Últimas indefectivações

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Ouro, Prata e Bronze


Três medalhas nos Europeus de Canoagem de velocidade, disputados este fim-de-semana em Montemor-o-velho.

O Pimenta continua a conquistar Ouro a nível internacional, desta vez no k1 5000m. Na categoria-rainha ficou-se pelo Bronze nos K1 1000m.

O Messias Baptista, no K1 200m, conquistou a Prata!

No K2 500m, com o Messias e o João Ribeiro, ficaram perto do pódio, no 4.º lugar. Tal como o K4 500m, com 4 benfiquistas, Gustavo Gonçalves, Pedro Casinha, João Ribeiro e o Messias Baptista, onde também ficaram no sempre frustrante 4.º lugar!

Desastre...

Corruptos 75 - 71 Benfica
18-17, 19-18, 18-22, 20-14

Algum dia tínhamos que deixar de ganhar, mas muito sinceramente, esta perda do título máximo, foi totalmente desnecessária! Durante a época houve muitas lesões, mas a equipa chegou toda disponível a esta Final... e o primeiro jogo, demonstrou que as condições para a vitória existiam, mas entrámos em modo relaxamento/azelhice contra um adversário com um Americano que fez três jogos praticamente perfeitos nos Triplos e com o Benfica a perder a guerra dos ressaltos do nosso lado do campo! Resultado final: desastre!

Iniciados - 17.ª jornada - Fase Final


Benfica 3 - 0 Tondela
G. Tavares, Lima(2)


Mais uma vitória, com várias estreias, na penúltima jornada do campeonato...

BI: Jogadores a observar no Mundial | Benfica 26/27

Terceiro Anel: Mundial ´- Espanha

Rol de ladrões (o Narciso em 2.º lugar só pode ser piada)!!!

Zero: Mercado - Leão não desiste de Yeremay

BF: Marco Silva...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Brasil foi surpreendido, mas encontrou-se para evitar o pior

Marco Silva e o benfiquismo de cada um


"Chegou com a célebre frase «quem é o treinador que diz não ao Benfica?» e prontamente abraçou um acordo com uma cláusula de ética (?) para os dois lados.
Foi um dos 93 mil associados que fizeram história na primeira volta da recente eleição presidencial encarnada e fez valer o peso dos seus 20 votos.
Referiu que tinha «99 por cento de hipóteses de continuar» e abriu o coração ao revelar que «andou a carreira toda a disfarçar o que sentia pelo Benfica».
Terminou, entretanto, a ser publicamente trunfo eleitoral do Real Madrid e a aparecer com a camisa merengue no vídeo promocional de Florentino Pérez.
O benfiquismo de José Mourinho de pouco valeu ao término da temporada, assim como o contrato vigente com o clube - isso sem mencionar a (suposta) oferta de renovação que tinha em mãos.
Marco Silva poderia tranquilamente ter seguido o mesmo caminho de abertura, especialmente depois de Rui Costa anunciar a paixão do novo treinador pelas águias.
Preferiu, e bem, outro percurso. Ponderado. É verdade que não escondeu o peso do «lado emocional» no regresso a Portugal, mas em momento algum mergulhou num discurso populista.
Ser do Benfica é uma virtude, e eu compreendo - igualmente para aqueles que são do FC Porto, do Sporting, do Corinthians, entre outros. Não é, de todo, uma característica, tampouco um requisito básico para trabalhar no mais alto nível.
Sentar naquela que para muitos é a cadeira dos sonhos acaba por ser uma honra, um orgulho e uma responsabilidade. Correto. No fundo, é mais do que isso. É para quem tem qualidade e fez por merecer, o que (também) é o caso de Marco Silva."

Portugal: o mesmo sonho, dois discursos


"Não me parece fazer sentido que o presidente tenha um discurso e os jogadores e treinador outro. Para se ter sucesso num Mundial é necessário que todos estejam em sintonia e não existam dois caminhos diferentes dentro do grupo e estrutura da FPF.

