Estas vitórias complicadas, decididas nos últimos minutos, têm mais sabor, a adrenalina é maior, mas muito sinceramente eu dispenso! O Marco tem razão, é impossível golear todos os adversários, este Gil Vicente só tinha sofrido um golo antes desta partida, além disso jogámos 90 e tal minutos, contra 11 adversários e uma equipa de arbitragem pulha... que inclinou o relvado de forma inacreditável, mesmo assim com um bocadinho mais de tino na finalização e jogo podia ter sido mais fácil...!!!
Outro factor acabou por ser o calor, o jogo começou com 36 graus, e a intensidade que tem marcado os jogos anteriores do Benfica, desde do 1 minuto não foi a mesma, a ausência do Palhinha também não ajudou, já que com o Enzo, a recuperação de bola é mais demorada...
Mas o golo do Gil na fase inicial foi completamente contra a corrente, na primeira vez que chegaram perto da área, marcaram... aliás só voltaram a a criar jogadas de perigo, na recta final, uma após um mau passe o Dahl e depois do 2-1, com a grande defesa do Samu!!! Foram 3 chegadas com algum perigo à nossa área, durante o jogo todo, muito pouco para marcar um golo!!!
Ofensivamente, tivemos muitas dificuldades, o Schjelderup fez uma exibição desastrada, o Rafa sem espaço para fazer a diferença em velocidade, o Banjaqui tímido no ataque... Só o Prestianni em alguns momentos conseguiu desequilibrar, mas quase sempre fora da posição preferível... e ao contrário de Moreira de Cónegos, muitas das recepções entre-linhas do argentino, não correram bem...
O próprio Barreiro, esteve bem na reação à perda, como é costume, mas ao contrário da Madeira, por exemplo, não fez a diferença nas chegadas à área, até falhou algumas oportunidades claras... e nestes jogos contra blocos muito baixos, um jogador daquela posição, tem que ter a capacidade de fazer alguns passes de ruptura... algo na parte final da partida, com o Echeverri, finalmente, aconteceu...
A agressividade e impunidade disciplinar do Gil também foi fundamental, pois deixou o treinador gerir o jogo como quis, sem ser obrigado a substituir jogadores por questões disciplinares, algo que contra os Corruptos, ou os Lagartos, seria certamente obrigado!
Já que estamos no tema, a arbitragem foi mais uma vez vergonhosa! E não foi um erro aqui ou ali... Desde do primeiro minuto, o critério disciplinar foi totalmente torto: mostrou Amarelos aos nossos dois trincos, na primeira falta que ambos fizeram... Aliás, o Enzo nem vez falta, cortou uma bola!!! E poucos minutos depois, não viu ou não quis expulsar o jogador do Gil Vicente, ais perigoso, por uma agressão ao Banjaqui! Uma agressão para aleijar, propositada, não foi uma disputa normal da bola, qualquer pessoa que alguma vez tenha jogado futebol, sabe que uma entrada destas, só pode ter sido propositada, uma entrada gravíssima e só um Lagarto fanático no VAR, Paulo Barradas, outro da nova-geração, é que não viu...
Durante épocas, era tradição antes dos jogos do Benfica com os Corruptos, o Benfica levar com Expulsões ridículas! Numa dessas ocasiões tivemos a oportunidade de ler um relatório famosos do Xistra, a explicar creio a expulsão do Miccoli! O famoso Ladrão, nem sabia escrever português corretamente!!! Hoje, a ideia era a mesma... Só assim se explica, a intenção deste Super-Dragay, em Amarelar os nossos jogadores, e ao mesmo tempo perdoar tudo ao nosso adversário!
O Prestianni foi eleito o MVP pelo público, mas este foi um daqueles jogos, onde não houve uma exibição perfeita, e na minha opinião, ninguém se destacou acima dos colegas, acabou por ser uma vitória do coletivo, com o Prestianni a aparecer na fase decisiva... Além do 3.º golo, o penalty nasce dum remate ao ferro do Prestianni e no 1.º golo, não tocou na bola, mas esteve envolvido na jogada!!! Pessoalmente, acho que ao contrário do que vinha acontecer nas últimas partidas, voltou a decidir mal em várias ocasiões...
