Últimas indefectivações

sábado, 10 de outubro de 2026

Piada do Século !!!

CazéTV e LiveMode: o fenómeno que nasceu de graça e está a mudar o futebol português


"Em junho, o jogo de abertura do Mundial 2026, entre México e África do Sul, chegou a acumular cerca de 4,6 milhões de espectadores simultâneos, de graça, no YouTube. Não foi um canal de televisão tradicional a fazer esse número. Foi a CazéTV, um projeto que nasceu de um streamer brasileiro a comentar jogos para a câmara do telemóvel e que, em poucos anos, se transformou num dos ativos mais valiosos do desporto digital mundial. Em 2026, esse mesmo modelo chegou a Portugal, com nome próprio, patrocínio de Cristiano Ronaldo e a ambição declarada de mudar a forma como vemos futebol.
Vale a pena perceber quem está por trás disto, porque a história explica muito sobre para onde caminha a indústria.
Consideremos os dois nomes que dão título a este texto.

A LiveMode, a empresa que ninguém via mas que decide tudo
A CazéTV tem cara, voz e maneira de estar de Casimiro Miguel. Mas quem controla a operação, a marca e os direitos que sustentam o canal é a LiveMode, uma empresa fundada pelos empresários Edgar Diniz e Sérgio Lopes, dois nomes que já conheciam bem o setor: tinham criado, em 2007, o Esporte Interativo, canal que revolucionou a transmissão desportiva no Brasil antes de o venderem, em 2015, ao grupo Turner, hoje Warner Bros. Discovery.
Depois dessa venda, Diniz e Lopes fundaram a LiveMode com um propósito diferente: deixar de ser apenas dona de um canal e passar a ser intermediária na negociação de direitos de transmissão entre detentores de competições, investidores e emissoras. A grande viragem aconteceu com o Mundial do Qatar, em 2022. A LiveMode era agente da FIFA no Brasil para os direitos digitais, um pacote que a Globo, historicamente detentora de tudo, decidiu não disputar. A LiveMode ficou com esses direitos por cerca de três milhões de dólares, uma fração dos noventa milhões anuais que a Globo pagava à FIFA pelo pacote completo. Só que um direito de transmissão vale pouco sem audiência capaz de o rentabilizar, e foi aí que entrou a CazéTV.

CazéTV, a prova de conceito que se tornou indústria
A CazéTV nasceu formalmente em 2022, com Casimiro Miguel como rosto e apresentador, e investimento direto de Diniz e Lopes. O sucesso foi tal que a Copa de 2022 se tornou, para a LiveMode, uma verdadeira prova de conceito: um canal de YouTube conseguia gerar audiências comparáveis, e por vezes superiores, às de uma emissora tradicional, com uma fração do custo estrutural e uma linguagem completamente diferente, mais próxima do adepto comum do que do estúdio de televisão clássico.
O crescimento seguinte foi vertiginoso. O canal ultrapassou os 23 milhões de subscritores, e a estrutura empresarial por trás dele profissionalizou-se a um ritmo equivalente. Em 2024, entraram como sócios a XP Private Equity II e a gestora norte-americana General Atlantic, num investimento estimado à volta dos 450 milhões de reais por uma participação superior a 20 por cento na operação internacional da marca. A CazéTV passou a negociar patrocínios de peso, chegando a fechar onze cotas de patrocínio só para o Mundial 2026, com receita estimada em dois mil milhões de reais, e a somar direitos de transmissão que incluem a fase final da Copa do Mundo de 2026 completa, a Copa do Mundo Feminina de 2027, os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, através de parceria renovada com a Disney+, e ainda a LaLiga espanhola em exclusivo, com sublicenciamento da Premier League junto da ESPN.
Casimiro deixou, entretanto, de ser sócio direto do canal para passar a integrar a holding internacional do grupo, sedeada nas Ilhas Cayman, mantendo-se como embaixador e principal apresentador, mas já não como dono no sentido tradicional. O negócio, hoje, é maior do que a personalidade que o tornou famoso.

Cristiano Ronaldo entra em jogo
Em maio de 2026, a LiveMode anunciou que Cristiano Ronaldo se tinha tornado acionista da LiveMode Cayman, o braço internacional da holding responsável por negociar direitos de transmissão para todas as operações do grupo fora do Brasil, incluindo a própria CazéTV e a nova LiveModeTV em Portugal. Os valores do investimento e a percentagem adquirida por Ronaldo nunca foram divulgados publicamente, mas o próprio grupo descreveu a entrada do jogador como uma validação estratégica do modelo, numa altura em que a empresa se preparava precisamente para o lançamento internacional que teve em Portugal.

