Últimas indefectivações

domingo, 4 de janeiro de 2026

Vermelhão: Chapelada Grega

Benfica 3 - 1 Estoril


Vitória justa, que sem aquele golo sofrido imediatamente após o nosso golaço do 2-0, mesmo antes do intervalo, teria sido muito mais tranquila! Assim, voltámos a ter que gerir uma vantagem mínima durante muito tempo, com os traumas da época, a reaparecerem nos nossos pensamentos...

Entrámos mal na partida, com uma desconcentração inicial que podia ter dado golo... e depois, na 1.ª metade, da 1.ª parte, permitimos demasiados contra-ataques perigosos ao Estoril! Os canarinhos, têm de facto muita qualidade técnica na saída para os ataques rápidos, com pelo menos 3 jogadores, tecnicamente acima do nível médio, da maioria das equipas do Tugão! As ausências do Enzo e do Aursnes, podem desculpar alguns desequilíbrios posicionais na perda de bola...

Mas com os minutos a passar melhorámos. A presença do Prestianni dá imprevisibilidade à equipa, oferece linhas de passe entre-linhas, e apesar de não termos criado claras oportunidades de golo antes do 1-0, tivemos várias jogadas, onde faltou definição...

Após mais uma longa conferência, com o VAR, o apitadeiro finalmente decidiu o penalty (deviam ter sido 3: Nico agarrado; Mão na Bola; atropelamento do Nico)!!! E o jogo ficou bem encaminhado... A grande chapelada do Pavlidis, devia ter dado para um intervalo descansado, mas um duelo perdido pelo Sudakov, acabou por dar um 2-1 perigoso!

Na 2.ª parte, o Benfica foi mais 'cuidadoso', acabámos por estrategicamente dar a bola ao Estoril, que sem espaço para o contra-ataque, perdeu-se... Mas como já aconteceu várias vezes com o Benfica, esta época, quando tentamos gerir o jogo desta forma, falta sempre capacidade para 'esticar' o jogo nas transições...

E assim, só após as substituições, principalmente com a entrada da nova contratação cabo-verdiana/holandesa, Sidny, a substituir as funções do Dahl da última época, a jogar como Ala, apesar de naturalmente ser um jogador mais defensivo, mas com velocidade e força no flanco, algo que tem faltado ao Benfica (a excepção no actual plantel é o Lukebakio), acabou por ser decisivo, fazendo a assistência para o hat-trick do Pavlidis!!!


Pavlidis claramente MVP, mas com Dahl, Dedic e Prestianni em bom plano. Manu lançado às feras, com uma equipa com menos tração atrás do que é normal, levou algum tempo a perceber os tempos de pressão alta, mas acabou por atinar!

Sudakov, perdeu dois duelos defensivos, e deu golo. Mesmo com várias acções ofensivas importantes, não pode continuar a perder a bola daquela forma...


Uma nota especial para as lesões. Num mês de Janeiro com muitos jogos de elevado grau de dificuldade, estes problemas com o António, o Enzo e o Aursnes (além de todos os outros que já estavam lesionados), podem ser muito problemáticos! Estamos a entrar na 2.ª parte da época, e será agora, que a falta de férias e a pré-época curtíssima, vai-se fazer notar...


Os Corruptos só jogam amanhã, num relvado complicado, mas levam uma equipa de apitadeiro da casa, têm tudo controlado! Neste momento, não nos podemos desconcentrar, o único objetivo que parece válido, é mesmo uma potencial qualificação para as Eliminatórias do Champions. Sabe a pouco, mas temos que nos agarrar a isso...


Agora, Taça da Liga em Leiria, com nova jogo com o Braga e uma potencial Final com a Lagartada, com 1 dia a menos de recuperação, nas vésperas duma eliminatória da Taça de Portugal no Antro dos Corruptos, que vão ter 10 dias para preparar o nosso jogo! Tudo isto com vários problemas físicos... e muita pressão no Universo Benfiquista, devido aos pontos de atraso no Campeonato!

