Últimas indefectivações

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Cadomblé do Vata (ismos...!!!)

"Tenho saudades de ser só Benfiquista. Só e apenas Benfiquista. Não ser "Gomes da Silva" ou "Luís Filipe Vieira" consoante a minha opinião ou a interpretação de um qualquer leitor "Gomes da Silva" ou "Luis Filipe Vieira". Se a segunda metade da década de 90 foi o Vietname do Benfica, os últimos dois ou três anos ameaçam ser a La Lys do Benfiquismo, que numa quase evolução darwinista, vai fenecendo sob o crescimento dos "ismos" agarrados a nomes de personalidades de duvidosa utilidade para a causa.
A opinião Gloriosa está a ficar de tal forma etiquetada, que não só começo a ter saudades de ser Benfiquista, como da dicotomia "vieirista" e "anti-vieirista" que no seu fundo patético, conseguia ser menos fundamentalista do que a recém criada divisão, nascida uma candidatura presidencial de um comentador tornado blogguer, que precisou de ser colocado na lateral do prato dos comilões, para descobrir todo o mal que grassa no Sport Lisboa e Benfica, porque tal seria a proximidade que tinha com o rabo do então e ainda Presidente, que nem o cheiro das negociatas conseguia sentir.
A má noticia para estes pardais de capoeira, que julgam que todas as opiniões vêm com código de barras para leitura de preço na caixa rápida do hipermercado, é que tanto o Benfica como o Benfiquismo já passaram a provação maior das humilhações semanais dentro das 4 linhas, que apenas serviu para demonstrar o acerto das palavras de Laurent Moisset dactilografas em 1991 no France Football: "O Benfica é eterno. Eles não conhecem fenómenos de erosão que possam fazer perigar as suas fundações mais seguras. Eles sabem sempre renovar a sua imagem. O Benfica é uma lenda". Muito depois dos "Gomes da Silva" e dos "Luis Filipes Vieiras" das redes sociais morrerem, o Sport Lisboa e Benfica e os Benfiquistas ainda por cá andarão, porque o Benfiquismo passa-se de pai para filhos e os gomismos-vieirismos morrem na cabeça de uma descendência mais capaz intelectualmente."

'Intermezzo' outonal

"Se tento ver as vantagens de mais uma paragem prolongada da Liga, penso logo no novo relvado da Luz (e na recuperação de Rafa)

1. Os sucessivos buracos entre jornadas do campeonato servem, entre outras coisas, para antecipar defesos e mercados. Vai daí, a semana passada, urbi et orbi, foi um primeiro desfilar de potenciais entradas e saídas. Jogadores, de quem ninguém havia alguma vez falado, são mirabolantemente promovidos a craques, a diamantes por lapidar (só não se diz de quantos quilates) ou a talentos em vulcânico desabrochamento. Eis, Janeiro em Novembro, para aquecer o entusiasmo entre jogos da Selecção Nacional, que, por sua vez, foram falados como se a pobre Lituânia e o esforçado Luxemburgo pudessem criar uma surpresa da estirpe Alverca. Como tão expressivamente se escreveu em A Bola, só o jovem Bernardo Silva vale... dez Lituânias, mesmo que estas se encham de doces litanias pré-natalícias. Verdadeiramente, de todo o manancial que li e ouvi neste intermezzo outonal, só fiquei entusiasmado com o regresso de Jonas ao Seixal. Pelo menos, ainda que por fora, matei saudades do craque que tanto dignificou a camisola do Benfica.
Noutro âmbito, espero que tenha sido uma boa notícia a instalação do novo relvado da Luz. De facto, se tento ver as vantagens de mais uma paragem prolongada do campeonato, penso logo nisto (e na recuperação de Rafa). Espero que a relva holandesa se enraíze rápida e seguramente para uma boa estreia contra o Marítimo no dia 30. Neste encontro haverá, de facto, duas alterações: a do tapete verde depois da chicotada erval e a do novo treinador maritimista depois da chicotada psicológica. Confio que a primeira ganhe à segunda. E por aqui me fico quanto ao estado dos relvados na nossa principal competição, onde a regra tem sido a sua deplorável apresentação e a excepção é o limitado número de campos com relva apresentável. E não nos queixemos de intempéries e chuvas copiosas que não tem havido para justificar o injustificável num país campeão europeu.

2. Bernardo Silva - para mim, o actual melhor jogador português - é, também e acima de tudo, um jovem leal, humilde, sensato, elegante e correctíssimo. Mesmo assim, uma «comissão independente»(?) do futebol britânico decidiu suspendê-lo por um jogo, além de o ter multado em cerca de 60 mil euros e - imagine-se - de lhe impor uma «acção educacional individual» por causa de «conduta imprópria» de um tweet brincalhão e amistoso para um colega, que, desgraçadamente, continha uma«referência a raça»! O castigo, segundo li, terá sido bastante atenuado, pois que tendo embora a tal agravante de referência a raça, o tweet «não tinha intenção de ser racista ou ofensivo em nenhuma forma» (sic). Ou seja, Bernardo não foi racista, mas, desgraçadamente, referiu uma raça.
Onde isto chegou! O politicamente correcto está a criar dissimuladas formas de censura social, cada vez mais obsessivas e até ridículas, que têm o efeito boomerang de corroer o seu propósito legítimo. A aparente tolerância implícita na correcção política não é compatível com a intolerância policiesca dos seus talibans. A correcção política passou a ser uma perversa forma de controle da mente. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz com a obrigação de se usar uma forma politicamente correcta. Como se pode constatar, uma das principais vítimas de correcção política levada aos extremos é o humor escrito e falado, pois que humor que pode licença não é já humor. Ridiculamente lamentável o caso Bernardo, ao mesmo tempo que se branqueiam (peço desculpa de ter conjugado o verbo branquear) atitudes escandalosa e condenáveis no mundo do futebol.

3. Mais uma inovação no futebol global: a supertaça espanhola vai ser concretizada (já não no modelo clássico de um jogo entre o campeão e o vencedor da Taça, mas com 4 finalistas), não em Espanha, muito menos na Catalunha, nunca em Ceuta ou Mellila e jamais no rochedo de Gibraltar. Onde, então? Na Arábia Saudita. Uma deslocalização que o dinheiro abundante naquelas terras sempre pode comprar. Neste caso, 50 milhões a distribuir generosamente pelos quatro clubes e pela Real Federação Espanhola. Uma festarola monetária que terá lugar em Gidá, no estádio Rei Abdullah, na primeira quinzena de Janeiro. Em nome do dinheiro, assim se desvirtua uma taça, curiosamente, chamada Copa do Rei, trocando-se de país, senão mesmo de monarca. Assim se mandam às malvas os adeptos fiéis dos clubes em confronto, para os trocar por uns autóctones sauditas que devem gostar tanto de futebol como eu gosto de enguias. Haverá muito uma minoria de adeptos espanhóis que se podem dar ao luxo - em nome do sacrossanto dinheiro - de meter férias e ir ás arábias divertir-se.
De entre os quatro clubes espanhóis, quem se deve sentir mais à vontade neste cenário é o Real Madrid. Aqui recordo, o que, em 2012, li de uma notícia que rezava assim: «O presidente do Real Madrid colocou a primeira pedra relativa ao projecto de construção de um complexo turístico-desportivo - Real Madrid Resort Island - orçado em 1.000 milhões de euros numa das ilhas dos Emirados Árabes Unidos. O clube espanhol prescindiu da cruz que há na coroa do escudo do seu emblema para evitar qualquer tipo de confusão ou más interpretações numa zona onde a grande maioria de população professa a religião muçulmana». Esta minúscula cruz faz parte do emblema desde que, em 1920, o Rei Afonso XIII outorgou essa concessão real. Mais tarde, em 2017, li que «O Real Madrid retirou um dos elementos do seu símbolo em todo o merchandising vendido em alguns países árabes. A alteração diz respeito à eliminação da Cruz de Cristo, presente no topo da coroa do emblema madrileno».
Assim, num tempo de marcas, o dinheiro tudo comanda, sem pátria e sem cor. Na era da ungida globalização, a história e os símbolos ou são passado e pouco mais ou são mutáveis em função do contexto cultural (leia-se, do proveito económico).
Ainda hoje me ponho a pensar como é que um treinador de nome Jesus trabalhou na terra de Maomé, sem ter sido obrigado a mudá-lo. Estou curioso em saber se os jogadores do Barcelona, Real Madrid, Atlético de Madrid e Valência serão, antes dos jogos da tal supertaça, revistados nas suas tatuagens ou símbolos religiosos à volta do pescoço.

