"A merecida vitória da Espanha
no Mundial confirma uma verdade muitas vezes esquecida:
o futebol é um desporto de
equipa.
A Argentina tinha porventura a
maior estrela. A França tinha o
maior conjunto de estrelas.
Outras equipas tinham também
as suas individualidades. Portugal teve uma estrela cadente e
alguns grandes jogadores espalhados pelo campo sem critério.
Aquele que era tido como o
grande craque da selecção
espanhola, o jovem Lamine
Yamal, começou o torneio a
recuperar de lesão, e só a espaços mostrou a sua classe. O que
a Espanha mostrou sempre, a
tempo inteiro, foi um bloco
muito sólido, tacticamente bem
trabalhado, que em 8 jogos apenas sofreu 1 golo, e que, com as
suas movimentações, com rotinas criadas desde há muito (das
camadas jovens até à selecção
principal), se superiorizou, um a
um, a todos os adversários que
foi encontrando pelo caminho –
entre os quais, como sabemos,
a equipa portuguesa. Aliás, já no
último Europeu, com o mesmo
treinador (um homem bastante
discreto), e com um onze praticamente igual, os nossos vizinhos ibéricos haviam levado a
melhor. São agora campeões da
Europa e do Mundo com todo o
mérito.
Uma equipa de futebol assemelha-se a uma máquina, que
necessita de 11 peças (e naturalmente de peças suplentes),
cada uma com a sua finalidade
– as quais, se colocadas nos
sítios certos, constroem um
todo mais forte do que a soma
das partes. Não adianta juntar
peças de ouro ou de prata se a
máquina não estiver bem desenhada e oleada. Sendo que o
desenho perfeito demora tempo
a fazer.
Isto é válido também para o
nosso Benfica, que precisa
agora de desenhar a sua máquina de novo. Para isso, não
necessitamos de peças de ouro,
mas sim das peças certas.
E, naturalmente, de tempo para
olear as rotinas, e construir o
bloco sólido e ganhador que
todos desejamos."
Luís Fialho, in O Benfica


