Últimas indefectivações

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Para alguns, foi de raspão!!!

FOI DIFÍCIL MAS FOI LINDO!


"Benfica 3 - 1 Gil Vicente

PRÉ-JOGO
Ideias escritas antes do jogo.
1. João Gonçalves foi nomeado para a Luz cinco dias depois de ter feito novos testes físicos - tinha chumbado nos primeiros. Trata-se, pois, de mais uma nomeação contra a lógica e o bom senso, mais uma pouca-vergonha à lá Luciano Gonçalves. Depois de várias semanas na prateleira, recomendava-se que o apitador voltasse a dirigir um grande após uns jogos de menor responsabilidade, para assim readquirir a boa forma. Lembrança aos mais distraídos - e reporto-me apenas à época 25/26: foi este o árbitro do pontapé de baliza transformado em canto que deu a vitória ao Sporting com o Santa Clara nos Açores e foi também ele que anulou o golo da nossa vitória em Braga ao assinalar uma falta inexistente ao Ríos.

2. Fora de Portugal, vou acompanhar o jogo pela televisão com a inveja boa dos que vão ao estádio e antes passam pela fanzone para respirar Benfiquismo do mais puro e beber um copo - ou mais! - à saúde do Benfica e de todos os que por ali se juntam ‐ é sempre assim, jogo após jogo.

3. Marco Silva a seguir uma das mais velhas máximas do futebol: em equipa que ganha não se mexe. Ou mexe: há que garantir Palhinha no Dragão e para isso nada melhor do que evitar percalços desnecessários. Se o jogo pedir, ele entra.

JOGO
Apontamentos escritos em direto e publicados imediatamente após o final do jogo.
4. Entrámos rápidos com jogadas de algum perigo na área do Gil, mas eles foram rápidos a adiantar-se no marcador. Linha defensiva de fora de jogo a meter um deles... em jogo, e Samu a não fazer bem a mancha: zero-um. Trabalhos acrescidos e o Gil é equipa que sofre poucos golos.

5. Lance duvidoso com Prestianni na área, as repetições não mostram que haja claramente falta, vamos dar de barato. O melhor dos primeiros 15 minutos: a rápida e sufocante reação à perda da bola. Entrada de pitons na perna do Banjaqui sem bola jogável para o homem do Gil não é sequer amarelo?

6. Prestianni está mesmo numa forma brutal. Esta assistência para o Pavlidis concluir na pequena área de cabeça devia contar para as estatísticas: que culpa tem ele que o grego-goleador não tivesse metido a bola açucarada - tão fácil! - na baliza?

7. PA-VLI-DIIIIIIIIS!!! Mas que fineza de conclusão por gentileza de Prestianni que tinha a baliza escancarada e deixou para o grego-goleador somar mais um ao pecúlio gordo da época! O VAR tanto tempo à procura de quê? De um milímetro? Validado! Vamos lá!!!

8. Dos pés do Prestianni sai sempre coisa boa - que máquina! (Desculpem a insistência nas notas sobre o miúdo, mas é mesmo inevitável.) Evidências: é diferente jogar com Enzo ou jogar com Palhinha; Barreiro não apareceu ainda no jogo; o mesmo se pode escrever relativamente ao Rafa - e a primeira parte está a chegar ao fim.

9. Segunda parte tem que ser mais conseguida. Jogámos tão bem nos batatais do Funchal e de Moreira de Cónegos, na nossa alcatifa verde temos que fazer no mínimo igual. Vêm aí os craques, vamos atacar para a 'baliza-grande', não me façam sofrer muito, sff, que já não vou para novo.

10. Banjaqui tem combinado razoavelmente bem com Rafa, mas falta ali qualquer coisa para que as jogadas tenham sequências mais perigosas. Coro de assobios para as tochas: há como não assobiar? Eles cada vez mais fechados, cada vez mais recuados, cada vez há menos espaço para atacar a baliza e o tempo joga a favor deles. Não sei se o jogo não está a pedir o Durán.

11. Palhinha lá para dentro. Aursnes também. Marco vai trocando impressões com o adjunto: o que fazer mais qu'esta porra continua empatada? Schjelderup não está nos seus melhores dias... e Palhinha já está amarelado. Assim se percebe porque não entrou no onze. Mas para eles o critério do apitador é diferente, vergonhosamente diferente, manhosamente diferente.

