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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Águia não se deixa abater

"Em Braga o Benfica esconjurou o logro usado e abusado por mestres da artimanha, afadigados e conluiados em colocarem-no à margem da luta pelo título.

O enorme interesse que o futebol suscita em todo o mundo está relacionado com a sua fácil compreensão, apesar do esforço feito, em sentido contrário, por treinadores e especialistas que complicam e juram ver o que mais ninguém enxerga, sem se darem ao cuidado de admitir que nenhum curso é preciso para se fazer a destrinça entre quem joga bem e joga mal.
Há casos, então, que entram pelos olhos dentro, do aí o meu espanto ao ler que Rui Vitória deu o aval à saída de Filipe Augusto.
Se não se valorizou quanto desejava não se deveu a menos interesse dos técnicos nem a défice de oportunidades. Simplesmente, o médio brasileiro não foi capaz de expressar a plenitude dos atributos futebolísticos que julga possuir. É compreensível, até, que se considere um praticante acima da média, mas da média idealizada e não da média dos padrões de qualidade a que o emblema mais titulado do país está obrigado.
É precisamente nesta discrepância que reside a surpresa pela notícia de aprovação à sua dispensa. Não a critico, pelo contrário. Apenas estranho a demora na decisão e a relutância em aceitar o insucesso de que se revestiu a mudança de Vila do Conde para a Luz. Tão pouco se alcança a razão do privilégio especial de que usufruiu, em prejuízo de outros, ao ponto de o treinador, para o proteger, ter assinado uma excepção para individualizar desempenhos ou opções; e fê-lo em mais de uma ocasião.
Filipe Augusto não interiorizou que a preferência do Benfica foi bênção na sua carreira. Faltou-lhe essa humildade, ou talvez não. Trata-se de um segredo de balneário. Provavelmente, o problema teve a ver com a sua aptidão para a prática da modalidade. Ou a falta dela para se impor num território de elevado grau de exigência profissional.
Tratou-se de um erro de avaliação, grosseiro. Não pela escolha em si, mas pela teimosia em aceitar o fracasso da operação, naturalmente geradora de indisposições em quem se sentiu de alguma forma empurrado para o fim da fila.
Quanto ao essencial, mais de um ano depois, verifica-se que se voltou ao ponto de partida: se haver um vazio por preencher... ainda está por preencher.

Excelente este Braga - Benfica, na abertura da segunda volta. Um jogo a reter: o visitado mostrou à saciedade os porquês de ser o quarto grande do futebol português e o visitante esconjurou o logro usado e abusado por mestres da artimanha, afadigados e conluiados em colocarem-no à margem da luta pelo título.
Compreende-se o entusiasmo de Vitória na análise ao êxito, assim como ele deve compreender as reticências da família encarnada, motivadas pelo passado recente. O que deve esperar-se daqui em diante, o Benfica da primeira volta, abúlico, soluçando, intermitente e raramente entusiasmante ou o Benfica que, mesmo empatando no derby, murchou a megalomania de Jesus, passou com autoridade em Moreira de Cónegos e brilhou em Braga, diante de oponente cheio de personalidade e boas soluções?
É pertinente a dúvida e Rui Vitória, sendo bicampeão nacional sem que nada lhe fosse dado, saiu-lhe tudo do corpo, ao contrário do que anunciam os correios da comunicação do ódio, deve reconhecer que ganhar menos do que os ouros candidatos colide com os interesses e a grandeza da instituição que serve.
Há quanto tempo o Benfica não oferecia exibições apreciáveis com regularidade tão prolongada. Três jornadas seguidas? Pois é, a receita tem sido mais do tipo semana sim, semana não. Por isso, foi-se a Liga dos Campeões mais as Taças de Portugal e da Liga. Foi-se quase tudo.
Neste espaço semanal, escrevi há duas semanas que a águia voa e há três que era a hora de Viera 'indicar aos jogadores o caminho para alcançar o objectivo supremo', voltando a abraçar uma experiência que domina. A propósito, li em A Bola que o presidente já está no terreno como agora se diz. Certamente de que a águia não se deixa abater e vai continuar a voar, se calhar mais alto. Afinal, por que motivo deixaria de fazê-lo? Pois, a interrogação justifica-se, sendo minha convicção que muito pouco (para não dizer 'nada') do que de frustrante aconteceu esta temporada se liga às vendas de Ederson, Nélson Semedo e Lindelof.
Mitroglou, todavia, faz parte de outra história. A sua ausência ainda é notada, faltando saber a quem pertenceu a ideia de trocá-lo por «promissor internacional suíço».
(...)"