4. Por cá, há quem anuncie a supertaça televisiva da parvoíce. Em tão inchado, quanto grotesco oráculo se avisou na semana passada que Pizzi cometera um pecado mortal: o de, após marcar o golo da vitória em São Miguel, ter corrido desalmadamente e em vertiginosa alegria para dar um forte amplexo do tamanho do estádio ao director de futebol do SLB, Tiago Pinto, e nunca ter abraçado ou sido abraçado por Bruno Lage. As imagens foram repetidas inúmeras vezes. Pizzi e colegas, Pizzi e elementos do banco, Pizzi e Pietra, Pizzi e todos. Todos não, concluía-se sofregamente. Cadê o abraço dos abraços, isto é entre o marcador e o treinador? Não houve, disseram-nos, peremptoriamente. Logo, está-se mesmo a ver, estão de costas voltadas, não falam, não são solidários, o balneário está em crise e coisas que tal, Pizzi não tolerou ficar no banco num ou noutro encontro e Lage é um ingrato perante o melhor marcador e o jogador que mais resolve. Parece que as imagens deram lugar a uma arrebatadora análise e discussão entre os painelistas. Confesso que não tive paciência para tal jogo floral. Fiquei-me pela especulação/notícia da rebelião e do fogo pressuposto no falso fumo. Mas, por curiosidade, fui rever a transmissão dos momentos a seguir ao golo. E, de facto, não vi nenhum abraço entre os dois. Depois, passei pelo mesmo momento na SportTV+, que não transmite os jogos, mas está muitas vezes com câmaras focadas nos bancos. E foi lá que vi o bom alvoroço do banco encarnado a seguir ao golo. Por acaso, a câmara estava no exacto momento do golo a focar o treinador. Toda a gente se levantou, saltou e correu, excepto Bruno Lage que, como sempre, não exterioriza a alegria, nem entra em corridas loucas e hisrionismos que são futebolisticamente mais comuns e correctos. A câmara continuou a filmar e vi, então, o abraço entre Lage e Pizzi. O tal que havia sido negado. Assim se propaga, não inocentemente, uma fake news. Afinal não havia indícios de Revolta na Bounty para meu sossego. Vale tudo para tentar desestabilizar o Benfica.

Contraluz
- Evocação: Morreu Raymond Poulidor, notável ciclista francês dos anos de ouro. Conhecido caridosamente por Poupou foi um exemplo virtuoso de pessoa e de profissional. O eterno segundo nunca ganhou o Tour, chegou a perdê-lo nas etapas finais de um modo desportivamente dramático, mas nunca deixou de ser um grande e leal desportista. Teve o azar de ser ciclista ao mesmo tempo de monstros como Jaques Anquetil e Eddy Merckx.
- Distância: Entre o hiper ego de um atleta e o conjunto de que faz parte. Entre a birra acriançada e a classe aprimorada. Assim foi Cristiano Ronaldo, no intervalo de alguns dias."

Bagão Félix, in A Bola

Notícias falsas

"É com preocupação que constatamos a cada vez maior cadência de notícias falsas em diversos órgãos de comunicação social.
Num Clube com a dimensão do Benfica, já nos habituámos à especulação quase permanente, compreendendo, por vezes, que a necessidade de assunto aguça o engenho da imaginação, mas temos verificado uma tendência crescente de peças jornalísticas sem qualquer fundamento e com claros prejuízos para leitores e telespectadores.
Para agudizar este problema, notamos a menor preocupação em se confirmarem o teor das “notícias” junto dos visados, reforçando a ideia de que a avidez de publicar ou transmitir qualquer coisa, seja ela qual for, relega o compromisso de rigor para segundo plano.
Não pode valer tudo.
Só nestes últimos dias são diversos os exemplos que aproveitamos para esclarecer, começando pelos mais graves:
O Jornal A Bola desta manhã faz manchete invocando que o guarda-redes "Perín volta a estar na agenda do Benfica". Notícia totalmente falsa e infundada, num processo há muito encerrado, não estando o Clube interessado na sua contratação. Uma notícia inventada.
Ontem à noite a CMTV especulava sobre um eventual interesse do Benfica no seu ex-treinador Jorge Jesus e que esse era o motivo para o impasse na renovação do treinador Bruno Lage. Essa notícia é totalmente falsa e absurda. Bruno Lage tem três anos de contrato, sendo público o reconhecimento que a Direcção do Benfica e os benfiquistas prestam ao nosso treinador pelo bom trabalho desenvolvido desde que regressou ao Clube e, em particular, desde que assumiu o comando técnico da equipa principal. E o processo de renovação será feito no momento que se considere adequado pelas partes, tal como já foi publicamente esclarecido. 
Tudo o resto é pura invenção e ficção.
Aproveitamos também para esclarecer que não existe qualquer interesse, nem foram feitos nenhuns contactos exploratórios, em relação ao jogador Guga, lateral-direito do Atlético Mineiro, ao contrário do que afirma a manchete do Jornal Record desta manhã, como também é falso qualquer existência de interesse na contratação do Jogador Sidcley do Dínamo de Kiev como veio citado em diversos órgãos de comunicação social.
Não pode valer tudo, por muita que seja a ânsia por reclamar autoria de uma notícia caso a especulação encontre, eventualmente e por mero acaso, paralelo com a realidade e sob pena do descrédito total e irreversível de uma função, que é informar, vital para a nossa sociedade.
Que fique o esclarecimento inequívoco sobre a inexistência de interesse nos jogadores e ex-treinador citados."

A águia e a água varreram os homens do mar

"31 de Janeiro de 1937. Pela primeira vez o Benfica marca dez golos num jogo da recém-criada Liga. Frente ao Leixões, nas Amoreiras, num domingo de tanta chuva, que vários jogos foram adiados. Pela Europa toda se ouve o troar da guerra.

Lisboa andava num sino. O mundo lá fora, nem por isso. A Guerra Civil de Espanha acumulava mortos no campo de batalha e era de uma ferocidade nunca vista entre irmãos.
Corriam rios de sangue nas trincheiras. Hitler ia armando a Alemanha e fazendo gato-sapato da diplomacia internacional.
Tudo longe, no entanto.
E Lisboa queria divertir-se. Até porque a guerra do país vizinho, queixavam-se os grandes produtores do espectáculo nacional, impedia a viagem até nós de artistas de renome.
Isso não impedia que o São Luiz estivesse à beira de receber um histriónico número francês, Jean, Jack e Zo, com assombrosos bailarinos acrobáticos e que fizera furor em Paris.
Vinham a peso de oiro, noticiava a imprensa.
Seria algo nunca visto em terras lusitanas.
Entretanto, o futebol vivia dias prolíficos: pelos menos em golos.
No campo das Amoreiras, chovera que Deus e dera.
O Benfica, líder do campeonato, recebera o Leixões.
Vitória esmagadora: 10-2.
Dia 31 de Janeiro de 1937. Era a primeira enorme goleada dos encarnados para a Liga.
Choveu a potes sobre os rapazes do mar de Matosinhos. E choveram golos, sobretudo.
O terreno estava pesado, mas sem lama. E, cheios de ambição, os nortenhos entraram na liça com um à-vontade impressionante. Até parecia que jogavam em casa. Os primeiros minutos do encontro foram totalmente dominados por eles.
Jogo por alto: eis a solução encontrada. Até umas biqueiradas, se preciso fosse. Nada de deixar que o chão os prejudicasse nos intentos.
Os benfiquistas sentiram-se surpreendidos. Não contavam com a estratégia. Demoraram a instalar-se. A perceberem a forma de contrariar opositores.
Domingos Lopes foge pela esquerda, centra, Lino mete a mão à bola dentro da grande área: Penálti! Um erro leixonense. Golo de Rogério de Sousa.
No minuto seguinte, a história repete-se. Espírito Santo isola-se, chuta, sobre o risco de baliza Germano substitui o seu guarda-redes. Novamente penálti. Novamente Rogério de Sousa.
Estava decorrido um quarto de hora.
O golpe foi profundo na protérvia leixonense.

A revolta e a queda
Mitra revolta-se. Atira-se sobre a defesa do Benfica, descobre Mário sozinho, Cândido Tavares está batido: 2-1.
É um tónico. E que tónico!
Depois novo penálti. Desta vez contra o Benfica. Henrique faz o 2-2. O público, numeroso, assistia a um jogo frenético.
Rogério de Sousa (outra vez) e Valadas, a passe de Espírito Santo, fazem o 4-2 antes do intervalo. Os leixonenses reclamam e muito. Queixam-se de offside. De dois off-sides nos dois lances. O cronista consultado dá-lhe razão. Enfim. Nada a fazer.
O segundo tempo trouxe o descalabro do team de Matosinhos.
Sete-golos-sete: como se diria nas touradas.
A maior categoria dos encarnados impôs-se de forma brutal. A diferença poderia ter sido muito, mas muito maior. O Leixões desfez-se como se a chuva derretesse um conjunto feito de torrões de açúcar.
5-2 aos 46 minutos por Valadas. Era, sem dúvida, um jogador que exibia uma forma impressionante.
Aos 17 minutos da segunda parte, 6-2. Canto de Valadas e cabeçada certeira de Rogério.
Nove minutos mais tarde é a vez de Xavier: 7-2.
Depois, Espírito Santo: 8-2.
Rogério e Albino fecharam as contas dolorosas.
O povo está feliz. Muitos talvez antevendo uma noite no São Luiz depois da goleada das Amoreiras.
Chove sobre Lisboa, Janeiro no fim.
Os tempos na Europa são escuros de guerra. O céu parece chorar por isso."

Afonso de Melo, in O Benfica

O engenheiro e o comendador: dois irmãos, dois candidatos

"As eleições que dividiram os sócios do Benfica entre 'mauricistas' e 'adolfistas'.

