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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Espanha exemplar


"A merecida vitória da Espanha no Mundial confirma uma verdade muitas vezes esquecida: o futebol é um desporto de equipa.
A Argentina tinha porventura a maior estrela. A França tinha o maior conjunto de estrelas. Outras equipas tinham também as suas individualidades. Portugal teve uma estrela cadente e alguns grandes jogadores espalhados pelo campo sem critério. Aquele que era tido como o grande craque da selecção espanhola, o jovem Lamine Yamal, começou o torneio a recuperar de lesão, e só a espaços mostrou a sua classe. O que a Espanha mostrou sempre, a tempo inteiro, foi um bloco muito sólido, tacticamente bem trabalhado, que em 8 jogos apenas sofreu 1 golo, e que, com as suas movimentações, com rotinas criadas desde há muito (das camadas jovens até à selecção principal), se superiorizou, um a um, a todos os adversários que foi encontrando pelo caminho – entre os quais, como sabemos, a equipa portuguesa. Aliás, já no último Europeu, com o mesmo treinador (um homem bastante discreto), e com um onze praticamente igual, os nossos vizinhos ibéricos haviam levado a melhor. São agora campeões da Europa e do Mundo com todo o mérito.
Uma equipa de futebol assemelha-se a uma máquina, que necessita de 11 peças (e naturalmente de peças suplentes), cada uma com a sua finalidade – as quais, se colocadas nos sítios certos, constroem um todo mais forte do que a soma das partes. Não adianta juntar peças de ouro ou de prata se a máquina não estiver bem desenhada e oleada. Sendo que o desenho perfeito demora tempo a fazer.
Isto é válido também para o nosso Benfica, que precisa agora de desenhar a sua máquina de novo. Para isso, não necessitamos de peças de ouro, mas sim das peças certas. E, naturalmente, de tempo para olear as rotinas, e construir o bloco sólido e ganhador que todos desejamos."

Luís Fialho, in O Benfica

Editorial


"1. “Virar na Luz” é o título de capa deste jornal O Benfica e o mote para o jogo da 2.ª mão com a equipa suíça do St. Gallen. O treinador Marco Silva é elucidativo: “A nossa obrigação é dar a volta, é o que vamos fazer.”

2. Nota de relevo para a reportagem que apresentamos nestas páginas sobre o Benfica Institute for Sport Excellence. Uma plataforma aberta ao conhecimento, à investigação e à inovação. O objetivo passa por partilhar com a sociedade, instituições de ensino e outras organizações corporativas o que de melhor o Benfica sedimenta em termos de desenvolvimento de talento, num saber-fazer que coloca o Benfica Campus como a melhor academia do mundo. Uma iniciativa pioneira num projeto que posiciona o Benfica na vanguarda da formação.

3. Nesta semana, assinalamos igualmente mais um episódio da Zona Mística, com Diogo Rafael. Impressiona a humildade de quem durante 22 anos fez história no Benfica e deixou um legado de dedicação, títulos e benfiquismo. Um percurso imenso que culmina com a entrega ao Museu Benfica – Cosme Damião de vários objetos que simbolizam uma relação especial. Diogo Rafael expressa na entrevista o imenso orgulho que foi ter envergado por mais de duas décadas o manto sagrado. O Benfica será sempre grato a Diogo Rafael por tudo o que nos deu. Para sempre um dos nossos! Vale a pena ler neste jornal e acompanhar nas nossas redes.

4. Ponto de luz para o trabalho com Inês Nunes, neste que é o fim de carreira de uma das atletas mais marcantes do polo aquático do Benfica. A frase-chave de um trajeto notável de uma heptacampeã: a estrutura do Benfica não é comparável à de qualquer outro clube."

Pedro Pinto, in O Benfica

Benfica que junta!


"A dimensão universal do Sport Lisboa e Benfica não se mede apenas pela sua história ímpar, pela estatura das suas figuras mais icónicas, ou pelo número e geografia dos seus adeptos. Mede-se também, como é próprio dos verdadeiramente grandes, pela sua capacidade de transformar a força do seu nome em proximidade, esperança e oportunidades concretas na vida comum.
É por isso particularmente importante que a mão solidária e firme do Benfica se estenda para lá de Lisboa ou mesmo de Portugal, sobretudo para os países de expressão portuguesa, com propósito e força transformadora. Quem o faz é a Fundação Benfica, garantindo aos sócios e adeptos que o seu Benfica, tão vibrante e envolvente nestes países, desenvolve projetos concretos de apoio humanitário e desenvolvimento social, tornando-se parte da sua sociedade civil e atuando com os seus pares em prol de todos. Partilhamos uma língua, uma história comum e uma identidade que aproxima, numa mesma pertença, comunidades separadas por milhares de quilómetros. Essa relação é uma oportunidade e mesmo uma responsabilidade para um clube do povo, que galvaniza o povo e os povos. Uma responsabilidade que pode e deve traduzir-se em cooperação, respeito e compromisso para o futuro.
Cabo Verde ocupa, neste caminho, um lugar especial. Na cidade da Praia iniciou-se neste ano o projeto Djunta Mon, promovido pela Fundação Benfica em parceria com a Fundação Dretu. O próprio nome encerra o essencial: juntar as mãos, mobilizar vontades e construir respostas com as pessoas, e não apenas para as pessoas. Mais do que uma ação humanitária e pontual, que também faz, o Djunta Mon é um projeto de desenvolvimento humano que pretende reforçar competências, criar oportunidades e apoiar crianças, jovens, famílias e comunidades na construção do seu próprio futuro. É esta lógica de continuidade que dá verdadeiro sentido à intervenção social da Fundação Benfica e é nela que radica a essência da Mística Benfiquista: a pertença e a conquista coletiva que valoriza cada um, a procura incessante da melhoria contínua, a verdade e a Justiça.
Quando o Benfica chega a Cabo Verde desta forma, não leva apenas um emblema reconhecido, leva sobretudo valores, responsabilidade e a vontade de estar presente onde a sua história e a sua comunidade também vivem. Porque falar português é também partilhar caminho, e ser Benfica é também juntar as mãos e a forma mais bela de transformar essa pertença em futuro."

Jorge Miranda, in O Benfica