LiveModeTV: o modelo brasileiro a falar português
A LiveModeTV chegou a Portugal em 2026, coincidindo com o arranque do Mundial, e seguiu à risca a fórmula que resultou no Brasil: transmissão gratuita no YouTube, financiada por publicidade e parcerias de marca, com uma equipa que junta ex-jogadores e criadores de conteúdo digital à mesa. A operação portuguesa garantiu os direitos diretamente junto da FIFA para transmitir todos os jogos da Seleção Nacional e ainda o melhor jogo de cada dia do torneio, e reforçou o elenco com nomes como Ricardo Quaresma, Ricardinho, o youtuber Movemind e os comentadores Tomás da Cunha e Mário Cagica.
O objetivo, segundo os próprios responsáveis, nunca foi um projeto de um só torneio. Depois do Mundial, a LiveModeTV fechou parceria com a DAZN para transmitir, também no YouTube e também de graça, um jogo por jornada da Premier League e as partidas da Liga dos Campeões a partir das 17h45, além de manter direitos de outras competições como a Taça Intercontinental, a Libertadores e Mundiais de formação. Os planos da empresa passam agora por replicar este modelo noutros mercados europeus, com Espanha, Itália, França e Alemanha já identificados como próximos alvos.

Porque é que isto interessa ao futebol português
A relevância desta história para quem segue o futebol nacional não está apenas no entretenimento que a CazéTV e a LiveModeTV oferecem. Está no que representam para o modelo de negócio que sustenta a transmissão desportiva em Portugal.
Já defendi anteriormente neste mesmo espaço que o interesse pelo futebol português existe, mas que grande parte dele fica preso atrás de barreiras de acesso, preço e fragmentação de plataformas. A LiveModeTV é a prova prática de que um modelo gratuito, financiado por publicidade e construído à volta de criadores de conteúdo em vez de estúdios tradicionais, consegue gerar audiências massivas mesmo em competições de elite. Se um jogo de abertura de Mundial reúne milhões de espectadores simultâneos de graça, a pergunta que qualquer operador de televisão paga em Portugal deveria estar a fazer é simples: quanto tempo mais aguenta o modelo atual, assente em assinaturas fragmentadas, competir com um concorrente que oferece o mesmo produto sem custo direto ao adepto?
Há aqui lições concretas para o setor nacional. O modelo gratuito financiado por publicidade deixou de ser uma curiosidade digital e passou a disputar diretamente audiências com operadores pagos, mesmo em competições de elite com direitos caros. A credibilidade já não depende apenas do estúdio ou da experiência televisiva clássica, e comentadores e ex-jogadores conseguem construir confiança junto do público em formatos mais informais e digitais. A entrada de figuras como Cristiano Ronaldo no acionariato destas empresas mostra algo importante: os próprios protagonistas do jogo já veem este modelo como o futuro comercial da transmissão desportiva, não como uma alternativa marginal. A fragmentação de direitos entre múltiplas plataformas pagas, o problema identificado noutro texto desta série, cria exatamente o espaço de mercado que operadores como a LiveModeTV exploram com um modelo mais simples e acessível. E Portugal tornou-se, com a chegada da LiveModeTV, um mercado de teste para a expansão europeia deste modelo, o que leva a uma pergunta que vale a pena colocar desde já: a Liga Portugal quer ser espectadora desta transformação ou parceira ativa dela?
No fim, a pergunta é inevitável: se um canal de YouTube gratuito já consegue competir de igual para igual com os grandes operadores pagos num Mundial, quanto tempo falta até esse mesmo modelo bater à porta da própria Liga Portugal?"

Decide-te homem!!!

A sério... então não era ao contrário?!

Insano

Fácil !!!

Padrão

D. Monarca - 💣 BARCELONA E TOTTENHAM INTERESSADOS NO CRAQUE DO BENFICA! TRUBIN DEIXA DÚVIDAS...

BF: Echeverri...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Brasil: guerra aberta às apostas online

Observador: E o Campeão é... - Que porta utilizou Ronaldo para deixar estágio da seleção?

Observador: Três Toques - Martínez está a caminho das Arábias?

Económico: "Gianluca Prestianni valorizou muito o plantel do SL Benfica nas contas do Transfermarkt"

A Verdade do Tadeia - 2027/10 - Há tanto tempo!

