Últimas indefectivações

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Sete...!!!

Benfica 7 - 0 Candoso

Regresso do campeonato, com uma vitória esperada... Na próxima ronda vamos a Alvalade, no jogo que pode decidir a classificação final da época regular!

Remontada falhada...!!!

Oliveirense 83 - 81 Benfica
21-13, 24-22, 13-20, 25-26

Voltámos a dar de 'avanço' a 1.ª parte, e quando a remontada parecia 'inevitável' - novamente -, acabámos por falhar o último lançamento (falta descarada sobre o Ireland não assinalada)!!!

Sem o Betinho e sem o Murry... já para não falar do Dows e do Barroso... são demasiadas ausências, num fim-de-semana, com dois jogos muito competitivos, ainda por cima com os prolongamentos de ontem!!! Mas independentemente destas circunstâncias, não podemos só ter a atitude certa, quando estamos 'apertados'!!!

Meia-dúzia...

Benfica 6 - 0 Ovarense


Mais uma goleada, ainda sem as novas contratações... em partida disputada no Seixal!

100 minutos sem espinhas

"Tic...tac...tic...tac...15 horas!! Carrego no botão comprar no site do Benfica o mais rápido possível e avanço sem problemas ou lentidão. «Será possível? Assim tão fácil?». Coloco o nº de sócio e cartão de cidadão e oh...erro. Insisto e novamente erro. Mais 5 insistências e sempre a dar erro. À 6ª insistência? Uma mensagem a dizer que o nº de sócio não cumpre os requisitos para comprar o bilhete. «Como assim? Ainda ontem recebi email do Benfica a confirmar que tinha ido a todos os jogos desta época e que tinha prioridade para o derby». Depois de várias insistências, necessidade de dar um passo atrás e voltar ao botão 'comprar'. Mas claro, agora vamos para a agonizante fila de espera. E entretanto já passou meia-hora. Uma hora. Uma hora e meia. Já vou com 3 separadores abertos no computador e 2 no telemóvel quando um finalmente avança! E desta vez sem erros, compro o bilhete. Vou mais uma vez a Alvalade!
Dia de jogo, turno de trabalho trocado da noite para a manhã e o ponto de encontro é o Estádio da Luz. Para encontrar companheiros e beber uma(s). Sortes e azares: um conseguiu comprar bilhete em cima da hora, outro perdeu o bilhete e não o encontra! Nem quero imaginar o que é perder um bilhete destes. Vou ao bolso e confirmo: o meu está no envelope. Apanhamos um uber e saímos em Telheiras. Os últimos metros são feitos no meio da multidão sportinguista. Ajuda estarmos descaracterizados. Informada a polícia que temos bilhete para o sector visitante, juntamo-nos finalmente aos nossos. No acesso às bancadas vamos verificando o quanto já está em força a nova moda, a colagem de autocolantes: por todas as paredes, colunas e ferros são dezenas de autocolantes do Benfica que funcionários do Sporting terão que descolar no dia seguinte.
Já fui a Alvalade mais de dez vezes, mas sempre tenho a sensação de entrar num universo paralelo. Ali o Sporting é «a Maior Potência Desportiva Nacional», já venceu medalhas olímpicas, prémios de FIFA World Player e claro, tem 22 campeonatos. Até um pano coloca para o de 1937/38, quando foi o Benfica que o conquistou. Mas uma coisa estava diferente: o ambiente. Constato que é um clube triste, deprimido, em guerra. Muitas cadeiras à vista, bancada ultra praticamente vazia e pouca resistência aos nossos cânticos (logo eles que são, aqui sim, a maior potência assobiadora nacional). Em cima da hora, o estádio lá ganha ambiente de derby e começa o jogo. Entramos fortíssimos, com oportunidades de Chiquinho e Vinícius. Logo a seguir é Pizzi a ter um bom remate, mas do nada o Sporting atira ao poste. Ferro não anda bem, serão problemas físicos? O resto da 1ª parte é equilibrada, o que vai desgostando o sector campeão. Sabemos que somos mais fortes, sabemos que o FC Porto perdeu! Não podemos desperdiçar esta oportunidade! Já basta de dar a mão ao clube do Norte quando ele está caído, como fizemos na Luz na 3ª jornada.
Depois do espectáculo de fogo-de-artifício proporcionado pela Juve Leo, a verdade é que na 2ª parte a toada mantém-se: Eles parece que querem, mas não conseguem. Nós parecemos que conseguimos, mas não queremos. Lage demora nas substituições até ao limite da nossa paciência, mas finalmente joga o trunfo: o nosso Rafa está de regresso! O homem que nos primeiros 2 anos não acertava na baliza nem que a tivesse a um metro de distância, é agora um extremo com golo. E porventura o melhor jogador da nossa equipa e do campeonato. É óbvia a explosão de alegria quando marca o 1º golo, só ligeiramente atenuada por aquela interminável espera pela confirmação do VAR. É anti-emoção, é anti-sentimento, é anti-futebol! Sempre vou ser contra o VAR. Quanto ao 2º golo, o festejo pôde ser cheio e glorioso. Não havia dúvida nenhuma, Rafa bisava e o Benfica vencia mais uma vez em Alvalade. Dizem que já temos mais vitórias lá na História que o próprio clube da casa. Não me surpreende.
Depois foi a tradicional espera de uma hora até sair do estádio e o arranque do cortejo até ao Estádio da Luz. Sem grande euforia, que isto de ganhar ao Sporting já teve melhores dias. O ocasional «pró ano há mais, olhá cabeça» aos esporádicos sportinguistas com que nos cruzamos, mas nada de mais. Em tempos a claque do Real Madrid chegou a levantar uma tarja num jogo contra o Atlético de Madrid que dizia «Procura-se rival digno para derby decente». Em Portugal ainda não chegámos a tanto, mas é verdade que poucas vezes se viu Benfica e Sporting em patamares tão distantes.

Nota final: o Glorioso acaba de fazer a melhor primeira volta de sempre de um clube em Portugal, com uns incríveis 48 pontos em 51 possíveis e já vai com 7 de avanço para o FC Porto e 19 para o Sporting. É bom, é fantástico, mas nada de embandeirar em arco. Ainda o ano passado se provou que 7 pontos são recuperáveis."