Em Março de 1964, o Benfica votou para uma nova direcção. Semanas antes, a extinção da Assembleia dos Representantes dividiu os sócios, em puro 'ambiente de fervor clubista'. Dividiram-se, também, os irmãos: Maurício e Adolfo Vieira de Brito.
Presidente do Benfica entre 1957 e 1962, Maurício Vieira de Brito é lembrado como um dos dirigentes mais queridos dos benfiquistas. A sua longa presidência ficou ligada a momentos-chave como a iluminação do Estádio (1958), a inauguração do 3.º anel (1960) e a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus (1961). Devido à guerra do Ultramar e para defender as suas terras em Angola, Maurício Vieira de Brito viu-se obrigado a abandonar o cargo, em 1962. Os jornais exclamavam 'Até à volta, Engenheiro!', aquando da sua saída.
'Motivado pela presidência do irmão', Adolfo Vieira de Brito, industrial e instituidor de uma fundação com seu nome, pela qual foi agraciado com o título de comendador, candidatou-se em 1964. O seu irmão, que deixara saudades no Benfica, foi convencido pelos sócios e voltou a concorrer também. O antecessor de Maurício Vieira de Brito - Joaquim Bogalho -, propôs uma lista em que o engenheiro estaria encarregado do Conselho Fiscal, e o irmão da Assembleia Geral.
Não foi assim tão simples. Os 'favoritos' que rodeavam Adolfo Vieira de Brito apoiavam ideias com que o engenheiro não concordava, levando a que a lista dos irmãos não se concretizasse, originando uma separação: o comendador encabeçava a lista A, e o seu irmão estava noutra, para presidente do Conselho Fiscal.
Os dois irmãos eram muitos diferentes, não só fisicamente. O comendador era mais comedido, e o engenheiro era rotulado como 'impulsivo'. O seu sistema nervoso traía-o por vezes, como quando o Benfica foi campeão europeu, em 1961, e o presidente sofreu um ligeiro ataque cardíaco, o mesmo problema que lhe poria fim à vida com apenas 56 anos, catorze anos depois.
Maurício Vieira de Brito reconhecia as qualidades do irmão. Em comunicado aos sócios dizia: 'não risquem o nome de meu irmão para o substituírem pelo de quem quer que seja. Votem livremente, mas numa ou noutra lista (...). O que mais me interessa é que tenha triunfado o Benfica'.
No fim, foi a lista comendador que venceu. Maurício Vieira de Brito não reagiu mal, pelo contrário, congratulou-o. Não voltou a exercer nenhuma função dirigente no Clube, mas manteve-se presente na vida do Benfica nos mandatos do irmão, tal como este tinha feito durante a sua presidência.
Pode saber mais sobre estas figuras na área 28 - Homens do Leme, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

Inside Futsal...

Notícia falsa de A Bola

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol SAD esclarece e informa que a manchete do jornal A Bola sob o título “Perin volta à agenda” é totalmente falsa.
Esse processo está completamente encerrado e o Sport Lisboa e Benfica não está interessado na contratação do referido jogador.
Desconhecemos a que interesses e a quem interessa esta falsa notícia, não deixando de lamentar que um jornal desportivo de referência preste tão mau serviço aos seus leitores ao dar destaque a uma notícia cujos factos relacionados com o nosso clube são uma pura invenção, sem nunca ter procurado confirmar essas pretensas informações junto do Sport Lisboa e Benfica."

Chama Imensa... Marinho, Bernardo, Diogo & Rola

Benfiquismo (MCCCLVIII)

Outro...

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Cadomblé do Vata (Híbridos...!!!)

"Vantagens dum relvado híbrido:
1. Se a rega "avariar" outra vez, ainda ficam 10% de relva em condições para o Pizzi deslizar de joelhos após mais um golo.
2. É um relvado mais rápido, por isso vamos voltar a ver o Fejsa a chegar a tempo à bola.
3. Como tem cenas sintéticas, quem o fumar acredita que o Sporting CP tem 22 campeonatos.
4. Beneficia os festejos do 38, porque há menos perigo da motoreta do Eliseu atascar.
5. O tempo de recuperação pós-jogo do tapete é muito menor, pelo que deixa de haver desculpa para a equipa feminina andar a jogar no histórico mas decrépito Estádio da Tapadinha."

No Europeu – O espacinho que Bernardo encontrou


"No batatal do Luxemburgo, 91 por cento dos passes de Bernardo Silva encontraram um colega de equipa (mesmo tendo sido quem mais passes de criação tentou em toda a equipa) – Contrastando com os 77% de Bruno Fernandes e 81% de Pizzi.
O médio / ala do City é na actualidade um dos dez melhores jogadores do futebol mundial. Seja a partir de fora encontrando progressão para o espaço interior, ou desde logo posicionado no corredor central, seja a receber mais baixo – como no fantástico golo de Bruno Fernandes, ou em zonas altas e espaços curtos, encontra sempre os caminhos para as balizas adversárias.
O Europeu 2020 será o Europeu de Bernardo – Ronaldo agradecerá."

Expresso continua proibido de fazer notícias com base em emails roubados por hacker

"Em causa estão emails roubados num ataque informático à sociedade de advogado PLMJ, alegadamente por Rui Pinto, e colocados no blogue Mercado de Benfica. PLMJ ganhou providência cautelar na primeira e na segunda instância.

O Tribunal da Relação de Lisboa manteve a proibição do jornal Expresso publicar qualquer notícia feita com base em emails ou documentos roubados num ataque informático a uma das maiores sociedades de advogados do país, a PLMJ, e publicados no blogue Mercado de Benfica. No final de Maio passado, o Tribunal de Oeiras já tinha determinado a mesma proibição no âmbito de uma providência cautelar apresentada pela PLMJ, da qual o Expresso recorreu.
Mas a Relação confirmou agora a decisão da primeira instância, considerando haver uma colisão entre a protecção de correspondência sigilosa e o direito à informação e expressão, onde “o peso da protecção legal pende mais fortemente para o direito de protecção de correspondência protegida pelo sigilo profissional”.
Os três juízes desembargadores reconhecem que a imprensa tem como função divulgar dados de interesse público, mas argumentam que a lei, e até a própria Convenção Europeia dos Direitos Humanos, admitem limites que “não podem ser encarados como uma censura, que supõe sempre uma arbitrariedade por parte do censor, mas que estabelecem as balizas da convivência democrática”.
A disputa começou com a publicação de uma notícia no Expresso on-line intitulada “Advogados de Mexia e Pinho combinaram estratégia perante o Ministério Público”, em Janeiro deste ano. O artigo dá conta de um contacto do advogado do ex-ministro da Economia Manuel Pinho, Ricardo Sá Fernandes, com o colega João Medeiros, da PLMJ, que representa o presidente da EDP António Mexia, no caso das rendas da energia, para pedir informações relativas ao caso e a marcação de uma reunião. O Expresso citava um email escrito por João Medeiros dizendo que o material estava a ser recolhido e que estava disponível para se reunir com Manuel Pinho.
Na acção que apresentou contra o Expresso, a PLMJ dizia que a 22 de Dezembro de 2018 tinha sido surpreendida com a publicação na Internet de emails trocados entre advogados da sociedade e colegas de outros escritórios. Dava conta de que tal tinha ocorrido num site intitulado Mercado de Benfica, alojado nos Estados Unidos, endereço que tinha conseguido encerrar com um processo intentado naquele país. Mas apenas 24 horas depois, o material voltou a ficar disponível num outro endereço com o mesmo nome, alojado no Irão.
Não se sabia então quem tinha roubado os emails. A acusação contra Rui Pinto, proferida em Setembro passado, vem atribuir ao pirata informático português o ataque informático à PLMJ e a divulgação de inúmeros documentos através do Mercado de Benfica. João Medeiros era um dos advogados da SAD do clube da Luz.
Na providência cautelar, a PLMJ afirmava que o jornalista do Expresso que assinava o artigo “acedeu a informação obtida ilegalmente, uma vez que seria impossível ter conhecimento destes factos por qualquer outra via legítima” e sustentava que a divulgação da notícia perpetuava e, inclusive, agravava “a lesão do bom nome e da credibilidade” da sociedade face a clientes existentes e potenciais. A PLMJ insistia que clientes e colegas que se correspondem com os seus advogados esperam legitimamente “o absoluto respeito pela confidencialidade daquilo que comunicam” e que ao verem violado esse sigilo poderiam deixar de recorrer aos seus serviços. E concluía que o uso da informação objecto de hacking era “ilegal e ilícita”, já que violava o segredo profissional dos advogados e o direito à inviolabilidade da correspondência privada “em proporção que vai além do razoavelmente necessário para assegurar o direito de informar e a liberdade de imprensa”.
O Expresso alegou que não eram as notícias que publicara que eventualmente lesavam a credibilidade da PLMJ, mas a publicação na Internet de informações obtidas através de pirataria informática. Realçava que se tratava de informação “caída no domínio público” e sublinhava que o que a PLMJ pretendia era “uma restrição inadmissível e inconstitucional do direito de liberdade de expressão e de informação”. Repetia que fizera o contraditório, cumprindo as normas deontológicas. Mas o Tribunal de Oeiras não deu razão ao jornal da Impresa e proibiu a publicação de usar como fonte de qualquer artigo ou de citar em qualquer peça os emails roubados no ataque informático sob pena de incorrer num crime de desobediência qualificada.