No golo sofrido, alguns atiraram a culpa aos putos: Banjaqui e Samu, mas na minha leitura, os principais culpados foram os Centrais, o Araújo tinha que estar mais perto do Banjaqui e o Lenglet tinha que acompanhar a movimentação do avançado! O Samu, teve uma 'mancha' pouco convencional, que neste tipo de jogadas é errada!
Sou só um treinador de bancada, mas por acaso na minha carreira amadora de futebolista, fui guarda-redes durante muitos anos, portanto tenho opiniões muito teimosas em algumas questões técnicas nesta área. O Samu é muito rápido a sair da baliza, como por exemplo aconteceu no lance que poderia ter dado o 2-2, tal como já tinha acontecido em Moreira de Cónegos, mas esse movimento onde ele praticamente se lança em frente, tentando chegar à bola antes do avançado, ou na pior das hipóteses, ao mesmo tempo! Agora, em situações onde o avançado tem a bola controlada, o guarda-redes tem que ter outras soluções. Nem sempre foi assim, mas hoje a técnica mais usada, e com melhores resultados é a 'parede' estilo Andebol, om o guarda-redes a fazer uma espécie de espargata lateral e com os braços bem abertos, algo que por acaso o Trubin até faz bem! Esta deveria ter sido a solução... Mas em jogos anteriores, já tinha notado que o Samu, não faz a 'parede'!!!
A maior parte das intervenções dos guarda-redes são reações treinadas, repetidas até à exaustão. O Preud'Homme falava em Programar Instintos!!! Quando os narradores falam em defesa por instinto, na maior parte das vezes, é treta! Tudo é treinado. Neste caso, o Samu tem que trabalhar estas situações, é importante aprender a fazer a 'parede'. E depois, em jogo decidir, em cada momento, qual o cenário que se está a desenvolver a reagir 'instintivamente' a cada jogada, da forma como ela merece! As saídas como celebrámos no final, são uma das suas imagens de marca, mas no golo sofrido a situação era diferente, e ele tem que identificar estas diferenças em tempo real!
Nos primeiros jogos da temporada, a equipa ficava a jogar pior, após as primeiras substituições, mas nas últimas partidas o Marco tem acertado. Sendo que no jogo de hoje, a equipa melhorou, mas houve um pequeno 'problema'! A troca do Barreiro pelo Aursens, não resultou. o Aursens ainda está longe da melhor forma, nota-se claramente que ainda está com 'pernas' de pré-época! Só quando o Aursnes passou para a Lateral e o Echeverri assumiu o jogo no meio, a equipa ficou equilibrada... O outro puto argentino, entrou muitíssimo bem... nos primeiros minutos, como 10, no lugar do Prestianni (que era o lugar do Sudakov), mas depois como 8, no lugar do Barreiro, foi fundamental. Concretizou todos os dribles (creio), e fez passes de ruptura, sempre com muita energia, muita velocidade, boa técnica e mesmo na fase defensiva, mostrou inteligência posicional... e apesar da sua pouca estatura, nota-se que tem capacidade de choque no contacto físico!
Suspeito que na Quarta-feira vamos ter algumas surpresas. Este jogo foi muito desgastante. O calor e a forma como o marcador parecia encravado, obrigou a equipa a deixar tudo em campo. E com o clássico no Domingo, parece-me avisado fazer algumas alterações, até porque este jogo em Milão não é decisivo. Pode ser importante na questão do prestígio internacional, e incutir ainda mais confiança dsntro do plantel, mas o sucesso Europeu na passa pelo jogo de São Siro!
Não me admirava que o Echeverri fosse titular ou até o Sudakov. O Prestianni acabou o jogo de rastos, além marcou o golo quase 'sem pernas', estava completamente roto! O Pavlidis fez hoje 90 minutos, algo raro este ano! O Rafa tem vindo a perder protagonismo! Além do regresso do Bah, podemos e devemos pensar a longo prazo!
