Últimas indefectivações

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Vermelhão: Vontade de vencer !!!

AC Milão 0 - 2 Benfica


Primeira vitória da nossa história sobre o AC Milan, uma equipa que nos bateu por duas vezes, em Finais da Champions! Um Benfica com um historial complicado com equipas Italianas... mas que ultimamente até temos vencido neste tipo jogos com alguma 'tranquilidade', como aconteceu recentemente em Turim com a Juventus!

O objetivo principal é o Campeonato, isso é óbvio e como tinha escrito na crónica do jogo com o Gil Vicente, esta partida não ia decidir o nosso futuro na Europa, mas o clássico do próximo Domingo pode decidir antecipadamente o Campeonato! E por tudo isso, não me surpreendeu o onze do Benfica, somente com dois titulares do último fim-de-semana, sendo que jogámos somente com 4 titulares no 'papel'!!! Nas nossas últimas Finais Europeias, na Liga Europa, a rotação do plantel nos primeiros jogos, foi radical... E se quisermos repetir esses 'sucessos', temos que fazer o mesmo esta época: um onze para o Campeonato e outro para a Europa, e como ficou provado hoje, temos plantel para isso...

A minha grande 'curiosidade' para este jogo, era verificar o comportamento do Benfica, num jogo, onde iria ter menos bola, onde muito provavelmente iria jogar com o bloco mais baixo. Não duvido do Marco Silva, além dos tempos do Estoril, o Marco em Inglaterra treinou equipas do meio da tabela para baixo, e vi vários jogos onde o Marco montou esquemas bastante defensivos, com sucesso... A minha questão era como os jogadores, iriam interpretar as necessidades da equipa, quando se tem que jogar em transições, com as linhas recuadas e com menos bola! No final só podemos ficar contentes, porque os jogadores interpretaram na perfeição as instruções do treinador... Na estatística final, os números do Benfica, até parecem modestos, mas a partir do momento em que ficámos em vantagem, a equipa deu o controlo aparente do jogo ao adversário... e repito, os jogadores souberam interpretar aquilo que o jogo pedia!

É verdade que o Milan também não jogou na máxima força, mas fez muito menos alterações. É verdade que este Milan está em construção, com um novo treinador (também o Benfica), com um esquema de jogo muito específico, com várias deficiências no seu jogo, mas nada disso pode retirar mérito ao Benfica. Também podem 'acusar' os jogadores que usaram este jogo Europeu, a partida de maior cartaz nesta Quarta-feira Europeia, como motivação extra, para se auto-promoverem, ou para tentar convencer o Marco, que merecem ser titulares, mas nada disso interessa! A equipa esteve organizada, com muita força nos duelos, e bastante objetiva quando passávamos o meio-campo...

O Milan não foi muito agressivo na pressão, algo que no Domingo não irá acontecer, mas o Benfica durante a maioria do tempo, soube esconder a bola, tentando adormecer o jogo, principalmente após ficar em vantagem! Também 'ganhámos' alguns ressaltos na nossa área, que podiam ter corrido mal, mas na maioria das ocasiões os Centrais resolveram o problema...

Minutos muito importantes para o Trubin voltar a mostrar-se, e mostrou 'coisas novas'! Não me recordo dum Trubin, com tantas saídas a punhos nos cruzamentos! Esteve também bem nos passes longos com os pés...

O Circati também aproveitou a apreender as dinâmicas defensivas do Benfica. Forte nos duelos, acabou por confirmar que não é tosco com os pés, mas é necessário testar as suas qualidades de passe num jogo do Tugão, contra equipas fechadinhas!

Grande jogo do Banjaqui, o melhor na equipa principal. Como afirmou no final, está a ganhar confiança... e fisicamente está claramente a melhorar após a lesão. 


Karouani, surpreendeu-me na defesa, acabou por mostrar disciplina, e não foi tão frágil nos duelos, como alguns diziam! Pé esquerdo muito bom, isso já tinha visto nos primeiros minutos que já tinha jogado! Foi um jogo posicionalmente 'especial', o Kaminski ajudou muito, o Holandês/Marroquino acabou por defender mais por dentro...
 
Mais um jogo do Palhinha, desta vez, com dinâmicas diferentes, pois com a equipa mais junta, acabou por ter menos tempos com bola, e quando tocou na bola, foi quase sempre em zonas mais recuadas, mas voltou a ser essencial nos duelos à frente da área...


O melhor jogo do Aursens após lesões. Notava-se ainda falta pernas nos minutos que tinha jogado, mas hoje foi fundamental para ganhar ritmo.

Lukebakio mais duas sete quintas, com espaço e com a equipa a jogar para ele, pois sem o Prestianni ou o Schjelderup era ele o principal desequilibrador! E diga-se que defensivamente ajudou...

O regresso do Sudakov à titularidade, e apesar de alguns bons pormenores, incluindo a bomba ao poste, continua a falhar bolas fáceis...

Outra grande exibição da noite: Kaminski! Como o Marco explicou, o Kaminski sente-se à vontade neste tipo de jogos, com estas dinâmicas. Contra 'autocarros', não terá muito sucesso, mas jogos onde o Ala tem que ajudar a defender e imediatamente após a recuperação de bola partir para a transição a alta velocidade, jogando fácil com os colegas, muitas vezes ao primeiro toque, o Polaco será feliz!

O sacrificado da noite foi o Durám! Provavelmente poucos lhe vão reconhecer méritos, mas na minha opinião esteve bem. Forte nos duelos, ganhou muitas bolas... O árbitro acabou por ficar chateado com ele, e permitiu todo o tempo de contactos sobre ele, principalmente o Winter que deve ter feito falta em todos os duelos com o Durán, e o cabrão nunca marcou! Acabou de rastos... ofensivamente, foi pouco servido, com a equipa muito recuado... Está a precisar de golos para desanuviar, terá que ser opção, num jogos com um autocarro na Luz...

