Últimas indefectivações

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Contas... Desfeitas... Dinheiros!

Jornal... 1.ª página!

EliDeus100

Alvorada... Malucos por todo o lado!!!

NetPress... Suspensões

Benfiquismo (DLXIII)

Bucareste

Tempo Corrido... com António Figueiredo

Lanças... Mentiras & afins...

Ouro, besouro e tesouro

"Acho que a defesa está a melhorar na sua eficácia e Seferovic é mesmo um caso de um jogador que parece estar no clube já há alguns anos.

Inês Henriques - Ouro
É gostosamente imperativo (passe o quase paradoxo) que comece esta crónica por Inês Henriques, medalha de ouro na novel prova de 50 Km marcha feminina nos Campeonatos do Mundo e nova recordista planetária. Uma saborosa vitória numa competição duríssima e que só pode ser alcançada com estoicismo, resistência física e psicológica, determinação e muito, muito trabalho e sacrifício na prova e nos treinos. Este feito é ainda mais assinalável (a Bola fê-lo ontem e anteontem como justamente se impunha, não só na capa, como em reportagens) num tempo em que somos submetidos diariamente no totalitário futebol.
Façanha inédita de uma portuguesa que, aos 37 anos de idade, atinge o patamar mais elevado, sem deslumbramentos e sem exibicionismos tontos («Seria impensável vir na capa dos jornais» disse a atleta na chegada a Lisboa).
Atafulhados pelo futebol jogado, mas sobretudo pelo que à sua volta se consome entre gritarias, desvarios e, não raro, pouca-vergonha, é refrescante para a mente e reconfortante para o espírito ver Inês Henriques levantar bem alto o orgulho de sermos portugueses.
Além de um desporto belíssimo, o atletismo é o que dá mais sucessos à lusa pátria. Nos Jogos Olímpicos, nos Mundiais ao ar livre ou pista coberta, nos Europeus, nas taças europeias de corta-mato, temos um extenso rol de atletas exemplares e vencedores. Não há outro desporto com tal produção de medalhados e medalhadas. Não há bandeiras nas janelas por causa destas atletas, nem programas de horas a fio a falar dos seus feitos. Prefere-se uma palermice de um qualquer craque ao enaltecimento do trabalho árduo e da persistência silenciosa de nobres atletas.
Estes acontecimentos despertam-nos para a ideia de que, afinal, sempre há desporto para além do futebol.
Já nesta coluna o disse, mas repito-o. Lamento a ausência de uma televisão portuguesa, em particular da pública, nos Mundiais de atletismo, aqui ao lado, em Londres. Creio que, de há tempos para cá, é a primeira vez que tal sucede. Desta vez, nem sequer foi em longínquas paragens. Mais um contraste com o futebol que tudo engole em orçamentos, custos e publicidade. É decepcionante. Fosse um treino da selecção de futebol e teríamos directos da Cochinchina e jogadores em conferências de imprensa a debitar banalidades.
Já agora, um pormenor: Portugal com 2 medalhas (ouro e bronze) derrotou a Espanha que saiu de Londres como entrou...
Por fim, assinalo a circunstância da escalabitana Inês Henriques ser atleta do Clube de Natação de Rio Maior. Não é do Benfica, não é do Sporting ou de ouro clube e nem sequer entrou na guerra passada para o atletismo de transferências que procuram replicar expressões doentias de aparente rivalidade.
Parabéns, Inês Henriques. E obrigado.

O besouro de uma liga videoformatada
Está concluída a 2.ª jornada do Campeonato. Primeiro facto a registar: para os 16 jogos efectuados foram precisos 10 (!) dias, em estilo gota-a-gota que retira sabor à competição (isso mesmo, competição). Bem sei que há jogos europeus e que a imposição televisiva tudo comanda, mas que diabo, esta salamização das jornadas não será excessiva?
Entretanto, parece que, no nosso futebol, vem ái um novo dialecto: o videoquês. Quer dizer, um linguajar tecnovirtual para todos os gostos e momentos, à escolha de cada um. Sobretudo para aqueles que querem erradicar (uso este verbo literalmente) a naturalidade do erro humano, ainda que o seja por milímetros ou não permitindo sequer margem para dúvidas. Devo começar por dizer que, para mim, o videoárbitro (VAR) tem sido positivo nestas primeiras provas. Desde logo, na parte menos visível, mas mais importante, qual seja a da prevenção inculcada na consciência dos jogadores de que agora há mais olhos (humanos e tecnológicos) a olhar para eles, e traduzida em menos faltas graves ou faltas (farsas) cavadas. Mas também na reposição da verdade indiscutível face a erros dos árbitros de campo (é o caso do golo mal anulado do Porto na 1.ª jornada).
Estas duas semanas também serviram para nos serem dadas mais informações sobre o VAR. Aliás, bom seria que fosse pública toda a regulamentação e funcionamento do VAR, até para que os comentadores de serviço (incluindo ex-árbitros) opinassem com cabal e completo conhecimento deste complementar meio de arbitragem.
Percebi agora que o VAR só deverá intervir em casos de erros grosseiros (ou claros) que não ofereçam quaisquer dúvidas e que violem nitidamente a verdade desportiva. Ou seja, aqueles casos situados na margem da incerteza ou na aceitável interpretação do árbitro principal não deverão ser intervencionados pelo VAR. Parece-me defensável este modo de agir, numa boa tentativa de encontrar a melhor síntese entre a interferência e a fluidez do jogo jogado.
Assim sendo, acho que foi compreensível por exemplo, no Benfica-Braga sancionar a invalidação de um remate do Braga (o fora-de-jogo ou não é uma questão milimétrica) e a não marcação de penálti sobre Jardel (ainda que a sua marcação fosse mais correcta). Já no Sporting-Vitória,a grande penalidade que ofereceu o triunfo aos leões, claramente forçada, está na fímbria da intervenção do VAR. Mas, neste caso, não se levantaram os clamores e as trombetas caso se tratasse de um alegado benefício ao Benfica. No penálti (indiscutível) de Tiba do Chaves sobre Jonas, para que servem tantas câmaras para o VAR) Estavam a dormir?
Creio que, mais do que nos fora-de-jogo que são fundamentalmente uma questão métrica, a principal dificuldade do VAR estará nas faltas merecedoras de grande penalidade, em função das sempre invocadas intensidade e intencionalidade.