Na sexta-feira, a nossa Seleção partiu rumo ao Mundial 2026. Em Portugal, deixa uma enorme expectativa e esperança de que este pode ser o nosso ano.

Qualidade
É difícil encontrar uma seleção com tanta qualidade e experiência como esta geração. A maior parte dos nossos convocados joga fora de Portugal e nos maiores clubes do mundo. Estão habituados a lidar com a pressão semana após semana. Chegam a este Mundial com enorme experiência em grandes provas e com muita maturidade, algo que pode ser determinante para ultrapassar os momentos mais difíceis da competição. Só para termos uma noção, oito dos 27 convocados por Roberto Martínez já venceram a UEFA Champions League.
Também é importante referir o contexto da Seleção. Estes são praticamente os mesmos jogadores que, no último ano, venceram a Liga das Nações, derrotando a anfitriã Alemanha e a poderosa Espanha na final. Esta vitória traz vários aspetos positivos. O primeiro é o aumento da confiança, da credibilidade e da certeza de que conseguimos impor-nos perante qualquer adversário. O segundo é o respeito com que os outros nos olham e analisam. Por tudo isto, hoje não podemos ter receio de nos colocarmos entre os maiores candidatos a vencer a competição.

União
O Mundial é o sonho de todos os jogadores, mas também é uma prova dura que coloca à prova todos os envolvidos. Desde logo pela ausência de férias e pelo facto de passarem um mês, ou mais, todos juntos em estágio. Esta não é uma situação fácil, porque pode originar desgaste físico e mental. Os resultados poderão amplificar os aspetos negativos, em caso de derrotas, ou atenuá-los, em caso de vitórias.
Infelizmente, nunca estive numa competição desta dimensão e, como tal, não posso falar por experiência própria. Apesar disso, tenho tido a oportunidade de ouvir testemunhos de quem lá esteve e da forma como foi ultrapassando todo o cansaço e desgaste inerentes a uma competição desta natureza. De uma forma geral, os que por lá passaram, tenham tido ou não sucesso, referem que a união é fundamental. É determinante que todos percebam que a equipa é mais importante do que o individual.
Acredito que, no momento de efetuar a convocatória, Roberto Martínez tenha tido em consideração o espírito de grupo e a forma como os convocados podem e devem interagir entre si. É importante que a equipa técnica e as pessoas responsáveis pela FPF tenham atenção à gestão dos tempos mortos, de forma a que todos se mantenham ativos e com um espírito positivo.
Nem todos vão jogar com regularidade. O importante é que os jogadores percebam que todos têm um papel no grupo e que são fundamentais para o sucesso, independentemente dos minutos que possam ter. Também é determinante que o ego de cada um fique ao serviço do grupo e não o contrário.

Gestão
Após três anos de Martínez à frente da nossa Seleção, não podemos dizer que jogamos um futebol que corresponda à dimensão do valor individual dos nossos jogadores. Ao dia de hoje, coletivamente, somos inferiores à soma das nossas individualidades. Isto significa que, em conjunto, poderíamos e deveríamos ser melhores. Ainda não encontrámos uma identidade coletiva que potencie todo o talento existente neste grupo. Isto não é uma crítica, é apenas uma constatação. Contudo, é importante referir que não é por este motivo que não podemos ser felizes nesta competição, até porque há várias formas de vencer.
Por norma, gostaríamos de ter uma Seleção que jogasse um futebol controlador, ofensivo, mais mecanizado e onde as individualidades sobressaíssem mais. Também gostaríamos de ter uma Seleção que não olhasse a nomes e que o selecionador colocasse os melhores em cada momento, em função do contexto e dos adversários. Aqui não posso fugir ao grande nome mediático da nossa Seleção, mas que já não é a nossa principal referência futebolística dentro do relvado: Ronaldo.
Ninguém coloca em causa a carreira do jogador madeirense. É o melhor jogador português de todos os tempos e um dos melhores da história. Apesar disso, não é eterno. Aos 41 anos, a destreza e os reflexos já não são os mesmos. A questão é: continua a ser útil para a nossa Seleção? A minha resposta é afirmativa.
Mas, para o ser, Ronaldo tem de perceber em que ponto está hoje e reconhecer que já não é aquele jogador que resolvia jogos sozinho. Continua a ser a maior referência fora do relvado e isso também é importante, porque atrai atenções, centra a pressão em si e liberta um pouco todos os outros. Continua a poder ser útil dentro do relvado, mediante determinados contextos e adversários.
Não tem de jogar todos os jogos nem todos os minutos. Pode, por exemplo, ser determinante a entrar nos jogos com os adversários mais cansados e pela forma como consegue mexer com o estádio. O essencial é ter esta perceção. Se a tiver, todos sairão a ganhar.
Ronaldo já bateu muitos recordes e continua a perseguir tantos outros. Não tenho dúvidas de que um título mundial será mais importante do que todos os recordes que ainda persegue.