12. Ai o que o Pavlidis acabou de perder agora, atirou sem oposição, forte, mas à figura, era outra vez em jeito, Vangelis! A impaciência já tomou conta da Catedral - e como não? O pior é que isto passa inevitavelmente lá para dentro. Entram Echeverri e Lukebakio.

13. Chegámos aos 80 min. Finalmente Durán, para o lugar de Banjaqui. É o tudo ou nada. Eles a causarem um calafrio e depois o Prestianni a sofrer a enésima falta. Sucedem as jogadas de perigo na área do Gil, mas... e os golos, caraças, cadê os golos?

14. Prestianni com uma das dele com estrondo na barra e na sequência penálti indiscutível sobre Aursnes, sem sombra de dúvida, indiscutível, não haveriam manhas que pudessem evitar a marcação deste penáltizão. Não perdoes, Pavlidis, pff não perdoes, crl! Estamos na frente: PA-VLI-DIS!!! PA-VLI-DIS!!! PA-VLI-DIS!!!

15. Fdx, que grande mancha do Samu, esta sim, foi com tudo para segurar os 3 pontos, foi gigante! E, já de seguida, mais um coelho tirado daquela fabulosa cartola do PRES-TI-ANNI! Que coisa mais linda, vales ouro! E vales o nosso definitivo descanso, és o maior!!!

Vitória dificílima, arrancada a ferros, mas tão, tão justa, justíssima, daquelas em que se põe à prova o estofo de campeão de uma equipa. Belo exame em que passámos com nota alta."

Estrelinha, todos os campeões a têm. O Benfica também já encontrou a sua


"Ganhar mesmo quando não se joga bem: eis uma característica de todos os reais candidatos ao título. O Benfica não fez a exibição mais esplendorosa da temporada. Ainda assim, venceu um Gil Vicente que cedo se colocou em vantagem na Luz e que se soube defender até aos minutos finais, altura em que o pequeno Prestianni demoliu a muralha (3-1)

O Estádio da Luz tornou-se num polo de referência da estética futebolística. Marco Silva mudou as configurações de uma equipa enfadonha e deu-lhe um ar lépido. A área vermelha da Segunda Circular passou a parecer o local mais seguro do mundo. Ainda assim, contrariando tal sentimento, algumas peças de roupa têm desaparecido do estendal.
O Benfica sofreu golos em cinco dos seis jogos que realizou em casa esta temporada. O jogo contra o Gil Vicente engordou ainda mais estes números. A tendência para dar metros de vantagem ao corredor da pista ao lado quase tinha consequências. Os encarnados chegaram mesmo a parecer desesperados, reclamando em excesso com o que não podiam controlar.
É uma característica intrínseca dos campeões: ganharem mesmo nos dias maus. O desfecho do jogo contra o Gil Vicente ia ditar se o Benfica era só estética ou se também tinha a fibra de um vencedor. No final, a estrelinha surgiu.
Ao contrário do que costuma acontecer quando o Benfica se descuida na proteção da baliza, desta vez, os encarnados ainda não tinham marcado um punhado de golos que compensasse um pequeno lapso. O jogo nem levava tempo suficiente para isso sequer quando Héctor Hernández colocou o Gil Vicente em vantagem, aos 7’.
Diga-se que a não titularidade de João Palhinha, em detrimento de Enzo Barrenechea, abria espaço a uma maior exposição da defesa. Gil Martins conduziu à vontade sem que nenhum médio encarnado o impedisse de atacar a última linha e fazer uma cirúrgica assistência para Héctor Hernández.
O que a maior desenvoltura posicional de Enzo Barrenechea trouxe de negativo acabou por ser compensado no lance da igualdade. O argentino forçou um passe picado que acabou mal aliviado pela equipa de Barcelos. Pavlidis aproveitou para empatar com um toque de classe no desenvolvimento de uma jogada que também passou por Prestianni.
O jogo tornou-se quezilento devido à leviandade disciplinar do árbitro para com entradas agressivas. O conjunto de Luís Pinto viveu bem com a urgência de defender a grande área. Jonathan Buatu e Marvin Elimbi contaram com o reforço de Zé Carlos e Andreas Lausen para preencherem o espaço central.
A menos de dez minutos do final, a genialidade de Prestianni encravou no poste. Um hipotético grande golo resultaria em algo bem maior. Tidjany Touré calculou mal a trajetória do ressalto em forma de balão e derrubou Aursnes. Aos 87’, Pavlidis descansou a Luz. Para disfarçar as dificuldades sentidas ao longo do encontro, Prestianni replicou o remate, mas endireitou ligeiramente a trajetória. Desta vez, não errou o alvo."