O Milão é uma equipa do Amorim, que comete muitos erros defensivos, deixa muito espaço nas costas dos Laterais. No meio o Amorim está com um dilema, o Modric ainda é o melhor jogador com bola, mas depois defensivamente deixa a equipa sem capacidade de choque! Suspeito que vai voltar a lançar o Rabiot como 2.º avançado, como fez nos primeiros jogos... Os desequilíbrios são quase sempre feitos pelos Laterais, normalmente pela Direita (o Moreira 'enganou-se' contra a Lazio!) e pelo puto Cisse: trapalhão mas tem muita força e sabe fazer uns remates estilo Prestianni!!! Em condições normais, na máxima força, creio que neste momento estamos melhores, mas a nossa defesa ainda não testada no jogo deste tipo, principalmente os Centrais... muita atenção ao Ramos e às tabelinhas. O nosso ex é um dos melhores avançados a nível mundial a fazer de Pivot, os Centrais ou antecipam-se ou 'recuam' e marcam o jogador que muito provavelmente o Ramos vai passar a bola e para isso, é preciso saber ler o jogo!
"A Polícia Judiciária está a investigar os casos mais recentes relacionados com a arbitragem em Portugal, avançou o “Correio da Manhã”. Vários árbitros foram ouvidos e terão aceitado ceder às autoridades conversas dos respetivos telemóveis onde se fala de prémios chorudos para dirigentes, pressão para a escolha do árbitro do FC Porto-Benfica e ajudas ao Estrela da Amadora. Duarte Gomes, antigo diretor técnico nacional, relata à RTP acontecimentos de “grande gravidade institucional”
No final de junho, Duarte Gomes demitiu-se do cargo que ocupava na Federação Portuguesa de Futebol. A saída do então diretor técnico nacional da arbitragem foi a primeira gota de água da tempestade. Áudios e mensagens. Chantagens e pressões. A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar, avançou o “Correio da Manhã”, casos que podem colocar em xeque o setor.
Segundo o jornal, já vários árbitros foram ouvidos e aceitaram entregar os respetivos telemóveis para a recolha de material de interesse para o caso. A partir deles, a PJ reuniu indícios de que podem ter sido oferecidos prémios na ordem de €1 milhão a dirigentes da arbitragem a troco do benefício a certos clubes.
A informação a que o jornal teve acesso dá conta de exemplos concretos em que terão existido condicionalismos. O FC Porto-Benfica da Taça de Portugal terá sido um dos encontros em que o processo de escolha do árbitro foi alvo de pressão. De acordo com as conversas ao dispor das autoridades, os dragões tentaram evitar que Fábio Veríssimo ficasse encarregue do clássico, sendo que a estrutura da FPF estava disponível para satisfzaer a exigência dos azuis e brancos. Terá sido a insistência do presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, a garantir que Veríssimo conduziria o duelo dos quartos de final da competição.
Apesar de considerar “incompreensível”, "imprudente" e “desnecessariamente arriscada“ a nomeação de Fábio Veríssimo por se tratar de um árbitro que tinha ”pendentes processos” com o clube, o FC Porto esclareceu que "não nomeia árbitros" e “não interfere nas decisões do Conselho de Arbitragem”. Em comunicado, os azuis e brancos relembrou que na altura própria “manifestou, pública e institucionalmente, a sua estranheza e indignação”. “Não houve qualquer ação escondida, pressão clandestina ou interferência”, frisou o emblema nortenho.
Voltou também de novo à tona o eventual envolvimento do Estrela da Amadora, nomeadamente de Paulo Lopo que foi homenageado recentemente pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ao deixar a presidência da SAD do clube da Reboleira. Alegadamente, terá sido prometido a Hélder Malheiro mais uma época na I Liga se beneficiasse os tricolores. Quando confrontado pelo árbitro sobre a veracidade da oferta, Luciano Gonçalves terá confirmado.
Hélder Malheiro terminou a carreira no final da época 2025/26. O árbitro que estava na primeira categoria desde 2010 e utilizava as insígnias da Associação de Futebol de Lisboa atingiu a idade limite para desempenhar a função. Ainda assim, caso o Conselho de Arbitragem aprove, os juízes podem estender excecionalmente a carreira até aos 50 anos.
O Conselho de Justiça da FPF já se tinha debruçado sobre este tema. Da mesma forma, foi avaliado se Luciano Gonçalves concedeu ao Estrela da Amadora, envolvido na luta pela permanência na I Liga, informação antecipada sobre a nomeação dos árbitros. O organismo decidiu arquivar o caso por falta de provas.