Fernando Guerra, in A Bola

Das vitórias no Minho ao Carlos Manuel

"1. Se levarmos a sério o que se escreve nas redes sociais e até em alguns jornais respeitáveis, o Benfica só vence jogos porque os árbitros estão comprados ou, alternativamente, o adversário facilitou. Não há nunca mérito nas conquistas do clube. Acontece que em Braga, como na Luz contra o Sporting, o Glorioso mostrou um futebol envolvente e deixou sinais sérios de que o 4x3x3 começa a consolidar-se. As exibições foram, por isso, convincentes. O que tem efeitos: enquanto o Benfica agonizava em campo, como aconteceu até há bem pouco, os benfiquistas exacerbavam qualquer erro da arbitragem, que viam erradamente como a explicação para os falhanços futebolísticos. Agora que o futebol melhorou, o que os árbitros fazem em campo passou, naturalmente, a ser irrelevante. Convençam-se: esta asserção é válida para o Benfica como para qualquer outro clube.
Regressemos a Braga. Sintomaticamente, em três temporadas, Rui Vitória tem um registo 100% vitorioso no Minho. Na primeira época, foram cinco deslocações vitoriosas; na segunda, quatro; e esta temporada três. Como as saídas a Guimarães, Moreira de Cónegos ou Braga (deixemos de lado um já longínquo jogo para a Taça com o Vianense) estão longe de ser passeios, algum mérito o Benfica de Vitória terá na forma como encara estas partidas. Claro está que, para os adeptos das teorias da conspiração, este registo só serve para consolidar as suas hipóteses mirabolantes.
A difusão desta narrativa é, na verdade, apelativa. Para uns é a forma de justificar os próprios insucessos desportivos ("só não ganhamos tudo porque o Benfica tudo controla"), para outros é um exemplo do que Freud identificou como projecção – um mecanismo psicológico de defesa, através do qual atribuímos aos outros os nossos comportamentos (em particular os que procuramos reprimir).

2. Para quem foi contaminado pelo vírus do futebol no Estádio da Luz na primeira metade dos oitenta, o Carlos Manuel tem enormes responsabilidades na propagação dessa doença infantil. A verdade é que o tempo passa e o Carlão fez ontem 60 anos. No domingo, em entrevista a Record, mostrou que continua igual ao que sempre foi: "o menino que veio da Moita, das oficinas da CP, e deixou a vida correr". E deixa uma certeza: "podem não acreditar, mas as saudades maiores são dos amigos da CP, os que trabalhavam comigo. Encontrei gente maravilhosa no futebol mas aqueles sete ou oito com quem lidava diariamente na CP foram especiais". Recordo a Locomotiva do Barreiro pelas suas cavalgadas imparáveis e pelos remates certeiros, mas, acima de tudo, o que o Carlos Manuel me traz é a memória de um futebol que já não regressa e de jogadores que, ao contrário do que acontece agora, não viviam fechados numa bolha social. Foi assim quando brilhava nos relvados e continua a sê-lo hoje. É desta matéria que os ídolos são feitos."

A 'Fórmula GKC'

"O jogo em Braga já havia terminado há longos minutos e nas bancadas só já restavam as claques do Benfica (sim, porque não há forma de o negar: elas existem), que vozeavam com rara euforia o pregão "Aqui se vê a força do SLB". O campeão tinha, de facto, acabado de reclamar o seu estatuto, mas o arremedado manifesto parecia ir para lá da celebração, como se os adeptos quisessem também transmitir a ideia de que tinham entendido e aprovado a terapêutica que levou à regeneração. Sendo certo que só os profetas enxergam o óbvio, como diria Nelson Rodrigues, também não restam já nenhumas dúvidas de que a mudança para o 4x3x3 esteve para a equipa do Benfica como o ketchup está para os hambúrgueres: disfarça-lhe rapidamente as imperfeições e torna-os mais prazerosos e idôneos. E hoje salta à vista que o Benfica melhorou o seu jogo, já dá sinais de uma organização colectiva que parecia não existir e, tão ou mais importante, parece ter recuperado a alegria de jogar, como se tivesse recebido um banho de autoestima. É dos livros: o novo desenho, que passou a vigorar desde a visita a Guimarães, no início de Novembro, não é pior nem melhor, mas descomplica as compensações dentro da própria equipa. Dá-lhe simetria e uma plasticidade e uma arquitectura que facilitam a organização e o equilíbrio defensivo e potencia o dinamismo e até os movimentos e os passes de rotura.
O Benfica alterou o seu modus videndi (que já durava desde 2009/10, quando requisitou Jorge Jesus ao Sporting de Braga) e, em função disso, tornou-se mais compacto e competente, estando claramente a atravessar a sua melhor fase na época. É provável que a simples alteração de rotinas tenha favorecido o upgrade, da mesma forma que pode estar a ocorrer igualmente um fenómeno de superação, provocado pelas urdiduras dos emails e toda a restante fuligem que se conhece. Aliás, algo notório é a resiliência de uma equipa que, com maior ou menor competência, conseguiu contrariar as teses de derrocada iminente quando jogou no Dragão ou quando recebeu o Sporting. Teve pelo menos esse mérito, o de nunca se render. Também não custa fazer justiça a Rui Vitória, mais a mais porque é concebível que se sinta mais hábil e versado a trabalhar um sistema táctico que tem muito mais a ver com o seu anterior percurso. E, nessa perspectiva, até é possível incluir entre os proveitos a pressão inteligente, a boa reacção à perda e a prevalência nas segundas bolas, que contribuíram em muito para as dificuldades do Sporting de Braga e para um primeiro tempo admirável do Benfica, na linha do que já havia feito na primeira parte em Moreira de Cónegos.
Claro que é ainda cedo para tirar conclusões definitivas. Até porque só ter 16 jogos até ao final da época pode ser uma vantagem, mas a Champions e os grandes duelos nas taças internas não têm apenas como consequência o desgaste suplementar – servem igualmente para elevar os níveis competitivos na liga. Mas, mesmo que não se saiba se o Benfica irá manter as doses justas de tática, energia e detalhes individuais, há, pelo menos, algo que tem condições para se tornar duradoiro (e que é também resultado do novo sistema): o lado esquerdo do Benfica tornou-se no grande motor da equipa. Expressa-se através da "Fórmula GKC", em que os pequenos triângulos formadas por Grimaldo, Krovinovic e Cervi resultam num futebol associativo e demolidor que compensa (ou contraria?) os habituais excessos de vertigem. E não deixa de ser sintomático que a simples entrada na equipa do pequenino e jovem croata tenha ajudado a revolucionar todo o processo ofensivo (e não só). Consequência ou não, o Benfica passou a fazer boa parte daquilo que distingue as melhores equipas, até porque Fejsa é ainda mais competente e eficaz jogando sem ninguém ao lado e Rúben Dias e Jardel (de regresso aos melhores tempos) voltam a permitir uma defesa alta que já não é possível com Luisão. Claro que está longe da perfeição. Como se viu na segunda parte em Braga, continua a não saber gerir o jogo (e a vantagem) com posse de bola. E quase entra em delírio quando os adversários reagem forte. Mas também não ajuda lançar nessas alturas um Samaris cada vez menos lúcido e habilitado e cada vez mais exagerado e faltoso. Principalmente quando se tem no "banco" João Carvalho e Zivkovic…