Prestianni não deixa que os outros parem de acreditar


"Jovem argentino continua a ser o farol da equipa pela persistência mesmo quando as coisas não lhe estão a correr na perfeição e esteve em dois golos e no penálti. Pavlidis e Samuel Soares foram decisivos

O MELHOR EM CAMPO: GIANLUCA PRESTIANNI, 7
A lição dos gilistas estava bem estudada. Sempre que a bola entrava diretamente nos canais, sobretudo em Rafa e em Prestianni e estes se encontravam de costas para a baliza de Lucão, a pressão era imediata e agressiva. Sentiu dificuldades para se virar na direção certa, mas até aí foi melhorando com o decorrer do jogo. Aos 20', colocou a bola para a finalização de cabeça de Pavlidis, mas o grego desperdiçou. Nove minutos depois, foi a sua presença na área, que tantas vezes ensaiou sorrateiramente com Schjelderup, que obrigou Esgaio a um mau corte para o 1-1, assinado com classe por Pavlidis. Na reta final, mesmo cansado, voltou a ser procurado pelos colegas e respondeu: bola à barra aos 86', participação na jogada que resultou no penálti sobre Aursnes logo depois e mais um golaço, ao seu estilo, já na compensação.

SAMUEL SOARES (6) — Um golo sofrido num 1x1 complicado, um ou outro susto e a defesa mais importante da noite, aos 90+2', a sair rápido dos postes para evitar o 2-2 perante Lausen.

BANJAQUI (5) — Primeiros minutos de grande participação no ataque, com Rafa e Barreiro por perto, mas a chama apagou-se com o golo do Gil Vicente, em que divide, embora não em partes iguais, a culpa com os centrais. Tornou-se um pouco trapalhão no 1x1 e ganhou poucos duelos na largura, perante a presença de Gil Martins, e nota-se que precisa de crescer em confiança para alcançar o potencial que todos lhe reconhecem.

TOMÁS ARAÚJO (5) — A exemplo do que aconteceu com o colega do lado, esteve bem melhor com a bola nos pés, do que sem ela. Dificuldades no alinhamento com Banjaqui no golo sofrido, o que permitiu o sucesso do passe nas suas costas. Continuam as dificuldades nos duelos, mas fundamental na quebra de linhas de pressão com o passe, fazendo entrar diretamente a bola nos canais interiores, em Rafa ou Prestianni.

LENGLET (6) — Era o único dos envolvidos no golo gilista que tinha a visão completa do que se estava a passar. E travou quando devia ter ido à dobra. No entanto, meteu inúmeros passes verticais, que fizeram a equipa embalar.

DAHL (5) — Aquele passe desastrado perto do fim, podia ter comprometido a reviravolta da equipa, mas não é só isso. Percebe-se que seja um dos pontos de equilíbrio de uma equipa que muito se projeta, mas foi claramente insuficiente no ataque, quando a equipa tinha de desmontar uma linha de 5. Esforçado e pouco mais.

BARREIRO (5 )— As movimentações de sempre, desta vez quase sempre bem bloqueadas, com os gilistas a retirarem a profundidade ao ataque encarnado. Na única que passou, aos 9', cabeceou por cima, após bom passe de Lenglet. Saiu, sem surpresa, aos 58'.

ENZO (4) — Voltou à sua pior versão, sendo incapaz de travar as saídas gilistas para o ataque. O amarelo aos 12', por entrada tardia sobre Zé Carlos, deu o mote para exibição cinzenta. E que poderia ter tido outro tom, se tivesse cabeceado bem logo aos 3'.

RAFA (4) — Muito apagado. Raramente se conseguiu virar sob pressão e acelerar. Quase sempre ausente do fluxo ofensivo, à exceção do arranque, acabou por ficar tempo a mais em campo, com o treinador à espera de um rasgo que valesse a paciência. O elo mais fraco há alguns jogos. Ainda assim, um ou outro momento de atenção na reação à perda.

SCHJELDERUP (6) — Voltou a ser titular e, apesar de a química com Prestianni continuar a ser muito de valorizar, não esteve propriamente feliz. Todavia até isso tem aprendido com o argentino: é preciso continuar a tentar.

PAVLIDIS (7) — O grego é capaz do melhor momento de requinte técnico, como no 1-1, como de ser demasiado cru na finalização, caso das claras oportunidades falhadas aos 20' e 68', com a bola nesta última jogada a vir ter consigo após um ressalto. Acabou por bisar de penálti e manter o belo arranque de temporada, mas pode melhorar na definição das jogadas.

