Últimas indefectivações

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Leiria a reerguer-se após o Estád(i)o de sítio


"A cidade do Lis abanou. Muito. Mas não caiu. Sofreu um (duro) revés. O Castelo, o Rio Lis, o mítico Dr. Magalhães Pessoa continuarão a orgulhar um povo que lutará sempre pelos seus

Declaração de interesses: sou leiriense. Nascido e criado. De alma e coração. Como acontece com, presumo, qualquer cidadão, o apego à (nossa) terra vem do berço. Ouso, por isso, sentir que Leiria é um pouco minha. Mas o eu, o singular, pouco ou nada importa para o caso. O que deve, de facto, ter destaque é o nós, o plural. Nós, os leirienses. Um povo tão rijo quanto solidário. Tão trabalhador quanto fiel. Na saúde e na doença. Porque Leiria é como um casamento: para a vida.
Serve o preâmbulo para escrever o que me vai na alma sobre uma cidade, um concelho e um distrito absolutamente devastados e que nos últimos dias (não) tem sobrevivido. A tempestade Kristin (quase) tudo levou. A minha primeira palavra é para as famílias das vítimas mortais desta catástrofe. Perder um ente querido, seja em que circunstância for, é sempre aterrador. Ter de lidar com essa dor infindável na sequência de algo que não se controla faz aumentar ainda mais o sentimento de impotência. Paz à alma de quem partiu. Ainda que os nossos, costuma dizer-se, nunca partam. Ficam para sempre nos nossos corações e nas nossas memórias.
O estád(i)o de sítio em que Leiria se encontra é indescritível. Não há palavras — por muito que nós, profissionais da Comunicação Social, possamos tentar fazer uso das nossas competências — suficientemente ilustrativas para relatar o que aconteceu naquelas fatídicas primeiras horas do passado dia 28 de janeiro de 2026. Naquela madrugada, em que a Mãe Natureza colocou Leiria à prova, a cidade respondeu de forma heróica. Metaforicamente falando, a (nossa) linda Leiria abanou, caiu, mas desde logo deu resposta veemente: somos da raça que não se vergará. Contra todos os ventos e marés, cá estaremos para muitos mais séculos de história. O nosso belo território, o nosso maravilhoso e imponente Castelo, e o nosso querido Rio Lis serão eternamente defendidos pelas suas gentes — obrigado, muito obrigado, à infindável onda de solidariedade que (nos) tem chegado: Leiria não mais vos esquecerá. Vamos reerguer-nos. Que ninguém duvide!
Do magistral Estádio Dr. Magalhães Pessoa à mais humilde habitação, passando pelo tecido empresarial, todos temos sofrido. A destruição é absurda. Como se diz em bom português, foi quase tudo pelos ares. Mas enquanto houver um leiriense vivo... haverá sempre Leiria. E mesmo os nativos que estão noutras latitudes do País e/ou do globo, são, estou certo, amantes eternos da nossa linda Leiria. Que é paixão infindável.
A palavra de conforto à qual tento agarrar-me, estendo-a, humildemente, a cada um dos meus conterrâneos. E como não poderia deixar de ser, expresso a minha inteira solidariedade a todas as entidades desportivas do distrito que viram grande parte dos seus espaços (que a tantos servem) devastados pela tempestade. Vão todos voltar ainda mais fortes. Acreditem. Somos Leiria!
Palavra final para todos os autarcas, com especial ênfase para Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria. Muito mais do que um edil: um Senhor (assim mesmo, em maiúsculas). Uma semana já lá vai e o responsável máximo pelo Município tem sido absolutamente inexcedível. E se é um «boneco» (entendedores... entenderão), então somos todos... «bonecos»."

Quando o medo entra em campo o talento sai do jogo


"O talento perde-se muitas vezes não por falta de capacidade, mas por excesso de medo. Hoje não quis falar dos temas mais quentes do desporto nacional. Apeteceu-me trazer-vos um verdadeiro tema da psicologia aplicada ao desporto (e não só): o clima de segurança psicológica e a sua importância para o sucesso.
Um contexto de segurança psicológica corresponde a um ambiente relacional e organizacional no qual os indivíduos percecionam que podem expressar ideias, dúvidas, erros, preocupações e emoções sem receio de punição, humilhação, exclusão ou consequências negativas para o seu estatuto. Aplicado ao desporto, trata-se do ambiente em que atletas podem errar, arriscar, decidir sob pressão, recuperar de falhas e cooperar eficazmente, sabendo que o tema pode ser discutido e analisado como parte integrante da melhoria, mas não existirão consequências negativas.
Quando a pressão sobe, o sistema nervoso não distingue uma final olímpica ou um dérbi de um perigo real. Se o contexto emocional for vivido como punitivo, o organismo entra em modo de defesa. A atenção estreita, a tomada de decisão torna-se rígida e o corpo reage mais devagar. A mente passa a jogar para não falhar e não para vencer. É aqui que muitas carreiras se perdem e muitos títulos escapam.
Quantas épocas já vimos ruir não por falta de qualidade, mas por balneários tensos, lideranças que criticam publicamente, ambientes onde o erro é castigado e o silêncio se torna estratégia de sobrevivência? A ciência do comportamento humano demonstra que o rendimento ótimo emerge em contextos de elevada exigência combinada com segurança psicológica e não em ambiente punitivo. Esta segurança é saber que o erro não destrói valor pessoal, que a comunicação é bem-vinda, que o risco faz parte do crescimento e que falhar não equivale a ser descartado.
No desporto, inclusive no alto rendimento, a maior parte das quebras sob pressão não acontece por incapacidade física ou tática. Acontece quando o cérebro está mais focado em proteger-se do que em vencer. Talvez a verdadeira vantagem competitiva já não esteja no treino mais duro, mas no clima emocional onde esse treino acontece.
Este texto foca deliberadamente uma dimensão coletiva da psicologia do desporto, que tantas vezes é ignorada em favor do talento individual, mas não foi uma escolha ao acaso, pois é uma dimensão crítica quando nos aproximamos das fases mais decisivas dos campeonatos. Talvez seja o momento de todas as equipas se perguntarem, com honestidade: posso arriscar, posso errar? Sinto-me verdadeira e suficientemente seguro?"

ESPN: Futebol no Mundo #536

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

Zero: Saudade - S04E22 - «E se?», um multiverso de golos e goleadores: de Eusébio e Gomes até Gyokeres

Zero: Fantasy - Jornada 21: gerir clássico; apostar nos ataques

DAZN: DRS #37 - WILLIAMS FW48 & 1o TREINO OFICIAL! 🏎️🏁

SportTV: NBA - S04E17 - Fecho de Mercado 🚨