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domingo, 19 de julho de 2026
UM PASSO EM FRENTE
"BENFICA 2 - 0 Villarreal
1.
Depois de Fábio Veríssimo contra o Flamengo, temos hoje o António Nobre. Não sei quem escolhe os árbitros para estes jogos, mas se, em fase de preparação, querem já habituar os nossos jogadores para o que aí vem na época oficial, pois fizeram muito bem!
2.
António Silva no 11, Samu na baliza e Kaminski na esquerda da frente. Certo, certo é que não vamos ver no Villarreal a mesma despropositada agressividade que vimos no Flamengo.
3.
Arranque do jogo com o Benfica bem na pressão e nas antecipações, menos bem nos passes no último terço, desperdiçando várias das boas recuperações de bola que conseguiu fazer. Entretanto, o senhor Nobre a não ser nada Nobre no juízo de uma falta mais amarela do que a cor da camisola do homem que ceifou Rafa sem ter a bola ao alcance. É a tal preparação extra.
4.
Primeira parte tornou-se penosa para os espetadores desde a paragem para hidratação. Se o jogo com o Flamengo foi oitenta em intensidade, este de hoje tem sido para aí oito.
5.
Manu a central para a segunda parte. Para o lugar do António Silva, para rodar com o Langlet? Não, precisamente para o lugar do francês. Que estará na cabeça de Marco Silva? A verdade é que deu conta do recado, Manu é muito competitivo, gosto de jogadores assim.
6.
Já vinha a achar o Rafa um dos que melhor está a entrar na época. A jogada e o chapéu que hoje deu em golo foi uma coisa do outro mundo. Que esteja de regresso ao seu melhor, bem precisamos de um jogador como ele em forma. Outro que tem aparecido bem é o Bah.
7.
Sudakov é que não há meio de justificar o investimento avultado que fizemos nele. Vamos ter paciência enquanto Marco Silva a tiver.
8.
Segunda parte com muitas bolas divididas a resultar em paragens de jogo. E grande domínio da nossa parte.
9.
Pavlidis, que vinha fazendo um bom jogo ali mais ou menos a nove e meio, a ligar jogo, muito associativo, fez um magnífico golo como excelente nove que é. Belo trabalho.
10.
Um passo em frente. Vamos continuar a melhorar com a chegada dos mundialistas e um ou outro reforço. Daqui a uma semana já é a doer."
A pré-época expresso terminou frente ao Villarreal sem que o Benfica ainda esteja seguro de si
"A menos de uma semana da estreia oficial frente ao St. Gallen, o Benfica venceu o Villarreal (2-0) no segundo jogo de pré-época aberto ao público. Os encarnados ainda parecem estar a reler os apontamentos à pressa antes do exame, mas já se percebeu que Marco Silva não é de todo José Mourinho. Não se viu nada de transcendente dos reforços e os jovens da formação foram só assinar a folha de presenças
Foi uma pré-temporada expresso do Benfica. A vitória contra o Villarreal (2-0) foi apenas o segundo amigável à porta aberta e eis que, da próxima vez que entrar em campo, já será para um jogo oficial, contra o St. Gallen.
A menos de uma semana desse encontro, Marco Silva não incorreu numa overdose de substituições ao intervalo e manteve a equipa caracterizada durante a maioria do tempo. Os processos ainda estão enferrujados, mas, pelo menos, os encarnados levam do Algarve mais repetições.
Vangelis Pavlidis teve uma postura particularmente séria. No lance do primeiro golo, baixou, recebeu de costas, rodou e distribuiu numa exibição plena dos seus melhores atributos. Com um chapéu, Rafa adiantou os encarnados (52’). Na demonstração de valências do avançado grego, faltava a finalização, capacidade que ficou patente com um remate em jeito para o fundo da baliza espanhola (76’).
Oxalá o Benfica tivesse tantos adversários no campeonato que quisessem jogar de igual para igual como o Villarreal. Nesse sentido, o jogo foi o teste demasiado fácil à capacidade de imaginação. Ficaram sobretudo alguns laivos de mobilidade e contramovimentos executados na segunda parte quando o adversário da La Liga perdeu energia.