Expectativas
Apesar de sermos reconhecidamente uma das seleções com mais qualidade e capacidade, é necessário manter os pés bem assentes no chão. De uma forma muito racional, não faz sentido sonhar com a final ou com o título. Para os intervenientes, o foco e a concentração devem estar apenas no próximo jogo. Se pensarmos assim e fizermos bem a nossa tarefa, estaremos disponíveis e preparados para o desafio seguinte, sem nunca desvalorizar qualquer adversário.
Se olharmos para a história dos Mundiais, muitas foram as seleções favoritas que ficaram pelo caminho. Por este motivo, não me parece fazer sentido apontar para um objetivo mínimo. O desejo do presidente da FPF é enorme, apesar de já ter alterado um pouco o discurso: passámos do «vamos vencer» para «o objetivo mínimo são as meias-finais». Percebo que seja importante manter todos ligados, de forma a que a exigência esteja sempre no máximo e não existam distrações.
O que não me parece fazer sentido é que o presidente tenha um discurso e os jogadores e treinador outro. A questão é perceber se esta diferença existe apenas nas palavras. Até porque para se ter sucesso num Mundial é necessário que todos estejam em sintonia e não existam dois caminhos diferentes dentro do grupo e estrutura da FPF.

A valorizar: José Mourinho
Depois de uma época desportivamente desastrosa a todos os níveis, é contratado por €15 M pelo poderoso Real Madrid. Depois de tantos anos, volta a ter a possibilidade de lutar por títulos importantes."

Brasil: com aperreio ou sem aperreio?


"Durante décadas, a seleção brasileira entrava em qualquer competição com uma vantagem invisível: a sensação de inevitabilidade. Antes mesmo da bola rolar, os adversários sabiam que do outro lado estavam alguns dos melhores jogadores do planeta. Pelé, Zico, Sócrates, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho ou Kaká não eram apenas grandes futebolistas. Eram referências geracionais. Jogadores capazes de decidir um jogo, uma competição ou até uma época inteira através de um momento de inspiração.
Hoje, olhando para o plantel brasileiro, encontramos qualidade. Muita qualidade. Mas talvez não encontremos a mesma concentração de génio individual que marcou outras gerações.
E isso não é necessariamente uma má notícia. Porque este Brasil parece depender menos da inspiração de uma estrela e mais da força do coletivo. É precisamente aqui que surge Carlo Ancelotti. A chegada do técnico italiano representa uma mudança profunda. Pela primeira vez na história, a seleção brasileira entrega o comando a um treinador estrangeiro. E não a um treinador qualquer.
Ancelotti venceu em Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha. Conquistou Champions, campeonatos nacionais e ganhou algo ainda mais difícil: o respeito universal do futebol.
Num tempo em que muitos treinadores procuram protagonismo, Ancelotti sempre se destacou pela serenidade. Não precisa de ser a estrela. Não precisa de discursos revolucionários. Não precisa de convencer ninguém do seu valor.
Talvez seja exatamente isso que o Brasil necessite: menos ansiedade, menos nostalgia, menos comparação com o passado, mais clareza, mais equilíbrio, mais equipa.
Edgar Morin defendia que os sistemas complexos não podem ser compreendidos apenas através das suas partes. O valor de um sistema depende sobretudo das relações que se estabelecem entre os seus elementos. No futebol acontece o mesmo. Nem sempre vence quem tem os melhores jogadores. Muitas vezes vence quem consegue criar as melhores ligações entre eles.
O desafio de Ancelotti não passa por encontrar um novo Pelé, um novo Ronaldo ou um novo Ronaldinho. Esses jogadores aparecem uma vez por geração e não por decreto. O desafio passa por transformar talento em organização, criatividade em compromisso e individualidades em equipa.
O Brasil continua a ser uma das grandes potências do futebol mundial. Continua a produzir jogadores extraordinários. Continua a inspirar milhões de adeptos em todos os continentes. Mas este Mundial poderá dizer-nos algo importante. Se o Brasil voltar ao topo, dificilmente será pela força de uma única estrela. Será pela força da equipa.E talvez essa seja a maior transformação de todas.
E rapidamente perceberemos se este será um Mundial vivido com aperreio ou sem aperreio."