Acontecimentos de “grande gravidade institucional”
Hélder Malheiro soube que estava nomeado para um jogo do Estrela da Amadora por uma pessoa externa ao Conselho de Arbitragem e próxima do clube da Reboleira e decidiu comunicar a informação a Duarte Gomes. Perante os dados, o diretor técnico nacional demitiu-se e expôs o sucedido.
Numa entrevista à RTP, Duarte Gomes revela que soube de “um conjunto de situações com comprovação factual e probatória” quando ainda estava em funções. “Condutas com as quais não me revejo”, assim descreveu o cenário em torno da arbitragem que levou à sua saída.
“Fiz um conjunto de diligências no sentido de ficar tranquilo e esclarecido em relação às coisas que aconteceram, que considerei de grande gravidade institucional. Depois desse conjunto de diligências, não só não recuperei a tranquilidade, como aprofundei as minhas dúvidas e receios”, afirmou ao canal público.
Duarte Gomes entrega à justiça a avaliação do caráter criminal dos acontecimentos, mas garante que cedeu à investigação o material que o preocupou."
"Ao Benfica é mais ‘fácil’ chegar aos títulos se tiver uma atitude de tal forma galvanizadora que faça com que o Inferno da Luz esteja presente, como 12.º jogador, onde quer que os encarnados se apresentem. Mas sem equilíbrio defensivo não há ataque que valha…
Tomando por base declarações de Marco Silva quanto à identidade que pretendia para o ‘seu’ Benfica - de matriz dominadora, de que a exibição em Moreira de Cónegos foi bom exemplo - Nuno Paralvas assinou, em A Bola, um excelente exercício jornalístico, onde fundamentou, com factos, a materialização das ideias do treinador encarnado.
Os grandes momentos do futebol do Benfica foram escritos com futebol de rosto atacante, o mais difícil de aplicar, por só ser eficaz se não se perder o sentido defensivo, já que se trata de um jogo que, na génese, obriga a que coabitem a vontade de marcar e a necessidade de não sofrer, e que traz associada a suprema vantagem de galvanizar os adeptos, ativando o décimo segundo jogador.
A primeira vez que joguei na Luz para o Campeonato Nacional foi pelo Montijo. Ao intervalo, o resultado estava 1-1. No segundo tempo, no primeiro pontapé de canto favorável aos donos da casa, o Nené aproximou-se de mim e disse-me, com aquela voz inconfundível, de falsete, em tom de ameaça: «um quarto de hora à Benfica.» Quinze minutos depois, já com 4-1 no marcador, percebi, finalmente, o recado. Era o Benfica a ser Benfica.
JOGAR AO ATAQUE
Mas jogar ao ataque, coloquemos o assunto assim para simplificar, tem mais que se lhe diga do que meter a bola na frente, alocar à fórmula muitos jogadores, e esmagar o adversário.
De há sensivelmente 50 anos a esta parte, desde que os belgas se tornaram peritos em colocar os adversários em fora de jogo com defesas que chegavam a estar subidas 45 metros relativamente à linha final, manter as equipas juntas - ou seja, com 25 a 30 metros entre defesas e atacantes - passou a ser um ‘must’ para os emblemas de ‘top’, que assim foram encontrando tempo para ganharem o espaço de que necessitavam para se aproximarem das redes contrárias, sem caírem na ratoeira do ‘offside’.
Em 1982, quando chegou à Luz, Seven-Goran Eriksson, visto como um paladino do futebol atacante, tinha uma frase que usava à exaustão, e que para ele era a base de tudo: ‘keep the team together’ (‘mantenham a equipa junta’). Isso exigia uma permanente atenção dos defesas, na hora de recuperar a bola, ao posicionamento dos avançados, que criavam a primeira barreira, de quem não podiam distar mais do que 30 metros. Quando se tratava de jogar com bola, o princípio era o mesmo, e servia quer para manter a posse prolongada, ganhar segundas bolas se o jogo fosse mais direto, e criar condições para haver, maior presença na grande área contrária.