AURSNES (6) — Entrou, recebeu a braçadeira de Tomás Araújo e tocou a reunir. Aos 86', viu uma bola alta e acreditou que podia ganhá-la. E assim sofreu o penálti que garantiu a reviravolta.

PALHINHA (5) — O amarelo na primeira falta condicionou-o. Ainda assim, útil como sempre.

ECHEVERRI (6) — Chegou e assumiu a bola, sem medos. Tentou inúmeras combinações, mostrou a utilidade que pode trazer em espaços curtos. Bons sinais.

LUKEBAKIO (-) — Entrou a recuperar a bola e a Luz vibrou, mas a definição dos cruzamentos continua débil.

DURÁN (-) — Entrou para o assalto final."

O aviso da véspera não dispensou o 'Auto de Fé'


"Marco Silva alertou para as dificuldades que a época vai apresentar e o Benfica não esteve longe de deixar fugir mais dois pontos em casa, mas acabou a dar a volta ao Gil Vicente com golos ao cair do pano

Embora seja conhecido sobretudo pela Trilogia das Barcas e pelo Auto da Índia, Gil Vicente escreveu também o Auto da Fé, título que se adapta bem ao sofrido triunfo do Benfica sobre a formação que presta homenagem ao dramaturgo.
Foi na crença que a equipa de Marco Silva conseguiu dar a volta ao jogo, disfarçando assim uma exibição menos empolgante do que as anteriores. Há dias assim, mas desta feita o Benfica venceu, ao contrário do que tinha sucedido nas visitas a St. Gallen e Hearts, as ocasiões anteriores em que também esteve em desvantagem.
Marco Silva já tinha colocado um travão na euforia, de véspera, ao avisar que o caminho é longo e que as águias ainda terão de ultrapassar duras batalhas. O golo de Héctor Hernández, logo ao minuto sete, fez ver aos adeptos que a conversa é para levar a sério.
Organizada defensivamente em 5x2x3, a formação orientada por Luís Pinto reforçou a última linha, acautelando até os movimentos de rutura de Leandro Barreiro, mas destacou-se sobretudo pela forma como preencheu o corredor central, reduzindo a influência de Prestianni e Rafa.
O Benfica só entrou no jogo quando Prestianni e Schjelderup começaram a associar-se pela esquerda, até porque a estratégia do Gil Vicente procurava canalizar o adversário para o lado oposto.
As águias sentiram muitas dificuldades para criar situações de finalização e tiveram alguma felicidade no lance do empate, assinado por Pavlidis (29'), embora o grego já antes tivesse desperdiçado soberana ocasião para marcar, então de cabeça (20').
O Benfica mostrou-se também mais passivo na reação à perda, até porque Enzo Barrenechea não tem a área de influência de Palhinha, lançado por Marco Silva apenas ao minuto 58, juntamente com Aursnes.
Os encarnados melhoraram a partir daí, até porque o Gil Vicente nada incomodava ofensivamente, a ponto de fazer o segundo remate ao minuto 70. Pouco antes Pavlidis ficou a lamentar uma finalização à figura de Lucão, quando tinha tudo para consumar a reviravolta, e Schjelderup também ficou perto do golo na cobrança de um livre direto.
Lukebakio teve também entrada positiva, mais tarde, mas foi o estreante Claudio Echeverri, que entrou a par do belga, a deixar sinais mais promissores.
Isto falando dos jogadores que saíram do banco, pois o destaque global voltou a ser outro argentino. É verdade que foi um bis de Pavlidis a garantir a reviravolta do Benfica, na cobrança de um penálti a o minuto 88, a punir falta ingénua de Touré sobre Aursnes, mas segundos antes os ferros da baliza do Gil Vicente tinham abanado com um remate espetacular de Gianluca Prestianni. Aquele movimento típico, a levar a bola da esquerda para o meio, que repetiu mais tarde para fechar as contas do jogo com um golaço aos 90+3.
Um minuto antes o Gil Vicente tinha deixado o público da Luz em suspenso, por segundos, mas Samuel Soares fez-se maior do que no lance do golo de Héctor Hernández e saiu aos pés de Andreas Lausen para evitar o empate.
O Benfica respirou depois de alívio com o 3-1 de Prestianni, mas o jogo com o Gil Vicente veio reforçar o aviso deixado de véspera por Marco Silva: o caminho é longo, mas é sempre melhor analisar o sacrifício com a satisfação de ganhar."