Quando o Milan começou a carregar mais no 2.º tempo, muito importante a entrada do Barreiro, que não fez nada de extraordinário, mas voltou a dar disciplina posicional na linha de meio-campo! Tinha gostado de ver o Echeverri a entrar no lugar do Prestianni!


Não gostei na arbitragem, agarrões iguais aos que deram Amarelos ao Benfica, nem sequer eram assinaladas faltas a favor do Benfica! O Winter e o Pavlovic fizeram o que quiseram!

3 pontos importantes, numa competição onde o primeiro objetivo é chegar aos 14/15 pontos, que dará a classificação automática para as eliminatórias, sem passar pelo play-off de Fevereiro. Agora, este jogo será muito diferentes dos outros. Esta Liga Europa será muito complicada de prever, porque as equipas quase todas têm objectivos internos, e várias equipas vão rodar o plantel na Europa, pelo menos nesta fase de grupos... E se o Benfica continuar a rodar, como fez hoje, mesmo contra equipas menores, teremos que encontrar o caminho para vencer, a jogar provavelmente contra equipas mais fechadas!


Uma nota para o grandíssimo apoio nas bancadas, como já começa a ser uma tradição neste Estádio! E desta vez, creio que se portaram bem... Os castigos têm sido recorrentes na Europa, e os atrasados mentais, tem que perceber que não podem meter o Clube em problemas. Como o Marco confessou no final, a recepção dos adeptos, quando os jogadores foram pisar o relvado 1 hora antes da partida começar, foi importante naqueles momentos... sem adeptos, o Benfica fica a perder, assim o Benfica está mais próximo de ganhar!


Mas isso é lá para Outubro, agora antes das Seleções, temos a anual visita ao Antro da Corrupção. Antes de começar já estamos em desvantagem nas trapalhadas do pré-jogo, como é costume!!! Em relação ao jogo, ninguém poderá ficar surpreendido com o que vai acontecer: pressão dentro e fora do campo, provavelmente vai começar com o fogo-de-artificio a meio da noite junto d Hotel...; vão a entrar a fazer uma pressão maluca, com correrias doidas, tiveram uma semana inteira para preparar a Amarelinha; vão mergulhar mil vezes a pedir Cartões para os jogadores do Benfica; intimidação máxima; árbitro palhaço mas com instinto de sobrevivência que nunca irá decidir a favor do Benfica! Portanto, preparem mesmo as bolas paradas defensivas, pois vão ter muitas, seguramente...


O Benfica só tem que tentar jogar futebol, porque nessa 'fase', somos muitos melhores! Eu não arriscaria muito a saída de bola, principalmente nos primeiros minutos... Em relação ao onze, não acho que este jogo vá alterar as ideias do Marco, mas o Trubin e o Kaminski podem ter alguma hipótese de serem titulares! Não acho que o Aursens vá ser titular, no meio... não me surpreendia se jogasse na Direita, no lugar do Rafa!!! Se o Bah tiver apto creio que vá jogar... o Banjaqui fez um grande jogo, mas naquele ambiente e com as espertezas saloias dos Corruptos, pode ser complicado! Se o Circati fosse opção, não ficaria com 'medo'!

20 Anos Benfica Campus | Episódio 15

UEFA: Milan vs Benfica ⚔️ Which Team Has Better Classic Europa League Goals?

Highlights | #Juvenis - Benfica 3-1 Sporting CP | Campeonato Nacional

Benfica: por falar em duras batalhas...


"Qualidade individual do plantel do Benfica não mudou muito, mas a Liga Europa também não é a Liga dos Campeões, mesmo quando o adversário a seguir não for o FC Porto

Marco Silva vai insistindo na ideia de que o caminho da equipa do Benfica é longo, não vá alguém levitar demasiado, dentro ou fora do autocarro. O jogo com o Gil Vicente mostrou que os buracos na estrada surgem sem aviso, normalmente, mas a excursão do Benfica esta semana justifica um sinal de perigo.
O treinador das águias alertou recentemente para «duras batalhas» que a equipa ainda terá de enfrentar, e não seria fácil encontrar dois duelos mais difíceis do que visitar Milão e o Dragão, ainda para mais no espaço de cinco dias.
Para azar encarnado, o jogo mais difícil do calendário europeu ficou colado à deslocação mais exigente na luta pelo título nacional — até por ser a casa do campeão. Embora as águias tenham ainda Celtic, Omonia, Lech Poznan, Viktoria Plzen, OFI, NEC e AZ Alkmaar para fazer contas na UEFA, o jogo com o Milan representa o primeiro grande teste da temporada, e logo com Ruben Amorim do outro lado, com tudo o que isso representa — sem esquecer Gonçalo Ramos, que quer marcar, naturalmente, mas nem pensa em festejar.
O FC Porto não terá estes condicionalismos na preparação do clássico, o que só reforça a necessidade de gerir opções, tal como o próprio Marco Silva reconhece. O plantel assim o permite, mesmo que não seja evidente um aumento da qualidade individual, se pensarmos que António Silva, Otamendi, Gonçalo Oliveira, Sidny Cabral, Ríos, Bruma e Ivanovic deram lugar a Circati, Lenglet, Gabriel Índio, El Karouani, Echeverri, Kaminski e Durán.
João Palhinha é nome à parte, pois representa o principal upgrade, mesmo no que diz respeito ao onze-base, sem ignorar que saiu também Dedic e não chegou nenhum reforço para a lateral direita. 
Serve isto para insistir na ideia de que o plantel do Benfica não está substancialmente melhor esta época, o que só valoriza o trabalho da equipa técnica liderada por Marco Silva, que tem conseguido uma aproximação entre o rendimento coletivo e a exigência e identidade do clube.
Para além disso a Liga Europa não é a Liga dos Campeões, pelo que não há qualquer razão para baixar a ambição, mesmo que seja mesmo para encarar os jogos a meio da semana com segundas linhas.
Gerir é preciso. Não só em San Siro e nesta parte mais atribulada do percurso, mas em toda a rota europeia que o Benfica venha a fazer."