A normalidade na luta pelo tesouro da Champions
Terminou a segunda jornada. Na frente, tudo normal, com a boa intromissão do tranquilo Rio Ave. Segundo A Bola de ontem, a circunstância de os 3 grandes fazerem o pleno nas duas debutantes jornadas já não acontecia há 23 anos! Todavia, sofreram para ganhar por um minguado 1-0. Mas, em qualquer dos casos, merecido. O Sporting parece não se ter libertado do fantasma de Alvalade apesar do apoio de um estádio quase repleto. O Porto, que verdadeiramente ainda não teve um teste difícil quer na Liga, quer na pré-época, venceu com um futebol algo baço. Por fim, o Benfica falhou mutos golos, mas jogou com a habitual coesão e ligação diante de um Chaves que será muito difícil de bater no seu reduto. Acho que a defesa está a melhorar na sua eficácia e Seferovic é mesmo um caso de um jogador que parece estar no clube já há alguns anos. Estão empatadas as 3 equipas, mas os jogos do Benfica, foram contra equipas, em teoria, bem mais difíceis.

Contraluz
- Palavra: Prélio.
Em desuso no futebol, significando luta, disputa ou competição (do latim proeliu). Uma alternativa semântica à palavra jogo, depois de esgotadas outros substantivos, tais como encontro, partida, embate ou disputa, umas mais bélicas, outras menos (de facto, um jogo pode ser uma batalha, sobretudo quando se alcandora o adversário à categoria de inimigo).
- Número: 24.
Golos nos jogos dos principais candidatos da Liga inglesa (Man. United, Man. City, Chelsea, Arsenal e Liverpool). Por cá, nos dos três grandes apenas 3 golos. Viva o futebol com golos!
- Lição: «O que eu fiz hoje foi muito duro, mas o que a minha mãe faz todos os dias é muito mais duro»
(depoimento tão belo quanto expressivo de Inês Henriques, em entrevista ao Público, após a medalha de ouro).
- Preferências: (minhas claras)
Arsenal na Inglaterra, Bayern na Alemanha, Barcelona em Espanha, Roma em Itália, Ajax na Holanda. Tudo vermelho ou perto disso..."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

AA34

"Ontem saí de casa mais cedo e fui à pastelaria em frente beber um café. Quem me atendeu foi o André Almeida. Como precisava de fazer tempo, fui dar uma volta ao parque mais próximo e cruzei-me com o jardineiro que estava a cortar a relva. Era o André Almeida. Fez-se hora de ir à loja de costura levantar as calças que tinha deixado há dois dias por causa das bainhas. Estavam impecáveis, agradeci ao André Almeida. No regresso a casa, e por ser a caminho, fui cortar o cabelo. Não tinha marcação, nem sabia se daria, mas o André Almeida atendeu-me.
Esta pequena brincadeira introdutória levanta um pouco o véu sobre o que pretendo defender. Eu sei que o futebol é cada vez mais um desporto de craques e milhões que ofuscam operários e tostões, mas sempre tive e continuarei a ter o máximo respeito e admiração por jogadores como André Almeida. Falo dele porque acho que é um bom exemplo, mas poderia falar de muitos outros que sabem que nunca foram nem nunca serão foras de série, mas nem por isso deixam de ser competentes naquilo que fazem. Não precisam de ser os melhores para serem bons, vencendo as críticas e a desconfiança com muito trabalho.
O leitor pode chamar-me louco, mas eu consigo ver Cristiano Ronaldo quando olho para André Almeida a jogar. Não é no talento, obviamente, tão-pouco na estampa ou pujança física. É na mentalidade. Naquela garra, determinação e ambição como corre a cada bola, do primeiro ao último minuto, mesmo que, instantes antes, tenha sido ultrapassado ou tenha feito um mau centro. Isso aconteceu em Chaves, mais uma vez, e no entanto, com o jogo a chegar ao fim e o Benfica a precisar de marcar, lá andava André Almeida, a encontrar forças no fundo da alma para ir lá acima mais uma vez. E outra, e mais outra...
Sempre com a mesma disponibilidade com que me serviu um café, com que cortou a relva do jardim, com que fez as bainhas das minhas calças e me cortou o cabelo. Há muitos Andrés Almeidas neste mundo. No futebol e na vida."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Como alimentar o bicho

"Uma das coisas que Alex Ferguson sempre quis durante os quase 27 anos que orientou o Manchester United foi ter no plantel maus perdedores. Os tais 'bad losers', entre os quais se incluíam futebolistas como Gary Neville ou Roy Keane, eram garantia que a equipa nunca estava acomodada, que nunca se resignava perante as dificuldades e mantinha sempre intacta a sede de vencer.
Este é também um dos trunfos do Benfica. O clube soma quatro triunfos consecutivos no campeonato, mas conta com uma mão-cheia de jogadores com um alto espírito competitivo e habituados a lidar com a pressão. Rui Vitória falou, antes da estreia no campeonato, em "bicho competitivo". Algo que só se consegue quando se juntam na mesma equipa futebolistas como Luisão, Jardel, Fejsa, Salvio, Pizzi ou Jonas.
Por isso, e apesar de (ainda) não ter preenchido devidamente as lacunas no plantel, em especial com a saída de Ederson, o Benfica deve ser sempre olhado como o alvo a abater pelos rivais. A vitória em Chaves foi obtida nos descontos e de forma algo feliz, mas resultou de uma preserverança e sangue frio próprios de quem anda nestas lutas há muito tempo. Quantas equipas em Portugal conseguiriam marcar um golo daquela forma e naquele momento?
O próprio Jorge Jesus já falou várias vezes da necessidade de dar mentalidade de campeão ao Sporting. O técnico sabe bem qual foi um dos trunfos que teve - por mérito próprio - na Luz, em especial nos dois últimos campeonatos que venceu."