"Uma forma de censura"
O Expresso recorreu para a Relação, sustentando que a liberdade de expressão, de informação e de imprensa abrange “a divulgação por jornalistas de notícias ou informações recolhidas e fornecidas de forma ilícita por terceiros, que não os próprios jornalistas” e que a forma como os elementos foram obtidos não devia impedir os jornalistas de a publicar sob pena de “se verificar uma restrição indevida do direito de recolher informações pelos jornalistas, correspondente a uma forma de censura em sentido amplo e constitucionalmente proibida”. Realçava-se que as restrições à liberdade de imprensa ainda antes da publicação, como acontece neste caso, “representam um grave perigo para a civilização e democracias actuais”. O jornal da Impresa argumentava que a decisão do Tribunal de Oeiras fazia uma aplicação ilegal de várias normas, nomeadamente da liberdade de expressão à luz da Convenção Europeia dos Direitos Humanos e a liberdade de imprensa prevista na Constituição portuguesa.
A PLMJ contestou os argumentos, nomeadamente a defesa de que “informações recolhidas ou transmitidas ilicitamente por outrem, em regra” podem ser publicadas livremente. “Um entendimento em sentido contrário (…) traduzir-se-ia em colocar os órgãos de comunicação social ao serviço do crime, incentivando-os a explorar e a vender o seu produto.”
Os juízes Maria Amélia Ribeiro, Dina Monteiro e Luís Espírito Santo defendem que, neste caso, estamos perante informação cujo acesso está protegido pela Constituição, que reconhece o direito à inviolabilidade da correspondência. Lembram que o próprio Estatuto dos Jornalistas prevê que o “direito de acesso às fontes de informação não abrange os processos em segredo de justiça, os documentos classificados ou protegidos ao abrigo de legislação específica”, entre outros, e sublinham que o estatuto dos advogados os obriga a guardar segredo profissional de todos os factos que tiverem conhecimento através do exercício das suas funções, o que deriva da “especial confiança” que neles é depositava. E perante o conflito entre dois direitos fundamentais, pendem para o da protecção da correspondência protegida pelo sigilo profissional.
Contactado pelo Público, fonte oficial do Expresso não quis comentar a decisão da Relação, que só lhes terá sido notificada no final da semana passada. Ainda estará em estudo um eventual recurso judicial."

Músicas... #4

Os campeões vão defender o título!

"Portugal presente em 13 grandes competições internacionais consecutivas! E pensar que até 2000 só tínhamos ido a quatro fases finais

Está feito. Portugal vai estar presente, pela décima terceira vez consecutiva, numa grande competição de futebol, uma façanha extraordinária, apimentada ainda pelas conquistas do Europeu de 2016 e pela Liga das Nações de 2019. E, quem mais, na Europa, além de Portugal, esteve em todas as fases finais, das competições oficiais (Liga das Nações, Europeus e Mundiais) desde 2000? Ninguém.
Estamos, pois, bem habituados, e isso leva-nos a desconsiderar o alcance da qualificação para o Europeu de 2020, ontem carimbado no Luxemburgo. Se pensarmos que até à década de sessenta nunca tínhamos estado numa fase final, e se reflectirmos no facto de, entre 1960 e 1988, em dezanove competições, só nos termos classificado para quatro, só podemos concluir que estamos a viver tempos de ouro, com explicações múltplas:
- A lei Bosman (1995) abriu as portas dos campeonatos mais competitivos da Europa aos jogadores portugueses, o que lhes conferiu melhores capacidades;
- Com os principais jogadores no estrangeiro, a clubite, inimigo crónico da Selecção Nacional, deixou de ter efeito pernicioso que assumia;
- A Federação Portuguesa de Futebl (FPF), ainda na gerência de Gilberto Madaíl, percebeu que a Selecção era uma galinha dos ovos de ouro que importava acarinhar, e apostou na profissionalização;
- Com a chegada da equipa de Fernando Gomes, os meios colocados ao serviço da Selecção Nacional atingiram patamares de excelência: pode haver outras selecções com capacitações semelhantes, mas ninguém terá melhores condições do que Portugal;
- Ao mesmo tempo, a aposta dos clubes portugueses na formação, com a produção de alta qualidade das academias, municia as selecções jovens e prepara o futuro, naquilo a que chamamos, sem complexos, de círculo virtuoso.
No apuramento de Portugal para o Campeonato da Europa de 2020 não houve fogo de artifício e champanhe. Para lá de um jogo muito bem conseguido na Sérvia, a Selecção Nacional limitou-se a ser competente e profissional, reforçando a imagem de marca de equipa tremendamente difícil de bater. Ontem, no Luxemburgo, num relvado impróprio, quando foi preciso abdicar da lagosta e passar para o carapau assado, os jogadores disseram presente. E, no Europeu, contem connosco, é para ganhar!

Ás
Fernando Santos
O Euro 2020 vai ser a quinta grande competição internacional de Fernando Santos como seleccionador nacional, um número só por si fantástico e inédito no futebol português, que conhece um significado ainda mais importante se lembrarmos os títulos de 2016 e 2019. Em boa hora Fernando Gomes apostou nele...

Ás
Cristiano Ronaldo
Apesar de não estar a atravessar um bom momento de forma, CR7 veio ajudar Portugal a qualificar-se para o Europeu do próximo ano, e ainda marcou a bagatela de quatro golos, fixando-se nos 99, a dez apenas do recorde mundial do iraniano Ali Daei. E prepara-se para fazer o quinto Europeu. Proeza até agora inédita!

Ás
Stefanos Tsitsipas
Numa modalidade dominada completamente, há muitos anos, por jogadores veteranos (Federer, 38, Nadal, 33, Djokovic, 32), o triunfo do jovem grego, de 21 anos, no Masters de Londres é uma lufada de ar fresco no mundo do ténis e a certeza de que a continuidade dos monstros está assegurada. O ano de 2020 promete render da guarda...

CR7 estende ramo de oliveira a Maurizio Sarri
«Tentei ajudar a Juventus mesmo jogando lesionado; ser substituído... ninguém gosta, mas entendo, porque eu não estava bem»
Cristiano Ronaldo, avançado da Juventus
Depois do Luxemburgo-Portugal, Cristiano Ronaldo disse aquilo que os tiffosi da Juventus mais queriam ouvir: com Sarri está tudo bem e a limitação física anunciada pelo técnico da vecchia signora, afinal, não era um mito. CR7 amuou por ter sido substituído, marcou posição, e a seguir colocou ponto final na polémica. São muitos anos a virar frangos...

O regresso dos amigos de Rod Stewart
A pouco e pouco estamos a assistir ao ressurgimento, no plano internacional, do futebol escocês. A selecção, apoiada pelo indefectível 'Tartan Army', venceu em Chipre e vai estar no 'play-off' do Euro-2020 e os principais clubes (FC Porto que o diga) mostram maior competitividade. Milagre? Não, planificação...

JJ, está quase...
O Flamengo, num jogo dramático, venceu o Grémio, em Porto Alegre e, aproveitando o empate do Palmeiras em Salvador, ficou a um pequeno passo de se sagrar campeão do Brasil. Durante décadas, os brasileiros gozaram com o futebol português, diziam que jogávamos de tamancos e com bola quadrada. A 19 de Julho de 1966, em Goodson Park, Liverpool, começaram a perceber que não era bem assim e o sucesso de Jorge Jesus nos dias de hoje fecha esse ciclo de redenção lusitana. É uma espécie de segundo achamento, embora o desembarque não tenha sido em Porto Seguro, mas no ninho do urubu..."

José Manuel Delgado, in A Bola

O 'puzzle' de 23 peças

"Faltam menos de sete meses para o início do Euro-2020. Muito tempo para pensar nos 23. Mas já há tendências para a próxima fase final

Fernando Santos utilizou 26 jogadores na fase de qualificação para o Euro-2020. Um guarda-redes (Rui Patrício), três laterais-direitos (João Cancelo, Nélson Semedo e Ricardo Pereira), três defesas-centrais (Rúben Dias, José Fonte e Pepe), dois laterais-esquerdos (Raphael Guerreiro e Mário Rui), dois médios mais centrais (Danilo Pereira e Rúben Neves), cinco médios de transição (William Carvalho, João Moutinho, Bruno Fernandes, Pizzi e João Mário), um jogador cerebral (Bernardo Silva), três extremos (Rafa Silva, Diogo Jota e Bruma) e seis avançados (Cristiano Ronaldo, Gonçalo Guedes, João Félix, André Silva, Dyego Sousa e Gonçalo Paciência). O seleccionador nacional chamou ainda mais dois guarda-redes (Beto e José Sá), quadro defesas-centrais (Rúben Semedo, Domingos Duarte, Ferro e Carriço), dois médios (Renato Sanches e André Gomes), um extremo (Podence) e um avançado (Éder). Nenhum destes dez jogadores chegou a jogar na qualificação. Fernando Santos trabalhou, pois, com 36 jogadores neste 20 meses.

Muito dificilmente alguém de fora deste lote de 36 estará na fase final do próximo Europeu. Claro que faltam ainda muitos meses para a prova começar (12 de Junho a 12 de Julho). Haverá lesões e abaixamentos de forma. Mas é interessante perceber as actuais tendências. Os guarda-redes parecem certos: Rui Patrício, Beto e José Sá. Um dos laterais-direitos (João Cancelo, Nélson Semedo e Ricardo Pereira) deverá ficar em Portugal. Será preciso acrescentar um defesa-central (Rúben Dias, José Fonte e Pepe + Rúben Semedo, Domingos Duarte, Ferro e Carriço). Não haverá grandes dúvidas nos dois laterais-esquerdos (Raphael Guerreiro e Mário Rui). Depois, sim, começam os problemas. Com 11 já escolhidos, ficam a faltar 12. Seis médios e seis avançados? Cinco médios e sete avançados? No Euro-2016, Fernando Santos levou sete médios (André Gomes, Adrien, Danilo, João Mário, João Moutinho, William Carvalho e Renato Sanches) e cinco avançados (Ronaldo, Éder, Nani, Quaresma e Rafa). Porém, para o Mundial-2018 levou seis médios (Adrien, Bruno Fernandes, João Mário, João Moutinho, Manuel Fernandes e William Carvalho) e seis avançados (André Silva, Bernardo Silva, Ronaldo, Gelson Martins, Gonçalo Guedes e Quaresma). Ou seja, nunca cinco médios e sete avançados: 6/6 ou 7/5. O mais provável é ser 6/6. Como em 2018.