Cinco estrelas - Suárez empurra o Barça
O uruguaio, que vai com 11 tentos nas últimas 11 jornadas, foi fundamental para tornear as habituais dificuldades do Barcelona no Anoeta: os seus dois golos ajudaram à reviravolta (2-4). E o Barça termina a primeira volta sem derrotas e com a terceira melhor soma de pontos de sempre.

Quatro estrelas - Klopp humaniza o City
As duas equipas mais goleadoras da Premier League ofereceram um show de bola e de golos. E o futebol fascinante do City foi finalmente derrotado, à 23ª jornada, por um Liverpool que, mesmo sem Coutinho, vive da pressão, da velocidade e do músculo. E nunca ninguém como Klopp ganhou a Guardiola (6 vezes).

Três estrelas - Guedes vale ouro
Depois de 4 golos, 7 assistências e muitas arrancadas fulminantes pelo Valência, o valor de Gonçalo Guedes disparou em flecha: o PSG já recusa vendê-lo por 40 milhões e já exige 70. Vai ser difícil excluí-lo do Mundial.

Duas estrelas - Swansea melhor com Carvalhal
O Swansea ainda segura a "lanterna vermelha", mas, pouco a pouco, lá se vai endireitando. Mérito de Carlos Carvalhal, que só perdeu um dos três jogos que dirigiu e foi empatar na casa do Newcastle de Bénitez.

Uma estrela - O 'circo' de Madrid
O Real Madrid de Florentino e Zidane é, cada vez mais, um "circo". A derrota em casa com o Villarreal deixou-o a 19 pontos da liderança, o pior registo em 12 anos. Também não ajuda o "jejum" de um Ronaldo que volta a passar a ideia de que quer mesmo sair."


PS: Para o autor da crónica: o facto de no final do jogo existir Benfiquistas nas bancadas de Braga a cantar 'Assim se vê a força do SLB', não prova a existência de claques, prova sim, a existência de Benfiquistas!!!

De volta ao TAD

"Esta semana regresso ao problemático Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) e a uma decisão cujo processo foi patrocinado e apoiado pelo Sindicato, proferida no Acórdão da Relação do Porto de 06-11-2017.
Com a entrada em vigor da Lei do TAD e a correspondente extinção da antiga Comissão Arbitral Paritária (CAP), para dirimir conflitos laborais em sede de arbitragem voluntária, muitos clubes, confrontados com acções laborais de reclamação de créditos no Tribunal de Trabalho e sabendo que o recurso a esta via judicial pelo jogador é esmagadoramente menos dispendioso que o recurso ao TAD, passaram a invocar, liminar e reiteradamente, a incompetência daquele tribunal, pois enquanto o tempo passa e sob a ameaça de maiores custos, pode ser que o trabalhador desista face ao valor reclamado na demanda.
Este Acórdão clarificou um princípio basilar de acesso à justiça e tutela jurisdicional efectiva, isto é, um jogador que se conformou no seu contrato de trabalho com determinado compromisso arbitral, no caso a CAP, e que seria, na interpretação de muitos empregadores, forçado a propor acção de reclamação dos créditos laborais no TAD, com diferente composição, procedimento e, sobretudo, custos, sabe hoje que pela alteração dos termos da arbitragem a que se quis submeter se aplicam as regras gerais em matéria de jurisdição, acedendo no caso ao tribunal de trabalho.
A inconstitucionalidade desta interpretação torcida é demonstrativa dos problemas deixados por um TAD pensado para a arbitragem necessária, mas para o qual a arbitragem voluntária tem sido "empurrada".
Reitero que esta decisão versa apenas sobre cláusulas contratuais para a anterior CAP. É caso para dizer, não vale mudar as regras a meio do jogo, em prejuízo da parte mais fraca."

