Últimas indefectivações

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Exclusivo!

O Nuno Luz tem 'seguidores'!!!

Circo...

Quem foi o Chibo?!

Lagartos bêbados !!!

Últimos minutos fatais...

Benfica 0 - 3 Bayern


Resultado pesado, contra uma equipa superior, onde o Benfica defendeu durante muito tempo bem, onde até criámos algumas jogadas de perigo, não fomos eficazes e o Bayern perto do fim desbloqueou a partida com um grande golo... Com a lesão da Pauleta e a substituição da Cisik, ficámos sem meio-campo, o jogo ficou partido, e até podíamos ter sofrido mais alguns golos...

Na próxima jornada vamos a Londres jogar com o Arsenal, outro jogo complicadíssimo... mas mais importante é perceber a condição física da Pauleta, pois com a lesão da Valente, o plantel naquela posição ficou muito curto e como ficou provado hoje, as nossas outras jovens centro-campistas, podem ter qualidade técnica, mas fisicamente estão muito longe do nível exigido para este nível...

BF: Echeverri...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Jesus e Ronaldo: causas e consequências da polémica

Observador: E o Campeão é... - Jorge Jesus e Ronaldo: há mesmo crise na Seleção?

Observador: Três Toques - Cheque sem cobertura: o City foi mesmo apanhado

SportTV: Peças do Jogo - Catarino: O impacto de João Palhinha no plantel do SL Benfica

Rabona: The Likelihood Of Every Punishment Man City Could Actually Face

Kanal: Era Só Isto...

Embate europeu na Luz


"O Benfica recebe o Bayern Munique no Estádio da Luz (20h00) a contar para a fase de liga da Liga dos Campeões de futebol no feminino.

1. Ambição
Ivan Baptista, treinador da equipa feminina de futebol do Benfica, releva o foco na vitória, não obstante o valor do adversário: "Não podemos encarar o jogo de forma diferente daquilo que encarámos a Juventus. Também era favorita e fomos a Turim para jogar o nosso jogo sempre que possível. Este grupo tem uma confiança tal que vai entrar para disputar todos os pontos. A nossa ambição, ninguém mexe nela."
A guarda-redes Lena Pauels manifesta confiança e conta com o apoio dos Benfiquistas: "Os adeptos significam muito para nós. No Estádio há sempre um ambiente fantástico. Talvez seja o dia de conseguirmos também vencer uma das melhores equipas da Europa. Como disse, sinto que a equipa está num bom momento. Por isso, por que não?"

2. Assina a petição
Junta-te aos mais de 40 mil e assina a petição. Impede o Benfica de perder mais de 20 milhões de euros com a centralização.

3. Contributos internacionais
Acompanhe a prestação dos jogadores do Benfica ao serviço das seleções.

4. Chamadas internacionais
Várias futebolistas do Benfica convocadas por seleções nacionais. No futsal, há mais uma jogadora do Benfica no contingente português que vai disputar o apuramento para o Europeu. E no hóquei em patins no masculino são 7 os atletas do Benfica que vão marcar presença no Mundial.

5. Derrota caseira
O Benfica sofreu um desaire na receção ao BM Torrelavega (24-31) na 1.ª jornada da fase de grupos da EHF European League.

6. Apresentação
A equipa masculina de voleibol do Benfica apresenta-se aos sócios e adeptos na próxima sexta-feira, às 20h15, na Luz frente ao Leixões.

7. Rescaldo de uma conquista
Joana Soeiro fala sobre o triunfo da Supertaça de basquetebol no feminino em entrevista à BTV.

8. Stadium & Museum by Night
Veja as melhores imagens de mais uma edição das visitas noturnas ao estádio e ao museu benfiquistas.

9. Casa Benfica Canas de Senhorim
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 23.º aniversário."

Felizmente há Ronaldo!