O jogo para o Campeonato em Braga, e até o jogo de hoje do Braga na Amadora, provou que eles não tem pernas para os 90 minutos, com o estilo de jogo que o treinador deles exige. Concentração desde do 1.º minuto, sem borlas... num relvado que vai estar em mau estado!

Benfica District aprovado...

Em Assembleia Geral, transmitida em direto na BTV e na Net, com votação eletrônica, o projeto de remodelação da zona exterior do Estádio foi aprovado, com um 60/40 aproximado!

Vitória...

Benfica 81 - 72 Esgueira
19-21, 20-21, 13-19, 19-11

Não foi o nosso melhor jogo, mas deu para ganhar...
Koby e Zé Silva, de fora.

Ganhar


"Nesta edição da BNews, o destaque recai na Assembleia Geral Extraordinária do Sport Lisboa e Benfica em curso e no desafio entre Benfica e Estoril, com início agendado para as 18h00 no Estádio da Luz.

1. Benfica District
Pode acompanhar no Site e na App, ou através de emissão especial da BTV, a Assembleia Geral Extraordinária do Sport Lisboa e Benfica. A votação já decorre e pode ser feita presencialmente ou por via remota, no Site ou na App oficiais.

2. Intervenção do Presidente
Leia a mensagem dirigida aos sócios na abertura da reunião magna deste sábado, 3 de janeiro, para apreciação e votação do Benfica District.

3. Lutar pelo sucesso
Em antevisão à partida com o Estoril, o treinador do Benfica, José Mourinho, reitera que o Clube está na luta por todos os objetivos e explica porquê: "O sucesso de uns também depende muito do sucesso dos outros. Uma equipa que em 14 jogos perde 1 da maneira como perdemos, também me dá força para acreditar que somos capazes de continuar a ganhar jogos."

4. Reforço integrado
A Benfica SAD tem novo Conselho de Administração, eleito para o quadriénio 2025-2029.

5. Golo do mês
O golo obtido por Sudakov frente ao Casa Pia foi eleito o melhor do mês de novembro.

6. Outros jogos do dia
Às 15h00, o Benfica recebe o Esgueira em basquetebol. A equipa feminina de futsal visita o Leões Porto Salvo às 21h30. Consulte a agenda no Site Oficial para conhecer os jogos marcados para domingo, entre os quais se inclui o embate entre Benfica e Quinta dos Lombos em basquetebol no feminino, às 11h00, na Luz.

7. Nomeado
Cassiano Klein nomeado para Melhor Treinador do Mundo na votação promovida pelo Futsal Planet.

8. As músicas que inspiram as Inspiradoras
As músicas e os momentos das futebolistas do Benfica em 2025.

9. Protagonista
O entrevistado da semana é Miguel Frischknecht, treinador das equipas campeãs nacionais de natação. "Temos a hegemonia em Portugal", afirma.

10. Bom desempenho
Alexandre Figueiredo vence São Silvestre da Amadora.

11. Em destaque
Os principais conteúdos e temas que marcam a agenda do Sport Lisboa e Benfica nas diferentes plataformas do Clube.

12. Casa Benfica Almodôvar
Conheça esta embaixada do benfiquismo através da lente da BTV."

José Mourinho e o problema das comparações


"«Estamos a fazer um bom trabalho. Também dependes daquilo que os teus adversários diretos fazem. Aquilo que o FC Porto está a fazer é anormal»
José Mourinho, treinador do Benfica, em conferência de imprensa

Dez pontos de distância para o primeiro lugar quase no final da primeira volta prenunciam um adeus ao título — já tivemos recuperações extraordinárias em anos recentes, mas não de tamanha monta.
Quer isso dizer que a época do Benfica acabou e é um fracasso? Não, pelo contrário. Ainda há muito por jogar — e o próprio José Mourinho assumiu que, enquanto a matemática o permitir, vai continuar a lutar pelo título.
Mas há um paladar de deceção ao fazer a prova do que foram os primeiros meses do treinador na Luz. Mourinho fez ontem, em conferência de imprensa, a apologia do seu trabalho, e não está errado. Pensando nos pontos que já perdeu no campeonato — dez, precisamente os que o separam do FC Porto —, é fácil aceitar seis: os dois que deixou no Dragão, os dois que deixou em Braga, até pelas circunstâncias, e os dois que deixou em casa com o Sporting. Sim, os empates caseiros com Rio Ave e Casa Pia, ambos consentidos aos 90+1', prejudicam as contas, mas quatro pontos não deveriam ser significativos.
O problema, como o próprio técnico das águias assumiu, é que os rivais, sobretudo o FC Porto, estão muito acima das expectativas. E isso é algo com que qualquer treinador dos grandes tem de saber conviver: a medida do sucesso não existe num vácuo, mas em comparação com os outros. E a comparação entre Mourinho e Farioli, de momento, não é nada lisonjeira para o português."