Época nova, vida nova: a relação treinador-atleta

"Enquanto arrancam os diferentes campeonatos, a azáfama que ocupa os clubes é, maioritariamente, a constituição dos plantéis para a época que se avizinha.
Terminada esta etapa, iniciar-se-á uma "longa travessia", que se prende com a estruturação dos pilares fundamentais da relação dos Treinadores com os seus Atletas.
A relação Treinador-Atleta é, desde há muito (ex: Serpa, 1999), um dos grandes focos da investigação em Psicologia do Desporto, dado o reconhecimento inequívoco da sua associação ao Sucesso Desportivo.
Sem entrarmos na discussão dos "estilos de liderança", terreno igualmente fértil na produção de estudos, a especificidade da relação entre treinadores e atletas aponta ser um factor inquestionavelmente associado ao sucesso (ex: estudo realizado com a equipa olímpica Canadiana, em 2008 - Wurther, P.).
De facto, apesar da relação se estabelecer pela existência de um propósito comum (desenvolvimento das capacidades técnicas, tácticas e físicas, com a missão de sucesso) e de uma "paixão" igualmente partilhada (o desporto), a relação estabelecida vai muito para além do ensino e treino destas competências.
E ainda bem.
Em boa verdade, um Treinador (tal como, por exemplo, um professor), assume-se igualmente como o principal propulsor das características de base do atleta e da sua capacidade em "pensar" (e lidar com) a competição.
Por outras palavras, o Treinador acaba por ser o principal actor no cenário da transformação das competências psico-emocionais dos seus atletas/equipa (consideremos o exemplo claríssimo de Scolari, nos primeiros anos em Portugal).
Do lado do Atleta, mesmo que a actuar de uma forma quase indelével e subliminar, a expectativa do mesmo é que o seu Treinador se transforme numa espécie de "cuidador primário", que deverá fornecer segurança e apoio emocional - de facto, enquanto seres humanos, estamos todos condicionados a expectar este tipo de comportamento de quem nos "dirige", em virtude das experiências que se foram acumulando durante a infância (onde a figura de "autoridade" - o adulto - deveria prover estas mesmas necessidades)
O problema surge - seja no desporto ou em outro contexto de realização - quanto tal não sucede. 
Demasiadas vezes, assistimos a este tipo de situação que nada tem a ver com as competências técnico-tácticas do treinador em causa.
Na realidade, não são os seus skills técnico-tácticos que são valorizados pelos Atletas (como elementos diferenciadores), mas a qualidade e nível de compreensão, respeito, confiança e previsibilidade, em termos de comportamento, que existe entre duas pessoas - e, por esta razão, segundo dados mais recentes, os atletas capazes de formar um vínculo próximo com seus treinadores são mais propensos a sentirem-se seguros, desafiando seus limites e assumindo riscos para melhorar sua performance.
A demonstração de cuidado, a comunicação efectiva, bem como um comportamento consistente e transparente tem surgido, assim, como pilares para a construção de relacionamento. A criação de oportunidades para os atletas, tem surgido igualmente, como uma pedra angular da liderança efectiva.
Os Atletas esperam igualdade de oportunidades, atenção direccionada e comprometimento com o seu sucesso pessoal e da equipa.
O lado "ingrato" de tudo isto é que, o Treinador, precisa estar muito centrado em si próprio e na sua missão para, em simultâneo, gerir todo o seu processo emocional... e o do seu plantel, com todas as especificidades únicas de cada sujeito que transporta.
Parece, de facto, uma "missão impossível"...
Quase que poderíamos considerar que sim, contudo (e felizmente), algum Treinadores "teimam" em mostrar-nos que é possível, pelas relações únicas que estabelecem com os seus atletas/equipas e pelos resultados que estas mesmas alavancam.
Por onde começar?
Boa pergunta.
O processo inicia-se, inevitavelmente, pela activação da curiosidade dos treinadores que, não obtendo informação suficiente nos cursos que frequentam (onde recebem pouquíssimas horas no que respeita a Ciências do Comportamento Humano - Psicologia), devem procurar outras fontes de formação/informação (como, por exemplo, um artigo redigido há largos meses neste mesmo espaço).
A literatura científica abunda nesta área e as obras biográficas também (por vezes, transportam conhecimento relevante). Existem já cursos de aprofundamento e, em alguns casos, acompanhamento individualizado (que deverá ser efectuado por um especialista - e não por um "curioso").
Acima de tudo, o "caminho faz-se caminhando", pelo que, o principal acelerador deste processo será, integrar no seu dia-a-dia que, também da sua responsabilidade, é a criação de relações de confiança e de igualdade de oportunidades, no que respeita ao desenvolvimento e optimização das capacidades dos atletas.
Garantidamente que, os níveis de satisfação e commitment irão elevar-se e, com isto, uma maior probabilidade de atingir o "potencial real" da sua equipa."