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Lixívia 18

Tabela Anti-Lixívia
Benfica .. 43 (-4) = 47
Corruptos.. 45 (+3) = 42 (-1 jogo)
Sporting . 46 (+9) = 37

Mais um triste episódio do Tugão que vai ficar para história dos Corruptos!!! Este sim, merecia um baptismo, estilo EstorilGate!!!!
Vamos por partes, a Liga tem a responsabilidade de vistoriar os Estádios. Aparentemente os problemas na estrutura da bancada na Amoreira aconteceram ontem... Consequências do sismo?! Não sei...
A meio do jogo, descobriram as 'rachas', muito bem, só tinham que retirar as pessoas da bancada... como não havia perigo 'iminente' as pessoas podiam e deviam ter saído para fora do Estádio, não para dentro do relvado... Não sendo possível retirar todos para fora do Estádio, o relvado no limite podia ser utilizado, mas avaliado o problema, as pessoas deviam ter saído... e o jogo recomeçava! Nada justifica o tempo que as pessoas ficaram no relvado... O jogo devia ter sido retomado, na Segunda-feira... Ainda o ano passado em Santa Maria da Feira, no jogo do Benfica, houve um acidente na bancada, e não por isso que o jogo foi interrompido...
Mas todos nós sabemos que o jogo só não terminou ontem, porque o Estoril estava a ganhar ao intervalo... Tenho a certeza absoluta se os Corruptos tivessem a ganhar, teriam feito tudo para terminar o jogo ontem...
Estando o jogo parado demasiado tempo, a opção óbvia, era o adiamento para hoje (com a bancada fechada, e com os detentores dos bilhetes a serem ressarcidos)... com o calendário sobrecarregado que os Corruptos têm nas próximas semanas, a justificação para não quererem jogar hoje, é clara: recuperar o lesionado Brahimi...!!! Todas as outras justificações, são treta...
Não haveria qualquer problema em jogar 45 minutos hoje, e voltar a jogar na Sexta, em casa, às 21h, com o Tondela... O facto dos regulamentos permitirem a alteração da ficha de jogo, é simplesmente 'criminoso'... e é esta 'trapalhada' que levou a este vergonhoso adiamento.
Com esta decisão a 'verdade desportiva' é completamente pervertida...
Se houver justiça 'divina' talvez o Brahimi (e/ou outros) voltem a estar lesionados no dia 21 de Fevereiro!!!
No meio de tudo isto a Liga, demonstrou mais uma vez que não serve para nada, a não ser fazer as vontades todas aos Corruptos (e aos Lagartos)!!!
O jogo tinha que ser jogado no dia seguinte, e a Liga só tinha que impor-se... Mas quando os Corruptos, meteram-se no autocarro de volta a Gaia, no final da partida, ficou claro que a Liga não manda nada...!!! Medrosos, cúmplices, cobardes, corruptos...
Todo este triste episódio também prova que a Liga nem sequer tem competência para fazer Regulamentos, pois o regulamento tipificado para este casos é uma autêntica trapalhada... Quero ver se os Corruptos ou o Estoril vendem algum jogador que estava a jogar, até 21 de Fevereiro!!!
Também não deixa de ser curioso o 'silêncio' dos Lagartos!!!

Tudo isto, num jogo, onde mais uma vez o CA fez a vontade aos Corruptos, nomeando dois adeptos Corruptos para um jogo, fora, tradicionalmente difícil: Vasco Santos e Luís Ferreira como VAR...


Em Braga o Soares Dias bem tentou, mas não conseguiu... e o Benfica lá ganhou!!!
Curiosamente, o Soares Dias tem tido 'azar' em muitos dos jogos que já vez do Benfica!!! Recordo-me de um Marítimo - Benfica há muitos anos... de um jogo no Restelo, entre muitos outros, onde o então jovem Soares Dias, filho do outro, fazia arbitragens absolutamente absurdas contra o Benfica e o Benfica lá ganhava...!!!