Número sete

"No Benfica começamos a perceber, e bem, que Weigl é mesmo reforço e que Vlachodimos é essencial na baliza

1. Hoje são sete os pontos deste artigo. Como são desde a passada sexta-feira sete os pontos que distanciam o Futebol Clube de Porto do Benfica, o líder competente da Liga NOS. Como são sete os troféus que o Benfica, e o seu atractivo Museu Cosme Damião, detém da Taça da Liga. agora Allianz Cup, e que identifica no interessante marketing da Liga Portugal o classificado campeão de Inverno. Na verdade o número sete é um número que representa a totalidade, a consciência, a vontade, a perfeição. Perfeição que marca o trajecto na nossa Liga e, nos jogos fora da Luz, de Bruno Lage. E deste Benfica! 48 pontos num máximo de 51! Confirmados estes números com a vitória em Alvalade. Sete que é o número dos dias da semana, dos planetas que mais nos influenciam, dos pecados mortais ou das cores do arco íris. Sete que nos marcam desde a infância com a Branca de Neve e os sete anões e que a Bíblia nos ensina ao proclamar os «sete anos de fartura e de fome»! Sim de fartura e de fome! E sete que também nos leva ao nosso imortal Camões e a um poema delicioso como «sete anos de pastor Jacob servia»! E é este número, que a alquimia identifica com o mais poderoso, exige memória. Neste momento em que estamos a meio da nossa principal competição. Na época época passada o Benfica estava a sete pontos da liderança. Este ano tem sete pontos de avanço. Agora, naturalmente, nada está ganho ou conquistado. Na época passada o sonho e a ambição eram legítimas. Este ano a vontade contínua e a fé permanente são exigências jogo a jogo. Sabendo que é saboroso estar na frente e à frente. Reconhecendo que é estimulante cada ponto conquistado e, logo, cada ponto de distância para os directos competidores. E no próximo domingo em Paços de Ferreira há mais três pontos a conquistar. Numa nova final. E com a consciência que Fevereiro é um mês bem complexo. Liga NOS, Taça de Portugal e Liga Europa. Três competições importantes mas em que a hierarquia está bem definida. NOS e pontos.

2. O Benfica venceu o Sporting e venceu bem. Foi mais eficaz e teve em Rafa o seu trunfo. Foi mais uma vitória como visitante e frente a um Sporting que se vai concentrar, decerto, na Taça da Liga na semana que agora arranca e, em Fevereiro, na Liga Europa. Mas no Benfica, numa vitória que vale bem mais do que os três pontos, começamos a perceber, e bem, que Weigl é, de verdade, reforço e que Vlachodimos é essencial na baliza deste Benfica. E que um banco que tem Seferovic, Samaris, Jardel, Taarabt e Tomás Tavares - para além de Rafa! - é bem diferente daquele que estava próximo de Silas com Luís Neto, Eduardo, Battaglia, Borja, Gonzalo Plata ou, mesmo, Pedro Mendes, que acredito vai ser uma das revelações na futuro próximo do futebol leonino. E estas diferenças são cada vez mais importantes. O que fica de sexta-feira é que haverá um Sporting com Bruno Fernandes e outro sem Bruno Fernandes. E este desafio é, diga-o, se se concretizar a anunciada transferência, uma oportunidade. Para um Sporting que sabe que na próxima época desportiva os dois primeiros classificados da nossa Liga entram directamente na fase de grupos da Liga dos Campeões e o terceiro irá às pré-eliminatórias. E esta premissa é determinante em termos desportivos e essencial em termos de projecto financeiro. Mas o que fica de sexta-feira é, igualmente, a vitória do Braga no Dragão e o percurso vitorioso de Rúben Amorim no comando da equipa liderada por António Salvador.

3. A Taça da Liga nasce, recordo, por impulso do Sporting e do Boavista. A sua primeira edição foi conquistada pelo Vitória de Setúbal, que tem um novo Presidente após umas renhidas e bem concorridas eleições. Depois só Benfica (sete vezes), Sporting (duas vezes) e Braga e Moreirense por uma vez erguerem um troféu cujas finais se disputarem no Estádio do Algarve (quatro vezes), no Municipal de Coimbra (cinco vezes), no Municipal de Leiria (uma vez) e nas últimas duas edições no Municipal de Braga. Cidade que na próxima semana volta a receber, com a fidalguia de sempre e o empenho do Presidente Ricardo Rio, esta Allianz Cup. O Sporting vai tentar, acredito, o tri. Mas o Sporting de Braga tudo fará para marcar presença na final no seu estádio e na sua cidade. Tal como Futebol Clube do Porto e Vitória de Guimarães tentarão erguer pela primeira vez o troféu de campeão de inverno. Pedro Proença, e a sua equipa, vão proporcionar em Braga e a partir de Braga uma semana de promoção do futebol. E neste momento e perante as concretas e especificas circunstâncias o futebol, e o seu ambiente, merecem ser defendidos e preservados! Boa final four!

4. Permitam uma nota breve a um clube que regressou, por via da justiça, ao futebol de primeira e que fez, em Barcelos, uma primeira volta de primeira. Nunca perdeu em casa e defrontou, no seu bonito estádio, Futebol Clube do Porto, Sporting de Braga, os dois Vitórias, o Sporting, o Belenenses, o Boavista, o Marítimo e o Portimonense. E conquistou, sob a liderança de excelência, de múltiplas vivências e de enorme experiência de Vítor Oliveira, os três pontos frente ao Porto e ao Sporting. Para quem desconfiava do Gil Vicente os números aí estão. E hoje disputa mais uma final em Paços de Ferreira! Liderado por um jovem treinador que muito aprecio. Pepa!

5. Na quinta-feira acompanhei, com honra e gosto, a vitória do Académico de Viseu frente ao Canelas. Foi um jogo renhido, um autêntico jogo de Taça. O Académico - com a vitória ser dedicada justamente ao Presidente António Albino, a recuperar de um sério problema de saúde! - marca presença, pela primeira vez na sua longa história, nas meias-finais da prova rainha do futebol português. A cidade vai receber, logo na primeira terça-feira de Fevereiro, o Futebol Clube do Porto. Vai haver festa, rija e merecida, em Viseu. Festa de Taça e festa da Taça!


6. O andebol português joga hoje com a Islândia e acredito em mais uma vitória. Mas está a fazer um Europeu histórico. Que vai ficar na história da modalidade. E está a mostrar que há muita qualidade, enorme determinação, imensa vontade e uma fé inquebrantável na nossa selecção. O nome de Portugal, depois do hino desportivo que foi a estrondosa vitória face à forte Suécia, marca, pela positiva, este Europeu. Parabéns ao nosso andebol!