Mas, para Eriksson, do ponto de vista estratégico (a tática entre 1982 e 1984 foi sempre a mesma, um 4x4x2 de inspiração britânica, que em alguns jogos na segunda época chegou a ser 3x1x4x2, com Shéu a atuar à frente de três defesas, modelo que Cruyff copiou anos depois, entregando essa tarefa a Guardiola), jogar com o Liverpool em Anfield ou com o Penafiel (com o devido respeito), na Luz, eram coisas muito diferentes. O segredo do técnico sueco - que não tinha nada de secreto, afinal, apenas maximizava os princípios teóricos que defendia - estava no local onde os dois avançados iniciavam o trabalho defensivo: contra equipas menos apetrechadas, a busca pela bola começava à saída da grande área contrária, o que obrigava a uma colocação do quarteto defensivo sobre a linha de meio-campo.
Depois, conforme ia subindo a qualidade do adversário, a labuta dos pontas-de-lança ia recuando, levando a que os defesas se posicionassem mais atrás. Contra o Liverpool (ou nas Antas e Alvalade) mantendo-se os princípios de zona pressionada - tantas vezes disse, «obrigar o adversário a jogar para os lados é um bom trabalho defensivo» - e com a equipa com os setores juntos, os avançados (Nené e Filipovic, os mais utilizados, mas também Diamantino, Manniche ou Padinha) começavam a trabalhar a meio-campo e a defesa colocava-se cinco metros à frente da grande área. Portanto, isso de dizerem que as grandes equipas só têm uma forma de jogar e as restantes é que devem estar preocupadas, é uma história contada pela rama, porque a complexidade subjacente ao que, aos olhos do adepto, parecia simples, era enorme.
LIVERPOOL E PENAFIEL
Quando referi os exemplos do Liverpool e do Penafiel (passar no ‘25 de Abril’, então pelado, era sempre tarefa árdua) não o fiz por acaso.Contra ambos, nessa época de 1983/84, o Benfica jogou em 4x4x2, mas o jogo de Anfield (1-0 para os ‘reds’, que se sagrariam campeões europeus) foi preparado por Eriksson à exaustão, e colocou aquela que era a melhor equipa do mundo em sérios sobressaltos. Cada jogador sabia, até ao mais ínfimo pormenor, o que fazer, onde estar e o que esperar. Esse foi um jogo digno da Liga dos Campeões!
Já em Lisboa, na segunda-mão, tudo correu mal ao Benfica e o Liverpool arrancou para uma exibição de luxo, que nada ficou a dever aos 1-5 com que o Manchester United de Law, Charlton e Best ‘esmagou’ a equipa de Eusébio, então novamente treinada por Bèlla Guttmann, em 1966, três meses antes do Mundial de Inglaterra. E o Penafiel? Depois da hecatombe caseira com o Liverpool, os penafidelenses visitaram a Luz. Imediatamente após o 1-4 com os ‘reds’, Eriksson disse-me, ainda antes de chegarmos ao balneário: «podemos ter perdido hoje o Campeonato». Era assim que o técnico sueco era, para ele ter sido eliminado, daquela forma dolorosa, pelo Liverpool, era passado, e o seu foco já estava na vitória no Campeonato e no abalo que os 1-4 podiam provocar na equipa e nos adeptos.
O jogo que se seguia era a receção ao Penafiel, um teste importante para a reta final da luta pelo ‘bis’.
O jogo da Luz com o Liverpool tinha corrido mal ao Manuel Bento. Foi ele o primeiro a entrar no relvado para o aquecimento no jogo com o Penafiel e recebeu uma calorosa salva de palmas. Nessa tarde, a equipa, naturalmente convalescente, foi acarinhada do princípio ao fim pelos adeptos, a quem retribuiu com um 8-0 e uma excelente exibição, que exorcizou fantasmas. Novamente em 4x4x2, mas dessa feita sem deixar respirar o adversário, com uma estratégia apropriada ao que estava em causa. Pazes feitas, esse Campeonato terminou com a vitória do Benfica, com três pontos de vantagem sobre o FC Porto (a vitória valia, então dois pontos, se valesse, como agora, três, a vantagem teria sido de cinco pontos).