O lance mais óbvio é o penalty sobre o Jonas, mas o resto não pode ser esquecido:
- Amarelos perdoados, ao Danilo, ao Jefersson, ao Paulinho (bis), ao Bruno Viana...; no lance do 1.º golo do Benfica, o auxiliar dá lançamento lateral ao Benfica, com o Salvio a pedir a bola, Soares Dias, altera a decisão, dá a bola ao Braga, o Jonas recupera, e o Salvio marca...; logo nos primeiros minutos um fora-de-jogo de 2 metros passou impune (não acredito que o auxiliar marcasse fora-de-jogo se o Fábio Martins chegasse à bola); na outra 'oportunidade' que o Braga teve na 1.ª parte, novo fora-de-jogo não assinalado...
- No penalty tivemos uma cascata de erros!!!
* O penalty é óbvio, claro... o árbitro só tinha que assinalar e depois o VAR podia confirmar ou não.
* A questão do fora-de-jogo não é óbvia, a linha virtual dá ideia que o 'tronco' do Jonas pode estar ligeiramente adiantado, mas este é claramente um daqueles lances 'em linha'... então sem linhas virtuais é completamente impossível de determinar com segurança se existia fora-de-jogo.
* O Soares Dias aparentemente consultou o VAR (não fez nenhuma sinalética), temos que recordar que o VAR neste caso, nunca podia 'opinar' sobre o fora-de-jogo, porque o protocolo refere que só em caso de golo, o VAR pode avaliar se existe ou não existe fora-de-jogo, e nesta jogada não houve golo... Aliás, o jogo recomeça com um lançamento lateral...
* Concluindo: tanto o árbitro de campo, como o VAR avaliaram o empurrão e 'acharam' que não houve falta! Se o Soares Dias ainda tem a 'desculpa' da decisão em tempo real (mais uma vez, não quis rever o lance na linha lateral), o Lagarto Godinho como VAR, já não tem essa desculpa: decidir, não haver penalty, é absolutamente criminoso... Um árbitro profissional, a ver na televisão as repetições, e não marcar penalty, deveria ser suficiente grave para nunca mais apitar um jogo na vida...!!!

Uma nota ainda sobre a nomeação do Soares Dias, alguns dias depois do Corruptos - Guimarães! Depois da pouca vergonha que foi o jogo no Dragay, o CA não teve pejo em nomear Soares Dias para um jogo do Benfica...
Para somar, ainda tivemos um tweet premonitório do Insolvente Marques, a 'adivinhar' a nomeação do Soares Dias para o Braga - Benfica, antes desta ser pública!!! Tal como aconteceu durante muitos anos, os Corruptos sabem com antecedência quais são os nomeados, para os jogos deles, e para os jogos do Benfica!!!

Em Alvalixo, mais uma arbitragem hiper-caseira:
- penalty cometido por Coentrão: mais um empurrão nas costas, sem qualquer intenção de jogar a bola... com o Jardel na Luz, foi mais grave, porque colocou a mão em cima do ombro do Jardel, mas este também foi falta... Seria o 1-1...
- penalty mal assinalado a favor dos Lagartos: é o Gelson que provoca o contacto, adianta a bola e dá um passo lateral, procurando a linha de corrida do jogador do Aves... O facto do árbitro ter marcado penalty, sem recorrer ao VAR é indicativo da predisposição das arbitragens actualmente em Portugal! Este penalty deu o 2-0 e a tranquilidade no marcador...
- Os Lagartos ainda protestaram mais dois lances, mas não houve nada... O facto do árbitro ter ido rever o lance à linha lateral num desses lances é caricato!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
3.ª-Belenenses(c), V(5-0), Rui Costa (Vasco Santos), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), E(1-1), Hugo Miguel (Veríssimo), Prejudicados, Impossível contabilizar
5.ª-Portimonense(c), V(2-1), Gonçalo Martins (Veríssimo), Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
6.ª-Boavista(f), D(2-1), Soares Dias (Esteves), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
8.ª-Marítimo(f), E(1-1), Sousa (Godinho), Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
9.ª-Aves(f), V(1-3), Almeida (Vítor Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Feirense(c), V(1-0), Godinho (Xistra), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
11.ª-Guimarães(f), V(1-3), Soares Dias (Malheiro), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
12.ª-Setúbal(c), V(6-0), Godinho (Pinheiro), Prejudicados, Beneficiados, (8-0), Sem influência no resultado
13.ª-Corruptos(f), E(0-0), Sousa (Hugo Miguel), Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
14.ª-Estoril(c), V(3-1), Pinheiro (Manuel Oliveira), Beneficiados, Sem influência no resultado
15.ª-Tondela(f), V(1-5), Tiago Martins (Malheiro), Nada a assinalar
16.ª-Sporting(c) E(1-1), Hugo Miguel (Tiago Martins), Prejudicados, (5-0), (-2 pontos)
17.ª-Moreirense(f), V(0-2), Mota (Godinho), Nada a assinalar
18.ª-Braga(f), V(1-3), Soares Dias (Godinho), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(f), V(0-5), Hugo Miguel (Sousa), Nada a assinalar
4.ª-Estoril(c), V(2-1), Godinho (Tiago Martins), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Feirense(f), V(2-3), Soares Dias (Tiago Martins), Nada a assinalar
6.ª-Tondela(c), V(2-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Nada a assinalar
7.ª-Moreirense(f), E(1-1), Godinho (Pinheiro), Beneficiados, (2-0), (+1 ponto)
8.ª-Corruptos(c), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Chaves(c), V(5-1), Rui Costa (Esteves), Beneficiados, Prejudicados (5-2), Sem influência no resultado
10.ª-Rio Ave(f), V(0-1), Sousa (Capela), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
11.ª-Braga(c), E(2-2), Xistra (Rui Costa), Beneficiados, (1-4), (+1 ponto)
12.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-2), Tiago Martins (Xistra), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Belenenses(c), V(1-0), Almeida (Godinho), Nada a assinalar
14.ª-Boavista(f), V(1-3), Godinho (Vasco Santos), Nada a assinalar
15.ª-Portimonense(c), V(2-0), Capela (Xistra), Nada a assinalar
16.ª-Benfica(f), E(1-1), Hugo Miguel (Tiago Martins), Beneficiados, (5-0), (+ 1 ponto)
17ª-Marítimo(c), V(5-0), Xistra (Esteves), Nada a assinalar
18.ª-Aves(c), V(3-0), Pinheiro (Sousa), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Braga(f), V(0-1), Xistra (Esteves), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Chaves(c), V(3-0), Rui Oliveira (Hugo Miguel), Nada a assinalar
6.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Sousa (Godinho), Nada a assinalar
7.ª-Portimonense(c), V(5-2), Luís Ferreira (Sousa), Nada a assinalar
8.ª-Sporting(f), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(c), V(6-1), Manuel Oliveira (Veríssimo), Beneficiados, (5-1), Sem influencia no resultado
10.ª-Boavista(f), V(0-3), Hugo Miguel (Tiago Martins), Nada a assinalar
11.ª-Belenenses(c), V(2-0), Veríssimo (Luís Ferreira), Beneficiados, (0-2), (+3 pontos)
12.ª-Aves(f), E(1-1), Rui Costa (Esteves), Nada a assinalar
13.ª-Benfica(c), E(1-1), Sousa (Hugo Miguel), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-5), Tiago Martins (Rui Oliveira), Beneficiados, (0-3), Impossível contabilizar
15.ª-Marítimo(c), V(3-1), Mota (António Nobre), Nada a assinalar
16.ª-Feirense(f), V(1-2), Veríssimo (Paixão), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
17.ª-Guimarães(c), V(4-2), Soares Dias (António Nobre), Prejudicados, Beneficiados, (4-2), Impossível contabilizar