Tentemos, então, perceber quais os seis médios e os seis avançados que, a sete meses de distância, parecem mais perto do estar entre os 23. Médios: Bruno Fernandes, João Moutinho, Danilo Pereira, Rúben Neves e William Carvalho (mais Pizzi ou João Mário). Avançados: Bernardo Silva, Ronaldo, Gonçalo Guedes, João Félix e André Silva ou Gonçalo Paciência (Fernando Santos levou sempre apenas um avançado mais central). Ficará a faltar um avançado. Provavelmente extremo: Rafa, Bruma ou Jota? Rafa. Não é fácil a construção deste puzzle de 23 peças. Haverá talvez 16/17 jogadores mais ou menos certos. O resto depende de muita coisa. De lesões. Do momento de forma em Maio de 2020. E sobretudo das ideias de Fernando Santos, o homem do puzzle de 23 peças."

Rogério Azevedo, in A Bola

Parabéns, malta! Mas já agora...

"Portugal está no Europeu e de parabéns. Será a 11.ª presença consecutiva em fases finais, se excluirmos Confederações e Liga das Nações. É o resultado do trabalho e da competência: na formação de talentos nos clubes e consequente aproveitamento pela Federação, na gestão dos seleccionadores, cada um com os seus méritos (e defeitos), e nos muitos jogadores que ajudaram a Selecção a projectar-se até ser, de forma consolidada, uma das melhores a nível planetário. Se compararmos com 1984 e 1986, ganharam-se metros no ataque, graças a sucessivas injecções de talento, à experiência adquirida com a sua exportação massiva e a uma mentalidade ganhadora. O ponto mais alto continua a ser o Euro-2016 e, se fizerem questão, uma Liga das Nações que ninguém sabe ainda muito bem o que vale.
Depois dos elogios, é preciso não perder o sentido crítico. O campeão em título Portugal foi segundo, atrás de uma Ucrânia em renovação, e sofreu no Luxemburgo até garantir o bilhete. Se o ponto de partida para o Europeu é atrás de uma selecção ucraniana, é preciso ligar desde já todos os alertas, por muito que o trabalho de Shevchenko seja motivo de aplauso. Mais ainda se for confirmada a provável queda da Selecção para o pote 3 do sorteio, consequência da sofrível fase de qualificação e que colocará tubarões no caminho logo na fase de grupos. Fernando Santos teria assim a oportunidade de provar o que tem dito sempre que lhe falam da felicidade do calendário em França: que gosta de defrontar é as grandes selecções.
Mais preocupante é o errático fio de jogo da equipa, que as individualidades têm atenuado, e o abuso do jogo vertical. Portugal não joga bonito, mas também não joga bem. Conceitos que o seleccionador confunde. Dificilmente fará um grande Europeu sem jogar bem, e pode bem fazê-lo sem jogar bonito."

Luís Mateus, in A Bola

Bater em mortos é um dever

"De entre as muitíssimas qualidades de Cristiano Ronaldo – refreio-me aqui de as enumerar a fim de poupar a paciência do leitor – uma das mais apreciáveis é a contundência e o deleite que demonstra ao bater em mortos. Não se apressem os justiceiros de teclado em ler nestas palavras uma crítica protegida pela armadura da ironia. É sincero o meu apreço por tão rara qualidade nos jogadores portugueses que, até há bem pouco tempo, aproveitavam os desafios contra Andorras e Liechtensteins para um justo repouso após mais altas refregas que lhes consumiam energias e exauriam os parcos depósitos de concentração. O próprio Ronaldo era vítima destes lapsos de relaxamento competitivo à volta do qual se desenvolveu a teoria de que a nossa selecção só levava a sério os jogos com os grandes potentados continentais e encarava com sobranceria e enfado os confrontos contra grão-ducados, principados e os restos mortais do grande mamute que era a URSS.
Com o passar dos anos e a aproximação a recordes julgados imbatíveis, Ronaldo acelerou e, nos últimos tempos, tem marcado como nunca. Com o golo de ontem ao Luxemburgo, superou o seu máximo num ano civil com a camisola das quinas. A tibieza dos adversários não o desencoraja porque, no final, o que contam são os números e poucos, entre os quais os seus mais assanhados detratores, cuidarão de lembrar que entre as suas vítimas preferidas estão a Lituânia, Andorra, Arménia, Letónia, Estónia, Ilhas Faroé e o próprio Luxemburgo, que já não é o saco de pancada de outrora, sobretudo quando joga resguardado por um batatal, mas também não é adversário que inspire temor. Lembro-me daquela cena d’O Fugitivo em que Harrison Ford jura a Tommy Lee Jones que está inocente e este, empenhado na sua missão, lhe responde com frieza maníaca: “não me interessa.”
A Ronaldo também não lhe interessam as transformações geo-políticas, a gula da UEFA e da FIFA ou o calendário sobrecarregado de jogos desimportantes. Só o golo lhe interessa e, quando ultrapassar o mítico Ali Daei, pouco lhe importará nunca ter desfeiteado as redes de colossos como a Alemanha, a Inglaterra, a Itália ou a França. Para efeitos estatísticos, tanto conta o golo marcado aos campeões do mundo ou numa final de uma grande competição como o golo marcado a um ajuntamento precário de futebolistas em part-time. O pecúlio do avançado iraniano também foi amealhado contra adversários do calibre das Maldivas, Laos, Líbano, Sri Lanka, Nepal, Síria, Iraque e Guam e o facto é que o recorde dele continua ali à espera de ser batido, sendo certo que, mais ano, menos ano, será Cristiano Ronaldo a batê-lo.
Dizia que bater em mortos com tamanho gosto e proficiência é uma qualidade de Ronaldo e, ao dizê-lo, já revelo menos respeito pelos adversários do que ele. Ao entrar em campo sempre com o intuito de marcar, independentemente da valia objectiva do rival, CR7, ainda que o faça na perseguição da glória pessoal, enaltece o adversário. Nenhum é tão pequeno que não mereça o seu esforço e, como ele disse ontem, o seu sacrifício. A Lituânia sofreu quatro golos do jogador português em Vilnius? Melhor assim do que presentear os famintos (de espectáculo futebolístico) adeptos lituanos com a imagem de Cristiano Ronaldo no banco, de gorro enfiado até às orelhas e joelhos tapados por mantinhas.
O filho mais notável da ilha da Madeira não brinca em serviço e não condescende com os adversários que lhe aparecem à frente porque não é ele que os escolhe. Ao ciclista belga Eddy Merckx chamavam “o canibal” porque corria sempre para acabar em primeiro e não deixava que os outros ganhassem. Foi assim que ganhou 525 corridas ao longo da sua carreira profissional, conquistou cinco tours, quatro giros, uma vuelta, três campeonatos do mundo e um sem-número de clássicas de um dia.
À sua maneira, Ronaldo também é um canibal, um animal competitivo como raras vezes se viu na história do desporto. A sua ambição e voracidade são quase tão lendárias como os feitos que já alcançou. Ele quer sempre mais e é esse apetite insaciável que nos agarra ao televisor mesmo que seja para assistir a mais uma degola dos inocentes ou a uma sessão de futebol nas trincheiras. Porque, tal como ele, também nós estamos à espera que chegue aos 110 golos e pouco nos importa que o caminho para a glória esteja atapetado de adversários moribundos. Há momentos em que bater em mortos é um imperativo categórico."

​Serviços mínimos

"Fazendo um apanhado global do percurso da selecção nacional pode dizer-se que esteve longe de ser brilhante como antes chegou a imaginar-se que seria possível logo que foi conhecido o lote dos nossos adversários.

A selecção portuguesa de futebol terminou ontem no Luxemburgo uma série de oito jogos não tendo ido além do segundo lugar no grupo B de apuramento para o Campeonato da Europa do próximo ano, e recolhido um total de 17 pontos num total de 24 pontos possíveis.
Depois de ter empatado em Lisboa os dois primeiros jogos, com a Sérvia e com a Ucrânia, e perdido mais tarde na capital ucraniana, voltou-se à velha fórmula de agarrar na máquina de contabilidade e fazer contas por entre algum compreensível nervosismo.
Fazendo um apanhado global do percurso da selecção nacional pode dizer-se que esteve longe de ser brilhante como antes chegou a imaginar-se que seria possível logo que foi conhecido o lote dos nossos adversários. Ainda assim, fez-se o possível e o indispensável, ainda que sem em algum momento ter justificado o título de campeão da Europa, conquistado em 2016.
Apesar do cinzentismo que marcou algumas exibições do grupo de Fernando Santos, o mérito do seleccionador português é, quanto a nós, intocável. A ele se devem os dois maiores sucessos alcançados pela nossa representação maior, o Europeu e a Liga das Nações.
Não é justo, por isso, entrar em comparações com outros tempos, em que nunca fomos além das vitórias morais.
Claro que os tempos que aí veem serão difíceis. Daqui por sete meses a nossa selecção estará novamente em acção para a defesa de um título numa altura em que tudo poderá ser diferente. Desde logo, o facto de o Euro-2020 se realizar em doze cidades, ideia original mas nem por isso menos insólita.
No jogo de ontem, no Luxemburgo, o onze das quinas apenas cumpriu a obrigação de ganhar.
Não fez um jogo à altura do seu prestígio, para o que muito contribuiu o lamaçal autêntico em que os jogadores evoluíram.
E, neste aspecto, não pode deixar-se de apontar o dedo à UEFA, tão exigente em questões secundárias, quanto indiferente àquelas que a deveriam verdadeiramente preocupar para assim preservar a qualidade do jogo e defender a integridade física dos atletas."