🎨 Pintado de fresco
A marcação zonal e a maneira como o Benfica se especializou na execução da estratégia defensiva era uma das grandes bandeiras de José Mourinho. Marco Silva, 14 anos mais novo, enveredou pela tática em voga. Os jogadores encarnados não precisam de grandes indicações para pressionar. Basta-lhes colocarem o velcro ao jogador mais próximo e irem com ele até ao areal da Quarteira, se for preciso. Os laterais Alexander Bah e Samuel Dahl abandonaram por completo o ponto de partida para condicionarem os extremos em espaço interior. Com referências individuais, em certos momentos, as águias conseguiram causar sufoco aos espanhóis em armadilhas que muitas vezes terminaram em falta.
😍 Convence-me se puderes
Clément Lenglet não é o tipo de defesa imperial que sustente uma equipa como Jan Bednarek fez na vitoriosa campanha do FC Porto. No entanto, mata as saudades que o Benfica tinha de jogar com um central canhoto. Tem qualidade de passe para inventar ligações que batam pressão. O alinhamento com o parceiro não foi total, mas também não vale a pena tornar-se melhor amigo de António Silva, que está em vias de rumar à Premier League. Talvez seja melhor criar química com Gabriel Índio, que esteve pouco mais de cinco minutos no relvado. No lado esquerdo do ataque surgiu Jakub Kamiński que, encostado ao flanco, parece ter pouco a acrescentar ao jogo do Benfica.
🐣 Saídos da casca
A desvantagem de Marco Silva não conhecer o plantel do Benfica, nem mesmo os jogadores com mais estatuto, é a necessidade imperativa de testar quem transitou da época passada e os reforços nos papéis que quer ver desempenhados na sua ideia de jogo. Ao contrário do que aconteceu frente ao Flamengo, encontro em que Jaden Umeh foi titular, não houve espaço entre os titulares para jogadores formados no Seixal que ainda não se tenham estreado oficialmente na equipa principal. A aposta no irlandês não teve continuidade devido à lesão sofrida pelo jovem de 18 anos. Miguel Figueiredo e Rui Silva, lançados aos 81,' entraram apenas para assinarem a folha de presenças.
🖼️ Estado da arte
O Benfica não vai chegar num nível fulgurante à estreia oficial contra o St. Gallen. Apesar da pré-eliminatória da Liga Europa contra os suíços decidir um objetivo tão importante para a dignidade do clube da Luz, a viagem a território helvético não será mais do que um prolongamento da pré-época. A ausência dos jogadores que estiveram presentes no Mundial – Tomás Araújo, Amar Dedić, Richard Ríos, Fredrik Aursnes, Andreas Schjelderup e Dodi Lukebakio – talvez traga melhorias."
Pavlidis lançou Rafa e a águia acabou por voar
"O Benfica fez uma coisa sempre bem nos 90 minutos, melhorou outras e sai com algumas certezas do Algarve. Rafa marcou um golo cheio de classe e a partir daí o andamento foi outro
Um Benfica em crescendo, com dois toques de classe afastou a imagem de um primeiro tempo irrelevante e que só meteu rodagem nas pernas. Os 45 iniciais dão que pensar, os segundos deixaram os adeptos com maior expectativa, em sossego por um triunfo de pré-época e a falarem no golo de Rafa.
Com algumas ideias coletivas a reter, foram quatro indivíduos que se destacaram, ainda que um deles não conte para o que aí vem já na quinta-feira e outros tenham tido tão pouco tempo que só se pode pensar neles a longo prazo.
Pouco há a dizer sobre o primeiro tempo. As duas alterações que Marco Silva provocou no onze passaram sem importância por esse período e se no caso de Samuel Soares isso podia ser um bom indicador para todos, no de Kaminski nem por isso. Não se culpe apenas o jogador em si, pois na verdade houve muito pouca criatividade... na realidade, houve muito pouco de tudo em termos ofensivos.