SEM EQUILÍBRIO, NADA FEITO
Ao recordar estes episódios, espero que tenha ficado claro que para um clube com o ADN do Benfica jogar, por sistema, ao ataque, recuperar a bola depressa e galvanizar os adeptos é uma necessidade tão premente quanto respirar. Mas, só vale a pena jogar - novamente simplificando - ao ataque, se os restantes equilíbrios estiverem garantidos. Porque só há uma coisa que os adeptos do Benfica gastam mais do que jogar ao ataque (e os dos outros clubes, também…): ganhar. Não tenho dúvidas, porém, de que ao Benfica é mais ‘fácil’ chegar aos títulos se tiver uma atitude de tal forma galvanizadora que faça com que o Inferno da Luz esteja presente, como 12.º jogador, onde quer que os encarnados se apresentem."
"Depois de muitas dúvidas sobre a construção do plantel, o Benfica fez uma reta final de mercado interessante e montou um plantel que parece pronto. Mais importante: os encarnados têm uma equipa que funciona como tal, ganha de forma convincente e entusiasmante, alinhada com o futebol ofensivo que os adeptos apreciam.
Não há dúvida de que houve contratações-chave — como a do médio João Palhinha — e de que alguns jogadores estão a render muito mais do que no passado, o que nos leva à contratação mais importante da SAD para 2026/27: o treinador.
Não é por acaso que a equipa rende, parece ter fome de resultados e que os mesmos jogadores da época passada pareçam melhores. Olhando para os últimos desafios, Marco Silva tem lançado sistematicamente um onze inicial onde só entram dois reforços — o médio Palhinha e o defesa-central Clément Lenglet. Os outros transitaram e têm apresentado um rendimento que, inclusivamente, tem atrasado de certa forma a entrada em cena de alguns novos jogadores e de outros que regressaram mais tarde após a participação no Mundial. E isto diz algo muito importante.
Os projetos e as equipas de futebol — tal como o plano de contratações — só fazem sentido, ou pelo menos teoricamente apenas funcionam, quando existe uma ideia muito clara do que se pretende. Marco Silva transmite isso: no modo de atuação e comunicação desde que chegou ao clube, nos jogadores que avalizou como reforços, na definição de um desenho tático preferido que vai consolidando, numa ideia de jogo e numa mentalidade ofensiva que permite um futebol atraente e, ao mesmo tempo, potencia os jogadores do plantel.
É claro que há exceções, que nem todos respondem bem ou no mesmo timing, mas percebe-se o sentido deste Benfica de Marco Silva. Algo que, por exemplo, tínhamos alguma dificuldade em interpretar quando José Mourinho comandou a equipa ou, recuando ao estilo mais atacante de Roger Schmidt — que teve grande impacto na primeira temporada (o Benfica conquistou o título) e também entusiasmava —, mas que pareceu sempre pouco maleável, estático e sem capacidade de evoluir, do ponto de vista do treinador, a diferentes contextos de exigência.
Não quer isto dizer que o Benfica seja um mar de rosas ou que Marco Silva seja o melhor de todos; quer dizer, apenas, que o treinador do Benfica agregou, apontou o caminho e vai dando passos seguros, com as chuteiras na relva e os olhos no futuro. Quando se parte de um início sólido e transparente, tudo parece ficar mais fácil. Depois, depois será futebol e singularidades do futebol português. Mas importante é que não existam dúvidas e Marco Silva ou não tem, ou parece ter poucas."
"Quem me acompanha sabe que gosto de analisar o fenómeno do futebol dentro de duas dimensões que se cruzam cada vez mais: a desportiva e a financeira. Para os três grandes, os jogadores jovens podem representar simultaneamente rendimento desportivo e valor financeiro. A diferença está na capacidade de cada clube para os potenciar, manter e decidir o momento certo para os transformar em milhões.
No artigo de hoje vou analisar quais os jogadores dos plantéis de FC Porto, Sporting e Benfica que melhor simbolizam este binómio entre rendimento desportivo e valor financeiro.
FC Porto: o potencial em mãos
A estratégia dos clubes portugueses deveria passar sempre por dar espaço a jogadores jovens, da formação ou contratados, para serem potenciados a nível desportivo e, em consequência, tornarem-se também uma mais-valia financeira.
Se analisarmos o contexto do clube quando Villas-Boas assumiu a presidência, percebemos que a situação financeira era, e ainda é, muito complexa. Como tal, quem gere tem de definir uma estratégia que permita ao clube manter-se competitivo desportivamente e, em simultâneo, criar condições para melhorar financeiramente.