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Alvorada... do João Paulo

Dane e a casa de banho do Hotel Meridien

"Há muita bandalheira para ser analisada no futebol português, como diz o presidente do FC Porto. Por isso vamos dar mais uma pequena olhadela ao que se passou com umas brasileiras que gostavam de se instalar em camarotes das Antas...

No dia 19 de Maio de 2004, o inspector-chefe da Polícia Judiciária António Gomes, acompanhado pelos inspectores Jorge Melo, Casimiro Simões e Nuno Pinto, e pela inspectara-estagiária Sandra Rodrigues, deslocou-se à Residencial Cativo, sita na Rua do Cativo, Porto, para obterem informações junto das cidadãs brasileiras Cláudia Cristiane e Maria Fabiana, de forma a confirmar os encontros de cariz sexual cujas suspeitas haviam sido levantadas pelas conversações escutadas.
É preciso acrescentar entretanto que, considerados pelos investigadores como suspeitas de 'corrupção activa e corrupção desportiva', a lista de suspeitos a ser escutados pela Polícia Judiciária alargara-se a Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, António Araújo, empresário com fortes ligações a Pinto da Costa, e a Jacinto Paixão, árbitro de futebol.
A diligência dos inspectores citados conduziu-os a Coimbra, onde residia uma outra cidadã brasileira, conhecida das inicialmente interrogadas, e que poderia ter mais informações sobre os factos em apreço.
Assim, foi possível obter declarações de Hannah Danielle Matias do Nascimento, conhecida por 'Dane'. Afirmou 'Dane' que numa determinada noite de Janeiro, na casa de banho de um quarto do Hotel Meridien, na cidade do Porto, tinha tido relações sexuais com um árbitro que lhe disse que havia acabado de dirigir um jogo do FC Porto. Esse encontro, afirmou 'Dane', foi combinado e pago pelo seu amigo António Araújo. O valor pago, segundo 'Dane', foi de 130 euros. Disse ainda 'Dane' aos inspectores da Polícia Judiciária que nessa mesma noite, no mesmo local, tinham acontecido mais dois encontros de carácter sexual entre duas colegas suas, de nome Gabi e Patrícia, e dois homens indicados por António Araújo.
A cidadã brasileira de nome Cláudia contactou então a referida Patrícia, que se pontificou a encontrar-se mais tarde, já no Porto, com os inspectores, o que veio a acontecer.
Patrícia, identificou-se como Celina Santos Fonseca, igualmente cidadã brasileira, sendo Patrícia o seu nome profissional. Confirmou Patrícia as declarações de 'Dane',acrescentando-se que mantivera relações sexuais com um árbitro de nome Paixão e que o encontro entre ambos tinha sido promovido e pago por António Araújo.
Perante a exibição que lhe foi feita de diversas fotografias de árbitros e árbitros assistentes portugueses no activo, 'Dane' viria a reconhecer o árbitro assistente Manuel Quadrado como o amigo de António Araújo com o qual manteve relações sexuais.