7. Esta abertura de mercado está a mostrar que há mercado real e mercado artificial. Há transferências anunciadas e nunca concretizadas. E outras negociadas em quase segredo e num instante concretizadas. O silêncio por vezes é de ouro. E a multiplicação de notícias - algumas são, também aqui, fake news! - por vezes gera desconfianças. E o mundo exige confiança. Com a consciência que o número sete é o número da totalidade e da vontade. E, assim, ficam os sete pontos. Bom domingo. Boa semana! Até daqui a sete dias!"

Fernando Seara, in A Bola

Diferenças...

"O campeonato ainda não está decidido. Só um louco se atreveria a dizer, a dizer, a 17 jornadas do fim, que o Benfica pode encomendar, já as faixas de campeão. Mas só um louco se atreveria, também, a dizer que as coisas não ficaram, na sexta-feira, muito bem encaminhadas para águia. Não só (mas também, claro...) pelos sete pontos de avanço para o FC Porto - em relação ao Sporting passaram a ser 19, mas convenhamos que em Alvalade já ninguém acreditava... - com que conjunto de Bruno Lage fechou a primeira metade da Liga, mas acima de tudo pelas evidências que esta última ronda da 1.ª volta deixou à vista.
Haverá, talvez, quem discorde, mas não restam dúvidas de que mora na Luz o plantel com mais soluções (a nível de qualidade) do nosso campeonato. Além de um onze fortíssimo, Lage tem, sentados ao seu lado no banco, jogadores com qualidade e mais do que suficiente para entrarem e fazerem a diferença. Algo de que Sérgio Conceição, como ficou evidente na partida com os bracarenses, não se pode gabar. Há, no Dragão, um onze forte, ninguém diz o contrário, mas não muito mais do que isso. E numa época tão longa esse pormenor, por muitos tantas vezes desvalorizado, faz a diferença. E o mercado de Janeiro, quase a fechar, serviu apenas para vincar mais as diferenças: num dragão em aflição financeira não chegou (nem chegará, a crer nas palavras do seu treinador... ) ninguém, numa águia em pujança a todos os níveis contratou-se um médio alemão por 20 milhões de euros. Tudo dito...

PS - Em Alvalade voltou a ficar à vista de todos o problema que representam as claques. O Sporting já se reuniu com o Governo, a Liga quer fazer o mesmo. Mas enquanto não perceberem que isto não se resolve com reuniões e palavras de circunstância não sairemos da cepa torta..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

domingo, 19 de janeiro de 2020

Bom? Excelente!

"Talvez por ser como era na sua genialidade (e na sua rebeldia) Romário disse-o, desconcertante:
- Treinador bom é treinador que não atrapalha.
Concordo (ou se calhar não). Para mim, treinador bom é o que é capaz de pegar numa equipa e levá-la, através do seu espírito e seus saberes, do sítio onde a apanhou para sítio bem melhor (cada vez melhor). Foi o que Bruno Lage fez no Benfica - e continua a fazer. E continua a fazê-lo por ser capaz de mostrar que o bom futebol (e o bom resultado) também é feito de algo que não se vê no campo mas existe, decisivo: da alma que injecta a paixão, da inteligência que torna mais eficazes ideias e talentos, das empatias que não criam engulhos ou corpos estranhos quando se desafia o destino.
Mostrando o seu suave coração, Vicente del Bosque atirou-o a sete ventos:
- O meu estilo de liderança é de líder amável. Não acredito na liderança agressiva, estou convencido de que se conduz melhor um grupo através das boas maneiras do que através da agressividade, seja onde for, com quem for...
Por ser assim também é que Bruno Lage tem (depois da vitória em Alvalade e do harakiri do FC Porto com o SC Braga) mais um campeonato ganho - não é tanto por ter atrás de si a «estrutura» que tem, não é tanto por ter clube a beneficiar de «colinho» ou de «VAR aberto». E por ser assim é que Lage é ainda mais: o «excelente treinador» que se vê na filosófica tirada de Alex Fergusson:
- Um bom treinador consegue que os seus jogadores acreditem nele. Um excelente treinador consegue mais: consegue que os seus jogadores acreditem neles mesmos, neles próprios...

PS: Na vida, como no futebol, há nos perdedores uma característica primordial: o reclamarem muito, o queixarem-se mais - de erros alheios, de infelicidades, de injustiças. E sim: estou a pensar no FC Porto (e em Pinto da Costa e em Sérgio Conceição) - porque isso ainda é pior em quem já foi vencedor e vai deixando de o ser por culpas próprias, sobretudo..."

António Simões, in A Bola

Amigos, inimigos e adivinhos - Provérbios aplicáveis à vida e ao desporto

"Pensar numa escola para adivinhos, numa escola que é absolutamente contra a aprendizagem: aqui não ensinamos. Queremos que as pessoas sejam adivinhos

Ainda não é nascido e já espirra
1. - Pois.
- Nasce e depois, sim, espirra, fala, intervém, propõe.
- Nascer para um assunto, nascer para uma especialidade, nascer para um grupo, para uma equipa, para uma modalidade, nascer para um país, nascer para uma arte.
- Primeiro nasce, depois espirra. Conselho dos mais velhos, dos que já lá estão, dos que impõem respeito.
- A arrogância da juventude?
Ainda não é nascido e já espirra.

Amigo a pedir, inimigo a restituir
2. - Quando se aproxima vai doce e em bicos de pés, com a mão estendida, ouvido atentíssimo, cordato e tímido. E quando depois se afasta, já com o que queria, vai altivo e de costas surdíssimas a qualquer voz que lá de trás peça algo.
- E depois, mais tarde, quando o sujeito que emprestou vai pedir de volta aquilo que deu, o seu amigo estará ocupado, sempre apressado em direcção diferente.
- Restituir é um verbo bem mais lento do que o verbo receber. Recebemos a cem à hora: velocidade máxima, portanto, infiltrada no verbo receber. Já restituir é verbo lentíssimo, dois quilómetros/hora ou mesmo imobilidade absoluta.
- E eis, portanto um projecto possível: analisar a velocidade dos verbos da língua portuguesa.
- Verbos velocistas, exemplos: pedir; verbos e ritmo de dupla maratona: restituir.
- Uma forma, pois, instantânea de criar amigos: dar. Uma forma instantânea de fazer inimigos: pedir de volta.
Amigo a pedir, inimigo a restituir.