"Cristiano Ronaldo é o jogador perfeito para a Liga das Nações. Numa competição cuja primeira fase consiste, essencialmente, em quinze dias sem futebol, um jogador que já não o tem é o jogador certo: quer jogue, quer não jogue, contribui sempre para a singularidade não-futebolística da quinzena

Quando alguém pronuncia as palavras “pausa para as selecções”, o adepto reage logo. Reage logo, mas reage breve. É preciso estar atento. Na maioria das vezes, só o olho mais treinado é capaz de captar o fenómeno: uma brevíssima retracção dos lábios, um ligeiro recuo do queixo e da nuca, um piscar de olhos só um pouco mais lacónico do que o habitual. Coisas mínimas. O adepto sente-se despojado. Atravessa-lhe a alma uma morrinha, qualquer coisa banza, uma saudade.
Quase de certeza que já disse isto aqui e, se não disse, é como se já o tivesse dito, tal a recidiva da ideia: sempre que a Selecção Nacional joga há uma fada que morre na Terra do Nunca.
Pronto, estou a ser injusto. Ou talvez não. Ou nem tanto? Não interessa. O ponto é este: o adepto quer ver o seu clube jogar e não o deixam. Persevera durante a pré-temporada e durante os certames que a nossa selecção teima em disputar. Mas só quer ver Agosto chegar, esse mês de praia, peixinho e futebol. É uma maravilha. Este ano foi duro, mas ao menos valeram-nos as cadernetas. Pois agora servem-nos Liga das Nações ou, como diz o meu amigo Vasco, que toca bateria e sabe o que diz: “Essa grande competição sem objectivo nenhum.”
Não há nada mais desmoralizante para o adepto. São quinze dias, amigos. Quinze dias. Uma vida. Em quinze dias um homem escreve um romance, monta um puzzle de 103 mil peças, vai à Nova Zelândia e regressa e, em certos casos de excepcional capacidade de organização, faz as três coisas ao mesmo tempo. Entretanto, algures na Dinamarca, na Turquia ou na Eslovénia, vinte e cinco infelizes — ou talvez não tão infelizes, consideradas as respectivas folhas salariais — são arrancados aos clubes e postos a correr atrás de uma bola.
É o hat-trick da estultícia: primeiro, adeptos frustrados porque ficam sem os seus clubes; segundo, um torneio menos do que morno; terceiro, um conjunto de jogadores talentosos que regressará estoirado aos respectivos emblemas.
Felizmente, temos Cristiano Ronaldo!
Cristiano Ronaldo é o jogador perfeito para a Liga das Nações. Se não fosse ele, este lamento tinha acabado, sem remissão, no parágrafo anterior. Numa competição cuja primeira fase consiste, essencialmente, em quinze dias sem futebol, um jogador que já não o tem é o jogador certo: quer jogue, quer não jogue, contribui sempre para a singularidade não-futebolística da quinzena.
Jorge Jesus, por seu turno, é o pior treinador possível para uma competição com estas características. O nosso seleccionador nacional, coitado, sofre daquela bizarra condição que aparece em adeptos e treinadores e dá pelo nome de “gostar de futebol”. É uma doença cada vez mais rara. Mas existe. E um dos sintomas desse estranho padecimento é escolher para jogar os que jogam melhor e deixar sem jogar os que jogam pior. Mesmo num torneio desta natureza — ou talvez sobretudo num torneio desta natureza — seria inevitável que o número sete acabasse no banco.
Mas o número sete não gostou. E a Liga das Nações começou.
“Cristiano Ronaldo abandona o relvado.” “Cristiano Ronaldo não agradece aos adeptos.” “Cristiano Ronaldo não treina e regressa ao hotel.” “Cristiano Ronaldo deixa um coração seguido das letras pê e tê nas redes sociais.” “Portugal: réunion de crise organisée en urgence pour Cristiano Ronaldo!” “Cristiano Ronaldo skips the family trip as Georgina Rodríguez and the kids enjoy Céline Dion.” Pode não haver futebol. Cristiano, multiplica-se.
É admirável. Com bola, sem bola, em campo, no banco, em alta, em baixa, Cristiano Ronaldo factura e faz facturar. Já não é um homem. É uma economia. O que é um problema: um homem reforma-se, uma economia entra em recessão."

Quanto vale pintar o futebol de marrom?