Alvorada... Guerra

Benfiquismo (DLXII)

Honra...

105x68... Rescaldo...

Lixívia 2

Tabela Anti-Lixívia
Benfica.......... 6 (0) = 6
Corruptos..... 6 (0) = 6
Sporting........ 6 (+2) = 4

Pois é, com ou sem VAR a estória é sempre a mesma!!!

Em Chaves tivemos mais um espectáculo de impunidade, com um critério disciplinar absurdo, sem amarelos para os adversários do Benfica... inclusive com um Vermelho directo perdoado, já depois do golo do Seferovic...
Mas mais inacreditável foi o penalty não assinalado pelo VAR, na rasteira do Tiba ao Jonas. Era quase impossível Jorge Sousa marcar penalty, porque a falta dá-se longe da 'bola'... só se fosse o 4.º árbitro, ou o auxiliar do 'outro lado'!!! Agora, o VAR (Tiago Martins) que tem acesso a todos os ângulos, que não está dependente da Realização da PorkosTV, não tem qualquer desculpa... A falta é evidente... E se inicialmente fiquei com dúvidas se era dentro ou fora da área, rapidamente fiquei sem dúvidas!
Mas não foi o único penalty que ficou por marcar!!!
A carga do Paulinho sobre o Jonas, é 'parecida' com o penalty marcado pelo Paixão no Alvalixo, mas não é 'igual'! Existem várias diferenças: o Paulinho nem sequer tenta jogar a bola de cabeça, ao contrário do Nuno Pinto; o contacto em Chaves dá-se quando o Jonas está no ar, ao contrário do lance no Alvalixo, onde o contacto dá-se com os dois jogadores com os pés no chão; e em Chaves é o defesa que claramente provoca o contacto, quando no jogo dos Lagartos, é um avançado das Osgas, que a correr para um lado e a olhar para o outro lado, que acaba por 'provocar' o contacto...
O lance do Jonas em Chaves, é exactamente igual ao lance do Lindelof e do Bruno César o ano passado, no Sporting-Benfica: jogador do Benfica no ar, a ser desequilibrado intencionalmente, por um defesa, que nem sequer tenta jogar 'a bola'!!! Falta clara... dentro da área: penalty!
Uma nota ainda para a forma como mais uma vez os Benfiquistas que pagaram bilhete foram impedidos de entrar no Estádio, só porque levavam camisolas os cachecóis do Benfica! Os Bilhetes são vendidos para os adeptos em geral... Não são vendas exclusivas a Sócios, portanto nestas circunstâncias, a 'censura' é absolutamente criminosa...

Talvez mais grave do que o penalty salvador marcado pelo Paixão em Alvalade, foi a reacção da descomunicação social desportiva, nas televisões e nos jornais, branqueando, um erro descarado... A estratégia de condicionamento passa pelo branqueamento semanal destes roubos... O 'silêncio' do VAR é escandaloso! Se Bruno Paixão não pediu a 'opinião' ao VAR, num penalty a poucos minutos do fim, é absolutamente indesculpável... Se Hugo Macron Miguel, assumiu que o lance deixa dúvidas, e portanto não poderia inverter a decisão do árbitro do campo, então é no mínimo incompetente porque não conhece as 'manhas' mais básicas do Futebol!!!
ADENDA: O lance entre o Coates e o Venâncio, na minha opinião, está na 'fronteira' daquilo que é 'permitido' fazer em lances de 'bola parada' dentro na área...

Em Tondela, não houve lance dentro da área (o mergulho do Marega foi fora da área...), mas mais uma vez foi notório a maneira como o Veríssimo se está a fazer à 'carreira'!!! Um árbitro conhecido por mostrar muitos Amarelos, resolveu perdoar muitos cartões, quase todos aos Corruptos, especialmente ao cliente do costume: Felipe... Continua, tal como o ano passado, com a 'sorte' de escapar às expulsões, jogo após jogo...

Uma nota ainda, para o Estoril-Guimarães, onde curiosamente o Guimarães, equipa que vai defrontar os Lagartos na próxima jornada, acabou com 9 jogadores! Num jogo apitado, pelo mesmo árbitro que na semana anterior apitou o Benfica-Braga, jogo que ficou marcado por um critério disciplinar muito largo...!!!
No lance da expulsão do Josué, através do VAR, tenho uma opinião diferente: as alterações às leis do jogo, incluíram uma 'tentativa' de acabar com a 'tripla penalização' (expulsão, penalty e castigo no jogo seguinte), basicamente se o Defesa tentar jogar a 'bola' deverá levar Amarelo... No lance específico, a falta existe, o penalty é bem marcado, mas não existe qualquer intenção do defesa em fazer falta (a intenção não interessa no 'campo' técnico, mas interessa no 'campo' disciplinar, após a alteração da interpretação das Leis), é o atacante do Estoril, que inteligentemente, 'muda' a posição do corpo em relação à bola, e acaba por 'provocar' a falta... Pessoalmente, acho que esta foi a primeira vez, onde uma decisão correcta pelo árbitro, acabou por ser erradamente 'invertida' pelo VAR (sendo que foi o próprio Xistra, que alterou a decisão, após visionamento no monitor na linha lateral)!

Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:
2016-2017
2015-2016

À maneira das toiradas, assim, à lisboeta...

"Recordemos Teixeira. O Gasogéneo. Um dia ficou para a história: marcou quatro golos num dérbi. Foi o primeiro a consegui-lo.