Vejamos algo de positivo nos 45 minutos iniciais. O Benfica não teve problemas atrás e até conseguiu uma pressão com alguma produtividade no roubo de bola. Os encarnados ganharam-na muitas vezes em zonas altas, mas logo aí surgiu o principal problema: faltou velocidade, faltou entendimento, e quando assim é fica-se sempre com a sensação que falta nas mentes de todos a urgência em chegar à baliza adversária. No fundo, o Benfica era agressivo quando o Villarreal tinha a bola e não era nada disso quando a tinha nos pés. Ainda assim, entre o minuto 14 e o 19 o Benfica rondou a baliza espanhola, sem grande perigo.
O descanso trouxe Manu Silva para central, mas trouxe sobretudo a qualidade de Pavlidis e de Rafa que a passe do grego desenhou um arco triunfal para o 1-0 e desatou um melhor futebol do Benfica. A equipa continou a pressionar alto e a recuperar a bola em zonas avançadas, mas soube melhorar a posse. Isso resultou em alguns assomos à baliza do Villarreal e se três dos homens em destaque já aqui referimos, falta o quarto: Prestianni. A velocidade que o argentino meteu no duelo não só resultou no 2-0 de Pavlidis, como mudou as sensações do encontro de vez. O Benfica era mais forte, mais rápido e até começou a responder à dureza espanhola na mesma moeda.
Marco Silva acabou por rodar toda a equipa, exceto o guarda-redes, e até terminou a ver os rapazes da formação a manterem o ritmo e um ou outro a soltarem uma habilidade, sempre com Prestianni no centro de alguma coisa. O argentino não entra nas contas para a eliminatória europeia por castigo, enquanto a «formação», pelos minutos que não teve, tem de pensar para lá disso.
Os encarnados saem, assim, dos jogos no Algarve com algumas incógnitas e certezas. Nas primeiras, por exemplo, pode colocar-se Sudakov e Kaminski, este por motivos diferentes - é preciso, obviamente, ver mais do polaco - e quem será a dupla de centrais frente ao St. Gallen, não só pela situação de António Silva, mas porque Manu pode ser considerado na equação.Nas segundas, coloca-se Pavlidis, e os seus golos, como a responder à contratação de um novo avançado e, ainda, que tanto os «mundialistas» como alguns reforços para alguns setores são necessários a Marco Silva."
Rafa num mundo à parte mas com alguns convidados
"Marcou um golo superbonito como se nada fosse com ele. Mas fez muito mais. Pavlidis também marcou e mostrou porque é tão importante para a equipa. Manu marca pontos e Prestianni confirma qualidade
Samuel Soares — Rápido e ágil, na primeira parte foi obrigado a sair três vezes da baliza para agarrar bolas colocadas atrás dos defesas. Ainda agarrou com segurança outra após um canto. Na segunda, pouco ou nada fez. Ainda tentou assistir de uma ponta a outra do campo Tiago Gouveia, mas a bola saiu longa.
Bah — Muito mais ofensivo que Dahl na primeira parte, foi sempre uma solução positiva na construção dos ataques. Teve quatro lances ofensivos importantes, mas definiu mal e os centros acabaram por morrer nos defesas adversários.
Rafa - Marcou um golo de elegância clássica, picando a bola sobre o guarda-redes, depois de deixar para trás Pau Navarro e Cardono, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Estava no mundo dele, à parte, acima dos outros, sem ponta de arrogância. Não foi só o melhor pelo golo. Na primeira parte, foi dos poucos que aceleraram para a frente e para trás, neste caso nas ajudas que deu a Bah. Aos 17' o baixinho quase marcou de cabeça. Fez a diferença.
António Silva — O agora capitão de equipa somou dois bons cortes de cabeça e cometeu uma falta dura na primeira parte. Na segunda, jogou pela esquerda, deu corpo a remate ameaçador e um bom corte aos 52' está na origem do primeiro golo.
Lenglet — Não foi pressionado a defender nem no início dos ataques. Aos 11', numa hesitação, deixou escapar Gerard, mas Samuel Soares saiu da baliza e antecipou-se para agarrar a bola. Falta dura e inteligente depois de um mau passe de Dahl que poderia ter tido piores consequências (44'). Saiu ao intervalo.