«Venham jantar a nossa casa»


"PALM BEACH — Quem anda nestas lides de cobrir a Seleção Nacional ou os grandes clubes além-fronteiras conhece bem o guião da saudade. Onde há uma bandeira das quinas, há um emigrante pronto a abrir o coração. 
Ontem mesmo, o ritual cumpriu-se através do José Gabriel e da esposa, almas lusas que há 46 anos trocaram Portugal pelos Estados Unidos e que agora gozam a reforma em Palm Beach. O «se precisarem de alguma coisa, liguem» ou o inevitável «venham jantar a nossa casa um destes dias» são património afetivo da nossa diáspora, pequenos milagres em forma de café ou prato quente.
O que nenhum jornalista espera por estas paragens é que este código de acolhimento genético seja replicado, com a mesma intensidade, por quem nasceu no coração do império americano.
Na Florida, a simpatia desarmante não fala português, mas tem o mesmo sotaque de partilha. Sentimo-lo na pele logo na praia, com um grupo de jovens norte-americanas que, ao ver-nos perdidos, desenhou um roteiro minucioso no Maps com os locais obrigatórios da região.
Mas o verdadeiro queixo caído aconteceu num restaurante local. A meio de um jantar de trabalho, com as acreditações do Mundial em cima da mesa, fomos abordados pelas diretoras da área desportiva da Câmara Municipal de Palm Beach. A Michelle e a Shelley quiseram saber quem éramos, o que fazíamos e, num ápice, ofereceram-se para ser nossas guias oficiais. A conversa terminou, espante-se, com um convite formal para jantarmos com as respetivas famílias.
É o reverso da medalha da América fria e impessoal. No meio da opulência XL, há uma urgência genuína em partilhar o território. A famosa tarte de limão do Old Key Lime House
Entretanto, pela quinta vez desde que aterrámos, insistiram para não falharmos o mítico Old Key Lime House, mesmo ao lado do hotel de Portugal, onde a lenda jura que servem a melhor tarte de limão do planeta. Se a Seleção procura a glória no relvado, nós já fomos conquistados pelo calor das gentes e, se o futebol não nos alimentar o ego, a América já nos garantiu a mesa posta."