Mourinho agarra-se ao que pode


"Em momento muito complicado, a dez pontos do FC Porto e, esta manhã, a seis do Sporting, resta pouco mais ao treinador do Benfica do que tentar que os jogadores e os adeptos não desmoralizem

Cada um agarra-se ao que pode e José Mourinho assumiu que é à matemática que está agarrado, até porque, no que à luta pelo título nacional diz respeito, pouco mais lhe resta neste preciso momento da época, à luz dos dez pontos de distância a que se encontra do FC Porto — sabendo que pode hoje reduzir para sete e pôr pressão nos dragões que só amanhã jogam nos Açores com o Santa Clara — e dos seis de atraso para o Sporting — que pode diminuir para três e, pelo menos, apimentar a luta pelo segundo lugar, o único que, além do primeiro, dá acesso à UEFA Champions League da próxima época, no caso do vice-campeão, acesso às pré-eliminatórias.
Sabe Mourinho, perfeitamente, que a missão é muito, mesmo muito complicada (para não dizer impossível, porque, lá está, a matemática não o permite), mas nunca o mais titulado treinador português de sempre baixará os braços ou permitirá que o seu grupo de jogadores ou que os adeptos baixem os braços.
É por isso que nunca hesitará na hora de apelar à união e ao foco constante, independentemente do que, do lado de fora, digam. Para Mourinho, pouco importa que analistas e comentadores tenham já atirado o Benfica para fora da corrida pelo título de campeão. Ao invés, isso é gasolina para o técnico das águias e ele usa-a o melhor que pode e sabe. E, como sabemos, Mourinho sabe muito, sabe como poucos o poder que as palavras certas ditas no momento certo podem ter.
E a verdade é que a matemática dita que o Benfica ainda está na luta em todas as frentes. No campeonato, ainda tem 54 pontos por disputar; na Taça da Liga está na meia-final, que disputará já no próximo dia 7 com o SC Braga; na Taça de Portugal está nos quartos, defrontando o FC Porto, no Dragão, dia 14 de janeiro; e, na Champions, soma seis pontos (vitórias com Ajax e Nápoles) e tem seis em jogo para conseguir apurar-se para o play-off, sabendo o duro que serão os confrontos com Juventus, em Turim, dia 21, e Real Madrid, na Luz, a 28.
Há uns dias, eram os árbitros, veio entretanto a justificação para uma classificação longe do desejado na Liga na anormalidade do que o FC Porto tem feito (só dois pontos perdidos, até hoje, na primeira volta) e, agora, Mourinho agarra-se à matemática. Veremos se chega...
Entretanto, o Sporting saiu de Barcelos só com um ponto, após o empate (1-1) com o Gil Vicente, e pode ver, amanhã, o FC Porto disparar na liderança, alargando para sete pontos a diferença para os leões, caso saia vencedor do duelo com o Santa Clara."

Zero: Mercado - Benfica e FC Porto disputam avançado italiano

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Super pulmão de Trincão não chega para salvar o Sporting