"A coerência comunicacional de André Villas-Boas será discutível, já o propósito final da estratégia em marcha é bastante mais consistente e fácil de perceber. Fica a impressão de que não são os factos que determinam a teoria, mas é a teoria que, a cada momento, escolhe a cor mais conveniente para pressionar nos bastidores.

Na pretérita semana, o Portugal Football Summit, organizado pela Federação Portuguesa de Futebol, reuniu na Cidade do Futebol os principais dirigentes e protagonistas da modalidade para discutir os desafios da indústria, refletindo, em particular, sobre a melhor forma de tornar o nosso futebol num produto mais competitivo, mais valorizado e mais sustentável.
A centralização dos direitos televisivos, os modelos de financiamento, a profissionalização da arbitragem e a conquista de novos públicos estiveram entre os temas em debate. Importa que estas reflexões tenham consequência para lá dos palcos da Cidade do Futebol, uma vez que proclamar o futuro tem sido relativamente fácil. Mais difícil tem sido romper com práticas e condutas anquilosadas e corresponder com atos coerentes com as palavras vocalizadas nesses palcos.
A centralização dos direitos televisivos merece particular atenção. O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, apresentou as etapas para a comercialização centralizada, apontando para a conclusão do processo de venda até ao final do ano civil de 2027, no pior dos cenários. Mas centralizar não pode significar apenas negociar em conjunto aquilo que antes os clubes negociavam e vendiam separadamente.
Tem de contribuir para criar melhores condições para a competição, melhores realizações dos jogos, para que mais clubes possam contratar e reter bons jogadores, formar equipas mais capazes e acrescentar qualidade de jogo ao nosso campeonato. São os protagonistas, jogadores e treinadores, que dentro das quatro linhas poderão transformar melhores condições financeiras em melhores espetáculos.
Também na arbitragem se discutiram mudanças estruturais, com José Fontelas Gomes a apontar a criação de uma entidade externa de gestão como instrumento crítico para a profissionalização do setor. O plano para a arbitragem deve assentar em prioridades claras: capacitar os seus agentes, dotá-los de melhores meios, incluindo com recurso à mais avançada tecnologia, repensar as condições e a preparação dos árbitros, repensar o modelo de carreira para atrair recursos de elevado nível, no fundo, uma revisão ampla de todo o setor da arbitragem. O caminho deve ser este para que se reduza o erro ao mínimo, de modo que se possa considerar admissível mesmo nos dias em que é cometido em prejuízo do nosso clube.
A conclusão que retiro destes debates é que a sustentabilidade do futebol português não se resolve exclusivamente despejando mais dinheiro proveniente da negociação futura dos direitos televisivos. Precisamos de maiores e melhores receitas, mas acima de tudo de introduzir novos comportamentos e de exigir mais dos protagonistas de fora do campo.
A credibilidade da competição não é um assunto lateral, que possa ser entregue ao departamento de marketing e comunicação, enquanto os donos da bola se concentram em destruí-la com declarações insidiosas e de permanente suspeição. Com efeito, não faz sentido pedir aos investidores que acreditem num campeonato que os seus próprios líderes apresentam, com demasiada facilidade, como indigno de confiança, justificando assim os seus insucessos junto dos associados.