Quatro-golos-quatro! Assim como se costuma escrever nos anúncios das touradas. Quatro golos num dérbi são obra! É de estalo!, como diria o Ega, n'Os Maias.
Hoje é um dia tão bom como qualquer outro para falar sobre o assunto. E o assunto não se resume simplesmente aos golos. O assunto também é, como está bem de ver, o homem que os marcou.
Falemos então desse herói primeiro, inicial. Chamava-se Joaquim Teixeira. Chamavam-lhe o Gasogéneo.
Gasogéneo era uma forma de propulsão, poupadinha para esse tempo de guerra. A II Guerra Guerra.
Portugal, ao contrário do que aconteceu na Europa central, libertou-se das frentes e das trincheiras, e conseguiu manter vivo o campeonato. Uma geração inteira de jovens futebolistas desapareceu ao longo desses anos trágicos.
No dia 16 de Janeiro de 1944, o Benfica recebeu o Sporting, no Estádio do Campo Grande, para a 8.ª jornada do Campeonato Nacional. Nesse dia assistiu-se a um dos espectáculos mais apaixonantes da História do futebol em Portugal.
Vamos a isso!
Começar com um autogolo
Um autogolo do guarda-redes Martins dava vantagem ao Sporting aos 18 minutos. Responde o Benfica, e Teixeira faz 1-1 aos 24'.
O resultado curto que se registava ao intervalo não deixava adivinhar o vendaval que se levantava no segundo tempo.
É Peyroteo quem lhe dá início: 1-2 aos 50 minutos. Cinco minutos decorrem até que Teixeira volte a empatar. E aos 72 minutos é o mesmo Teixeira quem dá a primeira vantagem aos encarnados. Dois minutos depois, Júlio, o Julinho parece ter garantido a vitória do Benfica com um golo soberbo. Puro engano. Respondem Albano e Alfredo Mourão, aos 77 e aos 84 minutos.
Falta um minuto para o final. Teixeira não ganhara a alcunha de Gasogéneo por insignificâncias. Ainda tem fôlego para fugir à defesa contrária e bater inapelavelmente Azevedo: 5-4.
Quatro-golos-quatro.
Era a primeira vez, ficava para a história, poucos foram aqueles que souberam repetir a proeza.
A história dos Benficas-Sporting está cheia de histórias.
É bom recordá-las de tempos a tempos. Fazem, afinal, parte da própria história deste país tristinho mas banhado de sol."

Afonso de Melo, in A Bola

Lendas que resistem a tudo

"Maradona como futebolista atingiu as maiores distinções, obteve os maiores títulos, só ao alcance de predestinados à escala mundial. O seu talento em campo atingiu momentos de perfeição e de magia única. A sua participação na qualidade do jogo das equipas que integrou foi determinante, revelando sempre o seu poder de influência, de genialidade e de talento natural. Desde muito novo encantou o Planeta. O Futebol passou a contar com mais um “Deus do Estádio”. Nasceu assim, como sopro inspirado por dádiva suprema. Na sua Argentina chegaram mesmo a criar um culto “à divindade Maradona”. A Lenda tornou-se imortal.
Após o final da carreira como jogador, fruto também de carência de acompanhamento adequado, Maradona criou “lances” que foram o oposto da beleza do seu futebol. Polémicas, insultos, comportamentos e atitudes nada edificantes, conflitos públicos com outros grandes jogadores, fortes acusações à FIFA e seus dirigentes, em função dos apetites do momento e de gente que se aproveitou da sua “ingenuidade”.
Sem limites nem regras, o rumo apontava para o precipício… ao qual desceu algumas vezes. De forma inesperada, a FIFA (por estratégia de unanimismo?) convidou-o para desempenhar funções de embaixador da instituição para defender um futebol “limpo” e prestigiado. Mas Maradona, o cidadão já não o jogador, continua imprevisível e com tendências para exageros (no futebol, características excelentes mas no exercício das suas novas funções, pouco oportunas) sem apoios e formação para os controlar e superar.
Maradona é livre de dizer o que pensa e o que lhe apetece… convém só recordar que tem de assumir as responsabilidades pelas funções ao serviço da FIFA. Tem direito a emitir opiniões e posicionamentos políticos e sociais. Tenho dúvidas se as pode emitir sem equacionar inerências de ser embaixador da FIFA e da sua grande bandeira: Fair Play. Não teria sido mais adequado ponderar o que diz (como jogador não precisava pois no campo tudo lhe saía espontâneo, natural e genial), dado que as suas afirmações serão sempre mediatizadas?
Alguém da FIFA terá conversado com ele sobre as exigências da função? Provavelmente, com esta nova moda de tentar eliminar toda a oposição, todos os descontentamentos públicos (para obter consensos de 100%, custe o que custar), acreditam que o que não se fala não existe, acabando por se desvanecer no esquecimento… morrendo na memória profunda. A Lenda resistirá sempre a tudo: como jogador, Maradona é um dos imortais do Olimpo do Futebol.
O cidadão Diego Maradona (já não o jogador) corre o risco de se ir apagando, de se banalizar, de ir sendo utilizado ao sabor de interesses sempre desconhecidos… mas a Lenda que criou nunca se apagará."

Recomeçou o futebol...