Os Primos #2 - Conferência de Imprensa

O Benfica e o seu Património


"Passado
Os quase 122 anos do Sport Lisboa e Benfica ensinam-nos que este é sinónimo de desporto e vitórias, comunidade (associativismo assente numa determinada cultura) e património (material e imaterial). É esta transversalidade impactante que obriga os sócios do Benfica a serem exigentes. No Benfica, não chega ganhar. Há que ser superior, respeitando. Dominar e passar uma mensagem idiossincrática. Esta é a nossa maior herança. O legado imposto pela génese da nossa fundação e visão estratégica de dirigentes que, durante décadas, fizeram com que o Benfica alcançasse um estrondoso sucesso desportivo que acarretou a enorme implantação social.
Em termos infraestruturais, já fomos detentores de um vasto e rico património. Há um Benfica antes e pós-1954. A visão e mestria do 20.º presidente, Ferreira Bogalho, livrou-nos do cancro da dívida do Campo das Amoreiras (que hipotecou o clube desportivamente) e fez nascer o antigo Estádio da Luz pela vontade, suor e lágrimas dos nossos antepassados. Posteriormente, foi desenvolvido e exponenciado o seu complexo desportivo por sócios e Presidentes mecenas (Borges Coutinho, Jorge de Brito, entre outros). A aposta no desporto e na mentalidade vencedora eram essenciais. Já em 1985, o fecho do 3.º anel condicionou o sucesso desportivo dos anos seguintes, embora se reconheça a magnitude e valência da decisão.
A Luz de 1954 foi uma das maiores infraestruturas paradoxais criadas no desporto mundial: joia arquitetónica e inferno (para equipas e adeptos visitantes). Algo tão poderoso num país tão pequeno. Quando ativada, era força superior ao próprio país, tanta foi a vez que o representou melhor que os próprios governantes. Desfez-se em pó quando, eventualmente, podia ter sido respeitada, nutrida, atualizada e exponenciada. O Benfica perdeu poder com a sua extinção.
Em 1997, Vale e Azevedo começou a enfraquecer desportivamente o Benfica em plena Lisboa. O negócio Euroárea permutou o primeiro hectare da zona sul da Luz pelos terrenos do Campus do Seixal. Mais tarde (2001-2003) Vilarinho & Vieira aprofundaram a delapidação imobiliária desportiva à boleia do Euro-2004. Basta olhar para a marca do centro do antigo relvado da Luz no chão do atual parque de estacionamento da zona comercial. E ainda se permutou com a Câmara Municipal de Lisboa o terreno da pera (entre a Rua Prof. Reinaldo dos Santos e a Av. Lusíada) para viabilizar o licenciamento na construção de dois prédios (residencial e comercial) no relvado sintético em frente à zona comercial. Demos de borla um valioso terreno onde irá nascer o Pavilhão Desportivo da freguesia de São Domingos de Benfica.
Portanto, alienámos os alfobres que nos deram tantos títulos durante décadas para: terceiros construírem prédios (e receberem o lucro dos mesmos), erigir um estádio moderno mas que agora lembraram-se de expandir, dois pavilhões e uma piscina que nunca resolveram a logística das modalidades (daí arrendarmos espaços fora), estacionamentos interno e externo insuficientes e uma zona comercial sem brilho que é sustentada por dias de jogo, trabalhadores do universo Benfica, pais das crianças felizes no sintético, indefetíveis das modalidades entre outros que, simplesmente, fazem questão de lá ir sempre que podem.