Catar pulgas em leões
3. - Actividade meio parva, digamos.
- E suicida.
- Não deves aproximar-te daquilo que te pode matar para dele tirares o pouco importante.
- Correrás, digamos, perigos desnecessários.
- Há uma série de outros animais mais calmos e domésticos aos quais podes catar pulgas.
- Podemos fazer uma lista enorme.
- Deverás pensar que amansas um leão com essa actividade de motricidade fina de catar pulgas. Mas não.
- Leão - com pulgas ou sem pulgas - é sempre um animal de mandíbulas e bom apetite capaz de arrancar os dedos a vossa excelência só com um movimento.
- Acalma, pois, um leão à distância, nunca corpo a corpo.
- Um bom conselho.
- Catar pulgas em leões significa, então, isso mesmo: correr muito risco para fazer uma tarefa inútil.

Amizade em menino é água em cestinho
4. - Uma injustiça talvez.
- O que fazer?
- Eis uma hipótese: tornar o cesto num entrançado que resiste à água.
- Ou um cesto feito de metal, um cesto que nada deixa cair.
- Transformar o cesto, uma hipótese. A outra: transformar a água em elemento definitivamente sólido.
- Uma proposta, portanto, de alteração do provérbio...
- Diga.
- Amizade em menino é pedra em cestinho, por exemplo.
- Boa.
- Ou, outra proposta de alteração: amizade em menino dura o que dura o destino.
- Parece-me bem, parece-me bem melhor.

Adivinhar é bom, mas saber ainda é melhor
5. - Eis outras propostas, variantes e alterações.
- Vamos a isso.
- Só adivinha quem não sabe.
- Se não queres adivinhar, aprende.
- Adivinhou. Ou seja: não sabia.
- Belas variações, sim.
- Pensar numa escola para adivinhos, numa escola que não ensina, pelo contrário: é absolutamente contra a aprendizagem.
- Aqui não ensinamos. Queremos que as pessoas sejam adivinhas.
- Uma escola que promover a ignorância e o esquecimento.
- Trata-se de começar tudo de novo - o estudante do século XXI entra na escola e o professor diz: adivinha como se faz o fogo?
- E lá está ele, durante anos, recusando-se a aprender pois quer ser adivinho...
- ... ali está ele então, durante anos, tentando adivinhar - em pleno século XXI - como se faz o fogo.
- Transformar a adivinha em ciência, eis o desafio.
- É um cientista da adivinha, eis os novos cientistas que por aí andam.
- Escola de adivinhos, uma linha de educação em absoluta expansão.
- Meu caro: não estudes, adivinha, adivinha."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

Direito de iniciativa privada 'vs.' Direito ao repouso

"O Supremo Tribunal de Justiça proferiu recentemente um Acórdão em que analisa o conflito entre o direito de iniciativa económica privada e o direito ao repouso. No Acórdão n.º 27564/16.4T8LSB.I.1.S1, o Tribunal analisa o caso de uma Associação que instalou 7 courts de padel no seu espaço exterior, o qual se situa numa zona essencialmente residencial. Os moradores das áreas circundantes a tais campos queixavam-se do ruído praticado pela actividade desportiva aí desenvolvida, o que era agravo pelos horários praticados.
Um dos moradores intentou uma acção judicial para protecção dos seus direitos fundamentais ao repouso, ao sossego e ao sono, pedindo que a actividade desportiva cessasse ou, no limite, que os horários fossem alterados.
A 1.ª instância julgou a acção parcialmente procedente, determinando que a actividade de padel fosse limitada ao horário entre as 8h e as 22h. Tendo existido recurso de tal decisão, o Tribunal da Relação de Lisboa veio a alterá-la, restringindo o funcionamento entre as 8h e as 20h e cessação de funcionamento dos courts aos sábados e domingos. Novamente recorrida, esta segunda decisão foi alterada pelo STJ. Esta instância considerou que o direito do morador é um direito fundamental com protecção constitucional, sendo que a exploração económica dos campos de padel corresponde ao exercício de actividade económica privada que também goza do mesmo grau de protecção. Porém, no conflito entre um e outro, deve prevalecer o direito ao repouso, o que levou o STJ a julgar parcialmente procedente o recurso de revista, determinando que o desenvolvimento da actividade de padel no local fique limitado ao horário das 8h às 22h."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Vinte e Um - Weekley Recap...

En mode BISTROT 🅱️ - les dialogues de comptoir.