"Com a revista LER (Verão de 2017) entre as mãos, sempre em busca de novidades literárias, como o faço habitualmente com a leitura do JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias) recorto algumas ideias numa entrevista de Federico Rampini, correspondente, em Nova Iorque, do jornal italiano La Repubblica: “Acho que é muito evidente que muitas pessoas concordam que vivemos num caos, especificamente a nível geopolítico, com guerras, guerras civis, emigração em massa, refugiados devido à instabilidade provocada pelas guerras civis (…), O segundo caos é a nível económico, que penso tratar-se da crise da globalização, tal como a conhecíamos nos últimos 25 anos, com desigualdades crescentes, o facto de, sobretudo para as gerações mais jovens no Ocidente, as expectativas de futuro serem menos animadoras, ou seja, os nossos filhos provavelmente serão mais pobres do que nós, o que é um fenómeno novo (…). Já não acreditamos que, através da educação, seja possível alcançar um melhor nível de vida. Temos também um caos ambiental, com as alterações climáticas”. E, continua ele: “se partirmos do princípio que vivemos numa era em que a hegemonia ocidental está num declínio irreversível, que estamos a assistir ao fim de um período histórico em que o Ocidente era o centro e dominava, para um período em que paulatinamente o centro do mundo se está a deslocar para a Ásia, isto quer dizer que estamos a entrar num período que temos o declínio de um império, mas ainda não temos um novo império e temos vários exemplos de períodos idênticos, ao longo da História, que são caracterizados por instabilidade a longo prazo, turbulência, desordem e caos”. Eu também, de quando em vez, ainda sou tentado a suspirar por outros tempos, que já vivi e… não voltam mais! Qualquer um, como eu, dos estamentos mais baixos da sociedade, podia, então, alardear um rosário de certezas. E nelas repousar, como uma criança.
Ocorre-me, neste passo, a confissão de José Saramago: “Não sei que passos darei, não sei que espécie de verdade busco, apenas sei que se tornou intolerável não saber” (Manual de Pintura e Caligrafia, Caminho, Lisboa, 1983, p. 49). Quem é o ser humano?... A volubilidade insinuante desta questão diz-me que o Homem é tudo e não é nada e de impossível definição, racionalmente falando, ou seja, em termos noéticos e reflexivos. Ele é tudo? De facto, e busco apoio em Octavio Paz, “quando falamos com as coisas e connosco / o universo fala consigo mesmo: / somos a sua língua e os seus ouvidos, as suas palavras e os seus silêncios. / O vento ouve o que diz o universo / e nós ouvimos o que diz o vento / quando, ao falar, movemos as folhagens mais recônditas da linguagem e as vegetações secretas da terra e do céu. / Os sonhos das coisas é o homem que os sonha, / os sonhos dos homens é o tempo que os pensa” (Lo mejor de Octavio Paz – el fuego de cada dia, Seix Barral, Barcelona, 1990, pp. 322/323). A nossa natureza complexa, holística, multidimensional permite-nos que sejamos os olhos e os ouvidos, o pensamento e o desejo, a palavra, a significação e o sentido desta “materna-paterna casa planetária” (Michel Serres). Somos tanto seres-para-a-morte (começamos a morrer, quando nascemos) como “cidadãos do mundo”; seres laboriosamente especulativos e espantosamente inventivos, como seres suscetíveis das mais degradantes doenças psíquicas e psicológicas; homens que sabem que sabem e que sabem que não sabem nada; pessoas que odeiam e revelam culto perpétuo pela amizade; que jogam diletantemente e competem com agressividade, com ódio até; carente, frágil, imperfeito, inconcluído, bárbaro e barbarizante mas, pela transcendência, aberto a infinitas possibilidades, ao “totalmente outro” (E. Levinas), ao Amor – afinal, quem é o ser humano? Quem somos nós?
Nos mais profundos meandros da nossa natureza, o que predomina, o Homo Faber? O Homo Ludens? O Homo Sapiens? O Homo Sapiens Sapiens? As ciências ensinam que o jogo é mais velho do que a cultura. E ensinam mais: que a lei, a ordem, o comércio, o lucro, a arte, a poesia, a sabedoria, a própria ciência radicam no solo primordial do jogo. E ensinam também que o jogo é competição. Percorre-o portanto a ideia de vitória, típica da competição. Mas, quando se vence, numa competição, necessária foi a presença de um adversário. Sem adversário, não há competição, nem vitória. Embora ela mereça os risos abafados de alguns desportistas de entranhada aversão pelos adversários, parece-me com lógica a frase seguinte: o adversário é o amigo que permite que eu faça desporto! Ainda há poucos dias, Justin Gatlin derrotou Usain Bolt, numa corrida dos 100 metros, em Londres. Usain Bolt é, para os especialistas de inegável prestígio, “a maior figura da história do atletismo”. Ele detém o recorde mundial dos 100 metros (9,58 segundos), o dos 200 metros (19,19 segundos) e o dos 4x100 metros (36,84 segundos). Pois, no fim desta memorável corrida dos 100 metros, o Justin Gatlin ajoelhou-se diante do Usain Bolt, curvou-se diante do jamaicano e deixou nos gestos uma deslumbrada emoção e palavras que eu não sei se disse, mas eu ouvi (é preciso saber ouvir o não-dito): “Usain, ainda és o maior! O recorde mundial ainda é teu!”. Estado admirável de lucidez e de vidência o de Justin Gatlin, naquele momento! Mesmo ganhando, Justin Gatlin não se espanejou, fazendo crescer o seu vulto sobre o Usain Bolt. Pelo contrário: continuou a reconhecer, derramando à sua volta uma influência de irrecusável imperativo, que ainda era Usain Bolt o primeiro, entre os velocistas mundiais.
No seu livro A Caverna, José Saramago diz-nos que “saberíamos muito mais das complexidades da vida, se nos aplicássemos a estudar com afinco as suas contradições” (p. 26). Recomeçou mais um Nacional de Futebol da Primeira Divisão e, entre alguns dos comentaristas do futebol, o estudo continua ausente, ou seja, não só se não estuda como se não sabe o que há-de estudar-se. E continua, assim, a criar-se uma atmosfera malsã, onde as equipas de que são adeptos perdem jogos por culpa, única e exclusiva, dos árbitros. Ora, normalmente, nenhuma equipa perde por culpa, única e exclusiva, dos árbitros. E a superioridade da equipa adversária? E a defeituosa leitura de jogo do treinador? E as imposições disparatadas do presidente do clube? E as dificuldades económico-financeiras, que não permitem um “plantel” com a eficácia desejada? E os empresários que “tiram e põem” jogadores, nas equipas, de acordo com interesses que quase ninguém vê e entende?... Vi jogar várias vezes os “cinco violinos”; vi jogar muitas vezes a equipa de Coluna e Eusébio e o F.C.Porto de Artur Jorge e José Mourinho e Villas-Boas e Jesualdo Ferreira; tenho visto jogar a nossa seleção nacional, que o engenheiro Fernando Santos vem liderando, reluzente de ciência e consciência – e é possível dizer-se, com verdade, que as vitórias inolvidáveis destas equipas se devem aos árbitros, ou mesmo: principalmente aos árbitros? Posso lembrar, neste momento, o Pierre Bourdieu de Science de la science et réflexivité: “um sábio é um campo científico feito homem”. Um pouco mais de ciência, bastante menos paixão e muita, muita sabedoria; que se fomente a honestidade e o sentido do rigor - é o que eu desejo às análises de futebol, que povoam as redes sociais, os jornais, a rádio e a televisão."