Sucede que, enquanto se discutia o futuro, André Villas-Boas encontrou a oportunidade para, mais uma vez, brindar-nos com discursos obsoletos do passado. No editorial da revista Dragões, divulgado a 24 de setembro, sob o provocatório título «Quanto vale um Pote?», o presidente do FC Porto avançou com a nova tese sobre um «manto marrom», associando verde e vermelho numa alegada concertação contra o seu clube. Pelo meio da sua dissertação, foi ao extremo de pontuar a sua tese sobre a hipótese de fundação de um novo clube na segunda circular e num «pacto de sangue».
Passámos a saber que André Villas-Boas não enferma de daltonismo, parecendo dispor de uma acuidade que vai além de uma visão tricromática, logrando ver aquilo que um comum mortal não vislumbra. Aparentemente, segundo o líder do FC Porto, a maior e eterna rivalidade em Portugal, entre Sporting e Benfica, não passara de um mero equívoco ao longo de décadas, que aguardava o douto esclarecimento de um presidente que julga saber de tudo, incluindo de relações alheias.
Já aqui me ocupei da narrativa do alegado manto verde e da tentativa de transformar a permanente suspeição sobre a arbitragem num instrumento competitivo para ganhar ascendente e influenciar decisões em jogos críticos. Agora, subitamente, ou talvez porque anteveja este ano uma disputa mais direta com o Benfica, a narrativa do presidente do FC Porto ganhou outra cor. O que me parece revelador não é a mistura cromática, mas a elasticidade da sua teoria: muda o adversário a visar, mas a suspeição mantém-se disponível como instrumento de pressão.
Quando interessa concentrar o ataque, por se identificar um rival prioritário, individualiza-se o inimigo; quando passa a ser conveniente alargar o cerco, por efeito da disputa a três, juntam-se os rivais. A coerência comunicacional será discutível, já o propósito final da estratégia em marcha é bastante mais consistente e fácil de perceber. Fica a impressão de que não são os factos que determinam a teoria, mas é a teoria que, a cada momento, escolhe a cor mais conveniente para pressionar nos bastidores.
Esta forma de exercer a liderança e de se relacionar com os adversários diretos não passa de uma versão ligeiramente mais sofisticada do que aquela que conhecêramos com o seu antecessor, Pinto da Costa. A pretensa lufada de ar fresco anunciada por quem merece o máximo respeito e malogradamente já não se encontra entre nós, não se tem vindo a confirmar. As palavras de Jorge Costa criaram uma expectativa de renovação e de mudança de postura que não têm encontrado respaldo nos atos e atitudes de André Villas-Boas.
Frustradas as ambições no primeiro campeonato sob a sua liderança — numa das piores prestações da história recente do clube —, Villas-Boas parece ter encontrado no velho mecanismo de mobilização do «nós contra eles», do Norte contra o Sul e da hostilidade artificialmente alimentada no Dragão, um atalho para recuperar o sucesso. Em vez de demonstrar que era possível vencer de outro modo, como prometera quando se candidatou, preferiu recuperar a receita de quem o precedeu.
Este editorial é tanto mais intempestivo quanto surge na sequência de um clássico em que, os eventuais erros de arbitragem que possam ter existido, acabaram a favorecer o FC Porto. Quem exige rigor e uniformidade de critérios deve começar por aplicá-los nas suas próprias avaliações, independentemente de cores e da camisola beneficiada.
O desafio de uma liderança moderna deveria passar por construir um clube vencedor, sem recorrer ao condicionamento permanente da arbitragem ou à anacrónica narrativa do cerco. A anunciada «lufada de ar fresco» pressupunha uma mudança de fundo, porém, Villas-Boas começa a revelar-se uma versão 2.0 de Pinto da Costa: mais sofisticado na forma como se apresenta, mas demasiado semelhante nos seus métodos.
De pouco servirá discutir no Portugal Football Summit como valorizar o nosso futebol se, concomitantemente, os seus dirigentes continuarem a revestir de modernidade os velhos vícios que há décadas o desvalorizam."