Mais brasileirices...
Cláudia Cristiane de Oliveira Gomes viria a prestar declarações nas quais confirmou ter conhecido António Araújo em Maceió, Brasil, tendo-lhe este sido apresentado por João Feijó, conhecido naquela cidade por ser presidente do clube Corinthians Alagoano.
Por sua vez, Celina Santos Fonseca, conhecida por Patrícia no seu meio profissional, seria interrogada no dia 19 de Maio de 2004 e, perante a exibição das fotografias, reconheceu o árbitro Jacinto Paixão como o homem que com ela mantivera relações sexuais no Hotel Meridien.
Durante o mês de Agosto, foi possível aos investigadores interrogarem mais uma cidadã brasileira, de nome Emanuele Almeida de Lima, conhecida profissionalmente por Gabi. Declarou Gabi que estivera com as suas colegas Dane e Patrícia no Hotel Meridien sob solicitação de António Araújo para prestar serviços sexuais a amigos deste. Diz Gabi que recebeu de António Araújo 150 euros pelo serviço dessa noite e mais 200 euros em contrapartida de um serviço anterior com um elemento do FC Porto.
Todas estas cidadãs brasileiras reconheceram ser habituais frequentadoras do bar Golden, sito na Rua Fernão de Magalhães, Porto, bem como noutros bares da cidade do Porto, como o Granada ou o Tamariz, actuando como 'alternadeiras'.
Desta vez, a investigação era obrigada a entrar no 'bas fond' da capital do Norte.
Mas, como já acontecera, a persistência daria frutos.
A vigilância ao suspeito António Araújo, trazia novos dados para acrescentar aos autos.
Mais duas cidadãs brasileiras que se dedicavam à prostituição e que mantinham contactos assíduos com António Araújo foram identificados: os seus nomes profissionais eram Denise e Josefa e actuavam em Lisboa.
Declarou Denise que o seu relacionamento com António Araújo já datava de há três anos e que este lhe tinha dito que era sócio de um individuo relacionado com o FC Porto e de nome Reinaldo Teles. Afirmou que costumava frequentar a boîte Gallery e que se deslocava com regularidade do Porto, a expensas de António Araújo e que mantinha com este encontros de natureza sexual pagos com valores que variam entre os 200 e os 500 euros. Referiu igualmente que, a convite de António Araújo, assistiu ao encontro entre o FC Porto e Manchester United no companhia das suas colegas Josefa e Andreia, esta entretanto a viver em Espanha.
Declarou Josefa que a primeira vez que se deslocou ao Porto foi na companhia de duas colegas, Denise e Andreia, esta entretanto a viver em Espanha, tendo sido apresentada a um individuo de nome António Araújo que, nessa noite, manteve relações sexuais com ela e com Denise no Hotel Tuela. Refere que no dia seguinte jantaram com o dito Araújo no Café Convívio, tendo este pago o trabalho da noite anterior com 400 euros, 'a dividir pelas duas, e assistido ao jogo entre o FC Porto e o Manchester United na companhia das duas colegas a convite de Araújo.
Como se vê, de cada vez que uma pedra sai do caminho, entramos na estrada de muitas bandalheiras.
E são sempre os mesmos."

Afonso de Melo, in O Benfica

"Uma «relíquia»"

"A história do par de botas que venceu o Carcavellos, em 1991, e, décadas depois ajudou a construir o 3.º anel.

Em 1959, a Comissão Central do Sport Lisboa e Benfica organizou uma série de leilões para obtenção de verbas destinadas à ampliação do Estádio. Entre eles, o 'Grande Leilão da Páscoa', no qual 'o primeiro objecto «posto em praça» foi um par de botas de futebol'. Mas não um par de botas qualquer...
Ao Clube chegou uma embalagem acompanhada por uma carta onde se lia: 'Tomo a liberdade de oferecer (...) as botas com que defendi as cores rubras do Benfica da velha guarda (...) para conclusão do nosso querido Estádio, que eu desejava ver concluído antes de partir deste mundo'. A oferta vinha de José Domingos Fernandes, antigo jogador 'encarnado' (1010/11 - 1914/15), que fez questão de frisar: 'Essas botas velhinhas representam para mim um elevado número de recordações'. 'Eram uma «relíquia», mas o amor que tenho pelo clube levaram-me a ofertá-las...'
São, realmente, muitas as memórias que este par de botas encerra, memórias pessoais e colectivas, de relevo para a história do Benfica e do futebol nacional. E foi a referida carta de doação que Fernandes desvendou algumas memórias: 'Este tremendo par de botas foi por mim comprado com o meu rico dinheiro pela elevada quantia de dois escudos, (...) a nona parte do meu ordenado'. Conta ainda que foi com ele que ajudou o Benfica a vencer os 'mestres' ingleses do Carcavellos Club, então considerado o melhor clube a jogar em Portugal, a 19 de Fevereiro de 1911, e que foi também com elas que, a 26 de Junho de 1913, partiu para o Brasil, na 'primeira excursão de projecção internacional organizada pela Associação de Futebol de Lisboa, da qual faziam parte 8 jogadores do Benfica'.
Nesse leilão, que decorreu a 18 de Abril 'com todo o aparato das grandes realizações benfiquistas', as botas de José Domingos Fernandes 'acabaram por ser «conquistadas» pelo eng.º Maurício Vieira de Brito, o qual, atendendo o que o ofertante fora um antigo atleta «encarnada», decidiu oferecê-las para o museu do Clube'. E assim as botas de Fernandes voltavam a ajudar o Clube numa importante conquista, a construção do 3.º anel - cuja primeira fase viria a ser inaugurada a 5 de Outubro de 1960 -, e eram incorporadas no acervo do Sport Lisboa e Benfica. Hoje, é aí que permanecem, encontrando-se em reserva no Departamento de Reserva, Conservação e Restauro."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Margarida despetalou-se...