"Épisode 3
Aujourd’hui c’est Adriana qui se prête au jeu des questions avec Bistrot Benfica ! On s’est connu à Paris pendant une soirée entre benfiquistas, et il était donc logique de lui proposer de nous rencontrer pour parler du Benfica !
Bistrot 🅱️: Olá Adriana! Comment vas-tu? C’est un plaisir d’échanger avec toi !
Adriana : Salut ! Tout le plaisir est pour moi.
Bistrot 🅱️ : Présente toi à nous !
Adriana, 18 ans, sócia n216635 , je vis à Paris dans le quartier de St Michel et je suis étudiante à La Sorbonne. Adriana sur la rive gauche avec Notre Dame en panorama ! Une vraie Benfiquista Parisienne ! Adriana sur la rive gauche avec Notre Dame en panorama ! Une vraie Benfiquista Parisienne ! Adriana : Je suis déjà la troisième génération en France ! J’ai la chance d’avoir mes grands-parents à côté de moi et bien sûr je vis encore chez mes parents. Sinon nous sommes originaires de Famalicão et Viseu.
Bistrot 🅱️ : Je connais bien ces deux régions, et du coup le benfiquismo à la maison ?
Adriana : Tout le monde est rouge avec plus au moins la même passion !
Bistrot 🅱️ : Et les plus accrocs ?
Adriana : Je te dirai forcément moi ! (Ça nous fait marrer tous les 2 !) mon grand-père et mon père. 
Bistrot 🅱️ : Revenons-en aux origines ... de cette passion pour le Benfica. C’est né comment ? 
Adriana : Déjà toute petite à 5-6 ans, quand tu as ton grand-père maternel qui veut t’emmener voir un match de SuperLiga à Rio Ave... ensuite le parcours s’est fait de lui-même, tu suis la presse, les médias sur internet, tous les été au Portugal tu commences à aller voir des matchs et fait tout pour te rapprocher de la vie du club que tu aimes ! Maintenant étant majeure et plus autonome j’arrive à organiser mes propres voyages et à aller voir des matchs en cours de saison.
Bistrot 🅱️ : ta passion, tu as réussi à l’alimenter crescendo ! C’est vraiment super intéressant. On voit bien cette logique de vouloir rester attachée coûte que coûte à la vie de ton club ! Du coup j’imagine que la saison actuelle, tu as réussi à la suivre plus assidûment ?
Adriana : oui en effet, je te fais le parcours depuis cet été ?
Bistrot 🅱️ : Vas-y , ça m’intéresse ! Adriana : Paços de Ferreira et Porto à la Luz, à Braga et Guimarães pour la Superliga. j’ai également fait le déplacement à Lyon pour la Champions League. Bistrot 🅱️ : Du coup t’as déjà le programme des prochains matchs ? Adriana : On m’a proposé d’aller à Famalicão pour la Coupe du Portugal et j’ai déjà bouclé mon week-end pour Benfica-Braga aussi.
Bistrot 🅱️ : Ça demande de l’organisation, du temps et de l’argent tout ça ? Tu fais comment ? 
Adriana : Mon copain s’est installé à Lisbonne depuis quelques mois et du coup c’est l’occasion aussi de pouvoir nous voir régulièrement malgré la distance tout en partageant une passion commune … Après ici à Paris je fais des petits jobs pour financer uniquement mes voyages et mes déplacements. Mais je ne vois pas ça comme un sacrifice, au contraire, mais avec une énorme motivation !!
Bistrot 🅱️ : Tu me fais comprendre que ton copain est rouge vif aussi ?
Adriana : Plus que ça ! Un vrai fanatique 100% dédié à notre club ! Grâce à lui je découvre une nouvelle facette du club et de sa riche histoire éclectique : as modalidades dont il est un fervent supporter ! Il m’a emmené voir SLB -Belenenses en handball et SLB-sporting en hockey.
Bistrot 🅱️ : Du coup les matchs à la Luz, t’aimes bien les voir où ?
Adriana : Lorsque je suis avec ma famille, na central et mon copain a pour habitude de m’emmener no Topo SUL.
Bistrot 🅱️ : Niveau ambiance ça reste différent … ? 
Adriana : oui en effet, mais j’apprécie les deux ! Le match où j’ai vraiment adoré l’ambiance c’était à Braga en déplacement !
Bistrot 🅱️ : Ah les Awaydays ! Merci pour cet échange Adriana, on se recroisera bientôt comme ce fut le cas à Lyon !
Adriana : ça c’est sûr ! Merci à toi !
Voilà c’est la fin de l’épisode 3 de Bistrot 🅱️. Super sympa de découvrir cette nouvelle jeunesse benfiquista qui prend la relève. Paris et sa région sont pleins de filles et garçons attachés à nos valeurs 1904. On vous invite à faire de même et venir partager vôtre avis avec nous autour d’un café ou d’une bière !"

Económico - Apostas e afins...

Benfiquismo (MCDXVI)

Estância...

Vlog: Bello... infiltrado (completo)!

Remontada, com dois prolongamentos em Sines...!!!


Benfica 117 - 111 Corruptos
17-29, 22-21, 26-30, 25-10, 12-12, 17-9

Partida atribulada, com o Benfica a 'entrar' mal, principalmente na defesa... Durante bastante tempo, não nos conseguimos aproximar, com diferenciais quase sempre na dezena! Depois a queda grave do Betinho, que o enviou para o Hospital. (recordo que o Betinho tem sido nos últimos tempos o nosso melhor jogador)... Chegámos a ter 15 pontos de atraso... no 4.º período, voltámos a fazer uma daquelas recuperações épicas, e conseguimos levar o jogo para prolongamento!
Quando se pensava que íamos 'embalar', voltámos a ficar para trás... e nos últimos segundos do prolongamento, voltámos a empatar!!!
No 2.º prolongamento, finalmente conseguimos uma vantagem confortável que deu para gerir...

Grande jogo do Ireland, que já tinha provado em alguns jogos anteriores, que é jogador para lançar nos momentos decisivos!!! Uma nota para o Hallman que terminou a partida de rastos, e que esteve excepcionalmente afinado nos três pontos!!!

Amanhã é para ganhar, apesar do cansaço... e com menos um jogador na rotação! A Oliveirense também fez dois prolongamentos, mas jogaram mais cedo!!! O Lisboa e o Hollis por exemplo, fizeram poucos minutos hoje, amanhã têm obrigação de contribuir mais...

A lesão do Betinho, foi a pior noticia do dia, mas aparentemente não é grave... Se a nível interno, temos plantel para dar a volta, na Europa, o Betinho é essencial...

Empate em Barcelona...

Barcelona 5 - 5 Benfica

Entrámos mal, com alguns golos mal sofridos, mas não desistimos e estivemos mesmo perto de fazer a remontada! Ficámos pelo empate, que com a derrota na Luz, não é suficiente para 'virar' o grupo, mas pelo menos dá esperança para as fases mais adiantadas da competição...

A caminho da Final...

Benfica 3 - 0 Viana
25-20, 25-18, 25-16

Vitória normal, a caminho dos Quartos-de-final na Taça de Portugal...

Derrota em Gaia...

Corruptos B 2 - 1 Benfica B


Fizemos jogos melhores nas últimas semanas...

Vitória em Alcochete...

Sporting 1 - 2 Benfica


Começamos a perder, mas demos a volta ainda na 1.ª parte, com algumas facilidades concedidas... Apesar do resultado apertado, o jogo não foi muito entusiasmante... sendo que até podemos admitir que os Lagartos fizeram mais para ganhar (jogámos com uma equipa mais nova)!!! Com a curiosidade do Sporting ter tido 3 golos 'anulados' por fora-de-jogo (bem anulados, diga-se...). Mas acabámos por fazer o mais importante: somar os três pontos, e manter a liderança!

Jornalismo de esgoto

"Sintomático com o clube que representam: mesmas práticas de manipulação e deturpação da verdade, mesmas mentiras e mesmas tentativas de influenciar massas. Assim se propaga o ódio e a difamação.
Que o Sport Lisboa e Benfica se manifeste através dos meios oficiais e proíba os jornalistas desta lixeira em formato de celulose de colocarem um pé que seja no estádio da Luz."