A revolução no plantel feita no último ano foi o caminho escolhido. Passou por ter mais jogadores jovens no plantel, capazes de se transformarem rapidamente em ativos financeiros determinantes para a vida do clube.
O FC Porto tem vários jogadores jovens que são titulares com frequência. Até aos 22 anos e já com muitos minutos de jogo, estão Alberto Costa, Martim Fernandes, Samu, William Gomes, Pietuszewski e Froholdt. Sem dúvida que os últimos quatro são os que podem valorizar-se mais.
Samu está a regressar, é avançado e, por norma, os avançados são os jogadores mais pretendidos. Tem o handicap de ter sido um investimento elevado, o que reduz o impacto de uma mais-valia. William Gomes e Pietuszewski jogam nas alas e trazem magia e agressividade. Pela idade que têm e pela evolução que têm vindo a demonstrar, podem ser figuras este ano e gerar um grande encaixe no futuro.
Para o fim deixo Froholdt, que foi o melhor jogador da Liga no último ano. É um médio com muita capacidade física e qualidade técnica. De todos, é o mais determinante na equipa do FC Porto. Já se valorizou muito e poderá continuar a crescer.
O FC Porto tem este potencial em mãos. Conforme as condições financeiras vão melhorando, o objetivo passará por aguentar o maior número de anos possível estes jogadores no plantel e tirar proveito da sua capacidade desportiva. A acrescentar a todos estes jovens jogadores, o FC Porto tem ainda Diogo Costa, que pode render muitos milhões em caso de necessidade e é uma enorme garantia desportiva.
Sporting: jovens à procura do estatuto
O mercado que o Sporting fez demonstrou ousadia, mas também um objetivo bem definido: tornar o plantel mais jovem, enquadrar os custos salariais dentro da realidade do clube e ter qualidade que possa encaixar na realidade financeira e desportiva.
Assim sendo, até aos 22 anos, destaco os jogadores que podem ser titulares: Fresneda, Debast, Ibrahima Ba, João Simões, Luís Guilherme, Irankunda, Doumbia e Flávio Gonçalves. Ao contrário do FC Porto, apenas Doumbia tem, nesta fase, o estatuto de titular indiscutível. Com a recente revolução implementada por Frederico Varandas e a sua equipa, todos os outros podem ter espaço de afirmação.
De todos estes e ao dia de hoje, destaco dois: Doumbia e Flávio Gonçalves.
Doumbia é um jogador físico, com qualidade técnica, que ainda é jovem e tem muito potencial de crescimento. Pode fazer parte da nova seleção italiana, o que lhe poderá trazer uma valorização acrescida. No Sporting tem o contexto perfeito para se poder assumir internamente e nas competições europeias.
Flávio Gonçalves é um jogador diferente. Destaca-se pela sua qualidade técnica, por ver as coisas primeiro que os outros e pela naturalidade com que se desloca no relvado. Não é um jogador físico, pelo contrário, mas fica na retina de quem gosta de futebol. Tem magia e sabe utilizá-la.
Para que possa crescer, será importante que Rui Borges não olhe a estatutos no momento de tomar decisões. Se assim o fizer, acredito que Flávio Gonçalves irá tornar-se uma peça muito importante no Sporting, tanto ao nível desportivo como financeiro.
Benfica: risco muito concentrado
De todos, o Benfica é o que tem menos jogadores com minutos dentro desta faixa etária. Há três em quem o Benfica pretende apostar: José Neto, Anísio e Banjaqui, apesar de me parecer que apenas o último poderá ter, este ano, o seu espaço para se afirmar. Além de Banjaqui, acrescento Circati, que vem com experiência da liga italiana. Echeverri e Gonçalo Moreira aparentam ter muito talento, mas não consigo percecionar o tempo de jogo que poderão ter.
Para o fim guardei dois jogadores que estão a ter uma enorme preponderância na equipa: Schjelderup e Prestianni. Com a chegada de Marco Silva, estes dois jogadores parecem ter o espaço e o contexto ideal para evoluírem. Sentem-se importantes na equipa e têm a confiança do treinador. A equipa tem um futebol dominador que vai ao encontro das caraterísticas dos dois jogadores.