Os Estados Unidos... que não são de Trump


"Pulisic. Balogun. Reyna. São nomes bem americanos, não são? A goleada dos Estados Unidos ao Paraguai (4-1) expôs muito mais do que uma qualidade futebolística da equipa das Stars and Stripes, que se tem refinado com os anos e hoje tem como mestre Mauricio Pochettino. Os golos assinados por Folarin Balogun, que bisou, e por Giovanni Reyna, que faturou após assistência primorosa do Capitão América Christian Pulisic, trouxeram à tona toda a riqueza multicultural de uma equipa, que acaba por refletir a realidade de um país negada por quem o dirige: um tal Donald Trump.
Enquanto Washington aperta o controlo de fronteiras e endurece o discurso, no relvado celebra-se desde o primeiro jogo a riqueza da diversidade cultural.
Os três futebolistas contam histórias profundas de migração. Giovanni Reyna nasceu em Inglaterra, mas as raízes estendem-se pela América do Sul e pela Europa. O avô paterno emigrou da Argentina e a avó, Maria Silva, tem ascendência portuguesa.
Já Folarin Balogun nasceu em Brooklyn por acaso, quando a mãe nigeriana visitava Nova Iorque. Problemas burocráticos no momento de deixar o país fizeram com que a estadia se prolongasse mais do que o esperado e o parto se desse a muitos quilómetros de casa. O avançado cresceu depois em Londres, formou-se no Arsenal e optou pela camisola norte-americana.
Por fim, Pulisic nasceu na Pensilvânia, mas o passaporte croata do avô abriu-lhe as portas da Europa, mais concretamente as do Borussia Dortmund, na Alemanha.
Há ainda Tillman, Sergiño, Weah, Pepi e muitos mais. O talento não tem fronteiras e os filhos da imigração já carregam o orgulho dos Estados Unidos."

Há americanos que sabem o que estão a fazer com este Mundial


"Foram precisos dias. Um, dois, três dias à procura de qualquer coisa que fosse. Nada. Cheguei a ver até cadernos de desporto, daqueles destacáveis, sem uma linha sequer. Os jornais americanos pareciam não saber que os Estados Unidos iam receber um Mundial de futebol. Ou não sabiam, ou não queriam saber.
O silêncio era ensurdecedor.
Até que, finalmente, o Mundial arrancou e, talvez empurrados pela força das ondas, entrou nas páginas dos jornais locais. E fê-lo, na verdade, com um rigor admirável.
Nancy Armour, colunista do USA Today, rasgou o véu da ilusão. Num texto de uma lucidez desarmante, escreveu aquilo que muitos pensam, mas poucos o dizem: os Estados Unidos já perderam este Campeonato do Mundo.
«A seleção norte-americana até pode ter uma participação histórica, o Mundial pode encher-se de grandes golos e jogos super competitivos. Mas nada disso vai mudar o facto de termos mostrado sermos uma nação odiosa e gananciosa, onde os líderes só estão dispostos a acolher o mundo como eles querem vê-lo, e não como ele é.»
Genial, minha cara Nancy. Genial.
A colunista acusa os Estados Unidos de apenas querem explorar o amor do mundo pelo futebol para imporem a própria forma de ser. O Mundial que, lembra Armour, costuma ser uma celebração mágica e diferente de tudo o que os americanos estão habituados a ver, está a tornar-se num espetáculo de autoridade e tirania.
A festa dos brasileiros, as danças dos africanos, o mar de laranja dos neerlandeses, a paixão dos argentinos, enfim, os ingredientes estão todos cá, andam por aí a caminhar pelas ruas, mas em vez de celebrar o amor, a América optou por outro caminho.
«Escolhemos ser americanos detestáveis», escreve.
Fecho o jornal com uma estranha satisfação interior. Afinal de contas, eles podem não perceber nada de soccer, mas há pelo menos quem perceba exatamente o que estão a fazer com ele."

BolaTV: Dias do Mundial...

Rabona: Brazil look SLOPPY vs Morocco, Aussies RISE | World Cup Daily Recap

AA9: Mundial - Day 3

Terceiro Anel: Mundial - Grupo F

Simples: Brasil...

PTM #152 - Nuno Mendes e Gonçalo Ramos

No Princípio Era a Bola - O primeiro choque de candidatos opõe um Brasil em busca de si próprio ao poderio marroquino

Quezada: Alemanha

Quezada: Brasil...

LiveMode: Aquece vais entrar #11

LiveMode: Mundial #15

FIFA: Irão...

FIFA: Egipto...