Benfica District
Eis o resultado da análise às contribuições apresentadas pelos sócios e adeptos no Benfica District: mais de 26% questionaram o aumento do estádio, 12% desejam aumentar o estacionamento no estádio, 24% quer mais imagens do Clube, sócios e ícones no estádio e 18% anseia por melhores acessos ao estádio em dia de jogo e mais opções para famílias e crianças no seu interior. Resumindo: quase 80% dos interessados foca-se diretamente sobre o estádio, ou seja, futebol.
Assim, o Benfica District será um projeto válido e com valor acrescentado se tiver por base a seguinte premissa: criação de condições para que os atletas e sócios façam o Benfica conquistar títulos. Nos últimos 22 anos, desde a criação do atual estádio em 2003, o futebol ganhou 8 Ligas, 8 Taças da Liga, 6 Supertaças e 3 Taças de Portugal. Foi extinta a herança infraestrutural que tanto custou erigir e quebrámos a estabilidade do legado desportivo que nos foi transmitida. Estamos a falhar com a nossa própria história e em dívida para com o trabalho dos nossos antepassados. Não é para isto que vamos à Luz e enchemos os outros estádios.
Miguel Saraiva, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto, referiu que precisamos de redefinir tudo à volta do Estádio pois «é importante para a cidade, para o Benfica, para uma cidade mais inclusiva, para a valorização patrimonial do clube e é um projeto de interesse público (...) que vem preencher um vazio urbano no lado norte do estádio». Respeito a opinião do profissional de excelência com uma nuance: o Benfica District deve ser um «projeto de interesse público» para os benfiquistas e para recolocar as equipas do Clube (modalidades) e da SAD (futebol) no topo.
Tudo o resto, vem por acréscimo. Parafraseando Ferreira Bogalho, anos antes de falecer: os sócios corresponderam generosamente para a construção da antiga Luz porque «sabiam que o Benfica tinha necessidade de uma coisa que não tinha». E o que é que o Benfica hoje não tem? Sucesso desportivo. Construa-se e modernize-se mas para voltarmos a ser hegemónicos nos relvados e pavilhões. O Benfica não se fez grande com Pritzker’s ou tornando Lisboa uma cidade mais inclusiva. Isto não é uma crítica. É factual. Os dirigentes e parceiros escolhidos para ativar o Benfica District devem respeitar a visão de quem nos trouxe até aqui e de quem está presente pelo Benfica. Tal como a Lei obriga a manter traços originais na remodelação em centros históricos urbanos.
Com a visão desportiva correta, o Project Finance do Benfica District é a chave de ouro. Será a Benfica Estádio a financiar-se ou a integrar um tipo de Joint Venture. É ela a proprietária do complexo desportivo da Luz e que o pode dar como garantia. Não parece que a FIFA vá ajudar pois no seu bid para o Mundial-2030 não há verba disponível para infraestruturas e há excesso de oferta de estádios. A FIFA vai querer negociar individualmente e tentar esmifrar ao máximo.
Finalmente, algo que deve chamar a atenção do Benfica: terrenos e edifícios da TAP no Aeroporto de Lisboa que ficarão fora da privatização da companhia. Avaliados em 200 milhões de euros e com elevado potencial imobiliário para o Estado vender. Pode ser uma oportunidade para a Cidade Benfica se o Estado descartar a alteração da afetação para habitação. Se possível, poderíamos reformular o atual projeto Benfica District para aumentar o Estádio (100.000 lugares?) e redefinir a sua envolvência. Ao mesmo tempo projetar-se-ia uma Cidade Benfica naquele local mais a norte do concelho.
Caso se aprove o District, cabe respeitar a democracia e contribuir para que seja um sucesso. Senão, trabalharemos em conjunto, sócios e Direção, para viabilizar todos os processos que conduzam o Glorioso ao sucesso desportivo, infraestrutural e social."

Central: Eusébio: O Rei

DAZN: Premier League - R19 - Golos

O Conde da Beira


"Chiquinho, o Conde da Beira, é, aos 60 anos, o elemento aglutinador da nação moçambicana para o futebol, para o sonho...