Valem o mesmo


"No final de uma semana em que defrontou duas equipas que, no ano transato, fizeram uma boa campanha, Marco Silva alertou para o facto de nem todos os jogos poderem ser resolvidos com a facilidade de Moreira de Cónegos. Um "fechadinho" Gil Vicente, que só por duas vezes ousou entrar na área do Benfica, causou sobressalto depois de mais um bom jogo em que o desperdício, que vem sendo habitual, elevou as pulsações de mais de 62 000 pessoas que empurraram a equipa para uma vitória mais do que merecida. Está certo o alerta e o Benfica bem o sabe, pois os únicos dois pontos que não conquistou neste campeonato foi num jogo parecido com o de domingo, o que dá que pensar sobre a falta que aqueles milhares então fizeram por força de uma decisão sem paralelo no desporto português. Ponto comum destes jogos é que Prestinanni continua a "voar," Pavlidis a marcar e Banjaqui a confirmar que é aposta segura, mantendo-se a média de três golos marcados por jogo. Se com o Moreirense outro dado a sublinhar foi mais um péssimo relvado (que se passa?!), no excelente tapete da Luz outra nota a destacar é a qualidade do banco do Benfica, pois foi também aí que acabou por ganhar o jogo, com o capitão Aursnes a mostrar que continua a ser imprescindível onde quer que jogue. Dois jogos contra duas boas equipas, com duas boas exibições e seis pontos conquistados, que, com mais ou menos sofrimento, no final valem exatamente o mesmo. Vem mais uma semana com dois jogos, contra duas grandes equipas, e em que o alerta de Marco Silva será seguramente útil..."

Inclinações...

Continua tudo igual...

Será racismo?! Bom jogador, mau carácter!

O queixinhas...!!!

Objectivo:

Segredos mal guardados!!!

Desejos 'permitidos'!!!

Se tivesse um pinguinho de integridade já se teria demitido!

Sam - THE REFEREES TAKE CENTRE STAGE! Liga Portugal Week In Review #6

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Quatro pontos sobre as possíveis escolhas de Jorge Jesus

Observador: E o Campeão é... - Amorim mede forças com Marco Silva: quem vence em San Siro?

Observador: Três Toques - Mbappé gera tempestade e acusações de traição em França

Lutar pela vitória


"Em destaque nesta edição da BNews, a deslocação do Benfica a Milão (20h00) para defrontar o AC Milan na 1.ª jornada da fase de liga da Liga Europa.

1. Seja onde for
O Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, elogia os Benfiquistas: "Os nossos estão sempre presentes em todo o lado. É um dado garantido que nós temos sempre, esse apoio fundamental à equipa."

2. Apelo aos adeptos
Leia o apelo do Sport Lisboa e Benfica aos Benfiquistas que estarão no Estádio San Siro para ajudar o Benfica a ganhar: "Façam sentir a sua paixão e o seu apoio, sempre com responsabilidade e no pleno respeito pelas regras, em Portugal e além-fronteiras."
Recorde-se que o Benfica se encontra sob pena suspensa nas competições europeias.

3. Ganhar
Marco Silva explica o que espera da equipa na partida: "Tentamos fazer aquilo que achamos que nos deixa mais perto de ganhar jogos. Vamos tentar estar ao nível daquilo que é o jogo. E é um jogo grande. Um jogo de cartaz."

4. Ambição
Circati frisa a mentalidade do Clube: "Abordamos todos os jogos para vencer, seja contra o AC Milan ou qualquer outra equipa. No Benfica, entra-se em campo sempre para tentar ganhar."

5. Bastidores
Do adidas Benfica Campus a Milão.

6. Parceria renovada
Benfica e adidas renovam contrato até 2033, passando a incluir o naming adidas Benfica Campus.

7. Chamadas internacionais
Aursnes, Bah, Prestianni e Schjelderup estão convocados pelas seleções nacionais dos seus países.

8. Distinção
Pavlidis foi eleito o avançado do mês de agosto da Liga Betclic.

9. O sonho do Fábio
Uma iniciativa conjunta do Futebol Profissional e da Fundação Benfica.

10. Últimos resultados e agenda
O Benfica está apurado para os quartos de final da qualificação para a fase de grupos da Basketball Champions League após vencer o Lions de Genève por 87-78.
Os Sub-23 ganharam, por 1-2, no reduto da União de Leiria. Nesta manhã, os Juvenis defrontaram o Sporting e triunfaram por 3-1.
A equipa feminina de andebol visita o Madeira SAD (18h30).

11. Prémios atribuídos
Várias atletas de futebol e de futsal do Benfica distinguidas na Gala das Campeãs.

12. "Redy – Ganhar em Todos os Campos"
Manuel de Brito, vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica, apresentou a estratégia de sustentabilidade do Clube na Conferência Anual ESG promovida pelo Instituto Português de Corporate Governance.

13. Media Day futsal
"O que não vai faltar é uma grande vontade de fazer cada vez melhor", garante Cassiano Klein.

14. Solidariedade
Uma iniciativa conjunta da secção de futsal e da Fundação Benfica em parceria com a Comunidade Vida e Paz.

15. 20 anos do adidas Benfica Campus
Veja os 13.º e o 14.º episódios da série dedicada ao 20.º aniversário do adidas Benfica Campus."