Ronaldo forçou Proença a marcar 'Summit' na Escandinávia


"A única coisa que surpreende, na polémica resultante da não utilização de Cristiano Ronaldo na Noruega, é que o primeiro arrufo entre o capitão e o novo selecionador tenha surgido tão cedo

«Nunca falei para tanta gente ao mesmo tempo», dizia Cristiano Ronaldo há uma semana, na invulgar conferência de imprensa inserida no Portugal Football Summit. Nesse dia, o capitão da Seleção garantiu que Jorge Jesus, sentado a seu lado, era «a escolha perfeita» para selecionador e podia contar com ele para o que fosse preciso. «Para jogar, sair, entrar ou não jogar», especificou Cristiano, disposto a ajudar tanto dentro do campo, como fora dele, «por ser o capitão, conhecer muitas dinâmicas da Seleção e poder ajudar o grupo».
Bastaram quatro dias para que a postura de Cristiano entrasse em contradição com o discurso. Suplente não utilizado na Noruega, Ronaldo recolheu aos balneários logo após o apito final. Não foi aos críticos que virou costas, mas sim aos colegas, que mereciam um cumprimento no relvado, e aos adeptos, que fizeram o esforço de marcar presença em Oslo.
Ninguém diz que Cristiano já não é digno da braçadeira. Os erros acontecem ao melhor, mas não pode reclamar direitos e esquecer deveres. É um exemplo, e quanto maior a exposição, maior o impacto de tudo aquilo que faz. Foi o próprio, não a comunicação social, a criar um caso logo ao segundo jogo da campanha.
Dentro do esforço incómodo para não valorizar o sucedido, Jesus não renunciou — pelo menos publicamente — à sua liderança. Assumiu uma decisão técnica e reconheceu que tinha apresentado ao avançado o cenário de jogar 30 minutos na segunda parte, mas que tinha mudado de ideias devido ao desenrolar do jogo.
Ironicamente, foi o tratamento diferenciado que Cristiano Ronaldo fez por merecer — mas que jamais deve ser privilegiado — a dar origem a esta situação altamente desconfortável.
Terão sido várias as conversas entre Ronaldo e Jesus. Antes do jogo, antes da convocatória, talvez até antes da própria contratação do técnico, que teve direito a estágio com o capitão no Al Nassr. Esses bastidores ajudariam a entender o compromisso, mas não justificam que Ronaldo vire costas a colegas e adeptos.
A única surpresa neste arrufo é ter surgido tão cedo. Selecionador e capitão conversaram entretanto, mas Pedro Proença já se tinha feito ao caminho — depois de evitar os jornalistas, uma vez mais — para uma Summit na Escandinávia."