Pedras no caminho da felicidade

"Benfica acabou por merecer a vitória, mas há que destacar também a boa réplica do Chaves.

Discutir protagonismo
1. Na primeira parte registou-se algum equilíbrio. O Benfica entrou bem no jogo, mas o Chaves, com muito mérito, fruto da capacidade colectiva, conseguiu discutir o protagonismo na partida e acabou até os primeiros 45 minutos em crescendo. Do lado do Benfica, neste período, era basicamente o corredor direito a revelar-se mais activo e incómodo, sobretudo através da capacidade de André Almeida em projectar-se ofensivamente e da forma como Salvio ocupava muito bem o espaço interior e procurava ainda zonas de finalização, acabando por ser o jogador mais em evidência e mais produtivo do lado encarnado.

Momento de recuar
2. Na segunda parte, os primeiros minutos foram de grande intensidade de parte a parte, com oportunidades sucessivas, mas aos poucos o Benfica acabou por obrigar o Chaves a remeter-se a um jogo essencialmente defensivo. Aliás, depois da oportunidade por Jorginho, num remate para excelente defesa de Varela, a equipa da casa nunca mais se viu em termos ofensivos - teria mais à frente um contra-ataque que resultou em remate de Jorginho, novamente, mas ao lado da baliza. Essa quebra do Chaves ficou a dever-se sobretudo ao desgaste dos seus extremos, que deixaram de ter capacidade para proporcionar saídas.

Pela direita, pois claro
3. O Benfica acabou por ter alguma felicidade ao chegar à vitória nos últimos minutos, já em tempo de compensação, mas não em causa a vitória, acabou por merecê-la. Contudo, deve destacar-se também a boa réplica do Chaves, sobretudo na primeira parte, conseguindo equilibrar o jogo e até superiorizando-se em alguns momentos. No momento em que o Chaves, conforme referido atrás, fez a sua concentração defensiva de forma mais declarada, para tentar anular as investidas do Benfica, as dificuldades das águias tiveram sobretudo a ver com o facto de não conseguirem dar largura ao seu jogo. E com as saídas de Cervi, primeiro, e Salvio, depois, a equipa simplesmente deixou de ter capacidade para flanquear o jogo, a não ser pela direita, com André Almeida e Rafa, já que na esquerda Eliseu não revelava capacidade para chegar ao último terço com qualidade e era sobretudo Seferovic a descair para essa zona, ele que é claramente jogador de corredor central. Tornava-se assim mais fácil para a Chaves anular muitos dos ataques do Benfica, o que não aconteceu, porém, no lance do golo, precisamente nascido no lado direito e concluído no coração da área pelo avançado suíço.

Estão avisados
4. Em resumo, vincar que foi um bom jogo e a prova de que os grandes não vão ter vida fácil no campeonato português. Vão encontrar adversários bem organizados e com capacidade para discutir os resultados."

João Carlos Pereira, in A Bola

As recomendações dos árbitros

"Todos percebem o que é claro e está à vista. Ninguém percebe o oposto

Regra geral, no arranque dos campeonatos os árbitros recebem novas indicações. Essas recomendações, que ocorrem em todos os países, são pertinentes e bem intencionadas. Umas vezes, a ideia é corrigir algum tido de situações sinalizadas como incorrectas. Outras, é acompanhar boas práticas internacionais. Por vezes, o objectivo é apenas afinar critérios. É e foi assim desde sempre.
Suponhamos, por exemplo, que se tinha detectado que os árbitros lidavam com protestos de forma muito suave. Na época seguinte, a recomendação expectável seria para que tivessem mais pulso, outra firmeza disciplinar. O exemplo entende-se a todas as outras situações tipificadas como mal geridas: simulações, perdas de tempo, uso dos cotovelos, excesso de amarelos, entradas violentas, etc.
Compreensível e natural. Mas o reverso da medalha deste tipo de acções é que muitas vezes cria nos árbitros uma espécie de mudança de chip sazonal. Na prática, ano após ano muda a abordagem num ou noutro aspecto de jogo.
Essa alteração táctica leva, por vezes, a mudanças que o futebol não percebe: por exemplo, se os árbitros exibiram muitos amarelos vão agora esforçar-se para baixar esse registo mas nos mesmos incidentes que antes penalizaram. Ninguém percebe. Se alguns lances forem considerados mal analisados (entradas, agarrões, tacles, empurrões, etc.) passarão a ser apreciados de forma distinta em relação a anos anteriores, mas os incidentes são os mesmos. A lei não mudou. Ninguém percebe. E embora tenham sido dadas indicações oportunas para clubes e imprensa, o povo não sabe.
É inevitável que essa colisão resulte em várias incongruências. A primeira é que há adeptos com memória selectiva, que vão sempre comparar lances idênticos com análises diferentes. A segunda é que sempre que essas recomendações sugerirem maior amplitude disciplinar, os adeptos só vão aplaudir até ao momento em que o jogador adversários não vir o segundo amarelo ou vermelho directo. A terceira é que no caso de se recomendar maior tolerância disciplinar, o próprio árbitro ficará refém dessa estratégia, acabando forçosamente por afunilar o critério. Isso porque na recta final do jogo, os jogadores (com menos oxigénio no cérebro e mais fadiga nas pernas) tendem a cometer mais erros. E é aí que saem cartões que não saíram antes por motivos semelhantes. O apelo que aqui deixo é a sensatez. É importante que os árbitros encontrem a calibragem perfeita para aplicarem as indicações que recebem sem desvirtuarem a sua forma habitual de actuar. Esse equilíbrio é possível se estiverem cientes de que o futebol deve ser aquilo que se espera que seja. Simples. Perceptível. Claro.
Por vezes, a melhor estratégia é descomplicar: aviso para aqui, falta para ali, amarelo para acolá. Ponto.
Todos percebem o que é claro e está à vista. Ninguém percebe o oposto."