❤️🦅 MICHEL PREUD’HOMME — HÁ LENDAS QUE O TEMPO NUNCA APAGA! 🦅❤️


"Há jogadores que passam pelo Benfica… e há jogadores que ficam para sempre no coração dos benfiquistas.
Michel Preud’homme foi muito mais do que um guarda-redes. Foi um homem que transformou defesas impossíveis em momentos eternos, que vestiu o Manto Sagrado com orgulho e que, mesmo numa das fases mais difíceis da história recente do nosso clube, nunca deixou de honrar a baliza do Glorioso.
🇧🇪 Antes de chegar à Luz, já era uma figura mundial. No Mundial de 1994, ao serviço da Bélgica, foi considerado o melhor guarda-redes da competição. Mas foi em Lisboa que conquistou um lugar muito especial na memória de tantos adeptos.
Entre 1994 e 1999, disputou 199 jogos oficiais pelo Benfica. Foram noites de sofrimento, defesas milagrosas, mãos que pareciam ter vida própria e uma segurança que fazia acreditar que, enquanto Michel estivesse entre os postes, tudo era possível.
🏆 Conquistou a Taça de Portugal em 1995/96. Mas a sua maior conquista em Portugal talvez tenha sido outra: o respeito, a admiração e o amor de uma massa adepta que nunca esqueceu aquilo que ele deu ao clube.
E há um momento que diz tudo…
No dia da sua despedida, em agosto de 1999, milhares de benfiquistas aplaudiram-no de pé no antigo Estádio da Luz. Não era apenas o adeus a um guarda-redes. Era o reconhecimento de um homem que tinha dado tudo o que tinha pelo emblema que trazia ao peito.
Michel partiu, mas deixou uma marca que não se mede em troféus. Porque há jogadores que conquistam títulos… e há jogadores que conquistam o coração de um povo.
❤️ Saint Michel, para muitos serás sempre um dos nossos!
O futebol muda, as gerações passam, os estádios transformam-se, mas as verdadeiras lendas nunca desaparecem. Continuam vivas nas histórias contadas pelos pais aos filhos, nas memórias dos domingos de futebol e nas lágrimas de quem sente o Benfica muito para além dos resultados.
Porque ser do Benfica é isto: amar aqueles que, mesmo nos momentos difíceis, nunca deixam de nos fazer sentir orgulho.
Obrigado, Michel Preud’homme, por cada defesa, cada emoção e cada momento de paixão pelo nosso Glorioso! 🔴⚪🦅
E tu, benfiquista, também te lembras do nosso Saint Michel?
❤️ Deixa uma palavra de homenagem a esta lenda e partilha para que as novas gerações nunca esqueçam aqueles que honraram o Manto Sagrado!"

Aquecimento


Benfica em várias frentes


"A atualidade benfiquista na BNews, com destaque para o início do processo de renumeração de sócios do Sport Lisboa e Benfica.

1. Renumeração de sócios
O processo previsto nos Estatutos do Sport Lisboa e Benfica decorre até 9 de novembro, prazo para a regularização da situação dos sócios com quotas em atraso.

2. Distinção
Prestianni eleito o melhor jogador de setembro da Liga Betclic pelo Sindicato dos Jogadores.

3. Elogio
Em entrevista à BTV, Rui Vitória, antigo treinador das águias, antevê o desafio com o Vitória SC: "O Benfica, pelo que vi nos últimos jogos com o Marco [Silva], está a apresentar uma qualidade muito boa e vai ser a equipa favorita, obviamente."

4. Petição em defesa do Benfica
Junta-te aos mais de 60 mil e impede o Benfica de perder mais de 20 milhões de euros por ano com a centralização.

5. Agenda para sábado
Na Luz há receções à Sanjoanense em basquetebol no feminino (15h00) e ao Belenenses em andebol no masculino (17h00).
Em andebol no feminino, o Benfica visita o ZRK Zrinski Cakovec na 2.ª mão da 2.ª ronda de qualificação da EHF European League Women. A equipa masculina de futsal tem deslocação ao Fundão (19h30). Em hóquei em patins no masculino há, na Parede, os quartos de final da Taça Jesus Correia com o Murches (16h15). Em voleibol no masculino, meia-final da Taça Ibérica frente ao CV Guaguas na Gran Canaria Arena (19h30). Em râguebi no masculino, o Benfica é anfitrião do Agronomia no Estádio Universitário de Lisboa (17h00). Os Iniciados de futebol atuam no reduto do Farense (11h00).

6. Agenda para domingo
Às 18h00, o Benfica recebe o Vitória SC no Estádio da Luz. Os Juniores visitam o Santa Clara (14h00 locais, 15h00 continentais). Os Juvenis jogam com o Casa Pia no adidas Benfica Campus (16h00). A equipa masculina de basquetebol visita o FC Porto (15h00). As equipas femininas de voleibol, râguebi e polo aquático defrontam o Clube K (15h00 locais – 16h00 continentais –, em Ponta Delgada), o CR São Miguel (11h30, no Estádio Universitário) e o Sporting (14h30, em Algés), respetivamente.

7. Triunfo europeu
O Benfica ganhou, por 81-91, ao Bakken Bears, na Dinamarca, na 1.ª jornada da fase de grupos da FIBA Europe Cup de basquetebol.

8. Entrevista a um campeão do mundo
Vasco Vilaça em entrevista ao jornal O Benfica. "Sou a mesma pessoa", afirma.

9. Contributos internacionais
Quase 40 atletas da formação do Benfica estiveram em ação por seleções nacionais.

10. Mundiais de hóquei em patins
Acompanhe a prestação dos hoquistas do Benfica.

11. Reforço
Camila Rebelo, nadadora campeã europeia em 2024 e vice-campeã europeia em 2026 nos 200 metros costas, passa a representar o Benfica.

12. Captações no râguebi
Open Day no Estádio Universitário de Lisboa, destinado aos escalões de Sub-6 a Sub-18, realiza-se neste sábado, 10 de outubro, e antecede o Benfica-Agronomia Rugby.

13. Protagonista
A entrevistada da semana é Chantal Romão, guarda-redes de polo aquático do Benfica.

14. Museu Benfica – Cosme Damião
Conheça a programação para o último trimestre de 2026.

15. História agora
Veja a rubrica habitual das manhãs de quinta-feira na BTV."

Rabona: The Derby of the ETERNAL ENEMIES: Panathinaikos vs Olympiacos | Roots of the Rivalry

Os Clubes que se lixem...