Em África, o futebol desperta paixões quase desmedidas, na exata medida do colorido das bancadas e do entusiasmo dos adeptos em cada fase final da CAN, ou de cada jogo de qualificação para o Mundial.
Este tipo de comportamento tem, evidentemente, um reverso diretamente proporcional: a crítica, os nervos à flor da pele, o imediatismo e a necessidade da justificação pelos resultados a ganharem à racionalidade, ao planeamento e à estruturação de projetos de médio e longo prazo.
E todos estes pressupostos têm ainda maior acuidade quando se fala de países que, a nível estrutural, necessitam ainda de passos profundos, quiçá complexos e, sobretudo, longos, para atingirem condições que verdadeiramente potenciem o futebol de alta competição em todas as suas áreas de desenvolvimento.
Moçambique é uma dessas terras maravilhosas, de gente comprometida, divertida e competente, mas a precisar de projetos de reorganização que abarquem as diversas vertentes do desporto-rei, da formação de jogadores à capacitação de técnicos e dirigentes, da construção de boas estruturas à projeção nacional e internacional das suas equipas e seleções. Aqui entram em equação dois fatores que podem, de facto, fazer a diferença: a vontade e o conhecimento do jogo. E entra um nome, incontornável na história futebolística e desportiva do país, e que deve ser engrandecido pela imensa capacidade de trabalho, pela experiência além-fronteiras enquanto jogador de muito bom nível, e pela resiliência na construção de um projeto que motive os mais jovens e orgulhe todos os moçambicanos: Chiquinho, o Conde da Beira, é, aos 60 anos de idade, o elemento aglutinador da nação para o futebol, para o sonho e para tudo o que o jogo pode transversalmente trazer a outras áreas sociais, muitas delas deficitárias e ainda em edificação num país do Índico que luta com imensas dificuldades orçamentais estruturais.
Uma boa parte da minha carreira, em Portugal, foi simultânea à de Chiquinho Conde, desde o final da década de 80 do século passado até ao início do século XXI. Bem me lembro da sua estonteante velocidade, do drible fácil, da pujança física que o distinguia de companheiros e oponentes. E do seu apego à causa e às casas que defendeu, do Belenenses ao Vitória de Setúbal, do Sporting de Braga ao Sporting, e da sua extensão internacional aos Estados Unidos da América e até a França, onde, já na parte final da sua carreira como futebolista profissional, representou o Créteil, clube muito querido de uma boa parte da imensa comunidade portuguesa da região da Île-de-France, que abarca Paris e os seus arredores.
O mais curioso da história desportiva do atual selecionador de Moçambique é, desde sempre, a sua visão e a sua crença num país melhor, mais uniforme, mais equilibrado e mais justo. Sempre teve esta ideia, sempre se posicionou contra malabarismos, interesseirismos, aproveitadores sistemáticos, bajuladores fáceis ou caçadores de outras honras que não fossem as diretamente emanentes da sua atividade desportiva de alta competição. Sempre uniu e sempre quis junto de si gente competente e de trabalho.
Não admiram algumas recentes quezílias, contestando mesmo responsáveis federativos, porque tudo o que Chiquinho sempre fez foi procurar melhorar as condições dos seus atletas e a sua capacidade para competir, verbo tão em voga na boca de muitos, mas tão pouco entendido na sua plenitude, e em tudo o que realmente implica, significa e requer.
Moçambique conseguiu, esta semana, a primeira vitória da sua História numa fase final da CAN, ao bater o Gabão, por 3-2. Foi, aliás, essa noite fantástica de Agadir que contribuiu decisivamente para a garantia de qualificação para os oitavos de final da grande montra africana do futebol de seleções. Os mambas que, até há bem pouco tempo, tinham de disputar os seus encontros como visitados fora de portas, uma vez que nenhum estádio do país estava certificado pela Confederação Africana de Futebol para as competições internacionais, mostraram ao país, ao continente e ao mundo que, com alguma organização, com foco, com disciplina de trabalho, com um grupo muito unido e, sobretudo, blindado a quaisquer influências exteriores, é possível, em determinados contextos competitivos, ter sucesso, mesmo que, evidentemente, a montanha chamada Nigéria pareça agora muito dificilmente transponível.
Mas há um nome que tudo une e que as move, às montanhas que se têm erguido no caminho dos mambas: Chiquinho Conde, o elo de ligação, a voz que se faz forte para corrigir, mas que afaga para consolar e para motivar. O conhecimento que vem de longe, de campos e balneários que lhe marcaram a vida desportiva e lhe moldaram o caráter, e que dele faz, agora, o maior nome da já conseguida vitória de Moçambique no panorama africano.
Porque é de um país, da sua idiossincrasia, das suas particularidades, do modo único de ultrapassar dificuldades que se trata. Hoje, todo o país vive a metáfora única da bola que une fronteiras e crenças.
E ele, o Conde da Beira, é o homem do leme, o comandante sereno, conhecedor e vencedor que, por entre marés fortes do Índico quente e místico, faz do futebol o encanto do povo, embaixador do país e bandeira para o Mundo.