FIFA: Arábia Saudita...

FIFA: Bélgica...

FIFA: Espanha...

FIFA: Cabo Verde...

FIFA: Resumo - Países Baixos - Japão

FIFA: Resumo - Alemanha - Curaçau

FIFA: Resumo - Turquia - Austrália

FIFA: Resumo - Escócia - Haiti

FIFA: Resumo - Brasil - Marrocos

Formar crianças não é gerir resultados


"O treinador de formação precisa de ter a coragem de permitir que as crianças vivam o jogo, mesmo quando o resultado está equilibrado e a solução mais fácil seria recorrer apenas aos que oferecem resposta imediata.

No desporto é comum ouvir treinadores dizerem que, em determinados momentos do jogo, precisam de pensar primeiro na equipa e no resultado. Em contextos de rendimento, esta lógica faz sentido. O jogo exige respostas imediatas e decisões orientadas para competir.
Mas quando falamos de crianças, a pergunta talvez deva ser outra: estamos a gerir o jogo ou estamos a formar pessoas?
Na formação, o foco não deve estar apenas no resultado do fim de semana. Deve estar nas experiências que proporcionamos, nas oportunidades criadas e no desenvolvimento de cada criança.
Por isso, aspetos como os minutos de jogo, a participação, o feedback e a exposição a diferentes momentos competitivos tornam-se fundamentais. O treinador de formação precisa de ter a coragem de permitir que as crianças vivam o jogo, mesmo quando o resultado está equilibrado e a solução mais fácil seria recorrer apenas aos que oferecem resposta imediata.
Porque não se aprende apenas quando tudo corre bem.
Aprende-se quando se falha. Quando se sente a pressão. Quando se toma uma decisão errada. Quando ainda não se consegue resolver um problema.
Na formação, o erro não deve ser visto como algo a evitar, mas como parte do processo de aprendizagem. Muitas vezes, o erro não é incapacidade; é tentativa, exploração e crescimento.
Talvez uma das maiores diferenças entre formação e rendimento esteja precisamente aqui. No contexto sénior pode dizer-se que determinado jogador não serve para aquele momento. Na formação, o desafio é outro: reconhecer que a criança ainda não está preparada e assumir a responsabilidade de a ajudar a chegar lá.
O «não consegue» transforma-se em «ainda não consegue». E esta pequena mudança de linguagem altera toda a filosofia.
Talvez seja também por isso que seja injusto avaliar treinadores de formação apenas por vitórias, classificações ou troféus.
Talvez as perguntas devam ser diferentes: quantas crianças jogaram? Quanto evoluíram? Quantas continuaram a gostar do desporto? Quantas permaneceram no processo?
Porque, no fundo, esse pode ser o verdadeiro resultado da formação."

Pode um jogador ser transferido sem o acordo do clube e sem pagar a cláusula de rescisão?


"Os nomes que o futebol nunca esquece
Os amantes de direito desportivo têm vários nomes de jogadores no seu léxico, prontos a disparar (quais Lucky Luke) para rapidamente se afirmarem como conhecedores do fenómeno regulamentar. Webster, Matuzalém, Diarra... Cada nome encerra em si o peso cerimonioso de serem casos mundialmente famosos, mas que ao comum adepto passam “batidos”. Todavia, falemos no caso Paulo Assunção e a sua saída do F.C. Porto em 2008 para o Atlético de Madrid, e rapidamente vários entendidos da “bancada” tecerão diversas teorias sobre o evento.
É o efeito geográfico da tragédia: quanto mais longe, menos nos afecta; quanto mais perto, mais nos identificamos. É sintomático.