SportTV: Reportv - Amarante – Nunca parece de outro lugar

Sem espinha !!!

Candidata a piada do ano !!!

Cristiano Ronaldo: o privilégio maior


"Jesus não inventou novas regras, nós é que andámos hipnotizados, felizmente para ver o mais importante

Cristiano Ronaldo lá falou, «a seu tempo». Não encarou os jornalistas, como Jorge Jesus, mas fez passar um comunicado, seis dias depois de ter abandonado o estágio da Seleção Nacional. Nos dias anteriores falaram muitas pessoas pelo capitão de Portugal, mas também por JJ, para reforçar aquilo que o selecionador ia dizendo e acrescentar aquilo que o técnico não podia transmitir publicamente.
Já percebemos que a diferença entre as duas versões resume-se a semântica, ou pelo menos ao entendimento daquilo que é (ou não) uma promessa, mas o comunicado de Cristiano, por mais sincero que possa ser, não prestou um bom serviço a quem o assinou.
Depois de ter agravado o primeiro erro com outro bem maior, o capitão da Seleção pediu desculpa, assumiu a agravante de ser o capitão a abandonar a equipa, e mostrou-se disponível para voltar, mas perante a «absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador» é inimaginável que volte a trabalhar com Jesus.
A FPF ainda pode jogar com o tempo, e até ganhar algum com o castigo a aplicar, mas ninguém pode acreditar que seja possível voltar a uma convivência não-ficcionada. Seria continuar a varrer para debaixo de um tapete que já nada esconde. O oposto do que fez Ronaldo, ao revelar as oito notas que aprovou para Jesus abordar em conferência de imprensa.
Entre a contabilidade de selfies e o (auto)elogio na referência a Pelé e Maradona - mas não a Eusébio ou Messi -, Cristiano revelou uma realidade que não estava escondida, mas à qual toda a gente foi fechando os olhos, à medida que a lenda ia crescendo.
É normal que a opinião de Ronaldo tenha mais peso do que a de qualquer outro jogador. Que seja ouvido sobre a sua utilização, e até sobre outras escolhas técnicas, desde que essa opinião seja não-vinculativa. Já não é normal que aprove notas para o treinador ler na conferência de imprensa, que nem sequer foram discutidas com o departamento de comunicação da FPF, ou qualquer elemento da estrutura federativa, mas com o diretor desportivo do seu clube, o Al Nassr, e com o Consultor Estratégico da sua empresa, CR7, S.A.
É normal que a presença de Cristiano Ronaldo justifique maior segurança nos estágios, cuidados redobrados na logística. Já não é normal que sua ausência, mesmo quando não era por abandono, já retirasse outros elementos da comitiva.
Cristiano Ronaldo nunca precisou destes privilégios para chegar ao patamar astronómico que alcançou. Foi apenas com talento e capacidade de trabalho que conquistou o estatuto de lenda do futebol, maior embaixador de Portugal no Mundo. Não sei se alguma vez pediu esses privilégios, mas o comunicado mostra que não os dispensou.
Jesus terá a sua culpa - mais do que não seja por ter participado em reuniões que devia ter evitado -, mas a realidade é que não foi ele que veio mudar as regras do jogo. O rendimento de Ronaldo é que já não é suficiente para nos hipnotizar. Felizmente estivemos focados estes anos todos naquilo que mais interessava. Esse foi o maior privilégio."

Renascença: Buraca Radio Show - Big Brother na Bola e Canções para JJ e CR7

Os mandamentos de Cristiano Ronaldo — ou o quero, posso e mando do capitão


"No futebol português há um a.R. e um d.R. (antes de Ronaldo e depois de Ronaldo). O seu lugar na história está garantido. Ninguém lho tira. Talvez por isso seja tão triste vê-lo incapaz de perceber que, por vezes, a maior demonstração de grandeza é saber sair.