Num ano em que o Benfica ficou de fora da Liga dos Campeões e em que não conseguiu, ou não se preocupou, em reduzir custos, o equilíbrio financeiro poderá passar por estes dois. O que tem acontecido nos últimos anos é que o Benfica aproveita os atletas jovens que se afirmam durante um ano e depois acaba por ter necessidade de os vender por uma questão financeira.
Ao contrário de FC Porto e Sporting, a margem de escolha do Benfica passa, neste momento, sobretudo por estes dois jogadores, com uma dificuldade adicional: o contrato de Schjelderup termina em 2028, o que faz com que a margem para gerir este processo esteja a diminuir.
A valorizar: Hugo Oliveira
Depois de dois anos de muita qualidade no Famalicão, Hugo Oliveira abraçou o projeto do Estrasburgo. Apesar da derrota expressiva na primeira jornada, conseguiu duas vitórias importantes, que lhe valeram a nomeação para melhor treinador da última jornada, e um empate frente ao candidato Mónaco. Olhando para trás o Famalicão parece ter muitas saudades…
A desvalorizar: 'France Football'
Deixar Diogo Costa fora dos 10 melhores guarda-redes do ano não faz sentido. Ainda menos faz quando olhamos para os nomeados. Com estas decisões a credibilidade destes prémios será cada vez mais colocada em causa."
"O Benfica recebe o Gil Vicente, às 18h00, no Estádio da Luz, numa partida da 6.ª jornada da Liga Betclic. Este é o destaque da BNews.
1. Somar três pontos
Marco Silva refere a abordagem para o embate desta tarde: "Desde sexta-feira a trabalhar forte para que possamos ser iguais a nós mesmos, tentar ganhar o jogo, conseguir os três pontos, que é o nosso grande objetivo."
2. Triunfo inaugural
A equipa feminina de futebol do Benfica estreou-se na Liga BPI 2026/27 com uma vitória, por 3-0, ante o Racing Power.
3. Outros resultados – Formação
A equipa B venceu por 0-3 no reduto da Académica. Os Juniores e os Juvenis obtiveram vitórias caseiras frente a Farense (5-1) e a Torreense (6-0), respetivamente.
4. Outros resultados – modalidades
Em futsal no masculino, triunfo benfiquista, por 4-1, ante o UP Venda Nova. Em andebol, a equipa masculina foi derrotada pelo FC Porto (33-37) e a equipa feminina venceu, por 20-31, na visita ao ABC.
5. Jogos do dia
Além da receção ao Gil Vicente em futebol (18h00), a equipa feminina de futsal desloca-se ao Feijó (19h00). Nesta manhã houve dérbi com o Sporting em Iniciados no Benfica Campus.
6. Chamadas internacionais
Quatro jogadores do Benfica integram a mais recente convocatória da seleção nacional Sub-15.
Kristupas Liutvinas esteve em ação pelos Sub-17 da Lituânia.
7. Red Pass Modalidades
O novo período de vendas começa no dia 14 de setembro.
8. Treinos de captação de râguebi
Iniciativa do SL Benfica destina-se a jovens nascidos entre 2009 e 2020, com ou sem experiência na modalidade.
9. Trabalhos arrancam
A equipa feminina de polo aquático do Benfica já prepara a nova época.
10. 20 anos do Benfica Campus
Veja o 10.º e o 11.º episódios da série dedicada ao 20.º aniversário do Benfica Campus."
Sobre a pressão do Porto para afastar Fábio Verissimo do clássico da Taça de Portugal, em Janeiro, há duas coisas que devem ser reconhecidas. Esse arbitro nunca deveria ter sido nomeado para esse jogo, porque mantinha um contencioso com o Porto. Entrou em campo, condicionado.
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) September 13, 2026
Assim que terminou o Casa Pia - FC Porto, o clube da lufada de ar fresco começou logo a disputar o classico de domingo. Nada temam, há sempre um Luciano Gonçalves pronto a dar uma ajuda e um Fábio Verissimo qualquer a sair da cartola do CA. Que sujeira. pic.twitter.com/TdkZo10ytT
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) September 13, 2026