O futebol português precisa de um plano para crescer — não apenas de clubes para ganhar


"O futebol português habituou-se a fazer muito com pouco. Formamos jogadores para os melhores clubes do mundo, exportamos treinadores, produzimos conhecimento, competimos regularmente nas provas europeias e temos uma Seleção Nacional capaz de disputar qualquer competição para ganhar.
Não é pouco. É extraordinário para a dimensão do país.
Mas talvez tenha chegado o momento de fazermos uma pergunta mais difícil: estamos verdadeiramente a fazer crescer o futebol português ou estamos apenas a conseguir que alguns dos seus protagonistas tenham sucesso?
São coisas diferentes.
Durante muitos anos, o talento permitiu-nos compensar algumas fragilidades estruturais. Quando faltou capacidade financeira, formámos melhor. Quando não conseguimos reter jogadores, vendemos. Quando os nossos clubes não puderam competir pelos mesmos salários, encontraram talento antes dos outros. Criámos uma extraordinária capacidade de adaptação.
O problema é que aquilo que começou por ser uma vantagem competitiva não pode transformar-se numa dependência.
Portugal não pode aceitar como inevitável que o seu principal modelo de crescimento seja descobrir, formar, valorizar e vender. As transferências continuarão a ser fundamentais para a sustentabilidade dos clubes portugueses. Faz parte da nossa realidade económica e seria pouco realista defender o contrário.
Mas uma coisa é vender porque existe uma oportunidade extraordinária. Outra é ter de vender para conseguir continuar.
O problema do futebol português não é a falta de talento. É quanto desse talento conseguimos transformar em valor antes de o entregarmos aos outros.
E é aqui que a discussão deixa de ser apenas dos clubes.
Se queremos uma Liga mais forte, clubes mais competitivos na Europa e uma indústria do futebol economicamente mais relevante, precisamos de pensar coletivamente em questões que nenhuma instituição consegue resolver sozinha.
A primeira é a competitividade.
Os principais clubes podem fazer excelentes trabalhos individualmente e outros podem crescer, investir e aproximar-se. Mas a valorização internacional do futebol português depende da qualidade do produto no seu conjunto.
Uma Liga não vale apenas pelos clubes que lutam pelo título. Vale pela competitividade dos jogos, pela qualidade dos estádios e dos relvados, pela experiência proporcionada aos adeptos, pela realização televisiva, pela capacidade comercial e pela ocupação das bancadas.
Quando um clube melhora as suas infraestruturas, ganha esse clube. Quando a generalidade dos clubes melhora, ganha a competição.
E quando a competição cresce, todos passam a valer mais.
É por isso que o investimento em infraestruturas não pode continuar a ser visto como uma questão secundária. Temos excelentes exemplos em Portugal, mas ainda existe uma diferença demasiado grande entre as melhores condições e a realidade média do futebol profissional.
O futebol moderno é também instalações, centros de treino, tecnologia, conforto, segurança e experiência de quem paga para assistir.
A segunda questão é a capacidade de gerar receita para além das transferências.
Durante demasiado tempo aceitámos que a diferença económica entre Portugal e as principais ligas europeias era uma espécie de fatalidade geográfica. O nosso mercado é menor, a população é menor e o poder de compra é diferente.
Mas o mercado de um campeonato já não termina nas fronteiras do país.
Hoje disputa-se atenção em todo o mundo.
E Portugal tem ativos extraordinários: uma Seleção de dimensão global, alguns dos futebolistas mais reconhecidos internacionalmente, treinadores nas principais ligas, uma diáspora enorme e clubes históricos com milhões de adeptos.
Temos marca. Temos talento. Temos história.
Precisamos de transformar melhor tudo isso em valor.
Isso obriga a uma estratégia internacional para o futebol profissional português: mercados prioritários, conteúdos digitais, distribuição, parcerias comerciais e uma narrativa comum.
Podemos competir dentro do campo e cooperar fora dele.
Talvez esta seja uma das mudanças culturais mais importantes que precisamos de fazer.
Os clubes vão continuar naturalmente a defender os seus interesses. É assim que deve ser. Mas existem áreas em que o interesse individual e o interesse coletivo não são adversários.
Uma Liga mais valorizada aumenta o valor dos direitos, dos patrocínios, dos jogadores e dos próprios clubes.
A terceira questão é o investimento.
O futebol português vai precisar de capital para crescer.
Já o defendi: devemos olhar para o investimento externo sem preconceito, mas também sem ingenuidade.
O capital, por si só, não constrói projetos. Pode acelerá-los.
Precisamos de investimento que traga recursos, conhecimento, redes internacionais, tecnologia e capacidade de gestão. Mas também precisamos de regras, transparência e proteção da identidade das instituições.
Não devemos discutir se queremos ou não investimento. Devemos discutir que investimento queremos e para construir o quê.
Porque colocar dinheiro num sistema sem estratégia pode apenas tornar os mesmos problemas mais caros.
Finalmente, precisamos de definir aquilo que queremos ser.
Onde queremos que esteja o futebol profissional português em 2036? Queremos ter mais clubes regularmente competitivos na Europa?
Queremos aproximar a receita da Liga das competições que hoje estão acima de nós? Queremos melhores taxas de ocupação dos estádios? Reduzir a dependência das transferências? Melhorar as infraestruturas? Aumentar o número de jogadores formados em Portugal que permanecem mais tempo na nossa competição?
Então temos de medir.
Um plano sem objetivos mensuráveis é apenas uma declaração de intenções.
O futebol português precisa de metas a cinco e dez anos, indicadores públicos e capacidade para avaliar aquilo que funciona e aquilo que precisa de ser corrigido.
Não significa centralizar decisões nem retirar autonomia aos clubes. Significa perceber que existe um conjunto de desafios que só podem ser vencidos coletivamente. 
Durante décadas, Portugal tornou-se especialista em encontrar soluções para competir com quem tinha mais dinheiro.
Talvez o próximo passo seja diferente.
Não basta continuarmos a formar grandes jogadores para as principais ligas europeias. Não basta exportarmos treinadores, dirigentes e conhecimento. Devemos ter orgulho nisso. É uma demonstração da qualidade do nosso futebol.
Mas também devemos perguntar quanto desse conhecimento fica cá, quanto valor conseguimos reter e que condições estamos a criar para que o próximo grande jogador português possa permanecer mais um ou dois anos na nossa Liga sem colocar em causa a sustentabilidade do seu clube.
Porque o verdadeiro salto não será deixar de vender talento.
Será deixar de precisar de o vender tão cedo.
Portugal já demonstrou ao mundo que sabe produzir futebol.
Agora precisa de demonstrar que sabe construir uma indústria à altura desse talento.
Ganhar campeonatos continuará a ser o objetivo dos clubes.
Fazer crescer o futebol português tem de ser o objetivo de todos."

