistas sejam uma realidade, ainda que tal situação seja mal digerida por alguns negacionistas militantes.

Contraluz
- Registo: Bruno Lage soma e segue, apesar das críticas dos doutos analistas, que, sabe-se lá porquê, tentam, quase em jeito combinado, desmerecer o seu trabalho. Os números falam por si: em 29 jogos para a Liga, 27 vitórias, sendo que, fora da Luz, tem 100% de sucesso em 13 partidas.
. Critério (falta de): às vezes, apetece perguntar para que serve o VAR. Como foi possível validar o golo do FCP no Funchal onde houve duas infracções notórias antes de a bola ter entrado? Como foi possível assobiar para o lado num penálti categórico sobre André Almeida, na partida contra o Rio Ave?
- Soberbo: Liverpool 5, Arsenal 5, com 10-9 depois das penalidades. Só mesmo na mátria do futebol!
- Livro: «A vida aos pontapés», de José Manuel Delgado é um livro saborosamente concebido, com uma vivacidade contagiante e uma ficção (será?) algures entre o pretérito-mais-que-perfeito do indicativo e o pretérito imperfeito do conjuntivo (ou subjuntivo, como agora se ensina). A bem ler."

Bagão Félix, in A Bola