Jorge Jesus pode mudar mais do que a Seleção


"Portugal venceu o País de Gales e a Noruega. Duas vitórias, seis pontos e um começo promissor. Mas o impacto de Jorge Jesus não se mede apenas pela classificação ao fim de dois jogos. A pergunta é outra: conseguirá um treinador habituado a transformar diariamente as suas equipas imprimir uma identidade reconhecível numa Seleção que se reúne durante poucos dias de cada vez?
Num clube, um treinador repete comportamentos, corrige distâncias, experimenta soluções e volta a trabalhar no dia seguinte. Numa Seleção, recebe jogadores com hábitos diferentes e tem de competir quase de imediato. O tempo está dividido por viagens, recuperação física e jogos. Cada sessão de treino conta. Cada mensagem tem de ser clara.
É por isso que a chegada de Jorge Jesus desperta curiosidade. Ao longo da carreira, as suas equipas foram associadas a exigência, intensidade, organização e intervenção constante do treinador. Importa perceber que princípios podem sobreviver quando o trabalho diário dá lugar a encontros breves e espaçados. O talento de um selecionador também se revela na capacidade de escolher o que ensinar primeiro.
A vitória sobre Gales, por 1-0, deixou sinais de uma equipa que quis pressionar, recuperar a bola cedo e jogar perto da baliza adversária. A vitória na Noruega, por 2-1, colocou Portugal perante um problema diferente: um adversário mais ameaçador, fases de menor controlo e a necessidade de resistir sem perder a capacidade de decidir. João Félix marcou nos dois encontros; Gonçalo Ramos fez o golo que resolveu o jogo em Oslo. Os resultados contam, naturalmente. Mas os dois contextos dizem-nos mais do que duas linhas numa tabela: uma ideia só ganha valor quando consegue adaptar-se às dificuldades do jogo.
Seria precipitado confundir estas vitórias com uma obra concluída. Em Oslo, Portugal sofreu e Diogo Costa foi decisivo. Ganhar quando não se domina é uma qualidade; ignorar o que o adversário criou seria um erro. Em setembro, podemos identificar intenções e observar decisões. Ainda não podemos garantir que os mecanismos se tornaram hábitos coletivos.
Jesus encontrou uma base de jogadores com qualidade técnica, experiência internacional e capacidade para interpretar diferentes funções. A abundância, porém, traz um problema que por vezes escondemos atrás da palavra talento. Ter muitas soluções não significa que todas possam jogar ao mesmo tempo, nem que a equipa melhore apenas por juntar os nomes mais fortes. Uma Seleção precisa de critérios: quem oferece largura, quem aproxima por dentro, quem protege a perda, quem define o ritmo e quem garante profundidade. O rendimento coletivo nasce dessas relações.
Nesse ponto, o conhecimento prévio de vários internacionais pode acelerar o processo. Um jogador que conhece a linguagem do treinador compreende mais depressa uma correção ou uma exigência. Mas essa vantagem inicial não pode transformar-se num direito adquirido. O passado em comum facilita a comunicação; o presente deve decidir os lugares. A força de um grupo depende de todos perceberem que a oportunidade está ligada ao que cada um oferece à equipa, e não apenas à familiaridade com quem a orienta.
O caso de Cristiano Ronaldo torna esta questão ainda mais visível. Foi titular frente a Gales e não entrou na Noruega, onde Gonçalo Ramos começou de início e marcou. São opções técnicas com enorme repercussão pública, porque estamos a falar de um jogador único na história do nosso futebol. Precisamente por isso, a gestão exige clareza, respeito e coerência. Não basta afirmar que todos contam. É necessário que os critérios sejam compreendidos dentro do balneário e que as decisões ajudem Portugal a competir melhor, jogo após jogo.
Uma das escolhas mais difíceis para Jesus será definir a quantidade certa de informação. Um treinador de clube pode insistir num pormenor durante semanas. Um selecionador tem de distinguir o essencial do acessório. Se tentar mudar tudo de uma vez, arrisca perder espontaneidade, sobrecarregar jogadores e tornar a equipa dependente de instruções. Se simplificar em excesso, desperdiça a oportunidade de criar uma ideia própria. O equilíbrio estará em fixar poucos princípios fortes, treiná-los bem e acrescentar camadas à medida que o grupo os domina.
Essa identidade também não pode viver apenas na equipa principal. A Seleção é o ponto mais visível de um trabalho que começa muito antes, nos clubes, nas academias e nas seleções jovens. Não defendo que todos os escalões joguem com o mesmo desenho tático. Defendo uma linguagem comum sobre comportamentos, exigência competitiva e características que queremos desenvolver. Quanto melhor for a ligação entre formação, observação e equipa principal, menos tempo se perde a explicar o que poderia já fazer parte do percurso de um internacional.
Há ainda uma dimensão de liderança que costuma receber menos atenção do que o onze inicial. Os jogadores regressam aos clubes entre convocatórias; os que hoje são titulares podem ser suplentes no encontro seguinte; os que ficam de fora precisam de continuar disponíveis. Construir uma equipa nestas condições exige relações sólidas, comunicação individual e um sentido coletivo que resista à distância. O grupo deve saber o que se espera dele mesmo quando não há uma bola a rolar nem uma convocatória anunciada. A autoridade de um selecionador vê-se na preparação, na justiça das escolhas e na capacidade de fazer com que todos reconheçam o projeto como seu.
O objetivo, por isso, não deve ser procurar uma versão rápida das equipas que Jorge Jesus treinou. Portugal tem outra realidade, outros jogadores e outro calendário. A oportunidade está em aproveitar o que o distingue — a exigência sobre cada comportamento, a coragem para decidir e a convicção numa ideia — e ajustá-lo às condições particulares do futebol de seleções. A flexibilidade não enfraquece uma identidade. É o que permite que ela dure quando mudam os adversários e os contextos.
Depois do Mundial de 2026, este ciclo oferece uma pergunta que vai além da próxima convocatória ou da próxima vitória: que Portugal queremos reconhecer em campo quando chegar 2030? Para responder, não basta falar de ambição. Será preciso avaliar os jogos com honestidade, corrigir sem dramatizar e garantir continuidade mesmo quando o entusiasmo inicial encontrar obstáculos. As vitórias sobre Gales e Noruega são um bom começo. A verdadeira prova será transformar sinais em hábitos e hábitos em rendimento nos momentos de maior exigência.
Jorge Jesus não chega a um país que precise de descobrir como produzir grandes jogadores. Chega a uma Seleção que tem de continuar a aprender a transformá-los numa grande equipa. Se conseguir fazê-lo, o seu impacto não ficará reduzido aos resultados desta semana. Estará na capacidade de Portugal entrar em campo com uma ideia clara, defendida por todos e reconhecida por quem a vê jogar."