Há coisas que, de tão absurdas, parecem inventadas. O problema é quando são escritas, validadas e publicadas.
A carta de Cristiano Ronaldo, em que conta a sua verdade sobre o episódio que marcou o início desta nova era da Seleção, tem muitas coisas discutíveis. Mas há uma que, para mim, ultrapassa todas as outras: os oito pontos que, segundo o próprio, ficaram acordados com Jorge Jesus para serem ditos pelo selecionador.
É preciso não conhecer minimamente Jorge Jesus para imaginar que ele se sujeitaria ao papel de papagaio de quem quer que fosse.
Cristiano Ronaldo é um jogador extraordinário. É, provavelmente, o maior atleta português de sempre. É uma figura de dimensão planetária e ninguém pode apagar aquilo que fez pela Seleção e pelo futebol português. Mas há uma coisa que o estatuto, os golos, os recordes, as internacionalizações e a braçadeira de capitão não conferem a ninguém: o direito de ser speech writer do selecionador. E é exatamente isso que aqueles oito pontos parecem querer fazer.
Não se trata de combinar factos. Não se trata de esclarecer uma decisão. Trata-se de entregar ao treinador um guião para que ele explique, defenda, elogie e, em alguns momentos, quase santifique Cristiano Ronaldo.
Há ali de tudo.
Desde a explicação sobre os 30 minutos que deveria jogar até à comparação com Pelé e Maradona. Desde a justificação para o episódio com os adeptos até à garantia de que Cristiano é o jogador que mais autógrafos dá, mais selfies tira e mais acarinha os adeptos.
Tudo isto deveria sair da boca de Jorge Jesus.
Imagine-se, por um segundo, que Jorge Jesus tinha ido para a conferência de imprensa e lido o ponto 8 tal como está escrito: «Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal.» E depois explicasse que Cristiano é quem mais autógrafos dá, quem mais selfies tira e quem mais acarinha os adeptos.
Seria o quê? Uma conferência do selecionador ou um comunicado do departamento de comunicação de Cristiano Ronaldo?
E mais, no dia em que Jorge Jesus cedesse a Cristiano Ronaldo — ou a qualquer outro jogador — e falasse nestes termos, teria de se demitir. Porque nesse instante perderia a autoridade. O grupo deixaria de estar unido à volta do treinador. Haveria, inevitavelmente, uma revolta no balneário. E Jorge Jesus ficaria sem condições para trabalhar depois de ter branqueado uma deserção e desvalorizado aquilo que, sendo o capitão da Seleção, foi uma má conduta.
O problema não seria apenas o episódio em si. Seria o precedente.
A partir desse momento, qualquer jogador poderia reivindicar para si o direito de definir a narrativa que o treinador deveria transmitir publicamente. E se há coisa que um balneário não tolera é um treinador que abdica da sua autoridade.
Os jogadores da Seleção, diga-se em abono da verdade, têm tido um comportamento exemplar com Cristiano Ronaldo. Não lhe beliscaram a imagem, não o confrontaram publicamente, não alimentaram polémicas. Cristiano tem conseguido preservar a sua condição de líder porque os seus companheiros, até agora, fizeram questão de não a pôr em causa.
É, por isso, sintomático que nenhum tenha sentido necessidade de fazer um único like ou uma partilha daquele comunicado. Talvez seja uma forma silenciosa de dizer alguma coisa.
Jorge Jesus, homem inteligente e experiente, sabe mais a dormir sobre balneários do que os funcionários de Cristiano Ronaldo que redigiram o comunicado — e que Cristiano validou.
E há outra pergunta que a carta deixa inevitavelmente no ar: o que faziam, na tal reunião de terça-feira, dois personagens estranhos à FPF — um fisicamente presente e outro por via digital?
Se Pedro Proença já estivesse em Copenhaga teria permitido? Estou convencido de que não. Até porque uma dessas figuras é alguém que, no passado, enquanto alto dirigente da Federação, não fez outra coisa senão minar o caminho de Pedro Proença enquanto presidente da Liga. Não é um detalhe. É um sinal.
Porque aquilo que este episódio revela não é apenas o conflito entre um jogador e um treinador. Revela, sobretudo, uma determinada cultura de poder que Cristiano Ronaldo foi construindo na Seleção — e, por arrasto, na própria Federação — ao longo de mais de vinte anos.
Durante demasiado tempo, nos corredores do futebol português, ouviu-se dizer que quem mandava na Seleção era Cristiano Ronaldo e que, por consequência, quem mandava na Federação também tinha de levar isso em consideração. A carta parece confirmar que essa cultura de poder era verdadeira e, de certa maneira, ainda não desapareceu.
E há uma ironia particularmente curiosa, é que algumas das pessoas que permitiram que ela se instalasse estão hoje a trabalhar ao lado de Cristiano Ronaldo.
Mas há ainda outra coisa que a carta nos mostra. Se dúvidas tivéssemos de que é assim, fica à vista, mais uma vez, o ego de dimensões galácticas de Cristiano Ronaldo.
A comparação com Pelé e Maradona é quase surreal. Não porque Cristiano não pertença à galeria dos maiores. Pertence. Mas porque a verdadeira grandeza também se mede pela forma como se olha para os outros. Pelé foi um génio dentro de campo e revelou, tantas vezes, uma humildade que o tornou ainda maior fora dele. Maradona foi outra coisa, mais contraditória, mais excessiva, mas ninguém pode negar a sua dimensão histórica.
E depois há o silêncio sobre Eusébio, sobre Luís Figo ou sobre Lionel Messi.
Omitir Eusébio, português e símbolo maior de uma geração, é uma enorme falta de memória. Esquecer Figo, outro português que está na galeria dos maiores da história do jogo, é uma ausência difícil de compreender. E ignorar Messi, o grande rival da sua geração, quando este haveria de se despedir dias depois da seleção argentina com a classe que sempre marcou a sua relação com a camisola nacional, é, no mínimo, mesquinho.
Cristiano Ronaldo não precisava disso. Cristiano Ronaldo não merecia que Cristiano Ronaldo lhe fizesse isso. Porque Cristiano Ronaldo é maior do que isso.
Já escrevi e disse isto várias vezes e não tenho qualquer problema em repeti-lo: Cristiano Ronaldo é credor da nossa admiração e da nossa gratidão. Veio do nada, subiu a pulso, venceu pela força do talento, do trabalho e de uma ambição incomparável.
No futebol português há um a.R. e um d.R. (antes de Ronaldo e depois de Ronaldo). O seu lugar na história está garantido. Ninguém lho tira. Talvez por isso seja tão triste vê-lo incapaz de perceber que, por vezes, a maior demonstração de grandeza é saber sair.
Se tivesse aprendido alguma coisa com Pelé, com Eusébio, com Figo, com Messi — ou até com o próprio Maradona — talvez tivesse percebido que não há necessidade de erguer a própria estátua. As estátuas são os outros que as constroem.
Agora resta-lhe o castigo da Federação, a censura de muitos e, um dia, o regresso à Seleção para a despedida que ainda merece. Mas já não será o adeus que poderia ter sido. Porque os maiores também podem perder-se no labirinto do tamanho do próprio ego. E essa, talvez, seja a única coisa que os oito pontos desta carta conseguiram realmente explicar."