Euro2020: o campeão-candidato

"Cumprida a obrigação de regressarmos à fase final de um Europeu de futebol, coloca-se a grande questão : qual o papel de uma selecção que tem a incumbência de defender o título conquistado em França?
Não adianta muito entrar na discussão sobre o ser "favorito" ou "candidato". Pela simples razão de que Portugal é sempre candidato, pela sua enorme qualidade individual e colectiva. E não favorito, devido ao peso histórico das grandes potências europeias.
De resto, para começo de conversa, convém recordar que vencer duas vezes consecutivas o Campeonato da Europa é muito mais difícil do que parece. Tal só sucedeu uma vez (Espanha, em 2008 e 2012), ou seja, falamos da excepção que confirma uma regra de quase 60 anos. Mais : o Europeu sempre foi uma competição com espaço para vencedores-surpresa como foram os casos da (então) Checoslováquia, Dinamarca, Grécia ou Portugal, apesar do nosso país já andar a prometer "qualquer coisa" desde 2000.
A questão é que um campeão em título já não pode pensar apenas em fazer o melhor possível. Tem uma responsabilidade acrescida e, por isso, deve apontar claramente a chegar longe. E, por isso, tentar uma nova presença na final é algo a que deve ambicionar. Se o consegue ou não é outra história, mas será importante deixar claro - no terreno - que tudo fará para o atingir.
Nesta fase de qualificação, a selecção de Fernando Santos conseguiu o principal objectivo, o apuramento directo, mas falhou um outro alvo assumido, concluir no primeiro lugar. Passou, como se exigia, mas - excluindo as goleadas à Lituânia que não servem como bitola de avaliação - teve apenas uma actuação à campeão, na Sérvia, num dos jogos de verdadeira exigência deste grupo. É que aqueles quatro pontos a menos, em casa, logo no arranque, acabaram por atirar-nos para um provável Pote 3 no sorteio, o que, não sendo determinante para a fase final, pode gerar problemas acrescidos quando a prova arrancar.
O que gostava mesmo era de ver Portugal no Euro a ganhar jogos, claro, e a exibir-se no tal plano de campeão, que lhe permitisse fazer com que os adversários nos olhassem como um enorme problema e não apenas como um problema. Parece o mesmo, mas não é.
Claro que eles sabem que temos Cristiano Ronaldo. Só por si, isto já conta bastante, porque, em condições normais, o capitão português é capaz de desatar nós apertados. Mas, também por este motivo, espero que a gestão física de Ronaldo seja inteligente daqui até lá, pois todos ganhariam, Portugal, a Juventus e o jogador. Não sei é se Sarri estará para aí virado ou se o próprio.
Cristiano estará disposto a abdicar dos jogos em que seria avisado fazê-lo.
Só que há ainda mais recursos no conjunto português. Temos hoje um grupo que integra elementos que alinham em várias equipas da elite europeia - em número nunca visto - , emergindo Bernardo Silva como o exemplo mais flagrante. Aliás, a lista de potenciais convocáveis de nível superior é longa e o problema de Fernando Santos vai ser definir quem fica fora, não quem fica dentro. 
Permitam-me, de caminho, focar um aspecto que vai contar bastante no Euro2020, porque as questões logísticas assumem um papel ainda maior do que é habitual. Com um Europeu distribuído por 12 países, temos uma dor de cabeça acrescida. Reparem que não fazemos ideia de onde jogaremos, antes do sorteio de dia 30.
Sem entrar agora em comentários laterais à invenção do sr. Platini, dos tempos em que mandava na UEFA, esta arrumação insólita deixa-nos numa posição de expectativa total. Jogar em Bilbao/Dublin é uma coisa, em Londres/Glasgow é outra, ou em Roma/Baku outra ainda.
Seja como for, em primeira e última instância, tudo passa por seleccionador e jogadores. E deles espera-se o melhor. Sejam campeões ou não que fique bem vincado que vamos lá para discutir a coisa. Mesmo."

Qualificação sim, exibição assim-assim

"Com duas vitórias nos últimos dois jogos, a selecção portuguesa qualificou-se para a fase final do Euro 2020. No primeiro jogo, contra a Lituânia, fez uma boa exibição, mas o adversário era muito fraco; no segundo, contra um adversário mais forte, vacilou – e o resultado de 2-0 é lisonjeiro. 

Fernando Santos é um treinador de que é difícil falar, pois quando se vê jogar a selecção há sempre dois sentimentos misturados: por um lado, vai ganhando jogos, somando qualificações para as fases finais e ganhando até provas; por outro, o futebol que joga não empolga, não entusiasma, não tem chama nem alegria.
Ora, com jogadores de óptima qualidade que jogam em grandes equipas da Europa, com “o melhor do mundo” no onze, como Santos está sempre a dizer, parecia haver condições para a selecção jogar um futebol bastante mais atractivo.
Mas como criticar um treinador que vai obtendo resultados? Será justo?
O mesmo pode dizer-se hoje de Ronaldo. Temos de ser objectivos e admitir que Ronaldo tem jogado muito pouco. Falha passes, perde bolas, marca mal os livres, até falha golos fáceis.
Mas como criticar um jogador que em dois jogos faz quatro golos?
Pode dizer-se que um foi de penálti, outro foi em cima da linha (numa bola que ia a entrar sem a sua interferência), pode dizer-se tudo. Mas a verdade é que Ronaldo marca mais que qualquer outro e isso quer dizer alguma coisa.
De qualquer modo, isso não justifica o estatuto de “reizinho” que está a assumir. Fernando Santos, durante o jogo com a Lituânia, perguntou-lhe várias vezes se queria sair – e ele é que decidia. E isto porque, num jogo da Juventus, Ronaldo reagira mal a ser substituído, abandonando o estádio antes de o jogo acabar, desrespeitando os colegas e o clube. Para mostrar que era diferente do treinador da Juve, Santos não quis fazer o mesmo. Quis que fosse Ronaldo a decidir o momento de ser substituído. Mas não pode ser. É perigoso numa selecção haver situações de privilégio.
Isto também se constata na marcação de livres directos. É sempre Ronaldo a marcar. Por que carga de água? Até porque já não me lembro da última vez que Ronaldo marcou um golo de livre na selecção. Não seria mais correto ceder de vez em quando a marcação de um livre a outro? Note-se que há na selecção outros exímios marcadores de livres directos, como Rúben Neves, Bruno Fernandes ou Raphael Guerreiro. Fica a ideia de que, em certas situações, um destes poderia fazer melhor do que Ronaldo.
Mas enfim. A selecção ganhou e tudo está bem quando acaba bem. Fernando Santos, mesmo com o seu futebol mastigado, lá vai ganhando. E quando assim é…
Já Ronaldo devia refrear o seu estatuto de estrela – e ceder o palco, aqui e ali, a um companheiro de equipa."

Símbolos desportivos

"Desde as origens da humanidade, encontramos símbolos sob uma ou outra forma e em numerosos domínios. No âmbito do plano etimológico, a palavra “símbolo” provém do grego “sumbolon”, que quer dizer “sinal” ou “marca”. Na Antiguidade, o “sumbolon” era um objecto cerâmico, de madeira ou metal, partido em duas partes. A junção dessas duas partes constituía um meio de reconhecimento.
Com o tempo, a palavra “símbolo” veio a designar a representação figurativa de um conceito, de uma ideia, de uma acção ou de uma situação. Os símbolos têm, muitas vezes, origem no mundo animal ou na natureza em geral. Eles podem provir também dos objectos fabricados pelo homem, sendo, assim, artificiais. Alguns são apenas formados por alguns pontos ou linhas; outros, consistem em figuras geométricas mais elaboradas, como um triângulo, um quadrado ou um círculo. Quando uma ideia transmitida por um símbolo se refere a algo concreto, por exemplo, um animal, um vegetal ou um objecto, a sua representação é fácil. Quando se trata do domínio da abstracção, como um conceito ou um sentimento, é mais difícil de representar. Neste caso, deve-se utilizar um símbolo ilustrativo do sentido que se quer transmitir.
Alguns símbolos são universais. De uma forma geral, podemos dizer que existem três tipos de símbolos: os símbolos naturais, os símbolos artificiais e os símbolos místicos. Alguns símbolos são universais. O psicólogo Carl Gustav Jung designa-os sob o nome de “imagens arquétipais”, dado que representam princípios eternos, os “arquétipos”, que o subconsciente do homem traduz em imagens. Como ele explica, a função essencial de um símbolo é de explicitar um conceito, um princípio ou uma verdade, cuja compreensão escapa “a priori” à razão. Os símbolos permitem estabelecer relações e as mediações entre o visível e o invisível, o material e o espiritual, a terra e o céu. Eles participam na nossa evolução interior e fazem viagem o nosso pensamento através dos planos da Criação.
No âmbito do desporto, tomemos aqui o exemplo do símbolo dos cinco anéis olímpicos entrelaçados e de iguais dimensões. Idealizado em 1914, por Coubertin, criador dos Jogos Olímpicos Modernos, simbolizam a união dos cinco continentes pelo olimpismo. As cores representam a universalidade: o verde representa a Oceania, o preto a África, o amarelo a Ásia, o azul a Europa e o vermelho a América. Estas cores estão representadas nas várias bandeiras. Na bandeira olímpica, consta também o branco. A adopção dos anéis entrelaçados foi codificada pelo COI, reunido em Lausanne, em 1931. Cada prática desportiva tem também o seu símbolo."