The Seleção Podcast #119 - 2 Wins…and Drama

Mister: Cristiano Ronaldo Drama Erupts! Portugal win against Wales & Norway

Prata da Casa #70 - Caça ao Estouro, No More City?, Pior Pessoa do Mundo

BolaTV: Falso Plano #140 - Ciclismo de mortais é divertido

Como está a evoluir o futebol chinês


"Durante vários anos, falar do crescimento do futebol chinês significava falar de grandes contratações, salários elevados e de um investimento financeiro que colocou a liga no centro das atenções. Essa fase aumentou a visibilidade da competição e trouxe conhecimento internacional, mas também demonstrou que o dinheiro, por si só, não é suficiente para transformar estruturalmente o futebol de um país.
A China atravessa agora uma etapa diferente. Os clubes continuam a contratar jogadores estrangeiros, mas fazem-no de forma mais controlada, dentro de orçamentos equilibrados e procurando responder às necessidades concretas das equipas. O desaparecimento de alguns dos clubes que simbolizaram o período de maior investimento mostrou a necessidade de substituir a despesa imediata por projetos mais sustentáveis.
Uma das mudanças mais importantes está relacionada com o combate à corrupção, à manipulação de resultados e às apostas ilegais. Foi feita uma limpeza que foi dura, mas necessária. Nenhuma cultura de alto rendimento pode ser construída sem integridade, transparência e confiança. Recuperar a credibilidade das competições é também essencial para restabelecer a confiança dos adeptos, investidores e patrocinadores.
Paralelamente, o investimento está a tornar-se mais estrutural. Foram construídos campos de futebol nas escolas e nas cidades, criadas academias integradas em estabelecimentos de ensino e desenvolvidos centros de formação apoiados pelo Governo.
O plano para o futebol juvenil definiu uma rede de centros organizada em cinco níveis — nacional, regional, provincial, municipal e distrital — e apontou para a criação de centros provinciais de futebol masculino e feminino, bases nacionais de alto rendimento e mais campos escolares e comunitários disponíveis para os jovens.
Esta aproximação do futebol às escolas é essencial para aumentar a base de recrutamento. No entanto, as infraestruturas não desenvolvem jogadores sozinhas. É necessário garantir que existem treinadores preparados, programas adequados às diferentes idades e uma metodologia que coloque a evolução individual à frente do resultado imediato.
Também se verifica um investimento na estrutura da Federação e na definição de uma orientação técnica mais clara. Chris Van Puyvelde assumiu o cargo de diretor técnico, depois de ter desempenhado funções semelhantes nas federações da Bélgica e de Marrocos.
A sua missão abrange a definição do caminho técnico, o desenvolvimento das seleções, o desenho do sistema de formação, a preparação dos treinadores e a criação de oportunidades internacionais para os jovens de maior talento.
As mudanças nas equipas técnicas das seleções de formação e nos quadros competitivos procuram criar maior continuidade entre os diferentes escalões. A reorganização das competições juvenis passou a integrar escolas, academias, clubes profissionais e outras estruturas, permitindo que os jogadores tenham um percurso competitivo mais regular.
Existe igualmente uma preocupação crescente em proporcionar contacto com o futebol internacional. Na Shanghai Future Star Cup de 2026, a competição masculina reuniu Arsenal, Tottenham, Sporting, River Plate, Athletic Bilbao e Bayer Leverkusen, além da seleção chinesa de sub-17 e de uma equipa de Xangai
A edição incluiu também uma competição feminina. A seleção chinesa de sub-17 e a equipa de Xangai defrontaram as academias de Real Madrid, Arsenal, Manchester City, Real Sociedad, Bayern Munique e Paris FC.
As seleções jovens têm realizado mais estágios fora do país e participado em torneios de elevado nível. No Torneio de Montaigu de 2026, a seleção chinesa de sub-16 competiu com França, Brasil e Costa do Marfim. Este tipo de experiência permite aos jogadores conhecer diferentes escolas futebolísticas, ritmos e níveis de exigência.
Outro sinal positivo é a maior utilização de jovens nas competições profissionais comparativamente com as épocas de 2023 e 2024.
A presença de equipas B de clubes da primeira divisão na China League Two, o terceiro escalão profissional, é igualmente importante, até porque não é permitida a utilização de jogadores estrangeiros.