Cartão branco
Não alinho muito em desejos de Ano Novo. Um bom amigo costuma dizer-me, a propósito da noite do réveillon, que «acaba um dia e começa outro». Só faz sentido pensar em 2026 se o relacionarmos com 2025, com os projetos que estão em andamento ou que foram pensados para colocar em prática. Nesse sentido, a vida portuguesa é um roller coaster, da política à economia, do desporto à educação, da saúde à cultura. Não alinho muito em desejos mas, se me é permitido o desabafo de janeiro, muito gostava eu que Portugal fosse um país mais equilibrado, mais inclusivo no respeito por todos e também pela matriz cultural que nos marca há séculos. Que houvesse uma aposta forte na cultura. País que olvida o setor cultural é país parado no tempo. Que a política fosse encarada como atividade de missão, e nunca como carreira ou profissão. Que os modelos educativos se aproximassem aos japoneses ou aos escandinavos, com menos carga e melhores condições. Que pudesse ir a um médico sem ter de levar saco-cama, e que pudesse viver todos os dias com um sorriso, para aproveitar o realmente muito pouco tempo que temos e em que estamos neste mundo. Sei que são já desejos a roçar a utopia. É, afinal, o que nos move. Sermos hoje melhores que ontem e conseguirmos honrar o dia inicial inteiro e limpo."

A germanização do Brasil


"O Brasil, dominado pela força de Flamengo e Palmeiras, duas forças, por estes dias, muito acima dos outros 10 grandes do país, teme perder uma das vantagens competitivas de que dispõe em comparação com as principais ligas da Europa: a imprevisibilidade.
Se em Inglaterra ainda há dúvidas no início de cada campeonato sobre quem vai levar o troféu da Premier League e em Itália, ultimamente, também vai havendo em relação ao scudetto, na Liga espanhola só muito de vez em quando o título escapa do duopólio Real Madrid e Barcelona, a quem vêm sendo comparados, por alguns observadores, o mengão e o verdão.
Porém, há quem sonhe com um Brasileirão em forma de monopólio — e não duopólio — decalcado dos modelos da Ligue 1 francesa ou da Bundesliga alemã, torneios de um contra todos em que o Paris Saint-Germain e o Bayern Munique são crónicos campeões — os gauleses 11 e os teutónicos 12 vezes nos últimos 13 anos. 
Esse clube é o Flamengo. O portal UOL chamou-lhe até «estratégia Bayern».
Com mais de dois mil milhões de reais [acima de 300 milhões de euros] de faturação em 2025, os cariocas deixaram os paulistas, com apenas 1,6 mil milhões [cerca de 250 milhões], à distância graças aos títulos e ao volume da torcida (o Fla tem a maior do Brasil, o alviverde a quarta).
De 2024 para 2025, aliás, o atual campeão da Taça dos Libertadores da América e do Brasileirão cresceu o equivalente a 120 milhões de euros, que é a faturação do São Paulo — ou seja, num ano ficou um São Paulo mais rico.
Como o domínio no cofre vai passar para o campo é a tal «estratégia Bayern». Se ainda não consegue desviar por ora atletas do verdão, pelo menos vai enfraquecendo os plantéis dos outros emblemas que incomodam na classificação.
Já contratou Vitão, referência defensiva do Internacional, dono de um dos melhores elencos do país apesar do 16.º lugar de 2025. E agora pressiona pela aquisição de Kaio Jorge, goleador do Brasileirão pelo cada vez mais ambicioso Cruzeiro, que por acaso fizera de tudo para ter Vitão mas não conseguiu.
Assim como os bávaros são uma espécie de, se não seleção alemã, pelo menos seleção da Bundesliga, o Flamengo, embora conte com nove internacionais canarinhos no grupo, também pretende ser uma espécie de seleção do Brasileirão com um onze de sonho no campo e outro onze de sonho no banco.
E no sub-continente sul-americano? Bom, aí o projeto do Fla, já o verbalizou o presidente Luiz Eduardo Baptista, é ser «um Real Madrid das Américas», tendo em conta que o gigante espanhol levou metade das últimas 12 Ligas dos Campeões e o colosso brasileiro vai em três Libertadores das últimas sete.
Espanholização, portanto, só no plano internacional. No nacional, o objetivo flamenguista é a germanização."