DeLetra #53 - ⚽ ESPECIAL CLÁSSICO - Benfica em Milão e jogo do ano no Dragão

Rabona: The VILLAGE that Went From Semi-Pro to BUNDESLIGA in 4 Years

SportTV: Agora assim - Cantos Amor...

106.5 FM - Fora de Jogo (sem Var)

Prata da Casa #68 - Power Ranqueens, Chicharito Vlogger, Desportos Bizarros

Ramires: Gil Vicente..

Var à Sexta #21 - Vozinha ou Diogo Costa? Quem ganha a disputa?

0 Livre Direto #2 - Sporting fora da corrida?

SportTV: Vamos à Bola - AFS

BolaTV: Diário de um Treinador #1 - A final chata do US Open e a conversa com o fisioterapeuta de Djokovic

DAZN: Paddock Club - O que mudar no Madring?

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Antevisão...

Terceiro Anel: React - Antevisão - Marco Silva - AC Milan

On the Road | Milan

Tiki-Tasca #14 - Carlos Daniel

Mike: PortuGolaço Podcast #LigaPortugal Round 6 Review

Campus Sessions

Treino...

Vitória Europeia...

Benfica 87 - 78 Lions Geneve
25-17, 20-21, 17-17, 25-23

Primeiro jogo da qualificação para a Champions, primeira vitória. Fomos melhores, aliás durante o jogo o Benfica pareceu sempre muito superior individualmente, mas a falta de rotinas entre os nossos jogadores não ajudou... tal como a fraca percentagem nos tiros exteriores!

Na próxima ronda vamos defrontar uma equipa Alemã, Rasta Vechta, muito provavelmente superior... temos que jogar melhor!

RTP/Antena 1 - Hora Bola - Duarte Gomes

Vergonha! Só 3 jogadoras no onze da temporada...

Os enganos que não fazem capa



Os Gloriosos Benfiquistas - É para cima deles - S02E13 - AC Milan

Terceiro Anel: Bola ao Centro #230 - ARRANCA O SONHO EUROPEU!! 🦅🔴

BI: Antevisão - AC Milan

Falar Benfica #260 - Vitória frente ao Gil, Milão e Dragão, Adidas e R&C2025/26 as modalidades

MS: Milão...

20 Anos Benfica Campus | Episódio 14

Adidas


"O novo acordo com a Adidas é uma excelente notícia para o Benfica. 120 milhões de euros por seis épocas é um contrato que reforça o valor do clube e confirma aquilo que, apesar de tudo, continua a ser uma evidência: o Benfica é a maior marca desportiva portuguesa.
Mas convém não confundir o momento em que um contrato é assinado com o momento em que uma marca é construída.
A marca Benfica que hoje vale estes números não nasceu nos últimos anos. A marca que vale 120 milhões ainda é a mesma que foi construída durante a presidência de Luís Filipe Vieira. Foi durante o seu mandato que o clube sofreu uma transformação profunda: na dimensão internacional, nas infraestruturas, na formação, nas receitas comerciais, na capacidade de atrair parceiros globais e na projeção da própria marca.
Os 120 milhões que agora chegam refletem o valor daquilo que foi recebido como legado. E mesmo depois da desvalorização e erosão que, na minha opinião, a marca sofreu nestes últimos anos, continua a ter uma dimensão suficientemente poderosa para gerar um contrato desta natureza.
Há, aliás, um pormenor particularmente paradigmático.
A Adidas vai associar o seu nome ao Benfica Campus, no Seixal. Vai fazê-lo precisamente numa altura em que o Seixal apresenta sinais visíveis de degradação e de falta de manutenção acumulada durante demasiados anos. O mesmo sucede, em diferentes áreas, no Estádio da Luz.
É uma ironia difícil de ignorar: valoriza-se comercialmente o nome de uma infraestrutura que, fisicamente, se deixou desvalorizar.
Por isso, mais importante do que celebrar os 120 milhões é perceber o que o Benfica fará com eles.
Que este dinheiro seja aplicado de forma irrepreensível. Que sirva para recuperar património, modernizar infraestruturas, reforçar a formação e criar valor duradouro. E que não seja apenas mais receita a entrar para alimentar uma estrutura de custos cada vez maior.
Uma grande marca não se mede apenas pelo dinheiro que consegue gerar. Mede-se também pela forma como cuida daquilo que construiu."

Mike: Round 6

Simples: Benfica de Marco Silva...

Possessivo: Gil Vicente...

BF: Ataque...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Petit & Paciência, Lda: uma maravilha açoriana

Observador: E o Campeão é... - Ronaldo vai ser patrão e jogador do Al-Nassr?

Observador: Três Toques - Sydney Sweeney no desporto: jogada de mestre ou falhada?

Liga: Jornada 6 - Golos

Jogo Pelo Jogo - S04E05 - Diogo Prego (chef Ruben Dias)

Futebol à Parte - S02E03 - SPORTING ESCORREGA e Antevisão PORTO X BENFICA

Zero: Ataque Rápido - S09E07 - Sporting já desperdiçou o FC Porto x Benfica

Chuveirinho #188

Pre-Bet Show #192 - O PRIMEIRO CLÁSSICO ESTÁ AÍ! 🤩 FC PORTO OU BENFICA, QUEM LEVA A MELHOR?

DAZN: The Premier League - Golos...

DAZN: La Liga - Jornada 5 - Golos...

Marco Silva devia mudar a equipa toda


"Benfica tem pouco ou nada a perder em Milão, tirando o jogo, e mesmo isso não coloca em causa a continuidade na Liga Europa; e no domingo há duelo no Dragão...