A minha experiência
A minha experiência ensinou-me que não podemos chegar a outro país e tentar reproduzir exatamente aquilo que fazemos na Europa. Uma cultura de alto rendimento não se importa como um produto acabado. Constrói-se dentro do contexto em que estamos inseridos.
O primeiro passo é adaptarmo-nos à cultura do país. Temos de compreender as pessoas, os hábitos, a forma de comunicar, a relação com a autoridade e o significado atribuído ao sucesso e à derrota. Adaptar não significa abdicar das nossas ideias, mas encontrar a melhor forma de as transmitir.
Na China, aprendi a compreender melhor a mentalidade e o perfil dos jogadores. Antes de definir um caminho, é necessário analisar os métodos de treino existentes, os modelos e sistemas de jogo, o formato das competições e as características dos atletas. Só depois podemos tomar decisões adequadas à realidade.
O modelo de jogo tem de estar adaptado ao clube, aos jogadores e ao contexto competitivo. Ao mesmo tempo, o modelo de treino deve incorporar referências do mais alto nível, criando hábitos de intensidade, exigência, responsabilidade e atenção ao detalhe.
A escolha dos profissionais que integram as equipas técnicas é igualmente decisiva. Precisamos de pessoas competentes, comprometidas e disponíveis para aprender. Os treinadores com história no clube e, sempre que possível, antigos jogadores com experiência de alto nível podem desempenhar um papel importante, porque conhecem a identidade da instituição e ajudam a ligar o conhecimento internacional à realidade local.
Mas não basta escolher bem. É necessário formar continuamente treinadores, preparadores físicos, analistas, treinadores de guarda-redes, team managers, fisioterapeutas e todos os profissionais que influenciam o rendimento.
Foi também na China que compreendi a enorme importância atribuída pela sociedade ao futebol e ao resultado. A derrota pode ter um impacto bastante forte.
Essa pressão chega, muitas vezes, demasiado cedo ao futebol juvenil. A competição é fundamental, mas deve estar ao serviço do desenvolvimento. Um jovem precisa de aprender a ganhar, mas também de compreender o jogo, tomar decisões, experimentar e errar. Se todo o treino for orientado para vencer o próximo torneio, podemos conseguir resultados precoces, mas estaremos a limitar o crescimento futuro do jogador.
A China tem ainda um longo caminho a percorrer, mas possui potencial humano, capacidade de investimento e muitas instalações de grande qualidade. O país está a corrigir erros, a recuperar a credibilidade das competições, a reorganizar a formação e a criar mais oportunidades para os jovens.
O próximo passo é fazer com que o investimento chegue verdadeiramente à base e seja acompanhado por uma melhor formação dos profissionais. Uma cultura de alto rendimento não se compra nem se constrói de um dia para o outro. Nasce da integridade, da qualidade dos processos, da competência das pessoas e da continuidade dos projetos.
O futuro do futebol chinês dependerá menos da capacidade de atrair grandes estrelas e mais da capacidade de criar os seus próprios jogadores, treinadores e especialistas. O investimento deixou infraestruturas, experiência e conhecimento. O desafio, agora, é transformar tudo isso numa verdadeira cultura de futebol."

Terceiro Anel: DRS #64 - SUPER-GEORGE & MALASIA GP!! 🏎️🏁

DAZN: F1 - Paddock Club - Baku nunca desilude