"Para Guimarães Rosa as pessoas não morriam: encantavam-se. Gosto. Gosto que as pessoas não morram. Gosto que as pessoas não me morram.

Maria Margarida Ribeiro dos Reis foi uma mulher entre homens. Uma mulher que administrava um jornal de homens feito para homens, porque era assim no tempo em que lá cheguei. Aliás, era curioso que “A Bola” tivesse duas mulheres na gerência: a filha de Ribeiro dos Reis e a filha de Vicente de Melo.
A gente em geral tratava-a por doutora.
A doutora gostava da Redacção, do ritmo da Redacção, daquela vida de ir atrás da vida, procurando desvendar o segredo dos homens e da Humanidade.
Tinha nome de flores num jardim que acabaria por se encher de cardos. Fumava uns cigarros fininhos, coloridos, seguros entre os seus dedos compridos, gostava de companhia para almoçar, detestava almoçar sozinha, procurava, aqui e ali, nas salas da Travessa da Queimada, um ou outro daqueles pelo quais sentia maior carinho, e depois descíamos a Rua Diário de Notícias com o cuidado inevitável dos seus saltos altos a caminho do Farta Brutos, do Oliveira, do Ramiro, havia lá uma placazinha de azulejo com o seu nome, tal como havia uma com o nome do Saramago, e ela contava histórias dos primórdios do futebol, das ideias do seu pai, o tenente-coronel Ribeiro dos Reis, da amizade que criara com Stanley Rous, primeiro, e depois com João Havelange, presidentes da FIFA, de como tirara um curso de arbitragem e estivera em 1958, na Suécia, naquele Mundial que viu nascer Pelé e morrer Cândido de Oliveira.
Fumava, fumava muito, fumava sempre muito.
Conversava com o gosto de um golo de whisky, em copo alto, com um bocadinho de gelo, e depois queria ter Paris nos olhos e o assunto passava então a ser Paris, a sua Paris, uma Paris (adivinhava eu, com receio de lho perguntar) cidade-luz-da-sua-solidão.
Fui embora de “A Bola” antes de Margarida Ribeiro dos Reis ter vendido as suas quotas e ter abandonado o jornal que o seu pai fundou. No dia em que decidi que não havia mais lugar para mim nas Cinco Letras Mágicas, como lhe chamou um dia Vítor Santos, tivemos uma conversa longa, longa. Sabíamos que era um adeus. Não um daqueles adeus de até já, volto dentro de momentos, encontramo-nos aí pela rua um desde dias, vamos almoçar a qualquer lado (mais provavelmente ao Farta Brutos, na Travessa da Espera), manter-nos-emos em contacto.
Mantivemos. De forma cada vez mais rara. A última, salvo erro, com o João Bonzinho, lá para a Ericeira para onde se mudara entretanto. Olhando um mar revolto.
Às vezes falávamos ao telefone. Palavras curtas.
Promessas de almoços por cumprir.
A verdade é que havia uma coisa que nos magoava a ambos, igualmente, muito mais a ela como não poderia deixar de ser. Uma mágoa comum de “A Bola” ter deixado de ser “A Bola”. Ser outra coisa, muito distante, cada vez mais distante.
A doutora Maria Margarida Ribeiro dos Reis gostava de pessoas. Com ela, havia coração. Um coração de senhora que adorava chegar cedo ao seu escritório na Travessa da Queimada: foi a única dos administradores a ter um gabinete no mesmo andar do da Redacção.
Talvez a distância vá corroendo a ternura como o tempo corrói o ferro.
Pode ser que não: continuo a sentir por ela a ternura de sempre.
Ainda bem, que Guimarães Rosa não deixa que as pessoas morram. Sinal que estará aí, fumando o seu cigarro coquete, parisiense, preso nos dedos magros. O pior que pode acontecer-lhe é, diria Vinicius, despetalar-se..."

Benfiquismo (DCCXIX)

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