"É do senso comum que a paz
seja a ausência de guerra. Por
isso, o primeiro passo para que
se alcance paz, seja onde for, é
sempre o calar das armas, mas
paz é verdadeiramente tudo o
resto que garante a cada pessoa
uma vida digna, plena e confiante. Infelizmente não vivemos
hoje tempos de paz e isso afeta
todo o planeta, mesmo nas
paragens mais afastadas dos
conflitos armados. Precisamos
de esperança e de pôr em valor
as coisas boas da vida, sendo
uma das melhores o desporto,
com o futebol, sem dúvida, em
grande destaque.
Também sabemos que o papel
do futebol em tempos de guerra
é mais importante do que pode
parecer à primeira vista: a história está cheia de episódios em
que o jogo e os jogadores desempenham um papel preponderante para aliviar, ainda que
temporariamente, a pressão
entre beligerantes e para trazer
um pouco de normalidade à vida
das populações. Isto é assim,
em toda a parte, com os adultos,
mas, por maioria de razão, é
ainda mais importante quando
falamos de crianças e jovens na
flor da vida. Crescer no meio de
um conflito eleva as inseguranças próprias da infância e da
adolescência a patamares inimagináveis e traz o medo e a
incerteza do futuro a uma idade
em que não é normal temer pela
própria vida ou fazer luto dos
entes queridos, só com mágoa e
revolta, sem entender o porquê
de tanta violência.
É tudo isto que interrompe
a infância em toda a parte onde
a guerra se sobrepõe à paz.
O futebol pode ajudar, e ajuda,
porque é construtivo, positivo e
apaziguador, devolvendo aos
dias comuns um pouco da normalidade que sempre tiveram e
hão de voltar a ter."
Jorge Miranda, in O Benfica