As notas de Ronaldo para Jesus: o que disse o selecionador na conferência de imprensa em Copenhaga e o que faltou dizer


"Antes de deixar o estágio da seleção nacional, Cristiano Ronaldo aprovou um documento onde constava aquilo que Jorge Jesus devia dizer na antevisão do jogo contra a Dinamarca para apaziguar a quezília com o capitão. Pouco conhecido por seguir guiões, o selecionador não tocou em certos temas, raspou noutros e abordou alguns, insuficiente para evitar que o capitão chamasse o seu jato privado para abandonar o estágio

Pela primeira vez em 18 anos, Cristiano Ronaldo tinha acabado de ser suplente não utilizado num jogo oficial da seleção. Paradoxalmente, as águas paradas do jogador com mais internacionalizações de sempre (234) por Portugal agitaram o mundo. Era apenas o início de uma novela que, na realidade, ainda não se sabe como vai terminar.
Sem minutos frente à Noruega depois de ter realizado exercícios de aquecimento durante toda a segunda parte, Cristiano Ronaldo reuniu-se com Jorge Jesus para esclarecer o caso que a imprensa começou a sussurrar aos ouvidos do país. Nesse encontro, terão combinado encerrar o assunto. Para isso, foi entregue ao treinador um documento com oito pontos aos quais se devia referir durante a conferência de imprensa de antevisão ao jogo contra a Dinamarca, em Copenhaga.
A Tribuna Expresso comparou as notas redigidas com auxílio de Simão Coutinho e Tiago Craveiro, pessoas do entorno de CR7, e validadas pelo avançado, com aquilo que Jorge Jesus efetivamente disse. Após o selecionador falar com os jornalistas, Cristiano Ronaldo decidiu abandonar o estágio por considerar que a postura do técnico “não teve nada a ver com a reunião”, sendo pautada pela “agressividade” e por “uma atitude de quero, posso e mando”.

⚖️ “1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele, esta época desportiva, na seleção nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa.”
Jorge Jesus assumiu prontamente ter combinado com Cristiano Ronaldo que o capitão não jogaria em Oslo e Copenhaga. No entanto, nunca revelou existir um plano mais alargado para a gestão do avançado, algo extensível a “esta época desportiva” como o jogador incluiu nas notas.
O selecionador não escondeu terem existido conversas com os jogadores antes do anúncio da sua primeira convocatória, mas o contexto dos diálogos não foi divulgado ou qualificado. Apenas através do comunicado de Cristiano Ronaldo se soube que JJ tinha trocado ideias com o ponta de lança na Cidade do Futebol durante o estágio do Al-Nassr e, mais tarde, em casa de CR7, na véspera do início da concentração da equipa.

❌ “2. Sei o quanto ele vive e Ama a seleção e o peso que tem no mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na seleção há 24 anos consecutivos.”
Dar ao verbo Amar o estatuto de nome próprio usando caixa alta é, como se sabe, o exemplo mais flagrante de conexão romântica. Talvez demonstrações públicas de afeto não façam parte do tipo afeto que Jorge Jesus gosta de demonstrar, pois não transmitiu à audiência que a seleção significava tudo isso para Cristiano Ronaldo. Um taticista tem a sensibilidade de um matemático que não deixa a lógica ser perturbada por perturbações emocionais.
Ainda assim, anteriormente decreveu-o como um “símbolo”, dando exemplos da magnitude do capitão fora do contexto de seleção. “Jogámos em Hong Kong num estádio para 55 mil pessoas [com o Al-Nassr]. No jogo em que ele não jogou, estavam 3000 pessoas, no jogo em que jogou estavam 55 mil.“ As pretéritas demonstrações de apreço pela dimensão não terão sido suficientes para o comandado.