Bordel 'ausente'!!!

"A análise foi unânime. A nota de capa habitual é que...sa fodam os lampiões!
Já agora, quem diria que árbitros para além do Artur Super Dragão e do Jorge Super Dragão Sousa apitam melhor que eles!!! Sim, o único erro grave de ontem foi a não expulsão de Luiz Phellipe...mas, ainda assim, foi um erro do VAR que deveria ter dado indicação ao árbitro principal da entrada assassina. Mas no VAR estava...Jorge Super Dragão Sousa...e quando é para beneficiar o seu Calor da Noite não há meio termo e é sempre a abrir!
Ilustração by "Estádio de Sítio""

Um jogo que valeu mais de três pontos

"Não compreendo todo o dramatismo que o FC Porto coloca em cada jogo. Tanto stresse competitivo acaba por afectar os seus jogadores

muito campeonato para se jogar, mas a jornada de sexta-feira foi santa para o Benfica. Quando o FC Porto, que jogava em casa, esperava que o dérbi lhe desse uma aproximação ao líder, tudo correu ao contrário. O Benfica venceu em Alvalade, o SC Braga foi ganhar ao Dragão e, de repente, o Benfica chega a uma vantagem de sete pontos sobre o seu mais directo rival, o FC Porto. O que quer dizer que o jogo de Alvalade, para já, não valeu três pontos, mas... seis.
Não há dois jogos iguais, nem há dois campeonatos iguais, mas vale a pena lembrar que, na época passada, quem tinha sete pontos de avanço era o FC Porto e, no entanto, foi o Benfica quem ganhou o campeonato. O que quer dizer que não há campeões a meio da corrida. Pode haver favoritos, isso sim, é uma evidência digna de La Palice que está mais perto do título quem tem mais pontos.
De qualquer forma, verdadeiramente impressionante a série de vitórias, e de golos, conseguida por Bruno Lage. Há factos e dados objectivos que não são discutíveis. O caso deste Benfica Lage é mesmo impressionante.

FC Porto desiludido. Pior do que isso, destroçado. Francamente não entendo o dramatismo que os portistas colocam em cada jogo. Não é fácil conseguir o melhor resultado dos seus jogadores quando se coloca tanta pressão psicológica, tanto stresse competitivo. Há momentos em que resulta, em que os jogadores se superam, mas também há situações, como as de ontem, em que, claramente, afecta os jogadores e diminui significativamente a equipa.
O caso dos dois penáltis falhados é paradigmático. Poder-se-á dizer que é um azar dos Távoras. Não foi só azar. Cada jogador do FC Porto joga sobre brasas e isso queima. Olhem para o Danilo, que mal fez ele a Deus para merecer tanta injustiça da parte dos seus?
Sérgio Conceição gosta da intensidade, da paixão pelo jogo, da noção quase patriótica da vitória,que deve ser conseguida da base da superação, da coragem e do sofrimento. Ora, isso é muito louvado pelos adeptos, mas a verdade é que é também muito desgastante para uma prova como um campeonato. Não é uma final, nem é uma corrida de cem metros. É uma maratona e o sofrimento como modo de vida é cansativo, mais do que isso, é extenuante.

SC Braga de Rúben Amorim é uma equipa que merece especial atenção. Pelo conceito, pelo modelo de jogo, pela personalidade. No Dragão, sobretudo depois de ter sofrido o golo do empate, quando se poderia esperar que os minhotos procurassem defender o pontinho, foram ambiciosos e afirmaram a sua nova condição de equipa grande. O Sporting que se cuide, que este Braga tem tudo para fazer uma segunda metade do campeonato surpreendente. Já não vai a tempo de discutir o título, mas vai muito a tempo de lutar pelo pódio e, sinceramente, não vejo, neste momento, melhor equipa para atingir o terceiro lugar.

Sporting em crise. A dezanove pontos do primeiro lugar, a meio do campeonato, não é uma situação confortável. Silas tem um trabalho ingrato pela frente, sobretudo depois do adeus de Bruno Fernandes. Uma inteira equipa para refazer. Mas refazer como? Onde estão os jogadores para fazer a transformação? Como costuma dizer o meu amigo Toni, que sabe e tem experiência grande de futebol, de burros não se fazem cavalos de corrida. Ninguém consegue esse milagre. E assim sendo, o melhor que o Sporting poderá fazer é pensar no futuro, sem se deixar contaminar pela ideia de ganhar no presente. Pode parecer doloroso pensar assim, mas é a única forma de salvar o Sporting.

Dentro da Área
A grande vitória do andebol
A jornada da Liga dominava tudo. Grandes jogos e grandes emoções. Oxalá que não tenha passado como nota de rodapé a magnífica vitória da Selecção de Portugal frente à Suécia (vice-campeã da Europa) em Malmo. Não foi, apenas, uma vitória num jogo. Foi uma vitória do andebol e do desporto português. Já uma vez aqui disse que os portugueses não têm bem a noção do que pode significar uma Selecção do andebol português vencer a França e a Suécia. Suponha que a Selecção de futebol vence a Espanha e a Alemanha. É isso.

Fora da Área
Os professores e as escolas
falta de professores nas escolas. O facto tornou-se constatável por evidência física. A solução foi a de permitir que os professores de inglês dessem português, talvez com Shakespeare em vez de Camões e o Hamlet em vez dos Lusíadas. E os professores de geografia, passam a dar história, talvez a história da República. Foi o que nos levou à criminosa menorização do professor na cadeia do sistema de ensino. Em causa está a formação dos estudantes. Em causa está o futuro do País."

Vítor Serpa, in A Bola

Intensidade mas falta de qualidade técnica

"Entrada fulgurante de Rafa: excelente sentido de oportunidade e tremenda eficácia

Ponto prévio
O remate da primeira volta da mais importante prova desportiva nacional engloba dois dos mais importantes jogos: Sporting - Benfica e FC Porto - SC Braga. Estes confrontos entre quatro dos cinco primeiros classificados vem realçar a coerência e a continuidade de um campeonato que insiste nesta fórmula requentada que tarda em renovar-se, potenciando o risco, já bem patente, de ver acentuada a perda de qualidade e interesse. Urge, por isso, agilizar medidas que alterem a repetitiva luta pelo título reduzida a duas equipas, a tendência actual para um futebol gourmet de posse e passe lateralizado que torna o jogo desinteressante e fastidioso, assim como bloquear o crescente desrespeito pelo estatuto do treinador, hoje descartável sem um mínimo de pudor pela sua condição técnico-profissional mas também e, sobretudo, humana.