O questionamento crítico

"“O que posso conhecer? O que devo fazer? O que posso esperar? O que é o homem?”. São, no superior entendimento do Kant (1724-1804), as quatro questões que formam o campo da filosofia. Para ele, que assim revela, “grosso modo”, o território de uma disciplina, a primeira questão corresponde à metafísica, a segunda à moral, a terceira à religião e a quarta à antropologia. No século XVIII, o filósofo reproduzia um tempo que lhe exigia fosse, simultaneamente, matemático, físico, moralista, naturalista, teólogo, etc. A História Universal da Natureza e Teoria do Céu (1755) consideram-na alguns físicos de projecção mundial, como uma prefiguração da cosmologia hodierna. Kant foi mesmo o primeiro sábio a sugerir a existência das galáxias. Leibniz (1646-1716), o teórico da “harmonia pré-estabelecida do mundo”, não era. unicamente, o sonhador nefelibata que o Voltaire ridicularizou no Cândido. Ele, para além de filósofo, foi historiador, diplomata, matemático e pessoa que sentia um prazer enorme em viajar. É evidente que, sendo embora cristão católico, o meu pensamento é bem mais próximo de Voltaire do que de Leibniz, pois que sou em crer que, como aprendi no Padre Teilhard de Chardin, a Evolução começa na cosmogénese, passa pela biogénese e a noogénese, rumo â cristogénese. Todo o progresso é movimento e, no ser humano, é transcendência. A minha definição de motricidade humana é esta: “o movimento intencional e solidário da transcendência”. A intencionalidade, escreveu Lévinas, é “essencialmente o ato de emprestar um sentido”. Dar um sentido à vida é entendê-la como matéria que se transformou em cultura, em espírito, num processo ininterrupto de hominização de Deus e divinização do homem. O homem é tanto mais homem quanto mais se aproxima do Absoluto – afinal, o sentido último da Evolução.
Há quem conceba a filosofia, principalmente como um trabalho de reflexão crítica; outros pretendem, com ela, revelar as verdades últimas (fundantes) sobre o Homem, a Vida, a Sociedade e a História; outros, por fim, vêem na filosofia uma escola de sabedoria e uma arte de viver. O questionamento crítico é, no meu entender, a grande tradição filosófica que, nascendo em Sócrates, chega a Wittgenstein, passando por Kant. Para estes filósofos, o papel da filosofia situa-se num questionamento constante das ideias recebidas, do “magisterdixismo” arrogante e dos conhecimentos estabelecidos. A actividade crítica, designadamente em muitos dos comentários ao futebol de altíssima competição e a um certo academismo estéril (sirvo-me do título de um livro célebre, de Jorge de Sena), sobe ao posto máximo do “Reino da Estupidez”. De facto, trata-se de uma actividade crítica que se confunde com uma competição-hostilidade e onde as relações humanas persistem inquinadas. O futebol, como as demais modalidades desportivas, é também competição, mas não se limita à competição. Como já escrevi, num opúsculo da minha autoria, Para um Desporto do Futuro: (com prefácio do Dr. João Paulo Rebelo e do escritor Miguel Real e editado pelo IPDJ/SEDJ) no Desporto a competição é, acima do mais, diálogo, “isto é, procurando mais o belo e o convívio fraterno e a resposta às necessidades do ser humano, em busca de mais ser, do que uma competição tecnologicamente avançada e moralmente ameaçada. Será de realçar, ao contrário de uma ideia muito comum, a competição desportiva, onde não desponta, em todas as circunstâncias, a ideia da eminente dignidade da pessoa humana, não é uma necessidade imposta pela natureza, mas um reflexo (…) da intensificação da concorrência económica mundial”.
Durante o século XX, o desenvolvimento das qualidades físicas e da condição biológica parecia ser, para a esmagadora maioria das pessoas, o objectivo primeiro da educação física e do desporto. Depois dos estudos que fiz, em Merleau-Ponty, em Teilhard de Chardin, em Emmanuel Mounier (há mais de cinquenta anos, como o tempo passa!) faço minhas as palavras deste último autor, no capítulo VII do Personalismo:”Que a existência seja ação e a existência mais perfeita ação mais perfeita, eis uma das intuições chaves do pensamento contemporâneo. Se a alguns repugna a introdução da ação no pensamento e na mais alta vida espiritual, tal facto se deve apenas à estreita noção que implicitamente dela é tida, reduzindo-a a mero impulso vital “. O Doutor Luís Umbelino, um sábio e experiente professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, deu a conhecer, na sua tese de doutoramento, que Maine de Biran (1766-1824) descobre “o estatuto subjectivo do corpo próprio, a partir da experiência do movimento”, pondo em causa o dualismo antropológico racionalista. Em qualquer acção, a totalidade que a justifica e a totalidade que a permite estão presentes. Repito o que já tenho escrito muitas vezes: no ser humano, tudo está em tudo! Numa sessão de treino, o físico, o psíquico, o intelectual, o espiritual encontram-se em rede, como elementos do mesmo todo. O Desporto, como fenómeno cultural que é (para mim, o de maior magia) deverá saber seleccionar, interpretar, recolher as mais diversas conexões que da sociedade lhe chegam. E, nessas conexões, descobrem-se, com maior ou menor intensidade, com maior ou menor nitidez, a globalidade da condição humana. Desconhecer esta realidade (ou esta complexidade) é fazer do futebol, por exemplo, simples elemento decorativo e do “agente do futebol” um mago e, aqui e além, com o estatuto aristocrático dos magos.
A arte procede muitas vezes da necessidade de protesto e de crítica contra determinadas situações sociais e políticas. “Mas, sempre que desafia o que está, prenunciando e tecendo o que virá, tem de contar com os mecanismos assimiladores das sociedades (de que ela própria acaba por fazer parte), os quais, gradualmente, se mobilizam, para controlar os distúrbios, bloqueando ou dissolvendo os elementos agressivos. A medicina conhece bem esse processo, de que a biologia nos dá abundantes exemplos. Daí que, de tempos a tempos, tenha de dar-se uma nova ruptura, que apanhe desprevenida a norma rectificadora” (Fernando Namora, Encontros, Livraria Bertrand, p. 64). Só que diante de uma ruptura epistemológica (ou um corte epistemológico) tudo o que é tradição se levanta indignado, ressentido, chegando a ser inquisitorial, para que não tenha poiso, ou um pouco de aceitação que seja, qualquer viragem radical. Mas a fraqueza da tradição é acreditar apenas na tradição. Só com tradição o pensamento é sempre subsidiário e satélite. Reduzir o ser ao saber e, depois, reduzir o saber ao saber das ciências equivale a regressar a um certo materialismo e ao positivismo. E não é olhando unicamente para o Passado que podemos construir o Futuro. A pós-modernidade organiza-se hoje, em torno de vários pólos estruturantes: o capitalismo globalizado, onde reina a sociedade de mercado e se promove a desregulação dos mercados financeiros e, consequentemente, o crescimento da miséria e a fragilização do emprego e do nível de vida; o grau superlativo de uma tecnociência, conduzida pelo mercado e ao serviço do mais cego individualismo; o triunfo do capitalismo globalizado, que não é só económico, mas também cultural. Ter sucesso é ganhar no mundo da alta competição e fazer fortuna. Trata-se de um agir alienante, acompanhado de uma certeza, que os “media” e a ciberlinguagem das redes sociais e dos “hashtags” publicitam: a ditadura dos mercados é invencível! O desporto, que reproduz e multiplica a ditadura dos mercados, é também invencível (assim se pensa). Cada vez se torna mais necessário um questionamento crítico a este desporto que ajuda a interiorizar e aceitar, sem reservas, a sociedade de mercado."

Pequeno Genial

"Todas as oportunidades são boas para homenagear Fernando Albino Sousa Chalana. E hoje, às 18 horas, haverá mais uma, com a apresentação do livro “Chalana, a Vida do Génio”.
Da autoria de Luís Lapão, com colaboração do departamento do Património Cultural do Sport Lisboa e Benfica do qual o autor faz parte, com prefácio do consagrado escritor e jornalista Mário Zambujal e publicado pela editora Prime Books, parceira oficial do clube, este livro conta com testemunhos de familiares, amigos e colegas de Fernando Chalana, além do antigo jogador.
A obra versa sobre a vida do Pequeno Genial, como um dia Chalana foi apelidado por José Neves de Sousa, então jornalista do extinto Diário de Lisboa, tornando-se alcunha por tão bem assentar ao fantástico jogador do Benfica e da Selecção Nacional. A carreira do futebolista e técnico é escalpelizada ao longo do livro, com enfoque nos primeiros passos de Chalana enquanto jogador. Do despertar do gosto por jogar à bola ao estrelato, nada foi ignorado, permitindo-nos ficar a conhecer melhor aquele que tantos idolatram.
Chegou ao Benfica aos 15 anos, e aos 17 anos e 25 dias de vida tornou-se, então, no mais jovem de sempre a atuar numa partida do Campeonato Nacional, o que lhe permitiu ser campeão pela primeira vez nessa temporada (1975/76). Apesar da tenra idade, a participação em dois jogos não surpreendeu quem acompanhava os jogos dos Juniores, nos quais Chalana, com exibições magistrais repletas de jogadas extraordinárias, já despertara a atenção de muitos benfiquistas.
Na época seguinte, em que voltou a conquistar o título nacional, já era figura de proa da equipa, correspondendo às enormes expectativas em si depositadas e preenchendo o vazio que um certo sentimento de orfandade provocado pela saída, em final de carreira, de António Simões deixara entre os benfiquistas, não só relativamente à posição de extremo-esquerdo, mas também quanto à capacidade de um jogador de, pela genialidade que emprega nas suas ações, fazer sonhar todos os que têm o privilégio de o ver jogar.
Até à transferência para o Bordéus – por um valor recorde e que pagaria as obras do fecho do terceiro anel do antigo Estádio da Luz – após formidáveis exibições no Campeonato da Europa de 1984, realizado em França e em que Portugal foi o terceiro classificado, Chalana marcaria um período da vida do Benfica, notabilizando-se pelas fintas desconcertantes, pela inteligência refinada que colocava nos lances em que participava, por ter contribuído decisivamente para vários títulos e por ter sido muitíssimo admirado por todos os que acompanharam a sua carreira, incluindo colegas de equipa e adversários.
Em França, acometido por vários problemas físicos, não obteve o sucesso que todos lhe auguravam, regressando ao seu Benfica a tempo de acrescentar títulos ao pecúlio obtido anteriormente. Foi campeão nacional seis vezes e ganhou duas Taças de Portugal, duas Supertaças e três Taças de Honra e fez parte de três equipas finalistas europeias, marcando uma era do futebol português, sendo idolatrado por várias gerações e considerado, por muitos, um dos melhores jogadores de sempre do Benfica.
Viria ainda a representar brevemente Belenenses e Estrela da Amadora, colocando um ponto final na carreira aos 33 anos apenas, sem, no entanto, abandonar o futebol. Integrado em diversas equipas técnicas das camadas jovens benfiquistas, inspirou centenas de aspirantes a futebolistas, incluindo Bernardo Silva, que frequentemente se lhe refere como uma das pessoas que mais o ajudaram e inspiraram a tornar-se profissional de futebol.
Todas as oportunidades são boas para homenagear Fernando Chalana. Porque merece. Porque é humilde. Porque maravilhou quem o viu jogar. E porque é daqueles que muito ajudaram a engrandecer o Benfica!"