⚖️ “3. O plano que propus ao Cristiano foi aceite.”
Alguns segmentos do comunicado de Cristiano Ronaldo foram redigidos com a clareza da noite.
Caso Cristiano Ronaldo pretendesse ouvir de Jorge Jesus que o capitão se tinha colocado ao dispor das opções do treinador, sim, aconteceu. O técnico remeteu os jornalista para as próprias declarações do jogador na conferência de imprensa de antevisão ao encontro contra o País de Gales.
Nessa circunstância, o maior goleador da seleção disse: “Já tive esta conversa com o mister e o que ele precisar de mim, para jogar, para sair, para entrar ou mesmo não jogar… ninguém tem mais internacionalizações do que eu e isso diz muito do prazer e do gosto que eu tenho em vir à seleção.” Jorge Jesus sublinhou as declarações ao dizer que Cristiano Ronaldo “nunca se negou a nada”.
Porém, se Cristiano Ronaldo pretendia que o treinador se referisse ao tal plano para “esta época desportiva”, com mais além da janela internacional de novembro/outubro, isso não aconteceu. Considerando o ênfase que tem dado ao rendimento — “se estiver a jogar”, “se estiver a marcar” — para justificar a inclusão de jogadores na convocatória, seria contraditório Jesus delinear um plano a tão longo prazo para o mais velho da lista.

⚖️ “4. Ele nunca questionou as minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional.”
Jorge Jesus deixou claro que Ronaldo não colocou em causa as decisões. O sucessor de Roberto Martínez assegurou que Cristiano “nunca se negou a nada”, mas não chegou a utilizar os termos “leal e profissional”. O parafraseamento da nota, pelos vistos, não deixou o capitão satisfeito.
O técnico pôs tão pouco em causa o compromisso do jogador que minutos após a conferência de imprensa estava a engolir as próprias declarações. Com os microfones a escutarem-no, colocou as mão no fogo: “Se hoje forem ver, ele vai treinar. Não se recusou a treinar. Isso é impossível. Vocês acham que algum jogador de nível de seleção nacional se recusa a treinar? Só quem quiser ir embora ou estiver com outras ideias.” Minutos depois, a seleção exercitou-se em Copenhaga sem Cristiano Ronaldo, já a caminho do seu jato.

✅ “5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou.”
Neste aspeto, Jorge Jesus foi inequívoco e cumpriu à risca aquilo a que estava mandatado. “É verdade que combinei com ele”, garantiu. “Trabalhei um ano com o Cris. Conheço completamente as condições físicas dele. Quando havia jogos de três em três dias, o Cris raramente jogava. Além disso, o Cris nunca treina no primeiro e no segundo dia após o jogo.”
Porém, ao contrário do que estava planeado, o camisola 7 acabou por constar da ficha de jogo contra a Noruega, onde foi suplente não utilizado. “Sou treinador e disse ao jogador que o ia levar para o banco. Se precisasse dele 30 minutos, jogava. Se não precisasse, não jogava. Não é o Cristiano que vai mudar as minhas ideias”, assegurou sem ignorar o peso que o “estatuto” do nome em causa exigiu especial ponderação, mas não um diluir das hierarquias. “Quem trabalhou comigo sabe que quem decide sou eu. Na equipa mando eu.”

✅ “6. Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria.”
De facto, Jorge Jesus colocou Cristiano Ronaldo ao nível de dois campeões do mundo. Do mesmo modo, também o ‘rebaixou’, se tivermos em conta esta escala, ao nível de Sadio Mané, senegalês com quem joga no Al-Nassr. As três figuras foram usadas como exemplos de como tratar jogadores com “estatuto”.
Cristiano Ronaldo aprovou que os seus ghostwriters escrevessem uma nota referindo-se a ele na terceira pessoa para que, guiando-se pelo apontamento, o selecionador o equiparasse a dois dos melhores futebolistas de todos os tempos. Assim sendo, Jorge Jesus colocou o elogio encomendado no discurso, mas à sua maneira: “Eu também fui jogador. Não há nenhum jogador que fique contente de aquecer 20, 30 minutos e depois não entrar. Nenhum. Quanto mais o Cri… Tem estatuto. Quanto mais o Pelé, o Maradona… É isso o estatuto, mas depois os direitos são iguais.”
Jorge Jesus tem-se mostrado pouco contrito. Uma das raras ocasiões em que mostrou arrependimento foi sobre este tema. “Mandei-o aquecer aos 45 minutos. Aqui é que fiz mal. Devia tê-lo mandado aquecer 15 ou 20 minutos mais tarde.”

❌ “7. Para encerrar o assunto: eu quero o Cristiano na seleção nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al-Nassr e aqui também.”
Esta mensagem chegou, só que mais tarde, os timings não estiveram em sintonia. Após a fatídica conferência de imprensa que levou Cristiano Ronaldo a abandonar o estágio, Jorge Jesus colocou um tampão no tema e conseguiu não se desbocar em demasia, adiando para o fim da janela internacional mais esclarecimentos.
JJ demonstrou o desejo de contar com Ronaldo apenas após a vitória contra a Noruega, no Estádio do Dragão. “Para mim, está tudo em aberto. O Cris é que tem que decidir a vida dele. Na próxima convocatória, se o Cris estiver a jogar e quiser estar na seleção, por que não [convocá-lo]?” Terá sido tarde demais?