Do estado de espírito
1. Para lá da tradicional rivalidade, a procura do assumir do seu habitual terceiro lugar, por um lado, e a possibilidade, por outro, da obtenção de uma vantagem de sete pontos em relação ao FC porto, eram factores a levar em conta nos jogadores do Sporting e Benfica, respectivamente.

Dos dispositivos tácticos
2. Equipas com modelos tácticas idênticos: duas linhas de quatro jogadores, um avançado assistido por um homem de ligação, Bruno Fernandes no Sporting e Chiquinjo no Benfica. Tal traduzia ideias semelhantes.

Das dinâmicas
3. Benfica a fazer jus à sua condição de líder, com melhor gestão dos tempos de jogo, alterações de ritmo e cadência, pressionando a primeira fase de construção do Sporting, obrigando a adversário a jogar em profundidade, o que não obstou a que as duas melhores oportunidades do primeiro tempo lhes pertencessem, ambas por Rafael Camacho. Tal quadro esbateu-se na segunda metade, com o jogo mais igual no que concerne à forma de jogar e ao domínio por parte de qualquer das duas equipas.

Conclusão
4. Sempre emocionante e contendo intensidade, agressividade e empenho por parte de todos os jogadores, a partida pecou pela falta de qualidade técnica e escassez de momentos de golo, relevando-se como um espectáculo de nível mediano.

Destaque
5. Rafa: entrada fulgurante, excelente sentido de oportunidade e tremenda eficácia. Foi decisivo na vitória do Benfica."

Manuel Machado, in A Bola

Sporting x Benfica: O regresso de Rafa a decidir o dérbi

"Dia de dérbi. Um dia diferente dos outros todos. A noite nunca é fácil. Adormecer a pensar quem serão os marcadores, se jogará X ou Y e se ganharemos. Acordamos com um sorriso nervoso na cara, um sorriso de quem, apesar de estar confiante, teme que a confiança não chegue. Porque um dérbi é um jogo cujo resultado, assim como a figura do jogo, é muito difícil de prever. É um dia em que o comum mortal tem a possibilidade de perceber qual o assunto da conversa dos outros, pois o assunto é sempre o mesmo neste dia, o jogo.
A prenda de natal, apesar de atrasada, havia chegado uns minutos antes do jogo começar. Rúben Amorim, treinador do Braga, não quis pôr o coração de parte, vestiu o fato de Pai Natal e deu a oportunidade ao Benfica de se distanciar do Porto por 7 pontos. O Benfica, claro, quis homenagear e deixou as decisões para um antigo jogador do Braga.
O Benfica foi a jogo com 2500 guerreiros na bancada e 11 gladiadores em campo. Bruno Lage não quis arriscar, colocando André Almeida por Tomás Tavares e Gabriel com Weigl no meio-campo. No banco começavam aqueles que para muitos são dois dos melhores jogadores da liga, Rafa e Taarabt. Os adeptos encaravam o jogo com um misto de confiança e de receio. Por um lado, confiança pois o Benfica não perdia em Alvalade desde 2012, o momento do Sporting não era o melhor e o último confronto havia tido como resultado 5-0 para o Benfica. Por outro lado, receio do excesso de confiança visto que da última vez que o Benfica foi para um jogo grande com esta confiança acabou por perdê-lo. Sobre o Sporting, é sem pena nenhuma minha, que vejo o clube nestas condições, sem adeptos, sem jogadores e, como é hábito, sem títulos. Alinhou com 11 jogadores e um meio-campo que nos fez pensar que qualquer um dos nossos médios, até os que têm tempo de jogo reduzido, tinham lugar claro no onze deles.
O jogo começou muito bem para o campeão nacional. O plano de jogo estava bem estudado, pressão alta no ataque, obrigar o Sporting a sair a jogar pelo Doumbia, este último era a referência de pressão devido aos tijolos que possui e tentar roubar-lhe a bola para um ataque desequilibrado em termos defensivos. Com bola, tentar chegar à área através de sobreposições ou de iniciativas de Pizzi ou Cervi de fora para dentro. Apesar de termos tido sucesso, não foi possível chegar ao golo. O Sporting arriscava em transições ofensivas rápidas, com passes longos, tentando ganhar as costas dos defesas através da velocidade. Basicamente, o que nós benfiquistas chamávamos "bater o bombo" com Rui Vitória. Na primeira parte, apesar de o Sporting ter tido a melhor oportunidade, numa bola ao ferro após erro de Ferro, o Benfica foi, no fim de contas, superior ao rival, criando mais oportunidades.
A segunda parte foi diferente, nos primeiros 10 minutos, os bombeiros de Alvalade a demonstrarem experiência ao conseguirem retirar as tochas atiradas pelos próprios adeptos, do relvado. Talvez tenha sido este o período do jogo do qual Silas falava, quando disse que o Sporting foi muito superior ao Benfica na segunda parte. As primeiras duas oportunidades foram do Sporting, numa altura do jogo muito física e pouco técnica. Aos 74 minutos, entrou o verdadeiro bombeiro, desta vez do lado benfiquista. Rafael Alexandre Silva. O regresso, depois da lesão a 23 de outubro."E como jogas, Rafael Alexandre" citando um jogador que a esta hora continua a levar baile do Gabriel. Que qualidade. Aos 80 minutos, numa jogada de insistência de Vinícius que conta com mais assistências em 2020 que Messi, Ronaldo, De Bruyne e Maradona juntos, um passe chega a Rafa que atira a contar, para um golo épico, daqueles que circulará nas redes sociais com a música de fundo do Titanic. Rafa mostrou que, mesmo que Bruno Fernandes saia do rival, o melhor jogador do campeonato não vai sair de Portugal. O árbitro deu, e bem, 10 minutos de desconto, numa tentativa de "Até o Sporting marcar" que se transformou em "Obrigado Ilori, mais um golo do Rafa". Aos 90+9, a passe do recém-entrado Seferovic, Rafa, de trivela, como já havia assistido Salvio contra o mesmo adversário em 2016, a bisar e a acabar com o jogo. Para os mais desatentos, Rafa veste o número 27, o primeiro dígito é o 2, um claro indício de que ia marcar 2 golos. O segundo dígito é o 7, um incontestável indicador de que o Porto ia ficar a 7 pontos.
O Benfica conta agora com mais vitórias do que o Sporting no duelo em Alvalade. É importante perceber isto e relembrar esta estatística pois quem é capaz de ter uma faixa no estádio com um campeonato que não venceu, também pode aldrabar isto. Consumado o resultado e os 7 pontos de vantagem para o Porto, o Benfica está muito bem encaminhado para o Bicampeonato. Mas que não se festeje já, jogo a jogo, gerir a vantagem. Com humildade, à Benfica.