Cadomblé do Vata (Ronaldettes, Zuquices, Exigência e ganhar ritmo...!!!)

"1. Foi difícil mas Portugal logrou vencer a miserável selecção do Luxemburgo por 2-0... com este resultado, a equipa da FPF conseguiu o apuramento directo para o 5º Europeu do Cristiano Ronaldo. 
2. O relvado estava em péssimas condições, o que prejudicou solenemente a exibição dos jogadores mais tecnicistas... valeu à equipa da FPF, a capacidade física daquele tractor filho da mãe racista de Manchester.
3. O Flamengo venceu um super rival que ainda defende lances de bola parada com marcações homem a homem e numa semana Jorge Jesus vai poder sagrar-se campeão nacional e vencer uma competição internacional... esta merda é tão 2013 que até fiquei com os pelos dos braços todos arrepelados quando a escrevi.
4. E à 7ª jornada do campeonato, a equipa feminina do SL Benfica sofreu um golo e venceu um jogo pela margem mínima...não sei como estamos a nível de exigência para o futebol das raparigas, mas por mim começo já a pedir a substituição do Andrade no comando técnico da equipa.
5. As notícias parecem ser optimistas e Rafa corre para a recuperação a tempo de defrontar o Sporting CP... como eu sempre disse, "jogos de Taça e contra os lagartos, são os melhores para recém recuperados adquirirem ritmo de jogo"."

O estranho caso de Jota

"Por vezes deparamo-nos com situações inesperadas que por mais que reflictamos não conseguimos determinar uma razão pela qual o momento não se sucedeu como era previsto. À primeira vista é isto que parece estar a acontecer com a afirmação de Jota.
O jovem jogador parece ter todas as condições para dar certo: Qualidade inegável, um potencial elevadíssimo, provas dadas em todos os escalões e selecções, uma maturidade (extracampo) muito acima da média etc. Mesmo com todos estes bons indicativos, João Filipe tarda em afirmar-se na equipa sénior dos encarnados.
Depois da excelente campanha no europeu de sub19 em 2018, onde ajudou a equipa das quinas a conquistar o título e arrecadou o prémio de melhor marcador (juntamente com Trincão do SC Braga), Jota colocou-se debaixo dos holofotes da atenção mediática. Nesta altura o, ainda júnior, transformou-se na grande bandeira da formação dos encarnados, gerando mesmo mais burburinho do que o próprio João Félix.
Jota faria ainda uma época na equipa B (um espaço que, para mim, é fundamental no desenvolvimento de um jogador) onde, ao serviço do próprio Bruno Lage, foi um dos melhores jogadores da segunda liga. No final da temporada, lá surgiu a estreia do novo “menino bonito” do Seixal. Dentro de campo, parecia ainda um diamante em bruto. Eram observáveis pormenores não alcançáveis ao comum dos mortais, mas faltava qualquer coisa para ser um jogador de equipa grande. O tempo e a experiência iriam certamente conduzir Jota pelos melhores caminhos.
No início desta temporada, Jota integrou os trabalhos da equipa principal na pré-época e acabaria mesmo por ser inserido no plantel. Com o decorrer dos minutos, sobretudo por terras americanas, Jota demonstrou estar pronto para assumir papeis de maior responsabilidade na equipa das águias.
A espaços pareceu mesmo ser um dos melhores jogadores dos encarnados. Marcou vários golos, fez diversas assistências, trazia sempre uma nova dinâmica ao jogo e impunha um ritmo diferente cada vez que pisava o relvado. Mesmo actuando no papel de segundo avançado, uma posição que lhe era estranha até à data, Jota demonstrou versatilidade e partiu como um dos favoritos ao lugar.
No início das competições oficiais a aposta na frente recaiu sobre Seferovic e Raul de Tomás, adiando assim a entrada do jovem português no 11. Com o baixo rendimento da dupla de ataque, Bruno Lage começou a explorar novas opções. Jota teria a sua oportunidade a titular no jogo frente ao RB Leipzig, aparecendo nas costas do espanhol Raul de Tomás.
O jogo do internacional sub21 português foi desastroso. Perdeu controlo da bola 19 vezes, não conseguiu executar um único um remate durante os 67 minutos que esteve em campo e teve muita dificuldade para realizar qualquer tipo de desequilíbrio ofensivo.
Ficou mais do que comprovada a inaptidão de Jota para a posição. Apesar de ter algumas características que facilitam a sua colocação num posicionamento mais central, o carácter vertical do jogo de Jota, a sua falta de experiência e a sua dificuldade em soltar a bola dificultam o sucesso desta aposta. Para poder aumentar a percentagem de sucesso a sua utilização deveria ser como extremo, sobretudo esquerdo.
Assistindo a um jogo de sénior de Jota, ficamos na dúvida se estamos num jogo do campeonato, no Estádio da Luz, ou num torneio interturmas de uma qualquer Escola Secundária. João Filipe entra sempre nas partidas com um nervosismo evidente e com uma vontade excessiva, por vezes imatura, de mostrar a sua qualidade. Nas suas acções com bola pensa em fazer tudo, mas acaba muitas vezes por não executar nada, exagerando sempre nos dribles e nos toques de “classe”. A qualidade em bruto está lá, mas tem que ser trabalhada e sobretudo tem que aparecer de forma natural.
Voltando ao paralelismo entre João Félix e Jota, as diferenças são gritantes. Logo nos primeiros jogos viu-se que Félix tinha capacidade para fazer diferença. A forma como entrou de rompante na equipa das águias é algo bastante raro, mas é um excelente exemplo para determinarmos o que falta a Jota para ser bem-sucedido ao mais alto patamar. A grande diferença entre os dois está sobretudo na maturidade do seu jogo e na tomada de decisão. Cada vez que Félix recebia o esférico era notável a confiança com que executava as acções e sobretudo a inteligência com que diferenciava os momentos do jogo.
A percepção do jogo que Jota tem parece estar ainda demasiado dependente da ideia básica típica de um extremo vertical: desequilíbrio individual- cruzamento ou remate. Diga-se que nada há de errado com jogadores mais verticais, mas para Jota ser bem-sucedido num cenário de equipa grande, sobretudo no sistema de Bruno Lage, o seu jogo terá que ter uma maior dimensão.
Jota é ainda nesta fase um jogador muito “verde”. A qualidade emana dos seus pés, mas qualidade não chega para alcançar patamares mais altos de rendimento, é necessário adquirir experiência. É precisamente deste processo de adquirição de experiência, que o futuro a curto prazo de Jota está dependente.
Neste momento o jogador parece ter desaparecido das opções para segundo avançado, e para extremo não é o primeiro nome a sair do banco. Sem tempo de jogo significativo dificilmente o jogador evoluirá e a estagnação é sempre um perigo iminente na carreira de jovens jogadores que ainda estejam num estado de desenvolvimento embrionário. Os 188 minutos que o jogador tem, espalhados por 8 jogos, são ainda muito insuficientes para se poder exigir o que quer que seja ao jogador.
Não sei até que ponto não seria positivo para o atleta ir tendo alguns minutos na equipa B, ou mesmo que passasse por um período de empréstimo numa equipa competitiva, de maneira a manter a boa forma física e continuar o seu processo de desenvolvimento. No entanto, a lesão de Rafa, que deve afastar o internacional português dos relvados durante alguns meses, pode surgir como uma oportunidade de ouro para Jota.
Para já, Cervi é o dono da posição, mas mantendo a boa postura e a dedicação conhecida nos treinos Jota poderá ambicionar ocupar o lugar ou pelo menos apresentar-se como uma alternativa válida. Será que Bruno Lage vai apostar seriamente no camisola 73, ainda esta época? Fica a dúvida no ar."