Dahl — Não foi o apoio ofensivo que Kaminski precisou. Poucas ações de ataque na primeira parte e muitas perdas de bola. Melhorou na segunda parte.
Pavlidis - Nem tudo correu bem, recebeu muitas vezes as bolas em condições favoráveis. Deu-se ao jogo, foi ponto de referência para fixar os centrais e combinar com companheiros. Rematou uma vez à figura, outra ao lado do poste esquerdo, fora da área. No lance do primeiro golo, recebeu a bola, rodou e lançou Rafa. O golo que marcou foi à ponta de lança: recebeu com o pé esquerdo, tirou o Pau Navarro da frente e rematou com tanta frieza como precisão para perto do poste esquerdo.
Leandro Barreiro — Corre com a cadência de uma máquina de costura bem afinada para pressionar em zonas altas, depois tentar cortar linhas de passe e até ajudar nas dobras. Dois remates sem perigo, um à figura na primeira parte, outro, no qual poderia ter feito melhor por estar em boa posição na área, ao lado do poste direito na segunda. Aos 49' falhou o tempo para fazer um corte e o Villarreal lançou contra-ataque.
Barrenechea — Aos 19 minutos, picou a bola sobre dois defesas e deixou Rafa em boa posição de marcar. Mais fixo e recuado do que Leandro Barreiro, também falhou mais passes, mesmo tendo corrido poucos riscos.
Manu Silva - Entrou depois do intervalo para o lugar de Lenglet e para jogar ao lado de António Silva, pela direita. Que bela surpresa. Deu mais presença física e urgência à defesa, ganhou lances em antecipação, mandou com autoridade. A equipa ganhou, sobretudo, mais capacidade para sair a jogar para a frente e não apenas para o lado. Usou o recurso do passe longo com sucesso, para ultrapassar as linhas de defesa espanholas. Já perto do fim, foi também médio-defensivo.
Sudakov — Perto de Pavlidis e muito tempo longe da bola. Perto do final da primeira parte desceu no campo para estar mais em jogo. Foi infeliz: passes errados e más decisões. Aos 50', por exemplo, recuou e, sob pressão, perdeu a bola, mas o Villarreal não aproveitou a oferta. Remate à figura num livre direto (65').
Kaminski — Entrou com agitação, entregou duas vezes a bola ao adversário, tentou pressionar, aos 15' serviu Sudakov na área, mas os defesas cortaram. Foi perdendo a bola em passes ou dribles. Apanhado em fora de jogo aos 45'. Aos 55', bom momento, atraiu um defesa, rodou e lançou um ataque. Aos 64' bom passe vertical para Sudakov. Foi de menos a mais.
Prestianni - Três minutos depois de ter entrado já estava a cruzar para a área, neste caso sem sucesso. Na jogada seguinte, conduziu a bola da direita para o centro, sem sucesso. Logo a seguir fez o mesmo, num movimento que desequilibrou o adversário, e encontrou Pavlidis na área: o grego marcou. Estava cheio de genica, quis fazer mais e melhor, ajudou a aquecer o sangue da equipa. Marco Silva só pode lamentar não poder utilizá-lo contra o St. Gallen, por castigo.
Tiago Gouveia — Entrou para a esquerda do ataque, sem impacto positivo. Ainda tentou uma acrobacia que animou os adeptos, mas não teve efeito prático.
Ivanovic — Jogou a partir dos 82' como ponta de lança. Poucas bolas lhe chegaram.
Miguel Figueiredo — Belo toque de calcanhar iludiu o defesa que o marcava e lançou Prestianni na direita. Médio-centro com mais ação, com Manu a cobrir-lhe as costas.
Rui Silva — Jogou como central pela direita e acabou com um bom movimento de cobertura na área, evitando remate do avançado.
João Rego — Posicionou-se atrás de Ivanovic.
José Neto — Entrou e depressa participou em dois lances de ataque.
Banjaqui — Em boa posição na área, rematou com perigo, mas Pau Navarro cortou a bola.
Gabriel Índio — Central do lado esquerdo nos últimos 5'."
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