O caso Paulo Assunção
Em 2008, Portugal assistiu ao “caso Paulo Assunção”. Em síntese, Assunção era um elemento preponderante na equipa azul e branca, um “6” à antiga. Referência no meio-campo portista, era peça-chave da equipa e, como sempre, alvo de novela de mercado.
Ano após ano, o clube da mui nobre e sempre leal Invicta recusava-se a vendê-lo ao preço que as propostas surgiam. O jogador viu-se assim “bloqueado” no clube, atrasando o sonho de pisar outros palcos.
Frustrado pelas consecutivas inglórias investidas, o jogador decidiu terminar o seu contrato de forma unilateral e avançar para um novo clube, sem o acordo do Futebol Clube do Porto e sem pagar a sua cláusula de rescisão, à luz do então artigo 17 do Regulamento do Estatuto e Transferências da FIFA.

A lógica da FIFA e o Período Protegido
Como sempre, qualquer ato gera uma consequência. A rescisão unilateral sem justa causa de Paulo Assunção gerou — obviamente — consequências, que foram, todavia, mitigadas. No futebol, a FIFA distingue situações consoante a rescisão ocorra ou não durante o chamado «Período Protegido». Este corresponde, em termos gerais, aos primeiros anos de contrato e funciona como uma fase de maior proteção para os clubes, em que a estabilidade contratual é especialmente valorizada.
Mas...o que é afinal o “Período Protegido”? Sem grandes delongas, o período correspondente às três (3) primeiras épocas desportivas completas ou aos três (3) primeiros anos de vigência de um contrato de trabalho desportivo, consoante o que ocorra primeiro, quando esse contrato tenha sido celebrado antes de o jogador completar 28 anos de idade.
Ainda, caso o contrato seja celebrado após o jogador completar 28 anos de idade, o «Período Protegido» corresponderá às duas (2) primeiras épocas desportivas completas ou aos dois (2) primeiros anos de vigência contratual, consoante o que ocorra primeiro.
(Neste momento, acredito que muitos aficionados estejam a consultar as bases públicas de registo de contratos de jogadores para entenderem quão calmos podem estar este verão.)

Consequências dentro do Período Protegido
Durante esse período, uma rescisão sem justa causa pode ter consequências mais pesadas: para além da indemnização ao clube, o jogador pode ser suspenso de competir durante alguns meses e o clube que o contrata pode também ser sancionado, sobretudo se tiver tido um papel ativo na rutura do contrato.

O regime fora do Período Protegido
Já quando a rescisão acontece depois do Período Protegido, o sistema é mais flexível.
Nesses casos, em regra, deixam de existir sanções desportivas e a questão passa a ser sobretudo financeira, ou seja, focada na indemnização devida pelo fim antecipado do contrato.
Essa compensação tem — tendencialmente — como base o valor que faltava pagar até ao fim do contrato, sendo ajustada caso o jogador já tenha assinado por outro clube e esteja a receber novo salário nesse período.
No fundo, o sistema procura equilibrar duas ideias: por um lado, proteger a estabilidade dos contratos no futebol; por outro, permitir alguma flexibilidade na carreira dos jogadores.

O equilíbrio do sistema e a sua evolução
Este equilíbrio entre proteção contratual e compensação económica mantém-se como eixo central do sistema, sendo expectável que, a partir de 2027 (quando o novo regulamento da FIFA entrar em vigor), se verifique um reforço significativo da gravidade das sanções aplicáveis, em particular no que respeita às infrações ocorridas durante o Período Protegido, com um enfoque acrescido no efeito dissuasor e na preservação da estabilidade contratual no futebol profissional.
Importa, no entanto, clarificar que o regime da FIFA evoluiu entre o tempo do caso Paulo Assunção e a abordagem mais recente, mas mantém um ponto essencial comum: fora do Período Protegido, a regra geral continua a ser a inexistência de sanções desportivas para o jogador ou para o clube que o contrata, concentrando-se o sistema sobretudo na compensação económica pela rutura contratual. A diferença está no grau de sofisticação do modelo atual, que passou a densificar os critérios de cálculo da indemnização e a responsabilização do novo clube, enquanto em 2008 o sistema era mais simples e casuístico, resolvendo-se essencialmente a questão no plano financeiro, sem efeitos disciplinares relevantes fora desse período de proteção."