Trubin, Duarte Soares, Manu Silva, Circati, El Karouani, Barrenechea, Sudakov, Lukebakio, Echeverri, Kaminski, Durán. Tirando nunca terem jogado juntos, e o lateral-direito ser da equipa B (porque a lesão de Bah retirou alternativas), parece-me um onze interessante.
Talvez demasiado ofensivo. Que tal Miguel Figueiredo em vez de Sudakov ou Echeverri, ou Gabriel Índio a central adiantando Manu para o meio-campo? E ainda sobra Aursnes, que tem sido suplente mas vem de lesão e poderá fazer sentido preservá-lo.
Seja como for, mesmo sem contar com os habituais titulares, não faltam opções a Marco Silva. Até para mudar a equipa inteira. E devia fazê-lo amanhã, em Milão, na estreia na UEFA Europa League.
Nem é tanto a proximidade do jogo com o FC Porto (no domingo, no Dragão) que deveria levar à mudança radical, embora não deva deixar de ser levada em conta. Mesmo que o próximo adversário fosse o FC Arouca, é minha convicção que o melhor para o Benfica seria fazer descansar os principais jogadores na visita a Itália.
Sejamos realistas — poucos deles estarão em condições de dar a melhor resposta. O facto de haver apenas dois dias entre jogos (do de anteontem com o Gil para o de amanhã com o Milan), com uma viagem de avião pelo meio, a juntar ao intenso desgaste da última partida na Luz, pelo resultado, pela temperatura e pela humidade, convidam às mudanças. O próprio treinador das águias reconheceu, no final, que a sua equipa não foi capaz de pressionar o Gil tão bem como já fez com outros adversários.
Só pela gestão física, já faria sentido mudar tudo, ou quase. Mas aqui está a cereja no topo do bolo: o Benfica, em Milão, pouco tem a perder, a não ser o jogo — e mesmo isso terá pouca influência nas contas finais da Liga Europa.
Este é, em teoria, o jogo mais difícil dos encarnados na fase de liga da competição. O sorteio foi amigo, e o grau de dificuldade dos outros sete não assusta; mesmo derrotada em Itália, a equipa de Marco Silva não deverá ter dificuldades em seguir em frente, até diretamente para os oitavos de final.
Na época passada, Francesco Farioli, treinador do FC Porto, recorreu a rotações extremas na Liga Europa. Com um plantel mais curto que o do Benfica este ano, foi ainda assim 5.º na fase de liga e chegou sem grandes problemas aos quartos de final — e se Bednarek não tivesse sido expulso logo aos 8 minutos em Nottingham, se calhar poderia ter ido mais longe. Em todo o caso, ganhou vantagem competitiva para alcançar o objetivo principal: ser campeão nacional.
Rodar nesta fase de liga não significa desistir da Liga Europa. Depois, a eliminar, consoante estiver o campeonato e a força dos adversários europeus, será altura de pensar em ser mais ou menos conservador. Mas agora, em Milão, é fácil: repetir o onze, ou perto disso, nada garante, atendendo ao cansaço dos titulares; mudar tudo pelo menos assegura uma coisa — mais frescura para o Dragão."

Situações estranhas e um VAR protagonista


"A designada verdade desportiva passou, nos primeiros anos, a ser uma realidade, mas há sinais menos bons que nos mostram que, mesmo com VAR, existem situações, no mínimo, estranhos.

Os protagonistas do jogo devem ser os jogadores. Devem, mas muitas vezes os árbitros são o centro das atenções. Mais: agora temos jogos em que os jogadores já só são os terceiros protagonistas, porque, nos últimos anos, o VAR, ou videoárbitro, chegou, viu e mudou tudo. Sim, a designada verdade desportiva passou, nos primeiros anos, a ser uma realidade, mas há sinais menos bons que nos mostram que, mesmo com VAR, existem situações no mínimo estranhas.
Caro leitor, o VAR até tem regras claras. Vejamos: deve intervir nos fora de jogo, na decisão de penálti, quando deve ser mostrado um cartão vermelho, quando o jogador errado seja sancionado e, agora, quando um canto seja atribuído erradamente.
Acresce que deve intervir quando o erro de arbitragem seja claro e óbvio. Não deve intervir em situações de dúvida. E deve intervir sem quebrar o ritmo de jogo. Ora, das piores coisas que o VAR tem é o tempo que leva a decidir. Quebra o ritmo de jogo, e de que maneira. E quebra o ritmo do espectador: uma eternidade à espera da validação de um golo. Talvez devesse ter um limite de tempo para decidir. Afinal, se não for claro e óbvio, o VAR não deve intervir.
Às vezes também não intervém quando é claro e óbvio. Ou seja, quando devia. Recentemente, nos Países Baixos, uma entrada violenta de Van Bommel (filho) sobre Aaron Bouwman levou apenas a cartão amarelo. Bouwman tem várias lesões, incluindo uma contusão no externo e outra pulmonar. Vai passar pelo menos um mês sem jogar.
A polémica é grande nos Países Baixos. «Isto é uma tentativa de assassínio», diz um comentador da ESPN. Veja-se ainda o golo que, este fim de semana, decidiu o dérbi de Manchester, que mesmo os árbitros acham que devia ter sido anulado !!!
Ou seja, não é só em Portugal que temos problemas com o VAR. Os problemas existem noutros países também. E o problema maior será se um dia se perceber que, mesmo com vários modos de visualização de um lance, os erros persistem. E, se persistem, voltam as dúvidas sobre a honestidade do jogo.

Lucro à Benfica
O Benfica SAD apresentou lucros de €19,1 M. As notícias são boas: aumento das receitas recorrentes, segundo ano consecutivo de lucros, dívida líquida a descer. As receitas televisivas também aumentaram. Rui Costa e a sua Direção estão de parabéns. E o Benfica continua a lutar contra a centralização dos direitos televisivos. A petição no Parlamento para mudar a lei vai levar a uma discussão em plenário sobre o assunto. Um raro exemplo de democracia a funcionar. «Acreditamos que ainda é possível reverter a situação», diz Nuno Catarino, CFO do clube.
Veremos se o maior clube de Portugal tem essa força, mas é um assunto para acompanhar com muita atenção.
O Direito ao Golo desta semana tem vários protagonistas: Diogo Costa, o jogador do FC Porto, que, no jogo contra o Manchester City, defendeu tudo o que era possível e o que não parecia possível. O FC Porto que se mantém invencível e dá mostras de que vai repetir o campeonato passado. E para Prestianni, o jogador do Benfica está em grande!"