Duarte Gomes, in A Bola

Foi para isto mesmo

"No lançamento do jogo, Rui Vitória dedicou algum tempo a falar de Seferovic. Disse mesmo que foi para mostrar isto (leia-se entendimento com Jonas e golos) que o Benfica foi buscar o ponta-de-lança. Ora, como bom suíço que se preza, Seferovic não deixou os créditos por mãos alheias e ao cair do pano, pelo buraco da agulha, teve uma finalização sublime e deu os 3 pontos ao Benfica.
Foi sofrido mas merecido. Depois de uma 1ª parte intensa em que o Chaves conseguiu dar (muito) troco, o Benfica assumiu por inteiro a despesa do jogo e os transmontanos, à falta de fundo de maneio mais generoso, mas sem querer viver só de esmolas, tiveram de ser austeros e poupados. Não foi suficiente. A fortuna do suíço dá todo o crédito ao Benfica. A verdade é que os grandes sofreram muito esta jornada. Foram também iguais no resultado mas alcançaram o essencial. E ninguém pode contestar o mérito das suas vitórias.
O Sporting joga o acesso à Champions com o Steaua. Os leões são favoritos mas é importante que respeitem não apenas a história do maior clube da Roménia mas também a ambição que o adversário tem. A pressão de ganhar não é uma sensação invulgar. O cenário de um jogo fechado, também não. Não basta, por isso, ser mediano. Tem de ser um Sporting de Champions."

Imaginem que era com o Benfica

"1. Imaginem que o Benfica vencia um jogo em casa com um penálti discutível, assinalado aos 86 minutos por um árbitro que, nas duas partidas anteriores do clube por ele arbitradas, já havia marcado quatro penáltis, três deles favoráveis. Imaginem ainda que, terminada a partida, Rui Vitória, com candura, afirmava que o árbitro em questão estava "melhor de ano para a ano".
Não é preciso grande imaginação para antecipar o que sucederia. Declarações inflamadas de directores de comunicação, posts no Facebook de presidentes, adeptos inflamados nas redes sociais e apelos à regeneração do futebol português. Se este cenário se tivesse concretizado, não faltaria quem garantisse que pouco contava o que as equipas jogavam, as vitórias do Benfica deviam-se ao controlo das arbitragens.
Para que conste, tendo em conta o domínio do jogo, o Sporting mereceu vencer o jogo contra o Setúbal (se bem que, no futebol, não se ganhe aos pontos); a jogada decisiva pode bem ser penálti (da mesma forma que há muitos penáltis semelhantes que não são assinalados e chega a ser comovente ouvir os mesmos que declaram, sem hesitações, que a falta sobre Bas Dost não deixa dúvidas e relembrar o que disseram sobre a jogada a papel químico, na temporada passada, sobre Lindelöf em Alvalade). Quanto a Bruno Paixão, a aproximar-se do ocaso da carreira, mesmo tendo melhorado, continua a ser um árbitro sofrível.
Um olhar optimista vislumbra, contudo, virtudes no que aconteceu ao Sporting. Tendo a temporada começado sob o mesmo manto de desconfiança com que terminou o campeonato passado, este episódio em Alvalade pode ter um efeito profilático. Demonstrar que todos os clubes têm razões de queixa e, também, motivos para agradecerem às arbitragens e que, ao contrário do que se quer fazer crer, o futebol português tem feito muitos progressos na regulação, na disciplina, na promoção do jogo e até na qualidade das arbitragens. Falta, contudo, que o ambiente em torno do futebol se torne mais respirável.
Para começo de conversa, era necessário que os directores de comunicação perdessem protagonismo e não passassem o tempo a desafiar as suspensões que sobre eles incidem; que a direcção da Liga cuidasse activamente de defender o futebol português e que o tempo perdido na comunicação social em análises infindáveis e subjectivas ao desempenho dos árbitros fosse substituído por discussão sobre o jogo jogado. Será pedir muito?

2. O Benfica fez mais do que o suficiente para vencer o jogo contra um Chaves de futebol positivo, com a marca de um treinador de grande, Luís Castro. A mesma vontade de vencer, um sem número de oportunidades de golo e até – tal como contra o Braga – uma dinâmica ofensiva mais interessante do que na temporada transacta (muito fruto da participação do avançado ‘3 em 1’ que é Seferovic). Até ver, o Benfica está a jogar mais futebol do que na época passada."