Notas de jogadores:
Odysseas: 8
Muito seguro, como tem sido habitual. Defendeu o que teve de defender. Jogo de pés de excelência. 
André Almeida: 6
Não comprometeu mas não pareceu muito seguro. Continuo a preferir Tomás Tavares e espero que este jogo vos tenha esclarecido o porquê.
Rúben: 7
Rúben Dias parece um central feito para jogos grandes. É o líder da equipa e tem-no demonstrado bem. Esteve muito bem.
Ferro: 6
Não achei que tivesse feito mau jogo mas cometeu um erro, tal como nos últimos jogos. As exibições não têm sido más mas o erros têm sido crassos. Que volte à exibições imperiais.
Grimaldo: 5
Como já devem ter percebido, não sou grande fã do Grimaldo. Nestes jogos de maior exigência, a sua debilidade a defender é notória. Rafael Camacho foi o elemento mais perigoso do Sporting e não foi por acaso. Tem de evoluir muito.
Weigl: 7
Nota-se que ainda não está totalmente entrosado na equipa a nível ofensivo mas é muito importante na construção e a defender. Tem melhorado a cada jogo. Tem lugar no onze.
Gabriel: 6
Primeira parte sem critério no passe, tal como nos jogos anteriores. Tem parecido algo displicente e lento na execução. Na segunda parte melhorou muito, principalmente a nível defensivo e fez dançar Bruno Fernandes. Tem de ter cuidado, o último a ter feito isso já foi vendido.
Cervi: 6
Jogo esforçado, ajudou Grimaldo a defender e criou alguns lances ofensivos na primeira parte. Na segunda parte acabou por desaparecer.
Pizzi: 5
Criou uma oportunidade perigosa na primeira parte e esteve desaparecido do jogo. Nos últimos jogos o seu rendimento tem vindo a cair.
Chiquinho: 5
Fez um jogo pouco conseguido, não merecendo o aumentativo Chicão. Continua com o síndrome de Rafa 2017, de não conseguir marcar golos.
Vinícius: 7
Lutou muito. O primeiro golo chegou graças a ele, numa jogada de luta. Não marcou nos últimos 3 jogos mas contabilizou 4 assistências. Gosto muito.
Rafa: 10
Entrou aos 74 minutos e fez uma exibição perfeita. Este jogo ficará relembrado como o jogo de Rafa. Que monstro. É o melhor jogador da nossa liga e demonstrou-o. 2 remates, 2 golos, que eficácia. Há uns anos parecia impossível dizer isto. O herói."

O Sporting-Benfica sob a égide de Santa Priscila

"Sobra-nos Santa Priscila, que é hoje a triste metáfora de um futebol injustamente condenado por pérfidos poderosos, vilipendiado por fracos fãs e cuspido por cacofónicos comentadores.

Hoje, Sábado, bem a propósito, a liturgia católica celebra Santa Priscila, mártir dos primeiros tempos do cristianismo. Priscila, ainda jovem, foi condenada à morte no anfiteatro romano, devendo ser devorada por leões. Quando, porém, estes foram libertados para a atacar, ao contrário do que a turba esperava, os grandes felinos prostraram-se diante dela e lamberam-lhe os pés. Foi então devolvida ao cárcere onde a decapitaram e o seu corpo ficou vigiado por uma águia, que lhe protegeu o corpo de predadores necrófagos, até ser finalmente enterrada.
A noite passada em Alvalade, parece, nem foi das piores. Só houve rebentamento de petardos nas bancadas, antecipações noticiosas — horas a fio de directos — a exibirem forças policiais a acompanharem claques, cordões de segurança a separarem adeptos, jaulas de segurança para delimitarem espaços. Enfim, o novo normal do futebol português. Quem é que, no seu são juízo, vai e leva a família a este estado de sítio?
O futebol já me interessou mais, é certo; e o lugar comum, entre os meus amigos, de que a razão disso reside no meu sportinguismo comatoso — que infelizmente o resultado no campo e as cenas na bancada deste derby reforçam — não é totalmente desprovido de verdade, admito. Mas as principais causas são outras e estão há vários anos à vista. Ontem, infelizmente, foi só mais uma vez a regra, que teima em não ter excepção.
A violência crescente entre os adeptos, que no caso destes dois clubes já foi por duas vezes mortal, onde deveria reinar a sã disputa. A ignominiosa escalada verbal de acusações por parte dos dirigentes, fontes de acrimónia e exemplos de irregularidades, onde deveria residir a moderação e a seriedade. A verborreica animosidade de comentadores, que diariamente destroem a confiança na verdade desportiva e o bom gosto pela modalidade, onde deveria imperar o desportivismo e o respeito. O beneplácito de uma fraca comunicação social, ávida de mais circo e menos pão, onde deveria haver serviço público. Tudo isto não é novo e não parece querer mudar.
Norbert Elias e Eric Dunning, na primeira metade do século passado, escreveram um conjunto de ensaios sobre a Busca da Excitação através do desporto. A tese central apontava para o fenómeno desportivo como libertação de tensão numa sociedade crescentemente civilizada e contida. O que parece assim funcionar como válvula de escape pode bem crescer na directa proporção do controlo e contenção social forçada. Talvez não fosse mau termos uma sociedade mais livre e espontânea e com menos tensões acumuladas, e um desporto mais amistoso e menos bárbaro. Mas isto está mais próximo de wishful thinking que de cenário verosímil.
No fim do dia sobra-nos Santa Priscila, que é hoje a triste metáfora de um futebol injustamente condenado por pérfidos poderosos, vilipendiado por fracos fãs e cuspido por cacofónicos comentadores. Aos nobres símbolos de outrora grandes agremiações de interesse público, o leão do Sporting e a águia do Benfica, parece restar velar, triste e pacientemente, um futebol feito mártir. Parabéns ao Benfica."