A Justiça Desportiva também se joga no Tribunal de Justiça da União Europeia


"O futebol europeu deixou há muito de ser regulado apenas dentro das fronteiras do próprio futebol. Nas últimas décadas, o Tribunal de Justiça da União Europeia submeteu as regras federativas às liberdades fundamentais do mercado interno, escrutinou os poderes privados de organização de competições e reafirma agora que a justiça disciplinar desportiva também deve respeitar as exigências da tutela jurisdicional efetiva. O acórdão de 16 de julho de 2026, proferido nos processos apensos C-424/24 e C-425/24, inscreve-se nesse percurso: a autonomia desportiva existe, mas não existe fora do Direito da União.
O litígio nasce do chamado caso das plusvalenze, no qual a Federação Italiana de Futebol (FIGC) instaurou procedimento disciplinar contra vários clubes, incluindo a Juventus, e contra os seus dirigentes, por suspeitas de utilização de mais-valias artificiais em operações de transferência de jogadores. Dois antigos administradores da Juventus foram sancionados com uma proibição temporária de exercício de qualquer atividade profissional ligada ao futebol profissional ou amador em Itália, inibição posteriormente estendida a nível mundial pela Comissão Disciplinar da FIFA. Quando recorreram à jurisdição administrativa italiana, encontraram o ponto crítico do sistema: os tribunais podiam apreciar incidentalmente a ilegalidade da sanção e atribuir indemnização, mas não podiam suspendê-la nem anulá-la.
A questão prejudicial era, por isso, concreta e institucionalmente decisiva: podia uma sanção disciplinar emanada de uma federação desportiva nacional, projetada depois à escala internacional, restringir o exercício de atividades profissionais sem controlo jurisdicional dotado de poderes reais?
O primeiro passo do Tribunal é particularmente relevante para quem ainda lê o desporto profissional como um universo predominantemente associativo. Uma proibição de exercer funções dirigentes no ecossistema FIFA é materialmente uma restrição ao acesso e ao exercício de uma atividade económica.
Este ponto é decisivo: se uma federação detém, na prática, a chave de entrada num mercado profissional, a sua atuação não pode ser analisada como se se tratasse apenas de disciplina interna. A privatização da fonte normativa não neutraliza os efeitos públicos da decisão.
Isso não significa, naturalmente, que o Tribunal tenha deslegitimado o poder disciplinar federativo. Pelo contrário: admitiu expressamente que o cumprimento das regras financeiras e contabilísticas aplicáveis aos clubes pode prosseguir um objetivo legítimo de interesse geral, ligado à regularidade das competições. No futebol profissional contemporâneo, a integridade competitiva também se joga nos balanços, nas demonstrações de resultados e na forma como se contabilizam ativos tão economicamente relevantes como os direitos sobre jogadores.
As denominadas mais-valias artificiais não são, por isso, uma excentricidade contabilística sem tradução desportiva: podem repercutir-se na capacidade de contratar, na inscrição em competições e nas condições de concorrência entre clubes. O Tribunal aceita, por isso, que o ordenamento desportivo disponha de instrumentos sancionatórios para proteger a fiabilidade financeira como condição da verdade competitiva.
Mas a legitimação do fim não resolve a validade do meio. A sanção tem de integrar um sistema coerente de prevenção e repressão de incumprimentos e obedecer, na sua concreta determinação, a critérios transparentes, objetivos, não discriminatórios, proporcionados e verificáveis.
É aqui que o acórdão ganha maior densidade prática. A proporcionalidade não se satisfaz com a invocação ritual da gravidade dos factos ou da defesa do prestígio da competição. Exige demonstrar que a medida concreta — na sua natureza, duração, âmbito subjetivo e extensão territorial — era adequada e necessária perante a infração apurada.
O núcleo do acórdão, todavia, está na tutela jurisdicional efetiva. O modelo italiano colocava o visado perante uma solução paradoxal: podia obter, eventualmente, uma declaração incidental de ilegalidade e uma compensação financeira posterior, mas não podia obter a eliminação da sanção. Ora, quando a sanção impede o exercício de atividade profissional, a indemnização posterior pode chegar tarde demais.
Por isso, o Tribunal exige que exista uma via jurisdicional efetiva perante uma instância independente, imparcial, estabelecida por lei, respeitadora do contraditório e dos direitos de defesa, com competência para controlar os fundamentos da sanção, a sua proporcionalidade e, quando necessário, para decretar medidas provisórias e anular a decisão. Não basta chamar tribunal a uma instância decisória; importa que ela disponha, em concreto, dos poderes indispensáveis para impedir que a ilegalidade se converta em facto consumado.
Não se pense, contudo, que o Acórdão defende que apenas os tribunais estaduais possam cumprir essa função. Uma instância de justiça desportiva pode, em princípio, satisfazer as exigências europeias se oferecer garantias reais de independência e se tiver poderes efetivos de controlo. O que o Direito da União não tolera é uma arquitetura processual em que a justiça desportiva decide com efeitos profissionais intensos e a justiça estadual apenas indemniza, a posteriori, sem poder suspender nem anular.
A leitura portuguesa deve partir exatamente daqui. O Tribunal Arbitral do Desporto foi instituído por lei como entidade jurisdicional independente e, em arbitragem necessária, conhece de litígios emergentes dos poderes de regulamentação, organização, direção e disciplina das federações desportivas. Em abstrato, o desenho português está mais próximo do modelo que o Tribunal de Justiça admite como compatível com o Direito da União do que da solução italiana censurada no reenvio.
O verão judicial europeu de 2026 não se limitou, contudo, ao Luxemburgo. Nove dias antes do acórdão do Tribunal de Justiça, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pronunciara-se, em De Carvalho Marques e outros v. Portugal, sobre sanções aplicadas no futebol português por declarações públicas relativas à arbitragem. O objeto jurídico era diferente: estava em causa a liberdade de expressão prevista no artigo 10.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Não se deve forçar uma identidade entre os dois casos. O acórdão de Luxemburgo trata de mobilidade profissional, proporcionalidade e tutela jurisdicional efetiva; o de Estrasburgo examina a legitimidade de restrições à expressão no contexto do futebol. Mas a proximidade temporal ajuda a identificar uma tendência comum: os tribunais europeus não negam às organizações desportivas o poder de proteger a competição, a reputação dos seus agentes ou a confiança nas suas instituições. Exigem, porém, que esse poder seja exercido através de regras previsíveis, decisões justificadas e mecanismos de controlo capazes de ponderar seriamente os direitos afetados.
Vista em conjunto com o acórdão de Estrasburgo, a decisão do TEDH confirma que o tempo da autorreferencialidade desportiva está juridicamente esgotado. O desporto conserva uma linguagem própria, uma temporalidade própria e necessidades regulatórias que os tribunais europeus não ignoram. Mas já não basta invocar essa especificidade como se ela encerrasse a discussão. A especificidade desportiva deixou de ser uma cláusula de exceção e passou a ser um ónus de demonstração: deve explicar por que razão certa restrição é necessária, por que motivo aquela sanção é proporcionada e por que razão o controlo disponível é suficientemente efetivo para evitar que a ilegalidade se antecipe à justiça.
O que estes acórdãos parecem dizer ao futebol europeu é, afinal, relativamente simples, embora institucionalmente exigente: a autonomia desportiva sobreviverá tanto melhor quanto menos se apresentar como privilégio e quanto mais se comportar como responsabilidade. As federações continuarão a regular, disciplinar e proteger a integridade das competições; mas terão de o fazer com regras inteligíveis, sanções proporcionadas, fundamentação controlável e tribunais capazes de intervir antes de a lesão se tornar irreversível. A justiça desportiva não perde autoridade quando aceita o Direito que a limita; perde-a quando se convence de que a sua autoridade dispensa justificação. No futebol europeu contemporâneo, a autonomia que resiste ao Direito é apenas poder em estado defensivo. A autonomia que se deixa medir pelo Direito é a única que pode aspirar a ser verdadeira autoridade."