❌ “8. Sobre não ter cumprimentado os adeptos. Já falámos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes reagimos. Foi só isso.”
Diga-se que Jorge Jesus tentou falar sobre este tópico em diversas ocasiões, sendo desviado pelos jornalistas para outras ramificações do tema.
Terminou a conferência de imprensa sem ilibar o capitão por não ter dado a cara junto da bancada na sequência da vitória na Noruega. Por certo, terá assumido como sua a clara resposta que Rúben Dias deu a esse propósito. “Trata-se de um momento de frustração de 10, 15, 20 segundos. Em nada belisca o compromisso que tem tido durante mais de 20 anos com a seleção. Passados cinco minutos, estamos todos a celebrar juntos no balneário uma grande vitória”, disse o central."

Mister: PortuGolaço - Ronaldo Press Release Reaction, Portugal Keep Winning Without Him

Throne: We Drafted The BEST Liga Portugal Players… But BANNED The Big 3

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Estou farta de quotas!


"Há uma pergunta que me ocorre sempre que vejo anunciar mais uma medida para promover a igualdade das mulheres no desporto: quando é que deixaremos de precisar delas?
Não é uma pergunta contra as medidas. É exatamente o contrário.
Em Espanha, o Conselho Superior do Desporto decidiu reforçar o apoio às mulheres no desporto com 700 mil euros. Há dinheiro para gravidez, pós-parto, recuperação física, acompanhamento psicológico, nutrição, fisioterapia e regresso progressivo à competição. Tudo isto parece óbvio. E talvez seja esse o problema. Porque se uma atleta engravida, dá à luz e precisa de ajuda para regressar ao seu trabalho, por que razão isso ainda é apresentado como uma política especial para mulheres?
Durante décadas, o desporto profissional foi desenhado para um corpo masculino e para uma vida sem interrupções. Treinar. Competir. Recuperar. Voltar a treinar.
A gravidez não cabia no calendário e a maternidade muito menos. As mulheres entraram nesse sistema e foram elas que tiveram de se adaptar. Agora, felizmente, começamos a perceber que talvez estivesse tudo ao contrário. O sistema é que tem de se adaptar.
Mas há aqui uma linha vermelha que não deveríamos pisar. Igualdade não é criar um mundo em que as mulheres precisam eternamente de medidas especiais. É criar um mundo em que essas medidas deixam de ser necessárias. É por isso que também olho com alguma desconfiança para a palavra quota.
As quotas podem ser fundamentais para abrir portas que estiveram fechadas durante demasiado tempo, podem obrigar instituições a olhar para mulheres que nunca chegariam às salas onde se decide. Claro que podem corrigir uma desigualdade que o chamado mérito, sozinho, nunca corrigiu e isso é bom. Mas uma quota não pode ser a solução.
Porque não quero chegar a uma federação e saber que determinada mulher está ali porque era necessário preencher uma percentagem. Quero saber que está ali porque era a pessoa certa. O mesmo acontece com os apoios à maternidade. Precisamos deles, sim, mas o verdadeiro sucesso será o dia em que uma atleta não precise de ser extraordinária por ter sido mãe.
Quando Espanha anunciou apoios à congelação de óvulos para futebolistas, Ana Peleteiro questionou a forma como a medida estava a ser apresentada. Não porque fosse contra ajudar as mulheres, mas porque recusou a ideia de que congelar os óvulos pudesse ser vendido como uma solução feminista.
E tem razão porque há uma diferença entre dar a escolha a uma mulher e dizer-lhe que deve adiar a maternidade para proteger a carreira. Se a solução for essa, estamos apenas a mudar a forma do problema.
Antes dizíamos às mulheres que não podiam ser mães se queriam chegar ao topo. Agora corremos o risco de lhes dizer que podem ser mães, desde que organizem a biologia à volta da carreira.
O desafio é fazer com que uma mulher possa ser atleta e mãe sem que nenhuma das duas palavras precise de uma explicação. Que possa parar. Que possa voltar. Que possa perder rendimento durante algum tempo. Que possa recuperar. E que ninguém lhe pergunte, no regresso, se ainda é a mesma!
As mulheres continuam a ter de provar demasiadas coisas.
Que merecem estar. Que conseguem competir. Que conseguem ser mães. Que conseguem ir. Que conseguem voltar. Que conseguem liderar. Que conseguem conciliar.
Os 700 mil euros espanhóis são uma boa notícia. Mas não podemos ficar satisfeitos. Devíamos querer mais. Não mais dinheiro. Não mais quotas. Não mais programas especiais. Mais normalidade.
O dia em que uma mulher puder ser presidente de uma federação sem que se fale primeiro de igualdade de género será um bom dia.
O dia em que uma atleta regressar depois da maternidade sem que o seu regresso seja tratado como um feito extraordinário será um dia melhor.
E o dia em que já não for necessário criar quotas para garantir que as mulheres estão onde sempre deveriam ter podido estar será, finalmente, o dia em que poderemos dizer que a igualdade deixou de ser uma política. Passou a ser normal e podemos dizer que acabaram as quotas."