"Terá sido neste dia 5 de fevereiro, mas de 1676, que o cientista Isaac Newton, uma das mentes mais brilhantes e marcantes da humanidade, escreveu em carta dirigida ao também cientista Robert Hooke: «Se vi mais longe foi por estar aos ombros de gigantes». De facto, penso logo em três: Galileu Galilei, Johannes Kepler e René Descartes, de onde muito bebeu para chegar às três Leis do Movimento. Ou à Lei da Gravitação Universal. O sucesso, de facto, não é uma corrida solitária. É mais uma prova de estafetas.
Foi a 5 de fevereiro, mas de 1985, que nasceu Cristiano Ronaldo. Ser o melhor da história depende de cada um e tem muito de subjetivo, por isso digo apenas que é o maior jogador da história. Pelos números e pelo impacto mediático único no planeta em todas as áreas. Também ele, passe a imagem, um criador das leis do movimento e gravitação universal por tudo quanto faz em campo.
Ser grande é, também, ver mais longe nos ombros de gigantes. Terá sido nos ombros de Eusébio, Coluna, José Águas ou Simões que o Benfica venceu o Real Madrid por 4-2. Ou nos ombros dessa referência mítica e simbólica que para sempre se chamará terceiro anel.
O que o Benfica fez com o Real Madrid – e o Sporting já tinha feito com o PSG – foi notável. Não foi uma vitória caída do céu. Não foi sorte. Não foi um dia mau do Real Madrid. Foi o Benfica a ser Benfica. José Mourinho a ser Mourinho como há muito não o via, recuperando o esplendor da magia dos vencedores. Virá de novo o Real Madrid. E depois? Metem medo? Como já defendi neste espaço, caem mais sonhos por falta de fé do que por fanfarronice.
O que o Sporting já fez na Liga dos Campeões é absolutamente notável. Basta olhar para os sete companheiros de viagem rumo aos oitavos de final. Mais do que tomar-lhe o gosto, que o Sporting se sinta em casa sentado à mesa com gigantes. Que entenda que este é o seu espaço de conforto. Que se habitue a tratar o sucesso por tu e não por Vossa Excelência. Para que se troque o verbo ter por ser. Ter sucesso por ser sucesso.
O que o FC Porto e SC Braga podem fazer na Liga Europa deixa-me esperançado e entusiasmado. Repetirem a presença na final, como em 2011, seria muito bom. Pensar em algo diferente do que lutar pela Liga Europa, em especial para o FC Porto, é não respeitar o talento, o trabalho, a convicção e a dimensão do clube.
Vencer a Champions e a Liga Europa? E porque não? Não interessa se o sonho é realista ou não; se as probabilidades são altas ou baixas; se há tubarões na mesmo praia. Interessa é que ninguém é grande sem se ver a si mesmo como grande; ninguém atinge a meta sem se imaginar a cortá-la de braços no ar; ninguém dá mil passos sem dar o primeiro; ninguém chega por escadas ao 10.º andar se sentir vertigens só por subir ao 1.º. Ninguém vê mais longe sem se apoiar nos ombros de gigantes.
E se nós somos aquilo que dizemos e nos projetamos na forma como o dizemos, então que sejamos arrojados. Haverá pensamento mais deprimente do que ir trabalhar apenas para picar o ponto? Querer muito vencer não é vaidade. Não é garganta. Vencer não é meta, é um diálogo constante entre o que a mente manda e o corpo faz."

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