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Enric Mas e o mérito de aproveitar as oportunidades


"A vida não é tanto construir situações, é mais agarrar o que se apresenta à nossa frente. Não é tanto erguer algo, é mais estar pronto para entrar nas portas e janelas que se abrem perante nós. É menos ter o edifício perfeito projetado pela nossa cabeça, é mais aproveitar o que nos calha.
A Vuelta 2026 tinha um vencedor ainda antes de alguém começar a pedalar. É assim sempre que Tadej Pogačar está no pelotão. Os outros têm de ficar calados, silenciosos perante o ruído do predador, ofuscados pelo brilho do rei-sol.
Até que se abriu a nesga de chance. O esloveno caiu, abandonou. A camisola vermelha foi para o corpo de Enric Mas, que no primeiro dia em que subiu ao pódio para a vestir até se recusou a colocá-la, por respeito ao seu anterior dono.
Sim, Mas não tirou por mérito desportivo a liderança a Pogačar. Ela calhou-lhe em sorte. Mas havia muitas etapas, muita montanha, muita Vuelta pela frente.
Havia a oportunidade de uma vida. Não uma oportunidade esperada, pensada, planeada, mas algo que, como tantas coisas na vida, lhe surgiu. Aconteceu-lhe. O ponto é estar preparado para o que nos acontece, quando acontece, como acontece, com curvas e inesperados, não num ambiente controlado e pensado, não em laboratório.
Enric agarrou a oportunidade de uma carreira com todas as forças. Vimos o balear adaptar-se perfeitamente ao estatuto de número um da corrida, sorrir, falar com mensagens claras, brincar com o seu gosto por correr ao calor. Até atacar, algo tão raro e tantas vezes motivo de críticas.
A vitória de Mas na Vuelta 2026 é um pontapé na crise do ciclismo espanhol e na crise da Movistar, duas entidades que se confundem. O núcleo do ciclismo dispersou-se, o eixo França-Benelux-Itália-Espanha já não é dono e senhor, agora há toneladas de eslovenos, dinamarqueses, colombianos ou australianos prontos a ganhar corridas.
Outras equipas, outro tipo de dinheiro, chegou à modalidade. Há conjuntos com orçamentos colossais, uma corrida difícil de acompanhar para a velhinha equipa que já foi Reynolds, Banesto ou Caisse d'Epargne.
Subitamente, eis Enric. O criticado, quase gozado, líder, o futuro Alberto Contador que não chegou a ser Alberto Contador. Até que foi Alberto Contador, sucedendo a Alberto Contador e acabando a seca do país em grandes voltas.
Enric Mas ganhou com contundência, controlando, nunca estando, sequer, perto de perder a vermelha.
Que a vitória tenha chegado depois da queda de Tadej não a deixa com um asterisco. Não a diminui. Pelo contrário.
Quedas fazem parte do ciclismo. Corredores abandonam, lesionam-se, são 21 etapas com centenas e centenas de quilómetros. Curvas inesperadas, chuva, sol, calor, frio.
Mil e uma hipóteses do inesperado. Mil e uma hipóteses de oportunidades. O mérito está em agarrá-las. Em aproveitar o que nos toca. Como Mas, que não se limitou a estar no sítio certo à hora certa. Competiu no sítio certo à hora certa, elevou o seu nível. Não se tratou de algo passivo, de se sentar no lugar de outro.
O mais inesperado vencedor das grandes corridas do ciclismo de 2026 é, também, um dos mais meritórios. Enric Mas já não será espaço de chacota."